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PODER JUDICIÁRIO Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo SESSÃO ORDINÁRIA 14-12-2016 PROCESSO Nº 3-39.2015.6.08.0020 - CLASSE

PODER JUDICIÁRIO

PODER JUDICIÁRIO Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo SESSÃO ORDINÁRIA 14-12-2016 PROCESSO Nº 3-39.2015.6.08.0020 - CLASSE

Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo

SESSÃO ORDINÁRIA

14-12-2016

PROCESSO Nº 3-39.2015.6.08.0020 - CLASSE 31 NOTAS TAQUIGRÁFICAS – Fls. 1/13

RELATÓRIO

O Sr. DESEMBARGADOR SAMUEL MEIRA BRASIL JÚNIOR

(RELATOR):-

Trata-se de Recurso Criminal interposto por ANDERSON SEGATTO GHIDETTI em face da r. sentença de fls. 335/348, proferida pelo MM. Juiz da 20ª Zona Eleitoral, que julgou procedente a pretensão punitiva estatal, condenando-o pela prática da conduta tipificada no art. 299 do Código Eleitoral, na forma do art. 71 do Código Penal. Irresignado, o Recorrente interpôs o recurso de fls. 353/379, por meio do qual alega a inexistência do delito previsto no art. 299, do Código Eleitoral. Em contrarrazões oferecidas às fls. 382/393, o Recorrido pugna pela manutenção da sentença vergastada. A Procuradoria Regional Eleitoral exarou parecer às fls. 398/412, manifestando-se pelo conhecimento do recurso criminal eleitoral, e, no mérito, pelo seu improvimento, ao argumento de que o conjunto probatório restou suficiente à comprovação do elemento subjetivo do tipo penal eleitoral da corrupção. É, em abreviada síntese, o Relatório. À douta Revisão.

*

SUSTENTAÇÃO ORAL

O Sr. ADVOGADO DO RECORRENTE Dr. LUCIANO CEOTTO:-

Senhor Presidente; Digníssimo Relator; Senhor Diretor Geral do Tribunal; colegas advogados, senhoras e senhores: Nesta oportunidade, dirijo especial cumprimento ao representante do Ministério Público Eleitoral nesta Corte, Dr Carlos Vinícius Soares Cabeleira, parabenizando na pessoa de S.Exa. todos os membros do zeloso e diligente Ministério Público Nessa oportunidade, por ocasião da data festiva do órgão acusador e fiscalizador da lei, trago aqui uma lembrança feita por um dileto colega, também membro do instituto do Ministério Público, Dr. Leonardo Costa Barreto: “Há dois tipos de pessoas que não gostam do Ministério Público: os ignorantes, porque não o conhecem; os criminosos, porque o conhecem bem demais.” É assim que reputamos e que queremos continue o zeloso Ministério Público.

Pois bem, subo à tribuna, substabelecido pelos colegas Dr. Luiz Alberto Lima Martins e Dr. Marcos Modonezi Vicente, que patrocinaram até o momento a causa de Anderson Segatto Ghidetti, que aqui recorre contra a sentença que julgou procedente a ação penal, condenando-o como incurso nas penas do artigo 299, do Código Eleitoral, na forma do artigo 71 do CP, nsurgindo-se contra a fixação de pena de três anos e nove meses de reclusão, substituída

PODER JUDICIÁRIO Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo por pena restritiva de direito, substituída por prestação

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Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo

por pena restritiva de direito, substituída por prestação de serviços à comunidade. No processo, merecem destaque os seguintes pontos. Está-se julgando nos autos o fato de ter o recorrente custeado o pagamento de dez litros de combustível para cinco cidadãos: Manoel Gomes Bandeira, José Nilson de Jesus Barros, Josemar Miranda de Jesus, Marilha Vescovi Gadioli e Dioneu Elias Monteiro no período que antecedeu as vésperas das eleições do longínquo ano de 2008. Todos os cinco cidadãos foram considerados pelo Parquet como sendo supostos corruptores eleitorais passivos, porque firmaram contrato com o recorrente de cessão de uso dos respectivos veículos, automóveis e motocicletas, todos eles discriminados nos autos às fls 79 a 88, e que essa cessão tinha como objeto a adesivagem para a propaganda e participação em eventos da campanha eleitoral daquele ano de 2008. Destaco também que todos os abastecimentos em discussão nos autos, cinco no total, foram declarados pela parte recorrente na respectiva prestação de contas apresentada à Justiça Eleitoral, prestação de contas essa aprovada na forma da lei. Todos os cinco cidadãos considerados pelo Ministério Público como supostos corruptores eleitorais passivos em seu depoimento, perante o honrado Juízo da 20ª Zona Eleitoral de Aracruz/ES, expressamente disseram não terem recebido nenhum tipo de proposta, vantagem, ou promessa em troca de voto, e que exerceram livremente suas respectivas intenções de voto. A jurisprudência é cristalina, inclusive, já sedimentada neste Tribunal Regional Eleitoral no sentido de que abastecimento de veiculo, ainda que tivesse sido em troca exclusivamente de adesivagem de carros e motos, não se amolda à tipicidade prescrita no artigo 299 do Código Eleitoral. Dos autos não se extrai sequer indícios, até porque não houve tal prática, de que tivesse o recorrente Anderson Ghidetti feito abordagem direta aos cinco eleitores discriminados na inicial com o objetivo de obter votos. O Ministério Público Eleitoral não impugnou durante a tramitação de primeira instância os contratos de cessão de uso de veículos, firmados entre o recorrente e os cinco supostos corruptores eleitorais passivos, bem como não impugnou a prestação de contas aprovada pela Justiça Eleitoral A condenação do recorrente contraria, por via reflexa, a prestação de contas eleitoral aprovada pelo TSE, já que os abastecimentos em discussão estão inclusos naquele julgamento.

Por fim, a pratica de abastecimento de veículos não configura o crime de corrupção eleitoral tipificado no artigo 299 do Código Eleitoral, pois, na hipótese, não se está a comprar votos do eleitor, e sim o exercício de propaganda, objetivando uma maior visibilidade à campanha eleitoral. Esses são os principais pontos delineados nos autos. Chamo a atenção também para o fato de que a investigação policial que precedeu a denuncia criminal decorreu de denúncia anônima, onde diversos candidatos daquele Município de Aracruz foram acusados de compra de votos em troca de cupons de abastecimento de combustível. No entanto, embora diversos candidatos daquele pleito tenham sido delatados no documento anônimo, apenas o recorrente teve contra si instaurada a ação penal. Data máxima vênia, com todo o respeito que tenho pelo Juiz prolator da sentença, S.Exa. se equivocou ao associar todos os cupons de abastecimento ao recorrente Anderson Segatto Ghidetti, enquanto que, liquidando-se a documentação constante dos autos, vê-se que os abastecimentos restringiram-se a apenas cinco cidadãos. Todos os abastecimentos foram reunidos na nota fiscal nº 12372, no valor de hum mil e cinqüenta e quatro reais, datados de 4 de outubro

PODER JUDICIÁRIO Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo de 2008, da qual se extrai terem ocorrido

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PODER JUDICIÁRIO Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo de 2008, da qual se extrai terem ocorrido

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de 2008, da qual se extrai terem ocorrido 38 abastecimentos, cinco reais ou dez litros, de 23 veículos, no período de 25 de setembro a 4 de outubro de 2008. São esses especificamente os abastecimentos atribuídos ao recorrente. Todos os supostos beneficiários ou destinatários do combustível foram ouvidos em juízo, afirmaram que puseram os seus veículos à disposição da campanha do recorrente, e que na tratativa para este ato de campanha eleitoral nunca, em momento nenhum, houve o comprometimento de voto. Então, Exas., me parece que a questão aqui reside na qualificação jurídica dada ao fato. S.Exa. o Juiz prolator da sentença entendeu que o abastecimento de veículo configura o tipo penal do artigo 299, enquanto nós, respeitosamente, e aí escorados e amparados na jurisprudência das cortes eleitorais, inclusive deste Tribunal, que já se manifestou pela inexistência de compra de voto em abastecimento de veículo para carreata, não caracteriza a tratativa, a negociação ilícita da compra de voto. São esses os pontos mais importantes, gizando que na sentença, onde se alude a suposta contradição entre os depoimentos prestados na esfera policial e na esfera judicial, na verdade tais contradições não existem porque o enfoque feito na esfera policial foi da verificação do fato, e o enfoque na esfera judicial foi já com a qualificação do fato, cinco anos após sua ocorrência, já com prestação de contas apresentada e aprovada pela Justiça Eleitoral. Com base em todos esses fatos, e certamente nos judiciosos suplementos jurídicos que serão adensados pelo Relator da matéria, é que se pede o provimento do recurso ora em análise para a absolvição total, plena e completa do recorrente Anderson Segatto Ghidetti. Muito obrigado.

*

VOTO

O Sr. DESEMBARGADOR SAMUEL MEIRA BRASIL JÚNIOR

(RELATOR):-

Trata-se de Recurso Criminal interposto por ANDERSON SEGATTO GHIDETTI, em face da r. sentença de fls. 335/348 que julgou procedente a prática do crime de corrupção eleitoral, em decorrência do fornecimento de combustível, com o objetivo de angariar votos nas Eleições de 2008. Cabe registrar, inicialmente, que o presente recurso preenche os requisitos intrínsecos e extrínsecos de admissibilidade, por isso, deve ser conhecido. Irresignado, o Recorrente interpôs o recurso em apreço, aduzindo, em síntese: (i) a inexistência do delito previsto no art. 299, do Código Eleitoral, haja vista que os depoimentos colhidos em nenhum momento demonstraram a prática do ilícito penal; (ii) que os supostos corruptores eleitorais passivos firmaram contrato de cessão de uso dos veículos com o Recorrente, tendo como finalidade a adesivagem de propaganda eleitoral e a participação em eventos nas Eleições 2008, motivo pelo qual não se justificaria a condenação. Em contrarrazões oferecidas às fls. 382/393, o Recorrido pugna pela manutenção da sentença vergastada. A Procuradoria Regional Eleitoral exarou parecer às fls. 398/412, manifestando-se pelo conhecimento do recurso criminal eleitoral, e, no mérito, pelo seu improvimento, ao

PODER JUDICIÁRIO Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo argumento de que o conjunto probatório restou suficiente

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PODER JUDICIÁRIO Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo argumento de que o conjunto probatório restou suficiente

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argumento de que o conjunto probatório restou suficiente à comprovação do elemento subjetivo do tipo penal eleitoral da corrupção. O artigo 299 do Código Eleitoral tipifica o crime de corrupção eleitoral, que assim

dispõe:

“Art. 299. Dar, oferecer, prometer, solicitar ou receber, para si ou para outrem, dinheiro, dádiva, ou qualquer outra vantagem, para obter ou dar voto e para conseguir ou prometer abstenção, ainda que a oferta não seja aceita. Pena - reclusão até quatro anos e pagamento de cinco a quinze dias-multa.”

Da análise do dispositivo em referência, tem-se que “o objeto jurídico é a liberdade do eleitor de escolher livremente, de acordo com sua consciência e seus próprios critérios e interesses, o destinatário de seu voto. Tanto a dação, a oferta ou a promessa, quanto a solicitação e o recebimento de vantagem podem gerar obrigação moral que o force a apoiar determinada candidatura em razão da vantagem auferida ou apenas acenada” (GOMES, 2015, p.

53).

Dada a sua natureza formal, para que ocorra sua consumação, basta a oferta (independente de aceitação), a promessa (independente de cumprimento), ou a solicitação (ainda que não seja atendido), de modo que a entrega concreta, efetiva e real da coisa, bem ou produto, ou mesmo a transferência de sua propriedade, posse ou detenção, configura mero esgotamento da ação delituosa.

Além disso, para a configuração do crime de corrupção eleitoral, exige-se a comprovação de dolo específico, ou seja, exige-se que reste comprovada a intenção do agente em obter ou dar voto ou, ainda, em conseguir ou prometer abstenção, como propósito único da ação. In casu, o Recorrente, candidato a vereador no pleito de 2008, pelo município de Aracruz/ES, teria supostamente oferecido e entregue dádivas, consistente em autorizações de abastecimento de combustível, condicionado à fixação de adesivos nos veículos de propriedade dos eleitores, contendo propaganda eleitoral do mesmo. Das provas documentais, verifico que o Recorrente promoveu o fornecimento de vales combustíveis para terceiros, que não detinham vinculação com a sua campanha eleitoral, restando comprovada a doação de combustível, exclusivamente para a obtenção de votos. No período compreendido entre 25/09/08 a 04/10/08, 24 (vinte e quatro) veículos foram abastecidos no Posto Trevão, mediante a apresentação de 26 (vinte e seis) autorizações de abastecimento, fornecidos pelo Recorrente, conforme atestado pela Nota Fiscal nº 12372 (fl. 120) e Demonstrativo de Vendas por Cliente de fls. 120/122, vinculados ao Inquérito Policial nº 740/2008. Tais documentos comprovam, com efetividade, a materialidade delitiva e autoria do Recorrente.

Por sua vez, as provas testemunhais demonstram o dolo específico do Recorrente, consistente na finalidade de obter votos, ainda que não haja o pedido expresso. Nesse sentido, o depoimento de FRANCISVALDO ABILIO DE SOUZA, Chefe de fiscalização dos frentistas do Posto Trevão:

Depoimento em Juízo (fl. 288)

PODER JUDICIÁRIO Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo “[ ] que exibidos os documentos de fls.

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PODER JUDICIÁRIO Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo “[ ] que exibidos os documentos de fls.

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“[

]

que exibidos os documentos de fls. 33/68, reconhece como sendo semelhantes àqueles que

... eram recebidos; que eram feitos abastecimentos de “carros de políticos”; que era feita a identificação por meio de um adesivo do candidato; que seria o carro comum, mas com o adesivo

de um candidato; [

...

]

que este abastecimento de “carros de políticos” ocorriam até as eleições.”

Depoimento no Inquérito Policial (fls. 199/200)

“[

]

que por orientação do proprietário do posto de gasolina em tela, JAIME LOPES BITTI, para

... que houvesse o abastecimento mediante apresentação das autorizações do posto TREVÃO supramencionadas, bastaria que o condutor, primeiro, apresentasse tal autorização preenchida com data, placa do veículo e do condutor e em segundo, que tivesse adesivo do candidato colado no veículo [ ].” ...

Depoimento de JOSÉ LIMA DOS SANTOS, frentista do Posto Trevão:

Depoimento em Juízo (fl. 286)

“[

]

que trabalha no Posto Trevão desde 1999 até hoje; que em se tratando de empresas, é

... comum que os abastecimentos ocorram por meio de documentos (vales), o mesmo não ocorrendo

com relação a pessoas físicas; [

...

]

que na época da política, a maioria dos candidatos mandavam

abastecer no posto Trevão [ abastecer veículos [ ].” ...

...

];

que na época da política era comum pessoas aparecerem para

Depoimento no Inquérito Policial (fl. 160)

“[

]

que esclarece que o procedimento de abastecimento com autorização em tela, no que tange

... ao cidadão comum, ou seja, que não tinha vínculo com nenhuma empresa conveniado com o

posto em foco, só se deu no período pré-eleitoral [...].”

Por conseguinte, o Recorrente aduz que os supostos corruptores eleitorais passivos firmaram contrato de cessão de uso dos veículos com o candidato, tendo como finalidade a adesivagem de propaganda eleitoral e a participação em eventos nas Eleições 2008, motivo pelo qual não se justificaria a condenação.

Em que pesem as contradições apontadas nos depoimentos judiciais de algumas testemunhas, as mesmas confirmaram, em sede de interrogatório policial, que não laboraram na campanha do denunciado e que a doação de combustível ocorria sem qualquer vínculo com a atividade eleitoral típica, desqualificando o suposto contrato de cessão.

Senão vejamos:

Depoimento de DIONEL ELIAS MONTEIRO (fl. 345 do IP nº 740/08):

“[

...

]

que não trabalhou na campanha do então candidato a vereador para o município de Aracruz

no ano de 2008, Anderson Ghidete; que, todavia, reconhece que de fato abasteceu o veículo supra

PODER JUDICIÁRIO Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo citado, durante o período de campanha eleitoral no

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PODER JUDICIÁRIO Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo citado, durante o período de campanha eleitoral no

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citado, durante o período de campanha eleitoral no Posto de Gasolina denominado Trevão, localizado no Município de Aracruz; que esclarece que tal abastecimento se deu após ter recebido requisição do comitê eleitoral do candidato supra citado; que desta forma, após ter colado seu adesivo de campanha teve garantido, no posto em questão o abastecimento gratuito de seu veículo, após apresentação desta requisição; que na época não participou de nenhuma carreata do candidato em tela [ ].” ...

Depoimento de JOSEMAR MIRANDA DE JESUS (fl. 299 do IP nº 740/08):

“[

]

que esclarece que em nenhum momento laborou na campanha do candidato a vereador para

... o município retro citado ANDERSON SEGATTO GHIDETTI; que no entanto ficou sabendo, na época dos fatos, que no comitê deste candidato localizado em frente ao Posto Central do mesmo

Município, o candidato em tela estava distribuindo tais autorizações de abastecimento com a

condição de que o depoente adesivasse a sua propaganda eleitoral em seu veículo; que se fizesse

isso teria o direito a abastecer 5 litros de gasolina por semana [

]

que se recorda que o

... movimento no comitê das pessoas que chegavam com o fim de obtenção da autorização em questão era bastante intenso; que destaca quando esteve no comitê supra mencionado e recebeu a

autorização de abastecimento em tela foi solicitado pelas pessoas que trabalhavam no local que o

depoente votasse no candidato ANDERSON GHIDETTE [

...

].”

De igual modo foram os depoimentos prestados na esfera policial pelas testemunhas Manoel Gomes Bandeira (fl. 297 do IP nº 740/08) e José Nilson de Jesus Barros (fl. 298 do IP nº 740/08). Figura correta a sentença hostilizada quando afirma que muito embora o Recorrente sustente que os contratos e a prestação de contas são provas da legalidade dos pagamentos, aqueles foram simulados para dar aparência de legalidade em conduta que, na verdade, apenas representava a concessão de vantagem e benefícios em troca do apoio nas eleições municipais de 2008, mormente quando as testemunhas, em sede policial, foram unânimes em afirmar que não trabalharam na campanha eleitoral. Destaco, por derradeiro, que o dolo específico do crime em espécie ficou bem delineado, como bem asseverou a Procuradoria Regional Eleitoral em seu parecer de fls. 398/412, que passo a transcrever:

“Portanto, o conjunto probatório produzido nos autos é suficiente à comprovação do elemento subjetivo do tipo penal-eleitoral da corrupção, já que as testemunhas ouvidas, tanto na fase policial, quanto na esfera judicial, afirmam que o recorrente ANDERSON SEGATTO GHIDETTI realizou a doação de combustível, durante o período eleitoral, configurando a conduta típica na qual fora baseada a condenação.”

Diante do conjunto fático e probatório, restou plenamente aperfeiçoada a autoria e

a materialidade da conduta delitiva do Recorrente, prevista no art. 299 do Código Eleitoral, na forma do art. 71, do Código Penal.

Ante o exposto, CONHEÇO do recurso e, no mérito, NEGO PROVIMENTO e mantenho a sentença inalterada em todos os seus termos, por seus próprios fundamentos.

PODER JUDICIÁRIO Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo É como voto, Senhor Presidente . * VOTO

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É como voto, Senhor Presidente.

*

VOTO DIVERGENTE

O Sr. JURISTA ADRIANO ATHAYDE COUTINHO (REVISOR):-

Senhor Presidente: Ouso discordar da conclusão do eminente Relator pelos seguintes fundamentos. Versam os presentes autos de recurso criminal interposto pelo ANDERSON SEGATTO GHIDETTI em face da sentença de fls. 335/348, proferida pelo MM. Juiz da 20ª Zona Eleitoral, que o condenou à pena privativa de liberdade pelo prazo de 03 (três) anos e 09 (nove) meses, pela prática do delito previsto no art. 299, da Lei nº. 4.747/65, na forma do art. 71, do Código Penal. Narra a denúncia, às fls. 02/05, que, nas eleições de 2008, o ora Recorrente, então candidato a vereador no município de Aracruz/ES, teria doado combustíveis a eleitores do município nos dez dias que antecederam a data das eleições, ocorrida em 05.10.2008, visando a obtenção de votos em seu favor. Na oportunidade, relata que a autoria e materialidade do delito estão demonstradas nos boletos de autorização de abastecimentos apreendidos em diligência do Ministério Público em 04.10.2008 (fls. 33 a 68 do IP nº. 740/2008), na nota fiscal nº. 12372 que está acompanhada de demonstrativo de vendas expedido pelo posto revendedor na qual consta o nome do acusado como responsável financeiro por 38 (trinta e oito) abastecimentos em 24 (vinte e quatro) veículos nos dez dias que antecederam as eleições (fls. 120/122 do IP nº. 740/2008) e nos depoimentos dos eleitores que foram beneficiados com os combustíveis. Para comprovar o alegado, arrola as seguintes testemunhas (fls. 06/07): José Lima dos Santos, Francivaldo Abílio de Sousa, Manoel Gomes Bandeira, José Nilson de Jesus Barros, Josemar Miranda de Jesus, Marilha Vescovi Gadioli Castoldi e Dionel Elias Monteiro. Em suas razões, às fls. 353/79, o Recorrente aduz que (a) todos os corruptores eleitorais passivos, indicados pelo Parquet, firmaram contrato de cessão de veículo/moto para adesivagem como propaganda e participação em eventos da campanha eleitoral de 2008; (b) todos os abastecimentos foram declarados na respectiva prestação de contas apresentada à Justiça Eleitoral; (c) todos os supostos corruptores eleitorais passivos afirmaram em juízo que não receberam nenhum tipo de vantagem ou promessas em troca de voto; (d) não se extrai dos autos qualquer indício de que o Recorrente tivesse feito abordagem direta aos cinco eleitores descriminados na inicial com o objetivo de obter votos. Ao final, requer a absolvição do Recorrente.

Às fls. 398/412, a Procuradoria Regional Eleitoral pugna pelo improvimento do presente recurso. É a síntese necessária. O crime de corrupção eleitoral está previsto no artigo 299, do Código Eleitoral, in

verbis:

Art. 299. Dar, oferecer, prometer, solicitar ou receber, para si ou para outrem, dinheiro, dádiva, ou qualquer outra vantagem, para obter ou dar

PODER JUDICIÁRIO Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo voto e para conseguir ou prometer abstenção, ainda

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voto e para conseguir ou prometer abstenção, ainda que a oferta não seja aceita:

Pena - reclusão até quatro anos e pagamento de cinco a quinze dias-multa.

A norma penal tutela o livre exercício da liberdade de voto. O delito do art. 299 do Código Eleitoral constitui crime comum, tendo como sujeito ativo qualquer pessoa. É indispensável para a caracterização do delito que a vantagem, a promessa, o benefício vise à obtenção de voto. O tipo penal pune tanto a conduta de compra de voto como a de compra de obtenção ou promessa de abstenção de voto. Não se exige a comprovação de pedido explícito ou direto de voto 1 . No entanto, é indispensável à configuração da corrupção eleitoral a existência de elementos que indiquem, satisfatoriamente, a negociação do voto ou da abstenção através do oferecimento, promessa ou doação de alguma vantagem ou benefício para o eleitor. 2 Nesse sentido, tem se posicionado a Corte Superior, senão vejamos:

AGRAVO REGIMENTAL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. PENAL. PREFEITO, VICE-PREFEITO E VEREADOR. CRIME DE CORRUPÇÃO ELEITORAL. ART. 299 DO CE. DOLO ESPECÍFICO. COMPROVAÇÃO. PROVA INDIRETA. PRAZO PRESCRICIONAL. CONTAGEM. INTERPRETAÇÃO RESTRITIVA DO ART. 115 DO CP. MAJORAÇÃO DA PENA-BASE. CRITÉRIOS ABSTRATOS E GENÉRICOS. IMPOSSIBILIDADE. 1. Para a configuração do delito de corrupção eleitoral exige-se a finalidade de obter ou dar o voto ou conseguir ou prometer a abstenção, o que não se confunde com o pedido expresso de voto. Precedentes. 2. A verificação do dolo específico em cada caso é feita de forma indireta, por meio da análise das circunstâncias de fato, tais como a conduta do agente, a forma de execução do delito e o meio empregado. ... ] [ Agravo Regimental em Agravo de Instrumento nº 7758, Acórdão de 06/03/2012, Relator(a) Min. FÁTIMA NANCY ANDRIGHI, Publicação:

DJE - Diário de justiça eletrônico, Tomo 65, Data 09/04/2012, Página 16 )

O tipo penal exige uma finalidade específica, qual seja, o fim de obter ou dar voto ou promessa da abstenção. De sorte que o fim especial da conduta constante no tipo penal

  • 1 Ação penal. Corrupção eleitoral. [ ] ... 3. O pedido expresso de voto não é exigência para a configuração do delito previsto no art. 299 do Código Eleitoral, mas sim a comprovação da finalidade de obter ou dar voto ou prometer abstenção. 4. A circunstância de a compra de voto ter sido confirmada por uma única testemunha não retira a credibilidade nem a validade da prova. Embargos de declaração recebidos como agravo regimental e não provido. (Embargos de Declaração em Recurso Especial Eleitoral nº 58245, Acórdão de 02/03/2011, Relator(a) Min. ARNALDO VERSIANI LEITE SOARES, Publicação: DJE - Diário da Justiça Eletrônico, Tomo 89, Data 12/05/2011, Página 31 RJTSE - Revista de jurisprudência do TSE, Volume 22, Tomo 2, Data 02/03/2011, Página 92 )

  • 2 ZILIO, Rodrigo López. Crimes Eleitorais. Ed. JusPodivm. Ano 2014. Pg. 105.

PODER JUDICIÁRIO Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo previsto no art. 299, do Código Eleitoral deve

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previsto no art. 299, do Código Eleitoral deve estar presente, sob pena de não restar configurado o ilícito penal em comento. 3 Feitas tais considerações acerca da norma estatuída no art. 299, do Código Eleitoral, passo a apreciar o conjunto probatório colacionado aos presentes autos. Da análise do Demonstrativo de Vendas por Cliente referente à nota fiscal nº 12372, no valor de R$ 1.054,52 (Um mil, cinquenta e quatro reais e cinquenta e dois centavos) emitida pela VESCOVI & BITTI LTDA (POSTO TREVÃO), na qual consta o Recorrente como responsável financeiro (fls. 120/122 do IP nº. 740/2008), verifico que, à exceção do veículo com Placa MPI 4343, todos os demais veículos abastecidos foram declarados na prestação de contas de campanha do Recorrente, alguns foram adesivados e utilizados em eventos da campanha eleitoral, outros foram utilizados na divulgação de propaganda eleitoral, sendo acordado que os abastecimentos dos veículos era encargo do Recorrente, consoante se infere dos contratos de cessão e de prestação de serviços acostados aos autos às fls. 61/115 e 232 e 237, que foram parte integrante da prestação de contas do Recorrente, referente às eleições de 2008. Inclusive, verifico que José Nilson de Jesus Barros e Josemar Miranda de Jesus, testemunhas arroladas pela acusação, cederam seus veículos para adesivagem e participação em eventos de campanha (fls. 76 e 83/84 e 81/82 e 89). E, Marilha Vescovi Gadioli Castoldi, testemunha, também arrolada pelo Parquet, confirmou que seu marido, Jocimar Foresti Castoldi também cedeu seu veículo para adesivagem e participação em eventos da campanha eleitoral do Recorrente (fl. 87/88). Não me parece razoável concluir, como entendeu o douto magistrado, que os contratos foram simulados e realizados em data posterior aos fatos narrados na exordial como forma de justificar os abastecimentos visando dar aparência de legalidade à conduta de distribuição de “vales combustível”, consoante se extrai de parte da sentença que ora destaco:

“[

...

]

O depoente Josemar Miranda de Jesus nitidamente foi orientado em

seu depoimento a modificar o que disse na esfera policial, inclusive,

sendo “lembrado” pelo questionamento feito pela defesa sobre o “contrato” de cessão do automóvel para campanha, contrato este que, pelas circunstâncias, concluo ter sido simulado em data posterior para

justificar o abastecimento. [

]

Muito embora a defesa sustente que os

... contratos e a prestação de contas são prova da legalidade dos pagamentos, discordo de tal afirmação, pois como afirmado, os contratos foram simulados para dar aparência de legalidade em conduta que, na verdade, apenas representava a concessão de vantagens e benefícios em troca de apoio nas eleições municipais que ocorreram em 2008, [ ]” ...

3 RECURSO EM HABEAS CORPUS. TRANCAMENTO DA AÇÃO PENAL. CRIME. ARTIGO 299 DO CE. CORRUPÇÃO ELEITORAL. DISTRIBUIÇÃO DE COMBUSTÍVEL A ELEITORES. REALIZAÇÃO DE PASSEATA. ALEGAÇÃO. AUSÊNCIA. DOLO ESPECÍFICO. ATIPICIDADE DA CONDUTA. PROVIMENTO. 1. Esta Corte tem entendido que, para a configuração do crime descrito no art. 299 do CE, é necessário o dolo específico que exige o tipo penal, qual seja, a finalidade de "obter ou dar voto" e "conseguir ou prometer abstenção". Precedentes. 2. No caso, a peça inaugural não descreve que a distribuição de combustível a eleitores teria ocorrido em troca de votos. Ausente o elemento subjetivo do tipo, o trancamento da ação penal é medida que se impõe ante a atipicidade da conduta. 3. Recurso parcialmente provido e, nesta extensão, concedida a ordem para trancar a ação penal ante a atipicidade da conduta.

(TSE - RHC: 142354 GO, Relator: Min. LAURITA HILÁRIO VAZ, Data de Julgamento: 24/10/2013, Data de Publicação: DJE - Diário de justiça eletrônico, Tomo 232, Data 05/12/2013, Página 67/68)

PODER JUDICIÁRIO Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo A uma, por que verifico que os termos/contratos

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PODER JUDICIÁRIO Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo A uma, por que verifico que os termos/contratos

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A uma, por que verifico que os termos/contratos foram assinados pelas testemunhas e apresentados juntamente com a prestação de contas, por ocasião da entrega à Justiça Eleitoral, em data que antecedeu às declarações prestadas na esfera policial, inclusive verifico que para cada contrato foram emitidos os respectivos recibos eleitorais que, frise-se, estão assinados pelos respectivos contratados, consoante podemos atestar da peça que deve integrar a prestação de contas denominada “Demonstrativo dos Recursos Arrecadados”, às fls. 120/129 e da documentação acostada aos autos, às fls. 158/160. E, a duas, por que na esfera penal não pode o julgador basear-se em conjecturas para exarar decisão condenatória. Destaco que das 07 (sete) testemunhas arroladas pela acusação, 06 (seis) foram ouvidas em juízo, a saber, José Lima dos Santos, Francivaldo Abílio de Sousa, José Nilson de Jesus Barros, Josemar Miranda de Jesus, Marilha Vescovi Gadioli Castoldi e Dionel Elias Monteiro. Dessas testemunhas, José Nilson de Jesus Barros e Josemar Miranda de Jesus confirmaram terem assinado os termos de cessão (fls.282/285); Marilha Vescovi Gadioli Castoldi confirmou que a assinatura aposta no contrato era de seu marido (Jocimar Foresti Castoldi) (fls. 289/290); Dionel Elias Monteiro afirmou que nunca esteve no comitê eleitoral do denunciado (fls. 280/281) e José Lima dos Santos e Francivaldo Abílio de Sousa, respectivamente, frentista e comandante dos frentistas, à época dos fatos, em nada contribuíram para atestar os fatos narradas na exordial (fls. 286/288).

Embora algumas testemunhas tenham apresentado testemunhos contraditórios, quando comparado aos realizados na esfera policial, fato que fez com que o juízo a quo encaminhasse cópias para a Policia Federal para instauração de inquérito visando à apuração de falso testemunho (fl. 279), fato é que nenhuma das testemunhas ouvidas em juízo, sob o manto do contraditório e ampla defesa, confirmaram que as autorizações de abastecimentos foram oferecidos em troca de voto. No tocante as “autorizações de abastecimentos”, emitidos nas datas que antecederam o pleito de 2008, acostada aos autos, às fls. 33/68 do IP nº. 740/2008, tenho dúvidas em afirmar que todos os “vales” foram distribuídos pelo comitê de campanha do Recorrente. Depreendem-se dos testemunhos de Jose Lima dos Santos e Francivaldo Abílio de Sousa, respectivamente, frentista e comandante dos frentistas do Posto Trevão, à época dos fatos, que outros candidatos também tinham o costume de autorizar abastecimentos, senão vejamos:

“[

...

]

que trabalha no posto Trevão desde 1999 até hoje; [

...

]

que na época

da política, a maioria dos candidatos mandavam abastecer no posto

Trevão; [

]

que os abastecimentos ocorriam tanto durante o dia como a

conferir o documento e depois fazia o abastecimento; [

]

que não

consegue recordar se a documentação apreendida no posto era de um candidato específico ou de vários; que não se lembra se, nesta documentação, havia documentos do Anderson Guidetti.[ ] ...

[Depoimento de Jose Lima dos Santos (fls. 286/287)]

“[

...

]

que na época trabalhava como chefe

de fiscalização da pista,

comandando os frentistas; que na época de política haviam as requisições

de abastecimentos;[

...

]

que não tem como afirmar, com certeza, que as

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PODER JUDICIÁRIO Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo pessoas que iriam abastecer eram ou não funcionários

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pessoas que iriam abastecer eram ou não funcionários de campanha; que verificavam a requisição e o adesivo de campanha e não questionavam

mais nada;[

...

]

que outros candidatos também apresentavam requisições

de abastecimentos no posto, e não apenas o ora denunciado;[ ] ...

[Depoimento de Francivaldo Abílio de Sousa (fl. 288)]

Ademais, verifico não ser possível correlacionar tais “autorizações” e cupons fiscais (fls. 33/68) à campanha do Recorrente, posto que, além de verificar que, juntamente, com a documentação fora apreendido cupom fiscal no qual o responsável pelo pagamento dos combustíveis era o candidato à época, Marcelo de Souza Coelho (fl.67), verifico que as “autorizações” se apresentam, ora, com a placa do veículo e nome do condutor, ora, tão somente, com a placa do veículo. E os cupons fiscais se apresentam ora sem identificação do fornecedor e ora com a identificação do Sr. Lomanto Gabidelle Gatti (fls. 55/66 e 68), de modo que, pondero que tais documentos não comprovam os fatos narrados na exordial, sendo, portanto, inservíveis a fundamentar o decreto condenatório. Podemos até concluir que a distribuição de vale combustíveis traz em seu bojo a associação intrínseca com o pedido de voto, até mesmo por que, regra geral, a compra de votos ocorre às ocultas. No entanto, analisando o conjunto probatório, ainda que não tivéssemos os contratos a acobertar as autorizações de abastecimentos, nenhuma das testemunhas afirmou que o Recorrente teria distribuído combustíveis em troca de voto.

Constato que as testemunhas, em juízo, - José Nilson de Jesus Barros, Josemar Miranda de Jesus e Marilha Vescovi Gadioli Castoldi - afirmaram que o recebimento de vale combustível era dado àqueles que adesivassem o veículo. No entanto, a distribuição de “vale combustível” em troca de afixação de adesivos não caracteriza o crime em questão, porquanto está ausente o dolo específico necessário para a caracterização da corrupção eleitoral, qual seja, a finalidade de “obter ou dar voto”. Inclusive, não é outro o entendimento do c. Tribunal Superior Eleitoral. Confira-

se:

ELEIÇÕES 2008. AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ESPECIAL. AÇÃO PENAL. IMPROCEDÊNCIA. CORRUPÇÃO ELEITORAL. DISTRIBUIÇÃO DE VALE-COMBUSTÍVEL EM TROCA DA AFIXAÇÃO DE ADESIVOS. DOLO ESPECÍFICO DE CAPTAR VOTOS. AUSÊNCIA. ATIPICIDADE DA CONDUTA. PROVIMENTO. 1. Segundo a jurisprudência desta Corte, para a configuração do crime descrito no art. 299 do CE, é necessário o dolo específico que exige o tipo penal, isto é, a finalidade de "obter ou dar voto" e "conseguir ou prometer abstenção" (RHC nº 142354, Rel. Min. Laurita Vaz, DJe de 5.12.2013).

  • 2. Na espécie, o recebimento da vantagem - materializada na distribuição

de vale combustível -, foi condicionado à fixação de adesivo de campanha em veículo e não à obtenção do voto. Desse modo, o reconhecimento da improcedência da ação penal é medida que se impõe.

PODER JUDICIÁRIO Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo 3. Agravo regimental provido para conhecer e prover

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3. Agravo regimental provido para conhecer e prover o recurso especial e julgar improcedente a ação penal, afastando a condenação do agravante pela prática do crime de corrupção eleitoral.

(Agravo Regimental em Recurso Especial Eleitoral nº 291, Acórdão de 03/02/2015, Relator(a) Min. MARIA THEREZA ROCHA DE ASSIS MOURA, Relator(a) designado(a) Min. LUCIANA CHRISTINA GUIMARÃES LÓSSIO, Publicação: DJE - Diário de justiça eletrônico, Tomo 42, Data 04/03/2015, Página 220 )

E da e. Corte Regional de São Paulo, veja-se:

RECURSO CRIMINAL - ARTIGO 299 DO CÓDIGO ELEITORAL - SENTENÇA CONDENATÓRIA - PRELIMINAR DE NULIDADE ARGUIDA POR PELO RECORRENTE GILMAR EM RAZÃO DE SER CIVILMENTE INCAPAZ E TER SIDO OUVIDO NO INQUÉRITO SEM O ACOMPANHAMENTO DE SUA CURADORA - NULIDADE RELATIVA - AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DE PREJUÍZO - MATÉRIA PRELIMINAR REPELIDA - MÉRITO - DISTRIBUIÇÃO DE VALES-COMBUSTÍVEL EM TROCA DA AFIXAÇÃO DE ADESIVOS COM PROPAGANDA ELEITORAL - AUSÊNCIA DE PROVAS SUFICIENTES QUANTO À CONFIGURAÇÃO DOS ILÍCITOS - RECURSOS PROVIDOS PARA ABSOLVER OS RÉUS COM FUNDAMENTO NO ARTIGO 386, VII, DO CÓDIGO DE PROCESSO PENAL.

(TRE-SP. RECURSO CRIMINAL nº 40270, Acórdão de 25/08/2015, Relator (a) MÁRIO DEVIENNE FERRAZ, Publicação: DJESP - Diário da Justiça Eletrônico do TRE-SP, Data 03/09/2015)

A meu ver, não há nos autos qualquer prova de que o Recorrente tenha efetivamente distribuído combustível em troca de sufrágio a configurar o dolo específico exigido pelo tipo penal. As provas são frágeis não se revelando robustas para assentar que o Recorrente

ofereceu a benesse em troca de sufrágio, de maneira a configurar o dolo específico estabelecido pelo tipo penal a ensejar o decreto condenatório.

Não é demais lembrar que “[

...

]

Nenhuma acusação penal se presume provada.

Não compete ao réu demonstrar a sua inocência. Cabe ao Ministério Público comprovar, de forma inequívoca, a culpabilidade do acusado. Já não mais prevalece, em nosso sistema de direito positivo, a regra, que, em dado momento histórico do processo político brasileiro (Estado Novo), criou, para o réu, com a falta de pudor que caracteriza os regimes autoritários, a obrigação de o acusado provar a sua própria inocência (Decreto-Lei nº 88, de 20/12/37, art. 20, n. 5). [ ]” ...

4

4 STF. HC 73338, Relator(a): Min. CELSO DE MELLO, Primeira Turma, julgado em 13/08/1996, DJ 19-12-1996 PP-51766 EMENT VOL-01855-02 PP-00270)

PODER JUDICIÁRIO Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo Destarte, diante da precariedade das provas acostadas aos

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PODER JUDICIÁRIO Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo Destarte, diante da precariedade das provas acostadas aos

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Destarte, diante da precariedade das provas acostadas aos autos, faz-se mister absolver o Recorrente, ante a ausência do dolo específico a configurar o crime de corrupção eleitoral, nos termos do art. 299, do Código Eleitoral. Por tais razões, dou provimento ao recurso, para reformar a sentença e absolver o Recorrente, nos termos do artigo 386, VII, do Código de Processo Penal. É como voto.

*

PEDIDO DE VISTA

O Sr. JUIZ DE DIREITO HELIMAR PINTO:-

Senhor Presidente, respeitosamente, peço vista dos autos.

*

DECISÃO: Adiada a pedido de vista do Dr. Helimar Pinto.

*

Presidência do Desembargador Sérgio Luiz Teixeira Gama (Presidente). Presentes o Desembargador Samuel Meira Brasil Júnior e os Juízes Helimar Pinto, Aldary Nunes Junior, Cristiane Conde Chmatalik, Adriano Athayde Coutinho e Wilma Chequer Bou-Habib (Suplente). Presente também o Dr. Carlos Vinícius Soares Cabeleira, Procurador Regional Eleitoral.

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PODER JUDICIÁRIO Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo SESSÃO ORDINÁRIA 24-01-2017 PROCESSO Nº 3-39.2015.6.08.0020 - CLASSE

PODER JUDICIÁRIO

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SESSÃO ORDINÁRIA

24-01-2017

PROCESSO Nº 3-39.2015.6.08.0020 - CLASSE 31 – (Continuação do julgamento) NOTAS TAQUIGRÁFICAS – Fls. 1/5

VOTO-VISTA

O Sr. JUIZ DE DIREITO HELIMAR PINTO:-

Senhor Presidente: Dada a complexidade do presente caso, tive por bem solicitar vista dos autos para tecer algumas ponderações. Conforme relatado pelo Ilustre Relator Desembargador Samuel Meira Brasil Júnior, trata-se de Recurso Criminal interposto por Anderson Segatto Ghidetti em face da r. sentença proferida pelo Juízo da 20ª Zona Eleitoral às fls. 335/348, através da qual julgou-se procedente a denúncia oferecida pelo Ministério Público Eleitoral, condenando o ora recorrente à pena de 03 (três) anos e 09 (nove) meses de reclusão, pela prática do crime de corrupção eleitoral, previsto no artigo 299 do Código Eleitoral Brasileiro. Segundo a denúncia, o ora recorrente, nas eleições de 2008, enquanto candidato a vereador no Município de Aracruz/ES, realizou doações de combustíveis a eleitores do referido município nos dez dias que antecederam a data das eleições, a qual ocorreu em 05 de outubro de 2008, visando a obtenção de votos em seu favor. Em seu recurso, às fls. 353/379, o ora recorrente aduz, em síntese, que o conjunto probatório não se revela robusto suficiente a ensejar a condenação, eis que o ilícito não teria restado caracterizado. Requer, ao final, a reforma da sentença, a fim de que seja absolvido pela prática do delito previsto no art. 299, do Código Eleitoral e, alternativamente, na hipótese de manutenção da condenação, postula pela redução da pena aplicada, ante a condição de primariedade do réu. O Ministério Público de primeiro grau apresentou contrarrazões às fls. 382/393, postulando pelo conhecimento do recurso e pelo seu desprovimento, a fim de que seja mantida incólume a r. sentença guerreada. Em parecer de fls. 398/412, a Douta Procuradoria Regional Eleitoral opinou, de igual forma, pela manutenção do provimento jurisdicional proferido pelo Juízo de primeiro grau. Em julgamento realizado no dia 14 de dezembro de 2016, o eminente Relator, Desembargador Samuel Meira Brasil Júnior, votou no sentido de negar provimento ao recurso por entender que restou caracterizada a autoria e materialidade da conduta delitiva do recorrente. O Culto Revisor, Dr. Adriano Athayde Coutinho, por sua vez, divergiu do eminente relator para absolver o recorrente, votando pelo provimento do recurso. Pois bem. Convém pontuar, inicialmente, que de uma forma geral, os crimes eleitorais objetivam a proteção de bens e valores políticos-eleitorais preciosos à vida coletiva e, especialmente à democracia. Tais bens são eminentemente públicos, indisponíveis e inderrogáveis, destacando-se, dentre eles, a lisura e a legitimidade do processo eleitoral (em sentido amplo), o livre exercício da cidadania e dos direitos políticos ativos e passivos, o resguardo do direito fundamental ao sufrágio, a regularidade da campanha política, da

PODER JUDICIÁRIO Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo propaganda eleitoral, da arrecadação e do dispêndio de

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propaganda eleitoral, da arrecadação e do dispêndio de recursos, a veracidade do voto e a representatividade. 1 No caso em apreço, o recorrente foi condenado à pena de 03 (três) anos e 09 (nove) meses de reclusão pela prática do crime de corrupção eleitoral, previsto no artigo 299 do Código Eleitoral Brasileiro. In verbis:

Art. 299. Dar, oferecer, prometer, solicitar ou receber, para si ou para outrem, dinheiro, dádiva, ou qualquer outra vantagem, para obter ou dar voto e para conseguir ou prometer abstenção, ainda que a oferta não seja aceita. Pena - reclusão até quatro anos e pagamento de cinco a quinze dias-

multa.

Da análise do dispositivo supra, tem-se que nas três primeiras hipóteses (dar, oferecer e prometer) o crime de corrupção ativa, ou seja, aquela praticada por candidato (ou de alguém por ele) para com o eleitor, enquanto nas duas últimas (solicitar ou receber), verifica-se a corrupção passiva, cometida pelo eleitor para com o candidato ou seus cabos eleitorais. De qualquer modo, trata-se de tipo penal eleitoral misto alternativo, de forma que a ocorrência de crime de corrupção será verificada quando da prática de qualquer um dos verbos que compõem o dispositivo supratranscrito. Além disso, dado a sua natureza formal, para que ocorra sua consumação, basta a oferta (independente de aceitação), a promessa (independente de cumprimento), ou a solicitação (ainda que não seja atendido), de modo que a entrega concreta, efetiva, e real da coisa, bem ou produto, ou mesmo a transferência de sua propriedade, posse ou detenção, configura mero esgotamento da ação delituosa. Além disso, para a configuração do crime de corrupção eleitoral, exige-se a comprovação de dolo específico, ou seja, exige-se que reste comprovada a intenção do agente em obter o voto ou, ainda, em conseguir ou prometer abstenção, como propósito único da ação. Nesse sentido é a jurisprudência do Tribunal Superior Eleitoral:

“Recurso especial eleitoral. Crime eleitoral. Corrupção eleitoral. Concurso formal imperfeito. Caracterização. Impossibilidade de revisão de fatos e provas. Dissídio jurisprudencial não demonstrado. 1. Não há violação ao art. 275 do Código Eleitoral quando as teses da defesa são examinadas. 2. O recurso especial não se presta ao reexame de matéria fático-probatória. 3. O crime de corrupção eleitoral (Cod. Eleitoral, art. 299), na modalidade "prometer" ou "oferecer", é formal e se consuma no momento em que é feita a promessa ou oferta, independentemente de ela ser aceita ou não. 4. A oferta de dinheiro em troca do voto, realizada em ação única, a mais de uma pessoa, caracteriza o tipo do art. 299 em relação a cada um dos eleitores identificados. 5. Há concurso formal impróprio, ou imperfeito, quando o candidato, em conduta única, promete bem ou vantagem em troca do voto de dois ou mais eleitores determinados, agindo com desígnios autônomos (Cód. Penal, art. 70, segunda parte). Recurso especial desprovido. (TSE - REspe: 1226697 MG, Relator:

Min. HENRIQUE NEVES DA SILVA, Data de Julgamento: 03/09/2014, Data de

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PODER JUDICIÁRIO Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo Publicação: DJE - Diário de justiça eletrônico, Tomo

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Publicação: DJE - Diário de justiça eletrônico, Tomo 183, Data 30/09/2014, Página

487/488)”

Na hipótese vertente dos autos, o recorrente foi denunciado por, supostamente, durante período de campanha eleitoral de 2008, enquanto concorria ao cargo de vereador, oferecer e entregar autorizações para abastecimento de combustível em veículos, condicionando a oferta à colagem de adesivos de campanha eleitoral de si mesmo nos veículos dos eleitores. Conforme asseverado pelo eminente Desembargador Samuel Meira Brasil Júnior, em seu voto condutor, restou devidamente comprovado nos autos do processo que o recorrente promoveu o fornecimento de vales combustíveis para terceiros que não possuíam ligação com a sua campanha eleitoral, haja vista que no período de 25/09/2008 a 04/10/2008, 24 (vinte e quatro) veículos foram abastecidos no Posto Trevão, mediante apresentação de 26 (vinte e seis) autorizações de abastecimento fornecidos pelo recorrente, conforme se verifica através da Nota Fiscal nº 12372 de fl. 120. Ademais, os depoimentos das testemunhas, amplamente rememorados no voto condutor, revelam o dolo específico do agente. Nesse ínterim, após a análise conjunta das provas produzidas, o eminente Relator concluiu pela responsabilidade criminal do recorrente, nos termos da denúncia oferecida pelo Ministério Público Eleitoral. No meu sentir, decidiu acertadamente o douto Desembargador Relator, haja vista que, diante de todo o conjunto fático e probatório existente nos presentes autos, restou plenamente aperfeiçoada a autoria e a materialidade da conduta delitiva prevista no art. 299 do Código Eleitoral. Isto porque, em que pese a alegação do recorrente no que tange à fragilidade da prova testemunhal presente nos autos, e que a mesma não possui contundência suficiente para ensejar a sua condenação, há que se rememorar que o direito processual brasileiro adota o sistema do livre convencimento motivado ou princípio da persuasão racional, segundo o qual o juiz pode se valer de todos os meios de prova admitidos em direito para formar sua convicção, não estando adstrito exclusivamente a provas técnicas ou periciais. Há que se ressaltar, ainda, que a jurisprudência desta Egrégia Corte tem entendido pelo perfeito cabimento da prova testemunhal para comprovação de fato tipificado como crime. Confira-se:

“RECURSO CRIMINAL - CRIME PREVISTO NO ARTIGO 299 DO CÓDIGO ELEITORAL - CORRUPÇÃO ELEITORAL - AUTORIA E MATERIALIDADE CONFIRMADAS PELOS DEPOIMENTOS PRESTADOS - MANUTENÇÃO DA SENTENÇA DE PRIMEIRO GRAU - RECURSO

IMPROVIDO. 1. Diversamente do que alegam os recorrentes, verifica-se presente nos autos substancioso conjunto probatório - especialmente depoimentos testemunhais - que não deixa dúvidas no tocante à infringência do disposto no art. 299, do Código Eleitoral, razão pela qual me sinto bastante confortável para confirmar a sentença do juízo de piso, inclusive com relação à dosimetria

efetuada. 2. No tocante à tese dos recorrentes, no sentido de que estariam sendo vítimas de perseguição política perpetrada pelo grupo político adversário do prefeito

cassado, Sr. José Chierici Filho, tenho que a mesma não procede, por absoluta

PODER JUDICIÁRIO Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo ausência de provas. 3. No caso dos autos,

PODER JUDICIÁRIO

PODER JUDICIÁRIO Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo ausência de provas. 3. No caso dos autos,

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ausência de provas. 3. No caso dos autos, entendo, em cotejo com as provas apresentadas, presente o dolo específico, requisito necessário para a configuração do delito, consistente na finalidade de obter para si ou para outrem o voto, consoante farta jurisprudência do colendo Tribunal Superior Eleitoral. Por essa razão e absolutamente convencido da correção da decisão do juiz eleitoral, conheço o recurso, mas nego-lhe provimento (TRE-ES - RC: 12202 ES , Relator: MARCELO ABELHA RODRIGUES, Data de Julgamento: 08/02/2012, Data de Publicação: DJE - Diário Eletrônico da Justiça Eleitoral do ES, Data 01/03/2012, Página 02).”

À vista disso, o argumento levantado pelo recorrente de que meras declarações testemunhais são provas muito frágeis para comprovação do delito não pode servir como escusa para que o mesmo não seja penalizado pelo crime cometido, tendo em vista que os depoimentos presentes nos autos formam um conjunto probatório consistente e coerente apto a corroborar a constatação da ocorrência do crime tipificado no art. 299 do Código Eleitoral. Por outro lado, em que pese o judicioso voto divergente proferido pelo Dr. Adriano Athayde Coutinho, no meu sentir, no presente caso, restou configurado o dolo específico, eis que a regra era clara no sentido de que só podiam ser abastecidos os veículos que tivessem afixado o adesivo de campanha do ora recorrente. E, nesta ótica, chega-se à conclusão de que, ainda que as pessoas não tenham efetivamente votado no ora recorrente, o fato é que a intenção do então candidato era a de obter o voto dos aludidos eleitores, configurando, por conseguinte, o dolo específico necessário à configuração do delito previsto no art. 299, do Código Eleitoral.

Desse modo, nos termos do parecer da douta Procuradoria Regional Eleitoral, entendo que “o conjunto probatório produzido nos autos é suficiente à comprovação do elemento subjetivo do tipo penal-eleitoral da corrupção, já que as testemunhas ouvidas, tanto na fase policial, quanto na esfera judicial, afirmam que o recorrente ANDERSON SEGATTO GHIDETTI realizou a doação de combustível, durante o período eleitoral, configurando a conduta típica na qual fora baseada a condenação.” (fl. 412). Verifico, ainda, que, ao fixar a pena, o magistrado observou os critérios instituídos pelo artigo 59 do Código Penal, não havendo qualquer alteração a ser feita. Ante o exposto, rogando vênia ao voto divergente, acompanho o voto proferido pelo eminente relator, no sentido de CONHECER do recurso e, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO, mantendo a sentença inalterada em todos os seus termos, por seus próprios fundamentos.

É como voto.

*

PEDIDO DE VISTA

O Sr. JUIZ DE DIREITO ALDARY NUNES JÚNIOR:-

Senhor Presidente: Respeitosamente, peço vista dos presentes autos.

*

PODER JUDICIÁRIO Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo DECISÃO: Adiada em virtude de pedido de vista

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PODER JUDICIÁRIO Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo DECISÃO: Adiada em virtude de pedido de vista

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DECISÃO: Adiada em virtude de pedido de vista formulado pelo Dr. Aldary Nunes Júnior.

*

Presidência do Desembargador Sérgio Luiz Teixeira Gama (Presidente). Presentes o Desembargador Samuel Meira Brasil Júnior e os Juízes Helimar Pinto, Aldary Nunes Júnior, Adriano Athayde Coutinho, José Eduardo Nascimento (Suplente) e Raphael Americano Câmara (Suplente). Presente também o Sr. Carlos Vinícius Soares Cabeleira, Procurador Regional Eleitoral. \cds

PODER JUDICIÁRIO Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo SESSÃO EXTRAORDINÁRIA 26-01-2017 PROCESSO Nº 3-39.2015.6.08.0020 - CLASSE

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PODER JUDICIÁRIO Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo SESSÃO EXTRAORDINÁRIA 26-01-2017 PROCESSO Nº 3-39.2015.6.08.0020 - CLASSE

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SESSÃO EXTRAORDINÁRIA

26-01-2017

PROCESSO Nº 3-39.2015.6.08.0020 - CLASSE 31 – (Continuação do Julgamento) NOTAS TAQUIGRÁFICAS – Fls. 1/5

VOTO-VISTA

O Sr. JUIZ DE DIREITO ALDARY NUNES JÚNIOR (RELATOR):-

Senhor Presidente: Relembro que se trata de Recurso Criminal de nº 3-39, de Relatoria do eminente Desembargador Samuel Meira Brasil Junior, interposto por ANDERSON SEGATTO GHIDETTI em face da r. sentença de fls. 335/348, proferida pelo MM. Juiz da 20ª Zona Eleitoral de Aracruz/ES, Dr. Felipe Leitão Gomes, que julgou procedente a Representação ajuizada pelo MINISTÉRIO PÚBLICO ELEITORAL, condenando o recorrente à pena privativa de liberdade de 03 (três) anos e 09 (nove) meses de reclusão definitiva, em virtude de prática de corrupção eleitoral, crime previsto no art. 299 da Lei de nº 4.747/65 e na forma do art. 71 do Código Penal.

O eminente Relator conheceu do recurso e a ele negou provimento, mantendo inalterada a r. sentença proferida pelo culto Juiz de primeiro grau. Por sua vez, o ilustre Revisor, Dr. Adriano Athayde Coutinho, por entender inexistir nos autos prova de que o recorrente tenha efetivamente distribuído combustível em troca de sufrágio a configurar o dolo específico exigido pelo tipo penal, deu provimento ao recurso para reformar a sentença e absolvê-lo, nos termos do artigo 386, inciso VII do Código de Processo Penal. Depois de pedido de vista, o culto Magistrado Helimar Pinto, acompanhando o Relator, negou provimento ao recurso. Em seguida, pedi vista dos autos para melhor apreciar a demanda. Pois bem! Conforme disciplina o tipo penal do art. 299 do Código Eleitoral 1 , o crime de corrupção eleitoral consiste na intenção do autor de angariar votos ou promessas de abstenção de votos para beneficiar a sua campanha eleitoral e, em troca, fornece proventos ao beneficiado. Nas lições de Suzana de Camargo Gomes 2 “o caráter negocial é indispensável para a caracterização do delito, ou seja, a vantagem, a promessa, o benefício deve visar à obtenção do voto”.

In casu, a meu sentir, nos depoimentos prestados em Juízo, há comprovação de que o fornecimento de combustível estava condicionado à colocação de adesivos do recorrente nos veículos a serem abastecidos e não à obtenção de voto em seu favor. Senão vejamos:

1 Art. 299. Dar, oferecer, prometer, solicitar ou receber, para si ou para outrem, dinheiro, dádiva, ou qualquer outra vantagem, para obter ou dar voto e para conseguir ou prometer abstenção, ainda que a oferta não seja aceita:

Pena - reclusão até quatro anos e pagamento de cinco a quinze dias-multa. 2 GOMES, Suzana de Camargo, Crimes Eleitorais, 4ª ed. Revista, atualizada e ampliada. Ed. Revista dos Tribunais, pág. 198.

PODER JUDICIÁRIO Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo Depoimento da Testemunha JOSEMAR MIRANDA DE JESUS (fls.

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PODER JUDICIÁRIO Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo Depoimento da Testemunha JOSEMAR MIRANDA DE JESUS (fls.

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Depoimento da Testemunha JOSEMAR MIRANDA DE JESUS (fls. 282/283):

[

...

]

que chegou a abastecer o seu veículo em

poucas vezes, acreditando que umas 03 ou 04 vezes, nos finais de semana; que o trabalho voluntário na campanha consistia em ficar fazendo propaganda com o carro como

adesivo; [

]

que na época da campanha, o depoente procurou

... o denunciado, em seu comitê para desivar o seu automóvel,

sendo que lá apenas é que ficou sabendo que quem adesivasse

o veículo ganhava combustível; [

]

que nunca recebeu

... qualquer proposta do denunciado no sentido de tentar

comprar-lhe o voto.

Em depoimento a Testemunha JOSÉ NILSON DE JESUS BARROS (fls.

282/283):

[

]

que

para

ganhar

a

autorização

de

abastecimento, o depoente tinha que adesivar o carro; [

]

que

autorizações de abastecimento; [

]

que o denunciado nunca

tentou comprar o voto do depoente; que não se sentiu

pressionado a votar no denunciado; [

...

].

Depoimento da Testemunha FRANCIVALDO ABÍLIO DE SOUZA, Chefe da Fiscalização de pista do Posto Trevão (fls. 288/289):

[

...

]

que era feita a identificação por meio um

adesivo do candidato; [

]

que verificavam a requisição e o

... adesivo de campanha e não questionavam mais nada; na

época da campanha, o depoente procurou o denunciado, em seu comitê para adesivar o seu automóvel, sendo que lá apenas é que ficou sabendo que quem adesivasse o veículo

ganhava combustível; [

...

].

Depoimento da Testemunha MARÍLIA VESCOVI GADIOLI GASTOLDI

(fls. 282/283):

[

...

]

que recebiam o vale combustível pelo fato

de adesivarem o automóvel; que a partir do momento em que adesivarem o carro, recebiam semanalmente o combustível;

[

...

]

que jamais recebeu qualquer abordagem do denunciado

no sentido de tentar comprar-lhe o voto.

PODER JUDICIÁRIO Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo Conforme se extrai do acórdão abaixo transcrito, este

PODER JUDICIÁRIO

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Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo

Conforme se extrai do acórdão abaixo transcrito, este E. Tribunal, ao analisar o Recurso Criminal de nº 101-37 de Relatoria do Exmo. Sr. Juiz Federal José Eduardo do Nascimento, manifestou-se no sentido de que o ilícito penal definido no art. 299 do Código Eleitoral exige a comprovação do dolo específico do agente de obter votos.

RECURSO ELEITORAL. CORRUPÇÃO ELEITORAL. SENTENÇA ABSOLUTÓRIA. FALTA DE PROVA DA PRÁTICA DELITUOSA. RECURSO IMPROVIDO.

1- Após analisar detidamente as provas dos autos, em especial a prova testemunhal, todavia, assim com a sentença recorrida, não verifico a existência de provas suficientes para a caracterização do fim especial de agir descrito no delito em questão. 2- Os depoimentos das testemunhas ouvidas em juízo não confirmam a versão apresentada pelo Parquet Eleitoral de ocorrência da prática delituosa. 3- Não basta que haja distribuição singela de benesses para que haja a incidência do art. 299 do Código Eleitoral. Deve necessariamente ficar comprovado que essa distribuição seja relevante e tenha o propósito de "obter ou dar voto e para conseguir ou prometer abstenção, ainda que a oferta não seja aceita". E, no caso sob exame, não há prova desse fim especial de agir descrito no referido dispositivo. 4- Recurso conhecido e não provido. (TRE/ES - RECURSO CRIMINAL nº 10137, Acórdão nº 42 de 18/05/2015, Relator JOSÉ EDUARDO DO NASCIMENTO, Revisor SÉRGIO LUIZ TEIXEIRA GAMA, Publicação: DJE - Diário Eletrônico da Justiça Eleitoral do ES, Data 27/05/2015, Página 4/5).

Por sua vez, o fornecimento de combustível a eleitor, por candidato, já foi analisado, em pelo menos duas oportunidades, pelo E. Tribunal Superior Eleitoral, tendo aquela C. Corte, firmado entendimento no sentido de que, somente restará configurado o delito previsto no art. 299 do Código Eleitoral quando houver provas de que tal benefício estava condicionado à obtenção de voto do eleitor. Senão vejamos:

RECURSO ESPECIAL ELEITORAL. AÇÃO

DE

INVESTIGAÇÃO

CAPTAÇÃO ILÍCITA PODER ECONÔMICO. [ ] ...

JUDICIAL

ELEITORAL.

DE SUFRÁGIO. ABUSO DO

2. Os fatos registrados pelo acórdão regional, no presente caso, demonstram que a distribuição de combustível não estava vinculada a um ato específico

PODER JUDICIÁRIO Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo de campanha e se deu de forma generalizada,

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PODER JUDICIÁRIO Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo de campanha e se deu de forma generalizada,

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de campanha e se deu de forma generalizada, massiva e repetida, para que os eleitores votassem no candidato e ostentassem o adesivo da campanha em seus veículos particulares.

[ ] ... (Recurso Especial Eleitoral nº 18886, Acórdão

de 08/09/2015, Relator Min. HENRIQUE NEVES DA SILVA, Publicação: DJE - Diário de justiça eletrônico, Tomo 204, Data 27/10/2015, Página 50-51). (grifei)

---------------------------------------------------------

-----------------

ELEIÇÕES 2008. AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ESPECIAL. AÇÃO PENAL. IMPROCEDÊNCIA. CORRUPÇÃO ELEITORAL. DISTRIBUIÇÃO DE VALE-COMBUSTÍVEL EM TROCA

DA AFIXAÇÃO DE ADESIVOS. DOLO ESPECÍFICO DE CAPTAR VOTOS. AUSÊNCIA. ATIPICIDADE DA CONDUTA. PROVIMENTO.

  • 1. Segundo a jurisprudência desta Corte,

para a configuração do crime descrito no art. 299 do CE, é necessário o dolo específico que exige o tipo penal, isto é, a finalidade de "obter ou dar voto" e "conseguir ou prometer abstenção" (RHC nº 142354, Rel. Min. Laurita Vaz, DJe de 5.12.2013).

  • 2. Na espécie, o recebimento da vantagem -

materializada na distribuição de vale combustível -, foi condicionado à fixação de adesivo de campanha em veículo e não à obtenção do voto. Desse modo, o reconhecimento da improcedência da ação penal é medida que se impõe.

3. Agravo regimental provido para conhecer e prover o recurso especial e julgar improcedente a ação penal, afastando a condenação do agravante pela prática do crime de corrupção eleitoral.

(Agravo Regimental em Recurso Especial Eleitoral nº 291, Acórdão de 03/02/2015, Relatora Min. MARIA THEREZA ROCHA DE ASSIS MOURA, Relatora designada Min. LUCIANA CHRISTINA GUIMARÃES LÓSSIO, Publicação: DJE - Diário de justiça eletrônico, Tomo 42, Data 04/03/2015, Página 220).

Assim, diante da ausência de prova a configurar o delito específico exigido pelo tipo penal, o provimento do presente recurso é medida que se impõe.

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PODER JUDICIÁRIO

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Desse modo, pedindo vênias ao ilustre e culto Relator, acompanho o voto proferido pelo eminente Revisor, dando provimento ao recurso, para reformar a r. sentença de primeiro grau e absolver o Recorrente, nos termos do art. 386, VII, do Código de Processo Penal 3 . Esse é o meu voto, senhor Presidente.

*

PEDIDO DE VISTA

O Sr. JUIZ FEDERAL JOSÉ EDUARDO NASCIMENTO (SUPLENTE):-

Senhor Presidente: Respeitosamente, peço vista dos presentes autos.

*

DECISÃO: Adiada em virtude de pedido de vista formulado pelo dr. José Eduardo Nascimento.

*

Presidência do Desembargador Sérgio Luiz Teixeira Gama (Presidente). Presentes os Juízes Helimar Pinto, Aldary Nunes Júnior, Adriano Athayde Coutinho, José Eduardo Nascimento (Suplente) e Raphael Americano Câmara (Suplente). Presente também o Dr. Carlos Vinícius Soares Cabeleira, Procurador Regional Eleitoral. \cds

3 Art. 386. O juiz absolverá o réu, mencionando a causa na parte dispositiva, desde que reconheça:

[ ] ... VII – não existir prova suficiente para a condenação. (Incluído pela Lei nº 11.690, de 2008).

PODER JUDICIÁRIO Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo SESSÃO ORDINÁRIA 29-03-2017 PROCESSO Nº 3-39.2015.6.08.0020 - CLASSE

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SESSÃO ORDINÁRIA

29-03-2017

PROCESSO Nº 3-39.2015.6.08.0020 - CLASSE 31 – (Continuação do Julgamento) NOTAS TAQUIGRÁFICAS – Fls. 1/4

V O T O – V I S T A

O Sr. JUIZ FEDERAL JOSÉ EDUARDO DO NASCIMENTO

(SUPLENTE):-

Sr. Presidente, egrégia Corte: Relembrando o objeto deste processo, em que é recorrente Anderson Cegatto Guidetti e recorrido Ministério Público Eleitoral, trata-se de recurso criminal interposto em face da sentença de fls. 335/348, de lavra do Juiz Eleitoral da 20ª Zona – Aracruz, que julgou procedente a pretensão punitiva para condenar o recorrente como incurso nas sanções do artigo 299 do Código Eleitoral, na forma do artigo 71 do Código Penal, fixando pena definitiva em três anos nove meses de reclusão. Narra a denúncia que, nas eleições municipais de 2008 para o cargo de Vereador do Município de Aracruz, o acusado realizou doação de combustível a diversos eleitores do Município nos dez dias que antecederam ao pleito visando a obtenção de votos. No período de 25/09/2008 a 04/10/2008, um total de vinte e quatro veículos foi abastecido com combustível mediante a apresentação de boletos denominados de autorização de abastecimento. A contrapartida devida pelos eleitores beneficiados com os abastecimentos era a afixação de adesivos de campanha política do denunciado. Relembro aos eminentes pares que a votação até o presente momento se encontra empatada, tendo o eminente Relator, Desembargador Samuel Meira Brasil Junior, e o Juiz de Direito Helimar Pinto votado pelo conhecimento e desprovimento do recurso, ao passo que, de outro lado, o eminente Revisor, Dr. Adriano de Athayde Coutinho, e o Juiz de Direito Aldary Nunes Junior votado pelo provimento do recurso para absolver o acusado. Com a devida vênia da divergência inaugurada pelo eminente Revisor, eu acompanho o entendimento explicitado no voto do Relator, Desembargador Samuel Meira Brasil Junior, no sentido de negar provimento ao recurso pelas seguintes razões. Para a verificação da ocorrência do delito do artigo 299 do Código Eleitoral, faz-se necessária a existência do elemento do tipo consistência na finalidade de obter ou dar voto, ou conseguir ou prometer abstenção. No regime democrático, o exercício do direito ao voto deve se pautar por critérios programáticos, existindo diversos dispositivos na legislação eleitoral que têm justamente por finalidade coibir a influência do dinheiro e do poder econômico na formação da consciência política do eleitor, seja de forma mais indireta, como na proibição do abuso de poder econômico, seja de forma mais direta, como na corrupção eleitoral propriamente dita, ou na captação ilícita de sufrágio, em que o voto é objeto de mercancia entre o político e o eleitor. Essa introdução é apenas para relembrar os colegas face ao tempo que decorreu do meu pedido de vista. Algumas considerações eu acho importante serem feitas antes de entrar propriamente no caso deste processo. A primeira é que se for feita uma pesquisa nos sites de jurisprudência, tanto do TSE quanto dos TRE pelo Brasil, é enorme a quantidade de casos de processos, seja de captação ilícita, seja de doação de combustível, versando sobre esse tema, doação de combustível. Isso não

PODER JUDICIÁRIO Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo é uma mera coincidência, não é um caso

PODER JUDICIÁRIO

PODER JUDICIÁRIO Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo é uma mera coincidência, não é um caso

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é uma mera coincidência, não é um caso isolado que existe na jurisprudência; são inúmeros casos, em todos os TRE praticamente e no TSE. Que fenômeno é esse que vemos? Dos dois anos que aqui estive com mandato titular, inúmeros também foram os caso que julguei de captação ilícita, abuso de poder econômico, em que se via, principalmente nas eleições em locais menores, o oferecimento de combustível, oferecimento de pequenas reformas, oferecimento de pagodes com churrasco e cerveja liberados, que sejam. Inúmeros são os casos versando sobre fenômenos deste tipo, ou seja, o político oferecendo vantagens econômicas de modo a conquistar a simpatia do eleitorado. Passando para o outro extremo, são fatos notórios que vale a pena registrar, a última eleição presidencial de 2014 teve o recorde de gasto em campanha em torno de cem milhões. Valho-me aqui apenas de notícias de jornal, mas amplamente veiculado, da delação do Marcelo Odebrecht, ficou, ou pelo menos foi divulgado, registro colhidos nos sites comuns de notícias, que na verdade fora o tal do caixa dois para as eleições presidenciais da chapa que acabou vencedora, teria mais cento e tantos milhões dos quase oitenta por cento, ou seja, em torno de cem milhões, teriam ido para a campanha eleitoral. Quer dizer, estamos falando de uma campanha de duzentos milhões. Isso nos faz repensar qual é o papel do dinheiro na formação da política. É óbvio que não se faz uma sem dinheiro, mas até que ponto é tão importante que o dinheiro seja o elemento formador da convicção do eleitorado. Se a política local gerou certos desvios que influenciaram a nacional, ou vice versa, isso é um assunto que não cabe a nós. Seria o caso da sociologia, da filosofia, de sentir se os políticos estudaram. O que é certo é que em algum momento é preciso romper com esse paradigma de que uma eleição se ganha oferecendo benesses e vantagens materiais ao eleitor ao invés de projetos, programas e idéias. Nas eleições locais isso fica muito evidente. São reiterados os casos de ofertas de pequenas benesses, seja construir um muro, ajudar alguém a ir para Vitória fazer uma cirurgia, arrumar uma vaga num hospital, até mesmo tíquetes de cerveja grátis num pagode. Então, em algum momento é preciso romper com esse modelo, para não incentivar esse tipo de conduta, para que o eleitor de uma pequena comunidade possa se interessar pelos projetos do candidato para a comunidade, e não quantos litros de combustível ele pode dar. Essas são observações genéricas que eu faço, e aí eu entro no caso especificamente deste processo objeto do pedido de vista, que se trata de uma distribuição de combustível mediante adesivagem de veículo. Confesso que quando eu li e comecei a ver a defesa do acusado, ora recorrente, em princípio me surgiu uma certa dúvida que poderia ensejar o voto no sentido do provimento do recurso. Qual é essa dúvida? É que realmente há contratos firmados pelo candidato com os proprietários dos veículos, contratos de cessão, e inclusive há recibos eleitorais, quer dizer, boa parte, se não me engano só um veículo ficou fora dessa situação, mas a maioria estava registrada. Alega o Ministério Público Eleitoral nas contrarrazões recursais suscita dúvidas quanto à veracidade desses documentos. Realmente, são documentos cuja autenticidade, vamos dizer assim, na verdade não é bem autenticidade, documentos em relação aos quais a contemporaneidade não é possível se afirmar porque não há elementos nos autos que nos permitam concluir que esses documentos foram firmados contemporaneamente às datas ou posteriormente para legitimar uma doação (esses fatos que estão narrados nos autos) e descaracterizar uma eventual corrupção eleitoral. Não há essas datas.

PODER JUDICIÁRIO Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo Em princípio, realmente os documentos, ainda que não

PODER JUDICIÁRIO

PODER JUDICIÁRIO Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo Em princípio, realmente os documentos, ainda que não

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Em princípio, realmente os documentos, ainda que não tenha essas datas, valeriam a presunção relativa, muito relativa, de que eles são verídicos, as informações, o documento particular, ainda que sem firma reconhecida. Se ele foi pós-datado, antedatado ou não essas questões presumem-se que estão no documento. É preciso comparar isso com o contexto dos autos. Esse é um daqueles casos, e nesses casos de corrupção isso acontece muito, em que todas as testemunhas ouvidas em sede policial, na fase pré-processual, firmam depoimentos num sentido e em juízo os depoimentos vão em sentido bem diferente. Isso por si só já nos chama a tenção sobre uma possível influência que há em cima das testemunhas, pressão local, pressão dos políticos, pressão da comunidade, elas mesmas não querendo se envolver muito nessa situação, mas acabaram envolvidas, mas alguma coisa há, porque elas mudam radicalmente seus depoimentos da fase policial para a fase judicial. O que é pior, não apresentam justificativa para tal, apenas dizem de forma um pouco mais genérica, dizem que não se lembram, mas não dizem que foram coagidas, não dizem que não leram o documento ou que foram forçadas a assinar, nada disso. Elas apenas mudam o depoimento e não dão uma explicação razoável para isso. Aí sim seria ônus dela dar, porque o sistema judicial não pode adotar, não pode aceitar dentro do seu seio um sistema judicial como um todo. Esse é um fenômeno, a pessoa diz uma coisa, outra hora diz outra e não há sequer uma explicação razoável para explicar o porquê, ela não fornece uma explicação. Aquela pessoa que muda uma versão atrai para si o ônus de explicar o porquê da mudança. É isso que ocorre. Eu, particularmente, entendo no sentido de acompanhar o voto que do Relator pela seguintes razões: Para mim, não está caracterizado aqui que houve um contrato de cessão lícito de veículo para trabalhar em campanha, porque mesmo nos depoimentos judiciais, essas pessoas disseram que não trabalharam na campanha, mas sim que ajudaram uma vez ou outra, que levaram um candidato num lugar, mas na verdade pegaram a gasolina para utilizar no seu dia a dia.

Aliás, essa foi uma questão colocada nas contrarrazões que ficou sem resposta pela defesa do recorrente. Se era um contrato regular de cessão registrado perante a Justiça Eleitoral, por que a exigência de adesivagem? Por que ganhar o tíquete para ir ao posto abastecer o veículo se mostrar que está adesivado o seu veículo? Isso nos leva a outra indagação, que para mim é fundamental para diferencia uma doação eleitoral lícita do fato que foi aqui objeto dessa denúncia que ensejou a condenação: Não se trata aqui de uma arregimentação de cabos eleitorais, porque isso as testemunhas que também foram ouvidas em juízo deixaram escapar isso. Qualquer pessoa que se dirigisse ao comitê e aceitasse adesivar o seu carro teria o tíquete de combustível. Isso quer dizer que não é um grupo que se reúne, uma equipe que iria trabalhar na campanha. Esse tipo de equipe pode ter o combustível pago pelo candidato. Mas não, era uma proposta aberta, indiscriminada, posta à população. Ora, quem comparecer ao comitê e aceitar adesivar o seu veículo vai ganhar um vale, um tíquete combustível para abastecer o seu tanque no posto de gasolina. À medida em que essa é uma proposta aberta, indiscriminadamente oferecida a qualquer eleitor, para mim está claro que se trata de uma proposta de agraciar o eleitor, angariar sua simpatia em troca de uma benesse material, o que, em outras palavras, é o que amolda ao tipo da corrupção eleitoral. Registro ainda que para o tipo da corrupção eleitoral nós nunca vamos ter, e se se exigir isso, nunca haverá uma condenação com esse objeto. Se se exigir que sejam ditas as palavras sacramentais e formais “O senhor quer vender o seu voto? Eu estou disposto a comprá-

PODER JUDICIÁRIO Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo lo?”, evidente que nunca ninguém diz isso, muitas

PODER JUDICIÁRIO

PODER JUDICIÁRIO Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo lo?”, evidente que nunca ninguém diz isso, muitas

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lo?”, evidente que nunca ninguém diz isso, muitas das vezes é subtendido, está nas entrelinhas, como aliás já acontecia muito na corrupção do Código Penal comum. Muitas das vezes o administrado chega perante o servidor, quer oferecer uma vantagem indevida e pergunta: “O senhor está precisando de alguma coisa? Em que eu posso ajudar?” De repente um policial na rua, alguém flagrado em alguma situação irregular, ele tem medo de fazer a proposta de forma direta.

Essa coisa da oferta e do recebimento no crime de corrupção, tanto a corrupção comum do Código Penal quanto a corrupção do 299 do Código Eleitoral, por vezes comporta esses liames subjetivos, esses liames das entrelinhas no modo que são feitos tanto a proposta quanto do recebimento. De modo que, com essas considerações, eu acompanho o voto do Relator, Desembargador Samuel Meira Brasil Junior, no sentido de negar provimento ao recurso. É como voto.

*

P E D I D O

de

V I S T A

O Sr. JURISTA RODRIGO MARQUES DE ABREU JÚDICE:-

Sr. Presidente, respeitosamente, peço vista dos autos.

*

DECISÃO: Adiada a pedido de vista do Dr. Rodrigo Marques de Abreu Júdice.

*

Presidência do Desembargador Carlos Simões Fonseca (Presidente em exercício). Presentes o Desembargador Samuel Meira Brasil Júnior e os Juízes Helimar Pinto, Aldary Nunes Júnior, Adriano Athayde Coutinho, Rodrigo Marques de Abreu Júdice e José Eduardo do Nascimento. Presente também o Dr. Carlos Vinícius Soares Cabeleira, Procurador Regional Eleitoral.

\dsl

PODER JUDICIÁRIO Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo SESSÃO ORDINÁRIA 10-04-2017 PROCESSO Nº 3-39.2015.6.08.0020 – CLASSE

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PODER JUDICIÁRIO Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo SESSÃO ORDINÁRIA 10-04-2017 PROCESSO Nº 3-39.2015.6.08.0020 – CLASSE

Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo

SESSÃO ORDINÁRIA

10-04-2017

PROCESSO Nº 3-39.2015.6.08.0020 – CLASSE 31 (Continuação do julgamento) NOTAS TAQUIGRÁFICAS – Fls. 1/4

V O T O V I S T A

O Sr. JURISTA RODRIGO MARQUES DE ABREU JÚDICE:-

Senhor Presidente, Eminentes Pares: Consoante relatado, trata-se de recurso criminal interposto por ANDERSON SEGATTO GHIDETTI, candidato a vereador no município de Aracruz/ES, nas eleições de 2008, em face da r. sentença de fls. 335/348, que o condenou a 03 (três) anos e 09 (nove) meses de reclusão, pela prática do crime de corrupção eleitoral, capitulado no art. 299, da Lei nº. 4.747/65, consubstanciado na doação de combustível a eleitores em troca de votos em seu favor. O Eminente Relator, Desembargador Samuel Meira Brasil, conheceu do recurso e a ele negou provimento, mantendo incólume a r. sentença de piso. Por sua vez, o ilustre Revisor, Dr. Adriano Athayde Coutinho, deu provimento ao recurso para reformar a integralmente a sentença e absolver o recorrente, entendendo inexistir prova nos autos capaz de demonstrar o dolo específico exigido pelo tipo penal, qual seja, a distribuição de combustível em troca de votos. Depois de pedido de vista, o Ilustre Magistrado Helimar Pinto, acompanhando o Relator, negou provimento ao recurso. Em seguida, analisando detidamente o caso, o Douto Magistrado Aldary Nunes Junior, acompanhando a divergência, deu provimento ao recurso e absolveu o Recorrente, nos termos do voto do Revisor.

Segundo o julgamento, o Eminente Juiz Federal José Eduardo do Nascimento, entendeu por bem acompanhar o Relator, negando provimento ao recurso. Submetida a análise a este julgador, pedi vista dos autos para melhor apreciar a demanda. Pois bem.

É cediço que o crime de corrupção eleitoral, previsto no art. 299 do Código Eleitoral, consiste em dar, oferecer, prometer, solicitar ou receber, para si ou para outrem,

qualquer outra vantagem, para angariar votos ou abstenção, ainda que a oferta não seja aceita. In verbis:

Art. 299. Dar, oferecer, prometer, solicitar ou receber, para si ou para outrem, dinheiro, dádiva, ou qualquer outra vantagem, para obter ou dar voto e para conseguir ou prometer abstenção, ainda que a oferta não seja aceita:

Pena - reclusão até quatro anos e pagamento de cinco a quinze dias-multa.

A referida norma penal tutela o livre exercício da liberdade dos direitos político, especificamente do direito ao voto. A regra incrimina tanto a denominada corrupção eleitoral ativa (nas modalidades dar, prometer e oferecer) como a corrupção eleitoral passiva (nas modalidades solicitar e receber).

PODER JUDICIÁRIO Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo No que se refere ao elemento subjetivo do

PODER JUDICIÁRIO

PODER JUDICIÁRIO Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo No que se refere ao elemento subjetivo do

Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo

No que se refere ao elemento subjetivo do tipo, consoante leciona Rodrigo López Zilio, “exige-se um elemento específico ou uma finalidade específica: o fim de obter ou dar o voto e de promessa ou concretização da abstenção 1 ”. Trata-se, portanto de crime doloso, em qualquer de suas modalidades, no qual o dolo genérico é insuficiente.

Assim, para que haja condenação baseada no art.

299

do

Código Eleitoral, é

necessária a comprovação do dolo especifico consistente em "obter ou dar voto e para

conseguir ou prometer abstenção", sem o qual não se configura a conduta típica. É essa a jurisprudência do Tribunal Superior Eleitoral, vejamos:

AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. AÇÃO PENAL. CRIME ELEITORAL. CORRUPÇÃO ELEITORAL (ART. 299, CE). DEFICIÊNCIA NA FUNDAMENTAÇÃO. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO ESPECIAL. INTELIGÊNCIA DA SÚMULA Nº 284 DO STF. TIPIFICAÇÃO. CRIME DE CORRUPÇÃO ELEITORAL (ART. 299 DO CÓDIGO ELEITORAL). DOLO ESPECÍFICO DE OBTER VOTO. REEXAME DO CONJUNTO FÁTICO-PROBATÓRIO DOS AUTOS. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULAS

NOS 7 DO STJ E 279 DO STF. DECISÃO MANTIDA. DESPROVIMENTO. 1. O crime de corrupção eleitoral ativa, cujo bem jurídico tutelado é o livre exercício do voto, se consuma com o ato de prometer, doar ou ofertar bem, dinheiro ou qualquer vantagem, desde que

imbuído pelo dolo específico de obter voto, consoante a descrição do art. 299 do Código

Eleitoral. [

...

].

3. A modificação do entendimento do TRE/SP, para decidir de acordo com a

pretensão do Recorrente, no sentido da não configuração do crime de corrupção eleitoral ativa, demanda o necessário revolvimento do arcabouço probatório, providência vedada nas instâncias extraordinárias, nos termos das Súmulas nos 279/STF e 7/STJ. 4. Agravo regimental desprovido. (TSE - AI: 96665 SEVERÍNIA - SP, Relator: LUIZ FUX, Data de Julgamento: 14/05/2015, Data de Publicação: DJE - Diário de justiça eletrônico, Tomo 117, Data 23/06/2015, Página 86/87).

In casu, analisando atentamente o que consta dos autos, bem como os votos que me antecederam, verifico que o ponto controvertido neste julgamento versa sobre a possibilidade de se considerar a distribuição de combustível pelo então candidato ANDERSON SEGATTO GHIDETTI, ora Recorrente, ato ilícito, consubstanciado na promoção de vantagem indevida em troca de votos, ou ato lícito, mediante o abastecimento de veículos adesivados para realização de propaganda eleitoral. Com efeito, apreciando o conjunto probatório colacionado aos autos, a meu sentir, entendo que não há a prova robusta capaz de levar à conclusão de que o Recorrente tenha efetivamente distribuído combustível em troca de votos, nem mesmo de que de os contratos de cessão de veículos juntados às fls. 61/115 e 232 e 237, possam ser considerados simulados, visando dar aparência de legalidade da suposta corrupção eleitoral ventilada na denúncia. Pelo contrário, a análise da prova testemunhal colhida em juízo leva a crer que o fornecimento de combustível estava condicionado à colocação de adesivos de campanha do recorrente nos veículos a serem abastecidos e não à obtenção de voto em seu favor. Como bem ressaltado no voto do Eminente Magistrado Juiz Aldary Nunes Junior, as testemunhas assim se manifestaram:

1 ZILIO, Rodrigo Lopez. Crimes Eleitorais. 2ªed. Jus Podium: 2016. p. 115

PODER JUDICIÁRIO Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo “Depoimento da Testemunha JOSEMAR MIRANDA DE JESUS (fls.

PODER JUDICIÁRIO

PODER JUDICIÁRIO Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo “Depoimento da Testemunha JOSEMAR MIRANDA DE JESUS (fls.

Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo

“Depoimento da Testemunha JOSEMAR MIRANDA DE JESUS (fls. 282/283):

que chegou a abastecer o seu veículo em poucas vezes, acreditando que umas 03 ou 04 vezes, nos finais de semana; que o trabalho voluntário na campanha consistia em ficar fazendo

[

...

]

propaganda com o carro como adesivo; [

...

]

que na época da campanha, o depoente procurou o

denunciado, em seu comitê para adesivar o seu automóvel, sendo que lá apenas é que ficou

sabendo que quem adesivasse o veículo ganhava combustível; [ proposta do denunciado no sentido de tentar comprar-lhe o voto.

...

]

que nunca recebeu qualquer

Em depoimento a Testemunha JOSÉ NILSON DE JESUS BARROS (fls. 282/283):

[ ... ] que para ganhar a autorização de abastecimento, o depoente tinha que adesivar o carro; [ ... ] que se não tivesse adesivado o seu veículo, não teria recebido as autorizações de abastecimento;

[

]

que o denunciado nunca tentou comprar o voto do depoente; que não se sentiu pressionado a

...

].

... votar no denunciado; [

Depoimento da Testemunha FRANCIVALDO ABÍLIO DE SOUZA, Chefe da Fiscalização de pista do Posto Trevão (fls. 288/289):

[

...

]

que era feita a identificação por meio um adesivo do candidato; [

...

]

que verificavam a

requisição e o adesivo de campanha e não questionavam mais nada; na época da campanha, o

depoente procurou o denunciado, em seu comitê para adesivar o seu automóvel, sendo que lá

apenas é que ficou sabendo que quem adesivasse o veículo ganhava combustível; [

...

].

Depoimento da Testemunha MARÍLIA VESCOVI GADIOLI GASTOLDI (fls. 282/283):

[

...

]

que recebiam o vale combustível pelo fato de adesivarem o automóvel; que a partir do

momento em que adesivarem o carro, recebiam semanalmente o combustível; [

]

... recebeu qualquer abordagem do denunciado no sentido de tentar comprar-lhe o voto”.

que jamais

Desta feita, resta demonstrado pelos depoimentos de JOSEMAR MIRANDA DE JESUS, JOSÉ NILSON DE JESUS BARROS, FRANCIVALDO ABÍLIO de SOUZA e MARILHA VESCOVI GADIOLI CASTOLDI, todos colidos em juízo e sob o crivo do contraditório, que o recebimento dos vales combustíveis era fornecido àqueles que adesivassem seus veículos. Com efeito, entende o Colendo Tribunal Superior Eleitoral, que a distribuição de combustível para abastecer veículos adesivados com propaganda de eleitoral não caracteriza o crime de corrupção eleitoral, porquanto ausente o especial fim de agir, consubstanciado na captação ilícita de votos. In verbis:

ELEIÇÕES 2008. AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ESPECIAL. AÇÃO PENAL. IMPROCEDÊNCIA. CORRUPÇÃO ELEITORAL. DISTRIBUIÇÃO DE VALE- COMBUSTÍVEL EM TROCA DA AFIXAÇÃO DE ADESIVOS. DOLO ESPECÍFICO DE CAPTAR VOTOS. AUSÊNCIA. ATIPICIDADE DA CONDUTA. PROVIMENTO. 1. Segundo a jurisprudência desta Corte, para a configuração do crime descrito no art. 299 do CE, é necessário o dolo específico que exige o tipo penal, isto é, a finalidade de "obter ou dar voto" e "conseguir ou prometer abstenção" (RHC nº 142354, Rel. Min. Laurita Vaz, DJe de

PODER JUDICIÁRIO Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo 2. Na espécie, o recebimento da vantagem -

PODER JUDICIÁRIO

PODER JUDICIÁRIO Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo 2. Na espécie, o recebimento da vantagem -

Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo

2. Na espécie, o recebimento da vantagem - materializada na distribuição de vale combustível -, foi condicionado à fixação de adesivo de campanha em veículo e não à obtenção do voto. Desse modo, o reconhecimento da improcedência da ação penal é medida que se impõe.

  • 3. Agravo regimental provido para conhecer e prover o recurso especial e julgar improcedente a

ação penal, afastando a condenação do agravante pela prática do crime de corrupção eleitoral.

(Agravo Regimental em Recurso Especial Eleitoral nº 291, Acórdão de 03/02/2015, Relator(a) Min. MARIA THEREZA ROCHA DE ASSIS MOURA, Relator(a) designado(a) Min. LUCIANA CHRISTINA GUIMARÃES LÓSSIO, Publicação: DJE - Diário de justiça eletrônico, Tomo 42, Data 04/03/2015, Página 220).

Mais a mais, verifico que, à exceção do veículo com Placa MPI 4343, cujo recibo de abastecimento consta o Recorrente como responsável financeiro, todos os demais automóveis abastecidos foram declarados na prestação de contas de campanha do Recorrente em 2008, acompanhada dos devidos contratos de cessão e de prestação de serviços acostados às fls. 61/115 e 232 e 237.

A referida prestação de contas foi devidamente aprovada pela Justiça Eleitoral em 2008, e, portanto, em data anterior ao inquérito policial que acompanha o presente processo. Logo, não vislumbro indícios mínimos para concluir que tais contratos foram simulados visando dar aparência de legalidade da suposta corrupção eleitoral narrada na denúncia. Assim, em face da fragilidade do conjunto probatório produzido pela acusação, faz-se necessário absolver o Recorrente, ante a ausência do dolo específico a configurar o crime de corrupção eleitoral, nos termos do art. 299, do Código Eleitoral. Por tais razões, acompanhando o Revisor, dou provimento ao recurso, para reformar a sentença e absolver o Recorrente, nos termos do artigo 386, VII, do Código de Processo Penal. É como voto.

*

P E D I D O

de

V I S T A

O

Sr. DESEMBARGADOR SÉRGIO LUIZ TEIXEIRA GAMA

(PRESIDENTE):-

Egrégia Corte: Diante do empate estabelecido, peço vista dos autos a fim de

proferir Voto de Minerva. * DECISÃO: Adiada a pedido de vista do Desembargador Sérgio Luiz Teixeira Gama.

* Presidência do Desembargador Sérgio Luiz Teixeira Gama. Presentes o Desembargador Samuel Meira Brasil Júnior e os Juízes Helimar Pinto, Aldary Nunes Júnior, Cristiane Conde Chmatalik, Adriano Athayde Coutinho e Rodrigo Marques de Abreu Júdice. Presente também o Dr. Carlos Vinícius Soares Cabeleira, Procurador Regional Eleitoral. \dsl

PODER JUDICIÁRIO Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo SESSÃO ORDINÁRIA 26-04-2017 PROCESSO Nº 3-39.2015.6.08.0020 - CLASSE

PODER JUDICIÁRIO

PODER JUDICIÁRIO Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo SESSÃO ORDINÁRIA 26-04-2017 PROCESSO Nº 3-39.2015.6.08.0020 - CLASSE

Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo

SESSÃO ORDINÁRIA

26-04-2017

PROCESSO Nº 3-39.2015.6.08.0020 - CLASSE 31 – (Continuação do julgamento) NOTAS TAQUIGRÁFICAS – Fls. 1/9

VOTO de MINERVA

O Sr. DESEMBARGADOR SÉRGIO LUIZ TEIXEIRA GAMA

(PRESIDENTE):-

Egrégia Corte: Rememoro aos Eminentes Pares tratar-se de Recurso Criminal interposto por ANDERSON SEGATTO GHIDETTI em face da r. sentença de fls. 335/348, prolatada pelo MM. Juiz da 20º Zona Eleitoral - Aracruz/ES, que julgou procedente a denúncia ofertada pela Douta Promotoria de Justiça daquela circunscrição, condenando-o a 03 (três) anos e 09 (nove) meses de reclusão, pela prática do crime de corrupção eleitoral, tipificado no art. 299 do Código Eleitoral, nos termos do art. 71 do Código Penal. Consta da denúncia que o ora recorrente, no pleito de 2008, na condição de candidato a vereador no Município de Aracruz/ES, promoveu doações de combustíveis a eleitores nos dez dias que antecederam a data das eleições, a qual ocorreu em 05 de outubro de 2008, visando a obtenção de votos em seu favor. Segundo narra a denúncia, o recorrente agiu de forma dolosa, com a finalidade de angariar a simpatia do eleitorado e assim obter votos, potencializando as chances de êxito de sua campanha por ocasião das eleições 2008. Em seu recurso de fls. 353/379, o ora recorrente aduz, em síntese, que o abastecimento de veículos, ainda que tivesse sido em troca exclusivamente de adesivagem de carros e motos, não se amolda à tipicidade prescrita no artigo 299 do Código Eleitoral. Sustenta que não houve tal prática e que o recorrente Anderson Ghidetti não fez abordagem direta aos eleitores discriminados na inicial com o objetivo de obter votos. Requer, ao final, a reforma da sentença, a fim de que seja absolvido pela prática do delito prescrito no art. 299, do Código Eleitoral e, alternativamente, na hipótese de manutenção da condenação, postula pela redução da pena aplicada, ante a condição de primariedade do réu. A Procuradoria Regional Eleitoral lançou parecer às fls. 398/412, manifestando-se pelo conhecimento do recurso criminal eleitoral, e, no mérito, pelo seu não provimento, ao argumento de que o conjunto probatório restou suficiente para comprovar o elemento subjetivo do tipo penal eleitoral da corrupção. A votação até o presente momento se encontra empatada, tendo o eminente Relator, Desembargador Samuel Meira Brasil Júnior, o ilustríssimo Juiz de Direito Helimar Pinto e o eminente Juiz Federal José Eduardo do Nascimento votado pelo conhecimento e desprovimento do recurso. De outro lado, o eminente Revisor, Dr. Adriano de Athayde Coutinho, inaugurou a divergência votando pelo provimento do recurso para absolver o acusado, no que foi seguido pelo ilustre Juiz de Direito Aldary Nunes Júnior e o eminente Dr. Rodrigo Marques de Abreu Júdice.

Pois bem.

O crime de corrupção eleitoral, previsto no art. 299 do Código Eleitoral, consiste em dar, oferecer, prometer, solicitar ou receber, para si ou para outrem, qualquer outra vantagem,

para angariar votos ou abstenção, ainda que a oferta não seja aceita.

PODER JUDICIÁRIO Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo O objetivo dessa proteção penal é a liberdade

PODER JUDICIÁRIO

PODER JUDICIÁRIO Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo O objetivo dessa proteção penal é a liberdade

Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo

O objetivo dessa proteção penal é a liberdade de sufrágio, ou seja, a livre manifestação de voto do eleitor sem sofrer influência ou mácula de agente corruptor. A regra incrimina tanto a denominada corrupção eleitoral ativa (nas modalidades dar, prometer e oferecer) como a corrupção eleitoral passiva (nas modalidades solicitar e receber). Para a verificação da ocorrência do delito do artigo 299 do Código Eleitoral, faz-se necessária a comprovação do elemento do tipo, que consiste na finalidade de obter ou dar voto, ou conseguir ou prometer abstenção. Não se exige a comprovação do pedido explícito ou direto de voto 1 . Esse crime consuma-se no momento da oferta ou pedido, independentemente da aceitação, tampouco da obtenção efetiva do benefício do voto ou da abstenção 2 . Não desconheço que existe no e. Tribunal Superior Eleitoral julgados no sentido de que o tratamento penal dispensado à prática do delito de corrupção eleitoral exige que se demonstre o dolo específico de obter o voto mediante oferecimento de vantagem indevida. (AgR- AI nº 3748/DF, Rel. Min. Luiz Fux, DJe de 15.12.2016). Todavia, é igualmente assente no E. Tribunal Superior Eleitoral o entendimento de que, para a configuração do delito de corrupção eleitoral é necessário demonstrar o dolo específico cuja verificação deve ser feita, em cada caso, de forma indireta, por meio da análise das circunstâncias de fato. (AgR-AI nº 7758/SE, Rel. Min. Fática Nancy Andrighi, DJe de

9.4.2012).

Nesse sentido é a jurisprudência do E. Tribunal Superior Eleitoral, a conferir:

(

....

)

1. Para a configuração do delito de corrupção eleitoral exige-se a

finalidade de obter ou dar o voto ou conseguir ou prometer a abstenção, o que não se confunde com o pedido expresso de voto. Precedentes.

2. A verificação do dolo específico em cada caso é feita de forma indireta,

por meio da análise das circunstâncias de fato, tais como a conduta do agente, a forma de execução do delito e o meio empregado. [ ] ... Agravo Regimental em Agravo de Instrumento nº 7758, Acórdão de 06/03/2012, Relator(a) Min. FÁTIMA NANCY ANDRIGHI, Publicação: DJE - Diário de justiça eletrônico, Tomo 65, Data 09/04/2012, Página 16) (grifei)

Compulsando os autos e feita a devida análise fática das provas produzidas, assim com da sentença recorrida, entendo que o recurso sob análise deve ser conhecido e desprovido, pois em meu sentir, após analisar os fatos e provas colhidas na instrução processual, considerando a conduta do agente, a forma de execução do delito e o meio empregado, entendo que o recorrente agiu com finalidade de obter o voto angariando a simpatia dos eleitores, o que desequilibrou a disputa eleitoral. Relembro aos dignos pares que nos presentes autos o recorrente foi denunciado por, supostamente, ter realizado doações de combustíveis a eleitores do referido município às

  • 1

  • 2

PODER JUDICIÁRIO Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo vésperas da data das eleições, a qual ocorreu

PODER JUDICIÁRIO

PODER JUDICIÁRIO Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo vésperas da data das eleições, a qual ocorreu

Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo

vésperas da data das eleições, a qual ocorreu em 05 de outubro de 2008, visando a obtenção de votos em seu favor, enquanto candidato a vereador no Município de Aracruz/ES.

Destaca a denúncia que,

...

os

eleitores destinatários dos abastecimentos quando

inquiridos em sede policial afirmaram que sequer trabalharam diretamente na campanha do denunciado, contudo, sentiam-se por vezes convencidos a direcionar-lhe o voto nas urnas.”

Saliento que, a averiguação do dolo específico no presente caso deve ser realizada de modo indireto, em consonância com o entendimento já manifestado pelo E. Tribunal Superior Eleitoral.

Segundo consignou o eminente Desembargador Samuel Meira Brasil Júnior em seu voto condutor, ficou comprovado nos autos deste processo que o recorrente promoveu o fornecimento de vales combustíveis para terceiros, que não detinham vinculação com a sua campanha eleitoral, restando comprovada a doação de combustível com a finalidade de obter votos.

Registrou sua Excelência que “No período compreendido entre 25/09/08 a 04/10/08, 24 (vinte e quatro) veículos foram abastecidos no Posto Trevão, mediante a

apresentação de 26 (vinte e seis) autorizações de abastecimento, fornecidos pelo Recorrente, conforme atestado pela Nota Fiscal nº 12372 (fl. 120) e Demonstrativo de Vendas por Cliente de fls. 120/122, vinculados ao Inquérito Policial nº 740/2008. Tais documentos comprovam, com efetividade, a materialidade delitiva e autoria do Recorrente.” Muito embora a testemunha JOSEMAR MIRANDA DE JESUS não tenha confirmado o conteúdo do seu depoimento na fase do Inquérito Policial, alegando que “deve ter ficado nervoso”, destaco trecho do seu depoimento colhido na fase policial, que revela que o recorrente, por meio dos trabalhadores de sua campanha, solicitou expressamente voto para sua candidatura, o que evidencia o dolo específico exigido pelo art. 299, do Código Eleitoral, a conferir:

Depoimento de JOSEMAR MIRANDA DE JESUS (fl. 299 do IP nº 740/08):

“[

...

]

que no entanto ficou sabendo, na época dos fatos, que no comitê

deste candidato localizado em frente ao Posto Central do mesmo Município, o candidato em tela estava distribuindo tais autorizações de abastecimento com a condição de que o

depoente adesivasse a sua propaganda eleitoral em seu veículo; que se fizesse isso teria o

direito a abastecer 5 litros de gasolina por semana [

...

]

que se recorda que o movimento

no comitê das pessoas que chegavam com o fim de obtenção da autorização em questão era bastante intenso; que destaca quando esteve no comitê supra mencionado e recebeu a autorização de abastecimento em tela foi solicitado pelas pessoas que trabalhavam no

local que o depoente votasse no candidato ANDERSON GHIDETTE [ destaquei)

...

].”

(grifei e

Não bastasse isso, saliento, ainda, não prosperar a alegação da defesa de que os supostos beneficiários das doações de combustível firmaram contrato de cessão de uso dos veículos com o candidato, tendo como finalidade a adesivagem de propaganda eleitoral e a participação em eventos nas Eleições 2008, conforme demonstrarei a seguir. Conforme bem registrou o eminente e culto Des. Samuel Meira Brasil Júnior em seu voto condutor, não obstante as contradições indicadas nos depoimentos judiciais de algumas testemunhas, as mesmas admitiram, em sede de interrogatório policial, que não trabalharam na

PODER JUDICIÁRIO Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo campanha do denunciado e que a doação de

PODER JUDICIÁRIO

PODER JUDICIÁRIO Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo campanha do denunciado e que a doação de

Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo

campanha do denunciado e que a doação de combustível ocorria sem qualquer vínculo com a

atividade eleitoral típica, desqualificando os respectivos contratos juntados pela defesa (fls. 71,

76, 78, 79/80, 81/82, 83/84, 85/86, 87/88, 89 e 91). A conferir:

Depoimento de DIONEL ELIAS MONTEIRO (fl. 345 do IP nº 740/08):

“[

...

]

que não trabalhou na campanha do então candidato a vereador para

o município de Aracruz no ano de 2008, Anderson Ghidete; que, todavia, reconhece que

de fato abasteceu o veículo supra citado, durante o período de campanha eleitoral no

Posto de Gasolina denominado Trevão, localizado no Município de Aracruz; que esclarece

que tal abastecimento se deu após ter recebido requisição do comitê eleitoral do candidato

supra citado; que desta forma, após ter colado seu adesivo de campanha teve garantido,

no posto em questão o abastecimento gratuito de seu veículo, após apresentação desta

requisição; que na época não participou de nenhuma carreata do candidato em tela

[

...

].”

(grifei)

Depoimento de MANOEL GOMES BANDEIRA (fl. 297 do IP nº 740/08):

(

...

)

Que, esclarece que em nenhum momento laborou na campanha do

candidato a vereador ANDERSON SEGATTO GHIDETTI; (

...

)”

(grifei e negritei).

Depoimento de JOSÉ NILSON DE JESUS BARROS (fl. 298 do IP nº

740/08):

“(

....

)

QUE, esclarece que em nenhum momento laborou na campanha do

candidato a vereador para o município retro citado ANDERSON SEGATTO

GHIDETTI; QUE, no entanto, ficou sabendo na época dos fatos que no comitê deste

candidato localizado em frente ao Posto central do mesmo município que o candidato em

tela estava distribuindo tais autorizações de abastecimento cuja moto que adesivasse a

sua propaganda eleitoral teria direito a abastecer 5 litros de gasolina por semana; QUE,

desta forma se dirigiu ao comitê retro citado tendo obtido tal autorização de

abastecimento após ter adesivado a propaganda em questão em sua moto; Que, se

recorda que o movimento no comitê das pessoas que chegavam com o fim de obtenção da

autorização em questão era bastante intenso; (

...

)

Com efeito, infere-se do depoimento de JOSÉ NILSON DE JESUS BARROS,

no IP, que este benefício era concedido de forma indiscriminada, deixando claro o modus

operandi utilizado pelo recorrente para obter o voto e a simpatia do eleitor, mesmo sem ter

qualquer vínculo com a campanha.

Destaco depoimento de MANOEL GOMES BANDEIRA, segundo o qual, além

de não ter trabalhado na campanha do recorrente, recebeu combustível para que pudesse se

deslocar ao município de Vitória para tratar de um câncer no intestino, o que demonstra a conduta

ardilosa do recorrente de angariar a simpatia do eleitor em busca de votos, a conferir:

Depoimento de MANOEL GOMES BANDEIRA (fl. 297 do IP nº 740/08):

“Que se recorda que durante a campanha eleitoral de 2008 solicitou ao

candidato a vereador do município de Aracruz ANDERSON GHIDETTE que lhe ajudasse

com o fornecimento de combustível para o veículo para o veículo retro citado de modo que

PODER JUDICIÁRIO Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo pudesse se dirigir ao município de Vitória para

PODER JUDICIÁRIO

PODER JUDICIÁRIO Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo pudesse se dirigir ao município de Vitória para

Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo

pudesse se dirigir ao município de Vitória para tratar de doença de câncer no intestino;

Que, deste modo o candidato aceitou ajudá-lo tendo pedido que se dirigisse ao seu comitê

localizado em frente ao Posto Central em Aracruz para que recebesse autorização de

abastecimento que consta às fls. 33 dos autos;

De igual modo, destaco, ainda, trechos do seu depoimento de JOSEMAR

MIRANDA DE JESUS colhido em Juízo (fl. 282/283), que comprovam de modo cristalino que

o depoente recebeu combustível, sem trabalhar na campanha do recorrente, o que corrobora o seu

depoimento prestado no Inquérito Policial de que não possuía qualquer vínculo com a campanha

do recorrente, a conferir:

Depoimento colhido em Juízo (fl. 282/283)

“(

....

)

que tem conhecimento de todos os fatos apurados; que o depoente

chegou a abastecer o seu veículo para ajudar na campanha do Anderson; que assim o fez

de forma voluntária; que chegou a abastecer o seu veículo em poucas vezes, acreditando

que umas 03 ou 04 vezes, nos finais de semana; que o trabalho como voluntário na

campanha consistia em ficar fazendo propaganda no carro o adesivo; que utilizava o carro

normalmente; (

...

).

“que bastava comparecer com o carro adesivado para receber a guia

de abastecimento; que confirma como sua a assinatura de fl. 299/300.” (grifei)

Depoimento colhido no Inquérito Policial nº 740/08, fl. 299:

“[

...

]

que esclarece que em nenhum momento laborou na campanha do

candidato a vereador para o município retro citado ANDERSON SEGATTO

GHIDETTI;

De forma curiosa, verificou-se que as testemunhas Manoel Gomes Bandeira (fl.

297) e José Nilson de Jesus Barros (fl. 298), ao prestarem depoimento em Juízo, embora não

tenham alegado qualquer tipo de ameaça, pressão ou agressão física ou psicológica ao tempo que

prestaram depoimentos à autoridade policial, apresentaram versão diametralmente diversa e

extremamente duvidosa dos fatos.

O questionamento em torno da validade dos instrumentos contratuais encontra

reforço na seguinte situação, verificada por ocasião da oitiva da testemunha Dionel Elias

Monteiro (fls. 280/281), colhida na fase judicial: o cidadão em referência afirmou em seu

depoimento que era proprietário do veículo Gol, placas MPA 7505, à época dos fatos, e que

somente ele utilizava o automóvel, que havia sido adquirido em uma agência. Entretanto, o

contrato de cessão de uso do veículo Gol placas MPA 7505, apresentado pela defesa à fl. 71, foi

firmado por Ademilson Silva Santana, sem participação do Sr. Dionel, o que demonstra a falta de

idoneidade do contrato.

Assim como entendeu e eminente Juiz Federal José Eduardo do Nascimento, que

acompanhou o relator, não está caracterizado aqui que houve um contrato de cessão lícito de

veículo para trabalhar em campanha, porque mesmo nos depoimentos judiciais, algumas dessas

pessoas disseram que não trabalharam na campanha, mas sim que ajudaram uma vez ou outra,

que levaram pessoas esporadicamente num lugar, mas, na verdade, pegaram a gasolina

frequentemente para utilizar no seu dia a dia, a conferir:

Depoimento de JOSÉ NILSON DE JESUS BARROS (fl. 284, fase Judicial):

PODER JUDICIÁRIO Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo “Que o depoente, na época dos fatos, chegou

PODER JUDICIÁRIO

PODER JUDICIÁRIO Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo “Que o depoente, na época dos fatos, chegou

Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo

“Que o depoente, na época dos fatos, chegou a abastecer um veículo de sua

propriedade com autorização do denunciado; (

...

)

Que quando algum funcionário da

campanha precisava do carro, o depoente o levava, mas isso foi muito raro; (

...

)

que

apenas quando foi ao comitê é que ficou sabendo que era feto o abastecimento do carro;

que esta pessoa esclareceu que era feito um contrato e que os abastecimentos eram

semanais; que o depoente efetivamente celebrou um contrato; que se não tivesse adesivado

o seu veículo, não teria recebido as autorizações de abastecimento; que não consegue se

lembrar quantas vezes abasteceu o seu veículo, mas apenas se lembra que era semanal ;

que o depoente trabalhava com um carro da empresa, sendo que o seu veículo que era

abastecido pela campanha ficava em casa ; (

...

)

que assinou o contrato, salvo engano, em

2008; que essa mulher lhe explicou que era necessário o contrato para adesivar o veículo

e ficar regular(grifei e negritei).

Depoimento de MARILHA VESCOVI GADIOLI CASTOLDI (fl. 289, fase

Judicial):

(

...

)

que adesivaram o veículo porque desejaram, posto que sempre o

apoiaram; que recebiam vale combustível semanalmente por tal motivo; (

...

);

que

recebiam

o

vale

combustível

pelo

fato

de

adesivarem

o

automóvel;

(

...

)

que

os

abastecimentos eram utilizados para fins particulares, e eventualmente utilizados pela

campanha do denunciado; que já chegou, em poucas vezes, a entregar o carro para um

funcionário do denunciado, mas não se lembra o nome da pessoa, devido ao tempo já

decorrido, mais de 05 anos;

Ademais, curiosamente, nenhuma testemunha mencionou a existência quaisquer

contratos ou compromisso de trabalho na campanha do ora recorrente na fase do Inquérito

Policial, diferentemente do que ocorrera nos depoimentos judiciais.

Observo, ainda, que o contratos firmados em nomes dos depoentes (fls. 71, 76, 78,

79/80, 81/82, 83/84, 85/86, 87/88, 89 e 91), somente foram juntados aos autos após as oitivas

colhidas na fase policial e não possuem autenticação ou data capaz de atestar com certeza a

idoneidade desses documentos.

A contradição dos depoimentos prestados pelas testemunhas tanto é flagrante que

o MM. Juiz Eleitoral determinou a remessa das oitivas para a Polícia Federal apurar o crime de

falso testemunho, conforme se observa do Termo de Audiência de fl. 279.

Na mesma linha de raciocínio esboçada pelo eminente Juiz Federal José Eduardo

do Nascimento, entendo que, na medida em que o recorrente faz uma proposta aberta a qualquer

eleitor interessado que comparece ao comitê e aceita adesivar o seu veículo e promete dar um

vale, um tíquete combustível para abastecer o seu tanque no posto de gasolina, está configurado,

data vênia, a intenção de atrair a sua simpatia em troca de benesse material, conduta que se

amolda ao tipo da corrupção eleitoral, além de interferir na livre escolha do voto e desequilibrar a

disputa eleitoral em desfavor de outros candidatos que não usaram da mesma prática reprovável.

Alias, se os contratos firmados em nomes das pessoas supracitadas eram regulares

não faria sentido que o frentista exigisse que os veículos estivessem adesivados. Se a obrigação

contratual de abastecimento era do contratante, ora recorrente, não faria sentido distribuir tiquetes

para pessoa que não assinou contrato, como foi o caso da Dionel Elias Monteiro (fls. 280/281).

PODER JUDICIÁRIO Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo É no mínimo estranho que diversas testemunhas tenham

PODER JUDICIÁRIO

PODER JUDICIÁRIO Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo É no mínimo estranho que diversas testemunhas tenham

Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo

É no mínimo estranho que diversas testemunhas tenham dito que não trabalharam

para campanha do recorrente, e, ainda assim, no contrato contar a obrigação do candidato de

comunicar aos depoentes, com antecedencia de 48 horas, sobre os eventos a serem realizados.

Registro que a intenção do recorrente de obter o voto, ainda que de forma velada,

restou demonstrada pelo modo ostensivo e reiterado como efertou o abastecimento de carros

adesivados, segundo restou demonstrado por meio do depoimento de FRANCISVALDO

ABILIO DE SOUZA, Chefe de fiscalização dos frentistas do Posto Trevão, no seu depoimento

prestado em Juízo (fl. 288):

“[

...

]

que exibidos os documentos de fls. 33/68, reconhece como sendo

semelhantes àqueles que eram recebidos; que eram feitos abastecimentos de “carros de

políticos”; que era feita a identificação por meio de um adesivo do candidato; que seria o

carro comum, mas com o adesivo de um candidato; [

...

]

de políticos” ocorriam até as eleições.”

que este abastecimento de “carros

Do mesmo modo, colaciono trecho de seu depoimento no Inquérito Policial (fls.

199/200)

“[

...

]

que por orientação do proprietário do posto de gasolina em tela,

JAIME LOPES BITTI, para que houvesse o abastecimento mediante apresentação das

autorizações do posto TREVÃO supramencionadas, bastaria que o condutor, primeiro,

apresentasse tal autorização preenchida com data, placa do veículo e do condutor e em

segundo, que tivesse adesivo do candidato colado no veículo [

...

].”

O depoimento de JOSÉ LIMA DOS SANTOS, frentista do Posto Trevão,

também corrobora essa conduta, considerada habitual e ostensiva:

Depoimento em Juízo (fl. 286)

“[

...

]

que trabalha no Posto Trevão desde 1999 até hoje; que em se tratando

de empresas, é comum que os abastecimentos ocorram por meio de documentos (vales), o

mesmo não ocorrendo com relação a pessoas físicas; [

...

]

que na época

da política, a

maioria dos candidatos mandavam abastecer no posto Trevão [

...

];

que

na época

da

política era comum pessoas aparecerem para abastecer veículos [

...

].”

Depoimento no Inquérito Policial (fl. 160)

“[

...

]

que esclarece que o procedimento de abastecimento com autorização

em tela, no que tange ao cidadão comum, ou seja, que não tinha vínculo com nenhuma

empresa conveniado com o posto em foco, só se deu no período pré-eleitoral [ ].” ...

Destaco que, ao contrário do que pretendeu aduzir o recorrente em seu recurso, a

definição típica do art. 299 do Código Eleitoral não determina que a oferta ou doação da

vantagem venha precedida de pedido expresso de votos, bastando a exigência de correlação entre

a vantagem e o voto, que pode perfeitamente se caracterizar sem necessidade de fala expressa e

direta. Nesse sentido, colaciono o julgado do E. Tribunal Superior Eleitoral, in verbis:

PODER JUDICIÁRIO Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo ( .... ) 3. O pedido expresso de

PODER JUDICIÁRIO

PODER JUDICIÁRIO Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo ( .... ) 3. O pedido expresso de

Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo

(

....

)

3. O pedido expresso de voto não é exigência para a configuração do

delito previsto no art. 299 do Código Eleitoral, mas sim a comprovação da finalidade de

obter ou dar voto ou prometer abstenção.

4. A circunstância de a compra de voto ter sido confirmada por uma única

testemunha não retira a credibilidade nem a validade da prova.

Embargos de declaração recebidos como agravo regimental e não provido.

(Recurso Especial Eleitoral nº 58245, Acórdão, Relator(a) Min. Arnaldo

Versiani Leite Soares, Publicação: RJTSE - Revista de jurisprudência do TSE, Volume

22, Tomo 2, Data 02/03/2011, Página 92) – grifei

No mesmo sentido, cito julgado do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de janeiro,

in verbis:

(

....

)

III

-

Para

a

caracterização

do crime de corrupção eleitoral

é

desnecessário apresentar prova da existência de pedido expresso de voto, bastando a

comprovação do especial fim de agir. Precedente do TSE.

IV - In casu, o desejo de cooptar votos decorre ipso facto da própria

propaganda eleitoral em nome do recorrente, a qual era distribuída e afixada pelo seu

próprio comitê de campanha eleitoral nos bens particulares dos eleitores, os quais, em

troca, recebiam crédito para abastecimento em postos de combustíveis locais.

(TRE-RJ. RECURSO CRIMINAL nº 291, Acórdão de 06/11/2012,

Relator(a) LUIZ ROBERTO AYOUB, Revisor(a) SERGIO SCHWAITZER, Publicação:

DJERJ - Diário da Justiça Eletrônico do TRE-RJ, Tomo 273, Data 08/12/2012, Página

27/31 )

Da mesma forma foi assentado pelo TRE-MG, no Recurso Criminal nº 56,

Acórdão de 10/09/2009, Relator(a) JOSÉ ANTONINO BAÍA BORGES, Publicação: DJEMG -

Diário de Justiça Eletrônico-TREMG, Data 25/09/2009.

Chamo a atenção para um fato peculiar nos delitos do art. 299 do Código Eleitoral.

No caso do crime de corrupção eleitoral, a prova testemunhal deve ser analisada cuidadosamente,

notadamente quando existe contradição nas oitivas na fase policial e judicial.

Isso porque o crime de corrupção eleitoral tem duas facetas, quais sejam, a

corrupção eleitoral ativa e a passiva. Sendo assim, tanto quem oferece, dá ou promete algo em

troca de voto como aquele que recebe ou solicita algo, incorre no crime previsto no art. 299 do

Código Eleitoral. Com isso, o depoimento de uma testemunha pode torná-la ré em virtude da

prática de corrupção eleitoral ativa.

Nesse raciocínio, é óbvio que as testemunhas não diriam que se dirigiram ao

comitê de campanha para pedir vale-combustível em troca do voto - sob pena de serem

enquadradas como co-partícipes do crime.

Mas, a partir do momento em que o candidato, em pleno período eleitoral,

aproveitando-se de uma necessidade do eleitor, lhe dá um vale-combustível tendo como contra-

partida apenas a adesivagem de veículo, que cabe destacar, era requisito para identificação pelo

posto de combustível, evidencia o modus operandi utilizado pelo recorrente para atrair a simpatia

do eleitorado, com a intenção de obter-lhe o voto, conclusão robustecida a partir das contradições

das testemunhas ouvidas nos autos.

PODER JUDICIÁRIO Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo Caminhando para o final, destaco trecho da decisão

PODER JUDICIÁRIO

PODER JUDICIÁRIO Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo Caminhando para o final, destaco trecho da decisão

Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo

Caminhando

para

o

final,

destaco

trecho

da

decisão

proferida pelo Culto

Magistrado de piso, por bem representar o meu sentido nestes autos:

“Entendo que a prova testemunhal foi clara e segura para me convencer

que o denunciado, valendo-se de poderio econômico que detinha na época da eleição,

distribuiu, na forma de dádivas a eleitores, indiscriminadamente, vales combustíveis para

abastecimento, no intuito direto, ora velado, ora expresso (como afirmado por

testemunhas), de obtenção de voto para as eleições que ocorreram em 2008, sendo

procedente a pretensão punitiva do Estado neste ponto.”

Considerando os elementos sopesados neste voto, mostra-se acertada a sentença

recorrida quando afirma que, muito embora o Recorrente sustente que os contratos de fls. 71, 76,

78, 79/80, 81/82, 83/84, 85/86, 87/88, 89 e 91 e a prestação de contas são provas da legalidade

dos pagamentos, aqueles foram simulados para dar aparência de legalidade em conduta que, na

verdade, apenas representava a concessão de vantagem e benefícios em troca do apoio nas

eleições municipais de 2008, principalmente quando as testemunhas, em sede policial, foram

unânimes em afirmar que não trabalharam na campanha eleitoral.

Assim, diante dos elementos presentes nos autos, entendo que o recorrente agiu de

forma dolosa, com a finalidade de angariar a simpatia do eleitorado e assim obter votos para a

sua candidatura, potencializando as chances de êxito de sua campanha nas Eleições 2008,

desequilibrando a disputa no citado pleito e interferindo na liberdade de escolha do eleitor.

Ante o exposto, pedindo vênia à divergência inaugurada pelo culto e digno Dr.

Adriano Athayde Coutinho, acompanho o eminente relator Desembargador Samuel Meira Brasil,

no sentido de conhecer do recurso e, no mérito, negar provimento.

É como voto.

*

DECISÃO: Por maioria de votos, em NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO, nos termos do

voto do eminente Relator.

*

Presidência do Desembargador Sérgio Luiz Teixeira Gama.

Presentes o Desembargador Samuel Meira Brasil Júnior e os Juízes Helimar Pinto, Aldary Nunes

Júnior, Cristiane Conde Chmatalik, Adriano Athayde Coutinho e Rodrigo Marques de Abreu

Júdice.

Presente também o Dr. Carlos Vinícius Soares Cabeleira, Procurador Regional Eleitoral.

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