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É desaconselhável a aquisição de cártulas de ações do BESC para fins de pagamento

de débitos tributários federais, pois a plausibilidade jurídica da legalidade e aceitação


desta operação é de, no mínimo, remotíssimo sucesso.

Para o pagamento de tributos federais, deve o meio a ser utilizado para o pagamento
estar previsto no rol do art. 156 do CTN. Cártulas das ações do BESC não podem ser
enquadradas dentro do inciso I, na modalidade de pagamento, pois conforme o art.
162, I, do CTN, pagamento deve ser feito por meio de moeda corrente, cheque ou vale
postal.

As duas opções possíveis seriam caracterizar o pagamento por meio do inciso II


(compensação), ou por meio do inciso XI (dação em pagamento). No entanto, nenhum
dos dois é juridicamente viável pelos fundamentos que seguem.

Para a compensação ser possível, nos termos do art. 170 do CTN, é necessário que
haja previsão legal, que o crédito seja líquido e certo e que o sujeito passivo seja a
Fazenda Pública. Nenhum dos requisitos são preenchidos para a compensação por
cártulas de ações do BESC. Além de não haver previsão legal, as referidas ações não
são equiparáveis a títulos da dívida pública, nos termos da lei 10.179/2001, para fins
de compensação que é autorizada na mesma lei. A jurisprudência dos TRFs é pacífica
no sentido de que esses títulos não possuem liquidez (TRF-4 - AGRAVO NO
AGRAVO DE INSTRUMENTO AGVAG 43343 SC 2005.04.01.043343-9; TRF-3 -
AGRAVO DE INSTRUMENTO AI 00131194720164030000 SP).

Logo, mesmo na época em que lei estadual de SC equiparava as referidas ações à


títulos da dívida pública estadual – art. 5º, §único, 'b', da Lei Estadual de SC n.º
2.719/1961, o qual se encontra revogado – já havia jurisprudência no sentido
contrário a sua equiparação para fins tributários. Ademais, vale ressalvar que após a
incorporação do referido banco ao Banco do Brasil, não só houve a revogação do
mencionado dispositivo, como a natureza das obrigações que são encartadas nos
títulos passou a ser um crédito em relação à referida sociedade de economia mista.
Logo, qualquer tipo de equiparação para fins de compensação de débito fiscal com a
União seria de difícil sucesso.

Por fim, quanto a dação em pagamento, o CTN o restringe a bens imóveis, também
com necessidade de autorização legal, o que pelo princípio da legalidade tributária
seria um óbice por si só. Até mesmo a jurisprudência do STF que autoriza a dação em
pagamento de bens móveis, deixa claro que é necessário a autorização por lei, sendo
comum este tipo de permissão em leis estaduais relativas a débitos com a Fazenda
Estadual (STF – Pleno, ADI 2.405-MC, rel. Min. Carlos Britto, j. 06.11.2002, DJ
17.02.2006).

Logo, por se tratarem de tributos federais, seria necessária a permissão do CTN ou de


outra lei complementar, a qual não existe, sendo, portanto, juridicamente inviável a
dação em pagamento por meio de ações.

Uma confusão comum com relação às ações do BESC é o fato de que a jurisprudência
vem aceitando a sua utilização para caução de dívida bancárias (TJSP – Agrv nº
0188895-28.2012.8.26.0000; TRF4 –AGRAVO DE INSTRUMENTO Nº 5030605-
64.2015.4.04.0000/PR), o que se trata de cenário diverso do pagamento de tributos
federais.

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