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O capítulo V do livro “Política Indigenista Brasileira e Promoção Internacional

dos Direitos das Populações Indígenas” apresenta algumas questões temáticas referentes
à política indigenista brasileira. A começar por sua história, o autor demonstra como foi
marcada, tanto no plano nacional quanto no internacional, pela transição do enfoque no
integracionismo para o enfoque na diversidade cultural. Esses enfoques possuem uma
vertente política e uma antropológica. A primeira apresenta-se de um lado como a visão
de Estado unitário e de outro como a concepção de Estado plurinacional. Já a segunda é
representada em um sentido pelo evolucionismo cultural e em outro pelo culturalismo.
No caso dos índios brasileiros, o autor afirma que o status jurídico de cidadania
é historicamente garantido, ainda que a possibilidade de exercício desta seja limitada.
Nesse sentido, o instituto da tutela possui um papel importante. Instrumento de
assistência exercida mediante expressão da vontade dos índios, a tutela foi criticada pelo
seu uso a arbitrário pelo órgão tutelar, até mesmo como forma de dominação. Por outro
lado, a tutela está fortemente vinculada à obrigação estatal de proteção e dos direitos
territoriais dos povos indígenas. Relevante também nessa discussão é a distinção entre
índios integrados à comunhão nacional e não-integrados, tendo aqueles assegurado o
pleno exercício dos direitos civis.
Para o autor, a questão fundiária é fundamental para os povos indígenas, na
medida em que é essencial não apenas para sua sobrevivência material, mas também no
aspecto sociocultural. Nesse sentido, a demarcação de territórios tradicionalmente
ocupados é de especial importância tendo em vista o valor específico que cada povo
atribui ao território que habita. Estes têm sido alvos de interesses de segurança e
econômicos, por parte do Estado e de particulares, sendo as intrusões um grande
obstáculo à demarcação. Além disso, faz-se necessária também a manutenção do
equilíbrio ecológico, principalmente frente ao desafio da exploração econômica dos
territórios indígenas por terceiros.
Os territórios em questão constituem patrimônio coletivo e permitem o usufruto
de recursos naturais de forma a garantir a auto-sustentação de cada povo, de acordo com
seu padrão econômico-cultural. Seguindo o mesmo princípio de diversidade cultural, a
educação deve assegurar a valorização da cultura indígena, ao mesmo tempo em que
deve possibilitar o acesso aos códigos da sociedade ocidental, facilitando o
estabelecimento de relações menos assimétricas. De forma similar, a questão da saúde
exige preocupações específicas com o quadro epidemiológico da região e com aspectos
culturais, e as dificuldades impostas pela dificuldade de acesso ao sistema público de
saúde podem ser superadas, segundo o autor pela formação de índios na área e pela
valorização da medicina tradicional.

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