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A realidade do Suicídio

Em média, mais de 800.000 pessoas cometem suicídio por ano no mundo. O


comportamento suicidário encontra-se no 15º lugar no ranking de mortalidade,
contribuindo com 1,5% de entre todas as mortes. O número de suicídios ultrapassa o
número de homicídios, mortes de acidentes de viação.

Todavia, é muito estranho ver o quanto os mídia falam sobre homicídios e tão
pouco sobre aqueles que terminam com as suas próprias vidas, e pelas estatísticas de
factores de risco, temos que ter mais medo dos nossos relacionamentos amorosos, pois a
violência doméstica/namora pode levar ao suicídio de um dos membros do casal.

De acordo com os dados da OCDE, nos países desenvolvidos, as causas do


suicídio são as seguintes:

1) estima-se que 45% tem como base factores fisiológicos (relacionados com
desequilíbrios químicos no cérebro);

2) 55% estão relacionados com factores psicológicos – neste grupo, 32% relacionam-se
com desgostos amorosos, 10% com dificuldades financeiras/carreira,
humilhação/vergonha, perda de esperança/desespero, entre outras.

O suicídio é o sinal mais evidente de que o ser humano é altamente vulnerável


psicologicamente e da profunda dificuldade em que temos de compartilhar essa
vulnerabilidade com os outros, e, portanto, de criar comunidades incutidas de valores e
atitudes que podem salvar vidas.

Governos de países ricos têm a tendência, na sua maioria, de direccionar os seus


esforços para a pobreza, doenças e envelhecimento. O suicídio alerta-nos para um
problema mais estranho: a extensão dos nossos distúrbios psicológicos e a fragilidade
das nossas mentes, que não podem ser concertadas com mais dinheiro ou produtos
consumíveis. Pelas causas do suicídio damo-nos conta de quanto necessitamos de
AMOR, ACEITAÇÃO PRÓPRIA, ESPERANÇA, ORGULHO, PERDÃO. Estas
qualidades não são nenhum luxo; elas podem salvar vidas.

É a literatura que nos tem alertado, talvez mais do que qualquer outra área, do
quanto essas qualidade são importantes. Em 1599, na peça de HAMLET, de William
Shakspeare, Ofélia prefere suicidar-se do que viver sem o seu amado Hamlet; daqui
aprendemos que, para sobreviver, precisamos de amor e estratégias de coping para lidar
com a separação. Em 1856, no romance MADAMME BOVARY, de Gustave Flaubert,
uma jovem mãe suicida-se usando arsénico por se sentir envergonhada perante a
sociedade por corrupção e traição; daqui retiramos que, para sobreviver, precisamos de
respeito e perdão. Em 1877, no romance de LEO TOLSTOY, Anna Karenina, o herói,
Levin, contempla o suicídio ao manter uma corda mo seu escritório por ter perdido a
noção de sentido e direcção; daqui aprendemos que, para sobreviver, precisamos de
objectivos e de um significado.

O que torna o suicídio ainda mais sobrevalorizado é o elemento surpresa. Até


podemos saber qie determinada pessoa tem problemas, mas nunca imaginamos que
possam chegar a tal porto. Mas a surpresa evidencia uma negligência involuntária de
cada um de nós. Relatamos em conferir as nossas necessidades psicológicas a
importância que elas merecem.

Já o filósofo, Arthur Shopenhaver, em 1818 aborda a questão da seguinte forma:


Devemos sempre estar atentos com o facto de que nenhum Homem está muito longe do
estado em que possa, prontamente, apanhar uma espada ou um veneno e pôr um fim à
sua existência. É importante realçar o facto de que alguns países apresentam taxas de
suicídio mais altas do que outras. No Kuwait, os números chegam próximos de zero (0.1
por cada 100 mil habitantes) enquanto na Índia e em França, as taxas aproxima-se de
10. No japão, o número é ainda maior, 17.9/100.000; e a China tem a maior taxa de
todas (25.6).

Os números sugerem que, por mais que nenhuma sociedade consiga eliminar a
dor, há muito a fazer no que respeita à interpretação e aceitação dessa dificuldade, o que
poderia diminuir os riscos da probabilidade de um suicídio.

Sociedades com baixas taxas de suicídio são aquelas que aceitam melhor os seus
fracassos, dão mais valor ao perdão, e possuem um sistema de status que preza mais o
valor intrínseco de uma pessoa do que as suas realizações.

O suicídio é o maior símbolo da dificuldade que temos em sermos seres vivos


humanos e o facto da nossa existência continuar a causar-nos surpresa é um sinal de que
existe um número muito maior de níveis de angústia do que estamos habituados a lidar.
Apesar disso, apenas uma pequena percentagem da população cometer suicídio,
o que já demonstra um nível de angústia oculta, é uma prova do quanto somos frágeis e,
portanto, do quanto devemos, uns aos outros e a nós próprios, muito mais compaixão do
que costumamos dar.