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MAURO SCHIAVI

A REFORMA
TRABALHISTA
E O PROCESSO
DO TRABALHO
Apresentação

A Lei 13.467/17, conhecida como a Lei da Reforma Trabalhista, aprovada


pelo Congresso Nacional e sancionada pelo Presidente da República, traz im-
portantes alterações no Direito do Trabalho, no Processo do Trabalho e na
Justiça do Trabalho.

Neste encarte, optamos por comentar todos os artigos da Reforma perti-


nentes à Justiça do Trabalho, Processo do Trabalho, e dispositivos de direito
material que têm impactos na área processual.

Para facilitar a compreensão, foram realizados comentários individualiza-


dos para cada artigo, seguindo a sequência numérica da própria lei.

A lei traz alterações em muitos institutos do processo do trabalho, des-


tacando-se: competência, mecanismos de solução de conflitos (arbitragem e
homologação de conciliação extrajudicial), petição inicial, contestação, audi-
ência, provas, recursos e execução.

Uma vez publicada, a Lei adquire vida própria e deve ser interpretada à luz
da Constituição Federal e dos princípios peculiares que regem o Processo do
Trabalho.

Boa Leitura.

O autor.

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A REFORMA TRABALHISTA E
O PROCESSO DO TRABALHO
Comentários à Lei n. 13.467/17
Artigos referentes ao Processo do Trabalho, Justiça do Trabalho,
e dispositivos de direito do trabalho que têm impactos na parte processual.

LEI N. 13.467, DE 13 DE JULHO DE 2017


DOU de 14.07.2017

Altera a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), aprovada pelo Decreto-Lei no 5.452, de 1º de


maio de 1943, e as Leis nos 6.019, de 3 de janeiro de 1974, 8.036, de 11 de maio de 1990, e 8.212,
de 24 de julho de 1991, a fim de adequar a legislação às novas relações de trabalho.
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a
seguinte Lei: 

“Art. 1º A Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), é possível a responsabilização, na execução, da


aprovada pelo Decreto-Lei n. 5.452, de 1º de empresa do grupo econômico que não participou
maio de 1943, passa a vigorar com as seguintes da fase de conhecimento.
alterações:  
Nesse sentido: “Grupo econômico familiar
“Art 2º ................................................................. — Redirecionamento da execução —
§ 2º  Sempre que uma ou mais empresas, tendo, Responsabilização de sócia. Comprovada
embora, cada uma delas, personalidade jurídica a existência de grupo econômico familiar,
própria, estiverem sob a direção, controle ou sem que as empresas condenadas no título
administração de outra, ou ainda quando, executivo tenham efetuado o pagamento ou
mesmo guardando cada uma sua autonomia, garantido a execução, afigura-se regular o
integrem grupo econômico, serão responsáveis seu redirecionamento em desfavor de pessoa
solidariamente pelas obrigações decorrentes da física que, apesar de não constar do quadro
relação de emprego.  societário de todas as demandadas, figura ou
figurou como sócia de algumas delas. Agravo de
§ 3º Não caracteriza grupo econômico a mera petição da executada a que se nega provimento.”
identidade de sócios, sendo necessárias, para (TRT – 9ª R. – Seção Especializada – rel. Des.
a configuração do grupo, a demonstração do Rubens Edgard Tiemann – 2.2.10 – Processo n.
interesse integrado, a efetiva comunhão de 8957/2004.015.09.00-6) (RDT n. 2 – fevereiro
interesses e a atuação conjunta das empresas dele de 2010)
integrantes.” (NR) 
No mesmo sentido, é o Enunciado n. 3 da
1ª Jornada Nacional de Execução Trabalhista,
Comentários realizada em novembro de 2011, in verbis:
O referido dispositivo mantém a regra geral “EXECUÇÃO. GRUPO ECONÔMICO. Os
do reconhecimento do grupo econômico por integrantes do grupo econômico assumem a
hierarquia, embora a doutrina trabalhista e a execução na fase em que se encontra.”
jurisprudência tenham evoluído no sentido do De nossa parte, ainda que se considere a mera
reconhecimento do grupo horizontal, onde há identidade de sócios não ser suficiente para a
uma relação de coordenação entre as empresas. configuração do grupo econômico, tal elemento
O objetivo da lei foi tornar mais difícil a é um indício bastante relevante de sua existência
configuração do grupo econômico para fins de (prova prima facie), podendo o Juiz do Trabalho,
responsabilização trabalhista. Não obstante, a no caso concreto, aplicar a teoria dinâmica do
jurisprudência já se posicionou no sentido de que ônus da prova e atribuir o encargo probatório
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à empresa que nega a existência do grupo O parágrafo 2º, do artigo 8º, da CLT visou a
econômico (artigos 818, da CLT e 373 do CPC). restringir o alcance da jurisprudência trabalhista,
vedando que o Judiciário, por meio de interpre-
Mesmo diante da alteração legal, fica mantido o tação, aplicação ou integração do direito, restrinja
entendimento da 129 do TST: ou crie direito não previsto em lei. Trata-se de
CONTRATO DE TRABALHO. GRUPO ECO- regra que não encontra similar em outros ramos
NÔMICO — A prestação de serviços a mais do direito ou do Judiciário.
de uma empresa do mesmo grupo econômico,
durante a mesma jornada de trabalho, não O Código de Processo Civil de 2015 contém
caracteriza a coexistência de mais de um contrato dispositivo muito melhor que o da CLT previsto
de trabalho, salvo ajuste em contrário. no artigo 926, que assim dispõe:
“Os tribunais devem uniformizar sua
jurisprudência e mantê-la estável, íntegra e
“Art. 8º................................................................. coerente. § 1º Na forma estabelecida e segundo
§ 1º  O direito comum será fonte subsidiária do os pressupostos fixados no regimento interno,
direito do trabalho.  os tribunais editarão enunciados de súmula
§ 2º  Súmulas e outros enunciados de jurispru-
correspondentes a sua jurisprudência dominante.
dência editados pelo Tribunal Superior do Trabalho § 2º Ao editar enunciados de súmula, os tribunais
e pelos Tribunais Regionais do Trabalho não devem ater-se às circunstâncias fáticas dos
poderão restringir direitos legalmente previstos precedentes que motivaram sua criação”.
nem criar obrigações que não estejam previstas em De nossa parte, o parágrafo 2º do artigo 8º,
lei.   da CLT é manifestamente inconstitucional, por
§ 3º  No exame de convenção coletiva ou acordo impedir a livre interpretação e aplicação do direito
coletivo de trabalho, a Justiça do Trabalho analisará pelos Tribunais Trabalhistas, inibir a eficácia dos
exclusivamente a conformidade dos elementos direitos fundamentais, bem como dos princípios
essenciais do negócio jurídico, respeitado o constitucionais. Além disso, impede a evolução
disposto no art. 104 da Lei n. 10.406, de 10 de da jurisprudência e restringe o acesso à justiça
janeiro de 2002 (Código Civil), e balizará sua (artigo 5º, XXXV, da CF).
atuação pelo princípio da intervenção mínima na
Em épocas marcadas por grandes codificações,
autonomia da vontade coletiva.” (NR)  
seguindo o sistema romano-germânico de legis-
lação escrita e rígida, o juiz, praticamente, não
podia interpretar a lei, somente podendo aplicá-
Comentários la, subsumindo os fatos ao prévio catálogo de lei.
Aqui, houve alterações profundas na sistemática O juiz era apenas a voz e a boca da lei (bouche de
de aplicação do direito comum, com ênfase ao la loi). Tornou-se clássica a frase in claris cessat
direito civil, no campo do direito do trabalho. interpretatio do Código Civil francês.
Houve supressão do requisito da compatibilidade Na visão de Montesquieu, os juízes eram seres
como barreira de contenção para aplicação do inanimados, que não podiam moderar nem a
direito comum às relações trabalhistas, bastando sua força (a Lei) nem o seu rigor. O juiz nada
o requisito da omissão. criaria, apenas aplicaria o direito (já previamente
De nossa parte, a alteração não é oportuna, elaborado pelo legislador) ao caso concreto.
pois o Direito do Trabalho é ramo autônomo da O catálogo de todas as soluções possíveis já
ciência jurídica e tem sua principiologia própria, preexistiria ao caso litigioso. Ao juiz nada mais
como eixo central o princípio da proteção se pediria do que confrontar o fato com tal
ao trabalhador. Já o direito comum, parte do catálogo, até localizar a regra legal que resolveria
princípio da igualdade de partes que figuram em o problema. Sua atividade mental seria apenas
determinada relação jurídica. silogística1.
A alteração do parágrafo primeiro do artigo Atualmente, o sistema constitucional brasileiro,
8º, da CLT deve ser compatibilizada com os fruto do Estado Social, reconhece a liberdade
princípios, regras e singularidades do Direito de convicção do magistrado como sendo não
do Trabalho. Se norma civilista conflitar com a só uma garantia da cidadania, mas também um
trabalhista, mesmo havendo omissão da CLT, ela pilar de sustentação do regime democrático de
não deverá ser aplicável. tripartição de poderes.
1 FACCHINI NETO, Eugênio. Reflexões histórico-evolutivas sobre a constitucionalização do direito privado. In: SARLET,
Ingo Wolfgang (Coord.). Constituição, Direitos Fundamentais e Direito Privado. Rio de Janeiro: Renovar, 2004. p. 23.
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A doutrina tem destacado importante papel do modificação do contrato, responde o cedente
Judiciário Trabalhista na concretização e efetivação solidariamente com o cessionário, perante a
dos direitos fundamentais do trabalhador, não sociedade e terceiros, pelas obrigações que tinha
sendo este apenas a chamada “boca da lei”, mas como sócio.”
livre para realizar interpretações construtivas No mesmo sentido, dispõe o art. 1.032 do
e evolutivas do direito, a partir dos princípios Código Civil, in verbis: “A retirada, exclusão
constitucionais, com a finalidade de encontrar ou morte do sócio, não o exime, ou a seus
equilíbrio entre a livre-iniciativa e a dignidade da herdeiros, da responsabilidade pelas obrigações
pessoa humana do trabalhador. sociais anteriores, até dois anos após averbada a
resolução da sociedade; nem nos dois primeiros
O parágrafo 3º do artigo 8º, da CLT limita a casos, pelas posteriores e em igual prazo,
atuação do Judiciário no exame dos acordos e enquanto não se requerer a averbação.”
negociação coletiva aos requisitos de validade do
negócio jurídico (artigo 104 do CC), quais sejam: Parte da jurisprudência se mostrava refratária
capacidade, licitude do objeto e forma prevista à aplicação do art. 1.003 do CC ao Processo do
ou não defesa em lei. De nossa parte, se trata Trabalho, argumentando que a responsabilidade
de regra manifestamente inconstitucional, pelos do sócio retirante persiste para fins trabalhistas,
mesmo depois de dois anos, pois se o sócio
seguintes motivos: retirante estava na sociedade à época da
a) restringe o acesso à justiça (artigo 5º, XXX, prestação de serviço e usufruiu da mão de obra
da CF); do trabalhador é justo que seu patrimônio
responda pelos débitos trabalhistas. Além
b) viola os incisos VI, XIII e XIV, da CF que, disso, argumentam incompatibilidade com os
além dos requisitos formais do negócio princípios protetor, da natureza alimentar e da
jurídico, exigem que para a flexibilização de irrenunciabilidade do crédito trabalhista.
direitos, exista efetiva negociação coletiva e Outros argumentam que o art. 1.003 do CC se
observâncias dos direitos mínimos trabalhistas, aplicava integralmente ao processo do trabalho, em
previstos no ordenamento jurídico trabalhista, razão de omissão da CLT e compatibilidade com
principalmente, o constitucional (7º, caput, da os princípios que regem a execução trabalhista,
CF). máxime os da dignidade da pessoa humana do
executado e meios menos gravosos da execução
c) restringe a incidência das normas constitu- (arts. 769 e 889 da CLT).
cionais e legais de proteção ao trabalho humano.
O artigo 10-A, da CLT é melhor que os artigos
1.003 e 1.032 do CC, pois fixa a responsabilidade
“Art. 10-A.  O sócio retirante responde subsidiaria- subsidiária do sócio retirante pelo período em
mente pelas obrigações trabalhistas da sociedade
que figurou na sociedade, mas limitado às ações
trabalhistas ajuizadas até dois anos da data da
relativas ao período em que figurou como sócio, retirada, estabelecendo, também, a responsabilidade
somente em ações ajuizadas até dois anos depois solidária em caso de fraude.
de averbada a modificação do contrato, observada
a seguinte ordem de preferência:  Por outro lado, a experiência nos tem
demonstrado que muitos sócios deixam a
I - a empresa devedora;   sociedade quando ela tem dívidas trabalhistas ou
II - os sócios atuais; e 
está prestes a sofrer execuções trabalhistas que
possam levá-la à insolvência. Em razão disso,
III - os sócios retirantes.   pensamos que o sócio retirante, pelo princípio
da boa-fé objetiva que deve nortear os negócios
Parágrafo único.  O sócio retirante responderá jurídicos, ao sair da sociedade, deve retirar
solidariamente com os demais quando ficar certidões que comprovem a inexistência de dívidas
comprovada fraude na alteração societária trabalhistas à época da saída, ou que, mesmo elas
decorrente da modificação do contrato.”  existentes, a sociedade tem patrimônio suficiente
para quitá-las. Caso contrário, a responsabilidade
do sócio retirante persistirá mesmo após o prazo
Comentários fixado no artigo 10-A, da CLT.
Assevera o art. 1.003 do Código Civil:
“A cessão total ou parcial de quota, sem a “Art. 11.  A pretensão quanto a créditos resultantes
correspondente modificação do contrato social das relações de trabalho prescreve em cinco anos
com o consentimento dos demais sócios, não terá para os trabalhadores urbanos e rurais, até o
eficácia quanto a estes e à sociedade. Parágrafo limite de dois anos após a extinção do Contrato
único. Até dois anos depois de averbada a de Trabalho. 
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I - (revogado);  de cinco anos para os trabalhadores urbanos e
II - (revogado).
rurais, até o limite de dois anos após a extinção
do contrato de trabalho.”
............................................................................ 
As causas de interrupção bloqueiam o curso do
§ 2º  Tratando-se de pretensão que envolva pedido prazo prescricional já iniciado, voltando o prazo
de prestações sucessivas decorrente de alteração a correr por inteiro, uma vez expirada a causa de
ou descumprimento do pactuado, a prescrição interrupção.
é total, exceto quando o direito à parcela esteja
também assegurado por preceito de lei.  Assevera o art. 202 do CC:
§ 3º  A interrupção da prescrição somente ocorrerá “A interrupção da prescrição, que somente
pelo ajuizamento de reclamação trabalhista, poderá ocorrer uma vez, dar-se-á: I – por
mesmo que em juízo incompetente, ainda que despacho do juiz, mesmo incompetente, que
venha a ser extinta sem resolução do mérito, ordenar a citação, se o interessado a promover
produzindo efeitos apenas em relação aos pedidos no prazo e na forma da lei processual; II – por
idênticos.” (NR)  protesto, nas condições do inciso antecedente; III
– por protesto cambial; IV – pela apresentação
do título de crédito em juízo de inventário ou
em concurso de credores; V – por qualquer
Comentários ato judicial que constitua em mora o devedor;
Dispõe o art. 189 do CC: VI – por qualquer ato inequívoco, ainda que
extrajudicial, que importe reconhecimento
“Violado o direito, nasce para o titular a do direito pelo devedor. Parágrafo único – A
pretensão, a qual se extingue pela prescrição, nos prescrição interrompida recomeça a correr da
prazos a que aludem os arts. 205 e 206.” data do ato que a interrompeu, ou do último ato
Conforme o referido dispositivo legal, o Código do processo para a interromper.”
Civil brasileiro adota o conceito de prescrição O parágrafo 2º do artigo 11, da CLT consagra o
como sendo a perda da pretensão, que é, segundo entendimento sedimentado na Súmula 294, do
Carnelutti, a exigência de subordinação do TST, que de nossa parte é inconstitucional, pois
interesse alheio ao interesse próprio. Estando estabelece a fluência de prazo prescricional no
prescrita a pretensão, não se pode exigir em juízo curso do contrato de trabalho, em contrariedade
o direito violado, tampouco invocá-lo em defesa, ao disposto no artigo 7º, XXIX, da Constituição
pois a exceção prescreve no mesmo prazo que a Federal, e ainda viola também o próprio artigo
pretensão, segundo o art. 190 do CC. 468, da CLT que não faz distinção entre alterações
Segundo a melhor doutrina, a prescrição extingue decorrentes da lei ou de acordo entre as partes.
a pretensão e por via oblíqua o direito, enquanto a O parágrafo 3º do presente dispositivo legal
decadência extingue o direito e por via oblíqua a consagra a tese defendida pela Súmula 268 do
pretensão. O prazo decadencial pode ser fixado TST e pelo já citado artigo 202 do CC.
na lei ou pela vontade das partes (contrato),
enquanto os prazos prescricionais somente Dispõe a Súmula n. 268 do TST:
são fixados em lei. O prazo decadencial corre “PRESCRIÇÃO. INTERRUPÇÃO. AÇÃO
contra todos, não sendo, como regra, objeto de TRABALHISTA ARQUIVADA – A ação trabalhista,
suspensão, interrupção ou causa impeditiva (art. ainda que arquivada, interrompe a prescrição
207 do CC), salvo as exceções do art. 208 do CC, somente em relação aos pedidos idênticos.”
já a prescrição pode não correr contra algumas
pessoas, pode sofrer causas de impedimento, Conforme sedimentado pela mais alta Corte
suspensão ou interrupção. A prescrição, uma Trabalhista do país, a ação trabalhista, ainda que
vez consumada, pode ser objeto de renúncia. A arquivada, sem a necessidade de citação válida do
decadência é irrenunciável quando fixada em lei reclamado, interrompe a prescrição. Pensamos
(art. 209 do CC). que o Tribunal Superior do Trabalho seguiu a
melhor diretriz, pois a partir da propositura da
Diante da sua importância para o direito do ação já há interações entre juiz e parte, e há ato
trabalho, a prescrição trabalhista está prevista inequívoco do credor trabalhista pretendendo a
no art. 7º, XXIX, da Constituição, que trata satisfação do seu direito.
dos direitos fundamentais trabalhistas, tendo a
seguinte redação: Não obstante, a interrupção se dá somente com
relação às verbas expressamente postuladas, e não
“Ação, quanto aos créditos resultantes das em face de outras parcelas, ainda que decorram
relações de trabalho, com prazo prescricional de um mesmo contrato de trabalho.
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De nossa parte, a demanda trabalhista arquivada “Prescrição intercorrente. É inaplicável na Justiça
interrompe tanto os prazos de prescrição bienal do Trabalho a prescrição intercorrente.”
quanto quinquenal de prescrição, já que tais
prazos são interdependentes. De outro lado, a Súmula n. 327 do C. STF:
“Prescrição Intercorrente. O direito trabalhista
admite prescrição intercorrente.”
“Art. 11-A.  Ocorre a prescrição intercorrente no Nesse sentido, é a própria redação do art. 884 da
processo do trabalho no prazo de dois anos.   CLT que disciplina em seu § 1º a prescrição como
§ 1º  A fluência do prazo prescricional intercorrente sendo uma das matérias passíveis de alegação
inicia-se quando o exequente deixa de cumprir nos embargos à execução. Ora, a prescrição
determinação judicial no curso da execução.   prevista no § 1º do art. 884 da CLT, só pode
§ 2º  A declaração da prescrição intercorrente pode ser a intercorrente, pois a prescrição própria da
ser requerida ou declarada de ofício em qualquer pretensão deve ser invocada antes do trânsito em
grau de jurisdição.”  julgado da decisão (Súmula n. 153 do C. TST).
A redação do artigo 11-A, da CLT deixa
expresso o cabimento da prescrição intercorrente
Comentários no processo do trabalho, quando o exequente
Chama-se intercorrente a prescrição que se não cumpre determinação judicial no curso da
dá no curso do processo, após a propositura da execução, como por exemplos: indicação de
ação, mais especificamente depois do trânsito bens do devedor, informações necessárias para o
em julgado, pois, na fase de conhecimento, se o registro de penhora, instauração do incidente de
autor não promover os atos do processo, o juiz o consideração da personalidade jurídica etc.
extinguirá sem resolução do mérito, valendo-se
do disposto no art. 485 do CPC. A alteração configura mudança de rota
significativa no processo do trabalho, pois até
Sempre foi polêmica a questão da prescrição então o entendimento era pela não aplicação da
intercorrente no Processo do Trabalho, diante prescrição intercorrente na execução trabalhista.
da natureza alimentar do crédito trabalhista e
do princípio da irrenunciabilidade do crédito A questão se torna mais agressiva ainda ao
trabalhista. exeqüente, pois o princípio do impulso oficial fora
extremamente mitigado, com a nova redação do
De nossa parte, estamos convencidos de que artigo 878, da CLT, que o limitou à hipóteses em
prescrição intercorrente e prescrição da execução que o exeqüente estiver sem advogado.
são expressões sinônimas no processo do trabalho,
pois, na fase de conhecimento, se houver inércia Mesmo que a prescrição intercorrente possa
do reclamante, o Juiz do Trabalho extinguirá ser reconhecida de ofício, considerando-se a
a relação jurídica processo sem resolução de principiologia e singularidades do processo do
mérito (vide a respeito os arts. 732, 844, ambos trabalho, e também os direitos fundamentais de
da CLT, e 485, do CPC), não havendo espaço acesso à justiça, à tutela executiva (artigo 5º, XXXV,
para reconhecimento de prescrição intercorrente. da CF) e cooperação processual (artigo 6º do
A prescrição intercorrente somente se verifica no CPC), pensamos cumprir ao magistrado, antes de
curso da execução. reconhecer a prescrição intimar o exeqüente, por
Em favor da não aplicabilidade da prescrição seu advogado e, sucessivamente, pessoalmente,
intercorrente no Processo do Trabalho, era para que pratique o ato processual adequado ao
invocado o argumento de que a execução é prosseguimento da execução, sob conseqüência
promovida de ofício pelo Juiz do Trabalho, nos de se iniciar o prazo prescricional.
termos do art. 878 da CLT, não havendo espaço
para a aplicabilidade de tal instituto.
Além disso, também é possível invocar “ Art. 448-A.  Caracterizada a sucessão empresa-
aqui o princípio protetor, visto sob o aspecto rial ou de empregadores prevista nos arts. 10 e 448
instrumental (igualdade substancial das partes desta Consolidação, as obrigações trabalhistas,
no processo do trabalho), e a existência do jus inclusive as contraídas à época em que os
postulandi da parte na execução trabalhista, empregados trabalhavam para a empresa sucedida,
como argumentos aptos a inviabilizar o são de responsabilidade do sucessor.  
reconhecimento da prescrição intercorrente no
processo trabalhista. Parágrafo único.  A empresa sucedida responderá
solidariamente com a sucessora quando ficar
Nesse sentido, a Súmula n. 114 do C. TST, in verbis: comprovada fraude na transferência.”  
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Comentários A sucessão não exige prova formal, podendo ser
demonstrada por indícios e presunções, tais como:
Segundo a melhor doutrina, a sucessão
trabalhista, disciplinada nos arts. 10 e 448 da CLT, a transferência do fundo de comércio, transferência
tem fundamento nos princípios da continuidade do principal bem imaterial da atividade, dentre
do contrato de trabalho, despersonalização do outros elementos. De outro lado, a simples
empregador e na inalterabilidade do contrato de transferência de maquinários ou compra do
trabalho. Por isso, quem responde pelo crédito imóvel empresarial não configuram a sucessão.
trabalhista é a empresa e não quem esteja no seu A sucessão de empresas pode ser reconhecida
comando. pelo Juiz do Trabalho em qualquer fase do
Dispõe o art. 10 da CLT: “Qualquer alteração processo, inclusive na execução, uma vez que
na estrutura jurídica da empresa não afetará os o sucessor tem a chamada responsabilidade
direitos adquiridos por seus empregados.” patrimonial e, independentemente de ter figurado
na fase de conhecimento, seus bens podem ser
No mesmo sentido, é o art. 448 da CLT: “A
mudança na propriedade ou na estrutura jurídica atingidos. Diante do caráter cogente dos arts.
da empresa não afetará os contratos de trabalho 10 e 448 da CLT, autores há que sustentam a
dos respectivos empregados.” possibilidade de o Juiz do Trabalho conhecer de
ofício a sucessão de empresas.
São hipóteses típicas de sucessão para fins
trabalhistas: a transferência de titularidade da Doravante, diante da nova redação do artigo
empresa, fusão, incorporação e cisão de empresas, 878, da CLT, salvo a hipótese de “jus postulandi”
contratos de concessão e arrendamento e também do exeqüente, na execução, a sucessão deverá
as privatizações de antigas estatais. ser requerida pelo credor.
Para a doutrina clássica, são requisitos da O artigo 448-A, da CLT consagra o entendimento
sucessão para fins trabalhistas: a) transferência de preponderante de que o sucessor responderá
uma unidade empresarial econômica de produção pela integralidade da dívida, salvo em caso de
de um titular para outro; e b) inexistência de fraude, em que a empresa sucedida responderá
solução de continuidade do contrato de trabalho, solidariamente, nos termos do parágrafo único
vale dizer: o empregado da empresa sucedida do artigo 448-A, da CLT.
deve trabalhar para a empresa sucessora. Para a
moderna doutrina, à qual me filio, com apoio De nossa parte, pensamos que subsiste a
da atual jurisprudência dos Tribunais, não há responsabilidade subsidiária, mesmo não
necessidade de o empregado ou o reclamante em havendo fraude, nas hipóteses em que a
processo trabalhista ter prestado serviços para empresa sucessora não apresenta patrimônio
a empresa sucessora, basta apenas que tenha suficiente para solver o crédito trabalhista, ou
havido a transferência total ou parcial de uma para maior efetividade do recebimento deste. A
unidade de produção de uma empresa para outra responsabilidade subsidiária da empresa sucedida
para que ocorra a sucessão para fins trabalhistas. se justifica como medida inibidora de fraudes e
Pensamos estar correta a moderna doutrina encontra suporte nos princípios constitucionais
ao exigir apenas o requisito da transferência da da livre-iniciativa, valores sociais do trabalho,
unidade econômica de produção de um titular dignidade da pessoa humana do trabalhador (arts.
para outro para que se configure a sucessão, 1º e 170, da CF) e também da função social da
pois os arts. 10 e 448 da CLT não exigem que empresa e da propriedade (art. 5º da CF).
o empregado tenha trabalhado para a empresa Nesse sentido, vale transcrever o Enunciado n. 4
sucedida. Além disso, tal interpretação está em da 1º Jornada Nacional de Execução Trabalhista,
consonância com o princípio protetor e propicia realizada em novembro de 2010, in verbis:
maior garantia de solvabilidade do crédito
trabalhista. “SUCESSÃO TRABALHISTA. Aplicação subsi-
A moderna doutrina defende a existência da diária do Direito Comum ao Direito do Trabalho
sucessão, mesmo na transferência parcial de uma (Consolidação das Leis do Trabalho — CLT, art.
unidade econômica de produção empresarial, 8º, parágrafo único). Responsabilidade solidária
desde que afete de forma significativa os contratos do sucedido e do sucessor pelos créditos
de trabalho. Por exemplo, a transferência de trabalhistas constituídos antes do trespasse do
propriedade da produção de um determinado estabelecimento (CLT, arts. 10 e 448, c/c Código
produto de uma empresa para outra. Civil, art. 1.146).”

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“Art. 507-A.  Nos contratos individuais de traba- meio do qual as partes submetem à arbitragem
lho cuja remuneração seja superior a duas vezes um litígio já existente.
o limite máximo estabelecido para os benefícios
do Regime Geral de Previdência Social, poderá ser Atualmente, doutrina e a jurisprudência não
pactuada cláusula compromissória de arbitragem, têm admitido a arbitragem para a solução dos
desde que por iniciativa do empregado ou conflitos individuais trabalhistas com os seguintes
mediante a sua concordância expressa, nos termos argumentos: a) acesso amplo e irrestrito do
previstos na  Lei n. 9.307, de 23 de setembro de trabalhador ao Judiciário Trabalhista (art. 5º,
1996.”  XXXV, da CF); b) irrenunciabilidade do crédito
trabalhista; c) hipossuficiência do trabalhador; d)
o estado de subordinação inerente ao contrato de
Comentários trabalho impede que o trabalhador manifeste sua
vontade ao aderir a uma cláusula compromissória.
A arbitragem é um meio de solução dos
conflitos pelo ingresso de um terceiro imparcial Em verdade, existe no Brasil falta de tradição
(árbitro) previamente escolhido pelas partes que em solução dos conflitos pela via arbitral,
irá solucionar o conflito de forma definitiva. A acreditando-se que os árbitros não estão prepara-
arbitragem é considerada um meio alternativo de dos para resolver os litígios com imparcialidade
solução do conflito, pois o árbitro não pertence e justiça. Na esfera trabalhista, acredita-se que
ao Estado. Alguns doutrinadores sustentam que a via arbitral sempre atende aos interesses do
o árbitro tem jurisdição, não a estatal, mas sim a empregador, lesando os interesses do empregado.
que lhe foi outorgada pelas partes para resolução Na realidade, muitas vezes, tanto a decisão
do conflito. como a transação realizadas em sede arbitral são
melhores que a decisão na Justiça do Trabalho,
Não há tradição de resolução dos conflitos
trabalhistas pela via da arbitragem no Direito principalmente nos centros de maior movimento
brasileiro, embora em muitos países de tradição processual, em que a carga de trabalho dos juízes
anglo-saxônica, este seja o principal meio de inviabiliza uma decisão célere e com qualidade.
resolução de tais conflitos, principalmente o Não obstante, diante da hipossuficiência do
conflito coletivo de trabalho. trabalhador brasileiro, das peculiaridades das
relações de trabalho e de emprego, do caráter
Diante do princípio da inafastabilidade da irrenunciável do crédito trabalhista, não há
jurisdição (art. 5º, XXXV, da CF), a arbitragem como se aplicar de forma irrestrita a arbitragem
no Direito brasileiro é um meio facultativo de para resolução de qualquer conflito individual
solução de conflitos, vale dizer: não se pode trabalhista, mesmo que a convenção arbitral seja
obrigar alguém, contra sua vontade, a aceitar o firmada após a cessação do contrato individual de
procedimento arbitral. trabalho, pois ainda presente a hipossuficiência
Dentre os argumentos favoráveis à arbitragem, econômica do trabalhador. Entretanto, para
podemos destacar: a) maior agilidade nas algumas espécies de contratos de trabalho ou
decisões, em face da inexistência de recursos; de emprego em que o trabalhador apresente
b) o árbitro é escolhido pelas partes; c) melhores hipossuficiência mais rarefeita, como os altos
condições da real dimensão do conflito pelo árbitro; empregados, a arbitragem poderá ser utilizada.
d) maior celeridade de resolução do conflito; e) O referido artigo 507-A da CLT possibilitou a
possibilidade de a decisão dar-se por equidade se fixação de cláusula compromissória de arbitragem
assim convencionarem as partes. nos contratos individuais de trabalhos com as
Nos termos da Lei n. 9.307/96 que disciplina seguintes condições:
a arbitragem e traça as regras do procedimento a) contratos individuais de trabalho cuja re-
arbitral, o procedimento arbitral é instaurado muneração seja superior a duas vezes o limite
pela convenção de arbitragem, que compreende máximo estabelecido para os benefícios do
a cláusula compromissória e o compromisso Regime Geral de Previdência Social, o que equi-
arbitral. vale à remuneração superior a R$11.000,00;
A cláusula compromissória, prevista no art. 4º b) iniciativa do empregado ou mediante a sua
da Lei n. 9.307/96, é o negócio jurídico por meio
concordância expressa.
do qual as partes se comprometem a submeter
à arbitragem futuros litígios que possam surgir De nossa parte, a lei não é adequada, pois fixa
relativamente a um contrato. O compromisso a possibilidade de cláusula de arbitragem na
arbitral, previsto no art. 9º da Lei n. 9.307/96, contratação do empregado, ou durante a vigência
é o negócio jurídico de natureza contratual por do vínculo de emprego, quando presente o estado
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de subordinação. Além disso, a remuneração do Trabalho, como pelos Tribunais Regionais do
de R$11.000,00 é relativamente baixa para se Trabalho, quais sejam:
afastar o trabalhador da Justiça do Trabalho. De
outro lado, no Brasil, a via arbitral ainda é um a) voto de pelo menos dois terços de seus
membros;
procedimento caro e, praticamente, inacessível
ao trabalhador desempregado, que é o ligante b) matéria já tenha sido decidida de forma
mais freqüente na Justiça do Trabalho. idêntica por unanimidade em, no mínimo, dois
terços das turmas em pelo menos dez sessões
diferentes em cada uma delas podendo, ainda,
“Art. 652.  Compete às Varas do Trabalho: por maioria de dois terços de seus membros,
restringir os efeitos daquela declaração ou
.............................................................................  decidir que ela só tenha eficácia a partir de sua
f) decidir quanto à homologação de acordo publicação no Diário Oficial;
extrajudicial em matéria de competência da Justiça c) sessões públicas, divulgadas com, no mí-
do Trabalho. nimo, trinta dias de antecedência, e deverão
Comentários: possibilitar a sustentação oral pelo Ministério
Público do Trabalho, Ordem dos Advogados do
O referido dispositivo estabelece a competência Brasil e Entidades Sindicais, bem como deve
funcional das Varas do Trabalho para deliberar
sobre acordos extrajudiciais (artigos 855-B a 855- Trata-se de alteração sem similar em outros
E, da CLT). ramos do Judiciário, impondo requisitos para a
Art. 702.  ............................................................. 
edição de Súmulas pelos Tribunais Trabalhistas.
Sem dúvida, a criação, cancelamento ou
I - ......................................................................... alteração de súmulas fica mais difícil, exigindo
votos de pelo menos dois terços dos membros
f) estabelecer ou alterar súmulas e outros
enunciados de jurisprudência uniforme, pelo
do Tribunal, bem como se deve franquear a
voto de pelo menos dois terços de seus membros, palavra para sustentação dos representantes do
caso a mesma matéria já tenha sido decidida de Ministério Público, OAB e Entidades Sindicais.
forma idêntica por unanimidade em, no mínimo, Certamente, a constitucionalidade desta regra
dois terços das turmas em pelo menos dez sessões será questionada, pois invalida a autonomia dos
diferentes em cada uma delas, podendo, ainda, por Tribunais (ver artigo 96, I da CF).
maioria de dois terços de seus membros, restringir
os efeitos daquela declaração ou decidir que ela só
tenha eficácia a partir de sua publicação no Diário
Oficial; “Art. 775.  Os prazos estabelecidos neste Título
serão contados em dias úteis, com exclusão do dia
............................................................................. do começo e inclusão do dia do vencimento.
§ 3º  As sessões de julgamento sobre estabeleci- § 1º  Os prazos podem ser prorrogados, pelo tempo
mento ou alteração de súmulas e outros enunciados estritamente necessário, nas seguintes hipóteses:
de jurisprudência deverão ser públicas, divulgadas
com, no mínimo, trinta dias de antecedência, I - quando o juízo entender necessário;
e deverão possibilitar a sustentação oral pelo II - em virtude de força maior, devidamente
Procurador-Geral do Trabalho, pelo Conselho comprovada.
Federal da Ordem dos advogados do Brasil,
pelo advogado-Geral da União e por confederações § 2º  Ao juízo incumbe dilatar os prazos processuais
sindicais ou entidades de classe de âmbito nacional. e alterar a ordem de produção dos meios de
prova, adequando-os às necessidades do conflito
§ 4º  O estabelecimento ou a alteração de súmulas de modo a conferir maior efetividade à tutela do
e outros enunciados de jurisprudência pelos direito.” (NR)
Tribunais Regionais do Trabalho deverão observar
o disposto na alínea f do inciso I e no § 3º deste
artigo, com rol equivalente de legitimados para
Comentários
sustentação oral, observada a abrangência de sua
circunscrição judiciária.” (NR) O Código de Processo Civil de 2015, no art.
219, estabelece que somente serão considerados
os dias úteis na contagem dos prazos processuais.
Comentários Com efeito, dispõe o referido dispositivo legal:
O referido dispositivo estabelece requisitos para “Na contagem de prazo em dias, estabelecido por lei
a edição de súmulas, tanto pelo Tribunal Superior ou pelo juiz, computar-se-ão somente os dias úteis.
11
Parágrafo único. O disposto neste artigo aplica-se Comentários
somente aos prazos processuais.”
O presente dispositivo fixa limites mínimos e
Recentemente, o TST, por meio da IN n. 39/16 máximos para as custas processuais no processo
entendeu inaplicável o art. 219 do CPC ao trabalhista.
processo do trabalho, pois o artigo 775, da CLT
determinava que os prazos fosse contínuos. Com
efeito, dispõe o art. 2º, III da referida instrução: “Art. 790.  ............................................................
“Sem prejuízo de outros, não se aplicam ao § 3º  É facultado aos juízes, órgãos julgadores e
Processo do Trabalho, em razão de inexistência de presidentes dos tribunais do trabalho de qualquer
omissão ou por incompatibilidade, os seguintes instância conceder, a requerimento ou de ofício,
preceitos do Código de Processo Civil: (...)III - o benefício da justiça gratuita, inclusive quanto a
art. 219 (contagem de prazos em dias úteis)”. traslados e instrumentos, àqueles que perceberem
Diante da negativa do TST em admitir a salário igual ou inferior a 40% (quarenta por
contagem dos prazos em dias úteis, foi alterada cento) do limite máximo dos benefícios do regime
a CLT, para incorporar ao processo do trabalho a geral de previdência social.
inovação do CPC. Doravante, a partir da vigência § 4º  O benefício da justiça gratuita será concedido
da nova redação do artigo 775, da CLT, os prazos, à parte que comprovar insuficiência de recursos
na Justiça do Trabalho, serão computados em para o pagamento das custas do processo.” (NR)
dias úteis.
Há argumentos favoráveis e desfavoráveis à
contagem dos prazos em dias úteis. Comentários
São desfavoráveis: Diz o art. 5º, LXXIV, da CF, que o Estado
a) alonga o curso do processo, prejudicando o prestará assistência judiciária gratuita aos que
princípio da duração razoável do processo; comprovarem insuficiência de recursos.
b) princípio da celeridade do processo do A doutrina costuma diferenciar a assistência
trabalho; judiciária gratuita da Justiça gratuita. Segundo a
doutrina, a assistência judiciária é gênero do qual
c) não ser favorável ao reclamante. a justiça gratuita é espécie.
São favoráveis: A Assistência Judiciária Gratuita é o direito
a) uniformização da contagem dos prazos da parte de ter um advogado do Estado
processuais em compasso com as Justiças gratuitamente, bem como estar isenta de todas as
Estadual e Federal; despesas e taxas processuais.
b) propiciar o direito ao descanso dos advogados; A Justiça gratuita é o direito à gratuidade de taxas
judiciárias, custas, emolumentos, honorários de
c) não prejudica a duração razoável do processo. perito, despesas com editais, etc. Não terá a parte
Os parágrafos 1º e 2º do artigo 775 são direito a advogado do Estado, mas não pagará as
desnecessários, diante do princípio do impulso despesas do processo.
oficial do processo do trabalho previsto no artigo No Processo do Trabalho, a Assistência
765, da CLT. Judiciária Gratuita, não foi alterada pelo presente
dispositivo, e continua disciplinada no art. 14, §
1º, da Lei n. 5.584/70, que assim dispõe:
“Art. 789.  Nos dissídios individuais e nos
dissídios coletivos do trabalho, nas ações e “Na Justiça do Trabalho, a assistência judiciária a
procedimentos de competência da Justiça do que se refere a Lei n. 1.060, de 5 de fevereiro de
Trabalho, bem como nas demandas propostas 1950, será prestada pelo sindicato da categoria
perante a Justiça Estadual, no exercício da profissional a que pertencer o trabalhador.
jurisdição trabalhista, as custas relativas ao
processo de conhecimento incidirão à base § 1º – A assistência é devida a todo aquele que
de 2% (dois por cento), observado o mínimo perceber salário igual ou inferior ao dobro do
de R$ 10,64 (dez reais e sessenta e quatro mínimo legal, ficando assegurado igual benefício
centavos) e o máximo de quatro vezes o ao trabalhador de maior salário, uma vez provado
limite máximo dos benefícios do regime geral que sua situação econômica não lhe permite
de previdência social, e serão calculadas: demandar, sem prejuízo do sustento próprio ou
..............................................................(NR) da família”.
12
Na sistemática anterior, para fazer jus à Justiça Comentários
gratuita, o empregado deveria receber salário não
superior a dois mínimos ou fazer declaração de No Processo do Trabalho o perito é remunerado
seu estado de miserabilidade, de próprio punho pela parte.
ou por seu advogado. Na sistemática anterior, quando a parte
Nesse sentido é o art. 1º, da Lei n. 7.115/83: sucumbente na perícia era beneficiária de justiça
“A declaração destinada a fazer prova de vida, gratuita, havia isenção dos honorários periciais,
residência, pobreza, dependência econômica, arcando a União com os valores do perito. Nesse
homonímia ou bons antecedentes, quando sentido é a Orientação Jurisprudencial n. 387 da
firmada pelo próprio interessado ou por SDI-I do C. TST, in verbis:
procurador bastante e sob as penas da lei, “Honorários periciais. Beneficiário da justiça
presume-se verdadeira.” gratuita. Responsabilidade da União pelo
Doravante, é facultado aos juízes, órgãos pagamento. Resolução n. 35/2007 do TST.
julgadores e presidentes dos tribunais do trabalho Observância. (DeJT 9.6.2010). A União é
de qualquer instância conceder, a requerimento responsável pelo pagamento dos honorários de
ou de ofício, o benefício da justiça gratuita, perito quando a parte sucumbente no objeto da
inclusive quanto a traslados e instrumentos, perícia for beneficiária da assistência judiciária
àqueles que: gratuita, observado o procedimento disposto
nos arts. 1º, 2º e 5º da Resolução n. 35/2007
a) perceberem salário igual ou inferior a 40% do Conselho Superior da Justiça do Trabalho –
(quarenta por cento) do limite máximo dos CSJT.”
benefícios do regime geral de previdência social.
Parte da jurisprudência havia se pronunciado
b) comprovarem insuficiência de recursos para no sentido de que se o reclamante tivesse créditos
o pagamento das custas do processo. a receber no processo, deveria reservar uma
pequena parcela ao perito, em razão de justiça
A alteração mais significativa se refere à e equidade.
comprovação da insuficiência econômica por
parte do empregado, pois a lei exige a comprovação Nesse sentido, destacamos a seguinte ementa,
da miserabilidade, não sendo suficiente apenas a que reflete parte significativa da jurisprudência
declaração de pobreza, firmada pelo trabalhador, do TRT da 2ª Região:
ou por procurador com poderes especiais.
HONORÁRIOS PERICIAIS. SUCUMBÊNCIA
A jurisprudência deverá se pronunciar sobre NO OBJETO DA PERÍCIA. RECLAMANTE
quais provas são necessárias para comprovação VENCEDOR EM OUTROS PLEITOS.
do estado de pobreza. Por exemplos: juntada POSSIBILIDADE DE DEDUÇÃO. O perito
de CTPS, termo de rescisão contratual, cópia de nomeado pelo Juiz é considerado um auxiliar da
declaração de imposto de renda, dentre outros, justiça (art. 149 do CPC de 2015), sendo certo
podem comprovar o estado de pobreza. que seu trabalho não se trata de munus público.
Sua nomeação é necessária quando a prova do fato
depender de conhecimento técnico ou científico
“Art. 790-B.  A responsabilidade pelo pagamento (art. 156 do CPC de 2015). Nesses termos,
dos honorários periciais é da parte sucumbente na sua remuneração será sempre devida – cujo
pretensão objeto da perícia, ainda que beneficiária arbitramento deverá ser moderado – considerando
da justiça gratuita. que seus honorários caracterizam-se como
salário, posto estarem atuando no desempenho
§ 1º  Ao fixar o valor dos honorários periciais, o de sua profissão. A intenção do legislador, ao
juízo deverá respeitar o limite máximo estabelecido incluir a isenção dos honorários periciais entre
pelo Conselho Superior da Justiça do Trabalho.
os efeitos da concessão da gratuidade processual
§ 2º  O juízo poderá deferir parcelamento dos (artigo 98, § 1º, VI, do CPC de 2015) é a de
honorários periciais. garantir o acesso à ordem jurídica justa, num
patamar que obedeça ao devido processo legal
§ 3º  O juízo não poderá exigir adiantamento de substancial. Mas, sendo o reclamante vencedor
valores para realização de perícias. em outros títulos da demanda trabalhista, a qual
§ 4º  Somente no caso em que o beneficiário da via de regra contém cumulação objetiva, nada
justiça gratuita não tenha obtido em juízo créditos impede que se deduza de tais créditos o valor
capazes de suportar a despesa referida no caput, dos honorários do perito, sem causar qualquer
ainda que em outro processo, a União responderá prejuízo ao acesso à justiça e sem precisar onerar
pelo encargo.” (NR) os cofres públicos (TRT/SP. PROCESSO TRT/
13
SP N. 0001998-52.2014.5.02.0027 12ª Turma. § 3º  Na hipótese de procedência parcial, o juízo
Rela. Desembargadora Elizabeth Mostardo. DOE arbitrará honorários de sucumbência recíproca,
02/09/2016). vedada a compensação entre os honorários.
O ideal seria que a Justiça do Trabalho tivesse peritos § 4º  Vencido o beneficiário da justiça gratuita,
concursados e remunerados pelo Estado, a fim de desde que não tenha obtido em juízo, ainda que
dar maior credibilidade à prova pericial e evitar em outro processo, créditos capazes de suportar
todas as vicissitudes decorrentes do pagamento a despesa, as obrigações decorrentes de sua
dos honorários periciais. sucumbência ficarão sob condição suspensiva de
exigibilidade e somente poderão ser executadas se,
Diante da nova redação do artigo 790-A, da nos dois anos subsequentes ao trânsito em julgado
CLT os honorários periciais seguirão a seguinte da decisão que as certificou, o credor demonstrar
sistemática: que deixou de existir a situação de insuficiência de
a) ainda que beneficiária de justiça gratuita, recursos que justificou a concessão de gratuidade,
a parte responderá pelos honorários periciais, extinguindo-se, passado esse prazo, tais obrigações
do beneficiário.
alterando a sistemática anterior;
§ 5º  São devidos honorários de sucumbência na
b) ao fixar o valor dos honorários periciais,
reconvenção.”
o juízo deverá respeitar o limite máximo
estabelecido pelo Conselho Superior da Justiça
do Trabalho;
Comentários
c) o juízo poderá deferir parcelamento dos
honorários periciais, tanto em benefício do O presente dispositivo disciplina os honorários
reclamante como do reclamado; advocatícios na Justiça do Trabalho revogando os
entendimentos fixados nas Súmulas 219 e 329
d) o juízo não poderá exigir adiantamento de do TST.
valores para realização de perícias. Doravante,
não será mais possível a exigência de honorários Trata-se de significativa alteração no processo
periciais prévios, em consonância com a atual trabalhista, mitigando o protecionismo instru-
jurisprudência do TST; mental, sob o aspecto da gratuidade, para
estabelecer os honorários advocatícios e a
e) somente no caso em que o beneficiário sucumbência recíproca.
da justiça gratuita não tenha obtido em juízo
créditos capazes de suportar a despesa referida Ficaram disciplinados os seguintes critérios:
no caput, ainda que em outro processo, a União a) honorários de sucumbência, fixados entre
responderá pelo encargo. o mínimo de 5% (cinco por cento) e o máximo
de 15% (quinze por cento) sobre o valor que
resultar da liquidação da sentença, do proveito
“Art. 791-A.  Ao  advogado, ainda que atue econômico obtido ou, não sendo possível
em causa própria, serão devidos honorários de mensurá-lo, sobre o valor atualizado da causa;
sucumbência, fixados entre o mínimo de 5%
(cinco por cento) e o máximo de 15% (quinze por b) são devidos os honorários nas ações contra
cento) sobre o valor que resultar da liquidação a Fazenda Pública e nas ações em que a parte
da sentença, do proveito econômico obtido ou, estiver assistida ou substituída pelo sindicato de
não sendo possível mensurá-lo, sobre o valor sua categoria;
atualizado da causa. c) ao fixar os honorários, o juízo observará:
§ 1º  Os honorários são devidos também nas ações I - o grau de zelo do profissional; II - o lugar
contra a Fazenda Pública e nas ações em que a de prestação do serviço; III - a natureza e a
parte estiver assistida ou substituída pelo sindicato importância da causa; IV - o trabalho realizado
de sua categoria. pelo  advogado e o tempo exigido para o seu
serviço;
§ 2º  Ao fixar os honorários, o juízo observará:
d) sucumbência recíproca, vedada a com-
I - o grau de zelo do profissional; pensação entre os honorários;
II - o lugar de prestação do serviço; e) vencido o beneficiário da justiça gratuita,
III - a natureza e a importância da causa; desde que não tenha obtido em juízo, ainda que
em outro processo, créditos capazes de suportar
IV - o trabalho realizado pelo advogado e o tempo a despesa, as obrigações decorrentes de sua
exigido para o seu serviço. sucumbência ficarão sob condição suspensiva de
14
exigibilidade e somente poderão ser executadas de inibir (prevenir) e reprimir os atos do litigante
se, nos dois anos subsequentes ao trânsito em de má-fé.
julgado da decisão que as certificou, o credor
demonstrar que deixou de existir a situação O presente dispositivo menciona que todos
de insuficiência de recursos que justificou a aqueles que atuam no processo estão sujeitos
à sanções por litigância de má-fé, enfatizando,
concessão de gratuidade, extinguindo-se, passado
esse prazo, tais obrigações do beneficiário; como já era preponderante na doutrina e
jurisprudência, que o reclamante também está
f) são devidos honorários de sucumbência na abrangido por essas sanções.
reconvenção.

“Art. 793-B. Considera-se litigante de má-fé


“Art. 793-A.  Responde por perdas e danos aquele aquele que:
que litigar de má-fé como reclamante, reclamado
I - deduzir pretensão ou defesa contra texto
ou interveniente.”
expresso de lei ou fato incontroverso;
II - alterar a verdade dos fatos;
Comentários III - usar do processo para conseguir objetivo
Na linguagem popular, diz-se que o processo não ilegal;
é instrumento para se levar vantagem, por isso, IV - opuser resistência injustificada ao andamento
todos os sujeitos que nele atuam, principalmente do processo;
os atores principais (juiz, advogados, autores e
réus), devem pautar-se acima de tudo pela ética V - proceder de modo temerário em qualquer
e honestidade. Assim, os capítulos do Código de incidente ou ato do processo;
Processo Civil que tratam dos deveres das partes
e dos procuradores, bem como da litigância de VI - provocar incidente manifestamente infundado;
má-fé, ganham destaque na Justiça do Trabalho, VII - interpuser recurso com intuito manifesta-
como inibidores e sancionadores de condutas mente protelatório.”
que violem os princípios da lealdade e boa-fé
processual.
Como destaca Calamandrei, o processo se Comentários
aproximará da perfeição quando tornar possível, O presente artigo apenas repete o texto do artigo
entre juízes e advogados, aquela troca de perguntas 80 do CPC, que já se aplica de forma subsidiária
e respostas que se desenrola normalmente entre ao processo trabalhista (artigos 15 do CPC e 769,
pessoas que se respeitam, quando, sentadas da CLT), que assim dispõe:
em volta de uma mesa, buscam, em benefício
comum, esclarecer reciprocamente as ideias. “Considera-se litigante de má-fé aquele que:
I – deduzir pretensão ou defesa contra texto
Lealdade é conduta honesta, ética, segundo os expresso de lei ou fato incontroverso; II – alterar
padrões de conduta aceitos pela sociedade, é agir a verdade dos fatos; III – usar do processo para
com seriedade e boa-fé. conseguir objetivo ilegal; IV – opuser resistência
A boa-fé é um princípio geral de Direito, aplicável injustificada ao andamento do processo; V
principalmente na esfera do Direito Material do – proceder de modo temerário em qualquer
Trabalho, mas também se destaca na esfera do incidente ou ato do processo; VI – provocar
direito processual do trabalho, considerando-se incidente manifestamente infundado; VII –
o caráter publicista da relação jurídica processual interpuser recurso com intuito manifestamente
trabalhista e também do prestígio do processo do protelatório.”
trabalho na sociedade capitalista moderna, como
sendo um meio confiável e ético de resolução dos
conflitos trabalhistas. “Art. 793-C.  De ofício ou a requerimento, o juízo
condenará o litigante de má-fé a pagar multa, que
A litigância de má-fé caracteriza-se como a deverá ser superior a 1% (um por cento) e inferior a
conduta da parte, tipificada na lei processual, 10% (dez por cento) do valor corrigido da causa, a
que viola os princípios da lealdade e boa-fé indenizar a parte contrária pelos prejuízos que esta
processual, bem como atenta contra a dignidade sofreu e a arcar com os honorários advocatícios e
e seriedade da relação jurídica processual. com todas as despesas que efetuou.
A pena por litigância de má-fé é a sanção, § 1º  Quando forem dois ou mais os litigantes de
prevista na lei processual, que tem a finalidade má-fé, o juízo condenará cada um na proporção de
15
seu respectivo interesse na causa ou solidariamente recursos e meios legais. Observe-se que na
aqueles que se coligaram para lesar a parte enumeração contida no art. 17 não há mais
contrária. previsão para a conduta meramente culposa,
§ 2º  Quando o valor da causa for irrisório ou
sendo imprescindível a presença de dolo para
inestimável, a multa poderá ser fixada em até duas
que se considere que a parte praticou um ilícito
vezes o limite máximo dos benefícios do Regime
processual. O fato de a parte sucumbir não a
Geral de Previdência Social.
torna litigante de má-fé, ainda que fatos alegados
não tenham sido comprovados.” (TST – 1 T. – a

§ 3º  O valor da indenização será fixado pelo juízo RR n. 438.730/1998-9 – rel. Aloysio S. Corrêa da
ou, caso não seja possível mensurá-lo, liquidado Veiga – DJ 27.2.04 – p. 588) (RDT n. 3 – março
por arbitramento ou pelo procedimento comum, de 2004)
nos próprios autos.”
O Juiz do Trabalho aplicará a pena por litigância
de má-fé de ofício ou a reque­rimento da parte, em
decisão devidamente fundamentada (art. 93, IX,
Comentários da CF). A multa é fixada entre 1% a 10% sobre o
O presente dispositivo, praticamente, repete valor causa, além de indenização pelos prejuízos
o disposto no artigo art. 81 do CPC, que já é sofridos que será liquidado nos próprios autos
aplicável ao processo do trabalho (artigos 15 do por arbitramento ou pelo procedimento comum.
CPC e 769, da CLT), que assim dispõe: “De ofício “Art. 793-D.  Aplica-se a multa prevista no art.
ou a requerimento, o juiz condenará o litigante 793-C desta Consolidação à testemunha que
de má-fé a pagar multa, que deverá ser superior a intencionalmente alterar a verdade dos fatos ou
um por cento e inferior a dez por cento do valor omitir fatos essenciais ao julgamento da causa.
corrigido da causa, a indenizar a parte contrária
pelos prejuízos que esta sofreu e a arcar com os Parágrafo único.  A execução da multa prevista
honorários advocatícios e com todas as despesas neste artigo dar-se-á nos mesmos autos.”
que efetuou. § 1º Quando forem 2 (dois) ou mais
os litigantes de má-fé, o juiz condenará cada
um na proporção de seu respectivo interesse na Comentários
causa ou solidariamente aqueles que se coligaram
para lesar a parte contrária. § 2º Quando o valor O presente dispositivo disciplina a possibilidade
da causa for irrisório ou inestimável, a multa de se aplicar multa à testemunha que,
poderá ser fixada em até 10 (dez) vezes o valor intencionalmente, alterar a verdade dos fatos.
do salário mínimo. § 3º O valor da indenização Não se trata de novidade, pois já era possível essa
será fixado pelo juiz ou, caso não seja possível interpretação a partir da interpretação sistemática
mensurá-lo, liquidado por arbitramento ou pelo dos artigos 5º e 80 do CPC, mas que agora está
procedimento comum, nos próprios autos.” expressa na CLT.
A multa que varia entre 1% a 10% e a A presente cominação se cumula com eventual
indenização decorrente da litigância de má-fé, delito por falsidade de testemunho previsto no
segundo entendimento dominante, somente são Código de Penal.
cabíveis em caso de conduta dolosa da parte, vale Embora pertinente a presente disposição, ele
dizer: com a intenção de tumultuar o processo ou deve ser aplicado com muita ponderação no
obter vantagem indevida por meio dele, uma vez processo trabalhista, considerando-se que as
que o CPC não prevê modalidade culposa. testemunhas do reclamante, como regra, são ex
Nesse sentido, destacamos a seguinte ementa: empregados e, as testemunhas do reclamado,
empregados. Além disso, pequenas divergências
“Litigância de má-fé — Princípio da lealdade nos depoimentos fazem parte da própria
processual. As partes devem proceder em juízo condição humana.
com lealdade e boa-fé. O desrespeito ao dever
de lealdade processual traduz-se em ilícito
processual, ao qual correspondem sanções “Art. 800.  Apresentada exceção de incompetência
processuais. É o que está previsto nos arts. 17 territorial no prazo de cinco dias a contar da
e 18 do Código de Processo Civil. Entretanto, notificação, antes da audiência e em peça que
tais disposições devem ser interpretadas sinalize a existência desta exceção, seguir-se-á o
cuidadosamente para que sejam evitadas lesões procedimento estabelecido neste artigo.
ao princípio do contraditório e da ampla defesa
assegurado constitucionalmente, pelo qual a § 1º  Protocolada a petição, será suspenso o
parte tem o direito de se utilizar de todos os processo e não se realizará a audiência a que se
16
refere o art. 843 desta Consolidação até que se b) protocolada a petição, será suspenso o
decida a exceção. processo e não se realizará a audiência a que se
§ 2º  Os autos serão imediatamente conclusos ao
refere o art. 843 desta Consolidação até que se
juiz, que intimará o reclamante e, se existentes, os decida a exceção;
litisconsortes, para manifestação no prazo comum c) os autos serão imediatamente conclusos ao
de cinco dias. juiz, que intimará o reclamante e, se existentes,
§ 3º  Se entender necessária a produção de prova os litisconsortes, para manifestação no prazo
oral, o juízo designará audiência, garantindo o comum de cinco dias;
direito de o excipiente e de suas testemunhas d) se entender necessária a produção de prova
serem ouvidos, por carta precatória, no juízo que
oral, o juízo designará audiência, garantindo o
este houver indicado como competente. direito de o excipiente e de suas testemunhas
§ 4º  Decidida a exceção de incompetência ter- serem ouvidos, por carta precatória, no juízo que
ritorial, o processo retomará seu curso, com este houver indicado como competente;
a designação de audiência, a apresentação de e) decidida a exceção de incompetência
defesa e a instrução processual perante o juízo territorial, o processo retomará seu curso, com
competente.” (NR) a designação de audiência, a apresentação de
defesa e a instrução processual perante o juízo
competente.
Comentários
Somente a incompetência relativa deve ser
arguida por meio de exceção, pois a incompetência “Art. 818.  O ônus da prova incumbe:
absoluta deve ser alegada no próprio bojo da I - ao reclamante, quanto ao fato constitutivo de
contestação, como matéria preliminar (art. 799, seu direito;
§ 1º, da CLT).
II - ao reclamado, quanto à existência de fato
A competência em razão do lugar é relativa. Por
impeditivo, modificativo ou extintivo do direito
isso, se não for arguida a exceção, no prazo para
resposta (art. 847 da CLT), haverá preclusão da do reclamante.
matéria, prorrogando-se a competência da Vara § 1º  Nos casos previstos em lei ou diante
em que a reclamação foi proposta. de peculiaridades da causa relacionadas à
O Juiz do Trabalho não poderá conhecer, impossibilidade ou à excessiva dificuldade de
de ofício, a incompetência relativa. Embora o cumprir o encargo nos termos deste artigo ou à
art. 795, § 1º, da CLT, assevere que deverá ser maior facilidade de obtenção da prova do fato
declarada de ofício a incompetência de foro, essa contrário, poderá o juízo atribuir o ônus da prova
incompetência é a absoluta, e não a relativa. O de modo diverso, desde que o faça por decisão
termo foro deve ser interpretado no sentido da fundamentada, caso em que deverá dar à parte a
Justiça competente em razão da matéria, ou seja: oportunidade de se desincumbir do ônus que lhe
foro civil, foro criminal, foro trabalhista etc. foi atribuído.
Somente o reclamado poderá arguir a exceção § 2º  A decisão referida no § 1º deste artigo deverá
de incompetência em razão do lugar, pois o ser proferida antes da abertura da instrução e, a
reclamante já escolheu a Vara do local em que requerimento da parte, implicará o adiamento
pretendeu propor a ação, havendo preclusão da audiência e possibilitará provar os fatos por
consumativa. qualquer meio em direito admitido.
O artigo 800, da CLT altera a sistemática da § 3º  A decisão referida no § 1º deste artigo não
exceção de incompetência territorial na Justiça do pode gerar situação em que a desincumbência
Trabalho, rompendo os princípios da unicidade e do encargo pela parte seja impossível ou
concentração do processo do trabalho, visando excessivamente difícil.” (NR)
a facilitar o acesso à justiça pelo reclamado,
mas, por outro lado, pode provocar demora
significativa na tramitação do feito. Comentários
Doravante, a exceção de incompetência territo- O ônus da prova é um dever processual que
rial seguir a seguinte sistemática: incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo
a) será apresentada no prazo de cinco dias a do seu direito e ao réu quanto aos fatos
contar da notificação, antes da audiência e em modificativos, extintivos e impeditivos do direito
peça autônoma; do autor, que, uma vez não realizado, gera uma
17
situação desfavorável à parte que detinha o ônus “Art. 840.  ............................................................
e favorável à parte contrária, na obtenção da
§ 1º  Sendo escrita, a reclamação deverá conter a
pretensão posta em juízo. designação do juízo, a qualificação das partes, a
A Consolidação das Leis do Trabalho breve exposição dos fatos de que resulte o dissídio,
disciplinava a regra de distribuição do ônus no o pedido, que deverá ser certo, determinado e com
art. 818, que tem a seguinte redação: “A prova indicação de seu valor, a data e a assinatura do
das alegações incumbe à parte que as fizer.” reclamante ou de seu representante.

Vários intérpretes se esforçavam para extrair § 2º  Se verbal, a reclamação será reduzida a termo,
o real alcance do art. 818 da CLT, mas não se em duas vias datadas e assinadas pelo escrivão ou
secretário, observado, no que couber, o disposto
chegava a um consenso sobre de quem seria
no § 1º deste artigo.
a carga probatória no processo à luz da CLT.
Inegavelmente, existiam alguns critérios: a) § 3º  Os pedidos que não atendam ao disposto
o ônus da prova no processo do trabalho é do no § 1º deste artigo serão julgados extintos sem
reclamado, pois ele tem melhores condições resolução do mérito.” (NR)
de produzir a prova no processo; b) o ônus
da prova é do reclamante, pois o autor tem a
obrigatoriedade de demonstrar em juízo os Comentários
fatos da inicial; c) tanto o reclamante como o A petição inicial é a peça formal de ingresso
empregado devem provar os fatos alegados tanto do demandante em juízo, em que apresenta
na inicial como na defesa; d) o reclamante deve seu pedido, declina a pessoa que resiste ao seu
provar os fatos constitutivos do seu direito, e o direito, explica os motivos pelos quais pretende
reclamado, os fatos extintivos, modificativos e a atuação jurisdicional e pede ao Estado-Juiz a
impeditivos do direito do autor. tutela do seu direito.
A antiga redação do art. 818 da CLT, no nosso A lei altera o artigo o parágrafo 1º do artigo 840,
entendimento, não era completa, e por si só é da CLT para exigir que os pedidos sejam certos
de difícil interpretação e também aplicabilidade e determinados, bem como apresentem o valor.
prática, pois, como cada parte tem de comprovar
Doravante, o valor da causa passa a ser um
o que alegou, ambas as partes têm o encargo requisito da inicial trabalhista, bem como a
probatório de todos os fatos que declinaram, individualização dos valores de cada pedido.
tanto na inicial, como na contestação.
Os pedidos que não sejam certos, determinados
Além disso, o art. 818 consolidado não resolvia e não estejam com valores individualizados,
situações de inexistência de prova no processo, segundo o parágrafo 3º do artigo 840, da CLT,
ou de conflito entre as provas produzidas pelas serão extintos sem resolução de mérito.
partes. O juiz da atualidade, diante do princípio
da inafastabilidade da jurisdição (art. 5º, XXXV, Não se trata de alteração negativa, mas deve
da CF), não pode furtar-se a julgar, alegando falta ser vista com sensibilidade pelo Judiciário
de prova nos autos, ou impossibilidade de saber Trabalhista. Antes de extinguir o pedido que não
qual foi a melhor prova. Por isso, a aplicação esteja de acordo com o parágrafo 1º do artigo
da regra de ônus da prova como fundamento 840, da CLT, pensamos ser possível a correção,
com atribuição de prazo para emenda (artigo 321
de decisão é uma necessidade do processo do CPC e Súmula 263 do TST).
contemporâneo, a prova dividida ou empatada.
A nova redação do artigo 818, da CLT incorpora
ao processo trabalhista as disposições do artigo “Art. 841.  ............................................................
373 do CPC, tanto quanto ao ônus estático § 3º  Oferecida a contestação, ainda que
(incisos I e II), como ao ônus dinâmico (§ 1º). eletronicamente, o reclamante não poderá, sem
Caso entenda pela aplicação do ônus dinâmico o consentimento do reclamado, desistir da ação.”
da prova, deverá o magistrado proferir a decisão (NR)
antes da abertura da instrução processual e, a
requerimento da parte, implicará o adiamento
da audiência e possibilitará provar os fatos por Comentários
qualquer meio em direito admitido, visando Pelo princípio da concentração do processo
assegurar o contraditório e ampla defesa. trabalhista, a contestação é apresentada de foram

18
oral, em audiência. Não obstante, pelas regras do a) falta de previsão legal, pois o art. 843, § 1º,
processo judicial eletrônico, a contestação deve da CLT não exige que o preposto seja empregado;
ser encaminhada antes da audiência, com ou sem
sigilo. b) obstar o acesso à justiça do empregador, que
não pode nomear empregado para representá-lo
Diante do presente dispositivo legal, uma vez em juízo;
apresentada a contestação, o reclamante não
poderá, sem o consentimento do reclamado, c) uma pessoa próxima ao empregador pode
desistir da ação, não fazendo menção à conhecer com maior riqueza de detalhes os fatos
contestação encaminhada com ou sem o sigilo. da relação de emprego do que um empregado;
Trata-se de providência que tem por finalidade d) risco exclusivo do empregador em nomear
prestigiar a boa-fé processual, impedindo que o preposto que não saiba dos fatos. 45)
autor, uma vez tendo contato com a defesa, possa
intencionalmente, deixar arquivar o processo, e, Os que entendem que o preposto deve ser
posteriormente, alterar sua tese. empregado do reclamado elencam, entre outros,
os seguintes fundamentos:
Melhor seria que a lei disciplinasse que o autor,
após ter acesso à contestação, não pudesse, a) necessidade efetiva de o preposto conhecer os
sem consentimento do reclamado, desistir da fatos que se passam na empresa;
ação. Também a lei deveria ter possibilitado b) princípio da oralidade do processo do
que uma vez apresentada a contestação, pela via trabalho;
eletrônica, ao reclamante, pudesse manifestar-se
sobre a contestação e realizar a instrução com c) busca da verdade real no processo do
conhecimento prévio da tese defensiva e dos trabalho, uma vez que o empregado preposto
documentos, em homenagem ao contraditório e tem potencialmente maiores possibilidades de
ampla defesa. relatar a realidade do contrato de trabalho;
d) evitar a “indústria” de prepostos profissionais;
“Art. 843.  ............................................................... e) moralização do processo do trabalho.
§ 3º  O preposto a que se refere o § 1º deste artigo O TST pacificou a questão por meio da Súmula
não precisa ser empregado da parte reclamada.” (NR) n. 377, recentemente alterada, dispondo:
“PREPOSTO. EXIGÊNCIA DA CONDIÇÃO DE
EMPREGADO — Exceto quanto à reclamação
Comentários de empregado doméstico, ou contra micro
Nos ensina Melchíades Rodrigues Martins2: ou pequeno empresário, o preposto deve ser
necessariamente empregado do reclamado.
“O preposto, no âmbito da Justiça do Trabalho, Inteligência do art. 843, § 1º, da CLT e do art. 54
é aquela pessoa indicada pelo empregador para da Lei Complementar n. 123, de 14 de dezembro
ser seu representante em juízo trabalhista e de 2006.”
suas declarações, favoráveis ou desfavoráveis ao
desfecho do processo, serão tidas como sendo do No nosso sentir, embora a lei não exigisse
próprio preponente.” que o preposto seja empregado, a interpretação
teleológica e sistemática dos arts. 843 e 844 da
A CLT disciplina a matéria no § 1º do art. 843, CLT, em cotejo com o princípio da oralidade,
que tem a seguinte redação: “É facultado ao nos sinaliza no sentido de que, efetivamente, o
empregador fazer-se substituir pelo gerente, ou preposto deva ser empregado para que conheça
qualquer outro preposto que tenha conhecimento os fatos da causa e facilite o acesso do juízo aos
do fato, e cujas declarações obrigarão o fatos pertinentes e relevantes do processo.
preponente.”
Doravante, diante do parágrafo 3º do artigo
O parágrafo 3º do artigo 3º, do artigo 843 encerra 843, da CLT, o preposto do empregador não
a antiga discussão doutrinária e jurisprudencial precisa mais ostentar a condição de empregado.
sobre ostentar, ou não o preposto da condição de
empregado do reclamado.
Dentre os argumentos apontados pela doutrina, “Art. 844.  ............................................................
que entende ser desnecessária a condição de § 1º Ocorrendo motivo relevante, poderá o juiz
empregado do preposto, destacamos: suspender o julgamento, designando nova audiência.

2 O preposto e a representação do empregador em juízo trabalhista e órgãos administrativos. São Paulo: LTr, 2002. p. 14.
19
§ 2º  Na hipótese de ausência do reclamante, este se com pretensões fora da razoabilidade ou não
será condenado ao pagamento das custas calculadas resta convencido quanto à verossimilhança das
na forma do art. 789 desta Consolidação, ainda que alegações. De outro lado, muitas vezes o juiz se
beneficiário da justiça gratuita, salvo se comprovar, depara com pedidos excessivos, decorrentes da
no prazo de quinze dias, que a ausência ocorreu expectativa da parte de que ocorra a revelia.
por motivo legalmente justificável.
Na Justiça do Trabalho, constantemente o
§ 3º  O pagamento das custas a que se refere o § reclamado revel sofre os pesados efeitos de uma
2º é condição para a propositura de nova demanda. condenação julgada à revelia, e, muitas vezes, a
§ 4º  A revelia não produz o efeito mencionado
decisão contém injustiça manifesta. O autor, por
no caput deste artigo se:
sua vez, fica frustrado com o não comparecimento
do réu e a expectativa de não encontrá-lo para
I - havendo pluralidade de reclamados, algum executar a futura decisão.
deles contestar a ação;
O artigo 844, parágrafo 4º, da CLT trata da não
II - o litígio versar sobre direitos indisponíveis; aplicabilidade dos efeitos da revelia  quando: I -
havendo pluralidade de reclamados, algum deles
III - a petição inicial não estiver acompanhada de
contestar a ação; II - o litígio versar sobre direitos
instrumento que a lei considere indispensável à
indisponíveis; III - a petição inicial não estiver
prova do ato;
acompanhada de instrumento que a lei considere
IV - as alegações de fato formuladas pelo reclamante indispensável à prova do ato; IV - as alegações
forem inverossímeis ou estiverem em contradição de fato formuladas pelo reclamante forem
com prova constante dos autos. inverossímeis ou estiverem em contradição com
prova constante dos autos.
§ 5º  Ainda que ausente o reclamado, presente
o  advogado na audiência, serão aceitos a Conforme o parágrafo 5º do artigo 844, da
contestação e os documentos eventualmente CLT, ainda que ausente o reclamado, presente
apresentados.”(NR) o  advogado na audiência, serão aceitos a
contestação e os documentos eventualmente
apresentados.
Comentários Trata-se de providência que prestigia o
O artigo 844, da CLT fora substancialmente contraditório e ampla defesa, em compasso com
alterado para fixar o pagamento de custas em caso o acesso à ordem jurídica justa pelo reclamado.
de arquivamento do processo por ausência do Haverá confissão ficta pelo não comparecimento
reclamante na audiência, ainda que beneficiário do reclamado ou de seu preposto, mas não
da justiça gratuita, salvo se comprovar, no a revelia, pois houve ânimo de defesa, e
prazo de quinze dias, que a ausência ocorreu apresentação de contestação. Diante da presente
por motivo legalmente justificável, sendo certo disposição, a Súmula 122 do TST fica revogada.
que o pagamento das custas processuais, pelo
reclamante, será condição para o ingresso com
nova reclamação. De nossa parte, embora “Art. 847.  ...............................................................
o dispositivo tenha intenção de moralizar
o processo do trabalho e inibir extinções Parágrafo único.  A parte poderá apresentar defesa
prematuras do processo, exigir o recolhimento escrita pelo sistema de processo judicial eletrônico até
das custas como condição de ingresso de nova a audiência.” (NR)
ação, caso o autor seja beneficiário de Justiça
gratuita, viola o princípio do constitucional de
acesso à justiça (artigo 5º, XXXV, da CF). Comentários
O parágrafo 4º do artigo 844, da CLT incorpora Não há alteração do sistema atual, apenas foi
as disposições do artigo 345 Código de Processo enfatizado que o reclamado tem o direito de
Civil de 2015 que já são aplicáveis ao processo apresentar a contestação, pela via eletrônica, até
do trabalho. a data da audiência.
A revelia é um instituto processual que sempre Do Incidente de Desconsideração da Persona-
desafiou a doutrina e a jurisprudência. Apesar lidade Jurídica
de a discussão ter grande relevo teórico, o tema
tem enfoque prático, pois diariamente, na Justiça
do Trabalho, o juiz enfrenta a angústia de ter de “Art. 855-A.  Aplica-se ao processo do trabalho
julgar processos à revelia e, muitas vezes, depara- o incidente de desconsideração da personalidade
20
jurídica previsto nos arts. 133 a 137 da Lei “Art. 135. Instaurado o incidente, o sócio ou
no 13.105, de 16 de março de 2015 - Código de a pessoa jurídica será citado para manifestar-se
Processo Civil. e requerer as provas cabíveis no prazo de 15
§ 1º  Da decisão interlocutória que acolher ou (quinze) dias.”
rejeitar o incidente: “Art. 136. Concluída a instrução, se necessária, o
I - na fase de cognição, não cabe recurso de incidente será resolvido por decisão interlocutória.
imediato, na forma do § 1º do art. 893 desta Parágrafo único. Se a decisão for proferida pelo
Consolidação; relator, cabe agravo interno.”
II - na fase de execução, cabe agravo de petição, “Art. 137. Acolhido o pedido de desconsideração,
independentemente de garantia do juízo; a alienação ou a oneração de bens, havida em
fraude de execução, será ineficaz em relação ao
III - cabe agravo interno se proferida pelo relator requerente.”
em incidente instaurado originariamente no
tribunal. Em favor da aplicação deste incidente ao
processo do trabalho, destacam-se:
§ 2º  A instauração do incidente suspenderá o
processo, sem prejuízo de concessão da tutela de a) a omissão da legislação processual trabalhista
urgência de natureza cautelar de que trata o art. quanto à questão;
301 da Lei n. 13.105, de 16 de março de 2015 b) a Justiça do Trabalho utiliza as regras de
(Código de Processo Civil).” direito material previstas no Código de Defesa do
Consumidor e no Código Civil para fundamentar
a desconsideração da personsalidade jurídica,
Comentários tanto direta quanto inversa;
O Código de Processo Civil de 2015 disciplinou c) a observância do devido processo legal,
um sofisticado procedimento prévio para a oportunizando o contraditório prévio antes
desconsideração da personalidade jurídica da de invadir a esfera patrimonial do sócio, ou da
empresa, a fim de atingir o patrimônio dos sócios, pessoa jurídica (teoria inversa);
nos arts. 133 a 137 do CPC, denonominado
incidente de desconsideração da personalidade d) a justiça e o equilíbrio do procedimento.
jurídica, aplicável em todas as fases do processo
civil, inclusive na execução. Com efeito, dispõem De nossa parte, o referido incidente não é
os referidos dispositivos legais: adequado ao Processo do Trabalho, na fase de
execução, pois o Juiz do Trabalho promove a
“Art. 133. O incidente de desconsideração da execução de ofício (art. 878 da CLT) e o referido
personalidade jurídica será instaurado a pedido incidente de descon­ sideração é incompatível
da parte ou do Ministério Público, quando lhe com a simplicidade e a celeridade da execução
couber intervir no processo. § 1º O pedido trabalhista. De outro lado, a hipossuficiência
de desconsideração da personalidade jurídica do credor trabalhista e a natureza alimentar do
observará os pressupostos previstos em lei. § 2º crédito autorizam o Juiz do Trabalho a postergar
Aplica-se o disposto neste Capítulo à hipótese o contraditório na desconsideração após a
de desconsideração inversa da personalidade garantia do juízo pela penhora. Além disso,
jurídica.” o presente incidente provoca complicadores
“Art. 134. O incidente de desconsideração desnecessários à simplicidade do procedimento
é cabível em todas as fases do processo de da execução trabalhista, atrasa o procedimento
conhecimento, no cumprimento de sentença (uma vez que o art. 134, § 3º, do CPC, determina
e na execução fundada em título executivo a suspensão do processo quando instaurado o
extrajudicial. § 1º A instauração do incidente incidente) e, potencialmente, em muitos casos,
será imediatamente comunicada ao distribuidor pode inviabilizar a efetividade da execução. Pela
para as anotações devidas. § 2º Dispensa-se a teoria consolidada tanto pelo CPC/73 (arts. 592,
instauração do incidente se a desconsideração II e 596) quanto pelo Código de Processo Civil
da personalidade jurídica for requerida na de 2015 (arts. 790, II e 795), o sócio não é parte,
petição inicial, hipótese em que será citado o nem terceiro no processo, apenas responsável
sócio ou a pessoa jurídica. § 3º A instauração patrimonial. Desse modo, seus bens podem vir
do incidente suspenderá o processo, salvo na a ser chamados a responder, mesmo que ele não
hipótese do § 2º. § 4º O requerimento deve figure no processo como parte ou terceiro no
demonstrar o preenchimento dos pressupostos processo. Além disso, faz parte da sistemática
legais específicos para desconsideração da processual trabalhista postergar o contraditório
personalidade jurídica.” quanto as decisões interlocutórias (art. 893,
21
da CLT). Sob outro enfoque, o processo do vez que fora admitido o efeito suspensivo ao
trabalho intrumentaliza o Direito Material do incidente, bem como seu processamento sem a
Trabalho, e isso é sua razão de existência. Não garantia do juízo, o que conflita com o sistema
se podem isolar as normas processuais do direito da execução trabalhista que exige a garantia ao
que instrumentaliza. Os princípios da natureza juízo para utilização dos meios de impugnação,
alimentar do crédito, da hipossuficiência principalmente quanto ao Agravo de Petição.
do empregado, da despersonalização do
empregador (arts. 2º, 10 e 448, da CLT), e da real O artigo 855-A, da CLT, determina a aplicação
impossibilidade do trabalhador demonstrar ato do incidente de desconsideração ao processo
culposo do sócio a justificar a desconsideração, do trabalho, previsto no CPC, com as seguintes
autorizam o Juiz do Trabalho a realizar a adaptações:
desconsideração da pessoa jurídica, tanto de a) da decisão interlocutória que acolher ou
forma direta como inversa, por meio de decisão rejeitar o incidente;
interlocutória fundamentada (art. 93, IX, da CF),
propiciando o contraditório a posteriori, por b) na fase de cognição, não cabe recurso de
meio dos embargos à execução ou embargos de imediato, na forma do § 1º do art. 893 desta
terceiro. Consolidação;
Pensamos não ser correto afirmar que o sócio c) na fase de execução, cabe agravo de petição,
não tem oportunizado o direito ao contraditório, independentemente de garantia do juízo;
pois ele apenas fica postergado, para a fase
posterior à garantia do juízo. São oportunizados d) cabe agravo interno se proferida pelo relator
ao sócio os embargos à execução, e os embargos em incidente instaurado originariamente no
de terceiro. Também são admitidos o Mandado tribunal.
de Segurança e a Execeção de Pré-Executividade e) a instauração do incidente suspenderá o
para se questionar uma desconsideração abusiva processo, sem prejuízo de concessão da tutela de
da personalidade jurídica. urgência de natureza cautelar de que trata o art.
O Tribunal Superior do Trabalho, recente- 301 da Lei n. 13.105, de 16 de março de 2015
mente, por meio da Instrução Normativa n. (Código de Processo Civil).
39/16 admitiu a aplicabilidade do incidente de O referido dispositivo, praticamente repete a
desconsideração da personalidade jurídica no IN 39/16, mas não consagra a possibilidade do
processo do trabalho, com algumas adaptações. Juiz do Trabalho tomar a iniciativa de instaurar
Com efeito, dispõe o art. 6º, da referia instrução: o incidente. Não obstante, poderá o Juiz do
“Aplica-se ao Processo do Trabalho o incidente Trabalho, em razão do princípio da cooperação
de desconsideração da personalidade jurídica previsto no artigo 6º do CPC, consultar o
regulado no Código de Processo Civil (arts. 133 reclamante se pretende a instauração do referido
a 137), assegurada a iniciativa também do juiz incidente, a fim de evitar o início do prazo para
do trabalho na fase de execução (CLT, art. 878). a prescrição intercorrente.
§ 1º Da decisão interlocutória que acolher ou
rejeitar o incidente: I – na fase de cognição, não
cabe recurso de imediato, na forma do art. 893, § DO PROCESSO DE JURISDIÇÃO VOLUN-
1º da CLT; II – na fase de execução, cabe agravo TÁRIA PARA HOMOLOGAÇÃO DE ACORDO
de petição, independentemente de garantia do EXTRAJUDICIAL
juízo; III – cabe agravo interno se proferida pelo
Relator, em incidente instaurado originariamente “Art. 855-B.  O processo de homologação de
no tribunal (CPC, art. 932, inciso VI). § 2º A acordo extrajudicial terá início por petição
instauração do incidente suspenderá o processo, conjunta, sendo obrigatória a representação das
sem prejuízo de concessão da tutela de urgência partes por advogado.
de natureza cautelar de que trata o art. 301 do § 1º  As partes não poderão ser representadas
CPC.” por advogado comum.
A referida instrução teve os méritos de § 2º  Faculta-se ao trabalhador ser assistido
assegurar ao magistrado trabalhista a iniciativa pelo advogado do sindicato de sua categoria.’
de instaurar de ofício o incidente, bem como
a possibilidade do juiz manejar as tutelas de ‘Art. 855-C.  O disposto neste Capítulo não
urgência para garantir a efetividade da execução. prejudica o prazo estabelecido no § 6º do art. 477
De outro lado, a doutrina, com razão, tem desta Consolidação e não afasta a aplicação da
criticado o referido posicionamento do TST, uma multa prevista no § 8º art. 477 desta Consolidação.’
22
‘Art. 855-D.  No prazo de quinze dias a contar da Comentários
distribuição da petição, o juiz analisará o acordo,
designará audiência se entender necessário e Em que pesem as críticas sobre a constituciona-
proferirá sentença.’ lidade do inciso VIII do art. 114 da CF e também da
Lei n. 10.035/2000 (que regulamenta a execução
‘Art. 855-E.  A petição de homologação de acordo previdenciária na Justiça do Trabalho), em nossa
extrajudicial suspende o prazo prescricional da visão, a execução de ofício das contribuições do
ação quanto aos direitos nela especificados. INSS está em compasso com o caráter social da
Parágrafo único.  O prazo prescricional voltará a Justiça do Trabalho e também com a melhoria
fluir no dia útil seguinte ao do trânsito em julgado da condição social do trabalhador.
da decisão que negar a homologação do acordo.’” Ainda que a autarquia federal não tenha
participado do processo na fase de conhecimento,
a nosso ver, não há irregularidade e também
Comentários não haveria interesse em tal participação, pois
Os artigos 855-B a 855-E da CLT disciplinam é na sentença que o Juiz do Trabalho deferirá
um polêmico instituto de homologação de acordo as parcelas postuladas e haverá a incidência do
extrajudicial, qualificado como procedimento de INSS sobre as parcelas que deferiu.
jurisdição voluntária, o que sempre encontrou Com a competência para executar as
uma resistência grande na Justiça do Trabalho, contribuições sociais de ofício, há o fortalecimento
em razão de princípios próprios do direito da Justiça do Trabalho enquanto instituição
material do trabalho como a irrenunciabilidade encarregada não só de resguardar o cumprimento
de direitos, e do acesso à justiça do trabalhador dos direitos sociais, mas também em garantir
economicamente fraco. o futuro do trabalhador e de contribuir para a
Pelo procedimento previsto a homologação arrecadação de contribuições sociais que servem
de acordo extrajudicial deve seguir o seguinte para a melhoria da sociedade como um todo.
procedimento: O presente dispositivo incorpora a orientação
a) terá início por petição conjunta, sendo restritiva da Súmula 368, I do TST, in verbis:
obrigatória a representação das partes por advogado, “Súmula n. 368 – TST – Res. n. 129/2005 –
que não poderá ser comum. Faculta-se ao tra- DJ 20.4.2005 – Conversão das Orientações
balhador ser assistido pelo advogado do sindicato
de sua categoria; Jurisprudenciais ns. 32, 141 e 228 da SDI-1
— I. A Justiça do Trabalho é competente para
b) não há prejuízo do prazo estabelecido no § determinar o recolhimento das contribuições
6º do art. 477 desta Consolidação e não afasta a previdenciárias e fiscais. A competência da
aplicação da multa prevista no § 8º art. 477 desta Justiça do Trabalho, quanto à execução das
Consolidação; contribuições previdenciárias, limita-se às
sentenças condenatórias em pecúnia que proferir
c) no prazo de quinze dias a contar da
distribuição da petição, o juiz analisará o acordo, e aos valores objeto de acordo homologado que
designará audiência se entender necessário e integrem o salário de contribuição. (ex-OJ n. 141
proferirá sentença; – Inserida em 27.11.1998).

c) a petição de homologação de acordo extra-


judicial suspende o prazo prescricional da ação “Art. 878.  A execução será promovida pelas
quanto aos direitos nela especificados; partes, permitida a execução de ofício pelo juiz
d) o prazo prescricional voltará a fluir no dia ou pelo Presidente do Tribunal apenas nos casos
útil seguinte ao do trânsito em julgado da decisão em que as partes não estiverem representadas
que negar a homologação do acordo. por advogado.
Parágrafo único.  (Revogado).” (NR)

“Art. 876.  ...........................................................


Parágrafo único.  A Justiça do Trabalho executará, de Comentários
ofício, as contribuições sociais previstas na alínea a do Em razão do relevante aspecto social que envolve a
inciso I e no inciso II do caput do art. 195 da satisfação do crédito trabalhista, a hipossuficiência
Constituição Federal, e seus acréscimos legais, relativas do trabalhador e a existência do jus postulandi
ao objeto da condenação constante das sentenças que no processo do trabalho (art. 791 da CLT), a
proferir e dos acordos que homologar.” (NR) CLT disciplinava, no art. 878, a possibilidade
23
de o Juiz do Trabalho iniciar e promover os atos fácil comunicação, e nas que se situem na mesma
executivos de ofício. região metropolitana. § 2º Sempre que, para
efetivar a execução, for necessário o emprego
De outro lado, é inerente à função jurisdicional
fazer cumprir seus comandos condenatórios, que de força policial, o juiz a requisitará. § 3º A
são materializados pelas sentenças que proferem. requerimento da parte, o juiz pode determinar
Assim como o juiz tem o poder geral de cautela a inclusão do nome do executado em cadastros
no processo, detém não só o poder, mas o dever de inadimplentes. § 4º A inscrição será cancelada
de fazer cumprir suas decisões, transformando a imediatamente se for efetuado o pagamento, se for
realidade, a fim de entregar o bem da vida que garantida a execução ou se a execução for extinta
pertence ao credor por direito. Por isso, deve por qualquer outro motivo. § 5º O disposto nos
utilizar não só os meios típicos, mas também se §§ 3º e 4º aplica-se à execução definitiva de título
valer dos meios atípicos executivos, adaptando o judicial.”
procedimento às necessidades do caso concreto, Art. 806. O devedor de obrigação de entrega
a fim de assegurar a eficácia da execução em de coisa certa, constante de título executivo
prazo razoável. extrajudicial, será citado para, em 15 (quinze)
No aspecto, vale transcrever o art. 139, IV, do dias, satisfazer a obrigação. § 1º Ao despachar
CPC, in verbis: a inicial, o juiz poderá fixar multa por dia de
atraso no cumprimento da obrigação, ficando o
“O juiz dirigirá o processo conforme as respectivo valor sujeito a alteração, caso se revele
disposições deste Código, incumbindo-lhe: (...) insuficiente ou excessivo. § 2º Do mandado de
IV – determinar todas as medidas indutivas, citação constará ordem para imissão na posse
coercitivas, mandamentais ou sub-rogatórias ou busca e apreensão, conforme se tratar de
necessárias para assegurar o cumprimento de bem imóvel ou móvel, cujo cumprimento se
ordem judicial, inclusive nas ações que tenham dará de imediato, se o executado não satisfizer a
por objeto prestação pecuniária.” obrigação no prazo que lhe foi designado.”
Dispunha o art. 878 da CLT:
“Art. 814. Na execução de obrigação de fazer
“A execução poderá ser promovida por qualquer ou de não fazer fundada em título extrajudicial,
interessado, ou ex officio, pelo próprio juiz ou ao despachar a inicial, o juiz fixará multa por
presidente3 ou tribunal competente, nos termos período de atraso no cumprimento da obrigação
do artigo anterior. Parágrafo Único. Quando e a data a partir da qual será devida. Parágrafo
se tratar de decisão dos Tribunais Regionais, a único. Se o valor da multa estiver previsto no
execução poderá ser promovida pela Procuradoria título e for excessivo, o juiz poderá reduzi-lo.”
da Justiça do Trabalho.”
“Art. 830. Se o oficial de justiça não encontrar
O Código de Processo Civil atual, em alguns o executado, arrestar-lhe-á tantos bens quantos
dispositivos, de aplicação supletiva de subsidiária bastem para garantir a execução. § 1º Nos 10
ao processo do trabalho (arts. 889 da CLT e 15 (dez) dias seguintes à efetivação do arresto, o
do CPC) também assegura o impulso oficial do oficial de justiça procurará o executado 2 (duas)
Juiz na execução. São eles: vezes em dias distintos e, havendo suspeita de
“Art. 773. O juiz poderá, de ofício ou a ocultação, realizará a citação com hora certa,
requerimento, determinar as medidas necessárias certificando pormenorizadamente o ocorrido. §
ao cumprimento da ordem de entrega de 2º Incumbe ao exequente requerer a citação por
documentos e dados. Parágrafo único. Quando, edital, uma vez frustradas a pessoal e a com hora
em decorrência do disposto neste artigo, o juízo certa. § 3º Aperfeiçoada a citação e transcorrido o
receber dados sigilosos para os fins da execução, prazo de pagamento, o arresto converter-se-á em
o juiz adotará as medidas necessárias para penhora, independentemente de termo.”
assegurar a confidencialidade.” A nova redação do artigo 878, da CLT impede
“Art. 782. Não dispondo a lei de modo diverso, que o Juiz do Trabalho, caso o autor possua
o juiz determinará os atos executivos, e o oficial advogado, inicie e promova a execução a execução
de justiça os cumprirá. § 1º O oficial de justiça de ofício. Trata-se de alteração significativa
poderá cumprir os atos executivos determinados no processo do trabalho, pois o princípio do
pelo juiz também nas comarcas contíguas, de impulso oficial já está arraigado na Justiça do

3 O dispositivo foi idealizado para a composição colegiada do Judiciário Trabalhista em primeiro grau, antes da EC n. 45/04,
onde, além do Juiz Presidente, havia os Juízes Classistas temporários. Não obstante, na execução, sempre atuou, unicamente,
o Juiz Presidente, ou Juiz Togado.
24
Trabalho e tem dado resultados satisfatórios. O No Processo do Trabalho, a liquidação
próprio Código de Processo Civil avançou em está inserida no capítulo da execução. Não
nesse sentido, ao majorar os poderes do Juiz de obstante, também é um incidente da fase de
Direito na condução da execução, conforme os conhecimento, não sendo um procedimento
artigos acima mencionados. autônomo. Sendo assim, nas Varas do Trabalho,
uma vez transitada em julgado a decisão, o juiz,
De outro lado, o fato do Juiz do Trabalho não ter de ofício, intima o reclamante para apresentar
mais o impulso oficial vai impulsionar uma série os cálculos de liquidação em dez dias. Se ele
de situações em que haverá o início do curso da
não apresentar, intima-se a reclamada para fazê-
prescrição intercorrente, caso o exeqüente não
lo, no prazo de dez dias. Nesse sentido, é o §
pratique o ato processual cabível ao impulso da
execução. 1º-B do art. 879 da CLT: “As partes deverão ser
previamente intimadas para a apresentação do
Argumentam os defensores da alteração cálculo de liquidação, inclusive da contribuição
que cabe ao advogado da parte impulsionar a previdenciária incidente.”
execução, pois o fato do Judiciário Trabalhista
promover os atos executivos de ofício configura O art. 879, § 2º, da CLT, previa dois
comodismo que não deve ser mais aplicável ao procedimentos alternativos e facultativos para
exeqüente. Além disso, argumentam que há um o Juiz do Trabalho adotar na liquidação por
excesso de atos que a Secretaria da Vara acaba cálculos. São eles:
praticando na execução, havendo certa quebra a) apresentados os cálculos pelo reclamante,
do princípio da imparcialidade do Judiciário. intimar o reclamado para impugná-los em 10
Sopesando-se os argumentos positivos e dias sob pena de preclusão. Posteriormente
negativos, reputamos injusta e incorreta a à impugnação ou não a havendo, o Juiz do
alteração da Lei, pois enfraquece o Judiciário Trabalho homologará a conta de liquidação.
trabalhista no momento em que a intervenção b) apresentados os cálculos pelo reclamante, o
judicial é mais necessária, qual seja: a Juiz do Trabalho os homologará, determinando a
materialização das decisões. citação do reclamado para pagamento nos termos
do art. 880, da CLT, podendo a conta de liquidação
homologada ser discutida nos embargos à
“Art. 879.  ........................................................... execução pelo reclamado e pelo exequente na
§ 2º  Elaborada a conta e tornada líquida, o juízo impugnação à sentença de liquidação, nos termos
deverá abrir às partes prazo comum de oito dias do § 3º do art. 884, da CLT.
para impugnação fundamentada com a indicação Caso o Juiz do Trabalho optasse pelo
dos itens e valores objeto da discordância, sob procedimento do art. 884, § 3º, da CLT, sem
pena de preclusão. o contraditório prévio após a apresentação dos
............................................................................. cálculos por uma das partes (art. 879, § 2º,
da CLT), depois da garantia do juízo, deveria
§ 7º  A atualização dos créditos decorrentes de intimar não só o reclamado, mas também o
condenação judicial será feita pela Taxa Referencial reclamante, para que possa impugnar os cálculos
(TR), divulgada pelo Banco Central do Brasil, homologados. Como as Varas do Trabalho
conforme a Lei no 8.177, de 1º de março de adotam, por praxe, não notificar o exequente
1991.” (NR) (reclamante), este poderá impugnar a conta de
liquidação, na primeira oportunidade que tiver
de falar nos autos, em seguida à garantia do juízo
Comentários (art. 795, da CLT).
Na esfera trabalhista, praticamente, todas as Doravante, diante da alteração do parágrafo
liquidações são realizadas por cálculos, em razão 2º do artigo 879, da CLT, elaborada a conta e
da própria natureza das verbas e dos pedidos. tornada líquida, o juízo deverá abrir às partes
Entretanto, os cálculos, ordinariamente, são mais prazo comum de oito dias para impugnação
complexos que no processo civil, envolvendo fundamentada com a indicação dos itens e valores
parcelas de naturezas diversas e, normalmente, objeto da discordância, sob pena de preclusão.
cada parcela deferida tem repercussão em outras
parcelas, o que justifica o procedimento da Trata-se de providência que tem por objetivo
liquidação por cálculos de forma mais detalhada, prestigiar o contraditório prévio antes da
como o faz o já referido art. 879 da CLT. homologação dos cálculos.

25
O parágrafo 7º ao determinar a atualização MANDADO DE SEGURANÇA. PENHORA.
monetária pela TR, contraria de forma injusta CARTA DE FIANÇA BANCÁRIA. SEGURO
o crescente entendimento jurisprudencial, GARANTIA JUDICIAL (nova redação em
inclusive do TST em aplicar outros índices que decorrência do CPC de 2015)  - Res. 209/2016,
atualizam de forma mais adequada os créditos DEJT divulgado em 01, 02 e 03.06.2016
trabalhistas, como o IPCA.
A carta de fiança bancária e o seguro garantia
judicial, desde que em valor não inferior ao
do débito em execução, acrescido de trinta
“Art. 882.  O executado que não pagar a por cento, equivalem a dinheiro para efeito da
importância reclamada poderá garantir a execução gradação dos bens penhoráveis, estabelecida no
mediante depósito da quantia correspondente, art. 835 do CPC de 2015 (art. 655 do CPC de
atualizada e acrescida das despesas processuais, 1973).
apresentação de seguro-garantia judicial ou
nomeação de bens à penhora, observada a ordem Se o executado não nomear bens à penhora, o
preferencial estabelecida no art. 835 da Lei oficial de justiça penhorará tantos bens quantos
no 13.105, de 16 de março de 2015 - Código de bastem à garantia do juízo. Assevera o art. 883
Processo Civil.” (NR) da CLT:
“Não pagando o executado, nem garantindo a
execução, seguir-se-á penhora dos bens, tantos
Comentários quantos bastem ao pagamento da importância da
Atualmente, a ordem preferencial de penhora condenação, acrescida de custas e juros de mora,
está disciplinada no art. 835 do CPC/2015, in sendo estes, em qualquer caso, devidos a partir
verbis: da data em que for ajuizada a reclamação inicial.”
“A penhora observará, preferencialmente, a Conforme o procedimento da CLT, o executado
seguinte ordem: I – dinheiro, em espécie ou em tem a faculdade de pagar ou nomear bens à
depósito ou aplicação em instituição financeira; II penhora, observando a ordem do art. 835 do
– títulos da dívida pública da União, dos Estados CPC.
e do Distrito Federal com cotação em mercado; Atualmente, dispõe o inciso VII do art. 524
III – títulos e valores mobiliários com cotação do CPC que o exequente poderá, em seu
em mercado; IV – veículos de via terrestre; V requerimento, indicar desde logo os bens
– bens imóveis; VI – bens móveis em geral; penhorados.
VII – semoventes; VIII – navios e aeronaves;
IX – ações e quotas de sociedades simples e No mesmo sentido, é o art. 798, II, c, § 2º, do
empresárias; X – percentual do faturamento CPC:
de empresa devedora; XI – pedras e metais “Ao propor a execução, incumbe ao exequente:
preciosos; XII – direitos aquisitivos derivados (...) II – indicar: (...) c) os bens suscetíveis de
de promessa de compra e venda e de alienação penhora, sempre que possível.”
fiduciária em garantia; XIII – outros direitos. §
1º É prioritária a penhora em dinheiro, podendo No nosso sentir, diante do caráter publicista da
o juiz, nas demais hipóteses, alterar a ordem execução trabalhista, da efetividade da execução
prevista no caput de acordo com as circunstâncias e da utilidade dos atos executórios, pensamos
do caso concreto. § 2º Para fins de substituição ser possível ao exequente declinar bens a serem
da penhora, equiparam-se a dinheiro a fiança penhorados, mesmo antes de o executado fazê-
bancária e o seguro garantia judicial, desde que lo. Não obstante, o executado poderá impugnar
em valor não inferior ao do débito constante da a indicação e indicar outros bens, mas para tanto
inicial, acrescido de trinta por cento. § 3º Na deverá obedecer à ordem legal de indicação
execução de crédito com garantia real, a penhora prevista no art. 835 do CPC.
recairá sobre a coisa dada em garantia, e, se a coisa
pertencer a terceiro garantidor, este também será
intimado da penhora.” “Art. 883-A.  A decisão judicial transitada em
julgado somente poderá ser levada a protesto,
O Tribunal Superior do Trabalho, por meio da gerar inscrição do nome do executado em órgãos
OJ 59, da SDI-II já havia equiparado a Carta de de proteção ao crédito ou no Banco Nacional de
fiança bancária e o seguro garantia judicial ao Devedores Trabalhistas (BNDT), nos termos da
dinheiro, para fins da gradação da ordem do lei, depois de transcorrido o prazo de quarenta e
artigo 835 do CPC. Com efeito, dispõe a referida cinco dias a contar da citação do executado, se não
orientação: houver garantia do juízo.”
26
Comentários “Art. 884.  ...........................................................
A Lei n. 9.492/97, em seu art. 1º, mediante § 6º  A exigência da garantia ou penhora não se
interpretação autêntica, nos dá o conceito de aplica às entidades filantrópicas e/ou àqueles
protesto, nos seguintes termos: que compõem ou compuseram a diretoria dessas
instituições.” (NR)
“Protesto é o ato formal e solene pelo qual se
prova a inadimplência e o descumprimento
de obrigação originada em títulos e outros
documentos de dívida.” Comentários

Atualmente, muitos Tribunais Regionais do O presente dispositivo visou a proteger


Trabalho firmaram convênios com Cartórios entidade filantrópica e/ou àqueles que compõem
Extrajudiciais para viabilizar o protesto de ou compuseram a diretoria dessas instituições,
sentença trabalhista não cumprida pelos assegurando-se o contraditório na execução, sem
reclamados como medida de forçar o devedor a garantia do juízo. De nossa parte, não se trata de
quitar a obrigação trabalhista. providência adequada, pois o parágrafo primeiro
do artigo 2º, da CLT equipara as entidades em
Inegavelmente, o protesto extrajudicial da fins lucrativos ao empregador comum.
sentença trabalhista não cumprida é um meio
de coerção indireta ao devedor, pois, com ele,
há publicidade da dívida, e esta estará disponível “Art. 896.  ...........................................................
aos órgãos de consulta de proteção ao crédito.
§ 1º-A.  ................................................................
Trata-se de um poderoso aliado em prol da
efetividade da execução, propiciando coerção IV - transcrever na peça recursal, no caso de
indireta ao executado e também a máxima efetividade suscitar preliminar de nulidade de julgado por
do princípio da publicidade processual consagrado negativa de prestação jurisdicional, o trecho
no art. 93, IX, da Constituição Federal. dos embargos declaratórios em que foi pedido
o pronunciamento do tribunal sobre questão
Nesse sentido, dispõe o art. 29 da Lei n. veiculada no recurso ordinário e o trecho da
9.492/97, in verbis: decisão regional que rejeitou os embargos quanto
“Os cartórios fornecerão às entidades ao pedido, para cotejo e verificação, de plano, da
representativas da indústria e do comércio ou ocorrência da omissão.
àquelas vinculadas à proteção do crédito, quando .............................................................................
solicitada, certidão diária, em forma de relação,
dos protestos tirados e dos cancelamentos § 3º (Revogado).
efetuados, com a nota de se cuidar de informação § 4º (Revogado).
reservada, da qual não se poderá dar publicidade
pela imprensa, nem mesmo parcialmente. § § 5º (Revogado).
1º O fornecimento da certidão será suspenso
caso se desatenda ao disposto no caput ou se § 6º (Revogado).
forneçam informações de protestos cancelados. .............................................................................
§ 2º Dos cadastros ou bancos de dados das
entidades referidas no caput somente serão § 14.  O relator do recurso de revista poderá
prestadas informações restritivas de crédito denegar-lhe seguimento, em decisão monocrática,
oriundas de títulos ou documentos de dívidas nas hipóteses de intempestividade, deserção,
regularmente protestados cujos registros não irregularidade de representação ou de ausência
foram cancelados.” de qualquer outro pressuposto extrínseco ou
intrínseco de admissibilidade.” (NR)
Com a publicidade do inadimplemento da
sentença trabalhista, o devedor terá dificuldades
em realizar transações comerciais e em obter Comentários
crédito, o que pode contribuir para a quitação da
dívida trabalhista. O presente dispositivo altera a sistemática do
Recurso de Revista no processo trabalhista.
O prazo de 45 dias para levar o título a protesto,
inserção do nome do devedor no BNDT, ou Trata-se o recurso de revista de medida recursal
órgãos de proteção ao crédito é injustificável, pois de natureza extraordinária, cabível em face de
o próprio CPC determina que o título possa ser acórdãos proferidos pelos Tribunais Regionais
levado a protesto após o prazo para pagamento do Trabalho em dissídios individuais, tendo
voluntário (artigo 517 do CPC). por objetivo uniformizar a interpretação das
27
legislações estadual, federal e constitucional dos embargos declaratórios em que foi pedido
(tanto de direito material como processual) no o pronunciamento do tribunal sobre questão
âmbito da competência da Justiça do Trabalho, veiculada no recurso ordinário e o trecho da
bem como resguardar a aplicabilidade de tais decisão regional que rejeitou os embargos quanto
instrumentos normativos. ao pedido, para cotejo e verificação, de plano, da
ocorrência da omissão.
Estão revogados os seguintes parágrafos do
artigo 896, da CLT: Nos termos do parágrafo 14º do artigo 896
da CLT, o relator do recurso de revista poderá
“§ 3º Os Tribunais Regionais do Trabalho denegar-lhe seguimento, em decisão monocrática,
procederão, obrigatoriamente, à uniformização nas hipóteses de intempestividade, deserção,
de sua jurisprudência e aplicarão, nas causas irregularidade de representação ou de ausência
da competência da Justiça do Trabalho, no de qualquer outro pressuposto extrínseco ou
que couber, o incidente de uniformização de intrínseco de admissibilidade.
jurisprudência previsto nos termos do Capítulo
I do Título IX do Livro I da Lei n. 5.869, de 11 Quanto ao parágrafo 14º, não há novidade, pois
de janeiro de 1973 (Código de Processo Civil). cabe ao relator ordenar o processo e apreciar os
(Parágrafo alterado pela Lei n. 13.015/2014 – pressupostos de admissibilidade recursal.
DOU 22.7.2014)
§ 4º Ao constatar, de ofício ou mediante “Art. 896-A.  .......................................................
provocação de qualquer das partes ou do
Ministério Público do Trabalho, a existência de § 1º  São indicadores de transcendência, entre
decisões atuais e conflitantes no âmbito do mesmo outros:
Tribunal Regional do Trabalho sobre o tema objeto I - econômica, o elevado valor da causa;
de recurso de revista, o Tribunal Superior do
Trabalho determinará o retorno dos autos à Corte II - política, o desrespeito da instância recorrida à
de origem, a fim de que proceda à uniformização jurisprudência sumulada do Tribunal Superior do
da jurisprudência. (Parágrafo alterado pela Lei n. Trabalho ou do Supremo Tribunal Federal;
13.015/2014 – DOU 22.7.2014) III - social, a postulação, por reclamante-
§ 5º A providência a que se refere o § 4º recorrente, de direito social constitucionalmente
deverá ser determinada pelo Presidente do assegurado;
Tribunal Regional do Trabalho, ao emitir juízo IV - jurídica, a existência de questão nova em
de admissibilidade sobre o recurso de revista, torno da interpretação da legislação trabalhista.
ou pelo Ministro relator, mediante decisões
irrecorríveis. (Parágrafo alterado pela Lei n. § 2º  Poderá o relator, monocraticamente,
13.015/2014 – DOU 22.7.2014) denegar seguimento ao recurso de revista que não
demonstrar transcendência, cabendo agravo desta
§ 6º Após o julgamento do incidente a que se decisão para o colegiado.
refere o § 3º, unicamente a súmula regional ou
a tese jurídica prevalecente no Tribunal Regional § 3º  Em relação ao recurso que o relator
do Trabalho e não conflitante com súmula ou considerou não ter transcendência, o recorrente
orientação jurisprudencial do Tribunal Superior poderá realizar sustentação oral sobre a questão da
do Trabalho servirá como paradigma para transcendência, durante cinco minutos em sessão.
viabilizar o conhecimento do recurso de revista, § 4º  Mantido o voto do relator quanto à não
por divergência. (Parágrafo alterado pela Lei n. transcendência do recurso, será lavrado acórdão
13.015/2014 – DOU 22.7.2014) com fundamentação sucinta, que constituirá
decisão irrecorrível no âmbito do tribunal.
De nossa parte, a revogação é oportuna, pois a
função de uniformizar a jurisprudência trabalhista § 5º  É irrecorrível a decisão monocrática do
é, essencialmente, do Tribunal Superior do relator que, em agravo de instrumento em recurso
Trabalho e não dos Tribunais Regionais, que são de revista, considerar ausente a transcendência da
cortes de Justiça. matéria.
O inciso IV do artigo 896, da CLT complementa § 6º O juízo de admissibilidade do recurso de
o parágrafo 1º, alínea A, exigindo, como revista exercido pela Presidência dos Tribunais
pressuposto extrínseco do recurso que a Regionais do Trabalho limita-se à análise dos
parte transcreva na peça recursal, no caso de pressupostos intrínsecos e extrínsecos do apelo,
suscitar preliminar de nulidade de julgado por não abrangendo o critério da transcendência das
negativa de prestação jurisdicional, o trecho questões nele veiculadas.” (NR)

28
Comentários a transcendência, e não o Tribunal Regional.
Desse modo, no nosso sentir, a transcendência
Ensina José Augusto Rodrigues Pinto : funciona, na realidade, como uma prejudicial de
4

“Transcendente é qualificativo do ‘muito elevado, mérito do Recurso de Revista. O parágrafo 6º do


sublime’ a ponto de ser metafísico, levando o artigo 896, da CLT consagra esse entendimento.
Direito a bordejar a ciência do suprassensível, o
que já nos levou a pensar na transcendência como Segundo o presente dispositivo, são indicadores
a relevância elevada ao cubo ou à 4º potência. de transcendência:
Por aí se imagine a carga de subjetivismos que a) econômica, o elevado valor da causa;
se está entregando aos magistrados incumbidos
de declará-la totalmente incompatível com a b) política, o desrespeito da instância recorrida
imperiosa exigência de objetividade da Justiça à jurisprudência sumulada do Tribunal Superior
nas declarações de convencimento dos juízes.” do Trabalho ou do Supremo Tribunal Federal;
A causa para ter transcendência, deve discutir c) social, a postulação, por reclamante-
tese jurídica relevante e que transcende o recorrente, de direito social constitucionalmente
interesse das partes envolvidas no processo. assegurado;
Sem dúvida, há certa discricionariedade em d) jurídica, a existência de questão nova em
sua avaliação, mas tal é próprio dos recursos torno da interpretação da legislação trabalhista.
de natureza extraordinária, como o recurso de
revista que não tem por função precípua a justiça O Tribunal Superior do Trabalho deverá
da decisão e sim uniformizar a interpretação do regulamentar os indicadores de transcendência
direito no âmbito da competência da Justiça do para melhor aplicação.
Trabalho. O procedimento para verificação da trans-
Diante do número elevado de Recursos de Revista cendência, deve seguir a seguinte sistemática:
que chegam ao Tribunal Superior do Trabalho a) poderá o relator, monocraticamente, denegar
diariamente, o requisito da transcendência passa seguimento ao recurso de revista que não
a ser um aliado para racionalização dos serviços demonstrar transcendência, cabendo agravo
junto ao TST e melhoria da qualidade dos serviços desta decisão para o colegiado;
prestados.
b) em relação ao recurso que o relator
Embora os requisitos para regulamentação da considerou não ter transcendência, o recorrente
transcendência possam ser subjetivos e de difícil poderá realizar sustentação oral sobre a questão
valoração, acreditamos que, em vez de inviabilizar da transcendência, durante cinco minutos em
o acesso à Justiça, a transcendência vai agilizar sessão;
a tramitação dos processos, impedindo que c) mantido o voto do relator quanto à não
inúmeros recursos cheguem ao TST. transcendência do recurso, será lavrado acórdão
A transcendência funciona como um filtro para com fundamentação sucinta, que constituirá
o recurso de revista, a fim de impedir que certos decisão irrecorrível no âmbito do tribunal;
recursos, que não tenham repercussão para a d) é irrecorrível a decisão monocrática do relator
coletividade, sejam admitidos. que, em agravo de instrumento em recurso de
Trata-se de um requisito que impede o revista, considerar ausente a transcendência da
julgamento do Recurso de Revista, se a matéria matéria;
de mérito versada no recurso não oferecer e) o juízo de admissibilidade do recurso de
transcendência, segundo os parâmetros da revista exercido pela Presidência dos Tribunais
legislação. Regionais do Trabalho limita-se à análise dos
Embora a doutrina tenha fixado que a pressupostos intrínsecos e extrínsecos do apelo,
transcendência é mais um requisito de não abrangendo o critério da transcendência das
questões nele veiculadas.
admissibilidade do recurso, mais um pressuposto
subjetivo a ser preenchido pelo recorrente no
ato da interposição do recurso, pensamos ser a
“Art. 899.  ...........................................................
transcendência, em verdade, uma prejudicial de
mérito, do recurso, pois, ao apreciá-la, o TST § 4º  O depósito recursal será feito em conta
obrigatoriamente está enfrentando o mérito do vinculada ao juízo e corrigido com os mesmos
recurso. Além disso, somente o TST pode apreciar índices da poupança.

4 RODRIGUES PINTO, José Augusto. Manual dos recursos nos dissídios do trabalho. São Paulo: LTr, 2006. p. 200.
29
§ 5º  (Revogado). Doravante, se o reclamado, mesmo pessoa
jurídica, for beneficiário de justiça gratuita, não
.............................................................................
realizará depósito recursal.
§ 9º  O valor do depósito recursal será reduzido
O depósito recursal poderá ser substituído por
pela metade para entidades sem fins lucrativos, fiança bancária ou seguro garantia judicial.
empregadores domésticos, microempreendedores
individuais, microempresas e empresas de
pequeno porte.
Art. 5º  Revogam-se:
§ 10.  São isentos do depósito recursal os
I - os seguintes dispositivos da Consolidação das
beneficiários da justiça gratuita, as entidades Leis do Trabalho (CLT), aprovada pelo Decreto-Lei
filantrópicas e as empresas em recuperação no 5.452, de 1º de maio de 1943:
judicial.
(...)m) art. 792;
§ 11.  O depósito recursal poderá ser substituído
por fiança bancária ou seguro garantia judicial.” (...)n) parágrafo único do art. 878;
(NR)
(...)o) §§ 3º, 4º, 5º e 6º do art. 896;
p) § 5º do art. 899;
Comentários Art. 6º  Esta Lei entra em vigor após decorridos
O depósito recursal consiste, tradicionalmente, cento e vinte dias de sua publicação oficial.
em valor pecuniário a ser depositado na conta do Brasília,  13  de julho de 2017; 196º da Indepen-
reclamante vinculada ao FGTS, devido quando dência e 129º da República. 
há condenação em pecúnia como condição
para conhecimento do recurso interposto pelo
reclamado. Comentários
Inegavelmente, o depósito recursal é um Regras de direito intertemporal:
pressuposto objetivo do recurso, pois está
atrelado aos requisitos externos do direito de Constituem princípios da aplicação da Lei
recorrer que a parte deve preencher para o seu Processual: irretroatividade da lei; vigência
recurso ser admitido. Como visto, trata-se de imediata da lei ao processo em curso;
um depósito que deve ser realizado na conta impossibilidade de renovação das fases
vinculada do reclamante junto ao FGTS (§ 4º, do processuais já ultrapassadas pela preclusão
art. 899, da CLT) em valor fixado pela Lei. (também chamada pela doutrina de teoria do
isolamento dos atos processuais já praticados).
O depósito recursal tem natureza jurídica
híbrida, pois, além de ser um pressuposto A Consolidação das Leis do Trabalho disciplina
recursal objetivo, que, se não preenchido, a questão da vigência da Lei nos arts. 912 e 915,
importará a deserção do recurso, é uma garantia in verbis:
de futura execução por quantia certa. Não se “Art. 912: Os dispositivos de caráter imperativo
trata de taxa judiciária, pois não está vinculado a terão aplicação imediata às relações iniciadas,
um serviço específico do Poder Judiciário, e sim mas não consumadas, antes da vigência desta
de um requisito para o conhecimento do recurso Consolidação.”
e uma garantia de futura execução.
“Art. 915: Não serão prejudicados os recursos
Diante da nova redação do parágrafo 4º do artigo interpostos com apoio em dispositivos alterados
899, da CLT, o depósito recursal não será mais ou cujo prazo para interposição esteja em curso à
depositado em conta vinculada do reclamante data da vigência desta Consolidação.”
junto ao FGTS e sim em conta vinculada ao juízo
e corrigido com os mesmos índices da poupança. No mesmo diapasão é o art. 1.046 do CPC, que
assim dispõe: “Ao entrar em vigor este Código,
O valor do depósito recursal será reduzido suas disposições se aplicarão desde logo aos
pela metade para entidades sem fins lucrativos, processos pendentes, ficando revogada a Lei n.
empregadores domésticos, microempreendedores 5.869, de 11 de janeiro de 1973.”
individuais, microempresas e empresas de Diante dos referidos dispositivos, a nova lei ao
pequeno porte. entrar em vigor (120 dias após suas publicação)
São isentos do depósito recursal os beneficiários será aplicável aos processos em curso,
da justiça gratuita, as entidades filantrópicas e as respeitando-se os atos processuais já praticados
empresas em recuperação judicial. na vigência da lei anterior.
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Dúvidas surgem quanto à lei aplicável ao O Tribunal Superior do Trabalho enfrentou a
processamento e julgamento do recurso questão quando da vigência da Lei n. 13.015/14
interposto sob a vigência da lei anterior. Há dois e se pronunciou da seguinte forma por meio do
entendimentos majoritários na doutrina, quais art. 1º do ATO N. 491/SEGJUD.GP, de 23 de
sejam: setembro de 2014:
a) ao processamento e julgamento do recurso “A Lei n. 13.015, de 21 de julho de 2014,
será aplicável a lei nova. Nesse sentido sustenta aplica-se aos recursos interpostos das decisões
Manoel Antonio Teixeira Filho5: “Esclareça-se, publicadas a partir da data de sua vigência.
contudo, que o procedimento a ser obedecido, Parágrafo único. As normas procedimentais
inclusive para o julgamento, será o estabelecido da Lei n. 13.015/2014 e as que não afetarem
pela nova lei, que neste caso se aplica — ato o direito processual adquirido de qualquer
contínuo à sua vigência — aos processos das partes aplicam-se aos recursos interpostos
pendentes (CPC, art. 1.046, caput, segunda anteriormente à data de sua vigência, em especial
parte)”; as que regem o sistema de julgamento de recursos
de revista repetitivos, o efeito interruptivo dos
b) a lei vigente à data da interposição rege embargos de declaração e a afetação do recurso
também a tramitação e julgamento do recurso. de embargos ao Tribunal Pleno do TST, dada a
Nesse sentido: PROCESSO CIVIL. PREPARO. O relevância da matéria (art. 7º)”.
recurso é aquele previsto na data da sentença,
mas seu procedimento está sujeito às regras Diante do exposto, quanto ao direito
vigentes na data da respectiva interposição, intertemporal dos recursos, aplicam-se as
inclusive a que eventualmente tenha alterado a seguintes regras:
forma do preparo. Hipótese em que, interposto o
recurso já na vigência da Lei n. 8.950, de 1994, o a) irretroatividade da lei nova;
respectivo preparo deveria ter sido comprovado b) vigência imediata da lei nova;
desde logo. Embargos de divergência conhecidos,
mas não providos. (STJ 2ª Seção, EMBARGOS c) a lei vigente à época da interposição regerá o
DE DIVERGÊNCIA EM RESP N. 197.847 – recurso, bem como os pressupostos objetivos e
PR (2000/0076786-7) RELATOR: MINISTRO subjetivos de recorribilidade;
CESAR ASFOR ROCHA. DJ 12.8.2002) d) o recurso será processado e julgado à luz da lei
De nossa parte, aplica-se, como regra geral, vigente à época da interposição, salvo se a lei nova
a lei vigente à época da interposição para o for mais benéfica ao recorrente.
processamento e julgamento do recurso, salvo se Brasília,  13  de julho de 2017; 196º da Indepen-
a lei nova for mais benéfica ao recorrente. dência e 129º da República. 

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