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Curso Demanda Espiritual | Por Alan Barbieri

Os três tipos de demanda

Partirei do princípio contextual de demanda que, em minha visão, engloba toda e qualquer
energia negativa transmitida ao ser por terceiros; sejam ou não concomitantes a espíritos
de baixa vibração. Acredito que o umbandista tem de adquirir a consciência sobre a
relevância de sua religião no confronto às energias destrutivas, assim evitando também
permitir-se despencar em armadilhas por escassez de elucidações. Esse conceito, embora
ainda de ambígua interpretação por considerável parte dos Templos, é real e aflige
certeiramente uma porcentagem preocupante da comunidade mundial; independentemente
de sua opção de crença. Venho através desse material expor, exemplificar e ensinar a
você, leitor, a identificar os três tipos de demanda existentes para que, ao final, torne-se
possível combatê-las com maior eficiência e tato.


Demanda Mental
O cérebro é um órgão extraordinário e, entre suas dezenas de funções, está o uso dos
neurônios que nos fornecerão a competência do pensamento que, por sua vez, propagará
energia de forma canalizada ou dispersa. Tal unidade pujante está, durante toda a vida de
um indivíduo, sob suas ordens e, em vista disso, irá se direcionar para o foco definido de
seu detentor; sem a responsabilidade de distinguir entre bom e o mau. Quando escolhemos
cultivar ideias e reflexões nocivas sobre nossas próprias pessoas ou outrem ativamos a
ação maléfica da energia que, sem exagero ou fatalismo, levou - e ainda leva - homens e
mulheres ao suicídio após uma longa jornada de ataques espirituais por inimigos
“inocentes” do poder de seu ódio; o qual disseminaram através do pensamento. Claramente
há a questão do padrão vibratório da vítima que terá de estar em sintonia com essa
demanda para que a própria aja de modo corrosivo o suficiente até alcançar um nível tão
alarmante quanto o autoextermínio. A Demanda Mental é capaz de ser mais nociva que
trabalhos de Magia Negativa; mas por quê? Porque, apesar de executada, raramente existe
o entendimento da gravidade dessa prática e, consequentemente, o causador perdurará em
sua ação e prejudicará não somente a vítima como a si mesmo em grau superior.


Demanda por Magia Negativa:
Responsável pela difamação de entidades e Orixás de cultos africanos e popularmente
conhecida como Magia Negra, esta é a Demanda por Magia Negativa, oferecidas por Pais e
Mães de Poste que anunciam trabalhos na força de falsas entidades que são, em
realidade, espíritos obsessores e Kiumbas. Consiste na junção de elementos por um
encarnado ciente do objetivo pernicioso e oferenda dos próprios às criaturas ásperas que
realizarão o processo solicitado na presa predeterminada.

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Contudo, o que geralmente seOs três tipos de


é desconhecido demanda
pelos efetuadores é a consequência
acarretada para si, autonomamente da relação entre mandante e executor, que será
imensurável. A famigerada Amarração Amorosa é um dos exemplos mais consistentes,
pois integra o cometedor físico (Pai ou Mãe de Poste), aquele que requisitou e a alma que
será posta em cárcere; um crime hediondo contra o livre-arbítrio concedido a nós por Deus.


Espíritos obsessores e Kiumbas:
Exclusivamente neste caso é nula a participação humana e, dessarte, as motivações serão
particulares daquele organismo não-vivente, sendo essas as mais diversificadas e que
poderão ir desde cobranças relacionadas a encarnações anteriores até o simples
impedimento de evolução pessoal, espiritual e/ou material. Notavelmente a mais
costumeira a ser presenciada dentro da coletividade umbandista; seja como médium,
dirigente ou consulente. Friso, por fim, a primordialidade da manutenção e fortalecimento do
campo energético para o impossibilitamento de aberturas para que qualquer um dos três
tipos de demanda citados se estabeleçam. Sejamos nós os responsáveis por quem somos
e o que captamos.


O s s e n t id o s d o s a c r if í c io n a r e lig io s id a d e a f r o - b r a s ile ir a

Olhando-se para a religiosidade afro-brasileira pelo mesmo ângulo que se promoveu o
tráfico de milhões de africanos através do atlântico na condição de escravizados e se
aniquilou milenares culturas indígenas nas Américas, se pode, sim, concluir que são
bárbaros os rituais de sacrifícios de animais realizados nos terreiros. O olhar arrogante que
de forma intolerante vem, há mais de um século, policiando, segregando e confinando na
temeridade uma forma milenar de religiosidade tem mostrado que pode decretar o
fechamento definitivo das casas de religião afro-brasileira do país. Decretar que não é mais
legal o sacrifício religioso de animais é o mesmo que banir o culto aos orixás por puro
preconceito.
Sob a mesma arrogância colonialista com que no passado se procedeu ao tráfico,
escravização, catequese forçada, os religiosos afro-brasileiros estão, hoje, sendo acuados.
Serão, os religiosos afro-brasileiros, levados a acatar o que a cultura dominantemente
ocidental define como sendo o sentido das coisas do mundo, as sensibilidades em jogo no
cosmo? O sentido dos acontecimentos cósmicos podem ser decididos, por decreto, a partir
da sensibilidade de uma única cultura? As certezas imperativas terão de ser sempre e em
toda a parte aquelas que a tradicional cultura ocidental sanciona? Os sentidos ocidentais
de verdade e as sensibilidades ocidentais em relação ao sofrimento, ao que é humano, o
belo, o divino, continuarão a ditar a ordem do mundo sem a menor abertura em relação a

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possibilidade de que essa outra Oscultura


três tipos de demanda
a afro-brasileira tenha reconhecida a condição de
“maioridade” para dizer o que é válido para ela, a sua verdade humana, natural e cósmica?
O sacrifício de animais nos terreiros dá-se numa forma milenar de cultura que não separa o
divino, o humano e o natural nem mesmo no sofrimento. No sacrifício há uma única
pessoalidade em metamorfose e renascimento. Por estarem congregados numa unidade, o
sacrifício é um momento especial de fusão de destinos e renascimentos em uma unidade
simultaneamente animal, humana e divina. O sacrifício só ocorre na medida e quando não
há a recusa das três partes que se entregam ao acontecimento cósmico. As acuradas
sensibilidades desenvolvidas na religião para o cuidado do animal não podem ser
substituídas por técnicas veterinárias, porque aquelas são mais antigas, sensíveis, mais
sofisticadas e sobretudo, abertas a insondáveis dimensões cósmicas.

Porque uma religião milenar deveria se curvar ao culto moderno da ciência quando ela
carrega suas próprias ciências e seu sentido de verdades que se situam para além das
questões que técnicas modernas podem apreciar? Quando se coloca a religiosidade
afro-brasileira diante de exigências de comprovações veterinárias de não-sofrimento animal,
se poderia perguntar ainda, “porque algumas ciências devem ser levadas em conta e outras
não?” Outras disciplinas acadêmicas, com um século de proximidade em relação à
religiosidade afro-brasileira, como é o caso da antropologia e da sociologia, em nenhuma
das suas expressões e controvérsias, desqualifica o sacrifício animal na religiosidade
afro-brasileira como forma de crueldade. Essas outras disciplinas não deveriam ser levadas
em conta nesse debate atual? Internacionalmente reconhecidos clássicos das ciências
sociais nacionais (como Nina Rodrigues, Arthur Ramos, Edson Carneiro) e estrangeiros
(como Juana Elbein dos Santos, Pierre Fatumbi Verger, Roger Bastide) em nenhum
momento de suas vastas obras renegaram o sacrifício animal na religiosidade
afro-brasileira. Pelo contrário, todos estiveram próximos do lapidar enunciado de Bastide:
“A filosofia do candomblé não é uma filosofia bárbara,e sim um pensamento sutil que ainda
não foi decifrado” (Bastide, 1978).

Um pouco menos de arrogância deveria levar os não-religiosos afro-brasileiros,
interessados no tema, a respeitosamente, diante da diferente relação cósmica,
perscrutarem a lembrança de que todo o nascimento dá-se no e pelo sangue em seus
múltiplos sentidos cosmológicos. O ritual poderia, para os de fora, situar mais do que uma
memória da condição humana; poderia monumentalizar uma esperança. A esperança do
renascimento humano menos conflituoso e mais imerso na natureza essa lembrança
sempre renovada nos sacrifícios da religiosidade afro-brasileira. Sem proselitismo, a
religiosidade afro-brasileira não pede que a sigam, apenas respeita e se dá ao respeito dos
que não comungam dos mesmos valores. Com essa postura se abre ao diálogo.

Referência
BASTIDE, Roger - O Candomblé da Bahia - São Paulo, Nacional, 1978.

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