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Salvador

cidades ilustradas
MARCELLO QUINTANILHA

Salvador
Prefácio de Antonio Risério

Patrocínio: Apoio:
Copyright © Marcello Quintanilha

TEXTO
Marcello Quintanilha

VERSÃO (inglês)
Matteo Viola e Jonathan Lewis

REVISÃO
Denise Cenci Cidade do Salvador da Bahia de Todos os Santos. São três. A
ARTE FINAL primeira, a matriz, a célula-mater, as igrejas barrocas, as
www.ArquimedesEdicoes.com.br
sinuosidades do urbanismo medieval-islâmico, os templos dos
deuses africanos. A mulata velha, de que falavam nossos
CIP-BRASIL. CATALOGAÇÃO-NA-FONTE
SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS. RJ antepassados. Cidade senhora de si, imponente, soberana - velha
Q68c
capital do Atlântico Sul. A segunda é a mulata nova, cidade
Quintanilha, Marcello, 1971 -
Cidades Ilustradas - Salvador / Marcello Quintanilha. moderna, estridente, colorida, com suas avenidas, seus shopping
Rio de Janeiro : Casa 21, 2005
80p. : il. ; centers, seus trambolhos arquitetônicos, seus delírios elétricos no
ISBN 85-88627-07-8 carnaval. E a terceira? É a que - comparando a primeira e a segunda

1.Salvador (BA) - Obras Ilustradas. 2. Salvador (BA) - Ficção. - ainda vamos construir para nós mesmos. E é bom pensar com
3.Salvador (BA) na literatura.
I. Título. II. Título. Salvador
cuidado. Nenhuma cidade é eterna. Mas, uma vez que sai da luz do
sonho para a luz do sol, dura um bocado. Entre a cidade-saudade
05-2168. CDD 918.1421
CDU 913 (813.81) e a cidade-cedida, qual será a próxima que vamos tecer?
08.07.05 13.07.05 010849

Todos os direitos desta edição reservados à: Antonio Risério


Casa 21 Ltda
Rua do Catete, 92 – casa 21
22220-000 Rio de Janeiro RJ
Tel.: (21) 2205-8661
www.editoracasa21.com.br
— Quem?
— A bola da vez.
— A bola da vez é quem, seu Bahia?
— Hômi, a bola da vez fica sendo o marido. Se o cara não tem
farinha no saco pra ganhar campeonato, a mulher rebaixa ele pra
segunda divisão é na hora!
— Ganhar campeonato, seu Bahia?
— Ganhar campeonato, hômi. Campeonato é ali, todo dia, um
gol atrás do outro. Agora, o cara chega em casa, fica só batendo na
trave, a mulher dá cartão vermelho; quem sobe é o aspirante.
— Tem que entrar duro, né seu Bahia, senão o cara perde a
posição.

DOIS DE JULHO: DIA DA VITÓRIA


— Tem que ser artilheiro.
— E se o cara é artilheiro mas só pega time retrancado?
— Aí tem que atacar pela lateral pra abrir a defesa, pra poder
entrar pelo meio…
— E se o cara é casado?
— Tem que sair da marcação.
— Se a marcação é homem-a-homem?

— Aí tem que ir entrando na área com bola e tudo.


— Ô, seu Bahia, é verdade que o senhor não passa pelo
Corredor da Vitória?
— Passo, não.
— É raiva do Vitória, é?
— Né raiva, não.
— É o que é, então, seu Bahia?
— É pra não facilitar com a parecença do nome.
— Seu Bahia, o senhor tem beiju?
— Não, tem Beijoca.
COQUEIRO DA PIEDADE:
ESTAÇÃO DA LAPA
Onde os lápis flexibilizam a língua.

Onde todos os números


encontrarão abrigo.

Onde se recupera o
sistema auditivo!

Onde a mãe de um casal de filhos, antes de descer os degraus da


estação da Lapa, olhou pra trás, procurando um pedaço do seu
passado…

Onde o rapaz que compra ouro foi se abrigar do


sol à sombra do coco gelado.

E onde Nininha tinha certeza que todos percebiam que ela não era ainda uma mulher…
É assim:
Primeiro Hildo pergunta aos dois gringos que acabaram de descer do táxi e tiram fotos da Igreja da Palma se eles querem — Esses gringo vem pra cá, tudo louro, bota logo rasta… Louro de rasta.
ver a casa onde filmaram “Dona Flor”. — Ai, eu acho horrível! — sentenciou Janira.
— Dona Flô? Só depois de muitos minutos é que Élder consegue controlar o riso e perguntar a Hildo, que se agachara para melhor apreciar a correria dos gringos:

MOURARIA: UMA CONTRIBUIÇÃO, SOMENTE ou


SEU MARIDO E DONAS FLORES

— Ué, eu fui dar o dinheiro mas ele virou as


costas! — Sópa
no meu , sópa, n
explica: seus dois
ada, vé
Aí Hildo na Flor e irando
— É que ele não deve querer receber dinheiro, dinheiro
ombro,
não, que io! Num mete a
— O fi lm e “ D o
a q u i p e rto, bem v quer que pague a cerveja; o pessoal daqui parece que , não! —
o outro
eu não p
rec
mão
ado
… Foi film ui, numa casa que
tá à pedir a c
erveja a gringo s iso do teu
maridos” a , a q é orgulhoso. preciso o rapaz e apress
a em
esquin de você da vend
aqui essa om cara d
e Os três regressam passando por Élder, a princípio mim, nã m e pagar
porra ne
a — e u n ão
venda… e o lh a m , assim, c e io fi o, risonho, mas por agora taciturno, à espera da hora de o, s
cerveja a eu filho da desg nhu’a pr
ss om a
Os gringo u tr o , sentado n entrar, que é quando um dos gringos toca-lhe o mesmo!
í! Deixa
a cerveja
raça! Ag
or
não?”, a í o
, diz assim
: Deixa aí aí! Aí no a deixa a
“por que e c h ama Rato uma
ombro, afetando intimidade: “cauma, eu já vai dá a
Enquanto e se sum
a daqui! hão,
c
que eu ac
h o q u
, s o mente, de ceveicha, pensô que eu non ia voutá? Pensô que eu ia os gring
te pre c is a eja — fala m caminha os inicia
— A gen ui, pra nossa cerv conta fugí?” da apres
sada, log m um
tr ib u iç ã o, aq a r a c a u s a de que
a
correria,
Élder co o transfo a
con anh olverem — Tá pensando o quê, meu tio! Tá maluco, seu ntinua rmada e
melhor g os de dev le jeito — Se sa
ia daqui! :
m
assim para o s g ri n g viado? Tá pensando que eu tô precisando de você me desgraç
posição d ente topam, daque a! S e s aia daqu
com a dis lm pagar porra nenhu’a! Não mete a mão no meu ombro, i, suas
. Eles gera Só que a
gentileza não, tá ligado? nunca fic h o r a d e Élder v
lado:
meio enro Tudu ben… com eles, Os gringo ficam com aquela cara de “que é isso, começa
ou bem
ensaiada oltar pra cadeira
— Ah… re ce para ir s todo m , porque
tão, s e o fe mas foto meu rei, era brincadeira”: — Viu a undo a rir… sempre
Hildo, en ; e d e p o is de algu güa — Cauma, era só pa… c a r a
n q
a esquina m, lá na lí
Descero u
virado n e eles botaram,
dobrando s d o is confabula a porra, véio?
a, o véio!
da fachad
deles :

— Ai, ai… É verdade mesmo que filmaram esse filme nessa casa aí?
— Sei lá, não vi o filme.
Clarindo Silva, coordenador do Projeto Cultural Cantina
da Lua, presidente da Associação dos Amigos de Nelson CANTINA DA LUA: LUA, Terreiro…A Benção a gente tinha uma visão de que
podia ser o grande atrativo, que na realidade se
Maleiro e atual presidente da Associação dos Comerciantes
do Centro Histórico. LUAR, TOMA TEU FILHO transformou no grande, eu diria assim, no grande
processo alavancador da revitalização… Por incrível
— E meu primeiro contato com o centro histórico, PRA TU CRIAR que pareça, no primeiro show, apesar de nós termos
ele passa até por conta de um fato curioso, que minha trazido a nata dos artistas baianos, Batatinha, Ederaldo
mãe tinha mandado uma carta pra nossa tia nos esperar esvaziamento do Centro Histórico. E esse Gentil, Edil Pacheco, Riachão, Claudete Macedo, Miriam
aqui na Navegação, e essa carta chegou dezessete dias processo se agravou exatamente a partir dessa Teresa, Tuninha Luna, Walmir Lima, Nelson Rufino e só
depois que nós estavamos aqui. E aí, coincidentemente década de 70, quando saiu daqui a Faculdade de tiveram 55 pessoas na frente do palanque! E apesar
minha mãe tinha sido empregada doméstica de uma Medicina, saiu o Instituto Médico Legal, saiu a dessa coisa desanimadora, nós não recuamos. Já no
família tradicional aqui do centro e foi a casa que nos sede do Incra, saiu a Academia de Letras da Bahia, primeiro ano nós fizemos a festa do primeiro ano do
abrigou nos nossos primeiros dias aqui em Salvador. fecharam o Cine Santo Antônio, fecharam o Cine aniversário da Cantina da Lua e trouxemos, na época, a
Nós fomos morar no bairro do Pau Miúdo, mas todas as Popular, desativaram o Plano Inclinado do Pilar, Zezé Motta que era a grande estrela de uma novela… E
vezes que — aí, eu, lógico, todos nós tinhamos que desativaram o elevador do Tabuão, houve um conseguimos botar mais de 3 mil pessoas no terreiro, o
trabalhar, eu já comecei a trabalhar com oito anos de incêndio no Liceu de Artes e Ofícios, houve, que significa dizer que já tinhamos quebrado boa parte
idade — mas todas as vezes que precisava preparar um tiraram o terminal de ônibus da Praça da Sé… E aí do preconceito! O que me deu ânimo pra continuar
tabuleiro de vendas eu vinha sempre pra o lado do em 83 nós reunimos aqui na Cantina boêmios, tocando o projeto, tanto assim que nós fizemos 800
Pelourinho. E aos 12 anos eu comecei nessa casa intelectuais e alguns biriteiros anônimos e criamos shows, ousamos trazer quatro Ministros de Cultura;
exatamente como empregado doméstico, que a porção essa Festa da Benção; criamos um projeto todos em frente a Cantina da Lua. É, foram shows com o
maior do prédio era o Bazar Americano e a Cantina da chamado Projeto Cultural Cantina da Lua cuja você pode imaginar de artistas: Pinduca, lá de Belém do
Lua eram só duas portinhas lá no canto. E a partir daí eu proposta incial era lutarmos pela revitalização e Pará… Nós buscamos nacionalizar e internacionalizar a
entrei como empregado doméstico, fui batedor de pela preservação da nossa memória cultural, e aí é questão da degradação do Centro Histórico. Nós
ferrugem, auxiliar de balcão, balconista, subgerente, que surge a Festa da Benção e o Samba no nacionalizamos quando grandes artistas brasileiros e
gerente, contador, fiz um curso de especialização em alguns internacionais vieram pra aqui… E aí nós
jornalismo, fui trabalhar n’A Tarde, depois d’A Tarde fui trouxemos quatro Ministros de Cultura, ousamos
pro Jornal da Bahia, do Jornal da Bahia fui pra Tribuna entregar ao Papa um documento, uma carta do Projeto
da Bahia e já em 71 eu pedia as contas do Bazar e a Cultural Cantina da Lua… Na carta eu falo do
conta no jornal… Aí, a partir de 71 eu arrendei a abandono da Igreja da Barroquinha, onde o padre
Cantina. A Cantina foi fundada em 45 por Renato Antônio Vieira fez grandes pregações, falava também
Santos, eram duas portinhas… Me lembro, comprei um do abandono da Faculdade de Medicina, que foi a
fogão de u’a boca, comprei duas chaleiras, duas primeira escola jesuíta do Brasil, falava do desemprego,
panelas, duas caçarolas, é, duas cordas de caranguejo, da esterelização das mulheres negras, da mortalidade
três cordas de siri, cinco dúzias de lambreta e comecei infantil… Então nós fizemos um manifesto à nação; nós
minha vida. Então, a partir desse período aqui, o centro não paramos, como hoje nós continuamos brigando e
já estava passando por um período de degradação. Nós mostrando que é importante que se revitalize o Centro.
tinhamos as ditas famílias tradicionais que tinham saído Mas nossa primeira grande vitória, ela acontece
daqui pra o Corredor da Vitória, pra Graça, pra Barra; e exatamente em 1985 com o tombamento do Centro
de certa forma nós já sentiamos o processo do Histórico como Patrimônio da Humanidade…
“A Angola ela tem um lado, ela é uma coisa que você tem na cultura baiana que é
essa coisa meia barroca da cultura baiana, né? Ela responde muito por isso, ela é em
câmera lenta, ela se joga rente ao chão… Quem olha a primeira vez, não diz nem que
aquilo é uma luta. A Regional não. A Regional, faz parte da forma de expressão dela
mostrar que aquilo é uma luta; o jogo é em cima, se joga rápido. O Bimba não queria
perder isso de vista, tá entendendo? Ele queria que esse lado guerreiro, essa coisa da
capoeira, que ficasse à vista, queria que se manifestasse.”
(baseado em depoimento cedido por Frederico José de Abreu)

“Eu vou descendo,


pensou Cinzal, “eu descendo, descendo
vou descendo, desc ”,
descendo…” endo,
— Ô, mai frêndi, va
De acordo como ia Ver! Tu si, um espe mos ver, bói… Tu si.
vendo se o pessoal táculo… Espetácul
chegando ou não, Ci ia andestêndi? Tá com o! Capoeira, Mas não havendo m
exigência pelo qual
nzal ia descendo o ní
vel de eç
Agora! Náu! Camôm ando! Agorinha mesmo! de uns tempos pra cá aneira de fisgar os gringo —
ele
quem convidava a as
selecionava as pess
oas a , mai frêndi, camôm
. digamos a verdade — s andam meio escorregadios,
sis Dirigia-se primeiro tinha mesmo é que ir
rapazeada que estav tir à roda de capoeira ali da turista, né? Aquela
àqueles, assim, com
pinta de
de exigência, até ser
obrigado a dirigir-se descendo
a sempre “começan cara que passasse, como ao primeiro
embora muitas veze do”, Senhor do Bonfim… vermelha, cheio de fita do esse rapaz aqui:
s só lograsse atrair ge Não abria mão do em
a assistência muito nte para método mais persu prego de — Camôm, mai frênd
depo i, camôm, vamos ver
vezes — ainda que ra is da louvação e, por braço nos ombros
asivo, como pousar
o espetáculo de capoeir um
apresentação.
ro —, já no final da do iminente especta imenso — Que é isso, véio,
a…
melhor conduzi-lo dor, para sou aqui de Salvado
ao local da apresent Não tá vendo logo?
não importa o quan ação, porque Sou gringo, não, véio r mesmo!
to se recusem no in cor… Tenho cara de . Olhe minha
nôu, mai frêndi, iú, ício, “nôu, gringo?
você, vai a-do-rar” — Oquei, mai frênd
a pessoa, no final, , ele sabe que
até colaborar, enten
vai gostar tanto qu
e vai querer cavalheiro vai aprecia i, camôm. Venha. Venha, que o
deu? r muito, vai querer até
andestêndi? Co-la-b colaborar,
TERREIRO — Co-la-bo-rar, an
andestêndi? — dizia
destêndi? Vai colab
orar,
o-rar.
O rapaz ainda referi
u sua escassez de tem
, enquanto mostrava Cinzal, passando-lh po, mas
DE JESUS: o polegar roçando
mundo que colabor
no indicador. Porque ao gringo
não é todo advertiu que “nôu, nô
e o braço por cima do
u, mai frêndi, você va
ombro,
a, não, hein? E já ac muito, veri mach, va
i querer até colaborar i gostar,
CAMÔM, MAI mais de uma vez se
determinada quantia
r obrigado a obstar
a
onteceu de
rar”, e enquanto mos
tra
, co-la-bo-
, sugerindo que ela o indicador, quis sabe va ao jovem o polegar roçando
FRÊNDI substituída por som
oquei, mai frêndi?”
a mais contundente,
fosse
“por favor,
r
suficientemente claro se dessa vez seu inglês fora
, acariciando-lhe o pe
numa gentil demostra scoço,
ção da cordialidade
— Andestêndi? do baiano:
— A-A-Andestêndi.
: A RI MA
R I N H O
PELOU CEL A
R
DE MA

— Italiano?! Mas não parece


! Parece que
você é de outro lugar, mas ital
iano não
parece, porque você não tem
sotaque.
— É que eu moro aqui em Sal
vador há onze anos. Tô no
paraíso, né? Meu primo é que
chegou agora.
O primo em questão era justam
ente a terceira pessoa à mesa;
efetivamete, chegara ao Bra
sil havia poucas semanas e ain
se aventurava com a língua. da não
Marcela olhava fixo as pedras
do calçamento, depois de
trocar telefone com os dois ital
ianos e assegurar que, no dia
seguinte, traria uma amiga par
a acompanhar o primo que
permanecera calado.
É que vivia longe do centro.
Ia descer a Ladeira do Tabuão
para pegar o ônibus no Comé ,
rcio, quando se lembrou de tom
um refrigerante — afinal, não ar
consumira nada na mesa dos
italianos. De lá ia até a Estaçã
o de Calçada, onde pegava o
até Paripe. Deixou a bolsa esc trem
orregar do ombro nu, perlon
o vestido branco, quase tran gan do
sparente, até ampará-la com
Ergueu a cabeça, ou antes, tom a mã o.
bou-a para trás, ao modo de
de cima para baixo. Os passos olhar
sucediam-se lentos, como se
fizesse redobrado esforço par
a levar adiante o corpo.
E por que Marcela inventara
aquilo de ter morado na Itália?
Não contava que ele conhec
esse Treviso, nem que uma
com um nome assim — que cidade
ela tinha lido um dia — pudess
conhecida de muita gente… e ser
E por que só se arrependia das
coisas depois de já tinha feit
o?
Como era o verso que lhe can
tava seu avô, no parapeito da
janela? “Fecha a tampa da pan
ela, bota Marcela na gamela
embora pra capela!” e leva

“Leva embora pra capela.”

Leva embora pra capela…


Na baixa dos sapateiros a vendedora da loja de roupa chamou um
homem que passava na calçada:
— Venha, moreno, venha conhecer nossa loja…
Mas o homem não lhe dispensa atenção.
BAIXA DOS Na Baixa dos Sapateiros, outra vendedora chama outro homem:
— Venha senhor, venha freguês, conhecer nosso artigo de primeira.
SAPATEIROS: Um sorri, diz que não, não, agora não, obrigado; outro pergunta o
preço, apesar da etiqueta visível; uma senhora também pergunta um preço.
APARELHOS Um outro, que a vendedora não chamou, entrou na loja, examinou
detidamente a vitrine… Mas nenhum comprou.
PROJECTORES — Venha, moreno, pode entrar, moreno… Pra conhecer nossa loja…
Quando o freguês passa pelo meio da rua pra não dar com elas, pra elas
não chamarem, apresentar produto, ou quando faz ignorância, elas também
vão e falam:
— Vai, pedaço de cavalo, vai!
Na Baixa dos Sapateiros, um gerente chamou a atenção de outra
vendedora, para deixar de conversê na porta da loja, porque fica os cliente
esperando pra ser atendido. Alguns fregueses param, a maioria passa direto.
As pessoa passam direto, a maioria das vezes.
Mas na Baixa dos Sapateiros…
Elas não sabiam, meu Deus, de um homem… que já havia passado
direto pela amante que o esperava voltar com um saco de pipocas, na porta
do Cine Jandaia, anos atrás, e foi dizer à esposa que comprara aquela pipoca
quando a viu apontar na esquina da Rua do Alvo de braço dado com a
amiga.
Na Baixa dos Sapateiros, essa amante — quantos anos tinha essa
amante?— tão nova assim?! — guardou os braços que se abriram para o
homem que foi com a esposa… Estaria desconfiada, a esposa? Essa amante
comprou um saquinho de pipocas ela mesma e tomou o bonde de volta pra
casa, comendo uma por uma, delicadamente, sem pressa, de coração vazio.
Na Baixa dos Sapateiros, o cinema dessa amante era sempre à tarde,
quando o sol baixava um pouco, pintando tudo de amarelo.
O S P RA ME S ALVAR?
NTOS S E G U N D
A
LACERDA: QU
era
issimuland o caso a esp
estava era d
e;
o de verdad
n ão es ta v a telefonand é de Souza —
depois
Ele ra ça T o m não lhe
na P
ss e em v ão …
iu tã o lo g o ela apontou p ré d io d a p refeitura —
fo m que acud o
A rapidez co or debaixo d nçá-la…
M is er ic ó rd ia e passar p o e p artir para alca
a R u a d a n e n o g an ch
de cruzar errar pôr o fo
m ai s q u e o tempo de
deu

… numa demonstração de que já contava com a


impontualidade que a fazia vir para tomar o Elevador
Lacerda, de outras vezes, assim como hoje, esbaforida; Vânia, o mais naturalmente que pôde, olhou em volta, buscando mudar de fila, evitando
mal equilibrando-se no salto da sandália; olhando a encarar o homem cuja voz ela reconhecera instantaneamente, mas o passo em que ia e a
todo momento o relógio de pulseira de plástico ao proximidade da bilheteria a fizeram novamente baixar a cabeça para o porta-moedas,
mesmo tempo em que enfiava sofregamente o dedo índice no separando as moedas de maior valor das miúdas, com as quais se empenhara em completar
minúsculo porta moedas, à cata de trocados. os cinco centavos da passagem.
Encarreirando finalmente o passo, ele consegue colocar-se — Não tá me ouvindo chamar, não? — insistiu o rapaz, cuja compleição compacta e as
atrás dela, na fila da bilheteria, com duas pessoas de permeio: mãos ligeiramente inchadas faziam supor uma retenção crônica de líquidos, que lhe conferia
— Vânia! diuturnamente um aspecto de quem acabava de despertar — Ô, Vânia! Não tá ouvindo eu
chamar, não? — disse ele raspando o troco que lhe dava a bilheteira e alcançando-a antes
que ela chegasse à roleta em que se introduz o tíquete.
— Me deixe, Irã!
— Tá sabendo que seu irmão foi lá em casa ontem?
— Me deixe! — fez ela, safando o braço.
— Tá sabendo? Tá ou não tá?
— Eu falei para ele não ir! Ele foi porque quis!
— Tá pensando que eu tenho medo do teu irmão?
Depois que as portas do elevador se abrem e os que subiram escoam para vários
endereços na Cidade Alta, Vânia, Irã e as outras pessoas da fila tornam a enchê-lo, para que
a ascensorista aperte o botão de descer e a engrenagem do elevador da vida de Vânia e Irã
Lacerda nos conduza a todos à Cidade Baixa.
30 segundos que começam a acabar, durante 72 metros de altura, para unir uma cidade à
outra.
“Olhe aí…! Parece até que vão comer os telefone tudo!”, diz um homem dirigindo-se para o aparelho ao lado.
Ignorou também duas
irmãs que se abraçavam
depois de tanto tempo sem
se verem; e o modo como a
irmã que ficara oscilava
nervosamente as mãos
entre a cintura e o rosto,
para logo estreitar a si a
irmã que se mudara, mais
nova e mais alta, que ela
sempre soube mais viva e
mais alegre…

LADEIRA DA — Eu só, não; você


também é alegre…
MONTANHA: E sorriam, e novamente
“NÃO… É VOCÊ…” se abraçavam; achando-se
uma mais gorda, outra mais
magra; ambas tão bem;
ambas com tantas e
Não importa quantos simultâneas saudades;
segundos. O que importa é o ambas desculpando-se por
esforço de Vânia para não não terem ido há mais
ouvir a palavra de Irã, tempo à casa uma da outra;
maldizendo a si mesma pelo ambas furtando-se ao olhar
esquecimento da manhã… uma da outra, para ocultar a
Ignorava também os lágrima que brotava.
passos nas calçadas da
Enquanto a seta
Ladeira — que liga com O ônibus não reparou
permanecia acesa pra baixo,
asfalto o que o elevador liga se essa lágrima simultânea
o Elevador Lacerda estendia-
com altura —; o copo de era realmente de saudade
se, em sua horizontalidade —
cerveja entornando contra o ou se alguns de seus
ele, que antes não ousava
Sol que entra pelas janelas milímetros cúbicos se
tanto —, por cima da Ladeira
dos bares da Ladeira, reservavam para o
da Montanha, onde um
rebatido na água da Baía de arrependimento de não
ônibus vindo do Comércio
Todos os Santos; o sono e a terem vivido sempre juntas,
ignorava amplamente o
comida em prédio oco. essas duas irmãs.
drama vivido pelo casal
metros acima.
Mas o que nunca ela soube
PRAÇA CAYRU: VIDA E OBRA DE é quando tudo começou a mudar
e a engrenagem do elevador
UM AMOR ADOLESCENTE pro outro lado começou a girar
o amor que deu partida
— Olha aqui, lê essa no elevador só de subida
parte aqui… de repente, começou a baixar.
— Qual?
— Aqui, essa aqui:
Quando de dentro da semente
“quando de dentro da
se esvurmou a besta-fera
semente…”
e o Jesus Menino mostrou
Por oito dias ela rezou logo o que era
com muita fé e beatice derramou-se um saco de sal
pedindo que Irã Lacerda encima do leito conjugal
de sua vida sumisse tornando o dia uma longa espera
mas logo hoje dia derradeiro,
Para cumprir uma novena cometeu esse erro matreiro
Também a essa altura
e a graça se alcançar impedindo que a novena se cumprisse
depois do que se deu
o compromisso tem que ser forte nem era bom pensar
não podendo a pessoa fraquejar Se rompera o compromisso Agora a mão do algoz
se apesar do pranto seu
durante nove dias o cristão fraquejara a oração apertava seu braço fino
de que sua vida era um depósito
reza com toda força do coração ela própia se maldisse diferentemente de quando
não foi mesmo de propósito
nem um dia só pode faltar. a si sua fraca retidão ele era só um menino
que ela da novena se esqueceu…
a graça alcançada e o apertão que ele lhe dava
Interromper uma novena era o contrário da almejada apenas lhe afagava
é prova da fraqueza do infeliz se invertera a situação fazia ela ter fé no destino.
que não tem tino na cabeça
nem firmeza no que diz Quando o amor é de criança
que só depois percebe ele nasce com a luz do dia
que a graça que se recebe nasce com fé e esperança
é o contrário da que se quis… abençoado pela Virgem Maria
e assim como uma semente
Vânia dela mesma sentiu dó se transforma em adolescente
e também uma grande pena enchendo nossa vida de alegria.
por ter faltado justo hoje
ao compromisso da novena Uma menina é terra maninha
sentiu grande arrependimento à espera da floração
por sofrer esse esquecimento de que alguém venha semear
sentiu-se uma pessoa pequena. o terreno agro de seu coração
sabendo que o amor primeiro
é para sempre o verdadeiro
escrito na palma da mão.
Quando veio a dor ele quase riu, como se não Porque tudo que sempre soube era jogar bola. Mas não
estivesse sentindo a dor; quando olhou pra baixo e viu o é assim, né, meu pai, não é todo mundo que vai pra
sangue, foi como se estivesse só olhando os degraus da seleção, é ou não é, meu pai? No time só cabe onze, só…
igreja, e não o pé cortado na casca do coco. “Olha aí, se Ele teve, assim, uns contrato, né… Mas acabou que não
aqui tudo faz lavagem, eu lavo é com sangue, mesmo, deu, acabou não assinando nenhum… Fazer o que, pai? É
olhe aí”, não pôde evitar pensar. Deu uma dor aguda, mas assim mesmo, o cara não pode se esquentar… Não ter
mesmo assim não pensou em retroceder caminho. sabe o quê, véio? Ganância. Não deu, não deu. É porque
não era pra ser, certo?

NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO DA PRAIA: “ME ENTRAVA O PENSAMENTO, EU ROGO!”

Porque claro que ele ia poder jogar, mesmo com o pé cortado… Quantas vezes foram? Que esteve quase pra
“Um cortezinho de nada, olhe aí”, dando jeito de não pensar no que assinar…? Não era a primeira vez que isso em que não
sempre pensava — e, dessa vez, não queria pensar de verdade queria pensar o tomava assim de assalto. Porque
mesmo, porque até andava numa maré mais tranqüila; assim, se mesmo não querendo, pensava. E pensava pra valer,
acostumando… Porque tudo bem que já não era mais profissional, agora, que não era a primeira vez, não senhor…!
também nem tinha mais idade, mas pelo menos batia um baba de Calma, pai… Olha aí, já parou até de sangrar o corte,
manhã que até que estava gostando. véio. Uma lasca de coco em frente da igreja, véio…
Vamo, vamo que tão te esperando lá no baba!
Tudo é porque Michele Faifer decidiu não
esperar a carta dela ser selecionada na televisão;
LADEIRA DO TABUÃO: pediu a Virgínia da loja de roupa pra fazer de

ELEVADOR DO TABUÃO, apresentadora e partiu pra Rua do Tabuão pra botar


o programa dela no ar por conta própria.
COURO DO TABUÃO, — Hômi, venha, ver, venha! Adivinhe quem
está fazendo promoção!?
TELEVISÃO DO TABUÃO, Heleno, preferir, preferia não ir ver, não; preferia
não ir ver nenhuma das vezes que alguém lhe
chamava pra ver o que Michele Faifer estava
fazendo. E quantas vezes foram já, Heleno?
— Aí, casa logo, véio! — disse um.
— Cinqüenta centavo? Olhe só, baratinho! Vai
deixar passar? Vai deixar passar? — disse outro.
— Aí, igual a esse programa na televisão que
vai os artista na casa dos pessoal! — disse ainda
outro.
Heleno, preferir, preferia era chegar na porta,
olhou, pronto, já viu. Preferia não ter levado as
mãos à cabeça, preferia voltar pra máquina e
terminar a costura, que o trabalho na sapataria
estava acumulado. Virgínia da loja de roupa ele
conhecia; aquele viado gordo ali, segurando a
câmera de papelão, também — unha e carne com
Michele Faifer. Os outros ele conhecia de vista…
Aquela menina chupando picolé, uma cara de
falsa… E Virgínia da loja de roupa imitando
apresentadora de televisão:
— Me diga aí, meu amor, como é o seu nome?
FOLHETIM DO TABUÃO, E Michele Faifer respondendo com aquele

ROSAS DO TABUÃO, berreiro aberto:


— Michele Faifer! Eu sou atriz e cantora! Estou
COSTURA DO TABUÃO fazendo uma promoção especial na minha página uébi,
dáblio, dáblio, dáblio, ponto com, ponto bê erre! Eu
abaixei o preço do meu amor, em especial para o
homem pra quem eu entreguei o meu amor de graça!
Michele Faifer tinha que gritar muito, já, porque
o riso e as palmas dos telespectadores abafavam
sua voz.
Vânia ainda olhava para trás, como se Irã fosse novamente alcançá-la a qualquer momento. Acostumara-se a viver assim, na iminência.
Se ajeita o mais que pode, sobe a alça da bolsa, endireita o passo, respira fundo. Só agora sentia o braço dolorido, da força com que Irã apertara. Não foi
de propósito que se esqueceu da novena, não; foi por causa da hora!
Seria verdade que seu irmão estivera na porta de Irã, na noite anterior? Ia novamente falar com a mãe sobre o irmão, mesmo sabendo que Irã, às vezes, é
muito mentiroso.
Olha novamente o relógio. Vai chegar atrasada no serviço. Às vezes era melhor ter começado a novena quando chegasse em casa, depois do trabalho, e
não de manhã, quando muitas vezes tinha que sair sem nem tomar café, pra não perder o ônibus!
Sabia que a situação dela com Irã mexia muito com o irmão… Foi por causa da hora…Vai chegar tarde… O braço dói… Não bota meu irmão no meio, não,
Irã, ele não tem nada com isso, não… Se ela morria de medo de perder o papelzinho que o pai-de-santo deu a ela… Se ela jura em nome de Nanã; em nome do
Pai, do Filho e do Espírito Santo; se ela jura por tudo que é mais sagrado…
Foi por causa da hora.

COMÉR
CIO: ME
RCADO
DO OUR
O, OBSE
CRAÇÃO
Zé repetiu pelo alto-falante:
— Leve vinte laranjas, um real, vinte laranjas, um real; tomate, cebola, pimentão, chuchu, cenoura, limão, batata do
reino, batata doce, é melhor do que pão! Sacolão de inhame, um real, inhame de maiâmi! É quatro coco seco graúdo, um
real, quatro coco seco, um real… Quinze ovos, dois reais, dois reais, quinze ovos! Sacolão de manga, um real, sacolão de
maracujá, um real! Leve lima, chupe lima, tome suco de limas!
Aí disse a Júnior, ao volante, pra fazer a volta aqui mesmo no Largo da Cruz do Pascoal:
— Faz a volta aí, véio.
— Não vamo até ali na frente, não?
— Não, não, vamo fazer a volta…
— É melhor ir mais lá na frente.
— Não, né, não, véio, tô ligado, pode voltar. Vamo fazer a volta.
Júnior sentiu a mão escorregar mais do que o normal no volante, a essa altura já oleoso. Faz a volta, Júnior. Vai
escorregando a mão e já vai fazendo a volta. Faz a volta porque nada mais volta. Aquele carro que passou, não volta;
aquela freguesa que só levou laranja, não volta; o grito que você deu com sua irmã, não volta; aquela…
— Tá chorando, véio? — disse Zé, enrolando o fio na mão junto com o microfone, à maneira dos grandes intérpretes.
— É suor que caiu no meu olho.
— Pô, arde que só a peste, né não?
Mas Júnior não respondeu, porque fala pouco; ou antes, fala pra dentro, como se se lhe devesse subentender todas
as respostas.
Zé, depois de um minuto sentado, se coloca de novo na porta da combi:
— Vinte laranjas, um real, vinte laranjas, um real; batata do reino, batata doce, é melhor do que pão! É tomate, é
cenoura, é pimentão, chuchu, limão! Sacolão de inhame, um real, inhame de maiâmi, um real! Sacolão de manga, um real,
sacolão de maracujá, um real! Quatro coco seco, um real, coco graúdo, seco, leve quatro por quatro, um real… Quinze
ovos, dois reais, quinze ovos, dois reais! Leve lima, tome lima, leve lima, tome lima! Cebola que arranca lágrima, que lava
os olho, que faz cristão pedir perdão!
RETIRO: BARREIRA DE CONTENÇÃO
Igual quando você quer confirmar se fechou a porta, aí fica voltando toda hora pra ver se a
porta está fechada, toda hora vendo que está mas não deixa de voltar e ver de novo.

Por isso Vânia meteu a mão na bolsa de novo. Mete toda hora enquanto espera o ônibus. Aí segura o
papelzinho entre os dedos, sentindo ele pra ter certeza mesmo que está ali mesmo, bem dentro da bolsa dela,
guardadinho. Porque tem medo de perder esse papelzinho onde o pai-de-santo ensinou uma novena para afastar Irã
Lacerda de sua vida:
— Filha de Nanã não dá certo com filho de Xangô, minha filha… Dificilmente…

E foi pouco o que ela rezou pra sua Orixá?


— Nanã, me salva desse homem!

E novamente mete a mão na bolsa,


pra ter certeza que da última vez ele não
ficou agarrado e caiu no chão sem ela
perceber…

Só que agora não está achando…!


Cadê, meu Deus? Cadê o papel? Agora o
ônibus já vem, meu Deus do céu! Cadê o
papel? Cadê…? “Tá aqui! Tá aqui, meu Deus…!”
FEIRA DE SÃO JOAQUIM: AZUL CELESTE,
QUEM CAIU? FOI O AMOR QUE CAIU

— Tá c
Ozório aindo m
? Não c uito, O
zório! T
E prom ome, não, é? u tá fra
co,
— Ozório, me faça um favor, entregue isso aqui deixar eteu de
ele de p s i pra si q
a Orlando, lá na “Rua do Alho”, pra mim, faz favor? daqui a é hoje ue Jesu
Porque se ele fosse, com tanta loja de pouco até o fi s Cristo
Cuidado para não cair aí no meio do caminho, hein, descon já estav n a l do dia ia
fiado… a todo ,
macumba que tem aqui na feira, ele já tinha feito hômi? mundo senão
Semp
um trabalho pra isso. Porque percebia que de uns Ozório pegou o papelzinho das mãos de Jailton, que fic re gostara ma
a do lad i
tempos pra cá ele se vinha a baixo por qualquer o coordenador da “Rua das Canas”, que lhe cais — o de fo s da “Rua das
onde se ra da fe Canas”
coisa. Tipo do soluço, só que era tombo. Era contratava semanalmente para arrumar as canas labirint v ira, n ,
tropeço, escorregão, resvalo, pisada em falso, o s d a f e ê o céu — do a beirinha do
dispostas em molhos no chão, depois de sacá-las em que ira q
distraimento, topada, esbarrão, encontrão, falta a n d a v a , p r i n c i p a l m e ue dos
do caminhão que as trazia do município de Candeias tanta c , porqu nte ago
urv e sabia ra
de firmeza nas pernas, ou seja, à toa, à toa, diretamente para a Feira de São Joaquim. Deixou no da beir a, degrauzinh que no , na maré
a — pi o — esse m eio de
Ozório caía no chão. sol pra esfriar o pedaço de cana que havia atenção lha de c s degra
…EO a i x ote, se u
— Ozório, veja aí, Ozório! Preste atenção! descascado (porque, como se sabe, cana se esfria não esc zó o cara n zinho
Não vá cair de novo… orregar, rio vai presta ão pres
ta
ao sol antes de chupar, pra não dar dor de barriga) e Helinh nem ndo at
Mas ele não era macumbeiro. E botou a cana partiu pra “Rua do Alho”. aquilo o , d o T dar topada, pr enção pra
pa e mpero a não tr
Lampi
no chão. Ele tinha sido, até que ele entendeu que Lembrou-se que hoje ainda não havia caído quem e s s a n d o , d e s a ã o , s ó v op…
ra: bando, iu
isso é tudo coisa do demo, pra mexer com a nem uma vezinha sequer, desde de manhã, a e corre
— Mac u pra v
cabeça da gente. despeito do que diziam os outros arrumadores: hucou, er
Ozório
?

Não responde, Ozório, fica de cabeça baixa, senão eles vão ver na tua cara que hoje você cai tanto porque tanto você vomitou “eu duvido que você vá
embora” que um dia ela pegou e foi.
Cristo Rei.
ITAPARICA: PRAIA DO FORTE, EU SOU FORTE?

Mal com mal, dá mal. Mal com bem, dá bem. Bem com bem, se diz amém.
— Minha avó pegou quatro guaiamu.
— A minha pegou cinco — emendou Zoinho, embora toda sua atenção
estivesse fixada no raminho que enrolava entre os dedos, sacado do pé de
tamarindeiro onde se encostara, o que explica o modo ausente com que dava
seguimento à brincadeira.
— E a minha pegou mil! — arrematou Cheli, que ia buscar água ali na Fonte da Bica.
Cesar vira-se para o Forte de São Lourenço — que já foi holandês; já foi
português; mas continua sendo itaparicano —, com fingida resignação; e logo alto:
— É… Esqueceu até como se brinca, tá vendo, véio?
Mas Cheli não deu tempo de Zoinho responder:
— Ah, é, esqueci. Tava distraída… A minha pegou seis, aqui pra vocês — só
que a ereção do dedo médio não correspondia ao gesto de semidesnudar o púbis e
mostrar aos outros dois, que era feito quando eram menores e fugiam de carreirão, ao
serem flagrados pelo dono de alguma roça onde estivessem roubando frutas.
Passou um tempo, ficou ventando um pouquinho.
— Olhe, Zói, sabe o que minha mãe me falou? Hein, Cheli, sabe? Tá vendo essa
corrente aí em cima desse pé de árvore, aí? Tá vendo, aí? Aí, ó. Tá vendo, aí? Essa
corrente aí em cima?
Cheli disse que sim. Zoinho custou mais, devido ao estrabismo.
— Então, essa árvore tem longos e longos e longos tempo. Os escravos ficavam
amarrado aí, só que antigamente essa árvore vinha só até aqui assim, só; a corrente
ficava mais aqui em baixo, assim, ó. Os escravos ficavam amarrado aí e os brancos,
os donos deles, davam chicotada!
— Verdade? — Zoinho primeiro.
— Verdade mesmo? — depois Cheli.
— É… Verdade… Eu nem sabia disso, minha mãe é que me falou…A árvore
cresceu e a corrente ficou. A bicha ficou, véio. Olha só como tá isso, ó… Tá boa até
de cortar.

Subdividida em dois municípios, a Ilha de Itaparica relaciona-se intensamente com a Cidade do Salvador através do constante fluxo de passageiros que exercem atividades em ambos os logradouros
Enquanto Nazaré dizia “graças a — É mesmo, José Jaime?
Deus” por ter conseguido agarrar o José Jaime respondia a tudo com indisfarçável
disquete que Lúcia jogou… orgulho, ajeitando os óculos escuros:
— É, de vez em quando a gente dá umas
salvada aí… A pessoa, chega, não conhece a praia,
quando vê, cai nos buraco tudo aí, que a draga
faz… Essa draga aí é que leva terra pros Alagado. É
… Cira apontava o lugar onde José Jaime salvou com essa terra daí que eles tão aterrando aquilo
uma moça que se afogava, bem ali, na direção da tudo lá… Lá dos Alagado também dá pra ver o
igreja do Bonfim, tá vendo? Bonfim, também…
— José Jaime, o salva-vida das periguete! — — É?
disse Bruxo, sentado ao pé da moenda de caldo — É, também, dá sim…
de cana. Todos riram.

Simone tinha sede, não sabia que gravidez


dava tanta sede. Sua amiga Ágata, meio buscando
DA RIBEIRA AO BONFIM: ME DRAGA, DRAGA os sinos, meio olhando em volta, disse que as
meninas todas perguntavam por ela.
— Ah, menina, agora, só depois que nascer.
— E você vai voltar mesmo?
— Ah, claro, né, menina, você pensa o quê?
Que eu vou deixar meu lugar vago, assim? Pode
esperar, só que depois que nascer, eu vou voltar
com tudo, minha filha. Vai acender a luz eu vou
Mas o que Cira não sabia era que se seu dedo aparecer lá em cima: só vai dar eu! Vou recuperar o
fosse suficientemente grande para atravessar a meu reinado!
Ribeira, passar pelo Porto da Lenha e alcançar a Igreja
do Bonfim, lá longe...

— E era periguete mesmo?


— É, porque homem ele não salva, não, deixa
afogar! Só salva mulher e periguete ainda por cima!
... ele roçaria de leve os cabelos de Simone, que, — atalhou Bruxo.
agarrada às grades do portão, tentava distinguir os — Mentira! É coincidência, véio! Só porque
sinos no campanário, apesar da barriga de oito meses. aconteceu d’eu salvar mais mulher!
Pena que não estavam tocando, pensou ela, porque — Coincidência…
ela adorava ouvir sino de igreja. — Coincidência, véio.
— Coincidência…
— Coincidência!
O chinelo escapuliu! Escapuliu de novo! E de novo!
Só depois de fixar a atenção no modo como enfiava os
dedos foi capaz de calçá-lo:
— Eu tava respondendo pra ele, nesse e-mêil que ele
mandou agora, que iss’aqui não é lagoa, porque ele
pensava que fosse lagoa! Ele não sabe! — disse Lúcia
arrepanhando os disquetes que estavam em cima da cama
— Tava explicando que iss’aqui não é lagoa, é a pontinha
de cada bairro! Que fica por cima de duas… como é o
nome?… Enseada! De duas enseada, né?
— É — respondeu Nazaré, encolhendo-se contra a
parede, enquanto Lúcia saía disparada lá pra fora, porque
entrar na internet de dia é mais caro, se Nazaré não se
lembrava quanto Rubinho tinha pagado da outra vez.

“Tá vendo? Lá nos Alagado


também dá pra ver...”

Nazaré se lembrava, sim, sempre meia tonta


diante do açodamento que Lúcia tinha às vezes;
muito mais agora, depois que começara a trocar e-mail
com esse sergipano.
— Oxe! Nazaré! Nazaré!
Quando Nazaré assomou à porta, deu com Lúcia
quase deixando os disquete cair tudo por debaixo do
braço, esbaforida; precisava pedir a Rubinho pra abri-los
lá no computador dele, pra ela poder ver em qual deles
estava aquela foto que ela saiu melhor, pra mandar pelo e-
mail, e desde o dia do vírus que ela não consegue ver
foto nenhuma no computador dela!
— Esse disquete aqui não precisa, esse tá escrito o
que é! Segure aí!
— Não! Não joga, não!
Se tiv Não fosse a urgência de vencimentos, tinha
que até esse trazido o arrumado outro barco pra trabalhar. Hoje ele vê
que era c
— … mais um programa líder de dizer q uma bo elular, Neném
a ligar
audiência da Rádio Sociedade da Bahia. cuidado
ue não,
que ver para a r acharia que com Jadir não dá mais!
, d a d ádio, — Neném, firma aqui pra mim!
Show da manhã! Ed Carlos… pra ouv que nem todo e é coisa de m pra
ir, não “Pediu ajuda, né? Na hora de me pedir ajuda
— Este amigão de vocês! Bom dia! Você escutan senhor mundo está p uito
— só p re
ganha ingressos para os Cines Ponto Alto I e
do. ra Jadir parado tu sabe falar comigo, né?” — pensou Neném
Dois di ficar enquanto tirava a camisa. Segurou firme um lado
II. Jadir nã as que
não fal
o fala d a direit da corda. Jadir, curvado pra frente, não achou
— Sociedade! Sociedade! O ouvinte em “Eu me ireito c o com J
chamo o m e le. adir; meio de seguir estreitando o nó, a não ser
primeiro lugar. bem alt Neném
o, “é… , s ou apoiando a cabeça contra a de Neném, que se
isso…
— Você ligando e participando na tem ge
nte eu acho pescador”, dir manteve teso. Vai ficar teso pra sempre. Com
pesquisa de hoje: você acha que a verdade senhor” que não pod que não
senhor,
ia
. Queri e ouvir Jadir acabou. Não tem mais riso, não tem
deve ser dita a qualquer preço? Custe o que Na hor a s ó ver a a s
ad cara qu verdade, não conversa. Ele se quiser que ria lá das palhaçada
custar? Sim ou não? Ligue para a Zete! saber s e falar do car e Jadir
ia fazer
e tá na a ele sa … dele; pra mim acabou. Não adianta ficar fazendo
Agora, vamo dar aquela faturadinha e daqui a na hora f r ente do b e
de ouv s outro , né? Não que essa cara de riso pra mim, não, hein? Acabou.
pouco o tio volta… a gente i r e , s e r
— Rádio Sociedade da Bahia! Aqui você fala pra le não gosta, n não tá… Mas E Neném segurava tão firme a corda, que não
gosta, ele que ão! Na
não. “mané” hora qu saberia dizer quem riu primeiro. Nem quem pediu
fica sabendo de tudo! é ele, a e
í ele nã primeiro desculpas sem pedir. Nem quem ajudou
o
mais o outro a puxar a canoa que traz as rede…

ENSEADA DO CABRITO:
TREM SUBURBANO QUANTOS BARCOS SE — Sociedade… A rádio da Bahia!
— E já estamos de volta, lembrando a você que hoje você ganha ingressos para os Cines Ponto Alto I e II. Você já pode ligar e
CALÇADA-PARIPE; VÊEM DA JANELA? participar! Você que está em casa, no carro ou no trabalho; a pé, de trem ou de barco…
BR 324: CATÁLOGO SEDIMENTÁRIO DA ESTRADA PARA CACHOEIRA
CACHOEIRA: TE JURISCONSULTO
— … que Cachoeiga teve dois hegóis de guega: Maguia Quitéguia e Ana Négui… Então! Hegóis
não! São Hegoínas! Por quê? Porque ainda tinham menstguação! Não tá vendo nada ainda, não?
— Não — respondeu Ózinha, sem preocupar-se em efetivamente esquadrinhar as pedras do
calçamento, valendo-se da vantagem de sua irmã encontrar-se excessivamente entretida em buscar
o brinco que caíra. Não gostava quando a irmã começava a falar o nome desse monte de gente,
ficava só fazendo que sim com a cabeça. Não tinha paciência. Tão nova e já tão sem paciência.
Ózinha aliás não tinha paciência também pra isso que a irmã falava sempre, dessa tal dessa Maria
Quitéria e dessa tal de Ana Néri… Que graça tem isso, meu Deus?
— Você sabia onde nasceu Andgué Pinto Rebolsas? Nessa tega aqui… Cachoeigano —
prosseguia a irmã, dessa vêz passando a mão por sobre as pedras, para ver se dava com o brinco
através do tato — o maior juguisconsulto das Améguicas: Algusto Teixeiga de Fgueitas — levou
mais tempo que o habitual para falar “juguisconsulto”, devido ao ufanismo —, nasceu aqui em
Cachoeiga; Ernesto Simões Filho… Cê sabia que o Rebolsas foi o inventor da bomba hidgáulica?
— Não.
— Ele foi engenheigo do tempo do impéguio… Ele é patgôno dos engenheigo…
Cachoeigano… Isso é que é um orgulho pga minha tega, né não?
— É.
— Ô, Ózinha, não tá vendo nada ainda, não?
— Não.
Ózinha não sabia o que era pior, se o desfile eterno de nomes ou se ouví-los pela boca da irmã.
Por que ela, justo ela, meu Deus, foi caír logo com uma irmã que gosta de ficar com história de ficar
mostrando muita inteligência; que ainda fica com esse engasgo aí na língua, guê-guê-guê-guê-guê?
E que ainda parece cega, ainda por cima! Nem enxerga o brinco ali, ó, chega brilhar com o sol, tá
todo mundo vendo, menos ela… Fica passando a mão nos paralelepípedo tudo… Eu é que não vou
dizer onde tá, ela que se quiser que encontre, aí, fique mesmo aí abaixada, de quatro, igual esse
cavalo aí… Se bobear é capaz até do dono confundir, não saber depois qual é o cavalo!
— Não viu ainda, não?
— Não.
Depois fica todo mundo falando pra mãe delas “suas duas filha são tão diferente uma da outra…”

Ao longo dos séculos, a Cidade do Salvador


e o Recôncavo Baiano — onde se situa a
cidade de Cachoeira — complementam-se
cultural e economicamente.
Éa que
dois, e mesma cois endoim
n aq am
aqui d tendeu? Ate ue o cara tr chão,
é
ndo o a
na mã
o lado
e
nder o
c
abalha
r u e cai no mpo conta ndo sair d
e, lá na ao mesmo t ara que tá p por ro co q ito te a nd a que
frente. empo e
ficar d dindo ba que é t rdendo mu alar, fica m í eu tenho ai!
a f
— Me e olho Aí ac aba ela pe começa a …A meu p
— De
dê um
,a , ac o al er o jogo rigar com
que sa í, véio. o le es s
escap o… Aí o p apalhando ual como
a v b
— Me bo
dê de l r? din he ir
ela tá atr
iu, n é? I g
aranja , que o já v
… frente olho, senã
e
ficar d

“Olhe só… Não falei? Olhe só. Vai fazer de novo, Tantas vezes eu falei “minha mãe, não imite o que
igual da outra vez!” — pensava Adelino, ao mesmo meu pai fala; a senhora brigue com ele mas não
tempo em que entregava a garrafinha de refresco,
recebia o dinheiro, dava o troco e se encaminhava
ESTÁDIO MANOEL BARRADAS: enfrente ele imitando o que ele fala!” — o que queria
dizer, em suma, é que não lhe parecia adequado que a
para atender uma pessoa mais adiante, que também o MINHA MÃE E MEU PAI mãe mimetizasse o linguajar nojento do pai como
requisitava — “Olhe só… Eu falei pra ela não fazer artifício para igualarem-se nas brigas domésticas…
assim, ó…”

rsas
a ra dive rua A or
lic na d
e já exp ela fazer de casa. quan em e a p
u do A recis
za q de d tro la céu o de ão
n ha certe ecessida não é den . Tudo e o filho lino a te dessa id
o ti m n rua m ã e C m
o en ntav éia é
in te a , —M sin
qu e Adel que não porque rua, não ntendeu? a
e dê ar a mãe transmi que se p
,
Por mãe casa as na sa, e A u’
ao fr delino c a, por fa
? tir. É er
cont diam
s pa ra a faz em rmão, m ue preci eguê atou vor. ra a l
veze como el e meusa i do q para s a ei do
ua l e u e r mais a mã , deu o tr garrafin
ig ou a z o! e lá a oco ha de
asa s rar, f irmã dian e
te… dirigiu o plástico
Em c e desdob e meus ,
olha
s
quer e pra mim r nov entregou … e o sorriso dela te ensinou, Adelino.
o ss amen
se f te
que
ABAETÉ: “À MINHA FALTA” m en to em a
r s n ã o
a, o
troc ro con o
u e n
ta
ã o — o, cido
r i n g i mesm e s q u e m o s e e
le
o o le q ue g
no m oa, emb porque, o. E eta, nã . Porq
o ar o de ss e Co …
id a i n c i m i t é, não s e t i v e h e s ó ! r o s d e z
rom
p a lag ama, ec ern
a s d m c a d e n h o c o que eu m , à
nta fiz… , l a
, n é? a , inter nha aí n ixo da l : a d u t e t
h
“a , c o m d e z !o O
em
e d
lápi
a u Ev ue ti deba pida aé ão ão só o de u ra o
u ”
não e dar os ecido d
? Ti onfirmo peixes q e estar nterrom c a s s s s e … N m a i s ! N í, olha a l , t u d o a t e r c e i s
om o é c rês dev te i s e s A
m a i e m a é e n h u m , roca… n o v e r e e t i r p e l os lábi
o de msse esqu
— C tilápia — esses t ra, que ovamen o b l n e ã o t a r r e p j o u — tive
, a í o d e
— É r que er eja a tra do foi n p
ban
c ai, n l h e n t e s d e , arque deboch
ic a e v ua n u tava ta e m … Cê v s ó , v o u ea era de lhe
p l
ia ex as veze ia come
s s , q
n t
e
ão, m con t r o ca o l h e
“ í e l e — go diss ressão eus vai í e l e j á
to. E a te i: ,a rin xp ,D !A só
c
pou ir, a tiláp o gos a espos u não F a l e a f a l t a ” que o g do na e ajudar a a ç ã o “agora d e i
ã h o n h e b o : te
se sa N
eu? nta, min banco,
h e m i n ta vez arrega s vai l uma . Aí eu j á n ã o a r a
n d m a r , c e u d o l s o ã o , p
te
, en com co onta em
u
tra n car qu baixo n
as D va faze no bo ? u é ? n m a r e l o
— e n a r a , m o é a
inte
iro esmo nho c ocê tro p bem eu ta tud : “u orri
dia do… M não te o n ta, v ê pode que a “ t udo ”, que , meteu , a í e l e e l e — s
mc a, c do a r o z ” í
m,
n
fala anco, e
u
m o se iz “olh , notan ia que ajud u o troc a r o s d e n ã o ” , a
h u b … e s d a b g o e d u : “
nen o e m o mais m a s m a i x a e - s e E v i r a . S a j á v e m u a l pe c ê m ” , e e
n t e ndo gosto d q u e r ã o ,
u m c n o u i n g u o c a é i g falta ez, não
?
o e , não m — N a n e si g e xt ue ta b n ão a, ver d
n ã e g r s e s ; o s
e eu mpa
r o to es, , ch ?” — etal porq guê bras
d e peix o de li riando as fras to b anco ra mim la de m ra isso, pro fre ssar na …
e st tra va un p e p ar a as ta
é , nom , não go el, con ermina ele ass isso na pan ligava é só d egar, p sas cois ue a no
i s e g u t u d o s a m o , p e s r q
o ix i
— P de pe ciou M almen er que tava se ava
te aq n bra uel ne quinh ue tem laço, ? Po
s t o t e n i t u i z e s o s t a M ig n o sa ho, q
l a r m e
o r quê
go en ab ad ão g ad ta oa ot ep
não ro — s m que h e queri bém n zer que na beir pron ueijo c quer b ão, sab
e i o
ch ente c abia q ará t u a m d i a q ê s n
s c ntar
a roup ia ao fregu roca,
t
retic e Eva aíra e a ntes te lavavam vander s coisa o, se o Não
q u a , t r A r a s a l a t o a t a n t —
o
iláp
i ido… adei ess boni , po
r
de t o suced as lav truírem a mais … Era a que o
t o s r e r
mui s quand de con s, que e debald ue ago o troco
a i n t e s t r á m a s p o r q r d
i a
m a
a g o a, a ária aí
t m e nte, ssunto sa histó
l uni tiga de a r es
com era an mudar a repeti
o i
com l tentar iguel
ú t i a , M
in eçar
com
afastando do campo. A lentidão, não; é a rapidez dele fingindo que não se incomodava que o substituíssem no jogo de hoje, semifinal do torneio aqui da praia. Rapidez,
ITAPUÃ: O SANGUE DO TEU PÉ, O SANGUE DA TUA MÃO não, gente; é a lentidão dele vendo que era igual quando ele estava prestes a assinar contrato com um time grande. Lentidão, não; é a rapidez do que ele não queria pensar,
sendo pensado no pensamento dele, que é sempre assim, é sempre quando ele mais quer uma coisa: “não precisa me lembrar, não, meu Nosso Senhor; eu já sei que eu não
tenho direito.”
Lentidão, não. Rapidez, também não. De qualquer maneira, quando não dá, não dá. Olha aí, voltou a sangrar de novo, A rapidez, não, já falei; é a lentidão de tanta caneta deixando de assinar tanto contrato; a lentidão, não; é a rapidez de tanto presidente de time grande guardando tanto
ó. Tá doendo mais. Se jogar é capaz de piorar, certo? Então, olha, vamo fazer uma coisa... A gente faz uma substituição, contrato virgem de caneta.
bota Toninho... Tá certo? A rapidez não, é a lentidão da casca do coco, na frente da igreja; a lentidão não, é a rapidez da igreja ensinando pra ele que ele não tem direito de assinar nada; a rapidez
– Tá certo, é nenhu’a, é nenhu’a. não, é a lentidão com que a igreja falava que tinha sido inútil ele fingir que ele não queria as coisas que ele mais queria, porque todo mundo vê que é fingimento.
Lentidão, não; é a rapidez daquilo chegando no pensamento dele. Rapidez, não; é a lentidão com que ele foi se A lentidão, não; é a rapidez da onda quebrando. A rapidez, não; é a lentidão.
LAPA: IDA 0919 - VOLTA
Que Nininha era menina, todo mundo já sabia. O que ninguém sabia era como
suava nas axilas. Como suava e como se envergonhava cada vez que tomava o
ônibus voltando da escola…

Quase sempre era o horário daquele cobrador, que a olhava que parecia que ia comer ela com os olhos! Era melhor manter-se quieta pra não chamar a atenção de mais
ninguém!
Quando chegava em casa Nininha respirava aliviada. Positivamente tinha medo daquele homem que a olhava de cima embaixo… E todo sujo! Parecia um sei lá o quê!
Repare bem se ela era menina de dar confiança pra um sujeito daquele! Nem parecia que tomava banho! Te esconjuro!
No dia seguinte, Nininha saiu com uma colega e ambas tomaram o ônibus. O cobrador era outro.
— Que que houve, Nininha, não vai passar, não? — disse a amiga, já do outro lado da catraca.
— Poxa! Não tô achando meu smart card! Acho que perdi! — respondeu Nininha, vasculhando a bolsinha tiracolo.

— Vixe! E agora?
— Acho que eu vou ter que ir a pé. Tô sem dinheiro pra pagar inteira.
— Vixe! Que é isso? Vai andar isso tudo? Eu lhe empresto, amanhã você me paga!
— Não, não tem problema, não, pode deixar que eu vou a pé!
E Nininha desceu do ônibus com tal presteza que sua amiga não teve mais que o tempo de pôr a cara pra fora enquanto o ônibus arrancava:
— Deixe de ser boba, Nininha! Só porque esqueceu o smart card?!
Mas Nininha não foi a pé. Dali a quinze minutos passou outro ônibus. Ela fez sinal, entrou, reconheceu o cobrador que a olhava sempre e sempre, com olhos de quem
quer devorar, tirou o smart card de dentro do caderno, introduziu na máquina, a luz acendeu, depois pagou o resto da passagem com um dinheiro trocadinho, sacado moeda
por moeda do estreito bolso da calça jeans…
… e sentou-se no banco de sempre.
RIO VERMELHO: VERMELHO RIO
Quando Jorge entrou, apertou forte Quando Jorge saiu, apertou mole
a mão de Seu Eulírio… a mão de Seu Eulírio…

Não atinara botar óculos escuros Mas por que não botara óculos
quando saiu de casa, onde montara escuros? Já lhe doíam os
uma pequena confecção com a músculos da face de tanto
mulher… apertar os olhos…

Dissera a mulher que tinha pedido Como é que ia dizer à mulher que não
um cheque pré a seu Eulírio; que a recebera o cheque? Que a confecção
confecção, agora, ia engrenar! ia continuar no vermelho?

Encaminhando-se para a sede da colônia de pesca, não atinara sequer se havia Agora sim, reparava bem que havia três homens junto à porta, além de Dum, dois
gente junto à porta… sentados.

O único que pareceu-lhe ver foi Dum, sentado num banco. Não, não é banco, não, é esse trem aí, parecido com um mastro de barco.

Mas era como se tivesse visto Dum há alguns minutos apenas e não há dois E era como se não visse Dum há vários anos, como se nem conhecesse Dum,
dias quando Dum lhe falou que seu Eulírio precisava de nove mil camisas pra dar como se Dum nunca lhe houvesse dito que seu Eulírio precisava de nove mil
na festa de Yemanjá. camisas pra dar na festa de Yemanjá.

Quando passou por Dum, teve a impressão que Dum levantava para dizer algo… Quando passou por Dum, Dum se levantou e começou a dizer “eu tentei avisar,
“eu queria… o negócio… avisar…” mas seu celular só dava fora de área…”

Continuou olhando fixamente a porta da colônia de pesca enquanto Dum dizia Continuou olhando fixo o chão lembrando-se que o filho Raul sempre esquecia o
um negócio de celular… celular desligado.

E enquanto apertava a mão de seu Eulírio, se perguntou o que seu Eulírio estaria E enquanto se encaminhava para o ponto do ônibus se deu conta que o sol
falando… Alguma coisa do cheque… Por que não está assinando o cheque? deixara de ser muito desde que saíra de casa, que era o brilho do céu cinza que
Está dizendo alguma coisa da festa… Que as camisas isso e que as camisas fazia doer e rebentar a vista… Podia jurar que tinha dado aquele preço um
aquilo… Que deixa pra lá… Deixa pra lá o quê? Parecia que somente agora pouquinho mais lá em cima só pra tirar a confecção do sufoco, enquanto
estava ouvindo a voz de seu Eulírio: continuava a ouvir a voz de seu Eulírio:

— … e nós conseguimos aqui um preço mais em conta… O senhor não leve a — … e nós conseguimos aqui um preço mais em conta… O senhor não leve a
mal, mas pela diferença de preço nós optamos por um outro rapaz, que vai fazer mal, mas pela diferença de preço nós optamos por um outro rapaz, que vai fazer
as camisas pra festa, com o pagamento dividido em duas vezes… as camisas pra festa, com o pagamento dividido em duas vezes…

Até aquele momento não havia atinado quanto salitre entrava pela janela da sede… E foi quando Jorge atinou que o salitre pinicava todo seu corpo…
FAROL DA BARRA, FORTE DE SANTA MARIA, FORTE
DE SÃO DIOGO: OS DILIGENTES EXÉRCITOS
CAMPO GRANDE: ESTILHAÇA MANCHA DE SOL

Aí era o silêncio. O silêncio dessa conversa de cinema… O silêncio de cada


Eles não sabiam porque, mas, desde que se encontravam… Quanto tempo fazia já que se
semana, até Dona Armandinha dizer alguma coisa de preços, da prefeitura, das
Seu Francisco apontou na Av. Sete de Setembro, envergando o encontravam? “Meu Deus! Tanto assim? Quase a idade da filha pequena de Ricardo…”,
crianças… E por que Francisco tem que falar tanto em cinema? Assim estiveram por
mesmo terno cinza de cada quarta-feira. A luz ainda era intensa, mas surpreendeu-se Dona Armandinha de si para si ao constatar que desde que ficara viúva… Não
à sombra o calor amenizava. Atravessou a rua, sacou o lenço, estranhava que antes os filhos se zangassem, nem que as pessoas da vizinhança comentassem o vários minutos, Armandinha vendendo um acarajé agora, outro depois…
Só que dessa vez aconteceu cedo demais… Foi quando ela ia botar o vinagrete no
enxugou o suor que umedecia o colarinho, advindo da caminhada que comentavam, mesmo entre ela e Francisco não havendo nada… Essa gente que não tem o que
acarajé que um freguês pediu, que Francisco quebrou o silêncio nas mil pedras da
que empreendera da Ladeira do Sodré, onde vivia e cujas gotas se fazer, que…
calçada:
misturavam ao Leite de Rosas espalhado cuidadosamente no corpo E de mais a mais, continuava Francisco, não tinha paciência de ficar sentado no ônibus…
— Foi porque a minha mulher chegou na hora, Armanda…
após o banho. Guardou o lenço, caminhou até o banco de plástico Parecia que todo mundo estava olhando pra ele… Às vezes uns rapazes… De uns tempos para cá
do tabuleiro de Armandinha e ali ficou, sem dizer nada, quase não gostava de encarar nenhum moço. Sabia lá porquê… Sentia assim, uma espécie de vergonha, A colher que remexia o vinagrete parou.
— Com aquela desgraça daquela amiga dela…
sorrindo. não sabia bem de quê. Preferia vir a pé. Não tinha paciência!
A colher no vinagrete, parada, como se não houvesse freguês ali, esperando.
Dona Armandinha saíra de casa muito antes, logo depois do D. Armandinha mergulhava a colher em cada um dos recheios do acarajé, sacava um tanto,
— Eu… É que a minha mulher tava com aquela desgraça da amiga dela…
almoço. Morava no Lobato e, como toda quarta-feira, vinha tomar depositava dentro do bolinho aberto… Primeiro o vatapá, depois o camarão, depois o vinagrete…
O freguês esperando enquanto Armanda recolhia os braços que se abriram para o
conta do tabuleiro de acarajé da filha que tinha curso na parte da Francisco sempre foi assim, afobado, sem paciência pra nada; ela não, ela sabia fazer tudo no seu
homem que lhe fora comprar um saquinho de pipocas antes do início da sessão no Cine
tarde, preocupada de o salto, embora baixo, não escorregar nas devido tempo, na sua devida hora. Até pipoca ela comia de u’a em u’a…
Jandaia e agora ia embora com a esposa. Comprou um saquinho de pipocas ela mesma
pedras do chão manchado de sol. — Pipoca me lembra cinema.
e tomou o bonde pra casa, comendo uma a uma, de coração vazio. Depois não atendeu
— Não sei porque você não vem de ônibus. Fica vindo a pé, — Tem é tempo que eu já não vou ao cinema…
mais os recados do homem, casou com outro, foi mãe primeiro de Ricardo, depois Júlia,
num calor desse. — Eu tô cansado de chamar, você é que nunca quer…
Davi, Fábio, que nasceu morto; foi avó, viúva… Começou a tomar conta do tabuleiro
Seu Francisco fez só que sim, com a cabeça. Não tinha — Oxe, Francisco? Eu lá vou a cinema!
de acarajé da filha que tinha curso toda quarta-feira. Tudo ali, enquanto o freguês
propriamente uma resposta, assim, de porque nunca pegava — Que que tem?
aguardava. Não estranhou quando Francisco começou a aparecer por ali, nos dias que
ônibus, só sabia que não gostava de entrar pela frente, mostrar — Ah, não…
ela estava, todo na beca — nessa idade a gente não estranha mais é nada!… Era só pra
passe de idoso… — A gente podia ver um filme…
eles conversarem, falar que ele também ficou viúvo, que os filhos dele tudo mora um no
D. Armandinha sorria também, estimulada por aquele encontro — Eu não gosto de cinema, não.
Paraná, outro no Rio de Janeiro, lembrarem do tempo deles, de antigamente, do
de todas as semanas, que já não era mal visto pelas pessoas de sua — Um filme…
Domingo de Ramos. Mas não era pra lembrar desse dia, Francisco. A gente não temos
casa; nem por seus filhos que agora até achavam graça quando ela — Não gosto de filme! — sentenciou ela, seu Francisco riu.
mais idade.
se arrumava e dizia: “deixa eu ir que daqui a pouco tá chegando — Você sempre fala isso, mas antigamente…
— Vamo ao cinema comigo, Armanda.
meu compadre”. — Antigamente eu gostava, quando passava filme com a Greicequeli… Hoje é que eu não
O que foi mesmo que o freguês disse antes de ir embora, sem levar o acarajé?
— E as criança? gosto, tô cansada de lhe dizer.
— Vamo…?
— Vão bem… Ricardo chega semana que vem, com as — Pois eu, às vezes, vou.
A colher de pau revirou lentamente o vinagrete, sem pressa, sacou um tanto, botou
criança… — Não lhe gabo o gosto… Pra ver essas porcaria…
sobre o bolinho do acarajé.
— Vem sozinho? — Vou até no xópi…
— Eu não vou mais a cinema, não, Francisco… Eu não gosto mais de filme
— Não, vem com a mulher e as criança… — Eu sei… Tô careca de saber… Até parece um garotinho…
Seu Francisco fez um gesto de que agora compreendera. É que — Não sou garotinho mas também não tô morto, não. E eu vou mesmo; me meto por esses
de uns tempos pra cá lhe escapavam certas frases… xópi tudo que tem agora aí! Fico lá só no ar condicionado, subo, desço, apreciando as loja… Aí
me meto num cinema daqueles, cada filme bacana, rapaz, só você vendo…
PRAÇA CASTRO ALVES: ILÍADA

Não, não me pede minha mão, não, Irã.


Guarda essa mão pra lá, guarda ela no bolso!
Se faz de besta!
Fica insistindo, fica vindo atrás de mim! É
todo dia, agora, é? Sai pra lá!… Meu santo
briga com o teu, meu filho — o que o orixá
proíbe o homem não pode juntar, não. Guarda
essa mão no bolso, não estica pra mim, não.
Eu… Nem que eu tenha que começar outra
novena! Minha famíla é que gostou porque eu
consegui tirar você de dentro de mim. Meu
irmão tá até mais calmo, porque todo mundo tá
vendo que eu te esqueci faz tempo. Meu pai-
de-santo disse que não é negócio nós dois
junto, não; minhas amigas não falam mais de
você faz tempo; quando alguém fala em você
pergunta do “falecido”…! Parece até que você
morreu, Irã!
Então não estica essa mão pra mim, não,
guarda ela no bolso. Não fica me pedindo
minha mão, não, Irã, porque não vou lhe dar!
Não vou lhe dar, nunca mais.

Não vou lhe dar, Irã…

Nunca mais…
DOIS DE JULHO MOURARIA: JUST A CONTRIBUTION or HER It takes several minutes for Élder to manage to control his laughing and ask a the principal aim of which was to fight for the revitalization and conservation of our
HUSBAND AND DONAS FLORES question of Hildo, who'd crouched down to get a better view of the gringos running cultural heritage, and from that emerged the Festa da Benção and the Samba no
- Who? away: Terreiro… With the Benção, we had a feeling that it could be the big attraction, and, in
- The cue ball. It's like this: - So… is it really true that they shot that film in that house over there? reality, it turned out to be a gr eat -I would say-... a great platform for launching the
- And who's the cue ball, Sr. Bahia? First Hildo asks the two gringos -who've just - What do I know? I haven't seen the film. revitalization... But, as incredible as It may seem, and despite having brought the
- Man, the cue ball is the husband. If the guy come out of the cab and are taking pictures of cream of Bahia's artists -Batatinha, Ederaldo Gentil, Edil Pacheco, Riachão, Claudete
hasn't got the balls to win the championship, his Palma church- if they want to see the house where Macedo, Miriam Tereza, Tuninha Luna, Walmir Lima, Nelson Rufino- the first show saw
wife will instantly relegate him to the second "Dona Flôr" was shot. CANTINA DA LUA: MOON, MOONLIGHT, only 55 people in front of the stage! However, despite such a setback, we didn't give
division! - Dona Flow? TAKE YOUR SON AND RAISE HIM up. That same year we held Cantina da Lua's first anniversary party, and booked Zezé
- Win the championship, Sr. Bahia? So Hildo explains: Motta, who was then the leading soap-opera star... And we managed to fill the Terreiro
- Win the championship, man. The championship is being there, every day, one goal - The movie, "Dona Flôr and her two husbands"... It was shot near here, right around Clarindo Silva, coordinator of Projeto Cultural Cantina with over three thousand people, which meant that we'd dealt with a lot of the prejudice!
after another. Now, if the guy comes home and only manages to hit the post, his wife is this corner, here, in a house that's for sale... da Lua, president of the Association of the Friends of This event motivated me to keep the project alive, so much so that we had as many as
gonna give him the red card and it's the substitute who takes his place. The gringos look at each other with a "why not?" expression on their faces, and Nelson Maleiro and incumbent president of the Historical 800 shows and had the audacity to invite four Ministers of Culture -all in front of the
Center Commercial Association.
- You have to go in hard, right, Sr. Bahia? Or else you'll lose your position. another person, sitting on the curb -I think he's called Rato- says: Cantina da Lua. Yes, we've had shows featuring any musician you can think of: Pinduca,
- You need to be a striker. - We're just looking for a contribution here, towards our beer - he speaks this way to My first experience of the historical center, came fr om Belém in Pará… We aimed to make the Historical Center's decay a national and
- And what if the guy is a striker but only plays against defensive teams? improve his chances, counting on the gringos' eagerness to please. They usually agree, about, in part, as a result of a strange coincidence, as my mother had sent our aunt a international issue. It became a national issue when great Brazilian artists and some
- Then he has to attack from the sides to open up the defense, then he can go through in that garbled way of speaking: letter asking if she could wait for us at the Maritime Terminal, but by the time that letter inter national ones came here... We brought four Ministers of Culture here and had the
the middle… - O… oil rightee… arrived we'd already been here for seventeen days. The coincidence was that my gall to hand over a document to the Pope, a letter from Projeto Cultural Cantina da
- And what if the guy is married? Then, Hildo offers to go with them; they turn the corner and, after taking a few pictures mother had been a maid in the house of a traditional family here in the center, and that was Lua… In the letter I spoke of the neglect of the Barroquinha church -where father
- He has to get away from his marker. of the façade, they start gabbling in that language of theirs: the same house where we found shelter during our first days here in Salvador. We then Antônio Vieira gave passionate sermons- I also mentioned the neglected building of the
- And what if it's man-to-man marking? - Hey, I went to give him the money and he turned his back on me! went to live in the neighborhood of Pau Miúdo, but every time that -well, of course I, all of Faculty of Medicine, which had been the first jesuit school in Brazil, I spoke also of
- Then he has to get into the penalty area with everything he's got. -He probably doesn't want to take money, he wants you to pay for the beer: people us, had to work, I had already started working at the age of eight-... but whenever we unemployment, the sterilization of black women, children's mortality... And then we
- Hey, Sr. Bahia, is it true that you don't use the Corr edor da Vitória? here have their pride, it seems. needed to set up a sales stall I would always come to the Pelourinho area. And when I cr eated a manifesto for the nation. And we didn't stop there -just like today, we're
- It's true, I don't. The three of them walked back brushing past Élder, initially cheerful but now tight- was 12 I started work in this firm -as a housekeeper to be precise- which took in most of carrying on the fight, showing why the revitalization of the Center is so important. But,
- It's because you can't stand the Vitória football team, isn't it? lipped, waiting for the time to go in -which is when one of the gringos touches his shoulder, the building and was called the Bazar Americano, while the Cantina da Lua only had two our first great victory will occur specifically in 1985, when the Historical Center is
- It's not like that, no. in a familiar kind of way: "Re-lax, I go give beer. You think I wazn't go come back? Think small doors ther e in the corner. And since then... well, I started as a housekeeper, registered as a World Heritage site...
- What is it then, Sr. Bahia? I waz go run away?" became a panel-beater, counter-assistant, shop assistant, deputy manager, manager,
- It's not to be associated with a similar name. - Hey, what the hell are you doing?! Ar e you crazy?! Do you think I damn well need you accountant, I took a specialist course in journalism, went to work for the newspaper A
- Sr. Bahia, have you got beiju? to pay for anything? Do not put your hand on my shoulder, you hear me? Tarde, after A Tarde I worked for the Jornal da Bahia, from the Jornal da Bahia I went to TERREIRO DE JESUS: CAM ON MAI
- No, I've got Beijoca. The gringos' facial expressions turn to "oh, what's all this, man… it was just a joke": the Tribuna da Bahia, and by '71 I'd quit the Bazar and the journal too... So, in '71 I started FRENDY
- Calmey downey, it was just… to rent the Cantina. The Cantina had been founded in '45 by Renato Santos, there were
- Just what?! Just what, man?! Don't you put your hand on my shoulder, 'cause I don't just two small doors... I remember I bought a one-hob stove, I bought two kettles, two "Part of 'Angola' Capoeira's character and
COQUEIRO DA PIEDADE: LAPA BUS need your money! - the other gringo hurries to order the beer from the store owner - I saucepans, two casseroles -that's right- two "ropes" of common crabs, three "ropes" of something rooted in Bahian culture, is this kind
STATION don't need you to pay fuck-all for me, you piece of shit! Now leave the beer there! Leave siri crabs, five dozen clams and started my life's journey. So, ever since that time, the of baroque thing you find in the culture of Bahia,
the beer there! Right there, on the sidewalk! Leave it there and piss off! center has been going through a period of decay. There were the so-called traditional right? It certainly has a lot to do with it. Like
Where the bendy pencils make the language Meanwhile the gringos quickly start walking away and soon switch to running, while families, which had all left for the Corredor da Vitória, Graça, Barra -and we could already you're watching a movie in slow motion it's played
flexible. Élder carries on: somehow sense the Historical Center gradually emptying. The 70s really saw this process close to the ground... When you see it for the
Where all the numbers will find shelter. - Get the hell out of here! Piss off, you good-for-nothings! get worse, especially when the Faculty of Medicine moved away, the Law Medicine first time you wouldn't even say it's a fight. 'Regional' Capoeira isn't like that. 'Regional'
Where CD's recover from scratches! Only the part where Élder goes back to his chair needs more rehearsing, because Institute moved, Incra's headquarters moved, Bahia's Literary Academy moved, they Capoeira has a way of expressing itself to show that it is a fight: body movements are
Where the mother of a couple of children, before everyone always starts laughing… closed down the Cine Santo Antônio movie theater, closed down Cine Popular, high, you play quick. Bimba didn't want to lose sight of this, you understand? He
going down Lapa station's steps, looked back, searching for a fragment of her past... - Did you see the look on their faces, man? They flew like shit off a shovel! decommissioned the Pilar funicular railway, decommissioned the Tabuão elevator, there wanted this 'warrior' element, this side of capoeira to be visible, he wanted to see it
Where the young man who buys gold finds shelter from the sun in the shade of the ice- - These gringos come here -blond hair and all- and get dreadlocks right away… blond was a fire at the Liceu de Artes e Oficios, there was... they moved the bus terminal away expressed." (Frederico José de Abreu)
cold coconut stand. Rastas! from Praça da Sé... Then in '83 we met here at the Cantina -bohemians, intellectuals and "I go down, down, down" Cinzal thought, "I go down, down, down…"
And where Nininha was convinced that everybody noticed she wasn't a woman yet... - Yeah, they look horrible! - declared Janira. assorted boozers- and we put together a project called Projeto Cultural Cantina da Lua, Depending on how many people approached him, Cinzal might lower his
requirements for selecting those who'd then be invited to watch the kids' capoeira The cousin he was talking about was precisely the third person at the table. As a her to quit chatting in the entrance as there could be clients waiting to be served. Some her before she got to the turnstile where the ticket is inserted.
game -the perennial "beginners"- though many times he only managed to get people matter of fact he had been in Brazil for a few weeks and still wouldn't venture to speak the customers stop -but most pass straight by. Most of the time people just pass by. - Let me go, Irã!
to watch long after the opening song and, occasionally, almost right at the end of the language. But on Baixa dos Sapateiros street... They didn't know, my god, about a man... who - Do you know that your brother called in at my place yesterday?
presentation. Marcela stared at the pavement, having exchanged phone numbers with the two had just passed right by his mistress -who was waiting for him to come back with a bag - Let me go! - she said, freeing her arm.
- Hey, mai frendy, come and see, boi, yew see. Look! Yew see, a show… Show! Italians and ensured that on the following day, she would bring a friend along, to accompany of popcor n- as if he didn't even know her, at the entrance to Cine Jandaia. Instead he told - Do you know? Do you or don't you?
Capoeira, anderstendy? It's starting! Right now! Now! Na-ow! Cam on, mai frendy, the cousin, who had remained silent. his wife he'd bought the popcorn for her as soon as he saw her coming out of Rua *** - I told him not to go! He went because he wanted to!
cam on! The fact is that she lived far from the city center. She was going to walk down the arm-in-arm with her friend. - Do you think I'm afraid of your brother?
He would aim first for those people -you know- who looked like tourists, right? The Ladeira do Tabuão in order to get a bus from Comércio, when she thought of having a soft On Baixa dos Sapateiros street, this mistress -how old was she, the mistress? Oh, so After the elevator doors opened and those who had come up poured out to go to
pink face, Senhor do Bonfim ribbons everywhere... He wouldn't rule out using more drink -indeed, she hadn't drunk anything while sitting with the Italians. From there she young?!- crossed the arms she'd once opened for the man who went away with his dif ferent addresses in the Upper City, Vânia, Irã and the people queuing with them
persuasive methods, like placing his huge arm on the prospective spectator's would go to Calçada Station, where she'd take the train to Paripe. She allowed her bag to wife… Did she suspect anything, the wife? Why else would she appear like that? The are able to fill it again, allowing the operator to push the button to go down and the
shoulders to better 'escort' him to the presentation -because it doesn't matter how slip off her naked shoulder, sliding along her white -almost transparent- dress, eventually mistress bought herself a bag of popcorn and took the streetcar home, eating the popcorn mechanics of the elevator of Vânia and Irã Lacerda's life take all of us to the Lower
much they resist at the beginning, "naw, naw, mai frendy, yew, you're gonna l-u-u-rve stopping it with her hand. She raised her head -or, rather, she tilted it backwards, so as piece by piece, delicately, feeling empty inside... City.
it", he knows that, in the end, people like it so much they want to make a contribution, to look down on the world. Her steps slowly followed each other, as if she were doubling On Baixa dos Sapateiros street the cinema for that mistress was always in the afternoon, 30 seconds and about to end, covering 72 meters, to link one city to the other.
see? her efforts to move her body forward. when the sun was a little lower, painting everything yellow... "Look at that...! It looks like they're trashing all the phones!" says a man, heading to
- Con-trib-ute, anderstendy? You contribute, anderstendy? - he said, showing the And why did Marcela make up that story of having lived in Italy? She didn't count on the next payphone.
gringo his thumb and forefinger rubbing together. Because not everybody contributes, him knowing Treviso, or on the possibility that a city with such a name -that she had once
you know? And on more than one occasion he'd felt obliged to turn down a certain sum read about- could be so well known... And why did she always regret things after having LACERDA: HOW MANY SECONDS
of money, suggesting that it might be exchanged for something a little more 'significant', done them? TO SAVE MYSELF? LADEIRA DA MONTANHA:
"please, O-Kay, mai frendy?". What was it again, that verse her grandfather used to sing her on the window sill? "NO… YOU ARE…"
But when he didn't manage to hook a gringo -to be honest, they'd got kind of slippery, "Put the lid on the pan-ela, in the bowl throw Marc-ela and take her off to the chap-ela" In fact he wasn't making a phone call -he was
lately- he needed to lower his requirements, to the extent of approaching anyone who "Take her off to the chap-ela." pretending in case he'd been waiting in vain... It doesn't matter how many seconds, what
passed by, like this guy here: Take her off to the chap-ela... His haste in rushing off -as soon as she matters is the effort Vânia made not to listen to
- Cam on, mai frendy, cam on, let's go and watch a capoeira show … a p p e a r e d i n P r a ç a To m é d e S o u z a , a f t e r anything Irã was saying, while cursing herself for
- What d'you say, man? I'm from here, from Salvador! Are you blind or what? I'm no crossing Rua da Misericordia and passing her forgetfulness that morning...
gringo, man. Look at my color… Do I look like a gringo? BAIXA DOS SAPATEIROS: under the Mayor's building- didn't buy him any Though the arrow pointing down was still lit, the
- O-Kay, mai frendy, cam on. Come. This way sir, you'll really enjoy it, so much you'll CINE-PROJECTORS more time. He just failed to put the handset back on the hook before leaving to catch structure of the Lacerda Elevator extended
want to contribute, anderstendy? Con-trib-ute. up with her... horizontally -whereas originally it wouldn't have dared- over Ladeira da Montanha Street,
The young man stressed his lack of time, but Cinzal, putting his arm around the guy's On Baixa dos Sapateiros street the sales girl in ...and so showing that he already counted on the lack of punctuality that made her where along came a bus from Comércio completely ignoring the lively drama of a couple,
shoulders, advised him: "naw, naw, mai frendy, you're going to like it, really, vary mutch, the clothes store calls out to the man on the come and take the Lacerda Elevator once again in a rush, just like the other times, rocking several yards above.
you'll even want to contribute, con-trib-ute". And while he showed the young man his thumb sidewalk passing by: herself on the heels of her sandals. She kept looking at her watch with the plastic strap, It also ignored footsteps on the sidewalks of the Ladeira -which links with tarmac that
and forefinger rubbing together, he wanted to know if this time his English had been clear - Come on in honey, come check out our store… while at the same time impatiently sliding her forefinger into a tiny purse, hunting for small which the elevator connects by a drop- as well as the glass of beer tipped back against
enough... gently patting the back of the guy's neck in a gesture of Bahian hospitality: But the man pays her no attention. change. the sun shining through the windows of the Ladeira's bars and reflected on the water of
- Anderstendy? On Baixa dos Sapateiros street another sales Catching up with her at last, he manages to put himself behind her in the ticket queue All Saint's Bay; food and shelter in hollowed buildings.
- A-A-Anderstendy. assistant calls to another man: with just two people in between them. It also ignored two sisters embracing after so long without seeing each other; and
- Come in sir, come and see our first-class products. - Vânia! ignored the way the sister who'd stayed behind nervously moved her hands back and
One of them smiles, says no, no, not now, thanks; another asks the price even though Vânia, in the most natural way she could, looked around while trying to move into forth between her hips and face, and then hugged the sister who'd gone away -younger
MARCELA'S RHYME the price-tag is visible. A lady also asks about the price. Another man, that hadn't been another queue and avoid facing the man whose voice she had immediately recognized. and taller-who she always knew to be more fun-loving and happier…
called by the sales girl, stepped into the shop; he studied the window for some time... But But the pace at which she was moving and the counter getting closer made her lower her - It's not just me, you're happy too…
- Italian?! I wouldn't have guessed! I'd say no one bought anything. head again to the purse, so as to separate larger coins from smaller ones with which she And they smiled, and hugged again. Discovering that one was fatter, the other thinner
you're from somewhere else, but I wouldn't say - Come on in sugar, you'r e welcome… Have a look around our store… strived to make up the five cents for the ticket. -but both in pretty good shape. Both simultaneously emotional at having missed each
you're Italian as you have no accent. When the customer walks down the middle of the street to avoid them or acts rude, the - Can't you hear me calling, or what? - insisted the guy, whose tight-looking complexion other so much, both apologizing for not having visited each other before, both avoiding
- It's because I've been living here in Salvador girls also say something like: and slightly swollen hands would suggest he suffer ed from chronic water-retention, which each other's gaze so as to hide that tear welling up.
for eleven years. I'm in paradise, right? My cousin - Go on, ignore me then…! made him look all day long as if he had just woken up - Hey, Vânia! can't you hear me The bus didn't notice whether those simultaneous tears were just due to their emotion or
here has just arrived. On Baixa dos Sapateiros street a manager reproaches another sales assistant, telling calling, or what? - he said, grasping the change the attendant was giving him and reaching if a droplet was reserved for regret at not having always lived together, these two sisters.
PRAÇA CAYRU: TRIALS AND NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO DA this happened now, Heleno? SANTO ANTÔNIO ALÉM DO CARMO: MIAMI
TRIBULATIONS OF AN ADOLESCENT LOVE PRAIA: "TAKE MY THOUGHTS A WAY, I - Go on, marry her now, 'bro! - someone said. YAM
BESEECH YOU!" - Fifty cents? Look, a bargain! You're gonna miss it? You're gonna miss it? - said
someone else. Zé repeated through the loudspeaker:
When the pain came he almost laughed, as if he - Yeah, it's just like that program where TV stars go into people's houses! - said another. - Come and get 'em. Twenty oranges, one real,
wasn't feeling pain. When he looked down and Heleno, if he could choose, would rather tur n up at the door, take a look and that would twenty oranges, one real; tomatoes, onions, green
saw the blood, it was as if he only saw the church be enough, he'd have seen it. He'd rather not have to leave the fort. He'd rather return to peppers, chuchu, carrots, lemons, "King Edward"
steps, instead of his foot cut by the coconut husk. his machine and finish stitching as work was piling up at the shoe-repair shop. Virgínia, potatoes, sweet potatoes -better than bread! Big
- Look here, read this bit here... differently from when "Look, seeing as everything gets washed here, I'll from the clothes store, he knew already; that fat queen there, holding the cardboard bag of yam, one real, Miami yam! Four jumbo
- Where? he was just a boy wash it with my own blood, see", he couldn't help thinking. He felt a sharp pain but it camera, he also knew -thick as thieves with Michele Faifer. The others he knew to look coconuts one real, four dry coconuts, one real… Fifteen eggs, two reais, two reais for
- Here, this one here: "when from inside and the squeeze he would give her didn't cross his mind to go back. at... that girl licking a popsicle, so two-faced... And Virgínia from the clothes store imitating fifteen eggs! Big bag of mangoes, one real, big bag of passion fruit, one real! Get your
the seed..." she felt like a caress, Sure he could play, even with a cut foot... "A little cut -it's nothing", finding a way to a TV presenter: limes, squeeze 'em, make lime juice!
giving her faith in her destiny.
To comply with a novena devotion avoid thinking about what usually seemed to occupy his mind -and this time he really - So tell me, honey, what's your name? Then he told Júnior, at the wheel, to turn ar ound here, right here on Largo da Cruz
and receive grace When the love is that of a child didn't want to think about it, as he was feeling pretty chilled; sort of getting used to it... And Michele Faifer answering, with that big wailing mouth of hers: do Pascoal:
the commitment must be strong it is born with the light of day
a person should not be weak born with faith and hope Alright, he was no longer a professional -he'd passed the age for all that anyway- but at - Michele Faifer! I'm an actress and a singer! I've got a special promotion on my web- - Turn around, bro'.
for nine days a Christian blessed by the Virgin Mary least he did enjoyed having a kickabout in the morning. y page, double-you, double-you, double-you, dot com, dot bee-aar! There's a reduction - Aren't we going down there?
prays with all his heart and just like a seed Because all he had ever known was how to play football. But it's not like that, is it dad? on the price of my love, especially for the man I gave it to, he got it for free! - No, no, let's turn around...
not missing a single day. it grows into an adolescent Not everybody's gonna make the national team -is that or isn't that the case, dad? Michele Faifer already needed to shout, as her voice was drowned out by the laughter - It'll get better if we go further on.
filling our lives with joy.
Interrupting a novena There's only room for eleven in a team, and that's it… He had, well, some contracts, and applause of the viewers. - No, c'mon... no, man, I know what I'm doing. Let's go back, let's turn around.
shows a weakness in the unhappy soul A young woman is a barren land right… But it didn't happen and, in the end, he didn't sign any… What can you do about Júnior felt his hand slipping more than usual on the wheel, which by now was already
who lacks good judgment waiting to bloom
it, dad? That's just the way it is, you shouldn't get wound up by it… You know what you gr easy. Tur n around, Júnior. Let your hand slip and you will alr eady be making the turn.
and strength of conviction waiting for someone to come and sow
and only later understands the harsh ground of her heart shouldn't have, old man? Greed. It didn't work out and that's it. It just wasn't meant to be, COMÉRCIO: MERCADO DO OURO, Tur n around because you can't take things back. The car that just passed by won't come
that the grace received knowing that one's first love right? "OBSECRATION" back; that customer who only bought oranges won't come back; the scolding you gave
is the opposite of what is desired... is the true one forever How many times had this happened? That he got so close to signing…? It wasn't the your sister can't be taken back; the...
written on the palm of your hand. first time that the very thing he was trying not to think about seized him like this. Because Vânia was still looking over her shoulder, as if - You crying, bro'? - asked Zé, r olling the cable round his hand, the one that held the
Vânia felt sorry for herself
as it was a great pity But what she never worked out even though he didn't want to think about it, he did. And boy was he thinking about it now! at any moment Irã would try again to catch up with microphone, the way those top singers do it.
to have failed -today of all days- is when it all started to change It wasn't the first time, oh no…! Calm down, dad… See, old man, the cut's already her. She'd got used to this, living for the moment. - It's just sweat that went into my eye.
to comply with the novena and the mechanism of the
stopped bleeding. A piece of coconut in front of the church, man… C'mon, let's go, She pulls herself together as best as she's able, - Right, stings like hell, don't it?
she felt great remorse elevator
suffering for this neglect went into reverse they're waiting for you at the game! lifts the bag strap, straightens her step, takes a But Júnior didn't respond, as he doesn't say much; or rather, his dialogue is internal,
and seeing herself as worthless. the love that had driven deep breath. Only now could she feel her arm as if all of his answers need interpreting.
the upward elevator aching from the strength of Irã's grip. No, she hadn't deliberately forgotten about the Zé, after sitting for a minute, appears at the door of the van again:
For eight days she prayed
suddenly started to come down.
with the utmost faith and devotion LADEIRA DO TABUÃO: TABUÃO ELEVATOR, novena; it was just bad timing! - Twenty oranges, one real, twenty oranges, one real. "King Edward" potatoes, sweet
begging for Irã Lacerda When from inside the seed TABUÃO LEATHER, TABUÃO TELEVISION, Was it true that her brother had been knocking at Irã's door, the night before? She potatoes -better than bread! We got tomatoes, carrots, green peppers, chuchu, lemons! Big
to be erased from her life the ugly brute emerged TABUÃO LEAFLETS, TABUÃO ROSES, resolved to talk again with her mother about her brother, although she knew that Irã could bag of yam, one real, Miami yam! One real! Big bag of mangoes, one real, big bag of passion
but today, the final day, and hitherto sweet boy-Jesus showed
she contrived to stray from the path its true colors TABUÃO REPAIRS be a real liar sometimes. fruit, one real! Four dry coconuts, one real, jumbo coconuts, take four for four of you, one
preventing the fulfillment of the novena. a bag of salt spilled She checks the time again. She's going to be late for work. Maybe it would have been real… Fifteen eggs, two reais, fifteen eggs, two reais! Get your limes, eat limes, get your limes,
over the conjugal bed It's all because Michele Faifer decided not to better to have started the novena when she returned home after work, not in the morning eat limes! Onions that bring on tears, cleanse your eyes, make a Christian beg forgiveness!
The commitment was broken
the day turned into a long wait. wait for her letter to be the one selected on when she regularly went without breakfast so as not to miss the bus!
the prayer weakened
she cursed herself television: she asked Virgínia from the clothes store She knew that the situation with Irã really upset her br other... It's just bad timing...
Besides, at this point in time
her own weak resolve to be the presenter and off she went to Rua do She's going to be late... Her arm aches... Leave my brother out of it Irã: he's got nothing RETIRO: PROTECTING BARRIER
after everything that had happened
the grace received it wasn't good to start wondering Tabuão to broadcast her own program. to do with it... If she lived in fear of losing the piece of paper her pai-de-santo had given
was contrary to her desire - despite her complaining - Man, come and see this, come on! Guess who's doing a promotion! her... If she swears in the name of Nanã; in the name of the Father, the Son and the Holy In the same way you want to make sure the
the opposite had happened. about her life being a tale of woe-
If it was up to him, Heleno would rather not go and see: he preferred to avoid going Spirit… If she swears on everything that is sacred... door is shut, you keep going back to see if it actually
Now her tormentor's hand if it hadn't really been on purpose
tightened on her thin arm that the novena had been forgotten... anytime anyone would call him to see what Michele Faifer was doing. And how often has It was just bad timing. is closed, all the time checking that it really is -and
going back yet again. That's why Vânia, once again, put her hand in her bag. She keeps edge of the wharf where you can see the sky, instead of the labyrinths of the market. FROM RIBEIRA TO BONFIM: DRAGGED IN, ALAGADOS: SEALING LAGOON
doing this while waiting for the bus. She holds the note between her fingers, feeling the Especially now, given his 'fluctuating' conditions, because he knew that amongst so DREDGED UP
paper to confirm that it's still there, deep inside her bag, protected. It's because she's many twists and turns -those little steps on the edge- and those piles of boxes, if you The slipper slipped off! It slipped off again! And
afraid she might lose the piece of paper containing the novena devotion her Pai de Santo don't watch out... And Ozório is going to take care not to slip, not to stumble, not to tri-i.... And while Nazaré was saying "Thank God" again! Only after concentrating on the way she put
has taught her to keep Irã Lacerda out of her life: Helinho from the Tempero Lampião spicery could only make out an object passing by, after catching the floppy disk thrown by Lúcia... her toes in, was she able to make it fit.
- A 'daughter' of Nanã is no match for a 'son' of Xangô, my dear... It's most unlikely... collapsing, and he ran to see what it was. ... Cira pointed out the place where José - I was replying to this email he's just sent me.
And did she not pray to her Orixá a lot? - Are you hurt, Ozório? Jaime had rescued a drowning girl, right there, This here is no lagoon... because that's what he
- Nanã, save me from this man! Do not answer, Ozório. Keep your head down, otherwise they will see the r eason why in the direction of Bonfim church, see? thought! He doesn't know! - said Lúcia, grabbing
And again she puts her hand into the bag, just to be sure that the last time she did this you've been falling so much written all over your face. Because you spat out so often "I - José Jaime, the call girl's lifeguard! - said the disks that were lying on the bed - I was
the paper didn't stick to her fingers and drop to the floor without her noticing... Only now doubt you'll ever leave" that, one day, she did. Bruxo, sitting against the cane-juice machine. Everyone laughed. explaining to him that this here is no lagoon, it's the edge of each neighborhood! They're
she can't find it anymore...! Where is it, oh my God? Where is that piece of paper? Now Christ the King. But what Cira didn't know was that if her finger was long enough it would cross located over two -what's the word?- inlet! over two sea inlets, right?
that the bus is coming, heavens above! Where's the note? Where is it...? Ribeira, pass by the Porto da Lenha and reach the Bonfim church, over there in the - That's right - Nazaré replied, squeezing herself against the wall as Lúcia dashed out
"It's here! It's here. Thank God!" distance, and just about touch the hair of Simone who -clinging to the railings of the of the door: because internet access is more expensive during the day and maybe
ITAPARICA: FORT BEACH, WHAT'S MY gate despite being eight-months pregnant- was trying to make out the bells in the Nazaré wouldn't remember how much Rubinho had paid the last time. Nazaré did
FORTE? tower. "It's a pity they're not ringing," she thought, since she loved the sound of remember, despite being left dizzy by the rush Lucia was sometimes in, moreso now,
FEIRA DE SÃO JOAQUIM: SKY BLUE, WHO church bells. after she had started exchanging email messages with that guy from Sergipe.
FELL? IT WAS LOVE THAT FELL Bad plus bad equals bad. Bad plus good - Really, José Jaime? - Hey! Nazaré! Nazaré!
equals good. Good plus good, you say 'amen'. José Jaime, adjusting his dark glasses, answered every question with undisguised When Nazaré made it to the door she came across Lúcia in a frenzy, almost letting her
Because if this was the case, with so many - My grandmother caught four guaiamu crabs. pride: floppy disks fall from under her arm. She needed to ask Rubinho to open them on his
macumba stands here at the market he'd already - Mine caught five - prompted Zoinho, though - Yeah, we do r escues every now and then... People turn up here not knowing the computer so she could see which of them contained that picture where she looked her
cast a hex to deal with it. Because he was aware his attention was really aimed at the twig he was beach and when they go in they fall into those holes over there, dug up by the dredger... best -to send it over by email. Yet since that day with the virus she can't see any picture
that, for some time now, he'd taken to tumbling all twisting in his fingers: he'd snapped it off the tamarind tree he was leaning against - which That dredger is the one that takes soil to Alagados. They're using that soil as landfill down at all on her computer!
too easily. A sort of hiccup, but involving a fall. It explains why he wasn't concentrating on the game. there... Over at Alagados you can also see Bonfim... - We don't need this disk, it has written on it what it is! Just hold it!
was a stumble, slip, skid, a false step, absent- - And mine caught a thousand! - concluded Cheli, who was on her way to fetch water - Really? - No! Don't throw it!
mindlessly tripping, bumping, hitting, unsteady legs... no matter, whatever it was, Ozório from the Bica fountain. - That's right, from there too…
kept falling over. Cesar turned towards São Lourenço Fort -which had belonged to the Dutch and the Simone was thirsty; she didn't know that pr egnancy could make you so thirsty. Her
- Ozório, look out Ozório! Take care! You're not going to fall again... Portugueses, but remains Itaparican- feigning resignation, then said loudly: friend Ágata -half looking for the bells, half just looking around- said all the girls were ENSEADA DO CABRITO: CALÇADA-PARIPE
But he was no macumba man. And he put the sugarcane down. He had been one, - Yeah... She's even forgotten how to play the game, d'ya see? asking after her. SUBURBAN TRAIN; HOW MANY BOATS CAN
until he realized that it was all work of the devil, designed to mess with your head. But Cheli didn't give Zoinho time to answer: - Well, girl, so now... only after the birth... BE SEEN FROM THE WINDOW?
- Ozório, do me a favor: take this to Orlando down in "Garlic Alley" for me would you? - Oh, right, I forgot. I was distracted... Mine caught six and you can take this!... - only - And are you really going back?
And take care not to fall on the way, ok? extending her middle finger to the other two didn't correspond to the gesture made when - Why, of course: what did you think? That I'm going to leave my place empty like that? - … another top-rating program from Rádio
Ozório took the piece of paper from the hands of Jailton, the coordinator of "Sugarcane they were younger and used to run away or get caught stealing fruit by some landowner Just you wait and see. After the baby's born I'll be back in the saddle, girl. I'll set the Sociedade da Bahia. The Morning Show! Ed
Street" -and the one who hired him week by week to stack sugarcane bundles on the - the one of half-revealing their pubescent parts… place alight -back on top of the world, I'll be queen once again! Carlos...
ground, after unloading them from the truck that brought them from the district of Candeias Time passed, the wind blew gently. - And was it really a call girl? - This is your very best friend! Good morning!
directly to the Feira de São Joaquim. He left the length of cane he had stripped cooling in - Look Zói, you know what my mother said? D'you know, Cheli? See that chain up - Oh yeah, he doesn't rescue men, no, he leaves them to drown! He only rescues Win movie tickets for Ponto Alto I and II theaters.
the sun (as everyone knows sugarcane must cool in the sun before being chewed to there, on that tree there? You see, there? There, look. Can you see it? The chain up there? women, and especially call girls! - Bruxo cut in. - Sociedade! Sociedade! Putting the listener first.
avoid bellyache) and headed towards "Garlic Alley". Cheli said yes. Zoinho, being cross-eyed, took longer. - That's not true: it's just coincidence, bro'! Only because I happen to rescue more - You're calling and taking part in today's survey: do you think that the truth should be
He remembered that he still hadn't had so much as one small slip since he arrived that - So, that tree has been there for ages and ages. The slaves used to be tied up there, only women! told no matter what? Whatever the cost? Yes or no? Call Zete! Now, a word from our
morning, despite what all the other stackers said: that in those days the tree only came up to here. The chain would be further down. Here, see? - A coincidence… mmm... sponsors and in a little while we'll be back...
- You're falling over a lot, Ozório! Are you feeling feeble, Ozório? You don't actually eat, The slaves would be tied up there and the whites, their owners, would whip them! - It's a coincidence, bro'. - Radio Sociedade da Bahia! Everything you need to know!
do you? - Is that true? - said Zoinho, first. - Aah, a coincidence… If he'd brought his cellphone, Neném would have found it good to call the radio station,
And he promised that Jesus Christ himself was going to let him stay upright until the - Is it really true? - asked Cheli afterwards. - Yes, a coincidence! to say 'no', you need to be careful with truth, not everyone's prepared to hear it, no sir -
end of the day or pretty soon everyone would become suspicious... - Yeah... It's true... I didn't know this, it's my mother who told me... The tree grew and the just to make Jadir listen to that.
He'd always liked "Sugarcane Street" best as it's outside the market, on the very chain stayed there. That thing remained, see? Just look at it... It would be good to cut it... Two days not talking straight with Jadir: and Jadir not talking straight with him. "My
name is Neném, I'm a fisherman", he'd say loudly, "it's... like this... I don't think so, sir, head. She had no patience. So young and already so impatient. In particular, Ózinha had was also calling him - "Look at that... I told her not to do that, look..." can you change this for me?" - Eva resigned herself, while noticing that the embers in the
there are people who aren't able to hear the truth when it's told, no sir". I'd just want to no patience for her sister's favourite subject, a certain Maria Quitéria and a certain Ana Because Adelino was sure he'd told his mother countless times that, in the street, she tin pan had died out. She knew that Miguel wasn't bothered by this, as taboca wafers
see how the expression on Jadir's face would change… He knows how to bad-mouth Néri… God, where's the fun in all of this? didn't need to do things the same way she'd do them at home, because outside in the come ready made in small bags, you just give it to the customer. It's not like the white
someone, when he wants to, right? He doesn't care whether it's in front of others or not... - Do you know where Andwé Pinto Webowsas was bor n? Wight here, in this town… street is not the same as inside in the house. At home you have me and my brothers, but cheese, that you have to hold over the grill, see if the client wants molasses on it, things
But when it's time to listen, he doesn't like it, oh no! When people tell him what a fool he is, Cachoeiwan he was -her sister continued, this time passing her hand over the the street is different, mom. Like she wants to juggle everything, trying to make everyone like that...
he doesn't like it. If it wasn't for his bills being due, Neném would have sorted out another cobblestones to see if she could find the earring by feeling for it- Amewica's gweatest happy, you see? As if it was for me and my brothers! - No they don't give change, you know why? Because the hardest thing to get is
boat to work on. Today it became clear he couldn't go on with Jadir! juwisconsult: Awgusto Teixeiwa de Fweitas -taking longer than she normally would to say So, it ends up with change being dropped, peanuts slipping out of her grasp, too two fivers. They don't give change, that's the problem... I don't have a savings book,
- Neném, fasten this for me! "juwisconsult", out of a sense of municipal pride- was bawn here in Cachoeiwa; Ewnesto much time wasted counting money... And so people start complaining, asking her to get I don't ever want an account in a bank! I don't have an account. Because they don't
"Asking for help, are you? When you want my help you know how to talk to me, Simões Filho… Did you know that Webowsas was the inventor of the hydwaulic pump? out of the way, saying she's stopping them seeing the game... So I have to look out for her give change... You go there, they don't have change... So, see what I did... I said:
don't you?" - thought Neném while taking off his shirt and securing firmly one end of - No. or who knows what could happen. Just like the arguments with my dad! "Look here, I'm gonna give you nine real, all in singles, and this leaves me short". And
the rope. Jadir, leaning forward, only half-managed to tighten the knot before he - He was an enginee-ar back in impewial times… He's the patwon saint of enginee-ars How many times did I say: "mom, don't talk the way dad does, sure, argue with him, he said -and before repeating for the third or fourth time what the gringo had said, he
shoved his head against that of Neném, who remained tense. He's always going to be … a Cachoeiwan… Now this is something my town can be pwoud of, isn't it? but don't stand up to him copying what he says!" - what he wanted to say, basically, is turned his lips downward, exaggerating his mocking expression- "All right, but God is
this tense. With Jadir it's over. No more laughs. No more chat. If he wants he can - Sure. that it just didn't seem proper to him, his mother using his father's filthy street talk just so going to help you, God is going to help you", because I was doing a good deed! Then
laugh at his own clowning about: as for me, forget it. Don't try and give me that smiley - Hey, Ózinha, haven't you see anything yet? she could compete in family rows... he took his change, put it all in his pocket. So I said: "I'm just missing the tenner"; and
face, ok? It's over. - No. ... but Adelino wouldn't be able to convey the neatness, the clarity of this idea. Is it he: "Eh? Oh? Didn't I already give you the ten?" And me: "No"; so he said -Miguel
And Neném was holding the rope so tightly he couldn't say who laughed first. Nor who Ózinha couldn't say which was worse: the neverending parade of the actual names blasphemous, a son teaching his mother? gave a forced smile, to imitate the gringo- "oh, that's right, I didn't… no, you're right",
first silently apologized... Nor who helped who more, when pulling in the boat that pulls in themselves or having to listen to them from her sister's mouth. But in heaven's name - I'll have one, please. as if he had forgotten to give me the tenner! Just imagine! As if he had forgotten to give
the nets... why had she been singled out to have a sister who likes to wallow in the stuff of history Adelino picked out the soft drink bottle, handed it to the customer with the change and me the tenner...
- Sociedade… Bahia's radio station! to show how smart she is? Who has -moreover- a way of swallowing her tongue, wa- again tur ned to look at his mother, over there...
- And we're back, reminding you that today you can win movie tickets to Ponto Alto I wa-wa-wa-wa? And who, on top of everything else, may as well be blind! She can't ... it was her smile that taught you, Adelino.
and II theaters. Phone up and join in right now! All of you at home, in your car or at work; even see the earring there; look, it's even sparkling in the sun, everyone can see it ITAPUÃ: THE BLOOD FROM YOUR FOOT,
on foot, on a train or on a boat... except her… She's passing her hand over all the cobblestones… It won't be me THE BLOOD FROM YOUR HAND
who'll tell her where it is: if she wants to find it she can stay down there, on all fours, ABAETÉ: "LEAVES ME SHORT"
just like that horse over there… If she doesn't take care, its owner might get it wrong, Slowness, no. But not quickness, either.
A SEDIMENTARY CATALOG OF THE mistake her for the horse! - What is it? Tilapia, isn't it? Anyway, when things don't work out, they just
ROAD TO CACHOEIRA - Haven't you seen it yet? - Right, tilapia - confirmed Eva, having been don't. Look, it's bleeding again, see. It's really
- No. interrupted just as she was about to explain that hurting. If you play on it the wound could get even
It's no wonder everyone says to their mother "your daughters are so different from these were the three types of fish that could be worse, right? So, look, let's do this... We'll make a
each other..." found in the lake, that the trahira is rarely seen, substitution, put on Toninho... Alright?
though, and that it must be hiding under the mud - OK, it's no big deal.
because if it comes out the tilapia eats it. And again Not slowness, no: it's how fast that thought came into his head. Not fast, no: it's his
MANOEL BARRADAS STADIUM: MY she was interrupted: tardiness in leaving the field. Tardiness, no: it's the speed with which he pr etended he
MOTHER AND MY FATHER - Well, I know nothing about fish names. I don't like fish, don't like cleaning them, didn't mind being substituted in today's game, the semifinal of the tournament here at
CACHOEIRA: I JURISCONSULT YOU don't like the smell - retorted Miguel, in contrast with his usual reticence when finishing the beach. Not speed, no, my friends: it's his slowness in coming to terms with what
It's like doing two jobs at the same time, right? a statement, which -Eva knew- meant that the subject of tilapia, trahira and angelfish happened whenever he'd got close to signing with a big team. Not slowness, no: it's the
Seeing to the guy ordering over here, by your side had not been a success either... Previously she'd tried to say that she preferred it speed of what he didn't want to think about, being thought of in his own mind and that
- ... so Cachoeiwa had two waw hewoes: Mawia and at the same time looking out for your mother, when the women would wash their clothes at the edge of the lake, before they built it's always like this, it's always when he really wants something: "I don't need reminding,
Quitewia and Ana Newi… What! Not hewoes but over there. that communal laundry back there -that it was more beautiful the way things used to Lord no! I know I don't have the right."
hewowins! Why? Because they were still - I'll take one, 'bro. be. But it had been to no avail... It was therefore useless to try and change the Not quick, no, like I said: it's the slow motion of so many pens failing to sign so many
menstwuating! Can't you see anything yet? - What flavor? subject. Now that he had started, Miguel was going to repeat that story of the change contracts. Not slowness, no; it's the speed with which so many big-team presidents
- No - replied Ózinha, not really bothered about - Make it orange... the whole day long. put away so many untouched contracts.
scouring the cobblestones, making the most of "Look at that... What have I been saying? Take a look. She's gonna do it again, same - You get it? I don't like it. So, I was saying... It's the same with the account -my wife has Not speed, no, it's the slowness of the coconut husk, in front of the church. Not
her sister being preoccupied with looking for the earring she'd dropped. She didn't like as before!" - thought Adelino while, at the same time, handing out the soft drink bottle, a bank account. I don't have a bank account. I don't want another one... slowness, no, it's how quickly the church taught him that he has no right to sign anything.
it when her sister started talking about that bunch of people and just kept nodding her taking the money, giving back the change and walking over to serve someone else who - c'mon, even without an account you can go into a bank, go to the teller and say "look, Not quickness, no, it's the church's slowness in saying that it had been useless to
pretend he didn't want the things he most wanted, because everyone knows he's only RIO VERMELHO: VERMELHO RIO FAROL DA BARRA, FORTE DE SANTA - I don't know why you don't come on the bus. You always walk, and in this heat! Sr.
fooling himself. MARIA, FORTE DE SÃO DIOGO: THE Francisco just nodded his head. He didn't have a right answer to give as to why he would
Not slowness, no; it's the speed with which the waves break. Not quickness, no: it's When Jorge arrived When Jorge left he VIGILANT ARMIES. never take a bus. He only knew that he didn't like to get on at the front and show his senior
the slowness. he gave Sr. Eulírio a gave Sr. Eulírio a weak citizen pass...
strong handshake... handshake... So many Forts to defende us. So much cannon Dona Armandinha also smiled, prompted by this weekly meeting, which was now no
He hadn't put on But why had he not fire, musket shots and arrows, the Sky ablaze. longer considered a bad thing within her household. Not even by her children, who now
LAPA: OUTBOUND 0919 - RETURN sunglasses when he left worn sunglasses? His 'Twas here I set foote hauing nauigated the wide thought it funny when she was getting dr essed up and would say: "let me go now,
the home where he'd set facial muscles were Ocean. These shores I defended in the name of because my 'companion' will soon be there".
up a small textile already hurting from
That Nininha was a girl, everyone already the King. - What about the children?
business with his wife... squinting so much...
knew. What nobody knew was the extent to which And here is where I fell, my hearte rent asunder. My body lyes buryede, my name - They're all fine... Ricardo is coming next week, with the kids...
her armpits sweated. How she sweated and how He told his wife that he'd asked for a pre- How was he going to tell his wife that he deeper still. - Is he coming alone?
dated check from Sr. Eulírio; that their hadn't got the check? That the business was
she felt ashamed every time she took the bus Nouadayes those who come here look at me, at tymes and in such a Waye that I doth - No, he'll come with his wife and the kids...
business was now getting off the ground! going to stay in the red?
back from school... become conuinced I am uisible to them, I gesture with my Armes, I doth euen whistle. Sr. Francisco made a gesture meaning that he'd now understood. It's just that, lately,
It was nearly always the one with that Walking towards the fishermen's Now it became clear there were three men And yet to no auaile. They doth attribute it to the Wynde and away they go, each on he'd been missing the odd phrase...
community center, he hadn't even noticed if at the entrance -as well as Dum, there were
conductor, who stared at her so much it was as if he was going to devour her with his their separate courses. They didn't know why, but since they'd started meeting... How long had they been
anyone was there at the entrance... another two, sitting down.
eyes! It was better if she keep quiet so as not to draw anyone else's attention! That many shots did it take to kill me and there poured forth so much crimson I doth doing this? "My God! As long as that? Nearly the age of Ricardo's little daughter..." Dona
When she got home she would take a deep breath out of relief. She was positively It seemed to him that the only one there No, it's not a step... It's that thing that looks pronounce the inhabitantes of this lande to be baptized in Bloode. Armandinha told herself, amazed, realizing that ever since she had become a widow... It
was Dum, sitting on a step. like a mast on a boat.
afraid of that man who liked to look her up and down... And so dirty! He looked like a... Soldiers each and euery one, those who descended into the grave and those who didn't surprise her that previously her children would get angry, nor that people in the
I don't know what! To even think that she was the kind of girl to lead on a man like that! But it was as if he'd met Dum just a couple And it was as if he hadn't seen Dum for stoode fast. neighborhood would spread idle gossip even though there was nothing between her and
He looked like he didn't even wash himself! Good grief! of minutes before, not two days before, when several years, as if he didn't even know Dum, Yet this Spectre of mine remaineth, that like thin Aire confuseth mer e mortals. Canst Francisco... These people who have nothing better to do, who...
The following day Nininha left with a classmate and they both took the bus. It Dum had told him that Sr. Eulírio needed nine as if Dum had never told him that Sr. Eulírio thou hear me utter these words? 'Tis not the Wynde that doth speak. And Francisco continued… he had less and less patience with sitting on a bus... He
thousand T-shirts to give away at the Festival needed nine thousand T-shirts to give away
wasn't the same conductor. 'Tis not necessary to flee, nor feare shall struck thee dumb. felt that everybody was looking at him... Occasionally young men… For some time he
of Yemanjá. at the Festival of Yemanjá.
- What's the matter, Nininha, aren't you coming through? -said her friend, having Entertaineth the notion that we are but one, true not in outward appearance but in hadn't wanted to face any young person. He couldn't exactly say why... He felt, well,
already gone through the turnstile. When he passed by Dum he had the When he passed by Dum, Dum stood up Bloode and Spirit and everlasting Flame. somehow ashamed, not knowing for sure of what. He preferred to go on foot. He didn't
impression that Dum was standing up to say to say: "I tried to warn you, but your cellphone
- Damn! I can't find my smartcard! I think I've lost it!- replied Nininha, rummaging May such abundant life-giving Waters, have the patience for it!
something... "I wanted... the deal... tell you..." would only say 'out of range'..."
in her shoulder bag. silence the lightening and the pyrotechnics. Dona Armandinha dipped the spoon into each acarajé pan and scooped out a spoonful
- What a pain! And now? He kept staring at the door of the He kept staring at the floor, remembering of filling to deposit into the half-opened bean-croquette... First the vatapá, then the shrimps,
- I'll have to walk home, I guess. I haven't got the money to pay the full fare. fishermen's community center while Dum was that his son Raul always forgot to turn his then the vinaigrette salad... Francisco had always been like that, hasty, with no patience
saying something about a cellphone... cellphone on.
- No! What ar e you saying? You're going to walk all that way? I'll lend you the CAMPO GRANDE: SHATTERING SUNLIGHT for anything -unlike herself, who knew how to do everything in due course, at the right
money -you can pay me back tomorrow! And while he was shaking Sr. Eulírio's And while he walked towards the bus- moment. Even with popcorn -she would eat them one by one...
- No, it doesn't matter, really. Leave it, I'll go on foot! hand, he wondered what Sr. Eulirio could be stop he realized that the sunlight wasn't as Sr. Francisco tur ned into A venida Sete de - Popcorn reminds me of movie theaters...
talking about... Something about the check... strong as when he'd left home, that it was the
And Nininha got off the bus so quickly that her friend hardly had the time to stick Setembro donning the same gray three-piece suit - It's been an age since I've been to the movies...
Why is he not signing the check? He's saying intensity of the gray sky that made his eyes
her head out of the window while the bus pulled off: he wore every Wednesday. The sunlight was still - I'm tired of asking! You never want to go...
something about the festival... About T-shirts feel like they were fit to burst... He could have
- Don't be silly, Nininha! Just because you forgot your smartcard?! intense, but in the shade it was cooler. He crossed - Come off it, Francisco! Me? Go to the movies?
here and T-shirts there... Let's leave it there... sworn he'd only raised the price a little to get
But Nininha didn't go on foot. Within fifteen minutes another bus came. She signaled Leave what, where? It seemed that only now the business out of a hole -and meanwhile he the street, took out his handkerchief and wiped - What's so wrong?
for it to stop, got on, recognized the conductor that always stared at her -with the could he hear Sr. Eulírio's voice: continued to listen to Sr. Eulírio's voice: the sweat that dampened his collar. The sweat - Oh, no…
hungry eyes-, took the smartcard from inside her notebook, put it in the machine, the was due to the long walk he'd taken from Rua ???, - We could go and watch a movie…
- ... and we've managed to find a better - ... and we've managed to find a better
light went on. Then she paid her reduced fare with some change, taking each coin, one deal... Don't take it badly, but considering where he lived, and its drops mixed with the rose-water he'd carefully applied to his - I don't like theaters.
deal... Don't take it badly, but considering
by one from the tight pocket of her jeans... the price difference we've opted for another body after taking a bath. He put away his handkerchief, walked up to the plastic seat - A movie…
the price difference we've opted for another
...and sat down in her usual place... guy to make the T-shirts for the Festival, and beside Armandinha's stall and there he sat, without saying a word, almost smiling. - I don't like movies! - she retorted. Sr. Francisco laughed.
guy to make the T-shirts for the Festival, and
we can pay in two installments... we can pay in two installments... Dona Armandinha had left home long before, soon after lunch. She lived in Lobato and - You keep on saying that, but in the old days…
And that was when Jorge realized had come -as she did every Wednesday- to look after the acarajé-stall of her daughter - In the old days I liked it, when they used to show those Gracey Kely pictures… These
Until that moment he wasn't aware that
the air, blowing through the windows, was so his whole body was stinging with the salt (who attended a course in the afternoon). She was worried that her heels, though not high, days I don't like it, I'm fed up of telling you this.
salty... air... could cause her to slip on the cobblestones speckled by sunlight. - Well, sometimes I go.
- There's no accounting for taste... And to watch that rubbish... PRAÇA CASTRO ALVES: ILIAD
- I even go to the 'shoppy' mall…
- I know… I know only too well… As if you were some young thing… No, don't ask for my hand, Irã. Keep that hand
- I'm no youngster, but I'm not dead either. So why not! I pop into all of those 'shoppy' of yours there, leave it in your pocket! You're acting
malls that we now have in town. I just enjoy the air-conditioning, I go up and down, like an idiot! Agradecimentos
window-shopping... Then I go into one of those theaters... Some terrific movies really, you You're so persistent, you're always on my case!
should see... Is this gonna happen every day now? Leave me Matteo Viola, Jussara Nascimento da Fonseca, Roberto Malin, Prof. Cid Teixeira,
And then silence. The silence of this movies conversation... The silence that fell every alone!... My 'saint' conflicts with yours, my sweet Clarindo Silva, Frederico José de Abreu, Rubem Oliveira de Jesus, Claudio Sergio
week, until Dona Armandinha would say something about prices, the city council, the -man can't go against that which an orixá forbids. Moreira da Silva, Pedro Bahia Falcão, Elenilda Gomes de Carvalho (Lúcia), D.
children... And why does Francisco have to talk so much about the movies? And so, for Keep your hand in your pocket, don't take it out for me. I... I'm ready to start another
Idalina, Neide, Mestre Pedro Pé de Ferro, Maria Rosa Vieira, Raimundo Lázaro
several minutes, there they were, Armandinha selling one acarajé here, another there... novena! My family liked the fact that I managed to cleanse myself of you. Even my
Only this time it happened earlier than usual... It was when she was about to put the brother is happier about it all, as it's clear to everyone I forgot about you a long time ago. Querino, Luís de Oxossi, Mãe Índia, Neném de Oxalá, Jailton Mendes Tavares,
vinaigrette salad on the acarajé a customer had ordered that Francisco, over the My Pai de Santo said it's a non-starter, us being together, and my friends haven't talked Claudio Silva Ribeiro, Paraíba da Viola, Alberto Américo de Freitas Jr., Neném,
innumerable cobblestones, broke the silence: about you for ages: when someone mentions you it's like asking about someone who's Pedro, Michele Santana, Maria dos Anjos da Silva (Dulce), vendedora de queijo
- It's because my wife arrived at that very moment, Armanda… "passed away"...! You may as well be dead, Irã! coalho, Miguel Per eira, Josué Santos, Coquinha, Alice, Kely, Flávia, Paula Furacão,
The spoon that stirred the vinaigrette salad stopped. So, don't you go offering that hand of yours, keep it in your pocket. Don't keep asking
Cássio Amorim (Cara de Lua), Alberto Pereira de Souza (Bruxo), Nelson Bonfim,
- With that damned friend of hers… for my hand, Irã, because I won't give it you!
The spoon in the vinaigrette salad remained still, as if there wasn't a customer there, I'm not gonna give it you ever again.
José Jaime Santos, Seu Leo, Josué da Silva Araújo, Dannunzio Grassi, Roque,
waiting. I won't give it you, Irã... Jorge, Valdilene, Simone Santos, Mestre João Pequeno, Zoinho do Forte, Frank,
- I… It's that my wife was there with that dreadful friend of hers... Never again... Aniele Carvalho, Claudio Costa, Sérgio, John American, Carlos Pereira dos Santos,
The customer waited, while Armanda crossed those arms that had once opened for Valdemir Chile dos Passos, Reginaldo, José Aparecido Paixão de Souza, Agnaldo
the man who'd gone to buy a bag of popcorn before the show started at Cine Jandaia - Costa, Cesar Barbosa da Silva Sena, D. Célia, Eulírio Menezes e Leonardo José
and who then went away with his wife. She bought a bag of popcorn for herself and took
Cavalcanti Pinheiro (Cebola).
the streetcar to go home, eating the popcorn piece by piece, feeling empty inside. After
that she didn't respond to that man's messages anymore, got married to another, became
the mother of first Ricardo, then Júlia, Davi and Fábio, who was stillborn. She became a
grandmother, then a widow... She started taking care of the acarajé-stall of her daughter
who took a course every Wednesday. And there she stood, while the customer waited.
She wasn't surprised when Francisco started to appear on the days she was there, all
dressed up -"at our age nothing surprises anymore!"... It was only so they could chat, to
say that he had become a widower too, that his children all live away, one in Paraná,
another in Rio de Janeiro... to remember times passed, the old days, Palm Sunday. But
it was not to remind me of that day, Francisco. We're too old for such things.
-Come to the movies with me, Armanda.
What was it that the customer said befor e going away, without taking the acarajé?
- Let's go...?
The wooden spoon slowly stirred the vinaigrette salad and, without any hurry, she
took some, and filled the acarajé croquette with it.
- I don't go to movie theaters anymore, Francisco... I don't like movies
anymore.

Querida Lucia,
Deu pra ver sua foto no computador. Sua foto é muito bonita igual a uma deusa eu queria te encontrar rapido mas acho que vai demorar...
Coleção “Cidades Ilustradas”
RIo de Janeiro
Belo Horizonte
Curitiba
Salvador
Belém
Cidades do Ouro

Este livro foi artefinalizado na Arquimedes Edições com textos


compostos em Times New Roman, Helvética 55 Roman e Impact
e impresso na Gráfica Minister, sob encomenda da editora
Casa XXI, em julho de 2005, em papel Image Matte Ripasa 170g.