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Cultura Religiosa

Autor
Douglas Moacir Flor

2009
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© 2006 – IESDE Brasil S.A. É proibida a reprodução, mesmo parcial, por qualquer processo, sem autorização por escrito dos autores e do detentor
dos direitos autorais.

F632c Flor, Douglas Moacir. / Cultura Religiosa. / Douglas Moacir


Flor. — Curitiba : IESDE Brasil S.A. , 2009.
160 p.

ISBN: 85-7638-421-3

1. Religião. 2. Grandes Religiões do Mundo. 3. Cristianismo. 4.


Reforma Luterana. 5. Ética Cristã. I. Título.

CDD 291

Capa: IESDE Brasil S.A.


Imagem da capa: IESDE Brasil S.A.

Todos os direitos reservados.


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Sumário
Cultura religiosa –um tema controverso...................................................................................9
Resumo.........................................................................................................................................................9
A palavra religião.......................................................................................................................................10
Conhecimento religioso..............................................................................................................................10
Por que estudar as religiões?.......................................................................................................................12
Tolerância religiosa.....................................................................................................................................13
Sincretismo religioso..................................................................................................................................13

O fenômeno religioso..............................................................................................................17
Religião e Arte............................................................................................................................................17
Religião e Moral.........................................................................................................................................22
Religião e Ciência.......................................................................................................................................22
Religião e Filosofia.....................................................................................................................................23
Religião e Economia...................................................................................................................................23
Religião e Educação...................................................................................................................................24

As grandes religiões I..............................................................................................................27


Hinduísmo...................................................................................................................................................27
Budismo......................................................................................................................................................30

As grandes religiões II............................................................................................................35


Confucionismo............................................................................................................................................35
Xintoísmo ..................................................................................................................................................41
Taoísmo .....................................................................................................................................................42
Conclusão ..................................................................................................................................................48

As grandes religiões III...........................................................................................................51


Judaísmo.....................................................................................................................................................51
Islamismo....................................................................................................................................................57

Movimentos religiosos no Brasil ...........................................................................................69


Nova espiritualidade...................................................................................................................................69
Como se caracterizam os movimentos religiosos.......................................................................................70
Religiões africanas . ...................................................................................................................................70
Religiões afro-brasileiras............................................................................................................................72
Espiritismo..................................................................................................................................................75

O Cristianismo I......................................................................................................................79
Conhecer Jesus é fundamental....................................................................................................................79
O amor ágape.............................................................................................................................................79
A história.....................................................................................................................................................80
Jesus – o mestre..........................................................................................................................................81

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O Cristianismo II.....................................................................................................................87
A Bíblia – livro sagrado do Cristianismo ..................................................................................................87

A Reforma do século XVI.......................................................................................................97


Introdução...................................................................................................................................................97
Lutero..........................................................................................................................................................97

A Reforma Luterana – pensamento.......................................................................................103


A base de Lutero.......................................................................................................................................103
Pensamento de Lutero...............................................................................................................................104
A Igreja tenta silenciar Lutero..................................................................................................................104
A excomunhão de Lutero..........................................................................................................................105
A bula papal..............................................................................................................................................107
Declarado herege......................................................................................................................................108
O exílio.....................................................................................................................................................108
A volta.......................................................................................................................................................109
O casamento de Lutero.............................................................................................................................109
A morte de Lutero.....................................................................................................................................110
A paz de Augsburgo..................................................................................................................................110

A Igreja Luterana e a Educação............................................................................................ 113


Lutero e a Educação..................................................................................................................................113
O Luteranismo pós-reforma......................................................................................................................116
A Igreja Evangélica Luterana do Brasil (IELB).......................................................................................117

Questões fundamentais de Ética...........................................................................................125


Questões básicas.......................................................................................................................................125
Ética Social e Ética Religiosa...................................................................................................................127

Princípios de Ética................................................................................................................131
Algumas questões.....................................................................................................................................131
Ética – algumas reflexões de ordem geral ...............................................................................................131
Ética e Moral.............................................................................................................................................131
Consciência . ............................................................................................................................................134
O direito positivo e o senso de justiça .....................................................................................................135
Responsabilidade......................................................................................................................................135
O livre-arbítrio..........................................................................................................................................136

Ética – uma perspectiva cristã...............................................................................................141


Ética – uma abordagem Religiosa e distinção da Social..........................................................................141
Ética – uma perspectiva religiosa cristã....................................................................................................141
Ética Religiosa cristãe Moral Religiosa – os Dez Mandamentos.............................................................144
Ética Social cristã.....................................................................................................................................145

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Ética – assuntos práticos ......................................................................................................147
A ordem da vida: a Ética nas questões da vida . ......................................................................................147
A Ética da corporeidade............................................................................................................................149
A ordem familiar: a Ética na família.........................................................................................................151
A ordem de justiça: a Ética nas questões legais . .....................................................................................153
A ordem civil: a Ética na política.............................................................................................................154

Referências............................................................................................................................157

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Apresentação
Caro amigo

E
stamos iniciando uma caminhada. Há mais de 15 anos trabalho com a disciplina de Cultura
Religiosa. O começo sempre é difícil. Existe uma resistência natural do aluno em estudar os
conteúdos. O “pré-conceito” fica claro quando se define a disciplina como aula de religião.
Outros ainda pensam em catequese. Mas não será este o nosso objetivo. Apenas quero caminhar com
vocês no sentido de construir uma reflexão madura sobre a vivência e o comportamento religioso das
pessoas e a influência que exercem sobre a vida de cada um de nós.
Ao final de cada semestre, fico surpreso com a reação dos alunos. A maioria considera a disci-
plina muito interessante. É claro, que alguns resistentes ficam indiferentes, pois não tiveram a cora-
gem de abrir o coração e aceitar conceitos essenciais para se viver uma boa vida.
Trabalho em uma Universidade Confessional, isso significa que a mesma está ligada a uma
Instituição Religiosa. Mas nem por isso queremos impor o que pensamos. Vamos apenas debater. Se
puder ajudá-los com essa reflexão, com certeza o farei.
Você irá encontrar neste livro um panorama das maiores religiões do mundo. Notará a plurali-
dade religiosa e terá uma idéia da riqueza de pensamento e valores das religiões estudadas. Também
iremos estudar mais detalhadamente o Cristianismo e a Reforma Luterana, pois são movimentos que
influenciaram diretamente na existência da Universidade Luterana do Brasil. Por fim, estudaremos
ética. Particularmente, a ética cristã e os valores que ela pode acrescentar na vida de cada um de nós.
Nesta caminhada, muitos dos textos têm a participação de professores de Cultura Religiosa que
nesses 15 anos estão ao meu lado. Citamos aqui Ronaldo Steffen, Jonas Dietrich, Valter Kuchenbecker,
Egon Seibert, Ricardo Rieth, Valter Steyer, Thomas Heimann, Nereu Haag e Bruno Muller. Além desses,
não podemos deixar de citar o Capelão Geral da Universidade Luterana do Brasil, pastor Gerhard Grasel
e o Diretor do curso de Teologia da Ulbra, pastor Leopoldo Heimann. São pessoas que têm ajudado não
somente a construir esta trajetória em Cultura Religiosa, como têm colaborado com o aprofundamento da
reflexão e ajudado muitas pessoas.
Douglas Moacir Flor

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As grandes religiões III

V
amos trabalhar duas grandes religiões do mundo. São religiões importantes no contexto in-
ternacional. Ao mesmo tempo, são duas religiões que dividem o mesmo espaço e têm como
cidade santa Jerusalém. Não é e nunca foi fácil manter a paz nesta cidade, já que ela é povoada
também por religiosos fundamentalistas, o que torna a tolerância um exercício de difícil execução.

Wikipédia.
Jerusalém.

Judaísmo
Hoje é fundamental você saber um pouco mais sobre o Judaísmo. Os judeus estão espalhados
pelo mundo. São importantes na história da humanidade e colaboraram muito para o desenvolvimen-
to de todos os lugares em que passaram. Foram perseguidos em muitas situações, mas na dispersão
sempre levaram a sua fé na certeza da existência de um Deus forte, que os acompanha, assim como
acompanhou o povo com Moisés na fuga do Egito em direção à Terra Prometida. É uma religião inti-
mamente ligada à história. Aqui, religião e nacionalismo se misturam, assim como acontece também
no Islamismo. Queremos levar você a alguns estudos. O principal dele é entender hoje os conflitos
entre judeus e palestinos, matéria apresentada diariamente pelos meios de comunicação de todo o
mundo. Embarque agora nessa leitura.

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Cultura Religiosa

Wikipédia.
Muro das Lamentações.

História
A história do povo judaico começa por volta de 1700 a.C., com Abraão, que
parte de Ur da Caldéia, na Babilônia, para Canaã, e depois para o Egito. Abraão
gerou Isaac este gerou Jacó, que teve 12 filhos homens que deram origem às 12
tribos que constituíram a descendência de Abraão. Jacó se estabeleceu no Egito,
onde seu filho José era o primeiro-ministro do Faraó. Após a morte de José, o
povo descendente de Jacó e seus filhos foram oprimidos e escravizados. A liber-
tação se dá através de Moisés, líder escolhido por Deus para livrar o seu povo.
Foram 40 anos de caminhada pelo deserto até a chegada ao Monte Sinai, neste
local recebem os Dez Mandamentos (Decálogo) e as leis cerimoniais e civis a
serem observadas (Torá).
Recomendamos aqui uma leitura interessante. Na Bíblia você encontra a his-
tória completa no Êxodo1. É um panorama bem interessante sobre o povo judeu.
De 1200 a 1000 a.C., ocorre, em Canaã, o estabelecimento das tribos nôma-
des hebraicas, numa espécie de ocupação da terra prometida.
Entre 1000 a 587 a.C., ocorre a fase da monarquia, destacando-se os reis Davi, Salomão e o
profeta Samuel. A época é difícil, pois o povo, encantado com as constantes vitórias e con-
quistas contra os povos vizinhos, esquece com facilidade o Deus que os protegera e criara
até então. É então que surgem os profetas, com a finalidade de recordar o povo da aliança
feita com Deus. Os profetas denunciam os desvios dos reis e do povo, anunciando juízos
divinos, numa tentativa de fazê-los retornar à fé. Neste período também é estabelecida a
existência de dois reinos entre os descendentes de Jacó: o reino do Norte ou Israel, com ca-
pital em Samaria, e o reino do Sul, com capital em Jerusalém. O reino do Norte, já em 722
a.C., deixa de existir ao cair sob o poder dos assírios. (KUCHENBECKER, 2000).

Seguindo o curso da história, vamos para 539 a.C., quando ocorreu o cha-
1 Segundo livro da Bíblia,
no Antigo Testamento. mado cativeiro babilônico. Depois, de 587 a 539 a.C., o reino do Sul caiu em poder

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As grandes religiões III

dos babilônicos e sua população foi simplesmente deportada para a Babilônia,


de onde só foram libertados em 539 a.C., quando o imperador Ciro conquistou a
Babilônia. Com sua volta à terra prometida, observa-se que a grande maioria era
pertencente à tribo de Judá (um dos filhos de Jacó), sendo, por isso, identificados
como judeus. Seu modo de cultuar passa a ser reconhecido como judaísmo.
O ano de 63 a.C. determina o começo do período de dominação romana. Na
ocasião, os judeus já estavam dispersos por todo o mundo conhecido. A dispersão
é interessante porque ajuda na expansão do Judaísmo pelo mundo. Jerusalém con-
tinuava sendo o grande centro de adoração e o ponto de referência do Judaísmo,
enquanto religião e identificação do povo.
Em 70, os romanos destruíram o templo de Jerusalém e, mais uma vez, os
judeus remanescentes são dispersos, perdendo não só o seu ponto de referência,
mas o completo controle da Terra Santa. Só em 1948 os judeus obtiveram (pela
Organização das Nações Unidas – ONU) o reconhecimento mundial e sua terra,
com a criação do Estado de Israel. Jerusalém, o grande centro religioso judaico,
é também centro de dois outros grandes movimentos religiosos: o Cristianismo e
o Islamismo.
No decorrer de toda a sua história, o povo judeu desenvolveu a convicção de
ser o povo eleito, o povo do Deus que sempre dirigiu os seus escolhidos mesmo
nos momentos mais críticos. É especialmente a partir do cativeiro babilônico que
se desenvolveu no judaísmo uma forte esperança de um futuro melhor. Será quan-
do Deus mesmo governará o seu povo através do Messias. Muitos judeus, ainda
hoje, aguardam a chegada desse momento.

Pontos principais
Deus criou e governa todos os seres.
Deus é uno.
Deus não tem corpo.
Deus é eterno.
Deus deve ser o único a ser adorado.
Todas as palavras dos profetas são verdadeiras.
Moisés é o maior dos profetas.
Toda a Torá (conjunto de leis) é a que foi dada a Moisés.
Esta lei não pode ser alterada.
Deus conhece todas as ações e todos os pensamentos dos homens.
Deus recompensa os que observam os seus mandamentos e pune os que
os transgridem.
Deus fará vir o Messias.
Deus fará reviver os mortos. (STEFFEN, 2000).

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Cultura Religiosa

Quatro tendências

Wikipédia.
Judeu ortodoxo.

O Judaísmo de hoje está marcado por quatro grandes tendências:


o Judaísmo ortodoxo: observa toda a Torá, conforme foi dada a Moisés;
o Judaísmo conservador: a Torá deve ser adaptada, conforme os tempos
e situações;
o Judaísmo reformador: a Torá é apenas fonte de ética, não revelação
divina; a era messiânica começou com a criação do Estado de Israel;
o Judaísmo liberal: o Reino de Deus na Terra deve se realizar pelo exem-
plo de vida do povo de Israel.
O Judaísmo é de fundamental importância para o Cristianismo, pois este en-
tenderá que o Messias prometido aos judeus é Jesus Cristo, que, na realidade, vem
estabelecer um reinado divino não terreno, mas espiritual. (STEFFEN, 2000, p. 67).

Costumes
Os judeus têm costumes muito antigos relativos ao ciclo da vida. São os
seguintes:
Circuncisão – é feita oito dias após o nascimento. Somente os meninos
são circuncidados, de acordo com a Torá: “Deveis circuncidar a pele do
prepúcio, e este será o sinal da aliança entre nós”. A cerimônia é acom-
panhada pelos padrinhos. Junto são feitas orações numa cerimônia de
alegria e celebração.
Bar-Mizvá – aos treze anos, o menino judeu passa a ser um Bar-Mitzvá.
A expressão significa “filho do mandamento”. A cerimônia acontece na
sinagoga (templo judaico) no primeiro sábado após o seu 13.º aniver-
sário. Antes, ele recebe aulas com um rabino para aprender as leis e os
costumes judaicos. Também aprende um trecho da Torá, que será lido no
sábado. A partir daí, o menino passa a ser membro da congregação, com
todas as responsabilidades.

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As grandes religiões III

Istock Photo.
Bar-Mitzvá.

A menina se torna automaticamente uma Bat-Mitzvá quando completa 12


anos. Por volta dos 15 anos, as meninas aprendem história e costumes judaicos,
principalmente as regras alimentares, que são responsabilidade da mulher.
Casamento – a família, como não poderia deixar de ser, desempenha um
papel especial no Judaísmo. O casamento é considerado o modo de vida
ideal, instituído por Deus. É o único tipo de coabitação que existe. É
tradição que um judeu case com uma judia, apesar de que hoje é comum
vermos casamentos mistos. A cerimônia do casamento chama muito a
atenção, especialmente pelo seu ritual. O contrato de casamento é cha-
mado de Ketubá. Ele é lido durante o ritual. Nele estão registrados todos
os deveres do noivo para com a noiva. O casamento começa com a lei-
tura de sete bênçãos especiais depois disso o casal toma vinho. O noivo
então quebra uma taça com o pé, em memória da destruição do templo.
Após o casamento, os noivos são levados a um quarto particular, onde
podem quebrar o jejum e ficar a sós.
O divórcio é permitido se sancionado por um tribunal rabínico e selado pelo
marido, que dá à esposa a carta de divórcio.
Enterro – o enterro deve ocorrer o mais rápido possível depois da morte
em consideração às condições do corpo. São contrários à cremação. Não
usam flores nem música na cerimônia. Note que os cemitérios judaicos
não são ornamentados. Mesmo assim, são bem cuidados, pois lá os cor-
pos descansarão até a ressurreição.

Festas judaicas
As festas judaicas estão ligadas ao calendário judaico e são fundamentadas
em acontecimentos históricos. O calendário se apóia no ano lunar e tem 12 meses
de 29 ou 30 dias, com 354 dias ao todo. Acrescenta-se um mês extra sete vezes
durante cada ciclo de dezenove anos, para alinhar o ano lunar pelo ano solar.

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Cultura Religiosa

Desta forma, as datas festivas mudam a cada ano. O tempo é contado em relação
à criação do mundo, a qual, segundo o nosso calendário, ocorreu em 3761 a.C.
O Ano-novo (Rosh Hashaná, em hebraico): é celebrado em setembro ou
outubro, diferente do ano-novo cristão, os judeus comemoram a passa-
gem do ano judaico. É o momento de refletir sobre a vida, sobre as ações
e uma oportunidade para melhorar o que não saiu muito bem. Nesta pas-
sagem de ano é feita uma grande refeição preparada em casa, com diver-
sos pratos simbólicos. Não faltam as orações de arrependimento. A festa
de ano-novo também comemora Deus como Criador e Rei.
O Dia do Perdão, Iom Kipur (Dia da Expiação): termina o período de
dez dias de arrependimento iniciado no ano-novo. O Dia da Expiação
era o único dia do ano em que o sumo sacerdote entrava no Santo dos
Santos, o recinto mais sagrado do templo. Isso se dava após o sacri-
fício de um carneiro, como sinal de expiação pelos pecados do povo.
Hoje, o sacrifício já não é mais feito. Os pecados são confessados na
sinagoga e o indivíduo pede perdão a Deus depois de ter se reconcilia-
do com seus semelhantes.
A Festa dos Tabernáculos, Sukot (festa das tendas): acontece poucos dias
depois do Dia do Perdão. A festa acontece em memória das tendas nos
quais os judeus moraram durante a peregrinação no deserto e do cuidado
que Deus dedicou a eles. Para comemorar a data, os judeus constróem
cabanas de folhas no jardim da casa ou próximo à sinagoga. No último
dia se conclui o ciclo anual da leitura da Torá, e um novo ciclo se inicia,
recomeçando a leitura a partir do Gênesis.
A Festa da Inauguração (Chanuká): é comemorada em novembro ou de-
zembro, durante um período de oito dias. A festa acontece em come-
moração a uma grande vitória dos judeus ocorrida em 165 a.C., quando
inauguraram novamente o Templo de Jerusalém, depois que os invasores
sírios os haviam profanado e proibido o culto judaico.
A Páscoa: em hebraico é chamada Pessach, que significa “passar por
cima”. É uma referência ao relato da Torá sobre o anjo do Senhor que,
ao levar a décima praga ao Egito, “passou por cima” das casas dos isra-
elitas e, desse modo, só os primogênitos egípcios morreram. Esta festa
é comemorada em março ou abril e comemora o êxodo os judeus da
escravidão do Egito. Como ritual, antes da festa, os judeus devem fazer
uma limpeza na casa, usam um serviço especial de pratos para a comida
e não podem comer nem beber nada que contenha grãos ou farinha fer-
mentada. Os pratos feitos para a refeição da Páscoa têm um significado
simbólico. São mergulhados ramos de salsa numa tigela com água sal-
gada, simbolizando as lágrimas dos judeus no Egito. As ervas amargas
lembram a infelicidade da escravidão sob o domínio do faraó.
Festa das Semanas (Slavuot): a Festa de Pentecostes. Comemorada em
maio ou junho. É a lembrança do momento em que a Torá foi dada ao
povo no Monte Sinai.
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As grandes religiões III

Veja como a cultura judaica tem fatos interessantes. Anualmente vemos em


jornais e revistas matérias sobre os costumes judaicos. Bom é entender o porquê
deste ritual. Vale a pena lembrar que os judeus levam muito a sério estas come-
morações. Toda a família participa, é um fator de integração. Como os judeus hoje
estão espalhados pelo mundo, é claro que encontramos estes mesmos costumes
entre nós, aqui no Brasil.

Islamismo

Mesquita. Istock Photo.

Você vai ler e gostar desta história. É impressionante a tradição e a cultura


islâmicas. Depois dos atentados de 11 de setembro, milhões de pessoas no mundo
desejam ler mais sobre o Islamismo. Querem entender do fundamentalismo religio-
so, da coragem de homens prontos a morrer pelo seu Deus. Mas cuidado! Somente
15% dos muçulmanos são radicais. Afinal, o Islã continua sendo a religião da paz.

Primeiras considerações
A fé islâmica é a que está mais próxima do Ocidente, tanto em termos geográficos como
ideológicos. Isto porque em termos religiosos pertence à família das religiões abraâmicas
e, em termos filosóficos, baseia-se nos gregos. Mesmo assim é a religião mais difícil de ser
compreendida pelos ocidentais.
Em certas épocas e lugares, cristãos, muçulmanos e judeus conviveram harmoniosamente
– basta pensar na Espanha Moura. Mas durante boa parte dos últimos 14 séculos, o Islã e
a Europa estiveram em guerra e as pessoas raramente formam uma imagem justa de seus
inimigos.
O termo maometismo não é aceito pelos muçulmanos. Além de inexato é ofensivo. Isso
porque para eles Maomé não criou essa religião; Deus a criou. Maomé foi apenas o porta-
voz de Deus. Além disso, é ofensivo porque transmite a impressão de que o Islã se con-
centra num homem e não em Deus.
Derivado da raiz s-l-m, que basicamente significa “paz”. Num sentido secundário, “entre-
ga”, sua plena conotação é “a paz que vem quando a pessoa entrega sua vida nas mãos de
Deus”. (SMITH, 1991, p. 261).

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Cultura Religiosa

Pano de fundo
Se perguntarmos como surgiu o Islamismo, eles vão responder que não foi
com Maomé na Arábia do século VI, mas com Deus. “No princípio Deus...”, diz o
livro de Gênesis. O Alcorão concorda. A única diferença está no uso da palavra Alá.
Alá é formado pela união do artigo definido al (que significa o) com Alah (Deus).
Literalmente, Alá significa “o Deus”. Não um Deus, porque existe apenas um.
Deus criou o mundo e, depois, os seres humanos. O nome do primeiro ho-
mem era Adão. A descendência de Adão chegou a Noé, que teve um filho cha-
mado Sem. É daqui que provém a palavra “semita”; literalmente, semita é do
descendente de Sem. Abraão desposou Sara. Como Sara não teve filhos, Abraão,
querendo continuar sua linhagem, tomou Agar como segunda esposa. Agar deu-
lhe um filho, Ismael. Depois, Sara concebeu e teve um filho, chamado Isaac. Sara
então exigiu que Abraão banisse Ismael e Agar da tribo. Chegamos aqui à pri-
meira divergência entre os corânicos e bíblicos. Segundo o Alcorão, Ismael foi
para o local onde se ergueria Meca. Seus descendentes, florescendo na Arábia,
tornaram-se muçulmanos; enquanto os descendentes de Isaac, que permaneceram
na Palestina, eram hebreus e se tornaram judeus.

O selo dos profetas


Na segunda metade do século VI d.C, aparece Maomé, o profeta por meio
de quem o Islamismo alcançou sua forma definitiva. Houve autênticos profetas de
Deus antes dele, mas ele foi o apogeu; por isso é chamado de “Selo dos Profetas”.
Nenhum profeta genuíno surgirá depois dele.
O mundo em que nasceu Maomé é descrito por gerações de muçulmanos
com uma única palavra: ignorância. As condições no deserto não eram boas, a es-
cassez de bens materiais fazia do banditismo uma instituição regional. No século
XV, a estagnação política e o colapso da justiça na influente cidade de Meca agra-
varam uma situação já caótica. Embriaguez e orgias eram comuns, o impulso do
jogo corria descontrolado. A religião predominante observava a tudo, inativa. Re-
ligião esta que era uma espécie de politeísmo animista, que povoava as amplidões
arenosas com espíritos brutais, denominados jinn (demônios). Esses demônios não
inspiravam nem sentimentos elevados nem restrições morais.
A época pedia um libertador. Este libertador surge na pessoa do profeta
Maomé.

Maomé
Nasceu na influente tribo de Meka, os Koreisch, aproximadamente em 570
d.C. e recebeu o nome de Maomé, “altamente louvado”.
A vida foi marcada por tragédias. Perdeu o pai poucos dias antes de nascer;
perdeu a mãe quando tinha oito anos. Foi adotado por um tio que, em declínio,
forçou o jovem a trabalhar duro cuidando dos rebanhos da casa. Mesmo assim foi
recebido calorosamente pela nova família.

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As grandes religiões III

A descrição de Maomé, segundo a tradição, é a de um jovem puro de cora-


ção e amado pelos seus. Diz-se dele que tinha um temperamento meigo e gentil.
Mais tarde era reconhecido como “o verdadeiro”, “o reto”, “o fidedigno”. Ele per-
manecia afastado dos outros, de uma sociedade corrupta e degenerada.
Aos 21 anos começou a trabalhar para uma viúva chamada “Khadija”. Ela
ficou impressionada com a sua prudência e aos poucos a relação se aprofundou,
tornando-se afeição e depois amor. Embora 15 anos mais velha do que ele, acaba-
ram casando e tornaram-se felizes em todos os sentidos. Depois disso, seguiram-
se mais 15 anos de preparação.
Na caverna do monte chamado Hira, Maomé, precisando de solidão, come-
çou a freqüentá-la. Sondando os mistérios do bem e do mal, incapaz de aceitar
o barbarismo, a superstição e o fratricídio que eram vistos como coisas normais,
estendia suas mãos a Deus.
Por volta de 610, o profeta recebe a sua missão: na mesma caverna, depois
de muitas visitas e horas de meditação, uma voz desce do céu e diz: “Tu és o es-
colhido”. Naquela noite, dizem os muçulmanos, o livro foi aberto para uma alma
já preparada.
Nessa primeira noite de poder, estava Maomé sentado no chão da caverna,
com a mente absorta na mais profunda contemplação, quando chegou até ele um
anjo em forma de homem. O anjo lhe disse: “Proclama!” e ele respondeu: “Não
sou um proclamador.” Então, como o próprio Maomé relataria,
o anjo me tomou nos braços e apertou-me até alcançar o limite da minha resistência. Ele
então me libertou e novamente disse: “Proclama!”. Mais uma vez disse eu: “Não sou um
proclamador”. E ele novamente me apertou em seu abraço. Quando mais uma vez alcan-
çou o limite da minha resistência, ele disse: “Proclama!”. E quando novamente eu protes-
tei, ele me apertou em seus braços pela terceira vez, dizendo agora:
Proclama em nome do teu Senhor que criou!
Criou o homem de um sangue coagulado.
Proclama: Teu Senhor é o mais generoso,
Que ensina com a pena;
Ensina ao homem o que este não sabia.
Alcorão 96: 1-3. (SMITH, 1991).

Despertando do transe, Maomé sentiu que as palavras que ouvira tinham


sido marcadas com ferro em brasa na sua alma. Contou para a esposa que de início
resistiu. Mas ouvindo toda a sua história, tornou-se o primeiro caso de conversão.
Os muçulmanos relatam freqüentemente este fato afirmando que “se há
quem entenda o verdadeiro caráter de um homem, esse alguém é sua mulher”.
“Rejubila-te, caro esposo meu, e enche teu coração de alegria”, disse ela.
“Serás o profeta deste povo”.

A missão
Numa época carregada de sobrenaturalismo, em que os milagres eram acei-
tos como as ferramentas características do santo mais comum, Maomé se recusou
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a fomentar a credulidade humana. Para os idólatras famintos de milagres que


buscavam sinais e portentos, ele esclareceu a questão: “Deus não me enviou para
fazer milagres. Ele me enviou para pregar a vós. Sou apenas um pregador das
palavras de Deus, o portador da mensagem de Deus para a humanidade. Somente
os tolos pedem sinais aos céus, pois a criação, em si, já é a maior prova! Maomé
reivindicou apenas um único milagre: o próprio Alcorão. Produzir essa obra da
verdade, unicamente com seus próprios recursos, era a única hipótese naturalista
que ele não aceitava. (SMITH, 1991, p. 221).

Oposição à sua missão


As reações foram violentamente hostis.
Seu monoteísmo irredutível ameaçava as crenças politeístas e a renda con-
siderável que entrava nos cofres de Meca com as peregrinações a seus 360 san-
tuários.
Seus ensinamentos morais exigiam o fim da licenciosidade a que se agarra-
vam os cidadãos.
Seu conteúdo social desafiava uma ordem injusta. Numa sociedade dividi-
da por distinções de classe, o novo profeta pregava uma mensagem intensamen-
te democrática. Maomé insistia que, aos olhos de seu Senhor, todas as pessoas
eram iguais.
Dessa forma resolveram não apoiá-lo. Ridicularizaram, deram gargalhadas
zombeteiras, insultos, vaias e escárnios. Depois jogaram lixo sobre eles, difama-
ram, atiraram-lhes pedras, bateram neles com bastões, jogaram-nos na prisão e
tentaram matá-los de fome recusando-se a vender-lhes comida. Tudo em vão. A
perseguição apenas fortaleceu a vontade dos seguidores de Maomé.
No início, a balança pesava tão fortemente contra ele que poucas foram as
conversões; três anos de esforços sofridos produziram menos de 40. Mas depois,
passada uma década, várias centenas de famílias o aclamavam como autêntico
porta-voz de Deus.

A fuga que levou à vitória


Maomé recebe a visita de uma delegação composta pelos principais cida-
dãos de Yathrib, cidade situada a 450 quilômetros ao norte de Meca. A cidade en-
frentava rivalidades internas que exigiam um líder forte e imparcial, um homem
de fora, e Maomé parecia ser este homem.
Maomé recebeu um sinal de Deus para aceitar o encargo. Em Meca, sabendo
disso, tentaram matar Maomé, mas ele fugiu de Meca por uma fenda ao sul da cidade.
Quase descobriram Maomé. Abu Bakr, desesperado disse: “Somos apenas dois”. “Não,
somos três”, respondeu Maomé, “Porque Deus está conosco”.
Corria o ano de 622. A fuga de Maomé de Meca, conhecida em árabe como
Hijra (Hégira, “a migração”), é vista pelos muçulmanos como o ponto de mutação
da história mundial: 622 d.C. é o ano a partir do qual é datado o seu calendário.
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As grandes religiões III

Yatrib logo passaria a ser conhecida como Medinat al-Nabi, a cidade do profeta e,
por contração, simplesmente Medina, “a cidade”.
Em Medina assumiu o papel de administrador. O pregador desprezado tor-
nou-se um político magistral; o profeta foi transformado em estadista. O povo via
nele um mestre a quem era tão difícil não amar quanto não obedecer. Ele possuía
“o dom de influenciar os homens, e também a nobreza de só influenciá-los para o
caminho do bem”. Ele conseguiu despertar nos cidadãos um espírito de coopera-
ção, desconhecido na história da cidade. Sua reputação se espalhou e as pessoas
começaram a vir de todas as partes da Arábia para ver o homem que tinha reali-
zado aquele milagre.
A caminho da famosa Caaba (o templo cúbico que se diz ter sido construído
por Abraão e que Maomé reconsagrou a Alá e adotou como foco central do Isla-
mismo) ele aceitou a conversão em massa de praticamente toda a cidade de Meca.
E então voltou para Medina.

Wikipédia.

Caaba.

Dez anos depois, em 632 (ou 10 d.H., “depois da Hégira”), Maomé morreu
tendo praticamente toda a Arábia sob o seu controle.
A combinação incomparável de influência secular e religiosa intitula Ma-
omé a ser considerada a pessoa mais influente da história humana. A explicação
dos muçulmanos para esse veredicto é simples: toda a obra de Maomé, dizem eles,
foi obra de Deus.

O milagre permanente
Maomé não foi apenas pastor, mercador, eremita, exilado, soldado, legis-
lador, profeta-sacerdote-rei e místico; foi também um órfão, o marido durante
muitos anos de uma mulher bem mais velha do que ele, o pai que sofreu a morte
de muitos dos seus filhos, um viúvo e finalmente um marido com várias esposas,
algumas bem mais jovens do que ele. Em todos estes papéis, ele foi exemplar.
Dizem os muçulmanos em gratidão: “que a paz esteja sobre ele”. Mas o
centro terreno da fé dos muçulmanos é o Alcorão.
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Cultura Religiosa

O Alcorão

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Alcorão.

É interessante falar sobre o livro sagrado do Islamismo. O Alcorão é o livro


mais recitado no mundo, segundo alguns pesquisadores. A revelação de todo o
livro a Maomé nos chama a atenção:
Literalmente, a palavra árabe al-qur’na (de onde provém “corão”) significa leitura, re-
citação. Talvez seja o livro mais recitado e lido no mundo. É, com certeza, o livro mais
memorizado e, possivelmente, o que exerce maior influência sobre quem o lê. Para eles, o
livro é um milagre permanente. O fato de o próprio Maomé com tão pouca escolaridade
a ponto de ser analfabeto e mal conseguir escrever o seu nome ter sido capaz de produzir
um livro que oferece os alicerces de todo o conhecimento, sendo ao mesmo tempo, gra-
maticalmente perfeito e de poesia inigualável – isso, no entender de Maomé e de todos os
muçulmanos, é algo que desafia a crença. (SMITH, 1991, p. 225).

Com um tamanho que corresponde a 4/5 de Novo Testamento, o Alcorão


se divide em 144 capítulos, ou suras, que (com exceção do primeiro, um capítulo
muito curto que figura nas preces diárias dos muçulmanos) se arranjam em ordem
descrescente de tamanho. A sura 2 tem 286 versículos, a sura 3 tem 200, e assim
por diante, até chegar à sura 114, com apenas seis versículos.
As palavras do Alcorão chegaram até Maomé em segmentos de fácil ma-
nejo, ao longo de 23 anos por meio de vozes que, de início, pareciam variar e às
vezes soavam como a “reverberação dos sinos”, mas que gradualmente se conden-
savam numa única voz que se identificou como a de Gabriel.
As palavras que Maomé exclamava nesses freqüentes estados de “transe”
eram memorizadas por seus seguidores e registradas em ossos, cascas de árvo-
res, folhas e pedaços de pergaminho, com Deus preservando sua acuraria do
início ao fim.
O Alcorão continua o Antigo Testamento e o Novo Testamento, primeiras
revelações de Deus, e se apresenta como a sua culminação. “Fizemos uma aliança
com os filhos de Israel e em nada vos apoiais enquanto não observardes a Torá e
os Evangelhos”. (SMITH, 1991).

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As grandes religiões III

O ritmo, a cadência melódica e a rima produzem um numeroso efeito hipnótico. Deste


modo, o poder da revelação corânica não está apenas no significado literal de suas pala-
vras, mas também na língua em que se incorporou esse significado, incluindo o seu som. É
por isso que os muçulmanos sempre preferiram ensinar aos outros povos a língua na qual,
segundo a sua crença, Deus falou pela última vez, com força e clareza incomparáveis.
(SMITH, 1991).

No Alcorão, Deus fala na primeira pessoa. Alá se descreve e torna conheci-


das suas leis. O Alcorão não fala da verdade: ele é a verdade.
É um memorando para o fiel, um lembrete para os atos diários e o repositó-
rio da verdade revelada. É um manual de definições e garantias e, ao mesmo tem-
po, um mapa rodoviário para a vontade. Finalmente, é uma colação de máximas
para a meditação em particular, aprofundando infinitamente nosso senso da glória
divina. “Perfeita é a Palavra de teu Senhor, na justiça e na verdade”. (Sura 6:115).

Conceitos teológicos
Com poucas exceções, os conceitos teológicos básicos do Islamismo são
praticamente idênticos aos do Judaísmo e do Cristianismo, seus predecessores.
Deus é imaterial e, portanto, invisível. Os muçulmanos temem Alá. O
bem e o mal têm importância. As escolhas têm conseqüências, e des-
denhá-las seria tão desastroso quanto escalar uma montanha de olhos
vendados. A crença no Alcorão ocupa lugar tão decisivo por ser análoga
à avaliação do monte Everest pelo alpinista: sua majestade é evidente,
mas também são evidentes os perigos que apresenta. Qualquer erro seria
desastroso.
O mundo foi criado por um ato deliberado da vontade de Alá. Ele criou
céus e terra.
Ele criou o homem, lemos na Sura 16:4, e a primeira coisa que observa-
mos nessa criação é a sua constituição perfeita.
A idéia de entrega (rendição, capitulação) está tão carregada de conota-
ções militares que precisamos fazer um esforço consciente para perceber
que ela também significa uma absoluta e sincera doação de nós mesmos.
Para eles, ser um escravo de Alá significa libertar-se de outras formas de
escravidão. Abraão é decididamente a figura mais importante do Alco-
rão: ele passou no teste último de estar pronto a sacrificar o filho, se isso
lhe fosse pedido.
Toda vida é individual; não existe uma vida universal. Deus é, Ele pró-
prio, um indivíduo; Ele é o indivíduo mais singular. “Ó Filho de Adão, tu
morrerás sozinho, entrarás sozinho em teu túmulo e sozinho serás ressus-
citado, e será contigo, contigo sozinho, que se fará o ajuste de contas.”
“Quem cometer delitos, comete-os apenas por sua própria responsabilida-
de. Quem se desvia carrega consigo toda a responsabilidade por seu des-
norteamento”. (Sura 4:111 e Sura 10:103). O Alcorão apresenta a vida
como uma oportunidade breve, mas imensamente preciosa, que oferece

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uma escolha “única para sempre”. Dependendo da maneira como se sai


em seu julgamento, a alma será encaminhada ao céu ou ao inferno.

Os cinco pilares
São como uma ordem aos islâmicos. Seguem esses pilares diariamente por
toda a vida. São eles:
caminho da retidão – Deus é um só e Maomé o profeta;
praticar as orações;
praticar a caridade. As pessoas que têm muito devem ajudar a aliviar o
fardo dos menos afortunados;
observar o mês de Ramadã. O jejum: jejuar obriga a pessoa a pensar;
ensina a autodisciplina; faz relembrar nossa fragilidade e dependência;
sensibiliza a compaixão;
a peregrinação.

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Peregrino em Meca.

Existem outras coisas que eles não podem fazer: jogar, roubar, mentir, co-
mer carne de porco, ingerir álcool e praticar a promiscuidade sexual.

A economia
Enquanto as necessidades básicas do corpo não forem satisfeitas, os inte-
resses mais elevados não conseguem florescer. O Islã não faz objeção ao lucro,
à concorrência econômica ou à ousadia empresarial. Vêem o Alcorão como um
manual de administração de empresas. A herança deve ser partilhada por todos
os herdeiros, filhas tanto quanto filhos. Um versículo do Alcorão proíbe a cobran-
ças de juros.

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A posição social das mulheres


Depois de Maomé a posição social das mulheres mudou. Antes as mulheres
eram vistas como pouco mais que escravas ou bens móveis, de quem pais e
maridos dispunham como bem lhes aprouvesse. As filhas não tinham direito
de herança e muitas vezes eram enterradas vivas logo ao nascerem.
Proibiram o infanticídio. Exigiram que as filhas fossem incluídas na he-
rança – não em pé de igualdade. O Alcorão abre à mulher a possibilidade
de plena igualdade ao homem – educação, voto e carreira.

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O Islamismo santificou o casamento, transformando-o como úni-
co lugar legal para a prática do ato sexual. O Alcorão exige que
uma mulher dê seu livre consentimento antes de se casar; nem
mesmo um sultão poderá se casar sem a aprovação expressa de
sua noiva. (SMITH, 1991, p. 237).

Relações raciais
O Islã enfatiza a igualdade racial.
Abraão é um modelo para eles. Ele desposou Hagar, uma mulher Mulher islâmica.
de raça negra que é vista no Islã como a segunda esposa de Abraão e não
como uma concubina.

O uso da força
O Alcorão ensina a perdoar e a retribuir o mal com o bem quando as
circunstâncias o permitirem. “Afastai-vos o mal com algo melhor”, mas
isso é diferente de não resistir ao mal.
Quando se estende o princípio de justiça para a vida coletiva, temos, por
exemplo, a jihad, o conceito muçulmano de Guerra Santa, cujos mártires
têm assegurado o paraíso.
“Defendei-vos contra vossos inimigos, mas não o ataqueis primeiro:
Deus não ama o agressor”. (Sura 2:190).
O Islamismo, embora em certos momentos tenha sido difundido pela
espada, difundiu-se principalmente pela persuasão e pelo exemplo.
Eles negam que o registro de intolerância e agressão do Islã seja maior
que as outras grandes religiões.
Jihad significa, literalmente, esforço. (SMITH, 1991, p. 245).

Divisão
A principal divisão histórica foi entre os sunitas (tradicionalistas, de Sun-
nah – tradição), que compreedem 87% de todos os muçulmanos e os xiitas (lite-

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ralmente partidários de Ali, o genro de Maomé) que deveria ter sido o sucessor
direto de Maomé, mas foi preterido três vezes e, quando finalmente indicado líder
muçulmano, foi assassinado.
Xiitas – Irã, Iraque.
Sunitas – Oriente Médio, Turquia e África, Paquistão e Bangladesh, Malá-
sia, Indonésia, onde há mais muçulmanos do que em todo mundo árabe.
Há indicativos de que o Islã está despertando de muitos séculos de estag-
nação, exacerbada sem dúvida pela colonização. Contando com mais de 900 mi-
lhões de fiéis numa população global de seis bilhões, hoje em dia uma pessoa em
cada cinco ou seis pertence a esta religião.

1. Quais são as similaridades entre o Judaísmo e o Islamismo?

2. Qual é a relação entre o Islamismo e o Cristianismo?

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3. Faça uma relação de valores que mais lhe agradaram neste texto.

Recomendo a leitura dos capítulos 6 e 7 do seguinte livro:


SMITH, Huston. As religiões do mundo. São Paulo: Cultrix, 1991.

1. Lendo o material apresentado, quais os preceitos do Judaísmo você conseguiria seguir sem
mudar seu estilo de vida?

2. Em que sentido todas as leis do Islamismo mudariam o seu estilo de vida?

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