Vous êtes sur la page 1sur 3
j Entrevista: Kwame Anthony Appiah Uma ONU em casa | 0 filésofo americano, filho de ingiesa e | africano, com parentes | em uma dezena de | paises, considera | absurdo tentar preservar a pureza das | culturas regionais Diogo Sehelp uandoo sssunto€ dvesdade cul url, 0 Hiésofo Kame: Anthony ‘Appia 51 anos fala de sua pro pri faa, Nos anos 30, sta mie ris tooratze filha de um misting, de Sao as convenges para se esr com tm esndante afcano. Appiah mascen na Inglaterra, mas pasou pte da in fincia eda juventude em Kumasi, pital do povo de seu pa, os ashanti fe Gana, Como vite © trabalha 108 | Estados Unidos tou também a na Bei csere merce ered indianos, libanses,franceses © que: nanos, "Nas renides de fama, fx Tame oi ingas fh representantes das tes ands cclgres omic tas, dir. PD. pela oniversidade in esa de Cambridge cex professor em | Harsard, Appiah critica quem tenia | solar o Tereiro Mundo da influénei | ocidental Em Commepolitansno Er a emsm Mundo de Exranhos, pibli | temor de que a cultura de massa oci- | vem acomecendo, Na China 0 govee- ado nese ano nos Estados Unidos, o | dental ocupe o expago dis diferentes | no utiliza « convengao da ONU como lésofo seslenia que a gloalizgao | formas culturais de ura partes do | jostiicaiva para impede que a pope. fz bem is cultures regionais. Appiah | globo. Esse € argument para que os | lag tena lire acess internet. Os | floc a VEIA de seu escrtrio na Uni- | paises defendam suas expressdesar- | Buroratas chineses esto. preocups- versidade Princeton, onde lecions hi | tstieas @ costumes nacionais ov To- | dosem preserar cultura Toca!” Cl quatro anos. cais. E, no minimo. uma contradieio. | ro quengo, Apenas quetem A propria ONU defende a livre cireu- | cidadaos de ter contato cor | Vela —4 ONY aprovou wma comen: | Iago de idéias. a liberdade de pensa- | informagies que os levem a desafiar o | cao para protegera diversidade culru- | mento ede expressio € 0s drcitos hu- | govern, | ral no mundo. Que efeitos priticos es- | manos. A convengto pera protes se documento pode ter? cultural pode ser usada para desres- | Veja — Nao hd firndamento na preo- Appiah — A convengao baseia-se no | peitar esses valores. O que, als, j4 | cupagdo de goventos, ONGS e polii- |¥ vvoja Sde marge, 2006 14 cos de gue a globalicacdo ameaca a ddiversidade cultural? ‘Appiah — Entendo quando governos se preocupam com o desaparscimento de formas wadicionais de arte. Deve- ‘mos apoiar manifestacOes artisticas tradicionais porque elas so valiosas ‘no apenas para quem as faz, mas para toda a humanidade. E preciso, por ‘exemplo, gravae as cangies tradicio- nis magris, da Nova Zelandia, ou a historia oral dos povos amaz6nicos, ‘para que ndo se percam. Mas € etrado {entar barrar trabalhos artisticos vin- dos de outras partes do mundo. A po- ppulagio deve ter lberdade para esco- lber quais produtos culturais deseja ‘consumir. Na verdade, a questo & ou twa. Boa parte da humanidade no tem ineira para seguir o estilo de vida {que gostaria oa para consumir 0 tipo de arte que desejaria. A razao pela qual ‘os moradores de uma pequena com nidade na Africa preferem usar cami setas em lugar de roupas tradicionais € ‘Simples: as roupas ocidentais custam ‘mens. O que hd de errado com as ea misetas? Elas sio baratas e cobremi 0 ‘corpo. Ou sefa. cumprem a fungio de uma roupa. E Isso que importa. Pode- ios deiXar as vestes tradicionais para fs dias de festa. Veja — Alguns pattes temem a forza da indisiria cultural americana, cujo ‘exemplo mus vistoso sao as filmes de Hollywood. Esse temor se justifica? ‘Appiah — Ninguém obriga os brasilei- os ou os franceses a assistir aos filmes de Hollywood. No hi tropss america ras nas ruas de Paris obrigando os pa- sisienses a entrar nos cinemas. Elesas- sistem aos enlatados americanos por que querem. Eu me preocuparia mais ‘em estimular os americans a ver fi mes franceses, porque so bons © me- recem ser vistos, do quc em resiringir ‘aexibigdo de obras americanas nos ci- rnemas da Franca. O mesino, por sinal, vale para 0 Brasil. Os individuos ¢ suas escolhas so mais importantes do que a cultura que se quer preservar. I= so vale para tudo, desde o estilo de vi- da que Se segue até o tipo de ate que Veja — Como assim? ‘Appiah — Urns cultura s6 ter impor- ‘ncia se for boa para os individuos. Tagine uma comunidad que tem um ‘costume que nés considerames inacel ‘vel. Obtigar as mulheres 4 ficar em ‘casa & $6 Sur ba rua com 0 corpo € © rosto cobertos, por exemplo. Alguém essa comunidade pode defender esse abuso sob o argumento de que faz par~ “E preciso definir © que vem primeiro, direitos humanos ou diversidade cultural. Se um de fazer parte da cultura nao € razao para persistir no erro” te de sus cultura. Eu discordo, Se 0 costume € ruim para o bemestar de ‘uma grande parcela daquela popula fo, 0 fato de fazer parte da cultura iio & motive para insistir no erro. O foco de nossa preocupaciio deve ser 0 individvo, nlo a tribo ot a nagio. An- tes de qualquer consideraeao, precisa- ‘mos definir o que vem primeiro, se 0s. direitos humanos ou 0s costumes esta- belecidos. Os preservacionista eultu- rais cetamente nfo concordam com a discriminago sofrida pelas mulheres. ‘mas sto capazes de tolerar esse absur- do sob o arzumento de que se trata de uum valor cultural, 1850 € errado. Hi formas boas c ruins de diversidade cultural te ee Appiah — Os preservacionistas cultu- rais, geralmente gente com bom pi dro de vida em algum pafs ocidental, ‘lam para a cultura de outras regioes ‘on paises © dizem: “Que bonito, eles Geveriam ser assim para sempre. De- vemos fazer com que eles permane- gam com seu estilo de vida auténtic. protegido da nossa cultura ocidental © comercial”. E esse tipo de gente que aacha muim que a populagio de Gans lise camisetas ¢ no aquelas tipicas roupas coloridas, Ora, cada um deve ter o direto de vestir 0 que quiser. Se rio pode pazar por isso, ¢ um proble- sma de pobreza, nao de autemticidade. Ninguém esiranha que um cidadio de ‘um pais rico viva em uma bela casa do séeulo XVIM com aquecimento cen- ‘ral, Nada menos autentieo do que is- 0, mas quem se importa? Por que ox ‘os povos nllo podem querer_moder- nizarse também? Uma cultura total- ‘mente preservada, impedida de softer influgncias externas, esti morts. Nao hd sentido em quster congelar um po- v0 no passado, Wein —A global detrow o mi do mais homogéneo culturalmente? Aoplah — A clbslizao tem como eno ws megacidades, como a Cad do México, Sto Pail, Calcutt ou Hong Kong. Eses sf hares absol- tamtue eterogencos. So Pa tem a Tor poplegd japonesa fora do Ja fo, Tas tame tem hablantx de Inufos otros lugares do mundo, Nova York tem a maior popula judi fora de Isl, Os mos de tpt mo ferns soe alas saves 6 | nia eetonica permite una gram de diversidade culrral nesses lige ‘A bomogencizcto € mais vise en Teueos ovoados de pa pobre: E Te qc alguns se chocam em ver Coci- Col parelos dea on ont Sos dn ctu externa. No hada cerrado na homogeneizacio elobal. E ela fue permite que ms connnidades fe nha 4g waadae encanada, Os ser | gos bios de sae se expand, io camo secontaesse romeo, Vela — Que parcela de uma sociedade resiste mais & influéncia de culturas ‘Appiah — Em geral é aquela que tem alguma forma de poder a preservar. ‘Muitas das idles, informagées e habi- tos que vem de fora desaliam a autori~ ade dos homens sobre as mulheres, de governantes ou de relies tradi cionais, Por isso € tio comum ver che {es politicos fazendo leis para imped 14S demaryo, 2006 vea smudangas culturais, Eles temem per- dder os meios de que dispoem para con- twolar a populacio, E uma espécie de fundamentalismo polftico, que resiste globalizaczo. Veja — Fd paises que exigem que as dios toque misicas nacionais boa parte do tempo. Muitos Iideres polit- ‘cos ent algunas nagdes latino-ameri- ‘eanas defendem 0 uso do Estado para proteger a identidade cultural das in- digenas. Essas ids face sentido no mundo atual? ‘Appiah — E surpreendente, mas esse lipo de gesto nacionalista € muito co- ‘mum no mundo moderno. Estou certo de que as pessoas sabem muito bem julgar o que querem ouvir. Ninguém precisa do Estado ditando escolhas musicals. A vida cultural do pais nao vai melhorar com a obrigatoriedade de certo tipo de exibieZo, porque ela pods ser cumprida enchendo as ondas der «lio com mésica nacional da pior qua lidade, Por outro lado, em casos como, © da Bolivia, onde um presidente de origem indigena acaba de ser eleito, eu ‘eotendo que a maioria da populagzo Tenlna se sentido desrespeitada em sua cultura nas tiltimas décadas. Ao focar ‘em medidas para devolver 0 reconhie- cimento que os indfgenas ndo tiveram no passado, no entanto, 0 governo bo- liviano core o risco de se desviat da questo material mais urgente, que & & Solugao do problema da pobreza. Nao ‘hi melhor maneira de garantirrespeito ceultural a um povo do que Ihe dar em- ‘pregos bem pagos. Veja — A politica indigenista brasiter~ ta preocupa-se em preservar 0 modo de vida dos indios em sua forma orig nal. E possivel ter sociedades mono- ‘ulturais em um mundo glohalizado? ‘Appiah — Difeil & encontear uma so-