Vous êtes sur la page 1sur 126

LEI Nº 9.

478, DE 6 DE AGOSTO DE 1997


Dispõe sobre a política energética nacional, as
atividades relativas ao monopólio do petróleo,
institui o Conselho Nacional de Política Energética
e a Agência Nacional do Petróleo e dá outras
providências.

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu


sanciono a seguinte Lei:

CAPÍTULO I

Dos Princípios e Objetivos da Política Energética Nacional

Art. 1º As políticas nacionais para o aproveitamento racional das fontes de energia visarão
aos seguintes objetivos:

I - preservar o interesse nacional;

II - promover o desenvolvimento, ampliar o mercado de trabalho e valorizar os recursos


energéticos;

III - proteger os interesses do consumidor quanto a preço, qualidade e oferta dos


produtos;

IV - proteger o meio ambiente e promover a conservação de energia;

V - garantir o fornecimento de derivados de petróleo em todo o território nacional, nos


termos do § 2º do art. 177 da Constituição Federal;

VI - incrementar, em bases econômicas, a utilização do gás natural;

VII - identificar as soluções mais adequadas para o suprimento de energia elétrica nas
diversas regiões do País;

VIII - utilizar fontes alternativas de energia, mediante o aproveitamento econômico dos


insumos disponíveis e das tecnologias aplicáveis;

IX - promover a livre concorrência;

X - atrair investimentos na produção de energia;

XI - ampliar a competitividade do País no mercado internacional.

XII - incrementar, em bases econômicas, sociais e ambientais, a participação dos


biocombustíveis na matriz energética nacional. (Redação dada pela Lei nº 11.097, de 2005)

XIII - garantir o fornecimento de biocombustíveis em todo o território nacional; (Incluído


pela Lei nº 12.490, de 2011)
XIV - incentivar a geração de energia elétrica a partir da biomassa e de subprodutos da
produção de biocombustíveis, em razão do seu caráter limpo, renovável e complementar à
fonte hidráulica; (Incluído pela Lei nº 12.490, de 2011)

XV - promover a competitividade do País no mercado internacional de


biocombustíveis; (Incluído pela Lei nº 12.490, de 2011)

XVI - atrair investimentos em infraestrutura para transporte e estocagem de


biocombustíveis; (Incluído pela Lei nº 12.490, de 2011)

XVII - fomentar a pesquisa e o desenvolvimento relacionados à energia


renovável; (Incluído pela Lei nº 12.490, de 2011)

XVIII - mitigar as emissões de gases causadores de efeito estufa e de poluentes nos


setores de energia e de transportes, inclusive com o uso de biocombustíveis. (Incluído pela Lei
nº 12.490, de 2011)

CAPÍTULO II

Do Conselho Nacional de Política Energética

Art. 2° Fica criado o Conselho Nacional de Política Energética - CNPE, vinculado à


Presidência da República e presidido pelo Ministro de Estado de Minas e Energia, com a
atribuição de propor ao Presidente da República políticas nacionais e medidas específicas
destinadas a:

I - promover o aproveitamento racional dos recursos energéticos do País, em


conformidade com os princípios enumerados no capítulo anterior e com o disposto na
legislação aplicável;

II - assegurar, em função das características regionais, o suprimento de insumos


energéticos às áreas mais remotas ou de difícil acesso do País, submetendo as medidas
específicas ao Congresso Nacional, quando implicarem criação de subsídios;

III - rever periodicamente as matrizes energéticas aplicadas às diversas regiões do País,


considerando as fontes convencionais e alternativas e as tecnologias disponíveis;

IV - estabelecer diretrizes para programas específicos, como os de uso do gás natural, do


carvão, da energia termonuclear, dos biocombustíveis, da energia solar, da energia eólica e da
energia proveniente de outras fontes alternativas; (Redação dada pela Lei nº 11.097, de 2005)

V - estabelecer diretrizes para a importação e exportação, de maneira a atender às


necessidades de consumo interno de petróleo e seus derivados, biocombustíveis, gás natural e
condensado, e assegurar o adequado funcionamento do Sistema Nacional de Estoques de
Combustíveis e o cumprimento do Plano Anual de Estoques Estratégicos de Combustíveis, de
que trata o art. 4o da Lei no 8.176, de 8 de fevereiro de 1991; (Redação dada pela Lei nº
12.490, de 2011)

VI - sugerir a adoção de medidas necessárias para garantir o atendimento à demanda


nacional de energia elétrica, considerando o planejamento de longo, médio e curto prazos,
podendo indicar empreendimentos que devam ter prioridade de licitação e implantação, tendo
em vista seu caráter estratégico e de interesse público, de forma que tais projetos venham
assegurar a otimização do binômio modicidade tarifária e confiabilidade do Sistema Elétrico.
(Incluído pela lei nº 10.848, de 2004)

VII - estabelecer diretrizes para o uso de gás natural como matéria-prima em processos
produtivos industriais, mediante a regulamentação de condições e critérios específicos, que
visem a sua utilização eficiente e compatível com os mercados interno e externos. (Incluído
pela Lei nº 11.909, de 2009)

VIII - definir os blocos a serem objeto de concessão ou partilha de produção; (Incluído


pela Lei nº 12.351, de 2010)

IX - definir a estratégia e a política de desenvolvimento econômico e tecnológico da


indústria de petróleo, de gás natural, de outros hidrocarbonetos fluidos e de biocombustíveis,
bem como da sua cadeia de suprimento; (Redação dada pela Lei nº 12.490, de 2011)

X - induzir o incremento dos índices mínimos de conteúdo local de bens e serviços, a


serem observados em licitações e contratos de concessão e de partilha de produção,
observado o disposto no inciso IX. (Incluído pela Lei nº 12.351, de 2010)

§ 1º Para o exercício de suas atribuições, o CNPE contará com o apoio técnico dos
órgãos reguladores do setor energético.

§ 2º O CNPE será regulamentado por decreto do Presidente da República, que


determinará sua composição e a forma de seu funcionamento.

CAPÍTULO III

Da Titularidade e do Monopólio do Petróleo e do Gás Natural

SEÇÃO I

Do Exercício do Monopólio

Art. 3º Pertencem à União os depósitos de petróleo, gás natural e outros hidrocarbonetos


fluidos existentes no território nacional, nele compreendidos a parte terrestre, o mar territorial, a
plataforma continental e a zona econômica exclusiva.

Art. 4º Constituem monopólio da União, nos termos do art. 177 da Constituição Federal, as
seguintes atividades:

I - a pesquisa e lavra das jazidas de petróleo e gás natural e outros hidrocarbonetos


fluidos;

II - a refinação de petróleo nacional ou estrangeiro;

III - a importação e exportação dos produtos e derivados básicos resultantes das


atividades previstas nos incisos anteriores;

IV - o transporte marítimo do petróleo bruto de origem nacional ou de derivados básicos


de petróleo produzidos no País, bem como o transporte, por meio de conduto, de petróleo
bruto, seus derivados e de gás natural.

Art. 5o As atividades econômicas de que trata o art. 4o desta Lei serão reguladas e
fiscalizadas pela União e poderão ser exercidas, mediante concessão, autorização ou
contratação sob o regime de partilha de produção, por empresas constituídas sob as leis
brasileiras, com sede e administração no País. (Redação dada pela Lei nº 12.351, de 2010)

SEÇÃO II

Das Definições Técnicas


Art. 6° Para os fins desta Lei e de sua reg ulamentação, ficam estabelecidas as seguintes
definições:

I - Petróleo: todo e qualquer hidrocarboneto líquido em seu estado natural, a exemplo do


óleo cru e condensado;

II - Gás Natural ou Gás: todo hidrocarboneto que permaneça em estado gasoso nas
condições atmosféricas normais, extraído diretamente a partir de reservatórios petrolíferos ou
gaseíferos, incluindo gases úmidos, secos, residuais e gases raros;

III - Derivados de Petróleo: produtos decorrentes da transformação do petróleo;

IV - Derivados Básicos: principais derivados de petróleo, referidos no art. 177 da


Constituição Federal, a serem classificados pela Agência Nacional do Petróleo;

V - Refino ou Refinação: conjunto de processos destinados a transformar o petróleo em


derivados de petróleo;

VI - Tratamento ou Processamento de Gás Natural: conjunto de operações destinadas a


permitir o seu transporte, distribuição e utilização;

VII - Transporte: movimentação de petróleo, seus derivados, biocombustíveis ou gás


natural em meio ou percurso considerado de interesse geral; (Redação dada pela Lei nº
12.490, de 2011)

VIII - Transferência: movimentação de petróleo, seus derivados, biocombustíveis ou gás


natural em meio ou percurso considerado de interesse específico e exclusivo do proprietário ou
explorador das facilidades; (Redação dada pela Lei nº 12.490, de 2011)

IX - Bacia Sedimentar: depressão da crosta terrestre onde se acumulam rochas


sedimentares que podem ser portadoras de petróleo ou gás, associados ou não;

X - Reservatório ou Depósito: configuração geológica dotada de propriedades específicas,


armazenadora de petróleo ou gás, associados ou não;

XI - Jazida: reservatório ou depósito já identificado e possível de ser posto em produção;

XII - Prospecto: feição geológica mapeada como resultado de estudos geofísicos e de


interpretação geológica, que justificam a perfuração de poços exploratórios para a localização
de petróleo ou gás natural;

XIII - Bloco: parte de uma bacia sedimentar, formada por um prisma vertical de
profundidade indeterminada, com superfície poligonal definida pelas coordenadas geográficas
de seus vértices, onde são desenvolvidas atividades de exploração ou produção de petróleo e
gás natural;

XIV - Campo de Petróleo ou de Gás Natural: área produtora de petróleo ou gás natural, a
partir de um reservatório contínuo ou de mais de um reservatório, a profundidades variáveis,
abrangendo instalações e equipamentos destinados à produção;

XV - Pesquisa ou Exploração: conjunto de operações ou atividades destinadas a avaliar


áreas, objetivando a descoberta e a identificação de jazidas de petróleo ou gás natural;

XVI - Lavra ou Produção: conjunto de operações coordenadas de extração de petróleo ou


gás natural de uma jazida e de preparo para sua movimentação;
XVII - Desenvolvimento: conjunto de operações e investimentos destinados a viabilizar as
atividades de produção de um campo de petróleo ou gás;

XVIII - Descoberta Comercial: descoberta de petróleo ou gás natural em condições que, a


preços de mercado, tornem possível o retorno dos investimentos no desenvolvimento e na
produção;

XIX - Indústria do Petróleo: conjunto de atividades econômicas relacionadas com a


exploração, desenvolvimento, produção, refino, processamento, transporte, importação e
exportação de petróleo, gás natural e outros hidrocarbonetos fluidos e seus derivados;

XX - Distribuição: atividade de comercialização por atacado com a rede varejista ou com


grandes consumidores de combustíveis, lubrificantes, asfaltos e gás liquefeito envasado,
exercida por empresas especializadas, na forma das leis e regulamentos aplicáveis;

XXI - Revenda: atividade de venda a varejo de combustíveis, lubrificantes e gás liquefeito


envasado, exercida por postos de serviços ou revendedores, na forma das leis e regulamentos
aplicáveis;

XXII - Distribuição de Gás Canalizado: serviços locais de comercialização de gás


canalizado, junto aos usuários finais, explorados com exclusividade pelos Estados, diretamente
ou mediante concessão, nos termos do § 2º do art. 25 da Constituição Federal;

XXIII - Estocagem de Gás Natural: armazenamento de gás natural em reservatórios


próprios, formações naturais ou artificiais.

XXIV - Biocombustível: substância derivada de biomassa renovável, tal como biodiesel,


etanol e outras substâncias estabelecidas em regulamento da ANP, que pode ser empregada
diretamente ou mediante alterações em motores a combustão interna ou para outro tipo de
geração de energia, podendo substituir parcial ou totalmente combustíveis de origem fóssil;
(Redação dada pela Lei nº 12.490, de 2011)

XXV - Biodiesel: biocombustível derivado de biomassa renovável para uso em motores a


combustão interna com ignição por compressão ou, conforme regulamento, para geração de
outro tipo de energia, que possa substituir parcial ou totalmente combustíveis de origem fóssil.
(Incluído pela Lei nº 11.097, de 2005)

XXVI – Indústria Petroquímica de Primeira e Segunda Geração: conjunto de indústrias que


fornecem produtos petroquímicos básicos, a exemplo do eteno, do propeno e de resinas
termoplásticas. (Incluído pela lei nº 11.921, de 2009)

XXVII - cadeia produtiva do petróleo: sistema de produção de petróleo, gás natural e


outros hidrocarbonetos fluidos e seus derivados, incluindo a distribuição, a revenda e a
estocagem, bem como o seu consumo. (Incluído pela lei nº 12.114, de 2009)

XXVIII - Indústria de Biocombustível: conjunto de atividades econômicas


relacionadas com produção, importação, exportação, transferência, transporte,
armazenagem, comercialização, distribuição, avaliação de conformidade e certificação
de qualidade de biocombustíveis; (Incluído pela Lei nº 12.490, de 2011)

XXIX - Produção de Biocombustível: conjunto de operações industriais para a


transformação de biomassa renovável, de origem vegetal ou animal, em combustível; (Incluído
pela Lei nº 12.490, de 2011)

XXX - Etanol: biocombustível líquido derivado de biomassa renovável, que tem como
principal componente o álcool etílico, que pode ser utilizado, diretamente ou mediante
alterações, em motores a combustão interna com ignição por centelha, em outras formas de
geração de energia ou em indústria petroquímica, podendo ser obtido por rotas tecnológicas
distintas, conforme especificado em regulamento; e (Incluído pela Lei nº 12.490, de 2011)

XXXI - Bioquerosene de Aviação: substância derivada de biomassa renovável que pode


ser usada em turborreatores e turbopropulsores aeronáuticos ou, conforme regulamento, em
outro tipo de aplicação que possa substituir parcial ou totalmente combustível de origem fóssil.
(Incluído pela Lei nº 12.490, de 2011)

CAPÍTULO IV

DA AGÊNCIA NACIONAL DO PETRÓLEO,


GÁS NATURAL E BIOCOMBUSTÍVEIS
(Redação dada pela Lei nº 11.097, de 2005)

SEÇÃO I

Da Instituição e das Atribuições

Art. 7o Fica instituída a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíves -


ANP, entidade integrante da Administração Federal Indireta, submetida ao regime autárquico
especial, como órgão regulador da indústria do petróleo, gás natural, seus derivados e
biocombustíveis, vinculada ao Ministério de Minas e Energia. (Redação dada pela Lei nº
11.097, de 2005)

Parágrafo único. A ANP terá sede e foro no Distrito Federal e escritórios centrais na
cidade do Rio de Janeiro, podendo instalar unidades administrativas regionais.

Art. 8o A ANP terá como finalidade promover a regulação, a contratação e a fiscalização


das atividades econômicas integrantes da indústria do petróleo, do gás natural e dos
biocombustíveis, cabendo-lhe: (Redação dada pela Lei nº 11.097, de 2005)

I - implementar, em sua esfera de atribuições, a política nacional de petróleo, gás natural e


biocombustíveis, contida na política energética nacional, nos termos do Capítulo I desta Lei,
com ênfase na garantia do suprimento de derivados de petróleo, gás natural e seus derivados,
e de biocombustíveis, em todo o território nacional, e na proteção dos interesses dos
consumidores quanto a preço, qualidade e oferta dos produtos; (Redação dada pela Lei nº
11.097, de 2005)

II - promover estudos visando à delimitação de blocos, para efeito de concessão ou


contratação sob o regime de partilha de produção das atividades de exploração,
desenvolvimento e produção; (Redação dada pela Lei nº 12.351, de 2010)

III - regular a execução de serviços de geologia e geofísica aplicados à prospecção


petrolífera, visando ao levantamento de dados técnicos, destinados à comercialização, em
bases não-exclusivas;

IV - elaborar os editais e promover as licitações para a concessão de exploração,


desenvolvimento e produção, celebrando os contratos delas decorrentes e fiscalizando a sua
execução;

V - autorizar a prática das atividades de refinação, liquefação, regaseificação,


carregamento, processamento, tratamento, transporte, estocagem e acondicionamento;
(Redação dada pela Lei nº 11.909, de 2009)

VI - estabelecer critérios para o cálculo de tarifas de transporte dutoviário e arbitrar seus


valores, nos casos e da forma previstos nesta Lei;
VII - fiscalizar diretamente e de forma concorrente nos termos da Lei no 8.078, de 11 de
setembro de 1990, ou mediante convênios com órgãos dos Estados e do Distrito Federal as
atividades integrantes da indústria do petróleo, do gás natural e dos biocombustíveis, bem
como aplicar as sanções administrativas e pecuniárias previstas em lei, regulamento ou
contrato; (Redação dada pela Lei nº 11.909, de 2009)

VIII - instruir processo com vistas à declaração de utilidade pública, para fins de
desapropriação e instituição de servidão administrativa, das áreas necessárias à exploração,
desenvolvimento e produção de petróleo e gás natural, construção de refinarias, de dutos e de
terminais;

IX - fazer cumprir as boas práticas de conservação e uso racional do petróleo, gás natural,
seus derivados e biocombustíveis e de preservação do meio ambiente; (Redação dada pela Lei
nº 11.097, de 2005)

X - estimular a pesquisa e a adoção de novas tecnologias na exploração, produção,


transporte, refino e processamento;

XI - organizar e manter o acervo das informações e dados técnicos relativos às atividades


reguladas da indústria do petróleo, do gás natural e dos biocombustíveis; (Redação dada pela
Lei nº 11.097, de 2005)

XII - consolidar anualmente as informações sobre as reservas nacionais de petróleo e gás


natural transmitidas pelas empresas, responsabilizando-se por sua divulgação;

XIII - fiscalizar o adequado funcionamento do Sistema Nacional de Estoques de


Combustíveis e o cumprimento do Plano Anual de Estoques Estratégicos de Combustíveis, de
que trata o art. 4º da Lei nº 8.176, de 8 de fevereiro de 1991;

XIV - articular-se com os outros órgãos reguladores do setor energético sobre matérias de
interesse comum, inclusive para efeito de apoio técnico ao CNPE;

XV - regular e autorizar as atividades relacionadas com o abastecimento nacional de


combustíveis, fiscalizando-as diretamente ou mediante convênios com outros órgãos da União,
Estados, Distrito Federal ou Municípios.

XVI - regular e autorizar as atividades relacionadas à produção, à importação, à


exportação, à armazenagem, à estocagem, ao transporte, à transferência, à distribuição, à
revenda e à comercialização de biocombustíveis, assim como avaliação de conformidade e
certificação de sua qualidade, fiscalizando-as diretamente ou mediante convênios com outros
órgãos da União, Estados, Distrito Federal ou Municípios; (Redação dada pela Lei nº 12.490,
de 2011)

XVII - exigir dos agentes regulados o envio de informações relativas às operações de


produção, importação, exportação, refino, beneficiamento, tratamento, processamento,
transporte, transferência, armazenagem, estocagem, distribuição, revenda, destinação e
comercialização de produtos sujeitos à sua regulação; (Incluído pela Lei nº 11.097, de 2005)

XVIII - especificar a qualidade dos derivados de petróleo, gás natural e seus derivados e
dos biocombustíveis. (Incluído pela Lei nº 11.097, de 2005)

XIX - regular e fiscalizar o acesso à capacidade dos gasodutos; (Incluído pela Lei nº
11.909, de 2009)

XX - promover, direta ou indiretamente, as chamadas públicas para a contratação de


capacidade de transporte de gás natural, conforme as diretrizes do Ministério de Minas e
Energia; (Incluído pela Lei nº 11.909, de 2009)
XXI - registrar os contratos de transporte e de interconexão entre instalações de
transporte, inclusive as procedentes do exterior, e os contratos de comercialização, celebrados
entre os agentes de mercado; (Incluído pela Lei nº 11.909, de 2009)

XXII - informar a origem ou a caracterização das reservas do gás natural contratado e a


ser contratado entre os agentes de mercado; (Incluído pela Lei nº 11.909, de 2009)

XXIII - regular e fiscalizar o exercício da atividade de estocagem de gás natural, inclusive


no que se refere ao direito de acesso de terceiros às instalações concedidas; (Incluído pela Lei
nº 11.909, de 2009)

XXIV - elaborar os editais e promover as licitações destinadas à contratação de


concessionários para a exploração das atividades de transporte e de estocagem de gás
natural; (Incluído pela Lei nº 11.909, de 2009)

XXV - celebrar, mediante delegação do Ministério de Minas e Energia, os contratos de


concessão para a exploração das atividades de transporte e estocagem de gás natural sujeitas
ao regime de concessão;

XXVI - autorizar a prática da atividade de comercialização de gás natural, dentro da


esfera de competência da União; (Incluído pela Lei nº 11.909, de 2009)

XXVII - estabelecer critérios para a aferição da capacidade dos gasodutos de transporte e


de transferência; (Incluído pela Lei nº 11.909, de 2009)

XXVIII - articular-se com órgãos reguladores estaduais e ambientais, objetivando


compatibilizar e uniformizar as normas aplicáveis à indústria e aos mercados de gás
natural(Incluído pela Lei nº 11.909, de 2009)

Parágrafo único. No exercício das atribuições de que trata este artigo, com ênfase na
garantia do abastecimento nacional de combustíveis, desde que em bases econômicas
sustentáveis, a ANP poderá exigir dos agentes regulados, conforme disposto em
regulamento: (Incluído pela Lei nº 12490, de 2011)

I - a manutenção de estoques mínimos de combustíveis e de biocombustíveis, em


instalação própria ou de terceiro; (Incluído pela Lei nº 12490, de 2011)

II - garantias e comprovação de capacidade para atendimento ao mercado de


combustíveis e biocombustíveis, mediante a apresentação de, entre outros mecanismos,
contratos de fornecimento entre os agentes regulados. (Incluído pela Lei nº 12490, de 2011)

Art. 8o-A. Caberá à ANP supervisionar a movimentação de gás natural na rede de


transporte e coordená-la em situações caracterizadas como de contingência. (Incluído pela
Lei nº 11.909, de 2009)

§ 1o O Comitê de Contingenciamento definirá as diretrizes para a coordenação das


operações da rede de movimentação de gás natural em situações caracterizadas como de
contingência, reconhecidas pelo Presidente da República, por meio de decreto. (Incluído
pela Lei nº 11.909, de 2009)

§ 2o No exercício das atribuições referidas no caput deste artigo, caberá à ANP, sem
prejuízo de outras funções que lhe forem atribuídas na regulamentação: (Incluído pela Lei nº
11.909, de 2009)

I - supervisionar os dados e as informações dos centros de controle dos gasodutos de


transporte; (Incluído pela Lei nº 11.909, de 2009)
II - manter banco de informações relativo ao sistema de movimentação de gás natural
permanentemente atualizado, subsidiando o Ministério de Minas e Energia com as
informações sobre necessidades de reforço ao sistema; (Incluído pela Lei nº 11.909, de
2009)

III - monitorar as entradas e saídas de gás natural das redes de transporte, confrontando
os volumes movimentados com os contratos de transporte vigentes; (Incluído pela Lei nº
11.909, de 2009)

IV - dar publicidade às capacidades de movimentação existentes que não estejam sendo


utilizadas e às modalidades possíveis para sua contratação; e (Incluído pela Lei nº 11.909,
de 2009)

V - estabelecer padrões e parâmetros para a operação e manutenção eficientes do


sistema de transporte e estocagem de gás natural. (Incluído pela Lei nº 11.909, de 2009)

§ 3o Os parâmetros e informações relativos ao transporte de gás natural necessários à


supervisão, controle e coordenação da operação dos gasodutos deverão ser
disponibilizados pelos transportadores à ANP, conforme regulação específica.(Incluído pela
Lei nº 11.909, de 2009)

Art. 9º Além das atribuições que lhe são conferidas no artigo anterior, caberá à ANP
exercer, a partir de sua implantação, as atribuições do Departamento Nacional de
Combustíveis - DNC, relacionadas com as atividades de distribuição e revenda de derivados de
petróleo e álcool, observado o disposto no art. 78.

Art. 10. Quando, no exercício de suas atribuições, a ANP tomar conhecimento de fato que
possa configurar indício de infração da ordem econômica, deverá comunicá-lo imediatamente
ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica – Cade e à Secretaria de Direito Econômico
do Ministério da Justiça, para que estes adotem as providências cabíveis, no âmbito da
legislação pertinente.(Redação dada pela Lei nº 10.202, de 20.2.2001)

Parágrafo único. Independentemente da comunicação prevista no caput deste artigo, o


Conselho Administrativo de Defesa Econômica – Cade notificará a ANP do teor da decisão que
aplicar sanção por infração da ordem econômica cometida por empresas ou pessoas físicas no
exercício de atividades relacionadas com o abastecimento nacional de combustíveis, no prazo
máximo de vinte e quatro horas após a publicação do respectivo acórdão, para que esta adote
as providências legais de sua alçada. (Parágrafo único inclúido pela Lei nº 10.202, de
20.2.2001)

SEÇÃO II

Da Estrutura Organizacional da Autarquia

Art. 11. A ANP será dirigida, em regime de colegiado, por uma Diretoria composta de um
Diretor-Geral e quatro Diretores.

§ 1º Integrará a estrutura organizacional da ANP um Procurador-Geral.

§ 2º Os membros da Diretoria serão nomeados pelo Presidente da República, após


aprovação dos respectivos nomes pelo Senado Federal, nos termos da alínea f do inciso III do
art. 52 da Constituição Federal.

§ 3° Os membros da Diretoria cumprirão mand atos de quatro anos, não coincidentes,


permitida a recondução, observado o disposto no art. 75 desta Lei.

Art. 12. (VETADO)


I - (VETADO)

II - (VETADO)

III - (VETADO)

Parágrafo único. (VETADO)

Art. 13. (Revogado pela Lei nº 9.986, de 18.7.2000)

Art. 14. Terminado o mandato, ou uma vez exonerado do cargo, o ex-Diretor da ANP
ficará impedido, por um período de 12 (doze) meses, contado da data de sua exoneração, de
prestar, direta ou indiretamente, qualquer tipo de serviço a empresa integrante das indústrias
do petróleo e dos biocombustíveis ou de distribuição. (Redação dada pela Lei nº 12.490, de
2011)

§ 1° Durante o impedimento, o ex-Diretor qu e não tiver sido exonerado nos termos do art.
12 poderá continuar prestando serviço à ANP, ou a qualquer órgão da Administração Direta da
União, mediante remuneração equivalente à do cargo de direção que exerceu.

§ 2° Incorre na prática de advocacia admini strativa, sujeitando-se às penas da lei, o ex-


Diretor que violar o impedimento previsto neste artigo.

SEÇÃO III

Das Receitas e do Acervo da Autarquia

Art. 15. Constituem receitas da ANP:

I - as dotações consignadas no Orçamento Geral da União, créditos especiais,


transferências e repasses que lhe forem conferidos;

II - parcela das participações governamentais referidas nos incisos I e III do art. 45 desta
Lei, de acordo com as necessidades operacionais da ANP, consignadas no orçamento
aprovado;

III - os recursos provenientes de convênios, acordos ou contratos celebrados com


entidades, organismos ou empresas, excetuados os referidos no inciso anterior;

IV - as doações, legados, subvenções e outros recursos que lhe forem destinados;

V - o produto dos emolumentos, taxas e multas previstos na legislação específica, os


valores apurados na venda ou locação dos bens móveis e imóveis de sua propriedade, bem
como os decorrentes da venda de dados e informações técnicas, inclusive para fins de
licitação, ressalvados os referidos no § 2° do art. 22 desta Lei.

Art. 16. Os recursos provenientes da participação governamental prevista no inciso IV do


art. 45, nos termos do art. 51, destinar-se-ão ao financiamento das despesas da ANP para o
exercício das atividades que lhe são conferidas nesta Lei.

SEÇÃO IV

Do Processo Decisório

Art. 17. O processo decisório da ANP obedecerá aos princípios da legalidade,


impessoalidade, moralidade e publicidade.
Art. 18. As sessões deliberativas da Diretoria da ANP que se destinem a resolver
pendências entre agentes econômicos e entre esses e consumidores e usuários de bens e
serviços da indústria de petróleo, de gás natural ou de biocombustíveis serão públicas,
permitida a sua gravação por meios eletrônicos e assegurado aos interessados o direito de
delas obter transcrições. (Redação dada pela Lei nº 12.490, de 2011)

Art. 19. As iniciativas de projetos de lei ou de alteração de normas administrativas que


impliquem afetação de direito dos agentes econômicos ou de consumidores e usuários de bens
e serviços das indústrias de petróleo, de gás natural ou de biocombustíveis serão precedidas
de audiência pública convocada e dirigida pela ANP. (Redação dada pela Lei nº 12.490, de
2011)

Art. 20. O regimento interno da ANP disporá sobre os procedimentos a serem adotados
para a solução de conflitos entre agentes econômicos, e entre estes e usuários e
consumidores, com ênfase na conciliação e no arbitramento.

CAPÍTULO V

Da Exploração e da Produção

SEÇÃO I

Das Normas Gerais

Art. 21. Todos os direitos de exploração e produção de petróleo, de gás natural e de


outros hidrocarbonetos fluidos em território nacional, nele compreendidos a parte terrestre, o
mar territorial, a plataforma continental e a zona econômica exclusiva, pertencem à União,
cabendo sua administração à ANP, ressalvadas as competências de outros órgãos e entidades
expressamente estabelecidas em lei. (Redação dada pela Lei nº 12.351, de 2010)

Art. 22. O acervo técnico constituído pelos dados e informações sobre as bacias
sedimentares brasileiras é também considerado parte integrante dos recursos petrolíferos
nacionais, cabendo à ANP sua coleta, manutenção e administração.

§ 1° A Petróleo Brasileiro S.A. - PETROBRÁS transferirá para a ANP as informações e


dados de que dispuser sobre as bacias sedimentares brasileiras, assim como sobre as
atividades de pesquisa, exploração e produção de petróleo ou gás natural, desenvolvidas em
função da exclusividade do exercício do monopólio até a publicação desta Lei.

§ 2° A ANP estabelecerá critérios para remu neração à PETROBRÁS pelos dados e


informações referidos no parágrafo anterior e que venham a ser utilizados pelas partes
interessadas, com fiel observância ao disposto no art. 117 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro
de 1976, com as alterações procedidas pela Lei nº 9.457, de 5 de maio de 1997.

§ 3o O Ministério de Minas e Energia terá acesso irrestrito e gratuito ao acervo a que se


refere o caput deste artigo, com o objetivo de realizar estudos e planejamento setorial, mantido
o sigilo a que esteja submetido, quando for o caso. (Incluído pela Lei nº 12.351, de 2010)

Art. 23. As atividades de exploração, desenvolvimento e produção de petróleo e de gás


natural serão exercidas mediante contratos de concessão, precedidos de licitação, na forma
estabelecida nesta Lei, ou sob o regime de partilha de produção nas áreas do pré-sal e nas
áreas estratégicas, conforme legislação específica. (Redação dada pela Lei nº 12.351, de
2010)

§ 1o (Revogado pela Lei nº 12.351, de 2010)


§ 2o A ANP poderá outorgar diretamente ao titular de direito de lavra ou de autorização
de pesquisa de depósito de carvão mineral concessão para o aproveitamento do gás
metano que ocorra associado a esse depósito, dispensada a licitação prevista no caput
deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.909, de 2009)

Art. 24. Os contratos de concessão deverão prever duas fases: a de exploração e a de


produção.

§ 1º Incluem-se na fase de exploração as atividades de avaliação de eventual descoberta


de petróleo ou gás natural, para determinação de sua comercialidade.

§ 2º A fase de produção incluirá também as atividades de desenvolvimento.

Art. 25. Somente poderão obter concessão para a exploração e produção de petróleo ou
gás natural as empresas que atendam aos requisitos técnicos, econômicos e jurídicos
estabelecidos pela ANP.

Art. 26. A concessão implica, para o concessionário, a obrigação de explorar, por sua
conta e risco e, em caso de êxito, produzir petróleo ou gás natural em determinado bloco,
conferindo-lhe a propriedade desses bens, após extraídos, com os encargos relativos ao
pagamento dos tributos incidentes e das participações legais ou contratuais correspondentes.

§ 1° Em caso de êxito na exploração, o conc essionário submeterá à aprovação da ANP os


planos e projetos de desenvolvimento e produção.

§ 2° A ANP emitirá seu parecer sobre os pla nos e projetos referidos no parágrafo anterior
no prazo máximo de cento e oitenta dias.

§ 3° Decorrido o prazo estipulado no parágr afo anterior sem que haja manifestação da
ANP, os planos e projetos considerar-se-ão automaticamente aprovados.

Art. 27. (Revogado pela Lei nº 12.351, de 2010)

Art. 28. As concessões extinguir-se-ão:

I - pelo vencimento do prazo contratual;

II - por acordo entre as partes;

III - pelos motivos de rescisão previstos em contrato;

IV - ao término da fase de exploração, sem que tenha sido feita qualquer descoberta
comercial, conforme definido no contrato;

V - no decorrer da fase de exploração, se o concessionário exercer a opção de


desistência e de devolução das áreas em que, a seu critério, não se justifiquem investimentos
em desenvolvimento.

§ 1° A devolução de áreas, assim como a rev ersão de bens, não implicará ônus de
qualquer natureza para a União ou para a ANP, nem conferirá ao concessionário qualquer
direito de indenização pelos serviços, poços, imóveis e bens reversíveis, os quais passarão à
propriedade da União e à administração da ANP, na forma prevista no inciso VI do art. 43.

§ 2° Em qualquer caso de extinção da conces são, o concessionário fará, por sua conta
exclusiva, a remoção dos equipamentos e bens que não sejam objeto de reversão, ficando
obrigado a reparar ou indenizar os danos decorrentes de suas atividades e praticar os atos de
recuperação ambiental determinados pelos órgãos competentes.
Art. 29. É permitida a transferência do contrato de concessão, preservando-se seu objeto
e as condições contratuais, desde que o novo concessionário atenda aos requisitos técnicos,
econômicos e jurídicos estabelecidos pela ANP, conforme o previsto no art. 25.

Parágrafo único. A transferência do contrato só poderá ocorrer mediante prévia e


expressa autorização da ANP.

Art. 30. O contrato para exploração, desenvolvimento e produção de petróleo ou gás


natural não se estende a nenhum outro recurso natural, ficando o concessionário obrigado a
informar a sua descoberta, prontamente e em caráter exclusivo, à ANP.

SEÇÃO II

Das Normas Específicas para as Atividades em Curso

Art. 31. A PETROBRÁS submeterá à ANP, no prazo de três meses da publicação desta
Lei, seu programa de exploração, desenvolvimento e produção, com informações e dados que
propiciem:

I - o conhecimento das atividades de produção em cada campo, cuja demarcação poderá


incluir uma área de segurança técnica;

II - o conhecimento das atividades de exploração e desenvolvimento, registrando, neste


caso, os custos incorridos, os investimentos realizados e o cronograma dos investimentos a
realizar, em cada bloco onde tenha definido prospectos.

Art. 32. A PETROBRÁS terá ratificados seus direitos sobre cada um dos campos que se
encontrem em efetiva produção na data de inicío de vigência desta Lei.

Art. 33. Nos blocos em que, quando do início da vigência desta Lei, tenha a PETROBRÁS
realizado descobertas comerciais ou promovido investimentos na exploração, poderá ela,
observada sua capacidade de investir, inclusive por meio de financiamentos, prosseguir nos
trabalhos de exploração e desenvolvimento pelo prazo de três anos e, nos casos de êxito,
prosseguir nas atividades de produção.

Parágrafo único. Cabe à ANP, após a avaliação da capacitação financeira da


PETROBRÁS e dos dados e informações de que trata o art. 31, aprovar os blocos em que os
trabalhos referidos neste artigo terão continuidade.

Art. 34. Cumprido o disposto no art. 31 e dentro do prazo de um ano a partir da data de
publicação desta Lei, a ANP celebrará com a PETROBRÁS, dispensada a licitação prevista no
art. 23, contratos de concessão dos blocos que atendam às condições estipuladas nos arts. 32
e 33, definindo-se, em cada um desses contratos, as participações devidas, nos termos
estabelecidos na Seção VI.

Parágrafo único. Os contratos de concessão referidos neste artigo serão regidos, no que
couber, pelas normas gerais estabelecidas na Seção anterior e obedecerão ao disposto na
Seção V deste Capítulo.

Art. 35. Os blocos não contemplados pelos contratos de concessão mencionados no


artigo anterior e aqueles em que tenha havido insucesso nos trabalhos de exploração, ou não
tenham sido ajustados com a ANP, dentro dos prazos estipulados, serão objeto de licitação
pela ANP para a outorga de novos contratos de concessão, regidos pelas normas gerais
estabelecidas na Seção anterior.

SEÇÃO III
Do Edital de Licitação

Art. 36. A licitação para outorga dos contratos de concessão referidos no art. 23
obedecerá ao disposto nesta Lei, na regulamentação a ser expedida pela ANP e no respectivo
edital.

Art. 37. O edital da licitação será acompanhado da minuta básica do respectivo contrato e
indicará, obrigatoriamente:

I - o bloco objeto da concessão, o prazo estimado para a duração da fase de exploração,


os investimentos e programas exploratórios mínimos;

II - os requisitos exigidos dos concorrentes, nos termos do art. 25, e os critérios de pré-
qualificação, quando este procedimento for adotado;

III - as participações governamentais mínimas, na forma do disposto no art. 45, e a


participação dos superficiários prevista no art. 52;

IV - a relação de documentos exigidos e os critérios a serem seguidos para aferição da


capacidade técnica, da idoneidade financeira e da regularidade jurídica dos interessados, bem
como para o julgamento técnico e econômico-financeiro da proposta;

V - a expressa indicação de que caberá ao concessionário o pagamento das indenizações


devidas por desapropriações ou servidões necessárias ao cumprimento do contrato;

VI - o prazo, local e horário em que serão fornecidos, aos interessados, os dados, estudos
e demais elementos e informações necessários à elaboração das propostas, bem como o custo
de sua aquisição.

Parágrafo único. O prazo de duração da fase de exploração, referido no inciso I deste


artigo, será estimado pela ANP, em função do nível de informações disponíveis, das
características e da localização de cada bloco.

Art. 38. Quando permitida a participação de empresas em consórcio, o edital conterá as


seguintes exigências:

I - comprovação de compromisso, público ou particular, de constituição do consórcio,


subscrito pelas consorciadas;

II - indicação da empresa líder, responsável pelo consórcio e pela condução das


operações, sem prejuízo da responsabilidade solidária das demais consorciadas;

III - apresentação, por parte de cada uma das empresas consorciadas, dos documentos
exigidos para efeito de avaliação da qualificação técnica e econômico-financeira do consórcio;

IV - proibição de participação de uma mesma empresa em outro consórcio, ou


isoladamente, na licitação de um mesmo bloco;

V - outorga de concessão ao consórcio vencedor da licitação condicionada ao registro do


instrumento constitutivo do consórcio, na forma do disposto no parágrafo único do art. 279 da
Lei n° 6.404, de 15 de dezembro de 1976 .

Art. 39. O edital conterá a exigência de que a empresa estrangeira que concorrer
isoladamente ou em consórcio deverá apresentar, juntamente com sua proposta e em
envelope separado:
I - prova de capacidade técnica, idoneidade financeira e regularidade jurídica e fiscal, nos
termos da regulamentação a ser editada pela ANP;

II - inteiro teor dos atos constitutivos e prova de encontrar-se organizada e em


funcionamento regular, conforme a lei de seu país;

III - designação de um representante legal junto à ANP, com poderes especiais para a
prática de atos e assunção de responsabilidades relativamente à licitação e à proposta
apresentada;

IV - compromisso de, caso vencedora, constituir empresa segundo as leis brasileiras, com
sede e administração no Brasil.

Parágrafo único. A assinatura do contrato de concessão ficará condicionada ao efetivo


cumprimento do compromisso assumido de acordo com o inciso IV deste artigo.

SEÇÃO IV

Do Julgamento da Licitação

Art. 40. O julgamento da licitação identificará a proposta mais vantajosa, segundo critérios
objetivos, estabelecidos no instrumento convocatório, com fiel observância dos princípios da
legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e igualdade entre os concorrentes.

Art. 41. No julgamento da licitação, além de outros critérios que o edital expressamente
estipular, serão levados em conta:

I - o programa geral de trabalho, as propostas para as atividades de exploração, os


prazos, os volumes mínimos de investimentos e os cronogramas físico-financeiros;

II - as participações governamentais referidas no art. 45.

Art. 42. Em caso de empate, a licitação será decidida em favor da PETROBRÁS, quando
esta concorrer não consorciada com outras empresas.

SEÇÃO V

Do Contrato de Concessão

Art. 43. O contrato de concessão deverá refletir fielmente as condições do edital e da


proposta vencedora e terá como cláusulas essenciais:

I - a definição do bloco objeto da concessão;

II - o prazo de duração da fase de exploração e as condições para sua prorrogação;

III - o programa de trabalho e o volume do investimento previsto;

IV - as obrigações do concessionário quanto às participações, conforme o disposto na


Seção VI;

V - a indicação das garantias a serem prestadas pelo concessionário quanto ao


cumprimento do contrato, inclusive quanto à realização dos investimentos ajustados para cada
fase;
VI - a especificação das regras sobre devolução e desocupação de áreas, inclusive
retirada de equipamentos e instalações, e reversão de bens;

VII - os procedimentos para acompanhamento e fiscalização das atividades de


exploração, desenvolvimento e produção, e para auditoria do contrato;

VIII - a obrigatoriedade de o concessionário fornecer à ANP relatórios, dados e


informações relativos às atividades desenvolvidas;

IX - os procedimentos relacionados com a transferência do contrato, conforme o disposto


no art. 29;

X - as regras sobre solução de controvérsias, relacionadas com o contrato e sua


execução, inclusive a conciliação e a arbitragem internacional;

XI - os casos de rescisão e extinção do contrato;

XII - as penalidades aplicáveis na hipótese de descumprimento pelo concessionário das


obrigações contratuais.

Parágrafo único. As condições contratuais para prorrogação do prazo de exploração,


referidas no inciso II deste artigo, serão estabelecidas de modo a assegurar a devolução de um
percentual do bloco, a critério da ANP, e o aumento do valor do pagamento pela ocupação da
área, conforme disposto no parágrafo único do art. 51.

Art. 44. O contrato estabelecerá que o concessionário estará obrigado a:

I - adotar, em todas as suas operações, as medidas necessárias para a conservação dos


reservatórios e de outros recursos naturais, para a segurança das pessoas e dos
equipamentos e para a proteção do meio ambiente;

II - comunicar à ANP, imediatamente, a descoberta de qualquer jazida de petróleo, gás


natural ou outros hidrocarbonetos ou de outros minerais;

III - realizar a avaliação da descoberta nos termos do programa submetido à ANP,


apresentando relatório de comercialidade e declarando seu interesse no desenvolvimento do
campo;

IV - submeter à ANP o plano de desenvolvimento de campo declarado comercial,


contendo o cronograma e a estimativa de investimento;

V - responsabilizar-se civilmente pelos atos de seus prepostos e indenizar todos e


quaisquer danos decorrentes das atividades de exploração, desenvolvimento e produção
contratadas, devendo ressarcir à ANP ou à União os ônus que venham a suportar em
conseqüência de eventuais demandas motivadas por atos de responsabilidade do
concessionário;

VI - adotar as melhores práticas da indústria internacional do petróleo e obedecer às


normas e procedimentos técnicos e científicos pertinentes, inclusive quanto às técnicas
apropriadas de recuperação, objetivando a racionalização da produção e o controle do declínio
das reservas.

SEÇÃO VI

Das Participações
Art. 45. O contrato de concessão disporá sobre as seguintes participações
governamentais, previstas no edital de licitação:

I - bônus de assinatura;

II - royalties;

III - participação especial;

IV - pagamento pela ocupação ou retenção de área.

§ 1º As participações governamentais constantes dos incisos II e IV serão obrigatórias.

§ 2º As receitas provenientes das participações governamentais definidas no caput,


alocadas para órgãos da administração pública federal, de acordo com o disposto nesta Lei,
serão mantidas na Conta Única do Governo Federal, enquanto não forem destinadas para as
respectivas programações.

§ 3º O superávit financeiro dos órgãos da administração pública federal referidos no


parágrafo anterior, apurado em balanço de cada exercício financeiro, será transferido ao
Tesouro Nacional.

Art. 46. O bônus de assinatura terá seu valor mínimo estabelecido no edital e
corresponderá ao pagamento ofertado na proposta para obtenção da concessão, devendo ser
pago no ato da assinatura do contrato.

Art. 47. Os royalties serão pagos mensalmente, em moeda nacional, a partir da data de
início da produção comercial de cada campo, em montante correspondente a dez por cento da
produção de petróleo ou gás natural.

§ 1º Tendo em conta os riscos geológicos, as expectativas de produção e outros fatores


pertinentes, a ANP poderá prever, no edital de licitação correspondente, a redução do valor dos
royalties estabelecido no caput deste artigo para um montante correspondente a, no mínimo,
cinco por cento da produção.

§ 2º Os critérios para o cálculo do valor dos royalties serão estabelecidos por decreto do
Presidente da República, em função dos preços de mercado do petróleo, gás natural ou
condensado, das especificações do produto e da localização do campo.

§ 3º A queima de gás em flares, em prejuízo de sua comercialização, e a perda de produto


ocorrida sob a responsabilidade do concessionário serão incluídas no volume total da produção
a ser computada para cálculo dos royalties devidos.

Art. 48. A parcela do valor do royalty, previsto no contrato de concessão, que representar
cinco por cento da produção, correspondente ao montante mínimo referido no § 1º do artigo
anterior, será distribuída segundo os critérios estipulados pela Lei nº 7.990, de 28 de dezembro
de 1989. (Vide Lei nº 10.261, de 2001) (Vide Decreto nº 7.403, de 2010)

Art. 49. A parcela do valor do royalty que exceder a cinco por cento da produção terá a
seguinte distribuição: (Vide Lei nº 10.261, de 2001)

I - quando a lavra ocorrer em terra ou em lagos, rios, ilhas fluviais e lacustres:

a) cinqüenta e dois inteiros e cinco décimos por cento aos Estados onde ocorrer a
produção;
b) quinze por cento aos Municípios onde ocorrer a produção;

c) sete inteiros e cinco décimos por cento aos Municípios que sejam afetados pelas
operações de embarque e desembarque de petróleo e gás natural, na forma e critério
estabelecidos pela ANP;

d) 25% (vinte e cinco por cento) ao Ministério da Ciência e Tecnologia para financiar
programas de amparo à pesquisa científica e ao desenvolvimento tecnológico aplicados à
indústria do petróleo, do gás natural, dos biocombustíveis e à indústria petroquímica de
primeira e segunda geração, bem como para programas de mesma natureza que tenham por
finalidade a prevenção e a recuperação de danos causados ao meio ambiente por essas
indústrias; (Redação dada pela Lei nº 11.921, de 2009) (Vide Decreto nº 7.403, de 2010)

II - quando a lavra ocorrer na plataforma continental:

a) vinte e dois inteiros e cinco décimos por cento aos Estados produtores confrontantes;

b) vinte e dois inteiros e cinco décimos por cento aos Municípios produtores confrontantes;

c) quinze por cento ao Ministério da Marinha, para atender aos encargos de fiscalização e
proteção das áreas de produção; (Vide Decreto nº 7.403, de 2010)

d) sete inteiros e cinco décimos por cento aos Municípios que sejam afetados pelas
operações de embarque e desembarque de petróleo e gás natural, na forma e critério
estabelecidos pela ANP;

e) sete inteiros e cinco décimos por cento para constituição de um Fundo Especial, a ser
distribuído entre todos os Estados, Territórios e Municípios;

f) 25% (vinte e cinco por cento) ao Ministério da Ciência e Tecnologia para financiar
programas de amparo à pesquisa científica e ao desenvolvimento tecnológico aplicados à
indústria do petróleo, do gás natural, dos biocombustíveis e à indústria petroquímica de
primeira e segunda geração, bem como para programas de mesma natureza que tenham por
finalidade a prevenção e a recuperação de danos causados ao meio ambiente por essas
indústrias. (Redação dada pela Lei nº 11.921, de 2009) (Vide Decreto nº 7.403, de 2010)

§ 1o Do total de recursos destinados ao Ministério da Ciência e Tecnologia serão


aplicados, no mínimo, 40% (quarenta por cento) em programas de fomento à capacitação e ao
desenvolvimento científico e tecnológico das regiões Norte e Nordeste, incluindo as respectivas
áreas de abrangência das Agências de Desenvolvimento Regional. (Redação dada pela Lei nº
11.540, de 2007)

§ 2° O Ministério da Ciência e Tecnologia a dministrará os programas de amparo à


pesquisa científica e ao desenvolvimento tecnológico previstos no caput deste artigo, com o
apoio técnico da ANP, no cumprimento do disposto no inciso X do art. 8º, e mediante convênios
com as universidades e os centros de pesquisa do País, segundo normas a serem definidas
em decreto do Presidente da República. (Vide Decreto nº 7.403, de 2010)

§ 3o Nas áreas localizadas no pré-sal contratadas sob o regime de concessão, a parcela


dos royalties que cabe à administração direta da União será destinada integralmente ao fundo
de natureza contábil e financeira, criado por lei específica, com a finalidade de constituir fonte
de recursos para o desenvolvimento social e regional, na forma de programas e projetos nas
áreas de combate à pobreza e de desenvolvimento da educação, da cultura, do esporte, da
saúde pública, da ciência e tecnologia, do meio ambiente e de mitigação e adaptação às
mudanças climáticas, vedada sua destinação aos órgãos específicos de que trata este artigo.
(Incluído pela Lei nº 12.351, de 2010) (Vide Decreto nº 7.403, de 2010)
Art. 50. O edital e o contrato estabelecerão que, nos casos de grande volume de
produção, ou de grande rentabilidade, haverá o pagamento de uma participação especial, a ser
regulamentada em decreto do Presidente da República. (Vide Lei nº 10.261, de 2001)

§ 1º A participação especial será aplicada sobre a receita bruta da produção, deduzidos os


royalties, os investimentos na exploração, os custos operacionais, a depreciação e os tributos
previstos na legislação em vigor.

§ 2º Os recursos da participação especial serão distribuídos na seguinte proporção:

I - 40% (quarenta por cento) ao Ministério de Minas e Energia, sendo 70% (setenta por
cento) para o financiamento de estudos e serviços de geologia e geofísica aplicados à
prospecção de combustíveis fósseis, a serem promovidos pela ANP, nos termos dos incisos II
e III do art. 8o desta Lei, e pelo MME, 15% (quinze por cento) para o custeio dos estudos de
planejamento da expansão do sistema energético e 15% (quinze por cento) para o
financiamento de estudos, pesquisas, projetos, atividades e serviços de levantamentos
geológicos básicos no território nacional; (Redação dada pela lei nº 10.848, de 2004)

II - 10% (dez por cento) ao Ministério do Meio Ambiente, destinados, preferencialmente,


ao desenvolvimento das seguintes atividades de gestão ambiental relacionadas à cadeia
produtiva do petróleo, incluindo as consequências de sua utilização: (Redação dada pela lei nº
12.114, de 2009)

a) modelos e instrumentos de gestão, controle (fiscalização, monitoramento,


licenciamento e instrumentos voluntários), planejamento e ordenamento do uso sustentável dos
espaços e dos recursos naturais; (Incluído pela lei nº 12.114, de 2009)

b) estudos e estratégias de conservação ambiental, uso sustentável dos recursos


naturais e recuperação de danos ambientais; (Incluído pela lei nº 12.114, de 2009)

c) novas práticas e tecnologias menos poluentes e otimização de sistemas de controle


de poluição, incluindo eficiência energética e ações consorciadas para o tratamento de
resíduos e rejeitos oleosos e outras substâncias nocivas e perigosas; (Incluído pela lei nº
12.114, de 2009)

d) definição de estratégias e estudos de monitoramento ambiental sistemático,


agregando o estabelecimento de padrões de qualidade ambiental específicos, na escala das
bacias sedimentares; (Incluído pela lei nº 12.114, de 2009)

e) sistemas de contingência que incluam prevenção, controle e combate e resposta à


poluição por óleo; (Incluído pela lei nº 12.114, de 2009)

f) mapeamento de áreas sensíveis a derramamentos de óleo nas águas jurisdicionais


brasileiras; (Incluído pela lei nº 12.114, de 2009)

g) estudos e projetos de prevenção de emissões de gases de efeito estufa para a


atmosfera, assim como para mitigação da mudança do clima e adaptação à mudança do clima
e seus efeitos, considerando-se como mitigação a redução de emissão de gases de efeito
estufa e o aumento da capacidade de remoção de carbono pelos sumidouros e, como
adaptação as iniciativas e medidas para reduzir a vulnerabilidade dos sistemas naturais e
humanos frente aos efeitos atuais e esperados da mudança do clima; (Incluído pela lei nº
12.114, de 2009)

h) estudos e projetos de prevenção, controle e remediação relacionados ao


desmatamento e à poluição atmosférica; (Incluído pela lei nº 12.114, de 2009)
i) iniciativas de fortalecimento do Sistema Nacional do Meio Ambiente - SISNAMA;
(Incluído pela lei nº 12.114, de 2009)

III - quarenta por cento para o Estado onde ocorrer a produção em terra, ou confrontante
com a plataforma continental onde se realizar a produção;

IV - dez por cento para o Município onde ocorrer a produção em terra, ou confrontante
com a plataforma continental onde se realizar a produção.

§ 3° (Revogado pela Lei nº 12.114, de 2009)

§ 4o Nas áreas localizadas no pré-sal contratadas sob o regime de concessão, a parcela


da participação especial que cabe à administração direta da União será destinada
integralmente ao fundo de natureza contábil e financeira, criado por lei específica, com a
finalidade de constituir fonte de recursos para o desenvolvimento social e regional, na forma de
programas e projetos nas áreas de combate à pobreza e de desenvolvimento da educação, da
cultura, do esporte, da saúde pública, da ciência e tecnologia, do meio ambiente e de mitigação
e adaptação às mudanças climáticas, vedada sua destinação aos órgãos específicos de que
trata este artigo. (Incluído pela Lei nº 12.351, de 2010)

Art. 51. O edital e o contrato disporão sobre o pagamento pela ocupação ou retenção de
área, a ser feito anualmente, fixado por quilômetro quadrado ou fração da superfície do bloco,
na forma da regulamentação por decreto do Presidente da República.

Parágrafo único. O valor do pagamento pela ocupação ou retenção de área será


aumentado em percentual a ser estabelecido pela ANP, sempre que houver prorrogação do
prazo de exploração.

Art. 52. Constará também do contrato de concessão de bloco localizado em terra cláusula
que determine o pagamento aos proprietários da terra de participação equivalente, em moeda
corrente, a um percentual variável entre cinco décimos por cento e um por cento da produção
de petróleo ou gás natural, a critério da ANP.

Parágrafo único. A participação a que se refere este artigo será distribuída na proporção
da produção realizada nas propriedades regularmente demarcadas na superfície do bloco.

CAPÍTULO VI

Do Refino de Petróleo e do Processamento de Gás Natural

Art. 53. Qualquer empresa ou consórcio de empresas que atenda ao disposto no art. 5o
desta Lei poderá submeter à ANP proposta, acompanhada do respectivo projeto, para a
construção e operação de refinarias e de unidades de processamento, de liquefação, de
regaseificação e de estocagem de gás natural, bem como para a ampliação de sua
capacidade. (Redação dada pela Lei nº 11.909, de 2009)

§ 1º A ANP estabelecerá os requisitos técnicos, econômicos e jurídicos a serem atendidos


pelos proponentes e as exigências de projeto quanto à proteção ambiental e à segurança
industrial e das populações.

§ 2º Atendido o disposto no parágrafo anterior, a ANP outorgará a autorização a que se


refere o inciso V do art. 8º, definindo seu objeto e sua titularidade.

Art. 54. É permitida a transferência da titularidade da autorização, mediante prévia e


expressa aprovação pela ANP, desde que o novo titular satisfaça os requisitos expressos no §
1º do artigo anterior.
Art. 55. No prazo de cento e oitenta dias, a partir da publicação desta Lei, a ANP expedirá
as autorizações relativas às refinarias e unidades de processamento de gás natural existentes,
ratificando sua titularidade e seus direitos.

Parágrafo único. As autorizações referidas neste artigo obedecerão ao disposto no art. 53


quanto à transferência da titularidade e à ampliação da capacidade das instalações.

CAPÍTULO VII

Do Transporte de Petróleo, seus Derivados e Gás Natural

Art. 56. Observadas as disposições das leis pertinentes, qualquer empresa ou consórcio
de empresas que atender ao disposto no art. 5° pode rá receber autorização da ANP para
construir instalações e efetuar qualquer modalidade de transporte de petróleo, seus derivados
e gás natural, seja para suprimento interno ou para importação e exportação.

Parágrafo único. A ANP baixará normas sobre a habilitação dos interessados e as


condições para a autorização e para transferência de sua titularidade, observado o
atendimento aos requisitos de proteção ambiental e segurança de tráfego.

Art. 57. No prazo de cento e oitenta dias, a partir da publicação desta Lei, a PETROBRÁS
e as demais empresas proprietárias de equipamentos e instalações de transporte marítimo e
dutoviário receberão da ANP as respectivas autorizações, ratificando sua titularidade e seus
direitos.

Parágrafo único. As autorizações referidas neste artigo observarão as normas de que trata
o parágrafo único do artigo anterior, quanto à transferência da titularidade e à ampliação da
capacidade das instalações.

Art. 58. Será facultado a qualquer interessado o uso dos dutos de transporte e dos
terminais marítimos existentes ou a serem construídos, com exceção dos terminais de Gás
Natural Liquefeito - GNL, mediante remuneração adequada ao titular das instalações ou da
capacidade de movimentação de gás natural, nos termos da lei e da regulamentação
aplicável. (Redação dada pela Lei nº 11.909, de 2009)

§ 1o A ANP fixará o valor e a forma de pagamento da remuneração adequada com base


em critérios previamente estabelecidos, caso não haja acordo entre as partes, cabendo-lhe
também verificar se o valor acordado é compatível com o mercado. (Redação dada pela Lei
nº 11.909, de 2009)

§ 2º A ANP regulará a preferência a ser atribuída ao proprietário das instalações para


movimentação de seus próprios produtos, com o objetivo de promover a máxima utilização da
capacidade de transporte pelos meios disponíveis.

§ 3o A receita referida no caput deste artigo deverá ser destinada a quem efetivamente
estiver suportando o custo da capacidade de movimentação de gás natural. (Incuído pela Lei nº
11.909, de 2009)

Art. 59. Os dutos de transferência serão reclassificados pela ANP como dutos de
transporte, caso haja comprovado interesse de terceiros em sua utilização, observadas as
disposições aplicáveis deste Capítulo.

CAPÍTULO VIII

Da Importação e Exportação de Petróleo,

seus Derivados e Gás Natural


Art. 60. Qualquer empresa ou consórcio de empresas que atender ao disposto no art. 5°
poderá receber autorização da ANP para exercer a atividade de importação e exportação de
petróleo e seus derivados, de gás natural e condensado.

Parágrafo único. O exercício da atividade referida no caput deste artigo observará as


diretrizes do CNPE, em particular as relacionadas com o cumprimento das disposições do art.
4° da Lei n° 8.176, de 8 de fevereiro de 1991 , e obedecerá às demais normas legais e
regulamentares pertinentes.

CAPÍTULO IX

Da Petrobrás

Art. 61. A Petróleo Brasileiro S.A. - PETROBRÁS é uma sociedade de economia mista
vinculada ao Ministério de Minas e Energia, que tem como objeto a pesquisa, a lavra, a
refinação, o processamento, o comércio e o transporte de petróleo proveniente de poço, de
xisto ou de outras rochas, de seus derivados, de gás natural e de outros hidrocarbonetos
fluidos, bem como quaisquer outras atividades correlatas ou afins, conforme definidas em lei.

§ 1º As atividades econômicas referidas neste artigo serão desenvolvidas pela


PETROBRÁS em caráter de livre competição com outras empresas, em função das condições
de mercado, observados o período de transição previsto no Capítulo X e os demais princípios e
diretrizes desta Lei.

§ 2° A PETROBRÁS, diretamente ou por interm édio de suas subsidiárias, associada ou


não a terceiros, poderá exercer, fora do território nacional, qualquer uma das atividades
integrantes de seu objeto social.

Art. 62. A União manterá o controle acionário da PETROBRÁS com a propriedade e posse
de, no mínimo, cinqüenta por cento das ações, mais uma ação, do capital votante.

Parágrafo único. O capital social da PETROBRÁS é dividido em ações ordinárias, com


direito de voto, e ações preferenciais, estas sempre sem direito de voto, todas escriturais, na
forma do art. 34 da Lei n° 6.404, de 15 de dezembro de 1976 .

Art. 63. A PETROBRÁS e suas subsidiárias ficam autorizadas a formar consórcios com
empresas nacionais ou estrangeiras, na condição ou não de empresa líder, objetivando
expandir atividades, reunir tecnologias e ampliar investimentos aplicados à indústria do
petróleo.

Art. 64. Para o estrito cumprimento de atividades de seu objeto social que integrem a
indústria do petróleo, fica a PETROBRÁS autorizada a constituir subsidiárias, as quais poderão
associar-se, majoritária ou minoritariamente, a outras empresas.

Art. 65. A PETROBRÁS deverá constituir uma subsidiária com atribuições específicas de
operar e construir seus dutos, terminais marítimos e embarcações para transporte de petróleo,
seus derivados e gás natural, ficando facultado a essa subsidiária associar-se, majoritária ou
minoritariamente, a outras empresas.

Art. 66. A PETROBRÁS poderá transferir para seus ativos os títulos e valores recebidos
por qualquer subsidiária, em decorrência do Programa Nacional de Desestatização, mediante
apropriada redução de sua participação no capital social da subsidiária.

Art. 67. Os contratos celebrados pela PETROBRÁS, para aquisição de bens e serviços,
serão precedidos de procedimento licitatório simplificado, a ser definido em decreto do
Presidente da República.
Art. 68. Com o objetivo de compor suas propostas para participar das licitações que
precedem as concessões de que trata esta Lei, a PETROBRÁS poderá assinar pré-contratos,
mediante a expedição de cartas-convites, assegurando preços e compromissos de
fornecimento de bens e serviços.

Parágrafo único. Os pré-contratos conterão cláusula resolutiva de pleno direito, a ser


exercida, sem penalidade ou indenização, no caso de outro licitante ser declarado vencedor, e
serão submetidos, a posteriori, à apreciação dos órgãos de controle externo e fiscalização.

CAPÍTULO IX-A
(Incluído pela Lei nº 12.490, de 2011)

DAS ATIVIDADES ECONÔMICAS DA INDÚSTRIA DE BIOCOMBUSTÍVEIS

Art. 68-A. Qualquer empresa ou consórcio de empresas constituídas sob as leis


brasileiras com sede e administração no País poderá obter autorização da ANP para exercer
as atividades econômicas da indústria de biocombustíveis. (Incluído pela Lei nº 12.490, de
2011)

§ 1o As autorizações de que trata o caput destinam-se a permitir a exploração das


atividades econômicas em regime de livre iniciativa e ampla competição, nos termos da
legislação específica. (Incluído pela Lei nº 12.490, de 2011)

§ 2o A autorização de que trata o caput deverá considerar a comprovação, pelo


interessado, quando couber, das condições previstas em lei específica, além das seguintes,
conforme regulamento: (Incluído pela Lei nº 12.490, de 2011)

I - estar constituído sob as leis brasileiras, com sede e administração no País; (Incluído
pela Lei nº 12.490, de 2011)

II - estar regular perante as fazendas federal, estadual e municipal, bem como


demonstrar a regularidade de débitos perante a ANP; (Incluído pela Lei nº 12.490, de 2011)

III - apresentar projeto básico da instalação, em conformidade às normas e aos padrões


técnicos aplicáveis à atividade; (Incluído pela Lei nº 12.490, de 2011)

IV - apresentar licença ambiental, ou outro documento que a substitua, expedida pelo


órgão competente; (Incluído pela Lei nº 12.490, de 2011)

V - apresentar projeto de controle de segurança das instalações aprovado pelo órgão


competente; (Incluído pela Lei nº 12.490, de 2011)

VI - deter capital social integralizado ou apresentar outras fontes de financiamento


suficientes para o empreendimento. (Incluído pela Lei nº 12.490, de 2011)

§ 3o A autorização somente poderá ser revogada por solicitação do próprio interessado


ou por ocasião do cometimento de infrações passíveis de punição com essa penalidade,
conforme previsto em lei. (Incluído pela Lei nº 12.490, de 2011)

§ 4o A autorização será concedida pela ANP em prazo a ser estabelecido na forma do


regulamento. (Incluído pela Lei nº 12.490, de 2011)

§ 5o A autorização não poderá ser concedida se o interessado, nos 5 (cinco) anos


anteriores ao requerimento, teve autorização para o exercício de atividade regulamentada pela
ANP revogada em decorrência de penalidade aplicada em processo administrativo com
decisão definitiva. (Incluído pela Lei nº 12.490, de 2011)
§ 6o Não são sujeitas à regulação e à autorização pela ANP a produção agrícola, a
fabricação de produtos agropecuários e alimentícios e a geração de energia elétrica, quando
vinculadas ao estabelecimento no qual se construirá, modificará ou ampliará a unidade de
produção de biocombustível. (Incluído pela Lei nº 12.490, de 2011)

§ 7o A unidade produtora de biocombustível que produzir ou comercializar energia


elétrica deverá atender às normas e aos regulamentos estabelecidos pelos órgãos e entidades
competentes. (Incluído pela Lei nº 12.490, de 2011)

§ 8o São condicionadas à prévia aprovação da ANP a modificação ou a ampliação de


instalação relativas ao exercício das atividades econômicas da indústria de biocombustíveis.
(Incluído pela Lei nº 12.490, de 2011)

CAPÍTULO X

Das Disposições Finais e Transitórias

SEÇÃO I

Do Período de Transição

Art. 69. Durante o período de transição, que se estenderá, no máximo, até o dia 31 de
dezembro de 2001, os reajustes e revisões de preços dos derivados básicos de petróleo e gás
natural, praticados pelas unidades produtoras ou de processamento, serão efetuados segundo
diretrizes e parâmetros específicos estabelecidos, em ato conjunto, pelos Ministros de Estado
da Fazenda e de Minas e Energia." (Redação dada pela Lei nº 9.990, 21.7.2000) (Vide Lei
10.453, de .13.52002)

Art. 70. Durante o período de transição de que trata o artigo anterior, a ANP estabelecerá
critérios para as importações de petróleo, de seus derivados básicos e de gás natural, os quais
serão compatíveis com os critérios de desregulamentação de preços, previstos no mesmo
dispositivo.

Art. 71. Os derivados de petróleo e de gás natural que constituam insumos para a
indústria petroquímica terão o tratamento previsto nos arts. 69 e 70, objetivando a
competitividade do setor.

Art. 72. Durante o prazo de cinco anos, contados a partir da data de publicação desta Lei,
a União assegurará, por intermédio da ANP, às refinarias em funcionamento no país, excluídas
do monopólio da União, nos termos do art. 45 do Ato das Disposições Constitucionais
Transitórias, condições operacionais e econômicas, com base nos critérios em vigor, aplicados
à atividade de refino.

Parágrafo único. No prazo previsto neste artigo, observar-se-á o seguinte:

I - (VETADO)

II - as refinarias se obrigam a submeter à ANP plano de investimentos na modernização


tecnológica e na expansão da produtividade de seus respectivos parques de refino, com vistas
ao aumento da produção e à conseqüente redução dos subsídios a elas concedidos;

III - a ANP avaliará, periodicamente, o grau de competitividade das refinarias, a realização


dos respectivos planos de investimentos e a conseqüente redução dos subsídios relativos a
cada uma delas.
Art. 73. Até que se esgote o período de transição estabelecido no art. 69, os preços dos
derivados básicos praticados pela PETROBRÁS poderão considerar os encargos resultantes
de subsídios incidentes sobre as atividades por ela desenvolvidas.

Parágrafo único. À exceção das condições e do prazo estabelecidos no artigo anterior,


qualquer subsídio incidente sobre os preços dos derivados básicos, transcorrido o período
previsto no art. 69, deverá ser proposto pelo CNPE e submetido à aprovação do Congresso
Nacional, nos termos do inciso II do art. 2°.

Art. 74. A Secretaria do Tesouro Nacional procederá ao levantamento completo de todos


os créditos e débitos recíprocos da União e da PETROBRÁS, abrangendo as diversas contas
de obrigações recíprocas e subsídios, inclusive os relativos à denominada Conta Petróleo,
Derivados e Álcool, instituída pela Lei nº 4.452, de 5 de novembro de 1964, e legislação
complementar, ressarcindo-se o Tesouro dos dividendos mínimos legais que tiverem sido
pagos a menos desde a promulgação da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976. (Vide Lei nº
10.742, de 6.10.2003)

Parágrafo único. Até que se esgote o período de transição, o saldo credor desse encontro
de contas deverá ser liquidado pela parte devedora, ficando facultado à União, caso seja a
devedora, liquidá-lo em títulos do Tesouro Nacional.

SEÇÃO II

Das Disposições Finais

Art. 75. Na composição da primeira Diretoria da ANP, visando implementar a transição


para o sistema de mandatos não coincidentes, o Diretor-Geral e dois Diretores serão
nomeados pelo Presidente da República, por indicação do Ministro de Estado de Minas e
Energia, respectivamente com mandatos de três, dois e um ano, e dois Diretores serão
nomeados conforme o disposto nos §§ 2º e 3° do art. 11.

Art. 76. A ANP poderá contratar especialistas para a execução de trabalhos nas áreas
técnica, econômica e jurídica, por projetos ou prazos limitados, com dispensa de licitação nos
casos previstos na legislação aplicável.

Parágrafo único. (Revogado pela Lei 10.871, de 2004)

Art. 77. O Poder Executivo promoverá a instalação do CNPE e implantará a ANP,


mediante a aprovação de sua estrutura regimental, em até cento e vinte dias, contados a partir
da data de publicação desta Lei.

§ 1º A estrutura regimental da ANP incluirá os cargos em comissão e funções gratificadas


existentes no DNC.

§ 2º (VETADO)

§ 3º Enquanto não implantada a ANP, as competências a ela atribuídas por esta Lei serão
exercidas pelo Ministro de Estado de Minas e Energia.

Art. 78. Implantada a ANP, ficará extinto o DNC.

Parágrafo único. Serão transferidos para a ANP o acervo técnico-patrimonial, as


obrigações, os direitos e as receitas do DNC.

Art. 79. Fica o Poder Executivo autorizado a remanejar, transferir ou utilizar os saldos
orçamentários do Ministério de Minas e Energia, para atender às despesas de estruturação e
manutenção da ANP, utilizando como recursos as dotações orçamentárias destinadas às
atividades finalísticas e administrativas, observados os mesmos subprojetos, subatividades e
grupos de despesa previstos na Lei Orçamentária em vigor.

Art. 80. As disposições desta Lei não afetam direitos anteriores de terceiros, adquiridos
mediante contratos celebrados com a PETROBRÁS, em conformidade com as leis em vigor, e
não invalidam os atos praticados pela PETROBRÁS e suas subsidiárias, de acordo com seus
estatutos, os quais serão ajustados, no que couber, a esta Lei.

Art. 81. Não se incluem nas regras desta Lei os equipamentos e instalações destinados a
execução de serviços locais de distribuição de gás canalizado, a que se refere o § 2º do art. 25
da Constituição Federal.

Art. 82. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

Art. 83. Revogam-se as disposições em contrário, inclusive a Lei nº 2.004, de 3 de


outubro de 1953.

Brasília, 6 de agosto de 1997; 176º da Independência e 109º da República.

FERNANDO HENRIQUE CARDOSO


Iris Rezende
Raimundo Brito
Luiz Carlos Bresser Pereira

Este texto não substitui o publicado no D.O.U. de 7.8.1997


LEI Nº 11.909, DE 4 DE MARÇO DE 2009
Dispõe sobre as atividades relativas ao
transporte de gás natural, de que trata o art.
177 da Constituição Federal, bem como sobre
as atividades de tratamento, processamento,
estocagem, liquefação, regaseificação e
comercialização de gás natural; altera a Lei no
9.478, de 6 de agosto de 1997; e dá outras
providências.

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu


sanciono a seguinte Lei:

CAPÍTULO I

DISPOSIÇÕES PRELIMINARES

Art. 1o Esta Lei institui normas para a exploração das atividades econômicas de
transporte de gás natural por meio de condutos e da importação e exportação de gás natural,
de que tratam os incisos III e IV do caput do art. 177 da Constituição Federal, bem como para
a exploração das atividades de tratamento, processamento, estocagem, liquefação,
regaseificação e comercialização de gás natural.

§ 1o As atividades econômicas de que trata este artigo serão reguladas e fiscalizadas


pela União, na qualidade de poder concedente, e poderão ser exercidas por empresa ou
consórcio de empresas constituídos sob as leis brasileiras, com sede e administração no País.

§ 2o A exploração das atividades decorrentes das autorizações e concessões de que


trata esta Lei correrá por conta e risco do empreendedor, não se constituindo, em qualquer
hipótese, prestação de serviço público.

§ 3o Incumbe aos agentes da indústria do gás natural:

I - explorar as atividades relacionadas à indústria do gás natural, na forma prevista nesta


Lei, nas normas técnicas e ambientais aplicáveis e nos respectivos contratos de concessão ou
autorizações, respeitada a legislação específica local sobre os serviços de gás canalizado;

II - permitir ao órgão fiscalizador competente o livre acesso, em qualquer época, às


obras, aos equipamentos e às instalações vinculadas à exploração de sua atividade, bem como
a seus registros contábeis.

Art. 2o Ficam estabelecidas as seguintes definições para os fins desta Lei e de sua
regulamentação:

I - Capacidade de Transporte: volume máximo diário de gás natural que o transportador


pode movimentar em um determinado gasoduto de transporte;

II - Capacidade Contratada de Transporte: volume diário de gás natural que o


transportador é obrigado a movimentar para o carregador, nos termos do respectivo contrato
de transporte;

III - Capacidade Disponível: parcela da capacidade de movimentação do gasoduto de


transporte que não tenha sido objeto de contratação sob a modalidade firme;
IV - Capacidade Ociosa: parcela da capacidade de movimentação do gasoduto de
transporte contratada que, temporariamente, não esteja sendo utilizada;

V - Carregador: agente que utilize ou pretenda utilizar o serviço de movimentação de gás


natural em gasoduto de transporte, mediante autorização da Agência Nacional do Petróleo,
Gás Natural e Biocombustíveis - ANP;

VI - Carregador Inicial: é aquele cuja contratação de capacidade de transporte tenha


viabilizado ou contribuído para viabilizar a construção do gasoduto, no todo ou em parte;

VII - Chamada Pública: procedimento, com garantia de acesso a todos os interessados,


que tem por finalidade a contratação de capacidade de transporte em dutos existentes, a
serem construídos ou ampliados;

VIII - Comercialização de Gás Natural: atividade de compra e venda de gás natural,


realizada por meio da celebração de contratos negociados entre as partes e registrados na
ANP, ressalvado o disposto no § 2o do art. 25 da Constituição Federal;

IX - Consumo Próprio: volume de gás natural consumido exclusivamente nos processos


de produção, coleta, transferência, estocagem e processamento do gás natural;

X - Estocagem de Gás Natural: armazenamento de gás natural em reservatórios naturais


ou artificiais;

XI - Acondicionamento de Gás Natural: confinamento de gás natural na forma gasosa,


líquida ou sólida para o seu transporte ou consumo;

XII - Ponto de Entrega: ponto nos gasodutos de transporte no qual o gás natural é
entregue pelo transportador ao carregador ou a quem este venha a indicar;

XIII - Ponto de Recebimento: ponto nos gasodutos de transporte no qual o gás natural é
entregue ao transportador pelo carregador ou por quem este venha a indicar;

XIV - Gás Natural ou Gás: todo hidrocarboneto que permaneça em estado gasoso nas
condições atmosféricas normais, extraído diretamente a partir de reservatórios petrolíferos ou
gaseíferos, cuja composição poderá conter gases úmidos, secos e residuais;

XV - Gás Natural Liquefeito - GNL: gás natural submetido a processo de liquefação para
estocagem e transporte, passível de regaseificação em unidades próprias;

XVI - Gás Natural Comprimido - GNC: todo gás natural processado e acondicionado para
o transporte em ampolas ou cilindros à temperatura ambiente e a uma pressão que o
mantenha em estado gasoso;

XVII - Gasoduto de Transferência: duto destinado à movimentação de gás natural,


considerado de interesse específico e exclusivo de seu proprietário, iniciando e terminando em
suas próprias instalações de produção, coleta, transferência, estocagem e processamento de
gás natural;

XVIII - Gasoduto de Transporte: gasoduto que realize movimentação de gás natural


desde instalações de processamento, estocagem ou outros gasodutos de transporte até
instalações de estocagem, outros gasodutos de transporte e pontos de entrega a
concessionários estaduais de distribuição de gás natural, ressalvados os casos previstos nos
incisos XVII e XIX do caput deste artigo, incluindo estações de compressão, de medição, de
redução de pressão e de entrega, respeitando-se o disposto no § 2o do art. 25 da Constituição
Federal;
XIX - Gasoduto de Escoamento da Produção: dutos integrantes das instalações de
produção, destinados à movimentação de gás natural desde os poços produtores até
instalações de processamento e tratamento ou unidades de liquefação;

XX - Indústria do Gás Natural: conjunto de atividades econômicas relacionadas com


exploração, desenvolvimento, produção, importação, exportação, processamento, tratamento,
transporte, carregamento, estocagem, acondicionamento, liquefação, regaseificação,
distribuição e comercialização de gás natural;

XXI - Serviço de Transporte Extraordinário: modalidade de contratação de capacidade


disponível, a qualquer tempo, e que contenha condição resolutiva, na hipótese de contratação
da capacidade na modalidade firme;

XXII - Serviço de Transporte Firme: serviço de transporte no qual o transportador se


obriga a programar e transportar o volume diário de gás natural solicitado pelo carregador até a
capacidade contratada de transporte estabelecida no contrato com o carregador;

XXIII - Serviço de Transporte Interruptível: serviço de transporte que poderá ser


interrompido pelo transportador, dada a prioridade de programação do Serviço de Transporte
Firme;

XXIV - Transporte de Gás Natural: movimentação de gás natural em gasodutos de


transporte, abrangendo a construção, a expansão e a operação das instalações;

XXV - Tratamento ou Processamento de Gás Natural: conjunto de operações destinadas


a permitir o seu transporte, distribuição e utilização;

XXVI - Transportador: empresa autorizada ou concessionária da atividade de transporte


de gás natural por meio de duto;

XXVII - Terminal de GNL: instalação utilizada para a liquefação de gás natural ou para a
importação, descarga e regaseificação de GNL, incluindo os serviços auxiliares e tanques de
estocagem temporária necessários para o processo de regaseificação e subseqüente entrega
do gás natural à malha dutoviária ou a outros modais de transporte;

XXVIII - Unidade de Liquefação: instalação na qual o gás natural é liquefeito, de modo a


facilitar a sua estocagem e transporte, podendo compreender unidades de tratamento de gás
natural, trocadores de calor e tanques para estocagem de GNL;

XXIX - Unidade de Regaseificação: instalação na qual o gás natural liquefeito é


regaseificado mediante a imposição de calor para ser introduzido na malha dutoviária, podendo
compreender tanques de estocagem de GNL e regaseificadores, além de equipamentos
complementares;

XXX - Agentes da Indústria do Gás Natural: agentes que atuam nas atividades de
exploração, desenvolvimento, produção, importação, exportação, processamento, tratamento,
transporte, carregamento, estocagem, acondicionamento, liquefação, regaseificação,
distribuição e comercialização de gás natural.

XXXI - Consumidor livre: consumidor de gás natural que, nos termos da legislação
estadual aplicável, tem a opção de adquirir o gás natural de qualquer agente produtor,
importador ou comercializador;

XXXII - Autoprodutor: agente explorador e produtor de gás natural que utiliza parte ou
totalidade de sua produção como matéria-prima ou combustível em suas instalações
industriais;
XXXIII - Auto-importador: agente autorizado para a importação de gás natural que utiliza
parte ou totalidade do produto importado como matéria-prima ou combustível em suas
instalações industriais.

CAPÍTULO II

TRANSPORTE DE GÁS NATURAL

Seção I

Da Exploração da Atividade de Transporte de Gás Natural

Art. 3o A atividade de transporte de gás natural será exercida por sociedade ou


consórcio cuja constituição seja regida pelas leis brasileiras, com sede e administração no
País, por conta e risco do empreendedor, mediante os regimes de:

I - concessão, precedida de licitação; ou

II - autorização.

§ 1o O regime de autorização de que trata o inciso II do caput deste artigo aplicar-se-á


aos gasodutos de transporte que envolvam acordos internacionais, enquanto o regime de
concessão aplicar-se-á a todos os gasodutos de transporte considerados de interesse geral.

§ 2o Caberá ao Ministério de Minas e Energia, ouvida a ANP, fixar o período de


exclusividade que terão os carregadores iniciais para exploração da capacidade contratada dos
novos gasodutos de transporte.

§ 3o A empresa ou o consórcio de empresas concessionários ou autorizados para o


exercício da atividade de transporte de gás natural somente poderão explorar aquelas
atividades referidas no art. 56 da Lei no 9.478, de 6 de agosto de 1997, além das atividades de
estocagem, transporte de biocombustíveis e construção e operação de terminais.

§ 4o Poderá ser delegada à ANP a competência para declarar a utilidade pública, para
fins de desapropriação e instituição de servidão administrativa, das áreas necessárias à
implantação dos gasodutos concedidos ou autorizados e de suas instalações acessórias.

Art. 4o Caberá ao Ministério de Minas e Energia:

I - propor, por iniciativa própria ou por provocação de terceiros, os gasodutos de


transporte que deverão ser construídos ou ampliados;

II - estabelecer as diretrizes para o processo de contratação de capacidade de


transporte;

III - definir o regime de concessão ou autorização, observado o disposto no § 1o do art.


3o desta Lei.

§ 1o O Ministério de Minas e Energia considerará estudos de expansão da malha


dutoviária do País para dar cumprimento ao disposto nos incisos I e III do caput deste artigo.

§ 2o O Ministério de Minas e Energia poderá determinar a utilização do instrumento de


Parceria Público Privada, de que trata a Lei no 11.079, de 30 de dezembro de 2004, bem como
a utilização de recursos provenientes da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico -
CIDE e da Conta de Desenvolvimento Energético, na forma do disposto no art. 13 da Lei no
10.438, de 26 de abril de 2002, para viabilizar a construção de gasoduto de transporte proposto
por sua própria iniciativa e considerado de relevante interesse público.
Art. 5o A outorga de autorização ou a licitação para a concessão da atividade de
transporte que contemple a construção ou a ampliação de gasodutos será precedida de
chamada pública para contratação de capacidade, com o objetivo de identificar os potenciais
carregadores e dimensionar a demanda efetiva.

§ 1o Os carregadores que não possuam autorização deverão solicitar à ANP sua


outorga, na forma e prazo por ela definidos.

§ 2o No decorrer do processo de chamada pública, de forma iterativa, a ANP deverá


fixar a tarifa máxima a ser aplicada aos carregadores interessados na contratação de
capacidade de transporte.

§ 3o Os carregadores que, ao final do processo de chamada pública, solicitarem


capacidade de transporte deverão assinar com a ANP termo de compromisso de compra da
capacidade solicitada.

§ 4o O termo de compromisso referido no § 3o deste artigo será irrevogável e irretratável


e fará parte integrante do edital de licitação.

Art. 6o A ANP, conforme diretrizes do Ministério de Minas e Energia, promoverá, direta


ou indiretamente, o processo de chamada pública de que trata o art. 5o desta Lei.

Art. 7o O Ministério de Minas e Energia poderá determinar que a capacidade de um


gasoduto seja superior àquela identificada na chamada pública, definindo os mecanismos
econômicos para a viabilização do projeto, que poderão prever a utilização do instrumento de
Parceria Público Privada, de que trata a Lei no 11.079, de 30 de dezembro de 2004.

Art. 8o Os gasodutos de transporte somente poderão movimentar gás natural que


atenda às especificações estabelecidas pela ANP, salvo acordo firmado entre transportadores
e carregadores, previamente aprovado pela ANP, que não imponha prejuízo aos demais
usuários.

Art. 9o O transportador deverá permitir a interconexão de outras instalações de


transporte e de transferência, nos termos da regulação estabelecida pela ANP, respeitadas as
especificações do gás natural estabelecidas pela ANP e os direitos dos carregadores
existentes.

Seção II

Da Concessão da Atividade de Transporte de Gás Natural

Art. 10. As concessões de transporte de gás natural contratadas a partir desta Lei
deverão identificar os bens e instalações a serem considerados vinculados à sua exploração e
terão prazo de duração de 30 (trinta) anos, contado da data de assinatura do imprescindível
contrato, podendo ser prorrogado no máximo por igual período, nas condições estabelecidas
no contrato de concessão.

Parágrafo único. As prorrogações referidas neste artigo deverão ser requeridas pelo
concessionário, no prazo de até 12 (doze) meses anteriores à data final do respectivo contrato
de concessão, devendo a ANP manifestar-se sobre o requerimento em até 3 (três) meses
contados dessa data.

Art. 11. Caberá à ANP promover o processo de licitação para concessão da atividade de
transporte de gás natural.

Art. 12. A ANP elaborará os editais de licitação e o contrato de concessão para a


construção ou ampliação e operação dos gasodutos de transporte em regime de concessão.
§ 1o A ANP, mediante delegação do Ministério de Minas e Energia, celebrará os
contratos de concessão referidos nesta Lei.

§ 2o Quando o transportador cuja instalação estiver sendo ampliada participar da


licitação de que trata o caput deste artigo, fica a ele assegurado o direito de preferência, nas
mesmas condições da proposta vencedora.

Art. 13. No processo de licitação, o critério para a seleção da proposta vencedora será o
de menor receita anual, na forma da regulamentação e do edital.

§ 1o A receita anual referida no caput deste artigo corresponde ao montante anual a ser
recebido pelo transportador para a prestação do serviço contratado, na forma prevista no edital
e no contrato de concessão.

§ 2o As tarifas de transporte de gás natural a serem pagas pelos carregadores para o


caso dos gasodutos objeto de concessão serão estabelecidas pela ANP, aplicando à tarifa
máxima fixada no processo de chamada pública o mesmo fator correspondente à razão entre a
receita anual estabelecida no processo licitatório e a receita anual máxima definida no edital de
licitação.

Art. 14. Extinta a concessão, os bens destinados à exploração da atividade de


transporte e considerados vinculados serão incorporados ao patrimônio da União, mediante
declaração de utilidade pública e justa e prévia indenização em dinheiro, ficando sob a
administração do poder concedente, nos termos da específica regulamentação a ser editada.

§ 1o Em qualquer caso de extinção da concessão, o concessionário fará, por sua conta


e risco, a remoção dos bens e equipamentos que não sejam objeto de incorporação pela
União, ficando obrigado a reparar ou indenizar os danos decorrentes de suas atividades e
praticar os atos de recuperação ambiental determinados pelos órgãos competentes.

§ 2o O concessionário cuja concessão tenha sido extinta fica obrigado a continuar


prestando os serviços de transporte até que um novo concessionário seja designado ou o duto
seja desativado.

§ 3o As tarifas de operação para o período a que se refere o § 2o deste artigo serão


estabelecidas pela ANP de modo a cobrir os custos efetivos de uma operação eficiente.

Art. 15. Os bens incorporados ao patrimônio da União na forma do art. 14 desta Lei
poderão compor o conjunto de bens e instalações a serem licitados em conjunto com a nova
concessão para a exploração da atividade de transporte.

§ 1o Na licitação referida no caput deste artigo, poderá ser utilizado como critério de
seleção da proposta vencedora o maior pagamento pelo uso do bem público, o disposto no art.
13 desta Lei ou ainda a combinação de ambos os critérios.

§ 2o Os recursos arrecadados com a licitação de que trata o caput deste artigo poderão
ser revertidos para a expansão da malha de transporte de gás natural e, quando for o caso,
para a indenização das parcelas dos investimentos vinculados a bens a serem incorporados ao
patrimônio da União, ainda não amortizados ou depreciados, que tenham sido realizados com
o objetivo de garantir a continuidade e atualidade do serviço concedido.

§ 3o Somente serão indenizados os investimentos que tenham sido expressamente


autorizados pela ANP.

§ 4o O processo de licitação previsto no caput deste artigo poderá ser iniciado até 24
(vinte e quatro) meses antes do término do período de concessão, visando a garantir a
continuidade dos serviços prestados, ressalvado o disposto no parágrafo único do art. 10 desta
Lei.
Art. 16. É permitida a transferência do contrato de concessão, preservando-se seu
objeto e as condições contratuais.

Parágrafo único. A transferência do contrato somente poderá ocorrer mediante prévia e


expressa autorização da ANP.

Seção III

Do Edital de Licitação

Art. 17. O edital de licitação será acompanhado da minuta básica do contrato de


concessão, devendo indicar, obrigatoriamente:

I - o percurso do gasoduto de transporte objeto da concessão, os pontos de entrega e


recepção, bem como a capacidade de transporte projetada e os critérios utilizados para o seu
dimensionamento;

II - a receita anual máxima de transporte prevista e os critérios utilizados para o seu


cálculo;

III - os requisitos exigidos dos concorrentes e os critérios de pré-qualificação, quando


esse procedimento for adotado;

IV - a relação dos documentos exigidos e os critérios a serem seguidos para aferição da


capacidade técnica, da idoneidade financeira e da regularidade jurídica e fiscal dos
interessados bem como para o julgamento técnico e econômico-financeiro da proposta;

V - a expressa indicação de que caberá ao concessionário o pagamento das


indenizações devidas por desapropriações ou servidões necessárias ao cumprimento do
contrato, bem como a obtenção de licenças nos órgãos competentes, inclusive as de natureza
ambiental;

VI - o prazo, local e horário em que serão fornecidos aos interessados os dados, estudos
e demais elementos e informações necessários à elaboração das propostas, bem como o custo
de sua aquisição;

VII - o período de exclusividade que terão os carregadores iniciais para exploração da


capacidade contratada dos novos gasodutos de transporte;

VIII - o prazo de duração da concessão e a possibilidade de prorrogação, quando for o


caso.

Art. 18. Quando permitida a participação de empresas em consórcio, o edital conterá as


seguintes exigências:

I - comprovação de compromisso, público ou particular, de constituição do consórcio,


subscrito pelas consorciadas;

II - indicação da empresa líder responsável pelo consórcio e pela condução das


operações, sem prejuízo da responsabilidade solidária das demais consorciadas;

III - apresentação por parte de cada uma das empresas consorciadas dos documentos
exigidos para efeito de avaliação da qualificação técnica e econômico-financeira do consórcio;

IV - proibição de participação de uma mesma empresa em outro consórcio, ou


isoladamente, na licitação de um mesmo gasoduto de transporte;
V - outorga de concessão ao consórcio vencedor da licitação condicionada ao registro do
instrumento constitutivo do consórcio, na forma do disposto no parágrafo único do art. 279 da
Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976.

Art. 19. No caso de participação de empresa estrangeira, o edital conterá a exigência de


que ela apresente, juntamente com a sua proposta e em envelope separado:

I - prova de capacidade técnica, idoneidade financeira e regularidade jurídica e fiscal,


nos termos da regulamentação a ser editada pela ANP;

II - inteiro teor dos atos constitutivos e prova de encontrar-se organizada e em


funcionamento regular, conforme a lei de seu país;

III - designação de um representante legal perante a ANP com poderes especiais para a
prática de atos e assunção de responsabilidade relativamente à licitação e à proposta
apresentada;

IV - compromisso de, caso vencedora, constituir empresa segundo as leis brasileiras com sede
e administração no País.

Parágrafo único. A assinatura do contrato de concessão ficará condicionada ao efetivo


cumprimento do compromisso assumido de acordo com o inciso IV do caput deste artigo.

Seção IV

Do Julgamento da Licitação

Art. 20. O julgamento da licitação identificará a proposta mais vantajosa segundo o


critério estabelecido no art. 13 ou no § 1o do art. 15 desta Lei, com fiel observância aos
princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e igualdade entre os
concorrentes.

Seção V

Do Contrato de Concessão

Art. 21. O contrato de concessão deverá refletir fielmente as condições do edital e da


proposta vencedora e terá como cláusulas essenciais:

I - a descrição do gasoduto objeto da concessão;

II - a relação dos bens e instalações destinados à exploração da atividade de transporte


e, nessa qualidade, considerados vinculados, acompanhada da especificação das regras sobre
desocupação e devolução de áreas e retirada de equipamentos, bem como as condições em
que estes serão incorporados pela União, nos casos em que houver sido extinta a concessão;

III - o prazo de duração da concessão e, quando for o caso, as condições de sua


prorrogação;

IV - o cronograma de implantação, o investimento mínimo previsto e as hipóteses de


expansão do gasoduto;

V - a receita anual e os critérios de reajuste;

VI - as garantias prestadas pelo concessionário, inclusive quanto à realização do


investimento proposto;
VII - a especificação das regras sobre desocupação e devolução de áreas, inclusive
retirada de equipamentos e incorporação de bens ao patrimônio da União;

VIII - os procedimentos para acompanhamento e fiscalização das atividades da


concessionária e para a auditoria do contrato;

IX - a obrigatoriedade de o concessionário fornecer à ANP relatórios, dados e


informações relativos às atividades desenvolvidas;

X - as regras de acesso por qualquer carregador interessado ao gasoduto objeto da


concessão, conforme o disposto nesta Lei;

XI - as regras sobre solução de controvérsias relacionadas com o contrato e sua


execução, inclusive a conciliação e a arbitragem;

XII - os casos de rescisão e extinção do contrato;

XIII - as penalidades aplicáveis na hipótese de descumprimento pelo concessionário


das obrigações contratuais;

XIV - o período de exclusividade que terão os carregadores iniciais para exploração da


capacidade contratada dos novos gasodutos de transporte.

Art. 22. Constitui obrigação contratual do concessionário:

I - celebrar com os carregadores contratos de transporte para todas as modalidades de


serviço oferecidas, que deverão ser previamente homologados pela ANP;

II - adotar, em todas as suas operações, as medidas necessárias para a preservação


das instalações, das áreas ocupadas e dos recursos naturais potencialmente afetados,
garantindo a segurança das populações e a proteção do meio ambiente;

III - estabelecer plano de emergência e contingência em face de acidentes e de


quaisquer outros fatos ou circunstâncias que interrompam ou possam interromper os serviços
de transporte;

IV - em caso de qualquer emergência ou contingência, comunicar imediatamente o fato à


ANP e às autoridades competentes;

V - responsabilizar-se civilmente pelos atos de seus prepostos e indenizar todos e


quaisquer danos decorrentes das atividades empreendidas, devendo ressarcir a União dos
ônus que venha a suportar em conseqüência de eventuais demandas motivadas por atos do
concessionário;

VI - adotar as melhores práticas da indústria internacional do gás natural e obedecer às


normas e procedimentos técnicos e científicos pertinentes à atividade de transporte de gás
natural;

VII - disponibilizar, em meio eletrônico acessível a qualquer interessado, informações


sobre as características de suas instalações, os serviços prestados, as tarifas aplicáveis, as
capacidades disponíveis e os contratos celebrados, especificando partes, prazos e quantidades
envolvidas.

Art. 23. No cumprimento de seus deveres, a concessionária poderá, observadas as


condições e limites estabelecidos em regulamento:

I - empregar, na execução dos serviços, equipamentos que não lhe pertençam;


II - contratar com terceiros o desenvolvimento de atividades inerentes, acessórias ou
complementares ao serviço, bem como a implementação de projetos associados.

§ 1o Em qualquer caso, a concessionária continuará sempre responsável perante a ANP


e os carregadores.

§ 2o Serão regidas pelo direito comum as relações da concessionária com os terceiros,


que não terão direitos perante a União.

Art. 24. A concessionária deverá:

I - prestar informações de natureza técnica, operacional, econômico-financeira e contábil


ou outras pertinentes ao serviço, nos termos de regulamento;

II - manter registros contábeis da atividade de transporte de gás separados do exercício


da atividade de estocagem de gás natural;

III - submeter à aprovação da ANP a minuta de contrato padrão a ser celebrado com os
carregadores, que deverá conter cláusula para resolução de eventuais divergências, podendo
prever a convenção de arbitragem, nos termos da Lei no 9.307, de 23 de setembro de 1996;

IV - submeter-se à regulamentação da atividade e a sua fiscalização.

Art. 25. Dependerão de prévia aprovação da ANP a cisão, a fusão, a transformação, a


incorporação, a redução do capital da empresa concessionária ou a transferência de seu
controle societário.

Parágrafo único. (VETADO)

Seção VI

Da Autorização para Atividade de Transporte de Gás Natural

Art. 26. O prazo de duração das novas autorizações de que trata o inciso II do caput do
art. 3o desta Lei será de 30 (trinta) anos, prorrogáveis por igual período, observadas as normas
previstas no ato de outorga e na regulamentação.

§ 1o A ampliação de gasoduto autorizado dar-se-á mantendo-se seu regime e prazo


remanescente.

§ 2o Aplicam-se aos transportadores autorizados de que trata este artigo as disposições


previstas nos arts. 22, 23 e 24 desta Lei.

Art. 27. Os bens destinados à exploração da atividade de transporte sob o regime de


autorização, referentes aos gasodutos decorrentes de acordos internacionais, serão
considerados vinculados à respectiva autorização e, no término do prazo de sua vigência,
deverão ser incorporados ao patrimônio da União, mediante declaração de utilidade pública e
justa e prévia indenização em dinheiro, observado o disposto no § 3o do art. 15 desta Lei, nos
termos da regulamentação.

Art. 28. As tarifas de transporte de gás natural para novos gasodutos objeto de
autorização serão propostas pelo transportador e aprovadas pela ANP, segundo os critérios
por ela previamente estabelecidos.

Seção VII
Dos Gasodutos de Transporte Existentes

Art. 29. Os novos contratos de concessão ou a outorga de autorização para ampliação


de instalação de transporte não prejudicarão os direitos dos transportadores e carregadores
existentes, devendo ser obrigatoriamente outorgado para a expansão o mesmo período
remanescente e regime do gasoduto em ampliação.

Art. 30. Ficam ratificadas as autorizações expedidas pela ANP para o exercício da
atividade de transporte dutoviário de gás natural até a data da publicação desta Lei, na forma
do art. 56 da Lei no 9.478, de 6 de agosto de 1997.

§ 1o Atendidas as obrigações previstas ou a serem estabelecidas no ato de outorga e na


regulação, as autorizações referidas no caput deste artigo terão prazo de duração de 30
(trinta) anos, contado da data de publicação desta Lei ou, para o caso dos empreendimentos
de que trata o § 2o deste artigo, contado da data da outorga da autorização.

§ 2o Aplica-se o disposto neste artigo aos empreendimentos em processo de


licenciamento ambiental que, na data de publicação desta Lei, ainda não tenham obtido
autorização da ANP.

§ 3o Para o caso dos empreendimentos de que tratam o caput e o § 2o deste artigo, o


período de exclusividade que terão os carregadores iniciais será de 10 (dez) anos, contados do
início da operação comercial do respectivo gasoduto de transporte.

§ 4o Os bens e instalações destinados à exploração da atividade de transporte sob o


regime de autorização de que trata este artigo deverão ser considerados vinculados à
respectiva autorização e, mediante declaração de utilidade pública e justa e prévia indenização
em dinheiro, incorporar-se-ão ao patrimônio da União ao término do seu prazo de vigência.

§ 5o Aplicam-se aos transportadores autorizados de que trata este artigo as disposições


previstas nos arts. 22, 23 e 24 desta Lei.

Art. 31. Ficam preservadas as tarifas de transporte e os critérios de revisão já definidos até a
data da publicação desta Lei.

Seção VIII

Do Acesso de Terceiros aos Gasodutos e da Cessão de Capacidade

Art. 32. Fica assegurado o acesso de terceiros aos gasodutos de transporte, nos termos
da lei e de sua regulamentação, observado o disposto no § 2o do art. 3o e no § 3o do art. 30
desta Lei.

Art. 33. O acesso aos gasodutos de transporte dar-se-á, entre outras formas previstas
em regulamentação, por contratação de serviço de transporte:

I - firme, em capacidade disponível;

II - interruptível, em capacidade ociosa; e

III - extraordinário, em capacidade disponível.

Parágrafo único. O acesso aos gasodutos dar-se-á primeiramente na capacidade


disponível e somente após sua integral contratação é que ficará garantido o direito de acesso à
capacidade ociosa, observado o disposto no § 2o do art. 3o e no § 3o do art. 30 desta Lei.
Art. 34. O acesso ao serviço de transporte firme, em capacidade disponível, referido no
inciso I do caput do art. 33 desta Lei, dar-se-á mediante chamada pública realizada pela ANP,
conforme diretrizes do Ministério de Minas e Energia.

Parágrafo único. Os acessos aos serviços de transporte interruptível, em capacidade


ociosa, e extraordinário, em capacidade disponível, dar-se-ão na forma da regulamentação,
assegurada a publicidade, transparência e garantia de acesso a todos os interessados.

Art. 35. Fica autorizada a cessão de capacidade, assim entendida como a transferência, no
todo ou em parte, do direito de utilização da capacidade de transporte contratada sob a
modalidade firme.

Parágrafo único. A ANP deverá disciplinar a cessão de capacidade de que trata este
artigo de forma a preservar os direitos do transportador.

CAPÍTULO III

IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO DE GÁS NATURAL

Art. 36. Qualquer empresa ou consórcio de empresas, desde que constituídos sob as
leis brasileiras, com sede e administração no País, poderão receber autorização do Ministério
de Minas e Energia para exercer as atividades de importação e exportação de gás natural.

Parágrafo único. O exercício das atividades de importação e exportação de gás natural


observará as diretrizes estabelecidas pelo CNPE, em particular as relacionadas com o
cumprimento do disposto no art. 4o da Lei no 8.176, de 8 de fevereiro de 1991.

CAPÍTULO IV

DA ESTOCAGEM E DO ACONDICIONAMENTO DE GÁS NATURAL

Art. 37. A atividade de estocagem de gás natural será exercida por empresa ou
consórcio de empresas, desde que constituídos sob as leis brasileiras, com sede e
administração no País, por conta e risco do empreendedor, mediante concessão, precedida de
licitação, ou autorização.

Art. 38. O exercício da atividade de estocagem de gás natural em reservatórios de


hidrocarbonetos devolvidos à União e em outras formações geológicas não produtoras de
hidrocarbonetos será objeto de concessão de uso, precedida de licitação na modalidade de
concorrência, nos termos do § 1o do art. 22 da Lei no 8.666, de 21 de junho de 1993, devendo a
exploração se dar por conta e risco do concessionário.

§ 1o Caberá ao Ministério de Minas e Energia ou, mediante delegação, à ANP definir as


formações geológicas referidas no caput deste artigo que serão objeto de licitação.

§ 2o A ANP elaborará os editais e promoverá a licitação para concessão das atividades


de estocagem de que trata o caput deste artigo.

§ 3o A ANP, mediante delegação do Ministério de Minas e Energia, celebrará os


contratos de concessão para estocagem de gás natural.

§ 4o Caberá ao Ministério de Minas e Energia, ouvida a ANP, fixar o período de


exclusividade que terão os agentes cuja contratação de capacidade de estocagem tenha
viabilizado ou contribuído para viabilizar a implementação de instalação de estocagem de que
trata o caput deste artigo.
§ 5o O gás natural importado ou extraído, nos termos do art. 26 da Lei no 9.478, de 6 de
agosto de 1997, e armazenado em formações geológicas naturais não constitui propriedade da
União, conforme o art. 20 da Constituição Federal.

Art. 39. A ANP disponibilizará aos interessados, de forma onerosa, os dados geológicos
relativos às áreas com potencial para estocagem de gás natural, para a análise e confirmação
de sua adequação.

§ 1o A realização das atividades de pesquisas exploratórias não exclusivas necessárias


à confirmação da adequação das áreas com potencial para estocagem dependerá de
autorização da ANP.

§ 2o Todos os dados obtidos nas atividades exploratórias de que trata o § 1o deste artigo
serão repassados, de forma não onerosa, para a ANP.

Art. 40. A estocagem de gás natural em instalação diferente das previstas no art. 38
desta Lei será autorizada pela ANP, nos termos da legislação pertinente.

Art. 41. A atividade de acondicionamento de gás natural será exercida por empresa ou
consórcio de empresas, desde que constituídos sob as leis brasileiras, com sede e
administração no País, por conta e risco do empreendedor, mediante autorização.

Art. 42. A ANP regulará o exercício da atividade de acondicionamento para transporte e


comercialização de gás natural ao consumidor final por meio de modais alternativos ao
dutoviário.

§ 1o Entende-se por modais alternativos ao dutoviário a movimentação de gás natural


por meio rodoviário, ferroviário e aquaviário.

§ 2o A ANP articular-se-á com outras agências para adequar a regulação do transporte


referido no § 1o deste artigo, quando for o caso.

CAPÍTULO V

DOS GASODUTOS DE ESCOAMENTO DA PRODUÇÃO E DAS INSTALAÇÕES DE


PROCESSAMENTO,
TRATAMENTO, LIQUEFAÇÃO E REGASEIFICAÇÃO DE GÁS NATURAL

Art. 43. Qualquer empresa ou consórcio de empresas, desde que constituídos sob as
leis brasileiras, com sede e administração no País, poderão receber autorização da ANP para
exercer as atividades de construção, ampliação de capacidade e operação de unidades de
processamento ou tratamento de gás natural.

Parágrafo único. O exercício da atividade de processamento ou tratamento de gás


natural poderá ser autorizado para as empresas que atendam aos requisitos técnicos,
econômicos e jurídicos estabelecidos em regulamento.

Art. 44. Qualquer empresa ou consórcio de empresas, desde que constituídos sob as
leis brasileiras, com sede e administração no País, poderão receber autorização da ANP para
construir e operar unidades de liquefação e regaseificação de gás natural, bem como
gasodutos de transferência e de escoamento da produção, não integrantes de concessão de
exploração e produção de petróleo e gás natural.

Parágrafo único. A regulamentação deverá estabelecer as normas sobre a habilitação dos


interessados e as condições para a outorga da autorização, prevendo as condições para a
transferência de sua titularidade, respeitados os requisitos de proteção ambiental e segurança
das instalações.
Art. 45. Os gasodutos de escoamento da produção, as instalações de tratamento ou
processamento de gás natural, assim como os terminais de liquefação e regaseificação, não
estão obrigados a permitir o acesso de terceiros.

CAPÍTULO VI

Da Distribuição e Comercialização do Gás Natural

Art. 46. O consumidor livre, o autoprodutor ou o auto-importador cujas necessidades de


movimentação de gás natural não possam ser atendidas pela distribuidora estadual poderão
construir e implantar, diretamente, instalações e dutos para o seu uso específico, mediante
celebração de contrato que atribua à distribuidora estadual a sua operação e manutenção,
devendo as instalações e dutos ser incorporados ao patrimônio estadual mediante declaração
de utilidade pública e justa e prévia indenização, quando de sua total utilização.

§ 1o As tarifas de operação e manutenção das instalações serão estabelecidas pelo


órgão regulador estadual em observância aos princípios da razoabilidade, transparência,
publicidade e às especificidades de cada instalação.

§ 2o Caso as instalações e os dutos sejam construídos e implantados pelas distribuidoras


estaduais, as tarifas estabelecidas pelo órgão regulador estadual considerarão os custos de
investimento, operação e manutenção, em observância aos princípios da razoabilidade,
transparência, publicidade e às especificidades de cada instalação.

§ 3o Caso as instalações de distribuição sejam construídas pelo consumidor livre, pelo


autoprodutor ou pelo auto-importador, na forma prevista no caput deste artigo, a distribuidora
estadual poderá solicitar-lhes que as instalações sejam dimensionadas de forma a viabilizar o
atendimento a outros usuários, negociando com o consumidor livre, o autoprodutor ou o auto-
importador as contrapartidas necessárias, sob a arbitragem do órgão regulador estadual.

Art. 47. Ressalvado o disposto no § 2o do art. 25 da Constituição Federal, a


comercialização de gás natural dar-se-á mediante a celebração de contratos registrados na
ANP.

§ 1o Caberá à ANP informar a origem ou a caracterização das reservas que suportarão


o fornecimento dos volumes de gás natural contratados.

§ 2o A ANP, conforme disciplina específica, poderá requerer os dados referidos no § 1o


deste artigo do agente vendedor do gás natural.

Art. 48. Os contratos de comercialização de gás natural deverão conter cláusula para
resolução de eventuais divergências, podendo, inclusive, prever a convenção de arbitragem,
nos termos da Lei no 9.307, de 23 de setembro de 1996.

Art. 49. As empresas públicas e as sociedades de economia mista, suas subsidiárias ou


controladas, titulares de concessão ou autorização ficam autorizadas a aderir ao mecanismo e
à convenção de arbitragem a que se refere o art. 48 desta Lei.

Parágrafo único. Consideram-se disponíveis os direitos relativos a créditos e débitos


decorrentes das contratações de gás natural de que trata o art. 47 desta Lei.

CAPÍTULO VII

DA CONTINGÊNCIA NO SUPRIMENTO DE GÁS NATURAL

Art. 50. Em situações caracterizadas como de contingência no suprimento de gás


natural, mediante proposição do Conselho Nacional de Política Energética - CNPE e decreto do
Presidente da República, as obrigações de fornecimento de gás, em atividades da esfera de
competência da União, e de prestação de serviço de transporte, objeto de contratos celebrados
entre as partes, poderão ser suspensas, em conformidade com diretrizes e políticas contidas
em Plano de Contingência, nos termos da regulamentação do Poder Executivo.

§ 1o Entende-se por contingência a incapacidade temporária, real ou potencial, de


atendimento integral da demanda de gás natural fornecido em base firme decorrente de fato
superveniente imprevisto e involuntário, em atividades da esfera de competência da União, que
acarrete impacto significativo no abastecimento do mercado de gás natural.

§ 2o Em situações de contingência, entende-se por base firme a modalidade de


fornecimento ajustada entre as partes pela qual o fornecedor obriga-se a entregar o gás
regularmente, enquadrando-se nesse conceito o consumo comprovado dos fornecedores em
suas instalações de produção, de transporte, de processamento e industriais.

Art. 51. Fica autorizada a criação do Comitê de Contingenciamento, a ser coordenado


pelo Ministro de Minas e Energia, cuja composição e funcionamento serão estabelecidos em
regulamentação, com a atribuição de elaborar, implementar e acompanhar a execução de
Plano de Contingência para o suprimento de gás natural.

§ 1o O Plano de Contingência, nos termos da regulamentação, deverá dispor sobre:

I - medidas iniciais, quando couberem;

II - medidas que mitiguem a redução na oferta de gás;

III - consumos prioritários;

IV - distribuição de eventuais reduções na oferta de gás de forma isonômica, atendidos


os consumos prioritários e respeitadas as restrições de logística.

§ 2o Em situações de contingência com repercussões imediatas, os agentes envolvidos


com a contingência deverão adotar medidas iniciais, compatíveis com as diretrizes desta Lei e
sua regulamentação, até a instalação do Comitê de Contingenciamento.

§ 3o Instalado o Comitê de Contingenciamento, as medidas iniciais mencionadas no § 2o


deste artigo deverão ser homologadas pelo Comitê, caso estejam de acordo com esta Lei e a
sua regulamentação.

§ 4o Caberá ao Comitê de Contingenciamento declarar o final da contingência.

Art. 52. Durante o período de contingência, a Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural
e Biocombustíveis - ANP assumirá a coordenação da movimentação de gás natural na rede de
transporte do País, de maneira a assegurar que as determinações do Comitê de
Contingenciamento sejam atendidas integralmente.

Parágrafo único. Os transportadores, sob a coordenação da ANP, permanecerão


responsáveis pela operação de seus gasodutos componentes da rede de transporte durante o
período de contingência.

Art. 53. A ANP estabelecerá, nos termos da regulamentação, procedimentos de


contabilização e liquidação, de aplicação compulsória a todos os agentes da indústria do gás
natural, destinados a quitar as diferenças de valores decorrentes das operações comerciais
realizadas entre as partes, em virtude da execução do Plano de Contingência.

§ 1o Até o limite dos volumes contratados, os fornecedores e transportadores afetados


pela execução do Plano de Contingência, porém não envolvidos na situação de contingência,
têm assegurada a manutenção dos preços contratados, ainda que venham a fornecer parte do
volume ofertado a outros consumidores ou distribuidores.

§ 2o Fica autorizada a criação de Câmara de Liquidação, com personalidade jurídica de


direito privado, com o objetivo de efetuar a contabilização e liquidação de que trata este artigo,
sendo facultada a utilização de entidade existente.

§ 3o Os custos decorrentes da operacionalização da Câmara de Liquidação deverão ser


suportados pelos agentes da indústria de gás natural, nos termos da regulamentação.

Art. 54. O descumprimento das determinações do Plano de Contingência implicará


penalidades pecuniárias, correspondentes ao dobro do prejuízo provocado, conforme apuração
da ANP, a ser aplicadas e cobradas do agente infrator pela ANP.

Parágrafo único. A aplicação da penalidade prevista neste artigo não elimina ou


restringe o direito dos agentes prejudicados pelo descumprimento do Plano de Contingência de
exigir reparações, na forma da legislação civil, perante o responsável, pelos eventuais
prejuízos incorridos.

Art. 55. A aplicação do Plano de Contingência não exime o agente que deu causa de ser
responsabilizado por culpa ou dolo.

CAPÍTULO VIII

DISPOSIÇÕES FINAIS E TRANSITÓRIAS

Art. 56. Fica assegurada a manutenção dos atuais regimes de consumo de gás natural
em unidades de produção de fertilizantes e instalações de refinação de petróleo nacional ou
importado existentes na data de publicação desta Lei.

Art. 57. Fica assegurada a manutenção dos atuais regimes e modalidades de


exploração dos gasodutos que, na data de publicação desta Lei, realizem o suprimento de gás
natural em instalações de refinação de petróleo nacional ou importado e unidades de produção
de fertilizantes.

Art. 58. Os arts. 2o, 8o, 23, 53 e 58 da Lei no 9.478, de 6 de agosto de 1997, passam a
vigorar com a seguinte redação:

“Art. 2o ........................................................................

.............................................................................................

VII - estabelecer diretrizes para o uso de gás natural como matéria-prima em processos
produtivos industriais, mediante a regulamentação de condições e critérios específicos, que
visem a sua utilização eficiente e compatível com os mercados interno e externos.

...................................................................................” (NR)

“Art. 8o .................……………........................................

.............................................................................................

V - autorizar a prática das atividades de refinação, liquefação, regaseificação,


carregamento, processamento, tratamento, transporte, estocagem e acondicionamento;

.............................................................................................
VII - fiscalizar diretamente e de forma concorrente nos termos da Lei no 8.078, de 11 de
setembro de 1990, ou mediante convênios com órgãos dos Estados e do Distrito Federal as
atividades integrantes da indústria do petróleo, do gás natural e dos biocombustíveis, bem
como aplicar as sanções administrativas e pecuniárias previstas em lei, regulamento ou
contrato;

.............................................................................................

XIX - regular e fiscalizar o acesso à capacidade dos gasodutos;

XX - promover, direta ou indiretamente, as chamadas públicas para a contratação de


capacidade de transporte de gás natural, conforme as diretrizes do Ministério de Minas e
Energia;

XXI - registrar os contratos de transporte e de interconexão entre instalações de


transporte, inclusive as procedentes do exterior, e os contratos de comercialização,
celebrados entre os agentes de mercado;

XXII - informar a origem ou a caracterização das reservas do gás natural contratado e a


ser contratado entre os agentes de mercado;

XXIII - regular e fiscalizar o exercício da atividade de estocagem de gás natural, inclusive


no que se refere ao direito de acesso de terceiros às instalações concedidas;

XXIV - elaborar os editais e promover as licitações destinadas à contratação de


concessionários para a exploração das atividades de transporte e de estocagem de gás
natural;

XXV - celebrar, mediante delegação do Ministério de Minas e Energia, os contratos de


concessão para a exploração das atividades de transporte e estocagem de gás natural
sujeitas ao regime de concessão;

XXVI - autorizar a prática da atividade de comercialização de gás natural, dentro da


esfera de competência da União;

XXVII - estabelecer critérios para a aferição da capacidade dos gasodutos de transporte


e de transferência;

XXVIII - articular-se com órgãos reguladores estaduais e ambientais, objetivando


compatibilizar e uniformizar as normas aplicáveis à indústria e aos mercados de gás
natural.” (NR)

“Art. 23. ......................................................................

§ 1o ...............................................................................

§ 2o A ANP poderá outorgar diretamente ao titular de direito de lavra ou de autorização


de pesquisa de depósito de carvão mineral concessão para o aproveitamento do gás
metano que ocorra associado a esse depósito, dispensada a licitação prevista no caput
deste artigo.” (NR)

“Art. 53. Qualquer empresa ou consórcio de empresas que atenda ao disposto no art. 5o
desta Lei poderá submeter à ANP proposta, acompanhada do respectivo projeto, para a
construção e operação de refinarias e de unidades de processamento, de liquefação, de
regaseificação e de estocagem de gás natural, bem como para a ampliação de sua
capacidade.
...................................................................................” (NR)

“Art. 58. Será facultado a qualquer interessado o uso dos dutos de transporte e dos
terminais marítimos existentes ou a serem construídos, com exceção dos terminais de Gás
Natural Liquefeito - GNL, mediante remuneração adequada ao titular das instalações ou da
capacidade de movimentação de gás natural, nos termos da lei e da regulamentação
aplicável.

§ 1o A ANP fixará o valor e a forma de pagamento da remuneração adequada com base


em critérios previamente estabelecidos, caso não haja acordo entre as partes, cabendo-lhe
também verificar se o valor acordado é compatível com o mercado.

.............................................................................................

§ 3o A receita referida no caput deste artigo deverá ser destinada a quem efetivamente
estiver suportando o custo da capacidade de movimentação de gás natural.” (NR)

Art. 59. A Lei no 9.478, de 6 de agosto de 1997, passa a vigorar acrescida do seguinte
art. 8o-A:

“Art. 8o-A. Caberá à ANP supervisionar a movimentação de gás natural na rede de


transporte e coordená-la em situações caracterizadas como de contingência.

§ 1o O Comitê de Contingenciamento definirá as diretrizes para a coordenação das


operações da rede de movimentação de gás natural em situações caracterizadas como de
contingência, reconhecidas pelo Presidente da República, por meio de decreto.

§ 2o No exercício das atribuições referidas no caput deste artigo, caberá à ANP, sem
prejuízo de outras funções que lhe forem atribuídas na regulamentação:

I - supervisionar os dados e as informações dos centros de controle dos gasodutos de


transporte;

II - manter banco de informações relativo ao sistema de movimentação de gás natural


permanentemente atualizado, subsidiando o Ministério de Minas e Energia com as
informações sobre necessidades de reforço ao sistema;

III - monitorar as entradas e saídas de gás natural das redes de transporte, confrontando
os volumes movimentados com os contratos de transporte vigentes;

IV - dar publicidade às capacidades de movimentação existentes que não estejam sendo


utilizadas e às modalidades possíveis para sua contratação; e

V - estabelecer padrões e parâmetros para a operação e manutenção eficientes do


sistema de transporte e estocagem de gás natural.

§ 3o Os parâmetros e informações relativos ao transporte de gás natural necessários à


supervisão, controle e coordenação da operação dos gasodutos deverão ser
disponibilizados pelos transportadores à ANP, conforme regulação específica.”

Art. 60. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

Brasília, 4 de março de 2009; 188o da Independência e 121o da República.

LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA


Tarso Genro
Guido Mantega
Edison Lobão

Este texto não substitui o publicado no DOU de 5.3.2009


DECRETO Nº 7.382, DE 2 DE DEZEMBRO DE 2010

Regulamenta os Capítulos I a VI e VIII da Lei no


11.909, de 4 de março de 2009, que dispõe
sobre as atividades relativas ao transporte de
gás natural, de que trata o art. 177 da
Constituição Federal, bem como sobre as
atividades de tratamento, processamento,
estocagem, liquefação, regaseificação e
comercialização de gás natural.

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso das atribuições que lhe confere o art. 84,
incisos IV e VI, alínea “a”, da Constituição, e tendo em vista o disposto na Lei no 10.847, de 15
de março de 2004, e na Lei no 11.909, de 4 de março de 2009,

DECRETA:

CAPÍTULO I

DAS DISPOSIÇÕES PRELIMINARES

Art. 1o Este Decreto regulamenta os Capítulos I a VI e VIII da Lei no 11.909, de 4 de


março de 2009, ressalvada a legislação específica sobre serviços locais de gás canalizado.

Parágrafo único. As atividades econômicas de que trata este artigo serão reguladas e
fiscalizadas pela União, na qualidade de poder concedente, e poderão ser exercidas por
sociedade ou consórcio constituído sob as leis brasileiras, com sede e administração no País.

Art. 2o Ficam estabelecidas as seguintes definições para os fins deste Decreto:

I - Acondicionamento de Gás Natural: confinamento de gás natural na forma gasosa,


líquida ou sólida para o seu transporte ou consumo;

II - Agentes da Indústria do Gás Natural: sociedades ou consórcios que atuam nas


atividades de exploração, desenvolvimento, produção, importação, exportação,
processamento, tratamento, transporte, carregamento, estocagem, acondicionamento,
liquefação, regaseificação, distribuição e comercialização de gás natural;

III - Autoimportador: sociedade ou consórcio autorizado para a importação de gás natural


que utiliza parte ou a totalidade do produto importado como matéria-prima ou combustível em
suas instalações industriais;

IV - Autoprodutor: sociedade ou consórcio explorador e produtor de gás natural que


utiliza parte ou a totalidade de sua produção como matéria-prima ou combustível em suas
instalações industriais;

V - Capacidade Contratada de Transporte: volume diário de gás natural que o


transportador é obrigado a movimentar para o carregador, nos termos do respectivo contrato
de transporte;

VI - Capacidade de Transporte: volume máximo diário de gás natural que o transportador


pode movimentar em um determinado gasoduto de transporte;

VII - Capacidade Disponível: parcela da capacidade de movimentação do gasoduto de


transporte que não tenha sido objeto de contratação sob a modalidade firme;
VIII - Capacidade Ociosa: parcela da capacidade de movimentação do gasoduto de
transporte contratada que, temporariamente, não esteja sendo utilizada;

IX - Carregador: agente que utilize ou pretenda utilizar o serviço de movimentação de


gás natural em gasoduto de transporte, mediante autorização da Agência Nacional do Petróleo,
Gás Natural e Biocombustíveis - ANP;

X - Carregador Inicial: é aquele cuja contratação de capacidade de transporte tenha


viabilizado ou contribuído para viabilizar a construção do gasoduto, no todo ou em parte;

XI - Chamada Pública: procedimento, com garantia de acesso a todos os interessados,


que tem por finalidade a contratação de capacidade de transporte em dutos existentes, a
serem construídos ou ampliados;

XII - Comercialização de Gás Natural: atividade de compra e venda de gás natural,


realizada por meio da celebração de contratos negociados entre as partes e registrados na
ANP, ressalvado o disposto no § 2o do art. 25 da Constituição;

XIII - Consumidor Livre: consumidor de gás natural que, nos termos da legislação
estadual aplicável, tem a opção de adquirir o gás natural de qualquer agente produtor,
importador ou comercializador;

XIV - Consumo Próprio: volume de gás natural consumido exclusivamente nos


processos de produção, coleta, transferência, liquefação, regaseificação, estocagem e
processamento do gás natural;

XV - Estocagem de Gás Natural: armazenamento de gás natural em reservatórios


naturais ou artificiais;

XVI - Gás Natural Comprimido - GNC: todo gás natural processado e acondicionado para
o transporte em ampolas ou cilindros à temperatura ambiente e a pressão que o mantenha em
estado gasoso;

XVII - Gás Natural Liquefeito - GNL: gás natural submetido a processo de liquefação
para estocagem e transporte, passível de regaseificação em unidades próprias;

XVIII - Gás Natural ou Gás: todo hidrocarboneto que permaneça em estado gasoso nas
condições atmosféricas normais, extraído diretamente a partir de reservatórios petrolíferos ou
gaseíferos, cuja composição poderá conter gases úmidos, secos e residuais;

XIX - Gasoduto de Escoamento da Produção: dutos integrantes das instalações de


produção, destinados à movimentação de gás natural desde os poços produtores até
instalações de processamento e tratamento ou unidades de liquefação;

XX - Gasoduto de Referência: projeto de gasoduto utilizado para efeito da definição das


tarifas e receitas anuais máximas a serem consideradas nas chamadas públicas e nas
licitações das concessões;

XXI - Gasoduto de Transferência: duto destinado à movimentação de gás natural,


considerado de interesse específico e exclusivo de seu proprietário, iniciando e terminando em
suas próprias instalações de produção, coleta, transferência, estocagem e processamento de
gás natural;

XXII - Gasoduto de Transporte: gasoduto que realize movimentação de gás natural


desde instalações de tratamento ou processamento, de estocagem ou outros gasodutos de
transporte até instalações de estocagem, outros gasodutos de transporte e pontos de entrega a
concessionários estaduais de distribuição de gás natural, ressalvados os casos previstos nos
incisos XIX e XXI, incluindo estações de compressão, de medição, de redução de pressão e
pontos de entrega, respeitando-se o disposto no § 2º do art. 25 da Constituição;

XXIII - Indústria do Gás Natural: conjunto de atividades econômicas relacionadas com


exploração, desenvolvimento, produção, importação, exportação, processamento, tratamento,
transporte, carregamento, estocagem, acondicionamento, liquefação, regaseificação,
distribuição e comercialização de gás natural;

XXIV - Ponto de Entrega: ponto nos gasodutos de transporte no qual o gás natural é
entregue pelo transportador ao carregador ou a quem este venha a indicar, nos termos da
regulação da ANP;

XXV - Ponto de Recebimento: ponto nos gasodutos de transporte no qual o gás natural é
entregue ao transportador pelo carregador ou por quem este venha a indicar, nos termos da
regulação da ANP;

XXVI - Serviço de Transporte Extraordinário: modalidade de contratação de capacidade


disponível, a qualquer tempo, e que contenha condição resolutiva, na hipótese de contratação
da capacidade na modalidade firme;

XXVII - Serviço de Transporte Firme: serviço de transporte no qual o transportador se


obriga a programar e transportar o volume diário de gás natural solicitado pelo carregador até a
capacidade contratada de transporte estabelecida no contrato com o carregador;

XXVIII - Serviço de Transporte Interruptível: serviço de transporte contratado em


capacidade ociosa que poderá ser interrompido pelo transportador, dada a prioridade de
programação do Serviço de Transporte Firme;

XXIX - Terminal de GNL: instalação utilizada para a liquefação de gás natural ou para a
importação, descarga e regaseificação de GNL, incluindo os serviços auxiliares e tanques de
estocagem temporária necessários para o processo de regaseificação e subsequente entrega
do gás natural à malha dutoviária ou a outros modais de transporte;

XXX - Transportador: sociedade ou consórcio, concessionário ou autorizado para o


exercício da atividade de transporte de gás natural por meio de duto;

XXXI - Transporte de Gás Natural: movimentação de gás natural em gasodutos de


transporte, abrangendo a construção, a expansão, a operação e a manutenção das
instalações;

XXXII - Tratamento ou Processamento de Gás Natural: conjunto de operações


destinadas a permitir o transporte, distribuição e utilização de gás natural;

XXXIII - Unidade de Liquefação: instalação na qual o gás natural é liquefeito, de modo a


facilitar a sua estocagem e transporte, podendo compreender unidades de tratamento de gás
natural, trocadores de calor e tanques para estocagem de GNL; e

XXXIV - Unidade de Regaseificação: instalação na qual o gás natural liquefeito é


regaseificado mediante a imposição de calor para ser introduzido na malha dutoviária, podendo
compreender tanques de estocagem de GNL e regaseificadores, além de equipamentos
complementares.

Parágrafo único. As atividades de regaseificação e liquefação de gás natural não estão


compreendidas no conjunto de operações referido no inciso XXXII.

Art. 3o Incumbe aos agentes da indústria do gás natural, entre outras:


I - explorar as atividades na forma prevista neste Decreto, nas normas técnicas e
ambientais aplicáveis e nos respectivos contratos de concessão ou autorizações; e

II - permitir ao órgão fiscalizador competente o livre acesso, em qualquer época, às obras,


aos equipamentos e às instalações vinculadas à exploração de sua atividade, bem como a seus
registros contábeis.

CAPÍTULO II

DO TRANSPORTE DE GÁS NATURAL

Seção I

Da Exploração da Atividade de Transporte de Gás Natural

Art. 4o A atividade de transporte de gás natural será exercida por sociedade ou


consórcio cuja constituição seja regida pelas leis brasileiras, com sede e administração no
País, por conta e risco do empreendedor, mediante os regimes de:

I - concessão, precedida de licitação; ou

II - autorização.

§ 1o Aplicar-se-á o regime de autorização de que trata o inciso II, observado o disposto


no § 2o do art. 41, nos seguintes casos:

I - aos gasodutos de transporte que envolvam acordos internacionais, conforme definidos


pelo Ministério de Minas e Energia;

II - aos gasodutos existentes, em 5 de março de 2009;

III - aos gasodutos que, em 5 de março de 2009, tenham atendido às seguintes


condições:

a) estejam autorizados pela ANP e ainda não tenham sido construídos; ou

b) tenham iniciado o processo de licenciamento ambiental, mas ainda não estejam


autorizados pela ANP;

IV - às ampliações dos gasodutos previstos nos incisos I, II e III.

§ 2o Aplicar-se-á o regime de concessão aos demais gasodutos de transporte e suas


ampliações.

§ 3o A sociedade ou consórcio, concessionário ou autorizado para o exercício da


atividade de transporte de gás natural somente poderá explorar aquelas atividades referidas no
art. 56 da Lei no 9.478, de 6 de agosto de 1997, além das atividades de estocagem, transporte
de biocombustíveis, construção e operação de terminais.

Art. 5o Fica delegada à ANP competência para declarar a utilidade pública, para fins de
desapropriação e instituição de servidão administrativa, das áreas necessárias à implantação
dos gasodutos concedidos ou autorizados e das suas instalações acessórias.

Art. 6o Caberá ao Ministério de Minas e Energia:


I - propor, por iniciativa própria ou por provocação de terceiros, os gasodutos de
transporte que deverão ser construídos ou ampliados;

II - estabelecer as diretrizes para o processo de contratação de capacidade de


transporte;

III - definir o regime de outorga aplicável, em cada caso, à exploração da atividade de


transporte de gás natural, observado o disposto no art. 4o.

§ 1o Para atendimento ao estabelecido no inciso I, o Ministério de Minas e Energia deverá


elaborar o Plano Decenal de Expansão da Malha de Transporte Dutoviário do País,
preferencialmente revisto anualmente, com base em estudos desenvolvidos pela Empresa de
Pesquisa Energética - EPE.

§ 2o Os estudos a serem desenvolvidos pela EPE deverão conter, entre outros


elementos, propostas de traçados, de sistemas de compressão a serem instalados e de
localização de pontos de entrega, bem como as estimativas de investimentos dos gasodutos.

§ 3o O Ministério de Minas e Energia poderá determinar, quando couber, a utilização do


instrumento de parceria público privada, nos termos da Lei no 11.079, de 30 de dezembro de
2004, bem como a utilização de recursos provenientes da Contribuição de Intervenção no
Domínio Econômico - CIDE, nos termos do art. 4o da Lei no 10.604, de 17 de dezembro de
2002, e da Conta de Desenvolvimento Energético - CDE, na forma do disposto no art. 13 da Lei
no 10.438, de 26 de abril de 2002, para viabilizar a construção de gasoduto de transporte
proposto por sua própria iniciativa e considerado de relevante interesse público.

§ 4o O Ministério de Minas e Energia estabelecerá regras para que os agentes da


indústria do gás natural forneçam à EPE dados para a elaboração dos estudos sobre a
expansão da malha de transporte dutoviário.

§ 5o Quando a construção ou a ampliação do gasoduto for solicitada pelos agentes


interessados, na forma do inciso I, o prazo entre a data do protocolo da solicitação e a
correspondente manifestação do Ministério das Minas e Energia sobre o pleito não poderá ser
superior a doze meses.

Art. 7o A outorga de autorização ou a licitação para a concessão da atividade de


transporte, que contemple a construção ou a ampliação de gasodutos, será precedida de
chamada pública para contratação de capacidade, com o objetivo de identificar os potenciais
carregadores e dimensionar a demanda efetiva.

Parágrafo único. Os carregadores que não possuam autorização deverão solicitar à


ANP sua outorga, na forma e prazo por ela definidos.

Art. 8o A ANP elaborará o edital de chamada pública e a promoverá, direta ou


indiretamente, conforme diretrizes estabelecidas pelo Ministério de Minas e Energia.

§ 1o O edital de chamada pública deverá conter a proposta de traçado do gasoduto, a


expectativa de tarifa máxima e a forma de definição do período de exclusividade mencionado
no § 2o do art. 3o da Lei no 11.909, de 2009, entre outros parâmetros.

§ 2o O Ministério de Minas e Energia deverá fornecer, à ANP, as informações básicas do


gasoduto de referência contidas nos estudos de expansão da malha, assim como as
informações disponíveis que possam contribuir para a chamada pública.

§ 3o No decorrer do processo de chamada pública, de forma iterativa, a ANP deverá


fixar a tarifa máxima a ser aplicada aos carregadores interessados na contratação de
capacidade de transporte.
§ 4o A ANP será assessorada pela EPE no processo de chamada pública para a fixação
da tarifa máxima, assim como para redimensionamento das instalações do gasoduto de
referência, em decorrência do resultado da chamada pública e do processo iterativo previsto no
§ 3o.

Art. 9o O Ministério de Minas e Energia poderá determinar que a capacidade de um


gasoduto seja superior àquela identificada durante a chamada pública, definindo os
mecanismos econômicos para a viabilização do projeto, que poderão prever, entre outras
possibilidades, a utilização do instrumento de parceria público privada, de que trata a Lei no
11.079, de 2004.

§ 1o Para os gasodutos que se enquadrarem neste artigo, o período de exclusividade


para a capacidade adicional, determinada pelo Ministério, poderá ser diferente daquele
estabelecido na chamada pública.

§ 2o O aumento da capacidade referido no caput não poderá implicar aumento da tarifa


de transporte do respectivo gasoduto.

Art. 10. Os carregadores que ao final do processo de chamada pública solicitarem


capacidade de transporte deverão assinar, com a ANP, termo de compromisso de compra da
capacidade solicitada.

§ 1o O termo de compromisso referido no caput será irrevogável e irretratável e


integrará o edital de licitação para a concessão da atividade de transporte de gás natural,
devendo conter, entre outras informações, a tarifa máxima e o período de exclusividade.

§ 2o O termo de compromisso deverá prever que o período de exclusividade poderá ser


reduzido ou extinto por meio de processo administrativo, nos termos dos §§ 1o a 3o do art. 11.

§ 3o Antes da assinatura dos termos de compromisso referidos no caput, o Ministério de


Minas e Energia tornará pública a decisão de usar ou não a prerrogativa facultada no art. 9o.

Art. 11. Caberá ao Ministério de Minas e Energia, ouvida a ANP, fixar o período de
exclusividade que terão os carregadores iniciais para exploração da capacidade contratada dos
novos gasodutos de transporte.

§ 1o O período de exclusividade de que trata o caput deverá ser definido de modo a


atender aos seguintes parâmetros:

I - não poderá ser superior a dez anos;

II - deverá considerar o nível de desenvolvimento do mercado a ser atendido;

III - poderá ser variável em função do resultado da chamada pública, nos termos
constantes do respectivo edital; e

IV - encerrar-se-á quando a movimentação em um gasoduto alcançar sua capacidade


máxima de transporte contratada, ainda que o prazo fixado na chamada pública não tenha se
esgotado, nos termos da regulação da ANP.

§ 2o Sempre que a ANP identificar indícios de práticas abusivas por parte de


carregadores iniciais, amparadas na proteção proporcionada pelo período de exclusividade,
deverá instruir representação aos órgãos de defesa da concorrência.

§ 3o A partir de decisão dos órgãos de defesa da concorrência quanto à representação


de que trata o § 1o, o Ministério de Minas e Energia, ouvida a ANP, poderá, sem prejuízo das
penalidades aplicáveis às infrações à ordem econômica, previstas na Lei no 8.884, de 11 de
junho de 1994, rever o prazo de exclusividade estabelecido inicialmente.

§ 4o A ANP, por meio de processo administrativo sancionador que apure indício de infração
às normas deste Decreto ou da respectiva regulação e que não esteja enquadrado no disposto no §
2o, poderá recomendar ao Ministério de Minas e Energia que reveja ou extinga o período de
exclusividade.

Art. 12. Os gasodutos de transporte somente poderão movimentar gás natural que
atenda às especificações estabelecidas pela ANP, salvo acordo firmado entre transportadores
e carregadores, previamente aprovado pela ANP, que não imponha prejuízo aos demais
usuários.

Art. 13. O transportador deverá permitir a interconexão de outras instalações de


transporte e de transferência, nos termos da regulação estabelecida pela ANP, respeitadas as
especificações do gás natural e os direitos dos carregadores existentes.

Art. 14. Caberá à ANP fiscalizar e avaliar as condições de operação dos gasodutos
concedidos e autorizados.

§ 1o A ANP deverá definir os procedimentos necessários ao correto acompanhamento


dos bens destinados à exploração da atividade de transporte de gás natural e considerados
vinculados à autorização ou concessão, inclusive os atinentes às operações de contabilidade
das transportadoras.

§ 2o Será facultado à ANP habilitar pessoas jurídicas certificadoras para realizarem a


avaliação.

§ 3o O custo da avaliação de que trata este artigo será suportado pelo transportador
que, entre as pessoas jurídicas habilitadas, poderá selecionar a que lhe prestará o serviço.

§ 4o O concessionário ou autorizado deverá apresentar à ANP o laudo da pessoa


jurídica certificadora, acompanhado das providências que serão adotadas para a correção de
eventuais problemas identificados.

§ 5o O disposto neste artigo aplica-se também aos gasodutos referidos no art. 41.

Art. 15. A troca operacional de gás natural, denominada swap, deverá ser solicitada aos
transportadores pelos carregadores interessados, nos termos da regulação estabelecida pela
ANP.

§ 1o As receitas decorrentes da troca operacional deverão ser revertidas para a redução


das tarifas de transporte e para a cobertura dos custos adicionais do transportador e respectiva
remuneração do capital investido, a serem aprovados pela ANP.

§ 2o A ANP estabelecerá a nova tarifa a ser paga pelos carregadores considerando o


disposto no § 1o.

§ 3o A nova tarifa estabelecida pela ANP para o agente que solicitar o swap, nos termos
do § 2o,
não poderá ser inferior a dos carregadores existentes, ainda que em fluxo reverso.

Art. 16. Os gasodutos iniciados em terminais de GNL e interligados à malha de


transporte que não integrem o terminal serão considerados gasodutos de transporte.

Parágrafo único. A ANP definirá quais os gasodutos que integram os Terminais de GNL
por meio de regulação específica.
Seção II

Da Concessão da Atividade de Transporte de Gás Natural

Art. 17. As concessões para a construção ou ampliação de gasodutos de transporte de


gás natural deverão ser precedidas de processo licitatório e terão prazo de duração de trinta
anos, contado da data de assinatura do imprescindível contrato, podendo ser prorrogado no
máximo por igual período, nas condições estabelecidas neste Decreto e no contrato de
concessão.

Art. 18. Caberá à ANP elaborar os editais de licitação, os contratos de concessão e


promover o processo de licitação para a construção ou ampliação e operação dos gasodutos
de transporte em regime de concessão, observadas as diretrizes do Ministério de Minas e
Energia.

Art. 19. O Ministério de Minas e Energia celebrará os contratos de concessão referidos


neste Capítulo.

Parágrafo único. A competência prevista no caput poderá ser delegada à ANP por ato
do Ministro de Estado de Minas e Energia.

Art. 20. Quando o transportador, cuja instalação estiver sendo ampliada, participar da
licitação de que trata o art. 17, fica a ele assegurado o direito de preferência para realizar a
ampliação, nas mesmas condições da proposta vencedora.

Parágrafo único. A operação da ampliação dos gasodutos deverá observar as regras


estabelecidas pela ANP.

Art. 21. O concessionário do duto a ser ampliado terá o direito de preferência para
operar a ampliação.

§ 1o O concessionário original, caso exerça o direito previsto no caput, fará jus a tarifa
de operação e manutenção calculada com base nos critérios estabelecidos pela ANP no edital
de licitação.

§ 2o Caso o concessionário original não exerça o direito previsto no caput, os


concessionários poderão acordar sobre a operação da ampliação, conforme a regulação da
ANP.

Art. 22. No processo de licitação, o critério para a seleção da proposta vencedora será o
de menor receita anual, na forma deste Decreto e do edital.

§ 1o A receita referida no caput corresponde ao montante anual a ser recebido pelo


transportador para a prestação do serviço contratado, na forma prevista no edital e no contrato
de concessão.

§ 2o As tarifas de transporte de gás natural a serem pagas pelos carregadores serão


estabelecidas pela ANP, aplicando-se à tarifa máxima fixada no processo de chamada pública
o mesmo fator correspondente à razão entre a receita anual estabelecida no processo licitatório
e a receita anual máxima definida no edital de licitação.

§ 3o Em situações de compartilhamento de infraestrutura de transporte preexistente, o


fator de redução da tarifa poderá ser inferior ao estabelecido no § 2o, conforme regulação da
ANP.

Art. 23. As concessões de transporte de gás natural poderão ser prorrogadas pelo prazo
máximo de trinta anos, nos termos do edital e do contrato de concessão.
§ 1o Havendo previsão contratual, o concessionário poderá requerer à ANP, com
antecedência mínima de doze meses da data de vencimento do contrato de concessão, a
prorrogação do prazo de concessão.

§ 2o A ANP deverá instruir o processo, opinando sobre o pleito do concessionário em


até três meses, contados a partir da data da solicitação, encaminhando-o para deliberação do
Ministério de Minas e Energia.

§ 3o Na hipótese de a ANP opinar pela prorrogação da concessão, o processo a ser


encaminhado para o Ministério de Minas e Energia deverá conter, obrigatoriamente:

I - o novo valor da receita anual a ser percebida pelo concessionário, caso não seja
exigido o pagamento de bônus pela continuidade;

II - o valor máximo do bônus recomendado para pagamento pelo concessionário, na


hipótese de ser mantida a receita anual anterior;

III - pelo menos cinco alternativas combinando bônus e receita anual; e

IV - o novo prazo de vigência da concessão que, preferencialmente, deverá coincidir com


o prazo remanescente da concessão de ampliação, caso haja.

§ 4o Os recursos oriundos do pagamento de bônus pela continuidade da prestação do


serviço de transporte poderão ser revertidos para a expansão da malha de transporte de gás
natural e, quando for o caso, para a indenização das parcelas dos investimentos vinculados a
bens a serem incorporados ao patrimônio da União, ainda não amortizados ou depreciados,
que tenham sido realizados com o objetivo de garantir a continuidade e atualidade do serviço
concedido.

§ 5o O Ministério de Minas e Energia, ouvido o Conselho Nacional de Política Energética


- CNPE, deliberará sobre o pleito em até dois meses, contados do recebimento do processo,
definindo, entre as proposições apresentadas pela ANP, a alternativa financeira a ser
praticada.

§ 6o O concessionário terá trinta dias, contados da comunicação efetuada pelo


Ministério de Minas e Energia, para informar se tem interesse na prorrogação do prazo de
concessão nos termos da deliberação referida no § 5o.

§ 7o Para atendimento ao disposto no § 3o, a ANP será assessorada pela EPE.

Art. 24. Extinta a concessão, os bens destinados à exploração da atividade de


transporte e considerados vinculados serão incorporados ao patrimônio da União, mediante
declaração de utilidade pública e justa e prévia indenização em dinheiro, nos seguintes termos:

I - somente será indenizada a parcela dos bens ainda não depreciados ou amortizados;

II - as regras para definição do valor da indenização serão previamente definidas pela


ANP e considerarão metodologias de valoração de ativos, tais como o valor atual e o custo de
reposição dos ativos, descontada a depreciação e a amortização havidas até a data de
encerramento da concessão; e

III - somente serão indenizados os bens cuja instalação tenha sido prévia e
expressamente autorizada pela ANP.

§ 1o Em qualquer caso de extinção da concessão, o concessionário fará, por sua conta


e risco, a remoção dos bens e equipamentos que não sejam objeto de incorporação pela
União, ficando obrigado a reparar ou indenizar os danos decorrentes de suas atividades e
praticar os atos de recuperação ambiental determinados pelos órgãos competentes.

§ 2o Para os efeitos do disposto no § 1o, a remoção de tubos e acessórios que estejam


enterrados somente será obrigatória se assim for estabelecido pelo órgão responsável pelo
licenciamento ambiental do gasoduto, na hipótese de extinção da atividade.

§ 3o O concessionário cuja concessão tenha sido extinta fica obrigado a continuar


prestando os serviços de transporte até que novo concessionário seja designado ou o duto seja
desativado, observado o disposto no inciso XV do art. 30.

§ 4o As tarifas de operação a serem pagas ao transportador obrigado a continuar


prestando os serviços de transporte, conforme previsto no § 3o, serão estabelecidas pela ANP
de modo a cobrir os custos efetivos de operação eficiente.

Art. 25. Os bens incorporados ao patrimônio da União, na forma do art. 24, ficarão sob a
administração do Poder Concedente e poderão compor o rol de bens e instalações a serem
licitados em conjunto com a nova concessão para a exploração da atividade de transporte.

§ 1o Na licitação referida no caput, poderá ser utilizado como critério de seleção da


proposta vencedora o maior pagamento pelo uso do bem público, a menor receita anual
requerida ou ainda a combinação de ambos os critérios.

§ 2o Os recursos arrecadados com a licitação de que trata o caput poderão ser


revertidos para a expansão da malha de transporte de gás natural e, quando for o caso, para a
indenização das parcelas dos investimentos vinculados a bens a serem incorporados ao
patrimônio da União, ainda não amortizados ou depreciados, que tenham sido realizados com
o objetivo de garantir a continuidade e a atualidade do serviço concedido.

§ 3o O processo de licitação previsto no caput poderá ser iniciado até vinte e quatro
meses antes do término do período de concessão, visando a garantir a continuidade dos
serviços prestados, observado o disposto no § 1o do art. 23.

Art. 26. É permitida a transferência do contrato de concessão, preservando-se seu


objeto e as condições contratuais.

Parágrafo único. A transferência do contrato somente poderá ocorrer mediante prévia e


expressa autorização da ANP.

Seção III

Do Edital de Licitação

Art. 27. O edital de licitação será acompanhado da minuta básica do contrato de


concessão, devendo indicar, obrigatoriamente:

I - o percurso do gasoduto de transporte objeto da concessão, os pontos de entrega e


recepção, bem como a capacidade de transporte projetada e os critérios utilizados para o seu
dimensionamento;

II - a receita anual máxima de transporte prevista e os critérios utilizados para o seu


cálculo;

III - o critério de seleção da proposta mais vantajosa nos termos do art. 22 ou do § 1o do


art. 25;
IV - os requisitos exigidos dos concorrentes e os critérios de pré-qualificação, quando
esse procedimento for adotado;

V - a relação dos documentos exigidos e os critérios a serem seguidos para aferição da


capacidade técnica, da idoneidade financeira e da regularidade jurídica e fiscal dos
interessados, bem como para o julgamento técnico e econômico-financeiro da proposta;

VI - a expressa indicação de que caberá ao concessionário o pagamento das


indenizações devidas por desapropriações ou servidões necessárias ao cumprimento do
contrato, bem como a obtenção de licenças nos órgãos competentes, inclusive as de natureza
ambiental;

VII - o prazo, local e horário em que serão fornecidos aos interessados os dados,
estudos e demais elementos e informações necessários à elaboração das propostas, bem
como o custo de sua aquisição;

VIII - o período de exclusividade que terão os carregadores iniciais para exploração da


capacidade contratada do novo gasoduto de transporte objeto da concessão;

IX - o prazo de duração da concessão e a possibilidade de prorrogação, quando for o


caso;

X - os itens obrigatórios que deverão constar da proposta técnica a ser apresentada em


conjunto com a proposta financeira, entre os quais:

a) o traçado preliminar detalhado do gasoduto;

b) a descrição de todos os equipamentos a serem incorporados ao gasoduto, inclusive


das estações de compressão, se houver;

c) o diâmetro e extensão do gasoduto;

d) a especificação dos materiais a serem utilizados;

XI - o índice mínimo de conteúdo local do gasoduto;

XII - a relação dos carregadores que firmaram termos de compromisso decorrentes da


chamada pública, nos termos do art. 10, com os respectivos volumes e garantias;

XIII - a forma e a origem dos recursos que serão utilizados para o atendimento ao
disposto no § 3o do art. 6o e no art. 9o; e

XIV - os termos de compromisso firmados pelos carregadores.

§ 1o Para os efeitos do disposto neste artigo, o percurso do gasoduto será entendido


como aquele considerado pela ANP para a definição da tarifa máxima da chamada pública e da
receita máxima permitida na licitação da concessão.

§ 2o A ANP será assessorada pela EPE na definição da receita máxima anual de que
trata o inciso II do caput.

Art. 28. Quando permitida a participação de sociedades em consórcio, o edital conterá


as seguintes exigências:

I - comprovação de compromisso, público ou particular, de constituição do consórcio,


subscrito pelas sociedades;
II - indicação da sociedade líder, responsável pelo consórcio e pela condução das
operações perante o Poder Concedente, sem prejuízo da responsabilidade solidária das
demais sociedades;

III - apresentação, por parte de cada uma das sociedades, dos documentos exigidos
para efeito de avaliação da qualificação técnica e econômico-financeira do consórcio;

IV - proibição de participação de uma mesma sociedade em outro consórcio, ou


isoladamente, na licitação de um mesmo gasoduto de transporte;

V - outorga de concessão ao consórcio vencedor da licitação condicionada ao registro do


instrumento constitutivo do consórcio, na forma do disposto no parágrafo único do art. 279 da
Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976.

Art. 29. No caso de participação de sociedade estrangeira, o edital conterá a exigência


de que ela apresente com a sua proposta e em envelope separado:

I - prova de capacidade técnica, idoneidade financeira e regularidade jurídica e fiscal,


nos termos da regulação da ANP;

II - inteiro teor dos atos constitutivos e prova de encontrar-se organizada e em


funcionamento regular, conforme a lei de seu país;

III - designação de um representante legal perante a ANP com poderes especiais para a
prática de atos e assunção de responsabilidade relativas à licitação e à proposta apresentada;
e

IV - compromisso de, caso vencedora, constituir sociedade segundo as leis brasileiras


com sede e administração no País.

Parágrafo único. A assinatura do contrato de concessão ficará condicionada ao efetivo


cumprimento do compromisso assumido, de acordo com o inciso IV.

Seção IV

Do Contrato de Concessão

Art. 30. O contrato de concessão deverá refletir fielmente as condições do edital e da


proposta vencedora e terá como cláusulas essenciais:

I - a descrição do gasoduto objeto da concessão;

II - a relação dos bens e instalações destinados à exploração da atividade de transporte


e, nessa qualidade, considerados vinculados, acompanhada da especificação das regras sobre
desocupação e devolução de áreas e retirada de equipamentos, bem como as condições em
que esses serão incorporados pela União, nos casos em que houver sido extinta a concessão;

III - a obrigação de o concessionário realizar a substituição dos bens vinculados,


necessária ao bom desempenho da atividade de transporte, independentemente do prazo
remanescente para o término da concessão;

IV - o prazo de duração da concessão e, quando for o caso, as condições de sua


prorrogação;

V - o cronograma de implantação, o investimento mínimo previsto e as hipóteses de


expansão do gasoduto;
VI - a receita anual e os critérios de reajuste;

VII - as garantias prestadas pelo concessionário, inclusive quanto à realização do


investimento proposto;

VIII - os procedimentos para acompanhamento e fiscalização das atividades da


concessionária e para a auditoria do contrato;

IX - a obrigatoriedade de o concessionário fornecer à ANP relatórios, dados e


informações relativos às atividades desenvolvidas;

X - as regras de acesso ao gasoduto objeto da concessão, por qualquer carregador


interessado, conforme o disposto na Lei no 11.909, de 2009, e na Seção VII do Capítulo II;

XI - as regras sobre solução de controvérsias relacionadas com o contrato e sua


execução, inclusive a conciliação e a arbitragem;

XII - os casos de rescisão e extinção do contrato;

XIII - as penalidades aplicáveis na hipótese de descumprimento, pelo concessionário,


das obrigações contratuais;

XIV - o período de exclusividade que terão os carregadores iniciais para exploração da


capacidade contratada dos novos gasodutos de transporte;

XV - o prazo máximo a que o concessionário se obriga a operar o gasoduto após extinta


a concessão; e

XVI - a forma e a origem dos recursos que serão utilizados para o atendimento ao
disposto no § 3o do art. 6o e no art. 9o.

§ 1o As hipóteses de expansão do gasoduto, referidas no inciso V, limitam-se à


capacidade de transporte contratada no processo de chamada pública que precedeu à licitação
e representam a curva de crescimento da capacidade contratada no tempo.

§ 2o Os critérios de reajuste, de que trata o inciso VI, considerarão o Índice de Preço ao


Consumidor Amplo - IPCA como instrumento de correção monetária a ser empregado no
processo de reajuste da receita anual.

Art. 31. O contrato de concessão deverá conter a obrigação de o concessionário atender


a indicadores mínimos de desempenho, nos termos da regulação da ANP.

Art. 32. Constitui obrigação contratual do concessionário:

I - celebrar com os carregadores, para todas as modalidades de serviço oferecidas, os


respectivos contratos de transporte, que deverão ser previamente homologados pela ANP;

II - adotar, em todas as suas operações, as medidas necessárias para a preservação


das instalações, das áreas ocupadas e dos recursos naturais potencialmente afetados,
garantindo a segurança das populações e a proteção do meio ambiente;

III - estabelecer plano de emergência e contingência em face de acidentes e de


quaisquer outros fatos ou circunstâncias que interrompam ou possam interromper os serviços
de transporte;
IV - em caso de emergência ou contingência, comunicar imediatamente o fato à ANP e às
autoridades competentes, adotando as medidas iniciais previstas no § 2o do art. 51 da Lei no
11.909, de 2009;

V - responsabilizar-se civilmente pelos atos de seus prepostos e indenizar todos e


quaisquer danos decorrentes das atividades empreendidas, devendo ressarcir à União dos
ônus que venha a suportar em consequência de eventuais demandas motivadas por atos do
concessionário;

VI - adotar as melhores práticas da indústria internacional do gás natural e obedecer às


normas e procedimentos técnicos e científicos pertinentes à atividade de transporte de gás
natural;

VII - manter disponíveis, em meio eletrônico acessível a qualquer interessado e em local


de fácil acesso, informações atualizadas sobre as características de suas instalações, os
serviços prestados, as tarifas aplicáveis, as capacidades ociosas e disponíveis e os contratos
celebrados, especificando partes, prazos e quantidades envolvidas; e

VIII - obter todas as licenças, autorizações e anuências que se fizerem necessárias para
a construção e operação do gasoduto, inclusive as ambientais.

Art. 33. No cumprimento de seus deveres, observadas as condições e limites


estabelecidos pela ANP e no contrato de concessão, o concessionário poderá:

I - empregar, na execução dos serviços, equipamentos que não lhe pertençam; e

II - contratar com terceiros o desenvolvimento de atividades inerentes, acessórias ou


complementares ao serviço, bem como a implementação de projetos associados.

§ 1o Os contratos celebrados entre a concessionária e terceiros decorrentes dos incisos


I e II reger-se-ão pelo direito privado, não se estabelecendo qualquer relação jurídica entre os
terceiros e a União.

§ 2o Em qualquer caso, a concessionária continuará sempre responsável perante a ANP


e os carregadores.

Art. 34. A concessionária deverá:

I - prestar informações de natureza técnica, operacional, econômico-financeira e contábil


ou outras pertinentes ao serviço, nos termos da regulação da ANP;

II - manter registros contábeis da atividade de transporte de gás separados do exercício


da atividade de estocagem de gás natural e das demais atividades desenvolvidas;

III - submeter à aprovação da ANP a minuta de contrato padrão a ser celebrado com os
carregadores, que deverá conter cláusula para resolução de eventuais divergências, podendo
prever a convenção de arbitragem, nos termos da Lei no 9.307, de 23 de setembro de 1996; e

IV - submeter-se à legislação que rege o exercício da atividade e a sua fiscalização.

Art. 35. Dependerão de prévia aprovação da ANP, sob pena de caducidade da


concessão, a cisão, a fusão, a transformação, a incorporação, a redução do capital da
concessionária ou a transferência de seu controle societário, bem como a alteração da
composição do consórcio detentor da concessão.

Parágrafo único. A aprovação de que trata este artigo refere-se aos aspectos regulatórios
que competem à ANP, não eliminando a necessidade de aprovação, pelos demais órgãos da
administração pública, nos termos da legislação vigente, em especial por aqueles responsáveis
pela defesa da concorrência.

Seção V

Da Autorização para Atividade de Transporte de Gás Natural

Art. 36. O prazo de duração das novas autorizações de que trata o inciso II do caput do
art. 4o será de trinta anos, prorrogáveis por igual período, observadas as normas previstas no
ato de outorga e neste Decreto.

§ 1o A ampliação de gasoduto autorizado dar-se-á mantendo-se seu regime e prazo


remanescente.

§ 2o Aplicam-se aos transportadores autorizados, de que trata este artigo, as


disposições previstas nos arts. 32, 33 e 34.

Art. 37. Os bens destinados à exploração da atividade de transporte sob o regime de


autorização, referentes aos gasodutos decorrentes de acordos internacionais, serão
considerados vinculados à respectiva autorização e, no término do prazo de sua vigência,
deverão ser incorporados ao patrimônio da União, mediante declaração de utilidade pública e
justa e prévia indenização em dinheiro, observado o disposto nos incisos I, II e III do caput do
art. 24.

Art. 38. As tarifas de transporte de gás natural para novos gasodutos objeto de
autorização serão propostas pelo transportador e aprovadas pela ANP, segundo os critérios
por ela previamente estabelecidos.

Art. 39. A ANP autorizará a construção, a ampliação e a operação de gasodutos


internacionais após manifestação favorável por parte do Ministério de Minas e Energia.

Seção VI

Dos Gasodutos de Transporte Existentes

Art. 40. Os novos contratos de concessão ou a outorga de autorização para ampliação


de instalação de transporte não prejudicarão os direitos dos transportadores e carregadores
existentes.

Art. 41. Ficam ratificadas as autorizações expedidas pela ANP até 5 de março de 2009
para o exercício da atividade de transporte dutoviário de gás natural, na forma do art. 56 da Lei
no 9.478, de 6 de agosto de 1997.

§ 1o Os empreendimentos em processo de licenciamento ambiental em 5 de março de


2009 serão autorizados pela ANP, observados os necessários requisitos para a respectiva
outorga.

§ 2o Atendidas as obrigações previstas ou a serem estabelecidas no ato de outorga e na


regulação, as autorizações referidas no caput terão validade até o dia 5 de março de 2039, e
as autorizações referidas no § 1o terão validade de trinta anos contados da data de publicação
da outorga.

§ 3o Extinto o prazo das autorizações de que trata este artigo, o empreendimento deverá
ser concedido, mediante licitação, ou desativado.
§ 4o Para os empreendimentos de que tratam o caput e o § 1o, o período de
exclusividade que terão os carregadores iniciais será de dez anos contados do início da
operação comercial do respectivo gasoduto de transporte.

§ 5o A relação dos bens e instalações vinculados à exploração da atividade de


transporte sob o regime de autorização de que trata este artigo deverá ser encaminhada pelos
respectivos transportadores à ANP, para homologação, no prazo de cento e oitenta dias
contados a partir da data de publicação deste Decreto.

§ 6o Os transportadores deverão encaminhar à ANP, no prazo de noventa dias contados


da data de publicação deste Decreto, a relação dos gasodutos que se enquadrem no § 1o,
informando o órgão responsável pelo licenciamento ambiental e a documentação
comprobatória de que o gasoduto estava em processo de licenciamento ambiental em 5 de
março de 2009, sob pena de não receberem a correspondente autorização.

§ 7o O transportador autorizado deverá realizar a substituição dos bens vinculados,


necessária ao bom desempenho da atividade de transporte, independentemente do prazo
remanescente para o término da autorização, observada a regulação expedida pela ANP.

§ 8o Aplicam-se aos transportadores autorizados de que trata este artigo as disposições


previstas nos arts. 32, 33 e 34.

Art. 42. A ampliação de gasoduto enquadrado no art. 41 dar-se-á sob o regime de


autorização, com prazo de duração da outorga igual ao período remanescente da autorização
original do gasoduto a ser ampliado.

Parágrafo único. A definição da tarifa de transporte da ampliação de que trata o caput


poderá levar em conta período de amortização e depreciação dos investimentos superior ao
prazo da autorização, nos termos estabelecidos pela ANP.

Art. 43. A ampliação de capacidade dos dutos existentes:

I - será autorizada, nos termos da regulação estabelecida pela ANP;

II - será precedida de chamada pública conduzida pela ANP, direta ou indiretamente,


observadas as diretrizes estabelecidas pelo Ministério de Minas e Energia; e

III - deverá respeitar o período de exclusividade, observado o disposto no inciso IV do § 1o do


art. 11.

Parágrafo único. O transportador detentor da autorização do duto existente terá o direito


de preferência para empreender a ampliação de que trata o caput.

Art. 44. Vencido o prazo da autorização, os bens vinculados serão incorporados ao


patrimônio da União, mediante declaração de utilidade pública e justa e prévia indenização em
dinheiro, nos seguintes termos:

I - somente será indenizada a parcela dos bens ainda não depreciados ou amortizados;

II - o valor da indenização será definido pela ANP e considerará metodologias de


valoração de ativos, tais como o valor atual e o custo de reposição dos ativos, descontadas a
depreciação e a amortização havidas até a data de encerramento da autorização; e

III - somente serão indenizados os bens cuja instalação tenha sido prévia e
expressamente autorizada pela ANP.
Parágrafo único. Aos bens de que trata este artigo aplica-se o disposto no art. 25, no
que couber.

Art. 45. A ANP deverá divulgar, em até cento e oitenta dias contados da publicação
deste Decreto, a relação dos dutos de transporte autorizados, em processo de licenciamento
ambiental e de transferência que venham a ser convertidos em dutos de transporte, nos termos
deste Decreto e da Lei no 9.478, de 1997, informando, quando couber, a data de encerramento
do período de exclusividade.

Art. 46. Ficam preservados as tarifas de transporte e os critérios de reajuste já definidos


até 5 de março de 2009.

§ 1o A ANP, no prazo de noventa dias a contar da publicação deste Decreto, divulgará


as tarifas de transporte e os critérios de reajuste referidos no caput, observados os princípios
de transparência e publicidade.

§ 2o Ressalvados os impostos sobre a renda, a criação, alteração ou extinção de


quaisquer tributos ou encargos legais, quando comprovado o seu impacto, implicará revisão da
tarifa, para mais ou para menos, conforme o caso, após homologação da ANP.

Art. 47. Os contratos de transporte firmados até 5 de março de 2009 e cujos prazos de
vigência ultrapassem o período de autorização definido no § 2o do art. 41, deverão ser
obrigatoriamente assumidos pelo concessionário que vier a ser designado para a operação do
gasoduto, pelo período remanescente do contrato, devendo as informações pertinentes ser
parte integrante do edital de licitação correspondente.

Parágrafo único. Os contratos de transporte a serem firmados em decorrência da


ampliação de capacidade de gasodutos referidos no art. 41 e cujo prazo de duração ultrapasse
o período de autorização também deverão ser assumidos pelo novo concessionário, devendo
as informações pertinentes integrar o edital de licitação correspondente.

Seção VII

Do Acesso de Terceiros aos Gasodutos e da Cessão de Capacidade

Art. 48. Fica assegurado o acesso de terceiros aos gasodutos de transporte, respeitado
o período de exclusividade.

Parágrafo único. A troca operacional de gás natural, de que trata o art. 15, é
considerada forma de acesso de terceiros aos gasodutos de transportes.

Art. 49. O acesso aos gasodutos de transporte dar-se-á, entre outras formas, por
contratação de serviço de transporte:

I - firme, em capacidade disponível;

II - interruptível, em capacidade ociosa; e

III - extraordinário, em capacidade disponível.

§ 1o O acesso aos gasodutos dar-se-á primeiramente na capacidade disponível e


somente após sua integral contratação ficará garantido o direito de acesso à capacidade
ociosa.

§ 2o O acesso ao serviço de transporte firme, em capacidade disponível, dar-se-á


mediante chamada pública realizada pela ANP, conforme diretrizes do Ministério de Minas e
Energia.
§ 3o O acesso aos serviços de transporte interruptível e extraordinário dar-se-á na forma
da regulação estabelecida pela ANP, assegurada a publicidade, transparência e igualdade de
tratamento a todos os interessados.

Art. 50. A ANP estabelecerá os critérios para a definição dos valores devidos por
terceiros que acessarem os gasodutos de transporte, a forma de pagamento e a sua
destinação.

Art. 51. Fica autorizada a cessão do direito de utilização da capacidade de transporte


contratada sob a modalidade firme, inclusive durante o período de exclusividade.

Parágrafo único. A ANP deverá disciplinar a cessão de capacidade, de que trata este
artigo, de forma a preservar os direitos do transportador.

Art. 52. A ampliação da capacidade de transporte caracteriza-se como forma de acesso


de terceiros aos gasodutos, devendo respeitar o período de exclusividade estabelecido,
observado o disposto no art. 11.

CAPÍTULO III

DA IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO DE GÁS NATURAL

Art. 53. Qualquer sociedade ou consórcio, desde que constituídos sob as leis brasileiras,
com sede e administração no País, poderá receber autorização do Ministério de Minas e
Energia para exercer as atividades de importação e exportação de gás natural.

§ 1o A ANP instruirá os processos de requerimento para o exercício da atividade de


importação e exportação de gás natural, cabendo-lhe ainda a fiscalização dessa atividade.

§ 2o O exercício das atividades de importação e exportação de gás natural observará as


diretrizes estabelecidas pelo Conselho Nacional de Política Energética - CNPE.

CAPÍTULO IV

DA ESTOCAGEM E DO ACONDICIONAMENTO DE GÁS NATURAL

Art. 54. A atividade de estocagem de gás natural será exercida por sociedade ou
consórcio, desde que constituídos sob as leis brasileiras, com sede e administração no País,
por conta e risco do empreendedor, mediante concessão, precedida de licitação, ou
autorização.

Art. 55. O exercício da atividade de estocagem de gás natural em reservatórios de


hidrocarbonetos devolvidos à União e em outras formações geológicas não produtoras de
hidrocarbonetos será objeto de concessão de uso, precedida de licitação na modalidade de
concorrência, nos termos do § 1o do art. 22 da Lei no 8.666, de 21 de junho de 1993, devendo a
exploração da atividade se dar por conta e risco do concessionário.

§ 1o Caberá ao Ministério de Minas e Energia ou, mediante delegação, à ANP definir as


formações geológicas referidas no caput que serão objeto de licitação.

§ 2o Os agentes interessados poderão sugerir formações geológicas a serem


concedidas para estocagem.

§ 3o Para a execução do disposto no § 1o e avaliação do disposto no § 2o, tanto o


Ministério de Minas e Energia quanto a ANP poderão requerer estudos técnicos específicos
junto à EPE.
§ 4o A ANP elaborará os editais e promoverá a licitação para concessão das atividades
de estocagem de que trata o caput.

§ 5o O Ministério de Minas e Energia celebrará os contratos de concessão para


estocagem de gás natural, podendo delegar tal competência à ANP.

§ 6o Caberá ao Ministério de Minas e Energia, ouvida a ANP, fixar o período de


exclusividade que terão os agentes cuja contratação de capacidade de estocagem tenha
viabilizado ou contribuído para viabilizar a implementação de instalação de estocagem de que
trata o caput.

§ 7o A ANP estabelecerá as regras para o acesso de terceiros às instalações de


estocagem objetos de contratos de concessão, respeitado o período de exclusividade definido
no § 6o.

§ 8o O contrato de concessão de uso referido no caput estipulará, entre outras, as


obrigações do concessionário quando da extinção do contrato e do abandono do reservatório
explorado.

§ 9o O gás natural importado ou extraído, nos termos do art. 26 da Lei no 9.478, de


1997, e armazenado em formações geológicas naturais não constitui propriedade da União,
conforme o art. 20 da Constituição.

Art. 56. A ANP disponibilizará aos interessados, de forma onerosa, os dados geológicos
relativos às áreas com potencial para estocagem de gás natural.

§ 1o A ANP autorizará, nos termos da regulação, os interessados referidos no caput a


realizarem atividades de pesquisas exploratórias não exclusivas em áreas com potencial para
estocagem de gás natural.

§ 2o Todos os dados obtidos nas atividades exploratórias de que trata o § 1o serão


repassados, de forma não onerosa, para a ANP.

Art. 57. Incumbe às concessionárias zelar pela integridade das formações geológicas
utilizadas para o armazenamento de gás natural, cabendo à ANP definir os procedimentos para
o acompanhamento do exercício da atividade.

Parágrafo único. O contrato de concessão deverá conter as penalidades pelo mau uso
das formações geológicas.

Art. 58. A estocagem de gás natural em instalação diferente das previstas no art. 55
deste Decreto será autorizada, regulada e fiscalizada pela ANP, não sendo obrigatório o
acesso de terceiros às instalações.

Art. 59. A atividade de acondicionamento de gás natural será exercida por sociedade ou
consórcio, desde que constituídos sob as leis brasileiras, com sede e administração no País,
por conta e risco do empreendedor, mediante autorização.

Parágrafo único. O enchimento de gasoduto, bem como o aumento ou rebaixamento de


pressão não se enquadram como acondicionamento de gás natural.

Art. 60. A ANP regulará o exercício da atividade de acondicionamento para transporte e


comercialização de gás natural ao consumidor final por meio de modais alternativos ao
dutoviário.

§ 1o Entende-se por modais alternativos ao dutoviário a movimentação de gás natural


por meio rodoviário, ferroviário e aquaviário.
§ 2o A ANP articular-se-á com outros órgãos e entes públicos para adequar a regulação
do transporte referido no § 1o.

CAPÍTULO V

DOS GASODUTOS DE ESCOAMENTO DA PRODUÇÃO E DAS INSTALAÇÕES DE


PROCESSAMENTO, TRATAMENTO, LIQUEFAÇÃO E REGASEIFICAÇÃO DE GÁS
NATURAL

Art. 61. Qualquer sociedade ou consórcio, desde que constituídos sob as leis brasileiras,
com sede e administração no País, poderão receber autorização da ANP para construir,
ampliar a capacidade e operar unidades de processamento ou tratamento de gás natural,
terminais de GNL, unidades de liquefação e de regaseificação de gás natural, bem como
gasodutos de transferência e de escoamento da produção não integrantes de concessão de
exploração e produção de petróleo e gás natural.

Parágrafo único. A ANP deverá estabelecer os requisitos e condições para a outorga e


transferência da titularidade da autorização, respeitadas as normas de proteção ambiental e de
segurança das instalações.

Art. 62. Os gasodutos de escoamento da produção, as instalações de tratamento ou


processamento de gás natural, assim como os terminais de GNL e as unidades de liquefação e
de regaseificação, não estão obrigados a permitir o acesso de terceiros.

CAPÍTULO VI

DA DISTRIBUIÇÃO E COMERCIALIZAÇÃO DO GÁS NATURAL

Art. 63. O consumidor livre, o autoprodutor, ou o autoimportador cujas necessidades de


movimentação de gás natural não possam ser atendidas pela distribuidora estadual poderão
construir e implantar, diretamente, instalações e dutos para o seu uso específico, mediante
celebração de contrato que atribua à distribuidora estadual a sua operação e manutenção,
devendo as instalações e dutos ser incorporados ao patrimônio estadual mediante declaração
de utilidade pública e justa e prévia indenização, quando de sua total utilização.

§ 1o As tarifas de operação e manutenção das instalações serão estabelecidas pelo


órgão regulador estadual em observância aos princípios da razoabilidade, transparência,
publicidade e às especificidades de cada instalação.

§ 2o Caso as instalações e os dutos sejam construídos e implantados pelas


distribuidoras estaduais, as tarifas estabelecidas pelo órgão regulador estadual considerarão os
custos de investimento, operação e manutenção, em observância aos princípios da
razoabilidade, transparência, publicidade e às especificidades de cada instalação.

§ 3o Caso as instalações de distribuição sejam construídas pelo consumidor livre, pelo


autoprodutor ou pelo autoimportador, na forma prevista no caput, a distribuidora estadual
poderá solicitar-lhes que as instalações sejam dimensionadas de forma a viabilizar o
atendimento a outros usuários, negociando com o consumidor livre, o autoprodutor ou o
autoimportador as contrapartidas necessárias, sob a arbitragem do órgão regulador estadual.

Art. 64. As sociedades que desejarem atuar como autoprodutor ou autoimportador


deverão ser previamente registradas na ANP.

§ 1o O registro de autoimportador somente será concedido a sociedades que estejam


autorizadas a desempenhar a atividade de importação.
§ 2o O registro de autoprodutor somente será concedido a sociedades signatárias de
contratos com a União para exploração e produção de petróleo e gás natural, com descoberta
declarada comercial e plano de desenvolvimento da produção aprovado pela ANP.

§ 3o O registro de autoprodutor para as sociedades que integrem consórcio que se


enquadrem no disposto no § 2o será concedido nos limites de sua participação na produção de
gás nos referidos consórcios.

§ 4o As sociedades que atuarem como autoprodutor e autoimportador deverão


comunicar mensalmente à ANP, nos prazos e nas formas por ela estabelecidos, os volumes de
gás natural utilizados em cada uma de suas instalações.

§ 5o Para os efeitos do enquadramento como autoprodutor ou autoimportador, conforme


dispõem os incisos III e IV do art. 2o, entende-se como suas instalações aquelas exploradas ou
detidas pela mesma sociedade que estiver efetuando a importação ou produção de gás
natural.

§ 6o As sociedades direta ou indiretamente controladas por outras sociedades que


estiverem efetuando a produção ou a importação de gás natural, assim como pelos acionistas
controladores da sociedade produtora ou importadora, poderão requerer à ANP o seu
enquadramento como autoprodutor ou autoimportador.

§ 7o No caso de sociedades coligadas de sociedade produtora ou importadora, o


enquadramento referido no § 6o será proporcional à participação da sociedade produtora ou
importadora no capital da sociedade coligada.

Art. 65. A construção, a implantação e a incorporação ao patrimônio das distribuidoras


estaduais das instalações e dutos referidos no caput do art. 63, assim como o enquadramento
de usuários finais como consumidores livres, deverão respeitar a legislação específica sobre os
serviços locais de gás canalizado.

Parágrafo único. Caberá à ANP autorizar a construção e a operação dos pontos de


entrega que interconectem gasodutos de transporte aos dutos referidos no art. 63.

Art. 66. Ressalvado o disposto no § 2o do art. 25 da Constituição, a comercialização de


gás natural dar-se-á mediante celebração de contratos registrados na ANP.

§ 1o Caberá à ANP informar a origem ou a caracterização das reservas que suportarão


o fornecimento dos volumes de gás natural contratados, quando solicitado pelo adquirente à
época da contratação.

§ 2o A ANP, conforme disciplina específica, poderá requerer do agente vendedor do gás


natural os dados referidos no § 1o.

§ 3o A atividade de comercialização de gás natural de que trata o caput, definida no


inciso XII do art. 2o, somente poderá ser realizada por agente registrado na ANP, nos termos
de sua regulação.

Art. 67. Os contratos de comercialização de gás natural deverão conter cláusula para
resolução de eventuais divergências, podendo, inclusive, prever a convenção de arbitragem,
nos termos da Lei no 9.307, de 1996.

Art. 68. As empresas públicas e as sociedades de economia mista, suas subsidiárias ou


controladas, titulares de concessão ou autorização ficam autorizadas a aderir ao mecanismo e
à convenção de arbitragem a que se refere o art. 67.
Parágrafo único. Consideram-se disponíveis os direitos relativos a créditos e débitos
decorrentes das contratações de gás natural de que trata o art. 47 da Lei no 11.909, de 2009.

CAPÍTULO VII

DAS DISPOSIÇÕES FINAIS E TRANSITÓRIAS

Art. 69. Fica assegurada a manutenção dos regimes de consumo de gás natural em
unidades de produção de fertilizantes e instalações de refinação de petróleo nacional ou
importado existentes em 5 de março de 2009.

Parágrafo único. Os volumes de gás natural consumidos em cada uma das unidades de
produção de fertilizantes e nas refinarias de que trata o caput deverão ser informados mensalmente
à ANP.

Art. 70. Fica assegurada a manutenção dos regimes e modalidades de exploração dos
gasodutos que supram gás natural a instalações de refinação de petróleo nacional ou
importado e a unidades de produção de fertilizantes existentes em 5 de março de 2009.

Art. 71. A ANP deverá providenciar, no prazo de cento e oitenta dias contados da publicação
deste Decreto, a reclassificação de todos os gasodutos que não se enquadrem nas novas
definições previstas neste Decreto e cuja classificação anterior não esteja resguardada pelo
disposto no art. 70.

Art. 72. A ANP deverá editar as normas que caracterizem a ampliação de capacidade de
gasodutos de transporte.

Art. 73. A ANP deverá manter disponível, em meio eletrônico, acessível a qualquer
interessado e em local de fácil acesso, informações atualizadas sobre a movimentação diária e
a capacidade de todos os gasodutos de transporte, bem como a capacidade contratada de
transporte, a capacidade disponível, a capacidade ociosa e os períodos de exclusividade.

Art. 74. Ficam convalidados os atos emitidos pela ANP desde a data da publicação da
Lei no 11.909, de 2009, relacionados à importação de gás natural.

Art. 75. O Ministério de Minas e Energia e a ANP expedirão normas complementares e


instruções necessárias à efetiva implementação das disposições deste Decreto.

Art. 76. Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação.

Brasília, 2 de dezembro de 2010; 189o da Independência e 122o da República.

LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA


Márcio Pereira Zimmermann

Este texto não substitui o publicado no DOU de 3.12.2010


LEI Nº 12.351, DE 22 DE DEZEMBRO DE 2010

Dispõe sobre a exploração e a produção de


petróleo, de gás natural e de outros
hidrocarbonetos fluidos, sob o regime de
partilha de produção, em áreas do pré-sal e em
áreas estratégicas; cria o Fundo Social - FS e
dispõe sobre sua estrutura e fontes de
recursos; altera dispositivos da Lei no 9.478, de
6 de agosto de 1997; e dá outras providências.

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu


sanciono a seguinte Lei:

CAPÍTULO I

DISPOSIÇÕES PRELIMINARES

Art. 1o Esta Lei dispõe sobre a exploração e a produção de petróleo, de gás natural e de
outros hidrocarbonetos fluidos em áreas do pré-sal e em áreas estratégicas, cria o Fundo
Social - FS e dispõe sobre sua estrutura e fontes de recursos, e altera a Lei no 9.478, de 6 de
agosto de 1997.

CAPÍTULO II

DAS DEFINIÇÕES TÉCNICAS

Art. 2o Para os fins desta Lei, são estabelecidas as seguintes definições:

I - partilha de produção: regime de exploração e produção de petróleo, de gás natural e


de outros hidrocarbonetos fluidos no qual o contratado exerce, por sua conta e risco, as
atividades de exploração, avaliação, desenvolvimento e produção e, em caso de descoberta
comercial, adquire o direito à apropriação do custo em óleo, do volume da produção
correspondente aos royalties devidos, bem como de parcela do excedente em óleo, na
proporção, condições e prazos estabelecidos em contrato;

II - custo em óleo: parcela da produção de petróleo, de gás natural e de outros


hidrocarbonetos fluidos, exigível unicamente em caso de descoberta comercial, correspondente
aos custos e aos investimentos realizados pelo contratado na execução das atividades de
exploração, avaliação, desenvolvimento, produção e desativação das instalações, sujeita a
limites, prazos e condições estabelecidos em contrato;

III - excedente em óleo: parcela da produção de petróleo, de gás natural e de outros


hidrocarbonetos fluidos a ser repartida entre a União e o contratado, segundo critérios definidos
em contrato, resultante da diferença entre o volume total da produção e as parcelas relativas
ao custo em óleo, aos royalties devidos e, quando exigível, à participação de que trata o art.
43;

IV - área do pré-sal: região do subsolo formada por um prisma vertical de profundidade


indeterminada, com superfície poligonal definida pelas coordenadas geográficas de seus
vértices estabelecidas no Anexo desta Lei, bem como outras regiões que venham a ser
delimitadas em ato do Poder Executivo, de acordo com a evolução do conhecimento geológico;
V - área estratégica: região de interesse para o desenvolvimento nacional, delimitada em
ato do Poder Executivo, caracterizada pelo baixo risco exploratório e elevado potencial de
produção de petróleo, de gás natural e de outros hidrocarbonetos fluidos;

VI - operador: a Petróleo Brasileiro S.A. (Petrobras), responsável pela condução e


execução, direta ou indireta, de todas as atividades de exploração, avaliação, desenvolvimento,
produção e desativação das instalações de exploração e produção;

VII - contratado: a Petrobras ou, quando for o caso, o consórcio por ela constituído com o
vencedor da licitação para a exploração e produção de petróleo, de gás natural e de outros
hidrocarbonetos fluidos em regime de partilha de produção;

VIII - conteúdo local: proporção entre o valor dos bens produzidos e dos serviços
prestados no País para execução do contrato e o valor total dos bens utilizados e dos serviços
prestados para essa finalidade;

IX - individualização da produção: procedimento que visa à divisão do resultado da


produção e ao aproveitamento racional dos recursos naturais da União, por meio da unificação
do desenvolvimento e da produção relativos à jazida que se estenda além do bloco concedido
ou contratado sob o regime de partilha de produção;

X - ponto de medição: local definido no plano de desenvolvimento de cada campo onde é


realizada a medição volumétrica do petróleo ou do gás natural produzido, conforme regulação
da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis - ANP;

XI - ponto de partilha: local em que há divisão entre a União e o contratado de petróleo,


de gás natural e de outros hidrocarbonetos fluidos produzidos, nos termos do respectivo
contrato de partilha de produção;

XII - bônus de assinatura: valor fixo devido à União pelo contratado, a ser pago no ato da
celebração e nos termos do respectivo contrato de partilha de produção; e

XIII - royalties: compensação financeira devida aos Estados, ao Distrito Federal e aos
Municípios, bem como a órgãos da administração direta da União, em função da produção de
petróleo, de gás natural e de outros hidrocarbonetos fluidos sob o regime de partilha de
produção, nos termos do § 1o do art. 20 da Constituição Federal.

CAPÍTULO III

DO REGIME DE PARTILHA DE PRODUÇÃO

Seção I

Disposições Gerais

Art. 3o A exploração e a produção de petróleo, de gás natural e de outros


hidrocarbonetos fluidos na área do pré-sal e em áreas estratégicas serão contratadas pela
União sob o regime de partilha de produção, na forma desta Lei.

Art. 4o A Petrobras será a operadora de todos os blocos contratados sob o regime de


partilha de produção, sendo-lhe assegurado, a este título, participação mínima no consórcio
previsto no art. 20.

Art. 5o A União não assumirá os riscos das atividades de exploração, avaliação,


desenvolvimento e produção decorrentes dos contratos de partilha de produção.
Art. 6o Os custos e os investimentos necessários à execução do contrato de partilha de
produção serão integralmente suportados pelo contratado, cabendo-lhe, no caso de descoberta
comercial, a sua restituição nos termos do inciso II do art. 2o.

Parágrafo único. A União, por intermédio de fundo específico criado por lei, poderá
participar dos investimentos nas atividades de exploração, avaliação, desenvolvimento e
produção na área do pré-sal e em áreas estratégicas, caso em que assumirá os riscos
correspondentes à sua participação, nos termos do respectivo contrato.

Art. 7o Previamente à contratação sob o regime de partilha de produção, o Ministério de


Minas e Energia, diretamente ou por meio da ANP, poderá promover a avaliação do potencial
das áreas do pré-sal e das áreas estratégicas.

Parágrafo único. A Petrobras poderá ser contratada diretamente para realizar estudos
exploratórios necessários à avaliação prevista no caput.

Art. 8o A União, por intermédio do Ministério de Minas e Energia, celebrará os contratos


de partilha de produção:

I - diretamente com a Petrobras, dispensada a licitação; ou

II - mediante licitação na modalidade leilão.

§ 1o A gestão dos contratos previstos no caput caberá à empresa pública a ser criada
com este propósito.

§ 2o A empresa pública de que trata o § 1o deste artigo não assumirá os riscos e não
responderá pelos custos e investimentos referentes às atividades de exploração, avaliação,
desenvolvimento, produção e desativação das instalações de exploração e produção
decorrentes dos contratos de partilha de produção.

Seção II

Das Competências do Conselho Nacional de Política Energética - CNPE

Art. 9o O Conselho Nacional de Política Energética - CNPE tem como competências,


entre outras definidas na legislação, propor ao Presidente da República:

I - o ritmo de contratação dos blocos sob o regime de partilha de produção, observando-


se a política energética e o desenvolvimento e a capacidade da indústria nacional para o
fornecimento de bens e serviços;

II - os blocos que serão destinados à contratação direta com a Petrobras sob o regime de
partilha de produção;

III - os blocos que serão objeto de leilão para contratação sob o regime de partilha de
produção;

IV - os parâmetros técnicos e econômicos dos contratos de partilha de produção;

V - a delimitação de outras regiões a serem classificadas como área do pré-sal e áreas a


serem classificadas como estratégicas, conforme a evolução do conhecimento geológico;

VI - a política de comercialização do petróleo destinado à União nos contratos de partilha


de produção; e
VII - a política de comercialização do gás natural proveniente dos contratos de partilha de
produção, observada a prioridade de abastecimento do mercado nacional.

Seção III

Das Competências do Ministério de Minas e Energia

Art. 10. Caberá ao Ministério de Minas e Energia, entre outras competências:

I - planejar o aproveitamento do petróleo e do gás natural;

II - propor ao CNPE, ouvida a ANP, a definição dos blocos que serão objeto de
concessão ou de partilha de produção;

III - propor ao CNPE os seguintes parâmetros técnicos e econômicos dos contratos de


partilha de produção:

a) os critérios para definição do excedente em óleo da União;

b) o percentual mínimo do excedente em óleo da União;

c) a participação mínima da Petrobras no consórcio previsto no art. 20, que não poderá
ser inferior a 30% (trinta por cento);

d) os limites, prazos, critérios e condições para o cálculo e apropriação pelo contratado


do custo em óleo e do volume da produção correspondente aos royalties devidos;

e) o conteúdo local mínimo e outros critérios relacionados ao desenvolvimento da


indústria nacional; e

f) o valor do bônus de assinatura, bem como a parcela a ser destinada à empresa pública
de que trata o § 1o do art. 8o;

IV - estabelecer as diretrizes a serem observadas pela ANP para promoção da licitação


prevista no inciso II do art. 8o, bem como para a elaboração das minutas dos editais e dos
contratos de partilha de produção; e

V - aprovar as minutas dos editais de licitação e dos contratos de partilha de produção


elaboradas pela ANP.

§ 1o Ao final de cada semestre, o Ministério de Minas e Energia emitirá relatório sobre as


atividades relacionadas aos contratos de partilha de produção.

§ 2o O relatório será publicado até 30 (trinta) dias após o encerramento do semestre,


assegurado amplo acesso ao público.

Seção IV

Das Competências da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis - ANP

Art. 11. Caberá à ANP, entre outras competências definidas em lei:

I - promover estudos técnicos para subsidiar o Ministério de Minas e Energia na


delimitação dos blocos que serão objeto de contrato de partilha de produção;
II - elaborar e submeter à aprovação do Ministério de Minas e Energia as minutas dos
contratos de partilha de produção e dos editais, no caso de licitação;

III - promover as licitações previstas no inciso II do art. 8o desta Lei;

IV - fazer cumprir as melhores práticas da indústria do petróleo;

V - analisar e aprovar, de acordo com o disposto no inciso IV deste artigo, os planos de


exploração, de avaliação e de desenvolvimento da produção, bem como os programas anuais
de trabalho e de produção relativos aos contratos de partilha de produção; e

VI - regular e fiscalizar as atividades realizadas sob o regime de partilha de produção,


nos termos do inciso VII do art. 8o da Lei no 9.478, de 6 de agosto de 1997.

Seção V

Da Contratação Direta

Art. 12. O CNPE proporá ao Presidente da República os casos em que, visando à


preservação do interesse nacional e ao atendimento dos demais objetivos da política
energética, a Petrobras será contratada diretamente pela União para a exploração e produção
de petróleo, de gás natural e de outros hidrocarbonetos fluidos sob o regime de partilha de
produção.

Parágrafo único. Os parâmetros da contratação prevista no caput serão propostos pelo


CNPE, nos termos do inciso IV do art. 9o e do inciso III do art. 10, no que couber.

Seção VI

Da Licitação

Art. 13. A licitação para a contratação sob o regime de partilha de produção obedecerá
ao disposto nesta Lei, nas normas a serem expedidas pela ANP e no respectivo edital.

Art. 14. A Petrobras poderá participar da licitação prevista no inciso II do art. 8o para
ampliar a sua participação mínima definida nos termos da alínea c do inciso III do art. 10.

Subseção I

Do Edital de Licitação

Art. 15. O edital de licitação será acompanhado da minuta básica do respectivo contrato
e indicará, obrigatoriamente:

I - o bloco objeto do contrato de partilha de produção;

II - o critério de julgamento da licitação, nos termos do art. 18;

III - o percentual mínimo do excedente em óleo da União;

IV - a formação do consórcio previsto no art. 20 e a respectiva participação mínima da


Petrobras;

V - os limites, prazos, critérios e condições para o cálculo e apropriação pelo contratado


do custo em óleo e do volume da produção correspondente aos royalties devidos;
VI - os critérios para definição do excedente em óleo do contratado;

VII - o programa exploratório mínimo e os investimentos estimados correspondentes;

VIII - o conteúdo local mínimo e outros critérios relacionados ao desenvolvimento da


indústria nacional;

IX - o valor do bônus de assinatura, bem como a parcela a ser destinada à empresa


pública de que trata o § 1o do art. 8o;

X - as regras e as fases da licitação;

XI - as regras aplicáveis à participação conjunta de empresas na licitação;

XII - a relação de documentos exigidos e os critérios de habilitação técnica, jurídica,


econômico-financeira e fiscal dos licitantes;

XIII - a garantia a ser apresentada pelo licitante para sua habilitação;

XIV - o prazo, o local e o horário em que serão fornecidos aos licitantes os dados,
estudos e demais elementos e informações necessários à elaboração das propostas, bem
como o custo de sua aquisição; e

XV - o local, o horário e a forma para apresentação das propostas.

Art. 16. Quando permitida a participação conjunta de empresas na licitação, o edital


conterá, entre outras, as seguintes exigências:

I - comprovação de compromisso, público ou particular, de constituição do consórcio


previsto no art. 20, subscrito pelas proponentes;

II - indicação da empresa responsável no processo licitatório, sem prejuízo da


responsabilidade solidária das demais proponentes;

III - apresentação, por parte de cada uma das empresas proponentes, dos documentos
exigidos para efeito de avaliação da qualificação técnica e econômico-financeira do consórcio a
ser constituído; e

IV - proibição de participação de uma mesma empresa, conjunta ou isoladamente, em


mais de uma proposta na licitação de um mesmo bloco.

Art. 17. O edital conterá a exigência de que a empresa estrangeira que concorrer, em
conjunto com outras empresas ou isoladamente, deverá apresentar com sua proposta, em
envelope separado:

I - prova de capacidade técnica, idoneidade financeira e regularidade jurídica e fiscal;

II - inteiro teor dos atos constitutivos e prova de se encontrar organizada e em


funcionamento regular, conforme a lei de seu país;

III - designação de um representante legal perante a ANP, com poderes especiais para a
prática de atos e assunção de responsabilidades relativamente à licitação e à proposta
apresentada; e

IV - compromisso de constituir empresa segundo as leis brasileiras, com sede e


administração no Brasil, caso seja vencedora da licitação.
Subseção II

Do Julgamento da Licitação

Art. 18. O julgamento da licitação identificará a proposta mais vantajosa segundo o


critério da oferta de maior excedente em óleo para a União, respeitado o percentual mínimo
definido nos termos da alínea b do inciso III do art. 10.

Seção VII

Do Consórcio

Art. 19. A Petrobras, quando contratada diretamente ou no caso de ser vencedora


isolada da licitação, deverá constituir consórcio com a empresa pública de que trata o § 1o do
art. 8o desta Lei, na forma do disposto no art. 279 da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976.

Art. 20. O licitante vencedor deverá constituir consórcio com a Petrobras e com a
empresa pública de que trata o § 1o do art. 8o desta Lei, na forma do disposto no art. 279 da Lei
nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976.

§ 1o A participação da Petrobras no consórcio implicará sua adesão às regras do edital e


à proposta vencedora.

§ 2o Os direitos e as obrigações patrimoniais da Petrobras e dos demais contratados


serão proporcionais à sua participação no consórcio.

§ 3o O contrato de constituição de consórcio deverá indicar a Petrobras como


responsável pela execução do contrato, sem prejuízo da responsabilidade solidária das
consorciadas perante o contratante ou terceiros, observado o disposto no § 2o do art. 8o desta
Lei.

Art. 21. A empresa pública de que trata o § 1o do art. 8o integrará o consórcio como
representante dos interesses da União no contrato de partilha de produção.

Art. 22. A administração do consórcio caberá ao seu comitê operacional.

Art. 23. O comitê operacional será composto por representantes da empresa pública de
que trata o § 1o do art. 8o e dos demais consorciados.

Parágrafo único. A empresa pública de que trata o § 1o do art. 8o indicará a metade dos
integrantes do comitê operacional, inclusive o seu presidente, cabendo aos demais
consorciados a indicação dos outros integrantes.

Art. 24. Caberá ao comitê operacional:

I - definir os planos de exploração, a serem submetidos à análise e à aprovação da ANP;

II - definir o plano de avaliação de descoberta de jazida de petróleo e de gás natural a ser


submetido à análise e à aprovação da ANP;

III - declarar a comercialidade de cada jazida descoberta e definir o plano de


desenvolvimento da produção do campo, a ser submetido à análise e à aprovação da ANP;

IV - definir os programas anuais de trabalho e de produção, a serem submetidos à


análise e à aprovação da ANP;
V - analisar e aprovar os orçamentos relacionados às atividades de exploração,
avaliação, desenvolvimento e produção previstas no contrato;

VI - supervisionar as operações e aprovar a contabilização dos custos realizados;

VII - definir os termos do acordo de individualização da produção a ser firmado com o


titular da área adjacente, observado o disposto no Capítulo IV desta Lei; e

VIII - outras atribuições definidas no contrato de partilha de produção.

Art. 25. O presidente do comitê operacional terá poder de veto e voto de qualidade,
conforme previsto no contrato de partilha de produção.

Art. 26. A assinatura do contrato de partilha de produção ficará condicionada à


comprovação do arquivamento do instrumento constitutivo do consórcio no Registro do
Comércio do lugar de sua sede.

Seção VIII

Do Contrato de Partilha de Produção

Art. 27. O contrato de partilha de produção preverá 2 (duas) fases:

I - a de exploração, que incluirá as atividades de avaliação de eventual descoberta de


petróleo ou gás natural, para determinação de sua comercialidade; e

II - a de produção, que incluirá as atividades de desenvolvimento.

Art. 28. O contrato de partilha de produção de petróleo, de gás natural e de outros


hidrocarbonetos fluidos não se estende a qualquer outro recurso natural, ficando o operador
obrigado a informar a sua descoberta, nos termos do inciso I do art. 30.

Art. 29. São cláusulas essenciais do contrato de partilha de produção:

I - a definição do bloco objeto do contrato;

II - a obrigação de o contratado assumir os riscos das atividades de exploração,


avaliação, desenvolvimento e produção;

III - a indicação das garantias a serem prestadas pelo contratado;

IV - o direito do contratado à apropriação do custo em óleo, exigível unicamente em caso


de descoberta comercial;

V - os limites, prazos, critérios e condições para o cálculo e apropriação pelo contratado


do custo em óleo e do volume da produção correspondente aos royalties devidos;

VI - os critérios para cálculo do valor do petróleo ou do gás natural, em função dos preços
de mercado, da especificação do produto e da localização do campo;

VII - as regras e os prazos para a repartição do excedente em óleo, podendo incluir


critérios relacionados à eficiência econômica, à rentabilidade, ao volume de produção e à
variação do preço do petróleo e do gás natural, observado o percentual estabelecido segundo
o disposto no art. 18;
VIII - as atribuições, a composição, o funcionamento e a forma de tomada de decisões e
de solução de controvérsias no âmbito do comitê operacional;

IX - as regras de contabilização, bem como os procedimentos para acompanhamento e


controle das atividades de exploração, avaliação, desenvolvimento e produção;

X - as regras para a realização de atividades, por conta e risco do contratado, que não
implicarão qualquer obrigação para a União ou contabilização no valor do custo em óleo;

XI - o prazo de duração da fase de exploração e as condições para sua prorrogação;

XII - o programa exploratório mínimo e as condições para sua revisão;

XIII - os critérios para formulação e revisão dos planos de exploração e de


desenvolvimento da produção, bem como dos respectivos planos de trabalho, incluindo os
pontos de medição e de partilha de petróleo, de gás natural e de outros hidrocarbonetos fluidos
produzidos;

XIV - a obrigatoriedade de o contratado fornecer à ANP e à empresa pública de que trata


o § 1o do art. 8o relatórios, dados e informações relativos à execução do contrato;

XV - os critérios para devolução e desocupação de áreas pelo contratado, inclusive para


a retirada de equipamentos e instalações e para a reversão de bens;

XVI - as penalidades aplicáveis em caso de inadimplemento das obrigações contratuais;

XVII - os procedimentos relacionados à cessão dos direitos e obrigações relativos ao


contrato, conforme o disposto no art. 31;

XVIII - as regras sobre solução de controvérsias, que poderão prever conciliação e


arbitragem;

XIX - o prazo de vigência do contrato, limitado a 35 (trinta e cinco) anos, e as condições


para a sua extinção;

XX - o valor e a forma de pagamento do bônus de assinatura;

XXI - a obrigatoriedade de apresentação de inventário periódico sobre as emissões de


gases que provocam efeito estufa - GEF, ao qual se dará publicidade, inclusive com cópia ao
Congresso Nacional;

XXII - a apresentação de plano de contingência relativo a acidentes por vazamento de


petróleo, de gás natural, de outros hidrocarbonetos fluidos e seus derivados; e

XXIII - a obrigatoriedade da realização de auditoria ambiental de todo o processo


operacional de retirada e distribuição de petróleo e gás oriundos do pré-sal.

Art. 30. A Petrobras, na condição de operadora do contrato de partilha de produção,


deverá:

I - informar ao comitê operacional e à ANP, no prazo contratual, a descoberta de


qualquer jazida de petróleo, de gás natural, de outros hidrocarbonetos fluidos ou de quaisquer
minerais;
II - submeter à aprovação do comitê operacional o plano de avaliação de descoberta de
jazida de petróleo, de gás natural e de outros hidrocarbonetos fluidos, para determinação de
sua comercialidade;

III - realizar a avaliação da descoberta de jazida de petróleo e de gás natural nos termos
do plano de avaliação aprovado pela ANP, apresentando relatório de comercialidade ao comitê
operacional;

IV - submeter ao comitê operacional o plano de desenvolvimento da produção do campo,


bem como os planos de trabalho e de produção, contendo cronogramas e orçamentos;

V - adotar as melhores práticas da indústria do petróleo, obedecendo às normas e aos


procedimentos técnicos e científicos pertinentes e utilizando técnicas apropriadas de
recuperação, objetivando a racionalização da produção e o controle do declínio das reservas; e

VI - encaminhar ao comitê operacional todos os dados e documentos relativos às


atividades realizadas.

Art. 31. A cessão dos direitos e obrigações relativos ao contrato de partilha de produção
somente poderá ocorrer mediante prévia e expressa autorização do Ministério de Minas e
Energia, ouvida a ANP, observadas as seguintes condições:

I - preservação do objeto contratual e de suas condições;

II - atendimento, por parte do cessionário, dos requisitos técnicos, econômicos e jurídicos


estabelecidos pelo Ministério de Minas e Energia; e

III - exercício do direito de preferência dos demais consorciados, na proporção de suas


participações no consórcio.

Parágrafo único. A Petrobras somente poderá ceder a participação nos contratos de


partilha de produção que obtiver como vencedora da licitação, nos termos do art. 14.

Art. 32. O contrato de partilha de produção extinguir-se-á:

I - pelo vencimento de seu prazo;

II - por acordo entre as partes;

III - pelos motivos de resolução nele previstos;

IV - ao término da fase de exploração, sem que tenha sido feita qualquer descoberta
comercial, conforme definido no contrato;

V - pelo exercício do direito de desistência pelo contratado na fase de exploração, desde


que cumprido o programa exploratório mínimo ou pago o valor correspondente à parcela não
cumprida, conforme previsto no contrato; e

VI - pela recusa em firmar o acordo de individualização da produção, após decisão da


ANP.

§ 1o A devolução de áreas não implicará obrigação de qualquer natureza para a União


nem conferirá ao contratado qualquer direito de indenização pelos serviços e bens.

§ 2o Extinto o contrato de partilha de produção, o contratado fará a remoção dos


equipamentos e bens que não sejam objeto de reversão, ficando obrigado a reparar ou a
indenizar os danos decorrentes de suas atividades e a praticar os atos de recuperação
ambiental determinados pelas autoridades competentes.

CAPÍTULO IV

DA INDIVIDUALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO

Art. 33. O procedimento de individualização da produção de petróleo, de gás natural e de


outros hidrocarbonetos fluidos deverá ser instaurado quando se identificar que a jazida se
estende além do bloco concedido ou contratado sob o regime de partilha de produção.

§ 1o O concessionário ou o contratado sob o regime de partilha de produção deverá


informar à ANP que a jazida será objeto de acordo de individualização da produção.

§ 2o A ANP determinará o prazo para que os interessados celebrem o acordo de


individualização da produção, observadas as diretrizes do CNPE.

Art. 34. A ANP regulará os procedimentos e as diretrizes para elaboração do acordo de


individualização da produção, o qual estipulará:

I - a participação de cada uma das partes na jazida individualizada, bem como as


hipóteses e os critérios de sua revisão;

II - o plano de desenvolvimento da área objeto de individualização da produção; e

III - os mecanismos de solução de controvérsias.

Parágrafo único. A ANP acompanhará a negociação entre os interessados sobre os


termos do acordo de individualização da produção.

Art. 35. O acordo de individualização da produção indicará o operador da respectiva


jazida.

Art. 36. A União, representada pela empresa pública referida no § 1o do art. 8o e com
base nas avaliações realizadas pela ANP, celebrará com os interessados, nos casos em que
as jazidas da área do pré-sal e das áreas estratégicas se estendam por áreas não concedidas
ou não partilhadas, acordo de individualização da produção, cujos termos e condições
obrigarão o futuro concessionário ou contratado sob regime de partilha de produção.

§ 1o A ANP deverá fornecer à empresa pública referida no § 1o do art. 8o todas as


informações necessárias para o acordo de individualização da produção.

§ 2o O regime de exploração e produção a ser adotado nas áreas de que trata o caput
independe do regime vigente nas áreas adjacentes.

Art. 37. A União, representada pela ANP, celebrará com os interessados, após as
devidas avaliações, nos casos em que a jazida não se localize na área do pré-sal ou em áreas
estratégicas e se estenda por áreas não concedidas, acordo de individualização da produção,
cujos termos e condições obrigarão o futuro concessionário.

Art. 38. A ANP poderá contratar diretamente a Petrobras para realizar as atividades de
avaliação das jazidas previstas nos arts. 36 e 37.

Art. 39. Os acordos de individualização da produção serão submetidos à prévia


aprovação da ANP.
Parágrafo único. A ANP deverá se manifestar em até 60 (sessenta) dias, contados do
recebimento da proposta de acordo.

Art. 40. Transcorrido o prazo de que trata o § 2o do art. 33 e não havendo acordo entre
as partes, caberá à ANP determinar, em até 120 (cento e vinte) dias e com base em laudo
técnico, a forma como serão apropriados os direitos e as obrigações sobre a jazida e notificar
as partes para que firmem o respectivo acordo de individualização da produção.

Parágrafo único. A recusa de uma das partes em firmar o acordo de individualização da


produção implicará resolução dos contratos de concessão ou de partilha de produção.

Art. 41. O desenvolvimento e a produção da jazida ficarão suspensos enquanto não


aprovado o acordo de individualização da produção, exceto nos casos autorizados e sob as
condições definidas pela ANP.

CAPÍTULO V

DAS RECEITAS GOVERNAMENTAIS NO REGIME DE PARTILHA DE PRODUÇÃO

Art. 42. O regime de partilha de produção terá as seguintes receitas governamentais:

I - royalties; e

II - bônus de assinatura.

§ 1o Os royalties correspondem à compensação financeira pela exploração de petróleo,


de gás natural e de outros hidrocarbonetos fluidos de que trata o § 1o do art. 20 da Constituição
Federal, vedada sua inclusão no cálculo do custo em óleo.

§ 2o O bônus de assinatura não integra o custo em óleo, corresponde a valor fixo devido
à União pelo contratado e será estabelecido pelo contrato de partilha de produção, devendo ser
pago no ato de sua assinatura.

Art. 43. O contrato de partilha de produção, quando o bloco se localizar em terra, conterá
cláusula determinando o pagamento, em moeda nacional, de participação equivalente a até 1%
(um por cento) do valor da produção de petróleo ou gás natural aos proprietários da terra onde
se localiza o bloco.

§ 1o A participação a que se refere o caput será distribuída na proporção da produção


realizada nas propriedades regularmente demarcadas na superfície do bloco, vedada a sua
inclusão no cálculo do custo em óleo.

§ 2o O cálculo da participação de terceiro de que trata o caput será efetivado pela ANP.

Art. 44. Não se aplicará o disposto no art. 50 da Lei no 9.478, de 6 de agosto de 1997,
aos contratos de partilha de produção.

CAPÍTULO VI

DA COMERCIALIZAÇÃO DO PETRÓLEO, DO GÁS NATURAL E DE OUTROS


HIDROCARBONETOS FLUIDOS DA UNIÃO

Art. 45. O petróleo, o gás natural e outros hidrocarbonetos fluidos destinados à União
serão comercializados de acordo com as normas do direito privado, dispensada a licitação,
segundo a política de comercialização referida nos incisos VI e VII do art. 9o.
Parágrafo único. A empresa pública de que trata o § 1o do art. 8o, representando a
União, poderá contratar diretamente a Petrobras, dispensada a licitação, como agente
comercializador do petróleo, do gás natural e de outros hidrocarbonetos fluidos referidos no
caput.

Art. 46. A receita advinda da comercialização referida no art. 45 será destinada ao Fundo
Social, conforme dispõem os arts. 47 a 60.

CAPÍTULO VII

DO FUNDO SOCIAL - FS

Seção I

Da Definição e Objetivos do Fundo Social - FS

Art. 47. É criado o Fundo Social - FS, de natureza contábil e financeira, vinculado à
Presidência da República, com a finalidade de constituir fonte de recursos para o
desenvolvimento social e regional, na forma de programas e projetos nas áreas de combate à
pobreza e de desenvolvimento:

I - da educação;

II - da cultura;

III - do esporte;

IV - da saúde pública;

V - da ciência e tecnologia;

VI - do meio ambiente; e

VII - de mitigação e adaptação às mudanças climáticas.

§ 1o Os programas e projetos de que trata o caput observarão o plano plurianual - PPA,


a lei de diretrizes orçamentárias - LDO e as respectivas dotações consignadas na lei
orçamentária anual - LOA.

§ 2o (VETADO)

Art. 48. O FS tem por objetivos:

I - constituir poupança pública de longo prazo com base nas receitas auferidas pela
União;

II - oferecer fonte de recursos para o desenvolvimento social e regional, na forma prevista


no art. 47; e

III - mitigar as flutuações de renda e de preços na economia nacional, decorrentes das


variações na renda gerada pelas atividades de produção e exploração de petróleo e de outros
recursos não renováveis.

Parágrafo único. É vedado ao FS, direta ou indiretamente, conceder garantias.

Seção II
Dos Recursos do Fundo Social - FS

Art. 49. Constituem recursos do FS:

I - parcela do valor do bônus de assinatura destinada ao FS pelos contratos de partilha


de produção;

II - parcela dos royalties que cabe à União, deduzidas aquelas destinadas aos seus
órgãos específicos, conforme estabelecido nos contratos de partilha de produção, na forma do
regulamento;

III - receita advinda da comercialização de petróleo, de gás natural e de outros


hidrocarbonetos fluidos da União, conforme definido em lei;

IV - os royalties e a participação especial das áreas localizadas no pré-sal contratadas


sob o regime de concessão destinados à administração direta da União, observado o disposto
nos §§ 1o e 2o deste artigo;

V - os resultados de aplicações financeiras sobre suas disponibilidades; e

VI - outros recursos destinados ao FS por lei.

§ 1o A Lei no 9.478, de 6 de agosto de 1997, passa a vigorar com as seguintes


alterações:

“Art. 49. ........................................................................

.............................................................................................

§ 3o Nas áreas localizadas no pré-sal contratadas sob o regime de concessão, a parcela dos
royalties que cabe à administração direta da União será destinada integralmente ao fundo de
natureza contábil e financeira, criado por lei específica, com a finalidade de constituir fonte de
recursos para o desenvolvimento social e regional, na forma de programas e projetos nas
áreas de combate à pobreza e de desenvolvimento da educação, da cultura, do esporte, da
saúde pública, da ciência e tecnologia, do meio ambiente e de mitigação e adaptação às
mudanças climáticas, vedada sua destinação aos órgãos específicos de que trata este artigo.”
(NR)

“Art. 50. .......................................................................

.............................................................................................

§ 4o Nas áreas localizadas no pré-sal contratadas sob o regime de concessão, a parcela da


participação especial que cabe à administração direta da União será destinada integralmente
ao fundo de natureza contábil e financeira, criado por lei específica, com a finalidade de
constituir fonte de recursos para o desenvolvimento social e regional, na forma de programas e
projetos nas áreas de combate à pobreza e de desenvolvimento da educação, da cultura, do
esporte, da saúde pública, da ciência e tecnologia, do meio ambiente e de mitigação e
adaptação às mudanças climáticas, vedada sua destinação aos órgãos específicos de que
trata este artigo.” (NR)

§ 2o O cumprimento do disposto no § 1o deste artigo obedecerá a regra de transição, a


critério do Poder Executivo, estabelecida na forma do regulamento.

Seção III

Da Política de Investimentos do Fundo Social


Art. 50. A política de investimentos do FS tem por objetivo buscar a rentabilidade, a
segurança e a liquidez de suas aplicações e assegurar sua sustentabilidade econômica e
financeira para o cumprimento das finalidades definidas nos arts. 47 e 48.

Parágrafo único. Os investimentos e aplicações do FS serão destinados


preferencialmente a ativos no exterior, com a finalidade de mitigar a volatilidade de renda e de
preços na economia nacional.

Art. 51. Os recursos do FS para aplicação nos programas e projetos a que se refere o
art. 47 deverão ser os resultantes do retorno sobre o capital.

Parágrafo único. Constituído o FS e garantida a sua sustentabilidade econômica e


financeira, o Poder Executivo, na forma da lei, poderá propor o uso de percentual de recursos
do principal para a aplicação nas finalidades previstas no art. 47, na etapa inicial de formação
de poupança do fundo.

Art. 52. A política de investimentos do FS será definida pelo Comitê de Gestão


Financeira do Fundo Social - CGFFS.

§ 1o O CGFFS terá sua composição e funcionamento estabelecidos em ato do Poder


Executivo, assegurada a participação do Ministro de Estado da Fazenda, do Ministro de Estado
do Planejamento, Orçamento e Gestão e do Presidente do Banco Central do Brasil.

§ 2o Aos membros do CGFFS não cabe qualquer tipo de remuneração pelo desempenho
de suas funções.

§ 3o As despesas relativas à operacionalização do CGFFS serão custeadas pelo FS.

Art. 53. Cabe ao CGFFS definir:

I - o montante a ser resgatado anualmente do FS, assegurada sua sustentabilidade


financeira;

II - a rentabilidade mínima esperada;

III - o tipo e o nível de risco que poderão ser assumidos na realização dos investimentos,
bem como as condições para que o nível de risco seja minimizado;

IV - os percentuais, mínimo e máximo, de recursos a serem investidos no exterior e no


País;

V - a capitalização mínima a ser atingida antes de qualquer transferência para as


finalidades e os objetivos definidos nesta Lei.

Art. 54. A União, a critério do CGFFS, poderá contratar instituições financeiras federais
para atuarem como agentes operadores do FS, as quais farão jus a remuneração pelos
serviços prestados.

Art. 55. A União poderá participar, com recursos do FS, como cotista única, de fundo de
investimento específico.

Parágrafo único. O fundo de investimento específico de que trata este artigo deve ser
constituído por instituição financeira federal, observadas as normas a que se refere o inciso
XXII do art. 4o da Lei no 4.595, de 31 de dezembro de 1964.
Art. 56. O fundo de investimento de que trata o art. 55 deverá ter natureza privada e
patrimônio próprio separado do patrimônio do cotista e do administrador, sujeitando-se a
direitos e obrigações próprias.

§ 1o A integralização das cotas do fundo de investimento será autorizada em ato do


Poder Executivo, ouvido o CGFFS.

§ 2o O fundo de investimento terá por finalidade promover a aplicação em ativos no


Brasil e no exterior.

§ 3o O fundo de investimento responderá por suas obrigações com os bens e direitos


integrantes de seu patrimônio, ficando o cotista obrigado somente pela integralização das cotas
que subscrever.

§ 4o A dissolução do fundo de investimento dar-se-á na forma de seu estatuto, e seus


recursos retornarão ao FS.

§ 5o Sobre as operações de crédito, câmbio e seguro e sobre rendimentos e lucros do


fundo de investimento não incidirá qualquer imposto ou contribuição social de competência da
União.

§ 6o O fundo de investimento deverá elaborar os demonstrativos contábeis de acordo


com a legislação em vigor e conforme o estabelecido no seu estatuto.

Art. 57. O estatuto do fundo de investimento definirá, inclusive, as políticas de aplicação,


critérios e níveis de rentabilidade e de risco, questões operacionais da gestão administrativa e
financeira e regras de supervisão prudencial de investimentos.

Seção IV

Da Gestão do Fundo Social

Art. 58. É criado o Conselho Deliberativo do Fundo Social - CDFS, com a atribuição de
propor ao Poder Executivo, ouvidos os Ministérios afins, a prioridade e a destinação dos
recursos resgatados do FS para as finalidades estabelecidas no art. 47, observados o PPA, a
LDO e a LOA.

§ 1o A composição, as competências e o funcionamento do CDFS serão estabelecidos


em ato do Poder Executivo.

§ 2o Aos membros do CDFS não cabe qualquer tipo de remuneração pelo desempenho
de suas funções.

§ 3o A destinação de recursos para os programas e projetos definidos como prioritários


pelo CDFS é condicionada à prévia fixação de metas, prazo de execução e planos de
avaliação, em coerência com as disposições estabelecidas no PPA.

§ 4o O CDFS deverá submeter os programas e projetos a criteriosa avaliação


quantitativa e qualitativa durante todas as fases de execução, monitorando os impactos
efetivos sobre a população e nas regiões de intervenção, com o apoio de instituições públicas e
universitárias de pesquisa.

§ 5o Os recursos do FS destinados aos programas e projetos de que trata o art. 47


devem observar critérios de redução das desigualdades regionais.
Art. 59. As demonstrações contábeis e os resultados das aplicações do FS serão
elaborados e apurados semestralmente, nos termos previstos pelo órgão central de
contabilidade de que trata o inciso I do art. 17 da Lei no 10.180, de 6 de fevereiro de 2001.

Parágrafo único. Ato do Poder Executivo definirá as regras de supervisão do FS, sem
prejuízo da fiscalização dos entes competentes.

Art. 60. O Poder Executivo encaminhará trimestralmente ao Congresso Nacional


relatório de desempenho do FS, conforme disposto em regulamento do Fundo.

CAPÍTULO VIII

DISPOSIÇÕES FINAIS E TRANSITÓRIAS

Art. 61. Aplicam-se às atividades de exploração, avaliação, desenvolvimento e produção


de que trata esta Lei os regimes aduaneiros especiais e os incentivos fiscais aplicáveis à
indústria de petróleo no Brasil.

Art. 62. A Lei no 9.478, de 6 de agosto de 1997, passa a vigorar com as seguintes
alterações:

“Art. 2o .........................................................................

.............................................................................................

VIII - definir os blocos a serem objeto de concessão ou partilha de produção;

IX - definir a estratégia e a política de desenvolvimento econômico e tecnológico da indústria de


petróleo, de gás natural e de outros hidrocarbonetos fluidos, bem como da sua cadeia de
suprimento;

X - induzir o incremento dos índices mínimos de conteúdo local de bens e serviços, a serem
observados em licitações e contratos de concessão e de partilha de produção, observado o
disposto no inciso IX.

...................................................................................” (NR)

“Art. 5o As atividades econômicas de que trata o art. 4o desta Lei serão reguladas e
fiscalizadas pela União e poderão ser exercidas, mediante concessão, autorização ou
contratação sob o regime de partilha de produção, por empresas constituídas sob as leis
brasileiras, com sede e administração no País.” (NR)

“Art. 8o .........................................................................

..............................................................................................

II - promover estudos visando à delimitação de blocos, para efeito de concessão ou


contratação sob o regime de partilha de produção das atividades de exploração,
desenvolvimento e produção;

...................................................................................” (NR)

“Art. 21. Todos os direitos de exploração e produção de petróleo, de gás natural e de outros
hidrocarbonetos fluidos em território nacional, nele compreendidos a parte terrestre, o mar
territorial, a plataforma continental e a zona econômica exclusiva, pertencem à União, cabendo
sua administração à ANP, ressalvadas as competências de outros órgãos e entidades
expressamente estabelecidas em lei.” (NR)

“Art. 22. .......................................................................

.............................................................................................

§ 3o O Ministério de Minas e Energia terá acesso irrestrito e gratuito ao acervo a que se refere
o caput deste artigo, com o objetivo de realizar estudos e planejamento setorial, mantido o
sigilo a que esteja submetido, quando for o caso.” (NR)

“Art. 23. As atividades de exploração, desenvolvimento e produção de petróleo e de gás


natural serão exercidas mediante contratos de concessão, precedidos de licitação, na forma
estabelecida nesta Lei, ou sob o regime de partilha de produção nas áreas do pré-sal e nas
áreas estratégicas, conforme legislação específica.

...................................................................................” (NR)

Art. 63. Enquanto não for criada a empresa pública de que trata o § 1o do art. 8o, suas
competências serão exercidas pela União, por intermédio da ANP, podendo ainda ser
delegadas por meio de ato do Poder Executivo.

Art. 64. (VETADO)

Art. 65. O Poder Executivo estabelecerá política e medidas específicas visando ao


aumento da participação de empresas de pequeno e médio porte nas atividades de exploração,
desenvolvimento e produção de petróleo e gás natural.

Parágrafo único. O Poder Executivo regulamentará o disposto no caput no prazo de 120


(cento e vinte) dias, contado da data de publicação desta Lei.

Art. 66. O Poder Executivo regulamentará o disposto nesta Lei.

Art. 67. Revogam-se o § 1º do art. 23 e o art. 27 da Lei nº 9.478, de 6 de agosto de


1997.

Art. 68. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

Brasília, 22 de dezembro de 2010; 189o da Independência e 122o da República.

LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA


Guido Mantega
Miguel Jorge
Márcio Pereira Zimmermann
Paulo Bernardo Silva
Sergio Machado Rezende
Carlos E. Esteves Lima
Alexandre Rocha Santos Padilha
Luis Inácio Lucena Adams

Este texto não substitui o publicado no DOU de 23.12.2010

ANEXO

POLÍGONO PRÉ-SAL
COORDENADAS POLICÔNICA/SAD69/MC54
Longitude (W) Latitude (S) Vértices
5828309.85 7131717.65 1
5929556.50 7221864.57 2
6051237.54 7283090.25 3
6267090.28 7318567.19 4
6435210.56 7528148.23 5
6424907.47 7588826.11 6
6474447.16 7641777.76 7
6549160.52 7502144.27 8
6502632.19 7429577.67 9
6152150.71 7019438.85 10
5836128.16 6995039.24 11
5828309.85 7131717.65 1
LEI Nº 12.304, DE 2 DE AGOSTO DE 2010
Autoriza o Poder Executivo a criar a empresa
pública denominada Empresa Brasileira de
Administração de Petróleo e Gás Natural S.A. -
Pré-Sal Petróleo S.A. (PPSA) e dá outras
providências.

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional


decreta e eu sanciono a seguinte Lei:

Art. 1o É o Poder Executivo autorizado a criar empresa pública, sob a forma de


sociedade anônima, denominada Empresa Brasileira de Administração de Petróleo e Gás
Natural S.A. - Pré-Sal Petróleo S.A. (PPSA), vinculada ao Ministério de Minas e Energia, com
prazo de duração indeterminado.

Parágrafo único. A PPSA terá sede e foro em Brasília e escritório central no Rio de
Janeiro.

Art. 2o A PPSA terá por objeto a gestão dos contratos de partilha de produção
celebrados pelo Ministério de Minas e Energia e a gestão dos contratos para a comercialização
de petróleo, de gás natural e de outros hidrocarbonetos fluidos da União.

Parágrafo único. A PPSA não será responsável pela execução, direta ou indireta, das
atividades de exploração, desenvolvimento, produção e comercialização de petróleo, de gás
natural e de outros hidrocarbonetos fluidos.

Art. 3o A PPSA sujeitar-se-á ao regime jurídico próprio das empresas privadas, inclusive
quanto aos direitos e obrigações civis, comerciais, trabalhistas e tributários.

Art. 4o Compete à PPSA:

I - praticar todos os atos necessários à gestão dos contratos de partilha de produção


celebrados pelo Ministério de Minas e Energia, especialmente:

a) representar a União nos consórcios formados para a execução dos contratos de


partilha de produção;

b) defender os interesses da União nos comitês operacionais;

c) avaliar, técnica e economicamente, planos de exploração, de avaliação, de


desenvolvimento e de produção de petróleo, de gás natural e de outros hidrocarbonetos
fluidos, bem como fazer cumprir as exigências contratuais referentes ao conteúdo local;

d) monitorar e auditar a execução de projetos de exploração, avaliação, desenvolvimento


e produção de petróleo, de gás natural e de outros hidrocarbonetos fluidos;

e) monitorar e auditar os custos e investimentos relacionados aos contratos de partilha


de produção; e

f) fornecer à Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) as


informações necessárias às suas funções regulatórias;
II - praticar todos os atos necessários à gestão dos contratos para a comercialização de
petróleo, de gás natural e de outros hidrocarbonetos fluidos da União, especialmente:

a) celebrar os contratos com agentes comercializadores, representando a União;

b) verificar o cumprimento, pelos contratados, da política de comercialização de petróleo


e gás natural da União resultante de contratos de partilha de produção; e

c) monitorar e auditar as operações, os custos e os preços de venda de petróleo, de gás


natural e de outros hidrocarbonetos fluidos;

III - analisar dados sísmicos fornecidos pela ANP e pelos contratados sob o regime de
partilha de produção;

IV - representar a União nos procedimentos de individualização da produção e nos


acordos decorrentes, nos casos em que as jazidas da área do pré-sal e das áreas estratégicas
se estendam por áreas não concedidas ou não contratadas sob o regime de partilha de
produção; e

V - exercer outras atividades necessárias ao cumprimento de seu objeto social, conforme


definido no seu estatuto.

Parágrafo único. No desempenho das competências previstas no inciso I, a PPSA


observará, nos contratos de partilha de produção, as melhores práticas da indústria do
petróleo.

Art. 5o É dispensada a licitação para a contratação da PPSA pela administração pública


para realizar atividades relacionadas ao seu objeto.

Art. 6o A PPSA terá seu capital social representado por ações ordinárias nominativas,
integralmente sob a propriedade da União.

Parágrafo único. A integralização do capital social será realizada com recursos oriundos
de dotações consignadas no orçamento da União, bem como pela incorporação de qualquer
espécie de bens suscetíveis de avaliação em dinheiro.

Art. 7o Constituem recursos da PPSA:

I - rendas provenientes da gestão dos contratos de partilha de produção, inclusive


parcela que lhe for destinada do bônus de assinatura relativo aos respectivos contratos;

II - rendas provenientes da gestão dos contratos que celebrar com os agentes


comercializadores de petróleo e gás natural da União;

III - recursos provenientes de acordos e convênios que realizar com entidades nacionais
e internacionais;

IV - rendimentos de aplicações financeiras que realizar;

V - alienação de bens patrimoniais;

VI - doações, legados, subvenções e outros recursos que lhe forem destinados por
pessoas físicas ou jurídicas de direito público ou privado; e

VII - rendas provenientes de outras fontes.


Parágrafo único. A remuneração da PPSA pela gestão dos contratos de partilha de
produção será estipulada em função das fases de cada contrato e das dimensões dos blocos e
campos, entre outros critérios, observados os princípios da eficiência e da economicidade.

Art. 8o Ato do Poder Executivo aprovará o estatuto da PPSA.

Parágrafo único. O estatuto fixará o número máximo de empregados e o de funções e


cargos de livre provimento.

Art. 9o A PPSA será dirigida por um Conselho de Administração e uma Diretoria


Executiva.

Art. 10. O Conselho de Administração, cujos membros serão nomeados pelo Presidente
da República, será constituído:

I - por 1 (um) conselheiro indicado pelo Ministério de Minas e Energia, que o presidirá;

II - por 1 (um) conselheiro indicado pelo Ministério da Fazenda;

III - por 1 (um) conselheiro indicado pelo Ministério do Planejamento, Orçamento e


Gestão;

IV - por 1 (um) conselheiro indicado pela Casa Civil da Presidência da República; e

V - pelo diretor-presidente da PPSA.

§ 1o Os conselheiros terão um período de gestão de 4 (quatro) anos, admitida 1 (uma)


recondução.

§ 2o O funcionamento e as atribuições do Conselho de Administração serão definidos no


estatuto.

Art. 11. Os membros da Diretoria Executiva serão nomeados pelo Presidente da


República, por indicação do Ministério de Minas e Energia.

§ 1o Os membros da Diretoria Executiva deverão ter reputação ilibada e comprovada


experiência em assuntos compatíveis com o cargo.

§ 2o O funcionamento e as atribuições da Diretoria Executiva, bem como o número de


diretores e o respectivo prazo de gestão, serão definidos no estatuto.

§ 3o As decisões colegiadas da Diretoria Executiva serão tomadas pela maioria absoluta


de seus membros, presentes, no mínimo, 3/5 (três quintos) deles.

§ 4o Os membros da Diretoria Executiva, depois de deixarem seus cargos, ficarão


impedidos, por um período de 4 (quatro) meses, de prestar, direta ou indiretamente, qualquer
tipo de serviço a empresa integrante da indústria do petróleo, gás natural, biocombustíveis ou
de distribuição e comercialização, em operação no País.

§ 5o Durante o período previsto no § 4o, os ex-membros da Diretoria Executiva


receberão remuneração idêntica à dos cargos por eles anteriormente ocupados.

§ 6o A violação ao impedimento previsto neste artigo caracteriza prática de advocacia


administrativa, sujeita às penas previstas em lei.
Art. 12. A PPSA terá um Conselho Fiscal, cujos membros serão eleitos pela Assembleia
Geral, constituído por:

I - 2 (dois) conselheiros titulares, e respectivos suplentes, indicados pelo Ministério de


Minas e Energia; e

II - 1 (um) conselheiro titular, e respectivo suplente, indicado pelo Ministério da Fazenda.

§ 1o Os conselheiros terão um período de gestão de 4 (quatro) anos, admitida 1 (uma)


recondução.

§ 2o O funcionamento e as atribuições do Conselho Fiscal serão definidos no estatuto,


que deverá prever expressamente a contratação de auditores independentes para realização
de auditoria anual e das demonstrações contábeis da empresa pública criada por esta Lei.

Art. 13. O regime de pessoal da PPSA será o da Consolidação das Leis do Trabalho
(CLT), aprovada pelo Decreto-Lei no 5.452, de 1o de maio de 1943, condicionada a contratação
à prévia aprovação em concurso público de provas ou de provas e títulos, observadas as
normas específicas editadas pela Diretoria Executiva.

Parágrafo único. Nos concursos referidos no caput, a PPSA poderá exigir, como critério
de seleção, títulos acadêmicos e experiência profissional mínima, não superior a 10 (dez) anos,
na área na qual o candidato pretende desempenhar suas atividades.

Art. 14. É a PPSA, para fins de implantação, equiparada às pessoas jurídicas referidas
no art. 1o da Lei no 8.745, de 9 de dezembro de 1993, para contratar pessoal técnico e
administrativo por tempo determinado.

§ 1o Considera-se como necessidade temporária de excepcional interesse público, para


os efeitos da Lei nº 8.745, de 1993, a contratação de pessoal técnico e administrativo, por
tempo determinado, imprescindível ao funcionamento inicial da PPSA.

§ 2o As contratações a que se refere o § 1o observarão o disposto no caput do art. 3o,


no art. 6o, no inciso II do art. 7º e nos arts. 9º e 12 da Lei nº 8.745, de 1993, e não poderão
exceder o prazo de 48 (quarenta e oito) meses, a contar da data de instalação da PPSA.

§ 3o Nas contratações de que trata o caput, a PPSA especificará, no edital de


contratação, o tempo mínimo, como critério de seleção, títulos acadêmicos e experiência
profissional na área na qual o candidato pretenda desempenhar suas atividades.

Art. 15. Sem prejuízo do disposto no art. 14 e observados os requisitos e as condições


previstos na legislação trabalhista, a PPSA poderá efetuar contratação de pessoal por tempo
determinado, cujos instrumentos terão a duração máxima de 2 (dois) anos, mediante processo
seletivo simplificado.

§ 1o A contratação por tempo determinado somente será admitida nos casos:

I - de serviço cuja natureza ou transitoriedade justifique a predeterminação do prazo; e

II - de atividades empresariais de caráter transitório.

§ 2o O contrato de trabalho por prazo determinado poderá ser prorrogado apenas 1


(uma) vez e desde que a soma dos 2 (dois) períodos não ultrapasse 2 (dois) anos.

§ 3o O processo seletivo referido no caput deverá ser estabelecido no regimento interno


da PPSA, conterá critérios objetivos e estará sujeito, em qualquer caso, a ampla divulgação.
§ 4o O pessoal contratado nos termos deste artigo não poderá:

I - receber atribuições, funções ou encargos não previstos no respectivo contrato;

II - ser nomeado ou designado, ainda que a título precário ou em substituição, para o


exercício de cargo em comissão ou função de confiança; e

III - ser novamente contratado pela PPSA, com fundamento neste artigo, antes de
decorridos 6 (seis) meses do encerramento de seu contrato anterior.

§ 5o A inobservância do disposto neste artigo importará na resolução do contrato, nos


casos dos incisos I e II do § 4o, ou na sua nulidade, nos demais casos, sem prejuízo da
responsabilidade dos administradores.

Art. 16. É a PPSA autorizada a patrocinar entidade fechada de previdência


complementar, nos termos da legislação vigente.

Parágrafo único. O patrocínio de que trata o caput poderá ser feito mediante adesão a
entidade fechada de previdência privada já existente.

Art. 17. A PPSA sujeitar-se-á à supervisão do Ministério de Minas e Energia e à


fiscalização da Controladoria-Geral da União e do Tribunal de Contas da União.

Art. 18. Ao fim de cada exercício social, a PPSA deverá disponibilizar, na rede mundial
de computadores, as demonstrações financeiras referidas no art. 176 da Lei no 6.404, de 15 de
dezembro de 1976.

Art. 19. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

Brasília, 2 de agosto de 2010; 189o da Independência e 122o da República.

LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA


Guido Mantega
Miguel Jorge
Márcio Pereira Zimmermann
Paulo Bernardo Silva
Erenice Guerra

Este texto não substitui o publicado no DOU de 3.8.2010


LEI Nº 12.276, DE 30 DE JUNHO DE 2010
Autoriza a União a ceder onerosamente à Petróleo
Brasileiro S.A. - PETROBRAS o exercício das
atividades de pesquisa e lavra de petróleo, de gás
natural e de outros hidrocarbonetos fluidos de que
trata o inciso I do art. 177 da Constituição Federal,
e dá outras providências.

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional


decreta e eu sanciono a seguinte Lei:

Art. 1o Fica a União autorizada a ceder onerosamente à Petróleo Brasileiro S.A. -


PETROBRAS, dispensada a licitação, o exercício das atividades de pesquisa e lavra de
petróleo, de gás natural e de outros hidrocarbonetos fluidos de que trata o inciso I do art. 177
da Constituição Federal, em áreas não concedidas localizadas no pré-sal.

§ 1o A Petrobras terá a titularidade do petróleo, gás natural e outros hidrocarbonetos


fluidos produzidos nos termos do contrato que formalizar a cessão definida no caput.

§ 2o A cessão de que trata o caput deverá produzir efeitos até que a Petrobras extraia o
número de barris equivalentes de petróleo definido em respectivo contrato de cessão, não
podendo tal número exceder a 5.000.000.000 (cinco bilhões) de barris equivalentes de
petróleo.

§ 3o O pagamento devido pela Petrobras pela cessão de que trata o caput deverá ser
efetivado prioritariamente em títulos da dívida pública mobiliária federal, precificados a valor de
mercado, ressalvada a parcela de que trata o § 4o.

§ 4o (VETADO).

§ 5o As condições para pagamento em títulos da dívida pública mobiliária federal serão


fixadas em ato do Ministro de Estado da Fazenda.

§ 6o A cessão de que trata o caput é intransferível.

Art. 2o O contrato que formalizará a cessão de que trata o art. 1o deverá conter, entre
outras, cláusulas que estabeleçam:

I - a identificação e a delimitação geográfica das respectivas áreas;

II - os respectivos volumes de barris equivalentes de petróleo, observado o limite de que


trata o § 2o do art. 1o;

III - valores mínimos, e metas de elevação ao longo do período de execução do contrato,


do índice de nacionalização dos bens produzidos e dos serviços prestados para execução das
atividades de pesquisa e lavra referidas no caput do art. 1o;

IV - o valor e as condições do pagamento de que tratam os §§ 3o e 4o do art. 1o; e


V - as condições para a realização de sua revisão, considerando-se, entre outras
variáveis, os preços de mercado e a especificação do produto da lavra.

Parágrafo único. O contrato e sua revisão deverão ser submetidos à prévia apreciação
do Conselho Nacional de Política Energética - CNPE.

Art. 3o Os volumes de barris equivalentes de petróleo de que tratam os §§ 2o e 4o do art.


1o,bem como os seus respectivos valores econômicos, serão determinados a partir de laudos
técnicos elaborados por entidades certificadoras, observadas as melhores práticas da indústria
do petróleo.

Parágrafo único. Caberá à Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e


Biocombustíveis - ANP obter o laudo técnico de avaliação das áreas que subsidiará a União
nas negociações com a Petrobras sobre os valores e volumes referidos no caput.

Art. 4o O exercício das atividades de pesquisa e lavra de petróleo, de gás natural e de


outros hidrocarbonetos fluidos de que trata esta Lei será realizado pela Petrobras, por sua
exclusiva conta e risco.

Parágrafo único. A ocorrência de acidentes ou de eventos da natureza que afetem a


produção de petróleo, gás natural e outros hidrocarbonetos fluidos nas áreas de exploração
estabelecidas no respectivo contrato de cessão não deverá ser considerada na definição do
valor do contrato, ou na sua revisão.

Art. 5o Serão devidos royalties sobre o produto da lavra de que trata esta Lei nos termos
do art. 47 da Lei no 9.478, de 6 de agosto de 1997.

§ 1o A parcela do valor dos royalties que representar 5% (cinco por cento) da produção
será distribuída segundo os critérios estipulados pela Lei no 7.990, de 28 de dezembro de
1989.

§ 2o A parcela do valor dos royalties que exceder a 5% (cinco por cento) da produção
será distribuída nos termos do inciso II do art. 49 da Lei nº 9.478, de 6 de agosto de 1997.

Art. 6o Aplicam-se às atividades de pesquisa e lavra de que trata esta Lei os regimes
aduaneiros especiais e os incentivos fiscais aplicáveis à indústria do petróleo no Brasil.

Art. 7o Caberá à ANP regular e fiscalizar as atividades a serem realizadas pela


Petrobras com base nesta Lei, aplicando-se, no que couber, o disposto na Lei no 9.478, de 6
de agosto de 1997.

Parágrafo único. A regulação e a fiscalização de que trata o caput abrangerão ainda os


termos dos acordos de individualização da produção a serem assinados entre a Petrobras e os
concessionários de blocos localizados na área do pré-sal.

Art. 8o A autorização de que trata o art. 1o é válida pelo prazo de 12 (doze) meses,
contado da data de publicação desta Lei.

Art. 9o Fica a União autorizada a subscrever ações do capital social da Petrobras e a


integralizá-las com títulos da dívida pública mobiliária federal.

Parágrafo único. Fica a União autorizada, a critério do Ministro de Estado da Fazenda, a


emitir os títulos de que trata o caput, precificados a valor de mercado e sob a forma de
colocação direta.
Art. 10. Sem prejuízo de outros objetivos, o Fundo Mútuo de Privatização de que trata o
inciso XII do art. 20 da Lei no 8.036, de 11 de maio de 1990, poderá subscrever ações, em
aumento de capital social de sociedades controladas pela União, nas quais o referido fundo
detenha participação acionária na data de publicação desta Lei.

§ 1o Cada cotista não poderá utilizar direitos de subscrição que excedam àqueles
correspondentes às quotas que possui.

§ 2o Os cotistas dos Fundos Mútuos de Privatização que sejam detentores de ações de


emissão da Petróleo Brasileiro S.A. - PETROBRAS poderão solicitar a transferência dos
recursos de sua conta no FGTS, até o limite de 30% (trinta por cento), para os referidos fundos,
com a finalidade de permitir o exercício do direito de preferência, por tais fundos, de subscrever
ações decorrentes do aumento de capital da Petróleo Brasileira S.A. - PETROBRAS.

§ 3o A transferência das contas vinculadas do FGTS para os Fundos Mútuos de


Privatização observará a regulamentação expedida pelo agente operador do FGTS.

§ 4o No caso de opção pela utilização de recursos advindos da conta vinculada no


FGTS, aplica-se o disposto nos §§ 8º, 9º e 14 do art. 20 da Lei nº 8.036, de 11 maio de 1990.

Art. 11. (VETADO).

Art. 12. O Ministério da Fazenda encaminhará anualmente ao Congresso Nacional


relatório sobre as operações decorrentes da aplicação da presente Lei.

Art. 13. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

Brasília, 30 de junho de 2010; 189o da Independência e 122o da República.

LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA


Guido Mantega
Márcio Pereira Zimmernam

Este texto não substitui o publicado no DOU de 30.6.2010 - Edição extra


LEI No 9.874, DE 23 DE NOVEMBRO DE 1999

Altera dispositivos da Lei no 8.313, de 23


de dezembro de 1991, e dá outras
providências.

Faço saber que o PRESIDENTE DA REPÚBLICA adotou a Medida Provisória nº 1.871-


27, de 1999, que o Congresso Nacional aprovou, e eu, Antonio Carlos Magalhães, Presidente,
para os efeitos do disposto no parágrafo único do art. 62 da Constituição Federal, promulgo a
seguinte Lei:

Art. 1o Os arts. 3o, 4o, 9o, 18, 19, 20, 25, 27, 28 e 30 da Lei no 8.313, de 23 de dezembro
de 1991, passam a vigorar com a seguinte redação:

"Art. 3o ......................................................................

..................................................................................

V - ..............................................................................

...................................................................................

c) ações não previstas nos incisos anteriores e consideradas relevantes pelo Ministro de
Estado da Cultura, consultada a Comissão Nacional de Apoio à Cultura." (NR)

"Art. 4o ........................................................................

.....................................................................................

§ 1o O FNC será administrado pelo Ministério da Cultura e gerido por seu titular, para
cumprimento do Programa de Trabalho Anual, segundo os princípios estabelecidos nos arts. 1o
e 3o.

§ 2o Os recursos do FNC somente serão aplicados em projetos culturais após aprovados, com
parecer do órgão técnico competente, pelo Ministro de Estado da Cultura.

........................................................................................

§ 6o Os recursos do FNC não poderão ser utilizados para despesas de manutenção


administrativa do Ministério da Cultura, exceto para a aquisição ou locação de equipamentos e
bens necessários ao cumprimento das finalidades do Fundo.

.........................................................................." (NR)

"Art. 9o São considerados projetos culturais e artísticos, para fins de aplicação de recursos do
FICART, além de outros que venham a ser declarados pelo Ministério da Cultura:

..................................................................................

V - outras atividades comerciais ou industriais, de interesse cultural, assim consideradas pelo


Ministério da Cultura." (NR)

"Art. 18. Com o objetivo de incentivar as atividades culturais, a União facultará às pessoas
físicas ou jurídicas a opção pela aplicação de parcelas do Imposto sobre a Renda, a título de
doações ou patrocínios, tanto no apoio direto a projetos culturais apresentados por pessoas
físicas ou por pessoas jurídicas de natureza cultural, como através de contribuições ao FNC,
nos termos do art. 5o, inciso II, desta Lei, desde que os projetos atendam aos critérios
estabelecidos no art. 1o desta Lei.

§ 1o Os contribuintes poderão deduzir do imposto de renda devido as quantias efetivamente


despendidas nos projetos elencados no § 3o, previamente aprovados pelo Ministério da
Cultura, nos limites e nas condições estabelecidos na legislação do imposto de renda vigente,
na forma de:

a) doações; e

b) patrocínios.

§ 2o As pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real não poderão deduzir o valor da
doação ou do patrocínio referido no parágrafo anterior como despesa operacional.

§ 3o As doações e os patrocínios na produção cultural, a que se refere o § 1o, atenderão


exclusivamente aos seguintes segmentos:

a) artes cênicas;

b) livros de valor artístico, literário ou humanístico;

c) música erudita ou instrumental;

d) circulação de exposições de artes plásticas;

e) doações de acervos para bibliotecas públicas e para museus." (NR)

"Art. 19. Os projetos culturais previstos nesta Lei serão apresentados ao Ministério da Cultura,
ou a quem este delegar atribuição, acompanhados do orçamento analítico, para aprovação de
seu enquadramento nos objetivos do PRONAC.

§ 1o O proponente será notificado dos motivos da decisão que não tenha aprovado o projeto,
no prazo máximo de cinco dias.

§ 2o Da notificação a que se refere o parágrafo anterior, caberá pedido de reconsideração ao


Ministro de Estado da Cultura, a ser decidido no prazo de sessenta dias.

......................................................................................

§ 7o O Ministério da Cultura publicará anualmente, até 28 de fevereiro, o montante dos


recursos autorizados pelo Ministério da Fazenda para a renúncia fiscal no exercício anterior,
devidamente discriminados por beneficiário.

§ 8o Para a aprovação dos projetos será observado o princípio da não-concentração por


segmento e por beneficiário, a ser aferido pelo montante de recursos, pela quantidade de
projetos, pela respectiva capacidade executiva e pela disponibilidade do valor absoluto anual
de renúncia fiscal." (NR)

"Art. 20. ..........................................................................

.........................................................................................

§ 2o Da decisão a que se refere o parágrafo anterior, caberá pedido de reconsideração ao


Ministro de Estado da Cultura, a ser decidido no prazo de sessenta dias.
..............................................................................." (NR)

"Art. 25. ..........................................................................

........................................................................................

Parágrafo único. Os projetos culturais relacionados com os segmentos do inciso II deste artigo
deverão beneficiar exclusivamente as produções independentes, bem como as produções
culturais-educativas de caráter não comercial, realizadas por empresas de rádio e televisão."
(NR)

"Art. 27. ..........................................................................

........................................................................................

§ 2o Não se consideram vinculadas as instituições culturais sem fins lucrativos, criadas pelo
doador ou patrocinador, desde que devidamente constituídas e em funcionamento, na forma da
legislação em vigor." (NR)

"Art. 28. .........................................................................

Parágrafo único. A contratação de serviços necessários à elaboração de projetos para a


obtenção de doação, patrocínio ou investimento, bem como a captação de recursos ou a sua
execução por pessoa jurídica de natureza cultural, não configura a intermediação referida neste
artigo." (NR)

"Art. 30. .........................................................................

§ 1o Para os efeitos deste artigo, considera-se solidariamente responsável por inadimplência


ou irregularidade verificada a pessoa física ou jurídica propositora do projeto.

§ 2o A existência de pendências ou irregularidades na execução de projetos da proponente


junto ao Ministério da Cultura suspenderá a análise ou concessão de novos incentivos, até a
efetiva regularização.

§ 3o Sem prejuízo do parágrafo anterior, aplica-se, no que couber, cumulativamente, o


disposto nos arts. 38 e seguintes desta Lei." (NR)

Art. 2o Ficam convalidados os atos praticados com base na Medida Provisória no 1.871-
26, de 24 de setembro de 1999.

Art. 3o Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

Congresso Nacional em 23 de novembro de 1999; 178o da Independência e 111o da


Repúblic

Senador ANTONIO CARLOS MAGALHÃES


Presidente

Este texto não substitui o publicado no D.O.U. de 24.11.1999 - Edição extra


DECRETO Nº 2.953, DE 28 DE JANEIRO DE 1999
Dispõe sobre o procedimento
administrativo para aplicação de
penalidades por infrações cometidas nas
atividades relativas à indústria do
petróleo e ao abastecimento nacional de
combustíveis, e dá outras providências.

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe confere o art. 84, inciso IV, da
Constituição, e tendo em vista o disposto na Lei no 9.478, de 6 de agosto de 1997, no Decreto
no 2.455, de 14 de janeiro de 1998, e na Medida Provisória no 1.761-8, de 13 de janeiro de
1999,

DECRETA:

CAPÍTULO I

Do Exercício da Fiscalização

Art. 1o A fiscalização das atividades relativas à indústria do petróleo e ao abastecimento


nacional de combustíveis, bem como do funcionamento do Sistema Nacional de Estoques de
Combustíveis e do Plano Anual de Estoques Estratégicos de Combustíveis, será realizada pela
Agência Nacional do Petróleo - ANP, na forma deste Decreto.

§ 1o A fiscalização da ANP abrangerá, também, a construção e operação de instalações e


equipamentos utilizados para o exercício de qualquer atividade vinculada à indústria do
petróleo e ao abastecimento nacional de combustíveis.

§ 2o A ação fiscalizadora da ANP será exercida diretamente ou por intermédio de órgãos da


Administração Pública, direta ou autárquica, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos
Municípios, mediante convênios em que sejam definidas as condições de desempenho da
função, com a delegação de poderes para apuração das infrações, instrução e julgamento das
autuações e aplicação das penalidades correspondentes.

Art. 2o Qualquer pessoa, constatando infração às normas relativas à indústria do petróleo e ao


abastecimento nacional de combustíveis, bem como do funcionamento do Sistema Nacional de
Estoques de Combustíveis e do Plano Anual de Estoques Estratégicos de Combustíveis,
poderá dirigir representação à ANP, para efeito do exercício do seu poder de polícia.

Art. 3o O servidor da ANP que tiver conhecimento de infração às normas relativas às


atividades a que se refere este Decreto é obrigado a comunicar o fato à autoridade
competente, para a imediata apuração, sob pena de co-responsabilidade.

Art. 4o São autoridades competentes para lavrar auto de infração e instaurar o correspondente
procedimento administrativo os servidores da ANP e os dos órgãos públicos conveniados,
incumbidos da ação fiscalizadora.

§ 1o Os agentes da fiscalização terão livre acesso aos estabelecimentos e instalações das


empresas que exerçam atividade vinculada à indústria do petróleo e ao abastecimento nacional
de combustíveis, podendo requisitar as informações e dados necessários ao desempenho da
função, inclusive a exibição de livros e documentos comprobatórios de exploração, produção,
importação, exportação, refino, beneficiamento, tratamento, processamento, transporte,
transferência, armazenamento, estocagem, distribuição, revenda, destinação e comercialização
de petróleo, seus derivados básicos e produtos, gás natural e condensado, bem como da
aquisição, distribuição, revenda e comercialização de álcool etílico combustível.

§ 2o As empresas, bem como as pessoas físicas, que exerçam atividade sujeita à fiscalização
da ANP são obrigadas a fornecer aos prepostos da Agência e dos órgãos públicos
conveniados todas as informações necessárias ao desempenho da função.

§ 3o O agente da fiscalização requisitará o emprego de força policial, sempre que for


necessário para garantir o exercício da sua função.

CAPÍTULO II

Do Procedimento Administrativo

Seção I

Da Autuação

Art. 5o O procedimento administrativo será instaurado mediante ato da autoridade competente


da ANP, ou do órgão público conveniado, de ofício ou com base em representação ou
comunicação recebida na forma dos arts. 2o e 3o deste Decreto.

Art. 6o A infração constará de auto específico, que conterá, obrigatoriamente:

I - a qualificação do autuado;

II - o local, a data e a hora da lavratura do auto;

III - a descrição do fato infracional;

IV - a disposição legal infringida;

V - a indicação dos elementos materiais de prova da infração;

VI - quando for o caso, o local onde o produto ou bem apreendido ficará guardado ou
armazenado, bem como a nomeação e identificação do fiel depositário, que poderá ser
preposto ou empregado do infrator que responda pelo gerenciamento do negócio;

VII - a advertência ao fiel depositário, que assinará o termo próprio, de que é vedada, salvo
com prévia autorização da ANP, a substituição ou remoção, total ou parcial, do bem
apreendido, que ficará sob sua guarda e responsabilidade;

VIII - a assinatura do autuado e do autuante, com a indicação do órgão de origem, cargo,


função e o número de sua matrícula;

IX - a qualificação das testemunhas, se houver;

X - a indicação do prazo para apresentação da defesa e o local onde deverá ser entregue;

§ 1o As incorreções ou omissões do auto não acarretarão sua nulidade, quando deste


constarem elementos suficientes para determinar a infração e possibilitar a defesa do infrator.

§ 2o A assinatura do autuado não implica confissão, nem a sua recusa agrava a falta apurada.

§ 3o Se o infrator recusar-se a assinar o auto, tal circunstância será nele referida e atestada
por duas testemunhas, que o assinarão.
§ 4o A apreensão de documentos, amostras e demais elementos de prova será reduzida a
termo, sob assinatura do agente de fiscalização e do autuado ou seu preposto, e das
testemunhas, se houver.

§ 5o Quando a infração for verificada em livro, não se fará a apreensão deste, mas a falta
deverá constar circunstanciadamente do auto, exarando-se no livro termo do ocorrido.

Art. 7o Salvo circunstâncias especiais, lavrar-se-á o auto de infração no local em que esta for
verificada.

§ 1o No caso de infração denunciada ou comunicada à ANP ou ao órgão público conveniado, o


agente da fiscalização poderá lavrar auto de infração correspondente nas dependências do
próprio órgão, se as circunstâncias de fato não recomendarem a sua lavratura no local da
ocorrência.

§ 2o O disposto no parágrafo anterior não se aplica em situação ensejadora de interdição ou


apreensão, hipótese em que o respectivo auto será lavrado no próprio local da ocorrência
denunciada ou comunicada.

Seção II

Da Citação e Intimação

Art. 8o O autuado será citado para apresentar defesa escrita, no prazo de quinze dias, a contar
do recebimento da citação.

§ 1o A citação será feita:

I - pessoalmente, ao próprio autuado ou ao seu representante legal ou preposto que responda


pelo gerenciamento do negócio, quando lavrado o auto no local da ocorrência;

II - por carta registrada com Aviso de Recebimento - AR, quando o auto for lavrado em local
diverso daquele em que foi constatada a infração.

§ 2o A contrafé do auto de infração acompanhará, obrigatoriamente, a carta de citação, quando


não for entregue diretamente ao autuado, na hipótese do inciso I deste artigo.

Art. 9o Quando a citação for feita em pessoa diversa do autuado, o agente de fiscalização
indicará o nome e a qualificação do representante ou preposto e certificará, por fé, no auto,
essa circunstância, sempre que possível na presença de duas testemunhas, as quais também
assinarão a certidão.

Parágrafo único. A certidão deverá conter:

I - indicação do lugar e a qualificação completa da pessoa que receber a citação em nome do


autuado;

II - declaração da entrega da contrafé do auto;

III - a informação de que o autuado, ou seu representante ou preposto, recebeu e assinou a


contrafé, ou que recusou o recebimento e a assinatura.

Art. 10. Quando o auto for lavrado em local diverso daquele onde verificada a infração, a
citação será feita por carta registrada, endereçada ao estabelecimento do autuado onde
ocorreu o fato e considerar-se-á efetuada na data indicada no Aviso de Recebimento - AR, que
deverá ser juntado ao processo respectivo.
Art. 11. O prazo para defesa será contado em dias corridos, a partir do recebimento da
citação, excluindo-se o dia do início e incluindo-se o do vencimento.

Parágrafo único. Quando o vencimento ocorrer em feriado, dia santificado ou em que não haja
expediente integral na ANP ou no órgão público autuante, o prazo da defesa prorrogar-se-á,
automaticamente, para o primeiro dia útil seguinte.

Art. 12. As intimações dos atos do processo serão feitas mediante publicação no Diário Oficial,
ou mediante carta registrada com Aviso de Recebimento, observado o disposto no artigo
anterior.

Seção III

Da Defesa do Autuado

Art. 13. Na defesa a ser apresentada no prazo de quinze dias corridos, a contar do
recebimento da citação, o autuado fará as alegações que entender cabíveis e indicará os
meios de prova, inclusive testemunhal, que julgar necessárias.

§ 1o As provas documentais deverão ser apresentadas, de logo, com a defesa.

§ 2o As testemunhas, em número máximo de três, deverão comparecer para serem inquiridas,


independentemente de intimação, por conta e risco do autuado.

§ 3o As diligências e perícias técnicas requeridas pelo autuado serão por este custeadas e
deverão ser realizadas nos prazos estabelecidos pela autoridade encarregada do julgamento.

Art. 14. A defesa do autuado poderá ser feita por ele diretamente, ou por intermédio de
advogado habilitado, sendo obrigatória, nesta hipótese, a apresentação do correspondente
instrumento de mandato.

Parágrafo único. O autuado, ou seu advogado, acompanharão o procedimento administrativo e


poderão ter vista dos autos, na repartição, bem como deles extrair, mediante o pagamento da
despesa correspondente, as cópias que desejarem.

Seção IV

Da Instrução e Julgamento

Art. 15. A instrução dos processos administrativos de que trata este Decreto será feita pelo
órgão técnico competente da ANP, ou pelo órgão público conveniado, que poderá requisitar as
diligências necessárias, para as quais o autuado será intimado, com antecedência de cinco
dias.

§ 1o Se as diligências realizadas implicarem alteração do auto de infração, devolver-se-á ao


autuado o prazo de defesa.

§ 2o A instrução do processo compreende a verificação do atendimento das formalidades


estabelecidas neste Decreto e a análise técnica e jurídica do fato, do enquadramento da
infração imputada e da adequação da penalidade indicada.

Art. 16. Concluída a instrução, o autuado será intimado para apresentar alegações finais, no
prazo de cinco dias.

Parágrafo único. Decorrido o prazo fixado neste artigo, o processo será submetido a
autoridade competente da ANP, ou do órgão conveniado, ou seu substituto legal, para
julgamento.
Art. 17. A decisão da autoridade encarregada do julgamento conterá:

I - o relatório resumido da autuação e da defesa;

II - a indicação e os fundamentos da penalidade imposta, ou da nulidade ou improcedência da


autuação.

Parágrafo único. A decisão deverá ser proferida em prazo não superior a trinta dias contados a
partir da data do recebimento do processo e será comunicada ao interessado, na forma
indicada no art. 12 deste Decreto.

Seção V

Do Recurso

Art. 18. Das decisões proferidas nos processos administrativos de que trata este Decreto
caberá recurso à Diretoria da ANP.

§ 1o O recurso, que independe de preparo e de garantia de instância, deverá ser interposto no


prazo de dez dias, contados da ciência da decisão, em petição assinada pelo autuado ou seu
advogado.

§ 2o A petição de recurso deverá ser protocolada na unidade administrativa da ANP


responsável pelo processo, ou na sede do órgão conveniado, conforme o caso, com as razões
do pedido de reforma da decisão, admitida a juntada de documentos novos.

Art. 19. Recebida a petição de recurso, a autoridade responsável pelo julgamento poderá, no
prazo de cinco dias e em despacho fundamentado, rever sua decisão, caso em que
determinará o arquivamento do processo.

§ 1o Mantida a decisão, o recurso será encaminhado à Diretoria da ANP, com as


considerações complementares que a autoridade julgadora entender cabíveis.

§ 2o No despacho de encaminhamento do recurso a autoridade julgadora informará, quando


for o caso, a existência de medida cautelar de interdição de estabelecimento, instalação ou
equipamento, ou de apreensão de bens e produtos, porventura aplicada.

Art. 20. O recurso será decidido pelo órgão competente da ANP no prazo máximo de trinta
dias, a contar do recebimento do processo.

Parágrafo único. Confirmada a decisão, o processo será restituído ao órgão competente, para
providenciar a sua execução, observado o disposto no art. 12.

CAPÍTULO III

DAS PENALIDADES

Art. 21. As infrações cometidas nas atividades a que se refere o art. 1o deste Decreto,
sujeitarão os responsáveis às seguintes sanções administrativas, sem prejuízo das de natureza
civil e penal cabíveis:

I - multa;

II - cancelamento do registro do produto junto à ANP;

III - suspensão de fornecimento de produtos;


IV - suspensão temporária, total ou parcial, de funcionamento de estabelecimento ou
instalação;

V - cancelamento de registro de estabelecimento ou instalação;

VI - revogação de autorização para o exercício de atividade.

Parágrafo único. As sanções previstas neste artigo poderão ser aplicadas cumulativamente.

Art. 22. Prescrevem em cinco anos, contados da data do cometimento da infração, as sanções
administrativas previstas neste Decreto.

Parágrafo único. A prescrição interrompe-se pela citação do infrator ou por qualquer ato
inequívoco que importe apuração da irregularidade.

Art. 23. Na aplicação das penalidades previstas neste Decreto, a ANP, ou o órgão público
conveniado para a fiscalização, poderá desconsiderar a personalidade jurídica da sociedade,
sempre que esta constituir obstáculo ao ressarcimento de prejuízos causados à indústria do
petróleo, ao abastecimento nacional de combustíveis, ao Sistema Nacional de Estoques de
Combustíveis ou ao Plano Anual de Estoques Estratégicos de Combustíveis.

Parágrafo único. A responsabilidade das pessoas jurídicas não exclui a das pessoas físicas,
autoras, co-autoras ou partícipes da infração apurada.

Seção I

Da Multa

Art. 24. A pena de multa consiste na obrigação de pagar a quantia em dinheiro fixada na
decisão final proferida no processo administrativo correspondente.

Art. 25. Na fixação do valor da multa a autoridade responsável pelo julgamento levará em
conta, fundamentadamente, a gravidade da infração, as conseqüências dela decorrentes para
o abastecimento de combustíveis e para os consumidores, a vantagem indevidamente auferida
pelo infrator, os seus antecedentes no exercício da atividade e sua condição econômica.

Art. 26. A multa deverá ser paga no prazo de trinta dias, a contar da data da ciência da
decisão que a tiver fixado, observado o disposto no art. 12.

Parágrafo único. O não pagamento da multa no prazo indicado sujeitará o infrator a:

I - juros de mora de um por cento ao mês ou fração;

II - multa de mora de dois por cento ao mês ou fração.

Art. 27. Findo o prazo para pagamento da multa e, se for o caso, dos seus acréscimos, e não
comprovado o seu recolhimento, o processo será encaminhado à Procuradoria-Geral da ANP,
para inscrição do débito na Dívida Ativa da Autarquia e cobrança judicial, na forma da lei.

Art. 28. pena de multa será aplicada na ocorrência das infrações e nos limites seguintes:

I - exercer atividade relativa à indústria do petróleo, ao abastecimento nacional de


combustíveis, ao Sistema Nacional de Estoques de Combustíveis e ao Plano Anual de
Estoques Estratégicos de Combustíveis, sem prévio registro ou autorização exigidos na
legislação aplicável:
Multa - de R$ 50.000,00 (cinqüenta mil reais) a R$ 200.000,00 (duzentos mil reais);

II - importar, exportar, revender ou comercializar petróleo, seus derivados básicos e produtos,


gás natural e condensado e álcool etílico combustível, em quantidade ou especificação diversa
da autorizada, bem como dar ao produto destinação não permitida ou diversa da autorizada, na
forma prevista na legislação aplicável:

Multa - de R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais) a R$ 5.000.000,00 (cinco milhões de reais);

III - inobservar preços fixados na legislação aplicável para a venda de petróleo, seus derivados
básicos e produtos, gás natural e condensado, e álcool etílico combustível:

Multa - de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais);

IV - deixar de registrar ou escriturar livros e outros documentos de acordo com a legislação


aplicável ou não apresentá-los quando solicitados:

Multa - de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) a R$ 10.000,00 (dez mil reais);

V - prestar declarações ou informações inverídicas, falsificar, adulterar, inutilizar, simular ou


alterar registros e escrituração de livros e outros documentos exigidos na legislação aplicável:

Multa - de R$ 100.000,00 (cem mil reais) a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais);

VI - não apresentar, na forma e no prazo estabelecidos na legislação aplicável, os documentos


comprobatórios de produção, importação, exportação, refino, beneficiamento, tratamento,
processamento, transporte, transferência, armazenagem, estocagem, distribuição, revenda,
destinação e comercialização de petróleo, seus derivados básicos e produtos, gás natural e
condensado, e álcool etílico combustível:

Multa - de R$ 100.000,00 (cem mil reais) a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais);

VII - prestar declarações ou informações inverídicas, falsificar, adulterar, inutilizar, simular ou


alterar registros e escrituração de livros e outros documentos exigidos na legislação aplicável,
para o fim de receber indevidamente valores a título de subsídio, ressarcimento de frete,
despesas de transferência, estocagem e comercialização:

Multa - de R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais) a R$ 5.000.000,00 (cinco milhões de reais);

VIII - deixar de atender às normas de segurança previstas para o comércio ou estocagem de


combustíveis, colocando em perigo direto e iminente a vida, a integridade física ou a saúde, o
patrimônio público ou privado, a ordem pública ou o regular abastecimento nacional de
combustíveis:

Multa - de R$ 100.000,00 (cem mil reais) a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais);

IX - construir ou operar instalações e equipamentos necessários ao exercício das atividades a


que se refere este Decreto, em desacordo com a legislação aplicável:

Multa - de R$ 200.000,00 (duzentos mil reais) a R$ 2.000.000,00 (dois milhões de reais);

X - sonegar produtos:

Multa - de R$ 50.000,00 (cinqüenta mil reais) a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais);


XI - comercializar petróleo, seus derivados básicos e produtos, gás natural e condensado, e
álcool etílico combustível com vícios de qualidade ou quantidade, inclusive aqueles decorrentes
da disparidade com as indicações constantes do recipiente, da embalagem ou rotulagem, que
os tornem impróprios ou inadequados ao consumo a que se destinam ou lhes diminuam o
valor:

Multa - de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) a R$ 2.000.000,00 (dois milhões de reais);

XII - deixar de comunicar alterações de informações já cadastradas no órgão, alteração de


razão social ou nome de fantasia, e endereço, nas condições estabelecidas:

Multa - de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) a R$ 10.000,00 (dez mil reais);

XIII - violar ou inutilizar lacre, selo ou sinal, empregado por ordem da fiscalização, para
identificar ou cerrar estabelecimento, instalação, equipamento ou obra:

Multa - de R$ 100.000,00 (cem mil reais) a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais);

XIV - extraviar, remover, alterar ou vender produto depositado em estabelecimento ou


instalação suspensa ou interditada nos termos deste Decreto:

Multa - de R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais) a R$ 2.000.000,00 (dois milhões de reais).

Seção II

Do Cancelamento do Registro, da Apreensão, da Inutilização

e da Suspensão do Fornecimento de Bens e Produtos

Art. 29. O cancelamento do registro, a apreensão, a inutilização e a suspensão do


fornecimento de bens e produtos relativos à indústria do petróleo e ao abastecimento nacional
de combustíveis será determinado pela ANP sempre que forem constatados vícios de
quantidade ou de qualidade por inadequação ou falta de segurança, que impliquem danos aos
consumidores.

Parágrafo único. A aplicação da pena prevista neste artigo acarreta a imediata suspensão da
comercialização do produto, devendo a ANP encaminhar cópias do processo administrativo
respectivo aos órgãos públicos competentes, para adoção das providências cabíveis, inclusive
de ordem criminal, se for o caso.

Seção III

Da Suspensão Temporária de Funcionamento de Estabelecimento

ou Instalação

Art. 30. A pena de suspensão temporária, total ou parcial, de funcionamento de


estabelecimento ou instalação será aplicada:

I - quando a multa, em seu valor máximo, não corresponder, em razão da gravidade da


infração, à vantagem auferida em decorrência da prática infracional;

II - no caso de reincidência.

§ 1o Verifica-se a reincidência quando o infrator pratica uma infração depois da decisão


administrativa definitiva que o tenha apenado por qualquer infração prevista neste Decreto.
§ 2o Pendendo ação judicial na qual se discuta a imposição de penalidade administrativa, não
haverá reincidência até o trânsito em julgado da decisão.

§ 3o A pena de suspensão temporária será aplicada por prazo mínimo de dez e máximo de
quinze dias.

§ 4o A suspensão temporária será de trinta dias, quando aplicada a infrator já punido com a
penalidade prevista no parágrafo anterior.

Seção IV

Do Cancelamento de Registro de Estabelecimento ou Instalação

Art. 31. A pena de cancelamento de registro de estabelecimento ou instalação será aplicada,


sem prejuízo de outras sanções administrativas aplicáveis à espécie e das de natureza civil e
penal que couberem, a empresa ou titular de autorização que já tenha sofrido pena de
suspensão de estabelecimento ou instalação, nos termos do artigo anterior.

§ 1o A pena de cancelamento de registro de estabelecimento ou instalação implica o


impedimento do exercício de qualquer atividade vinculada à indústria do petróleo ou ao
abastecimento nacional de combustíveis, em todo o território nacional.

§ 2o O impedimento previsto neste artigo tornar-se-á efetivo na data em que transitar em


julgado a decisão administrativa de cancelamento do registro ou da autorização.

§ 3o A decisão que aplicar a pena prevista nesta Seção fixará o prazo de sua duração e as
condições a serem atendidas para a reabilitação do infrator.

Seção V

Da Revogação da Autorização para o Exercício de Atividade

Art. 32. A penalidade de revogação da autorização para o exercício de atividade será aplicada
quando a empresa ou pessoa física:

I - praticar fraude com o objetivo de receber indevidamente valores a título de ressarcimento de


frete, subsídios ou despesas de transferência, estocagem ou comercialização;

II - já tiver sido punida com a pena de suspensão temporária, total ou parcial, de funcionamento
de estabelecimento ou instalação;

III - reincidir nas infrações previstas nos incisos VIII e XI do art. 28 deste Decreto;

IV - descumprir a pena de suspensão temporária, total ou parcial, ou a pena de cancelamento


de registro de estabelecimento ou instalação.

Parágrafo único. Aplicada a pena prevista neste artigo, os responsáveis pela pessoa jurídica
ficarão impedidos, por cinco anos, de exercer atividade vinculada à indústria do petróleo ou ao
abastecimento nacional de combustíveis.

CAPÍTULO IV

DAS MEDIDAS CAUTELARES

Art. 33. Nos casos previstos nos incisos I, VII, VIII e XI do art. 28 deste Decreto, sem prejuízo
da aplicação de outras sanções administrativas e, quando for o caso, das de natureza civil ou
penal, os agentes da fiscalização da ANP, ou dos órgãos públicos conveniados, poderão
adotar as seguintes medidas cautelares, antecedentes ou incidentes do processo
administrativo:

I - interdição, total ou parcial, do estabelecimento, instalação, equipamento ou obra, pelo tempo


em que perdurarem os motivos que deram ensejo à medida;

II - apreensão de bens e produtos.

§ 1o As medidas cautelares serão efetivadas mediante lavratura do auto correspondente, que


será assinado pelo agente de fiscalização e pelo proprietário ou responsável pelo
estabelecimento, instalação, equipamento ou obra, ou pelos bens ou produtos apreendidos, e,
quando ausentes aqueles, por duas testemunhas.

§ 2o A interdição estará limitada à parte do estabelecimento, instalação, obra ou equipamento


necessária à eliminação do risco ou da ação danosa verificada.

§ 3o A interdição total ou parcial de estabelecimento, instalação, obra ou equipamento não


será aplicada, quando as circunstâncias de fato recomendarem a simples apreensão de bens
ou produtos.

§ 4o Efetuada a interdição ou a apreensão de bens ou produtos, o agente da fiscalização, no


prazo de vinte e quatro horas e sob pena de responsabilidade, comunicará a ocorrência à
autoridade competente da ANP, encaminhando-lhe cópia do auto correspondente e da
documentação que o instrui, se houver.

Art. 34. Quando a medida cautelar anteceder ao procedimento administrativo, a autoridade


competente determinará a imediata instauração deste e mandará notificar o responsável pelo
estabelecimento, instalação, equipamento, obra, bem ou produto interdito ou apreendido para
apresentar defesa no prazo de quinze dias.

§ 1o Comprovada a cessação das causas determinantes da medida, a autoridade competente


da ANP, em despacho fundamentado, determinará a imediata desinterdição ou devolução dos
bens ou produtos apreendidos.

§ 2o O procedimento administrativo relativo à interdição e à apreensão de bens ou produtos


deverá ser concluído no prazo de noventa dias, após o que perderá eficácia a medida.

CAPÍTULO V

DAS DISPOSIÇÕES FINAIS

Art. 35. Nos casos das infrações previstas nos incisos V, VI, VIII, X, XI e XIII do art. 28 deste
Decreto, uma vez concluído o procedimento administrativo de apuração, a autoridade
competente da ANP, sob pena de responsabilidade, encaminhará ao Ministério Público cópia
integral dos autos, para os efeitos previstos no Decreto-lei no 2.848, de 7 de dezembro de
1940, nas Leis nos 8.078, de 11 de setembro de 1990, 8.884, de 11 de junho de 1994, e 8.176,
de 8 de fevereiro de 1991, e legislação superveniente.

Art. 36. As disposições deste Decreto aplicam-se aos processos pendentes, sem prejuízo dos
atos já praticados.

Art. 37. Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação.

Art. 38. Fica revogado o Decreto no 1.021, de 27 de dezembro de 1993.

Brasília, de de 1999; 178o da Independência e 111o da República.


DECRETO Nº 2.705, DE 03 DE AGOSTO DE 1998

Define critérios para cálculo e cobrança


das participações governamentais de
que trata a Lei n° 9.478, de 6 de agosto
de 1997, aplicáveis de exploração,
desenvolvimento e produção de
petróleo e gás natural, e dá outras
providências.

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso das atribuições que lhe conferem os


incisos IV e VI do art. 84, da Constituição, e tendo em vista o disposto na Seção VI,
Capítulo V, da Lei n° 9.478, de 6 de agosto de 1997,

DECRETA:

CAPÍTULO I

DAS DISPOSIÇÕES PRELIMINARES

Art. 1º As atividades de exploração, desenvolvimento e produção de petróleo


e gás natural, exercidas mediante contratos de concessão celebrados nos termos da
Lei nº 9.478, de 6 de agosto de 1997, estão sujeitas ao pagamento das seguintes
participações governamentais:

I- bônus de assinatura;
II - royalties;
III - participação especial;
IV - pagamento pela ocupação ou retenção de área.

Art. 2º A apuração, o pagamento e as sanções pelo inadimplemento ou mora


relativos às participações governamentais, devidas pelos concessionários das
atividades de exploração, desenvolvimento e produção de petróleo e gás natural
obedecerão ao disposto neste Decreto.

Parágrafo único. A Agência Nacional de Petróleo – ANP definirá, nos


respectivos contratos, as penalidades a que estarão sujeitos, na forma da legislação
vigente, os concessionários, em caso de inadimplemento ou mora no pagamento das
participações governamentais.

CAPÍTULO II

DAS DEFINIÇÕES TÉCNICAS

Art. 3º Sem prejuízo do disposto na Seção II do Capítulo III da Lei no 9.478,


de 1997, ficam estabelecidas as seguintes definições técnicas, para efeito da
aplicação deste Decreto:
I - Condição Padrão de Medição: condição em que a pressão absoluta é de
0,101325 MPa (cento e um mil trezentos e vinte e cinco milionésimos de megapascal)
e a temperatura é de 20º C (vinte graus centígrados);

II - Data de Início da Produção: a data em que ocorrer a primeira medição,


em cada campo, de volumes de petróleo ou gás natural em um dos respectivos
pontos de medição da produção, e a partir da qual o concessionário assumirá a
propriedade do volume de produção fiscalizada, sujeitando-se ao pagamento dos
tributos incidentes e das participações legais e contratuais correspondentes;

III - Participações Governamentais: pagamentos a serem realizados pelos


concessionários de atividades de exploração e produção de petróleo e de gás
natural, nos termos dos arts. 45 a 51 da Lei nº 9.478, de 1997, e deste Decreto;

IV - Pontos de Medição da Produção: pontos a serem obrigatoriamente


definidos no plano de desenvolvimento de cada campo, propostos pelo
concessionário e aprovados pela ANP, nos termos do contrato de concessão, onde
será realizada a medição volumétrica do petróleo ou do gás natural produzido nesse
campo, expressa nas unidades métricas de volume adotadas pela ANP e referida à
condição padrão de medição, e onde o concessionário assumirá a propriedade do
respectivo volume de produção fiscalizada, sujeitando-se ao pagamento dos tributos
incidentes e das participações legais e contratuais correspondentes;

V - Preço de Referência: preço por unidade de volume, expresso em moeda


nacional, para o petróleo, o gás natural ou o condensado produzido em cada campo,
a ser determinado pela ANP, de acordo com o disposto nos arts. 8º e 9º deste
Decreto;

VI - Produção: conjunto de operações coordenadas de extração de petróleo


ou gás natural de uma jazida e de preparo de sua movimentação, nos termos
definidos no inciso XVI do art. 6º da Lei nº 9.478, de 1997, ou, ainda, volume de
petróleo ou gás natural extraído durante a produção, conforme se depreenda do texto,
em cada caso.

VII - Receita Bruta da Produção: relativamente a cada campo de uma dada


área de concessão, o valor comercial total do volume de produção fiscalizada,
apurado com base nos preços de referência do petróleo e do gás natural
produzidos;

VIII - Receita Líquida da Produção: relativamente a cada campo de uma dada


área de concessão, a receita bruta da produção deduzidos os montantes
correspondentes ao pagamento de royalties, investimentos na exploração, custos
operacionais, depreciações e tributos diretamente relacionados às operações do
campo, que tenham sido efetivamente desembolsados, na vigência do contrato de
concessão, até o momento da sua apuração, e que sejam determinados segundo
regras emanadas da ANP;

IX - Volume de Petróleo Equivalente: o volume de petróleo, expresso em


metros cúbicos, que, na condição padrão de medição, contém a mesma quantidade
de energia que um dado volume de petróleo e gás natural, quantidade de energia
esta calculada com base nos poderes caloríficos superiores do petróleo e do gás
DECRETO Nº 2.705, DE 03 DE AGOSTO DE 1998 (DOU de 04-08-98)
natural, sendo que, para campos onde ocorra somente a produção de gás natural,
deverá ser adotado o valor de quarenta mil megajoule por metro cúbico para o poder
calorífico superior do petróleo, na determinação do respectivo volume de petróleo
equivalente;

X - Volume de Produção Fiscalizada: soma das quantidades de petróleo ou de


gás natural, relativas a cada campo, expressas nas unidades métricas de volume
adotadas pela ANP, que tenham sido efetivamente medidas nos respectivos pontos
de medição da produção, sujeitas às correções técnicas de que trata o art. 5º deste
Decreto;

XI - Volume Total da Produção: soma de todas e quaisquer quantidades de


petróleo ou de gás natural, extraídas em cada mês de cada campo, expressas nas
unidades métricas de volume adotadas pela ANP, incluídas as quantidades de
petróleo ou gás natural perdidas sob a responsabilidade do concessionário; as
quantidades de petróleo ou gás natural utilizadas na execução das operações no
próprio campo e as quantidades de gás natural queimadas em flares em prejuízo de
sua comercialização, e excluídas apenas as quantidades de gás natural reinjetadas
na jazida e as quantidades de gás natural queimadas em flares, por razões de
segurança ou de comprovada necessidade operacional, desde que esta queima seja
de quantidades razoáveis e compatíveis com as práticas usuais da indústria do
petróleo e que seja previamente aprovada pela ANP, ou posteriormente perante ela
justificada pelo concessionário, por escrito e até quarenta e oito horas após a sua
ocorrência.

CAPÍTULO III

DA MEDIÇÃO DOS VOLUMES DE PRODUÇÃO

Art. 4º A partir da data de início da produção de cada campo, o volume e a


qualidade do petróleo e gás natural produzidos serão determinados periódica e
regularmente nos pontos de medição da produção, por conta e risco do
concessionário, com a utilização dos métodos, equipamentos e instrumentos de
medição previstos no respectivo plano de desenvolvimento, e observadas as regras
específicas emanadas da ANP, no que se refere:

I- à periodicidade da medição;

II - aos procedimentos a serem utilizados para a medição dos volumes


produzidos;

III - à freqüência das aferições, testes e calibragem dos equipamentos


utilizados;

IV - às providências a serem adotadas em decorrência de correções nas


medições e respectivos registros, para determinação da exata quantidade de petróleo
e gás natural efetivamente recebida pelo concessionário, não obstante quaisquer
documentos já emitidos sobre o assunto, inclusive os boletins de medição e os
boletins mensais de produção de que tratam os arts. 5º e 6º deste Decreto.

DECRETO 2705.doc 09/30/98 6:38 PM Página 3 de 19


DECRETO Nº 2.705, DE 03 DE AGOSTO DE 1998 (DOU de 04-08-98)
Art. 5º A partir da data de início da produção de cada campo, o concessionário
manterá sempre, de forma completa e acurada, boletins de medição do petróleo e gás
natural produzidos nesse campo, contendo as vazões praticadas e a produção
acumulada.

Art. 6º Até o dia quinze de cada mês, a partir do mês seguinte àquele em que
ocorrer a data de início da produção de cada campo, o concessionário entregará à
ANP um boletim mensal de produção para esse campo, especificando os volumes de
petróleo e de gás natural efetivamente produzidos e recebidos durante o mês anterior,
as quantidades consumidas nas operações ao longo do mesmo período e ainda a
produção acumulada desse campo, até o momento.

Parágrafo único. Os boletins referidos neste artigo serão elaborados com base
nos boletins de medição e estarão sujeitos às correções de que trata o inciso IV do
art. 4º deste Decreto.

CAPÍTULO IV

DOS PREÇOS DE REFERÊNCIA

Art. 7º O preço de referência a ser aplicado a cada mês ao petróleo produzido


em cada campo durante o referido mês, em reais por metro cúbico, na condição
padrão de medição, será igual à média ponderada dos seus preços de venda
praticados pelo concessionário, em condições normais de mercado, ou ao seu preço
mínimo estabelecido pela ANP, aplicando-se o que for maior.

§ 1º Os preços de venda de que trata este artigo serão livres dos tributos
incidentes sobre a venda e, no caso de petróleo embarcado, livres a bordo.

§ 2º Até o dia quinze de cada mês, a partir do mês seguinte àquele em que
ocorrer a data de início da produção de petróleo de cada campo, o concessionário
informará à ANP as quantidades vendidas, os preços de venda do petróleo produzido
no campo no mês anterior e o valor da média ponderada referida neste artigo.

§ 3º O concessionário apresentará, sempre que exigida pela ANP, a


documentação de suporte para a comprovação das quantidades vendidas e dos
preços de venda do petróleo.

§ 4º Os preços de venda do petróleo, quando expressos em moeda


estrangeira, serão convertidos para a moeda nacional pelo valor médio mensal das
taxas de câmbio oficiais diárias para a compra da moeda estrangeira, fixadas pelo
Banco Central do Brasil para o mês em que ocorreu a venda.

§ 5º O preço mínimo do petróleo extraído de cada campo será fixado pela ANP
com base no valor médio mensal de uma cesta-padrão composta de até quatro tipos
de petróleo similares cotados no mercado internacional, nos termos deste artigo.

§ 6º Com uma antecedência mínima de vinte dias da data de início da produção


de cada campo e com base nos resultados de análises físico-químicas do petróleo a
ser produzido, realizadas segundo normas aceitas internacionalmente e por sua conta

DECRETO 2705.doc 09/30/98 6:38 PM Página 4 de 19


DECRETO Nº 2.705, DE 03 DE AGOSTO DE 1998 (DOU de 04-08-98)
e risco, o concessionário indicará até quatro tipos de petróleo cotados no mercado
internacional com características físico-químicas similares e competitividade
equivalente às daquele a ser produzido, bem como fornecerá à ANP as informações
técnicas que sirvam para determinar o tipo e a qualidade do mesmo, inclusive através
do preenchimento de formulário específico fornecido pela Agência.

§ 7º Dentro de dez dias, contados da data do recebimento das informações


referidas no parágrafo anterior, a ANP aprovará os tipos de petróleo indicados pelo
concessionário para compor a cesta-padrão ou proporá a sua substituição por outros
que julgue mais representativos do valor de mercado do petróleo a ser produzido.

§ 8º Sempre que julgar necessário, a ANP poderá requerer nova análise das
características físico-químicas do petróleo produzido, a ser realizada por conta e risco
do concessionário, bem como o fornecimento das informações técnicas de que trata o
§ 6° deste artigo.

§ 9º A ANP emitirá, a cada mês, uma consolidação do preço mínimo do


petróleo extraído de cada campo no mês anterior, incorporando as atualizações
relativas às variações dos preços internacionais dos tipos de petróleo que compõem a
cesta-padrão respectiva, ocorridas no mês anterior, e eventuais revisões na
composição da cesta-padrão, resultantes da inadequação dos tipos de petróleo
originalmente selecionados.

§ 10 Os preços internacionais dos tipos de petróleo que compuserem a cesta-


padrão serão convertidos para a moeda nacional pelo valor médio mensal das taxas
de câmbio oficiais diárias para a compra de moeda estrangeira, fixadas pelo Banco
Central do Brasil para mês anterior à emissão da consolidação do preço mínimo.

§ 11 Caso o concessionário não apresente as informações referidas nos §§ 2º


e 6º deste artigo, a ANP fixará o preço de referência do petróleo, segundo seus
próprios critérios.

Art. 8º O preço de referência a ser aplicado a cada mês ao gás natural


produzido durante o referido mês, em cada campo de uma área de concessão, em
reais por mil metros cúbicos, na condição padrão de medição, será igual à média
ponderada dos preços de venda do gás natural, livres dos tributos incidentes sobre a
venda, acordados nos contratos de fornecimento celebrados entre o concessionário e
os compradores do gás natural produzido na área da concessão, deduzidas as tarifas
relativas ao transporte do gás natural até os pontos de entrega aos compradores.

§ 1º Até o dia quinze de cada mês, a partir do mês seguinte àquele em que
ocorrer a primeira data de início da produção de gás natural na área de concessão, o
concessionário informará à ANP as quantidades vendidas, os preços de venda, as
tarifas de transporte do gás natural produzido e o valor calculado do preço de
referência do gás natural.

§ 2º As tarifas de transporte do gás natural, referidas neste artigo, assim como


os cálculos utilizados para a sua fixação, serão informados à ANP pelos
concessionários produtores de gás natural e incluídos expressamente em cada
contrato de venda.

DECRETO 2705.doc 09/30/98 6:38 PM Página 5 de 19


DECRETO Nº 2.705, DE 03 DE AGOSTO DE 1998 (DOU de 04-08-98)
§ 3º Os preços de venda do gás natural ou as tarifas de transporte, de que trata
este artigo, quando expressos em moeda estrangeira, serão convertidos à moeda
nacional pelo valor médio mensal das taxas de câmbio oficiais diárias para a compra
da moeda estrangeira, fixadas pelo Banco Central do Brasil para o mês em que
ocorreu a venda.

§ 4º Na inexistência de contratos de venda do gás natural produzido na área de


concessão, na ausência da apresentação, pelo concessionário, de todas as
informações requeridas pela ANP para a fixação do preço de referência do gás
natural, ou quando os preços de venda ou as tarifas de transporte informados não
refletirem as condições normais do mercado nacional, a ANP fixará o preço de
referência para o gás natural segundo seus próprios critérios.

CAPÍTULO V

DO BÔNUS DE ASSINATURA

Art. 9º. O bônus de assinatura, previsto no inciso I do art. 45 da Lei nº 9.478,


de 1997, corresponderá ao montante ofertado pelo licitante vencedor na proposta
para obtenção da concessão de petróleo ou gás natural, não podendo ser inferior ao
valor mínimo fixado pela ANP no edital de licitação.

Parágrafo Único. O licitante vencedor pagará, no ato da assinatura do


respectivo contrato de concessão, o valor integral do bônus de assinatura, em parcela
única.

Art. 10. Parcela dos recursos provenientes do bônus de assinatura será


destinada à ANP, observado o disposto no inciso II do art. 15 da Lei nº 9.478, de
1997.

CAPÍTULO VI

DOS ROYALTIES

Art. 11. Os royalties previstos no inciso II do art. 45 da Lei nº 9.478, de 1997,


constituem compensação financeira devida pelos concessionários de exploração e
produção de petróleo ou gás natural, e serão pagos mensalmente, com relação a
cada campo, a partir do mês em que ocorrer a respectiva data de início da produção,
vedadas quaisquer deduções.

Art. 12. O valor dos royalties, devidos a cada mês em relação a cada campo,
será determinado multiplicando-se o equivalente a dez por cento do volume total da
produção de petróleo e gás natural do campo durante esse mês pelos seus
respectivos preços de referência, definidos na forma do Capítulo IV deste Decreto.

§ 1º A ANP poderá, no edital de licitação para um determinado bloco, prever a


redução do percentual de dez por cento definido neste artigo até um mínimo de cinco
por cento do volume total da produção, tendo em vista os riscos geológicos, as
expectativas de produção e outros fatores pertinentes a esse bloco.

DECRETO 2705.doc 09/30/98 6:38 PM Página 6 de 19


DECRETO Nº 2.705, DE 03 DE AGOSTO DE 1998 (DOU de 04-08-98)
§ 2º Constará, obrigatoriamente, do contrato de concessão o percentual do
volume total da produção a ser adotado, nos termos deste artigo, para o cálculo dos
royalties devidos com relação aos campos por ele cobertos.

Art. 13. No caso de campos que se estendam por duas ou mais áreas de
concessão, onde atuem concessionários distintos, o acordo celebrado entre os
concessionários para a individualização da produção, de que trata o art. 27 da Lei nº
9.478, de 1997, definirá a participação de cada um com respeito ao pagamento dos
royalties.

Art. 14. A parcela do valor dos royalties previstos no contrato de concessão,


correspondentes ao montante mínimo de cinco por cento da produção, será
distribuída na forma estabelecida na Lei nº 7.990, de 28 de dezembro de 1989.

Art. 15. A parcela do valor dos royalties previstos no contrato de concessão,


que exceder ao montante mínimo de cinco por cento da produção, será distribuída na
forma do disposto no art. 49 da Lei 9.478, de 1997.

§ 1º A parcela do valor dos royalties, referida neste artigo, será distribuída aos
Estados e aos Municípios produtores confrontantes com a plataforma continental onde
se realizar a produção, segundo os percentuais fixados, respectivamente, nas alíneas
a e b do inciso II do art. 49 da Lei nº 9.478, de 1997.

§ 2º Para efeito deste Decreto, consideram-se confrontantes com a plataforma


continental onde se realizar a produção os Estados e Municípios contíguos à área
marítima delimitada pelas linhas de projeção dos respectivos limites territoriais, até a
linha de limite da plataforma continental, onde estiver situado o campo produtor de
petróleo ou gás natural.

§ 3º Para fins de definição das linhas de projeção dos limites territoriais dos
Estados e Municípios, até a linha de limite da plataforma continental, serão adotados
os critérios fixados nos arts. 1º a 5º do Decreto nº 93.189, de 29 de agosto de 1986.

Art. 16. O percentual do valor da parcela dos royalties fixado na alínea a do


inciso II do art. 49 da Lei nº 9.478, de 1997, a ser distribuído a um Estado produtor
confrontante, incidirá sobre a parcela dos royalties que exceder a cinco por cento da
produção de cada campo situado entre as linhas de projeção dos limites territoriais do
Estado até a linha de limite da plataforma continental.

Parágrafo único. No caso de dois ou mais Estados serem confrontantes com


um mesmo campo, a cada Estado será associada parte da parcela do valor dos
royalties que exceder a cinco por cento da produção do campo, a qual será calculada
proporcionalmente à área do campo contida entre as linhas de projeção dos limites
territoriais do Estado, sendo o percentual referido neste artigo aplicado somente sobre
tal parte.

Art. 17. O percentual do valor da parcela dos royalties fixado na alínea b do


inciso II do art. 49 da Lei n.º 9.478, de 1997, a ser distribuído a um Município produtor
confrontante, incidirá sobre a parcela do valor dos royalties que exceder a cinco por
cento da produção de cada campo situado entre as linhas de projeção dos limites
territoriais do Município até a linha de limite da plataforma continental.

DECRETO 2705.doc 09/30/98 6:38 PM Página 7 de 19


DECRETO Nº 2.705, DE 03 DE AGOSTO DE 1998 (DOU de 04-08-98)
§ 1º O percentual a que se refere este artigo será aplicado somente sobre a
parte da parcela dos royalties que exceder a cinco por cento da produção do campo
associada à unidade da Federação de que o Município faz parte.

§ 2º No caso de dois ou mais Municípios pertencentes a uma mesma unidade


da Federação serem confrontantes com um mesmo campo, o percentual referido
neste artigo será aplicado apenas uma vez sobre a parte da parcela do valor dos
royalties que exceder a cinco por cento da produção do campo associada à unidade
da Federação, sendo o valor assim apurado rateado entre os Municípios segundo o
critério definido no parágrafo seguinte.

§ 3º O valor do rateio devido a cada Município será obtido multiplicando-se o


resultado apurado conforme o parágrafo anterior pelo quociente formado entre a área
do campo contida entre as linhas de projeção dos seus limites territoriais e a soma
das áreas do campo contidas entre as linhas de projeção dos limites territoriais de
todos os Municípios confrontantes ao mesmo campo, pertencentes à unidade da
Federação.

Art. 18. O valor dos royalties será apurado mensalmente por cada
concessionário, com relação a cada campo, a partir do mês em que ocorrer a data de
início da produção do campo, e pago, em moeda nacional, até o último dia útil do
mês subseqüente, cabendo ao concessionário encaminhar à ANP um demonstrativo
da sua apuração, em formato padronizado pela ANP, acompanhado de documento
comprobatório do pagamento, até o quinto dia útil após a data da sua efetivação.

Art. 19. A seu critério, sempre que julgar necessário, a ANP poderá requisitar
do concessionário documentos que comprovem a veracidade das informações
prestadas no demonstrativo da apuração.

Art. 20. Os recursos provenientes dos royalties serão distribuídos pela


Secretaria do Tesouro Nacional - STN, do Ministério da Fazenda, nos termos da Lei nº
9.478, de 1997, e deste Decreto, com base nos cálculos dos valores devidos a cada
beneficiário, fornecidos pela ANP.

CAPÍTULO VII

DA PARTICIPAÇÃO ESPECIAL

Art. 21. A participação especial prevista no inciso III do art. 45 da Lei nº


9.478, de 1997, constitui compensação financeira extraordinária devida pelos
concessionários de exploração e produção de petróleo ou gás natural, nos casos de
grande volume de produção ou de grande rentabilidade, conforme os critérios
definidos neste Decreto, e será paga, com relação a cada campo de uma dada área
de concessão, a partir do trimestre em que ocorrer a data de início da respectiva
produção.

Art. 22. Para efeito de apuração da participação especial sobre a produção


de petróleo e de gás natural serão aplicadas alíquotas progressivas sobre a receita
líquida da produção trimestral de cada campo, consideradas as deduções previstas
no § 1º do art. 50 da Lei nº 9.478, de 1997,de acordo com a localização da lavra, o

DECRETO 2705.doc 09/30/98 6:38 PM Página 8 de 19


DECRETO Nº 2.705, DE 03 DE AGOSTO DE 1998 (DOU de 04-08-98)
número de anos de produção, e o respectivo volume de produção trimestral
fiscalizada.

§ 1º No primeiro ano de produção de cada campo, a partir da data de início da


produção, a participação especial será apurada segundo as seguintes tabelas:

I – Quando a lavra ocorrer em áreas de concessão situadas em terra, lagos,


rios, ilhas fluviais ou lacustres.

Volume de Produção Trimestral Fiscalizada Parcela a deduzir da Alíquota


(em milhares de metros cúbicos de petróleo Receita Líquida Trimestral (em %)
equivalente) (em reais)
Até 450 - isento
Acima de 450 até 900 450 × RLP ÷ VPF 10
Acima de 900 até 1.350 675 × RLP ÷ VPF 20
Acima de 1.350 até 1.800 900 × RLP ÷ VPF 30
Acima de 1.800 até 2.250 360 ÷ 0,35 × RLP ÷ VPF 35
Acima de 2.250 1.181,25 × RLP ÷ VPF 40

onde:

RLP – é a receita líquida da produção trimestral de cada campo, em reais;


VPF – é o volume de produção trimestral fiscalizada de cada campo, em milhares de
metros cúbicos de petróleo equivalente.

II – Quando a lavra ocorrer em áreas de concessão situadas na plataforma


continental em profundidade batimétrica até quatrocentos metros.

Volume de Produção Trimestral Fiscalizada Parcela a deduzir da Alíquota


(em milhares de metros cúbicos de petróleo Receita Líquida Trimestral (em %)
equivalente) (em reais)
Até 900 - isento
Acima de 900 até 1.350 900 × RLP ÷ VPF 10
Acima de 1.350 até 1.800 1.125 × RLP ÷ VPF 20
Acima de 1.800 até 2.250 1.350 × RLP ÷ VPF 30
Acima de 2.250 até 2.700 517,5 ÷ 0,35 × RLP ÷ VPF 35
Acima de 2.700 1.631,25 × RLP ÷ VPF 40

DECRETO 2705.doc 09/30/98 6:38 PM Página 9 de 19


DECRETO Nº 2.705, DE 03 DE AGOSTO DE 1998 (DOU de 04-08-98)
III – Quando a lavra ocorrer em áreas de concessão situadas na plataforma
continental em profundidade batimétrica acima de quatrocentos metros.

Volume de Produção Trimestral Fiscalizada Parcela a deduzir da Alíquota


(em milhares de metros cúbicos de petróleo Receita Líquida Trimestral (em %)
equivalente) (em reais)
Até 1.350 - isento
Acima de 1.350 até 1.800 1.350 × RLP ÷ VPF 10
Acima de 1.800 até 2.250 1.575 × RLP ÷ VPF 20
Acima de 2.250 até 2.700 1.800 × RLP ÷ VPF 30
Acima de 2.700 até 3.150 675 ÷ 0,35 × RLP ÷ VPF 35
Acima de 3.150 2.081,25 × RLP ÷ VPF 40

§ 2º No segundo ano de produção de cada campo, a partir da data de início da


produção, a participação especial será apurada segundo as seguintes tabelas:

I – Quando a lavra ocorrer em áreas de concessão situadas em terra, lagos,


rios, ilhas fluviais ou lacustres.

Volume de Produção Trimestral Fiscalizada Parcela a deduzir da Alíquota


(em milhares de metros cúbicos de petróleo Receita Líquida Trimestral (em %)
equivalente) (em reais)
Até 350 - isento
Acima de 350 até 800 350 × RLP ÷ VPF 10
Acima de 800 até 1.250 575 × RLP ÷ VPF 20
Acima de 1.250 até 1.700 800 × RLP ÷ VPF 30
Acima de 1.700 até 2.150 325 ÷ 0,35 × RLP ÷ VPF 35
Acima de 2.150 1.081,25 × RLP ÷ VPF 40

DECRETO 2705.doc 09/30/98 6:38 PM Página 10 de 19


DECRETO Nº 2.705, DE 03 DE AGOSTO DE 1998 (DOU de 04-08-98)
II – Quando a lavra ocorrer em áreas de concessão situadas na plataforma
continental em profundidade batimétrica até quatrocentos metros.

Volume de Produção Trimestral Fiscalizada Parcela a deduzir da Alíquota


(em milhares de metros cúbicos de petróleo Receita Líquida Trimestral (em %)
equivalente) (em reais)
Até 750 - isento
Acima de 750 até 1.200 750 × RLP ÷ VPF 10
Acima de 1.200 até 1.650 975 × RLP ÷ VPF 20
Acima de 1.650 até 2.100 1.200 × RLP ÷ VPF 30
Acima de 2.100 até 2.550 465 ÷ 0,35 × RLP ÷ VPF 35
Acima de 2.550 1.481,25 × RLP ÷ VPF 40

III – Quando a lavra ocorrer em áreas de concessão situadas na plataforma


continental em profundidade batimétrica acima de quatrocentos metros.

Volume de Produção Trimestral Fiscalizada Parcela a deduzir da Alíquota


(em milhares de metros cúbicos de petróleo Receita Líquida Trimestral (em %)
equivalente) (em reais)
Até 1.050 - isento
Acima de 1.050 até 1.500 1.050 × RLP ÷ VPF 10
Acima de 1.500 até 1.950 1.275 × RLP ÷ VPF 20
Acima de 1.950 até 2.400 1.500 × RLP ÷ VPF 30
Acima de 2.400 até 2.850 570 ÷ 0,35 × RLP ÷ VPF 35
Acima de 2.850 1.781,25 × RLP ÷ VPF 40

DECRETO 2705.doc 09/30/98 6:38 PM Página 11 de 19


DECRETO Nº 2.705, DE 03 DE AGOSTO DE 1998 (DOU de 04-08-98)

§ 3º No terceiro ano de produção de cada campo, a partir da data de início da


produção, a participação especial será apurada segundo as seguintes tabelas:

I – Quando a lavra ocorrer em áreas de concessão situadas em terra, lagos,


rios, ilhas fluviais ou lacustres.

Volume de Produção Trimestral Fiscalizada Parcela a deduzir da Alíquota


(em milhares de metros cúbicos de petróleo Receita Líquida Trimestral (em %)
equivalente) (em reais)
Até 250 - isento
Acima de 250 até 700 250 × RLP ÷ VPF 10
Acima de 700 até 1.150 475 × RLP ÷ VPF 20
Acima de 1.150 até 1.600 700 × RLP ÷ VPF 30
Acima de 1.600 até 2.050 290 ÷ 0,35 × RLP ÷ VPF 35
Acima de 2.050 981,25 × RLP ÷ VPF 40

II – Quando a lavra ocorrer em áreas de concessão situadas na plataforma


continental em profundidade batimétrica até quatrocentos metros.

Volume de Produção Trimestral Fiscalizada Parcela a deduzir da Alíquota


(em milhares de metros cúbicos de petróleo Receita Líquida Trimestral (em %)
equivalente) (em reais)
Até 500 - isento
Acima de 500 até 950 500 × RLP ÷ VPF 10
Acima de 950 até 1.400 775 × RLP ÷ VPF 20
Acima de 1.400 até 1.850 950 × RLP ÷ VPF 30
Acima de 1.850 até 2300 377,5 ÷ 0,35 × RLP ÷ VPF 35
Acima de 2.300 1.231,25 × RLP ÷ VPF 40

DECRETO 2705.doc 09/30/98 6:38 PM Página 12 de 19


DECRETO Nº 2.705, DE 03 DE AGOSTO DE 1998 (DOU de 04-08-98)
III – Quando a lavra ocorrer em áreas de concessão situadas na plataforma
continental em profundidade batimétrica acima de quatrocentos metros.

Volume de Produção Trimestral Fiscalizada Parcela a deduzir da Alíquota


(em milhares de metros cúbicos de petróleo Receita Líquida Trimestral (em %)
equivalente) (em reais)
Até 750 - isento
Acima de 750 até 1.200 750 × RLP ÷ VPF 10
Acima de 1.200 até 1.650 975 × RLP ÷ VPF 20
Acima de 1.650 até 2.100 1.200 × RLP ÷ VPF 30
Acima de 2.100 até 2.550 465 ÷ 0,35 × RLP ÷ VPF 35
Acima de 2.550 1.481,25 × RLP ÷ VPF 40

§ 4º Após o terceiro ano de produção de cada campo, a partir da data de início


da produção, a participação especial será apurada segundo as seguintes tabelas:

I – Quando a lavra ocorrer em áreas de concessão situadas em terra, lagos,


rios, ilhas fluviais ou lacustres.

Volume de Produção Trimestral Fiscalizada Parcela a deduzir da Alíquota


(em milhares de metros cúbicos de petróleo Receita Líquida Trimestral (em %)
equivalente) (em reais)
Até 150 - isento
Acima de 150 até 600 150 × RLP ÷ VPF 10
Acima de 600 até 1.050 375 × RLP ÷ VPF 20
Acima de 1.050 até 1.500 600 × RLP ÷ VPF 30
Acima de 1.500 até 1.950 255 ÷ 0,35 × RLP ÷ VPF 35
Acima de 1.950 881,25 × RLP ÷ VPF 40

DECRETO 2705.doc 09/30/98 6:38 PM Página 13 de 19


DECRETO Nº 2.705, DE 03 DE AGOSTO DE 1998 (DOU de 04-08-98)
II – Quando a lavra ocorrer em áreas de concessão situadas na plataforma
continental em profundidade batimétrica até quatrocentos metros.

Volume de Produção Trimestral Fiscalizada Parcela a deduzir da Alíquota


(em milhares de metros cúbicos de petróleo Receita Líquida Trimestral (em %)
equivalente) (em reais)
Até 300 - isento
Acima de 300 até 750 300 × RLP ÷ VPF 10
Acima de 750 até 1.200 525 × RLP ÷ VPF 20
Acima de 1.200 até 1.650 750 × RLP ÷ VPF 30
Acima de 1.650 até 2.100 307,5 ÷ 0,35 × RLP ÷ VPF 35
Acima de 2.100 1.031,25 × RLP ÷ VPF 40

III – Quando a lavra ocorrer em áreas de concessão situadas na plataforma


continental em profundidade batimétrica acima de quatrocentos metros.

Volume de Produção Trimestral Fiscalizada Parcela a deduzir da Alíquota


(em milhares de metros cúbicos de petróleo Receita Líquida Trimestral (em %)
equivalente) (em reais)
Até 450 - isento
Acima de 450 até 900 450 × RLP ÷ VPF 10
Acima de 900 até 1350 675 × RLP ÷ VPF 20
Acima de 1350 até 1.800 900 × RLP ÷ VPF 30
Acima de 1.800 até 2.250 360 ÷ 0,35 × RLP ÷ VPF 35
Acima de 2.250 1.181,25 × RLP ÷ VPF 40

§ 5º A ANP classificará as áreas de concessão objeto de licitação segundo os


critérios de profundidade batimétrica dispostos neste artigo.

§ 6º A receita líquida da produção trimestral de um dado campo, quando


negativa, poderá ser compensada no cálculo da participação especial devida do
mesmo campo nos trimestres subseqüentes.

Art. 23. No caso de campos que se estendam por duas ou mais áreas de
concessão, a apuração da participação especial tomará como base a receita líquida
da produção e o volume de produção fiscalizada integrais dos referidos campos.

Parágrafo único. No caso de campos que se estendam por duas ou mais


áreas de concessão, onde atuem concessionários distintos, o acordo celebrado entre
os concessionários para a individualização da produção, de que trata o art. 27 da Lei
nº 9.478, de 1997, definirá a participação de cada um com respeito ao pagamento da
participação especial.

DECRETO 2705.doc 09/30/98 6:38 PM Página 14 de 19


DECRETO Nº 2.705, DE 03 DE AGOSTO DE 1998 (DOU de 04-08-98)
Art. 24. Os recursos provenientes da participação especial serão distribuídos
segundo os percentuais estabelecidos no art. 50 da Lei nº 9.478, de 1997.

§ 1º O percentual da participação especial a ser distribuído a um Estado


confrontante com a plataforma continental onde ocorrer a produção, fixado no inciso
III, in fine, do § 2° do referido artigo, será aplicado sobre o montante total pago a título
de participação especial pelos campos situados entre as linhas de projeção dos
limites territoriais do Estado até a linha de limite da plataforma continental.

§ 2º No caso de dois ou mais Estados produtores serem confrontantes com um


mesmo campo, a cada Estado será associada parte do valor da participação
especial, parte esta calculada proporcionalmente à área do campo contida entre as
linhas de projeção dos limites territoriais do Estado, sendo o percentual referido no
parágrafo anterior aplicado somente sobre tal parte.

§ 3º O percentual da participação especial a ser distribuído a um Município


confrontante com a plataforma continental onde ocorrer a produção, nos termos do
inciso IV, in fine, do § 2º do art. 50 da Lei no 9.478, de 1997, incidirá sobre o valor
pago a título de participação especial por cada campo situado entre as linhas de
projeção dos limites territoriais do Município até a linha de limite da plataforma
continental.

§ 4º O percentual a que se refere o parágrafo anterior será aplicado somente


sobre a parte do valor da participação especial relativa ao campo associada à
unidade da Federação da qual o Município faz parte.

§ 5º No caso de dois ou mais Municípios produtores pertencentes a uma


mesma unidade da Federação serem confrontantes com um mesmo campo, o
percentual referido no § 3º será aplicado apenas uma vez sobre a parte da
participação especial relativa ao campo associada à unidade da Federação, sendo o
valor assim apurado rateado entre os Municípios segundo o critério definido no
parágrafo seguinte.

§ 6º O valor do rateio devido a cada Município será obtido multiplicando-se o


resultado apurado conforme o parágrafo anterior pelo quociente formado entre a área
do campo contida entre as linhas de projeção dos seus limites territoriais e a soma
das áreas do campo contidas entre as linhas de projeção dos limites territoriais de
todos os Municípios confrontantes ao mesmo campo, pertencentes à unidade da
Federação.

Art. 25. O valor da participação especial será apurado trimestralmente por


cada concessionário, e pago até o último dia útil do mês subseqüente a cada trimestre
do ano civil, cabendo ao concessionário encaminhar à ANP um demonstrativo da
apuração, em formato padronizado pela ANP, acompanhado de documento
comprobatório do pagamento, até o quinto dia útil após a data de pagamento.

Parágrafo único. Quando a data de início da produção de um dado campo não


coincidir com o primeiro dia de um trimestre do ano civil, a participação especial
devida neste trimestre será calculada com base no número de dias decorridos entre a
data de início de produção do campo e o último dia do trimestre e, para efeito das
apurações subseqüentes da participação especial, o número de anos de produção do

DECRETO 2705.doc 09/30/98 6:38 PM Página 15 de 19


DECRETO Nº 2.705, DE 03 DE AGOSTO DE 1998 (DOU de 04-08-98)
campo, referido nos §§ 1º a 4º do art. 22, passará a ser contado a partir da data de
início do próximo trimestre do ano civil.

Art. 26. A seu critério, sempre que julgar necessário, a ANP poderá requerer
do concessionário documentos que comprovem a veracidade das informações
prestadas no demonstrativo da apuração.

Art. 27. Os recursos provenientes dos pagamentos da participação especial


serão distribuídos pela STN, nos termos da Lei nº 9.478, de 1997, e deste Decreto,
com base nos cálculos dos valores devidos a cada beneficiário, fornecidos pela ANP.

CAPÍTULO VIII

DO PAGAMENTO PELA OCUPAÇÃO OU RETENÇÃO DE ÁREAS

Art. 28. O edital e o contrato de concessão disporão sobre o valor do


pagamento pela ocupação ou retenção de área, a ser apurado a cada ano civil, a
partir da data de assinatura do contrato de concessão, e pago em cada dia quinze de
janeiro do ano subseqüente.

§ 1º O cálculo do valor do pagamento pela ocupação ou retenção de área


levará em conta o número de dias de vigência do contrato de concessão no ano civil.

§ 2º Os valores unitários, em reais por quilometro quadrado ou fração da área


de concessão, adotados para fins de cálculo do pagamento pela ocupação ou
retenção de área, serão fixados no edital e no contrato de concessão, sendo
aplicáveis, sucessivamente, às fases de exploração e de produção, e respectivo
desenvolvimento.

§ 3º Para a fixação dos referidos valores unitários, a ANP levará em conta as


características geológicas, a localização da Bacia Sedimentar em que o bloco objeto
da concessão se situar, assim como outros fatores pertinentes, respeitando-se as
seguintes faixas de valores:

I - Fase de Exploração: R$ 10,00 (dez reais) a R$ 500,00 (quinhentos reais) por


quilômetro quadrado ou fração;

II - Prorrogação da Fase de Exploração: duzentos por cento do valor fixado


para a fase de Exploração;

III - Período de Desenvolvimento da Fase de Produção: R$ 20,00 (vinte reais) a


R$ 1.000,00 (hum mil reais) por quilômetro quadrado ou fração;

IV - Fase de Produção: R$ 100,00 (cem reais) a R$ 5.000,00 (cinco mil reais)


por quilômetro quadrado ou fração.

§ 4º Os valores unitários referidos no parágrafo anterior serão reajustados


anualmente, no dia 1º de janeiro, pelo Índice Geral de Preços – Disponibilidade
Interna – IGP - DI, da Fundação Getúlio Vargas.

DECRETO 2705.doc 09/30/98 6:38 PM Página 16 de 19


DECRETO Nº 2.705, DE 03 DE AGOSTO DE 1998 (DOU de 04-08-98)
§ 5º Em 1º de janeiro de 1999, excepcionalmente, o reajuste de que trata o
parágrafo anterior será calculado com base no IGP - DI acumulado entre a data de
publicação deste Decreto e aquela data.

§ 6º Os valores unitários estabelecidos no contrato de concessão serão


reajustados com periodicidade anual, a partir da data da assinatura do contrato, pelo
IGP - DI acumulado nos doze meses antecedentes à data de cada reajuste.

§ 7º No caso de extinção do IGP - DI, os reajustes de que tratam os §§ 4º a 6º


terão como base o índice que vier a substituí-lo.

§ 8º Nos casos de alteração do valor do pagamento pela ocupação ou retenção


de áreas por quilômetro quadrado, em decorrência da passagem da concessão da
fase de exploração para a sua prorrogação ou para o período de desenvolvimento da
fase de produção, ou ainda da prorrogação da fase de exploração para o período
desenvolvimento, ou deste para a fase de produção, o cálculo do valor do pagamento
anual pela ocupação ou retenção de área levará em conta o número de dias de
vigência de cada um dos valores aplicáveis.

§ 9º Excepcionalmente, para os contratos assinados durante o presente ano,


poderão a ANP e os concessionários, de comum acordo, antecipar um percentual do
pagamento pela ocupação ou retenção de área, a ser fixado nos respectivos
contratos, para o 15º dia após a data da assinatura, podendo a ANP, para tal fim,
conceder redução do valor a ser pago.

§ 10 A redução referida no parágrafo anterior será calculada pela aplicação de


uma taxa de desconto mensal equivalente à taxa referencial do Sistema Especial de
Liquidação e Custódia - SELIC, para títulos federais, do mês anterior ao da assinatura
do contrato.

§ 11 No caso de extinção ou transferência da concessão, o concessionário


efetuará o pagamento pela ocupação ou retenção de área no ato de assinatura do
respectivo evento.

§ 12 Os recursos provenientes do pagamento pela ocupação ou retenção de


área serão utilizados na forma prevista no art.16, da Lei nº 9.478, de 1997.

CAPÍTULO IX

DO PAGAMENTO DAS PARTICIPAÇÕES GOVERNAMENTAIS

Art. 29. O pagamento das participações governamentais será efetuado pelos


concessionários nos prazos estipulados neste Decreto, em moeda corrente ou
mediante transferência bancária e as receitas correspondentes serão mantidas na
Conta Única do Governo Federal, enquanto não forem destinadas para as respectivas
programações.

Art. 30. A extinção do contrato de concessão não desobrigará o


concessionário do pagamento das participações governamentais devidas até então, e
não suspenderá a aplicação das multas de mora e juros de mora aplicáveis.

DECRETO 2705.doc 09/30/98 6:38 PM Página 17 de 19


DECRETO Nº 2.705, DE 03 DE AGOSTO DE 1998 (DOU de 04-08-98)
CAPÍTULO X

DAS ATIVIDADES EM CURSO

Art. 31. Os contratos de concessão a serem celebrados entre a ANP e a


Petróleo Brasileiro S.A. – PETROBRAS, nos termos do art. 34 da Lei nº 9.478, de
1997 ensejarão o pagamento das participações governamentais aplicáveis segundo
os critérios e prazos definidos neste Decreto.

Art. 32. Para os contratos relativos aos blocos onde a PETROBRAS ainda
não tiver realizado descoberta comercial até a data de sua assinatura, considerar-se-
ão os critérios de aplicação do pagamento pela ocupação ou retenção de área
definidos no inciso I do §3º do art. 28.

Art. 33. Para os casos de campos em produção, os royalties serão calculados


sobre o valor do volume total da produção de petróleo e de gás natural, a partir da
assinatura do contrato de concessão.

Art. 34. Para os casos de campos em produção, a participação especial será


calculada sobre a receita líquida da produção de petróleo e de gás natural, observado
o disposto no art. 22, a partir da assinatura dos contratos de concessão de seus
respectivos blocos.

§ 1º Para efeito do cálculo da participação especial relativa a cada campo, o


número de anos de produção, referido nos §§ 1º a 4º do art. 22, será contado a partir
da data de assinatura do contrato de concessão do respectivo bloco.

§ 2º Quando a data de assinatura do contrato de concessão de um bloco que


contenha campos em produção não coincidir com o primeiro dia de um trimestre do
ano civil, a participação especial devida, neste trimestre, por cada campo, será
calculada com base no número de dias decorridos entre a data de assinatura do
contrato de concessão e o último dia do trimestre e, para efeito das apurações
subseqüentes da participação especial, o número de anos de produção, referido nos
§§ 1º a 4º do art. 22, passará a ser contado a partir da data de início do próximo
trimestre do ano civil.

CAPÍTULO XI

DAS DISPOSIÇÕES FINAIS

Art. 35 Os recursos provenientes dos pagamentos dos royalties e da


participação especial serão distribuídos pela STN, nos termos da Lei nº 9.478, de
1997, e deste Decreto, com base nos cálculos dos valores devidos a cada
beneficiário, fornecidos pela ANP, e, nos casos dos Estados e Municípios, serão
creditados em contas específicas de titularidade dos mesmos, junto ao Banco do
Brasil S.A.

Art. 36. Os Ministérios da Fazenda e de Minas e Energia e a ANP baixarão as


normas complementares que forem necessárias à efetiva implementação das
disposições deste Decreto.

Art. 37. Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação.

DECRETO 2705.doc 09/30/98 6:38 PM Página 18 de 19


DECRETO Nº 2.705, DE 03 DE AGOSTO DE 1998 (DOU de 04-08-98)
Brasília, 3 de agosto de 1998; 177º da Independência e 110º da República.

FERNANDO HENRIQUE CARDOSO

Pedro Malan

Raimundo Brito

DECRETO 2705.doc 09/30/98 6:38 PM Página 19 de 19