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FAULHABER, Lucas; AZEVEDO, Lena.

SMH 2016 – Remoções no Rio de Janeiro


Olímpico. Rio de Janeiro: Mórula, 2015.

- O fenômeno das remoções das áreas gentrificadas / corredores olímpicos ocorreu


em várias cidades que sediaram grandes eventos esportivos, e alertaram para o que
podia acontecer no Rio (9)
- Os eventos são encarados como plataformas de negócios, que vendem tudo que a
eles se relaciona, inclusive as cidades, estas marcadas pior desigualdades e
urbanidades incompletas (10)
- “Nunca era divulgado quantas pessoas seriam removidas, para onde iriam e quais
as propostas, custos e fontes para seu reassentamento”. As obras eram importantes,
o que fazer com as pessoas não (11)
- “As desapropriações e remoções têm uma geografia baseada num processo
milimétrico de desconstrução de direitos e de abertura de uma área da cidade como
nova fronteira de expansão do mercado imobiliário” (11)
-“Sua remoção das áreas centrais abre caminho para investimentos privados com
localização privilegiada, ao mesmo tempo em que reforma a ideia de que o lugar dos
pobres é na periferia” (12)
- PP e Carlos Lacerda consagrados na memória coletiva como representantes de
despejos massivos, mas não foram páreo para Eduardo Paes. (12)
- O processo não é relacionado apenas a eventos esportivos temporários, usou os
mesmos como justificativa para projetos que já vinham desde os ano s1970 (12)
- Política pública que deixa de ser orientada para a satisfação das condições de vida
das pessoas para se orientar À maximização dos lucros (13)
- “Perspectiva da reafimação da cidade voltada para o mercado, em detrimento dos
direitos dos cidadãos. Nesse processo, aqueles que perdem suas casas para a
valorização do território não usufruem dos supostos benefícios que ela origina” (15)
- MCMV se tornou instrumento de segregação espacial (16)
- Expulsão dos mais pobres para as áreas mais distantes da cidade (17)
- Relação centro x periferia – expulsão e atração (17)
- “Uma vez que os investimentos se voltaram para as áreas centrais da cidade que
antes estavam à margem dos interesses políticos e imobiliários, como determinadas
favelas e a zona portuária, a população que ali reside sofre uma enorme pressão do
próprio mercado para sua saída (remoção branca)” (18)
- Cidade neoliberal, parcerias com setor privado, PROPAR RIO (23)
- Criação da CDIRP (11/2009), Porto Novo (Odebrecht, OAS e Carioca Engenharia),
Area de Especial Interesse Urbanístico como “local mais qualificado em infraestrutura
e serviços do Rio de Janeiro para trabalho, investimento, moradia e entretenimento”
(23)
- fazer com que a intervenção urbana dependesse de exigências de atores privados
(24)
- Modelo de cidade baseado no sucesso de Barcelona, intervenções militares
baseadas em Medellín e Bogotá (25)
- Plano de cidade olímpica já existia em 1995
- Requalificação de área portuária através de entidade gestora autônoma; projetos de
viés social na tentativa de introduzir certa camada nessa rede de consumidores /
cidadãos (26)
- “Constituição do Conselho da Cidade ajuda a entender a quem o poder público dá o
direito de pensar a cidade: (...) encontram-se representantes dos setores que têm
interesse direto nos projetos e empreendimentos que transformaram a cidade num
imenso canteiro de obras” (27) (orgia das picaretas de PP)
- Grande maioria das doações de campanha para EP e PMDB foram de empreiteiras
ou empresas que atuam no mercado imobiliário, cerca de 60% (30 e 31)
- “O cenário de crise cria um ambiente propício a soluções que são apresentadas
como um ‘mal necessário’ e que se justificam por um futuro melhor para a cidade” (32)
- “As favelas e seus habitantes representam historicamente uma cidade que deve ser
combatida. Uma agressão ao meio ambiente e ao cenário carioca, e ao mesmo tempo,
um empecilho para a valorização e progresso dessa sociedade” (32)
- Elementos de propaganda do combate à crise promovem ao cidadão sensação de
pertencimento ao projeto de evolução, dando plenos poderes ao Estado (33)
- “A forma de apropriação do espaço pelas camadas de renda mais baixa da
população ocorre de forma muito particular no Rio de Janeiro desde o aparecimento
da primeira favela. Diferente de muitas outras cidades, onde aos pobres só cabiam a
periferia geográfica, esses territórios cariocas foram surgindo principalmente nas
encostas dos morros da região central e mais valorizada” (35)
- desequilíbrio no uso do solo (35)
-“ No processo de apropriação do espaço urbano pelo capital ao longo da história da
cidade, um fenômeno recorrente foi a expulsão das camadas socioeconomicamente
mais vulneráveis dos territórios de maior valor de mercado. Foi assim com a caça aos
cortiços da região central, com os incêndios das favelas da Zona Sul, entre outras”
(36)
- governo argumentava que novas remoções seriam realizadas com participação dos
moradores e respeito aos seus direitos (36)
- Tema das remoções aparece como uma das contradições do processo de
transformação urbana, pois o estado deveria garantir o direito a habitação e vem
desrespeitando sistematicamente (37)
- “Através de uma simples comunicação por ato normativo do órgão executor de uma
obra à Secretaria de Habitação, o imóvel referido já estará sujeito À remoção sem
direito a contestação por parte dos moradores” (39) (semelhança com prefeito
plenipotenciário de PP)
- Prefeitura não reconhece direitos dos cidadãos com relação à propriedade e indeniza
terceiros (donos dos cortiços?) 41
- BRT e desapropriações – margem de lucro pra iniciativa privada (42)
- Diferenças de empreendimentos de acordo com o bairro – Barra: shoppings,
Madureira habitação popular (43)
- Plano estratégico 2012-2016 estipula percentual de imóveis desapropriados,
possibilitando ação agressiva do estado (45)
- Obras viárias priorizavam o transporte coletivo mas incentivavam o individual (45)
- “Dentro desta lógica de reorganização do espaço urbano por estratos sociais, na
qual resta Às camadas com menor poder aquisitivo os territórios mais distantes da
cidade, o transporte ganha um valor muito significativo para a sua sustentabilidade. O
cidadão que mora na periferia da Zona Oeste geralmente não trabalha nessas
imediações, necessitando de um meio de transporte mais ágil, que possibilite uma
melhor fluidez para a reprodução de capital” (45)
- Traçado dos BRTs colocado como pretexto para remoções (valorização imobiliária)
(46)
- Tanto desapropriações quanto remoções claramente associadas ao desejo do
capital imobiliário (48)
- Secretarias da Prefeitura apontam alternativa de remoção das camadas sociais mais
pobres como preceito para a valorização do território (48)
- Direcionamento das ações do Estado sobre determinada região vem ao encontro
dos interesses da construção civil (49)
- Remoções realizadas para 40 a 70 km do local original, mapeamentos e censo falsos
para definir cooptação, demarcação com sigla (associação com PR) (51)
- Demolição de casas negociadas, deixando pra trás o entulho sem remover para
piorar a vida de quem fica (53)
- Criada uma ligação entre os BRT Transolímpica e Transcarioca, não existente no
projeto original, para justificar remoção da Vila Autódromo (55)
- “Por que o rico pode morar ali e o pobre não?” (56)
- Recursos para reforma do porto adquiridos mediante CEPACS, compradas pela
Caixa em 2011, implicando em que essa região histórica sofresse com radicais
transformações em morfologia e padrão social (58)
- Imóveis privados desapropriados, muitos deles com ocupações que foram removidas
(Zumbi dos Palmares, Boa Vista, Flor do asfalto, etc ) (58)
- Estado atuando como mitigador dos riscos da iniciativa provada e oferecendo
financiamento. Caixa poupou empreiteiras de comprar as CEPACS, com elevado grau
de risco (59)
-“Assim como em outros casos na cidade, as intervenções são apenas divulgadas,
sem possibilidade de objeção” (59)
- Favelas “pacificadas” Zona Sul e Tijuca, regiões de interesse imobiliário, sofrem com
processo de “remoção branca” e chegada de taxas de concessionárias (61)
- Laudos técnicos de órgãos não ligados à Prefeitura apontam número de remoções
muito superior ao necessário para viabilizar as intervenções (62)
-Decisão técnica que justifique a remoção poderia ter outra solução se debatida
publicamente (caso dos corredores viários) (63)
- Casas removidas estão em assentamentos precários, população pouco poder
aquisitivo, materiais com pouco valor de mercado = indenização de baixo valor.
Indenização essa que é baseada no valor de um imóvel que vai ser demolido, e que
impede que o indenizado adquira outrao imóvel (65)
- Imóveis MMCM 0-3 construídos de forma precária e má qualidade (66) e muitas
vezes invadidos por milícias que tomam conta dos imóveis e dos serviços do local (68)
- Milicianos cumprem papel na reorganização do espaço urbano mantendo essa
população silenciada e desintegrada ao restante da cidade, para naõ sinalizar sua
insatisfação com a ausência de serviços fundamentais (68)
- Incentivo do poder público em expandir para os cantos remotos da zona oeste serve
aos interesses imobiliários e fundiários. A maioria dos empreendimentos não atinge a
maior camada do déficit habitacional (0-3 SM) (70)
- Area prioritária para MCMV zonas mais desassistidas de serviço9s portanto
passiveis de valorização da terra quando houver investimento público (70)
- Deslocamento do trabalhador para zonas distantes dos polos geradores de
empregos representa custo maior para o trabalhador e para o setor público que tem
que investir mais em projetos de mobilidade (71)
- Ao invés do governo promover a ocupação das áreas com mais postos de trabalho
racionalizando os gastos de tempo e dinheiro do trabalhador, prefere oferecer moradia
nas zonas mais afastadas *73)
- “Embora localizados nas zonas mais centrais, muitas das críticas se repetem quanto
À qualidade das construções e às possibilidades de ocupação, (...) [tendendo] a
reafirmar a lógica de gueto – Israel Silva e Zé Kéti (73)
- Cidadãos percebem que ao invés de beneficiários são vítimas do projeto. Dinheiro
gasto com equipamentos esportivos ao invés de serviços básicos (74)
- Custo de vida cada vez mais inviável no Rio. Camadas mais pobres e classe média
sofrendo com gentrificação (74)
- “Os eventos são meras justificativas que tentam legitimar qualquer ação de
emergência por parte do Estado, e esta também é uma questão central que deve ser
debatida. Mas, além desses órgãos internacionais, a quem serve esta cidade de
exceção?” (76) Por que a cidade é produzida por e para essas empresas?
- Empresas dos consórcios imobiliários figuram como maiores doadoras de campanha
em nível municipal estadual e federal (76)
- O instrumento de desapropriação, embora atentando à propriedade privada, é
alternativa para atuação mais aguda em prol do mercado (77)
RELATOS SOBRE AS REMOÇÕES
- As comunidades são arrancadas dos seus lugares de origem (80)
MICRODIÁSPORAS
- Para onde vai o povo que eles naõ querem que os ricos vejam? Pro mesmo lugar
onde está a maioria da classe trabalhadora que grita e a gente não escuta – no
máximo, a gente paga pra manter uma milícia pra manter esse povo calado (81)
- Chegada de cobrança de concessionárias aumentou em 803% a conta de luz em
Vigário Geral (82)
- Estratégia governamental para que os moradores originais percebam que “estão em
um lugar errado” – remoção branca (82)
- Ação repressiva estatal, UPP para controlar os “estranhos” (classes perigosas) (84)
- remoção da Vila Recreio II justificada em função da ampliação da via do BRT, mas
a obra no final não ocupou nem 60% do terreno onde ficava a comunidade (85)
- Destruição da casa de Jorge Santos Oliveira com seus móveis e livros, que ele
juntava para biblioteca comunitária. (87)
- DESINTEGRAÇÃO DA SOCIABILIDADE COLETIVA com as remoções (88)
- Vila Autódromo recebeu Medalha de Direitos Humanos e prêmio do IPPUR de projeto
de urbanização, além de premio internacional. E ainda assim a prefeitura quis
remover. (90)
- Defensor publico derrubou liminar de não remoção (90)
- Remoção já era tentada desde a época de Cesar Maia, 1993, com interesse de
empreiteiras - Carvalho Hosken, Andrade Gutierrez e Odebrecht (91)
- Construção do Parque Carioca próximo à comunidade considerada como vitória
“porque o governo sempre joga as pessoas para muito longe, fazendo com que os
moradores perdessem escola dos filhos, trabalho. Conseguimos a conquista desses
apartamentos aqui perto como opção para os que queriam negociar com a prefeitura”
(92) MAIS UMA VEZ O CONCEITO DE MICRODIÁSPORAS
-“ Moradia não é quatro paredes, mas a história, o vínculo da comunidade, da
identidade de cada um de nós com o nosso lugar. Nós vamos resistir até o fim” (94)
- Relatos de comunidades removidas para imóveis a 70km, 3 horas e meia de
distância do anterior lugar. (100)