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Disciplina: Alvenaria Estrutural – UFSCar 2012 1

Prof. Guilherme A. Parsekian


parsekian@ufscar.br

APOSTILA DO CURSO:

121088 - ALVENARIA
ESTRUTURAL

Prof. Dr. Guilherme Aris Parsekian

São Carlos

2012
Disciplina: Alvenaria Estrutural – UFSCar 2012 2
Prof. Guilherme A. Parsekian
parsekian@ufscar.br

1 Introdução .............................................................................................................................................9
1.1 Breve Histórico ..............................................................................................................................9
1.1.1 Antiguidade – Nascimento da Engenharia de Estruturas e da Alvenaria Estrutural .......... 10
1.1.2 Renascimento Europeu e Revolução Industrial, Ascensão e Queda da Alvenaria Como
Estrutura 13
1.1.3 Pós-Guerra, Ressurgimento da Alvenaria Como Estrutura ................................................ 15
1.1.4 No Brasil ............................................................................................................................. 16
1.2 Alvenaria Contemporânea ......................................................................................................... 18
1.3 Normas ....................................................................................................................................... 19
1.4 Definições ................................................................................................................................... 21
2 Materiais e Componentes .................................................................................................................. 24
2.1 BLOCOS ....................................................................................................................................... 24
2.1.1 Identificação e Aparência Visual ........................................................................................ 26
2.1.2 Resistência Mecânica ......................................................................................................... 26
2.1.3 Precisão Dimensional ......................................................................................................... 28
2.1.4 Absorção de Água ............................................................................................................... 28
2.1.5 Absorção de Água Inicial .................................................................................................... 29
2.2 ARGAMASSAS ............................................................................................................................. 30
2.2.1 Trabalhabilidade ................................................................................................................. 31
2.2.2 Retenção de água ............................................................................................................... 32
2.2.3 Aderência............................................................................................................................ 32
2.2.4 Resiliência ........................................................................................................................... 33
2.2.5 Resistência à compressão................................................................................................... 34
2.2.6 Traços comuns de argamassa ............................................................................................. 36
2.2.7 Classificação........................................................................................................................ 39
2.3 GRAUTE ...................................................................................................................................... 39
2.4 ALVENARIA ................................................................................................................................. 40
2.4.1 Movimentação Térmica...................................................................................................... 41
2.4.2 Movimentação Higroscópica .............................................................................................. 41
2.4.3 Fluência .............................................................................................................................. 42
2.4.4 Módulo de deformação e coeficiente de Poisson .............................................................. 42
3 PROJETO EM ALVENARIA ESTRUTURAL.............................................................................................. 43
3.1 CONCEPÇÃO ESTRUTURAL ......................................................................................................... 43
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3.1.1.1 Efeito Arco ...................................................................................................................... 45
3.1.1.1.1 EXEMPLO – cálculo de esforços considerando efeito arco ...................................... 47
3.2 MODULAÇÃO .............................................................................................................................. 49
3.2.1 AMARRAÇÃO INDIRETA ...................................................................................................... 49
3.2.2 MODULAÇÃO DE 15X30 ..................................................................................................... 50
3.2.3 MODULAÇÃO DE 15X40 ..................................................................................................... 51
3.2.3.1 MODULAÇÃO VERTICAL ................................................................................................. 51
3.3 PROJETO DAS ALVENARIAS ........................................................................................................ 52
3.4 PASSAGEM DE TUBULAÇÕES ...................................................................................................... 53
3.5 DETALHES CONSTRUTIVOS ......................................................................................................... 55
3.5.1 LAJE DE COBERTURA........................................................................................................... 55
3.5.2 VERGAS PRÉ-MOLDADAS.................................................................................................... 56
3.5.3 ESCADAS ............................................................................................................................. 56
3.6 EXEMPLO DE PROJETO ............................................................................................................... 58
3.7 CONSIDERAÇÕES PARA PROJETO ............................................................................................... 69
3.7.1 DADOS INICIAIS DO PROJETO E FLUXO DE INFORMAÇÕES ................................................ 69
4 Dimensionamento .............................................................................................................................. 73
4.1 Resistência a compressão .......................................................................................................... 73
4.1.1 Argamassa .......................................................................................................................... 74
4.1.2 Bloco ................................................................................................................................... 74
4.1.3 Forma de assentamento..................................................................................................... 75
4.1.4 Qualidade da mão-de-obra ................................................................................................ 75
4.1.5 Grauteamento .................................................................................................................... 76
4.1.6 Esbeltez............................................................................................................................... 77
4.1.7 Direção de aplicação do carregamento.............................................................................. 78
4.1.8 Fator de redução da resistência em função de flambagem e excentricidade ................... 78
4.1.9 Dimensionamento à compressão simples – Estado Limite Último .................................... 79
4.1.9.1 EXEMPLO – dimensionamento a compressão simples – ELU ........................................ 79
4.1.9.2 EXEMPLO – dimensionamento a compressão simples – com graute - ELU .................. 80
4.1.9.3 EXEMPLO – dimensionamento a compressão simples – argamassa lateral apenas –
ELU 80
4.1.10 Cargas Concentradas .......................................................................................................... 81
4.1.10.1 EXEMPLO – carga concentrada - ELU ........................................................................ 82
4.2 Resistência ao cisalhamento ...................................................................................................... 82
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4.2.1.1.1 EXEMPLO – cisalhamento em parede – estado limite último .................................. 83
4.2.1.1.2 EXEMPLO – cisalhamento em viga – sem armadura ............................................... 84
4.2.1.1.3 EXEMPLO – cisalhamento em viga – carga concentrada próxima ao apoio ........... 84
4.2.1.1.4 EXEMPLO– cisalhamento em viga – armadura de cisalhamento ............................. 85
4.3 Resistência a flexão simples ....................................................................................................... 86
4.3.1 Alvenaria não-armada ........................................................................................................ 87
4.3.1.1 EXEMPLO – flexão simples – sem armadura - ELU ........................................................ 87
4.3.2 Alvenaria armada - ELU ..................................................................................................... 87
4.3.2.1 Seção Retangular – armadura simples ........................................................................... 88
4.3.2.2 Seção Retangular – armadura dupla .............................................................................. 89
4.3.2.3 Seção T............................................................................................................................ 89
4.3.2.4 Vigas altas ....................................................................................................................... 90
4.3.2.5 Armaduras e diâmetros máximos e mínimos, espaçamento das barras ....................... 90
4.3.2.6 EXEMPLO– flexão simples – alvenaria armada – armadura simples – ELU.................... 91
4.3.2.7 EXEMPLO– flexão simples – alvenaria armada – armadura dupla - ELU........................ 92
4.4 Resistência à flexo-compressão ................................................................................................. 92
4.4.1 Alvenaria não-armada ou com baixa taxa de armadura - ELU .......................................... 92
4.4.1.1 EXEMPLO– flexo-compressão – sem necessidade de armadura - ELU .......................... 94
4.4.1.2 EXEMPLO– flexo-compressão – armadura simplificada - ELU ....................................... 94
4.4.2 EXEMPLO– Dimensionamento e Detalhamento de um Elemento de Parede Típico de
Edíficio Residencial ............................................................................................................................. 96
4.4.2.1.1 EXEMPLO A ............................................................................................................... 97
4.4.2.1.2 EXEMPLO B ............................................................................................................... 99
4.5 Emendas ................................................................................................................................... 104
4.6 Ancoragem ............................................................................................................................... 104
4.7 Ganchos e dobras ..................................................................................................................... 105
5 PROJETO ESTRUTURAL ..................................................................................................................... 106
5.1 INTRODUÇÃO ........................................................................................................................... 106
5.2 DADOS DO EDIFÍCIO ................................................................................................................. 107
5.2.1 Forma do prédio ............................................................................................................... 107
5.2.2 Materiais........................................................................................................................... 110
5.2.2.1 Alvenaria de blocos cerâmicos: .................................................................................... 110
5.2.2.2 Alvenaria de blocos de concreto: ................................................................................. 111
5.2.3 Carregamentos Verticais .................................................................................................. 111
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5.2.3.1 Peso próprio da parede ................................................................................................ 111
5.2.3.1.1 Alvenaria de blocos cerâmicos: .............................................................................. 111
5.2.3.1.2 Alvenaria de blocos de concreto: ........................................................................... 111
5.2.3.2 Lajes .............................................................................................................................. 112
5.2.4 Ações Horizontais ............................................................................................................. 112
5.2.4.1 Desaprumo ................................................................................................................... 112
5.2.4.2 Vento ............................................................................................................................ 113
5.2.4.3 Força horizontal total ................................................................................................... 113
5.3 Carregamentos Verticais: Modelo de Distribuição dos Esforços e Verificação da Compressão
113
5.3.1 Ático.................................................................................................................................. 116
5.3.2 Escada ............................................................................................................................... 118
5.3.3 Distribuição dos Esforços ................................................................................................. 118
5.3.4 Dimensionamento ............................................................................................................ 119
5.3.4.1.1 Carregamento por grupo de parede ...................................................................... 122
5.4 Ações Laterais: Modelo de Distribuição dos Esforços e Verificação da Flexo-Compressão e
Cisalhamento ........................................................................................................................................ 124
5.4.1 Definição das paredes de contraventamento em cada direção ...................................... 125
5.4.2 Esforço em cada parede – sem torção ............................................................................. 128
5.4.2.1 Verificações .................................................................................................................. 130
5.4.2.1.1 Dimensionamento das paredes do 1º pavimento - sem torção ........................... 130
5.5 Estabilidade Global e Verificação do Deslocamento Lateral .................................................... 131
6 Bibliografia........................................................................................................................................ 134
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Lista de Figuras
Figura 1: Cidade de Arg-é Bam, construção em Adobe, 500 a.C. (fonte: en.wiki Image:Iran, Bam.png) .................... 10
Figura 2: Pirâmide de Queops no Egito, 3.000 a.C. (fonte
http://en.wikipedia.org/wiki/Image:Pyramide_Kheops.JPG) ..................................................................................... 11
Figura 3: Monumento Stonehedge no Reino Unido, 3.000 aC (fonte
http://en.wikipedia.org/wiki/Image:S7300095.JPG) .................................................................................................. 11
Figura 4: Partenon na Grécia, 500 aC (fonte http://en.wikipedia.org/wiki/Image:Parthenon_from_west.jpg) ....... 12
Figura 5: Coliseu em Roma, 70 dC (fonte http://pt.wikipedia.org/wiki/Imagem:Coliseu14.jpg) ............................... 12
Figura 6: Arco antigo em alvenaria de pedra (fonte http://en.wikipedia.org/wiki/Image:BaraKaram.jpg) .............. 13
Figura 7: Grande Muralha da China (http://en.wikipedia.org/wiki/Image:Chemin_de_ronde_muraille_long.JPG) . 13
Figura 8: Edifícios de multi-andares construídos no final do Séc. 19 em fotos recentes (Austrália) ........................... 14
Figura 9: Prédio da Prefeitura da Filadélfia, mais alto edifício em alvenaria estrutural já construído (fonte:
http://photos.igougo.com/images/p193177-Philadelphia_PA-City_Hall.JPG) ........................................................... 14
Figura 10: Edifício Monadnock, em Chicago(fonte:
http://www.greatbuildings.com/buildings/Monadnock_Building.html) .................................................................... 15
Figura 11: Edifício de 18 pavimentos em alvenaria não-estrutural construído em 1957 na Suíça, (fonte: BIA
Technical Notes N. 24, 2002)....................................................................................................................................... 16
Figura 12: Conjunto de 5 pavimentos ......................................................................................................................... 18
Figura 13: Edifício Residencial de 8 em Barueri - SP.................................................................................................... 18
Figura 14: Edifício Residencial de 11 pavimentos, em construção em Porto Alegre – RS ........................................... 18
Figura 15: Comportamento básico da alvenaria: boa resistência a compressão, baixa resistência a tração ............. 19
Figura 16: Painel horizontal em alvenaria protendida com 5,0m de vão durante içamento pelas extremidades
(trabalho de mestrado Eng. Paulo R. A. Souza, UFSCar) ............................................................................................. 19
Figura 17: Área bruta, líquida e efetiva ..................................................................................................................... 22
Figura 18: Verga, contraverga, graute e armadura .................................................................................................... 23
Figura 19: Parede com enrijecedor ............................................................................................................................. 23
Figura 20: Prisma de 2 blocos ..................................................................................................................................... 23
Figura 21: Amarração indireta (esquerda) e direta (direita) .................................................................................... 23
Figura 22: Detalhe de graute em encotro de parede e de cinta a meia altura ........................................................... 23
Figura 23: Formatos de blocos cerâmicos estruturais ................................................................................................. 25
Figura 24: Bloco cerâmico, sílico-calcario e de concreto mais comuns ....................................................................... 25
Figura 25 Ensaios de caracterização dos blocos ......................................................................................................... 30
Figura 26: Ensaio do índice de consistência padrão .................................................................................................... 32
Figura 27: Ensaio de tração na flexão (ASTM E518) – mede indiretamente a aderência bloco-argamassa............... 33
Figura 28: Corpos-de-prova para ensaio a compressão e ensaio de módulo de deformação .................................... 35
Figura 30: Ensaio de prisma (2 blocos + 1 junta): na foto do rompimento (esquerda) note a expulsão lateral da
argamassa ................................................................................................................................................................... 35
Figura 31: Tipos de arranjo estrutural ........................................................................................................................ 44
Figura 32: Estabilidade lateral .................................................................................................................................... 44
Figura 33: Prédio com pilotis ....................................................................................................................................... 45
Figura 34: Efeito arco .................................................................................................................................................. 44
Figura 35: Esforços no efeito arco ............................................................................................................................... 45
Figura 36: Esforços no efeito arco – Barbosa (2000) .................................................................................................. 47
Figura 37: Detalhes de amarração indireta (ABCI, 1990)............................................................................................ 50
Figura 38: Modulação 15x30 ...................................................................................................................................... 50
Figura 39: Modulação 15x40cm .................................................................................................................................. 51
Figura 40: Exemplo de modulação vertical com bloco J .............................................................................................. 52
Figura 41: Elevação de parede .................................................................................................................................... 53
Figura 42: Instalações hidráulicas ............................................................................................................................... 55
Figura 43: Detalhe da laje de cobertura ...................................................................................................................... 56
Figura 44: Verga pré-moldada .................................................................................................................................... 56
Figura 45: Escada pré-moldada tipo jacaré ................................................................................................................ 57
Figura 46: Escada pré-moldada tipo jacaré ................................................................................................................ 57
Figura 47 – Planta Baixa do pavimento tipo ............................................................................................................... 58
Figura 48 – Modulação Primeira fiada ........................................................................................................................ 59
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Figura 49 – Modulação Segunda Fiada ....................................................................................................................... 60
Figura 50 – Detalhes de projeto .................................................................................................................................. 61
Figura 51 – Detalhes de projeto .................................................................................................................................. 62
Figura 52 – Detalhe da Instalação elétrica.................................................................................................................. 63
Figura 53 – Detalhes de projeto .................................................................................................................................. 64
Figura 54 – Quantitativos de Aço e Blocos Estruturais ............................................................................................... 65
Figura 55 – Elevação (paginação) de paredes............................................................................................................. 65
Figura 56 – Elevação (Paginação) de paredes............................................................................................................. 66
Figura 57 – Elevação (paginação) de paredes............................................................................................................. 67
Figura 58 – Detalhe das alvenarias de vedação .......................................................................................................... 68
Figura 59: Corpos-de-prova para medir resistência a compressão: bloco, prisma, paredinha, parede ...................... 73
Figura 60: Forma de assentamento – A: apenas nas laterais; B: em toda a face ....................................................... 75
Figura 61: Grauteamento ............................................................................................................................................ 76
Figura 62: Comprimento de flambagem (adaptado de www.wikipedia.org) ............................................................. 77
Figura 63: Altura efetiva (ABCI, 1990) ......................................................................................................................... 77
Figura 64: Carga concentrada ..................................................................................................................................... 82
Figura 65: Painel de alvenaria submetido à flexão. .................................................................................................... 86
Figura 66: Nomenclatura para flexão da parede ........................................................................................................ 86
Figura 67: Diagrama de tensões e deformações no estádio III ................................................................................... 87
Figura 68: Limitação da largura da seção para armadura isolada ............................................................................. 89
Figura 69: Seção T ....................................................................................................................................................... 90
Figura 70: Dimensionamento de viga-parede ............................................................................................................. 90
Figura 71 – Planta de Arquitetura do Pavimento Tipo .............................................................................................. 108
Figura 72 – Planta Modulada do Pavimento Tipo ..................................................................................................... 109
Figura 73 – Modulação Vertical ................................................................................................................................ 109
Figura 74 - Corte AA (parcial) .................................................................................................................................... 110
Figura 75 - Corte BB (parcial) .................................................................................................................................... 110
Figura 76 – Planta de Arquitetura do Barrilete ......................................................................................................... 110
Figura 77 – Nomenclatura Adotada .......................................................................................................................... 114
Figura 78 – Dimensões Paredes (eixo) ...................................................................................................................... 115
Figura 79 – Áreas de influência das lajes do ático .................................................................................................... 116
2
Figura 80 – Áreas de Influência das Lajes (m ).......................................................................................................... 117
Figura 81 – Grupos de paredes definidos .................................................................................................................. 123
Figura 82 – Contraventamento X e dados da PX1 ..................................................................................................... 126
Figura 83 – Contraventamento Y .............................................................................................................................. 127
Figura 84 – Deslocamento horizontal para força lateral (vento + desaprumo) ........................................................ 132
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Lista de Tabelas

Tabela 1: Cálculo de fbk................................................................................................................................................ 27


Tabela 2: Ensaios e requisitos dimensionais para blocos ............................................................................................ 28
Tabela 3: Características de argamassas de cimento, cal ou mistas .......................................................................... 31
Tabela 4: Resistências indicadas para a argamassa e graute em função da resistência do bloco (paredes revestidas)
.................................................................................................................................................................................... 36
Tabela 5: Traços básicos de argamassa ...................................................................................................................... 37
Tabela 6: Especificação e controle da argamassa ...................................................................................................... 38
Tabela 7: Classificação da argamassa segundo NBR 13281 ...................................................................................... 39
Tabela 8: Dosagem básica do graute .......................................................................................................................... 40
Tabela 9: Valores do coeficiente de dilatação térmica da alvenaria .......................................................................... 41
Tabela 10: Modulações mais comuns ......................................................................................................................... 49
Tabela 11: Resultados Médios de Elementos com Blocos Cerâmicos Vazados ........................................................... 74
Tabela 12: Resultados Médios de Elementos com Blocos de Concreto ....................................................................... 74
Tabela 13: Influência da espessura da junta na resistência à compressão (CAMACHO, 1995) .................................. 76
Tabela 14: Espessura efetiva: coeficiente  ................................................................................................................ 78
Tabela 15: Resistência ao cisalhamento (projeto de norma 02:123.03-001/1) .......................................................... 82
Tabela 16: Resistência à tração na flexão ................................................................................................................... 87
Tabela 17: Cálculo da força de vento ........................................................................................................................ 113
Tabela 18: Carga vertical por parede em valores característicos – blocos de concreto (pior caso) .......................... 119
Tabela 19: Cálculo de fpk, a partir dos carregamentos lineares sobre as paredes (h ef = 2,71 m) ............................ 122
Tabela 20: carregamento, grupos (paredes simétricas omitidas) ............................................................................. 123
Tabela 21: fpk, grupo de paredes .............................................................................................................................. 123
Tabela 22: Propriedades das paredes de contraventamento ................................................................................... 128
Tabela 23: Esforço em cada parede sem considerar a torção (paredes simétricas omitidas) .................................. 129
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1 Introdução

Em geral a alvenaria é reconhecida como durável, esteticamente agradável, de bom desempenho


térmico e acústico. Quando bem projetada (objetivo deste curso!) o sistema construtivo em alvenaria
estrutural traz as vantagens de ganho em rapidez, diminuição de desperdícios e custo competitivo (em
outras palavras: Racionalização da Obra).

Apesar de todas essas vantagens e do atual extensivo uso do sistema alvenaria estrutural, ainda
constata-se que poucas bibliografias sobre conceitos de projeto de alvenaria estrutural são disponíveis,
o que contribui para o pouco conhecimento geral sobre esse tema. Infelizmente é ainda hoje possível
encontrar engenheiros civis que realizam projeto ou execução de obras que não sabem ao menos o
significado de um prisma de alvenaria.

A normalização brasileira para dimensionamento de alvenarias de blocos de concreto hoje utiliza o


método das tensões admissíveis (MTA) para o caso de blocos de concreto, mas em processo de revisão,
com provável mudança para ainda este ano. Recentemente foram elaboradas normas para projeto e
execução de alvenaria estrutural de blocos cerâmico, já introduzindo conceitos do Método dos Estados
Limites (MEL). Tem-se hoje portanto uma situação de normas distintas para projeto de alvenaria com
blocos de materiais diferentes, em contradição com normas internacionais que tratam o
dimensionamento de alvenarias da mesma forma, indepedentemente do material (claro que levando-se
em conta diferenças de resistências). Como futuramente também a norma de blocos de concreto
passará a ser tratada pelo método dos estados limites e, espera-se, e os conceitos dessa futura norma
serão muito parecidos com a atual de blocos cerâmicos, será admitido aqui ambos casos no MEL,
indicando-se o MTA como nota histórica.

Espera-se que essa apostila seja uma boa fonte de informação para os alunos do curso e demais pessoas
interessadas nesse sistema construtivo.

1.1 Breve Histórico

Desde que saiu das cavernas e até quando passou a viver em habitações projetadas com o auxílio de
computadores, o homem vive em construções de alvenaria. É um pouco controverso saber se as
primeiras estruturas produzidas pelo homem foram de alvenaria (de pedra) ou de madeira. Sabe-se
que, cerca de vinte milênios anos atrás, o homem de Cro-Magnon (homem pré-histórico) já empilhava
pedras na busca da construção de um abrigo. Até meados do século 19 todas as construções tinham
estruturas de alvenaria ou madeira. Como várias das estruturas de alvenaria duram até hoje, e têm 100,
200, 300 ou mesmo 3.000 anos de idade, e poucas estruturas de madeira conseguem durar tanto, a
história da arquitetura e da construção civil basicamente é o estudo das construções em alvenaria (que
sobrevivem para contar a história!).

Estruturas de alvenarias com blocos cerâmicos são encontras a pelo menos 10.000 anos. Tijolos secados
ao sol eram fabricados e utilizados em diferentes regiões como Babilônia, Egito, Espanha e aqui na
América do Sul. Esse tipo de tijolo, chamado de Adobe, era produzido com solo argiloso, areia e água e
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freqüentemente ainda com uma parcela de material orgânico como palha ou mesmo restos de animais.
Inicialmente produzidos por simples amassamento e rolamento manual, esse tipo de tijolo evoluiu para
a forma retangular como conhecemos hoje. A Figura 1 mostra foto da cidade de Arg-é Bam, conhecida
como a maior estrutura em adobe, construída a pelos 500 anos a.C. Desde então a produção de blocos
cerâmicos muito evolui, porém ainda hoje existe a produção de adobe em algumas regiões do planeta.

Figura 1: Cidade de Arg-é Bam, construção em Adobe, 500 a.C. (fonte: en.wiki Image:Iran, Bam.png)

Evolução natural foi a introdução da queima dos blocos, inicialmente realizada em fogueiras a lenha
improvisadas, sendo reconhecido que esse tijolos queimados surgiram no Oriente Médio cerca de 3.000
anos a.C. A falta de controle na produção levava a uma variação considerável nas dimensões dos tijolos.
Ganho de qualidade aconteceu com a introdução de fornos, sendo esses inicialmente simples buracos
cavados no solo.

Já na Era Cristã, os Romanos produziam blocos queimados em fornos móveis que podiam ser
transportados por suas legiões e foi difundindo por todo o Império Romano. A essa época já havia o uso
de moldes e prensagem manual.

A primeira máquina para produção de tijolos foi patenteada em 1619 e grande avanço no ocorreu com a
introdução do forno tipo Hoffman que permitiu a introdução do processo contínuo de produção (1).
Conforme será detalhado no capítulo seguinte, hoje a produção de blocos ocorre de forma totalmente
automatizada em todas as fases do processo, desde a mineração, secagem, queima e esfriamento,
paletização e entrega.

Modernas técnicas de produção de blocos de excelente qualidade, maior entendimento sobre o


comportamento estrutural e conhecimento detalhado sobre o material, permitem hoje que grande
parcela das construções nacionais, especialmente edifícios residenciais ou comerciais de vãos
moderados e baixa ou média altura, seja executada em alvenaria estrutural. Para checar a esse nível,
várias etapas foram necessárias nessa longa jornada de conhecimento e aplicação da alvenaria
estrutural. A seguir comenta-se brevemente sobre esse histórico.

1.1.1 Antiguidade – Nascimento da Engenharia de Estruturas e da Alvenaria Estrutural

Estudar as formas arquitetônicas utilizadas na antiguidade é interessante pois mostra como é possível
tirar proveito da forma para viabilizar construções com materiais pouco elaborados. No caso do material
“alvenaria”, assim como o concreto, deve-se entender que uma elevada resistência à compressão pode
ser resistida, porém o material falha com baixas tensões de tração. Lembrando que técnica de se utilizar
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o aço resistindo à tração em uma seção mista de alvenaria armada (ou de concreto armado) só surgiu
nos últimos 200 anos, as construções até então tinham que ser solicitadas à compressão somente.

A forma piramidal foi uma das primeiras soluções encontradas para empilhar blocos de pedra de
maneira que fosse possível atingir uma grande altura de forma estável. A pirâmide de Sakkara foi
construída com blocos de adobe a cerca de 6.000 anos, e seu construtor, o egípcio Imhotep, é
considerado o primeiro engenheiro da humanidade. A pirâmide de Queops construída com blocos de
arenito no Egito cerca de 2.500 anos a.C. é um marco na história da alvenaria. Originalmente com 147m
de altura foi, por muitos séculos, considerada a mais alta construção humana, assim como várias outras
edificações em alvenaria nos século seguintes. O alargamento da base em níveis inferiores, ainda que
hoje seja considerada uma solução não econômica, garante a estabilidade da construção. Outros casos
de construções piramidais são encontrados em várias regiões do planeta, incluindo nas Américas.

Figura 2: Pirâmide de Queops no Egito, 3.000 a.C. (fonte http://en.wikipedia.org/wiki/Image:Pyramide_Kheops.JPG)

Aproximadamente à mesma época da construção da Pirâmide de Queops é construído na Inglaterra um


conjunto de monumentos em alvenaria de pedra, chamado Stonehedge (Figura 3), cujo interesse para
nós é observar a solução para vencer o vão. A forma de pórtico utilizada, com pilares e vigas, leva à
necessidade de resistência a esforços de tração e compressão no vão da viga, que no caso de alvenaria
não-armada, só podia acontecer se não houvesse juntas entre as pedras, em outras palavras o vão só
podia ser vencido com uma única pedra, e portanto seu tamanho limitado ao comprimento dessas.

Figura 3: Monumento Stonehedge no Reino Unido, 3.000 aC (fonte http://en.wikipedia.org/wiki/Image:S7300095.JPG)


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Essa mesma solução foi muito utilizada pelos gregos: estrutura na forma de pórtico em alvenaria de
pedra. Exemplo marcante, construído em cerca de 500 a.C que existe até hoje, é o Partenon mostrado
na Figura 4 onde percebe-se a necessidade de grande número de pilares em função da limitação do
comprimento das vigas de pedra.

Figura 4: Partenon na Grécia, 500 aC (fonte http://en.wikipedia.org/wiki/Image:Parthenon_from_west.jpg)

Evolução da arquitetura grega ocorreu com os romanos que incorporaram e melhoraram suas técnicas.
Construções romanas de alvenaria eram produzidas com tijolos cerâmicos queimados de pequena
espessura (parecido com os tijolos hoje existentes). Grande contribuição foi a introdução da forma em
arco e suas variações espaciais cúpulas (arco rotacionado) e abóbodas (arco transladado). A forma em
arco permite que, para determinado carregamento e forma, apenas esforços de compressão atuem.
Estava solucionado o problema de como vencer vãos maiores com blocos ou tijolos de dimensões
reduzidas unidos por algum tipo de junta (Figura 6). Exemplo marcante é o Coliseu de Roma, construído
no ano 70 d.C. utilizando tijolos queimados revestidos com mármore, Figura 5.

Figura 5: Coliseu em Roma, 70 dC (fonte http://pt.wikipedia.org/wiki/Imagem:Coliseu14.jpg)

De uma maneira geral, pode-se dizer que os gregos criaram as estruturas em pórticos, depois
aperfeiçoadas pelos romanos para a forma de arco, possibilitando maiores vãos com os materiais
disponíveis à época. Esse tipo de solução foi extensivamente difundida e utilizada em outras regiões,
especialmente no Oriente Médio e Europa onde inúmeras construções impressionantes com alvenaria
em forma de arco podem ser encontradas. A forma em arco permitiu também a construção de várias
outras estruturas como pontes e viadutos.
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Figura 6: Arco antigo em alvenaria de pedra (fonte http://en.wikipedia.org/wiki/Image:BaraKaram.jpg)

A alvenaria estrutural era ainda produzida em outras partes, como na China, país especialista na arte de
de terracotta - tijolos cerâmicos moldados em formato artísticos queimados uma vez, esmaltados e
queimados novamente. Exemplo marcante da alvenaria chinesa é a Muralha da China construída com
blocos de pedra e tijolos cerâmicos, Figura 7. Outros exemplos marcantes em pontes e viadutos também
marcam a alvenaria chinesa.

Figura 7: Grande Muralha da China (http://en.wikipedia.org/wiki/Image:Chemin_de_ronde_muraille_long.JPG)

1.1.2 Renascimento Europeu e Revolução Industrial, Ascensão e Queda da Alvenaria Como


Estrutura

A partir do século 14 a Europa sai de uma época das trevas (Medieval) e entra em uma fase de grande
desenvolvimento cultural que se estende pelas ciências, artes e humanismos. As construções em
alvenaria da época incorporam esse movimento, resultando em belas edificações que nos impressionam
até hoje, como os palácios e igrejas européias.

No século 19 acontece a Revolução Industrial, com desenvolvimento de técnicas que muito aumentam a
produção de insumos e movimentos de urbanização, com grande parte da população mudando para as
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cidades. Nesta fase, os edifícios começam a ganhar altura e se tornarem multi-familiares. Inúmeros
edifícios em alvenaria estrutural construídos à época duram até hoje (Figura 8).

Figura 8: Edifícios de multi-andares construídos no final do Séc. 19 em fotos recentes (Austrália)

Finalizado em 1901, após 30 anos de construção, o prédio da Prefeitura da Filadélfia (Figura 9), nos
Estados Unidos, foi projetado como o maior edifício da época é ainda hoje considerado o maior edifício
em alvenaria estrutural já construído. Sua torre central tem 165 metros de altura e foram necessárias
paredes de 6,6 metros de espessura no térreo para construí-lo.

Figura 9: Prédio da Prefeitura da Filadélfia, mais alto edifício em alvenaria estrutural já construído (fonte:
http://photos.igougo.com/images/p193177-Philadelphia_PA-City_Hall.JPG)

Apesar de ter havido um enorme aumento no número de tijolos e edificações produzidos a partir dessa
época, essa também foi a época do surgimento de outros materiais de construção como o ferro fundido,
concreto e posteriormente o concreto armado e aço. É o ressurgimento das estruturas aporticadas com
novos materiais resistentes a tração que permitem grandes vãos. Uma nova arquitetura surge,
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estruturas de alvenaria de grande espessura são consideradas inviáveis financeiramente. Edificações
devem então ter estrutura em concreto armado ou metálica com vedações em alvenaria.

Exemplo marcante de edifício desta época é o Edifício Monadnock, construído em Chigaco, EUA, entre
1889 e 1891. Com 16 andares e 60 metros de altura, utiliza blocos cerâmicos nas paredes que têm
espessura variável, de 30 cm no topo até o máximo de 1,83 m no térreo. O prédio existe até hoje e,
devido ao seu enorme peso, o térreo encontra-se afundado alguns centímetros no solo. O
conhecimento sobre o comportamento estrutural da alvenaria na época era escasso. De fato o modelo
estrutural previa que todo o esforço lateral devia ser resistido pela parede de fachada. A espessura da
parede diminuía a cada andar, mantendo-se o alinhamento da face externa da parede (Figura 10),
fazendo com que o peso dos andares superiores fosse descarregado nas paredes inferiores criando uma
excentricidade de carga com sentido ao interior do prédio. O momento criado por essa excentricidade
não é suficiente para tombar o prédio, mas é suficiente para balancear o momento causado pela força
lateral do vento batendo na fachada. Conforme veremos em capítulos seguintes, o modelo estrutural
adotado hoje admite que as paredes transversais resistem aos esforços ocasionados pelo vento agindo
na fachada. Apesar do sucesso como solução segura (o prédio é habitado e muito bem freqüentado até
hoje), as considerações feitas no projeto do prédio o tornaram anti-econômico. Comenta-se que o
construtor deste prédio tornou-se um grande empresário da construção civil da cidade na época e
construiu vários outros edifícios altos – todos a partir de então em estrutura metálica. De fato, uma
segunda junta do prédio, construída entre 1891 e 1893, foi feita com estrutura reticulada metálica,
marcando o início de uma nova era (estruturas reticuladas de aço ou concreto) e o final de outra
(estrutura em alvenaria), que somente várias décadas depois tornar-se-ia competitiva novamente.

Figura 10: Edifício Monadnock, em Chicago(fonte: http://www.greatbuildings.com/buildings/Monadnock_Building.html)

1.1.3 Pós-Guerra, Ressurgimento da Alvenaria Como Estrutura

Ao final da década de 40 a Europa estava arrasada e destruída pela 2º Guerra Mundial, sendo necessário
reconstruir inúmeras edificações. A essa época, a alvenaria como estrutura estava desacreditada por
entender-se que esse sistema era dispendioso tanto em consumo de materiais e mão-de-obra. Também
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nessa época os engenheiros perceberam que o sistema em pórtico para determinados tipos de
construção parecia falho: constrói-se uma estrutura considerando vãos entre pilares, dimensionando-se
vigas para vencer esses vãos; entretanto o vazio entre os elementos estruturais era totalmente
preenchido com alvenaria, já na época produzida com materiais de boa resistência.

Essa concepção para edifícios residenciais multi-familiares, onde existem várias paredes divisórias, não é
eficiente. Por que construir pilares e vigas quando as paredes podem servir de suporte às lajes? O que
estava faltando eram informações técnicas seguras sobre o comportamento dos materiais constituintes
da alvenaria (ou da alvenaria como material) e sobre modelos confiáveis de estruturas em alvenaria.
Era preciso recuperar, organizar e avançar o conhecimento sobre alvenaria estrutural. Várias pesquisas
levaram a grande evolução na engenharia de estruturas de alvenaria a partir de então, com o
desenvolvimento de novos materiais e procedimentos de cálculo. Essa evolução se desenvolve até hoje
e se traduz na moderna engenharia de estruturas em alvenaria.

Exemplo dessa época são os edifícios construídos na Suiça, na década de 50, pelo engenheiro e
professor Paul Haller. Na época, edifícios de 18 andares foram construídos com alvenaria não armada
com paredes de espessura entre 30 e 37,5 cm, causando uma verdadeira revolução no uso da alvenaria
estrutural (Figura 11). Era a primeira vez que métodos racionais de dimensionamento e projeto de
alvenaria eram aplicados. Nunca é demais deixar claro que isso só foi possível após exaustivos estudos
teóricos e experimentais. Estima-se que apenas Paul Haller tenha testado mais de 1.600 paredes de
alvenaria.

Figura 11: Edifício de 18 pavimentos em alvenaria não-estrutural construído em 1957 na Suíça, (fonte:
BIA Technical Notes N. 24, 2002)

Estudos indicam que se o Monadnock fosse construído hoje em alvenaria estrutural, com materiais e
modelos de cálculo modernos, a espessura máxima das paredes seria de 30 cm.

1.1.4 No Brasil

Assim como em outros países a alvenaria estrutural brasileira compreende a fase das construções
realizadas de maneira empírica (iniciada à 500 anos no Descobrimento do Brasil) e a fase do método
racional. Vale registrar antes do Descobrimento, construções de alvenaria já eram realizadas por
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populações indígenas da América do Sul, com destaque para as construções Incas no Peru, que ainda
hoje impressionam a humanidade (a cidade de Machu Pichu no Peru foi construída a cerca de 600 anos
e tem detalhes de projeto garantindo resistência a abalos sísmicos).

Aqui nos ateremos a descrever de forma genérica a fase racional da alvenaria estrutural brasileira.
Edifícios de múltiplos andares executados com blocos de qualidade, de elevada e controlada resistência
e padrão dimensional, são encontrados no Brasil desde a década de 60. O primeiro grande fabricante
brasileiro de blocos iniciou atividades em 1966. Nessa época, pouquíssimos projetistas de estruturas
dominavam os conceitos de projetos. A adoção de norma estrangeira, especialmente norte-americana,
e mesmo a recorrência a consultores externos para auxiliar no projeto era freqüente. Como as
recomendações para projeto eram baseadas em normas estrangeiras, que levam em conta
características sociais e ambientais dessas regiões, o uso da alvenaria com alta taxa de armadura e
grauteamento era constante. Não existia um único curso de Engenharia Civil com disciplina sobre
alvenaria estrutural. Era a época da alvenaria armada.

Em 1966 foram construídos os primeiros edifícios com blocos de concreto, de 4 pavimentos. A primeira
grande obra foi o Central Parque Lapa, um conjunto de 4 prédios com 12 andares, em alvenaria armada
com blocos de concreto. Em alvenaria não-armada, apenas em 1977 foram construídos edifícios de 9
pavimentos com blocos sílico-calcários de espessura igual a 24 cm nas paredes estruturais.

Os primeiros empreendimentos tinham tecnologia americana (blocos de concreto e bastante armadura,


devido aos terremotos naquele país). Inicialmente surgiram muitas patologias, decorrentes da
adaptação da tecnologia importada à mão de obra local, aos materiais e ao clima. A utilização decaiu até
1986, depois de muitas obras arrojadas terem sido executadas.

Apenas em 1977 foi formada a primeira comissão de norma para projeto de alvenaria estrutural. Ainda
em 1977 é construído, em São Paulo, o primeiro edifício de média altura em alvenaria não-armada, o
Edifício Jardim Prudência.

Pesquisas sobre alvenaria estrutural com blocos cerâmicos têm início no IPT no final da década de 70, e
na Escola Politécnica da USP no início da década seguinte. No final da década de 80 e início dos anos 90,
o sistema construtivo ganhou força. Parcerias Universidade-Empresa permitiram a criação de materiais
e equipamentos nacionais para produção de alvenaria. O uso da alvenaria não-armada ou com
armaduras apenas onde o dimensionamento indicava necessário (antes da revisão atual da norma,
chamada de alvenaria parcialmente armada), passa a ser corrente. Estudos comparativos chegam à
conclusão de que, para prédios residenciais com vãos moderados e de baixa ou média altura, a opção
pela alvenaria estrutural poderia levar a considerável redução no custo.

Hoje o sistema é extensivamente utilizado em todas as diferentes regiões do Brasil e é um ramo


reconhecido da engenharia. Pesquisadores, projetistas, associações, construtores, enfim toda uma
indústria de alvenaria existe em praticamente todos os países com algum grau de desenvolvimento. As
melhores universidades brasileiras têm hoje a disciplina na grade curricular do Curso de Engenharia
Civil.

A primeira norma sobre projeto data de 1989 e trata especificamente do uso de blocos de concreto.
Hoje várias edificações são feitas em alvenaria estrutural (AE) no Brasil, desde casas e sobrados, edifícios
de 4 pavimentos sem elevador e térreo habitado, até edifícios mais altos de 8, 15, ou mesmo 24
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pavimentos sobre térreo em estrutura de concreto armado (pilotis). Também é comum hoje a utilização
de alvenaria estrutural na construção de arrimos, reservatórios, galpões.

O primeiro congresso exclusivo sobre o tema, o International Brick & Block Masonry Conference,
realizado pela primeira vez em 1967 nos EUA, será realizado no Brasil em 2012. O nível de
conhecimento que temos hoje evoluiu enormemente nas últimas décadas, discorrendo sobre
cisalhamento, uso de materiais novos como os reforços com plásticos, modelagem numérica,
comportamento não-linear, alvenaria protendida, resistência a sismos, entre vários outros.

1.2 Alvenaria Contemporânea

Inúmeros edifícios são hoje construídos em alvenaria estrutural, especialmente edifícios residenciais.
Casos de edifícios comerciais, ainda que menos freqüentes, são comuns. Usualmente o sistema
construtivo é indicado quando não há previsão de alterações na arquitetura (paredes não-removíveis)
ou quando essa possibilidade é limitada a alteração de algumas paredes apenas (pavimento com mais
de uma opção de planta, previstas na fase de projeto) e para casos de vãos médios moderados de cerca
de 4 a 5 metros.

Em relação a altura do edifício, a opção por alvenaria estrutural usualmente é mais econômica em
edifícios de poucos andares, até cerca de 12 pavimentos. Nesses casos tem-se predominância da ação
vertical e do esforço de compressão, em relação à ação horizontal de menor intensidade, viabilizando o
uso de alvenaria não armada ou pouco armada. Outras possibilidades de uso do sistema, como em
edifícios mais altos, são tecnicamente possíveis, porém usualmente com menor ganho econômico em
relação a outros sistemas construtivos.

Porto
Alegre
– RS
11
Figura 14: Edifício Residencial de 11
Figura 12: Conjunto de 5 pavimentos
Figura 13: Edifício Fonte: em construçãopavim
pavimentos, em Porto
Residencial de 8 em Alegre – RS
Barueri - SP
MDFS/G entos
EPDAE
2005
A adequação de alvenaria não-armada para edifícios de altura moderada esta relacionada com a boa
resistência a compressão da alvenaria (Figura 15). Casos em que a ação horizontal é predominante, como
pequenas coberturas, paredes altas de edificações térreas, entre outros, tornam-se viável com o uso de
protensão ou alvenaria armada (Figura 16).
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Figura 15: Comportamento básico da alvenaria: boa resistência a compressão, baixa resistência a tração

Figura 16: Painel horizontal em alvenaria protendida com 5,0m de vão durante içamento pelas extremidades (trabalho de
mestrado Eng. Paulo R. A. Souza, UFSCar)

1.3 Normas

O projeto e execução de obras em alvenaria de blocos cerâmicos e a especificação e controle dos


componentes da alvenaria são padronizados pelas prescrições das seguintes normas da ABNT,
Associação Brasileira de Normas Técnicas:

A. Especificação e controle de componentes


a) Blocos Cerâmicos:
i. Componentes cerâmicos - Parte 1 - Blocos cerâmicos para alvenaria de vedação
- Terminologia e requisitos – NBR 15270-1. Rio de Janeiro, 2005.
ii. Componentes cerâmicos - Parte 2 - Blocos cerâmicos para alvenaria estrutural -
Terminologia e requisitos – NBR 15270-2. Rio de Janeiro, 2005.
iii. Componentes cerâmicos - Parte 3 - Blocos cerâmicos para alvenaria estrutural e
de vedação – Método de ensaio – NBR 15270-3. Rio de Janeiro, 2005.
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b) Blocos de Concreto:
i. Blocos vazados de concreto simples para alvenaria estrutural - NBR 6136. Rio
de Janeiro, 2006.
ii. Blocos vazados de concreto simples para alvenaria - Métodos de ensaio – NBR
12118. Rio de Janeiro, 2007.
c) Blocos Sílico-Calcário:
i. Bloco sílico-calcário para alvenaria - Parte 1: Requisitos, dimensões e métodos
de ensaio – NBR14974-1. Rio de Janeiro, 2003.
d) Argamassa:
i. Argamassa para assentamento e revestimento de paredes e tetos - Preparo da
mistura e determinação do índice de consistência – NBR 13276. Rio de Janeiro,
2005.
ii. Argamassa para assentamento e revestimento de paredes e tetos -
Determinação da retenção de água– NBR 13277. Rio de Janeiro, 2005.
iii. Argamassa para assentamento e revestimento de paredes e tetos -
Determinação da densidade de massa e do teor de ar incorporado– NBR 13278.
Rio de Janeiro, 2005.
iv. Argamassa para assentamento e revestimento de paredes e tetos -
Determinação da resistência à tração na flexão e à compressão – NBR 13279.
Rio de Janeiro, 2005.
v. Argamassa para assentamento e revestimento de paredes e tetos -
Determinação da densidade de massa aparente no estado endurecido – NBR
13280. Rio de Janeiro, 2005.
e) Graute: 
i. Ensaio à compressão de corpos de prova cilíndricos de concreto - NBR 5739. Rio
de Janeiro, 2007.
f) Parede:
i. Paredes de alvenaria estrutural - Determinação da resistência ao cisalhamento –
NBR 14321. Rio de Janeiro, 1999.
ii. Paredes de alvenaria estrutural - Verificação da resistência à flexão simples ou à
flexo-compressão – NBR 14322. Rio de Janeiro, 1999.
iii. Paredes de alvenaria estrutural - Ensaio à compressão simples – NBR 8949. Rio
de Janeiro, 1985.
B. Projeto 
a) Blocos de Concreto:
i. Alvenaria estrutural — Blocos de concreto Parte 1: Projetos- NBR 15961-1. Rio
de Janeiro, 2011.
b) Blocos Cerâmicos:
i. Alvenaria estrutural — Blocos cerâmicos Parte 1: Projetos- NBR 15812-1. Rio de
Janeiro, 2010.
C. Execução 
a) Blocos de Concreto:
i. Alvenaria estrutural — Blocos de concreto Parte 2: Execução e controle de
obras - NBR 15961-1. Rio de Janeiro, 2011.
b) Blocos Cerâmicos:
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i. Alvenaria estrutural — Blocos cerâmicos Parte 2: Execução e controle de obras -
NBR 15812-2. Rio de Janeiro, 2010
c) Blocos Sílico-Calcário:
i. Bloco sílico-calcário para alvenaria - Parte 2: Execução e controle de obras –
NBR14974-2. Rio de Janeiro, 2003.

1.4 Definições

De acordo com ABNT NBR 15812 e 15961 têm-se as seguintes definições sobre a alvenaria estrutural:

A. Componente: menor unidade que compõe um elemento da estrutura, incluindo


a) Bloco: a unidade básica que forma a alvenaria.
b) Junta de Argamassa: o componente utilizado na ligação entre os blocos.
c) Reforço de Graute: Componente utilizado para preenchimento de espaços vazios de
blocos com a finalidade de solidarizar armaduras à alvenaria ou aumentar sua
capacidade resistente.
B. Elemento: Parte da estrutura suficientemente elaborada constituída da reunião de dois ou mais
componentes
a) Elemento de alvenaria não-armado: elemento de alvenaria no qual a armadura é
desconsiderada para resistir aos esforços solicitantes.
b) Alvenaria parcialmente armada (apenas NBR10837): estrutura em que alguns pontos
são armados para absorver os esforços calculados, não sendo sendo necessário
obedecer critérios de armadura mínima.
c) Elemento de alvenaria armado: elemento de alvenaria no qual são utilizadas armaduras
passivas que são consideradas para resistência dos esforços solicitantes, definição
alterada em relação a NBR10837 que exigia taxa de armadura mínima para
consideração como armada, não mais necessária na definição atual.
d) Elemento de alvenaria protendido: elemento de alvenaria no qual são utilizadas
armaduras ativas impondo uma pré-compressão antes do carregamento.
C. Parede estrutural ou não-estrutural
a) Estrutural: toda parede admitida como participante da estrutura (serve de apoio às lajes
e outros elementos da construção).
b) Não-estrutural: toda parede não admitida como participante da estrutura (apóia e
impõe um carregamento às lajes ou outro elemento da estrutura).
D. Viga, Contraverga, Cinta ou Coxim
a) Viga: Elemento estrutural colocado sobre os vãos de aberturas com a finalidade
exclusiva de resistir a carregamentos, usualmente composta de uma ou mais canaletas
grauteadas e armadas.
b) Contraverga: Elemento estrutural colocado sob os vãos de aberturas, tem por finalidade
resistir a tensões concentradas nos cantos da abertura, usualmente composta de uma
canaletas grauteada e armada.
c) Cinta: Elemento estrutural apoiado continuamente na parede, ligado ou não às lajes,
vergas ou contravergas, usualmente composta de uma canaleta grauteada e armada,
tem por finalidade distribuir cargas distribuídas continuamente sobre a parede,
aumentar a resistência da parede para cargas fora do plano da parede ou na direção
horizontal do plano da parede. Usualmente é composta de uma fiada de canaletas
armadas.
d) Coxim: Elemento estrutural não contínuo, apoiado na parede, para distribuir cargas
concentradas, usualmente composto de canaleta grauteada ou peça de concreto
armado.
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E. Enrijecedor: Elemento, usualmente de alvenaria, vinculado a uma parede estrutural com a
finalidade de produzir um enrijecimento na direção perpendicular ao seu plano, usualmente
utilizado quando a parede esta sujeita a carga lateral fora de seu plano ou em paredes altas.
F. Diafragma: Elemento estrutural laminar admitido como rígido em seu próprio plano,
usualmente a laje de concreto armado que distribui as cargas horizontais para as paredes,
conforme será visto nos próximos capítulos.
G. Área bruta, líquida ou efetiva:
d) Bruta: Área de um componente (bloco) ou elemento (parede) considerando-se as suas
dimensões externas, desprezando-se a existência dos vazios.
e) Líquida: Área de um componente (bloco) ou elemento (parede) considerando-se as suas
dimensões externas, descontada a existência dos vazios
f) Efetiva: Área um elemento (parede) considerando apenas a região sobre a qual a
argamassa de assentamento é distribuída, desconsiderando vazios.
H. Prisma: Corpo de prova obtido pela superposição de blocos unidos por junta de argamassa,
grauteados ou não, a ser ensaiado a compressão. Oferece informação básica sobre resistência a
compressão da alvenaria e é o principal parâmetro para projeto e controle da obra
I. Amarração direta ou indireta:
a) Direta: padrão de distribuição dos blocos no qual as juntas verticais se defasam de no
mínimo 1/3 da altura dos blocos.
b) Indireta: padrão de distribuição dos blocos no qual não há defasam nas juntas verticais
e utiliza-se algum tipo de armação entre as juntas.

Paredes de alvenaria estrutural devem ser construídas com amarração direta. Nas revisões atuais das
normas, deve ser considerada não-estrutural a parede de blocos a prumo em seu plano (salvo se existir
comprovação experimental de sua eficiência ou efetuada a amarração indireta). Encontros de parede
devem preferencialmente ser construídos com amarração direta, havendo perda no desempenho
estrutural em casos de amarração indireta, conforme será visto nos próximos capítulos.

J. Pilar ou parede: Elementos que resistem predominantemente a cargas de compressão, sendo


considerado:
a) Pilar: elemento cuja maior dimensão da seção transversal não excede cinco vezes a
menor dimensão.
b) Parede: elemento cuja maior dimensão da seção transversal não excede cinco vezes a
menor dimensão.
K. Vão efetivo: No dimensionamento de elementos estruturais, define-se o vão efetivo a soma do
distância entre as faces internas dos apoios, acrescida, em cada lado, do menor valor entre a
distância da face ao eixo do apoio e altura da viga dividia por 2.

Figura 17: Área bruta, líquida e efetiva


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Figura 19: Parede com enrijecedor

Figura 18: Verga, contraverga, graute e armadura

Figura 20: Prisma de 2 blocos

Figura 21: Amarração indireta (esquerda) e direta (direita)

Figura 22: Detalhe de graute em encotro de


parede e de cinta a meia altura
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2 Materiais e Componentes

As propriedades de uma parede dependem da composição dos materiais constituintes: bloco,


argamassa, graute e armadura. Os componentes básicos da alvenaria devem apresentar características
mínimas de desempenho e conformidade com as especificações de norma e propriedades que
possibilitem o cumprimento de requisitos requeridos. A seguir são resumidas as principais
considerações a respeito das propriedades dos componentes, bloco, argamassa e graute. Os requisitos e
ensaios de cada propriedade são comentados a seguir. Os procedimentos para controle da obra, como
amostragem, aceitação ou rejeição, serão discutidos ao final desta apostila.

2.1 BLOCOS

Os blocos representam 80 a 95% do volume da alvenaria, sendo determinantes de grande parte das
características da parede: resistência à compressão, estabilidade e precisão dimensional, resistência ao
fogo e penetração de chuvas, isolamento térmico e acústico e estética. Em conjunto com a argamassa,
os blocos também são determinantes para a resistência ao cisalhamento, tração e para a durabilidade
da obra. São, portanto, as unidades fundamentais da alvenaria.

Blocos cerâmicos estruturais usualmente são fabricados por extrusão (e não por prensagem), a partir de
uma mistura de um ou mais tipo de argila com aditivos, e queimados em fornos com temperatura
variando entre 800 e 1100 graus. As fábricas mais modernas possuem forno do tipo túnel, com rigoroso
controle de temperatura. Como o próprio nome diz esse forno tem forma um túnel por onde os blocos
ainda “verdes” correm, atravessando fases de aquecimento (inicio do túnel, com menor temperatura),
queima e esfriamento (final do túnel). Todo esse processo permite uma queima uniforme de todos os
blocos e resulta em um produto de maior qualidade, sujeito a menores variações tanto de resistência
quanto dimensionais. Nas fábricas mais simples o forno é do tipo “capela”, uma câmara em formato
onde todos os blocos são alocados e a queima é feita. A utilização desses fornos usualmente leva a
queimas mais irregulares, os blocos que ficam mais perto das paredes queimam de forma diferente dos
blocos da parte central do forno, gerando maior variação entre as propriedades dos blocos. Desta forma
pode-se perceber que pode haver uma grande diferenciação na qualidade dos blocos em função do
porte da fábrica. Na Região Sudeste, blocos cerâmicos são usualmente utilizados em edifícios baixos,
usualmente até 7 pavimentos. Prédios de 8 a 9 pavimentos são possíveis, porém geralmente tem maior
necessidade de grauteamento. Na Região Sul existem casos de utilização para edifícios de até 10
pavimentos, com pouco grauteamento.

Blocos de concreto são usualmente vazados, ou seja, possuem área líquida inferior 75% da área bruta do
bloco conforme classificação da NBR 6136. Os blocos sílico-calcario podem ser vazados ou perfurados.

Quanto a sua forma, blocos cerâmicos podem ser classificados como:

a) De paredes vazadas - aquele cujas paredes externas e internas apresentam vazados.


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b) Com paredes maciças - aquele cujas paredes externas são maciças e as internas podem apresentar
vazados, sendo a relação da área líquida para a área bruta não maior que 65%.
c) Perfurado - aquele com vazados distribuídos em toda a sua face de assentamento sendo a relação
da área líquida para a área bruta não maior que 75%, utilizados em alvenaria não-armada apenas.

a) de paredes vazadas b.1) com paredes b.2) com paredes


maciças (paredes maciças (paredes c) perfurado
internas também internas vazadas)
maciças)
Figura 23: Formatos de blocos cerâmicos estruturais

Para perfeita modulação, são fabricados blocos de diferentes formas: inteiros ou padrão que forma a
maior parte da parede, meio-bloco para permitir a amarração no plano da parede, bloco de 45 ou 54 cm
que permite amarração entre paredes, blocos canaletas para confecção de vergas, contravergas, cintas,
blocos jota e compensador para encontro com a laje. Voltaremos ao tema sobre modulação
posteriormente. O catálogo completo dos componentes em blocos disponíveis é usualmente oferecido
pelos fabricantes.

Figura 24: Bloco cerâmico, sílico-calcario e de concreto mais comuns

Os blocos de concreto são fabricados em todas as regiões do Brasil, podendo ter sua resistência
controlada em função do traço adotado, chegando a valores entre 4,0 a 20,0 MPa, o que permite sua
utilização em edifícios baixos e altos. São fabricado a partir de uma mistura cimento-areia-pedrisco +
aditivos, moldados em formas e vibroprensados. As fábricas mais modernas possuem cura a vapor e
todo o processo de fabricação do bloco, desde a dosagem com controle de umidade, até a montagem
das pilhas finais, automatizado.
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Blocos sílico-calcário são formados por areia e cal moldado por prensagem e curado em autoclaves (por
vapor a alta pressão). São blocos de grande resistência (6 a 20 MPa), e tem como desvantagem é a
existência de poucos fornecedores. São blocos de boa aparência e acabamento e boa precisão
dimensional.

Os requisitos funcionais dos blocos para se construir uma parede eficiente são: resistência a esforços
mecânicos, durabilidade frente a agentes agressivos, estabilidade e precisão dimensional. Outras
características importantes são os parâmetros físicos (densidade aparente, condutibilidade térmica,
absorção total), que determinam as características da parede (resistência ao fogo, à penetração de
chuva, isolamento térmico e acústico). Os requisitos de ordem estética também devem ser
considerados. A seguir se detalham algumas destas características.

2.1.1 Identificação e Aparência Visual

Para blocos cerâmicos, durante a fabricação cada bloco deve ser identificado através da gravação em
alto ou baixo relevo das seguintes informações:

a) Identificação da Empresa.

b) Dimensões de fabricação em centímetros (cm), na seqüência largura (L), altura (H) e


comprimento (C), (L x H x C), podendo ser suprimida a inscrição da unidade de medida (cm).

c) As letras EST (indicativo da sua condição estrutural).

d) Indicação de rastreabilidade (número ou sigla que identifique o lote de fabricação).

Em todos os casos deve-se atender a requisitos de características visuais não apresentando defeitos
como: quebras, superfícies irregulares ou deformações que impeçam seu emprego na função
especificada. Se for utilizado aparente deve ainda atender a critério de aparência definido de comum
acordo entre o fabricante e o comprador.

2.1.2 Resistência Mecânica

A principal característica de um bloco é a sua resistência característica a compressão (fbk), referida


sempre à área bruta do bloco. Essa é fundamental para a resistência da parede (fk), sendo o material do
bloco e a sua resistência fatores predominantes na resistência a compressão de uma parede. Ainda que
as outras características sejam também de fundamental importância, a qualidade de um bloco é na
maioria das vezes medida pela sua resistência a compressão.

Blocos cerâmicos devem ter resistência mínima de 3,0 MPa, sendo recomendável a utilização de blocos
mais resistentes (10,0 MPa) para o caso de alvenarias aparentes. O bloco estrutural cerâmico mais
encontrado no mercado atual é o de 6,0 MPa, sendo poucos os fabricantes que conseguem produzir
blocos de maior resistência.
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Para o caso de blocos de concreto, a mínima resistência a compressão a ser especificada em um projeto
é de 4,0 MPa quando as paredes são revestidas ou 6,0 MPa para alvenarias aparentes. Outras
resistências disponíveis são 8,0; 10,0; 12,0 e assim por diante até cerca de 20,0 MPa. O mesmos valores
podem ser admitidos para blocos sílicos-calcários.

O ensaio é realizado por simples compressão de uma amostra de blocos. Antes do ensaio os blocos
cerâmicos devem ser saturados através de imersão em água por pelo menos seis horas. A determinação
da resistência característica (fbk) dos blocos ensaiados pode ser calculada conforme abaixo. O valor ser
aceito é aquele indicado no projeto estrutural, conforme será visto em capítulo seguinte.

Tabela 1: Cálculo de fbk


NOTAÇÃO / PARÂMETROS
fbk,est = resistência característica estimada da amostra, expressa em MPa;
fb(1), fb(2),…, fbi = valores de resistência à compressão individual dos corpos-de-prova da
amostra, ordenados crescentemente;
i = n/2, se n for par;
i =(n -1)/2, se n for ímpar;
n é igual à quantidade de blocos da amostra
Quantidade
6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 18
de blocos

Ø 0,89 0,91 0,93 0,94 0,96 0,97 0,98 0,99 1,00 1,01 1,02 1,04

Blocos de Concreto (NBR6136-2006)  n ≥ 6

Blocos Cerâmicos (NBR15270-2005)  n ≥ 13

 f  f  ...fb i-1 ) 
fbk1= 2 1 2   fb i
 i - 1 
 fb  .......  fbn 
fbk2 =  1 
 n 

fbk3 = Ø x fb1

fbk4 = maior valor entre fbk1 e fbk3

fbk = menor valor entre fbk2 e fbk4


Blocos Sílico Calcários (NBR14974-2003)

fbk = fb – Sn

fb é a média aritmética das resistências à compressão da amostra,


Sn é o desvio-padrão da resistência à compressão da amostra
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2.1.3 Precisão Dimensional

A precisão dimensional dos blocos é diretamente está ligado à da parede. Caso haja variação da
espessura dos blocos, a parede também terá variação na sua espessura. Para compensar essa variação a
camada de revestimento da parede deverá então ser maior, aumentando o custo da obra. Se a
espessura for reduzida em relação ao especificado há alguma redução na resistência da parede também.

Já as variações na altura e comprimento do bloco comprometem principalmente as juntas de


argamassa, horizontais e verticais, respectivamente. Alterações na espessura de juntas verticais podem
ser prejudiciais à modulação (não é possível a distribuição dos blocos conforme desenho do projeto pois
esses tem tamanho diferente) e, em casos extremos, comprometer a resistência ao cisalhamento.
Alterações na espessura da junta horizontal ocasionam variações no pé-direito do pavimento e pode
diminuir a resistência a compressão da parede (quanto mais espessa a junta, menor a resistência a
compressão). A espessura da parede do bloco é outra especificação a ser controlada, de grande
importância para garantir a resistência do bloco; uma pequena variação de 1 mm nessa espessura pode
significar uma grande redução na área líquida do bloco e portanto na quantidade de material resistente.
Também devem ser verificados o desvio em relação ao esquadro e a planeza das faces dos blocos.
Variações nesses dois últimos parâmetros criam excentricidades, diminuindo a resistência dos blocos.

Os ensaios de controle das dimensões do bloco são simples, basicamente medir cada uma das
dimensões e anotar valores mínimos, médios e máxima diferença em relação ao mínimo e à média.

Tabela 2: Ensaios e requisitos dimensionais para blocos


Blocos de Concreto Blocos Cerâmicos Blocos Sílico
(NBR6136-2006) (NBR15270-2005) Calcários
(NBR14974-2003)
Largura ± 2mm
Dimensional

Altura ± 5mm (individual)


Tolerância

Comprimento ± 2mm
± 3mm
± 3mm (média)

Absorção Menor que 10% Entre 8 e 22% Entre 10 e 18%

2.1.4 Absorção de Água

O ensaio de índice de absorção de água basicamente consiste em determinar a massa do bloco seco e a
massa do bloco depois de imerso ou por 2 horas em água fervente ou por 24 horas em água à
temperatura ambiente. Obtém então a proporção de quanta água esse absorveu em relação à sua
massa seca (em %). No caso da água quente mede-se a absorção em um ambiente mais agressivo de
maior temperatura e pressão, com aumento no tamanho dos poros.

O ensaio mede indiretamente a porosidade do bloco e é um bom indicador da qualidade deste. Em


geral, blocos de menor absorção são mais resistentes e duráveis. Um ponto importante ligado à
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absorção é a possibilidade de patologias no revestimento, uma vez que uma alta absorção pode levar a
fissuras ou mapeamento dos blocos no revestimento. Outro ponto é o aumento de peso que uma alta
absorção pode acarretar.

Apesar de não constar na normalização nacional, é comum na literatura internacional o cálculo do


coeficiente de saturação, obtido pela relação entre a absorção obtida com água fria e quente. Esse
usualmente é um indicador da durabilidade dos blocos quando sujeitos a
congelamento/descongelamento, o que dificilmente ocorre no Brasil.

No nosso caso, a limitação da absorção é o indicativo de durabilidade, sendo prescrito o limite entre 8 e
22 %.

2.1.5 Absorção de Água Inicial

O índice de absorção inicial ou AAI é uma medida de quanto o bloco absorve (“puxa”) de água por
capilaridade logo após ser molhado. É a medida da absorção de água de um bloco imerso 3mm dentro
de uma lâmina d’água em um período de um minuto em relação à área líquida do bloco. Para
padronização dos resultados esse valor é divido por uma área padrão de 194cm2 (ou 30 pol2), expresso
na unidade g/min/194cm2.

É um dado importante para definição da argamassa. Uma boa aderência entre o bloco e argamassa é
obtida com características compatíveis entre esses dois componentes. Por exemplo, se o bloco tem alto
AAI esse irá retirar grande parte da água da argamassa logo após o espalhamento desta, sobrando
pouco para a hidratação do cimento e, portanto, reduzindo sua resistência. Em contrapartida, se o bloco
absorver muito pouco da água da argamassa haverá um prejuízo na aderência pois grande parte desta
resistência é garantida pela pasta de argamassa penetrando por capilaridade nos poros dos blocos (em
linhas gerais pode-se dizer que formam-se pequenos “pregos” de argamassa na superfície do bloco).

É recomendável AAI entre 5 e 25 g/min/194cm2. Blocos com AAI superior a 30 g/min/194cm2 devem ser
umedecidos antes do assentamento.
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resistência a compressão retração


área líquida

Tolerância dimensional - Tolerância dimensional -


AAI
largura comprimento

dimensões reais dos blocos


desvio em relação ao esquadro desvio em relação a planeza inteiros dimensões (bloco
cerâmico)
Figura 25 Ensaios de caracterização dos blocos

2.2 ARGAMASSAS

Na alvenaria estrutural a argamassa tem função de ligação entre blocos, uniformizando os apoios entre
eles. O conjunto bloco + argamassa forma um elemento misto chamado alvenaria, que deve ser capaz
de suportar diferentes carregamentos e condições ambientais.

Tradicionalmente a argamassa para assentamento é composta de cimento, cal e areia. Existem também
argamassas só de cal ou só de cimento (+ areia), cada uma com suas vantagens e desvantagens.
Argamassas mais fortes (só de cimento e areia, por exemplo) não são recomendadas, pois são muito
rígidas e têm baixa capacidade de absorver deformações. Qualquer pequena deformação em uma junta
de argamassa com esse traço resultará em tensões elevadas e conseqüente aparecimento de fissuras.
Portanto é um erro pensar que, pelo fato da alvenaria ser estrutural, deve-se utilizar um traço de
argamassa muito forte.

Em contrapartida, argamassas muito fracas (só de cal e areia, por exemplo) tem resistência a
compressão e de aderência muito baixas, prejudicando a resistência da parede. Conforme pode ser
observado na Tabela 3, a utilização de argamassas mista é altamente recomendável para assentamento
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de alvenaria. A adição de cal, ainda que leve a alguma perda de resistência, proporciona uma argamassa
de melhor trabalhabilidade, melhora a retenção de água e a capacidade de absorver deformações.

Tabela 3: Características de argamassas de cimento, cal ou mistas


CAL + AREIA CIMENTO + AREIA

 Trabalhabilidade excelente  Resistência maior, adquirida mais


 Retenção de água excelente rapidamente (aglomerante hidráulico)
 Resistência cresce lentamente, com  Trabalhabilidade piora com o aumento
endurecimento por evaporação da de areia / cimento
água, sucção da unidades e contato com  Resiliência pequena (pequenas
o ar deformações causam fissuras)
 Resiliência excelente (capaz de  Maior retração
deformar sem fissuras)  Anti-econômica

NÃO É USADA EM ALVENARIA ESTRUTURAL USO RESTRITO A CASOS MUITO EXCEPCIONAIS


COM PRESENÇA DE UMIDADE, MEIO
AGRESSIVO, AINDA ASSIM SENDO
RECOMENDÁVEL PEQUENAS CONCENTRAÇÕES
DE CAL
CIMENTO + CAL + AREIA

Quando bem dosadas maximizam as vantagens e minimizas as desvantagens dos dois tipos de
aglomerante. Internacionalmente é a recomendada para alvenaria estrutural, sempre respeitando
a relação: AGLOMERANTE (cimento + cal) / AGREGADO (areia)  3

As principais funções da argamassa de assentamento são:

 unir os blocos, distribuindo as cargas por toda a área dos blocos;


 compensar imperfeições e variações dimensionais dos blocos e vedar a parede, protegendo-a da
água e outros agentes agressivos;
 absorver as deformações naturais a que a parede é submetida, como variações devido a gradiente
térmico, retração por secagem, a pequenos recalques, sendo importante que a resiliência seja boa,
isto é a argamassa deve ser capaz e absorver essas deformações sem se romper;
 contribuir para a resistência da parede de maneira adequada. Conforme pode ser observado nos
próximos itens, a resistência da argamassa é de fundamental importância na resistência ao
cisalhamento (que se consegue com boa aderência bloco-argamassa) e tem importância secundária
na resistência a compressão das paredes.

As argamassas possuem dois estados bem distintos: plástico e endurecido. As principais características
da argamassa no estado plástico são: trabalhabilidade e capacidade de retenção de água. No estado
endurecido são: aderência, resiliência, resistência à compressão e retração. A utilização inadequada de
argamassas é a causa de diversas patologias.

2.2.1 Trabalhabilidade

A trabalhabilidade é uma importante, porém subjetiva, propriedade da argamassa em seu estado


plástico. Uma argamassa tem boa trabalhabilidade quando adere à colher de pedreiro, porém desliza
facilmente; adere a superfícies verticais; projeta-se horizontalmente para fora da junta facilitando o
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arremate ou frisamento da junta; suporta o peso das fiadas superiores dos blocos assentados no mesmo
dia.

É interessante notar que essas características não dependem apenas da argamassa. Uma determinada
argamassa pode permitir boa trabalhabilidade para assentamento de determinado tipo de bloco em
certa condição ambiental (mais quente ou frio, mais seco ou úmido, com mais ou menos vento), porém
ser inadequada para outra condição ou tipo de bloco. O uso de cal ou aditivo incorporador de ar, em
geral, melhora a trabalhabilidade. No caso do uso de aditivo, teve-se tomar cuidado com o aumento do
teor de ar incorporado, que se excessivo, pode prejudicar a aderência.

A experiência do pedreiro é o fator determinante da trabalhabilidade. Em laboratório, uma tentativa de


medir-la é através do ensaio de consistência descrito na NBR 13276/2005. Nesse ensaio a argamassa é
moldada em um tronco de cone e submetido a uma série de golpes em uma mesa de consistência. Após
o ensaio é medido o diâmetro do cone espalhado. A norma estabelece que o diâmetro deve ser igual a
25510mm. O índice de consistência padrão é um indicativo de que a argamassa é trabalhável e serve
para padronização dos ensaios e definição do traço em laboratório (Figura 26).

Figura 26: Ensaio do índice de consistência padrão

2.2.2 Retenção de água

A água tem duas funções na argamassa: hidratação do cimento para endurecimento da pasta e
lubrificação dos grãos. Quando colocadas em contato com bloco de alto poder de sucção (AAI elevado),
argamassas pouco retentivas perdem água em excesso, tornando-se pulvurulenta e diminuindo sua
resistência de compressão e, principalmente, a aderência. Pode ainda provocar expansões indesejáveis
nos blocos, aumentando o potencial de retração na secagem.

A capacidade de retenção está ligada à superfície específica (área por unidade de massa) dos
componentes da argamassa. Por isso, mais cal em relação ao cimento é melhor neste aspecto (a cal tem
maior superfície específica que o cimento). A cal é um excelente retentor de água, cede água aos
poucos.

2.2.3 Aderência

Assim como o bloco, a argamassa tem influência direta na aderência. Apesar da resistência de aderência
da argamassa ser diretamente proporcional à quantidade de cimento, a aderência argamassa-bloco
depende da combinação das características dos dois componentes. Nas argamassas mistas, a aderência
ocorre principalmente pela penetração e encunhamento da argamassa no bloco.
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Para a argamassa, as duas propriedades importantes neste fenômeno são a capacidade de retenção de
água (que melhora as condições de hidratação do cimento) e a trabalhabilidade (que melhora a
penetração no bloco). Assim, a argamassa tem que ser simultaneamente retentiva (para conservar água
para hidratação do cimento) e ser capaz de ceder água em excesso (que não é usada na hidratação) de
forma gradual e contínua para o bloco.

A água cedida penetra nos poros do bloco e após a cristalização da argamassa forma pequenas cunhas
que resultam na aderência. Isso só ocorre quando a retenção da argamassa é compatível com o AAI do
bloco. Se o fluxo de água for interrompido por sucção exagerada do bloco ou por pouca retentividade da
argamassa, prejudicasse a hidratação do cimento, tornando a argamassa fraca. Fenômeno semelhante
ocorre com blocos de baixa sucção, quando se dificulta a formação de cunhas dentro dos blocos.

Assim, pode-se dizer que o mecanismo de aderência começa no estado plástico e se completa no
endurecido. A aderência ótima é obtida com a máxima quantidade de água compatível com a
consistência desejada, mesmo com a redução da resistência à compressão da argamassa.

Outros fatores que influem na aderência são a % de aglomerantes, a taxa de absorção inicial, textura e
umidade do bloco, UR e temperatura.

Depois da resistência à compressão dos blocos, a aderência é a propriedade mais importante para a
resistência da alvenaria. A aderência deve resistir às tensões tangenciais e normais de tração. A
aderência usualmente é medida através de ensaio de tração na flexão (Figura 27).

Figura 27: Ensaio de tração na flexão (ASTM E518) – mede indiretamente a aderência bloco-argamassa

2.2.4 Resiliência

O termo resiliência é definido como a capacidade de um indivíduo de se adaptar a situações adversas


sem prejuízo a ele mesmo. No caso da argamassa, pode-se entender o termo, de maneira muito
semelhante, como a capacidade da junta se adaptar a diferentes solicitações sem prejuízo ao seu
desempenho. Essa característica esta ligada à capacidade de absorção de deformações sem fissurar.

A alvenaria sofre variações térmicas, higroscópicas e efeitos de pequenos recalques, que a solicitam. Se
a argamassa tiver boa capacidade de absorver essas deformações, ocorrerão várias micro-fissuras
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distribuídas nas juntas. Esse comportamento é muito melhor do que ocorrer uma única fissura na junta
ou no bloco, situação comum se a argamassa tiver um traço muito forte.

Basicamente a resiliência é relacionada ao módulo de deformação, quanto menor o módulo mais


resiliente é a argamassa. Nota-se então que a obtenção de resiliência ocorre em prejuízo à resistência a
compressão. A resistência a compressão da argamassa influência, ainda que de maneira secundária,
conforme será visto em item seguinte, a resistência a compressão da parede. Entretanto, a ocorrência
de fissuras trará grandes prejuízos ao desempenho da parede, até mesmo do ponto de vista de sua
resistência a compressão. É preciso então a ponderação dos fatores resiliência e resistência a
compressão na definição do traço da argamassa. Alguns traços básicos, para situações usuais de
construções em alvenaria, são discutidos no item 2.2.6.

2.2.5 Resistência à compressão


Para entender a importância a resistência a compressão da argamassa é preciso diferenciar essa
resistência quando do ensaio do corpo-de-prova de argamassa e quando a argamassa está confinada
entre os blocos.

No ensaio a compressão de um corpo-de-prova, exceto por algum confinamento existente no topo e na


base, o material está livre para se deformar lateralmente. O resultado deste ensaio indicará, portanto, a
resistência a compressão de uma argamassa submetida à tensão em uma única direção.

A argamassa na junta entre dois blocos está submetida um estado de tensões completamente distinto.
Todos os materiais se deformam lateralmente quando submetidos a um carregamento longitudinal, o
conhecido efeito de Poisson. Entretanto o coeficiente de Poisson, ou seja, a relação entre a deformação
lateral e longitudinal, do bloco é menor que da argamassa. Em outras palavras, para um mesmo
carregamento, a deformação lateral da argamassa será maior que a do bloco.

A deformação lateral da argamassa será contida pelo bloco. Note aqui a importância da aderência bloco-
argamassa que vai garantir a restrição à deformação lateral da argamassa. Nesse caso então, a
argamassa estará confinada e submetida a um estado triplo de tensões: compressão vertical (a carga
aplicada) e duas compressões laterais (as forças de restrição à deformação lateral exercida pelo bloco na
argamassa). A resistência da argamassa nessa situação é superior à resistência obtida no corpo-de-
prova isolado. Bem a grosso modo, a situação da argamassa da junta poderia ser comparada um ensaio
onde o corpo-de-prova fosse encapado por um material que impedisse sua deformação lateral (algo
como uma “camisa de força” envolvendo o corpo-de-prova de argamassa).

A força lateral horizontal para conter a argamassa também é aplicada como reação no bloco, que
portanto está submetido a duas forças horizontais, além do carregamento vertical. A ruptura ocorrerá
devido a essas forças horizontais. Ou seja, apesar do carregamento vertical de compressão, o bloco
rompe por tração lateral. A Figura 29 mostra esse efeito.

Conclui-se então que a resistência à compressão de uma parede não é diretamente proporcional à
resistência à compressão da argamassa. Essa característica pode ser explicada pelo confinamento a que
a argamassa entre blocos está sujeita e pelos fato de que o bloco usualmente rompe por tração lateral.

Deve-se, entretanto, observar que as pesquisas até aqui tratam de casos de blocos de resistência e
forma usuais (aqueles utilizados na construção de edifícios até 6 pavimentos). Com o crescente uso da
alvenaria estrutural e desenvolvimento de blocos de maior resistência e diferentes formas, a relação do
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parágrafo anterior pode ser distinto. Em última análise será o ensaio de prisma, descrito a seguir, que irá
indicar o comportamento da alvenaria.

Outros ensaios para caracterização da argamassa são: NBR 13278/2005 - Densidade de Massa e Teor de
Ar Incorporado; NBR 13280/2005 - Densidade de Massa Aparente no Estado Endurecido; NBR
13279/2005 - Resistência a Compressão; Módulo de Deformação – não normalizado. De acordo com a
NBR 13279/2005, o ensaio a compressão deve ser feito em cubos de argamassa de 4cm, obtidos a partir
de um prisma de argamassa originalmente com 16 x 4 x 4 cm, existindo proposta da comissão de
elaboração de norma de execução e controle de obra para moldagem de cubo de 4 cm em obra.

Figura 28: Corpos-de-prova para ensaio a compressão e ensaio de módulo de deformação

Figura 29: Ensaio de prisma (2 blocos + 1 junta): na foto do rompimento (esquerda) note a expulsão lateral da argamassa
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2.2.6 Traços comuns de argamassa

Conforme comentado nos itens anteriores, vários são os fatores que definem o proporcionamento dos
materiais da argamassa (traço). Para assentamento é comum o uso de traços de argamassa mista de
cimento: cal: areia ou argamassa industrializada onde a cal é substituída por aditivo, usualmente
incorporador de ar.

Na argamassa mista deve-se ponderar a adição de cal (garante melhor trabalhabilidade) e do cimento
(melhora as resistências). Uma argamassa de traço muito forte (muito cimento) não é desejada em
nenhuma situação devido ao risco de aparecimento de fissuras. Um argamassa muito fraca também não
é desejável pois a resistência a compressão e de aderência serão muito prejudicadas.

Em casos onde há predominância de cargas laterais sobre as verticais, como arrimos e reservatórios,
deseja-se uma argamassa com mais cimento e menos cal. O mesmo vale para alvenarias aparentes e
enterradas pela questão da durabilidade. Para edifícios comuns, até seis pavimentos, deseja-se uma boa
ponderação de cal e cimento. Argamassas com muita cal só são utilizadas em alvenaria de vedação.

Para os casos mais comuns alguns traços básicos são indicados na

Tabela 5. Em outras de edifícios mais altos ou mesmo de maior vulto (vários prédios), deve-se proceder
a dosagem experimental para definição do traço. Um indicativo para essa dosagem é considerar
inicialmente um traço com resistência média próxima de 70% da resistência do bloco (referida à área
bruta deste).

Deve-se respeitar o valor mínimo de 1,5MPa e o valor máximo de 70% da resistência do bloco na área
líquida. A dosagem será considerada adequada após confirmação da resistência do ensaio de prisma
(ensaio de bloco + argamassa, descrito a seguir).

Para um bloco cerâmico vazado comum a relação de área bruta e líquida é usualmente igual a 2,3. Para
bloco de concreto essa relação usualmente vale 2. Pode-se adotar o critério abaixo para resistência da
argamassa, com resultados indicados na Tabela 4:

Tabela 4: Resistências indicadas para a argamassa e graute em função da resistência do bloco (paredes revestidas)

Argamassa: Graute:
Bloco: fa (MPa) fgk (MPa)
fbk (MPa) Máximo Recomendado
Mínimo Recomendado
Concreto / Cerâmico Concreto / Cerâmico
3,0 2,1 4,2 / 4,8 4,0 15,0 / 15,0
4,0 2,8 5,6 / 6,4 4,0 15,0 / 15,0
6,0 4,2 8,4 / 9,7 5,0 15,0 / 15,0
8,0 5,6 11,2 / 12,9 6,0 20,0 / 20,0
10,0 7,0 14 / 16,1 7,0 a 8,0 20,0 / 25,0
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Tabela 5: Traços básicos de argamassa

cimento cal areia resistência média Uso/notas


esperada (MPa,
28, cilindro
5x10cm)
1 0,25 3 17 Traço muito forte, suscetível a fissuras
1 0,5 4,5 12 Traço ainda forte, recomendado apenas para
casos de alvenarias aparentes ou enterradas, ou
ainda sujeitas a carga lateral predominante
(arrimos, reservatórios)
1 1 5a6 5 Traço adequado para edificações de baixa altura
em paredes revestida
1 2 8a9 2,5 Traço para alvenaria de vedação apenas

Em muitas regiões do Brasil é comum o uso de argamassa industrializada, com aditivo. Nesse caso deve-
se tomar o cuidado de observar o teor de ar incorporado na argamassa (o aditivo geralmente produz
bolhas na argamassa no estado fresco que melhora a trabalhabilidade mas aumenta a porosidade no
estado endurecido). Um teor de ar incorporado elevado prejudica a resistência a compressão e de
aderência da argamassa e da parede.

É muito importante seguir exatamente as recomendações do fornecedor na mistura da argamassa.


Estudos indicam que aumentar ou diminuir o tempo de mistura em relação ao tempo indicado pode
alterar significativamente as propriedades acima descritas. Portanto, para argamassa industrializada,
seguir as recomendações do fabricante é fundamental. Como comentário final, deve-se novamente
deixar claro que o ensaio de prisma com os blocos e a argamassa industrializada a ser utilizada na obra,
é quem vai indicar se o desempenho do conjunto é adequado.
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Tabela 6: Especificação e controle da argamassa


Especificação Requisito Ensaio Observações
Consistência padrão =
255 10mm
Consistência da argamassa deve estar dentro dos
NBR8798 recomenda
NBR limites previstos para permitir adequada
Consistência 230 10mm para
13276 trabalhabilidade, compatível com as ferramentas de
assentamento com
aplicação (colher, bisnaga, canaleta)
colher de pedreiro em
cordões

de acordo com NBR


Retenção de NBR São desejáveis de retenção alta especialmente no
13281
água 13277 caso de blocos com IRA elevados
normal >80% e  90%
alta > 90%
Argamassas tradicionais de cimento, cal e areia,
de acordo com NBR geralmente têm teor de ar incorporado menor que
13281 8%; argamassas industrializadas podem apresentar
Teor de ar NBR
a) < 8% teores maiores que deverão ser previamente
incorporado 13278
b)  8% < 18% conhecidos. Um teor de ar muito elevado poderá não
c)  18% sustentar os blocos na posição correta e causar
problemas de aderência.
De acordo com projeto:
As argamassas devem ter resistência inferior à dos
fak,est  fak
Resistência à NBR blocos, usualmente igual a 70% da resistência do
No item 2.2.6 tem-se
compressão 13279 bloco, para permitir acomodação de deformações e
recomendações gerais
para que qualquer fissura ocorra nas juntas
para escolha do traço
Resistência de ASTM A resistência de aderência de uma parede depende
 0,45MPa
aderência E518 especialmente da argamassa
ABNT. Argamassa para assentamento de paredes e revestimento de paredes e tetos – Determinação
do teor de água para obtenção do índice de consistência-padrão – NBR 13276. RIO DE JANEIRO,
13279/2005.
____. Argamassa para assentamento de paredes e revestimento de paredes e tetos – Determinação
da retenção de água – NBR 13277. RIO DE JANEIRO, 2005.
____. Argamassa para assentamento de paredes e revestimento de paredes e tetos – Determinação
da densidade de massa e teor de ar incorporado – NBR 13278. RIO DE JANEIRO, 2005.
____. Argamassa para assentamento de paredes e revestimento de paredes e tetos – Determinação
da resistência a compressão – NBR 13279. RIO DE JANEIRO, 2005.
____. Argamassa para assentamento de paredes e revestimento de paredes e tetos – Requisitos – NBR
13281. RIO DE JANEIRO, 2005.
ASTM. Standard test method for flexural bond strength of masonry- ASTM E518. Philadelphia, 1993.
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2.2.7 Classificação

De acordo com a NBR 13281, diversas classificações são estabelecidas para a argamassa, levando em
conta a aderência (com substrato padrão de concreto), absorção, resistência a compressão e outras.
Interessa aqui destacar a classificação referente à resistência a compressão e traço esperado:

Tabela 7: Classificação da argamassa segundo NBR 13281


Resistência Média de Compressão da Argamassa (MPa)
1,5 a 3,4 3,5 a 7,0 acima de 7,0
Classificação NBR 13281 P2 e P3 P4 e P5 P6
Traço de referência esperado (cimento: cal:
1: 2: 9 1: 1: 6 1: 0,5: 4,5
areia), em volume

2.3 GRAUTE

O graute é um concreto ou argamassa com agregados finos e alta plasticidade. É utilizado para
preencher vazios dos blocos em pontos onde se que aumentar a resistência localizada da alvenaria. O
graute é lançado nos furos verticais dos blocos ou em canaletas e peças similares como blocos J e
compensadores. As funções do graute são:

 Aumentar a resistência em pontos localizados (verga, contraverga, coxim);


 Aumentar a resistência à compressão de uma parede;
 Unir eventuais armaduras às paredes.

O graute é composto de cimento e areia (graute fino) ou cimento, areia e brita 0 (graute grosso). Possui
alta fluidez, com slump entre 20 e 28cm, e por isso alta relação água/cimento, podendo chegar a até
0,9. A elevada quantidade de água leva à diminuição da resistência à compressão do graute, usualmente
medida em um corpo-de-prova cilíndrico. Entretanto, deve-se observar que a resistência do graute
lançado dentro do bloco será maior, pois a alta absorção dos blocos, especialmente para aqueles com
AAI elevados, irá rapidamente retirar boa parte da água do graute, diminuindo a relação água/cimento.
Para garantir a fluidez e plasticidade do graute e também diminuir sua retração, é aconselhável a
utilização de cal até o volume máximo de 10% do volume de cimento.

Em obras de pequeno vulto, para bloco de até 6 MPa, a resistência do graute não deve ser inferior a
15MPa. A Tabela 8 traz indicativo de dosagem básica para estes casos. Obras de maior vulto deve-se
proceder a dosagem experimental, sendo um indicativo para a resistência do graute a mesma
resistência do bloco considerando a sua área líquida. No caso de blocos cerâmicos vazadas com relação
de área bruta e líquida igual a 2,5, a resistência do graute é indicada na Tabela 4. É importante respeitar
também um valor máximo para resistência, sendo sugerido a resistência do graute não seja superior a
150% a resistência do bloco na área liquida, exceto para casos graute de 15MPa.
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Tabela 8: Dosagem básica do graute


graute fino: - graute grosso:
 1 saco de cimento  1 saco de cimento
 até 3,5 dm3 de cal  até 3,5 dm3 de cal
 até 88dm de agregado miúdo (Dmáx =  até 88dm3 de agregado miúdo (Dmáx = 4,8mm)
3

4,8mm)  até 66dm3 de agregado graúdo (Dmáx = 19mm)


 até 37 l de água  até 35 l de água

traço básico para obras de pequeno vulto:


traço básico para obras de pequeno vulto:
1: 2 a 3: 1 a 2 (cimento: areia: brita 0, volume seco)
1: 3 a 4 (cimento: areia, volume seco)

Teoricamente o aumento da resistência da parede é proporcional ao aumento de área líquida


proporcionada pelo grauteamento. Isso nem sempre ocorre. Resultados de algumas pesquisas indicam
que a eficiência do graute pode varia de 60% a 100%, sendo maior a eficiência do graute nos casos de
blocos de menor resistência e nos de graute de maior resistência. Em outros palavras, é de se esperar
um fator de eficiência de 100% para o caso de graute de 15,0MPa, aplicado em uma alvenaria de blocos
3,0MPa. Porém não se pode ter certeza da mesma eficiência em casos de blocos de maior resistência,
por exemplo blocos de 10,0MPa, com graute de 20,0MPa. Também é importante observar que o
aumento excessivo da resistência do graute não leva necessariamente ao aumento da resistência da
parede, podendo até ser prejudicial em casos extremos (devido a deformações muito diferentes do
graute e bloco).

O ideal é que a resistência da parede grauteada seja prevista a partir de resultados de ensaios de
prisma. Quando não se tem informações seguras, sugere-se adotar eficiência de 60% e traço com
resistência igual ao do bloco na área líquida (ver Tabela 4).

2.4 ALVENARIA

A alvenaria pode ser definida como um componente complexo constituído por blocos ou tijolos unidos
entre si por juntas de argamassa, formando um conjunto rígido e coeso. Além das funções da alvenaria
de vedação, como conforto térmico e acústico, estanqueidade, resistência ao fogo, durabilidade, a
Alvenaria Estrutural tem a função de absorver e transmitir ao solo ou à estrutura de transição, todos os
esforços a que o edifício possa vir a ser submetido.

Em edifícios o esforço predominante na alvenaria é a compressão simples, causada pelas cargas


verticais. Outros esforços possíveis são de tração simples, tração na flexão, compressão na flexão e
cisalhamento. Esses esforços são gerados por cargas laterais em edifícios e tem maior intensidade
conforme aumenta-se a altura do prédio. Outros casos em que os outros esforços além da compressão
simples são importantes são os casos de arrimos, reservatórios, edificações térreas especialmente as de
maior pé-direito (galpões).
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Até aqui vimos algumas características dos materiais constituintes de uma parede. Nesse item
estudamos o comportamento do material Alvenaria, composto de blocos, argamassa, graute e
armadura.

2.4.1 Movimentação Térmica

As variações dimensionais de expansão ou retração térmica e de expansão por variação de umidade,


podem ocasionar patologias (fissuras) em função do aparecimento de tensões em função da alteração
dimensional. Portanto é muito importante o uso de blocos de qualidade com menor potencial de
expansão e também a previsão de juntas na construção para permitir a livre variação dimensional sem o
aparecimento de tensões (deformação livre).

Tabela 9: Valores do coeficiente de dilatação térmica da alvenaria

Bloco (valores em mm/mm/oC)


Publicação
Cerâmico Concreto Sílico-Calcário
ACI 530 / ASCE 5 /
7,2x10-6 8,1x10-6 -
TMS 402
ABCI 1990 5 a 8 x10-6 6 a 12 x10-6 8 a 14 x10-6

2.4.2 Movimentação Higroscópica

Logo após a queima o bloco absorve umidade do meio ambiente que, ao longo de vários anos,
causa uma expansão irreversível nas dimensões dos blocos (e alvenaria). Apesar de ocorrer por vários
anos, a maior parte desta expansão ocorre nas primeiras idades. Apenas como indicativo é comum
encontrar na literatura que cerca de 50% da expansão dos cinco primeiros anos acontece nos 6
primeiros meses de idade do blocos. A expansão que ocorreu nesses cinco primeiros anos levará mais
500 anos para dobrar de valor. Ou seja, cerca de 25% da expansão ocorre nos seis primeiros meses, 25%
nos 4,5 anos seguintes e os 50% restantes em centenas de anos. O valor dessa expansão depende do
material utilizado e do tipo de queima utilizado na produção dos blocos.

As variações dimensionais devidas à retração por secagem (blocos de concreto) e expansão térmica,
podem ocasionar patologias (fissuras) em função do aparecimento de tensões de tração em função da
alteração dimensional. Por esse motivo é importante garantir que os blocos tenham sido produzidos
com qualidade e tenham um baixo potencial de retração. Para o caso de blocos de concreto o máximo
potencial de retração é limitado a 0,065%, em ensaio realizado de acordo com NBR 12118. Cuidados
como cura bem feita, espera de tempo adequada antes do assentamento, não assentamento de blocos
úmidos, realização de juntas, são importantes na prevenção de patologias relacionadas a esse item.

Valores sugeridos para projeto (PARSEKIAN, 2002):

concreto:ms=0,5mm/m (0,6mm/m para alvenaria protendida antes de 14dias);


sílico-calcários:ms=0,4mm/m (0,3mm/m para alvenaria protendida antes de 14dias);
cerâmicos:ms= -0,3mm/m (expansão, adotar igual a zero para alvenaria protendida).
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2.4.3 Fluência

Sob uma tensão constante os materiais apresentam uma deformação ao longo do tempo, fenômeno
conhecido como fluência. Seu mecanismo está associado à movimentação da água adsorvida na micro-
estrutura do material devido à pressão causada por uma força externa. Em comparação com outros
tipos de alvenarias, as de blocos cerâmicos têm uma por fluência menor que de blocos de concreto. Essa
característica pode ser explicada pelo fato de ser criada uma camada cristalizada na superfície dos
blocos cerâmicos após o processo de queima, o que os tornam consideravelmente impermeáveis. Aliado
ao fato de que toda a água é removida durante a queima, a possibilidade de haver água adsorvida
internamente nesses blocos é bastante improvável. GOMES (1983) diz que a deformação lenta de blocos
cerâmicos queimados a mais de 800oC é desprezível, sendo a fluência de alvenarias construídas com
esse tipo de bloco dependente exclusivamente da argamassa. São sugeridos os seguintes valores de
fluência especpara projeto:

o Blocos de concreto: C = 0,5mm/m/MPa;


o Blocos sílico-calcários: C = 0,5mm/m/MPa;
o Blocos cerâmicos: C = 0,4mm/m/MPa.

Para verificação das deformações no Estado Limite de Serviço, o projeto de revisão de norma
recomenda considerar a deformação por fluência igual à deformação elástica inicial, ou seja,
deformação final igual ao dobro da inicial.

2.4.4 Módulo de deformação e coeficiente de Poisson

O módulo de deformação da alvenaria (Em) depende das características dos blocos e da argamassa.
Algumas normas internacionais trazem valores tabelados para essa propriedade, de acordo com a
resistência e tipo do bloco e argamassa. Enfoque simplificado é feito, estimando o módulo de
deformação em função da resistência de prisma.

De acordo com o projeto de revisão de norma e NBR 10837, tem-se:

 Em = 600 fpk ≤ 12 GPa (blocos cerâmicos)


 Em = 800 fpk ≤ 16 GPa (blocos de concreto)

No caso de realização de ensaios, calcula-se Em de acordo com a corda dos pontos iguais a 5% e 30% de
fp do diagrama  x 

O coeficiente de Poisson da alvenaria pode adotado igual a 0,15.


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3 PROJETO EM ALVENARIA ESTRUTURAL

O projeto de um edifício de alvenaria estrutural se desenvolve de maneira um pouco diferenciada


dos projetos usuais com estrutura em concreto armado, pois a integração entre os diferentes tipos de
projeto (e projetistas) é maior. Em um projeto com estrutura convencional de concreto armado,
usualmente o projeto arquitetônico é definido antes dos projetos de estrutura, elétrica e hidráulica. No
caso da alvenaria estrutural os projetos devem ser desenvolvidos em conjunto.
Para o projeto em alvenaria estrutural algumas informações são fundamentais:
 Bloco: dimensões, componentes disponíveis (bloco padrão, canaleta, bloco jota, etc) –
definem modulação e dimensões dos cômodos;
 Posição e dimensão das aberturas (portas, janelas, quadro de luz e força, etc) –
influenciam a distribuição de cargas entre as paredes;
 Projeto das instalações hidráulicas: consideração de paredes hidráulicas não estruturais;
 Definição de paredes removíveis não estruturais;
 Projeto de instalações elétricas; tipo de laje; altura do pavimento; tipo de escada; térreo
com ou sem pilotis.

3.1 CONCEPÇÃO ESTRUTURAL

Conceber uma estrutura consiste em se determinar, a partir de uma planta básica, as paredes portantes
e não-portantes, relativas às cargas verticais e horizontais, considerando aspectos de utilização da
estrutura e simetria, entre outros. Definido o sistema estrutural, determinam-se às ações verticais
(cargas) e horizontais para o dimensionamento.

A função da estrutura nos edifícios é canalizar as ações externas para o terreno onde o prédio se apoia.
Deve garantir que as tensões internas sejam adequadamente resistidas pelos materiais constituintes, e
garantir a estabilidade e rigidez de cada parte e do conjunto. A concepção dos sistemas estruturais
passa pela análise de arranjos, configurações (rigidez) e vinculações (estabilidade) convenientes; análise
dos materiais, das seções e das resistências.

Os sistemas estruturais em alvenaria podem ser classificados segundo alguns tipos notáveis, conforme
ilustram as figuras a seguir. Para garantir a estabilidade lateral do edifício, devem ser dispostas paredes
estruturais nas duas direções principais do prédio. A Figura 11 mostra como pode variar o grau de
estabilidade de um prédio, em função do lançamento das paredes estruturais.

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Figura 30: Tipos de arranjo estrutural

Figura 31: Estabilidade lateral

As fundações de um edifício de alvenaria estrutural ficam bastante simplificadas quando as paredes


chegam até o solo. Como os carregamentos se distribuem entre as paredes estruturais, e essas
geralmente são bastante extensas, são transmitidas tensões baixas ao solo. Quando o solo é de boa
qualidade, o uso de sapatas corridas é uma solução bastante eficiente. Se o solo não for de boa
qualidade, pode-se utilizar estacas de pequena capacidade e pouco espaçadas e vigas baldrame. Como
as estacas são pouco espaçadas, as vigas têm dimensões pequenas e não necessitam de armação
pesada.

Entretanto, muitas vezes o pavimento térreo é aproveitado como garagem e/ou contém grandes
modificações arquitetônicas em relação ao pavimento tipo, não permitindo que as paredes estruturais
cheguem até o solo. Nesses casos, a solução estrutural é a criação de um pavimento de transição
(comumente chamado de pilotis), lançando-se pilares e vigas para possibilitar a criação de espaços
maiores e acomodar as necessidades da arquitetura. A fundação desse tipo de edifício é bastante
próxima dos casos em estrutura convencional, pois os carregamentos do prédio chegarão ao solo
concentradas em pilares. Há apenas uma pequena diminuição nas cargas, pois o peso próprio da
estrutura/vedação de um edifício em alvenaria estrutural é um pouco menor.

Figura 33: Efeito arco

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Figura 32: Prédio com pilotis

3.1.1.1 Efeito Arco

A transmissão do carregamento vertical de uma parede sobre um pórtico formado por uma viga apoiada
em pilares ocorre com encaminhamento dos esforços em direção aos apoios. Esse efeito, chamado de
efeito arco, ocorre com o surgimento de esforços de tração (especialmente na base da parede,
formando um tirante) e com concentração de esforços de compressão nas extremidades da parede.
Desta forma, um carregamento suposto uniformemente distribuído sobre a parede, será distribuído
sobre a viga de apoio não uniformemente, mas com valores maiores próximos aos apoios, diminuindo
assim a flexão da viga.

O efeito arco será mais pronunciado quando a rigidez da viga é comparativamente menor que a rigidez
da parede. Em parede sobre uma viga muito rígida não há efeito arco. Ao contrário, caso a viga de base
não tenha rigidez, só seria possível vencer o vão com alvenaria em forma de arco.

Carregamento uniforme

Esforços
horizontais
(tirante na base)

Concentração de
compressão nas
extremidades da
Cargas maiores parede
perto do apoio

Momento na
viga é menor
Figura 34: Esforços no efeito arco

Nos projetos usuais de edifícios de alvenaria estrutural, nem sempre nos deparamos com a situação
idealizada acima, uma parede sem aberturas sobre uma viga com apoios nas extremidades.
Especialmente no dimensionamento de pilotis, será muito raro encontrar um prédio com todas as
transições parede/estrutura de concreto dessa forma. Usualmente, teremos viga apoio de viga sobre

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viga, aberturas, apoios intermediários ou balanços. Nessas situações pode-se recorrer a modelos mais
refinados para o projeto com o uso de elementos finitos.

Entretanto, existem algumas situações particulares de projeto em que a condição acima realmente
acontece, como é comum em edifícios aonde a estrutura de alvenaria chega até a fundação, apoiada
sobre vigas baldrame com estacas nas extremidades.

Para essas situações é possível usar métodos simplificados de cálculo, como o de Stafford Smith &
Pradolin (1983), citado por Barbosa (2000). Esse método é baseado em modelos numéricos e ensaios
experimentais e guarda ainda algumas considerações em favor da segurança nas suas recomendações,
que portanto poderiam ser utilizadas com segurança em projeto.

Deve-se verificar:

- a condição para haver efeito arco da razão altura da parede sobre comprimento do vão ser superior a
0,6;

- a resistência a compressão nas extremidades da alvenaria (entende-se ser possível utilizar o critério de
carga concentrada para essa verificação), sendo algumas vezes necessário grautear as extremidades da
parede;

- o cisalhamento na interface da parede com a viga, muitas vezes sendo necessário utilizar armadura
vertical entre a viga e a parede;

- o valor da tração na viga para o efeito de tirante, usualmente com pouca influência na taxa de
armadura;

- o momento fletor máximo na viga, menor que o haveria sem efeito arco.

Para tanto, os autores citados propõem um parâmetro de rigidez relativa viga e parede, expresso por:

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Figura 35: Esforços no efeito arco – Barbosa (2000)

Onde:

 Ep e Ev são os módulos de elasticidade longitudinais da parede e da viga


 respectivamente;
 Iv é a inércia da viga de apoio;
 tp é a espessura da parede;
 L é a distância entre apoios.

O carregamento sobre a viga é assumido como duas cargas triangulares com valores máximos nas
extremidades do vão e comprimento l , calculado de acordo com o parâmetro de rigidez K. A partir
desse comprimento, calcula-se os esforços, conforme tabela abaixo (extraída de Barbosa, 2000).

P = carga total sobre parede (carga uniformemente distribuída x comprimento)

Deve-se destacar que, por ser um método simplificado, o descrito acima usualmente leva a esforços
muitas vezes superiores a outros métodos que se propõem mais refinados (e portanto não tão simples),
como a modelagem numérica ou o apresentado com Sinha et al. (1987).

3.1.1.1.1 EXEMPLO – cálculo de esforços considerando efeito arco

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Para a parede abaixo, sobre pórtico em concreto armado, calcule os esforços na viga e na base da
parede considerando o efeito arco pelo método simplificado de Stafford Smith & Pradolin (1983).

DADOS GERAIS:
Viga de 25 Mpa:
 Ev = 23 Gpa
 Iv: 20x40 = 106.667 cm4
20x60 = 360.000 cm4
20x80 = 853.333 cm4

L = 3,0 m

Blocos cerâmicos de 6,0 MPa: Blocos de concreto de 6,0 MPa:


 fpk = 0,5 x 6,0 =3,0 Mpa  fpk = 0,5 x 6,0 =3,0 Mpa
Ep = Em = 600 fpk = 600 x 3,0 = 1.800 MPa = Ep = Em = 600 fpk = 600 x 3,0 = 1.800 MPa =
1,8Gpa 1,8Gpa
tp = 14 cm tp = 14 cm

Rigidez Relativa: Rigidez Relativa:


Seção da viga : 20x40  K = 4,08 Seção da viga : 20x40  K = 4,08
: 20x60  K = 3,01 : 20x60  K = 3,01
: 20x80  K = 2,42 : 20x80  K = 2,42

Viga Parede Resultados


B H Iv Ev Ep tp M  T 
4 K
(cm) (cm) (cm ) (GPa) (GPa) (cm) (kN.m) (kN/m ) (kN) (kN/m2)
2

sem considerar efeito arco 33,8 214 0 0


RESULTADO PARA BLOCOS CERÂMICOS
20 40 106667 23 1,80 14 4,08 16,5 1166 22,5 437
20 60 360000 23 1,80 14 3,01 22,4 860 22,5 323
20 80 853333 23 1,80 14 2,43 27,8 693 22,5 260
RESULTADO PARA BLOCOS DE CONCRETO
20 40 106667 23 3,84 14 4,93 13,7 1409 22,5 528
20 60 360000 23 3,84 14 3,64 18,6 1040 22,5 390
20 80 853333 23 3,84 14 2,93 23,0 838 22,5 314

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Note que a consideração do efeito arco diminui o momento na viga, porém aumenta a tensão de
compressão de compressão na base (cantos) da parede e cisalhamento na interface parede/viga. Esse
efeito é mais preponderente quanto menor for a rigidez da viga de apoio. No dimensionamento da viga
e parede esses esforços deverão ser contemplados. Na verificação da tensão de compressão da parede,
pode-se considerar essa concentração de tensão como localizada e usar os limites para carga
concentrada.

3.2 MODULAÇÃO

Em um projeto de alvenaria, seja estrutural ou de vedação, não se deve permitir a quebra de blocos.
Para tanto, é necessário que as dimensões arquitetônicas sigam o padrão modular dos blocos, ou seja,
tenham medidas múltiplas da dimensão padrão. Desta forma será possível o ajuste perfeito dos blocos
na planta de arquitetura.

Os catálogos do fabricante mostram as famílias de bloco e modulações mais comuns. Ainda é possível a
utilização de blocos especiais de ajuste de modulação, por exemplo blocos de 5cm, ou mistura da família
de blocos, para se conseguir dimensões não padrão. Para melhor racionalidade do processo, esse tipo
de solução deve ser evitada, sugerindo-se sua adoção apenas em pontos localizados, como em vãos de
portas.

É muito importante para o processo, que os vãos de portas e janelas sejam perfeitamente resolvidos
durante o desenvolvimento do projeto. Usualmente, escolhe-se vãos de janelas de acordo com a família
dos blocos adotada. Por exemplo, para a família de 15x30, a dimensão horizontal das janelas deve ser
múltipla de 15cm (60cm, 120cm, 150cm). Para a família de 15x40, a dimensão horizontal das janelas
deve ser múltipla de 20cm (60cm, 120cm, 180cm). As dimensões verticais (incluindo a altura do peitoril)
devem ser múltiplas de 20cm.

No caso de portas, isso nem sempre é possível e, nesse caso, pode-se utilizar blocos de ajuste de 5cm ou
misturar as famílias.

Tabela 10: Modulações mais comuns

Dimensão Dimensão Dimensão dos vãos (planta de arquitetura)


modular nominal
15x30 14x29 Todos múltiplos de 15cm
20x40 19x39 Todos múltiplos de 20cm, usualmente utilizado em galpões ou
depósitos, reservatórios, arrimos
15x40 14x39 Em geral múltiplos de 20cm, porém é necessário fazer a modulação
pois podem ocorrer vãos diferentes

3.2.1 AMARRAÇÃO INDIRETA

A amarração entre paredes pode ser direta, com sobreposição dos blocos de uma parede na outra a
cada 2 fiadas, ou indireto, sem sobreposição de blocos.

A amarração indireta tem a desvantagem de não unir totalmente as paredes, trazendo prejuízos ao
comportamento estrutural das paredes, pois há uma redução da rigidez aos carregamentos laterais e
também uma pior distribuição das cargas verticais. A Figura 36 traz alguns detalhes. Essa solução deve
ser evitada, especialmente no caso de edifícios com mais de 4 pavimentos.

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Figura 36: Detalhes de amarração indireta (ABCI, 1990)

3.2.2 MODULAÇÃO DE 15X30

Nesse tipo de modulação o bloco inteiro tem dimensão de 14x29cm, sendo a dimensão modular igual às
dimensões do bloco mais argamassa de 1cm, ou seja, 15x30cm. Essa é a modulação mais recomendada,
pois o comprimento modular é igual ao dobro da largura modular, permitindo uma amarração perfeita
entre os blocos. Para modular os cômodos, basta criar uma malha quadricular de 15x15cm e dispor os
blocos sobre essa malha, pois todas as dimensões horizontais serão múltiplas de 15cm. Nos encontros
de parede são dispostos blocos com comprimento modular de 45cm para permitir a amarração.

1a fiada 2a fiada
amarração em L

amarração em T

1a fiada
amarração em X

bloco de 45cm
para amarração

2a fiada

Figura 37: Modulação 15x30

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3.2.3 MODULAÇÃO DE 15X40

Esse tipo de modulação foi a primeira a ser utilizada no Brasil e tem o inconveniente do comprimento
não ser proporcional à largura do bloco. Para ser possível a amarração direta entre paredes é necessária
a utilização de blocos especiais de 14x34cm e de 14x54cm. As dimensões dos cômodos são, na maior
parte, múltiplas de 20cm, havendo alguns casos em que as dimensões ficam diminuídas de 5cm.

bloco de 54cm
para amarração 1a fiada 2a fiada
amarração em L

amarração em T
bloco de 34cm
para amarração 1a fiada

amarração em X

2a fiada

Figura 38: Modulação 15x40cm

3.2.3.1 MODULAÇÃO VERTICAL

Há dois tipos de modulação vertical. Piso a teto e piso a piso. No primeiro caso, as paredes externas
terminam com um bloco J (com uma das paredes maior que a dimensão convencional), ajustando-se a
altura da laje. Nas paredes internas usam-se blocos canaletas comuns. A Figura 39 mostra estes
detalhes. Entretanto, quando a modulação é trabalhada com múltiplos de 20cm (pé-direito de 2,6m ou
2,8m) eles não são necessários.

Quando a modulação se refere à distância piso-piso, o bloco J das paredes externas tem altura menor
que o convencional numa de suas paredes, para acomodar a altura da laje, e nas paredes internas usam-
se blocos compensadores para ajustar a distância piso-teto, não modulada.

É importante checar com o fornecedor dos blocos para a obra, quais componentes ele produz.

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Figura 39: Exemplo de modulação vertical com bloco J

3.3 PROJETO DAS ALVENARIAS

O projeto arquitetônico deve buscar a integração entre formas estruturais e arquitetônicas. Deve ser
influenciado pelos aspectos físicos dos materiais, pelos métodos construtivos e pela expressão estética,
de resistência e estabilidade inerentes a estas formas. Os objetivos do projeto arquitetônico são a
divisão funcional, o desempenho, a absorção de cargas verticais, o provimento da estabilidade e a
racionalização. Lembrar sempre que o projeto arquitetônico condiciona o projeto estrutural.

O projeto arquitetônico é elaborado em três fases: estudo preliminar, ante-projeto e projeto. O estudo
preliminar normalmente é integrado com o projeto estrutural. Nesta etapa se concebe a forma da
edificação, distribuem-se preliminarmente as paredes resistentes e de contraventamento e determina-
se o tipo de laje empregada. Pode-se ainda complementar o estudo com o traçado das paredes não
resistentes (vedação e hidráulica).

No ante-projeto, também integrado como projeto estrutural, definem-se as dimensões do bloco para
estabelecimento de um módulo. Ao arbitrar um bloco de pequena largura, definindo-se a espessura da
parede, pode ser necessária uma reformulação total do projeto modulado. O bloco de maior largura
pode ser antieconômico.

Definido o módulo pode-se compatibilizar as medidas de todas as paredes, com base ainda no estudo
preliminar.

A modulação da alvenaria é parte de um sistema mais amplo que é a coordenação modular da


construção, cuja técnica pode servir de base a todos os processos construtivos, resolvendo todas as
etapas (do projeto à execução), evitando desperdícios (material, mão de obra e tempo).

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Na etapa do projeto propriamente dita (ainda integrado com o projeto estrutural), deve-se desenvolvê-
lo de forma racionalizada. O primeiro degrau na racionalização da alvenaria estrutural é a padronização
dimensional do bloco, criando-se um módulo que vai embasar a modulação horizontal e vertical,
objetivando um projeto arquitetônico convencional. Ou seja, a partir de estudos de modulação da
alvenaria, de amarração das paredes e da determinação das aberturas moduladas, chega-se ao projeto
arquitetônico convencional, com plantas cortes e fachadas (escalas 1:100 e 1:50), que também devem
ser fornecidos aos projetistas de estruturas e instalações (elétricas, hidráulicas, gás, telefonia,...), para
serem desenvolvidos e apresentados detalhadamente (projetos de execução para a obra).

Acompanham o projeto arquitetônico as plantas de primeira e segunda fiadas, as plantas de elevação de


todas as paredes, bloco por bloco, com representação das aberturas cotadas (geralmente em escala
1:20), mostrando todos os detalhes de como a parede deve ser executada, identificando os tipos de
bloco (meio-bloco, inteiro, bloco e meio, canaletas, J), os eventuais grauteamentos verticais e
horizontais, as armações presentes, a indicação das intersecções de paredes e as instalações elétricas.
Nas paredes de vedação devem ser incluídas as instalações hidráulicas. A Figura 21 mostra um detalhe
da apresentação de uma planta de elevação de parede.

Figura 40: Elevação de parede

As aberturas são projetadas respeitando-se a modulação, e devem ter tamanho, forma e arranjo
adequados, pois influenciam o comportamento estrutural. Deve-se evitar aberturas de canto,
assegurando-se o enrijecimento com abas e flanges.

3.4 PASSAGEM DE TUBULAÇÕES

As tubulações elétricas, de telefone e TV normalmente são distribuídas horizontalmente pelas lajes e


verticalmente pelos dutos dos blocos. É altamente desejável que não haja rasgos nas paredes, que
podem diminuir a resistência da parede. Caso seja impossível evitá-los, recomenda-se o uso de
ferramentas especiais e que não se façam cortes horizontais e diagonais. Pode-se descontar no cálculo

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as partes da parede onde haja cortes verticais, de modo similar ao que se faz nas aberturas de quadros
de força. Não são permitidos rasgos horizontais nas alvenarias.

Nos pontos de luz ou tomadas onde as caixas serão colocadas, os blocos devem ser cortados
preferencialmente faceando uma junta horizontal, facilitando o corte do bloco e embutimento das
caixas. Devem ser assentados já com as caixas posicionadas. No quadro geral, os eletrodutos devem ser
centralizados em vazados contínuos (a interrupção em cada pavimento se dá através de caixa modular).
Os quadros de distribuição e as caixas de passagem devem ter dimensões que evitem cortes na
alvenaria. É importante que o projeto das alvenarias indique todas as passagens de eletrodutos e todos
os pontos onde serão instaladas caixas de luz e força.

As instalações hidro-sanitárias têm um tratamento a parte, pois os diâmetros das tubulações são
maiores e podem requerer manutenção. Neste caso, pode-se prever a existência de paredes não
estruturais ou shafts hidráulicos.

Na primeira opção, definem-se paredes não estruturais (de vedação) cujos pesos são absorvidos pelas
lajes (paredes pequenas, de banheiros, áreas de serviço ou cozinhas). Nestas paredes permite-se
executar rasgos para embutir as tubulações. No entanto, perde-se racionalidade no processo
(desperdício de material e mão de obra), exigindo-se o encunhamento das paredes às lajes (alterando o
processo construtivo destas paredes). Recomenda-se que a última fiada destas paredes seja executada
depois de todas as lajes, da cobertura ao térreo, para que elas não sirvam de apoio às lajes. Além disso,
é necessário executar o fechamento das aberturas das faces dos blocos rasgados. São óbvias as
implicações desta opção no comportamento estrutural.

Pode-se também executar uma parede não estrutural utilizando-se “blocos hidráulicos” com as mesmas
dimensões externas modulares do bloco estrutural, com concavidades em todos os septos transversais,
e ranhuras verticais numa das faces longitudinais, para direcionar a quebra de uma placa na face do
bloco, criando uma canaleta vertical para embutimento da tubulação (a ranhura serve também para
diferenciá-lo do bloco estrutural).

A segunda opção é mais racional. Os shafts hidráulicos são passagens deixadas na laje em toda a altura
do edifício adjacentes a parede, por onde passam as tubulações (principalmente as prumadas
primárias). Normalmente são executados em box de banheiro ou junto à área de serviço. As vantagens
desta opção são a facilidade de execução das instalações, ao se eliminar a interferência com serviços de
pedreiros e a necessidade de quebra e enchimento de paredes. Além disso, eles podem ser visitáveis,
facilitando a manutenção. As desvantagens são o pior isolamento acústico e a comunicação contínua de
vazamentos.

A Figura 23 mostra um esquema destas duas soluções. Para a instalação de pequenos trechos de
tubulação vertical, pode ser utilizado o bloco hidráulico (Figura 24).

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enchimento

Solução com "shaft" Solução com parede não estrutural

Figura 41: Instalações hidráulicas

Em relação à trajetória horizontal das tubulações de maiores diâmetros, as opções são o forro falso, a
laje rebaixada (menos utilizada) ou enchimento (solução localizada, quando se aumenta a espessura da
parede – com uma parede não estrutural adjacente – ou do revestimento, no trecho onde passa a
tubulação, que fica externa ao bloco; usada muito em tubulação sob a pia da cozinha, onde o
enchimento sob a bancada não compromete o aspecto estético).

3.5 DETALHES CONSTRUTIVOS

3.5.1 LAJE DE COBERTURA

O detalhe previsto deve evitar que dilatação da laje cause fissuras nas paredes. Para isso, algumas
providências são necessárias:

Reduzir a temperatura na laje (execução de telhado, preferencialmente com telhas cerâmicas;


ventilação sob telhado; proteção térmica – isopor ou argila expandida);

Reduzir dilatação (empregando juntas de dilatação ou amarração das bordas da laje às canaletas
cintadas – com ferragem);

Prever junta entre a laje e a parede (Figura 25). Neste caso, a parede as paredes do último andar ficam
separadas da laje, de maneira a permitir que a laje se movimente sobre a parede – as fissuras ficam
direcionadas para o encontro da laje/parede e podem ser escondidas com uma moldura de gesso e ou
impermeabilizadas com material apropriado.

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cantoneira de gesso
fixada apenas na parede
3 camadas de papel
betumado ou
manta asfáltica

Figura 42: Detalhe da laje de cobertura

3.5.2 VERGAS PRÉ-MOLDADAS

É interessante que a racionalização trazida pelo sistema construtivo de alvenaria estrutural seja utilizada
em sua totalidade utilizando peças pré-moldadas para facilitar (e melhorar) a execução de vergas de
portas, contra-vergas, marcos, escada, etc. As vergas pré-moldadas de portas possibilitam o acerto da
altura do vão da porta (usualmente não múltiplo de 20cm – vergas especiais) e facilitam a execução, ao
eliminar a necessidade de execução de canaletas grauteadas. Em qualquer caso devem passar 30 cm de
cada lado dos vãos (se possível, não terminar este elemento sobre uma junta de alvenaria).

Figura 43: Verga pré-moldada

3.5.3 ESCADAS

As escadas mais usadas são a moldada in loco com vigas de apoio no patamar (que respeitem a
modulação da alvenaria), a pré-moldada (colocada com equipamentos de transporte) e a escada jacaré
(que é mais leve). A utilização de escada pré-moldada tipo jacaré (Figura 27) é interessante nos casos de
edifícios de vários andares, onde as peças repetem-se várias vezes.

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Figura 44: Escada pré-moldada tipo jacaré

Figura 45: Escada pré-moldada tipo jacaré

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3.6 EXEMPLO DE PROJETO

As figuras a seguir mostram o detalhamento completo de um projeto em alvenaria estrutural om


modulação 15.

Figura 46 – Planta Baixa do pavimento tipo

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Y
759 665
1424

569 286 569

1xØ10 1xØ10

14
1
ELEVAÇÃO
2
ELEVAÇÃO
271 256

ELEVAÇÃO

ELEVAÇÃO

ELEVAÇÃO

ELEVAÇÃO
301

13

17

22

26
ELEVAÇÃO

ELEVAÇÃO
11

29
15 15 40 15 15
76 76 76 76
659

10
14
10

3
66

66
91

ELEVAÇÃO
156

ELEVAÇÃO
80

80
80 76 40 40 76 80
301

20
14 171 9
14

14
196
969

316
ELEVAÇÃO

ELEVAÇÃO
15

24
76 76
216
76

76
146

130 232
15 15 ELEVAÇÃO
70

70
86 86 4
14

2xØ10 2xØ10
90

121
242 5 189 120
27
ELEVAÇÃO
61
1574
256

256
14
Ver variação no térreo
18

ELEVAÇÃO
5
ELEVAÇÃO

27
121
105

2xØ10 2xØ10
14

86 86
40

15 15

X
70

6
ELEVAÇÃO
ELEVAÇÃO

ELEVAÇÃO
ELEVAÇÃO
76

14

23
19

80 76 40 40 76 80
80

80
ELEVAÇÃO
10 66

10 66
7
659

76 76 76 76
605

15 15 15 15
ELEVAÇÃO

ELEVAÇÃO
10

28
ELEVAÇÃO

ELEVAÇÃO

ELEVAÇÃO

ELEVAÇÃO
12

16

21

25

ELEVAÇÃO ELEVAÇÃO
8 9
14

1xØ10 1xØ10

Legenda Blocos
Estrutural Vedação
bloco 9x19x39
bloco 14x19x14
bloco 14x19x39
bloco 14x19x29
bloco 14x19x44
bloco 14x19x4
bloco 14x19x19

Figura 47 – Modulação Primeira fiada

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Y
759 665
1424

569 286 569

1xØ10 1xØ10

121x101

121x101

121x101

121x101
ar ar

120

120

120

120
condicionado 969 condicionado

14
61x40 61x40
180 180

75 121 60 90 121 60

condicionado

condicionado
61x40

61x40
180

180
ar

ar
271 256
301

40 15 15

121x101

121x101
120

120
654 76 76
659

14

10
121
15

66
91

91
106x61 549 106x61
156

160 160

80
40 76 80
14 171 196 301 484
969

316
14

216

76
146

61x41

61
135 232 140
15 15

70
86 324 91 59 91

30
14
91x101

91x101

91x101

91x101
120

120

120

120
2xØ10 2xØ10
90

121
242 5 189 120
27 189
61x81
61
1574

256

256
14
140 61x81
Ver variação no térreo 160

381
121
105

2xØ10 2xØ10
-189
91x101

91x101

91x101

91x101
120

120

120

120
14

54
40

X 61x41
140

-106
261
-369

-176
-54
-574

106x61 106x61
160 160

-276
659
605

121x101

121x101
-759

120

120
-204
-474

96

366

651
condicionado

condicionado
61x40

61x40
180

180
ar

ar

-591

ar ar
14

condicionado condicionado
121x101

121x101

121x101

121x101

61x40 61x40
120

120

120

120

180 180
1xØ10 1xØ10
0

Figura 48 – Modulação Segunda Fiada

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Ático

14
32
ELEVAÇÃO
Variação no Térreo
Entrada do Edifício
14 256 14

ELEVAÇÃO

ELEVAÇÃO
60

30

31
556
2xØ10 ELEVAÇÃO
18
136
60

ELEVAÇÃO
33

14
Esquema Vertical
Fundo
200

Cx Água 12.56 m
12
132

Cobertura 11.24 m
9
281

Ligação de Parede 3o. Pav 8.43 m


9

Estrutural / Vedação
281

Vedação / Vedação
2o. Pav 5.62 m
9
281

tela c/ 3 fiadas
1o. Pav 2.81 m
9
281

Térreo/
Fundação 0.00 m

Notas:

1) Medidas em cm (exceto quando indicado)


2) Todas as paredes estruturais são mostradas em elevações
3) Blocos cerâmico (fbk) = 6,0 MPa
4) Resistência de prisma oco na área bruta (fpk) = 3,0 MPa
5) Resistência de prisma cheio na área bruta (fpk) = 4,8 MPa
6) Resistência do graute (fgk): 15,0 MPa
7) Argamassa:
- resistência a compressão ao s 28 dias (NBR 13.279) entre 4,0 e 6,0 MPa
- resistência de aderência na flexão de prismas aos 14 dias ( ASTM
E-518) : 0,25 MPa
- traço básico 1:1:6 (cimento : cal hidratada: areia média lav ada) em
volume de materiais secos
8) Nenhum trecho de instalação h idráulica deve passar dentro de paredes
estruturais

Figura 49 – Detalhes de projeto

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Ático

14
Variação no Térreo
Entrada do Edifício

14 256 14
60

2xØ10
136

556
60
9

14
Bloco Compensador Ligação Laje de Cobertura / Alvenaria Externa
Nível da Laje concreto
1.5

Papel Betuminado em 3 camadas9

Moldura de gesso

Argamassa de regularização
281

Cinta de respaldo
272

Ligação Laje de Cobertura / Alvenaria Interna


junta de isopor
concreto
1.5 1.5
9

>2 Papel Betuminado em 3 camadas


Moldura de gesso
graute
Argamassa de regularização
8

Cinta de respaldo

Figura 50 – Detalhes de projeto

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1
L1A ELEVAÇÃO L2A L1B
2 L2B
ELEVAÇÃO
L1A L2A L2B L1B

ELEVAÇÃO

ELEVAÇÃO

ELEVAÇÃO

ELEVAÇÃO
13

17

22

26
ELEVAÇÃO

ELEVAÇÃO
11

29
3
L4A ELEVAÇÃO L4B

ELEVAÇÃO
L3A

20
L3A L4A L4B L3B
ELEVAÇÃO

ELEVAÇÃO
15

24
ELEVAÇÃO L3B
4

L5

L5 L6
ELEVAÇÃO

L6
18

ELEVAÇÃO
5
ELEVAÇÃO

27
L3C 6 L3D
ELEVAÇÃO
ELEVAÇÃO

ELEVAÇÃO
ELEVAÇÃO
14

23
19

L3C L4C L4D L3D

L4C L4D
ELEVAÇÃO
7
ELEVAÇÃO

ELEVAÇÃO
10

28
ELEVAÇÃO

ELEVAÇÃO

ELEVAÇÃO

ELEVAÇÃO
12

16

21

25

L1C L2C L2D L1D


L1C ELEVAÇÃO L2C L2D
ELEVAÇÃO L1D
8 9

Figura 51 – Detalhe da Instalação elétrica

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Caderno de
Elevações das
Paredes
Legenda
bloco 14x19x4

bloco 14x19x14
19
bloco 14x19x19

bloco 14x19x29

bloco 14x19x44
C
canaleta 14x19x14

canaleta 14x19x29
c compensador 14x11x14
c compensador 14x11x 29

bloco visto em corte

canaleta vista em corte

compensador visto em corte

DETALHES CANALETAS todas canaletas são armadas


quebrar lateral da canaleta
120
Graute Horizontal
Detalhes Canaletas de Canto com pelo menos 1xØ10
Recortes para passagem da armadura das cintas
C C C C C C
14
14

4 / 44 / 44 / 44
/4 29 29 29
29

14 14
19

19

19
19

14

14 14

Graute Vertical
ENCONTRO DE PAREDES PONTOS INDICADOS EM PLANTA
DO 3o. PAVIMENTO Fundação Térreo, 1o, 2o. Pav. 3o. Pav.
(TODOS ENCONTROS)
3x12N2 Ø10 C=180

c c c c c c c c c c

20 20
12N3 Ø10 C=170
40N3 Ø10 C=170

150
150

3x12N2 Ø10 C=180

12N2 Ø10 C=180


40N2 Ø10 C=180

14N1 Ø10 C=100

20
1xØ10
(todos encontros
de parede)

Figura 52 – Detalhes de projeto

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Disciplina: Alvenaria Estrutural – UFSCar 2012 65
Prof. Guilherme A. Parsekian
parsekian@ufscar.br

TABELA DE FERROS
ELEM POS ACO Ø QUANT COMPRIMENTO
UNIT TOTAL

1 50A 10 16 640 10240


2 50A 10 16 280 4480
3 50A 10 48 250 12000
4 50A 10 32 770 24640
5 50A 10 48 130 6240
6 50A 10 16 355 5680
7 50A 10 32 310 9920
8 50A 10 8 325 2600
9 50A 10 4 205 820
10 50A 10 32 160 5120
11 50A 10 16 730 11680
12 50A 10 16 400 6400
13 50A 10 16 400 6400
14 50A 10 16 100 1600
15 50A 10 16 130 2080
16 50A 10 9 115 1035
17 50A 10 8 355 2840
18 50A 10 1 205 205
19 50A 10 4 130 520
20 50A 10 4 100 400
21 50A 10 4 415 1660
22 50A 10 3 145 435
23 50A 10 4 655 2620
24 50A 10 4 355 1420
25 50A 10 16 410 6560
Graute Vertical
1 50A 10 14 100 1400
2 50A 10 128 180 23040
3 50A 10 52 170 8840

RESUMO DE FERROS
ACO Ø COMP TOT PESO PESO+10%
(m) ( kg ) ( kg )
50A 10.0 1608.75 993 1092

BLOCO TOTAL +5%


compensador 14x11x29 2086 2190
bloco 14x19x5 80 84
bloco 14x19x44 671 704
canaleta 14x19x29 1825 1917
bloco 14x19x29 20055 21057
bloco 14x19x14 1341 1408
bloco 14x19x19 96 100

Figura 53 – Quantitativos de Aço e Blocos Estruturais

PAR 1=9 PAR 2=8


40 1N1 Ø10 C=640 40 40 1N1 Ø10 C=640 40

1N2 Ø10 C=280 1N3 Ø10 C=250 1N3 Ø10 C=250 1N2 Ø10 C=280
10 10 10 10 10 10
1N3 Ø10 C=250 1N3 Ø10 C=250 1N3 Ø10 C=250 1N3 Ø10 C=250
10 10 10 10 10 10 10 10

1N5 Ø10 C=130 previsão ar-condicionado previsão ar-condicionado 1N5 Ø10 C=130
10 10 61x41cm 61x41cm 10 10
14 c c c c c c c c c c c c c c c c c c c 14 c c c c c c c c c c c c c c c c c c c
44 44
13 13
12 12
44 44
11 11
T
10 121 T 121 10 121 121
101

101

101

101

9 9
8 8
44 44
7 7
6 6
44 44
5 5
4 4
44 44
3 3
T T

2 2
44 44
1 1

1
2

PAR 3=7
50
40
1N4 Ø10 C=770 40
1N4 Ø10 C=770
1N5 Ø10 C=130 1N5 Ø10 C=130
10 10 10 1N6 Ø10 C=355 1N5 Ø10 C=130 1N5 Ø10 C=130
10 10 10 10 10
1N6 Ø10 C=355
10 10

c c c c c c c c c c c c c c c c c c c c c c c c c c c c c c c c c c c c c c c c c c c c c
44 44 44

44 44 44
11
10
101

101

44 44 44
9
121 121
8
7 44 76 44 76 44 76
76
221

221

221

T+IN IN IN IN IN T+IN
C
6
221

44 44 44
5
44 44
4
44 44 44
3
IN IN IN IN
44 44
2
44 44 44
1

PAR 4
50
40
1N4 Ø10 C=770 40
1N4 Ø10 C=770
1N7 Ø10 C=310 1N7 Ø10 C=310
10 10 10 10
1N7 Ø10 C=310 1N7 Ø10 C=310
10 10 10 1N8 Ø10 C=325 10 10 10

c c c c c c c c c c c c c c c c c c c c c c c c c c c c c c c c c c c c c c c c c c c c c c c
44 c c 44

44 C

19 11 19 44

44 44 44
10
101

101

101

101

19 19 44
9
91 91 44
8 44 44 91 91
19 19 44
c c c c c 7
221

T T T M IN IN T T T
221

44 44 44
6
44 19 19 44
5
44 44 44
4 86
44 19 86 19 44
3
44 44 44
5.5

2
44 19 19 44
1

assentar blocos compensadores


14.5
sob patamar da escada com junta
grautear horizontal de 0,5cm de altura grautear

IN IN

IN + c IN + c

Figura 54 – Elevação (paginação) de paredes

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Disciplina: Alvenaria Estrutural – UFSCar 2012 66
Prof. Guilherme A. Parsekian
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PAR 6
50
40
40 1N4 Ø10 C=770
1N4 Ø10 C=770
1N7 Ø10 C=310 1N7 Ø10 C=310
10 10 10 10
1N7 Ø10 C=310 1N7 Ø10 C=310
10 10 10 1N8 Ø10 C=325 10 10 10

23.5
6

c c c c c c c c c c c c c c c c c c c c c c c c c c c c c c c c c c c c c c c c c c c c c c c
44 c c 44

C 44

44 19 11 19
44 44 44
10
101

101

101

101
44 19 9 19
91 91 44 44
8 44 91 91
44 19 7 19 c c c c c
T T T IN IN M T T T

221
221
44 44 44
6
44 19 5 19 44

44 44 44
86 4
19 86
44
3 19 44

44 44 44
2
44 19 1 19 44

assentar blocos compensadores


sob patamar da escada com junta
grautear horizontal de 0,5cm de altura grautear

IN IN

IN + c IN + c

PAR 5 PAR 5 PAR 12=13=25=26


Térreo, 1o e 2o. Pav. 3o. Pav.
40 1N12 Ø10 C=400 40

1N9 Ø10 C=205 1N9 Ø10 C=205


10 10 10 10

C
14 c c c c c c c c c c c

13 13
12 12
11 11
10 10
9 9
8 8
7 7
C
6 6 6
5 5 5
135

4 4 4
3 3 3
5.5

2 2 2
1 1 1

8.5

12-13-25-26

PAR 10=29 PAR 11=28

40 1N11 Ø10 C=730 40 40 1N11 Ø10 C=730 40

1N10 Ø10 C=160 1N10 Ø10 C=160


10 10 10 10
1N10 Ø10 C=160 1N10 Ø10 C=160
10 10 10 10

14 c c c c c c c c c c c c c c c c c c c c c c 14 c c c c c c c c c c c c c c c c c c c c c c

13 13
44 44
12 12
11 11
61

61

44 44
10 10
106 106
9 9
44 44
8 8
7 7
T T
44 44
6 6
5 5
44 44
4 4
3 3
44 44
2 2
1 1

10 11

Figura 55 – Elevação (Paginação) de paredes

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Disciplina: Alvenaria Estrutural – UFSCar 2012 67
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PAR 23=24 PAR 14=15 PAR 16=22 PAR 17=21


40 40 40
1N13 Ø10 C=400 1N13 Ø10 C=400

40 1N25 Ø10 C=410 40 1N25 Ø10 C=410 40


10 1N14 Ø10 10 10 1N14 Ø10 10
C=100 C=100

1N15 Ø10 C=130 1N15 Ø10 C=130


10 10 10 10
previsão ar-condicionado previsão ar-condicionado
61x41cm 61x41cm

14 c c c c c c c c c c c c c c c c c c c c c c c c c c c c c c c c c c c c c c c c c c

13
12
T T

11
10
9
8 IN T INT
261

261
C
7
6
5
4
3 TV T TE L TEL T TV

91 91 T T

2
1

23 14 16 17

PAR 18 PAR 18 PAR 19=20


Térreo 1o., 2o., 3o. Pav.
40 1N21 Ø10 C=415 40
40 1N17 Ø10 C=355 40 40 1N17 Ø10 C=355 40

1N16 Ø10 1N19 Ø10 C=130


10 10
10 10
1N18 Ø10 C=205 arandela apenas no C=115
10 10 1N20 Ø10
último pavimento 10 10
1N16
10 10 C=100
ELEVAÇÕES DOS BLOCOS 4,5,6,9,10, 14,15,16

14 c c c c c c c c c 14 c c c c c c c c c ELEVAÇÕES DOS BLOCOS 4,5,6,9,10, 14,15,16


14 c c c c c c c c c c c
-- INSTALAÇÕES NÃO ESPELHADAS --

13 44
13 44 -- INSTALAÇÕES NÃO ESPELHADAS --
C A RA C 13
12 12
C
12
11 11
11
10 10
81

10
9 9 61 9 QLF

41
8 8 61
C 8
7 7
7
221

M M
44
6 6
C
44
6
5 5
44
5
4 4
136 44
4
3 3
44
3 T
2 2
44
2
1 1
1 Ø1" Ø1"

14 14
ELEVAÇÕES DOS BLOCOS 1,2,3,7,8,1 1,12,13

ELEVAÇÕES DOS BLOCOS 1,2,3,7,8,1 1,12,13

c c c c c c c c c c c c c c c c c c
44 44
13 13
-- INSTALAÇÕES ESPELHADAS --

-- INSTALAÇÕES ESPELHADAS --

C C AR A
12 12
11 11
10 10
81

9 9 61 19
8 8
C
7 7
221

M M
44
6 6
44
5 5
44
4 4
136 44
3 3
44
2 2
44
1 1

18 18

PAR 32 PAR 33
Ático Ático

PAR 27 PAR 27 40 1N24 Ø10 C=355 40 40 1N24 Ø10 C=355 40

Térreo 1o., 2o., 3o. Pav.


40 1N24 Ø10 C=355 40 40 1N24 Ø10 C=355 40
40 1N17 Ø10 C=355 40 40 1N16 Ø10 C=355 40

10 1N17 Ø10 10
C=115
10 10
10 1N22 Ø10 C=145 10
9 9
8 8
14 c c c c c c c c c c 14 c c c c c c c c c c
M M 7 7
44 44
13 13
6 6
44 44
12 12
5 5
44 44
11 11
4 4
44 44
10 10
3 3
0,5

0,5

44 44
9 9
2 2
44 44
8 8
1 1
7 c c c c c c c c c 7 c c c c c c c c c
44 C
6 6 6 6
0,5

0,5

44
5 5 5 5
44 AR A
4 4 4 4
81

44
3 3 3 3
61
44
2 2 2 2
44 C
1 1 1 1

27 27

PAR 30 PAR 31
Ático Ático
40 1N23 Ø10 C=655 40 40 1N23 Ø10 C=655 40

40 1N23 Ø10 C=655 40 40 1N23 Ø10 C=655 40

10 10
9 9
8 8
7 7
6 6
5 5
4 4
3 3
2 2
1 1

6 6
5 5
4 4
3 3
2 2
1 1

Figura 56 – Elevação (paginação) de paredes

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ALVENARIAS DE VEDAÇÃO

vedação
QUANTIDADES PARA 01 PRÉDIO
1 TABELA DE FERROS
ELEM POS ACO Ø QUANT COMPRIMENTO
UNIT TOTAL
vedação
2 vedação 1 50A 10 32 125 4000
3

2 50A 10 16 120 1920

RESUMO DE FERROS
ACO Ø COMP TOT PESO PESO+10%
vedação

(m) ( kg ) ( kg )
50A 10.0 59.2 37 40
4

1a Fiada PESO TOTAL ACO 50A = 40 kg

Legenda (Elevação)
QUANTIDADES DE BLOCOS
bloco 14x19x19 bloco 9x19x39
BLOCO TOTAL +5%
bloco 14x19x39 bloco 9x19x19 compensador 14x11x39 56 59
canaleta 9x19x39 256 268
bloco 14x19x04 bloco 9x19x9 bloco 14x19x19 240 252
bloco 14x19x39 512 540
C compensador 14x11x19 C9
canaleta 9x19x39 bloco 14x19x04 288 303
bloco 9x19x19 384 403
C compensador 14x11x39 bloco 9x19x39 896 941
bloco 9x19x9 176 185

Vedação 1 Vedação 2 Vedação 3


1N1 Ø10 C=125 Vedação 4
10 10
1N1 Ø10 C=125
10 10 cortar na região hachurada (h=10 cm)

c c c c
ajustar junta vertical nessas fi adas

ajustar junta vertical nessas fi adas

C9 C9 C9 C9 C9 C9

76 66
221

IN IN+T IN+T

1N2 Ø10 C=120

76
26

barras coladas com epóxi


grautear esses furos
amarração com tela amarração com tela

Figura 57 – Detalhe das alvenarias de vedação

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3.7 CONSIDERAÇÕES PARA PROJETO

O processo de desenvolvimento de projetos de edificações pode acontecer de várias maneiras. Em


alguns projetos, o grupo de projetistas envolvidos se preocupa em resolver os mais variados detalhes
executivos, havendo uma forte interação entres eles e uma grande preocupação em resolver as
interferências entre a arquitetura, estrutura e instalações. O resultado desse processo é um projeto bem
resolvido e com um grande nível de detalhamento das soluções executivas. Esses são chamados
projetos racionalizados. Em outros casos, o processo se desenvolve de maneira distinta, não havendo
grande interação entre os projetistas, nem preocupação em resolver as interferências entre os sub-
sistemas, deixando boa parte das soluções executivas para a própria obra. Isso caracteriza um projeto
não racionalizado.

Edifícios de alvenaria estrutural têm como característica possuir elementos que funcionam ao mesmo
tempo como estrutura e vedação. Desta forma, as paredes do edifício devem atender aos requisitos
arquitetônicos e estruturais simultaneamente, havendo uma forte interação entre esses dois sub-
sistemas. Da mesma forma, soluções para as instalações hidráulicas e elétricas que incluam a execução
de rasgos em paredes ou improvisos não são possíveis, pois comprometem a segurança da edificação.
Outras soluções devem ser pensadas, sendo necessárias consultas aos projetistas de instalações desde o
início do projeto. Projetos de alvenaria estrutural têm, portanto, uma forte vocação em serem
racionalizados desde sua concepção.

A seguir são identificadas as informações necessárias para início de um projeto de alvenaria estrutural e
o fluxo de informações, além de se discutir vantagens, desvantagens e dificuldades de um projeto
racionalizado.

3.7.1 DADOS INICIAIS DO PROJETO E FLUXO DE INFORMAÇÕES

Diferentes fatores estão envolvidos nas escolhas a serem feitas durante a execução do projeto.
Usualmente essas escolhas são feitas em uma reunião inicial entre os projetistas de arquitetura,
estrutura, hidráulica, elétrica e fundações, o engenheiro gerente da obra e o proprietário do
empreendimento. Quando alguma dessas pessoas não assume a função de coordenação, é somada
também a figura do coordenador do projeto.
Dentre as informações necessárias e escolhas feitas nessa primeira reunião, pode-se destacar:
a) tipo de fundação:
i. o tipo de fundação depende basicamente do tipo de solo encontrado no local da construção e da
existência ou não de pilotis, altura da edificação, entre outras; as informações necessárias para
detalhamento de cada fundação são:
A. sapata ou radier: tensão admissível e coeficiente de mola do solo;
B. vigas baldrame sobre estacas: tipo de estaca, capacidade e diâmetro, alinhamento das paredes
com o baldrame, rebaixos existentes entre o piso interno e externo no térreo, necessidade de
blocos de fundação rebaixados;
C. fundação de pilotis: opção por estaca ou tubulão, diâmetro, capacidade;

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b) tipo de bloco:
i. a escolha do tipo de bloco depende da altura da edificação, existência de fornecedores locais,
custo, tradição da construtora, entre outros; as principais opções são:
A. bloco cerâmico: utilização limitada pela resistência da parede, conseguindo-se, no Estado de SP
a construção de até 10 pavimentos; seu uso é mais comum em edifícios até 5 pavimentos; tem a
vantagem de ser mais leve, o que diminui a carga na fundação e aumenta a produtividade;
c) modulação:
i. é comum a utilização de blocos com 14cm na construção de prédios, exceção feita a casos
excepcionais de edifícios mais altos e quando se têm pilares de alvenaria, onde utilizam-se blocos
de 19cm; as opções para modulação com o bloco de 14 cm são:
A. padrão 14x39cm: tem a desvantagem do comprimento do bloco não ser proporcional à sua
largura, o que exige o emprego de blocos especiais para amarração ou utilização de encontro
de paredes com junta prumo e armadura de ligação;
B. padrão 14x29cm: como o comprimento do bloco é proporcional à sua largura, essa opção
permite uma melhor amarração entre paredes por escalonamento de blocos e facilita o trabalho
de modulação da planta; entretanto, em alguns fabricantes, o custo por metro linear dos blocos
dessa opção é superior à de 14x39 (outros fabricantes fornecem as duas opções de modulação a
preços equivalentes), sendo prudente checar esse custo antes de fazer a opção;
C. utilização de blocos de 4cm de comprimento: para ajustar a modulação de vãos de portas e
janelas, muitas vezes são utilizados blocos de 4cm de comprimento (fornecidos pelo fabricante
ou feitos na obra), que permitem a utilização de vãos múltiplos de 5cm; alguns projetistas,
entretanto, não permitem o seu uso em alvenarias estruturais;
D. padrão 14x24: utilizada em edifício de blocos sílico-calcário perfurados; tem a desvantagem de
necessitar de blocos de menor espessura para amarração direta, necessitando posterior
enchimento com argamassa;
d) posicionamento de paredes não estruturais:
i. pode haver necessidade de se prever paredes não estruturais para passagem de instalações
hidráulicas ou para possibilitar alterações da planta de arquitetura; a opção de utilização de
paredes não estruturais reflete negativamente na estrutura, pois, quanto maior o número de
paredes estruturais, menor é a concentração de esforços;
e) instalações:
i. é interessante prever shafts em lajes para passagem de instalações; seu posicionamento depende
da arquitetura, estrutura e instalações hidráulica e elétrica;
ii. para as instalações hidráulicas podem ser previstas paredes hidráulicas não estruturais,
enchimentos com argamassa em frente às paredes estruturais, shafts visitáveis com painel de
fechamento, enchimentos sobre o piso ou uso de forro sob a laje para distribuição horizontal;
iii. a distribuição horizontal das instalações elétricas usualmente é feita dentro da laje, ficando os
eletrodutos verticais embutidos dentro dos furos dos blocos; eventualmente podem ser previsto
pequenos trechos horizontais nas paredes em canaletas grauteadas, solução a ser evitada; as caixa
elétricas podem ser previamente instaladas nos blocos;
iv. em nenhuma hipótese deve-se executar rasgos, verticais ou horizontais nas paredes;
f) tipo de laje, piso, contrapiso, rebaixos:
i. dentre as opções para laje dos pavimentos podem-se citar: lajes com vigotas pré-moldadas, pré-laje
em painéis pré-moldados, painéis maciços pré-moldados, lajes maciças moldadas no local; a

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escolha do tipo de laje depende do número de andares, número de repetições da laje, tamanho do
empreendimento, disponibilidade de equipamentos, prazo de execução, entre outros;
ii. é importante que o tipo de piso e espessura do contrapiso sejam definidos pela arquitetura,
estrutura e a gerência da obra, para que os carregamentos sobre a laje sejam corretamente
previstos;
iii. a necessidade de rebaixo em regiões de área molhada deve ser discutida; nas regiões de banheiro
pode-se optar por utilizar piso elevado de acrílico ou poliéster no contorno do box, evitando a
necessidade de rebaixo;
iv. detalhes sobre a armação da laje, tais como a utilização de telas ou armaduras soltas na capa,
disposição de armadura negativa, entre outros, também devem ser discutidos entre o gerente da
obra e o engenheiro de estruturas;
v. a proteção da laje de cobertura também deve ser prevista, através da utilização de apoio deslizante
entre a parede do último pavimento e a cobertura, previsão de telhado para proteção e outros;
g) portas e janelas:
i. para definição das dimensões (largura × altura × peitoril) das aberturas presentes na alvenaria
estrutural, é importante que os tipos e dimensões de portas e janelas sejam definidos no início do
projeto;
ii. também deve-se prever quaisquer outras aberturas, como por exemplo abertura para instalação do
quadro de luz e força;
iii. pode-se verificar a possibilidade de utilização de elementos pré-moldados para modulação dos
vãos de aberturas;
h) tipo de escada:
i. dentre as opções para escada, pode-se destacar a utilização de escada maciça de concreto armado,
escada com vigotas pré-moldadas, escada pré-moldada tipo jacaré e escada pré-moldada maciça; a
escolha depende do número de andares do edifício, prazo, tamanho do empreendimento,
disponibilidade de equipamentos, entre outros;
i) reservatórios de água:
i. dependendo do tipo de empreendimento, pode-se ter um único reservatório elevado sobre o
prédio, ou também um reservatório enterrado, para diminuir o volume do reservatório superior;
também é possível existir uma torre de caixa d´água que serve de reserva para vários edifícios;
ii. o reservatório superior ou enterrado pode ser feito de concreto armado, alvenaria estrutural ou de
fibra.
O fluxo de informações no processo de projeto de edificações em Alvenaria Estrutural é muito bem
detalhado e descrito em OHASHI (2001). A Figura 1 apresenta o fluxograma de informações de um
estudo de caso analisado. Em linhas gerais, pode-se dizer que esse fluxograma se repete na maioria dos
projetos, com algumas pequenas variações.

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Figura 1 – Fluxograma de informações do desenvolvimento de um projeto de alvenaria


estrutural (OHASHI, 2001)

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4 Dimensionamento

4.1 Resistência a compressão

A resistência a compressão da alvenaria depende em grande escala do tipo de bloco, em menor escala
da mão-de-obra e em menor escala ainda da argamassa. A máxima carga de compressão que a parede é
capaz de resistir depende da seção transversal (espessura e comprimento da parede), da esbeltez
(relação altura / espessura), e de eventuais excentricidades de carregamento.
O melhor ensaio para determinar a resistência à compressão da parede é aquele realizado em escala
real, com a parede inteira. Esse procedimento de ensaio é normalizado pela NBR 8949 Esse não é um
ensaio de fácil realização e tem o seu custo. Em contrapartida a utilização do ensaio de compressão de
blocos apenas como forma de prever a resistência da parede não é seguro, pois existe uma série de
fatores inerentes a interação bloco-argamassa que interferem na resistência. Assim o melhor corpo-de-
prova para controle da resistência é o ensaio de prisma – componente bloco + argamassa.
O ensaio de prisma pode ser realizado com dois blocos e uma junta de argamassa (de acordo com
norma brasileira) ou com três blocos e duas juntas, usualmente mais utilizada nos laboratórios de
pesquisa. Conforme se discutiu no item sobre resistência a compressão de argamassa, o fato de esta
estar confinada pelos blocos faz com que apareçam tensões de tração lateral na junta que acabam por
definir a forma de ruptura do prisma e da parede.
Na construção do corpo-de-prova (assentamento de um bloco sobre outro, formando o prisma de dois
blocos e uma junta de argamassa), deve-se dispor a argamassa em toda a face horizontal do bloco (e
não apenas nas laterais). Isso deve ser feito mesmo se a obra optar pelo assentamento de bloco com
disposição de argamassa apenas nas laterais quando deve-se prever uma diminuição da resistência a
compressão no cálculo (descrito em item a seguir). A idéia é que o ensaio seja padronizado, com ajustes
no dimensionamento de acordo com o tipo de construção.
O cálculo de fpk a partir de uma amostra de ensaios é feito de maneira semelhante ao cálculo de f bk, com
a diferença de que fbk nunca deve ser considerado maior de 0,85 da média e que usualmente o número
de exemplares é igual a 12.
Assim como o corpo-de-prova cilíndrico é utilizado para controle de obras de concreto, o prisma de dois
blocos é utilizado para controle de obras em alvenaria estrutural. É importante destacar que, mesmo o
prisma medindo indiretamente também a resistência do bloco, é importante o controle de resistência
dos blocos, uma vez que a obra compra esse insumo a partir da especificação do fbk.
Sempre é bom ter em mente de que quanto maior e mais perto do elemento parede é o corpo-de-prova
ensaiado menor será a resistência a compressão obtida no ensaio, porém mais próxima do real será o
resultado. Por exemplo, resultados de ensaios de resistência compressão de blocos são superiores que
de prismas, que por sua vez são maiores que pequenas paredes, que são maiores que a parede inteira.
Entretanto é muito importante ressaltar uma particularidade da normalização brasileira que prescrevia
que os resultados dos ensaios de bloco sejam calculados em função da área bruta e os resultados de
prismas sejam calculados em função da área líquida. Desta forma divide-se a carga de ruptura de prisma
por uma área inferior (geralmente metade) à utilizada em ensaio de blocos, levando a distorção de
resultados de prismas maiores que de blocos. Essa particularidade foi corrigida em revisões recentes das
normas, devendo ser adotada sempre a área bruta como referencia. Nesta apostila todas as
considerações de ensaios e resistências serão feitas em relação a área bruta.

Figura 58: Corpos-de-prova para medir resistência a compressão: bloco, prisma, paredinha, parede

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As Tabelas a seguir resumem os resultados de análise de ensaios de resistência a compressão de blocos,


prismas e paredes, para o caso de blocos vazados cerâmicos e de concreto.
Pode-se perceber uma boa correlação entre a relação resistência de parede (fpa)/ resistência de prisma
(fp), igual a 0,70 tanto para o caso de blocos de concreto quanto cerâmicos. Isso indica que as
prescrições de dimensionamento de parede podem ser as mesmas para qualquer tipo de bloco, uma vez
que essas são baseadas na resistência de prisma.
Já a correlação prisma/bloco, resulta muito diferente no caso de bloco de concreto ou cerâmico, sendo
um valor médio igual a 0,80 (coeficiente de variação = 0,09) para o primeiro caso e 0,50 (coeficiente de
variação = 0,40) para o segundo.

Tabela 11: Resultados Médios de Elementos com Blocos Cerâmicos Vazados


RELAÇÕES ADMENSIONAIS
77 Paredes
fpa/fb fpa/fppa fpa/fp fp/fb

Média aritmética 0,34 0,88 0,70 0,50

Desvio padrão 0,14 0,09 0,015 0,20

Coeficiente de variação 0,41 0,10 0,21 0,40

Fonte: adaptado de Cavalheiro e Gomes (2002)

Tabela 12: Resultados Médios de Elementos com Blocos de Concreto


RELAÇÕES ADMENSIONAIS
66 paredes fpa/fb fpa/fppa fpa/fp fp/fb
Média aritmética 0,51 1,00 0,69 0,80

Desvio padrão 0,08 0,12 0,13 0,07

Coeficiente de variação 0,16 0,12 0,19 0,09

Fonte: adaptado de Cavalheiro e Gomes (2002)

Conforme discutido a seguir, a resistência à compressão é influenciada por diferentes fatores, tais como:
tipo de argamassa, tipo de bloco (material, forma, resistência), tipo de assentamento (em toda a face do
bloco ou apenas nas laterais), qualidade da mão-de-obra, nível de grauteamento.

4.1.1 Argamassa

Devido ao estado tri-axial de tensões em que é submetida, a resistência da argamassa não é um fator
determinante na resistência à compressão da parede, apesar de poder ter grande influência em outros
fatores (resistência ao cisalhamento e à tração). Esse fator foi discutido em tópico anterior.

4.1.2 Bloco

A resistência à compressão de uma parede é altamente dependente do tipo de bloco a ser utilizado. É
importante a determinação da resistência à compressão de paredes para cada tipo de bloco existente
no mercado. Isso se faz através de ensaios de parede, prisma e bloco. O ensaio de parede serve para
identificar de maneira segura a resistência desse elemento e deve ser realizado sempre que for lançado

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um novo tipo de bloco no mercado. Em outras palavras, considera-se importante haver pelo menos um
ensaio de parede realizado para cada tipo de bloco existente, sendo interessante a repetição desse
ensaio de tempos em tempos. Os ensaios de prismas são uma estimativa da resistência da parede.
Existindo o ensaio de parede, a comparação dos resultados dos ensaios de prisma e de parede permite
uma maior confiabilidade aos valores a serem adotados nos projetos. A determinação da correlação
entre a resistência de prisma e bloco é importante para que se possa definir a resistência do bloco a ser
utilizado.
De uma maneira geral as correlações entre prisma e bloco vale de 0,3 a 0,5 para blocos cerâmicos
vazados e de 0,6 a 0,9 para blocos de concreto ou cerâmicos de paredes maciças. Em blocos de menor
resistência usualmente essa correlação é maior do que em blocos de maior resistência.

4.1.3 Forma de assentamento

O tipo de assentamento dos blocos, espalhando argamassa apenas nas laterais ou sobre toda a sua face
de assentamento, pode influenciar na resistência à compressão de uma parede.

Figura 59: Forma de assentamento – A: apenas nas laterais; B: em toda a face

A escolha do tipo de assentamento deve levar em conta diferentes fatores, tais como: a resistência à
compressão, produtividade, nível de inspeção necessário, equipamentos a serem utilizados, forma do
bloco, permeabilidade, entre outros parâmetros. Em alguns casos esses fatores contribuem para a
opção de utilização de argamassa apenas nas laterais, pois nesse caso a produtividade é maior, o nível
de inspeção necessário é menor (tradicionalmente a mão-de-obra é mais aceita a esse tipo de
procedimento) e é possível a utilização de equipamentos de distribuição automatizada de argamassa
apenas nas laterais.
No caso de alvenarias aparentes tem-se uma maior estanqueidade da parede quando não há argamassa
nos septos, pois nesse caso não há ligação entre os cordões de argamassa nas duas laterais dos blocos,
evitando a transferência da umidade externa.
Considera-se importante que, após a escolha do tipo de assentamento, o projetista de estruturas avalie
a resistência à compressão de acordo com o procedimento executivo adotado. Considerando a área
bruta, a resistência de uma parede com argamassa apenas nas laterais será menor do que o segundo
caso. Considerando a área efetiva e argamassa, a resistência do caso A é maior que no B, por volta de
15% superior.
Simplificadamente pode-se estimar essa diminuição multiplicando-se o valor da resistência por 0,8,
considerando a diminuição de 20% na resistência a compressão para o caso A.

4.1.4 Qualidade da mão-de-obra

Vários fatores relativos à qualidade da mão-de-obra na execução da parede podem influenciar a


resistência à compressão, entre eles:
1. a espessura da junta horizontal – juntas menores conduzem a uma resistência maior, conforme
pode ser observada na Tabela 13; em contrapartida, juntas de espessura muito pequenas devem

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ser evitadas para que haja uma melhor possibilidade de acomodação das deformações e correção
de pequenos defeitos nas dimensões dos blocos. Em geral as juntas horizontais têm altura igual a
1,0cm.
2. tempo de espera para assentamento das unidades – a demora para assentar as unidades de
alvenaria sobre a argamassa já espalhada diminui a resistência à compressão. PALACIOS
SOLÓRZANO (1994) relata resultados de ensaios que mostram resistência à compressão iguais a
5,38; 4,58 e 4,13MPa para paredes onde os blocos foram assentados 1,5; 3,0 e 6,0 minutos após o
espalhamento da argamassa. A obtenção de uma recomendação padrão para o máximo
comprimento do cordão é difícil, pois depende de uma série de fatores, principalmente ambientais
como se o dia está mais quente ou frio, mais seco ou úmido, com vento ou sem vento. De maneira
geral não deve-se realizar um cordão de espalhamento mais extenso do que o necessário para
assentar em torno de dois blocos e deve-se ser mais rigoroso nesta recomendação em dias
quentes, seco e com vento.
3. retempero e tempo útil da argamassa – assim como na dosagem do concreto, deve-se respeitar o
tempo de pega do cimento, em torno de 2½ h após a mistura, como tempo limite para o uso da
argamassa. A remistura da argamassa após a mistura inicial leva a uma menor resistência à
compressão, porém aumenta a trabalhabilidade. É preferível retemperar a argamassa (adicionando
água e remisturando) e sacrificar um pouco essa resistência para que seja possível manter o nível
de trabalhabilidade necessário. PALACIOS SOLÓRZANO (1994) ensaiou três condições distintas de
assentamento: blocos assentados após 1h de mistura da argamassa sem retempero, argamassa
retemperada após 1h e argamassa retemperada após 2h, obtendo resistência à compressão iguais a
4,03; 5,05 e 4,81MPa, respectivamente. Em geral deve-se permitir o retempero e utilização de
argamassa em um período de até 2h após a sua mistura.
4. desalinhamento vertical – paredes em desaprumo têm uma menor resistência à compressão.

Tabela 13: Influência da espessura da junta na resistência à compressão (CAMACHO, 1995)


Espessura (mm) Fator de redução
6 1,00
10 0,89
13 0,75
16 0,62
20 0,48

4.1.5 Grauteamento

A utilização de grauteamento vertical como forma de aumentar a resistência à compressão de paredes


pode ser uma boa opção em casos em que apenas alguns pontos estão sujeitos a uma tensão maior.
A Figura 60 indica duas opções de grauteamento de todos os furos ou a cada dois furos. O aumento na
resistência da parede depende de uma série de fatores como forma e resistência dos blocos, resistência
do graute.

Figura 60: Grauteamento

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4.1.6 Esbeltez

Elementos comprimidos terão sempre o problema de flambagem inerente a esse tipo de esforço.
Quanto mais esbelta for a parede, menor será a resistência à compressão desta. A esbeltez depende da
espessura efetiva (tef) e da altura efetiva (hef) da parede.
A altura efetiva é equivalente ao comprimento de flambagem na nomemclatura clássica da resistência
dos materiais e depende do tipo de vinculação da parede e também da real altura.

Figura 61: Comprimento de flambagem (adaptado de www.wikipedia.org)

A Figura 62 traz recomendações clássicas para consideração da altura efetiva e uma parede. Pela
normalização brasileira, apenas duas considerações são possíveis:
 Parede com travamento lateral na base e topo (apoio-apoio): hef = altura da parede
 Parede sem travamento no topo (engaste-livre): hef = 2x altura da parede

Figura 62: Altura efetiva (ABCI, 1990)

A espessura efetiva é uma simplificação do raio de giração (√(momento de inércia / área)) usualmente
utilizado para cálculo do comprimento de flambagem, usualmente. Se não houver enrijecedores na
parede a espessura efetiva é a sua própria espessura. No caso de paredes com enrijecedores a

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espessura efetiva representa uma aproximação do aumento no valor do raio de giração para paredes
em comparação com uma parede de seção retangular. Para cálculo deve-se consultar a Tabela 14 para
obter o valor do aumento da espessura efetiva.

 tef = tpa

Tabela 14: Espessura efetiva: coeficiente 


 enr t enr t enr t enr
1 2 3
eenr t pa t pa t pa
t
6 1,0 1,4 2,0
tenr

8 1,0 1,3 1,7


lenr 10 1,0 1,2 1,4
eenr 15 1,0 1,1 1,2
20 ou mais 1,0 1,0 1,0

A relação entre a altura efetiva e a espessura efetiva é


A espessura efetiva e o índice de esbeltez devem respeitar os seguintes limites:
 espessura efetiva (tef), para edificações com mais de dois pavimentos
  14cm (paredes)
  19cm (pilares)
 índice de esbeltez (hef/tef)
 alv. não armada ≤ 24
 alv. armada ≤ 30

4.1.7 Direção de aplicação do carregamento

Usualmente a resistência a compressão é referido à direção vertical, perpendicular à fiada de


assentamento, caso comum e usual na realização da resistência dos ensaios de prismas. Entretanto
existem situações em que a resistência a compressão de interesse é a referida à direção horizontal,
paralela à fiada. Esse é o caso de vigas fletidas, onde a compressão ocorre na direção horizontal.
Ensaios mostram que resistência a compressão na direção horizontal é inferior à vertical. Quando não se
dispõe de ensaios que permitam a obtenção precisa da resistência à compressão na direção paralela à
fiada, essa pode ser estimado igual a:
 fk,horizontal = fk,vertical = 0,7 fpk, se toda a seção horizontal for grauteada (por exemplo, for formada
por canaletas totalmente grauteadas);
 fk,horizontal = 0,57 fk,vertical = 0,4 fpk, se toda a seção horizontal não for grauteada.

4.1.8 Fator de redução da resistência em função de flambagem e excentricidade

A carga máxima que pode ser aplicada em um elemento comprimido no regime elástico é governada
pela equação de Euler:

 2 EI
 Pfl 
h ef2

Incluindo uma excentricidade de carregamento “e” na formulação, chega-se a:

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2 EI 
3
2e
Pfl   1  

h ef2  t 

A formulação simplificada encontrada na normalização brasileira admite uma excentricidade de


carregamento igual a 10% da espessura da parede (e = 0,1 tef) e o valor de E = 1000  fp. Substituindo
esses valores na equação e calibrando a formulação por resultados de ensaios, chega-se ao valor do
redutor da resistência a compressão de paredes devido à flambagem :
  h 
3

R = 1    
ef


  40t ef  
  

4.1.9 Dimensionamento à compressão simples – Estado Limite Último

Com as recentes revisões de norma, hoje deve-se verificar o estado limite último.
Deve-se destacar a possibilidade de utilizar armadura para aumentar a resistência à compressão de
alvenarias é não é considerada na proposta da nova norma brasileira. Também é importante notar que a
resistência de prisma passará a ser considerada com seu valor característico e não médio.
A resistência característica da parede, fk, é admitida igual a 70% de fpk (prisma característico). Tem-se
então:

Conforme descrito nos itens posteriores desta apostila, usualmente e .

4.1.9.1 EXEMPLO – dimensionamento a compressão simples – ELU

Considerando a utilização de blocos cerâmicos (fpk/fbk=0,50) ou de concreto (fpk/fbk=0,80) de 14cm de


espessura, (espalhamento de argamassa em toda a face superior dos blocos) e a parede apoiada em
cima e em baixo, será determinada a resistência do bloco no ELU.
a) tef = 14cm, hef =280 cm; hef/tef = 280/14 = 20  alvenaria não armada O. K.
b) A = 0,142,40 = 0,336 m2
c) Nk = 802,40 = 192 kN

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 f pk  2612 kN / m 2 ou 2,6 MPa


A diferença desse resultado em relação ao que seria encontrado pelas recomendações da norma antiga,
é que o valor do prisma é característico. Na prática a diferença irá depender da maior ou menor
dispersão de resultados do ensaio). O valor característico pode ser de 5 a 30% menor que o valor médio.
d) Para blocos cerâmicos:
a. Admitindo fpk/fbk = 0,50  fbk  2,6 / 0,5 = 5,2 MPa
b.  blocos de 6,0 MPa (os ensaios de prisma dever resultar em valor
característico, não médio, igual a [0,5x6] = 3,0 MPa)
e) Para blocos de concreto:
a. Admitindo fpk/fbk = 0,80  fbk  2,6 / 0,8 = 3,2 MPa
b.  blocos de 4,0 MPa (os ensaios de prisma dever resultar em valor
característico, não médio, igual a [0,8x4] = 3,2 MPa)

4.1.9.2 EXEMPLO – dimensionamento a compressão simples – com graute - ELU

Para os dados do EXEMPLO anterior, considerando que a carga já inclui o peso do graute, dá para usar
bloco cerâmico de 4,0 MPa com graute a cada dois furos?
a) Considerando aumento de 30% na eficiência para graute a cada dois furos(se tiver
resultados de ensaios, aumento pode ser maior):
i. Eficiência fpk/fbk = 0,5 x 1,3 = 0,65
ii. fbk  2,6 / 0,65 = 4,0 MPa
•  bloco de 4,0 MPa + 50% graute  OK.
Resposta: Sim é possível usar blocos cerâmicos de 4,0 executando graute a cada dois furos.

4.1.9.3 EXEMPLO – dimensionamento a compressão simples – argamassa lateral apenas –


ELU

Considerando EXEMPLO 2, mas com argamassa de assentamento apenas nas laterais, qual o fbk ?
a) Bloco cerâmico

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Área efetiva = 176 cm2 Diminuição de resistência (valor a


ser adotado em projeto)
=
1,15 x 125/176
Área efetiva = 125 cm2 =
82% do original

i. Eficiência fpk/fbk = 0,5 x 0,82 = 0,41


ii. fbk  2,6 / 0,41 = 6,3 MPa  blocos de 8 MPa
Resposta: Necessário blocos de 8,0 MPa nesse caso.
b) Bloco de concreto
i. Deve-se reduzir a resistência em 20% (multiplicar resistência por 0,8)
ii. Eficiência fpk/fbk = 0,8 x 0,8 = 0,64
iii. fbk  2,6 / 0,64 = 4,1 MPa  blocos de 6 MPa

4.1.10 Cargas Concentradas

Em cargas concentradas não existe o problema de flambagem no ponto de contato. Nesse ponto
também é possível considerar um aumento da resistência a compressão uma vez que as tensões
concentradas na região de contato estarão confinadas por tensões menores ao redor dessa região.
Sempre que a espessura de contato for maior que 5 cm e maior que t/3, pode-se considerar um
aumento de 50% na resistência a compressão.
No caso da Figura 63, se a reação da viga for igual a Pk, tem-se:

Em todos os casos recomenda-se que o apoio seja feito sempre em canaleta grauteda (em um coxim,
cinta ou verga). Se a tensão de contato for maior que a necessária, pode-se ainda executar um coxim de
concreto nesse ponto. Considerando um espalhamento da carga a 45º verifica-se a necessidade de
executar ainda esse coxim nas fiadas inferiores.
Recomenda-se ainda que o apoio seja sempre feito pelo menos meio bloco afastado da extremidade da
parede, em caso contrario não recomenda-se considerar o aumento de resistência.
Quando alvenaria é executada dispondo-se argamassa apenas nos septos laterais dos blocos o aumento
de resistência por confinamento não acontece.

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Figura 63: Carga concentrada

4.1.10.1 EXEMPLO – carga concentrada - ELU

Considerando a Figura 63, com uma viga de madeira de seção 10x30cm, apoiando 7cm dentro no topo
de uma parede executada com blocos cerâmicos de 6,0 MPa (última fiada executada com canaletas
grautedas). Se a reação da viga for igual a 10kN é possível apóia-la desta forma?

 área de contato: a = 7 cm; b = 10 cm;


 espessura da parede: t = 14cm
 fp (considerando 60% de aumento devido ao graute) = 0,5 x 1,6 x 6,0 = 4,8 MPa ou 4.800 kN/m 2
 a > t/3
 verificação de contato sobre canaleta grauteada:

4.2 Resistência ao cisalhamento

As tensões de cisalhamento na alvenaria seguem o critério de resistência de Coulomb (,


existindo uma parcela inicial da resistência devida à aderência que é aumentada em função do nível de
pré-compressão. Esse efeito está incluído na revisão de norma.
O valor da parcela de resistência ao cisalhamento da alvenaria depende do traço de argamassa utilizada,
que influencia a aderência inicial ( e do nível de pré-compressão (), com coeficiente de atrito =
0,5.
Segundo o projeto de norma para blocos cerâmicos o valor característico da resistência convencional ao
cisalhamento, fvk é igual a:

Tabela 15: Resistência ao cisalhamento (projeto de norma 02:123.03-001/1)


Resistência Média de Compressão da Argamassa (MPa)
1,5 a 3,4 3,5 a 7,0 acima de 7,0
fvk 0,10 + 0,5  ≤ 1,0 0,15 + 0,5  ≤ 1,4 0,35 + 0,5  ≤ 1,7

O valor da tensão de pré-compressão  deve ser calculado considerando apenas ações permanentes,
minoradas do coeficiente de redução igual a 0,9.
Quando a junta vertical for preenchida posteriormente, recomenda-se reduzir o valor da resistência de
aderência inicial em 50%.

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Se a alvenaria for de seção T, I ou outra forma com flange, apenas a área da alma deve ser considerada.
Se houver armadura de flexão perpendicular ao plano de cisalhamento em furo grauteado, tem-se:
 fvk = 0,35 + 17,5  ≤ 0,7 MPa, onde  é a taxa de geométrica de armadura = As/(bd)

Caso haja carga concentrada próxima a apoio (distancia da carga ao apoio (av) ≤ 2d) e esta seja
preponderante (parcela da força cortante devido à carga concentrada ≥ 70% da força cortante total),
pode-se aumentar o valor de fvk multiplicando-o pela razão 2d/av.
Para a verificação do cisalhamento nas interfaces de ligação entre paredes (amarração direta),
considera-se fvk = 0,35 MPa.
Quando os limites acima não forem suficientes para garantir a estabilidade, é ainda possível armar a
alvenaria ao cisalhamento. Nesse caso tem-se:
 parcela do cisalhamento resistido pela alvenaria: Va= fvd b d
 armadura de cisalhamento:
(Vd  Va ) s
o Asw  ≥ 0,05% b∙s (armadura mínima)
0,5 f yd d
o para pilares considerar diâmetro mínimo do estribo igual a 5mm

o s = espaçamento da armadura ≤

4.2.1.1.1 EXEMPLO – cisalhamento em parede – estado limite último

Considerando a utilização de blocos cerâmicos de 14cm de espessura, fp/fbk=0,50 (espalhamento de


argamassa em toda a face superior dos blocos), verificar o cisalhamento.
 Conforme resolvido no exemplo 2, essa parede será executada com blocos de 8,0 MPa e
portanto a argamassa deve ter resistência à compressão igual a 70% x 8 = 5,6 ~ 6,0 MPa.
 De acordo com a Tabela 15: fvk = 0,15 + 0,5  ≤ 1,4 MPa
  = 0,9 x 60/0,14 = 386 kN/m2 = 0,39 MPa

o  fvk = 0,15 + 0,5 x 0,39 = 0,34 MPa

 Deve-se verificar:

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4.2.1.1.2 EXEMPLO – cisalhamento em viga – sem armadura

Verificar o cisalhamento da viga abaixo, com As = 2,0 cm2.

  = 2,0 / (14 x 15) = 0,95%


 fvk = 0,35 + 17,5 x 0,95% = 0,52 MPa
 Tentando viga sem armadura de cisalhamento, deve-se verificar:

4.2.1.1.3 EXEMPLO – cisalhamento em viga – carga concentrada próxima ao apoio

Verificar o cisalhamento da viga abaixo, com As = 2,0 cm2. Duas cargas de 4 kN são aplicadas a 5 cm da
face da viga. Vão teórico da viga, apoio está a uma distância H/2 da face. Desprezar peso próprio.

  = 2,0 / (14 x 15) = 0,95%


 fvk = 0,35 + 17,5 x 0,95% = 0,52 MPa

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 av = H/2 + 5 = 19/2 + 5 = 14,5 cm
 fvk = 2d/av x fvk = 2 x 15/14,5 x 0,52 = 1,08  máximo = 0,7 MPa  fvk = 0,7 MPa
 Tentando viga sem armadura de cisalhamento, deve-se verificar:

4.2.1.1.4 EXEMPLO– cisalhamento em viga – armadura de cisalhamento

A viga de alvenaria abaixo é formada por 3 fiadas de 20cm de altura + laje de 8 cm e tem largura de uma
bloco de 14 cm. Sabendo que o carregamento da viga é de 12 kN/m, calcule os estribos. Considere
espaçamento entre estribos igual a 15 cm.

 As = 1,6 cm2
  = 1,6 / (14 x 63) = 0,18%
 fvk = 0,35 + 17,5 x 0,18% = 0,38 MPa
 vão teórico da viga = h/2 (esquerda) + 2,7 + comprimento apoio direita = 0,63/2 + 2,7 + 0,14/2 =
3,11m
 Tentando viga sem armadura de cisalhamento, deve-se verificar:

 armadura de cisalhamento:
( Vd  Va ) s
o A sw  ,
0,5 f yd d
2
o aço CA 50  fyd = 50/1,15 = 43,5 kN/cm
o espaçamento entre estribos de 15 cm  s = 0,15
3
o Va = fvd x bd = 0,19 x 10 x 0,14 x 0,63 = 16,7 kN

o
o Armadura mínima = 0,05/100 x 14 x 15 = 0,105

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o  adotado 1x 5mm (0,20 cm2) c/15cm

4.3 Resistência a flexão simples

Como a alvenaria é um material com baixa resistência à tração em comparação com à compressão, a
resistência a flexão simples de alvenarias não armadas será governada pela resistência a tração. Essa
resistência depende do tipo de argamassa (traço) utilizado. Basicamente a alvenaria não-armada é
dimensionada no Estádio I, com a máxima tensão de tração inferior à resistida pela alvenaria.
Para os casos em que a tração é maior é necessário armaduras na região comprimida. As versões
recentes da normalização brasileira permitem o dimensionamento da seção considerando Estádio II,
com tensões lineares na região comprimida da seção, e também no Estadio III, com plastificação das
tensões na região comprimida.
Nos casos em que é admitido dimensionamento sem consideração das tensões de compressão
(diagrama linear de tensões de compressão no Estádio I e II), é permitido um aumento na resistência a
compressão. Isso ocorre pois a região com tensões mais elevadas é confinada pela região aonde a
tensão é menor. Quando considera-se plastificação das tensões (Estádio III), esse aumento de
resistência não acontece por toda a região comprimida estará sujeita a mesma tensão na ruptura, não
existindo confinamento portanto.
Como o material alvenaria não é isótropo, painéis de alvenaria terão resistências à flexão diferentes
para momentos aplicados nas direções normal e paralela à fiada.
A nomenclatura de normal ou paralela à fiada no caso da tração de flexão refere-se à direção da tração.
A alvenaria não é um material isótropo, ou seja, esta apresenta diferentes resistências em diferentes
direções de carregamento. As Figura 64 e Figura 65, exemplificam melhor essa notação.

Figura 64: Painel de alvenaria submetido à flexão.

Figura 65: Nomenclatura para flexão da parede

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4.3.1 Alvenaria não-armada

Os valores característicos de resistência a tração na flexão são indicados na Tabela 16.


A resistência de compressão na flexão é admitida 50% maior que a de compressão simples:
 ffk = 1,5 fk

Tabela 16: Resistência à tração na flexão


Resistência Média de Compressão da Argamassa (MPa)
Direção da tração
1,5 a 3,4 3,5 a 7,0 acima de 7,0
Normal à fiada - ftk 0,10 0,20 0,25
Paralela à fiada - ftk 0,20 0,40 0,50

4.3.1.1 EXEMPLO – flexão simples – sem armadura - ELU

Um determinado painel de alvenaria de 19 cm de espessura está sujeito a um momento na direção


horizontal (tensão paralela à fiada) no meio do vão de 0,6 kN∙m/m. É necessário armar esse painel?
 Para uma seção de altura 19 cm e largura de 100cm, tem-se
o I = 100 x 193 / 12 = 57.158 cm4
o t = M∙ y / I = 0,6 ∙ 0,095 / 57148x10-8 = 100 kN/m2 = 0,10 MPa
 Assumindo argamassa com resistência a compressão de 5,0 MPa ftk = 0,40 MPa
 Deve-se verificar:
o
4.3.2 Alvenaria armada - ELU

No estado limite último admite-se Estádio III e são feitas as seguintes hipóteses:
 as tensões são proporcionais às deformações,
 as seções permanecem planas após a deformação,
 os módulos de deformação são constantes,
 há aderência perfeita entre o aço e a alvenaria,
 máxima deformação na alvenaria igual a 0,35%
 a alvenaria não resiste à tração, sendo esse esforço resistido apenas pelo aço,
 a tensão no aço é limitada a 50% da tensão de escoamento.

Figura 66: Diagrama de tensões e deformações no estádio III

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4.3.2.1 Seção Retangular – armadura simples

O tema sobre flexão simples no ELU tem sido discutido no comitê de elaboração da norma de projeto
que optou por limitar a tensão de escoamento do aço a 50% de seu valor real. Essa recomendação levou
em conta uma limitada quantidade de ensaios nacionais sobre o tema de vigas de alvenaria. De fato, a
alvenaria estrutural é mais utilizada para estruturas com compressão preponderante, sendo o uso em
vigas não muito freqüente, apesar de possível.
A recomendação acima descrita leva a taxas de armaduras maiores do que as que seriam necessárias
caso não houvesse limitação na tensão do aço. Em outras palavras pode-se entender que essa limitação
leva a momentos resistentes de cálculo consideravelmente inferiores ao realmente existente. Pode-se
ainda entender essa limitação como uma camada extra de segurança no dimensionamento à flexão.
Como a quantidade de vigas em alvenaria é limitada, o consumo de aço quando se pensa no universo de
obras nacionais é também limitado, portanto essa precaução não tem impacto do ponto de vista da
economia. É possível que em normas futuras, o limite imposto seja eliminado.
A Figura 66 indica o diagrama de tensões e deformações para dimensionamento de uma seção
retangular. Para cálculo da armadura, deve-se fazer o equilíbrio de força e momento da seção:
 Fc = fd∙0,8x∙b = Ft = fsd ∙As
 MRd = Fc∙z = Ft∙z  z = d – 0,4x
 Com valor de x para seção balanceada no domínio ¾ e aço CA50:
o aço CA50  s = 0,207% (CA50)
o com c = 0,35%;
o portanto x34 = 0,35 / (0,35 + 0,207) = 0,628
Quando for considerada armadura simples apenas, a solução leva a:
 M Rd  As f sd z  0,4 f d b d ; onde f sd  50% f yd
 A f 
 z  d 1  0,5 s sd   0,95 d
 b d fd 

Como é necessário saber o valor de As nas duas equações acima, é preciso deduzir o equilíbrio da seção
para checar a essa área:
 Inicialmente verifica-se o valor de Md,max para seção balanceada:
o x = 0,35∙d / [0,35 + 0,207]  x/d = 0,628 (Aço CA50)
o z = d – 0,4x ≤ 0,95 d
o Md,máx = fd∙0,8x∙b∙z ≤ 0,4 f d b d
 Se Md < Md,máx, então dimensiona-se para armadura simples:
o Impondo Fc = fd∙0,8x∙b, tem-se Md = (fd∙0,8x∙b)( d – 0,4x)
o Resolve-se o valor de x  (0,32∙fd∙b) x2- (0,8∙fd∙b∙d) x + Md = 0
 a = 0,32∙fd∙b; b = 0,8∙fd∙b∙d; c = Md

 x= (uma das raízes não faz sentido)


o Calcula-se z = d – 0,4x ≤ 0,95 d
o Calcula-se As = Md / [(50% fyd)∙z]
o Verifica-se a armadura mínima igual a 10% x bd.

 Se Md > Md,máx,então é necessária armadura dupla (a seguir).

A limitação 0,4 f d b d é imposta para garantir ductilidade à seção. A limitação na tensão de escoamento
do aço foi imposta devido à pouca quantidade existente de ensaios nacionais de flexão em alvenarias
armadas.

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No caso de armaduras isoladas deve-se limitar a largura da seção, conforme Figura 67.

Figura 67: Limitação da largura da seção para armadura isolada

4.3.2.2 Seção Retangular – armadura dupla

No caso de armadura dupla, pode-se ainda contar com o binário das forças F1 e F2 dado pelas
armaduras complementares As1 e As2:
 F1 = 50% fyd ∙As1
 F2 = (d’/x∙0,35%)∙Es∙As2 [deformação na armadura negativa = d’/x∙0,35%]
 X34 = 0,35∙d / [0,35 + 20,70]  x34/d = 0,628 (Aço CA50)
 z34 = d – 0,4x34
 M1 = fd∙0,8x34∙b∙z34
 M = MRd - M1
 As1 =M / [(50% fyd)∙(d-d’)]
 Para a armadura negativa deve-se verificar a tensão no aço:
o f's = [(d’/x34∙0,35%)∙Es ≤ 50% fyd
 As2 = M / [f's ∙(d-d’)]
o As = M1 / [(50% fyd)∙z34] + As1
o As’ = As2

4.3.2.3 Seção T

Para o caso de alvenaria com enrijecedores, formando seção T e respeitando os limites mostrado na
Figura 68, pode-se calcular o momento resistente por:
 M Rd  As f s z  f d b m t f d - 0,5t f  ; onde f s  50% f yd
 A f 
 z  d 1  0,5 s s   0,95 d
 bm d f d 

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Figura 68: Seção T

4.3.2.4 Vigas altas

Quando a altura de uma viga é superior a 1/3 do seu vão, esta deve ser tratada como viga-parede, com
encaminhamento dos esforços aos apoios por biela comprimida. A armadura horizontal deve ser
dimensionada conforme abaixo:
 Viga-parede: h ≥ L/3

 M Rd  As f sd z ; onde f sd  50% f yd

Figura 69: Dimensionamento de viga-parede

4.3.2.5 Armaduras e diâmetros máximos e mínimos, espaçamento das barras

Devem ser respeitas as seguintes armaduras mínimas:


 Armadura longitudinal (normal à seção):
o Paredes e vigas:

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 0,10% bd (armadura principal)
 0,05% bd (armadura secundária)
 Pode-se dispensar a armadura secundária em paredes de
contraventamento
 Recomenda-se calcular a armadura mínima considerando
apenas a área da alma de paredes de contraventamento
o Pilares
 0,30% bd (armadura principal)
o Na junta de assentamento horizontal para esforços de fendilhamento, variações
voluméricas ou para melhorar a ductilidade
 0,05% BH
 Armadura transversal
o 0,05% bd (válido para casos em que há necessidade de estribos)
Deve-se respeitar a armadura máxima de 8% da área da seção a ser grauteada (área do graute
envolvendo a armadura, não contando a área do bloco), incluindo regiões de traspasse.
Deve-se respeitar os diâmetros de armadura máximos:
 Armadura na junta de assentamento: 6,3mm
 Demais casos: 25 mm
O espaçamento entre barras é limitado a:
 diâmetro máximo do agregado mais 5mm
 1,5 vezes o diâmetro da armadura
 20mm
Estribos de pilares armados:
 diâmetro mínimo de 5 mm
 espaçamento menor que:
o a menor dimensão do pilar
o 50 vezes o diâmetro do estribo
o 20 vezes o diâmetro das barras longitudinais

4.3.2.6 EXEMPLO– flexão simples – alvenaria armada – armadura simples – ELU

Dimensionar a verga abaixo considerando blocos cerâmicos de 6,0 MPa.

 Vão efetivo = 1,0 + 0,095 + 0,095 = 1,2 m


 Mk = 1,22∙ 5 / 8 = 0,90 kN.m  Md = 1,4 ∙ 0,90 = 1,26 kN.m
 b = 14cm; d = 15cm
 aço CA 50  fyk = 500 MPa
 fpk = 0,5∙1,6∙6,0 = 4,8 MPa (canaleta totalmente grauteada)
 fk = 0,7 ∙ 4,8 = 3,36 MPa
 seção balanceada: x/d = 0,628

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 x34 = 0,628 x 15 = 9,4 cm
 z34 = d – 0,4x = 15 – 0,4∙9,4 = 11,2 cm
 Md,máx = fd∙0,8x∙b∙z = 3360/2,0∙0,8∙0,094∙0,14∙0,112
 Md,máx = 1,98 kN.m > 1,26  seção sub-armada ok
 Md = (fd∙0,8x∙b)(d – 0,4x)  1,26 = (3360/2,0∙0,8∙x∙0,14)( 0,15 – 0,4x)
 a = 0,32∙fd∙b = 75,26; b = 0,8∙fd∙b∙d = 28,22; c = Md = 1,26

 x= = 0,323 ou 0,052
 Como x=0,323 não faz sentido (fora da seção)  x = 0,052
 z = 0,15 – 0,4∙0,052 = 0,129
 As = 1,26 / [(50%∙50/1,15)∙0,129] = 0,45 cm2
 As, min = 0,10% bd = 0,10% ∙ 14∙ 15 = 0,22 cm2
  1 x  8,0 mm

4.3.2.7 EXEMPLO– flexão simples – alvenaria armada – armadura dupla - ELU

Dimensionar a verga abaixo considerando blocos cerâmicos de 6,0 MPa.

 Md = 1,22 x 10 /8 x 1,4 = 2,52 kN∙m > 1,98 (obtido no exemplo anterior)  armadura dupla
 Pelo exemplo anterior M1 = 1,98 kN∙m
 M = MRd - M1 = 2,52 – 1,98 = 0,54 kN∙m
 Admitindo d’ = 5cm
 As1 =M / [(50% fyd)∙(d-d’)] = 0,54 / [(50%∙ 50/1,15)∙(0,14-0,05)] = 0,26 cm2
 f's = [(d’/x34∙0,35%)∙Es ≤ 50% fyd = [(5/9,4∙0,35%)∙210000 = 390 MPa > 50% x 435
o  f's = 217 MPa
 As2 = M / [(d’/x∙0,35%)∙Es ∙(d-d’)] = 0,54 / [21,7∙(0,14-0,05)] = 0,28 cm2
o As = M1 / [(50% fyd)∙z34] + As1 = 1,98 / (21,7∙0,112) + 0,26 = 1,07 cm2  1 12,5mm
o As’ = As2 = 0,28 cm2  1 6,3mm (mínimo)

4.4 Resistência à flexo-compressão

Além do carregamento vertical, é comum as paredes estarem sujeitas a cargas laterais. Em edifícios
sempre haverá um carregamento vertical e um horizontal, geralmente devido ao vento, gerando
esforços de flexão, compressão e cisalhamento.

4.4.1 Alvenaria não-armada ou com baixa taxa de armadura - ELU

Assim como no caso de flexão simples, na flexo-compressão pode haver casos no Estádio I, II e III.
Na revisão de norma é permitido o dimensionamento do Estádio III.
Entretando, comentaremos aqui um procedimento simplificado, onde são admitidos apenas os dois
primeiros casos, com região comprimida da com tensões lineares e seção não plastificada. Para edifícios

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de pequena altura, enfoque desta publicação, esse método é muito provavelmente tão econômico
quanto o método refinado.
É necessário verificar as máximas tensões de compressão e tração, devendo-se comparar valores
característicos e realizar combinações de cargas críticas, separando ações permanentes e variáveis.
Deve-se verificar:
o Verificação da tração máxima:
o

o Para edifícios, usualmente a ação permanente G e a acidental Q são favoráveis,


e portanto fg = 0,9 e fq,acidental = 0,0
o A ação de vento deve ser tomada como favorável, com fq,vento = 1,4
o Deve-se então verificar:
 (ver Tabela 16)

o Se a inequação acima não for verificada, há necessidade de armadura, que pode


simplificadamente ser calculada no estádio II.
o Nesse caso, calcula-se qual a força de tração necessária, multiplicando-se o
diagrama das tensões de tração pela área da parede onde essas se distribuem. A
partir da força de tração necessária, calcula-se a área de aço dividindo-se essa
força por 50% fyd (ver exemplo a seguir). No detalhamento é importante
posicionar a armadura no terço da região tracionada mais próximo da borda da
parede.
o O cálculo refinado no estádio III é permitido na revisão de norma, porém
provavelmente não necessário para a maioria dos casos verificados em edifícios
onde usualmente a taxa de armadura é pequena.
 Verificação da compressão máxima:
o A tensão de compressão máxima ser verificada separando a compressão simples
e devido à flexão e considerando redução das ações acidentais simultâneas.
o Deve-se verificar:

i. e

 Para o caso de edifícios e todas as ações desfavoráveis:
 fk = 0,7 fpk
 0 = 0,5 (acidental); 0,6 (vento);

 Substituindo, então:
i.

ii.

 Simplificando:
i.

ii.

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4.4.1.1 EXEMPLO– flexo-compressão – sem necessidade de armadura - ELU

Considerando a utilização de blocos de 14cm de espessura, fpk/fbk=0,50, carga lateral devido ao vento e
a parede apoiada em cima e embaixo, será determinada a resistência do bloco. Verificar a necessidade
de armadura, sabendo que a carga vertical é igual a G = 80 kN/m e Q = 20 kN/m.

A. COMPRESSÃO
i. R = [1 – (h/40t)3 = 0,875
ii.
1.
2.
3.
iii.
1.
2.
3.
iv.

 Resulta em blocos de 8,0MPa cerâmicos ou 6,0 de concreto

B. TRAÇÃO
i.

ii. Admitindo argamassa de 6,0 MPa de resistência a compressão: ftk = 0,20 MPa
iii. 1,4x0,372 – 0,9 x 0,571 = 0,01 < 0,20/2,0 = 0,10  não é necessário armadura

4.4.1.2 EXEMPLO– flexo-compressão – armadura simplificada - ELU

Exemplo anterior mas com momento igual a 100 kN.m, utilizando blocos cerâmicos de 8 MPa, com f pk =

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4.000 kN/m2.
Considerar a força horizontal possível de ocorrer no sentido inverso.

A. COMPRESSÃO
i. Parede será executada com blocos de 8,0MPa, com possibilidade de grautear as
extremidades da parede
ii. fpk = 4,0 MPa (sem graute), 6,4 MPa (com graute)
iii. verificação da extremidade comprimida (vento não reduzido e acidental reduzida é o
pior caso)
iv.
1.
2.
3.
v. Pode-se notar que o fpk,necessário = 4,34 é menor que o fpk, bloco de 8MPa com graute = 6,4, portanto
a parede passa com bloco grauteados
vi. Entretanto, a tensão de vento diminui da extremidade para o centro da parede,
chegando a valor nulo no centro. Portanto não é preciso grautear a parede inteira mas
apenas a extremidade, até o ponto que:

1. Como o valor de Qacidental e G são constantes ao longo da parede, basta achar o


ponto em que Qvento iquala o valor de :

 Qvento = 400 kN/m2


2. Por semelhança de triangulo não é preciso graute até uma distância x =
400/744x1,2 = 0,65 m do centro.

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B. TRAÇÃO
iv.

v. Admitindo argamassa de 6,0 MPa de resistência a compressão: ftk = 0,20 MPa


vi. 1,4x0,744 – 0,9 x 0,571 = 0,528 < 0,20/2,0 = 0,10  necessário armadura
vii. Analisando o gráfico de tensões combinadas, percebe-se que o ponto de tração nula
ocorre a 61 cm da extremidade

i. Simplificadamente:
1. Ftd = 528 x 0,61/2 x 0,14 = 22,5 kN
2. Para calcular a área de aço necessária, basta dividir a força pela tensão
admissível de 50% fyd = 217 MPa = 21,7 kN/m2:
3. As = 22,5 / 21,7 = 1,04 cm2
4. Armadura mínima = 0,1% x 14 x 240 = 3,36 cm2
5.  3x  12,5 mm (em cada extremidade da parede)

4.4.2 EXEMPLO– Dimensionamento e Detalhamento de um Elemento de Parede Típico de


Edíficio Residencial

Considerando uma parede com seção rachurada abaixo, hef = 2,71m, calcule o fbk e verifique a flexo-
compressão e cisalhamento.

Dados: I = 0,79 m4;


a) G = 56,2 kN/m; Q = 11,2 kN/m; F = 8,3 kN; M = 85 kN.m
b) G = 56,2 kN/m; Q = 11,2 kN/m; F = 14,8 kN; M = 200 kN.m
G = carga vertical permanente
Q = carga vertical accidental
F = força lateral devido ao vento
M = momento devido ao vento

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4.4.2.1.1 EXEMPLO A

a) Esforços:

Fk= 8,3 kN

Qk= 11,2kN/m
Gk= 56,2kN/m

mk= +85 kNm

i) Verificação da compressão simples:


hef = 271 cm
tef = 14 cm
hef/tef = 271/14= 19,3 cm → ok! alvenaria não armada.
R = {1 – [hef/(40tef)]3} = {1 –[271/(40*14)]3} = 0,887

*R

fpk ≥2171 kN/m2 ou 2,17 MPa

fbk ≥2,17/0,5 = 4,34 MPa →adotado bloco cerâmico de 6 MPa


ou
fbk ≥2,17/0,8 = 2,71 MPa →adotado bloco de concreto de 4 MPa

ii) Verificação da flexo- compressão

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2
Gk 56,2/0,14 = 401 kN/m

Qk, acid 11,2/0,14=80 kN/m


2

Qk, vento
85*1,52
=164 kN/m2
0,79 85*1,62 2
=174 kN/m
0,79
ou
174
Qk, vento
164
1,52 1,62

A) Verificação da Tração
A1) Bordo esquerdo
Bloco cerâmico de 6 MPa →especificar argamassa de 5,0 MPa (idem para bloco de concreto de
4 MPa)

Para esta argamassa (convencional de areia, cal e cimento, sem aditivos) a tração normal a fiada
é igual a:
ftk=0,20 MPa = 200 MPa (tabela 14)

Deve-se verificar:

A2) Bordo direito

B) Verificação da Compressão
B1) Bordo esquerdo
i) Elegendo vento como ação variável principal

fbk= 6,0 MPa→fpk=3,0 MPa = 3000 kN/m2 (para bloco de concreto de 4,0 MPa o fpk seria 0,8 x
4.000 = 3.200 kN/m2, portanto o caso com blocos cerâmicos é mais crítico e será utilizado nas
verificações a seguir)

849<1050→ok!

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ii) Elegendo carga acidental como ação variável principal

725< 1050 →ok! não é necessário graute nesta parede

iii) Verificação do cisalhamento


Para fa=5,0 MPa →fvk=0,15+0,5*0,9*Gk ≤ 1,4 MPa
=150+0,5*0,9*Gk ≤ 1400 kN/m2
Tensão convencional de cisalhamento (considerando área bruta da alma da parede)
τk = Fk/(b*d) = 8,3/(0,14*3,14) = 19 kN/m2
tensão resistente
fvk=150+0,5*0,9*401 = 330 kN/m2
Verificação: 1,4* τk ≤ fvk/2
1,4*19 ≤ 330/2 → 27<165 →ok!
A parede pode ser construída sem armadura e sem graute para resistir aos esforços solicitantes.

4.4.2.1.2 EXEMPLO B

 Esforços

Fk=14,8 kN

Qk= 11,2kN/m
Gk= 56,2kN/m

mk= +200 kNm

i) Verificação da compressão simples


Idem exemplo (a) →fbk = 6,0 MPa (cerâmico) ou 4,0 MPa (concreto)

ii) Verificação da flexo-compressão

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2
Gk 56,2/0,14 = 401 kN/m

Qk, acid 11,2/0,14=80 kN/m2

Qk, vento
200*1,52
=385 kN/m 2
0,79 200*1,62 2
=410 kN/m
0,79
ou
401
Qk, vento
385

1,52 1,62

A) Verificação da tração
A1) bordo esquerdo

+178 < 100 →Falso , então é necessário armar.


Para o cálculo da armadura será utilizado o procedimento simplificado no estádio II
Diagrama combinado [1,4*Qk,vento +0,9*Gk]

1,4*385+0,9*(-401) =
2
178 kN/m
1,4*(-410)+0,9*(-401) =
2
-935 kN/m
x

3,14

Deve-se achar o comprimento X da região tracionada por regra de 3:

Calcula-se então a força de tração, destacando que as tensões também estão distribuídas sobre as abas
da seção considerada.

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4
0,1
4 0,5
0,8 0

A força de tração (soma das tensões de tração) será igual à parcela sobre a alma (1) somada à parcela
sobre a aba (2).

Alma Aba

Como explicado nos exemplos anteriores a área de aço será:


→ para Aço CA50

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Asmín= 0,1% × Aalma = 0,1% *14x314 = 4,4 cm2
Prevalece Asmín = 4,4 cm2 ou 4Ø 12,5mm

A2) bordo direito

+213 < 100 Falso → As


Diagrama combinado [1,4*Qvento+0,9Gk]

213

1,4*(-385)+0,9*(-401) = X
-900 kN/m2

3,14

0,6
0,1 0
6 0
,14
0,3
0

4
0,1

4
0,8

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Alma aba

Posicionamento da armadura (posicionar na região tracionada)

B)Verificação da compressão (será verificado o caso de bloco cerâmico com fpk = 3.000 kN/m2)
B1) Bordo Esquerdo
i) Elegendo o vento como ação variável principal

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633 +359 < 1050


992 < 1050 →ok!!!
ii) Elegendo a carga acidental como ação variável principal

759 + 216 < 1050


975 < 1050 → ok!!!

B2) Bordo direito


i) Elegendo o vento como ação variável principal

1016 < 1050 → ok!!!


ii) Elegendo a carga acidental como ação variável principal

989 < 1050 →ok!!!

Não é preciso graute para aumentar a resistência à compressão!!

B) Verificação do cisalhamento
Para fa=5,0 MPa →fvk=0,15+0,5*0,9*Gk ≤ 1,4 MPa
=150+0,5*0,9*Gk ≤ 1400 kN/m2
Tensão convencional de cisalhamento (considerando área bruta da alma da parede)
τk = Fk/(b*d) = 14,8/(0,14*3,14) = 34 kN/m2
tensão resistente
fvk=150+0,5*0,9*401 = 330 kN/m2
Verificação: 1,4* τk ≤ fvk/2
1,4*34 ≤ 330/2 → 48<165 →ok!

4.5 Emendas

O comprimento da emenda de barras de aço deve ser superior a 40, 15 cm para barras corrugadas
e 30 cm para barras lisas.

Em cada furo grauteado deve ser respeitada a distância de 40 entre eventuais diversas emendas.

4.6 Ancoragem

Nos elementos fletidos, excetuando-se as regiões dos apoios das extremidades, toda barra longitudinal
deve se estender além do ponto em que não é mais necessária, pelo menos por uma distância igual ao
maior valor entre a altura efetiva d ou 12 vezes o diâmetro da barra.
As barras de armadura não devem ser interrompidas em zonas tracionadas, a menos que uma das
seguintes condições for atendida:

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a) As barras se estendam pelo menos o seu comprimento de ancoragem além do ponto em que
não são mais necessárias.
b) A resistência de cálculo ao cisalhamento na seção onde se interrompe a barra é maior que o
dobro da força cortante de cálculo atuante
c) As barras contínuas na seção de interrupção provêm o dobro da área necessária para resistir ao
momento fletor atuante na seção
Em uma extremidade simplesmente apoiada, cada barra tracionada deve ser ancorada de um dos
seguintes modos:
a) Um comprimento efetivo de ancoragem equivalente a 12 além do centro do apoio, garantindo-
se que nenhuma curva se inicia antes desse ponto.
b) Um comprimento efetivo de ancoragem equivalente a 12 mais metade da altura útil d, desde
que o trecho curvo não se inicie a uma distância inferior a d/2 da face do apoio.

4.7 Ganchos e dobras

Ganchos e dobras devem ter dimensões e formatos tais que não provoquem concentração de tensões
no graute ou na argamassa que as envolve.
O comprimento efetivo de um gancho ou de uma dobra deve ser medido do início da dobra até um
ponto situado a uma distância de 4 vezes o diâmetro da barra além do fim da dobra, e deve ser tomado
como o maior entre o comprimento real e o seguinte:
a) para um gancho, 8 vezes o raio interno, até o limite de 24
b) para uma dobra a 90o, 4 vezes o raio interno da dobra, até o limite de 12
Quando uma barra com gancho é utilizada em um apoio, o início do trecho curvo deve estar a uma
distância mínima de 4 sobre o apoio medida a partir de sua face

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5 PROJETO ESTRUTURAL

Este capítulo é dedicado ao projeto estrutural de edifícios de média altura em alvenaria estrutural. São
comentados como definir as ações, os modelos de cálculo, as verificações necessárias. As informações
são passadas ao leitor através do desenvolvimento de um exemplo de projeto.

5.1 INTRODUÇÃO

Para dimensionamento de edifícios de alvenaria estrutural, é necessário saber:


A. Forma do prédio
o Para dimensionamento todos os quesitos relativos a modulação dever já ter sido
resolvidos, tais como:
 família de bloco, padrão 14x29 ou 14x39 e componentes disponíveis;
 Modulação e compatibilização de todas as dimensões arquitetônicas;
 Modulação e compatibilização dos vãos de portas, janelas e demais aberturas;
 ter definido eventuais paredes de vedação e/ou hidráulicas que não farão parte
da estrutura;
B. Materiais
o Necessário saber qual o material da alvenaria, as resistências de bloco disponíveis e as
relações prisma/bloco a serem adotados no projeto (oco e cheio com graute);
o Também é importante saber o módulo de elasticidade, os limites de resistência ao
cisalhamento, de compressão, compressão na flexão e de tração na flexão;

C. Carregamentos Verticais
o No Ático (topo do edifício) é necessário saber as cargas devido a caixa d´água (verificar o
volume dos reservatórios superiores), devido a casa de máquina dos elevadores, tipo de
telhado, existência de impermeabilização;
o Sobre as lajes do pavimento tipo, é necessário saber a carga acidental (de acordo com o
tipo de utilização), o peso próprio, cargas de contrapiso, revestimentos (piso, forro);
o Peso próprio das paredes que depende do material da alvenaria, espessura, existência
ou não de graute, revestimentos;

D. Carregamentos Horizontais
o Carga de vento: de acordo com NBR 6123;
o Carga devido ao desaprumo: previsão de carga horizontal para contemplar a
probabilidade de haver desvios no prumo das paredes durante a execução;

E. Modelos de Cálculo
o Após definição dos carregamentos é necessária a utilização de modelos que permitam
considerar a distribuição dos carregamentos e a determinação dos esforços em cada um
dos elementos estruturais (momentos, forças cortantes, forças normais etc em lajes e
paredes).

F. Verificação a estabilidade global


o A partir do modelo adotado calcula-se os deslocamentos horizontais em cada andar e

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verifica-se o deslocamento máximo do prédio e efeitos de segunda ordem;
o Usualmente utiliza-se o parâmetro z ou  para verificação do efeito de 2ª ordem.
Neste texto será verificado o parâmetro z.

A partir dos esforços e das propriedades físicas de cada elemento pode-se fazer o
dimensionamento, que, na maioria dos casos de edifícios em alvenaria estrutural, é uma verificação
de resistência dos elementos.

5.2 DADOS DO EDIFÍCIO

Neste exemplo de projeto será considerado um edifício de 6 pavimentos situado na Cidade de São
Carlos, cuja arquitetura e projeto de modulação é mostrada a seguir. Serão verificadas duas opções:
blocos cerâmicos (de acordo com projeto de norma 02:123.03-001/1 - JUNHO:2009) e blocos de
concreto (NBR 10837/1989).

Na fase inicial do projeto foi definido que a modulação seria feita com família de bloco 14x29 e todas as
paredes, exceto pequeno trecho entre cozinha e área de serviço seriam estruturais. Foram necessários
pequenos ajustes no tamanho dos cômodos, portas e janelas, que pode ser verificados observando-se a
Figura 70, que mostra a arquitetura, e Figura 71 que indica as dimensões e posicionamento dos blocos
modulados.

A Figura 73, Figura 74 e Figura 75 indicam os cortes da arquitetura e o detalhe do ático. Pode-se
perceber que a arquitetura indica pé-direito livre de piso a teto de 2,70m, que deve ser alterado para
2,71 para seguir a modulação vertical utilizando blocos J e compensadores na última fiada (Figura 72).

O detalhamento do ático, incluindo caixa d’água, barrilete e casa de máquina é muito importante pois
nessas regiões existem cargas verticais elevadas que devem ser previstas precisamente no projeto, o
volume da caixa d’água.

5.2.1 Forma do prédio

O edifício tem 6 pavimentos:


- Altura total = 6 x 2,8 = 16,8m
- Dimensões em planta = 18,44 x 16,79
As paredes estruturais são mostradas na Figura 76.

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Figura 70 – Planta de Arquitetura do Pavimento Tipo

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Figura 72 – Modulação Vertical

Figura 71 – Planta Modulada do Pavimento Tipo

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Figura 73 - Corte AA (parcial)

Figura 75 – Planta de Arquitetura do Barrilete

Figura 74 - Corte BB (parcial)

5.2.2 Materiais

5.2.2.1 Alvenaria de blocos cerâmicos:

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o Peso da parede, considerando revestimento de 2,5 cm de um lado e 1,0cm do outro
(argamassa)
 parede = 1,1 kN/m2
 revestimento de 2,5cm = 0,5 kN/m2
 revestimento de 1,0cm = 0,2 kN/m2
 TOTAL = 1,8 kN/m2
o Graute a cada dois furos: + 0,6 kN/m2
o Graute todos furos: + 1,2 kN/m2
- Relação prisma/bloco adotada (fpk/fbk)
o Oco = 0,5
o Graute cada 2 furos = 0,5 x 1,3 = 0,65
o Graute todo furo = 0,5 x 1,6 = 0,8

5.2.2.2 Alvenaria de blocos de concreto:

o Peso da parede, considerando revestimento de 2,5 cm de um lado e 1,0cm do outro


(argamassa)
 parede = 1,6 kN/m2
 revestimento de 2,5cm = 0,5 kN/m2
 revestimento de 1,0cm = 0,2 kN/m2
 TOTAL = 2,3 kN/m2
o Graute a cada dois furos: + 0,6 kN/m2
o Graute todos furos: + 1,2 kN/m2
- Relação prisma/bloco adotada (fpk/fbk)
o Oco = 0,8
o Graute cada 2 furos = 0,8 x 1,3 = 1,04
o Graute todo furo = 0,8 x 1,6 = 1,28

5.2.3 Carregamentos Verticais

5.2.3.1 Peso próprio da parede

5.2.3.1.1 Alvenaria de blocos cerâmicos:

 Trecho
 Sem abertura = 1,8 kN/m2 x 2,71 m = 4,9 kN/m
 Abertura de porta = 1,8 kN/m2 x (2,71 – 2,20) m = 0,94 kN/m
 Abertura de janela de 1,0m de altura = 1,8 kN/m2 x (2,71-1,00) m = 3,1 kN/m

5.2.3.1.2 Alvenaria de blocos de concreto:

 Trecho
 Sem abertura = 2,3 kN/m2 x 2,71 m = 6,2 kN/m

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 Abertura de porta = 2,3 kN/m2 x (2,71 – 2,20) m = 1,2 kN/m
 Abertura de janela de 1,0m de altura = 2,3 kN/m2 x (2,71-1,00) m = 3,9 kN/m

5.2.3.2 Lajes
 Pavimento Tipo
 Q = 1,5 kN/m2
 G = 3,25 kN/m2
o 9 cm = 0,09 x 25 = 2,25 kN/m2
o Revestimentos e piso = 1,0 kN/m2
 Cobertura
 Q = 0,5 kN/m2 (adotado igual ao tipo = 1,5 kN/m2 , por simplificação)
 G = 3,25 kN/m2
o 9 cm = 0,09 x 25 = 2,25 kN/m2
o Impermeabilizaçao = 1,0 kN/m2
 Escada
 Q = 2,5 kN/m2
 G = 2,0 kN/m2
 Atico

 casa de máquinas:
o G (10cm) = 2,5 kN/m2 ;
o Q = 7,5 kN/m2
 fundo caixa d’água:
o G:
o - peso próprio 15cm = 0,15 x 25 = 3,75 kN/m2
o - revestimento = 1 kN/m2
o - água (21,5 m3) = 215 kN

5.2.4 Ações Horizontais

As ações horizontais a serem consideradas incluem a força do vento e o desaprumo.

5.2.4.1 Desaprumo

Considerando a altura do prédio de 16,8m, tem-se ângulo de desaprumo igual a {1 / [100√(16,8)]} =


0,00244 rad. Esse valor deve ser limitado a 1/(40H), ou seja 1/(40x16,8) = 0000149, prevalecendo esse
menor valor. Com o peso do pavimento tipo igual a 2000 kN, a força a ser considerada em cada
pavimento é igual a 2000 x 0,00149 = 3,0 kN.

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5.2.4.2 Vento

A tabela abaixo indica parâmetros e resultados do cálculo da força de vento.

Tabela 17: Cálculo da força de vento

Cidade: São Carlos V0 = 40


Uso da edificação: Residencial S3 = 1,0
Tipo de Topografia: Terreno aberto S1 = 1,0
Maior dimensão: 18,44 Classe: A Categoria: IV
Altura total (h): 16,8 Turbulência: □ alta  baixa
VENTO X VENTO Y

l1 = 18,44 l1/l2= 1,10 l1 = 16,79 l1/l2= 0,91


l2 = 16,79 h/l1 = 0,91 l2 = 18,44 h/l1 = 1,00
Ca = 1,14 Ca = 1,10
z (m) S2 Vk (m/s) q (kN/m2) A (m2) Fa (kN) Vk (m/s) q (kN/m2) A (m2) Fa (kN)
0,613 ∙Vk2
0,613 ∙Vk 2
V0∙ S1∙ S2∙ S3 Ca∙q∙A V0∙ S1∙ S2∙ S3 Ca∙q∙A
× 1000 × 1000
2,8 0,79 31,6 0,61 51,63 36,0 31,6 0,61 47,01 31,7
5,6 0,80 32,0 0,63 51,63 36,9 32,0 0,63 47,01 32,5
8,4 0,83 33,2 0,68 51,63 39,8 33,2 0,68 47,01 34,9
11,2 0,87 34,8 0,74 51,63 43,7 34,8 0,74 47,01 38,4
14,0 0,89 35,6 0,78 51,63 45,7 35,6 0,78 47,01 40,2
16,8 0,91 36,4 0,81 51,63 47,8 36,4 0,81 47,01 42,0

5.2.4.3 Força horizontal total

Em cada pavimento soma-se vento + desaprumo e obtém a ação horizontal.

5.3 Carregamentos Verticais: Modelo de Distribuição dos Esforços e Verificação da


Compressão

Inicialmente deve-se definir as dimensões e nomenclatura das paredes estruturais. Os limites de cada
parede são definidos nas extremidades de aberturas de portas ou janelas ou na extremidade da parede.

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Usualmente nomea-se paredes na direção X e Y, numerando-as da esquerda para direita e de cima para
baixo. Também é usual medir o comprimento das paredes a partir dos eixos de interseções e contanto o
comprimento total na extremidade da abertura.

Na Figura 76 pode-se verificar a nomenclatura adotada. Os comprimentos das paredes são indicados na
Figura 77.

Figura 76 – Nomenclatura Adotada

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307 60 38

188

300
120

98 104 150 53
105
150

270 98 37
120

510
337
180
405
149

180
120

90

22 121 74 60
405 270
38
136

166

37
98
45

180
90
510

45

127 60 128

Figura 77 – Dimensões Paredes (eixo)

A distribuição do carregamento de cada laje para cada parede se dará em função da área de influência
da laje em relação a cada parede de apoio. Essas áreas são traçadas considerando o ângulo usual de
distribuição em função da condição de apoio de cada lado (apoio/apoio, apoio/engaste, livre). No
exemplo todos os lados foram considerados apoiados para fim de dimensionamento das lajes e
alvenarias (no detalhamento das lajes recomenda-se incluir armaduras negativas construtivas mesmo

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nessa condição de cálculo).

Em trechos de aberturas de portas ou janelas deve-se traçar uma linha reta no centro da abertura,
indicando que o carregamento será igualmente distribuído para cada lado da abertura. Na Figura 79
pode-se observar as áreas de influência de cada laje no pavimento tipo.

5.3.1 Ático

A
Figura 78 indica as áreas de influência das lajes do ático e os carregamentos nas paredes de apoio.
No caso da água, aproximadamente pode-se dividir o peso do volume previsto pela área da laje de
fundo da caixa d’água: - água (21,5 m3) = 215 kN/ (3,15x3,6) ~ 20 kN/m2.

Figura 78 – Áreas de influência das lajes do ático

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0,22 0,22
1,82

2,44 1,57
5,45

1,20
1,93 0,82
0,82

5,50
0,63
7,98 6,34
1,18

3,65

3,31
0,63

0,81 1,63
0,48 0,48
1,75
3,42 3,92
0,83 0,83
1,46
3,42 0,61 0,66
0,81
73

1,63
0,

0,81

1,98

3,02 3,02

1,20 1,20

2
Figura 79 – Áreas de Influência das Lajes (m )

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5.3.2 Escada

A reação da escada é feita a partir da área de


influência de cada parede, conforme figura ao
lado:
Considerando escada pré-moldada tipo jacaré,
com espessura média de 8cm, tem-se:
G = 2,0 kN/m2
Q = 2,5 kN/m2
Para a parede PY21, por exemplo, tem-se:
G = 2,0x1,97 = 3,94 kN
Q = 2,5x1,97 = 4,92 kN
Carga nas demais paredes calculadas de maneira
semelhante.

5.3.3 Distribuição dos Esforços

Alguns modelos são possíveis para a consideração de como os esforços verticais serão distribuídos entre
as paredes nos andares inferiores àquele onde o carregamento á aplicado. O modelo mais simples, e
adequado para casos onde não há amarração entre paredes, considera que não existe qualquer
distribuição de esforço entre paredes que se cruzam - o carregamento aplicado na parede N chegará na
estrutura de apoio pela parede N apenas.

Quando há efetiva ligação entre paredes (amarração direta) é possível e recomendável considerar que
os esforços verticais serão uniformizados da parede “mais carregada” para “menos carregada”,
conforme discutido anteriormente. O modelo mais simples é a de consideração de uniformização total
entre paredes que têm ligação, comumente chamado de modelo de “grupos” ou “sub-estruturas”. Nos
casos usuais de edifício e especialmente nos tratados aqui, com vãos moderados e conseqüente
comprimentos de parede limitados, esse modelo é considerado adequado. Casos especiais, como
paredes que se cruzam mas tem comprimento elevado devem ser tratados de maneira adequada – não
é coerente supor que a carga aplicada na extremidade de uma parede será distribuída para a
extremidade distante da outra parede, pelo menos não em apenas um pé-direito.

No modelo de grupos, considera-se paredes que se cruzam como uma única estrutura para fim da
distribuição do esforço vertical, ou seja, o cálculo da tensão em cada andar é feito pela simples divisão
da soma dos carregamentos em cada parede pela soma dos comprimentos das paredes. Se
considerarmos que os esforços verticais de espalham em um ângulo de 45o, é possível distribuir uma
determinada carga pontual a uma distância igual a duas vezes o pé-direito (metade para cada lado da
carga) em um pavimento. Como recomendação intuitiva pode-se pensar na criação de grupos de

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paredes aquelas que estejam próximas, dentro de um círculo de raio igual à altura do pé-direito do
andar (Ramalho & Corrêa, 2003).

Outro modelo para consideração dessa distribuição é considerar em cada encontro de parede a
distribuição a 45o. Apesar de não ser tão simples como o anterior, esse procedimento pode ser
sistematizado com o auxílio de programas de computador.

Um modelo mais preciso é o de elementos finitos, utilizando elementos de chapa simulando cada
parede.

Em todos os casos, mas especialmente no último modelo, é importante verificar se a interface é capaz
de resistir ao esforço de cisalhamento na interface necessário para troca de esforços entre uma parede
e outra. A norma recomenda a resistência ao cisalhamento em interfaces de paredes com amarração
direta limitada ao valor característico de 0,35 MPa.

Para se obter o carregamento total em cada parede, basta sistematizar os dados, anotando para cada
parede a reação da laje (permanente e acidental), seu peso próprio e de aberturas laterais e eventuais
outros carregamentos. Outros carregamentos a serem considerados incluem as cargas do ático de caixa
d’água, casa de máquinas, barrilete. Também deve-se incluir as cargas da escada a cada pavimento.

5.3.4 Dimensionamento

Na Tabela 18 estão resumidos os carregamentos anotados em cada parede isoladamente. Foram


considerados as cargas de paredes com blocos de concreto. O dimensionamento do fpk é valido para o
caso de blocos cerâmicos e de concreto. A diferença em relação a cada tipo de bloco ocorre no cálculo
do fbk, uma vez que a relação fpk/fbk é distinta em cada situação.

Tabela 18: Carga vertical por parede em valores característicos – blocos de concreto (pior caso)
Dados Pavimento Tipo Ático
Peso Peso Total
Total Ático
L Próprio Próprio Laje Laje Escada Escada /Pav. Ático
par /Pav. (Q)
(m) Parede Janela Porta Abertura (G) (Q) (G) (Q) G (G) (kN)
Q (kN)
(kN) (kN) (kN) (kN) (kN) (kN) (kN)
(kN)
X1 3,07 19,1 0,3 1,2 6,6 3,1 26,9 3,1
X4 3,07 19,1 0,3 1,2 6,6 3,1 26,9 3,1
X37 3,07 19,1 0,3 1,2 6,6 3,1 26,9 3,1
X40 3,07 19,1 0,3 1,2 6,6 3,1 26,9 3,1
- - - - -
X2 0,38 2,4 0,3 1,2 0,7 0,3 4,3 0,3
X3 0,38 2,4 0,3 1,2 0,7 0,3 4,3 0,3
X38 0,38 2,4 0,3 1,2 0,7 0,3 4,3 0,3
X39 0,38 2,4 0,3 1,2 0,7 0,3 4,3 0,3
- - - - -
X9 2,70 16,8 0,5 0,6 17,9 8,3 35,3 8,3
X12 2,70 16,8 0,5 0,6 17,9 8,3 35,3 8,3

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X27 2,70 16,8 0,5 0,6 17,9 8,3 35,3 8,3
X32 2,70 16,8 0,5 0,6 17,9 8,3 35,3 8,3
- - - - -
X10 0,37 2,3 0,5 0,6 2,7 1,2 5,6 1,2
X11 0,37 2,3 0,5 0,6 2,7 1,2 5,6 1,2
X28 0,37 2,3 0,5 0,6 2,7 1,2 5,6 1,2
X31 0,37 2,3 0,5 0,6 2,7 1,2 5,6 1,2
- - - - -
X14 4,05 25,2 - 22,6 10,4 47,9 10,4
X15 4,05 25,2 - 22,6 10,4 47,9 10,4
X23 4,05 25,2 - 22,6 10,4 47,9 10,4
X24 4,05 25,2 - 22,6 10,4 47,9 10,4
- - - - -
X19 6,75 42,1 0,9 1,1 53,1 24,5 96,3 24,5
X20 6,75 42,1 0,9 1,1 47,7 22,0 90,9 22,0
- - - - -
X5 1,04 6,5 0,8 2,9 6,3 2,9 15,7 2,9
X8 1,04 6,5 0,8 2,9 6,3 2,9 15,7 2,9
X33 1,04 6,5 0,8 2,9 6,3 2,9 15,7 2,9
X36 1,04 6,5 0,8 2,9 6,3 2,9 15,7 2,9
- - - - -
X6 0,53 3,3 0,8 2,9 2,7 1,2 8,9 1,2
X7 0,53 3,3 0,8 2,9 2,7 1,2 8,9 1,2
- - - - -
X13 1,80 11,2 - - - 11,2 - 25,0 7,2
- - - - - - -
X16 0,22 1,4 0,6 2,3 1,6 0,7 5,3 0,7 1,6 2,6
X17 0,74 4,6 0,9 3,5 5,7 2,6 13,8 2,6 3,8 3,5
X18 0,38 2,4 0,3 1,2 1,6 0,7 5,1 0,7 - -
- - - - - - -
X21 0,37 2,3 0,5 2,0 3,9 1,8 0,6 0,7 8,7 2,5 - -
X22 1,80 11,2 0,5 2,0 2,6 1,2 2,4 3,1 18,2 4,3 89,6 2,9
- - - - - - - - -
X25 0,90 5,6 - - - - 1,5 1,9 7,1 1,9 - -
X26 0,90 5,6 - - - - 1,5 1,9 7,1 1,9 - -
- - - - - - - - -
X29 1,27 7,9 0,3 1,2 - - 1,5 1,9 10,6 1,9 46,2 0,6
X30 1,27 7,9 0,3 1,2 - - 1,5 1,9 10,6 1,9 34,7 0,6
- - - - - - -
X34 0,53 3,3 0,8 2,9 2,7 1,2 8,9 1,2 - -
X35 0,53 3,3 0,8 2,9 2,7 1,2 8,9 1,2 - -
- - - - - - -
- - - - - - -
Y1 1,88 11,7 0,3 1,2 7,9 3,7 20,8 3,7 - -
Y7 1,88 11,7 0,3 1,2 7,9 3,7 20,8 3,7 - -
Y30 1,88 11,7 0,3 1,2 7,9 3,7 20,8 3,7 - -
Y36 1,88 11,7 0,3 1,2 7,9 3,7 20,8 3,7 - -
- - - - - - -
Y2 1,50 9,3 0,6 2,3 5,9 2,7 17,6 2,7 - -
Y6 1,50 9,3 0,6 2,3 5,9 2,7 17,6 2,7 - -
Y31 1,50 9,3 0,6 2,3 5,9 2,7 17,6 2,7 - -
Y35 1,50 9,3 0,6 2,3 5,9 2,7 17,6 2,7 - -

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- - - - - - -
Y3 1,49 9,3 0,6 2,3 5,9 2,7 17,5 2,7 - -
Y5 1,49 9,3 0,6 2,3 5,9 2,7 17,5 2,7 - -
Y32 1,49 9,3 0,6 2,3 5,9 2,7 17,5 2,7 - -
Y34 1,49 9,3 0,6 2,3 5,9 2,7 17,5 2,7 - -
- - - - - - -
Y4 1,36 8,5 0,6 2,3 5,3 2,4 16,1 2,4 - -
Y33 1,36 8,5 0,6 2,3 5,3 2,4 16,1 2,4 - -
- - - - - - -
Y8 3,00 18,7 0,5 0,6 17,7 8,2 37,0 8,2 - -
Y9 3,00 18,7 0,5 0,6 17,7 8,2 37,0 8,2 - -
Y28 3,00 18,7 0,5 0,6 17,7 8,2 37,0 8,2 - -
Y29 3,00 18,7 0,5 0,6 17,7 8,2 37,0 8,2 - -
- - - - - - -
Y10 3,00 18,7 - 5,1 2,4 23,8 2,4 - -
Y14 3,00 18,7 - 5,1 2,4 23,8 2,4 - -
Y23 3,00 18,7 - 5,1 2,4 23,8 2,4 - -
Y27 3,00 18,7 - 5,1 2,4 23,8 2,4 - -
- - - - - - -
Y11 3,37 21,0 0,5 0,5 25,9 12,0 47,5 12,0 - -
Y13 3,37 21,0 0,5 0,5 25,9 12,0 47,5 12,0 - -
Y24 3,37 21,0 0,5 0,5 25,9 12,0 47,5 12,0 - -
Y26 3,37 21,0 0,5 0,5 25,9 12,0 47,5 12,0 - -
- - - - - - -
Y12 1,66 10,3 0,9 1,1 10,6 4,9 22,0 4,9 - -
Y25 1,66 10,3 0,9 1,1 10,6 4,9 22,0 4,9 - -
- - - - - - -
Y15 5,10 31,8 0,5 0,5 20,6 9,5 4,9 6,1 57,8 15,6 145,4 2,4
Y16 5,10 31,8 0,5 0,5 20,6 9,5 52,9 9,5 57,6 7,7
Y21 5,10 31,8 0,5 0,5 20,6 9,5 3,9 4,9 56,9 14,4 135,2 1,6
Y22 5,10 31,8 0,5 0,5 20,6 9,5 52,9 9,5 56,1 1,7
- - - - - - -
Y20 1,80 11,2 0,5 0,5 - - 11,8 - 8,5 6,1
- - - - -
Y17 0,90 5,6 - - - 2,1 2,7 7,7 2,7
Y19 0,90 5,6 - - - 5,9 11,5 -
- - - - -
Y18 0,45 2,8 - 1,1 0,5 3,9 0,5

Cada pavimento tem G+Q = ≈ 2220 kN, com área de aproximadamente de 238m2, portanto a carga
média é igual 9,3 kN/m2. Considerando o ático tem-se 6x2220 + 604 + 17 = 13.941 como peso total do
edifício. Dividindo esse peso pela área do tipo tem-se 9,8 kN/m2.

A tabela a seguir traz indicação do cálculo de fbk a partir da carga linear sobre cada parede. A carga a ser
considerada é calculada a partir da uniformização de grupos de parede, conforme descrito na sequencia.

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Tabela 19: Cálculo de fpk, a partir dos carregamentos lineares sobre as paredes (hef = 2,71 m)
Dimensionamento:

A = L x t (t = 0,14 para todas paredes)

Para ( ) em kN, dividir por 1.000 para resultado em MPa.

5.3.4.1.1 Carregamento por grupo de parede

São definidos grupos de paredes para uniformização do carregamento. A carga distribuída em cada
parede do grupo será a soma do carregamento em todas paredes dividida pela soma do comprimento
de todas as paredes. A figura abaixo mostra os grupos adotados.

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Para uniformizar o carregamento do
grupo, considera-se:

Gk/pav (kN) = carga de cada pavimento tipo


sobre cada parede do grupo (por exemplo
PX1 + PY7 + PY9)
Gk/atico (kN) = carga do ático sobre cada
parede do grupo (por exemplo PX1 + PY7
+ PY9)
Qk/pav (kN) = carga de cada pavimento tipo
sobre cada parede do grupo Qk/atico (kN) =
carga do ático sobre cada parede do grupo

L (m) = soma dos comprimentos de cada


parede, por exemplo (LX1 + LY7 + LY9)

Em cada pavimento, com n pavimentos


acima, o carregamento uniformizado
sobre o grupo será:

Figura 80 – Grupos de paredes definidos

Tabela 20: carregamento, grupos (paredes simétricas omitidas)


Carga Pavimento (kN/m)

G total (kN) Q total (kN) 6 5 4 3 2 1


grupo paredes L (m) tipo atico tipo atico G Q G Q G Q G Q G Q G Q
1 X1,Y7, Y9 8,0 84,8 0,0 14,9 0,0 10,7 1,9 21,3 3,7 32,0 5,6 42,7 7,5 53,3 9,4 64,0 11,2
2 X2,X5,Y14 4,4 43,7 0,0 5,6 0,0 9,9 1,3 19,8 2,5 29,7 3,8 39,6 5,0 49,5 6,3 59,4 7,6
3 X9,Y6 4,2 52,9 0,0 11,0 0,0 12,6 2,6 25,2 5,2 37,8 7,9 50,4 10,5 63,0 13,1 75,6 15,7
4 X10,X14,Y5,Y13 9,3 118,4 0,0 26,4 0,0 12,8 2,8 25,5 5,7 38,3 8,5 51,0 11,4 63,8 14,2 76,6 17,0
5 X21,X22, X30, X35, Y18, Y21 9,5 107,3 259,5 24,9 5,1 38,5 3,1 49,8 5,8 61,1 8,4 72,3 11,0 83,6 13,6 94,9 16,2
6 X19,Y4,Y12 9,8 134,4 0,0 31,8 0,0 13,8 3,3 27,5 6,5 41,3 9,8 55,0 13,0 68,8 16,3 82,5 19,5
7 X6,X13,X16,X17,Y16,Y20 10,2 103,9 96,6 14,1 27,0 19,7 4,0 29,9 5,4 40,1 6,8 50,3 8,2 60,5 9,6 70,7 10,9
8 X29,X34,Y15 6,9 77,3 191,6 18,7 3,0 39,0 3,2 50,2 5,9 61,4 8,6 72,6 11,3 83,8 14,0 95,0 16,7
9 X7,X18,Y22 6,0 66,9 56,1 11,5 1,7 20,5 2,2 31,6 4,1 42,7 6,0 53,9 7,9 65,0 9,8 76,1 11,7
10 X25,X26,Y17,Y19 3,6 33,5 0,0 6,5 0,0 9,3 1,8 18,6 3,6 27,9 5,4 37,3 7,2 46,6 9,0 55,9 10,8

Tabela 21: fpk, grupo de paredes

fpk necessário
grupo paredes 6 5 4 3 2 1
1 X1,Y7, Y9 0,40 0,81 1,21 1,62 2,02 2,42
2 X2,X5,Y14 0,36 0,72 1,08 1,44 1,80 2,16
3 X9,Y6 0,49 0,98 1,47 1,96 2,45 2,94
4 X10,X14,Y5,Y13 0,50 1,00 1,51 2,01 2,51 3,01
5 X21,X22, X30, X35, Y18, Y21 1,34 1,79 2,24 2,68 3,13 3,58
6 X19,Y4,Y12 0,55 1,10 1,64 2,19 2,74 3,29
7 X6,X13,X16,X17,Y16,Y20 0,76 1,14 1,51 1,88 2,26 2,63
8 X29,X34,Y15 1,36 1,81 2,25 2,70 3,15 3,60
9 X7,X18,Y22 0,73 1,15 1,57 1,99 2,41 2,83
10 X25,X26,Y17,Y19 0,36 0,72 1,07 1,43 1,79 2,15

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Pelo resultado, é necessário um valor de resistência característica de prisma maior que 3,60 Mpa.

Para blocos cerâmicos: fbk > 3,6/0,5 = 7,2 portanto blocos de 8,0 MPa.

Para blocos de concreto: fbk > 3,6/0,8 = 4,5 portanto blocos de 6,0 MPa.

5.4 Ações Laterais: Modelo de Distribuição dos Esforços e Verificação da Flexo-


Compressão e Cisalhamento

Para distribuição das ações laterais entre as paredes de contraventamento será adotado o modelo
simplificado de paredes em balanço, desprezando a rigidez ao cisalhamento e trechos entre aberturas.
Esse modelo simples leva a resultados conservadores em termos de esforços e deslocamentos (e
portanto é seguro). Para casos de edifícios de baixa altura e com várias paredes de contraventamento
nas duas direções principais (caso do exemplo aqui desenvolvido), esse modelo é usualmente suficiente
para um dimensionamento econômico.

A força horizontal em cada parede de contraventamento é proporcional à rigidez dessas. Considerando


que todas as paredes são do mesmo material e simplificações acima, a ação em cada parede será:

Havendo um momento de torção em planta, cada parede


estará ainda sujeita a uma parcela força positiva ou negativa
para equilibrar esse momento. Somando apenas a parcela
desfavorável (positiva) à equação acima, determina-se a ação
horizontal em cada parede a cada pavimento:

Com xi e yi iguais à distância do CG da


parede ao centro de torção do prédio.

No caso da consideração de torção uma outra simplificação foi considerada acima. A tentativa de giro
em planta do prédio mobiliza tanto paredes de contraventamento X e Y e portanto paredes das duas
direções deveriam participar do modelo, o que não ocorre na formulação acima. Entretanto, ao
determinar a inércia de cada parede leva-se em conta a contribuição das abas. Desta forma, se forem
consideradas paredes em duas direções haverá sobreposição de rigidez pois um trecho da parede da
outra direção foi contata como aba. Por simplificação despreza-se então todas as paredes de
contraventamento da outra direção que não a do vento sendo analisada.

Deve-se deixar claro que essas simplificações podem não ser suficientes para um dimensionamento
econômico em edifícios de tipologia mais arrojada, como em casos de maior número de pavimentos ou
menor número de paredes estruturais.

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Outra observação pertinente diz respeito à necessidade de incluir esforços de torção do prédio. É
inegável e certo que o edifício sofrerá esforços de torção – mesmo se a planta for duplamente simétrica
haverá torção devido à ação do vento que nunca é uniformemente distribuída na fachada. Se o edifício
não for simétrico, a torção do vento é somada à torção da falta de simetria em planta (e portanto o
problema é maior).

Entretanto há que se considerar que o modelo de paredes em balanço aqui mostrado é conservador.
Quando compara-se os resultados desse modelo com de outros mais refinados as diferenças costumam
ser grandes – onde o cálculo indica necessidade de armadura no modelo simples e deslocamento
elevados, muitas vezes o resultado de um modelo mais elaborado indica a não necessidade de armadura
e deslocamentos pequenos.

No caso de edifícios baixos, com paredes bem distribuídas nas duas direções, muito provavelmente o
modelo de paredes em balanço sem consideração de torção é suficiente. No caso de edifícios mais altos
ou com pequena quantidade de paredes estruturais modelos mais refinadas (pórticos planos, espaciais,
elemento finitos) com a consideração de torção se tornam necessários.

No exemplo aqui detalhado, para fins didáticos, será considerado o modelo simples de paredes em
balanço e mostrada a consideração de torção para a direção X apenas.

5.4.1 Definição das paredes de contraventamento em cada direção

São definidos dois modelos para consideração da ação de vento e desaprumo, um na direção principal X
e outra na Y do prédio. Para a direção X farão parte do modelo as paredes dispostas nessa direção mais
as abas de eventuais paredes amarradas a essas limitando o comprimento da aba a 6x a espessura e
nunca sobrepondo o mesmo trecho de aba em duas paredes de contraventamento. Conforme foi
comentado anteriormente é grande diferença entre considerar abas formando seções T, I (paredes com
amarração direta ou não (paredes com amarração indireta) formando seções retangulares apenas.

Na Figura 81 pode-se verificar as paredes de contraventamento X que farão parte do modelo e também
as propriedades da PX1. O momento de inércia dessa parede assim como CG e distancia até o centro de
torção do prédio (indicados na figura) são calculados considerando abas de comprimento de 14 + 6x14 =
98 cm.

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Figura 81 – Contraventamento X e dados da PX1

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A Figura 82 mostra as paredes de contraventamento na direção Y. AS propriedades calculadas para cada
parede estão anotadas na Tabela 22.

PY36
PY7

PY14

PY27

PY29
PY9

PY35
PY6

PY16

PY22
PY13

PY26

PY34
PY5

PY20
PY4

PY33
PY12

PY25
PY3

PY32
PY11

PY24
PY21
PY15
PY2

PY31
PY10

PY23

PY28
PY8

PY30
PY1

Figura 82 – Contraventamento Y

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Tabela 22: Propriedades das paredes de contraventamento

DADOS PARA MODELO SEM TORÇÃO DADOS ADICIONAIS PAR


VENTO X VENTO Y VENTO X
PAR Iy Ys Yi PAR Ix Ys Yi y Iy y2
m4 m m m4 m m m

X1 0,79 1,52 1,62 Y1 0,15 0,70 1,25 8,98 64,01


X4 0,79 1,62 1,52 Y7 0,15 1,25 0,70 8,98 64,01
X37 0,79 1,52 1,62 Y30 0,15 0,70 1,25 8,98 64,01
X40 0,79 1,62 1,52 Y36 0,15 1,25 0,70 8,98 64,01

X9 0,46 0,96 1,81 Y2 0,04 0,83 0,67 5,17 12,39


X12 0,46 1,81 0,96 Y6 0,04 0,67 0,83 5,17 12,39
X27 0,46 0,96 1,81 Y31 0,04 0,83 0,67 5,17 12,39
X32 0,46 1,81 0,96 Y35 0,04 0,67 0,83 5,17 12,39

X14 2,42 2,14 2,05 Y3 0,04 0,83 0,66 2,47 14,79


X15 2,42 2,05 2,14 Y5 0,04 0,66 0,83 2,47 14,79
X23 2,42 2,14 2,05 Y32 0,04 0,83 0,66 2,47 14,79
X24 2,42 2,05 2,14 Y34 0,04 0,66 0,83 2,47 14,79

X19 5,58 3,10 3,72 Y 4 0,15 0,75 0,75 0,00 0,00


X20 5,58 3,72 3,10 Y33 0,15 0,75 0,75 0,00 0,00

X5 0,02 0,45 0,59 Y8 0,59 1,14 1,93 6,37 0,93


X8 0,02 0,59 0,45 Y9 0,59 1,93 1,14 6,37 0,93
X33 0,02 0,45 0,59 Y28 0,59 1,14 1,93 6,37 0,93
X36 0,02 0,59 0,45 Y29 0,59 1,93 1,14 6,37 0,93

X6 0,02 0,43 0,17 Y10 0,72 1,77 1,37 5,86 0,65


X7 0,02 0,17 0,43 Y14 0,72 1,37 1,77 5,86 0,65
Y23 0,72 1,77 1,37
X13 0,35 0,80 1,14 Y27 0,72 1,37 1,77 2,76 2,69

X17 0,00 0,37 0,37 Y11 0,71 1,80 1,64 1,31 0,01
Y13 0,71 1,64 1,80
X22 0,25 1,20 0,74 Y24 0,71 1,80 1,64 1,55 0,60
Y26 0,71 1,64 1,80
X29 0,06 0,38 0,96 5,00 1,54
X30 0,06 0,96 0,38 Y12 0,05 -0,83 0,83 5,00 1,54
Y25 0,05 -0,83 0,83
X34 0,00 0,40 0,20 6,02 0,16
X35 0,00 0,20 0,40 Y15 2,15 2,22 2,95 6,02 0,16
Y16 2,30 2,65 2,59
SOMA 26,76 Y20 0,25 1,03 0,91 376,47
Y21 2,87 2,53 2,71
Y22 2,38 2,68 2,56

SOMA 19,39

5.4.2 Esforço em cada parede – sem torção

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Na Tabela 23 estão anotadas as ações totais em cada andar do prédio (ver 5.2.4 - Ações Horizontais). O
momento em cada andar é calculado multiplicando-se cada Ftotal pela distância entre o andar em que se
quer calcular o momento e o andar em que cada força é aplicada. Conforme comentando, cada parede
irá resistir a uma parcela de esforço proporcional à sua rigidez (na tabela a grandeza r/R). Na Tabela 22
pode-se verificar o valor de R (soma de todas inércias X) igual a 26,76 m4. Por exemplo, a parede X1, cujo
momento de inércia vale 0,79m4, deverá resistir a um esforço proporcional a 0,79/26,76 ou 2,9663% da
força e do momento total em cada andar.

Tabela 23: Esforço em cada parede sem considerar a torção (paredes simétricas omitidas)
VENTO X - ESFORÇOS C/ DESAPRUMO - S/ TORÇÃO
Pav F vento F desaprumo F total F acuml M (kN.m)
6 47,8 3,00 50,8 50,8 142
5 45,7 3,00 48,7 99,5 421
4 43,7 3,00 46,7 146,2 830
3 39,8 3,00 42,8 189,0 1360
2 36,9 3,00 39,9 228,9 2001
1 36,0 3,00 39,0 268,0 2751

F (kN) / POR PAREDE - VENTO + DESAPRUMO


Par r/R 6 5 4 3 2 1
X1 0,029663 1,5 3,0 4,3 5,6 6,8 7,9
X9 0,017324 0,9 1,7 2,5 3,3 4,0 4,6
X14 0,09059 4,6 9,0 13,2 17,1 20,7 24,3
X19 0,20862 10,6 20,8 30,5 39,4 47,8 55,9
X20 0,20862 10,6 20,8 30,5 39,4 47,8 55,9
X5 0,000852 0,0 0,1 0,1 0,2 0,2 0,2
X6 0,000703 0,0 0,1 0,1 0,1 0,2 0,2
X13 0,013214 0,7 1,3 1,9 2,5 3,0 3,5
X17 0,000183 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0
X22 0,009301 0,5 0,9 1,4 1,8 2,1 2,5
X29 0,002302 0,1 0,2 0,3 0,4 0,5 0,6
X34 0,000168 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0
SOMA 1 50,8 99,5 146,2 189,0 228,9 268,0

M (kN.m) / POR PAREDE


Par r/R 6 5 4 3 2 1
X1 0,029663 4,2 12,5 24,6 40,3 59,3 81,6
X9 0,017324 2,5 7,3 14,4 23,6 34,7 47,7
X14 0,09059 12,9 38,1 75,2 123,2 181,2 249,2
X19 0,20862 29,7 87,8 173,2 283,6 417,4 573,9
X5 0,000852 0,1 0,4 0,7 1,2 1,7 2,3
X6 0,000703 0,1 0,3 0,6 1,0 1,4 1,9
X13 0,013214 1,9 5,6 11,0 18,0 26,4 36,4
X17 0,000183 0,0 0,1 0,2 0,2 0,4 0,5
X22 0,009301 1,3 3,9 7,7 12,6 18,6 25,6
X29 0,002302 0,3 1,0 1,9 3,1 4,6 6,3
X34 0,000168 0,0 0,1 0,1 0,2 0,3 0,5

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5.4.2.1 Verificações

5.4.2.1.1 Dimensionamento das paredes do 1º pavimento - sem torção

Resumo dos esforços nas paredes do 1º pavimento:

propriedades ação esforço


I Yesq Ydir G Q F M v esq v dir G Q 
Par (m4) (m) (m) (kN/m) (kN/m) (kN) (kN.m) (kN/m2) (kN/m2) (kN/m2) (kN/m2) (kN/m2)
X1 0,79 1,52 1,62 64,0 11,2 7,9 82 156 167 457 80 18,1
X9 0,46 0,96 1,81 75,6 15,7 4,6 48 99 186 540 112 12,0
X14 2,42 2,14 2,05 76,6 17,0 24,3 249 220 211 547 122 41,4
X19 5,58 3,10 3,72 82,5 19,5 55,9 574 318 383 589 140 58,6
X5 0,02 0,45 0,59 59,4 7,6 0,2 2 47 60 424 54 1,6
X6 0,02 0,43 0,17 70,7 10,9 0,2 2 45 17 505 78 2,2
X7 0,02 0,17 0,43 76,1 11,7 0,2 2 17 45 544 84 2,2
X13 0,35 0,80 1,14 70,7 10,9 3,5 36 82 117 505 78 13,0
X17 0,00 0,37 0,37 70,7 10,9 0,0 1 38 38 505 78 0,5
X22 0,25 1,20 0,74 94,9 16,2 2,5 26 123 76 678 116 9,2
X29 0,06 0,38 0,96 95,0 16,7 0,6 6 39 99 679 120 3,3
X34 0,00 0,40 0,20 95,0 16,7 0,0 0 41 21 679 120 0,5

5.4.2.1.1.1 Verificação da máxima compressão nos bordos das paredes

i)
Par i-esq ii-esq i-dir ii-dir
ii) X1 2,40 2,42 2,43 2,44
X9 2,66 2,81 2,89 2,95
X14 3,05 3,09 3,02 3,08
R = 0,887 X19 3,54 3,52 3,71 3,62
X5 1,86 1,93 1,90 1,95
Blocos cerâmicos de 8,0 MPa: fpk = 4,0 Mpa X6 2,27 2,40 2,20 2,36
Blocos de concreto de 6,0 MPa: fpk = 4,8 MPa X7 2,39 2,56 2,47 2,61
X13 2,37 2,46 2,46 2,52
X17 2,25 2,39 2,25 2,39
A Tabela ao lado indica o valor de fpk mínimo na X22 3,35 3,48 3,22 3,40
vertificação da máxima compressão nas extremidades da X29 3,14 3,37 3,30 3,47
parede X34 3,15 3,38 3,10 3,34

 Não é necessário graute em nenhum caso


(parede X19 pouco acima do mínimo para o caso de
blocos cerâmicos)

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Verificação da máxima tração nos bordos das paredes

 esq  dir
Par (kN/m2) (kN/m2)
X1 -142 -127
ftd (argamassa de 6,0 MPa) X9 -290 -168
= 0,20 / 2,0 = 0,10 MPa = 100 kN/m2 X14 -129 -142
X19 -29 61
A Tabela ao lado indica o valor da máxima tração X5 -257 -238
nas extremidades da parede. X6 -332 -370
X7 -407 -369
Como nenhum valor é maior que 100, não há X13 -279 -230

necessidade de armaduras, apenas construtivas nos X17 -341 -341

encontros das paredes. X22 -378 -444


X29 -499 -414
X34 -496 -524

5.4.2.1.1.2 Verificação do cisalhamento nas paredes

i) fvk = 0,15 + 0,5  ≤ 1,4 (MPa)


ii)  = 0,9 G
iii) fvd = fvk / 2,0
iv) d/fvd deve ser menor que 1,0 na verificação da tabela abaixo.

Par 0,9G(kN/m2) fvk(kN/m2) fvd(kN/m2) (kN/m2) d(kN/m2) d/fvd


X1 361 330 165 18 25 0,2
X9 428 364 182 12 17 0,1
X14 437 368 184 41 58 0,3
X19 474 387 194 59 82 0,4
X5 322 311 156 2 2 0,0
X6 394 347 174 2 3 0,0
X7 431 366 183 2 3 0,0
X13 394 347 174 13 18 0,1
X17 394 347 174 0 1 0,0
X22 551 425 213 9 13 0,1
X29 553 427 213 3 5 0,0
X34 553 427 213 1 1 0,0

 todas paredes passam na verificação

5.5 Estabilidade Global e Verificação do Deslocamento Lateral

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A verificação da estabilidade global será feita considerando o modelo simplificado. O edifico é modelado
como uma única barra, com inércia igual à somatória de todas as paredes. O módulo de elasticidade
considerado é igual a 0,8 x 600 x fpk (utilizando o pior caso de blocos cerâmicos), sendo a redução de
20% do valor de norma considerado para levar em conta fissurações em função de pequenas trações
que possam existir.

A estabilidade estará verificada caso o parâmetro de estabilidade z resulte menor que 1,1, ou seja, se os
esforços de 2ª ordem forem pequenos, menores que 10% dos esforços de primeira ordem:

 Sendo

o M1 o momento de primeira ordem devido às forças laterais

o M2 o momento de segunda ordem devido ao peso vertical de cada pavimento,


multiplicado pelo deslocamento horizontal resultante da ação das forças laterais em
cada pavimento.

Será considerado apenas o caso de blocos cerâmicos de 8,0MPa  0,8E = 0,8 x 600 x 8 x 0,5 = 1.920
MPa. Da Tabela 22 a soma de todas inércias X é igual a 26,76 m4. Fazendo uso de programa simples de
pórtico plano, tem-se os esforços e deslocamentos mostrados.

Figura 83 – Deslocamento horizontal para força lateral (vento + desaprumo)


Considerando o peso do pavimento tipo igual a 2000 kN e ático com peso de 641kN (ver Tabela 18), o
momento de segunda ordem na base do prédio será igual ao peso em cada andar multiplicado pela
deslocamento horizontal encontrado:
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 M2 = [(2000 + 641) x 5,68 + 2000 x (4,38 + 3,12 + 1,95 + 0,96 + 0,27)] x10-3 = 21,36 kN.m

Conforme Tabela 23, o momento de primeira ordem na base do prédio, M1, vale 2.751 kN.m.

O parâmetro z será então calculado igual a:

 = 1,01 < 1,10

O.K.  edifício não tem efeito de 2ª ordem preponderante

Finalmente deve-se verificar os deslocamentos horizontais, considerando a combinação freqüente com


 = 0,3 (30% da ação lateral), limitados a:

 Altura do prédio (H) / 1700 (total)

 Altura do andar (h) / 850 (em cada andar)

Para o edifício exemplo, com H = 16,8 e h = 2,80, esses limites são iguais a:

 16,8 / 1700 = 0,010 m ou 10 mm (no topo do prédio)

 2,8 / 850 = 0,003 m ou 3 mm (entre cada andar)

Analisando a Figura 83 o deslocamento limite no topo do prédio é igual a 5,68 mm para 100% da força
lateral, e será igual a 0,3 x 5,68 = 1,7 mm para combinação freqüente, o que é menor que 10mm,
portanto O.K.

O deslocamento máximo entre andares é encontrado entre o 6º e 5º pavimentos, igual a 5,68 – 4,38 =
1,3 mm, que na combinação freqüente será igual a 0,3 x 1,3 mm = 0,39 mm < 3  O.K.

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6 Bibliografia

A) Texto Base

PARSEKIAN, G. A. ; MELO, M. M. . Alvenaria estrutural em blocos cerâmicos : projeto, execução e


controle. 1. ed. São Paulo: O Nome da Rosa, 2010. v. 1. 245 p.

B) Bibliografia de Referência

ALY, V. C. L. (1991). Determinação da capacidade resistente de blocos de concreto, submetido a esforços


de compressão. Dissertação (Mestrado). EPUSP.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DA CONSTRUÇÃO INDUSTRIALIZADA – ABCI (1990). Manual Técnico de


Alvenaria,. São Paulo, Ed. Pro Editores.

BARBOSA, P. C. Estudo da interação de paredes de alvenaria estrutural com vigas de concreto armado.
Dissertação (mestrado), EESC-USP, 2000, 110p.

BIGGS, D. T. Putting prestressed masonry to use. Masonry Magazine. Volume 42, Number 10, October,
2003.

CAMACHO, J. S. Contribuição ao estudo de modelos físicos reduzidos de alvenaria estrutural cerâmica.


São Paulo, 1995. 157p. Tese (Doutorado) – Escola Politécnica, Universidade de São Paulo.

CAVALHEIRO, O. P.; GOMES, N. S. alvenaria estrutural de blocos vazados: resultados de ensaios de


elementos e redutores de resistência à compressão. In: xxx Jornadas Sul-Americanas de Engenharia
Estrutural, 2002, Brasília, DF. Anais da xxx Jornadas Sul-Americanas de Engenharia Estrutural , 2002.

CURTIN, W. G., ET AL. Structural masonry designers' manual. 2nd edition (revised). Oxford : blackwell
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DRYSDALE, ROBERT G., HAMID, AHMAD A. AND BAKER, LAWRIE R. Masonry structures - behavior and
design. 2nd edition. Boulder : the masonry society, 1999. 1-929081-01-4.

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