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O ordenamento do território em Moçambique e as áreas de conservação:

algumas práticas locais e lições da experiência internacional e regional

Albino José Mazembe


(Arquitecto e Planificar Físico)

Maputo, Julho 2007

O ordenamento do território em Moçambique e as áreas de conservação:


algumas lições da experiência internacional e regional

1
0. Apresentação

O presente trabalho é uma reflxão sobre o contributo do Planeamento e Ordenamento


Terriorial na configuração e gestão das áreas de conservação enquadrado no tema
“Áreas de Conservação1 e os Direitos Adquiridos” que faz parte de um conjunto de
seminários à volta de questões relevantes do Direito da Terra, com o objectivo final de
contribuir junto dos sectores relevantes da administração pública na boa
implementação da Lei de Terras à luz dos novos instrumentos regulamentares ou
técnicos recentemente aprovados pelo Conselho de Ministros ou pelos Ministérios
sectoriais.
Para a prossecução deste objecto, o presente trabalho aborda o contexto histórico da
conservação e apresenta o papel do ordenamento do território em relação à
conservação, passando pela leitura do enquadramento legal e institucional da
temática. O trabalho apresenta ainda algumas ilações da prática mundial e regional.
1. Introdução

Desde a Revolução Industrial que se vive um modelo socio-econômico no qual a


natureza deve ser transformada para dar lugar às obras humanas e gerar lucro direto e
imediato. Neste sistema de valores não cogita-se a importância da natureza como
componente fundamental para a vida e nem mesmo o aproveitamento de seus serviços
e benefícios para a satisfação das necessidades humanas fisiológicas e psicológicas
Favero, Nucci e Biassi (2004). Entre os principais factores relacionados com o
aumento de degradação ambiental estão as frequentes alterações não-planeadas no uso
da terra, acima da capacidade de suporte do solo.

A partir dos anos 60 com a identificação e agravamento das crises ambiental e de


diversidade abriram-se portas para a institucionalização das disciplinas de gestão de
recursos (gestão florestal, cinegética, etc.). O objecto de análise deixa de ser um
conjunto restrito de populações de organismos de grande valor económico e social
para passar a ser a biodiversidade na sua globalidade. À biodiversidade reconhece-se
actualmente valor intrínseco, por si só, independentemente da nossa apreciação, para
além do valor utilitário económico, espiritual, científico e educacional, ecológico,
estratégico e ainda valor de singularidade dos componentes da biodiversidade.

As áreas de conservação, muitas vezes designadas por reservas, constituíram,


historicamente, a primeira forma de conservação da natureza. Durante os anos 70 e 80
a definição de áreas de conservação foi influenciada pela teoria da biogeografia de
ilhas de Robert MacArthur e Edward O. Wilson. Actualmente a definição de redes de
conservação é feita utilizando-se métodos quantitativos com base na análise da
distribuição da biodiversidade, nomeadamente métodos de “scores” e métodos com
base na complementaridade. São duas abordagens distintas, a escalas distintas, mas
que se complementam no propósito de conhecer as causas e os mecanismos de
extinção de populações e na procura de soluções para a sua conservação.

Na década 80 emerge a Biologia da Conservação uma disciplina científica dedicada


à conservação da biodiversidade. É uma disciplina aplicada que procura identificar as
1
Segundo a IUCN, em 1998, existiam, no mundo, cerca de 12 574 áreas protegidas representando 8,8
% do espaço total do planeta representando cerca de 13 milh~es de Km2

2
razões do declínio de populações a níveis críticos, os mecanismos que tornam as
populações pequenas susceptíveis à extinção e as formas de impedir a extinção de
espécies. Tendo a biodiversidade como objecto de estudo, a biologia da conservação é
uma disciplina multidisciplinar, congregando um conjunto de ciências fundamentais e
aplicadas, naturais e sociais.

Embora o número de espécies oficialmente extintas nos últimos séculos não seja
normalmente elevado, existe a forte possibilidade desse número aumentar
rapidamente pelo facto de muitas das espécies ameaçadas estarem reduzidas a
populações muito pequenas que se poderão extinguir a curto prazo. O
desconhecimento da real diversidade de espécies e da situação da maioria das
espécies, sobretudo das de menor dimensão, tornam também possível que o número
de extinções efectivas seja muito superior ao registado. Acresce ainda a possibilidade
de ocorrência de extinções em cadeia. As extinções têm na sua origem directa um
conjunto de factores que se podem resumir a destruição ou alteração de habitats,
fragmentação de habitats, contaminação, sobre-exploração, e introdução de espécies
exóticas. Todos estes factores são conduzidos pelo aumento demográfico verificado
nos últimos 200 anos, período no qual a população mundial sextuplicou.

A biologia da conservação constitui a tendência mais recente de uma longa história de


conservação da natureza que remonta à origem da espécie humana. Só em finais do
Século XIX. Esta corrente filosófica, que teve por principal protagonista John Muir,
deu origem à criação dos primeiros Parques Nacionais, sendo o Parque Nacional de
Yellowstone, criado em 1872 nos EUA, considerado o primeiro Parque Nacional do
mundo. Outras correntes filosóficas se desenvolveram quase paralelamente a esta
incluindo a corrente da conservação de recursos naturais de Gifford Pinchot e a
perspectiva revolucionária ecológica de Aldo Leopold. Estas correntes estabeleceram
posturas e abordagens que actualmente ainda marcam a teoria e a prática da
conservação.

2. Breve enquadramento das áreas de Conservação em Moçambique

Moçambique possui uma notável rede de áreas protegidas. Esta é constituída por 6
parques nacionais, 5 reserva de fauna, 14 reservas florestais e 12 coutadas de caça,
cobrindo uma área total de cerca de 128.749 km² o equivalente a 16 % do território
nacional2.

As Áreas de Protecção3 - Classificação

De acordo com a Lei de Florestas e Fauna Bravia, as áreas de protecção são


classificadas em três categorias, nomeadamente Parques Nacionais, Reservas
Nacionais e Áreas de Uso e Valor sociocultural. Adicionalmente, a Lei de Terras
contém algumas cláusulas sobre áreas protegidas e semi-protegidas que incluem a
faixa ao longo da costa marítima e ao longo de ilhas, baías e estuários até uma
distância de 100 metros para o interior, a faixa à volta das fontes de água bem como a
faixa até 250 metros ao longo das margens de barragens e reservatórios.

2
Em Portugal, por exemplo as areas de conservação representam 10,4% do terrirotio nacional.
3
Na legislação e em diferentes documentos nacionais não existe uma clara fronteira entre áreas de
protecção e áreas de conservação (nota do autor)

3
Um novo conceito de área de conservação tem vindo a ser desenvolvido e aplicado ao
nível mundial e regional conceito de áreas de conservação transfronteiriças (ACTF)
4
ou parques da paz - que visa a conservação de ecossistemas que ultrapassam os
limites fronteiriços dos estados, pressupondo o maneio comum destas áreas, entre os
países que as conformam.

Foram assim criadas


recentemente as ACTF do
Grande Limpopo com
Zimbabwe e África do Sul;
Maputo com a Suazilândia e
África do Sul ; Chimanimani
com o Zimbabwe e está em
processo o estabelecimento de
mais duas ACTF, uma no
Niassa (R. Do Niassa) com a
Tanzânia e outra em Tete
(TchumaTchato – Bawa) com
o Zimbabwe e a Zâmbia

Instituições Responsáveis pela Gestão das Áreas Protegidas

O Ministério do Turismo, através da sua Direcção Nacional de Áreas de Conservação


(DNAC) é a instituição governamental responsável pela administração e gestão de
áreas protegidas ligadas à fauna bravia, enquanto que o Ministério da Agricultura e
Desenvolvimento Rural, através da Direcção Nacional de Florestas e Fauna Bravia
(DNFFB) é responsável pela gestão das reservas florestais.

A nível provincial, a DNAC é representada pela Direcção Provincial do Turismo,


equanto que a DNFFB é representado pelos Serviços Provinciais de Florestas e Fauna
Bravia – (SPFFB), integrados na Direcção Provincial de Agricultura e
Desenvolvimento Rural (DPADR), num sistema de dupla subordinação

O Quadro legal

A Lei de Florestas e Fauna Bravia Lei 10/99 de 07 de Julho estabelece os princípios e


normas básicas sobre a protecção, conservação e utilização sustentável dos recursos
florestais e faunísticos no quadro de uma gestão integrada para o desenvolvimento
económico e social do país. A lei define “exploração sustentável”, como sendo a
utilização racional e controlada dos recursos florestais e faunísticos, mediante a

4
Conceito em evolução desde os finais da década 30 e encerra que estas áreas são separadas por um
limite, sob várias dimensões: Parques da Paz, Parques Transfronteiriços, Gestão Transfronteiriça dos
recursos naturais, Corredores migratórios transfronteiriços, Áreas de conservação Transfronteira e de
Desenvolvimento. Elas podem ocorrer dentro de um país, entre nações e a nível global (corredores
migratórios)

4
aplicação de conhecimentos científicos e técnicos, visando atingir os objectivos de
conservação dos recursos para a presente e futuras gerações.

Para tal, a lei materializa a provisão da Lei de Terras criando e definindo as zonas de
protecção: os parques, as reservas naturais e as zonas de uso e de valor histórico-
cultural.

Da leitura dos preceitos dos artigos 6 e outros da Lei de Terras e do artigo 10 da Lei
de Florestas e Fauna Bravia, conclui-se que é vedado o uso e aproveitamento de terras
nas zonas de protecção.

Em relação às pessoas que vivem nas zonas de protecção, a estas não lhes assiste
qualquer direito, embora não exista qualquer artigo de lei que imponha
peremptoriamente a sua saída destas zonas. É de salientar que quase a totalidade das
áreas protegidas do país estão habitadas, contudo, o Governo através da Direcção
Nacional de Áreas de Conservação para Fins Turísticos (DNAC), do Ministério do
Turismo, está a levar a cabo um trabalho de consulta ampla com vista à recolha de
sensibilidades sobre a problemática das pessoas nas áreas protegidas e desenho de
políticas apropriadas.

De notar que esta lacuna legislativa esvazia todo o espírito da lei no sentido de que
põe em causa o fim para a qual foi estabelecida, a conservação da diversidade
biológica e de ecossistemas frágeis ou de espécies animais ou vegetais, bem como
propicia situações de conflito Homem – animal, já que a convivência entre um e outro
não é muitas vezes pacífica.

A legislação complementar de Florestas e Fauna Bravia (FFB), consagra também uma


série de medidas proteccionistas, sendo de destacar o art. 25 do Regulamento da Lei,
onde se lê que a exploração dos recursos florestais e faunísticos sob regime de
concessão, para além de ser precedida de auscultação às comunidades, deve observar
um Plano de Maneio e considerar o Regulamento sobre o Processo de AIA.

Ainda com vista a assegurar a observância dos objectivos da lei, o Regulamento de


FFB, no seu art. 46, veda claramente a caça em zonas de protecção, em locais de
nidificação de aves, nas ilhas e ilhotas e outros locais sensíveis. Adicionalmente, o
Regulamento enumera claramente os instrumentos e meios permitidos para a caça e
”a contrário sensu” resulta clara a proibição de instrumentos e meios que não
permitem a selecção e captura do animal a abater.

3. Elementos (noções) e aspectos básicos e gerais do ordenamento do território;

O ordenamento do território é, fundamentalmente, a gestão da interacção


homem/espaço natural. Consiste no planeamento das ocupações, no potenciar do
aproveitamento das infra-estruturas existentes e no assegurar da preservação de
recursos limitados.

Na década de 80 afinou-se o conceito de Ordenamento do Território. Como um


processo erudito, de base científica e cultural, que envolve uma composição formal e
funcional, tendo como objectivo organizar a distribuição de usos e funções no espaço

5
e no tempo, como contributo para o desenvolvimento integrado e sustentado das
comunidades humanas.

Tal desenvolvimento, que deverá resultar da utilização racional dos recursos naturais e
humanos presentes, bem como da conservação dos valores permanentes do território,
é o que se traduz num progresso conjunto e harmonioso das várias actividades,
permitindo não só a sobrevivência e segurança, mas também a efectiva qualidade de
vida das comunidades ligadas aos diferentes espaços territoriais. (Barreto, 1979;
Conselho da Europa, 1984; Jacobs, 1985, 1986; Telles, 1986;; A.C. Abreu, 1989)

Os diferentes planos, para serem eficazes, têm que ser enquadráveis a diversas escalas
de análise, dependendo a efectividade de todos eles da coerência dos restantes. É a
interacção destas escalas que permite a determinação de estratégias de planeamento
coerentes: a definição de princípios para o uso de um certo recurso a uma escala
maior condiciona os planos que dele dependem; no entanto, a possibilidade de
compreender com a devida profundidade as questões que a gestão desse recurso
levanta só poderá ser aferida a escalas menores; e como estabelecer prioridades sem
compreender as dinâmicas existentes no terreno? Como tentar definir opções sem
conhecer a realidade das populações?

O planeamento tem que ser pensado compreendendo a estrutura das ocupações


humanas: a sua diversidade, as suas inter-relações e interacções e a complexidade das
razões que justificam cada uma delas.

São diversos os tipos de ocupação do homem no território; são diferentes os usos


impostos ao solo. São variados os aglomerados humanos resultantes, diferentes em
dimensão e em características, justificando-se e sendo ao mesmo tempo razão das
utilizações que se estabelecem no território. Funções como a agricultura ou a
indústria, o comércio ou os serviços encontram no tipo de aglomerado os argumentos
para o seu estabelecimento, moldando e transformando a forma destes, estabelecendo
relações de cumplicidade. São modos de ocupar o território, distintos nos seus
conceitos e finalidades, que se complementam, sustentando a colonização humana. Os
aglomerados humanos, sendo todos eles diversos e complexos nas suas razões,
relacionam-se e justificam entre si a forma que o homem encontrou para se
estabelecer, ocupar e usar os recursos da natureza.

O fundamento do planeamento territorial é a gestão dos recursos, ordenando e


estabelecendo regras para as ocupações, sempre com o objectivo último de qualificar
a vida das populações. Trata-se de revalorizar ou de preservar o património natural,
construído ou cultural, de prever e de ordenar as transformações e as dinâmicas dos
aglomerados, de estabelecer o equilíbrio necessário a uma evolução sustentada para as
ocupações humanas.

Cada passo dado no sentido da preservação do ambiente natural, histórico,


arquitectónico ou cultural, quer seja no sentido estrito do conservadorismo ou
simplesmente baseado em premissas de gestão de território e de recursos, tem que,
para que possa ser correctamente implementado, ser aceite pelas populações que
pretende servir ou que, de outro ponto de vista, são por essas medidas reguladas e
condicionadas.

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É, por isso muito importante que as populações se envolvam no planeamento dos seus
locais e regiões, que compreendam as medidas que tendem ao ordenamento do seu
território e que em tudo isto colaborem activamente.

Para isso é necessário que quem decide destas políticas compreenda profundamente
os locais onde intervirá, as suas populações, as suas tradições, a sua cultura e as suas
formas de vida e que as use como mola para o seu desenvolvimento.

Obviamente, trata-se de problemas complexos que só poderão ser convenientemente


compreendidos se estudados profunda e pluridisciplinarmente. Muitos e
diversificados factores contribuem para justificar a vivência das populações e a sua
forma de ocupar e usar o território, é necessário percebê-los e compreender as suas
influências na lógica do ordenamento: a economia e a gestão, a geografia e a geologia,
a sociologia e a etnografia, a arquitectura e o urbanismo são alguns dos muitos
saberes que deverão contribuir para a definição de princípios de ordenamento
coerentes e inscritos na realidade da região.

Este é um processo dinâmico onde as premissas evoluem e se transformam, obrigando


a reavaliações constantes, verificações necessárias, muitas vezes, devido a
modificações efectuadas em consequência das próprias medidas de planeamento para
o território.

4. O tratamento geral dado pelo ordenamento do território à questão das áreas


de conservação

A nível conceptual

A conservação da natureza é um domínio prioritário de actuação, a nível mundial


assumindo um carácter transversal e interactivo com as políticas de utilização dos
recursos naturais e planeamento do uso do solo, ao serviço de um desenvolvimento
sustentável.

O planeamento territorial integra um conjunto de potencialidades para mobilizar a


atenção e incentivar o debate sobre a articulação entre ambiente e desenvolvimento e
proporcionar a identificação e a operacionalização de estratégias de desenvolvimento
ambientalmente sustentável e a nível local. (Nogueira, Pinho, 1996)

O planeamento territorial questiona modelos de desenvolvimento, na medida em que


define localizações das actividades humanas, contribuindo para controlar o
desenvolvimento sectorial e para integrar preocupações ambientais e estratégias
proactivas. Previne a degradação ambiental através do controle da localização das
actividades poluentes relativamente às características territoriais e ambientais.
Democratiza o processo de tomada de decisão desenvolvendo mecanismos de
participação pública visando a abertura de processos de tomada de decisão através das
opções de desenvolvimento e da auscultação da população relativamente aos seus
objectivos e consequências

O Caso de Moçambique

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A Lei do Ordenamento Territorial recentemente aprovada pela Assembleia da
República no seu artigo referente aos objectivos reafirma que o Ordenamento
Territorial visa assegurar a organização do espaço nacional e a utilização sustentável
dos seus recursos naturais observando as condições legais, administrativas, culturais e
materiais favoráveis ao desenvolvimento social e económico do país à promoção da
qualidade de vida das pessoas, à protecção e conservação do ambiente. Adianta ainda
no seu artigo g) a necessidade de optimizar a gestão dos recursos naturais. Trata-se
efectivamente de afirmação em defesa do ambiente.

A LOT no seu artigo 5 reportando-se aos objectivos específicos, sublinha a defesa das
comunidades locais afirmando ser intenção garantir o direito à ocupação actual do
espaço físico pelas pessoas e comunidades locais, que serão sempre consideradas
como elemento mais importante em qualquer intervenção de ordenamento e
planeamento do uso da terra, dos recursos naturais ou do património constituído. Esta
atitude de defesa é reconfirmada pela alínea h) no mesmo artigo 5 afirmado a
necessidade de gerir conflitos de interesses, privilegiando sempre o acordo entre as
partes salvaguardando os direitos de ocupação das comunidades.

Pela lei de Floresta preconiza-se a elaboração dos planos de maneio e de gestão das
zonas de protecção, e são estes planos que irão definir como e onde estas pessoas
deverão desenvolver as suas actividades. Segundo a mesma lei, não é permitido
construir casas, fazer machambas, criar animais domésticos, cortar árvores ou mesmo
caçar animais dentro dos limites das tais zonas de protecção. Daí que as pessoas que
vivem em tais zonas estão proibidas de praticar qualquer tipo de actividade, a menos
que o plano de maneio recomende uma alternativa, em regra fora dos limites do
parque ou da reserva Trata-se assim de uma questão bastante sensível e delicada.

Direitos de uso e aproveitamento da Terra nas zonas de conservação

Persistem dúvidas relativamente ao direito de uso e aproveitamento da terra pelas


comunidades residentes nos parques e reservas nacionais. Com fundamento na lei,
pois estas não tem tal direito. A Lei de Terras determina expressamente que, nestas
zonas, ninguém pode adquirir direitos de uso e aproveitamento de terra, podendo
apenas, ser emitidas licenças especiais para o exercício de actividades especiais. A
proibição ao direito de uso e aproveitamento de terra às populações das áreas de
protecção (reservas e parques) é uma medida de protecção, mas limita, em parte, o
acesso aos recursos de sobrevivência, podendo encorajar o uso de espécies protegidas.

Em relação às Reservas Nacionais

São “zonas de protecção total destinadas à protecção de certas espécies de flora e


fauna raras, endémicas, em vias de extinção ou que denunciem declínio e, de
ecossistemas frágeis, tais como zonas húmidas, dunas, mangais e corais, bem como a
conservação da flora e fauna presentes no mesmo ecossistema”. Os recursos naturais
existentes dentro dos limites das reservas nacionais podem contudo, ser utilizados,
mediante a obtenção de licença, desde que não prejudiquem a finalidade específica
que determinou a sua criação e estejam de acordo com os respectivos planos de
maneio, aprovados pelo sector de tutela. A sua criação, modificação ou extinção e
igualmente da competência do Conselho de Ministros.

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Em relação às Zonas de Uso e de Valor Histórico Cultural
São “áreas destinadas à protecção de florestas de interesse religioso e outros locais de
importância histórica e de uso cultural, de acordo com normas e práticas costumeiras
das respectivas comunidades”.

Segundo o Regulamento da Lei de Florestas e Fauna Bravia, “ consideram-se zonas


de uso e de valor histórico-cultural, as florestas constituídas e a vegetação, utilizada
pela comunidade local para a extracção de medicamentos tradicionais e florestas onde
habitam espécies de fauna bravia utilizadas em cultos, desde que a sua exploração não
seja proibida por lei.

A razão crucial da eleição destas zonas, a categoria jurídica de zonas de protecção,


prende-se com a necessidade de limitar a exploração por parte dos investidores das
espécies vegetais existentes em florestas consideradas sagradas ou detentoras de um
interesse histórico ou cultural para determinadas comunidades locais residentes ou
existentes nas proximidades. O mesmo sucede relativamente às licenças de caça e à
realização de obras públicas tais como estradas, que, não deverão passar por esses
locais, devendo passar por percursos alternativos. Os recursos florestais e faunísticos
destas áreas poderão ser utilizados de acordo com as práticas costumeiras.

Todos os produtos (lenha, estacas, toros, frutos, folhas, animais bravios, pássaros)
existentes nestas zonas devem ser utilizados de acordo com as normas costumeiras
das comunidades locais residentes. Se numa determinada floresta, por tradição, não se
pode tirar lenha, é essa norma que a comunidade local terá de observar; se, numa
outra zona manda o costume de que não se pode caçar durante o dia, é essa a norma
que a comunidade local deverá respeitar.

Em relação às Normas e práticas costumeiras

As práticas costumeiras de cada zona só deverão ser cumpridas se elas não forem
contrárias à Constituição em geral e à Lei em particular e não violarem os princípios
de conservação. São exemplos a prática das queimadas descontroladas que deve ser
evitada, primeiro, porque as queimadas de florestas são proibidas por lei e, segundo,
porque o uso de queimadas prejudica os objectivos da conservação.

Relativamente à fauna, se a prática costumeira recomenda que seja abatido um cabrito


vermelho em certas cerimónias, é preciso definir quem vai abater o animal e atender
ao instrumento que vai ser utilizado para caçar o cabrito, isto para não utilizar
armadilhas mecânicas ou substâncias venenosas, porque estas são prejudiciais e
proibidas por lei.

Partilha Justa e Equitativa dos benefícios que advém da utilização dos recursos das
áreas de conservação

Esta preocupação foi acolhida pela Política Nacional de Águas que prevê a
disponibilização de Água bruta, através de uma gestão integrada dos recursos hídricos
e, pela Lei de Floresta e Fauna Bravia que veio consolidar o entendimento vigente
segundo o qual a exploração dos Recursos florestais e faunísticos deve garantir o
benefício para as comunidades, tendo fixado em 20 por cento, a percentagem dos

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valores provenientes das taxas de exploração florestal e faunística a ser alocada às
comunidades locais da área onde foram extraídos os recursos.

5. Os aspectos que, no contexto do ordenamento do território, se têm em conta


na priorização dos diversos usos sociais da terra e dos outros recursos naturais;

Tendo como objectivo principal apoiar o desenvolvimento, o ordenamento do


território, apoia-se nas teorias de desenvolvimento sustentável.

As contribuições do planeamento territorial para operacionalizar o desenvolvimento


sustentável podem ter um grau de sustentabilidade forte quando as iniciativas deste
são proactivas e estratégicas; médio, quando as iniciativas são de controlo ou de
preservação da qualidade ambiental; ou fraco, quando se tomam iniciativas
considerando apenas a variável localização.

O planeamento engloba, para além da dimensão técnica, as dimensões social e


política. Neste sentido, Boucher e Whatmore (1993) defendem que uma das
potencialidades do planeamento passa pelos processos de participação,
particularmente nas fases de formulação de políticas.

Estes processos permitem a crescente sensibilização dos diversos grupos


relativamente aos problemas locais de ambiente, a obtenção de consensos
relativamente aos objectivos de desenvolvimento e de protecção ambiental e uma co-
responsabilização na sua implementação. (Nogueira e Pinho, 1996)

Thomas (1994) acrescenta que a crescente politização e o consequente envolvimento


do público na tomada de decisão valoriza o papel do planeamento no processo de
formação social que irá contribuir para criar uma nova política redistributiva dos
custos e benefícios associados a uma adequada implementação do desenvolvimento
sustentável.

Qual será, então, a contribuição do planeamento territorial para a operacionalização


do desenvolvimento sustentável?

O planeamento deve integrar objectivos ambientais nos objectivos sectoriais,


condicionando-os através das características biogeofísicas de suporte tendo em conta
os objectivos locais de desenvolvimento e o conteúdo das políticas e directivas de
níveis administrativos superiores. Segundo Jacobs (1991), devem ser integradas
medidas de sustentabilidade, fraca ou forte, consoante os objectivos ambientais
poderem ser pesados e trocados por outros objectivos ou as considerações ambientais
serem tratadas como condicionantes para obtenção de outros objectivos,
respectivamente.

Considerando o plano como a matriz de critérios de apoio à tomada de decisão


relativamente ao uso do solo, onde as questões económicas, sociais e ambientais se
articulam sobre as dimensões espaciais de gestão do território, a sua contribuição para
o desenvolvimento sustentável depende da definição de uma estrutura conceptual que
permita atender às interacções entre uso do solo e alterações ambientais e que
viabilize a definição de uma teoria de valor que identifique o ‘capital natural crítico’
(Healey & Shaw, 1993) e limiares de sustentabilidade (Blowers, 1993; Jacobs, 1991).

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O envolvimento dos diversos interesses pode levar ao abandono de formas intuitivas e
políticas de decisão em troca de análises técnicas (Guise, et al 1994), envolvendo e
responsabilizando os diversos agentes económicos e sociais nos processos de tomada
de decisão.

6. Breves lições da experiência internacional e regional no alinhamento dos


diversos interesses postos no uso do espaço dentro das áreas de conservação,
em particular em face do chamado “conflito” homem e animal?

Uma das razões para o estabelecimento crescente no mundo de areas protegidas tem
sido a protecção da biodiveridade. No entanto, existem várias razões que docorrem
desde à protecção de paisagens, de locais históricos, da fauna, da flora, de aquíferos
de entre outras razões. As razões variam de país para país e a filosofia da sua razão
tem evoluido ao longo dos anos.

Presentemente decorrem versões sobre a população local entendida como sendo a


população habitante ou no interor, ou na periferia das áreas em questão. A questão que
se coloca é a do seu relacionamento com o ambiente que o rodeia (flora e fauna). Tem
sido evidente uma clara diferença e expressão deste problema nas regiões do Sul do
globo quando comparado com o Norte. Efectivamente nos países em vias de
desenvolvimento onde as comunidades locais dependem muito da variedade e da
disponibilidade imediata dos recursos naturais sofrem mais com o problema e, tem
maiores dificuldades de apresentar propostas que possam ser aceites pelos vários
actores.

Nos países em vias de desenvolvimento existe uma certa diferenciação no controle e


acesso aos recursos entre os diferentes actores sociais. A questão ultrapassa a simples
utilização de recursos passando a ter contornos de direitos humanos e de equidade
social.

Estudo de caso Brasil - A Área de Protecção Ambiental de Guaraqueçaba

A Área de Protecção Ambiental de Guaraqueçaba é a mais bem preservada do Brasil,


com uma extensão de 313.234 hectares de Floresta Atlântica contínua. Guaraqueçaba
possui uma ampla variedade de hábitats, que incluem: mangues, florestas de restinga
das baixadas litorâneas, florestas úmidas de planície e várzeas, florestas húmidas
submontana, montana e alto-montana. Os diversos habitats em Guaraqueçaba abrigam
e promovem uma imensa biodiversidade. No interior da área de Guaraqueçaba existe
um parque nacional (Superagüi), uma estação ecológica federal, e várias reservas
naturais particulares (ex., Reserva Natural de Salto Morato, Reserva Natural de Serra
do Itaqui e reservas que foram criadas, mais recentemente, pela Sociedade de
Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS).

Os esforços de conservação são direccionados à flora e fauna ameaçadas de extinção.


As espécies da fauna que correm risco de extinção incluem o papagaio-da-cara-roxa,
o jacaré-do-papo-amarelo, a anta, a onça-pintada e o mico-leão-dacara-preta. As
espécies de plantas ameaçadas de extinção incluem a palmeira Euterpe edulis, ou
palmito, uma espécie fundamental na floresta e que está diminuindo em virtude da
extracção excessiva.

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As principais ameaças à biodiversidade em Guaraqueçaba são cinco: a criação de
búfalos (que causa desmatamento, compactação do solo, erosão e a introdução de
pastagem invasivas), o uso de áreas protegidas para a agricultura (que resulta em
desmatamento, a introdução de pesticidas e de espécies invasivas), o turismo (que
estimula a expansão urbana e a construção ilegal de casas de veraneio), a pesca de
subsistência nos estuários (que resulta na redução de peixes nativos e nas espécies de
caranguejos) e a pesca comercial (que reduz as espécies de peixes nativos, essenciais
para a manutenção da biodiversidade).

A Área de Protecção Ambiental de Guaraqueçaba é uma unidade de conservação, que


controla a utilização directa de recursos naturais para fins económicos e busca garantir
baixos impactos ao meio ambiente. A extracção de recursos naturais, a pesca, a
pastagem e o desenvolvimento da agricultura são as principais fontes de renda para as
comunidades locais. O desmatamento e o tráfico de animais continuam a causar
impacto. Uma legislação específica para restringir o uso de terras em áreas protegidas
está ainda em fase de implementação, motivo pelo qual, as ameaças existentes não
diminuem. Aproximadamente cinquenta e cinco comunidades (5.776 pessoas) vivem
na área central de Guaraqueçaba, cerca de 28.415 pessoas vivem nas comunidades
circunvizinhas e 146.351 pessoas, no e torno das cidades. As comunidades usam a
terra e os recursos naturais de Guaraqueçaba para se envolverem em actividades
autorizadas, tais como: pesca de peixes e de caranguejos, expansão do ecoturismo,
criação de reservas e desenvolvimento da agricultura orgânica.

O caso da América Latina – Mira Flor - Nicaragua

Estima-se que a América Latina conserve cerca de 40% da Biodiversidade mundial


(Sanchez Soza 1999), mas a necessidade de terra para a agricultura, pecuária e um
sistema bem definido de posse de terras tem originado que existam conflitos
permanentes e multifacetados em torno das áreas protegidas. Muitas tentativas de
associar a preservação da biodiversidade às necessidades das comunidades locais não
obtiveram sucesso e a maioria dos seus objectivos não foram atingidos. Os maiores
benefícios têm sido para a satisfação das necessidades básicas humanas.

Miraflor, estabelecido formalmente em 1966 conta hoje com cerca de 48000


habitantes, organizado em 39 comunidades com uma densidade de 26 Hab/Km2 e,
está localizado numa área densamente povoada ao seu redor e em áreas onde
predomina a propriedade privada de terra, sendo uma das mutas áreas de protecção da
Nicarágua.

O projecto da enfase ao controlo da capacidade de carga, conservação biológica,


interacção entre espécies e, basicamente integra a abordagem protecção da natureza, a
sustentabilidade social e a sobrevivência das comunidades. Possui cerca de 12
cooperativas diversas, 300 pequenos agricultores e uma associação e 48 membros que
negocia as actividades de prática de ecoturismo.

Em Miraflor a limitação da área central e de transição inicialmente estabelecida hoje


não existente. A total proibição do uso dos recursos naturais e das práticas agrícolas
não convencionais não existe. Explica-se que o sucesso do empreendimento advém da
participação e da concordância da comunidade local. No entanto, são visíveis algumas
alterações na biodiversidade, alterações essas que são mínimas se são houvesse uma

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intervenção no sentido de fazer coabitar as duas realidades. As comunidades ainda
necessitam do usufruto directo dos recursos naturais, o que está sendo feito de forma
controlada. A propriedade privada da terra não alterou apesar dos ventos da revolução
naquele país.

Experências na região Austral

A Africa do Sul, a Namibia e o Zimbabwe são países com alguma experiência de


planificação e ordenamento territorial aliado à gestão comunitária dos recursos
naturais, de tal modo que caminham para uma integração das experiências
acumuladas, ao qual Moçambique recentemente aderiu.

7. Conclusões

Apesar de algum sucesso a nível mundial de experiências de coabitação homem


natureza nas áreas de conservação encontram-se ainda alguns obstáculos, tais como: a
natureza discricionária da decisão, frequentemente condicionada aos interesses
dominantes, e a fragmentação de responsabilidades relativas a questões ambientais
chave entre os organismos de planeamento e os organismos de controle da qualidade
ambiental, retirando as responsabilidades ao planeamento e diminuindo as
possibilidades de envolvimento público na formulação e implementação de políticas
de ambiente, reduzindo o valor do contributo do instrumento que melhor acomoda
abordagens de participação e negociação.

É importante reconhecer que a elaboração de propostas de desenvolvimento alheadas


das condicionantes ambientais e sociais perde hoje em dia a sua legitimidade.

Tudo aponta para uma diminuição da importância atribuída à aprovação de projectos


orientando-se para abordagens e processos integrados de definição e implementação
de estratégias de desenvolvimento, envolvendo elevados níveis de responsabilização
entre os diversos agentes políticos, sociais, económicos e ambientais.

A valorização ambiental não deve partir apenas da esfera científica mas deve também
ser suportada por um debate político sobre os objectivos e estratégias de
desenvolvimento, pressupondo a geração de consensos entre os diversos actores.

O planeamento pode exercer um papel importante na clarificação dos custos e


benefícios decorrentes das estratégias de desenvolvimento a implementar.

É necessária, não apenas a formação para a cidadania e consciência ambiental, mas


também para o próprio protagonismo e animação do processo de formulação de
objectivos de desenvolvimento e qualidade ambiental; e fazer a ponte entre as
abordagens planeamento territorial e planeamento ambiental apostando na formação
para a gestão ambiental.

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8. Referências Bibliográficas

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