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Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de São José do Rio Pardo

Instituto Superior de Educação Euclides da Cunha – Portaria: CEE/GP 147/2004


Reconhecida pelo Decreto Federal nº. 68.308 de 02/03/71
Recredenciada pela Portaria CEE-SP/GP 595 de 25/11/2008
ISEEC - Credenciado pela Portaria CEE-SP/GP 147/04 de 15/09/2004
Autarquia Municipal

GRAZIELLE DA SILVA FEIJO

GÊNERO E A ESCOLA:
DESAFIOS PARA IGUALDADE DE DIREITOS A UMA EDUCAÇÃO
DE QUALIDADE

Artigo apresentado à Faculdade de Filosofia


Ciências e Letras de São José do Rio Pardo,
como requisito parcial para obtenção do título
de Licenciada em História.

Orientadora: Profa. Ms. Benedita Luiza da Silva Lourencini

São José do Rio Pardo, SP


2018
Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de São José do Rio Pardo
Instituto Superior de Educação Euclides da Cunha – Portaria: CEE/GP 147/2004
Reconhecida pelo Decreto Federal nº. 68.308 de 02/03/71
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GÊNERO E A ESCOLA:
DESAFIOS PARA IGUALDADE DE DIREITOS A UMA EDUCAÇÃO DE
QUALIDADE
GENDER AND SCHOOL:
CHALLENGES FOR EQUAL RIGHTS TO A QUALITY EDUCATION

Grazielle da Silva Feijo – graziellefeijo@outlook.com


Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de São José do Rio Pardo – História
Profa. Ms. Benedita Luiza da Silva Lourencini – luizawilllourencini@hotmail.com

Resumo:
Nos últimos anos a discussão acerca do gênero vem crescendo consideravelmente, e com isso
os papéis atribuídos a homens e mulheres vêm se modificando, contudo, a escola ainda não se
adaptou e vem acompanhando lentamente essas mudanças, fazendo com que ainda haja
misoginia e preconceitos. O objetivo deste trabalho é abordar as relações entre gêneros dentro
da escola, compreendendo sua definição, suas diversificações e manifestações sexuais,
fazendo um breve histórico da educação nacional e concluindo com a interligação dos dois
conceitos, analisando políticas publicas de inclusão e a forma como o ambiente escolar
interfere na construção de caráter e de uma sociedade justa e igualitária. Foi realizada uma
revisão bibliográfica contextualizando as desigualdades que já existem, as diversas visões
sobre o tema, analisando pesquisas e estatísticas, a fim de inferir que apesar de mudanças
consideráveis na realidade brasileira, mulheres e LGBTS ainda não têm o mesmo acesso e
aproveitamento da educação quanto os homens.

Palavras-chave: gênero; mulheres; LGBT; escola; educação.

Abstract:
In recent years the discussion about gender has been growing considerably and the roles
attributed to men and women have been changing. However, society has not yet adapted to
these changes and has been slowly following them, resulting in misogyny and prejudice. The
objective of this thesis is to discuss the relations between genders within the school, including
their definition, diversification and sexual manifestations, making a brief history of the
national education and leading to the interconnection of the two concepts, analyzing inclusion
public policies and the interference of the school environment on the construction of character
and of a just and equalitarian society. It was carried out a bibliographical review to
contextualize the existing inequality, the different views on the subject and to analyze
researches and statistics in order to infer that, despite considerable changes in the Brazilian
reality, women and LGBTs still do not have the access and use of education that men do.

Keywords: gender; women; LGBT; school; education.


Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de São José do Rio Pardo
Instituto Superior de Educação Euclides da Cunha – Portaria: CEE/GP 147/2004
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1. GÊNERO COMO OBJETO DE CONSTRUÇÃO SOCIAL

A ideia de que ainda existe um tipo de sexismo nas instituições de ensino é rechaçada
na maioria das vezes, mas é muito comum ouvir que os meninos são mais bagunceiros e
agitados, em contrapartida há uma ideia de que as meninas são organizadas, há quem diga que
algumas brincadeiras são mais apropriadas para meninos e outras para meninas, ações comuns
assim escondem preconceitos inconscientes, propagando ideias que formarão personalidades,
o que faz com que a atenção seja redobrada ao instruir as crianças.
Essa situação vai refletir no desenvolvimento educacional, pois essas atitudes podem
abalar a confiança da criança e adolescente, qualquer ação excludente afeta diretamente na
forma como a criança vai se desenvolver, pensar e estabelecer como cidadão. É controverso
que as meninas nasceram para serem dóceis e gentis, mães, esposas, verdadeiras submissas, e
os homens para serem fortes, o meio de sustento da família e dominadores. Essa questão vai
de encontro ao debate de gênero e sexo biológico, onde, segundo o dicionário de
BRUSCHINE (1997):
“gênero
SN Princípio que transforma as diferenças biológicas entre os sexos em
desigualdades sociais estruturando a sociedade sobre a assimetria das relações entre
homens e mulheres. Usar “gênero” para todas as referências de ordem social ou
cultural, e “sexo” para aquelas de ordem biológica.
SG Ciências Sociais e Cultural, História e Mudança Social
RT construção social da realidade, divisão sexual do trabalho, estudos de gênero,
classe e raça, estrutura social, ideologia de gênero, organização social, relações de
gênero, sexo, socialização.”
Bruschini,1997

Sendo assim, vemos uma diferenciação clara dos dois conceitos, sendo o primeiro o
sexo como algo biológico, baseado nos cromossomos e na genitália de nascença, onde se
recebe o título de sexo feminino ou masculino e o segundo o gênero tratando as construções
sociais, atribuindo um papel a cada um desses sexos, influenciando cultura, trabalho,
comportamento, o emocional e físico do que é considerado certo ou errado, um exemplo deste
conceito é a celebre frase de Simone de Beauvoir: “Ninguém nasce mulher: torna-se mulher”.
Quando o gênero deixa de ser uma característica biológica para se tornar um elemento de
construção social, torna-se obrigação da educação a incluir em suas discussões e no cotidiano
escolar. (Scott, 2002)
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O objetivo deste artigo é analisar as relações de gênero na escola e as políticas


públicas que a conduzem, identificando o posicionamento da educação e promover a abertura
de diálogo na sociedade acerca deste tema. A metodologia utilizada para esta pesquisa foi
revisão bibliográfica de livros, periódicos acadêmicos publicados no SCIELO, teses de
doutorados e leis no âmbito educacional referente à questão de gênero e a participação de
políticas públicas neste processo.

2. GÊNERO NAS POLÍTICAS PÚBLICAS NA EDUCAÇÃO BRASILEIRA

A educação nacional, assim como tudo em âmbito federal, estadual e municipal se


constrói a partir de sua legislação e das diretrizes curriculares, sendo a partir delas formadas
políticas públicas que chegam até a escola e aluno, são através delas que podemos entender
qual a missão das escolas, seus objetivos e o caminho para eles serem atingidos, são escritos
em grupos, por audiências públicas e/ou por meio de especialistas, com base em uma ou mais
teorias pedagógicas, todos com o mesmo objeto, o aprendizado da criança e adolescente.
O artigo 5º da Carta Magna garante os direitos essenciais à existência, entre estes está
à igualdade de direitos e deveres entre homens e mulheres, que ideologicamente deveria
acabar com toda a desigualdade e guiar todas as outras leis e diretrizes.

“Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se
aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à
vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:
I - homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos termos desta
Constituição;”
CONSTITUIÇÃO FEDERAL, 1988.

O artigo supracitado fundamenta as principais políticas educacionais no Brasil, seja da


perspectiva do gênero ou não, é o contexto no qual foram negociadas e elaboradas até o
momento, pois estabelece a igualdade de direitos e deveres perante lei, indeferindo gênero,
raça, religião ou orientação sexual.
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A partir dos anos 80 as mulheres começaram a lutar por vários motivos, igualdade
salarial, por exemplo, e nos anos 90 a educação tornou-se protagonista nessa luta, entende-se
que só a partir dela os outros direitos poderiam ser conquistados, essa ótica de gênero, nesse
momento histórico, vêm ao encontro às mudanças que já aconteciam naquele momento na
educação.
A educação nacional passou por diversas transformações, juntamente com o panorama
político, contudo transformações ativas só tiveram início com a aprovação da nova Lei de
Diretrizes e Bases da Educação em 1996, dando importância necessária a um ambiente em
que a educação não deveria ser mais seletiva, em uma busca pela redemocratização por
completo e pela igualdade de direitos, e isso deveria partir da educação, contudo, até esse
momento ainda não havia nada específico sobre a questão de gênero, apesar da educação não
ser mais dividida entre homens e mulheres, o costume ainda fazia uma pré-seleção natural,
colocando a mulher em posição submissa.
Após a LDB, em 1997, o Ministério da Educação publicou os Parâmetros Curriculares
Nacionais (PCN) que, um guia organizado por disciplinas e por ciclos, trazia em um de seus
temas transversais “Orientação sexual”, sendo dividida em 3 eixos - Corpo Humano, Relações
de Gênero e Prevenção às Doenças Sexualmente Transmissíveis/AIDS – buscando a equidade
de direitos entre os gêneros, a partir de debates em todas as disciplinas.

“A abordagem do corpo como matriz da sexualidade tem como objetivo propiciar


aos alunos conhecimento e respeito ao próprio corpo e noções sobre os cuidados que
necessitam dos serviços de saúde. A discussão sobre gênero propicia o
questionamento de papéis rigidamente estabelecidos a homens e mulheres na
sociedade, a valorização de cada um e a flexibilização desses papéis. O trabalho de
prevenção às doenças sexualmente transmissíveis/AIDS possibilita oferecer
informações científicas e atualizadas sobre as formas de prevenção das doenças.”
PCN, p. 28

Junto ao PCN, em 2004 também foi lançado o “Brasil sem Homofobia”, investindo na
formação de professores no tema, para que desenvolvam uma prática pedagógica em torno da
valorização da diversidade, contudo a Frente Evangélica no congresso nacional barrou a
distribuição desse material. Que continha diversos vídeos que buscavam as discussões acerca
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de homossexualidade, bissexualidade e transexualidade, categorias que compreendem uma


boa parcela dos alunos, promovendo igualdade, respeito e tolerância às diferenças.
Outro projeto de cursos para professores como meio de discussão do assunto foi
Gênero e Diversidade na Escola, que buscava também a formação continuada para fortalecer
a luta por igualdade e contra os preconceitos. A importância de debater esses assuntos em
espaços de formação de professores e profissionais da educação é de extrema importância,
apenas incluindo esses debates pode-se erradicar a desigualdade, o preconceito, e uma
educação de justiça social.

“Entretanto, longe de nos desestimular, a realidade nos encorajar a dar este


importante passo, para que um dia seja possível afirmar que, assim como nosso país,
a escola brasileira é uma escola de todos/as. Estamos certos/as de que incorporar o
debate de Gênero e Diversidade na formação de professores/as que trabalham com
crianças e jovens é o caminho mais consistente e promissor para um mundo sem
intolerância, mais plural e democrático. Formar educadores/as é apenas o primeiro
passo.”
GÊNERO E DIVERSIDADE NA ESCOLA, 2009, p.10

Nos últimos anos, foi discutida a construção da nova Base Nacional Comum
Curricular, sendo ela a base para o ensino em toda rede e norteando os seus currículos, foram
debatidas três versões do documento:
 Setembro de 2015: três meses de consulta pública, que coletou mais de 12
milhões de contribuições.
 Maio de 2016: rodou todos os estados em seminários organizados pelo Consed
e pela Undime. Participaram mais de 9 mil educadores, gestores e alunos que
deram contribuições para o texto.
 Abril de 2017 e passou por cinco audiências públicas, uma em cada região do
país.

Nesta última versão apresentada estabelecia como um dos objetos de conhecimento


“corpo, gênero e sexualidade nas tradições religiosas” e definia que as escolas deveriam
“discutir as distintas concepções de gênero e sexualidade segundo diferentes tradições
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religiosas e filosofias de vida”, contudo, houve uma série de críticas e discussões, muitas
delas alegando que o tema não deveria ser tratado na escola, e com isso tanto esse objeto de
conhecimento quanto em todo o texto foram retirados às palavras “orientação sexual”,
“gênero”. Como devolutiva a este tema o MEC comprometeu-se a divulgar uma cartilha
especifica para tratar desse tema. A principal crítica veio da Frente Evangélica, segundo um
parecer escrito pelo Deputado Flávio Augusto da Silva (PSC) diz que: “A educação não
desenvolverá políticas de ensino, nem adotará currículo escolar, disciplinas obrigatórias, nem
mesmo de forma complementar ou facultativa, que tendam a aplicar a ideologia de gênero, o
termo gênero ou orientação sexual”, proibindo assim qualquer tipo de discussão sobre o
assunto.
O que muito se confunde dentro dessas discussões sobre gênero na escola é o
argumento de que isto seria uma “ideologia de gênero”, que discutir este assunto com os
alunos e compreender a normalidade de qualquer que seja a diferença, vá incentivar os
adolescentes a se tornarem homossexuais, por exemplo.

A defesa por um modelo de educação baseado na convivência e na pluralidade não


implica a imposição de padrões de vida a crianças e adolescentes, tampouco violam
direitos fundamentais desses sujeitos. Ao contrário, tal defesa se inspira exatamente
na salvaguarda e na promoção de direitos fundamentais previstos no ordenamento
jurídico, tendo em vista direcionar-se à construção de um ambiente escolar, como
também extraescolar, fundamentado no respeito e na dignidade de toda e qualquer
pessoa humana.
COSTA, ARAUJO, KIRCHHOFF, 2017.

As discussões sempre se encontram barradas no mesmo ponto, o congresso nacional,


por via da Frente Evangélica, que impede as referidas discussões por as considerarem uma
ameaça à “família tradicional”. Em resposta a todos os projetos desenvolvidos a favor do
diálogo sobre gênero, foi criado um projeto a ser implantada em âmbito municipal, estadual e
federal chamado “Escola sem Partido”. Neste projeto é defendida uma política de
funcionamento da escola de total controle dos pais, defendem liberdade, contudo, tiram a
liberdade dos professores e profissionais da educação. Seu carro chefe é o gênero, onde
pretendem proibir e até criminalizar qualquer tentativa do professor e/ou da escola de tentar
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discutir essa temática. Segundo o Portal Aprendiz, em uma entrevista com a educadora Maria
de Fátima Zanin, ela diz acreditar que esse tema estava avançando mais na sociedade:

“Quando eu comecei, não se podia nem falar em divisão das tarefas domésticas de
casa sem gerar protestos dos meninos. Discutir gênero é mostrar que pode existir
igualdade e respeito na sociedade e na escola. E a gente perde muito tirando isso da
escola, que é o lugar onde se formam diversas relações sociais.”
ZANIN, 2015

Apesar das discussões sobre gênero estar crescendo, a falácia de que existe uma
ideologia de gênero também está, e isto implica em colocar o gênero como algo ideológico e
inadequado aos ambientes escolares, entretanto o processo histórico de gênero comprova sua
realidade e a sua conduta, sua construção social e consequência, refletir isso em sala de aula é
mais que uma escolha ou decisão, é indispensável.
Esta breve análise da condição de gênero dentro da escola, indica que estamos sim
vivendo em tempo de mudanças, que muitos direitos já foram conquistados e que a vida das
mulheres e dos LGBTs está muito mais fácil, principalmente no quesito educação, já que vêm
conquistando um espaço ainda sem precedentes.
Contudo, a luta continua a mesma, ainda há uma influência muito grande da religião
no processo educacional, a falta de diálogo acerca da orientação sexual e da desigualdade de
gênero ainda gera bullying, evasão escolar, suicídios e estupros. Segundo uma pesquisa
realizada pela Universidade de Columbia nos Estados Unidos, a chance de um adolescente
homossexual cometer suicídio é cinco vezes maior que de um adolescente heterossexual, e
também indica que lugares que estão abertos ao diálogo e que acolhem esses jovens
diminuem as chances em 25%. Outro dado alarmante é que segundo levantamento feio pelo
EXTRA no ano de 2016 ao primeiro semestre de 2017, com base em microdados do Instituto
de Segurança Pública (ISP) obtidos via Lei de Acesso à Informação, há um caso de estupro
em escola a cada 5 dias, sendo 85% meninas, em sua maioria negras e pardas, no estado do
Rio de Janeiro.
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Para os transexuais é ainda mais difícil, um estudo realizado pela Secretaria de


Educação da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transexuais (ABLGBT),
divulgado em 2016, mostra que 73% dos estudantes que não se declaram homossexuais no
Brasil já foram agredidos verbalmente na escola, ocorrendo agressões físicas em 1 a cada 4, e
uma pesquisa conduzida pelo defensor público João Paulo Carvalho Dias, presidente da
Comissão de Diversidade Sexual da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), estima que o
país concentre 82% de evasão escolar de travestis e transexuais, uma situação que aumenta a
vulnerabilidade dessa população e favorece os altos índices de violência sofridas por ela.

3. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Concluímos que apenas uma escola inclusiva, acolhedora e que promova justiça social
pode mudar essa realidade que agride tanto essas minorias. Apenas uma formação de
qualidade e continuada para docentes, que use essa temática de gênero em uma perspectiva de
equidade, reconhecendo ambos os gêneros e orientações sexuais e não criando barreiras para
o desenvolvimento individual, pode formar alunos responsáveis, participativos, críticos, livres
de qualquer estereótipo ou preconceito, construindo assim uma sociedade justa e igualitária
para todos.
As crenças religiosas não podem mais interferir na visão que o docente e a escola têm
do aluno, o MEC se comprometeu a divulgar uma cartilha complementar ao estudo de gênero
na escola, que a Frente Evangélica ou a Escola sem Partido não interfiram na escola
democrática e participativa, uma escola para todos que respeita as diferenças e promove a
igualdade de direitos e incentivos, para que esta cartilha possa atingir de forma efetiva a
realidade escolar.
E para isso precisamos de mais políticas públicas, de ações governamentais que
mostrem que a questão de gênero não é uma luta apenas dos movimentos sociais, como
feminista e LGBT, mas sim uma luta de todos. Que a desigualdade não impeça ninguém de
ter uma vida digna, que garotos possam expressar o que sentem e estudar sem ter a pressão de
que é obrigação dele ajudar nas despesas da casa, que as garotas sejam vistas como
profissionais, não só como mães e donas de casa, que o incentivo ao seu futuro seja tão claro e
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forte quanto a dos garotos, que o adolescente LGBT veja na escola um lugar para poder
conversar sobre sua identidade de gênero ou orientação sexual sem medo do preconceito e da
humilhação. A escola é o único meio de mudança, é por meio dela que se formam cidadãos,
então depende dela refletir todos os assuntos com os alunos, desde os disciplinares aos que
atingem diretamente a sociedade atual.

4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BRUSCHINI, Cristina. Tesauro para estudos de gênero e sobre mulheres / Cristina


Bruschini, Danielle Ardaillon, Sandra G. Unbehaum. — São Paulo: Fundação Carlos Chagas /
Ed. 34, 1998. 304 p.
SCOTT, Joan. Gênero: uma categoria útil de análise histórica/ Tradução de Guacira Lopes
Louro. Educação & Realidade, v.lS, n.2, jul./dez. 1990.
. CONSTITUIÇÃO FEDERAL. Disponível em: <
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm>. Acesso em 12 jun 2018.

BRASIL. PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS: apresentação dos temas


transversais: ética/Ministério da Educação. Secretaria da Educação Fundamental. 3. Ed.
Brasília: A Secretaria, 2001. Disponível em:
<http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/livro081.pdf>. Acesso em: 13 jun 2018.

BRASIL. Escola sem Homofobia. Disponível em: <


http://www.acaoeducativa.org.br/fdh/wp-content/uploads/2015/11/kit-gay-escola-sem-
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BRASIL. Curso Gênero e Diversidade na Escola (GDE). Secretária Nacional de Políticas


para Mulheres. Disponível em: < http://www.spm.gov.br/sobre/a-secretaria/subsecretaria-de-
articulacao-institucional-e-acoes-tematicas/coordenacao-geral-de-programas-e-acoes-de-
educacao/genero-e-diversidade-na-escola/curso-genero-e-diversidade-na-escola-gde>. Acesso
em: 13 jun 2018.

BRASIL. Base Nacional Comum Curricular. Ministério da Educação. Disponível em:


< http://basenacionalcomum.mec.gov.br/abase/>. Acesso em: 13 jun 2018.

COSTA, C; ARAUJO, D; KIRCHHOFF, R. Identidade de gênero nas escolas: debater e


discutir não é o mesmo que induzir. Gazeta do Povo. Disponível em: <
https://www.gazetadopovo.com.br/opiniao/artigos/identidade-de-genero-nas-escolasdebater-
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SOARES, Rafael. A cada cinco dias, uma criança é estuprada dentro da escola, no Rio.
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SANDANA, Paulo. 73% dos jovens LGBT dizem ter sido agredidos na escola, mostra
pesquisa. Folha de São Paulo: Educação. Disponível em:
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CUNHA, T; HANNA, W. Discriminação rouba de transexuais o direito ao estudo. Correio


Braziliense. Disponível em: < http://especiais.correiobraziliense.com.br/violencia-e-
discriminacao-roubam-de-transexuais-o-direito-ao-estudo>. Acesso em 13 jun. 2018