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UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA


PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM HISTÓRIA
NÚCLEO INTERDISCIPLINAR DE ESTUDOS MEDIEVAIS

HISTÓRIA EM MOVIMENTO
III ENCONTRO DO GRUPO DE TRABALHO EM HISTÓRIA
ANTIGA E MEDIEVAL DA ANPUH-SC

FLORIANÓPOLIS, 16 E 17 DE NOVEMBRO DE 2017

1
COORDENADORIA GERAL Rafaella Schmitz dos Santos
Aline Dias da Silveira
Luis Fernando Telles D'Ajello ESPAÇO FÍSICO
Rodrigo Bragio Bonaldo Bianca Klein Schmitt

EDITORES E REVISÃO TÉCNICA PROGRAMAÇÃO


Amanda Muniz Oliveira Aline Dias da Silveira
Leonardo de Lara Cardoso Luis Fernando Telles D'Ajello

EDITORES ASSISTENTE HOSPEDAGEM SOLIDÁRIA


Bianca Klein Schmitt Luiane Soares Motta
Rodrigo Prates de Andrade
Vinícius Aleixo Fedel ATIVIDADES CULTURAIS
Raisa Barbosa Wentenlemn Sagredo
PROJETO GRÁFICO DE CAPA E MIOLO Janaina de Fátima Zdebskyi
Leonardo de Lara Cardoso Rafaella Schmitz dos Santos

DIAGRAMAÇÃO E FIXAÇÃO DOS TEXTOS COMISSÃO DE MONITORIAS


Leonardo de Lara Cardoso Amanda Correia Ronchi
Bianca Klein Schmitt
LEITURA FINAL Eduardo Kirchhof
Daniel Lula Costa Júlia Zaniboni Cerejo

COMUNICAÇÃO

Encontro do GT em História Antiga e Medieval ANPUH-SC


(3.: 2017: Florianópolis, SC)
Caderno de Resumos [do] III Encontro do Grupo de Trabalho em História Antiga e
Medieval da ANPUH-SC [recurso eletrônico] / Encontro do GT em História Antiga e Medieval
ANPUH-SC; Florianópolis, SC, 16 e 17 de novembro 2017; organizado por
Aline Dias da Silveira, Luis Fernando Telles D'Ajello, Rodrigo Bragio Bonaldo –
Florianópolis: Ed. Jurisciência, 2017.
38 p.

ISSN 2594-6218

Conteúdo: História em movimento.


Modo de acesso: World Wide Web < https://gtantigamedievalsc.wixsite.com/iiiencontro >
e < https://gtantigamedievalsc.wixsite.com/iiiencontro/edicao-atual >

Encontro realizado no Campus Florianópolis da Universidade Federal de Santa Catarina.

1 História 2. História Antiga 3. História Medieval 4. História em Movimento I. Associação


Nacional de História - Seção Santa Catarina. II. Silveira, Aline Dias da. III. D’Ajello, Luis
Fernando Telles IV. Bonaldo, Rodrigo Bragio V. Título.

0
SUMÁRIO
APRESENTAÇÃO ............................................................................................................... 4

COMISSÃO ORGANIZADORA ............................................................................................ 6

COMITÊ CIENTÍFICO ........................................................................................................ 6

I. CONFERÊNCIA ............................................................................................................... 7
SABERES EM MOVIMENTO: A RECEPÇÃO DO DIREITO COMUM NO REINO PORTUGUÊS
(SEGUNDA METADE DO SÉCULO XIV) ................................................................................................ 7
II. MESA DE DEBATE 1: ESPAÇOS E EXPERIÊNCIAS DO TEMPO ..................................... 7

A RESSIGNIFICAÇÃO DE JERUSALÉM: DE AELIA CAPITOLINA À CIDADE SANTA DOS


CRISTÃOS ................................................................................................................................................... 7
RELAÇÕES ENTRE BIZÂNCIO E O MEDITERRÂNEO TARDO-ANTIGO: ENTRE ROMANOS E
“BÁRBAROS” ............................................................................................................................................. 8
III. MESA DE DEBATE 2: MEMÓRIA E PERFORMANCE ................................................... 8
BARBARIDADE, USOS DOS PRAZERES E PERFORMANCE DE GÊNERO NO PRINCIPADO
POMANO: UMA INTERPRETAÇÃO INTERSECCIONAL DAS CRÍTICAS A HELIOGÁBALO
(SÉCULO III EC) ......................................................................................................................................... 8
UMA HISTÓRIA EM MOVIMENTO. O PASSADO AQUEMÊNIDA NA FORMAÇÃO HISTÓRICA
DA PÉRSIA SASSÂNIDA........................................................................................................................... 9
NOÉ E SEUS DESCENDENTES NO "CHRONICON PASCHALE (SÉCULO VII EC) ....................... 10
IV. MESA DE DEBATE 3: HISTÓRIAS EM MOVIMENTO ................................................. 10
UM MAPA MNEMOSINE DOS PAPIROS GREGOS DE MAGIA OU DA
TRANSTEMPORALIDADE DA IMAGEM ............................................................................................. 10
HÁBITOS EPIGRÁFICOS E ARQUIVÍSTICOS EM ATENAS: NOVAS LENTES PARA A LEITURA
DAS INSCRIÇÕES ANTIGAS .................................................................................................................. 10
V. COMUNICAÇÕES ORAIS ............................................................................................. 11
DESVENTURAS DE UM SANTO HEREGE: OS PERCALÇOS DO NOME LÚCIFER ...................... 11
“ORA, A DESGRAÇA HUMANA COMEÇOU NO ÉDEN: POR CAUSA DA MULHER”:
RESSONÂNCIAS DE UM DISCURSO CLERICAL MEDIEVAL EM UMA SENTENÇA JUDICIAL
SOBRE A LEI MARIA DA PENHA ......................................................................................................... 11
ENTRE O GLOSSÁRIO DE PAHLAVI E O LIVRO DE JĀMĀSP: UM ESTUDO COMPARATIVO
DO VOCABULÁRIO PERSA MÉDIO ..................................................................................................... 12
AS ESTATUETAS DE TERRACOTA HELENÍSTICAS DE TIPO TANAGRA: INTERAÇÕES E
SIGNIFICADOS ......................................................................................................................................... 12
AS CARTAS ADMINISTRATIVAS DE ŠADUPPÛM (MESOPOTÂMIA): UMA BREVE
DISCUSSÃO ACERCA DO TERMO ISIKTUM....................................................................................... 12
PARA ALÉM DO LIVRO: ASHERAH, ARQUEOLOGIA E O ESTUDO DAS CONCEPÇÕES
RELIGIOSAS NA ANTIGA ISRAEL ....................................................................................................... 13
CASAMENTOS MULTICULTURAIS: RELAÇÕES CULTURAIS E DE PODER ENTRE
MUÇULMANOS E CRISTÃOS NA PENÍNSULA IBÉRICA ................................................................. 13

1
RENÚNCIA AOS BENS MATERIAIS E PODER NAS REGRAS MONÁSTICAS VISIGODAS ........ 14
O CRISTIANISMO PRIMITIVO PRESENTE NO LIBER APOLOGETICUS DE PRISCILIANO DE
ÁVILA ........................................................................................................................................................ 14
HISTÓRIA ANTIGA, GÊNERO E INTEGRAÇÃO ENTRE ESCOLA E UNIVERSIDADE:
PRODUÇÃO DE MATERIAIS DIDÁTICOS PARA O ENSINO FUNDAMENTAL ............................ 15
O MÉTODO HISTORIOGRÁFICO DE TIMEU DE TAUROMÊNIO .................................................... 15
A PALAVRA E AS COISAS: O VEÍCULO MÁGICO DA POÉTICA MEDIEVAL NA DIVINA
COMÉDIA................................................................................................................................................... 15
VIVER E MORRER ENTRE A VIDA ATIVA E CONTEMPLATIVA: OS MENDICANTES E O
MARTÍRIO NO SÉCULO XIII.................................................................................................................. 16
A ARTE ATENIENSE DOS ESCRITOS DE PLATÃO À LUZ DE GIOVANNI REALE E WERNER
JAEGER ...................................................................................................................................................... 16
O MONGE E O MONSTRO: TRADUÇÃO DE TRECHO DA VITA COLUMBAE DE ADOMNANO17
PELAS ÁGUAS DO TEMPO: A CONSTRUÇÃO E PERSISTÊNCIA DO MARE TENEBRUM........... 17
OS NOBRES À MESA PORTUGUESA: ALIMENTAÇÃO, RITUAL E PODER ................................. 17
MAGIA, ETNICIDADE E DIFERENÇA EM UMA CENA NA URNA FUNERÁRIA DE
TUTANKHAMON (XVIII DINASTIA FARAÔNICA) ........................................................................... 18
OS METAIS E OS REINOS NOS FRAGMENTOS ‘DANIÉLICOS’ DE TURFAN .............................. 18
INQUISIÇÃO MODERNA: EXPOSIÇÃO PÚBLICA ATRAVÉS DOS MÉTODOS DE TORTURA .. 19
AS PALAVRAS E AS COISAS NA ANTIGUIDADE ORIENTAL ........................................................ 19
EQUO ODER CABALLO? ANÁLISE DE CONJUROS DO MANUAL NECROMÂNTICO CLM 849 20
O ANTI-REALISMO DE ABELARDO .................................................................................................... 20
LAI DOS DOIS AMANTES: DA ORALIDADE BRETÃ ÀS LETRAS CORTESES DE MARIA DE
FRANÇA .................................................................................................................................................... 20
A ESCRITA DA HISTÓRIA DO REINO DE KENT DURANTE OS SÉCULOS VII E VIII NA
CRÔNICA ANGLO-SAXÔNICA ................................................................................................................. 21
DECLÍNIO E QUEDA DOS SOGA: USOS POLÍTICOS DO CLIMA E DOS ASTROS NO NIHON
SHOKI ......................................................................................................................................................... 21
GIROLAMO BARUFFALDI: UM FALSÁRIO DE FERRARA .............................................................. 22
MEGÁSTENES E OUTROS RELATOS GREGOS SOBRE A ÍNDIA: A UTILIZAÇÃO DE SEUS
FRAGMENTOS EM DIODORO E ESTRABÃO ..................................................................................... 22
CONSIDERAÇÕES SOBRE A ESCRITA DA HISTÓRIA ENTRE JUDEUS E CRISTÃOS EM RAM
BEN-SHALOM (2016): CONVERGÊNCIAS E DIVERGÊNCIAS ......................................................... 22
QUERELA DO CASAMENTO: COMBATE À MISOGINIA ATRAVÉS DA APRESENTAÇÃO DE
CONTRA-MODELOS NO DISCURSO SOBRE O MATRIMÔNIO ....................................................... 23
IN CATILINAM ORATIONES QUATTUOR: CÍCERO E OS PERIGOS DA REPÚBLICA NA
CONJURAÇÃO DE CATILINA ............................................................................................................... 23
A FORMAÇÃO DO SÁBIO NAS EPISTOLAS SENEQUIANAS .......................................................... 24
QUANDO A REPÚBLICA AINDA FALAVA: RES PUBLICA, LIBERTAS E IUS NO PENSAMENTO
DE CÍCERO E LABEÃO ........................................................................................................................... 24
HISTÓRIA, HISTORIOGRAFIA E A INSCRIÇÃO DE BEHISTUN ..................................................... 25
O JARDIM LONGÍNQUO: A CONSTRUÇÃO ESPACIAL E PAISAGÍSTICA DO CEILÃO NOS
RELATOS DE MERCADORES CRISTÃOS, SÉCS. VI E XIII .............................................................. 25
‘O CORAÇÃO PURIFICADO DE MAOMÉ’: PARALELOS XAMÂNICOS EM VIAGENS AO ALÉM
ZOROÁSTRICAS E ISLÂMICAS ............................................................................................................ 25

2
GRAVADO NA PEDRA: INTERICONICIDADE, ACOMODAÇÃO RELIGIOSA E EVIDÊNCIA DE
DIÁLOGOS INTERCULTURAIS NA ESCULTURA ANGLO-ESCANDINAVA ................................ 26
QUESTÕES DE ALTERIDADE E COLETIVIDADE EM “DECAMERON”: CONSIDERAÇÕES
SOBRE A DINÂMICA NO MOVIMENTO DO SABER MEDIEVAL ................................................... 26
DA ANTIGUIDADE AFRICANA PARA A SALA DE AULA: PROBLEMATIZANDO FRONTEIRAS
E USOS DO PASSADO ............................................................................................................................. 27
MEMES E O IMAGINÁRIO MEDIEVAL: USOS E ABUSOS DA IDADE MÉDIA NO BRASIL ....... 27
DA EPÍSTOLA DE TIAGO ÀS MEMÓRIAS DE JAIME: A SACRALIZAÇÃO DA GUERRA E A
MODALIDADE CAVALEIRESCA DO CRER ........................................................................................ 28
A REPRESENTAÇÃO DO BASTÃO MÁGICO NA ERA VIKING: UM OBJETO SAGRADO ENTRE
OS DEUSES E OS HOMENS .................................................................................................................... 28
A FIGURA DO GUERREIRO IDEAL PARA CHRISTINE DE PIZAN EM SEU LIVRE DES FAITS
D’ARMES ET DE CHEVALERIE ............................................................................................................... 29
DIVINO, HEROICO E BASTARDO: UMA ANÁLISE SOBRE A FILIAÇÃO ATRIBUÍDA A
ALEXANDRE - A SUPOSTA RELAÇÃO EXTRACONJUGAL ENTRE OLÍMPIA DO ÉPIRO COM
NECTANEBO II ......................................................................................................................................... 29
MA’MAR KIDUSH HASHEM: A PROPOSIÇÃO EPISTOLAR DE MAIMÔNIDES SOBRE
CONVERSÃO E MARTÍRIO JUDAICO. SÉC XII .................................................................................. 30
PAGANISMO NO MEZZOGIORNO ITALIANO: NOTAS SOBRE A HISTORIOGRAFIA LOCAL E
AS SOBREVIVÊNCIAS CULTURAIS NO SUL DA ITÁLIA ................................................................ 30
A INCONGRUÊNCIA SOB O CONSULADO EM POLÍBIO: A INCOMPATIBILIDADE ENTRE A
CONCEPÇÃO MONÁRQUICA DA MAGISTRATURA NA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA E A
NARRATIVA DAS ATUAÇÕES DOS CÔNSULES DURANTE A SEGUNDA GUERRA PÚNICA.. 30
COSMOGONIAS E DEMIURGOS: DIVERSIDADE RELIGIOSA NO ANTIGO EGITO E RELAÇÃO
COM O PODER FARAÔNICO ................................................................................................................. 31
REPETIÇÕES DE SÍMBOLOS DURANTE EXPERIÊNCIA ONÍRICA EM UM APOCALIPSE PERSA
..................................................................................................................................................................... 31
AS REPÚBLICAS DE POLÍBIOS E CÍCERO, UMA NOVA PERSPECTIVA SOBRE A HISTÓRIA
ROMANA ................................................................................................................................................... 32
SABERES E VISÕES: UM ESTUDO COMPARADO ENTRE AIAS DE SÓFOCLES E HISTÓRIAS DE
HERÓDOTO............................................................................................................................................... 32
VI. PÔSTERES ................................................................................................................. 33
ASPECTOS ÉTICOS NO LIVRO DA ORDEM DE CAVALARIA DE RAMON LLULL..................... 33
HISTÓRIA DA RELIGIÃO: REFLEXÕES SOBRE AS REPRESENTAÇÕES DO DEUS EL NA
CULTURA UGARÍTICA ........................................................................................................................... 33
A LITERATURA MEDIEVAL EXPLICADA ATRAVÉS DE UM VERBETE ...................................... 33
PELAS ÁGUAS DO TEMPO: A PERMANÊNCIA DO MARE TENEBRUM NO CONTEXTO DA
EXPANSÃO MARÍTIMA PORTUGUESA .............................................................................................. 34
JULGAMENTO DO OPOSITOR: A ICONOLOGIA DO DIABO NAS PINTURAS DO ÚLTIMO
JULGAMENTO .......................................................................................................................................... 34
GRANIZO DE AÇO: BREVE ANÁLISE SOBRE O ARCO LONGO INGLÊS ..................................... 35

3
APRESENTAÇÃO
Esta é a terceira edição do Encontro do Grupo de Trabalhos em História Antiga
e Medieval da Associação Nacional em História da seção Santa Catarina - ANPUH-SC,
que vem se tornando, a cada realização, um evento de referência em âmbito nacional
nas pesquisas em História. O evento organizado pelos grupos de pesquisa
MERIDIANUM1 e GEHA2 da UFSC, do LABEAM3 da FURB e LEME4 da UFFS
contou com a intensa participação dos docentes e discentes ligados a esses grupos,
objetivando criar um espaço dentro da comunidade acadêmica para divulgação de
trabalhos e pesquisas, com discussões e reflexões de temas sobre os estudos em História
Antiga e Medieval.
A premissa do evento é o fomento das atividades relacionadas às pesquisas com
o foco historiográfico nas referidas áreas, além da troca de ideias e experiências
acadêmicas. Nossa proposta também busca demonstrar possibilidades de abordagens
mais amplas e complexas no medievo e na antiguidade, transcendo-as enquanto
temporalidades, bem como espaços isolados e fechados, numa concepção histórica de
movimento através de suas transformações e permanências.
Por essa via, o evento viabiliza a apresentação e discussão das produções
acadêmicas de estudos sobre a antiguidade e o medievo por uma perspectiva de
processos na longa duração, bem como dos usos do passado. As pesquisas apresentadas
neste caderno de resumos divulgam novos métodos e conceitos, reformulam
pensamentos e ideias, utilizam novos objetos e fontes. Além disso, alguns trabalhos
problematizam também as relações do uso do passado no tempo presente. Dessa forma,
queremos promover trocas e enlaces para trabalhos futuros, através dos quais
pesquisadores/professores possam estabelecer interações de pesquisas na construção da
historiografia atual e renovada por outros olhares.
Para esta edição do III Encontro do GT em História Antiga e Medieval ANPUH-
SC, referentes aos dias 16 e 17 de novembro de 2017, temos uma conferência, três
mesas com professores convidados e 57 (cinquenta e sete) apresentações de trabalhos,
divididos em 51 (cinquenta e uma) comunicações orais e 6 (seis) pôsteres, nos quais
foram devidamente coordenados e avaliados. O evento recebeu inscrições oriundas de

1
Núcleo Interdisciplinar de Estudos Medievais, Meridianum – UFSC.
2
Grupo de Estudos em História Antiga, GEHA – UFSC.
3
Laboratório Blumenauense de Estudos Antigos e Medievais, LABEAM – FURB
4
Laboratório de Estudos Medievais, LEME – UFFS.

4
diferentes instituições do Distrito Federal, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Rio
Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina, além da Itália efetivando um interessante
espaço de diálogo e de troca de conhecimentos.
A comissão organizadora, reconhecendo o alcance e sucesso do evento, agradece
os pesquisadores participantes. Agradece também, à Universidade Federal de Santa
Catarina, ao Programa de Pós-Graduação em História da UFSC e aos grupos de
pesquisas parceiros que apoiaram a realização desse encontro, o que possibilitou sua
visibilidade e, principalmente, qualidade. Merecem igual agradecimento os acadêmicos
e acadêmicas, professoras e professores, além de apoiadores que contribuíram para a
realização do evento, como os que voluntariamente se dispuseram a organizar o evento.
Por fim, espera-se com o III Encontro do GT em História Antiga e Medieval
ANPUH-SC e com esta publicação, que se possa contribuir para o interesse nos temas
referentes aos estudos em História Antiga e Medieval e também para despertar novas
reflexões críticas, de modo a naturalizar em cada estudante o interesse dessas áreas,
independente de seus projetos de pesquisas.
COMISSÃO ORGANIZADORA DO
III ENCONTRO DO GT EM HISTÓRIA ANTIGA E MEDIEVAL ANPUH-SC

5
COMISSÃO ORGANIZADORA
Amanda Muniz Oliveira
Bianca Klein Schmitt
Daniel Lula Costa
Janaina de Fátima Zdebskyi
Leonardo de Lara Cardoso
Luiane Soares Motta
Rafaella Schmitz dos Santos
Raisa Barbosa Wentenlemn Sagredo
Rodolpho Alexandre S. Melo Bastos
Rodrigo Prates de Andrade
Vinícius Aleixo Fedel
Prof. Dr. Luis Fernando Telles D'Ajello
Prof. Dr. Rodrigo Bragio Bonaldo
Prof.ª Dr.ª Aline Dias da Silveira

COMITÊ CIENTÍFICO
Profa. Drª. Aline Dias da Silveira
Prof. Dr. Luis Fernando Telles D'Ajello
Prof. Dr. Rodrigo Bragio Bonaldo
Me. Daniel Lula Costa
M. Rodolpho Alexandre S. Melo Bastos
M. Rodrigo Prates de Andrade
Ma. Raisa B. Wentelemn Sagredo
Mestranda Janaina de Fátima Zdebskyi

6
I. CONFERÊNCIA

SABERES EM MOVIMENTO: A RECEPÇÃO DO DIREITO COMUM NO


REINO PORTUGUÊS (SEGUNDA METADE DO SÉCULO XIV)
Profª. Drª. Fátima Regina Fernandes
Universidade Federal de Paraná – UFPR/NEMED/CNPq
Os estudos que se debruçam sobre a História do Direito no contexto medieval têm
avançado no sentido de buscar uma maior especificidade em seus dados de análise,
conceitos e discussões. A busca por uma compreensão do fenômeno de Renovação dos
Estudos de Direito Romano dos séculos XII e XIII têm de ser compreendidos
conectados ao fenômeno do surgimento das Universidades na latinidade cristã. Os
debates apontam, no entanto, para a necessária compreensão deste fenômeno produtor
de uma cultura jurídica em conexão com outros elementos que compõem esta dimensão
jurídica, num âmbito consuetudinário, os quais sobrevivem e mantêm-se intervenientes
na elaboração de uma teorização da realidade por parte dos juristas. Os diálogos
intrínsecos entre práxis social e teoria jurídica garantem a pertinência e aceitação das
normas jurídicas. Estas, por sua vez, não seriam estáticas no decurso da medievalidade,
passariam por importantes atualizações movidas pelo contexto instável dos séculos XIV
e XV acompanhando a crise dos universais e esgotamento da Escolástica e a paulatina
adesão de tendências ligadas ao Nominalismo. Os ecos nominalistas no Direito
atualizariam os debates principiados no século XII sobre a normatização jurídica
ampliando o escopo e dimensão da discussão para o conceito de justiça e não mais
apenas para a validade de determinada lei como propunham os Doutores de Bolonha.
Um saber que seria discutido e renovado nos vários espaços de aplicação em função de
demandas crescentes de especificidade, poderia ser originário da Universidade
bolonhesa, mas passaria por discussões na Universidade de Lisboa no século XIV com
impacto na hierarquia de fontes de Direito a ser aplicada em Portugal. E tal debate seria
suscitado pela monarquia que fazia seu próprio percurso de atualização em termos de
legitimidade e de instrumentos legislativos e jurídicos de governação pautados por
conceitos de naturalidade o que promoveria efeitos nas concepções de traidor ou fiel
vigentes.

II. MESA DE DEBATE 1: ESPAÇOS E EXPERIÊNCIAS DO TEMPO

A RESSIGNIFICAÇÃO DE JERUSALÉM: DE AELIA CAPITOLINA À


CIDADE SANTA DOS CRISTÃOS
Profª. Drª. Renata Cristina de Sousa Nascimento
Universidade Federal de Goiás – UFG/NEMED
A cidade de Jerusalém ocupa lugar fundamental na espiritualidade e identidade
cristãs. Para que a cristianização de Jerusalém realmente se efetivasse, foi necessário
delimitar seus locais de culto. Era preciso alimentar a religiosidade popular, ritualizando
a memória do sacrifício de Cristo pela humanidade. Lugares bíblicos de Jerusalém, da
Galiléia e do Monte Sinai foram aos poucos sofrendo demarcações, que expressavam
sua incorporação à história cristã. O importante era que estes espaços fossem
reconhecidos por seus adeptos, estabelecendo uma realidade palpável, uma relação de

7
intimidade com a divindade. A dimensão mística do território foi garantida, sendo esta
região santificada para a nascente comunidade cristã. A identificação dos espaços
sagrados, citados nos evangelhos, deve-se à peregrinação de Helena, mãe do imperador
Constantino à Palestina, realizada provavelmente por volta do ano de 326. A santidade
da cidade, ainda presente no que havia restado do templo judeu, deveria ser desviada
para a Nova Jerusalém, reconstruída sob a égide do cristianismo. Aelia Capitolina,
nome grego da cidade, havia perdido a magnificência, após sua destruição total iniciada
por Tito Flávio Vespasiano Augusto, imperador romano, entre os anos de 79 a 81. No
século II, Adriano (76- 138), pertencente à dinastia dos Antoninos havia mandado
construir o templo à deusa Afrodite, sob o Gólgota. O redimensionamento da memória
espacial da cidade santa foi obra do imperador Constantino (272- 337), que através de
um programa de reconstrução garantiu a aproximação dos fiéis à historicidade da fé,
expressa na monumentalidade das igrejas cristãs, transformadas pouco a pouco em
centros de peregrinação.

RELAÇÕES ENTRE BIZÂNCIO E O MEDITERRÂNEO TARDO-ANTIGO:


ENTRE ROMANOS E “BÁRBAROS”

Prof. Dr. Renato Boy


Universidade Federal da Fronteira Sul – UFFS/LEME
A proposta deste trabalho é apresentar uma discussão sobre as relações políticas e de
poder, percebidas entre a capital do Império Romano no período tardo-antigo,
Constantinopla, e populações godas das regiões ocidentais do Mediterrâneo. Os marcos
cronológicos aqui propostos são os processos conhecidos como “Queda de Roma”, em
476, e as “Guerras de Reconquista”, do imperador Justiniano, na primeira metade do
século VI. A justificativa para esse recorte é o fato de, historiograficamente, nesse
período entre a perda do poder imperial romano no Mediterrâneo e a retomada de seu
domínio com Justiniano, podermos observar um intervalo nas relações de poder e
autoridade do governo imperial sobre populações e territórios não pertencentes às
fronteiras de Roma no Ocidente. Entretanto, o que propomos aqui é verificar que não só
o governo imperial em Constantinopla e as populações mediterrânicas, em especial os
godos na Itália, mantiveram relações que não eram nem sempre bélicas e nem
conflituosas no Ocidente, como é possível perceber também a manutenção de uma
relação hierárquica que privilegiava o imperador romano em relação aos reis godos
desse período. Para este estudo, utilizaremos dois historiadores contemporâneos a esses
acontecimentos, que narraram a partir de diferentes perspectivas essas relações entre
godos e romanos: Procópio de Cesareia e Jordanes.

III. MESA DE DEBATE 2: MEMÓRIA E PERFORMANCE

BARBARIDADE, USOS DOS PRAZERES E PERFORMANCE DE GÊNERO


NO PRINCIPADO POMANO: UMA INTERPRETAÇÃO INTERSECCIONAL
DAS CRÍTICAS A HELIOGÁBALO (SÉCULO III EC)

Profª. Drª. Semíramis Corsi Silva 5


Universidade Federal de Santa Maria – UFSM

5
GEMAM/UFSM, GTHA-ANPUH/RS, ATRIVM/UFRJ, LEIR/USP e G.LEIR/UNESP.

8
Heliogábalo, nome pelo qual o imperador Marco Aurélio Antonino Augusto ficou
conhecido desde o século IV EC, foi um jovem imperador romano de origem siríaca e
membro da dinastia dos Severos. Embora em um curto período de governo (218-222),
representações exageradas de Heliogábalo foram apresentadas em diversos documentos
contemporâneos e tardios ao seu governo. Tais representações enfatizam a construção
negativa da imagem de Heliogábalo, apontando seu homoerotismo, sua efeminação,
suas performances de gênero femininas e suas extravagâncias sexuais, bem como os
“abusos religiosos” desse imperador e seus costumes “bárbaros”. Dião Cássio, senador e
historiador contemporâneo de Heliogábalo, chega a comentar que nosso imperador
desejava ter uma vagina e buscou médicos por todo Império Romano que pudessem
operá-lo, o que, no entanto, não aconteceu por negativa dos especialistas (História
Romana, LXXX, 17, 1). Diante de uma leitura da documentação textual contemporânea
ao governo de Heliogábalo, apresentaremos representações de Heliogábalo, mostrando
que para compreender a construção discursiva negativa da imagem do jovem imperador
é preciso cruzar análises de visões normativas sobre as performances de gênero, usos
dos prazeres e identidades culturais no contexto do século III EC, o que faremos à luz
dos Estudos Pós-coloniais e da Teoria Queer.

UMA HISTÓRIA EM MOVIMENTO. O PASSADO AQUEMÊNIDA NA


FORMAÇÃO HISTÓRICA DA PÉRSIA SASSÂNIDA

Prof. Dr. Otávio Luiz Vieira Pinto 6


University of Leeds
Um dos grandes debates que cerca a formação histórica do Império Persa sassânida
(séculos III a VII EC) e sua interação com o passado diz respeito à memória do antigo
Império aquemênida (séculos VI a IV AEC), fundado por Ciro II. Ainda que partes da
região da Mesopotâmia, do Cáucaso, da Ásia Menor e do Planalto Iraniano tenha
passado pelo domínio dos selêucidas (um grupo greco-oriental) e dos arsácidas (um
grupo parto de cultura irânica) antes do surgimento dos sassânidas (uma dinastia
política advinda da província de Fārs – portanto, propriamente “persas”), seria esperado
que a magnitude do poder aquemênida fornecesse aos sassânidas o subterfúgio político
necessário para que estes legitimassem seu poder baseados naquele passado imperial.
Ainda assim, os aquemênidas jamais são mencionados nas fontes historiográficas de
Artaxes I e seus sucessores, fazendo com que historiadores e iranólogos duvidassem que
estes possuíam conhecimento histórico daqueles. O objetivo desta fala é argumentar
que, de fato, os sassânidas receberam ecos dos aquemênidas, mas que por conta de sua
visão do passado e do constante movimento da visão histórica persa, Ciro II e seu
legado não precisam ser mencionados da maneira que historiadores modernos (e
ocidentais) esperariam. Para tanto, analisaremos algumas fontes sassânidas e,
principalmente, os relevos gravados nos despenhadeiros de Naqš-i Rustam. Esta
documentação (tanto escrita quantomonumental) mostrará que a noção histórica dos
persas era fluida se comparada à perspectiva greco-latina e, por isso, os traços do
passado poderiam ser adaptados para as contingências do presente daqueles que o
escrevem – os aquemênidas, portanto, poderiam fazer parte desta “história em
movimento” sem que especificidades de sua trajetória fossem abertamente
rememoradas.

6
Membro dos grupos NEMED – Núcleo de Estudos Mediterrânicos; e MPS – Middle Persian Studies.

9
NOÉ E SEUS DESCENDENTES NO "CHRONICON PASCHALE (SÉCULO VII
EC)

Prof. Me. Gustavo Henrique de Soares de Souza Sartin


Universidade Regional de Blumenau – FURB
O chamado "Chronicon Paschale" é um texto composto provavelmente no segundo
quartel do século VII, no Império Bizantino, por um autor cujo nome se perdeu. Trata-
se de uma espécie de história do mundo, que se inicia com Adão e vai até o reinado de
Heráclio. O texto deve o seu nome à introdução, que versa sobre o modo de se calcular
a data da Páscoa. Trataremos, aqui, do trecho que narra a vida de Noé e seus
descendentes, que tem por base não somente o texto bíblico — fato revela a existência
de tradições paralelas à bíblica. Esse mesmo trecho acaba por constituir-se numa
descrição do mundo conhecido, visto que os descendentes de Noé haveriam dado
origem a todos os povos.

IV. MESA DE DEBATE 3: HISTÓRIAS EM MOVIMENTO

UM MAPA MNEMOSINE DOS PAPIROS GREGOS DE MAGIA OU DA


TRANSTEMPORALIDADE DA IMAGEM

Profª. Drª. Aline Dias da Silveira


Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC/Meridianum
Os Papiros Gregos de Magia são uma coleção de textos gravados em papiros, mas
também em conchas e tábuas, onde foram gravados rituais, preces, simpatias e
encantamentos, através dos quais é possível perceber a fluidez cultural mediterrânica - e
de outros espaços além - nos primeiros séculos da era comum. Esse material foi
encontrado em Tebas e El Fayum por ricos colecionadores e depois vendidos para os
grandes museus da Europa: Berlim, Paris, Leiden, Londres, Oxford, onde se encontram
atualmente. O presente trabalho focará sua atenção sobre as imagens talismânicas destes
papiros e sua nachleben através de séculos. A partir da construção de um Mapa
Mnemosine inspirado nos escritos de Aby Warburg, pretende-se capitar e, se possível,
compreender, a experiência humana do tempo ritual, mítico ou religioso, ou seja, da
conexão do ser microcosmos com o macrocosmo através das imagens invocativas da
presença divina.

HÁBITOS EPIGRÁFICOS E ARQUIVÍSTICOS EM ATENAS: NOVAS


LENTES PARA A LEITURA DAS INSCRIÇÕES ANTIGAS

Prof. Dr. Luis Fernando Telles D’ajello


Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC
Merrit cunhou a expressão “hábitos epigráficos” em 1940. Charles Hendrick fez uma
das primeiras análises de hábitos epigráficos de larga escala na década de 1990.
Elizabeth Meyer (2013) tratou de suas relações com o desenvolvimento do “império
ateniense” no século V A.E.C. Estes trabalhos abriram caminho para a visualização do
processo de difusão do uso da escrita em Atenas e sua relação com um dos “maiores
assuntos nos debates atuais: (...) a diferença entre a democracia do século quinto e do
século quarto.”. ARNASON et al., 2013). Procura-se nesta apresentação apontar como

10
cursos peculiares no desenvolvimento de um conceito; de hábitos relacionados à escrita;
e jogos políticos se intercruzam e levam à tessitura da democracia tão aclamada no
século IV. Assim a análise destes hábitos epigráficos e arquivísticos, bem como a
relação de confiança na escrita e o processo da passagem da proeminência da oralidade
para a da escrita, desvelam um processo independente da consciência democrática. Cabe
se analisar os hábitos epigráficos e arquivísticos para que se possa compreender o papel
do letramento no desenvolvimento da democracia ateniense.

V. COMUNICAÇÕES ORAIS

DESVENTURAS DE UM SANTO HEREGE: OS PERCALÇOS DO NOME


LÚCIFER

Amanda Correia Ronchi7


História UFSC/Meridianum
Na Roma do século IV, em meio a concílios e querelas destaca-se uma figura que se
opõe às ideias arianas: Lúcifer bispo de Cagliari. O posicionamento de Lúcifer a favor
da fé cristã, apresentado no primeiro Concílio de Nicéia, provoca a ira do Imperador
Constâncio II garantindo a sua excomunhão. No exílio, Lúcifer passa a escrever a De
non conveniendo cum haereticis, trabalho esse que futuramente será criticado por
muitos autores da Igreja, tais como Santo Agostinho, Santo Ambrósio e São Jerônimo.
Exposto esse quadro o projeto que se inicia analisará primeiro a alcunha Lúcifer, seu
significado e uso habitual. Adiante acompanhando os processos políticos e religiosos
será possível compreender as mudanças que ressignificaram o nome transformando-o
em sinônimo para Satã.

“ORA, A DESGRAÇA HUMANA COMEÇOU NO ÉDEN: POR CAUSA DA


MULHER”: RESSONÂNCIAS DE UM DISCURSO CLERICAL MEDIEVAL
EM UMA SENTENÇA JUDICIAL SOBRE A LEI MARIA DA PENHA

Amanda Muniz Oliveira 8


Direito UFSC/ NECODI
Rodolpho Alexandre Santos Melo Bastos9
História UFSC/Meridianum
O presente trabalho objetiva analisar a presença de ressonâncias de um discurso clerical
medieval sobre o feminino em uma sentença proferida no ano de 2007, pelo juiz Edilson
Rumbelsperger Rodrigues. Na referida decisão, o magistrado ataca a Lei Maria da
Penha, que trata da violência doméstica contra a mulher, sob o argumento de que a
norma seria uma “heresia manifesta contra a lógica de Deus”; o juiz ainda evoca
argumentos como a masculinidade de Deus e a necessária submissão da mulher em
relação ao homem. Esse discurso parece estar em sintonia com as ideias difundidas por
Tertuliano (séc. III) que acusa a mulher de ser a porta do diabo, por ser descendente de
Eva; Santo Agostinho (séc. IV e V) que acusou as mulheres por quererem ser maiores
que Deus e o homem e por isso foram duplamente castigadas, além de Petrarca (séc.

7
E-mail: amanda-cr-@hotmail.com
8
Bolsista CAPES. E-mail: amandai040@gmail.com
9
Bolsista CAPES. E-mail: rodoxbastos@gmail.com

11
XIV) para quem a mulher é um verdadeiro diabo e inimiga da paz. Utilizando como
categoria de análise o conceito de Imaginário de Hilário Franco Junior, num recorte de
longa duração, buscamos identificar as permanências desses discursos nos dias atuais,
utilizando-se como fonte a sentença proferida pelo juiz Rumbelsperger no processo n.
222.942-8/06.

ENTRE O GLOSSÁRIO DE PAHLAVI E O LIVRO DE JĀMĀSP: UM ESTUDO


COMPARATIVO DO VOCABULÁRIO PERSA MÉDIO
Ana Carolina Bittencourt Leite10
Brasília, DF/UnB/MPS
O trabalho a ser exposto é o início de um projeto de pesquisa maior e tem como objetivo
principal analisar os meios pelos quais ele poderá se concretizar. O projeto concerne aos
meios de consumo e à datação de um glossário persa médio conhecido como Farhang-ī
Pahlavik (FiP); e o método aplicado é o estudo comparativo-vocabular com textos
historicamente relacionados ao FiP. Escolhi o texto apocalíptico zoroastriano Jāmāsp-
Nāmag (JP) para servir como a composição-teste a fim de serem analisadas as possíveis
implicações de se abordar o Farhang-ī Pahlavik dessa maneira. 81 palavras foram
comparadas a partir dos seguintes critérios: 1) o grau de semelhança entre as versões da
palavra no JP e no FiP, isto é, se elas estão grafadas igualmente e se possuem o mesmo
significado; 2) se no glossário a palavra faz parte da seção explicativa ou se ela pertence
ao grupo de palavras a serem explicadas.

AS ESTATUETAS DE TERRACOTA HELENÍSTICAS DE TIPO TANAGRA:


INTERAÇÕES E SIGNIFICADOS

Ana Paula de Souza Freitas11


São Paulo, SP/ Arqueologia USP/Labeca/MAE
O presente trabalho visa apresentar uma discussão bibliográfica e historiográfica a
respeito das estatuetas de terracota gregas de período helenístico (séc. IV-I a.C.) de tipo
Tanagra e seu desenvolvimento. Um dos principais objetivos do trabalho é apontar
autores que discutiram a questão dos usos das estatuetas (domésticos e/ou votivos) e
pontuar uma possível relação das figurinhas com a grande estatuária grega (diálogos e
interações tanto no contexto de fabricação quanto de difusão). Para a análise, são
utilizadas terracotas do período helenístico presentes no acervo do MAE-USP, bem
como modelos semelhantes presentes em catálogos europeus das coleções de terracotas
gregas (Louvre, British Museum). Procura-se destacar possíveis métodos para se
realizar um estudo aprofundado das estatuetas, como a arqueologia comportamental e os
estudos de arqueologia doméstica, bem como uma discussão acerca do caráter votivo
das figurinhas.

AS CARTAS ADMINISTRATIVAS DE ŠADUPPÛM (MESOPOTÂMIA): UMA


BREVE DISCUSSÃO ACERCA DO TERMO ISIKTUM

Anita Fattori12

MPS - Middle Persian Studies, Universidade de Brasília – UnB; E-mail: ana.bleite1@gmail.com


10
11
Laboratório de Estudos sobre a Cidade Antiga (Labeca) - Museu de Arqueologia e Etnologia da
Universidade de São Paulo (MAE-USP); E-mail: anapsfreitas@usp.br

12
São Paulo, SP/História USP/ LAOP
O documento a ser discutido nessa comunicação é uma carta cuneiforme escrita em
língua acadiana sob suporte de argila, parte de um conjunto de 50 outras publicadas por
A. Götze em 1958. Ela foi exumada do sítio arqueológico de Tell Harmal, antiga
Šaduppûm e produzida no período em que Šaduppûm foi parte do reino de Ešnunna
(séculos XIX e XVIII AEC). A carta em questão foi intercambiada entre Nanna-
mansum, o destinatário, responsável pelas demandas e Ṭaridum, o remetente e trata da
cobrança do isiktum do palácio. Essas 50 cartas apresentam aspectos da organização
administrativa, oferecendo-nos o lidar com diversos processos, entre eles o pagamento
de taxas e obrigações sobre a produção nos campos cultiváveis. Na comunicação a ser
apresentada, temos como objetivo principal explorar, por meio da correspondência
específica supracitada, a prática do isiktum em seu contexto.

PARA ALÉM DO LIVRO: ASHERAH, ARQUEOLOGIA E O ESTUDO DAS


CONCEPÇÕES RELIGIOSAS NA ANTIGA ISRAEL

Bianca Costi Farias13


História UFSC
Diversas evidências parecem apontar para a permanência do culto a outros deuses e
deusas além de Yahweh na Antiga Israel, contrapondo a noção amplamente difundida
da crença monoteísta nessa sociedade. Tais evidências aparecem tanto nas narrativas
bíblicas, com as recorrentes insinuações ao “desvio moral” dos hebreus, quanto por
meio de vestígios arqueológicos. Por meio destas pode-se, então, investigar o que
aparenta ser a persistência de um culto à deusa cananeia Asherah, sobrevivendo no
universo religioso popular hebreu como a esposa de Yahweh. O estudo das fontes não
literárias auxilia, assim, a aventurar-se na esfera da religiosidade das pessoas comuns,
para além dos dogmas que os escritores do Antigo Testamento esperavam que
seguissem.

CASAMENTOS MULTICULTURAIS: RELAÇÕES CULTURAIS E DE PODER


ENTRE MUÇULMANOS E CRISTÃOS NA PENÍNSULA IBÉRICA

Bianca Klein Schmitt14


História UFSC/Meridianum
Recentes estudos sobre a Península Ibérica Medieval apontam que este espaço foi
constituído historicamente de forma múltipla e fluída, no sentido de que diversas
relações culturais e de poder aconteceram entre os mais variados grupos. Na pesquisa
que estou iniciando, busco refletir o movimento e a articulação dessas conexões a partir
do casamento entre muçulmanos e cristãos. Para tanto, designei como fio condutor
desse estudo a análise dos Livros Velhos de Linhagens, compilação do Livro do Deão e
do Livro Velho, que foram escritas entre os séculos XIII e XIV, apresentam a narrativa
da linhagem de cinco famílias portucalenses. Dentro desta narrativa genealógica,
observa-se em alguns momentos o casamento multicultural. Questiono-me então como

12
FAPESP (processo n.º 2016/07059-9) LAOP - Laboratório do Antigo Oriente Próximo; E-mail:
anitafattori2@gmail.com
13
E-mail biancacof@gmail.com
14
Bolsista de iniciação científica PIBIC/CNPq; E-mail biancaschmitt@outlook.com

13
se deu esta fusão, quais os desdobramentos culturais e as relações de poder que
envolveram tal processo?

RENÚNCIA AOS BENS MATERIAIS E PODER NAS REGRAS MONÁSTICAS


VISIGODAS

Bruno Uchoa Borgongino 15


Rio de Janeiro, RJ/História UFRJ/PEM/UNESA
Na Primeira Idade Média, segmentos do clero redigiram documentos que versavam
sobre o monaquismo, estabelecendo seus valores e normas constituintes. As regras
monásticas cumpriam papel importante nesse sentido, uma vez que apresentavam
diretrizes disciplinares que a elite eclesiástica anunciava como de cumprimento
necessário pelos monges. Na Península Ibérica visigoda, foram compostas quatro regras
monásticas: a Regula Leandri (590-600), a Regula Isidori (615-619), a Regula
Monachorum (646) e a Regula Communis (656-). A despeito das especificidades de
cada escrito, o conjunto convergia ao prescrever aos monges que renunciassem às suas
posses e entregassem tudo o que tivessem ao ingressarem na comunidade. As regras
monásticas visigodas determinavam o caráter comunitário de todos os bens no mosteiro,
incumbindo os superiores hierárquicos de gerir esse patrimônio. O objetivo deste
trabalho é analisar a relação entre a renúncia aos bens e o exercício do poder no referido
corpus documental.

O CRISTIANISMO PRIMITIVO PRESENTE NO LIBER APOLOGETICUS DE


PRISCILIANO DE ÁVILA

Cláudia Trindade de Oliveira16


Assis, SP/História UNESP/NEAM
Prisciliano, o bispo de Ávila de 381 a 385, impulsionou durante a segunda metade do
século IV d.C. um movimento ascético em algumas igrejas hispânicas em que se deu
atenção especial à profecia carismática e se estudavam livros apócrifos. Seu interesse
pelo ocultismo, o qual não escondia, lhe deixou indefeso ante as acusações de bruxaria,
fato que culminou em sua decapitação em 385 por heresia pelo braço secular da Igreja.
Deste modo, o presente trabalho tem por objetivo examinar alguns aspectos
antecedentes à sua trágica morte tendo por base os Tratados de Wüzburg, achados no
final do século XIX na Alemanha. Utilizando a metodologia da análise crítica do
discurso que, aliada à revisão da bibliografia específica selecionada para este estudo,
daremos atenção em específico ao Tractatus Primus, o mais longo dos onze códices
intitulado Liber Apologeticus. Com isso pretende-se demonstrar alguns aspectos do
cristianismo primitivo presentes na referida obra; o que, aliás, acabaram por distanciar
os adeptos do priscilianismo do ideal cristão proposto pelos bispos niceístas e
provavelmente contribuindo para a condenação de Prisciliano.

15
E-mail: uchoa88@gmail.com
16
NEAM (Núcleo de Estudos Antigos e Medievais). triclaudia@gmal.com

14
HISTÓRIA ANTIGA, GÊNERO E INTEGRAÇÃO ENTRE ESCOLA E
UNIVERSIDADE: PRODUÇÃO DE MATERIAIS DIDÁTICOS PARA O
ENSINO FUNDAMENTAL

Dandara Perlin Pereira17


História UFSM
Este trabalho tem como objetivo comunicar o projeto de pesquisa apoiado pelo
Programa de Licenciaturas da UFSM e vinculado ao Grupo de Estudos sobre o Mundo
Antigo Mediterrânico da UFSM, História Antiga e fronteiras entre o saber escolar e
acadêmico: uma busca de integração por meio da produção de materiais didáticos
voltados ao debate de gênero em sala de aula, bem como os resultados que vêm sendo
obtidos por ele. O projeto visa elaborar materiais didáticos de História Antiga
integrando saberes da universidade e da escola, superando as fronteiras que distanciam
estes dois espaços de produção de conhecimento histórico. Assim, voltamos nosso olhar
para os debates em torno de questões de gênero, buscando um ensino crítico e com
potencial de mudança social. Nossos resultados contam com duas experiências de
materiais apresentados em eventos do GEMAM/UFSM. Atualmente, estamos
desenvolvendo um vídeo trabalhando a mitologia grega, que será aplicado na escola
com a qual o projeto está vinculado.

O MÉTODO HISTORIOGRÁFICO DE TIMEU DE TAUROMÊNIO

Daniel Barbo18
Belo Horizonte, MG/FFLCH/USP
Nenhuma obra de Timeu chegou a nós modernos. Temos, salvo engano, duas situações:
fragmentos de suas obras em outros autores, como Diodoro Sículo (11-15), e
críticas/análises de suas obras feitas por alguns autores, entre eles, Políbio, que é o autor
com o maior volume de críticas negativas ao método de escrita da história de Timeu,
mas também Dioniso de Halicarnasso (Ant.Rom., 1.6; 1.74) e Longino (4). Entretanto,
há autores que fizeram críticas positivas ao método de Timeu, especialmente Cícero (De
Orat., 2.58; ad Fam., 5.12.2-7), mas também Diodoro Sículo (4.21-22-56; 4.59-8; 11),
Aulo Gélio (2.1.1), Plutarco (Vit.Tim.) e Pompeu Trogo, conforme a epítome de Justino.
Ainda, segundo Kenneth Sacks, dos três escritores anteriores a Políbio que também
criticaram Timeu, o mais famoso é, de longe, Polemão Periegeta, autor do começo do
século II a.C. de uma obra intitulada Prós Timaíon (Contra Timeu). Os outros dois são
Istros e Demétrio de Scépsis. O objetivo desta comunicação é, a partir destes vestígios
literários espalhados no espaço e no tempo, delinear as características fundamentais do
método historiográfico posto em prática pelo historiador grego Timeu.

A PALAVRA E AS COISAS: O VEÍCULO MÁGICO DA POÉTICA MEDIEVAL


NA DIVINA COMÉDIA

Daniel Lula Costa 19


História UFSC/Meridianum/LARC

17
Bolsista do Programa de Licenciaturas (PROLICEN/UFSM), Grupo de Estudos Sobre o Mundo Antigo
Mediterrânico da UFSM – GEMAM; E-mail: dandaraperlin@outlook.com
18
E-mail: danielbarbo@yahoo.com.br
19
E-mail: daniellcosta23@yahoo.com.br

15
As estratégias de escrita medievais elaboradas com base na retórica e nas filosofias
neoplatônicas, dinamizaram um veículo que relacionava o antigo ao medieval de forma
presencial e, assim, ativava o poder da linguagem adamítica, relacionado às coisas.
Benjamin afirma que a linguagem adamítica se relacionava a coisa em si e não expandia
a comunicação com base em uma existência significadora. Sendo assim, acredito que
podemos visualizar no medievo a prática das palavras usadas para comunicar a coisa, a
qual era relacionada ao poder divino de criação do mundo. A linguagem funcionava
como veículo mágico, ao transmitir o saber antigo enquanto profecia dos
acontecimentos presentes nos textos bíblicos. Esta forma de relação foi usada em vários
âmbitos do movimento de saberes medievais, como por exemplo, pela patrística. A
intenção desta comunicação é verificar a presença do passado antigo relacionado ao
presente medieval da prática de escrita mítica enquanto um veículo mágico que acarreta
o movimento profético dos saberes. Sendo assim, a fonte analisada é a Divina Comédia,
escrita por Dante Alighieri no século XIV; o objeto de pesquisa é um dos seres híbridos
medievais apresentados por Dante, Minós, o juiz do inferno dantesco. O objetivo é
apresentar a relação entre o saber antigo transmitido pela linguagem dantesca como um
veículo mágico que presentifica o passado, apresentando-o enquanto acontecimento, ao
relacioná-lo com o presente de Dante.

VIVER E MORRER ENTRE A VIDA ATIVA E CONTEMPLATIVA: OS


MENDICANTES E O MARTÍRIO NO SÉCULO XIII

Dionathas Moreno Boenavides20


Viamão,RS/História UFRGS
As concepções de um grupo sobre a morte devem em muito à concepção sobre a vida. A
história da morte só é possível, de certa forma, se for ao mesmo tempo uma história
sobre o viver. Nosso objeto de análise é a concepção de martírio presente nos escritos
mendicantes do século XIII, principalmente hagiografias e tratados teológicos.
Analisamos, a partir da antropologia histórica e da história intelectual, como o estilo de
vida mendicante, denominado “Vida Mista” por Tomás de Aquino, interferiu nas
crenças e produções intelectuais sobre mártires e a morte martirológica. Percebemos
que, para os membros das ordens franciscana e dominicana, o conceito de martírio se
torna mais rígido do que escritores anteriores propunham, principalmente no quesito da
exigência da morte para a configuração o mártir.

A ARTE ATENIENSE DOS ESCRITOS DE PLATÃO À LUZ DE GIOVANNI


REALE E WERNER JAEGER

Dyel Gedhay da Silva 21


Blumenau, SC/História FURB/NEI
A Atenas clássica vivia num momento de alegria e otimismo após a vitória sob invasão
persa de 480 a.C. Péricles havia comandado a reforma dos templos e estátuas que
tomaram proporções grandiosas chamando sua reputação em virtude de sua beleza
como obras de arte, diferentemente das de postura conservadora dos cânones egípcios,
20
E-mail: dionathas.boenavides@ufrgs.br
21
Bolsista no projeto de extensão Incubação de Empreendimentos Socioeconômicos Solidários no
segmento da cadeia produtiva de Blumenau e região e membro do Núcleo de Estudos Indígenas (NEI); E-
mail: dyelkriger@gmail.com

16
que obtinham maior prestígio até então. Filósofos e sofistas criaram o homem da polis e
colocaram-no no centro das discussões, gerando homens que agora questionavam
formas e concepções artísticas. Através dos escritos de Platão e com o auxílio de textos
de Giovanni Reale e Werner Jaeger, este estudo procura mostrar como Platão e seus
contemporâneos compreendiam a arte de seu tempo: marcada por profundas mudanças
sociais entre a ascensão e declínio de Atenas.

O MONGE E O MONSTRO: TRADUÇÃO DE TRECHO DA VITA


COLUMBAE DE ADOMNANO

Eduardo Kirchhof22
História UFSC
São Columba de Iona, monge irlandês que viveu no século VI d.C., foi um conhecido
personagem no processo de cristianização dos Pictos (povo que vivia na futura Escócia).
Juntamente com São Patrício e Santa Brígida, Columba é canonizado padroeiro da
Irlanda, principalmente por seus esforços em levar o cristianismo à novas regiões das
ilhas e, como consequência, construção de vários mosteiros. A vida de São Columba foi
escrita por diversos autores, porém, seu mais conhecido fora Santo Adomnano de Iona,
em sua Vita Columbae. O seguinte trabalho analisa um trecho da obra dantes
mencionada, procurando entender a interação entre o monge irlandês e o conhecido
monstro do Lago Ness, entre o cristianismo e o mito celta, utilizando uma tradução
direta do texto latino de Adomnano feita pelo autor.

PELAS ÁGUAS DO TEMPO: A CONSTRUÇÃO E PERSISTÊNCIA DO MARE


TENEBRUM

Eduardo Leite Lisboa23


Ponta Grossa, PR/História UEPG
Quando pensamos acerca da mentalidade medieval, o Atlântico pode ser exemplar. Por
estar em amplo diálogo com os saberes clássicos mesmo que ressignificados, as águas
além das colunas de Hércules ganham o nome de Mare Tenebrum . Sendo assim, uma
construção longínqua que dentro da lógica da longa duração por certo não foi
rapidamente desfeita. Ou foi? Atentando-se aos relatos expansionistas dos portugueses
da Renascença é possível perceber a grande dívida com o período que pretendiam
obscurecer , afinal, o imaginário do Medievo permanecia bastante vivo. A fim de
evidenciar tal constatação é proposta uma breve análise da mentalidade oceânica
gestada desde o século I d.C valendo-se sobretudo da literatura de viagem medieval,
para daí sim abarcar a persistência do Mar Tenebroso naquele que viria a ser o mare
nostrum nunca d’antes navegado.

OS NOBRES À MESA PORTUGUESA: ALIMENTAÇÃO, RITUAL E PODER

Elisa Paula Marques24


História Cultural UFSC

22
E-mail: edukirchhof@hotmail.com
23
E-mail: eduardolisboauepg@gmail.com
24
E-mail: elisapaulamarques@gmail.com

17
Esta comunicação apresenta parte da pesquisa sobre as escolhas alimentares do grupo
nobiliárquico português no medievo. Tem como intuito compreender e analisar como os
alimentos no medievo cristão estavam condicionados por um conjunto de crenças
religiosas e também por concepções dietéticas relativas ao que era bom ou ruim para o
corpo e a saúde. Considerado, sob várias perspectivas, esses hábitos alimentares
estavam condicionados, também, pelo grupo social que o indivíduo pertencia. O gosto e
as condutas de consumo, se configuravam tanto como expressões da identidade do
grupo, como meio de reproduzir as distinções existentes na sociedade medieval
portuguesa.

MAGIA, ETNICIDADE E DIFERENÇA EM UMA CENA NA URNA


FUNERÁRIA DE TUTANKHAMON (XVIII DINASTIA FARAÔNICA)

Fábio Amorim Vieira25


História UFRGS
É corrente na literatura egiptológica o caráter áureo e expansivo da XVIII dinastia
faraônica. Tal período, caracterizado sobretudo pela retomada egípcia após décadas de
domínio asiático de parte do Egito, emerge como contexto de latentes relações e anseios
de controle do Estado faraônico sobre os povos para além de suas fronteiras, como no
Sul núbio, palco da expansão do reino de Kush. A compreender fatores culturais como a
prática mágico-religiosa do faraó enquanto agente divino e as construções da diferença a
partir das relações étnicas deste cenário político de encontros e anseios de poder,
debruçar-nos-emos sobre uma cena pintada na superfície de uma urna funerária
decorada, proveniente da tumba do rei Tutankhamon, a expor o rei em ataque aos
kushitas. Por meio de aportes que considerem tais lampejos políticos e religiosos
enquanto pontos da teia cultural egípcia, tecida e moldada a partir de intensas interações
identitárias e contrastivas, buscaremos interpretar elementos desta única cena
emaranhados em outros reflexos de seu contexto faraônico, a compreender o alcance
das práticas de edificação e manutenção da alteridade.

OS METAIS E OS REINOS NOS FRAGMENTOS ‘DANIÉLICOS’ DE TURFAN

Igor Santos da Silva26


Brasília, DF/UnB
Consumo de textos cristãos em ambiente monástico Centro Asiático. Através dos
fragmentos que compõe o manuscrito E29 27, que conta uma versão da narrativa de
Daniel, porém diferente da narrativa bíblica canônica, discutir e abordar o
desenvolvimento do monasticismo da Igreja do Oriente na Rota da Seda. A comparação
do conteúdo do manuscrito ao texto canônico de Daniel presente na Bíblia Siríaca
revela algumas diferenças, uma delas em relação ao tema da sucessão das Monarquias
Mundiais e outra em relação aos personagens. Então comparar tais diferenças a outros
textos ‘paradaniélicos’ da literatura Siríaca, como comentários, exegeses, releituras ou

25
E-mail: fabioamorimvieira@gmail.com
26
E-mail: trab1igor@gmail.com
27
Nomenclatura do fragmento composto por fragmentos achados em Turfan, no séc.XX, durante a
expedição de Albert von LeCoq. Os fragmentos estão escritos em sogdiano, língua do tronco iraniano do
ramo oriental, mas alguns pesquisadores advogam que seria uma tradução de um texto composto
inicialmente em siríaco.

18
uso do pensamento escatológico em busca de semelhanças ou diferenças. O descuido
com o tema da sucessão é indício de uso distinto do texto de Daniel, fora do tema mais
abordado pela literatura mais próxima aos centros da Igreja do Oriente, meta histórico,
isto é, estamos falando de um texto de autoria não siríaca ou longe dos contextos mais
tensos da vida cristã na Ásia.

INQUISIÇÃO MODERNA: EXPOSIÇÃO PÚBLICA ATRAVÉS DOS


MÉTODOS DE TORTURA

Isa Maria Moreira Liz28


História UFSC
Envolto em um pretexto de benefício comum e espelhado nas verdades católicas, o
Santo Ofício manifesta-se em períodos distintos da História Medieval e Moderna,
tentando apagar as raízes pagãs da religião cristã e as possíveis difusões de ideias que
questionassem o poder regente. De forma ritualística, é empregado um dos métodos
mais atrozes contra os direitos humanos: a tortura, instrumento em prol da Verdade Real
– dispondo os chamados hereges em um cenário de guerra contra suas crenças, muitas
vezes recorrendo à autoacusação ou à busca de suas origens. Fundamentando-se em
uma breve revisão bibliográfica de Cesare Beccaria e Piero Verri acerca da tortura
inquisitorial, o presente artigo visa apresentar o sistema inquisitório como sustentador
da busca pela Verdade Real através da tortura, bem como as falhas deste processo,
possíveis alternativas à pena e seu reflexo na sociedade, entendendo como tal prática
vem a expor publicamente o torturado.

AS PALAVRAS E AS COISAS NA ANTIGUIDADE ORIENTAL

Janaína de Fátima Zdebskyi29


História UFSC/GEHA/Meridianum
A linguagem constitui a percepção de mundo das pessoas, nas mais diversas populações
e temporalidades, e até mesmo a possibilidade de enxergar – ou não – as coisas à
medida que se têm linguagem para percebê-las. Walter Benjamin já trazia discussões
sobre a “linguagem adamítica” e sua função criadora, que somente depois tornou-se um
emaranhado de palavras com mera função comunicativa. O objetivo aqui é compreender
como a linguagem no antigo Oriente Próximo possuía função criadora, os verbos eram
práticas e as palavras era diretamente ligadas às coisas. A escrita pictográfica na
mesopotâmia trazia a própria imagem da coisa na escrita; os ritos de magia entre os
mesopotâmicos também evocavam palavras mágicas para construir práticas;
Hammurabi se conclamava como chamado pelos deuses, assim como, entre os hebreus,
a pronuncia do nome de YHWH era a própria evocação desse deus; mesmo no mito de
Gênesis YHWH criou o mundo pela palavra. Propõe-se para essa comunicação o
diálogo com essas fontes, para abordar a problemática sobre o entrelaçamento entre as
palavras e as coisas no antigo Oriente próximo e também os ecos que esse debate
encontra na contemporaneidade.

28
E-mail: isamariamliz@gmail.com
29
E-mail: janazdebskyi@gmail.com

19
EQUO ODER CABALLO? ANÁLISE DE CONJUROS DO MANUAL
NECROMÂNTICO CLM 849

Jayme Rodrigues Krum30


Santa Maria, RS/UFSM/Virtù
Neste trabalho propomo-nos a divulgar a atualidade das análises feitas a respeito do
manuscrito Clm 849: Fols 3r-108v na pesquisa intitulada “Em Nome de Deus eu invoco
estes Demônios: Necromancia, Igreja e Sociedade na Baviera do século XV”. Tais
análises almejam a produção de conhecimento histórico acerca da sociedade eclesiástica
germânica da Baviera do século XV, a partir da análise interna do documento. O
manuscrito Clm 849: Fols 3r-108v consiste em um compilado de práticas
necromânticas, que, em suma, são magias em que um clérigo conjurador impõe
entidades demoníacas para satisfazerem seus desejos. Trabalhamos atualmente com
quatro conjuros relacionados a invocações de cavalos. Para a execução da pesquisa
utilizamos, principalmente, os conceitos de práticas e apropriações culturais presentes
nos trabalhos sobre História Cultural de Roger Chartier. Aliado a isto trabalhamos
também com um banco de dados intitulado “BEP-849: Banco de dados sobre entidades
e práticas necromânticas presentes no manuscrito Clm 849”, criado na plataforma
Access para esta pesquisa.

O ANTI-REALISMO DE ABELARDO

João Pedro da Luz Neto31


Curitiba, PR/ Filosofia UFPR
O filósofo Pedro Abelardo (1079-1142) é um dos primeiros expoentes do nominalismo,
teoria filosófica que propõe a existência de “universais” como conceitos mentais, e não
como coisas existentes na realidade – contrariando a vertente realista. O presente
trabalho tem como objetivo apresentar de que modo este filósofo criticou o realismo,
sobretudo através da crítica às teorias de seu professor Guilherme de Champeaux.
Destarte, analisaremos os textos do próprio Abelardo, bem como trechos disponíveis
sobre o pensamento de Guilherme de Champeaux e algumas referências através do
testemunho do contemporâneo (e provavelmente discípulo de Abelardo) João de
Salisbury. Através deles, perceberemos que a crítica de Abelardo refuta o realismo
proposto por seu mestre através da redução ao absurdo, e se expande para outros
intelectuais, como Goscelino de Soissons e Gualtério de Mortagne. Finalmente,
notaremos que a disputa serviu de antecâmara para a elaboração de uma teoria
semântica bastante complexa, superior à de seu predecessor nominalista, Roscelino de
Compiégne.

LAI DOS DOIS AMANTES: DA ORALIDADE BRETÃ ÀS LETRAS


CORTESES DE MARIA DE FRANÇA

Júlia Zaniboni Cerejo32


História UFSC

30
Grupo de História Medieval e Renascentista – VIRTÙ; E-mail: jayme.krum@hotmail.com
31
E-mail: jpluzneto@gmail.com
32
Graduanda da Universidade Federal de Santa Catarina. juliazaniboni7@gmail.com

20
Na segunda metade do século XII, sob a influência do amor cortês e do Trovadorismo
foram produzidos os Lais de Maria de França, provavelmente na corte de Henrique II
Plantageneta, rei da Inglaterra. Esse trabalho apresenta as primeiras considerações de
uma pesquisa que analisará o Lai dos Dois Amantes, as influências que o constituem e
os processos históricos que as geraram, tendo como objetivo amplo compreender
melhor a mentalidade e o imaginário do período. Para isso, pretende-se discutir a
importância da oralidade e da memória na Idade Média, pensando o papel da fonte na
manutenção das mesmas, os ideais cavalheirescos, os elementos tanto cristãos quanto
celtas que se evidenciam e as repercussões do chamado fino amor para a construção de
uma nova sensibilidade.

A ESCRITA DA HISTÓRIA DO REINO DE KENT DURANTE OS SÉCULOS


VII E VIII NA CRÔNICA ANGLO-SAXÔNICA

Kauê Junior Neckel33


Chapecó, SC/História UFFS/LEME/REDE
O seguinte trabalho propõe estudar aspectos de historiografia e história política do
Reino de Kent na escrita da Crônica Anglo-Saxônica. A Crônica Anglo-Saxônica trata-
se de um documento que tem sua escrita iniciada no século IX na corte de Alfredo, o
Grande então rei de Wessex e continua até o ano de 1154, quando deixa de ser escrita.
A Crônica Anglo-Saxônica procura retratar a história da ilha britânica com ênfase
desde o ano um, sob o ponto de vista do Reino de Wessex. O objetivo deste trabalho é
visualizar o Reino de Kent, verificando nas descrições presentes na Crônica objetos
como o político e seus personagens na constituição deste reino anglo-saxão. Será
analisado o Reino de Kent durante os séculos VII e VIII na Crônica Anglo-Saxônica.
Ao analisar o Reino de Kent, iremos nos depreender em questões como a forma em que
o reino se estabelece, junto ao seu próprio caráter de reino, suas relações de poder,
estruturas políticas e sua imagem política na Crônica Anglo-Saxônica, fonte escrita no
Reino de Wessex.

DECLÍNIO E QUEDA DOS SOGA: USOS POLÍTICOS DO CLIMA E DOS


ASTROS NO NIHON SHOKI

Kauê Otávio34
História UFSC/NEJAP
O Nihon Shoki, apresentado à corte imperial em 720 d.C, é a primeira das “Seis
Histórias Nacionais” do Japão, crônicas oficiais produzidas pelos funcionários
imperiais, e cobre a história japonesa desde os tempos míticos até o fim do século VII,
tendo sido alvo de inúmeros estudos, muitos dedicados a mostrar como tal crônica
serviu para propósitos de legitimação dinástica. Dentre os inúmeros episódios relatados
na obra, o presente estudo busca analisar a narrativa da queda dos Soga, uma família
aristocrática japonesa de origem estrangeira, famosa por ter advogado a adoção do
budismo, e por ter posto em risco o próprio trono. Em especial, analisando a
interpolação narrativa das catástrofes e traçando um paralelo com a cosmologia chinesa

33
LEME – Laboratório de Estudos Medievais; REDE – Rede Latino-Americana de Estudos Medievais;
E-mail: neckel.kaue@gmail.com
34
E-mail: k.m.otavio@gmail.com

21
que então vigorava na corte japonesa, busca-se mostrar como fenômenos climáticos e
astronômicos foram usados politicamente pelos autores para justificar a derrubada dos
Soga, cuja corrupção supostamente teria abalado os alicerces do céu e da terra.

GIROLAMO BARUFFALDI: UM FALSÁRIO DE FERRARA

Luan Luis Sevignani35


Trento, Itália/UniTrento
Falsificações; contrafações. Estas práticas tão comuns na história do Ocidente tiveram,
na Idade Média, diversas motivações: ambição social, falsificações por gosto,
proselitismo, etc. Esta comunicação pretende, num primeiro momento, apresentar
algumas das contribuições sistemáticas de Anthony Grafton, contidas em Forgers and
Critics (1990); em um segundo momento, pretende-se apresentar um caso de
falsificação, que inicia no século XVIII, quando Girolamo Baruffaldi, organizando as
Rime scelte de’ poeti ferraresi antichi e moderni (1713), decide falsificar alguns dos
poemas. Nesta antologia, Baruffaldi publica um ensaio sobre uma tal Iscrizione
ferrarese, uma poesia em língua vulgar, encontrada no arco da Catedral de Ferrara, que,
segundo o autor, remontaria ao século XII, mais precisamente a 1135 e que, por isso,
seria o primeiro decassílabo do qual se tem registro na Itália. A partir disso, vários
historiadores e filólogos italianos discutiriam a veracidade do tal poema. No entanto, foi
somente na metade do século XX, através da publicação de Cento Duecento (1959), de
Angelo Monteverdi, que a verdade sobre a Iscrizione fora descoberta.

MEGÁSTENES E OUTROS RELATOS GREGOS SOBRE A ÍNDIA: A


UTILIZAÇÃO DE SEUS FRAGMENTOS EM DIODORO E ESTRABÃO

Lucas Guilherme Cabral Guimarães36


Brasília, DF/UnB/MPS
A proposta deste artigo é trazer uma reflexão sobre a utilização dos trabalhos dos
antigos geógrafos/etnógrafos da Hélade na historiografia antiga, através da análise sobre
a forma como essas fontes gregas descreviam os outros povos, em especial, a
civilização indiana. Para construir essa análise, traduzi um dos fragmentos do
historiador grego Megástenes (350 - 290 a.C.) que foi enviado por Seleuco I (358 - 281
a.C.) a uma expedição diplomática na Índia, durante o governo de Chandragupta Máuria
(322 - 297 a.C.), fundador do Império Máuria (322 - 185 a.C.). Neste fragmento,
analisei em que medida a mitologia grega serviu como instrumento de aproximação
entre essas duas civilizações, ou seja, entre o novo e o velho mundo conhecido pelos
gregos.

CONSIDERAÇÕES SOBRE A ESCRITA DA HISTÓRIA ENTRE JUDEUS E


CRISTÃOS EM RAM BEN-SHALOM (2016): CONVERGÊNCIAS E
DIVERGÊNCIAS

Lucas Tubino Pianta37

35
Università degli studi di Trento – UniTrento; E-mail: luanluis.sevignani@studenti.unitn.it
36
MPS - Middle Persian Studies, Universidade de Brasília – UnB; E-mail: lucas.cabral.unb@gmail.com
37
E-mail: piantalucas9@gmail.com

22
História UFSC
A visão apocalíptica e messiânica da história era comum a judeus e cristãos na
Península Ibérica Medieval. Porém, ao tratar destes assuntos, as divergências se fazem
claras: para os cristãos, o Messias já existira, morrera e ressuscitara, enquanto para os
judeus, este ainda estava por vir. Em meio a perseguições e participação nas cortes dos
reinos cristãos, os judeus ibéricos trabalhavam a sua perspectiva de história sagrada e
judaicocentrada, estudavam a historiografia cristã e debatiam tanto entre os seus quanto
com os cristãos as interpretações do Sonho de Daniel, a História de Roma, a origem do
judaismo, a origem pagã dos mitos cristãos enquanto que o Talmude e a Bíblia eram
colocados frequentemente em contradição. O presente debate passa pela forma de
trabalhar a história por parte dos judeus medievais e o debate sobre a existência ou não
de uma historiografia de origem judaica durante o período medieval. Palavras-Chave:
Historiografia Medieval, Historiografia Judaica, Judeus Medievais, Península Ibérica
Medieval.

QUERELA DO CASAMENTO: COMBATE À MISOGINIA ATRAVÉS DA


APRESENTAÇÃO DE CONTRA-MODELOS NO DISCURSO SOBRE O
MATRIMÔNIO

Luiane Soares Motta38


História UFSC/LEGH/Meridianum
Em 1587, "Les Misères de la femme mariée" é lançado por Olympe Liébault, em
continuidade aos debates anti ou misógamos. Na publicação, são retratadas as relações
matrimoniais, a trajetória e maridos "distópicos", apresentando as violências e as
desigualdades do matrimônio. A alegorização do marido, usada para falar sobre
diversos aspectos da autoridade do patriarcado sobre os corpos e os desejos femininos,
toma parte na composição de uma contestação quanto à instituição. Num discurso que
descreve a injustiça, a estratégia, porém, não é a de detratar o casamento e, sim, afirmá-
lo enquanto aliança sagrada e, principalmente, uma aliança entre iguais, e não entre
senhores e servos. No artigo, buscamos descrever o discurso antimisógamo de Olympe
e demonstrar a construção de uma proposta de um outro status feminino que se difere
do discurso jurídico matrimonial.

IN CATILINAM ORATIONES QUATTUOR: CÍCERO E OS PERIGOS DA


REPÚBLICA NA CONJURAÇÃO DE CATILINA

Luis Carlos dos Passos Martins39


Porto Alegre, RS/História/Escola de Humanidades/PUCRS
Nesta comunicação, analisaremos os In Catilinam Orationes Quattuor, quatro discursos
pronunciados por Cícero durante a denúncia da Conjuração de Catilina (63 a.C.).
Buscaremos investigar nestes textos a forma como o autor constrói discursivamente a
noção de “inimigo público” (hostis publicus), através dos valores morais e políticos
mobilizados não apenas para condenar Catilina, mas para traçar um quadro da “crise da
República”. Esta investigação se justifica porque estes discursos, como peças retóricas
voltadas à persuasão do público visado (os senadores e o conjunto dos cidadãos

38
E-mail: lulusmotta@gmail.com
39
E-mail: luis.martins@pucrs.br

23
romanos), constituem ótima fonte sobre os valores que o orador considerava pertinentes
para convencer este público acerca do perigo representado pela conspiração, dando
pistas sobre os valores morais da nobilitas romana vigentes no período. Como hipótese,
trabalhamos com a ideia de que o “verdadeiro inimigo” não é a figura de Catilina, mas
as transformações de costumes que este e seus seguidores representam.

A FORMAÇÃO DO SÁBIO NAS EPISTOLAS SENEQUIANAS

Mariana Marchi Malacrida 40


Maringá, PR/História UEM/STUDIA
A proposta deste trabalho será apresentar as contribuições filosóficas de Lúcio Aneu
Sêneca (4-65 d.C.), com o objetivo de analisar o seu posicionamento frente às questões
de ordem moral segundo o pensamento filosófico estóico e como o homem poderia se
aproximar do ideal do sábio a partir de ações e mudanças de comportamento cotidianas.
A partir das leituras e seleção das cartas endereçadas a seu discípulo e amigo Gaio
Lucílio Junior, na obra intitulada Cartas a Lucílio, podemos identificar conselhos que
evidenciam a formação do sábio e os valores que o homem romano precisa seguir para
se aproximar desse ideal. O estoicismo pode ser identificado como uma fonte de
utilidade prática e progresso moral, na figura do sábio apontam uma finalidade e a
proposta desta filosofia, evidenciando em seus ensinamentos a importância de uma
vivência de acordo com a natureza e o desprezo aos bens materiais, assim o combate das
paixões e dos vícios levaria a formação de um espírito virtuoso. Sêneca defende desta
forma a sabedoria pelo ensinamento filosófico, impulsionando o homem romano na
busca da aproximação deste ideal e assim atingir a verdadeira felicidade e os prestígios
de uma alma reta e virtuosa.

QUANDO A REPÚBLICA AINDA FALAVA: RES PUBLICA, LIBERTAS E IUS


NO PENSAMENTO DE CÍCERO E LABEÃO

Márlio Aguiar 41
São Paulo, SP/ Direito Romano USP
A “renascença” dos estudos teóricos do Republicanismo trouxe consigo discussões a
respeito da história mesma da “tradição” republicana, usualmente fixada com a antiga
Roma; já os estudos clássicos têm produzido leituras renovadas de autores latinos. A
proposta deste trabalho é de apresentar possíveis contribuições da história política e
jurídica ao republicanismo, centrando-se na passagem da República Tardia ao
Principado. Busca-se tal objetivo pela investigação de dois autores: o orador/filósofo M.
Túlio Cícero e o jurista M. Antístio Labeão. Cícero é conhecido autor da literatura
latina. A formação do ciues, o lugar da eloquentia, a constituição dos iura: temas
centrais da filosofia ciceroniana servem para teorizar política e a libertas dentro da res
publica. Labeão, nome familiar aos estudos em direito romano, foi considerado o maior
jurisconsulto; fontes como Gélio e Cássio nos permitem reconstituir não apenas sua
trajetória e oposição política, mas como configurava a res publica por instituições e
costumes que se opunham às “novidades” do regime. Busca-se compreender, assim, o
que ambos entendiam pelos conceitos de res publica, libertas e ius.

40
Grupo de Estudos Interdisciplinares da Antiguidade - STUDIA; E-mail: marimalacrida@gmail.com
41
E-mail: marlio.aguiar@gmail.com

24
HISTÓRIA, HISTORIOGRAFIA E A INSCRIÇÃO DE BEHISTUN

Matheus Treuk Medeiros de Araujo42


São Paulo, SP/ USP
No final do século VI a.C., o rei Dario I fez gravar no alto da montanha de Behistun
uma narrativa de sua ascensão ao trono. Localizada na estrada entre Hamadã e
Kermanshah, no noroeste do Irã, a inscrição, em três línguas, é acompanhada da
representação do rei vitorioso. Cópias em aramaico da inscrição circularam pelo império
e é evidente que o texto não se dirigia estritamente aos deuses, como se chegou a
pensar. Alguns especialistas viram nesse documento as origens da historiografia antiga
(ALMAGOR, 2017, p. 26; MOMIGLIANO, 1990, p. 7-8), sendo comum sua
comparação às Res Gestae Divi Augusti. Esse trabalho se propõe a analisar o gênero
textual da inscrição, sua audiência e as convenções que a aproximam ou distanciam das
correntes concepções de “história” e “historiografia”. Para tanto, será empregada uma
metodologia comparatista e o instrumental crítico dos estudiosos da historiografia
antiga para avaliar em que medida a eleição de Behistun como uma narrativa
excepcional entre os documentos escritos antigos se justifica. Preliminarmente, parece
que ainda há grande subjetividade e indeterminação nos conceitos do ramo, sendo difícil
afirmar se as similaridades entre persas e os autores clássicos revelam uma natureza
comum.

O JARDIM LONGÍNQUO: A CONSTRUÇÃO ESPACIAL E PAISAGÍSTICA


DO CEILÃO NOS RELATOS DE MERCADORES CRISTÃOS, SÉCS. VI E XIII

Murilo Custodio dos Passos43


Isabela Ferreira Tosta
História UFSC
Este trabalho é uma tentativa de aproximar as regiões ocidentais e orientais da
Antiguidade Tardia e do medievo a fim de construir uma história que se movimenta no
espaço e abarca diferentes culturas e temporalidades. O objetivo é investigar a
construção espacial e paisagística do Ceilão nos relatos de viagem de dois mercadores
cristãos, Cosmas Indicopleustes e Marco Polo, compreendendo a forma como davam
sentido ao espaço e relacionando à sua mentalidade os elementos da paisagem que
destacam na narrativa. Essa análise faz parte do estudo das Rotas da Seda: uma rede
transregional de contatos e conexões marítimas ou terrestres que permitiam trocas de
diferentes formas, frequentemente articuladas. A partir do confronto das fontes foi
possível identificar, além de suas especificidades, os referenciais comuns das duas
fontes na construção desses relatos: as atividades produtivas e as mercadorias locais; e
os objetos e eventos maravilhosos.

‘O CORAÇÃO PURIFICADO DE MAOMÉ’: PARALELOS


XAMÂNICOS EM VIAGENS AO ALÉM ZOROÁSTRICAS E
ISLÂMICAS
Paula Djanine Sousa Moraes44

42
FAPESP (processo n.º 2016/14318-0), E-mail: mathtreuk@gmail.com
43
E-mail: murilo_dospassos@hotmail.com

25
Brasília, DF/UnB/MPS
Esta pesquisa foi dedicada a encontrar paralelos xamânicos em relatos apocalípticos
presentes em fontes zoroástricas e islâmicas tratando acerca de viagens ao Além, tendo
como foco os relatos zoroástricos de Kīrdīr, Ardā Wiraz Nāmāg – “o livro de Wiraz, o
justo” – e fontes islâmicas que tratam acerca da Laylat al Mi'rāj – “a viagem noturna” –
, importante evento no islamismo onde o profeta Maomé ascende aos céus. A proposta
desta exposição oral será trazer uma reflexão sobre relatos de influência xamânica em
territórios árabes e da Ásia Central e discorrer sobre como esses temas – mais
frequentes em território asiático e quase inexistente em relatos semíticos – se encontram
de forma tão similar nos dois locais e como isso influenciou seus respectivos povos e a
formação de um imaginário comum entre persas e árabes – o que pode ter facilitado a
posterior conquista islâmica do território persa.

GRAVADO NA PEDRA: INTERICONICIDADE, ACOMODAÇÃO RELIGIOSA


E EVIDÊNCIA DE DIÁLOGOS INTERCULTURAIS NA ESCULTURA
ANGLO-ESCANDINAVA

Poliana de Oliveira Gomes45


Porto Alegre, RS/ UFRGS
A cruz de Gosforth é uma escultura do século X localizada no noroeste da Inglaterra,
região que recebeu migrações Hiberno-Nórdicas no século IX. Seu repertório
iconográfico é resultado da tradição escultórica anglo-saxã e de motivos oriundos de
panteões diversos. Tal fusão evidencia a presença de intericonicidade (ou
intertextualidade visual) e uma intricada justaposição de elementos da mitologia
nórdica, celta e cristã. A “iconografia pagã de ideias cristãs” é um poderoso registro
visual da retórica utilizada na cristianização destes povos. A escultura é também registro
da nova tradição figurativa, uma variação estilística regional adaptada à nova realidade
social. Nosso objetivo nesta comunicação é explorar o uso das mitologias pagãs -
através da identificação e análise iconográfica - no processo de acomodação religiosa na
região, bem como os diálogos interculturais desenvolvidos neste processo intelectual de
assimilação e ressignificação cultural, manifestos na cultura material na forma de
permanências e rupturas.

QUESTÕES DE ALTERIDADE E COLETIVIDADE EM “DECAMERON”:


CONSIDERAÇÕES SOBRE A DINÂMICA NO MOVIMENTO DO SABER
MEDIEVAL

Rafaella Schmitz dos Santos 46


História UFSC/Meridianum
A obra de Giovanni Boccaccio, o “Decameron”, é entendida no presente trabalho
enquanto uma crítica a determinadas práticas religiosas cristãs num contexto em que a
sociedade medieval italiana se encontrava assolada pela peste negra. O medo do fim dos
tempos e a questão do “castigo divino” fazem emergir no autor a necessidade de
repensar as instituições que norteiam a conduta moral da sociedade em que está

44
MPS - Middle Persian Studies, Universidade de Brasília – UnB: E-mail: pauladjanine78@gmail.com
45
E-mail: poliana.oliveira.gomes@gmail.com
46
E-mail: raferrs@hotmail.com

26
inserido, a fim de que se possa promover uma saída frente à iminência da morte.
Boccaccio apresenta histórias em que diferentes perspectivas de mundo se chocam, mas
que através do discurso e da atribuição de sentido, devem conviver em conjunto para a
reconstrução de uma sociedade que necessita ser repensada e problematizada. Buscamos
analisar a frequente sincronia da “fé” e “razão” na obra, uma vez que sua separação
estimularia a inclinação mundana dos representantes de Deus aos vícios. Por estas
questões já terem sido levantadas por Maimônides e Averróis (séc. XII – XIII),
buscamos demonstrar o lugar do outro nas questões de alteridade que permeiam o
movimento do saber medieval e ainda, como estas questões são apresentadas naquilo
que consideramos a utopia de Boccaccio: O “Decameron”.

DA ANTIGUIDADE AFRICANA PARA A SALA DE AULA:


PROBLEMATIZANDO FRONTEIRAS E USOS DO PASSADO

Raisa Sagredo47
História UFSC/GEHA/Meridianum
Decolonizar o olhar sobre África continua constituindo-se de um desafio, ainda mais ao
tratar-se da Antiguidade africana. A partir de novas pesquisas, abre-se um leque de
possibilidades para trabalhar a diversidade dessa Antiguidade no ensino, construindo
estratégias de aproximação e problematização dessa temática em sala de aula. Partindo
das próprias abordagens dos livros didáticos e de suas críticas, é possível articular usos
do passado, através da materialidade que perpassa questões sociais e políticas atuais.
Para a construção de um ensino do passado engajado com as demandas do tempo
presente, faz-se necessário trabalhar com concepções que problematizam fronteiras
étnicas e geográficas. Trazendo exemplos da recente bibliografia escolar, pretende-se
refletir de maneira crítica sobre as estratégias utilizadas nos mesmos. Pretende-se
também exemplificar, com o uso de fontes, abordagens para o ensino que contribuam
para a percepção de uma Antiguidade africana aberta, múltipla, diversa e pertencente,
geograficamente, a diferentes diálogos transculturais.

MEMES E O IMAGINÁRIO MEDIEVAL: USOS E ABUSOS DA IDADE MÉDIA


NO BRASIL

Rodolpho A. Santos Melo Bastos48


Leonardo de Lara Cardoso49
História UFSC/Meridianum
Com esta comunicação pretende-se refletir sobre a relação entre os memes e o
imaginário sobre Idade Média no Brasil. Atualmente, devido ao cenário político
brasileiro, episódios que envolvem questões educacionais, religiosas e morais, como
decisões do judiciário que permitem a professores de ensino religioso professar suas
crenças ou a liminar que torna legalmente que psicólogos ofereçam terapias conhecidas
como “cura gay”, criam-se inúmeros memes alegando que o Brasil está em retrocesso,
mergulhando de vez na Idade Média. Na contramão desse imaginário “popular” sobre o
medievo, historiadores contribuem com trabalhos que propõe a pensar uma Idade Média

47
E-mail: nefertitisagredo@gmail.com
48
Bolsista CAPES; E-mail: rodoxbastos@gmail.com
49
Bolsista CNPq; E-mail: leodelara@gmail.com

27
com considerável desenvolvimento erudito, artístico, técnico, infraestrutural, constante
trocas culturais entre os povos, etc., tendo esse rótulo de “Idade das Trevas” sido
construído, politicamente, pelo Iluminismo. Partindo dos memes enquanto fonte e do
período medieval como objeto de estudo, esse trabalho busca perceber como no Brasil
ainda é vigente essa ideia distorcida e preconceituosa em relação a Idade Média,
demonstrando a importância de se estudar o medievo no País.

DA EPÍSTOLA DE TIAGO ÀS MEMÓRIAS DE JAIME: A SACRALIZAÇÃO


DA GUERRA E A MODALIDADE CAVALEIRESCA DO CRER

Rodrigo Prates de Andrade 50


História UFSC/Meridianum
Jaime I de Aragão (1208-1276) afirmara no Llibre dels Feyts, obra de caráter
autobiográfico ditada pelo próprio monarca, uma célebre passagem proferida séculos
antes pelo seu homônimo na Epístola de Tiago – sem obras a fé está morta. Procuramos
neste artigo refletir acerca dos movimentos e transformações destes conceitos
fundamentais ao cristianismo e ao processo de sacralização da guerra. Dos primeiros
anos aos movimentos cruzadísticos dos séculos XII e XIII os conceitos de fé e obra
assumiram uma formalidade nobiliárquica. Nesta modalidade cavaleiresca do crer,
nobres, senhores e cavaleiros estabeleceram no combate um contato direto com o
divino.

A REPRESENTAÇÃO DO BASTÃO MÁGICO NA ERA VIKING: UM OBJETO


SAGRADO ENTRE OS DEUSES E OS HOMENS

Sara Carvalho Divino 51


Ponta Grossa, PR/ UEPG
O presente trabalho tem como propósito apresentar elementos que estão relacionados a
um objeto mítico existente na religiosidade nórdica, o bastão mágico. Este objeto
simbólico está inserido no universo religioso e mítico dos homens, sendo portador de
sentidos e poderes sobrenaturais para a realização de práticas mágicas em múltiplos
lugares, a saber: momentos de culto e no cotidiano dos indivíduos. Na era pré-cristã
escandinava, esse instrumento era uma peça de importante relevância na ritualística
nórdica, ao passo que o mesmo também indicava o lugar social do homem e da mulher
dentro dessa sociedade, e também da magia. Assim, busca-se perceber como esse
discurso que foi construído e conseguiu modular comportamentos, bem como construiu
a identidade dessa sociedade. Esse trabalho busca apresentar a relação dos deuses e
seres míticos com o bastão que lhe confere as suas características sobrenaturais. E
também sua composição ao ser produzido pelo homem, bem como o seus significados e
representações. As fontes utilizadas para a realização desse trabalho são os poemas
Hávamál e Skírnismál. Para realizar este trabalho na parte teórica utilizou-se do
imaginário social de Bronislaw Backzo e Hilário Franco Júnior e o conceito de
identidade e representações de Roger Chartier. Este trabalho é parte integrante do
desenvolvimento da dissertação do mestrado, que tem como objetivo fazer uma análise
da representação e da identidade mágica na cultura nórdica construída através do bastão.

50
E-mail: rodrigopratesdm@hotmail.com
51
E-mail: saradivino@gmail.com

28
A FIGURA DO GUERREIRO IDEAL PARA CHRISTINE DE PIZAN EM SEU
LIVRE DES FAITS D’ARMES ET DE CHEVALERIE

Stephanie Sander52
História UFSC/Meridianum
Christine de Pizan (c. 13650 – c. 1430) figura entre os principais pensadores políticos
do século XV, é conhecida principalmente por ter defendido os direitos das mulheres
em seu tempo e hoje sua vida e obras são amplamente estudadas. Esta proposta de
comunicação pretende apresentar alguns dos resultados de nossa pesquisa de conclusão
de curso finalizada em 2016, que dá destaque a uma obra política da autora que é pouco
estudada atualmente, o Livre des faits d’armes et de chevalerie (1410). O livro foi um
de seus trabalhos mais conhecido por seus contemporâneos. Pizan superou os objetivos
de seu mecenas e construiu uma obra para aconselhar todos os envolvidos de alguma
forma com a guerra, que possam ler ou ouvir ler seus escritos. Ela abordou o que
considerava relevante para seu público, enfatizando a importância do treinamento, das
estratégias e do conhecimento de leis marciais e propôs um exemplo de ideal
comportamental para os guerreiros, inspirado no seu entendimento de um cavaleiro
ideal, desenvolvido em outras obras. Com base no estudo hermenêutico da fonte
buscaremos definir e compreender o perfil do guerreiro ideal francês, de acordo com a
visão da autora no livro.

DIVINO, HEROICO E BASTARDO: UMA ANÁLISE SOBRE A FILIAÇÃO


ATRIBUÍDA A ALEXANDRE - A SUPOSTA RELAÇÃO EXTRACONJUGAL
ENTRE OLÍMPIA DO ÉPIRO COM NECTANEBO II

Stephany Guedes Krause53


Brasília, DF/UnB/MPS
A proposta deste artigo é trazer uma reflexão sobre o mito que coloca em questão a
suposta paternidade de Alexandre, o Grande. O fato de que existia a desconfiança
quanto à fidelidade de Olímpia trouxe a tona a suspeita de que Alexandre poderia ser
filho do rei Nectanebo II do Egito, que fugindo dos persas se refugiara na corte
macedônica, onde teria sido reconhecido como um grande mago egípcio tornando-se
então alvo da apreciação de Olímpia, e, secretamente pai de Alexandre. Através de uma
análise comparada, conduzi a pesquisa através de fontes como a Vida de Alexandre, de
Plutarco, e o Romance de Alexandre, onde se encontra a lenda sobre a suposta
paternidade de Alexandre por Nectanebo II. O questionamento sobre a paternidade de
Alexandre pode ser encontrada em algumas fontes, e o cruzamento dessas fontes só
corrobora com a hipótese de que a questionável reputação de Olímpia era algo de
considerável conhecimento popular. Levando em conta todo relato a respeito da postura
matrimonial de Olimpia, Alexandre poderia ou não ser filho de Nectanebo, Filipe, ou
qualquer outra personalidade presente na vida de Olimpia.

52
E-mail: tephasander@gmail.com
53
MPS - Middle Persian Studies, Universidade de Brasília – UnB; E-mail: s.gkrause.unb@gmail.com

29
MA’MAR KIDUSH HASHEM: A PROPOSIÇÃO EPISTOLAR DE
MAIMÔNIDES SOBRE CONVERSÃO E MARTÍRIO JUDAICO. SÉC XII

Tatiane Santos de Souza54


Rio de Janeiro, RJ/UFRRJ/Pluralitas/PPHR
Dentre os extensos conjuntos textuais rabínicos produzidos na Idade Média, a Igueret
Hashmad ou Ma’mar Kidush Hashem – A Epístola sobre o Extermínio, representa um
dos pilares da literatura sefaradí referente à temática das conversões coletivas
obrigatórias ao Islam. Maimônides foi um rabino que vivenciou o período de
estreitamento conflituoso das relações judaico-muçulmanas a partir do rigorismo dos
Almôadas na Península Ibérica e Norte da África. Nesta epístola, Maimônides se
debruça sobre os dilemas judaicos e se propõe a esclarecê-los à luz da Torah e do
Talmud, àqueles que estavam sob a imposição da conversão religiosa. Nossa proposta é
trazer à tona essa literatura sefaradí e analisar a discursividade maimonidiana, sobretudo
no que se refere a recusa do martírio em favor da sobrevivência das comunidade.

PAGANISMO NO MEZZOGIORNO ITALIANO: NOTAS SOBRE A


HISTORIOGRAFIA LOCAL E AS SOBREVIVÊNCIAS CULTURAIS NO SUL
DA ITÁLIA

Thays Tonin55
Mantera, Itália/UNIBAS/UNESCO
As sobrevivências do paganismo na cultura europeia em suas formas textuais e
imagéticas têm seu espaço nos debates acadêmicos desde a primeira metade do século
XX, com os estudos de Aby Warburg (1866-1929) e sua herança intelectual. Essa
comunicação pretende utilizar-se dos estudos warburguianos, de Fritz Saxl (1985) e
Jean Seznec (1981), da historiografia italiana e dos estudos antropológicos locais, como
Giuseppe Galasso (1965), Ernesto de Martino (1959), e Rosalba Demetrio (2015), para
pensar a sobrevivência da deusa Fortuna no mezzogiorno italiano, considerando o sul da
Itália exemplo sui generis de sobrevivências de outros tempos. Para isso, entram em
jogo fontes como De Consolatione Philosophiae, Carmina Burana e Hortus deliciarum,
centrais na constituição figurativa da Fortuna. De Magna-Grécia à Itália unificada,
sobrevivem diversas heranças culturais, transformadas em uma só: a de um
mezzogiorno de paganismos e sincretismos ainda presentes, mas também de uma
surpreendente ausência de estudos sobre tal, ou seja, sobre as regiões de uma Itália
meridional que tiveram grande contato com o mediterrâneo, suas rotas e suas
consequências.

A INCONGRUÊNCIA SOB O CONSULADO EM POLÍBIO: A


INCOMPATIBILIDADE ENTRE A CONCEPÇÃO MONÁRQUICA DA
MAGISTRATURA NA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA E A NARRATIVA
DAS ATUAÇÕES DOS CÔNSULES DURANTE A SEGUNDA GUERRA
PÚNICA

Thiago Costa Juliani Regina 56

54
Bolsista CNPq; E-mail: tatianesza@gmail.com
55
UNIBAS - Università degli Studi della Basilicata; UNESCO “Chair on Mediterranean Cultural
Landscapes and Communities of Knowledge”. thays.tonin@unibas.it

30
Guilherme Müller Zabel57
Porto Alegre, RS/História PUCRS
O presente estudo se propõe a examinar como Políbio retrata a função ou participação do
consulado romano durante a Segunda Guerra Púnica, detendo-se sobre as críticas e
considerações negativas acerca da forma de comando militar, quanto às dissensões entre os
cônsules, às relações dos generais com o senado, aos direitos e deveres mútuos, à harmonia
e ao desequilíbrio de interesses que poderia emergir da dupla autoridade. Para Políbio, o
cargo se configuraria em uma instituição de caráter monárquico, o que seria
contrabalançado com o papel do Senado, exercendo aspectos aristocráticos, e as
assembleias populares, que promoveriam o teor democrático. Sendo a própria condição de
magistratura colegiada e elegível fatores enfraquecedores da unidade de comando político e
militar, consideramos que, ao contrário do timbre monárquico do consulado, atribuído pelo
historiador grego, a função apenas se configuraria como tal, nos desvios individuais de um
dos cônsules, na medida em que, lançando mão de sua autoridade sobre o exército, o cônsul
a utilizava como expediente para a satisfação de interesses pessoais, agindo de forma
despótica e autocrática.

COSMOGONIAS E DEMIURGOS: DIVERSIDADE RELIGIOSA NO ANTIGO


EGITO E RELAÇÃO COM O PODER FARAÔNICO

Thomas Henrique de Toledo Stella 58


Piracicaba, SP/USP/Unicamp
A apresentação analisará a relação do poder estatal do Antigo Egito com os templos e
como a diversidade religiosa dos mitos cosmogônicos e dos Deuses demiurgos integra-
se com o regime político faraônico. Objetiva-se compreender se existe uma conexão
direta entre as mitologias religiosas e o poder político na história do Antigo Egito
faraônico. Como metodologia, serão analisadas as cosmogonias e divindades da Enéada
de Heliópolis e as tríades de Mênfis e Tebas, identificando a conexão entre mitologia e
política. Considera-se como hipótese que os mitos guardam uma simbiose com a
instituição dos templos e com o Estado faraônico e que, por isto, a própria religião
egípcia sobreviveu apenas enquanto essas estruturas estavam em funcionamento.

REPETIÇÕES DE SÍMBOLOS DURANTE EXPERIÊNCIA ONÍRICA EM UM


APOCALIPSE PERSA

Victor Hugo P. de V. B. de Souza 59


Brasília, DF/UnB/MPS
O presente trabalho é resultado de uma análise comparativa entre duas passagens de um
apocalipse persa denominado Zand ī Wahman Yasn, abordando, em especificidade, a
questão de camadas redacionais distintas ao mesmo tempo em que considero a
simbologia dos metais, a temática das idades do homem e, sob certa chave de leitura, a
sucessão imperial persa presente nas passagens em questão. Ao realizar tal análise,
espero encontrar elementos que apontem para qual das passagens é mais antiga, já que

56
E-mail: agapi.bandeira@acad.pucrs.br
57
E-mail: guilherme.zabel@acad.pucrs.br
58
Historiador pela FFLCH/USP, mestre em Desenvolvimento Econômico pelo IE/Unicamp;
thomasdetoledo@yahoo.com.br
59
MPS - Middle Persian Studies, Universidade de Brasília – UnB: E-mail: victor45souza54@gmail.com

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ambas são extremamente semelhantes e saltam aos olhos do leitor quase como que
repetições de um mesmo evento. Muitos historiadores e linguistas têm se dedicado a
esta mesma tarefa de datação, cuja importância é inestimável para aqueles que lidam
com manuscritos zoroastrianos. Embora apresentem conteúdos que remontem à
antiguidade, os manuscritos mais antigos datam não antes do século X DEC.

AS REPÚBLICAS DE POLÍBIOS E CÍCERO, UMA NOVA PERSPECTIVA


SOBRE A HISTÓRIA ROMANA

Vinícius Aleixo Fedel60


História UFSC/GEHA
A república romana, dentro da historiografia tradicional, é vista como uma estrutura
política imutável que, durante os séculos II a.C e I a.C, passou por uma série de crises e
rupturas até se estabilizar com o passar do tempo. Tal perspectiva tem respaldo na
antiguidade quando, em sua obra ´´A Republica´´, Cícero (106 a.c - 43 a.c) descreve que
o sistema política romano era como um quadro, que com passar do tempo passou por
diversas restaurações que em vez de trazerem luz a sua beleza original, o tornaram
borrado e com as bordas mal definidas, fazendo com que sua identificação se fizesse
impossível. Alguns anos antes de Cícero, o historiador grego Políbios (200a.C - 118a.C)
ao analisar as origens, o desenvolvimento e fechamento das guerras contra Aníbal,
atesta que aquela sequência de eventos é inédita dentro da história, uma vez que nunca
antes os acontecimentos do mundo todo confluirão para um único fim. Afirma que
apenas estudando a totalidade do contexto seria possível compreender como os
romanos, em um período de menos de cinquenta anos, conquistaram todo o mundo
conhecido e, principalmente, sobre como era tal sistema político que possibilitou essas
conquistas. Em sua conclusão ele afirma que, se nada fosse alterado, Roma teria
potencial para governar o mundo para sempre. O objetivo do presente trabalho é dar luz
a perspectiva apresentada pela historiadora Harriet I Flower, in Roman Republics, e a
partir de tal perspectiva, traçar paralelos entre as mudanças estruturais no sistema
político romano, utilizando as obras de Políbios e de Cícero como marcos temporais.

SABERES E VISÕES: UM ESTUDO COMPARADO ENTRE AIAS DE


SÓFOCLES E HISTÓRIAS DE HERÓDOTO

Vítor Medeiros Costa61


Filosofia UFSC/Núcleo de Filosofia Antiga
Sófocles dedicou a Heródoto uma ode em 442 a.C., quando apresentou Antígona, peça a
qual Sir Richard C. Jebb (1900) percebeu ser uma apropriação histórica (grosso modo
análoga ao que chamamos hoje “romance histórico”) de Heródoto (Histórias, I, 119. 6).
Enquanto isso, Heródoto também possui influências da tragédia. Assim, por um lado,
tem-se em vista a gradação de saber destacada na trad. de Flávio Oliveira de Aias (vv.
10-60) em três níveis: o de Atena que “sabe por ter visto” (eiduîa); o de Odisseu que
não precisa “espiar” (paptaínein) para saber, confiando na visão da deusa; e o de Aias,
mortal desorientado e privado de toda acuidade visual (ep’ ómmasi). Por outro lado,
compara-se a primariedade da visão em relação à audição para a historiografia de

60
E-mail: viniciusafedel@gmail.com
61
E-mail: vitorcloud@hotmail.com

32
Heródoto e seus personagens, sobretudo no Livro I, o que já é bem conhecido via
estudos de Hartog e outros. Percebendo essas proximidades, esta pesquisa analisa a
relação ver-saber (eídō-eidénai) procurando dar uma contribuição à história dessa
relação no séc. V a.C..

VI. PÔSTERES

ASPECTOS ÉTICOS NO LIVRO DA ORDEM DE CAVALARIA DE RAMON


LLULL

Augusto Leandro Rocha da Silveira62


Niterói, RJ/IBFCRL
No Livro da Ordem da Cavalaria (1279-1283), Ramon Llull pretende sistematizar e
orientar os novatos interessados no ofício de Cavaleiros pleiteantes a ocupar uma vaga
na Ordem da Cavalaria e, para tanto, elenca valores de ordem espiritual, moral e éticos.
Desta maneira, o Doutor Iluminado invoca valores cristãos para expor as características
deste ofício destinado a poucos durante o Medievo Europeu. A referida sistematização
expôs o caráter divino do Cavaleiro, que, para Llull, deve estar a serviço da fé cristã em
sua luta contra os infiéis, pacificando os homens, através de suas andanças. A presente
Obra foi uma contribuição de Llull para normatizar e instituir à Cavalaria seu próprio
código de ética através das polaridades, virtudes/vícios, bem como à definição de
Cavaleiro, seus costumes e às questões envolvidas neste tão nobre ofício.

HISTÓRIA DA RELIGIÃO: REFLEXÕES SOBRE AS REPRESENTAÇÕES DO


DEUS EL NA CULTURA UGARÍTICA

Cristiano Constante 63
Blumenau, SC/FURB/LABEAM
O conceito de deus esta intimamente ligado aos aspectos culturais de uma determinada
cultura. Destaca-se as contribuições do ciclo ugarítico de Baal para a compreensão das
representações de El (Ilu) no antigo oriente. Este trabalho tem por objetivo investigar
como El é representado no ciclo de Baal, e relacioná-lo com o que a Historiografia já
produziu, e discutir novas abordagens, problemas e contribuições desta temática. Nos
apoiaremos metodologicamente na análise de tablets cuneiformes e estatuetas ugaríticas
de El, relacionando-os com a Historiografia nacional e internacional. A religião
enquanto cultura, justifica-se como objeto de pesquisa histórica, neste sentido, contribui
para a compreensão do modo de pensar do homem enquanto um ser religioso, o estudo
das representações de El nos auxiliará a refletir nossa herança cultural.

A LITERATURA MEDIEVAL EXPLICADA ATRAVÉS DE UM VERBETE

Eduarda Boufleuher da Silva 64


Santa Maria, RS/UFSM/Virtù

62
Instituto Brasileiro de Filosofia e Ciência Raimundo Lúlio IBFCRL; E-mail: augustosilveira@id.uff.br
63
E-mail: history.lab@outlook.com
64
Grupo de História Medieval e Renascentista – VIRTÙ; E-mail: edu_boufleuher@hotmail.com

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Este trabalho visa apresentar uma reflexão acerca do processo de criação de um verbete,
o qual se trata de Literatura Medieval e faz parte do projeto de extensão “Wiki
Medieval: construção e difusão de conhecimento acerca de História Medieval e do
Renascimento” pertencente ao Grupo de Pesquisa da Universidade Federal de Santa
Maria “Virtù - Grupo de História Medieval e Renascentista”. O trabalho a ser discutido,
tem como objetivo o esclarecimento simples e didático sobre o que é, na Idade Média, a
literatura. Para tanto foi feito um levantamento bibliográfico sobre as principais
características do tema, sendo elas a definição, abrangência e contexto da literatura no
período medieval. Com este trabalho foi possível constatar, por exemplo, a existência de
cultura letrada na sociedade do período, o que contrapõe o termo estereotipado de
“Idade das Trevas” e dá uma nova perspectiva a respeito do tema.

PELAS ÁGUAS DO TEMPO: A PERMANÊNCIA DO MARE TENEBRUM NO


CONTEXTO DA EXPANSÃO MARÍTIMA PORTUGUESA

Eduardo Leite Lisboa65


Ponta Grossa, PR/UEPG
A partir da História das Mentalidades e ancorados na longa duração, analisar através de
um fio condutor centrado na serpente marinha como a visão oceânica se constituiu, da
Antiguidade grega até o fim do Renascimento português, atentando-se às permanências
e rupturas. Demonstrar a prolongação do imaginário marítimo medieval em um
momento histórico de aversão ao Medievo e naquilo que foi a grande marca do período.
Valendo-se da sempre presente serpente marinha (literatura e cartografia), construir em
torno dela a compreensão do Atlântico para o mundo Antigo, Idade Média e
Renascimento nas capitais fontes de cada Era. Como denuncia o título, mesmo em se
tratando de um (pré)projeto, foi perceptível a persistência do Mare Tenebrum através
das menções em torno do monstro marinho escolhido.

JULGAMENTO DO OPOSITOR: A ICONOLOGIA DO DIABO NAS


PINTURAS DO ÚLTIMO JULGAMENTO

Jordana Eccel Schio66


Santa Maria, RS/UFSM
A pesquisa intitulada “O Julgamento do Diabo: a iconografia e a iconologia do diabo
nas pinturas murais sobre o Último Julgamento na Península Itálica entre 1350-1550”,
está amparada pelo projeto guarda-chuva “poder, imaginário, cultura e religiosidades
no Medievo e no Renascimento”. Busca analisar, a partir de uma abordagem histórica e
artística, a figura do Diabo nas pinturas murais sobre O Último Julgamento, entre 1350
e 1550, na Península Itálica. As fontes usadas são: O Último Julgamento, pintada por
Nardo di Cione (1320 – 1366), localizada em Florença, e O Juízo Final, pintada por
Michelangelo Buonarroti (1475 - 1564), localizada na Capela Sistina. O objetivo é
realizar uma abordagem interdisciplinar das fontes e uma aproximação com a obra
literária A Divina Comédia, de Dante Alighieri. Para responder se a representação do
Diabo nas duas pinturas murais com temática sobre O Último Julgamento, na região da

65
E-mail: eduardolisboa.his@gmail.com
66
E-mail: jordanaschio06@gmail.com

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Península Itálica, entre 1350 e 1550, se modificou. E, se a Peste Negra refletiu de
algum modo na forma de representar a personificação do Mal.

GRANIZO DE AÇO: BREVE ANÁLISE SOBRE O ARCO LONGO INGLÊS

Ramiro Paim Trindade Junior 67


Santa Maria, RS/UFSM/Virtù
O tema dessa pesquisa é a criação de um verbete sobre o Arco Longo Inglês e seu
impacto nos conflitos medievais, quais foram as consequências da sua entrada no campo
de batalha. Além disso também se buscou fazer um relato cronológico sobre seu
surgimento e como era construído. A metodologia se baseou na leitura crítica e
cruzamento de informações presentes em obras bibliográficas que abordam essa arma e
as batalhas do medievo. Essa pesquisa se insere dentro do projeto Wikimedieval, uma
iniciativa do Grupo de História Medieval e Renascentista – Virtù, da UFSM. O objetivo
desse trabalho é a construção e difusão de conhecimento acadêmico para o público
acerca de História Medieval e Renascentista, principalmente focando em discentes e
docentes dos ensinos básico e fundamental. Através desse trabalho foi possível entender
melhor o papel do Arco Longo Inglês no processo de decaimento do uso da cavalaria
nos combates e como ele ajudou a provar a eficiência das armas de longo alcance.

67
Grupo de História Medieval e Renascentista – VIRTÙ; E-mail: ramiropaim@hotmail.com

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