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Curso Federalismo Fiscal no Brasil Módulo 5 O Federalismo e as Transferências Intergovernamentais Brasília -
Curso Federalismo Fiscal no Brasil Módulo 5 O Federalismo e as Transferências Intergovernamentais Brasília -
Curso Federalismo Fiscal no Brasil
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Módulo

5 O Federalismo e as Transferências Intergovernamentais

Brasília - 2017

Curso Federalismo Fiscal no Brasil Módulo 5 O Federalismo e as Transferências Intergovernamentais Brasília - 2017
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Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão

Ministro do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão Romero Jucá

Secretário-Executivo Dyogo Henrique de Oliveira

Secretário de Orçamento Federal Francisco Franco

Secretários-Adjuntos Antonio Carlos Paiva Futuro George Alberto Aguiar Soares Cilair Rodrigues de Abreu

Diretores Clayton Luiz Montes Felipe Dariuch Neto Marcos de Oliveira Ferreira Zarak de Oliveira Ferreira

Coordenador-Geral de Inovação e Assuntos Orçamentários e Federativos Girley Vieira Damasceno

Coordenadora de Educação e Difusão Orçamentária Rosana Lôrdelo de Santana Siqueira

Organização do Conteúdo Munique Barros Carvalho

Revisão do Conteúdo Karina Rocha Martins Volpe

Revisão Pedagógica Janiele Cardoso Godinho

Revisão Gramatical e Ortográfica Renata Carlos da Silva

Colaboração Bruno Rodolfo Cupertino Karen Evelyn Scaff Nayara Gomes Lim

Informações:

www.orcamentofederal.gov.br Secretaria de Orçamento Federal SEPN 516, Bloco “D”, Lote 8, 70770-524, Brasília – DF, Tel.: (61) 2020-2329 escolavirtualsof@planejamento.gov.br

SUMÁRIO Objetivo do Módulo 5 1. Transferências Intergovernamentais 5 2. Classificação das
SUMÁRIO Objetivo do Módulo 5 1. Transferências Intergovernamentais 5 2. Classificação das

SUMÁRIO

Objetivo do Módulo

5

1. Transferências Intergovernamentais

5

2. Classificação das Transferências Intergovernamentais

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3. Entendendo o Federalismo na prática

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Revisão do Módulo

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Referências

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Módulo

5 O Federalismo e as Transferências Intergovernamentais

Objetivo do Módulo

Apresentar as classificações e a importância das transferências intergovernamentais como meio para minimizar os desequilíbrios numa federação.

1. Transferências Intergovernamentais

numa federação. 1. Transferências Intergovernamentais As transferências intergovernamentais são transferências

As transferências intergovernamentais são transferências de recursos entre os entes governamentais. Os objetivos dessas transferências podem ser os mais diversos, baseados em argumentos econômicos do tipo equidade e eficiência ou em considerações de ordem política, como centralização ou descentralização do poder político.

No contexto do federalismo fiscal, as transferências intergovernamentais servem para corrigir ou minimizar os desequilíbrios verticais (entre níveis de governo: federal, estadual, distrital e municipal) e horizontais (entre diferentes unidades de um mesmo nível de governo: entre estados ou entre municípios).

A centralização da arrecadação no governo central reduz os custos incorridos pelos contribuintes para cumprir suas obrigações tributárias, facilita a fiscalização, diminui a possibilidade de o contribuinte migrar para escapar à tributação. Em suma, o custo da arrecadação, para a sociedade, tende a ser menor quando esta se concentra no governo central.

Por outro lado, a centralização da arrecadação gera um desequilíbrio vertical, ou seja, os poucos tributos que podem ser arrecadados com eficiência nos estados e municípios não são suficientes para custear os gastos desses níveis de governo. Uma forma de solucionar o problema é manter a arrecadação centralizada e fazer transferência de recursos para os governos subnacionais.

As transferências permitem a correção entre o volume de arrecadação e as despesas, além da redução das disparidades entre os governos subnacionais. Assim, há ao menos duas justificativas econômicas para efetuar essas transferências:

É mais eficiente centralizar a arrecadação de vários tributos, o que concentra os recursos no governo central;

Os governos locais têm mais capacidade para proverem serviços públicos com eficiência, por estarem mais próximos da realidade das populações locais.

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Uma característica do sistema de transferências atual do Brasil é o fluxo vertical de recursos,

Uma característica do sistema de transferências atual do Brasil é o fluxo vertical de recursos, sempre de cima para baixo. O governo federal transfere recursos aos estados e municípios e, por sua vez, os estados transferem a seus municípios.

Não existem transferências dos estados e dos municípios ao Governo Federal, nem dos municípios aos estados. Também não há transferências entre os estados e entre os municípios.

há transferências entre os estados e entre os municípios. No atual sistema tributário brasileiro os principais
há transferências entre os estados e entre os municípios. No atual sistema tributário brasileiro os principais

No atual sistema tributário brasileiro os principais mecanismos de transferências operam a partir da arrecadação gerada pelo: Imposto de Renda (IR); Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI); Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre a Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicações (ICMS).

Dissemos no início dessa unidade que as transferências intergovernamentais servem para corrigir ou minimizar os desequilíbrios verticais, entre níveis de governo, e horizontais, entre diferentes unidades de um mesmo nível de governo. Vamos entender de forma mais detalhada como pode ocorrer cada um desses desequilíbrios?

Desequilíbrio Vertical

Devido à centralização da arrecadação no governo central e às crescentes demandas por serviços nos governos subnacionais, as transferências servem para complementar os recursos desses governos de forma que eles consigam cumprir com suas obrigações.

Apesar de cada ente possuir sua base tributária própria, na maioria das vezes o volume arrecadado pelos entes subnacionais é insuficiente para que eles possam cumprir com todos os seus encargos.

A

diferença entre o montante de recursos necessários para cumprimento de suas obrigações e

o

efetivamente arrecadado por um governo subnacional é o que se chama de brecha vertical.

As transferências intergovernamentais têm como objetivo completar essa diferença, ou seja, diminuir os desequilíbrios verticais.

diferença, ou seja, diminuir os desequilíbrios verticais. Portanto, o desequilíbrio vertical é um ajuste na

Portanto, o desequilíbrio vertical é um ajuste na distribuição de recursos para atender as necessidades da sociedade.

Do ponto de vista econômico, em geral, as receitas devem ser arrecadadas pelo governo central e as despesas devem ser efetuadas pelos governos locais, tornando-se necessárias as transferências de recursos do nível central para os níveis locais.

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Desequilíbrio Horizontal

Os desequilíbrios horizontais referem-se às desigualdades comparativas na capacidade de gastos entre entes do mesmo nível. Estamos falando sobre as diferenças entre os Estados- membros ou entre os Municípios. Aqui estamos pensando além do princípio da eficiência, pois o foco é a equidade. Corrigir desequilíbrios horizontais significa que o governo central busca manter um padrão mínimo em todos os entes da federação.

Isso porque a capacidade fiscal dos governos locais, e também suas necessidades, podem ser bastante distintas num mesmo nível de governo, principalmente em um país tão heterogêneo como o Brasil, com enormes disparidades regionais, sociais e culturais, o que dá origem aos desequilíbrios horizontais.

Tal desequilíbrio pode levar a existência de serviços públicos de qualidade diferenciada entre os governos subnacionais ou a uma disparidade nas cargas tributárias impostas aos cidadãos dos diversos governos subnacionais, caso busque-se manter um padrão uniforme dos serviços públicos prestados em toda federação.

dos serviços públicos prestados em toda federação. Portanto, as transferências possuem também esse papel,

Portanto, as transferências possuem também esse papel, cumprindo a função distributiva, tendo em vista corrigir as desigualdades de renda regionais.

Observe alguns exemplos de transferências estabelecidas pela Constituição Federal.

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Os fundos de participação são transferências de recursos financeiros da União aos Estados (FPE) ou

Os fundos de participação são transferências de recursos financeiros da União aos Estados (FPE) ou aos Municípios (FPM) com o objetivo de promover o equilíbrio socioeconômico destes entes. Veja a seguinte diferença:

50% do ITR arrecadado pela União é transferido para o Município em que o terreno está localizado. Portanto, os Municípios receberão um retorno proporcional àquilo que deu origem à arrecadação. Se, por exemplo, em algum Município não houve incidência de ITR então ele não receberá essa transferência. No FPM todos os Municípios recebem recursos de acordo com critérios fixados em lei. Da mesma forma ocorre no FPE. FPM (24,5% do IR + IPI): a fixação dos coeficientes individuais de participação dos municípios no FPM é efetuada com base nas populações de cada município brasileiro e na renda per capita de cada estado, dados informados pelo IBGE. FPE (21,5% do IR + IPI): 85% do recurso do fundo é destinado para os Estados das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste e 15% para os Estados das regiões Sul e Sudeste.

e 15% para os Estados das regiões Sul e Sudeste. Você aprendeu que as Transferências Intergovernamentais

Você aprendeu que as Transferências Intergovernamentais têm como objetivo garantir a equidade e o equilíbrio na federação, trazendo saldos positivos para a gestão governamental. Mas, será que existem efeitos negativos em optar pelas transferências intergovernamentais?

A existência de transferências intergovernamentais pode gerar um efeito negativo na

responsabilidade fiscal e na eficiência da gestão nos governos subnacionais. Seus governantes podem preferir não utilizar sua base tributária, utilizando-se dos recursos que chegam de outro ente. Quanto maior o financiamento recebido pelos governos subnacionais por outras esferas de governo, maior pode ser a tendência de irresponsabilidade fiscal.

Segundo essa visão, todo ato de tributar constituiria para o gestor público um “ônus” junto à população, enquanto o ato de gastar representaria um “bônus”.

enquanto o ato de gastar representaria um “bônus”. Segundo o art. 11 da Lei de Responsabilidade
enquanto o ato de gastar representaria um “bônus”. Segundo o art. 11 da Lei de Responsabilidade

Segundo o art. 11 da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), constituem requisitos essenciais da responsabilidade na gestão fiscal a instituição, previsão e efetiva arrecadação de todos os tributos da competência constitucional do ente da Federação. Assim, cada ente deve manter uma gestão fiscal eficiente, de forma a arrecadar devidamente os tributos de sua competência (base tributária). O ente que mantém suas finanças apenas com recursos recebidos por meio de transferências não age com responsabilidade fiscal, conforme assevera a LRF.

Diante disso, você consegue perceber o grande desafio do federalismo fiscal? É preciso modelar adequadamente o seu sistema de transferências para que assim possa cumprir seus objetivos

de equalização fiscal e ao mesmo tempo conseguir atingir a eficiência econômica.

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Mas, ao se realizar uma transferência o ente central pode fazer alguma exigência? Ou será que

o ente pode deixar de realizar a transferência? Veremos que nem todas as transferências são iguais, mas esse é o assunto que estudaremos em nossa próxima unidade.

2. Classificação das Transferências Intergovernamentais

As transferências de recursos podem ser classificadas em dois grandes grupos: quanto à condicionalidade e quanto à existência de contrapartida por parte do ente beneficiário. Veja o esquema abaixo:

por parte do ente beneficiário. Veja o esquema abaixo: Classificação quanto à Condicionalidade Segundo essa
por parte do ente beneficiário. Veja o esquema abaixo: Classificação quanto à Condicionalidade Segundo essa

Classificação quanto à Condicionalidade

Segundo essa classificação, as transferências podem ter sua aplicação condicionada ou não a uma finalidade específica.

Transferências Incondicionais

As transferências incondicionais não têm sua aplicação vinculada a nenhum fim específico. O ente transferidor repassa os recursos ao ente beneficiário, que poderá usar os recursos para os fins de sua preferência.

Assim, quem transfere os recursos não pode exigir que o beneficiário gaste o dinheiro em uma área específica como saúde ou educação. Ele recebe o dinheiro e aplica de acordo com as necessidades da localidade. As transferências incondicionais podem ser redistributivas ou devolutivas.

Transferências Incondicionais Redistributivas

São as transferências em que os critérios de repartição de recursos entre os governos

subnacionais beneficiários são definidos por fórmulas na tentativa de equilibrar, ou reforçar,

a atuação pública entre unidades federativas com capacidade de arrecadação diferenciada.

Dividem-se os recursos, por exemplo, de acordo com a população, a renda per capita, etc., não se considerando, nessa fórmula, o local onde o tributo foi arrecadado. É o tipo de transferência mais utilizada para a finalidade de redistribuição regional ou redução do hiato fiscal (falta de capacidade de investimento do setor público). Exemplos: Fundo de Participação dos Estados (FPE) e Fundo de Participação dos Municípios (FPM).

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Transferências incondicionais Devolutivas

Como já visto, a centralização da arrecadação tributária no governo central pode gerar ganhos de eficiência para o sistema tributário, porém, gera um desequilíbrio vertical.

Uma forma de solucionar o problema é manter a arrecadação centralizada e fazer transferência de recursos para os governos subnacionais. Se não houver a necessidade de resolver problemas de redistribuição regional ou de hiato fiscal, acima analisados, pode-se montar um sistema de transferência bastante simples, no qual o governo central arrecada o tributo e o devolve ao estado ou ao município onde o tributo foi arrecadado.

Estas são as transferências devolutivas: seu critério de distribuição determina que os recursos sejam entregues ao governo subnacional onde ocorreu o fato gerador. Exemplo: as cotas-parte do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e do Imposto Territorial Rural (ITR), transferidas aos Municípios.

Esse tipo de transferência é indicado para os casos em que se quer preservar a eficiência do sistema tributário, mediante centralização da arrecadação, e, ao mesmo tempo, garantir recursos suficientes para que os governos subnacionais financiem suas despesas.

Deve ser empregada em casos em que não haja a preocupação com a redistribuição dos recursos entre os diferentes governos subnacionais. Para ajudar você a compreender melhor como funciona as Transferências Incondicionais, analise o exemplo a seguir.

Exemplo: Quando um cidadão de São Carlos - SP compra um aparelho televisor numa loja, ele paga, entre outros impostos, o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS). Assim, este tributo é arrecadado pelo Estado de São Paulo - SP. De acordo com a Constituição Federal, parte deste imposto deve ser transferida ao Município de São Carlos, local onde o negócio ocorreu. Ressalta-se que os recursos transferidos poderão ser aplicados pelo referido Município em políticas públicas de acordo com a suas prioridades. Portanto, essa é uma transferência incondicionada, ou seja, não está vinculada a nenhum gasto ou condição específica. Agora, estudaremos o que são as Transferências Condicionais.

Transferências Condicionais

As transferências condicionais são aquelas em que o beneficiário está obrigado a usar os recursos em áreas já estabelecidas. É o caso das transferências ao Sistema Único de Saúde (SUS), que são condicionadas ao uso em fins específicos na área da saúde. As Transferências Condicionais podem ser obrigatórias (quando há previsão legal ou constitucional e, portanto, devem ser realizadas compulsoriamente) ou voluntárias (são realizadas de acordo com a discricionariedade, ou seja, a vontade do ente transferidor).

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Classificação quanto à Contrapartida A Classificação quanto à Contrapartida pode ser de dois tipos. A

Classificação quanto à Contrapartida

A Classificação quanto à Contrapartida pode ser de dois tipos.

quanto à Contrapartida pode ser de dois tipos. A exigência de contrapartida ou não para a

A exigência de contrapartida ou não para a realização da transferência está relacionada a uma

contraprestação financeira do ente beneficiário. Pense na seguinte situação: um Município deseja fazer um investimento de R$ 100 mil para a construção de um museu, mas não tem recurso suficiente para realizá-lo.

Este ente pode receber uma transferência da União para que realize sua obra, mas a União pode ou não exigir uma contrapartida. Assim, a União pode financiar R$ 95 mil e o Município R$ 5 mil, ou então, pode arcar com o valor integral.

3. Entendendo o Federalismo na prática

Bem, agora que reunimos algumas informações essenciais para o entendimento do Federalismo, sobretudo em âmbito fiscal, propomos aplicar o conhecimento assimilado por meio de um exemplo cotidiano: a compra e o uso de um automóvel.

Assim, com base no modelo de Federalismo adotado no Brasil, vamos entender, de forma simples e ilustrativa, quais as implicações que esta ação – compra e uso de um veículo – tem em relação à Administração Pública e à sociedade. Preparado para o último desafio do curso? Então vamos lá?

Preparado para o último desafio do curso? Então vamos lá? O Sr. Pedro é um cidadão

O Sr. Pedro é um cidadão muito trabalhador que mora em Foz do Iguaçu/Paraná. Ele economizou dinheiro ao longo de três anos para comprar um automóvel. Quando conseguiu o valor suficiente para a aquisição do veículo, resgatou o dinheiro de um fundo de investimento.

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Na retirada do dinheiro investido houve incidência do Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários (IOF), recolhido em favor da União.

ou Valores Mobiliários (IOF), recolhido em favor da União. Com o dinheiro em mãos, ele foi

Com o dinheiro em mãos, ele foi à concessionária comprar seu novo veículo. Sobre o valor pago pelo automóvel, entre outros tributos, houve a incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), arrecadado pela União e do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS), de competência do Estado em que fica a concessionária na qual o carro foi comprado e onde ele tem residência.

Cabe destacar que, de acordo com a repartição tributária definida pela Constituição Federal, parte do IPI arrecadado será direcionada: ao Fundo de Participação dos Estados; ao Fundo de Participação dos Municípios; à aplicação em programas de financiamento ao setor produtivo das Regiões Norte, Nordeste, Centro-Oeste, etc.

Portanto, o tributo foi pago à União que transferiu parte desse recurso para os estados e municípios. Ressalta-se que estas destinações caracterizam-se como formas de reduzir desequilíbrios entre os entes da Federação.

de reduzir desequilíbrios entre os entes da Federação. O Sr. Pedro ficou muito feliz com a

O Sr. Pedro ficou muito feliz com a compra do automóvel. Como proprietário deste bem deve pagar o Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA), tributo de competência do Estado, pago a cada exercício financeiro em que o carro estiver sob a sua propriedade. Ainda cabe lembrar que 50% do valor do IPVA cobrado será destinado ao Município em que o veículo foi licenciado, no exemplo em questão, Foz do Iguaçu.

Para utilizar o seu veículo, o Sr. Pedro tem de realizar algumas despesas, tal como o abastecimento de combustível, que também é tributado. Com o tempo outras despesas são necessárias como, por exemplo, a revisão preventiva do carro.

como, por exemplo, a revisão preventiva do carro. Quando o carro do Sr. Pedro completou 20.000

Quando o carro do Sr. Pedro completou 20.000 km de uso, ele levou o veículo para revisão. Nesse serviço, parte do valor cobrado referiu-se ao Imposto sobre Serviços (ISS), integralmente arrecadado e aplicado pelo Município onde se localiza a empresa na qual o veículo foi revisado, no caso em questão, Foz do Iguaçu.

Após três anos de uso, o Sr. Pedro trocou os pneus do automóvel. Do valor pago pelos pneus novos, houve incidência de ICMS, arrecadado pelo Estado onde se situava a loja de pneus em que foi feita a compra. Esse é mais um exemplo de que as operações comerciais cotidianas estão sujeitas à tributação.

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No exemplo em questão, com os tributos recebidos, por meio do IOF e IPI, a União poderá alocá-los para as políticas públicas de sua competência, em ações tais como: manutenção do ensino superior, investimentos na área de infraestrutura, garantia da defesa nacional, etc.

área de infraestrutura, garantia da defesa nacional, etc. Ainda de acordo com o exemplo, o governo

Ainda de acordo com o exemplo, o governo do Estado do Paraná arrecadou recursos por meio do ICMS e IPVA, além de receber parte dos recursos arrecadados pela União por meio do IPI. Portanto, deverá aplicá-los em políticas públicas de sua competência, em ações como: manutenção da Polícia Militar, construção de escolas do ensino médio, entre outras.

Diante dessa rápida história, você observou que o Município onde mora o Sr. Pedro arrecadou recursos diretamente pela cobrança do ISS, o qual incidiu sobre o serviço de revisão realizada no automóvel?

O Município de Foz do Iguaçu também recebeu parte dos recursos arrecadados pelo Estado por meio do ICMS e IPVA, cobrados tanto no ato de compra do veículo, quanto dos pneus, respectivamente.

Além disso, o Município recebeu recursos decorrentes do IPI que incidiram sobre a fabricação do veículo, cobrados pela União no ato da compra feita pelo Sr. Pedro.

Com estes recursos, o governo Municipal promoverá ações para a manutenção do ensino fundamental, melhoria das pavimentações públicas, entre outras ações necessárias ao desenvolvimento e à qualidade de vida no município, em consonância com o que dispõe a Constituição.

Revisão do Módulo

No tópico, vimos que no contexto do federalismo fiscal, as transferências intergovernamentais servem para corrigir ou minimizar os desequilíbrios verticais (entre níveis de governo) e horizontais (entre diferentes unidades de um mesmo nível de governo). Uma de suas características é o fluxo vertical para baixo dos recursos.

As transferências permitem a correção entre o volume de arrecadação e as despesas, além da redução das disparidades entre os governos subnacionais. Desse modo, as transferências servem para complementar os recursos dos governos subnacionais de forma que eles consigam cumprir com suas obrigações (desequilíbrio vertical) e reduzir as diferenças financeiras entre entes do mesmo nível (desequilíbrio horizontal). Por outro lado, a existência de transferências intergovernamentais pode gerar um efeito negativo na responsabilidade fiscal e na eficiência da gestão nos governos subnacionais.

Em seguida, no tópico, estudamos que as transferências de recursos podem ser classificadas em dois grandes grupos: quanto à condicionalidade e quanto à existência de contrapartida. Quanto à condicionalidade ela pode ter sua aplicação condicionada ou não a uma finalidade específica. As incondicionais podem ainda ser redistributivas ou devolutivas.

A exigência de contrapartida ou não para a realização da transferência está relacionada a uma contraprestação financeira do ente beneficiário. Nas transferências sem contrapartida não há

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a obrigatoriedade do governo receptor complementar os recursos recebidos do outro nível de governo. Já as transferências com contrapartida, o governo receptor deverá fazer aportes proporcionais à transferência recebida do governo doador.

Por meio do exemplo utilizado, buscamos ilustrar, no tópico, a dinâmica do Federalismo Fiscal no Brasil, demonstrando de forma simplificada como os recursos públicos são arrecadados, repartidos e aplicados pelos entes federativos, de acordo com o modelo instituído pela Constituição Federal de 1988.

Aqui concluimos o curso. Acreditamos que por meio dele você tenha compreendido um pouco mais sobre a importância do modelo de estado Brasileiro e suas implicações no desenvolvimento socioeconômico do país.

Agora, realize os exercícios avaliativos e, em seguida, o Exercício Avaliativo final da Aprendizagem que comtempla todo o conteúdo abordado no curso. Lembre-se também de avaliar a qualidade do curso, bem como o trabalho da equipe envolvida, por meio da Avaliação de Satisfação com o curso. Todos esses instrumentos avaliativos estão disponíveis no Ambiente Virtual Moodle.

Boa sorte!

Referências

AFONSO, José Roberto Rodrigues; LOBO, Thereza: Descentralização Fiscal e participação em experiências democráticas retardatárias. Disponível em: <https://ipea.gov.br/ppp/index. php/PPP/article/viewFile/128/130>. Acesso em: 16/01/2013.

ALEXANDRE, Ricardo. Direito Tributário Esquematizado – 8º ed. atual. – Rio de Janeiro. MÉTODO, 2014.

COSTA, Leonardo de Andrade: Sistema Tributário Nacional. Disponível em: <http://direitorio. fgv.br/sites/direitorio.fgv.br/files/u100/sistema_tributario_nacional_20132.pdf>. Acesso em:

27 de janeiro de 2013.

GASPARINI, Carlos Eduardo; GUEDES, Kelly Pereira: Descentralização fiscal e tamanho do governo no Brasil. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_ arttext&pid=S1413-80502007000200007>. Acesso em: 17/01/2014.

OLIVEIRA, Vitor França Dias: Introdução ao federalismo fiscal brasileiro. Disponível em:

Acesso em: 20/01/2014.

SENADO FEDERAL: Transferências intergovernamentais no Brasil: diagnóstico e proposta de reforma. Brasília, 2008. Disponível em: <http://www12.senado.gov.br/publicacoes/

estudos-legislativos/tipos-de-estudos/textos-para-discussao/td-40-transferencias-

intergovernamentais-no-brasil-diagnostico-e-proposta-de-reforma>. Acesso em: 11/04/2016.

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