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UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE

CENTRO DE CIÊNCIAS HUMANAS, LETRAS E ARTES – CCHLA


DEPARTAMENTO DE POLÍTICAS PÚBLICAS – DPP
CURSO DE GESTÃO DE POLÍTICAS PÚBLICAS
DPP0014 - INTRODUÇÃO ÀS POLÍTICAS PÚBLICAS - T01 (2017.2
- 2T123)

Jonathan Alves Martins1

Do governo por lei as Políticas Públicas: a trajetória das ações do Estado


Na obra “Introdução à Teoria Política Pública, Enrique Saravia parte por
explicar que o contexto histórico da a administração pública, no intuito de apresentar o
surgimento e evolução no decorrer do século XX, o autor descreve se deu a divisão e a
transformação entre administração privada e pública.
No tocante as visões sobre a atividade estatal, as análises do autor foram
desenvolvidas em diferentes perspectivas. Primeiro o autor discorre sobre a visão
jurídica que foi hegemônica durante longo período e dominou a segunda metade do
século XIX até a segunda guerra. Em seguida, afirma que a visão administrativa
começa no início do século XX, ainda de maneira incipiente, e domina dos anos 1960
até a atualidade. Embora tais divisões não sejam plenamente compatíveis, ambas
coexistem.
Nos países latinos a perspectiva jurídica tornou-se mais constante, isto desde que
os conquistadores espanhóis e portugueses aqui desembarcaram com suas leis embaixo
do braço tornando o Estado mais burocrático. Diferentemente dos anglo-saxões que com
sua Common Law, através dos costumes ou pela jurisprudência redigiam suas normas e
regras de caráter jurídico não escrito.
De acordo com Saravia, a administração pública consolidou-se ao longo do
tempo, desde 1880 já se tinha uma preocupação com a constituição de uma classe
administrativa apartidária, com base no mérito procurando neutralizar o favoritismo, o
patronato (SARAVIA, 2006 Pág. 22). Para o teórico, a história da administração de
empresas teve início no contexto do exército norte-americano, publicamente conhecido
no primeiro congresso de administração organizado pelo governo americano em Praga
no ano de 1922.No período posterior a Grande Depressão, a administração passou a ser
identificada como a Administração de Empresas, devido a hostilidade em relação às
empresas e seus executivos, a administração no setor público foi rebatizado como
Administração Pública.
O autor destaca que a partir da Segunda Guerra Mundial foi intensificada a
interação entre indivíduos, empresas e outras organizações nacionais e internacionais.
Neste sentido, tornou-se necessário o reexame quanto o papel do governo neste novo
cenário do mundo da globalização, e da necessidade de competir na economia
internacional e na internacionalização de muitos assuntos, além do surgimento de novas

1
Estudante do primeiro período vespertino de GPP – DPP0014 - INTRODUÇÃO ÀS POLÍTICAS PÚBLICAS -
T01 (2017.2 - 2T123). Resenha solicitada pela professora doutora Winifred Knox.
demandas da sociedade moderna, tais como novas tecnologias, novos grupos de pressão
sobre os governos e exigência de maior transparência nos assuntos governamentais.
Assim, nas décadas de 1950 e 1960 surgiram novas técnicas de administração
como, por exemplo, quanto ao planejamento. Os Estados passaram a fomentar grandes
sistemas de planejamentos governamentais. Surgiram comissões, ministérios,
corporações para elaborar planos de desenvolvimentos ambiciosos. “Na América Latina
houve grande crescimento econômico orientado, financiado e realizado pelo Estado”
(SARAVIA 2006 Pag. 25).
Na década de 70, marcada por guerras, crises petroleiras e financeiras, as
empresas foram levadas a trabalharem com cenários e estratégias ao invés de metas e
objetivos claros, delimitados e rígidos. Esta nova perspectiva possibilitou o surgimento
de uma nova concepção de administração baseada muito mais nas estratégias, que não
prescinde de planejamento, mais que permite maior liberdade de ação aos desafios que
surgirem.
Saravia afirma (2006) que a demora das organizações estatais em perceber tais
mudanças acabou levando a deterioração de sua capacidade em responder às
necessidades da população afetando sua credibilidade, o que possibilitou ao público a
um desejo de participação mais democrática nas decisões do Estado. Este anseio
popular por maior participação nos assuntos do Estado levou já na década de 80 a uma
pressão por uma descentralização e maior participação da sociedade, de modo com que
a dinâmica estatal foi modificada com as transformações tecnológicas, na produção, na
economia e na administração empresarial.
Quanto ao conceito de política pública, aponta o autor, “Trata-se de decisões
públicas, orientado a manter o equilíbrio social ou a introduzir desequilíbrios destinados
a modificar essa realidade” (SARAVIA, 2006 pág. 28). Deste modo, as políticas
públicas têm como finalidade a consolidação da democracia, justiça social, manutenção
do poder, felicidade das pessoas. Partindo do pressuposto de que a política pública não
possui uma racionalidade manifesta, seus atores não costumam agir da forma como é
esperada. Denotando muitas vezes a debilidade do Estado em cumpri-la.
De acordo com o autor, o Estado tende a se comportar como uma “anarquia
organizada” onde existiriam várias opções procurando problemas e problemas que
precisam de soluções, assim a racionalidade aparece como primazia em detrimento a
verdade e a moral no julgamento das crenças e condutas humanas.
Cada política pública, de acordo com o autor, passa por diversos estágios, sendo
que os atores, as coalizões, os processos e as ênfases são diferentes, durante a
formulação, implementação e avaliação. A revisão da literatura no campus de públicas
nos orienta para a existência de divergências teóricas quanto as análises de políticas
públicas, apontam para a coexistência de modelos centradas nos interesses da sociedade
e aqueles centrados no Estado.
Há, ainda, grande variedade quanto as tipologias de políticas públicas,
entendidas como distributivas, regulatórias, redistributivas e constitutivas, que seriam
organizadas de acordo com suas especificidades. O processo de elaboração das
políticas públicas também em sido objeto de discussão teórica, tais como o
Incrementalismo, o Ciclo das políticas públicas, o Garbage Can ou lata de lixo, a da
coalizão de defesa, as Arenas Sociais e a teoria do Equilíbrio Interrompido. O Novo
Gerenciamento Público, modelo de interesses fiscais em restrição de gastos, vem se
apresentando na defesa da eficiência da gestão dos recursos públicos, frequente na
Administração Pública, mas ainda pouco incorporado na pesquisa empírica
(SoOUZA,2006; SARAVIA, 2006).
No contexto da obra de Enrique Saravia, destacamos a importância das
instituições como decisivas para o desenvolvimento das políticas públicas. Para o
teórico, somente através do conhecimento e do entendimento de como funcionam estas
organizações públicas, como agem seus agentes públicos (eleitos ou administrativos) é
que podemos entender como é que as políticas são modeladas no processo de
implementação. É necessário entender a complexidade das burocracias destas
organizações, entender sua estrutura e seu comportamento, muitas vezes conflitivas
entre si.
De tal maneira que as políticas públicas se configuram como parte do processo
de tomada de decisões dos governos, uma relação que envolve, além de outros
elementos, interesses e poder, espaço de disputas das classes sociais por atenção e
recursos públicos - relação entre as decisões tomadas, a estrutura institucional que as
origina e molda - e da distribuição do poder no Estado e na sociedade que nem sempre
se dá de forma democrática, tendo em vista a desigualdade na correlação de forças
políticas entre a classe trabalhadora e mais pobres da sociedade e as classes burguesas,
empresariais e aristocráticas no Brasil.
Assim, entendemos Gestão de Políticas Públicas como uma ação com intenções
e objetivos definidos, numa dinâmica que envolve vários atores e níveis de decisão,
composto por ciclos e etapas que vão desde a definição da situação como um problema,
da busca de alternativas, da definição da agenda, da contemplação da matéria como
parte da agenda, da decisão e preposição, implementação, execução e avaliação, que
embora tenha efeitos no curto prazo, são políticas de longo prazo e que se materializam
através dos governos.
Resenha do livro:
SARAVIA, Enrique; “Introdução à Teoria Política Pública” In: Enrique Saravia e
Elisabete Fernandes, orgs. Políticas Públicas, vol. I (Brasília: ENAP, 2006).