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CENTRO DE ENSINO SUPERIOR DO AMAPAÁ (CEAP)

ECONOMIA PARA DIREITO


“APOSTILA”
Organizada pelo Professor Dr. Joselito Santos Abrantes

Aplicada ao Curso de Direito


Disciplina: Economia Regional, Meio Ambiente e Políticas Públicas

Macapá-AP
2011
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INTRODUÇAO À ECONOMIA

1. ASPECTOS HISTÓRICOS

O Estudo da Economia pode ser dividido em duas partes principais: microeconomia e


macroeconomia (DALLAGNOL, 2008). A microeconomia cuida do comportamento dos
consumidores e das empresas em seus mercados, as razões que levam os consumidores a comprar
mais, ou menos, de um determinado produto e a pagar mais, ou menos, por este bem. Estuda ainda
os motivos que levam empresas a produzir certa quantidade de um produto e de que forma seus
preços são estabelecidos. Leva-se em conta os mercados nos quais as empresas e consumidores
atuam.
Portanto, Microeconomia deriva da palavra grega mikros, que significa “pequeno”. Analisa
o comportamento da economia em detalhes, ou seja, o comportamento dos agentes econômicos
individuais (famílias, empresas e governos) e mercados específicos.
EXEMPLOS: “O emprego na indústria de fast food”
“Por que os cartões de crédito cobram juros mais altos do que os de financiamento
da casa própria?
“A produção automobilística no Brasil”
Dallagnol (2008) destaca que a macroeconomia preocupa-se com o conjunto de decisões de
todos os agentes econômicos, que ira se refletir em maior ou menor produção e nível de emprego.
Inflação, taxa de juros, taxa de câmbio, nível de emprego global, crescimento econômico são
objetos estudados na análise macroeconômica, além de cuidar das análises sobre as decisões
tomadas pelo formulador de política econômica do país.
Portanto, Macroeconomia deriva da palavra grega makros, que significa “grande”. Analisa o
comportamento geral da economia, ou seja, se concentra no panorama geral e desconsidera os
pequenos detalhes.
EXEMPLOS: “O emprego total na economia”
“Por que os juros no país são tão elevados?”
”A produção total do país”
O fenômeno recente da globalização da economia levou os governos a buscarem apoio de
outras economias, formando blocos econômicos, para conseguirem melhor sustentação frente à
forca das novas tecnologias e da pressão das multinacionais, do aumento da produtividade, do
desemprego estrutural que ameaça a estabilidade social mesmo dos países mais desenvolvidos. Isto
reforça a necessidade de aprofundar os conhecimentos na área das ciências econômicas.

1.1 A CIÊNCIA ECONÔMICA

Aristóteles é considerado o primeiro analista econômico embora tratasse do termo com bem
menos complexidade que a realidade da ciência de hoje que se ocupa do desenvolvimento, da
inflação de preços do desemprego, do nível da renda social, das recessões e da plena utilização dois
escassos recursos do sistema econômico. Em sua época Economia era considerada como a ciência
da administração da comunidade doméstica.
O núcleo central das Ciências Econômicas, seu campo de ação e sua definição derivaria da
própria etimologia da palavra economia (do grego oikonomia, de oikos =casa, nomos = lei).
Tratavam-se, pois, de um ramo do conhecimento destinado a abranger apenas o campo da atividade
econômica, em suas mais simples funções de produção e distribuição. Como a teria definido
Aristóteles, a Economia era a “ciência do abastecimento, que se trata da arte da aquisição”.
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Possamai (2001) relata que as dimensões da análise econômica só se ampliaram no período


pós-renascentista, quando o desenvolvimento dos novos Estados-nações da França, Alemanha,
Inglaterra, Espanha e Portugal e, em especial, a descoberta da América, impuseram a necessidade de
a Análise Econômica se desligar das questões puramente éticas, às quais se mantiveram ligada
durante longos séculos. Nesta época, os escritores mercantilistas desenvolveram diversos estudos
sobre a administração dos bens e rendas do Estados, ampliando-se o campo de ação Economia.
No século XVII a Economia entra em sua fase científica. Naquele século, considerado como a
Idade da Razão ou a Época do Iluminismo, os pensadores econômicos procurariam reformular os
princípios fundamentais da Economia. Duas importantes obras foram publicadas, em 1785 e
1776:Tableau Économique, de François Quesnay, e Na Inquiry into the Nature and Causes of The
Wealth of Nations, de Adam Smith. A partir das obras desses dois autores – fundadores de duas
importantes escolas econômicas na França e na Inglaterra – os pensadores econômicos iriam
dedicar-se à descoberta e análises dos princípios, das teorias e das leis que pudessem ser
estabelecidas em cada um dos três grandes compartimentos da atividade econômica: formação,
distribuição e consumo de riquezas (POSSAMAI, 2001).
Do ponto de vista histórico, Pinho e Vasconcellos (1998) destacam que o marco inicial da etapa
científica da Teoria Econômica coincidiu com os grandes avanços da técnica e das ciências físicas e
biológicas, nos séculos XVIII e XIX. Nesse período da evolução do conhecimento humano, a
Economia construiu seu núcleo científico, estabeleceu sua área de ação e delimitou suas fronteiras
com outras ciências sociais. A construção de seu núcleo científico fundamentou-se no enunciado de
um apreciável volume de leis econômicas, desenvolvidas a partir das concepções mecanicistas,
organicistas e posteriormente humanas, através das quais os economistas procuraram interpretar os
principais fenômenos da atividade Econômica.
As definições baseadas na clássica trilogia formação, distribuição e consumo duraram até as
últimas décadas do século XIX, quando uma nova linha conceitual seria proposta por Alfred
Marshall, teórico inglês, professor de Economia em Cambridge e responsável pela chamada síntese
neoclássica em seu Principles of Economics, editado em 1890, Marshall proporia uma nova
definição: A Economia é a ciência que examina a parte da atividade individual e social
essencialmente consagrada a atingir e utilizar as condições materiais do bem-estar. As definições
contemporâneas eram baseadas pela dicotomia, escassos recursos e necessidades ilimitadas.
Para Pinho e Vasconcellos (1998), após todos esses enfoques a respeito da concepção da
economia sua melhor definição foi dada pelo economista americano Paul Samuelson. No qual a
Economia é uma ciência social que estuda a administração dos recursos escassos entre usos
alternativos e fins competitivos.
A partir do século XVIII a Economia como ser considerada como Ciência. Ganha grande
impulso a partir do XX, com a eclosão das duas grandes guerras (1914/18 e 1939/45) e com a crise
econômica que abalou o mundo ocidental na década de 1930 (1929 – Quebra da Bolsa de Valores
de Nova Iorque).
Resolver os problemas econômicos nem sempre são fáceis, pois se encontram muitas vezes
interdependentes e contraditórios, levando muitas vezes a atingir certos objetivos, porém com
reflexo negativo em outras metas. Por exemplo, medidas de combate à inflação podem ser
incompatíveis com crescimento econômico e que levam muitas vezes à recessão.
Melhoria tecnológica e automação versus desemprego. Aumento salarial versus aumento de
preços. Ganho de escala que leva ao gigantismo empresarial e redução de custos versus domínio
monopolístico. A busca pelo desenvolvimento econômico foi a marca fundamental da economia do
pós-guerra. É uma utopia pretender o bom desenvolvimento entre todos os povos e superação
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histórica de todos os problemas ideológicos, alterando-se as grandes desigualdades que diferenciam


profundamente o padrão de vida e o bem-estar das nações.
Aproximadamente 77% da população mundial aspiram desfrutar das condições de bem estar
em que vivem os demais. Transformar gradualmente essa aspiração em realidade é um desafio de
nossos tempos. É, portanto, no campo das Ciências Econômicas que se descobrirão e revelarão os
instrumentos para tornar alcançável o grande escopo de nossa época. (POSSAMAI, 2001).

1.1.1 Conceitos básicos

A economia estuda a maneira como se administram os recursos escassos, com o objetivo de


produzir bens e serviços e distribuí-los para seu consumo entre os membros da sociedade.
-“A Economia é a ciência social que estuda como o indivíduo e a sociedade decidem (escolhem)
empregar recursos produtivos escassos na produção de bens e serviços, de modo a distribuí-los
entre as várias pessoas e grupos da sociedade, a fim de satisfazer as necessidades humanas.”
(Vasconcellos e Garcia, 2004).

1.2 NECESSIDADES HUMANAS

O que é uma necessidade humana? Entende-se, por esta, a sensação de que falta alguma
coisa unida ao desejo de satisfazê-la. As pessoas sentem necessidade de adquirir alguma coisa.
Sentem desejo tanto por roupas, alimentos, água, quanto por bens de consumo como televisão,
computador, geladeira e etc. Com efeito, não há limite para as necessidades humanas. E estas vão
aumentando à medida em que aumenta a renda.
Mas como satisfazer as necessidades humanas? O que você faria se aparecesse uma
Lâmpada de Aladim em sua frente e, após esfregá-la, o gênio dissesse-me: peça-me o que queres
meu amo (ou minha ama)....que te darei.
Entretanto, necessidades materiais não é tudo. Você poderia pedir, ainda, para o gênio,
amor, felicidade, prestígio, paz, alegria ou uma boa sogra ou sogro. E dia após dia, os pedidos
aumentariam, pois as necessidades, do campo material, nunca seriam totalmente satisfeitas. Sempre
se teria desejo por uma nova coisa. Desde fato advém a verdade dita pelos economistas e verificada
na sociedade: que as necessidades humanas são ilimitadas. Mas nem todas as necessidades podem
ser satisfeitas. E por outro lado, também, não existe gênio que ajude a satisfazê-la.
O que existe, de fato, são recursos escassos, insuficiente para satisfazer a todos. Este dilema
de recursos escassos x necessidades ilimitadas é que norteará boa parte da preocupação dos
economistas. Em forma de pergunta: como posso melhorar a qualidade de vida de uma nação que
dispõe de poucos recursos? Que recursos são esses que limitam o desenvolvimento de uma nação e
a necessidade de seu povo?

1.2 RECURSOS PRODUTIVOS

Sendo as necessidades humanas são ilimitadas; algumas necessidades são não econômicas,
como amor e felicidade, por exemplo. Para atender as necessidade econômica, que se caracterizam,
fundamentalmente, por serem ilimitadas; a fim de satisfazê-las, necessitaríamos de uma grande
quantidade de bens econômicos. Para a produção em grande escala desses bens econômicos
oportuno seria que existisse um conjunto infinitamente grande de recursos capaz de produzir tais
bens. Entretanto, essa quantidade infinita de recursos não existe. Nesse ponto, deparamos com o
desafio da escassez. Em que consistem tais recursos. O que são esses recursos?
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Os recursos produtivos, também denominados fatores de produção, são os elementos


utilizados no processo de fabricação dos mais variados tipos de bens (mercadorias). São utilizados
para satisfazer as necessidades humanas.

- Tipos de fatores de produção (ou recursos produtivos): (i) trabalho, (ii) terra, (iii) matérias-
primas, (iv) energia, (v) equipamento, (vi) combustíveis. Os fatores de produção (ou recursos
produtivos) podem ser classificados em quatro grandes grupos: (i) terra, (ii) capital, (iii)
trabalho, (iv) capacidade empresarial e (v) tecnologia.

 Terra: nome designado para recursos naturais, tais como florestas, recursos minerais,
recursos hídricos, etc. Compreende, ainda, solo, tanto para fins agrícolas, quanto solo
utilizado na construção de estradas, casas etc. Deve ser destacado é que a quantidade de
recursos naturais, ou Terra, é limitado (tanto para países subdesenvolvidos quanto para
desenvolvidos).
 Trabalho: constitui trabalho, no sentido econômico, qualquer esforço despendido por
médico, operário ou de um agricultor rural. Fator trabalho, então, é todo esforço humano
despendido na produção de bens e serviços. Em qualquer nação, o fator trabalho é limitado,
principalmente o trabalho especializado. Deve ser dito, ainda, que o trabalho é o fator de
produção mais importante em qualquer sistema econômico.
 Capital (ou bens de capital): é um conjunto de bens fabricados pelo homem e que são
utilizados no processo produtivo. Portanto, não se destinam, diretamente, à satisfação das
necessidades através do consumo. Por capital entenda-se: computadores, máquinas,
equipamentos, usinas, estradas de ferro, mobiliários de escritórios, entre outros, além de
todos os tipos de equipamentos utilizados na fabricação de bens e serviços.
 Capacidade empresarial (ou organização empresarial): esse fator é decorrente do de que
o empresário exerce funções fundamentais no processo produtivo. É o empresário que
organiza a produção e combina os demais recursos produtivos. É ele, também, que assumi
riscos e quem colhe o ganho do sucesso (lucro) e do fracasso prejuízo da empresa.
 Tecnologia (ciência e técnica): este, também, é um fator fundamental no processo
produtivo. A exemplo, dos outros, é necessário para as demandas humanas, mas escasso,
principalmente para os países/regiões pobres.

Portanto, os recursos produtivos são limitados.

Pinho e Vasconcellos (1998) destacam que em Economia tudo se resume a uma restrição
quase que física - a lei da escassez, isto é, produzir o máximo de bens e serviços a partir dos
recursos escassos disponíveis a cada sociedade.
Salientam ainda que, se uma quantidade infinita de cada bem pudesse ser produzida, se os
desejos humanos pudessem ser completamente satisfeitos, não importaria que uma quantidade
excessiva de certo bem fosse de fato produzida. Nem importaria que os recursos disponíveis:
trabalho, terra e capital (este deve ser entendido como máquinas, edifícios, matérias-primas etc.)
fossem combinados irracionalmente para produção de bens.
Não havendo o problema da escassez, não faz sentido se falar em desperdício ou em uso
irracional dos recursos e na realidade só existiriam os "bens livres". Bastaria fazer um pedido e,
pronto, um carro apareceria de graça.
Na realidade, ocorre que a escassez dos recursos disponíveis acaba por gerar a escassez dos
bens - chamados "bens econômicos". Por exemplo: as jazidas de minério de ferro são abundantes,
porém, o minério pré-usinável, as chapas de aço e finalmente o automóvel são bens econômicos
escassos. Logo, o conceito de escassez econômica deve ser entendido como a situação gerada pela
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razão de se produzir bens com recursos limitados, a fim de satisfazer as ilimitadas necessidades
humanas. Entretanto, somente existirá escassez se houver uma procura para a aquisição do bem. Por
exemplo: o hino nacional escrito na cabeça de uni alfinete é um bem raro, mas não é escasso porque
não existe uma procura para sua aquisição, conforme Pinho e Vasconcellos (1998).

1.3 OS PROBLEMAS ECONOMICOS FUNDAMENTAIS

Para Pinho e Vasconcellos (1998), nas bases de qualquer comunidade se encontra sempre a
seguinte tríade de problemas econômicos básicos:

 O QUE produzir? - Isto significa quais os produtos deverão ser produzidos (carros, cigarros,
café, vestuários etc.) e em que quantidades deverão ser colocados à disposição dos
consumidores;
 COMO produzir? - Isto é, por quem serão os bens e serviços produzidos, com que recursos e
de que maneira ou processo técnico;
 PARA QUEM produzir? – depois de definir o que será produzido em termos quantitativos e
a forma de produção deve-se estabelecer o destino final dessa produção, ou seja, a quem
será distribuída na sociedade.

QUAIS, QUANTO, COMO e PARA QUEM produzir não seriam problemas se os recursos
utilizáveis fossem ilimitados. Mas na realidade existem ilimitadas necessidades e limitados recursos
disponíveis e técnicas de fabricação. Baseada nessas restrições, a Economia deve optar dentre os
bens a serem produzidos e os processos técnicos capazes de transformar os recursos escassos em
produção, conforme Pinho e Vasconcellos (1998).
Pode-se no Quadro 1 a seguir, apresentada por Dallagnol (2008) ter um resumo dos princípios
fundamentais da economia.

Quadro 1 – Problemas econômicos fundamentais


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1.3.1 Escassez e Necessidades

Conforme já visto anteriormente, o problema econômico por excelência é a escassez. Surgiu


porque as necessidades humanas são virtualmente ilimitadas, e os recursos econômicos, limitados,
incluindo também os bens. Esse não é problema tecnológico, e sim de disparidade entre os desejos
humanos e os meios disponíveis para satisfazê-los.
A escassez é um conceito relativo, pois existe desejo de adquirir uma quantidade de bens e
serviços maior que a disponibilidade. Portanto, eficiência produtiva e eficácia alocativa são as duas
questões básicas com que defrontam todos os agentes econômicos.
 Eficiência: maximizar o emprego dos recursos.
 Eficácia: otimizar as escolhas.

1.4 BENS E SERVIÇOS

De um modo geral, o objetivo de uma indústria é produzir bens e serviços para vendê-los e
obter lucros. Mas o que é bem? E serviços?
De forma global, bem é tudo aquilo que permite satisfazer as necessidades humanas. Por
que um bem é procurado? Porque é útil, tem utilidade. Os bens podem ser livres e econômicos.

 Bens livres: são úteis...existem em quantidade ilimitada e podem ser obtidos sem nenhum
esforço na natureza. Ex: luz solar, o ar, o mar. Esses bens não possuem preços.
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 Bens econômicos: são úteis...possuem preços...são relativamente escassos e supõem a


ocorrência de esforço humano para obtê-lo.

Os bens econômicos são classificados em dois grupos: Bens materiais e serviços (ou bens
imateriais).
 Bens materiais: São de natureza material, podem ser estocados, tangíveis (podem ser
tocados), como roupas, alimentos, livros, tv...etc.
 Serviços: não possuem uma forma 'material' (intangíveis). Ex: serviço de um médico,
consultoria de um economista, serviços de um advogado; acabam no mesmo momento de
produção. Não podem ser estocados.

Os bens materiais classificam-se em bens de consumo e bens de capital.


 Bens de consumo: são aqueles diretamente usados para a satisfação das necessidades
humanas. Os bens de consumo podem ser (i) bens de consumo durável (como carros,
móveis, eletrodomésticos...) e (ii) bens de consumo não durável (tais como gasolina,
alimentos, cigarro).
 Bens de capital: são os bens de produção (ou os bens de produção são os bens de capital).
Ou seja: bens de capital são aqueles que permitem produzir outros bens. Exemplo:
equipamentos, computadores, edifícios, instalações...etc.

Tanto os bens de consumo quanto os bens de capital são classificados como bens finais, pois já
passaram por todas as etapas de transformação possíveis. São bens acabados. Aqueles bens que
ainda estão inacabados, que precisam ser transformado para atingir a sua finalidade, são os bens
intermediários. Ex: o aço, o vidro e a borracha usados na produção de carros.
Portanto, são considerados bens finais os bens de consumo e bens de capital uma vez que
passaram por todo o processo de transformação possível, ou seja, são bens acabados. Já os bens
intermediários são aqueles que ainda precisam ser transformados para atingir sua forma definitiva.
Eles são produtos utilizados no processo de produção de outros produtos, sendo também
classificados como bens de capital.
Os bens podem ser classificados, ainda, em bens privados e bens públicos.
 Bens públicos: referem-se ao conjunto de bens fornecidos pelo setor público: transporte,
segurança, transporte e justiça.
 Bens privados: são produzidos e possuídos privadamente: tv, carro, computador...etc.

1.5 AGENTES ECONÔMICOS

Agentes econômicos são pessoas de natureza física ou jurídica que, através de suas ações,
contribuem para o funcionamento do sistema econômico (tanto capitalista quanto capitalista). Os
agentes econômicos são os seguintes:

 Empresas: são os agentes encarregados de produzir e comercializar bens e serviços. Como


é realizada a produção? Através da combinação dos fatores produtivos adquiridos juntos às
famílias. As decisões da empresa são todas guiadas para o objetivo de se conseguir o
máximo de lucro e mais investimentos.
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 Famílias: incluem todos os indivíduos e unidades familiares da economia e que, no papel de


consumidores, adquirem os mais diversos tipos de bens e serviços, objetivando o
atendimento de suas necessidades. São as famílias os proprietários dos recursos produtivos e
são elas que fornecem às empresas os diversos fatores de produção, tais como: trabalho,
terra, capital e capacidade empresarial. Recebem em troca, como pagamento, salários,
aluguéis, juros e lucros....e é com essa renda que compram os bens e serviços produzidos
pelas empresas. O que sempre as famílias buscam é a maximização da satisfação de suas
necessidades.
 Governo: inclui todas as organizações que, direta ou indiretamente, estão sob o controle do
Estado, nas suas esferas federais, estaduais ou municipais. O governo pode atuar no sistema
econômico, produzindo bens e serviços, através, por exemplo, da Petrobrás, Empresas de
Correios e etc.

1.6 MERCADO

Mercado: designa um grupo de compradores (lado da demanda) e vendedores (lado da


oferta) de bens, serviços ou recursos que estabelecem contato e realizam transações entre si. O lado
dos compradores é constituído tanto de consumidores, que são compradores de bens e serviços
quanto de empresas, que são compradoras de recursos (trabalho, terra, capital e capacidade
empresarial) utilizados na produção de bens e serviços.
O lado dos vendedores é constituído pelas empresas, que vendem bens e serviços aos
consumidores e pelos proprietários de recursos (trabalho, terra, capital e capacidade empresarial)
que os vendem (ou arrendam) para as empresas em troca de remuneração (salários, aluguéis,
lucros...).

1.7. SISTEMA ECONÔMICO

1.7.1 Conceito de sistema econômico

Sistema econômico é o conjunto de relações técnicas, básicas e institucionais que


caracterizam a organização econômica de uma sociedade. Essas relações condicionam o sentido
geral das decisões fundamentais que se tomam em toda a sociedade e os ramos predominantes de
sua atividade.
Para Dallagnol (2008), um sistema econômico pode ser definido como sendo a forma
política, social e econômica pela qual está organizada a sociedade. É um particular sistema de
organização da produção, distribuição, consumo de todos os bens e serviços que as pessoas utilizam
buscando uma melhoria no padrão de vida e bem-estar.

1.7.2 Classificação de sistema econômico

Os sistemas econômicos podem ser classificados em:

 Sistema capitalista ou economia de mercado: É regido pelas forças de mercado,


predominando a livre iniciativa e a propriedade privada dos fatores de produção;

 Sistema socialista ou economia centralizada ou ainda economia planificada: Nesse


sistema as questões econômicas fundamentais são resolvidas por um órgão central de
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planejamento, predominando a propriedade pública dos fatores de produção, chamados


nessas economias de meios de produção, englobando os bens de capital, terra, prédios,
bancos, matérias-primas.

 Sistema de economia mista

Pelo menos até o início do século XX, prevalecia nas economias ocidentais o sistema de
concorrência pura, em que não havia a intervenção do Estado na atividade econômica. Era a
filosofia do Liberalismo.
Principalmente a partir de 1930, passaram a predominar os sistemas de economia mista, no
qual ainda prevaleciam as forças de mercado, mas com a atuação do Estado, tanto na alocação e
distribuição de recursos como na própria produção de bens e serviços, nas áreas de infra-estrutura,
energia, saneamento e telecomunicações.
Em economia de mercado, a maioria dos preços dos bens, serviços e salários são determinados
predominantemente pelo mecanismo de preços, que atua por meio da oferta e da demanda dos
fatores de produção.

1.7.2 Características dos sistemas econômicos

- Capitalismo (Regime de livre iniciativa)


- Todos os bens de produção são de propriedade privada.
- As necessidades individuais concentram-se na demanda de produtos.
- Livre jogo da oferta e da procura. Todas as decisões são tomadas automaticamente através dos
mercados e preços.
- Busca do lucro.
- Intervenção do Estado seria perturbadora.
- O que produzir é indicado pelos próprios consumidores ao criarem a demanda correspondente.
- Como produzir é determinado pela competição entre os vários fabricantes.
- Como distribuir os bens - serão destinados aos que podem comprar.

- Críticas ao sistema capitalista


- Principais contestadores são os socialistas.
- Sistema injusto, pois produz somente para as pessoas que podem comprar e não para todos os
necessitados.
- Tendo caráter social, o processo de produção não pode ser decidido individualmente (interesse
social nem sempre coincide com o individual ).
- Provoca uma grande concentração de renda.
- Visa somente o lucro.

- Economias centralizadas ou planificadas (socialismo)


Nas economias centralizadas, essas questões são decididas por um órgão central de
planejamento, a partir de um levantamento dos recursos de produção disponíveis e das necessidades
do país. Ou seja, grande parte dos preços dos bens e serviços, salários, quotas de produção e de
recursos é calculada nos computadores desse órgão, e não pela oferta e demanda no mercado.
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- Sistema de Planificação Central


- Consiste em confiar a solução dos três problemas básicos ao Estado
- O interesse econômico tem caráter social, logo deverá estar acima do individual.
- Sua meta não é proporcionar o lucro, más sim o bem estar social (sistema pode trabalhar com
prejuízo).
- O que produzir deverá ser decidido através de uma hierarquia das necessidades sociais.
- Como produzir, visa obter dos fatores de produção o máximo aproveitamento.
- Como distribuir. O Estado proporciona a preços muito baixos ou gratuitamente as necessidades
básicas.

- Críticas
-Principais contestadores são os liberais.
- Esse sistema pode levar a uma ditadura ( supressão da liberdade individual).
- O Estado é sempre um mau administrador ( burocracia).
- Homens possuem necessidades diferentes.
- Propriedade individual é um direito do homem.
- Sem lucro não haverá estímulo para o progresso pessoal.

- Sistema de Economia Misto


- Coexistência simultânea dos dois setores econômicos, setor público e privado.
- Como existe propriedade privada da maior parte dos meios de produção não é possível que o
Estado determine aos empresários o que e quanto produzir. Entretanto, pode influir direta ou
indiretamente na solução do que produzir, através: de subsídios, incentivos fiscais e empresas
públicas;
- O como produzir é decidido no setor privado, segundo a concorrência;
- Como distribuir. De um modo geral é determinado pelos preços. Entretanto, o governo fornece aos
mais pobres bens e serviços vitais a preços reduzidos ou gratuitamente ( ensino, assistência jurídica,
hospitais e etc.).

- Críticas
- Atacado pelos liberais pela participação do Estado na economia, fato que conduziria ao regime
socialista.
- Muitos segmentos onde o setor público e o privado se chocam ( interesses divergentes).
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1.8 A ECONOMIA E O DIREITO

Como a economia apresenta uma multiplicidade de problemas e uma diversidade de causas e


efeitos, existe uma inter-relação entre o estudo econômico e os diversos ramos de conhecimento
humano (sociologia, geografia, história, política, direito e etc.). A interdependência entre o Direito e
a Economia é grande uma vez que as leis jurídicas definem os direitos, as obrigações e fixam a
liberdade de ação dos diversos agentes econômicos (os indivíduos, empresas e o setor
governamental), que devem ser ajustadas de acordo com as mudanças sociais que vão ocorrendo de
forma a conciliar os interesses divergentes desses grupos.

Atualmente a relação entre o Direito e a Economia é muito grande. Isto porque com o
desenvolvimento do capitalismo as relações entre os agentes econômicos tornaram-se muito mais
complexas. A grande concorrência que existia entre as empresas começa a dar lugar às grandes
corporações. O poder dessas empresas em impor os seus preços aos consumidores criou a
necessidade do governo colocar determinadas barreiras ao abuso de poder econômico por parte
destas companhias. Este é o caso, por exemplo, do Conselho Administrativo de Defesa
Econômica (CADE). Cabe a este órgão analisar e punir quando as empresas praticam formas de
concorrência desleal como: formação de cartel, abuso no aumento de preços, dumping etc. Além
disso, o CADE é responsável pela avaliação de fusões, incorporações e aquisições de grandes
empresas. Caso, na sua avaliação, ocorra uma concentração no mercado que possa causar injustiças
ou abusos, o CADE poderá vetar a operação.
Nas relações entre os trabalhadores e os empregados também surgiram diversas injustiças e
abusos. Dessa forma, houve a necessidade de criar uma legislação específica que protegesse,
principalmente, os trabalhadores. Daí o surgimento do Direito do Trabalho.
Não é diferente se pensarmos no caso das relações entre empresas e consumidores. Estes
últimos eram de uma maneira generalizada, os mais prejudicados. Para equilibrar esta força o
governo criou o Código de Defesa do Consumidor.
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O Estado para fazer frente às suas diversas funções necessita de recursos. Como é sabido a
principal fonte de receita do governo é o imposto. Toda a regulamentação referente aos impostos,
como alíquotas, fato gerador e outras questões podem ser encontradas no Código de Direito
Tributário.
No âmbito externo, os países também se relacionam, principalmente, nas áreas comerciais e
financeiras. Para regular estas relações se faz necessário o Direito Internacional. Além disso,
temos diversos organismos internacionais, como: OMC, FMI, BIRD, OIT, e outras que procuram
promover uma maior integração entre as nações.
Desse modo é de suma importância o conhecimento pelos profissionais de ciências jurídicas
dos principais conceitos dessa nova ordem econômica mundial, pois deverá trazer alterações
significativas na regulamentação, proteção e legitimação das leis, modificando os impulsos de
acumulação, proteção da integridade individual e preservação da comunidade.
A forma de organização da atividade econômica adotada pelo Brasil é a Mista, uma vez que
a ordem econômica está embasada na livre iniciativa, nos princípios da propriedade privada e na
livre concorrência, entretanto, existe uma série de regulamentações e intervenções feitas pelo
Estado, no intuito de preservar as questões sociais.
A Constituição (CF/1988) declara no artigo 170 que a ordem econômica baseia-se na
valorização do trabalho humano e na livre iniciativa. Entende-se por livre iniciativa uma econômica
baseada no livre jogo do mercado, logo de natureza capitalista. Entretanto, a ordem econômica
privilegia a valorização do trabalho humano, que tem o sentido de orientar a intervenção do Estado
na economia de forma a preservar as questões sociais. Isto deve-se ao fato de que a forma de
organização econômica capitalista tem uma grande propensão de concentrar renda em mãos de
poucos.
Desse modo, apesar da ordem econômica ter por fim “assegurar existência digna, conforme
os ditames da justiça social...”, isso não significa que o estado tenha o dever de cumprir essa
determinação, visto que este é apenas um princípio. Cabe ao Estado, entretanto, prover-se de
mecanismos no intuito de regulamentar as questões sociais (direito do consumidor, defesa do meio
ambiente, redução das desigualdades regionais e pessoais e a busca do pleno emprego) no intuito de
promover a justiça social.
Os principais princípios do artigo 170 são:

- Soberania nacional - A intenção desse princípio é de criar um capitalismo autônomo, uma vez
que ainda existe, principalmente nas economias subdesenvolvidas, como é o caso da brasileira, uma
estreita relação de dependência com as economias desenvolvidas.

- Propriedade privada e função social da propriedade - A propriedade dos meios de produção é


privada, entretanto ela só se legitima quando voltada aos fins e valores da ordem econômica, isto é,
a vivência digna. Além disso, entendendo-se por função social da propriedade, qualquer bem
genérico, dando, dessa forma, ao Estado poderes de intervir na distribuição dos bens de consumo
para propiciar a satisfação de necessidades básicas (manutenção da sobrevivência humana) que se
constituem um modo de fazer cumprir a função social da propriedade.

- Liberdade de iniciativa- A liberdade de iniciativa é o princípio básico do liberalismo econômico.


Inclusive no parágrafo único do art 170, “assegura a todos o livre exercício de qualquer atividade
econômica, independente de autorização de órgãos públicos, salvo nos casos previstos em lei.”
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Isto quer dizer que apesar das empresas terem liberdade de iniciativa para o seu desenvolvimento,
esta deve estar pautada dentro das limitações e regulamentos que a lei estabelece (permissão para
exercer algumas atividades; relações de trabalho; fixação de preços, intervenção direta do estado na
produção e comercialização de determinados bens)

- Livre concorrência - este princípio procura manter a livre concorrência no mercado contra a
concentração capitalista. Analisando o processo evolutivo do capitalismo verificamos que houve
uma tendência de concentração de capital, e por conseguinte a formação de grandes oligopólios.
Apesar dessa constatação, a Constituição institui no art 174 parágrafo 4 que “a lei reprimirá o abuso
do poder econômico que vise a dominação dos mercados, à eliminação da concorrência e ao
aumento arbitrário dos lucros” , isto é, o estado irá intervir na economia para evitar os abusos do
poder econômico e preservar a liberdade de iniciativa ( formação de Leis Antitrustres).

- Defesa do consumidor; defesa do meio ambiente; redução das desigualdades regionais e


sociais; e busca do pleno emprego. Estes princípios estão dirigidos para resolver as questões de
ordem social e regional, dando possibilidades ao Poder Público de intervir na ordem econômica no
intuito de proporcionar uma maior justiça social, diminuir as desigualdades regionais e buscar o
pleno emprego (oposição à políticas recessivas).

- Tratamento favorecido para as empresas de pequeno porte constituídas sob as leis


brasileiras e que tenham sua sede e administração no País. Houve uma mudança no que se
refere a definição de empresa brasileira, pois não importa mais a origem do seu capital, e sim estar
sob as leis brasileiras e que tenham sua sede e administração no país para caracterizar-se como
brasileira. Além disso, trata que deverá haver um favorecimento das empresas de pequeno porte,
micro e pequenas empresas. Esse assunto, também é tratado no art 179, onde consta que a “A
União, os Estados, o Distrito Federal, e os Municípios dispensarão às microempresas e às empresas
de pequeno porte, assim definidas em lei, tratamento jurídico diferenciado, visando a incentivá-las
pela simplificação de suas obrigações administrativas, tributárias, previdenciárias e creditícias, ou
pela eliminação ou redução destas por lei”.
Outra forma de intervenção do estado na economia está no artigo 173, onde admite-se a sua
exploração direta de atividade econômica - “Ressalvados os casos previstos nesta Constituição, a
exploração direta de atividade econômica pelo Estado só será permitida quando necessária aos
imperativos de segurança nacional ou a relevante interesse coletivo, conforme definidos em lei”.
Além disso, no artigo 174 cabe ao “Estado, como agente normativo e regulador da atividade
econômica, as funções de fiscalização, incentivo e planejamento, sendo este determinante para o
setor público e indicativo para o setor privado”.
Deste modo, o Estado pode ser um agente econômico, um agente regulador (arts 22, 24 e
178 ordenação do transporte aéreo, aquático e terrestre) da atividade econômica e um promotor do
desenvolvimento econômico, estabelecendo as diretrizes e bases do desenvolvimento nacional
equilibrado.
Outra importante forma de intervenção governamental é expresso no artigo 177 que
estabelece os monopólios da União no caso do petróleo, gás natural e minério ou minerais
nucleares. Entretanto, como houve uma flexibilização nessa questão, a União poderá contratar
empresas estatais ou privadas para a realização das atividades previstas nos incisos I a IV.
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REFERÊNCIAS

DALLAGNOL, RENATA C. CHIARINI, Apostila Economia I, FAG- FACULDADE ASSIS


GURGACZ, Cascavel, 2008.

PINHO, D. ;VASCONCELLOS, M. ET AL. Manual de Economia, São Paulo: Saraiva, 1998.

POSSAMAI, Ademar, Apostila Economia, UNERJ, Jaraguá do Sul, 2001.

ROSSETTI, José Paschoal. Introdução à Economia. 19 Ed. São Paulo: Atlas, 2002.

VASCONCELOS, M. A. GARCIA, M. E. Fundamentos de economia. 2 ed. São Paulo: Saraiva,


2004.