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29/05/2018 A evolução tática no futebol: quais as novas tendências; o que pode vir por aí?

- Universidade do Futebol

A evolução tática no futebol: quais as novas


tendências; o que pode vir por aí?
Paulo Canineu Neto*
Como tudo na vida, o futebol também evolui. Evolui em seus quatro pilares: técnico, tático, físico e psicológico
(ou mental). Essa evolução é fomentada pela necessidade de sobrevivência nos mais altos níveis do esporte;
pela busca de um “edge”, um algo a mais que ofereça a uma equipe um mínimo distanciamento em relação aos
adversários que a leve a vitória. Ainda que o esporte futebol não perca a sua essência, é impossível não se
resignar a existência desse processo evolutivo. Seguindo esse raciocínio, é interessante a experiência de
assistir uma partida de futebol de 40-50 anos atrás (obrigado YouTube!!!) e logo depois assistir a um jogo atual.
Evidentemente pode-se discutir a qualidade do espetáculo, uma vez que é recorrente a opinião que a qualidade
técnica do jogo caiu acentuadamente, mas a evolução no aspecto físico é indiscutível e inapelável (velocidade
do jogo/speed of play e condição atlética dos atletas). Isso posto, as mudanças táticas dentro do futebol não são
menos significativas. Começando nas origens do esporte, onde o futebol era praticado nas universidades
britânicas como a Cambridge University, o sistema tático 2-3-5 com cinco atacantes representou a primeira
inovação tática, uma vez que nos seus primórdios, a tática se resumia a “a frente e avante”.
A partir de então, o futebol sempre se valeu da criatividade e inventividade de alguns para se reinventar e
avançar suas fronteiras no campo tático. Partindo do W-M (3-2-2-3) introduzido pelo treinador do Arsenal, o
inglês Herbert Chapman, passando pela Itália com a introdução da figura do libero no “Catenaccio” do treinador
argentino Helenio Herrera, na dominante Internacionale de Milao da década de 60, e finalmente chegando a
Holanda com a introdução do Futebol Total pelo legendário treinador Rinus Michels no Ajax, e seleção
holandesa da década de 70,- tendo Cruiff como seu maior exponente (que mais tarde como treinador, viria a
adaptar o futebol total e implementa-lo na sua versão moderna no Barcelona da década de 90 – o que viria a
constituir a filosofia técnica e tática do clube e transformar sua história para sempre)-, incríveis adaptações
táticas vieram a arrebatar a realidade do esporte.
Hoje na vanguarda das evoluções táticas, está Pepe Guardiola,-certamente o maior inovador do futebol nos
últimos 30 anos. Pepe é um discípulo de Cruiff, e tendo como base a adaptada teoria do futebol total,
desenvolveu o famoso tiki-taka do Barcelona de 2009-2013, e o aperfeiçoou nas suas passagens por Bayern e
Manchester City, onde seu modelo de jogo tem passado por constante metamorfose, sempre levando em conta
a cultura do clube e do país onde se encontra. A última dessas adaptações nos trouxe os “laterais invertidos”,
posicionados mais como meio campistas centrais na fase de ataque da equipe, contrariando o senso comum
construído nas últimas décadas onde a responsabilidade ofensiva do lateral está fundamentalmente ligada a
oferecer opções nos flancos do campo, “overlapping” o ponta ou meio-campista de beirada, e servindo
atacantes e meio campistas com cruzamentos a área adversária. Assim, é fato que o futebol está em constante
evolução e a introdução de uma nova adaptação tática ou sistema de jogo, que proporcione a uma equipe um
“edge”, é somente uma questão de tempo. Nesse sentido, é interessante fazer o exercício de tentar antecipar
esse processo e discutir possíveis inovações táticas que o futebol pode vir a oferecer nos próximos anos.
Tendência já iniciada no futebol moderno, é a possibilidade de equipes apresentarem diferentes formações
táticas em diferentes fases de uma partida: fase de ataque x fase de defesa. Vejamos o exemplo da nossa
seleção brasileira: todo brasileiro aficionado por futebol está cansado de ouvir nas mídias, seja por jornalistas ou
pelo próprio treinador, que o Brasil desde a chegada de Tite usa a formação 4-1-4-1. Pois bem, esses números
se referem a formação da equipe quando está se defendendo (essa formação apresenta ainda algumas
variações, sendo o 4-5-1 uma delas, onde os meias centrais e os de beirada – ou pontas – se encontram
posicionados em uma linha de cinco juntamente com o volante). No entanto, a equipe apresenta uma formação
diferente em sua fase de ataque. Essa formação ofensiva pode variar dependendo do oponente e suas
características coletivas e individuais, mas é comum ver a equipe brasileira atacar em 3-1-3-3, uma vez que os
meias de beirada se projetam a frente se juntando ao centroavante, e um dos laterais se projeta a frente se
juntando aos meias centrais. Ainda que hajam mais variações dentro do mesmo sistema, esse seria o modelo
básico. Essa tendência também é prevalente a nível de clubes, seja na Europa, Brasil, ou qualquer lugar do
mundo.
Também é muito comum que equipes estejam preparadas para utilizar uma segunda formação no decorrer de
uma partida. Porém, isso quase que necessariamente implica em uma substituição, uma vez que jogadores são,
em geral, especialistas em uma posição, e poucos são capazes de desenvolver diferentes funções, o que em
tese permitiria mudanças táticas sem substituições, deixando o processo muito mais dinâmico. Outro ponto
importante é que o treinador (e sua comissão técnica) é quem determina a formação tática (ou formações – no
que se refere a suas variações ofensiva e defensiva) a ser utilizada. Ainda que uma equipe mude a sua
formação no decorrer de uma partida, essa mudança ocorre por iniciativa exclusiva do treinador. Visualizo um

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29/05/2018 A evolução tática no futebol: quais as novas tendências; o que pode vir por aí? - Universidade do Futebol

futebol evoluído onde treinadores desenvolverão em suas equipes a capacidade de apresentar formações
táticas variadas dentro de uma mesma partida, dependendo das circunstâncias que o adversário ou a partida
ofereça, porém, os jogadores (um grupo seleto ou um único jogador) terão conhecimento e até autonomia para
fazer essas determinações dentro do campo por iniciativa própria.
Pensemos hipoteticamente numa situação onde uma equipe esteja defendendo em um 4-1-4-1 (ou 4-5-1), e a
equipe adversária esteja consistentemente conseguindo penetrações na sua linha de defesa, explorando os
espaços entre zagueiros e entre zagueiros e laterais. Seria devaneio achar que o volante poderia por iniciativa
própria (ou por influência de um outro companheiro dentro do campo) tomar a decisão de se posicionar entre os
dois zagueiros centrais na fase defensiva do jogo (mudando a formação da equipe para um 5-4-1) na tentativa
de resolver um desequilíbrio tático? Imagino um futebol onde equipes se ajustem naturalmente às condições
impostas pelo adversário, seus pontos fortes e suas deficiências. É fato que todo sistema tem um ponto fraco.
Assim, uma equipe que potencialmente fosse prolífica executando sistemas de jogos variados, poderia optar
pelo sistema que se encaixasse melhor ao modelo de jogo desenvolvido pelo adversário. Evidentemente essa
evolução fica absolutamente condicionada a 1- a existência de jogadores polivalentes que tenham a
competência técnica e tática para desempenhar múltiplas funções (meio campistas virando zagueiros, laterais
virando alas, atacantes virando meias, e vice-versa); e 2- a capacidade de um jogador (ou jogadores) de fazer a
leitura precisa do jogo e tomar a decisão adequada na determinação de qual formação utilizar. Isso posto, vale
fazer uma breve consideração sobre a inteligência tática do jogador de futebol.
Sempre que se pensa em tática no futebol, isso necessariamente se traduz dentro das quatro linhas na
capacidade do jogador de tomar decisões, decisões rápidas e adequadas para um momento específico. Assim,
para que uma inovação tática seja introduzida, é preciso que a equipe,- a promover essa inovação-, seja
formada por jogadores donos de um QI futebolístico alto. Sem que o jogador ou jogadores possuam o
entendimento do jogo, forte senso de posicionamento espacial, poder de visualização e antecipação de
situações futuras, leitura do adversário, capacidade de comunicação e liderança aguçadas, independente da
qualidade do treinador, a possibilidade de um desempenho tático de excelência é inexistente. Cruiff foi o
catalisador do futebol total de Michels, assim como Guardiola (de uma maneira mais coadjuvante e menos
contundente) o fez para Cruiff quando esse se tornou treinador no Barcelona. Guardiola agora como técnico se
valeu da alta inteligência tática de Xavi/Iniesta (Barcelona), Lahm/Alonso (Bayern) e DeBruine/Silva (Manchester
City) para implementar suas inovações táticas nos clubes onde passou. Conta-se nos dedos o número de
jogadores com esse intelecto tático inato disponíveis no mercado. Para a maioria dos jogadores essas
capacidades de ordem tática se desenvolvem com o tempo, são fruto de anos de experiência e vivência dentro
do esporte, e são exponencialmente expandidas dependendo do meio ambiente onde essas experiências são
adquiridas (convivência com treinadores e jogadores de alto nível). Acesso a informação é imprescindível nesse
processo.
Naturalmente muitos jogadores se tornam treinadores após a aposentadoria. Nessa linha é recorrente ouvir ex-
jogadores comentando: “gostaria de saber o que eu sei hoje na época em que eu jogava. Como as coisas
seriam diferentes…” Dessa maneira, cientes dessa dinâmica, gestores e treinadores em geral poderiam acelerar
esse processo de aprendizagem e amadurecimento tático dos seus jogadores expondo-os a uma educação
formal dentro do futebol. Assim por que não submeter jogadores a cursos de treinadores enquanto ainda estão
em atividade? Ter a possibilidade de pensar sobre o jogo do ponto de vista do treinador tende a expandir o
entendimento tático do jogador, não um conhecimento superficial e empírico, mas uma reflexão profunda sobre
metodologias e comunicação, estratégias de jogo, formações (seus pontos fortes e suas fraquezas), princípios
táticos ofensivos e defensivos, periodização, análise de desempenho, gestão de grupo, etc. Tal iniciativa poderia
trazer à realidade um desejo externado por muitos treinadores: ter um representante seu dentro das quatro
linhas. Certamente não seria necessário oferecer essa oportunidade a todos os jogadores em um elenco
profissional, uma vez que isso seria impraticável e desproposital. Mas a um número reduzido sim, aqueles com
tendência a liderança, e em posições estratégicas do ponto de vista do treinador (tático) e do clube
(organizacional). Pensando mais a longo prazo, o conteúdo do curso de formação de treinadores poderia
também ser incluído no currículo de formação acadêmica dos jogadores de base. Ainda que fora de campo,
essa seria uma inovação com potencial para influenciar a TÁTICA do jogo.
A última inovação tática a ser abordada aqui certamente pode parecer fruto de uma imaginação muito fértil.
Porém, me parece possível que estejamos perto de testemunhar nos próximos anos a introdução do ‘goleiro-
linha’ no futebol moderno. Talvez os mais novos tenham que fazer um “google search” ou consultar com seus
pais, mas os da minha geração certamente lembrarão daquele jogador que nas peladas de rua (ou no recreio da
escola) fazia as vezes de goleiro, mas que quando a equipe se lançava ao ataque, se tornava um jogador de
linha. O futebol de salão, pela natureza do jogo e principalmente dimensões da quadra, já faz uso do goleiro-
linha há algum tempo, e recentemente até alterou as regras para limitar a participação dele na metade defensiva
da quadra. No futebol de campo, esse processo já começou na figura de Manuel Neurer no Bayern Munich e,
recentemente, Ederson no Manchester City. Ederson em particular avançou no papel de goleiro-linha, uma vez
que aperfeiçoou as qualidades de Neurer como líbero (sweeper), se posicionando fora de sua área, e
oferecendo plena cobertura a sua última linha defensiva quando essa é penetrada. Porém, Ederson sob a

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influência de seu treinador, vem adicionando um elemento tático, até então não visto na construção de jogadas
iniciadas a partir do goleiro.
A sua capacidade de distribuição com os pés é impressionante, inquestionavelmente superior a tudo que o
futebol apresentou anteriormente. O seu repertório de passes é vasto. Domina diferentes técnicas, pesos e
texturas, tanto na distribuição curta, quanto longa. Equiparada a sua apurada técnica, está sua leitura de jogo e
sua capacidade na tomada de decisões. Isso proporciona à sua equipe múltiplas possibilidades na saída de
jogo, e coloca o adversário em um constante dilema na decisão de fazer pressão alta ou não. É prática comum
em situações de jogo onde uma equipe desesperadamente precisa de um gol (nos momentos derradeiros de
uma partida) que goleiros abandonem sua área em direção a área adversária para tentar anotar o tento em um
escanteio ou falta lateral. Essa evolução da figura do goleiro personificada em Ederson, me faz pensar se não
haveria espaço para outros avanços táticos na utilização do goleiro em situações semelhantes. Por que não
ampliar sua função de jogador de linha? Por que não adiantar o goleiro para linha de zagueiros e jogar sem
goleiro por um tempo reduzido?
Guardiola em várias situações na Premier League desse ano, devido ao tipo de marcação escolhida por seus
adversários (literalmente 10 ou 11 jogadores atrás da linha da bola no seu terço defensivo), posicionou seu time
na fase ofensiva em um 1-2-3-5 (goleiro – dois zagueiros – volante e dois laterais – dois meias ofensivos, dois
pontas e um centro- avante). Foi além. Em um jogo chegou a substituir um zagueiro por um segundo
centroavante, passando a jogar em um incrível 1-1-3-6 (vale notar que seu adversário naquele momento da
partida estava jogando sem centroavante, com 11 jogadores atrás da linha da bola). Tendo isso em mente vale a
pergunta: tendo um goleiro com a capacidade técnica e tática de Ederson, não caberia um 0-2-3-6 ou ate 0-1-3-
7? O jogo das oitavas de final da FA Cup (no mês passado), onde foi eliminado pelo Wigan da terceira divisão
pelo placar de 1×0, teria sido a oportunidade perfeita para Guardiola oportunizar tal tática. Dominou
absolutamente a partida até os 35 minutos do segundo tempo, mesmo com um jogador a menos (teve seu
lateral esquerdo expulso no ultimo lance do primeiro tempo), quando tomou o gol numa falha individual de Kyle
Walker em um contra-ataque. Pelas regras da competição, o empate provocaria uma segunda partida mas a
derrota eliminava o Manchester City. No caso não tinha Ederson em gol, mas Claudio Bravo. Mas ainda tinha
uma substituição a seu dispor. Substitui-se um zagueiro por um atacante e adianta o goleiro para linha de
zagueiros? Arriscado??? Obviamente. Mas nas circunstâncias da partida, tomar o segundo gol não alteraria em
nada a situação. Porém, um jogador a mais na linha ofensiva talvez o fizesse.
A grande questão é se uma equipe teria a capacidade de efetivamente fazer uso desse jogador “extra”? Como e
onde utiliza-lo? Taticamente haveria espaço a ser explorado por um atacante a mais ou um outro meia entre as
linhas defensivas adversárias?
Evidentemente que equipes não estão preparadas para tanto, mas se essa alternativa fizesse parte do elenco
de possibilidades do treinador, certamente equipes preparariam um especialista para tal ocasião. Não tendo um
goleiro com essas habilidades, por que não uma substituição tirando o goleiro e colocando um jogador de linha
como goleiro, permitindo a equipe essencialmente jogar com um jogador a mais, mesmo sem ter a equipe
adversária um jogador expulso? Dada a necessidade de que os goleiros joguem com os pés, o currículo de
treinamentos específicos para a posição mudou radicalmente nos últimos anos para incluir um componente de
exercícios e repetições visando o desempenho de tal função. Nesse sentido, o que se impede de fazer o
caminho inverso? Ciente da alternativa de utilizar um jogador de linha na posição de goleiro em situações muito
especificas, por que não treinar esse jogador na posição de goleiro? Podem parecer indagações ridículas devido
aos claros riscos criados por essa prática hipotética (jogar sem o goleiro na sua posição normal na fase ofensiva
– evidentemente que quando a equipe perdesse a bola o goleiro retornaria para sua posição normal) mas em
um meio absolutamente competitivo seria essa possibilidade totalmente descartável?

*Paulo Neto é um dos diretores técnicos da Pennsylvannia West Soccer Association, braço estadual da
Federação Americana de Futebol (United States Soccer Federation). Neto é Bacharelado em Educação Física e
Gerenciamento Esportivo (Union College) com Mestrado em Administração (Lincoln Memorial University). Neto
possui a Licença “A” da USSF e a Licença “A” da UEFA. Antes de mudar para os EUA, Neto jogou
profissionalmente pelo EC Sao Bento (Sorocaba) e nas categorias de base de Corinthians (pré-infantil aos
aspirantes) e Fluminense (juniores e aspirantes).

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