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19/07/2018 Alunos brasileiros não chegam ao fim de prova em avaliação mundial - 19/07/2018 - Educação - Folha

Alunos brasileiros não chegam ao fim de prova em


avaliação mundial
61% não alcançam última questão do Pisa; entre finlandeses, são 6%, e entre
colombianos, 18%

No Rio de janeiro a Secretaria de Educação implantou o modelo de ensino para as escolas de


segundo segmento (6º ao 9º ano) - Raquel Cunha - 19.abr.16/Folhapress

19.jul.2018 às 0h00

EDIÇÃO IMPRESSA (https://www1.folha.uol.com.br/fsp/fac-simile/2018/07/19/)

Paulo Saldaña

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19/07/2018 Alunos brasileiros não chegam ao fim de prova em avaliação mundial - 19/07/2018 - Educação - Folha

SÃO PAULO O fraco desempenho dos alunos brasileiros na principal avaliação


internacional de educação básica, o Pisa, não ocorre apenas porque eles não
acertam as perguntas da prova. A maioria dos estudantes piora a
performance ao longo do exame e não consegue sequer chegar ao fim da
prova (https://www1.folha.uol.com.br/educacao/2018/07/matematica-agrava-abismo-entre-escolas-publicas-e-privadas-
no-enem.shtml).

A análise aparece em uma pesquisa inédita capitaneada pelo professor


Naercio Menezes Filho, do Insper e da USP, e permite ampliar a
interpretação dessa avaliação.

"Parte do diagnóstico é de que os alunos não sabem o que é pedido, ou têm


dificuldade de entender os enunciados, mas há outros fatores por trás", diz.
"Há também uma questão de estímulo, de motivação dos alunos brasileiros",
afirma o pesquisador.

O comportamento dos brasileiros aponta também a falta de habilidades de


fazer provas, além do baixo conhecimento das disciplinas
(https://www1.folha.uol.com.br/educacao/2018/07/sob-pressao-temer-mudara-base-curricular-para-o-ensino-medio.shtml)

e de competências socioemocionais, como resiliência. 

Caso os brasileiros soubessem administrar melhor o tempo na prova, a


pontuação poderia ser melhor –embora não o suficiente, de acordo com o
estudo, para alavancar a posição do país.

O Pisa de 2015, a edição mais recente, avaliou jovens de 15 e 16 anos em 70


países e territórios em matemática, leitura e ciências. A média geral deixa o
Brasil nas últimas posições: fica na 63ª posição em matemática, 58ª em
leitura e 65ª em ciências.

Organizado pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento


Econômico, uma entidade que reúne países desenvolvidos), ocorre a cada
três anos.

Essa nova pesquisa destrinchou o desempenho em cada questão. Como o


último Pisa foi totalmente aplicado pelo computador, foi possível medir
ainda o tempo que os alunos perderam com cada item. 

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O estudo aponta que 61% dos brasileiros não conseguem chegar até a última
questão da primeira parte da prova. Entre os estudantes da Finlândia, por
exemplo, esse índice é de apenas 6%. 

Na Colômbia, que tem resultados similares aos nossos, apenas 18% dos
estudantes têm esse resultado. Os brasileiros perdem muito tempo em cada
questão, sobretudo nas primeiras. 

E mesmo com baixo nível de acerto já desde a primeira pergunta, o


desempenho dos brasileiros (https://www1.folha.uol.com.br/educacao/2018/06/lider-em-ranking-do-
enem-e-de-mg-e-sp-tem-30-entre-as-escolas-top-100.shtml) vai caindo ao longo da prova:

aumentam os erros e dispara a quantidade de alunos que não chegam às


últimas questões.

Entre os 70 países e territórios avaliados, o Brasil tem o 55º pior nível de


queda de desempenho ao longo do Pisa. Países ou territórios orientais, como
Taipei, Coreia do Sul e Hong Kong aparecem no topo: seus alunos mantém
quase o mesmo desempenho do início ao fim.

Artigo publicado neste ano no periódico Economics of Education Review


mostra como essa queda de rendimento ao longo da prova não é evidência
que se restringe à educação. Esse comportamento dos alunos de um país tem
forte associação estatística com o crescimento econômico dessas nações,
segundo o estudo do espanhol Pau Balart.

De acordo com Menezes, há questões culturais envolvidas. "O que faz um


aluno responder uma prova que não vale nada pra ele? Em outros países se
percebe uma motivação intrínseca, que vem de dentro do aluno."

Claudia Costin, do Centro de Excelência e Inovação de Políticas Educacionais


da FGV, diz que as habilidades exigidas em uma prova são importante para a
vida adulta. 

"Será que não há um componente nosso de não ter um incentivo associado?


Já que não acertou as primeiras, [o aluno] não acredita muito que irá
conseguir", diz a colunista da Folha. "Competências como persistência,

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19/07/2018 Alunos brasileiros não chegam ao fim de prova em avaliação mundial - 19/07/2018 - Educação - Folha

garra, administração do tempo, são coisas que as pessoas vão precisar pra
vida."

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