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bitcoin e outras cripto moeda

Fisco pronuncia-se sobre a sua tributação

A Autoridade Tributária e Aduaneira (AT), respondendo a um contribuinte no âmbito de uma


informação vinculativa, considerou que a venda de cripto-moeda não é tributável face ao
ordenamento fiscal português, a não ser que pela sua habitualidade constitua uma atividade
profissional ou empresarial do contribuinte, caso em que será tributado na categoria B.

O caso

O contribuinte em causa solicitou a emissão de uma informação vinculativa na qual questiona o


enquadramento fiscal dos rendimentos que obtém com a compra e venda de cripto-moeda.

De acordo com a AT, as cripto-moeda ou «moedas virtuais» não são, tecnicamente, consideradas
"moeda" por não disporem de curso legal ou de poder liberatório em Portugal. No entanto, estas
podem ser trocadas, com proveito, por moeda real (euros, dólares, libras ou outra), junto de
empresas especializadas para o efeito, sendo o valor, face à moeda real, o determinado pela procura
online das cripto-moeda.

Rendimentos tributáveis

As cripto-moeda podem gerar diferentes tipos de rendimentos tributáveis:


- por ganhos obtidos com compra e venda de unidades monetárias virtuais / troca ao câmbio do
momento de cripto-moeda por moeda real (qualquer que ela seja);
- por obtenção de comissões pela prestação de serviços relacionados com a obtenção ou curso
normal da cripto-moeda;
- por ganhos derivados de vendas de produtos ou serviços em cripto-moeda.

A AT apenas analisou a primeira situação, ou seja, os rendimentos tributáveis por ganhos obtidos
com compra e venda de unidades monetárias virtuais / troca ao câmbio do momento de cripto-moeda
por moeda real.

Considera a AT que os rendimentos gerados por esta atividade podem, em tese, ser integrados em
três categorias de rendimentos diferentes:
- acréscimos patrimoniais - categoria G (mais valias);
- rendimentos de capitais - categoria E;
- rendimentos empresariais ou profissionais - categoria B;

Categoria G - mais valias

O Código do IRS dispõe que são tributáveis, como mais-valias, as seguintes realidades:
- alienação onerosa de partes sociais e de outros valores mobiliários;
- operações relativas a instrumentos financeiros derivados, com exceção dos ganhos decorrentes de
operações de swaps de taxa de juro;
- operações relativas a certificados que atribuam ao titular o direito a receber um valor de
determinado ativo subjacente, com exceção das remunerações decorrentes de certificados que
garantam ao titular o direito a receber um valor mínimo superior ao valor de subscrição;
- cessão onerosa de créditos, prestações acessórias e prestações suplementares.

Neste caso, a tributação só incide sobre os ganhos derivados dos factos ali descritos.

Ora, no caso das cripto-moeda, não se trata de partes sociais, nem as mesmas constituem um
qualquer direito que permita receber qualquer quantia. A valorização das cripto-moeda não assenta
em qualquer ativo subjacente, pois o seu valor é meramente determinado pela oferta e procura das
mesmas (e pela criação de cripto-moeda em função da sua utilização), e por isso também não pode
ser considerada como um produto financeiro derivado. Por fim, dada a definição de valor mobiliário
constante do Código dos Valores Mobiliários, conclui a AT que se trata de uma realidade que não
pode ser subsumida na definição de valores mobiliários.

Assim, não é tributável em sede de categoria G.

Categoria E – rendimentos de capitais

Relativamente aos rendimentos de capital, a norma de incidência está construída de uma forma
aberta, indicando uma regra geral e exemplificando diversas realidades sujeita a tributação (mas não
as únicas).

Nesta categoria são tributados os rendimentos que são gerados pela mera aplicação de capital, ou
seja, são tributados os frutos jurídicos, isto é, os direitos produzidos sem prejuízo da substância
do produtor.

Neste caso, o rendimento produzido é obtido pela venda do direito, pelo que não pode ser tributada
em sede de categoria E.

Categoria B - rendimentos empresariais ou profissionais

Considera a AT que a categoria B, se for aplicável em concorrência com qualquer uma das categorias
anteriores, prevalece sobre estas. Na categoria B são tributados os rendimentos auferidos em função
do exercício de uma atividade e não em função da origem do rendimento.

Assim, nesta categoria podem ser tributados rendimentos quer os mesmos provenham de vendas,
quer sejam frutos, ou revistam qualquer outra natureza.

O exercício da atividade apura-se pela sua habitualidade e pela orientação da atividade à obtenção
de lucros.

Verificando-se a existência do exercício de uma atividade empresarial ou profissional então fica o


contribuinte obrigado a cumprir as obrigações declarativas constantes do Código do IRS, ou seja, a
emitir fatura ou documento equivalente (fatura-recibo eletrónico), sempre que realizar uma venda ou
prestar um serviço.

Decisão

A AT conclui, assim, que a venda de cripto-moeda não é tributável face ao ordenamento fiscal
português, a não ser que pela sua habitualidade constitua uma atividade profissional ou
empresarial do contribuinte, caso em que será tributado na categoria B.

Validade da decisão
Esta informação vinculativa vincula a AT perante o contribuinte que a solicitou.

Assim, a AT, em relação ao objeto deste pedido, não pode posteriormente proceder em sentido
diverso da informação prestada, salvo em cumprimento de decisão judicial.

Relembramos que as informações vinculativas caducam em caso de alteração superveniente dos


pressupostos de facto ou de direito em que assentaram e, em qualquer caso, no prazo de
quatro anos após a data da respetiva emissão, a não ser que o contribuinte solicite a sua renovação.

De qualquer forma, as informações vinculativas podem ser revogadas, com efeitos para o futuro,
após um ano a contar da sua prestação, precedendo audição do requerente, nos termos da presente
lei, com a salvaguarda dos direitos e interesses legítimos anteriormente constituídos.

Entendimento anterior

No entanto, nem sempre foi este o entendimento oficial das Finanças.

Vários contribuintes puseram a dúvida através do Portal das Finanças, tendo recebido no 2º
semestre de 2017 o seguinte email em resposta às dúvidas colocadas:
«A Autoridade Tributária e Aduaneira (AT) agradece o seu contacto.
Em função do que vem adicionalmente referir, e pese embora a atual legislação fiscal
portuguesa não contemplar especificamente esse tipo de atividade, somos de entendimento
que tais rendimentos configuram uma distribuição de lucros, na proporção da sua participação
(investimento). Nesses termos, estar-se-á perante rendimentos de capitais, conforme previsto
no artigo 5.º do código do IRS (CIRS). Como se tratam de rendimentos pagos por uma
entidade não residente em Portugal, consideram-se rendimentos obtidos no estrangeiro, que
deverão, aquando da entrega da declaração modelo 3 do IRS, ser mencionados no anexo J
(quadro 4 - campo 420). Depois, a tributação desses rendimentos, ocorrerá de duas formas:
1- Opta pelo não englobamento desses rendimentos (não colocando uma cruz na quadrícula
onde é feita essa pergunta no final do anexo J), sendo os mesmos tributados autonomamente
à taxa de 28% ou 35%, conforme se enquadrem no n.º 5 ou no n.º 12, respetivamente, do
artigo 72.º do CIRS;
2- Ou então, caso os seus rendimentos anuais do trabalho por conta de outrem não sejam
muito elevados, opta pelo englobamento, e serão tais rendimentos englobados juntamente
com restantes, sendo aplicada a taxa de acordo com o artigo 68.º do CIRS.
Será uma questão de antes fazer uma simulação do IRS com as duas opções.
Com os melhores cumprimentos AT- Autoridade Tributária e Aduaneira»

Referências
Informação Vinculativa, de 16.01.2018, proferida no processo n.º 5717/2015, despacho de
27.12.2016
Código do IRS, artigos 3º, 5.º, 9.º e 10.º
Lei Geral Tributária, artigo 68.º

Este texto é meramente informativo e não constitui nem dispensa a consulta ou apoio de profissionais
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Informação Vinculativa, de 16.01.2018
Moedas virtuais: Europa alerta para riscos

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