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Física III

Prof. Me. Hugo Rodrigues Vieira


1ª Edição
Gestão da Educação a Distância
Cidade Universitária - Bloco C
Avenida Alzira Barra Gazzola, 650,
Bairro Aeroporto. Varginha /MG
ead.unis.edu.br
0800 283 5665

Todos os direitos desta edição


ficam reservados ao Unis - MG.
É proibida a duplicação ou re-
produção deste volume (ou
parte do mesmo), sob qualquer
meio, sem autorização expressa
da instituição.
Autoria

Prof. Me.
Hugo Rodrigues Vieira

Mestre em Engenharia Elétrica com ênfase em Eletromagnetismo Aplicado, graduado em Engenharia


Elétrica, licenciado em Matemática e Física, especializado em Gestão de Negócios e aperfeiçoado em
Ensino de Matemática e Física. Atua como professor titular no Centro Universitário do Sul de Minas
na Unidade de Gestão de Engenharia, Arquitetura e Tecnologia e Unidade de Gestão da Educação
a Distância.

Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/8613055164618749


VIEIRA, Hugo Rodrigues. Física III. Varginha: GEaD-UNIS/MG, 2018.

78 p.

1. Física III. 2. Circuitos. 3. Campos Elétricos. 4. Eletricidade.


5. Eletrodinâmica

Unis EaD
Cidade Universitária – Bloco C
Avenida Alzira Barra Gazzola, 650,
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5
Caro aluno (a),

O simples fato de você ter escolhido um curso a distância significa que você acredita no
potencial desta modalidade de ensino e está disposto a mergulhar com dedicação neste universo
diferenciado de aprendizado.
A disciplina de Física III será trabalhada por meio da leitura do nosso guia de estudos, análise
de exemplos, realização de exercícios individuais ou em grupo. Todas as atividades serão trabalhadas
no nosso ambiente virtual de aprendizagem. Em relação ao ambiente de aprendizagem e avaliação,
utilizaremos a maior quantidade possível de ferramentas que possibilitem uma maior interação e
comunicação entre aluno(a) e professor.
A disciplina de Física III é o momento no qual iremos estudar a eletricidade e seus fenô-
menos e se buscará uma maior quantidade de exemplificações e aplicações práticas para tornar o
aprendizado mais eficiente e também mais prazeroso.
Trabalharemos de forma que possamos despertar (ou aumentar) o seu interesse pela área
de Eletricidade (Física III), mas dependeremos muito de sua determinação quanto à leitura minuciosa
deste guia, bem como de todo material complementar que será disponibilizado ao longo do curso.
Sabendo das dificuldades enfrentadas por muitas pessoas em relação ao uso de ferramentas
computacionais, buscarei uma linguagem bastante simples como forma de propiciar um bom enten-
dimento e estarei sempre à disposição para esclarecer dúvidas, trocar informações e auxiliá-los na
aplicação dos conceitos de eletromagnetismo no contexto educacional.

Nossa interação será essencial!

Podem contar comigo sempre!


Professor Hugo Rodrigues Vieira
“Só o conhecimento traz o poder” (Freud)
Ementa
Cargas elétricas. Condutores e Isolantes. Lei de Coulomb. Campos elétricos. Lei de
Gauss. Fluxo de um Campo Elétrico. Potencial elétrico. Capacitância e Capacitores.
Eletrodinâmica.

Orientações
Ver Plano de Estudos da Disciplina, disponível no Ambiente Virtual.

Palavras-chave
Física III. Circuitos. Campos Elétricos. Eletricidade. Eletrodinâmica.
Unidade I - Carga Elétricas. Condutores e Isolantes. Lei de Coulomb. 12
1. Introdução 12
1.1. Carga Elétrica – História 12
1.2. Estrutura da Matéria – Carga Elétrica 14
1.2.1. Carga Elétrica Elementar (e) 15
1.3. Processos de Eletrização 17
1.3.1. Eletrização por Atrito 18
1.3.2. Eletrização por Contato 21
1.3.3. Eletrização por Indução 24
1.3.4. Princípio da Conservação da Carga 28
1.4. Condutores e Isolantes 31
1.4.1. Condutores Esféricos 35
1.4.2. Densidade Superficial de Cargas Elétricas 35
1.5. Lei de Coulomb 36
Unidade II - Campos Elétricos, Lei de Gauss, Fluxo de Campo Elétrico 45
2. Introdução 45
2.1. O Vetor Campo Elétrico 46
2.2. Campo Elétrico Produzido por uma Carga Elétrica Puntiforme 49
2.2.1. Campo Elétrico Devido a Várias Cargas Elétricas Puntiformes 57
2.3. Linhas de Campo Elétrico ou Linhas de Força 59
2.4. Equilíbrio de Cargas em um Campo Elétrico Uniforme 66
2.5. Fluxo 69
2.6. Fluxo Proveniente de um Campo Elétrico 71
2.7. A Lei de Gauss 72
I
Unidade I - Carga
Elétricas. Condutores e
Isolantes. Lei de
Coulomb.

Objetivos da Unidade
Ao final desta unidade o aluno deverá conhecer a estrutura
molecular de uma carga elétrica, descrever o fenômeno de ele-
trização por atrito e contato, identificar e classificar corpos entre
isolantes e condutores, conhecer a Lei de Coulomb, sua aplicação
e resolução de exercícios envolvendo a Lei de Coulomb e resolver
exercícios gerais e específicos referentes aos temas principais desta
unidade.
Unidade I - Carga Elétricas. Condutores e Isolantes. Lei de Coulomb.

1. Introdução

Nossa sociedade não vive hoje sem utilizar a energia elétrica e todos os dispositivos ele-
troeletrônicos à sua disposição. É, portanto, crucial entender os fenômenos da eletricidade em sua
plenitude. Para atingir esse objetivo é necessário conhecer a carga elétrica, sua estrutura e processos
de transferência de carga elétrica entre corpos. Em particular, nesta Unidade I, são discutidos os fe-
nômenos de eletrização por atrito e contato, além de aplicações tecnológicas. É relevante também
saber identificar, dentre os diversos elementos ao redor, quais são condutores e quais são isolantes,
bem como os motivos que os caracterizam dessa maneira. Também é analisada a Lei de Coulomb,
que expressa a relação de força fundamental entre cargas elétricas.

Pense nessa curiosidade para motivá-lo em seu estudo da eletricidade que aqui
se inicia: Se o espaço entre os átomos é essencialmente vazio por que então
você não afunda através do chão?

1.1. Carga Elétrica – História

No século VI a.C., os gregos já faziam certas observações de fenômenos elétricos quando


utilizavam âmbar, um material fóssil resultante do endurecimento da seiva de uma espécie de árvo-
re já extinta naquela época. O âmbar era utilizado pelos gregos na fabricação de objetos diversos.
Alguns filósofos gregos, como Tales de Mileto (625 a.C. - 547 a.C.), estudaram a propriedade que o
âmbar tem de, após ser atritado com lã ou pele de animais, atrair objetos leves. O nome grego do
âmbar é elektron, vindo daí o termo eletricidade.
Outras observações se sucederam. Na região da Magnésia, hoje pertencente à Turquia, fo-
ram observadas pedras que atraíam ferro. Essas pedras foram chamadas inicialmente de magnetos,
depois, de ímãs. Diferentemente do âmbar, os ímãs não perdem a propriedade de atração ao longo

12
do tempo e não precisam ser atritados para atrair objetos ferromagnéticos (como o ferro, o níquel,
o cobalto e várias ligas metálicas, como o aço). A Figura 1 a seguir mostra um pedaço de âmbar e
magnetita.
Figura 1 - Âmbar (à esquerda) e magnetita (à direita)

Fonte: istock.com
Diversas explicações foram formuladas para justificar a atração da magnetita e do âmbar
depois de atritado. No século XVII, o físico e médico William Gilbert (1544-1603) estudou mais
profundamente os fenômenos elétricos, fez novos experimentos e concluiu que, além do âmbar,
havia outros corpos os quais, depois de atritados, atraíam objetos leves.
Algumas experiências de Gilbert foram reproduzidas pelo físico alemão Otto Von Guericke
(1602-1686). Foi ele quem descreveu ser possível haver também a repulsão entre ímãs e entre
certos corpos atritados. Por essa razão, Von Guericke levantou a hipótese de haver tipos diferentes
de corpos elétricos e sugeriu ser possível a transferência de eletricidade entre corpos colocados em
contato, ainda que não soubesse exatamente como isso ocorreria.
Em 1729, o físico inglês Stephen Gray (1666-1736) utilizou fios para conduzir eletricidade e
postulou a ideia de que há corpos que conduzem melhor a eletricidade do que outros. Essas des-
cobertas fizeram com que a eletricidade fosse considerada uma espécie de fluido único, contido nos
corpos, que era capaz de escorrer para outros corpos.
Mas a ideia de um fluido único não era aceita por todos os estudiosos do assunto. Para o
físico francês Charles Du Fay (1698-1739), havia diferença entre a eletricidade vítrea, obtida pela
fricção do vidro, e a eletricidade resinosa, obtida pela fricção do âmbar. Du Fay dizia que corpos
dotados do mesmo tipo de eletricidade se repeliam, enquanto aqueles dotados de eletricidade dife-

13
rente se atraíam.
Ao contrário de Du Fay, o cientista estadunidense Benjamin Franklin (1706-1790) afirmava
existir somente um tipo de fluido elétrico presente em todos os corpos. Segundo Franklin, corpos
com excesso desse fluido deveriam ser chamados de eletrizados positivamente, e corpos com falta
desse fluido deveriam ser considerados corpos eletrizados negativamente.

1.2. Estrutura da Matéria – Carga Elétrica

A estrutura básica que constitui a matéria são os átomos, que contêm três partículas elemen-
tares: o elétron, o próton e o nêutron, porém tais partículas não são únicas. A parte central, denomi-
nada núcleo, é muito densa e contém os prótons e os nêutrons. Os elétrons podem ser imaginados
descrevendo órbitas elípticas em torno do núcleo, conforme Figura 2 a seguir. Essa região periférica
do átomo é chamada de eletrosfera.
Figura 2 - Estrutura de um átomo simples Os elétrons possuem carga elétrica negativa e
os prótons, positiva, sendo que, em átomos estáveis
(eletricamente neutros), tais partículas existem na mes-
ma quantidade. Os nêutrons não possuem carga elétri-
ca. Pode-se perceber, experimentalmente, que cargas
de mesmo sinal se repelem e cargas de sinais contrários
se atraem. Se o átomo perder um ou mais elétrons,
o número de prótons no núcleo passa a predominar

Átomo e o átomo passa a manifestar propriedades elétricas,


Fonte: Adaptado do autor por Design Unis EAD tornando-se um íon positivo. Se o átomo receber elé-
trons, ele passará a manifestar um comportamento elétrico oposto ao anterior e tornar-se-á um íon
negativo. Um corpo estará eletrizado somente quando o número total de prótons for diferente do
número total de elétrons, sendo:
- Se o n° total de prótons for maior que o n° total de elétrons, o corpo estará eletrizado positi-
vamente.

14
- Se o n° total de prótons for menor que o n° total de elétrons, o corpo estará eletrizado nega-
tivamente.
- Se o n° total de prótons for igual ao n° total de elétrons, o corpo estará eletricamente neutro.

1.2.1. Carga Elétrica Elementar (e)

A carga elétrica é quantizada, o que significa que existe apenas em quantidades definidas. O
elétron e o próton possuem a mesma carga elétrica, em módulo. A partir de experimentos, Robert
Milikan, em 1909, determinou a carga de um elétron denominada carga elementar, pois é a quanti-
dade definida da qual todas as outras são múltiplas. O valor da carga elétrica elementar é dado por:

e = 1,602 # 10 19 C
-

A unidade de medida utilizada é o Coulomb em homenagem a Charles Augustin Coulomb


que realizou experiências quantitativas sobre interação entre cargas elétricas, com auxílio da balança
de torção, por volta de 1875.
Por meio de multiplicações simples, pode-se verificar que:
- 1 elétron possui carga elétrica de 1,602x10-19 C.
- 2 elétrons possuem carga elétrica de 3,204x10-19 C.
- 3 elétrons possuem carga elétrica de 4,806x10-19 C .

Assim, intuitivamente pode-se definir a Equação 1 como a responsável por calcular a quan-
tidade de carga, para uma quantidade “n” em excesso ou falta de elétrons em um corpo, como a
seguir:
Q = n $ e] 1 g
Onde: “Q” é a quantidade de carga, dada em Coulombs [C], “n” é o número de elétrons em exces-
so ou em falta no corpo e “e” é a carga elementar. É importante ressaltar que:
- Para um corpo com excesso de elétrons, sua carga final será negativa.
- Para um corpo com falta de elétrons, sua carga final será positiva.

15
Verifica-se que, ao se trabalhar com os valores de carga, as grandezas são bem reduzidas, e
assim, por esse motivo, existe uma tabela de múltiplos e submúltiplos para um melhor tratamento
do resultado obtido no cálculo de um valor de carga elétrica. Vale ressaltar que esta tabela pode e
deve ser usada também para outras grandezas, não somente à carga elétrica.
A Tabela 1 trata dos submúltiplos e a Tabela 2 trata dos múltiplos.
Tabela 1 - Submúltiplos de Potência 10
Coulomb Deci Centi Mili Micro Nano Pico Fento Atto
C dC cC mC mC nC pC fC aC

1 10-1C 10-2C 10-3C 10-6C 10-9C 10-12C 10-15C 10-18C

Fonte: Adaptado do autor por Design Unis EAD


Tabela 2 - Múltiplos de Potência 10
Exa Peta Tera Giga Mega Quilo Hecto Deca Coulomb
C PC TC GC MC kC hC daC C

1018C 1015C 1012C 109C 106C 103C 102C 101C 1C

Fonte: Adaptado do autor por Design Unis EAD

Qual é a carga elétrica de um corpo que possui 2.000 prótons e 5.000 elétrons?
(Utilizar e = 1,6 x 10 -19 C)
Resposta: n = 480 x 10-18.

Quantos elétrons em déficit são necessários para se formar uma carga unitária de 1 C?
(Utilizar e = 1,6 x 10-19 C)
Resposta: n = 6,25 x 1018.

16
1.3. Processos de Eletrização

Em dias frios e com pouca umidade no ar, é comum levarmos choque ao tocarmos em um
carro. Esse fenômeno físico se deve ao fato de que, quando em movimento, o atrito do carro com
o ar faz com que ele se eletrize. Em virtude da baixa umidade do ar, este se comporta como um
isolante elétrico, permitindo que as cargas elétricas armazenadas no carro ali permaneçam por um
bom tempo. Quando tocamos no carro, cargas elétricas escoam através do nosso corpo para a
terra, caracterizando um choque elétrico. Mas, se estivermos isolados da terra, ficaremos eletrizados.
Esse fenômeno está relacionado com o processo denominado eletrização por contato.

Uma esfera isolante está eletrizada com uma carga de - 3,2 mC. Sabendo que
a carga elementar vale 1,6x10-19C, é correto afirmar que a esfera apresenta:
a) Excesso de 2x1013 elétrons. c) Excesso de 5x1012 prótons.
b) Falta de 2x1013 elétrons. d) Falta de 5x1012 prótons.
e) Excesso de 5x1010 elétrons.
Solução: Como a carga elétrica é negativa, então a esfera se encontra com excesso de elétrons.
Determina-se a quantidade da seguinte forma:
Q=n$e
- 3,2 # 10 -6 = - n $ 1,6 # 10 -19
n = 2 # 10 13
Portanto a resposta é a Letra A.

Uma partícula está eletrizada positivamente com uma carga elétrica de


4x10-15C. Como o módulo da carga do elétron é 1,6x10-19 C, essa partícula:
a) Ganhou 2,5 x 104 elétrons. d) Perdeu 6,4 x 104 elétrons.
b) Perdeu 2,5 x 104 elétrons. e) Ganhou 6,4 x 104 elétrons.
c) Ganhou 4 x 104 elétrons.
Solução:
Aplica-se, nesse exercício, a formulação geral: Q = n ⋅ e, considerando agora a carga como posi-
tiva, conforme informado no enunciado.

17
Como a carga tem natureza positiva, é necessária uma perda de elétrons. Portanto, a resposta
é a Letra B. Q=n$e
4 # 10 -15 = n $ 1,6 # 10 -19
n = 2,5 # 10 4
Como a carga tem natureza positiva, é necessária uma perda de elétrons. Portanto, a resposta
é a Letra B.

1.3.1. Eletrização por Atrito

Ao atritarem-se dois corpos de substâncias diferentes, inicialmente neutros, haverá a transfe-


rência de elétrons de um para o outro, de modo que um estará cedendo elétrons, ficando eletrizado
positivamente, ao passo que o outro estará recebendo elétrons, ficando eletrizado negativamente.
Assim, a relação a seguir estabelece a relação entre o corpo e seu estado de eletrização.
- Corpo que cede elétrons → Fica eletrizado positivamente.
- Corpo que recebe elétrons → Fica eletrizado negativamente.
A eletrização por atrito é mais intensa entre corpos isolantes do que entre condutores, pois,
nos isolantes, as cargas elétricas em excesso permanecem na região atritada, ao passo que, nos con-
dutores, além de se espalharem por todo ele, há perda de carga para o ambiente.
A Figura 3 a seguir mostra um bastão atritado com um tecido através do atrito.

Figura 3 - Eletrização por Atrito

-QB

QA F
-F

Fonte: adaptado do autor por Design Unis EAD


18
Então, sempre que se atritam dois corpos de substâncias diferentes, eles adquirem cargas
elétricas de sinais opostos e de mesmo módulo. |QA| = |QB|

Aproveite o momento e assista a alguns vídeos sobre eletrização por atrito


acessando o link a seguir:
https://www.youtube.com/results?search_query=eletrizacao+por+atrito

A Figura a seguir mostra um eletroscópio de folhas, dispositivo que pode


ser utilizado na constatação de cargas elétricas em excesso em um corpo.
Observe que a cabeça condutora, a haste condutora e as lâminas metálicas
constituem um único corpo.
Figura 4 - Eletrização por Atrito

Corpo condutor (cabeça)


Isolante

Haste condutora

Lâminas metálicas

Fonte: adaptado do autor por Design Unis EAD


Quando se aproxima um corpo eletrizado positivamente da cabeça do eletroscópio, sem en-
costar, acontece o fenômeno da indução: a cabeça do eletroscópio fica negativa e as lâminas
metálicas, positivas. Como resultado, temos repulsão entre as lâminas e observaremos um afas-
tamento das lâminas. Se o corpo for eletrizado negativamente, ob¬servaremos que as lâminas
metálicas:

19
a) Ficarão negativas e se aproximarão.
b) Se afastarão devido à repulsão entre elas.
c) Ficarão positivas e se afastarão.
d) Terão uma lâmina positiva e outra ne¬gativa.
e) Permanecerão na mesma posição, pois continuarão neutras.

Solução:
Quando aproximamos um corpo eletrizado negativamente da cabeça do eletroscópio, sem en-
costar, a cabeça fica positiva e as lâminas metálicas, negativas. Como resultado, temos repulsão
entre as lâminas e observaremos seu afastamento. Sendo assim, a resposta é a Letra B.

Em relação à eletrização de um corpo, analise as afirmativas a seguir.

I. Se um corpo neutro perder elétrons, ele fica eletrizado positivamente;


II. Atritando-se um bastão de vidro com uma flanela, ambos inicialmente
neutros, eles se eletrizam com cargas iguais;
III. O fenômeno da indução eletrostática consiste na separação de cargas no induzido pela pre-
sença do indutor eletrizado;
IV. Aproximando-se um condutor eletrizado negativamente de outro neutro, sem tocá-lo, este
permanece com carga total nula, sendo, no entanto, atraído pelo eletrizado.
V. Um corpo carregado pode repelir um corpo neutro.
Estão corretas:

a) apenas a I, a II e a IV.
b) apenas a I, a III e a IV.
c) apenas a I, a IV e a V.
d) apenas a II e a IV.

20
e) apenas a II, a III e a V.

Solução:
II – ERRADA. Após a eletrização por atrito, os corpos atritados sempre adquirem cargas de
sinais opostos.
Resposta: Letra B.

1.3.2. Eletrização por Contato

A eletrização por contato consiste em colocar um corpo já eletrizado em contato com outro
corpo neutro. Em termos de potencial elétrico, na eletrização por contato, colocamos em contato
dois corpos que se encontram inicialmente com potenciais diferentes. Assim, devido à diferença de
potencial elétrico entre eles, ocorre a passagem de elétrons do corpo de menor potencial para o
corpo de maior potencial.
Na Figura 5, o corpo A, inicialmente eletrizado com carga elétrica negativa, é colocado em
contato com o corpo B, inicialmente neutro. Como o potencial de A é negativo e o de B é nulo,
elétrons migram do corpo A para o corpo B. Isso acontece porque os elétrons movimentam-se
espontaneamente do menor potencial elétrico (no caso, corpo A, negativo) para o maior potencial
elétrico (no caso, corpo B, nulo).
Figura 5 - Eletrização por Contato A cada elétron que o corpo A per-
de, seu potencial elétrico aumenta. Por ou-
tro lado, a cada elétron que o corpo B ga-
B nha, seu poten¬cial elétrico diminui.
A
Essa troca de elétrons continuará
acontecendo enquanto houver diferença de
potencial elé¬trico nos terminais do fio, isto
Fonte: adaptado do autor por Design Unis EAD é, enquanto os potenciais elétricos de A e B
forem diferentes.
Quando os potenciais elétricos se igualam, dizemos que se atingiu o equilíbrio eletrostático
21
e o condutor B, que antes estava neutro, agora está eletrizado, cessando a troca de elétrons.
Isso significa dizer que, após o contato, os dois corpos ficam com cargas elétricas de mesmo
sinal, ambas negativas. A Figura 6 retrata o processo descrito anteriormente.

Figura 6 – Início do Processo de Eletrização


Q’A
Q’B
RA RB
B
A

Fonte: adaptado do autor por Design Unis EAD

Após o contato, os dois corpos ficam com cargas elétricas de mesmo sinal, ambas positivas,
como mostra a Figura 7.
Figura 7 – Final do Processo de Eletrização por Contato
Q’A
+
Q’B
+ +
+
+ A B
+
+
+
+
+
Fonte: adaptado do autor por Design Unis EAD

Agora que estudamos a eletrização por contato, assista a alguns vídeos de-
monstrativos sobre o assunto acessando o link a seguir:
https://www.youtube.com/results?search_query=eletrizacao+por+contato

22
Colocando um corpo carregado positivamente numa cavidade no interior
de um condutor neutro, conforme a Figura a seguir, a polaridade das cargas
na superfície externa do condutor, bem como o fenômeno responsável pelo
seu aparecimento, serão, respectivamente:
Figura 8 – Final do Processo de Eletrização por Contato

+
+
+ +
+ Condutor

Fonte: adaptado do autor por Design Unis EAD


a) Negativa; contato.
b) Positiva; fricção.
c) Negativa; indução.
d) Positiva; indução.
e) Neutros, pois o condutor está isolado pelo ar do corpo carregado.

Solução:
O condutor irá sofrer indução eletrostática total, ficando com carga elétrica negativa na sua su-
perfície interna e carga elétrica positiva na sua superfície externa. A resposta correta é a Letra D.

Uma pequena esfera condutora A, no vácuo, possui inicialmente carga elé-


trica Q. Ela é posta em contato com outra esfera, idêntica a ela, mas neutra,
e ambas são separadas após o equilíbrio eletrostático ter sido atingido. Esse
procedimento é repetido mais 10 vezes, envolvendo outras 10 esferas idên-
ticas à esfera A, todas inicialmente neutras. Ao final, a carga da esfera A é igual a:

23
a) Q/29
b) Q/210
c) Q/211
d) Q/10
e) Q/11

Solução:
A cada contato, a carga das esferas, por serem idênticas, será dividida por dois. Sendo assim,
teremos:
Primeiro contato: Q/2
Segundo contato: Q/4 = Q/22
Terceiro contato: Q/8 = Q/23
Portanto, no décimo primeiro contato, teremos: Q/211
Resposta: Letra C.

1.3.3. Eletrização por Indução

É possível eletrizar um corpo neutro sem colocá-lo em contato com outro corpo já eletriza-
do. Esse processo é denominado eletrização por indução. Para melhor entendimento do processo,
vamos dividi-lo em duas fases:
- Indução eletromagnética.
- Eletrização.
A primeira fase, denominada indução eletromagnética, caracteriza-se pela separação de car-
gas positivas e cargas negativas de um condutor provocada por um corpo eletrizado (condutor ou
isolante) colocado nas proximidades do condutor. O corpo eletrizado (A) é denominado indutor e
o corpo a ser eletrizado (B) é denominado induzido.
Considerando que o indutor (A) esteja eletrizado positivamente com carga elétrica QA, a
Figura 9 seguinte mostra como varia o potencial elétrico, em função da distância, gerado por ele.

24
Figura 9 – Processo de Eletrização por Indução

Fonte: adaptado do autor por Design Unis EAD


Ao se colocar o induzido (B), inicialmente neutro, nas proximidades do indutor, por exem-
plo, entre os pontos X e Y, haverá nele movimento de cargas elétricas, pois entre esses dois pontos
há uma diferença de potencial (ddp). Essas cargas elétricas, elétrons livres do condutor, irão, em mo-
vimento espontâneo, do ponto Y, de menor potencial elétrico, para o ponto X, de maior potencial
elétrico.
Com a chegada de elétrons livres à região X, o potencial elétrico do ponto X diminui. Já
na região de Y, as cargas elétricas dos átomos, que ali permanecem e que perderam elétrons livres
(cátions), elevam o potencial elétrico de Y.
Esse fenômeno ocorre até que os novos potenciais elétricos V’x e V’y dos pontos X e Y se
igualem, atingindo o equilíbrio eletrostático. A Figura 10 mostra a continuidade do processo.
Figura 10 – Continuidade do Processo de Eletrização por Indução

Fonte: adaptado do autor por Design Unis EAD

25
Como o condutor B não recebeu nem cedeu elétrons, ele continua eletricamente neutro,
apesar de ter sofrido uma separação de cargas e estar, dessa forma, polarizado.
Agora, a segunda fase, de eletrização.
Na fase de eletrização, ligamos, através de um fio condutor (fio terra), qualquer ponto do
condutor B (induzindo) à Terra e observamos que ocorrerá novamente movimento de elétrons
livres, pois entre esse ponto do condutor B
(VB ≠ 0) e a Terra (V = 0) haverá uma diferença de potencial elétrico (ddp), até que seja
novamente atingido o equilíbrio eletrostático, ou seja, até que o potencial elétrico de B se iguale ao
da Terra. A Figura 11 mostra a segunda fase.
Figura 11 – Segunda fase do Processo. Eletrização.

Fonte: adaptado do autor por Design Unis EAD


Apesar de agora o condutor B ter ficado eletrizado negativamente, pois recebeu elétrons da
Terra, não podemos afastar o condutor A ainda.
Devido ao excesso de cargas negativas em B, se o fizéssemos, seu potencial elétrico ficaria
negativo e todos os elétrons livres recebidos da Terra retornariam a ela até que o potencial de B se
anulasse e, dessa forma, ele retornaria à situação inicial (eletricamente neutro).
Desfazendo a ligação com a Terra ainda na presença do condutor A (indutor) e, em seguida,
afastando-o, o condutor B (induzido) ficará eletrizado negativamente.
Ao final do processo, o induzido sempre se eletriza com a carga de sinal contrário ao da
carga do indutor, como mostra a Figura 12.

26
Figura 12 – Fase Final do Processo de Eletrização por Indução.

Fonte: adaptado do autor por Design Unis EAD

A eletrização por indução é fascinante, assista a alguns vídeos a respeito aces-


sando o link a seguir:
https://www.youtube.com/results?search_query=eletrizacao+por+inducao

Um bastão isolante é atritado com tecido, e ambos ficam eletrizados. É correto


afirmar que o bastão pode ter:
a) Ganhado prótons e o tecido ganhado elétrons.
b) Perdido elétrons e o tecido ganhado prótons.
c) Perdido prótons e o tecido ganhado elétrons.
d) Perdido elétrons e o tecido ganhado elétrons.
e) Perdido prótons e o tecido ganhado prótons.

Solução:
De acordo com o pressuposto do enunciado no item 1.2.2, quando o bastão isolante é atritado
com o tecido, existe a transferência de elétrons do bastão para o tecido, ou seja, o bastão perde
elétrons que migram para o tecido, portanto, a resposta correta é a Letra D.

27
A respeito dos processos de eletrização, marque a alternativa incorreta:
a) Após a eletrização por contato, os corpos terão cargas elétricas de mesmo
sinal.
b) Na eletrização por indução, o corpo que inicia o processo já eletrizado é
denominado de indutor.
c) Ao atritar duas canetas compostas de polietileno, ambas ficam eletrizadas negativamente.
d) A série triboelétrica é aplicada à eletrização por atrito.
e) Após a eletrização por indução, o corpo induzido apresenta carga elétrica de sinal oposto à
carga do indutor.

Solução:
Só ocorre eletrização por atrito com a fricção de objetos constituídos de materiais diferentes.
Resposta: Letra C.

Neste momento em que vimos os processos de eletrização, faça uma pesquisa


sobre os processos vistos e liste onde se aplica cada um deles em situações
práticas.

1.3.4. Princípio da Conservação da Carga

Como visto anteriormente, existem vários processos de eletrização de corpos, sendo impor-
tante destacar que em um sistema eletricamente isolado, a carga elétrica total permanece constante
após o processo de eletrização, seja qual for. A Figura 13 e a Equação 2 ilustram e modelam mate-
maticamente tais afirmações.

28
Figura 13 – Princípio da Conservação da Carga
Antes Depois

QA QB Q’A Q’B

Fonte: adaptado do autor por Design Unis EAD


QA + QB = Q’A + Q’B (2)

Um sistema eletricamente isolado é aquele que não sofre nenhuma influência


elétrica externa.

Um estudante atrita um pente de plástico em seu cabelo e aproxima-o


de um filete de água que, imediatamente, se encurva na direção do pente.
Marque a alternativa que explica de forma correta o motivo pelo qual isso
ocorre.
a) O fenômeno é possível porque a água é um condutor universal.
b) Após o atrito, o pente adquire a mesma carga elétrica da água, por isso, o filete é atraído.
c) As cargas elétricas em excesso no pente atraem as cargas de mesmo sinal da água, fazendo
com que o filete sofra deflexão.
d) As cargas elétricas em excesso no pente atraem as cargas de sinal oposto da água, fazendo
com que o filete sofra deflexão.
e) Todas as alternativas estão incorretas.

Solução: Após o atrito, o pente fica eletrizado. Aproximando-o da água, as cargas de sinal opos-
to que compõem o líquido são atraídas pelo pente, o que causa uma leve deflexão do fio de
água. Resposta: Letra D.

29
Dois corpos iguais possuem originalmente cargas elétricas iguais a + 4 C e 0 C. Se os dois corpos
são colocados em contato, qual será a carga final de cada um deles?
Resposta: 2 C.

Têm-se três esferas metálicas idênticas A, B e C. Sabe-se que, no início, apenas a esfera A está eletri-
zada com carga elétrica desconhecida, enquanto B e C estão neutras. São feitos contatos sucessivos
de A com B e de B com C. Após esses contatos, a esfera C adquire carga + 3 Q. Determine:
a) O sinal e o valor da carga final da esfera B.
b) O sinal e o valor da carga inicial da esfera A.

Resposta: Como as esferas são idênticas (mesmo tamanho, mesmo material), as cargas se distribuem igualmente em
suas superfícies quando o contato for feito entre uma delas (neutra) com a esfera A carregada com carga q. A esfera A
foi colocada em contato com B e ambas passaram a ter carga q/2. Logo em seguida, coloca-se A (com carga q/2) em
contato com C, que passaram a ter carga q/4. Porém, sabemos pelo enunciado, que a esfera C, ao final do processo,
estava eletrizada com carga +3 Q, assim como a esfera A também. Como antes a esfera havia sido colocada em contato
com B e suas cargas se distribuíram igualmente (devido ao fato de serem idênticas), A só poderia estar com carga +6
Q assim como B. Porém, B estava inicialmente neutra, então a carga do sistema é proveniente do corpo A, logo +12
Q. Dessa forma, tem-se:

a) A esfera B ficou eletrizada positivamente com carga + 6 Q.

b) A esfera A ficou eletrizada positivamente com carga + 12 Q.

30
1.4. Condutores e Isolantes

Os condutores de eletricidade são meios materiais que permitem facilmente a passagem de


cargas elétricas. O que caracteriza um material como condutor é a camada de valência dos átomos
que constituem o material. Camada de valência é a última camada de distribuição dos átomos. Em
razão da grande distância entre essa última camada e o núcleo, os elétrons ficam fracamente ligados
com o núcleo, podendo, dessa forma, abandonar o átomo em virtude das forças que ocorrem no
interior dos átomos.
Esses elétrons que abandonam o átomo são chamados de “elétrons livres”. Os metais no
geral são bons condutores de eletricidade, pois eles possuem os elétrons livres.
Os materiais condutores têm larga utilização no dia a dia. São utilizados, por exemplo, nos
fios condutores de eletricidade e na indústria de eletroeletrônicos, entre muitas outras utilizações.
Os materiais isolantes fazem o papel contrário dos condutores, eles são materiais nos quais
não há facilidade de movimentação de cargas elétricas. São exemplos de materiais isolantes: isopor,
borracha, vidro e muitos outros. Esses materiais são assim caracterizados porque os elétrons da
camada de valência estão fortemente ligados ao núcleo, não permitindo dessa forma que ocorra a
sua fuga. Os materiais isolantes são largamente utilizados, assim como os materiais condutores. São
utilizados, por exemplo, na parte externa dos fios, encapando-os para melhor conduzir a eletricida-
de.

A respeito da condutividade elétrica e térmica dos materiais, marque a alter-


nativa correta:
a) Somente os metais podem conduzir eletricidade e calor.
b) Em hipótese alguma, um dielétrico pode conduzir corrente elétrica ou
calor.
c) Os metais destacam-se como bons condutores elétricos porque possuem excesso de pró-
tons em sua estrutura atômica.
d) Os materiais que são isolantes elétricos possuem alta condutividade elétrica.

31
e) Um material é melhor condutor que outro quando possuir valor de condutividade elétrica
maior.
Solução: Quanto maior o valor da condutividade elétrica de um material, melhor condutor elétrico ele será.

Resposta: Letra E.

A resistividade é a grandeza oposta à condutividade elétrica. Sendo assim, a


partir dos valores de resistividade elétrica fornecidos abaixo, marque a alter-
nativa correta:

Tabela 3 – Materiais e Resistividade

MATERIAIS RESISTIVIDADE (Ω . m)

Cobre 1,7 x 10-8


Alumínio 2,8 x 10-8
Ferro 1,0 x 10-7
Vidro Entre 1010 e 1014
Quartzo 7,5 x 1015
Fonte: adaptado do autor por Design Unis EAD
a) O ferro é melhor condutor elétrico que o cobre.
b) De todos os materiais listados, o vidro é o que apresenta maior resistência à passagem de
corrente elétrica.
c) Por ser excelente condutor, o quartzo é muito utilizado na fabricação de relógios.
d) O cobre é o melhor condutor apresentado.
e) A condutividade do alumínio é maior que a do cobre.

Solução: Como o cobre apresenta a menor resistividade de todos os materiais apresentados,


isso significa que ele é o melhor condutor nessa lista e apresentará condutividade maior que a
de todos os demais materiais. Resposta: Letra D.

32
A respeito do comportamento dos condutores e isolantes, julgue os itens a
seguir como verdadeiros e falsos.

I. O efeito Joule é a transformação de energia elétrica em energia térmica em


virtude das altas velocidades dos elétrons livres ao transitarem pelos condutores.
II. Nos isolantes, os elétrons estão fortemente ligados aos átomos e, por isso, não podem mo-
ver-se facilmente.
III. Os condutores também podem ser chamados de dielétricos.
IV. Os metais são bons condutores elétricos por possuírem elétrons livres em excesso.

a) I, II e III são verdadeiros.


b) II é falso.
c) II e IV são verdadeiros.
d) III e IV são verdadeiros.
e) Todos são falsos.

Solução:
I. Falso: O efeito Joule está relacionado com as impurezas presentes no material e não com a
velocidade com que os elétrons se movimentam pelo condutor.
II. Verdadeiro.
III. Falso: Os isolantes também podem ser chamados de dielétricos.
IV. Verdadeiro.
Resposta: Letra C.

33
A respeito do efeito Joule e da possibilidade de dielétricos conduzirem cor-
rente elétrica, marque a alternativa correta:

a) O efeito Joule expressa a relação entre o calor e o campo magnético


gerado em um condutor.
b) Não existe a possibilidade de um dielétrico conduzir corrente elétrica.
c) Se um dielétrico for submetido a uma alta tensão, existe a possibilidade de sua rigidez dielé-
trica ser rompida e ele conduzir corrente elétrica.
d) O fenômeno dos raios é possível porque as nuvens atritam-se, gerando eletricidade estática
e os elétrons em excesso aproveitam a alta condutividade do ar e vêm até à terra.
e) O calor gerado pelo efeito Joule ocorre porque os elétrons livres que formam a corrente
elétrica apresentam alta velocidade.

Solução:
a) Errada: O efeito Joule não tem relação com o campo magnético gerado pelo condutor.
b) Errada: Um dielétrico, se submetido a um valor muito alto de tensão elétrica, pode ser for-
çado a conduzir corrente elétrica.
c) Correta.
d) Errada: O ar não é condutor elétrico.
e) O calor gerado pelo efeito Joule não está relacionado com a alta velocidade dos elétrons que
compõem a corrente elétrica.
Resposta: Letra C.

Faça uma pesquisa em livros e na internet sobre os melhores condutores e


onde são aplicados. Aproveite e faça também sobre os isolantes, os principais
utilizados em situações práticas e liste tais situações.

34
1.4.1. Condutores Esféricos

Considera-se uma esfera eletrizada, em equilíbrio eletrostático, como mostram as figuras.


Suas cargas elétricas em excesso distribuem-se sobre sua superfície de maneira uniforme.
As linhas de força, representativas do campo elétrico devido às cargas em excesso, têm dire-
ção radial e sentido de afastamento, se a esfera estiver eletrizada positivamente, e de aproximação,
se estiver eletrizada negativamente.
A Figura 14 ilustra o enunciado anteriormente.
Figura 14 – Ilustra o enunciado anteriormente

+ +
+ +
+ +
+ +

Fonte: adaptado do autor por Design Unis EAD


1.4.2. Densidade Superficial de Cargas Elétricas

Para um condutor eletrizado em equilíbrio eletrostático, onde ΔQ é a quantidade de carga


elétrica distribuída em área ΔA ou ΔS de sua superfície, define-se densidade superficial de cargas σ
de acordo com a Equação 3.

; 2E
DQ C
v=
DA m
Este quociente indica quanto de carga existe em um condutor eletrizado por unidade de
área. A área depende da geometria do condutor, podendo ser esférico, cilíndrico ou de forma re-
tangular/quadrada.

35
Determine a densidade superficial de cargas em uma esfera de raio 50 cm se
esta possui uma carga de 2 C.
Solução:
A densidade superficial de cargas é dada pela Equação 3 desta unidade, cabe
então determinar a área da superfície da esfera que é dada por:
A = 4 $ r $ R2
A = 4 $ r $ 0,5 2
A = 3,14m 2
Calculada a área, determina-se então a densidade superficial de cargas.
v= 2
3,14
v = 0,63; E
C
m2
Logo, a densidade superficial de carga nessa esfera é de 0,63 C/m2.

Determine a densidade superficial de cargas em uma chapa quadrada de lado 20 cm se a carga


mensurada em sua superfície é de 0,8 C.
Resposta: 20 C/m2.

1.5. Lei de Coulomb

Em 1784, o físico francês Charles Augustin Coulomb (1736-1806), utilizando uma balança de
torção de extrema sensibilidade obteve, experimentalmente, a relação da força de interação entre
duas cargas puntiformes. A Figura 15 a seguir mostra a Balança de Coulomb.

36
Para conhecer melhor o funcionamento da balança de Coulomb, assista aos
vídeos apresentados no link a seguir:
https://www.youtube.com/results?search_query=BALAN%C3%87A+DE+-
COULOMB

Figura 15 – Balança de Coulomb. A medida da intensidade da Essa relação, conhecida como a lei de
força de atração ou repulsão entre as esferas carregadas A e B Coulomb, estabelece que:
é feita pela torção do fio.

“A intensidade da força de interação


Fio de torção elétrica entre duas cargas puntiformes é dire-
tamente proporcional ao produto dos mó-
dulos das cargas e inversamente proporcional
ao quadrado da distância entre elas”.
Esferas carregadas

A Matematicamente, a Lei de Coulomb


é expressa de acordo com a Equação 4. A
Equação representa a força que a carga Q
exerce sobre a carga q.
Fonte: adaptado do autor por Design Unis EAD

Q $ q
F =k$ 6 N@ (4).
d2

Onde Q e q representam as respectivas cargas em seus módulos de valores e d é a distân-


cia entre elas. A constante k, de proporcionalidade, está relacionada ao meio em que as cargas se
encontram. Sendo esse meio o vácuo, seu valor, em unidades do S.I., é de:

k = 9 # 10 9 ;
N $ m2E
C2
Este valor é válido somente para o vácuo, em situações diferentes, o valor de k deve ser
calculado de acordo com o meio no qual as cargas estão presentes em função da permissividade
37
elétrica do meio. A Equação 5 mostra a modelagem matemática para tal situação.

k= 1 (5).
4 $ r $ f0 $ fr

Onde: ε0 é a permissividade elétrica do vácuo e tem o valor de 8,854x10-12 e εr é a permis-


sividade elétrica relativa do meio no qual as cargas estão inseridas.
A Tabela 4 a seguir mostra alguns valores de permissividade elétrica relativa.
Tabela 4 – Permissividade Elétrica Relativa
Material εr

Vácuo 1

Ar 1,00059

Alumínio 8,1 - 9,5

Mica 5,4 - 8,7

Óleo 4,6

Papel 4-6

Papel 2,5

Plástico 3

Polistireno 2,5 - 2,6

Porcelana 6

Pyrex 5,1

Titanatos 50 - 10000

Fonte: adaptado do autor por Design Unis EAD

A equação que representa a Lei de Coulomb nos fornece o módulo da força elétrica entre
duas cargas elétricas puntiformes. A direção da força de interação entre as duas cargas elétricas é a
reta que contém essas cargas. Em relação ao sentido, tem-se:

- Atração, quando as cargas elétricas forem de sinais contrários.


- Repulsão, quando as cargas elétricas forem de mesmo sinal.

38
Figura 16 – Ilustração das duas situações descritas anteriormente

Q F -F q

Cargas de sinais contrários

-F Q q F

Cargas de mesmo sinal


Fonte: adaptado do autor por Design Unis EAD
Para sistemas com mais de uma carga atuando sobre outra carga aplica-se o princípio da
superposição, o qual menciona que a força total sobre a carga em questão é a soma algébrica das
contribuições individuais das outras cargas. Em caso de sentidos e direções diferentes da reta, o te-
orema de Pitágoras e a Lei dos Cossenos deverão ser levados em consideração e aplicação para a
determinação final da força via Lei de Coulomb.

Se quiser verificar com mais detalhes e vídeos a Lei de Coulomb, assista a al-
guns vídeos disponibilizados no link a seguir:
https://www.youtube.com/results?search_query=lei+de+coulomb

Duas partículas de cargas elétricas Q1 = 4,0 x 10-16 C e


Q2 = 6,0 x 10-16 C estão separadas no vácuo por uma distância de 3,0 x 10-9 m.
Sendo k0 = 9 x 109 N.m2/ C2, a intensidade da força de interação entre elas,
em Newtons, é de:

39
a) 1,2 x 10-5
b) 1,8 x 10-4
c) 2,0 x 10-4
d) 2,4 x 10-4
e) 3,0 x 10-3

Solução:
Aplicamos a formulação da Lei de Coulomb.

k $ Q1 $ Q2
F=
d2
-16 -16
9 # 10 9
$ 4 # 10 $ 6 # 10
] 3 # 10 18 g2
F = -

F = 2,4 # 10 4 N
-

Resposta: Letra D.

Duas partículas eletricamente carregadas com +8,0 x 10-6 C, cada uma, são
colocadas no vácuo a uma distância de 30 cm, onde k0 = 9 x 109 N.m2/C2. A
força de interação entre essas cargas é:
a) De repulsão e igual a 6,4 N.
b) De repulsão e igual a 1,6 N.
c) De atração e igual a 6,4 N.
d) De atração e igual a 1,6 N.
e) Impossível de ser determinada.

Solução:
Aplicamos a formulação da Lei de Coulomb.

40
k $ Q1 $ Q2
F=
d2
-6 -6
F = 9 # 10 $ 4 # 10 -2 $2 6 # 10
9

] 3 # 10 g
F = 6,4N
Como as cargas possuem o mesmo sinal de +, a ação entre elas será de repulsão.
Resposta: Letra A.

De acordo com a Lei de Coulomb, assinale a alternativa correta:


a) A força de interação entre duas cargas é proporcional à massa que elas
possuem;
b) A força elétrica entre duas cargas independe da distância entre elas;
c) A força de interação entre duas cargas elétricas é diretamente proporcional ao produto entre
as cargas;
d) A força eletrostática é diretamente proporcional à distância entre as cargas;
e) A constante eletrostática k é a mesma para qualquer meio material.

Solução:
De acordo com a Lei de Coulomb:
“A força de interação eletrostática entre duas cargas é diretamente proporcional ao produto entre as cargas e inver-
samente proporcional à distância entre elas”.

Resposta: Letra C.

Na figura estão representadas duas partículas de cargas de mesmo sinal,


cujos valores são q1 = 5,0 μC e q2 = 7,0 μC. Elas estão separadas no vácuo
por uma distância d = 4,0 m.
q1 q2

41
Qual o módulo das forças de interação elétrica entre essas partículas?

Solução:
Aplicamos a formulação da Lei de Coulomb.
k $ Q1 $ Q2
F=
d2
-6 -6
F = 9 # 10 $ 4 #] 102 $ 6 # 10
9

4g
F = 19,7 # 10 3 N
-

Duas cargas elétricas puntiformes Q1 = + 3x10-5 C e Q2 = - 2x10-5 C en-


contram-se no vácuo separadas por 3,0 cm. Sendo k = 9x109 a constante
eletrostática do vácuo, a força de interação elétrica entre elas é:
a) 6x10-5 N; atração.
b) 0,6 N; atração.
c) 0,6 N; repulsão.
d) 6x103; atração.
e) 6x103; repulsão.

Solução:
Aplica-se a formulação de Coulomb para solução do exercício.
Q1 $ Q2
F =k$
d2
-5 -5
F = 9 # 10 9 $ 3 # 10 $ 22# 10
0,03
F = 6 # 10 N3

Como as cargas tem sinais contrários, a tendência entre elas é de atração, portanto a resposta
correta é a Letra D.

42
Determine a densidade superficial de cargas em uma chapa quadrada de lado 20 cm se a carga
mensurada em sua superfície é de 0,8 C.
Resposta: 20 C/m2.
Figura 17 – Gráfico para o Exercício
F(N)
10
8
6
4
3
2

0,10 0,20 0,30 d(m)


Fonte: adaptado do autor por Design Unis EAD
Sabendo-se que a constante eletrostática do meio onde as cargas se encontram vale k = 9 x 109,
determine o módulo de cada carga elétrica.
Resposta: Q = 3,6 x 10-6 C.

43
Unidade II - Campos

II Elétricos, Lei de
Gauss, Fluxo de
Campo Elétrico

Objetivos da Unidade
Ao final desta unidade o aluno deverá ser capaz de conhecer
a definição do campo elétrico partindo da formulação de Coulomb,
verificar as formas de existência de um campo elétrico, determinar
valores de campo elétrico para uma carga de dimensões inferiores,
desenvolver exercícios teóricos e práticos envolvendo os concei-
tos sobre campo elétrico, conhecer o enunciado da formulação
proposta por Gauss, analisar superfícies Gaussianas e aplicar os
conceitos de fluxo elétrico sobre elas, determinar o valor do fluxo
elétrico em superfícies com geometria conhecida e resolver exer-
cícios teóricos e práticos utilizando os conceitos da Lei de Gauss.
Unidade II - Campos Elétricos, Lei de Gauss, Fluxo de Campo Elétrico

2. Introdução

Nesta unidade, o conteúdo a ser abordado trata dos campos elétricos. Um dos objetivos da
física é estudar o modo como um campo elétrico produz uma força elétrica sobre um corpo eletri-
camente carregado. O campo elétrico ao redor de uma distribuição de cargas, qualquer que seja o
seu tipo, é o alvo dos estudos desta unidade, em especial o campo elétrico produzido por uma carga
pontual.
A lei da Gravitação Universal de Newton originou o conceito de campo gravitacional, ou
seja, a região de influência a distância de uma massa em outra. Ocorre que, para que percebamos o
campo gravitacional, uma das massas deve ser exageradamente grande, o mesmo não acontecendo
no eletromagnetismo.
Na primeira metade do século XIX, o físico inglês Michael Faraday (1791-1867) propôs o
conceito de campo para explicar as ações elétricas ocorridas a distância.
Quando aproximamos um bastão eletrizado de um pêndulo eletrostático, notamos que,
enquanto a distância entre ambos é grande, nada indica que exista alguma coisa entre eles. A partir
de certa distância, torna-se evidente a existência de algo que origina uma interação entre ambos, ou
de atração ou de repulsão. A Figura 18 é capaz de ilustrar a situação com clareza.

Figura 18 – Interação entre Corpos Eletricamente Carregados

Distantes Próximos
Fonte: adaptado do autor por Design Unis EAD

Essa região de influência do bastão, devido à carga elétrica, na qual ocorrem às interações,
45
indica a existência de um campo elétrico.
Assim sendo, se quisermos comprovar a existência ou não de um campo elétrico numa dada
região, basta colocarmos nela uma carga de prova. Se ela ficar sujeita a uma força (ação) de natureza
elétrica, podemos afirmar que existe campo elétrico na região em que está, caso contrário, nada
poderemos afirmar.
Também nesta unidade, analisaremos os estudos desenvolvidos por Gauss e suas aplicações.
Fica claro que os estudos desenvolvidos por Gauss facilitam em muito a análise e solução de diversos
problemas da física, em especial da eletrostática.
Um dos objetivos da física é verificar formas simplificadas de se resolver problemas que apa-
rentemente são mais complexos, sendo uma das principais maneiras de solução desses problemas é
através do uso de simetrias.
Para certas distribuições simétricas de cargas pode-se poupar muito tempo e trabalho de
solução utilizando uma lei conhecida como Lei de Gauss, a qual foi descoberta pelo matemático e
físico Carl Friedrich Gauss (1777-1855). Ao contrário de considerar os campos elétricos criados pe-
los elementos de carga de uma dada distribuição de cargas, a Lei de Gauss considera uma superfície
fechada imaginária que envolve a distribuição de cargas. Tal superfície é conhecida como superfície
Gaussiana, que pode ter qualquer forma, mas de maneira que essa forma facilite o cálculo do campo
elétrico em função de sua simetria.
A Lei de Gauss relaciona os campos elétricos aos pontos de uma superfície Gaussiana à
carga total envolvida por essa superfície.
A referida lei também pode ser usada no sentido inverso, pois, se conhecido o campo elé-
trico em uma superfície Gaussiana, pode-se determinar a carga total envolvida por essa superfície.

2.1 O Vetor Campo Elétrico

Para representar o campo elétrico num ponto qualquer de uma região, definimos o vetor
elétrico E . A Figura 18 a seguir representa uma região na qual existe um campo elétrico. Não
podemos vê-lo ou tocá-lo, mas podemos constatar sua existência por meio de uma carga elétrica,
denominada “carga de prova”, colocada em um ponto qualquer da região. A carga de prova q, po-
46
sitiva, fica sujeita à ação de uma força elétrica F .
Figura 19 – Vetor Campo Elétrico No ponto X, onde colocamos a carga de prova,
o campo elétrico é representado pelo vetor campo elé-
trico E , definido pela razão entre a força elétrica F e
X
o módulo da carga elétrica q, assim a Equação 6 é capaz
q de mostrar matematicamente o informado anteriormen-
te.
F
E = Fq : C D (6)

N

Fonte: adaptado do autor por Design Unis EAD


O vetor campo elétrico no ponto X tem:
- A mesma direção da força F .
- Sentido igual ao de F se q for positiva e oposto ao de F se q for negativa.
- Intensidade dada pela Equação 6 sem o caráter vetorial: E= F
q
.

Se a carga de prova q for negativa, o sentido da força elétrica F será oposto ao anterior,
mas o sentido do campo elétrico será o mesmo, pois a carga de prova é utilizada somente para
constatar a existência do campo, conforme mostram as Figuras 20 e 21.
Figura 20 – Campo Elétrico para Carga Positiva Figura 21 – Campo Elétrico para Carga Negativa

F
X
X
q+
q-
F E
E

Fonte: adaptado do autor por Design Unis EAD Fonte: adaptado do autor por Design Unis EAD
47
Como E = F , a unidade do campo elétrico no S.I. é definida como sendo o
q
Newton por Coulomb (N/C), sendo a unidade mais usual e utilizada o Volt por Metro (V/m),
assim 1 (N/C) = 1 (V/m).

Leia as afirmativas abaixo e julgue-as como (V) verdadeiras ou (F) falsas e, em


seguida, marque a alternativa correta.
I – O campo elétrico gerado numa região do espaço depende exclusivamente
da carga fonte e do meio.
II – Em torno de uma carga sempre haverá um campo elétrico.
III – Se o campo elétrico de uma região não variar com o decorrer do tempo, ele será chamado
de campo eletrostático.
a) VFV
b) VVF
c) FFV
d) FFF
e) VVV
Solução: Todas as alternativas estão corretas em relação à existência de um campo elétrico em
uma determinada região. Resposta: Letra E.

Aproveite o momento e assista a alguns vídeos sobre o vetor campo elétrico


disponibilizados no link a seguir:
https://www.youtube.com/results?search_query=vetor+campo+eletrico

Quando falamos de campo elétrico não se pode deixar de falar sobre a Gaiola
de Faraday. Faça uma pesquisa sobre o que é a Gaiola de Faraday e sua prin-
cipal aplicação prática.

48
2.2. Campo Elétrico Produzido por uma Carga Elétrica Puntiforme

Consideremos uma carga elétrica puntiforme Q positiva e isolada. Isso significa dizer que ela
não sofre influência de outras cargas elétricas. Essa carga Q gera, ao seu redor, um campo elétrico
E . Vamos determinar o campo elétrico em um ponto X situado à distância d da carga elétrica,
conforme Figura 22 a seguir.
Figura 22 – Situação para Determinação do Campo Elétrico

Q+ X

d
Fonte: adaptado do autor por Design Unis EAD
Colocando-se uma carga de prova q positiva no ponto X, notamos que ela fica sujeita a uma
força F de repulsão. Isso nos permite concluir que, no ponto X, existe um campo elétrico devido
à carga elétrica Q positiva (geradora do campo). A Figura 23 mostra a carga Q e o ponto X bem
como a força que surge sobre uma carga elementar de prova + q.
Figura 23 – Surgimento de uma Força sobre a Carga de Prova +q

E
q+
F
Fonte: adaptado do autor por Design Unis EAD
Mesmo que troquemos a carga q por outra q negativa (- q), o vetor não sofre alteração,
mas a força passa a ser de atração. A Figura 24 ilustra a referida situação.

49
Figura 24 – Surgimento de uma Força sobre a Carga de Prova - q

Q+ X
F E
q-
d
Fonte: adaptado do autor por Design Unis EAD
Vamos, agora, substituir a carga geradora Q positiva por uma outra geradora Q negativa,
sendo a carga de prova q positiva. De acordo como pode ser visto na Figura 25.

Figura 25 – Surgimento de uma Força sobre a Carga de Prova + q, com Carga Geradora Negativa

X
E
q+
F
d
Fonte: adaptado do autor por Design Unis EAD

Trocando a carga de prova q por outra negativa, o vetor E não se altera, mas a força passa
a ser de repulsão. A Figura 26 mostra esta última situação

Figura 26 – Surgimento de uma Força sobre a Carga de Prova -q, com Carga Geradora Negativa.

Q-
E X F
q-
d
Fonte: adaptado do autor por Design Unis EAD

Diante destas mais variadas situação de interação entre uma carga de prova e uma carga
geradora de campo elétrico, pode-se resumir da seguinte maneira:

- O vetor campo elétrico tem direção da reta que passa pelo ponto e pela carga Q geradora.
- Carga elétrica positiva sempre gera campo elétrico com sentido de afastamento em relação a
50
ela, nos pontos ao seu redor.
- Carga elétrica negativa sempre gera campo elétrico com sentido de aproximação em relação a
ela, nos pontos ao seu redor.

As Figuras 27 e 28 mostram o vetor campo elétrico produzido por uma carga Q positiva e
uma carga Q negativa.
Figura 27 – Campo Elétrico Produzido por uma Figura 28 – Campo Elétrico Produzido por uma
Carga Positiva Carga Positiva

E1 E1
En En
E2 E2
Q+ Q-

E3 E3

Fonte: adaptado do autor por Design Unis EAD Fonte: adaptado do autor por Design Unis EAD
No ponto X, o campo elétrico é dado pela Equação 6 sem o caráter vetorial, como a seguir:
E= F
q
; assim a intensidade da força F a que a carga de prova ficará submetida é dada pela Equação
7 a seguir:
F=E$ q (7).

O campo elétrico produzido por uma carga puntiforme pode ser visto também
nos vídeos contidos no link a seguir:
https://www.youtube.com/results?search_query=vetor+campo+eletrico+-
de+uma+carga+puntiforme

51
Sobre uma carga elétrica de 2x10-6 C, colocada em certo ponto do espaço, age
uma força de intensidade 0,80 N. Despreze as ações gravitacionais. A intensi-
dade do campo elétrico nesse ponto é:
a) 1,6x10-6 N/C.
b) 1,3x10-5 N/C
c) 2x103 N/C.
d) 1,6x105 N/C
e) 4x105 N/C.
Solução: Para este exercício, aplica-se a formulação geral do campo elétrico.

E= F
q
0,8
E=
2 # 10 -6
E = 4 # 10 5 N/C

Portanto, a resposta correta é a Letra E.

Continuando e partindo dessa premissa e de acordo com a Lei de Coulomb, tem-se a Equa-
ção 8.
Q $ q
q $E =k$ (8).
d2

Cancela-se a carga q em ambos os membros da igualdade, tal fato evidencia a independência


da carga de prova no cálculo da intensidade do campo elétrico, tem-se se assim a formulação final
do campo elétrico dada pela Equação 9.

Q
E =k$ (9).
d2
A Figura 29 a seguir é um gráfico no qual se varia a distância d do ponto em análise do cam-
po elétrico até a carga Q.

52
Figura 29 – Campo Elétrico Produzido por uma Carga Positiva

E1

E2

d
d1 d2
Fonte: adaptado do autor por Design Unis EAD

O campo elétrico criado por uma carga pontual, no vácuo, tem intensidade
igual a 9 x 10-1 N/C. Calcule a que distância d se refere o valor desse campo.
(dados: Q = -4 pC e ko = 9 x 109 unidades SI).

a) 0,02 m
b) 0,2 m
c) 0,4 m
d) 0,6 m
e) 0,002 m
Solução:
Q
E =k$
d2
-12
9 # 10 -1 = 9 # 10 $ 42 # 10
9

d
d = 4 # 10
2 -2

d = 4 # 10 -1 m
d = 0,2
Resposta: Letra B

53
A intensidade do campo elétrico, num ponto situado a 3,0 mm de uma carga
elétrica puntiforme Q = 2,7 µC no vácuo (k = 9 x109) é:
a) 2,7 x 103 N/C
b) 8,1 x 103 N/C
c) 2,7 x 106 N/C
d) 8,1 x 106 N/C
e) 2,7 x 109 N/C
Solução: Q
E =k$
d2
-
9 # 10 9 $ 2,7 # 10 6
] 3 # 10 -3 g2
E =
-
24,3 # 10 3
E= -
9 # 10 6
E = 2,7 # 10 9 N/C
Resposta: Letra E.

Seja Q (positiva) a carga gerada do campo elétrico e q a carga de prova em um


ponto P, próximo de Q. Podemos afirmar que:
a) O vetor campo elétrico em P dependerá do sinal de q.
b) O módulo do vetor campo elétrico em P será tanto maior quanto maior
for a carga q.
c) O vetor campo elétrico será constante, qualquer que seja o valor de q.
d) A força elétrica em P será constante, qualquer que seja o valor de q.
e) O vetor campo elétrico em P é independente da carga de prova q.

Solução: O campo elétrico num ponto depende apenas da carga elétrica que o gera.
Resposta: Letra E.

54
A Figura a seguir ilustra a representação das linhas de campo de duas cargas
elétricas, QA e QB.

Figura 30 – Campo de duas cargas

Fonte: adaptado do autor por Design Unis EAD

a) Qual é o sinal de cada uma das cargas elétricas?


b) Qual é a relação entre os módulos das cargas elétricas?

Solução:
a) Como as linhas de campo são orientadas da carga QB para a carga QA, podemos concluir
que a carga elétrica QA é negativa e a carga elétrica QB é positiva.
b) Observe na figura que há maior concentração de linhas de campo próximo à carga elétrica
QA do que próximo à carga elétrica QB. Isso nos permite dizer que o módulo do vetor campo
elétrico é maior nos pontos próximos de QA do que nos pontos próximos de QB. Portanto:
|QA | > |QB |.

55
A intensidade do vetor campo elétrico num ponto P é 6 x 105 N/C. Uma carga puntiforme
q = 3 x 10-6 C, colocada em P, ficará sujeita a uma força elétrica cuja intensidade:
a) Para o cálculo, necessita da constante do meio em que a carga se encontra.
b) Para o cálculo, necessita da distância.
c) Vale 2 N.
d) Vale 2 x 10-11 N.
e) Vale 1,8 N.
Resposta: Letra E.

Calcule o módulo do campo elétrico de uma carga puntiforme Q = 4 nC em


um ponto do campo situado a uma distância de 2 m da carga.
Solução: Neste caso, devemos realizar a aplicação da formulação direta para
cálculo do campo elétrico nessa posição.
Q
E =k$
d2
-9
E = 9 # 10 9 $ 4 # 10
22
E = 9N/C
Sendo assim, o campo elétrico a 2 m dessa carga é de 9 N/C

Uma carga de prova de 10-5 C é colocada em um ponto de um campo elétrico, ficando sujeita à ação
de uma força de 10-4 N. A intensidade do campo elétrico nesse ponto é:

56
a) 10-9 N/C.
b) 0,1 N/C.
c) 10 N/C.
d) 10-1 N/C.
e) 100 N/C.
Resposta: Letra C.

2.2.1. Campo Elétrico Devido a Várias Cargas Elétricas Puntiformes

Suponha que em uma região do espaço existam várias cargas elétricas puntiformes Q1, Q2 ,...
Qn. Cada uma das cargas gera, ao seu redor, um campo elétrico, independentemente da presença
das outras cargas elétricas. Portanto, em cada ponto dessa região, teremos a superposição de vários
campos elétricos, cada um gerado por uma das cargas. Como exemplo, na Figura 31 seguinte, temos
a ilustração dos campos elétricos gerados pelas cargas elétricas Q1, Q2, e Q3 em um ponto X da
região em torno das cargas.
Figura 31 – Campo Elétrico Resultante de Várias Cargas

+Q1
d1 E3

d2 E2
X
- Q2
d3 E1

+Q3
Fonte: adaptado do autor por Design Unis EAD
O campo elétrico resultante no ponto X é dado pela soma vetorial dos campos elétricos
E 1 ,E 2 ,E 3 , como pode ser visto na Equação 10.

ET = E1 + E2 + E3 (10).

57
Q1
= k $ Q22
Q3
Sendo E 1 = k $ 2 , E2
e E3 = k $ .
d1 d2 d 23

Nas figuras, três cargas positivas e pontuais q são localizadas sobre a circun-
ferência de um círculo de raio R de três maneiras diferentes. As afirmações
seguintes se referem ao potencial eletrostático em O, centro da circunferência
(o zero dos potenciais está no infinito):
Figura 32 – Circunferências
q q q q q q

R R
R

O O O
q q

(1) (2) (3)

Fonte: adaptado do autor por Design Unis EAD


I. O potencial em O nas figuras 1 e 3 é dirigido para baixo.
II. O potencial em O tem o mesmo valor (não-nulo) nos três casos.
III. O potencial em O na figura 2 é nulo.

Está(ão) certa(s) a(s) afirmação(ões):

a) I e II somente.
b) II somente.
c) III somente.
d) I somente.
e) I e III somente.

Solução: I. Incorreto. Potencial é uma grandeza escalar, ou seja, não possui direção nem sentido.

58
II. Correto. O potencial só depende do valor das cargas e da distância até o ponto. Como todas
essas variáveis são iguais, o potencial será o mesmo nos três casos.
III. Incorreto. Não é nulo. Veja as anteriores.

Resposta: Letra B.

2.3. Linhas de Campo Elétrico ou Linhas de Força

A Figura 33 seguinte mostra a distribuição de limalhas de ferro espalhadas sobre uma folha
de papel colocada sobre um ímã. Trata-se de um modo prático de se visualizar o campo magnético
gerado pelo ímã.
Figura 33 – Linhas de Campo Magnético

Fonte: adaptado do autor por Design Unis EAD

Michael Faraday, com o objetivo de explicar as ações à distância entre corpos eletrizados
(dotados de cargas elétricas), propôs um conceito correlato para o campo elétrico. Para ele, as linhas
formadas pelas limalhas de ferro, embora invisíveis, poderiam ser utilizadas para a visualização de um
campo em uma região. A essas linhas, Faraday deu o nome de linhas de força, hoje conhecidas como
linhas de campo.
Para um campo elétrico em particular, as linhas de campo são linhas imaginárias orientadas,
que podem ser retas ou curvas, e que indicam, ponto a ponto, o módulo, a direção e o sentido do
59
vetor campo elétrico na região.
Na Figura 34 seguinte, temos uma linha de campo e os vetores campo elétrico em três pon-
tos distintos dessa linha.
Figura 34 – Vetores Campo Elétrico em Pontos Distintos
E2
E3
Linha de Campo
P3
E1 P2

P1
Fonte: adaptado do autor por Design Unis EAD

A direção do vetor campo elétrico E é tangente à linha de campo no ponto consi-


derado e o sentido de E é o mesmo da linha de campo. Em relação ao módulo (intensida-
de) do vetor campo elétrico E , ele é proporcional à densidade das linhas de campo, ou seja,
onde há maior concentração de linhas de campo, o módulo do campo elétrico é maior,
conforme mostra a Figura 35.
Figura 35 – Vetor Campo Elétrico de Intensidades Distintas

EB

B
EA

EA > EA
Fonte: adaptado do autor por Design Unis EAD

Veja as linhas de campo nos vídeos do link a seguir:


https://www.youtube.com/results?search_query=linhas+de+campo+eletrico

60
As Figuras 36 a 40 ilustram diferentes linhas de campo para diversas situações:

Carga Elétrica Puntiforme Positiva


Figura 36 – Carga Elétrica Puntiforme Positiva

EB

EA
A
+

Fonte: adaptado do autor por Design Unis EAD


As linhas de campo são retas concorrentes na carga elétrica, orientadas com o sentido de
afastamento da carga.

Carga Elétrica Puntiforme Negativa


Figura 37 – Carga Elétrica Puntiforme Negativa

+ EA
EB
A
B

Fonte: adaptado do autor por Design Unis EAD


61
As linhas de campo são retas concorrentes na carga elétrica, orientadas com o sentido de
aproximação da carga.

Duas Cargas Elétricas Puntiformes de Sinais Contrários

Figura 38 – Duas Cargas Elétricas Puntiformes de Sinais Contrários

Fonte: adaptado do autor por Design Unis EAD

As linhas de campo são orientadas da carga positiva para a carga negativa.

Duas Cargas Elétricas Puntiformes, ambas Positivas


Figura 39 – Duas Cargas Elétricas Puntiformes de Sinais Positivos

Fonte: adaptado do autor por Design Unis EAD

62
Duas Cargas Elétricas Puntiformes, ambas Negativas

Figura 40 – Duas Cargas Elétricas Puntiformes de Sinais Negativos

Fonte: adaptado do autor por Design Unis EAD


Campo Elétrico Uniforme

Suponha que em uma dada região exista um campo elétrico. Se o vetor campo elétrico
possuir o mesmo módulo (intensidade), a mesma direção e o mesmo sentido em todos os pontos
dessa região, dizemos que o campo elétrico é uniforme.
As linhas de campo, que representam um campo elétrico uniforme, são retas paralelas igual-
mente espaçadas umas da outras, conforme mostra a Figura 41.
Figura 41 – Campo Elétrico Uniforme

Fonte: adaptado do autor por Design Unis EAD


63
Uma carga positiva encontra-se numa região do espaço onde há um campo
elétrico dirigido verticalmente para cima. Podemos afirmar que a força elétrica
sobre ela é:

a) Para cima.
b) Para baixo.
c) Horizontal para a direita.
d) Horizontal para a esquerda.
e) Nula.

Solução: Conforme pressupostos vistos nesta unidade, a força elétrica para uma carga positiva tem
o mesmo sentido do campo elétrico, sendo assim, a resposta correta é a Letra A.

A figura a seguir representa as linhas do campo elétrico de duas cargas


puntiformes. Com base na análise da figura, responda aos itens a seguir.

Figura 42 – Campo Elétrico de Duas Cargas

A B

Fonte: adaptado do autor por Design Unis EAD

64
a) Quais são os sinais das cargas A e B? Justifique.
b) Crie uma relação entre os módulos das cargas A e B. Justifique.
c) Seria possível as linhas de campo elétrico se cruzarem? Justifique.

Solução:
a) A é negativa e B é positiva. As linhas de campo sempre saem da positiva e entram na negativa.
b) Quanto maior a densidade de linhas, maior será o valor do campo, e, com isso, maior será
o valor da carga geradora. Como de B saem mais linhas e em A chegam menos linhas, B tem
módulo maior que A.
c) Não. O vetor campo elétrico é dado pela tangente às linhas de campo. Com isso, se elas se
cruzassem, poderia haver mais de um vetor para o mesmo ponto.

O módulo do vetor campo elétrico produzido por uma carga elétrica puntiforme em um ponto P é
igual a E. Dobrando-se a distância entre a carga e o ponto P, por meio do afastamento da carga, e
dobrando-se também o valor da carga, o módulo do vetor campo elétrico, nesse ponto, muda para:

a) 8E.
b) E/4.
c) 2E.
d) 4E.
e) E/2.

Resposta: Letra E.

65
2.4. Equilíbrio de Cargas em um Campo Elétrico Uniforme

Quando uma partícula eletrizada, positiva ou negativa, é colocada, inicialmente em repouso,


em um campo elétrico uniforme, ela recebe a ação de uma força elétrica, com módulo dado por
F = E ⋅ q, na mesma direção das linhas de força do campo elétrico e no mesmo sentido das linhas
de força, se a carga elétrica for positiva e, no sentido contrário às linhas de forças, se a carga elétrica
for negativa. Em qualquer um dos casos, o movimento da partícula é uniformemente acelerado.
Assim, para que uma partícula eletrizada permaneça em equilíbrio no campo elétrico, é
preciso a existência de outra força, além da força elétrica. Se considerarmos os efeitos gravitacionais
sobre a partícula, essa outra força pode ser a força gravitacional (força peso). Nesse caso, as forças
devem obedecer às condições mostradas na Figura 43.
Figura 43 – Condições de Equilíbrio para Cargas

E F F
E E

P P E
Fonte: adaptado do autor por Design Unis EAD

Em ambos os casos, a Equação 11 traduz a informação do equilíbrio.


F = P → q ⋅ E = m ⋅ g (11).

Uma esfera de massa m está eletrizada com uma carga elétrica de módulo
q. Essa esfera encontra-se em repouso em um campo elétrico uniforme de
módulo E = 5 x 103 N/C, com as linhas de força orientadas verticalmente
para baixo. Sendo g = 10 m/s2, determine o módulo da razão m/q e o sinal
da carga elétrica q.

66
Solução: Estando a esfera em repouso (equilíbrio), as forças peso e elétrica se equilibram, assim
tem-se;

F=P
q$E=m$g
F
m=E
q g m
q
m = 5 # 10 3 E
q 10
P
m = 500 kg
q C
Como o vetor força elétrica possui sentido contrário ao vetor campo elétrico, a carga elétrica é
negativa.

O gráfico representa o campo elétrico de uma carga puntiforme Q em função do in-verso do


quadrado da distância a essa carga. Considerando-se que a constante elétrica é ?, determine, em
coulombs, o valor de Q.
Figura 44 – Gráfico do exercício

Fonte: elaborado pelo próprio autor


Resposta: Q = 25 C.

67
Sobre uma partícula eletricamente carregada, atuam exclusivamente as forças que se devem aos
campos elétrico e gravitacional terrestre (g = 10 m/s²). Admitindo que os campos sejam uniformes
e que a partícula caia verticalmente com velocidade constan-te, podemos afirmar que:

a) A intensidade do campo elétrico é igual à intensidade do campo gravitacional.


b) A força devida ao campo elétrico é igual ao peso da partícula.
c) O peso é maior que a força devida ao campo elétrico.
d) A direção do campo gravitacional é perpendicular à direção do campo elétrico.
e) NDA.

Resposta: Letra B.

“Nuvens, relâmpagos e trovões talvez estejam entre os primeiros fenômenos


naturais observados pelos humanos pré-históricos. […] A teoria precipitativa
é capaz de explicar convenientemente os aspectos básicos da eletrificação
das nuvens, por meio de dois processos […]. No primeiro deles, a existência

do campo elétrico atmosférico dirigido para baixo […]. Os relâmpagos são descargas de curta
duração, com correntes elétricas intensas, que se propagam por distâncias da ordem de quilô-
metros […]”. (FERNANDES, W. A.; PINTO Jr. O; PINTO, I. R. C. A. Eletricidade e poluição no
ar. Ciência Hoje. v. 42, n. 252. set. 2008. p. 18.)

Revistas de divulgação científica ajudam a população, de um modo geral, a se aproximar dos


conhecimentos da Física. No entanto, muitas vezes alguns conceitos básicos precisam ser com-
preendidos para o entendimento das informações. Nesse texto, estão explicitados dois impor-

68
tantes conceitos elementares para a compreensão das informações dadas: o de campo elétrico
e o de corrente elétrica.
Assinale a alternativa que corretamente conceitua campo elétrico.

a) O campo elétrico é uma grandeza vetorial definida como a razão entre a força elétrica e a
carga elétrica.
b) As linhas de força do campo elétrico convergem para a carga positiva e divergem da carga
negativa.
c) O campo elétrico é uma grandeza escalar definida como a razão entre a força elétrica e a
carga elétrica.
d) A intensidade do campo elétrico no interior de qualquer superfície condutora fechada depen-
de da geometria desta superfície.
e) O sentido do campo elétrico independe do sinal da carga Q, geradora do campo.

Solução:
a) Correto. É a definição de campo elétrico.
b) Incorreto. É ao contrário.
c) Incorreto. É uma grandeza vetorial.
d) Incorreto. Não depende da geometria.
e) Incorreto. Cargas positivas originam campo de afastamento; cargas negativas, de aproximação.

Resposta: Letra A.

2.5. Fluxo

Suponha uma espira quadrada de área A, a qual seja exposta a um vento uniforme com
velocidade v. Adotando Ψ a vazão – relação de unidade de volume por unidade de tempo – do ar
através da espira. Essa vazão irá depender do ângulo entre v e o plano da espira. Se v for perpendi-
69
cular ao plano da espira, a vazão Ψ é igual ao produto de v por A.
Outra situação que pode ocorrer é v ser paralela ao plano da espira, sendo assim o ar não
irá passar por e, portanto, a vazão de ar é igual a zero.
Existem ainda situações intermediárias, na qual o ângulo entre v e o plano da espira varia,
sendo assim o fluxo pela espira será dado de acordo com a Equação 12 a seguir.

Ψ = v ⋅ A ⋅ cos (θ) (12).

Esta vazão através de uma determinada área é um exemplo de fluxo, para o caso é um fluxo
volumétrico.
A Figura 45 a seguir mostra de maneira simples e objetiva as situações enunciadas anterior-
mente.
Figura 45 – Fluxo através de uma superfícia com variação da angulação

(a) (b) (c) (d)


Fonte: adaptado do autor por Design Unis EAD

Compreender a ideia de fluxo atravessando uma determinada superfície é de fundamental


importância para a compreensão do fluxo elétrico atravessando uma superfície qualquer.

Procure por tipos de fluxo. Verifique se o conceito dos diferentes tipos de fluxo
está relacionado na sua essência.

70
2.6. Fluxo Proveniente de um Campo Elétrico

Neste item desta unidade, depois de compreendido o conceito de fluxo através de uma
superfície, vamos considerar uma superfície gaussiana arbitrária, sem simetria, a qual está inserida em
um campo elétrico não uniforme. Dividindo-se essa superfície em quadrados de tamanho infinite-
simal de área DA, de maneira que a forma da superfície possa ser mantida e para que todos esses
quadrados possam ser considerados planos, assim todos os elementos que implicam sobre a área
ficam perpendiculares à superfície Gaussiana. A Figura 46 mostra tal premissa na forma vetorial, o
que facilita a compreensão de tal fenômeno.
Figura 46 – Fluxo através de uma superfícia com variação da Pelo fato de todos os quadrados se-
angulação
rem infinitamente pequenos, o campo elé-
Superficie gaussiana trico E pode ser considerado constante ao
atravessar cada um deles, assim para cada
quadrado de área DA, E faz um ângulo θ
com a sua superfície, como pode ser visto
1 3
na Figura 46 anterior. Assim, inicialmente,
a Equação 13 mostra o fluxo elétrico total
2
através da referida superfície.
W e = / E $ DA (13).

No entanto, a Equação 13 não leva


E DA
DA i em conta a angulação que pode ocorrer
i E entre as diversas situações que envolvem

1 3 uma superfície Gaussiana interagindo com


um determinado campo elétrico, portanto, a
E
Equação 14 deve ser apresentada nesse mo-

2 mento de maneira a cobrir todas as possibili-


DA
dades dentro de uma determinada situação.
Fonte: adaptado do autor por Design Unis EAD
71
W e = E $ A $ cos ] i g :
N $ m2D
C (14).

O fluxo elétrico através de uma superfície Gaussiana é proporcional ao número de linhas de


campo elétrico que atravessam a superfície.

2.7. A Lei de Gauss

A Lei de Gauss relaciona o fluxo total de um campo elétrico através de uma superfície fe-
chada qualquer (superfície Gaussiana) à carga total que é envolvida por essa superfície. Em termos
matemáticos, a Equação 15 mostra tal afirmação.

f 0 $ W e = Q env
Q env (15).
We = f
0

Onde ε0 é a permissividade elétrica do vácuo, cujo valor é 8,854 x 10-12.


Vale ressaltar que esta Equação 15 é válida para cargas situadas no vácuo ou no ar, que para
efeitos práticos tem praticamente o mesmo valor do vácuo.

Na figura abaixo, um próton se encontra a uma distância vertical d/2 do centro


de um cubo de aresta d. Qual é o módulo do fluxo elétrico através do cubo?
(sugestão: pense no quadrado como uma das faces de um cubo de aresta d.)
Solução:
Figura 47 – Ilustração do exemplo
1,6 # 10 -19
We =
8,85 # 10 -12
W e = 1,8 # 10 -8 N $ m 2 /C

Fonte: Elaborado pelo próprio autor

72
Aplica-se então esse conceito para a Figura 48 a seguir, a qual mostra duas cargas pontuais
de mesmo valor em módulo e com sinais opostos, e às linhas de campo que descrevem os campos
elétricos criados pelas cargas no espaço ao redor. São assinaladas quatro superfícies Gaussianas,
discutidas a seguir.
Figura 48 – Superfícies Gaussianas
- Superfície S1: O campo elétrico aponta para fora em
todos os pontos da superfície, assim o fluxo elétrico atra-
vés da superfície é positivo e, de acordo com a Lei de
Gauss, a carga envolvida por essa superfície também é
positiva.

- Superfície S2: O campo elétrico aponta para dentro em


todos os pontos da superfície, assim o fluxo elétrico é
negativo e, de acordo com a Lei de Gauss, a carga envol-
vida por essa superfície também é negativa.
- Superfície S3: Essa superfície não envolve nenhuma car-
ga, portanto o fluxo elétrico através dela é nulo. Tal fato
é fácil de se verificar pois todas as linhas de campo que
entram na superfície pela parte de cima saem pela parte
de baixo.

- Superfície S4: A carga total envolvida pela superfície é


Fonte: adaptado do autor por Design Unis EAD nula, visto que as cargas positiva e negativa envolvidas
pela superfície têm o mesmo valor absoluto, se anulando. Assim, de acordo com a Lei de Gauss, o
fluxo elétrico por essa superfície é nulo.

Verifica-se então a grande variedade de situações que podem envolver a Lei de Gauss, su-
perfícies Gaussianas e suas aplicações. Cabe a análise criteriosa e atenciosa de maneira a permitir
uma simplificação objetiva e prática das situações-problema em questão

73
Uma carga pontual de 1,8 µC está no centro de uma superfície gaussiana
cúbica de 55 cm de aresta. Qual é o fluxo elétrico através da superfície?

-
1,8 # 10 6

We = -
8,85 # 10 12
W e = 203,4 # 10 3 N $ m 2 /C

Veja nos vídeos do link a seguir algumas demonstrações do que é fluxo elétrico
e também a Lei de Gauss.
https://www.youtube.com/results?search_query=fluxo+eletrico
https://www.youtube.com/results?search_query=lei+de+gaus

Uma carga puntiforme de 1,84 µC está no centro de uma superfície Gaussia-


na cúbica de aresta 55 cm. Calcule o Ψe através da superfície.

Solução: Inicialmente considera-se o cubo conforme Figura a seguir.


Figura 49 – Cubo De acordo com a Lei de Gauss, o fluxo elétrico através de uma
superfície fechada que contém uma carga Q é dado por:

f 0 $ W e = Q env
-
1,84 # 10 6
We =
8,854 # 10 -12
W e = 207,81 # 10 3
As dimensões da superfície Gaussiana não interferem no resulta-
do, uma vez que todo o fluxo do campo elétrico da carga Q irá
Fonte: elaborado pelo autor

74
atravessá-la, sendo a superfície pequena ou grande.
Por fim, de acordo com os cálculos, o fluxo do campo elétrico através da superfície do exercício
tem o valor de 207,81 # 10 3 ;
N $ m2E
.
C2

Uma carga puntiforme +Q está a uma distância d/2 diretamente acima do


centro de uma superfície quadrada de lado d, conforme Figura a seguir. Cal-
cule o fluxo elétrico através do quadrado.

Figura 50 – Exemplo Solução: Se a carga +Q estivesse localizada no cen-


tro de um cubo de aresta d, o fluxo total do campo
q
elétrico Ψe através dos seis lados do cubo, os quais
constituem uma superfície Gaussiana fechada, po-
d/2
deria ser calculado da seguinte forma:

Q
d
We = f
d 0
Fonte: Adaptado do autor por Design Unis EAD Seja o seguinte esquema:
Figura 51 – Exemplo 2 Considerando-se a área do quadrado como sendo
1/6 da área do cubo, o fluxo através do quadrado
será dado por:

WQ = W 6
e

Q
W Q = 6.f 0

Nota-se então que o fluxo através do quadrado


determinado é igual a 1/6 do fluxo que sairia por
Fonte: elaborado pelo autor um cubo. Interessante notar a total aplicação da Lei
de Gauss nessa situação, na qual, através de uma simetria com um cubo, calculou-se o fluxo
elétrico através de um quadrado.

75
Uma carga puntiforme Q está colocada no vértice de um cubo de aresta a.
Qual o fluxo através de cada uma das faces do cubo?
Solução: Considere o seguinte esquema da situação do exemplo.

Figura 51 – Esquema O fluxo do campo elétrico da carga Q através dos lados que
formam o vértice onde a carga esta localizada (a, b e e) é
igual a zero. Isso se deve ao fato das linhas do campo elétrico
serem ortogonais à area A desses lados. Assim:
Ψa = Ψb = Ψe = 0

Nos lados c, d e f, as linhas de campo não são ortogonais à


area A, logo o fluxo de campo através desses lados não é
nulo. Para se calcular esse fluxo, vamos considerar o seguinte
Fonte: elaborado pelo autor esquema no qual a carga Q está localizada no centro de um
grande cubo de aresta 2ª, que aparece dividido em oito cubos menores, cada um deles com
aresta a, conforme Figura a seguir.
Figura 52 – Esquema
O pequeno cubo superior direito frontal corresponde ao
cubo do problema em questão. O fluxo do campo elétrico
através do cubo 2ª é dado por: Q
W 2a = f
0

O fluxo através de cada lado desse cubo é 1/6 do fluxo total,


assim: Q
W 2a,lado = 6 $ f 0

O fluxo através de ¼ de cada um desses lados, c, d e f, é:


Nota-se então que o fluxo desejado é 1/24 de um fluxo total
Fonte: elaborado pelo autor Q
Fonte: elaborado pelo autor pelo cubo, ou seja, tem o valor de W = .
24 $ f 0

76
A Figura a seguir mostra cinco pedaços de plástico eletricamente carregados e uma moeda neutra. A
Figura mostra também uma superfície Gaussiana vista de perfil. Qual é o fluxo elétrico que atravessa
a superfície S se q1 = q4 = +3,1 nC, q2 = q5 = -5,9 nC e q3 = -3,1 nC?
Figura 53 – Esquema

Fonte: adaptado do autor por Design Unis EAD


Resposta: - 670; C 2 E
N $ m2

Considere agora os desenhos da figura abaixo, onde as superfícies são quadradas, com aresta
a = 10 cm. O campo elétrico em todos os casos é constante e tem módulo E = 100000 V/m. Cal-
cule o fluxo elétrico através das superfícies.
Figura 54 – Superfícies
(a) θ = 0º

(b) θ = 90º (c) θ = 60º

Fonte: adaptado do autor por Design Unis EAD


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Resposta: a = 1000 V.m; b = 0 V.m; c = 500 V.m.

Uma esfera de raio 5 cm possui um campo elétrico em seu interior no valor de 20 mN/C. Determi-
ne o fluxo elétrico que atravessa a esfera bem como a carga nela contida.

Resposta: e = 10,47 # 10 6 ; E $ Q = 10,47 # 10 -6 6 C@


- N $ m2
Resposta:W C 2

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