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"Nos próximos anos, o escândalo da Enron, e não o 11 de setembro, será visto como o

grande divisor de águas na história da sociedade dos Estados Unidos"


Paul Krugman

A Empresa:

A Enron Corporation foi uma companhia de energia americana, localizada


em Houston, Texas. Empregava cerca de 21.000 pessoas, tendo sido uma das empresas
líderes no mundo em distribuição de energia (eletricidade, gás natural) e comunicações,
mas decretou falência. Seu faturamento atingia 101 bilhões de dólares em 2000, pouco
antes do escândalo financeiro que ocasionou sua falência.

O Escândalo:

Gigante do setor elétrico americano, empresa admirada e sétima maior dos


Estados Unidos, segundo a revista Fortune, a Enron faliu, levando junto os fundos de
pensão de seus funcionários e de outros investidores da mesma categoria, num
rombo de, no mínimo, US$ 1,5 bilhão, e arrastando uma dívida de mais de US$ 13
bilhões.
Durante anos, diretores da empresa maquiavam os balancetes, enxugavam os
prejuízos e inflavam os lucros. A mágica contábil deu certo até o final do ano passado.
Rumores persistentes sobre as dificuldades da Enron vinham crescendo há meses. Mas o
primeiro sinal concreto de que havia algo profundamente errado veio à tona quando a
companhia revelou que havia escondido débitos de bilhões de dólares que deveriam
aparecer em seu balancete, numa série de parcerias com empresas de fachada dirigidas
por seus altos executivos. A Securities and Exchange Commision, a CVM dos EUA,
iniciou uma investigação. A Enron foi obrigada a refazer seus balancetes dos últimos
cinco anos e admitir que seu lucro, no período, havia sido de US$ 600 milhões, inferior
ao originalmente reportado.
O final trágico da Enron abalou a confiança do sistema financeiro norte-
americano. Segundo o processo movido por ex-acionistas, a Enron escondia os
prejuízos e turbinava os lucros com a conivência de quem deveria periciar a saúde
contábil da empresa, a auditora Arthur Andersen. A ex-auditora da Enron aprovou a
contabilidade fraudulenta da empresa e os esquemas ilegais que adotou para esconder
prejuízos e, depois, destruiu parte das provas do crime. A quebra do conceito de que a
regra do jogo deve ser igual e seguida por todos levou investidores de Wall Street a se
mostrarem intolerantes com práticas contábeis ilícitas. Empresas endividas e com um
sistema contábil altamente complexo foram as mais afetadas no último mês de operação
na bolsa americana.
Na esfera política, o escândalo abalou também o então governo George W Bush.
O grupo mantia estreita ligação com o presidente e ainda foi um dos principais
financiadores de sua campanha. Havia doado cerca de US$ 700 mil para comitês
partidários nos últimos 12 anos. Muitos dos congressistas que investigaram a bancarrota
da empresa se beneficiaram das doações. Os que mais receberam foram os senadores
republicanos Phil Gramm e Kay Bailey Hutchison, ambos texanos.

O que mudou depois do escândalo:

Em razão de uma série de escândalos financeiros corporativos, como o da Enron, foi


redigida a lei Sarbanes-Oxley, em 2002. Ela foi redigida com o objetivo de evitar o
esvaziamento dos investimentos financeiros e a fuga dos investidores causada pela
aparente insegurança a respeito da governança adequada das empresas. A lei ainda obriga
executivos a assumir responsabilidade pessoal pela precisão das contas das empresas,
além de exigir a adoção de medidas para evitar fraudes. O dispositivo legal foi sendo
incorporado à cultura empresarial e às suas normas, exigindo que as empresas criassem
sites e linhas de telefone para possíveis delatores, intensificando assim as medidas de
combate a subornos empresariais.

Cronologia do escândalo:

2001

- 16 de outubro: Enron anuncia um prejuízo líquido de 618 milhões de dólares no


terceiro trimestre, por causa de uma despesa excepcional de um bilhão de dólares.
- 22 de outubro: A Comissão de Operações na Bolsa americana (SEC) abre uma in
vestigação sobre as relações de negócios obscuros entre a Enron e vários fundos
privados dirigidos pelo diretor financeiro do grupo, Andrew Fastow.
- 25 de outubro: Enron demite Fastow. Um bilhão e 200 milhões de dólares do capital
da empresa somem devido a transações com os fundos criados por ele.
- 9 de novembro: O grupo de corretagem e gestão de energia Dynegy, cinco vezes
menor que a Enron, anuncia a compra de sua rival por aproximadamente 9,5 bilhões de
dólares, uma quantia 10 vezes inferior ao valor cotado em bolsa no início de 2001 do
grupo em dificuldades.

- 28 de novembro: Dynegy desiste de comprar a Enron, que suspende provisoriamente


todos os pagamentos que não estejam diretamente ligados a suas principais atividades
no setor de energia. A ação não vale mais de 65 centavos, o que implica uma queda de
98% desde 16 de outubro.
- 2 de dezembro: Enron pede a proteção da lei de quebras (Capítulo 11), o que equivale
a uma concordata.
- 12 de dezembro: O congresso americano começa a analisar a quebra da Enron.
- 13 de dezembro: Enron apresenta a seus credores um plano de reestruturação. A
empresa tem em seu balanço uma dívida de 22 bilhões de dólares.
2002
- 10 de janeiro: O Departamento de Justiça americano anuncia uma investigação sobre a
quebra do grupo. O presidente americano, George W. Bush, amigo pessoal do então
presidente da Enron, Kenneth Lay, promete uma investigação profunda e assegura que
nunca discutiu com ele problemas financeiros do grupo.
- No mesmo dia, a empresa auditora Arthur Andersen, encarregada de verificar as
contas da Enron, admite que documentos relativos ao grupo de energia foram
destruídos.

- 11 de janeiro: O secretário americano do Tesouro, Paul O'Neill, advertido sobre as


dificuldades da Enron por Kenneth Lay em outubro e novembro, indica que nesse
momento não informou sobre essas dificuldades ao presidente Bush.
- O Tesouro informa também que um diretor-geral da Enron, Lawrence Whalley, pediu
em vão ao subsecretário do Tesouro para assuntos financeiros, Peter Fisher, intervir
junto aos bancos para prolongar créditos, mas que ele não fez isto.
- 15 de janeiro: Documentos transmitidos à comissão de pesquisa parlamentar mostram
que uma funcionária da Enron tinha chamado a atenção de Kenneth Lay desde agosto de
2001 sobre possíveis irregularidades.
- Arthur Andersen demite o sócio que supervisionava a contablidade da Enron e
suspende outros três.
- 19 de janeiro: A Casa Branca reconhece que o vice-presidente, Dick Cheney, interveio
no verão boreal de 2001 frente a responsáveis indianos para ajudar a Enron a obter a
liquidação de uma dívida de 64 milhões de dólares de um dos credores do grupo na
India.
- 20 de janeiro: O tribunal de falências de Nova York aceita que as atividades de
corretagem em energia da Enron nos Estados Unidos sejam retomadas pelo banco
comercial suiço UBS Warburg.
- 22 de janeiro: Bush reafirma que sua administração não tem nada a ver com a falência
da Enron, e revela que sua sogra está entre os investidores prejudicados.
- 23 de janeiro: Kenneth Lay anuncia sua demissão à presidência do grupo, mas
esclarece que continuará sendo membro do Conselho de Administração.
- 25 de janeiro: o ex-vice-presidente do grupo, Cliff Baxter, que se demitiu da Enron em
maio de 2001, é encontrado morto, depois de um aparente suicídio dentro de um carro
nos arredores de Houston, segundo a polícia que informa, sem precisar seu conteúdo,
que uma carta explicando sua decisão foi encontrada do seu lado.
- 30 de janeiro: A General Accounting Office (GAO), organismo encarregado de
verificar o bom uso do dinheiro público, anuncia sua intenção de levar a Casa Branca
ante a justiça para obter documentos vinculados a entrevistas com diretores da Enron.
- 2 de fevereiro: Um comitê de investigação reunido pelo Conselho de Administração da
Enron conclui num informe que o grupo entrou em bancarrota por causa de graves
negligências de parte da direção assim como práticas de enriquecimento pessoal de
alguns funcionários.
- 4 de fevereiro: Kenneth Lay anuncia sua renúncia ao Conselho de Administração da
Enron.
- 5 de fevereiro: o Departamento de Justiça se nega a designar um promotor especial
encarregado de investigar a quebra da Enron.
- 7 de fevereiro: Intimado a testemunhar no Congresso, Andrew Fastow, ex-diretor
financeiro da Enron, invocou seu direito constitucional de não fazer declarações que
poderiam ser usadas contra ele mesmo posterioremente. Jeffrey Skilling, ex-presidente
do grupo entre fevereiro e agosto de 2001 antes de renunciar, afirmou para a mesma
comissão que não estava a par de nenhuma manipulação contábil fraudulenta até sua
demissão. O ex-diretor da Enron, declara que o grupo quebrou porque não tinha mais
acesso a dinheiro fresco por cauda de "uma falta de confiança".
- 2 de outubro: Fastow é acusado de fraude de lavagem de dinheiro.
2003
- 10 de setembro: Ex-tesoureiro da Enron, Ben Glisan é condenado a cinco anos de
prisão depois de se declarar culpado de fraude: foi o primeiro executivo da empresa a ir
para a cadeia.
2004
- 14 de janeiro: Fastow se declara culpado de conspiração e fraude num acordo judicial
pelo qual é condenado a 10 anos de prisão. Sua mulher faz um acordo em separado e é
sentenciada a um ano de prisão.
- 19 de fevereiro: Skilling é acusado de 36 crimes de fraude e de uso de informação
confidencial).
- 7 de julho: Lay é acusado em relação à fraude em massa que levou ao colapso da
Enron.

2005
- 31 de maio: A Suprema Corte anula a condenação de Arthur Andersen por erros nas
instruções fornecidas ao júri.
2006
- 30 de janeiro: Começa o julgamento de Lay e Skilling em Houston, Texas.
- 25 de maio: Skilling e Lay são declarados culpados de fraude e conspiração. Ambos
enfrentam longas penas de prisão, a serem ditadas no dia 11 de setembro.

A questão da Ética no caso Enron:

‘E visível no caso Enron que todos os envolvidos, Enron e Arthur Andersen, agiram de
forma totalmente antiética O caso ilustra de forma cabal o que acontece quando o
cinismo, arrogância, ganancia, e a manipulação da informação juntam-se sem qualquer
limite e controle externo. Não houve o comportamento ético por convicção porque
nenhum comportamento foi baseado em uma convicção de alguns princípios universais
que regem a conduta humana, como respeito, justiça e direitos humanos. Não houve
transparência, honestidade e respeito aos stakeholders, por parte dos CEOs, Os diretores
da empresa maquiavam os balancetes, enxugavam os prejuízos e inflavam os lucros.
Pode-se, também dizer, que não houve comportamento ético de responsabilidade , pois
as ações dos governantes da empresa geraram consequências drásticas para os acionistas
e a todos os stakeholders envolvidos, inclusive afetou o fundo de pensão de seus
funcionários.
Na verdade, era da auditoria a responsabilidade pela credibilidade dada às
demonstrações contábeis divulgadas pela Enron, que levou muitos a investirem na
empresa acreditando no sucesso e rentabilidade de suas ações. Uma empresa de
auditoria independente deve sempre zelar pela ética e normas contábeis, apresentando
em seu parecer ressalvas quanto às informações contábeis auditadas, se estiverem em
desacordo com elas, ou se os meios utilizando na contabilidade colocar em risco a
continuidade da empresa, como era o caso da Enron. É fato que a auditoria não é
responsável pela elaboração das demonstrações contábeis, sendo essa de
responsabilidade de seus executivos, mas cabe ao auditor dar credibilidade a elas
confirmando a sua veracidade em relação a atual situação patrimonial da empresa. . A
Enron obteve o apoio e a parcialidade de seus auditores externos, Arthur Andersen,
quanto a sua opinião em relação às demonstrações financeiras e sistemas de controles
internos da companhia. O que houve na ENRON foi uma fraude financeira: a empresa
foi roubada pelos seus executivos. O Comitê de Auditoria falhou. Os auditores falharam
ao se tornarem parceiros de seus clientes. Não houve comportamento ético em nenhuma
das dimensões.
Na análise do caso Enron é notório que diversos princípios contábeis foram infringidos.
A administração assim como a contabilidade e auditoria, já possuíam informações
necessárias para perceberem que a continuidade da entidade estava comprometida, mas
não atuaram de acordo com o princípio da continuidade que dispõe sobre a influência do
valor econômico de ativos, assim como o valor ou vencimentos dos passivos. Verifica-
se também o descumprimento da integridade do registro do patrimônio e suas mutações,
assim como o reconhecimento de receitas e despesas no período em que efetivamente
ocorreram. Esses descumprimentos estão vinculados aos princípios da oportunidade e
competência, respectivamente.
A Enron não poderia utilizar dos princípios contábeis citados, sem denunciar a
verdadeira situação financeira da empresa. Os procedimentos adotados pela Arthur
Andersen em relação à Enron contrariavam todas as melhores práticas de independência
que deveriam nortear a relação entre empresa e seus auditores. A incompatibilidade das
atividades de auditoria tinha como função verificar as demonstrações financeiras da
corporação de forma isenta e transparente, por outro, a atividade de consultoria está
diretamente relacionada à otimização de lucros e processos internos que muitas vezes se
distanciam do dever de transparência da auditoria, e o que favoreceu a execução de atos
ilícitos a favor de interesses das pessoas envolvidas. Estes interesses conflitantes entre
auditoria e consultoria foram um dos motivos da manipulação de resultados, conforme
apontaram alguns analistas. Segundo eles, exatamente pelo fato de a atividade de
consultoria ser mais rentável, a Arthur Andersen teria forjado os números para fazer jus
às quantias recebidas pela auditoria. Além disso, a empresa confessou que houve a
destruição de documentação referente à auditoria na empresa Enron após o escândalo. O
que além de uma atitude totalmente antiética é crime, pelo qual foi conde
Conclui-se que, todos os envolvidos no caso Enron e Arthur Andersen agiram de forma
totalmente antiética. Mas era da auditoria a responsabilidade pela credibilidade dada às
demonstrações contábeis divulgadas pela Enron. E que levou muitos a investirem na
empresa acreditando no sucesso e rentabilidade das ações da Enron. Uma empresa de
auditoria independente deve sempre zelar pela ética e normas contábeis, apresentando
em seu parecer ressalvas quanto às informações contábeis auditadas, se estiverem em
desacordo com elas, ou se os meios utilizando na contabilidade colocar em risco a
continuidade da empresa, como era o caso da Enron. É fato que a auditoria não é
responsável pela elaboração das demonstrações contábeis, sendo essa de
responsabilidade de seus executivos, mas cabe ao auditor dar credibilidade a elas
confirmando a veracidade em relação a situação patrimonial da empresa.