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Atividade de Avaliação Parcial – Direito Internacional Público II

Professor Dr. Wagner Menezes


Antônio Augusto de Andrade Abreu NUSP 7610726
Gabriel da Silva Borba 8999207
Pedro Ferreira Cruz 9841572
Rafaella Teles da Cunha 9841300
Raiza Satomi Tamashiro Ikeda 9876928
Tatiana Ye Ni Choi 8911460
Grupo 3 – Turma 189-24

Na proposição da presente atividade, fomos apresentados a um caso hipotético


no qual um grupo terrorista realiza uma diversidade de atos que atentam
principalmente contra a dignidade da pessoa humana, infringindo uma série de
dispositivos presentes tanto na legislação Brasileira quanto na legislação internacional.

Não obstante, nos deparamos, também, com a omissão do Estado Brasileiro


em impedir tais atos, bem como com ação internacional de diversos Estados para
neutralizar e impedir o grupo de continuar a praticar atos terroristas. O caso hipotético
proposto trouxe uma diversidade de temas de Direito Internacional ao debate como,
por exemplo o Direito Internacional Penal que vem à tona nos atos terroristas do grupo
Guerreiros do Botocoboran, Direito Internacional do Meio Ambiente que pode ser
invocado em relação à contaminação do mar por materiais radioativos decorrentes da
explosão das Usinas de Angra I e II e, também, em relação ao ataque nuclear
promovido por França, Inglaterra e Estados Unidos contra a “nação” Zulucamundonga
Donga. Ainda, encontramos temas de Direito do Mar nos atos de pirataria realizados
pelo grupo terrorista, além de temas como os Direitos Humanos que são claramente
infringidos nos atos como mutilação genital, genocídio, estupros, entres tantas outras
atrocidades cometidas pelo grupo terrorista Guerreiros do Botocoboran.

Para a realização desta atividade, foram propostos tópicos, os quais serão


desenvolvidos a seguir.

1. Responsabilidade do Governo Brasileiro

Primeiramente devemos considerar os crimes cometidos em território nacional


da forma como dispõe o art. 5º do Código Penal Brasileiro. O motim iniciou-se em mar
territorial brasileiro, ou seja, dentro da jurisdição penal nacional, de forma que os
crimes decorrentes desse motim como tortura, homicídio, estupro, lesão corporal
gravíssima (mutilação genital) e os ataques terroristas à Angra I e II devem ser
julgados pela lei penal do Brasil, tendo, inclusive, o governo brasileiro o dever de
intervir e impedir tais atos criminosos. Ainda sob a jurisdição brasileira percebemos
atos terroristas realizados contra o patrimônio histórico como a destruição do Cristo
Redentor e o prédio da Faculdade de Direito do Largo São Francisco. Devendo ser
aplicados, além do disposto no Código Penal Brasileiro também o disposto na Lei n.
13.260/16 (Lei Antiterrorismo).

Em relação aos atos realizados fora de sua jurisdição, como a tomada de um


navio de bandeira russa, a execução de parte da tripulação e a redução à condição de
escravizado do restante, o Brasil deveria observar o dever de salvamento imposto pela
Organização das Nações Unidas à todos os países que possuem litoral.

Ainda em relação aos atos cometidos fora de seu mar territorial, o Brasil
deveria ter comunicado imediatamente o Conselho de Segurança da ONU para que
fossem tomadas as atitudes cabíveis em relação às atividades desenvolvidas pelo
grupo terrorista. Porém, o Estado brasileiro poderia e, inclusive, deveria intervir em
legítima defesa das vítimas.

Em relação à responsabilidade do Brasil em relação aos crimes praticados pelo


grupo, verifica-se que os grupo praticou atos tipificados pelo artigo 2º da Convenção
Internacional sobre a Supressão de Atentados Terroristas com Bombas, que assim
dispõe:

1. Comete um delito no sentido desta Convenção qualquer pessoa que ilícita


e intencionalmente entrega, coloca, lança ou detona um artefato explosivo ou
outro artefato mortífero em, dentro ou contra um logradouro público, uma
instalação estatal ou governamental, um sistema de transporte público ou
uma instalação de infraestrutura:
a) Com a intenção de causar morte ou grave lesão corporal; ou
b) Com a intenção de causar destruição significativa desse lugar, instalação
ou rede que ocasione ou possa ocasionar um grande prejuízo econômico.

A mesma Convenção dispõe, ainda, sobre a responsabilidade dos Estados em


relação à tais atos:

1. Cada Estado Parte adotará as medidas necessárias para estabelecer sua


jurisdição sobre os delitos enunciados no artigo 2 quando:
a) O delito for cometido no território desse Estado;
b) O delito for cometido a bordo de embarcação que porte a bandeira desse
Estado ou de aeronave matriculada sob as leis desse Estado no momento em
que venha a ser cometido; ou
c) O delito for cometido por nacional desse Estado.
2. Um Estado Parte também poderá estabelecer sua jurisdição sobre
qualquer desses delitos quando:
a) Esse delito for cometido contra um nacional desse Estado;
b) Esse delito for cometido contra uma instalação estatal ou governamental
desse Estado no exterior, inclusive uma embaixada ou outra instalação
diplomática ou consular desse Estado;
c) Esse delito for cometido por um apátrida que tenha sua residência habitual
nesse Estado;
d) Esse delito for cometido com o objetivo de obrigar esse Estado a realizar
ou se abster de realizar qualquer ato; ou
e) Esse delito for cometido a bordo de uma aeronave operada pelo governo
desse Estado.
3. Cada Estado Parte, ao ratificar, aceitar, aprovar ou aderir a esta
Convenção, notificará o Secretário-Geral das Nações Unidas da jurisdição
que tiver estabelecido, de acordo com o parágrafo 2, no âmbito de sua
legislação interna. Caso ocorra alguma alteração nessa jurisdição, o Estado
Parte deverá comunicá-la imediatamente ao Secretário-Geral.
4. Cada Estado Parte tomará, igualmente, as medidas necessárias para
estabelecer sua jurisdição sobre os delitos enunciados no parágrafo 2 nos
casos em que o delinqüente presumido se encontre em seu território e esse
Estado não conceda a extradição a nenhum dos Estados Partes que tenham
estabelecido sua jurisdição, de acordo com o parágrafo 1 ou 2.
5. Esta Convenção não exclui o exercício da jurisdição penal estabelecida por
um Estado Parte de acordo com sua legislação interna.

Ainda, a Convenção Internacional Contra a Tomada de Reféns define:


1. O Estado Parte, em cujo território o refém encontra-se detido pelo autor do
crime, deverá tomar todas as medidas em julgar apropriadas para remediar a
situação do refém, em particular, assegurar a sua libertação, e, depois desta,
se necessário, facilitar a sua partida.

Desta forma, verifica-se que o Estado brasileiro foi omisso em relação aos atos
atentatórios à dignidade humana, bem como aos atos terroristas praticados pelo grupo
Guerreiros do Botocoboran, não cumprindo com a sua responsabilidade de evitar tais
atos nem aplicando sua jurisdição sobre os criminosos que os praticaram.

2. Posição da Organização das Nações Unidas

No caso, nos deparamos a um tipo de terrorismo não-governamental, ou seja,


aparentemente não há um Estado por trás das ações do grupo, nem diretamente, nem
indiretamente. A competência para neutralizar o grupo é do Conselho de Segurança
da ONU, que assim que comunicado deve tomar uma posição para que neutralizar as
ações do grupo.

Ainda, percebe-se que a Organização das Nações Unidas deveria, assim que
comunicada, intervir para que os atos terroristas praticados fossem impedidos ou
amenizados por meio de ações do Conselho de Segurança, apoiando o Estado
brasileiro na aplicação de sua jurisdição, como também deveria ter intervindo nas
ações praticadas em águas internacionais.

3. Jurisdição Internacional

O objetivo da atividade jurisdicional é sempre o de pacificar conflitos e tentar


retornar à situação prévia que a exigiu. No caso do direito internacional a jurisdição
encontra limitações e dificuldades particulares e muito diversas daquelas encontradas
no direito interno de cada Estado. Uma delas é a delimitação do quanto cada Estado
irá se submeter às regras de controle internacional, que varia de acordo com os
tratados assinados. Além disso, a determinação da competência - ou não - de cada
Estado em situações que envolvem entes externos é uma questão que gera muitas
controvérsias.

Existem algumas jurisdições internacionais possíveis de serem aplicadas no


caso, dentre elas temos o Tribunal Penal Internacional (TPI), a Corte Internacional de
Justiça e o tribunal penal ad hoc.

No caso do Tribunal Penal Internacional permanente, sua criação se deu pelo


Tratado de Roma em julho de 1998. Seus princípios assemelham-se aos do direito
penal interno, sendo o mais significativo o princípio da subsidiariedade, ou seja, o
tribunal só é utilizado em última circunstância, quando o Estado responsável não lida
com os crimes devidamente.

No presente caso, a justiça brasileira falhou em lidar com a situação. Desse


modo caberia fazer uso da jurisdição internacional em um tribunal penal a fim de que
se avaliasse a situação dos responsáveis pelo crime. O crime de terrorismo não está
explicitamente incluído no rol de crimes julgados pelo TPI. Entretanto, levando-se em
consideração todos os fatores apresentados, entendemos que a situação descrita dos
ataques realizados em alto mar se enquadra como crime contra a Humanidade,
podendo ser levada ao Tribunal.

Os crimes contra a humanidade são assim descritos pelo artigo 7º do Estatuto


de Roma do Tribunal Penal Internacional:

1. Para os efeitos do presente Estatuto, entende-se por "crime contra a


humanidade", qualquer um dos atos seguintes, quando cometido no quadro
de um ataque, generalizado ou sistemático, contra qualquer população civil,
havendo conhecimento desse ataque:
a) Homicídio;
b) Extermínio;
c) Escravidão;
d) Deportação ou transferência forçada de uma população;
e) Prisão ou outra forma de privação da liberdade física grave, em violação
das normas fundamentais de direito internacional;
f) Tortura;
g) Agressão sexual, escravatura sexual, prostituição forçada, gravidez
forçada, esterilização forçada ou qualquer outra forma de violência no campo
sexual de gravidade comparável;
h) Perseguição de um grupo ou coletividade que possa ser identificado, por
motivos políticos, raciais, nacionais, étnicos, culturais, religiosos ou de
gênero, tal como definido no parágrafo 3o, ou em função de outros critérios
universalmente reconhecidos como inaceitáveis no direito internacional,
relacionados com qualquer ato referido neste parágrafo ou com qualquer
crime da competência do Tribunal;
i) Desaparecimento forçado de pessoas;
j) Crime de apartheid;
k) Outros atos desumanos de caráter semelhante, que causem
intencionalmente grande sofrimento, ou afetem gravemente a integridade
física ou a saúde física ou mental.
2. Para efeitos do parágrafo 1o:
a) Por "ataque contra uma população civil" entende-se qualquer conduta que
envolva a prática múltipla de atos referidos no parágrafo 1 o contra uma
população civil, de acordo com a política de um Estado ou de uma
organização de praticar esses atos ou tendo em vista a prossecução dessa
política;
b) O "extermínio" compreende a sujeição intencional a condições de vida, tais
como a privação do acesso a alimentos ou medicamentos, com vista a causar
a destruição de uma parte da população;
c) Por "escravidão" entende-se o exercício, relativamente a uma pessoa, de
um poder ou de um conjunto de poderes que traduzam um direito de
propriedade sobre uma pessoa, incluindo o exercício desse poder no âmbito
do tráfico de pessoas, em particular mulheres e crianças;
d) Por "deportação ou transferência à força de uma população" entende-se o
deslocamento forçado de pessoas, através da expulsão ou outro ato coercivo,
da zona em que se encontram legalmente, sem qualquer motivo reconhecido
no direito internacional;
e) Por "tortura" entende-se o ato por meio do qual uma dor ou sofrimentos
agudos, físicos ou mentais, são intencionalmente causados a uma pessoa
que esteja sob a custódia ou o controle do acusado; este termo não
compreende a dor ou os sofrimentos resultantes unicamente de sanções
legais, inerentes a essas sanções ou por elas ocasionadas;
f) Por "gravidez à força" entende-se a privação ilegal de liberdade de uma
mulher que foi engravidada à força, com o propósito de alterar a composição
étnica de uma população ou de cometer outras violações graves do direito
internacional. Esta definição não pode, de modo algum, ser interpretada
como afetando as disposições de direito interno relativas à gravidez;
g) Por "perseguição'' entende-se a privação intencional e grave de direitos
fundamentais em violação do direito internacional, por motivos relacionados
com a identidade do grupo ou da coletividade em causa;
h) Por "crime de apartheid" entende-se qualquer ato desumano análogo aos
referidos no parágrafo 1°, praticado no contexto de um regime
institucionalizado de opressão e domínio sistemático de um grupo racial
sobre um ou outros grupos nacionais e com a intenção de manter esse
regime;
i) Por "desaparecimento forçado de pessoas" entende-se a detenção, a
prisão ou o seqüestro de pessoas por um Estado ou uma organização política
ou com a autorização, o apoio ou a concordância destes, seguidos de recusa
a reconhecer tal estado de privação de liberdade ou a prestar qualquer
informação sobre a situação ou localização dessas pessoas, com o propósito
de lhes negar a proteção da lei por um prolongado período de tempo.
3. Para efeitos do presente Estatuto, entende-se que o termo "gênero"
abrange os sexos masculino e feminino, dentro do contexto da sociedade,
não lhe devendo ser atribuído qualquer outro significado.

Como visto, vários são os aspectos que permitem que o caso seja configurado
como crime contra a humanidade. A prática de extermínio, tortura, escravidão,
agressão sexual são só alguns exemplos do rol de atrocidades praticadas pelo grupo
terrorista. Desse modo, caberia a utilização da jurisdição do tribunal penal
internacional.

No caso do descumprimento da decisão do Conselho de Segurança da ONU,


seria possível aos países afetados recorrer à Corte Internacional de Justiça, para o
julgamento dos países envolvidos no ataque contra a Ilha Zulucamundonga Donga,
pois houve descumprimento do disposto no artigo 1º, 3 da Carta da Organização das
Nações Unidas que assim dispõe:

3. Todos os Membros deverão resolver suas controvérsias internacionais por


meios pacíficos, de modo que não sejam ameaçadas a paz, a segurança e a
justiça internacionais.

É importante observar que os países envolvidos no bombardeio não estão


submetidos à jurisdição obrigatória da Corte Internacional de Justiça. Porém, o
descumprimento de tal tratado pode ensejar sanções oriundas da Assembleia Geral da
ONU. Ainda, no caso houve flagrante descumprimento da recomendação do Conselho
de Segurança, as decisões de tal órgão são têm caráter vinculativo e devem ser
seguidas por todos os Estados-membros da ONU.

Como última opção, há a possibilidade da criação de um tribunal penal


internacional ad hoc específico para o julgamento e processamento dos crimes
cometidos pelo grupo terrorista, como aconteceu no caso do Tribunal Penal
Internacional para Ruanda, porém a instalação deste tribunal deu-se anteriormente à
criação do TPI com caráter permanente. Destarte, a existência do Tribunal Penal
Internacional permanente dispensa a criação de tribunais especiais. No caso, o TPI
seria plenamente capaz de por si só julgar todos os fatores relevantes ao caso, como
dito acima. Desse modo, é dispensável a criação de um tribunal especial para o caso.

4. Direito Aplicável ao Caso

Preliminarmente, há de ser salientado que a legislação pátria dos países nos


quais os crimes sucederam-se poderia ser aplicado, tendo em vista que, na
perspectiva da territorialidade, o local do crime poderá ser utilizado para fins de fixação
penal internacional.
Analisa-se o Direito da Venezuela também seria passível de aplicação. Em
alto-mar, as embarcações submetem-se à jurisdição da bandeira: A nacionalidade do
navio é identificada pela bandeira do navio, que no caso do Cruzeiro, estava afixada a
da Venezuela. O Código de Bustamante e o Tratado de Direito Penal Internacional
firmado em Montevidéu em 1940 abordam a questão dos delitos cometidos em
embarcações de bandeira: O primeiro salienta, em seu artigo 301 que: “O mesmo
sucede com os delitos cometidos em águas territoriais ou espaço aéreo nacional, em
navios ou aeronaves mercantes estrangeiros, se não têm relação alguma com o país e
seus habitantes, nem perturbam a sua tranquilidade.”; o Tratado de Direito Penal
Internacional menciona que “os crimes praticados a bordo de navios estrangeiros
serão julgados em consonância com a legislação do Estado em cujas águas territoriais
a embarcação se encontrar quando da ocorrência do fato delituoso.”

Ademais o Direito do Mar também seria passível de invocação, pela


qualificação dos crimes de pirataria praticado. Segundo o Código Bustamante de
1928, em seu artigo 308, “A pirataria (…) e os demais delitos na mesma índole, contra
o Direito Internacional, cometidos no alto mar, no ar livre e em territórios não
organizados ainda em Estado, serão punidos pelo captor, de acordo com suas leis
penais.”

Sob o prisma do Tribunal Penal Internacional, que tem como intuito a


promoção da Justiça, pela condenação de indivíduos suspeitos de cometer crimes
contra os direitos humanos, o ente acusado poderia ser submetido à Corte
Internacional na ocasião de ineficiência dos julgamentos. No caso do Brasil, tal
consideração seria viável, tendo em vista que se apresenta na Lista de Estados
Membro do tratado, ou seja, reconhece de forma expressa a jurisdição do TPI.

Por fim, segundo o artigo 5 do Código Penal brasileiro, o Brasil teria a


competência para julgar os crimes cometidos em Angra I e II, nos monumentos
históricos no Rio de Janeiro e em São Paulo, pois: “Aplica-se a lei brasileira, sem
prejuízo de convenções, tratados e regras de direito internacional, ao crime cometido
no território nacional.”

5. Aplicação do Direito Internacional

A partir da análise do caso concreto se depreende que o auxílio jurídico a ser


prestado ao potencial cliente, seja ele Estado ou indivíduo, deve ser pautado na busca
da responsabilização do grupo terrorista pelas relevantes e inúmeras violações ao
direito internacional positivo e seus preceitos programáticos de construção de uma
comunidade internacional pacífica e sustentável, vigilante no respeito aos Direitos
Humanos e na preservação do meio ambiente.

Dessa forma, o Direito Internacional contribuiria na defesa das vítimas na


medida em que dele se extraem meios de responsabilização penal que transcendem a
jurisdição dos Estados envolvidos. Um desses meios é o Tribunal Penal Internacional,
a cuja jurisdição os membros do grupo envolvidos nos ataques realizados devem ser
submetidos A criação do Tribunal Penal Internacional vinculado à Organização das
Nações Unidas (ONU) foi prevista no Tratado de Roma, cuja aprovação se deu em 17
de julho de 1998 e cuja jurisdição foi aceita pelo Brasil em 2002.

O Estatuto de Roma, recepcionado pelo Decreto 4388/02, consigna em seu


artigo 5o os crimes aos quais compete ao Tribunal Penal Internacional dar sentença,
observada a complementaridade da jurisdição do tribunal à jurisdição penal interna
dos Estados envolvidos. São eles:

1. A competência do Tribunal restringir-se-á aos crimes mais graves, que


afetam a comunidade internacional no seu conjunto. Nos termos do presente
Estatuto, o Tribunal terá competência para julgar os seguintes crimes:
a) O crime de genocídio;
b) Crimes contra a humanidade;
c) Crimes de guerra;
d) O crime de agressão.
2. O Tribunal poderá exercer a sua competência em relação ao crime de
agressão desde que, nos termos dos artigos 121 e 123, seja aprovada uma
disposição em que se defina o crime e se enunciem as condições em que o
Tribunal terá competência relativamente a este crime. Tal disposição deve ser
compatível com as disposições pertinentes da Carta das Nações Unidas.

A relevância internacional e a gravidade do crime derivam das nações


envolvidas e afetadas, que demandam um tribunal de cooperação internacional que
corresponda à expectativa gerada nas nações envolvidas de reparação dos danos
causados e de aplicação de sanção penal ao grupo responsável. O tribunal penal
internacional deve levar em conta que houve uma série de crimes contra a
humanidade e afrontosos aos direitos humanos, tais como a tortura e a redução à
condição de escravidão.

De forma geral os crimes praticados pelo grupo são abordados em muitos


normativos de direito internacional: a Convenção Americana de Direitos Humanos, a
Declaração Universal dos Direitos Humanos, o Tratado de Direito Penal Internacional,
a Convenção Internacional sobre a Supressão de Atentados Terroristas com Bombas.
Portanto nosso cliente muito se valeria deste direito para sustentar seu ponto
enquanto indivíduo denunciando o Estado inerte à Corte Americana de Direitos
Humanos ou enquanto Estado propondo ação de responsabilidade penal perante o
Tribunal Penal Internacional.

6. Legislação, Jurisprudência e Doutrina aplicáveis ao caso

O caso hipotético proposto possui tal complexidade que as possibilidades de


jurisdições e dispositivos legais aplicáveis são diversas. Desde o campo do direito
internacional, com tratados que dispõem sobre atos terroristas, pirataria, crimes
ambientais ou lesão aos direitos humanos - todos atos ilícitos presentes no caso -
até as legislações dos diversos Estados envolvidos nessa tragédia - seja pela
nacionalidade das vítimas e criminosos, seja pelo território em que os crimes foram
praticados - todos são dispositivos legais potencialmente aplicáveis, sendo mister
portanto um prévio exercício interpretativo e juízo de utilidade para a determinação das
normas mais adequadas.
Nesse sentido, e tendo em mente o recorte temático proposto, a compilação de
normas aqui realizada não se pretende ser exaustiva, mas a seleção daquelas
adotadas pelo grupo.

Terrorismo

Lei antiterrorismo (13.260/16)

Convenção Interamericana Contra o Terrorismo

Convenção Internacional Sobre Supressão de Ataques Terroristas com Bombas

Convenção Internacional Contra a Tomada de Reféns

Carta de São Francisco

Pirataria

Código de Bustamante

Código Penal Brasileiro

Jurisprudência
PENAL. CRIME COMETIDO A BORDO DE NAVIO MERCANTE.
APLICAÇÃO DA LEI PENAL BRASILEIRA. CODIGO DE BUSTAMANTE.
AO CRIME COMETIDO EM AGUAS TERRITORIAIS DO BRASIL A BORDO
DE NAVIO MERCANTE, DE OUTRA NACIONALIDADE, SE APLICA A LEI
PENAL BRASILEIRA, AFASTADA A INCIDENCIA DO ART. 301 DO
CODIGO DE BUSTAMANTE, POR IMPORTAR A SUA PRATICA EM
PERTURBAÇÃO DA TRANQUILIDADE DO NOSSO PAIS, TANTO MAIS
QUANDO OS PAISES DE NACIONALIDADE DE AUTOR E VITIMA E DA
BANDEIRA DO NAVIO NÃO SÃO SIGNATARIOS DA CONVENÇÃO DE
HAVANA DE 1928.
(RHC 853/BA, Rel. Ministro DIAS TRINDADE, SEXTA TURMA, julgado em
12/11/1990, DJ 03/12/1990, p. 14330)

Crimes ambientais

Lei da Política Nacional do Meio Ambiente (6.938/1981)

Lei de Crimes Ambientais (9.605/1998)

Crimes contra a dignidade humana e integridade física

Código Penal Brasileiro (aplicável aos crimes cometidos no território nacional)

Declaração Universal dos Direitos Humanos