Vous êtes sur la page 1sur 3

O ACENDEDOR DE LAMPIÕES

Lá vem o acendedor de lampiões da rua!


Este mesmo que vem infatigavelmente,
parodiar o sol e associar-se à lua
quando a sombra da noite enegrece o poente!

Um, dois, três lampiões, acende e continua


outros mais a acender imperturbavelmente,
à medida que a noite aos poucos se acentua
e a palidez da lua apenas se pressente.

Triste ironia atroz que o senso humano irrita:


ele que doira a noite e ilumina a cidade,
talvez não tenha luz na choupana em que habita,

Tanta gente também nos outros Insinua


crenças, religiões, amor, felicidade,
como este acendedor de lampiões da rua!
DOMÍNIO RÉGIO

Investiguei a Grécia em Platão e em Homero,


vi Sócrates beber a taça de cicuta…
Depois passei a Roma e analisei de Nero
na boca de Petrônio essa face corrupta.

Conheci Santo Anselmo e São Tomás, Lutero,


estudei de Voltaire a inteligência arguta
e finalmente andei como se fosse Asvero
pela Ciência e a História em requintada luta…

Mas a Arte é que me impõe o seu domínio régio


e é por isso que adoro a mão de Tintoretto
e a sublime palheta e o pincel de Correggio…

E é por isso que eu amo o verso alexandrino


e burilo, Mulher, este pobre soneto
inspirado a pensar em teu perfil divino.
CIPÓS

Vegetação bravia. A floresta é do norte;


coqueiros, bambuais, jequitibás frondosos
e presa à selva inteira os cipós portentosos
oprimida e sofrendo o mesmo abraço forte.

Pequenos vegetais condenados à morte


que dantes eram bons e de galhos seivosos,
agora têm alguns, raquíticos, nodosos
gravetos outros já, recurvados sem porte.

Sublime foi então este arvoredo esguio:


a pletora da selva ia outros matando
como o forte aniquila quem é doentio.

Então ele fugiu à compressão funesta,


estirou-se, alongou-se e em cipós se tornando
ei-lo feito opressor esmagando a floresta.