Vous êtes sur la page 1sur 112

Andreza Regina Lopes da Silva

ESTUDAR E APRENDER A DISTÂNCIA


Nestas páginas, vamos conversar sobre um tema
de extrema relevância para o seu sucesso aca-
dêmico: como estudar e aprender a distância.
Você conhecerá algumas técnicas de estudo e
dicas para se organizar, sempre buscando o apri-
moramento pessoal. O objetivo desta obra é fazer
com que você entenda que o principal responsável
pelo seu aprendizado é você mesmo e que é pre-
ciso agir com foco e determinação para alcançar
resultados satisfatórios e sucesso na sua jornada.

Andreza Regina Lopes da Silva

Fundação Biblioteca Nacional


ISBN 978-85-387-6425-0

9 788538 764250

Código Logístico

57319
Estudar e
aprender a distância

Andreza Regina Lopes da Silva

IESDE BRASIL S/A


2018
© 2018 – IESDE BRASIL S/A.
É proibida a reprodução, mesmo parcial, por qualquer processo, sem auto-
rização por escrito da autora e do detentor dos direitos autorais.

Capa: IESDE BRASIL S/A. Imagem da capa: Lightcome/iStockphoto

CIP-BRASIL. CATALOGAÇÃO NA PUBLICAÇÃO


SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ
S578e Silva, Andreza Regina Lopes da
Estudar e aprender a distância / Andreza Regina Lopes da
Silva. - 1. ed. - Curitiba [ PR] : IESDE Brasil, 2018.
108 p. : il. ; 21 cm.
Inclui bibliografia
ISBN 978-85-387-6425-0

1. Educação - Brasil. 2. Ensino a distância. I. Título.


CDD: 370.981
18-48768
CDU: 37(81)

Todos os direitos reservados.


IESDE BRASIL S/A.
Al. Dr. Carlos de Carvalho, 1.482. CEP: 80730-200
Batel – Curitiba – PR
0800 708 88 88 – www.iesde.com.br
3

Andreza Regina Lopes da Silva


Doutora e mestre no Programa de Pós-Graduação
em Engenharia e Gestão do Conhecimento (PPEGC) na
Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Especialista
em Educação a Distância e em Auditoria Empresarial.
Graduada em Administração pela UFSC e em Pedagogia
pela UniCesumar. Coach e mentora acadêmica formada pelo
Instituto Brasileiro de Coaching (IBC). Experiência na área
de educação com ênfase em educação a distância, aprendiza-
gem e desenvolvimento de competências. Atua como coach e
mentora acadêmica, como designer educacional e coordena-
dora de projeto e de produção. Também desenvolve atividades
relacionas à capacitação de professores e é autora de livros e
artigos científicos.
5

Sumário

Apresentação 7

1. Desafios de estudar a distância 9


1.1 Definições e características da EaD 9

1.2 Meios e modos de ensino e aprendizagem 14

1.3 Construindo conhecimentos na educação a distância 18

2. Estratégias de aprendizagem na EaD 29


2.1 Condições adequadas para o estudo 29

2.2 Mantendo a concentração 37

2.3 Motivação para estudar 42

3. Lendo e aprendendo 49
3.1 Construindo o hábito da leitura 49

3.2 Selecionando leituras 55

3.3 A arte de escrever 61

4. Planejando seu estudo 69


4.1 Foco  69

4.2 Gestão do tempo 73

4.3 Plano de ações 78

5. Técnicas para construção do conhecimento 89


5.1 Rotina diária de estudo 89

5.2 Mapas mentais e conceituais 94

5.3 Autoavaliação 99
7

Apresentação

Olá, estudante!

Seja bem-vindo a este livro e ao universo da educação a


distância. Nestas páginas, vamos conversar sobre um tema de
extrema relevância para o seu sucesso acadêmico: como estu-
dar e aprender a distância. Para um bom aproveitamento da
leitura proposta, das dicas e estratégias compartilhadas, é im-
portante que você esteja em um lugar tranquilo e com tempo
para fazer as atividades sugeridas, de modo a começar ime-
diatamente a ter bons resultados na sua jornada de formação
e desenvolvimento.

Este livro está organizado em cinco capítulos; neles, você


encontrará diferentes questões relacionadas à EaD, como sua
evolução histórica e conceitual, suas características e rele-
vância, bem como sua integração ao processo de desenvol-
vimento continuado em nossa sociedade contemporânea,
essencialmente baseada no conhecimento. Além disso, apre-
sentaremos técnicas de estudo, pois para aprender é preciso
saber estudar. Esse processo não se consolida da noite para
o dia e exige de você uma nova e importante postura: a de
assumir a posição de protagonista da história de sucesso
que você imagina conquistar na sua vida. E isso é efetiva-
mente possível, basta estabelecer um processo consciente e
contínuo de organização e evolução pessoal. Para ajudá-lo
nessa caminhada, compartilhamos também estratégias que
lhe permitirão ter uma aprendizagem significativa, ou seja,
um modo de estudar e aprender no qual o conhecimento é
ressignificado por você mesmo.
Toda a nossa discussão sobre o aprendizado na EaD é pau-
tada no entendimento de que ninguém faz uma gestão do tem-
po, mas sim das ações previstas nesse tempo. Afinal, o tempo
é igual para todos, ou seja, 24 horas diárias, e o que diferencia
uma pessoa da outra é a forma como cada uma utiliza o seu tem-
po. Desse modo, se você busca plenitude na sua vida, é preciso
sempre caminhar adiante, não parar de progredir, porém man-
tendo o equilíbrio entre os aspectos pessoais, profissionais, de
relacionamentos e de qualidade de vida. Acredite que tudo que
você sonha pode realizar, basta ter consciência de seus limites
e potencialidades. Agir com foco e determinação é primordial
para que os resultados desejados sejam alcançados com êxito.

Sabemos que isso exige por vezes a mudança ou mesmo a


criação de novos hábitos. Mas tenha claro que “o sacrifício é
temporário, enquanto a recompensa é duradoura”.

Desejamos a você bons estudos e significativas aprendiza-


gens por meio da educação e formação a distância. Sucesso na
sua jornada!
1
Desafios de estudar a distância

As primeiras práticas de educação a distância (EaD) no mundo


datam do século XIX, na Europa. Desde então, ela vem se expan-
dindo como metodologia educacional. Nos últimos anos, esse cres-
cimento tem sido exponencial, e hoje essa modalidade de ensino é
uma realidade da sociedade contemporânea. Logo, saber estudar e
aprender a distância é fundamental para você que busca pertencer,
de forma crítica e participativa, dessa sociedade.
Hoje, em pleno século XXI, o conhecimento se destaca como o
artefato de maior valor. E, diante desse contexto, convidamos você a
conhecer as características e os principais meios de ensino-aprendi-
zagem na EaD, para poder iniciar sua jornada de desenvolvimento
de competências em seu estudo a distância de forma eficaz.
Então vamos iniciar? Bons estudos!

1.1 Definições e características da EaD


Falar em educação a distância é, antes de tudo, falar em um proces-
so de ensino e de aprendizagem. Essa concepção conduziu à expansão
dessa metodologia educacional, no princípio influenciada pela ne-
cessidade de formação profissional, cujos primeiros registros datam
de 1833, na Suécia, e 1856, na Inglaterra. Ou seja, o início da EaD foi
motivado pela demanda de preparo dos indivíduos para o trabalho.
10 Estudar e aprender a distância

Nesses primeiros registros da EaD, ela ocorria por meio de texto


escrito e/ou impresso, enviado por correspondência. Já no início do
século XX, nos anos de 1920 e 1930, o mesmo ensino ganhou novos
meios de comunicação: foi uma época marcada pelo rádio e pela
TV. Por volta dos anos de 1960, iniciou-se a utilização de transmis-
são via satélite, a criação de vídeos e a possibilidade de orientação
face a face, com envolvimento de equipes multidisciplinares. Já em
meados dos anos de 1980, surgiu um meio de comunicação vigente
ainda hoje, a criação de vídeos, que faz em tempo real a interação
entre aluno e professores com uso de áudio e vídeo. Nesse período
também surgiram as videoaulas, em que os professores explicavam
o conteúdo dos livros – essas aulas eram oferecidas em VHS e, pos-
teriormente, em DVD. E, por volta dos anos 2000, a comunicação
começa a ser utilizada, de forma geral, em grande parte dos cursos
no modelo multimídia, com texto, áudio, vídeo, em uso integrado
com um ambiente virtual de aprendizagem, por meio da internet.
Com o passar do tempo e o desenvolvimento cada vez maior da
EaD, diante dos resultados positivos no que diz respeito à democra-
tização do ensino para muitos, tivemos no Brasil, já no fim do sécu-
lo XX e início do XXI, um movimento importante que a destacou
como política pública no país. O primeiro manifesto foi expresso no
artigo 80 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB)
publicada em 1996, no qual se destaca o incentivo do governo ao
desenvolvimento e à veiculação de programas de ensino a distância,
em todos os níveis e modalidades de ensino, e de educação conti-
nuada (BRASIL, 1996).
Desafios de estudar a distância 11

A partir daquele momento, outros atos regulatórios marcaram


a história e o estabelecimento dessa modalidade educacional no
país. Para compreender de modo objetivo essa trajetória, observe
a Figura 1 a seguir.

Figura 1 – Principais marcos legais da EaD no Brasil

Marcos regulatórios

Reconhece publicamente a potencialidade da EaD, incenti-


Artigo 80 da LDB vando “o desenvolvimento e a veiculação de programas de
n. 9.394/1996 ensino a distância, em todos os níveis e modalidades de ensi-
no, e de educação continuada” (BRASIL, 1996).

Regulamenta o artigo 80 da LDB e define a EaD como


“modalidade educacional na qual a mediação didático-pe-
dagógica nos processos de ensino e aprendizagem ocorre
Decreto
com a utilização de meios e tecnologias de informação e
n. 5.622/2005
comunicação, com estudantes e professores desenvolven-
do atividades educativas em lugares ou tempos diversos”
(BRASIL, 2005).

Reconhecido como “Novo Marco Regulatório da EaD no


­ rasil”, apresenta diretrizes diversas para a educação a dis-
B
tância no país e a define como “a modalidade educacional
na qual a mediação didático-pedagógica nos processos de
Decreto ensino e aprendizagem ocorra com a utilização de meios
n. 9.057/2017 e tecnologias de informação e comunicação, com pessoal
qualificado, com políticas de acesso, com acompanhamento
e avaliação compatíveis, entre outros, e desenvolva atividades
educativas por estudantes e profissionais da educação que
estejam em lugares e tempos diversos” (BRASIL, 2017).

Fonte: Elaborada pela autora.

Esse cenário nos permite reconhecer a EaD no Brasil com base


em três momentos distintos. O primeiro foi o período do nascimen-
to das definições legais e pedagógicas, de 1996 a 2004. O segundo
evidenciou seu crescimento, de 2005 a 2016, quando houve registros
12 Estudar e aprender a distância

de grandes práticas, políticas e projetos que incentivaram o cresci-


mento da modalidade no país. E, atualmente, temos a fase da ma-
turidade da EaD, marcada pelo Decreto n. 9.057, de 25 de maio de
2017, cujo desafio é fomentar políticas de acesso, acompanhamento
e avaliação dessa modalidade educacional, potencializando a opor-
tunidade de formação e educação continuada para muitos.
Esse caminho revelou grandes desafios, impulsionados por as-
pectos como a necessidade de desenvolvimento contínuo das com-
petências individuais e organizacionais e, de modo paralelo, o avanço
das tecnologias digitais de informação e comunicação. A integração
desses dois fatores, somados à impossibilidade de acesso a cursos pre-
senciais em regiões distantes dos grandes centros, destaca-se na con-
solidação da educação a distância do século XXI.
Nesse cenário, o grande facilitador é o avanço das tecnologias
digitais, ferramentas capazes de integrar diferentes recursos e lin-
guagens, como a escrita, a imagem, o som, entre outros elementos,
com o intuito de promover maior engajamento e melhores resulta-
dos no ensino-aprendizagem. Já o conceito de mídia, apesar de estar
intimamente ligado à tecnologia, deve ser entendido como um meio
de se comunicar. Então, por exemplo, podemos, ao utilizar os recur-
sos tecnológicos de um ambiente virtual de educação a distância,
dispor de diferentes mídias, como livro-texto, videoaula, audiobook,
jogos, entre outros. Essa composição variada nos remete ao concei-
to de multimídia, que podemos definir aqui como uma reunião de
múltiplas mídias. Ou seja, um conjunto de recursos que, no contexto
educacional, demandam mudanças constantes e urgentes, e não só
na EaD. Essas tecnologias inteligentes vêm sendo integradas para
facilitar o processo de mediação da aprendizagem, independente-
mente da modalidade.
Esse movimento tem exigido maior integração entre plane-
jamento, organização, execução e avaliação educacional. Nesse
Desafios de estudar a distância 13

contexto, os novos papéis do professor e do aluno fazem parte de


um processo de transformação acelerada, impulsionado, em grande
parte, pela internacionalização do ensino, pela globalização, pelas
novas redes de conhecimento e pela maior autonomia do aluno –
fatores que desafiam o nosso dia a dia.
Nesse sentido, a EaD exige estratégias próprias de ensino e apren-
dizagem. Esse modelo aproxima-se da realidade contemporânea, em
que o indivíduo assume o papel de protagonista na sua formação.
Dessa forma, destacamos a seguir algumas características que se
sobressaem nesse processo específico de ensinar e estudar a distância:
• distanciamento geográfico e temporal;
• comunicação flexibilizada pelos recursos de tecnologias
digitais;
• integração de diferentes recursos midiáticos por meio de um
ambiente virtual;
• estímulo à educação autônoma;
• perfil específico do estudante: proativo, disciplinado, focado e
consciente de suas características pessoais;
• perfil diferenciado do professor, como agente mediador do
processo de formação e desenvolvimento de competências;
• oportunidade de formação para quem está longe dos grandes
centros;
• ensino desenvolvido em grande parte com vistas à formação
de adultos;
• oportunidade de formação, atualização e capacitação profis-
sional condizente com a realidade de um adulto que tem ou-
tras atividades, como trabalho e família.
Para concluirmos essa discussão inicial sobre EaD, é importante
que você tenha claro que ela envolve um modo de ensinar e aprender
14 Estudar e aprender a distância

em que professor e aluno estão separados geograficamente, o que


não significa que estejam distantes. Trata-se de uma presença vir-
tual que conta com recursos tecnológicos e mídias digitais para pro-
mover a comunicação, incentivando um processo de desconstrução,
construção e reconstrução do conhecimento.
E, nesse conceito de fazer educação, temos um modelo de co-
municação aberto, flexível e bidirecional para potencializar a sua
aprendizagem. Então, aproveite a oportunidade dessa sua formação
na modalidade a distância!

1.2 Meios e modos de ensino e aprendizagem


A história da educação no país caminhou a passos lentos até o
século XXI, quando tivemos o uso da modalidade a distância como
iniciativa do governo, voltada para a formação de professores no
ensino superior, por meio do Projeto Universidade Aberta do Brasil
(UAB). Esse novo momento foi marcado pelo acesso à educação
para muitos brasileiros. Até então, essa formação era comum apenas
entre indivíduos das classes média e alta do país. A partir desse pe-
ríodo, a EaD passou a ser uma oportunidade também para as classes
menos favorecidas – embora fosse o sonho de muitos, o curso su-
perior no passado era realidade para a minoria. E, nesse cenário, a
EaD cresceu a passos largos, motivada pela possibilidade de atender
à demanda daqueles que não tinham acesso à formação superior.
Falando dos aspectos evolutivos da EaD, considerando a reali-
dade do país, é importante que você conheça os principais meios de
ensino que marcam essa modalidade educacional. Para ensinar de
modo que se tenha uma aprendizagem significativa na modalidade
a distância, é preciso investir na comunicação.
A comunicação na EaD é flexível, aberta e bidirecional e, como
vimos, existem diferentes recursos midiáticos para contribuir com
uma boa comunicação. Pois bem, quando falamos de EaD e seus
Desafios de estudar a distância 15

meios de comunicar e proporcionar o ensino, temos três principais


modelos, a saber:
• Síncrona: a comunicação síncrona é aquela que permite a
conversa entre os agentes desse processo (aluno, profes-
sor, tutor, entre outros) em tempo real, por exemplo, em
videoconferência.
• Assíncrona: uma comunicação que contribui com o processo
de aprendizagem, mas não ocorre em tempo real, por exemplo:
fórum de discussão, conteúdo organizado em livro, entre outros.
• Híbrida: quando utilizamos ambas comunicações (síncrona e
assíncrona) para ensinar e aproveitamos das duas para apren-
der. Por exemplo, neste momento, em contato com este livro,
você tem uma comunicação assíncrona. Mas se o professor
marcar uma videoconferência para a próxima semana, pode-
mos dizer que a disciplina tem uma comunicação híbrida.
Nos dias atuais, a comunicação tem se intensificado de forma
síncrona e em rede. E, quando falamos em rede, isso não se limita à
rede de computador, mas à rede de conexões de saberes e experiên-
cias que vem sendo estimulada pela acessibilidade e usabilidade dos
recursos digitais de comunicação.
Para ficar mais clara essa evolução de modelos e meios para
oportunizar a EaD até hoje, observe a Figura 2.

Figura 2 – Principais meios de comunicação na EaD


0
93
-1
80

20

60

00

18
18

19

19

20

20

Correspondência Videoconferência Comunicação Comunicação


Rádio e TV
Material impresso Primeiros movimentos digital em rede
Assíncrono
Assíncrono do meio síncrono Meio híbrido Meio híbrido

Fonte: Elaborada pela autora.


16 Estudar e aprender a distância

Ficou claro para você os meios que podemos utilizar para ensi-
nar e que, por consequência, são os meios que vão contribuir com
seu estudo e aprendizagem? E se você está se perguntando o que isso
tem a ver com Estudar e aprender a distância, pensemos juntos: se
nós, professores/tutores queremos ensinar e utilizamos de diferentes
meios para fazer essa comunicação, entendemos que você, para es-
tudar e aprender, precisa compreender esse processo, pois na EaD o
aluno é protagonista do seu processo de formação.
Na verdade, a EaD sai na frente quando estimula esse perfil au-
tônomo e proativo do aluno, pois essa é uma perspectiva da nossa
sociedade. Afinal, se você tem uma dúvida sobre um assunto de seu
interesse, por exemplo, uma coisa simples, como fazer um bolo, você
pode ficar esperando para ir à casa dos seus pais/avós/tios e pedir
para que eles o ensinem uma receita ou, com os recursos digitais,
rapidamente pelo seu celular, você pode acessar a internet e fazer
um bolo gostoso com recheio e cobertura. O que queremos dizer
é que é preciso fazer esse movimento também quando falamos em
desenvolvimento e aprendizagem formal.
Portanto, podemos dizer que estudar e aprender a distância in-
clui diferentes visões e, desse modo, queremos convidá-lo a refletir
sobre os principais conceitos presentes nesse contexto de aprendiza-
gem. Observe o Quadro 1 a seguir.

Quadro 1 – Principais conceitos que envolvem o estudo a distância

Termo Definição
Indivíduo que assume a responsabilidade pelo seu processo
de aprendizagem. Logo, seu perfil é marcado por caracterís-
Aluno
ticas ativas, como determinação, proatividade, concentração
e responsabilidade.

Está relacionado à interiorização do conhecimento. Esse pro-


cesso se dá de forma individual ou coletiva, desde que o in-
Aprender
divíduo consiga integrar a informação ao seu contexto real e
assim construir novos saberes.

(Continua)
Desafios de estudar a distância 17

Termo Definição
Palavra de origem latina, cujo entendimento está relacionado
Distância
a “estar afastado”.

Modalidade educacional em que temos o ensinar e o apren-


der acontecendo em tempo e lugar flexíveis, por meio de
EaD
comunicação síncrona e assíncrona, numa perspectiva de
desenvolvimento em rede.

Ato de ensinar e aprender com vistas a desenvolver compe-


Educação
tências do indivíduo, contribuindo para uma formação crítica.

Inclui ações e meios voltados para a disseminação e o com-


Ensino
partilhamento do conhecimento.

Recurso de apoio para fazer a transmissão da mensagem,


Mídia
meio que utilizamos para comunicar.

Conjunto de mídias que utilizamos para ensinar e aprender.


Multimídia Conceito presente nos diferentes cursos ofertados na moda-
lidade a distância.

Especialista no conteúdo proposto pela disciplina e que age


Professor como um mediador no processo de construção do conheci-
mento do aluno.
Fonte: Elaborado pela autora.

Com base nesses conceitos e em nossa discussão até aqui, pense


e responda:

Quem é o responsável por seu processo de aprendi-


zagem e desenvolvimento continuado? Como você se
comporta diante do compromisso com sua formação?
De modo ativo ou passivo? Por quê?

Agora que você já sabe mais sobre a EaD, fique atento ao seu
próprio desenvolvimento como aluno. Para aproveitar o máximo
dos conhecimentos que são compartilhados com você ao longo
do curso, utilize as ferramentas síncronas e assíncronas que forem
18 Estudar e aprender a distância

disponibilizadas no ambiente virtual de aprendizagem. Pergunte.


Questione. O processo de construção do conhecimento não é linear,
por isso o resultado qualitativo do ensinar e aprender não está ligado
diretamente à sua modalidade, mas sim à prática participativa de
cada um de seus atores. Assim, lembre-se: no processo de aprendi-
zagem, você é o ator principal.

1.3 Construindo conhecimentos


na educação a distância
O que vem à sua mente quando alguém diz para você: “Agora é
hora de estudar”? É possível que você pense: “que coisa chata”; “vai
tomar muito tempo”; “estudar hoje, sexta-feira, não vai dar” ou, ain-
da, “hoje só estudei”. Pois bem, é normal tudo isso passar nas nossas
mentes. Mas, você concorda que, nessas hipóteses, dificilmente vi-
sualizamos nossa própria responsabilidade? E esse movimento pode
nos levar a situações como frustração, perda de confiança e seguran-
ça, falta de motivação.
Contudo, como você pode perceber, a necessidade de educação
é presente e emergente na sociedade em que vivemos. Sendo assim,
estudar é um processo que exige ação contínua. Afinal de contas,
você sabe o quanto as inovações se fazem presentes no dia a dia, e,
para utilizar, por exemplo, seu smartphone, provavelmente você teve
que estudar alguns de seus novos recursos e funções um dia, certo?
Se você não tivesse lido e se informado sobre como fazer o
WhatsApp funcionar no PC, por exemplo, talvez tivesse um
No entrave para poder utilizar esse recurso.
processo de Desvinculando do contexto de sala de aula, vamos aqui
aprendizagem, pensar no significado do verbo estudar. Se você buscar nos
você é o ator dicionários ou mesmo na internet, vai encontrar que estu-

principal. dar implica adquirir conhecimento, desenvolver habilidades,


compreender por meio de reflexão e aplicar a inteligência
para agir em diferentes contextos. Andrew Northedge, autor
Desafios de estudar a distância 19

do livro Técnicas para estudar com sucesso (1998, p. 13) é bem claro ao
afirmar que “o objetivo de estudar é aprender”.
Mas você pode estar se perguntando: como fazer para aprender?
Como vou saber que aprendi? Para responder a essas questões, con-
sidere os dois passos a seguir:
• Assimile as novas ideias: esse processo não se limita a ler,
ouvir ou decorar. Assimilar é dar sentido à nova ideia, seja
adequando-a à sua realidade, seja buscando a compreensão
do contexto geral apresentado.
• Expresse as novas ideias: organizar a nova ideia com base em
seu entendimento, sua realidade, sua crença e seus valores vai
ajudá-lo a falar e escrever sobre ela. E quando você chega a
esse ponto, realmente ocorreu a aprendizagem. Você estudou
e teve resultado.
Como estudante adulto, você tem responsabilidade sobre seu estu-
do. E, como aluno de educação a distância, você deve assumir o papel
de protagonista nessa história que se dispôs a construir. Mas não se
preocupe, ao longo deste nosso livro falaremos de hábitos, técnicas e
estratégias para ajudá-lo nessa caminhada, de modo que você possa
desenvolver a competência de estudar e aprender adequadamente.
Agora ficou fácil perceber que estudar não é só uma ação de
estudante formal que está em sala de aula? Estudar tem a ver com
desenvolvimento de competências, oportunizando novas possi-
bilidades nas diferentes rotinas que a vida nos propõe. Pensando
nisso, responda:

Para você, o que significa estudar? Como é possível estudar


em casa com eficiência? Registre aqui suas observações.
20 Estudar e aprender a distância

Embora já possa estar lhe parecendo um pouco óbvio, é fácil nos


colocarmos diante de nosso processo de formação como agentes pas-
sivos. Então, é preciso cuidar para não ser um decodificador de pala-
vras – aquele que lê, mas não entende o que está lendo –, e sim, ser,
efetivamente, um leitor. Cuidar para não ser o copiador, e sim um
criador. Cuidar para não decorar, mas compreender. E, para tanto,
muitos são os meios e as técnicas que podem ajudar você. Assimile
essa ideia refletindo sobre os objetos apresentados na Figura 3

Figura 3 – Elementos que auxiliam a educação

Jacob Ammentorp Lund/iStockphoto

Observe que a imagem apresenta elementos que estimulam o


estudo ativo, como, por exemplo, o livro, que permite uma inter-
pretação aprofundada do conteúdo que lhe é apresentado, em um
movimento que caracteriza a assimilação de conhecimento. Mas
você precisa sair da posição de mero decodificador e assumir o papel
de leitor. O passo seguinte a essa assimilação seria a expressão da
nova ideia, que pode ser feita pela escrita no caderno ou no compu-
tador. O importante é que, quando você estuda de verdade, assimila
o conteúdo a ponto de ser capaz de compartilhar a aprendizagem.
Nesse sentido, a chamada gestão do conhecimento é cada vez mais
importante na sociedade contemporânea da qual fazemos parte.
Você já ouviu falar desse tipo de gestão? Gerenciar o conhecimento
Desafios de estudar a distância 21

só é possível por meio da socialização das ideias, ou seja, quando


conseguimos externalizar, combinar e então internalizar o conhe-
cimento com base em nossos saberes prévios. Esse movimento não
é simples, muitas vezes implica na desconstrução do conhecimento,
para, só então, emergir a construção do novo saber.
Para que fique mais claro, imagine que estamos socializando
com você alguns conhecimentos sobre estudar e aprender a distân-
cia. Agora você pode organizar seu pensamento a respeito, a ponto
de externalizar e combinar esse novo conhecimento. Como con-
sequência, temos o seu processo de internalização do novo saber,
quando o estudo passa a fazer sentido e promover efetivamente a
aprendizagem. Veja esse processo na Figura 4.

Figura 4 – Espiral de construção do conhecimento

Percepção de novas ideias Registro escrito,


Uso de multimídias esquemático etc.

Socialização Externalização

Internalização Combinação
Efetivação da
aprendizagem, Reunião da informação
quando se consegue com o contexto real
expressar o saber.

Fonte: Adaptada de NONAKA; TAKEUCHI, 1997.

Ao contrário desse processo multilateral, nos primórdios da


educação o ensinar era consolidado apenas por momentos de trans-
missão de conhecimento em uma comunicação unilateral. Ou seja,
o professor era o agente detentor do conhecimento e o aluno era o
22 Estudar e aprender a distância

agente passivo receptor da informação. Por conta disso, por vezes,


após concluir uma formação, o aluno tinha a impressão de não ter
estudado, ou melhor, não ter aprendido nada. Nos dias atuais, se o
conhecimento é o elemento de principal valor na sociedade, não
podemos deixar que esse tipo de situação aconteça. Então convida-
mos você a atuar ativamente nesse processo de desenvolvimento da
educação na modalidade a distância. Preparado?
Você pode fazer uma pausa e registrar, por meio de um
esquema, por exemplo, o que viu até aqui. Na sequência,
aproxime os conceitos e as práticas que você desta-
cou com a sua realidade como aluno da modalidade
Atualmente já
a distância. E então responda, dando destaque no seu
temos alunos
esquema: o que você aprendeu? Perceba que, ao fazer
de EaD que
esse exercício, você completa a espiral que apresenta-
apresentam notas
mos na figura anterior.
superiores às dos
Na verdade, esse conceito de construção do co-
alunos do modelo
nhecimento não se limita à EaD, mas nessa moda-
presencial.
lidade ele vem sendo cada vez mais expandido e
compartilhado, de modo a manter e potencializar
os resultados de aprendizagem. Tomando por base
o Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes
(Enade), uma avaliação utilizada pelo Ministério da Educação
(MEC) para mensurar a qualidade dos cursos superiores presencias
e a distância no Brasil, atualmente já temos alunos de EaD que apre-
sentam notas superiores às dos alunos do modelo presencial.

O que podemos extrair dessa situação? Você concor-


da que se o aluno é o protagonista do seu processo de
aprendizagem, seu desempenho independe da moda-
lidade educacional?
Desafios de estudar a distância 23

Assim, ao começar a estudar, você deve cuidar de fatores como:

• foco;
• administração do tempo;
• organização de tarefas por prioridade;
• definição de um espaço que permita concentração;
• organização de objetos de apoio, como cadernos, canetas, li-
vros, entre outros.
Esses são alguns elementos que irão ajudá-lo a ter um processo
– e resultado – de estudo de excelência. Mas lembre-se de que a
excelência no estudo deve ser constantemente avaliada e reavalia-
da por você. Essa ação fortalece o compromisso com seu processo
de desenvolvimento e o conecta à rede de indivíduos de sucesso
que hoje atuam como agentes do conhecimento, desenvolvendo
ações focadas na solução e na participação, com vistas a agregar
valor ao que fazem. Não importa se é na sua casa ou no seu serviço:
essa prática de estudo permite que você assuma a responsabilidade
pela sua vida pessoal, profissional e acadêmica.

Perceba que não existe receita pronta para ensinar e aprender


na EaD. Como define o Decreto n. 9.057/17, para oportunizar o
ensino e aprendizagem nessa modalidade de ensino, é necessária
uma integração de tecnologias digitais, pessoal qualificado, políticas
de acesso, sistema de acompanhamento e avaliação, entre outros
recursos que assegurem os direitos do estudante de se desenvolver
(BRASIL, 2017). Contudo, nada disso terá resultado se você não
fizer a sua parte.

E no século XXI avançamos ainda mais, chegando a inúmeras


possibilidades no cenário da educação. Muitas dessas possibilida-
des são impulsionadas pelo cenário dinâmico emergente da cultura
digital, uma cultura convergente e aberta em que professor e aluno
são agentes ativos. Na educação a distância, para ensinar e aprender,
24 Estudar e aprender a distância

professor e aluno “dialogam, debatem, compartilham experiências,


recebem orientações, superam desafios e favorecem a interlocução
entre a teoria e a prática” (ALVES et al., 2015, p. 70).

Nesse sentido, a função do professor é mediar os saberes e por


Curador vezes assumir o papel de curador digital, pois informações são
digital - aquele
que define e
muitas e estão disponíveis para quem as busca. Mas claro que,
seleciona as como especialista e com conhecimentos didáticos, esse profissio-
informações
digitais e as
nal consegue relacionar a criação e o desenvolvimento de contex-
arquiva em tos, valorizando conceitos clássicos e atuais necessários à formação
repositórios
de dados com
de competência desejada ao aluno, naquela ou nesta disciplina.
o objetivo de Mas e você, aluno? O que lhe cabe nesse novo movimento?
preservá-las.
Você precisa assumir a responsabilidade sobre o seu processo de
desenvolvimento. Para tanto, é preciso ter claro seu foco, que por
sua vez vai ajudar a definir suas prioridades e administrar o tem-
po, desenvolvendo estratégias próprias para conquistar o resultado
desejado. E nesse processo, como destaca Northedge (1998, p. 15),
podemos descobrir “que a verdade sobre os fatos é algo incerto [...]
toda a ênfase muda quando você deixa de ser um receptor passivo
de conhecimento para ser um pesquisador ativo de compreensão”.

Essa discussão é fundamental para que você entenda que seu com-
promisso com sua formação é algo que subsidia seu desenvolvimento.
Com essa visão, a EaD surge na perspectiva de formação com espaço
flexível e atemporal de ensino e aprendizagem. Ou seja, para ter suces-
so na sua jornada acadêmica, você precisa assumir a educação como o
processo maior que não se limita à modalidade de oferta.

Nessa perspectiva, o ensinar desenvolve-se com a mediação do


conhecimento e o estudar e aprender ocorrem sob a ótica ativa e in-
dependente do aluno como protagonista do processo, mesmo quando
houver professor disponível para percorrer o caminho estabelecido.
Desafios de estudar a distância 25

Então, a hora é agora. Assuma a responsabilidade pelo seu pro-


cesso de formação e adquira conhecimentos significativos para sua
história de vida. Administre seu estudo e faça isso por você!

Considerações finais
Sem dúvida, a aquisição de novos conhecimentos é condição
fundamental para o sucesso na sociedade atual. Tendo isso em vista,
a EaD tem crescido a passos largos, por ser uma oportunidade de
formação e desenvolvimento para muitos indivíduos que, por algum
motivo, optam por essa modalidade. Esse crescimento significativo
vem estabelecendo novos perfis quando se trata dos principais agen-
tes desse processo, o professor e o aluno, abrangendo uma varieda-
de de capacidades a serem desenvolvidas – algumas mais rápidas e
fáceis de serem internalizadas como hábitos, e outras que exigem
maior dedicação. Nesse sentido, consideramos que estudar e apren-
der a distância não se limita a conceitos e teorias, mas a boas prá-
ticas que possam contribuir com o desenvolvimento continuado de
competências. E é pensando dessa forma que iniciamos nossa dis-
cussão neste capítulo, enfatizando aspectos que remetem, por meio
de autorreflexão, à compreensão do que é ser aluno no século XXI.

Queremos, assim, impulsioná-lo como agente ativo de sua


aprendizagem, e, logo, protagonista do seu processo de desenvol-
vimento – e, consequentemente, de seu sucesso. Para tanto, é pre-
ciso ter clara a noção de que somos eternos aprendizes, afinal,
a sociedade de hoje vem quebrando os paradigmas da sociedade
industrial – na qual a força física era artefato de maior valor ao
desenvolvimento –, consolidando o conhecimento como principal
recurso gerador de valor.

Em atenção a essa realidade, trouxemos neste capítulo algu-


mas reflexões para que você possa iniciar o desenvolvimento de
26 Estudar e aprender a distância

estratégias que vão alavancar o seu processo de aprendizagem. Pois,


como gostamos de dizer, “não existe receita pronta”: cada indivíduo
é único e precisa se reconhecer como tal a fim de progredir em sua
formação. Logo, você não irá encontrar aqui uma lista pronta de ati-
vidades para estudar e aprender, mas tenha certeza de que vai adqui-
rir conhecimentos valiosos que vamos partilhar com você, buscando
desenvolver suas competências e potencialidades como aluno de
educação a distância.

Atividade
Quais são seus objetivos como estudante de um curso a
distância? Quanto pretende se empenhar para atingir esses
objetivos? Você se vê como o principal responsável pelo seu
crescimento? Está disposto a superar os obstáculos, enfrentar
os desafios e realizar seus sonhos? Está decidido a ter sucesso
e pretende seguir em frente, independentemente das dificul-
dades? Escreva um texto no qual se comprometa com a sua
formação e assuma a responsabilidade pelo seu desenvolvi-
mento e aprendizado. Releia esse texto sempre que se sentir
cansado ou desanimado, use-o como motivação para seguir
em frente e acreditar em você!
Desafios de estudar a distância 27

Referências
ALVES, C. M. T. et al. O tripé da educação a distância: regulação, docência,
discência. São Paulo: Paco, 2015.

BRASIL. Lei n. 9.364, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes


e bases da educação nacional. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 23 dez.
1996. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/Ccivil_03/leis/L9394.
htm>. Acesso em: 18 fev. 2017.
28 Estudar e aprender a distância

______. Decreto n. 5.622, de 19 de dezembro de 2005. Regulamenta o art.


80 da Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes
e bases da educação nacional. Revogado pelo Decreto n. 9.057, de 2017.
Diário Oficial da União, Brasília, DF, 20 dez. 2005. Disponível em: <http://
www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2005/decreto/d5622.htm>.
Acesso em: 18 fev. 2017.

______. Decreto n. 9.057, de 25 de maio de 2017. Regulamenta o art. 80


da Lei n. 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e
bases da educação nacional. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 26 maio
2017. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-
2018/2017/decreto/D9057.htm>. Acesso em: 18 fev. 2018.

NORTHEDGE, A. Técnicas para estudar com sucesso. Florianópolis: Ed. da


UFSC, 1998.

NONAKA, I.; TAKEUCHI, H. Criação de conhecimento na empresa: como


as empresas japonesas geram a dinâmica da inovação. Rio de Janeiro:
Campus, 1997.
2
Estratégias de aprendizagem na EaD

Vimos no capítulo anterior que a educação a distância (EaD) não


é algo novo e que estudar a distância na atualidade é uma oportuni-
dade de formação continuada de modo flexível. Na EaD você conta
com diferentes meios para potencializar sua aprendizagem. Nesse
modelo, o ensino é planejado com base em conceitos de equipes
multidisciplinares e colaborativas, e o professor assume o papel de
mediador do conhecimento. Todo esse movimento exige de você,
aluno, uma nova postura, assumindo a responsabilidade pela sua
aprendizagem. Nesse sentido, é importante traçar estratégias para
lidar com flexibilidade, por exemplo, com um eventual sentimento
de isolamento, a dificuldade de se concentrar ou, ainda, com as dú-
vidas que por ventura surgirem.
Esse é o percurso que vamos fazer neste capítulo. Preparado?
Vamos iniciar?

2.1 Condições adequadas para o estudo


Vamos retomar o conceito de estudo? Se estudar é um processo
que exige de nós ação contínua que nos permite aprender, o que por
sua vez contribui para o processo de desenvolvimento de competên-
cias, o estudo envolve o conjunto do CHA. Mas não é o chá que você
está acostumado a tomar. É a combinação de três elementos funda-
mentais da sociedade contemporânea: conhecimento, habilidades e
atitudes. Observe na Figura 1.
30 Estudar e aprender a distância

Figura 1 – CHA do estudo

Estudo

Conhecimento (C)
Habilidades (H)

Atitudes (A)

Fonte: Elaborada pela autora.

Ao estudar, você está desenvolvendo competências; logo, você


adquire conhecimento, desenvolve habilidades e gera novas atitu-
des. Nesse sentido, você assume o papel de um novo personagem na
sua história. Um personagem que assume as rédeas e define o enredo
da própria história.
O que queremos que você observe é que estudar não é para os
outros. Não se estuda para ninguém. Você deve estudar para você!
Essa é a primeira e talvez a condição principal para desenvolver um
bom estudo. Então deixamos para você a reflexão:

Por que vale a pena hoje você estar sentado lendo este
livro? O que você busca nesta formação? Está fazendo
isso principalmente por/para quem?

Se a resposta é “eu mesmo”, acertou. Caso contrário, reveja seus


objetivos e analise seu comportamento. E então responda: o que você
entende por desenvolvimento? Qual o impacto, positivo e negativo,
na sua vida quando você decide se desenvolver? Para ajudá-lo nessa
análise pessoal, você pode utilizar uma estratégia denominada análise
Swot. A expressão Swot é utilizada comumente no m
­ arketing para
estudar o mercado e deriva do inglês, Strengths (forças/pontos fortes),
Estratégias de aprendizagem na EaD 31

Weaknesses (fraquezas/pontos fracos), Opportunities (oportunidades)


e Threats (ameaças). Com esse exercício, você pode perceber a rele-
vância de seus estudos.

Figura 2 – Análise Swot pessoal referente à aprendizagem

Aspectos positivos Aspectos negativos


de sua situação atual. de sua situação atual.
Pontos fortes Pontos fracos

Aspectos do presen- Oportunidades Ameaças Aspectos do presente


te ou futuro próxi- ou futuro próximo
mo que podem ser que podem atuar em
favorecidos se você desfavor se você não
estudar. estudar.

Fonte: Elaborada pela autora.

Agora, faça sua autoavaliação:

Quais são seus pontos fortes, suas qualidades e virtudes?


Escreva suas principais forças.

Quais são os pontos que precisa melhorar? Aponte suas


principais fraquezas e dificuldades, de forma crítica.
32 Estudar e aprender a distância

Quais oportunidades podem surgir para você, se aproveitar


seus pontos fortes e desenvolver todo o seu potencial?

Quais ameaças podem impedi-lo de atingir seus objetivos?


O que fazer para eliminá-las?

Como aluno adulto, você tem a responsabilidade pelo


seu estudo, ou seja, cabe a você estudar e decidir o
Estar
quanto vai se dedicar. Então entendemos que você
engajado é
precisa ter muito claro que a primeira condição para
estar empenhado
um estudo efetivo é uma condição interna. Ou seja,
em entregar o seu
você precisa estar convencido da importância de es-
melhor, de forma tudar para aprender a fazer mais e melhor, o que por
proativa, com consequência vai também melhorar sua autoestima.
afinco e vontade Perceber essa condição primária do estudo eficaz
ao realizar é ter a consciência de que estudar é no mínimo im-
atividades. portante para você conquistar seus objetivos pessoais
e profissionais. Essa visão o impulsionará ao sucesso, ao
assumir a responsabilidade por sua formação. E nisso temos a
segunda condição para um bom estudo: a motivação, ou seja, qual
motivo e ação você tem diante de uma temática nova? Claro que
você pode pensar: “ah, mas estou recomeçando os estudos depois
de um tempo parado”. Saiba que o resultado não é imediato, mas se
você tiver responsabilidade e se sentir motivado, isso o levará a ou-
tro elemento em direção ao êxito: o engajamento. Estar engajado é
estar empenhado em entregar o seu melhor, de forma proativa, com
afinco e vontade ao realizar atividades, superando possíveis dificul-
dades durante sua formação. E com isso ficará mais fácil percorrer
Estratégias de aprendizagem na EaD 33

o caminho estabelecido de modo autônomo, conduzindo com auto-


controle o seu processo de estudo1.
Estudar a distância exige um perfil que pode ser definido como
autodidata, ou seja, aquele que busca aprender algo com esforço pró-
prio e segurança, com condições de buscar práticas, meios e tecnolo-
gias para promover seu desenvolvimento. E, na sociedade atual, não
está só na EaD a importância desse perfil. Se você busca sucesso na
sua vida pessoal e profissional, procure aprender a aprender. Perceba
que o verdadeiro mestre é aquele que permite o aprendizado e o ver-
dadeiro aprendiz é aquele que vence seus limites.
Bem, listamos até aqui algumas condições internas ao indivíduo
que influenciam seu processo de estudo. No entanto, também temos
algumas condições externas – do ambiente – que precisam da sua
atenção quando o assunto é estudar com qualidade.
Vamos iniciar refletindo sobre um ambiente que contribua com
as condições internas que citamos: que ambiente seria esse? Cada
indivíduo tem um método de estudo, sua aprendizagem é indivi-
dual, com características próprias, mas de modo geral o silêncio
e a organização são condições básicas para quem se propõe a es-
tudar e conquistar o resultado de uma aprendizagem significativa.
Claro que é importante que consigamos nos concentrar em qual-
quer lugar, mas esse processo de concentração é desenvolvido aos
poucos, assim como um atleta que pretende correr uma maratona.
Ele não começa a correr hoje e amanhã já consegue completar a
São Silvestre, certo? Desse modo, buscar um ambiente que contri-
bua com seu objetivo é muito importante: um lugar com o mínimo
de interferência externa o ajudará bastante nesse processo, assim
como a organização do local, já que nosso cérebro tende a absorver
informação também com base na visão. Então, separar o material

1 No Capítulo 4 retomaremos essa temática, para ajudá-lo a criar um plano de es-


tudo por meio de um planejamento de ações e gestão do tempo, contribuindo com sua
organização e controle.
34 Estudar e aprender a distância

de estudo contribui para minimizar o tempo de busca, bem como


evitar distrações desnecessárias.

Figura 3 – Ambiente de estudo adequado

Peshkova/iStockphoto
Outro fator que podemos destacar em relação ao ambiente exter-
no é o acesso a fontes de dados. Hoje em dia, quando vamos estu-
dar, tanto na modalidade a distância quanto na presencial, devemos
partir do princípio de que vivemos em uma sociedade baseada no
conhecimento, multifacetada e conectada em rede. Nesse contexto,
é importante ter acesso a fontes de dados confiáveis, preparar-se
com a leitura de livros, artigos, jornais e revistas, buscar o espaço de
estudo da biblioteca mais próxima e ter acesso à internet, a fim de
garantir seu propósito de aprendizagem.
Mas atenção: você precisa ter cuidado para não cair na armadi-
lha das distrações. Na biblioteca, busque pelo local de estudo próprio
para sua concentração, longe de espaços de buscas e acesso público.
Na internet, não abra nenhuma aba além da busca do que necessita.
E-mail e redes sociais são proibidos, durante o estudo, para quem
busca efetividade no seu processo de aprendizagem.
Estratégias de aprendizagem na EaD 35

Outro elemento importante no que diz respeito à condição exter-


na é a infraestrutura do ambiente. E nesse caso consideramos princi-
palmente questões de luz e temperatura, pois locais muito quentes ou
muito frios, escuros ou com excesso de luz prejudicam a concentração
e afetam seu desempenho. Se possível, opte sempre por um ambiente
arejado, com janelas e luz natural, que, além de saudável, é agradável.
Se o seu horário de estudo for principalmente à noite, valorize um
espaço que tenha boa iluminação, voltada para o seu material e não
para seus olhos. Outro fator é a cor da lâmpada: as brancas estimulam
o trabalho, enquanto as amarelas são mais relaxantes.
Além disso, é importante você tomar mais duas providências
ligadas às condições externas para o estudo. Você imagina quais são
elas? A primeira é, caso esteja estudando em seu smartphone, não se
esqueça de silenciar as redes sociais, que serão o grande inimigo
de sua concentração, pois, ao parar para ver o que está acontecendo
on-line – “ah, só um minutinho para essa resposta” –, você começa
a comprometer seu rendimento. Manter o foco nas aulas e no con-
teúdo específico é importante para otimizar seu tempo de estudo
e potencializar o resultado de sua aprendizagem. Feito isso, outra
condição que você deve garantir é o material de apoio para fazer
anotações, como bloco de notas, entre outros recursos externos que
vão auxiliá-lo nesse processo de formação.
Claro que tudo isso só é possível se você atender às suas neces-
sidades fisiológicas de forma adequada. Manter uma alimentação
equilibrada, beber em média 2 litros de água por dia, dormir ao me-
nos 6 horas por noite, vestir roupas confortáveis e praticar atividades
físicas também são importantes ao processo de aprendizagem.
Portanto, são vários os fatores que compõem as condições ne-
cessárias a um estudo de qualidade. E, quando falamos de EaD, con-
templar esses elementos é promover um ciclo de boas inspirações.
Observe a Figura 4 a seguir.
36 Estudar e aprender a distância

Figura 4 – Ciclo de condições adequadas à aprendizagem

Condições internas
Responsabilidade, motivação, engajamento,
autonomia, segurança e autocontrole.

Condições externas
Silêncio, organização, fontes de dados,
luz e temperatura, celular e material de apoio.

Necessidades básicas
Alimentação, água, sono,
vestimentas e atividades físicas.

Fonte: Elaborada pela autora.

É importante termos claro que fatores ligados ao plano da con-


Cognitivo – dição cognitiva caminham lado a lado ao estímulo. Isto é, condi-
relativo ao
conhecimento,
ções internas + condições externas + necessidades básicas são os
à cognição. elementos fundamentais que compõem as condições adequadas a
um estudo eficaz. Cabe a você, como aluno, organizar os métodos
adequados ao seu perfil. Tome por base o que discutimos aqui e or-
ganize um quadro descritivo com os elementos internos e externos
que atendam às suas necessidades.
O resultado da integração desses elementos se manifestará por
meio de novos conhecimentos, estrutura clara e organizada do
pensamento, chegando a novos mecanismos práticos de atuação.
Logo, como resultado você terá maior produtividade e qualida-
de em seus estudos, diminuindo a insegurança e aumentando a
aprendizagem efetiva.
Estratégias de aprendizagem na EaD 37

Analise seu ambiente de estudo:

Sim Não

Você consegue ler este livro sem distrações?

Há espaço suficiente para você estudar e fazer anotações?

A luz é adequada?

O ambiente é silencioso?

A temperatura é agradável?

A cadeira é confortável?

Você tem acesso fácil às informações de que precisa?

Sente-se bem nesse local?

Se marcou algum não, procure corrigir o problema.

2.2 Mantendo a concentração


No capítulo anterior, afirmamos que, para aprender, duas condi-
ções podem ser consideradas essenciais: 1) a assimilação de novas
ideias, ou seja, estudar não significa apenas ler, ouvir ou assistir a
determinado conteúdo, e muito menos decorar; e 2) a expressão
das novas ideias, um processo que emerge da abstração da ideia
apresentada, por meio da integração entre a informação nova e a sua
realidade, seus valores e crenças, permitindo a externalização pela
fala ou escrita, por exemplo. Temos assim a construção de uma nova
ideia, ou melhor, de um novo conhecimento.
38 Estudar e aprender a distância

Para melhor compreender esse processo, reflita sobre a Figura 5


a seguir:

Figura 5 – Construindo novos conhecimentos com o estudo

Informação Valores
Nova
ideia

Conhecimento

Fonte: Elaborada pela autora.

Como já afirmamos, você, estudante adulto, tem a responsabi-


lidade sobre a construção do novo conhecimento. Mas como fazer
isso? É preciso se concentrar no seu desafio.

Como podemos nos concentrar nos dias de hoje, em


que tudo é rápido, conectado? O que você faz para se
concentrar quando precisa aprender algo novo?

De modo que as informações não fiquem “soltas”, desconexas, e,


assim, você consiga fazer a abstração necessária para internalizar o co-
nhecimento e externalizá-lo do seu próprio modo, é preciso manter a
concentração enquanto estuda. A habilidade de estar concentrado per-
mite que você aprenda melhor e mais facilmente. Mas esse caminho só é
conquistado por quem tem real vontade de aprender. Como sabemos
Estratégias de aprendizagem na EaD 39

que você está nesse processo progressivo de estudo, organizamos a se-


guir uma lista de ações que o ajudarão a manter a concentração.

Figura 6 – Ações para manter-se concentrado

Defina seu foco


Tenha claro qual é o seu objetivo. Essa ação vai permitir que você cami-
1 nhe na direção certa, repense e adie o que não é relevante. Por exemplo,
hoje, nesta leitura, o que você quer aprender? Defina o resultado que
você deseja conquistar, isso vai auxiliá-lo a manter o foco.

Estabeleça uma rotina


Ter uma rotina diária de estudo, com horário e lugar definidos, como
se fosse um pequeno ritual, facilita a autodisciplina. Após alguns dias
2
desse exercício, seu cérebro reconhece que “é hora de se concentrar
e aprender”. Hoje, considerando as suas atividades diárias, pessoais e
profissionais, qual seria o melhor horário para organizar a sua rotina
de estudo?

Elabore um plano de estudo


Fazer o mapeamento das principais atividades a serem realizadas e
3 organizá-las por prioridade ajudará a manter o foco. Nesse momento,
responda: quantas temáticas fazem parte de seu estudo?
Para ­aprendê-las, qual é seu planejamento?

Defina um método de estudo


É importante que, ao sentar para estudar, você tenha claro qual é o me-
lhor procedimento para seu estudo. Por exemplo: primeiro fazer a leitu-
4 ra do material-base, grifando os itens mais importantes, depois assistir
à videoaula (caso seu curso tenha esse recurso) e, por último, realizar
as atividades propostas. Voltando novamente à sua realidade, responda:
para você, qual seria o método de estudo mais adequado?

(Continua)
40 Estudar e aprender a distância

Identifique o tempo de estudo


O tempo que uma pessoa consegue ficar sentada e concentrada estu-
dando de modo eficaz varia muito de um indivíduo para outro. Você
sabe quanto tempo consegue ficar concentrado nos estudos? Se ainda
não sabe, teste estas duas técnicas: a técnica pomodoro2 e a técnica do
pensamento difuso. Na pomodoro, você define uma tarefa e dedica-se
5
durante 25 minutos somente a ela; depois, faz um pequeno intervalo, de
aproximadamente 5 minutos. Isso é um pomodoro. Assim, você pode
fazer uma sequência de pomodoros para organizar seu tempo de estu-
do. Na técnica do pensamento difuso, você deve focar numa temática e
seguir nela o tempo que seu pensamento permitir, algo em torno de 50
minutos, e então realizar uma pausa de 10 minutos.

Evite distrações
É normal, ao longo de um estudo, pensarmos em outras situações. Por
isso, manter-se concentrado vai exigir de você, além da clareza quanto
6 ao foco de estudo, a determinação para alcançá-lo. Então, descanse
após um período de tempo, mas evite lugares agitados. Você pode rela-
xar na sua sala de estudo mesmo. O importante é exercitar o autocon-
trole do pensamento, para não acabar sabotando sua concentração.

Alimente-se
Deixe sempre perto de você água e um lanche, de preferência leve e
7
saudável, como frutas. Isso evita que você perca o foco por conta da
fome/sede e precise se levantar, o que pode levar à desconcentração.

Durma bem
Não há como manter a concentração se você estiver cansado. Assim,
é preciso organizar, na sua rotina, sua hora de sono. Dormir bem é ter
um sono de, no mínimo, 6 horas por noite – mas o ideal mesmo são 8
8 horas. Quantas horas você costuma dormir diariamente? Para um bom
sono, é importante uma boa preparação: pelo menos 30 minutos antes,
tomar um banho relaxante, escovar os dentes, fazer uma leitura que
estimule bons pensamentos. Nada de ficar no celular ou com a televisão
ligada. É importante se desconectar.

Fonte: Elaborada pela autora.

2 A técnica pomodoro foi criada pelo italiano Francesco Cirillo, no fim da década de
1980. Pomodoro, em italiano, significa tomate. A técnica tem esse nome porque Cirillo
usava um cronômetro de cozinha com o formato de tomate para medir o tempo.
Estratégias de aprendizagem na EaD 41

Para ter uma boa concentração, portanto, é necessário tomar ati-


tudes diversas. E algumas delas talvez ainda não façam parte da sua
rotina. Então, nossa dica para você é: limpe sua mente sobre o que é
estudar e desenvolva a melhor relação que puder com essa situação,
de modo que isso não seja um problema. Pois de nada vai adiantar
você pensar que estudar é um problema; pelo contrário, após um
período de estudo, essa pode ser a solução mais assertiva que você
já tenha tomado. Estudando você aprende, e aprendendo você de-
senvolve competências, que consistem no CHA do estudo, lembra?
Isso mesmo: conhecimento (C), habilidades (H) e atitudes (A) que
o levarão ao sucesso.
Tenha claro que cada indivíduo tem suas próprias características,
que devem ser respeitadas. Então, se por algum motivo de ordem
emocional você perder a concentração, pois a emoção está se so-
brepondo ao seu processo cognitivo, pode ser necessário buscar um
profissional da área da saúde para auxiliá-lo. Mas se está tudo bem e
você apenas não está acostumado com esse processo, observe a lista
de atividades a seguir, sugerida por Ribeiro (2012), para desenvolver
suas competências de atenção e concentração:
• praticar jogos mentalmente estimulantes, como xadrez;
• assistir a um documentário e debater sobre ele;
• ler o noticiário diário e se posicionar sobre alguns temas;
• fazer exercícios que testam sua mente, como palavras cruza-
das e cubo mágico;
• ler sobre assuntos novos pelos quais talvez você nunca se
interessou;
• ir ao cinema e concentrar-se na história a ponto de abstrair a
ideia e construir um novo conhecimento a respeito.
Como aluno de educação a distância, você assume o papel de pro-
tagonista nessa história que se dispôs a construir. Portanto, aproveite
todas as ideias que estamos aqui compartilhando para desenvolver
42 Estudar e aprender a distância

novos conhecimentos por meio de ações diversas. Afinal, como já


discutimos, aprender não é um processo passivo. Não basta deixar
apenas as novas ideias passarem por você: é preciso dar significado a
elas e construir conhecimentos (NORTHEDGE, 1998). Cultive esses
bons hábitos, com persistência – esse é o segredo para manter uma
boa concentração.
Num primeiro momento, concentrar-se pode dar trabalho, mas
nada é tão difícil depois de darmos o primeiro passo. Se você insistir
em fazer as coisas sempre do mesmo jeito, terá sempre os mesmos
resultados. Então, aceite o desafio e crie hábitos que o impulsionarão
rumo ao resultado que tanto deseja.

2.3 Motivação para estudar


Além de se concentrar, é importante que você saiba manter
essa concentração – e isso é possível se houver uma boa motiva-
ção. Para auxiliá-lo nesse desafio, vamos retomar nossa discussão
do Capítulo 1, lembrando que, independentemente da modali-
dade de educação, o compromisso com sua própria formação é
algo que subsidia seu desenvolvimento – portanto, é algo essen-
cialmente seu.
Na EaD, a perspectiva de formação flexível, no que diz respeito
a condições geográficas e temporais, pode colocá-lo diante
de um grande desafio: como se manter motivado para es-
Se você
tudar? Seu sucesso na jornada acadêmica reside justa-
insistir em mente na motivação para realizar o estudo. Já falamos
fazer as coisas e vamos relembrar: o conhecimento amplia as possibi-
sempre do lidades de melhorar a sua qualidade de vida. Então, a
mesmo jeito, opção é sua: estudar para desenvolver-se é uma escolha.
terá sempre Se você está aqui, é porque escolheu vencer, certo?
os mesmos Infelizmente ninguém é de ferro e contratempos
resultados. acontecem, mas, se você tem motivação, você tem
o motivo certo para impulsionar a sua ação e atingir o
Estratégias de aprendizagem na EaD 43

resultado desejado. Essa motivação pode ser interna ou externa: a


primeira está relacionada à força interior, que é alimentada por seus
interesses, por exemplo, por orgulho, satisfação, prazer; já a segunda
está relacionada a fatores externos, como bônus, premiação, reco-
nhecimento do outro etc.
Assim, desafie-se a entregar o seu melhor. Defina seu objeti-
vo ao realizar sua formação na modalidade a distância; defina as
condições adequadas para seu estudo, mantendo a concentração no
resultado que deseja; trabalhe de forma motivada. Falamos isso pois,
por vezes, ao iniciar um novo curso, não nos propomos a entregar o
nosso melhor e, então, entramos em um estado de negação, expres-
sado por jargões como “não posso”, “não sei” e “não consigo”. Ribeiro
(2012) declara que, ao esquecer essas falas prontas, você atingirá
objetivos jamais pensados.
Para enfrentar qualquer situação, basta que você acredite que é
capaz. Ao incentivar atitudes diárias que mantenham a motivação,
automaticamente diminuímos preocupações e tormentos, aceitamos
os desafios e expandimos nossa força (RIBEIRO, 2012). Henry Ford
(1863-1947), empreendedor e fundador da Ford Motor, já dizia: “Se
você pensa que pode ou se pensa que não pode, de qualquer forma você
está certo”.
Coloque a motivação para trabalhar por você. Mas como con-
seguir isso? Decidindo vencer e acreditando que a sorte é impor-
tante, mas que é você mesmo a causa dos seus resultados. Durante
a Segunda Guerra Mundial, alguns pilotos de aviões japoneses car-
regados de explosivos, os chamados kamikase, tinham como missão
realizar ataques suicidas. Para evitar o arrependimento no momento
final, desviando-os de seu objetivo, esses pilotos voavam sem para-
quedas. Esse é um exemplo de definição de foco e anulação de me-
canismo sabotador. Claro que para estudar não precisamos deixar os
paraquedas de lado, como exemplificado, mas precisamos de força e
foco para conquistar o resultado almejado.
44 Estudar e aprender a distância

Para que você se mantenha motivado na conquista de um bom


estudo e aprendizagem a distância, indicamos, a seguir, com base em
Ribeiro (2012), algumas ações importantes.
• Acredite em você mesmo. Exercite o mantra: “eu posso, eu
quero, eu consigo”.
• Celebre suas conquistas e vitórias. Um exercício interessante
é fazer 12 quadrados numa folha em branco, cada um repre-
sentando um mês do ano. Ao final de cada mês, você anota no
quadrado respectivo as suas conquistas – toda e qualquer pe-
quena conquista. É interessante reavaliar ao longo de um se-
mestre, de um ano, o número de conquistas alcançadas, que,
por vezes, você poderia nem ter percebido se não as anotasse.
• Estimule pensamentos e atitudes positivos. Medite sobre
coisas boas e evite pessoas tóxicas, ou seja, aquelas que só
reclamam. Sugerimos que você fique até 2 minutos perto de
uma pessoa que venha a criticá-lo, a fim de identificar se a
crítica é construtiva, e indicamos não ficar nenhum segundo
ao lado daqueles que falem mal de outras pessoas.
• Perceba a beleza à sua volta. Olhe para a Figura 7 e responda:
o que você vê?
Figura 7 – Outono
Kesu01/iStockphoto
Estratégias de aprendizagem na EaD 45

Por vezes, tendemos a olhar para uma imagem como essa e


ver apenas a sujeira causada pelo excesso de folhas no chão,
limitando nosso olhar, sem nos darmos conta da beleza da
renovação da natureza.
• Elogie os outros e a si mesmo. Frequentemente somos muito
mais críticos do que positivos, o que gera frustração e, conse-
quentemente, desmotivação. O mundo tem muitos críticos;
se você não quer ser simplesmente mais um na multidão, seja
um incentivador de pessoas e de boas ações.
• Esteja aberto a mudanças. Só assim você poderá aproveitar
as oportunidades que o rodeiam. Permita-se aprender e de-
senvolver-se dia a dia, a todo e qualquer instante.
• Pratique. A prática leva à perfeição, que, por sua vez, mantém
ativa sua motivação em continuar a jornada. Trabalhe para ser
melhor sempre.
• Seja criativo. Busque soluções e empreenda em qualquer
situação.
• Aproveite a vida. Estar motivado é estar em equilíbrio. Seu
dia tem 24 horas; assim, organize suas atividades em três pe-
ríodos: 8 horas para trabalho, 8 horas para lazer e estudo e 8
horas para repor as energias.
• Planeje-se. Ter um plano de ação permite que você perceba
suas conquistas em curto, médio e longo prazos. É um exercí-
cio de ampliação da autoconsciência, trabalhando a elimina-
ção de frustrações. Tudo tem o seu tempo. Planejar o deixará
pronto para aproveitar, no momento certo, as atividades de
lazer e descanso.
• Controle suas emoções. A inteligência emocional é fun-
damental para manter a motivação em direção à conquis-
ta de seus objetivos. Isso inclui o autoconhecimento, assim
como o autocontrole, ao sentir raiva. Experimente, em um
momento de ira, respirar profunda e conscientemente até se
sentir mais calmo.
• Desenvolva o seu pertencimento. Tome consciência de que
você pertence a um sistema familiar, social, cultural, espiri-
tual. Você merece fazer parte dele e desenvolver-se integral-
mente, em busca da sua felicidade. Aceite-se.
Portanto, esforce-se diariamente e acredite em si mesmo.
Administre seu estudo, trabalhe com metas diárias, celebre cada
pequena conquista e não desamine se algo der errado. Faça tudo
isso – e muito mais – simplesmente por você.

Considerações finais
É de extrema relevância adotar algumas estratégias de aprendiza-
gem quando falamos de EaD, afinal, estudar a distância ainda é novi-
dade para muitos. Não podemos, no entanto, permitir que isso seja um
fator limitante nos estudos. Esse modelo de fazer educação vai muito
além do estudar; então, desenvolva sua autonomia e inteligência cogni-
tiva e emocional para conquistar o resultado que tanto deseja.
Vimos aqui alguns pontos fundamentais nesse caminho do ensi-
no e aprendizagem a distância e queremos destacar que a verdadeira
estratégia de estudo e concentração está em você. E isso não significa
que estamos negando o valor ou compromisso de todo o trabalho e
planejamento educacional, até porque uma grande equipe multidis-
ciplinar empenha-se para atender a todas as suas necessidades, vi-
sando a uma formação de excelência. Contudo, queremos que você
perceba e reconheça a relevância de sua participação na conquista
de resultados sólidos que serão capazes de impactar como forças
positivas em sua trajetória pessoal e profissional.
Portanto, coloque-se à frente do seu processo de desenvolvimento,
tenha confiança em suas capacidades, explore melhores resultados
Estratégias de aprendizagem na EaD 47

diariamente e motive-se a ser curioso o suficiente para desenvolver a


aprendizagem como um hábito prazeroso em sua vida.

Atividade
1. Reflita sobre o que você precisa mudar para se tornar a pes-
soa que deseja ser. Escreva uma lista com seus defeitos e, ao
lado de cada um, o que pretende fazer para superá-lo.

2. Escreva sobre seus sonhos e o que pretende fazer para alcan-


çá-los. Como? Você não tem sonhos? Então trate de pensar
em um agora e escreva sobre ele. Afinal, para se chegar a al-
gum lugar, é preciso primeiro saber para onde se deseja ir!
48 Estudar e aprender a distância

Referências
ALVES, C. M. T. et al. O tripé da educação a distância: regulação, docência,
discência. São Paulo: Paco, 2015.

NORTHEDGE, A. Técnicas para estudar com sucesso. Florianópolis: Ed. da


UFSC, 1998.

RIBEIRO, M. A. P. Técnicas de aprender: conteúdos e habilidades. Petrópolis,


RJ: Vozes, 2012.
3
Lendo e aprendendo

Nos capítulos anteriores, ressaltamos que a educação a distância


não é uma modalidade nova, mas sim uma inovação no fazer peda-
gógico. Nesse modelo, são exigidas novas ações de quem ensina e de
quem aprende. Questões como a autonomia se destacam diante da
flexibilidade de estudo da EaD.
No mundo atual, você precisa ser o protagonista de sua trajetória,
o que significa ser responsável pelo seu processo de aprendizagem e
pela sua carreira. Tendo isso em vista, vamos discutir neste capítulo
a importância da leitura para a construção de novos conhecimentos,
pois o conhecimento é a base da nossa sociedade e é preciso ser um
bom leitor para interpretar corretamente as informações que che-
gam até nós. Preparado? Bons estudos!

3.1 Construindo o hábito da leitura


Para iniciar nossa discussão, pense e responda:

Qual a sua média de leitura por mês? E por ano?


Desse resultado, analise: qual é o tipo de leitura pre-
dominante? Científica, ficção, romance?

Geralmente, nós, brasileiros, não temos o hábito de ler, seja por


não reconhecermos sua relevância, seja por não desenvolvermos
essa prática como lazer ou, ainda, pelo simples fato de preferirmos
outras atividades, como assistir a um programa de televisão. E por
50 Estudar e aprender a distância

isso o nosso desafio aqui é mostrar a você a importância da leitura,


que pode ser praticada até se tornar um hábito. Falamos em hábito,
pois esse termo, que deriva do latim, habitu, significa a “disposição
de espírito” com a qual o indivíduo, por meio de repetição, tem a
tendência natural e recorrente de realizar determinada atividade.
Sendo assim, você concorda que, se tornarmos a leitura um hábito,
teremos uma média de leitura relevante durante o processo de for-
mação? E, melhor, se aprendermos a ser verdadeiros leitores, e não
meros decodificadores, desenvolveremos competências singulares
que nos colocarão diante de muitas oportunidades?
Para isso, precisamos primeiro entender o que significa ler de
verdade. Segundo Cunha (2010, p. 386), ler é um verbo que deriva do
latim legere e significa “percorrer com a vista e interpretar o que está
escrito”. Agora, vamos retomar nossa questão inicial, simplifican-
do-a: quantos livros ou artigos científicos você leu nos últimos três
meses? Se a sua resposta supera dois livros completos, já podemos
pensar que você está no caminho esperado para conquistar sucesso
na sociedade contemporânea – a sociedade do conhecimento.
A publicação Retratos da leitura no Brasil, do Instituto Pró-Livro,
resultado de uma pesquisa desenvolvida em 2016, apontou que, ape-
sar de mais da metade da população brasileira se considerar leitora,
a média de leitura anual por pessoa é de 4,96 livros, o que significa
aproximadamente 1 livro a cada 70 dias, isto é, mais de 2 meses para
cada leitura (FAILLA, 2016). Outro dado interessante da pesquisa é
que, dessas leituras, uma média de 2,43 livros foram finalizados e de
2,53 somente alguns trechos foram lidos, o que pode demonstrar a
dificuldade de assimilação do texto escrito.
É por esse motivo que, no início desta discussão, chamamos aten-
ção para a necessidade de desenvolvermos o hábito da leitura, a fim
Lendo e aprendendo 51

de que ela seja significativa, e não algo meramente mecânico. Ser


leitor é refletir sobre o que lê e então permitir a construção do conhe-
cimento por meio de seu contexto. É um processo reflexivo que não
ocorre da noite para o dia.
Antes de seguir com nossa reflexão, compartilhamos aqui três
ações que consideramos fundamentais que você realize antes de sua
prática de leitura:
• Afirme para você mesmo que agora é hora da leitura e que
esta leitura vai ser útil. Por exemplo, afirme que: “esta leitura
será útil para mim, pois _______________ (complete com o
objetivo que o motiva a tal prática). Seja criativo!
• Defina um ambiente e uma posição adequados à sua prática
de leitura. Com certeza atentar a esse ponto potenciará seus
resultados. Busque um ambiente sem interferência externa e
defina uma boa posição corporal. Deitado você não terá um
alto rendimento por muito tempo, concorda?
• Reconheça o seu contexto e minimize qualquer tensão, seja ela
consciente ou inconsciente. Folheando um livro, sem ler, mas
apenas observando a quantidade de páginas, as figuras e a es-
trutura, você se familiariza com o material e fica mais seguro. É
como chegar a uma cidade nova para estudar e no dia anterior
à primeira aula ir conhecer o local, de modo a se sentir mais
seguro.
Observe que, apesar de todas essas dicas, somos seres únicos,
dotados de competências e limitações próprias. Saber identificar o
que você tem de melhor o ajudará na conquista de melhores resul-
tados. Assim, não se cobre em ler 100 páginas de uma vez. Apenas
exercite o ato de ler, entregue o seu melhor e comprometa-se para
tal prática, que deve ser intensiva e de iniciativa própria. Lembre-
se: a leitura, para se tornar um hábito, deve ser também prazerosa.
52 Estudar e aprender a distância

Que pensamentos vêm à sua mente diante de um livro?


Você o encara com sofrimento ou curiosidade? Sente
preguiça ou não vê a hora de começar a leitura? Pensa
que está perdendo tempo ou ganhando conhecimento?

A forma como você se prepara pode fazer toda a diferença.


O primeiro passo é tomar consciência de que o grande beneficiado
com o hábito da leitura é você mesmo. Observe o ciclo apresentado
na Figura 1.

Figura 1 – Ciclo de desenvolvimento do hábito da leitura

Gatilho
mental

Prática

Repetição

Hábito

Fonte: Elaborada pela autora.

Para se tornar um verdadeiro leitor, defina um “gatilho” que o


impulsione na construção desse hábito. Por exemplo, pode ser um
gatilho você considerar que uma sociedade realmente próspera é
Lendo e aprendendo 53

aquela que entende a importância da leitura. Ou se você pensar que,


para conquistar a tão sonhada estabilidade financeira, a leitura é
condição necessária, pois implica na melhoria de suas competências
cognitivas. Perceba que, ao falarmos em gatilho mental, estamos
buscando em nossa mente justificativas que impulsionem nossa prá-
tica. Aqui estamos tratando especificamente da prática da leitura,
mas isso pode ser feito para qualquer situação de sua vida. Imagine
que você quer emagrecer: um gatilho mental pode ser, por exemplo,
vestir aquela jaqueta que não vem em numeração grande, ou, ainda,
colocar aquela tão sonhada bota que hoje não entra na sua panturri-
lha. Assim, o gatilho é importante na construção de um hábito e
deve ser coerente com seus valores. Não há certo ou errado. Escolha
a mudança e o gatilho que faz sentido para você.
Identificado um gatilho mental para praticar o seu Insista
propósito, é hora de repetir por algum período tal ação.
diariamente,
E não falamos de repetir por uma semana. Estudos na
durante o
área da neurociência apontaram, já na década de 1960,
período que julgar
que a repetição deve ser consecutiva por, ao menos, 21
necessário, para
dias para se tornar um hábito. Um dos pioneiros desse
pensamento foi o cirurgião e psicólogo Maxwell Maltz. que a leitura se
Pesquisas recentes consideram a relevância dessa evi- torne um hábito.
dência, como destaca Charles Duhigg (2012), no livro O
poder do hábito. Contudo, no ano de 2009, Lally et al. (2009),
do Centro de Pesquisas de Comportamentos da Universidade College
de Londres, na Inglaterra, apontaram que necessitamos ao menos 66
dias de prática repetida para realmente configurar um hábito.
No entanto, não se preocupe com a quantidade exata de dias de
que precisa, pois esse tempo pode ser, por exemplo, de 20 ou 70 dias.
O essencial é que você reconheça a importância da constância da lei-
tura e reflita sobre essa prática para seu propósito de vida. Identifique
um melhor horário do dia para ler e insista diariamente, durante o
período que julgar necessário, para que a leitura se torne um hábito.
54 Estudar e aprender a distância

Apesar de todos esses argumentos, você pode estar pensan-


do que não precisa colocar no seu currículo quantos livros já leu
ou quantos artigos precisou ler para desenvolver seu trabalho de
conclusão de curso, mas sabemos que um aluno que tem bons re-
sultados é aquele que constrói sua jornada com uma base sólida.
Então, tire vantagem dessa sua experiência. Aliás, todo indivíduo
deveria tirar vantagem da prática da leitura. Afinal, se vivemos
numa sociedade do conhecimento, em breve toda informação será
de conhecimento de muitos. É simples termos certeza de tal fato,
ao recorrermos à história do conhecimento científico: nos primór-
dios do seu desenvolvimento, ele era quase exclusivo dos doutores;
depois, mestres tiveram acesso às pesquisas. No século XX, ini-
ciou-se a disseminação entre especialistas e, mais recentemente,
no século XXI, o acesso ao mundo da ciência, o desenvolvimento
continuado, a formação de competências são de acesso livre a to-
dos – alunos de graduação, ensino médio, fundamental etc. – que
buscam oportunidades.

Figura 2 - Benefícios da leitura


kieferpix/iStockphoto

Os benefícios da leitura são


inúmeros: ela estimula a criati-
vidade, aumenta o vocabulário,
facilita o desenvolvimento da
escrita, melhora a comunica-
ção, amplia o conhecimento,
desenvolve o senso crítico e
o processo cognitivo, permi-
tindo maior compreensão dos
diferentes contextos da vida
­pessoal e/ou profissional.

Portanto, a leitura é o combustível que lhe permitirá ir longe


em sua trajetória acadêmica, profissional e pessoal. Assim, busque
Lendo e aprendendo 55

o seu gatilho para a leitura, por exemplo: fomentar sua cultura ge-
ral, distrair-se, crescer em sua profissão, desenvolver-se em sua vida
pessoal, atualizar-se ou mesmo para cumprir as exigências da sua
instituição de ensino. O importante é você se beneficiar desse uni-
verso e fazer dessa prática um hábito com vista ao aprimoramento
contínuo. Além disso, esse desenvolvimento envolve a releitura, pois
esta permite a desconstrução, construção e reconstrução de conhe-
cimentos. Então responda:

Agora você se sente preparado para novas leituras? Que


livro você vai começar a ler nesta semana? E no próxi-
mo mês? E quantos livros você lerá ainda neste ano?

Elabore uma lista e a coloque em um local que você visualiza


com frequência; depois, ao completar cada meta elencada, dê a si
mesmo uma recompensa – pode ser um chocolate, um presente,
uma sessão de cinema ou o que mais lhe agradar.

3.2 Selecionando leituras


Agora que você já sabe que ler não é simplesmente “passar os
olhos” em um site, artigo, livro ou revista, pois exige interpretar o
que está escrito, fica claro que a leitura não se limita à sala de aula.
Um bom processo de leitura leva o indivíduo de um estado de infor-
mação a um estado de transformação.
Em se tratando do contexto acadêmico, a leitura deve estar cen-
trada em um princípio básico: a construção dos conhecimentos ne-
cessários, ou seja, deve permitir que você extraia dela elementos de
56 Estudar e aprender a distância

que precisa para sua formação. Por vezes, num primeiro contato
com uma obra, pode ser que você não tenha tanto interesse nela,
pelo fato de a linguagem parecer rebuscada ou muito técnica. Mas
não desanime, concentre-se em extrair o que realmente lhe interes-
sa: sua própria formação. Faça o exercício de focar no resultado que
busca, e não nas dificuldades que encontra. Se sentir necessidade,
consulte um dicionário e faça anotações – aos poucos, você vai se
acostumando com a linguagem do texto e tudo fica mais fácil.
Tudo que envolve o desenvolvimento envolve energia. Você de-
cide para onde quer direcionar a sua: para conquistar o resultado
desejado ou para conquistar desculpas!
Se tudo envolve energia, convidamos você a gastar a sua energia
com leituras que edifiquem seu processo de desenvolvimento. Isso cul-
minará em diferentes conquistas, como: uma melhor oportunidade de
emprego, maior possibilidade de aumento de renda, de qualidade de
vida, entre outras, pois a leitura tem o poder de transformar as pessoas.
Sabemos que o ato de ler pode não ser algo simples, exige dis-
ciplina e determinação, mas acima de tudo requer um propósito
claro. Por exemplo, se você está lendo este livro, é porque tem um
objetivo, certo? Aquino (2012) aponta que “quando você lê, não há
público. Assim, mesmo não tendo uma plateia para ver você lendo,
saiba que a leitura constitui os bastidores de ensaios para grandes
apresentações que estão por vir”, ou seja, a leitura é a base de quase
tudo o que sabemos, é o que nos dá suporte e conhecimento para
dialogar, discutir, argumentar e apresentar ideias a um grupo ou a
uma plateia. Por isso, não basta ler, é preciso escolher boas obras.
Então, primeiramente defina a temática de leitura e, depois, busque
obras clássicas e contemporâneas da área.
Lendo e aprendendo 57

• Obras clássicas: aquelas que são referências na área de in-


teresse. São inquestionáveis quanto à influência que geram
sobre determinado assunto, ou seja, não se limitam à época
em que foram criadas.
• Obras contemporâneas: publicações recentes relacionadas à
temática. Não necessariamente trazem o novo ou são origi-
nais, mas discorrem sobre o tema com um olhar que expressa
ou incentiva uma reflexão atualizada ao contexto da época.
Atualmente, em nossa sociedade do conhecimento conectada em
rede, temos incontestáveis benefícios, entre eles as oportunidades de
busca na internet, inclusive via smartphone. Isso levou a uma mu-
dança significativa no ato da leitura. Desse modo, uma importante
questão que levantamos aqui é: onde buscar um bom material para
ler? É preciso ir a uma biblioteca física? Ou se dirigir a uma livraria?
Nos dias de hoje, encontramos facilmente bons artigos, obras
clássicas e contemporâneas, em diferentes bases que não se limi-
tam ao tradicional modelo físico de busca. A facilidade de aces-
so nos coloca diante do desafio de se apropriar de boas leituras.
Diferentemente dos acadêmicos de outras épocas, que estudaram
e desenvolveram suas pesquisas em um contexto completamen-
te diferente, em que, por vezes, precisavam pagar por um livro e
esperar 30, 60 dias para recebê-lo via Correios, hoje o volume de
materiais disponíveis e de fácil acesso tem crescido dia a dia e a
internet tem possibilitado a leitura instantânea, por exemplo, de
um artigo produzido em Londres, Pequim ou Sidney. Então, não
há desculpas para não ler. No entanto, diante dessa imensa pos-
sibilidade de leituras, você precisa saber selecionar o que ler, em
58 Estudar e aprender a distância

bases de dados confiáveis, afinal seu tempo e a qualidade de sua


formação são valiosos.
Para ajudá-lo nessa busca e seleção, apresentamos, na Figura 3,
algumas opções de locais onde você pode encontrar materiais de
qualidade.

Figura 3 – Espaços físicos e virtuais para busca de leituras

Físico

Biblioteca do seu polo de ensino, biblioteca pública do


seu município, ou, ainda, biblioteca da universidade
Biblioteca
mais próxima. Você pode pedir ajuda ao bibliotecário
para realizar sua busca.

Muitos sebos vendem, a um preço mais acessível, obras


Sebos
clássicas e contemporâneas usadas, de diferentes áreas
tradicionais
acadêmicas e para desenvolvimento profissional.

Geralmente apresentam obras organizadas por temáticas


Livrarias e áreas de conhecimento, além de contarem com pro-
tradicionais fissionais capacitados que podem auxiliá-lo a encontrar
materiais relevantes de seu interesse.

(Continua)
Lendo e aprendendo 59

Virtual

Bibliotecas Bibliotecas que permitem acesso on-line a diferentes obras. Algumas exigem
digitais login e senha e outras têm acesso aberto, por exemplo:
• Biblioteca Virtual do governo do estado de São Paulo. Disponível em:
<http://www.bibliotecavirtual.sp.gov.br/>;
• Biblioteca Nacional Digital. Disponível em: <http://bndigital.bn.gov.br/>.
• Biblioteca Digital Mundial. Disponível em: <https://www.wdl.org/pt/>.
• Biblioteca Digital da USP. Disponível em: <http://www.teses.usp.br/>;
• Biblioteca Digital da Unicamp. Disponível em:
<http://www.bibliotecadigital.unicamp.br/>;
• Sistema de Bibliotecas FGV. Disponível em:
<http://sistema.bibliotecas.fgv.br/>.
• Portal Domínio Público. Disponível em: <www.dominiopublico.gov.br>.

Livreiros e sebos disponibilizam obras usadas para compra on-line. Um


Sebos
exemplo é a Estante Virtual, portal de vários sebos. Disponível em: <www.
digitais
estantevirtual.com.br>

Livrarias Nelas você pode comprar obras variadas, ler resenhas e até mesmo pequenos
digitais trechos dos livros.

Plataformas que disponibilizam obras para leitura ­on-line ou download.


Bancos
Uma referência é o Google Livros, onde você tem acesso a muitos materiais,
de livros
sem custo. Disponível em: <https://books.google.com.br/>.

Bases
Existem muitas bases de acesso pago e outras de acesso gratuito.
de dados
• A Scielo é uma base muito confiável, que publica pesquisas completas de
periódicos brasileiros. Disponível em: <http://www.scielo.org>.
• No Portal de Periódicos da Capes, você pode ler materiais nacionais e
internacionais de acesso aberto. Essa ferramenta é ótima, pois nela é
possível realizar buscas por assunto, periódico, livros e bases de dados.
Disponível em: <www.periodicos.capes.gov.br>.
• O Google Acadêmico é uma plataforma de busca do Google cujos
resultados remetem a trabalhos científicos. Disponível em: <https://
scholar.google.com.br/>.

Fonte: Elaborada pela autora.


60 Estudar e aprender a distância

As possibilidades de busca para leitura são infinitas nos dias atuais,


seja com livre acesso, seja com acesso restrito mediante pagamento de
mensalidades ou custo por material acessado. Lembre-se de que a as-
sinatura de um periódico científico ou aquisição de um artigo muito
relevante à sua área, interesse ou formação não é custo, é investimento.
No entanto, apesar dos inúmeros materiais que encontramos no mun-
do virtual, precisamos sempre estar atentos, pois fontes como blogs,
Wikipédia1, redes sociais ou mesmo meios tradicionais de comunica-
ção, como jornais, podem não apresentar informações completas – ou
até mesmo incorretas –, levando a interpretações equivocadas.
Agora que você já tem algumas dicas de onde buscar materiais
relevantes e confiáveis, é hora de identificar o que será utilizado e
como. Responda às questões a seguir:

Qual é seu gatilho mental para iniciar a leitura de hoje? Por


que vale a pena essa leitura?

Que livro ou artigo você lerá nesta semana? Por quê?

Escolha um periódico da sua área de atuação ou formação e ini-


cie o exercício. É importante sair da zona de conforto, criar um novo
movimento que desafie o seu desenvolvimento cognitivo.
Repita tal ação diariamente. A partir do momento que a leitura
acadêmica virar um hábito, você ficará antenado com as publicações
da sua área de interesse, acompanhando as discussões a respeito no
Brasil e no mundo. E, claro, você também pode ler textos de ou-
tras áreas; isso contribuirá ainda mais com o seu desenvolvimento

1 Na Wikipédia você encontra muita informação útil. Contudo, como não é possível sa-
ber a origem das informações, não podemos usar essa fonte em trabalhos acadêmicos.
Lendo e aprendendo 61

cognitivo e acadêmico e o fará pensar “fora da caixa”. Toda boa obra


merece o seu esforço: além de ser uma importante referência, pode-
rá alavancar o seu progresso. Então, tenha cuidado e fique atento ao
selecionar suas fontes.

3.3 A arte de escrever


Você já parou para pensar que escrever é se comunicar? Segundo
Cunha (2010, p. 260), o ato de escrever é “exprimir-se por escrito, gra-
var”. Então, entendemos que a escrita é uma arte com a qual você grava
sua marca, suas ideias. Desse modo, reflita: vale a pena investir no aper-
feiçoamento da escrita de textos técnicos, profissionais e acadêmicos?
Sim, com certeza, pois por meio da escrita temos a oportunidade de
tirar real proveito do que esse tipo de comunicação nos oferece.
Agora, pense em seu desafio de estudar e aprender a distância.

Você tem o hábito de escrever? Como é a sua escrita?


Você já escreveu um artigo científico? Realizou um
trabalho, no último mês, que exigisse mais de cinco
páginas de texto escrito?

Apesar da importância da leitura e da escrita e do desafio de ambas,


geralmente lemos mais do que escrevemos e praticamos pouco a escrita.
A escrita precisa ser praticada e, para tanto, é necessário impul-
sionar o mesmo ciclo que sugerimos na Figura 1 para a leitura, ou
seja: gerar o gatilho mental, criar a prática, fazer repetidamente, até
criar o hábito. Mas para que tudo isso ocorra, há um desafio prelimi-
nar, do qual acabamos de falar. Isso mesmo: a leitura. Por exemplo,
se pedíssemos para você escrever dez linhas sobre hábitos de higie-
ne, você não teria grande dificuldade, certo? E se pedíssemos para
escrever a metade de linhas sobre Valsa nº 6, peça teatral de Nelson
62 Estudar e aprender a distância

Rodrigues? Complicou? Percebe que, se você não tiver informações


prévias sobre o assunto, não saberá o que (e como) escrever? Mas,
se você tiver mais informações sobre a peça, como data em que foi
escrita, gênero (drama, comédia), temática, enredo, estrutura, per-
sonagens, tempo e local em que as cenas acontecem etc., concorda
que isso facilitará sua escrita?
Seguramente, o seu conhecimento vai se ampliar e você vai se
sentir ainda mais seguro para tratar sobre a obra se ler a peça, em vez
de apenas buscar informações sobre ela. Sua leitura vai se enrique-
cer e se aprofundar, se você souber mais também sobre o autor e o
restante de sua obra. Agora, pense no estudo que poderia fazer ao ir
além do texto, procurando ler nas entrelinhas e percebendo as rela-
ções que podem ser feitas com a Valsa n. 6 de Chopin, ou com outras
obras, como a peça Vestido de Noiva, também de Nelson Rodrigues?
Percebe como uma leitura puxa a outra?
Contudo, escrever não é copiar as ideias dos outros – isso é
­plágio! Escrever é dialogar com textos diversos, expondo o que ou-
tros disseram sobre o assunto (sempre referenciando e inserindo
aspas ou recuo para identificar as citações) e acrescentando o nosso
olhar a respeito do tema, de modo a enriquecer o debate.
Queremos que você perceba com isso que a leitura de verdade
permite abstrair informações e construir conhecimentos a ponto
de você conseguir externalizar suas ideias, por meio da oralidade
ou da escrita.

Que tal se arriscar e fazer agora um exercício de escrita? Escreva


como tirar o máximo proveito da leitura para os estudos.
Lendo e aprendendo 63

Se quiser se desafiar um pouco mais, explique a importância


da leitura e da escrita para o ensinar e o aprender a distância.

Observe a Figura 4 a seguir, a qual expõe quatro perguntas fun-


damentais, citadas por Dintel (2013), que contribuirão com o seu
processo de escrita.

Figura 4 – Perguntas que auxiliam o processo de escrita

O que quero
comunicar com
o texto?

Como organizar as Para quem


informações para Escrita estou escrevendo
melhor comunicar? este texto?

Quais
informações preci-
so apresentar para
me comunicar?

Fonte: Elaborada pela autora com base em DINTEL, 2013.


64 Estudar e aprender a distância

Tendo em mente essas questões, você pode estruturar um texto e


comunicar as informações necessárias de modo que elas se tornem
claras e úteis para quem lê. E isso você vai fazer com base no que
realmente sabe, no que leu e aprendeu – como leitor, não como de-
codificador. Northedge (1998, p. 110) destaca que “você não
sabe matemática até que consiga resolver um problema
matemático; do mesmo modo não conhece ciências so-
A escrita como
ciais ou humanas até que consiga usar as ideias para
ato social é
argumentar uma questão [...]”. Então, se prepare para
um conceito
escrever! Seja no papel, seja no seu notebook, o que im-
que envolve a
porta é a prática e repetição para criar esse hábito.
interação, seja
Pense no elemento central de sua argumentação e
esta planejada ou
defina uma estrutura mínima para sua escrita, a saber:
espontânea.
título, objetivo, palavras-chave da discussão proposta,
introdução, conceitos e desenvolvimento da discussão,
conclusão. Uma sugestão para a prática diária da escrita,
por exemplo, é fazer um resumo de um texto que você leu. Assim,
você pode ter um diário com informações importantes a respeito
das suas leituras, de modo a poder consultá-las sempre que quiser,
além de poder avaliar seu desenvolvimento como leitor.
Por fim, destacamos que escrever não precisa ser uma ação in-
dividual e isolada. A escrita como ato social é um conceito que en-
volve a interação, seja esta planejada ou espontânea. Nesse sentido,
reunir grupos para discussão de leituras feitas e análise da escrita é
uma estratégia que pode contribuir muito com sua formação. Você
pode iniciar uma reunião em grupo propondo, com base em um
objetivo claro, um ­brainstorming2 entre os participantes. É impor-
tante que alguém do grupo atue como moderador para aproveitar
ao máximo a criatividade do grupo, de modo a definir o melhor

2 Brainstorming, ou “tempestade de ideias”, é uma técnica de discussão em grupo


na qual, partindo de uma situação-problema, os participantes contribuem esponta-
neamente com suas ideias, debatendo prós e contras até chegarem a uma solução.
Lendo e aprendendo 65

caminho, na direção do objetivo de escrever um bom texto. Esse


tipo de técnica não necessariamente precisa ser realizada presen-
cialmente: hoje a EaD permite que você realize uma troca com seus
colegas de curso e tutores por meio do uso das tecnologias digitais
de comunicação. Sendo assim, é possível propor ao mediador do
seu curso a organização de um espaço para a construção coletiva
do conhecimento. Por exemplo, esse local pode ser denominado
Cantinho do Café, no qual, com o recurso do fórum, o grupo pode
fazer postagens simulando, com base em uma questão/temática, a
técnica do ­brainstorming. Ou, ainda, fazer uso de páginas wiki, que
têm como essência a ideia de escrita colaborativa.
Então, mãos à obra. Leia e escreva para aprender ainda mais e
desenvolver competências reais em seu processo de educação a dis-
tância. Pois, como você já sabe, o grande responsável e maior bene-
ficiado com suas decisões é você mesmo.

Considerações finais
Mudar e adquirir hábitos exige disciplina e determinação.
Como a construção de uma casa, construir o hábito de leitura e es-
crita requer investimentos – financeiros, de mão de obra etc. – de
diferentes atores. Então, se precisar, não tenha vergonha de pedir
ajuda. Utilize, por exemplo, no seu curso a distância, os recursos
de fórum e chats para questionar, pedir sugestões, compartilhar
seus textos e exercitar sua escrita.
Fuja de respostas prontas; busque, a todo o momento, aproveitar
a importância de exercitar a leitura e a escrita. Se há uma questão no
fórum de uma disciplina, por exemplo, acesse uma base de dados,
faça leitura de um material que você selecionou, escreva e reescreva,
se necessário. Não construímos um hábito e nem desenvolvemos uma
habilidade fazendo uma vez; é preciso prática e rotina, além de foco
e determinação com base em um propósito. Lembre-se: não é uma
questão de ser fácil ou difícil, rápido ou demorado; é uma questão de
66 Estudar e aprender a distância

desenvolvimento humano, em que cada um é único e tem o seu ritmo


– tudo bem, desde que você não pare. Caminhe na sua velocidade,
mas caminhe buscando sempre chegar a um lugar definido. Desse
modo, a leitura fluirá na sua mente, assim como a escrita fluirá entre
seus dedos.

Atividade
Faça uma síntese deste capítulo, procurando dialogar com o
texto lido e acrescentando o seu ponto de vista a respeito da
leitura e da escrita para o desenvolvimento pessoal.
Lendo e aprendendo 67

Referências
AQUINO, I. S. Como ler artigos científicos: da graduação ao doutorado. 3.
ed. São Paulo: Saraiva, 2012.

CUNHA, A. G. Dicionário etimológico da língua portuguesa. Rio de Janeiro:


Lexikon, 2010.

DINTEL, F. Como escrever textos técnicos e profissionais. Belo Horizonte:


Gutenberg, 2013.

DUHIGG, C. O poder do hábito: por que fazemos o que fazemos na vida e


nos negócios. São Paulo: Objetiva, 2012.

FAILLA, Z. Retratos da leitura no Brasil 4. Rio de Janeiro: Sextante, 2016.

NORTHEDGE, A. Técnicas para estudar com sucesso. Florianópolis: Ed. da


UFSC, 1998.

LALLY, P. et al. How are habits formed: modelling habit formation in the real
world. European Journal of Social Psychology, v. 40, n. 6, 2009. Disponível
em: <https://onlinelibrary.wiley.com/doi/full/10.1002/ejsp.674>. Acesso
em: 12 mar. 2018.

RIBEIRO, M. A. de P. Técnicas de aprender: conteúdos e habilidades.


Petrópolis, RJ: Vozes, 2012.
4
Planejando seu estudo

Neste capítulo, evidenciaremos a relevância de administrar e pla-


nejar suas ações a fim de tornar seus dias mais produtivos e, então,
poder conquistar os resultados que tanto deseja. Para isso, não há
segredo: o essencial é dar atenção ao que realmente importa. Todo
mundo é capaz de fazer essa gestão, afinal, o tempo é igual para
todos: 24 horas em um dia, 7 dias em uma semana, 365 dias em um
ano. Keller e Papasan (2014), em sua obra A única coisa, destacam
que para ter êxito basta “ser simples”, ignorando todas as coisas que
você poderia fazer e preocupando-se apenas com o que realmente
deve fazer.
Preparado para mais esta aprendizagem? Vamos iniciar?

4.1 Foco
Quando falamos em foco, o que vem à sua mente? Você sabe
qual é o seu foco atual?
O foco determina as suas prioridades na vida. Iniciando essa
nossa discussão, elaboramos a figura a seguir, para que você identi-
fique a área em que atualmente se concentra o seu foco e qual a área
em que você gostaria que ele estivesse.
70 Estudar e aprender a distância

Figura 1 – Roda do foco da vida

Qualidade de vida Pessoal

o
Espir

osiçã
ituali

e disp
al
ctu

dade
Pl
ele

Saúde
en
t
in
itu to
de
en
e
m
fel
lv i
ici
vo
da
Equi en
de
líbrio es rsão
emoc D e dive
ional
e, h
­ obbies
idad
Criativ

Reali
ocial zação
Vida s o e pro
pósit
os o
or
am
Re
to
cu
en
Cont

rs
m
os
na
fin
io
ribuiç

lac
an
e
ce
R
iro
s
ão so
lia
Famí

cial

Relacionamento Profissional

Fonte: Elaborada pela autora.

Observe o que contempla, num olhar macro, cada um desses


quadrantes:
• Pessoal: são as questões relacionadas à saúde, ao desenvolvi-
mento intelectual e à criatividade e diversão.
• Profissional: são os aspectos relacionados ao trabalho e à
carreira, envolvendo elementos como realização profissional,
recursos financeiros e contribuição social.
• Relacionamento: inclui as relações e interações com o meio so-
cial, seja com a família, relacionamento amorosos, ou vida social.
• Qualidade de vida: nesse quadrante temos questões relacio-
nadas à plenitude humana, como espiritualidade, felicidade e
equilíbrio emocional.
Planejando seu estudo 71

Hoje em dia é comum termos diferentes compromissos, que en-


volvem todos esses aspectos apresentados. Então, você pode pen-
sar: o desenvolvimento intelectual é apenas uma das muitas opções.
Exato, não é preciso excluir as demais atividades para se dedicar a
uma delas. Destacamos, no entanto, que é muito importante que
você organize seu tempo para atender a todos os quadrantes, in-
cluindo sua formação acadêmica. Northedge (1998) aponta que esse
movimento pode ser visto como um malabarismo. Vamos usar essa
metáfora do autor e pensar que temos dois grandes elementos nesse
malabarismo: as bolas (nossas atividades) e o (tempo disponível).

Figura 2 – Atividades x tempo

MrKornFlakes/iStockphoto
Não podemos mudar o tempo
que temos, mas podemos pegar
quantas e quais bolas quiser-
mos, dependendo de nossa
habilidade. O maior erro que
podemos cometer é querer ter
mais tempo, em vez de saber
selecionar as bolas adequadas,
ou assumir bolas demais e per-
der o controle da situação.

Para decidir quais atividades selecionar, é preciso ter foco, reco-


nhecer seu real propósito para definir as prioridades. Assim, você
consegue observar os elementos que convergem ao ponto central,
que é o que realmente importa.

Com base no entendimento dos quadrantes que apresenta-


mos na Figura 1, convidamos você a fazer o exercício da roda
focal, representada a seguir. Para cada parte das áreas focais,
dê uma nota de 1 a 10, sendo 1 para pouco foco e 10 para
foco intenso. Você pode utilizar várias cores de lápis para
construir a sua roda atual e focal da vida.
72 Estudar e aprender a distância

Qualidade de vida Pessoal


alidade Saúde e disp
iritu osiç
sp ão De
E 10 sen
e in v
de 9 te
tu ade

ol ctu
i
n id

vim al
8

le
lic
e

en
Pl

7
fe

to
6
5

ho
Cri s e diversão
bbie
emoc brio
l

4
iona

ativi
í
Equil

dade,
2

1
10 9 8 7 6 5 4 3 2 1 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
1
Vida so

e pr lização
ito
3

opós
cial

Rea
5
6
Rel am

7
aci or

ce os
s
on os

cu

iro
rs
8
en Re an
am

to
o 9 fin
Fam 10 cia
l

ília o so
Contribuiçã
Relacionamento Profissional

Agora imagine que essa é a roda do seu carro, que você está
conduzindo rumo ao destino desejado. Do jeito que ela está,
você chegará aonde quer, ou há algum quadrante que está vul-
nerável e exige sua atenção? Registre suas conclusões aqui.

Note, com esse exercício, que uma área não deve se sobrepor a
outra. Todas as áreas de nossa vida exigem atenção: é preciso ter,
na mesma proporção, lazer, dedicação profissional, momentos de
Planejando seu estudo 73

interação com os outros, sem deixar para depois o desenvolvimen-


to e formação de novos conhecimentos e competências. Pensando
nisso, além de ter muito claro seu foco, é essencial fazer a gestão das
atividades no tempo de que você dispõe: as 24 horas de seu dia.

4.2 Gestão do tempo


Agora que você já sabe que não é possível fazer a gestão do tem-
po em si, mas sim a gestão das ações dentro do tempo de que dis-
pomos, vamos abordar como você pode fazer a sua roda da vida
trabalhar para que consiga conquistar o resultado que tanto deseja.
Várias são as formas de gerenciar o tempo para realizar nossas ações.
Primeiro, vimos que é preciso ter foco, definir o que é mais importante
para nos aproximar do objetivo desejado. No entanto, também é neces-
sário ter equilíbrio na vida. Então aqui vai a primeira dica: organize o
seu tempo em três momentos distintos, cada um com 8 horas.

Identifique o momento em que você está desperdiçando o


seu tempo ou em que não está empregando seu tempo cor-
retamente. Escreva suas conclusões abaixo.

Sono
8 horas

Vida profissional
8 horas

Vida pessoal
(estudos e lazer)
8 horas
74 Estudar e aprender a distância

Você já tinha olhado para sua rotina diária dessa for-


ma? Consegue dormir 8 horas? Dedica 8 horas para
suas questões pessoais, como estudo e lazer?

O que realmente você deseja? Como está organizando


seu dia hoje?

Analise o que precisa de atenção na sua vida para conquistar o


equilíbrio na sua jornada. Reveja suas prioridades e procure desen-
volver novos hábitos para ter uma vida com mais qualidade. Afinal,
mudar e ter sucesso depende exclusivamente de você. Então, analise
Upgrade – suas escolhas e comece hoje a dar um upgrade no seu dia, o que vai
atualização,
lhe dar muito mais disposição!
melhoria

Christian Barbosa, importante especialista em gestão do tem-


po no Brasil, oferece uma solução para organizar a vida, tornar-se
produtivo e conquistar o que deseja. Barbosa (2011) trabalha com
a tríade do tempo, com a qual nos desafia a analisar as ações com
base em três critérios: importante, urgente e circunstancial.

• Importante: abrange as ações verdadeiramente relevantes


para você conquistar o resultado que deseja, ou seja, ações
que fazem diferença na sua vida, relacionadas aos estudos, ao
trabalho e à sua missão de vida. Por exemplo, é importante
que todo estudante faça um planejamento de estudo e se orga-
nize em relação ao tempo que tem. Contudo, essa ação acaba
muitas vezes sendo deixada de lado, por “falta de tempo” ou
preguiça, mesmo sendo fundamental.
• Urgente: inclui as ações que devem ser feitas imediatamen-
te. Nos dias de hoje, é comum deixarmos o importante virar
urgente, mas atenção: uma coisa é um contratempo aparecer,
outra coisa é quando a urgência se torna a regra em nossa
Planejando seu estudo 75

vida e deixa de ser exceção, por falta de planejamento. Um


exemplo disso seria, no seu caso de estudante, deixar uma
tarefa importante, que precisa ser entregue logo, para fazer na
última hora, na data limite apresentada no cronograma, o que
gera estresse, tensão e preocupação.
• Circunstancial: é aquilo que não está relacionado a nosso
real objetivo, ou seja, não agrega resultados. Algo sem rele-
vância que resulta em perda de tempo e, ao fim do dia, nos dá
a sensação de frustração, angústia, entre outros sentimentos
negativos. Um exemplo são as situações em que o aluno, no
seu momento de estudo, visualiza e responde a mensagens
nas redes sociais. Ele acaba perdendo completamente o foco,
distraindo-se e desperdiçando um tempo precioso que não
volta mais. Este pode ser considerado um mal do século XXI:
estarmos em todos os lugares ao mesmo tempo e não estar-
mos integralmente em lugar algum.

Agora, responda: em qual esfera, das três descritas,


você acredita que concentra maior parte de seu dia?
Quanto tempo você dedica para atender ao que real-
mente é importante? Você tem desperdiçado seu tem-
po com atividades circunstanciais ou urgentes em vez
de dedicar-se ao que realmente é importante?

Pare e reflita se a forma como você usa seu tempo lhe permite
conquistar os resultados que deseja. Para ajudá-lo nessa reflexão,
recomendamos que você acesse o site da consultoria TriadPS e
realize o Teste da Tríade do Tempo1. É um teste simples e rápi-
do que vai ajudá-lo a conhecer o seu perfil de gestão do tempo.

1 Disponível em: <www.triadps.com/triade>. Acesso em: 22 mar. 2018.


76 Estudar e aprender a distância

Independentemente do resultado, não se preocupe, pois esse é um


momento de autoconhecimento que vai lhe permitir melhorar o
equilíbrio de sua vida.
O desafio aqui é concentrar parte de seu tempo, aproximada-
mente 70%, para as ações importantes; para ações urgentes, utili-
zar uma margem de 20%; e, para as ações circunstanciais, dispor de
no máximo 10% do tempo. É claro que cada um tem a sua rotina
e suas atividades, mas tomar consciência e, se necessário, mudar
seus padrões atuais, levará você a resultados que, com certeza, o
aproximarão da sua meta de vida. Assim se tornará possível aten-
der equilibradamente ao que Barbosa (2011) chamou de quatro
corpos, exemplificados no Quadro 1:

Quadro 1 – Exemplo de atividades para exercitar seus quatro corpos

Físico Mental Emocional Espiritual


Celebrar
Andar Ler Namorar
a natureza

Frequentar Fazer novos


Escrever Meditar
a academia amigos

Consultar Fazer um Ajudar Buscar


o médico curso pessoas autoconhecimento

Alimentar-se Ensinar
Cantar Agradecer
adequadamente algo

Sorrir Sorrir Sorrir Sorrir


Fonte: Adaptado de BARBOSA, 2011.

Você tem se dedicado de forma equilibrada a seus


quatro corpos? Se não, o que deve fazer para alcançar
esse equilíbrio?

Não há como ensinar a administrar o tempo, pois, como já afir-


mamos, ele não pode ser alterado. Assim, podemos considerar que
Planejando seu estudo 77

é melhor falar de gestão de ações pessoais do que gestão do tempo.


Para isso, encontre seu propósito de vida e defina suas metas de cur-
to, médio e longo prazos. Definir uma meta é imaginar como seria
uma fotografia sua no futuro. Por exemplo, imaginar como seria
uma foto sua daqui a um ano (curto prazo – de 6 a 12 meses); daqui
a cinco anos (médio prazo – de 5 a 10 anos); e daqui a 10 anos (longo
prazo – mais de 10 anos).

Você consegue imaginar o que pretende alcançar em


um ano, cinco anos, dez anos? Já parou para traçar
metas para o futuro? Consegue perceber que, se não
fizer isso, sua vida vai passar sem você perceber e
nada irá mudar?

Para definir uma meta relevante, não basta pensar no que dese-
ja, é preciso entender quatro princípios básicos, conhecidos como
SMART, um acrônimo do inglês que significa: específico (o quê?);
mensurável (quanto?); alcançável (como?); relevante (por quê?); e
temporal (quando?). Veja o exemplo a seguir.

S específico: viajar nas férias de janeiro, do próximo ano, para a


­Disney com dois amigos.

M mensurável: ficar 20 dias hospedado no Hotel Mickey.

A alcançável: solicitar no departamento de Recursos Humanos, até


10 de julho, o agendamento das férias para janeiro.
Comprar passagens; reservar o hotel; tirar o visto;
definir roteiros etc.

R relevante: realizarei um sonho de infância.

T temporal: a viagem será em janeiro do ano que vem, do dia


10 ao dia 30.
78 Estudar e aprender a distância

Agora é sua vez. Escreva uma meta para daqui a um ano


e detalhe-a usando o método SMART. Escrever uma meta
é um meio de tornar consciente seu desejo/objetivo e tra-
balhar para que ele aconteça. Por exemplo: como você se
visualiza daqui a um ano, profissionalmente?

Ao fim dessa atividade, copie as metas que você escreveu em um


lugar onde possa visualizá-las diariamente. Isso contribuirá com sua
mudança de pensamento – ou, como se diz atualmente, com uma mu-
dança de ­mindset (modelo mental).

4.3 Plano de ações


Elaborar um plano de ações é dar subsídios para que seu cére-
bro reconheça um novo modelo de ações, em que você assume a
responsabilidade por elas. Essa é uma tarefa que visa ao desenvolvi-
mento de um modelo mental novo, focado na produtividade e na
satisfação com os resultados atingidos. Isso porque você se torna
consciente do processo de gestão das atividades ao longo do dia, por
exemplo: quantas horas você usa para dormir, trabalhar, estudar, fa-
zer atividades domésticas, relacionar-se, com os outros, deslocar-se
no trânsito, realizar atividades físicas, entre outras?
Preencha o quadro a seguir para conseguir visualizar melhor seu tempo livre ou ocupado com atividades importantes,
­urgentes e circunstanciais. Use lápis para poder apagar e refazer seu planejamento quantas vezes for necessário.

Horários Segunda Terça Quarta Quinta Sexta Fim de semana

7h

8h

9h

10h

11h

12h

13h
Planejando seu estudo

14h
79
80

Horários Segunda Terça Quarta Quinta Sexta Fim de semana

15h

16h

17h

18h

19h
Estudar e aprender a distância

20h

21h

22h

23h às 6h
Planejando seu estudo 81

Agora, com base no seu quadro de horários e ações respectivas,


identifique os momentos que você disponibiliza para suas atividades
de estudo. Essas atividades estão equilibradas com as outras? Seu
quadro ficou cheio e parece faltar tempo? Não se assuste, esse é um
desafio da vida moderna. Mas, por mais difícil que pareça, garanti-
mos que tudo é uma questão de foco, disciplina e comportamento.
Planejar é uma estratégia sábia que leva a resultados, ao contrário de
ficar divagando ou queixando-se de que não tem tempo para nada.
Northedge (1998) chama atenção para duas questões importantes
quando buscamos resultados: Qual ação preciso fazer? Quanto tem-
po essa ação exige?
Quando afirmamos que cada atividade tem um tempo e que este
varia de pessoa a pessoa, queremos mostrar que aprender a geren-
ciar as suas ações exige, além de um mapeamento de ações baseado
em seu foco e nas suas metas, um processo de autoconhecimento,
pois cada um tem sua própria forma de trabalhar. Portanto, distri-
bua seu tempo de estudo ao longo da semana de modo eficiente,
potencializando o seu processo de aprendizagem e desenvolvimento
– veja quanto tempo você ganha por não precisar deslocar-se até o
seu ambiente de estudo e aproveite esse tempo de forma inteligente!
Lembre-se: não seja vítima das situações; para vencer é importante
ir à luta. Não vence quem fica parado se lamentando. Arme-se e
entregue o melhor de você em seus afazeres.
Desse modo, convidamos você a reorganizar seu plano de ações,
procurando eliminar as ações circunstanciais que não agregam ne-
nhum valor e se organizar para evitar que as ações importantes se
82 Estudar e aprender a distância

tornem urgentes. Não adianta, por exemplo, você separar todo dia
uma hora para ler se não está disposto a ser um real leitor. Ou, ainda,
não adianta definir um momento para acessar o ambiente virtual e,
após alguns minutos de navegação, entrar nas redes sociais. Perceba
que a aprendizagem não é um resultado diretamente proporcional às
horas de estudo, mas sim à qualidade desse estudo, e esse aprendiza-
do pode ser aplicado em todas as áreas da vida. Então, imagine que
você tem apenas duas horas disponíveis para estudo nesta semana.
Você precisa pensar muito bem como vai aproveitar ao máximo esse
tempo para não desperdiçá-lo. Para tanto, precisa criar um plano de
ação e fazer um planejamento criterioso do que realmente é impor-
tante. Coloque em prática seu plano e colha os resultados!
A prática ideal é estudar um pouco a cada dia. Então, distribua
seus estudos ao longo do tempo como você sentir que terá um me-
lhor aproveitamento.
Outro ponto ao qual precisamos nos atentar quando falamos de
gestão das atividades de estudo é a distração; por isso é tão impor-
tante a definição das metas e ações. Ao estabelecer suas metas por
semana, planeje as ações necessárias, o prazo previsto para cada
A uma delas e, então, comece e conclua o que for proposto.
Isso mesmo: não basta ter iniciativa, é necessário finalizar
prática
cada ação para ter resultado. Segundo Northedge (1998),
ideal é
quando definimos nossas tarefas, potencializamos nossa
estudar um
concentração de modo a finalizá-las. Depois de cumpri-
pouco a
da uma ou algumas ações, é importante que você realize
cada dia. uma atividade que lhe seja prazerosa. Precisamos alimen-
tar nosso cérebro com práticas positivas, de modo a ajustar
nosso pensamento visando à mudança de comportamentos e,
consequentemente, à conquista dos resultados almejados. São ações
Planejando seu estudo 83

simples que vão ajudar você a manter o foco na sua meta e ser mais
produtivo nos estudos. Como analisou Ribeiro (2012), algumas con-
dutas contribuem para sua produtividade:
• Deixe à mão todo material de que vai precisar para o estudo.
• Estude a disciplina de que mais gosta, mas não desconsidere
as demais, procure equilibrar.
• Não estude para conseguir uma nota, estude para aprender.
• Para aprender é necessário ter interesse. Se você não se inte-
ressa por alguma disciplina, desperte esse interesse, procu-
rando mudar seu pensamento em relação a ela.
• Se tiver algum contratempo, por exemplo, um problema pes-
soal, não se culpe e procure resolvê-lo o quanto antes.
• Faça do livro, do ambiente virtual e dos outros materiais
(como videoaulas) apenas guias de estudo e recursos de
aprendizagem, pois construir conhecimentos é por sua con-
ta, independentemente da modalidade educacional.
• Organize no seu plano de ação não apenas tempo para o es-
tudo, mas contemple os quatro quadrantes apresentados na
Figura 1 deste capítulo.
Desafie-se hoje a organizar seu plano de ações e segui-lo de
modo contínuo. Busque estimular constantemente o seu perfil pro-
dutivo, inibindo os momentos de procrastinação ou mesmo de so- Procrastinação:
Ato de adiar, deixar
brecarga. A continuidade e a qualidade são resultados do agir de
para depois.
modo equilibrado.

Apresentamos, no quadro a seguir, uma última sugestão


para que você possa organizar sua semana de estudos.
Preencha-o com as ações necessárias para que você atinja
sua meta da semana.
84

Semana de: ___ a ___ do mês de ______________ do ano de 20__.

Meta:

Ações necessárias:
Segunda Terça Quarta Quinta Sexta Sábado Domingo

Manhã
Estudar e aprender a distância

Tarde
Planejamento da próxima semana

Noite
Planejando seu estudo 85

Ao definir a meta, organize suas ações para atingi-la dentro do


seu tempo. Nesse exemplo, inclusive, previmos um dia da semana
– domingo – para você fazer seus planejamentos. Iniciar uma sema-
na bem planejada potencializa seus resultados, pois você já começa
cumprindo um desafio: a conscientização das ações necessárias.
No entanto, você pode estar se perguntando: e quanto aos impre-
vistos? E as interrupções? Eles sempre existirão, afinal, nossa vida
não é – nem pode ser – inalterável. Mesmo assim, como vimos, cer-
tas atitudes podem contribuir para que você se mantenha concen-
trado por mais tempo, como desligar o celular ou colocá-lo no modo
avião, fechar todas as abas da internet que não estejam relacionadas
a seu estudo, evitar sair do ambiente de estudo para um cafezinho
quando estiver no meio de uma atividade, definir horário para ler
seus e-mails etc. Claro que pausas são saudáveis, mas elas também
precisam ser planejadas, e não aleatórias, para que não comprome-
tam negativamente seu resultado.
Barbosa (2011) explica que atividades como um lanche, uma
breve caminhada ou até mesmo ver as redes sociais após a conclusão
de uma ação são importantes, pois ninguém aguenta ficar mais de
três horas concentrado. Contudo, as pausas não podem ser longas,
ter bom senso é fundamental. Analise seu próprio ciclo de rendi-
mento e defina um ritual para potencializar seu estudo.

Considerações finais
Fazer a gestão do tempo é, na verdade, fazer a gestão de nossas
próprias ações, rotinas, atividades. Não é um caminho fácil, mas o
resultado é gratificante: com foco e determinação, você consegue
selecionar o que realmente merece atenção no seu tempo e, conse-
quentemente, reduz seu nível de estresse, pois passa de uma con-
dição vulnerável e secundária à condição de protagonista da sua
história. Isso não significa ser uma máquina programada, mas um
86 Estudar e aprender a distância

agente ativo que define com autonomia o que é essencial para atingir
os resultados que deseja nas diferentes áreas de sua vida.
Vimos que existem diferentes formas de considerar o próprio
tempo, de organizar as ações, mas o essencial neste seu momento
de formação é que você reconheça sua meta e ponha em prática a
mudança de comportamento necessária para suas conquistas.
Assim, selecione o que é importante e faça acontecer, mas não
se cobre demais e não tenha receio de errar. Pense sistematicamente
nos quatro quadrantes de sua vida e planeje de modo inteligente
suas ações. Desse modo, o seu tempo para se dedicar a seus proje-
tos pessoais deixa de ser utopia e passa a ser uma escolha. Só pode
administrar o tempo com qualidade quem escolhe assumir esse
comportamento, mesmo que no início isso gere inseguranças.
É preciso praticar para mudar, ou de nada adiantará todo o co-
nhecimento que compartilhamos. Então, tenha foco e determinação,
desconecte-se do que for circunstancial e urgente para conectar-se
com o que realmente importa. Planejar e gerenciar suas ações é uma
atitude virtuosa e sábia.

Atividade
Faça uma análise dos quadros que você preencheu nas pági-
nas 79 e 84 e avalie se você está usando seu tempo de forma
produtiva ou se está desperdiçando tempo precioso. Escreva
suas conclusões aqui e proponha formas de aproveitar me-
lhor seu tempo.
Planejando seu estudo 87

Referências
BARBOSA, C. A tríade do tempo. Rio de Janeiro: Sextante, 2011.

GUERALDI, Ronaldo. Foco na meta: redundância ou segredo da motivação.


2014. Disponível em: <http://www.administradores.com.br/artigos/
carreira/foco-na-meta-redundanciaou-o-segredo-da-motivacao/75748/>.
Acesso em: 14 mar. 2018.

KELLER, G.; PAPASAN, J. A única coisa: o foco pode trazer resultados ex-
traordinários para sua vida. São Paulo: Novo Século, 2014.

NORTHEDGE, A. Técnicas para estudar com sucesso. Florianópolis: Ed. da


UFSC, 1998.

RIBEIRO, M. A. de P. Técnicas de aprender: conteúdos e habilidades.


Petrópolis, RJ: Vozes, 2012.
5
Técnicas para construção
do conhecimento

Chegamos ao último capítulo de nosso livro. Como já deve ter fi-


cado claro a você, o maior desafio não é estudar a distância, mas sim
ter um compromisso com a sua formação diante da atual sociedade
do conhecimento. Pensando nesse desafio contemporâneo, vamos
compartilhar neste capítulo algumas técnicas para colaborar ainda
mais com o seu aprimoramento intelectual. Os conhecimentos aqui
partilhados são também ensinamentos para a sua vida. Vamos ini-
ciar? Bom estudo!

5.1 Rotina diária de estudo

O que significa para você ter uma rotina? E pensar


em rotina diária? Esse pensamento o conforta ou lhe
causa algum desconforto?

Ter uma rotina não significa ter um “dia chato”. A palavra roti-
na, na sua essência, significa ter um caminho habitual. Ou seja, é
acordar e saber o que é importante para hoje: por exemplo, iniciar
o dia levando o filho à escola, ir para o serviço e, ao retornar para
casa, saber da relevância de estar às 20h (ou outro horário deter-
minado) no seu local de estudo. Perceba que ter uma rotina diária
de estudo não significa estudar o dia todo. Principalmente quan-
do se trata de educação a distância, em que se trabalha com uma
flexibilidade temporal e geográfica, você tem a oportunidade
90 Estudar e aprender a distância

de construir sua própria rotina. Porém, fique atento: se você não


souber dosar essa flexibilidade, isso pode se tornar uma armadilha
sabotadora da sua formação.
Portanto, lembre-se de utilizar a técnica SMART, da qual falamos
no capítulo anterior, para definir suas metas, e de focar no que você
planejou para sua vida no curto, médio e longo prazos. Defina as
ações importantes e com base nelas organize uma rotina diária que
o aproxime dos resultados desejados. Esse movimento deve envolver
elementos dos diferentes quadrantes que vimos no capítulo anterior
– pessoal, profissional, qualidade de vida e relacionamento –, perfa-
zendo a trajetória ilustrada na Figura 1.

Figura 1 – Rumo à construção da rotina diária

Celebração do resultado

Caminhada com foco

Definição de meta

Fonte: Elaborada pela autora.

Supondo que o resultado que você deseja para daqui a 5 anos


é ter reconhecimento profissional na sua área de atuação, que lhe
permita um bom ganho financeiro, além de manter o equilíbrio en-
tre os quadrantes que integram uma vida saudável, você precisará
contemplar com atenção os aspectos relacionados à sua formação
acadêmica e ao desenvolvimento de competências, certo? Pois bem,
para isso a sua rotina diária deve incluir tempo para aprender.
No processo de aprendizagem presencial a rotina inclui, no horá-
rio definido, o deslocamento até a instituição de ensino e tempo gasto
nesse local. Não é diferente na educação a distância (EaD), ou seja,
como já destacamos anteriormente, é importante, dentro da sua
Técnicas para construção do conhecimento 91

rotina, definir um horário e local para estudar. Lembre-se de que boas


condições de estudo potencializam o interesse e a concentração.
Como vimos, é necessário que você disponha de ferra-
mentas que contribuam com seu momento de estudo, como Estudar a
bloco de anotações, lápis e caneta, livros relevantes e compu-
distância não
tador com conexão à internet para acessar sua sala de aula
significa estar
virtual, onde estará disponível todo o material de estudo,
distante.
como livro didático e outros recursos, como videoaulas e
textos de apoio, de acordo com o que sua faculdade oferece.
Depois, organize os materiais no seu local de estudo, para que
você não perca tempo procurando a folha com as anotações sobre a
aula anterior, por exemplo.
Tomadas essas providências, é importante que você faça o mapea-
mento do que tem para estudar, ou seja, as disciplinas e/ou conteúdos
que são necessários estudar esta semana, por exemplo. Essa definição
deve ser baseada nos seus limites e potencialidades reais. Não adianta
pensar que hoje vai estudar 100 páginas de conteúdo, e realizar 20
questões de atividades. Isso não é verdadeiramente viável, mesmo que
você não tenha outros compromissos.
Identifique também a possibilidade de estudar determinado
conteúdo/tema com um colega ou grupo. Estudar a distância não
significa estar distante; você pode utilizar recursos digitais para fazer
reuniões ­on-line, ou até mesmo marcar um encontro para estudar
uma temática com colegas que morem em sua região. Quando estu-
damos em grupo, aprendemos e ensinamos – logo, potencializamos
nosso processo educacional.
Ainda nessa reflexão sobre a relevância da rotina, indicamos que
você comece seu estudo pelo tema ou atividade mais importante da
semana. Para simplificar esse processo, organizamos a Figura 2:
92 Estudar e aprender a distância

Figura 2 – Guia para construção de uma rotina diária de estudo

Horário Local
de estudo de estudo

Material de Recursos
estudo de apoio

Mapeamento
Forma
das
de estudo
prioridades

Início
pelo mais
importante

Fonte: Elaborada pela autora.

Neste momento, provavelmente você se lembre de um princípio


básico para estudar a distância que abordamos ao longo deste livro:
a independência no estudo, ou seja, a autonomia, a autogestão, a
autossuficiência e a liberdade, entre outras definições que você pode
estar pensando. Ser independente é ter liberdade ao mesmo tempo
em que se tem responsabilidade. O que quer dizer que somos nós
os responsáveis pelo nosso resultado. Nesse sentido, algumas dicas
importantes para o processo de aprendizagem são:
Técnicas para construção do conhecimento 93

• Antes de iniciar qualquer ação de estudo, limpe sua mente. Para


isso, resolva antes questões urgentes, mas não se esqueça das
atividades importantes.
• Identifique sua melhor forma de estudo. Ler em voz alta,
fazer anotações ou construir mapas mentais, como vamos
ver no próximo item, contribui para potencializar a sua
aprendizagem.
• Realize as atividades de aprendizagem sempre que possível
ao concluir o estudo de um conteúdo específico, pois assim
você não perde tempo tendo de ler tudo outra vez para fazer
os exercícios.
• Não deixe as atividades para a última hora. No seu planeja-
mento, organize-as sempre com antecedência mínima de 24
horas antes da data de entrega, pois imprevistos acontecem e
evite procrastinar. Faça da sua rotina planejada um compor-
tamento prazeroso para que este se torne o quanto antes um
hábito que vale a pena ser vivido dia a dia.
• Procure conhecer seus mediadores: pode ser o professor, o
tutor, o coordenador. Estudar a distância não é estar sozinho.
Então não hesite em consultar a equipe responsável por me-
diar informações e conhecimentos.
• Esteja preparado e assuma o estudo com disciplina e proa-
tividade. Acesse o ambiente virtual, conheça o objetivo da
disciplina, analise o cronograma, navegue pelo curso e parta
para a ação.
Ficou simples agora organizar a sua rotina diária? Então não se
esqueça de se planejar o quanto antes, considerando todos os itens
que destacamos até aqui. Para fazer isso, você pode, inclusive, mon-
tar um quadro e trabalhar com Post-it®, como ilustra a Figura 3.
94 Estudar e aprender a distância

Figura 3 –Organizando a rotina de estudos

Wavebreakmedia/iStockphoto
Outro recurso que também ajuda muito nesse processo de or-
ganização, bem como no processo de aprendizagem, são os mapas
mentais e conceituais. Veja a seguir.

5.2 Mapas mentais e conceituais


Ao tratar sobre mapas mentais e conceituais, podemos fazer uma
analogia com neurônios que se ramificam em suas diversas cone-
xões, as quais, por sua vez, ampliam-se a partir de uma ideia central.
É um processo não linear, podendo seguir em diferentes direções.
Para ajudar nessa compreensão, observe a Figura 4.

Figura 4 – Ligações neurais


ktsimage/iStockphoto
Técnicas para construção do conhecimento 95

Considerando essa estrutura neural, perceba que um mapa men-


tal ou conceitual nos permite criar associações de modo criativo e
conectado em rede. Logo, essa construção pode ser realizada com
palavras e imagens, abstrações que nos proporcionam o máximo
de agilidade, em um processo fecundo de estudo e aprendizagem.
Vamos entender esses dois principais conceitos de mapa para cons-
trução do conhecimento:
• Mapa conceitual: também é um método criativo de organi-
zar, conectar ou armazenar informações, só que especifica-
mente fazendo a relação entre conceitos. Segundo Moreira
(2010, p. 11), “Mapas conceituais são diagramas de signifi-
cados, de relações significativas; de hierarquias conceituais,
se for o caso. [...] não buscam classificar conceitos, mas sim
relacioná-los e hierarquizá-los”.
• Mapa mental: método criativo de organizar, armazenar e
priorizar um contexto por meio da associação de palavras ou
imagens-chaves. Buzan (2009, p. 11) afirma que: “Assim como
os seres humanos, o mundo natural está sempre mudando e
se reproduzindo, sua estrutura de comunicação parece similar
à nossa. Um mapa mental é uma ferramenta de pensamento
projetada com base na eficiência dessas estruturas naturais”.
Não existe regra fixa para a construção de seu mapa mental ou con-
ceitual. O importante é que ele evidencie o significado que você atribui
a uma realidade ou uma área conceitual, por exemplo. Isso significa
dizer que você deve ser capaz de explicar o significado da relação que
foi traçada no mapa. É justamente nesse movimento de construção e
externalização de um conceito ou organização mental que está a grande
riqueza dos trabalhos com mapas. Para você compreender claramente
essa distinção, apresentamos as Figuras 5 e 6 a seguir.
96 Estudar e aprender a distância

Figura 5 – Exemplo de mapa conceitual sobre desnutrição

Cardiopatias
Alimentação
errada 1. Educação
2. Centro de recuperação Menor oxidação
3. Hospital-dia
produz

Pressão
Menor quociente
causa diastólica alta
combatida respiratório
regula
Mais cortisol devido

Desnutrição Baixa
leva estatura

leva
Estresse produz
Diminuição da
produção de Menor atividade
insulina do pâncreas
Perda de peso
Doenças
Baixa imunidade Diabetes
Baixo crescimento
Morte
Ação anabólica

Fonte: Adaptado de CARABETTA JÚNIOR, 2013, p. 445.

Observe que, nessa figura de um mapa conceitual, partindo do


conceito central de desnutrição, temos outras ligações conceituais.
Essa relação é diferente da figura a seguir, que apresenta, com base
no contexto das Constituições nacionais, o mapa mental de suas
classificações e conceitualizações.
Figura 6 – Exemplo de mapa mental: Direito Constitucional – Constituições

Conceito

Sentido
Ferdnand Lassale
Sociológico
Soma dos fatores reais de poder
Outorgadas: Impostas Sentido
Origem Político Carl Schimitt
Classificação
Promulgadas: votadas Decisão Política Fundamental
Escrita Sentido
Forma Normas com matéria constitucional
Costumeira: não escrita Material
Constituição Forma de Estado, governo etc.
Sintéticas: sucintas
Extensão
Analíticas: amplitude de temas Sentido
Formal Normas com forma constitucional
Material Alteração mais complexa
Sentido Conteúdo
Formal
Sentido
Modo de Kelsen
Dogmáticas Jurídico
elaboração Escalonamento de normas
Históricas Constituição
Alterabilidade
Alteração mais complexa Federal de 1988
Rígidas
que as normas não constitucionais Promulgada
Somente parte com Escrita
Semi-Rígidas
alteração mais complexa
Analítica
Mesmo procedimento de Flexíveis
alteração que as demais normas Formal
Dogmática
Técnicas para construção do conhecimento

Rígida

Fonte: NUNES, 2007.


97
98 Estudar e aprender a distância

Podemos então dizer que o mapeamento é uma estratégia que


pode ser utilizada para qualquer área do conhecimento, tanto no
processo de ensinar, quanto no processo de estudar e aprender. Sua
construção valoriza a estrutura cognitiva de quem o elabora – seu
autor –, que, além de construí-lo, deve saber explicar sua represen-
tação, pois se trata de uma interpretação pessoal e esquemática do
conteúdo. Dessa forma, para um mesmo conteúdo ou situação, po-
demos ter mapas diferentes.
Para construir um mapa – mental ou conceitual –, você deve
seguir três passos básicos:
1. Definir um elemento/tema central.
2. Descrever os elementos envolvidos.
3. Fazer a conexão dos elementos explicitados, por exemplo, por
meio de setas, com linearidade ou cruzamento.
A esta altura, você já deve ter imaginado diferentes maneiras de
construção do seu mapa de atividades e/ou conceitos. Então, vamos
exercitar? Experimente agora construir um mapa de conceitos sobre
estudar e aprender a distância. Para tanto, organize e destaque os
principais temas que apresentamos, descreva os conceitos envolvi-
dos e faça as devidas conexões. Você pode tomar por base o mapa
mental de nossa organização, ilustrada na Figura 7.

Figura 7 – Mapa mental: estudar e aprender a distância

Livro e outros
textos
Anotações
Atividades /Pesquisa

Videoaula ou Discussão
outro recurso no fórum

Estudar e aprender
Fonte: Elaborada pela autora.
Técnicas para construção do conhecimento 99

Nessa representação breve, o mapa mental indica que estudar e


aprender na EaD envolve ler diferentes materiais, fazer as atividades
de aprendizagem, participar em fóruns de discussão, fazer anotações
e pesquisas sobre os conteúdos e assistir às videoaulas ou utilizar
outros recursos oferecidos pela faculdade. Para a videoaula e a leitu-
ra, por exemplo, considera-se a necessidade de se fazer anotações,
que, por sua vez, irão contribuir com a realização das atividades e
com a discussão no fórum. Lembre-se: esse é apenas um exemplo; a
construção do mapa mental, assim como do mapa conceitual, é de
entendimento e organização individuais, não há certo ou errado.
Outra ação interessante é organizar a própria rotina diária de
estudo por meio de um mapa mental. Considere a organização
que você fez no item anterior (5.1) e transforme-a num mapa. A construção
Esse exercício vai contribuir para uma melhor visualização do do mapa mental
planejamento e gestão que você propôs para sua rotina. Para ou do mapa
construí-lo, você pode pegar papel e canetas coloridas ou, ain- conceitual é de
da, utilizar softwares específicos para esse fim. Temos certeza
1
entendimento
de que você vai gostar dessa experiência de representar grafi- e organização
camente as conexões, tendo por base conceitos prévios ou sua individuais, não há
organização pessoal. Observe que, como instrumentos, ambos
certo ou errado.
os mapas que apresentamos, conceitual e mental, dão grande
visibilidade aos contextos que você deseja esclarecer.

5.3 Autoavaliação
Em nosso último item, vamos tratar sobre o processo de au-
toavaliação. Para iniciar, queremos deixar claro que avaliar não
é punir, e sim examinar, verificar – em nosso contexto, verifi-
car a aquisição de novos conhecimentos. Independentemente da

1 Experimente, por exemplo, o CmapTools, que é de acesso gratuito e permite que


você faça seus mapeamentos sem a necessidade de estar on-line. Disponível no link:
<https://cmaptools.softonic.com.br/>. Outras opções gratuitas são o Coggle, disponí-
vel em: <https://coggle.it>, e o MindMeister, disponível em: <https://www.mindmeister.
com/pt/>. Acesso em: 23 mar. 2018.
100 Estudar e aprender a distância

modalidade de ensino, quem se dispõe a estudar e aprender será


avaliado, e tal avaliação tem como objetivo maior o processo de
formação e desenvolvimento de competências.
Aprendemos todo dia algo novo, muitas vezes sem ter cons-
ciência disso – e, por essa razão, não fazemos uma autoavaliação.
Lembre-se de você mesmo há cinco anos e diga: o que há de novo
na sua atuação, na sua postura de vida, em comparação com aquela
época? Autoavaliar-se é isso. Em geral não fazemos isso diariamen-
te, mas, quando paramos para nos analisar, conseguimos observar
sempre novas conquistas, novos comportamentos que decorrem do
processo contínuo de desenvolvimento e aprendizagem.
Aqui estamos abordando especificamente a sua nova postura
como aluno. Por isso, destacamos a avaliação formativa, uma ava-
liação que você mesmo faz para identificar o seu nível de aprovei-
tamento do ensino proposto. É importante, à medida que você co-
meça a tomar consciência desse movimento, observar atentamente
seu processo de aprendizagem. Por exemplo: até aqui, o que você
aprendeu com este livro? Você tem feito anotações dos tópicos mais
importantes para poder relê-los depois?
Falar em autoavaliação do processo de aprendizagem é averiguar
o próprio processo de sair do papel de decodificador e passar a atuar
como real leitor. Por meio da compreensão de conceitos e contextos
nos apropriamos das novas informações compartilhadas e as inter-
nalizamos. Quando nos tornamos conscientes desse processo de
desenvolvimento, fatores como a motivação pelo estudo também
são estimulados, uma vez que passamos a perceber nosso progresso
em direção aos resultados. Esse não é um processo que se limita
à nossa mente, pois nos leva adiante por meio de uma força nova,
denominada conhecimento, da qual nos apropriamos.
Técnicas para construção do conhecimento 101

Uma dica para a autoavaliação do seu processo de estudo e


aprendizagem na modalidade a distância é, tão logo conclua uma
leitura, questionar-se: o que aprendi? Por exemplo, estamos falando
aqui de autoavaliação. Nosso objetivo é que você compreenda a re-
levância do processo de autoavaliação quando o assunto é estudar e
aprender a distância. Então, perguntamos: o que é autoavaliar? Por
que realizar uma autoavaliação é importante? Observe que saber
responder a essas questões significa que você aprendeu o que pro-
pomos neste item.
Para contribuir com essa nossa discussão, apresentamos, no
Quadro 1, um teste proposto por Ribeiro (2012, p. 25-28) para fazer
a autoavaliação do processo de estudo. Tenha claro, como apontamos
no início deste item, que se autoavaliar é se conhecer, que, por sua vez,
é ter a oportunidade de refletir sobre os próprios atos e modificá-los
sempre que necessário. Diante dessa clareza, convidamos você a rea-
lizar o teste com sinceridade, afinal, o beneficiado será você mesmo.

Marque um X na coluna que melhor corresponder à frequên-


cia com que ocorre cada questão apresentada.

a) Técnica para ler e tomar apontamento


Às vezes
Não
Sim

Questões

1. Tenho que reler um texto várias vezes para entendê-lo?

2. É difícil perceber os pontos mais importantes?

3. Procuro no dicionário as palavras que desconheço?

4. Reviso a matéria estudada?

5. Quando anoto o que o professor disse [na videoaula], perco


algo que ele está dizendo?

(Continua)
102 Estudar e aprender a distância

b) Hábitos de concentração

Às vezes
Não
Sim
Questões

1. É difícil concentrar-me no que estou estudando? Depois que


termino não sei o que li?

2. Tenho a tendência de “sonhar” quando estou estudando?

3. Demoro muito para acordar e estar pronto para o estudo?

4. Tenho que estar inspirado para poder começar a estudar e, por


conta disso, perco muito tempo?

5. Assisto à TV ou uso o computador antes de começar a estudar?

c) Distribuição de tempo e relações sociais durante o estudo

Às vezes
Não
Sim
Questões

1. As horas parecem curtas para concentrar-me ou sentir-me


com vontade de estudar?

2. Meu tempo não está bem distribuído? Dedico muito tempo para
algumas coisas e pouco tempo para outras?

3. Minhas horas de estudo são interrompidas por telefonemas,


visitas e barulhos que me distraem?

4. Tenho dificuldades em concluir um trabalho no prazo certo, por


isso ele fica por terminar ou malfeito ou em atraso?

5. Não consigo estudar sozinho, só com os outros?

6. Gosto muito de “ficar sem fazer nada” e isso perturba meus


estudos?

7. Antes de estudar em grupo, procuro estudar a matéria sozinho?

8. Ocupo muito do meu tempo vendo TV, lendo ou dormindo?

9. Minha vida social é muito intensa: festas, passeios e encontros?


Tenho pouco tempo para estudar?

(Continua)
Técnicas para construção do conhecimento 103

d) Hábitos e atitudes gerais de estudo

Às vezes
Não
Sim
Questões

1. Fico nervoso nas provas: “dá um branco”, esqueço


tudo e não consigo dizer ou escrever o que aprendi?

2. Antes de começar a escrever uma redação ou prova


subjetiva, preparo mentalmente o que vou responder?

3. Termino minhas provas escritas rapidamente e entre-


go-as sem revisar o que fiz?

4. Procuro entender cada ponto da matéria à medida que


vou estudando, para não ter que voltar atrás a fim de
esclarecer pontos duvidosos?

5. Trato de relacionar os assuntos que se estuda em


uma matéria com outros de diferentes matérias?

6. Procuro resumir, classificar e sistematizar os fatos


aprendidos, associando-os com matérias e fatos que
estudei anteriormente?

7. Trato de estudar apenas o indispensável para o teste?

8. Quando preciso de conhecimento das matérias bási-


cas que já estudei, tenho a impressão de que não sei
mais nada?

9. Antes de começar a fazer as provas, leio cuidadosa-


mente as instruções?

10. Quando não gosto de uma matéria ou de um profes-


sor, não consigo estudar o assunto?

11. Sinto-me sempre cansado, com sono ou indiferente


para assimilar os assuntos?

12. Deixo para estudar na véspera da prova e me sinto su-


focado com a quantidade de assuntos?
Fonte: RIBEIRO, 2012, p. 25-28.

Depois de responder às questões do teste, anote sua pontuação


de acordo com o quadro a seguir.
104 Estudar e aprender a distância

(A) (B) (C) (D)

Questões

Às vezes

Às vezes

Às vezes

Às vezes
Não

Não

Não

Não
Sim

Sim

Sim

Sim
01 1 3 2 1 3 2 1 3 2 1 3 2

02 1 3 2 1 3 2 1 3 2 3 1 2

03 3 1 2 1 3 2 1 3 2 1 3 2

04 3 1 2 1 3 2 1 3 2 3 1 2

05 1 3 2 1 3 2 1 3 2 3 1 2

06 3 1 2 1 3 2 1 3 2 3 1 2

07 3 1 2 1 3 2

08 1 3 2 1 3 2

09 1 3 2 3 1 2

10 1 3 2

11 1 3 2

12 1 3 2
Fonte: RIBEIRO, 2012, p. 25-28.

Agora some todos os pontos obtidos e analise seu resultado de


acordo com os grupos apresentados a seguir (RIBEIRO, 2012):

Resultado:

Grupo 1: de 32 a 64 pontos – Você precisa reorganizar horários e forma de


estudo. A distribuição está inadequada ou a metodologia não é adequada ao seu
perfil. Reveja seu plano de ações diárias e suas estratégias de aprendizagem.

Grupo 2: de 35 a 80 pontos – Você tem bons elementos na sua forma de estu-


dar, mas ainda pode melhorar seus hábitos, pois a qualquer momento pequenos
pontos podem comprometer o resultado que tanto deseja. Analise os pontos
limitantes e busque a mudança de comportamento necessária.

Grupo 3: 81 ou mais pontos – Parabéns, você está com bons hábitos de apren-
dizagem, o que favorece a construção de novos conhecimentos e potencializa
a sua ação de estudar e aprender a distância. Continue assim, dedicando-se ao
máximo ao seu objetivo, e o resultado será garantido!
Técnicas para construção do conhecimento 105

Para concluir, queremos deixar claro que são várias as formas


de autoavaliação. Além do teste de Ribeiro (2012), que pode contri-
buir com um primeiro diagnóstico, outra forma interessante é por
meio de uma análise crítica, realizada ao fim de uma temática ou
disciplina, observando sua desenvoltura na construção de um mapa
conceitual ou mental baseado no seu estudo e aprendizagem na mo-
dalidade a distância.
Moreira (2010) corrobora essa ideia ao afirmar que a aprendiza-
gem significativa implica em atribuir significado à matéria de ensino
e, nesse sentido, o mapa conceitual permite a abstração e conexão da
estrutura conceitual estudada, podendo ser utilizado como um meio
de autoavaliação da aprendizagem. Naturalmente, se você se propõe
a estudar, tem a intenção de adquirir conhecimento. Sendo assim, seu
mapa também é uma ferramenta que lhe permite avaliar sua aprendi-
zagem. Portanto, não se esqueça de examinar periodicamente como
anda seu progresso na aprendizagem e sua postura em relação a seus
estudos. O autoconhecimento é uma estratégia para a vitória!

Considerações finais
Vimos, ao longo deste livro, que existem várias maneiras de es-
tudar e aprender. Destacamos que o maior desafio desse movimento
de construção do conhecimento na educação a distância diz respeito
à autonomia, que tanto pode resultar em sucesso, colocando-o no
papel de protagonista da sua história acadêmica, como pode sabo-
tá-lo, se você não tiver proatividade. Isso quer dizer que estudar e
aprender depende de você.
Assim, identifique o que é essencial para assimilar novos conheci-
mentos, por exemplo, ler e anotar, agrupar conteúdos por significado,
utilizar mapas mentais ou conceituais, realizar o planejamento das
atividades num espaço de tempo semanal, mensal, trimestral, entre
outros. O essencial é que você reconheça a relevância da sua formação
para o desenvolvimento de competências e a construção de novas
106 Estudar e aprender a distância

oportunidades em sua vida. Dessa forma, torna-se imperativo estudar


e aprender constantemente novos conceitos e pontos de vista e ter no-
vas experiências – e isso não se limita ao contexto acadêmico.
Por fim, não se esqueça de buscar sua melhor forma de estudar e
aprender, afinal, você é único e, desse modo, esse processo deve con-
dizer com suas próprias características e sua realidade. O importante
é seguir em frente e não desistir diante dos contratempos. Então, re-
flita sobre todos os conhecimentos que compartilhamos aqui e faça
dessa experiência de formação a possibilidade para projetar sua vida
nos diferentes quadrantes que ela contempla: pessoal, profissional,
qualidade de vida e relacionamentos.

Atividade
Com base nos resultados do questionário da página 101, es-
creva um texto avaliando seus hábitos de estudo e o que pre-
cisa fazer para melhorá-los e aproveitar ao máximo o curso
que está fazendo.
Técnicas para construção do conhecimento 107

Referências
BUZAN, T. Mapas mentais: métodos criativos para estimular o raciocínio e
usar ao máximo o potencial do seu cérebro. Rio de janeiro: Sextante, 2009.

CARABETTA, J. V. A utilização de mapas conceituais como recurso di-


dático para a construção e interrelação de conceitos. Revista Brasileira de
Educação Médica, n. 37, v. 3, p. 441-447, 2013. Disponível em: <http://www.
scielo.br/pdf/rbem/v37n3/17.pdf>. Acesso em: 10 mar. 2018.

KEIDANN, G. l. Utilização de mapas mentais na inclusão digital. In:


EDUCOM SUL: Educomunicação e Direitos Humanos, 2., 27-28 jun. 2013,
Ijuí, RS. Anais... Santa Maria: Ed. da UFSM, 2013. Disponível em: <http://
coral.ufsm.br/educomsul/2013/com/gt3/7.pdf>. Acesso em: 10 mar. 2018.

MOREIRA, M. A. Mapas conceituais e aprendizagem significativa. São


Paulo: Centauro, 2010.

NORTHEDGE, A. Técnicas para estudar com sucesso. Florianópolis: Ed. da


UFSC, 1998.

NUNES, M. L. Mapa mental de Direito Constitucional. 2007. Disponível em:


<http://www.diegomacedo.com.br/tag/direito/page/3?print=print-page>.
Acesso em: 23 mar. 2018.

RIBEIRO, M. A. de P. Técnicas de aprender: conteúdos e habilidades.


Petrópolis, RJ: Vozes, 2012.
Andreza Regina Lopes da Silva

ESTUDAR E APRENDER A DISTÂNCIA


Nestas páginas, vamos conversar sobre um tema
de extrema relevância para o seu sucesso aca-
dêmico: como estudar e aprender a distância.
Você conhecerá algumas técnicas de estudo e
dicas para se organizar, sempre buscando o apri-
moramento pessoal. O objetivo desta obra é fazer
com que você entenda que o principal responsável
pelo seu aprendizado é você mesmo e que é pre-
ciso agir com foco e determinação para alcançar
resultados satisfatórios e sucesso na sua jornada.

Andreza Regina Lopes da Silva

Fundação Biblioteca Nacional


ISBN 978-85-387-6425-0

9 788538 764250

Código Logístico

57319