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TRAMAS DA MEMÓRIA:

UMA OLHAR SOBRE A IMAGEM DA MULHER NEGRA


EM ASSENTAMENTO(2013) 1

Sarah Gonçalves2

Resumo
Este artigo busca analisar as potencialidades de uso da fotografia como forma de fazer memória e
restituir afetos. Como fio condutor utiliza-se uma imagem da instalação Assentamento (2013) criada
pela artista visual Rosana Paulino. Na obra as imagens científicas de mulheres negras escravizadas
sofrem intervenções de bordado e costura que possibilitam inscrever um novo sentido nos corpos
silenciados. O eixo de teórico parte da tríade: memória (CANDAU, 2016), imagem fotográfica
(BARROS, 2017) e restituição (DIDI-HUBERMAN, 2013).

Palavras-chave: Memória. Imagem. Corpo. Mulher negra.

Qual a história da mulher negra na sociedade brasileira? A artista visual Rosana


Paulino tenta responder essa questão por meio da arte e a partir do olhar de mulher e negra.
Paulino investiga o que perpassa a condição de ser afrodescendente no Brasil, com
entrecruzando da memória familiar e coletiva. Ao eleger uma linguagem estética3 que
estabelece relações entre acontecimentos e sentimentos, memória e presente por meio de
“lugar mental” particular, ocorre a possibilidade de confronto entre a história privada e
coletiva, o que pressupõe um experiência temporal ampliada (FABRIS, Annateresa, 1999,
p.73). A memória é uma reconstrução continuamente atualizada do passado de forma que
reivindicá-la faz parte de um movimento que vai ao encontro da construção da identidade
definida por Candau (2016) como: metamória - “modo de afiliação do indivíduo ao seu
passado”.

1
Trabalho apresentado ao Grupo de Trabalho (colocar aqui o nome do GT), do VI ComCult,
Universidade Paulista , Campus Paraíso, São Paulo – Brasil, 08 a 09 de novembro de 2018.
2
Titulação, Vínculo Institucional e E-mail

3
De acordo com Annateresa Fabris(1999), essa tendência artística surge nos anos 70 e pode ser denominada de
story art.
Mas, entendendo a potência da memória como podemos restituir um afeto? Como
mostrar algo que historicamente esteve invisibilizado? De acordo com Didi- Huberman
(2015), para restituir algo a esfera pública é preciso instituir os restos, tomar nas instituições o
que elas não querem mostrar - as imagens esquecidas ou censuradas - para retorná-las a quem
de direito, ao público, aos cidadãos (p.206).
A mulher presente no retrato não tem roupa, idade, nome ou origem. O único
marcador é sua condição de classe e gênero: escrava e mulher, o que lhe atribui um corpo
social que se forma no desencaixe e que se sustenta nas suturas, com características
“franksteinianas”(esse termo é empregado pela própria Paulino em outra obra que também
utiliza costuras para abordar o silenciamento feminino).
Olhar para mulher negra nos exige compreender que a condição das mulheres na
sociedade foi historicamente atravessada por um olhar masculino em várias instâncias
simbólicas que, de modo pontual, contribuíram para respaldar uma visão singular do "ser
mulher" como uma entidade abstrata e idealizada. Para a negra há uma herança do passado
histórico que a desinvestiu de qualquer possibilidade que a permite exercer sua
feminilidade.(..........)
Na contramão da memória pública, o espaço por excelência da liberdade feminina foi
constituído no ambiente privado, do lar, nos arquivos. Embora, reconhecer a potência das
práticas memorialísticas privadas nos exige compreender que esse ato de “fazer memória”
contemplou apenas uma parcela de mulheres, pois os modos de registro estão ligados à sua
condição, ao seu lugar na família e na sociedade (PERROT, 1989, p, 9). (.....- costura e
intervenção) A costura é gesto arquetipicamente feminino (....)

Referências bibliográficas

BARROS, Ana Taís Martins Portanova. “Imagens do passado e do futuro: o papel da


fotografia entre memória e projeção”. In: Matrizes, v. 11, n. 1, jan./abr. 2017. Disponível
em http://www.revistas.usp.br/matrizes/article/view/122953.

CANDAU, Joel. “Memória e identidade: do indivíduo às retóricas holísticas”. In:


Memória e identidade. São Paulo: Contexto, 2016.
VI Congresso Internacional de Comunicação e Cultura - São Paulo – 2018
DIDI-HUBERMAN, Georges. “Devolver uma imagem”. In: ALLOA, Emanuel (org).
Pensar a imagem. Belo Horizonte: Editora Autêntica, 2015.

__________________, Georges. Imágenes pese a todo: memoria visual del Holocausto.


Barcelona: Paidós, 2004.
__________________, Georges. O que vemos, o que nos olha. São Paulo: 34, 1998.

FALCI, Carlos Henrique; ALENCAR, Renata. “O arquivo sob tensão: abundância,


descontinuidades e desejo de memória”. In: Devires, v. 12, n. 2, jan./dez. 2015.
Disponível em http://www.fafich.ufmg.br/devires/index.php/Devires/article/view/139.

FABRIS, Annateresa. Percorrendo veredas: hipóteses sobre a arte brasileira atual. REVISTA
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FELD, Claudia; MOR, Jessica Stites. “Imagen y memoria: apuntes para una
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NOGUEIRA, Isildinha B. "O Corpo da Mulher Negra". Pulsional Revista de Psicanálise, ano
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PAULINO, Rosana. Imagens de sombras. Tese (Doutorado em Artes Visuais) - Escola de


Comunicação e Artes, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2011.

PERROT, Michelle. Minha história das mulheres. São Paulo: Contexto, 2007.

______, Michelle. “O silêncio que ‘fala’ pelo corpo da mulher”. Entrevista concedida a
Marco Antônio Corteleti. Web. In. Boletim Informativo UFMG, n. 1279, ano 26, p. 4, 2000.
Disponível em: http://www.ufmg.br/boletim/bol1279/pag4.html

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