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EXCELENTÍSSIMO(A) SENHOR(A) DOUTOR(A) JUIZ(A) DE DIREITO DA ____ VARA CÍVEL DA

COMARCA DE ARACAJU (SE).

GB3 SERVIÇOS EIRELI ME, pessoa jurídica de direito privado, inscrita no


CNPJ sob o nº19.578.230/0001-60, com sede na Rua Padre Nestor Sampaio, nº140, Bairro Luzia,
Aracaju/SE, CEP 49.045-015 vem, por intermédio de seus bastantes procuradores, constituídos
pelo instrumento procuratório anexo, com endereço professional constante do rodapé deste
petitório, onde receberão as intimações de estilo, perante Vossa Excelência, propor AÇÃO DE
DESPEJO E COBRANÇA DE ALUGUEIS, em face do ESTADO DE SERGIPE, com endereço na Praça
Tobias Barreto, nº20, São Jose, Aracaju/SE, CEP: 49015-130, e o FUNDO ESPECIAL PARA
SEGURANÇA PÚBLICA - FUNESP, inscrito no CNPJ sob o nº09.389.806/0001-98, com endereço
na Praça Tobias Barreto, nº20, São Jose, Aracaju/SE, CEP: 49015-130 representado pelo Sr.
Secretário de Segurança Pública do Estado de Sergipe, o que faz nos termos que seguem.

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I – DAS INTIMAÇÕES
Preambularmente, requer que todas as publicações sejam efetuadas em
nome do Dr. Daniel Garzedin Almeida, OAB/BA 34.032 e do Dr. José Alvino Santos Filho,
OAB/SE 1.367, sob pena de nulidade.

II – DA GRATUIDADE DE JUSTIÇA
Ainda de forma introdutória, insta observar a ausência de condições da
Requerente de arcar com as custas e despesas processuais, ao menos inicialmente.

É certo que, em razão do inadimplemento que subsidia a presente


demanda, a Acionante está privada da única fonte de renda que possui, fazendo sucumbir até
mesmo sua capacidade de honrar os compromissos financeiros ordinários assumidos, quiçá
despesas judiciais extraordinárias.

Com efeito, a renda proveniente dos alugueres objeto da lide são,


também, a principal fonte de renda do titular da Autora, mormente por se tratar de Empresa
Individual de Responsabilidade Limitada.

Nesse esteio, resta patente a hipossuficiência financeira da Demandante


para fazer frente ao pagamento de custas e despesas processuais sem comprometer ainda mais
a continuidade da sua atividade e a sobrevivência digna de seu único titular, até porque os
próprios documentos que instruem esta exordial demonstram a exclusividade da fonte de
rendimentos da Acionante e sua consequente vulnerabilidade econômica.

Nesse diapasão, ressai do art. 98 do CPC que a gratuidade de justiça pode


consistir não só na isenção das despesas, mas em sua redução percentual ou mesmo
parcelamento. Ora, considerando o caráter exemplificativo das previsões legais e a mens legis
de salvaguardar o direito de acesso à Justiça, entende-se que ao magistrado é facultada a
adoção de outras medidas com o mesmo intuito, a exemplo da prorrogação da obrigação para
outro momento processual.

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Assim, considerando a momentânea hipossuficiência financeira da
Autora, em face mesmo do objeto do processo, pugna pela prorrogação do pagamento das
custas processuais para o final do processo, prestigiando o direito constitucional de acesso ao
Poder Judiciário.

Não sendo este o entendimento deste M.M. Juízo, o que se admite por
cautela, pugna pela concessão de parcelamento das custas, em dez parcelas iguais, mensais e
sucessivas, com fulcro no art. 98, §6º1, CPC.

III – DOS FATOS


A Autora é proprietária do imóvel localizado na rua Basílio Rocha, nº182,
Bairro Getúlio Vargas, na cidade de Aracaju, registrado no Cartório de Registro de Imóveis do
1º Ofício da comarca de Aracaju/BA sob a matrícula nº1.497.

Em agosto/2015, a Demandante celebrou, pelo prazo de 30 (trinta)


meses, prorrogável por mais 78 (setenta e oito) meses (cláusula terceira), contrato de locação
do referido imóvel, figurando a Acionada como locatária, comprometendo-se a pagar,
mensalmente, a quantia histórica de R$50.000,00 (cinquenta mil reais) até o dia 05 de cada mês
(cláusula 4ª), atualizado anualmente pelo INPC-IBGE (cláusula 4ª). Atualmente, o valor do
aluguel vigente é de R$55.816,38 (cinquenta e cinco mil, oitocentos e dezesseis reais e trinta e
oito centavos), conforme memória de cálculo anexa.

Para o adimplemento das obrigações contratuais, foi estabelecida fonte


de recursos (conta atividade nº0241/0504, elemento de despesa nº3390.39, fonte de recurso
0101/0270) vinculada ao FUNESP (Fundo com a finalidade 2 exclusiva de manutenção,
operacionalização e modernização da Secretaria de Segurança Pública), a qual, assim como em

1 Art. 98. A pessoa natural ou jurídica, brasileira ou estrangeira, com insuficiência de recursos para pagar as custas, as despesas
processuais e os honorários advocatícios tem direito à gratuidade da justiça, na forma da lei.
§ 6o Conforme o caso, o juiz poderá conceder direito ao parcelamento de despesas processuais que o beneficiário tiver de
adiantar no curso do procedimento.
2 Lei Estadual nº3.218/92, Art. 2o - O Fundo Especial para Segurança Pública - FUNESP, tem por finalidade proporcionar recursos

financeiros para promover e manter a operacionalização e modernização do funcionamento e atuação, bem como a renovação
e ampliação do equipamento material, dos órgãos e entidades que integram a estrutura organizacional da Secretaria de Estado
da Segurança Pública.

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2015, foi contemplada com previsão orçamentária específica na Lei Estadual nº8.170/2016 (Lei
Orçamentária Anual para 2017).

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Além do aluguel, convencionou-se que a Acionada deveria arcar com as
despesas de água, energia, gás, esgoto, telefonia e demais encargos incidentes sobre o imóvel
(cláusula 8ª),
Sucede que, a despeito da intempestividade de diversos pagamentos
durante o vínculo contratual (planilha anexa), a inadimplência da Acionada já soma 11 (onze)
meses, fato que motivou o Autor a notificá-la extrajudicialmente em diversas oportunidades,
chegando, inclusive, a solicitar a retomada do imóvel, todas sem sucesso.

Fato é que a vigência do contrato expirou em 21/02/2018, conforme


cláusula terceira e, desde então, o Réu permanece ocupando o imóvel sem contrato vigente e
sem o pagamento da contraprestação.

Em abril/2018, após expirada a vigência do contrato (21/02/2018), a


Autora recebeu comunicado da Secretaria de Segurança Pública, órgão da administração direta
que ocupa o imóvel, questionando acerca do interesse na renovação da locação, a qual foi
respondida no sentido de que, qualquer renovação, deveria ser precedida da quitação dos
alugueres atrasados, restando, então, silente o Estado.

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Ora, tal comportamento do Réu afronta a disciplina tanto do parágrafo
terceiro da cláusula terceira, que veda a prorrogação automática do contrato, quanto da
cláusula quarta, que estabelece a obrigação de pagar os aluguéis no prazo e valores ajustados.

Com efeito, o valor do aluguel do imóvel sub judice compõe parcela


extremamente significativa do orçamento da Autora, que, por sua vez, é determinante para o
sustento do seu único titular, pelo que a privação do seu recebimento vem lhe causando
prejuízos incalculáveis.

De outro lado, o inadimplemento dos aluguéis enseja o inaceitável


enriquecimento sem causa da Acionada, porquanto se utiliza do bem alheio em proveito
próprio sem a devida retribuição, atraindo a incidência do inciso III da cláusula 10ª, que autoriza
a rescisão do contrato em razão do inadimplemento do pagamento dos aluguéis e encargos da
locação.

Registre-se, ainda, que há diversos outros contratos firmados pela


Acionada que estão sendo adimplidos tempestivamente ou com atraso muito inferior, o que
conflita com o princípio da isonomia e viola a Resolução nº296 do Tribunal de Contas do Estado
de Sergipe.

Por estas razões, porque inarredável o inadimplemento dos termos do


contrato celebrado entre as partes, impõe-se a intervenção do Poder Judiciário para que seja
determinada a imediata desocupação do imóvel pela Acionada, bem como sejam adimplidos os
pagamentos em aberto, além de aplicadas as penalidades previstas no referido instrumento.

Eis os fatos.

IV. DO MÉRITO
IV.1. Do regime jurídico – Aplicação da lei nº8.245/91
Como cediço, não obstante os contratos administrativos serem regidos
pela lei nº8.666/93, os contratos de locação firmados pelo Poder Público se submetem ao

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regramento da lei nº8.245/91 (Lei de locações), notadamente no que tange à ação de despejo
prevista nos arts. 59 e seguintes.

Com efeito, não se observa qualquer passagem na referida lei que exclua
sua aplicação à Administração Pública. Em sentido diametralmente oposto, o art. 63, §3º faz
menção expressa a repartições públicas como destinatárias de seus comandos.

Entende-se, pois, que a Administração não firma apenas contratos


administrativos, mas também contratos regidos pelo direito privado, a exemplo do contrato de
locação não residencial.

É o que dispõe de forma remansosa a jurisprudência dos tribunais


pátrios:
CIVIL - ADMINISTRATIVO - AÇÃO DE DESPEJO POR FALTA DE PAGAMENTO -
ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA COMO LOCATÁRIA - REGIME DE DIREITO PRIVADO
DERROGADO EM PARTE PELO INTERESSE PÚBLICO - DESPEJO DA
ADMINISTRAÇÃO NÃO CONFLITA COM AS NORMAS DE DIREITO PÚBLICO -
INTELIGÊNCIA DISPOSIÇÃO ESPECIAL DA LEI DE LOCAÇÕES QUE AFASTA
APLICAÇÃO DA LEI Nº 8.666/93 - RECURSO CONHECIDO E IMPROVIDO
1. Na ação de despejo por falta de pagamento, compete ao locatário, a prova do
alegado pagamento dos aluguéis, consoante o inciso II do art. 333 do CPC.
2. As normas de direito público estabelecidas pela Lei de Licitações aplicam-se a
todo e qualquer contrato público. Todavia, "...não significa que a Lei nº 8666/93
haja exonerado a Administração das obrigações que lhe couberem segundo o
contrato e seu regime de predominância privada. Assim, ilustre-se, se o Estado,
locatário de bem imóvel, não honra os alugueres mensais, sujeitar-se-á a ação de
despejo por falta de pagamento como qualquer inquilino inadimplente. A proteção
do interesse público - última ratio da consagração daquelas prerrogativas - não
se compadece com as violações de direitos previstos na ordem jurídica, nem com
atentados à lei ou ao contrato em suas disposições comutativas."
3. Recurso de apelação e remessa necessária conhecidos e desprovidos.
(TJDFT; Acórdão n.216850, 20030111159429APC, Relator: BENITO TIEZZI 3ª
Turma Cível, Data de Julgamento: 11/04/2005, Publicado no DJU SEÇÃO 3:
23/06/2005. Pág.: 40)

- Locação - Ação de despejo cumulada com cobrança - Ao celebrar contrato de


locação, a Administração Pública, em qualquer de suas esferas, sujeita-se às
normas de direito privado, hoje, a Lei nº 8.245/91. - A Prefeitura-corré assinou o
contrato na condição de co-locatária e pagadora dos aluguéis e a segunda
locatária assinou na condição de ocupante do imóvel. Assim, prorrogada a
locação, ambas respondem pelo débito, de modo solidário, até a desocupação
do imóvel. Daí a legitimidade das duas para a demanda e daí a adequação do

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despejo e da cumulada cobrança Recurso não provido. (TJSP; Apelação
9090023-92.2007.8.26.0000; Relator (a): Silvia Rocha; Órgão Julgador: 29ª
Câmara de Direito Privado; Foro de Avaré - 1ª Vara Cível; Data do Julgamento:
09/11/2011; Data de Registro: 10/11/2011)

Portanto, é inegável a regência da lei nº8.245/91 sobre a situação em


apreço, sendo cabível, por conseguinte, a presente ação de cobrança e despejo.

IV.2. Da rescisão contratual. Do inadimplemento dos aluguéis.

Trata-se de contrato de locação não residencial, regulado pela lei


nº8.245/91 e suas posteriores modificações.

No caso em epígrafe, a inadimplência da Acionada com relação ao


pagamento dos alugueres e demais encargos locatícios constitui infração legal, autorizando a
rescisão do contrato – se for o entendimento deste juízo -, conforme disposto no inciso III do
artigo 9º, todos da Lei 8.245/91:
Art. 9º A locação também poderá ser desfeita:
I - por mútuo acordo;
II - em decorrência da prática de infração legal ou contratual;
III - em decorrência da falta de pagamento do aluguel e demais encargos

Ademais, consoante dispõe o art. 23 do aludido diploma legal, é dever


legal do locatário pagar pontualmente o aluguel e os encargos da locação:
Art. 23. O locatário é obrigado a:
I - pagar pontualmente o aluguel e os encargos da locação, legal ou
contratualmente exigíveis, no prazo estipulado ou, em sua falta, até o sexto dia
útil do mês seguinte ao vencido, no imóvel locado, quando outro local não tiver
sido indicado no contrato;
II - (...)

O instrumento de contrato, como não poderia deixar de ser, também


estabelece na clausula 8ª a obrigação de adimplir tempestivamente todas obrigações
pactuadas, prevendo, inclusive, na cláusula 10ª, as consequências para a sua inobservância.
8 – DAS OBRIGAÇÕES DO LOCATÁRIO
8.1 – O LOCATÁRIO é obrigado a:
I – pagar pontualmente o aluguel;

10 – DAS DEMAIS FORMAS DE RESCISÃO

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10.1 – Além das hipóteses de rescisão unilateral por parte do LOCATÁRIO
enumerado na cláusula anterior, poderá ser rescindido o presente contrato:
I – (...)
III – em decorrência da falta de pagamento do aluguel e demais encargos pelo
LOCATÁRIO;

Segundo as ditas previsões contratuais, os alugueres inadimplidos


sofrerão acréscimos de correção monetária pelo INPC-IBGE, desde a data prevista para o
pagamento até o efetivo adimplemento (§1º, da cláusula 5ª).

Portanto, ao deixar de efetuar tempestivamente o pagamento dos


alugueres, a Demandada descumpriu obrigação contratual e legal, ensejando a rescisão do
contrato e a cobrança dos valores vencidos e vincendos até o efetivo despejo.

Assim, resta devidamente fundamentado na legislação pátria o direito da


Autora à imediata rescisão do contrato (se for considerado prorrogado/vigente o contrato),
além do recebimento dos valores devidos a título de aluguel e demais encargos relativos ao
imóvel descrito nos autos.

É cediço que o pedido de rescisão contratual é plenamente cumulável


com a cobrança dos aluguéis atrasados, inerentes à ação de despejo, conforme previsto na Lei
nº 8.245/91, a saber:
Art. 62 - Nas ações de despejo fundadas na falta de pagamento de aluguel e
acessórios da locação, observar-se-á o seguinte:
I - o pedido de rescisão da locação poderá ser cumulado com o de cobrança dos
aluguéis e acessórios da locação, devendo ser apresentado, com a inicial, cálculo
discriminado do valor do débito;
(...)
VI - havendo cumulação dos pedidos de rescisão da locação e cobrança dos
aluguéis, a execução desta pode ter início antes da desocupação do imóvel, caso
ambos tenham sido acolhidos."

Nesse esteio, a relação de débitos consta da planilha em anexo.

Deve-se, portanto, apenas a título de alugueis vencidos, o valor histórico de


R$683.166,26 (seiscentos e oitenta e três mil, cento e sessenta e seis reais e vinte e seis
centavos), cuja cobrança se pretende.

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Entretanto, certamente vencer-se-ão outros alugueis durante o trâmite deste
feito, razão pela qual o próprio inciso V3 do art. 62 da Lei de locações infirma a obrigatoriedade
de serem aqueles depositados em juízo até a sentença, o que, de logo requer.

IV.3. Do vencimento do contrato


Também fundamenta a presente demanda o término da vigência do
contrato ocorrida em 21/02/2018, sendo que o próprio instrumento contratual veda a
prorrogação automática do prazo.

Assim, não apenas o inciso IX, §1º, art. 59, Lei de locações conduz ao
despejo da Acionada, mas também o inciso IX do mesmo dispositivo legal, que trata da hipótese
de encerramento do prazo de vigência.

A expiração do prazo contratual, obviamente, não isenta a locatária da


obrigação de pagar a contraprestação pelo uso, se esse fato permanece inalterado, sob pena
de enriquecimento ilícito.

Dessa forma, admitindo que o contrato foi prorrogado de fato, pela


manutenção da posse da Acionada, os alugueres devidos em razão desse período “pós-
contrato” podem e devem ser cobrados pela Autora, pelo que estão incluídos no pedido.

IV.4. Do despejo
Sabe-se que, qualquer que seja o fundamento do término da locação, a
ação cabível para reaver o imóvel é a de despejo, conforme exara o art. 5º, da supracitada lei,
in verbis:
Art. 5º. Seja qual for o fundamento do término da locação, a ação do locador para
reaver o imóvel é a de despejo.
Sobre as ações de despejo, a indigitada norma legal dispõe que será concedida

3 Art. 62. Nas ações de despejo fundadas na falta de pagamento de aluguel e acessórios da locação, de aluguel provisório, de
diferenças de aluguéis, ou somente de quaisquer dos acessórios da locação, observar-se-á o seguinte:
I – (...)
V - os aluguéis que forem vencendo até a sentença deverão ser depositados à disposição do juízo, nos respectivos vencimentos,
podendo o locador levantá - los desde que incontroversos;

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liminar inaudita altera pars para desocupação do imóvel locado em 15 (quinze) dias nas ações
fundadas na falta de pagamento do aluguel e que não seja contratada garantia, ressalvando, no
§3º, o direito do Réu de elidir a desocupação com o depósito da totalidade dos valores devidos.
Art. 59. Com as modificações constantes deste capítulo, as ações de despejo
terão o rito ordinário.
§ 1º Conceder - se - á liminar para desocupação em quinze dias,
independentemente da audiência da parte contrária e desde que prestada a
caução no valor equivalente a três meses de aluguel, nas ações que tiverem por
fundamento exclusivo:
I – (...)
IX – a falta de pagamento de aluguel e acessórios da locação no vencimento,
estando o contrato desprovido de qualquer das garantias previstas no art. 37, por
não ter sido contratada ou em caso de extinção ou pedido de exoneração dela,
independentemente de motivo.
§1º (..)
§ 3o No caso do inciso IX do § 1o deste artigo, poderá o locatário evitar a rescisão
da locação e elidir a liminar de desocupação se, dentro dos 15 (quinze) dias
concedidos para a desocupação do imóvel e independentemente de cálculo,
efetuar depósito judicial que contemple a totalidade dos valores devidos, na
forma prevista no inciso II do art. 62.

Em complemento ao regramento supra, o inciso II do art. 62 estabelece


as parcelas que devem compor o depósito referido, a saber: a) os alugures e acessórios da
locação que vencerem até a sua efetivação; b) as multas ou penalidades contratuais, quando
exigíveis; c) os juros de mora; d) as custas e os honorários do advogado do locador, fixados em
dez por cento sobre o montante devido, se do contrato não constar disposição diversa.

Sucede que, conforme será doravante registrado, o contrato em epígrafe


não está mais vigente, porquanto encerrado seu prazo em 21/02/2018, de modo que a
purgação da mora somente poderá ocorrer se este juízo entender pela ocorrência da renovação
automática do pacto, a despeito da sua vedação contratual.

De todo modo, admitindo esse cenário, para ilidir a desocupação, o


locatário deverá, no prazo de 15 (quinze) dias, efetuar o depósito integral da dívida, acrescida
dos encargos nominados no inciso II do art. 62, inclusive honorários advocatícios de 10% (dez
por cento).

Nesse diapasão, uma vez concedida a medida liminar inaudita altera pars

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determinando a desocupação do imóvel, não sendo procedido o depósito aludido no art. 62,
impõe-se o cumprimento do despejo, prosseguindo o feito quanto à cobrança dos alugueres
inadimplidos.

Observe-se que, in casu, a concessão da medida liminar, além de decorrer


de comando vinculado expresso da lei, em face da ausência de contratação de qualquer garantia
locatícia, se impõe pela própria circunstância dos autos, haja vista que o longo período de
inadimplência põe em risco a continuidade das atividades da Acionante, mas, em maior medida,
a própria sobrevivência digna da família do seu único titular, que depende fundamentalmente
do recurso para tanto.

Estão presentes, portanto, não apenas os requisitos específicos do §1º do


art. 59 da Lei de locações, mas também os requisitos gerais das tutelas de urgência, quais sejam,
o fumus boni iuris e o periculum in mora.

A probabilidade do direito revela-se à luz da narrativa fática apresentada


aos autos e dos documentos acostados à inicial, que dão conta de que a Acionada não vem
adimplindo mensalmente com os valores do aluguel, em flagrante infração contratual.

Acostou-se, ainda, notificações extrajudiciais encaminhadas à Ré para


que regularizasse os pagamentos devidos, inobstante tenha se quedado inerte, mantendo-se
confortável e gratuitamente na posse do imóvel.

Cumpre aduzir, ainda, que não pode ser a Autora compelida a manter em
seu imóvel inquilino que reiteradamente vem descumprindo com suas obrigações contratuais,
cujo resultado poderá acarretar maiores e mais severos prejuízos à requerente do que aqueles
já demonstrados nos autos.

O perigo de dano, por sua vez, consiste no fato de ser o aluguel do imóvel
sub judice a única fonte de renda da Autora, de modo que o inadimplemento dos alugueis põe
em risco a sobrevivência desta e de todos que dela dependem, notadamente a família do seu

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titular.

Portanto, seja em face da presença dos requisitos objetivos da Lei


nº8.245/91, seja em razão da configuração dos requisitos do art. 300 do CPC, pugna-se pela
concessão da medida liminar vindicada, inauldita altera pars, para que seja determinada a
desocupação do imóvel, objeto do contrato de locação, no prazo de 15 (quinze) dias, sob pena
de despejo compulsório.

IV.5. Do fim da vigência do contrato


Ademais do fundamento supra referido, importa ressaltar que o prazo de
vigência do contrato já expirou em 21/02/2018 e sua prorrogação automática é vedada pelo
próprio instrumento, de modo que, tecnicamente, não seria possível a providência do §3º do
art. 59, da Lei 8.245/91, bem como seria desnecessária a decretação da rescisão do contrato.

Contudo, sendo o entendimento - compreensivo – deste M.M. Juízo, no


sentido de que o contrato permanece existente, enquanto factualmente prorrogado, nos
termos do art. 56 da Lei nº8.245/91, faz-se imperiosa a decretação da rescisão do contrato.

Com efeito, ainda nesse particular, na remota e eventual hipótese de


Vossa Excelência não conceder a liminar de despejo com arrimo na inadimplência dos aluguéis
pactuados (art.59, §1º, IX, Lei nº8.245/91), em face da cessação da vigência do contrato e sua
“prorrogação”, é mister que seja concedida a liminar para desocupação com base no art. 59,
§1º, VIII, servindo o mandado como notificação do intento de retomada.

IV.6. Da possibilidade de oferecimento dos alugueis como caução


Em que pese a disposição do §1º do art. 59 da Lei nº8.245/91, a
jurisprudência pátria vem consolidando o entendimento pela possibilidade de se ofertar os
alugueres inadimplidos a título de caução, de modo a cumprir o requisito legal.

Isto porque o depósito da caução seria demasiadamente prejudicial ao

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locador, que já está por demais prejudicado com a inadimplência, haja vista que, além de não
ter recebido os aluguéis, ainda teria que desembolsar um valor para garantir a eficácia da tutela
jurisdicional.

Nesse sentido, os seguintes julgados:


DIREITO CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO DE DESPEJO. AGRAVO DE
INSTRUMENTO. LIMINAR. CAUÇÃO. OFERECIMENTO PELO LOCADOR DE
ALUGUÉIS EM ATRASO. POSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE PROIBIÇÃO LEGAL.
PRECEDENTES. AGRAVO PROVIDO. DECISÃO REFORMADA. I ? É possível o
oferecimento dos aluguéis em atraso como caução para conceder a liminar para a
desocupação do imóvel locado, com fundamento no art. 59, § 1.º, da Lei
8.245/1991. Precedentes. Ausência de proibitivo legal. II - Agravo de Instrumento
provido.(TJ-AM - AI: 40004904420158040000 AM 4000490-44.2015.8.04.0000,
Relator: João de Jesus Abdala Simões, Data de Julgamento: 30/03/2015, Terceira
Câmara Cível, Data de Publicação: 30/03/2015)

CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO DE DESPEJO POR FALTA DE PAGAMENTO.


SENTENÇA JULGANDO A AÇÃO PROCEDENTE. RECURSO DE APELAÇÃO DO RÉU.
ARGUIÇÃO DE NULIDADE DO PROCESSO AB INITIO, EM RAZÃO DO MAGISTRADO
DE PISO, AO DEFERIR A LIMINAR, NÃO TER OBSERVADO O ART. 59, § 1º, INCISO
IX, DA LEI DE LOCAÇÕES, QUE EXIGE CAUÇÃO NO VALOR EQUIVALENTE A TRÊS
MESES DE ALUGUEL. IMPROCEDÊNCIA. POSSIBILIDADE DO AUTOR/LOCADOR
SUBSTITUIR A CAUÇÃO PELOS VALORES DOS ALUGUÉIS EM ATRASO, CONFORME
JURISPRUDÊNCIA CONSOLIDADA. SENTENÇA MANTIDA. RECURSO CONHECIDO E
IMPROVIDO. (TJ-BA - APL: 00616427320118050001 BA 0061642-
73.2011.8.05.0001, Relator: Maria Marta Karaoglan Martins Abreu, Data de
Julgamento: 14/01/2013, Primeira Câmara Cível, Data de Publicação:
25/09/2013)

Não há, de fato, nenhuma proibição legal a que o locador ofereça como
garantia para o insucesso de sua demanda os aluguéis em atraso, os quais, repita-se,
motivaram o próprio ajuizamento da ação de despejo.

Em outras palavras, estará o locador oferecendo a compensação entre


os aluguéis atrasados devidos pelo locatário e o valor da caução a que este faria jus, caso
sofresse algum prejuízo na hipótese de improcedência da demanda.

Assim, em caso de deferimento da medida liminar, requer seja recebido


como caução o valor equivalente a 03 (três) aluguéis mensais em atraso, seguindo a toada dos
Tribunais pátrios. Em caso de entendimento diverso, requer prazo para depósito em juízo, do

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valor correspondente aos três meses de alugueis, determinando, em seguida, ao locatário, a
desocupação do imóvel, objeto do contrato de locação, no prazo de 15 (quinze) dias, sob pena
de despejo compulsório.

V. DA RESOLUÇÃO Nº 296 DO TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO DE


SERGIPE
Para além do inadimplemento contratual em si e do enriquecimento sem
causa originado pela posse do imóvel sem o pagamento dos aluguéis, a conduta da
Administração viola também o disposto na Resolução nº296 do Tribunal de Contas do Estado
de Sergipe.

Com efeito, a sobredita norma infirma a obrigatoriedade da observância


da ordem cronológica quanto ao pagamento de obrigações financeiras por parte da
Administração, dentre as quais se insere os encargos locatícios, de acordo com o que estabelece
o art. 5º da Lei federal nº8.666/93.

É dizer, considera-se ATO ILÍCITO a quitação de uma obrigação financeira


cuja exigibilidade seja posterior a outra obrigação, se esta não estiver adimplida.

Trata-se, pois, de obediência ao principio da isonomia ao qual a


Administração está submetida, mormente porque a alteração deliberada da ordem cronológica
dos pagamentos, com a escolha dentre as obrigações que serão quitadas, constitui
discriminação ilegal entre os jurisdicionados.

Não se pode dever 11 (onze) prestações mensais de um contrato e 03


(três) de outro, sob pena de afronta ao tratamento isonômico imposto constitucionalmente.

Inclusive, para efeito de publicidade e fiscalização, a Resolução do TCE-SE


impôs aos entes da Administração a publicação da lista de seus credores, cujos créditos devem
ser classificados por fonte de recursos e organizados em ordem cronológica de antiguidade.

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Sucede que a necessária isonomia entre os contratados da Administração
não está sendo respeitada, vez que há inúmeros outros contratos que estão sendo adimplidos
pela Acionada, ao passo que a presente avença já soma 11 (onze) alugueis não pagos.

De mais a mais, o art. 17 da Resolução TCE nº296 assevera que a


constatação da ocorrência de preterição de credor implica em sanções aos responsáveis,
previstas na Lei de Responsabilidade Fiscal, dentre outras.

Nessa senda, caso reste demonstrada a preterição quanto ao pagamento


dos alugueis sub judice, impõe-se a expedição de ofício aos órgãos competentes para apuração
das responsabilidades, notadamente o Tribunal de Contas e o Ministério Público do Estado de
Sergipe.

VI. DOS PEDIDOS


Por todo o exposto, requer:
a) Seja concedido o benefício da gratuidade de justiça, prorrogando
o pagamento das custas e despesas processuais para o final do processo, ou, subsidiariamente,
autorizando o parcelamento das mesmas, em dez parcelas iguais, mensais e sucessivas, na
forma dos arts. 98 e seguintes do CPC, prestigiando o direito constitucional de acesso ao Poder
Judiciário;
b) Seja concedida liminar, inaudita altera pars, com fulcro no art.
59, §1º, IX, da Lei nº8.245/91, determinando à Locatária que desocupe o imóvel objeto do
contrato de locação, no prazo de 15 (quinze) dias, sob pena de despejo compulsório. Para tanto,
oferece a título de caução o crédito que possui em face das Rés até o valor equivalente a 03
(três) alugueis em atraso, seguindo a toada do Tribunais pátrios;
c) Subsidiariamente, seja concedida liminar, inaudita altera pars,
com fulcro no art. 59, §1º, VIII, da Lei nº8.245/91, determinando à Locatária que desocupe o
imóvel objeto do contrato de locação, no prazo de 15 (quinze) dias, sob pena de despejo
compulsório. Para tanto, oferece a título de caução o crédito que possui em face das Rés até o
valor equivalente a 03 (três) alugueis em atraso, seguindo a toada do Tribunais pátrios;
d) A citação da Acionada por meio da Procuradoria Geral do Estado,

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nos endereços mencionados, para que apresentem resposta no prazo legal, sob as penas dos
efeitos da revelia;
e) Seja determinado à Acionada que traga aos autos a lista de
credores atualizada, na forma da Resolução nº296 do TCE-SE;
f) Seja julgada PROCEDENTE IN TOTUM a presente demanda para,
confirmando a medida liminar, ordenar o imediato despejo da Ré do imóvel, declarar
rescindido o contrato firmado entre as partes e condenar a Ré ao pagamento integral
dos alugueis e acessórios inadimplidos, atualmente no valor de R$683.166,26
(seiscentos e oitenta e três mil, cento e sessenta e seis reais e vinte e seis centavos),
ao qual devem ser acrescidos os devidos encargos, além de todos os alugueres que se
vencerem ao longo do processo, até a efetiva desocupação do imóvel;
g) A juntada dos documentos anexos;
h) Provar o alegado por todos os meios de prova em Direito
admitidos, sem exceção;
i) A condenação da Requerida no pagamento das custas e despesas
processuais;
j) Juros de mora, correção monetária e honorários advocatícios,
estes no percentual de 20% (vinte por cento);

Dá-se à causa o valor de R$683.166,26 (seiscentos e oitenta e três mil, cento


e sessenta e seis reais e vinte e seis centavos), nos termos da melhor interpretação do art. 292,
I, CPC, cumulado com o art. 58, III, da Lei nº8.245/91.

Termos em que pede deferimento.


Aracaju, 18 de maio de 2018

Daniel Garzedin José Alvino Santos Filho


OAB/BA 34.032 OAB/SE 1.367

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