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VIVER EM PORTUGUÊS

UNIDADE 6653 – PORTUGAL E A SUA HISTÓRIA


VIVER EM PORTUGUÊS

Portugal e a sua História

Índice

Introdução……………………………………………………….……………………………2

Resultados da aprendizagem………………………………………………….…………3

1.A civilização industrial no século XIX e XX………………………………………...4


1.1.O mundo industrializado no século XIX…………………………………………………..4
1.2.As alterações urbanas e sociais da industrialização………………………………….7
1.3.Os novos modelos culturais do mundo industrializado…………………………...12
1.4.Portugal entre os séculos XIX e XX……………………………………………………...14

2.A Europa e o mundo no século XX……………………………………………….….21


2.1.As transformações económicas do pós-guerra……………………………………...21
2.2.Mutações na estrutura social, na cultura e nos costumes.........................27
2.3.Ruptura e inovação na arte e na literatura…………………………………………...32

3.Portugal no século XX………………………………………………………………….41


3.1.Portugal: da I República à ditadura militar…………………………………………...41
3.2.Portugal: o autoritarismo e a luta contra o regime…………………………….….44
3.3.Portugal democrático: a Revolução do 25 de Abril e a instauração do Estado
Democrático…………………………………………………………………………………………...53

Propostas de atividade………………………………………………………………….62

Bibliografia…………………………………………………………………………….……64

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Portugal e a sua História

Introdução

Durante quase meio século, estruturou-se e perpetuou-se um regime autoritário em


Portugal. Que concepções e que mecanismos explicam tal longevidade?

A agonia e queda do Estado Novo na resultante de um vasto conjunto de fatores,


internos e externos, abriu caminho a um intenso processo de transição democrática, que
se institucionalizou com a Constituição de 1976.

A construção do Portugal democrático alicerça-se assim sobre a ruptura de uma velha


ditadura e um período de fortes e contraditórias pulsões que o edifício constitucional não
deixaria, inevitavelmente, de reflectir.

Neste sentido, torna-se relevante que o desenvolvimento temático proposto tome como
horizonte, mais do que um processo histórico próximo, a possibilidade dos formandos
reforçarem o conhecimento das instituições e mecanismos que gerem a sociedade
portuguesa e percepcionarem-se como cidadãos de pleno direito, avaliando princípios e
práticas sociais.

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Resultados da Aprendizagem

 Situar, cronologicamente, os momentos mais importantes da história de Portugal


contemporâneo.
 Identificar, em diferentes períodos de tempo, as influências estrangeiras na
cultura e nos diversos sectores de actividade económica portugueses.
 Reconhecer o protagonismo de Portugal em determinados momentos históricos.
 Relacionar as diferentes correntes de pensamento com a produção artística e
literária que lhes está associada.
 Caracterizar, genericamente, a evolução da estrutura social, da cultura e dos
costumes.
 Compreender as causas que conduziram a um processo de transição democrática
em Portugal.

1.A civilização industrial no século XIX e XX

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1.1.O mundo industrializado no século XIX

Iniciada no século XVIII, na Inglaterra, a Revolução Industrial traduziu-se, em "sentido


lato", num processo de modificações estruturais profundas na economia, na sociedade
e na mentalidade do mundo ocidental ao longo do século XIX.

Em "sentido estrito", as transformações tecnológicas e económicas foram, porém, a


imagem de marca da revolução industrial. Grandes descobertas técnicas, amparadas em
novas fontes de energia, motivaram a passagem da manufactura à maquinofactura.

A palavra "indústria" passou a ser utilizada para designar o fabrico, em grande escala,
oriundo do maquinismo e um país industrializado definiu-se pela percentagem de mão-
de-obra e pela riqueza obtidas através do sector secundário de actividades.

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Obviamente, a revolução industrial não constou de uma única operação, tal como os
diferentes países foram afectados em épocas e a ritmos também diferentes.

Assim, de 1780 a 1840-50, distinguimos uma primeira revolução industrial, liderada pela
Inglaterra: foi a revolução do carvão, do ferro, do algodão e da máquina a vapor, que
determinou o desenvolvimento do Capitalismo Industrial.

Por volta de meados do século XIX, a revolução industrial está em expansão. É a segunda
revolução industrial, do aço, do petróleo, do motor de explosão e da electricidade, que
se espalha pela Europa e atinge a América do Norte e o Japão, entre 1850 e 1914. O
Capitalismo Financeiro atinge, então, um ponto alto.

O alargamento das vias de comunicação


O alargamento das vias de comunicação foi um factor e um mecanismo da
industrialização, na medida em que constituiu um investimento de base. Um
investimento de tal modo poderoso, a partir de meados do século XIX, que os
historiadores não hesitam em falar numa revolução dos transportes dentro da Revolução
Industrial.

A revolução dos transportes caracteriza-se, antes de mais, pela aplicação da máquina a


vapor à navegação e aos transportes ferroviários.

Os caminhos-de-ferro
Os caminhos-de-ferro nasceram do encontro de duas técnicas: o ferro e a máquina a
vapor. Os carris eram já utilizados no século XVIII para a tracção de vagonetas puxadas
por cavalos, nas minas e nas pedreiras.

Mas a grande revolução consistiu na aplicação da «locomotiva» à tracção dessas


vagonetas.

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Os caminhos-de-ferro provocaram profundas implicações económicas, sociais e até


culturais:
 A agricultura encontrou novos mercados e pôde vender géneros de pequena
duração em zonas distanciadas, assim como especializar as suas produções.
 Os centros urbanos foram abastecidos com regularidade, evitando-se crises de
fornecimento.
 Quantidades crescentes de ferro, carvão e madeira foram absorvidas, para o
apetrechamento e consumo do novo meio de transporte.
 Impulsionou-se a siderurgia, facilitada pela invenção do conversor Bessemer.
Assim se obteve o aço, muito mais resistente que o ferro e simultaneamente
maleável.
 Favoreceram-se as operações financeiras, mediante o lançamento de acções e
empréstimos por obrigações; construiu-se o aparelho bancário moderno;
criaram-se sociedades por acções, o tipo mais aperfeiçoado de empresa
capitalista no período da segunda revolução industrial.
 Facilitou-se o povoamento de vastas regiões, nos E.U.A. e na Rússia, por
exemplo.

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 Reduziram-se as tarifas e os custos dos transportes; estimulou-se o consumo de


massas.

Em suma, pôs-se fim ao isolamento de vastas regiões, integradas, desde então, numa
teia de ligações. Com efeito, a dinamização das trocas criou um mercado unificado, o
verdadeiro mercado interno com a dimensão de um mercado nacional. Ora, um mercado
unificado e nacional é uma condição imprescindível à modernidade e ao desenvolvimento
dos Estados.

Absorveu-se, também, mão-de-obra disponível, através de novas profissões, como


ferroviários, carregadores...Facilitou-se a correspondência, reduziu-se a metade o custo
das deslocações dos viajantes; justificou-se a produção mais frequente de publicações
periódicas.

Concluindo, as distâncias encurtaram-se, circularam ideias novas, o Capitalismo triunfou.

A violência das crises cíclicas e as calamidades sociais que as acompanharam mostraram,


porém, os excessos do liberalismo económico. As adaptações e os reajustes tiveram
forçosamente de se verificar e os mecanismos de resposta às crises passaram pela
adopção de medidas proteccionistas e por uma maior intervenção dos Estados na vida
económica, submetida doravante a critérios de planificação.

1.2.As alterações urbanas e sociais da industrialização

O século XIX registou, por todo o Mundo, um extraordinário aumento demográfico, pelo
qual a população da Terra, com excepção feita à africana mais do que duplicou no lapso
de tempo que decorreu entre os anos de 1800 e 1913-14.

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Foi para designar este fenómeno, único na História até aí vivida, que demógrafos e
historiadores utilizaram a expressão "explosão demográfica", significando o intenso e
rápido crescimento populacional do nosso planeta no século XIX.

O século XIX foi também um século de surto urbano. Como consequência da


industrialização, as cidades cresceram a um ritmo muito acelerado (em número, em
extensão e em quantidade de população). O rápido crescimento urbano do século XIX é
atribuído aos seguintes factores:
 Ao crescimento demográfico;
 Às alterações económicas provocadas pelas transformações nos campos e pela
industrialização (a mecanização dos campos e as alterações no tipo de
propriedade contribuem para o desemprego rural. As cidades, centros industriais
e comerciais que oferecem maiores possibilidades de emprego, absorvem a mão-
de-obra que o campo liberta – êxodo rural);
 Ao incremento e desenvolvimento dos transportes, nomeadamente os caminhos-
de-ferro;

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 Ao fascínio que as modernidades e as comodidades que a vida citadina parecia


oferecer, pela novidade das realizações culturais e recreativas, correspondendo
ao ideal de promoção social.

A concentração populacional, das indústrias, do comércio e dos serviços, nos espaços


citadinos, levantou problemas de difícil resolução, problemas esses que se fizeram sentir
de forma mais grave ao nível:
 Da habitação: o espaço torna-se pequeno para albergar uma população que
cresce rapidamente;
 Da circulação: o incremento dos transportes, aliado à elevada densidade
populacional, cria problemas de tráfego nas antigas ruas estreitas e sinuosas;
 Do abastecimento: de água (cujo consumo exigiu novos meios de captação,
tratamento e distribuição), de combustíveis e de bens alimentares;
 Do saneamento e da saúde pública: a forte densidade populacional e a
insuficiência de infra-estruturas de higiene e de saneamento faziam proliferar as
epidemias (como a cólera e a tuberculose).
 Da delinquência e do desregramento (criminalidade, alcoolismo, violência
doméstica, mendicidade, prostituição), causados pela miséria extrema e pelo
desenraizamento das populações que afluíam à cidade.

Os problemas sentidos pelas cidades estiveram na origem de intervenções urbanísticas


que alteraram a fisionomia da cidade:
 No centro, onde se encontram os edifícios governamentais e de negócios, criam-
se redes de saneamento, pavimentam-se ruas, iluminam-se essas mesmas ruas
(a gás ou a energia eléctrica), abrem-se espaços verdes, constroem-se áreas de
lazer e de cultura;
 Os bairros adjacentes prolongam o centro, servindo de área residencial para os
ricos, para as elites urbanas;
 Os subúrbios, “dormitórios” dos operários, caracterizados pela insalubridade das
ruas e das habitações.

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O século XIX produziu, em todo o Mundo desenvolvido, impressionantes fluxos


migratórios que, embora difíceis de contabilizar com precisão, são unanimemente
reconhecidos como os maiores da História. Estes movimentos demográficos geraram
correntes de migrações internas e de emigração.

Migrações internas:
a) Deslocações sazonais: movimentos temporários de populações que percorriam
várias regiões atraídas por trabalhos próprios de cada estação do ano e de cada
região.
b) Êxodo rural: normalmente migrações definitivas do campo para a cidade,
provocadas pela introdução de práticas capitalistas nos campos e pelo desejo
individual de promoção social. Envolveu sobretudo as camadas jovens,
provocando enormes implicações como a diminuição da população rural, o
envelhecimento da população camponesa, o atraso e estagnação do mundo rural
e o rejuvenescimento e carácter mais progressivo das cidades.

Emigrações:

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a) Dentro do espaço europeu, a tendência verificou-se sobretudo entre os países


menos desenvolvidos e os mais industrializados, embora a fuga de situações de
conflito, assim como factores de ordem política e religiosa pudessem acontecer.
b) Fora do espaço europeu, os EUA, país abundante em terras e oportunidades.

Condição operária
Proletariado - Classe operária que, sem meios de produção, vende a sua força de
trabalho em troca de um salário.

Os operários enfrentavam grandes problemas dentro e fora do seu local de trabalho: -


 Elevado risco de acidentes de trabalho e doenças;
 Ausência de medidas de apoio social (sem direito a férias, o horário era puxado,
não tinham subsídios de desemprego, velhice ou doença);
 Contratação de mão-de-obra infantil;
 Espaços de trabalho pouco saudáveis;
 Espaços de habitação sobrelotados e insalubres;
 Pobreza e todos os problemas a esta associados (desnutrição, doenças,
prostituição, consumo elevado de bebidas alcoólicas, mendicidade)

As primeiras reacções dos operários contra a sua condição miserável foram pouco
organizadas. Com o passar do tempo, o movimento operário organizou-se para se tornar
mais eficaz, revestindo duas formas:
 Associativismo (criação de associações que apoiavam os operários mediante o
pagamento duma quota)
 Sindicalismo (os sindicatos utilizavam como meios de pressão as manifestações
e greves.

A reivindicação do dia de trabalho de 8 horas, melhoria dos salários, direito ao descanso


semanal, eram alguns dos objectivos que foram verificados em finais do século XIX.
1.3.Os novos modelos culturais do mundo industrializado

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O século XIX ficou conhecido como o “século da ciência”, devido sobretudo ao grande
desenvolvimento das ciências experimentais. Com efeito, a corrente filosófica dominante
neste século foi o positivismo, defendido por Auguste Comte, segundo o qual os
conhecimentos científicos eram construídos através de factos positivos, isto é, aqueles
que se podiam demonstrar experimentalmente.

Os principais progressos científicos do século registaram-se nas seguintes ciências:


 Ciências Naturais — estudos sobre as células, a hereditariedade e a evolução das
espécies;
 Física — estudos no campo da termodinâmica, da acústica e da electricidade,
que deram origem a uma nova era nas comunicações;
 Medicina — descoberta dos anestésicos, da vacina contra a raiva e isolamento
do bacilo da tuberculose.

A ciência passou a dominar a vida moderna, fortalecendo a crença no progresso e na


prosperidade, que está associada ao espírito científico do século XlX.

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Fruto do iluminismo e do liberalismo, o indivíduo e a natureza foram valores celebrados


e exaltados ao longo de todo o século XIX, estando também presentes na ideologia do
Romantismo, um dos movimentos culturais de maior força e abrangência do séc. XIX.

No pensamento romântico, a atracção pela natureza resulta de uma visão pessimista e


céptica que lança ao mundo moderno, urbanizado e civilizado, isto é, dominado pela
máquina, pela tecnologia, pelo materialismo.

As cidades do séc. XIX, sobrelotadas e marcadas pela desigualdade económica e social,


sujas e barulhentas, eram bem a imagem dessa decadência.

Em contrapartida, a natureza era vista sob uma aura de idealismo que fazia repousar
nela o que de mais genuíno e autêntico havia na alma humana.

Era também no mundo rural que ainda se podia encontrar a verdadeira alma das nações,
cujas raízes medievais se faziam sentir de forma mais autêntica nos hábitos e costumes
da sua gente.

Os escritores e os artistas da segunda metade do século XIX passaram a interessar-se


pela análise da realidade social, criticando os vícios da sociedade burguesa. Este novo
movimento cultural é designado por realismo. O realismo inspira-se na vida real e no
quotidiano, quer da sociedade burguesa quer da vida dos bairros populares. O romance
realista constituiu um poderoso instrumento de crítica à sociedade burguesa.

Em Portugal - Eça de Queirós é o principal romancista representante do realismo na


literatura; na sua obra Os Maios, Eça retrata e denuncia os vícios da sociedade
portuguesa, especialmente da burguesia, no final do século XIX.

Na arquitectura, a segunda metade do século XIX foi marcada pela Revolução industrial,
que implicou novas necessidades e tendências na construção, ao mesmo tempo que

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forneceu à arquitectura novas soluções e novos materiais, como o ferro, o cimento


armado e o vidro.

A Belle Époque corresponde a um período que vai de 1871 a 1914. Os “Loucos Anos 20”
referem-se à época que abarca a década de 1920.

Durante a Belle Époque houve progressos na economia (indústria e comércio),


crescimento das cidades e melhoria das condições de vida. Nesse período instalaram-se
novos hábitos sociais, sobretudo entre a burguesia que ostentava publicamente a sua
riqueza, frequentava a ópera, cafés-concerto, salões de chá, serões, acontecimentos
desportivos, praias e termas.

1.4.Portugal entre os séculos XIX e XX

O liberalismo
Liberalismo - Doutrina política, social, económica e cultural difundida na Europa e na
América que, fundando-se na primazia do individuo sobre a sociedade, defende a

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propriedade privada, a liberdade individual, a igualdade de todas as pessoas perante a


lei e o respeito pelos direitos do cidadão.

O Liberalismo surgiu na primeira metade do século XIX, como consequência da ideologia


das Luzes (Iluminismo) e das Revoluções Liberais (Americana, Francesa, etc.).
 Opunha-se ao absolutismo ou qualquer outra forma de tirania política;
 Defendia a livre iniciativa;
 Promovia as classes burguesas.

A ideologia liberal é centrada na defesa dos direitos do indivíduo (direitos naturais,


inerentes á condição humana):
 IGUALDADE PERANTE A LEI;
 LIBERDADE INDIVIDUAL;
 PROPRIEDADE PRIVADA

A nível individual, defendia-se a liberdade civil, religiosa, política ou económica. O


Homem podia participar activamente na vida do país, pois era considerado um cidadão
que podia intervir na governação.

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A intervenção política podia-se dar de diversas formas:


 Através do exercício de voto para escolha dos governantes;
 Ao exercer os cargos para os quais tenha sido eleito;
 Participando com a opinião em movimentos cívicos, etc.

No entanto, havia restrições ao exercício pleno da cidadania. O direito ao voto apenas


estava reservado aos possuidores de rendimento suficientes para pagar impostos
(sufrágio censitário), logo não era muito democrático. Seria necessário a adopção do
voto universal em vez do voto censitário, pois muita população era posta de parte

Uma nova etapa política


Em 1851, instaurou-se uma nova etapa política, designada por Regeneração. Este
movimento estendeu-se até à implantação da República (1910) e procurava inverter o
percurso de decadência que o país verificava até então.
 Pretendia-se o progresso material do país, com o fomento do capitalismo aplicado
ás actividades económicas;
 Pretendia-se o estabelecimento da concórdia social e política.

O Fontismo e a política de obras públicas


A política de obras públicas no período da Regeneração foi designada por Fontismo
devido á acção do ministro Fontes Pereira de Melo. Preocupado em recuperar o país do
atraso económico, Fontes encetou uma política de instalação de infra-estruturas e
equipamentos, tais como estradas, caminhos-de-ferro, carros eléctricos, pontes,
telefones, etc.

Houve três grandes vantagens/resultados do investimento em transportes e meios de


comunicação:
 A criação de um mercado único nacional;
 O fomento o agrícola e industrial;
 Alargamento das relações entre Portugal e a Europa evoluída.

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Linhas de força do fomento económico


O fomento económico assentou na doutrina livre-cambista. Fontes era defensor da
redução das tarifas aduaneiras argumentando que só a entrada de matérias-primas a
baixo preço poderia favorecer a produção portuguesa.

A aplicação do liberalismo económico favoreceu a agricultura, onde a exploração


capitalista se fazia sentir (o objectivo era aumentar a superfície cultivada e aproveitar
mais as terras):
 O desbravamento de terras;
 A redução do pousio;
 A abolição dos pastos comuns;
 A introdução de maquinaria nos trabalhos agrícolas;
 Uso de adubos químicos.

Apesar do atraso económico de Portugal em relação a outros países desenvolvidos da


Europa, registaram-se alguns progressos na indústria:
 Difusão da máquina a vapor;
 Desenvolvimento de diversos sectores da industria;
 Aumento da população operária;

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 Aplicação da energia eléctrica á industria (já no século XX)

No entanto, a economia padecia de alguns problemas que impediriam o crescimento


industrial:
 Falta de certas matérias-primas;
 Carência da população activa no sector secundário;
 Falta de formação do operariado;
 Dependência do capital estrangeiro;
 Fraca competitividade internacional.

A crise financeira de 1880-1890


A Regeneração assentou o fomento económico sobre bases instáveis, o que originou
uma crise financeira:
 Livre-cambismo (abriu caminho á entrada de produtos industrializados a baixo
preço, no entanto, não tinha condições de competitividade, pois a industrialização
foi lenta e tardia. Em resultado, a balança comercial era negativa.)

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 Investimentos externos (grande parte do desenvolvimento português fez-se á


custa de investidores estrangeiros, logo, as receitas originadas por esses
investimentos não revestiram a favor de Portugal).
 Empréstimos (o défice das finanças publicas agravou-se, e devido aos sucessivos
empréstimos no país e no exterior, a divida publica duplicou. Com a falência do
banco inglês, Portugal deixou de ter meios de lidar com a divida, declarando a
bancarrota (ruína financeira) em 1892.

O surto industrial No final do século XIX, a crise obrigou a uma reorientação da economia
portuguesa que apostou nos seguintes vectores:
 Retorno á doutrina proteccionista (abandonando o Livre cambismo);
 Concentração industrial (através da criação de grandes companhias);
 Valorização do mercado colonial;
 Expansão tecnológica.

As transformações do regime político


As principais razões que causaram a crise na monarquia foram:
 A crise do rotativismo partidário;
 A questão do Ultimato Inglês;
 A crise económica;
 A difusão da ideologia republicana;
 A ditadura de João Franco;
 O regicídio.

O assassinato do rei D. Carlos e do príncipe herdeiro, D. Luís Filipe, em 1908, mostrou,


em evidência, o total descrédito em que havia caído a monarquia. Após um golpe tão
violento, foi impossível para D. Manuel II dar continuidade á monarquia. Foi o último rei
de Portugal.)

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A 4 de Outubro de 1910, eclodiu uma revolta republicana, e no dia seguinte, 5 de


Outubro, foi proclamada a 1ª República Portuguesa.

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2.A Europa e o mundo no século XX

2.1.As transformações económicas do pós-guerra

A grande depressão e o seu impacto social


Nos anos 30, viveu-se uma trágica crise capitalista, iniciada nos EUA mas alargada ao
resto do mundo, a que se deu o nome de “Grande Depressão”. Esta crise desencadeou-
se a partir do crash bolsista de Nova Iorque (1929), que teve origem nos seguintes
factores:
 Na especulação bolsista
 Na crise de superprodução (o estilo de vida americano foi generalizado, dando-
se a quebra progressiva das compras aos EUA pelo aumento da produção
europeia, o que originou uma acumulação de stocks, ou seja, superprodução).

O crash da bolsa provocou a ruína de imensos investidores, o que significou a ruína dos
bancos (falência). Muitas empresas acabaram por falir, o que provocou elevados índices
de desemprego. Houve uma diminuição do consumo, os preços dos produtos agrícolas
registaram uma quebra acentuada e destruíram-se produções. A nível social, teve efeitos
desastrosos. A grande depressão não atingiu apenas os EUA.

Os países que estavam dependentes de empréstimos e crédito dos EUA (Áustria,


Alemanha), e os que exportavam matérias-primas (Austrália, Brasil, Índia) também
sofreram, o que originou uma crise a nível mundial (excepção feita, á URSS, que não
seguia o modelo económico capitalista).

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Em suma, os anos 30 foram tempos de profunda miséria e angustia: diminuição de


investimento, produção, consumo, as falências, e o desemprego, além da queda dos
preços (deflação). A gravidade da crise exigiu medidas de intervenção do Estado na
economia, instalando a descrença no capitalismo liberal.

O pós-guerra
Ainda decorria a 2ª Guerra Mundial, e já os “Aliados” – EUA, URSS, Inglaterra -,
confiantes na vitória, procuravam estratégias para estabelecer uma nova ordem
internacional, e definir os termos da paz que se avizinhava, através da realização de
conferências, onde se chegaram a alguns pontos:

Conferência de Ialta (Fevereiro de 1945)


 Proposta de criação de uma organização mundial que fomentasse a cooperação
entre os povos, que seria a ONU (Organização das Nações Unidas);
 Desmembramento da Alemanha e confiá-la aos Aliados, consequentemente
destruindo o regime nazi (estabelecimento da democracia na Europa) e
imposição à Alemanha o pagamento das reparações da Guerra;
 Definição das fronteiras da Polónia.

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Conferência de Potsdam (Julho de 1945), com o objectivo de confirmar as resoluções


em Ialta
 Confirmação da “desnazificação” e a divisão em 4 partes (pela URSS, EUA,
Inglaterra e França) da Alemanha e da Áustria
 Detenção dos criminosos de guerra nazis, que eram julgados no Tribunal de
Nuremberga;
 Especificação das indemnizações à Alemanha, isto é, o tipo e o montante.

No final do conflito, estava definido um novo mapa político europeu, marcada pela
emergência de duas grandes potências, vencedoras da Guerra, perante uma Europa
destruída e desorganizada, emergindo, então, um novo desenho geopolítico que se
sustenta na formação de definição de duas grandes áreas de influência: a área soviética
(URSS) e a área americana (EUA).

A divisão da Europa reforçou a desconfiança e conduziu ao endurecimento de posições


entre os dois blocos geopolíticos, que marcaria o período da Guerra Fria. A ruptura entre
os EUA e a URSS deveu-se à extensão da influência soviética na Europa de Leste, ou

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seja, a extensão do comunismo provocou a crítica das democracias da Europa Ocidental


e dos EUA. Churchill utilizou a célebre expressão “cortina de ferro” para se referir ao
isolamento da Europa de Leste, que estavam fechados ao diálogo com as democracias
ocidentais.

A ONU foi criada em 1945, segundo o projecto de Roosevelt. Na Carta das Nações Unidas
estão contidos os objectivos que presidiram à sua criação:
 Manter a paz e a segurança internacionais (para evitar novos conflitos),
desenvolver relações de amizade entre as nações (baseada no principio de
igualdade entre os povos), realizar a cooperação internacional (para promover e
estimular o respeito pelos direitos humanos) e harmonizar os esforços das nações
para concretizar estes objectivos (servir como mediador).

Havia consciência de que estava eminente uma grave crise económica, pois os países
europeus encontravam-se arruinados e desorganizados.

Apesar de todos os esforços para desenvolver a economia mundial, a Europa continuava


frágil. Com receio que a crise europeia se estendesse aos EUA, os americanos decidiram

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tomar medidas imediatas. Surge, assim, o Plano Marshall (1947), que consistiu na ajuda
prestada pelos EUA à Europa após a Segunda Guerra Mundial.

Este programa de auxílio foi acolhido com entusiasmo pela generalidade dos países, e
foi verdadeiramente essencial à recuperação europeia, pois os países beneficiários
receberam 14000 milhões de dólares. Para operacionalizar esta ajuda, foi criada a OECE
(Organização Europeia de Cooperação Económica).

Em 1949, dá-se a resposta da URSS ao Plano Marshall, com a criação do Plano Molotov
e COMECON, que estabeleceu as estruturas de cooperação económica da Europa de
Leste. A divisão do mundo em dois blocos antagónicos consolidou-se e os tempos da
Guerra Fria estavam cada vez mais próximos…

“Guerra Fria” é a expressão que se atribui ao clima de tensão político-ideológico que no


final da Segunda Guerra Mundial se instalou entre as duas superpotências (EUA e URSS),
e que se estende até ao final da década de 80.

No entanto, nunca houve um conflito directo, caracterizando-se apenas pela corrida aos
armamentos, ameaças e movimentos de espionagem, conflitos locais, etc. Era uma
“guerra de nervos”, sustentada pelo antagonismo de duas concepções diferentes de
organização política (EUA – Liberalismo/Capitalismo; URSS – Socialismo/Comunismo).

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Assim, no tempo da Guerra Fria, assistiu-se á consolidação de um mundo bipolar. De


um lado, um bloco liderado pelos EUA, politicamente adepto da democracia liberal,
pluripartidária e economicamente defensor do modelo capitalista (assente na livre
iniciativa e na livre concorrência).

Do outro lado, o bloco liderado pela URSS, defensora do regime socialista, cujo modelo
económico assentava nos princípios da colectivização e planificação estatal da economia.

O acentuar das tensões políticas conduziu à formação de alianças militares que


simbolizaram o antagonismo militar, ou seja, os EUA e a URSS procuraram estender a
sua influência ao maior número possível de países.

Criou-se a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), liderado pelos EUA (sendo
o objectivo principal a segurança colectiva, isto é, ter a capacidade de resposta perante
a um ataque armado) e, em resposta, foi constituído o Pacto de Varsóvia, liderado pela
URSS, para a defesa militar do seu bloco.

No decorrer de 25/30 anos após a guerra, os países europeus recuperaram e viveram


uma excepcional recuperação económica (a produção industrial cresceu, houve uma
revolução nos transportes, cresceu o numero de empresas, a agricultura modernizou-
se, o sector terciário expandiu-se, etc.).

Este desenvolvimento económico fez nascer a sociedade de consumo, isto é, as


populações são incitadas a comprar um número crescente de bens que ultrapassam a
satisfação das necessidades básicas (lar materialmente confortável, bem equipado com
electrodomésticos, rádio, TV, telefone, automóveis, etc.), tudo isto possível devido ao
pleno emprego e bons salários (resultados da recuperação económica). A forma que se
arranjou para estimular o consumo, foi através da publicidade.

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A Grande Depressão já tinha demonstrado a importância de um Estado económica e


socialmente interventivo. O Estado torna-se, por esta via, o principal agente económico
do país, o que lhe permite exercer a sua função reguladora da economia. O país pioneiro
do Welfware State, isto é, o Estado do bem-estar (Estado Providência), foi o Reino Unido,
onde cada cidadão tem asseguradas as suas necessidades básicas.

Ao Estado caberá a tarefa de corrigir as desigualdades, daí o seu intervencionismo. Este


conjunto de medidas visa um duplo objectivo: por um lado reduz a miséria e o mal-estar
social; por outro, assegura uma certa estabilidade á economia. O Estado-Providência foi
um factor da prosperidade económica.

2.2.Mutações na estrutura social, na cultura e nos costumes

As transformações da vida urbana


No início do século XX, havia cerca de 180 grandes núcleos urbanos (Londres, Paris,
Moscovo, etc.).

Esta crescente concentração populacional provocou significativas alterações na vida e


nos valores tradicionais, ou seja, um novo modo de viver e de conviver no meio da
multidão. Adquire-se novas formas de sociabilidade, tendo o crescimento urbano
originado a criação de novos comportamentos que se massificaram (isto é, generalização
dos mesmos hábitos e gostos).

A racionalização e a redução do tempo de trabalho, assim como a melhoria do nível de


vida permitiram dispor de dinheiro e tempo para o divertimento e prazer, fazendo com
que a convivência entre os sexos se tornasse mais ousada e livre (que rompia
completamente com as antigas regras sociais). Adere-se à prática do desporto e ao uso
do automóvel.

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Se até à 1ª Grande Guerra a Europa dominou o mundo a todos os níveis, durante a


época da 2ª Grande Guerra muitos europeus, sobretudo da classe alta e média-alta, com
bons níveis culturais e profissionais, abandonaram o velho continente, fugidos às más
condições de vida, e foram sobretudo para os EUA. Aí, encontraram meios para
desenvolver os seus conhecimentos e cultura.

País jovem, em franco desenvolvimento, os Estados Unidos souberam aproveitar a


debilidade europeia causada pelas duas grandes guerras para expandir a sua economia,
tornando-se modelo de um enriquecimento rápido e bem-sucedido. Assim, apesar da
crise criada pela Grande Depressão, a América saiu reforçada política, económica,
financeira e culturalmente da 2ª Grande Guerra.

Esse crescimento das classes médias nos anos 20 – situadas entre a alta burguesia e o
proletariado, deveu-se ao desenvolvimento dos sectores secundário e terciário,
resultado, sobretudo, do crescimento dos serviços a cargo do Estado (escolas, hospitais,
finanças, águas, saneamento básico, etc.).

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A “cultura de massas” consiste na cultura assimilada por vastas camadas de população.


Os Mass media referem-se aos meios de comunicação e informação (imprensa, rádio e
cinema) com grande influência num público vasto e variado. Os mass media contribuíram
bastante para a cultura de massas.

Entre os mass media dos anos 20 destacam-se os seguintes: a imprensa divulgando


notícias, entretenimento, publicidade, vida política, desportos, entrevistas, etc.; a rádio,
difundindo teatro radiofónico, discursos de políticos, anúncios de publicidade e sucessos
musicais.

A rádio permitiu às populações ter acesso a notícias, debates, concertos, peças de teatro
e, ainda, aos novos ritmos e sucessos musicais. As décadas de 1920 e 1930 ficaram
conhecidas pelos “anos da rádio”. Transformou-se assim, num dos “agentes mais activos
de mudança (…) na vida quotidiana”.

A crise dos valores tradicionais


Os tempos de optimismo, de confiança na paz, na liberdade, no progresso e bem-estar
que caracterizaram a viragem do século, ruíram subitamente com o eclodir da Primeira
Guerra. A morte de milhões de soldados, a miséria e a destruição visíveis gerou um
sentimento de desalento e descrença no futuro, que afectou toda a sociedade.

Por outro lado, a massificação urbana, a laicização social que terminara com a influência
da Igreja, e as novas concepções científicas e culturais são igualmente responsáveis pela
ruptura no padrão de valores e comportamentos sociais tradicionais.

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Deu-se uma profunda crise de consciência, que atinge toda a conduta social, falando-se
assim duma anomia social (ausência de regras sociais). Esta crise de valores acentuou
ainda mais as mudanças que já estavam em curso.

A emancipação da mulher
A crescente presença da mulher em todos os sectores de actividade, mais notada a partir
da Primeira Guerra, proporcionava uma relativa independência económica e esteve na
origem de uma consciencialização de que o seu papel no processo económico não tinha
correspondência a um estatuto social e político dignos.

Os “Loucos Anos 20” foram um período de grande desenvolvimento económico, de


alteração dos padrões de vida da classe média e da burguesia – frequência do cinema,
cabarés, clubes nocturnos, novas danças, actividades desportivas e novo estatuto da
mulher. Esta passa a poder usufruir da noite, sobretudo nos espaços urbanos.

A mulher, na década de 1920, conseguiu esse novo estatuto acedendo a novas


profissões, conquistando em alguns países o direito de voto e acedendo a novos espaços
de lazer, “gozando de maiores liberdades”. Tais conquistas deveram-se sobretudo aos
novos papéis que tiveram de desempenhar durante a Guerra na retaguarda de combate
entre 1914 e 1918.

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No início do século XX, organizaram-se numerosas associações de sufragistas que


lutaram pelo direito de participação na vida política, etc. Contudo, só no final dos anos
20 foi reconhecido à mulher o direito ao voto e de exercício de funções politicas.
Emancipadas e libertas de todos os preconceitos, as mulheres passam a adoptar novos
comportamentos sociais: frequentar festas e clubes nocturnos, praticar desporto, fumar
e beber livremente, etc.

A valorização do corpo e da aparência conduziu ao aparecimento de uma nova mulher


que usava o cabelo curto (à garçonette) e com as saias mais curtas e ousadas.

A descrença no pensamento positivista e as novas concepções científicas


O Positivismo impusera a ideia de que a ciência tinha a resposta para todos os problemas
da Humanidade. Mas, no início do século XX, verifica-se uma reacção anti-racionalista e
anti-positivista, devido às teorias de alguns cientistas face à ciência (propunham o
relativismo científico, segundo o qual a ciência não atinge o conhecimento absoluto):

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 A teoria do intuicionismo, de Bergson, que defende que o conhecimento não era


através da evidencia racional mas sim pela intuição;
 A teoria da relatividade, de Einstein, que demonstra que o espaço, o tempo e o
movimento não são absolutos, mas relativos entre si (por exemplo, a massa do
corpo depende do movimento);
 A teoria quântica, de Max Planck, que defende a existência de unidades mínimas
de matéria que não se rege por leis rígidas (o que permitiu explicar o
comportamento dos átomos);
 A teoria psicanalítica, de Sigmund Freud, que explicava que as neuroses
(qualquer desordem mental) são resultado de traumas, feridas, isto é, impulsos,
sentimentos, desejos, instintos naturais aprisionados no inconsciente. Criou um
método terapêutico (psicanálise) que consistia em libertar o paciente dos seus
recalcamentos (traumas), procurando trazê-los à consciência através da
interpretação de sonhos.

Todas estas novas teorias põem em causa as “verdades absolutas” que sustentavam o
positivismo, influenciando os comportamentos no quotidiano, pois nada mais é visto
como absoluto mas como questionável e discutível.

2.3.Ruptura e inovação na arte e na literatura

No campo artístico, a emigração para os EUA iniciou-se ainda nos anos 30 do séc. XX,
com a partida de muitos artistas e intelectuais de vanguarda que foram convidados para
lá trabalhar. Aí continuaram as suas actividades no ensino e como profissionais de arte,
divulgando os seus ideais estéticos e dinamizando o meio artístico.

Deste modo, os EUA passaram a ser o foco e o centro dos novos movimentos artísticos
e culturais a nível planetário.

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Nos EUA, a sociedade adoptou novas formas de vida e novos comportamentos sociais,
onde o aparecimento do jazz, das primeiras estrelas de cinema e de uma vida social
intensa foram o reflexo de um clima optimista e de prosperidade.

Nascido num tempo de mudanças profundas, quer a nível estético como a nível técnico,
o cinema surgiu como sequência do aparecimento da fotografia. Apesar de tudo, foi e é
mais do que fotografia em movimento.

Se as primeiras imagens do cinema descrevem pequenos episódios da vida quotidiana


de forma realista, usando como protagonistas operários e gente comum, rapidamente
se desviou para a ficção e para a reportagem documental.

Na sua essência, e como linguagem específica, o cinema começou por ser mudo. No
entanto, Edison criou o sonoro e o cinema passou a assumir-se na dicotomia
arte/indústria, acompanhando, durante todo o séc. XX, alguns grandes movimentos
estéticos e estando ao serviço de uma ideologia.

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Assim, para lá da simples “imagem em movimento”, o cinema é um dos grandes


testemunhos sociais e artísticos do séc. XX, elevado à condição de arte: a sétima arte.

A arte, numa relação íntima com a vida, serviu de catarsis (libertação) e de sublimação
para alguns artistas, que usaram jogos de ideias, automatismos psicológicos,
associações insólitas e desconexas para criar as suas obras.

Assim, o “homem psicanalisado” pode compreender-se melhor a si próprio, desvendando


os segredos da sua mente e do seu comportamento.

O movimento modernista desenvolveu-se nos inícios do século XX a partir da Europa e


em cidades cosmopolitas e com forte movimentação cultural como Paris, ponto de
encontro das vanguardas culturais da Europa e do mundo.

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Reagindo contra o classicismo naturalista e o paradigma romântico e conformista do


século XIX os movimentos artísticos vanguardistas procuraram exprimir um intimismo
de raiz psicológica matizado com a visão relativista dos fenómenos e da realidade.

Nova estética influenciada pela psicanálise, a psicologia e o pensamento relativista


desfigurando a realidade e admitindo visões alternativas:

Fauvismo – 1904 Paris- Matisse, Derain, Rouault.


 Arte infantil, ingénua e alegre que utiliza cores agressivas e imagens deformadas.

Henri Matisse, O retrato da risca verde André Dérain, Mulher em camisa

Expressionismo – 1905 Dresden- Van Gogh, Munch, Kirchner


 Sobrevalorização do Eu e das angústias da existência, dramatismo na utilização
de tons fortes e ambientes pesados onde o pessimismo está presente rejeitando
o classicismo romântico.

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Edvard Munch, O grito Van Gogh, A noite estrelada

Cubismo - 1908 - Braque, Picasso, Juan Gris.


 Decomposição do espaço tridimensional e geometrização multidimensional da
realidade. Os objectos expõem várias facetas do Eu simultaneamente atingindo
uma essência.

Georges Braque, As árvores grandes Pablo Picasso, Auto-retrato

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Futurismo - 1909 Itália – Marinetti, Boccioni


 Rejeição do passado e glorificação do futuro. A máquina e a velocidade como
fonte de inspiração. O mundo industrial e a guerra, o dinamismo e o movimento.

Umberto Boccioni, A rua entra na casa Filippo Marinetti, Acção

Abstraccionismo sensível ou lírico - Kandinsky, 1910


 Baseado no expressionismo distinguiu-se pelas cores vivas, pelo apelo ao
inconsciente, onírico e intuitivo. Combinação de formas e cores.

Kandinsky, Amarelo, vermelho e azul Kandinsky, Composição VII

Neoplasticismo ou Abstraccionismo geométrico – Piet Mondrian, 1917 –

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 Pintura limpa geométrica, ordenada e desprovida de acessório e inutilidades,


figuras geométricas elementares que exprimem uma função social da arte como
realidade pura desprovida do essencial.

Mondrian, Broadway Mondrian, Plano azul

Dadaísmo - 1916 Suiça- Tzara, Hans Harp, Max Ernest


 Denúncia da sociedade desprezo da guerra e da arte que é reflexo da obra dos
homens. Chocante e obsceno para agitar a sociedade, subversão sem sentido
retrato do próprio mundo. O ilógico, acaso, absurdo.

Max Ernst, A queda de um anjo Tristan Tzara, L'Antitête. Le Désespéranto

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Surrealismo – 1924 Paris- Breton, Magritte, Dali.


 Aparecido na literatura, o surrealismo projectava o inconsciente e onírico na obra
de arte explorando o psiquismo dos autores. Terreno de divagação de várias
correntes técnicas o surrealismo sublinhava o retrato do mundo inconsciente dos
sujeitos.

Magritte, o filho do homem Salvador Dalí, O sono

Literatura
Todo o período das primeiras décadas do século XX foi marcado por uma inovação
acentuada ao nível da literatura que pôs em causa os valores e as tradições literárias
com uma grande variedade de temas e estilos semelhante à que percorreu as artes
plásticas.

Os escritores procuraram libertar-se da expressão da realidade concreta adoptando


percursos comprometidos com a psicanálise, e a vida interior das personagens. As obras
literárias tornam-se tributárias da expressão de desejos, recalcamentos e emoções
intensas, longamente descritas por vezes em intermináveis discursos monocórdicos. É o
caso da obra de Marcel Proust, Em busca do Tempo Perdido editado em 1913.

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Desta época são também André Gide que proclama a liberdade do sujeito e a rejeição
de regras e convenções sociais.

A mudança dá-se ao nível do tema mas também da forma, da linguagem e da construção


frásica como no caso dos poemas caligramados de Apollinaire, dos dadaístas dos
surrealismos de Eluard ou Breton. Também é desta época Ulisses e Finnegans Wake de
James Joyce romances imbuídos de intimismo e um confronto obsessivo entre as
memórias e o mundo presente.

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3.Portugal no século XX

3.1.Portugal: da I República à ditadura militar

A 1ª República Portuguesa vigorou de 1910 a 1926 e foi um período conturbado pelos


graves problemas sociais, económicos e políticos que, no entanto, também se faziam
sentir por toda a Europa, mergulhada em difíceis condições de vida após o primeiro
conflito mundial (1914-1918).

Após tentativas frustradas de revolução (a mais importante das quais foi o 31 de Janeiro
de 1891) e de algumas décadas de propaganda contra o regime monárquico, o regime
republicano foi instaurado em Portugal, a 5 de Outubro de 1910, por meio de uma
revolução armada organizada por conspiradores militares e civis, congregados em torno
do Partido Republicano e de duas organizações secretas de cariz social diferente (a
Maçonaria e a Carbonária).

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Portugal e a sua História

Os dirigentes revolucionários tinham previsto que a revolução triunfaria facilmente em


Lisboa e seria depois proclamada no resto do País por telégrafo. Assim veio
efectivamente a acontecer, dado que os combates, de dimensão relativamente reduzida,
se circunscreveram unicamente a Lisboa (Rotunda).

Durante o período da propaganda, todas as forças e personalidades republicanas


encontraram facilmente um mínimo denominador comum no desiderato da abolição do
regime monárquico, que rapidamente deu lugar à manifestação das divergências
políticas e pessoais que estão na raiz da grande instabilidade política do regime.

Esta encontra-se claramente reflectida na fragmentação partidária (não obstante a qual


o Partido Democrático teve quase sempre uma notável hegemonia), no grande número
de ministérios nomeados (quarenta e oito, muitos deles de duração efémera, tendo
havido casos em que nem sequer tomaram posse), no facto de poucos presidentes terem
cumprido o seu mandato até ao fim, nas várias situações de ditadura (a mais importante
das quais, a de Sidónio Pais, de algum modo prefigura o Estado Novo salazarista).

A consolidação da República foi dificultada, não apenas pelas dissidências dentro do


campo republicano, mas ainda pela pressão dos restauracionistas monárquicos, que
tentaram pela força das armas retomar o poder, e pelas correntes de cariz autoritário
que se iam espalhando pela Europa, com manifestações e reflexos em Portugal, e
também, por outro lado, por um amplo movimento operário fortemente influenciado
pelas ideias anarco-sindicalistas.

Não só no plano político se manifestaram as dificuldades: a República instituiu um regime


de igualdade política, nomeadamente no campo das liberdades de associação e
expressão e dos direitos eleitorais, mas não realizou a igualdade social, nunca
conseguindo encontrar meios para eliminar as precárias condições de vida da grande
massa da população, extremamente pobre e com elevado nível de analfabetismo.

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Dessa dificuldade em solucionar questões sociais é claro indício a incapacidade para


evitar o fluxo constante de emigrantes (para o Brasil e para os Estados Unidos,
principalmente), que despovoou áreas extensas do país e teve reflexos negativos sobre
a economia, nomeadamente sobre a produção agrícola.

Outro factor importante, que contribuiu para agravar a situação económica e social de
Portugal, foi a participação na Grande Guerra, encarada como meio de salvaguardar as
colónias, que acarretou um investimento incomportável e uma considerável perda de
vidas.

Entretanto, a guerra, a constante instabilidade governativa, as questiúnculas entre


dirigentes políticos, a agitação social, para não falar da incompetência de muitos
governantes, contribuíram largamente para o descalabro das finanças públicas (aliás
herdado do regime deposto). Apenas num breve período, sob a direcção de Afonso
Costa, as contas públicas acusaram saldo positivo, voltando depois o País a cair na
bancarrota.

Todos os factores sumariamente enumerados concorreram para o descrédito das


instituições parlamentares, dos partidos democráticos e dos seus dirigentes. Começaram

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por tal facto a avolumar-se as tendências para encontrar homens fortes capazes de pôr
termo à "desordem nas ruas" (cuja responsabilidade era partilhada por todas as forças
políticas em presença), ganha peso o receio do "bolchevismo" (embora o Partido
Comunista, fraquíssimo, apenas se tivesse constituído em 1921).

Surgem, assim, as tentativas de instauração de um regime de força, antiparlamentar e


antiliberal: primeiro sob Sidónio Pais, em 1917, depois, em 1926, uma conspiração em
que se unem republicanos desencantados, restauracionistas monárquicos e católicos
ressentidos pela perda dos seus privilégios, militares e civis de tendências filo-fascistas,
desencadeia um golpe que apanha totalmente indefesa a República democrática e
parlamentar e instaura uma Ditadura Militar que, poucos anos volvidos, dará lugar ao
Estado Novo.

3.2.Portugal: o autoritarismo e a luta contra o regime

Tal como aconteceu noutros países, cujos regimes foram influenciados pela ideologia
fascista, também em Portugal se verificou a progressiva adopção do modelo italiano
através da edificação do Estado Novo.

Designa-se, assim, por Estado Novo, o regime totalitário de tipo fascista que vigorou em
Portugal de 1933 a 1974, caracterizado por ter um Estado forte, com supremacia sobre
os interesses individuais, anti-liberal, anti-democrático e anti-parlamentar, autoritário e
nacionalista.

Em 1928, foi nomeado para o governo, a fim de exercer funções de ministro das
Finanças, António de Oliveira Salazar que, devido à sua acção, conseguiu um saldo
positivo para o orçamento de Estado, tendo sido nomeado chefe do governo em 1932
devido a esse “milagre económico”, passando a controlar todos os sectores (daí a que o
regime seja normalmente denominado por Salazarismo).

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Este projecto político de Salazar (1933) caracterizou-se por diversos aspectos:

CARÁCTER ANTI-DEMOCRÁTICO
Defendia um Estado forte (ditatorial, autoritário, anti-parlamentar e anti-democrático),
que recusava as liberdades individuais e a soberania popular: “Tudo no Estado, nada
Fora do Estado”. Salazar foi um forte opositor da democracia liberal e do
pluripartidarismo.

No entanto, também negava os ideais marxistas e a luta de classes. Na sua óptica, o


interesse de todos devia sobrepor-se às conveniências individuais. Assim, os direitos
individuais dos cidadãos não eram respeitados.

Os opositores políticos eram perseguidos e encerrados em prisões políticas, o que


demonstra o carácter repressivo do regime salazarista. Os meios repressivos utilizados
pelo regime eram a censura e as polícias políticas. Prestava-se o culto ao chefe, isto é,
destacava-se a figura de Salazar, considerado “Salvador da Pátria”, que a propaganda
política alimentava. Havia um partido único, a União Nacional.

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CARÁCTER CONSERVADOR E NACIONALISTA


Em relação ao conservadorismo, Salazar empenhou-se na recuperação dos valores que
considerava fundamentais, como Deus, Pátria, Família, Paz Social, Moralidade,
Autoridade, que não podiam ser postos em causa. A base da nação era a família, o
homem era o trabalhador e o papel da mulher foi reduzido.

Empenhou-se também na defesa de tudo o que fosse tradicional e genuinamente


português, revestindo de importância a ruralidade e rebaixando a sociedade
industrializada. Deu protecção especial à Igreja, baseado no lema "Deus, Pátria, Família".

O carácter nacionalista destacou-se, pois louvou e comemorou os heróis e o passado


glorioso da Pátria, valorizou as produções culturais portuguesas e incutiu os valores
nacionalistas através das milícias de enquadramento das massas.

CARÁCTER CORPORATIVISTA
O Estado Novo mostrou-se empenhado na unidade da nação e no fortalecimento da
Nação. Defendia, assim, que os indivíduos apenas tinham existência para o Estado se

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integrados em organismos ou corporações pelas funções que desempenham e os seus


interesses harmonizam-se para a execução do bem comum.

CARÁCTER INTERVENCIONISTA
A estabilidade financeira tornou-se numa prioridade. O Estado Novo apostou num
modelo económico fortemente intervencionista e autárquico, que se fez sentir nos vários
sectores da economia:

Agricultura
Portugal era um país maioritariamente rural, assim, pretendia-se tornar Portugal mais
independente da ajuda estrangeira, criando-se incentivos à especialização em produtos
como a batata, vinho, etc.

Um grande objectivo de Salazar, era tornar a economia portuguesa isolada de possíveis


crises económicas externas. A construção de barragens levou a uma melhor irrigação
dos solos.

Indústria
A indústria não constitui uma prioridade ao Estado Novo. O condicionamento industrial
consistia na limitação, pelo Estado, do nº de empresas existentes e do equipamento
utilizado, pois a iniciativa privada dependia, em larga medida, da autorização do Estado.

Funcionava assim, como um travão á livre-concorrência. Mais do que o desenvolvimento


industrial, procurava-se evitar a sobre produção, a queda dos preços, o desemprego e
agitação social.)

Obras Públicas
Tinha como principal objectivo o combate ao desemprego e a modernização das infra-
estruturas do país.

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A intervenção activa do Estado fez-se sentir através da edificação de pontes, expansão


das redes telegráfica e telefónica, obras de alargamento nos portos, construção de
barragens, expansão da electrificação, construção de edifícios públicos (hospitais,
escolas, tribunais), etc.

A política de construção de obras públicas foi aproveitada (politicamente) para incutir no


povo português a ideia de que Salazar era imprescindível à modernização material do
País.

O projecto cultural do Regime


No contexto de um regime de tipo totalitário, a cultura portuguesa encontrava-se
subordinada ao Estado e servia de instrumento de propaganda política.

O Estado Novo compreendeu a necessidade de uma produção cultural submetida ao


regime, por isso, pela via da persuasão, o Estado Novo concebeu um projecto que vai
instrumentalizar os artistas para a propaganda do seu ideal.

A este projecto cultural chamou-se de “Política de Espírito”. Foi o meio encontrado para
mediatizar o regime, em que era proporcionado uma “atmosfera saudável” à imposição
dos valores nacionalistas e patrióticos. Tudo servia para divulgar as tradições nacionais
e engrandecer a civilização portuguesa (restauro de monumentos, festas populares,
peças de teatro, cinema, etc.)

Salazar defendia que as artes e as letras deveriam inculcar no povo, o amor da pátria, o
culto dos heróis, as virtudes familiares, a confiança no progresso, ou seja, o ideário do
Estado Novo.

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Portugal e a sua História

Imobilismo político e crescimento económico do pós-guerra a 1974


Politicamente, após a Segunda Guerra Mundial, Portugal manteve a mesma feição
autoritária, ignorando a onda democrática que inundava a Europa.

No que se refere à economia, viveu-se um período conturbado na medida em que o


atraso do país era evidente, não acompanhando o crescimento económico do resto da
Europa, marcado pela estagnação do mundo rural e pela emigração.

Por outro lado, também ocorreu um considerável surto industrial e urbano, e as colónias
tornaram-se alvo das preocupações. A economia manteve estruturas que
impossibilitaram o crescimento económico.

Estagnação do mundo rural e o surto industrial


Apesar da agricultura ser o sector dominante, era pouco desenvolvida, caracterizada por
baixos índices de produtividade, que fazia de Portugal dos países mais atrasados da
Europa.

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Portugal e a sua História

O principal problema consistia na dimensão das estruturas fundiárias, no Norte


predominava o minifúndio, que não possibilitava mecanização; no Sul estendiam-se
propriedades imensas (latifúndios), que se encontravam subaproveitadas.

O défice agrícola foi aumentando, e ao longo dos anos 60 e 70 e assistiu-se a um elevado


êxodo rural e emigração, pois as populações procuravam melhores condições de vida,
condenando a agricultura a um quase desaparecimento.

A emigração
Enquanto que nas décadas de 30 e 40 a emigração foi bastante reduzida, a década de
60 tornou-se no período de emigração mais intenso da nossa história, pelos seguintes
motivos:
 A política industrial provocou o esquecimento do mundo rural, logo, sair da aldeia
era uma forma de fugir à miséria;
 Os países europeus que necessitavam de mão-de-obra, pagavam com salários
superiores;

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VIVER EM PORTUGUÊS

Portugal e a sua História

 A partir de 61, a emigração foi, para muitos jovens, a única maneira de não
participar na guerra entre Portugal e as colónias africanas.

Por essa razão, a maior parte da emigração fez-se clandestinamente. O Estado procurou
salvaguardar os interesses dos nossos emigrantes, celebrando acordos com os principais
países de acolhimento. O País passou, por esta via, a receber um montante muito
considerável de divisas: as remessas dos emigrantes.

Tal facto, que muito contribuiu para o equilíbrio da nossa balança de pagamentos e para
o aumento do consumo interno, induziu o Governo a despenalizar a emigração
clandestina e a suprimir alguns entraves.

A urbanização
O surto industrial traduziu-se no crescimento do sector terciário e na progressiva
urbanização do país. Dá-se o crescimento das cidades e a concentração populacional.
Em Lisboa e Porto, as maiores cidades portuguesas, propagam-se subúrbios.

No entanto, esta expansão urbana não foi acompanhada da construção das infra-
estruturas necessárias, aumentando as construções clandestinas, proliferam os bairros
de lata, degradam-se as condições de vida (incremento da criminalidade, da
prostituição…). Mesmo assim, o crescimento urbano teve também efeitos positivos,
contribuindo para a expansão do sector dos serviços e para um maior acesso ao ensino
e aos meios de comunicação.

A questão colonial
Após a guerra mundial, o fomento económico das colónias também passou a constituir
uma preocupação ao governo. Angola e Moçambique receberam uma atenção
privilegiada. Os investimentos do Estado nas colónias, a partir de 1953, foram incluídos
nos Planos de Fomento.

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No entanto, tornou-se difícil para o Governo Português manter a sua política colonial.
Depois da segunda guerra mundial, e com a aprovação da Carta das Nações Unidas, o
Estado Novo viu-se obrigado a rever a sua política colonial e a procurar soluções para o
futuro do nosso império.

Em termos ideológicos, a “mística do império” é substituída pela ideia da “singularidade


da colonização portuguesa”. Os portugueses tinham mostrado uma grande capacidade
de adaptação à vida nas colónias onde não havia racismo e as raças se misturavam e as
culturas se espalhavam. Esta teoria era conhecida como luso-tropicalismo.

No campo jurídico, a partir de 1951, desaparece o conceito de colónia, que é substituído


pelo de província ultramarina e desaparece o conceito de Império Português, substituído
por Ultramar Português. A presença portuguesa em África não sofreu praticamente
contestação até ao início da guerra colonial.

O negar da possibilidade de autonomia das colónias africanas, fez extremar as posições


dos movimentos de libertação que, nos anos 50 e 60, se foram formando na África
portuguesa.

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Portugal e a sua História

Portugal viu-se envolvido em duras frentes de batalha que, à custa de elevadíssimos


custos materiais e humanos, chegou a surpreender a comunidade internacional.

A Primavera Marcelista
Em 1968, Salazar foi substituído Marcello Caetano, no cargo de presidente do Conselho
de Ministros, que fez reformas mais liberais para a democratização do regime. Nos
primeiros meses o novo governo até deu sinais de abertura, período este conhecido por
“Primavera Marcelista” (alargou o sufrágio feminino por ex.).

Contudo, o oscilar entre indícios de renovação e seguir as linhas do salazarismo, resultou


no fracasso da tentativa reformista. A PIDE mudou o seu nome para DGS e diminuiu, ao
início, a virulência das suas perseguições.

No entanto, face ao movimento estudantil e operário, prendeu, sem hesitações, os


opositores ao regime; A Censura passou a chamar-se Exame Prévio; se este,
inicialmente, tolerou algumas críticas ao regime, cedo se verificou que actuava nos
mesmos moldes da Censura; A oposição não tinha liberdade de concorrer às eleições e
a política Marcelista era criticada como sendo incapaz de evoluir para um sistema mais
democrático. Tudo isto levou á revolução de 25 de Abril de 1974.

3.3.Portugal democrático: a Revolução do 25 de Abril e a instauração


do Estado Democrático

O Movimento das Forças Armadas e a eclosão da Revolução


O problema da guerra colonial continuava por resolver. Perante a recusa de uma solução
política pelo Governo Marcelista, os militares entenderam que se tornava urgente pôr
fim à ditadura e abrir o caminho para a democratização do país.

A Revolução de 25 de Abril de 1974 partiu da iniciativa de um grupo de oficiais do


exército português – O Movimento dos Capitães (1973), liderado por Costa Gomes e

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Spínola, que tinha em vista o derrube do regime ditatorial e a criação de condições


favoráveis à resolução política da questão colonial.

Estes acontecimentos deram força àqueles que, dentro do Movimento (agora passava-
se a designar por MFA – Movimento das Forças Armadas), acreditavam na urgência de
um golpe militar que, restaurando as liberdades cívicas, permitisse a tão desejada
solução para o problema colonial.

Depois de uma tentativa precipitada, em Março, o MFA preparou minuciosamente a


operação militar que, na madrugada do dia 25 de Abril de 1974 pôs fim ao Estado Novo.

Operação “Fim-Regime”
A operação militar teve início com a transmissão, pela rádio, das canções-senha, que
permitia às unidades militares saírem dos quartéis para cumprirem as missões que lhes
estavam destinadas. A resistência terminou cerca das 18h, quando Marcello Caetano se
rendeu pacificamente ao general Spínola.

Entretanto, já o golpe militar era aclamado nas ruas pela população portuguesa, cansada
da guerra e da ditadura, transformando os acontecimentos de Lisboa numa explosão
social por todo o país, uma autêntica revolução nacional que, pelo seu carácter pacífico,

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ficou conhecido como a “Revolução dos Cravos”. A PIDE foi a última a render-se na
manhã seguinte.

O desmantelamento das estruturas do Estado Novo


O acto revolucionário permitiu que se desse início ao processo de desmantelamento do
Estado Novo. No próprio dia da revolução, Portugal viu-se sob a autoridade de uma
Junta de Salvação Nacional, que tomou de imediato medidas.

O presidente da República e o presidente do Conselho foram destituídos, bem como


todos os governadores civis e outros quadros administrativos; A PIDE-DGS, a Legião
Portuguesa e as Organizações da Juventude foram extintas, bem como a Censura
(Exame Prévio) e a Acção Nacional Popular.

Os presos políticos foram perdoados e libertados e as personalidades no exílio puderam


regressar a Portugal; Iniciou-se o processo da independência das colónias e organização
de eleições para formar a assembleia constituinte que iria aprovar a nova constituição
da República. A Junta de Salvação Nacional nomeou para Presidente da República o
António de Spínola, que escolheu Adelino para chefiar o governo provisório.

Os tempos não foram fáceis para as novas instituições democráticas. Passados os


primeiros momentos de entusiasmo, seguiram-se dois anos politicamente muito
conturbados, originando graves confrontações sociais e políticas. Rapidamente
começaram as reivindicações, as greves e as manifestações influenciadas pelos partidos
da esquerda.

A data-chave é 11 de Março de 1975: tentando contrariar a orientação esquerdista da


revolução, António de Spínola tentou um golpe militar (fracassado). Em resposta, a MFA
cria o Conselho da Revolução, ligado ao PCP, que passa a funcionar como órgão
executivo do MFA e tornou-se o verdadeiro centro do poder (concentra os poderes da
Junta de Salvação Nacional e do Conselho de Estado), e propõe-se orientar o Processo
Revolucionário em Curso - PREC que conduziria o País rumo ao socialismo.

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Das eleições de 1975, sai vitorioso o Partido Socialista, que passa a reclamar maior
intervenção na actividade governativa. Vivem-se os tempos do Verão Quente de 1975,
em que esteve iminente o confronto entre os partidos conservadores e os partidos de
esquerda.

É em pleno “Verão Quente” que um grupo de 9 oficiais do próprio Conselho da


Revolução, encabeçados pelo major Melo Antunes, crítica abertamente os sectores mais
radicais do MFA: contestava o clima de anarquia instalado, a desagregação económica
e social e a decomposição das estruturas do Estado. Em consequência, Vasco Gonçalves
foi demitido.

Era o fim da fase extremista do processo revolucionário. A revolução regressava aos


princípios democráticos e pluralistas de 25 de Abril, que serão confirmados com a
Constituição de 1976.

Politica Económica anti-monopolista e intervenção do Estado


Os tempos da PREC tinham em vista a conquista do poder e o reforço da transição ao
socialismo. Assim, nessa altura, tomaram-se um conjunto de medidas que assinalaram
a viragem ideológica no sentido do marxismo-leninismo:
 O intervencionismo estatal (em todos os sectores da economia),
 As nacionalizações (o Estado apropriou-se dos bancos, dos seguros, das
empresas, etc., passando a ter mais controlo da economia),
 A reforma agrária (procedeu-se à colectivização dos latifúndios do Sul e à
expropriação e nacionalização pelo Estado e a constituição de Unidades
Colectivas de Produção (UCP).

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O processo descolonizador
A nível interno, a “independência pura e simples” das colónias colhia o apoio da maioria
dos partidos que se legalizaram depois do 25 de Abril e também nesse sentido se
orientavam os apelos das manifestações que enchiam as ruas do país.

É nesta conjuntura que o Conselho de Estado reconhece às colónias o direito à


independência. Intensificam-se, então, as negociações com os movimentos aos quais
Portugal reconhece legitimidade para representarem o povo dos respectivos territórios.
No entanto, Portugal encontrava-se num a posição muito frágil, quer para impor
condições quer para fazer respeitar os acordos.

Desta forma, não foi possível assegurar, como previsto, os interesses dos Portugueses
residentes no Ultramar. Fruto de uma descolonização tardia e apressada e vítimas dos
interesses de potências estrangeiras, os territórios africanos não tiveram um destino
feliz.

A opção constitucional de 1976


Depois de um ano de trabalho, a Assembleia Constituinte terminou a Constituição,
aprovada em 25 de Abril de 1976. A constituição consagrou um regime democrático e

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pluralista, garantindo as liberdades individuais e a participação dos cidadãos na vida


política através da votação em eleições para os diferentes órgãos.

Além disso, confirmou a transição para o socialismo como opção da sociedade


portuguesa. Mantém, igualmente, como órgão de soberania, o Conselho da Revolução
considerado o garante do processo revolucionário. Este órgão continuará a funcionar em
estreita ligação com o presidente da República, que o encabeça. A nova constituição
entrou em vigor no dia 25 de Abril de 1976, exactamente dois anos após a “Revolta dos
Cravos”.

A Constituição de 1976 foi, sem dúvida, o documento fundador da democracia


portuguesa. Com a constituição de 1976 ficaram garantidos os direitos de todos os
cidadãos:

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 Foi instituído em Portugal um regime democrático pluripartidário descentralizado


 Foram definidas eleições livres por sufrágio universal
 A estrutura económica acentuava-se na transição para o socialismo
 Foi definido um período de 4 anos de transição entre o poder militar e o poder
político

Após este período o pacto MFA/Partidos é substituído por um acordo entre o PS, PSD e
CDS que acusavam a constituição de ser demasiado socialista, propondo uma revisão
constitucional que termina em Setembro de 1982 com as seguintes alterações.

Ao nível da economia suavizaram os princípios socializantes das nacionalizações e da


reforma agrária mas, foi ao nível dos órgãos de soberania que as alterações foram mais
evidentes:
 Aboliram o Conselho de Revolução que passou a ser substituído pelo Conselho
de Estado assistindo este o Presidente da República em todas as decisões de
importância nacional;
 Na justiça os juízes passam a ser nomeados pelos conselhos superiores de
magistratura e não pelo Ministro da justiça como pela constituição de 1976;
 Limitaram os poderes do Presidente da República em favor da Assembleia da
República e devido a isto o regime passa a estar entregue á sociedade civil e aos
partidos assumindo-se assim como uma democracia parlamentar com os
seguintes órgãos:

Presidente da República
 Eleito por sufrágio directo
 Tem um mandato de 5 anos
 Tem poder de veto suspensivo das leis
 Elege o Primeiro-Ministro
 Pode demitir o governo
 Pode dissolver a Assembleia da República

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Assembleia da República
 Constituída pelos deputados eleitos
 É um órgão legislativo
 Representa a constituição e a manutenção dos governos
 Aprovam o orçamento do estado
 Interpelam o governo
 Instaura inquéritos parlamentares

Governo
 É um órgão executivo
 Conduz a política geral do país
 É representado pelo Primeiro-Ministro
 Tem competência legislativa através de decretos-lei e propostas de lei
 São os protagonistas resultantes do voto eleitoral

Tribunais
 São nomeados pelo conselho superior da magistratura

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Portugal e a sua História

 Vêm o seu poder verdadeiramente autónomo


 Nasce o Tribunal Constitucional
 Registam os partidos políticos

Governo das Regiões Autónomas


 É exercido pela Assembleia Legislativa regional
 É formado com base nos resultados eleitorais
 Tem um Ministro da República também designado pelo Presidente
 Promulgam diplomas legais entre outras funções

Poder Local
 Foi estruturado em municípios e freguesias
 Dispõem de um órgão legislativo (Assembleia Municipal e Assembleia de
Freguesia)
 Dispõem de um órgão executivo (Câmara Municipal e Junta de Freguesia)
 São eleitos pelas respectivas populações
 Desempenham um papel relevante no desenvolvimento local

Com esta revisão constitucional Portugal dá mais um passo evolutivo na instalação de


uma democracia pluralista baseada na vontade do seu povo.

Com isto espera ver reforçada a sua posição no âmbito das nações unidas, dando por
terminar todo um período marcado por um regime fascista. A democracia em Portugal
baseia-se em devolver ao povo a dignidade perdida e na criação de melhores condições
de vida.

Assim, fruto deste estado de espírito serão iniciados os processos de descolonização dos
territórios sob administração portuguesa.

Propostas de actividade

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Portugal e a sua História

O tema, pelo seu âmbito cronológico, está, em larga medida, ainda muito próximo do
universo vivencial dos formandos, dos seus familiares ou dos seus círculos de
sociabilidade.

Torna-se assim possível abordar o tema a partir das representações e das opiniões que
os formandos têm desse período e, a partir daí, confrontá-los a diferentes níveis e em
diferentes situações de aprendizagem, quer com os documentos da época quer com
construções historiográficas.

O recurso ao confronto de diferentes pontos de vista, de diferentes experiências de vida,


vivências constitui um caminho a seguir.

A relativização da verdade histórica, construída sobre uma pluralidade de pontos de vista


e de opiniões, sentido em que as actividades a desenvolver com o formando se devem
orientar; a capacidade de distanciamento e de diferenciação entre o que é facto
concreto, documento de época e construção posterior, torna-se um importante eixo
estratégico para o desenvolvimento de capacidades relacionadas com o respeito pelos
outros e com o posicionamento aberto perante o debate.

Trata-se ainda de construir um ambiente de trabalho que permita pelo envolvimento do


formando no aprofundamento temático.

Propõe-se, em consequência que o formador procure criar situações diversificadas de


aprendizagem, em que o formando se implique de forma activa, quer trabalhando
individualmente, quer cooperando com os colegas e a turma, pesquisando informação,
criticando, construindo opinião, confrontando, debatendo, sistematizando
conhecimentos.

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Portugal e a sua História

1. A partir de um documento audiovisual da época, designadamente um


documentário de propaganda ou um filme de ficção, desenvolver actividades de
comentário e organização de um debate.

2. A exposição do formador pode ajudar a introduzir o tema, completando o


quadro geral de conteúdos e facilitando a sistematização e articulação das
conclusões dos formandos nos trabalhos realizados.

3. Os pontos 1 e 2 dos conteúdos pode ser abordado a partir de um


documento-base: filme, documento histórico,...

4. O ponto 3. dos conteúdos pode ser desenvolvido em trabalho de projecto,


articulando a proximidade familiar ou de vizinhança ou, em caso disso, a própria
experiência pessoal, com a realidade estrutural envolvente.

5. Análise de excertos da Constituição de 1976, seguida de debate como


forma interessante de avaliação crítica do processo de transição e das formas
como se relaciona com a Constituição de 1976 e com a institucionalização do
regime democrático.

Estas sugestões implicam ainda tanto a realização de trabalhos de abordagem parcelar,


de duração diversa, incidindo sobre um tópico ou conjunto de tópicos, que podem tomar
a forma, por exemplo, de um dossier temático, construído através da recolha de
documentos da época, com o respectivo enquadramento histórico quer em forma de
apresentação como de síntese e conclusão.

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Portugal e a sua História

Bibliografia

AA VV. Atlas da História Mundial - Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira. Lisboa:


Editorial Enciclopédia

Mattoso; José (dir.), História de Portugal, Lisboa, Círculo de Leitores.

Couto, Célia Pinto et al., O tempo da história, História A 11º ano, Porto: Porto Editora

Couto, Célia Pinto et al., O tempo da história, História A 12º ano, Porto: Porto Editora

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