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AVISO
Todo esforço foi feito para garantir a qualidade
editorial desta obra, agora em versão digital.
Destacamos, contudo, que diferenças na apresentação
do conteúdo podem ocorrer em função das
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de leitura.

A medicina é uma ciência em constante evolução. À medida que novas
pesquisas e a experiência clínica ampliam o nosso conhecimento, são
necessárias modificações no tratamento e na farmacoterapia. Os autores desta
obra consultaram as fontes consideradas confiáveis, em um esforço para
oferecer informações completas e, geralmente, de acordo com os padrões
aceitos à época da publicação. Entretanto, tendo em vista a possibilidade de
falha humana ou de alterações nas ciências médicas, os leitores devem
confirmar estas informações com outras fontes. Por exemplo, e em particular,
os leitores são aconselhados a conferir a bula de qualquer medicamento que
pretendam administrar, para se certificar de que a informação contida neste
livro está correta e de que não houve alteração na dose recomendada nem nas
contraindicações para o seu uso. Essa recomendação é particularmente
importante em relação a medicamentos novos ou raramente usados.

© Artmed Editora Ltda., 2016.

Gerente editorial: Letícia Bispo de Lima

Colaboraram nesta edição:

Coordenadora editorial: Cláudia Bittencourt
Assistente editorial: Paola Araújo de Oliveira
Capa: Maurício Pamplona
Preparação de originais: Camila Wisnieski Heck
Leitura final: Antonio Augusto da Roza
Projeto gráfico e editoração: TIPOS – design editorial e fotografia
Produção digital: Grupo A Educação - Núcleo de produção digital

I59 Instrumentos de avaliação em saúde mental [recurso eletrônico] /
Organizadores, Clarice Gorenstein, Yuan-Pang Wang, Ines
Hungerbühler. – Porto Alegre : Artmed, 2016.
e-PUB.

Editado como livro impresso em 2016.
ISBN 978-85-8271-286-3

1. Psiquiatria. 2. Instrumentos de avaliação. I. Gorenstein, Clarice. II.
Wang, Yuan-Pang. III. Hungerbühler, Ines.

CDU 616.89

Catalogação na publicação: Poliana Sanchez de Araujo – CRB 10/2094

Reservados todos os direitos de publicação à ARTMED EDITORA LTDA.,
uma empresa do GRUPO A EDUCAÇÃO S.A.

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90040-340 – Porto Alegre – RS
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sob quaisquer
formas ou por quaisquer meios (eletrônico, mecânico, gravação, fotocópia,
distribuição na
Web e outros), sem permissão expressa da Editora.
SAC 0800 703-3444 – www.grupoa.com.br

[ AUTORES ]

ORGANIZADORES
Clarice Gorenstein: Psicofarmacologista. Mestre e Doutora em
Farmacologia pela Universi​dade de São Paulo (USP). Professora associada
do Departamento de Farmacologia, Instituto de Ciências Biomédicas da USP.
Pesquisadora do Laboratório de Psicopatologia e Terapêutica (LIM-23) do
Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da
Universidade de São Paulo (IPq-HCFMUSP).
Yuan-Pang Wang: Psiquiatra. Mestre e Doutor em Psiquiatria pelo
Departamento de Psi​quiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de
São Paulo (FMUSP). Médico assistente do IPq-HCFMUSP. Pesquisador
associado do Núcleo de Epidemiologia Psiquiátrica (LIM-23) e professor
colaborador do Programa de Pós-graduação do Departamento de Psiquiatria
da FMUSP.
Ines Hungerbühler: Psicóloga. Mestre em Ciências pela Universidade de
Zurique, Suíça. Doutora em Ciências pelo Departamento de Psiquiatria da
FMUSP. Pesquisadora do Labora​tório de Neurociências (LIM-27) do IPq-
HCFMUSP e do Latin America Treatment and Innovation Network (LATIN-
MH) da Medicina Preventiva da FMUSP.

COORDENADORES DE SEÇÃO
Adriana Munhoz Carneiro: Psicóloga. Mestre em Psicologia pela
Universidade São Francisco (USF), Itatiba. Doutoranda do Programa de
Psiquiatria da FMUSP. Pesquisadora do Grupo de Estudos de Doenças
Afetivas (Gruda) do IPq-FMUSP.
Ana Soledade Graeff-Martins: Psiquiatra da infância e adolescência.
Mestre em ​Psiquiatria pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul
(UFRGS). Doutora em Ciências pelo Departamento de Psiquiatria da

Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Médica assis​tente do Serviço
de Psiquiatria da Infância e Adolescência do IPq-HCFMUSP. Professora
colaboradora do Departamento de Psiquiatria da FMUSP.
Bacy Fleitlich-Bilyk: Psiquiatra da infância e adolescência. Diplomada em
Psiquiatria Infantil pelo Institute of Psychiatry, King’s College, University of
London. Doutora em Psiquiatria Infantil pelo Institute of Psychiatry, King’s
College, University of London.
Beny Lafer: Psiquiatra. Doutor e Livre-docente pelo Departamento de
Psiquiatria da FMUSP. Professor associado do Departamento de Psiquiatria
da FMUSP. Coordenador do Programa de Transtorno Bipolar (Proman) do
IPq-HCFMUSP.
Cássio Machado de Campos Bottino: Psicogeriatra. Doutor e Livre-docente
pelo Departa​mento de Psiquiatria da FMUSP. Professor associado do
Departamento de Psiquiatria da FMUSP. Coordenador do Programa Terceira
Idade (Proter) do IPq-HCFMUSP.
Elaine Henna: Psiquiatra. Mestre e Doutora em Ciências pelo Departamento
de Psiquiatria da FMUSP. Psiquiatra colaboradora do LIM-23 do IPq-
HCFMUSP.
Francisco Lotufo Neto: Psicólogo e psiquiatra. Doutor e Livre-docente pelo
Departamento de Psiquiatria da FMUSP. Professor associado do
Departamento de Psiquiatria da FMUSP.
Helio Elkis: Psiquiatra. Doutor e Livre-docente pelo Departamento de
Psiquiatria da FMUSP. Professor associado do Departamento de Psiquiatria
da FMUSP. Coordenador do Programa de Esquizofrenia (Projesq) do IPq-
FMUSP.
Hermano Tavares: Psiquiatra. Doutor e Livre-docente pelo Departamento
de Psiquiatria da FMUSP. Professor associado do Departamento de
Psiquiatria da FMUSP. Coordenador do Programa Ambulatorial Integrado
dos Transtornos do Impulso (Pro-Amiti) do IPq-HCFMUSP.
Márcio Antonini Bernik: Psiquiatra. Doutor em Psiquiatria pelo
Departamento de Psiquiatria da FMUSP. Coordenador do Programa de
Ansiedade (Amban) do IPq-HCFMUSP.
Maria Lucia Oliveira de Souza Formigoni: Biomédica. Mestre e Doutora

em Farmacologia pela EPM-Unifesp. Professora associada livre-docente do
Departamento de Psicobiologia da EPM-Unifesp. Coordenadora da Unidade
de Dependência de Drogas da Disciplina de Medicina e Sociologia do Abuso
de Drogas do Departamento de Psicobiologia da Unifesp. Pró-reitora de Pós-
graduação e Pesquisa da Unifesp.
Monica L. Zilberman: Psiquiatra. Doutora em Psiquiatria pelo
Departamento de Psiquiatria da FMUSP. Pesquisadora do LIM-23 do IPq-
HCFMUSP.
Ricardo Alberto Moreno: Psiquiatra. Doutor em Psiquiatria pelo
Departamento de Psiquiatria da FMUSP. Médico assistente do IPq-
HCFMUSP. Coordenador do Programa de Transtornos Afetivos (Gruda) do
IPq-HCFMUSP.
Sheila C. Caetano: Psiquiatra da infância e adolescência. Doutora em
Psiquiatria Infantil pelo Departamento de Psiquiatria da FMUSP. Professora
adjunta do Departamento de Psiquiatria da EPM-Unifesp. Coordenadora da
Unidade de Psiquiatria da Infância e Adoles​cência (UPIA)/EPM-Unifesp.
Táki Athanássios Cordás: Psiquiatra. Mestre e Doutor em Psiquiatria pelo
Departamento de Psiquiatria da FMUSP. Coordenador do Ambulatório de
Bulimia e Transtornos Alimentares (Ambulim)/IPq-HCFMUSP. Professor
dos Programas de Pós-graduação de Neurociências e Comportamento do
Instituto de Psicologia da USP e Fisiopatologia Experimental da FMUSP.
Thiago Marques Fidalgo: Psiquiatra. Doutor em Psiquiatria e Psicologia
Médica pelo Departamento de Psiquiatria da Unifesp. Coordenador do Setor
de Adultos do Programa de Orientação e Atendimento a Dependentes (Proad)
da Unifesp.

Alexander Moreira-Almeida: Psiquiatra. Doutor em Psiquiatria pela
FMUSP. Professor associado de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da
Universidade Federal de Juiz de Fora (Facmed/UFJF).
Alexandre Annes Henriques: Psiquiatra. Professor con​vidado da Faculdade
de Medicina da UFRGS.
Alina Gomide Vasconcelos: Psicóloga. Mestre e Doutora pela Universidade
Federal de Minas Gerais (UFMG).

Ana Carolina Scarpelli: Cirurgiã-dentista. Mestre e Doutora em
Odontologia pela Faculdade de Odontologia da UFMG.
Ana Claudia Souza Vazquez: Psicóloga. Mestre em Saúde Coletiva pela
Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Doutora em Adminis​‐
tração de Empresas pela UFRGS. Professora da Universidade Federal de
Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA).
Ana Gabriela Hounie: Psiquiatra. Doutora em Ciências pela FMUSP.
Colaboradora na UPIA/EPM-Unifesp.
Ana Regina Noto: Psicóloga. Mestre e Doutora pela Unifesp. Professora
adjunta do Departamento de Psicobiologia da Unifesp.
André Férrer Carvalho: Psiquiatra. Doutor em Ciên​cias Médicas pela
UFRGS. Professor ​adjunto de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da
Univer​sidade Federal do Ceará (FM/UFC).
Andrea Feijó de Mello: Psiquiatra. Mestre e Doutora em Psiquiatria pela
Unifesp. Médica do Departamento de Psiquiatria da EPM-Unifesp.
Anne Orgler Sordi: Psiquiatra. Doutora em Psiquiatria pela UFRGS.
António Alvim Soares: Psiquiatra da infância e adolescência. Mestre e
doutorando em Medicina Molecular na UFMG.
Antonio Reis de Sá Junior: Psiquiatra. Mestre e dou​torando pelo
Departamento de Psiquiatria da FMUSP. Professor do Departamento de
Medicina e Enfermagem da Universidade Federal de Viçosa (DEM-UFV).
Bernardo dos Santos: Estatístico. Mestre em Ciên​cias pelo Instituto de
Matemática e Estatística (IME) da USP.
Breno Sanvicente-Vieira: Psicólogo. Mestre e doutorando pela Pontifícia
Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS).
Camila Morelatto de Souza: Psiquiatra. Doutora em Psiquiatria pela
UFRGS.
Carolina Meneses Gaya: Psicóloga. Doutora em Saúde Mental pela USP.
Docente do Programa de Mestrado e Doutorado em Promoção de Saúde da
Unifran.
Cinthia de A. Piccinato: Psicóloga. Mestre em Psi​co​logia Experimental pela

PUC-SP.
Cláudia Débora Silberman: Psiquiatra. Mestre e Doutora em Psiquiatria e
Saúde Mental pela UFRJ.
Claudia S. Porto: Psicóloga. Doutora em Ciências pela FMUSP.
Claudio Simon Hutz: Psicólogo. Mestre e Doutor pela University of Iowa,
Estados Unidos. Professor titular da UFRGS.
Cristiane Schumann S. Curcio: Psicóloga. Mestre e doutoranda em Saúde
pela UFJF.
Cristiano Nabuco de Abreu: Psicólogo. Mestre em Psicologia pela PUC-SP.
Doutor em Psicologia Clínica pela Universidade do Minho, Portugal.
Cristiano Noto: Psiquiatra. Mestre em Psiquiatria pela Unifesp.
Cristina Marta Del-Ben: Psiquiatra. Doutora em Saúde Mental pela
Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP. Professora as​‐
sociada do Departamento de Neurociências e Ciências do Comportamento da
FMRP-USP.
Daniel C. Mograbi: Psicólogo. Doutor em Psicolo​gia e Neurociências pelo
Institute of Psychiatry, King’s College, London.
Daniel Maffasioli Gonçalves: Psiquiatra. Mestre e Doutor em Epidemiologia
pela UFRGS.
Dartiu Xavier da Silveira: Psiquiatra. Mestre e Doutor em Psiquiatria pela
Unifesp. Professor livre-docente do Departamento de Psiquiatria da Unifesp.
Débora Dalbosco Dell’Aglio: Psicóloga. Mestre e Doutora em Psicologia do
Desenvolvimento pela UFRGS. Professora associada da UFRGS.
Débora Muszkat: Psiquiatra da infância e adoles​cência.
Deisy Ribas Emerich: Psicóloga. Mestre em Psicologia pela USP.
Professora assistente de Psicologia no Centro Universitário das Faculdades
Metropolitanas Unidas (FMU).
Denise De Micheli: Psicóloga. Doutora em Ciências pela Unifesp. Professora
adjunta do Departamento de Psicobiologia da Unifesp.
Diana Tosello Laloni: Psicóloga. Mestre e Doutora em Psicologia pela PUC-
Campinas. Professora titular da PUC-Campinas.

Diogo Araújo DeSousa: Psicólogo. Mestre e douto​rando em Psicologia pela
UFRGS.
Edson Luiz Toledo: Psicólogo. Mestre em Ciências pela FMUSP. Professor
da Universidade Paulista (UNIP).
Eduardo de Paula Lima: Psicólogo. Mestre e Dou​tor pela UFMG.
Edwiges Ferreira de Mattos Silvares: Psicóloga. Mes​tre pela Northeastern
University. Doutora em Psicologia pelo Instituto de Psicologia da USP
(IPUSP). Professora titular de Psicologia Clínica do IPUSP.
Elisa Kijner Gutt: Psiquiatra. Mestre e Doutora em Ciências pelo
Departamento de Psiquiatria da FMUSP.
Érika Mendonça de Morais: Psiquiatra da infância e adolescência.
Eroy Aparecida da Silva: Psicóloga. Doutora em Ciências pela Unifesp.
Everton Botelho Sougey: Psiquiatra. Mestre em Psiquiatria pela Université
Paris Descartes. Doutor em Saúde Mental pela Universidade Estadual de
Campinas. Professor do Departamento de Neuropsiquiatria da Universidade
Federal de Pernambuco (UFPE).
Fabián Javier Marín Rueda: Psicólogo. Mestre e Doutor em Psicologia
pela USF. Professor da USF/Itatiba.
Felipe Gutiérrez Carvalho: Médico residente em Psiquiatria no Grupo
Hospitalar Conceição.
Felix Henrique Paim Kessler: Psiquiatra. Mestre e Doutor pela UFRGS.
Professor do Departamento de Psiquiatria e Medicina Legal da
Famed/UFRGS.
Fernanda Baeza Scagliusi: Nutricionista. ​Doutora em Educação Física pela
Escola de Educação Física e Esporte da USP. Professora-doutora do
Departamento de Nutrição da Faculdade de Saúde Pública da USP.
Flávia Batista Portugal: Enfermeira. Mestre pela Universidade Federal do
Espírito Santo (UFES). Doutoranda da Escola Nacional de Saúde Pública
Sergio Arouca da Fundação Oswaldo Cruz (ENSP/Fiocruz).
Flávia de Lima Osório: Psicóloga. Doutora em Saúde Mental pela FMRP-
USP. Docente da Divisão de Psiquiatria da FMRP-USP.

Flávia Maria Nassar de Vasconcelos: Cirurgiã-dentista. Mestre pela UFPE.
Doutora pela Universidade de Pernambuco.
Gabriel J. Chittó Gauer: Médico. Doutor em Clí​ni​ca Médica pela PUCRS.
Professor titular da Faculdade de Direito da PUCRS.
Geraldo Bosco L. Couto: Odontopediatra. Livre-docente em
Odontopediatria pela UFPE.
Giancarlo Lucchetti: Médico. Doutor em Neurolo​gia pela EPM-Unifesp.
Professor adjunto do Departamento de Clínica Médica da Facmed/UFJF.
Gisele Gus Manfro: Psiquiatra. Doutora em Ciências Biológicas pela
UFRGS. Professora associada do Departamento de Psiquiatria e Medicina
Legal da Famed/UFRGS.
Guilherme Vanoni Polanczyk: Psiquiatra da infância e adolescência. Mestre
e Doutor em Psiquiatria pela UFRGS. Professor-doutor de Psiquiatria da
Infância e Adolescência do Departamento de Psiquiatria da FMUSP.
Heloísa Brasil: Psiquiatra da infância e adolescência. Mestre pelo Instituto
Fernandes Figueira da Fundação Oswaldo Cruz. Doutora em Medicina pela
EPM-Unifesp.
Humberto Corrêa: Psiquiatra. Mestre pela Université Louis Pasteur-França.
Doutor pela UFMG. Professor titular de Psiquiatria da UFMG.
Isabela Almeida Pordeus: Odontopediatra. Mestre pela USP. Doutora pela
University College London. Professora titular de Odontopediatria da UFMG.
J. Landeira-Fernandez: Psicólogo. Mestre pela USP. Ph.D. pela University
of California, Los Angeles. Professor da Universidade Estácio de Sá e da
PUC-Rio.
Jacy Perissinoto: Fonoaudióloga. Mestre pela PUC-SP. Doutora pela EPM-
Unifesp. Professora associada do Departamento de Fonoaudiologia da EPM-
Unifesp.
Jerson Laks: Psiquiatra. Doutor em Psiquiatria pela UFRJ. Professor
associado da Faculdade de Ciências Médicas da UERJ.
João Guilherme de Mello e Gallinaro: ​Psiquiatra. Médico residente em
Medicina do Sono no HCFMUSP.

João Macêdo Coelho-Filho: Geriatra. Mestre pela Unifesp. Doutor pela
UFC. Professor associado da FM/UFC.
José Alexandre De Souza Crippa: Psiquiatra. Doutor em Psiquiatria pela
USP. Professor associado do Departamento de Neurociências e Ciências do
Comportamento da FMRP-USP.
José Antonio Alves Vilela: Psiquiatra. Mestre em Saúde Mental pela FMRP-
USP.
Jose Carlos Appolinario: Psiquiatra. Mestre e Doutor em Ciências da Saúde
pelo IPUB/UFRJ.
José Ibiapina Siqueira Neto: Neurologista. Doutor em Neurologia pela
FMRP-USP. Professor titular de Neurologia da FM/UFC.
Josiane Lieberknecht Wathier Abaid: Psicóloga. Mestre e Doutora em
Psicologia pela UFRGS. Professora adjunta do Centro Universitário
Franciscano (Unifra).
Josué Laguardia: Médico. Mestre em Saúde Coletiva pela UERJ. Doutor em
Saúde Pública pela ENSP/Fiocruz.
Katia Petribu: Psiquiatra. Mestre pela UFPE. Doutora pela Universidade
Federal da Bahia (UFBA). Livre-docente pela Universidade de Pernambuco
(UPE). Professora associada da FCM/UPE.
Laisa Marcorela Andreoli Sartes: Psicóloga. Mes​tre e Doutora em Ciências
pelo Programa de Psi​cobiologia da Unifesp. Professora adjunta de Psi​cologia
da UFJF.
Leandro Fernandes Malloy-Diniz: Psicólogo. Doutor em Farmacologia
Bioquímica e Molecular pela UFMG. Professor adjunto da FM/UFMG.
Lucas de Francisco Carvalho: Psicólogo. Mestre e Doutor em Psicologia
pela USF. Professor da USF.
Lúcia Abelha: Psiquiatra. Mestre e Doutora em Saúde Pública pela
ENSP/Fiocruz. Professora adjunta do Instituto de Estudos em Saúde Coletiva
da UFRJ.
Lúcia Pereira Barroso: Estatística. Mestre em Estatística pela USP. Doutora
em Estatística pela USP/London School of Economics, Londres. Livre-
docente pela USP. Professora associada do Departamento de Estatística da

USP.
Luciano Isolan: Psiquiatra da infância e adolescência. Mestre e Doutor em
Psiquiatria pela UFRGS.
Luisa Sorio Flor: Enfermeira. Mestre em Ciências pela ENSP/Fiocruz.
Doutoranda em Saúde Pública na ENSP/Fiocruz.
Luiz Pasquali: Psicólogo, pedagogo, filósofo e teó​logo. Doutor em
Psicologia pela Université Catho​lique de Louvain, Bélgica.
Manoel Antônio dos Santos: Psicólogo. Mestre e Doutor em Psicologia
Clínica pelo IPUSP. Livre-docente pela Faculdade de Filosofia, Ciências e
Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da USP. Professor associado da
FFCLRP-USP.
Marcelo Pio de Almeida Fleck: Psiquiatra. ​Mestre e Doutor em Ciências
Médicas pela UFRGS. Professor associado da UFRGS.
Marcia Lorena Fagundes Chaves: Neurologista. Doutora em Clínica
Médica pela UFRGS. Profes​sora da UFRGS.
Marcia Maria Pires Camargo Novelli: Terapeuta ocupacional. Mestre e
Doutora em Ciências pela FMUSP. Professora adjunta do Curso de Terapia
Ocupacional da Unifesp.
Marcia Regina Fumagalli Marteleto: Psicóloga. Mestre em Ciências
Aplicadas à Pediatria pela Unifesp. Doutora em Distúrbios da Comunicação
Humana pela Unifesp. Professora da Uninove.
Marcia Yumi Kano: Terapeuta ocupacional. ​Mestre em Ciências pela Escola
de Enfermagem de Ribeirão Preto (EERP) da USP.
Marco A. Romano-Silva: Psiquiatra. Doutor em Bio​química pela UFMG.
Livre-docente pela FMUSP. Professor titular do Departamento de Saúde
Mental da FM/UFMG.
Maria Angélica Nunes: Psiquiatra. Mestre em Ciências da Saúde pela
UFPel. Doutora em Psiquiatria pela Unifesp. Professora da UFRGS.
Maria Aparecida Conti: Psicóloga. Mestre em Nu​tri​ção pela Faculdade de
Saúde Pública (FSP) da USP. Doutora em Epidemiologia pela FSP/USP.
Professora adjunta da Universidade Cruzeiro do Sul.

Maria Carmen Viana: Psiquiatra. Doutora em Psiquiatria pela University of
London. Professora adjunta do Departamento de Medicina Social da UFES.
Maria Conceição do Rosário: Psiquiatra. Mestre e Doutora pela FMUSP.
Professora adjunta da UPIA/EPM-Unifesp.
Maria da Glória Portugal: Psiquiatra. Mestre em Psiquiatria pela UFRJ.
Maria Helena Mariano: Reumatologista. Mestre em Ciências da Saúde pela
FCM/UPE. Doutora em Biotecnologia pela Rede Nordeste de Biotecnologia.
Professora do Centro Universitário Maurício de Nassau.
Maria Paula Magalhães Tavares de Oliveira: Psicóloga. Mestre e Doutora
em Psicologia pelo IPUSP.
Maria Paz L. Hidalgo: Psiquiatra. Mestre e Douto​ra em Psiquiatria pela
UFRGS. Professora do De​partamento de Psiquiatria e Medicina Legal da
UFRGS.
Maria Teresa A. Silva: Pedagoga. Mestre pela Co​lumbia University.
Doutora pelo IPUSP. Profes​sora titular do Departamento de Psicologia
Experimental do IPUSP.
Mariana Curi: Estatística. Mestre e Doutora em Es​tatística pela USP.
Professora do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação da USP.
Mariangela Gentil Savoia: Psicóloga. Mestre pela PUC-Campinas. Doutora
pelo IPUSP.
Marina Monzani da Rocha: Psicóloga. Doutora pelo IPUSP. Professora
titular do Instituto de Ciências Humanas da UNIP.
Mauro Barbosa Terra: Psiquiatra. Mestre pela UFRJ. Doutor em Ciências
pela Unifesp. Professor adjunto da UFCSPA.
Mayra Brancaglion: Psicóloga. Mestre e doutoranda em Medicina
Molecular na UFMG.
Micheline Roat Bastianello: Psicóloga. Mestre e doutoranda em Psicologia
na UFRGS.
Milena Sampaio Castelo: Psiquiatra. Mestre e Doutora em Ciências
Médicas pela UFC.
Moacir de Novaes: Endocrinonologista. Doutor em Endocrinologia pela

FMUSP. Livre-docente pela UPE. Professor associado da UPE.
Mônica R. Campos: Estatística. Mestre e Doutora em Saúde Coletiva pela
UERJ. Professora titular da ENSP/Fiocruz.
Odeilton Tadeu Soares: Psiquiatra. Mestre em Ciências pelo Departamento
de Psiquiatria da FMUSP. Médico assistente do IPq-HCFMUSP.
Patrícia Picon: Psiquiatra. Mestre em Epidemiologia pela Harvard School of
Public Health. Doutora em Psiquiatria pela UFRGS. Professora adjunta do
Departamento de Psiquiatria e Medicina Legal da PUCRS.
Patricia Velloso: Psicóloga. Pesquisadora da UPIA/EPM-Unifesp.
Paula Costa Teixeira: Profissional de Educação Fí​sica. Doutora em
Neurociências e Comportamento pelo IPUSP.
Paulo Caramelli: Neurologista. Doutor em Neuro​logia pela USP. Professor
titular da FM/UFMG. Coordenador do Serviço de Neurologia do Hospital das
Clínicas da UFMG.
Paulo Rodrigues Nunes Neto: Psiquiatra. Mestre em Ciências Médicas pela
UFC. Professor do Departamento de Medicina Clínica da UFC.
Priscilla Lourenço Leite: Psicóloga. Mestre em Psicologia pelo Instituto de
Psicologia da UFRJ. Doutora em Saúde Mental pelo Instituto de Psiquiatria
da UFRJ. Professora auxiliar na Universidade Veiga de Almeida (UVA), Rio
de Janeiro.
Prisla Ücker Calvetti: Psicóloga. Mestre e Doutora em Psicologia pela
PUCRS. Docente do Centro Universitário La Salle.
Rafaella de C. R. Araújo: Psicóloga. Mestre e doutoranda em Psicologia
Social pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB).
Ricardo A. Amaral: Psiquiatra. Mestre e Doutor em Ciências pela FMUSP.
Professor colaborador do Departamento de Psiquiatria da FMUSP. Professor
da Escola de Medicina da Universidade Anhembi Morumbi.
Rinaldo Artes: Estatístico. Mestre e Doutor em Estatística pela USP.
Professor associado do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper).
Rodrigo Affonseca Bressan: Psiquiatra. Mestre, Doutor e Livre-docente
pela Unifesp. Professor adjunto livre-docente do Departamento de Psiquiatria

da EPM-Unifesp. Honorary Visiting Professor do Institute of Psychiatry,
King’s College, London.
Rodrigo Grassi-Oliveira: Psiquiatra. Mestre e Doutor em Psicologia pela
PUCRS. Livre-docente pela Unifesp.
Rodrigo Rizek Schultz: Neurologista. Mestre e Doutor em Medicina pela
Unifesp. Professor titular de Neurologia da Faculdade de Medicina da
Universidade de Santo Amaro (Unisa).
Rosa Hasan: Neurologista. Assistente do Laboratório de Sono do Serviço de
Neurofisiologia Clí​nica do IPq-HCFMUSP. Coordenadora do Am​bulatório
de Sono do IPq-HCMUSP.
Rosana Christine Cavalcanti Ximenes: Cirurgiã-dentista. Mestre em
Odontopediatria pela UPE. Doutora em Neuropsiquiatria e Ciências do
Comportamento pela UFPE. Professora adjunta de Anatomia do Centro
Acadêmico de Vitória da UFPE.
Rosana R. de Freitas: Psiquiatra. Pesquisadora colaboradora do Projesq do
IPq-HCFMUSP.
Sandhi Maria Barreto: Médica. Mestre e Doutora em Epidemiologia pela
London School of Hygiene and Tropical Medicine, Grã-Bretanha. Professora
titular da FM/UFMG.
Sandra Cristina Pillon: Enfermeira. Mestre e Doutora em Ciências pela
Unifesp. Professora titular do Departamento de Enfermagem Psiquiátrica e
Ciências Humanas da EERP/USP.
Saul Martins Paiva: Cirurgião-dentista. Mestre em Odontopediatria pela
Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Doutor em Odontopediatria
pela USP. Professor titular de Odontopediatria da UFMG.
Silvia Freitas: Psiquiatra. Mestre e Doutora em Epidemiologia pelo Instituto
de Medicina Social da UERJ. Pesquisadora associada do IPUB/UFRJ.
Sonia M. D. Brucki: Neurologista. Mestre e Doutora em Neurologia pela
Unifesp. Professora livre-docente de Neurologia da FMUSP.
Sonia Regina Loureiro: Psicóloga. Doutora em Psicologia Clínica pelo
IPUSP. Docente da FMRP-USP.
Stella Tavares: Neurofisiologista clínica. Coorde​na​dora do Laboratório de

Sono do IPq-HCFMUSP.
Taciana G. Costa Dias: Psiquiatra da infância e adolescência. Mestre em
Pesquisa Clínica pela Oregon Health & Science University. Doutoranda em
Psiquiatria na FMUSP.
Tânia Maria Alves: Psiquiatra. Mestre e Doutora pelo Departamento de
Psiquiatria da FMUSP. Médica assistente do IPq-HCFMUSP.
Tatiana Zambrano Filomensky: Psicóloga. Mestre em Ciências pela
FMUSP.
Teresa Helena Schoen: Psicóloga. Mestre e Doutora em Ciências pela
Unifesp.
Tíbor Rilho Perroco: Psiquiatra e psicogeriatra. Doutor em Psiquiatria pelo
Departamento de Psiquiatria da FMUSP.
Vania Patricia Teixeira Vianna: Psicóloga. Mestre e Doutora em Ciências
pela Unifesp. Professora do Departamento de Saúde III na Uninove.
Viviany Silva Pessoa: Psicóloga. Mestre em Psicologia pela Universidade
Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Doutora em Psicologia Social pela
UFPB. Professora adjunta de Psicologia no Centro de Educação da UFPB.
Walberto S. Santos: Psicólogo. Doutor em Psicologia Social pela UFPB.
Professor adjunto da UFC.
Wolnei Caumo: Anestesista. Mestre e Doutor em Medicina pela UFRGS.
Professor associado do Departamento de Cirurgia da UFRGS.

[ PREFÁCIO ]

O livro Instrumentos de avaliação em saúde men​​tal, organizado pelos
pesquisadores Clarice ​Gorenstein, Yuan-Pang Wang e Ines Hungerbüh​ler,
apresenta uma compilação cuidadosa dos principais instrumentos de
avaliação do com​portamento humano, adaptados ao contexto so​ciocultural
brasileiro e validados na língua portuguesa. A importância da obra é
corroborada pelo conhecimento de que os transtornos mentais são
responsáveis de forma significativa pela carga das doenças nas populações,
contribuindo ao surgimento e desenvolvimento exponencial do campo da
epidemiologia psiquiátrica.
Um marco no desenvolvimento de instrumentos padronizados foi o estudo
de Kendell e colaboradores em 1971, que comparou como eram feitos os
diagnósticos em dois hospitais psiquiátricos em Londres e Nova York. Até
então, acreditava-se que a Inglaterra seria uma ilha de deprimidos e os
Estados Unidos um país repleto de esquizofrênicos. Foi o primeiro estudo a
demonstrar que as diferenças nas taxas de depressão e esquizofrenia eram
produto dos artefatos da taxonomia idiossincrática adotados pelos
profissionais dos dois países. Desde então, a elaboração de instrumentos
padronizados de avaliação permitiu a construção de uma linguagem comum
entre pesquisadores. A identificação, a classificação e a mensuração dos
diferentes comportamentos humanos trazem reconhecidas dificuldades
metodológicas. No entanto, esta é também mais uma contribuição que o leitor
poderá encontrar neste livro ao se deparar com o percurso mandatório para
uma adaptação cultural consistente na adoção de instrumentos futuros.
A adoção de instrumentos padronizados de avaliação proporcionou uma
crescente expansão da pesquisa e uma prática clínica mais precisa e cautelosa
no Brasil. Assim como a disponibilização de dados epidemiológicos é
fundamental para o planejamento e a avaliação dos programas de saúde
mental, a aplicação dos instrumentos psicométricos permite avaliar a eficácia
de tratamentos, tanto na clínica como na pesquisa.
Este livro, que descreve diversos instrumentos de avaliação do

comportamento humano. e sua produção científica se encontra entre a dos dez países mais produtivos do globo. este livro é um facilitador na busca dos instrumentos de avalição de saúde mental ora disponíveis para pesquisa e observação clínica. Em síntese. é testemunho histórico do avanço científico da saúde mental no País. material a ser adotado na pesquisa e na prática clínica por to​‐ dos os aficionados pelas vicissitudes do comportamento humano. a Revista Brasileira de Psiquiatria é indexada nos principais bancos de literatura. Esses progressos só se tornaram possíveis com o incremento de instrumentos de avaliação cuidadosamente desenvolvidos. descreve as diferentes facetas do comportamento humano passíveis de mensuração e traz subsídios para que novos instrumentos sejam adaptados e/ou desenvolvidos. É mais uma notável contribuição para o avanço da saúde mental no País. Por exemplo. a psiquiatria brasileira tem quatro departamentos universitários classificados como de nível internacional. Jair Mari Professor titular do Departamento de Psiquiatria da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo . como os descritos nesta compilação.

As informações sobre a obtenção do instrumento situam-se no final dos capítulos. bem como os formulários de domínio público. Priorizamos os temas relacionados diretamente a aspectos práticos da avaliação psi​co​métrica. Acreditamos que essas características são imprescindíveis para simplificar as consultas em um livro único sem negligenciar a profundidade teórica de cada instrumento. as evidências psicométricas relevantes são resumidas na forma de quadros e figuras. Passados quinze anos. lançada em 2000. pesquisadores. alunos e colaboradores o livro Instrumentos de avaliação em saúde mental. . nossa parceira incondicional desde o início deste projeto e. [ APRESENTAÇÃO ] É com enorme satisfação que apresentamos a nossos colegas. nos deparamos com a necessidade de incorporar recentes avanços teóricos e novas escalas publicadas sobre esse tema de interesse crescente e inegável aplicabilidade prática. enfatizando as particularidades das principais escalas validadas no Brasil e a experiên​cia de renomados especialistas. Em particular. Este projeto ambicioso de reunir em um volume os principais instrumentos validados em nosso país consumiu três anos de trabalho intenso. sempre que possível. compostas por bases de mensuração e descrição dos instrumentos utilizados nas principais condições ligadas à saúde mental. Portanto. Os autores procuram ressaltar objetivamente suas dificuldades de uso e. em que conteúdos fundamentais sobre as escalas de mensuração psicométrica foram compilados pela primeira vez no Brasil. Os instrumentos selecionados para cada capítulo trazem evidências de validade e são de fácil acesso. Aproveitamos para expressar nosso agradecimento e admiração aos colaboradores diretos e indiretos deste livro. a obra foi idealizada para ser uma fonte de pesquisa rápida. agradecemos à Editora Artmed. Esta obra teve como inspiração a publicação precedente sobre as Escalas de avaliação psiquiátrica em psiquiatria e psicofarmacologia. O livro é dividido em doze seções. abrangente e atual. que garantiram a excelência do conteúdo e a eficiência do processo editorial.

e ao professor Jair Mari. Esperamos que este livro possa contribuir para aprimorar o bom uso de instrumentos de avaliação no País e divulgar os resultados do trabalho exemplar de um corpo significativo de profissionais de saúde mental. Destacamos também o engajamento e a mestria dos nossos autores. Márcio A. Bernik. Henna.em especial. Táki A. Moreno. Ricardo A. Gattaz. Bottino. Monica L. Francisco Lotufo Neto. Ana Soledade Graeff-Martins. Clarice Gorenstein Yuan-Pang Wang Ines Hungerbühler Organizadores . que gentilmente compartilharam suas experiências com os instrumentos de avaliação. agregando suas contribuições a essa promissora disciplina do comportamento humano nas próximas atualizações deste livro. Cordás. entusiasmado incentivador deste projeto. Formigoni. Bacy Fleitlich-Bilyk. Zilberman. enaltecemos a dedicação e a competência da equipe de produção editorial. Beny Lafer. Aspiramos que mais estudos psicométricos brasileiros se concretizem a partir da leitura desta publicação. Hermano Tavares. O suporte irrestrito dos coor​denadores de seção – os professores Adriana Mu​‐ nhoz Carneiro. Cássio M. Thiago M. Caetano. Sheila C. Helio Elkis. C. Maria Lucia O. Fidalgo – foi fundamental para o elevado nível dos textos reunidos aqui. Elaine D. cujas sá​‐ bias palavras introduzem e situam esta obra no con​texto acadêmico. Tanto principiantes como pesquisadores poderão encontrar apoio para planejar seus projetos neste livro. Expressamos também gratidão ao professor Wag​ner F.

4 ] PROPRIEDADES PSICOMÉTRICAS Walberto S.2 ] ENTREVISTA CLÍNICA ESTRUTURADA PARA O DSM (SCID) Cristina Marta Del-Ben [ 2. Rinaldo Artes [ 1. Yuan-Pang Wang [ 1. [ SUMÁRIO ] [ 1 ] FUNDAMENTOS DE MENSURAÇÃO EM SAÚDE MENTAL Clarice Gorenstein. Viviany Silva Pessoa. Araújo [ 1. Santos. Rafaella de C.1 ] COMPOSITE INTERNATIONAL DIAGNOSTIC INTERVIEW (CIDI) Maria Carmen Viana [ 2.1 ] PRINCÍPIOS DE ELABORAÇÃO DE ESCALAS Luiz Pasquali [ 1. Yuan-Pang Wang [ 1.3 ] TIPOS E ESTRATÉGIAS DE AVALIAÇÃO Lucas de Francisco Carvalho.2 ] ASPECTOS TRANSCULTURAIS NA ADAPTAÇÃO DE INSTRUMENTOS Ines Hungerbühler.3 ] QUESTIONÁRIO DE SAÚDE GERAL DE GOLDBERG (QSG) . Lúcia Pereira Barroso [ 1. Fabián Javier Marín Rueda [ 1. R.7 ] APLICAÇÃO DA TEORIA DE RESPOSTA AO ITEM Mariana Curi [ 2 ] ENTREVISTAS DIAGNÓSTICAS E INSTRUMENTOS DE TRIAGEM Yuan-Pang Wang [ 2.5 ] INTRODUÇÃO ESTATÍSTICA À AVALIAÇÃO DAS ESCALAS Rinaldo Artes.6 ] ASPECTOS PRÁTICOS DA ANÁLISE FATORIAL Lúcia Pereira Barroso.

Mayra Brancaglion. Beny Lafer [ 4. Adriana Munhoz Carneiro [ 3. Marco A. Paulo Rodrigues Nunes Neto . Antonio Reis de Sá Junior. Romano-Silva [ 4 ] INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO DE MANIA Sheila C.4 ] SELF-REPORTING QUESTIONNAIRE (SRQ) Daniel Maffasioli Gonçalves [ 3 ] INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO DE DEPRESSÃO Ricardo Alberto Moreno.2 ] ESCALA DE DEPRESSÃO DE MONTGOMERY-ÅSBERG (MADRS) Cláudia Débora Silberman.3 ] INVENTÁRIO DE DEPRESSÃO DE BECK (BDI) Clarice Gorenstein.2 ] QUESTIONÁRIO DE AUTOAVALIAÇÃO DE HIPOMANIA-32 (HCL-32) Ricardo Alberto Moreno. Odeilton Tadeu Soares [ 4. Ricardo Alberto Moreno [ 3. Yuan-Pang Wang [ 3. Humberto Corrêa. Adriana Munhoz Carneiro [ 3. Yuan-Pang Wang [ 2. Adriana Munhoz Carneiro. Sonia Regina Loureiro [ 4. Dartiu Xavier da Silveira [ 3.1 ] ESCALA DE AVALIAÇÃO DE MANIA DE YOUNG (YMRS) José Antonio Alves Vilela.3 ] QUESTIONÁRIO DE TRANSTORNOS DO HUMOR (MQD) André Férrer Carvalho.4 ] ESCALA DE DEPRESSÃO DO CENTRO DE ESTUDOS EPIDEMIOLÓGICOS (CES-D) Thiago Marques Fidalgo. Adriana Munhoz Carneiro. Caetano.5 ] ESCALA DE DEPRESSÃO PÓS-PARTO António Alvim Soares.1 ] ESCALA DE DEPRESSÃO DE HAMILTON (HAM-D) Ricardo Alberto Moreno.

Patricia Velloso. J. Piccinato. Rodrigo Affonseca Bressan [ 7 ] INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO DE USO DE ÁLCOOL E DROGAS Thiago Marques Fidalgo.6 ] POSTTRAUMATIC STRESS DISORDER CHECKLIST (PCL) Eduardo de Paula Lima. Francisco Lotufo Neto [ 5.1 ] TESTE DE TRIAGEM DO ENVOLVIMENTO COM ÁLCOOL. Chittó Gauer [ 5.4 ] INSTRUMENTOS PARA AVALIAÇÃO DE FOBIA E ANSIEDADE SOCIAL Patrícia Picon. Alexandre Annes Henriques [ 5. Cinthia de A.2 ] QUESTIONÁRIO DE PREOCUPAÇÃO DO ESTADO DA PENSILVÂNIA (PSWQ) Daniel C.3 ] ESCALA CALGARY DE DEPRESSÃO PARA ESQUIZOFRENIA (ECDE) Cristiano Noto.3 ] ESCALA DE ANSIEDADE SOCIAL DE LIEBOWITZ (LSAS) Mauro Barbosa Terra.2 ] ESCALA DAS SÍNDROMES POSITIVA E NEGATIVA (PANSS) Rosana R. Rosana R. Helio Elkis [ 6.1 ] INVENTÁRIO DE ANSIEDADE TRAÇO-ESTADO (IDATE) Wolnei Caumo. Sandhi Maria Barreto [ 6 ] INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO DE SINTOMAS PSICÓTICOS Helio Elkis [ 6. . Tânia Maria Alves. Flávia de Lima Osório. Gabriel J. de Freitas [ 6. Prisla Ücker Calvetti. Mograbi. Landeira-Fernandez [ 5. Maria Lucia Oliveira de Souza Formigoni [ 7.5 ] ESCALA DIMENSIONAL DE SINTOMAS OBSESSIVO- COMPULSIVOS (DY-BOCS) Maria Conceição do Rosário. Flávia de Lima Osório [ 5. Ana Gabriela Hounie [ 5. Bernardo dos Santos.[ 5 ] INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO DE ANSIEDADE Márcio Antonini Bernik.1 ] ESCALA BREVE DE AVALIAÇÃO PSIQUIÁTRICA – ANCORADA (BPRS-A) Helio Elkis. de Freitas.

Fernanda Baeza Scagliusi . Thiago Marques Fidalgo [ 7. Marcia Yumi Kano [ 8 ] INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO DE COMPORTAMENTO ALIMENTAR Táki Athanássios Cordás [ 8. José Alexandre de Souza Crippa [ 7.8 ] MICHIGAN ALCOHOLISM SCREENING TEST – GERIATRIC VERSION (MAST-G) Sandra Cristina Pillon. Jose Carlos Appolinario [ 8.4 ] TESTE DE IDENTIFICAÇÃO DE PROBLEMAS RELACIONADOS AO USO DE ÁLCOOL (AUDIT) Maria Lucia Oliveira de Souza Formigoni.5 ] DRUG USE SCREENING INVENTORY (DUSI) Thiago Marques Fidalgo. Katia Petribu [ 8.2 ] ESCALA DE GRAVIDADE DA DEPENDÊNCIA (ASI) Anne Orgler Sordi. Amaral [ 7. Maria Lucia Oliveira de Souza Formigoni [ 7. Manoel Antônio dos Santos. TABACO E OUTRAS SUBSTÂNCIAS (ASSIST) Maria Lucia Oliveira de Souza Formigoni [ 7. Denise De Micheli [ 7.2 ] TESTE DE ATITUDES ALIMENTARES (EAT) Maria Angélica Nunes [ 8. Moacir de Novaes. Ana Regina Noto.4 ] INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO DA IMAGEM CORPORAL Maria Aparecida Conti. Flávia de Lima Osório.3 ] QUESTIONÁRIO CAGE Ricardo A.7 ] FAMILY ASSESSMENT MEASURE (FAM-III) Eroy Aparecida da Silva. Felix Henrique Paim Kessler [ 7.3 ] IMPACTO DO PESO NA QUALIDADE DE VIDA (IWQOL- LITE) Maria Helena Mariano. Laisa Marcorela Andreoli Sartes.6 ] TESTE DE DEPENDÊNCIA À NICOTINA DE FAGERSTRÖM (FTND) Carolina Meneses Gaya.1 ] ESCALA DE COMPULSÃO ALIMENTAR PERIÓDICA (ECAP) Silvia Freitas. Paula Costa Teixeira.

Silva [ 9. Débora Dalbosco Dell’Aglio [ 10. Geraldo Bosco L. Priscilla Lourenço Leite. Gisele Gus Manfro [ 10. Luciano Isolan.1 ] SCHEDULE FOR AFFECTIVE DISORDERS AND SCHIZOPHRENIA FOR SCHOOL-AGED CHILDREN (K-SADS) Elisa Kijner Gutt. Heloísa Brasil [ 10. Marina Monzani da Rocha. Bacy Fleitlich-Bilyk [ 10. Couto.6 ] TESTE DE INVESTIGAÇÃO BULÍMICA DE EDIMBURGO (BITE) Rosana Christine Cavalcanti Ximenes. RELATÓRIO PARA PROFESSORES (TRF). Maria Teresa A.3 ] DEVELOPMENT AND WELL-BEING ASSESSMENT (DAWBA) Ana Soledade Graeff-Martins. Dartiu Xavier da Silveira.3 ] ESCALA DE IMPULSIVIDADE DE BARRATT (BIS-11) Alina Gomide Vasconcelos.2 ] INVENTÁRIO DE COMPORTAMENTO DA INFÂNCIA E DA ADOLESCÊNCIA (CBCL). Leandro Fernandes Malloy-Diniz [ 9. Bacy Fleitlich-Bilyk [ 10.[ 9 ] INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO DE IMPULSIVIDADE Hermano Tavares [ 9.4 ] ESCALAS DE OUTROS COMPORTAMENTOS IMPULSIVOS Cristiano Nabuco de Abreu. Hermano Tavares. Everton . INVENTÁRIO DE AUTOAVALIAÇÃO PARA ADOLESCENTES (YSR) Edwiges Ferreira de Mattos Silvares.2 ] SOUTH OAKS GAMBLING SCREEN (SOGS) Maria Paula Magalhães Tavares de Oliveira. Tatiana Zambrano Filomensky [ 10 ] INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO DE USO NA INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA Ana Soledade Graeff-Martins. Deisy Ribas Emerich [ 10. Edson Luiz Toledo.4 ] INVENTÁRIO DE DEPRESSÃO INFANTIL (CDI) Josiane Lieberknecht Wathier Abaid.1 ] ESCALA DE SEGUIMENTO DE JOGADORES (ESJ) Hermano Tavares [ 9.5 ] ESCALAS DE AVALIAÇÃO DE SINTOMAS DE ANSIEDADE Diogo Araújo DeSousa.

Jacy Perissinoto [ 10. Érika Mendonça de Morais.7 ] ESCALA DE SWANSON.7 ] ESCALA CORNELL DE DEPRESSÃO EM DEMÊNCIA (CSDD) Maria da Glória Portugal. Débora Muszkat. Botelho Sougey. Costa Dias.3 ] INFORMANT QUESTIONNAIRE ON COGNITIVE DECLINE IN THE ELDERLY (IQCODE) Tíbor Rilho Perroco [ 11. Brucki [ 11. Isabela Almeida Pordeus [ 10. Ana Carolina Scarpelli. Porto [ 11.8 ] ESCALAS DE AVALIAÇÃO DE TRANSTORNOS INVASIVOS DO DESENVOLVIMENTO Marcia Regina Fumagalli Marteleto. NOLAN E PELHAM (SNAP-IV) PARA DÉFICIT DE ATENÇÃO Taciana G.10 ] QUESTIONÁRIO SOBRE TRAUMAS NA INFÂNCIA (CTQ) Breno Sanvicente-Vieira. Rodrigo Grassi-Oliveira [ 11 ] INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO DE USO EM IDOSOS Cássio Machado de Campos Bottino [ 11.6 ] MINIEXAME DO ESTADO MENTAL (MEEM) Sonia M.2 ] ESCALA DE AVALIAÇÃO CLÍNICA DA DEMÊNCIA (CDR) Marcia Lorena Fagundes Chaves [ 11. Teresa Helena Schoen. Jerson Laks .9 ] INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO DE QUALIDADE DE VIDA Saul Martins Paiva. Guilherme Vanoni Polanczyk [ 10.5 ] ESCALA DE AVALIAÇÃO DA QUALIDADE DE VIDA NA DOENÇA DE ALZHEIMER (QDV-DA) Marcia Maria Pires Camargo Novelli.1 ] SUBESCALA COGNITIVA DA ESCALA DE AVALIAÇÃO DA DOENÇA DE ALZHEIMER (ADAS-COG) Rodrigo Rizek Schultz [ 11. Flávia Maria Nassar de Vasconcelos [ 10. Paulo Caramelli [ 11.4 ] ESCALA DE AVALIAÇÃO DE DEMÊNCIA (DRS) Claudia S. D.

Rosa Hasan.1 ] QUESTIONÁRIO GENÉRICO DE QUALIDADE DE VIDA (SF- 36 / SF-6D) DO MEDICAL OUTCOMES STUDY (MOS) Josué Laguardia. Felipe Gutiérrez Carvalho.5 ] WORLD HEALTH ORGANIZATION 5-ITEM WELL-BEING INDEX (WHO-5) Camila Morelatto de Souza. André Férrer Carvalho. [ 11. Monica L. Luisa Sorio Flor. Giancarlo Lucchetti. Curcio.9 ] INVENTÁRIO DE ESTRATÉGIAS DE COPING Mariangela Gentil Savoia [ 12. Zilberman [ 12.4 ] INSTRUMENTO DE AVALIAÇÃO DE QUALIDADE DE VIDA DA ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE (WHOQOL) Marcelo Pio de Almeida Fleck [ 12.8 ] INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO DE RELIGIOSIDADE E ESPIRITUALIDADE Cristiane Schumann S.3 ] INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO DE ASPECTOS RELACIONADOS AO SONO João Guilherme de Mello e Gallinaro. Clarice Gorenstein [ 12.7 ] ESCALA DE AUTOESTIMA DE ROSENBERG (EAR) Claudio Simon Hutz. Mônica R.8 ] ESCALA DE DEPRESSÃO GERIÁTRICA (GDS) José Ibiapina Siqueira Neto. Campos. Micheline Roat Bastianello. Maria Paz L.6 ] INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO DO BEM-ESTAR Elaine Henna. Flávia Batista Portugal [ 12. João Macêdo Coelho-Filho [ 12 ] INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO DE ASPECTOS ADICIONAIS RELACIONADOS À SAÚDE MENTAL Elaine Henna. Monica L.10 ] INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO EM PSICOTERAPIA . Milena Sampaio Castelo. Ana Claudia Souza Vazquez [ 12. Stella Tavares [ 12.2 ] ESCALA DE AVALIAÇÃO DE SINTOMAS-90-R (SCL-90-R) Diana Tosello Laloni [ 12. Alexander Moreira- Almeida [ 12. Hidalgo [ 12. Zilberman.

13 ] ESCALA DE ADEQUAÇÃO SOCIAL (EAS) Clarice Gorenstein [ 12.12 ] ESCALA DO AMBIENTE FAMILIAR (FES) Maria Lucia Oliveira de Souza Formigoni. André Férrer Carvalho.Márcio Antonini Bernik. Lúcia Abelha . Vania Patricia Teixeira Vianna [ 12. Francisco Lotufo Neto [ 12.14 ] ESCALAs DE AVALIAÇÃO DE FUNCIONAMENTO Andrea Feijó de Mello. Clarice Gorenstein [ 12.11 ] INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO DE PERSONALIDADE Hermano Tavares.

impulsionou a elaboração e a aplicação de instrumentos de avaliação. para sua correta utilização. Yuan-Pang Wang A descoberta dos psicofármacos. [1] FUNDAMENTOS DE MENSURAÇÃO EM SAÚDE MENTAL Clarice Gorenstein. tanto na área de psicofarmacologia como na área de epidemiologia/saúde pública. na década de 1960. tornando sofisticada a efetividade da mensuração. foi a necessidade de mensurar a eficácia dos medicamenemandaram o desenvolvimento de instrumentos capazes de detectar mudanças na sintomatologia em função da intervenção terapêutica e de uma metodologia específica para selecionar pacientes. ainda há a necessidade de uma ampla disseminação do conhecimento. tanto teórico como prático. Os ensaios clínicos dco. com vários estudos experimentais em psicologia. A psicometria passou a ser uma disciplina própria de estudo. Pensou-se inicialmente que usar escalas de avaliação em todas as pesquisas garantiria o rigor científitos que ajudou a incorporar essa disciplina na prática clínica. No entanto. que utiliza técnicas estatísticas complexas.1 ● INDO ALÉM DO VOCABULÁRIO DA PSICOMETRIA . após mais de meio século da introdução dos primeiros instrumentos. No entanto. e sanaria vários problemas na pesquisa clínica e na avaliação de grandes amostras populacionais. A psicometria como ciência remonta ao fim do século XIX.

a pergunta é: como validar um instrumento? Mais ainda. ● UTILIDADE DOS INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO Em primeiro lugar. Como se traduz um instrumento? Qual metodologia deve ser utilizada na validação? A população-alvo. “entrevistas” e “instrumentos” de avaliação são termos presentes há um bom tempo no vocabulário de clínicos e pesquisadores brasileiros de diversas áreas. para o pesquisador e para o paciente? Resumidamente. deve-se também validar uma escala antes de aplicá-la a um idioma/ambiente diferente do original. porém não servem para fazer um diagnóstico clínico. Enquanto muitos acreditam que os instrumentos de avaliação são úteis. a frequência ou mudanças de sintomas. as perguntas são: por que. Determinar a presença de um sintoma passa. Resumidamente. a maneira de fazer isso na prática não é tão evidente. Porém. psicológicas ou comportamentais que nem sempre são observáveis. Muitos pesquisadores reconhecem que. como escolher e utilizar um instrumento? Essas são algumas das perguntas que os organizadores e os autores tentam abordar neste livro. além da mera tradução de um instrumento. que é função das entrevistas diagnósticas. Quais os benefícios e desvantagens para o clínico. “inventários”.“Escalas”. acompanhamento ou . necessariamente. nem tantos saberiam responder precisamente para que e em quais condições se utilizam instrumentos de avaliação. Dita-se que “é preciso validar uma escala antes de usá-la numa pesquisa”. perguntas comuns são difíceis de responder: Qual instrumento deve-se usar para uma determinada finalidade? Como escolhê-lo? O que determina a qualidade de um instrumento? A que tipos de cuidados os pesquisadores devem estar atentos na sua aplicação e interpretação? Resumidamente. pela subjetividade do paciente e/ou do avaliador. “questionários”. o número de pessoas e testes estatísticos são questões relevantes nesse processo. O uso sistemático de escalas padronizadas pode auxiliar no rastreamento dos indivíduos que necessitam de tratamento. As escalas de avaliação são apropriadas para estimar a intensidade. para que e como usar instrumentos de avaliação? “Validação” é também um termo frequentemente usado. é preciso ter em mente que uma escala de avaliação em saúde mental é um instrumento padronizado composto por um conjunto de itens que permite quantificar características psíquicas.

há melhora na consistência das avaliações. A confiabilidade refere-se à qualidade da medida em relação a sua precisão. seja entre os examinadores. um instrumento é mais confiável quanto menor forem os erros por viés ou acaso. Es​sas avaliações também são importantes para determinar o prognóstico e definir a decisão de tratamento ou conduta administrativa. levar à detecção inadequada de muitos casos sem demanda real de tratamento. sua elaboração deve seguir os princípios teóricos considerados adequados. o tempo do paciente e do clínico. As escalas padronizadas. por sua vez.2 ● QUALIDADES DE UMA ESCALA Uma escala sem validação é válida? E sem confiabilidade. o emprego de es​calas sensíveis a mudanças ajuda a monitorar a melhora e os efeitos adversos da intervenção. Um aspecto a considerar são os custos implicados no seu uso. “reprodutibilidade” e “estabilidade” de uma escala são termos equivalentes . por sua vez. Além de complementar o diagnóstico clínico. e o instrumento resultante deve ter propriedades psicométricas robustas. Durante o tratamento. seja ao longo do tempo. o Manual diagnóstico e estatístico de transtornos men​tais – DSM ou a Classificação internacional de doenças e problemas relacionados à saúde – CID). também se beneficiam do uso de escalas padronizadas. os gastos com a aquisição do instrumento. ex. é confiável? O que atesta a qualidade de um instrumento? Em primeiro lugar. no entanto. não são desprovidas de desvantagens. destacam-se a confiabilidade e a validade. Entre as propriedades atribuídas às escalas de avaliação. O uso indiscriminado de um instrumento pode.. uma vez que elas asseguram a cobertura de sinais e sintomas e evitam sua omissão associados ao problema. documentar a gravidade e o nível necessário de cuidado. material e equipamentos associados. A uniformização da linguagem é fundamental para melhorar a comunicação entre profissionais e pacientes. Os pacientes. “Confiabilidade”. a necessidade de treinamento. ou seja. “fidedignidade”. uma escala serve para avaliar as características clínicas de uma determinada doença. Portanto.intervenção. é preciso ponderar sobre os custos e benefícios da aplicação de determinada escala considerando todos os participantes de uma pesquisa. Quando os sintomas são quantificados e acoplados de acordo com um sistema de consenso (p.

Ambas. Expressões idiomáticas sem equivalência linguística e cultural devem ser adaptadas para o idioma português-brasileiro. as manifestações clínicas. Provavelmente. de uso disseminado desde a década de 1980. a necessidade de atuar de forma competitiva no âmbito internacional no campo da psicofarmacologia fez pesquisadores brasileiros optarem pela utilização de instrumentos ainda não validados em nosso meio. Além disso. ● COMO ESCOLHER A ESCALA A SER USADA Nas últimas décadas. o construto medido pela escala. Essas propriedades são principalmente importantes no caso de ensaios clínicos cujas conclusões dependam da credibilidade das medidas repetidas. são determinadas com diferentes metodologias. A exigência de validação transcultural de um instrumento envolve processo demorado e trabalhoso. Por exemplo. Um instrumento que apresenta boas evidências de qualidades psicométricas em sua língua original pode ter suas propriedades alteradas e prejudicadas ao ser traduzido para outro idioma. isto é. A validade refere-se à capacidade de um instrumento de medir aquilo que ele se propõe a avaliar. assim como para a cultura local e para comportamentos sancionados socialmente. porém necessário. validados e publica​dos na literatura científica nacional. O instrumento final. precisa ainda de estudos adicionais de validação no novo ambiente para que sua equivalência na população-alvo seja estabelecida. só recentemente (em 2014) recebeu sua merecida validação no País.3 A simples tradução do instrumento mostra-se muitas vezes inapropriada ou insuficiente para começar a usá-lo. vários instrumentos de avaliação foram traduzidos. A maioria das escalas utilizadas no Brasil foi construída em língua inglesa. reformulados.que garantem que o efeito de uma intervenção seja documentado com exatidão. Os pesquisadores devem certificar que a escala realmente consegue mensurar o efeito de interesse. Um número crescente dessas escalas foi incorporado ao uso clínico e em pesquisa . a evolução e o prognóstico de muitos transtornos mentais podem sofrer a influência de fatores socioculturais. confiabilidade e validade. após os processos de tradução e adaptação transcultural. As primeiras escalas de avaliação aqui adotadas eram traduzidas e aplicadas em pesquisa sem estudos formais sobre suas qualidades. a Escala de Depressão de Hamilton.

por exemplo. não dispensa a avaliação e a interpretação clínicas. uma fobia específica. os quais contribuem para o uso eficaz e a interpretação correta de suas avaliações. os fatores que afetam as pontuações. que nem sempre traduz a complexidade do fenômeno psíquico.] a não observação dos limites e as dificuldades da utilização e da análise de resultados das escalas de avaliação psiquiátrica foram o maior demolidor do otimismo inicial quanto ao potencial desses instrumentos”. Não seria sensato utilizar uma longa entrevista estruturada. para avaliar um aspecto específico da patologia. clínicos e pesquisadores a fazer bom uso . Para o professor Márcio Versiani. O contrário. Em cada um dos capítulos desta obra. portanto. O uso da escala de avaliação. os cuidados necessários na aplicação e interpretação dos resultados..4 “[.. Esse aparente cenário favorável reflete a necessidade de estabelecer critérios que direcionem a escolha do instrumento mais adequado para cada finalidade. ● LIMITES A dificuldade em objetivar e quantificar a psicopatologia tem sido um dos grandes obstáculos para o progresso da pesquisa em saúde mental. uma pontuação alta. É importante também saber exatamente como utilizar. bem como emitir críticas e descrever as limitações do instrumento. isto é. Por exemplo. O demolidor ao qual o professor se refere é principalmente o mau uso das escalas. Um escore total de uma escala é uma quantificação aproximada. um indivíduo com escore global no Inventário de Depressão de Beck compatível com depressão leve pode ser clinicamente grave caso tenha pontuação alta em pensamento suicida. A existência de informações psicométricas apropriadas e o objetivo da pesquisa direcionado ao contexto da escala são fundamentais para escolha. Escalas de avaliação não são instrumentos de fácil utilização. que requer treinamento especializado. interpretar os resultados e evitar os erros oriundos de fatores que interferem na medida. apontar seus pontos fortes. Preo​cupados com esses aspectos. o leitor encontrará a experiência dos colaboradores e evidências das propriedades psicométricas dos instrumentos.no Brasil. procuramos incluir nesta obra autores que tivessem experiência para compartilhar quanto ao bom uso do instrumento. nem sempre indica um caso grave de depressão. como. A expectativa dos organizadores deste livro é a de que ele auxilie os profissionais da saúde mental.

em formato de manual. exemplos de itens do instrumento no formato parcial. Os teóricos consistem nos estudos de validação realizados no Brasil.dos instrumentos de avaliação. Em seguida. Introduz os temas validade e confiabilidade e as abordagens estatísticas para sua avaliação. Fundamentos de Mensuração em Saúde Mental. Além de incluir aspectos teóricos sobre as escalas de avaliação. por meio de uma abordagem direta. A primeira seção do livro. As seções seguintes abordam as principais es​calas de avaliação dos principais grupos de trans​tornos psiquiátricos. a seção Entrevistas Diagnósticas e Instrumentos de Triagem examina os principais instrumentos estruturados para diagnóstico e rastreamento de transtornos mentais. para aqueles protegidos por direitos autorais. contém as princi​pais escalas utilizadas na área de saúde mental e psicofarmacologia. ● SELEÇÃO DOS INSTRUMENTOS ESPECÍFICOS A imensa e crescente gama de medidas utilizadas em saúde mental torna impossível abranger em uma obra impressa todas as medidas disponíveis para . reúne os instru​mentos de interesse para a prática clínica e a pesquisa. Os subcapítulos de cada seção são destinados à descrição dos aspectos teóricos e práticos de cada instrumento. Os aspectos práticos visam responder às perguntas: Para quem a medida se destina? Como é administrada? Como é interpretada? É de livre acesso ou tem direito autoral? Onde pode ser obtida? Os capítulos são acompanhados de formulários completos dos instrumentos de domínio público ou. Cada seção inicia-se com um capítulo de conceitos gerais para fornecer o embasamento teórico do construto em questão e uma visão geral dos instrumentos disponíveis. Descreve as principais etapas envolvidas na construção e validação de um instrumento desenvolvido originalmente em outro idioma. ● ESTRUTURA DO LIVRO O livro. tem por objetivo familiarizar o leitor com os fundamentos teóricos e metodológicos da mensuração em transtornos mentais. sem perder o rigor científico da psicometria. bem como sua adaptação transcultural.

sem a necessidade de equipamentos sofisticados suplementares. ex. em 2000. escala de hipocondria para pacientes geriátricos institucionalizados) não foram incluídos. PRESENTE E FUTURO A publicação do livro Escalas de avaliação clínica em psiquiatria e psicofarmacologia. vários instrumentos psicométricos foram validados e publicados na literatura científica ao longo dos últimos 15 anos. alguns critérios de inclusão foram adotados na escolha. ● PASSADO. no entanto. e 4) as escalas são de fácil aplicação.5 Por muitos anos. não é definitiva. Os princípios gerais que nortearam a seleção foram: 1) o instrumento está traduzido para o português. terão primazia as mais utilizadas de acordo com a literatura científica. Esta obra. O entusiasmo desse cenário crescente nos impulsionou a ampliar a iniciativa anterior. e há disponibilidade suficiente de informações para avaliar a qualidade psicométrica do instrumento. Instrumentos cuja aplicabilidade se restringe a uma população ou finalidade específica (p. essa compilação preencheu uma lacuna editorial ante a demanda acadêmica em nosso meio.. e felizmente. para diminuir a subjetividade e o desequilíbrio das áreas cobertas. A recente mudança de conceitos de saúde mental e a aplicação de avanços em neurociências enfatizam o caráter dinâmico desse tema. Entretanto. o material foi revisado por especialistas. Privilegiamos a inclusão de instrumentos bem estabelecidos em âmbito internacional para permitir comparações transculturais. 3) os dados dessas escalas podem ser obtidos diretamente do paciente ou informante. desenvolvendo uma obra atua​lizada que fosse abrangente e de fácil consulta. Acreditamos que a próxima atualização será necessária em bem antes que 15 anos! . O processo de introdução e validação de novas escalas é contínuo.todas as áreas relevantes. Nos casos em que várias escalas para a mesma finalidade preencherem esses critérios. foi a primeira iniciativa de reunir em uma obra o conhecimento existente sobre a aplicação desses instrumentos no Brasil. e. isto é. 2) as evidências de confiabilidade e validade das escalas já foram publicadas. A seleção dos instrumentos incluídos mostrou-se uma tarefa extremamente difícil.

Freire MA. 2005. J Bras Psiquiatr. Rush JA. Magalhães PVS. São Paulo: Lemos. São Paulo: Lemos. Gorenstein C. editors. Escalas de avaliação clínica em psiquiatria e psicofarmacologia. 2000. Andrade LHSG. 2. Gomide A. . In: Gorenstein C. 3rd ed. McDowell I. Silva RA. Escala Hamilton: estudo das características psicométricas em uma amostra do sul do Brasil. 3. et al. Figueiredo VLM.● REFERÊNCIAS 1. Handbook of psychiatric measures. Escalas de avaliação clínica em psiquiatria e psicofarmacologia. New York: Oxford University. 2006. Jansen K. 4. 2014. Zuardi AW. Measuring health: a guide to rating scales and questionnaires. Pincus HA. 5. Prefácio. organizadores. organizadores.63(4):281-9. 2000. Zuardi AW. Washington: APA. First MB. Versiani M. Andrade LHSG.

Esse modelo de elaboração de instrumentos está ilustrado na Figura 1. Os métodos e os produtos a serem obtidos em cada etapa estão detalhados em suas respectivas “fases”.1 O polo teórico enfoca o construto ou objeto psicológico para o qual se quer desenvolver um ins​trumento de medida. O polo analítico estabelece os procedimentos de análises estatísticas a serem efetuadas sobre os da​dos para obter um instrumento válido.1. define as etapas e as técnicas de aplicação do instrumento-piloto e da coleta válida de informação para proceder à avaliação psicométrica do instrumento. O polo empírico. Esse polo utiliza a teoria do traço latente para explicitar os tipos e as categorias de comportamentos que representam o mesmo traço. [ 1.1. preciso e normatizado. que apresenta as etapas da elaboração de um instrumento de medida. ou experimental. empíricos (experimentais) e analíticos (estatísticos).1 ] PRINCÍPIOS DE ELABORAÇÃO DE ESCALAS Luiz Pasquali A teoria e o modelo de elaboração de instrumental psicológico baseiam-se em três polos: procedimentos teóricos. bem como sua operacionalização em itens. .

distância. portanto. e estes. Sugerimos o Psychological . ● O SISTEMA PSICOLÓGICO Qualquer sistema ou objeto que possa ser expresso em termos observáveis é suscetível de mensuração.1 ► PROCEDIMENTOS TEÓRICOS NA ELABORAÇÃO DA MEDIDA PSICOLÓGICA. o pesquisador pode consultar os livros ou tratados em que estão elencados os trabalhos em psicologia. isto é. o que pode ser efetivamente medido são as propriedades ou os atributos de um objeto. por sua vez.1. O objeto específico da psicometria são as estruturas latentes. da literatura existente sobre o construto- alvo. Entretanto. e nela vários aspectos são considerados. peso. da estrutura latente geral. a inteligência pode ser considerada um subsistema dos processos cognitivos. dependendo. etc. Tais atributos são em geral chamados de variáveis. por mais vaga que seja. como a compreensão verbal e a fluência verbal. desde que apresentem magnitudes. altura. do que quer investigar e para que tema da psicologia está interessado em construí-lo. Para descobrir o seu objeto psicológi​co. Por exemplo. O pesquisador que pretende construir um instrumento de medida e pesquisa deve ter uma ideia.FIGURA 1. A inteligência. os traços psíquicos ou processos mentais. Muitas vezes. o próprio pesquisador deve desenvolver uma pequena teoria sobre o construto para elaborar um novo instrumento de medida. diferenças individuais. como intensidade. pode ser considerada um sistema quando for o interesse imediato. Os procedimentos teóricos devem ser elaborados para cada escala de medida psicológica.

pergunta-se: é a inteligência verbal um construto único ou deve-se distinguir nele . etc. o Educational Index. Por exemplo. etc.ou multifatorial. raciocínio numérico. Assim. o pes​quisador recorre ao seu interesse. pois é fundamental decidir se o construto é uni. mas sim suas propriedades ou os atributos que o caracteri​zam.Abstracts. à ajuda dos livros e aos peritos (ao seu orientador. Para decidir por este ou aquele aspecto. sendo tais atributos o foco imediato de observação/medida. o sistema físico apresenta os atributos massa.3 para a psicologia aplicada à educação. pode apresentar atributos de tipo raciocínio verbal. e o Sociological Index. Similarmente. o Index Medicus. se for aluno). como subsistema. a psicometria concebe seus sistemas como tendo propriedades/atributos que os definem. emotivos. A inteligência. ● A PROPRIEDADE DO SISTEMA PSICOLÓGICO Entretanto. Dessa forma. sobretudo dados de pesquisas que utilizaram a análise fatorial na análise dos dados. os quais se deseja estudar e para os quais se quer construir um instrumento de medida. considerando a inteligência verbal como objeto psicológico (o processo cognitivo de interesse) e suas propriedades. o sistema ou o objeto psicológico não constitui o objeto direto de mensuração. motores. O atributo constitui uma unidade semântica única ou é uma síntese de componentes distintos ou até independentes? Deve ser concebido como uma dimensão homogênea ou deve-se nele distinguir aspectos diferenciados? A resposta a esse problema deve vir da teoria sobre o construto e/ou dos dados empíricos disponíveis sobre ele. comprimento. Por exemplo. Os fatores que compõem o construto (o atributo) são o produto desse passo.4 para a psicologia clínica. o problema específico desse passo consiste em se passar de um objeto psicológico para delimitar os seus aspectos específicos.2 para a área psicossocial. ● DIMENSIONALIDADE DO ATRIBUTO A dimensionalidade do atributo diz respeito à sua estrutura semântica interna. O sistema se constitui como objeto hipotético que é abordado (conhecido) por meio da pesquisa de seus atributos.5 para a psicologia social. etc. a estrutura psicológica apresenta atributos do tipo processos cognitivos.

Supondo que o pesquisar deseja construir um instrumento para medir o raciocínio verbal. Isto é. Mas a literatura na área distingue esses cinco atributos de raciocínio: . o pesquisador não poderá prescindir de reconhecer e considerar que essa inteligência apresenta dois fatores distintos. Entretanto. além de raciocínio verbal. temos que: o raciocínio verbal é atributo do processo cognitivo chamado raciocínio. Esses outros atributos devem diferenciar o atributo de interesse – o raciocínio verbal – dos demais atributos do objeto em questão. [3] Se o raciocínio verbal é um atributo de algum objeto. outros. a saber: compreen​são verbal e fluência verbal. dois fatores bem distintos e independentes. porque a ciência não mede objetos. Nesse caso. raciocínio numérico. Para construir um instrumento de medida para a inteligência verbal. ele tem outros atributos. o raciocínio verbal é um atributo. raciocínio tem como atributos. baseando-se na existência de dados empíricos para guiar a construção e a consistência do seu instrumento de medida. deve-se pesquisar qual é esse objeto do qual o raciocínio verbal é propriedade. as seguintes considerações devem ser ponderadas: [1] O raciocínio verbal não é o objeto psicológico. ele pode escolher somente a inteligência verbal compreendida sob seu aspecto de compreensão verbal para investigação e prescindir de se preocupar com a fluência verbal. Essa lógica visa confirmar ou rejeitar a validade de sua teoria. talvez. o atributo de interesse não é mais a inteligência verbal e sim a compreensão verbal. raciocínio espacial. além de raciocínio verbal. Com base na literatura. Dessa forma. cuja medida exige instrumentos diferentes. Assim. é de se supor que tal objeto tenha mais do que um atributo. mas as suas propriedades. Assim. Por sua vez.componentes diferentes? Os dados empíricos disponíveis mostram que a inteligência verbal é composta por. o pesquisador deve justificar tal decisão e demonstrá-la na exposição teórica sobre o construto inteligência verbal a partir da elaboração de uma miniteoria sobre o que entende pelo construto que pretende medir. pelo menos. raciocínio mecânico e. consequentemente é atributo de algum objeto. [2] Se o raciocínio verbal é um atributo. raciocínio abstrato. em peritos e na refle​xão clínica.

De fato. Em seguida. a saber. ● DEFINIÇÃO DOS CONSTRUTOS Estabelecida a propriedade e suas dimensões. é pre​ciso conceituar detalhadamente esses constru​tos.Pesquisando um pouco mais. Pode-se fazer isso com qualquer tema para o qual se queira construir um instrumento de mensuração. compreensão verbal e fluência verbal. a literatura distingue dois tipos de raciocínio verbal. deve-se definir ​diferencialmente todos esses atributos para a elaboração do instrumento de medida. verifica-se que raciocínio verbal não é unidimensional. DEFINIÇÃO CONSTITUTIVA Um construto definido por meio de outros construtos representa uma . A conceituação clara e precisa dos fatores pa​ra os quais se deseja construir o instrumento de medida deve obter dois produtos: as definições cons​titutivas e as definições operacionais dos construtos.

a capacidade de expor ideias sem receio.definição constitutiva. Duas preocupações são decisivas: 1) as definições operacionais dos construtos devem ser realmente operacionais e 2) elas devem ser o mais abrangentes possível dos construtos. etc. Essas definições caracterizam o construto no espaço semântico da teoria em que está incluído. Assim. a validade dos instrumentos e a legitimidade da representação empírica (comportamental) dos traços latentes (os construtos). As definições constitutivas situam o ​construto exata e precisamente dentro da teoria desse construto. um conceito. por sua vez. Nesse caso. Definição constitutiva aparece como definição de termos em dicionários e enciclopédias: os conceitos são definidos em termos de outros conceitos. do abstrato. Fundamenta-se. um instrumento que mede um construto pode não conseguir cobrir toda a amplitude semântica de um conceito. boas definições constitutivas permitem avaliar a qualidade do instrumento que mede o construto. DEFINIÇÃO OPERACIONAL As definições constitutivas se situam ainda no campo da teoria. isto é. são definidos em termos de realidades abstratas. Assim. Uma definição de um construto é operacional quando tal construto é definido em termos de operações concretas. porque a capacidade de compreender constitui uma realidade abstrata. nesse momento crítico na construção de medidas psicológicas. a aterrissagem do abstrato para o concreto. Um instrumento de medida. empírica. está-se dando os limites semânticos que o conceito deve respeitar dentro da teoria de assertividade. a capacidade de expressar livremente sentimentos positivos e negativos. que é delimitada por sua definição constitutiva. Isto é. em termos de fronteiras que não podem ser ultrapassadas ou que devem ser atingidas. se se define assertividade como a capacidade de dizer não. isto é. De fato.. um construto. de comportamentos físicos . delimitando as suas fronteiras. inteligência verbal é definida como a capacidade de compreender a linguagem (definição constitutiva). já é uma operação concreta. Por exemplo. o construto é concebido em termos de conceitos próprios da teoria em que se insere. indicando as dimensões que ele deve assumir. Essa passagem do abstrato para o concreto é viabilizada pelas definições operacionais dos construtos. Definições dessa natureza põem limitações definidas sobre o que se deve explorar ao medir o construto. em termos de cobertura da extensão semântica do instrumento.

Assim. Isso porque compreender não é um comportamento. compreender uma frase. as definições operacionais podem representar um construto em uma escala que expressa uma proporção de coincidência entre construto e definição operacional que vai de 0 a 1. Contudo. a inteligência verbal é como desenhar círculos na areia. Portanto. dizer “vá e reproduza a frase” indica claramente o que o sujeito deve fazer. equivocada ou errada sobre o espaço semântico do construto. definindo operacionalmente a ocorrência dos comportamentos. quanto maior covariância existir entre construto e definição operacional. as definições operacionais mais ou menos abrangentes de um mesmo construto podem ser produzidas.. pois o comportamento de desenhar círculos na areia não tem nada a ver com o construto em questão.2 indica a problemática da qualidade de representação comportamental de diferentes definições operacionais do construto compreensão verbal. maior a qualidade do instrumento. refere-se a uma definição constitutiva e não operacional.”. mesmo.1. . Mager6 oferece uma fórmula para decidir se a definição é ou não operacional. apesar de operacional. sendo 0 quando a definição não cobre nada do construto e 1 quando ela cobre 100% do espaço semântico do construto. Por exemplo. Ela é operacional se você puder dizer ao sujeito: “vá e faça. sua definição é perfeitamente operacional.. repercutindo sobre a qualidade do instrumento de medida do construto. Posto que nenhuma definição operacional esgota a amplitude semântica de um construto. A definição da inteligência verbal como a capacidade de compreen​der uma frase ou. na medida em que não indica nenhum comportamento concreto. pois todo mundo entende quando se manda desenhar círculos na areia. Seria uma definição operacional de compreensão da frase reproduzir a frase com outras palavras. como deve se comportar. A cobertura de uma definição operacional pode ser adequada. isto é. Nenhuma definição operacional será capaz de cobrir 100% do construto. mas. A Figura 1. mas um construto.pelos quais se expressa. é uma definição perfeitamente equivocada de inteligência verbal.

a experiência do próprio pesquisador. explicar o texto. A garantia de validade e utilidade do ins​trumento depende da completude dessa especi​fi​cação. etc. as tarefas que os sujeitos terão de . ● OPERACIONALIZAÇÃO DO CONSTRUTO Esse é o passo da construção dos itens que expressa a representação comportamental do construto. sublinhar alternativas. Por exemplo. Portanto. dar sinônimos e antônimos. Os métodos a serem utilizados para resolver o problema de construção de medidas psicológicas se apoiam na literatura pertinente sobre o construto.FIGURA 1.1. bem como a análise de conteúdo do construto. a saber.2 ► EXTENSÃO SEMÂNTICA DE DEFINIÇÕES OPERACIONAIS DE COMPREENSÃO VERBAL. melhor o pesquisador conseguirá expressar essas categorias em tarefas unitárias e específicas (os itens) e o instrumento-piloto estará construído. Para garantir melhor cobertura do construto. o conhecimento aprofundado da literatura sobre o construto e as técnicas de análise de conteúdo são indispensáveis. as definições operacionais deverão especificar e elencar aquelas categorias de comportamentos que seriam a representação comportamental do construto. a opinião de peritos na área. Quanto mais completa a listagem de categorias comportamentais. quais seriam as categorias de comportamentos que expressariam comportamentalmente a compreensão verbal? Seriam tais como: reproduzir texto.

Segundo Mager. De uma pesquisa dessa natureza pode surgir uma grande riqueza de comportamentos que expressam assertividade e que podem ser aproveitados como itens do instrumento. Critério comportamental: o item deve ex​​pressar um comportamento. aproveitam-se os itens que compõem outros instrumentos disponíveis no mercado e que medem o mesmo construto em que se está interessado. é preciso seguir alguns critérios para a sua elaboração. pois o sujeito não sabe o que fazer com “vá e compreenda.. “reproduzir um texto” é um item comportamental (“vá e reproduza. permitindo uma . Estas regras se aplicam à construção de cada item individual​‐ mente e ao conjunto dos itens que medem um mesmo construto.. é possível dirigir-se a representantes da população e perguntar “como é para você uma pessoa assertiva?”. Por exemplo. focamos agora para outras duas fontes de itens: a entrevista e outros testes que medem o mesmo construto. Assim.. [A] Critérios para a construção dos itens indivi​duais: 1.executar para que se possa avaliar a magnitude de presença do construto (atributo). ao passo que “compreender um texto” não o é. 2. e categorias comportamentais: definidas no pas​so das definições operacionais. A entrevista consiste em pedir a sujeitos representan​tes da população para a qual se deseja construir o instrumento que opinem em que tipo de comportamentos tal construto se manifesta. entrevista: levantamento junto à população-meta. FONTES DOS ITENS Diante das categorias comportamentais que expressam o construto de interesse. Ademais. há três fontes valiosas para a construção dos itens: literatura: outros testes que medem o ​construto.”. Critério de objetividade ou de desejabilidade: para o caso de escalas de aptidão. se o desejo é construir um instrumento sobre as​ser​‐ tividade. REGRAS PARA A CONSTRUÇÃO DE ITENS Após a construção dos itens. os itens devem cobrir comportamentos de fato. de sorte que se possa dizer a ele “vá e faça”. não uma abstração ou construto. Assim..6 o item deve poder permitir ao sujeito uma ação clara e precisa.”).

Não existem. O respondente deve mostrar se conhece a resposta ou se é capaz de executar a tarefa proposta. os itens devem cobrir comportamentos de​sejáveis (atitude) ou característicos (per​so​na​lidade). mas não porque seja saudável. 3. é melhor afirmar a negatividade do que negar uma afirmação. Critério da simplicidade: um item deve expressar uma única ideia. Nesse contexto. resolvidas). para o caso das atitudes e de personalidade em geral. Ao contrário. discordar ou opinar sobre se tal comportamento convém ou não para ele. O mesmo vale para “a maçã é gostosa e saudável”. o item não deve insinuar atributo diferente do definido. resposta certa ou errada. saturação. Isto é. Com referência às frases negativas: normalmente são mais confusas que as positivas. preferências. Itens que introduzem explicações de termos ou oferecem razões ou justificativas são normalmente confusos porque introduzem ideias variadas e atrapalham o respondente. consequentemente. o respondente pode concordar. podendo ofender o estrato mais sofisticado dessa população em contrapartida. 5. faz mais sentido pedir a ele que dê um sinônimo do que pedir que diga se entendeu ou não. se possível. O sujeito pode de fato gostar de feijão. Critério da relevância (pertinência. utilizar frases curtas. Por exemplo. fator. nesse caso. Isto é. ele não saberia como reagir a tal item: se porque o feijão é gostoso ou porque é saudável. Nesse caso. se o pesquisador deseja saber se o sujeito entende o que seja “abstêmio”. Frases longas e negativas incorrem facilmente na falta de clareza. os itens devem expressar desejabilidade ou preferência. assim. Por exemplo: “gosto de feijão porque é saudável”. O critério diz respeito à saturação que o item tem com o . Por exemplo: fica mais inteligível dizer “detesto ser interrompido” do que “não gosto de ser interrompido”. 4. sentimentos e modos de ser. daí. Critério da clareza: o item deve ser inteligível até para o estrato mais baixo da população-meta. não sua elegância artística. respostas certas ou erradas. Preocupa-se aqui com a compreensão das frases (tarefas a serem entendidas e. é preciso evitar uso de gírias que não são inteligíveis para todos os membros de uma população-meta do instrumento. ou é melhor dizer “sinto-me infeliz” em vez de “não me sinto feliz”. propriedade psicológica) definido e com as outras frases que cobrem o atributo. correspondência): a expressão (frase) deve ser consistente com o traço (atributo. existem sim diferentes gostos. unidimensionalidade. O item exprime duas ideias. com expressões simples e inequívocas.

FIGURA 1. Critério da precisão: o item deve ter uma posição definida no contínuo do atributo e ser distinto dos demais itens que cobrem o mesmo contínuo.3 ► ILUSTRAÇÃO DA PRECISÃO DOS ITENS NA ESCALA DE THURSTONE. o item E1 é muito preciso. outro mais ou menos e o último impertinente: – Reproduzir a frase com as próprias palavras → pertinente – Decorar uma sentença → pouco pertinente – Falar em voz alta → impertinente 6.1. Este critério supõe que o item possa ser localizado em uma escala de estímulos. diríamos que o item deve ter uma posição escalar modal definida e um desvio padrão reduzido. Dos três itens a seguir.1. na escala de Thurstone (Fig. Critério da variedade: dois aspectos especificam este critério: – variar a linguagem: o uso dos mesmos termos em todos os itens confunde as frases e dificulta diferenciá-las. este critério representa os parâmetros “b” (dificuldade) e “a” (discriminação) e pode ser avaliado definitivamente somente após coleta de dados empíricos sobre os itens. um é pertinente. em termos de Thurstone.3). Em termos da teoria de resposta ao item (TRI). 7. além de provocar . enquanto o E2 é impreciso. 1. Por exemplo. representada pela carga fatorial na análise fatorial e que constitui a covariância (correlação) entre o item e o fator (traço). construto. Veja este exemplo: seja o construto “compreensão verbal” definido como compreender o significado de palavras e frases.

“miserável”. as chances de respostas mais variadas e inclusive extremadas (resposta 7) seriam maiores. nem grossa. ninguém é infinitamente inteligente. Assim. a beleza não é pesada. a resposta na escala de respostas já está viciada. ex. Critério da amplitude: este critério afirma que o conjunto dos itens referentes ao mesmo atributo deve cobrir toda a extensão de magnitude do contínuo desse atributo. mas pode afetar negativamente a resposta ao teste ao afetar o respondente.9 Esse tema. como “eu gosto dos meus pais”. [B] Critérios referentes ao conjunto dos itens (o instrumento todo): 11. A intensidade da reação do sujeito é dada na escala de resposta. isto é. simplesmente porque a formulação é exagerada. Se. de 7 pontos que vai de desacordo total a acordo total). Quando pergunto ao sujeito se está pouco ou muito de acordo (em uma escala. Esse critério pode ser analisado pela distribuição . não utilizar expressões extremadas. um item formulado extremado tal como “meus pais são a melhor coisa do mundo” dificilmente receberia resposta 7 (totalmente de acordo) por parte da maioria dos sujeitos da população-meta. Critério da tipicidade: formar frases com expressões condizentes (típicas. é discutido sob o que se chama de validade “aparente” (face validity). às vezes. Itens com esta última caracterização fazem o adulto se sentir ofendido. Depois de tantos “I like”. cansaço e aborrecimento. 10. p. despropositado ou infantil. Critério da modalidade: formular frases com expressões de reação modal. Enfim. que não tem nada a ver com a validade objetiva do teste. irritado ou coisa similar.. se usasse uma expressão mais modal. inerentes) com o atributo. mas a maioria é bastante inteligente. Assim. Se o próprio item já vem apresentado em forma extremada. como “excelente”. para evitar erro da resposta estereotipada à esquerda ou à direita da escala de resposta. monotonia..”. 9. qualquer sujeito deve se sentir saturado! – no caso de escalas de preferências: formular a metade dos itens em termos favoráveis e metade em termos desfavoráveis.8. a formulação do item pode contribuir para uma atitude desfavorável para com o teste e assim aumentar os erros (vieses) de resposta. etc. em lugar dela. próprias. nem nojenta. Critério da credibilidade (face validity): o item deve ser formulado de modo a que não apareça sendo ridículo..7 8. Exemplo: o Edwards Per​sonal Preference Schedule (EPPS) em inglês começa quase todas as suas 500 frases com a expressão “I like.

moderados e extremos (no caso das atitudes). a maioria dos sujeitos tem naturalmente magnitudes medianas dos traços latentes. isto é. inclusive entre os que têm um traço alto quanto entre os que têm um traço pequeno. FIGURA 1. para se salvarem cerca de 20 itens no final da elaboração e validação . do parâmetro “b” da TRI. Critério do equilíbrio: os itens do mesmo continuum devem cobrir igual ou proporcionalmente todos os segmentos (setores) do continuum. dificuldade mediana. magnitudes pequenas. devendo haver.1. Na técnica de construção de instrumentos baseada na teoria dos traços latentes.1. De fato. etc. e não somente entre os de traço alto e baixo. Assim. como mostrado na Figura 1. cerca de 10% dos itens apresentam dificuldade mínima ou máxima e 40%. os itens devem se dispor sobre o continuum em uma distribuição que se assemelha à da curva normal: maior parte dos itens de dificuldade mediana e diminuindo progressivamente em direção às caudas (itens fáceis e itens difíceis em número menor). itens fáceis.4. portanto. A maioria dos traços latentes se distribui mais ou menos dentro da curva normal na população-alvo. sendo que uns poucos têm magnitudes grandes e outros. difíceis e médios (para aptidões) ou fracos. 12.4 ► DISTRIBUIÇÃO PERCENTUAL DOS ITENS EM 5 FAIXAS DE DIFICULDADE. Um instrumento deve poder discriminar entre sujeitos de diferentes níveis de magnitude do traço latente.

do instrumento. por isso. Deve-se verificar se os itens são inteli​gíveis para o estrato mais baixo (de habilidade) da população-meta e. recomenda-se iniciar com mais do que 10% de itens além dos 20 requeridos no instrumento final. ANÁLISE SEMÂNTICA DOS ITENS A análise semântica tem como objetivo verificar se todos os itens são compreensíveis para todos os membros da população à qual o instrumento se destina. se o teste se destina a uma população que congrega sujeitos do ensino fundamental até universitários. o item é . ● ANÁLISE TEÓRICA DOS ITENS Operacionalizado o construto por intermédio dos itens. Essa técnica requer um grupo de sujeitos do estrato baixo da população-meta. Para evitar deselegância na formulação dos itens. por exemplo. Entretanto. se tal estrato compreende os itens. pode-se aplicar o instrumento a uma amostra de uns 30 sujeitos da população-meta e. a amostra para essa análise deve ser feita com esse estrato. Assim. porque se supõe que. Os itens incluídos no instrumento-piloto devem ter validade teórica real e não simplesmente parecer ter validade. é importante avaliar a hipótese contra a opinião de outros para se assegurar de que ela apresenta garantias de validade. Há várias maneiras eficientes de fazer a análise semântica dos itens. a análise semântica deverá ser feita também com uma amostra mais sofisticada (de maior habilidade) da população-meta (para garantir a chamada “validade aparente” do teste). Essa análise teórica é feita por juízes e comporta dois tipos distintos de avaliadores antes da validação final do instrumento-piloto: sobre a compreensão dos itens (análise semântica) ou sobre a pertinência dos itens ao construto que representam (propriamente chamada de análise dos juízes). Essa avaliação dos itens ou análise da hipótese é teórica porque consiste em pedir opiniões sobre a hipótese. Se a reprodução do item não deixar nenhuma dúvida. uma técnica eficaz na avaliação da compreensão dos itens consiste em checá-los com pequenos grupos de sujeitos (3 ou 4) em uma situação de brainstorming. discutir com eles as dúvidas que os itens suscitarem. em seguida. o estrato mais baixo nesse contexto são os sujeitos do ensino fundamental e o mais sofisticado será representado pelos sujeitos de nível universitário. Por exemplo. a fortiori o estrato mais sofisticado também os ​‐ compreenderá.

pelo menos.1. o item ficaria reformulado como deveria ser.1. os próprios sujeitos do grupo irão sugerir como se deveria formular o item para expressar o que o pesquisador queria dizer com ele. como diz o ditado: “a mulher de César não somente deve ser honesta. seria desejável para decidir sobre a pertinência do item ao traço a que teoricamente se refere.1 ► TABELAS PARA A ANÁLISE DOS ITENS PELOS JUÍZES FATORES DEFINIÇÃO ITENS COMPREENSÃO VERBAL FLUÊNCIA VERBAL Compreensão verbal É a capacidade de. às vezes. N X ... sem checagem ulterior. dado que procura verificar a adequação da representação comportamental do(s) atributo(s) latente(s).. 2 X 3 X . Os juízes devem ser peritos na área do construto e uma concordância de 80%. Se surgirem divergências na reprodução do item ou se o pesquisador perceber que ele está sendo entendido diferentemente do que deveria.corretamente compreendido. TABELA 1. Uma tabela de dupla entrada. Com isso. no máximo duas. o item tem problemas. chamada de análise de conteúdo. A checagem dos itens com um grupo de sujeitos mais sofisticados consiste em evitar que os itens se apresentem demasiadamente primitivos para esses sujeitos e assim percam a validade “aparente”. Quantos grupos são necessários para proceder a essa análise semântica? Itens que não ofereceram nenhuma dificuldade de compreensão necessitam de uma sessão. com os itens arrolados na margem esquerda e os traços no cabeçalho. Itens que continuam apresentando dificuldades após cinco sessões merecem ser simplesmente descartados. mas propriamente deve ser chamada de análise de construto. Após o pesquisador explicar ao grupo o que pretendia dizer com tal item. 1 X Fluência verbal É a capacidade de. serve para coletar a informação (Tab. Os itens devem também dar a impressão de seriedade.. deve também parecer honesta” (critério 10 de construção de itens). ANÁLISE DOS JUÍZES Essa análise é.. 1..1).

Mager RF.pl. 2010. Medindo os objetivos de ensino ou “conseguiu um par adequado”. ● REFERÊNCIAS 1.A técnica exige que se dê aos juízes duas ferramentas: uma lista com as definições constitutivas dos construtos/fatores para os quais se criaram os itens e outra tabela de dupla entrada com os fatores e os itens. c2015 [capturado em 07 ago. 3. Psychology Abstracts [Internet]. 1981. 2015]. 2015]. p. . In: Pasquali L. New York: UNDP. Em seguida. c2015 [capturado em 07 ago. 5.poznan. Porto Alegre: Artmed.undp.com. Pasquali L. c2015 [capturado em 07 ago. Porto Alegre: Globo. PsyResearch. 165-98. Disponível em: psyresearch. Em geral. Disponível em: www. como a seguir. ou a validação da hipótese do ins​tru​mento.bg. Itens que não atingirem uma concordância de aplicação aos fatores (cerca de 80%) apresentam problemas e seria o caso de descartá-los do instrumento-piloto. Com base nessas tabelas.org.am. 2. Disponível em: www2. Education Index [Internet]. Com o trabalho dos juízes ficam completados os procedimentos teóricos na construção do instrumento de medida: a explicitação da teoria do(s) construto(s) envolvido(s) e a elaboração do ins​trumento-piloto. Poznań: Poznan University of Medical Sciences.org. Instrumentação psicológica: fundamentos e práticas. 6.ebscohost. organizador. 2015]. Index Medicus: abbreviations of journal titles [Internet]. é necessária uma terceira tabela que elenca os itens. c2015 [capturado em 07 ago. 2015]. a função dos juízes consiste em pontuar (marcar com um X) para o item debaixo do fator ao qual julgam que o item se refere. Uma meia dúzia de juízes será suficiente pa​ra realizar a tarefa. os procedimentos experimentais e analíticos testam empiricamente o instrumento. Disponível em: hdr. Ipswich: EBSCO. 4. SocIndex [Internet]. uma vez que nem sempre a tabela de dupla entrada comporta a expressão completa do conteúdo dos itens. Testes referentes a construto: teoria e modelo de construção. em que são avaliados os itens que medem os dois fatores de raciocínio verbal: compreensão verbal e fluência verbal.

Nevo B. A technique for the measurement of attitudes. Examinees’ feedback questionnaires. Nevo B.22(140):1-55. 8. J Educ Meas. 1985. ArchPsychol. 1932.22(4):287-93.10(3):236-49. 1985. . Face validity revisited.7. Likert R. Sfez J. 9. Assess Eval Higher Educ.

Quando não há um instrumento específico à cultura ou universalmente válido se recomenda adaptar um instrumento de avaliação existente para uma nova cultura. [ 1. a importância da pesquisa transcultural aumentou consideravelmente nos últimos anos. Yuan-Pang Wang Para a maioria de condições médicas. exercendo influên​cia na avaliação clínica. na técnica da coleta de dados. Ante a crescente globalização da ciência e das sociedades.2 ] ASPECTOS TRANSCULTURAIS NA ADAPTAÇÃO DE INSTRUMENTOS Ines Hungerbühler. Entretanto. na linguagem utilizada. essa concordância pode não se aplicar igualmente para alterações psíquicas ou mentais entre indivíduos que falam diferentes línguas ou vivem em áreas geograficamente distintas. Construir um novo instrumento aplicável para os indivíduos na cultura-alvo é um processo bastante trabalhoso. a cultura é um determinante crítico e complexo. além disso. pode impedir a comparabilidade dos resultados com as pesquisas sobre a mesma temática no exterior.2 Estudos transculturais contemplam duas diferentes perspectivas sob o . Na área de saúde mental. as manifestações clínicas do sarampo ou da asma apresentam sinais e sintomas semelhantes em diversas partes do mundo. Assim. a experiência de ouvir vozes de seus ancestrais mortos pode ser considerada um comportamento “anormal” ou “normal” de acordo com a cultura local ou o contexto sócio-histórico. na pesquisa científica. independentemente do país ou da cultura.1 Essa variação torna os resultados difíceis de serem comparados. nas normas e nos conceitos investigados. há um consenso em relação à experiência de adoecimento físico. Por exemplo.

5-7 o conceito de equivalência pode ser: 1) conceitual e de itens (mesmos construtos teóricos). com o objetivo de identificar e comparar fenômenos equivalentes em contextos culturais diferentes. a tradução do instrumento. o processo de adaptação transcultural de um instrumento deve alcançar o máximo de equivalência entre o instrumento original e sua versão adaptada.4 No contexto de adaptação transcultural de escalas de avaliação. e 4) de critério ou de mensuração (mesma interpretação normativa). Na literatura não existe consenso sobre as categorias e suas nomeações.1 O desafio na pesquisa transcultural é desenvolver uma metodologia que integre a perspectiva global (etic) e seja culturalmente válida (emic). Na literatura existe um con​senso de que a mera tradução é incapaz de oferecer . 3) técnica ou operacional (mesma forma de coleta). a aplicação e as propriedades psicométricas. 2) semântica. categorias mais gerais. as quais não são causadas pela forma ou a avaliação dos construtos de interesse. Em outras palavras. a abordagem (mais científica) etic refere-se a ge​neralizações de comportamentos humanos que são consideradas universalmente válidas por um antropólogo. Nesse contexto. Baseado na literatura. permitindo avaliar os conceitos relevantes de forma equivalente em diferentes culturas. Idealmente. A abordagem emic explora como pessoas locais pensam: como percebem e categorizam o mundo. idiomática. o que tem signifi​cado para elas. psicologia. A equivalência é dividida em várias categorias. das características psicométricas e da validade para a população-alvo. ciência política. porém. a equivalência implica que as diferenças efetivamente observadas entre amostras de diferentes culturas são o resultado de diferenças culturais.paradigma emic-etic. em geral estão incluídas equivalências associadas a definições conceituais. frases e itens). O termo “equivalência” foi usado em uma ampla variedade de disciplinas (antropologia. ex​‐ perimental e do conteúdo (mesmo significado das palavras.3 Enquanto a perspectiva emic é baseada nas interpretações existentes dentro de uma cultu​ra. e como imaginam e explicam as coisas. eco​nomia. etc.) representando diferentes conceitos e significa​dos. das especificidades locais. a perspectiva etic está direcionada a deduzir. suas regras de comportamento. sociologia. A ausência de equivalência inviabiliza a comparação dos re​sultados obtidos entre indivíduos de países ou culturas distintas. a adaptação transcultural requer planejamento cuidadoso e rigor quanto à manutenção do construto avaliado pelo ​instrumento.

5 Em geral. o termo “adaptação” compreende todos os processos concernentes à adequação cultural de um instrumento. sendo a tradução do instrumento apenas o primeiro passo desse processo.1): . os especialistas operacionalizam o processo de adaptação em seis etapas consecutivas (Fig. apresentamos uma proposta prática para o processo da tradução e adaptação de instrumentos de avaliação em saúde mental. ● FASES DO PROCESSO DE TRADUÇÃO E ADAPTAÇÃO Não há consenso sobre as estratégias de execução da adaptação transcultural de um instrumento de avaliação na saúde mental. 1.9 Portanto.2.parâmetros aceitáveis para avaliar os resultados obtidos em um estudo transcultural: as diferenças ou similaridades podem ser decorrentes de variações culturais ou ser causadas por erros de tradução.10 Neste capítulo.8 Recomenda-se que o processo seja uma combinação entre o componente de tradução literal de palavras e frases de um idioma ao outro e um processo meticuloso de harmonização que contemple o contexto cultural e o estilo de vida da população-alvo.

[6] testes psicométricos e validação do ​instrumento. [2] tradução do instrumento (do idioma original para o idioma-alvo) e síntese das versões traduzidas. [1] definições conceituais. [4] revisão por especialistas e elaboração de uma versão “pré-final”. [3] retrotradução para o idioma de origem (back-translation).1 ► PROCESSO DE ADAPTAÇÃO CULTURAL DE UM INSTRUMENTO DE AVALIAÇÃO. [5] estudo-piloto e elaboração de uma versão final.2. Uma autorização para sua utilização deve ser obtida junto ao autor do .FIGURA 1. comparação da versão retrotraduzida com a versão original.

noutra cultura. Além disso.instrumento original ​antes de iniciar o processo de tradução e adaptação. [2] Identificação. DEFINIÇÕES CONCEITUAIS Cada cultura representa uma constelação singular de vários fatores.11 Para alcançar equivalência conceitual. recomenda-se seguir três passos:7 [1] Revisão bibliográfica envolvendo publicações da cultura do instrumento original e da população-alvo.. há duas estratégias de tradução de instrumentos: a) tradução (forward translation) e retrotradução (back-translation) independentes. e [5] elaboração da versão final pelo comitê de es​pe​cialistas. . A maioria dos autores exige estabelecer a equivalência conceitual como o primeiro ​passo do processo de adaptação. análise.. [3] retrotradução por dois tradutores independentes. [4] comparação e elaboração de uma versão de con​senso. definição e operacionalização dos conceitos-chave para cada item do instrumento original e discuti-los em equipe e com especialistas. Geralmente. o projeto deve ser submetido a um comitê de ética. processos e atributos. a equivalência conceitual refere-se “[. TRADUÇÃO (FORWARD TRANSLATION) Uma vez que os conceitos principais foram identificados. [2] comparação e criação de uma versão de consenso por um terceiro (comitê de especialistas). a mesma pergunta pode avaliar de forma diferente um mesmo construto em cada cultura. Nesse contexto. as duas estratégias são combinadas em uma etapa posterior: [1] tradução do instrumento por dois tradutores independentes. de um conceito ou dimensão tidos por relevantes na cultura original”. e b) duas ou mais traduções independentes e comparação por um terceiro.] à relevância e ao significado. e [3] Verificação dos conceitos-chave na população-alvo por meio de discussão com especialistas e população-alvo. A mesma série de perguntas ou atributos pode ter diferentes significados para pessoas de diferentes culturas: por exemplo.

Comunicação permanente entre todas as pessoas envolvidas e documentação minuciosa de todo o processo são recomendadas. pelo menos um dos tradutores deve ter experiência profissional na área de saúde mental e conhecer os conceitos avaliados com o instrumento. alguns pesquisadores que executam a adaptação transcultural realizam simplesmente uma comparação das versões do instrumento que foram traduzidas na língua-alvo por um grupo de especialistas e tradutores. etc.7 Em vez de proceder a uma retrotradução formal. a retrotradução funciona como uma verificação da validade da tradução. essa etapa é recomendada pela .). A similaridade da versão original do instrumento à versão retrotraduzida representa um critério relevante da qualidade da tradução. os tradutores que realizam a retrotradução não conhecem o instrumento original. RETROTRADUÇÃO (BACK-TRANSLATION) No seguinte passo. antecedentes bilíngues. mas não indica a qualidade da adaptação cultural. publicações de trabalhos traduzidos. identificando eventuais inconsistências e erros conceituais. geralmente um membro da equipe. Uma tradução consistente nem sempre corresponde a uma adaptação adequada.12 A qualificação dos tradutores envolve os se​guintes aspectos: formação na língua do instru​mento original (p. cursos. pois todos esses aspectos influenciam os significados latentes de palavras e expressões. Ao traduzir um instrumento. experiências prévias com traduções. duas ou mais versões traduzidas do instrumento devem ser comparadas e sintetizadas por um terceiro tradutor. Assim. tempo de moradia em países onde se fala a língua original do instrumento. Trata-se de uma ati​vi​‐ dade bastante complexa e deve ser realizada por pelo menos dois tradutores independentes.13 Idealmente. a síntese das traduções está sen​do retrotraduzida (back- translation) para a língua original por tradutores independentes e não aqueles que realizaram a primeira tradução. ex. licença de tradutor. Como a retrotradução corresponde a uma verificação adicional de controle de qualidade. expressões idiomáticas e símbolos culturais. proficiência na língua-alvo.7 Em seguida. cursos e formação universitária na cultura do instrumento original. diploma universitário. Idealmente. bi​língues e experientes na área de saúde mental.Independentemente da estratégia.. o primeiro passo é a tradução em si (forward) do ​instrumento original para o idioma-alvo. deve-se considerar diferenças gramaticais e variações semânticas de cada idioma.

[3] equivalência experimental: às vezes. [4] equivalência conceitual e de itens: muitas vezes. ou “butterflies in the stomach” não deve ser traduzido como “borboletas no estômago”. itens descrevem experiências da vida diária. Por exemplo. Assim sendo. mas como “sentir-se para baixo”. No entanto. Diante disso. o conceito de “família” depende fortemente da cultura e pode ser um círculo familiar mais ou menos amplo. profissionais da saúde. traduzida e retrotraduzida). Por exemplo. po​de ser necessário modificar os itens. excluir al​guns e incluir outros em seu lugar. linguistas e tradutores (da tradução e retrotradução). . o item teria de ser substituído por uma experiência semelhante e conhecida na cultura-alvo. uma das tarefas centrais do processo de adaptação cultural de um instrumento é decidir se tem de ser criado um item novo em vez de incluído um item traduzido. uma determinada tarefa cotidiana simplesmente não existe.13 A composição e a expertise do comitê de especialistas são fundamentais para garantir essa equivalência transcultural. o comitê deve incluir pelo menos psicometristas. palavras ou seu significado conceitual va​riam entre as culturas. em um país ou uma cultura diferente. REVISÃO POR ESPECIALISTAS (EXPERT PANEL) A síntese e a revisão final do instrumento traduzido. Na maioria das adaptações transculturais. algumas vezes. Nesse caso. baseadas na comparação de todas as versões do instrumento (original. “feeling blue” não deve ser traduzido literalmente como “sentir-se azul”.maioria dos especialistas. O comitê de especialistas deve formular uma expressão aproximada para a versão traduzida do instrumento. devem ser feitas para cada item em particular e com o objetivo de alcançar equivalência entre o instrumento original e a versão traduzida em qua​tros áreas:6 [1] equivalência semântica: as palavras significam a mesma coisa? Existem múltiplos significados para um determinado item? Existem inconsistências gramaticais na tradução? [2] equivalência idiomática: expressões coloquiais ou idiomáticas são difíceis de traduzir. mas como “frio na barriga”.

A verificação da familiaridade pode ser realizada em um próprio teste- piloto. também alguns resultados prováveis. o instrumento traduzido deve ser aplicado em uma amostra pequena (10 a 20 pessoas) e representativa da população a que o instrumento se destina. Alguns linguistas da tradução denominam esse processo de cognitive debriefing. avaliar se as respostas contêm as informações exigidas.6 Se necessário. pedir para os sujeitos um feedback para identi​fi​car ambiguidades e questões difíceis ou desnecessárias ou discutir a experiência depois da aplicação em grupo.5 Um estudo-piloto bem desenhado e conduzido fornece indicações sobre o melhor procedimento de testes psicométricos e validações do instrumento e. um segundo estudo-piloto (ou quantos bastarem) deve ser realizado com o instrumento modificado para avaliar se ele realmente está pronto para ser utilizado na nova população e língua. e reformular itens que não foram entendidos e/ou não foram respondidos conforme esperado. utilizando técnicas como pedir para os respondentes lerem os itens em voz alta ou explicar alguns termos específicos. as instruções e as escalas de respostas são compreensível para o público-alvo.ESTUDO-PILOTO Após o processo de tradução e com o objetivo de verificar se os itens. com o formato do instrumento e da coleta de dados. Trata-se de uma avaliação qualitativa da adequação dos itens e da estrutura do instrumento em geral. . avaliar se cada pergunta oferece opções suficientes de respostas. os autores do instrumento original também devem ser envolvidos na discussão quanto a ajustes e modificações cabíveis.5 ainda que uma análise estatística nem sempre seja necessária. ocasionalmente. registrar o tempo para completar o ​questionário e avaliar se é razoável. uma versão final deve ser elaborada pelo comitê de especialistas. é importante: aplicar o instrumento exatamente na mesma forma como será aplicado depois no estudo de validação. Com base nos resultados do teste-piloto. Na realização de um estudo-piloto. Durante essa fase. verificar a familiaridade dos sujeitos com os termos e conceitos traduzidos.

2) estabilidade teste-reteste.15 Adaptar e validar um instrumento ​psicométrico são passos distintos.7 ou seja. Remetemos o leitor ao Capítulo 1..TESTES PSICOMÉTRICOS E VALIDAÇÃO Embora os métodos qualitativos para alcançar a equivalência conceitual e idiomática (semântica) no processo de adaptação sejam imprescindíveis. Nesse caso podem ocorrer problemas de equivalência conceitual. por sua vez. pode assumir três formas: a) viés de amostra (falta de comparabilidade das amostras em diferentes países. as revistas científicas exigem que as publicações de instrumentos adaptados incluam a descrição tanto dos . o viés de item ocorre quando indivíduos com a mesma “quantidade” de uma característica ou um construto. Existem vários vieses no processo de adaptação transcultural que afetam os dados psicométricos. porém pertencentes a diferentes grupos cul​turais. As análises psicométricas mais comuns são:7 1) consistência interna e confiabilidade. Nesse sentido. 170 pessoas para um instrumento com 17 perguntas. é recomendado usar pelo menos 10 sujeitos por item. em que as análises psicométricas sobre a validação de um instrumento de avaliação são descritas com mais detalhes. No caso ideal. Geralmente. 5) sensibilidade à mudança. a última etapa da adaptação transcultural de um instrumento é sua validação com base em análises estatísticas. Geralmente. exibem diferentes probabilidades de resposta a itens. 2) de método e 3) de item. 4) validade de critério. ex. p. b) viés de instrumento (diferenças na interpretação do instrumento de coleta de dados pelos respondentes).4 deste livro. porém complementares. do processo de utilização de um novo instrumento em uma nova população. Van de Vijver e Leung14 classificam-nos em três grupos: 1) de construto. e c) viés de administração (dificuldade de comunicação entre o pesquisador e o respondente). O objetivo é avaliar em que medida o instrumento pode ser considerado válido para o contexto em que foi adaptado. O viés de méto​do. Finalmente. os construtos do instrumento adaptado devem ter propriedades psicométricas comparáveis ou similares às do instrumento original. O viés de construto ocorre quando um construto estudado varia em um grau substancial entre duas culturas distintas. O tamanho da amostra depende das ​abordagens psicométricas a serem usadas. 3) validade de construto (análise fatorial). devido a diferenças de renda ou nível educacional). eles não fornecem informações sobre as propriedades psicométricas do instrumento adaptado.

Psihologija. Kottak C. o processo de adaptação transcultural abarca várias etapas de validação e comparação. Rev Psiquiatr Clín. Paidéia. bem como às propriedades psicométricas (confiabilidade e validade). 2010.43(2):121-36. até os pesquisadores obterem uma versão final do instrumento capaz de refletir o construto original no novo contexto. Porto Alegre: Artmed. organizador. . com atenção específica à detecção de doenças mentais na cultura-alvo. Avaliações transculturais devem estar baseadas em instrumentos que foram adaptados e valida​dos na nova população. Moors G. New York: McGraw-Hill. 1998. As etapas dos procedimentos recomendados de adaptação transcultural de um instrumento de avaliação devem ser cumpridas e registradas com diligência. 4. Researching measurement equivalence in cross- cultural studies. 2012. buscando a equivalência cultural que não pode ser alcançada simplesmente por meio de tradução e retrotradução do instrumento. Kankaraš M. 5. Bandeira DR. ● REFERÊNCIAS 1. 3. Mirror for humanity. ao treinamento de entrevistadores. De forma geral. p. p. à viabilidade e aceitação do formato. Adaptação transcultural de instrumentos de pesquisa em saúde mental. 506-20. ● CONSIDERAÇÕES FINAIS O uso de um instrumento desenvolvido em outra cultura requer um processo abrangente de tradução e adaptação. Balbinotti MAA. Cassepp-Borges V. Borsa JC. envolvendo esforço de investigadores de várias especialidades.procedimentos de adaptação como dos de validação. 2010. Jorge MR. Damásio BF. 2006. Teodoro MLM. Instrumentação psicológica: fundamentos e práticas. 47. Adaptação e validação de instrumentos psicológicos entre culturas: algumas considerações. In: Pasquali L. 2. Tradução e validação de conteúdo: uma proposta para a adaptação de instrumentos. sob o risco de ser necessário reiniciar discussões fundamentais sobre o construto que se deseja operacionalizar para uso na nova população.22(53):423-32.25:233-9.

Rev Saúde Publica. Gundmundsson E. Methods and data analysis for cross-cultural research. Mohamud S. Merenda PF.org.41(4):665-73. Spielberger CD. 2012 [capturado em 20 fev. Issues. Adapting educational and psychological tests for cross-cultural assessment. and technical guidelines for adapting tests into multiple languages and cultures. Craig TJ. In: Hambleton RK. Avaliação psicométrica e adaptação cultural e linguística de instrumentos de medição em saúde: princípios metodológicos gerais. 10. Van de Vijver F. p. J Adv Nurs. Moraes CL. Merenda PF. 7.183:184-6. Ferraz MB. Beaton DE. 8. 3-38. Instrument translation process: a methods review. Nordic Psychology. Coimbra: Centro de Estudos e Investigação em Saúde. London: POS Development Team. Van de Vijver F. 1998. Guillemin F. 15. Hambleton RK. Mahwah: LEA. 12. 2014]. 2004. 14. Br J Psychiatry. Bhui K. Dixon JK. . 2007. editors. Cultural adaptation of mental health measures: improving the quality of clinical practice and research. In: Hambleton RK.25(24):3186-91. Antunes B. 2009. 2005.48(2):175-86. Mahwah: LEA. p. Spielberger CD. Warfa N. 1997. 2000. editors. Spine. Guidelines for translating and adapting psychological instruments. Marques F.61(2):29-45. Reichenheim ME. Poortinga YH. 2005. designs. 11. Conceptual and methodological issues in adapting tests. 6. 13. Stansfeld SA. Operationalizing the cross-cultural adaptation of epidemiological measurement instruments. Bombardier C. 2003. Disponível em: pos-pal. Leung K. 39-63. Newbury Park: Sage. Adapting educational and psychological tests for cross-cultural assessment. Maneesriwongul W. Ferreira P. The Palliative care Outcome Scale (POS): manual for cross- cultural adaptation and psychometric validation [Internet]. Guidelines for the process of cross-cultural adaptation of self-report measures. 9.

● ESTRATÉGIAS DE AVALIAÇÃO EM SAÚDE MENTAL Ao profissional em saúde mental é oferecida uma ampla gama de ferramentas para avaliação dos construtos de interesse. . Além disso.3 ] TIPOS E ESTRATÉGIAS DE AVALIAÇÃO Lucas de Francisco Carvalho. por um lado. a coleta de informações acerca dos construtos a partir de perspectivas distintas. aponta-se o construto e a faixa que se destina avaliar. deve-se considerar a natureza do instrumento. tanto no contexto prático da profissão quanto no âmbito da pesquisa. a avaliação nesse contexto não é definida pelo uso de instrumentos. Para decidir sobre a avaliação apropriada. Se. Fabián Javier Marín Rueda A avaliação em saúde mental depende do uso conjunto de técnicas e instrumentos de diferentes naturezas. Neste capítulo. o contexto. assim como os aspectos que caracterizam seu formato. além disso. Entre elas.1 O profissional deve ser capaz de tomar decisões adequadas no que se refere à escolha dos instrumentos que serão utilizados no processo avaliativo. Essa característica visa possibilitar ao profissional o acesso a um grupo de variáveis e. o método de avaliação e o formato de resposta. o profissional deve considerar diversos elementos que caracterizam os instrumentos disponíveis. o propósito e o público-alvo. triagem e diagnóstico pode ter como consequência a perda de informações essenciais. o não uso de ferramentas de levantamento/mapeamento de perfil. Ao fim do capítulo. é apresentado um instrumento de avaliação desenvolvido no Brasil para a área de saúde mental. são discutidos os principais atributos que caracterizam a avaliação realizada pelos instrumentos psicométricos. por outro. [ 1.

pode decidir utilizar escalas sintomáticas. a personalidade é compreendida em um continuum.org. variando entre níveis mais saudáveis de funcionamento até níveis mais patológicos.4 o uso profissional de testes para avaliação da personalidade no Brasil é restritivo aos psicólogos. De acordo com a Resolução nº 02/2003 do Conselho Federal de Psicologia (CFP). o profissional deve atentar para a delimitação em ter​mos de intensidade ou gravidade a que o instrumento se destina. atualmente.2 O primeiro atributo a ser considerado refere-se ao construto que se pretende avaliar. Os instrumentos de avaliação se diferenciam a partir de um conjunto amplo de atributos. entre outras possibilidades de avaliação.cfp. por isso. Dificilmente um só instrumento de avaliação é capaz de representar todo o continuum dos construtos tipicamente avalia​dos em saúde mental. para o caso em que se necessita realizar uma avaliação de funcionamentos mais saudáveis da . há uma lacuna evi​dente no País. Isto é. como a segunda versão do Inventário de Depressão de Beck (BDI-II). com base em uma anamnese inicial. e. ou entrevistas diagnósticas.1. para a tomada de decisão. A fim de confirmar a suspeita. Por exemplo. como a Entrevista Clínica Estruturada para Transtornos do Eixo I do DSM-IV (SCID-I). Tão importante quanto o conteúdo avaliado pelo construto é o intervalo da abrangência do cons​truto que se pretende avaliar.5 Considerando o continuum da per​so​nalidade. mais que isso. Já no caso de ferramentas pa​ra avaliação de características patológicas da per​sonalidade e instrumentos diagnósticos de trans​tornos da personalidade. se ele é relevante para avaliação naquele contexto e/ou caso específico. Por exemplo. que devem ser considerados pelo clínico e/ou pesquisador no momento de decisão acerca da ferramenta que será utilizada. O uso combinado de instrumentos com o levantamento clínico de informações visa auxiliar o profissional na melhor escolha para fu​turas intervenções.br]. Contudo.3 No Brasil. um clínico pode suspeitar de um quadro de transtorno depressivo maior em determinado paciente. ainda que há algum tempo a possibilidade de flexibilização dessa realidade venha sendo discutida. a falta de clareza so​bre os construtos relevantes para determinado contexto e casos específicos pode resultar em perda de informação importante ou no levantamento de elementos desnecessários que pouco auxiliam na compreensão do caso. deve-se ter clareza de qual construto pretende-se avaliar e. existe um conjunto expressivo de instrumentos que avaliam a personalidade disponibilizados para uso profissional [Disponível em: satepsi.

mas o paciente é analfabeto. Já para casos em que seja necessário realizar avaliações de características patológicas da personalidade ou diagnóstico de transtornos da personalidade. não verbais). na literatura. De outro modo. o profissional deve buscar. Em situações em que o profissional tem menos de 1 hora para utilizar determinado instrumento. Os estudos nacionais sobre as manifestações saudáveis do construto são mais expressivos do que os sobre os aspectos patológicos da personalidade. Nesse sentido. é de relevância inequívoca a clareza em relação ao público- alvo a que o instrumento se destina em contraste a quem será avaliado. a verificação do nível de gravidade de um paciente (p. ex. baixo. um nível alto na dimensão conscienciosidade do IDCP já sugere a presença de funcionamento mais patológico quanto a tais características. como o NEO-PI-R. a versão brasileira do Inventário NEO de Personali​dade Revisado (NEO-PI-R) e a Bateria Fatorial de Per​sonalidade (BFP). Diferentemente. a interpretação realizada acerca dos resultados obtidos deve ser ponderada diante do intervalo avaliado pelo instrumento.7 . o uso da SCID-II pode ficar comprometido. Por exemplo. analisando a extensão do instrumento (tempo de aplicação) e o formato do procedimento (como instrumentos verbais vs. o profissional deve fazer a leitura em voz alta para o paciente. informações que delimitem direta ou indiretamente a amplitude de avaliação da ferramenta que será utilizada. a realidade nacional é mais limitada: o Inventário Dimensional Clínico da Personalidade (IDCP)5 e a versão para o Eixo II da SCID. O profissional deve também considerar o con​texto no qual determinada ferramenta será utilizada.personalidade. Já em situações em que o tempo disponível é mais longo. por exemplo. Quando o instrumento possibilita a aplicação assistida.. incluindo o manual do instrumento. a BFP e o IDCP. em âmbito nacional e internacional. são inadequados. De modo similar. os instrumentos de autorrelato. e ainda usando o exemplo. como. médio e alto) muitas vezes perde sua função. há maior disponibilidade de instrumentos para avaliação do transtorno de déficit de atenção/hiperatividade em crianças em comparação ao número de instrumentos disponíveis para adultos. Um paciente pode apresentar um nível alto na dimensão “conscienciosidade” do NEO-PI- R e apresentar um funcionamento saudável quanto à necessidade de organização e perfeccionismo. Com o objetivo de ponderar o intervalo de abrangência do construto latente que se pretende avaliar.6 respectivamente. o profissional tem em mãos um grupo de instrumentos.

Muito relacionado ao contexto de aplicação. os instrumentos se distinguem em razão do nível de padronização. Uma grande parte dos manuais de testes em saúde mental no Brasil não apresenta informações suficientes acerca do propósito da avaliação com o teste específico. por não permitir evidenciar a presença ou não de determinado transtorno. e também não se enquadram no campo do diagnósti​co. Os instrumentos de saúde mental que se destinam à triagem ou ao diagnóstico apresentam diferenças expressivas quanto à capacidade e à amplitude de avaliação. a ava​liação destina-se à triagem (ver o Capítulo 2. que avaliam níveis distintos da personalidade. pois não visam o encaminhamento. a fim de inferir. não há um roteiro para formular as perguntas para a pessoa de que se deseja coletar informações. variando entre aqueles prioritariamente desestruturados ou não estruturados até aqueles mais estruturados. Os procedimentos não estruturados se referem. 2). Nesse caso. às entrevistas abertas realizadas na clínica. No que respeita à natureza da avaliação. geralmente. Basicamente. com vistas a determinar o encaminhamento que será feito com determinado paciente. permitindo somente mapear o perfil da personalidade do paciente. Em relação ao escopo e à delimitação dos ins​tru​mentos em saúde mental. o usuário deve estar atento às características levantadas. Contudo. Considerando a eventual falta de informação sobre o instrumento de avaliação. so​bre entrevistas diagnósticas e instrumentos de triagem). tanto quanto necessário. ressalta-se que alguns dos instrumentos disponíveis não se inserem no campo da triagem. ● TIPOS DE AVALIAÇÃO EM SAÚDE MENTAL Os instrumentos em saúde mental podem também ser agrupados de acordo com a natureza de sua avaliação. nem sempre essa é a realidade. em saúde mental. o profissional conduz o procedimento de acordo com as . Ainda. os manuais devem informar se existem ou não estudos com aquele instrumento em determinada área e contexto de atuação. incluindo o método de avaliação e o formato de resposta (ver Cap. Essas informações devem estar claras nos manuais e demais publicações que dão base a esses instrumentos. informações relevantes não apresentadas. deve-se ponderar também sobre o propósito da avaliação. Mais do que esclarecer a informação sobre o propósito. Exemplo disso é o NEO-PI-R e o IDCP. é de responsabilidade do usuário levantar estudos realizados com os testes.

o avaliado tem todas as informações necessárias para responder ao teste nas próprias instruções apresentadas em uma folha inicial. é prática comum o uso de entrevistas semiestruturadas. o Teste de Rorschach é um dos instrumentos de avaliação expressiva ou projetiva que está disponível para o profissional em saúde mental. Nesse caso. Em outros casos. o que tem impacto direto na composição dos estímulos que compreendem o instrumento e nas possibilidades de resposta que o avaliado pode atribuir. às quais o avaliado pode atribuir uma resposta tal qual desejar. de fato. Nesse sentido. As entrevistas semiestruturadas contêm perguntas abertas.8 O nível de estruturação dos instrumentos é determinado por sua natureza (mais ou menos flexível). O levantamento de informações é realizado com base nos conteúdos expressos ou comunicados pelo avaliado ante os estímulos (manchas) desestruturados das pranchas. e fechadas. Diferentemente. Um exemplo é o Teste de Rorschach. Contudo. Além disso. ambíguos. as entrevistas são utilizadas para diagnóstico de transtornos psiquiátricos. os instrumentos menos estruturados se referem àqueles cujos estímulos são prioritariamente não estruturados. os instrumentos estruturados de avaliação referem-se aos testes denominados de autorrelato.9 ferramenta de avaliação composta por 10 pranchas em que uma mancha de tinta é apresentada em cada prancha. que é verificado por suas respostas. de modo que estão disponíveis no meio científico entrevistas semiestruturadas e estruturadas. há sempre um número limitado de respostas possíveis que o avaliado pode atribuir a cada questão. Basicamente. é determinado por seu funcionamento mental. As manchas de tinta são borrões monocromáticos ou cromáticos nos quais. também as entrevistas podem se distinguir pelo nível de estruturação. são usadas para compreensão do funcionamento do indivíduo ou mesmo de grupos de indivíduos. Assume-se que o modo como o avaliado estrutura esses estímulos. como é o caso da Entrevista Familiar Estruturada. largamente no​meadas de escalas tipo Likert. alguns testes de autorrelato utilizam escalas de graduação como formato de resposta. que variam ​en​tre três categorias . como é o caso da família da Entrevista Clínica Estruturada para Transtornos dos Eixos I e II do DSM (SCID). Por isso.respostas da pessoa que está sendo avaliada. Essas ferramentas são caracterizadas pela autoaplicação. ou seja. nas quais existem respostas a serem escolhidas pelo avaliado. em geral. Em saúde mental. não há um contorno estruturado o suficiente para determinar uma resposta possível ou correta.

segundo ele. sobretudo. Esse procedimento é utilizado. é apresentado um instrumento desenvolvido especificamente para uso na área de saúde mental. o profissional deve conhecer profundamente a ferramenta que pretende utilizar. “às vezes” e “sempre”) até um número maior de ca​tego​rias. alguns instrumentos são desenvolvidos para serem respondidos em um formato distinto do gra​dual – no formato dicotômico: o respondente tem somente duas opções de resposta (p.7 Ainda no que se refere ao formato de resposta dos instrumentos em saúde mental. ● INSTRUMENTO ILUSTRATIVO – INVENTÁRIO DIMENSIONAL . na literatura internacional são encontrados testes que utilizam um procedimento denominado escolha forçada (forced-choice).. o respondente é obrigado a escolher uma entre todas as opções apresentadas simultaneamente que. Eles apresentam. utilizado para exemplificar os pontos abordados neste capítulo. para lidar com o fenômeno da desejabilidade social. Esses testes são chamados de instrumentos de heterorrelato e vêm demonstran​do relevância no levantamento de informações para diversos transtornos.1 ​Rigorosamente. duas ou mais frases que o respondente deve pontuar indicando quanto são verdadeiras ou não para ele (como é o caso de testes de personalidade). se aproxima mais de seu funcionamento. Também no for​mato de relato. “costumo ser agressivo com as pessoas ao meu redor” e “as ​pessoas costumam dizer que tenho dificuldade para prestar atenção nas coisas” poderiam ser dois itens apresentados simultaneamente de modo que o avaliado deve escolher aquele que mais se aproxima de si. A ideia é que o avaliado escolha uma das categorias de resposta para cada questão apresentada.10 Os instrumentos com esse ​formato são praticamente inexistentes na área de saúde mental no Brasil. como 7 ou 10.. para evitar a aplicação equivocada de instrumentos pouco relevantes para determinada situação. geralmente. qualquer outro número de categorias deve ser referido como “tipo Likert”. Contudo. Diversos atributos caracterizam os instrumentos em saúde mental. uma escala Likert deve ter 5 pontos. um professor ou um amigo) com aquele que está sendo avaliado. portanto. ex. são encontra​dos na literatura testes que devem ser respondidos por uma pessoa que tenha contato próximo (p. que tem impacto principalmente nos instrumentos de autoavaliação. Por exemplo. ex. um familiar.de resposta (p. Na seção seguinte. Entre​tanto. “nunca”. ex. “sim” e “não”)..

Do ponto de vista psicométrico.1. crença de ser diferente dos demais. sedução. não é possível uma conclusão diagnóstica a partir da aplicação isolada do IDCP.11 As dimensões e suas respectivas definições estão apresentadas na Tabela 1. No que diz respeito à natureza do inventário. isto é. com pouca subjetividade na leitura dos estímulos (itens) que o compõem. as pontuações são anotadas em uma escala tipo Likert que varia entre 1 (“não tem nada a ver comigo”) e 4 (“tem muito a ver comigo”).3. estudos têm demonstrado adequação das 12 dimensões que compõem o instrumento. Trata-se de um instrumento para avaliação de características clínicas da personalidade destinado a adultos que permite que o profissional faça um mapeamento do perfil do paciente. reações impulsivas e humor culpa Excentricidade Ausência de prazer de estar com os outros.1 ► DIMENSÕES DO INVENTÁRIO DIMENSIONAL CLÍNICO DA PERSONALIDADE DIMENSÃO DESCRIÇÃO Dependência Incapacidade de confiar em si para tomada de decisão. desconfiança. a pessoa deve informar o quanto os itens apresentados têm ou não a ver com ela. e. Apesar disso.CLÍNICO DA PERSONALIDADE Apresentamos como exemplo o Inventário Dimensional Clínico da Personalidade. comportamentos excêntricos e idiossincráticos Necessidade de Necessidade exagerada de atenção alheia.3. oscilações de humor. inconsequência e atos violentos Instabilidade de Posse de humor triste e irritável. por isso. Para responder ao instrumento. crença na posse de uma performance inadequada e dependência do outro para a tomada de decisão Agressividade Desconsideração do outro para se conseguir o que deseja. as interpretações realizadas devem se focar nas pontuações altas obtidas em suas dimensões. É aplicado na forma de autorrelato.6 Foi construído especificamente para avaliar níveis patológicos das características da personalidade (delimitação).4 um teste desenvolvido em âmbito nacional para uso no contexto de saúde mental. TABELA 1. o IDCP é um instrumento estruturado. reações exageradas e busca . O IDCP foi desenvolvido com base nas características patológicas apresentadas na teoria de Theodore Millon para transtornos da personalidade3 e nos critérios diagnósticos do Eixo II do DSM-IV-TR.

método avaliativo e formato de resposta. o leitor deve ter clareza de que nem todos os pontos levantados aqui abarcam toda a literatura da temática.11 ● CONSIDERAÇÕES FINAIS Este capítulo teve como objetivo amplo ​apresentar os aspectos importantes que caracterizam os ins​trumentos em saúde mental: escopo e delimita​ção. Enquanto o formato de autorrelato é suscetível ao viés da desejabilidade social. todas as dimensões devem ser consideradas. gosto por atividades violentas e envolvimento em problemas Fonte: Abela. rigidez nos relacionamentos e persecutoriedade Grandiosidade Necessidade exagerada de reconhecimento e admiração alheia. Por exemplo. Contudo. reações de ajuda e sacrifícios pelos outros em detrimento de si Conscienciosidade Necessidade de se fazer as coisas de maneira organizada e ordenada. Não se deve interpretar o funcionamento do indivíduo a partir de uma única dimensão. há uma tendência atual bastante relevante para um formato específico de instrumentos. pois depende do quanto a pessoa está disposta a informar o profissional. inclusive em saúde mental. assim como um foco excessivo nas obrigações e preocupações. de modo a compor um perfil para o indivíduo avaliado. humilhação e críticas pelos outros Autossacrifício Desconsideração do eu (self) e consideração do outro. assim como crenças de merecimento e superioridade Isolamento Diminuição no prazer com relacionamentos e preferência por ficar sozinho Evitação a críticas Posse de crenças generalizadas de incapacidade. natureza. o . espera-se que sua aplicação no ambiente e contexto clínico favoreça a resposta sincera pela pessoa avaliada. estudos vêm sendo realizados empiricamente para verificar a proximidade dos perfis patológicos observados dos pacientes avaliados com as pontuações do IDCP. posse de perfeccionismo e regras rígidas nos relacionamentos Impulsividade Inconsequência.atenção intensa por amizades Desconfiança Incapacidade de confiar nos outros. Além disso. preferência pelo que é conhecido.11 As dimensões do IDCP devem ser utilizadas para avaliação clínica.

ed. Fundamentos da testagem psicológica. 3. Meyer GJ. Conselho Federal de Psicologia. 4. Nesse sentido. Porto Alegre: Artmed. Spitzer RL. Millon T. Trata-se de instrumentos em formato informatizado para testagem. organizadora. Não há. First MB. ainda. um instrumento disponível nesse formato para uso no contexto de saúde mental no Brasil. Féres-Carneiro T. Entrevista familiar estruturada – EFE: um método de avaliação das relações familiares. de 24 de março de 2003. 5.5(3):63-94. 2. Resolução CFP nº 002. Define e regulamenta o uso. Development and internal structure investigation of the dimensional clinical personality inventory. Attention deficit hyperactivity disorder in adults: the latest assessment and treatment strategies. Barkley RA. ● REFERÊNCIAS 1. 1995. a elaboração e a comercialização de testes psicológicos e revoga a Resolução CFP n° 025/2001.28(2):322-30. 2000. Temas Psicol. Cunha JÁ. 8. Psicol Reflex Crit. 6. os tópicos aqui levantados devem ser tratados como fundamentais para compreender os diferentes tipos de instrumentos que podem ser utilizados em saúde mental. Part I: Description. The structured clinical interview for DSM-III-R personality disorders (SCID-II). New Jersey: Wiley. Disorders of personality: introducing a DSM/ICD spectrum from normal to abnormal. Porto Alegre: Artmed. Williams JBW. 2015. Primi R. o leitor é incentivado a buscar a literatura recente para a permanente atualização do que vem sendo adotado. Advancing personality assessment terminology: time . Kurtz J E. Brasília: CFP. 2003. Além disso. 2007. 9.9(2):83-91. 7. J Pers Disord. Psicodiagnóstico-V. 2011. Gibbon M. Urbina S. 1997. permitindo a criação de ferramentas de avaliação adaptadas para o indivíduo de acordo com seu nível no construto latente a ser avaliado. auxiliando na tomada de decisão acerca dos instrumentos mais adequados para cada tipo de investigação. Massachusets: Jones and Bartlett. 5. Carvalho LF. 2010.Computerized Adaptive Testing (CAT).

18(3):267-307. São Paulo: Universidade Federal de São Paulo. Burns GN. 11. to retire “objective” and “projective” as personality test descriptors. Montgomery GE. . Hum Perf. 2005. Abela RK. Christiansen ND. 10. J Pers Assess.87(3):223-5. Evidências de validade para o Inventário Dimensional Clínico da Personalidade (IDCP) com base nos perfis de participantes com diagnóstico psiquiátrico [dissertação]. 2006. Reconsidering ​forced- choice item formats for applicant personality assessment. 2013.

Tais parâmetros são intrinsicamente relacionados. em que se avalia desde a definição do construto até a adequabilidade empírica do instrumento em questão. triagem e diagnóstico. no campo da saúde. uma vez que não é possível medir um fenômeno se o instrumento utilizado apresenta re​sultados inconsistentes. a avaliação de precisão é um elemento básico. Nesse contexto. R. sua triagem e o diagnóstico. No campo da saúde mental.2 A validade pode ser compreendida como o elemento básico de qualquer medida e está associada.1. Ao . Santos. Viviany Silva Pessoa. à garantia de qualidade na mensuração. as escalas de avaliação são essenciais para pesquisa. Rafaella de C. ao processo de elaboração. para que sejam utilizadas de forma eficaz. atestando que o instrumento mede o que se propõe a medir. os aspectos mais relevantes para a avaliação da qualidade das medidas são identificados na literatura como indicadores de validade e confiabilidade.3 Este capítulo tem co​mo propósito apresentar tais parâmetros e os principais indicadores utilizados para atestá-los nos instrumentos de avaliação em saúde mental. Além da constatação de validade. é necessário que haja um processo de construção e aprimoramento.4 ] PROPRIEDADES PSICOMÉTRICAS Walberto S. sobretudo porque. podendo a confiabilidade ser considerada um pré-requisito para a validade. A precisão diz respeito à medição sem erros ou à capacidade de avaliar o quão consistente uma pessoa é em suas respostas. contextualmente. consequentemente. Contudo. deve- se promover a confiança do profissional que utiliza os instrumentos como ferramenta básica para traçar suas ações. ao uso e. Araújo Uma preocupação fundamental no campo da avaliação é a construção de instrumentos que possibilitem uma análise fiel dos construtos de interesse. [ 1.

● PRINCIPAIS INDICADORES DE CONFIABILIDADE A confiabilidade. os termos instrumento. busca verificar o quanto a pon​tuação do indivíduo se aproxima de sua realidade e o quanto ela se mantém estatisticamente idêntica em situações diferentes. para atestar a confiabilidade. acima de tudo. o alfa de Cronbach e o Kuder-Richardson. Porém. as formas paralelas ou alternativas e a consistência interna.1 FORMA PARALELA OU ALTERNATIVA. calcula- se a correlação entre as pontuações obtidas. o participante pode passar por eventos pessoais que podem enviesar suas respostas na última aplicação.1 TESTE-RETESTE. ao mesmo tempo. existem três maneiras mais comuns: o teste-reteste. administram-se duas formas diferentes de um mesmo teste. sendo também os mesmos participantes a responder às duas versões. gerando a “testagem”. entre as duas aplicações. que contenham itens com conteúdo semelhante.longo do capítulo. tanto no que diz respeito à dificuldade como à discriminação. em duas ocasiões temporais diferentes. dado que a primeira ocorre .4 As formas paralelas e o teste- reteste são considerados maneiras mais adequadas quando a intenção do pesquisador é avaliar. tem-se a condição necessária de equivalência dos testes.4 A principal vantagem da utilização dessa técnica está na possibilidade de avaliar a invariabilidade das respostas. o cálculo realizado para verificar a precisão é o da correlação entre as duas distribuições das pontuações. por vezes nomeada de precisão ou fidedignidade. que pode ser representada por meio de técnicas como o split-half (ou duas metades). Nesse caso. Depois de serem realizadas as duas aplicações. quando a primeira avaliação compromete os resultados da segunda. se há variações decorrentes do tempo e/ou intercorrelações entre os itens da medida. basicamente. Desse modo. dado que é a única que permite observar a estabilidade temporal. sendo respondido pelos mesmos sujeitos. medida e escala são utilizados como sinônimos. se a variação temporal implica alguma alteração nas respostas dos participantes. Nessa técnica. ela também carrega consigo algumas dificuldades: como os participantes respondem ao mesmo teste duas vezes. podem memorizar algumas de suas respostas. a administração do mesmo teste. O teste-reteste implica. Assim como no teste-reteste.

como o da aprendizagem ou memorização. se o principal interesse for avaliar os erros influenciados ou associados ao uso de itens diferentes. pois a tendência é que esse valor aproxime-se erronea​mente de 1 em . Nesse caso. o alfa de Cronbach.70 (podendo variar de 0 a 1) para que seja considerado adequado. CONSISTÊNCIA INTERNA. a elaboração de um teste com muitos itens semelhantes pode ocasionar a maximização do valor do alfa. diferentemente das formas paralelas. assume-se que o valor do alfa deva ser igual ou superior a 0. deve-se atentar que valores inferiores podem ser igualmente relevantes em se tratando de pesquisas exploratórias ou de acordo com a natureza do construto estudado. o alfa de Cronbach e o Kuder-Richardson.4 De maneira geral. se todos os itens fossem iguais. Porém. o valor do alfa seria igual a 1.1.1 Basicamente.5 entre as maneiras mais comuns de se avaliar a consistência interna. esses não são as únicas.6 devendo ser interpretado como uma estimativa es​tatística que avalia a proporção de variância en​‐ contrada nos escores do teste que pode ser atribuída ao escore verdadeiro de variância. ainda se pode mencionar indicadores como o Spearman- Brown. Ou seja. Segundo Nunnally. a medida estará indicando que cada item mede consistentemente o construto de interesse.5 Contudo. em que são elaborados dois testes equivalentes. que são menos utilizados. No entanto. sem dúvida. quanto menor for a variância específica de cada item e maior for a variância dos itens em conjunto. simbolizado pela letra grega α e definido como a principal forma de confiabilidade de um teste. em períodos diferentes.simultaneamente. avaliando-se a variância dos itens individualmente e em grupo. e a segunda. Entretanto. nos quais os participantes poderiam pontuar diferencialmente na segunda vez que o respondessem. sendo este respondido em uma única ocasião pelos mesmos sujeitos. podemos apontar o split-half (ou duas metades). e o conjunto desses é sensível para perceber diferentes níveis de pontuação. Tendo em vista o fato de que aplicar várias vezes um mesmo teste poderia causar erros. maior será o alfa de Cronbach. Desse modo. Spearman e Brown definiram o método split-half como a correlação entre duas metades equivalentes de um único teste.6 O índice de consistência interna mais conhecido e utilizado é. essa estatística verifica o quanto uma medida é confiável para medir um determina​do construto. o Guttman-Flannagan e o Rulon. então as estimativas de consistência interna apresentam-se mais adequadas.

o alfa de ​Cronbach se aplica a um número mais variado de tipos de escalas. esses parâmetros são complementares. não significa que seja adequado para uso em todas as situações. Em suma. como atitudes e valores humanos. observando a literatura. também produz uma estimativa acerca da confiabilidade que pode ser considerada significativa em estudos com mais de 200 participantes. pode variar até 0. devendo-se atentar para as suas limitações e reais utilidades. e a variabilidade inter-sujeitos. mesmo sendo mais limitada do que a fórmula apresentada pelo alfa de Cronbach.7 que haviam sido direcionados a um coeficiente que avaliasse a consistência interna de instrumentos com itens dicotômicos. Em outras palavras. Além disso. mesmo o alfa de Cronbach sendo o mais conhecido e comumente utilizado entre os indicadores. como já foi dito. faz-se necessário que o alfa alcance um índice de 0.função da intercorrelação entre os itens. a fórmula KR20 do Kuder-​Richardson. instrumentos mais longos apresentam índices maiores. em amostras dessa magnitude.70. enquanto o Kuder-Richardson é aplicável exclusivamente em situações com itens dicotômicos. além de dicotômicos. Foi verificado que. existirão. Conhecido como o coeficiente de Kuder-Richardson. é necessário que se tenha clareza dos pontos principais e detalhamentos do instrumento que se pretende utilizar para poder conduzir as análises estatísticas de parâmetros psicométricos de maneira adequada. a saber: o valor mínimo aceito (se o teste tem fins de diagnóstico. em que a segunda se diferencia por supor que.8 Além disso. Segundo Carmines e Zeller. deve-se lembrar que um instrumento preciso pode não ser válido. KR20 e KR21. . ele apresenta duas fórmulas diferentes. Do mesmo modo. A variação é encontrada na fórmula KR21. Ademais. a quantidade de itens do instrumento. Porém. devendo o profissional também ficar atento aos indicadores de validade (Fig.60). costumam apresentar índices mais baixos do que aqueles mais resistentes à mudança. no caso de pesquisa. a quantidade de itens presente na escala pode causar um efeito notável no valor do alfa. os itens têm o mesmo nível de dificuldade. Entre eles. como personalidade.6 o alfa de Cronbach foi uma generalização dos achados de Kuder e Richardson. alguns aspectos devem ser ponderados para uma boa interpretação do alfa. basicamente. frequentemente. cabe salientar que. Desse modo. três fatores primordiais que podem afetar o valor do alfa de Cronbach. pode-se citar a natureza do construto. a utilização das duas estatísticas produz resultados idênticos. uma vez que aqueles mais mutáveis. uma vez que parte de um pressuposto específico.

dos . na estrutura in​terna do teste. Pas​quali.10 vem ga​nhando em confusão e perdendo em significa​do.4. a American Psychological Association11 considera três grandes classes de técnicas: validade de conteúdo. deve-se destacar que a literatura especializada apresenta evidências de validade baseadas. mostrando. VALIDADE DE CONTEÚDO. mesmo sendo baseada no Standards for Educacional and Psychological Testing. nas consequências da testagem. de forma crítica. por exemplo.1. Está presente sempre que os itens do instrumento representam adequadamente o universo de conteúdos referentes ao construto que se pretende avaliar.9 ● VALIDADE: CONCEITOS GERAIS E APLICABILIDADE Atualmente.1).4. admite-se a existência de distintas téc​nicas para atestar a validade de uma medida. Acerca desse tema. FIGURA 1. validade de critério e validade de construto. Fonte: Babbie. a priori. no processo de resposta. que a visão moderna do conceito de validade. Contudo.8 Restringe-se ao estabelecimento. apresenta mais de 20 tipos distintos de validade e ainda abre espaço para a inserção de mais opções.1 ► RELAÇÃO ENTRE CONFIABILIDADE E VALIDADE DE ESCALA DE AVALIAÇÃO. no conteúdo do teste e nas relações com outras variáveis.1 por exemplo.

Tal validade pode ser concorrente. de fato. Como regra.3 Por sua vez. se os traços latentes es​tão sendo representados legitimamente por sua re​‐ presentação comportamental (itens).2 A validade de critério está presen​te. adequada. No entanto. a concentração de álcool no sangue. do construto. pode inviabilizar a realização da validação dada à natureza do procedimento. A validade de construto também é identificada como validade fatorial. cujo principal objetivo é verificar quantos fatores comuns são suficientes para representar o construto.3 VALIDADE DE CRITÉRIO. militar. Desse mo​do. quando as informações sobre o critério são reunidas depois da coleta das informações nos testes. pode-se utilizar como critério para validar escalas que avaliam o consumo de álcool. em situações de orientação e seleção de pessoal nos contextos empresarial. na maioria dos casos. deve-se reconhecer que a observação de um comportamento a posteriori. procura-se abranger toda a magnitude do construto. recorre-se à opinião de especialistas que verificam se o conteúdo proposto representa. principalmente. como ocorre na avaliação da validade preditiva. o que demanda a observação de outros indicadores de validade. Busca ve​ri​ficar. visto que. de forma direta. se utiliza estatísticas multivariadas como a análise fatorial.12 O que se busca é avaliar se os itens do instrumento. VALIDADE DE CONSTRUTO OU DE CONCEITO. Normalmente. Refere-se à capacidade que um teste tem de predizer um comportamento futuro.8 Como se observa. na elaboração da medida. recorre- . elaborados para medir um ou mais fatores específicos.comportamentos (itens) que operacionalizam o construto. relacionando as respostas do instrumento ao comportamento do indivíduo em atividades específicas. Para isso. e preditiva. para a análise da validade de conteúdo. o construto que se pretende avaliar e em que nível essa representação acontece. a legitimidade da representação comportamental do construto ainda pode ser observada por meio da análise de hipóteses. justificando seu agrupamento para representar as dimensões do construto. ambas as formas se diferenciam com base na temporalidade entre o critério e o teste. entre outros. escolar. apresentam-se relacionados.3 em saúde. quando as informações do teste e do critério são levantadas em um espaço de tempo curto ou simultaneamente. Como exemplificam Engel e Schutt. hospitalar. o principal objetivo é descobrir se os itens do instrumento constituem uma representação legítima.

dado que orientam as ações do profissional da saúde.13 e à validade nomológica. em muitos casos. da triagem e. o contexto de aplicação e as intenções de uso da medida. sem eles. o critério de confiabilidade vai oferecer o suporte sobre a precisão da medida.se à análise da validade convergente. para que se possa afirmar que as características psicológicas verificadas sejam. de acordo com alguns argumentos teóricos. pois. Por exemplo. próprias do sujeito avaliado. é possível atestá-las por meio de um conjunto amplo de possibilidades. Como foi possível observar. De fato. Esses aspectos interferem diretamente na qualidade do serviço. em termos práticos. No entanto. no critério ou no construto. as evidências de validade são essenciais e. se o objetivo está na avaliação da personalidade. geralmente. De forma complementar. se a análise envolve taxonomias diagnósticas. quando se utilizam testes escolares. cuja ênfase está na diferença entre a medida de um dado construto em comparação com medidas de outros construtos. do diagnóstico. ● CONSIDERAÇÕES FINAIS Este capítulo destacou a importância dos parâmetros psicométricos (validade e precisão) para a avaliação e o diagnóstico em saúde mental. de fato. à validade discriminante. A observação das evidências de validade. . se pauta em aspectos como a natureza do construto. Nessa ​direção. dado que os itens devem abranger todo o conteúdo do conhecimento posto em avaliação. enfatiza-se a validade de critério. já que se espera verificar de forma direta a representação comportamental do traço psicológico. pretende-se predizer comportamentos. as evidências de validade se configuram como uma condição sine qua non para sua utilização. seja com ênfase no conteúdo. a validade é o alicerce da medida. principalmente. e igualmente importante. sem sua comprovação. promovendo problemas sérios nos campos da pesquisa. apenas essa constatação não basta para qualificar o instrumento. Como se constata. foca-se na validade de conteúdo. que indica o grau de semelhança (convergência) que a medida tem com outras medidas que avaliam o mesmo construto. que avalia a relação do construto em questão com outros construtos. independentemente do tipo de instrumento. busca-se a validade de construto. pesquisadores e profissionais não têm qualquer garantia de que o instrumento está aferindo adequadamente o construto de interesse. ainda que o conjunto de indicadores citados possa apresentar limitações.

The practice of research in social work. 10. Pasquali L. organizador.6(1):7- 18. Measurement in the social sciences: the link between theory and data. American Educational Research Association. 1980. Thousand Oaks: Sage. 2012. a escolha do instrumento é um elemento primordial para a qualidade da pesquisa. 1970. 2014. Richardson MW. Porto Alegre: Artmed. 4. é fundamental que o profissional analise o contexto e a população-meta a que se destina o instrumento original. Testagem e avaliação psicológica: introdução a testes e medidas. sempre que possível. Engel RJ. 8. Belmont: Wadsworth/Thomson Learning. Practice of social research. seus resultados não são confiáveis. efetivamente. Nunnally JC. ● REFERÊNCIAS 1. Zeller RA. Swerdlik ME. 9. Kuder GF. Carmines EG. Cohen RJ. toda e qualquer avaliação é inútil. A adequação dos resultados passa pela verificação dos parâmetros psicométricos. 2010. e pelo treinamento do aplicador. 3. Introduction to psychological measurement. deve-se voltar a analisá-los. New York: McGraw-Hill. Schutt RK. Psychometrika. 2002. New York: Cambridge University. 2001. Babbie E. Brown JD. 8. Nesse sentido. The theory of estimation of test reliability. Shiken. ed. 7. dado que esses aspectos também podem influenciar a interpretação de resultados. da triagem e do diagnóstico em saúde mental. 9th ed. 6. ainda que se verifiquem indicadores satisfatórios de validade e precisão. Instrumentação psicológica: fundamentos e práticas.3 Ao mesmo tempo. operacionaliza o objeto que se busca medir. em contextos variados. Porto Alegre: AMGH. 2007.2(3):151-60. 2. Sturman ED. 1937. American Psychological . The Cronbach alpha reliability estimate. mesmo que o instrumento apresente parâmetros psicométricos satisfatórios. pela reunião de evidências apresentadas por estudos prévios. Em síntese. Porto Alegre: Artmed. e faz isso com precisão. 5. Urbina S. Fundamentos da testagem psicológica. se não há base teórica e empírica de que o instrumento utilizado.

Babin BJ. Anderson RE. 1959. Porto Alegre: Bookman. Fiske DW. Washington: American Educational Research Association. Association. Análise multivariada dos dados. American Psychological Association. Hair JF. 11. Standards for educational and psychological testing.56(2):81-105. 12. 2009. Convergent and discriminant validation by the multitrait-multimethod matrix. 13. National Council on Measurement in Education. Black WC. 1954. Technical recommendations for psychological tests and diagnostic techniques. 1999. Campbell DT. Tatham RL. Psychol Bull. Washington: APA. .

5 ] INTRODUÇÃO ESTATÍSTICA À AVALIAÇÃO DAS ESCALAS Rinaldo Artes. [ 1. Cada regra pode ser adequada de acordo com os objetivos do avaliador. NÍVEIS DE MENSURAÇÃO Basicamente. Lúcia Pereira Barroso ● O PROCESSO DE MENSURAÇÃO Uma medida define-se como o processo de atribuir um número. ou rótulo. Regra 2: Magnitude baixa. mas pode não ser capaz de identificar os melhores alunos para concessão de um prêmio. as variáveis são classificadas em quatro níveis de mensuração: [A] Nominal: quando os valores não têm uma ordenação natural. a um aspecto relacionado a um objeto (pessoa. normal ou alta.) segundo determi​‐ nadas regras. Por exemplo. etc. B. Por exemplo. C) pode ser adequado para saber seu grau de domínio do conteúdo. EXEMPLO 1: Para avaliar a temperatura corporal há três alternativas: Regra 1: Por meio de uma escala Celsius. serviço. se a variável de interesse for sexo. aferir o desempenho de um aluno por meio de um conceito (A. Regra 3: Estado febril – sim ou não. a única afirmação possível .

a diferença entre temperaturas de 10oC e 30oC é de 20oC. Por exemplo. as operações de multiplicação e divisão não são permitidas. A construção de uma escala de mensuração pode ser feita a partir da operacionalização de construto (ver Cap. [B] Ordinal: as respostas têm uma ordenação. uma régua de 30 cm tem o dobro do tamanho de uma régua de 15 cm.1). OPERACIONALIZAÇÃO DE CONSTRUTO Operacionalizar um construto significa encontrar variáveis diretamente mensuráveis ou observáveis – itens – que individualmente ou em conjunto expressem a intensidade com que o construto incide sobre o objeto que está sendo avaliado. em ciências naturais. peso). Perguntar ao paciente se ele está deprimido não é suficiente para saber o grau da depressão. ex. Em geral. o que se mantém em outras unidades métricas (p. a distância que separa um desempenho excepcional de um bom em um teste pode não ser a mesma que separa um desempenho suficiente de um ruim.. Por exemplo. A intensidade do conceito pode ser medida por meio da pontuação de uma escala. ex. permitindo soma e subtração dos valores. [C] Intervalar: é uma variável numérica. 1. na qual diferenças iguais entre as respostas têm o mesmo significado quantitativo. Nessa escala. Nesses casos. construto de ansiedade. Por exemplo. os problemas de mensu​‐ ração referem-se principalmente à qualidade dos instrumentos de medida (balança). é necessário observar uma série de evidências para se chegar a um diagnóstico mais preciso. deve-se observar diferentes características e utilizar alguma regra para mensurá-lo. ex. mas não significa que 30oC seja três vezes mais quente que 10oC. Como o ponto zero da escala é arbitrário. . [D] Razão ou proporcional: tem maior poder de discriminação. todas as operações matemáticas fazem sentido. Quando o conceito é abstrato (p. de​‐ pressão). Nesses casos. o profissional de saúde mental necessita avaliar construtos complexos... A NATUREZA DA MEDIDA Muitas vezes. sem que as distâncias entre categorias sejam necessariamente iguais. polegadas). a variável (conceito de interesse) é diretamente observável (p. sobre as respostas é que uma exclui a outra. ou mesmo se esse é o diagnóstico correto.

5. entre outros.1 ► OPERACIONALIZAÇÃO DO CONSTRUTO POTENCIAL DE CRESCIMENTO NA EMPRESA.1). FIGURA 1. Inicialmente é necessário encontrar variáveis (itens) que estejam ligadas ao construto. Por exemplo. O construto está representado pelo círculo e as variáveis diretamente observáveis por retângulos que mensurem boa parte do construto. como experiência anterior. 1. Ele só pode ser avaliado quando as variáveis são analisadas conjuntamente. os 20 itens da escala IDATE-T (Inventário de Ansiedade Traço-Estado forma Traço)1 descrevem diferentes . escolaridade. profissão.5. A hipótese subjacente à escolha das variáveis é que o construto seja uma parte comum a todas elas (Fig. EXEMPLO 3: A partir do conhecimento teórico do construto busca-se estabelecer uma lista de características observáveis que permitam sua caracterização.EXEMPLO 2: Deseja-se medir o potencial de cresci​mento de um funcionário em uma empresa (conceito abstrato).

ponderado e senhor de mim mesmo Positivo 8 Sinto que as dificuldades estão se acumulando de tal forma que não as consigo Negativo resolver 9 Preocupo-me demais com coisas sem importância Negativo 10 Sou feliz Positivo 11 Deixo-me afetar muito pelas coisas Negativo 12 Não tenho confiança em mim mesmo Negativo 13 Sinto-me seguro Positivo 14 Evito ter que enfrentar crises e problemas Negativo 15 Sinto-me deprimido Negativo 16 Estou satisfeito Positivo 17 Às vezes ideias sem importância me entram na cabeça e ficam me preocupando Negativo 18 Levo as coisas tão a sério que não consigo tirá-las da cabeça Negativo 19 Sou uma pessoa estável Positivo 20 Fico tenso e perturbado quando penso em problemas do momento Negativo Para a construção das frases.5.1). recomenda-se que elas sejam curtas. formuladas .5. TABELA 1.comportamentos que buscam operacionalizar toda a complexidade do construto traço de ansiedade (Tab. Espera-se que uma pessoa altamente ansiosa tenda a discordar dos itens positivos e a concordar com os negativos. 1.1 ► ITENS DA ESCALA IDATE1 TIPO DE ITEM DESCRIÇÃO ITEM 1 Sinto-me bem Positivo 2 Canso-me facilmente Negativo 3 Tenho vontade de chorar Negativo 4 Gostaria de ser tão feliz como as outras pessoas parecem ser Negativo 5 Perco oportunidades porque não consigo tomar decisões rápidas Negativo 6 Sinto-me descansado Positivo 7 Sinto-me calmo.

estaremos nos referindo às variáveis Xi. Em seguida. 2 – Às vezes. ou seja. Os itens da Tabela 1.. Além disso. 3 – Frequentemente.. [B] Q2 = Q1/20. Por fim. segundo a regra: 1 – Quase nunca. Quanto maior o valor da escala. Os itens redundantes ou pouco relacionados ao construto após a primeira etapa da operacionalização podem ser excluídos. que assume valores entre 20 e 80. Potencialmente. A partir desse ponto. se Ri é a resposta dada ao item i. e que considere o nível cultural do respondente. as respostas obtidas para todas as variáveis podem ser agregadas de modo a criar uma medida única do construto. 4 – Quase sempre. e não “Sinto-me seguro e feliz”). + X20. “Sinto-me feliz”. 10 = presença total). há várias maneiras de resumir a configuração de respostas: [A] Q1 = X1 + .5.1 podem ser avaliados por uma resposta dicotômica (sim/não) ou uma nota de 0 a 10 (0 = ausência total. ex. . É uma escala similar à Q1. o respondente avalia cada item de acordo com o que geralmente sente. ESCALAS Na escala IDATE. para a construção da escala utiliza-se: Assim. na construção do escore dessa escala as respostas aos itens positivos são invertidas. desse modo. maior o valor de Xi.. maior a presença do traço de ansiedade no respondente. assumindo valores entre 1 e 4. sempre que falarmos sobre as respostas aos itens da escala IDATE. Cada frase deve tratar de um único aspecto (p. uma escala. sugere-se o uso de itens positivos e negativos para evitar que o respondente adote o mesmo padrão de resposta. Por convenção. direta e sem ambiguidades. mas agora com um valor médio como resposta. deve-se definir a forma de medir as características identificadas. escala aditiva. “Sinto-me seguro”. quanto maior a intensidade do construto.em linguagem simples.

pode-se supor a existência de uma variável contínua Z que expressa o nível de cansaço do respondente. pois. ela terá uma soma alta. [D] Q4 = número de itens que tiveram respostas 3 ou 4. assumindo valores entre 0 e 20. Algumas propriedades que justificam a construção de uma escala como a Q1 são:2 [A] Uma escala deve conter muitos itens cujas respostas serão somadas. poderíamos modelar essa situação como . como mensuração ordinal.[C] que varia de 0 a 4. No item 2 da escala IDATE. A questão é saber quais dessas alternativas são adequadas para avaliar o construto. na medida em que um respondente atribuir escore 4 a pelo menos um item. [B] Cada item deve expressar uma característica que pode variar de forma quantitativa e contínua. O interesse em uma escala aditiva não estaria em cada item separadamente. expressa-se de maneira imprecisa o real valor dessa variável. evidência de que o construto está presente com certa intensidade. mas no conjunto das 20 respostas. que representa o número de itens percebidos com alta frequên​cia pelo respondente. teríamos uma escala razão. Do ponto de vista matemático. a escala receberá o valor máximo. Ao atribuir um valor a um item não observável. Note que esta escala pode ser vista como sendo mais rigorosa do que as anteriores. De modo pragmático. Nesse caso. Pode-se ar​gumentar que não faz sentido somar Quase nun​ca e Frequentemente. Raciocínio análogo pode ser feito em relação a quem tem avaliações baixas à maioria dos itens. pode-se contra-argumentar dizendo que se uma pessoa tem alta avaliação em boa parte dos itens. invalidaria qualquer ​operação aritmética. em princípio.

b) 35 e 49 ansiedade moderada. consegue medir o construto de interesse (escala válida) – e confiabilida​de. esse tipo de escala é formado por itens com cinco possibilidades de respostas ordinais (p. Escalas aditivas formadas por itens ordinais são denominadas escalas de Likert. A Figura 1.. ou fidedignidade. . aprovo fortemente. c) 50 e 64 alta ansiedade. ● AVALIAÇÃO DE UMA ESCALA A etapa seguinte visa determinar a qualidade de uma escala de acordo com duas propriedades: validade – se a escala. A escala IDATE coincide com Q1 e uma possível categorização de seus resultados seria que valores entre: a) 20 e 34 indicam baixa ansiedade.2 apresenta quatro diferentes escalas (retângulos ou variáveis observáveis) criadas para medir um construto (elipses). em que sempre existe uma resposta certa. ex. desaprovo e desaprovo fortemente). [D] Cada item é uma afirmação para a qual são oferecidas várias possibilidades de avaliação (em geral. com pouco ou livre de erro. de fato. Usualmente. aprovo. entre 4 e 7) e os respondentes devem escolher aquela que melhor representa sua resposta. d) 65 e 80 ansiedade muito alta.5.[C] Os itens não formam um teste de múltipla escolha. indeciso. Alguns autores consideram a confiabilidade uma condição necessária para a validade.

mas com baixa confiabilidade (muito erro). Tendo uma medida em mãos. mas confiável (pouco erro).2 ► PROPRIEDADES DE UMA ESCALA. é impossível saber se o valor observado está acima . ERROS DE MEDIDA Erros não sistemáticos: ocorrem de maneira aleatória.5. são imprevisíveis. [B] Escala 2: retângulo formado por linhas pontilhadas – válida. [A] Escala 1: retângulo formado por linhas contínuas – válida e confiável (pouco erro). [D] Escala 4: retângulo formado por linhas duplas – não válida nem confiável. O valor mostrado em uma balança calibrada se desvia do real por algum erro aleatório que dependerá apenas da precisão do instrumento.FIGURA 1. [C] Escala 3: retângulo formado por linhas tracejadas – não válida.

ocultar a real gravidade de sua psicopatologia. buscando fornecer uma resposta mais agradável ao interlocutor. ligados a vieses de medida. o valor registrado tende a desviar do real sempre na mesma direção e intensidade – erro sistemático – e pode ser modelado por sendo δ o viés de medida e y. Esse erro pode ser representado pelo modelo y é o valor observado. μ é o valor livre de erro (verdadeiro valor da medida) e ε é o erro não sistemático de medida. ou abaixo do real. Tais erros estão mais ligados a problemas de validação do instrumento. μ e ε como definidos em (1). algumas pessoas podem manifestar alta concordância ou discordância de acordo com o contexto. ou atendendo a alguma pressão de grupo. Por exemplo. Uma fonte de viés importante ao se avaliar comportamentos e opiniões é a tendência a responder buscando ser politicamente correto. ou. Uma maneira equivalente de definir esse conceito é utilizar o componente de erro não sistemático (ε) de (1) e (2). Caso haja sobre-estimativa ou subestimativa da medida. uma maneira de avaliar a qualidade das medidas é observar várias vezes o valor registrado pelo instrumento para objetos de pesos conhecidos. ainda. Quando a mag​nitude . estaremos diante de um erro sistemático. ao avaliar uma frase como “a maconha deve ser liberada”. resulta em valores próximos. por exemplo. É possível uma pessoa minimizar (ou exagerar) a presença de ideação suicida para. Erros sistemáticos: previsíveis. ● CONFIABILIDADE OU FIDEDIGNIDADE Uma escala (medida/instrumento) é confiável (fidedigna) quando. podendo ser avaliados por meio de medidas de tendência central (diferença entre as médias das observações e o peso real do objeto). ao ser aplicada em indivíduos com o mesmo nível de um construto. Assume-se que ε tenha média zero e variância σ2. No exemplo da balança. Em uma balança descalibrada.

mais parecidos são os resultados. indicando alta confiabilidade (reprodutibilidade). mais confiável é a escala). E(ε) = 0 e Var(ε) 2 = σ . Uma variação importante do modelo de Spear​man é dada por sendo V uma variável aleatória que indica o valor ver​dadeiro da escala para um dado nível do construto e ε o erro de medida. por ter aprendido a executá-la na primeira vez. Desse modo. O Modelo do Escore Verdadeiro de Spearman é dado pela relação (1). Quando são feitas duas mensurações. Quanto menor o desvio-padrão. A repetição traria embutido um erro não sistemático devido ao aprendizado. σ2 seria uma medida de confiabilidade da escala (quanto menor a variância. Pode acontecer de o construto ter realmente se alterado na segunda vez em que a escala é aplicada. podemos decompor a va​riância da medida em . Admita que μ seja o verdadeiro valor que a escala deveria indicar para um construto. Uma maneira eficiente de avaliar o erro não sistemático é repetir o procedimento de mensuração e avaliar as diferenças observadas nos resultados. é comum denominar a primeira de teste e a segunda de reteste. TEORIA CLÁSSICA DA MENSURAÇÃO O valor efetivamente observado ao aplicarmos uma escala y é uma medida imperfeita de um construto. Ao aplicar repetidamente uma escala à mesma pessoa. Admite-se que a média (valor esperado) de V seja igual a μ (representa-se como E(V) = μ) e que sua variância seja (indi​ca-se: ). O sujeito pode ter maior facilidade na execução da tarefa na segunda vez em que a realiza.desse erro é pequena. tem-se um instrumento confiável. além disso. estaremos sujeitos a dois riscos: a) aprendizado e b) alteração do construto. Supõe-se que V e ε são não correlacionados. garantindo que o construto de interesse não se altere entre mensurações sucessivas. Se​gundo esse modelo. O intervalo de tempo entre as duas aplicações pode influenciar a confiabilidade. sujeito a erros. O desvio-padrão das repetições pode ser uma medida de confiabilidade. REPETIÇÃO Repetir significa realizar a mensuração sob as mesmas condições.

0 ≤ ρ2 ≤ 1. MEDIDAS PARALELAS Duas medidas y1 e y2 de um mesmo construto são paralelas se y1 = V + ε1 e y2 = V + ε2. covariância amostral. Observe que indica a proporção da variabilidade da medida devida ao erro de men​suração. utilizam-se os estimadores usuais: variância amostral. as correlações entre o valor verdadeiro (V) e os erros de medida sejam zero. ​Temos. então. Na prática. Nesse caso. Quando a condição (a) não é satisfeita. Aqui. Em geral. ρ2. menor será a confiabilidade da escala. os parâmetros devem ser estimados a partir dos dados. Quanto maior o erro. a confiabilidade da escala estará associada à correlação existente entre y e V. Define-se a confiabilidade da escala. apresentamos as medidas de confiabilidade em sua forma paramétrica. etc. os erros sejam não correlacionados – desvios observados em uma medida não têm correlação com desvios observados em outras. como Por se tratar do quadrado de uma correlação. mas as demais são. correlação de Pearson. as medidas são . desde que. os erros tenham a mesma variância (Var(ε1) = Var(ε2)) – mesma magnitude dos erros nas duas medidas.

tau-equivalentes.3 ilustra uma situação em que há duas medidas paralelas. ou seja. A Figura 1. então. y1 e y2 são escalas que têm exatamente a mesma confiabilidade. a correlação entre duas medidas paralelas é uma medida da confiabilidade da escala. Se duas medidas y1 e y2 são paralelas. .5.

. + x20 xi é o escore associado ao item i da escala (Fig. Uma forma de gerar medidas paralelas é repetir a mensuração dos dados em um esquema de teste/reteste.FIGURA 1.4). a correlação entre as duas medidas é o grau de confiabilidade da escala. em que seja garantido que não haja aprendizado nem alteração do construto de interesse.5. Nesse caso. y. . é dado pela soma das respostas de cada um de seus 20 itens. ESCALAS ADITIVAS Uma escala é aditiva se o seu valor é obtido a partir da soma dos escores associados a um conjunto de itens. como na escala IDATE.3 ► REPRESENTAÇÃO DE DOIS TESTES PARALELOS. Em casos como esse.. a medida é feita pela composição de um conjunto de itens que têm em comum o fato de estarem associados a ele. Assim. o construto tem um grau de complexidade que faz com que seja difícil medi-lo por meio de uma única pergunta. 1.5. O valor da escala. Temos y = x1 + .

+ xk . Sejam y1 e y2 os valores associados a cada subescala. Estimativa split-half O ponto de partida para estimar a confiabilidade por meio do método split- half é dividir o conjunto de itens em dois subconjuntos de mesmo tamanho. com a vantagem de não ser necessário aplicar o mesmo teste duas vezes para a mesma pessoa. Há maneiras de fazê-lo. O método split-half é uma alternativa. Coeficiente alfa de Cronbach Seja xi o escore associado ao item com E(V) = μ. Dividir os itens em dois conjuntos é um pro​ble​​ma da aplicação do método split-half. y = x1 + .4 ► ESCALA COMPOSTA POR ITENS. O coeficiente alfa de Cronbach3 busca solucionar esse problema. O valor da escala é obtido como a soma dos escores associa​dos aos itens. prova-se que a confiabilidade da escala y é sendo ρ12 o coeficiente de correlação entre y1 e y2.5. e cada uma pode levar a resultados diferentes. que serão tratados como compondo uma escala aditiva. E(εi) = 0 e Var(εi) = .FIGURA 1. pois contorna as limitações do método teste/reteste e permite a utilização de toda a amostra disponível para a aferição da confiabilidade da escala... A expressão (5) é conhecida como Fórmula de Spearman-Brown. temos y = y1 + y2 = V + ε Admitindo que y1 e y2 sejam medidas paralelas.

o coeficiente alfa é dado por sendo o coeficiente de correlação entre dois itens. quanto maior o número de itens. de fato.5. Cada linha refere-se a um tamanho (k) de escala. maior será a confiabi​li​dade da escala. espera-se alta correlação entre as respostas e. traz o valor esperado do coeficiente alfa quando a correlação entre os itens e o número de itens da escala é variada. A Figura 1. maior será o coeficiente . consequentemente. reforçando o fato de ser uma medida de confiabilidade da escala. Nesse caso. o coeficiente alfa de Cronbach também é conhecido como uma medida de confiabilidade interna. Para a mesma correlação. ou a homogeneidade da escala.5. Admita que as variâncias dos itens sejam de fato iguais. O coeficiente alfa é definido como Quanto maior seu valor. Por se basear nos itens que compõem a escala. altos valores para as covariâncias σij. em especial sejam medidas paralelas. Uma propriedade interessante é que ele coincide com a média de todas as possíveis estimativas s​ plit-half de confiabilidade. construída a partir de (7). A expressão (7) é conheci​da como Fórmula generalizada de Spearman-Brown. Valores negativos do coeficiente alfa podem ser encontrados caso haja itens que se correlacionam negativamente. O coeficiente alfa é definido co​mo. o construto. Temos na qual Quando a escala é consistente e todos os itens medem.

Outra propriedade que pode ser intuída a partir da Figura 1. Se a correlação entre os itens for muito baixa.5 ► COEFICIENTE ALFA DE CRONBACH EM FUNÇÃO DA CORRELAÇÃO ENTRE OS ITENS E DO NÚMERO DE ITENS DA ESCALA. Assim. é possível prever o número de itens necessário para construir uma escala com um determinado . é que a utilização de itens com alta correlação entre si leva à construção de uma escala confiável com um número relativamente pequeno de itens. FIGURA 1. A partir de (7) chega-se em Caso seja possível especular sobre o valor de . pode-se construir uma escala com qualquer valor de confiabilidade simplesmente aumentando o número de itens.5.5. será necessário construir uma escala tão longa que talvez não tenha aplicabilidade.5.alfa.

Isso também pode acontecer em escalas em que o sujeito é obrigado a tomar uma posição e tende a responder de modo coerente com ela (p. em uma escala em que os itens descrevem a intensidade de sintomas. Análise de itens A partir do coeficiente alfa.888 2 Canso-me facilmente 0.886 8 Sinto que as dificuldades estão se acumulando de tal forma 0.891 3 Tenho vontade de chorar 0. TABELA 1. A escala IDATE foi aplicada a uma amostra de 790 universitários. Por exemplo. Pode-se minimizar esse efeito na elaboração do questionário controlando a ordem das perguntas e ordenando os itens de forma aleatória ao se aplicar uma escala.. 1.4 cujo alfa obtido foi de 0.887 que não as consigo resolver .891 7 Sinto-me calmo.5.889 4 Gostaria de ser tão feliz como as outras pessoas parecem 0.889 ser 5 Perco oportunidades porque não consigo tomar decisões 0.893 (boa confiabilidade). mas a forma como todos os itens contribuem para a construção de uma escala mais fidedigna.valor de alfa. Um passo adicional na análise é verificar o que aconteceria com esse indicador se cada um dos itens fosse retirado e os demais mantidos (Tab. ex. uma escala sobre posicionamento político de direita.2 ► ANÁLISE DE ITENS DA ESCALA IDATE1 A PARTIR DE UMA AMOSTRA DE 790 UNIVERSITÁRIOS ALFA DE CRONBACH SE O ITEM ITEM DESCRIÇÃO FOR EXCLUÍDO 1 Sinto-me bem* 0. pode-se avaliar não só a confiabilidade da escala. Podem ocorrer problemas caso os erros associados aos itens sejam correlacionados.5.890 rápidas 6 Sinto-me descansado* 0. uma pessoa pode exagerar ou minimizar a intensidade do que sente à medida que responde.2). ponderado e senhor de mim mesmo* 0. centro ou esquerda).

9 Preocupo-me demais com coisas sem importância 0. Esse tipo de análise pode ser útil no processo de criação de uma nova escala. Coeficiente alfa estratificado Admita a situação em que os itens da escala não sejam paralelos. Com a exclusão do item 14. o coeficiente aumentou para 0.889 10 Sou feliz* 0.884 17 Às vezes ideias sem importância me entram na cabeça e 0. Trata-se de uma variação muito pequena para deduzirmos que há problemas de confiabilidade em relação a esse item em particular.897. Isso só seria considerado caso a diferença fosse relevante.888 momento * Item com respostas invertidas.887 20 Fico tenso e perturbado quando penso em problemas do 0. mas possam ser agrupados em g conjuntos de itens paralelos.885 16 Estou satisfeito* 0.886 11 Deixo-me afetar muito pelas coisas 0. A decisão de remoção de um item deve ter suporte na teoria.888 13 Sinto-me seguro* 0. A análise de itens pode sugerir itens que não contribuem para maior confiabilidade da escala. não podendo ser automática nem baseada em sua aplicação em uma única amostra.887 12 Não tenho confiança em mim mesmo 0. cada um formando uma subescala.888 ficam me preocupando 18 Levo as coisas tão a sério que não consigo tirá-las da 0.885 14 Evito ter que enfrentar crises e problemas 0. o escore da escala y pode ser obtido por .897 15 Sinto-me deprimido 0.885 cabeça 19 Sou uma pessoa estável* 0. Nesse caso.

o item alfa estratificado é definido por com αi indicando o valor do coeficiente alfa de Cronbach calculado a partir de xij. Em relação ao uso. Nessa situação. Destacamos a seguir algumas maneiras de se avaliar o . O processo de validação de uma escala deve ser contínuo. por mudanças culturais ou por palavras que caem em desuso.. sendo que os itens Xij e Xik são paralelos. Na verdade. ela não é suficiente. valida-se o uso do instrumento (relógio/escala) tendo em mente um determinado objetivo. ● VALIDADE DE ESCALA Se a confiabilidade é uma característica necessária para uma boa escala. Além disso. um relógio analógico seria válido para medir o tempo de realização de uma prova (horas). Uma escala pode ser válida para pessoas com certo nível educacional e não válida para pessoas de outro nível. para a subescala i.. até que ponto de fato mede o conceito que se propõe a medir.na qual xij representa a resposta dada ao item j da subescala i. porém não seria para observar o tempo de reação de um paciente a um estímulo visual (em milissegundos). . Escalas desenvolvidas em um país devem passar por um processo de validação antes de serem aplicadas a um país diferente. deve-se tomar cuidado com a tradução e a compreensão dos itens da escala. j = 1. Medir algo com pouco erro não significa que estamos medindo o construto que gostaríamos de medir.. Um passo importante no estudo de escalas é determinar até que ponto é válida – ou seja. pois uma escala válida para uma população pode deixar de ser válida com o passar do tempo. A validade é uma característica que depende do uso que será feito da escala e da população à qual será aplicada. ki.

Por exemplo. Alta correlação indica que a escala é válida. nem sempre é fácil encontrar esse padrão-ouro.grau de validade de uma escala. Quando os dados da escala e do padrão-ouro são coletados no mesmo momento. A aceitação da validade da escala dependerá da reputação dos juízes. o que requer um bom entendimento teórico do construto e suas diversas dimensões. pode-se esperar correlação razoável entre essa nota e uma medida de desempenho observada ao final do primeiro semestre do curso. VALIDADE DE CRITÉRIO Avaliada a partir da comparação entre a escala e outra variável/escala (critério) que reflita o construto de interesse. VALIDADE DE CONSTRUTO . a escala será considerada válida (validade aparente). no entanto. avalia-se a validade concorrente do tes​te. Um modo de aferir isso é apresentar a escala para um grupo de especialistas (juízes) e perguntar-lhes o que ela está medindo. A qualidade da aferição desse tipo de validade está ligada ao intervalo de tempo entre a aplicação da escala e a verificação da variável usada para teste. Uma maneira de avaliar esse tipo de validade é correlacionar os resultados da escala com valores obtidos em outra escala que seja válida para o construto de interesse (padrão-ouro). à medida que o curso avança. A validade preditiva refere-se à capacidade da escala de prever o estado futuro do sujeito a quem foi aplicada. No entanto. Pode-se também perguntar aos especialistas se os itens da escala cobrem toda a complexidade do construto.5 VALIDADE DE CONTEÚDO Refere-se à extensão em que os itens que compõem a escala cobrem de fato toda a complexidade do construto de interesse. testes feitos a eventuais receptores de órgãos para prever o sucesso de um transplante – a validade é feita comparando-se os resultados do teste com o resultado do transplante. Caso haja consenso quanto à definição do construto. Por exemplo. Esse tipo de validação sofre críticas pelo grau de subjetividade envolvido e pelos critérios de escolha dos juízes. é de se esperar que essa correlação diminua. se a nota no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) é um teste válido para a seleção de candidatos em uma universidade.

teremos mais evidências de que a escala consegue identificar esses grupos. Elas dependem da po​pulação.6-10 . divergente (ou discriminante) – quando é encontrada baixa correlação entre a escala de in​teresse e as escalas que medem construtos di​ferentes daquele para o qual a escala foi cons​truída. aplica-se a escala a um ou mais grupos de pessoas e correlaciona-se o valor da escala com os comportamentos elencados. O ponto de partida para determinar a validade de construto de uma nova escala de depressão poderia elencar comportamentos ou sinais que diferenciam uma pessoa com alta intensidade de depressão de uma com baixa intensidade. Para os interessados. caso os escores caminhem em direções diferentes.2.Esse tipo de validação está relacionado ao uso da escala na prática. Em seguida. ● CONSIDERAÇÕES FINAIS A construção e a análise das propriedades de uma escala são temas relevantes para o usuário de escalas de avaliação. No caso da escala de depressão. haverá evidências de que a escala mede o que se propõe. podemos aplicá-la a um grupo de pacientes sabidamente deprimidos e a outro que certamente não tem depressão. A validade de construto pode ser: convergente – quando são obtidas altas correlações entre a escala de interesse e outras medidas do mesmo construto. Outra possibilidade seria aplicar a escala a grupos de indivíduos que sabidamente diferem quanto ao construto. Deve-se ter em mente que a confiabilidade e a validade não são caracterís​ticas intrínsecas das escalas. Uma escala deve ser sempre avaliada levando-se em conta o seu uso. ou quando são encontradas diferenças significativas entre grupos que sabidamente diferem quanto ao construto de interesse. destacamos referências bibliográficas que complementam e aprofundam os temas discutidos aqui. Busca-se avaliar se a escala realmente está medindo o construto de modo eficiente. do momento e do contexto em que são apli​‐ cadas. Caso pessoas com alto valor na escala tenham comportamentos associados a pessoas com alta intensidade de depressão e valores baixos com pessoas com baixa intensidade de depressão.

Palo Alto: Consulting Psychologists. Métodos e técnicas de pesquisa social. 7. Psychometrika. Vieira Filho AH. Gorenstein C. Gorsuch RLE. Hillsdale: Lawrence Erlbaum. Los Angeles: Sage. 6. ● REFERÊNCIAS 1.16(3):297-334. Psychometric properties of the Portuguese version of the Beck Depression Inventory on Brazilian college students. Schmelkin LP. Scale development: theory and applications. Tung TC. Traub RE. Coefficient Alpha and the internal structure of tests. Carmines EG. Spector PE. Psychometric theory. Cronbach LJ. Spielberger CD. DeVellis RF. 3. 10. design and analysis: an integrated approach. 4. 2012.55(5):553- 62. 1999. 9. Measurement. 1970. Artes R. ed. 1994. J Clin Psychol. Newbury Park: Sage. 1979. . 5. 1994. New York: McGraw-Hill. Andrade L. 8. 3rd ed. 2008. Lushene RD. 6. Zeller RA. Nunnally JC. 2. 1992. São Paulo: Atlas. Thousand Oaks: Sage. Pedhazur EJ. Reliability for the social sciences: theory and applications. 1991. 1951. STAI: manual for the State- Trait Anxiety Inventory. Thousand Oaks: Sage. 3rd ed. Reliability and validity assessment. Bernstein IH. Summated Rating Scale Construction: an introduction. Gil AC.

Tratava-se de um primeiro método de AF.4 Os itens dessa escala são constituídos por frases (ver Cap. Para análi​se dos itens.5 . sendo 1 quase nunca ocorre.3.1 um método para a criação de um índice geral de inteligência (fator “g”) com base nos resultados de vários testes (escalas) que supostamente refletiriam essa aptidão. O desenvolvimento de métodos de AF esteve muito ligado ao problema da avaliação de escalas cognitivas por pesquisadores da área de psicologia.6 ] ASPECTOS PRÁTICOS DA ANÁLISE FATORIAL Lúcia Pereira Barroso. adequado para a estimação de um único fator. quando Spearman desenvolveu. em 1904. apresentamos uma AF aplicada aos itens da forma traço do Inventário de Ansiedade Traço-Estado (IDATE- T). 1. Sua origem data do início do século XX. discutiremos alguns pontos sobre a aplicação da AF. esses escores foram convertidos de modo que pontuações altas representem um estado negativo. Como ilustração da técnica. Rinaldo Artes O uso da análise fatorial (AF) no estudo de es​calas de avaliação é bastante amplo e antigo. Neste capítulo. o que fez a aceitação dessas técnicas aumentar. 2 às vezes. No início. Em 1940. com Lawley. [ 1. 3 frequentemente e 4 quase sempre.5) e avaliados com escores de 1 a 4. e. de responsabilidade de psicometristas. durante muito tempo. priorizando as questões mais importantes e omitindo aspectos excessiva​‐ mente técnicos. Os dados em questão correspondem a um subconjunto de uma amostra de universitários (790 estudantes da Universidade de São Paulo). os métodos apresentavam uma característica mais empírica do que formal.2 surgiu o primeiro trabalho com rigor matemático (em termos de inferência estatística).

. explicitando uma estrutura de interdependência subjacente aos dados. Nesse contexto. Além disso. Essas variáveis podem ser. Trata-se de uma análise que pode ser utilizada na verificação da confiabilidade e da validade de uma escala. para cada elemento de uma amostra. um modelo de AF busca explicar as respostas observadas por meio da influência de construtos (expressos por meio dos fatores – variáveis latentes) presentes na escala. Diante de um quadro como esse. [B] a descrição da inter-relação entre essas variáveis. ou fatores).● O QUE É E PARA QUE SERVE UMA ANÁLISE FATORIAL Uma situação comum em várias áreas do conhecimento e. por exemplo.] um conjunto de técnicas estatísticas cujo objetivo é representar ou descrever um número de variáveis iniciais a partir de um menor número de variáveis hipotéticas”. Ela pode ser definida como “[. um conjunto de itens de uma escala ou os escores obtidos por um indivíduo em diferentes escalas de avaliação. é aquela na qual. que explicam aspectos comuns ao conjunto original de variáveis. o pesquisador pode trabalhar com um número reduzido de variáveis sem grande perda de informações (resolução do problema “a”) e cada um desses fatores pode representar uma característica subjacente aos dados (resolução do problema “b”). Quando a AF é bem-sucedida. ● MÉTODOS PARA A OBTENÇÃO DOS FATORES E SUPOSIÇÕES . em particular.6 Trata-se de uma técnica estatística multivariada que. A AF busca resolver esses dois problemas. em psiquiatria e psicologia. o pesquisador enfrenta dois problemas: [A] a caracterização dos avaliados levando-se em conta um grande conjunto de variáveis. Essa descrição pode passar pela identificação de construtos associados aos itens de uma escala de avaliação. é possível saber o quanto cada fator está associado a cada variável e o quanto o conjunto de fatores explica a variabilidade geral dos dados originais.. a partir da estrutura de dependência existente entre as variáveis de interesse (em geral representada pelas correlações ou covariâncias entre essas variáveis). permite identificar um conjunto menor de variáveis (variáveis latentes. se observa grande número de variáveis.

é comum considerar as escalas como se fossem . as variáveis com maior variância podem vir a ser predominantes na construção dos fatores. expressa pela soma das variâncias das variáveis originais. cuja distribuição conjunta é a normal bivariada com a correlação especial. a correlação tetracórica é um caso particular quando as variáveis categorizadas têm duas categorias. utilizamos a matriz de correlações policóricas entre os itens. sugere-se trabalhar com as variáveis padronizadas. A correlação policórica é indicada quando ambas as variáveis são ordinais com duas ou mais categorias. A correlação polisserial é indicada quando uma das variáveis é ordinal e a outra é intervalar. Nesses casos. já a correlação bis​serial é o caso particular em que a variável ca​tegorizada é dicotômica. eventualmente mascarando a presença de variáveis com menor variabilidade. as categorias das variáveis observadas são vistas como classes das variáveis contínuas subjacentes. pressupõe-se que existam duas variáveis subjacentes às variáveis observadas. é indicado que a análise seja feita com base em matrizes de correlações adequadas. Quando as variáveis são categorizadas. Quando as variâncias são muito diferentes entre si. Como medida da interdependência dos dados. cujas variâncias são iguais a um e cujas covariâncias correspondem às correlações entre as variáveis originais. Nas definições dessas correlações especiais. Considere que cada item da escala IDATE estaria associado a uma variável contínua x da seguinte forma: supondo que as variáveis associadas a cada dois itens seguem a distribuição normal bivariada com correlação policórica que. em geral. Embora não estritamente correto. Essa padronização também é indicada quando as variáveis originais tiverem unidades de medida diferentes.EXIGIDAS Os fatores comuns explicam parte da variabilidade total dos dados. é maior do que a correlação de Pearson quando se considera a resposta ao item como se fosse uma variável quantitativa.

Isso limita sua utilização na análise de escalas de avaliação psicológica. que indicam o quanto cada variável está associada a cada fator e os autovalores associados a cada um dos fatores envolvidos. consequentemente. a .1 a 1. a soma dos autovalores corresponde à soma das variâncias dessas variáveis (no caso de se usar a matriz de correlações. Os autovalores refletem a importância do fator. os fatores são obtidos a partir da decomposição da matriz de correlações (ou de covariâncias). Um método bastante conhecido para a obtenção dos fatores é o da máxima verossimilhança. pois depende das restrições impostas. a amostra for grande e a distribuição não for fortemente assimétrica. em sua maioria. Tecnicamente. já que.1 encontram-se os autovalores e suas respectivas porcentagens de explicação. Outra questão importante sobre o método é que alguns parâmetros do modelo não podem ser estimados (são não identificáveis) e para que a estimativa seja feita é necessário impor restrições sobre a matriz de covariâncias (ou de correlações). Apesar das críticas de que essa escolha pode causar problemas na estimação dos parâmetros. em que se supõe que as variáveis envolvidas sigam uma distribuição normal. o que faz essa soma ser igual ao número de variáveis envolvidas). Esse método não é indicado para os casos em que a suposição de normalidade das variáveis envolvidas não esteja satisfeita. são compostas por itens cujas respostas não podem ser modeladas por meio da distribuição normal.7 Sua vantagem é não pressupor a normalidade das variáveis envolvidas.contínuas. Como resultado dessa decomposição.3 resumem a aplicação do método de componentes principais aos itens da escala IDATE.6. explica 39. cada uma delas tem variância um. obtêm-se as cargas fatoriais.6. estamos utilizando variáveis padronizadas e. Um dos métodos de estimação mais utilizados é o baseado na análise de componentes principais. a razão entre um autovalor e a soma das va​riâncias (ou o número de variáveis. A soma das proporções relativas aos fatores considerados na análise reflete o quanto da variabilidade dos dados é explicado pelo conjunto de fatores. no caso da matriz de correlações) indica a proporção da variabilidade total dos dados explicada pelo fator. é uma análise usual e aceitável quando a escala for ordinal com pelo menos 5 pontos (tipo escala Likert). Na Tabela 1. As Tabelas 1. sozinho.6. Quando o número de fatores é igual ao número de variáveis. Isso implica que a solução não seja única. Nota-se que o primeiro fator. especialmente se a escala tiver poucos pontos e o método de máxima verossimilhança for usado.1% da variabilidade total dos dados. Desse modo.

95 92.30 8 0. TABELA 1.40 6 0.35 1.35 13 0.45 1.60 0. 59.20 16 0.50 0.00 59.58 2.20 15 0.25 74.35 88.35 3 1. mínimos quadrados ponderados diagonalmente (Diagonal Weighted Least Square – DWLS) e mínimos quadrados generalizados (Generalized Least Square – GLS).15 10 0. conjuntamente.10 78. Os métodos baseados na minimização da soma de quadrados.90 80.15 90.75 47. que é atingida ao se considerar os 20 fatores.65 71.05 0.10 - 2 1.00 0.90 0.65 0.00 0.85 30.75 94.45 2. Os quatro primeiros fatores explicam.6.20 11 0.47 2.60 64.10 39.1 ► RESUMO DA EXPLICAÇÃO DOS FATORES DE UMA AF OBTIDA A PARTIR DE UMA ANÁLISE DE COMPONENTES PRINCIPAIS APLICADA AOS ITENS DA ESCALA IDATE-T EXPLICAÇÃO VARIAÇÃO DA FATOR AUTOVALOR EXPLICAÇÃOa (%) ACUMULADAb EXPLICAÇÃOc 1 7.explicação conjunta dos dois primeiros fatores é da ordem de 48% da variabilidade total e assim sucessivamente até 100% de explicação.00 5.65 7 0.43 2.60 54.39 1.65 0. não requerem a suposição de normalidade e são indicados para a análise de variáveis categorizadas.75 8.10 14 0.56 2. mínimos quadrados ponderados (Weighted Least Square – WLS).95 68.82 39.20 .70 0.32 6. Os mais conhecidos são: mínimos quadrados não ponderados (Unweighted Least Square – ULS).4% da variabilidade total dos dados.45 86.35 0.73 3.92 4.15 4 1.80 83.49 2.40 9 0.79 3.65 3.15 0.90 0.62 3. entre outros existentes.10 12 0.60 5 0.

61 12 0.2 ► COMUNALIDADES REFERENTES A UMA SOLUÇÃO COM 4 FATORES ITEM COMUNALIDADE 1 0.72 17 0.65 18 0.20 20 0.17 0.52 5 0.58 15 0.58 14 0.35 98.00 0.62 8 0.05 100.66 7 0.79 11 0.66 2 0.70 96.49 13 0.30 a 100 * autovalor/20 b Soma das explicações da linha atual e das linhas anteriores c Diferença entre as explicações de dois fatores consecutivos TABELA 1.40 4 0.63 19 0.31 1.52 20 0.27 1.34 1.61 10 0.05 18 0.53 9 0.60 0.62 6 0.95 0.51 .53 3 0.21 1.15 19 0.6.67 16 0.55 97.05 0.

00 4 0.37 -0.50 0.21 -0.32 0.25 0.10 2 0.70 0.09 -0.07 -0.06 0. há três informações básicas que podem ser extraídas de uma AF: a porcentagem de explicação da variabilidade total.71 -0.63 0.11 -0.77 0.27 0.50 13 0.45 0.40 5 0.41 0.78 0.14 0.15 -0.52 0.21 0.86 0. as comunalidades e as cargas fatoriais.14 0.06 20 0.18 0.15 10 0.05 0.22 ● INTERPRETAÇÃO DOS FATORES E ROTAÇÕES Definido o número de fatores.22 -0.08 8 0.24 0.10 0.04 -0.58 0.17 0.13 18 0.24 -0.25 0.27 0.69 0. SEM E COM ROTAÇÃO FATORES SOLUÇÃO NÃO ROTACIONADA SOLUÇÃO APÓS ROTAÇÃO VARIMAX ITEM 1 2 3 4 1 2 3 4 1 0.09 0.27 0.23 0.50 -0.28 0.51 -0.47 0.3 ► CARGAS FATORIAIS PARA UMA SOLUÇÃO COM 4 FATORES.16 0.62 0.54 0.15 0.20 0.76 15 0.61 0.18 0.10 0.69 0.19 0.16 0.55 0.77 -0.20 0.08 0.65 0.05 0.73 -0.37 0.76 -0.34 0.37 0.07 0.17 0.58 -0.45 0.04 0.04 0.25 0.43 0.10 -0. TABELA 1.25 0.78 0.12 0.09 -0.14 11 0.49 0.11 0.08 7 0.19 0.17 12 0.18 3 0.19 0.57 0.12 0.25 0.59 0.67 -0.32 14 0.74 0.41 -0.72 0.05 0.04 0.18 0.47 -0.14 0.27 -0.15 0.22 0.22 -0.72 6 0.48 -0.6.62 0.19 0.16 0.26 0.58 0.41 0.50 0.47 0.03 0.16 19 0.17 -0.68 0.19 0.11 16 0.16 0.47 0.39 0.14 17 0.12 0.15 0.35 -0.70 -0.24 0.34 0.17 -0.28 -0.02 0.16 0.19 0.24 0.19 -0.18 0.11 0.41 0.31 0.02 -0.56 0.01 -0.20 0.23 0.17 -0.49 9 0.11 0.64 -0. .75 -0.

Note que na solução não rotacionada. As comunalidades são índices atribuídos às variáveis originais que expressam. 10. 11. Isso pode ser feito por meio de procedimentos de “rotação” dos fatores. melhor será o ajuste da AF.2 mostra as comunalidades da solução com 4 fatores para os dados de nosso exemplo. 4. No caso de se utilizar variáveis padronizadas (matriz de correlações).4% da variabilidade total estão sendo explicados por essa solução. um conjunto infinito de fatores explica igualmente bem o comportamento dos dados. 16 e 19 predominam no fator 1. As características em comum estão ligadas às interpretações dos respectivos fatores. conclui-se que os itens: 1. 15. 2. o quanto da variabilidade de cada variável é explicada pelo modelo de AF estimado.3). 15.). que são parâmetros de um modelo fatorial que expressam as covariân​cias entre cada fator e as variáveis originais. A interpretação dos fatores de uma AF é feita por meio das cargas fatoriais. 6. 7. p. Quando observadas as cargas obtidas após uma rotação Varimax. 8. uma vez que apenas 59. podendo ser construtos ligados ao . 13 e 19 no fator 3. Para facilitar a interpretação dos fatores. 4. em termos percentuais. esses valores correspondem às correlações entre os fatores e as variáveis originais (Tab. 13. outras soluções do ponto de vista da explicação da variabilidade dos dados devem ser obtidas. já que para um mesmo conjunto de variáveis a solução não é única. 12 e 14 predominam no fator 4. ex. a primeira solução fornecida pelos programas estatísticos não gera fatores que tenham uma interpretação adequada.6. Os dados indicam um ajuste regular. A Tabela 1. Um dos problemas com a aplicação da AF é a interpretação dos fatores. 3. isso dificulta a identificação de estruturas de dependência. 3. Em geral. ou seja. 7. para obtê-los com maior potencial de interpretação (Varimax. 5. O item mais bem explicado pelos fatores é o 10 (com 79%) e o pior é o 3 (com 40%). Nesses casos. 17. 1.6. Cabe ao analista avaliar o que há de comum em cada um dos quatro conjuntos de itens descritos. 9. Quanto mais próximo de um estiverem as comunalidades. 18 e 20 no fator 2. o primeiro fator está associado a praticamente todos os itens e o quarto fator somente ao item 2. todas as cargas com valores absolutos superiores ou iguais a 40% (valor arbitrário) foram destacadas.

Aplicamos uma rotação oblíqua do tipo Oblimin aos dados apresentados. 5.4) levam à conclusão de que os itens: 1. 11. 1. 12 e 14 no 3.4 ► MATRIZ DE CARGAS PADRÃO OBTIDA APÓS UMA ROTAÇÃO OBLIMIN. Os componentes da matriz de cargas de estrutura. No entanto. essa hipótese nem sempre leva a resultados razoáveis.construto medido pela escala IDATE. 10. 13.01 0. e 2. PARA UMA SOLUÇÃO COM 4 FATORES FATORES ITENS 1 2 3 4 1 0. Os componentes da matriz de cargas padrão medem a dependência das variáveis nos diferentes fatores e podem ser considerados coeficientes de regressão nas variáveis sobre os fatores.6. A rotação Varimax pertence à classe de métodos denominados rotações ortogonais.13 . os resultados de uma rotação oblíqua são duas matrizes: uma de cargas padrão e uma de cargas de estrutura.6. Indica-se o uso dessas cargas para a interpretação dos fatores. 3. teremos a proporção da variância da variável. na qual é produzida uma única matriz de cargas fatoriais. 18 e 20 no fator 2. cuja característica básica é gerar fatores não correlacionados entre si. 8. 15. Esse tipo de método acarreta uma dificuldade maior para a interpretação dos fatores rotacionados. correspondem ao coeficiente de correlação linear entre as variáveis e os fatores oblíquos. 17. Ao elevarmos um desses componentes ao quadrado. 9. TABELA 1.14 0. Uma rotação oblíqua gera fatores que podem ser correlacionados entre si. os fatores gerados pela rotação ortogonal podem ser de difícil interpretação. por sua vez. Ao contrário de uma rotação ortogonal. As cargas padrão (Tab. Quando os construtos presentes em uma escala são correlacionados. 4. 16 e 19 predominam no fator 1. que é explicada pelo fator. Para lidar com esse problema existem os métodos denominados de rotações oblíquas. 6 e 7 predominam no fator 4.80 -0.

06 12 0.04 11 -0.43 -0.06 -0. Isso não acontecerá necessariamente em outras situações.01 -0.6.10 0.40 0.33 -0.20 0.78 0.32 -0.01 -0.10 17 -0.80 -0.02 0.03 0.01 0.43 0.03 18 0.74 0. A matriz de estrutura (Tab. às situações nas quais as cargas padrão também são altas.02 0.03 19 0.12 0. Novamente.17 0.70 3 0.07 0.03 -0.10 Essas informações podem ser utilizadas de modo análogo às cargas fatoriais rotacionadas obtidas por meio da rotação Varimax para auxiliar na interpretação dos parâmetros.45 0.5) indica as correlações entre cada variável e os fatores.05 0.04 0.14 -0.19 13 0.25 0.03 16 0. os fatores obtidos após a rotação Oblimin são semelhantes aos obtidos anteriormente com a rotação Varimax. 1.2 -0.79 0.69 0.00 0.02 0.09 0. uma hipótese para explicar essa ocorrência é a inexistência de altas .35 0.11 0.13 0.35 0.46 0.66 0.02 0.08 0.12 0.01 0.14 0.54 0.14 -0.02 0. em geral.02 -0.35 20 -0.91 -0.79 7 0.71 -0.03 0.05 15 0.05 0.12 0.22 0.17 0.05 0.32 14 -0. Em comparação.30 9 -0. o que pode ser explicado pela inexistência de altas correlações entre os fatores rotacionados.62 0. Note que nessa aplicação as correlações mais altas correspondem.52 8 0. Cabe ressaltar que as rotações ortogonais são casos particulares das oblíquas quando inexiste correlação entre os fatores.01 6 0.03 4 0.22 5 0.84 -0.07 10 0.16 0.

55 14 0.15 0.40 0.59 0.49 0.32 11 0.33 0.6.38 13 0.45 0.61 0.41 0.32 0.77 0.58 0.44 0.32 0.33 0.21 0.6).60 0.03 0.39 0.28 0.35 16 0.5 ► MATRIZ DE CARGAS DE ESTRUTURA OBTIDA APÓS UMA ROTAÇÃO OBLIMIN.57 20 0.6.41 2 0.43 0.28 0.32 0.62 0.07 0.41 0.33 0.28 0.71 3 0.6 ► MATRIZ DE CORRELAÇÕES ENTRE OS FATORES OBTIDOS APÓS UMA ROTAÇÃO OBLIMIN FATORES OBTIDOS 1 2 3 4 .88 0.64 0.70 8 0.57 0.74 0.80 0.6.24 0.47 9 0.77 0.31 19 0.54 0.78 0.20 0.34 12 0.29 0. TABELA 1.21 0.33 0.44 0.49 0.32 4 0.44 0.correlações entre os fatores rotacionados (Tab.50 0.27 0. PARA UMA SOLUÇÃO COM 4 FATORES FATORES ITENS 1 2 3 4 1 0.26 0.36 0.28 0.77 0.22 0.81 7 0.38 0.35 TABELA 1.70 0.50 0.18 6 0. 1.47 0.80 0.84 0.09 5 0.77 0.27 0.22 0.00 15 0.31 10 0.33 0.44 17 0.26 18 0.

00 0. ele pode não identificar estruturas importantes existentes nos dados. simplesmente comparar soluções com diferentes números de fatores e fazer a escolha com base no bom senso do pesquisador.30 2 0.41 0.41 1. se o número é excessivo.14 4 0.41 0. não existindo hierarquia entre eles. invariavelmente. Como regra geral. o pesquisador deve procurar um compromisso entre o número de fatores (que. consequentemente.1). os critérios apresentados na sequência podem ser utilizados como ponto de partida para a obtenção de uma solução final.37 3 0.37 0.00 0. Os métodos de escolha a seguir têm apenas caráter indicativo.38 1. No exemplo. em situações práticas.00 0. determina que o número de fatores deve ser igual ao número de autovalores maiores ou iguais à média das variâncias das variáveis analisadas. Nesses casos. ele pode vir a ter problemas de interpretação dos fatores.38 0. esse critério corresponde a excluir os fatores com autovalores inferiores a 1. É comum.41 0. Na situação em que a AF é feita sobre a matriz de correlações (variáveis padronizadas).6.00 ● ESCOLHA DO NÚMERO DE FATORES A escolha do número de fatores é uma das tarefas mais importantes de uma AF. também conhecido como critério da raiz latente.14 1. CRITÉRIO DE KAISER – Esse critério. conduzem a resultados diferentes. O critério de Kaiser aplicado ao exemplo nos levaria a optar por uma solução com 4 fatores (Tab. o valor 1 corresponde à variância de cada variável padronizada e.8 Por sua vez.30 0. esse critério descarta os fatores que tenham grau de explicação inferior ao de uma variável isolada.1 1. Se o pesquisador optar por um número muito reduzido. CRITÉRIO DA PORCENTAGEM DA VARIÂNCIA EXPLICADA – O número é determinado de modo que o conjunto de fatores comuns explique uma porcentagem predefinida da variabilidade global. Nesses casos. a princípio. 1. se . Existem vários critérios que auxiliam na determinação do número de fatores que. deve ser o menor possível) e a capacidade de interpretá-los.

Na última coluna da Tabela 1. deveríamos optar por uma solução com 7 fatores (Tab. o número ótimo de fatores é obtido quando a variação da explicação entre fatores consecutivos passa a ser pequena. Por este critério. em alguns casos. não são adequados à análise da maioria das escalas psicológicas. Há uma série de sugestões para a escolha do tamanho amostral.6. Outros sugerem que o número de observações deva ser de.1). CRITÉRIO SCREE TEST – É comum que a diferença de explicação entre os primeiros fatores de uma AF seja grande e que tenda a diminuir com o aumento no número de fatores. apresentamos a diferença de explicação entre dois fatores consecutivos.estipularmos um nível de explicação de pelo menos 70% da variabilidade total dos dados. esse método sugere a adoção de pelo menos 4 fatores.6. . 1. em princípio. é necessário um tamanho amostral relativamente grande em comparação ao número de variáveis envolvidas. Apesar disso. MÉTODOS INFERENCIAIS – Outros métodos foram desenvolvidos para os casos em que as variáveis originais seguem distribuição normal. e que preferencialmente a análise seja feita com pelo menos 100 observações. há necessidade de amostras maiores. Entretanto. sendo que a significância obtida nessas situações não corresponde à realidade. eles podem ser utilizados com um fim puramente indicativo. essas opções baseiam-se na experiência pessoal dos diversos autores que. para que isso seja feito com um mínimo de qualidade. Desse modo. sugerem um tamanho da ordem de 20 vezes o número de variáveis envolvidas. Eles consistem no desenvolvimento de testes que se alicerçam na suposição de normalidade e. ● TAMANHO AMOSTRAL Uma AF envolve a estimação de um grande número de parâmetros e. há concordância de que ela não deve ser utilizada em amostras inferiores a 50 observações.1.8 Quando as variáveis observadas são categorizadas. cinco vezes o número de variáveis. Em geral. no mínimo. note que a partir do quinto fator essa diferença diminui sensivelmente. que verifica a adequação do modelo de AF estimado (pelo método da máxima verossimilhança) para representar a estrutura de dependência dos dados. Entre esses testes destacamos o de Bartlett.

destaca-se: [A] o tamanho insuficiente da amostra – uma amostra pequena pode não refletir de maneira pre​cisa a estrutura de interdependência dos dados. em uma escala composta por itens. Se a estrutura de dependência é forte. espera- se que a correlação parcial seja baixa. há várias medidas que verificam a viabilidade e a avaliação da qualidade do ajuste do modelo fatorial. De qualquer modo. eliminado o efeito das demais. ela será bem-sucedida se for possível determinar um pequeno conjunto de fatores que consiga explicar uma parte considerável da variabilidade do conjunto original de variáveis. O KMO (Kaiser-Meyer-Olkin) é uma medida da viabilidade da AF baseada nas correlações parciais entre as variáveis (Tab. [C] a estrutura de dependência pode não ser ho​mo​gênea em toda a amostra – itens de uma escala que se associam de modo distinto (têm estruturas de dependência diferentes) para homens e mulheres. O coeficiente de correlação parcial pode ser interpretado como a correlação entre duas variáveis. [B] encontrar fatores interpretáveis.● ANÁLISE FATORIAL “BEM-SUCEDIDA” O sucesso de uma AF está diretamente ligado aos objetivos iniciais do pesquisador. Nesse caso. uma AF aplicada apenas a um dos sexos pode ser bem-sucedida.7-9 A AF deve ser viável se existir uma estrutura de dependência entre as variáveis.30.8 caso contrário a estrutura de interdependência será muito tênue para produzir resultados satisfatórios.6. há propriedades que são desejáveis a uma solução de uma AF: [A] encontrar um número relativamente pequeno de fatores que tenha alto grau de explicação da variabilidade original dos dados. no caso de insucesso e quando exis​‐ tirem razões teóricas para isso. Parece ra​zoável que. [B] variáveis com fraca interdependência – por exemplo. Entre as razões que explicariam o insucesso de uma AF.7). mas aplicada à amostra total não. 1. Na literatura. é possível que uma AF não consiga identificar fatores com um grau razoável de interpretação. uma AF seja feita para cada subgrupo de interesse de uma amostra. Se a intenção é simplesmente reduzir o número de variáveis. . em que cada um mede um aspecto diferente do construto de interesse. Para o sucesso de uma AF é necessário que exista um número razoável de correlações superiores (em módulo) a 0.

e o resultado indicaria se essa variável poderia ser explicada pelas demais.6.8.6. mostrando que um modelo da AF pode explicar bem todas as variáveis.00 – 0.8 ► VALORES DE MSA E KMO DA AF APLICADA AOS ITENS DA ESCALA IDATE-T ITEM MSA 1 0.00 Excelente 0.905 6 0.70 – 0.60 – 0. e o menor MSA é 0.947 9 0.50 – 0.7 ► INTERPRETAÇÃO DO KMO KMO INTERPRETAÇÃO 0.50 Inadequado Na Tabela 1.935 5 0.80 – 0.900 .919 2 0.90 – 1. A mesma ideia do KMO pode ser aplicada a cada uma das variáveis isoladamente. do item 14.80 Bom 0.844. indicando adequação excelente. TABELA 1.60 Ruim 0. o KMO é igual a 0.946 8 0.879 7 0.70 Regular 0.921 3 0.90 Ótimo 0.923. TABELA 1.916 4 0.6. Esse indicador é chamado Measure of Sampling Adequacy (MSA).

provavelmente com a aplicação de alguma outra técnica estatística. É suposto que cada indivíduo na amostra tenha um valor para cada um dos fatores comuns. são os valores do fator “g” (índice geral de inteligência) dos indivíduos. não se es​‐ quecendo de verificar se as suposições impostas por essa outra técnica são válidas.941 12 0.10 0. dessa vez. às vezes os objetivos são outros.965 20 0. a aplicação da AF pode levar às respostas desejadas. . No entanto.7 Hair e colaboradores. e técnicas estatísticas diferentes devem ser aplicadas.923 ● ESCORES FATORIAIS Muitas vezes o objetivo final de uma análise de dados é a descrição e o entendimento da estrutura de correlação das variáveis. que são não observáveis.921 14 0.844 15 0.940 KMO 0.8 Reis6 e Reyment e Jöreskog. Esses valores são chamados escores fatoriais que.944 19 0. às variáveis reduzidas.893 18 0.926 17 0. no exemplo desenvolvido por Spearman.931 16 0. Nesse caso.10 sendo o último indicado àqueles que já têm conhecimentos sobre AF e desejam aprofundá-los.889 11 0. Sugerimos aos interessados na aplicação dessa técnica os seguintes livros: Johnson e Wichern.905 13 0. aos fatores comuns. ou seja. A ideia é estimar os escores fatoriais e depois seguir com a análise.

por meio da aplicação da técnica. que se tornou sinônimo da técnica. é chamada análise de traços latentes se os indicadores são categóricos. a análise é denominada análise de perfis latentes . Em algumas situações. terá indícios objetivos para concluir se aquela estrutura é ou não aceitável para explicar o comportamento dos itens. Se as variáveis latentes são contínuas. A AFE não exige a formulação de hipóteses a priori a respeito da estrutura de de​pen​dên​‐ cia dos dados.● ANÁLISE FATORIAL CONFIRMATÓRIA E MODELOS DE EQUAÇÕES ESTRUTURAIS A AF apresentada até aqui é denominada explora​tória (AFE). Na AFC o pesquisador especifica o modelo por meio de equações ou pelo diagrama de caminhos. O que diferencia uma AFE de uma AFC é que. Às vezes. Se as variáveis latentes são categorizadas. o pesquisador quer verificar se os itens de uma escala comportam-se segundo uma estrutura predefinida. Os MEEs têm característica confirmatória e. A AFC é um caso particular de Modelos de Equações Estruturais (MEE).12 Para avaliar o ajuste do modelo. Esses modelos podem incluir variáveis observáveis (indicadores) e variáveis não observáveis (latentes) e suas possíveis relações lineares. Outra nomenclatura dos modelos que envolvem variáveis latentes varia de acordo com a natureza das variáveis incluídas na análise. na segunda. S- Plus. o usuário indica qual estrutura imagina existir nos dados e. há índices que medem a discrepância entre a matriz de covariâncias (ou de correlações) amostral e a matriz correspondente imposta pelo modelo. O pioneiro foi o Linear Structural Relations (LISREL). a análise é denominada análise fatorial se os indicadores são contínuos. Outros softwares disponíveis para o ajuste do MEE são: pa​cote AMOS do SPSS. Relações não lineares podem ser avaliadas por modelos da Teoria da Resposta ao Item (TRI). por exemplo. como é especificado a priori. procurando traduzir a estrutura de dependência que imagina existir. se existir. Essa estrutura. R (bibliotecas SEM e LAVAAN) e M-Plus. Os MEEs tornaram-se mais populares com o desenvolvimento de softwares para seu ajuste. Como referência para a AFC sugerimos as obras de Brown11 e Harrington. é preciso ter vasto conhecimento do problema em estudo. estudos anteriores podem indicar. SAS (Proc CALIS). Essa é a ​situação ideal para a aplicação de uma análise fatorial confirmatória (AFC). será um dos resultados da AFE. a existência de dois fatores em uma escala e quais itens associam-se a cada um deles.

Tung TC. Spielberger CD. General intelligence objectively determined and measured. Psychometric properties of the Portuguese version of the Beck Depression Inventory on Brazilian college students. Spearman C. 2. 11. Lawley DN. Estatística multivariada aplicada.60:331-8. Manual para o Inventário de Ansiedade Traço- Estado (IDATE). 9. 1999. Johnson RA. Lushene RD. Moustaki I.7). 10. Palo Alto: Consulting Psychologists. Andrade L.55(5):553- 62. 4. 2006. Black WC. 6. Biaggio AMB. 6th ed. 1904. Boca Raton: Chapman & Hall. Cambridge: Cambridge University. caso os indicadores sejam categóricos é chamada análise de classes latentes. Anderson RE. 2002. Vieira Filho AH. ● REFERÊNCIAS 1. STAI: manual for the State- Trait Anxiety Inventory. Bartholomew DJ. se os indicadores são contínuos. 12. 8. Confirmatory factor analysis. 3. Applied factor analysis in the natural sciences. Hair JF Jr. Multivariate data analysis. Artes R. New York: Oxford University. Upper Sadle River: Prentice Hall. Natalício L. Proc Royal Soc Edinburgh. Brown TA. Englewood Cliffs: Prentice Hall. 7. 2009. Babin BJ. A análise de traços latentes também é conhecida como teoria da resposta ao item (ver Cap. 1. Jöreskog KG. Rio de Janeiro: Centro de Psicologia Aplicada. New York: Guilford. Reyment R. 1979. Gorsuch RLE. J Clin Psychol. 7th ed. Reis E. Confirmatory factor analysis for applied research. 1996. Harrington D. 1940. 1970. Lisboa: Sílabo. 2007.15:201-93. . The analysis and interpretation of multivariate data for social scientists. 2010. Applied multivariate statistical analysis. 5. 1997. Galbraith JI. Am J Psychol. Wichern DW. The estimation of factor loadings by the method of maximum likelihood. Steele F. Gorenstein C.

Em particular. marketing. Alguns estatísticos indicam a TRI como um tipo de análise fatorial (para observações categorizadas) e recebe outros nomes. [ 1. como análise de traços latentes ou análise fatorial de itens. avaliado por meio de variáveis observáveis categorizadas (instrumentos e escalas com duas ou mais categorias de resposta. genética e ciências políticas têm adotado a TRI como metodologia em pesquisas. A TRI surgiu na década de 1950 com o trabalho de Lord e Birbaum. Essa é uma das diferenças entre os modelos da TRI e a análise fatorial (AF) ou a análise de classes latentes. a Teoria de Resposta ao Item (TRI) complementa de forma importante os resultados da Teoria Clássica de Testes (TCT). Na AF.7 ] APLICAÇÃO DA TEORIA DE RESPOSTA AO ITEM Mariana Curi Cada vez mais presente na literatura de avaliação psicométrica. psiquiatria e de saúde em geral publicam estudos sobre propriedades psi​co​‐ métricas e interpretação dos instrumentos de avaliação segundo a perspectiva da TRI. As áreas de educação. tanto as variáveis observáveis quanto os traços latentes são categorizados. ordenadas ou não). No modelo de classes latentes. como na TRI) e a suposta relação entre os traços latentes e as variáveis observáveis é linear (na TRI. muito difundido na década seguinte com a publicação do livro sobre teoria . saúde. as variáveis observáveis são de natureza quantitativa (e não categorizada. ela é não linear). A aplicação da TRI é adequada para situações em que o construto de interesse é representado por um (ou mais) atributo quantitativo não observável (denominado traço latente). por sua vez. revistas especializadas nas áreas de psicologia.

conhecido como DIF (differential item functioning). e escore mais baixo se responder a uma prova com itens mais difíceis. . [V] Os traços latentes dos indivíduos e os níveis de dificuldade dos itens estão na mesma escala de medida. o valor do traço latente de um indivíduo não varia de acordo com o conjunto de itens que formam a escala ou o instrumento de avaliação. um item com funcionamento diferente entre grupos de indivíduos.1 Posteriormente. as principais vantagens do uso da TRI sobre a TCT são:3 [I] A avaliação não é teste-dependente. em que o escore total do indivíduo será diferente se o instrumento de avaliação se alterar (mesmo sendo instrumentos que avaliam o mesmo construto).2 Segundo psicometristas. facilitando a interpretação dos resultados e do próprio instrumento. é possível escolher os itens mais adequados para um indivíduo responder entre todos os presentes no instrumento. Distinta da TCT. Essa característica torna a TRI uma ferramenta útil para detectar comportamento diferencial do item. Entretanto. Consequentemente. citam-se a necessidade de grande tamanho amostral. Essa propriedade é denominada de invariância do traço latente. ou seja. itens muito fáceis ou muito difíceis para um determinado indivíduo podem ser excluídos. mais restrições nas suposições e maior complexidade nas interpretações do que a TCT. [II] A avaliação não é grupo-dependente. as estimativas das dificuldades dos itens são independentes do grupo respondente. um indivíduo terá escore total mais alto se responder a uma prova mais fácil. entre eles o famoso modelo logístico de um parâmetro de Rasch. ou seja. o respondente terá níveis de traço latente equivalentes em ambas as provas. reduzindo o número de itens a ser respondido e otimizando o tempo de realização da avalia​ção. Entre as desvantagens. [III] As características do indivíduo (traço latente) são expressas separadamente das características dos itens que compõem o instrumento. Essa é a lógica dos testes adaptativos in​formatizados. mesmo se não forem paralelas. [IV] A medida de precisão das estimativas do traço latente não é constante ao longo de seu domínio de variação.estatística para testes. Georg Rasch descreveu diversos modelos de resposta a itens. isto é. Assim.

ex. uma prova.4 adequado para itens com duas ou mais categorias ordinais. habilidade. a função é crescente com o traço latente. que representa o traço latente) exatamente igual a um dos parâmetros do modelo. Para justificar a suposição de unidimensionalidade. sobre as respostas a itens de múltipla escolha. e a um quando o traço latente tende a mais infinito. ex. ex. Pela representação da CCI de um item hipotético (Fig. Descreveremos dois modelos da TRI: o modelo logístico de dois parâmetros.. assumem apenas um traço latente influenciando as respostas aos itens do instrumento. Esse ponto tem valor na abscissa (eixo x. como proficiência. Na saúde mental. Nos instrumentos psi​cológicos. Os modelos são formados por dois tipos de parâmetros: os associados ao indivíduo (traço latente) e os associados aos itens. Os modelos da TRI caracterizam-se por diferentes funções para expressar essa relação e pelo número de dimensões (ou seja. ou seja.1 apropriado para itens dicotômicos. Essa suposição é coerente com a prática de avaliações educacionais. intensidade ou gra​vidade de uma doença. Além disso. A função que define a relação entre a probabili​dade de resposta positiva a um determinado item (p. e o modelo de resposta gradual de Samejima. escala ou inventário) expressam algum aspecto do traço latente em estudo.5.). podem representar uma expressão comportamental ou um sintoma da doença. Ambos são modelos unidimensionais. mas.. a inflexão da curva está exatamente na probabilidade de resposta positiva igual a 0.● MODELOS DA TRI A TRI abrange um conjunto de modelos que descreve a influência de um (ou mais) traço latente. 1. na área de saúde mental.1).7. MODELO LOGÍSTICO DE 2 PARÂMETROS (ML2) Modelo é adequado para itens dicotômicos (resposta correta ou incorreta. denominado parâmetro de “dificuldade” do item . tende a zero quando o traço latente tende a menos infinito. Os itens que compõem o instrumento de avaliação (p. são itens que avaliam a presença ou a ausência de determinado comportamento ou sintoma. p. instrumentos que avaliam múltiplos traços latentes são mais realistas. ter o sintoma) e o traço latente é representada pela curva característica do item (CCI). basta considerar que um traço latente é dominante e suficiente para explicar boa parte da associação com as respostas aos itens. de traços latentes) e de categorias de respostas consideradas para os itens.

maior o valor de a.5 de acertar a resposta do respectivo item”. Esse parâmetro indica “o valor do traço latente necessário para que o indivíduo tenha probabilidade 0. representado co​m​umente pela letra a. Como um evento psíquico não é certo ou errado. .1 ► CURVA CARACTERÍSTICA DO ITEM (CCI) DE UM ITEM HIPOTÉTICO SOB O MODELO LOGÍSTICO DE 2 PARÂMETROS (ML2). O outro parâmetro do ML2 associado ao item é denominado “discriminação”. pois tem alta probabilidade de se manifestar (acima de 0.(comumente representado pela letra b).5) para valores baixos do traço latente. REPRESENTADA PELA CURVA SÓLIDA. Quanto menor o valor de b. Os sintomas mais graves são observados em indivíduos com nível de traço latente mais alto.7. mas presente ou ausente. o parâmetro b costuma receber a denominação de “gravidade” ou “intensidade” (do comportamento). menos grave (menos intenso) é o comportamento em questão. FIGURA 1. e reflete a velocidade de crescimento da CCI: quanto mais rápido o crescimento.

Além disso. . O parâmetro b do item e o traço latente do indivíduo (denotado por θ) têm mesma amplitude de variação de menos a mais infinito. a equação que expressa o ML2 é dada por: O quanto um item contribui para avaliar o traço latente em questão é representado pela curva de informação do item (CII).7. Em geral.2). assume valores positivos. Já o parâmetro a. itens com maior parâmetro de discriminação (a) contribuem mais para aumentar a precisão das estimativas do traço latente (θ) do que itens com menor valor de a. e 0. o índice j para denotar indivíduo e considerando a variável resposta X igual a 1. caso contrário. implicando uma CCI crescente. se o indivíduo apresenta o respectivo sintoma. essa precisão também aumenta quanto mais próximo o valor do parâmetro b estiver de θ (Fig. 1. Definindo o índice i para denotar item.

3). .7. então a probabilidade de resposta positiva do item i´ será sempre maior do que a do item i.7.7.3 ► CURVA DE INFORMAÇÃO DO ITEM (CII) DE TRÊS ITENS SOB O MODELO DE RASCH. as CCI de todos os itens apresentam a mesma velocidade de crescimento (Fig. Um caso particular do ML2 ocorre quando não temos o parâmetro a na expressão (1). Isso não acontece no ML2.2 ► CURVA DE INFORMAÇÃO DO ITEM (CII) DE QUATRO ITENS SOB O MODELO LOGÍSTICO DE 2 PARÂMETROS (ML2). se um item i tem maior parâmetro b do que outro item i´.FIGURA 1. FIGURA 1. conhecido como modelo de Rasch. 1. Isso significa que. para um dado valor do traço latente. pois valores diferentes do parâmetro a provocam o cruzamento das CCI de dois itens.2 Nesse modelo.

Na área de saúde mental. quanto maior o valor de k. sendo menos adotado nas análises de dados clínicos.. A probabilidade de um indivíduo com nível do traço latente θ escolher a categoria de resposta k ou alguma maior do que ela é dada por: . 2.7*a. MODELO DE RESPOSTA GRADUAL (MRG) Este modelo foi proposto por Samejima4 e é adequado para itens com duas ou mais categorias de resposta ordenadas (o ML2 é o caso particular do MRG para itens com duas categorias de resposta). se o parâmetro a na expressão (1) for substituído por 1. Ele recebe o nome de modelo logístico de três parâmetros e é adotado para a análise dos dados do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).Anteriormente ao uso da função logística para a relação entre o traço latente e a probabilidade de resposta positiva. 1. da resposta de maior intensidade ou gravidade).. da TCT. esse parâmetro é de difícil interpretação. . organizadas em ordem crescente.. mais próxima a categoria estará da resposta totalmente correta (em saúde mental. Suponha que as categorias de resposta dos itens. e à proporção de respostas positivas ao item. A probabilidade de resposta igual ao valor de c passa a ser uma assíntota inferior da CCI. aqui denotado por ρ. sejam re​pre​sentadas pelo índice k = 0. o modelo mais usual da TRI é a generalização do ML2 por meio da in​clusão do parâmetro (c) para representar a pro​babilidade de acerto do item para indivíduos com traço latente muito baixo. K. Numericamente. conforme a equação (1). aqui denotada por π. teremos resultados muito próximos aos obtidos adotando o modelo probito.1 Os parâmetros desse modelo podem ser relacionados ao coeficiente de ​‐ correlação bisserial (correlação item-total). ou seja. da seguinte forma: Na área educacional. as propostas da literatura eram baseadas na função de distribuição acumulada da Normal (representada por θ) e denominados modelos de ogiva normal ou probito.

0 = 1 e P+i.2. Note que. tem-se um parâmetro de dificuldade (ou gravidade) para cada uma das categorias do item (bik).4 ► PROBABILIDADE DE ESCOLHA DA CATEGORIA k OU QUALQUER UMA ACIMA DE k SOB O MODELO DE RESPOSTA GRADUAL (MRG).4 para um item com quatro categorias (k = 0.com os parâmetros do modelo definidos de forma análoga ao modelo ML2. a probabilidade de um indivíduo escolher exatamente a categoria k do item é expressa pela diferença das probabilidades dadas em (2) . a=1. 2 OU 3. P+i.1. A probabilidade dada na equação (2) está representada na Figura 1. também ordenadas entre si.8. agora.7. Sob o MRG.7.K+1 = 0. PARA k=0. b2=0. b1=-0. 2 e 3 e K = 3).5 e b3=1.8. 1. FIGURA 1. Por definição.

5. b1=-0. b2=0. para itens com categorias ordenadas e que impõe mesma discriminação entre todos os itens (considerado da família de modelos de Rasch). PARA k=0.8.7.5 ► PROBABILIDADE DE ESCOLHA DA CATEGORIA k SOB O MODELO DE RESPOSTA GRADUAL (MRG).2. deve-se questionar se a categoria 1 não poderia ser agrupada à categoria 0 ou 2. (ii) modelo de escala gradual. Pelo gráfico apresentado na Figura 1. OUTROS MODELOS Vários modelos unidimensionais para múltiplas categorias de resposta são encontrados na literatura. para itens com categorias de resposta ordenadas. 2 OU 3.entre as categorias k e k+1. e (iv) modelo .5. como mostra a Figura 1. FIGURA 1. para itens com categorias de resposta não ordenadas.5 E b3=1. algumas categorias devem ser agrupadas a outras.7.7.8. a=1.5 como: (i) o modelo de resposta nominal. Em alguns casos.1. (iii) modelo de crédito parcial.

Para mudar esse cenário. Para instrumentos com números de categorias de reposta distintos entre os itens. Entre os modelos multidimensionais. resultando na mesma probabilidade de resposta positiva. Um benefício do MRG sobre o de escala gradual e os de crédito parcial é que a ordenação das opções de resposta dos itens se mantém preservada. que impõe que a resposta a cada item do instrumento seja influenciada por um traço latente “geral” e não por mais de um traço latente “específico- dominante”. é importante diferenciá-los em dois grupos: os compensatórios e os não compensatórios. quando uma única escala é empregada às respostas de todos os itens. Quando se impõe discriminação constante entre os itens. impondo uma restrição na distância entre os parâmetros de gravidade (bik): a distância pode variar entre categorias sucessivas. Enquanto a última suposição é usual em aplicações da área médica. Alguns modelos foram aplicados em questionários de qualidade de vida. O modelo de escala gradual é um caso particular do MRG. o modelo multidimen​sional bifatorial tem sido usado com mais frequên​cia para o estudo psicométrico de escalas. em uma escala tipo Likert. os modelos multidimensionais da TRI não são tão usuais quanto os unidimensionais para aplicação a dados reais.6 A interpretação dos resultados é facilitada devido à estrutura do modelo. ● SUPOSIÇÕES E SOFTWARES Duas suposições são comumente encontradas para a estimação dos parâmetros dos modelos da TRI: (i) independência local (ou condicional) e (ii) independência entre indivíduos. Devido às dificuldades computacionais e de interpretação. possivelmente o modelo de escala gradual seria mais adequado. mas é constante entre os itens.de crédito parcial generalizado. depressão e suporte social. embora todos os três modelos citados possam ser usados. em que as respostas provenientes de diferentes . que amplia o modelo anterior e permite que as discriminações variem entre os itens. pertence à família de modelos de Rasch. Ent​retanto. o modelo de Samejima4 é mais apro​priado do que o modelo de escala gradual.6 Nos modelos compensatórios. um baixo valor em um dos traços latentes pode ser compensado por um alto valor em outro.

Esse procedimento implica a definição da métrica para o traço latente e.7.indivíduos são consideradas independentes. consequentemente. a não identificabilidade. por sua vez. para os parâmetros de itens. mais de um conjunto de soluções gera a mesma probabilidade de resposta especificada pelo modelo. Quando um desses parâ​metros é conhecido e necessita-se estimar os parâmetros do outro tipo. Há dois tipos de parâmetros a serem estimados: os dos indivíduos (os traços latentes) e os dos itens. Como em todas as metodologias estatísticas. ou seja. a in​de​pendência local é um conceito intrínseco à TRI: as respostas aos itens dependem apenas do valor do traço latente e. esse estudo é facilitado devido ao parâmetro de dificuldade (ou gravidade) de item estar na mesma escala do traço latente e. Modelos da TRI para dados longitudinais e modelos que consideram subgrupos de itens com respostas dependentes são tratados na literatura como modelos para testlets. mas flexibilizações tanto de uma quanto de outra já podem ser encontradas na literatura. a resposta de um item não é facilitada por nenhuma pista ou dica. ou mesmo solução explicitada no enunciado ou categoria de resposta de outro item. Depende apenas do valor do traço latente de quem o está respondendo. No entanto. Essas suposições facilitam a estimação dos parâmetros do modelo. estipulando-se a média e o desvio padrão do traço latente em questão. A independência local. Um exemplo da aplicação do DIF pode ser observado na análise de itens constrangedores em questionários de depressão. não ocorre o problema de identificabilidade. Na TRI.8 Deve-se também investigar a existência de itens com comportamento diferencial entre grupos de indivíduos (DIF). quando todos são desconhecidos. à propriedade de invariância dos parâmetros de itens. No contexto educacional. fixado este. Em geral os softwares adotam o valor 0 (zero) para a . as suposições das técnicas empregadas devem ser verificadas. Esse problema é resolvido escolhendo-se um dos conjuntos de soluções durante o processo de estimação. é consequência da adequação do número de traços latentes considerados. ou seja. é comum encontrar a explicação da independência entre indivíduos ba​seada na afirmação de que “o indivíduo não aprende com o teste”. após a obtenção dos resultados. Os métodos para o estudo da qualidade de ajuste dos dados a modelos da TRI são utilizados tanto para parâmetros de itens quanto para traços latentes.9 É importante que o problema de “falta de iden​ti​ficabilidade” de modelos da TRI seja contornado durante as análises. elas passam a ser independentes. também.

Por serem processos de estimação computacionalmente complexos. Caso a métrica não seja interessante para a posterior interpretação da escala de medida do traço latente. Equalizar significa alocar os parâmetros estimados a partir de respostas a diferentes instrumentos de avaliação na mesma métrica. Além disso. os pacotes ltm e mirt do R. devem ser feitas considerações sobre o tamanho amostral. os resultados encontrados na literatura são normalmente interpretados na métrica (0. Alguns são específicos para modelos multidimensionais (os três últimos citados) e outros para modelos unidimensionais. i. MPlus. denominada métrica (0.. também há diferentes metodologias de estimação disponíveis em cada um. destacam-se o R e o WinBugs. quanto da bayesiana (esperança e moda a posteriori ou por simulação de observações da distribuição a posteriori por Monte Carlo via Cadeia de Markov. Dependendo do modelo desejado.12 Na literatura. e. Testfact e Noharm. Justamente devido à falta de identificabilidade de alguns modelos da TRI e da escolha da métrica do traço latente para estimação dos parâmetros. MCMC).1). especialmente quando o tipo de parâmetro é desconhecido. independentemente dos traços latentes) e depois a dos traços latentes (usando as estimativas de itens obtidas na fase anterior). ou seja. Multilog. Parscale. é comum o uso da palavra “calibração” para se referir à fase de estimação dos parâmetros dos itens. em que pedagogos não veem sentido em interpretar uma proficiência “negativa”. insere- se o conceito de equalização. Não há forma explícita para o cálculo do número de indivíduos e de itens .1). cita-se Bilog-MG.média e 1 (um) para o desvio padrão do traço latente. Como opções gratuitas. sem nenhuma transformação nos parâmetros. WinBugs. com valor de traço latente menor que zero.11 Diversos softwares estão disponíveis para es​timação dos parâmetros dos modelos da TRI. Entre os mais famosos. Por último. usando modelos de múltiplos grupos. Existem duas formas de equalização: a posteriori ou simultânea. vários propõem a estimação em duas fases: primeiro a dos parâmetros dos itens (usando um artifício matemático para obter a verossimilhança marginal das respostas. Essa possibilidade é outra vantagem da TRI sobre a TCT. Já nas áreas de psiquiatria e psicologia. tornando-os comparáveis. o pesquisador deverá optar por um ou outro software. tanto da inferência clássica (máxima verossimilhança e máxima verossimilhança marginal). transformações lineares podem ser feitas nos parâmetros para a média e o desvio padrão desejados.10.10 Essas transformações são onipresentes na área educacional.

portanto.7. 2 ou 3) e sintoma ausente (se respondeu 0). Quanto mais categorias com pouca frequência de respostas forem observadas.7. As propostas existentes são baseadas em simulações sob condições predefinidas e relativamente restritas e. Representações gráficas das mesmas estimativas são apresentadas nas Figuras 1.7. ● INVENTÁRIO DE DEPRESSÃO DE BECK SOB O ENFOQUE DA TRI Para ilustrar a TRI. maior deverá ser o tamanho da amostra. quanto mais complexo o modelo. considerações adicionais devem ser feitas sobre a frequência de respostas em cada categoria. para o ML2. se esse número for inalcançável. é difícil sugerir um número exato ou alguma regra para seu cálculo. piores são as estimativas resultantes. Para o uso do ML2. As estimativas dos parâmetros dos itens foram obtidas por meio do software Multilog e encontram-se nas Tabelas 1.111 universitários ao Inventário de Depressão de Beck (BDI). Além disso. quanto mais complexo o modelo. Os dados foram ajustados aos modelos ML2 e MRG para ilustrar a aplicação de um modelo para itens dicotômicos e de outro para itens ca​te​​‐ gorizados da TRI a dados de saúde mental. os autores13-20 sugerem mil indivíduos por item e. e 1. Percebe-se que as estimativas das discriminações e dos . Se um único fator (na análise fatorial) explicasse pelo menos 20% da variabilidade total dos dados. que sejam utilizados não menos de 200 indivíduos por item e.2.21 Esse questionário é autoaplicati​vo.7. serão utilizadas as respostas de 1.1.6 e 1. dependendo da intensidade do sintoma (de inexistente a muito intensa). Esse é o caso do BDI. Cada item é pontuado de 0 a 3. Embora o BDI seja tradicionalmente considerado mul​tidimensional. para o MRG. esses dois modelos (que supõem uni​dimensionalidade) podem ser considerados adequados para aplicação nesse caso.necessários para se obter boas estimativas dos parâmetros. composto por 21 itens que medem sintomas e atitudes da depressão. maior deve ser essa quantidade.7. as respostas foram agrupadas em sintoma presente (se o indivíduo respondeu 1. Na presença de itens com mais de duas categorias de resposta. De maneira geral. então ele pode ser considerado um fator dominante e modelos unidimensionais da TRI podem ser empregados.

14 0.78 0. Fracasso 2.11 17. Sexo 0. Tristeza 1.65 0.06 8. no ML2.40 0.16 0.06 16. Culpa 1. Suicídio 1.12 1.14 -0.14 -0. (b) parâmetro de dificuldade do item.27 (a) parâmetro de discriminação do item.12 11.11 -0.08 2.65 0.40 0.11 0. no MRG) estão bastante próximas.01 0.07 3.43 0. Expectativas futuras 1.47 0.08 0. Perda de peso 0.7. e b1. Aparência 0.06 4. Prazer 1.84 0. Perda de interesse 1. Apetite 0.20 0. Trabalho 1.50 0.1 ► PARÂMETROS DO MODELO LOGÍSTICO DE 2 PARÂMETROS (ML2) ESTIMADOS PARA DADOS DO INVENTÁRIO DE DEPRESSÃO DE BECK (BDI) EM UNIVERSITÁRIOS (N = 1.06 5.64 0.58 0.13 0. .63 0.12 1.13 1.29 0.21 0.16 0.06 6.10 0.13 15.11 5.63 0.17 -0.58 0.18 1. Decepção 1.77 0. TABELA 1.57 0.18 19.82 0. Cansaço 1.81 0.09 -0.45 0.32 1.09 18.13 0.13 -0.13 0.09 9. Irritabilidade 1.12 -0.74 0.63 0.12 0.73 20.10 0.71 0. Tomada de decisão 1.07 0. EP = erro padrão.09 7. Choro 1. conforme esperado pela própria categorização dos itens definida para a aplicação do ML2.09 13.17 21. Sono 0.36 0.18 0.13 0. Punição 1.12 0.20 0. Preocupação com saúde 0.parâmetros de dificuldade (b.89 0. Crítica 1.09 12.85 0.07 14.01 0.13 10.14 1.08 0.01 0.69 0.111) ITEM a EP(a) b EP(b) 1.

64 0. (bi) parâmetro de dificuldade do itemi.19 3.92 0.111) ITEM a EP(a) b1 EP(b1) b2 EP(b2) b3 EP(b3) 1.10 0.51 0. Culpa 1.10 -0.37 15.06 0.31 4.56 5.82 0.52 0.13 0.26 2.74 0.80 0.79 0.08 2.02 0.06 1.13 2.37 0.16 0.13 0.25 0. Fracasso 2.81 0.86 0.16 7.13 2.14 3.68 0. Apetite 0.19 0.21 14.96 1.88 0.62 0.11 1.24 2.06 1.60 0.48 17.22 10.14 0. Punição 1.71 0.80 0.1 0.11 2.23 3.25 0.16 2.28 0.20 0.51 0.12 0.20 3.25 0.06 1.32 0.21 0.18 8.1 -0. Decepção 1.24 11. Prazer 1.87 0.26 3.87 0.7.14 1.47 8.13 -0.52 0.08 2.36 4. TABELA 1.44 0.48 0. Sexo 0.09 0.11 2. Fonte: Samejina.76 0.21 2.14 0.90 0.07 0.88 0.41 0.41 0.06 1. Trabalho 1.12 1.06 1.15 3.31 4. Perda de peso 0.72 0. Irritabilidade 0.2 ► PARÂMETROS DO MODELO DE SAMEJIMA ESTIMADOS PARA DADOS DO INVENTÁRIO DE DEPRESSÃO DE BECK (BDI) EM UNIVERSITÁRIOS (N = 1.31 0. Tomada de decisão 1. Perda de interesse 1.12 0.91 0.31 5.06 2.33 10.16 0.30 0.07 1.12 0.15 5.77 0.34 2.87 0.79 0.56 0.31 9.39 0.08 1.92 0.22 16.15 0.10 2.13 -0.16 0. Crítica 1.15 0.62 19.03 0.95 0.57 0.11 -0. Sono 0.28 3.19 0.13 -0.11 -0.56 0.19 1.14 3.11 2.29 6.88 21. Cansaço 1.99 0.63 0. Preocupação saúde 0.92 0.11 1.38 13.15 0.72 0.66 0.11 0.10 2.38 12.74 0.51 0.10 2.0 6.51 6.15 0.38 0.00 (a) parâmetro de discriminação do item.06 2.22 0.08 2. Choro 1.13 -0.10 2.28 18.11 0. Suicídio 1. Expectativas futuras 1.08 1.17 0.33 20. EP = erro padrão.92 0.65 0.4 . Tristeza 1.18 3.22 4.61 0.34 0.15 3.12 0.65 0. Aparência 0.

.

PARA b2 E b3 DO MRG) FORAM OMITIDOS PARA MELHOR VISUALIZAÇÃO DOS DEMAIS. SOB OS MODELOS LOGÍSTICO DE DOIS PARÂMETROS (ML2) E DE RESPOSTA GRADUAL (MRG) DE SAMEJIMA. SEXO E SAÚDE. Fonte: Samejina.4 .4 FIGURA 1.FIGURA 1.7. OS ITENS COM ESTIMATIVAS ACIMA DE 5 (PESO.7 ► ESTIMATIVAS DOS PARÂMETROS DE GRAVIDADE (b) DOS ITENS DO BDI EM UNIVERSITÁRIOS. SOB O MODELO LOGÍSTICO DE DOIS PARÂMETROS (ML2) E O MODELO DE RESPOSTA GRADUAL (MRG) DE SAMEJIMA. Fonte: Samejina.7.6 ► ESTIMATIVAS DOS PARÂMETROS DE DISCRIMINAÇÃO (a) DOS ITENS DO BDI EM UNIVERSITÁRIOS.

caso contrário. seguido de sexo. Note que há mais informação para valores maiores do traço latente nos resultados do MRG do que no ML2.7. É possível relacionar a alta probabilidade de presença (estimativas de b) dos sintomas suicídio e sexo a indivíduos que apresentam maior valor do traço latente (gravidade da depressão). No outro extremo. Adicionalmente pelos resultados do MRG. trabalho. 1. aparência e punição.9 mostram a informação total do teste sob o ML2 e MRG. tristeza e cansaço provavelmente estão presentes em indivíduos com nível de gravidade baixo da doença. . sugerindo que a dicotomização das respostas do BDI ocasionaria maior perda de informação. os itens punição.2). 3] e.1). As Figuras 1. Isso faz sentido pela própria simplificação dos dados para o ajuste do ML2.8 e 1. os valores das estimativas de b devem estar mais próximas do limite superior desse intervalo [-3. preocupação com saúde e apetite.7. o item perda de peso foi ignorado devido à sua baixa discriminação.5 de aparecer com intensidade moderada ou maior) mais rapidamente na escala do traço latente.10 Na verdade. Esses são os itens tomada de decisão. Por sua vez. prazer e suicídio são os mais discriminantes (em ambos os modelos). De modo análogo. a informação total é calculada pela soma das informações dos itens (Fig. a amplitude de variação de b entre os itens de um determinado instrumento depende do objetivo da escala: se for avaliar intensidades mais altas do traço latente. os itens que abordam crítica. note que o item perda de peso tem discriminação bastante baixa. Boas estimativas do parâmetro b são aquelas compreendidas entre -3 e 3. Para essa interpretação. choro e suicídio são os que evoluem mais rapidamente de moderada para alta intensidade (b3 – b2). pois apresentam menor diferença entre as estimativas de b2 e b1. Sob esse enfoque.Na métrica (0.7. decepção. culpa. mais próximas do limite inferior. Devido à suposição de independência condicional. respectivamente. os itens fracasso. com probabilidade acima de 0. consideram-se boas estimativas do parâmetro a aquelas não muito abaixo de 1 e não muito acima de 2. verifica-se quais sintomas evoluem de intensidade baixa para moderada (ou seja.

A CURVA TRACEJADA REPRESENTA O ERRO PADRÃO. .8 ► INFORMAÇÃO TOTAL DO BDI SOB O MODELO LOGÍSTICO DE DOIS PARÂMETROS (ML2).7.FIGURA 1.

dividiu-se a amostra em três grupos de gravidade de acordo com o escore total do BDI: abaixo de 16.7. 119 indivíduos (12. na categoria de 16 a 20. Fonte: Samejina.7.97. foram classificados 745 indivíduos (78.5%). para o MRG. A CURVA TRACEJADA REPRESENTA O ERRO PADRÃO.9 ► INFORMAÇÃO TOTAL DO BDI SOB O MODELO DE RESPOSTA GRADUAL (MRG) DE SAMEJIMA. .4 Com a finalidade de checar se as estimativas dos traços latentes poderiam diferenciar os indivíduos possivelmente deprimidos dos não deprimidos.1%).4%). Nota-se que o MRG apresenta melhor diferenciação na distribuição das estimativas dos traços latentes entre os grupos. e na acima de 20. As correlações entre o escore total e as ​estimativas dos traços latentes foram iguais a 0.92.10. Os boxplots dos traços latentes estimados separados nesses três grupos são apresentados na Figura 1. e 0. Na categoria abaixo de 16. de 16 a 20 e acima de 20. 90 sujeitos (9. Os indivíduos que apresentaram algum dado faltante em algum item do BDI foram excluídos do gráfico. para o ML2.FIGURA 1.

. na identificação de itens com vieses (com com​​‐ portamento diferencial) ou malformulados.4 ● CONSIDERAÇÕES FINAIS A TRI auxilia o pesquisador na elaboração de escalas teste-independentes e grupo-independen​tes.7. Fonte: Samejina. DE ACORDO COM A INTENSIDADE DOS SINTOMAS DEPRESSIVOS. É uma ferramenta influente que vem enriquecer a construção e a avaliação de instrumentos psicométricos.FIGURA 1.10 ► BOXPLOTS DAS ESTIMATIVAS DOS TRAÇOS LATENTES SOB O MODELO LOGÍSTICO DE DOIS PARÂMETROS (ML2) E O MODELO DE RESPOSTA GRADUAL (MRG) DE SAMEJIMA. permitindo uma interpretação da evolução dos sintomas (ou comportamento) ao longo da evolução da doença (ou expressão) mental em questão. na maxi​mização da informação contida na escala no domínio de variação do traço latente.

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depressão e abuso de substâncias psicoa​tivas. e menos de 10% deles recebem tratamento apropriado. Portanto. [2] ENTREVISTAS DIAGNÓSTICAS E INSTRUMENTOS DE TRIAGEM Yuan-Pang Wang A partir da segunda metade do século XX. Disfunção. Em paralelo. a necessidade de comprovar a eficácia das substâncias psicoativas após 1960 impulsionou as pesquisas sobre entrevistas diagnósticas e escalas de avaliação. diminuição da qualidade de vida e consequências socioeconômicas relacionadas com a presença de transtornos mentais comuns. como hipertensão. asma ou dor nas cos​tas. Estima-se que cerca de 50% dos casos de transtornos mentais que ocorrem na comunidade são identificados. houve uma importante mudança nas práticas do diagnós​tico psiquiátrico. como ansiedade. . a detecção de pessoas com transtornos mentais e o tratamento dessas condições são fundamentais para a saúde pública. Juntamente com a ênfase na con​‐ fiabilidade da avaliação psicopatológica. são fatores tão importantes quanto aqueles associados com problemas físicos comuns. Duas estratégias têm sido propostas para melhorar a detecção de doenças mentais: (1) uso de entrevistas padronizadas e estruturadas para reduzir a heterogeneidade na coleta e na interpretação dos dados do paciente. foram realizados estudos epidemiológicos sobre os transtornos mentais que afetam os indivíduos que vivem na comunidade. diabetes. artrite.

o entrevistador deve ter larga experiência clínica. Devido ao fluxo não padronizado da entrevista e à possibilidade de o paciente ocultar sintomas para o diagnóstico. Consideran​do o grau de “sistematização” das entrevistas. ● ENTREVISTAS DIAGNÓSTICAS As entrevistas servem para fazer um diagnóstico psiquiátrico e. e (2) uso de escalas rápidas de rastreamento ou triagem em comunidade ou ambientes menos especializados. Enquanto as entrevistas diagnósticas estabelecem o diagnóstico e acompanham a evolução sintomática dos pacientes. ex.aprimorando a concordância com os critérios diagnósticos. elas podem ser estruturadas. as escalas de rastreamento dos sintomas foram desenvolvidas para triar os possíveis casos de transtorno mental. ex. podendo ser flexibilizadas e permitir exploração livre do significado de um tema pelo entrevistado. Muitas vezes. cognição e comportamentos suicidas) podem permanecer inexploradas durante a investigação. usuários de substâncias) são agrupados em seções pertinentes deste livro. os resultados dessas entrevistas chegam a diagnósticos discordantes. enquanto outros instrumentos destinados a populações específicas (p. dificultando sua aplicação . como os critérios da American Psychiatric Association. estão ancoradas em um sistema de classificação. Algumas entrevistas diagnósticas e escalas de triagem com tradução e evidência de confiabilidade e validade são discutidas em capítulos separados desta obra. como os centros de atenção primária.. muitas vezes.. semiestruturadas ou não estruturadas (ou livres). Comparações do desempenho (sensibilidade e especificidade) e da confiabilidade das entrevistas determinam a escolha da forma apropriada de entrevista em pesquisa. algumas áreas importantes da psicopatologia (p. registrar a evolução de sintomas específicos de tais doenças e monitorar a resposta ao tratamento. com o intuito de maximizar a detecção dos casos que podem se beneficiar com o tratamento. As escalas psicométricas não permitem realizar o diagnóstico clínico. crianças e adolescentes. o Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais (DSM) ou a Classificação internacional de doenças e problemas relacionados à saúde (CID). As entrevistas não estruturadas seguem um roteiro aberto. É fundamental diferenciar a indicação das en​trevistas diagnósticas das escalas de rastreamento psiquiátrico de acordo com sua finalidade. idosos. Portanto.

General Health Questionnaire X X X 12 SRQ.1). em que os entrevistadores checam sistematicamente os sintomas relevantes para determinar o diagnóstico psiquiátrico. Uma entrevista estruturada. por sua vez. Saltos de seções inteiras com provável ausência de sintomas são permitidos nas entrevistas estruturadas e semiestruturadas (Tab. 2.1 ► PRINCIPAIS ENTREVISTAS DIAGNÓSTICAS E ESCALAS DE TRIAGEM PARA ADULTOS NO BRASIL ENTREVISTA DIAGNÓSTICA EVIDÊNCIAS PSICOMÉTRICAS TRADUÇÃO CONFIABILIDADE VALIDADE CIDI Composite International Diagnostic X X Interview SCID Entrevista Clínica Estruturada para X X X Transtornos do Eixo I do DSM MINI Mini International Neuropsychiatric X X X Interview SCAN Schedule of Clinical Assessment in X Neuropsychiatry CIS-R Clinical Interview Schedule – Revised X X SADS Schedule for Affective Disorders and X Schizophrenia ESCALAS DE TRIAGEM GHQ. O objetivo é garantir que as mesmas perguntas sejam feitas da mesma forma para todas as pessoas avaliadas.em situações de pesquisa. Self-Reporting Questionnaire X X X 20 QMPA Questionário de Morbidade Psiquiátrica de X X X Adultos PHQ-9 Patient Health Questionnaire X X X K6/K10 Kessler’s Distress Questionnaire X . TABELA 2. O fluxo dessas entrevistas obedece a um roteiro predeterminado. utiliza um roteiro sistematizado com menor flexibilização das áreas cobertas.

o National Comorbidity Survey (NCS) e o World Mental Health Survey (WMHS). a Entrevista Clínica Estruturada para o DSM (SCID). também é se​gui​do um roteiro padronizado. a Mini International Neuropsychiatric Inter​view (MINI).2. No Capítulo 2. a .3 A entrevista inicia-se com perguntas gerais sobre dados demográficos. principais queixas. podem ser consultadas as versões dessa entrevista e sua forma de aplicação. as quais devem ser lidas li​teralmente e na ordem correta. Em geral. vai-se do nível diagnóstico ao nível sintomático. A SCID consiste em um roteiro semiestruturado de perguntas que cobrem os principais critérios operacionais para o diagnóstico pelo sistema DSM. entre outros.1 A Composite International Diagnostic Interview (CIDI) constitui um aprimoramento da DIS. a árvore de decisão da SCID permite que o entrevistador chegue ao(s) diagnóstico(s) ao término da entrevista. subliminar ou ausente. o entrevistador da SCID deve checar se foram preenchidos os critérios diagnósticos do tran​storno psiquiátrico suspeito pelo sistema DSM. mas o aplicador de​ve ser um clínico experiente. a Schedule of Clinical Assessment in Neuropsychiatry (SCAN) e a Clinical Interview Schedule – Revised (CIS-R). e o instrumento pode ser aplicado por leigos treinados. com questões específicas sobre as categorias diagnósticas.4 Após formular uma hipótese diagnóstica dos prováveis transtornos mentais do entrevistado. valendo-se de seu jul​gamento profissional para determinar a presença de sintomas psiquiátricos. isto é. em módulos.Uma das primeiras entrevistas estruturadas utilizadas em estudos epidemiológicos foi a Diagnostic Interview Schedule (DIS). em 2015.2 O diagnóstico é classificado como presente. A American Psychiatric Association publicou. e a aplica​ção demora entre 30 minutos e 1 hora para ser completada. Es​sa estratégia é chamada de descendente (top-down). não são possíveis interpretações. e entrevistadores treinados podem conduzir a investigação em grandes estudos epidemiológicos. pois o entrevistador necessita confirmar sua(s) hipótese(s) diagnóstica(s) mediante a verifi​cação da presença dos sintomas e critérios. Trata-se de um ro​teiro de questões fixas. contexto ambiental e tratamento prévio. São exemplos de entrevistas semiestruturadas a Schedule for Affective Disorders and Schizophrenia (SADS).1 apresenta mais informações sobre o uso da CIDI em nosso meio. Esses instrumentos foram utilizados em inquéritos populacionais como o Epidemiological Catchment Area Study (ECA). Na entrevista semiestruturada. as quais são seguidas de uma entrevista semiestruturada. O Capítulo 2.

Essa es​tratégia é chamada de ascendente (bottom-up).6 Pode ser usada para coleta sistemática de dados e para estabelecimento ou confirmação de diagnósticos nos cuidados primários. in​do do nível sintomático ao nível diagnóstico. Outras entrevistas. são menos utilizadas.68. toda a fenomenologia psicopatológica deve ser processada por um algoritmo do programa de computador (CATEGO). Esse instrumento tenta reproduzir uma entrevista clínica.versão da SCID-5. Recentes esforços de grupos de trabalho da SCAN tentam aprimorar novas versões do instrumento para uso epidemiológico.41 e 0. . como a SADS ou a CIS-R.90 e 0. A CIDI. Os sintomas são avaliados e registrados em relação a sua existência fenomenológica com mínima inferência de um conceito diagnóstico.65 e 0. a SCID e a MINI são as entrevistas diagnósticas mais adotadas em pesquisa ao redor do mundo devido a sua facilidade de aplicação. o entrevistador deve confirmar a presença e a intensidade de determinado sintoma para um período designado.99. ● INSTRUMENTOS DE TRIAGEM Existem vários programas de triagem que foram adotados para diversas condições clínicas muito prevalentes e passíveis de prevenção e tratamento. Um estudo multicêntrico que comparou os diagnósticos obtidos por clínicos gerais com a utilização da MINI àqueles obtidos por psiquiatras utilizando entrevistas não estruturadas apontou um coeficiente kappa entre 0. prin​‐ cipalmente pelo surgimento de versões aprimoradas ou substituição por novos instrumentos. Ao término da entrevista. mas o entrevistador decide os módulos psicopatológicos que deve investigar após formular as hipóteses dos possíveis transtornos.9 Na SCAN.org]. tem uso mais limitado. com um coeficiente kappa entre 0.7 Recentemente. por ser mais complexa de administrar.92 e especificidade entre 0. sensibilidade entre 0. a fim de incluir os critérios do DSM-5. a MINI foi validada no Brasil em centro de atenção primária.75 e 0.85.8 A SCAN foi desenvolvida para avaliar e classificar psicopatologia e transtornos psiquiátricos em adultos por meio de um roteiro semiestruturado [Disponível em: whoscan. A ausência de evidências psicométricas em nosso meio impede sua comparação com outros instrumentos de entrevista.5 A MINI foi traduzida e adaptada para o português e contém módulos que avaliam os principais transtornos do DSM e módulos para examinar as síndromes psicóticas e o risco de suicídio. por sua vez. a SCAN.

De modo geral. é muito importante conhecer a sensibilidade. e frequentemente as pontuações são anotadas em folhas avulsas na forma de autoavaliação. os pacientes prováveis devem ser rastreados na comunidade ou em centros de atenção primária com o uso de instrumentos curtos e rápidos. a especificidade e o valor preditivo positivo (VPP) da ferramenta de triagem em comparação ao instrumento padrão (Tab. O custo de sua aplicação é baixo. um instrumento diagnóstico robusto deve ser adicionado como o critério comparativo. podem prevenir o desenvolvimento de futura deficiência intelectual. Quando essas condições são detectadas e tratadas. devido à possibilidade de identificar os casos prevalentes de ansiedade e depressão em uma população que não necessariamente se queixa desses sintomas. Em ambientes de atenção primária. os instrumentos de triagem não servem para fazer diagnósticos psiquiátricos. Como regra.2 ► CONCORDÂNCIA ENTRE UM INSTRUMENTO DE TRIAGEM E O PADRÃO-OURO PADRÃO-OURO PRESENTE AUSENTE Instrumento de triagem Presente a b Ausente c d Sensibilidade = a / (a + c). Portanto. Para evidenciar a validade das triagens. ou o padrão-ouro. discute-se muito sobre o uso de triagem para a detecção de quadros “neuróticos”. essas escalas apresentam uma pontua​ção de corte para delimitar quando a presença de sintomas permite indicar um provável transtorno mental.2).Na área de saúde mental. As escalas de rastreamento são compostas por uma pequena lista de questões para identificar sintomas e síndromes na população em geral. os testes de rastreamento neonatal para fenilcetonúria e hipotireoidismo são os melhores exemplos. Entretanto. proporção dos falsos positivos Valor preditivo positivo = a / (a + b) . proporção dos verdadeiros positivos Especificidade = b / (b + d). TABELA 2. 2. e sobrepõem-se de forma imperfeita aos critérios diagnósticos. ou os “casos”. e há pouca necessidade de apoio do aplicador para seu preenchimento ou de treinamentos demorados antes de seu uso.

As várias versões existentes e informações sobre sua validação no Brasil podem ser consultadas no Capítulo 2. Por exemplo. dificuldade de concentração e queixas somáticas. como quadros psicóticos (em torno de 1%). entre outros. À medida que cai a prevalência. Como a maioria das ferramentas diagnósticas é ​‐ imperfeita. Exemplos bem documentados de instrumentos de triagem são o General Health Questionnaire (GHQ-12). de modo que um programa de triagem é pouco eficaz para detectar psicose na comunidade. irritabilidade.O equilíbrio entre a sensibilidade e a especi​fi​ci​dade permite determinar o limiar para o ponto de corte. melhora-se a sensibilidade do instrumento de triagem (os verdadeiros positivos). Contrariamente. 2. o Self-Reporting Questionnaire (SRQ-20). sendo dependentes da efetividade do pa​drão-ouro. a Organização Mundial da Saúde criou o SRQ. fadiga.3. O GHQ-12 foi construído por Goldberg e Hux​ley10 a partir da visão teórica sobre a continuida​de entre saúde e doença nos centros de atenção pri​mária. o VPP tende a ser bastante baixo (bem menor que 10%). Diversos instrumentos são construídos para identificar esses transtornos comuns (entre 10 e 20%). Sua principal versão reúne 20 itens com respostas tipo “sim” ou “não” sobre . Esses autores estavam interessados nos transtornos mentais comuns. cai também o VPP. esquecimento.1). o Kessler’s Distress Questionnaire (K6/K10) e o Patient Health Questionnaire (PHQ-9). como insônia. O VPP fornece a probabilidade de alguém pontuar positivamente em um teste e ser de fato positivo para o caso. melhorando sua especi​fi​cidade. Tanto a especificidade como a sensibilida​de são chamadas de indicadores de validade do instrumento. quando se diminui tal frequência. Com o objetivo de avaliar os transtornos mentais comuns em países em desenvolvimento. Assim. Esse indicador depende da prevalência dos casos positivos. com sintomas não psicóticos. diminui a frequência dos casos falsos positivos. o Questio​nário de Morbidade Psiquiátrica de Adultos (QMPA). para transtornos raros na comunidade. com muito sucesso (Tab. porque cresce o número de falsos positivos quando há poucos casos positivos na população. a escolha do padrão-ouro delimita as fronteiras do desempenho de um instrumento de triagem.12 Esse instrumento foi concebido para utilização em países onde o nível de alfabetização pode comprometer o uso de questionários de autoavaliação. à medida que o limiar para um teste positivo aumenta.

88. O SRQ-20 destaca-se como um dos instrumentos de triagem de morbidade psiquiátrica mais populares nos serviços de atenção primária brasileiros. com dados comparáveis transculturalmente. e o instrumento tem recebido merecida validação em diversos estudos brasileiros. ou novos. especificidade entre 53 e 94% e coeficiente kappa de 0. Diferentemente do GHQ e do SRQ. variando de 1 a 5) para os sintomas mais importantes nos últimos 30 dias. que contêm perguntas inespecíficas para transtornos psiquiátricos. Há tradução para o português. sendo formulado com o intuito de detectar depressão nos centros de atenção primária.16 Após estudos psicométricos dos instrumentos psicopatológicos existentes.15 O questionário K6/K10 foi concebido por R.13 Trata-se de um dos poucos instrumentos de rastreamento construídos em português e foi utilizado no Estudo Multicêntrico Brasileiro em várias cidades.17 o instrumento foi reduzido à versão de 6 ou 10 itens. o PHQ-9 também permite monitorar e avaliar a gravidade da depressão. O PHQ-9 constitui uma versão simples do PRIME-MD. ● LIMITAÇÕES . da Universidade de Harvard. o QMPA é um questionário composto apenas por itens que abrangem os sinais e sintomas mais frequentes das doenças mentais. O QMPA de 45 questões dicotômicas foi validado com dados populacionais e mostrou sensibilidade entre 75 e 93%. apresenta nove questões ordinais de autoavaliação (variando entre 0 e 3) e é acoplado ao sistema DSM. C. como o PHQ-9 e o K6/K10.12 Sua utilidade deve-se ao formato simples e de fácil aplicação. mas suas evidências psicométricas de validade ainda não foram publicadas.sintomas físicos e emocionais. Foi utilizado em vários estudos epidemiológicos nacionais e internacionais.4. Kessler. favorecendo seu uso em estudos epidemiológicos. Além de rastreamento. Sua utilidade tem conquistado muitos adeptos. As várias versões existentes e informações psicométricas sobre sua validação no Brasil podem ser consultadas no Capítulo 2. como o SRQ. instrumentos consagrados.14 Trata- se de um instrumento de rápida aplicação (alguns minutos). Entretanto. além de questões sobre tratamento psiquiátrico e uso de psicofármacos. deve ser pontuado em uma escala ordinal (“tempo todo” a “nunca”. têm sido preferidos pelos pesquisadores brasileiros.

enquanto outros 9% apresentam condições subsindrômicas. o uso de instrumentos padronizados uniformiza a forma de detectar a presença de transtorno mental. Entretanto. muitas vezes o entrevistador precisa ler as instruções e os itens dos questionários para os pacientes. secundários a doença ou uso de medicamentos ou comórbidos. é a baixa escolaridade dos usuários.18 Muitas vezes. Por convenção. Entretanto. A maioria desses pacientes consulta-se inicialmente em serviços de cuidados primários de saúde. muitos . a aplicação das entrevistas estruturadas e semiestruturadas deve ser precedida de treinamento e calibração. Identificar essas condições com instrumentos simples. deve-se lançar mão do uso sistemático de instrumentos de triagem. Como a maioria desses instrumentos é de autoavaliação. A cobertura sistemática de áreas relevantes de psicopatologia e sua relativa reprodutibilidade fazem das entrevistas sistematizadas o padrão-ouro em situações de pesquisa. além de exigir experiência clínica dos aplicadores. rápidos e de baixo custo pode beneficiar a maioria dos pacientes. O tempo e o custo das aplicações de instrumentos padronizados impedem seu uso ro​​tineiro em grandes amostras epidemiológicas. Segundo a Organização Mundial da Saúde. a duração prolongada das entrevistas diagnósticas pode prejudicar a confiabilidade das respostas e a cooperação dos entrevistados. ● CONSIDERAÇÕES FINAIS Estudos epidemiológicos da população adulta estimaram que a prevalência- ano de transtornos mentais varia entre 20 e 30%. restringindo a subjetividade das entrevistas. um obstáculo para a implementação rotineira dessas ferramentas em países não desenvolvidos. A presença de sintomas depressivos ou ansiosos pode representar um desafio para o clínico: po​dem ser primários. a ocorrência de sintomas psiquiátricos é relatada pelos pacientes como sintomas somáticos. como o Brasil. Apesar dos avanços no diagnóstico e na classificação dos transtornos psiquiátricos e da crescente evolução das estratégias de educação médica continuada dos profissionais da saúde. Para assistir o grande número de pessoas que não são detectadas em centros de atenção primária ou na comunidade. inclusive no Brasil.Enquanto as entrevistas livres permitem que áreas importantes do diagnóstico psiquiátrico passem despercebidas. 24% dos indivíduos que se tratam em centros primários apresentam pelo menos um transtorno mental.

Robins LN. Babor T. c2015 [capturado em 03 ago. Spitzer RL.med. 2. Azevedo Marques JM. seja no de prática clínica. 1988. Zuardi AW.transtornos mentais permanecem não detectados ou sem tratamento adequado. editor. Helzer JE. 2000. Wing J. 2014. New York: Biometrics Research.30(4):303-10. MINI [Internet]. seja em ambiente pesquisa.org/. Structured clinical interview for the DSM (SCID) [Internet]. Nessa perspectiva. 6. 2015].harvard. Arch Gen Psychiatry. Geneva: WHO.scid4. et al.45(12):1069-77. Wing JK. 3. Burke J. Structured clinical interview for DSM-IV-TR axis I disorders. Disponível em: www. World Health Organization. Disponível em: www. 8.hcp. Rev Bras Psiquiatr. 9. o aprimoramento das entrevistas diagnósticas pode auxiliar a compreensão das condições psiquiátricas. The World Health Organization World Mental Health Composite International Diagnostic Interview (WHO WMH-CIDI) [Internet]. 5. Giel R. Validity and applicability of the Mini International Neuropsychiatric Interview administered by family medicine residents in primary health care in Brazil. New York State Psychiatric Institute. research version. patient edition (SCID-I/P). American Psychiatric Association. c2014 [capturado em 03 ago. Jacksonville: Medical Outcome Systems. Babor TF. First MB. 2015]. First MB. Medical Outcome Systems. Williams JBW. Washington: APA. Amorim P. An epidemiologic instrument suitable for use in conjunction with different diagnostic systems and in different cultures. 7.medical-outcomes. Gen Hosp Psychiatry. SCAN: Schedules for Clinical Assessment in Neuropsychiatry.com/. Disponível em: www. et al. 2008. ● REFERÊNCIAS 1. Burke J. Arch Gen . 1990 [capturado em 03 ago.22(3):106-15. Brugha T. New York: Biometrics Research Department. 2015]. 2002. Structured clinical interview for the DSM (SCID-5). Mini International Neuropsychiatric Interview (MINI): validation of a short structured diagnostic psychiatric interview.edu. Cooper JE. Wittchen HU. Gibbon M. The Composite International Diagnostic Interview. 4.

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Drug Abuse and Mental Health Administration .1 ] COMPOSITE INTERNATIONAL DIAGNOSTIC INTERVIEW (CIDI) Maria Carmen Viana A Composite International Diagnostic Interview (CIDI) é uma entrevista diagnóstica padronizada e totalmente estruturada. e do Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais (DSM). o primeiro instrumento diagnóstico estruturado aplicado por leigos no Epidemiologic Catchment Area Study (ECA). já que o DIS era baseado exclusivamente nos critérios diagnósticos do DSM. A CIDI foi concebida a partir do Diagnostic Interview Schedule (DIS). houve uma rápida disseminação de estudos epidemiológicos con​duzidos em outros países. desenvolvida para avaliar e identificar transtornos mentais e do comportamento em estudos epidemiológicos. Assim. gravidade. [ 2. e identificou-se a ne​cessidade de desenvolver instrumentos que pu​dessem também prover diagnósticos com base na CID. O instrumento permite estimar índices de prevalência de diversos transtornos mentais no decorrer da vida. nível de incapacitação e tratamento de cada transtorno avaliado. nos últimos 12 meses e nos últimos 30 dias.1 Com a divulgação dos resultados do ECA. bem como descrever o perfil sintomático e a história de adoecimento. da Organização Mundial da Saúde (OMS). com base nas definições e nos critérios diagnósticos da Classificação ​internacional de doen​ças (CID). a partir de uma iniciativa conjunta da OMS e da Alcohol. treinados e certificados. Foi planejada para ser aplicada por entrevistadores não clínicos. da American Psychiatric Association (APA). Os diagnósticos são gerados a partir de algoritmos às respostas dos indivíduos avaliados.

5 Verificou-se. Em 1998. A partir da sistematização dos procedimentos de tradução e adaptação. ● VERSÃO BRASILEIRA DA CIDI 3. com o objetivo de avaliar sistematicamente outras medidas importantes para ampliar o conhecimento acerca da história natural e da carga global dos transtornos mentais em contextos transculturais. a OMS lançou uma iniciativa internacional. incluídos no instrumento módulos que permitissem a avaliação de um maior número de transtornos mentais e também do desenvolvimento. incorporando à CIDI módulos de investigação padronizada de fatores de risco e de proteção. levou-se em consideração a semântica linguística e o contexto cultural e sociopolítico de cada país ou população.6 que comportava os critérios diagnósticos da CID-10 e do DSM-IV. que a comparabilidade entre os diferentes estudos se restringia às estimativas de prevalência dos transtornos mentais pela CIDI e era limitada pela diversidade de métodos de avaliação de determinantes de doença e outros aspectos epidemiológicos relevantes. visando facilitar a comparação do adoecimento mental entre diferentes países e diferentes culturas por meio da padronização de sua avaliação.(ADAMHA/USA).0). consequências das doenças psiquiátricas e avaliação do uso de serviços e dos padrões de tratamento recebido. Uma versão ampliada da CIDI (versão 3. os quais foram conduzidos em diferentes países e culturas (International Consortium in Psy​chiatric Epidemiology). além de questões que possibilitassem a investigação de perfis de sintomas e de incapacitação para determinar a gravidade e a significância clínica das diferentes condições. o Estudo Mundial de Saúde Mental (World Mental Health Surveys Initiative). foi desenvolvida e disponibilizada em diversos idiomas. etc. ainda. a partir de 1990. Foram.0 . a avaliação de viabilidade e confiabilidade da versão em português foi realizada no Departamento de Psiquiatria e Psicologia Médica da Escola Paulista de Medicina/Unifesp. além de diferentes estratégias de amostragem e métodos de entrevista empregados.3 No Brasil. a primeira versão da CIDI foi disponibilizada para utilização pela comunidade acadêmica e clínica internacional em diversos estudos epidemiológicos de base populacional. onde se instituiu o Centro de Treinamento da CIDI.4 Assim. Robins e colaboradores desenvolveram a primeira versão da CIDI. no entan​to.2 que foi traduzida e testada em 19 centros acadêmicos de diversos países.

0 foi desenvolvida com o auxílio do Fundo de Apoio à Ciência e Tecnologia do Município de Vitória (FACITEC 002/2003). Abuso de Drogas. ansiedade Transtorno de Ansiedade Generalizada.php] A CIDI 3. exposição a sequestro-relâmpago no módulo de avaliação de estresse pós-traumático e avaliação da renda em número de salários-mínimos) e exclusão de itens que não são aplicáveis ao contexto do Brasil (p. Tabagismo (Dependência de Nicotina) .0 TÓPICOS MÓDULOS DE AVALIAÇÃO/DIAGNÓSTICOS Rastreamento para transtornos mentais e histórico geral das condições de saúde Transtornos mentais a) Transtornos do humor Depressão. terremotos.1. entre outras.0 é composta por um total de 41 mó​dulos clínicos e não clínicos. mas o con​teú​do é o mesmo. Transtorno Obsessivo-compulsivo c) Abuso de substâncias Substâncias Psicoativas (Abuso de Álcool. com exceção da introdução ou da adaptação de questões relevantes ao contexto local (p.8-10 Há pequenas va​riações na ordem de aplicação de alguns dos mó​dulos em relação à versão em inglês. Já os não clínicos investigam os fatores de risco e as consequências dos transtornos mentais.. Fobias Específicas. Os módulos estão dispostos por tema conceitual e listados no Quadro 2. campos de refugiados. Dependência de Drogas). Transtorno Bipolar Tipo I e II) b) Transtornos de Transtorno de Pânico.1. Dependência de Álcool.1 ► MÓDULOS DE AVALIAÇÃO QUE COMPÕEM A CIDI 3. Agorafobia. Transtorno de Estresse Pós- traumático. Distimia. ex. furacões.hcp.edu/wmhcidi/instruments_download.A versão brasileira da CIDI 3. [O instrumento original está disponível em: www. no módulo de avaliação de estresse pós-traumático). Os módulos clínicos incluem a avaliação diagnóstica de múltiplos transtornos mentais e a avaliação clínica de outras condições de saúde física e mental. QUADRO 2. Mania (Depressão Maior.1.7 para ser utilizada no Estudo Epidemiológico dos Transtornos Mentais São Paulo Megacity.med. Fobia Social. a avaliação da exposição a experiências de guerra.harvard. ex.. o componente brasileiro participante do Estudo Mundial de Saúde Mental.

Neurastenia.2 ► COMPOSIÇÃO E FLUXOGRAMA DE APLICAÇÃO DA CIDI 3. Transtorno de Ansiedade de Separação e) Outros Transtorno Explosivo Intermitente. Teia de Suporte Social. Funcionalidade e Incapacidade (30 dias). Sobrecarga Familiar Aspectos sociais e Histórico Ocupacional e Trabalho Pessoal e do Cônjuge. Caracterização Sociodemográfica na Infância e na Vida Adulta Aspectos metodológicos Seleção para Entrevista Longa (Parte 2) ou Curta (Parte 1). conforme a sua utilização no estudo São Paulo Megacity. Farmacoepidemiologia Fatores de risco Personalidade.d) Infância Transtorno de Déficit de Atenção/ Hiperatividade.2. Transtorno de Oposição Desafiante. os módulos foram arranjados de modo a compor dois tipos de entrevista: 1) uma curta (denominada de Parte 1). Jogo Patológico. Rastreamento para Transtornos da Personalidade Funcionalidade e condições Risco de Suicídio. Transtorno Disfórico Pré-menstrual. Observações do Entrevistador Esses módulos podem ser escolhidos e agrupados de forma a compor instrumentos que atendam a interesses específicos de pesquisa epidemiológica ou clínica. Experiências na Infância. e 2) uma entrevista longa (denominada de Parte 2). com os módulos diagnósticos avaliando transtornos nucleares (transtornos do humor. A composição e o fluxograma de aplicação das entrevistas estão representados no Quadro 2. do controle de impulsos e decorrentes do abuso de substâncias psicoativas) e uma parcela dos módulos não clínicos.7. Doenças Crônicas/Físicas Tratamento Uso de Serviços.9. Finanças. de ansiedade.10 QUADRO 2. Sintomas de saúde não específicos de Sofrimento Psíquico (30 dias).1.0 (ESTUDO SÃO PAULO MEGACITY) . Transtornos Alimentares. Sintomas Psicóticos. Transtornos da Conduta. demográficos Histórico de Relacionamentos Afetivos. No São Paulo Megacity. assim como nos outros estudos epidemiológicos de base populacional que compõem o Estudo Mundial de Saúde Mental. formada por todos os módulos disponíveis.1.

.

9 Os módulos nos quadros cinza são comuns aos dois tipos de entrevista (curta e longa). Assim. e os restantes só fazem parte da entrevista longa. para facilitar a interação com o entrevistador. A entrevista longa. por vezes. com a solicitação explícita de sua colaboração. subjetivas e que.0”). Sua aplicação requer um treinamento presencial padronizado. perguntas sobre informações sociodemográficas básicas e sobre medidas antropométricas. só receberam a entrevista longa os indivíduos que preencheram critérios diagnósticos para algum dos transtornos nucleares e uma amostra probabilística de sujeitos que não foram diagnosticados. Em seguida. o módulo que investiga doen​ças crônicas e outros problemas de saúde física. A entrevista tem início com uma breve apresentação. Essa composição atendeu às necessidades da investigação epidemiológica dos transtornos mentais comuns na população em geral. à medida que o respondente ia ficando cansado (ver adiante. inclui todos os módulos. é aplicado.7. com 3 a 5 dias de duração e certi​ficação de aprovação. seguido de uma bateria de questões de rastreamento para os transtornos mentais avaliados na Parte 1 do questionário. as​sim como alterações do sono. nos módulos diagnósticos da Parte 2. levando em consideração a disponibilidade e a otimização de recursos. as perguntas de rastreamento estão inseridas no início de cada módulo. causam sofrimento ou desconforto. bem como o reconhecimento da dificuldade de abordar questões pessoais. ou Parte 2. no transcorrer da entrevista. que essa é a formatação oficial da CIDI 3. a fim de avaliar comorbidades e determinantes de doenças mentais. Enfatizando. de acordo com o protocolo dos Centros de Treinamento da CIDI da OMS. novamente.0. Somente são aplicados os módulos dos transtornos nucleares avaliados na Parte 1 que correspondem às respostas positivas nas questões de rastreamento para cada transtorno. uma breve revisão das condições de saúde e uma explicação sobre o que será abordado e o que é esperado do respondente. Essa estratégia teve o objetivo de reduzir a taxa de respostas falsas negativas às perguntas introdutórias de cada módulo de avaliação clínica. em “Atributos implementados na CIDI 3. inclusive aqueles que foram aplicados na entrevista curta.Fonte: Viana e colaboradores. desenvolvida para ser assim utilizada no Estudo Mundial de Saúde Mental .

Dois módulos avaliam transtornos do humor (depressão. nos últimos 12 meses e nos últimos 30 dias. transtorno de estresse pós-traumático. transtornos da conduta e transtorno de ansiedade de separação na infância.11. fobia social. distimia e transtorno bipolar tipos I e II. abuso de outras drogas e dependência de outras substâncias. . transtorno de ansiedade generalizada e transtorno de ansiedade de separação na vida adulta. mas cujas composição e ordenação dos módulos podem ser customizadas de acordo com os interesses do investigador. transtorno de oposição desafiante. mania) e provêm os diagnósticos de transtorno depressivo maior. É importante ressaltar que. cujos módulos diagnósticos fazem parte da entrevista curta e da longa (Parte 1) e incluem transtorno de déficit de atenção com ou sem hiperatividade. O módulo de avaliação do uso de substâncias psicoativas identifica a ocorrência de abuso de álcool. por serem mais extensos. ● MÓDULOS DIAGNÓSTICOS E DE INVESTIGAÇÃO CLÍNICA Todos os módulos diagnósticos incluem a avaliação operacionalizada de sintomas clínicos indicativos de psicopatologia. dependência de álcool. O transtorno explosivo intermitente também é avaliado na Parte 1 (entrevistas longa e curta). por meio dos módulos que investigam transtorno de pânico. Serão respondidos apenas aqueles módulos correspondentes às respostas afirmativas no rastreamento. nenhum indivíduo receberá todos os módulos de avaliação. fobia específica. Além disso. Vários transtornos de ansiedade são avaliados na Parte 1. que não foram incluídos nas questões de rastreamento. A avaliação de transtornos que ocorrem na infância também é feita no início da entrevista. módulos diagnósticos adicionais.12 Os diagnósticos levam em consideração as idades de início de cada quadro clínico e do último episódio. provendo diagnósticos de acordo com as definições e os critérios da CID-10 e do DSM-IV. ainda. pois estão previstos padrões de salto dependendo das respostas obtidas.0 seja um instrumento complexo e extenso. transtorno obsessivo-compulsivo.WMH. embora a CIDI 3. nenhum entrevistado receberá todas as questões de cada módulo. de interesse específico ou por terem baixa prevalência na população em geral (dependência de nicotina. agorafobia. Há. permitindo localizar a sua ocorrência no tempo e gerando diagnósticos na vida. Uma subamostra é selecionada por amostragem aleatória para responder aos módulos da Parte 2.

incluindo sintomas específicos (rastreamento para psicoses não afetivas. ainda. de acordo com a metodologia do estudo. ● MÓDULOS NÃO CLÍNICOS Além dos módulos diagnósticos e clínicos. Compõem o instrumento. da OMS (WHO-DAS). ● ATRIBUTOS IMPLEMENTADOS NA CIDI 3.. e um módulo final. bem como nível de funcionalidade e incapacitação por qualquer causa nos últimos 30 dias (derivado do Disability Assessment Schedule. doenças crônicas ou comorbidades médicas. há um módulo relacionado ao processo de seleção de quem vai receber a entrevista longa ou curta. histórico de relacionamentos afetivos e filhos. risco de suicídio. levantamento da renda pessoal e familiar. e outros aspectos sociodemográficos na infância e na vida adulta.). sobrecarga familiar devida a doenças. experiências na infância. ainda. com anotações sobre situações ocorridas durante o procedimento que possam ter relevância para a coleta de informação (p. jogo patológico e neurastenia).13. bem como da situação financeira. Por fim. outros módulos que pesquisam informações de relevância clínica. duração da entrevista. uso de medicamentos psi​coativos (farmacoepidemiologia) e utilização de serviços de atenção à saúde geral e mental. incluindo histórico ocupacional e situação de trabalho atual pessoal e do cônjuge.0 é composta por módulos adicionais que exploram fatores de risco e de proteção (características de personalidade. avaliados diversos aspectos sociais e demográficos. suporte social. a CIDI 3.14 A identificação do perfil de morbidade e incapacidade física permite o reconhecimento de comorbidades e a avaliação da gravidade clínica. presença de outras pessoas no domicílio durante sua realização. etc.transtornos alimentares. avaliar a gravidade clínica e investigar fatores de . disforia pré-menstrual. São. histórico de migração. avaliação de funções cognitivas) e sintomas inespecíficos de estresse psíquico ocorridos nos últimos 30 dias. preenchido pelo entrevistador após o término da entrevista. atitudes do entrevistado. ex.0 Essa versão da CIDI adota diversas estratégias para aperfeiçoar a identificação diagnóstica. incluindo exposição a experiências adversas e a situações de violência).

As questões são aplicadas quando preenchidos os critérios diagnósticos para qualquer transtorno (na vida). seu curso ao longo da vida (p. e outras escalas de gravidade clínica específicas para cada transtorno. número de anos com pelo menos um episódio) e a persistência da doença nos últimos 12 . que requer a presença de sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento social. a Hospital Anxiety and Depression Scale (HADS). ex. permite a comparação entre amostras comunitárias e populações clínicas. Assim. em um esforço de operacionalização diagnóstica do DSM-IV.14 administra​da em todos os módulos diagnósticos.16 para transtorno de ansiedade generalizada. Por exemplo: o Quick Inventory of Depressive Symptomatology (QIDS). Também foram adicionadas questões que investigam o histórico da doença. A avaliação da gravidade clínica.18 para ataques de pânico. número de episódios. por meio de escalas específicas para cada transtorno..risco. algumas escalas e questionários específicos foram incorporados à CIDI 3. uma versão estrutura​da da Yale-Brown Obsessive-Compulsive Scale (Y-BOCS). GRAVIDADE CLÍNICA E CURSO DOS TRANSTORNOS MENTAIS Os entrevistados que preenchem critérios diagnósticos para um transtorno psiquiátrico na vida e relatam recorrência nos últimos 12 meses são submetidos a uma série de questões referentes à gravidade clínica no período.15 para mensurar a gravidade do episódio depressivo. uma versão estruturada da Panic Disorder Severity Scale. ocupacional ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo para que um grupo de sintomas se qualifique como um transtorno psiquiátrico na classificação. SOFRIMENTO E PREJUÍZO Questões explorando o nível de sofrimento e de prejuízo causados por cada grupo de sintomas foram incluídas na CIDI.0. A comparação dos escores obtidos na SDS nos diferentes módulos diagnósticos permite a avaliação da distribuição da gravidade clínica de diferentes transtornos psiquiátricos. Essas questões incluem a Sheehan Disability Scale (SDS).17 para transtorno obsessivo- compulsivo. a partir da avaliação da interferência que cada condição promove na funcionalidade em quatro esferas da vida diária. co​​morbidades e consequências dos transtornos men​tais.

transtorno depressivo menor e transtorno depressivo breve recorrente são avaliados junto com transtorno depressivo maior. número de semanas nos últimos 12 meses com sintomas). mesmo que não preencha os critérios para o diagnóstico de transtorno de pânico. são incluídas nessa seção. ex. tanto da CID como do DSM. pois minimiza o índice de respostas negativas às perguntas de .. ou seja. transtorno de pânico. AVALIAÇÃO DE QUADROS SUBCLÍNICOS A lógica de saltos nos módulos diagnósticos foi modificada com o objetivo de coletar informação clínica nos transtornos subliminares. seguidas pelas questões de rastrea​‐ mento para todos os transtornos nucleares (da Parte 1). levando em consideração que alguns transtornos são episódicos (p. Todos os sintomas presentes em episódios de ansiedade paroxística podem ser investigados. a avaliação de estratégias metodológicas de entrevista tem mostrado que separar as questões de rastreamento daquelas de avaliação dos sintomas aumenta sensivelmente a acurácia da investigação diagnóstica. é possível colher informações acerca do prejuízo funcional e das consequências adversas das doenças mentais para avaliar a significância clínica e melhor fundamentar as regras que regem os limiares da classificação diagnóstica. ex. ex. Por exemplo... No entanto.meses (p. RASTREAMENTO PARA TRANSTORNOS MENTAIS O primeiro módulo da CIDI 3. todos os entrevistados deveriam respondê-las. enquanto outros consistem em grupos de sintomas que ocorrem simultaneamente (p. Com isso. transtorno explosivo intermitente). A coleta sistemática dessa informação em estudos epidemiológicos poderá ser extremamente útil na formulação de critérios diagnósticos de futuras revisões das classificações diagnósticas. ansiedade generalizada). ainda. mas os critérios diagnósticos não são preenchidos. no mesmo módulo. ex. depressão..0 é composto pela seção de rastreamento. essas questões se localizavam no início de cada módulo diagnóstico e eram obrigatórias. mania). servindo de guia para a condução da entrevista e determinando quais módulos diagnósticos serão aplicados a cada indivíduo. Nas versões anteriores. fobias. Questões sobre o estado geral de saúde. A avaliação do curso da doença difere entre módulos. e outros. em que um grupo de sintomas é evidenciado. são caracterizados como disposições relativamente persistentes ao longo da vida (p.

A diferença entre esse módulo e a escala de Sheehan14 é que esta última é aplicada para cada transtorno.rastreamento no decorrer da entrevista devidas a cansaço ou pressa em terminar a en​trevista por parte do entrevistado.20 Esse módulo avalia a persistência e gravidade do prejuízo funcional. A escala de Sheehan (SDS). Isso permite a comparação do prejuízo funcional causado por transtornos psiquiátricos e por transtornos físicos e suas interações.13 desenvolvido pela OMS para operacionalizar os critérios diagnósticos da versão revisada da Classificação Internacional de Funcionalidade. e participa​ção em atividades sociais e comunitárias. diabetes. Todos os indivíduos entrevistados são submetidos a esse módulo. bem como a incapacitação nos últimos 30 dias. doença car​diovascular. doença pulmonar) como aquelas consideradas psicossomáticas (dor crônica. doença irritativa do colo). relações interpessoais. tratadas como variáveis dependentes em análise multivariada. idade de início e recorrência nos últimos 12 meses. mesmo sem relatar problemas de saúde.19 FUNCIONAMENTO E INCAPACIDADE A avaliação dos níveis de funcionamento e inca​pa​cidade é embasada no questionário WHO Di​sability Assessment Schedule (WHO-DAS). mobilidade. decorrentes de quaisquer problemas de saúde. também é utilizada nesse módulo para avaliar uma doença crônica selecionada de modo aleatório. São investi​gadas tanto as doenças físicas (câncer. Incapacidade e Saúde (International Classification of Impairments. avaliando seu . cefaleia. lazer e trabalho/escola. DOENÇAS CRÔNICAS Esse módulo contém questões padronizadas sobre uma lista de agravos à saúde. As informações colhidas por meio desse questionário são.14 usada para avaliar o grau de in​‐ capacidade devida a cada transtorno mental isola​damente. visando obter in​formações sobre prevalência. em seis domínios: cognição. ​aspectos importantes para o melhor entendimento da his​tória natural da comorbidade física e mental. autocuidado. da OMS. de grande interesse para complementar lacunas do conhecimento apontadas pelo projeto Global Burden of Disease. Disabilities and Health). no intuito de avaliar o efeito relativo de diferentes transtornos mentais e doenças físicas na funcionalidade e incapacidade. geralmente. atividades diárias em casa.

maus-tratos. essas informações são fundamentais para subsidiar uma melhor formulação de políticas públicas de saúde e entender a economia da saúde relacionada aos transtornos mentais e do comportamento. Assim. também. abuso sexual. Um módulo complementar investiga a utilização de medicamentos psicoativos nos últimos 12 meses (farmacoepidemiologia). entre outros. bem como visa identificar padrões e marcadores de abandono do tratamento. permite avaliar o efeito conjunto de comorbidades no funcionamento global externo. violência doméstica. . O objetivo desse módulo é investigar o efeito da exposição ao estresse na infância sobre a ocorrência e o curso de transtornos mentais. ainda. negligência de cuidados e atenção às necessidades básicas. o que permite a classificação de casos de acordo com diferentes níveis de gravidade e demandas de tratamento. a SDS pode fornecer in​for​‐ mações sobre a gravidade de cada transtorno especificamente. INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA A CIDI 3. Informações sobre eventos adversos incluem a investigação de perda parental.0 inclui uma avaliação retrospectiva detalhada acerca de experiências ocorridas durante a infância e a adolescência. permitindo. INFORMAÇÕES SOCIAIS E DEMOGRÁFICAS São coletadas informações sociodemográficas de​talhadas referentes a diversas esferas da vida. O WHO-DAS. doença mental e abuso de substância por parte dos pais.0 dispõe de dois tipos de avaliação de serviços de saúde: um específico para cada transtor​no e um global. que detalha a utilização de serviços nos últimos 12 meses. bem como o papel protetor de relacionamentos saudáveis com pais e/ou cuidadores.impacto específico na funcionalidade. permitindo avaliar a adequação dos tratamentos farmacológicos e comparar a prática clínica corrente a diretrizes de tratamento corroboradas pela evidência científica. Além de permitir a avaliação da adequação e da eficácia de tratamentos realizados. incluindo trabalho. Esse módulo explora. situação socioeconômica. barreiras para a obtenção de atenção à saúde e tratamento adequado. USO DE SERVIÇOS E FARMACOEPIDEMIOLOGIA A CIDI 3. a avaliação de fatores preditivos de resiliência ou recuperação. por sua vez.

83). a referida área variou de 0. suporte social e familiar. idade. ● VALIDADE DA CIDI 3. A área sob a curva ROC (AUC) foi 0. Essa investigação visa não somente identificar fatores de risco para transtornos mentais. a concordância individual se mostrou menos robusta. avaliando subamostras da população geral adulta que participavam dos estudos WMH na Europa e nos Estados Unidos.0. Boa concordância individual na identificação de transtornos na vida foi observada para a maioria dos diagnósticos avaliados.76. foram comparados aos diagnósticos de reavaliação clínica com a Structured Clinical Interview for DSM-IV (SCID). escolaridade.21 Quintana e colaboradores22 avaliaram a validade concorrente dos diagnósticos (nos últimos 12 meses) providos pelo CIDI 2. mas também avaliar as consequências adversas das doenças mentais nos âmbitos social.88) e do humor (AUC 0. situação de moradia. além de informações básicas sobre sexo.93 quando a concordância para cada transtorno foi analisada individual​mente. As estimativas de prevalência na vida dos transtornos avaliados pela CIDI foram globalmente conservadoras se comparadas àquelas identificadas pela SCID. pro​le. Baixos índices de sensibilidade foram observados para os transtornos psicóticos e .0 Diversos estudos avaliando os diagnósticos gerados a partir da aplicação do DIS e de versões anteriores da CIDI mostraram comparabilidade global com diagnósticos obtidos por avaliadores com treinamento clínico utilizando entrevistas clínicas semiestruturadas.4 Os diagnósticos da CIDI 3. do humor e decorrentes de abuso de substâncias psicoativas. mas não houve poder estatístico para avaliar os transtornos por uso de substâncias.histórico de relacionamentos afetivos e casamento(s). A concordância para diagnósticos nos últimos 12 meses foi robusta para as classes de transtornos de ansiedade (AUC 0. utilizando como padrão-ouro o diagnóstico médico baseado nos critérios diagnósticos da CID-10 e acompanhamento clínico. depressão e transtorno fóbico-ansioso. marital e ocupacional. mostrando boa concordância entre os diagnósticos CIDI-SCID para a ocorrência de qualquer dos transtornos de ansiedade. com índices de especificidade acima de 90% para todas as classes diagnósticas e índices de sensibilidade em torno de 80% para os diagnósticos de transtornos decorrentes do uso de álcool e de substâncias psicoativas. entre outras. contudo. aplicada por entrevistadores leigos.1. procedência.62 a 0.

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1). Rev Bras Psiquiatr. . 2007.and limitations of the Brazilian version of the Composite International Diagnostic Interview (CIDI 2.29(1):18-22.

in​cluem-se: a) na prática clínica. em termos de diagnóstico psiquiátrico. ao mesmo tempo em que eram conduzidos os estudos de campo para verificação da confiabilidade dos sistemas de classificação vigentes. para confirmação ou documentação de uma impressão diagnóstica levantada por meio de uma entrevista não estrutu​​rada. caracterização ou exclusão. que se deu a partir de 1980. a entrevista foi sendo desenvolvida e aprimorada. para seleção. Entre as possibilidades de sua utilização. b) em pesquisa. e c) como estratégia de ensino e aprendizagem. com a publicação da terceira edição do DSM (DSM-III).1 Os primórdios do desenvolvimento da SCID coincidem com a mudança de paradigma das clas​sificações diagnósticas em psiquiatria. ou como um procedimento inicial que garanta que os diagnósticos propostos pelo DSM sejam sistematicamente avaliados.2 No decorrer das últimas décadas. proporcionando a familiarização de estudantes de saúde mental com os critérios diagnósticos do DSM e .2 ] ENTREVISTA CLÍNICA ESTRUTURADA PARA O DSM (SCID) Cristina Marta Del-Ben A Entrevista Clínica Estruturada para o DSM (Structured Clinical Interview for DSM’ Disorders. pu​blicado pela American Psychiatric Association (APA). SCID) destina-se à elaboração do diagnóstico de transtornos mentais de acordo com o Manual diag​nóstico e estatístico dos transtornos mentais (DSM). dos participantes que serão objeto de estudo. As versões da SCID acompanharam as publicações da revisão da terceira (DSM- III-R)3 e da quarta edições do DSM (DSM-IV). A SCID tem diferentes versões e ampla aplica​ção. [ 2.5 Espera-se que a SCID para o DSM-5 seja publicada em breve.4.

as questões são agrupadas de acordo com os critérios diagnósticos. a SCID é uma entrevista semiestruturada. ● DESCRIÇÃO A SCID foi construída de maneira a preservar.facilitando o desenvolvimento de habilidades e competências para a realização de entrevista psiquiátrica. apresentam-se as perguntas a serem formuladas pelo entrevistador (lado esquerdo da página). Embora a nomenclatura sugira o contrário. . que vão sendo sucessivamente verificados. Esse objetivo em sua elaboração deu-se em função do reconhecimento. por seus idealizadores. Em formato de três colunas. os critérios diagnósticos propriamente ditos (meio da página) e os escores diagnósticos (lado direito da página). Há flexibilidade no sentido de inclusão de questões adicionais que estimulem o paciente a descrever com mais detalhes as suas queixas. da importância do julgamento clínico na interpretação da psicopatologia e na elaboração do diagnóstico diferencial.1 ilustra o esquema proposto pela entrevista. não favoreciam. destinados par​ti​‐ cularmente para estudos epidemiológicos. apresentando algumas questões como exemplo. A SCID é formatada de maneira que os crité​rios diagnósticos sejam integrados ao ​corpo da entrevista.2. o que instrumentos estruturados disponíveis à época. composta por questões abertas a serem formuladas pelo entrevistador. mas o manual de instruções da SCID sugere que o entrevistador procure reproduzir as perguntas conforme proposto pelo instrumento. o formato de uma entrevista não estruturada conduzida por um clínico experiente. A Figura 2. Em geral. da melhor maneira possível.

1 ► ESQUEMA DA ENTREVISTA SCID. Outra peculiaridade da SCID é que nem todas as perguntas propostas deverão ser necessariamen​te feitas ao entrevistado. questões remanescentes possam ser ignoradas. ou saltos. A entrevista admite que. Essa característica oferece agilidade à . São os chamados “skip outs”.2. no caso do não preenchimento de um critério diagnóstico essencial para determinado transtorno mental.FIGURA 2.

e. a SCID determina se um diagnóstico do Eixo I tem estado sempre presente (prevalência ao longo da vida) e se há ou não um episódio atual (definido pelo preenchimento dos critérios diagnósticos durante o último mês). que oferecem informações para a avaliação dos diferentes eixos propostos pelo DSM-IV. a partir de questões mais estruturadas. Essa descrição nas próprias palavras do paciente deixa o examinador muito mais seguro com relação à identificação dos sintomas que serão mais bem detalhados nos módulos seguintes. uso de substâncias psicoativas e atividades de lazer. portanto. A estrutura da Revisão Geral estimula o entrevistado a descrever livremente a queixa principal. às classes diagnósticas maiores do DSM-IV. que muito se asseme​lha a uma entrevista clínica não estruturada. ao seu final. e permite que o entrevistador elabore a sua impressão diagnóstica conforme a entrevista progride. ● VERSÕES DA SCID . Uma escala para avaliação do funcionamento global é também completada ao final da entrevista. aproximando-a de uma entrevista não estruturada. Ainda durante a Revisão Geral. negar mais tarde. Com poucas exceções. Além de dados demográficos. a história da moléstia atual e sua evolução. que dão indícios de possíveis impactos negativos dos sintomas no funcionamento global do indivíduo. Conclui com outras informações sobre o funcionamento geral.aplicação da entrevista. são colhidas informações relativas a vida escolar. se as​sim for do interesse do entrevistador. como saúde física. dando informações sobre o período e o contexto do início dos sintomas. que podem servir como indícios de alterações psicopato​ló​gicas que o entrevistado pode. A SCID é dividida em módulos e se inicia por uma seção de Revisão Geral. Começa com questões inespecíficas. são colhidas informações sobre tratamentos anteriores. o entrevistador tenha informação suficiente para elaborar hipóteses diagnósticas e estabelecer diagnósticos diferenciais. eventualmente. de maneira geral. atividade profissional e adaptação social. o que permite ao entrevistador estabelecer uma comunicação mais efetiva com o entrevistado. Os módulos seguintes correspondem. Essa distribuição em módulos permite que apenas alguns módulos sejam avaliados. menos geradoras de ansiedade. A seção de Revisão Geral é organizada de maneira que.

Nessa versão.2. por meio da inclusão de itens adicionais. gravidade. Existe. ainda. como escalas de avaliação de gravidade.2. escolhendo apenas as partes relevantes para seu estudo.1. curso e temporalidade. Os módulos componentes da SCID- I/P estão descritos no Quadro 2. são incluídos especificadores como subtipo.A versão de pesquisa da SCID (SCID Research Version. SCID-RV). QUADRO 2. a possibilidade de incluir modificações no ins​trumento de maneira a atender os requisitos de um estudo particular – por exemplo. Os pes​quisadores podem personalizar a SCID-I/P para atender às suas necessidades. também denominada SCID-I versão paciente (SCID-I/P). foi projetada para incluir a maior quantidade possível de informação que possa ser útil para o diagnóstico em pesquisa.1 ► MÓDULOS DA SCID-I/P (VERSÃO DE PESQUISA) E SUAS RESPECTIVAS CATEGORIAS DIAGNÓSTICAS Folha de resposta Revisão Geral Módulo A: Episódios de Humor Módulo B: Sintomas Psicóticos e Associados Módulo C: Transtornos Psicóticos Transtorno Psicótico Breve Transtorno Esquizofreniforme Esquizofrenia Transtorno Esquizoafetivo Transtorno Delirante Transtorno Psicótico devido à Condição Médica Transtorno Psicótico devido ao Uso de Substâncias Transtorno Psicótico SOE Módulo D: Transtornos do Humor Transtorno Bipolar I Transtorno Bipolar II Ciclotimia Transtorno Bipolar SOE Transtorno Depressivo Maior Transtorno Depressivo SOE Módulo E: Transtornos por Uso de Substâncias Álcool Anfetamina Cocaína Cannabis Alucinógenos Opioides Múltiplas Substâncias .

não há perguntas diretamente relacionadas a uma queixa principal.Outras Substâncias ou Desconhecidas Módulo F: Transtornos de Ansiedade Transtorno de Pânico com ou sem Agorafobia Agorafobia sem História de Transtorno de Pânico Fobia Social Fobia Específica Transtorno Obsessivo-compulsivo Transtorno do Estresse Pós-traumático Transtorno de Ansiedade Generalizada Transtorno de Ansiedade devido à Condição Médica Transtorno de Ansiedade devido ao Uso de Substâncias Transtorno de Ansiedade SOE Módulo G: Transtornos Somatoformes Transtorno de Somatização Transtorno de Dor Somatoforme Hipocondria Transtorno Dismórfico Corporal Transtorno Somatoforme Indiferenciado Módulo H: Transtornos Alimentares Anorexia Nervosa Bulimia Nervosa Transtorno Alimentar Compulsivo Periódico Módulo I: Transtornos de Ajustamento Módulo J: Opcional Transtorno de Estresse Agudo Transtorno Depressivo Menor Transtorno Misto de Ansiedade e Depressão Detalhes sintomáticos de episódio de humor passados A SCID-I/P6 com triagem para sintomas psicóti​cos (SCID-I/P with psychotic screen. a única di​ferença entre as duas versões é a seção de Revisão Geral. SCID-I/P/W PSY) é uma edição abreviada da SCID-I/P que pode ser aplicada em situações nas quais os transtornos psicóticos seriam raros ou em estudos nos quais pacientes com tais transtornos serão ex​cluídos. inquéritos na comunidade. Na SCID-I/NP. A SCID-I versão não paciente (SCID-I/NP) des​tina-se a situações em que os participantes não são previamente identificados como ​pacientes psiquiátricos – por exemplo. Essa versão substitui os módulos B e C por um módulo combinado B/C. omitindo a longa árvore de decisão diagnóstica dos transtornos psicóticos. são usadas outras questões que . que inclui apenas pergun​tas de rastreamento para sintomas ​psicóticos. Os módulos de diagnóstico da SCID-I/NP são os mesmos do SCID-I/P/W PSY. estudos de famílias e cuidados em atenção primária.

em vez disso. apesar do título. com uma referência à página no DSM-IV em que é descrito o conjunto completo de critérios diagnósticos. a SCID-CV pode ser o instrumento mais adequado.2. essa única questão corresponde à primeira questão para a doença na SCID-I/P. As condições que não estão incluídas na versão clínica (SCID-CV) estão detalhadas no Quadro 2. Em geral. embora não no mesmo nível de detalhe. Na maioria dos casos.2 descreve os transtornos mentais avaliados resumidamente pela SCID-CV. A SCID-I/P e a SCID-CV cobrem. No entanto.2. é sugerida uma avaliação resumida. a SCID-CV pode ser o instrumento de escolha. O Quadro 2. Além disso. Para a maioria dos transtornos mentais avaliados pela SCID-CV.2. os mesmos transtornos mentais. para alguns transtornos.2 ► DIFERENÇAS ENTRE A SCID-CV (VERSÃO CLÍNICA) E A SCID-I/P (VERSÃO DE PESQUISA) TRANSTORNOS MENTAIS NÃO TRANSTORNOS MENTAIS COM AVALIAÇÃO CONTEMPLADOS NA SCID-CV RESUMIDA NA SCID-CV Transtorno Depressivo Menor Agorafobia sem História de Transtorno de Pânico Transtorno Misto de Ansiedade e Depressão Fobia Social Transtorno de Compulsão Alimentar Periódica Fobia Específica Transtorno de Estresse Agudo Transtorno Ciclotímico Transtorno de Ansiedade Generalizada Transtorno de Somatização . não são incluídos no corpo da entrevista todos os critérios diagnósticos componentes do transtorno. a SCID-CV também é apropriada para investigação científica. É importante realçar que.2. em que uma única pergunta é fornecida. QUADRO 2. na sua maio​ria. é mantido o padrão descrito anteriormente para a SCID-I/P. ou se o estudo não visa os transtornos mentais ou as especificações de sub​tipos e gravidade abrangidos apenas pela SCID-I/P.permitem a obtenção de informações sobre uma eventual história da psicopatologia. em que é fornecida pelo menos uma pergunta para cada um dos critérios diagnósticos. Se a possibilidade de modificação da SCID não é importante para determinado estudo. A SCID-I versão clínica (SCID-CV)7 é uma adaptação da SCID-I/P que visa a introdução dos benefícios de uma entrevista semiestruturada em contextos clínicos. é fornecida uma descrição condensada. para estudos em que a SCID é usada apenas para descrever as características de diagnóstico de uma amostra.

Apenas no ca​so de ausência de episódio de humor atual o en​trevistador é estimulado a investigar episódios pas​sa​dos com maior detalhamento. a codificação diz respeito ao julgamento clínico do profissional quanto à presença ou ausência de critérios diagnósticos. Além disso. A SCID-II inclui um questionário autoadministrado (SCID-Q). Transtorno Somatoforme Indiferenciado Hipocondria Transtorno Dismórfico Corporal Anorexia Nervosa Bulimia Nervosa Fonte: First e colaboradores. como nos transtornos depressivo maior e bipolar.6. a avaliação da temporalida​de de episódios de humor é feita em um único conjunto de critérios diagnósticos. para avaliação dos transtornos da per​sonalidade propostos pelo Eixo II do DSM-IV. que funciona como instrumento de triagem com índices intencionalmente altos de falsos positivos. ainda. de árvores de decisão diagnóstica nos módulos C (Transtornos Psicóticos) e D (Transtornos do Humor). a avaliação de subtipos e espe​ci​ficadores é apresentada apenas quando são ne​ces​sários para a codificação do diagnóstico pelo DSM-IV. já que apenas as questões consideradas positivas pelo entrevistado seriam investigadas durante a entrevista face a face. G.7 NA SCID-CV. além dos transtornos passivo-agressivo e depressivo da personalidade. embora o entrevistador seja orientado a fazer perguntas predeterminadas. denomina​da SCID-II. Existe. com priorização da caracterização de um episódio atual e contagem do número de episódios anteriores. e a combinação dos módulos F. uma versão da SCID. ● APLICAÇÃO Uma característica essencial da SCID é que. na SCID-CV. A vantagem da utilização desse questionário é a diminuição do tempo gasto na aplicação do instrumento. Outras diferenças incluem o uso. H e I da versão de pesquisa em um único módulo (módulo F). e não necessariamente às respostas dadas pelo entrevistado. o que torna a aplicação do instrumento bastante amigável. O entrevistador é estimulado a usar todas as fontes de informação .

. Ademais. diante de cada questão. a decisão de passar para outro módulo pode ser incorretamente tomada. familiares e outras pessoas da convivência do entrevistado. e isso pode ser decorrente de algumas características que favorecem sua aplicação. Além disso. Seu uso é destinado a adultos. Os critérios diagnósticos estão presentes no corpo do instrumento. originalmente denominada KID-SCID. não identificados co​mo pacientes. são sugeridos. A SCID pode ser aplicada em pessoas com diagnóstico psiquiátrico já estabelecido ou em indivíduos da comunidade. com pequenas modificações. outros profissionais da saúde e registros em prontuários médicos. Há uma versão específica para crianças. Além do próprio entrevistado. No entanto. como fontes de informação. mas. a codificação da SCID baseia-se fundamentalmente no julgamento clínico do entrevistador.disponíveis para a coleta de dados relevantes para seu julgamento clínico. o instrumento também pode ser aplicado em adolescentes. Conforme já comentado. e algumas alterações psicopatológicas podem permanecer sem avaliação. realização de role-playings e de entrevistas conjuntas e avaliação da confiabilidade da SCID para os diferentes serviços e profissionais que se dispõem a utilizá-la. ela deve ser ​administrada por psiquiatras ou outros profissionais da saúde mental que tenham experiência clínica e estejam familiarizados com a classificação e os critérios diagnósticos do DSM. é fundamental que o profissional se submeta a trei​namento relativamente extensivo. o que permite elaborar o diagnóstico conforme a entrevista progride. o fato de o entrevistador saber qual critério e qual transtorno mental estão sendo investigados em cada momento pode levar a vieses de interpretação. Além disso. dependendo das expectativas do examinador. Portanto. Por exemplo. Esse treinamento inclui o uso de vídeos de entrevistas realizadas por clínicos experientes. conforme pre​visto nos manuais de instrução para uso do instrumento. os “skip-out” e a divisão em módulos permitem descartar rapidamente diagnósticos irrelevantes. as mesmas características que tornam sua aplicação mais amigável podem ser fontes de erro e diminuir tanto a confiabilidade como a validade dos diagnósticos elaborados. A SCID é um instrumento muito utilizado. A inclusão da seção de Revisão Geral e de árvores de decisão diagnóstica permite que a entrevista transcorra como se não fosse estruturada e sendo conduzida por um profissional experiente.

2.67 0. tanto para episódio atual como para diagnósticos durante a vida. DE ACORDO COM DIFERENTES VERSÕES DA SCID ADAPTAÇÃO ADAPTAÇÃO ADAPTAÇÃO ADAPTAÇÃO VERSÃO PARA O PARA O PARA O PARA O ORIGINAL8 NORUEGUÊS9 HOLANDÊS10 PORTUGUÊS11 PORTUGUÊS12 SCID-I SCID-I SCID-I SCID-I SCID-CV DIAGNÓSTICO (DSM-III-R) (DSM-III-R) (DSM-IV) (DSM-III-R) (DSM-IV) Transtorno 0.72 Delirante . O teste estatístico utilizado com maior frequência para a avaliação da confiabilidade é o teste Kappa.75 são considerados excelentes. incluindo pacientes sabidamente psiquiátricos e indivíduos da comunidade. os bons índices de confiabilidade da versão original. a concordância foi satisfatória ou excelente. entre 0. satisfatórios.66 0. A versão original da SCID-I para o DSM- III-R foi testada em um estudo multicêntrico.79 0.1 apresenta um resumo dos resultados obtidos em diferentes estudos da confiabilidade da SCID.● PARÂMETROS PSICOMÉTRICOS A confiabilidade do diagnóstico psiquiátrico diz respeito à concordância entre examinadores quanto à presença ou ausência de determinado transtorno mental. inadequados.93 0. publicado no início da década de 1990.63 0. Os valores de Kappa variam de -1 a +1.94 0. que mede a concordância entre observadores. foram entrevistadas 592 pessoas. e abaixo de 0. que não haviam recebido atendimento em saúde mental nos dois anos anteriores.80 Transtorno 0. de maneira geral.64 0. índices acima de 0. TABELA 2.84 0. A confiabilidade pode ser testada por meio de entrevistas conjuntas ou realizadas separadamente (teste-reteste).69 0.93 Depressivo Maior Transtorno Bipolar 0.2. Para a maioria das classes diagnósticas.40 e 0.84 0. As adaptações para outros idiomas mantiveram.88 0.88 Esquizofrenia 0. Por meio de metodologia teste-reteste e com fontes de informação padronizadas. além daquela que seria alcançada pelo acaso.65 0. Do ponto de vista qualitativo. A Tabela 2.1 ► CONFIABILIDADE (KAPPA) DE ALGUNS TRANSTORNOS MENTAIS.40.75.

A concordância foi insatisfatória apenas pa​ra diagnósticos de exclusão. ● EXPERIÊNCIA DE USO A SCID é um instrumento de aplicação relativamente tranquila.40 0. bem como da estrutura da própria SCID.70 0. o desenvol​‐ vi​mento das habilidades e competências para a condução de uma entrevista psiquiátrica conforme pre​conizado pela própria SCID. foram obtidos índices bastante satisfatórios de confiabi​li​dade para a grande maioria dos diagnósticos estudados. Em ambas as situações.96 0. O uso adequado da ferramenta exige. mas que exige um treinamento intensivo por parte do entrevistador para que o diagnóstico elaborado seja de fato confiável.84 0.85 0.75 0.00 Fobia Social 0. Finalmente.58 0. é parte essencial do treinamento. como transtorno psicótico sem outra especificação.67 0.59 0.65 0.47 0.81 Obsessivo- compulsivo Em nosso meio.83 1.80 1. o balizamento do jul​gamento clínico.77 0. a obten​ção de conhecimento aprofundado dos critérios diagnósticos e da hierarquia diagnóstica propostos pelo DSM-IV.88 0.77 0.00 Transtorno 0.72 0.5 0. testamos a confiabilidade da SCID-I/P para o DSM-III-R por meio de entrevistas conjuntas.65 0.Dependência/ 0. Como a codificação da presença ou ausência dos critérios diagnósticos é baseada fun​da​mentalmente no julgamento clínico. por meio da observação e da rea​lização de entrevistas conjuntas. como os “skip outs” e as árvores de decisão diag​nóstica. inicialmente. outro transtorno bipolar e agorafobia sem história de transtorno de pânico.89 Outras Substâncias Transtorno de 0. e a da SCID-CV para o DSM-IV pela metodologia teste-reteste.76 Pânico Fobia Simples 0. é crucial para seu uso .93 0.90 Abuso Álcool Dependência/Abuso 0. geralmente aplicados para quadros nosológicos atípicos. com avalia​dores independentes.

apropriado. 1994. Lobbestael J. American Psychiatric Association. Leurgans M. patient edition (SCID-I/P). Del-Ben CM. Del-Ben CM. 9. Acta Psychiatr Scand. Diagnostic and statistical manual of mental disorders: DSM-III-R. Vilela JAA. Inter-rater reliability of the Structured Clinical Interview for DSM-IV Axis I Disorders (SCID I) and Axis II Disorders (SCID II). American Psychiatric Association. Williams JBW. First MB. Diagnostic and statistical manual of mental disorders: DSM-III. ed. Labate CM. 2014. 2011. 2000. research version.18(1):75-9. 3rd ed. Onstad S. Washington: APA. Williams JBW. Davies M. Gibbon M. New York State Psychiatric Institute. 4th ed. 4th ed. Washington: APA.49(8):630-6. editors. 12. Multisite test- retest reliability. Spitzer RL. Diagnostic and statistical manual of mental disorders: DSM-IV-R. 5. Arntz A. Hallak JEC. Spitzer RL. Confiabilidade da “Entrevista Clínica Estruturada para o DSM-IV – . Skre I. Gibbon M. 2002. 11. Braz J Med Biol Res. Washington: APA. American Psychiatric Association. 1996. rev. Crippa JAS. Borus J. ● REFERÊNCIAS 1. Reliability of the Portuguese version of the structured clinical interview for DSM-III-R (SCID) in a Brazilian sample of psychiatric outpatients. First MB. 1987. Zuardi AW. Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais: DSM-5. 2. 1996. The Structured Clinical Interview for DSM-III-R (SCID). 3rd ed. et al. American Psychiatric Association. High interrater reliability for the Structured Clinical Interview for DSM-III-R Axis I (SCID-I). Kringlen E. Torgersen S. Diagnostic and statistical manual of mental disorders: DSM-IV. 1992. 8. 10.29(12):1675-82. Porto Alegre: Artmed. editors. Rodrigues CR. Clin Psychol Psychother. Structured Clinical Interview for DSM-IV-TR Axis I Disorders. American Psychiatric Association. Zuardi AW. II. 5. New York: Biometrics Research. rev. Structured Clinical Interview for DSM-IV Axis I Disorders. First MB. 1980. Arch Gen Psychiatry. Washington: APP. 6. Spitzer RL. Gibbon M. clinician version (SCID- CV). 1991. 3. 7.84(2):167-73. Williams JB. Washington: APA. 4.

23(3):156-9. 2001.Versão Clínica” traduzida para o português. Rev Bras Psiquiatr. .

apresenta 12 itens. disfunção social e sentimento de inutilidade. em 1988. ansiedade e queixas somatoformes.1 e adaptada para o Brasil por Pasquali e colaboradores. por Goldberg e Williams. irritabilidade.3 ] QUESTIONÁRIO DE SAÚDE GERAL DE GOLDBERG (QSG) Antonio Reis de Sá Junior. Yuan-Pang Wang O Questionário de Saúde Geral de Goldberg (QSG). observados em centros de atenção primária. os TMCs abrangem sintomas como in​‐ sônia. Além disso. ou General Health Questionnaire (GHQ). di​fi​​culdades de concentração. fadiga. com sintomas de depressão não psicótica. É considerado uma ferramenta de rastreio para determinar se um indivíduo é um caso prová​vel de transtornos mentais comuns (TMCs) ou de morbidades psiquiátricas menores (MPMs). em 1994.3 O propósito do GHQ é apoiar os médicos clínicos na identificação de indivíduos com transtorno psiquiátrico não psicótico agudo em ambiente de atendimento. esquecimento. foram conceituados por Gold​berg e Huxley3 e incluem uma psicopatologia com limites menos precisos. uma proposta abreviada elaborada na Inglaterra. Curto e objetivo. é um instrumento de autoaplicação.2 ● OBJETIVO O GHQ foi originalmente desenvolvido por Gold​berg e tem sido amplamente utilizado em diferentes culturas. [ 2. esse instrumento tem sido bem aceito pelos usuários e é facilmente ministrado pelo pes​quisador. em sua última versão. na medida em que não necessita de .2 Esses quadros prevalentes.

A cobertura temporal dos sintomas do questionário refere-se aos últimos 15 dias e é feita por meio de uma instrução geral – “Como você tem se sentido nas últimas semanas?” –. e depressão grave (22- 28). bem- estar e habilidades de enfrentamento.1 Já na versão GHQ-28. posteriormente. nos quais é impraticável usar avaliações longas. outras versões modificadas com menos itens foram validadas (30. a maioria dos itens que indicam sintomas somáticos foi removida.. psicoses funcionais) e um quantitativo (neurose. partindo do pressuposto de que os transtornos psiquiátricos podem ser divididos em um desvio qualitativo da função normal (transtornos mentais orgânicos. 28. 30. ansiedade e insônia (8-14). 28. ● VERSÕES A versão original continha 60 itens.. em que maior escore indica maior gravidade.interpretações subjetivas. Todas as versões têm um sistema de pontua​ção crescente. Os itens do GHQ descrevem tanto aspectos positivos como negativos da saúde mental. Essas versões do GHQ são muito utilizadas nos estudos epidemiológicos. pode ser usada em estudos com grandes amostras populacionais. sobretudo em amostras da comunidade e dos centros de atenção primária. 20 e 12 itens). Os itens que permaneceram incluem dimensões do funcionamento mental e social. disfunção social (15-21). transtorno da personalidade). Na versão reduzida GHQ-30. Goldberg selecionou 140 questões que refletiriam doenças mentais. e suas respostas são apresentadas em uma escala com quatro . e. sendo considerado um excelente e rápido método de triagem para detectar a variação da gravidade dos sintomas. A versão do GHQ com 12 itens apresenta propriedades psicométricas comparáveis às das versões mais longas. 20 e 12 itens. seguida de uma pergunta geral: “Você recentemente tem.?”. Considerando sua velo​cidade de resposta. ● DESCRIÇÃO DO INSTRUMENTO O GHQ foi traduzido para mais de 38 idiomas4 e está disponível nas versões de 60. os itens foram agrupados por meio de análise fatorial em quatro subescalas: sintomas somáticos (itens 1-7). Essa versão é indicada para detectar os tipos sintomáticos de cada subescala. Na construção do GHQ-60.

é útil nos casos em que o investigador deseja avaliar a gravidade. quando a opção “não mais do que de costume” indica doença. as respostas dos itens negativos são pontuadas de 1 (“absolutamente não”) a 4 (“muito mais que de costume”). Os itens “tem se sentido capaz de tomar decisões?” e “tem podi​do concentrar-se bem no que faz?” constituem as perguntas afirmativas para a saúde mental. O método de pontuação Likert irá produzir uma distribuição mais suave do escore. para itens negativos (“tem se consi​de​rado como uma pessoa inútil?”). como uma tentativa de incluir condições crônicas.5 Pontuação padrão modificada: esse tipo de pontuação está indicado para o Chronic General Health Questionnaire (C-GHQ).opções. O objetivo de inverter os itens negativos baseia- se no fato de que a maior pontuação total nessa medida deve indicar um melhor nível de saúde mental. “como de ​costume”. O método de pontuação de C- GHQ é relativamente específico e só é útil quando o pesquisador não deseja perder os casos com doenças de longa duração. mais grave é a doença: Pontuação padrão (0-0-1-1): esse método dicotômico é defendido pelo autor do teste. Os itens devem ser respondidos em termos do quanto a pessoa tem experimentado os sintomas descritos nas duas últimas semanas. As possibilidades de resposta de itens afirma​tivos variam de 1 (“mais que de costume”) a 4 (“muito menos que de costume”). As alternativas de resposta variam de “melhor do que de costume”. Para itens positivos (“tem se sentido capaz de to​mar decisões sobre as suas coisas?”). “pior do que de costume” a “muito pior do que de costume”. As propostas mais utilizadas de pontuação são os sistemas padrão e Likert. quando a opção “como de costume” indica saúde. a seguinte pontuação de (0-1-1-1) é sugerida. usa-se a pontuação padrão habitual de (0-0-1-1). nos quais quanto maior a pontuação total. De forma distinta. Pontuação Likert modificada (0-0-1-2): essa proposta é mais complexa quando comparada à Likert simples e raramente tem sido utilizada. Pontuação Likert (0-1-2-3): permite uma avaliação dimensional do construto.1. Existem quatro orientações para a pontuação do questionário. Questões como “suas preocupações lhe têm feito perder muito sono?” e “tem se sentido pouco feliz e deprimido?” são exemplos de itens negativos. Entretanto. .

Sua primeira versão. pacientes com ​transtornos psi​quiá​tricos graves (p. e pacien​tes crô​nicos com sofrimento prolongado que vivem . pode ser utilizada de forma individual ou em grupo. composta por 60 itens. ● APLICAÇÃO Considerado um instrumento de fácil aplicação. que o GHQ tem sido uti​li​‐ zado com sucesso entre adolescentes.7 Goldberg e Williams1 mostraram que a versão breve de 12 itens tem a vantagem de ser curta e rápida. Enquanto as versões de 12. ex. excluindo-se pacientes psicóticos.9 Essas qualidades facilitam seu uso em países não desenvolvidos. No entanto. como resultado. na literatura.. sendo o tempo médio de aplicação de aproximadamente 50 minutos. como na atenção primária e nos ambulatórios. CUIDADOS NA APLICAÇÃO Goldberg10 desaconselha o uso do GHQ em três ca​sos: pacientes defensivos que não se sentem à vonta​de em uma situação face a face ou em ​responder com lápis e papel. O público- alvo original do GHQ são as populações adultas no atendimento médico em geral. o GHQ foi criado com o objetivo de apoiar os médicos clínicos na identificação de indivíduos com TMCs em ambientes de atendimento. cada um com base em sete itens e uma pontuação total.8 e pode ser aplicável verbalmente a pacientes com dificuldades linguísticas. tem sido muito utilizada e. 30 e 60 itens permitem produzir apenas uma pontuação total global. a versão de 28 itens possibilita quatro subescores. traduzida para muitos idiomas. Por sua praticidade. observa-se. sendo extensamente validada em populações gerais e clínicas em todo o mundo. esquizofrenia). onde uma proporção substancial de indivíduos tem dificuldades de leitura. sendo respondida em cerca de 5 minutos. A escolha da versão mais adequada do GHQ depende dos objetivos e do desenho do estudo epidemiológico.6 ● PÚBLICO-ALVO As várias versões do GHQ têm sido amplamente utilizadas em diferentes culturas como uma ferramenta de rastreio para determinar se um indivíduo seria um provável portador de transtorno psiquiátrico ou TMC.

Em ambiente hospitalar. ● PARÂMETROS PSICOMÉTRICOS DA VERSÃO ORIGINAL E DA VERSÃO EM PORTUGUÊS Existe. foi utilizado o método teste-reteste para aferir a confiabilidade do questionário. CONFIABILIDADE O autor da escala. avaliação do médico clínico e entrevista psiquiátrica estruturada.7 ● INTERPRETAÇÃO DAS PONTUAÇÕES Considerado um instrumento de fácil e rápida aplicação. Portanto. hipomania ou demência). Essa estratégia pode facilitar o encaminhamento dos casos prováveis para um profissional da saúde mental. Contudo. grande preocupação com as propriedades psicométricas e o conteúdo con​ceitual do GHQ. é recomendável a aplicação individual da escala. a fim de de​terminar o diagnóstico provável e a conduta terapêutica adequada. em pacientes com menor gravi​dade.em estado permanente de doença e podem ter a tendência de subestimar as respostas. na literatura. para permitir posterior confirmação diagnóstica na segunda fase. Devido ao grande volume de pu​blicações relacionadas a tais propriedades das várias versões dessa escala. avaliou a confiabilidade do GHQ-60 em uma amostra de 120 pacientes (excluindo aqueles com diagnóstico de esquizofrenia. A confiabilidade teste-reteste do GHQ variou de acordo com o tipo de . serão destacados principalmente os estudos envolvendo as versões GHQ-60 e GHQ-12. o uso do GHQ em pequenos grupos pode ser viável. Os sujeitos foram divididos em três grupos: autoavaliação do indivíduo. o GHQ é utilizado em estudos epidemiológicos de duas fases – como rastreamento populacional na primeira etapa. trata-se de uma ferramenta curta e objetiva. Nesse estudo. e os pacientes foram avaliados em dois momentos – tempo zero e seis meses após a primeira aplicação. sem espaço para interpretações subjetivas. Goldberg. o GHQ foi criado com o objetivo de apoiar os médicos clínicos na identificação de indivíduos com transtorno mental não psicótico em ambientes de atendimento. Frequentemente.

assim. variando de bom (α ≥ 0. que tanto o GHQ-60 como o GHQ-12 são instrumentos ho​mogêneos.16 replicando os resultados de Goldberg. foi encontrado para a totalidade dos itens do GHQ-12 um alfa de Cron​bach de 0. Os indicadores de desempenho apresentaram uma mediana de sensibilidade de 78.aplicação: 0.8% com ensino médio.1. Em outra publicação nacional.80) a excelente (α ≥ 0. dos quais 54.14 A validade de critério do GHQ-60 também foi testada em uma amostra de 200 pacientes de clínica geral e 91 ambulatoriais com queixas intestinais. a validade da versão de 60 itens foi confirmada em amostras da comunidade15 e com pacientes de autoenvenenamento. com idade de 16 a 24 anos.80 para a totalidade dos itens do GHQ-12. A consistência interna do GHQ-60.3% e especificidade de 82. um ponto de corte de 4/5 .95. ficando em 0. Pasquali e colaboradores7 avaliaram uma amostra com 902 participantes e identificaram cinco fatores no GHQ-60.10 No Brasil. com processos de avaliação variando entre 0. Já no fator geral. estáveis e fidedignos. o resultado foi considerado ótimo. e a maioria ao redor de 0.76 e 0. VALIDADE Validade de critério Goldberg14 revisou e relatou os resultados de cinco estudos em países de língua inglesa e latina (Inglaterra.81. Destaca-se o estudo de Sarriera e colaboradores. Foram encontradas correlações consistentes entre os instrumentos.51 para avaliação por médico clínico.11 A versão GHQ-12 apresenta estudos nacionais que apontam para a existência de um fator geral. sendo 1/2 e 2/3 os limiares modais de corte quando todos os resultados dos estudos até então foram considerados. todos com elevada consistência interna. apresentando um alfa de Cronbach acima de 0. e 0. com uma amostra de 563 indivíduos.12 que.90).75 para autoavaliação. tendo sua re​produtibilidade assegurada.90 para exame por psiquiatra.90.17 A fim de determinar os transtornos mais intensos e graves.7%. estimou o coeficiente alfa de Cronbach em 0. em outro estudo no Brasil.80. Austrália e Espanha) que compararam o GHQ-60 à Clinical Interview Schedule (CIS) como critério de padrão-ouro.7. em que foi comparada à Standardized Psychiatric Interview (SPI) como padrão-ouro. mostrou resultados semelhantes àqueles apresentados no ma​nual brasileiro do GHQ. 0. Foram realizados vários estudos de validade do GHQ-12. Posteriormente.13 Pode-se afirmar.88.

Esse limiar foi estabelecido de acordo com o percentil 90 da amostra estudada. demonstrando sensibilidade de 91% e ​especificidade de 71% para caracterizar a provável presença de TMC em uma população com mais de quatro anos de escolaridade. o ponto de corte pode ser reduzido ou aumentado para melhorar a sensibilidade ou especificidade do instrumento. distúrbios psicossomáticos 5/6. Pontos de corte Goldberg descreveu no GHQ-60 o ponto de corte para a pontuação total como 11/12 e os seguintes para cada fator: tensão ou estresse psíquico 4/5. como recomendado pelo estudo Psychological Problems in General Health Care (PPGHC/WHO). No sistema de pontuação Likert.18 Quando usada a metodologia de pontuação de Likert. foi avaliada a validade concorrente do GHQ-60. foi sugerido o ponto de corte de 11/12. o melhor ponto de corte para GHQ-12 foi 3/4. com sensibilidade de 70% e especificidade de 68%. distúrbios do sono 3/4.80. esse ponto é recomendado em 39/40.8 Validade concorrente Em uma amostra com 200 pacientes psiquiátricos. dependendo do contexto de pesquisa. o manual do Questionário de Saúde Geral7 sugere utilizar o sistema padrão de pontua​ção com ponto de corte de 3/4 para cada um dos cinco fatores sintomáticos do GHQ-60.19 A validade do GHQ-12 no Brasil foi testada em relação à CIS em três serviços de atenção primária. No Brasil. No ponto de corte de 4/5. o que revela sensibilidade de 85%. Com o uso do sistema padrão de pontuação. considerando que cerca de 10% da população apresentam transtornos mentais. especificidade de 79% e taxa de classificação incorreta de 18%. a versão GHQ-12 e o SRQ-20 (ferramenta validada no País que .14 No Brasil. falta de confiança na capacidade de desempenho/autoeficácia 3/4.20 Portanto. a versão brasileira do GHQ-12 apresentou o ponto de corte de 3/4 como o limiar mais adequado para detectar TMCs em uma população de centros de atenção primária. o GHQ-12 foi validado com o ponto de corte de 2/3. foram encontradas sensibilidade de 76% e ​especificidade de 82%. encontrou-se uma correlação de 0. desejo de morte 3/4.8 Ainda no Brasil.7 Comparada à entrevista CIS. em que os escores foram comparados a uma avaliação psiquiátrica dos indivíduos.foi considerado para aumentar a especificidade do instrumento. novamente com o uso da CIS.

com dois fatores específicos e com o geral. 0. e os dois fatores também se correlacionaram de modo signi​fi​cativo entre si (r = 0. No Brasil.8 Gouveia e colaboradores21 avaliaram a validade convergente do GHQ-12 com três indicadores de bem-estar subjetivo (satisfação com a vida. cujos resultados demonstraram a comparabilidade transcultural do GHQ em diferentes partes do mundo. A partir de dados de 26.72).70. que mede a gravidade da falta de saúde mental.2 O estudo da Organização Mundial de Saúde de Transtornos Mentais18 ofereceu a oportunidade de investigar a estrutura fatorial de GHQ-28 e GHQ- 12 em centros de atenção primária.21 Validade de construto A estrutura fatorial do GHQ-60 é constituída por cinco fatores: (1) tensão ou estresse psíquico.9 Ressalta-se que o Brasil participou como um dos centros desse estudo. O mesmo ocorreu para seus fatores de ansiedade (r = -0. dois domínios robustos e estáveis – depressão e disfunção social – foram identificados na maioria desses 15 locais.54).54) e satisfação com a vida (r = 0. aparecendo modelos com dois ou três fatores. respectivamente). O GHQ-60 também pode ser apresentado como um único fator geral. O escore total do GHQ-12 e o total ponderado da CIS mostraram uma correlação entre as duas avalições de 0. O GHQ-12.51). os fatores de depressão e ansiedade (disfunção social) foram relatados.49 e 0.49 e 0.43. respectivamente) e depressão (r = -0. que se tem mostrado polêmica. afetos positi​vos (r = 0.21 Esses fatores extraídos correlacionaram-se fortemente. (3) falta de confiança na capacidade de desempenho/autoeficácia.47.30) na matriz padrão e congruên​cia semântica com os demais itens do fator.0.48. (5) distúrbios psicossomáticos.001) com todos os indicadores de bem-estar subjetivo: afetos negativos (r = -0. (2) desejo de morte.120 participantes de 15 centros em diferentes versões linguísticas de GHQ-12. O fator geral (unidimensional) correlacionou-se significativamen​te (p < 0.55.também avalia a saúde mental) tiveram sua validade concorrente verificada em relação ao padrão-ouro CIS.62). afetos negativos e afetos positivos). A técnica de extração dos fatores por meio da análise de componentes principais foi utilizada na maioria dos estudos sobre a estrutura fatorial do GHQ-12. 0.8 O estudo mostrou uma relação linear entre o GHQ-12 e a SRQ-20 (r = 0. Esses fatores são compostos por itens com carga fatorial saliente (≥ +/. (4) distúrbios do sono. comprovou a validade convergente quando comparado aos indicadores de bem-estar subjetivo. .

como falsos positivos. como resultado da redução na pontuação global no GHQ.23 O paciente com doença crônica. a aplicação em adolescentes tem ocorri​do em vários estudos e obtido bons resultados. conhecer a validade de questionários de rastrea​mento é um pré-requisito de qualquer estudo quando esses instrumentos forem utilizados em uma população nova.12. ambulatório.22 Em geral. Assim. sexo e nível educacional. pacientes clínicos. e pacientes de baixo nível educacional. Um estudo multicêntrico relatou pontos de corte variando de 1/2 até 6/7 na versão GHQ-12. A efetividade do instrumento tende a variar de acordo com o modo como a população é identificada (recrutamento. ● LIMITAÇÕES O GHQ não foi elaborado para uso em pacientes psicóticos ou mesmo na infância e adolescência. o questionário não consegue detectar a presença de sintomas disfuncionais e crônicos. psiquiátricos ou culturas di​ferentes). . hospital) ou em populações com diferentes características (participantes saudáveis. Fatores ligados ao comportamento de doença. é mais provável que homens sejam classificados como falsos negativos. Recomenda-se revalidar e recalibrar o GHQ em diferentes ambientes (comunidade.13 ● FATORES QUE AFETAM A PONTUAÇÃO A pontuação de corte para determinar um provável TMC tem variado em diferentes centros. Portanto. após algum tempo. Contudo. a forma de aplicação (au​toaplicação ou aplicação assistida) e a prevalência geral dos transtornos mentais na amostra em estudo. exercem influência no desempenho da classificação correta de instrumentos de rastreamento como o GHQ-12. pode minimizar os sintomas psiquiátricos disfuncionais e indicar a categoria “como de costume” nos itens que os avaliam. amostragem).sugerindo a existência de um fator geral subjacente aos TMCs.17 Os pesquisadores ou profissionais que trabalham com amostras comunitárias podem reduzir o ponto de corte para obter uma maior sensibilidade na ​triagem. como idade.

e pode ser considerado uma medida adequada para avaliar a saúde mental ou o bem- estar psicológico. Miranda FJ. Wancata J. 4. The General Health Questionnaire. Goldberg D. R.casadopsicologo. e deve ser adquirido junto à editora autorizada. Common mental disorders: a bio-social model. 1994. excluindo qua​dros psicóticos. Extensamente relatados na literatura. 6. Ramos ALM. 1992. São Paulo. 5.10:421-37. [Casa do Psicólogo.020 – Pinheiros. Psic Teor Pesq. essa ferramenta também considera a incapacidade para realizar as atividades. Questionário de Saúde Geral de Goldberg (QSG): adaptação brasileira. www.57(1):79. London: Tavistock.net/casadopsicologo/] ● REFERÊNCIAS 1. os parâmetros robustos de confiabilidade e validade do GHQ qualificam esse instrumento como um importante recurso de ras​treamento em estudos que envolvem grande número de indivíduos. Simão Álvares. 1. Windsor: NFER. Goldberg DP.24 Portanto. Burvill PW. Cerny G. 3. The criterion validity of different versions of the General Health Questionnaire among non-psychiatric inpatients. a qual pode ocorrer em uma pessoa saudável ante eventos estressantes. Which version of the General Health . A user’s guide to the General Health Questionnaire. 2011. Gouveia VV. Friedrich F. Huxley P. sendo protegido por direitos autorais.● CONSIDERAÇÕES FINAIS O uso do GHQ pode detectar os casos de TMCs recentes em estudos populacionais. Pasquali L. 1988. Soc Psychiatry Psychiatr Epidemiol. Knuiman MW. O instrumento tenta identificar al​​te​rações no funcionamento habitual. Alexandrowicz R. Andriola WB. ​principalmente em contextos de atenção primária à saúde ou em ambulatórios. Benda N. 05417-020. ● FORMAS DE AQUISIÇÃO O GHQ não é um instrumento de domínio público. 2. Jackson C. Occup Med. Williams P. 2007.46(7):635-41.

Psychiatric symptoms in self-poisoning patients. Rev Bras Psiquiatr. Psychol Med. 1983. Carvalho HW. Psychol Med. Hirsch SR. 2011.140:174-80.9(2):293-306. 16. 1979. Adaptação e validação de uma escala de bem- estar psicológico para uso em estudos ocupacionais.15(3):651-9. Windson: NFER.17(3):237-42. London: Oxford University. 14. Goldberg DP. Sartorius N. Mental illness in general health care: an international study. Sarriera JC. 12. Psychol Med. 1972. Jorge MR. 1997. Haran D. Kruse J. Miranda FJ. 17. Tress W. Sartorius N. 1982. 15. Questionnaire should be used in community studies? Aust N Z J Psychiatry. Goldberg DP. GSQ: Questionário de Saúde Geral de Goldberg (adaptação brasileira). Gouveia VV. 18. 19. Patrick CJ. Goldberg D. Ramos ALM. Psychometric properties of the General Health Questionnaire (GHQ-12) in a German primary care sample. Manual of the General Health Questionnaire. Decalmer P. Piccinelli M. Br J Psychiatry.33(1):59-63. 2000. The detection of psychiatric illness by questionnaire: a technique for the identification and assessment of non-psychotic psychiatric illness. 11. Acta . 10. Benjamin S. 1978. Gureje O. 7. Williams P. The validity of two versions of the GHQ in the WHO study of mental illness in general health care. Pasquali L. using Relative Operating Characteristic (ROC) analysis. 1996. Chichesser: John Wiley & Sons. 13. Borges LO. Bem-estar psicológico: análise fatorial da escala de Goldberg (GHQ-12) numa amostra de jovens. Üstün TB. 1995. Andriola WB. Psicol Reflex Crit.9(3):493-500. Newson-Smith JG. 9. Schwarcz C. Aval Psicol. 1996. Schmitz N. Câmara SG. Argolo JCT. Gater R. Validation of the structural coherency of the General Health Questionnaire. Üstün TB. São Paulo: Casa do Psicólogo.30(4):823-9. A comparison of the validity of two psychiatric screening questionnaires (GHQ-12 and SRQ-20) in Brazil. et al.1(1):17-27. Psychol Med. 2002. Goldberg D. Andreoli SB. Mari JJ. 1985. 8. Community screening for mental illness: a validity study of the General Health Questionnaire.27(1):191-7. Üstün BT. Yalcin I. Werneke U. The stability of the factor structure of the General Health Questionnaire.

Oliveira ICP.19(3):241-8. 21. Wiggins RD. 1979. Gouveia VV. 24. Hillier V. 22. Psychol Med. . Andrade PR. São Paulo: UNIFESP.100(6):462-8. 23. 1998. J Chron Dis. Problemas psicológicos e morbidade psiquiátrica em serviços de saúde não psiquiátricos: o ambulatório de clínica geral [tese]. Williams P. 1986. Mari JJ. 1979. 2003. McLean EK. Gouveia RSV. Tarnopolsky A. Roberts H. Br J Psychiatry.134:508-15. A scaled version of the general health questionnaire. 1999. A utilização do QSG-12 na população geral: estudo de sua validade de construto. Dias MR. Hand DJ.9(1):139-45.39(5):371-8. Validity and uses of a screening questionnaire (GHQ) in the community. Misclassification by Psychiatric Screening Questionnaires. Psychiatr Scand. 20. Chaves SSS. Villano LA. Goldberg D. Psic Teor Pesq.

4 ] SELF-REPORTING QUESTIONNAIRE (SRQ) Daniel Maffasioli Gonçalves A Organização Mundial da Saúde (OMS) conduziu. inclusive. com o objetivo de avaliar e testar métodos que permitissem elaborar políticas públicas de assistência multidisciplinar a indivíduos com transtornos mentais. como transtornos mentais menores ou comuns. com boa capacidade de diferenciar corretamente casos de não casos. conhecidos anteriormente como transtornos neuróticos e. de muito baixo custo e com alto poder discriminante. fato que. Destina-se ao rastreamento de transtornos do humor. um terceiro aplicá-lo a indivíduos analfabetos. uma das principais foi criar e validar um instrumento de rastreamento psiquiátrico que facilitasse a detecção de casos de forma simples e eficaz. Conforme inpumeros estudos pu​​blicados. mes​mo entre respondentes com baixos níveis de ins​trução. atualmente. o SRQ-20 é de fácil compreensão. na década de 1970. podendo ser utilizado em . sendo possível. ou seja. Harding e colaboradores2 propuseram o Self-Reporting Questionnaire (SRQ). cuja nomenclatura em inglês é utilizada até hoje. ainda é uma realidade preocupante. Esses transtornos correspondem a 90% da morbidade to​tal causada por doenças psiquiátricas.3 O SRQ-20 é um instrumento de autorresposta.1 Nesse contexto. A versão que se consagrou ao longo dos anos é a de 20 itens. Essa iniciativa foi uma resposta ao acúmulo de evidências que surgiam naquela época sobre a grande lacuna existente entre demanda e oferta efetiva de atendimento nessa área. conhecida como SRQ-20. Entre as várias propostas. passadas quatro décadas. o Estudo Colaborativo em Estratégias para Atendimento em Saúde Mental.4 Foi concebido prio​‐ ritariamente para uso em atenção primária de saúde. [ 2. de ansiedade e de somatização.

compondo o SRQ-24.vários ambientes e por profissionais de todas as especialidades.4 No Brasil. Os parâmetros psicométricos dos cinco itens adicionais não foram testados. chegando-se a uma versão de 20 itens. que eram comuns a todos. incluiu-se mais um item para rastreamento de epilepsia. não permitindo formular um diagnóstico psiquiátrico.5 Esse estudo foi utilizado ​pa​ra demonstrar a validade e a aplicabilidade do SRQ-20 dentro da estratégia adotada pela OMS na época e. o Post Graduate Institute Health Questionnaire N2. ● VERSÕES Por ser uma iniciativa da OMS que objetivava atender primordialmente às necessidades de países em desenvolvimento. o SRQ-20. Posteriormente. foi proposto o acréscimo de mais cinco itens para rastreamento de transtornos por abuso/dependência de álcool. compondo o SRQ-25. o General Health Questionnaire e o Present State Examination. Logo depois. e o rastreamento com instrumento de autorresposta na população não parece adequado. Para a seleção dos itens. utilizando-se o instrumento semiestruturado Cli​nical Interview Schedule (CIS). portanto.4 Em uma das tentativas de ampliar o alcance psicométrico do novo instrumento. foram retirados aqueles que acabavam por avaliar sintomas iguais ou semelhantes. Destes. em meados da década de 1980. foi adotado pela maioria dos pesquisadores brasileiros como o trabalho original de validação psicométrica do instrumento. foram encontrados 32 itens. uma das principais ​‐ preocupações na elaboração do instrumento foi a obtenção de um questionário de fácil compreensão e que fosse de simples tradução para validação nos mais diversos tipos de idiomas e culturas. seu resultado fornece uma suspeita diagnóstica.4 . o grupo do Estudo Colaborativo em Es​tratégias para Atendimento em Saúde Mental analisou quatro instrumentos de rastreamento que representavam bases culturais diferentes: o Patient Self-Report Symptom Form. o SRQ-20 foi validado mediante comparação com entrevista psiquiátrica formal. a utilização desses itens não foi bem aceita. foram acrescentados mais quatro itens para rastreamento de transtornos psicóticos. Na comparação entre os instrumentos. visto que a detecção de transtornos psicóticos e de epilepsia é fácil em ambientes de atendimento em saúde. Entretanto. O SRQ-20 prescinde de treinamento mais aprofundado para sua aplicação.

4. que responderam a ambos os instrumentos e foram submetidos a entrevista psiquiátrica padronizada utilizando a Entrevista Clínica Estruturada para o DSM-IV-TR (SCID-IV- TR). fica com medo com facilidade? 5. tem dores de cabeça com frequência? 2. Mais recentemente. QUADRO 2. Dessa forma. os cinco itens de rastreamento de transtornos por abuso/dependência de álcool (denominados SRQ-A) ainda não haviam sido validados no País. com a qual os instrumentos em pesquisa foram comparados. visto o avanço cultural e as modificações nos critérios diagnósticos para transtornos mentais. e seus itens são apresentados no Quadro 2. Além ​disso. um estudo foi conduzido em Santa Cruz do Sul (RS) para revalidação do SRQ-20 e validação do SRQ- A. Suas mãos tremem? . sendo esse fato considerado fundamental para o subdiagnóstico dessas patologias.1. já há algum tempo era de conhecimento amplo a predominância de queixas somáticas em relação a psíquicas em pacientes com transtornos do humor.7 É interessante ressaltar que essa evidência já estava implementada no instrumento desde sua criação.6 Neste capítulo. que chega a 50% nesse nível de atendimento.6 ● DESCRIÇÃO DO INSTRUMENTO O SRQ-20 é composto por 20 questões sobre sintomas psíquicos e somáticos (Quadro 2. de ansiedade e de somatização. e não somente em usuários de atenção primária de saúde. Tem falta de apetite? 3. O SRQ-20 tem respostas do tipo sim/não. será apresentado apenas o SRQ-20. tem-se valoriza​do sintomas físicos em todas as populações.1 ► ITENS DO SRQ-20 1. O(a) Sr(a).4. Passadas mais de duas décadas. Em atenção primária de saúde. O(a) Sr(a). uma nova validação tornou-se necessária no Brasil.1). Participaram da pesquisa 485 indivíduos. Para mais informações acerca do SRQ-A. A inclusão de questões somáticas é um ponto forte do instrumento. considerada o padrão-ouro. dorme mal? 4.4. O(a) Sr(a). sugere-se a consulta a Gonçalves e colaboradores.

no caso de dificuldades na compreensão de leitura. Fica cansado(a) com facilidade? ● PÚBLICO-ALVO O SRQ-20 foi um instrumento criado prioritaria​mente para uso em ambiente de atenção primária de saúde. Acha difícil apreciar (gostar de) suas atividades diárias? 12. não é capaz de ter um papel útil na vida? 15. ou sofre de perturbação digestiva? 8. Sua . tem sensações desagradáveis no estômago? 20. especialmente nos estudos de prevalência de base populacional. em que o objetivo seja a detecção de casos suspeitos de transtornos do humor. Seu trabalho diário é um sofrimento? Tormento? Tem dificuldade em fazer seu trabalho? 14. Acha que é uma pessoa que não vale nada? 17. Embora essa seja sua aplicação mais in​dicada. Por exemplo. O(a) Sr(a). Acha difícil tomar decisões? 13. ou seja. não fornecem um diagnóstico. O(a) Sr(a). perdeu o interesse nas coisas? 16. tenso(a) ou preocupado(a)? 7. Sua digestão não é boa. Sente-se infeliz? 10. de fácil compreensão e rápida aplicação. se sente cansado(a) todo o tempo? 19. se sente nervoso(a). teoricamente. mas não há recomendação de treinamento específico para tanto. Sugere-se que seja utilizado em indivíduos maiores de 14 anos. e especialmente com indivíduos analfabetos. o SRQ-20 pode ser uti​li​zado em qualquer população. O(a) Sr(a). sua utilidade como ferramenta de pesquisa em estudos em larga escala é indiscutível. O(a) Sr(a). não consegue pensar com clareza? 9. entre inúmeras outras situações. O(a) Sr(a). mas somente uma suspeita de caso de morbidade mental. o SRQ-20 pode ser utilizado em qualquer ambiente. O(a) Sr(a). O(a) Sr(a). clínico ou não clínico. de ansiedade e de somatização. O pensamento de acabar com a sua vida já passou por sua cabeça? 18. um entrevistador pode aplicá-lo. pode ser utilizado no rastreamento de pro​blemas psiquiátricos entre alunos de uma escola. ● APLICAÇÃO O instrumento é autoaplicado. Apesar disso. chora mais que o comum? 11.6. em profissionais da saúde de determinado município. porque é um ins​tru​mento de rastreamento de autorresposta. Como seus resultados dependem de confirmação diagnóstica posterior. com necessidade mínima de pesquisadores. Além disso.

e de 7 ou menos como um caso não suspeito.001. análogo ao coeficiente alfa de Cronbach e utilizado apenas para variáveis dicotômicas. o SRQ-20 tem ponto de corte 7/8 tanto para o sexo feminino quanto para o masculino. VALIDADE .81.6 ● PARÂMETROS PSICOMÉTRICOS CONFIABILIDADE Em relação à consistência interna. considera-se escore de 8 ou mais como caso suspeito de transtornos do humor. de ansiedade e de somatização. e o item 14 (“O(a) Sr(a). dorme mal?”). Todas as questões apresentaram correlação significativa com p < 0. A correlação entre os itens do instrumento foi verificada pelo método de correlação r de Pearson. Houve apenas duas exceções: o item 11 (“Acha difícil apreciar [gostar de] suas atividades diárias?”) não apresentou associação com os itens 1 (“O(a) Sr(a).86. em que variam de 0 (nenhuma probabilidade) a 20 (extrema probabilidade) para presença de transtornos do humor. e quantitativa.6 Na validação original. Ou seja. Foi encontrado coeficiente de 0. tem dores de cabeça com frequência?”) e 3 (“O(a) Sr(a). de ansiedade e de somatização. não é capaz de ter um papel útil na vida?”) não apresentou correlação com 1 (“O(a) Sr(a). tem dores de cabeça com frequência?”) e 2 (“Tem falta de apetite?”). ● INTERPRETAÇÃO DAS PONTUAÇÕES Cada resposta afirmativa pontua com o valor 1 para compor o escore final por meio do somatório desses resultados.4 Conforme a última validação realizada no Brasil. Os escores obtidos podem ser interpretados de forma qualitativa. o que é considerado muito bom. para determinar um rastreamento positivo ou não. utilizou-se o coeficiente de Kuder Richardson (KR-20).5 Não há evidências disponíveis sobre sua confiabilidade teste-reteste. o coeficiente alfa de Cronbach na validação brasileira foi de 0. e a obtenção de escore é quase imediata.aplicação leva entre 5 e 10 minutos.

94) de área sob a curva. Um dos motivos cogitados para essa diferença é a possibilidade de homens terem mais dificuldades em expressar questões de ordem emocional. na qual se comparou o teste de rastreamento aos resultados do teste padrão-ouro utilizado. Por meio desse procedimento.5 Outro estudo relevante é o de validação da forma II do Inventário de Depressão de Beck. com sensibilidade de 83% e especificidade de 80%. Ou seja. Os resultados na revalidação brasileira foram satisfatórios. com uma pequena vantagem para o SRQ-20. determinou-se o ponto de corte e suas respectivas sensibilidade e especificidade.6 A capacidade discriminante (acurácia) é dada pela área sob a curva ROC e tem variação de 0.67 para a amostra de estudantes . e situa-se no limite superior do intervalo de variação das validações de outros países.5. para capacidade nula de discriminação. e sim no primeiro estudo de validação. O melhor ponto de corte para o SRQ-20 é 7/8.85 a 0.3%. Nesse ponto. a 1. tanto para mulheres quanto para homens. além do poder discriminante. concluindo-se que ambos tinham performances muito semelhantes. com 0. Não houve influência do sexo.88-0.91 (IC 95% 0. 91% dos casos de fato positivos são detectados pelo teste. a sensibilidade e a especificidade em relação à presença de transtornos do humor. o SRQ-20 foi comparado ao General Health Questionnaire (GHQ-12) utilizando-se o teste de correlação r de Pearson.6 É interessante observar que a primeira validação brasileira encontrou ponto de corte de 7/8 para mulheres e de 5/6 para homens.95.Validade de critério A validade de critério do SRQ-20 foi verificada mediante análise da curva Receiver Operating Cha​racteristics (ROC).2%.5 Possivelmente. respectivamente. A correlação entre os dois instrumentos foi de 0. de 94. Neste. para capacidade máxima.5 que foi de 0. que foram de 0. entendidas socialmente como sinal de fraqueza. O valor preditivo positivo é de 76.3 e 89. qual seja. entrevista realizada por psiquiatra com a SCID-IV-TR.6 Validade concorrente A validade concorrente não foi testada no estudo de revalidação. e o negativo. a mudança de papéis sociais de homens e mulheres e suas repercussões sejam o motivo da mudança no ponto de corte para o sexo masculino. identificou-se coeficiente de correlação entre os dois instrumentos de 0.4%.72. Neste.90. de ansiedade e de somatização confirmada pelo padrão-ouro são de 86. É semelhante ao valor obtido na validação anterior no Brasil.

poderia ser considerada a revisão das questões. assim como boa consistência interna. De forma geral. a possibilidade de falso negativo pode ocorrer em indivíduos durante episódios agudos de mania e hipomania. sintomas somáticos. trata-se de uma excelente ferramenta para rastrea​mento de transtornos do humor. Os quatro fatores extraídos são diminuição da energia. de forma geral.8 Validade de construto Na análise fatorial da revalidação do instrumento. Em relação a sua utilização.utilizada e de 0. Outra questão importante refere-se ao fato de uma pessoa apresentar patologias não psiquiátricas que produzam sintomas contemplados no SRQ- 20. Assim. visto que o teste.5% da variância cumulativa. de ansiedade e de somatização. humor deprimido e pensamentos depressivos. Apresenta propriedades psicométricas satisfatórias.89 para a amostra da comunidade. com variância cumulativa de 41%. respondendo por 46. ● CONSIDERAÇÕES FINAIS O SRQ reúne características consideradas fundamentais para um instrumento de rastreamento: alta capacidade de discriminação entre casos positivos e negativos e facilidade de aplicação. o que levaria a casos falsos positivos. inadver​tida ou mesmo voluntariamente. ● LIMITAÇÕES O instrumento tem uma limitação que é intrínseca a todos os testes psicométricos de autorresposta. pode- se. ​responder de forma incorreta e que não corresponda à realidade. com posterior validação. os mesmos itens vêm sendo usados há mais de três décadas. aborda a fase depressiva do transtorno bipolar. Em contrapartida. utilizou-se o procedimento de Análise por Componentes Principais. Apesar disso. que resultou em uma solução final de quatro fatores. Essa limitação pode ser resolvida em situações nas quais haja a possibilidade de confirmação diagnóstica de um rastreamento positivo. embora a gama de possibilidades de uso seja . Por não haver o “filtro” do aplicador.6 O estudo de Mari e Williams5 também evidenciou quatro fatores. em especial daquelas que apresentam especificidade ou sensibilidade muito extremas ou baixa confiabilidade.

1999. 6 das 10 primeiras causas de carga total e 7 das 10 primeiras causas de anos vividos com incapacidade no mundo são doenças psiquiátricas. tenham pelo menos um provável quadro de transtorno mental. Coutinho ESF. Climent CE.26(5):246-56. Ladrido-Ignacio L. Br J . Geneva: WHO. Williams P. A validity study of a psychiatric Screening Questionnaire (SRQ-20) in primary care in the city of São Paulo. 4. 1975. De Arango MV. ● REFERÊNCIAS 1.9 Em média. por exemplo. entre as 130 condições médicas mais comuns no mundo. Nesse contexto. Almeida Filho N. Entre outras muitas razões para que fosse considerada prioridade. et al. Mari JJ. 50% desses sujeitos não têm seu diagnóstico e tratamento estabelecidos. World Health Organization. 3. Psychol Med. Organization of mental health services in developing countries: sixteenth report of the WHO Expert Committee on Mental Health. sua importância é de grande relevância. visto que a saúde mental ainda não tem recebido a devida atenção nas políticas de saúde pública. Baltazar J. no contexto mundial.10(2):231-41. 1980.muito extensa. A user´s guide to the Self-Reporting Questionnaire (SRQ). Fatores de risco para morbidade psiquiátrica menor: resultados de um estudo transversal em três áreas urbanas no Brasil. Mental disorders in primary health care: a study of their frequency and diagnosis in four developing countries. é estimado que 20 a 55%. destacamos que. Um exemplo de como utilizá-lo seria oferecê-lo a todos usuários do sistema de saúde que buscam atendimento por qualquer motivo. Mari JJ.10 Uma das formas mais eficazes de melhorar o atendimento em saúde mental é conhecer a realidade da população. 2. 1994. Ibrahim HH. a indicação principal é em atenção primária de saúde. Geneva: WHO. entre os indivíduos que buscam assistência médica em centros de atenção primária por qualquer motivo. World Health Organization.10 Além disso. então. cuja estratégia é a medida da pressão arterial antes das consultas médicas. Instrumentos de rastreamento como o SRQ-20 são fundamentais para se atingir esse objetivo. situação que ocorre da mesma forma no Brasil. 5. Harding TW. um paralelo ao que se faz atualmente com a triagem de hipertensão arterial. Rev Psiq Clín. Teríamos.

Hickie IB. Cad Saúde Pública. 8. 2008.34(4):389- 94. Finch AW. World Health Organization. 10. Rev Bras Psiquiatr. Kapczinski F. Psychiatry. Gorenstein C. 2009. 2012. 6.24(9):2043-53. Lotufo Neto F. 9. Wang YP. 2008. Gomes-Oliveira MH. Prevalence of mental disorders at a referral center for the Family Health Program in Santa Cruz do Sul. Andrade LH. 2008.24(2):380-90. Rio Grande do Sul State. 7. Brazil. Geneva: WHO. Stein AT. What can alert the general practitioner to people whose common mental health problems are unrecognised? Med J Aust. Cad Saúde Pública.188(12 Suppl):S114-8.148:23-6. Validation of the Brazilian Portuguese version of the Beck Depression Inventory-II in a community sample. Gonçalves DM. . Davenport TA. Avaliação de desempenho do self-reporting questionnaire como instrumento de rastreamento psiquiátrico: um estudo comparativo com o Structured Clinical Interviw for DSM-IV-TR. Gonçalves DM. Mental health in primary care: enhancing treatment and promoting mental health. 1986. Kapczinski F. Wilhelm KA.

. ex. mas podem complementar a observação do profissional e prover um método conveniente para acompanhar a evolução do paciente. Entrevistas não . se entende as questões. de psicopatologia e clínica da doença). com vantagens e limitações similares: não devem ser usados isoladamente. Adriana Munhoz Carneiro O uso de escalas de avaliação permite melhorar o cuidado de pacientes com problemas psiquiátricos comuns e incapacitantes. se a ferramenta é aplicada por observador ou pode ser autoaplicada pelo paciente. se há direitos autorais sobre o instrumento ou se é de domínio público. entre outros fatores que afetam o desempenho desse recurso. não substituem a avaliação clínica e diagnóstica. quão efetivo ele é. As ressalvas a considerar no uso de escalas são: o que o instrumento está designado a medir. se há prejuízo cognitivo na doença que limita o seu uso. Em relação às escalas de observador. os entrevistadores devem se preocupar com a confiabilidade entre avaliadores e se as convenções e regras de utilização são seguidas pelos aplicadores. se há algum motivo pelo qual o paciente poderia eventualmente super​estimar os sintomas ou subestimá-los. Os pesquisadores devem estar atentos às características do paciente ao escolher escalas autoaplicáveis – se o respondente pode ler as instruções. qual o intervalo de aplicação. se há necessidade de treinamento ou de conhecimento específico (p. como os transtornos depressivos e de ansiedade. [3] INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO DE DEPRESSÃO Ricardo Alberto Moreno. O papel desses instrumentos é semelhante ao de testes laboratoriais usados em outras especialidades da medicina.

as escalas de avaliação de depressão são úteis para avaliar sintomas clínicos. Para o paciente. detectar sin​tomas residuais e assegurar que os efeitos colaterais não limitam a terapêutica. o uso de escalas autoaplicáveis pode fornecer um feedback do efeito da intervenção. enquanto aquelas estruturadas ou semiestruturadas têm melhor confiabilidade devido ao roteiro de perguntas padronizadas a que o paciente deve responder. sendo mais comum entre os 18 e os 29 anos de idade. sobretudo após a menarca. estado civil ou condição socioeconômica. o agrupamento de sinais e sintomas das esferas psicológica. tem elevada prevalência. ou seja. sendo detectável em todas as faixas etárias. raça. Em particular. ● CONCEITO DE DEPRESSÃO A depressão.2 o EDM é caracterizado por critérios operacionais descritos no Quadro 3. independentemente de cor. Para os clínicos. Nesse sentido. promover estratégias de autogestão. uma das principais causas de incapacidade no mundo. o episódio depressivo maior (EDM) relaciona-se ao transtorno depressivo maior (TDM) ou ao transtorno bipolar (TB). Segundo a classificação da American Psychiatric Association. a incorporação de escalas nas tomadas de decisão terapêutica se baseia em informações confiáveis para incrementar a qualidade e a eficiência da sua indicação clínica. física e comportamental.2 O termo depressão designa várias condições neste capítulo.estruturadas geralmente apresentam menor confiabilidade entre os avaliadores. monitorar resposta ao tratamento e retorno ao nível desejado de funcionamento. sendo prevista como a maior contribuinte para a carga de doenças em 2030. O objetivo principal da intervenção (ou tratamento) em pacientes com depressão é a remissão dos sintomas e o retorno ao funcionamento psicossocial pré-mórbido.1. A probabilidade de um indivíduo desenvolver um episódio depressivo maior ao longo da vida é três vezes maior no sexo feminino. Alguns conceitos básicos sobre transtorno depressivo são descritos a seguir para discorrer sobre as escalas de avaliação mais utilizadas no nosso meio. melhorando a aliança terapêutica e promovendo maior adesão ao tratamento. auxiliando-o em programas autogerenciáveis ou psicoterapias baseados em evidências. O TDM compreen​de uma síndrome. que exigem a presença de no mínimo cinco sintomas .1 Esse grupo de transtornos ocorre em países desenvolvidos e subdesenvolvidos.

uma alteração de mais de 5% do peso corporal em um mês).. uma tentativa de suicídio ou plano específico para cometer suicídio. vazio. Insônia ou hipersonia quase todos os dias.. Além disso. 5. pelo menos um dos sintomas é (1) humor deprimido ou (2) perda de interesse ou prazer. profissional ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo. ruína financeira. conforme indicado por relato subjetivo (p. O episódio não é atribuível aos efeitos fisiológicos de uma substância ou a outra condição médica. quase todos os dias. 8. além da resposta normal a uma perda significativa. Fadiga ou perda de energia quase todos os dias. pelo menos um dos sintomas principais tem de ser humor deprimido ou perda do interesse ou prazer. transtorno esquizofreniforme. esquizofrenia. Os sintomas causam sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento social. ruminação acerca da perda. ideação suicida recorrente sem um plano específico. outro transtorno do .. A ocorrência do episódio depressivo maior não é mais bem explicada por transtorno esquizoafetivo.da lista durante o período de duas semanas e representando uma alteração a partir do funcionamento prévio. 9. transtorno delirante. que podem se assemelhar a um episódio depressivo. Perda ou ganho significativo de peso sem estar fazendo dieta (p.) 2. perdas por um desastre natural. D. QUADRO 3. Nota: Os Critérios A-C representam um episódio depressivo maior.1 ► CRITÉRIOS DIAGNÓSTICOS DO DSM-5 PARA EPISÓDIO DEPRESSIVO MAIOR A. 7. Agitação ou retardo psicomotor quase todos os dias (observáveis por outras pessoas. insônia. 1. a presença de um episódio depressivo maior. Capacidade diminuída para pensar ou se concentrar. não meramente sensações subjetivas de inquietação ou de estar mais lento). (Nota: Em crianças. B. uma doença médica grave ou incapacidade) podem incluir os sentimentos de tristeza intensos. Cinco (ou mais) dos seguintes sintomas estiveram presentes durante o mesmo período de duas semanas e representam uma mudança em relação ao funcionamento anterior. ex. quase todos os dias (indicada por relato subjetivo ou observação feita por outras pessoas). Pensamentos recorrentes de morte (não somente medo de morrer). sente-se triste. ou redução ou aumento do apetite quase todos os dias. Embora tais sintomas possam ser entendidos ou considerados apropriados à perda. ou indecisão. C. ex. ex. também deve ser cuidadosamente considerada. Nota: Respostas a uma perda significativa (p. pode ser humor irritável. falta de apetite e perda de peso observados no Critério A. parece choroso). (Nota: Em crianças e adolescentes. Sentimentos de inutilidade ou culpa excessiva ou inapropriada (que podem ser delirantes) quase todos os dias (não meramente autorrecriminação ou culpa por estar doente).. considerar o insucesso em obter o ganho de peso esperado. Acentuada diminuição do interesse ou prazer em todas ou quase todas as atividades na maior parte do dia. 6.) 4. luto. Humor deprimido na maior parte do dia. 3. Essa decisão requer inevitavelmente o exercício do julgamento clínico baseado na história do indivíduo e nas normas culturais para a expressão de sofrimento no contexto de uma perda. sem esperança) ou por observação feita por outras pessoas (p. quase todos os dias (por relato subjetivo ou observação feita por outras pessoas). ex. Nota: Não incluir sintomas nitidamente devidos a outra condição médica.

com características mistas. antecedentes pessoais das comorbidades clínicas e psiquiátricas e história familiar de fatores hereditários e/ou ambientais. sintomas vegetativos e motores e psicótica. parcial ou não especificada. em que várias esferas do psiquismo estão alteradas. Nunca houve um episódio maníaco ou um episódio hipomaníaco. De acordo com as características clínicas do episódio atual. independentemente de a remissão ser completa. comportamentais. a avaliação da história de vida do paciente na perspectiva longitudinal da doença. como o Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais (DSM-5)2 e a Classificação internacional das doenças (CID-10). a depressão engloba várias formas fenomenologicamente distintas em relação à intensidade de sintomas e ao grau de prejuízo funcional (leve. catatônicas. exceto a alteração de peso e a ideação suicida.2). observáveis como alterações psicológicas. ● ESPECIFICADORES DE DEPRESSÃO O TDM constitui uma síndrome multidimensional e heterogênea. o EDM pode ser único ou recorrente.1). Além disso. Fonte: American Psychiatric Association. físicas e sistêmicas durante o exame do paciente (Fig.2 Para sua avaliação diagnóstica. psicóticas. melancólicas. considera-se o exame da psicopatologia do episódio atual. 3.espectro da esquizofrenia e outro transtorno psicótico especificado ou transtorno da esquizofrenia e outro transtorno psicótico não especificado. Nota: Essa exclusão não se aplica se todos os episódios do tipo maníaco ou do tipo hipomaníaco são induzidos por substância ou são atribuíveis aos efeitos psicológicos de outra condição médica. moderado ou grave). Em termos longitudinais. Muitas dessas manifestações sintomáticas estão incluídas nas principais escalas de avaliação de depressão. Engloba as dimensões afetiva. atípicas. com início no periparto ou sazonal (Fig. .3 Ressalta-se que todos os sintomas listados devem estar presentes quase todos os dias. E. a depressão pode se apresentar com sofrimento ansioso. cognitiva. 3. ansiosa. O diagnóstico se apoia sobre os critérios dos sistemas de classificação.

1 ► DEPRESSÃO: SINTOMAS MULTIDIMENSIONAIS. FIGURA 3.2 ► TRANSTORNOS DEPRESSIVOS SEGUNDO O DSM-5.FIGURA 3. HETEROGENEIDADE FENOMENOLÓGICA. .

são comuns. isto é.. com sintomatologia diversa. Inapetência ou aumento de apetite. disfunção erétil ou de ejaculação. Frequentemente. as ideias depressivas (pe​cado. ex. ou até mesmo sintomas dolorosos que predominam no quadro clínico.2 Ainda.. Aumento de apetite e hipersônia são característicos da forma atípica da doença. perturbação do sono na gravidez e no pós-parto) ou ao uso de substâncias lícitas (medicamentos prescritos) ou ilícitas (drogas de abuso).. surgem sintomas físicos (p. levam-se em consideração sintomas psíquicos. O humor exibe variação circadiana. nem todos os pacientes relatam esses sofrimentos subjetivos. pobreza. No diagnóstico da depressão. podem estar presentes. doença. deve-se ter cuidado com potenciais fatores confundidores. Nenhum sintoma isolado é patognomônico da doença. O sono do deprimido não é reparador. Na depressão psicótica. bem como perda da reatividade a estímulos positivos (Fig. As depressões também são acompanhadas de alterações nos biorritmos e sintomas vegetativos. fisiológicos e manifestações comportamentais. é importante diferenciar os sentimentos de culpa e negativismo recorrentes dos pacientes obsessivo-compulsivos. o humor geralmente está deprimido ou irritável. e os pacientes podem exibir diferentes formas clínicas. ex. queixas físicas de hipocondria ou sintomas depressivos de pacientes bipolares. ex. quando encontram-se sintomas de depressão que se sobrepõem àqueles de comorbidades médicas (p. com anedonia. isto é.) não são pas​síveis de argumentação lógica. redução do interesse pelo ambiente. culpa. ● COMORBIDADE E SOBREPOSIÇÃO DE SINTOMAS Na avaliação da síndrome depressiva. perda de peso ou de sono).No TDM.2). acompanhados de perda ou ganho de peso. e alterações de sensopercepção. condições de vida do paciente (p. além de diminuição ou perda do desejo sexual. in​dependentemente do tipo de insônia (inicial. ou apresenta piora vespertina. Muitos referem somente a perda da capacidade de experimentar prazer nas atividades em geral. dor. perturbações gastrintestinais) ou dolorosos inespecíficos. Embora os sentimentos de tristeza ou vazio sejam os principais sintomas dos estados depressivos. etc. intermediária ou terminal com despertar precoce de cerca de duas horas antes do horário habitual) ou hipersônia. com prejuízo da capacidade de sentir alegria e prazer. O profissional deve estar atento também . piorando de manhã e melhorando após algumas horas. 3. fadiga. como alucinações auditivas e visuais.

a Center for Epidemiological Studies – Depression (CES-D). com o advento de medicamentos antidepressivos. durante o período de luto. desde então. ambos os tipos são úteis para o pesquisador e para o clínico. idade e escolaridade do respondente e tempo disponível para administração da escala.para o fato de o luto não fazer mais parte do diagnóstico diferencial da depressão. portanto. a Hamilton Depression Rating Scale (HAM-D) e a Montgomery- Åsberg Depression Rating Scale (MADRS). os sintomas depressivos e preen​cher os critérios para episódio depressivo. não recorrente). e. Há diversas maneiras de classificar as escalas disponíveis: de acordo com o tipo dos sintomas investigados. diferentes instrumentos têm sido propostos. foram necessários instrumentos para medir a gravidade do EDM e sua evolução em função do tratamento. pois. Considerando o caráter multifatorial da depressão na sua definição. e. De acordo com a forma de aplicação. sintomas (especificadores de gravidade e subtipos depressivos) e curso (recorrente. esses devem ser tratados de acordo com as diretrizes de tratamento do TDM. os instrumentos podem ser de autoavaliação e de avaliação por um observador. portanto. A Tabela 3. Suas informações se complementam. as ferramentas devem ser escolhidas a partir de critérios bem definidos.1 ► PARÂMETROS PSICOMÉTRICOS DE ESCALAS UTILIZADAS NO BRASIL INSTRUMENTO AUTORES FINALIDADE AMOSTRA VALIDADE CONFIABILIDADE Center for Silveira e Rastreamento Clínica Construto Alfa de Cronbach . ● AVALIAÇÃO DA DEPRESSÃO As escalas de avaliação de depressão foram aperfeiçoadas no final dos anos de 1950 como consequência do avanço da pesquisa em psicofarmacologia.4 Entre elas. TABELA 3.1 traz as escalas disponíveis para avaliação de sintomas depressivos em adultos estudadas no Brasil. Um dos primeiros testes para avaliação da depressão foi publicado em 1918. como objetivo da avaliação. o número de itens e o método de pontuação. mais de 280 medidas foram desenvolvidas. o que se estende até os dias atuais. mesmo se o sujeito apresentar. as mais usadas são o Inventário de Depressão de Beck (BDI). Dependendo do foco da investigação e da forma de aplicação.

colaboradores6 depressivos em Não () natal de puérperas clínica (x) Critério Edinburgo (x) Conteúdo (x) Escala Baptista de Baptista7 Rastreamento Clínica Construto Alfa de Depressão (x) (x) Cronbach. Rach Não Critério clínica (x) (x) Conteúdo (x) Escala Beck de Cunha8 Depressivos em Clínica Critério Alfa de Cronbach Depressão atendimento (x) (x) clínico Não Construto clínica (x) (x) Conteúdo (x) Escala de Carneiro9 Depressivos em Clínica Critério Alfa de Cronbach Pensamentos atendimento (x) (x) Depressivos clínico Não Construto clínica (x) (X) Conteúdo (x) Hamilton Dratcu e Quantificação dos Clínica Critério 10 Depression colaboradores sintomas em (x) (x) Rating Scale gravidade Não Construto clínica ( ) (x) Conteúdo () Hospital Anxiety and Depression Scale Inventário de Parcias e Rastreio Clínica Conteúdo Alfa de Cronbach 11 Depressão Maior colaboradores (x) (x) Não Construto clínica (x) (X) Postpartum Avaliação em .Epidemiologic Jorge5 (x) (x) Studies – Não Critério Depression clínica (x) (x) Conteúdo (x) Escala de Santos e Sintomas Clínica ( ) Construto Alfa de Cronbach Depressão pós.

Depression puérperas com Screening Scale itens adaptados ao contexto Montgomery. con​tudo. A Escala Baptista de Depressão (EBADEP)7 e a Escala de Pensamentos Depressivos (EPD)9 foram desenvolvidas por autores brasileiros. adotando critérios objetivos preestabelecidos. e o mesmo ocorre com a MADRS. A utilização desses instrumentos requer treinamento. essas “medidas” devem ser consideradas como estimativas . tampouco de confiabilidade. ● CRÍTICAS E LIMITAÇÕES Das escalas mais utilizadas entre as citadas. Portanto. Quanto às outras escalas.12 é a única escala traduzida que apresenta instruções específicas na forma de manual sobre a aplicação. e eles devem ser aplicados apenas em população clínica e não servem para fins diagnósticos. Dratcu e Mudanças clínicas Clínica Critério 10 Asberg colaboradores durante o (x) (x) Depression tratamento Não Construto Rating Scale clínica ( ) (x) Conteúdo () Observamos que são poucas as escalas disponibilizadas em nosso meio. ● PROBLEMAS ESPECÍFICOS DA AVALIAÇÃO DA DEPRESSÃO As escalas de avaliação de depressão são empregadas para quantificar a presença e a gravidade de sintomas. e o BDI8. a HAM-D é considerada como padrão-ouro. A subjetividade tanto do paciente quanto do entrevistador na atribuição de escores é inerente à aplicação de escalas psicométricas. é necessário relembrar que cada uma tem um propósito e um contexto específico de aplicação. e os estudos para avaliação de seus parâmetros psicométricos são recentes. sendo recomendado que o usuário observe sempre o cumprimento desses requisitos. bem como evidências de validade e confiabilidade que atestam sua aplicabilidade. não apresenta estudos brasileiros de validade suficientes.

isolamento e incapacidade para o desempenho de tarefas cotidianas. [4] Sociais: apatia. ideias de culpa (podem ser delirantes) e suicídio.aproximadas. [2] Vegetativos ou somáticos: alterações de sono. portanto. apetite. dependendo de seu referencial teórico subjacente. crises de choro. Vale relembrar que a depressão pode ter sintomas sobrepostos com doenças físicas. [6] Ansiedade: psíquica. [3] Motores: inibição ou retardo. é necessário ter experiência no fenômeno observado. Algumas valorizam mais os sintomas cognitivos. Além disso. conhecimento dos conceitos teóricos subjacentes aos instrumentos e familiaridade com a ferramenta em questão. outras. auto ou heteroagressão (a autoagressão associa-se com o risco de suicídio). A avaliação das categorias de sintomas que compõem a síndrome depressiva varia de um instrumento para outro. libido. agitação e inquietação. somática e fóbica. variação diurna do humor. ele não deve se deixar levar pela primeira impressão. [7] Irritabilidade: inclui hostilidade. perda de interesse e/ou prazer. ● RECOMENDAÇÕES Esta seção apresenta as principais escalas utilizadas para avaliação em adultos de 18 a 59 anos e cujo uso não é recomendável em outras faixas . Essas diferenças podem ser constatadas pela contribuição de cada uma dessas categorias ao escore total da escala. o humor. [5] Cognitivos: desesperança. peso. É importante que o entrevistador seja habilitado em programas de treinamento que englobem estudos de confiabilidade entre avaliadores. nem permitir que o estado geral do paciente influencie a avaliação dos itens ​‐ individuais (efeito halo). desamparo. Para utilizar uma escala de avaliação. perda de discernimento (insight – reconhecimento de que está doente). constipação e fadiga. Os principais construtos de sintomas depressivos avaliados pelas escalas são: [1] Humor: tristeza. a escolha da escala também deve ser feita observando o número de itens que avaliam esse fator e o contexto em que o sujeito se encontra. para padronizar os julgamentos. indecisão.

5th ed. essa questão deve ser mais bem avaliada. 5.150:797-800. In: Gorenstain C. Gregus M. Welch A. 1999. independentemente do grau. Dratcu L. 1987. Depression assessment in Brazil: the first application of the Mongomery Asberg Depression Rating Scale. Occoquan: WFMH. Washington: APA. Meas Interdisciplinary Res Perspec. 2001. American Psychiatric Association. World Health Mental Health Day [Internet]. Manual em português das Escalas Beck. Carneiro AM. Baptista MN. 2013. Cunha J. 9. São Paulo: Casa do Psicólogo. 2. 8. 2012 [capturado em 02 out.4(3):135-55. Br J Psychiatry. World Federation for Mental Health. versão Adulto – EBADEP-A.who. Zuarde AW. Escala de rastreamento populacional para depressão CES-D em populações clínicas e não clínicas de adolescentes e adultos jovens. Escala de pensamentos depressivos: estudos psicométricos preliminares [dissertação]. Escala Baptista de Depressão. ● REFERÊNCIAS 1. 2013. 3. Escalas de avaliação clínica em psiquiatria e farmacologia. Ribeiro LC. Diagnostic and statistical manual of mental disorders: DSM-5. Depression: a global crisis. Rev Psiquiatr Clín. Santos MSF. 10. Martins FC. Santor DA. Andrade LHSG. Pasquali L. Escalas de auto-avaliação de depressão pós-parto: estudo no Brasil. São Paulo: Vetor. Disponível em: www. Jorge MR. .int. 2006. São Paulo: Lemos. Eight decades of measurement in depression. organizadores. 6. 4. 7. Por fim. Silveira DX. a não ser que haja estudos que o sustentem. etárias. Calil HM. Classificação de transtornos mentais e de comportamento da CID-10: descrições clínicas e diretrizes diagnósticas. Organização Mundial da Saúde.26(2):90- 95. Porto Alegre: Artmed. São Paulo: Universidade São Francisco. 2012]. 2012. recomenda-se que as avaliações de depressão sejam feitas investigando também a ausência de sintomas de mania e história de TB para evitar os fatores confundidores. 1993. 2000. Em qualquer escala. quando o respondente indicar a presença de ideação suicida.

Werlang. . Validação em português do Inventario de Depressão Maior. Rosario BP.60(3):164-70. Manual BDI-II: inventário de depressão de Beck – kit. São Paulo: Casa do Psicólogo. Gorenstein C. Xavier AJ. Monte F. 2012. Wang YP. BSG. Argimon IL. 2011. J Bras Psiquiatr. Sakae T. Parcias S. 12.11. Guimarães ACA.

tcheco e por​tuguês do Brasil. heteroavaliativa do observador. proposta por Max Hamilton. há mais de 20 versões disponíveis para uso. [ 3. como as de 7 e 10 itens. outras. Tem como base a avaliação de sintomas somáticos da síndrome depressiva. apresenta ênfase em sintomas melancólicos e físicos da síndrome depressiva. foi criada para avaliar pacientes hospitalizados e. reduzidas. turco. holandês. Adriana Munhoz Carneiro A Escala de Depressão de Hamilton (HAM-D) é multidimensional. grego. Considerada “padrão-ouro” pela psi​quia​tria. A Tabela 3. . espanhol.1 Hoje. posteriormente.2 e são propostas. ● VERSÕES A versão inicial da escala. razão que a torna sensível a detectar as mudanças ao longo das semanas.1 A princípio. como alemão. particularmente em psicofarmacologia de antidepressivos. sendo útil para a avaliação na prática clínica e em ensaios clínicos. sua versão em inglês foi tra​duzida para várias línguas. permite a quantificação dos sintomas de​‐ pressivos. desenvolvida para aplicação em pacientes previamente diagnosticados com um transtorno do humor. surgiram novas versões.2 Devido a sua ampla utilização.1. chi​nês. por isso. sendo que. com 21 e 17 itens. apresentava 17 itens.1 ] ESCALA DE DEPRESSÃO DE HAMILTON (HAM-D) Ricardo Alberto Moreno.1 apresenta uma descrição detalhada dos itens que compõem as versões mais longas e as abreviadas mais utilizadas.

alteração de peso. suicídio. . A primeira versão da escala. o autor optou por retirar os itens adicionais da versão com 21 itens que avaliam casos mais graves e específicos. insônia tardia. A versão com 24 itens tem como propósito a inclusão de sintomas cognitivos à escala. retardo psicomotor. com 17 itens.1.1. trabalho e atividades. TABELA 3. diferentes modificações foram propostas. insônia (1960) intermediária. todas têm em comum o fato de avaliar o paciente diagnosticado questionando seus sintomas em relação à última semana. agitação. incluindo a redução de itens e a inserção de uma entrevista estruturada para avaliação e estipulação de pontos de corte. sintomas genitais.3 Conforme se pode observar na Tabela 3. adicionando variação diurna. culpa. sintomas somáticos e gastrintestinais. retardo. sintomas obsessivos e compulsivos Guy (1976) 24 Os mesmos sintomas da versão com 21 itens. (1960) despersonalização e desrealização. colaboradores ansiedade psíquica e sintomas somáticos gerais (1975) Mclntyre e 7 Mesmos itens da versão com seis itens.1 ► DIFERENTES CONFIGURAÇÕES DA ESCALA DE HAMILTON N. Considerando que a versão de 17 itens tem por propósito definir a intensidade da depressão. foi proposta como forma de complementar o diagnóstico em pacientes deprimidos. sintomas paranoides. acrescentando ideação suicida colaboradores (2005) Hamilton 17 Humor depressivo. hipocondria. crítica (insight) Hamilton 21 Todos os itens da versão com 17 itens. ansiedade somática. desesperança e desvalia Fonte: Guy. trabalho e atividades. As versões mais utilizadas são as de 17 e 21 itens. insônia inicial.1. quantificando seus sintomas com base na última semana. ao longo desses 54 anos desde a publicação do primeiro artigo sobre a HAM-D. DE AUTOR ITENS CONTEÚDO Bech e 6 Humor deprimido. ansiedade psíquica. insistindo na avaliação mais pormenorizada desses descritores. sentimento de culpa. sintomas somáticos gerais. Apesar de haver diferentes versões. adicionando desamparo.

sociais (item 7) e também de ansiedade (itens 10 e 11). 13.II). ● APLICAÇÃO A aplicação é feita pelo profissional com base na presença/ausência dos sintomas na última semana. 5. cognitivas (itens 2. 0 a 3 ou 0 a 4. 19 a 22 para depressão grave. enquanto 16% se referem a sintomas ansiosos e 8% à categoria humor. Assim. Quando o aplicador tiver dúvidas quanto ao grau de intensidade.1. Por enfatizar sintomas somáticos.1. 15 e 16). que englobam as categorias de humor (item 1). assim.1. contemplan​do aqueles descritos na Tabela 3. deve-se pontuar sempre o grau mais intenso. os aspectos cognitivos e somáticos representam 50% da pontuação total da escala. somáticas (itens 4. apenas para complemento. por consenso. 6. 12. 8 a 13 para grau leve. 14. 14 a 18 para grau moderado. A pontuação 0 (zero) deve ser dada apenas quando o sintoma é ausente. Por sua vez. tendo pontuação total de 50 pontos.4 ● PÚBLICO-ALVO Recomenda-se a HAM-D para utilização clínica e para ensaios randomizados em pacientes adultos (entre 18 e 59 anos). A escala não tem ponto de corte específico. e pontuação inferior a 7 para indivíduo normal. sendo 30 minutos um tempo ideal de aplicação. Caso o leitor sinta-se inseguro para realizar a aplicação. para a versão de 17 itens utiliza-se a pontuação acima de 23 para classificar paciente muito grave. reduzido devido ao tratamento sintomático ou duvidoso. uma versão não padronizada da entrevista estruturada que pode ser consultada ao final deste capítulo (Formulário 3. a presença de doença física comórbida pode distor​cer os resultados. 3 e 17).● DESCRIÇÃO DO INSTRUMENTO A HAM-D tem originalmente 17 itens. motores (itens 8 e 9). a HAM-D é par​ti​cu​larmente sensível a mudanças vivenciadas por pa​cientes gravemente deprimidos. . Não deve ser utilizada para fins diagnósticos. uma vez que a melhora dos sintomas relacionados à condição comórbida pode se confundir com a melhora do episódio depressivo maior (EDM). Os itens são pontuados de 0 a 2.

Anotar somente o que se observa ou o que é relatado pelo paciente.1. deve-se pontuar zero. Evitar inferências ou interpretações. Esses cuidados estão listados na Tabela 3. verificar o grau de desconforto que causa no paciente e sua frequência. confirmar a presença do sintoma.6 É preciso atentar também para o fato de que essa escala não deve ser aplicada na população em geral. A atenção ao item 3 (ideação suicida) deve ser redobrada. Na ausência do sintoma (quando não relatado ou 1. sugere-se a verificação de modelos de entrevistas es​‐ truturados. 2.CUIDADOS NA APLICAÇÃO É importante alertar o leitor de que existem itens que são explorados durante a entrevista. 3. Se houver variação do sintoma ao longo da entrevista. Sintoma relatado como perturbador pelo paciente deve ser pontuado como importante.5. pontuar zero.1.2. devendo evitar inferir ou interpretar as respostas dadas pelo paciente. pontuar o mais intenso. 4. tampouco com fins diagnósti​cos. b) Deve ser informado o período da avaliação dos sintomas (última semana ou 7 dias). a) Deve ser solicitado a fornecer informações objetivas e claras. intervenção. omitindo ou dramatizando. 3. isto é. objetivo da entrevista. 5. Os itens devem ser preenchidos à medida que a entrevista é conduzida.2 ► CONVENÇÕES E RECOMENDAÇÕES PARA O AVALIADOR CONVENÇÕES RECOMENDAÇÕES 1. Na dúvida em relação a dois graus de intensidade. Se o sintoma desapareceu devido ao tratamento ou 2. TABELA 3. mesmo que o avaliador tenha a impressão de que o sujeito o está exagerando. Para avaliadores iniciantes e aqueles que desejam uma versão mais estruturada. respeitando-se sua ordem e exaurindo cada um deles antes de realizar a pontuação. Todos os itens devem ser investigados. O paciente deve ser informado do observado). . 6. Quando o sintoma é duvidoso. pontuar o de maior valor. c) A entrevista não deve durar mais do que 30 minutos. pontuar zero.

um estudo específico de va​lidade desenvolvido por seu autor. entretanto. ● INTERPRETAÇÕES NA PONTUAÇÃO Conforme já dito. indagar o porquê. mesmo sem alterações menstruais. que são explorados ao longo da entrevista. o paciente deve responder de acordo com o sintoma vivido durante a semana que precede a entrevista ou dentro do prazo estipulado previamente. 10. que é avaliado com relação à referência de peso do paciente antes do episódio depressivo. pontuar 2. e seu resultado depende da avaliação do observador. perguntar se tem trabalhado e. em caso de resposta negativa. bem como sua gravidade. se o paciente parou de trabalhar devido à depressão. Os resultados elucidarão a quantidade de sintomas depressivos presentes no paciente. 9. pontuar 4. A HAM-D demanda treinamento antes de ser aplicada e exige do aplicador conhecimentos mínimos sobre o instrumento e os sintomas da síndrome depressiva para não chegar a conclusões inadequadas. b) Item 16 (perda de peso). Exceções: a) Itens 8 (retardo) e 9 (agitação). para a HAM-D. 8. os pontos de corte da escala foram estipulados posteriormente. es​tudos de validade demonstram correlações mo​deradas . a partir de consensos clínicos. lembrando que deverá ser sempre um instrumento a ser aplicado após diagnóstico confirmado de depressão. Evitar pontuação dupla. Não é necessário preencher todos os exemplos para dar a pontuação máxima. Para cada item. Prestar atenção à diferença entre ansiedade psíquica e somática.7. b) Item 14 (sintomas genitais): no caso de perda de interesse. Exemplos: a) Item 7 (trabalho e atividades): neste caso. Ao iniciar a entrevista. ● VALIDADE Não há.

e. ● PARÂMETROS PSICOMÉTRICOS DA VERSÃO ORIGINAL E EM PORTUGUÊS No primeiro estudo com a HAM-D-17 no Brasil. diferentes estudos de confiabilidade foram realizados. no teste reteste. Sintetizando o estudo de revisão Bagby e colaboradores. sendo selecionados para apresentação os dados obtidos por meio da revisão de Bagby e colaboradores2 e do estudo de generalização de confiabilidade de López-Pina e colaboradores.41 a 0. insônia intermediária. e altas com outros.46 a 0.46 a 0.99. alteração de apetite e sintoma somático-geral foram os que mostraram índices de confiabilidade adequados. ansiedade somática. ansiedade psíquica.14).98.2 Já outro estudo considerou para análise a heterogeneidade da confiabilidade por meio do coeficiente Alfa de 35 estudos. a confiabilidade foi de 0. como a Escala de Depressão de Montgomery-Åsberg (MADRS). observou-se que o coeficiente interclasse variou de 0.2 que apresentam uma análise pormenorizada sobre os parâmetros de validade da escala. em 1980.8 os autores avaliaram a intensidade dos níveis depressivos. tendo encontrado 50 estudos que investigaram sua confiabilidade. Referente à concordância. como o In​ventário de Depressão de Beck (BDI).com alguns instrumentos. encontrando baixa sensibilidade da HAM-D-17 em detectar a intensidade da sintomatologia . ● CONFIABILIDADE Devido ao tempo de publicação da escala e seu amplo espectro de utilização. obtidos a partir de artigos publicados entre 1978 e 2004 no Psychinfo. e os itens culpa. o instrumento apresenta validade baseada na relação com outras variáveis (convergência e discriminante) adequada. de baixos a altos. é possível observar que a validade de conteúdo da HAM-D não é equivalente aos critérios diagnósticos atuais. e sua validade preditiva mostra-se muito variável devido à multidimensionalidade de seu construto. Nesses. ou seja. os índices de consistência interna variaram de 0.7 e os resultados indicaram que os coeficientes variaram de 0. correlacionando-a com a MADRS e a escala Visual Análoga do Humor.89 (DP = 0.81 a 0.97.7 O primeiro trabalho considerou resultados obtidos pela Medline entre os anos de 1980 e 2003.

ao assistirem vídeos de entrevistas com pessoas com transtornos do humor. que comparou a MADRS à HAM-D-17. ela se baseia em um sistema de pontuação que distingue intensidade e gravidade para os itens. Após a pontuação. com sensibilidade de 0. também focou na tradução e validação no Brasil para o questionário. 105 apresentaram diagnóstico de depressão. a estrutura fatorial da HAM-D em comparação à versão francesa. com um modelo de quatro fatores na versão fran​‐ cesa e seis na brasileira. Os resultados indicaram boa confiabilidade. deveriam pontuar os escores com base na quarta edição revisada do Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais (DSM-IV-TR). que foi aplicado em 63 estudantes universitários bilíngues.85). O GRID-HAMD foi sub​‐ metido ao estudo de tradução e retrotradução e aplicado em 115 participantes que. em 130 pacientes de​primidos. CONFIABILIDADE Carneiro e colaboradores12 investigaram a confiabilidade da versão de 17 itens da HAM-D em 91 pacientes com transtornos do humor (52 com transtorno bipolar tipo I e 39 com transtorno depressivo maior) ao longo de tratamento farmacológico. Verificou-se que a confiabilidade in​‐ teravaliadores para todos os vídeos foi adequada. entretanto. Um segundo estudo. apesar de utilizar a versão de Williams6 para a realização de entrevista estruturada. conforme o diagnóstico. e o treinamento apresentou diferença estatisticamente significativa na pontuação dos grupos. O diferencial da versão GRID é que. Os coeficientes de correlação intraclasse variaram de bons a excelentes (ICC = 0.70 a 0. Segundo a entrevista SCID.91. verificaram que o instrumento apresentou uma estrutura fatorial similar. Henrique-Araujo e colaboradores13 revisaram sua confiabilidade no estudo de adaptação transcultural da versão estruturada de entrevista para a HAM-D (GRID-HAMD).85 na avaliação final.depressiva.83 no momento do recrutamento do paciente para tratamento e α = 0. Freire e colaboradores11 investigaram as propriedades psicométricas da HAM-D-17 em 231 sujeitos provenientes da Região Sul do Brasil. desenvolvida pelo Depression Rating Scale Standar​dization Team (DRSST) para as versões de 17 e 21 itens.90 e especificidade de 0. os participantes eram submetidos a um treinamento. e os vídeos eram trocados entre os grupos. com coe​ficientes alfa de Cronbach de 0. separando os indivíduos em grupos com e sem experiência na aplicação.9 Fleck e colaboradores. . Os resultados indicaram que o ponto de corte 9 da escala foi capaz de discriminar os indivíduos.10 avaliando.

o instrumento se mostra adequada quando comparado a outras medidas de depressão. cabe considerar. assim. Para a pontuação adequada. é essencial que o aplicador pontue imediatamente após a resposta do paciente. a padronização dos dados e a comparação dos resultados obtidos de maneira mais uniforme. ● LIMITAÇÕES Observa-se que as maiores limitações do teste se devem aos poucos estudos dos parâmetros psicométricos desenvolvidos pelo autor da escala. o que muitas vezes compromete a comparação dos resultados de forma mais padronizada. mas poucos estudos avaliaram a validade do teste. ● CONSIDERAÇÕES FINAIS A HAM-D é uma escala de observador. que outra grande limitação da escala se deve à falta de estudos brasileiros sobre seus parâmetros psicométricos. Para transformar as pontuações em escores. cabe ao avaliador o desafio de selecionar uma das categorias já publicadas anteriormente para obter o ponto de corte da escala. o que motivou inúmeras pesquisas sobre seus possíveis pontos de corte. ● FATORES QUE AFETAM A PONTUAÇÃO Como mencionado anteriormente. vale considerar que a aplicação é inadequada em pacientes que apresentem sintomas somáticos significativos. Apesar de seu autor não ter desenvolvido estudos a fim de obter evidências de sua validade.observou-se que o treinamento aumentou de modo significativo a confiabilidade entre avaliadores. sua aplicação deve ser evitada em outras faixas etárias ou para outros diagnósticos. Ainda. apesar de sua utilização em alguns estudos. ainda. Outra limitação é que diferentes modelos da escala são propostos. logo. Além disso. dificultando. Estudos de confiabilidade internacionais auxiliam a atestar sua boa qualidade psicométrica para a . multidimensional mundialmente utilizada. a HAM-D é um instrumento baseado em critérios do DSM para a avaliação em adultos.

I ► ESCALA DE AVALIAÇÃO DE DEPRESSÃO DE HAMILTON (HAM-D) INSTRUÇÕES: EM CADA ITEM. ESCOLHA O ESCORE QUE MELHOR CARACTERIZA O PACIENTE NA ÚLTIMA SEMANA. O treinamento prévio no uso da escala é recomendado. desamparo. Sentimentos de culpa: 0.ausente 1. ● FORMAS DE AQUISIÇÃO A HAM-D é um instrumento de domínio público.ideias ou atitudes suicidas 4. acha que decepcionou outras pessoas 2. Humor depressivo (tristeza. inutilidade): 0. devendo-se sempre evitar sua aplicação em pacientes com queixas somáticas e que estejam fora da faixa etária de 18 a 59 anos. ou seja. postura.o paciente comunica quase que exclusivamente esses sentimentos. tanto em seu relato verbal como na comunicação não verbal 2.sentimentos relatados espontaneamente.queixa de dificuldade ocasional para iniciar o sono. Suicídio: 0.1.1.I). há carência de investigações psicométricas sobre o instrumento no País.ausente 1.paciente acha que a doença atual é uma punição (castigo).autorrecriminação.deseja estar morto ou pensa em uma possível morte para si 3. ASSINALE A SUA OPÇÃO NO ESPAÇO APROPRIADO. mas com expressão facial.quantificação de sintomas depressivos. mais que meia hora 2.comunica os sentimentos não com palavras.queixa de dificuldade para iniciar o sono todas as noites . Delírio de culpa 4.sem dificuldades para iniciar o sono 1.ideias de culpa ou ruminações de erros ou ações pecaminosas (más) no passado 3. FORMULÁRIO 3.ouve vozes que o acusam ou denunciam e/ou tem alucinações visuais ameaçadoras 3.acha que não vale a pena viver 2. voz e tendência ao choro 4.tentativas de suicídio 4. desesperança. Insônia inicial: 0.ausente 1. contudo.sentimentos relatados somente se perguntados 2. 1. assim como experiência de atendimento a pessoas com transtornos do humor. assim como suas versões reduzidas e a entrevista estruturada (ver Formulário 3. com palavras 3.

lentidão óbvia durante a entrevista 3.inquietação 2.sem dificuldades 1. 3. relacionados a atividades. quer relatado diretamente pelo paciente.lentidão discreta à entrevista 2. indigestão. quer indiretamente por desatenção.duvidoso ou trivial: sintomas menores.atitude apreensiva aparente no rosto ou na fala 4.pensamentos e fala normais 1.queixa de agitação e perturbação durante a noite 2. diminuição da atividade motora): 0. Insônia tardia: 0. Ansiedade – somática: (concomitantes fisiológicos da ansiedade.entrevista difícil 4. trabalho ou passatempos 2. não consegue permanecer sentado durante a entrevista 4. puxa os cabelos. Insônia intermediária: 0.diminuição no tempo gasto em atividades ou queda de produtividade.mexe as mãos.etc. dificuldade de concentração.sem dificuldade 1. suspiros. cefaleias.estupor completo 9. eructações.5. morde os lábios 10.movimenta-se bastante. relatados quando questionados 2. cólicas. ou se não consegue realizá-las sem ajuda. Agitação: 0.preocupa-se com trivialidades 3. rói as unhas. sudorese).paciente expressa medo sem ser perguntado 11.moderado: mais do que 2 sintomas e com maior frequência. hiperventilação. indecisão ou vacilação (sente que precisa se esforçar para o trabalho ou outras atividades) 3.não consegue voltar a dormir se levantar da cama durante a noite 7.ausente 1.acorda durante a noite – qualquer saída da cama (exceto por motivos de necessidade fisiológica) 6. fadiga ou fraqueza. ter de urinar frequentemente. 8. que não são acentuados ou incapacitantes 3. Trabalho e atividades: 0.nenhuma 1. Retardo (lentidão do pensamento e da fala. São acompanhados de estresse subjetivo e prejudicam o funcionamento normal.retorce as mãos. mas volta a dormir 2. flatulência.acorda durante a madrugada. cabelos .tensão e irritabilidade subjetivas 2. . diarreias. sem atividades.perda de interesse em atividades. o paciente ocupa-se por menos de três horas por dia em atividades (trabalho hospitalar ou passatempos) com exceção das tarefas rotineiras da enfermaria. No hospital. como: boca seca.sem dificuldade 1. com exceção das tarefas rotineiras da enfermaria.pensamentos e sentimentos de incapacidade. 0.sem dificuldade 1.leve: paciente descreve espontaneamente os sintomas. No hospital. palpitação. passatempos ou trabalho. Ansiedade psíquica: 0.parou de trabalhar devido à doença atual. 4.

ausentes 1. Hipocondria: 0.queixas frequentes. Perda de menos de meio quilo 2. 4. etc.óbvio e graves: perda completa do interesse sexual 15. 2.ausente 1. todavia. ao excesso de trabalho.4. mas atribui a causa à má alimentação. dor nas costas.auto-observação aumentada (com relação ao corpo) 2.leves ou infrequentes: perda de libido. Perda de energia e fadiga 2. As questões especificadas devem ser usadas até haver informação suficiente para se avaliar o item com segurança.grave: numerosos sintomas.nega estar doente FORMULÁRIO 3.II ► GUIA DA ENTREVISTA ESTRUTURADA PARA ESCALA DE AVALIAÇÃO DE DEPRESSÃO DE HAMILTON – STRUCTURED INTERVIEW GUIDE FOR THE HAMILTON DEPRESSION RATING SCALE (SIGH-D) Entrevistador: A primeira questão para cada item deve ser feita exatamente como está escrita. caso seja necessário maior exploração ou clarificação de um sintoma.reconhece estar.peso em membros. costas ou cabeça.perda de peso definitivamente causada pela doença atual. Questões adicionais são fornecidas. distúrbios menstruais): 0. persistentes e incapacitantes na maior parte do tempo.nenhum 1. Em alguns casos. a um vírus. desempenho sexual prejudicado 2. ou ataques de pânico quase diariamente 12.sem perda de peso ou perda de peso NÃO causada pela doença atual 1. Perda de meio quilo ou mais 17. etc.delírios hipocondríacos 16.nenhum 1.preocupação com a saúde 3. Sintomas gastrintestinais – somáticos: 0. Notas: .dificuldade para comer se não insistirem 13. mas come sem necessidade de insistência 2. você pode ter de adicionar suas próprias perguntas para obter as informações necessárias. Sintomas somáticos gerais: 0.1. pedidos de ajuda. à necessidade de descanso. Frequentemente essa pergunta irá extrair informações sobre a gravidade e a frequência de um sintoma. Perda de peso (desde o início da doença ou da última avaliação): 0.reconhece estar deprimido e doente OU não estar deprimido no momento 1. ao clima. Crítica (consequência da doença): 0.perda de peso provavelmente causada pela doença atual.qualquer sintoma bem caracterizado e nítido 14. na cabeça ou nos músculos.perda de apetite. Sintomas genitais (como perda de libido. suficientes para se avaliar o item com segurança.

Nesta última semana. uma vez que o paciente comece a ganhar peso.ouve vozes que o acusam ou denunciam e/ou tem alucinações visuais ameaçadoras 3. No entanto. como uma medida de mudança. pergunte: Há quanto tempo você tem se sentido desta maneira? 2. mas com expressão facial. quando. alguns investigadores podem desejar.sentimentos relatados espontaneamente. basear suas avaliações nos últimos dois ou três dias..autorrecriminação. acha que decepcionou outras pessoas 2. tanto em seu relato verbal como na comunicação não verbal Se pontuou de 1 a 4. de alguma forma. por exemplo.o paciente comunica quase que exclusivamente esses sentimentos. você teve pensamentos de que não vale a pena viver ou de que você estaria . você é responsável pela sua depressão? Você sente que está sendo punido ficando doente? Sentimentos de culpa: 0.”. Você tem se sentido especialmente autocrítico nesta última semana.Período de tempo: Embora as perguntas indiquem que as avaliações devem se basear nas condições do paciente na última semana. Item perda de peso: Recomenda-se que esse item seja avaliado positivamente sempre que o paciente tenha perdido peso em relação ao seu peso habitual (i. o referencial deve ser a última vez em que esteve bem (ou seja.. inutilidade) 0. mesmo que ainda esteja abaixo de seu peso habitual. nem eufórico) por pelo menos algumas semanas.ausente 1.ausente 1. desesperança. Como tem estado seu humor na última semana? Você tem se sentido para baixo ou deprimido? Triste? Sem esperança? Na última semana. com palavras 3. ele não deve ser avaliado positivamente nesse item. nem deprimido. a não ser que ele tenha começado a readquirir o peso perdido. Delírio de culpa 4. postura. sentindo que fez coisas erradas ou decepcionou outras pessoas? SE SIM: quais foram esses pensamentos? Você tem se sentido culpado em relação a coisas que fez ou não fez? Você tem pensado que.ideias de culpa ou ruminações de erros ou ações pecaminosas (más) no passado 3. voz e tendência ao choro 4. Como você tem se sentido desde a última (dia da semana)? Se paciente ambulatorial: Você tem trabalhado? Se não: Especifique por que não? 1.paciente acha que a doença atual é uma punição (castigo). as perguntas devem ser precedidas por “Nos últimos dois dias. o paciente apresenta distimia ou transtorno afetivo sazonal. desse modo.e.. antes do episódio depressivo atual). com que frequência você se sentiu (utilize a palavra referida pelo paciente)? Todos os dias? O dia inteiro? Você tem chorado? Humor depressivo (tristeza. Referente ao funcionamento habitual: Muitas das perguntas da entrevista referem-se ao funcionamento habitual do paciente.sentimentos relatados somente se perguntados 2. desamparo. Em alguns casos.comunica os sentimentos não com palavras. Introdução: Gostaria de lhe fazer algumas perguntas sobre a última semana.

4.acha que não vale a pena viver 2. antes de ficar deprimido)? Insônia tardia: 0. Durante esta última semana.deseja estar morto ou pensa em uma possível morte para si 3. No hospital.sem dificuldade 1. passatempos ou trabalho.sem dificuldades para iniciar o sono 1. . A que horas você tem acordado pela manhã na última semana? Se cedo: acorda com despertador ou sozinho? A que horas você normalmente acordava (ou seja. Como tem sido seu sono na última semana? Você teve alguma dificuldade em iniciar o sono? Após se deitar. sem atividades.queixa de agitação e perturbação durante a noite 2.ausente 1. você tem acordado no meio da noite? SE SIM: você sai da cama? O que você faz? (Somente vai ao banheiro?) Quando volta para a cama.perda de interesse em atividades.parou de trabalhar devido à doença atual. o paciente ocupa-se por menos de três horas por dia em atividades (trabalho hospitalar ou passatempos) com exceção das tarefas rotineiras da enfermaria.não consegue voltar a dormir se levantar da cama durante a noite 7. ou se não consegue realizá-las sem ajuda.sem dificuldade 1.acorda durante a noite – qualquer saída da cama (exceto por motivos de necessidade fisiológica) 6. mas volta a dormir 2.queixa de dificuldade para iniciar o sono todas as noites 5.ideias ou atitudes suicidas 4. quer relatado diretamente pelo paciente.sem dificuldades 1. No hospital. quanto tempo leva para conseguir dormir? Em quantas noites nesta última semana você teve problemas para iniciar o sono? Insônia inicial: 0.melhor morto? Ou pensamentos de se machucar ou até de se matar? SE SIM: o que você tem pensado sobre isso? Você já se machucou? Suicídio: 0. ou seja. com exceção das tarefas rotineiras da enfermaria. quer indiretamente por desatenção. indecisão ou vacilação (sente que precisa se esforçar para o trabalho ou outras atividades) 3.diminuição no tempo gasto em atividades ou queda de produtividade. trabalho ou passatempos 2.queixa de dificuldade ocasional para iniciar o sono.pensamentos e sentimentos de incapacidade. você volta a dormir logo? Você sente que seu sono é agitado ou perturbado em algumas noites? Insônia intermediária: 0. fadiga ou fraqueza. mais que meia hora 2.tentativas de suicídio 4. relacionados a atividades. Como você tem passado seu tempo na última semana (quando não está no trabalho)? Você se sente interessado em fazer (essas atividades) ou você tem de se forçar? Você parou de fazer atividades que costumava fazer? SE SIM: Por quê? Há alguma coisa que você aguarda ansiosamente? (No seguimento:) Seu interesse voltou ao normal? Trabalho e atividades: 0.acorda durante a madrugada.

cólicas. relatados quando questionados 2. parando após cada sintoma para resposta. por exemplo? Ansiedade psíquica: 0. puxa os cabelos.retorce as mãos. que não são acentuados ou incapacitantes 3.8. morde os lábios 10.lentificação discreta à entrevista 2. não consegue permanecer sentado durante a entrevista 4.paciente expressa medo sem ser perguntado 11. Avaliação baseada na observação durante a entrevista: Agitação: 0.leve: paciente descreve espontaneamente os sintomas.inquietação 2. ou ataques de pânico quase diariamente 12. Na última semana. como: GI: boca seca.grave: numerosos sintomas. São acompanhados de estresse subjetivo e prejudicam o funcionamento normal.lentificação óbvia durante a entrevista 3.duvidoso ou trivial: sintomas menores.entrevista difícil 4.nenhuma 1. diminuição da atividade motora): 0. rói as unhas. suspiros Ter de urinar frequentemente Sudorese 0. persistentes e incapacitantes na maior parte do tempo. O quanto esses sintomas o incomodaram na última semana? Quão intensos foram? Quanto tempo ou com que frequência os teve? Nota: não considerar se claramente relacionados à medicação (p.preocupa-se com trivialidades 3. Você tem se sentido especialmente tenso ou irritado nesta última semana?Você tem estado preocupado com coisas pouco importantes com as quais normalmente não se preocuparia? SE SIM: Como com o quê..moderado: mais do que 2 sintomas e com maior frequência.estupor completo 9. 4. cefaleias Respiratórios: hiperventilação. cabelos. 3. Avaliação baseada na observação durante a entrevista: Retardo (lentificação do pensamento e da fala. diarreias.pensamentos e fala normais 1. Como tem estado seu apetite nesta última semana? (Como se compara ao seu apetite habitual?) .mexe as mãos.tensão e irritabilidade subjetivas 2. indigestão. flatulência. boca seca e imipramina) Ansiedade – somática: Concomitantes fisiológicos da ansiedade.sem dificuldade 1. ex.atitude apreensiva aparente no rosto ou na fala 4. dificuldade de concentração.movimenta-se bastante.ausente 1. você sofreu de alguns dos seguintes sintomas físicos? Leia a lista. etc. eructações CV: palpitação.

você teve dor nas costas.reconhece estar deprimido e doente OU não estar deprimido no momento 1. ao clima.reconhece estar.leves ou infrequentes: perda de libido.delírios hipocondríacos 16. mas atribui a causa à má alimentação.peso em membros.preocupação com a saúde 3. pedidos de ajuda. Perda de menos de meio quilo 2. . mas sobre seu interesse por sexo – o quanto você tem pensado nisso?) Houve alguma mudança em seu interesse por sexo (em relação à época em que você não estava deprimido)? Isso é algo em que você tem pensado muito? SE NÃO: isso é pouco habitual para você? Sintomas genitais (como perda de libido.perda de peso provavelmente causada pela doença atual. dor de cabeça ou dor muscular? Nesta última semana. Perda de meio quilo ou mais 17.ausentes 1.qualquer sintoma bem caracterizado e nítido 14.auto-observação aumentada (com relação ao corpo) 2. o quanto seus pensamentos têm focalizado na sua saúde física ou no funcionamento de seu corpo (comparado ao seu pensamento habitual)? Você se queixa muito de sintomas físicos? Você tem-se deparado com situações em que você pede ajuda para fazer coisas que poderia fazer sozinho? SE SIM: Como o quê.perda de apetite. Avaliação baseada na observação Crítica (consequência da doença): 0. distúrbios menstruais): 0. 4.perda de peso definitivamente causada pela doença atual. na cabeça ou nos músculos. por exemplo? Com que frequência isso tem ocorrido? Hipocondria: 0. desempenho sexual prejudicado 2. Como tem estado sua “energia” nesta última semana? Você se sente cansado o tempo todo? Nesta última semana. nas costas ou na cabeça? Sintomas somáticos gerais: 0.Você tem tido que se força a comer? As outras pessoas têm de insistir para você comer? Sintomas gastrintestinais – somáticos: 0. costas ou cabeça.nenhum 1.sem perda de peso ou perda de peso NÃO causada pela doença atual 1. a um vírus. Na última semana.queixas frequentes.dificuldade para comer se não insistirem 13.nenhum 1.óbvio e graves: perda completa do interesse sexual 15. mas come sem necessidade de insistência 2. você tem sentido um peso nos membros. etc. à necessidade de descanso. ao excesso de trabalho. etc.ausente 1. dor nas costas. Perda de energia e fatigabilidade 2. Você perdeu algum peso desde que essa (DEPRESSÃO) começou? SE SIM: Quanto? SE INCERTO: Você acha que suas roupas estão mais folgadas? (No seguimento): Você voltou a ganhar peso? Perda de peso (desde o início da doença ou da última avaliação) 0. Como tem estado seu interesse por sexo nesta semana? (não estou lhe perguntando sobre seu desempenho.

Figueiredo VLM. 2. 2000. Marshall MB. Caetano D. 9. Adaptação transcultural da GRID Hamilton Rating Scale for Depression – GRID HAMD para o português brasileiro e avaliação do impacto de um treinamento sobe a confiabilidade interavaliadores [dissertação]. Ribeiro LC. Gomide A. Dratcu L. Williams JB. 11.150:797-800. 8. Carvalho FR. Rosa-Alcázar AI. 2004. Assessment manual for psychopharmacology. Rockville: Department of Health. J Neurol Neurosurg Psychiatry. Chaves ML. 1988. 7. Tradução do inglês para o português do Questionário de auto-avaliação da Escala de Hamilton para a depressão. et al. Freire MA. Blacker D. Jansen K. A structured interview guide for the Hamilton Depression Rating Scale. Int J Clin Health Psychol. A rating scale for depression. The Hamilton Rating Scale for Depression: a meta-analytic reliability generalization study. 4. Calil HM. 1993. Br J Psychiatry. 2. p. Magalhaes PVS. In: Sadock B. Ryder AG. Depression in France and Brazil: factorial structure of the 17-item Hamilton Depression Scale in inpatients. Comprehensive textbook of psychiatry. 10. Escala Hamilton: estudo das características psicométricas em . Azevedo RCG.9(1):143-59.45(8):742-7. J Nerv Ment Dis. Poirier-Littré MF. López-Pina JA. Arch Gen Psychiatry. 7th ed. Guelfi JD. Education and Welfare.42(5):255-60. Depression assessment in Brazil. 2009. Guy W. Loo H. 5. The Hamilton Depression Rating Scale: has the gold standard become a lead weight? Am J Psychiatry. Psychiatric rating scales. 1987. Sánhez-Meca J. Silva RA. Hamilton M. 755-83. Salvador: Universidade Federal da Bahia. The first application of the Montgomery-Asberg Depression Rating Scale. 2011. Lima MG. Philadelphia: Lippincott Williams & Wilkins.161(12):2163-77. 3.192(2):103-10. Schuller DR. J Bras Psiquiatr. 2004. 6. Fleck MP. 1960. Sadock V. Bourdel MC. 1976. Bagby RM.23(1):56-62.nega estar doente ● REFERÊNCIAS 1. Henrique-Araujo RS.

Carneiro AM. Ribeiro MG. Kalali A.13:42. Williams JB.63(4):281-9. Osório FL. J Bras Psiquiatr. 13. . et al. 2015. Hamilton depression rating scale and montgomery-asberg depression rating scale in depressed and bipolar I patients: psychometric properties in a Brazilian sample. 12. Transcultural adaptation of GRID Hamilton Rating Scale for Depression (GRID-HAMD) to Brazilian Portuguese and evaluation of the impact of training upon inter-rater reliability. uma amostra do sul do Brasil. Monteiro IS. Innov Clin Neurosci. Fernandes F.11(7-8):10-8. 2014. Henrique-Araujo R. 2014. Health Qual Life Outcomes. Moreno RA.

mas já está sendo desenvolvida uma versão para ser respondida pelo paciente. ● VERSÕES Sua versão inicial denominava-se Comprehensive Psychopatological Rating Scale (CPRS).1 Muito utilizada na prática clínica e em estudos randomizados. Adriana Munhoz Carneiro. Seu principal diferencial é a avaliação da doença por meio de itens de humor e somáticos. .2 No entanto. Ao passar por mudanças. avalia aspectos cognitivos. tendo sido desenvolvida como forma alternativa ao uso da Escala de de Hamilton (HAM-D). o que a tornou amplamente divulgada. visando aumentar a confiabilidade da escala. foi renomeada Montgomery-Åsberg Depression Rating Scale (MADRS). não existem versões com propostas de inclusão de novos itens. razão pela qual alguns estudos a aplicam em idosos. foi traduzida para mais de 24 idiomas. Ricardo Alberto Moreno Desenvolvida com o objetivo de avaliar mudanças clínicas durante o tratamento de pacientes com depressão. denominada MADRS-S. além disso. tendo sido desenvolvida com o objetivo de ser sensível às mudanças de humor decorrentes de tratamentos psiquiátricos. a Escala de Depressão de Montgomery-Åsberg (MADRS) é uma escala heteroavaliativa de aplicação do observador. o que a torna sensível a detectar as mudanças dos pacientes ao longo das semanas. [ 3.2 ] ESCALA DE DEPRESSÃO DE MONTGOMERY-ÅSBERG (MADRS) Cláudia Débora Silberman. Apesar de seu desenvolvimento ter ocorrido em 1979.

As pontuações variam de 0 a 60.2.2. equiparável ao escore 7 da HAM-D para definir remissão. sendo os pontos de corte apresentados na Tabela 3.I ► ESCALA DE AVALIAÇÃO PARA DEPRESSÃO DE MONTGOMERY-ÅSBERG – MADRS . para remissão. abarcando. lentidão. nove itens são basea​dos no relato do paciente e um na observação do aplicador.versões de entrevista estruturada foram cria​das e se mostram uma alternativa útil e com parâmetros psicométricos adequados no exterior. incapacidade de sentir e pensamentos pessimistas e suicidas. FORMULÁRIO 3. assim.5 A escala é de domínio público (ver Formulário 3.1 ► PONTOS DE CORTE DA MADRS PONTO DE CORTE CLASSIFICAÇÃO 0 -8 Remissão 9-17 Leve 18-34 Moderado > 35 Grave Fonte: Müller-Thomsen e colaboradores. inclusive.3 Todavia.4.2.1. TABELA 3. maior presença do sintoma depressivo avaliado. todos os principais sintomas da depressão (à exceção do retardo psicomotor).I). o profissional deve ver com cautela essas informações. alteração de sono e apetite. um escore menor ou igual a 10 pode ser adotado.6 Em relação a esses pontos de corte. tensão interior. mostrando-se. dificuldades de concentração. vale comentar que. ● DESCRIÇÃO DO INSTRUMENTO A MADRS inclui 10 itens que avaliam tristeza aparente e relatada.2. sendo que. já que ainda não há estudos sobre a validação das versões estruturadas dessa entrevista no Brasil. Desses. quanto maior a pontuação.

Menos de duas ou três horas de sono. desânimo ou sentimento de desamparo e desesperança).Parece triste e infeliz a maior parte do tempo. 0. Avalie pela profundidade e incapacidade de alegrar-se.Nenhuma tristeza 1- 2. frequência. 5- 6. 1- 2. O humor é ainda influenciado por circunstâncias externas. 0. CASO AS RESPOSTAS NÃO POSSAM SER OBTIDAS DO PACIENTE DEVIDO A SUA GRAVIDADE. LEMBRE-SE DE UTILIZAR INFORMAÇÕES DE OUTRAS FONTES.Leve dificuldade para adormecer ou sono discretamente reduzido. 1- 2. mas se alegra sem dificuldades. Tensão Interior (representando sentimentos de desconforto indefinido.Parece abatido. somente tensão interior fugaz. duas horas.Sentimentos predominantes de tristeza ou melancolia. refletidos na fala. 2. Extremamente desanimado. Inclui abatimento. tristeza e desespero [mais que um abatimento simples e transitório].Sentimentos contínuos de tensão interna ou pânico intermitente que o paciente só consegue dominar com alguma dificuldade. Sono Diminuído (representando a experiência de redução de duração ou profundidade do sono comparadas com o padrão normal próprio do indivíduo quando está bem). 0. inquietação. 3. leve ou interrompido.Tristeza. 4. Tristeza Aparente (representando desânimo. 5. 5- 6. pavor ou angústia). infelicidade ou desânimo contínuos e invariáveis. tensão mental crescente chegando até pânico.Apreensão ou angústia persistente.Tristeza ocasional compatível com as circunstâncias. 3- 4. Pânico incontrolável.Parece muito triste todo o tempo.Dorme normalmente 1- 2.INSTRUÇÃO PARA O APLICADOR: ESTA ESCALA BASEIA-SE NOS SINTOMAS RELATADOS E OBSERVADOS DO PACIENTE CONSIDERANDO A ÚLTIMA SEMANA. 1. expressão facial a postura). independentemente de estarem refletidos na aparência. Diminuição do Apetite (representando o sentimento de perda de apetite quando comparado ao seu . 3- 4. duração do grau de reasseguramento necessário. Avalie pela intensidade.Triste e abatido.Sentimentos ocasionais de inquietação e desconforto indefinido.Sono reduzido ou interrompido por. mas se alegra sem dificuldades. Avaliar de acordo com intensidade. 5- 6. 3- 4. 3- 4. agitação interior. pelo menos.Tranquilo. 0. Tristeza Relatada (representando relatos de humor depressivo. 5- 6. duração e grau com que se relata que o humor é influenciado pelos acontecimentos.

5- 6. 0.Sem dificuldade para se concentrar.Dificuldades para iniciar atividades. a não ser com grande dificuldade. 8. Incapaz de fazer qualquer coisa sem ajuda. 1- 2.Apetite normal ou aumentado.Dificilmente apresenta qualquer dificuldade para iniciar atividades. 1- 2.Interesse normal pelo ambiente e pelas outras pessoas. Dificuldades de Concentração (representando dificuldades em concluir ou organizar os pensamentos chegando à falta de concentração incapacitante).Apetite levemente diminuído. A capacidade de reagir com emoção apropriada às circunstâncias ou às pessoas está reduzida. 0.Sem apetite. 3- 4. autorreprovação ou autodepreciação. remorso ou pecado irremediável. Lassidão (representando a dificuldade ou a lentidão para iniciar e realizar atividades rotineiras).É necessário ser sempre persuadido para comer. 0. 3- 4. Incapacidade de Sentir (representando a experiência subjetiva de interesse reduzido pelo ambiente ou por atividades que são normalmente prazerosas). 7.Lassidão completa. inferioridade. 3- 4. 6.Capacidade reduzida de desfrutar interesses rotineiros. 3- 4. 0.Ideias flutuantes de falha. pecado. a frequência e o grau de incapacidade resultante.Delírios de ruína. Avalie de acordo com a intensidade. Pensamentos Pessimistas (representando pensamentos de culpa. A comida não tem sabor. que são realizadas à custa de esforço.Dificuldades para se concentrar e sustentar o pensamento.Incapaz de ler ou conversar. incapaz de sentir raiva. 1- 2. 1- 2. Avalie pela perda da vontade de comer ou pela necessidade de forçar-se a comer). mas ainda racionais de culpa ou pecado. remorso e ruína).normal. 5- 6.Perda de interesse pelo ambiente. Perda de sentimentos pelos amigos e conhecidos. 5- 6. Progressivamente pessimista sobre o futuro. 5- 6. 3- 4. pesar ou prazer e uma falta de sentimentos completa ou mesmo dolorosa em relação a parentes próximos ou amigos. autorreprovação. 0.Dificuldades para começar atividades rotineiras simples. Sem preguiça.Autoacusações persistentes ou ideias definidas.Dificuldades ocasionais em concluir ou organizar os pensamentos. 9. 5- 6. que reduzem a capacidade para ler ou manter uma conversa. 1- 2.A experiência de estar emocionalmente paralisado. . Autoacusações que são absurdas e inabaláveis.Sem pensamentos pessimistas.

10. Considerando que a finalidade da escala é uma avaliação do observador. 1- 2. que uma morte natural seria bem-vinda.Aprecia a vida ou a aceita como ela é. são estimados 15 minutos para sua aplicação. ● PÚBLICO-ALVO Recomenda-se a MADRS para utilização clínica e ensaios randomizados em pacientes adultos. Pensamentos suicidas transitórios. devendo- se evitar ultrapassar 20 minutos. contudo.6. mas sem planos ou intenções específicas. 3- 4. 5- 6. que devem ser utilizadas sempre que o avaliador tiver dúvidas entre a descrição do item de menor valor para o de maior valor (ver Formulário 3. pensamentos suicidas e preparativos para suicídio). não deve ser aplicada coletivamente.Provavelmente seria melhor morrer. Não há parâmetro de tempo estipulado.I) — recomenda-se que. este deve utilizar outras questões que possam esclarecer a gravidade do sintoma. na população . respeitando-se sua ordem e não deixando nenhum deles em branco. CUIDADOS NA APLICAÇÃO Para que a aplicação seja adequada. apesar de ser muito utilizada em população idosa.Enfastiado de viver. A escala tem pontuações intermediárias.2. Providência para o suicídio. Pensamentos Suicidas (representando o sentimento de que não vale a pena viver. em caso de dúvidas na pontuação. 0. e. Os itens devem ser preenchidos à medida que a entrevista é conduzida. ● APLICAÇÃO Para a aplicação.7 Não deve ser aplicada para fins diagnósticos. Pensamentos suicidas são frequentes e o suicídio é considerado com uma solução possível. é necessário orientar o paciente a responder às perguntas conforme os últimos sete dias. deve-se solicitar ao participante que responda à escala avaliando seu comportamento na última semana. seja pontuado o maior escore para aquele item. caso algum item não fique claro ao aplicador.Planos explícitos para o suicídio quando houver uma oportunidade. Tentativas de suicídio por si só não devem influenciar a avaliação.

Portanto. restando. o avaliador necessita de treino e também deve pontuar o relatado pelo paciente. vegetativas e cognitivas.1. A MADRS é vista como uma escala alternativa à HAM-D-17. Sua organização. caso o respondente pontue acima de 1 na questão 10 (ideação suicida).2. ● INTERPRETAÇÕES NA PONTUAÇÃO Os autores da MADRS não especificaram pontos de corte para gravidade e remissão. A escala resultante foi sensível para identificar respondedores e não respondedores ao tratamento. 17 itens. Uma delas consta na Ta​be​la 3. com idades entre 18 e 69 anos. assim.94). Foram selecionados 10 itens a partir do resultado de sensibilidade e alta correlação com HAM-D (> 0. Para selecionar os itens. É esperado que o aplicador tenha treinamento prévio antes de utilizá-la. tampouco com fins diagnósticos. isso seja investigado e discutido com cautela com o paciente.8 ● CONFIABILIDADE . Em relação à confiabilidade. que foram submetidos a análises de sensibilidade e correlacionados com a HAM-D para mensuração de validade e confiabilidade. constituindo- se em uma opção útil também ao avaliador. há várias propostas de pontuar a gravidade da de​‐ pressão na literatura. Por fim. recomenda-se que. Seu primeiro estudo foi realizado com base em 106 pacientes depressivos diagnosticados. sendo designada a mensurar sintomas mais “puros” da depressão. Assim como ocorre com a HAM-D. ● VALIDADE A MADRS foi desenvolvida a partir dos 65 itens da Comprehensive Psychopatological Rating Scale. No entanto. primeiramente se estipulou um ponto de corte de 70% de ocorrência de item. metade da Inglaterra e metade da Suécia. como visto pela descrição anterior.89.em geral. acaba sendo mais rápida e simples. remete às características de humor. a concordância com a HAM-D foi muito significativa e acima de 0. havendo um item voltado para a ansiedade.

9 que a compararam à HAM-D e à Escala Visual Analógica de Humor. após o estudo de Dratcu e colaboradores de 1987. Os resultados indicaram alta correlação entre a HAM-D-17 e a MADRS (r = 0. Entre os resultados.89 entre dois aplicadores norte-americanos.97 entre um aplicador sueco e um inglês. com idades variando de 23 a 77 anos.84.7 que investigaram a validade da MADRS com a Escala Cornell de Depressão em Demência em 157 idosos acima de 65 anos. O coeficiente de concordância foi de 0. e também verificaram que a escala se mostrou sensí​vel às mudanças de humor dos pacientes durante a reavaliação. 0. destaca-se que a análise de confiabilidade pelo coeficiente alfa de Cronbach foi de α = 0. Os resultados indicaram que a escala se mostrou adequada para uso nessa população. foi publicado apenas o estudo de Portugal e colaboradores. é essencial que as pontua​ções sejam feitas . 0. tendo sido confirmada por escala diagnóstica. Participaram do estudo 40 sujeitos diagnosticados com depressão segundo o Research Diagnostic Cri​teria (RDC) – 30 deles do sexo feminino –. p = 0.93 entre um psiquiatra e um enfermeiro.95 entre aplicadores suecos. vale citar que.001). Para a análise da confiabilidade entre avaliadores.10 ● FATORES QUE AFETAM A PONTUAÇÃO Assim como na HAM-D.97 entre um psiquiatra e um clínico geral e 0. CONFIABILIDADE A confiabilidade da MADRS foi investigada por um psiquiatra em uma amostra de 91 pacientes diagnosticados com transtorno bipolar tipo I e transtorno depressivo maior.O primeiro estudo de confiabilidade indicou que a escala permite discriminar mudanças em tratamento. a MADRS foi aplicada por diferentes profissionais. e seus resultados foram comparados aos da HAM-D. Ainda. 0. Esses mesmos su​jeitos foram avaliados após quatro semanas. os quais participavam de um programa de tratamento para transtorno do humor.8 ● PARÂMETROS PSICOMÉTRICOS DA VERSÃO ORIGINAL E EM PORTUGUÊS O estudo de validade da MADRS foi realizado por Dratcu e colaboradores.89. que é um bom índice.

sendo que as entrevistas estruturadas podem ser encontradas em inglês. ● FORMAS DE AQUISIÇÃO A MADRS é um instrumento de domínio público. o que torna sua aplicabilidade ainda maior. quem a utiliza deve buscar parâmetros internacionais para realizar sua correção. Também são recomendadas sessões de treinamento antes de se realizar a aplicação da escala e que. de rápida aplicação. deve-se pontuar a resposta dada. a escala se mostra como uma opção para identificar sintomas depressivos em população adulta e idosa. mesmo que o sintoma no paciente seja visível. e com sintomas centrais (core symptoms) do transtorno depressi​vo. Desse modo. ● REFERÊNCIAS . assim como a HAM-D. se proceda a análise de confiabilidade entre avaliadores. se o sujeito o relatar como au​sente. devendo. os resultados obtidos em estudos psicométricos internacionais continuam a confirmar sua validade e confiabilidade para uso em depressão. ter cautela nesses critérios. Ainda. em estudos clínicos. ● CONSIDERAÇÕES FINAIS A MADRS é uma escala desenvolvida com o propósito de ser uma medida mais “pura” dos sintomas depressivos. apresenta limitações quanto a estudos psicométricos em relação à uniformização de pontos de corte e remissão. É importante recordar que. Mesmo após mais de três décadas de uso. assim. ● LIMITAÇÕES Essa escala. pon​tuando-se como “0” apenas aquele sintoma que é duvidoso ou incerto.imediatamente após a resposta do paciente. bem como no que tange a outros estudos de confiabilidade e validade que possam fornecer melhor embasamento para sua aplicação no País.

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1 e fornece uma avaliação quantitativa dos sintomas depressivos.2 Recomenda-se que seja aplicado com uma avaliação clínica. descritos no DSM-IV. é considerada por especialistas um dos instrumentos mais utilizados e uma das melhores medidas de triagem de depressão. BDI-II.3 ] INVENTÁRIO DE DEPRESSÃO DE BECK (BDI) Clarice Gorenstein. A primeira se deu em 1978. Trata-se de um recurso projetado para registrar a presença e a intensidade de sintomas depressivos.4 A forma II do BDI5 foi criada em 1996 a fim de atualizar a escala de modo a refletir os critérios sintomáticos operacionais para diagnosticar um episódio depressivo maior. A versão atual.3. para evitar o risco de falsos positivos. o BDI-IA tornou-se um dos instrumentos de autoavaliação de depressão mais investigados ao redor do mundo. As principais modificações feitas no BDI-II foram: .2 Essa versão foi traduzida e adaptada para o Brasil por Jurema Cunha e passou por diversos estudos de validação no nosso meio. em 1961. Nos últimos 50 anos. diferindo do original quanto ao tempo de referência da avaliação (“última semana” em vez de “hoje”) e por alterações na redação de alguns itens. ● VERSÕES Ao longo de sua existência. o questionário recebeu várias revisões para aperfeiçoar necessidades clínicas e de pesquisa. [ 3. Yuan-Pang Wang O Inventário de Depressão de Beck (BDI) é uma escala autoaplicável criada por Beck e colaboradores.

com 13 itens (short form. com sete itens.[A] os itens correspondentes às “alterações de apetite” e ao “padrão de sono” também a opção de aumento. autocrítica. O BDI-II foi traduzido para mais de 15 idiomas (línguas anglo-saxônicas. 1. cansaço e perda de interesse por sexo. e a versão que a substituiu. Tenha certeza de que você não escolheu mais . ideias suicidas. autoestima. com pontuação em escala ordinal de 0 a 3. BDI-SF). e não apenas diminuição desses aspectos. desvalorização. Depois de ler cuidadosamente cada frase. alterações no padrão de sono. sendo que os escores mais altos representam a maior intensidade do sintoma. como sintomas vegetativo- comportamentais.1). perda de prazer. fracasso. irritabilidade.6 Existem também versões com menos de 21 itens: a forma abreviada. [B] o respondente deve pontuar a presença de alguns sintomas típicos de depressão nos últimos 15 dias – humor depressivo e/ou perda de prazer ou capacidade hedônica – com sintomas acessórios. correspondentes aos seguintes sintomas: tristeza. Se várias afirmações num grupo parecerem se aplicar igualmente bem. pessimismo. perda de interesse. indecisão. cognições depressivas e cognições e comportamentos suicidas. Faça um círculo em torno do número (0. Cada item é composto por quatro opções.3. escolha aquela em cada grupo que melhor descreve como você tem se sentido nas duas últimas semanas. 3. europeias e orientais). agitação. estando disponíveis versões traduzidas para o português de Portugal e do Brasil. dificuldade de concentração. 2 ou 3) da frase que você escolheu em cada grupo. o escore total varia de 0 a 63 (Fig. para uso em pacientes clínicos. ● DESCRIÇÃO DO INSTRUMENTO O BDI-II contém 21 itens. incluindo o dia de hoje. culpa. A pontuação final refere-se à soma dos escores individuais. também chamada “BDI-FS” (fast screen for medical patients). punição. para atenção primária (BDI-PC). falta de energia. alterações de apetite. Instruções: Este questionário consiste de 21 grupos de afirmações. faça um círculo no número maior. choro.

3. Idosos e pacientes com ​depressão grave ou transtornos obsessivo-compulsivo frequentemente tendem a levar mais tempo que a média estipulada para a população normativa. FIGURA 3. incluindo o item 16 (alterações no padrão de sono) e item 18 (alterações de apetite). é admissível que o aplicador leia as instruções ao respondente em situações nas quais há dificuldade de leitura (baixa acuidade visual. Não há recomendação de um treinamento específico para sua administração. problemas de concentração). ● PÚBLICO-ALVO A recomendação para o uso do BDI-II é abrangente. No entanto. No Brasil. Em geral. ● APLICAÇÃO A autoaplicação é a forma padronizada de aplicação do instrumento. baixo nível educacional. A aplicação do BDI-II leva de 5 a 10 minutos. o BDI-II tem boa aceitação da parte dos respondentes. CUIDADOS NA APLICAÇÃO . de uma frase para qualquer grupo.1 ► INSTRUÇÕES E EXEMPLOS DE AFIRMAÇÕES CONTIDAS NO BDI-II. incluindo indivíduos da comunidade e pacientes psiquiátricos e clínicos a partir dos 13 anos. o ​Conse​lho Federal de Psicologia recomenda que sua apli​cação e sua interpretação clínica sejam feitas por psicólogos familiarizados com testes educacionais e psicológicos. podendo chegar a 15 minutos em condições de aplicação oral.

83 a 0. O aplicador deve sempre considerar que a pontuação do BDI-II reflete o grau de depressão. sugerindo a revisão e reconsideração de algumas respostas. A estabilidade do instrumento ao longo do tempo. devem estar acompanhadas de avaliação clínica. 2b. 1b. Os escores possíveis desses dois itens também variam entre 0 e 3.92 para pacientes psiquiátricos. mas não seu diagnóstico clínico. seu resultado deve ser interpretado por um profissional com experiência clínica para indicar uma intervenção terapêutica apropriada.É conveniente examinar as respostas fornecidas pelo paciente quanto à completude e a marcações duplicadas. A consistência interna do BDI-II foi de boa a ótima para as versões traduzidas em diferentes idiomas. 1a. as respostas do item 2 (pessimismo) e do item 9 (pensamentos ou desejos suicidas). ou a confiabilidade . ● PARÂMETROS PSICOMÉTRICOS DA VERSÃO ORIGINAL E DA VERSÃO EM PORTUGUÊS CONFIABILIDADE Os autores originais do BDI-II relataram boa confiabilidade para a versão revisada. como indicativas de possível risco de suicídio. Esses dois itens contêm sete opções ordenadas (0.93 para estudantes universitários e de 0. 3a e 3b) para diferenciar entre aumento e diminuição do comportamento. 2a. recomenda-se que o aplicador explique a ele que raramente todos os sintomas são sentidos com o mesmo grau de intensidade. ● INTERPRETAÇÃO DAS PONTUAÇÕES Embora o BDI-II possa ser facilmente aplicado e pontuado. com coeficientes alfa variando de 0. Quando um respondente assinala o mesmo tipo de resposta para cada um dos 21 itens do BDI-II. com uma consistência interna (coeficiente alfa de Cronbach) de 0. Além disso.95. Determinar a gravidade e estabelecer o diagnóstico do episódio depressivo maior são ações que requerem avaliação adicional feita por um clínico. Deve-se estar atento à pontuação correta de alterações no padrão de sono (item 16) e de apetite (item 18).

em torno de 0. sendo considerada adequada para 17 dos 21 itens da versão em inglês5 e para 15 questões daquela em português. depressão grave. A fim de validar o BDI-II como um instrumento de rastreamento para detectar depressão maior. foi de​mons​trada pelo autor por meio do coeficiente de correlação intraclasse (r de Pearson) de 0. depressão moderada.6 Esses resultados indicam que os itens do BDI-II são relativamente homogêneos. Cabe notar que esse tipo de confiabilidade só foi demonstrada para amostras não clínicas.73 e 0. O melhor ponto de corte para detectar possíveis casos de depressão foi 10/11. para classificar a intensidade da depressão em pacientes psiquiátricos diagnosticados: 0 a 13.6 Na cidade de Porto Alegre. universitários. Considerando como padrão-ouro a entrevista semiestruturada SCID-I. que ​mostrou uma sensibilidade de 70% dos .59. o instrumento foi aplicado em amostras psiquiátricas clínicas e não clínicas.6 A confiabilidade para a população ​brasileira foi considerada ótima. As propriedades psicométricas da versão em português do BDI-II foram analisadas em amostras brasileiras não clínicas recrutadas de diversas fontes da comunidade: estudantes de ensino fundamental/médio (pré-adolescentes e adolescentes). o desempenho da versão em português do BDI-II foi demonstrado a partir dos indicadores sensibilidade e especificidade em uma amostra de adultos da comunidade de São Paulo. 20 a 28. depressão leve. entre 0.6 O coe​fi​ciente de correlação intraclasse foi de 0. A reaplicação do instrumento em outros estudos internacionais mostrou valores de confiabilidade teste-reteste variando de adequados a ótimos. 29 a 63. não havendo informações disponíveis para amostras psiquiátricas ou médicas.93 em estudantes universitários.teste-reteste. VALIDADE Validade de critério A validade de critério do BDI-II original foi in​ves​tigada a partir de pacientes diagnosticados por meio de entrevistas clínicas.7 A média das correlações item-total do BDI-II foi de 0. mostrando boa estabilidade temporal. foram estabelecidos os seguintes pontos de corte obtidos pela análise das curvas Receiver Operating Characteristics (ROC).90.96.89. 14 a 19. com intervalo médio de 15 dias. população adulta e população idosa da comunidade da região metropolitana de São Paulo. depressão mínima.

são usados os pontos de corte sugeridos por Beck e colaboradores. a Escala de Ideação Suicida (r = 0.1% dos casos de depressão. QUADRO 3.5 tais como a Escala de Depressão de Hamilton (r = 0.3.68).47). recomendamos um limiar mais baixo (Quadro 3. Esse desempenho global evidencia a boa capacida​de do BDI-II para a detecção dos casos prováveis de depressão em adultos da comunidade. a Escala de Desesperança de Beck (r = 0. A versão brasileira apresentou boa validade concorrente entre os escores do BDI-II e os obtidos nos instrumentos selecionados.60) e a Escala de Ansiedade de Hamilton (r = 0.casos e uma espe​ci​ficidade de 84.71).7 A área sob a curva ROC indicou que o instrumento consegue identificar adequadamente 82.3.4%.7 Em resumo.5 para aquelas não clínicas.82 e 0. A correlação com . também se mostrou adequada para discriminar os diversos graus de intensidade de sintomas depressivos. o pesquisador deverá considerar o ponto de corte de acordo com o tipo de amostra e o objetivo do estudo.37).1 ► PONTOS DE CORTE DE ACORDO COM O TIPO DE AMOSTRA PONTUAÇÃO TOTAL INTENSIDADE Amostras clínicas5 0-13 Mínima 14-19 Leve 20-28 Moderada 29-63 Grave Amostras não clínicas: rastreamento7 0-10 Sem depressão 11 ou mais Possível caso de depressão Validade concorrente Evidências da validade convergente e ​discriminante do BDI-II foram demonstradas por meio dos coe​ficientes de correlação de Pearson (r) entre as pontuações do BDI-II e as de outros testes psicométricos validados aplicados simultaneamente. A análi​se da função discriminante do instrumento em português. tendo em vista que a sensibilidade do instrumento é o componente mais importante no rastreamento.94). calculada pelo método das funções discriminantes canônicas. o Inventário de Ansiedade de Beck (r = 0. A validade convergente entre o BDI-I e o BDI-II foi alta (r variando entre 0. Para amostras clínicas.1).

75 e 0. O efeito de gênero é consistente entre os estudos: os escores médios de respondentes do sexo feminino são significativamente maiores que os do sexo masculino. Embora a maioria dos estudos internacionais tenha re​produzido a mesma estrutura bidimensional.63 e 0.instrumentos de rastreamento de transtornos mentais comuns ficou entre 0. Na população brasileira.6 A tendência atual em psicometria é a adoção da técnica de análise fatorial confirmatória para demonstrar a validade de construto do instrumento.93 para a Escala Breve K10. Validade de construto Em geral. idade. o construto coberto pelo BDI-II descreve uma estrutura bidimensional composta por um primeiro fator dominante cognitivo-afetivo e um somatovegetativo.67.6 Futuras pesquisas psicométricas deveriam demonstrar os fatores que podem afetar a pontuação. respectivamente). nível socioeconômico e presença de doenças clínicas e psiquiátricas concomitantes.9 ● LIMITAÇÕES . Para as escalas MADRS (Escala de Depressão de Montgomery-Åsberg) e HAM-A (Escala de Avaliação de Ansiedade de Hamilton).89 para o SRQ-20 (Self-Report Questionnaire) e entre 0.5.8. observou-se também o efeito da idade e do nível socioeconômico. escolaridade.67 e 0.5 possivelmente refletindo uma maior prevalência de depressão em mulheres. alguns deles não obtiveram a mesma estrutura fatorial (variando em termos de número e importância de fatores e distribuição de itens).6 Uma estrutura semelhante composta por dois fatores foi replicada com os dados brasileiros. os resultados também foram significativos (0. encontrou-se significativamente uma maior pontuação total nas mulheres e uma maior proporção de mulheres sintomáticas em relação à proporção de homens sintomáticos.6 Além disso. como gênero. ● FATORES QUE AFETAM A PONTUAÇÃO Alguns fatores podem influenciar a pontuação de um instrumento psicométrico para depressão.

ex. nos quais os escores podem ser facilmente exagerados. os quais podem elevar os escores do BDI mesmo na ausência de sintomas depressivos. As condições de aplicação do instrumento (p. Além disso. em diferentes populações e países. sua redação simples. o BDI é utilizado inadvertidamente por profissionais da saúde para “diagnosticar” rapidamente os casos de depressão. minimizados ou até falseados pelos respondentes. A tradução brasileira do BDI-II foi aplicada em mais de 8 mil respondentes de duas regiões do Brasil. contudo. Uma alternativa proposta pelos autores é a versão breve do BDI (BDI-PC ou BDI-FS). ainda não foi su​ficientemente estabelecida. A confiabilidade e a validade do BDI-II foram extensivamente investigadas. Portanto.. mediante técnicas sofisticadas. na interpretação da pontuação do instru​mento. No entanto. sua capacidade de monitorar as mudan​‐ ças do estado depressivo ao longo do tempo. Os pontos de corte do BDI-II podem representar uma boa al​ternativa para a triagem de casos prováveis de depressão.6 resultando em várias evidências sobre sua con​‐ fiabilidade e validade. o preenchimento na frente de outras pessoas e o ambiente clínico) podem gerar um resultado final distinto. for​ne​cendo uma medida quantitativa da melhora e da eficácia de métodos terapêuticos. os especialistas consideram que a utilidade clínica do BDI foi melhorada na versão II. Respondentes com doença física concomitante apresentam sintomas físicos. Suas qualidades psicométricas robustas evidenciam a versatilidade desse instrumento em vários contextos investigados. ● CONSIDERAÇÕES FINAIS Ao ampliar a cobertura de sintomas depressivos e acoplar o conceito de depressão maior do DSM-IV. o instrumento foi aplicado em mais de 12 . com sete itens sobre cognições depressivas. Outras vantagens do BDI-II incluem sua fácil aplicação (autoaplicação). que esse instrumento foi projetado a fim de ser utilizado como uma ferramenta de rastreamento para detectar sintomas depressivos. a ra​pi​dez de pontuação e a boa aceitação pelos usuários. Ressalta-se. quando seguidos de uma entrevista clínica ou um instrumento diagnóstico. sem que o diagnóstico clínico de depressão seja afirmado. como fadiga e alterações de sono. Algumas vezes.O BDI-II apresenta os mesmos problemas de outros inventários autoaplicáveis. deve-se considerar o tipo de sujeito da pesquisa.

2. 2011. Assessment of depression in medical patients: systematic review of the utility of the Beck Depression Inventory-II. Rev Bras Psiquiatr. Braz J Med Biol Res. Validation of the Beck Depression Inventory for a Portuguese-speaking Chinese community in Brazil. ● REFERÊNCIAS 1. Braz J Med Biol Res. Beck AT. Lotufo-Neto F. Gorenstein C. 1961. 3rd ed. Mock J. Andrade L. An inventory for measuring depression. Measuring health: a guide to rating scales and questionnaires. 1996. sendo protegido por direitos autorais. 3.29(4):453-7. Brown GK. Wang YP. 1996. 2nd. BDI-II: Beck Depression Inventory Manual.mil estudantes universitários que participaram do “I Levantamento sobre o uso de álcool. Pode ser adquirido junto à editora autorizada (Casa do Psi​‐ cólogo). Gorenstein C. Gorenstein C. Gorenstein C. Validation of a Portuguese version of the Beck Depression Inventory and State-Trait Anxiety Inventory in Brazilian subjects. Wang YP. Ward CH. ● FORMAS DE AQUISIÇÃO O BDI-II6 não é um instrumento de domínio públi​co. Steer RA. 2006. 6. 9. Mendelson M. Argimon IL. Andrade LH.4:561-71. tabaco e outras drogas entre universitários das 27 capitais brasileiras”. New York: Oxford University.34(4):389- 94. 8. McDowell I. 2005. 7. San Antonio: Psychological Corporation. Clinics. Erbaugh J. Beck AT. São Paulo: Casa do Psicólogo.10 Gradativamente. 2013. Gorenstein C. Validation of the Brazilian Portuguese version of the Beck Depression Inventory-II in a community sample. Gomes-Oliveira MH. Andrade LH. o BDI-II está se consolidando como um dos instrumentos mais investigados e adotados internacionalmente. Gorenstein C. Manual do Inventário de Depressão de Beck – BDI-II: adaptação brasileira. Arch Gen Psychiatry. Psychometric properties of the Beck Depression .38(3):399-408. 2012. 4. Werlang BSG. 5. Wang YP.68(9):1274-87. Wang YP. Wang YP. ed.

10. Brasília: SENAD. Gorenstein C. I levantamento nacional sobre o uso de álcool. In: Andrade AG. Wang YP. Oliveira LG. 2010. . Andrade AG. Morbidades psiquiátricas. Oliveira LG. 171-7.35(4):416- 31. 2013. tabaco e outras drogas entre universitários das 27 capitais brasileiras. organizadores. Andrade LH. Duarte PCAV. p. Inventory-II: a comprehensive review. Rev Bras Psiquiatr. sintomas depressivos e psicóticos entre os universitários brasileiros.

incluindo perguntas sobre humor. A CES-D vem sendo amplamente utilizada em estudos clínicos e populacionais. variar entre 0 e 60 (pontuação de 0 a 3 em cada um dos 20 itens). com destaque para o Inventário de Depressão de Beck e a Escala de Depressão de Zung. O ponto de corte sugerido para a versão reduzida foi de 10 ou . em 1977. com a finalidade de detectar sintomas depressivos em populações adultas. A pontuação final pode. com 10 itens.97. Dartiu Xavier da Silveira A Escala de Depressão do Centro de Estudos Epi​demiológicos (CES-D) é um instrumento autoaplicável de 20 itens desenvolvido por Radloff.1 Seus 20 itens abordam as várias áreas da depressão. “durante pouco ou algum tempo” corresponde à pontuação 1. As respostas a cada uma das questões são da​das de acordo com a frequência com que cada sintoma esteve presente na semana precedente à aplicação do instrumento: “raramente ou nunca” corresponde à pontuação 0. Trata-se de um instrumento de fácil aplicabilidade e com foco em sintomas depressivos ao longo da semana anterior à entrevista. comportamento e percepções sobre si mesmo.4 ] ESCALA DE DEPRESSÃO DO CENTRO DE ESTUDOS EPIDEMIOLÓGICOS (CES-D) Thiago Marques Fidalgo. A versão reduzida apresentou boa acurácia em comparação à escala original (20 itens). Diversas escalas influenciaram a elaboração desse instrumento. Andresen e colaboradores2 estudaram as propriedades psicométricas de uma versão reduzida da escala. Os resultados desses estudos indicam considerável convergência com outras escalas de depressão. “ocasionalmente ou durante um tempo moderado” corresponde à pontuação 2. com kappa de 0. assim. [ 3. entre idosos. e “durante a maior parte do tempo ou todo o tempo” corresponde à pontuação 3.

● APLICAÇÃO A CES-D pode ser respondida mediante autoaplica​ção ou entrevista. Nos casos em que se faz a opção pela entrevista. ● INTERPRETAÇÃO DAS PONTUAÇÕES A CES-D é uma escala de rastreamento. CUIDADOS NA APLICAÇÃO A aplicação do instrumento deve sempre ser feita em ambiente tranquilo e seguro.71. ● PARÂMETROS PSICOMÉTRICOS DA VERSÃO ORIGINAL E DA VERSÃO EM PORTUGUÊS . com um aplicador lendo os itens. escores positivos não determinam o diagnóstico de depressão. O índice teste-reteste foi de 0. O tempo médio de resposta é de 5 a 10 minutos. em geral. ressaltando ao entrevistado a importância do preenchimento adequado de todas as questões da escala. Como se trata de um teste considerado breve. e sim um risco maior de se apresentar o transtorno. a fim de se confirmar ou refutar o diagnóstico do transtorno depressivo. e. em de​​trimento da autoaplicação. Dessa forma. não há necessidade de treinamento do entrevistador. ● PÚBLICO-ALVO O instrumento teve suas propriedades psicométricas avaliadas entre adultos e adolescentes no Brasil. Caso sua aplicação seja feita por entrevista. é ​recomendável reforçar o período que está sendo avaliado (a semana anterior). A entrevista psiquiátrica detalhada deve sempre suceder a aplicação da escala. é adequado para uma avaliação inicial. A autoaplicação é a forma mais utilizada. a escala não apresenta nenhuma dificuldade.mais pontos.

Garrison e colaboradores5 encontraram que 13 a 25% dos adolescentes com escores positivos na escala apresentavam depressão confirmada por entrevista clínica subsequente. Esses autores fizeram a análise de uma subpopulação de dependentes químicos. Apontaram. sugeriram o valor de 24 como ponto de corte.75. os resultados referentes à eficácia da CES-D em identificar depressão entre adolescentes são contraditórios.3 em um estudo realizado no ano de 1977. estes forneceram evidências de que as características operacionais da escala são semelhantes às evidenciadas nas pesquisas envolvendo a população em geral. Weissman e colaboradores. sensibilidade de 1 e especificidade de 0. encontraram dados que sustentaram o uso da escala como instrumento de rastreamento de depressão em amostras clínicas. Os autores concluíram. Embora poucos tenham sido os estudos que utilizaram a CES-D em populações jovens. Somente em 1991 foi realizada uma pesquisa no sentido de examinar a concordância da CES-D com o diagnóstico clínico de depressão em jovens.7 No estudo de validação da escala no Brasil. Meyers e Weissman4 relataram.VALIDADE Validade de critério A validade e a confiabilidade da CES-D em po​pulações adultas foram estudadas tanto em amostras clínicas como populacionais. A presença de transtornos de ansiedade e de transtorno da conduta pode ser uma possível explicação para o alto índice de falsos positivos observados. no entanto. o fato de os jovens apresentarem vivências mais intensas de seus sentimentos e emoções pode justificar. que a escala seria adequada para selecionar pacientes com quadro depressivo para pesquisas clínicas. o instrumento identificou corretamente 41% dos casos. mas não como forma de rastreamento diagnóstico em amostras populacionais.8 e 0. esses números. em um estudo na população em geral. Nesse caso. e a estrutura de 20 questões foi preservada. a necessidade de pontos de corte maiores para populações de pacientes dependentes químicos. em parte. Em contrapartida. que a CES-D apresentava modesta concordância com o diagnóstico clínico atual de depressão. em 1980. utilizando o valor de 16 como ponto de corte. a partir disso.9.87 e . Na maior parte dos trabalhos. Além disso. Silveira e Jorge8 encontraram. Nesse trabalho. a consistência interna da escala manteve-se entre 0. com alguns autores recusando e outros aceitando a escala como instrumento de rastreamento populacional para sintomas depressivos. Para tal população. a escala apresentou sensibilidade de 0.6 Dessa forma.

4. Para a CES-D.73 e sensibilidade de 0.81 Salgado de Snyder e 1994 250 Mulheres adultas 0. 3.84 65 Pacientes com diagnóstico de 0.1 ► ESTUDOS DE CONSISTÊNCIA INTERNA DA CES-D ALFA DE AUTORES ANO N POPULAÇÃO CRONBACH Shrout e Yager10 1989 228 População em geral 0.319 Idosos atendidos em serviço de 0. TABELA 3.87 Iwata e colaboradores11 1994 1. utilizando o valor 14 como ponto de corte.500 Adolescentes japoneses 0. Escala de Depressão de Carroll e CES-D) nessa faixa etária. e concluíram que tais índices não são suficientes para justificar o uso do instrumento na prática clínica sem o apoio de outras ferramentas diagnósticas.85 atenção primária Silveira e Jorge8 1997 523 Estudantes universitários brasileiros 0. a proporção de falsos positivos (entre os não deprimidos) diminuiu de 73 para 47%.85 Validade de construto A maior parte dos estudos que exploraram a estrutura fatorial da escala encontrou uma solução de quatro fatores.9 CONFIABILIDADE A consistência interna da escala.especificidade de 0. avaliada pelo alfa de Cronbach. e o índice de classificação incorreta diminuiu de 44 para 32%. comparou a eficácia de três escalas para rastreamento de depressão (Inventário de Depressão de Beck.91 depressão Garrison e colaboradores5 1991 2. Com o aumento do ponto de corte de 16 para 24. Outro estudo brasileiro.91 Callahan e Wolinsky14 1994 3.1). foi examinada em vários estudos (Tab. os autores encontraram sensibilidade de 0.92 Maldonado12 Joseph e colaboradores13 1996 194 Estudantes universitários 0.59.465 Adolescentes norte-americanos 0. realizado com 503 adolescentes de 15 a 17 anos. Apenas um estudo japonês11 .76.4.

● FATORES QUE AFETAM A PONTUAÇÃO E LIMITAÇÕES A pontuação obtida em todas as escalas autoaplicáveis pode ser influenciada por inúmeros fatores. afeto positivo (subescala de bem-estar). nomeados como afeto depressivo (subescala de humor). o ambiente de aplicação. das 20 questões da escala original. assim. e relações interpessoais. também obteve uma solução com quatro fatores. que pode ser utilizada tanto em amostras clínicas quanto populacionais.1 no estudo original da escala. Não é diferente com a CES-D. Já a questão 4. Assim. Caso seja feita a opção de utilizá-la nessa população. atividade somática (subescala psicomotora). perdendo. deve-se ter cuidado adicional na interpretação dos resultados. entre outros aspectos. referente à autovalorização. No estudo de validação no Brasil. é importante frisar que a CES-D é uma escala de rastreamento.encontrou solução com cinco fatores. Por fim. são características que podem afetar o resultado final. para identificação de depressão. não deve nunca substituir uma avaliação clínica diagnóstica. esclarecem que se trata de um sintoma inespecífico. ● CONSIDERAÇÕES FINAIS A CES-D é um instrumento de triagem para depressão com grande utilidade . o qual pode estar presente em muitas outras condições além da depressão. realizada por profissional treinado. 13 mantiveram-se em agrupamentos fatoriais similares àqueles encontrados por Radloff. Vale destacar que o uso da CES-D para rastrea​mento de depressão entre adolescentes (menores de 18 anos) ainda é controverso. No entanto. Os autores ponderam que a questão 2. Vale dizer que Radloff. poderia ser influenciada por aspectos culturais. Além disso. referente a pouco apetite. o nível socioeconômico do respondente e seu estado de saúde física. provavelmente estaria refletindo um aspecto que extrapola as dimensões psicopatológicas da depressão na amostra estudada. as questões 2 e 4 revela​ram-se de pequena importância no conjunto.1 No estudo brasileiro. seu poder discriminante em populações culturalmente distintas daquela em que a escala foi originalmente concebida.

6. Jackson KL. Espanha. ● REFERÊNCIAS 2. França. conforme identificado por estudos tanto no Brasil quanto no exterior. Austrália. indígenas e pacientes portadores de HIV. . Do mesmo modo. Trata-se de um instrumento bastante utilizado ao redor do mundo. Assessing depressive symptoms in five psychiatric populations: a validation study.10(2):77-84. ● FORMAS DE AQUISIÇÃO A CES-D é um instrumento de uso livre. 4. Carter WB. assim como os objetivos do aplicador (clínica ou pesquisa). moradores de rua. bem como idosos. Holanda. Prusofff BA. Coreia do Sul. mulheres no pós- parto. Andresen EM. Armênia. The CES- D as a screen for depression and other psychiatric disorders in adolescents. Os adolescentes parecem precisar de pontos de corte maiores.1(3):385-401. The CES-D Scale: a Self-Report Depression Scale for research in the general population. Uganda. 1977. pacientes vítimas de acidente vascular cerebral. 5. Appl Psychol Meas. Waller JL. Am J Prev Med.137(9):1081-4. bombeiros expostos ao 11 de setembro. China. Vale ressaltar que os pontos de corte utilizados devem respeitar a especificidade das populações estudadas. Pottenger M. Addy CL. 1977. Am J Epidemiol. onde suas propriedades psicométricas foram estudadas entre negros. Garrison CZ. Jordânia. Cingapura e Colômbia. Sholomskas D.em adultos de nosso meio. 1980. Taiwan. Canadá. Patrick DL. 1994. McKeown RE. mulheres. de esclerose múltipla e de lúpus. além dos Estados Unidos. com estudos de validação em países como Japão.106(3):203-14. 3. Am J Psychiatry. embora a utilidade da escala nessa população ainda seja questionável. Radloff LS. Locke BZ. Weissman MM. os dependentes químicos também requerem pontos de corte maiores. Myers JK. Malmgren JA. Screening for depression in well older adults: evaluation of a short form of the CES-D (Center for Epidemiologic Studies Depression Scale). Weissman MM. entre outras populações. Use of a self-report symptom scale to detect depression in a community sample.

23(1):91-8. Rhoades HM. Med Care. Chaves MLF. 11. 1989. Maldonado M.42(1):69-78. Responses to a self-administered depression scale among younger adolescents in Japan. J Am Acad Child Adolesc Psychiatry. Lewis CA.30(4):636-41. 1994.53(3):275-87. Nunes C. Salgado de Snyder VN. 10. 12. . Salle E. 9. Kaplan SL. Hong GK. 1991. Vernon SW. Psychiatry Res.91(3 Pt 1):865-74. Olsen C. Callahan CM.177(10):581-92. 1996. Roberts RE. Escalas psicométricas como instrumentos de rastreamento para depressão em estudantes do ensino médio. Reliability and validity of screening scales: effect of reducing scale lenght. Jorge MR.52(5):551-4. J Am Acad Child Psychiatry. 2002. Joseph S. Iwata N. J Clin Epidemiol. Rocha NS. 1984. 1994. Roberts RE. Weinhold C. 7. 1994. 1989. Effects of language and ethnic status on reliability and validity of the Center for Epidemiologic Studies- Depression Scale with psychiatric patients. Rev Psiquiatr Clín. Reliability and factor structure of the Brazilian version of the Center for Epidemiologic Studies-Depression. Epidemiology of depressive symptomatology in adolescents. 13. Saito K. Características psicométricas de la Escala de Depresión del Centro de Estudios Epidemiologicos (CES-D) en mujeres mexicanas adultas de áreas rurales. The effect of gender and race on the measurement properties of the CES-D in older adults.39(1):24-7. 15. Wolinsky FD. Rocha TS. J Clin Psychol. Silveira DX. Salud Pública Mex.32(4):341-56. Psychol Rep. 14. 8. Yager TJ. Shrout PE. Convergent validity of the Depression- Happiness Scale with measures of depression.36:200-9. J Nerv Ment Dis. 2012.

0. necessitando. 28% desses óbitos decorrentes de suicídio ocorrendo no período perinatal. Kendell e colaboradores1 demonstraram aumento significativo no número de internações ​psiquiátricas nos três meses subsequentes ao parto. a taxa de não detecção desses qua​dros pode chegar a 50%. essa taxa é ainda mais preocupante. foram as principais causas de morte materna no Reino Unido. Em alguns estudos.5 Tradicionalmente. a DPP é conceituada como um subtipo do transtorno depressivo maior (TDM). em particular.6 Mulheres com DPP. apesar de estudos mostrarem que ambas as condições diferem. Em um estudo clássico. bem como demoram mais para responder às intervenções farmacológicas.4 Entre os pediatras.5 ] ESCALA DE DEPRESSÃO PÓS-PARTO António Alvim Soares. Oates. no período compreendido entre 1997 e 1999. Humberto Corrêa. Mayra Brancaglion. sob a denominação .7 A Classificação de transtornos mentais e de comportamento da CID-108 considera a DPP uma síndrome comportamental associada a um transtorno fisiológico ou fator físico. mostra que. [ 3. tendem a apresentar-se com maiores queixas ansiosas e medo de ferir o bebê. quando comparadas a mulheres deprimidas fora do período puerperal. Apesar disso.2 ao analisar os dados do The Confidential Enquiry into Maternal Deaths (CEMD).3. Marco A. por estar a primeira associada a idade de início dos sintomas mais precoce e maior prejuízo social. a depressão pós-parto (DPP) costuma ser negligenciada tanto por pacientes quanto por profissionais da área da saúde. Romano-Silva O pós-parto é um período em que muitas mulheres apresentam queixas de alguma perturbação emocional ou cognitiva. os transtornos psiquiátricos e o suicídio. de doses mais altas de medicações. codificando-a como F53. por vezes. com apenas 29% de reconhecimento.

Capacidade diminuída para pensar ou se concentrar. B. 5. QUADRO 3. Os sintomas causam sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento social. 8. devendo ser empregada quando os sintomas tiveram início nas seis primeiras semanas após o parto.5. Agitação ou retardo psicomotor quase todos os dias (observáveis por outras pessoas). 1. aplicados quando o início dos sintomas se dá durante a gravidez ou no período de quatro semanas subsequentes ao parto (Quadro 3. ideação suicida. as pacientes devem satisfazer os critérios para um episódio depressivo maior e os critérios para o especificador “com início no periparto”. em vez disso. ou quase todas. 4. Com início no periparto: Este especificador pode ser aplicado ao episódio atual ou. se atualmente não são satisfeitos todos os critérios para um episódio depressivo maior. Fadiga ou perda de energia quase todos os dias. Sentimentos de inutilidade ou culpa excessiva ou inapropriada quase todos os dias. indecisão quase todos os dias. Pensamentos recorrentes de morte. 3. 9. pelo menos um dos sintomas é (1) humor deprimido ou (2) perda de interesse ou prazer.“transtornos mentais e de comportamento. 6. Humor deprimido na maior parte do dia. C. O Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais (DSM-5)9 não reconhece a DPP como um diagnóstico separado. O episódio não é atribuível aos efeitos fisiológicos de uma substância ou a outra condição médica.9 A intensidade dos sintomas e a prevalência de pacientes acometidas por transtornos psiquiátricos após a gestação ainda vêm sendo estudadas e .5. Fonte: American Psychiatric Association. quase todos os dias. tentativa ou plano específico para cometer suicídio. associados ao puerpério. Acentuada diminuição de interesse ou prazer em todas.1 ► ESPECIFICADOR: TRANSTORNO DEPRESSIVO MAIOR “COM INÍCIO NO PERIPARTO” – DSM-5 A. leves. 2. profissional ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo.1). ao episódio mais recente de depressão maior se o início dos sintomas de humor ocorre durante a gravidez ou nas quatro semanas seguintes ao parto. Perda ou ganho significativo de peso sem estar fazendo dieta. quase todos os dias. Cinco (ou mais) dos seguintes sintomas estiveram presentes durante o mesmo período de duas semanas e representam uma mudança em relação ao funcionamento anterior. não classificados em outros locais”. Insônia ou hipersonia quase todos os dias. conforme indicado por relato subjetivo ou por observação feita por outras pessoas. 7. as atividades na maior parte do dia.

Vesga-López e colaboradores10 relataram que. Cantilino12 realizou uma revisão sistemática da literatura sobre a DPP no Brasil. e estima-se que entre 18 e 39% das mulheres desenvolvam esse transtorno. Serge e colaboradores11 avaliaram 4. Entretanto. essa variação observada pode ser explicada por fatores culturais e. por tais escalas incluírem nos seus itens sintomas como fadiga e alterações do sono. baixas condições socioeconômicas podem contribuir para o desenvolvimento de DPP. principalmente. Couto e colaboradores16 compararam o uso de três escalas – Inventário de Depressão de Beck (BDI). Além do diagnóstico. Apesar de ser uma enfermidade subdiagnosticada. incluindo 10 estudos nos quais a taxa de prevalência de DPP varia entre 7.13. entre 15 e 29% das mulheres manifestam alguma psicopatologia. para fins de compreensão do quadro e tratamento. história de depressão na família e falta de suporte social são características apontadas como fatores de risco para a condição. resultando. em baixos níveis de valor preditivo.332 mulheres no período do pós-parto e encontraram uma prevalência de 12% de deprimidas.2 e 43%. durante o puerpério. baixa renda.14 Rojas15 afirma que metade dos casos da doença pode ter início durante a gravidez ou mesmo antes. Escala de Depressão de Hamilton (HAM-D) e Escala de Depressão Pós-parto de Edimburgo (EPDS) – e o questionário de rastreio diagnóstico Mini Plus a fim de verificar qual das escalas de sintomas de depressão apresentava maior poder preditivo para depressão gestacional. pelos variados instrumentos utilizados para o diagnóstico. história pregressa de depressão. De modo geral. dessa forma. . considerados fisiológicos do período pós-parto.amplamente discutidas. Falta de planejamento familiar. diversos autores fazem restrições ao uso de instrumentos de rastreio da depressão maior para o screening da DPP. Outros estudos discutem essa variação na prevalência encontrada da DPP e demonstram que tal porcentagem é mais perceptível de acordo com a população estudada e o período de tempo no qual foi avaliada. a caracterização dos sintomas pode ser realizada principalmente com a utilização de escalas que avaliam e quantificam as alterações físicas e de humor mais comuns ao quadro de depressão. Segundo esses autores. os números encontrados revelam alto percentual de puérperas suscetíveis a desenvolver sintomas depressivos após o parto.

23. . sendo a EPDS o instrumento com maior quantidade de artigos validando seu uso no pré-natal e no pós-parto. Para construir os itens da escala. não considerar os sintomas somáticos da depressão é algo. uma análise fatorial da versão demonstrou que três itens formavam um fator à parte. Aplicada a 63 puérperas. de irritabilidade. respectivamente. o elevado número de estudos de tradução e validação em diversos países. Depression and Anxiety Sca​le (IDA). administrada a uma amostra de 84 puérperas.20 totalizando 21 itens.21. Sua aplicação é rápida e simples. que. posteriormente. a escala tem sido alvo de críticas pelo fato de o conteúdo dos seus itens não fazer referência às experiências específicas da maternidade.25 Além disso. segundo alguns autores. ● ESCALA DE DEPRESSÃO PÓS-PARTO DE EDIMBURGO (EPDS) A Escala de Depressão Pós-Parto de Edimburgo (EPDS) foi o primeiro instrumento construído e validado especificamente para rastreio da DPP. as ferramentas utilizadas para rastreio da DPP tendem a ser específicas. foram reduzidos a 13. De acordo com os autores. questionável. uma pontuação de 12/13 resultou em sensibilidade. sendo. Dessa forma.22 O poder preditivo da EPDS já foi confirmado em diversos estudos. mas validada também para rastreio de depressão no período gestacional. divididos em quatro graduações (0 a 3). em determinadas culturas. sendo utilizada não apenas no período do pós-parto. excluído. além de sua fácil aplicação. buscando superar as limitações das escalas comuns para rastreio de depressão. especificidade e validade preditiva positiva (VPP) de 86. então.Os autores discutiram a relevância das escalas de sintomas para rastreio. ressal​ta-se.24 Entre as principais vantagens da EPDS. dessa forma. constando de 10 itens. 78 e 73%. Cox e colaboradores basearam-se nas escalas Irritability. Os resultados na EPDS foram comparados ao diagnóstico de depressão segundo o Research Diagnostic Criteria (RDC). Todavia. já que.18 Hospital Anxiety and Depression Scale (HAD) 19 e Anxiety and Depression Scale of Bedford & Foulds. podendo ser utilizada por profissionais da saúde não médicos. além de criar alguns próprios. A versão de 10 itens foi. A somatória dos pontos perfaz escore de 30 pontos. em que são avaliadas a presença e a intensidade de sintomas depressivos nos últimos sete dias. o qual consideraram não estar relacionado à DPP.17 É uma escala autoaplicável. no mínimo.

O melhor ponto de corte na versão reduzida foi o de 6 pontos. Os instrumentos utilizados foram um formulário com informações socioeconômicas e demográficas e a EPDS. Figueira e colaboradores30 avaliaram 245 mu​lheres selecionadas aleatoriamente em uma ma​ternidade privada de Belo Horizonte (MG). foram escolhidos os itens com maior carga fatorial. com 84% de sensibilidade e 82% de especificidade. O melhor ponto de corte foi o de 09 pontos. envolvendo 378 mulheres no terceiro mês após o parto. A fim de elaborar uma escala reduzida a partir da EPDS.4% de sensibilidade e 91. com sensibilidade de 81% e especifi​cidade de 86%. Brancaglion e colaboradores29 avaliaram a utilização da EPDS como escala de rastreio para depressão gestacional.26 No estudo de validação conduzido por Santos e colaboradores. que apresentou 86. Por sua vez.6% de sensibilidade e 65. O melhor ponto de corte foi o de 10 pontos. 4 e 5 (para o fator ansiedade). os quais são sugeridos como componentes da EPDS- 6. no trabalho desenvolvido em Pelotas (RS). Todavia. Malloy-Diniz e colaboradores31 submeteram os itens do teste a uma análise fatorial.2%. Com base na mesma amostra.4% de especificidade. 2 e 7 (correspondentes ao fator depressão) e 3. que apresentou 80% de sensibilidade e 70% de especificidade. A Mini Plus 5.0 foi utilizada como padrão-ouro para o diagnóstico de depressão. entre a 6ª e a 24ª semanas pós-parto. com 82. A prevalência de depressão pós-parto encontrada foi de 24. o escore 10 foi tido como o mais adequado para triagem da DPP. De acordo com os autores.1% de especificidade. a fim de identificar os fatores de risco que podem contribuir para a DPP e os sintomas que podem caracterizá-la no período puerperal imediato.13 Gomes e colaboradores28 realizaram um estudo com 95 puérperas de uma maternidade de referência da cidade de Fortaleza (CE). sugerindo sua utilização no sistema público de saúde.27 o instrumento foi aplicado a 69 mulheres de Brasília (DF) e cidades próximas. sendo selecionados os itens 1. . O instrumento foi aplicado a 90 gestantes do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). avaliadas no período entre 18 e 31 semanas de pré-natal. ainda são necessários estudos comparativos entre a EPDS e a EPDS-6 para justificar seu emprego rotineiro.tais sintomas são os principais indicadores do transtorno. o melhor ponto de corte para a escala foi 11.

Eu tenho me sentido ansiosa ou preocupada sem uma boa razão: ( ) Não. muitas vezes. de maneira alguma. muitas vezes.5. ( ) Sim. Por favor. Nos últimos sete dias. ( ) Talvez menos do que antes. na maior parte do tempo.. Eu tenho me culpado sem necessidade quando as coisas saem erradas: ( ) Sim. ( ) Com certeza menos. algumas vezes. Por favor. em nenhum momento.I ► ESCALA DE DEPRESSÃO PÓS-PARTO DE EDIMBURGO Você teve há pouco tempo um bebê. na maioria das vezes. ( ) De jeito nenhum. sendo disponibilizada no Formulário 3. ( ) Não muitas vezes. não apenas como você está se sentindo hoje.. nem sempre. ( ) Não. ( ) Não. ( ) Pouquíssimas vezes. 2. algumas vezes. ( ) Não tanto quanto antes. . FORMULÁRIO 3.5. Eu tenho me sentido assustada ou em pânico sem um bom motivo: ( ) Sim. ( ) Não. todo o tempo. ( ) Sim. 1. Esta resposta quer dizer: “Eu me senti feliz na maior parte do tempo”.● FORMA DE AQUISIÇÃO A EPDS é de domínio público. assinale as questões seguintes do mesmo modo. * 5. 3. na última semana. ( ) Sem dúvida menos que antes. marque a resposta que mais se aproxima do que você tem sentido NOS ÚLTIMOS SETE DIAS. (X) Sim.I. algumas vezes. ( ) Sim. Eu tenho sido capaz de rir e achar graça das coisas: ( ) Como eu sempre fiz. ( ) De jeito nenhum. e nós gostaríamos de saber como você está se sentindo. Aqui está um exemplo já preenchido: Eu tenho me sentido feliz: ( ) Sim. Eu sinto prazer quando penso no que está por acontecer em meu dia a dia: ( ) Como sempre senti. 4. nenhuma vez. ( ) Sim.

ultimamente. A pontuação total é calculada pela soma dos escores de cada um dos 10 itens. ( ) Não. ( ) Sim. Os campos marcados com um asterisco são de marcação inversa (ou seja. 2. Eu tenho me sentido tão infeliz que tenho tido dificuldade de dormir: ( ) Sim. Algumas vezes não consigo lidar bem como antes. nenhuma vez. Eu consigo lidar com eles tão bem quanto antes. ( ) Não. ( ) Pouquíssimas vezes. muitas vezes. muitas vezes. ( ) Não muitas vezes. * 9. ( ) Sim. * 10. ( ) Não. * 6. A ideia de fazer mal a mim mesma passou por minha cabeça: ( ) Sim. As respostas são pontuadas 0. ( ) Não. labilidade emocional. ansiedade/insegurança. perda do eu (self). de acordo com o aumento da gravidade do sintoma.( ) Não muitas vezes. 3. ( ) De vez em quando. Na maioria das vezes eu não consigo lidar bem com eles. * 7. na maioria das vezes. 2 e 3. ( ) Não. Na maioria das vezes consigo lidar bem com eles. ( ) Não muitas vezes. ( ) Sim. ● POSTPARTUM DEPRESSION SCREENING SCALE (PDSS) A PDSS é uma escala autoaplicável composta por 35 itens referentes a sete dimensões: alterações de apetite/sono. 1 e 0). ( ) Sim. A . Eu tenho me sentido triste ou arrasada: ( ) Sim. de jeito nenhum. culpa/vergonha e pensamentos suicidas. indicando seu grau de discordância ou concordância com cada questão em uma escala de 1 (discordo plenamente) a 5 (concordo plenamente). nenhuma vez. muitas vezes. ( ) Algumas vezes nos últimos dias. ultimamente. Eu tenho me sentido esmagada pelas tarefas e acontecimentos do meu dia a dia: ( ) Sim. Eu tenho me sentido tão infeliz que tenho chorado: ( ) Sim. * 8. queixas cognitivas. ( ) Nenhuma vez. ( ) Não. algumas vezes. nenhuma vez. 1. Cada dimensão é composta por cinco itens que descrevem como uma mãe pode sentir-se após o nascimento de seu bebê. quase todo o tempo. na maioria das vezes.

realizado com 150 mulheres norte- americanas.32 Para a validação no Brasil. apresentando sensibilidade de 93. possibilitando sensibilidade de 89% e especificidade de 72% nessa amostra.8% e especificidade de 95. um ponto de corte de 102 foi considerado o melhor a ser aplicado na amostra. a PDSS-SF foi validada por Zubaran e colaboradores. Os sete itens que constituem a versão original em inglês da PDSS-SF correspondem às questões 1.34 O melhor ponto de corte foi 17.33 Em outro trabalho.94) com os demais 28 itens da versão completa. De acordo com os autores. A PDSS vem sendo amplamente utilizada e estudada. a PDSS-SF. tendo sido encontradas sensibilidade de 89% e especificidade de 77%. utilizou-se a versão em Português da Structured Clinical Interview for DSM-IV Axis I Disorders (SCID-IV). a qual permite identificar mulheres que podem beneficiar-se de um encaminhamento para avaliação psiquiátrica. 11. e quanto mais elevada a pontuação. Pereira35 realizou um estudo na Universidade de Coimbra e propôs a validação da versão portuguesa do instrumento para o rastreio de depressão perinatal. Uma pontuação entre 7 e 13 é consistente com ajustamento normal ao período pós- parto. Há também uma versão reduzida da escala. 17. Se uma mulher cai nesse segundo intervalo de valores. foram selecionadas 120 mulheres de Recife (PE) que se encontravam entre a 2ª e a 26ª semanas de pós-parto.pontuação total da escala varia entre 35 e 175 pontos.25 Sua pontuação varia de 7 a 35 pontos. em comparação à SCID. maior é a gravidade da sintomatologia. recomenda-se a administração da versão completa. de mulheres advindas da rede particular de saúde e com maior escolaridade jus​‐ ti​fique a diferença na nota de corte entre as duas versões. No estudo de desenvolvimento da escala. especificidade de 98%. a PDSS-SF apresentou correlação elevada (. Como pa​‐ drão-ouro.34 Possivelmente. No estudo de validação da PDSS. a presença. 23 e 34 da PDSS de 35 itens. ao se considerar uma nota de corte de 80 pontos. 14. além da diferença linguística e cultural existente entre o Nordeste e o Sul do Brasil. No Brasil. composta apenas por sete itens (um de cada dimensão). valor preditivo positivo de 90% e valor preditivo negativo de 99%.2%. no primeiro trabalho. o melhor ponto de corte foi de 81. realizado com 101 puérperas de Caxias do Sul (RS). enquanto um escore de 14 a 35 sugere a presença de sintomas significativos de DPP. analisando . observou-se sensibilidade de 94%. 19. avaliadas entre a 2ª e 20ª semana de pós-parto.

assim como o desenvolvimento de uma relação na qual pode haver pouco afeto. os autores afirmaram que quase 50% das mulheres com DPP tiveram depressão gestacional. a qual passa a ter pouca motivação para seguir tratamentos e. excesso ou falta de sono. parece interessante a denominação feita no DSM-5 da depressão “com início no periparto”. A empresa americana WPS detém seus direitos autorais. Ainda não há estudos com a aplicação da PDSS durante a gestação para a população brasileira. ● CONSIDERAÇÕES FINAIS A DPP é um quadro que atinge uma parcela significativa das mulheres.37 Diante dessa correlação. gerando dificuldades no cuidado básico. A depressão pode gerar distorções cognitivas que afetam a capacidade de decisão da mãe. ressaltando a necessidade de acompanhar mulheres em período fértil. pois o não diagnóstico do quadro gera consequências graves. 504 mulheres foram avaliadas no terceiro trimestre gestacional. dificuldade de concentração. A literatura aponta indícios de uma forte ligação entre depressão gestacional e depressão pós-parto. Nesse estudo. causando prejuízos para as pacientes. a doença atinge a relação da mãe com o bebê. . as orientações médicas do pré-natal. Não é incomum o quadro de humor deprimido estar associado a abuso de substâncias. alteração no apetite. sintomas de ansiedade e irritabilidade. com especial atenção ao pré-natal e ao pós-parto. fadiga contínua. que apresentam diminuição da energia diária.suas características psicométricas no pós-parto e na gravidez. realizado no Brasil. apresentando valores de sensibilidade e especificidade maiores que 80%. sendo a criança pouco ou não estimulada. As escalas de rastreio auxiliam tanto profissionais ligados à saúde mental como qualquer profissional da saúde que atenda mulheres no período pós-parto. Em um estudo de 2005. baixo-astral. ● FORMA DE AQUISIÇÃO A PDSS não é de domínio público.36 A DPP é vista como um problema de saúde pública. Consequentemente. principalmente.

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). o TB (episódios de mania. recorrentes e marcados pe​la alteração no sistema de excitação e inibição como insanidade maníaco- depressiva (IMD). sendo a condição. Kraepelin (1856-1926) nomeou transtornos psiquiátricos periódicos. depressão e estados mistos) é classificado como diagnóstico distinto do transtorno depressivo maior (que não apresenta mania e é. em que encontramos descrições de um estado de excitação irracional. apresentando cinco características básicas: (1) distração maníaca. [4] INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO DE MANIA Sheila C. memória.1 Atualmente. (3) grandiosidade. Kraepelin também propôs que percepção. o Manual . (2) fuga de ideias. foi possível observar seu curso e encontrar que apenas 30 a 60% dos pacientes apresentavam sintomas psicóticos. Essa definição foi o primeiro passo para que se pudesse estudar esse transtorno com base em critérios sistematizados e. Dessa forma. posteriormente. então. A mania foi definida como estado de excitação do humor. pensamento e comportamento. Beny Lafer ● CONCEITO DE MANIA Nosso breve histórico sobre a conceituação de mania inicia-se com a tradição clínica dos escritos de Hipócrates (460-370 a. denominado unipolar).C. para se estabelecer o diagnóstico de mania. renomeada para transtorno bipolar (TB). Desde a década de 1960. são adotados os critérios de um dos dois grandes sistemas classificatórios. incluí-lo nas classificações com a denominação de psicose maníaco-depressiva (PMD). (4) excitação ou hiperatividade e (5) humor eufórico. Caetano. elaboração mental e julgamento poderiam ser afetados em pessoas com IMD. por isso.

expansivo ou irritável e aumento anormal e persistente da atividade dirigida a objetivos ou da energia. e a episódios de depressão. três (ou mais) dos seguintes sintomas (quatro se o humor é apenas irritável) estão presentes em grau significativo e . se a hospitalização se fizer necessária). enquanto o de grandiosidade. mas também a associação desses sintomas com maior energia e aumento nas atividades. em que se adotou um novo especificador: “com características mistas”.5 foram feitas avaliações psicométricas dos critérios do DSM-IV para mania. o menos. tanto no contexto de transtorno depressivo maior quanto no TB. o sintoma de aumento de atividades orientadas para um objetivo ficava na ponta da intensidade leve. a grandiosidade foi o sintoma com maior poder de discriminação. sendo verificada evidência de um traço latente unidimensional subjacente a ela. o DSM-5. na oposta.1). A seguir. Durante o período de alteração do humor e aumento da energia ou atividade. quando características depressivas estão presentes. com duração mínima de uma semana e presente na maior parte do dia. quase todos os dias (ou qualquer duração. sendo obrigatoriamente um de mania. enquanto o DSM-IV-TR3 dita que seria necessário um episódio único de mania ou hipomania mais um episódio de depressão. a lista de sintomas para o episódio de mania é similar. Em amostras representativas das populações norte-americana4 e australiana. mas há discordância quanto ao número de ocorrências para se estabelecer o diagnóstico de TB. Dessa forma.1 ► CRITÉRIOS PARA EPISÓDIO MANÍACO SEGUNDO O DSM-5 A. Em geral. quando há sintomas de mania/hipomania. que pode ser aplicado a episódios de mania/hi​pomania. de intensidade grave. QUADRO 4. detalharemos mais os especificadores de mania segundo o DSM-5 (Quadro 4. Possivelmente baseado nesses estudos. B. A CID-102 determina que ocorram pelo menos dois episódios de humor. No entanto. Outra importante mudança se deu no diagnóstico de episódio misto. lançado em 2013. modificou o critério A dos episódios de mania e hipomania. Também foi relatado que aumento de atividades orientadas para um objetivo era o sintoma mais endossado. e o de grandiosidade.6 O novo critério de entrada A requer não apenas a presença de humor eufórico ou irritável. Um período distinto de humor anormal e persistentemente elevado. nesse modelo dimensional da mania.diagnóstico e estatístico de transtornos mentais (DSM) e a Classificação internacional de doenças (CID).

indiscrições sexuais ou investimentos financeiros insensatos).. C. com características atípicas.. medicamento. enquanto o especificador de remissão é indicado apenas se todos os critérios para um episódio atual ou mais recente não forem mais preenchidos. Distratibilidade (i. presença de sintomas psicóticos e estado de remissão. outro tratamento) ou a outra condição médica.6 Para o episódio atual ou mais recente do TB. sente-se descansado após somente três horas de sono). D. 7. portanto. moderado.representam uma mudança notável do comportamento habitual: 1. O episódio não é atribuível aos efeitos fisiológicos de uma substância (p.. e foi observado que seu aumento na mania está diretamente associado a definições mais restritas do . ou existem características psicóticas. A gravida​de e os sintomas psicóticos são especificadores para episódio maníaco ou depressivo. ou sexualmente) ou agitação psicomotora (i. Autoestima inflada ou grandiosidade. a atenção é desviada muito facilmente por estímulos externos insignificantes ou irrelevantes). envolvimento em surtos desenfreados de compras. Nota: Um episódio maníaco completo que surge durante tratamento antidepressivo (p. 5. A alteração do humor é suficientemente grave a ponto de causar prejuízo acentuado no funcionamento social ou profissional ou para necessitar de hospitalização para prevenir dano a si mesmo ou a terceiros. com características psicóticas incongruentes com o humor. Envolvimento excessivo em atividades com elevado potencial para consequências dolorosas (p. ex. com características melancólicas.. e. O especificador mais usado é o de gravidade. Fonte: American Psychiatric Association. Aumento da atividade dirigida a objetivos (seja socialmente. Redução da necessidade de sono (p. 6. com ciclagem rápida. Pelo menos um episódio maníaco na vida é necessário para o diagnóstico de transtorno bipolar tipo I.6 ● ESPECIFICADORES DE MANIA De acordo com o DSM-5. grave). ex. atividade sem propósito não dirigida a objetivos).. no trabalho ou escola. 4.. com início no periparto e com padrão sazonal. o TB pode ser descrito por meio dos seguintes especificadores: com sintomas ansiosos. Mais loquaz que o habitual ou pressão para continuar falando. eletroconvulsoterapia). Fuga de ideias ou experiência subjetiva de que os pensamentos estão acelerados. Nota: Os Critérios A-D constituem um episódio maníaco. conforme relatado ou observado. para um diagnóstico de transtorno bipolar tipo I. com características psicóticas congruentes com o humor. 3. é evidência suficiente para um episódio maníaco e. ex. mas que persiste em um nível de sinais e sintomas além do efeito fisiológico daquele tratamento. droga de abuso. 2. ex. com características mistas. são usados especificadores para classificar gr​a​vidade (leve. e. medicamento. com catatonia.

5% no espectro bipolar (com sintomas subsindrômicos) para 55. Em crianças com TB. fal​ta de concentração e impulsividade. o que poderia elevar as taxas de comorbidade e dificultar o diagnóstico diferencial. distração.9 Em adultos jovens com TB. o principal diagnóstico diferencial é a esquizofre​nia.TB. as médias de escores foram de leves a graves: grandiosidade. Foi aplicada nesses sujeitos a Escala das Síndromes Positiva e Negativa (Positive and Negative Syndrome Scale – PANSS). fuga de ideias e diminuição da necessidade de sono. Em episódio maníaco com a presença de sin​tomas psicóticos. em seis itens. 264 apresentavam sintomas psicóticos. no qual o . falta de julgamento/crítica. Em adolescentes e adultos jovens com TB. gran​diosidade.8 ● SOBREPOSIÇÃO DE SINTOMAS. assim co​mo alta taxa de comorbidade com TB (até 70% em crianças). Em uma amostra clínica de 515 indivíduos com o transtorno. sendo o principal diagnóstico diferencial. e.2% no TB tipo I.10 mas abuso/dependência de substâncias e transtornos da personalidade também são relevantes. A presença de sintomas psicóticos tem sido descrita em até 60% dos pacientes bipolares e está associada a pior gravidade da mania. excitação. delírios. foi relatado maior número de episódios de hipomania. Esses sin​‐ tomas podem ser considerados como critérios diag​nósticos para mais de um transtorno. a comorbidade com transtornos de ansiedade é de cerca de 75% ao longo da vida. estando associada a pior prognós​tico para o transtorno do humor. Em pacientes bi​polares em comorbidade com transtorno de pâ​nico. suspeita/per​secutoriedade e hostilidade. o transtorno de déficit de atenção/hiperatividade (TDAH) apresenta al​ta sobreposição de sintomas com mania. Merikangas e colaboradores7 relataram que a gravidade dos episódios de mania/hipomania aumentou consecutivamente de 31.4% no TB tipo II e para 70. Esses indivíduos apresentam pior resposta a estabilizadores do humor e maior risco de mania induzida por medicação. COMORBIDADE E DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL Os sintomas de mania que se sobrepõem aos de outros transtornos são irritabilidade.9 Destaca-se que os sintomas específicos ao episódio maníaco que poderiam auxiliar nesse diagnóstico diferencial são elação do humor.

que foi validada para o Brasil por Vilela e colaboradores. apetite). envolvimento excessivo em atividades prazerosas com um alto potencial para consequências danosas) e somáticos (diminuição da necessidade de sono. estar mais loquaz do que o habitual ou pressão por falar. ● AVALIAÇÃO DA MANIA Um instrumento cujo objetivo é avaliar os sintomas de mania deve abranger sintomas afetivos (euforia. cognitivos (autoestima inflada ou gran​diosidade. Vilela e Young Mania Rating precedentes 11 itens colaboradores11 Scale) .14 As escalas traduzidas e/ou va​li​dadas no Brasil para mania são descritas na Tabela 4. TABELA 4. o diag​‐ nóstico diferencial com esquizofrenia torna-se um desafio.1. respec​ti​vamente. por Ratzke e colaboradores13 e Soares e colaboradores. o Ques​tionário de Transtornos do Humor (MDQ – Mood Disorder Questionnaire) tem sido a escolha. Isso é particularmente importante em um primeiro episódio. aumento de energia. ir​ritabilidade).paciente esteja em agitação psicomotora e com ideias delirantes. e foi validado por Castelo e colaboradores.12 Ainda pouco usados são a Entrevista Clínica Estruturada para o Espectro do Humor (SCIMOODS – Structured Clinical Interview for Mood Spectrum) e o Questionário de Autoavaliação de Hipomania (HCL – Hypomania Checklist). checklist. validados. quando não há história prévia da doença referente à ciclagem de humor (TB) ou cronicidade dos sintomas psicóticos (esquizofrenia). A escala mais utilizada para caracterizar a gravidade do episódio de mania em amostras clínicas e a mudança da gravidade em ensaios clínicos é a Escala de Avaliação de Mania de Young (YMRS – Young Mania Rating Scale).1 ► ESCALAS TRADUZIDAS E/OU VALIDADAS PARA MANIA NO BRASIL VERSÃO NO ESCALA CONSTRUTO AVALIADO FORMATO BRASIL Escala de Avaliação de Gravidade dos sintomas de Avaliação de Validada por Mania de Young (YMRS – mania nos 7 dias observador. distratibilidade. aumento da atividade dirigida a objetivos ou agitação psicomotora.11 Para tria​‐ gem em amostras clínicas e epidemiológicas. fuga de ideias.

No entanto. em pacientes em mania mo​derada e . As escalas de autoaplicação não devem ser uti​lizadas na mania para avaliar intensidade dos sin​tomas.Questionário de Triagem para TB tipo I. é o Questionário de Transtornos do Humor (MDQ – Mood Disorder Questionnaire).15 sociais dos sintomas de hipomania ● CRÍTICAS E LIMITAÇÕES A escala mais utilizada em ensaios clínicos e em pesquisa para caracterização da amostra quanto à gravidade de​ sintomas é a YMRS. rápido. a escala foi validada em estudos transversais no Brasil sem seguimento de amostra. a entrevista Ratzke e do Humor (SCIMOODS – 3 a 5 dias precedentes. com boa Validada por Autoavaliação de em pacientes em episódios sensibilidade e Soares e Hipomania (Hypomania depressivos e maior especificidade. com a vantagem de ter seu ponto de corte definido. Validada por Transtornos do Humor II e sem outras dividido em 3 seções: Castelo e (MDQ – Mood Disorder especificações (SOE) 1) 13 perguntas de colaboradores12 Questionnaire) sim/não dos critérios do DSM-IV 2) pergunta se vários sintomas ocorreram no mesmo período 3) análise do prejuízo psicossocial Entrevista Clínica Transtornos do humor como Avaliação de Validada por Estruturada para o Espectro construtos dimensionais nos observador. dura em média 1 hora colaboradores13 Structured Clinical sendo que diferencia TB de Interview for Mood depressão unipolar Spectrum) Questionário de Rastreamento de hipomania Autoaplicável. Entretanto. para detecção precoce do TB tipo II. colaboradores14 Checklist – HCL-32) detecção de TB tipo II semelhante ao MDQ Avaliação das em estudos consequências pessoais e comparativos14. para aplicação desse instrumento são necessários treinamento e confiabilidade. sendo necessárias mais pesquisas sobre seu valor preditivo. principalmente em pacientes com transtorno depressivo. A escala de autoaplicação que tem sido amplamente utilizada como instrumento de triagem. tipo Autoaplicável. uma vez que. A proposta do HCL é o rastreamento de sintomas hipomaníacos ao longo da vida. por ser fácil e rápida de preencher.

mas é pouco estudada em adultos. Dessa forma. então poderá ser encaminhado para uma avaliação clínica mais detalhada. Caso o paciente seja triado como positivo. apesar de ser um sintoma do critério A de mania. . Não há escalas que avaliem o construto de irritabilidade como humor. Perspectivas futuras dessa área estão no melhor entendimento dos estados mistos. uso de psicofármacos (como os psicoestimulantes) e. cuja literatura em relação a crianças e adolescentes com mania vem aumentando. Outro aspecto que não deve se restringir ao estudo na depressão é a irritabilidade. O MDQ também tem sido utilizado em estudos epidemiológicos. em pesquisa. ● PROBLEMAS ESPECÍFICOS DA AVALIAÇÃO DA MANIA Fatores que podem confundir a interpretação das pontuações são a presença de sintomas físicos de doenças clínicas semelhantes aos sintomas somáticos de mania (como hipertireoidismo). mas uma nova versão foi desenvolvida para que os pais respondessem sobre seus filhos menores de 18 anos: a Parent Young Mania Rating Scale (P-YMRS). a grandiosidade e a falta de crítica não permitem uma pontuação condizente com o estado clínico observado. acompanhar a mudança sintomática e o efeito terapêutico. sem a necessidade de treinamento. estudos nacionais e internacionais demonstraram que a autopercepção do humor em indivíduos hi​po​maníacos não levou a uma pontuação da HCL discordante da observação clínica. o MDQ deve ser usado. A YMRS é recomendada para documentar a gravidade. No entanto. principalmente. ● RECOMENDAÇÕES A YMRS tem sido usada em estudos em ambientes ambulatoriais e enfermarias em pacientes de todas as faixas etárias. Para triagens. dos traços latentes dessa dimensão. uso atual de drogas ilícitas (como cocaína e ecstasy). como primeira escala que o participante deverá responder. não há escalas específicas para os sintomas psicóticos e para o estado misto.grave. Na pesquisa atual de mania. esse instrumento é utilizado logo na entrada.

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Visa a detecção de sintomas específicos. tanto em contexto clínico quanto em pesquisa. [ 4. Por apresentar bons indicadores psicométricos em seu estudo original. podendo ser utilizado tanto como medida complementar na avaliação clínica desse transtorno como no controle metodológico em estudos clínicos controlados. a escala é considerada o padrão-ouro entre as escalas de avaliação de mania. . contudo. Sonia Regina Loureiro Publicada em 1978. é um instrumento capaz de caracterizar e quantificar a intensidade variável de sintomas presentes em um episódio maníaco. de modo a facilitar sua aplicação sistemática. foi denominada como Escala de Avaliação de Mania de Young modificada (EAM-m).3 A YMRS foi traduzida. a quantificação de sua gravidade e a ponderação de mudanças dessa gravidade ao longo do tempo. é referência para validação concorrente de novos instrumentos de avaliação de sintomas maníacos. apresentando índices semelhantes àqueles observados no instrumento original. foram acrescentados um rol de perguntas-guia. mantendo-se a estrutura de pontuação da escala original.1 ] ESCALA DE AVALIAÇÃO DE MANIA DE YOUNG (YMRS) José Antonio Alves Vilela. suas qualidades psicométricas foram aferidas. a Young Mania Rating Scale (YMRS)1 é um dos instrumentos de avaliação de gravidade de sintomas maníacos mais utilizados.2 Além disso. ser de rápida e simples aplicação e abranger os principais sintomas de um episódio maníaco.4 No Brasil. Assim. adaptada. modificada e validada para o português. a definição operacional dos itens e um detalhamento mais aprofundado nos pontos de ancoragem.

denominada Parent Young Mania Rating Scale (P-YMRS). forma de aplicação ou escores. turca. Em sua versão brasileira. a YMRS permanece em uso sem nenhuma modificação em sua estrutura. (3) inclusão de uma sexta chave na escala. Sua versão brasileira foi traduzida do original em inglês. Visando sanar algumas limitações observadas no original. em que o valor 0 significa a ausência de alterações na característica avaliada e o valor 4 indica a presença de sintomas mais graves. foram realizadas modificações na versão traduzida. Essas modificações não afetaram a estrutura original da escala e se constituíram de: (1) criação de um catálogo de definições de sintomas. havendo. Os itens irritabilidade. (4) detalhamento do guia de pontuação e maior detalhamento quanto à especificação de gravidade. é aplicada junto aos pais dos jovens com sintomas ma​níacos e demonstra bons índices de consistência interna. semelhantes aos do instrumento original. a fim de garantir maior precisão nas observações e homogeneidade na aplicação e na avaliação da gravidade.● VERSÕES Na língua inglesa original. em múltiplos de 2. submetida a retrotradução e avaliada por profissionais com experiência na utilização de instrumentos de avaliação psiquiátrica. Em 2002. Todos os itens são graduados em níveis de gravidade crescente com pontuação em escala ordinal. cada item é explicitamente definido de acordo com definições e conceitos de sintomas psiquiátricos utilizados nos sistemas atuais de classificação. uma versão da escala destinada à avaliação de crianças e adolescentes na faixa etária de 5 a 17 anos foi publicada. uma versão única do instrumento destinada a adultos. para itens em que o sintoma não tivesse sido avaliado adequadamente. Esta. tailandesa e alemã demonstraram bons índices de confiabilidade e validade. francesa. sendo pontuados de 0 a 8. ● DESCRIÇÃO DO INSTRUMENTO A YMRS foi construída de acordo com o modelo da Escala de Depressão de Hamilton e apresenta 11 itens de avaliação referentes aos sintomas centrais de um episódio maníaco. portanto. (2) criação de um roteiro de entrevista semiestruturada com perguntas-guia. O mesmo ocorre .5 As versões da YMRS nas línguas espanhola. velocidade e quantidade da fala e conteúdo do pensamento têm peso dobrado.

e sim de avaliação da gravidade de sintomas. tanto em pacientes ambulatoriais quanto naqueles internados. abrangendo todos os níveis de intensidade de um episódio maníaco. O escore total da escala varia de 0 a 58 e é obtido pela soma dos escores de cada item individual. bem como omitir aquelas que . para que. mas em uma variação de escore de 0 a 6. ao longo da avaliação.com o item comportamento disruptivo. de acordo com os sistemas atuais de classificação. c) aplicação conjunta da escala com outro profissional em alguns pacientes (pelo menos três). Quanto ao treinamento de avaliadores. As perguntas-guia que compõem a entrevista semiestruturada constituem apenas um roteiro. Considera-se como indicador positivo de bom treinamento a concordância entre as avaliações de ao menos 70% dos escores individuais. nenhum dos itens da escala deixe de ser avaliado. o avaliador tem liberdade de realizar perguntas extras que julgar necessárias. Não se trata de instrumento diagnóstico. ● APLICAÇÃO A EAM-m é preenchida a partir de uma entrevista semiestruturada de cerca de 30 minutos de duração. Esses itens específicos apresentam essa diferença de peso com o objetivo de compensar avaliações prejudicadas pela ausência de cooperação de pacientes mais graves quanto ao relato de sintomas apresentados. ao longo de um episódio maníaco. das perguntas-guia e da forma de pontuação. sugerem-se os seguintes passos: a) leitura prévia do instrumento. b) testagem da codificação da escala em pelo menos duas entrevistas gravadas em vídeo com indivíduos em episódio maníaco. discutindo-se as concordâncias e discordâncias e estabelecendo-se um consenso. atentando-se para as definições dos sintomas de acordo com os critérios utilizados na escala. Assim. que deve ser conduzida por profissional da saúde mental previamente treinado e com experiência no correto reconhecimento de sinais e sintomas psiquiátricos. ● PÚBLICO-ALVO A YMRS foi validada na língua portuguesa (Brasil) para aplicação em pacientes adultos (18 a 60 anos de idade) com diagnóstico firmado de transtorno bipolar.

escore total a partir de 38 – grave. esses valores são arbitrários e não haviam sido formalmente validados. no caso de pacientes ambulatoriais. Em um estudo posterior. incluindo familiares. mas deve-se dar ênfase à apresentação do su​jeito no momento da entrevista. pacientes avaliados com a YMRS que apresentam escore total maior ou igual a 25 são considerados graves.6 pontos representam a diferença mínima clinicamente significativa na avaliação de alterações consistentes na evolução do quadro clínico.8 Assim. nas últimas 48 horas. O preenchimento da escala deve ser feito após o término da entrevista. Orienta-se escolher a alteração sintomatológica que permeia a maior parte da entrevista para pontuar determinado grau de gravidade. com valor preditivo positivo de 83% e negativo de 66%. privilegiando-se a observação direta. e equipe de enfermagem. Em 2013.considere desnecessárias para a adequada pontua​ção de determinado item. Por fim. dos sintomas avalia​dos. escore total de 26 a 37 – moderado. e não ao longo dela. a análise regressiva dos escores totais demonstrou que mudanças de 6. No mesmo estudo.6 Contudo. pode-se contar com informações fornecidas por pessoas que convivam com o indivíduo. mas apenas uma. no caso daqueles internados. escore total de 20 a 25 – leve.9 . desde que consideradas confiá​veis.7 o autor da YMRS demonstrou que pacientes com escore total abaixo de 14 apresentavam boas condições para alta hospitalar. Não é necessário que o paciente apresente todas as características descritas em determinada chave de gradação para marcá-la. ● INTERPRETAÇÃO DAS PONTUAÇÕES O grau de gravidade de sintomas maníacos individuais no momento da avaliação é registrado a partir dos escores fornecidos pela escala. com sucesso no tratamento ambulatorial de seguimento. Para níveis mais leves de sintomas. um estudo de análise das curvas Receiver Operating Characteristic (ROC) determinou como ponto de corte o valor de escore total da escala de 25. a Sociedade Internacional de Transtorno Bipolar definiu que escores totais da YMRS menores que 8 representariam a remissão sintomática de um episódio maníaco. sendo interpretado da seguinte forma: escore total até 19 – mínimo. Os escores são obtidos a partir do relato do paciente sobre a presença ou ausência. A soma desses escores individuais representa um indicador clínico da gravidade do episódio maníaco.

Os coeficientes de correlação de postos de Spearman obtidos. Os mesmos pacientes foram avaliados por meio da Escala de Mania de Beigel. no intervalo de 7 a 10 dias. foram avaliados.80 (p < 0.91. que pontuaram a escala de forma independente.10 55 pacientes adultos (18 a 60 anos de idade). a YMRS apresentou índice de confiabilidade para o escore total (rs = 0. Comparativamente. A confiabilidade interavaliadores da EAM-m foi avaliada a partir da comparação e análise de escores obtidos em 93 avaliações conjuntas realizadas por dois psiquiatras previamente treinados. foram obtidos índices de concordância excelentes.1 a confiabilidade foi aferida mediante a comparação dos escores preen​chidos por dois psiquiatras que pontuaram de forma independente duas escalas diferentes de avaliação de mania (a YMRS e a Escala de Petterson). Os pacientes foram submetidos a duas avaliações distintas. aplicada de forma independente por duas enfermeiras previamente treinadas. Considerando o coeficiente de correlação intraclasses – o tratamento estatístico mais adequado para aferimento dos níveis de confiabilidade interavaliadores –. para todos os itens individuais e para os escores totais nas duas avaliações .77). sendo que apenas um item (atividade e energia aumentadas) obteve nível de concordância baixo (k < 0. sendo apresentados na Tabela 4. foram compatíveis com aqueles descritos na versão original do instrumento. aplicada de forma independente por outros dois psiquiatras.1. considerados de satisfatórios a excelentes.1. com diagnóstico de transtorno afetivo bipolar I – episódio maníaco atual. acima de 0.4). após uma entrevista conjunta. Para o estudo das qualidades psicométricas da EAM-m.32 a 0.88) e de Beigel (rs = 0. de ambos os sexos.93) (coe​ficiente de correlação de postos de ​‐ Spearman) superior àqueles apresentados pelas escalas de avaliação de mania de Petterson (rs = 0. Tal análise revelou índices de concordância de kappa (k) que variaram de 0.001).● PARÂMETROS PSICOMÉTRICOS DA VERSÃO ORIGINAL E DA VERSÃO EM PORTUGUÊS CONFIABILIDADE Em seu estudo original.60) e pela Escala de Avaliação Global (rs = 0. resultando em 186 escalas preenchidas. e por meio da Escala de Avaliação Global.

1.1.80 02.93 0.93 * Todas correlações com p < 0.68 0.98 0.98 0.83 0.96 0. Sono 0.88 0.94 03.2 ► CONFIABILIDADE INTERAVALIADORES: COEFICIENTES DE CORRELAÇÃO INTRACLASSES PARA ESCORES INDIVIDUAIS E TOTAL DA EAM-M ITENS 1ª AVALIAÇÃO* (n=53) 2ª AVALIAÇÃO* (n=40) 01.91 0.92 Escore total 0. TABELA 4. Insight (discernimento) 0.97 1.92 04.96 0.96 04.90 0. Humor elevado 0.1.84 0.00 0. Sono 0.1 ► CONFIABILIDADE INTERAVALIADORES DA EAM-M E DA YMRS: COEFICIENTES DE CORRELAÇÃO DE POSTOS DE SPEARMAN (RS)* ENTRE DOIS AVALIADORES PARA ESCORES INDIVIDUAIS E TOTAL DA EAM-M E DA YMRS EAM-M YMRS* ITENS 1ª AVALIAÇÃO* (n=53) 2ª AVALIAÇÃO* (n=40) (n=35) 01. Atividade e energia aumentadas 0.91 0.84 – correlação satisfatória.95 0.72 03.93 0.91 0.93 02.66 10.90 0.94 0. Interesse sexual 0. Níveis de aceitação: rs > 0. Atividade e energia aumentadas 0. Comportamento disruptivo agressivo 0.78 0.2). Linguagem – distúrbio do pensamento 0.001.96 0.67 11.81 0.85 0. Humor elevado 0.91 0.99 .75 06.85 – correlação excelente.(Tab.72 0.95 05. 4.73 0.92 09. Irritabilidade 0.72 08.96 0. TABELA 4. Conteúdo do pensamento 0. Aparência 0.83 07. Esses resultados indicam que a versão brasileira da YMRS é um instrumento com bons índices de confiabilidade. Fala (velocidade e quantidade) 0. rs = 0.60 a 0.92 0. Interesse sexual 0.

90 11.84 0.80).05. Comportamento disruptivo agressivo 0.88 0.1.80 0.1. TABELA 4.0001) e consistência interna (α = 0.94 0.10 Para o estudo da validade da EAM-m.90 0. VALIDADE A validade concorrente do instrumento original foi obtida por seu autor. inicialmente foi realizada a análise .75 – concordância excelente. além de apresentar bons índices de validade concorrente com a Escala de Impressão Clínica Global (r = 0.93 06.84. Aparência 0. p < 0.92 0.95 0. demonstrando boa capacidade de diferenciar quadros maníacos do transtorno de déficit de atenção/hiperatividade. correlacionando-se os escores médios da YMRS com os escores médios das escalas de Petterson e Beigel e da Escala de Avaliação Global. Linguagem – distúrbio do pensamento 0.87 07.97 * Níveis de aceitação: CIC > 0. Todas as correlações obtidas foram estatisticamente significantes e superiores àquelas dos demais instrumentos entre si (Tab.89 Petterson 0.001 A YMRS foi.95 09.99 1. Conteúdo do pensamento 0.00 10. Irritabilidade 0. 4. ainda.65 - Beigel 0.91 0.66 .3). - p < 0.95 08.98 Escore total 0. Insight (discernimento) 0.71 0. Fala (velocidade e quantidade) 0.3 ► COEFICIENTES DE CORRELAÇÃO DE POSTOS DE SPEARMAN ENTRE VÁRIAS ESCALAS DE AVALIAÇÃO ESCALA FUNCIONAMENTO GLOBAL BEIGEL PETTERSON YMRS 0. testada na avaliação de crianças e adolescentes.83 0.

e Fator 2. utilizando a YMRS.fatorial da escala.18687 04. que representavam.4 ► MATRIZ FATORIAL PARA OS ITENS INDIVIDUAIS DA EAM-M ITEM FATOR 1 FATOR 2 01. Sono 0. com carga igual a 3. apresentada na Tabela 4. a princípio. observa-se que o Fator 1 reúne sintomas maníacos tipicamente afetivos e de aceleração – a saber. foi afe​rida a validade concorrente da EAM- m com a versão portuguesa modificada da Brief ​Psychiatric Rating Scale (BPRS). 59. avaliou-se a sensibilidade da escala em detectar alterações no nível de sintomatologia do paciente sob tratamento far​ma​cológico. foram extraídos quatro fatores.77834 .23859 0. Além disso. Para a análise fatorial da EAM-m. obteve-se a matriz fatorial final da EAM-m. responsável por 30. observou-se uma distribuição irregular destes últimos. Extraindo-se os dois fatores de maior carga (Fator 1. Ao analisar os dados obtidos. como diminuição do sono. Humor elevado 0. que podem ser enquadrados mais facilmente em outros quadros psicóticos.1. responsável por 18. por meio do Teste de Wilcoxon. Atividade e energia aumentadas 0. seguida da avaliação de sua consistência interna por meio do alfa de Cronbach. Por fim.4. alterações da forma do pensamento (incluindo fuga de ideias).1. sugerem uma estrutura multidimensional para o episódio maníaco. em curto espaço de tempo. conteúdo ilógico do pensamento e prejuízo do insight.99. foi construída uma matriz com os escores individuais do instrumento.1% da variância).18895 02. Irritabilidade 0. havendo maior concentração de itens no Fator 1 (6 dos 11 itens). Esses fatores foram relacionados com os itens individuais da escala. comportamento disruptivo agressivo e descuido ou exageros na aparência.5% da variância dos dados.11 TABELA 4.53145 05.63460 0.62642 0.35. Esses dados são compatíveis com outros estudos. aumento da ir​ritabilidade.8% da va​riância dos dados. que.0.03419 03.80968 . interesse sexual aumentado (hipersexualidade). elevação do humor. com carga igual a 1. aumento de atividades e sensação subjetiva de energia aumentada. aceleração e aumento da quantidade da fala. Interesse sexual 0. juntos.23768 0. Já o Fator 2 reuniu sintomas mais inespecíficos.

caso fossem retirados do instrumento.59139 0. se dois itens – conteúdo do pensamento e irritabilidade – fossem omitidos. utilizando-se a análise de variância entre os 11 itens da escala aplicados em 55 sujeitos.05.7414 para itens padronizados.6663 para a escala como um todo e α = 0. irritabilidade e insight. Fala (velocidade e quantidade) 0. Analisando-se a correlação dos itens indivi​duais e o escore total da EAM- m com os itens individuais e o escore total da BPRS. teríamos: α = 0.7553 para a escala e α = 0. aplicou-se o alfa de Cronbach. sugerindo que ambos os instrumentos foram capazes de mensurar os mesmos fenômenos. Quanto à validade preditiva do instrumento.7645 para itens padronizados.0001). nes​sa ordem. não ocorreu para três itens – ​conteú​do do pensamento.43472 Para análise da consistência interna. Aparência 0. diminuiriam sua consistência interna.7316 para a escala e α = 0. enquanto “interesse sexual” e “sono” correlacionaram-se apenas com três itens da BPRS. Construída a matriz de covariância. observou-se que todos os itens individuais da EAM-m tiveram cor​relação significativa.38667 0.7406).0. O item “fala (ve​​locidade e quantidade)” foi aquele que mais fre​quentemente se correlacionou com itens da BPRS (11 no total).33132 10. o alfa de Cronbach para o ins​tru​mento seria de 0. Se apenas o item “conteúdo do pensamento” fos​se retirado da escala. observou-se que quase todos correlacionaram-se bem entre si e com o escore total da escala e.40429 11. foram responsáveis pela diminuição progressiva da consistência interna da ​ferramenta. que.06.31376 08. considera​dos índices satisfatórios de consistência interna. ao nível de p ≤ 0. p = 0.20279 07. ob​teve-se α = 0. Comportamento disruptivo agressivo 0. houve correla​ção excelente entre as duas escalas (r = 0.7203 (alfa para itens padroniza​dos igual a 0.82226 . Linguagem – distúrbio do pensamento 0. por fim. com ao menos um item da BPRS.27453 .19589 .70683 .78. Isso. observou-se que a escala . Insight (discernimento) 0. Conteúdo do pensamento 0. Quanto aos escores totais. contudo.0. sem os três itens – conteúdo do pensamento. Analisando-se cada um dos itens de acordo com sua correlação individual e total. irritabilidade e insight –. te​ríamos α = 0.7249 para cada item padronizado.65476 09.0.0.

Contudo.1. exceto para 04 (sono). sintoma frequentemente observado em pacientes maníacos.1. os quais.30 . Contudo. Observa-se que todos os itens da EAM-m correlacionam-se com os conceitos de sintomas centrais de mania de acordo com a CID-1012 e o DSM-5. Considerando-se os sintomas centrais do episódio maníaco. Irritabilidade 0.0011). 04 (sono). assume-se que o mesmo ponto de corte (escore total ≤ 14) deva ser usado. Humor elevado 0.68 * Humor irritável 05. TABELA 4.13 excetuando-se o 10 (aparência) e o 11 (insight). conforme descritos pela Classificação internacional de doenças (CID-10)12 e pelo Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais (DSM-5). entre os itens individuais. assim.13 identificaram-se os itens da EAM-m referentes a essas características.5 ► VALIDADE DE CONSTRUTO: COEFICIENTE DE CORRELAÇÃO DE SPEARMAN ENTRE OS ESCORES TOTAIS EAM-M E SEUS ITENS INDIVIDUAIS. Os dados obtidos são apresentados na Tabela 4. como essa versão da escala apresenta a mesma estrutura e características psicométricas semelhantes às do instrumento original. Considera-se. que a escala apresenta validade de construto adequada. boas correlações com a escala como um todo. não foi possível realizar um acompanhamento mais longo dos pacientes a fim de estabelecer um ponto de corte que pudesse diferenciar os indivíduos aptos a realizar tratamento ambulatorial daqueles que deveriam permanecer em regime de internação. todos os itens obtiveram. do ponto de vista quantitativo. IDENTIFICADOS ENTRE OS CRITÉRIOS DIAGNÓSTICOS DESCRITOS PELA CID-10 E PELO DSM-5 PARA EPISÓDIO MANÍACO CRITÉRIO DIAGNÓSTICO DA CID-10 E/OU DSM-5 ITEM DA EAM-M R Humor elevado ou expansivo 01. Do ponto de vista qualitativo. 10 (aparência) e 11 (insight) demonstraram diferenciar significativamente a mudança de sintomas no espaço de 10 dias.5. em seguida. foram submetidos a análise de correlação com os escores das respectivas escalas. foram observados bons índices de correlação para a maioria dos itens. No estudo de validação da versão brasileira da escala. Ademais. Em que pese isso. apenas os itens 01 (humor elevado). 05 (irritabilidade) e 09 (comportamento disruptivo agressivo).como um todo é sensível para diferenciar as alterações na sintomatologia em um curto espaço de tempo (7 a 10 dias) (p = 0. a escala não avalia o critério diagnóstico distratibilidade.

63 * Fuga de ideias 07. não se pode afirmar que suas qualidades psicométricas são mantidas para crianças e adolescentes. esquizofrenia e transtorno de déficit de atenção/hiperatividade. entre elas. (2) como o instrumento foi sistematicamente avaliado apenas em pacientes adultos. portanto. não estudando-se a capacidade discriminatória da EAM-m na caracterização de sintomas maníacos em episódios mistos.001.05 Fonte: Organização Mundial da Saúde12 e American Psychiatric Association. Interesse sexual 0.43 * Necessidade do sono diminuída 04.38 ** Pressão para falar/Loquacidade 06. . *** Agressividade 09. e. Fala (velocidade e quantidade) 0.70 * pensamento Distratibilidade 02.59 * aumentadas Envolvimento em atividades prazerosas e 03. Atividade e energia 0. Ademais. que demanda um treinamento simples de seus ava​liadores para sua correta utilização.13 Experiência de uso A EAM-m é um instrumento de fácil aplicação. o que a torna um instrumento adequado para o controle metodológico em estudos clínicos controlados. Comportamento disruptivo 0. *** p ≤ 0. transtorno esquizoafetivo. as mais importantes são: (1) a ausência de um seguimento longitudinal dos pacientes avaliados e. o uso da entrevista semiestruturada aliada às definições operacionais detalhadas garante bons níveis de confiabilidade. foram avaliados apenas pacientes com diagnóstico de transtorno afetivo bipolar – episódio maníaco atual. a escala não está habilitada para ser aplicada nessas populações. com isso.01.39 agressivo ** Delírios de grandeza/Grandiosidade 08. ** p ≤ 0. Contudo. Conteúdo do pensamento 0.50 * prejudiciais/Desinibição * p ≤ 0. o estudo das qualidades psicométricas da EAM-m apresenta algumas limitações. Sono 0. a impossibilidade de determinar um ponto de corte testado de modo objetivo. (3) por fim. Linguagem/Distúrbio do 0. A escala apresenta bons índices psicométricos.

Insight Quando isso começou? O que aconteceu depois? O seu comportamento [jeito de agir ou de ser] tem sido diferente ultimamente? (Como?) (Você está doente? Quais são os sintomas da sua doença? Tem algum problema na cabeça? Você precisa de tratamento? Precisa tomar remédios?) [Confrontar se necessário] 04. a ela pode ser copiada por pesquisadores individuais e clínicos sem a solicitação de permissão do editor. e não no decorrer dela. Considerar a alteração que permeia a maior parte da entrevista. contudo. desde que sejam citados. Portanto. se o paciente (ou a observação direta) já tiver oferecido informações sobre o item a que elas se referem. As perguntas descritas aqui são APENAS um roteiro para que. o que basta para que essa chave seja marcada. Quanto tempo faz que você está aqui? Conte-me por que motivo você foi internado. jornal no qual a escala foi publicada originalmente. você precisa de menos horas de sono para se sentir descansado e bem disposto? . na avaliação do paciente maníaco. sendo o direito autoral retido pelos autores. Não é necessário que o paciente tenha todos os itens descritos numa determinada chave de gradação. omitir algumas das perguntas listadas aqui. a priori. a EAM-m (Formulário 4. então. FORMULÁRIO 4. mas apenas um.I ► ROTEIRO DE ENTREVISTA PARA PREENCHIMENTO DA EAM- M INSTRUÇÕES A entrevista de avaliação para preenchimento da EAM-m é. ITEM PERGUNTAS-GUIA Qual o seu nome completo? E sua idade? Onde você mora? Com quem você mora? Está trabalhando atualmente? (Já trabalhou anteriormente? Em quê?) 11.1. nenhum dos itens da EAM-m deixe de ser avaliado. permitem seu uso livre.1.6 Quanto à versão brasileira. não estruturada. Ultimamente. A escala deve ser pontuada somente após o término da entrevista. entretanto.● FORMAS DE AQUISIÇÃO O direito autoral da YMRS pertence ao British Journal of Psychiatry.I) foi publicada sob a Creative Commons Attribution License (CC BY-NC). você tem sentido dificuldade para dormir? Quantas horas à noite você Sono tem dormido? Quantas horas você normalmente costuma dormir? (Quantas horas a menos você tem dormido?) Ultimamente. que. o avaliador tem liberdade de realizar outras perguntas que julgar necessárias para avaliação de um determinado item ou.

Nos últimos dias você está impaciente ou irritável com as outras pessoas? (As pessoas Irritabilidade têm deixado você nervoso?) Você está tão irritado [ou nervoso] que começa a brigar com as pessoas ou a gritar com elas? (Conseguiu manter o controle? Tolerou as provocações? Chegou a agredir alguém ou a quebrar objetos?) [OBSERVAR e confrontar se necessário] 02. Ultimamente. que eu não perguntei ou alguma coisa que gostaria de perguntar? OBS. ou que tem causado problemas com as outras pessoas? (Você sexual tem estado muito “paquerador”? Alguém reclamou de algo que você tenha feito nesse sentido? Alguém reclamou do seu comportamento sexual?) [OBSERVAR e confrontar se necessário] 06. ou ideias ou planos Conteúdo do que antes não passavam pela sua cabeça? Quais os seus planos para o futuro? (O que pensamento você tem vontade de fazer?) Nos últimos dias. você tem-se sentido com algum talento ou habilidade que a maioria das pessoas não tem? (Como você sabe disso?) Você acha que as pessoas têm inveja de você? Você acredita que tem alguma coisa importante para fazer no mundo? Você se considera famoso? Você tem alguma relação especial com alguém importante ou famoso? 01.: Os itens 07. Humor irritável)? (Se deprimido: Você acredita que pode melhorar?) Como esse sentimento elevado tem afetado o seu dia a dia? (Você está mais alegre [confiante ou otimista] que o habitual? Ultimamente. [Confrontar se necessário] 05. Ultimamente. 09 e 10 da EAM-m são preenchidos exclusivamente a partir da observação direta. você tem-se sentido mais disposto ou animado que o habitual? Você Atividade está se sentindo com muita energia? Sente-se inquieto ou agitado? Você sente vontade psicomotora de fazer várias coisas ao mesmo tempo? [OBSERVAR e confrontar se necessário] 03. você está mais falante que o normal? As pessoas falam que você está Fala muito falante ou mais falante que o habitual? (As pessoas têm dificuldade de entender ou interromper você? As pessoas têm dificuldades em conversar com você?) [OBSERVAR] 08. como você se sente? Como tem estado o seu humor (alegre. você está tão bem ou alegre que as outras pessoas acham que você não está no seu normal? Você está tão alegre que isso lhe trouxe problemas?) [OBSERVAR] Encerramento: Essas eram as perguntas que eu precisava fazer. Tem alguma que você acha importante dizer. Ultimamente. Ultimamente. você tem tido pensamentos diferentes ou estranhos. Você tem pensado muito em sexo? Tem tido algum tipo de comportamento sexual que Interesse não era habitual antes. triste. .

EAM-M ITEM – DEFINIÇÃO GRAUS 01. (2) Descreve aumento subjetivo. cantando a intensa relação com sentimentos de grandeza (X) Não avaliado (euforia). risos inadequados. Pode haver um afeto apropriado ao conteúdo do pensamento expansivo. uma expressão dos (3) Afeto elevado ou inapropriado ao conteúdo do pensamento. jocoso sentimentos exagerada ou sem limites. sem qualquer controle pelo entrevistador ou outras pessoas ou crítica quanto a riscos e normas morais. não influenciada por estímulos inquieto (mas pode ser acalmado) (4) Excitação motora. otimismo. sensação de bem-estar. subjetivamente experimentada e aumentados. questionado los. frenético e desenfreado. quando incluindo a capacidade do paciente em controlá. Humor e afeto elevados (0) Ausência de elevação do humor ou afeto Este item compreende uma sensação difusa e (1) Humor ou afeto discreta ou possivelmente prolongada. Atividade motora e energia aumentadas (0) Ausente Este item compreende a psicomotricidade – e (1) Relato subjetivo de aumento da energia ou expressão corporal – apresentada pelo paciente. cerca de dormir e/ou a redução ou falta de necessidade de 1 hora a menos do que o seu habitual de dormir para sentir-se bem disposto e ativo. em centrado em questões sexuais. quando questionado relatada pelo indivíduo. ainda. (2) Dorme menos que a quantidade normal. Sono (0) Não relata diminuição do sono Este item inclui a redução ou falta da capacidade (1) Dorme menos que a quantidade normal. caracterizada por (2) Relato subjetivo de elevação clara do humor. alegria. autoavaliação de geral verbalizados apenas após solicitação. ou seja. mais que 1 hora a menos do que o seu habitual (3) Relata diminuição da necessidade de sono (4) Nega necessidade de sono (X) Não avaliado . ou seja. (X) Não avaliado 04. mostra-se otimista. associada (4) Eufórico. O humor pode ou não ser congruente ao conteúdo do pensamento. afeto confiança e ânimo. hiperatividade contínua externos. às vezes hiperativo. finalidade. autoconfiante. atividade motora incluindo a sua capacidade em controlá-la. capacidade de produzir e agir. discurso pensamentos e desejos não concretizados. O interesse sexual pode restringir-se a (3) Conteúdo sexual espontâneo. 02. O item compreende. sem aumento Este item compreende ideias e/ou impulsos (1) Discreta ou possivelmente aumentado persistentes relacionados a questões sexuais. o relato (não pode ser acalmado) subjetivo do paciente quanto à sensação de (X) Não avaliado energia. com atividade motora sem (3) Energia excessiva. hipersexualidade (4) Relato confirmado ou observação direta de podendo chegar até a um comportamento sexual comportamento explicitamente sexualizado. alegre. Interesse sexual (0) Normal. 03. (2) Apresenta-se animado ou com gestos variando desde um grau de normalidade até um aumentados estado de agitação.

estado constante de comportamento desafiador. – Tangencialidade: incapacidade para manter associações do pensamento dirigidas ao objetivo – o paciente nunca chega do ponto inicial ao objetivo final desejado. – Incoerência: Fala ou pensamento . ecolalia – Circunstancialidade: fala indireta que demora consonante a atingir o ponto desejado. muda de emitidas pelo paciente. Fala (velocidade e quantidade) (0) Sem aumento Este item compreende a velocidade e quantidade (2) Percebe-se mais falante do que o seu habitual do discurso verbal apresentado pelo paciente. tangencialidade. mas eventualmente (4) Incoerência. dificuldade para ser interrompido (não atende a solicitações.05. a despeito da superinclusão de detalhes e observações irrelevantes. contínua (ignora a solicitação do entrevistador) (X) Não avaliado 07. Linguagem – distúrbio do pensamento (0) Sem alterações Este item refere-se a alterações da forma do (1) Circunstancial. (6) Quantidade e velocidade constantemente aumentadas. – Fuga de ideias: verbalizações rápidas e contínuas. podem ser difíceis de ser acompanhadas pelo ouvinte. com entonação e forma que produzem efeito sonoro de rima. fala junto com o entrevistador) (8) Fala pressionada. ininterruptível. pensamentos muito mais ou menos desorganizado. entrevista impossível querelante e hostil. As ideias tendem a estar conectadas e. para acompanhar o pensamento. ríspido e lacônico o tempo todo (8) Hostil. às vezes lo. de acordo com a acelerados gravidade das alterações formais do pensamento. não cooperativo. com horas) de ira ou irritação na enfermaria reações de ira exagerada. por exemplo. dificuldade descritas a seguir. em alguns momentos. (X) Não avaliado 06. (3) Fuga de ideias. avaliada pelas construções verbais (2) Perde objetivos do pensamento. – Ecolalia consonante: repetição automática de palavras ou frases. diante de solicitações para que (com solicitação. (4) Aumento da velocidade ou quantidade da fala Inclui sua capacidade de percebê-lo e controlá. mesmo em formas menos graves. comunicação impossível vai desde o ponto de origem até o objetivo (X) Não avaliado final. Inclui baixo limiar à frustração. consegue-se interromper a permaneça em silêncio ou permita que o fala) entrevistador fale. episódios recentes (nas últimas 24 externos. podendo chegar a um (6) Irritável durante a maior parte da entrevista. O pensamento pode estar assuntos frequentemente. pensamentos rápidos pensamento. ou jogos de palavras que produzem uma constante mudança de uma ideia para outra. Irritabilidade (0) Ausente Este item revela a predisposição afetiva para (2) Subjetivamente aumentada sentimentos/emoções como raiva ou mau humor (4) Irritável em alguns momentos durante a apresentados pelo paciente ante estímulos entrevista. verborreico.

variando. 10. i. vestido parcialmente. asseio e minimamente inadequados ou exagerados modo de vestir-se. objetos ou outras pessoas têm um significado particular e incomum para si – p. O paciente pode apresentar-se dificultada desconfiado ou irônico e sarcástico. outras pessoas ou fatos. às vezes. (4) Projetos especiais totalmente incompatíveis crença falsa. intensamente arraigada. podendo chegar a incoerência gramatical e salada de palavras. mas ainda (6) Agressivo. 09. destrutivo. crença de que o comportamento dos outros tem relação consigo próprio ou de que eventos.e. ou (X) Não avaliado então não cooperativo e francamente agressivo. (3) ideias de grandeza. de conteúdo religioso. barulhento. frequentemente acredita que os outros estão falando de si. concepção exagerada da própria importância. porém com a condição socioeconômica do paciente. referindo- se à atuação de entidades sobre o paciente. suscetível a argumentação racional). crença de estar sendo molestado.e. baseadas em inferências (8) Delírios incorretas sobre a realidade. porque as palavras ou frases são reunidas sem uma conexão com lógica e significado. de acordo condição sociocultural do paciente. despenteado moderadamente. 08. ex.. entrevista entrevista. vestido com exagero (3) Desgrenhado. Comportamento disruptivo agressivo (0) Ausente. de ideias novas e/ou incomuns questionáveis ao paciente. Aparência (0) Arrumado e vestido apropriadamente Este item compreende a apresentação física do (1) Descuidado minimamente. gritando. cooperativo Este item compreende a atitude e as respostas do (2) Sarcástico. (2) Precariamente asseado. desconfiado paciente ao entrevistador e à situação da (4) Ameaça o entrevistador.e. adornos ou roupas paciente. Conteúdo (0) Normal Este item compreende ideias e crenças (2) Novos interesses e planos compatíveis com a apresentadas pelo paciente. a delírios hiper-religioso (6) Ideias supervalorizadas (crenças falsas. inviabilizando a entrevista. entrevista impossível assim respondendo aos questionamentos. essencialmente incompreensíveis aos outros. (2) ideias paranoides. (4) ideias de referência. mas com a intensidade. poder ou identidade. i. incluindo posses materiais. ideação supervalorizada (ou seja. incluindo aspectos de higiene. qualidades incomuns e relacionamentos especiais com personalidades famosas ou entidades místicas. i. . enganado ou perseguido. Conteúdos comumente encontrados no paciente maníaco incluem (1) ideias místicas. inconsistentes com (X) Não avaliado a inteligência e antecedentes culturais do paciente e que não podem ser corrigidas pela argumentação).

admite de nenhum tratamento. ou discorda da necessidade de sua enfermidade. Sono .# Data e hora da avaliação Local da avaliação Entrevistador Avaliador EAM-M ITEM ESCORE 01. qualquer alteração comportamental e necessidade de tratamento (X) Não avaliado FOLHA DE RESPOSTAS Nome REG     Suj. admite (afetivo e intelectual) quanto à presença da possível doença e necessidade de tratamento doença. com muitos adornos e adereços. forma vaga alteração comportamental. passando por concordância apenas ante (2) Insight prejudicado: espontaneamente admite argumentação. Varia de um entendimento adequado (1) Insight duvidoso: com argumentação. Humor elevado 02. Atividade e energia aumentadas 03. Insight (discernimento) (0) Insight presente: espontaneamente refere estar Este item refere-se ao grau de consciência e doente e concorda com a necessidade de compreensão do paciente quanto ao fato de estar tratamento doente. chegando a uma negação total de alteração comportamental. referindo estar em seu tratamento comportamento normal e não necessitando de (3) Insight ausente: com argumentação. mas não a relaciona com a doença. roupas bizarras (X) Não avaliado 11.#     Av. mas não a relaciona com a doença e discorda da necessidade de tratamento (4) Insight ausente: nega a doença. Interesse sexual 04. maquiagem extravagante (4) Completamente descuidado.

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Adriana Munhoz Carneiro. Odeilton Tadeu Soares O Questionário de Autoavaliação de Hipomania (Symptom Checklist Hypomania – HCL-32) é uma escala autoaplicável para rastreamento de sintomas de hipomania. a qual contém uma questão a menos (Q4). passou de 9 para 8 questões.1-5 ● VERSÕES O HCL foi desenvolvido partindo-se da necessi​da​de de aumentar a sensibilidade do clínico aos sintomas de hipomania. sendo possível recuperar versões em francês. incluindo 12 novos itens. já que o transtorno bipolar (TB) muitas vezes não é reconhecido e deixa de ser adequadamente tratado.2 ] QUESTIONÁRIO DE AUTOAVALIAÇÃO DE HIPOMANIA-32 (HCL-32) Ricardo Alberto Moreno.6 A validação da escala na Rússia. Inicialmente. sueco. sem prejuízos para a acurácia da escala. contudo. surge o Hypomania Checklist de 32 itens (HCL-32).1-4 Dessa forma. que. versão revisada do HCL-32 original. [ 4. assim. publicada em 2014. chinês. russo e polonês. Essa ferramenta mostra-se vantajosa ao clínico devido aos seus resultados consistentes e é utilizada em diversos países. italiano.1 Há também o HCL-32-R1. alemão. espanhol. utilizou essa escala revisada. norueguês.4 . diante da necessidade de um instrumento de rastreio mais pormenorizado para o espectro de manifestações afetivas no polo da mania. português. a escala continha 20 itens. os autores do Hypomania Checklist aprimoraram essa primeira versão. que foi inicialmente utilizado em um estudo clínico na Itália.

para avaliação da presença de hipomania ao longo da vida. que o diferenciam da maioria das pessoas. Aqui. como fazer piadas ou trocadilhos. no trabalho ou em relação à recreação ou ao lazer. isto é. Por fim. elação ou elevados”) e indique se pensamentos específicos ou emoções estavam presentes durante esse estado (incluindo sintomas sublimiares. ou seja.● DESCRIÇÃO DO INSTRUMENTO Trata-se de um questionário de 32 itens. se é persistentemente hipertímico. ou “negativo”. se negativamente (preocupadas. “sem impacto”. o objetivo é descobrir o temperamento afetivo do indivíduo – por exemplo. como a pessoa se sente no momento da aplicação do instrumento quando comparado ao seu estado de humor considerado normal (basal). e deve-se sugerir que o respondente foque em um período no qual se sentia “para cima” (considerados como “altos. a quinta pergunta avalia como as pessoas que são próximas ao respondente reagiram ou comentaram: se de maneira positiva (encorajando ou apoiando). se de modo positivo e negativo ao mesmo tempo ou se não tiveram nenhuma reação. Os respondentes são solicitados a pontuar o impacto na vida familiar. na vida social. sem impacto ou negativo) que ocorrem na vida familiar. na escola e no lazer como “positivo”. energia e humor quando comparados àqueles percebidos por outras pessoas. sentir-se menos tímido ou inibido. A terceira questão representa de fato o rastreamento dos sintomas de hipomania. A segunda questão avalia a autopercepção em relação aos níveis de atividade. Nesse item. sendo considerado o núcleo do instrumento. se foram neutras. autoaplicável. deprimido ou ciclotímico. As três últimas questões referem-se à duração e ao período da ocorrência desses episódios ditos “altos” ou “para cima”. O objetivo dessa pergunta é descobrir se o estado emocional ao responder o questionário tem algum impacto nas respostas aos 32 itens. paquerar mais ou ficar sexualmente mais ativo). A quarta questão avalia a gravidade e o impacto funcional (positivo. no qual os sintomas devem ser assinalados como “sim” (presente ou típico em mim) ou “não” (sintoma não está presente ou não é típico).1 A primeira questão avalia o estado atual do humor. neutro ou negativo) acerca dos episódios de hipomania. O avaliador também deve considerar os comentários de outras pessoas (positivo. social. Nela. irritadas ou críticas). são enfatizados os sintomas da condição. A pontuação total do HCL-32 é obtida pela soma das . o sujeito pode optar por autoavaliar-se como equilibrado em relação aos outros ou como apresentando períodos de altos e baixos. aborrecidas.

quanto maior a pontuação. ● APLICAÇÃO A escala é autoaplicável. com maior cronicidade e mais resistentes a tratamento. a linha de corte foi de 18. dicotômica em relação às respostas obtidas na questão 3. ● PÚBLICO-ALVO A escala pode ser aplicada em populações clínica e não clínica. levando aproximadamente 10 minutos para ser respondida. O critério de corte de 18 respostas afirmativas de sintomas da síndrome hipomaníaca no HCL-32 VB é sensível o suficiente . caracterizada por atender pacientes com transtornos do humor. Ao longo dos estudos desenvolvidos. Isso significa que 18 ou mais respostas afirmativas têm bom poder discriminatório entre TB e depressão unipolar. portanto. deve-se observar que os itens levam em consideração diferentes etapas da vida.9 Esse resultado é diferente do ponto de corte de 14 ou 15 encontrado em outros estudos conduzidos em idiomas distintos. Essa diferença pode ser ​explicada pelo fato de a amostra brasileira ser derivada de uma unidade de atendimento terciário. por meio da busca daqueles que não aparecem claramente durante a entrevista psiquiátrica. desde que o objetivo seja efetuar o rastreamento dos sintomas da hipomania. ● INTERPRETAÇÃO DAS PONTUAÇÕES Na versão brasileira do HCL-32 (HCL-32 VB). deve-se enfatizar para que o respondente leia atentamente as instruções de cada item antes de responder. CUIDADOS NA APLICAÇÃO Apesar de ser uma escala de fácil compreensão.respostas afirmativas aos 32 itens listados na questão 3. pôde-se observar a aplicabilidade da escala em populações não clínicas compostas por voluntários sadios7 e em pacientes tanto ambulatoriais8 como internados9 com diagnóstico de TB e transtorno depressivo maior (TDM). maior a possibilidade de diagnóstico de TB.

a aplicação da escala na Espanha. Os itens da questão 3 resultaram em dois fatores. da hipomania.93.1 Angst e colaboradores1 demonstraram uma sensibilidade (SEN) de 80% e uma especificidade (ESP) de 51% para pacientes bipolares. Mesmo com uma especificidade baixa.9 Polônia5 e Rússia4 validou o HCL-32 em pacientes psiquiátricos e também na população em geral. ● PARÂMETROS PSICOMÉTRICOS DA VERSÃO ORIGINAL E DA VERSÃO EM PORTUGUÊS .11 China. os clínicos devem proceder à investigação mais aprofundada a fim de confirmar ou não o diagnóstico definitivo. os quais foram replicados em quase todos os estudos.86. VALIDADE Os primeiros estudos foram realizados na Itália e na Suécia. A consistência interna do HCL-32 VB é boa. que agrupa sintomas ditos negativos. Ainda.5 o que indica alto nível de homogeneidade entre os itens do questionário. com o objetivo de reconhecer potenciais casos para uma melhor averiguação diagnóstica posterior. Isso significa que 73% dos pacientes identificados como potenciais bipolares são verdadeiramente bipolares e que 61% daqueles reconhecidos como não bipolares são de fato não bipolares. variando entre 0. parece ser vantajoso para um instrumento de rastreamento ter SEN maior que a ESP. ou com consequências negativas. Uma vez alertados. ou com consequências positivas. Esses estudos demonstraram um valor preditivo positivo (VPP) de 73% e um valor preditivo negativo (VPN) de 61%.para alertar profissionais da saúde acerca da presença de TB. da hipomania. que une sintomas considerados positivos. apesar de diferenças metodológicas: (1) ativação/elação. com alfa de Cronbach de 0.8210 e 0. ● PARÂMETROS PSICOMÉTRICOS DA VERSÃO ORIGINAL CONFIABILIDADE A consistência interna do HCL-32 foi avaliada em diversos estudos. e (2) irritabilidade/comportamento de risco.

para evitar possíveis usos de termos técnicos e⁄ou expressões idiomáticas.12 VALIDADE A tradução e a adaptação da versão original do HCL-32 seguiram as normas de orientação para a padronização delineadas pela Organização Mundial da Saúde para a World Mental Health Survey.58. com SEN de 0. o fator ativação/elação obteve alfa de Cronbach de 0.793 para a população não clínica.70 e ESP de 0. O HCL-32 VB pode ser usado para a identificação de hipomania em estudos epidemiológicos no Brasil e no cenário clínico.76. de acordo com o Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais (DSM-IV-TR). No estudo de confiabilidade e validade.8.79 para TB tipo II e de 0.75 e ESP de 0. Considerando que o HCL-32 é um instrumento que visa o rastreio de sintomas hipomaníacos em amplitude mundial. a versão em português foi retrotraduzida para o inglês por um tradutor independente cuja língua materna era o inglês norte-americano.CONFIABILIDADE O estudo de tradução e adaptação da escala para o Brasil apresentou um coeficiente alfa de Cronbach de 0. Posteriormente. facilitando a identificação rápida de pacientes dentro do espectro bipolar.73 para o fator irritabilidade e comportamento de risco. Em comparação ao Questionário de Transtorno do Humor (MDQ). sem conhecimento prévio sobre psicopatologia ou sobre o questionário traduzido. que é uma escala com 13 itens muito utilizada para identificar pacientes bipolares. foram selecionados pacientes ambulatoriais adultos com TB tipo I (n = 37). TB tipo II (n = 44) e TDM (n = 42). para uma pontuação de 7 ou mais.82 para aqueles com TB tipo I.89 para TDM. observou-se SEN de 0. Uma análise fatorial exploratória e confirmatória foi usada para examinar a estabilidade transregional das propriedades psicométricas do HCL-32.58. Já para os fatores. de 0. incluindo sexo e idade como covariáveis em uma amostra de 2. utilizando-se uma versão modificada da SCID. de 0. sendo α = 0.13 A tradução da versão em inglês norte-americano foi realizada por médicos especialistas em transtornos do humor do Programa de Transtornos Afetivos (GRUDA) do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. A pontuação igual ou superior a 18 foi adequada para discriminar TB de TDM.606 . houve a necessidade de modificar algumas questões para assegurar a resposta sem ambiguidade.

como os tipos I e II. Além . as respostas ao questionário não foram afetadas pela autopercepção do humor. entre elas o Brasil. autoconfiante e melhor cognitivamente) e os aspectos mais negativos (estar mais irritado. maior uso de substâncias). como o objetivo é realizar um rastreamento que indique a necessidade de uma investigação mais aprofundada.2. Entretanto. tornam difícil a generalização dos resultados para a prática clínica. As propriedades psicométricas não variaram entre as culturas.pacientes de cinco continentes em 12 regiões geográficas. verificando-se. e isso decorre de sua estrutura de autoaplicação. elado. e não de um poder estatístico inadequado. impulsivo. ● CONSIDERAÇÕES FINAIS O HCL-32 é o primeiro instrumento desenvolvido para autoavaliação de sintomas de hipomania em pacientes diagnosticados com depressão. em pessoas hipertímicas. para um tratamento adequado do TB. com pequenas amostras. por exemplo. deve-se sempre relembrar ao respondente que considere seu estado de humor conforme o solicitado no enunciado de cada uma das questões. no Brasil ainda há escassez de pesquisas com o HCL. descuidado. não foram determinadas nos diversos estudos.1. Em contrapartida. Apesar de seus estudos não serem tão recentes. a necessidade de constantes investigações.9 ● FATORES QUE AFETAM A PONTUAÇÃO Diferentemente do que poderia ser pensado. Os estudos realizados em populações psiquiátricas. Entre todas as culturas. duas estruturas fatoriais foram confirmadas: os aspectos mais positivos da hipomania (estar mais ativo. portanto. ● LIMITAÇÕES Existe uma inabilidade da escala em discriminar entre diferentes subtipos do TB. assim.12 Alterações do temperamento. trata-se de uma ferramenta bastante útil para o clínico. A detecção retrospectiva da hipomania é crucial para um diagnóstico correto e. que poderiam causar falsos positivos.

frequentemente passo por períodos de altos e baixos 3. COMO VOCÊ ESTÁ SE SENTINDO HOJE EM COMPARAÇÃO AO SEU ESTADO NORMAL? 1.2 Pior que o normal 1.1. meus níveis de atividade.3 Um pouco pior que o normal 1.. [ ] Sim [ ] Não . COMO VOCÊ SE SENTIA NA ÉPOCA? Por favor.3.. os parâmetros psicométricos da versão brasileira do HCL-32 sugerem que o instrumento seja útil na detecção da hipomania em pacientes com transtornos do humor. energia e humor.. geralmente são maiores 2.4. sempre são mais para estáveis e equilibrados 2. Comparando com outras pessoas. conte-nos como você é normalmente comparado com outras pessoas. COMPARADO COM OUTRAS PESSOAS? Independentemente de como você se sente hoje. ou “para cima e para baixo”). POR FAVOR. ANTES DE TUDO.. todos sentem mudanças ou oscilações em energia.. ● FORMAS DE AQUISIÇÃO O HCL 32 é um instrumento de domínio público (Formulário 4.. nem melhor que o normal 1. ATIVIDADE E HUMOR Em diferentes períodos durante a vida. marcando qual dos seguintes itens melhor o descreve..I ► QUESTIONÁRIO DE AUTOAVALIAÇÃO DE HIPOMANIA – VERSÃO BRASILEIRA (HCL-32 VB) ENERGIA. por favor. geralmente são menores 2. FORMULÁRIO 4.2.6 Melhor que o normal 1.4 Nem pior. Em tal estado: 1. responda a todas estas questões. atividade e humor (“altos e baixos”.disso.7 Muito melhor que o normal 2. Preciso de menos sono..5 Um pouco melhor que o normal 1.1 Muito pior que o normal 1.2.I). independentemente de seu estado atual.2.. 2.. O objetivo deste questionário é avaliar as características dos períodos “altos” ou “para cima”. COMO VOCÊ É NORMALMENTE. TENTE LEMBRAR DE UM PERÍODO EM QUE VOCÊ ESTEVE NUM ESTADO “PARA CIMA”. 1.

8. [ ] Sim [ ] Não 7. 15. Quero viajar ou viajo mais. 13. [ ] Sim [ ] Não 12. Me arrisco mais em minha vida diária [ ] Sim [ ] Não (no meu trabalho e/ou em outras atividades). . [ ] Sim [ ] Não 4. Uso roupas/maquiagem mais [ ] Sim [ ] Não coloridas e extravagantes. Faço mais piadas ou trocadilhos [ ] Sim [ ] Não quando falo. Me entusiasmo mais com meu [ ] Sim [ ] Não trabalho. 3. Eu me sinto com mais energia e mais [ ] Sim [ ] Não ativo(a).). Gasto mais ou gasto dinheiro demais. 21. Tenho tendência a dirigir mais rápido [ ] Sim [ ] Não ou a me arriscar mais enquanto dirijo. saio mais). Fico mais autoconfiante.2. Fico mais interessado(a) em sexo [ ] Sim [ ] Não e/ou tenho desejo sexual aumentado. [ ] Sim [ ] Não 22. etc. 23. [ ] Sim [ ] Não 19. Quero me encontrar ou de fato me [ ] Sim [ ] Não encontro com mais pessoas. 17. Tenho mais ideias. 5. Falo mais. Fico menos tímido(a) ou inibido(a). [ ] Sim [ ] Não 9. Eu me envolvo em muitas coisas [ ] Sim [ ] Não novas. 6. Penso mais rápido. Eu me distraio com mais facilidade. [ ] Sim [ ] Não 20. 18. 11. fico mais [ ] Sim [ ] Não criativo(a). Meus pensamentos pulam de assunto [ ] Sim [ ] Não rapidamente. Fico mais sociável (faço mais ligações [ ] Sim [ ] Não telefônicas. 16. Planejo mais atividades e projetos. [ ] Sim [ ] Não 14. 10. Paquero mais e/ou fico mais ativo(a) [ ] Sim [ ] Não sexualmente. Fico mais ativo(a) fisicamente [ ] Sim [ ] Não (esporte.

[ ] Sim [ ] Não 31. IMPACTO DOS SEUS “ALTOS” EM VÁRIOS ASPECTOS DE SUA VIDA: 4A – Vida familiar 1 positivo e negativo 2 positivo 3 negativo 4 nenhum impacto 4B – Vida social 1 positivo e negativo 2 positivo 3 negativo 4 nenhum impacto 4C – Trabalho 1 positivo e negativo 2 positivo 3 negativo 4 nenhum impacto 4D – Recreação 1 positivo e negativo 2 positivo 3 negativo 4 nenhum impacto 5. aborrecidas. Fico mais impaciente e/ou fico [ ] Sim [ ] Não irritado(a) mais facilmente. irritadas.3 Negativamente (preocupadas. REAÇÃO E COMENTÁRIOS DAS PESSOAS SOBRE SEUS “ALTOS”: Como as pessoas próximas a você reagiram ou comentaram seus “altos”? 5. [ ] Sim [ ] Não 30. Bebo mais café.1 1dia 6. [ ] Sim [ ] Não 32. Bebo mais álcool. críticas) 5.1 Positivamente (encorajando ou apoiando) 5. estimulantes. 27. VIA DE REGRA.24. QUAL FOI A DURAÇÃO DE SEUS “ALTOS” (EM MÉDIA): 6. 28. 25. 4.4 Positivamente e negativamente 5.3 4-7 dias 6.5 maior que 1 mês . 26. Faço coisas mais rapidamente e/ou [ ] Sim [ ] Não com maior facilidade. Eu me envolvo em mais discussões e [ ] Sim [ ] Não disputas. [ ] Sim [ ] Não tranquilizantes. mais [ ] Sim [ ] Não otimista.5 Nenhuma reação 6. entre outras).4 maior que 1 semana 6. 29. Posso ser cansativo(a) ou irritante [ ] Sim [ ] Não para os outros.2 Neutros 5. Uso mais drogas (sedativos. Fumo mais cigarros. Meu humor fica melhor.2 2-3 dias 6.

Sechter D. VOCÊ SENTIU TAIS “ALTOS” DURANTE O ÚLTIMO ANO? [ ] Sim [ ] Não 8.88(2):217-33.27(2):149-58. 7. Gamma A. Duketis E. Holtmann M. 4. et al. Angst J. Rybakowski JK. ● REFERÊNCIAS 1. 6. Bowden CL. 2009. Mosolov SN. Compr Psychiatry. et al. Angst J. Hammelstein P. Pawlowski T. Levando todos dias em conta.48(1):79-87. et al. 2001. 5. foram cerca de [ ] dias. Kostukova EG. Benazzi F. 2005. Eur Arch Psychiatry Clin Neurosci. et al. Frequence et aspects cliniques du trouble bipolaire II dans une étude multicentrique française: EPIDEP. Angst J. Encephale. Angst J. Lehmkuhl G. Perugi G. Azorin JM. Allilaire J-F. 2007. Vieta E. Bipolar Disord. Alfimov PV. Siwek M. Angst J. The HCL-32: towards a self-assessment tool for hypomanic symptoms in outpatients. Pörtner F. 2010. Meyer TD. Kostyukova AB. Gamma A. SE SIM. J Affect Disord.155:90-5. POR FAVOR. 2013. J Adolesc. Shafarenko AA. Ushkalova AV. Adolfsson R. . Hantouche E. Validation of the Hypomania Checklist (HCL-32) in a nonclinical sample of German adolescents. 2014. J Affect Disord. Flechtner HH.32(5):1075-88. Lojko D.15(6):701-12. Validation of the Russian version of the Hypomania Checklist (HCL-32) for the detection of Bipolar II disorder in patients with a current diagnosis of recurrent depression. 3. et al. 6. Nilson LG. The Hypomania checklist (HCL-32): its factorial structure and association to indices of impairment in German and Swedish nonclinical samples. Dudek D. Bourgeois M-L. Hantouche E-G. Transcultural validity of the Hypomania Checklist-32 (HCL-32) in patients with major depressive episodes. Azorin JM. Lancrenon S. Meyer TD. Adolfsson R. Polish version of the Hypomania Checklist (HCL-32) scale: the results in treatment-resistant depression.6 não posso julgar/não sei 7. Skeppar P. CALCULE QUANTOS DIAS VOCÊ PASSOU NESSES “ALTOS” DURANTE OS ÚLTIMOS 12 MESES.260(2):139-44. 2.

Ou CS. Chamorro L. 10. Cross validation with the mood disorder questionnaires (MDQ) of an instrument for the detection of hypomania in Spanish: the 32 item hypomania symptom check-list (HCL-32). et al. 2007. Reliability and validity of a Brazilian version of the Hypomania Checklist (HCL-32) compared to Mood Disorder Questionnaire (MDQ). Lu RB. Moura EC. Carta MG. Vieta E. Soares OT. Ramos JL. 2010. 11. Sánchez-Moreno J. Validation of the Chinese version of the Hypomania Checklist (HCL-32) as an instrument for detecting hypo(mania) in patients with mood disorders. et al. 2015]. Artal J.106(1-2):133-43.32(4):416-23. Angst J. Bulbena A. Rev Bras Psiquiatr. J Affect Disord. The accuracy of the Italian version of the Hypomania Checklist (HCL- 32) for the screening of bipolar disorders and comparison with the Mood Disorder Questionnaire (MDQ) in a clinical sample. 13. 12. Geneva: WHO.int. World Health Organization. Clin Pract Epidemiol Mental Health. 2010. Cadeddu M. Moreno DH.2:2. 8. Moreno RA. . Hardoy MC. 9. Morosini PL.who. Soares OT. Wu YS. Murru A.101(1- 3):43-55. 2008. c2015 [capturado em 04 ago. Process of translation and adaptation of instruments [Internet]. Avaliação da confiabilidade e validação da versão em ​‐ português de uma escala de autoavaliação de hipomania (HCL-32: hypomania checklist) [dissertação]. J Affect Disord. Angst J. Chen HC. Disponível em: www. São Paulo: Universidade de São Paulo. Campus A. 2006.

6 Foi desenvolvido por Hirschfeld e colaboradores7 como um questionário de autoavaliação breve para rastreio de (hipo)mania ao longo da vida em adultos e que se propõe a ser de fácil aplicação.3 ] QUESTIONÁRIO DE TRANSTORNOS DO HUMOR (MQD) André Férrer Carvalho.3 Evidências indicam que há significativo atraso no correto diagnóstico do TB. ocasionando virada maníaca e aceleração dos ciclos.1 Estima-se que sua prevalência na vida seja de 2.4%.6%). O estudo original de validação do . TB tipo II. sendo o transtorno pouco reconhecido por médicos de família.4 Esses equívocos podem expor o paciente ao inapropriado uso de antidepressivos em monoterapia. quando considerado o espectro bipolar (TB tipo I. bem como a aumento do uso dos sistemas de saúde. um estudo no Brasil demonstrou que um rastreio positivo para TB é altamente prevalente em unidades básicas de saúde (7. ciclotimia e TB sem outra especificação). (hipo)maníacos ou mistos e está associado a significativo prejuízo funcional. [ 4.5 A elevada prevalência e o subdiagnóstico do TB motivaram esforços para o desenvolvimento de instrumentos de rastreio. O Questionário de Transtornos do Humor (QTH) foi a primeira fer​ramenta desenvolvida para rastreamento e é a mais utilizada em pesquisas epidemiológicas. além de estar associado a diminuição da qualidade de vida e da funcionalidade. Por exemplo. Paulo Rodrigues Nunes Neto O transtorno bipolar (TB) é caracterizado pela recorrência de episódios depressivos. potencialmente prejudicando sua evolução clínica.2 Ademais. a condição é prevalente em serviços primários de saúde. comumente diagnosticado de modo errôneo ou confundido com transtorno depressivo unipolar.

quando presentes. Os au​tores compararam-no à Structured Clinical In​terview for DSM-IV (SCID). aconteceram no mesmo período de tempo. porém. potencialidades e limitações como instrumento de rastreio para TB. o questionário parece ter boa aplicabilidade. Os resultados apontam o QTH como um instrumento válido para rastreio do TB. gerando problemas de moderados a graves. Ao tempo do desenvolvimento do QTH.10-12 Em face da importância adquirida pelo QTH na pesquisa clínica e epidemiológica. observou-se que um rastreio positivo para TB exigiria que sete ou mais sintomas fossem relatados no mesmo período de tempo. examina-se o prejuízo psicossocial.7 No Brasil. Além do mais.QTH se deu em amostra proveniente de serviços terciários. A segunda seção avalia se os vários sintomas. instrumento padrão-ouro de acordo com os critérios do Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais (DSM-IV).8.. atenção primária). aplicação. e. ex. que necessita. de validação em outros contextos (p. na medida em que foi utilizado em pesquisas epidemiológicas em território brasileiro. Consiste em um questionário autoaplicável dividido em três partes.11 Um rastreio positivo é definido quando o entrevistado responde positivamente a pelo menos sete sintomas maníacos. Além disso. cumpre es​cla​recer suas características. Castelo e colaboradores8 realizaram a adapta​ção linguística e validação do QTH no Brasil. especializados em transtornos do humor. cujas respostas são dicotômicas – sim ou não.9 em uma amostra de conveniência de um hospital psiquiátrico. Por fim. ● PARÂMETROS PSICOMÉTRICOS DA VERSÃO ORIGINAL E DA . Castelo e colaboradores8 verificaram que 8 pontos expressavam um melhor equilíbrio entre sensibilidade e especificidade. ● DESCRIÇÃO DO INSTRUMENTO E APLICAÇÃO O QTH baseia-se nos critérios do DSM-IV-TR1 e destina-se à população adulta. contrastando com a versão validada em outro estudo que ratificou o ponto de corte de 7. “mais ou menos grave”. A primeira seção inclui 13 perguntas provenientes de critérios do DSM-IV. esses sintomas devem ocorrer em um mesmo período de tempo e gerar uma disfunção pelo menos moderada (i. na versão em português bra​sileiro).1..

96). IC 95%.84-0.9 e correlações entre itens individuais e com o escore total variando entre 0.76 (IC 95%.3% e 24.73. Hirschfeld e colaboradores7 encontraram alfa de Cronbach de 0. 0.7.3. 0. 0.9. Alguns estudos apresentaram resultados similares na análise fatorial dos sintomas.6%.8 O ponto de corte ótimo encontrado foi de 8 ​‐ pontos. apontando-se que as propriedades de detecção estariam infladas com amostras de pacientes psiquiátricos. quando há alta probabilidade da doença bipolar.6 sen​sibilidade.81) e especificidade (0. ou o contrário. 4.85-0. 0.98). tende a estar correlacionada com um baixo valor preditivo positivo e um valor preditivo ne​gativo mais alto. 0. valor preditivo positivo de 0. a baixa prevalên​cia ou baixa probabilidade prévia para TB.7 Alguns fatores parecem influenciar a capaci​dade de rastreio do instrumento. a exem​plo de amostras comunitárias ou de serviços pri​mários.1).3. especificidade de 0.62-0.92). como nos serviços psiquiátricos. Assim.16 Ao aplicar-se o padrão-ouro (SCID).91 (IC 95%. Os fatores de “irritabilidade-pensamentos acelerados” e “energia-atividade” explicaram 39.13 De acordo com a revisão de Zimmerman e Galione.4%.65-0.1 a 98. 0.1% da variação dos escores após uma análise dos componentes principais mediante rotação or​to​gonal.1 a 98.1 ► PROPRIEDADES PSICOMÉTRICAS DA VERSÃO ORIGINAL DO QTH E DE VERSÕES AVALIADAS NO BRASIL . respectiva​mente.75-0.75).15. apresentando sensibilidade de 0.3%. TABELA 4.VERSÃO EM PORTUGUÊS No estudo original. 0.75 em uma amostra de cinco serviços terciários que tratam primariamente trans​tornos do humor.14 O coeficiente alfa de Cronbach encontrado por Castelo e colaboradores8 foi de 0. especificidade e valores preditivos positivo e negativo do QTH variaram.88) e valor preditivo negativo de 0.90).9 69 (60.5%) participantes tiveram um diagnóstico de TB. 47. a fim de julgar a adequação e a pertinência ao uso pretendido (Tab.84 (IC 95%. 0 a 97. IC 95%.70 (IC 95%.82 (IC 95%. de 0 a 73.77-0.5 e 0.69-0. Um estudo su​geriu que suas sensibilidade e especificidade se modificam conforme a gravidade do TB. É importante que o usuário da escala considere as propriedades psicométricas da versão em mãos e em qual contexto ela foi validada. Verificou-se que o QTH tem boas sensibilidade (0.

PONTO DE VALOR CORTE ALFA DE PREDITIVO AUTOR/ANO ÓTIMO AMOSTRA CRONBACH SENSIBILIDADE ESPECIFICIDADE POSITIVO Avaliação do instrumento original Hirschfeld e 7 Pacientes 0. por isso. bem como a economia nos custos de tratamento quando comparados pacientes bipolares correta e incorretamente identificados.76 0.63 < 10 Porto12 com depressão De Sousa 7 Pacientes 0.17 Algumas limitações devem ser observadas: [1]O rastreamento positivo para um TB não significa um diagnóstico médico. pois.70 0.76 0.91 0.7 0.58 Não 11 colaboradores com definido definido transtornos do humor EXPERIÊNCIA DE USO O QTH é de aplicação fácil e rápida (leva no máximo 10 minutos para ser completado).82 colaboradores8 com transtornos do humor Soares e 7 Pacientes Não 0.9 0. O fato de ser um instrumento de autoavaliação favorece seu emprego em inquéritos epidemiológicos e em serviços de saúde.68 0.87 0. O rastreio utilizando o questionário foi associado a aumento dos casos corretamente diagnosticados como depressão unipolar ou TB por um especialista.9 Não colaboradores5 com definido transtornos do humor Avaliação do QTH no Brasil Leão e Del 7 Pacientes 0. . uma probabilidade de o respondente ter passado por um episódio (hipo)maníaco em algum momento de sua vida.94 0. e.73 0. O resultado sugere.86 Gurgel e com colaboradores10 transtornos do humor Castelo e 8 Pacientes 0.71 0.

ele pode melhorar o reconhecimento de transtornos do espectro bipolar na prática clínica habitual e em estudos epidemiológicos.. .... A despeito das limitações relatadas. deve-se acessar informações de contato disponíveis nas respectivas publicações. ● FORMAS DE AQUISIÇÃO A versão validada por Castelo e colaboradores8 pode ser adquirida gratuitamente.você dormia menos que de costume e nem sequer sentia falta do sono? 5. e sua versão em por​tuguês brasileiro mantém as características do instrumento original. . recomenda-se avaliação acerca da condição médica geral e psiquiátrica para determinar se há um diagnóstico nosológico de TB.você se sentia tão bem e tão excitado a ponto de as outras pessoas pensarem que você não estava no seu jeito normal. Para adquirir outras versões. O QTH ainda é um dos questionários para ras​treamento mais utilizados. ou você estava tão para cima a ponto de se envolver em problemas? 2. . isto é. analfabetos necessitam de assistência para serem avaliados pelo instrumento. . .você se sentia muito mais confiante em você mesmo do que o normal? 4.3.I ► QUESTIONÁRIO DE TRANSTORNOS DO HUMOR TÊM OCORRIDO CONSTANTEMENTE EM SUA VIDA PERÍODOS NOS QUAIS VOCÊ SE SENTIA DIFERENTE DO QUE COSTUMAVA SER? SIM NÃO 1. [2] Por ser um questionário de autoavaliação... FORMULÁRIO 4.. o que pode alterar suas propriedades psicométricas. [3] Há necessidade de estudos de validação adicionais na população em geral ou em serviços primários de saúde.você falava muito mais ou mais rápido que o seu normal? 6. o próprio respondente lê e responde às pergun​tas.você ficava tão irritado a ponto de gritar com as pessoas ou começava brigas ou discussões? 3.os pensamentos corriam rapidamente em sua cabeça ou você não conseguia . assim como de melhor ava​liação da influência do insight e da ​gravidade dos sintomas sobre as propriedades psicométricas.... ...

2011. Rajagopalan K. 2012. Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais: DSM-IV-TR. 2002.68(3):241-51. a ponto de ter dificuldade em manter a concentração ou o foco em uma atividade? 8.143(1-3):118-24. Arch Gen Psychiatry. Giaroli G. 5. Jin R..14(7):631-42. 2008. circule somente uma resposta. Sampson NA. Ther Adv Psychopharmacol. telefonava para os amigos no meio da noite? 11.. Zimmerman M. . ed. Kessler RC. acalmar sua mente? 7. Porto Alegre: Artmed. Willey V. SIM [ ] NÃO [ ] 3. American Psychiatric Association.1(5):153-62. Galione JN... Kamat SA. .você ficava mais interessado em sexo que o normal? 12. Machado YO. 2011. et al. Hassan M.. Castelo MS. J Affect Disord. com o dinheiro ou problemas com a justiça. He JP. J Manag Care Pharm. rev. Taylor D. pharmacologically mismanaged. Lee S. .. ter dificuldades com a família.. Macêdo DS. 4. Screening for bipolar disorder with the Mood . .você ficava muito mais ativo e fazia muito mais coisas que de costume? 10. Hyphantis TN. et al. Lloyd LC. . 3. bobo ou se arriscava mais? 13. circule apenas uma resposta.você ficava mais dado com as pessoas e mais expansivo que o seu normal. por exemplo. 2.. Pethick N. Prevalence and correlates of bipolar spectrum disorder in the world mental health survey initiative.. Bullano M. .você se sentia com muito mais energia que o seu normal? 9. Bipolar depression: clinically missed. Se você marcou SIM em mais de uma das perguntas acima: várias delas ocorreram durante o mesmo período de tempo? Por favor. Até que ponto o problema o afetou – como sentir-se incapaz de trabalhar. Tracy DK. Prevalence and humanistic impact of potential misdiagnosis of bipolar disorder among patients with major depressive disorder in a commercially insured population.. Lemos GO.. Nenhum problema Problema pouco grave Problema mais ou menos grave Problema muito grave ● REFERÊNCIAS 1. Screening for bipolar disorder in the primary care: a Brazilian survey. Merikangas KR. Kapczinski F...você se distraía com tanta facilidade com as coisas em seu redor..você fazia coisas que não eram comuns para você ou que faziam outras pessoas pensarem que você era exagerado. envolver-se em discussões ou brigas? Por favor. 6. 4. .gastar dinheiro causava problemas para você ou para sua família? 2.

Brazilian Portuguese validation of Mood Disorder Questionnaire. Screening for bipolar disorders using a French version of the Mood Disorder Questionnaire (MDQ). Gerhard ES. 12. Menchetti M. Gomes de Matos e Souza F.(2013):1-9. Spitzer RL. Sasdelli A. Harv Rev Psychiatry. Dubuis V. . 2010. Aubry JM. 14. First MB.32(4):416-23.19(5):219- 28. Gibbon M. Del Porto JA. Carneiro AH. Lia L. New York: Biometrics Research. Moreno DH. Gervasoni N. Gex-Fabry M. Hirschfeld RM.88(1):103-8. Rebouças DB. 11. Rev Bras Psiquiatr. Jeannie Roberts R. 8. 2000. New York State Psychiatric Institute. Castelo MS. 2006. 16. Carvalho ER. Flynn L. et al. The sensitivity and specificity of the mood disorders questionnaire varies with the intensity of mood illness.140(3):215-21. Williams JB. Reliability and validity of a Brazilian version of the Hypomania Checklist (HCL-32) compared to the Mood Disorder Questionnaire (MDQ). Soares OT. 2005. Screening for bipolar disorder symptoms in depressed primary care attenders: comparison between Mood Disorder Questionnaire and Hypomania Checklist (HCL-32). Rev Bras Psiquiatr. Am J Psychiatry. Keck PE Jr. 10. patient edition (SCID-I/P). Spitzer RL. Luciano CC. Nespeca C. 2013. Development and validation of a screening instrument for bipolar spectrum disorder: the Mood Disorder Questionnaire. de Sousa Gurgel W. Improving the diagnosis of bipolar disorder: predictive value of screening tests. Psychiatry J. editors. 2012. Costa CM. Ferreira ED. Phelps JR.53(3):308-12. Calabrese JR. Leão IA. Negreiros de Matos KJ. Validity of the Mood Disorder Questionnaire in a Brazilian psychiatric population. Structured Clinical Interview for DSM-IV-TR Axis I Disorders. 2013. 9. 13. research version. Moura EC. 7. Moreno RA. J Affect Disord. Disorders Questionnaire: a review. El-Mallakh RS. 2002. J Affect Disord. first Revision (HCI-32- R1). 2011. Grupo de Estudos em Transtornos Afetivos Affective Disorders Study Group. Carvalho AF. 2012.157(11):1873-5. Weber Rouget B. 2010. Cross validation with the mood disorder questionnaire (MDQ) of an instrument for the detection of hypomania in Brazil: the 32 item hypomania symptom check-list.92(2-3):141-8. Berardi D. Suresh KS.32(4):424-8. 15. Ghaemi SN.84(3):337-41. Psychiatr Q. Compr Psychiatry. Bondolfi G. Angst J. Williams JBW. J Affect Disord.

70(9):1230-6. A model of the economic impact of a bipolar disorder screening program in primary care. Tafesse E. Sussman M. 2009. Menzin J. .17. Duczakowski C. Friedman M. Neumann P. J Clin Psychiatry.

a ansiedade. tem a função específica de modular. estando presentes em todos os animais estudados. mania ou demência. por exemplo. Desse modo. as estruturas cerebrais e algumas das respostas comportamentais associadas a esse estado emocional são filogeneticamente antigas e estáveis. Até mesmo pela sua ubiquidade. a ansiedade é a mais “fisiológica” das alterações psicopatológicas mensuráveis. é um estado de funcionamento cerebral que acompanha a humanidade desde seus primórdios – ou mesmo antes. o peixinho dourado dos aquários infantis. Do ponto de vista filogenético. Desde Kierkegaard. essa alteração. como medo e pânico. Em primeiro lugar.[NT] a ansiedade (ou angústia. aumentando a chance de sucesso do organismo em situações de risco. De fato. junto com estados emocionais proximamente relacionados. em bloco. todo o funcionamento do cérebro. Francisco Lotufo Neto ●CONCEITO DE ANSIEDADE E DE ANSIEDADE PATOLÓGICA Dois aspectos separam a avaliação da ansiedade e da gravidade dos sintomas de transtornos de ansiedade de outras condições. [5] INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO DE ANSIEDADE Márcio Antonini Bernik. como. segundo o autor) está estabelecida como parte das vivências emocionais inerentes à existência humana. incluindo o Carassius auratus. ou seja. tal qual a entendemos hoje. os autores clássicos da psiquiatria dedicavam muito pouco interesse ao que chamamos hoje de transtornos de .

geralmente físicos. é um pouco mais difícil.3 é a subdivisão do padrão habitual de . ansiedade tônica (generalizada) versus ansiedade ictal.] [com] desconforto so​mático subjetivo [...2 propôs-se a definir os transtornos mentais a partir de informações sobre fisiopatologia.. ansiedade social) versus espontânea.. tentando mover-se para além do método puramente descritivo. por diversas correntes psiquiátricas. De fato. por exemplo. em detrimento do restante do repertório comportamental do indivíduo. a ansiedade patológica pode ser descrita como uma saliência de comportamentos associados à busca e à garantia de segurança em relação a perigos próximos ou distantes. importante psiquiatra do Instituto de Psiquiatria da Universidade de Londres. em sua quinta versão (DSM- 5). eram abordados por especialistas em medicina interna – devido à pressuposição de alguma alteração fisiopatológica específica.. Já a definição do que seria ansiedade patológica.. Considerando esses conceitos. ex....] um estado emocional vivenciado com a qualidade subjetiva do medo ou de emoção a ela relacionada [. a descrição mais precisa do termo “ansiedade” é de Aubrey Lewis. bem como seus correlatos comportamentais.. em uma descrição mais compor​ta​mental e funcionalista. Podemos medir.. depois.] e alterações somáticas manifestas.] desproporcional [a uma ameaça reconhecível] [.ansiedade (com exceção do transtorno obsessivo-compulsivo). O conceito atual de ansiedade como um construto teórico que engloba as manifestações objetivas de ansiedade com sua vivência subjetiva foi utilizado pela primeira vez por Freud e. Define os transtornos de ansiedade como transtornos médico- mentais que têm o medo e a ansiedade. Outra distinção importante. que privilegia a desproporcionalidade em relação às ameaças reais: [. como suas principais características clínicas.. da American Psychiatric Association. postulada por Spielberger e colaboradores. Uma segunda questão é que o termo “ansieda​de” não se refere a uma dimensão diagnóstica única.] dirigida pa​ra o futuro [.] desagradável [. Dentro de uma tradição psiquiátrica e fenomenológica.. aquela dos transtornos de ansiedade. bem como ansiedade situacional (p. sintomas individuais.1 Entretanto. o Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais.

sensibilidade e especificidade em condições diversas de utilização. transtorno de ansiedade generalizada e. Escalas de autoavaliação são essenciais em situações em que se almeja avaliar a opinião do sujeito. incorrendo em custos altos e projetos demorados. ou seja. e “traço”. que podem incluir avaliações de “estado”.resposta emocional do indivíduo (ansiedade traço) versus o estado ansioso do sujeito no momento. agorafobia. como ocorre em psiquiatria. As primeiras são geralmente confiáveis e válidas e podem ser construídas para responder perguntas muito específicas ou mesmo envolvendo julgamento de psicopatologia. como anedonia (na Escala Hospitalar de Ansiedade e Depressão) ou medo de avaliação negativa (na Escala de Medo de Avaliação Negativa). Outra divisão importante é entre as escalas com avaliação por observador e aquelas de autoavaliação. o que pode ser uma dificuldade em estudos com frequentes reavaliações. ex. mantendo sua validade. o transtorno obsessivo-compulsivo e o transtorno de estresse pós-traumático). ●ESCALAS PARA AVALIAÇÃO DA INTENSIDADE DA ANSIEDADE E DA GRAVIDADE SINTOMATOLÓGICA DOS TRANSTORNOS DE ANSIEDADE Embora as manifestações fisiológicas induzidas pelos estados de ansiedade sejam passíveis de mensurações objetivas e diretas. As escalas de avaliação da gravidade de ansiedade incluem dois grandes grupos independentes de instrumentos: 1) escalas usadas para avaliação de transtornos de ansiedade específicos (p. e 2) escalas para avaliação de sintomas ansiosos de forma mais global. transtorno de ansiedade social. Já as escalas preenchidas por observador devem ser utilizadas quando o item a ser avaliado requer formação psicopatológica. as escalas de avaliação da gravidade de ansiedade são os instrumentos mais comumente usados na prática clínica e em pesquisa no campo dos transtornos de ansiedade. tendo-se mostrado instrumentos robustos. transtorno de pânico. até o DSM-5. A maioria apresenta boa tradição de uso. fobias específicas. Esse problema é agravado ainda mais quando há necessidade de treinamento dos aplicadores.. Cada uma dessas dimensões apresenta escalas específicas. Questionários e . Todavia. no momento. o uso desses instrumentos consome tempo de pessoal treinado. características mais estáveis.

ex. existem problemas associados à popularidade do termo “ansiedade”.4 juiz – da suprema corte dos . daquelas da psicopatologia dos transtornos de ansiedade.. associadas à ansiedade como um estado emocional. para avaliação da gravidade do medo da avaliação negativa em fobia social. Muitos acredi​tam que construtos teóricos como ansiedade são cul​turalmente compartilháveis e. diferentemente de outras áreas clínicas que dispõem de avaliações objetivas. Os resultados de escalas de autoavaliação e de avaliação por observador. Geralmente. Grosso modo. Outro aspecto importante é conseguir distinguir alterações emocionais normais. nenhuma avaliação em psiquiatria é “branco e preto”. A maioria dos estudos tem enfatizado a utilização de escalas de autoavaliação ou. estar emocionalmente abalado após um evento traumático é quase a norma. porém úteis. nos casos em que isso não é possível. em psiquiatria é muito difícil decidir se alguém remitiu ou não de seu transtorno de pânico. de fácil mensuração. mas tornar-se incapacitado não é a regra. por exemplo. sintomas físicos de ansiedade). instrumentos de autoavaliação costumam ser de fácil aplicação e economizam o tempo do pesquisador e de sua equipe. Por fim. como a Escala de Ansiedade de Hamilton. complementam-se como informações diferentes.inventários de autoavaliação vão proporcionar informações mais úteis quando a variável a ser medida tem a característica de ser uma experiência facilmente entendida e relatável pelo paciente em termos leigos (p. Por exemplo. apesar de não se correlacionarem integralmente. avaliações por cuidadores. Isso vale tanto para avaliação de condições específicas. em detrimento da avaliação baseada em escalas que não consideram o funcionamento. ●PROBLEMAS E LIMITAÇÕES NO USO DE ESCALAS DE AVALIAÇÃO DE ANSIEDADE Na prática da pesquisa em psiquiatria. sem a necessidade de interpretação psicopatológica. acostumamo-nos com uso de escalas de avaliação da gravidade de sintomas como “retratos” da realidade. na área do transtorno de estresse pós-traumático. Tal postura reflete um pouco o parecer de Potter Stewart. Isso enfatiza o papel central do domínio da sintomatologia no processo diagnóstico. portanto. No entanto. como para avaliação de sintomas mais inespecíficos. que geralmente são associadas a prejuízo funcional ou mesmo incapacitação. como.

menos estudos compartilham os mesmos instrumentos. para mania ou obsessões e compulsões. Em resumo. muito mais do que. Assim como a afirmação do excelentíssimo juiz é errada. ●ASPECTOS GERAIS DA CONFIABILIDADE INTERJUÍZES DAS ESCALAS DE AVALIAÇÃO DE ANSIEDADE Entre os transtornos de ansiedade. muito diferentes daquela avaliação usada na prática clínica e. o entendimento que diferentes indivíduos têm do termo “ansiedade”.. é o oposto. provavelmente. Quanto mais ferramentas existem. que levassem em conta a vivência subjetiva do paciente e sua funcionalidade. dificultando comparações e metanálises. por exemplo.. portanto. cada vez menos significantes. De acordo com Fleiss. Mesmo médicos psiquiatras têm grande variação em sua conceitualização de ansiedade. ●SOBRE A GRANDE QUANTIDADE DE ESCALAS DE AVALIAÇÃO DISPONÍVEIS O principal problema não é falta de escalas específicas. ao tentar criar regras sobre o que seria ou não seria pornografia. em 1965. o treinamento cuidadoso nessa área é essencial.5 O mais elegante desenho de um estudo clínico não vai sobrepor o estrago causado por medidas imprecisas ou não confiáveis [. é surpreendentemente diverso.. Outro problema é a crescente complexidade das avaliações.Estados Unidos que..] Conclusões com viés podem ser resultado de medidas não confiáveis. sem vieses teóricos. O ideal seria usar escalas simples.] Tamanhos amostrais maiores se tornam necessários [. Um aspecto interessante é que a menor confiabilidade se deve mais à dificuldade no julgamento de gravidade do que à existência ou não do .”. desistiu e apenas afirmou: “Eu sei que é [pornografia] quando eu a vejo. aquele no qual se observam os piores escores de confiabilidade in​terjuízes é o transtorno de ansiedade generali​zada (TAG). e mesmo dos itens de um questionário de auto ou heteroavaliação.

a Escala de Ansiedade de Hamilton.3 ESCALA DE ANSIEDADE DE HAMILTON A primeira escala específica para avaliar ansie​da​de. maior o número de sintomas característicos que se apresentam. como clínicos estão acostumados a comparar pacientes a suas condições prévias. Devido ao grande número de escalas de avaliação visando a aspectos mais específicos do ​espectro da ansiedade. Mais ainda. em populações não clínicas (voluntários sadios. com diagnóstico de transtorno de ansiedade não classificada em outro lugar) ou em indivíduos com sintomatologia que se enquadraria em diversas categorias diagnósticas. Isso reflete a instabilidade do diagnóstico de TAG ao longo dos diversos conjuntos de critérios diagnósticos. estão a Escala de Ansiedade de Hamilton (HAMA). quanto mais grave a manifestação de uma patologia. ●ESCALAS PARA AVALIAÇÃO DE ANSIEDADE LIVRE FLUTUANTE (GENERALIZADA) E SINTOMAS ANSIOSOS INESPECÍFICOS As escalas de avaliação de sintomas mais inespecíficos são ainda muito importantes e usadas. funcionamento psicológico). a contagem dos sintomas (check-list) torna-se um instrumento quantificador útil. ainda.6 o Inventário de Ansiedade de Beck (BAI)7 e o Inventário de Ansiedade Traço-Estado (IDATE ver Capítulo 5.diagnóstico. Desse modo. Entre as escalas de avaliação mais amplas.6 O princípio que norteou a construção dessa escala (e de outras posteriores de mesma metodologia) é a ideia de que. pacientes com quadros subsindrômicos ou. di​fe​ren​ciava-se dos instrumentos até então em uso (basicamente inventários de personalidade) por basear seus itens unicamente em variáveis clínicas (avaliação sintomatológica vs. é justificável aplicar um conjunto mais amplo de escalas de avaliação. este capítulo abrange somente aquelas que abordam ansiedade generalizada e ictal que não tenham sido descritas em capítulos específicos e que apresentam estudo de validade da versão em português. por exemplo. confiável e de boa validade.1). ou ainda . o que permite identificar um grupo de sujeitos maior. evitando restrições devido a mudanças dos conjuntos de critérios diagnósticos. Se o número de sintomas (agora itens) for relativamente grande.

etc. sensações auditivas de tinidos. moderada a grave. de estranhos. etc. etc. falta de prazer nos passatempos. previsão do pior. oscilação do humor. para ser aplicada por um profissional com treinamento em psicopatologia (em geral. FORMULÁRIO 5.I) é uma escala semiestruturada. de 18 a 24. irritabilidade. 2 Tensão Sensações de tensão. um psiquiatra). fadiga. e de 25 a 30. etc. incapacidade para relaxar e agitação. 3 Medos De escuro. Preencha com o escore apropriado. sonhos penosos. Foca igualmente sintomas psíquicos e sintomas somáticos. comove-se facilmente. dormências.) 4 Insônia Dificuldade em adormecer. visão turva. Descrição do instrumento A Escala de Ansiedade de Hamilton (Formulário 5. (cognitivo) 6 Humor Perda de interesse. Nº ITEM COMPORTAMENTO ESCORE 1 Humor ansioso Preocupações. motoras contrações involuntárias. reação de sobressalto. pesadelos. de multidões.I ► ESCALA DE ANSIEDADE DE HAMILTON Instruções: Esta lista de sintomas é para auxiliar o clínico ou psiquiatra na avaliação do seu grau de ansiedade. sensações de fraqueza. contendo 14 itens e instruções de avaliação explícitas. sensação sensoriais de picadas. 7 Somatizações Dores musculares. de animais. leve. terrores noturnos. 8 Somatizações Ondas de frio ou calor. o que aumenta muito a sensibilidade e a utilidade do instrumento. 5 Intelectual Dificuldade de concentração. Uma escala de 0 a 4 (ausente a muito grave) também pode ser usada.pacientes entre si. de ficar sozinho. formigamento. moderado ou grave – podem ser substituídos por números: 0. de trânsito. na casa correspondente ao lado de cada item. 2 ou 3. tremores. etc. rigidez muscular. antecipação temerosa. falhas de memória. leve a moderada. (Avaliar qualquer um por intensidade e frequência de exposição. voz insegura. Escores menores que 17 sugerem sintomatologia leve. na coluna à direita. deprimido despertar precoce. zumbidos. contrações espásticas. ranger de dentes. cãibras. Os escores – ausente. insatisfeito e fadiga ao despertar. . sono interrompido. 1. etc. depressão. gradientes de gravidade costumam ser também de fácil aplicação e alta confiabilidade. etc.

etc. latejar dos vasos sanguíneos. pupilas dilatadas. 13 Sintomas Boca seca. arrotos. meteorismo. pois houve dificuldades em discriminar os efeitos do tratamento com ansiolíticos e antidepressivos. etc. aerofagia. mãos molhadas. vômitos. pouco à vontade. 10 Sintomas Sensações de opressão ou constrição no tórax. palidez. suspiros. vertigens. 12 Sintomas Polaciúria. pelos eriçados. dispepsia. amenorreia. 11 Sintomas Deglutição difícil. urgência da micção. tensão. adolescentes e crianças. rubor. engolir seco. etc. dor pré ou pós-prandial. palpitações. agitação das na entrevista mãos (tremores. franzir a testa e face tensa. Médio = 2. dor de cabeça. sensação de desmaio. tendência a sudorese. Leve = 1.8 . ESCORE TOTAL: Escores: Nenhum = 0. pedindo-se ao paciente uma descrição do sintoma. vômitos. sensações de respiratórios sufocamento ou asfixia. geniturinários ereção incompleta. A validade interna não foi tão boa. respiração suspirosa. sudação. palidez facial. náuseas. etc. Forte = 3. diminuição da libido. etc. cardiovasculares sensação de extrassístoles. Máximo = 4. ejaculação precoce. dores torácicas. inquieto.9 Sintomas Taquicardia. menorragia. impotência. frigidez. a andar a esmo. cacoetes). O instrumento apresenta boa confiabilidade e validade concorrente. Pode ser usada em adultos. tonteiras. sensações de plenitude ou de vazio gástrico. Público-alvo A avaliação dos escores tem como premissa o sujeito já ter um diagnóstico de uma patologia psiquiátrica (originalmente neurose ansiosa). etc. diarreia ou constipação. batimentos irregulares. dores abdominais. náusea. Esta normalmente demora de 10 a 15 minutos. dispneia. remexer. ou a escala pode ser preenchida depois de entrevista clínica bem feita e completa. e porque os sintomas somáticos são relacionados aos efeitos colaterais. autonômicos inquietação. ardência gastrintestinais ou azia. Propriedades psicométricas A confiabilidade e a validade da Escala de Ansiedade de Hamilton foram testadas em pacientes ansiosos e depressivos. Aplicação Os itens podem ser questionados de forma indivi​dual. 14 Comportamento Tenso. pirose. dilatação pupilar.

é muito útil como instrumento de avaliação de populações não clínicas. Desse modo.893). desenvolvida por Zigmond e Snaith11 para a avaliação de sintomas ansiosos e depressivos em pacientes internados por condições médicas diversas. Em contrapartida. Como a escala não aborda sintomas muito graves. o francês. pontuados de 0 a 3. e não em sintomas físicos que poderiam ser decorrentes da condição médica.II). Trata-se de um instrumento de ampla utilização e cu​jas características psicométricas foram extensi​vamente estudadas. e os outros sete avaliam a depressão (HADS-D). total 0-63). A escala foi traduzida e validada para o português10 e é co​mer​‐ cia​lizada pela Casa do Psicólogo.5%) e especificidade (63. foca em alterações subjetivas. Em pacientes brasileiros com ansiedade generalizada e doença de Parkinson.9 Versões A Escala de Ansiedade de Hamilton foi traduzi​da para o cantonês. típicos de pacientes psiquiátricos. não é indicada para pacientes psiquiátricos internados. e todos os itens associaram-se positivamente com o escore total. Apresenta um foco maior em sintomas somáticos de ansiedade. o espanhol e o por​tuguês. . INVENTÁRIO DE ANSIEDADE DE BECK O Inventário de Ansiedade de Beck é um instrumento de autoavaliação com 21 itens. a análise da curva Receiver Operating Characteristics (ROC) sugeriu ponto de corte de 10/11 para se obter a melhor sensibilidade (87. Formas de aquisição A escala é de domínio público. A subescala de ansiedade (HADS-A) mensura sintomas inespecíficos de ansiedade em sete itens. ESCALA HOSPITALAR DE ANSIEDADE E DEPRESSÃO A Escala Hospitalar de Ansiedade e Depressão (HADS) é uma escala de 14 itens (Formulário 5. A in​​tensidade do sintoma é avaliada em relação à última semana. como amostras populacionais e pacientes de outras especialidades médicas. A escala apresenta boa consistência interna (alfa de Cronbach de 0. em uma es​cala Likert de 4 pontos (0 a 3.5%).

Formas de aquisição A escala é de domínio público. Não é preciso ficar pensando muito em cada questão. Marque apenas uma resposta para cada pergunta.II ► ESCALA HOSPITALAR DE ANSIEDADE E DEPRESSÃO Este questionário ajudará o seu médico a saber como você está se sentindo. mas isso não me preocupa A (11) Eu me sinto inquieto. A (1) Eu me sinto tenso ou contraído: D (8) Eu estou lento para pensar e fazer as coisas: 3 ( ) A maior parte do tempo 3 ( ) Quase sempre 2 ( ) Boa parte do tempo 2 ( ) Muitas vezes 1 ( ) De vez em quando 1 ( ) De vez em quando 0 ( ) Nunca 0 ( ) Nunca D (2) Eu ainda sinto gosto pelas mesmas A (9) Eu tenho uma sensação ruim de medo. como um frio coisas de antes: na barriga ou um aperto no estômago: 0 ( ) Sim. como se eu não pudesse ficar 0 ( ) Não sinto nada disso parado em lugar nenhum: 3 ( ) Sim. do mesmo jeito que antes 0 ( ) Nunca 1 ( ) Não tanto quanto antes 1 ( ) De vez em quando 2 ( ) Só um pouco 2 ( ) Muitas vezes 3 ( ) Já não sinto mais prazer em nada 3 ( ) Quase sempre A (3) Eu sinto uma espécie de medo. demais D (4) Dou risada e me divirto quando 2 ( ) Bastante vejo coisas engraçadas: 1 ( ) Um pouco 0 ( ) Do mesmo jeito que antes 0 ( ) Não me sinto assim 1 ( ) Atualmente um pouco menos 2 ( ) Atualmente bem menos D (12) Fico esperando animado as coisas boas que estão 3 ( ) Não consigo mais por vir: 0 ( ) Do mesmo jeito que antes A (5) Estou com a cabeça cheia de 1 ( ) Um pouco menos do que antes preocupações: 2 ( ) Bem menos do que antes 3 ( ) A maior parte do tempo 3 ( ) Quase nunca 2 ( ) Boa parte do tempo 1 ( ) De vez em quando A (13) De repente. FORMULÁRIO 5. D (10) Eu perdi o interesse em cuidar da minha aparência: como se alguma coisa ruim fosse 3 ( ) Completamente acontecer: 2 ( ) Não estou mais me cuidando como deveria 3 ( ) Sim. e de um jeito muito forte 1 ( ) Talvez não tanto quanto antes 2 ( ) Sim. Neste questionário as respostas espontâneas têm mais valor do que aquelas em que se pensa muito. tenho a sensação de entrar em pânico: 0 ( ) Raramente 3 ( ) A quase todo momento 2 ( ) Várias vezes D (6) Eu me sinto alegre: 1 ( ) De vez em quando . mas não tão forte 0 ( ) Me cuido do mesmo jeito que antes 1 ( ) Um pouco. Marque com um “X” a resposta que melhor corresponder a como você tem se sentindo na ÚLTIMA SEMANA. Leia todas as frases.

Em nosso conhecimento. de Chambless e colaboradores. não há escalas com dados psicométricos publicados para suas versões em português. de rádio ou quando leio alguma coisa: A (7) Consigo ficar sentado à vontade e 0 ( ) Quase sempre me sentir ​relaxado: 1 ( ) Várias vezes 0 ( ) Quase sempre 2 ( ) Poucas vezes 1 ( ) Várias vezes 3 ( ) Quase nunca 2 ( ) Poucas vezes 3 ( ) Quase nunca ●ESCALAS PARA AVALIAÇÃO DE ANSIEDADE ICTAL E SINTOMAS DO TRANSTORNO DE PÂNICO. ex.0 ( ) A maior parte do tempo 0 ( ) Não sinto isso 1 ( ) Muitas vezes 2 ( ) Poucas vezes D (14) Consigo sentir prazer quando assisto a um bom 3 ( ) Nunca programa de televisão. Existe uma versão desenvolvida para uso em crianças.12 com 16 itens que abordam medo de sensações corporais e psicológicas associadas à ansiedade e medo de seu significado e consequências (p. O ponto negativo . DA AGORAFOBIA E LIGADOS AO ESPECTRO DO PÂNICO De modo geral. o Inventário de Mobilidade para Agorafobia e a Escala de Gravidade do Transtorno de Pânico. não há tradução aprovada para o português devido a restrições de direitos autorais estabelecidas pelo autor. INVENTÁRIO DE MOBILIDADE PARA AGORAFOBIA O Inventário de Mobilidade para Agorafobia. As mais utilizadas são o Índice de Sensibilidade à Ansiedade. de​senvolvido por Reiss e colaboradores. mesmo para uso em pesquisa. ser o sinal de uma doença mais grave). bem como a gravidade da esquiva agorafóbica em situações em que o paciente está acompanhado de alguém confiável e quando sozinho. Apresenta ótimas características psicométricas e é considerada a melhor medida de avaliação de gravidade de esquiva agorafóbica.13 é um questionário de autoavaliação que objetiva avaliar a frequência e a gravidade das crises de pânico. ÍNDICE DE SENSIBILIDADE À ANSIEDADE Trata-se de um questionário de autoavaliação..

maior que 20 minutos. Escalas para avaliação de ansiedade: Inventá​rio de Ansiedade Traço- Estado (IDATE) e Ques​tionário de Preocupação do Estado da Pensil​vânia (PSWQ). PDSS) A Escala de Gravidade do Transtorno de Pânico foi desenvolvida por Shear e colaboradores15 como uma forma simples de quantificar a gravidade do transtorno de pânico. ●OUTRAS DIMENSÕES DE PSICOPATOLOGIA Há. ainda. Escalas para avaliação de sintomas do transtor​no obsessivo-compulsivo: Escala Dimensional de Sintomas Obsessivo-Compulsivos (TOC/DY-BOCS). Inventário de Fobia Social (SPIN) e Mini SPIN. Escalas para avaliação de ansiedade pós-traumática e transtorno de estresse pós-traumático: Posttrau​matic Stress Disorder Checklist (PCL)/Clinician- Administered PTSD Scale (CAPS). seu uso parece menos anacrônico que o de escalas como o HAMA. Escala Breve de Fobia Social (BSPS). Inventário de Ansiedade e Fobia Social (SPAI). Obsessive Beliefs Questionnaire (OBQ-44). Escalas para avaliação de fobia e ansiedade social: Escala de Ansiedade Social de Liebowitz (LSAS). escalas que foram desenvolvidas para a avaliação de dimensões psicopatológicas mais específicas. ●REFERÊNCIAS .14 Não há restrições de direitos autorais para seu uso. mais especificamente do DSM-IV. que foi construído antes que o conceito diagnóstico de pânico existisse. Sua descrição consta nos diferentes capítulos desta obra. em suas várias dimensões. dentro da estrutura nosográfica do DSM.para pesquisas em que há necessidade de medidas repetidas é o tempo necessário para o instrumento ser respondido. ESCALA DE GRAVIDADE DO TRANSTORNO DE PÂNICO (PANIC DISORDER SEVERITY SCALE. Obsessive-Compulsive Inventory – Revised (OCI-R). Há uma tradução para o português. e Inventário de Ansiedade e Fobia Social – versão para crianças (SPAI-C). Assim.

Generalized anxiety disorder and the Hamilton Anxiety Rating Scale in Parkinson’s disease. 5. 12. Br J Med Psychol. Seminotti RP. 4. Money R. Duarte LRS. 1999. 1967. 13. 1986. Philipp M. Ohio. Multicenter collaborative panic disorder severity scale. The hospital anxiety and depression scale. J Affect Disord. Jasin SE. McNally RJ. 8. 11 (1964). 2010. Manual for the state-trait anxiety inventory. Beck AT. 11. Isr Ann Psychiatr Related Discip. Spielberger CD. 378 U. Barlow DH. 1988. 2. Woods SW. Zigmond AS. Gouveia VV. 184 No. São Paulo: Casa do Psicólogo. 1986.S. 3. ed.67(6):361-70. 1959. Supreme Court. Williams C. Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais: DSM-5. 5. New York: Wiley. 1997. Gracely EJ. The design and analysis of clinical experiments.24(1):1-8. Steer RA.30(1):141-59.5(2):105-21. Porto Alegre: Artmed. 9. Problems presented by the ambiguous word “anxiety” as used in psychopathology.68(4):495-501. et al. 6. 1983. Teixeira AL. Lewis A. 2001. 2014. Cardoso F. Fleiss JL. U. Anxiety sensitivity. 10. Gorsuch RL. Brown G. An inventory for measuring clinical anxiety: psychometric properties.14(1):61-8. The assessment of anxiety scales by rating. The mobility inventory for agoraphobia. Am J Psychiatry. Snaith RP. Caputo GC. Buller R. Gursky DM. Kummer A. IM: adaptação brasileira. Palo Alto: Consulting Psychologists. 7. Behav Res Ther. Maier W.56(6):893-7. Acta Psychiatr Scand. Peterson RA. Brown TA. The Hamilton Anxiety Scale: reliability. Inventario de mobilidade para avaliar agorafobia. Behav Res Ther.S. Manual da versão em português das escalas Beck. 1. Heuser I. Jacobellis v. anxiety frequency and the prediction of fearfullness. Lushene RE. Epstein N. Shear MK.32:50-5. Chambless DL. Hamilton M.154(11):1571-5 . 1985. 15. J Consult Clin Psychol. 1970. Arq Neuropsiquiatr. 14. 23(1):35-44. Reiss S. validity and sensitivity to change in anxiety and depressive disorders. Cunha JA. American Psychiatric Association. Sholomskas DE. 1988. Psico.

dividida em duas subescalas separadas. Prisla Ücker Calvetti. A atual versão do IDATE3 foi refinada por meio da exclusão de alguns itens.1 que fornece uma avaliação quantitativa de sinais e sintomas relacionados à ansiedade-traço e à ansiedade-estado. A primeira versão brasileira. O IDATE é uma escala autorrelatada. em um passado recente. Foi criado por Spielberger em 1970. sendo denominado STAI- Form X (ou somente STAI-X).2 e sua primeira revisão ocorreu em 1979. bem como diferencia claramente ambos os tipos dessa manifestação. validado e adaptado para o português brasileiro desde 1990.1 foi traduzida do original para o português como Inventário de Ansiedade Traço-Estado (IDATE).2 As versões mais atuais do STAI são consideradas o padrão-ouro para avaliação e mensuração de ansiedade em diferentes contextos de pesquisa. O STAI- X foi publicado em 1970. com um enfoque mais contextual) e o traço-ansiedade (um padrão mais . Alexandre Annes Henriques O Inventário de Ansiedade Traço-Estado (IDATE) (State-Trait Anxiety Inventory – STAI) é um instrumento de autoaplicação. ●DESCRIÇÃO DO INSTRUMENTO Ao longo de seu desenvolvimento. que mensura o estado-ansiedade (condição temporária de ansiedade referida em situações agudas e específicas. bem como para diversas situações clínicas.1 ] INVENTÁRIO DE ANSIEDADE TRAÇO- ESTADO (IDATE) Wolnei Caumo. de Angela Biag​gio. o STAI esteve sob revisões de aperfeiçoamento para diferentes necessidades clínicas e de pesquisa. [ 5.

4 O estado refere-se a percepções transitórias desagradáveis de apreensão. presença de traço- ansiedade (11 dos 20 itens) e ausência de traço-ansiedade (9 dos 20 itens).5 com o objetivo de melhorar a discriminação entre depressão. ausência de estado-ansiedade (10 dos 20 itens). 3 = ​bastante e 4 = muitíssimo. O traço é considerado uma característica de personalidade. o estado-ansiedade e o traço-ansiedade são independentes. As perguntas nessa primeira parte referem-se ao modo como a . A subescala IDATE-E (ou STAIS-Anxiety ou S-STAI) é composta por 20 afirmações que avaliam como o entrevistado se sente “neste momento/agora” (estado) em que está respondendo às questões. bem como as propriedades psicométricas do instrumento. como ameaçadoras. refletindo como o sujeito percebe os estímulos internos ou externos naquele determinado momento. com respostas ordinais. Os itens que se referem à ausência de ansiedade (polaridade negativa) são escritos em forma oposta ao que a escala quer medir (p. tensão. A STAI-Y6 apresenta um modelo estrutural de quatro fatores: presença de estado-ansiedade (10 dos 20 itens). sendo que sua estrutura foi baseada nos parâmetros clássicos de psicometria.2 bem como distingue uma situação da outra. O formulário STAI-Y permanece com o mesmo número total de questões: 20 (1 a 20) (STAI-Y-1) de múltipla escolha para a ansiedade-estado.4. frequentemente acompanhadas de ativação do sistema nervoso autônomo. o requerente responde de 1 a 4. Os itens modificados também facilitaram a aplicação a respondentes com menor nível educacional. ex. 2 = um pouco. Em teoria. Ele não costuma ser observado diretamente. sendo 1 = absolutamente não. e outras 20 (21 a 40) (STAY-Y-2) para ansiedade-traço. e está presente nos indivíduos “mais reativos” ou hipersensíveis. “Eu me sinto seguro”). A revisão refinada do STAI-X mudou cerca de 12 dos 40 itens e foi denominada STAI Form Y (em 1983) (ou simplesmente STAI-Y). sendo uma tendência no modo de perceber as situações. nervosismo e/ou preocupação. A subescala IDATE-T (ou STAIT-Anxiety ou T-STAI) consiste em outras 20 afirmações que avaliam como ele se sente “em geral” (traço).. em geral. mania e ansiedade.4 A pontuação é dada por meio de uma escala tipo Likert. a não ser quando o sujeito se depara com situações estressantes. Na primeira subescala (IDATE-E). O STAI-Y já é o instrumento mais utilizado para avaliar a ansiedade-traço.estável e usual de ansiedade do indivíduo ao longo da vida). com escores para item individual variando de 1 (“quase nunca”) a 4 (“quase sempre”).

por terem sido desenvolvidas independentemente. A confiabilidade dessas versões abreviadas da STAI em diferentes idiomas é igual ou maior a 0. trabalhadores e pacientes com doenças clínicas (p. que apresenta o mesmo número de itens (40) e as mesmas duas subescalas. nem sempre os mesmos itens foram removidos da escala não abreviada (há outras versões abreviadas constituídas de até seis itens por subescala). 3 = frequentemente e 4 = quase sempre. com transtornos psiquiátricos (ambulatorial e hospitalar).). é uma alternativa eficaz na mensuração de situações de intenso estresse.85 com a STAI-Y. ansiedade-traço. doenças cardíacas. idosos. experimentais ou não.3 constituída de 25 itens. em período perioperatório. a sua recomendação de uso é abrangente. Pelo fato de ser breve. hoje. que indicou redundância em algumas das questões da escala de 40 itens. em especial a sua versão abreviada. adultos. em vez das quatro alternativas de pontuação. a STAI-C. entre outros. incluindo populações de estudantes de ensino médio e graduação. mas que pode ser aplicada em indivíduos ainda mais jovens alfabetizados. sendo 1 = quase nunca. ou seja. Essa escala foi proposta a partir de análises sob o Modelo de Rasch. as perguntas tratam de como a pessoa em geral (usualmente) se avalia. dor crônica. sustentando que essa versão abreviada apresenta maior capacidade discriminativa. Na segunda parte. . etc.. o requerente também responde de 1 a 4. Contudo. doenças reumatológicas. mas. ●OUTRAS VERSÕES O STAI apresenta uma versão abreviada ​brasileira. câncer.7 contudo. com três alternativas de resposta. 2 = às vezes.pessoa se avalia “agora”. no momento do preenchimento do instrumento. Há uma versão específica do STAI para crianças (entre 9 e 12 anos). há uma pontuação mais enxuta. ex. Nessa etapa. subdivididos também em duas escalas: estado e traço. ●PÚBLICO-ALVO O instrumento foi originalmente desenvolvido para estudar ansiedade em amostras populacionais de adultos normais. na STAI- C.

CUIDADOS NA APLICAÇÃO É conveniente examinar as respostas fornecidas pelo respondente quanto ao preenchimento de todos os itens.4. em vez de a pontuação para cada pergunta variar de 1 a 4. interpretações e/ou analogias à leitura das questões. em geral o sujeito preenche todos os itens em cerca de 10 minutos. No entanto. Por ser uma escala breve. é aceitável que se leiam as instruções ao respondente em situações nas quais há dificuldades de leitura (baixa acuidade visual e/ou baixo nível de escolaridade). maior será o nível de ansiedade do sujeito. sendo que alguns itens (referentes aos fatores “ausência de estado-ansiedade” e “ausência de traço-ansiedade”) são pontuados de maneira invertida. a fim de possibilitar comparações entre diferentes adaptações. bem como se não houve marcação dupla de respostas em uma mesma questão.7 Quanto mais alta a pontuação. O aplicador deverá esclarecer que “não há resposta certa ou errada” para as questões e que as respostas devem ser dadas entre as alternativas expostas.4 Em algumas adaptações da escala.2 A STAI-C tem tempo de aplicação entre 8 e 20 minutos. . o aplicador deve explicar novamente sobre a importância da veracidade nas respostas e que raramente elas serão iguais para todos os itens. Nesses casos. ela varia de 0 a 3. Caso o respondente marque todos os itens com a mesma alternativa. ele somente poderá ler as questões de modo mais pausado. há instruções específicas antes de cada grupo de 20 questões. A pontuação total de cada um das duas subescalas varia de 20 a 80 pontos. com pontuação total do STAI entre 40 e 160 pontos. Solicita-se que o indivíduo revise suas respostas antes de finalizar a aplicação.●APLICAÇÃO A autoaplicação é a forma padronizada de aplicação do instrumento. o aplicador não pode acrescentar comentários. ●INTERPRETAÇÃO DAS PONTUAÇÕES Para cada item do instrumento é dada uma pontuação ponderada de 1 a 4. Para cada uma das subescalas (IDATE-S e IDATE-T). deverá haver um acréscimo de 20 pontos à soma da pontuação. Nesse caso.

89 a 0. voltada para o desenvolvimento e a validação de instrumentos e empregada na análise do desempenho de uma escala específica em profundidade. e para aqueles com transtornos do humor.4 As propriedades psicométricas da versão brasileira do IDATE3 já foram submetidas a abordagens estatísticas. com intervalos de aplicação entre 1 e 104 dias. CONFIABILIDADE Os coeficientes de confiabilidade teste-reteste (CTR) desde o início de sua aplicação variaram entre 0. com mais de 14 mil citações de suas versões para adultos. etc.95 para estado-ansiedade. um ponto de corte entre 39 e 40 pontos para cada subescala já sugere a presença significativa de sintomas clínicos de ansiedade. Em pacientes em período perioperatório.). ●PARÂMETROS PSICOMÉTRICOS DA VERSÃO ORIGINAL E DA VERSÃO EM PORTUGUÊS Estudar a expressão da ansiedade entre diferentes culturas implica estabelecer a equivalência transcultural de instrumentos. Como era esperado pela formulação conceitual do IDATE. permitindo que tanto o instrumento como os seus itens individuais sejam avaliados e ponderados. o ponto de corte sobe para 44 ou 45 pontos. com valores de 0.92 para traço-ansiedade. O Modelo de Rasch é uma abordagem psicométrica moderna. A consistência interna tende a ser maior em situações de estresse (emocional e/ou físico). em comparação aos do sexo masculino. e é maior na STAI-Y do que na STAI-X. grego.5 sendo considerados baixos. como a análise de Rasch (“Teoria de Resposta ao Item”). para investigar a estrutu​ra do instrumento. Na escala entre 40 e 160 pontos (igual à soma de cada uma das duas subescalas de 20 a 80). . tailandês.86 a 0.86. O STAI já foi traduzido e validado em mais de 60 adaptações culturais e de idiomas (incluindo mandarim. a subescala de estado-ansiedade apresenta CTRs menores do que a subescala de traço-ansiedade. e 0. é ao redor de 53 pontos.2.31 e 0. Somas totais entre 47 e 61 na subescala STAI-S são características de pessoas com transtornos de ansiedade. Os coeficientes de consistência interna7 são altos. Os escores de CTR são menores nos respondentes do sexo feminino. em diferentes grupos étnicos.

as diferenças são ainda maiores (ou seja.7. Outros aspectos a se considerar na pontuação são idade e nível socioeconômico. Em diversos estudos. o traço-ansiedade tende a predizer com maior correlação o estado- ansiedade. DETECÇÃO DE MUDANÇA A escala pode ser aplicada para avaliar mudanças com o decorrer do tempo (e/ou por intervenções te​rapêuticas).8 Quanto à validade fatorial entre os construtos estado e traço. entre outros.7 a 0. havendo forte correlação entre escores elevados no STAI (em especial no STAI-T) e a presença de sintomas depressivos. O efeito do gênero é consistente em diferentes estudos. as duas subescalas do STAI já foram empregadas como medidas da eficácia de tratamentos psicofarmacológicos e/ou psicote​rá​picos. expressão de pensamentos e sentimentos. Entre o STAI-X e o BAI. A validade de constructo do STAI é de baixa discriminação entre ansiedade e depressão. Em homens. diversos itens do instrumento são provenientes de outras escalas aplicadas na detecção de ansiedade. Para a validade de conteúdo. O STAI aborda 5 dos 8 domínios do diagnóstico de transtorno de ansiedade generalizada do DSM-IV-TR. Um estudo sustenta que a correlação do STAI-Y é maior com o BDI (r = 0.VALIDADE Durante o desenvolvimento da escala. . se comparados às mulheres. A validade de critério entre o STAI- Y e o Inventário de Ansiedade de Beck (BAI) é r = 0. porém vai depender da população em estudo. Os escores mais elevados no sexo feminino são significativamente maiores que no masculino.8. Tal constatação está relacionada a um conjunto de fatores. porém a subescala IDATE-T será menos responsiva a mudanças do que a IDATE-E.66) do que o BAI. bem como presença de doenças clínicas e transtornos psiquiátricos. como perfil ​hormonal. aspectos emocionais e sociais. com níveis menores de r). a correlação entre eles varia de 0.52 para estado- ansiedade e r = 44 para traço-ansiedade. milhares de adultos e adolescentes preencheram o STAI.8 ●FATORES QUE AFETAM A PONTUAÇÃO Alguns fatores podem influenciar a pontuação de instrumentos psicométricos no contexto da ansiedade.

Pacientes com dor física tendem a apresentar escores elevados do IDATE. Sua validade não é grande.. Na presença de outras pessoas no ambiente onde está sendo realizada a aplicação do instrumento. é a ausência de itens relacionados aos aspectos somáticos da ansiedade. as quais podem ser de difícil interpretação no contexto do uso de múltiplos medicamentos e/ou doenças clínicas. ●LIMITAÇÕES O IDATE apresenta limitações semelhantes às de outros inventários de autoaplicação. Ressalta-se também que o IDATE é um instrumento sensível de rastreamento de sinais e sintomas de ansiedade traço-estado. e de boa/ótima . em especial na subescala ansiedade-traço na diferenciação entre situações de ansiedade e depressão. nos quais os escores podem ser facilmente manipulados pelos respondentes.). eliminando perguntas relacionadas a sintomas fisiológicos. o que tornaria a escala mais específica para mensurar ansiedade e diminuiria a correlação com o BDI. Outra vantagem do STAI é que os escores em determinada população podem ser facilmente comparados aos de outras populações (saudáveis. como sudorese. doentes psiquiátricos.8 Alguns autores su​gerem a retirada dos itens de polaridade negativa (ausências de estado e traço-ansiedade) e inclusão de itens para mensurar sintomas de excitabilidade fisiológica. alguns transtornos da personalidade). ex. Uma vantagem bem estabelecida da aplicação do IDATE em populações de idosos e/ou pacientes clínicos é a ênfase de suas questões no componente cognitivo da ansiedade. mas não foi especificamente desenvolvido para estabelecer diagnóstico de psicopatologias relacionadas à ansiedade. ex. em um instrumento que se dedica a mensurar ansiedade. etc. a influência de aspectos sociais pode interferir tanto para uma maior pontuação (p. ●CONSIDERAÇÕES FINAIS O IDATE é um instrumento de fácil aplicação e interpretação. doentes clínicos. Outro aspecto que chama atenção. taquicardia e outros. pessoas com fobia social) quanto para uma menor pontuação (p..

Guillén-Riquelme A. J Psychosom Res. Spielberger CD. Spielberg CD. 3. Lushene RE. 7. Palo Alto: Consulting Psychologists . Beck Anxiety Inventory (BAI). Fioravanti ACM. 1970. 5.com] ●REFERÊNCIAS 1. In: Spielberger C.5(2):217-24. p. Manual for the State-Trait Anxiety Inventory (STAI: Form Y): self-evaluation questionnaire. Meta-analysis of group comparison . Hidalgo MPL. É uma escala versátil a diferentes contextos e situações de ansiedade e estresse. A decade of research on State-Trait in Brazil. Buela-Casal G.68(3):223-33. Maissonette S. and Hospital Anxiety and Depression Scale-Anxiety (HADS-A). Aval Psicol. Kaipper MB. 4. Palo Alto: Consulting Psychologists. 157-67. ●FORMA DE AQUISIÇÃO O IDATE é um instrumento livre. Biaggio AMB. Avaliação da estrutura fatorial da escala de ansiedade-traço do IDATE. [Disponível em: www. Diaz-Guerreiro R. Chachamovich E. As versões brasileiras do STAI estão adequadamente traduzidas e validadas. Cruz APM. 1983. editors. seu manual e todo o suporte necessário pode ser feito junto ao editor Mind Garden. Evaluation of the structure of Brazilian State-Trait Anxiety Inventory using a Rash psychometric approach. Cross-cultural anxiety. Manual for the State-Trait Anxiety Inventory (Self-Evaluation Questionnaire).63 Suppl 11:S467-72. bem como mostram-se úteis tanto aos clínicos quanto aos pesquisadores.mindgarden. que pode ser facilmente adquirido com os autores3 que validaram sua versão abreviada. Measures of anxiety: State-Trait Anxiety Inventory (STAI). com bons níveis de confiabilidade. Julian LJ. O acesso ao STAI original. Sua validade foi adequadamente investigada e estabelecida em diferentes populações e países. Arthritis Care Res. Santos LF. New York: Hemisphere. Caumo W. 6.aceitação pelo respondente. Landeira- Fernandez J. 1990. Torres IL. 2011. 2006. 2. Gorsuch RL. 2010.

2014. and meta-analysis of reliability generalization of the State-Trait Anxiety Inventory Questionnaire (STAI). The state-trait anxiety inventory. Balaguer G.88(1):101- 12. trait version: does it really measure anxiety? J Pers Assess. 2010. Rev Esp Salud Publica.92(6):560-7. . 8. Bados A. Gómez-Benito J.

sudorese.. ex. falta de ar. afetando diversas atividades. dores musculares.2 ] QUESTIONÁRIO DE PREOCUPAÇÃO DO ESTADO DA PENSILVÂNIA (PSWQ) Daniel C. Por exemplo.3 O TAG caracteriza-se por uma preocupação excessiva e global. social ou acadêmica. O TAG vem acompanhado de diversas alterações que podem ser enquadradas nas seguintes categorias: tensão muscular (p. a preocupação é o aspecto principal do transtorno de ansiedade generalizada (TAG). hiperatividade autonômica (p. inquietação). pode assumir um caráter patológico.. aumento da frequência urinária. boca seca. dificuldade de deglutição). náuseas. relacionada com pensamentos e imagens vinculados à antecipação de um risco futuro. de caráter intrusivo e difícil de controlar. [ 5. trazendo considerável prejuízo ao sujeito. cefaleia tensional. diarreia. J. Com efeito. ex. ex. a preocupação pode evitar comportamentos de risco. tonteira. preocupação. dificuldade de concentração. estimular a tomada de precauções e melhorar o desempenho em tarefas. diferentes autores discutiram seu potencial papel adaptativo. quando vivenciada de maneira excessiva e não controlada. é necessário que esse estado persista por pelo menos seis meses. insônia. Para fins diagnósticos. e apreensão (p. Mograbi. Landeira-Fernandez A preocupação pode ser definida como um componente cognitivo da ansiedade. a qual está vinculada a um intenso desconforto e prejuízo nas esferas pessoal. Ainda que esteja associada com um sentimento desagradável e seja experimentada de maneira negativa. irritabilidade e . tremor.. preocupações sobre eventos futuros negativos estão presentes em todos os transtornos de ansiedade.1 No entanto. fadiga.2 Em particular. com a ansiedade presente na maior parte dos dias. palpitação.

sensibilidade a sustos). também é empregado em estudos experimentais interessados em explorar a preocupação como uma variável de interesse.5 da Penn State University. Em termos de faixa etária. Por fim. em função de sua brevidade e facilidade de preenchimento. com 1 indicando “Não me adequo” e 5 “Extremamente adequado”.5 um dos instrumentos mais utilizados para aferição da intensidade da preocupação.. Para cada item. ex. com escores mais elevados indicando maior intensidade e frequência da preocupação. “Nunca me preocupo com nada”. podendo ser aplicado em crianças. o questionário é usado. incluindo a coleta de dados em países com diferentes níveis de desenvolvimento. Os escores desses cinco itens são computados de maneira reversa. Onze itens são fraseados de forma positiva (p. Além de estudos clínicos. alemão. ex. o questionário tem grande alcance. “Quando me encontro sob pressão fico muito preocupado”. é utilizada uma mesma escala Likert. hebraico. por exemplo. diferentes técnicas e questionários foram sugeridos.6 O questionário tem um total de 16 itens. adolescentes. “Estou sempre preocupado com algo”). Considerando a importância clínica de medir de maneira precisa e confiável a preocupação. “Desligo-me facilmente das minhas preocupações”). em amostras comunitárias. Ademais. adultos e idosos. Escores totais no PSWQ variam entre 16 e 80. Estudos demonstraram sua adequação em diferentes culturas e grupos étnicos.. italiano. a preocupação associada ao TAG deve ter caráter geral e não estar vinculada a um objeto específico. cada um contendo uma afirmativa em relação à qual o respondente deve indicar seu grau de concordância. como acontece. ao passo que cinco itens são fraseados na negativa (p. o instrumento conta hoje com diferentes traduções (espanhol. que varia de 1 a 5.4 Este capítulo descreve o Questionário de Preocupação do Estado da Pensilvânia (PSWQ). na hipocondria. O PSWQ tem sido usado de maneira frequente no diagnóstico do TAG e na sua discriminação em relação a outros transtornos de ansiedade. ●DESCRIÇÃO DO INSTRUMENTO Desenvolvido inicialmente por Meyer e colaboradores. de modo que os 16 itens possam ser somados para indicar um escore geral de preocupação. entre outras) e uma versão brasileira validada por Castillo e colaboradores. .

O PSWQ é um questionário de autoaplicação. a versão final do questionário foi avaliada em sete estudos sequenciais. itens de um inventário de ansiedade cognitiva/somática e a experiência clínica dos autores nesse campo. sem necessidade de treinamento prévio para seu preen​chi​mento ou de um entrevistador formal. sugerindo boa confiabilidade. os autores selecionaram um total de 161 itens considerados relevantes para o construto de preocupação.8 ●PARÂMETROS PSICOMÉTRICOS O artigo descrevendo o desenvolvimento e a valida​ção do questionário é um exemplo de trabalho criterioso. aqueles compondo o fator que explicava a maior parte da variância foram selecionados. avaliando as propriedades psicométricas do instrumento de maneira ampla.91 e 0. levando ao questionário final de 16 itens.5 Em termos de validade de conteúdo. e. tomando como base ​diários de pacientes em terapia.95 e correlações teste-reteste fortes (0. o questionário demonstra validade convergente com outras medidas. em função disso. Esses itens foram incluídos em um questionário-piloto.75 ≤ r ≤ 0. com valores de alfa de Cronbach entre 0. o questionário é de fácil aplicação. Por um lado. Índices excelentes de sensibilidade e especificidade foram reportados para o diagnóstico do TAG utilizando um ponto de corte de 45. De maneira geral. baixa carga fatorial. em intervalos de 2 e 4 semanas). apresentando correlações robustas com outros testes de ansiedade e testes de personalidade medindo . após uma análise fatorial. As questões foram.7 com capacidade discriminativa mais modesta na distinção do TAG de outros trans​tornos de ansiedade utilizando um ponto de cor​te de 65. sendo bastante breve (tempo total de preenchimento entre 5 e 10 minutos). Após seu desenvolvimento. com os itens fraseados de forma negativa sendo pontuados de maneira inversa e escores maiores indicando maior preocupação.93. as vantagens e desvanta​gens de instrumentos de autoavaliação. por exemplo. tendo. os resultados podem sofrer vieses. paulatinamente excluídas em função de uma pequena contribuição para consistência interna. então. como. as análises indicaram excelente consistência interna. linguagem ambígua ou redundância com outras. efeitos de demanda e desejabilidade social. respondido por 337 universitários. A interpretação das pontuações é simples. No que se refere à validade de construto. Por outro.

e o segundo. a estrutura latente do questionário ainda é causa de debate. Versões traduzidas do PSWQ dividem-se em relação à estrutura fatorial – por exemplo. há uma relação entre o número de critérios preenchidos para o diagnóstico do TAG e escores no PSWQ. como depressão. observou-se que o questionário tem boa capacidade preditiva. No que tange à validade de critério. mas também é possível que seja um artefato metodológico. com escores mais altos em pessoas que cumpriam mais critérios.84 (0.86 para mulheres).autoconsciência. com pacientes ex​postos a psicoterapia apresentando redução de escores maior do que aqueles em um grupo de controle. com exceção dos itens 1 e 11. ao passo que estudos mais recentes identificaram dois fatores – o primeiro vinculado aos 11 itens fraseados de maneira positiva. Ao mesmo tempo. o instrumento demonstra validade discriminativa. Para sua validação. A versão brasileira do PSWQ foi desenvolvida por Castillo e colaboradores6 e demonstrou propriedades psicométricas similares às da original. Apesar de suas propriedades psicométricas sólidas.10 divididos em função de as sentenças estarem na forma positiva ou negativa. As análises indicaram boa consistência interna. Por exemplo. o questionário foi aplicado em uma amostra universitária (n = 871). tendo passado pela tradução reversa em seguida para garantir a equivalência semântica entre as versões. O questionário também foi usado de maneira bem-sucedida na medição da resposta ao tratamento do TAG. O instrumento foi. Correlações item-total passaram do critério de 0.30. com alfa de Cronbach de 0. com a versão em espanhol tendo um único fator9 e a versão em francês apresentando dois. associado aos cinco negativos.80 para homens e 0. e a remoção de qualquer um desses itens aumentaria o alfa de Cronbach . em particular com itens referentes à preocupação. ainda. Além disso. Essa bidimensionalidade pode estar relacionada com a existência de um fator medindo a presença de preocupação e outro mensurando sua ausência. Estudos iniciais sugeriram uma estrutura unidimensional. escores no instrumento correlacionam-se com a quantidade de tempo que as pessoas passam se preocupando ao longo do dia e estão vinculados a padrões de enfrentamento e respostas afetivas a resultados de provas. não apresentando correlações fortes com testes que medem outros construtos. O questionário foi traduzido por revisores que des​conheciam o original. analisado por um psicólogo e um psiquiatra bilíngues até chegar a sua versão final em português.

Uma análise fatorial confirmatória indicou que nem o modelo unidimensional nem o bidimensional foram os mais adequados para os dados.15). o instrumento apresentou boa consistência interna (α = 0. os itens relacionados à presença de preocupação (fraseados de maneira positiva) e aqueles vinculados à ausência dela (na forma negativa). O fator 1 também apresen​tou correlação mais forte com o escore total do PSWQ (r = 0. Novamente. clínicos e não clínicos. As sólidas propriedades psicométricas do instrumento sugerem que ele mede de maneira adequada o construto da preocupação. Uma análise fatorial exploratória indicou uma solução com dois fatores.87) do que para o 2 (α = 0.94) do que o fator 2 (r = 0. recomenda-se o esclarecimento dos itens junto ao participante sempre que possível. observou-se que o PSWAQ não parece ser muito afetado por efeitos de desejabilidade social. a aplicação do PSWQ é bastante simples e rápida. e foi encontrada uma correlação moderada entre esse questionário e o fator 1 (r = 0.67). Em realidade.43). o melhor modelo incluía um fator geral relacionado à preocupação e dois fatores metodológicos relacionados à maneira como os itens são fraseados (forma positiva ou negativa).21).56).5 o que minora algumas dessas limitações.30. agrupando. A consistência interna foi mais alta para o fator 1 (α = 0. a exemplo de outros estudos. ●CONSIDERAÇÕES FINAIS . com exceção dos itens 1 e 11. tendo o questionário sido usado em diferentes grupos de participantes. mas não com o fator 2 (r = 0. O PSWQ teve uma correlação moderada com o formulário de traço de ansiedade do Inventá​rio de Ansiedade Traço-Estado (r = 0. Como afirmado anteriormente. uma segunda aplicação foi feita em outra amostra de universitários (n = 978). ●EXPERIÊNCIA DE USO Como indicado.85) e correlações item-total acima do critério de 0. sujeito a diferentes vieses. No entanto. com ambos apresentando correlação fraca entre si (r = 0. Para investigar mais a fundo a estrutura fa​to​rial do questionário. A exemplo de qualquer outro questionário.para 0.85.56). as limitações do instrumento referem-se ao fato de ser um questionário de autoavaliação.

I ► QUESTIONÁRIO DE PREOCUPAÇÃO DO ESTADO DA PENSILVÂNIA (PSWQ) Por favor. functions. quando já não há mais nada a fazer [ ] 12. In: Davey GCL. recomendam sua aplicação em contextos nos quais a medição da preocupação é pertinente. Minhas preocupações me angustiam. Estou sempre preocupado(a) com algo. Preocupo-me com as coisas até que elas estejam concluídas. Desligo-me facilmente das minhas preocupações. ●REFERÊNCIAS 1. and origins of worry. A falta de tempo para fazer todas as minhas coisas não me preocupa. [ ] 6. [ ] 10. Noto que ando preocupado com as coisas. Uma vez que começo a me preocupar. [ ] 4. [ ] 9. não consigo parar.I ou obtida a partir do contato com os autores. aliadas a propriedades psicométricas sólidas. Nunca me preocupo com nada. Quando me encontro sob pressão fico muito preocupado(a). [ ] 13. [ ] 8. The nature. [ ] 14.2. [ ] 3. Eu sei que não deveria me preocupar com as coisas. . [ ] 7. [ ] 11. Ao terminar uma tarefa. [ ] 16.2. Tenho tido preocupações durante toda a minha vida. e uma cópia do questionário pode ser encontrada no Formulário 5. começo a me preocupar com as outras coisas que tenho para fazer. Fico preocupado o tempo todo. Não costumo me preocupar com as coisas. [ ] 2. Borkovec TD. [ ] 15. [ ] 5. mas não consigo me controlar. NÃO ME ADEQUO-ME MUITO EXTREMAMENTE ADEQUO POUCO ADEQUADO ADEQUADO ADEQUADO 1 2 3 4 5 [ ] 1. FORMULÁRIO 5. escreva o número que melhor representa o quanto cada afirmativa se adequa à sua forma de ser. Não me preocupo com algo. Sua fácil aplicação e relevância clínica. Muitas situações me causam preocupação.O PSWQ é um instrumento de livre acesso.

2003. Fresco DM. Span J Psychol. 6.34(1):25-43. Psychometric properties and latent structure of the Portuguese version of the Penn State Worry Questionnaire. 7. Letarte H. New York: Guilford. Behav Res Ther. 2. Zuellig AR. Alcaine O. Chichester: Wiley. Diagnostic and statistical manual of mental disorders: DSM-5. The nature and treatment of anxiety and panic. assessment and treatment. 2003. Romero M. Rev Psicol Gen Aplic.31(1):51-6. J Behav Ther Exp Psychiatry. 3. Castillo C. 1994. 1990. Dumont J. 10. 2013. Behav Res Ther. . 1994. editors. Barlow DH. 2010.33:241. 5. Davey GC. p. Sandín B. Screening for generalized anxiety disorder using the Penn State Worry Questionnaire: a receiver operating characteristic analysis. Ladouceur R. J Behav Ther Exp Psychiatry.47:313-20. 9. Development and validation of the Penn State Worry Questionnaire. Turk CL. Washington: APA. 1993. Miller ML. Borkovec TD. 8. A comparison of three worry questionnaires. 2002. Meyer TJ. Ansiedad cognitiva y somática: relación con otras variables de ansiedad y psicosomáticas. 4.34(3-4):283-91. Macrini L. Jiménez P. Using the Penn State Worry Questionnaire to identify individuals with generalized anxiety disorder: a receiver operating characteristic analysis. Metzger RL.13(1):431-43. Mennin DS. Freeston MH. Rhéaume J. 1992. Borkovec TD. Cheniaux E. Worrying: perspectives on theory. Chorot P. Landeira-Fernandez J. Tallis F. Anxiety and its disorders. American Psychiatric Association.28(6):487-95. Translation and validation of a French version of the Penn State Worry Questionnaire. Behar E. Santed MA. 5th ed. 5-33. Can Psychol. Heimberg RG.

[ 5. em 1987.3 ] ESCALA DE ANSIEDADE SOCIAL DE LIEBOWITZ (LSAS) Mauro Barbosa Terra. vários estudos foram realizados com a LSAS. diferem apenas quanto às instruções de preenchimento. a LSAS foi criada para ser heteroadministrada. por Heimberg e colaboradores. envolvendo aferições psicométricas da versão original e validações transculturais. Flávia de Lima Osório A Escala de Ansiedade Social de Liebowitz (Liebowitz Social Anxiety Scale – LSAS) foi a pri​meira escala desenvolvida para avaliação da ansiedade/fobia social como resposta à escassez de instrumentos disponíveis. para avaliar as dificuldades de interação social. até então. Foi criada por Michel Liebowitz. e objetiva avaliar os sentimentos de medo e ansiedade experimentados pelo sujeito em situações sociais e de performance pública.3 ●VERSÕES A princípio. Ambas as versões de avaliação têm sido amplamente estudadas em relação . As versões auto e hetero são constituídas pelos mesmos itens e formas de pontuação. Seu primeiro estudo psicométrico foi realizado apenas em 1999. sendo também a mais utilizada em estudos clínicos. porém foi adaptada posteriormente para ser utilizada por meio de autoavaliação.2 a escala é considerada um instrumento padrão-ouro para avaliação do transtorno de ansiedade social (TAS). comumente relatadas por indivíduos acometidos pelo ​transtorno. nos Estados Unidos. Segundo o estudo de revisão realizado por Osório.1 Posteriormente.

medo total. 1 = pouco/ocasionalmente. divididos em duas subescalas: interação social (11 itens) e situações de performance (13 itens). o que tem estimulado o estudo de versões para outros idiomas. o sujeito se autoavalia de acordo com as instruções adaptadas e propostas por dos Santos e colaboradores. a saber: hebraico. Uma versão específica para uso em crianças e adolescentes (Liebowitz Social Anxiety Scale for Children and Adolescents – LSAS-CA) foi desenvolvida por Masia-Warner e colaboradores. turco e japonês. Na versão heteroadministrada. apresentando excelentes indicadores. Idealmente. evitação de performance e evitação total. Para sujeitos com dificuldades de leitura e/ou de . e o escore total é calculado por meio da soma da pontuação obtida em cada um dos itens. ●DESCRIÇÃO DO INSTRUMENTO A LSAS é composta por 24 itens.5 ●APLICAÇÃO A versão autoadministrada da LSAS leva cerca de 5 a 10 minutos para ser preenchida. pontuando o instrumento na sequência. espanhol. 2 = moderado/frequentemente. incluindo indivíduos da comunidade e pacientes com transtornos psiquiátricos. 3 = profundo/geralmente). medo de performance. português (Brasil). Seus itens são pontuados em uma escala Likert de 4 pontos (0 = nenhum/nunca. evitação de interação social. em idade acima de 18 anos. pontuar os itens da escala. é possível obter escores parciais: medo de interação social. Na versão autoaplicada.às suas qualidades psicométricas. em seguida. o clínico questiona e avalia junto ao paciente a intensidade de seus medos/evitações ante as diferentes situações ao longo da última semana. francês. sendo o escore máximo de 144 pontos. Paralelamente. o sujeito deve ler as instruções e.4 ●PÚBLICO-ALVO A LSAS foi proposta para ser utilizada com adultos.

A versão heteroaplicada é baseada em uma entrevista.1 Posteriormente. bem como qual a intensidade do seu medo/ansiedade e a frequência da evitação. com o aplicador lendo as perguntas e fazendo a ancoragem de pontuação de forma neutra. estrutura fatorial.3. avaliando aspectos relativos a validade. mas não define o diagnóstico clínico de TAS. a LSAS aponta a presença e o grau de sintomas fóbicos sociais. ●PARÂMETROS PSICOMÉTRICOS O primeiro estudo psicométrico desenvolvido com a LSAS foi realizado por Heimberg e colaboradores. Assim. CUIDADOS NA APLICAÇÃO Não são necessários cuidados especiais para a apli​cação da escala. diversos outros estudos foram sendo realizados. devendo seu resultado ser interpretado por um profissional com experiência clínica. a aplicação poderá ser assistida. Um breve resumo desses estudos pode ser evidenciado na Tabela 5. em que é perguntado se o sujeito sente medo ou ansiedade e se evita as várias situações descritas na escala. TABELA 5.3. além da presença do medo e da evitação.baixa escolaridade. é essencial que exista um prejuízo funcional ou sofrimento clinicamente significativo. pois para esse diagnóstico.1. ●INTERPRETAÇÃO DAS PONTUAÇÕES Na interpretação do escore.1 ► PRINCIPAIS ESTUDOS PSICOMÉTRICOS REALIZADOS COM A LSAS PROPRIEDADES PSICOMÉTRICAS AUTOR/VERSÃO/PAÍS AMOSTRA CI VC VDiv VDis VP EF C Bobes e colaboradores n = 57 (adultos) TAS e NC • • • • • (1999)/H (Espanha) . confiabilidade e transculturalidade. a pontuação obtida não reflete a presença ou ausência do TAS.

TAS e NC • • • • Romm e colaboradores n = 144 (adultos) TAS e NC em 1º • • (2011)/A (Noruega) episódio psicótico Sugawara e n = 929 (adultos) PG • • colaboradores(2012)/A (Japão) Santos e colaboradores n = 667 (adultos) PG e TAS • • • • (2013)/A (Brasil) A: versão autoaplicada. TAS: transtorno de ansiedade social. H: versão heteroaplicada. OTA: outros transtornos de ansiedade. OTA e NC • • (EUA) Kummer e colaboradores n = 90 (adultos) pacientes com • (2008)/H (Brasil) Parkinson Rytwinski e colaboradores n = 344 (adultos) TAS e NC • (2009)/A (EUA) Beard e colaboradores n = 97 (adultos) TAS e OTA • • • (2011)/A (EUA) Forni-Santos (2011)/A (Brazil) n = 665 (adultos) PG.Heimberg e colaboradores n = 382 (adultos) TAS • • • • (1999)/H (EUA) Safren e colaboradores n = 382 (adultos) TAS • • • (1999)/H (EUA) Yao e colaboradores n = 160 (adultos) TAS e NC • • • • (1999)/AH (França) Fresco e colaboradores n = 152 (adultos) TAS e NC • • • (2001)/H (EUA) Levin e colaboradores (2002)/A n = 207 (adultos) TAS e OTA • • • • • • (Israel) Baker e colaboradores n = 175 (adultos) TAS • • • • • • (2002)/A (EUA) Mennin e colaboradores n = 389 (adultos) TAS e NC • (2002)/H (EUA) Oakman e colaboradores n = 188 (adultos) TAS e OTA • • • (2003)/A (Canadá) Soykan e colaboradores n = 168 (adultos) TAS. NC: não casos. CI: consistência interna. VC: . OTA e NC • • • • • (2003)/H (Turquia) Terra e colaboradores (2006)/H n = 300 (adultos) • • (Brasil) alcoolistas hospitalizados Heimberg e Holaway (2007)/H n = 107 (adultos) TAS. PG: população em geral.

Considerando a alta associação entre o TAS e a depressão (comorbidade). Forni dos Santos e .47-0. Outros estudos procuraram avaliar as especificidades da LSAS em relação a medidas gerais de ansiedade. o que confere. Os valores de correlação encontrados foram satisfatórios (SIAS: r = 0. pode-se citar o estudo de Heimberg e Holaway. SPIN: r = 0. evidenciando correlações que va​riaram entre 0.21 e 0. BSPS: r = 0. escalas que avaliam diferentes aspectos relacionados ao TAS: comportamentos. VALIDADE DISCRIMINATIVA Todos os estudos que avaliaram a capacidade discriminativa da LSAS evidenciaram que os sujeitos com TAS pontuaram de forma significativamente maior o instrumento do que aqueles sem a doença ou com outros transtornos de ansiedade. ainda assim.25-0. e apontando para a necessidade de escalas específicas para avaliação do TAS.48) apresentam- se em um intervalo me​​dia​no. a adequação dessa medida.2 VALIDADE CONCORRENTE E DIVERGENTE A validade concorrente da LSAS foi estudada em relação à Escala de Ansiedade de Interação Social (SIAS). VDiv: validade divergente.81). EF: estrutura fatorial.51-0. SPS: r = 0. VP: validade preditiva. considerando as especificidades de cada instrumento. ansiedade antecipatória e de performance. à Escala de Fobia Social (SPS). à Escala Breve de Fobia Social (BSPS) e ao Inventário de Fobia Social (SPIN). VDis: validade discriminativa. dada a sobreposição dos construtos. que se justificam pelas diversidades amostrais e culturais.validade concorrente. respostas afetivas. como o Inventário de Ansieda​de de Beck (BAI).6 no qual o grupo de pacientes com TAS obteve média de pontuação 56% superior à daqueles com ansiedade generalizada e 82% maior em relação à dos indivíduos saudáveis. Em relação aos estudos que avaliaram as notas de corte mais adequadas para o possível diagnóstico de TAS. Como exemplo.33-0. foram encontrados alguns resultados contrastantes. Especialmente em relação aos estudos brasileiros.80. os valores encontrados (r = 0.49-0. A validade divergente foi estudada em relação a diferentes escalas de rastreamento de depressão. cognições. Fonte: Com base em Osório.80.84. C: confiabilidade. sinalizando a validade tanto convergente como divergente da escala.58.

as notas 41 e 42 foram as que melhor equilibraram a especificidade e a sensibilidade da escala nessa população específica. ansiedade de ingesta/alimentação. Para o contexto brasileiro.9 que utilizaram uma amostra de alcoolistas hospitalizados e propuseram uma solução de cinco fatores: falar em público (α = 0. em sujeitos com doença de Parkinson.87). Em contrapartida. Quanto à consistência interna. Esse modelo é composto pelos seguintes fatores: ansiedade de interação social. CONFIABILIDADE E CONSISTÊNCIA INTERNA A confiabilidade teste-reteste da LSAS foi avaliada em seis estudos. em função do uso de outras amostras e técnicas estatísticas. atitudes de confrontação e desacordo (α = 0. por meio de análise fatorial confirmatória.98. ansiedade de performance pública e ansiedade de assertividade. com 92% de acurácia. pode-se destacar o estudo de Terra e colaboradores. que o modelo de cinco fatores. Contudo. especialmente nos estudos brasileiros.97). apontando para a adequada estabilidade temporal da LSAS. mas não quantifica os . os índices en​con​trados foram excelentes.86) e interação social em atividades de lazer (α = 0. atividades públicas (α = 0.10 apresentava a melhor solução. ESTRUTURA FATORIAL O primeiro estudo realizado com esse propósito apontou que a LSAS é composta por dois fatores: medo e evitação. ansiedade de performance não verbal.7 o qual apontou.96.83). interação social com estranhos (α = 0.78-0. investigações subsequentes encontraram diferentes soluções fatoriais. Kummer e colaboradores8 apontaram que.87).90 e 0. com intervalos de tempo entre 1 ou 2 semanas.91). com valores entre 0. Os indicadores encontrados foram excelentes (r = 0.colaboradores7 sugeriram que a nota de corte 32 é a mais adequada para discriminar os casos de TAS dos não casos. Destaca-se também o estudo de Forni dos Santos e colaboradores. esse indicador psicométrico variou entre 0. Nos estudos brasileiros. previamente proposto por Baker e colaboradores.61 e 0. ●LIMITAÇÕES E FATORES QUE AFETAM A PONTUAÇÃO Uma limitação da LSAS é que o instrumento rastreia os medos e as evitações em situações de interação social e de desempenho.

como a LSAS. ●FORMAS DE AQUISIÇÃO A LSAS é um instrumento de acesso livre.29(1):199-212. em vários países. 1999. é fundamental.sintomas fisiológicos que são característicos no TAS. Safren SA. Psychol Med. poderiam ocasionar alterações no resultado final. Assim. já que o TAS permanece sendo um transtorno subdiagnosticado. . Psychometric properties of the Liebowitz Social Anxiety Scale. os escores poderiam ser minimizados ou exagerados pelos respondentes. as quais apoiam seu uso para rastreamento do TAS. determinadas condições de aplicação da escala. tendo uma validade concorrente e divergente satisfatórias. ●REFERÊNCIAS 1. e sua identificação precoce pode levar a um melhor prognóstico. Horner KJ. Vários estudos apontam as boas propriedades psicométricas da escala. um instrumento que visa a uma definição de um diagnóstico de TAS. tendo sido traduzida para alguns idiomas. Juster HR. Brown EJ. portanto. podendo ser utilizada em diferentes contextos clínicos e em suas versões auto e heteroadministradas. evitando o desenvolvimento de possíveis comorbidades. não sendo. Também é importante ressaltar que a LSAS é uma escala utilizada para rastreamento de sintomas fóbicos sociais. no entanto. como o preenchimento na frente de outras pessoas. devendo. et al. ser citada sua autoria. validade discriminativa significativa e excelente consistência interna e confiabilidade teste-reteste. O uso de escalas de rastreamento. Schneier FR. como o português. Heimberg RG. ●CONSIDERAÇÕES FINAIS A LSAS foi a primeira escala criada para avaliação de sintomas fóbicos sociais e continua sendo uma das mais utilizadas para esse fim. Além disso.

2013. 2003. Loureiro SR. Crippa JAS. Cardoso F. Terra MB. 3. New York: Nova Science. 2. Heinrichs N. Heimberg RG. Internal consistency and factor structure of the Portuguese version of the Liebowitz Social Anxiety Scale among alcoholic patients. The Liebowitz Social Anxiety Scale for children and adolescents: an initial psychometric investigation.23(12):1739-43.28(4):265-69.24(7):447-54. Osório FL. Hallak JEC. 2011. 9. 4. Osório FL. Kummer A. 2008.8(7): e70235. 6. Teixeira AL. PloS One. 2013. Athayde LD. Pincus DB. Kim HJ. dos Santos LF. Baker SL. 5. Loureiro SR. The Liebowitz Social Anxiety Scale as a self-report instrument: a preliminary psychometric analysis. Psychometric validation study of Liebowitz Social Anxiety Scale: self-reported version for Brazilian Portuguese. Klein RG. Forni dos Santos L.17(2):139-43. Osório FL. Holaway RM. Loureiro SR. Pharmacological treatments for social anxiety disorder: are there new parameters today? Rev Psiq Clin. et al. Behav Res Ther. Depress Anxiety. Frequency of social phobia and psychometric properties of the Liebowitz Social Anxiety Scale in Parkinson’s Disease. Social anxiety disorder: from research to practice. Adaptation and initial psychometric study of the self-report version of Liebowitz Social Anxiety Scale (LSAS-SR). 2002. 2000. Rev Bras Psiquiatr. Liebowitz MR. 7. . Osório FL. 2006. Figueira I. 8.38(6):238-46. Heimberg RG. Crippa JAS.42(9):1076-84. Crippa JAS.40(6):701-15. Masia-Warner C. Examination of the known-groups validity of the Liebowitz Social Anxiety Scale. 2013. Barros HM. Stein AT. Mov Disord. Hofmann SG. Santos LF. J Am Acad Child Adolesc Psychiatry. Gonçalves Mide S. 10. Int J Psychiatry Clin. Storch EA.

3 A versão em português do Brasil – SPAI Português . ●INVENTÁRIO DE ANSIEDADE E FOBIA SOCIAL (SPAI) VERSÕES O Inventário de Ansiedade e Fobia Social (Social Phobia and Anxiety Inventory – SPAI). é uma categoria diagnóstica prevalente. desenvolvido por Turner e colaboradores2 para rastreamento de prováveis casos de FS. Gabriel J. medo e evitação nas situações sociais.4 ] INSTRUMENTOS PARA AVALIAÇÃO DE FOBIA E ANSIEDADE SOCIAL Patrícia Picon. adolescentes e crianças.2. e alguns serão descritos a seguir. Foi definida como o medo acentuado e persistente de uma ou mais situações sociais em que o indivíduo sente-se exposto a um possível escrutínio e teme agir de forma a ser humilhado acompanhado de marcada ansiedade e evitação. ou transtorno de ansiedade social (TAS). A fobia social (FS). obedeceu aos padrões técnicos da Associação de Psicologia Americana e já foi traduzido para mais de 10 idiomas. com altas taxas de comorbidade. Chittó Gauer Ansiedade social refere-se ao desconforto. para adultos. de curso crônico e limitante. [ 5. Flávia de Lima Osório. avaliação de gravidade de sintomas de ansiedade social e aferição de melhora clínica em estudos de intervenção terapêutica. existem diversos instrumentos validados no Brasil para rastreamento e quantificação de ansiedade e FS. bem como validado em diferentes culturas.1 Hoje.

6 PARÂMETROS PSICOMÉTRICOS DA VERSÃO ORIGINAL E DA VERSÃO EM PORTUGUÊS O SPAI apresenta propriedades psicométricas adequadamente investigadas em vários estudos e em diferentes culturas.3 PÚBLICO-ALVO O SPAI pode ser aplicado em adultos e adolescentes com 14 anos ou mais e em amostras populacionais ou clínicas. mas sua aplicação isolada não deve ser utilizada para confirmação de diagnóstico. validade de face e de conteúdo. possível fobia social leve (escore entre 59 e 34) ou fobia social improvável (escore < 34). bem documentadas em seu . externa. O tempo de administração é de 20 a 30 minutos e exige 6 anos de escolaridade.2 APLICAÇÃO Recomenda-se aplicação sob supervisão de profis​sionais das áreas de psicologia. O ponto de corte discriminativo é 80 para identificação de prováveis casos de FS ou TAS.2. validada por Picon e colaboradores. medicina. Subtraindo o escore de agorafobia do escore de fobia social obtém-se o escore diferencial SPAI. preditiva. com forte correlação com SPAI 45 itens. escore diferencial SPAI: provável fobia social (escore ≥ 80). O instrumento apresenta uma versão abreviada (23 itens). de rastreamento rápido. confiabilidade teste-reteste. concorrente. convergente e discriminativa e sensibilidade a mudanças do SPAI em amostras norte- americanas e de outros países. Diversos estudos demonstraram excelente consistência interna.– foi realizada por Picon e colaboradores4. fatorial. com base na teoria de resposta ao item. possível fobia social (escore entre 79 e 60).5 e. o indivíduo é classificado – escore agorafobia: portador de possível transtorno de pânico (escore ≥ 39) ou transtorno de pânico improvável (escore < 39).4.5 DESCRIÇÃO DO INSTRUMENTO O SPAI é um inventário de autoavaliação com 45 itens e duas subescalas: fobia social (32 itens) e agorafobia (13 itens). serviço social e demais áreas da saúde. posteriormente.4 mas necessita de mais estudos de validação transcultural.3.6 Após o cálculo dos escores.

3 Picon e colaboradores4. com sensibilidade de 97. Os resultados de confiabilidade foram excelentes para os três escores. Um estudo com amostra de 213 universitários demonstrou estabilidade temporal (14 dias) do escore diferencial (correlação intraclasse 0. Os achados revelaram validade divergente com escalas que avaliavam tipos distintos de ansiedade e de depressão (BAI. A acurácia total do SPAI Português na discriminação dos três grupos foi de 82.3%. O ponto de corte 79. O SPAI Português foi adaptado à cultura brasileira por tradução e retrotradução. IDATE E BDI).1). cognitivo e somático.5 procederam à validação do SPAI Português por meio de vários estudos conduzidos em amostras brasileiras populacional (1.3 A validade fatorial em análises de componentes principais com rotação varimax e confirmatórias por mínimos quadrados não ponderados reproduziu achados de outros estudos.83) sem diferença entre gêneros.014 universitários mostrou alfa de Cronbach 0.4 Em uma amostra clínica (96 indivíduos: 45 TAS.1 ► MÉDIAS DOS ESCORES DE FOBIA SOCIAL E AGORAFOBIA E . validade de critério e validades de construto convergente.5 utilizando-se avaliação clínica com MINI Entrevista Neuropsiquiátrica Internacional como padrão-ouro. O SPAI Português em amostra por conglomerados de 1. 40 transtorno de pânico e 11 transtorno obsessivo- compulsivo) de diferentes níveis educacionais.95 SPAI Português.98.96 subescala fobia social e 0. A taxa de concordância entre peritos na análise de ​conteúdo de itens (45) por matriz de dupla entrada é de 100%.4.manual e na literatura. foram avaliadas confiabilidade.5 apresen​tou o melhor desempenho. A área sob a curva ROC foi de 0. que explicaram 57.87) e estudo de praticidade e utilidade por taxas de adesão (95. A subescala fobia social teve melhor ajuste em modelo oblíquo de quatro fatores. Os dados obtiveram melhor ajuste em modelo oblíquo de dois fatores: fobia social e ago​rafobia.8% e especificidade de 98.014 universitários) e clínica (96 indivíduos com transtornos de ansiedade) de adultos (Tab. 5.0%) em amostra populacional (n = 365). As validades de conteúdo e de face foram perfeitamente aceitáveis.8% da variância: interações sociais.7%) e de preenchimento inadequado (4. foco de atenção e evitação.0%. TABELA 5.3.85 subescala agorafobia. 0. divergente e discriminativa.2. avaliação de validade de face e de conteúdo.4. equivalência linguística com confiabilidade teste-reteste das versões em português e inglês em bilíngues (r = 0.

ou North Tonawanda (NY). validades de critério.202 (28.7) 0.6) * Test t de Student.000 SPAI** (24. Constance .3 EXPERIÊNCIA E CONCLUSÕES O SPAI Português apresenta equivalência linguística.6 (24. Fonte: Baseada em Picon. Foi validado em amostras populacionais e clínicas de adultos e adolescentes.5 (24.5 48.070 (12.7 O SPAI tem um número elevado de itens.7 15. ESCORE DIFERENCIAL DO SPAI PORTUGUÊS EM AMOSTRAS BRASILEIRAS POPULACIONAIS DE ESTUDANTES UNIVERSITÁRIOS E AMOSTRA CLÍNICA DE FOBIA SOCIAL (FS) E OUTROS TRANSTORNOS DE ANSIEDADE (TP/TOC) AMOSTRA POPULACIONAL n = 213 AMOSTRA CLÍNICA n = 96 ♀ ♂ TOTAL FS TP/TOC n = 110 n = 103 n = 213 P* n = 45 n = 51 P* MÉDIA MÉDIA ESCORES (DP) (DP) MÉDIA (DP) MÉDIA (DP) Fobia social 69.5) 0.3 64. porém trata-se de uma escala de au​toavaliação de fácil aplicação e excelente perfil psicométrico. com sedes em Toronto (Ontário).8 (28. ** Escore diferencial SPAI: calculado por meio da subtração do escore agorafobia do escore fobia social obtidos com o SPAI Português.6) Agorafobia 18.1) 0. holandesa e australiana. convergente. espanhola.1) 0. estabilidade temporal e validade de construto fatorial. com validade de face e conteúdo. de autoria de Samuel M. consistência interna. divergente e discriminativa demonstradas reproduzindo resultados de amostras norte- americanas.7 (11. semântica e conceitual. p bicaudado. não necessita de treinamento especial de técnicos e apresenta subescala de agorafobia. Estados Unidos.3 (12.2) Diferencial 50. Turner.2 (28. Canadá.7) 66.3 FORMAS DE AQUISIÇÃO O SPAI Português pode ser adquirido na editora Multi-Health Systems Incorporation.1) (29.2) 49.542 144. onde foi publicado como SPAI – Social Phobia and Anxiety Inventory.8) 17.2 54.1 (31. um diagnóstico diferencial importante.

8 A editora não au​toriza a reprodução do SPAI. somados. Dancu e Deborah C. ser observado. VERSÕES A BSPS foi originalmente proposta em língua inglesa e depois foi traduzida para o português do Brasil por Osório e colaboradores. acima de 18 anos. evitação e sintomas fisiológicos) pontuados em uma escala Likert de 5 pontos (0 = nenhum. proposto por Davidson e colaboradores. sintomas fisiológicos. 4 = extremo [incapacidade/muito dolorosamente angustiante]).V. . Tal roteiro consiste em um grupo de perguntas agrupadas em seis categorias de investigação: reuniões sociais. ficar envergonhado e sentir-se criticado. Osório e colaboradores11 propuseram um roteiro de perguntas-guia para a realização dessa entrevista. sendo muito utilizado em estudos farmacológicos. produzem um escore total de 0 a 76 pontos. Beidel. seu uso pode ser estendido para a população de adolescentes. A escala deve ser pontuada após a realização de uma entrevista clínica.10 DESCRIÇÃO DO INSTRUMENTO A BSPS é composta por 18 itens divididos em três subescalas (medo. embora não existam estudos psicométricos com essa faixa etária. PÚBLICO-ALVO A BSPS foi desenvolvida para ser utilizada em indivíduos adultos. Por ser uma escala heteroaplicada. traduzido para o português por Patrícia Picon e Gabriel Gauer.6 ●ESCALA BREVE DE FOBIA SOCIAL (BSPS) A Escala Breve de Fobia Social (Brief Social Phobia Scale – BSPS) é um instrumento heteroaplicável. APLICAÇÃO A administração da BSPS deve ser feita por um clínico experiente e treinado. De forma a padronizar a aplicação da BSPS.9 com o objetivo de rastrear e quantificar os diferentes sintomas característicos da ansiedade social (TAS). com foco nos principais sinais e sintomas do TAS. falar/conversar. que.

uma escala de heteroavaliação do TAS. as correlações variaram de 0. os índices encontrados foram compatíveis: 0. com sensibilidade de 0. uma escala de autoavaliação do TAS. A análise fatorial exploratória do estudo ori​ginal apontou a presença de seis fatores. O tempo médio para aplicação da escala com o uso do roteiro varia em torno de 5 a 30 minutos.34. com intervalo de uma semana. especificidade de 0.82 e 0.10 com amostras de casos (n = 88) e não casos de TAS (n = 90). A BSPS mostrou-se capaz de discriminar os efeitos associados a tratamentos farmacológicos do TAS.83 e eficácia diagnóstica de 85% para a nota de corte entre 18 e 19. A versão brasileira foi estudada quanto à confiabilidade interavaliadores. o estudo de Osório e colaboradores10 apontou a excelência desse indicador. dependendo da sintomatologia apresentada pelo sujeito. por Osório e colaboradores. posteriormente.48 a 0. com autovalores entre 5. a BSPS foi correlacionada com o Inventário de Fobia Social (SPIN). No estudo brasileiro. o mesmo ocorrendo com a FNE (0.88.91. A confiabilidade da escala foi aferida no estudo da versão em inglês por meio da técnica teste-reteste. O estudo original da validade concorrente foi realizado tendo-se como parâmetros a Escala de Ansiedade Social de Liebowitz (LSAS). tendo-se como parâmetro o coeficiente de correlação intraclasse. evidenciando sua validade preditiva.51). uma escala geral de ansiedade.43 a 0. e os valores encontrados foram de 0.70 a 0.60 a 0.62. A consistência interna avaliada pelo alfa de Cronbach. PARÂMETROS PSICOMÉTRICOS DA VERSÃO ORIGINAL E DA VERSÃO EM PORTUGUÊS O estudo das qualidades psicométricas da BSPS foi realizado em 1997. cujos índices variaram de 0. respectivamente.92 a 1. evidenciando valor de 0. a Escala de Medo de Avaliação Negativa (FNE) e a Escala de Ansiedade de Hamilton (HAM-A). No que diz respeito à validade discriminativa.00 e 1. por Davidson e colaboradores. os valores encontrados foram expressivos (0.88.00.07 – fator 1: medos e evitações .20 a 0. No estudo do Brasil.72). e com o Inventário de Ansiedade de Beck (BAI).12 com uma amostra de casos de TAS (n = 275).91. no estudo original. Já com a HAM-A. Quanto às correlações com a LSAS. uma escala geral de ansiedade. e. variou para a escala total e subescalas de 0.

79% da variância dos dados. Acredita-se que esse instrumento possa ser mais bem explorado em novos estudos. fator 5: medo e evitação de eventos sociais.4.I ► ESCALA BREVE DE FOBIA SOCIAL (BSPS) . CONSIDERAÇÕES FINAIS A BSPS mostra-se um excelente instrumento para avaliação do TAS. Em geral. é de uso livre. FORMAS DE AQUISIÇÃO A BSPS. sendo necessário cautela ao utilizá-la. devendo apenas ser citada a fonte. Seu uso para rastreamento é restrito. a BSPS. em acordo com dados prévios da literatura de que tanto a prevalência como a sintomatologia do TAS são mais expressivas no grupo feminino. bem como os limites relativos à forma de aplicação. que requer conhecimento clínico e treinamento prévio. dada a necessidade de familiarização com a escala e conhecimento clínico prévio. os fatores explicaram 71. fator 3: medo e evitação de fazer algo sendo observado. com índices bastante satisfatórios de validade e confiabilidade.4. em sua versão para o português do Brasil (Formulário 5. mostrou-se bastante adequada quando avaliada em relação às suas qualidades psicométricas. que não permitem o uso em ampla escala em um período restrito de tempo. FORMULÁRIO 5. em sua versão para o português do Brasil. fator 4: medo e evitação de falar em público. Por tratar-se de uma escala de heteroaplicação. fator 6: medo de falar com estranhos. Em geral. fator 2: sintomas fisiológicos. envolvendo diferentes culturas. mas sobretudo no de pesquisa. Até o momento. análises fatoriais confirmatórias não foram realizadas em relação à BSPS. a pontuação pode também ser afetada de forma negativa. a solução mais adequada também foi composta por seis fatores.I).gerais. podendo ser utilizada tanto no contexto clínico. No estudo brasileiro. quanto em ensaios clínicos e estudos de seguimento longitudinal.12 FATORES QUE AFETAM A PONTUAÇÃO As mulheres tendem a apresentar maior média de pontuação na escala. em acordo ao estudo original de Davidson e colaboradores.

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17).8. Já o Mini​-​S​PIN é composto por três itens do SPIN. encontram-se disponíveis nos seguintes idiomas: português (Brasil).9. 15). italiano. Os itens são divididos em três subescalas: medo (itens 1. DESCRIÇÃO DO INSTRUMENTO O SPIN é composto por 17 itens avaliados em uma escala Likert de 5 pontos (0 = nada.Fonte: Osório e colaboradores. Mais tarde. finlandês. em um estudo psicométrico. 14.13 em função da ausência de ferramentas que também avaliassem os aspectos fisiológicos do TAS e que fossem de aplicação rápida e fácil. passaram a ser muito utilizados na avaliação de adolescentes. alemão. Sua pontuação é feita de forma idêntica à do SPIN. e. sendo 68 o escore total máximo. denominada Mini-SPIN. uma versão reduzida.11. foi proposta pelos mesmos autores. 10. várias traduções transculturais de ambos os instrumentos foram realizadas. 5. espanhol. os quais.7.6. 3. PÚBLICO-ALVO Ambos os instrumentos foram desenvolvidos pa​ra uso na população adulta e. bem como naqueles com demandas clínicas já conheci​das. 9 e 15). VERSÕES O SPIN foi publicado originalmente em língua inglesa.10 ●INVENTÁRIO DE FOBIA SOCIAL (SPIN) O Inventário de Fobia Social (SPIN) é um instrumento de autoavaliação. incluindo indivíduos da população em geral. francês. evitação (itens 4. em que o foco é o rastreamento. posteriormente.12. implicando pouco custo e tempo.13. 4 = extremamente). APLICAÇÃO .14 Nos últimos anos. mandarim e japonês.16) e sintomas fisiológicos (itens 2. cujo objetivo principal é a quantificação de sin​tomas. desenvolvido pelo mesmo grupo de pesquisadores que propuseram a BSPS. sendo 12 o escore máximo. se mostraram mais discriminativos (itens 6. atual​mente.

TABELA 5. PARÂMETROS PSICOMÉTRICOS O SPIN e o Mini-SPIN vêm sendo amplamente estudados quanto às suas qualidades psicométricas. NC • • • • • • SPIN Connor e colaboradores. O sujeito. 2007 (Brasil) n = 2.2 apresenta informações relativas aos principais estudos realizados. 2006 n = 74 (adolescentes) PG • • • • (EUA) SPIN Antony e colaboradores.320 (universitários) PG • Mini-SPIN Weeks e colaboradores.2 ► PRINCIPAIS ESTUDOS PSICOMÉTRICOS REALIZADOS COM O SPIN E O MINI-SPIN PROPRIEDADES PSICOMÉTRICAS AUTOR/AMOSTRA/PAÍS/INSTRUMENTO CI VC VDIV VDIS EF C Connor e colaboradores. de forma neutra.A aplicação das escalas ocorre de forma autoapli​cada. A Tabela 5. 2006 n = 251 (adultos) OTA • • • • • (Canadá) SPIN Radomsky e colaboradores. 2000 (EUA) n = 353 (adultos) TAS. após a leitura das instruções. Pa​ra indivíduos com baixa escolaridade e dificulda​des de leitura.4. 2007 n = 752 (adolescentes) PG • • (Finlândia) SPIN Osório e colaboradores. cada um dos itens e respecti​vas possibilidades de escore. 2006 n = 202 (universitários) PG • • • • (Canadá) SPIN Ranta e colaboradores. 2002 (Brasil) n = 190 (adolescentes) PG • • • SPIN Johnson e colaboradores.165 (adultos) PG • Mini-SPIN Vilete e colaboradores. pon​​tua a escala em função de suas percepções. O tempo médio de aplicação é de cerca de 3 a 4 minutos para o SPIN e de 1 minuto para o Mini-SPIN. 2007 n = 291 (adultos) TAS • • • • (Austrália) Mini-SPIN .4. a aplicação pode ser assistida: o aplicador lê. 2001 (EUA) n = 7.

2012 n = 315 (adolescentes) PG • (Finlândia) Mini-SPIN Nagata e colaboradores.393 (adolescentes) PG • • • SPIN Osório e colaboradores. compostas por universitários e adolescentes. OTA: outros transtornos de ansiedade. VDis: validade discriminativa. NC • • • • (Austrália) Mini-SPIN Osório e colaboradores. serão destacados os principais achados relativos aos estudos originais13. PG Ranta e colaboradores.78-0. 2010 (Brasil) n = 2. confiabilidade teste-reteste adequada (r = 0. EF: estrutura fatorial. VC: validade concorrente.Sosic e colaboradores.492 (universitários) TAS. No que diz respeito ao SPIN. C: confiabilidade Fonte: Baseada em Osório e colaboradores. PG: população em geral. CI: consistência interna. PG Garcia-Lopes e colaboradores. NC • • • SPIN Gori e colaboradores. 2008 n = 2.82).314 (universitários) PG • SPIN Seeley-Wait e colaboradores. seu estudo psicométrico original envolveu uma amostra de casos e não casos de TAS e sujeitos da população em geral (n = 353).314 (universitários) TAS.14 Adiante. a LSAS (r = 0.94. 2009 n = 242 (adultos) TAS. PG • SPIN NC: não casos. 2009 (China) n = 3.10. 2010 n = 192 (adolescentes) TAS. VP: validade preditiva. OTA Tsai e colaboradores. Quanto à validade concorrente. 2013 (Itália) n = 410 (adultos) TAS. NC • • • • (Espanha) SPIN Osório e colaboradores. 2009 (Brasil) n = 2. 2010 (Brasil) n = 2. NC. VDiv: validade divergente.57 a 0.89) e consistência interna variando de 0. Já os estudos brasileiros foram conduzidos com amostras clínicas e da população em geral. o instrumento demonstrou significativa correlação com a BSPS (r = 0. TAS: transtorno de ansiedade social. no estudo original. 2013 (Japão) n = 172 (adultos) TAS. • • • Mini-SPIN NC.14 e aos rea​lizados no Brasil. • • • • SPIN NC.043 (adolescentes e • • • • (Alemanha) SPIN adultos) TAS.47-0. evidenciaram-se.55) e o Fear .15 Em relação ao escore total e às subescalas.

73) e validade concorrente do Mini-SPIN com o SPIN (r = 0.67) e o BAI (r = 0. 0. evidenciou áreas sob a curva ROC com valores de 0.82 com a BSPS.64-0. e evitar ser o centro das atenções e falar em público. Para o Brasil.86.66 com o BAI e -0.84 para a nota de corte 19.20-0. alterações fisiológicas. No Brasil. apresentou sensibilidade de 88. de 87%. e a taxa de acerto diagnóstico. No Brasil.72 e especificidade de 0.7%.51 a 1. uma vez que não se correlacionou de forma significativa com esse instrumento. ainda. É . dada a principal característica desse instrumento. que é o rastreamento.78) no estudo de Connor e colaboradores. r = 0. No estudo de Connor e colabora​dores. que avalia aspectos gerais da saúde e da qualidade de vida. a maior parte focou-se no estudo da nota de corte.7 Já nos estudos de Osório e colaboradores. A validade divergente foi evidenciada em relação ao Medical Outcomes Study Short Form (SF36).33). os estudos exploratórios dos fatores sinalizaram composições diferentes. que apresentou sensibilidade de 78%.42-0. especificidade de 90% e eficiência diagnóstica de 90%.59 a 0. as correlações encontradas foram: 0. crítica e embaraçamento. em função da especificidade da amostra utilizada. estimando-se sensibilidade de 0.Questionnaire (FQ.25 a 0. a nota de corte sugerida encontra-se no intervalo de 19 a 21 pontos. a nota de corte sugerida pelo estudo de Osório e colaboradores13 é 7. pessoas de autoridade.88). de 85%. a validade discriminativa. sugerida como a mais adequada. e também em relação à Sheehan Disability Scale (SDS). Em relação aos estudos do Mini-SPIN. a especificidade. guardando pequenas correlações com essa escala (r = 0. a BSPS (r = 0.06: falar com estranhos e situações sociais.8 a nota de corte 6. A análise fatorial do instrumento para a amostra de casos apontou cinco fatores com autovalores variando de 5. especificidade de 68% e acurácia diagnóstica de 72%. ten​do-se como padrão-ouro a entrevista clínica. que avalia o nível de prejuízo no funcionamento global. Esses indicadores sinalizam a adequação desse parâmetro.83 a 0.40- 0. adequadas consistência interna (0.52).60 com a Self Statement of Public Speaking (SSPS). No estudo original. Foram evidenciadas.11 LIMITAÇÕES Uma importante limitação do SPIN e do Mini-​-SPIN no que diz respeito ao diagnóstico do TAS refere-se às suas características de rastreamento. cuja sensibilidade é de 86%.

Nos estudos em língua inglesa. FORMAS DE AQUISIÇÃO O SPIN e o Mini-SPIN são de uso livre.63). referendando seu uso como instrumento de triagem e favorecendo sua utilização em larga escala. Quanto ao Mini-SPIN.86). É constituído de 26 itens.95) e boa confiabilidade teste-reteste (r = 0. bem como adequada confiabilidade após 10 meses (r = 0.importante lembrar que o diagnóstico desse transtorno é clínico e que não pode ser realizado apenas pela aplicação da escala. especialmente em contextos primários de atenção à saúde. Por sua adequação. parece ter conseguido grande destaque entre os demais instrumentos disponíveis no contexto atual de pesquisas. suas qualidades psicométricas foram bastante próximas às encontradas para o SPIN. ainda. evitação e fisiológicos e sua forma prática e fácil de aplicação. o SPIN mostrou-se muito adequado para avaliar diferentes aspectos do TAS em diferentes culturas. aspectos essenciais para o diagnóstico. sua composição envolvendo os sintomas de medo. Vem sendo amplamente utilizado desde sua proposição em diferentes estudos empíricos. A versão para o português do Brasil do SPIN foi publicada originalmente na Revista Brasileira de Psiquiatria.13 Pesquisadores e clínicos podem utilizá-las. alguns dos quais envolvem opções de múltipla escolha. utilizando uma escala tipo Likert. que nenhum dos instrumentos avalia aspectos relativos ao prejuízo e ao sofrimento associados ao TAS. o SPAI-C apresentou consistência interna alta (alfa de Cronbach de 0. Destaca-se. CONSIDERAÇÕES FINAIS Em geral. bastando apenas citar a fonte. ●INVENTÁRIO DE ANSIEDADE E FOBIA SOCIAL – VERSÃO PARA CRIANÇAS (SPAI-C) O SPAI-C foi desenvolvido para avaliar fobia/ansiedade social (AS) em pessoas na faixa etária dos 8 aos 14 anos de idade e cursando ao menos o 3º ano da escola.14 e a do Mini-SPIN. na European Psychiatry.16 INTERPRETAÇÃO DAS PONTUAÇÕES .

DP = 5.9). Além de seus aspectos quantitativos. na segunda semana.16. e o alfa de Cronbach. DP = 9. de 19.9).18 Para verificar a sensibilidade do instrumento para mudanças clínicas. Os dois últimos grupos não diferiram significativamente entre si.8) que as institu​cio​‐ nalizadas (M = 12. A amostra foi submetida a uma intervenção farmacológica por um período de 12 semanas.89. e.1 (DP = 12. o escore médio foi de 33.883. desvio-padrão [DP] = 7. No tempo 1 (pré-tratamento). foi demonstrado que crianças com AS (grupo clínico) pontuaram significativamente mais alto no SPAI-C (média [M] = 33.004). O índice de correlação de Pearson foi de 0. frequentando duas escolas privadas e 11 públicas na Região Metropolitana de Porto Alegre. de 22. p = 0. foi encontrada redução significativa do escore total do SPAI-C nas semanas 8 e 12 em comparação ao pré-tratamento e às semanas 2 e 4 (F(4. mais significativo é o sofrimento para a criança.A interpretação pode ser feita por itens. os ​escores do SPAI-C em um grupo de crianças com AS foram comparados aos de uma amostra de infantes com transtorno da conduta (institucionalizadas) e sem transtornos mentais.18 PARÂMETROS PSICOMÉTRICOS DA VERSÃO EM PORTUGUÊS O processo de validação para o português do SPAI-C foi autorizado por seus autores por meio da Multi-Health Systems Incorporation (MHS-USA) e incluiu a tradução. 1 ou 2.952 crianças brasileiras em idade escolar entre 3a e 8a séries.981. porém não idêntica àquelas relatadas nos dois .16) = 6. de 0.6 (DP = 12. na décima segunda. na oitava. na amostra total.18 O instrumento foi aplicado em uma amostra de 1. foi avaliado um grupo de 20 adolescentes de ambos os sexos (14 do sexo feminino e 6 do sexo masculino) que tinham recebido o diagnóstico de AS mediante o uso da versão brasi​leira do K-SADS-E.8). Esse estudo evidencia que o SPAI-C é um instrumento sensível para detectar mudanças clínicas em adolescentes com AS.1) ou o grupo não clínico (M = 9. a retrotradução e a revisão final do material original do inglês para o ​português por Gauer e colaboradores. cada um deles é marcado como 0.18 A estrutura fatorial encontrada no estudo com a amostra comunitária de crianças brasileiras foi similar.17.5).0). O escore máximo é 52.8). Quanto mais itens marcados com 1 ou 2. o escore foi de 31. de 29. Por meio do teste de Bonferroni com análise post-hoc.59. o SPAI-C pode ser usado qualitativamente.83.017.16 Para obter a validade discriminativa.2 (DP = 9. na quarta semana. Utilizando-se análises múltiplas com o teste de Bonferroni.6 (DP = 12.6 (DP = 7.

mas não no primeiro. Somente o fator conversação geral não foi encontrado. não foi encontrado o fator conversação geral. e evitação. encontrado no segundo trabalho. SPAI: Social Phobia and Anxiety Inventory: manual. Foi detectada a assertividade como primeiro fator. O fator 4. foi encontrado evitação/encontros sociais. Como fator número 2. 1980. American Psychiatric Association. Contudo. com sedes em Toronto (Ontário). 1996. performance pública. New York: Multi-Health Systems. O fator 3. ou North Tonawanda (NY). 3. foi encontra​do no segundo estudo. encontrado no primeiro estudo. 2. Picon P. devido às suas propriedades psicométricas apropriadas. pode ser usado tanto em contextos clínicos como em ambientes de pesquisa. Dessa forma. similar aos estudos iniciais. em contrapartida. Diagnostic and statistical manual of mental disorders: DSM-III. Desenvolvimento da versão em português do Social Phobia and Anxiety Inventory (SPAI) e estudos de fidedignidade e validade em .estudos prévios realizados nos Estados Unidos. com o objetivo de que o instrumento venha a ser publicado também no Brasil. Canadá. onde foi publicado como SPAI-C: Social Phobia and Anxiety Inventory for Children. 3rd ed.18 CONSIDERAÇÕES FINAIS Os resultados das pesquisas demonstram que o SPAI-C e válido para avaliar AS em crianças brasileiras. Turner SM. Beidel DC. É interessante observar que os itens ​incluídos nesse fator são similares aos do fator encontro social tradicional.16. Washington: APA. ●REFERÊNCIAS 1. e. Os resultados dos estudos apresentados foram encaminhados para a Casa do Psicólogo. a maioria dos fatores encontrados nos estudos anteriores também foi observada na amostra brasileira. mas não no primeiro. foi similar aos estudos prévios. Dancu CV. Estados Unidos. FORMAS DE AQUISIÇÃO O SPAI-C Português está disponível para aquisição por meio da editora Multi-Health Systems Incorporation. sintomas físicos e cognitivos.

Belo Horizonte. Hirakata VN. Beidel DC. 1997. Osório FL. anxiety disorders association of america. Davidson JR. Manfro GG. Loureiro SR. Miner CM. Loureiro SR. 2010 March 4-7. 5. Anais do 22º Congresso Brasileiro de Psiquiatria. Eur Psychiatry. Osório FL. Loureiro SR. Psychol Med. 4. Crippa JAS. Churchill LE. Osório FL. Porto Alegre: Universidade Federal do Rio Grande do Sul. 13. Turner SM. Br J Psychiatry. Colket JT. Ford SM. 2007. The brief Social Phobia Scale. Sherwood A. Churchill LE. Potts NL. Picon P. 2001. Depress Anxiety. Connor KM. Katzelnick D. Crippa JAS.L. Mini- Spin: a brief screening assessment for generalized social anxiety disorder.25(3):178-88. 11. 6. Smith RD. Dancu CV. The brief Social Phobia Scale: a psychometric evaluation. Davidson JR. 9. 10. Osório FL.28(3):212-7.52(Suppl):48- 51. Hirakata V. Validade discriminante da versão em português brasileiro do Inventário de Ansiedade e Fobia Social (SPAI Português) em amostra clínica de portadores de transtorno de ansiedade. Connor KM.176:379-86. Gauer GJC. Cosner AFC. 2005. Tupler LA. SPAI: Social Phobia & Anxiety Inventory. Cross-cultural validation of the Brief Social Phobia Scale for use in Portuguese and the development of a structured interview guide. Loureiro SR. 12. Picon P. Davidson JR. et al. New self- rating scale. 2010. De Veaugh-Geiss J. Foa E. Kobak KA. Crippa JAS. J Clin Psychiatry. Manfro GG. Richichi EA.22(4):239- 43. Social Phobia and Anxiety Inventory Portuguese Version (SPAI Portuguese): factorial validity. 7. 14. Eur Psychiatr. Gauer GJC. amostras populacional e clínica brasileiras [tese PhD]. Krishnan KR. Weisler RH. Annual Conference. Fachel JMG. 2006. Psychometric properties of Social Phobia Inventory (SPIN). Beidel DC. 2000. Beidel DC. 1999. Crippa JAS. Potts N. 1991.14(2):137-40. Study of the psychometric qualities of the Brief Social Phobia Scale (BSPS) in Brazilian university students. Rev Bras Psiquiatr.27(1):161-6. A study of the discriminative validity of a screening tool (MINI-SPIN) for social anxiety disorder applied to Brazilian university students. 2006. 8. Cross-cultural validation of the Brazilian Portuguese version of the Social Phobia Inventory (SPIN): study . Baltimore. et al. North Tonawanda: Multi-Health Systems. Davidson JR.

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[ 5. Desse modo. pensamentos. Por exemplo. preocupações ou imagens. de neuroimagem e de resposta à terapia. Agrupam-se. Ana Gabriela Hounie Apesar de o transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) ser definido como uma entidade nosológica única pelo DSM-5. estudos mais recentes têm tentado simplificar essas diversas apresentações de sintomas e identificar subgrupos mais homogêneos de pacientes. Cinthia de A. limita a investigação de fatores preditivos de evolução e resposta ao tratamento e interfere no avanço de estudos genéticos. indivíduos de acordo com a idade de início dos sintomas ob​sessivos-compulsivos (SOCs) ou a presença de comorbidades. Piccinato. como os transtornos de tiques. como produtos mentais. tais como palavras.1 caracterizada pela presença de obsessões e/ou compulsões. por exemplo. As compulsões também podem variar bastante. medos. Assim. baseada na avaliação dimensional dos SOCs.5 ] ESCALA DIMENSIONAL DE SINTOMAS OBSESSIVO-COMPULSIVOS (DY-BOCS) Maria Conceição do Rosário. o uso de abordagens dimensionais tem se mostrado promissor. as obsessões podem se apresentar como qualquer substrato da mente. com dimensões de sintomas geradas por meio de análises fatoriais desses sintomas. . alguns autores têm proposto uma nova maneira de investigação clínica e psicopatológica. Essa enorme heterogeneidade na apresentação do TOC dificulta a generalização dos achados de estudos clínicos. sua apresentação clínica pode ser bastante heterogênea. in​cluindo a síndrome de Tourette. Patricia Velloso. Além dessas estratégias categoriais de identificação de subgrupos mais homogêneos de pacientes.

apresentavam pior resposta ao tratamen​to com os inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRSs). posteriormente.5 É interessante observar que tem sido relatado que essas dimensões são temporalmente estáveis – ou seja. Por exemplo. 2) obsessões de simetria e ordenação e compulsões de contagem e ordenação/arranjo. Alsobrook e ​‐ colaboradores10 e. sexuais.8 Estudos clínicos também demonstraram que pacientes com altos escores em algumas dimensões. Leckman e colaboradores2 realizaram o segundo estudo de análise fatorial dos SOCs (o primeiro foi realizado por Baer. Interpretou-se que esses resultados seriam compatíveis com um modelo autossômico dominante de herança. envolven​do mais de seis mil pacientes com TOC.6. Hanna e colaboradores11 relataram que 45% dos familiares de primeiro grau (FPGs) de pacientes com altos escores na dimensão “simetria/ordenação” apresentavam TOC clínico ou subclínico. bem como compulsões relacionadas. o que foi também confirmado por Leckman e colaboradores. Em 1997. sendo que muitas eram secundárias às limitações dos instrumentos de avaliação utilizados. 3) obsessões de contaminação e compulsões de limpeza e lavagem. so​máticas e religiosas. e 4) obsessões e compulsões de colecionismo.4. cerca de 26 estudos de análise fa​torial dos SOCs já foram publicados. quando Rauch e colaboradores13 indicaram que escores de gravidade da dimensão . especialmente “colecionismo” e “sexuais/re​ligiosos”. Desde então.6. essa variação ocorre dentro das mesmas dimensões sintomatológicas – e que o melhor fator preditivo do paciente ter sintomas em uma determinada dimensão em uma idade específica era ter apresentado outros na mesma dimensão em idades anteriores. apesar de os SOCs variarem ao longo do tempo.9 Estudos genéticos têm confirmado a importân​cia dessa abordagem dimensional em pacientes com TOC. em 1994)3 e encontraram quatro fatores ou dimensões sintomatológicas: 1) obsessões de agressão.12 Estudos de neuroimagem também têm relatado diferentes áreas de ativação dependendo da gravidade de dimensões específicas desde 1998.7 Os estudos que avaliaram a presença dessas dimensões de SOCs em crianças e adolescentes apresentaram poucas diferenças em relação aos resultados em adultos. com resultados surpreendentemente semelhantes aos encontrados por Leckman e colaboradores e consistentemente identificando de 3 a 5 dimensões ou fatores de SOCs.

Van den Heuvel e colaboradores14 demonstraram alterações específicas nas substâncias branca e cinzenta dependendo da gravidade de sintomas nas diferentes ​dimensões. genéticos. Assim. [3] a avaliação da gravidade dos SOCs de acordo com as diferentes dimensões pode trazer resultados mais precisos. A partir desses resultados. pois os sintomas são analisados de forma contínua. ficou claro que a Escala Yale-Brown para Sintomas Obsessivo-compulsivos (Y-BOCS). de neuroimagem e de resposta ao tratamento. DY-BOCS).“agressão e compulsões relacionadas” correlacionavam-se positivamente com o fluxo sanguíneo no estriado e não com outras regiões do cérebro.4. Os estudos iniciais da DY-BOCS foram conduzidos com a participação de diversos profissionais do Consórcio Brasileiro de Pesquisa em Transtorno Obsessivo-compulsivo (CTOC).16 ●VERSÕES A versão completa da DY-BOCS foi desenvolvida ao mesmo tempo em português e inglês e demonstrou ter excelentes validade e confiabilidade no . não abrangia as vantagens dessa proposta dimensional. os resultados desses estudos sugerem as seguintes conclusões: [1] existem vantagens em abordar o TOC como um transtorno dimensional em vez de categorial.5. incluindo pessoas que não preenchem critérios diagnósticos para TOC. [2] a abordagem dimensional dos SOCs pode ser útil em estudos clínicos. Em resumo.15 Essa “estabilidade de dimensões” reforça a ideia de que essas dimensões são mais promissoras para estudos clínicos do que a abordagem categorial dos SOCs. os professores James Leckman (do Yale Child Study Center) e Maria Conceição do Rosário (da Unidade de Psiquiatria da Infância e Adolescência – UPIA – da Universidade Federal de São Paulo – Unifesp) desenvolveram a Escala Dimensional para Avaliação de Presença e Gravidade dos Sintomas Obsessivo-compulsivos (Dimensional Yale-Brown Obsessive-Compulsive Scale. apesar de ser considerada o padrão-ouro no estudo de pacientes com TOC. Vários outros estudos de neuroimagem que utilizaram a DY-BOCS encontraram resultados semelhantes.

18 chinês19 e húngaro. o incômodo e/ou ansiedade e/ou desconforto causado pelos SOCs (variação de 0 a 5). Após a investigação da gravidade parcial dos SOCs de cada dimensão . mais reduzidas. não serão discutidas neste capítulo. que já foram utilizadas em estudos epidemiológicos no Brasil e na Dinamarca. Atualmente. e 6) obsessões e compulsões diversas que se relacionam com preocupações somáticas e superstições. a versão inicial da DY-BOCS já foi validada para inglês. 2) obsessões relativas a questões morais/religiosas/sexuais e compulsões relacionadas.20 Já foi traduzida também para o francês. Mais especificamente. o alemão21 e o holandês. e a interferência que esses sintomas causam para o paciente (variação de 0 a 5). desenvolvidas tanto em português quanto em inglês. A escala oferece exemplos após a descrição de cada sintoma. bem como para autoavaliação e avaliação por clínicos.16 espanhol.17 japonês.16 Essa versão foi desenvolvida para avaliação de crianças. 4) obsessões de contaminação e compulsões de limpeza.Brasil e nos Estados Unidos. Existem outras duas versões da DY-BOCS. a gravidade para cada dimensão é avaliada em três escalas ordinais com seis pontos-âncora que investigam: o tempo gasto com os sintomas (variação de 0 a 5). Portanto. 5) obsessões e compulsões relacionadas com a acumulação (colecionismo). entre outros sintomas. e está sendo utilizada em diversos países. A segunda parte da DY-BOCS inclui itens para avaliar a gravidade parcial de cada uma das dimensões de SOCs (de 0 a 15) e a gravidade total dos SOC de todas as dimensões em conjunto. mas que não foram validadas. ●DESCRIÇÃO DO INSTRUMENTO A DY-BOCS é composta por duas partes: a primeira corresponde a 88 itens que descrevem detalhadamente as obsessões e compulsões mais frequentes. adolescentes e adultos. 3) obsessões sobre simetria/ordenação/arranjo e compulsões relacionadas. Os 88 itens estão divididos em seis dimensões dos SOCs diferentes: 1) obsessões sobre agressão/violência/desastres naturais e compulsões relacionadas. Isso torna o instrumento mais “amigável” (“patient-friendly”) e provavelmente contribuiu para as elevadas correlações entre a ​autoavaliação e as medidas clínicas de gravidade.16 português.

Esse escore é somado ao escore do comprometimento causado pelo TOC a sua autoestima. pergunta-se tanto sobre rituais de verificação relacionados a obsessões religiosas quanto sobre compulsões de verificação associadas a preocupações de contaminação. Diferenças adicionais em relação a outras escalas de avaliação de SOCs são: inclusão de comportamentos de evitação como parte integrante das avaliações de gravidade de cada dimensão. ampliação dos escores totais de frequência. É importante ressaltar que as dimensões de SOCs não são excludentes. Outra vantagem da DY- BOCS é que. o instrumento tem um escore total global máximo de 30 pontos (variação de 0 a 30). pode ser . Entretanto. se recomenda que não seja utilizada como autoaplicável e que o entrevistador possa explicar melhor os itens de investigação dos SOCs. e retirada das avaliações de gravidade baseadas no esforço do paciente para resistir e controlar seus sintomas. ou seja. pode-se questionar sobre tipos de sintomas que em geral são considerados ambíguos. A gravidade de todos eles também tem variação de 0 a 5 para tempo. Comportamentos de evitação. É importante ressaltar que. ao funcionamento profissional e social (variação de 0 a 15). interferência e angústia de quatro para cinco pontos-âncora. Por exemplo. incômodo e interferência (com escore total que varia de 0 a 15). ●APLICAÇÃO A DY-BOCS é uma escala para ser aplicada preferencialmente por entrevistadores clínicos com conhecimento sobre TOC.específica. compulsões de verificação são investigadas nas diversas dimensões. em crianças com menos de 14 anos. a DY-BOCS tem uma avaliação da gravidade global de todos esses sintomas (em todas as dimensões). Assim. incluindo indivíduos da comunidade e pacientes psiquiátricos e clínicos. rituais mentais e rituais de repetição também são investigados para cada uma das dimensões. e o paciente pode apresentar escores em todas elas. adolescentes e adultos. ●PÚBLICO-ALVO A DY-BOCS pode ser utilizada para avaliar crianças. caso a criança não compreenda as perguntas. ao dividir os SOCs de acordo com as possíveis dimensões.

o aplicador deve sempre considerar que a pontuação do instrumento não substitui o diagnóstico do TOC. leva-se cerca de 20 a 30 minutos para o preenchimento total da escala. “teve o sintoma no passado” e “tem o sintoma atualmente”. Os autores solicitam que. Para a avaliação da gravidade total. antes de sua utilização. maior acurácia nas respostas. ●PARÂMETROS PSICOMÉTRICOS DA VERSÃO ORIGINAL E DA VERSÃO EM PORTUGUÊS . assim.usada como autoavaliação em pessoas com conhecimento sobre SOCs e o transtorno. ●INTERPRETAÇÃO DAS PONTUAÇÕES Embora os escores da DY-BOCS sejam bons indicadores da gravidade dos SOCs. não existem pontos de corte para definir níveis de gravidade. Além disso. o aplicador deve verificar se o paciente marcou todos os itens nas colunas referentes a “nunca teve aquele sintoma”. o aplicador deve ter certeza de que o paciente está considerando apenas os sintomas daquela dimensão específica. portanto. obtendo. as pessoas interessadas entrem em contato com a primeira autora da escala para esclarecer dúvidas sobre o instrumento. podendo-se chegar a 45 minutos. ainda não existem dados normativos da escala e. O tempo de aplicação da DY-BOCS depende do número de SOCs que a pessoa apresente em cada dimensão. o avaliador deve checar se o paciente está somando a gravidade de todos os seus SOCs em todas as dimensões. Geralmente. CUIDADOS NA APLICAÇÃO Para a lista de SOCs. O avaliador pode interagir com o paciente durante a aplicação para tentar esclarecer dúvidas que o indivíduo possa ter em relação aos SOCs e os exemplos de cada item. que deve ser feito por meio de uma avaliação adicional e mais detalhada por um clínico. Para a avaliação da gravidade parcial de cada dimensão de SOCs.

75 para “diversos”.78 para “simetria”. as correlações foram também muito significativas (Pearson r para adultos = 0. e 0. 0.95 para “simetria”.94 para “agressão”.CONFIABILIDADE A confiabilidade entre avaliadores foi excelente. desenvolvida para avaliação da natureza e da gravidade dos tiques motores . A YGTSS22 é uma entrevista semiestruturada.95 para “colecionismo” e 0. p < 0. p < 0. Para os grupos de adultos e crianças.87 nas dimensões de SOCs. 0. com coeficientes de correlação intraclasses (ICCs) iguais ou maiores que 0. a correlação entre escores de prejuízo da DY-BOCS e os escores da Y-BOCS total (Pearson r = 0.98 para todas as dimensões de SOCs.86 para a dimensão “sexual/religioso”.87 para a dimensão de “agressão”. 0. 0. com escores variando entre 0. Validade discriminante A validade discriminante foi testada comparando a DY-BOCS aos seguintes instrumentos: [A] Yale Global Tic Severity Scale (YGTSS) – pa​ra avaliar presença e gravidade de tiques.0001 e Pear​son r para crianças = 0. p < 0.0001 para todas as dimensões.86 para “colecionismo”. A análise da consistência interna da DY-BOCS apresentou coeficientes alfa de Cronbach de 0.71.0001). A correlação entre os escores obtidos por autoavaliação e por avaliação clínica de gravidade foi excelente. sobretudo em pacientes que já tenham sido submetidos a psicoeducação sobre SOCs e TOC.95 para “sexual/religioso”. com p < 0. Da mesma forma. A corre​lação entre os escores totais dos instrumentos foi excelente (Pearson r = 0. p < 0. 0.79.82. os coeficientes de correlação de Pearson foram de 0.84.83 para “contaminação/lavagem”. 0. VALIDADE Validade convergente A validade convergente foi testada comparando os escores da DY-BOCS aos da Y-BOCS. Mais especificamente.0001).75 e 0.96 para “contaminação”. 0.0001) também foi excelente em todos os pacientes. 0. separadamente. o que reforça a ideia de que a DY-BOCS pode ser autoaplicável.94 para “diversos”.

bem como as relações diferenciais entre os escores de gravidade das dimensões de SOCs e as . complexidade e interferência. e escore máximo para comprometimento causado por eles de 50. 25 para tiques vocais e 50 para ​comprometimento).45 (p = 0.09 -0. e vocais.64 (p = 0. intensidade. Evidências da validade discriminante dos construtos dimensionais incluem o fator ortogonal das classificações de gravidade dimensional.14 Sexual/religioso 0. o escore total máximo da YGTSS é de 100 (25 para tiques motores. por outro (Tab. Portanto. [B] Escala de Depressão de Hamilton (HAM-D) – para avaliar presença e gravidade de sintomas depressivos.0001) 0. Os coeficientes de correlação entre a DY-BOCS e a YGTSS.1 ► CORRELAÇÕES ENTRE CADA DIMENSÃO DE SOC DA DY-BOCS E ESCORES NAS ESCALAS HAMILTON-DEPRESSÃO.31 Validade de construto Os construtos que estão no coração da DY-BOCS são as classificações de gravidade para cada dimensão de SOCs e correspondem a uma estrutura multidimensional composta por seis dimensões desses sintomas.17 0. avaliados de acordo com seu número. [C] Escala de Ansiedade de Hamilton (HAM-A) – para avaliar presença e gravidade de sintomas de ansiedade.19 Contaminação 0. por um lado.21 Colecionismo 0. e a gravidade de tiques e a gravidade da dimensão “simetria”.11 0.0001) 0.02 -0. HAMILTON-ANSIEDADE E YALE GLOBAL TIC SEVERITY SCALE (YGTSS) DIMENSÕES HAM-A HAM-D YGTSS Agressão 0.08 0. 5.15 0.5.18 Simetria 0. TABELA 5. com escore máximo para tiques de 50.13 0. frequência. com as relações mais robustas entre a gravidade dos sintomas de ansiedade e humor e a gravidade dos SOCs na dimensão “agressão”.005) Diversos 0.11 -0.45 (p = 0.17 0.1).22 0.5. a HAM-D e a HAM-A variaram de acor​do com as dimensões específicas dos SOCs.

0001]). maior a necessidade de ser aplicada por um avalia​dor em vez de autoavaliação.0001). [E- . p < 0. Após 12 semanas de tra​tamento. ●SENSIBILIDADE DE RESPOSTA AO TRATAMENTO A sensibilidade ao tratamento da DY-BOCS foi calculada a partir da comparação entre os ​escores da DY-BOCS e os da Y-BOCS antes e após os tratamentos medicamentoso e/ou com terapia cog​nitivo-comportamental. Para suprir essas limitações. as pessoas interessadas entrem em contato com a primeira autora da escala para esclarecer dúvidas sobre o instrumento. que estão em processo de validação. Entretanto.5 [p < 0. ●LIMITAÇÕES Uma das maiores limitações da DY-BOCS é o tempo para administração. Não houve diferença entre gêneros na pontuação da DY-BOCS.84. seus criadores solicitam que. ●FORMAS DE AQUISIÇÃO A DY-BOCS é de domínio público. Quanto menos conhecimento sobre o transtorno. ●FATORES QUE AFETAM A PONTUAÇÃO Um dos fatores que afetam a pontuação da DY-BOCS é o conhecimento da pessoa sobre SOCs e TOC. A correlação entre os escores dos dois instrumentos após três meses de ​tratamento foi altamente significativa e superior à da ​avaliação ini​cial antes da terapia (Pearson r = 0.medidas de gravidade dos outros instrumentos. foram desenvolvidas duas versões mais breves. especialmente para estudos de rastreamento e/ou epidemiológicos. ou quanto menor o nível de escolaridade. Esses dados demonstram que a DY-BOCS é sensível para avaliar resposta ao tratamento 23 e extremamente útil tanto para a prática clínica quanto para estudos de pesquisa. os escores da DY-BOCS apresentaram diminuição significativa (Test t [156] = 9. antes de sua utilização.

Leckman J. Mass R. 2008. Uma das funções mais importantes de uma escala que se propõe a avaliar gravidade de sintomas é ser capaz de capturar o grau de melhora ou piora destes. Leckman JF. Goodman WK. Zhang H. et al. Am J Psychiatry. 2013. 5th ed. Symptoms of obsessive-compulsive disorder. Mataix-Cols D. Rosario MC. Peter H.com] ●CONSIDERAÇÕES FINAIS A avaliação dimensional dos SOCs apresenta-se como uma alternativa bastante promissora para o avanço de estudos clínicos. Vitale A. Diagnostic and statistical manual of mental disorders: DSM-5. Baer L. Mataix-Cols D. Grothusen A. Am J Psychiatry.mail: mariaceica. Bloch MH. Em pacientes com TOC. Am J Psychiatry.rosario@gmail. Boardman J. J Clin Psychiatry. Grice DE. Symptom stability in adult obsessive-compulsive disorder: data from a naturalistic two-year follow-up study. Leckman JF. 4. Factor analysis of symptom subtypes of obsessive compulsive disorder and their relation to personality and tic disorders. genéticos. 6. Rosário-Campos MC. Landeros-Weisenberger A. Rufer M. Bondi C. 1997. Rauch SL. tem sido demonstrado que a resposta ao tratamento não é uniforme. 1994. 7. Am J Psychiatry. Hand I. 2005.165(12):1532-42. American Psychiatric Association. 5. et al. Eisen JL. de neuroimagem e de resposta ao tratamento de pacientes com TOC. Meta-analysis of the symptom structure of obsessive-compulsive disorder. ●REFERÊNCIAS 1.16(2):228-38. mas varia de acordo com a dimensão de SOCs. A DY-BOCS mostrou-se um instrumento sensível para avaliar a resposta ao tratamento de pacientes com TOC. 3.55(Suppl):18-23. Temporal stability of . sendo a primeira escala a avaliar a gravidade de dimensões específicas de SOCs.154(7):911-917. 2. 2002. Washington: APA. Shera DM. Baer L.159(2):263- 8. Pittenger C. A multidimensional model of obsessive-compulsive disorder.

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e a PCL-C. [ 5. Sandhi Maria Barreto A Posttraumatic Stress Disorder Checklist (PCL) é um instrumento de autoavaliação para mensuração de sintomas do transtorno de estresse pós- traumático (TEPT). a PCL – Short Form. e uma versão abreviada. desenvolvido em consonância aos critérios diagnósticos descritos no Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais. em 1993. . A diferença entre elas reside no tipo de evento traumático em foco.1 É considerada adequada para a triagem de casos e oferece informações sobre a presença e a intensidade de cada sintoma da doença.3 resultando na PCL-5[NT]. a eventos não específicos. Recomenda-se sua aplicação em investigações clínicas e epidemiológicas. a PCL – Specific Version (PCL-S).2 O estudo original conduzido pelos autores apresentou duas versões: PCL – Military Version (PCL-M) e PCL – Civilian Version (PCL-C).1 resume as principais características das versões mencionadas. Em 2013. ainda. uma versão construída para abordar a relação entre sintomas da doença e eventos específicos. os itens do instrumento foram ampliados e revisados em acordo com os novos critérios diagnósticos para TEPT apresentados no DSM-5.6. Há. A PCL-M relaciona os sintomas de TEPT a eventos vivenciados em contextos militares.6 ] POSTTRAUMATIC STRESS DISORDER CHECKLIST (PCL) Eduardo de Paula Lima. A Tabela 5. ●VERSÕES A PCL foi desenvolvida por Weathers e colaboradores.

e 3). sentimentos de revivência do trauma. [Disponível em: www.6. entorpecimento emocional. Algumas traduções estão disponíveis no site oficial da International Society for Traumatic Stress Studies.6 ●DESCRIÇÃO DO INSTRUMENTO A PCL é composta por 17 itens que avaliam sintomas de TEPT. e itens 13 a 17. As opções de resposta para cada item são apresentadas em uma escala Likert de intensidade que varia de 1 (nada) a 5 (muito). hipervigilância e resposta de sobressalto exagerada. a esquiva e entorpecimento (Critério C). irritabilidade. isolamento. A PCL foi traduzida para diversos idiomas. dificuldades de concentração. apenas a PCL-C apresenta uma versão traduzida. alterações da memória. . adaptada4 e validada. como lembranças. mandarim e grego. Ao respondente é solicitado indicar o quanto tem sido incomodado pelos sintomas no último mês. pensamentos. à hiperexcitabilidade (Critério D).1).istss. a PCL – Short Form não aborda todos os sintomas descritos no manual. comportamentos de esquiva (evitar conversas. perda de interesse. 2) itens 6 a 12. pessoas e lugares). O escore final pode variar de 17 a 85 pontos (Fig.1 ► CARACTERÍSTICAS DAS VERSÕES DISPONÍVEIS DA PCL VERSÃO DA PCL CRITÉRIOS DIAGNÓSTICOS NÚMERO DE ITENS TIPO DE EVENTO PCL-M DSM-III-R 17 Militar PCL-C DSM-III-R 17 Inespecífico PCL-S DSM-III-R 17 Específico PCL – Short Form DSM-III-R* 6 Inespecífico PCL-5 DSM-5 20 Específico ou inespecífico * Embora seja baseada nos critérios diagnósticos do DSM-III-R.5. A ordenação dos itens corresponde às três dimensões do TEPT descritas no DSM-III-R:1 1) itens 1 a 5 correspondem à revivência do trauma (Critério B). TABELA 5.org] No Brasil. 5. desesperança. sonhos e sintomas físicos ligados a um evento traumático.6. alterações do sono. entre eles português. espanhol.

marque 1 para “nada”. A aplicação dura entre 5 e 10 minutos. nível de ruído. o avaliador deve verificar a presença de respostas em branco ou itens com mais de uma opção assinalada. ●APLICAÇÃO O instrumento foi desenvolvido para autoaplicação e apresenta instruções padronizadas. pensamentos e imagens repetitivos e perturbadores referentes a uma 1. Por favor. exigindo uma abordagem específica para a faixa etária. Recomenda-se a aplicação em adolescentes. 4 para “bastante” e 5 para “muito”. Dificuldades para lembrar-se de partes importantes de uma experiência 4. ●PÚBLICO-ALVO A PCL pode ser utilizada em contextos clínicos e não clínicos. a interpretação dos resultados pode variar em função dos .1 ► INSTRUÇÕES E EXEMPLOS DE ITENS DA PCL-C.6. Ao término. Não há recomendação de treinamento específico para o avaliador.). OPÇÕES DE ITENS RESPOSTA 1. ●INTERPRETAÇÃO DAS PONTUAÇÕES Embora a aplicação e a correção da PCL sejam tarefas simples e padronizadas. Médio 8. Por favor. adultos ou idosos. indique o quanto você foi incomodado por estes problemas durante o último mês. Muito FIGURA 5. 2 para “um pouco”. Memória. Bastante estressante do passado? 5. Um pouco 3.Instruções: Abaixo. 3 para “médio”. etc. há uma lista de problemas e de queixas que as pessoas às vezes apresentam como uma reação a situações de vida estressantes. a fim de oferecer conforto ao avaliado. Os sintomas de TEPT em crianças podem diferir daqueles listados no instrumento. Nada experiência estressante do passado? 2. sendo recomendado um ambiente propício (iluminação.

ainda.6.2 ► CRITÉRIOS DIAGNÓSTICOS PARA IDENTIFICAÇÃO DE CASOS PROVÁVEIS DE TEPT PONTO DE CORTE: ESCORE PONTO DE CORTE: ESCORE EM MÉTODO TOTAL NA PCL CADA ITEM 1. e alfa = 0.objetivos da avaliação.7 O estudo original da PCL. Escore total entre 30 e 60 - 2.2 A consistência interna foi satisfatória para a PCL como um todo (alfa de Cronbach = 0.8 são apresentadas na Tabela 5.96). Os autores sugerem. alfa = 0.6. Variações dos critérios descritos7. entre 2 e 5 3. Dois métodos são com frequência utilizados na interpretação dos resultados da PCL: 1) escore total e 2) padrão de sintomas em acordo com o DSM-III-R. Estudos ul​teriores obtiveram resultados semelhantes ao focalizar universitários. conduzido por Weathers e colaboradores. Padrão de sintomas .2 indicou o escore total maior ou igual a 50 como ponto de corte ótimo.93) e para as três dimensões de sintomas do TEPT (alfa = 0.97 para Critério D). Escore total + padrão de ≥ 50 ou ≥ 44 entre 2 e 5 sintomas ●PARÂMETROS PSICOMÉTRICOS DA VERSÃO ORIGINAL CONFIABILDADE Weathers e colaboradores obtiveram altos índices de confiabilidade temporal em veteranos de guerra (r = 0.7 pacientes com lesões ou doenças .93 para Critério B. que o método-padrão de sintomas pode ser utilizado considerando os itens assinalados com intensidade média ou superior (respostas ≥ 3 na escala Likert). TABELA 5. Um critério mais estrito (maior especificidade) é desejável quando se busca garantir que os indivíduos identificados como casos de TEPT estejam realmente doentes.[NT] Tais métodos podem ser combinados ou utilizados separadamente. Sugere-se um critério mais amplo (maior sensibilidade) quando se prioriza a identificação de todos os possíveis casos da doença em determinada amostra.92 para Critério C.2.

86. compostas por itens de revivência.86.90).94.82) e a IES (r = 0.77). A PCL demonstrou sensibilidade de 82. com destaque para o modelo entorpecimento emocional .93).0% e especificidade de 83. especificidade = 0. O estudo original com o instrumento baseou-se em uma análise de componentes principais (abordagem exploratória) conduzida em uma amostra de 1. ambos com resultados satisfatórios: 1) escore total ≥ 44 (sensibilidade = 0. eficácia diagnóstica = 0.9 VALIDADE Validade de critério Considerando a entrevista psiquiátrica SCID como padrão-ouro. que enfocou vítimas de acidentes automobilísticos e crimes sexuais. Duas dimensões foram identificadas. Validade de construto Há registro de abordagens exploratórias e confirmatórias na investigação da validade de construto da PCL.2 Estudos subsequentes mostraram resultados discrepantes.2 Resultados similares foram observados em uma amostra de 392 universitários estadunidenses.graves e indivíduos da população em geral.7 Os autores relataram altos índices de correlação entre a PCL e a Escala de Mississipi (r = 0.90) e 2) escore total ≥ 50 (sensibilidade = 0. Um estudo subsequente. especificidade = 0.83). indicou resultados semelhantes utilizando a Clinician-Administered PTSD Scale (CAPS) como padrão-outro.0% para o ponto de corte recomendado pelos autores (escore total ≥ 50). a Escala PK do MMPI (r = 0. esquiva e hiperexcitabilidade (fator 1) e entorpecimento e hiperexcitabilidade (fator 2).006 veteranos da Guerra do Golfo. Weathers e colaboradores2 obtiveram índices satisfatórios de acurácia diagnóstica em uma amostra de veteranos de guerra do Vietnã.9 Abordagens confirmatórias obtiveram estruturas fatoriais mais homogêneas. Abordagens exploratórias indicaram resultados menos consistentes. em geral não coerentes com o estudo original.77) e a Impact of Event Scale (IES) (r = 0. eficácia diagnóstica = 0.10 Os autores investigaram a acurácia diagnóstica para dois pontos de corte.78. Validade concorrente Evidências de validade concorrente foram demonstradas no estudo original por meio de correlações bi​variadas simples entre a PCL e a Escala de Mississipi (r = 0.

Um estudo realizado em Belo Horizonte[NT] (n = 186) utilizou uma abordagem exploratória para investigar a estrutura fatorial do instrumento.5 Os autores usaram uma abordagem fatorial confirmatória para analisar os dados. entorpecimento e hiperexcitabilidade). de 0. sexo e renda). com um intervalo entre 10 e 15 dias. VALIDADE Validade de construto Em 2004. 805 pacientes atendidos em um serviço de atenção primária participaram de um estudo sobre a estrutura fatorial da PCL.91 para a PCL como um todo. similar ao que foi encontrado em estudos conduzidos com a versão original.6 Os resultados sugerem uma estrutura com três fatores. esquiva. apreciação formal de equivalência e interlocução com a população- alvo.68 e 0. Os resultados indicaram uma estrutura condizente com o modelo de .3 ●PARÂMETROS PSICOMÉTRICOS DA VERSÃO EM PORTUGUÊS CONFIABILIDADE Evidências de confiabilidade da versão em português da PCL também foram investigadas por Lima e colaboradores. No Rio de Janeiro.82) e consistência interna (alfa de Cronbach de 0. Investigações sobre a estrutura fatorial do instrumento ampliaram as evidências de validade de construto da PCL em português. obtido em amostras de trabalhadores expostos a um atentado terrorista (n = 2. A amostra foi composta por 21 indivíduos com diferentes características sociodemográficas (escolaridade. As análises indicaram índices satisfatórios de confiabilidade temporal para diferentes pontos de corte (índice kappa entre 0.4 A equivalência semântica dessa versão foi realizada em quatro etapas: tradução.960)11 e estudantes de graduação (n = 510). de 0. a PCL foi traduzida e adaptada para o Brasil.12 Vale ressaltar que o modelo entorpecimento emocional é frequentemente obtido em análises com outros instrumentos para TEPT e representa a estrutura da doença descrita no DSM- 5. tradução reversa.6 A avaliação dos participantes foi realizada em dois momentos.80 para o Critério D).83 para o Critério B.81 para o Critério C e de 0.(revivência.

ainda. reforça a robustez da validade de critério do instrumento. Entre as limitações. a saúde geral do avaliado e o contexto de aplicação da PCL podem influenciar os resultados. que ampliaram as evidências de validade e indicaram índices adequados de confiabilidade do instrumento no Brasil. A esse estudo inicial somaram-se investigações em diferentes cidades brasileiras (Belo Horizonte e Rio de Janeiro). ●LIMITAÇÕES Instrumentos de autoavaliação estão sujeitos a distorções. As características psicométricas da PCL foram amplamente investigadas em contextos clínicos e não clínicos. Destaca-se pela praticidade na aplicação (autoavaliação e tempo re​duzido). correção e possibilidade de utilização em diferentes contextos. Sugere-se a utilização de outros instrumentos para a investigação de tais aspectos da doença. as limitações da PCL relativas à mensuração da exposição a eventos traumáticos e à ausência de itens sobre tempo de duração dos sintomas de TEPT e comprometimento psicossocial associado. A análise de sua acurácia diagnóstica. entorpecimento e hipervigilância). A versão brasileira da PCL foi obtida em acordo com as exigências metodológicas necessárias para tradução e adaptação transcultural de instrumentos de avaliação psicológica. esquiva. Portanto.entorpecimento emocional já mencionado (revivência. a ausência de itens relativos à duração dos sintomas da doença e ao comprometimento psicossocial associado deve ser ressaltada. Revisões sobre o tema indicam índices satisfatórios de validade e confiabilidade. com destaque para viés de memória e desejabilidade social. utilizando entrevistas psiquiátricas como padrão-ouro. ●FORMAS DE AQUISIÇÃO . Ressaltam-se. ●CONSIDERAÇÕES FINAIS A PCL é um dos instrumentos mais utilizados no mundo para a avaliação de sintomas e identificação de casos prováveis de TEPT.

A PCL é um instrumento de domínio público. Costa MF. J Anxiety Disord. civilian. Assunção AA. Ruggiero KJ. Calhoun PS. Factor structure. J Trauma Stress. Synthesis of the psychometric properties of the PTSD Checklist (PCL) military. Rev Psiquiatr. Souza V. and specific versions. . Barreto SM. Clin Psychol Rev. Diagnostic and statistical manual of mental disorders: DSM-III-TR. 2011. Figueira I. Del Ben K. Berger W. Litz BT. Figueira I. 9. Washington: APA.25(7):950-63. internal consistency and reliability of the Posttraumatic Stress Disorder Checklist (PCL): an exploratory study. Diagnostic and statistical manual of mental disorders: DSM-5. American Psychiatry Association. Equivalência semântica da versão em português da Post-Traumatic Stress Disorder Checklist – Civilian Version (PCL-C) para rastreamento do transtorno de estresse pós-traumático. Jones-Alexander J. 4. Weathers FW. publicado por Berger e colaboradores. 1993. Depress Anxiety. Mendlowicz MV. Berger W. 2004.16(5):495- 502. Scotti JR.28(7):596-606. McDonald SD. San Antonio. Lang AJ.34(4):215-222. validity. and diagnostic utility. 3. Washington: APA. 2011. Buckley TC. American Psychiatry Association. 2. 10. Norman SB. The PTSD Checklist (PCL): reliability. 1987. Wanderson F. 8. 2010. Keane TM. Confirmatory factor analysis of posttraumatic stress symptoms in Brazilian primary care patients: an examination of seven alternative models. 2012. Blanchard EB.30(8):976-87. A versão em português do instrumento está disponível no artigo de tradução e adaptação para o Brasil. 5th ed. 7. Garcia Rosa ML. 3th ed. Mendlowicz MV. The diagnostic accuracy of the PTSD Checklist: a critical review. 5. Lima EP. Herman D.34(8):669-73. rev. Vasconcelos AG. 6. 2003. Trends Psychiatry Psychother.26(2):167-75. Behav Res Ther. Rabalais AE. Psychometric properties of the PTSD checklist (PCL). Psychometric properties of the PTSD Checklist – civilian version. 2013. 1996. Wilkins KC. Annual Meeting of International Society for Traumatic Stress Studies. Huska JA. Forneris CA.4 ●REFERÊNCIAS 1.

intitulada “Transtorno de Estresse Pós-traumático em bombeiros de Belo Horizonte”. 2007.11. [estrutura fatorial do instrumento] Agradecemos à Profa Dra Ada Ávila Assunção. Gray MJ. Weathers FW. A tese. Sua obra psicológica enfatizava a reação emocional das pessoas no contato com o mundo real. King DW. três sintomas de esquiva e entorpecimento (Critério C) e dois sintomas de hiperexcitabilidade (Critério D). . Elhai JD. J Interpers Violence. Kose S. Kashdan TB. [Métodos de interpretação dos resultados da PCL] Presença de pelo menos um sintoma de revivência do trauma (Critério B). [PCL-5] Considerando as diferenças em relação às originais. 12.116(2):329-41. 2007. aos 42 anos de idade. [Kierkegaard] Filósofo e teólogo dinamarquês. as versões modificadas da PCL (PCL – Short Form e PCL-5) não serão enfocadas nas próximas seções do capítulo. Difede J. foi defendida por Eduardo de Paula Lima no Programa de Pós-graduação em Saúde Pública da UFMG (2013). falecido em 1855. Palmieri PA. J Abnorm Psychol. suas escolhas e conflitos. Structural validity of the posttraumatic stress disorder checklist among college students with a trauma history.22(11):1471-8. Confirmatory factor analysis of the PTSD checklist and the clinician-administered PTSD Scale in disaster workers exposed to the World Trade Center Ground Zero. orientadora da tese de doutorado que resultou na publicação do referido artigo. Docherty AR.

sofrendo várias transformações ao longo do tempo. a partir daque​la época até o primeiro quarto do século XX. é que o termo “psicose” adquiriu o significado mais próximo daquele utilizado nos dias de hoje. e. passou. Na segunda metade do século XX. o termo acabou se tornando sinônimo de transtorno mental em geral. as bases neurofisiológicas desses transtornos foram bem estabelecidas. particularmente em termos de sua natureza “psicogênica”. o que levou à . mostrou-se um dos mais controversos. na metade do século XIX. com as obras de Bonhoeffer e Bumke sobre a origem somática dos sintomas das psicoses (“somatogênese”). Naquela época. um conjunto de sintomas psíquicos que são a expressão de um processo de etiologia “orgânica” ou cerebral. o conceito de psicose. qualquer distúrbio do sistema nervoso poderia ser considerado uma “psicose”. É interessante notar que o termo “neurose”. resultando na famosa dicotomia “neurose-psicose”. embora mais antigo que “psicose”. proposto por Canstatt e Feuchtersleben. isto é. Isso favoreceu a separação entre os dois conceitos.1 No entanto. [6] INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO DE SINTOMAS PSICÓTICOS Helio Elkis ●CONCEITO DE PSICOSE Ao longo da história da psiquiatria.1 Somente a partir de 1924. a ser entendido como um conjunto de sintomas de natureza psicogênica. a evolução histórica mostrou que as hipóteses etiológicas referentes às “neuroses” estavam equivocadas. graças à influência da psicanálise. de fato.

transtorno esquizofreniforme. pela 5ª edição do DSM. que compreende. transtorno psicótico bre​ve. transtorno psicótico induzido por substância/medicamento. Os principais sintomas comuns a esses quadros. por exemplo. transtorno delirante. como pode ser exemplificado com o conceito de “psicose maníaco-depressiva”. aqueles denominados psicóticos (delírios e alucinações). os principais sintomas das psicoses em geral. o termo “psicose” está vinculado ao conceito do espectro da esquizofrenia. e da esquizofrenia em particular. como. denominação dada por Kraepelin a um quadro que hoje chamamos de “transtorno bipolar” (ver Capítulo 4). visando melhor caracterizar essa condição. catatonia associada a outros transtornos mentais ou devida a outra condição médica e outros transtornos psicóticos ou do espectro da esquizofrenia não especificados. os seguintes transtornos: transtorno da personalidade esquizotípi​ca. ESPECTRO DAS PSICOSES E SUAS RESPECTIVAS DIMENSÕES PSICOPATOLÓGICAS Os critérios diagnósticos para esquizofrenia do DSM-55 estão contidos em um capítulo mais amplo. e aqueles considerados deficitários.3 Hoje.abolição do termo “neurose” a partir de 1980. enfatizaram outros grupos de sintomas. e principalmente. cujas origens remontam às observações de Kraepelin feitas no século XIX. além da esquizofrenia em si.4 como. ou seja. transtorno esquizoafetivo. denominado “Espectro da esquizofrenia e outros transtornos psicóticos”. de 1993.2 O termo “psicose”. o DSM-III. desenvolvidas por Bleuler e Schneider. chamados de negativos. O termo “psicose” passou. que é um transtorno mental definido tanto pela 10ª edição da Classificação internacional de doenças e problemas relacionados à saúde (CID-10). As concepções posteriores. também sofreu uma restrição importante. da American Psychiatric Association. a partir dessa época. no século XX. a ser relacionado principalmente ao conceito de esquizofrenia. por ocasião da publicação da terceira edição do Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais. então. são os seguintes: .6 ●ESQUIZOFRENIA. posteriormente nomeados positivos. tais como o embotamento afetivo volitivo. que a concebeu como uma forma de deterioração cognitiva do jovem (“demência precoce”). lançada em 20135 e traduzida para o português em 2014.

alogia. circunstancialidade Desorganização Comportamento bizarro.7 apresentados na Tabela 6. visuais. de memória e da capacidade de insight Fonte: Baseada em Elkis e colaboradores. de sensação de controle da mente. de grandeza. mutismo. olfativas e gustativas. bizarros e não bizarros. ecopraxia. excitação. alucinações (sintomas positivos) Desorganização Desorganização conceitual do pensamento. tangencialidade. [5] Sintomas negativos: diminuição da expressão emocional. perda das associações. Esses grupos de sintomas representam aquilo que hoje denominamos “domínios” ou “dimensões psicopatológicas” das psicoses. do pensamento descarrilhamento. [3] Desorganização do pensamento: descarrilhamentos. estupor.7 ●ESPECIFICADORES E AVALIAÇÃO DA GRAVIDADE DAS . táteis.[1] Delírios: persecutórios. [4] Conduta motora desorganizada ou anormal (incluindo a catatonia): negativismo.1 ► DIMENSÕES PSICOPATOLÓGICAS DOS QUADROS PSICÓTICOS DIMENSÕES SINTOMAS Psicótica Delírios. catatonia da conduta Deficitária Afeto inapropriado ou embotado. tangencialidade. avolição. déficit volitivo (sintomas negativos) Sintomas do Depressão e mania humor Cognitiva Perda da capacidade de abstração. anedonia. ecolalia. incoerência. [2] Alucinações: auditivas. incoerência. TABELA 6.1. de que os pensamentos estão sendo removidos ou de que estão sendo inseridos na mente da pessoa. salada de palavras.

esquizofrenia paranoide vs. os sintomas psicóticos. podem ser atribuídos mais de uma vez a um quadro psicótico. sintomas negativos. de​sor​ganização do discurso. Há três tipos de especificadores dos quadros psicóticos: [1] Após um ano de duração do transtorno a. atualmente em remissão completa f. ou as dimensões psicopatológicas anteriormente descritas. cada um presente por uma quantidade significativa de tempo . depressão e mania. considerados ​antes mutuamente exclusivos (p. mas de pouca intensidade. são considerados especificadores que podem ser graduados por meio de uma escala de 5 níveis de gravidade: 0 = ausente. atualmente em episódio agudo e. Primeiro episódio.. Episódios múltiplos. comportamento psi​comotor anormal. 2 = presente.1 apresenta os critérios diagnósticos para esquizofrenia. 1 = duvidoso. alucinações. o DSM-55 in​troduziu o conceito de especificadores. que servem como paradigma para todas as outras formas de psicose. Dois (ou mais) dos itens a seguir. QUADRO 6. atualmente em episódio agudo b. que. Contínuo g. 3 = presente e de moderada intensidade. Primeiro episódio. da cognição. hebefrênica). Portanto. Primeiro episódio.1 ► CRITÉRIOS DIAGNÓSTICOS PARA ESQUIZOFRENIA DE ACORDO COM O DSM-5 A. Não especificado [2] Com catatonia [3] Gravidade atual de delírios. Episódios múltiplos.DIMENSÕES PSICOPATOLÓGICAS Em oposição às edições anteriores. ●CRITÉRIOS DIAGNÓSTICOS PARA ESQUIZOFRENIA DE ACORDO COM O DSM-55 O Quadro 6. atualmente em remissão parcial c. ex. 4 = presente e de grande intensidade. di​ferentemente dos “subtipos”. atualmente em remissão completa d.

como trabalho. a Escala das Síndromes Po​sitiva e Negativa (Positive and Negative Syndro​me Scale – PANSS). B. o diagnóstico adicional de esquizofrenia é realizado somente se delírios ou alucinações proeminentes. Transtorno esquizoafetivo e transtorno depressivo ou transtorno bipolar com características psicóticas são descartados porque 1) não ocorreram episódios depressivos maiores ou maníacos concomitantemente com os sintomas da fase ativa.e. D. os sinais da perturbação podem ser manifestados apenas por sintomas negativos ou por dois ou mais sintomas listados no Critério A presentes em uma forma atenuada (p. expressão emocional diminuída ou avolia). A perturbação não pode ser atribuída aos efeitos fisiológicos de uma substância (p. Fonte: American Psychiatric Association. foi o primeiro instrumento construído para ava​liação da gravidade dos 18 principais sintomas das psicoses e ainda se mantém em uso nos dias de hoje.9 que surgiu cerca de 25 anos depois. 5. E.. Se há história de transtorno do espectro autista ou de um transtorno da comunicação iniciado na infância.6 ●AVALIAÇÃO PSICOPATOLÓGICA DAS PSICOSES E DA ESQUIZOFRENIA A Escala Breve de Avaliação Psiquiátrica (Brief Psy​chiatric Rating Scale – BPRS). C.8 A BPRS serviu de base para a criação de uma escala mais específica. incapacidade de atingir o nível esperado de funcionamento interpessoal. Alucinações. sua duração total foi breve em relação aos períodos ativo e residual da doença. quando o início se dá na infância ou na adolescência. pelo menos. Durante esses períodos prodrômicos ou residuais.. se tratados com sucesso) que precisam satisfazer ao Critério A (i. se tratados com sucesso). além dos demais sintomas exigidos de esquizofrenia. experiências perceptivas incomuns). ex. ex. 4. estão também presentes por pelo menos um mês (ou menos. o nível de funcionamento em uma ou mais áreas importantes do funcionamento. ou 2) se episódios de humor ocorreram durante os sintomas da fase ativa. Discurso desorganizado. medicamento) ou a outra condição médica. 3. Por período significativo de tempo desde o aparecimento da perturbação..5. Sintomas negativos (i. Comportamento grosseiramente desorganizado ou catatônico.. relações interpessoais ou autocuidado.e. Pelo menos um deles deve ser (1). Sinais contínuos de perturbação persistem durante. sintomas da fase ativa) e pode incluir períodos de sintomas prodrômicos ou residuais. F. está acentuadamente abaixo do nível alcançado antes do início (ou. crenças esquisitas. tornando-se padrão . criada em 1962. se tratados com sucesso). 2. seis meses. (2) ou (3): 1. acadêmico ou profissional). droga de abuso. Esse período de seis meses deve incluir no mínimo um mês de sintomas (ou menos.durante um período de um mês (ou menos. Delírios.

Detalhes referentes a sua avaliação.7 Apesar de a PANSS englobá-las. de desorganização do pensamento ou da conduta motora. Já a Escala Calgary de Depressão para Esquizofrenia (Calgary Depression Rating Scale for Schizophrenia – CDRS). criada em 1990. negativa. 1-5 Bech11.5.2 apresenta as traduções e adapta​ções dessas escalas que foram validadas em nosso meio.15 Syndrome esquizofrenia na última Scale (PANSS) semana Calgary Gravidade dos sintomas 9 itens com níveis de gravidade de 0-3 Tradução e Depression de depressão nas últimas validação16 Rating Scale duas semanas (CDRS) É importante destacar. recomendações e limitações são discutidos nos capítulos relativos a cada um desses instrumentos. algumas escalas foram criadas para a avaliação de certas dimensões de forma . destina-se à avaliação específica da gravida​de dos sintomas depressivos em pacientes com esquizofrenia. afetiva e cognitiva. Tradução e Negative das psicoses/ 7 validação14.para avaliação da gravidade de 30 sintomas comumente presentes na esquizofrenia.12 Rating Scale esquizofrenia nos 7 dias graus de gravidade na versão de Bech Versão (BPRS) precedentes ancorada (BPRS-A)13 Positive and Gravidade dos sintomas 30 itens com graus de gravidade de 1.10 A Tabela 6. o fato de que as psicoses apresentam pelo menos cinco dimensões psicopatológicas ou sintomatológicas distintas. como mencionado anteriormente. que têm sido identificadas em vários estudos: psicótica ou positiva. que abordam suas particularidades de maneira mais aprofundada.2 ► ESCALAS TRADUZIDAS E/OU VALIDADAS PARA AVALIAÇÃO DAS PSICOSES E DA ESQUIZOFRENIA NO BRASIL VERSÕES TRADUZIDAS/ VALIDADAS NO ESCALA CONSTRUTO AVALIADO FORMATO BRASIL Brief Gravidade dos sintomas 18 itens com graus de gravidade de 0 a Versão de Psychiatric das psicoses/ 6 na versão ancorada (BPRS-A). problemas específicos das escalas. TABELA 6.

22 traduzida para o português por Belquis Avrichir.20 Brief Negative Symptom Scale21 e Scale of Deficit Syndrome. foram criadas escalas para avaliação da ​organização do pensamento. 2000.22(suppl. Bürgy M. nos últimos anos. como. Contudo. nenhuma dessas escalas foi traduzida ou oficialmente validada para o português.mais detalhada.17 The Negative Symptom Assessment. surgiram instrumentos específicos que procuraram explorar em profundidade certos sintomas positivos – como é o caso da Scale of Assessment of Positive Symptoms (SAPS)17 – ou. em geral. atenção. 1):23-6. 3. 1980. sintomas dentro de uma determinada dimensão – como. The concept of psychosis: historical and phenomenological aspects. 2. ●REFERÊNCIAS 1. A evolução do conceito de esquizofrenia neste século. Rev Bras Psiquiatr.18 Da mesma forma. como a Thought Language and Communication Disorders (TLC). e da esquizofrenia. ao mesmo tempo. é a negativa. 2008. 4. com exceção da Scale of Deficit Syndrome. Classificação de transtornos mentais e de comportamento da CID-10: descrições clínicas e diretrizes diagnósticas. . que reúne uma seleção de exames que avaliam subdimensões específicas da cognição.34(6):1200-10. Schizophr Bull. 3rd ed. Washington: APA.22 que serve para distinguir sintomas negativos primários dos secundários (causados pelos sintomas psicóticos). a dimensão mais explorada dentro das psicoses. mas de testes neuropsicológicos específicos.19 A dimensão cognitiva tem sido explorada não por meio de escalas. Organização Mundial da Saúde. por exemplo. Elkis H. Isso representa uma lacuna e. como a bateria MATRICS. avaliadas pela Auditory Hallucinations Rating Scale. memória. em par​ti​cular. as alucinações auditivas resistentes a tratamento medicamentoso. com várias escalas criadas para avaliação dos diferentes matizes que compõem esse complexo grupo de sintomas: Scale of Assessment of Negative Symptoms. Assim. salvo melhor juízo.7 No entanto. então. American Psychiatric Association. uma janela de oportunidade para aqueles interessados em se aprofundar nessas escalas de avaliação de sintomas das psicoses em nosso meio.Diagnostic and statistical manual of mental disorders: DSM-III. inteligência e funções executivas. por exemplo.

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como a de Bech.2). [ 6. em 1965. Assim. por Overall e Gorham. há outras versões do instrumento. grave. foram acrescentados outros dois ​(“excitação” e “desorientação”). com muitos de seus itens apresentando baixos níveis de confiabilidade. Tânia Maria Alves. Bernardo dos Santos. mas. sendo muito utilizada ainda nos dias de hoje. ou BPRS) foi criada em 1962.2 A Positive and Negative Syndrome Scale (PANSS). a escala é conhecida pelo seu formato com 18 itens. muito grave). geralmente correspondendo aos valores de 1 a 7. moderado. Rosana R.4 também chamada de versão expandida . é formada pelos 18 itens da BPRS mais os 12 itens da Comprehensive Psychiatric Rating Scale (CPRS)3 (ver Capítulo 6. leve.1 ] ESCALA BREVE DE AVALIAÇÃO PSIQUIÁTRICA – ANCORADA (BPRS-A) Helio Elkis. fator provavelmente responsável pela criação de várias versões dessa mesma escala. Desde então. a escala para avaliação dos sintomas da esquizofrenia utilizada atualmente. de Freitas A Escala Breve de Avaliação Psiquiátrica (Brief Psychiatric Rating Scale. As definições operacionais dos níveis de gravidade da BPRS são bastante subjetivas. muito leve. moderado para grave. Cada item da BPRS apresenta sete graus de gravidade (ausente.1 e é a mais antiga es​cala de avaliação da gravidade dos sintomas mais frequentemente encontrados nos quadros psicóticos. além da versão tradicional de 18 itens. ou sintomas. ●VERSÕES Inicialmente. a BPRS continha 16 itens.

apresentados na seguinte sequência: 1) preocupação somática. com 24 itens. NÃO incluir mera circunstancialidade ou fala maníaca.6 além daquelas utilizadas na avaliação de sintomas na infância. 16) afeto embotado. neologismos). fuga de ideias. ex. por nós traduzida para o português. 17) excitação e 18) desorientação. 7) maneirismos e postura.1. 12) comportamento alucinatório. 4.. ex. 4.9 esta última. 9) humor depressivo. 6. “Meus pensamentos estão voando”.1). 2) ansiedade. bem como na avaliação de pacientes brasileiros em tratamento com antipsicóticos de segunda geração.. “Meus . DESORGANIZAÇÃO CONCEITUAL. particularmente na esquizofrenia. Esta se divide em dois tipos: subjetiva (a partir do relato do paciente) ou objetiva (a partir da observação do entrevistador). 3) retraimento afetivo. enquanto os demais partem do relato verbal do paciente (“itens subjetivos”). 10) hostilidade. 14) falta de cooperação com a entrevista.(BPRS-E). “Não consigo manter o pensamento”. 6) tensão. 7. Assim.16 ●DESCRIÇÃO DO INSTRUMENTO A BPRS-A é uma escala para avaliação da gravidade de 18 sintomas que ocorrem nas psicoses. 14. 16. 11) desconfiança. 13. de acordo com a última versão dos Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) para o tratamento da esquizofrenia do Ministério da Saúde. Cada item da escala é precedido por uma definição conceitual do sintoma avaliado. 17 e 18 são avaliados com base em observações feitas durante a entrevista (“itens objetivos”) (Fig. NÃO pontuar a partir de impressões subjetivas do paciente (p. os itens 3. 4) desorganização conceitual. 6. Há duas versões da BPRS traduzidas para o português: a de Bech4 e a Ancorada. Incluir qualquer tipo de desordem formal do pensamento (p. 15) alteração do conteúdo do pensamento/delírios. 13) retardo motor. 8) ideias de grandeza. mesmo que acentuada. seguida pela descrição de aspectos que devem ou não ser valorizados na pontuação. 5) sentimentos de culpa. será apresentada neste capítulo.10 A versão Ancorada tem sido extensamente citada ou utilizada em estudos desenvolvidos no Brasil e publicados em periódicos nacionais e internacionais.5 bem como versões adaptadas para uso pela enfermagem. Grau de incompreensibilidade de fala. associações frouxas. incoerência.

1 ► EXEMPLO DE ITEM AVALIADO PELA BPRS-A. mas mais frequente. todavia de significação clínica duvidosa. Ex.1. FIGURA 6.: Frequentemente vago.1. de modo geral. 6 Muito grave. Desordem formal do pensamento presente durante a maior parte da entrevista.1). existem outras versões em uso na en​fermagem e na infância. Como já men​‐ cionado. Ex.: Levemente vago. uso frequente de neologismos ou associações algo frouxas. mas é possível prosseguir a entrevista. 0 Não observado 1 Muito leve. Como acima. A pontuação final é soma dos valores das pontuações dos 18 itens.1. 2 Leve. 4 Moderadamente grave.1 ► PONTUAÇÕES DA BPRS-A PONTUAÇÃO 0 1 2 3 4 5 6 Grau de Não Muito Leve Moderado Moderadamente Grave Muito gravidade relatado leve grave grave ●PÚBLICO-ALVO A escala dirige-se a indivíduos com quadros psi​có​ticos. e a pacientes com diagnós​tico de esquizofrenia.: Ocasionalmente faz afirmações irrelevantes. 6. tornando-a muito difícil. em particular. pensamentos se misturam todos”). Ex. 3 Moderado. Os graus de gravidade são avaliados de acordo com a frequência e a intensidade do sintoma (ver “Interpretação das pontuações”) (Tab. 5 Grave. Pontuar SOMENTE a partir das observações feitas durante a entrevista. podendo variar entre 0 e 108. ●APLICAÇÃO . Poucas informações coerentes podem ser obtidas. TABELA 6.

precisa pontuar de acordo com as definições da escala.1. ●INTERPRETAÇÃO DAS PONTUAÇÕES NÍVEIS DE GRAVIDADE Na versão padrão da BPRS. como em uma conversa. e não a partir de seus conhecimentos. e.NÍVEIS DE GRAVIDADE Tanto a BPRS como a BPRS-A não apresentam entrevistas padronizadas. promovendo maior grau de confiabilidade para a escala. por isso.17 De modo geral.”. definições operacionais para cada um dos graus de gravidade. A versão de Bech é composta de uma entrevista estruturada.. o avaliador deve usar seus conhecimentos prévios de psicopatologia e de entrevista psiquiátrica. de acordo com dois critérios. tornando sua avaliação muito subjetiva. É muito importante deixar o paciente à vontade durante a entrevista e realizar cada pergunta de modo natural.1.2. cuja tradução também foi validada em nosso meio. como pode ser visualizado na Tabela 6.9 Nossa tradução para o português da BPRS10 baseou-se na versão ancorada de Woerner com os escores de 0 a 6 para os graus de gravidade. A BPRS-A avalia a psicopatologia apresentada na última semana. pois essa forma de pontuação visa evitar o aumento de frequência de falsos positivos. TABELA 6.2 ► GRAUS DE GRAVIDADE DA TRADUÇÃO PARA O PORTUGUÊS DA BPRS-A E SEUS RESPECTIVOS SIGNIFICADOS EM TERMOS DE FREQUÊNCIA E GRAVIDADE PONTUAÇÃO 0 1 2 3 4 5 6 Grau de Não Muito Leve Moderado Moderadamente Grave Muito gravidade relatado leve grave grave . os graus de gravidade são avaliados em cada um dos itens da BPRS-A.18 Nessa versão. isto é. No entanto. os graus de gravidade dos sintomas não estão operacionalizados. e não de forma mecânica.. você apresentou. frequência e intensidade da patologia. recomenda-se que cada questão seja precedida da frase “Na última semana. Para resolver esse problema e tornar a escala mais confiável. Woerner e colaboradores construíram “âncoras”.

**frequentemente. ●PARÂMETROS PSICOMÉTRICOS DA VERSÃO ORIGINAL E DA VERSÃO EM PORTUGUÊS CONFIABILIDADE Em trabalho anterior. constatou-se que a confiabi​lidade da BPRS-A é alta na avaliação de certos itens. Os graus extremos de gravidade maiores e menores (i. moderado e moderadamente grave. com a versão de 16 itens. identificaram quatro fatores em pacientes com esquizofrenia: distúrbio de . 5. RELAÇÕES COM OUTRAS ESCALAS Leucht e colaboradores2 correlacionaram uma es​cala muito utilizada em ensaios clínicos. diversas análises fatoriais exploratórias iniciais realizadas inicialmente por Overall. como alterações do pensamento (coeficiente de correlação intraclasse [CCI] = 0. porém certa dificuldade reside em distinguir os graus leve. normal. +++ com impacto moderado.62). Aquilo que os difere pode ser observado em termos de gravidade e/ou frequência dos sintomas.15 com a gravidade da BPRS. ++++ com impacto intenso. Intensidade (gravidade): + fraca. hostilidade e desconfiança (CCI = 0. 6) são de identificação relativamente simples.91). a Escala de Impressão Clínica Global (CGI) (cujos itens variam de 1. uma pessoa pouco doente (CGI = 3) corresponde a um escore de cerca de 30 na BPRS original. a 7. porém menor para retraimento afetivo ou retardo motor (CCI = 0.20 VALIDADE Não existem estudos de validade de critério e concorrente da BPRS-A. enquanto alguém extremamente doente (CGI = 7) corresponde a uma gravidade de mais de 80 nessa mesma escala.e.. Em termos de validade de construto.87) ou ansiedade e de​pres​são (CCI = 0.19. 1. em vários ensaios clínicos nos quais utilizaram ambas as escalas ao longo de quatro semanas. De acordo com o estudo. **** todo o tempo. ++ moderada.85). extremamente doente).Frequência 0 * */** */** ** *** **** Intensidade 0 + +/++ ++/++ +++ +++ ++++ Frequência: *ocasionalmente. ***a maior parte do tempo.

desorganização: desorientação. falta de cooperação e desconfiança. retraimento emocional. No entanto. que identificou um quinto fator. ativação: excitação. distorção da realidade: grandiosidade. ou dimensões:22 afetiva: ansiedade. Várias análises fa​to​riais subsequentes.18 e com várias técnicas de extração e rotação de fatores (componente principal. maneirismos e postura. o modelo dimensional da BPRS que melhor se ajustou aos dados foi o de quatro dimensões. “de ativação”. sentimento de culpa. formado pelos seguintes sintomas: negativa: retraimento emocional. exceto a análise do ECDEU (Early Clinical Drug Evaluation Unit). desorganização conceitual. e a de Alves e colaboradores. desconfiança e falta de cooperação com a entrevista) e ansiedade/depressão (ansiedade. formado por tensão. resistência: hostilidade. Assim. desconfiança e conduta . tanto com a BPRS16 quanto com a BPRS-A. hostilidade/desconfiança (hostilidade. retraimento/retardo psicomotor (retraimento emocional. preocupação somática. depressão. maneirismos e postura e excitação. afeto embotado e retardo motor. sintomas negativos: afeto embotado. conduta alucinatória. varimax.24 No estudo feito por McManhon e ​colaboradores. retardo motor e afeto embotado). sintomas positivos: delírios. sentimentos de culpa e humor depressivo). tensão. conduta alucinatória e alteração do conteúdo do pensamento). nessa metanálise. oblíqua). somente duas análises fatoriais foram realizadas com pacientes com esquizofrenia refratária: a de McMahon. desorganização conceitual. por meio de análise fatorial confirmatória. em termos de gravidade. que utilizou a BPRS-A. que utilizou a BPRS tradicional. grandiosidade.pensamento (formado por desorganização conceitual. não há menção de que aspectos como gravidade ou tipo da BPRS utilizado possam representar variáveis moderadoras com potencial influência na discrepância entre os fatores obtidos nas diversas análises fatoriais.21 Uma metanálise recente englobou 26 análises fatoriais que continham dados de mais de 17 mil pessoas e encontrou que a BPRS contém cinco fatores. continuaram a identificar os mesmos quatro fatores. delírios. maneirismos e postura.

como ocorreu com McMahon e colaboradores. ●LIMITAÇÕES E CONSIDERAÇÕES FINAIS A BPRS. falta de cooperação. mas também a outros fatores. sentimentos de culpa e retardo motor.23 que utilizaram a BPRS tradicional. como diferença entre os instrumentos utilizados (BPRS tradicional vs. para avaliar a eficácia de tratamentos. tensão. como a versão validada para o português SIG-BPRS. o que é um indicativo de sua utilidade. mesmo em pesquisas de ponta. Apesar de não haver uma entrevista estruturada para sua aplicação.17 podem . provavelmente devido à maior abrangência sintomatológica desta última. depressiva: humor depressivo. hostilidade. Essa análise fatorial exploratória evidenciou quatro dimensões psicopatológicas:24 negativa/desorganização: retraimento emocional. podendo ser utilizada na avaliação clínica de vários tipos de quadros psicóticos. desorientação e maneirismos de postura. Como se pode observar nesse estudo de Alves e colaboradores. utilizando-se os critérios de Kane e colaboradores. A versão em português da BPRS-A é de aplicação relativamente simples. Isso se deve. diferença de métodos de análise fatorial (exploratória vs. excitação: excitação. desconfiança e conduta alucinatória. embotamento afetivo. humor de​pres​sivo e sentimento de culpa. ao menor tamanho de nos​sa amostra. não foi possível separar as dimensões negativa e desorganização. entrevistas com perguntas padronizadas. que contém 18 itens. No entanto. positiva: delírios. principalmente na esquizofrenia. confirmatória). sobretudo. grandiosidade. foi suplantada pela PANSS. BPRS-A) e. Já a análise fatorial realizada por Alves e colaboradores incluiu cerca de 100 pacientes do Programa de Esquizofrenia do Instituto de Psiquiatria (Projesq) definidos como portadores de esquizofrenia refratária. desorganização conceitual. provavelmente. com 30 itens. chama atenção que a BPRS continua sendo utilizada. ansiedade e depressão: ansiedade. que utilizou a BPRS-A. em termos de utilização nas pesquisas que envolvem pacientes com esquizofrenia. alucinatória.

. The Brief Psychiatric Rating Scale (BPRS) and the Nurses’ Observation Scale for Inpatient Evaluation (NOSIE) in the evaluation of positive and negative symptoms. Dingemans PM. Prihoda T. 2002. Overall JE.187:366-71.28 A versão de Bech e a entrevista estruturada para essa escala foram publicadas no livro Escalas de avalia​ção clínica em psiquiatria e psicofarmacologia. ●FORMAS DE AQUISIÇÃO Várias versões da BPRS em inglês podem ser encontradas na internet. Leucht S. Crismon ML. Zuardi AW. Br J Psychiatry. Gorham DR. Braz J Med Biol Res.46(2):168-74. 4. Dennehy E. como é caso da versão expandida da Universidade de Iowa. The Brief Psychiatric Rating Scale for Children. Factor structure of Bech’s version of the Brief Psychiatric Rating Scale in Brazilian patients. J Clin Psychol.35(10):1209-13. Hamann J. 5. 2. Biggs M. et al. Schizophr Bull.13(2):261-76. Tudo indica que a tradução da BPRS-A tem se mostrado útil para pesquisas realizadas no Brasil. como é o caso da página web da Secretaria de Saúde de Goiás. 1982. Overall JE. Shores-Wilson K. The positive and negative syndrome scale (PANSS) for schizophrenia. Kane JM. Psychopharmacol Bull. Pfefferbaum B. Kissling W. Velligan D. 2005. Sanches RF. Engel R. 2005.10 A BPRS-A encontra-se disponível na internet em alguns sites governamentais. 1962. sem âncoras. Psychol Rep.18(2):10-6. Fiszbein A. 1990. Kay SR. Brief psychiatric rating scale expanded version: how do new items affect factor structure? Psychiatry Res. Loureiro SR.27 O artigo original que contém a tradução e a adaptação para o português da BPRS-A foi publicado no Jornal Brasileiro de Psiquiatria.135(3):217-28.acrescentar mais precisão ao instrumento. 3. 1987.26 até aquelas ancoradas. Opler LA. Hallak JE. abrangendo desde versões muito simples. Crippa JA. 6.17 ●REFERÊNCIAS 1. Clinical implications of Brief Psychiatric Rating Scale scores.10:799-812. Etschel E. The Brief Psychiatric Rating Scale. 7.

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1 e. difusão. Nos anos subsequentes. certificações e recertificações ficam a cargo do The PANSS Institute. de Freitas. no âmbito clínico e na pesquisa. seu nome se refere aos dois tipos mais frequentemente encontrados nesse transtorno: a) os sintomas positivos. permitindo que a escala possa ser utilizada de forma válida e confiável. Helio Elkis A Escala das Síndromes Positiva e Negativa (Positi​ve and Negative Syndrome Scale – PANSS) é um instrumento que permite mensurar a gravidade dos sintomas da esquizofrenia. e b) os sintomas negativos.3 Os pontos fortes da PANSS incluem suas dimensões fatoriais. localizado em No​va York e idealizado pelos criadores da escala. suas traduções. São utilizados vídeos de treinamento presencial e on-line para os interessados em sua aplicação. confiabilidade. embora apresente 30 sintomas que ocorrem na esquizofrenia. entrevista estruturada. em 1987.4 ●VERSÕES A PANSS manteve sua versão original desde sua primeira publicação. por Kay e colaboradores. disponibilidade de pontos de ancoragem detalhados e validade. Foi criada em 1987. foram publicados manuais que .2 ] ESCALA DAS SÍNDROMES POSITIVA E NEGATIVA (PANSS) Rosana R.2 Atualmente. que têm como definição a diminuição ou perda das funções mentais normais. que são definidos como excesso ou distorções das funções mentais normais. treina​mentos. [ 6.

maneirismos e postura. Em 1990.Informant Questionnaire). ilogicidade grosseira ou pensamento bloqueado). retraimento emocional.6 Foi publicado também o Questionário do Informante (IQ PANSS. permanece com sua sintomatologia atingindo o nível máximo de gravidade 3. ex. Há duas versões para o português. desorganização conceitual. espanhol. retraimento social passivo/apático.7 A PANSS foi traduzida para mais de 40 idiomas. e sua validação foi publicada em sueco. tailandês e polonês. De acordo com ele.13 P2. 6. por um período mínimo de seis meses. francês. de Portugal e do Brasil. foram lançados a entrevista clínica estruturada (Structured Clinical Interview for the Positive and Negative Syndrome Scale – SCI-PANSS)5 e o manual da PANSS (PANSS Rating Manual).8 porém. circunstancialidade. conteúdo incomum do pensamento) e a Mini-PANSS (que inclui 6 sintomas positivos. AVALIAÇÃO CRITÉRIOS 1 Ausente A definição não se aplica. Base para avaliação: processos cognitivos e comportamentais observados durante o curso da entrevista. non- sequiturs. que inclui os seguintes itens: delírios. ou fraco (conforme Fig.1) nos itens alucinações.12. afastamento social passivo/apático e falta de espontaneidade no fluxo da conversação. delírios.. a despeito de sua grande utilização no Brasil. a bPANSS (brief PANSS. embotamento afetivo. com o objetivo de garantir uma avaliação fenomenológica válida e confiável mediante as informações obtidas durante entrevistas com profissionais da saúde. . tensão. 6 negativos e 7 itens de psicopatologia geral. conteú​do incomum do pensamento. membros da família ou outros cuidadores. tangencialidade. associações pobres.9 Existem duas versões compactas da PANSS. no total de 19 itens). Desorganização conceitual – Existe um processo de desorganização do pensamento caracterizado por uma ruptura no sequenciamento dirigido para metas (p. somente recentemente foi publicada a validação da versão brasileira.2. o paciente encontra-se em remissão quando.operacionalizavam sua aplicação. desconfiança.11 A PANSS serviu de base para o critério de remissão em esquizofrenia criado em 2005.

13) distúrbio de volição. 5) grandiosidade. FIGURA 6. 4 Moderado Há capacidade de focalizar pensamentos quando as comunicações são breves e estruturadas. 2) ansiedade. tangencial ou paralógico. falta de conexões ou enfraquecimento das associações mesmo quando sem pressão. 6) desconfiança e 7) hostilidade. e algumas associações se mostram enfraquecidas. Psicopatologia geral: 1) preocupação somática. 5) dificuldade no pensamento abstrato. resultando em irrelevâncias grosseiras e perturbações dos processos de pensamento. o que fica evidente sob pressão. 6 Grave O pensamento está gravemente desorganizado e internamente inconsistente. Há dificuldades em dirigir os pensamentos na direção de metas. 4) retraimento social passivo/apático.2 Mínimo A patologia é questionável. a saber: Sintomas positivos: 1) delírios.1 ► EXEMPLO DE ITEM DA ESCALA: DESORGANIZAÇÃO CONCEITUAL. como evidenciado grave por irrelevâncias frequentes. 3) contato pobre. Sintomas negativos: 1) afeto embotado. 7) retardo motor. 5 Moderadamente Geralmente tem dificuldades em organizar pensamentos. Há enfraquecimento marcante das associações. 7 Extremo Os pensamentos estão perturbados a ponto de o paciente ficar incoerente. 2) desorganização conceitual.2. 9) conteúdo incomum do pensamento. 14) mau controle de impulsos. pode estar no extremo mais elevado dos limites normais. 5) maneirismo e postura. ex. 6) depressão. 10) desorientação. 8) falta de cooperação. que ocorrem quase constantemente. 11) atenção pobre. 3) comportamento alucinatório. 15) preocupação e 16) . que correspondem aos sintomas descritos a seguir. 3 Fraco O pensamento é circunstancial. distribuídos em três subescalas. 4) excitação. 12) perda do julgamento e insight. que resulta em falência total das comunicações (p. 2) retraimento emocional.. ●DESCRIÇÃO DO INSTRUMENTO A PANSS contém 30 itens. 4) tensão. 3) sentimento de culpa. “salada de palavras” ou mutismo). 6) falta de espontaneidade e fluência e 7) pensamento estereotipado. mas tornam-se frágeis ou irrelevantes quando há que se lidar com comunicações complexas ou sob mínima pressão.

Cada um desses itens apresenta a seguinte estrutura: definição: descrição psicopatológica do sintoma. em particular. ou ambos. Ela deriva tanto de uma entrevista clínica semiestruturada quanto dos relatos de um profissional da saúde (no caso de paciente institucionalizado ou internado) ou familiar. esquiva social ativa. O relato do parente deve ser conduzido pelo IQ-PANSS e é essencial para acessar comprometimentos sociais. o relato de familiares ou da equipe de profissionais da saúde que acompanha o paciente. e toda informação obtida é refe​ren​te aos últimos sete dias. intensidade e impacto sobre o comportamento do paciente. base para avaliação: modo como o sintoma é avaliado: a) somente durante a entrevista. a PANSS tornou-se uma escala conhecida no . O escore total da PANSS varia de 30 a 210 pontos. na qual devem ser considerados os dados observados durante esse tempo. como controle de impulsos. Desde seu surgimento. b) somente por meio de informações dos familiares. ou “âncora”. hostilidade. ●APLICAÇÃO A aplicação e a pontuação do instrumento devem ser realizadas por um entrevistador adequada​men​te treinado. A Figura 6. de modo geral. retraimento social passivo/apático e esquiva social ativa. avaliação da gravidade: cada nível (1-7) apresenta uma definição. que avalia a gravidade do sintoma em termos de frequência.1 apresenta o item “desorganização conceitual” para exemplificar esses três aspectos que devem ser abordados em cada item. e c) por ambas as fontes.2. e pacientes com diagnóstico de esquizofrenia. Para avaliação de cada um desses itens. ●PÚBLICO-ALVO Indivíduos maiores de 18 anos com quadros psicóticos. é realizada uma entrevista clínica de 30 a 45 minutos.

min áreas de psicopatologia para de questões delírios. alucinações. da cognição. entrevista min funcionamento fora da que cuidam do envolvimento emocional. a afetividade e a motricidade. é sugerido que o entrevistador encoraje o paciente a falar sobre sua história. Estabelecer rapport. observar Não estruturada. Foi concebida envolvendo quatro fases. É não diretiva e tem como objetivo estabelecer rapport e observar de maneira neutra o processamento. o conteúdo e a forma do pensamento. início da 10 organização das ideias. As fontes para seu preenchimento baseiam-se na entrevista com o paciente e nos dados fornecidos por cuidadores (familiares ou profissionais da saúde) referentes à sintomatologia do indivíduo nos últimos sete dias. diretiva doença.2.1. bem como no preenchimento da escala. uso Insight prejudicado. da atenção. uso Insight prejudicado.1 ► ORGANIZAÇÃO DA ENTREVISTA CLÍNICA DA PANSS ESTRATÉGIA DA ÁREAS PARA OBJETIVO ENTREVISTA INVESTIGAÇÃO Pré. da sensopercepção e das funções interativas. hostilidade e problemas de manejo Fase I 5. situação de entrevista paciente funções motoras. Sua pontuação é obtida por meio de uma entrevista padronizada (SCI-PANSS). com tra​du​ções e validações para inúmeros idiomas. sua situação de vida e seus sintomas. resumidas na Tabela 6. TABELA 6. sendo amplamente utilizada em estudos clínicos para avaliação de eficácia da terapia antipsicótica. 5 Obter dados específicos do Entrevista com pessoas Comportamento social. não História. avaliar a presença e a abrangentes que se suspeitas e sentimentos . A entrevista tem duração de 30 a 40 minutos e permite observação direta da afetividade.mundo inteiro.1 Na primeira fase. com duração de 5 a 10 minutos. eventos que min comportamento anormal e levaram à internação e temas patológicos preocupações especiais Fase II 15 Abordar sistematicamente Semiestruturada. sendo necessário que o entrevistador seja adequadamente treinado na sua aplicação.2. alucinações. min áreas de psicopatologia para de questões delírios. bem como a comunicação. avaliar a presença e a abrangentes que se suspeitas e sentimentos gravidade dos sintomas tornam de culpa progressivamente mais focalizadas Fase II 15 Abordar sistematicamente Semiestruturada.

e deve-se explicar e certificar-se disso com paciente e cuidador. bem como esclarecer melhor as áreas em que o paciente foi defensivo. com duração de 5 a 10 minutos. orientação nas min orientação e raciocínio de questões 3 esferas e capacidade de abstrato raciocínio abstrato Fase IV 5. para só então avaliar a gravidade dependendo da intensidade. 10 sentimentos subjetivos. são de extrema importância. gravidade dos sintomas tornam de culpa progressivamente mais focalizadas Fase III 5. Assim. a uma observação de comportamento ou a um relato do cuidador. bem como as informações fornecidas por cuidadores. com duração de 10 a 15 minutos. o entrevistador é orientado a adotar uma postura mais diretiva e provocativa. ansiedade. É necessário estabelecer primeiro a presença ou ausência de sintomas. desconfiança e grandiosidade. ilógicas ou e vulnerabilidade para evitadoras desorganização Fonte: Kay e colaboradores.5 A segunda fase. orientação e pensamento abstrato. testar limites Examinar melhor 10 avaliar toda a psicopatologia. deve-se sempre escolher aquela de maior valor para determinado item. Clarificar informações. conjuntos específicos ansiedade. . As observações ao longo da entrevista. respostas que foram min observar respostas ao estresse ambivalentes. Avaliar objetivamente Estruturada: uso de Estado de humor. CUIDADOS NA APLICAÇÃO É importante que os dados obtidos se refiram unicamente à última semana. Diretiva. O objetivo dessa etapa é acessar sintomas produtivos. Na última fase (IV). dura entre 5 e 10 minutos e envolve uma série de questões específicas referentes a humor. como alucinações e delírios. visa progredir de perguntas não provocativas e inespecíficas aos mais diretos sintomas psicopatológicos. A terceira fase é a mais focada. da frequência e do impacto no funcionamento diário. entre uma pontua​ção referente a uma resposta fornecida. ambivalente ou não cooperativo.

é comum definir como resposta a redução em 20% da gravidade da escala. No entanto.2 ► PONTUAÇÃO DA PANSS PONTUAÇÃO 1 2 3 4 5 6 7 Grau de Ausência de Muito Leve Moderado Moderadamente Grave Muito gravidade sintomas leve grave grave A PANSS é muito utilizada para avaliar a resposta de sintomas ao tratamento antipsicótico. A pontuação de nível 6 (grave) representa uma patologia grave. significa gravidade “muito leve”. uma vez que são operacionalizados por meio de âncoras que definem cada sintoma e sua gravidade. ou na maioria.6 A gradação dessas pontuações encontra-se na Tabela 6. altamente disruptiva. das funções diárias e necessitam de supervisão próxima ou assistência direta em várias áreas. Por último. No caso da esquizofrenia. Nesse sentido.2.2. A pontuação de nível 3 (leve) corresponde à presença de sintoma claro. Já o nível 4 (moderado) está associado a um sintoma que ocorre ocasionalmente e interfere no cotidiano em uma extensão moderada.●INTERPRETAÇÃO DAS PONTUAÇÕES Os critérios de gravidade de um paciente avaliado pela PANSS não são subjetivos. em que as manifestações interferem em muitas.2. TABELA 6. os pontos de corte podem variar (20. A de nível 2. a pontuação 7. a pontuação de nível 1 corresponde à ausência de sintomas. 30 ou 40%). presente de modo muito frequente. que pode necessitar de supervisão direta. que denota patologia suspeita ou questionável e pode fazer alusão ao extremo final da variação normal. considerada “muito grave”. refere-se ao mais grave nível de psicopatologia. que interfere pouco no funcionamento diário. por sua vez. Leucht e colaboradores identificaram que 25% de redução na BPRS ou na PANSS correspondem ao critério de “um pouco . porém o significado clínico da pontuação total ou os pontos de corte usados para definir resposta ao tratamento não são claros. Um escore de 5 (moderadamente grave) indica uma manifestação sintomática marcada que impacta no funcionamento diário. mas não pronunciado. mas que pode ser suprimida em alguns momentos. Em geral.

87. na fase aguda da doença.94. com coeficiente de Pearson estatisticamente significativo (p < 0. 32. 20. respectivamente. ser “pouco doente” corresponde à pontuação de 58 na PANSS.83 a 0. referente ao item preocupação. “mar​cadamente doente”.15 ●PARÂMETROS PSICOMÉTRICOS DA VERSÃO ORIGINAL E DA VERSÃO EM PORTUGUÊS CONFIABILIDADE Devido aos inúmeros estudos realizados em diferentes idiomas.14 Em um estudo que comparou a BPRS à PANSS.14 Em uma comparação entre a PANSS e a CGI. “moderadamente doente”.69. a 116 pontos.16 . variando de 0. e “gravemen​te doente”. uma pequena mudança tem grande significado e. para itens referentes à esquiva social ativa. 35 e 44%. a 0.melhor” na escala de avaliação clínica CGI (Escala de Impressão Clínica Global). 30. Aqui. A correlação média encontrada variou de 0. 25. à de 95. 30 e 40 pontos correspondeu a uma melhora da PANSS de 15. A PANSS foi aplicada por dois psiquiatras e um psicólogo com base na mesma entrevista. Assim. 50 e 67 pontos. uma melhora do percentual determinado da PANSS sempre foi menor do que a correspondente na BPRS. em média por 4 a 5%.001). à de 75. há vários dados referentes à confiabilidade da PANSS. uma melhora absoluta da BPRS de 10. Uma razão para isso pode ser o maior número de itens usados na PANSS. “Melhora mínima” cor​res​ponde à redução de 28% da pontuação na sexta semana de tratamento. A concordância obtida foi alta. Os autores destacam que. recomendam como critério de resposta 25% de redução na PANSS ou na BPRS. e “grande melhora”. Uma melhora de porcentagem da pontuação total da BPRS da linha de base de 19. no caso de pacientes com esquizofrenia refratária. enquanto 50% de redução correspondem ao critério “muito melhor” da CGI. serão enfocadas as informações presentes no artigo de publicação da escala e aquelas contidas nos dois estudos realizados no Brasil. 40 e 50% correspondeu à porcentagem de melhora da PANSS de 16. à redução de 53% na mesma pontuação. A confiabilidade entre observadores no estudo original foi obtida por meio de uma amostra de pacientes jovens com esquizofrenia. para esse subtipo da doença. respectivamente.

77. sintomas depressivos ou tônus afetivo triste. r = 0. Essas avaliações indicam que as escalas positiva.49. a SANS e a CGI. os dados apresentados adiante têm como base estudos com a versão original. a concordância foi baixa (r = 0. Foi realizado um estudo de confiabilidade entre dois examinadores. foram aplicadas a PANSS. dificuldade no pensamento abstrato e fluência verbal). a PANSS foi comparada à Scale for Assessing Negative Symp​toms (SANS) e à Scale for Assessing Positi​ve Symptoms (SAPS). foi realizado um estudo de confiabilidade com 24 pacientes ambulatoriais (14 homens e 10 mulheres). A escala positiva da PANSS foi significativamente correlacionada com a SAPS (r = 0. VALIDADE Há apenas um trabalho avaliando a validade de construto da versão brasileira da PANSS. Já no Brasil.56.18 Validade concorrente Para avaliar a validade concorrente.8 A PANSS foi utilizada. cronicidade da doença. psicométricas e históricas. respectivamente). que avaliaram 10 pacientes com diagnóstico de esquizofrenia.31 e r = 0. p < . Validade de critério A validade de critério da PANSS é apoiada pelas suas correlações com uma série de avaliações clí​ni​cas. atenção temporal e desenvolvimento perceptivo- motor. inteligência verbal. a SAPS. como raça. embotamento afetivo e pensamento estereotipado foram os dois únicos itens da síndrome negativa que apresentaram bons índices de confiabilidade em ambas as avaliações. Em alguns itens da síndrome negativa (retraimento social passivo/apático. negativa e de psicopatologia geral do instrumento não foram influenciadas por variáveis externas. genealógicas.17 Os dois estudos obtiveram bons níveis de confiabilidade nos itens da síndrome positiva. grupo cultural. Em uma amostra de 51 pacientes crônicos internados. também. A concordância entre os entrevistadores foi alta na maioria dos itens da síndrome positiva. para avaliar 83 pacientes ambulatoriais com esquizofrenia pela terceira edição do Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais (DSM-III-R) em uma pesquisa sobre diferenças entre os sexos no funcionamento social da esquizofrenia.9 portanto. No entanto. e a análise mostrou boa concordância tanto na síndrome positiva como na negativa.

excitação. a PANSS destinava-se à avaliação da predominância de certos sintomas sobre outros. tipo negativo. desconfiança. Apesar de a PANSS ter sido concebida para avaliar três fatores ou síndromes. o que ficou conhecido como “modelo pentagonal” da PANSS. da PANSS. ativação. p < 0. por meio de uma classificação tipológica do paciente.001).001). seus autores ​re​a​lizaram uma análise fatorial exploratória (EFA) e observaram que os itens se distribuíam em quatro fatores.0. cada um com cinco ou mais itens. Van der Gaag e colaboradores publicaram. positivo. que será abordada mais adiante. Esse modelo foi nomeado “modelo pentagonal” e composto pelas seguintes dimensões: negativa. e o de nenhum tipo era definido quando o paciente não apresentasse preenchimento dos critérios anteriores. Entretanto. que era dividido em tipo positivo. a negativa.20 Nesse estudo. p < 0. permanecendo com os outros 25 itens. o tipo negativo deveria ter três ou mais sintomas com pontuação maior ou igual a 4 na escala negativa e menos de três sintomas com pontuação maior ou igual a 4 na positiva. tendo como resultado de três até sete dimensões fatoriais. o que ficou conhecido como “modelo piramidal”. como desorganização conceitual. falta de juízo e crítica e evitação social ativa. essa abordagem tipológica deu lugar à avaliação fenomenológica dimensional.001). usando a técnica de análise fatorial confirmatória (AFC).77. humor disfórico e preocupação autística. com a SANS (r = 0.16 Análises fatoriais subsequentes identificaram. depressivo e cognitivo.20 Esse modelo não incluiu alguns itens. ou “de cinco fatores”. com a CGI (r = 0. soluções formadas por cinco fatores: negativo. a maior parte dos estudos encontrou cinco fatores. em 2006. em sua maioria. desorientação. Esse modelo acrescentava o componente cognitivo (ou de desorganização) a outras quatro dimensões. o modelo que mais se adequava aos dados foi o de cinco fatores. positiva. uma metanálise em que compararam 25 diferentes análises de modelos com cinco fatores.20 A partir de então. .1 Atualmente. o instrumento foi objeto de diversas análises fatoriais exploratórias. e a de psicopatologia geral da PANSS.52. o tipo misto deveria ter três ou mais sintomas em ambas as escalas.19 Validade de construto Originalmente. que se assemelha àquele originalmente publicado pelos autores da PANSS. tipo misto e nenhum tipo. O tipo positivo apresentaria três ou mais sintomas com pontuação maior ou igual a 4 na escala positiva e menos de três sintomas com pontuação maior ou igual a 4 na negativa.

o PANSS – EC (Excited Component).44%. negativo. foram excluídos quatro itens: preocupação (G15). usando 20 dos 30 itens da PANSS agrupados em cinco fatores – positivo. desorganização.21 Recentemente. . também foi publicado um artigo validando o fator de excitação. experiência clínica e que seja adequadamente treinado. em seu idioma. sendo que grau maior ou igual a 20 corresponde a uma agitação grave. negativo. Além disso. Tais dados foram equivalentes aos encontrados na literatura.9 ●FATORES QUE AFETAM A PONTUAÇÃO O fator que mais limita a pontuação da PANSS refere-se ao entrevistador. desorganização. um estudo transcultural que incluiu dados norte- americanos (oriundos do CATIE). a entrevista semiestruturada e o questionário do informante. esquiva social ativa (G16). O resultado encontrado foi a extração de cinco fatores: positivo. excitação e depressão. hostilidade. tensão. preocupação somática (G1) e juízo ou crítica (G12). falta de cooperação e controle pobre dos impulsos. 93 que haviam acabado de receber alta hospitalar e 43 pacientes de primeiro episódio psicótico. A pontuação varia entre 7 e 35. apontando para a validade da versão brasileira da PANSS. traduções com equivalências semânticas de todos os materiais da PANSS. É necessário que ele tenha bom conhecimento de psicopatologia. O único estudo que avaliou a estrutura fatorial da versão brasileira da PANSS recrutou 292 sujeitos oriundos de diferentes centros: 156 pacientes ambulatoriais. mostrou a melhor representação entre todas as quatro amostras de diferentes países e culturas potencialmente contrastantes. Mais recentemente. brasileiros e de dois locais da China comparou o modelo pentagonal àquele usado pelo National Institute of Mental Health (NIMH). A pesquisa encontrou que esse último modelo. que se destina à avaliação de agitação e agressividade de pacientes psiquiátricos22 e consiste em cinco itens da escala: excitação. desde a escala em si até o manual. excitação e depressão –. Foi realizada uma AFE por meio da extração de componentes principais (PCA) e rotação equamax. correspondendo a uma variância de 58. é importante que existam.

gera dificuldades em cálculos estatísticos. bem como a autorização de certificar e recertificar os interessados em realizar o treinamento da escala. gêneros e culturas. a ausência de sintomatologia corresponde ao valor 0 (zero) (ver Cap.●LIMITAÇÕES Alguns estudos mais recentes postulam que o fato de a PANSS considerar a ausência de sintomas como uma pontuação com valor de 1 (um). idades. Opler LA. The positive and negative syndrome scale . confiabilidade e sensibilidade para detectar mudanças de gravidade de sintomas e. ao mesmo tempo. 6.3 ●REFERÊNCIAS 1. ao contrário de outras escalas. sobre a BPRS).1. Além disso.23 Assim. ●FORMAS DE AQUISIÇÃO A PANSS. a PANSS contribuiu de forma significativa para a abordagem dimensional da esquizofrenia e de outros transtornos psicóticos. porém tal questão ainda está em debate e necessita de novos estudos. e não 0 (zero). uma vez que apresenta validade. a escala para avaliação de sintomas psicóticos mais utilizada no mundo. tornando-se. estabilidade de fatores observados em amostras de diversos contextos clínicos. no caso da BPRS-A. Kay SR. por isso. é um instrumento que conta com uma série de vantagens. Isso faria a redução da pontuação no instrumento após terapia antipsicótica representar um efeito menor do que aquele clinicamente observado. Fiszbein A. não está disponível gratuitamente. ●CONSIDERAÇÕES FINAIS Apesar de a PANSS não ser uma escala autoaplicável e necessitar de treinamento adequado para sua utilização.23 Chama atenção que. foi sugerido que a PANSS possa ser revista para que a ausência de sintomas corresponda à pontuação de 0 (zero). com diferentes níveis de gravidade. Seus direitos autorais pertencem ao The PANSS Institute (TPI).

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Rodrigo Affonseca Bressan Sintomas depressivos têm sido descritos no curso da esquizofrenia desde a sistematização desse diagnóstico. [ 6. pior resposta ao tratamento. Mais recentemente. períodos de hospitalização mais longos.1 A presença de síndromes depressivas no curso da esquizofrenia relaciona-se com diversos fatores de mau prognóstico. porém também são consideradas sintomas negativos. . maiores taxas de recaídas.3 A identificação de quadros depressivos na esquizofrenia exige a correta distinção entre esses sintomas e as outras dimensões da doença. assim como os sintomas positivos e negativos. abuso de substâncias. Características como anedonia. análises fatoriais indicaram a depressão como uma dimensão psicopatológica distinta da esquizofrenia. muitas vezes presentes em pacientes com esquizofrenia que não apresentam quadro depressivo. notadamente a negativa. como maior número de internações. falta de interesse e dificuldade em se concentrar são critérios diagnósticos para o transtorno depressivo. com estudos indicando que pode estar presente em até 80% dos pacientes ao longo de suas vidas. Sua prevalência ainda é bastante controversa. pior desempenho cognitivo e social. baixa motivação.3 ] ESCALA CALGARY DE DEPRESSÃO PARA ESQUIZOFRENIA (ECDE) Cristiano Noto. piora na qualidade de vida e suicídio. A presença de sintomas extrapiramidais decorrentes do uso de antipsicóticos e a discrepância entre a sintomatologia observada e aquela relatada pelos pacientes também contribuem para dificultar a identificação correta de quadros depressivos na esquizofrenia.

composta por nove itens. Os primeiros oito itens são perguntas diretas ao paciente. 6. As características avaliadas em cada item estão descritas no Quadro 6. envolvendo 48 artigos publicados com seis diferentes instrumentos. por meio de análise fatorial.1). que devem ser aplicadas exatamente conforme as instruções (Fig. sendo 0 a ausência do sintoma e 3 a presença em sua maior gravidade. do Exame do Estado Psíquico (PSE)8 e da Escala de Depressão de Hamilton (HAM-D). Use as frases que seguem e os qualificadores a seu critério. identificou a ECDE como a escala de maior validade e confiabilidade.9 A escala foi projetada para mensurar sintomas depressivos independentemente de outras dimensões psicopatológicas da esquizofrenia.5 Atualmente. O período examinado refere-se às duas últimas semanas. Addington e colaboradores desenvolveram a Escala Calgary de Depressão para Esquizofrenia (ECDE). O período avaliado corresponde às duas últimas semanas anteriores à entrevista.1. recomendando seu uso para a avaliação de sintomas depressivos na esquizofrenia.3. Faça a primeira pergunta como está escrita. a não ser que esteja estipulado. 1 – DEPRESSÃO Como você descreveria o seu humor nas últimas duas semanas: você tem . com escores em escala ordinal de 0 e 3.7 ●DESCRIÇÃO DO INSTRUMENTO A ECDE é um instrumento de pesquisa simples. Uma recente revisão sistemática.6 A escala está validada para o uso no Brasil desde 1998. derivado. O instrumento é uma escala semiestruturada. O último item refere-se à observação do examinador durante a entrevista. esse é o instrumento mais utilizado para a avaliação de sintomas depressivos na esquizofrenia e está disponível em 36 idiomas.●ESCALA CALGARY DE DEPRESSÃO PARA ESQUIZOFRENIA (ECDE) Em busca de aprimorar a identificação desses casos. em 1990.3.

3. Depressão observada ●PÚBLICO-ALVO Esse instrumento deve ser utilizado em pacientes com esquizofrenia. tanto na fase aguda como na residual. Autodepreciação 4. FIGURA 6. Ausente 1. Ideias de referência e de culpabilidade 5. Leve Expressa alguma tristeza ou desânimo ao responder. Recentemente. Depressão matutina 7. estado razoavelmente alegre. diariamente.1 ► INSTRUÇÃO E EXEMPLO DE ITEM DA ECDE. Desesperança 3. persistindo até metade do período das duas últimas semanas: presente diariamente. QUADRO 6. 3. Grave Humor marcadamente deprimido. ou tem-se sentido muito deprimido ou desanimado recentemente? Nas últimas duas semanas. 2. Moderado Humor deprimido evidente. Interfere no funcionamento motor e social habitual. Suicídio 9.3. por mais da metade do período. Culpa patológica 6.1 ► FATORES AVALIADOS NA ECDE ESCALA CALGARY DE DEPRESSÃO PARA ESQUIZOFRENIA 1. Depressão 2. foi demonstrada sua . Despertar precoce 8. com que frequência você tem-se sentido (palavras utilizadas pelo entrevistado)? Todos os dias? O dia inteiro? 0.

Uma confiabilidade adequada deve ser desenvolvida com ao menos 5 a 10 entrevistas práticas.80 na versão brasileira. sem modificar as questões.82 (0. CUIDADOS NA APLICAÇÃO O entrevistador deve atentar para o período avaliado pela escala.76-0. lendo as perguntas fielmente. que compreende as duas semanas anteriores à entrevista.7 ●PARÂMETROS PSICOMÉTRICOS CONFIABILIDADE A confiabilidade da ECDE foi descrita como boa. Também é importante seguir as instruções do instrumento.88). a ECDE é uma escala rápida. O último item da escala deve ser pontuado com base apenas na observação atenta do paciente durante a entrevista. com consistência interna (coeficiente alfa de Cronbach) de 0. de fácil aplicação. um ponto de corte de 4/5 é suficiente para discriminar um episódio depressivo menor. ●INTERPRETAÇÃO DAS PONTUAÇÕES De acordo com a versão brasileira da ECDE. inclusive em estágios pré-mórbidos.confiabilidade e validade. em indivíduos em alto risco de de​sen​volver psicose.10 ●APLICAÇÃO A aplicação da escala requer que o examinador tenha experiência com portadores de esquizofre​nia e que desenvolva confiabilidade junto a outros profissionais experientes em avaliação com ins​trumentos estruturados.6 sendo de 0.7 . enquanto o escore 6/7 apresentou o melhor equilíbrio entre sensibilidade. especificidade e valor preditivo positivo para predizer um episódio depressivo maior. O tempo médio para a execução do instrumento é de cerca de 5 a 10 minutos. Composta de apenas oito questões.

medida pelo coeficiente de correlação intraclasse (CCI).895. encontrou- se um CCI de 0.69-0.11 A confiabilidade teste-reteste também foi boa – 0.822) e o Inventário de Depressão de Beck (BDI) (r = 0. essa condição é ainda negligenciada com frequência.11 Validade de construto A elevada confiabilidade interna e o coeficiente de discriminação (0. combinado com o valor baixo da raiz quadrada da média residual (0. A ECDE é um instrumento simples. em comparação à HAM-D.956). indicam forte validade de construto. resultados semelhantes foram encontrados com o escore de 5 (especificidade e sensibilidade = 85%).11 Isso sugere a existência de uma única dimensão. que não leva mais de 10 minutos para ser realizado. A ECDE também se relacionou ao diagnóstico de episódio depressivo maior.039).93).6 VALIDADE Validade de critério A análise das curvas ROC dos diferentes estudos de validação da ECDE levou a valores de corte distintos na interpretação dos resultados obtidos com a escala.83 (0. No estudo de Addingtong e colaboradores. ●CONSIDERAÇÕES FINAIS Apesar da importância largamente descrita dos sintomas depressivos na esquizofrenia.933 e 81% de concordância. o que torna essa escala menos sensível à sobreposição com outros fatores da esquizofrenia. como a HAM-D (r = 0.792). de fácil aplicação. Na versão brasileira. Sua utilização na prática clínica pode contribuir . de acordo com o DSM-III (r = 0. A confiabilidade da escala. foi de 0.7 Validade concorrente A validade convergente da ECDE foi demonstrada por meio da correlação entre as pontuações dessa escala e aquelas de outros instrumentos validados para a avaliação de sintomas depressivos.12 valores acima de 6 apresentam especificidade de 82% e sensibilidade de 85% para o diagnóstico de episódio depressivo maior. com concordância de 86% entre os avaliadores para os itens individuais. negativos e extrapiramidais. como os sintomas positivos.644).

140(1):38- 47. tendo sido traduzido e validado para diversos países e idiomas. [A escala pode ser acessada em sua versão em português (Brasil) aqui: www. Lehman D. Addington J. 2002. The measurement and classification of psychiatric symptoms: an instruction manual for the PSE and Catego program. 1990. Wing JK. 3. Slooff CJ. 9.ucalgary. J Affect Disord. 1974. et al. 8. 4. Depressive symptom patterns in patients with chronic schizophrenia and subsyndromal depression.157(9):1379-89. Zisook S. Lindenmayer JP. Sartorius N. Bressan RA. 5. Five-factor model of schizophrenia. Am J Psychiatry. Shirakawa I. como o suicídio.182(11):631-8. Kasckow J. 2012. Depression in schizophrenia: perspective in the era of “Atypical” antipsychotic agents. 2000. 2.23:56-62. 1960.86(1-3):226-33. Hamilton M. Cooper JE. Schizophr Res. Lako IM.106(2):83-96. J Neurol Neurosurg Psychiatry. Schoevers RA. Initial validation. 1994. London: Cambridge University.para a identificação mais ampla de sintomas depressivos. A systematic review of instruments to measure depressive symptoms in patients with schizophrenia. A depression rating scale for schizophrenics. Acta Psychiatr Scand. Knegtering H.3(4):247-51. Schizophr Res. . é o instrumento mais indicado para esse fim. 7. J Nerv Ment Dis. Montross L. Schizophr Res. Differential diagnosis of depressed mood in patients with schizophrenia: a diagnostic algorithm based on a review. 2006.32(1):41-9. Validity study of the Brazilian version of the Calgary Depression Scale for Schizophrenia. Grochowski S. Hausmann A. A rating scale for depression. Bernstein-Hyman R. de Mari J. Siris SG. 6. Golshan S.ca] ●REFERÊNCIAS 1. ●FORMAS DE AQUISIÇÃO O uso da ECDE é gratuito para estudantes e entidades sem fins lucrativos. Bruggeman R. Wiersma D. Schissel B. Fleischhacker WW. 1998. Chaves AC. Addington D. prevenindo situações graves. Nyer M. Atual​mente.

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Um mesmo indivíduo pode ser dependente de vários medicamentos.. Além disso. Algumas substâncias promovem alterações mais importantes e evidentes. caracterizado por mo​dificações de comportamento e outras rea​ções que sempre incluem o impulso a utilizar a substância de modo contínuo ou periódico com a finalidade de experimentar seus efeitos psíquicos e. Maria Lucia Oliveira de Souza Formigoni ● CONCEITO DE DEPENDÊNCIA A Organização Mundial da Saúde define dependência de substâncias como:1 [. Em primeiro lugar. cada .. de evitar o desconforto da privação. Essa definição. traz uma série de conceitos fundamentais para a compreensão adequada desse fenômeno. algumas vezes. [7] INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO DE USO DE ÁLCOOL E DROGAS Thiago Marques Fidalgo. cabe destacar que toda dependência se dá a partir da busca por alterações de sensações.] estado psíquico e algumas vezes físico resultante da interação entre um organismo vivo e um medicamento. enquanto outras geram modificações sutis. embora antiga. como o aumento do tempo de vigília. por exemplo. Esse estado pode ou não ser acompanhado de tolerância. percepções ou comportamento.

3 Considerando esses conceitos. O DSM-5 trouxe importantes modificações no conceito de dependência. da American Psychiatric Association. o Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais. no período de um ano: uso em quantidades maiores ou por mais tempo que o planejado. levando a prejuízo ou sofrimento clinicamente significativo. presença de forte desejo (também chamado de fissura). restrição do repertório de atividades em função do uso da substância. abstinência. As substâncias de abuso podem originar quadros de abstinência. uso contínuo apesar da presença de problemas sociais ou interpessoais. uso em situações de exposição a risco. ocupacionais ou familiares devido ao uso. com distinção hierárquica.4 define dependência de substâncias como um padrão mal- adaptativo do uso de substâncias. utilizar ou para se recuperar dos efeitos da substância. manutenção do uso apesar de prejuízos físicos. Essa . desejo persistente do uso ou incapacidade de controlar esse desejo. no caso da interrupção de seu consumo. gasto importante de tempo em atividades para obter. abuso e dependência consistiam em categorias diferentes. como o álcool e os opioides. sem adequada ponderação acerca das consequências desse uso. tolerância. Algumas. sendo a dependência mais grave que o abuso. outras geram sintomas inespecíficos quando há a interrupção de seu uso. em busca de prazer. caracterizada pelo uso em quantidades cada vez maiores para obter o mesmo efeito ou pela ausência do efeito esperado com a dose habitual. podem desencadear síndromes de abstinência bem descritas e com quadro clínico bem definido. caracterizado pela urgência em consumir a substância. a dependência vem sendo compreendida como um transtorno do controle de impulsos.vez mais. em sua quinta versão (DSM-5). Até sua publicação. caracterizada por um conjunto de sinais ou sintomas decorrentes da falta da substância e que são reduzidos ou desaparecem com seu consumo. a ação das substâncias de abuso sobre o sistema de recompensa e alterações ainda não totalmente elucidadas no córtex pré-frontal levam ao uso repetido do fármaco. caracterizado pela presença de dois ou mais dos critérios a seguir.2 Nesse sentido. abandono de atividades sociais.

A re​missão é classificada como sustentada quando o paciente deixa de preencher qualquer critério diagnóstico. mas menor que um ano. por um período mí​‐ ni​mo de três meses. a dependência moderada. Já o critério “fissura”. Assim. idade ou contexto cultural. Esse achado mostrou-se consistente. a presença de dois ou três critérios caracteriza a dependência leve. por um período de um ano ou mais.separação baseava-se no fato de ambas as condições serem compreendidas como dimensões diferentes dos problemas relacionados ao uso de substâncias. foi incluído por sua importância clínica e pela possibilidade crescente de se constituir em um alvo terapêutico. Além disso. foi incluído.4. após análises específicas para gênero. foi estudada a acurácia dos 11 critérios presentes na quarta edição (4 de abuso e 7 de dependência). a fissura é uma exceção. exceto a fissura. definido como “um desejo ou necessidade intensos de usar a droga”. quatro ou cinco. utilizando as técnicas da teoria de resposta ao item. um estudo detalhado dos critérios diagnósticos utilizados. pois estudos clínicos mostram que ela pode . uma vez que estava ausente na maioria dos pacientes adultos e adolescentes inclusos nos estudos de revisão. Considera-se remissão inicial quando o paciente deixa de apresentar qualquer critério diagnóstico. O especi​fi​cador mais comumente utilizado diz respeito à gravidade do quadro. a fim de verificar se todos deveriam ser mantidos na quinta edição. mostrou que abuso e dependência compunham uma única dimensão. permitindo classificar a remissão dos problemas relacionados ao uso da substância como inicial (early remission) ou sustentada (sustained remission). Em ambos os casos. exceto a fissura. mantendo-se o número total de 11 critérios diagnósticos. associada ao número de critérios preenchidos.5 Outro especificador está relacionado ao curso do transtorno. No entanto.5 Além disso. Embora esse novo critério não tenha gerado ganho significativo na qualidade psicométrica do diagnóstico. por meio da teoria de resposta ao item.5 ● ESPECIFICADORES DE DEPENDÊNCIA O DSM-5 propõe alguns especificadores. O critério “problemas legais em função do uso da substância” não se mostrou consistente. e seis ou mais critérios indicam dependência grave. esse critério apresentava pouca correlação com os demais e acrescentava pouca informação. a fim de ampliar a compreensão diagnóstica.

Esse processo deve incluir não só o minucioso exame do estado mental como também uma abrangente avaliação do estado clínico. enquanto o segundo é aplicado quando o indivíduo faz uso de algum tratamento medicamentoso. que também são encontrados em associação ao abuso de substância. culminando em melhora clí​nica global. por exemplo. uma vez que diversas modalidades de intervenção podem ter sua eficácia comprometida devido à presença de outros transtornos não diagnosticados. destacam-se a depressão. o que propicia a interrupção do comportamento dependente e acarreta a diminuição das taxas de recaídas. condutas mais adequadas podem ser adotadas. uma vez que tem implicações no prognóstico do paciente e no tratamento a ser instituído. o transtorno bipolar e transtornos relacionados. o transtorno de déficit de atenção/hiperatividade (TDAH) e os transtornos da personalidade. Entre os quadros mais frequentes. ● COMORBIDADE E SOBREPOSIÇÃO DE SINTOMAS O correto diagnóstico de outras condições associadas aos transtornos decorrentes do uso de substâncias é fundamental. terapia com antagonistas (naltrexone) e medicações para substituição do tabaco (vareniclina ou bupropiona). como.4.permanecer presente mesmo após muitos anos de abstinência.5 Por fim. terapia com agonistas (metadona ou buprenorfina). Não existe consenso na literatura quanto ao potencial que as substâncias apresentam para desencadear quadros psiquiátricos mais graves. Cerca de 70 a 90% dos pacientes dependentes de substâncias apresentam outro transtorno mental associado. como transtornos do espectro bipolar e psicóticos.5 O DSM-5 apresenta outras categorias diagnósticas específicas para intoxicação aguda e síndrome de abstinência que não são tema deste capítulo.6 Diante de tal constatação. O primeiro deve ser utilizado quando o paciente se encontra em um ambiente com acesso restrito à substância. os transtornos de ansiedade. podem ser usados os especificadores “em ambiente protegido” e “em terapia de manutenção”.3 A complexidade dos fatores envolvidos no abuso ou na dependência de substâncias justifica a importância de uma investigação diagnóstica abrangente e detalhada ante um paciente dependente usuário. Tal fato se reveste de particular importância na medida em que os baixos índices de efi​cácia observados no . visando a estabilização dos quadros associados. O conhecimento de tais dados é fundamental para a construção de um plano terapêutico.4.

Além disso. CAGE. ser atribuídos à pouca atenção dispensada a aspectos relativos às comorbidades. em geral. está relacionada a pior prognóstico e a maiores dificuldades no manejo farmacológico. As principais incluem: Alcohol. ● AVALIAÇÃO DA DEPENDÊNCIA Diante de um paciente que faz uso de substâncias.8 Além disso. assim como sobre: motivações do uso quantidade utilizada aspectos circunstanciais do uso padrão de uso efeitos obtidos sentimentos que antecedem e sucedem o uso intensidade e situações associadas à fissura Diversas escalas abordam esses aspectos. Vários instrumentos foram desenvolvidos pa​ra avaliar o ambiente familiar . mas o uso de instrumentos padronizados permite uma avaliação objetiva. Teste de Fagerström. Smoking and Substance Involvement Screening Test (ASSIST). Além disso. ao menos parcialmente. Drug Use Screening Inventory (DUSI). pois este pode influenciar de modo decisivo. pacientes e seus familiares. é importante a caracterização detalhada do consumo. sua presença. A avaliação do funcionamento familiar é fundamental. entre outras. Addiction ​Severity Index (ASI). Essa avaliação pode ser feita por meio de entrevistas clínicas. assim como facilita a comunicação entre terapeutas. questionando-o a respeito de todas as drogas consumidas. a evolução do tratamento. tabaco e/ou outras drogas é um problema que afeta não somente as pessoas com esse transtorno.tratamento desses pacientes poderiam. mas também todo o sistema social e familiar. contribuindo para o estudo de fatores que afetam o desenvolvimento das dependências e para a avaliação da efetividade das intervenções. em conjunto ou separadamente. possibilita a sistematização das intervenções e a comparabilidade de dados em diferentes ocasiões ou entre grupos de pacientes. a dependência de álcool.7. Alcohol Use Disorders Identification Test (AUDIT). positiva ou negativamente.

1. entre eles problemas legais ou no trabalho. focalizados no funcionamento familiar. Os aspectos sociais relacionados ao uso abusivo de substâncias também devem ser criteriosamente explorados. entre eles. bem como a adequação da socialização para a faixa etária. TABELA 7. o Family Functioning Questionnaire (FFQ). - colaboradores12 e clínica Expectancy relacionadas Questionnaire ao uso de (MEQ) maconha Araújo e 201 Clínica Questionnaire Fissura pelo . algumas áreas do Addiction Severity Index (ASI) podem ser utilizadas. - colaboradores13 of Smoking cigarro Urges (QSU) Dinis e 210 Clínica Escala de Adesão ao O instrumento - colaboradores14 Desfecho tratamento não se mostrou Esperado entre sensível . o Family Tree Questionnaire (FTQ). a avaliação deve incluir também o funcionamento escolar. a Dyadic Adjustment Scale (DAS). destacando-se. as FACES I. As principais escalas traduzidas e/ou ​validadas no Brasil para avaliação da dependência e dos as​pectos a ela relacionados estão descritas na Ta​bela 7. são instrumentos bastante abrangentes. mas exigem certa disponibilidade de tempo para sua aplicação. a Family Assessment Measure (FAM). já foram traduzidas para o português e va​lidadas a GARF9.ou alguns de seus com​ponentes.11 A GARF é um anexo da entrevista semiestruturada do DSM-IV e permite realizar uma avaliação geral do funciona​mento global da família. II.10e a FAM. No caso de adolescentes. III (Family Adaptability and Cohesion Evaluation Scales). a McMaster Family Assessment Device (FAD). a Global Assessment of Relational Functioning (GARF) e a Family Environment Scale (FES). o The Self-Report Family Inventory (SFI). A FAM e a FES. o The Family Apgar (FAPGAR). o Family Functioning Index (FFI). Entre essas es​calas. Para isso.1 ► PROPRIEDADES PSICOMÉTRICAS DOS INSTRUMENTOS UTILIZADOS PARA AVALIAÇÃ TRANSTORNOS DECORRENTES DO USO DE SUBSTÂNCIAS ASPECTOS ESTUDO N AMOSTRA INSTRUMENTO AVALIADOS SENSIBILIDADE ESPECIFICIDADE Pedroso e 400 Populacional Marijuana Expectativas . cujos de​talhes encontram-se em outros capítulos deste livro.

- e clínica Alcohol relacionados Dependence ao uso de Data álcool Questionnaire (SADD) De Micheli e 213 Populacional Drug Use Transtornos 0.85 Furlanetto20 relacionados ao uso de álcool entre pacientes internados Jorge e Masur21 105 Populacional Short-Form Transtornos .8 0. Rastreamento 1 0.93 Malbergiera19 relacionados ao uso de álcool entre funcionários da USP Castells e 747 Clínica CAGE Transtornos 0.88 0.61 15 Craving cocaína colaboradores Questionnaire (CCQ) Fabbri e 450 Populacional Tolerance.83 Monteiro18 Annoyed. 0. Eye com álcool opener (T. relacionados Guilty. durante a ACE) gestação Sartes e 208 Populacional Teen Dependência . Cut de problemas down.84 PRU. (EDET) usuários de cocaína Silveira e 205 Clínica Cocaine Fissura por 0. Transtornos 0.70 0. - colaboradores17 e clínica Addiction Severity Index (T-ASI) Masur e 114 Clínica Cut down. 0.85 colaboradores16 Annoyed.9 Formigoni22 Screening relacionados Inventory ao uso de (DUSI) drogas entre adolescentes . Eye ao uso de opener álcool (CAGE) Amaral e 203 Populacional CAGE Transtornos PRU.94 0.

7 colaboradores23 e clínica curta relacionados ao uso de drogas entre adolescentes Henrique e 147 Clínica Alcohol. e o ASSIST.61-1.Fidalgo e 84 Populacional DUSI – versão Transtornos 0.76-0.85 0.98 (#) colaboradores24 Smoking and relacionados Substance ao álcool e a Involvement outras drogas Screening Test (ASSIST) Carminatti25 183 Populacional ASSIST Transtornos 0.84-0.99 (#) e clínica relacionados (adolescentes) ao álcool e a outras drogas Vianna26 154 Clínica Environment Avaliação do . validada por Amorim. pode-se também usar entrevistas clínicas padronizadas utilizando- . traduzida e avaliada quanto às propriedades psicométricas por Quintana e colaboradores.29 De forma alternativa. No entanto. Entre eles. - Scale (FES) ambiente real. ● CRÍTICAS E LIMITAÇÕES Alguns instrumentos foram especificamente desenvolvidos para triagem do uso de substâncias. - Assessment dinâmica Measure familiar nas (FAM-III) suas dimensões básicas USP: Universidade de São Paulo. especificamente para uso de álcool. que abrange todas as classes de drogas.91 (#) 0.79-0. idealizado ou esperado Silva27 262 Populacional Family Avaliação da . os mais utilizados são o AUDIT.00 (#) 0. Transtornos 0. destacando-se a Seção J da entrevista padronizada Composite In​ternational Diagnostic Interview 2. Outros instrumentos e entrevistas padronizadas são indicados para diagnóstico.28 ou a Mini International Neuropsychiatric Interview (MINI).1 (CIDI). (#) variando de acordo com a substância. esses instrumentos não fornecem diagnóstico.

no qual o paciente se sinta à vontade para responder. embora tenha algumas limitações para fins de pesquisa.30 A entrevista clínica padronizada do DSM-IV foi validada por Del-bem e colaboradores. Ambos os estados podem gerar flutuações no nível de consciência capazes de comprometer a confiabilidade das respostas fornecidas. O estigma relacionado ao uso de substâncias ainda é relevante. por ser de aplicação rápida. ● RECOMENDAÇÕES Visando o uso clínico. o ASI é o instrumento que fornece o melhor panorama. É importante. 2. que o indivíduo tenha privacidade para responder aos instrumentos.31 ● PROBLEMAS ESPECÍFICOS DA AVALIAÇÃO DA DEPENDÊNCIA Para a adequada utilização de escalas para avaliação do uso de substâncias. é fundamental que o profissional que conduz o preenchimento dos questionários certifique-se de que o paciente não esteja sob efeito agudo de substâncias ou em meio a síndrome de abstinência importante. além de viabilizar dados sobre a evolução clínica do paciente. alguns cuidados devem ser observados. Potenza MN. tendo assegurado o sigilo das informações fornecidas. Organisation Mondiale de la Santé. Como instrumento de triagem.se os critérios do DSM-54 ou da Classificação internacional de doenças e problemas relacionados à saúde (CID-10). o ASSIST parece ser o mais indicado. Dessa forma. Comité OMS d’experts de la pharmacodépendance. 1969. a aplicação dos instrumentos deve se dar em ambiente seguro. ainda. Brewer JA. para avaliação completa de um paciente com problemas relacionados ao uso de substâncias. especialmente considerando o julgamento moral que continua perpassando a visão social acerca dessa condição. Além disso. The neurobiology and genetics of impulse . ● REFERÊNCIAS 1. mas abran​gente. Genève: OMS.

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Vilelab JAA.22(3):106-15. CID-10: classificação estatística internacional de doenças. Labatec CM. Hallaka JEC. Andreoli SB. 2004. 2011.1). drogas por meio da Family Assessment Measure-III (FAM-III) [tese].37(11):1739- 45. 2000. Amorim P. Jorge MR. Crippab JAS. Del-Bena CM. Miranda CT. 31. 29. São Paulo: Edusp. Organização Mundial da Saúde. Zuardia AW. Rev Bras Psiquiatr. Braz J Med Biol Res. Quintana MI. Rev Bras Psiquiatr.23(3):156-9. . 28. Confiabilidade da “Entrevista Clínica Estruturada para o DSM-IV – Versão Clínica” traduzida para o português. The reliability of the Brazilian version of the Composite International Diagnostic Interview (CIDI 2. 30. São Paulo: Universidade Federal de São Paulo. Gastal FL. 2001. 1994. Mini International Neuropsychiatric Interview (MINI): validação de entrevista breve para diagnóstico de transtornos mentais.

As questões abordam a frequência de uso. em 1997. de preferência realizadas imediatamente após a devolutiva dos resultados.2 o ASSIST permite a triagem de problemas associados ao uso dos mais diversos tipos de substâncias psicotrópicas.1] TESTE DE TRIAGEM DO ENVOLVIMENTO COM ÁLCOOL. a preocupação a respeito do uso por parte de pessoas próximas ao usuário. em diversos países. Inspirado no Alcohol Use Disorders Identification Test – AUDIT (Teste para Identificação de Transtornos Decorrentes do Uso de Álcool). TABACO E OUTRAS SUBSTÂNCIAS (ASSIST) Maria Lucia Oliveira de Souza Formigoni Com o apoio da Organização Mundial da Saúde (OMS). a sensação de compulsão pelo uso e a utilização de substâncias por via injetável. na vida e nos últimos três meses. o Alcohol. Tem sido recomendada sua associação com intervenções breves. por um grupo internacional de pesquisadores de nove centros especializados na área. [7. Smoking and Substance Involvement Screening Test (ASSIST) foi desenvolvido.1 e foi pensado para ser utilizado em ambientes de assistência primária à saúde e adaptável a diferentes culturas. assim como os principais problemas relacionados ao consumo. ● VERSÕES .1 O instrumento objetiva a detecção de pessoas que fazem uso abusivo ou que são dependentes de substâncias. a existência de prejuízo na execução de tarefas esperadas ou de tentativas malsucedidas de cessar ou reduzir o consumo.

assim como da validação de sua versão em português aplicada a adultos3. ● APLICAÇÃO A aplicação pode ser feita por um entrevistador ou por autoaplicação. O uso de substâncias não especificadas em nenhuma das oito categorias principais deve ser incluído na nona categoria. espanhol. inalantes. participaram de todas as fases de seu desenvolvimento.6 em inglês. cocaína. alucinógenos e opiáceos). tendo sido utilizado em centenas de estudos. persa. árabe.int] Os mesmos pesquisadores brasileiros responsáveis pela disseminação do ASSIST por meio dos cursos mencionados na seção Experiência de Uso. estão disponíveis na página da OMS na internet. álcool. ​francês. Detalhes sobre os processos de desenvolvimento. [Disponível em: www.5 Foi desenvolvida uma versão mais curta do instrumento. ● PÚBLICO-ALVO O ASSIST destina-se a adultos e adolescentes.who. assim como sua tradução para português. denominada “outras drogas”. embora a concordância avaliada pelo índice kappa tenha sido moderada para tabaco (0.69) e discreta para álcool (0. mandarim. É recomendável que o entrevistador receba um breve treinamento e leia o manual do instrumento. A pontuação é ordinal. testagem e adaptação cultural do instrumento. ● DESCRIÇÃO DO INSTRUMENTO Trata-se de um questionário estruturado com oito questões sobre o uso de nove classes de substâncias psicoativas (tabaco.O ASSIST foi originalmente desenvolvido em inglês. estimulantes. maconha. Os participantes do estudo avaliados por . sedativos.47).76) e maconha (0. A questão 8 avalia o consumo de drogas de forma injetável.9 desenvolveram um estudo que comparou a versão autoaplicada àquela aplicada por entrevistadores e concluíram que as pontuações foram semelhantes. alemão e hindu. ainda não traduzida para o português.7 Barreto e colaboradores8.4 e adolescentes. mas hoje é bastante disseminado em vários países.

Essas substâncias podem ser fumada