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À G∴ do G∴ A∴ D∴ U∴

A∴ R∴ L∴ M∴ Bandeirantes, 103

“Gaudí e a Geometria Sagrada,


o Templo Expiatório da Sagrada Família e
a Simbologia Maçônica”

M∴ M∴ Octaviano Galvão Neto

setembro.2016
Gaudí, o Templo da Sagrada Família e a Maçonaria M∴ M∴ Octaviano Galvão Neto

Geometria Sagrada
“O homem é a medida de todas as coisas.
Dos seres vivos que existem e das não-entidades que não existem.”
Protágoras (481 – 411 a.C.)

A Geometria existe por toda a natureza; a sua ordem subjaz à estrutura de todas as
coisas, das moléculas às galáxias, do vírus à maior baleia. E o homem, por sua vez,
mesmo distanciado do mundo natural, está amarrado às leis naturais do universo.
Assim, desde os tempos mais antigos, os artefatos que conscientemente planeja
têm se baseado num sistema geométrico. Tal sistema, muito embora inicialmente
derive de formas naturais, freqüentemente as ultrapassa em complexidade e em
engenhosidade, muitas vezes dotado de poderes mágicos e de profundo
significado simbólico e psicológico.

A Geometria, que deve ter sido uma das primeiras manifestações de civilização em
seu nascedouro, tornou-se um instrumento fundamental a tudo o que é feito por
mãos humanas, a partir de habilidades primitivas: as da percepção e as da
manipulação da medida.
No passado mais remoto, juntamente com Ciência e Religião, das quais era
inseparável, ela fazia parte do conjunto de atributos só possuídos pelo sacerdócio,
cujos membros eram os únicos a quem se permitia a interpretação dos oráculos, das
tempestades, ventos, terremotos e demais manifestações do Universo.

Com o passar dos tempos, a harmonia inerente à Geometria terminou reconhecida


como a expressão mais convincente de um plano divino que subjaz ao Universo,
um padrão metafísico que determina o padrão físico. Isto a tornou ligada à
atividade religiosa, de modo que a realidade interior, que transcende a forma
exterior, passou a ser base das estruturas sagradas.
Assim, atualmente, é tão válido construir um megaedifício moderno, quanto era, no
passado, um Templo nos estilos egípcio, clássico, islâmico, gótico e renascentista.

Indivisivelmente ligada à construção e aos processos de edificação, a Geometria


está ligada, da mesma forma, a vários princípios místicos como, p. e., o que se
atribui ao fundador da Alquimia, Hermes Trimesgistro, o “Três Vezes Grande
Hermes” - a quem se atribui a máxima: “Acima como abaixo”, ou, “O que está no
microcosmo, reflete o macrocosmo”.

Na concepção hebraica, tendo sido criado à imagem de Deus, o homem é o templo


estabelecido para hospedar o espírito, que é o que o eleva acima do reino animal.
Assim, a Geometria Sagrada diz respeito não só às proporções das figuras
geométricas, obtidas com régua, compasso e com compasso, mas às relações
harmônicas entre os seres humanos; a estrutura das plantas e dos animais; as
formas dos cristais e de objetos naturais; a tudo o que for manifestação do
‘continuum universal’.

2/20 setembro/2016
Gaudí, o Templo da Sagrada Família e a Maçonaria M∴ M∴ Octaviano Galvão Neto

É de se observar que como os Templos judaico-cristãos obedecem a um mesmo


padrão estrutural, que é o mesmo do Templo de Salomão, fortemente
influenciados por Tempos Egípcios e Babilônicos (Castellani e Costa, 1991, pag 116).
Da mesma forma foram concebidos os Templos Maçônicos, cujo Oriente
corresponde diretamente ao Altar Mor das igrejas e indiretamente ao local mais
íntimo do santuário hebraico, que era o Santo dos Santos (Kodesh ha, Kodashim,
Sanctus Sanctorum ou Debhir) onde se encontrava a Arca da Aliança,
supostamente com as Tábuas da Lei. Porém, no caso dos Templos Maçônicos, para
a disposição interna da Assembleia adotou-se àquela do Parlamento Britânico.


“As linhas geométricas falam a linguagem da crença; da crença forte,
apaixonada, duradoura. Nelas, as leis eternas da proporção e da simetria
reinam supremas. O ciclo daquilo que é gerado divinamente está reproduzido
na linguagem numérica do coro, do transepto, da nave, do corredor, do portal,
da janela, da coluna, da arcada, do frontão e da torre. Todas as características
tem sua unidade de medida e seu simbolismo místico.”
Hermon Gaylord Wood – Ideal Metrology

Segundo Joseph Hamill (The Craft, 1986), “Para James Anderson, os termos
Geometria, Arquitetura e Maçonaria eram sinônimos, sendo que esta última seria
destinada à construção do edifício moral da sociedade humana, promovendo o
Aperfeiçoamento Moral e Intelectual do Homem, atuando na edificação da da
Humanidade e da Fraternidade Universal”.

Gaudi – Vida e Obra


O dia 7 de junho de 1926. O local, um como outro qualquer em Barcelona –
Espanha, quando o tempo deu mostras de que desejava parar para um gênio:
Placid Guillem Gaudí i Cornet.
Um bonde, veículo moderno à época, fazia o seu percurso habitual, quando um
ancião de aspecto andrajoso, apoiado num bastão, cortou o seu caminho.
Não o vira, nem ouvira, profundamente absorto em seu costumeiro e profundo
mar de sonhos e de pensamentos.

“Mais um vagabundo, com idade para se ir, talvez simplesmente um bêbado,


disseram alguns que assistiram ao acidente. Em seus bolsos nada além de algumas
passas e nozes em seus bolsos. Nem mesmo documentos.

Somente ao final do dia seguinte, o mundo conheceria a realidade do sucedido:


• Aos 74 anos de idade, Antoni Placid Guillem Gaudí i Cornet, ou simplesmente
Gaudi, aquele que, para muitos, teria sido o maior gênio da Arquitetura da
modernidade, estava entre a vida e a morte, o que ocorreu três dias depois.

3/20 setembro/2016
Gaudí, o Templo da Sagrada Família e a Maçonaria M∴ M∴ Octaviano Galvão Neto

Antes de discorrer sobre suas obras notáveis, temos que nos ater ao homem que as
concebeu, construiu e empreendeu. Resumindo, Gaudí:

• Nasceu em Reus, nas vizinhanças de Tarragona, em 1852, e foi criador de obras


mais próprias dos mundos oníricos do que da terralidade deste mundo.
• Mereceu um funeral com honras de herói, do qual participaram de centenas de
milhares de pessoas .
• Sua reconhecida altíssima dignidade e reputação tem sido usada e disputada, ora
pela Igreja Católica, ora pela Maçonaria, que se digladiam, reivindicando os louros
de sua pretensa filiação.
• Católico ortodoxo, devoto ao culto da Virgem Maria, em suas cerimônias fúnebres
foi vestido com um hábito de monge, tendo um rosário na mão esquerda. Desde
1998, existe um processo em andamento visando sua beatificação, para o que tem
contribuído a publicação de um boletim regular, intitulado “O Arquiteto de Deus”.
• Por seu turno, a Maçonaria defende tenazmente que ele teria sido um de seus
mais dignos prosélitos, elevado e operante; como o evidenciam os símbolos
maçônicos ostentados por todos os seus edifícios, inclusive pelo “Templo
Expiatório da Sagrada Família”.
• Mesmo com a vida escolar limitada por um sério reumatismo, forma-se Arquiteto
pela “Escola Provincial de Arquitetura” de Barcelona em 1878, de cujo Reitor
mereceu o seguinte comentário em sua formatura: “Licenciamos um gênio ou um
louco. Só o tempo o dirá...”.


A partir de 1883, destacam-se inúmeras obras notáveis de sua autoria, que se deram de
repente e subseqüentemente:
• a “Casa Vicens”, de influência estilística mourisca 1883 a 1888);
• a reforma da “Casa Batló”, em Barcelona (1904 a 1906);
• a “Casa Bellesguard”, em Sant Gervasi, (1900 a 1909);
• “El Capricho”, em Santander (1883 a 1885);
• o “Palácio Güell” (1886 a 1888);
• a “Casa Botines”, em Léon (1892);
• a “Casa Calvet”, em Barcelona, (1897 a 1900);
• a “Casa Milà” (La Pedrera), em Barcelona (1906 a 1910);
• a “Finca Miralles” (1884 a 1887);
• o “Conventoi da teresianas” (1889 a 1891);
• o “Palácio Episcopal”, em Astorga (1887 a 1893);
• a restauração da Catedral de Mallorca (1903 a 1904); e
• o assombroso Parque Güell, em Barcelona (1901 a 1914);
entre inúmeras outras.

Entretanto, a partir de 1914, Gaudí não aceita mais qualquer encomenda que o afastasse
do seu magistral “Templo da Sagrada Familia”, tarefa a que se dedicou até falecer.

4/20 setembro/2016
Gaudí, o Templo da Sagrada Família e a Maçonaria M∴ M∴ Octaviano Galvão Neto

Destaque-se que:
• Gaudi jamais desejou a notoriedade. Austero, por vezes até intratável, inadaptado
aos “cânones” deste mundo; aos seus olhos, mesquinhos e medíocres, parecia, até,
“não ter educação alguma!…”; um enorme e desconcertante contraste com a
fluidez sutil de sua arte e, decerto, com a prodigalidade da sua vida interior.
• Sua vida e a sua obra apresentaram diametrais contradições. Na vida pessoal
foi um conservador; mas um subversivo na dimensão artística. Sem dúvida, a
linguagem de sua estética era sem submissões, sem trocadilhos ou “pedidos de
desculpa”. Um mímico da Natureza !
• É difícil descrever, em palavras, o assombro que causa o imaginário arquitetônico
de Gaudi que, por suas assimetrias concertadas, num eixo visionário e prodigioso,
nos lança a outro universo dimensional, de arrebatadoras e inimagináveis
proporcionalidades.
• Templos com fulgor de catedrais, castelos, torres, edifícios palacianos, jardins
miríficos. Nada foi demais, tudo coube em seu universo prodigioso.
• E sempre, sempre, estruturas ondeantes - algumas, quase etéreas, de contornos
fugidios - que, teimosamente, não se prendem à forma fixa e linear, porque, como
ele costumava dizer: “A linha reta é do homem, a curva pertence a Deus…”.
• Em 1886, inicia uma nova etapa na sua carreira. Assume-se naturalista convicto e
livre; mestre das sínteses, promotor de insuspeitadas harmonias; tudo por sua
autenticidade como amante da Natureza e um de seus intérpretes mais devotos.
• Realizou obras mágicas; espaços lavrados e acariciados pela visão do Mestre,
tornados prolíferos de cor, forma, textura - e de mensagem !

Suas obras mais importantes, ficaram inacabadas, o que, porém, não impediu que
fossem validadas como Patrimônio da Humanidade.
Desdenhado por muitos historiadores da arte, teve sua estética como fonte
inspiradora para muitos dos grandes vultos da Matemática e das Artes, cultores
devotos da ordem e da harmonia, todos admiradores confessos de seu gênio.

Como exemplos encontramos: Walt Disney, com o mundo encantado que criou…,
V. Fleming e K. Vidor (cujos inesquecíveis cenários de “O Mágico de Oz” foram
inspirados na concepção arquitetônica de Gaudí), Salvador Dalí, os arquitetos
Le Corbusier, Rudolf Steiner e o nosso Oscar Niemeyer, entre muitos, muitos outros.

Gaudí também manteve ligações com muitas das idéias e membros da ‘Bauhaus’,
inovadora Escola Alemã de Arquitetura, Artes e Ofícios nascida pós-guerra de 1914,
que congregou inúmeros adeptos de uma peculiar e vanguardista filosofia da arte
que, também deteve um impulso e uma atividade de foro ocultista.(*1)

(*1) Para uma abordagem visual mais rica e abrangente da obra de Gaudi, visite os inúmeros sites e
‘blogs’ especializados que nos oferecem centenas de fotografias de excelente qualidade.

5/20 setembro/2016
Gaudí, o Templo da Sagrada Família e a Maçonaria M∴ M∴ Octaviano Galvão Neto

O TEMPLO EXPIATÓRIO DA SAGRADA FAMÍLIA


De fato é um Templo, mas deveria ser chamado ‘Catedral’; uma sinfonia inacabada.
Decorrem mais de 130 anos desde o início desta magistral construção que, à
semelhança de congêneres medievais, não é uma obra para uma única geração.
Através dela, Gaudí foi um dos primeiros arquitetos da península Ibérica a servir-se
de concreto armado em edifícios de grande altura, estimulado por um de seus
principais amigos e cliente: Eusébio Güell.

A obra da ‘Sagrada Família’ iria servir, no futuro, como paradigma para as normas
atuais de construção que utilizam esta técnica, e para o dimensionamento das
seções que definem os aspectos interiores e exteriores que ambicionem a beleza
dos elementos do projeto de Gaudí.

O ritmo lento de sua construção decorre de dois fatores:


1. De se constituir em um Templo Expiatório, ou seja, construído com recursos
oriundos apenas de doações e contribuições; e
2. Da postura profissional de Gaudí, que enfatizava a importância do trabalho
manual ao invés do trabalho feito por máquinas, pois sempre dizia:
“O meu Cliente pode e tem como esperar…”
Como outras obras de Gaudí, a arquitetura do Templo da Sagrada Família provoca
a nítida impressão de escultura e também, a de matéria viva e orgânica que a sua
suposta materialidade nos transmite.
Ele resulta de sua total entrega que, de corpo e alma, funde sua própria
corporeidade na obra, e não apenas o seu intelecto, respirando inspiração e
maestria, tornando-se mais um artífice do que mero projetista-arquiteto.
É obra, na acepção do termo, de um pedreiro-livre que, com seu mágico cinzel,
arranca fôlego e respiro da pedra bruta, fazendo emergir alma da materialidade.
Inicialmente idealizado por José Maria Bocabella , o projeto da ‘Sagrada Família’ foi
iniciado em 1882 por Francisco Villar, antigo professor de Gaudí. Em 1883 ele
assume o projeto, alterando-o completamente, redefinindo-o para uma basílica de
cinco naves, dezoito imponentes torres sineiras mais Transepto e Abside, além de
uma pequena cripta neogótica concebida por seu antigo professor.

Seu projeto, em grande parte perdido na Revolução Espanhola dos anos ´30, foi
posteriormente recuperado por seus seguidores. Ele apresentava três grandes
fachadas orientadas de acordo com os pontos cardeais:
- A da Natividade, que Gaudí quase viu terminada;
- A da Paixão, somente iniciada em 1952; e
- A da Ressurreição de Cristo.

6/20 setembro/2016
Gaudí, o Templo da Sagrada Família e a Maçonaria M∴ M∴ Octaviano Galvão Neto

Desde o início de seu projeto, o Templo da Sagrada Família sempre teve caráter
‘expiatori’, significando que sua construção fez-se e faz-se exclusivamente a partir
de doações, o que a postergará até por volta de 2025. Neste sentido, Gaudí dizia:
“O Templo Expiatório da Sagrada Família é feito pelos pobres e neles se apóia. É
uma obra que está nas mãos de Deus e na vontade do pobre”.

A escolha dos mistérios da encarnação, morte e ressurreição de Jesus como tema


mostram o inequívoco e profundo enraizamento do arquiteto com a tradição cristã,
assim como nossa lenda maçônica do simbolismo.
As torres planejadas passariam dos 120 metros de altura, com pináculos cobertos
de formas abstratas de mosaicos venezianos, para causar um espetacular efeito de
verticalidade. As quatro maiores representando, de modo muito significativo, os
Evangelistas - Marcos, João, Mateus e Lucas - as doze torres menores os Apóstolos,
acima dos quais ficaria uma maior correspondente a Maria e, coroando o conjunto
arquitetônico, a alta torre de Cristo.

De longe, tal estrutura se assemelha a um gigante castelo de areia, feito de


materiais de aparência fibrosa imitando pedra, ossos, músculos, tendões . . .
Retas e curvas definindo uma geometria centrada somente em quatro superfícies
distintas: a helicóide, a hiperbolóide, a conóide e a parabolóide hiperbólica.

De aparência fantástica, onírica, surreal obra seduz pela ousadia das formas e pelas
soluções estruturais utilizadas, numa obra de 110,0 m x 80,0 m x 170,0 m de altura.
Gaudí não poupava esforços, ousava tanto no uso de técnicas quanto no uso de
materiais, para dar asas à sua imaginação e realizar sua visão eclesiológica de que a
Igreja foi fundada sobre uma pedra e em rocha se transformou.

A fachada da Natividade foi projetada e construída entre os anos de 1893 e 1904.


Considerada um portento, nela ele rompeu de forma drástica, tanto com a Cripta
neogótica, quanto com a direção adotada na execução da cabeceira do Templo.
Suas duas faces apresentam aspectos distintos:
– A face projetada para o exterior tem os pórticos de acesso em disposição
genericamente gótica e é parcialmente povoada de figuras esculpidas em
tamanho natural; de símbolos ocultistas e de cunho orientalista, como a
tartaruga e o camaleão (a “Natureza original” e a “Natureza em permanente
evolução”…), além de expressivos motivos florais e abstratos.

É em função dela que Joan Bassegoda, atual responsável pela Cátedra Gaudí
(criada em 1956 e instalada em 1977 no Parque Güell) nos diz:
“Talvez mais do que um templo católico apostólico romano, a Sagrada
Família respira filosofia oriental. Ela é a ilustração do Grande Livro da
Natureza criada por Deus, e que só cabe ao homem copiar…”.

7/20 setembro/2016
Gaudí, o Templo da Sagrada Família e a Maçonaria M∴ M∴ Octaviano Galvão Neto

O SIMBOLISMO CRISTÂO
Este esteve sempre presente na obra de Gaudí, mas o exemplo mais evidente de
sua aplicação é o ‘Templo da Sagrada Família’ cujos exterior e interior representam
a vida humana do Cristo – do nascimento à morte - e a história da Fé.

- Simbolismo Estrutural
No Templo Expiatório da Sagrada Família, ao contrário do que tradicionalmente
fazem os arquitetos, Gaudí não apenas soube empregar elementos decorativos
para expressar a liturgia, como também para utilizá-los na estrutura
arquitetônica. Isto significa que, para expressar o simbolismo Cristão, ele serviu-
se tanto de elementos construtivos, quanto dos de acabamento.


Cripta
Esta planta subterrânea define a disposição do Abside da planta superior. Seu
interior foi construído por paredes robustas, arcos e colunas correspondentes a
uma zona acima do nível da terra, que suporta a estrutura superior.

Cobre a Cripta uma abóboda e, no ponto ao qual convergem os arcos maiores,


diante da imagem esculpida e policromada da Anunciação de Maria, obra do
escultor Joan Flotats.
Desde 1885, a Cripta vem sendo utilizada para vários ofícios. Possui um altar
central no qual se destaca um detalhe do escultor José Limona, e ao lado, a
Nossa Senhora Del Carme (que acolhe a sepultura de Gaudí), Jesus Cristo, a Mãe
de Deus de Montserrat e a do Santo Cristo, que contém a sepultura de José Maria
Bocabella, primeiro idealizador do templo.
O terreno da Cripta está circundado por um mosaico romano, obra de Marius
Maragliano, que representa as uvas e o trigo, símbolos mediterrâneos da
fertilidade, assim como o representam entre nós.


Fachada da Natividade
Este acesso lateral ao templo foi o primeiro construído e o único que Gaudí viu
terminado em vida. Orientada para o Leste (Oriente), frente ao nascimento do
Sol, expressando estar diante do nascimento da vida. Ela representa a parte
humana de Jesus, representando seu nascimento, infância e adolescência,
celebrando seu nascimento sob a forma de uma natureza exultante sobre uma
base gótica.
Por ela se acessa o Templo a partir de uma porta central e duas portas laterais
dedicadas à Fé, a Esperança e a Caridade, que são particularmente importantes
em analogia a Jesus, José e à Maria (ou Sabedoria, Força e Beleza). Em sua parte
mais alta se encontram quatro campanários dedicados aos apóstolos São Judas,
São Barnabé, São Simão e São Mateus.

8/20 setembro/2016
Gaudí, o Templo da Sagrada Família e a Maçonaria M∴ M∴ Octaviano Galvão Neto

Fachada da Glória
É a fachada principal do templo. Ela representa a situação do homem diante da
ordem geral da criação: sua origem, comportamento problemático, e caminhos
que deverá seguir vida afora. Da mesma forma que nas demais, nela incluíram-se
três acessos – um principal dedicado à Caridade e dois laterais dedicadas à
Esperança e à Fé – e uma galeria de entrada composta de sete colunas que
simbolizam os sete dons do Espírito Santo, representando as virtudes opostas
aos sete Pecados Capitais.

Esta fachada terá diversos elementos esculpidos e, em sua parte superior, como
cobertura do átrio, nuvens de pedra enfileiram-se através de quatro campanários
nas quais subsiste o Credo escrito em grandes caracteres. Os campanários serão
consagrados aos apóstolos Santo André, São Pedro, São Paulo e São Jaime.

A fachada da Glória está orientada ao meio-dia, para que o Sol a ilumine na


maior parte do dia, correspondendo o seu significado: à exaltação da vida e à sua
alegria espiritual.


Fachada da Paixão
É outra fachada construída seguindo o projeto original de Gaudí. Nela, o
arquiteto permitiu serem deixadas indicações para a parte decorativa, prevendo
que as demais gerações por vir, as fariam intervenções segundo a prática e os
gostos estéticos futuros, como é o caso da decoração escultórica de José Maria
Subirats e dos vitrais de Joan Vila-Grau. Note-se aqui o espírito humilde de
Gaudi, compartilhando sua tarefa com as gerações futuras.

A Fachada da Paixão está orientada a Oeste, representando os derradeiros raios


de Sol, a dor, o sacrifício e a morte de Jesus, com enfoques cenográficos nas doze
estações da Via Crucis, elaborados em conjuntos escultóricos de forte
dramatismo e intensidade emotiva. Tal disposição acentua o significado
simbólico da personalidade introvertida e melancólica que perseguia o arquiteto.

Repetindo outras fachadas, nela também se incluem três acessos dedicados à


Caridade, à Esperança e à Fé, e quatro campanários, dedicados aos apóstolos São
Jaime, o menor, a São Bartolomeu, a São Tomás e a São Felipe.


Abside
A Abside é um local bastante reservado, nos templos antigos é um recinto semi-
circular (exatamente como um Templo Maçônico deveria ser), onde ficavam
as estátuas dos deuses. Nas basílicas cristãs é a cabeceira da igreja, onde fica o
oratório reservado, atrás do altar-mor. Na ‘sagrada Família’ é consagrada à
Virgem Maria, pela qual Gaudí tinha uma devoção especial, estando construída
sobre a Cripta e seguindo sua forma de meia circunferência.

9/20 setembro/2016
Gaudí, o Templo da Sagrada Família e a Maçonaria M∴ M∴ Octaviano Galvão Neto

Entre seus muros se destacam sete capelas com esbeltos vitrais em arcos
pontiagudos recordando os de estilo gótico que Gaudí aperfeiçoou.
No exterior encontram-se diversas esculturas, dedicadas aos fundadores de
Ordens Religiosas, Santo Antonio Abade, São Benedito, Santa Escolástica, São
Bru, São Francisco, Santo Elias e Santa Clara.

Os frontões da Abside, de acabamento estilizado, terminam em pináculos e em


anagramas da mãe de Deus, de São José e de Cristo, acompanhados do Alfa e do
Ômega, recordando o princípio e o fim da vida. Em sua parte superior estão
representados diversos elementos naturais, com folhas de palmas, espigas de
milho e ervas silvestres que evocam os credos solares.


Claustro
O Claustro do Templo tem uma disposição completamente original na história da
arquitetura cristã, pois não forma o Átrio como nas basílicas latinas nem está às
costas da igreja como nos monastérios beneditinos e catedrais medievais.
O Claustro circunda o templo e é interrompido apenas pelas portas do Abside, de
modo que atua como um muro protetor que custodia o interior do templo e o
separa do ruído externo. Neste sentido, se pode dizer que Gaudí utiliza com
precisão o significado da palavra “claustro” significando “interceptar“.

Cada intersecção do Claustro possui uma fachada com uma porta ornamentada,
dedicada à uma evocação diferente à mãe de Deus. Em cada ponto onde o
Claustro faz uma esquina encontra-se três obeliscos. Cada um desses grupos
simboliza um ponto cardeal, uma virtude e uma Têmpora, um agradecimento que
a cada estação fazem os pobres em agradecimento pelos frutos da terra.


Capela e Sacristias
Na fachada do Abside se construiu a Capela da Assunção, dedicada à Assunção
da Virgem Maria, mãe de Jesus de Nazaré, especialmente venerada na Catalunha.

O projeto de Gaudí, inspirado em outro existente na Catedral de Girona, inclusive


a coroa dedicada à Virgem, os pilares que formam a estrutura, os cortinados que
deles pendem, e anjos representados no modelo original. Sua proposta apresenta
tais elementos em pedra seguindo sua linguagem pessoal, isto é, a de formas
geométricas parabólicas e figuras modernistas características.


Nau Central e Naus Laterais
O Templo da Sagrada Família possui uma planta basilical com cinco naus; a
central com um alcance de 45 m e as laterais com 29 m., suportadas por um
conjunto de colunas completamente novas na história da arquitetura.

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Gaudí, o Templo da Sagrada Família e a Maçonaria M∴ M∴ Octaviano Galvão Neto

Aos olhos do observador, o interior se apresenta como um conjunto de árvores


em belo alinhamento, das quais é possível ver-se a raiz, os galhos e folhas
abundantes. Neste bosque de colunas a iluminação existente será filtrada pelos
vitrais que lhes dará um aspecto bucólico, numa atmosfera de arbustos.

A cobertura da Nau Central, vista do interior, estará coroada por uma edícula que
suportará luminárias com anagramas da Sagrada Família. Cinco grandes escudos
parabólicos, postados lado a lado, respectivamente portando a palavra “Amém”, e
as sílabas “Al”, “le”, “lu” e “ia”. As grandes colunas que suportam a cobertura
também representam os apóstolos e as igrejas de todo o mundo, destacando-se as
de São Pedro e São Paulo encontradas na conjunção com a abside que une o Arco
Triunfal e o Calvário.

No exterior, as águas dos telhados se escoram em muros com as seguintes


alegorias e legendas: um frasco com a inscrição ‘mirra – sacrifício’, um incensório
com a inscrição ‘incenso – oração’ e um cofre com a inscrição ‘ouro – compaixão’.
Atrás, sobre os vitrais, estarão dispostas imagens dos santos fundadores de
Ordens Religiosas, com São João Bosco, Santa Joaquina Vedruna e São José Oriol.


Cibórios
Os Cibórios, segundo palavras de Gaudí, são a exaltação do Templo. As seis que
se constroem estarão agrupadas em um conjunto monumental e serão visíveis
desde o exterior, graças a grandes torres. O do centro estará dedicado a Jesus
Cristo e medirá 170 m de altura; os quatro à sua volta, dedicados aos
Evangelistas, terão 120 m; e o da Abside, dedicado à mãe de Deus, também 120 m
de altura. Este último será acabado pelos símbolos dos evangelistas – o
Tetramorfos (um anjo, um touro, um leão e uma águia) que, à noite, emite feixes
de luzes que iluminam o templo e o cibório central, dedicado a Jesus Cristo, que
está coroado por uma enorme cruz de 15 m de altura. Em suas bases se
destacam as letras ‘alfa’ e ‘ômega’ símbolos do início e do fim da vida e, na parte
alta de cada um, inscrições de cerâmica com as expressões “Amém” e “Aleluia”.


Campanários
O templo terá 18 campanários, alguns com sinos no interior. Os das fachadas
representam os 12 apóstolos e medem 112 m (os centrais) e 98 m (os laterais).
Em sua parte superior se lerá “Hosana” e “Excelsis” em cerâmicas coloridas.
Os campanários serão acabados por terminais de 25 m de altura, adornados por
mosaicos geométricos policromáticos de cores e formas surpreendentes. Neles,
Gaudí reuniu os símbolos episcopais: a mitra, o báculo, o anel e a cruz, para
indicar que foram os bispos que substituíram os apóstolos na tarefa de
proclamação da fé, pretendendo demonstrar o desejo servir de união entre a
Terra e o Céu de sua obra.

11/20 setembro/2016
Gaudí, o Templo da Sagrada Família e a Maçonaria M∴ M∴ Octaviano Galvão Neto

ESTADO PRESENTE DA OBRA


Só a partir do Congresso Eucarístico de 1952, quando o nacional-catolicismo do
Governo Franco decidiu explorar a imagem do Gaudí religioso e vítima do
Republicanismo, dito ateu, é que as obras da “Sagrada Família”, aos poucos, iriam
adquirir novo fôlego.
No momento atual, atingiu-se, pouco mais da metade de sua execução, face ao
projeto cuja finalização está previsto para 2025, não ocorrendo incidentes, pela
construção do Metrô de Barcelona que passa por sob as obras, por exemplo.

O empreendimento presente é o da ultimação da cobertura. A nave principal, com


uma área de 1.500 metros quadrados, será coberta por um conjunto de abóbadas
hiperbolóides, abertas nas extremidades para favorecer a passagem da luz do dia.
Todo o conjunto assentará sobre colunas oblíquas, como os ramos de uma árvore.
Tem-se, ainda, pela frente, a edificação da nave transversa, que suportará as
abóbadas das torres. Depois, a Abside que fechará a nave principal.
As colunas do cruzeiro estão a mais de 30 m. de altura, devendo chegar aos 60 m.

Das dezoito torres sineiras do complexo, oito (que estão entre as menores) estão
concluídas, faltando as restantes, que serão as mais laboriosas. Estas rendadas
torres-agulheiras, com seus sinos, mais parecem uma singular e sutil instrumentação
para músicos celestes, sugerindo e oferecendo uma poética sinfonia, um louvor e
uma exaltação criativa, em sua disposição e elevação aos céus…
Com denodada aversão à retilinearidade, a cantos e arestas, do mesmo modo, no
seu interior, as ogivas góticas - por sobre as rosáceas - são encurvadas, as arestas
esmaecidas. A impressão é indescritível; suave, acariciadora… e de integração, de
comunhão e de fusão.

Faltarão, ainda, as fachadas da “Paixão” e da “Glória”. Acrescidas à primeira, já


concluída, a da “Natividade”, simbolicamente consumarão os passos da trilogia
teológica, ou seja, as entradas da Fé, da Esperança e da Caridade.

Em cada uma delas figurarão as quatro torres dedicadas aos doze apóstolos. Além
daquela em louvor à Virgem, situar-se-á outra, sobre a Abside e na direção do
altar-mor e, sobre o cibório, ainda outra, erigida em louvor ao Cristo, rodeada das
quatro menores com o Tetramorfo (leão, touro, anjo e águia), simbolizando os
Evangelistas. E mais um sem fim de elementos orgânicos da Natureza, ainda
brotarão, emergindo da matéria.
Neste extraordinário Templo - obra de sua vida - Gaudí fez questão que cada
elemento fosse portador de uma tocante comunicabilidade simbólica. Deixou-nos
uma obra que fala e que vibra, numa “policromia dos sentidos” que nos exalta e
nos eleva, pela mão, até à quase intangibilidade da Procura . . . ou do Ser.

12/20 setembro/2016
Gaudí, o Templo da Sagrada Família e a Maçonaria M∴ M∴ Octaviano Galvão Neto

Gaudi e o Esoterismo
Que Gaudí era católico praticante e devoto não existe qualquer dúvida. Assim,
como muitos símbolos por ele utilizados. Entretanto, existem muitos outros
símbolos presentes em sua obra : o ‘X’, os pingentes, o compasso, os elementos
alquímicos, a serpente vertical, etc., que deixam o domínio da simbologia católica e
da explicação que lhes são estritamente atribuída.

Assim, é válido dizer que Gaudí experimentou uma visão autônoma no campo da
espiritualidade, situando-se não no seio da ortodoxia católica, mas numa prática
energizada pelo catolicismo.
É necessário observar que as construções de Gaudí são ricas em sinais e símbolos,
todas elas patrimônio de algumas sociedades herméticas. Todas as biografias de
Gaudí estão de acordo com que, no decorrer de sua juventude, o arquiteto de
interessou por idéias sociais avançadas de Fourier e Ruskin, e se fez presente nos
encontros dos movimentos sociais mais avançados da época.

Sua amizade com os anarquistas utópicos e com os anarquistas ligados a todos os


tipos de maçons, que se faz evidente em suas primeiras obras, nos permite a ilação
de que, talvez, Gaudí tenha entrado em contato com a energia de uma Loj∴ Maç∴.

Algumas biografias de Gaudí argumentam que ele teria sido iniciado maçom e que
algumas de suas obras, como a da "a Sagrada Família" e do "Parque Güell" fazem
referência a inúmeros símbolos de nossa Ordem.
O escritor Joseph Maria Carandell em sua obra «Parque Güell, utopia de Gaudí»,
observa inúmeros detalhes com evidente origem maçônica e rejeita o argumento
de “falta de provas, originárias de uma sociedade secreta”, provavelmente ligada à
Maçonaria inglesa. Mas, Carandell não está só, ao traçar um retrato de Gaudí não
exclusivamente e apenas de um católico: o primeiro a falar da Maçonaria de Gaudí
foi o escritor anarquista Joan Llarch, em seu livro “Gaudí, uma biografia mágica”
no qual chegou a cogitar que, se assim não fosse, Gaudi estaria sob influência de
alucinógenos ao criar as formas características de sua arquitetura.
Eduardo Cruz, outro de seus biógrafos, afirma que, com exceção dos Rosa-Cruzes,
muitos chegaram a insinuar que ele teria tendências panteístas e ateístas.

Os detratores destas teorias afirmam que um cristão como Gaudí não poderia de
forma alguma ser Maçom, pois a Maçonaria não se interessaria pelo que se
denomina “outra via da alma”, e crê que o homem não é nem o corpo morto, nem
a alma. De onde a contradição com a doutrina católica, que crê na transcendência
e na ressurreição da alma.

É verdade que à luz das contradições assinaladas, é possível observar-se Gaudi em


duas etapas distintas de sua vida.

13/20 setembro/2016
Gaudí, o Templo da Sagrada Família e a Maçonaria M∴ M∴ Octaviano Galvão Neto

Numa delas, o vemos em sua juventude, bem adaptado a um ambiente saturado


de membros de sociedades secretas e iniciáticas - cuja companhia ele jamais
abandonaria totalmente – como evidenciou sua amizade com o pintor uruguaio e
maçom neopitagórico Joaquim Torres García. Noutra, o vemos em sua maturidade,
de acentuado catolicismo, se interiorizando mais e mais e se transformando num
personagem místico, à margem de toda obediência, rito ou disciplina.


Um Olhar Esotérico
Gaudi mostrou-se um mestre na utilização dissimulada de símbolos esotéricos em
suas obras. Todos os livros ocultistas sobre Barcelona mostram que existem
símbolos para satisfazer a todas as linhas de pensamento: um pouco de alquimia,
um pouco de maçonaria, de hermetismo, outro tanto de fundamentalismo com
conexão a diversas seitas católicas, etc.


Localizando os sete monumentos principais de Gaudi no mapa de Barcelona,
veremos que eles formam a constelação da Ursa Maior. Coincidência?
Talvez, entretanto, na grade da porta de entrada da Finca Güell encontra-se o
famoso dragão a meio de sete círculos dispostos como a constelação.
Num olhar com viés esotérico ao Templo da Sagrada Família encontramos, na
Fachada da Paixão, por exemplo, alguns enigmas sem uma explicação clara:
- Esta fachada, que é a mais interior, a da dor e da morte, do calvário e da
crucificação e, portanto, aquela na qual se utilizaria mais elementos
componentes da ortodoxia cristã. Sobre ela foi esculpido um Cavaleiro
Templário. O que ele significa? Seria uma referência à Ordem dos Cavaleiros
do Templo ou à Ordem R∴ C∴?
- Entrando-se no templo, haveremos de passar por debaixo de dois triângulos
invertidos, que é um sinal esotérico, representando o Universo pelo fogo,
terra, água e ar, como apresentado pela iconografia alquímica.
- À esquerda do pórtico de entrada, encontra-se o Quadro Mágico de Durero,
que é um quadrado dividido em dezesseis células contendo cifras que,
somadas em qualquer direção, sempre resultam em ‘33’ que são: o número de
Céus no Livro dos Mortos egípcio, o número de voltas sequenciais do DNA e
de vértebras humanas, a idade de Cristo ao morrer, os Cânticos da Divina
Comédia, os graus do REAA da Maçonaria, os degraus da Escada de Jacó, etc...
- À direita da fachada acha-se esculpida uma escada que desemboca num
labirinto. Aqui existe um total de 21 degraus, os vinte e um arcanos maiores
do Tarô que, combinados, oferecem todos os aspectos possíveis da vida.
- E ainda, outra imagem esotérica evidente: trata-se de um homem que carrega
uma cruz, da qual só se vê a metade, pois que um dos braços está enterrado.
Esta imagem é interpretada como um claro símbolo maçônico: um Esquadro
de 45o.

14/20 setembro/2016
Gaudí, o Templo da Sagrada Família e a Maçonaria M∴ M∴ Octaviano Galvão Neto


Outros Símbolos
Entre outros inúmeros outros exemplos de simbolismo esotérico utilizado por
Gaudí relativos à Maçonaria, à Alquimia e ao Hermetismo, destacam-se:

A Fornalha de Fusão - O Athanor


Sobre a plataforma de entrada do Parque Güell, encontra-se uma estrutura de
forma trípode que, em seu interior, contém uma pedra não talhada, em estado
bruto. Este elemento é a estrutura básica de uma Fornalha de Fusão alquimista,
cópia de um modelo que aparece sobre um medalhão do portão principal da
Catedral de Notre-Dame de Paris.

Em essência, o Athanor, também conhecido como ‘O Forno Filosofal’, contém


um invólucro exterior composto de cimento ou de tijolos refratários. Seu
interior é cheio de cinzas que recobrem o «ovo filosofal», uma esfera de vidro
em cujo interior se encontra a matéria primeva ou a pedra em seu estado bruto.
Além de se constituir em uma técnica espiritual ou uma forma de misticismo, a
Alquimia baseia-se igualmente no trabalho sobre os minerais e sobre operações
físicas concretas, e se caracteriza pela equivalência ou paralelismo entre as
operações de laboratório e as experiências do alquimista sobre si próprio.

Enquanto o Athanor representa a reprodução dos corpos, o sopro corresponde


à alma, o mercúrio ao espírito, o sol ao coração e o fogo ao sangue.
São duas as etimologias para a palavra Athanor: ela deriva em parte do árabe
"attannûr" (fornalha) e parte do grego "thanatos" (morte), aquela precedida da
partícula "a", exprimindo o sentido de "sem morte", ou seja, vida eterna.

Os Três Graus de Perfeição da Matéria


A pedra bruta no interior do Athanor representa o Primeiro Grau de Perfeição
da matéria. O Segundo Grau é representado pela pedra talhada ou polida em
forma de um cubo, e o terceiro terminado em uma extremidade aguda, ou seja,
com uma pirâmide superposta.
Como sabemos, na Maçonaria Simbólica, estas três formas representam
igualmente aos três estágios que assumimos dentro da Loja: Aprendiz,
Companheiro e Mestre; seguindo o esquema dos graus tradicionais das
Confrarias de Artífices medievais.

Na Torre de Bellesguard, igualmente conhecida como Casa Figueras, Gaudí deu


vida a todo esse simbolismo. A estrutura do edifício, construída em pedras e
tijolos, se compõe de um cubo coroado por uma pirâmide truncada.
A Maçonaria diz que "cada homem deve talhar (polir) a sua pedra" que será ao
mesmo tempo a pedra angular do templo e da personalidade do Maçom.
O trabalho posterior de aperfeiçoamento consistirá da superposição de uma
pirâmide sobre este cubo.

15/20 setembro/2016
Gaudí, o Templo da Sagrada Família e a Maçonaria M∴ M∴ Octaviano Galvão Neto


A Cruz orientada em seis direções
Este elemento se encontra na maioria das construções de Gaudí se assemelha a
um tipo de obsessão. É a representação de um princípio enraizado nas crenças
que mais ocorrem, e formalmente, no campo da Igreja Católica Romana.

Gaudí utilizou duas técnicas para realizar a cruzes orientadas em seis direções:
- Encontramos a primeira no Convento das Teresianas que é, igualmente, um
desenvolvimento evidente da pedra cúbica; de cuja projeção ela procede.
- Em “Turú de las Menas”, se observa as seis direções do espaço
decompostas, duas a duas, graças a duas cruzes, uma no eixo Leste - Oeste,
e outra no eixo Norte - Sul.
- No “Parque Güell”, encontram-se três cruzes que não são outras que duas
letras ‘Tau’ gregas, cada qual presa a um cubo superposto por sua pirâmide.
Elas indicam as direções Norte – Sul e Leste – Oeste e, entrelaçadas, nos
indicam os quatro pontos cardeais. A terceira cruz, na verdade, é uma seta
que indica uma direção ascendente.
A Cruz de Tau, ou simplesmente o Tau, que é uma cruz sem cabeça em
forma de ‘T’ invertido, é um símbolo de origem ancestral(2), uma das mais
antigas representações da cruz, e simboliza o direcionamento da mente para
o bem através da luz, da verdade, da palavra, do poder, e da força. A Cruz de
Tau simboliza também o tempo e a eternidade.
A Cruz de Tau se forma a partir da convergência de uma linha vertical e
outra horizontal, simbolizando o encontro entre o divino e o humano.
No seio da Maçonaria, o ‘Tau’ tem um simbolismo especial. Ele representa,
de um lado, a Mathusael, filho de Caïn que criou este símbolo a fim de
reencontrar seus descendentes. De outra parte, ele será o sinal de
reconhecimento realizado pelo oficiante, com a mão direita, na Cerimônia
de Acesso ao Grau de Mestre. Na Maçonaria Inglesa, o Tau é tão altamente
estimado, que, além de estar presente no avental de um Mestre Instalado, a
ele se referem como “emblema de todos os emblemas” e o “Emblema da
Maçonaria do Real Arco”.

O ‘X’
Este símbolo encontra-se na Cripta da Colônia Güell, onde está presente por
três vezes, igualmente sobre o portal da Natividade da ‘Sagrada Familia’, na
cruz que coroa a Árvore da Vida sobre a qual se encontra um grande ‘X’.
Na simbologia da Maçonaria o ‘X’ tem uma grande importância na geometria
sagrada, pois este símbolo é obtido sobre a base de um hexágono regular ,
formando o perímetro interior de dois triângulos eqüiláteros, os quais definem
a Estrela de David, que será a notação alquímica dos quatro elementos básicos.

(2) O ‘Tau’ é encontrado, p. e., entalhado em monumentos megalíticos na Ilhas Baleares.

16/20 setembro/2016
Gaudí, o Templo da Sagrada Família e a Maçonaria M∴ M∴ Octaviano Galvão Neto

O hexágono é uma forma muito recorrente da obra de Gaudí, de cuja forma é


possível se extrair um cubo volumétrico divisível em três losangos.

É importante assinalar que o ‘X’ é a notação alquímica para o cadinho (crisol),


um instrumento absolutamente necessário a esta obra. E, por fim, ele também é
tradicionalmente ligado ao apóstolo André, irmão do apóstolo Pedro, que teria
sido crucificado numa cruz com esta forma.

O Pelicano
Encontramos este animal, símbolo do Cristo, no Museu da Sagrada Família,
destinado à Fachada da Natividade. O pelicano é a representação da Morte e
da Ressurreição, pois se diz que ele encerra um amor tão forte por seus filhos
que, percebendo a presença da fome neles, não hesita em abrir seu próprio
ventre para alimentá-los, se sentir que é necessário.

O Grau 18 da Maçonaria, denominado Grau Rosa-Cruz, tem por símbolo o


pelicano abrindo o ventre, rodeado por seus filhotes; sobre a testa acha-se uma
cruz com uma rosa em pedaços e a legenda I.N.R.I. - Ignea Natura Renovatur
Integra – ou ‘o fogo renova toda a natureza’.

O pelicano representa a centelha divina latente que se aninha no seio do


homem. Seu sangue é o veículo da vida e da ressurreição e sua cor é o branco,
simbolizando a passagem da primeira fase da obra alquímica.
A terceira fase se supõe passar através da experiência do vermelho, que toma
forma pela explosão de uma grande rosa vermelha no centro de seu peito.

A Salamandra e as Chamas
O círculo encontrado sobre o degrau de entrada do Parque Güell inicialmente
recebeu uma interpretação patriótico-nacionalista, mas não existe razão alguma
para que Gaudí fizesse uma demonstração pública de qualquer coisa que fosse
secundária na hierarquia de suas aspirações e convicções.

Assim, convém proceder a uma interpretação hermética do simbolismo deste


animal mitológico, interpretação única integrante da totalidade do ser: uma
cabeça de serpente no centro de um grande disco, circundada de chamas, e
estas de água.
Conhecidos como "os filósofos pelo fogo", os Herméticos têm como base de
sua obra a ordenação do caos. Como na aurora dos tempos, a destruição e o
mal, ambos obras da serpente, espalhavam-se pelo mundo. Para ordenar o
caos era necessário queimá-la.
Assim, o círculo simboliza o caos, a auriflama é a chama que contém o sopro da
vida, a serpente é o espírito da instabilidade.

17/20 setembro/2016
Gaudí, o Templo da Sagrada Família e a Maçonaria M∴ M∴ Octaviano Galvão Neto


O Lagarto
Este animal descende de Athanor, como o disco acima referido e que é visto
como uma salamandra, um iguana, quase um crocodilo, mas sem a sua
característica mais importante que é a sua sinuosidade.
Ele decorre de uma imagem estética que sugere uma impressão de movimento
especialmente denunciada, uma representação do espírito original (Mercúrio),
uma reiteração das funções do Athanor, ou seja, operar a separação, decantar
as partes fixas do mineral das partes voláteis (lembra os passos dos CComp∴).

Nos degraus do Parque Güell os lagartos se oferecem a nós como um paradigma


hermético que contém todos os princípios da obra, e é por ela própria que
numerosos textos alquímicos insistem no fato que toda a obra foi realizada
através do espírito.

A Árvore Seca e a Árvore da Vida


O amor de Gaudí pela natureza está sempre presente em toda a sua obra, rica
de imagens ligadas à agricultura e ao reino vegetal.

A Árvore Seca representa os símbolos dos metais reduzidos de seus minerais e


fundidos; a temperatura da fornalha a faz perder a vida e, portanto, é necessário
vivificá-las. Nela sempre existe uma centelha de vida que sugere a ressurreição
possível; isto porque é sempre possível constatar que ela possui algumas folhas
indicando a possibilidade do ‘verde’ novamente.
Numerosas no Parque Güell, esta imagem é utilizada por Gaudí em suas obras
maiores, e representa uma natureza vegetal petrificada que mantém, no
entanto, uma expectativa de vida.
Na verdade, como seu nome indica, é uma árvore imortal, o símbolo da vida
eterna, cuja representação iconográfica mais reiterada é o Cipreste.
Acha-se colocada, também, no centro do Portal da Natividade circundada por
pombas brancas que simbolizam os espíritos renovados que se elevam aos céus.


O Dragão Igneo e o Labirinto
A imagem do Dragão também é uma constante na obra de Gaudí. Ela se
relaciona certamente a uma imagem associada a Jorge da Capadócia, que
também é padroeiro da Catalunia. Diferentemente de outros arquitetos
modernistas, Gaudí o representa sempre de modo solitário.
O Dragão sobre a grade dos Pavilhões Güell é inspirado na "Atlântida" de
Verdaguer; ele provém de um dragão acorrentado que guarda o aceso aos
Jardins das Hespérides (Jardim dos Imortais guardados elas ninfas).

O dragão está ligado ao simbolismo da serpente, que provém de uma serpente


que lança chamas pela boca ou pelas narinas.

18/20 setembro/2016
Gaudí, o Templo da Sagrada Família e a Maçonaria M∴ M∴ Octaviano Galvão Neto

Os Rosa-cruzes introduziram imagens de cavaleiros espetando suas lanças em


dragões furiosos, à imagem de “São Jorge”, o padroeiro da Catalunia.
Analisando as características místicas deste animal, seu ardor ígneo aparece
como a representação de nossos instintos de mais difícil controle.

Vencer esta força (nossas paixões), dominar o espírito (submeter a


nossa vontade), supõe a possibilidade de se penetrar na essência do Ser.

Legado para a posteridade

Algumas obras não são simplesmente criadoras de um estilo, mas libertadoras.


Com a sua, Antoni Gaudí livrou a humanidade da monotonia dos imitadores, dos
sem-idéias que obstruíam o horizonte.
Com o Templo Expiatório da Sagrada Família, em especial, ele passou a ocupar
uma posição sui generis no cenário arquitetônico da primeira modernidade, pela
síntese poderosamente cerebral e emocional e, ao mesmo tempo, equilibrada e
visionária que exala de sua obra.

Num estilo inimitável e inclassificável estão condensadas, retrabalhadas e


intensificadas muitas questões de fundo e de forma levantadas e experimentadas a
partir de meados do século XIX, na busca da imagem e da representatividade
necessárias ao tradicional programa do templo cristão no dessacralizado século XX.
Suas incrustações orgânicas, os azulejos policromados, os bonecos de cacos de
cerâmica, os ferros retorcidos e as paisagens de pesadelo são um sistema de
geometria sagrada cujas origens remontam ao ‘ad triangulum’ medieval da
Catedral de Milão e aos esquemas proporcionais de Vitruvius.
Sua abordagem inédita prima pelo fervor religioso e pelo furor místico, na
definição de uma linguagem ao mesmo tempo pessoal e tradicional.
Fortemente ligada à geometria esotérica, assim como pela justeza entre símbolo e
estrutura, sintetiza experiências e aponta caminhos paradigmáticos à posteridade,
que terminaram por exercer enorme influência nas gerações posteriores de
arquitetos de todo o mundo, entre os quais se destacou, de forma excepcional, o
nosso Oscar Niemeyer, reconhecido mestre nas linhas curvas, que, aliás, era ateu.
RELEMBREMOS: “A linha reta é do homem, a curva pertence a Deus…”

19/20 setembro/2016
Gaudí, o Templo da Sagrada Família e a Maçonaria M∴ M∴ Octaviano Galvão Neto

Referências Bibliográficas:
– “Geometria Sagrada”; de Nigel Pennick, Editora Pensamento, São Paulo, 1980.
– “Gaudí - Su Vida, su Teoría, su Obra”; de Cesar Martinell, COACB, Barcelona, 1967.
– “El Modernismo en España; de Mireia Freixa, Editorial Cátedra, Madrid, 1986.
– “Gaudí e a Síntese Naturalista do Sagrado”; de Fábio Miller.
– “La Clau Gaudí - Els Secrets d’un Temple” ; de Esteban Martín e Andreu Carranza (Catalão).
– “Cuadernos de Arte España″; de Angel Urrutia Natilde – vol. 4º. “Historia Viva”, Madrid, 1991.
– “A Linha Reta é do Homem, a Curva Pertence a Deus”; Isabel Nunes Governo, Centro Lusitano de
Unificação Cultural, 2004.
– “Gaudí et la Franc-Maçonnerie”, La Vanguardia Numérique, Paris, 2008.
– Site oficial da Fundação da Junta Construtora do Templo da Sagrada Família,
http://www.sagradafamilia.cat
– Antoni Gaudi – God’s Architect , http://www.youtube.com/watch?v=FHXGKROfjuw&feature=related .
– Diversos outros sites na Internet.

20/20 setembro/2016