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Cientistas descobrem células de crianças

vivendo no cérebro de suas mães

A conexão entre mãe e filho é ainda mais profunda do que


se pensava
Por Robert Martone
Fonte http://www.scientificamerican.com/article/scientists-discover-
childrens-cells-living-in-mothers-brain/
Tradução Frater & Gustavo Falcão

O vínculo entre a mãe e o filho já é profundo e uma nova pesquisa sugere uma conexão física ainda
mais profunda. As ligações psicológicas e físicas compartilhadas pela mãe e seu filho começam
durante a gestação quando ela é fundamental para o desenvolvimento do feto, fornecendo calor e
sustento, enquanto seu batimento cardíaco fornece um ritmo constante e calmante.

A ligação física entre a mãe e o feto se dá pela placenta, um órgão, construído a partir de células
tanto da mãe quanto do feto, que serve como um canal para a troca de nutrientes, gases e resíduos.
As células podem migrar através da placenta entre a mãe e o feto, fixando residência em vários
órgãos do corpo, incluindo o pulmão, o músculo da tireóide, fígado, coração, rins e pele. Elas podem
ter uma ampla gama de impactos, de reparação dos tecidos e prevenção do câncer até estimulação de
distúrbios imunológicos.

É notável que seja tão comum para as células de um indivíduo integrar-se aos tecidos de outra
pessoa. Estamos acostumados a pensar em nós mesmos como indivíduos singulares e autônomos,
mas essas células “estrangeiras” parecem desmentir essa noção e sugerir que a maioria das pessoas
carregam reminiscências de outros indivíduos. Tão notável quanto isso pode ser, resultados
impressionantes de um novo estudo mostram que células de outros indivíduos também são
encontradas no cérebro. Neste estudo, as células masculinas foram encontradas nos cérebros de
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mulheres e estiveram vivendo lá, em alguns casos, por várias décadas. Qual impacto que elas podem
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ter provocado é agora apenas uma suposição, mas este estudo revelou que estas células eram menos
comuns no cérebro das mulheres que tiveram a doença de Alzheimer, sugerindo que podem estar
relacionadas com a saúde do cérebro.

Costumamos considerar nosso corpo como sendo o nosso próprio único ser, por isso a noção de que
podemos abrigar células de outras pessoas parece estranha. Ainda mais estranho é o pensamento de
que, embora certamente consideremos nossas ações e decisões como originárias da atividade de
nossos próprios cérebros individuais, células de outros indivíduos estão vivendo e funcionando nessa
complexa estrutura. No entanto, a mistura de células provenientes de indivíduos geneticamente
distintos não é de todo incomum. Esta condição é chamada de quimerismo, palavra que vem do
cuspidor de fogo Quimera da mitologia grega, uma criatura que era parte serpente parte, leão e parte
cabra. Quimeras que ocorrem naturalmente são muito menos ameaçadoras que esta figura mítica,
embora, também incluam criaturas como formas de limo e corais.

Microquimerismo é a presença persistente de algumas células geneticamente distintas num


organismo. Isto foi observado pela primeira vez em seres humanos muitos anos atrás quando as
células que contêm o cromossomo do sexo masculino "Y" foram encontradas circulando no sangue
de mulheres após a gravidez. Uma vez que estas células são geneticamente do sexo masculino, elas
não poderiam ter vindo das próprias mulheres, mas muito provavelmente vieram de seus bebês
durante a gestação.

Neste novo estudo, os cientistas observaram que as células microquiméricas não são apenas
encontradas circulando no sangue, elas também estão inseridas no cérebro. Eles examinaram os
cérebros de mulheres falecidas para verificar a presença de células contendo o cromossomo do sexo
masculino "Y". Eles encontraram tais células em mais de 60 por cento dos cérebros e em várias
regiões do cérebro. Como a doença de Alzheimer é mais comum em mulheres que tiveram gestações
múltiplas, eles suspeitaram que o número de células fetais seria maior em mulheres com a doença de
Alzheimer em comparação com aquelas que não tinham evidência de doença neurológica. Os
resultados foram exatamente o contrário: havia menos células derivadas de fetos nas mulheres com a
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doença de Alzheimer. As razões não são claras.


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O Microquimerismo
mais comumente
resulta da troca de
células através da
placenta durante a
gravidez, no
entanto, existem
também evidências
de que as células
podem ser
transferidas da mãe
para o bebê através da amamentação.
Além da troca entre mãe e feto, pode
haver troca de células entre gêmeos no
útero e há também a possibilidade de
que as células de um irmão mais velho
que foi residente na mãe possam achar
seu caminho de volta através da
placenta de um irmão mais novo
durante a gestação deste último. As
mulheres podem ter células
microquiméricas tanto de sua mãe,
bem como de suas próprias gravidezes
e há evidências ainda para a
competição entre as células da avó e da
criança dentro da mãe.

O que as células fetais microquiméricas fazem no corpo da mãe não é claro, embora existam
algumas possibilidades intrigantes. Por exemplo, as células fetais microquiméricas são semelhantes
às células estaminais na medida em que elas são capazes de se tornar uma variedade de tecidos
diferentes e podem auxiliar na reparação de tecidos. Um grupo de pesquisa investigando essa
possibilidade seguiu a atividade das células fetais microquiméricas em uma rata mãe depois que o
coração materno foi ferido: eles descobriram que as células fetais migraram para o coração materno e
transformadas em células do coração ajudaram a reparar o dano. Em estudos com animais, as células
microquiméricas foram encontradas em cérebros maternos onde se tornaram células nervosas,
sugerindo que elas podem ser funcionalmente integradas no cérebro. É possível que o mesmo possa
ser verdadeiro para tais células no cérebro humano.

Estas células microquiméricas podem também influenciar o sistema imunológico. Uma célula fetal
microquimérica proveniente de uma gravidez é reconhecida pelo sistema imunológico da mãe, em
parte, como pertencendo à mãe, uma vez que o feto é geneticamente metade idêntico à mãe, mas
parcialmente alheio, devido à contribuição genética do pai. Isto pode "aprimorar" o sistema
imunológico para estar alerta para as células que são semelhantes a elas mesmas, mas com algumas
diferenças genéticas. As células cancerosas que surgem devido a mutações genéticas são justamente
tais células, e há estudos que sugerem que as células microquiméricas podem estimular o sistema
imunológico para deter o crescimento de tumores. Muito mais células microquiméricas são
encontradas no sangue de mulheres saudáveis em comparação com aquelas que têm câncer de mama,
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por exemplo, sugerindo que as células microquiméricas podem de algum modo prevenir a formação
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de tumores. Em outras circunstâncias, o sistema imunológico se volta contra ele mesmo, causando
danos significativos. Microquimerismo é mais comum em pacientes que sofrem de esclerose múltipla
do que nos seus irmãos saudáveis, sugerindo que células quiméricas podem ter um papel prejudicial
nessa doença, talvez desencadeando um ataque autoimune.

Este é um florescente novo campo de investigação com um enorme potencial para novas descobertas,
bem como para aplicações práticas. Mas é também uma lembrança de nossa interconexão.

SOBRE O AUTOR
Robert Martone é o líder da área terapêutica para Neurociência do "The Covance Biomarker Center of
Excellence" localizado em Greenfield, Indiana. Ele é um cientista pesquisador com vasta experiência na
descoberta de medicamentos para doenças neurodegenerativas.

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