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PODER JUDICIÁRIO

Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo


SESSÃO EXTRAORDINÁRIA
15-08-2017

PROCESSO Nº 3-39.2015.6.08.0020 - CLASSE 31 – Embargos de declaração


NOTAS TAQUIGRÁFICAS – Fls. 1/10

RELATÓRIO

O Sr. DESEMBARGADOR SAMUEL MEIRA BRASIL JÚNIOR


(RELATOR):-
Senhor Presidente: Trata-se de Embargos de Declaração opostos por ANDERSON
SEGATTO GHIDETTI em face do v. Acórdão nº 76 (fls. 418/458) deste Egrégio Tribunal
Regional Eleitoral.
O Embargante alega a existência de contradições e omissão no v. Acórdão
embargado, em decorrência da ausência de valoração de todos os pontos alegados na contestação
e no recurso eleitoral manejado.
Às fls. 478/487, a douta Procuradoria Regional Eleitoral opina pelo conhecimento
e parcial provimento dos embargos de declaração, a fim de sanar a omissão apontada sem,
contudo, emprestar-lhes efeitos infringentes.
O Embargante, momentos antes da sessão de julgamento dos aclaratórios, na data
de 05.07.17, apresenta petição (fls. 490/502) na qual requer apreciação de questões de ordem
pública.
Em decorrência desse requerimento, o processo foi baixado de pauta e
encaminhado para manifestação do Ministério Público Eleitoral.
A douta Procuradoria Regional Eleitoral manifesta-se (fls. 506/516) pelo não
conhecimento do requerimento e, caso seja conhecido, pugna pelo seu indeferimento.
É o breve Relatório.
Em mesa para julgamento.

VOTO

O Sr. DESEMBARGADOR SAMUEL MEIRA BRASIL JÚNIOR


(RELATOR):-
Senhor Presidente: Trata-se de Embargos de Declaração opostos por ANDERSON
SEGATTO GHIDETTI em face do v. Acórdão nº 76 (fls. 418/458) deste E. TRE que, por
maioria de votos, negou provimento ao recurso eleitoral, interposto pelo ora Embargante, cuja
ementa mereceu a seguinte redação:

RECURSO ELEITORAL – CRIME – ART. 299 DO


CE – CORRUPÇÃO ELEITORAL – DISTRIBUIÇÃO DE
COMBUSTÍVEL – CONFIGURAÇÃO – MATERIALIDADE E
AUTORIA – DOLO ESPECÍFICO – RECURSO NÃO
PROVIDO.
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1. A configuração do crime de corrupção eleitoral, exige-se a
comprovação de dolo específico, ou seja, exige-se que reste comprovada a
intenção do agente em obter ou dar voto ou, ainda, em conseguir ou prometer
abstenção, como propósito único da ação.
2. O Recorrente promoveu o fornecimento de vales
combustíveis para terceiros, que não detinham vinculação com a sua campanha
eleitoral, restando comprovada a doação de combustível, exclusivamente para a
obtenção de votos.
3. As provas testemunhais demonstram o dolo específico do
Recorrente, consistente na finalidade de obter ou dar voto ou prometer
abstenção, ainda que não haja o pedido expresso.
4. Diante do conjunto fático e probatório, restou plenamente
aperfeiçoada a autoria e a materialidade da conduta delitiva do Recorrente,
prevista no art. 299 do Código Eleitoral, na forma do art. 71, do Código Penal.
5. Recurso a que se nega provimento.

O Embargante alega (fls. 461/470) haver contradições, sob os seguintes


argumentos:

+ conclusão contrária às provas dos autos, de que o Embargante


procedeu ao fornecimento de vales combustíveis as pessoas não vinculadas a
sua campanha eleitoral;
+ todos os abastecimentos de automóveis foram declarados na
prestação de contas eleitorais, não caracterizando crime de corrupção eleitoral;
+ existência de jurisprudência do E. TRE/ES reconhecendo
atipicidade do art. 299 do Código eleitoral para abastecimento de veículos,
ainda que fosse direcionada para adesivagem nos mesmos;
+ as provas testemunhais não conseguiram dar embasamento ao
dolo específico, sendo que o mesmo não pode ser presumido;
+ a ausência de impugnação dos contratos de cessão e da
prestação de contas, sendo que não poderia ter concluído que os contratos eram
falsos;
+ pagamento de apenas 10 litros de combustíveis para 05
cidadãos;

Aduz, por fim, que o v. Acórdão hostilizado mostra-se omisso, pois não houve
manifestação quanto ao pedido de revisão da causa de aumento de pena, decorrente da
continuidade delitiva, aplicada pelo juiz de piso.
Por ocasião da sessão de julgamento dos presentes embargos, na data de 05.07.17,
o Embargante apresenta petição (fls. 490/502) na qual requer o reconhecimento: (i) da ilegalidade
na valoração das circunstancias judiciais culpabilidade e motivo; (ii) da possibilidade de
concessão de habeas corpus de ofício; (iii) da violação dos princípios da proporcionalidade e da
razoabilidade na fixação da pena-base; (iv) da impossibilidade de execução antecipada da pena
aplicada pelo Juízo de 1º grau.
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Em decorrência desses requerimentos, os autos foram baixados de pauta e
encaminhados para conhecimento e manifestação da douta Procuradoria Regional Eleitoral, em
estrita observância do art. 10, do CPC1.
O Parquet manifestou-se (fls. 506/516) pelo indeferimento dos pedidos
formulados.
Assim sendo, antes de analisar os Embargos de Declaração, faz-se necessário
decidir sobre os requerimentos apresentados.

CIRCUNSTÂNCIAS JUDICIAIS
CULPABILIDADE E MOTIVO – MATÉRIA DE ORDEM
PÚBLICA

O Requerente-Embargante aduz que as ilegalidades na valoração das


circunstancias judiciais culpabilidade e motivo são questões de ordem pública e que, como tais,
podem ser analisadas nos embargos de declaração.
Contudo, embora as matérias de ordem pública possam ser arguidas em qualquer
momento, uma vez decididas e não havendo recurso das partes, o tema já se torna precluso.
In casu, as questões levantadas pelo Requerente foram decididas na sentença (fls.
335/348), no entanto não foram alegadas no seu Recurso Criminal (fls. 353/379), motivo pelos
quais estão preclusas.
A jurisprudência do C. STJ2 figura no mesmo sentido quando expõe que “o fato de
se tratar de matéria de ordem pública não tem o condão de afastar a preclusão, por se tratar de
questão já decidida.”
Não discrepa desse entendimento a jurisprudência do E. TSE3 quando afirma que
“não há como acolher a tese de que a questão de ordem pública relativa a suposta nulidade
processual poderia ser conhecida em qualquer grau de jurisdição, uma vez que o tema foi
veiculado após a interposição do Recurso Especial.”
Cabe ressaltar, que o próprio Requerente alega (fl. 491) que “a matéria não foi
discutida no julgamento do recurso, já que, em sede de razões recursais houve impugnação tão-
somente quanto à fixação do crime continuado [...]”.

CONCESSÃO DE HABEAS CORPUS DE


OFÍCIO

O Requerente afirma que não há impedimento na invocação e apreciação das


ilegalidades quanto à culpabilidade e aos motivos, mesmo não sendo impugnadas nas razões
1
Art. 10. O juiz não pode decidir, em grau algum de jurisdição, com base em fundamento a respeito do qual não se
tenha dado às partes oportunidade de se manifestar, ainda que se trate de matéria sobre a qual deva decidir de ofício.

2
Agravo Regimental no Agravo de Instrumento nº 1390295/RJ, Relator Ministro Marco Buzzi, 4ª Turma,
acórdão publicado em 23.05.17.

3
Recurso Especial Eleitoral nº 6527, Relator Napoleão Nunes Maia Filho, acórdão publicado em 25.04.17.
Agravo Regimental no Agravo de Instrumento nº 31-26/MG, Relatora Ministra Luciana Lóssio, acórdão
publicado em 19.12.16.
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recursais, pois “em sede penal, é possível a apreciação de questões de ordem pública a qualquer
momento e em qualquer grau de jurisdição, em razão do disposto no art. 654, § 2º, do CPP.”
O art. 654, § 2º do CPP dispõe que:

Art. 654. O habeas corpus poderá ser impetrado por qualquer


pessoa, em seu favor ou de outrem, bem como pelo Ministério Público.
[...].
§ 2o Os juízes e os tribunais têm competência para expedir de
ofício ordem de habeas corpus, quando no curso de processo verificarem que
alguém sofre ou está na iminência de sofrer coação ilegal.

Assim sendo, a aplicação do habeas corpus de ofício é instrumento adequado à


análise da dosimetria da pena na hipótese de flagrante ilegalidade, mas esse não é o caso dos
presentes autos.
O STJ4 entende que “excetuados os casos de patente ilegalidade ou abuso de
poder, é vedado, em habeas corpus, o amplo reexame das circunstancias judiciais consideradas
para a individualização da sanção penal [...].”
Nessa linha de raciocínio, revela-se acertado o entendimento do Parquet quando
aduz que “não se trata de hipótese de aplicação do art. 654, § 2º do CPP, o qual permite a
concessão de habeas corpus de ofício quando se verificar que alguém sofre ou está na iminência
de sofrer coação ilegal no curso do processo. Isso porque não há qualquer ilegalidade manifesta
ou mesmo teratologia a demandar a concessão da ordem.”
Portanto, o argumento não deve ser acolhido.

EXECUÇÃO ANTECIPADA DA PENA

O Requerente afirma que o art. 147 da Lei de Execuções Penais5 não foi objeto de
declaração de não recepção pelo STF, continuando vigente, motivo pelo qual a execução
antecipada da pena restritiva de direito, aplicada ao Requerente pelo Juízo de 1º grau, resta
impossível.
No caso dos autos, a pena foi estabelecida em 03 (três) anos e 09 (nove) meses de
reclusão, mas foi substituída pela pena restritiva de direitos, na modalidade prestação de serviços
à comunidade e pagamento de multa.
O STF, através do Agravo em Recurso Extraordinário nº 964.246/SP, reafirmou
em repercussão geral reconhecida que “a execução provisória de acórdão penal condenatório
proferido em grau de apelação, ainda que sujeito a recurso especial ou extraordinário, não
compromete o princípio constitucional da presunção de inocência afirmado pelo artigo 5º, inciso
LVII da Constituição Federal.”

4
Habeas Corpus nº 226703/ES, Relatora Ministra Laurita Vaz, acórdão julgado em 03.10.13.

5
Art. 147. Transitada em julgado a sentença que aplicou a pena restritiva de direitos, o Juiz da execução, de ofício ou
a requerimento do Ministério Público, promoverá a execução, podendo, para tanto, requisitar, quando necessário, a
colaboração de entidades públicas ou solicitá-la a particulares.
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No entanto, a 3ª Seção do C. STJ6, por maioria de voto, nos Embargos de
Divergência em Recurso Especial nº1619087 pacificou entendimento de que “o Supremo
Tribunal Federal, ao modificar sua jurisprudência, não considerou a possibilidade de se
executar provisoriamente, especificamente, a pena restritiva de direitos. [...] a análise se
restringiu à reprimenda privativa de liberdade, na medida em que dispôs tão somente sobre a
prisão do acusado condenado em segundo grau, antes do trânsito em julgado.”
Logo, a condenação não deverá ser executada de pronto, devendo aguardar seu
trânsito em julgado.

FIXAÇÃO DA PENA-BASE

Embora a alegação de violação dos princípios da proporcionalidade e da


razoabilidade na fixação da pena-base esteja preclusa, pelas mesmas razões acima expostas, a
arguição está interligada com a decisão a ser proferida nos presentes embargos, ao qual passo a
analisar.
No caso vertente, a irresignação nos Embargos de Declaração prospera em parte.
Dispõe o art. 275 do Código Eleitoral que são admissíveis embargos de declaração
nas hipóteses previstas no CPC.
Da leitura do recurso manejado, não constato o vício da contradição a que se
refere o art. 1022, do CPC7.
Os vícios sujeitos à correção pelos embargos de declaração devem ser objetivos, e
não relacionados ao acerto, ou não, da decisão.
Observo que o v. Acórdão vergastado tratou, expressamente, dos pontos elencados
como contraditórios pelo Embargante.

Por oportuno, destaco trechos do voto condutor:

“In casu, o Recorrente, candidato a vereador no pleito de 2008, pelo


município de Aracruz/ES, teria supostamente oferecido e entregue dádivas, consistente
em autorizações de abastecimento de combustível, condicionado à fixação de adesivos
nos veículos de propriedade dos eleitores, contendo propaganda eleitoral do mesmo.

Das provas documentais, verifico que o Recorrente promoveu o


fornecimento de vales combustíveis para terceiros, que não detinham vinculação com a
sua campanha eleitoral, restando comprovada a doação de combustível,
exclusivamente para a obtenção de votos.

No período compreendido entre 25/09/08 a 04/10/08, 24 (vinte e


quatro) veículos foram abastecidos no Posto Trevão, mediante a apresentação de 26
(vinte e seis) autorizações de abastecimento, fornecidos pelo Recorrente, conforme
6
STJ, Embargos de Divergência em Recurso Especial nº 1619087/SC, Relator Ministro Jorge Mussi –
voto divergente vencedor.
7
Art. 1.022. Cabem embargos de declaração contra qualquer decisão judicial para:
I - esclarecer obscuridade ou eliminar contradição;
II - suprir omissão de ponto ou questão sobre o qual devia se pronunciar o juiz de ofício ou a requerimento;
III - corrigir erro material.
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atestado pela Nota Fiscal nº 12372 (fl. 120) e Demonstrativo de Vendas por Cliente de
fls. 120/122, vinculados ao Inquérito Policial nº 740/2008. Tais documentos
comprovam, com efetividade, a materialidade delitiva e autoria do Recorrente.

Por sua vez, as provas testemunhais demonstram o dolo específico do


Recorrente, consistente na finalidade de obter votos, ainda que não haja o pedido
expresso.

[...].

Figura correta a sentença hostilizada quando afirma que muito embora


o Recorrente sustente que os contratos e a prestação de contas são provas da legalidade
dos pagamentos, aqueles foram simulados para dar aparência de legalidade em conduta
que, na verdade, apenas representava a concessão de vantagem e benefícios em troca
do apoio nas eleições municipais de 2008, mormente quando as testemunhas, em sede
policial, foram unânimes em afirmar que não trabalharam na campanha eleitoral.

Destaco, por derradeiro, que o dolo específico do crime em espécie


ficou bem delineado, como bem asseverou a Procuradoria Regional Eleitoral em seu
parecer de fls. 398/412, que passo a transcrever:

Portanto, o conjunto probatório produzido nos autos é suficiente à


comprovação do elemento subjetivo do tipo penal-eleitoral da corrupção, já que as
testemunhas ouvidas, tanto na fase policial, quanto na esfera judicial, afirmam que o
recorrente ANDERSON SEGATTO GHIDETTI realizou a doação de combustível,
durante o período eleitoral, configurando a conduta típica na qual fora baseada a
condenação.

Diante do conjunto fático e probatório, restou plenamente aperfeiçoada


a autoria e a materialidade da conduta delitiva do Recorrente, prevista no art. 299 do
Código Eleitoral, na forma do art. 71, do Código Penal.”

O v. Acórdão também foi objeto de minuciosos votos dos membros do E. TRE/ES,


inclusive pelo Eminente Desembargador Presidente a critério de desempate, e por 4x3 houve a
manutenção da r. sentença de 1º grau.
Assim, consigno que o Embargante visa, nesse ponto específico – suposta
existência de contradição - ao reexame do mérito já anteriormente decidido.
No entanto, eventual discordância com o julgado não caracteriza contradição
ensejadora dos aclaratórios, consoante estabelece a legislação em referência, mas, sim, mera
irresignação com a decisão impugnada.
Nesse mesmo sentido, a jurisprudência pacífica do C. TSE8 quando expõe que os
embargos de declaração não podem “ser utilizados com a finalidade de sustentar eventual
incorreção do decisum hostilizado ou de propiciar novo exame da questão de fundo, de forma a
viabilizar, em âmbito processual inadequado, a desconstituição de ato judicial regularmente
proferido.”
8
Embargos de Declaração em Agravo Regimental em Recurso Especial Eleitoral Recurso Especial Eleitoral nº
8454, Relator Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, acórdão publicado em 02.06.2017.
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Ademais, como já decidiu o Superior Tribunal de Justiça nos autos do Recurso
Especial nº 876410, do qual foi Relatora a Exmª. Srª. Ministra Denise Arruda:

“(...)1. Não viola o art. 535 do CPC, tampouco nega prestação


jurisdicional, o acórdão que, mesmo sem ter examinado individualmente cada
um dos argumentos trazidos pelo vencido, adotou, entretanto, fundamentação
suficiente para decidir de modo integral a controvérsia”.

Quanto à omissão na revisão do aumento indevido da pena – continuidade delitiva


– razão assiste ao Embargante, o que impõe o conhecimento e parcial provimento dos
aclaratórios.
Assim, passo a análise do mérito recursal nesse ponto específico.
Rememoro aos pares que se trata de Recurso Criminal interposto por ANDERSON
SEGATTO GHIDETTI, em face da r. sentença de fls. 335/348 que julgou procedente o pedido e
reconheceu a prática do crime de corrupção eleitoral, em decorrência do fornecimento de
combustível, com o objetivo de angariar votos nas Eleições de 2008.
Irresignado, o Recorrente interpôs o recurso em apreço, alegando, em síntese: (i) a
inexistência do delito previsto no art. 299, do Código Eleitoral, haja vista que os depoimentos
colhidos em nenhum momento demonstraram a prática do ilícito penal; (ii) que os supostos
corruptores eleitorais passivos firmaram contrato de cessão de uso dos veículos com o
Recorrente, tendo como finalidade a adesivagem de propaganda eleitoral e a participação em
eventos nas Eleições 2008, motivo pelo qual não se justificaria a condenação.
Aduz, ao final, a reforma da r. sentença, a fim de que seja absolvido pela prática
do delito prescrito no art. 299 do Código Eleitoral e, alternativamente, na hipótese de manutenção
da condenação, postula pela redução da pena aplicada, ante a condição de primariedade do réu.
De acordo com as provas nos autos, o Recorrente procedeu ao abastecimento de 24
(vinte e quatro) veículos, mediante a apresentação de 26 (vinte e seis) autorizações de
abastecimentos, entre 25.09.08 a 04.10.08, caracterizando a ocorrência do crime tipificado no art.
299 do Código Eleitoral em continuidade delitiva.
A r. sentença (fls. 335/348) figura acertada em todos os seus termos, de acordo
com o sistema trifásico de aplicação da pena, criado por Nelson Hungria. Passo a análise.
A pena base apresentou-se em 02 (dois) anos e 06 (seis) meses de reclusão em
decorrência de duas circunstâncias judiciais desfavoráveis – culpabilidade e motivos – fixadas e
graduadas corretamente. Ao fixar a pena, o douto magistrado observou os critérios instituídos
pelo art. 59 do Código Penal.
Cabe ressaltar, que o Embargante não tem razão quando afirma que a pena-base
deveria ser reduzida para 01 (um) ano e 09 (nove) meses de reclusão, pois a doutrina e
jurisprudência têm o entendimento de que a cada circunstância judicial valorada negativamente
deve ensejar o aumento de 1/8 (um oitavo) do intervalo existente entre a pena mínima e a pena
máxima.
A lei confere ao julgador certo grau de discricionariedade na análise da dosimetria,
atrelado às particularidades fáticas do caso concreto e subjetivas do agente.
A jurisprudência do C. STJ corrobora nesse sentido:
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PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS.
FURTO QUALIFICADO. DOSIMETRIA. PENA-BASE FIXADA ACIMA
DO MÍNIMO. CONSEQUÊNCIAS DO DELITO. EXPRESSIVO
PREJUÍZO. FUNDAMENTAÇÃO CONCRETA. DISCRICIONARIEDADE
DO JUIZ. APLICAÇÃO DO QUANTUM DEVIDAMENTE
FUNDAMENTADO. OFENSA À RAZOABILIDADE NÃO VERIFICADA.
DECISÃO MANTIDA. AGRAVO IMPROVIDO.
3. A fixação da pena-base acima do mínimo legal não se dá
com base em critérios matemáticos, tendo em vista que é admissível certa
discricionariedade do órgão julgador, conforme estabelece o princípio do
livre convencimento motivado. (grifo meu)
(Agravo Interno no Habeas Corpus nº 377.446/RJ, Relator
Ministro Nefi Cordeiro, acórdão publicado em 20.04.17).

Assim, com acerto a douta Procuradoria Regional Eleitoral quando afirma que “a
gravidade dos crimes eleitorais cometidos, o número de infrações penais perpetradas e o
objetivo da prática criminosa demonstram que a culpabilidade do embargante é elevada.
Ademais os motivos do crime, que apontam para a tentativa de se eleger a qualquer custo,
também são claramente desfavoráveis ao embargante.”
Não houve circunstâncias atenuantes e agravantes.
Por conseguinte, acertadamente o MM. Juiz Eleitoral fixou, em definitivo, a pena
privativa de liberdade em 03 (três) anos e 09 (nove) meses de reclusão.
A fundamentação do aumento de pena decorre da continuidade delitiva, sendo que
o esquema de corrupção eleitoral no caso denota a reiteração da conduta criminosa por seguidas
vezes, a justificar a incidência da causa de aumento acima.
Comunga do mesmo entendimento o C. TSE9 segundo o qual “o aumento da pena
pela continuidade delitiva se faz, quanto ao art. 71, caput, do Código Penal, com base em
critérios objetivos, em razão do número de infrações praticadas.”
Esse, também, é o entendimento jurisprudencial do C. STJ10 quando expõe que
“para a majoração da pena do crime continuado específico, previsto no parágrafo único do art.
71 do CP (cujo aumento pode ser até o triplo), deve haver fundamentação com base no número
de infrações cometidas.”
Verifico, ainda, que o STJ possui o entendimento consolidado de que, em se
tratando de aumento de pena referente à continuidade delitiva, aplica-se a fração de aumento de
1/6 pela prática de 2 infrações; 1/5, para 3 infrações; 1/4 para 4 infrações; 1/3 para 5 infrações;
1/2 para 6 infrações e 2/3 para 7 ou mais infrações.

PROCESSUAL PENAL E PENAL. HABEAS CORPUS


SUBSTITUTIVO DE RECURSO. INADEQUAÇÃO. ROUBO MAJORADO
E ESTELIONATO. DOSIMETRIA. DISCRICIONARIEDADE RELATIVA.
CONTINUIDADE DELITIVA SIMPLES. QUANTUM EXASPERAÇÃO.
CRITÉRIO PROGRESSIVO E PROPORCIONAL À QUANTIDADE DE
9
Habeas Corpus nº 27846/RO, Relator Ministro Marcelo Henriques Ribeiro de Oliveira, acórdão publicado em 20.05.2010.

10
Habeas Corpus nº 376089/PB, Relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, acórdão julgado em 15.12.2016.
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CRIMES EM CONTINUIDADE DELITIVA. QUATRO CRIMES. FRAÇÃO
DE AUMENTO DE 1/2. DESPROPORCIONALIDADE. REGIME DE
CUMPRIMENTO DA PENA. PENA-BASE NO MÍNIMO LEGAL. RÉU
PRIMÁRIO. MOTIVAÇÃO INIDÔNEA PARA A IMPOSIÇÃO DO REGIME
FECHADO. SÚMULA/STJ 440. WRIT NÃO CONHECIDO. ORDEM
CONCEDIDA DE OFÍCIO.
4. A exasperação da pena do crime de maior pena, realizado em
continuidade delitiva, será determinada, basicamente, pelo número de infrações
penais cometidas, parâmetro este que especificará no caso concreto a fração de
aumento, dentro do intervalo legal de 1/6 a 2/3. Nesse diapasão esta Corte
Superior de Justiça possui o entendimento consolidado de que, em se
tratando de aumento de
pena referente à continuidade delitiva, aplica-se a fração de
aumento de 1/6 pela prática de 2 infrações; 1/5, para 3 infrações; 1/4 para 4
infrações; 1/3 para 5 infrações; 1/2 para 6 infrações e 2/3 para 7 ou mais
infrações. (grifo meu)
(Habeas Corpus nº 289.310/SP, Relator Ministro RIBEIRO
DANTAS, acórdão publicado em 07.04.2017).

No caso em comento, o Recorrente praticou 24 (vinte e quatro) condutas de


compra de votos, sendo que a pena – 03 anos e 09 meses – foi fixada abaixo do estabelecido pela
jurisprudência, quando deveria ser fixada no grau máximo de 2/3.
Por derradeiro, no que tange ao prequestionamento, apresentado pelo Embargante,
a jurisprudência do C. TSE11 figura clara quando expõe que “o acolhimento dos Embargos de
Declaração, mesmo para fins de prequestionamento, pressupõe a existência, no acórdão
embargado, de um dos vícios previstos no art. 275 do CE.”
Assim sendo, presente no acórdão a omissão, o elemento suscitado nos embargos
figura incluso no julgado para fins de prequestionamento, por força do art. 1025 do CPC12.
Ante o exposto, e em consonância com o parecer da douta Procuradoria Regional
Eleitoral, CONHEÇO E DOU PARCIAL PROVIMENTO AOS EMBARGOS DE
DECLARAÇÃO, para sanar a omissão ocorrida; no que tange ao mérito do RECURSO
CRIMINAL, CONHEÇO E NEGO PROVIMENTO, mantendo incólume a r. sentença que fixou
a pena privativa de liberdade em 03 (três) anos e 09 (nove) meses de reclusão, substituída por
uma restritiva de direitos, na modalidade prestação de serviços à comunidade.
É como voto, Senhor Presidente.

11
Embargos de Declaração em Agravo Regimental em Recurso Especial Eleitoral nº 18768/PR, Relator Ministra
Luciana Lóssio, acórdão publicado em 20.0417.

12
Art. 1.025. Consideram-se incluídos no acórdão os elementos que o embargante suscitou, para fins de pré-
questionamento, ainda que os embargos de declaração sejam inadmitidos ou rejeitados, caso o tribunal superior
considere existentes erro, omissão, contradição ou obscuridade.
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VOTO

O Sr. JUIZ DE DIREITO HELIMAR PINTO:-


Senhor Presidente: Acompanho o eminente Relator.

PEDIDO DE VISTA

O Sr. JURISTA RODRIGO MARQUES DE ABREU:-


Senhor Presidente: Respeitosamente, peço vista dos presentes autos.

DECISÃO: Adiada em virtude de pedido de vista formulado pelo Dr. Rodrigo Marques de
Abreu Júdice.
*

Presidência do Desembargador Sérgio Luiz Teixeira Gama.


Presentes o Desembargador Samuel Meira Brasil Júnior e os Juízes Helimar Pinto, Aldary Nunes
Júnior, Adriano Athayde Coutinho, Rodrigo Marques de Abreu Júdice e Marcus Vinícius
Figueiredo de Oliveira Costa.
Presente também o Dr. Carlos Vinícius Soares Cabeleira, Procurador Regional Eleitoral.

\cds
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SESSÃO ORDINÁRIA
04-09-2017

PROCESSO Nº 3-39.2015.6.08.0020 - CLASSE 31- Embargos de Declaração (Continuação


do julgamento)
NOTAS TAQUIGRÁFICAS – Fls. 1/8

VOTO-VISTA

O Sr. JURISTA RODRIGO MARQUES DE ABREU JÚDICE: -


Senhor Presidente: Na sessão de julgamento do dia 15/08/2017, o Eminente
Relator, DESEMBARGADOR SAMUEL MEIRA BRASIL JÚNIOR, votou Questão de Ordem
suscitada pela defesa, para rejeitá-la, pontuando que:

“[...] CIRCUNSTÂNCIAS JUDICIAIS CULPABILIDADE E


MOTIVO – MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA
O Requerente-Embargante aduz que as ilegalidades na valoração das
circunstancias judiciais culpabilidade e motivo são questões de ordem pública e que,
como tais, podem ser analisadas nos embargos de declaração.
Contudo, embora as matérias de ordem pública possam ser arguidas
em qualquer momento, uma vez decididas e não havendo recurso das partes, o tema
já se torna precluso.
In casu, as questões levantadas pelo Requerente foram decididas na
sentença (fls. 335/348), no entanto não foram alegadas no seu Recurso Criminal (fls.
353/379), motivo pelos quais estão preclusas.
A jurisprudência do C. STJ1 figura no mesmo sentido quando expõe
que ‘o fato de se tratar de matéria de ordem pública não tem o condão de afastar a
preclusão, por se tratar de questão já decidida.’
Não discrepa desse entendimento a jurisprudência do E. TSE 2 quando
afirma que ‘não há como acolher a tese de que a questão de ordem pública relativa a
suposta nulidade processual poderia ser conhecida em qualquer grau de jurisdição,
uma vez que o tema foi veiculado após a interposição do Recurso Especial.’
Cabe ressaltar, que o próprio Requerente alega (fl. 491) que ‘a
matéria não foi discutida no julgamento do recurso, já que, em sede de razões
recursais houve impugnação tão-somente quanto à fixação do crime continuado
[...]’.
CONCESSÃO DE HABEAS CORPUS DE OFÍCIO
O Requerente afirma que não há impedimento na invocação e
apreciação das ilegalidades quanto à culpabilidade e aos motivos, mesmo não sendo

1
Agravo Regimental no Agravo de Instrumento nº 1390295/RJ, Relator Ministro Marco Buzzi, 4ª Turma, acórdão publicado em
23.05.17.

2
Recurso Especial Eleitoral nº 6527, Relator Napoleão Nunes Maia Filho, acórdão publicado em 25.04.17.
Agravo Regimental no Agravo de Instrumento nº 31-26/MG, Relatora Ministra Luciana Lóssio, acórdão publicado em 19.12.16.
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Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo
impugnadas nas razões recursais, pois “em sede penal, é possível a apreciação de
questões de ordem pública a qualquer momento e em qualquer grau de jurisdição,
em razão do disposto no art. 654, § 2º, do CPP.”
O art. 654, § 2º do CPP dispõe que:
Art. 654. O habeas corpus poderá ser impetrado por qualquer
pessoa, em seu favor ou de outrem, bem como pelo Ministério Público.
[...].
§ 2o Os juízes e os tribunais têm competência para expedir de ofício
ordem de habeas corpus, quando no curso de processo verificarem que alguém sofre
ou está na iminência de sofrer coação ilegal.
Assim sendo, a aplicação do habeas corpus de ofício é instrumento
adequado à análise da dosimetria da pena na hipótese de flagrante ilegalidade, mas
esse não é o caso dos presentes autos.
O STJ3 entende que “excetuados os casos de patente ilegalidade ou
abuso de poder, é vedado, em habeas corpus, o amplo reexame das circunstancias
judiciais consideradas para a individualização da sanção penal [...].”
Nessa linha de raciocínio, revela-se acertado o entendimento do
Parquet quando aduz que “não se trata de hipótese de aplicação do art. 654, § 2º do
CPP, o qual permite a concessão de habeas corpus de ofício quando se verificar que
alguém sofre ou está na iminência de sofrer coação ilegal no curso do processo. Isso
porque não há qualquer ilegalidade manifesta ou mesmo teratologia a demandar a
concessão da ordem.”
Portanto, o argumento não deve ser acolhido. [...]”

Após ouvir atentamente o voto proferido pelo Membro que me antecedeu, pedi
vista dos autos, na sessão plenária do dia 15/08/2017, e passo a expor a minha convicção sobre a
matéria em debate.
Em que pese a fundamentação do voto do eminente Relator, peço vênia para dele
divergir. Explico.
Objetivando rememorar os fatos, transcrevo abaixo excertos do voto proferido pelo
Eminente Relator, na parte que toca ao Relatório, litteris:

“[...] Trata-se de Embargos de Declaração opostos por ANDERSON


SEGATTO GHIDETTI em face do v. Acórdão nº 76 (fls. 418/458) deste Egrégio
Tribunal Regional Eleitoral.
O Embargante alega a existência de contradições e omissão no v.
Acórdão embargado, em decorrência da ausência de valoração de todos os pontos
alegados na contestação e no recurso eleitoral manejado.
Às fls. 478/487, a douta Procuradoria Regional Eleitoral opina pelo
conhecimento e parcial provimento dos embargos de declaração, a fim de sanar a
omissão apontada sem, contudo, emprestar-lhes efeitos infringentes.
O Embargante, momentos antes da sessão de julgamento dos

3
Habeas Corpus nº 226703/ES, Relatora Ministra Laurita Vaz, acórdão julgado em 03.10.13.
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aclaratórios, na data de 05.07.17, apresenta petição (fls. 490/502) na qual requer
apreciação de questões de ordem pública.
Em decorrência desse requerimento, o processo foi baixado de pauta e
encaminhado para manifestação do Ministério Público Eleitoral.
A douta Procuradoria Regional Eleitoral manifesta-se (fls. 506/516)
pelo não conhecimento do requerimento e, caso seja conhecido, pugna pelo seu
indeferimento. [...]”

O substancioso voto do Eminente Desembarador Relator foi no sentido de haveria


preclusão das questões aventadas pela defesa, já que decididas na sentença e não alegadas no
recurso criminal.
Todavia, data vênia, entendo que a matéria não está preclusa, podendo haver a
análise, neste momento processual, da dosimetria da pena, no que tange às circunstâncias
judiciais indicadas na Questão de Ordem (culpabilidade e motivos).
Isto porque segundo entendimento do Colendo STJ4, a dosimetria da pena é
matéria de ordem pública, a envolver o princípio constitucional da individualização da pena, e
como tal, pode, a qualquer tempo, ser conhecida pelo Tribunal, inclusive de ofício5.
Assim, caso detectada a premissa fática equivocada em que se fundamentou o
incremento da pena na segunda fase da dosimetria, manter-se tal equívoco sob os argumentos de
que teria havido preclusão, seria sobrepujar o princípio da legalidade e da correta prestação
jurisdicional em nome da técnica jurídico-processual.
Registre-se que não se prega o desprezo ao princípio constitucional do devido
processo legal ou a negativa de vigência ao sistema recursal, mas impõe prevaleça a correta
aplicação da lei e a justiça na prestação jurisdicional.
Assim sendo, nada impede que na hipótese vertente seja analisado se houve,
efetivamente, o erro de avaliação das circunstâncias judiciais (culpabilidade e motivos).
Ademais, embora o recurso criminal apresentado não tenha se insurgido
especificamente sobre as circunstâncias judiciais indicadas na Questão de Ordem (culpabilidade e
motivos), verifica-se à fl. 178 do recurso apresentado que a defesa alegou a existência de
“indevida majoração em desfavor do réu”, no Item 7.3, ipsis litteris:

“[...] Na fixação da pena, houve indevida majoração em desfavor do


réu, na condenação em três anos e nove meses de reclusão [...]”.

4
PENAL E PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL EM AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. I) AGRAVO DE
R G F DA S: FUNDAMENTOS DA DECISÃO MONOCRÁTICA NÃO REFUTADOS. SÚMULA
182/STJ.INTERCEPTAÇÃO TELEFÔNICA. ALEGAÇÃO DE AUSÊNCIA DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. NÃO
OCORRÊNCIA. DEMANDA POR REEXAME DE PROVAS. SÚMULA 7/STJ. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL
NÃO DEMONSTRADO. PLEITO ABSOLUTÓRIO. CRIME DE QUADRILHA OU BANDO. REEXAME DE PROVAS.
DIMINUIÇÃO DA PENA. ART. 29, §1º, DO CP. PARTICIPAÇÃO. NECESSIDADE DE REEXAME DE PROVAS. SÚMULA
7/STJ. DOSIMETRIA DA PENA. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA.NECESSIDADE DE PREQUESTIONAMENTO.
PRECEDENTE. VIOLAÇÃO DOS ARTS. 400 E 531 DO CPP. REALIZAÇÃO DE NOVO INTERROGATÓRIO. FALTA DE
PREQUESTIONAMENTO. II) AGRAVO REGIMENTAL DE F R G F DA S: INTERPOSIÇÃO FORA DO PRAZO LEGAL
DE 5 DIAS. INTEMPESTIVIDADE. Agravo de R G F da S improvido. Agravo de F R G F da S não conhecido. (AgRg no
AREsp 822.279/PE, Rel. Ministro SEBASTIÃO REIS JÚNIOR, SEXTA TURMA, julgado em 17/05/2016, DJe 09/06/2016)
5
Cf. entendimento do Colendo STJ, ex vi REsp 987.598/PR, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA
TURMA, julgado em 27/08/2013, DJe 19/09/2013.
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Da mesma forma, em sede de embargos de declaração, à fl. 468, questionou a
omissão do v. acórdão decorrente da ausência de “enfrentamento acerca da dosimetria da pena
aplicada”, nos seguintes termos:

“[...] 2.1.1 - A partir de simples leitura do v. acórdão verifica-se que


não houve o enfrentamento acerca da dosimetria da pena aplicada ao Embargante,
incorrendo, portanto, em omissão o v. acórdão [...]”

E neste pormenor, não se pode perder de vista a ampla devolutividade do recurso


criminal que, embora possa encontrar certos limites nas razões expostas pela defesa, não
alcançam as questões de ordem pública, como no caso da dosagem da pena.
A este respeito, já se manifestou o Colendo STJ, no sentido de que “[...] O efeito
devolutivo do recurso de apelação encontra limites nas razões expostas pelo recorrente.
Didaticamente, pode-se dizer que a instância revisora não pode conhecer de questões que não
foram impugnadas, salvo as de ordem pública. [...]” (RHC 30.467/CE, Rel. Ministra LAURITA
VAZ, QUINTA TURMA, julgado em 03/09/2013, DJe 11/09/2013).
Nesta esteira, não vislumbro óbices à análise da dosimetria da pena imposta ao réu,
mesmo tendo a defesa se insurgido de forma genérica à indevida majoração da pena.
A corroborar a tese ora sustentada, os seguintes precedentes dos Tribunais
Regionais Pátrios:

Recurso Criminal. Difamação. Propaganda eleitoral. Preliminar


afastada. Autoria e materialidade comprovadas. Jornal impresso. Comprovação.
Dosimetria da pena. Redução.
I - O crime de difamar alguém, na propaganda eleitoral, comprova-
se, autoria e a materialidade, nestes autos, por jornal impresso contendo as matérias
tendenciosas.
II - Em razão da ampla devolutividade do apelo, bem como diante do
fato de que a justiça da pena é matéria de ordem pública, imperativo se faz o
redimensionamento da reprimenda, ante a desproporcionalidade na fixação no
dobro da pena base, por conta de uma única circunstância desfavorável.
III - Recurso parcialmente provido. (RECURSO CRIMINAL n 4974,
ACÓRDÃO n 345/2012 de 28/08/2012, Relator(a) OUDIVANIL DE MARINS,
Publicação: DJE/TRE-RO - Diário Eletrônico da Justiça Eleitoral, Tomo 167, Data
6/9/2012, Página 20 )

Recurso Criminal. Crime tipificado no artigo 347 do Código Eleitoral.


Recusa em cumprir ordens da Justiça Eleitoral. Sentença parcialmente condenatória.
A peça acusatória narra hipótese na qual o recorrente foi denunciado por se recusar
a dar cumprimento a ordens da Justiça Eleitoral, no bojo das representações
eleitorais - proceder à remoção de propagandas eleitorais antecipadas negativas
realizadas na internet, o que configuraria o crime de desobediência previsto no art.
347 do Código Eleitoral. Elementos constantes dos autos apresentam substrato
probatório mínimo apto a demonstrar a materialidade delitiva e autoria dos fatos,
havendo provas suficientes para comprovar a prática do crime pelo acusado,
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devendo a sentença condenatória ser mantida parcialmente. Recurso a que se nega
provimento.
Revisão de ofício da dosimetria da pena por ser matéria de ordem
pública. Redimencionada para 6 (seis) meses de detenção e 23 (vinte e três) dias-
multa. (RECURSO CRIMINAL n 14055, ACÓRDÃO de 11/05/2017, Relator(a)
RICARDO MATOS DE OLIVEIRA, Publicação: DJEMG - Diário de Justiça
Eletrônico-TER/MG, Data 23/05/2017 )

INSCRIÇÃO FRAUDULENTA DE ELEITOR. ART. 289 DO CÓDIGO


ELEITORAL. I. PRELIMINAR. NULIDADE DAS PROVAS COLHIDAS EM SEDE
INQUISITORIAL. INOCORRÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE ATENÇÃO AOS
COMEZINHOS PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA EM
SEDE DE INQUÉRITO POLICIAL. PROVAS QUE NÃO SÃO NULAS, MAS QUE
APENAS TEM SEU CONTEÚDO PROBANTE REDUZIDO, EM RELAÇÃO ÀS
PROVAS QUE FORAM PRODUZIDAS EM JUÍZO. DECRETO CONDENATÓRIO
NÃO EXCLUSIVAMENTE FUNDADO EM PROVAS INQUISITORIAIS. AUSÊNCIA
DE VIOLAÇÃO AO ART. 155 DO CÓDIGO DE PROCESSO PENAL. 1. [...]. II.
MÉRITO. INSCRIÇÃO FRAUDULENTA. ALEGAÇÃO DE FALTA DE INTENÇÃO
DE FRAUDAR O PROCESSO ELEITORAL. PEDIDO DE RECONHECIMENTO DE
ATIPICIDADE DA CONDUTA. INVIABILIDADE. CRIME FORMAL QUE NÃO SE
EXIGE A EFETIVA OCORRÊNCIA DE RESULTADO NATURALÍSTICO -
EFETIVO DANO À JUSTIÇA ELEITORAL - E QUE SE CONSUMA COM O
SIMPLES PREENCHIMENTO DO FORMULÁRIO DE INSCRIÇÃO.
DESNECESSIDADE DE DOLO ESPECÍFICO, MAS TÃO SOMENTE O DOLO
GENÉRICO. 1. [...].
III. DOSIMETRIA DE PENA. REDIMENSIONAMENTO.
AUSÊNCIA DE FUNDAMENTO PARA AUMENTO DE PENA-BASE, COM
FULCRO EM "AUSÊNCIA DE BOA CONDUTA SOCIAL". ARGUMENTOS
INSUFICIENTES. FUNDAMENTAÇÃO INEXISTENTE. PENA REDUZIDA AO
MÍNIMO LEGAL. PRECEDENTES DO STJ. CONFISSÃO ESPONTÂNEA.
RECONHECIMENTO COMO MEIO DE PROVA. PENA-BASE FIXADA NO
MÍNIMO LEGAL. IMPOSSIBILIDADE DE REDUÇÃO AQUÉM DO MÍNIMO
LEGALMENTE PREVISTO. ENUNCIADO DA SÚMULA STJ Nº 231.
PRECEDENTES. DIMINUIÇÃO DO QUANTITATIVO DE DIAS-MULTA AO
MÍNIMO LEGAL, POR SIMETRIA À PENA CORPORAL. INOCORRÊNCIA DE
MODIFICAÇÃO NO MODO DE CUMPRIMENTO DA PENA - SUBSTITUIÇÃO
POR RESTRITIVA DE DIREITOS. RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO.
1. [...]. 4. Em razão da ampla devolutividade do apelo, bem como
diante do fato de que a justiça da pena é matéria de ordem pública, e em não
havendo quaisquer causas que imponham a fixação da pena-base além do mínimo
legal, e ante a impossibilidade da fixação aquém desta - Enunciado da Súmula STJ
nº 231 - imperativo o redimensionamento da reprimenda, fixando a pena definitiva
no mínimo legal - 01(um) ano de reclusão, nos termos da parte final do art. 284 do
Código Eleitoral;
5. Há que se diminuir o quantitativo de dias-multa ao mínimo legal -
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05(cinco) dias multa, do preceito secundário do art. 289 do Código Eleitoral - por
simetria ao que decidido para a pena corporal;
6. Mesmo que a pena corpórea seja redimensionada, não há
modificação no modo do seu cumprimento - substituição desta por restritiva de
direitos - pelo que, no mais, mantido incólume o decisum monocrático.
Recurso conhecido e provido em parte. Preliminar de nulidade da
Sentença rejeitada. No mérito, deu-se parcial provimento com pena redimensionada,
fixada no mínimo legal inclusive o número de dias-multa, sem alteração da forma de
cumprimento. (RECURSO CRIMINAL (1ª INSTÂNCIA) n 963, ACÓRDÃO n 4623 de
14/03/2012, Relator(a) ALFEU GONZAGA MACHADO, Publicação: DJE - Diário
de Justiça Eletrônico do TRE-DF, Tomo 055, Data 21/03/2012, Página 3/4 )

Definidas essas premissas, passo à apreciação da Questão de Ordem suscitada.


Questiona-se a ilegalidade na fixação da pena, ao considerar desfavoráveis as
circunstâncias judiciais de culpabilidade e motivo, ao argumento de que integrariam o elemento
do tipo do delito do art. 299 do Código Eleitoral, o que seria vedado.
Sobre o tema, se a circunstância judicial valorada negativamente pelo juízo
sentenciante é ínsita à conduta delituosa, incorporada ao próprio tipo penal, não pode ser utilizada
como elemento hábil a proporcionar a majoração da reprimenda, sob pena de bis in idem.
A jurisprudência da Corte Superior firmou-se no sentido de que “[...] a majoração
da pena-base deve estar fundamentada na existência de circunstâncias judiciais desfavoráveis,
valoradas negativamente em elementos concretos, mostrando-se inidôneo o aumento com base
em alegações genéricas e em elementos inerentes ao próprio tipo penal, [...]” (HC 365.602/RS,
Rel. Ministro FELIX FISCHER, QUINTA TURMA, julgado em 16/02/2017, DJe 07/03/2017).
E ao ponderar as circunstâncias judiciais, o Magistrado considerou como
desfavoráveis a culpabilidade e o motivo (fl. 347v.), nos seguintes termos:

“[...] Culpabilidade é inegável, ante a consciência do denunciado;


[...] Os motivos, por sua vez, tiveram objetivo de alcançar vantagem ilícita, o que
deve ser sopesado em seu desfavor. [...]”

Conforme já delineado no voto que proferi anteriormente, quando da análise do


recurso criminal, é cediço que o crime de corrupção eleitoral, previsto no art. 299 do Código
Eleitoral, consiste em dar, oferecer, prometer, solicitar ou receber, para si ou para outrem,
qualquer outra vantagem, para angariar votos ou abstenção, ainda que a oferta não seja aceita, in
verbis:

Art. 299. Dar, oferecer, prometer, solicitar ou receber, para si ou para


outrem, dinheiro, dádiva, ou qualquer outra vantagem, para obter ou dar voto e para
conseguir ou prometer abstenção, ainda que a oferta não seja aceita:
Pena - reclusão até quatro anos e pagamento de cinco a quinze dias-
multa.

A referida norma penal tutela o livre exercício da liberdade dos direitos político,
especificamente do direito ao voto. A regra incrimina tanto a denominada corrupção eleitoral
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ativa (nas modalidades dar, prometer e oferecer) como a corrupção eleitoral passiva (nas
modalidades solicitar e receber).

No que se refere ao elemento subjetivo do tipo, consoante leciona Rodrigo López


6
Zilio , “[...] exige-se um elemento específico ou uma finalidade específica: o fim de obter ou dar
o voto e de promessa ou concretização da abstenção [...]”. Trata-se, portanto de crime doloso,
em qualquer de suas modalidades, no qual o dolo genérico é insuficiente.
Assim, para que haja condenação baseada no art. 299 do Código Eleitoral, é
necessária a comprovação do dolo especifico consistente em "obter ou dar voto e para
conseguir ou prometer abstenção", sem o qual não se configura a conduta típica, nos termos do
entendimento do Colendo TSE7.
Neste diapasão, no processo de dosimetria, só é lícita a valoração negativa das
consequências do crime quando ultrapassam a gravidade do resultado do delito cominado em
abstrato no tipo penal correlato.
Assinala-se que “[...] A valoração da culpabilidade por ocasião da dosimetria da
pena-base (CP, art. 59) é afinada com a individualização da pena, representando o grau de
censura pessoal do réu na prática do crime, ou seja, trata-se da mensuração de reprovabilidade.
[...]” (HC 333.373/RS, Rel. Ministro RIBEIRO DANTAS, QUINTA TURMA, julgado em
17/08/2017, DJe 28/08/2017).
Está, pois, ligada à intensidade do dolo ou o grau de culpa do agente.
Na hipótese que se apresenta, ao agravar a pena do réu, o Magistrado de 1º grau
considerou desfavorável a culpabilidade, “[...] ante a consciência do denunciado; [...]”.
Data vênia, o fundamento adotado não se sustenta, eis que não descreve qualquer
circunstância concreta apta a mensurar o grau de censura da conduta do réu.
Mesmo porque a consciência da ilicitude é elemento integrante da estrutura do tipo
penal do art. 299 do Código Eleitoral, não sendo fundamento que justifique considerar-se como
negativa a culpabilidade.
A este respeito, a elucidativa decisão do Colendo STJ, ao asseverar que “[...] A
culpabilidade normativa, que engloba a consciência da ilicitude e a exigibilidade de conduta
diversa e que constitui elementar do tipo penal, não se confunde com a circunstância judicial da
culpabilidade, que diz respeito à demonstração do grau de reprovabilidade ou censurabilidade
da conduta praticada. [...]” (REsp 1352043/SP, Rel. Ministro SEBASTIÃO REIS JÚNIOR,
SEXTA TURMA, julgado em 17/10/2013, DJe 28/11/2013).
Assim, entendo que razão assiste à defesa neste ponto.
Da mesma forma, quanto aos motivos do crime, na lição do Colendo STJ, devem
ser “[...] entendidos como as razões de ordem subjetiva que ensejaram as práticas criminosas,
[...]” e “[...] devem ser sopesados desfavoravelmente sempre que extrapolem os ínsitos ao tipo
penal. [...]” (HC 196.603/DF, Rel. Ministro RIBEIRO DANTAS, QUINTA TURMA, julgado
em 02/08/2016, DJe 23/08/2016).
Entendo que a obtenção de vantagem ilícita não configura motivação idônea à
valoração negativa dos motivos, por se tratar de razão inerente ao delito imputado.
Isto porque para a configuração do crime de corrupção eleitoral exige-se a
6
ZILIO, Rodrigo Lopez. Crimes Eleitorais. 2ªed. Jus Podium: 2016. p. 115
7
AI: 96665 SEVERÍNIA - SP, Relator: LUIZ FUX, Data de Julgamento: 14/05/2015, Data de Publicação: DJE - Diário de justiça
eletrônico, Tomo 117, Data 23/06/2015, Página 86/87.
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comprovação do dolo especifico consistente em obter ou dar voto e para conseguir ou prometer
abstenção.
Neste diapasão, razão também assiste à defesa neste tocante.
Imperioso, pois, o conhecimento da Questão de Ordem suscita, para reconhecer a
ilegalidade das circunstâncias judiciais valoradas de forma negativa.
Por consequência lógica, em não havendo quaisquer outras causas que imponham
a fixação da pena-base além do mínimo legal, imperioso redirecionamento da reprimenda,
fixando a pena base no mínimo legal, a saber, 01 (um) ano. Presente a causa de aumento da
continuidade delitiva, deve a pena fixada ser acrescida da metade, apurando-se a pena definitiva
em 01 (um) ano e 06 (seis) meses.
Reputo necessário, ademais, diminuir o quantitativo de dias-multa fixado,
impondo-a no patamar de 06 (seis) dias multa, por simetria ao que decidido para a pena corporal.
Acompanho, no mais, o voto do Eminente Desembargador Relator, no que tange à
impossibilidade de execução imediata da pena.
Ante o exposto, com o devido respeito que há de merecer a conclusão manifestada
pelo Eminente Relator, em seu substancioso voto, CONHEÇO da questão da ordem e, no mérito,
DOU PROVIMENTO para redimensionar a reprimenda, fixando a pena definitiva no mínimo
legal, a saber, 01 (um) ano, acrescida da metade, apurando-se a pena definitiva em 01 (um) ano e
06 (seis) meses.
É como voto.

DECLARAÇÃO de IMPEDIMENTO

O Sr. DESEMBARGADOR CARLOS SIMÕES FONSECA (PRESIDENTE


EM EXERCÍCIO):-
Egrégia Corte: Declaro o meu impedimento para atuar neste processo como
Presidente em Exercício, em virtude de o Desembargador Samuel Meira Brasil Júnior ser o
Relator. Desta forma, solicito a convocação do Desembargador Namyr Carlos de Souza Filho
para presidir este processo na próxima sessão.

DECISÃO: Julgamento sobrestado até convocação do Desembargador Namyr Carlos de Souza


Filho.

Presidência do Desembargador Carlos Simões Fonseca (Presidente em exercício).


Presentes o Desembargador Carlos Simões Fonseca e os Juízes Helimar Pinto, Aldary Nunes
Júnior, Adriano Athayde Coutinho, Rodrigo Marques de Abreu Júdice e Marcus Vinícius
Figueiredo de Oliveira Costa.
Presente também o Dr. Flávio Bhering Leitte Praça, Procurador Regional Eleitoral.
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\cds
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SESSÃO EXTRARDINÁRIA
14-09-2017

PROCESSO Nº 3-39.2015.6.08.0020 - CLASSE 31- Embargos de Declaração


(Continuação do julgamento)
NOTAS TAQUIGRÁFICAS – Fls. 1/2

VOTOS

O Sr. JUIZ DE DIREITO ALDARY NUNES JUNIOR:-


Sr. Presidente, egrégia Corte: conforme nós já tivemos oportunidade de
ouvir em sessões pretéritas, trata-se de recurso em que o Sr. Anderson Segatto Ghidetti
tenta, por meio agora de embargos declaratórios, uma redução na pena-base, que foi
estabelecida em dois anos e seis meses, e assim também como a não execução imediata da
sentença condenatória, se confirmada por esta Corte.
A despeito do brilhantismo usual do eminente Relator, peço vênia a S. Exa.
nesta ocasião para acompanhar o voto proferido pelo eminente Dr. Rodrigo Marques de
Abreu Júdice.
Lendo o processo e as motivações, também entendo que a sentença, ao
reconhecer as circunstâncias judiciais da culpabilidade e da motivação, e fazer com isso um
agravamento da pena, inobservou a dosimetria da pena prevista no artigo 259 e inseriu
como agravante circunstâncias que estão no tipo penal do 299 do Código Eleitoral.
Razão pela qual, pedindo as máximas vênias ao eminente Relator, eu
acompanho a divergência para dar provimento aos embargos e reduzir a pena-base para um
ano e seis meses, e também entender, conforme Acórdão de relatoria de S.Exa. o Ministro
Jorge Musse quando decidiu que enquanto não houver por parte do Supremo Tribunal
Federal uma decisão acerca do artigo 147 da Lei das Execuções Penais, não cabe, no caso
concreto, o cumprimento imediato da sanção condenatória.
Assim sendo, eu acompanho integralmente o voto do Dr. Rodrigo Marques
de Abreu Júdice.

O Sr. JURISTA ADRIANO ATHAYDE COUTINHO:-


Sr. Presidente, egrégia Corte: Eu me recordo do debate travado, ale de ter
recebido memoriais dos Advogados.
Pedindo vênia ao eminente Relator, eu acompanho a divergência inaugurada
pelo Dr. Rodrigo Marques de Abreu Júdice, ou seja, no sentido de dar provimento aos
embargos, fixando a pena definitiva no mínimo legal, a saber, de um ano, acrescida da
metade, apurando-se a pena definitiva em um ano e seis meses.
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Nos demais fundamentos, eu acompanho o voto do Relator, ou seja, nos
exatos termos da divergência inaugurada pelo Dr. Rodrigo Marques de Abreu Júdice.

O Sr. JUIZ FEDERAL MARCUS VINICIUS FIGUEIREDO DE


OLIVEIRA COSTA:-
Sr. Presidente, egrégia Corte: Voto no sentido de que a culpabilidade a que
se refere as normas que dizem respeito à fixação da pena não pode ser a mesma
culpabilidade que justifica a própria existência do crime. Se assim fosse, todo crime seria
fixado numa pena superior ao mínimo legal, uma vez que todo crime, por definição, é um
ato culpável. Por outro lado, os motivos desse crime não discrepam do ordinário em casos
análogos, motivo pelo qual eu acompanho a divergência para fixar a pena no mínimo legal,
à míngua de motivos que me façam vislumbrar a necessidade de apenamento em grau
superior.
Acompanho também o voto original como consta da divergência em relação
à execução da pena, assim como vota S.Exa. o Desembargador Relator.

DECISÃO: Por maioria de votos, conhecer da Questão de Ordem, para ainda, por igual
votação, conhecer do recurso e dar provimento, designando o Dr. Rodrigo Marques de
Abreu Júdice para a lavratura do v. Acórdão.

Presidência do Desembargador Namyr Carlos de Souza Filho (Presidente em exercício).


Presentes o Desembargador Samuel Meira Brasil Júnior e os Juízes Helimar Pinto, Aldary
Nunes Júnior, Adriano Athayde Coutinho, Rodrigo Marques de Abreu Júdice e Marcus
Vinicius Figueiredo de Oliveira Costa.
Presente também o Dr. Flavio Bhering Leitte Praça, Procurador Regional Eleitoral.

\dsl