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Programação Café Literário - SP 2019

Idealização e Curadoria – Professora Janaina Soggia

OBRAS ESCOLHIDAS
Janeiro: A ciranda das mulheres sábias (Clarissa Pinkola Estés)
Sinopse: Em A ciranda das mulheres sábias, a psicanalista e poetisa Clarissa
Pinkola Estés reverencia a maturidade feminina e faz uma comovente e profunda
homenagem àquelas mulheres que souberam acumular sabedoria ao longo de
suas existências. O livro tem uma linguagem metafórica, que se assemelha às
antigas histórias contadas de mães para filhas. Clarissa Pinkola Estés parte de
um doce convite à leitora para que se acomode ao seu lado e deguste com ela a
bebida que foi reservada para 'uma situação especial', a fim de que possam
conversar sobre 'assuntos que importam de verdade' a duas mulheres, com a
garantia de que 'aqui sua alma está em segurança'. Seduzida por uma linguagem
terna, emocionante e poderosa, a autora apresenta os encantos deste 'arquétipo
misterioso e irresistível da mulher sábia, do qual a avó é uma representação
simbólica' e que 'não chega de repente, perfeitamente formado e se amolda
como uma capa sobre os ombros de uma mulher de determinada idade'.

Fevereiro: Bestiário (Julio Cortázar)


Sinopse: Publicado pela primeira vez em 1951, Bestiário é a primeira obra em que
Julio Cortázar afirma se sentir “seguro do que queria dizer”. Apesar de ter
alcançado renome mundial depois da publicação de seu romance ‘O jogo da
amarelinha’, os contos são a coluna vertebral da vasta obra de Cortázar. As
histórias que compõem este volume falam de objetos e acontecimentos
cotidianos, passam para a dimensão do pesadelo ou da revelação de modo
natural e imperceptível. Em cada conto, surpresa e inquietação são
acrescentadas ao indescritível prazer de lê-los. Nascido em agosto de 1914, em
Bruxelas, na Bélgica.

Março: Sinfonia em branco (Adriana Lisboa)


Sinopse: Duas irmãs, filhas de um fazendeiro fluminense, são as figuras centrais
deste romance, que desvenda o horror e a poesia da vida com rara sensibilidade.
Publicado originalmente em 2001 e vencedor do Prêmio José Saramago,
Sinfonia em branco foi também finalista do Prix des Lectrices da edição francesa
da revista Elle. Com passagens de grande força poética, Adriana Lisboa narra,
numa sequência não cronológica, a história destas irmãs. Clarice, a mais velha,
sempre esteve fadada a se casar com o filho do dono da fazenda vizinha,
enquanto Maria Inês, a mais nova, acaba por se tornar testemunha pueril e
estarrecida de um abuso que dilaceraria a vida da irmã. O silêncio, o interdito, o
segredo dão o tom a essa sinfonia. Afonso Olímpio, o pai, vaga como uma
sombra enigmática e taciturna, enquanto a mulher, a impotente Otacília, vai se
dando conta de sua infelicidade, e tenta resgatar as filhas da desgraça silenciosa,
cada vez mais difícil de escapar. Com o tempo, tudo vai se encaminhando não exatamente para um
desfecho ou uma “cura”, mas para possibilidades que se abrem. É com a maturidade que elas se dão
conta de que é preciso superar o passado.
Abril: De repente, nas profundezas do bosque (Amós Oz)
Sinopse: Uma pequena aldeia atravessada por um rio cristalino e rodeada por
um bosque frondoso tem uma particularidade insólita: não há nela nem um
único animal. Nem animais domésticos, nem silvestres; nem peixes, nem aves;
nem mesmo insetos de qualquer espécie perturbam a monotonia da vida dos
aldeões. Mas dois garotos, Mati e sua amiga Maia, não se conformam com os
rodeios e as histórias mal contadas dos adultos e resolvem investigar por conta
própria, desafiando a proibição de entrar no bosque, onde reina o temível Nehi,
o demônio das montanhas. Depois dessa aventura, nenhum dos dois será mais
o mesmo - nem a aldeia. Numa linguagem desenvolta, plena de humor e
sutileza, Oz nos envolve num universo assombroso e fascinante, exaltando o
poder do conhecimento, da independência de espírito e da ética pessoal contra
as ideias feitas que perpetuem discriminação, intolerância e opressão. Não há,
portanto, solução de continuidade entre a empenhada literatura "adulta" do escritor e esta que ele
definiu apropriadamente como "uma fábula para todas as idades".

Maio: A guerra não tem rosto de mulher (Svetlana Aleksiévitch)


Sinopse: A história das guerras costuma ser contada sob o ponto de vista
masculino: soldados e generais, algozes e libertadores. Trata-se, porém, de um
equívoco e de uma injustiça. SE em muitos conflitos as mulheres ficaram na
retaguarda, em outros estiveram na linha de frente. É Esse capítulo de bravura
feminina que Svetlana Aleksiévitch reconstrói neste livro absolutamente
apaixonante e forte. Quase um milhão de mulheres lutaram no Exército
Vermelho durante a Segunda Guerra Mundial, mas a sua história nunca foi
contada. Svetlana Aleksiévitch deixa que as vozes dessas mulheres ressoem
de forma angustiante e arrebatadora, em memórias que evocam frio, fome,
violência sexual e a sombra onipresente da morte.

Junho: O segundo olhar (Mario Quintana)


Sinopse: Os sentimentos são a matéria-prima do poeta, nesta antologia
inédita que resgata a atualidade e a importância da obra de Quintana. Bem-
humorados ou irônicos, mas sempre intensos, seus poemas vão do amor
desesperado aos dissabores da velhice. Foi pensando nas diversas
possibilidades de interpretação da obra de Mario Quintana que este livro
surgiu. A proposta do escritor João Anzanello Carrascoza ao organizar esta
antologia foi recuperar sua veia singular - e hoje pouco conhecida -,
demonstrando toda a força de Quintana. Daí o título, que parte da ideia de que
é quando lançamos um segundo olhar sobre as coisas que conseguimos
captá-las em sua plenitude. Conhecido como o poeta da infância e do
cotidiano, Quintana teve suas outras facetas negligenciadas ao longo do
tempo. Seus poemas percorrem muitos caminhos: são leves, engraçados, mas
também são irônicos, intensos. Certa vez, ele declarou que o segredo para
uma vida longa residia no interesse pelos outros e pelo mundo, e sua poesia
expressa esse entusiasmo. Ele era meticuloso na composição de versos que, apesar de aparentemente
simples, escondem uma inegável complexidade. Aqui, a disposição dos poemas segue a mesma lógica
que orientou Mario Quintana na composição de muitos de seus textos. Organizados sem o suporte de
cronologias ou eixos temáticos, os poemas vão se sucedendo em uma espiral, de forma contínua, como
numa conversa em que uma ideia puxa outra. O segundo olhar capta com maestria a essência de Mario
Quintana e mostra porque ele é um de nossos maiores poetas.
Julho: Dias de Abandono (Elena Ferrante)
Sinopse: Depois de quinze anos de casamento, Olga é abandonada por Mario.
Presa ao cotidiano estilhaçado com dois filhos, um cachorro e nenhum
emprego, ela se recusa a assumir o papel de pobre mulher abandonada. Essa
opção a projeta num turbilhão de obsessões, angústias e ímpetos violentos,
capazes de afastar Olga do fato de que as derrotas precisam ser assumidas
para que a vida possa enfim seguir adiante. Assinado pela enigmática autora
cuja verdadeira identidade é mantida em segredo, Dias de abandono colocou
Elena Ferrante definitivamente no panteão dos maiores autores da literatura
segundo público e crítica.

Agosto: A metamorfose (Franz Kafka)


Sinopse: A metamorfose é a mais célebre novela de Franz Kafka e uma das mais
importantes de toda a história da literatura. Sem a menor cerimônia, o texto
coloca o leitor diante de um caixeiro-viajante - o famoso Gregor Samsa -
transformado em inseto monstruoso. A Partir daí, a história é narrada com um
realismo inesperado que associa o inverossímil e o senso de humor ao que é
trágico, grotesco e cruel na condição humana - tudo no estilo transparente e
perfeito desse mestre inconfundível da ficção universal.

Setembro: Olhos d’água (Conceição Evaristo)


Sinopse: Nos quinze contos que enfeixam Olhos d’água, de Conceição
Evaristo, a temática está relacionada às agruras diárias pelas quais passam os
afro-brasileiros numa sociedade excludente como a nossa. Nessas pungentes
narrativas, ainda que existam alguns protagonistas masculinos, a ênfase
centra-se em personagens femininas, muitas delas figurando parcial ou
totalmente nos nomes de alguns dos contos. Em Conceição Evaristo ajusta o
foco de seu interesse na população afro-brasileira abordando, sem meias
palavras, a pobreza e a violência urbana que a acometem.

Outubro: Caderno de um ausente (João Anzanello Carrascoza)


Sinopse: Neste segundo romance, a estrutura formal continua a ser a principal
pesquisa literária do autor. O narrador desta história, um homem de cinquenta
e tantos anos, escreve em um caderno anotações de vida para sua filha
recém-nascida, Beatriz. Temeroso de que não acompanhará a maturidade da
filha, uma vez que a diferença de idade é muito grande, o homem se põe a
narrar a história da família entremeando por impressões filosóficas e poéticas
sobre a trajetória de uma vida. A intenção do pai, porém, não é mostrar uma
verdade, mas sim a delicadeza - "e eu só sei, Bia, que, em breve, não
estaremos mais aqui, e, enquanto estivermos, eu quero, humildemente, te
ensinar umas artes que aprendi, colher a miudeza de cada instante, como se
colhe o arroz nos campos, cozinhá-la em fogo brando, e, depois, fazer com ela
um banquete". Mas mesmo essas palavras, que compõem pequenos trechos
escritos ao longo do primeiro ano de vida da criança, não são suficientes para satisfazer o pai - "eu ia te
contar o segredo do universo como quem sussurra uma canção de ninar, mas eu não posso, filha, eu só
posso te garantir, agora que chegaste, a certeza da despedida.
Novembro: Canção de ninar (Leila Slimani)
Sinopse: "A tensão latente em cada página aquece aos poucos a análise da
burguesia, até ser dinamitada por um impulso de violência instintiva." Apesar
da relutância do marido, Myriam, mãe de duas crianças pequenas, decide
voltar a trabalhar em um escritório de advocacia. O casal inicia uma seleção
rigorosa em busca da babá perfeita e fica encantado ao encontrar Louise:
discreta, educada e dedicada, ela se dá bem com as crianças, mantém a
casa sempre limpa e não reclama quando precisa ficar até tarde. Aos
poucos, no entanto, a relação de dependência mútua entre a família e Louise
dá origem a pequenas frustrações - até o dia em que ocorre uma tragédia.
Com uma tensão crescente construída desde as primeiras linhas, Canção de
ninar trata de questões que revelam a essência de nossos tempos,
abordando as relações de poder, os preconceitos entre classes e culturas, o
papel da mulher na sociedade e as cobranças envolvendo a maternidade.
Publicado em mais de 30 países e com mais de 600 mil exemplares vendidos
na França, Canção de ninar fez de Leïla Slimani a primeira autora de origem marroquina a vencer o
Goncourt, o mais prestigioso prêmio literário francês.

Dezembro: O livro do desassossego (Fernando Pessoa)


Sinopse: Composto de centenas de fragmentos, dos quais Fernando Pessoa
publicou apenas doze, o narrador principal deste livro é o semi-heterônimo
Bernardo Soares. Oscilando entre temas como as variações de seu estado
psíquico, a paixão, a moral e o conhecimento, o livro não apresenta uma
narrativa linear; antes é composto de diversos trechos e partes que se
articulam de maneira mais ou menos aberta. Ainda assim, é a obra de
Pessoa que mais se aproxima do romance. Nesta nova edição, o
pesquisador Richard Zenith estabelece nova ordem, acrescenta trechos
recentemente descobertos, descarta outros que só após a digitalização do
acervo do autor puderam ser corretamente compreendidos - a caligrafia
difícil dava margem a inúmeros equívocos - e se posiciona em relação às
novidades adotadas na recém-lançada edição crítica da obra, publicada em
2010 em Portugal e tida como base segura para as interpretações do texto.
“O que temos aqui não é um livro, mas sua subversão e negação”, escreve
Zenith na introdução. Livro fundamental para a compreensão da extensa influência de Pessoa na
criação da noção contemporânea de indivíduo, suas páginas revelam o gênio de um autor no seu auge.

Sobre a Idealizadora e Curadora do Café Literário – SP


Janaina Soggia formada em Letras (Licenciatura Plena Português e Inglês)
pela Universidade Nove de Julho. Doutoranda em Literatura e Crítica
Literária pela PUC-SP. Autora do livro O duplo espelho: a (auto)
reflexividade da obra clariceana “Um sopro de vida (Pulsações)”. Atuou por
5 anos com elaboração de Material Didático no Kumon Instituto de
Educação, onde também ministrava palestras sobre a metodologia de
ensino. Atua como professora desde 2007, em Ensino Técnico,
Universitário e Regular. Idealizou o Clube de Leitura “Café Literário - SP”
em Maio/2016, tendo realizado 20 encontros na Casa das Rosas e, em
virtude do aumento do público, passou a organizá-lo mensalmente na
Biblioteca Mário de Andrade.

Contato:
E-mail: profa.janasoggia@gmail.com
Telefone: (11) 98329-0592