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OLIVEIRA ET AL.

(2014)

DESENVOLVIMENTO DO FEIJÃO-FAVA (Phaseulus lunatus L.) SOB DÉFICIT HÍDRICO


CULTIVADO EM AMBIENTE PROTEGIDO

A. E. S. OLIVEIRA1, M. SIMEÃO2, F. E. P. MOUSINHO3 e R. L. F. GOMES4


Universidade Federal do Piauí - UFPI
aeudesousa@hotmail.com1, marcelosimeao16@gmail.com2, fepmousi@ufpi.edu.br3, rlfgomes@ufpi.edu.br4

Artigo submetido em dezembro/2013 e aceito em fevereiro/2014

RESUMO
O presente trabalho teve por objetivo avaliar os efeitos IV; estresse hídrico nas fases vegetativa I e II; Estresse
do déficit hídrico sobre o desenvolvimento do feijão- hídrico nas fase vegetativa e reprodutiva II, III e IV;
fava em ambiente protegido. O experimento foi estresse hídrico nas fases reprodutiva III e IV; estresse
conduzido em vasos sob casa de vegetação, com hídrico na fases vegetativa e reprodutiva I, II e III;
cobertura de polietileno de baixa densidade de 15 µm estresse hídrico nas fases vegetativa e reprodutiva I, II,
de espessura, na área experimental do Colégio Agrícola III e IV e um tratamento sem estresse hídrico. Foram
de Teresina da Universidade Federal do Piauí (UFPI), avaliadas, índice de área foliar, teor de clorofila e
Teresina-PI, Brasil. O delineamento experimental foi abortamento de flores e vagens. O déficit hídrico afetou
inteiramente casualizado (DIC) e os tratamentos o desenvolvimento do feijão-fava, diminuindo o índice
consistiram da combinação de indução do estresse de área foliar, índice de clorofila, e aumentando o
hídrico de 50% da evapotranspiração do feijão-fava, abortamento de flores e vagens. O feijão-fava foi mais
sendo estes: estresse hídrico na fase vegetativa I; sensível ao estresse hídrico quando o mesmo deu-se em
estresse hídrico na fase vegetativa II; estresse hídrico na mais de uma fase de desenvolvimento.
fase reprodutiva III;Estresse hídrico na fase reprodutiva

PALAVRAS-CHAVE: Estresse Hídrico, Irrigação, Cultivo Protegido.

DEVELOPMENT OF FAVA BEANS (Phaseolus lunatus L.) GROWN UNDER WATER


DEFICIT IN GREENHOUSE
ABSTRACT
This study aimed to evaluate the effects of water deficit and II water stress in vegetative and reproductive
on the development of fava bean in greenhouse. The phases II, III and IV; drought stress during the
experiment was conducted in pots in a greenhouse reproductive III and IV, water stress on vegetative and
covered with low density polyethylene 15 mm thick, in reproductive stages I , II and III water stress on
the experimental area of Teresina Agricultural College of vegetative and reproductive stages I, II, III and IV
the Federal University of Piauí (UFPI), Teresina-PI, Brazil. treatment without water stress. It was evaluated leaf
The experimental design was completely randomized area index, chlorophyll content and abortion of flowers
and the treatments consisted of the combination of and pods. The drought has affected development,
induced water stress 50% of the evapotranspiration of reducing the leaf area index, chlorophyll content, and
fava beans, which are: water stress at vegetative stage I; increasing the abortion of flowers and pods. The fava
drought stress at vegetative stage II water stress on bean was more sensitive to water stress when it came in
reproductive phase III water stress during the more than one phase of development.
reproductive phase IV, water stress in vegetative stages I

KEYWORDS: Water Stress, Irrigation, Greenhouse.

HOLOS, Ano 30, Vol. 01 143


OLIVEIRA ET AL. (2014)

1 INTRODUÇÃO
O feijão-fava (Phaseolus lunatus L.), uma das cinco espécies cultivadas do gênero
Phaseolus, é uma leguminosa tropical caracterizada por elevada diversidade genética e elevado
potencial de produção, que se adaptam às mais diferentes condições ambientais, mas
desenvolve-se melhor nos trópicos úmidos e quentes (Maquet et al., 1999), sendo amplamente
distribuída pelas Américas (Gutíerrez-Salgado et al.,1995). Segundo Vieira (1992), o feijão-fava
adapta-se melhor em solo areno-argiloso, fértil e bem drenado, tendo bom rendimento com pH
entre 5,6 e 6,8, mas tolera as mais diversas condições ambientais, sendo considerado mais
tolerante à seca que o feijão-comum.
É uma espécie plurianual, predominantemente autógama, com aproximadamente 10% de
taxa de cruzamento natural (Hardy et al., 1997). De acordo com Beyra e Artiles (2004), o hábito
de crescimento dessa espécie pode ser indeterminado trepador, com o desenvolvimento da
gema terminal em uma guia, ou determinado anão com desenvolvimento completo da gema
terminal em uma inflorescência. O feijão-fava se destaca como uma das culturas da região
Nordeste do Brasil, cultivado em regime de sequeiro, com pouco uso de tecnologias, por
agricultores familiares, resultando em baixos índices de produtividade, e grande oscilação na
produção. A sensibilidade do feijão-fava ao déficit hídrico no solo e as incertezas climáticas,
principalmente as relacionadas às variações pluviométricas entre anos e locais de cultivo
determinam esses baixos índices de rendimento e oscilação da produção anual desta cultura. O
objetivo do presente trabalho foi estudar o desenvolvimento do feijão-fava sob o estresse hídrico
avaliando a variação no teor de clorofila, abortamento de flores e vagens e índice de área foliar.

2 MATERIAIS E MÉTODOS
O experimento foi conduzido em casa de vegetação, com cobertura de polietileno de
baixa densidade, de 15 µm de espessura, na área experimental do Colégio Agrícola de Teresina
da Universidade Federal do Piauí (UFPI), no município de Teresina-PI, nas coordenadas
05º05’21”de latitude sul e 42º48’07” de longitude oeste e altitude 74 m. O clima da região, de
acordo com a classificação climática de Thornthwaite & Mather (1955) é C1sA'a', caracterizado
como subúmido seco, megatérmico, com excedente hídrico moderado no verão e uma
concentração de 32,2% da evapotranspiração potencial no trimestre setembro - outubro –
novembro, com precipitação pluvial média anual de 1500mm, concentrando-se entre os meses
de janeiro a maio, temperatura média de 27°C e umidade relativa média do ar de 74% (Andrade
Júnior et al., 2005).
O cultivo foi feito em vasos, com solo classificado como ARGISSOLO VERMELHO-
AMARELO, Distrófico, textura franco-arenosa; muito profundo, ácido, com relevo plano
(EMBRAPA, 1999), coletado na camada de 0 a 30 cm, sendo também retiradas amostras para sua
caracterização físico-química (Tabela 1). Para a padronização do enchimento dos vasos, de forma
a se obter um solo com a mesma densidade do campo foi determinada a densidade pelo método
do anel volumétrico e sua umidade. Assim determinou-se a massa do solo a ser colocado em
cada vaso considerando que o mesmo tem um volume de oito litros.

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Tabela 1. Caracterização físico-química do solo usado no experimento, Teresina-PI, Brasil, 2012.


Camada pH MO P K Ca Mg Na Al H+A S CTC V
Cm H2O g.kg-1 --mg dm-3-- -----------------------cmolc dm-3----------------- %
0-10 5,3 6,8 8,5 0,14 2,1 0,8 0,03 0,04 1,5 3,1 4,5 66,5
10-20 5,4 2,6 10,0 0,10 1,7 0,5 0,03 0,00 1,4 2,3 3,7 62,4
Fonte: Laboratório de Analise de Solos da UFPI

Foram utilizadas sementes de feijão-fava com hábito de crescimento determinado, porte


semi-ereto tipo “moita” e de maturação uniforme, oriunda do banco de germoplasma da UFPI. A
adubação de fundação foi realizada nos vasos, utilizando-se o adubo misto NPK (5-30-15) de
forma a aplicar 10 kg de N, 60 kg de P2O5 e 30 kg de k20 ha-1. O plantio foi feito no dia 10 de
marco de 2012, com a semeadura de quatro sementes por vasos. Dez dias após a emergência fez-
se o desbaste deixando duas plantas por vasos. Aos 20 dias após a emergência fez-se uma
adubação de cobertura com aplicação de 40 kg de N e 100 kg de K2O ha-1. Durante a condução do
experimento, foi realizado controle fitossanitário com aplicação do fungicida a base de metalaxyl-
m + mancozeb, aos 10 dias após a emergência.
A colheita foi feita quando as vagens se aparentavam em maturação de campo. Foram
feitas colheitas a cada semana com o inicio aos 80 dias após a emergência. Após a colheita, as
vagens eram acondicionadas em sacos de papel e em seguida contadas e pesadas. Após o
termino da colheita aos 120 DAE.
Para a determinação da evaporação e evapotranspiração da cultura foram utilizados doze
lisímetros de drenagem construidos com vasos plásticos com capacidade de 8 litros, os quais
foram perfurados na base e neste orifício ajustou-se uma mangueira de condução com 10 cm de
comprimento e uma polegada de diâmetro interno, conectando-a a um recipiente plástico com
capacidade de 0,5 litros para controle e coleta da água de drenagem.
No fundo de cada vaso colocou-se uma manta geotextil não tecida (Bidim OP 30), para
evitar a perda de solo durante a drenagem. Logo acima deste foi colocado uma camada de 3 cm
de brita e outra cobertura de manta geotextil para facilitar a drenagem da água. Em seguida,
todos vasos foram preenchidos com solo. Quatro lisimetros foram plantados com feijão-fava para
determinar a evapotranspiração da cultura e quatro ficaram somente com solo para determinar a
evaporação do solo sem cultivo. A determinação da evaporação e evapotranspiração da cultura
do feijão-fava foram determinadas pelo método de lisimetria, que consiste no balanço hídrico,
sendo fundamentada na lei da conservação das massas, apresentada por Reichardt (1985)
equação (01):

P+I-D-E=±h (01)
Em que:
P: precipitação natural, em mm
I: lâmina de irrigação, em mm
D: lâmina de drenagem, em mm
E:evaporação ou evapotranspiração da cultura, em mm
h: variação da armazenagem da água no solo dentro dos lisímetros, em mm.
Considerando que a aplicação da lâmina de irrigação sempre elevava a umidade em todos
os lisimetros a capacidade, de campo, a variação no armazenamento e igual a zero, como

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também em virtude da cobertura plástica da casa de vegetação a precipitação pluvial foi


desconsiderada. Assim a equação para o calculo da evaporação e evapotranspiração da cultura
ficou reduzida à seguinte expressão (02).

E=I-D (02)

O volume de água da evaporação e evapotranspiração da cultura, respectivamente, foram


determinadas diariamente em cada vaso, sendo obtido pelo volume aplicado em cada vaso
menos o respectivo volume drenado no dia seguinte. Para a transformação dos volumes da
evaporação, evapotranspiração de referencia e evapotranspiração da cultura obtidos em cada
vaso para valores de lâmina fez-se a divisão destes pela área média dos vasos. A irrigação fora
feita diariamente com lâmina correspondente a 100% da evapotranspiração da cultura, nos
tratamentos sem estresse hídrico, enquanto que nos tratamentos sob estresse hídrico a irrigação
foi feita com lâmina correspondente a 50% da evapotranspiração. Os tratamentos consistiram da
combinação de indução do estresse hídrico de 50% da evapotranspiração do feijão-fava, por
fases de desenvolvimento da cultura (Figura 3). O ciclo da cultura do feijão- fava foi dividido em
quatro fases (I, II, III, IV), sendo: fase I, da emergência aos 20 dias após a emergência (DAE); fase
II, dos 20 a 40 DAE; fase III, 40 a 60 DAE e fase IV, 60 a 100 DAE. Foram dez tratamentos com
quatro repetições (vaso) no delineamento inteiramente casualizado (DIC) constituindo assim, 40
parcelas, sendo cada, um vaso com duas plantas. Os tratamentos foram: Tratamento 1: Estresse
hídrico na fase vegetativa (I); Tratamento 2: Estresse hídrico na fase vegetativa (II); Tratamento 3:
Estresse hídrico na fase reprodutiva (III); Tratamento 4: Estresse hídrico na fase reprodutiva IV);
Tratamento 5: Estresse hídrico nas fases vegetativa (I e II); Tratamento 6: Estresse hídrico nas
fase vegetativa e reprodutiva (II, III e IV); Tratamento 7: Estresse hídrico nas fases reprodutiva (III
e IV); Tratamento 8: Estresse hídrico na fases vegetativa e reprodutiva (I, II e III); Tratamento 9:
Estresse hídrico nas fases vegetativa e reprodutiva (I, II, III e IV) e Tratamento 10: Irrigação Plena.
Para a análise estatística usou-se o software ASSISTAT Versão 7.6 beta (Silva et. al., 2009). Para
interpretação dos resultados, utilizou-se a análise da variância, aplicando-se o teste de “F” e
quando significativo, aplicou-se o teste de Tukey para ranquear as médias dos tratamentos. Para
o calculo do teor de clorofila usou-se o medidor portátil de clorofila, clorofiLOG, que permite
leituras instantâneas do teor relativo de clorofila na folha sem, no entanto, destruí-la (Falker,
2008).
A área foliar (AF) foi determinado usando o método das dimensões lineares, proposto por
Oliveira (1977), Segundo o qual, a área foliar AF, em plantas do feijoeiro, pode ser estimado pela
multiplicação das mediadas do comprimento e da largura dos folíolos multiplicado por um fator
de correção equação (03):

AF= K(C*L) (03)

Sendo:
K=0,703 (fator de correção);
C= Comprimento do folíolo;
L= largura máxima do folíolo.

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O índice de área foliar (IAF) de cada tratamento, foi obtido pela relação entre a área
foliar (AF) e a área de solo amostrado (ΔS) equação (04).

IAF=AF/∆S (04)

3 RESULTADOS E DISCUSSÕES
A emergência das plântulas do feijão-fava ocorreu em média aos oito dias após a
semeadura. Nesta fase todos os tratamentos receberam lâmina equivalente a evapotranspiração
não sendo submetidas ao déficit hídrico. Não houve diferença significativa entre os tratamentos
avaliados quanto ao início da floração das plantas, o qual ocorreu em média aos 36 DAE. Embora
não tenha ocorrido diferença significativa entre os tratamentos, aqueles sob estresse hídrico
somente na fase vegetativa (I) e somente na fase (II) floresceram aos 34 DAE, enquanto que o
tratamento com irrigação plena floresceu aos 37 dias e o tratamento com estresse hídrico nas
fases II, III e IV o florescimento ocorreu aos 40 dias indicando uma pequena indução de
precocidade em função do estresse hídrico na fase vegetativa (Tabela 2). O tempo para inicio da
floração também é uma característica da variedade, Santos et. al. (2002) observaram diferenças
de até 20 dias para início do florescimento de feijão-fava entre 8 variedades estudadas, sendo
que as mais precoces iniciaram a floração aos 49 dias, e as mais tardias aos 71 dias após a
semeadura. Silva Neto (2010) estudando 70 acessos de fava constatou que o tempo médio de
floração foi de 65 dias, com amplitude de 59 dias. Neste mesmo estudo este autor observou que
os genótipos mais precoces atingiram a plena floração aos 39 dias, enquanto o mais tardio aos 98
dias após a emergência.
Tabela 2. Valores do período de duração, em dias após a emergência (DAE), para florescimento, para a maturação
de vagens; ciclo da cultura sob estresse hídrico e em irrigação plena.

Floração Maturação Ciclo


TRATAMENTOS DAE DAE DAE
E. H. na fase (I) 34 a 70,00 a 120,00 a
E. H. na fase (II) 34 a 70,00 a 120,00 a
E. H. na fase (III) 37 a 76,00 a 120,00 a
E. H. na fase (IV) 36 a 72,00 a 115,00 a
E. H. nas fases (I e II) 36 a 76,00 a 120,00 a
E. H. nas fase (II, III e IV) 40 a 76,00 a 120,00 a
E. H. nas fases (III e IV) 35 a 72,00 a 112,50 a
E. H. na fases (I, II e III) 35 a 72,00 a 119,50 a
E. H. nas fases (I, II, III e IV) 37 a 74,00 a 111,25 a
Com irrigação plena 37 a 76,00 a 115,00 a
CV=9,25% CV=4,97% CV=3,47%
MG=36,00 MG=73,4 MG=117,32
* Médias seguidas da mesma letra, não diferem entre si, pelo teste de Tukey em nível de 0,05 de probabilidade.

Em relação ao início da maturação das vagens verificou-se através da análise de variância


que não houve diferença significativa entre os tratamentos, o início da maturação das vagens
deu-se aos 74 DAE (Tabela 2). Nos tratamentos E. H. na fase (I), E. H. na fase (II), E. H. na fase (I, II

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e III) o inicio da maturação deu-se aos 70, 70 e 72 dias após a emergência respectivamente,
enquanto que no tratamento, com irrigação plena o inicio da maturação deu-se aos 76 DAE e
nos demais tratamentos; E. H. nas fase (II, III e IV); E. H. nas fases (I e II) e E. H. na fase (III) aos
76 DAE. A maturação do feijão-fava ocorreu de forma desuniforme, e mesmo na fase de
maturação, alguns ramos continuavam a emitir inflorescência, principalmente nos tratamentos
que durante a fase de maturação estavam recebendo a lamina de água requerida pela cultura.
Quanto a analise de variância para ciclo da cultura em (DAE) não houve diferença
significativa pelo teste de F, sendo que o ciclo da cultura foi em media de 117 dias. Os
tratamentos, E. H. na fase (I), E. H. na fase (II), E. H. na fase (III) apresentaram ciclo de 120 DAE,
mostrando que após um período de déficit hídrico com retorno da irrigação plena as plantas
tiveram um período vegetativo maior, pois nos tratamentos com irrigação plena, E. H. na fase
(IV), E. H. nas fases (III e IV) e E. H. nas fases (I, II, III e IV) apresentaram ciclo de 115, 115, 112 e
111 DAE, respectivamente. Oliveira et. al., (2010) estudando a fenologia e o desenvolvimento
vegetativo do feijão-fava a fase de maturação dos frutos iniciou-se entre 51 e 74 dias, a
maturidade de 50% das vagens entre 67 e 85 dias e a maturação completa ocorreu entre 84 e 97
dia, quanto ao ciclo, sob condições de casa de vegetação, os acessos testados apresentaram ciclo
de 120 dias, sendo que a maturação de campo aconteceu entre os 84 e 97 dias.
Houve diferença no IAF, a 5% pelo teste F, para o estresse hídrico nas fases de
desenvolvimento do feijão-fava, o menor IAF, foi apresentado, nos tratamentos estresse hídrico
na fase vegetativa II, e estresse hídrico nas fases II, III e IV; com IAF de 1,69 e 1,39
respectivamente. No tratamento sem déficit hídrico, com irrigação plena o IAF foi de 3,20 (Tabela
3). A redução da área foliar em plantas sob déficit hídrico pode se traduzir numa estratégia de
sobrevivência, com o intuito de diminuir a área disponível à transpiração (Correia e Nogueira,
2004). Tal redução constitui um mecanismo morfológico de defesa, pois a redução da interface
entre a planta e a atmosfera reduz a transpiração, o que é positivo, porém também reduz a
assimilação fotossintética, o que é negativo para a produção. Com área foliar menor, há
diminuição na transpiração, conservando água no solo por período mais longo (Taiz e Zeiger,
2004). De acordo Fernández et al. (1996), o uso da água pelas plantas é determinada pela área
foliar e, uma vez exposta ao déficit hídrico esta é diminuída. Segundo Taiz e Zeiger (2004), existe
uma estreita relação entre a disponibilidade de água no solo e a área foliar, sendo menor o
crescimento foliar com a redução da umidade do solo, sugerindo uma grande sensibilidade desta
variável a deficiência hídrica. Houve efeito significativo em nível de 1% do déficit hídrico sobre
índice de abortamento de flores e vagens (Tabela 3).
Tabela 3. Índice de área foliar; índice de abortamento de flores e vagens do feijão-fava, sob estresse hídrico e em
irrigação plena.

Índice de Área foliar Índice Abortamento


TRATAMENTOS
%
E. H. na fase (I) 2,04 ab 59,94 ab
E. H. na fase (II) 1,69 b 58,34 ab
E. H. na fase (III) 1,90 ab 61,43 ab
E. H. na fase (IV) 2,19 ab 59,17 ab
E. H. nas fases (I e II) 2,62 ab 67,35 a
E. H. nas fase (II, III e IV) 1,39 b 62,83 ab
E. H. nas fases (III e IV) 2,63 ab 64,88 ab

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E. H. na fases (I, II e III) 2,08 ab 73,05 a


E. H. nas fases (I, II, III e IV) 2,08 ab 64,68 ab
Com irrigação plena 3,20 a 27,10 b
CV=26,93% CV=26,30%
MG=1,76 MG=59,88
* Médias seguidas da mesma letra, não diferem entre si, pelo teste de Tukey em nível de 0,05 de probabilidade.

O tratamento irrigação plena apresentou índice de abortamento menor do que todos os


outros, com taxa de 27,10%. Os demais tratamentos não diferenciaram entre si, apresentando
valores de 73,05; 67,35; 64,88 e 62,86 % quando o déficit ocorreu respectivamente na fase I, II e
III; I e II; III e IV; II, III e IV. O estresse hídrico durante o período de floração e formação de vagens
intensificou o abortamento de flores e vagens de feijão-fava. Resultados semelhantes foram
encontrados por Hostalácio e Válio (1984) onde o estresse hídrico durante o período de floração
e formação de vagens de feijoeiro induziu o abortamento de flores e vagens jovens, ajudando a
formação das primeiras, pois ocorreu uma competição fonte-dreno, sendo então eliminadas
flores anormais, com falha na fertilização, ou vagens mais novas que abortam por falta de
nitrogênio ou carboidratos. Estresse hídrico na etapa de enchimento de vagens produziu um
abortamento de vagens jovens e produção de vagens chochas. A análises de variância, para o
índice do teor de clorofila, aos 40, 48, 60 e 80 dias após a emergência, na cultura do feijão-fava,
em função do estresse hídrico, mostrou que houve efeito significativo do estresse hídrico sobre o
teor de clorofila aos 40 e 48 DAE, sendo que as plantas que sofreram estresse hídrico na fase III
apresentaram menores teores de clorofila, que as plantas não estressadas (Tabela 4).
Tabela 4. Valores médios do índice do teor de clorofila (ICF), medida aos 40, 48, 60 e 80 DAE, em feijão-fava com
estresse e sem estresse hídrico por fase de desenvolvimento.
TRATAMENTOS Teor de Clorofila ICF
40 DAE 48 DAE 60 DAE 80 DAE
E. H. na fase (I) 33,15 ab 31,97 b 36,25 a 33,07 a
E. H. na fase (II) 28,00 ab 29,97 b 35,35 a 33,75 a
E. H. na fase (III) 33,32 ab 32,97 ab 35,67 a 31,55 a
E. H. na fase (IV) 34,77 ab 35,95 ab 35,45 a 33,07 a
E. H. nas fases (I e II) 28,82 b 34,80 ab 33,24 a 33,25 a
E. H. nas fase (II, III e IV) 32,60 ab 33,17 ab 32,80 a 33,85 a
E. H. nas fases (III e IV) 35,00 ab 32,60 ab 31,92 a 33,07 a
E. H. na fases (I, II e III) 30,17 ab 30,85 b 32,60 a 31,61 a
E. H. nas fases (I, II, III e IV) 30,22 ab 32,47 ab 31,52 a 29,46 a
Com irrigação plena 39,12 a 40,47 a 39,05 a 35,37 a
CV=11,99% CV=10,21% CV=20,23 CV=14,13%
MG=32,5 MG=33,5 MG=34,38 MG=32,80
* Médias seguidas da mesma letra na coluna, não diferem entre si, pelo teste de Tukey em nível de 0,05 de
probabilidade.

O estresse hídrico interfere no estado nutricional da planta, diminuiu o ICF, estes


resultados diferem dos obtidos por Lima (2008) com a cultura do feijão, que não registrou
variações significativas no ICF passíveis de correlação com os efeitos da deficiência hídrica. Aos
60 e 80 DAE (Tabela 4), não houve diferença estatística significativa no teor de clorofila entre os
tratamentos.

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O teor de clorofila no tratamento com irrigação plena foi de 39,05 aos 60 DAE e 35,37 aos
80 DAE; no tratamento estresse hídrico nas fases I, II, III e IV o teor de clorofila foi de 31,52 aos
60 DAE e 29,46 aos 80 DAE; no tratamento estresse hídrico na fase I o teor de clorofila foi de
36,25 aos 60 DAE e 33,07 aos 80 DAE, no tratamento estresse hídrico na fase II o teor de clorofila
aos 60 DAE foi de 35,35 e aos 80 DAE foi de 33,75, nos demais tratamentos ocorreu a mesma
diminuição do teor de clorofila dos 60 para os 80 DAE. Aos 60 e aos 80 DAE as plantas já estão na
fase de maturação das vagens, começando a senescência, com a queda das folhas e diminuição
do teor de clorofila em todos os tratamentos.

4 CONCLUSÕES
O déficit hídrico afetou o desenvolvimento do feijão fava, diminuiu o índice de área foliar,
o teor de clorofila, e aumentou o abortamento de flores e vagens. O feijão-fava foi mais sensível
ao estresse hídrico quando o mesmo deu-se em mais de uma fase de desenvolvimento.

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