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Ela chegou de surpresa…
Tudo o que Morgan O’Connelli queria era um lar. Por isso, decidiu fincar raízes em Shoshone. Para
realizar seu sonho, primeiro pendurou a tabuleta de agente imobiliária na porta e, depois, pegou
emprestado o cavalo mais vistoso da cidade. Por acaso, o animal pertencia a Gabe Chance. Embora
Gabe fosse o cowboy das suas fantasias mais secretas, entre os dois havia um conflito de interesses.
Afinal, a família dele se tornara alvo de corretores desde que herdara o rancho Última Chance. Mas
Gabe não se importava nem um pouco com o que pensariam de Morgan. Afinal, aquela ruiva
exuberante e de seios fartos o hipnotizava, e não havia jeito de Gabe permitir que ela escapasse de
sua pegada!

Gabe roçou os lábios nos dela.
– Nós podemos melhorar esta posição.
– Você está certo. – Recusando-se a se preocupar se ele iria considerar sua abordagem muito
agressiva, Morgan deixou sua cadeira e se arrastou para o colo de Gabe.
– Melhor? – Ao montá-lo, não teve mais dúvidas sobre o que se passava na cabeça dele. A prova era
uma protuberância quente que se aninhava convenientemente entre suas coxas. E saber que havia sido
a responsável por tal reação a empolgava e excitava.
Gabe gemeu.
– Depende da sua definição de melhor. O ângulo é bom, mas a tentação é pior.
Morgan abraçou o pescoço dele e se inclinou para mordiscar seu lábio inferior. O desejo óbvio de
Gabe lhe dava a coragem de ser a mulher tentadora que sempre desejara ser, especialmente com ele.
– Admita, Gabe. Você não veio aqui para resistir à tentação.
– Não. – Ele segurou a beirada da blusa dela. – Quero toda a tentação que eu puder conseguir.
– Então suponho que você queira que eu tire a blusa.
– Dentre outras coisas.
Tremendo de emoção, Morgan se inclinou para trás e pôs os braços acima da cabeça.
– Então vá em frente, sr. Chance.

E Gabe. você irá ouvir o suspiro das mulheres de Shoshone ecoar por toda a avenida. irá no garanhão preto e branco. Porém. o mais novo. Afinal. e o Última Chance sempre tem um lugar no desfile. Bandit. escolheu o favorito do pai. são homens como eles que fazem esse país ser tão incrível. a parada está quase começando! Divirta-se! Vicki Lewis Thomas . Bem-vida mais uma vez ao Rancho Última Chance! A cidade de Shoshone. especialmente quando o Última Chance passar! Todos os Chance planejam montar os cavalos espetaculares que criam no rancho. Então. o do meio. veio passar o feriadão na cidade. porque não quero perder nada. Venha. Jack e Gabe ainda estão solteiros! Enquanto eles desfilam. Nick. está celebrando o 4 de julho. Gold Rush. Dominique. Não há nada como uma parada do Dia da Independência para elevar o patriotismo! E o que representa mais o espírito americano do que cowboys usando jeans justos e montando cavalos magníficos? Guarde o meu lugar. certamente irá montar Top Drawer. Querida leitora. Jack. o mais velho. A noiva de Nick. uma pequena comunidade que faz parte da região do Jackson Hole. pegue uma cadeira e procure o lugar perfeito.

Vicki Lewis Thompson CILADA Tradução Fernanda Lizardo 2015 .

Eu gostei. Seth é melhor nisso do que eu. O sistema de escambo funciona bem aqui. Ela é uma mulher muito gentil e sei que Seth está buscando o mesmo tipo de felicidade que Archie e eu temos. pois antes queremos um rebanho bovino para garantir nossa renda. Desta vez quero um touro. Nós dois botamos fogo nos lençóis da nossa cama improvisada. Mais notícias: Seth parece estar gostando de Joyce. Archie me deu um apelido. o que seria bom. Archie diz que sou muito boa na função de noiva. e meu irmão Seth passou a dormir em uma das pilhas de forragem logo abaixo de nós. Os invernos são complicados em Jackson Hole. Ele me chama de Nelsie. que me ama muito. é possível que a casa fique pronta antes de começar a nevar. construímos um lar temporário ao lado do celeiro e iniciamos a construção de uma casa. Fiz um vestido de casamento para a filha de um fazendeiro vizinho e ganhei uma vaca como pagamento. Mesmo que eu não seja tão boa com um martelo. então Archie e eu nos instalamos lá. Demolimos a antiga. . Seth e minhas contribuições insignificantes. Ele não pode pagar muito mais do que uma cerveja por noite. por isso se demora bebendo o mesmo copo e flerta com Joyce feito um louco. a dona do bar Espora Enferrujada na cidade vizinha. admite que sou um pouco menos talentosa como carpinteira. 1937 Do diário de Eleanor Chance QUEM DIRIA que sexo sobre o feno poderia ser tão divertido? Ou que eu seria tão feliz morando num celeiro? Mas o celeiro estava em melhor forma do que a casa quando chegamos ao Rancho Última Chance um mês atrás. além do mais. e em algum momento espero trocar minha costura por mais um bicho de quatro patas. com essa coisa de aprender a ser uma noiva e uma carpinteira de uma só vez. e. eu gostaria de comemorar o Natal em uma casa de verdade. Shoshone. Entre os esforços de Archie. Mas mesmo Archie. minhas habilidades na costura nos ajudaram muito. Não vou fingir que o último mês tem sido fácil para mim. Prólogo 3 de junho. Archie e eu estamos adiando aumentar a família. Felizmente. que era muito feia. em vez de um celeiro. Se trabalharmos como castores.

estamos construindo uma vida aqui. Archie tem me ajudado a plantar uma horta. É engraçado. Nos intervalos do serviço na carpintaria. então ele precisou fazer uma cerca para proteger as plantas dos coelhos e cervos. Sinto que estou criando raízes juntamente aos vegetais. mas a horta parece quase tão importante quanto ter um teto sobre minha cabeça. Estamos no meio do nada. . As vinhas de tomate brotaram e as cenouras estão acenando com a brisa. Acredito que este seja o lugar onde estamos destinados a ficar. Contrariando todas as adversidades.

Bem. ele tinha passado os verões competindo em provas de apartação. Graças a Deus Jack havia vetado a ideia piegas de Nick de amarrar Gold Rush. dirigiu-se . então não tinha qualquer motivo para ficar emotiva naquele dia. criando- lhe um nó na garganta do tamanho de uma bola de beisebol. quatro anos mais velho do que Gabe e uma eternidade mais evoluído do que a raça humana inteira em sua capacidade de esconder seus sentimentos. Primeiro o bicho castrado tentou jogá-la contra um mastro. ela estava tirando um monte de fotos de Nick sobre o cavalo. o capataz da fazenda. Correr em volta da área de testes sem Jonathan Chance vociferando ordens parecia totalmente equivocado. Já Nick estava se digladiando um pouco. e era o primeiro desfile sem seu pai. Dominique Jeffries. Ele precisava de uma distração e tinha que ser agora. Seus dois irmãos mais velhos estavam fingindo que não tinham sido afetados. Capítulo 1 Presente GABE CHANCE não esperava ficar tão emocionado por cavalgar no desfile anual do Dia da Independência em Shoshone. Naturalmente. a qual seria guiada por Emmett Sterling. Sarah tinha escolhido vestir máscaras para a ocasião. bem. Mas ele estava em casa agora. tudo lhe lembrava da sela cravejada de prata de seu pai. aleluia! Bem perto da área de preparação havia uma ruiva linda lutando para controlar um cavalo Appaloosa. o cavalo cor de caramelo que pertencera ao pai. no entanto. Em seguida. porque um desfile de Dia da Independência não parecia certo sem a presença do cavalo vistoso trotando pela rua principal da cidade. era Nick quem estava montando Gold Rush. Gabe enxergava isso nos olhos verdes do irmão. Ela era fotógrafa. Quanto mãe. atrás da carroça do Última Chance. pela forma como dos dois pombinhos vinham agindo. morava em Indiana e estava ali apenas para o fim de semana prolongado – mas. Gabe previa que ela logo se mudaria de vez. Nick manteve-se perto da carroça porque sua namorada. Falando em pieguice… Cumprindo o protocolo. estava nela. Ela não chegara a conhecer o pai deles. toda vez que Gabe olhava para Gold Rush. e não ficara em casa para participar daquela bobagem. Isso era mais fácil para Jack. Boa pedida. Nos últimos dez anos.

– Gabe não era lá muito fã do jeito como Jack vinha dando ordens atualmente. Mas ele não sabia direito por que tinha conhecimento de tal informação. Mas isso não significava que ele não poderia pegar Top Drawer e ajudar a ruiva que lutava contra um cavalo castrado aparentemente avesso a desfiles. Debruçando-se sobre o pescoço de Top Drawer. o Appaloosa se pôs em movimento e começou a trotar. Já volto. Gabe se preparou. porque ele não estava ganhando tantos prêmios com Top Drawer nesta temporada. revelando que era adestrado o suficiente. embora estivesse claro que agora era apenas uma passageira e que o cavalo estava no comando. Gabe imaginava que pudesse mudar a postura de seu irmão em algum momento. Felizmente ele tinha escolhido esse cavalo. Ele tentaria manter a paz. Antes que ele tivesse a chance de alcançar a mulher. O desfile começa em quinze minutos.para um pedaço de grama a vários metros de distância e não prestou atenção quando ela tentou orientá-lo de volta. o que. Top Drawer. totalmente ao estilo do velho Jonathan Chance. mas não o equilíbrio. E talvez a falta de apoio estivesse afetando a concentração de Gabe. Ele inconscientemente trouxera o assunto à tona durante uma viagem não programada para casa para trazer uma égua lesionada que tinha salvado do matadouro. ele incitou seu cavalo e logo alcançou o castrado facilmente. o que deixava todos superconscientes de que seu pai tinha falecido. porque de repente Jack estava questionando se o Última Chance deveria patrocinar as provas de apartação de Gabe. filho! Opa. quietinho! O cavalo desacelerou juntamente a Top Drawer. Mas. incentivando-o a galopar. Aquilo colocava Jack e Gabe em rota de colisão. estava apenas dez mil pratas abaixo dos rendimentos necessários para fazer parte do Hall da Fama da Associação de Cavalos de Apartação. mas que simplesmente tinha escolhido tirar vantagem de uma condutora inexperiente. Gabe cutucou Top Drawer. Como Gabe estava seguindo a mulher. – Opa. ele teve a oportunidade de ler o bordado atrás da camisa de cetim branco dela: Imobiliária Morgan O’Connelli. Gabe subiu nos estribos e apontou para a ruiva enquanto gritava para Jack: – Vou ajudar a moça ali. – Segure-se! – berrou ele para a mulher. Jack aproveitara a oportunidade para segurar Gabe no rancho por um tempinho. mas a vontade de seu pai pusera seu irmão mais velho solidamente no comando do rancho. Pegando a rédea do Appaloosa. quase derrubando-a. para montar hoje. Ele reconhecia aquele sobrenome estranho de algum lugar. assim que surgiu à esquerda dela. em especial. Ela abandonou as rédeas e agarrou o pito da sela. Quando o Appaloosa contraiu a traseira salpicada de manchinhas e explodiu numa velocidade característica. por sua vez. Gabe concluiu que estava cansado de brincar. Era feriado. O animal malhado da raça Paint tinha algo de puro-sangue e era muito mais veloz do que Finicky. principalmente por causa de sua mãe. seu outro cavalo de apartação. – Estarei aqui. Seu pai sempre dissera que a presença de Gabe no circuito impulsionava as vendas dos cavalos Paint do rancho. provavelmente voltando para o celeiro. Até mesmo se lembrava de que era uma combinação esquisita de irlandês e italiano porque os pais não queriam hifenização nos sobrenomes dos filhos. mas por ora ele deixaria o conflito de lado. Jack lançou ao irmão um olhar severo. acabava formando um ciclo vicioso. – Não suma. aparentemente. Os dois cavalos pararam . Ela perdeu a calma. Jack se irritava com as ausências de Gabe durante os verões. e o cavalo de Gabe.

E então se afastou para que ela tivesse privacidade para reabotoar a camisa. Ele olhou para ela. ela passou a perna direita sobre o lombo manchado do cavalo. e mais uma vez suas recordações foram estimuladas. Ainda assim. Ela estava agarrando o pito com força e estava ofegante. Gabe olhou para a ruiva para ver como ela estava.no meio da rua vazia. Daí foi lembrado do tom turquesa das joias tribais. mas sua mandíbula estava mais apertada do que uma cinta num fardo de feno. – Camisa estúpida. Resmungando xingamentos. ela prendeu os botões. – Essas coisas acontecem – murmurou ele. – Você está bem? Ela lançou-lhe um grande sorriso. mas sabia que era politicamente incorreto – para não mencionar rude – ficar encarando a região. Ele tinha um apreço especial por mulheres de seios grandes. Foi incrível mesmo. Daí amarrou o cavalo a um mastro para que pudesse se concentrar em auxiliar a ruiva a descer da sela. Mas. e ela não era. Gabe concluiu que ela estava em choque. – Todo mundo conhece os meninos da família Chance. – Mas que droga! Ele mordeu o interior da bochecha para não rir enquanto pousava a mocinha no chão. Só então ele ouviu um estalo e percebeu que o quarto botão da camisa dela tinha estourado de vez. – Quer ajuda? – Não. Segurando as rédeas do Appaloosa com firmeza. além disso. – Fique quietinha. – Tudo bem! – Ela ostentava aquele olhar de cervo na mira dos faróis de um carro e suas pupilas dilatadas deixavam aparecer apenas um leve toque do azul-esverdeado das íris. de costas para ele. Só que o Appaloosa era alto demais. ele não conseguiu deixar de notar que os três primeiros botões de pressão estavam abertos e que o quarto estava ameaçando estourar a qualquer minuto. obrigada! – Sem aviso. – Você sabe o meu nome? – Ele encarou aqueles olhos que não eram nem verdes nem azuis. . – Tudo bem! – Ela mal mexeu os lábios. estudamos juntos na escola por um semestre. arfante o suficiente para chamar a atenção de Gabe para a fronte de sua camisa. – Assim é melhor. Gabe entrou em cena e pegou a moça pela cintura. Gabriel Chance. Ele podia jurar que já a conhecia. – Venha com cuidado. no primeiro ano do colegial. Gabe manobrou Top Drawer até ganhar espaço para desmontar. já não dava mais tempo de trocar. – Pronta para descer? – Claro! – Ela lhe concedeu mais um sorriso imenso. um tamanho menor do que eu pedi. Quando chegou pelo correio. Eu vou ajudá-la. sendo assim. e seu rosto estava mais alvo do que sua camisa. a menos que ela afrouxasse a pegada na sela… Quando a desmontagem se mostrou ineficiente. – Prontinho! – Ela virou-se para encará-lo e agora definitivamente ostentava uma expressão confiante. – Agora posso agradecer adequadamente por você ter me socorrido. – Largando os freios do Appaloosa e pegando as rédeas penduradas no pescoço do cavalo.

claro. – Você é Morgan O’Connelli! – Ele pronunciou o sobrenome com ênfase nas duas últimas sílabas. Um bando de crianças. um dia… ela foi embora. – Como ela nunca o modificara. Ele adorava vê-la naquele uniformezinho branco. por isso nunca a convidara para sair. Gabe não se permitira pensar nela em situações românticas. A filha de Seamus O’Conner e Bianca Spinelli. diziam na escola que ela não tinha tempo para namorar porque precisava cuidar dos irmãos e irmãs mais novos. . – Vamos simplesmente trocar nossos cavalos. Pelo que ele se lembrava dela. Morgan era a mais velha. Ah. Ela fez uma pausa no ato da discagem. – E. ou vai se atrasar. Morgan gostava de participar dos eventos. oferecendo-se para todas as atividades menos importantes que ninguém mais queria realizar. – Aham. Além disso. – Ela deu de ombros. Eu amava preparar milk-shakes. bem. E era um ótimo pretexto para me livrar da função de babá dos meus irmãos. Agora que sabia quem ela era. – Então este é o seu primeiro desfile? Ela sorriu. – Você não quer participar do desfile? – Bem. mas não mencionou isso. – Um dia eu fui lá e eles falaram que você tinha ido embora. não petisca. os pais errantes. e um desfile do Dia da Independência tinha tudo a ver com ela. teria de admitir que também se lembrava dos seios dela. – Chi non risica. Gabe não falava absolutamente nada de italiano. é melhor você voltar. principalmente quando estou participando deles. – Isso é muito generoso da sua parte. non rosica. mas aí. – Não precisa ligar para eles – disse Gabe. Acho que Geronimo tem medo de desfiles. Passamos a tarde antes do baile enchendo balões de hélio e aspirando o gás para que pudéssemos cantar com voz fininha. – Ele riu. garantindo assim que seus filhos sofressem toda vez que um professor fizesse a chamada. Gabe não se deixou enganar. tal como um italiano o faria. recuperou todas as lembranças com ela. mas eu não poderia aceitar. Morgan quase fora aceita como parte da turminha. ciganos modernos. durante as férias escolares. Mas ela se jogara nas atividades escolares. mas lembrava-se daqueles olhos e daquele cabelo vermelho-fogo. O’Connelli. Gabe namorava outra garota naquela época. – Vou ligar para o estábulo e pedir para buscarem este cavalo. o casal infame que criou esse sobrenome confuso. Aquela aceitação de bom grado de seu destino não lhe soou sincera. E. – Eu mesma. por falar nisso. claro. como se fosse uma retaliação. Gabe começou a peneirar entre suas lembranças. – Mas é um diferencial. – Ela tirou um celular do cinto de couro. – O que significa? – Quem não arrisca. que iam de um lugar a outro numa van velha. provavelmente não devia odiar o sobrenome tanto assim. de uns 7 ou 8 anos. Devia ter sido complicado chegar no meio do primeiro ano do colegial. Se ele fosse sincero. num ímpeto. – Nós não trabalhamos juntos na organização do baile de formatura? – Sim. – Isso. sendo que a maioria da turma era formada por crianças nascidas e criadas em Jackson Hole. – Eu me lembro de que você trabalhou na lanchonete por um tempo. mas acho que não percebi o quanto seria complicado. – Isso foi pouco antes da comemoração pelo Dia da Independência – disse ela.

Esforçando-se ao máximo para não olhar. – Sim. A ansiedade brilhou naqueles olhinhos por um instante antes de Morgan desviá-los. – Não. Sem dúvida ficar excitado por causa de um vislumbre daquele decote espetacular demonstrava uma pobreza de caráter. – Por que não? – Eu estaria me intrometendo no seu desfile de abertura. Absolutamente nada. Isso significava que Gabe iria montar um Appaloosa em vez de usar um dos Paint do Última Chance. é sério. – Tudo bem. mas. – Ela juntou a camisa e fechou o botão. Você não sabe o quanto. – É mesmo? Isso soa promissor. . Ela riu. – Não vai acontecer nada. pode seguir ao meu lado. Sou uma virgem dos desfiles. Ainda sorrindo. desde que eu tinha 16 anos. Você não vai ter nenhum problema. – Eu realmente agradeço a oferta. – Não importa. – Gabe imaginou que Jack diria que importava. – Então vamos lá. – Mas isso não seria certo. então eles sempre tinham utilizado os cavalos Paint. Você está certo. De pronto. Você sabe que quer fazer isso. – Gabe fez um gesto para seu cavalo. Mas era isso. se estiver preocupada. Eu realmente quero participar do desfile. Gabe. – Ele é quase totalmente adestrado. Se acontecesse alguma coisa com ele. Top Drawer não tinha se mexido desde que Gabe largara as rédeas. O rancho aproveitava o desfile para exibir seus cavalos registrados. – Não fique todo animadinho. ela balançou a cabeça. ou com alguém no desfile enquanto eu estivesse montada nele. Gabe pensou numa alternativa para Morgan demonstrar sua gratidão. acho. então é só pegar meu cavalo e se apressar. se o diálogo estava ganhando uma conotação sexual. Graças a Deus que ele oferecera. O quarto botão de sua camisa abriu novamente. insinuando-me em uma situação que não é… – Ah. e muito. eu nunca me perdoaria. e imediatamente sentiu-se um babaca. Ele era superficial e imaturo o suficiente para desejar que o botãozinho continuasse aberto. – Ela olhou para ele. mas Top Drawer era seu cavalo e ele podia muito bem emprestá-lo se quisesse. Morgan. que inferno. Tenho pensado nisso desde… bem. Mas posso bancar um jantar no Espíritos e Esporas se você não pedir o filé. e Jack poderia não gostar nada disso também. – Vou ter uma dívida eterna com você. Ele estava fazendo uma boa ação e não esperava nada em troca. interrompendo seu evento familiar. Gabe não dava a mínima. Essa coisa de abrir um negócio minou boa parte do meu capital. Gabe. ou nós dois vamos chegar atrasados. sim. – Aposto que o seu cavalo vale um zilhão de dólares. – Droga. Mas Gabe não estava com vontade de agradar Jack agora. Morgan tinha começado. Ela hesitou por mais um segundo e depois sorriu. – Então precisamos mudar essa condição hoje. Gabe afastou o Appaloosa para que pudesse controlar o cavalo rebelde enquanto ajustava seus estribos. – E. – Ela caminhou até Top Drawer e subiu.

O que será que ela herdara da mãe italiana de cabelo castanho e personalidade fogosa? A natureza apaixonada? Na época da escola. Gabe não ia recusar se Morgan quisesse renovar a amizade. mas agora. – Agora você está falando como a minha mãe… Se você tem os atributos. ele não estivera disponível. – Ah. um sujeito que Gabe chegara a ver uma vez em algum evento da escola ao qual os pais compareceram. Muito embora não esperasse nada em troca daquela boa ação. – Isso seria um problema. Morgan enrolou a alça da bolsa no pito da sela e fechou a camisa novamente. – Ele pegou a pequena bolsa de couro. como se isso explicasse tudo. por favor. Aquela troca de cavalos poderia vir a ser um de seus melhores movimentos. – Isso está ficando chato. . você poderia. – Talvez você devesse desistir e deixar aberto. principalmente em relação a um dos próprios filhos. – Sua mãe disse isso? – Gabe não conseguia imaginar aquela frase cruzando os lábios de sua mãe. As crianças tendiam a se parecer com seus pais. Quando ela se esticou para recebê-la. – Deixei amarrada na sela e duvido que você queira desfilar com isso aí pendurado à vista de todos. – Ela é italiana – justificou Morgan. do tamanho de uma carteira. o botão da blusa abriu novamente. tem mais é que exibi-los por aí mesmo. estava totalmente livre. e obviamente Morgan tinha herdado seu cabelo ruivo e os olhos azul-esverdeados de seu pai irlandês. – Gabe imaginou que todos os homens ao longo do percurso do desfile ficariam muito gratos por isso. pegar minha bolsinha? – perguntou ela. por acaso. e entregou a Morgan. Gabe pensou no assunto enquanto alongava os estribos e então montou no animal.

Gabe certamente se portava como a realeza. agora ele parecia estar solteiro. ele a convidara para cavalgar no desfile. Obviamente nunca tivera chance com ele naquela época. não fizera nenhuma comparação entre os balões e suas “melancias”. Ela considerava os Chance uma espécie de família real de Shoshone. Gabe tinha feito tal esforço. Embora estivesse um pouco tensa por irromper num evento da família Chance. Não. Embora ela não pudesse esperar que os homens ignorassem seus seios imensos. Ela admirava Gabe desde o dia em que chegara à escola local. ele também tinha feito o mesmo na época da escola. Na tarde do baile em que ele a ajudara a encher mais de cem balões. a postura descontraída e tranquila na sela enquanto cavalgava ao seu lado rumo à área de preparação do desfile. Ele também se mostrara muito interessado em sua camisa apertada. pois já havia tolerado sua dose de olhares cobiçosos e cantadinhas grosseiras ao longo dos anos. Pensando bem. ela havia sido convidada por um dos príncipes herdeiros exatamente para fazê-lo. Como ele estava todo bonitão. Quando era adolescente. na verdade. Suas medidas generosas passaram a funcionar como um ótimo teste para ver se um sujeito tinha classe. e aquilo não lhe parecera um gesto típico de um sujeito com namorada. Morgan desejara muito ter seios menores. Ela lhe dava créditos por não encará-la. Em vez disso. Gabe Chance poderia ter praticamente a garota que quisesse. E ele namorava uma garota chamada Jennifer. admirava era uma palavra muito suave. Morgan nunca soubera de nenhum episódio de insegurança dentro da família Chance. mas por que haveria? Todos tinham muita autoconfiança. Ela. Ela se apaixonara um pouquinho mais por ele naquele dia. Morgan esperava que ele estivesse fora do mercado. agradecia por seus esforços para demonstrar sutileza. . tinha uma queda por ele do tamanho da Cordilheira Teton. com seu cabelo loiro e olhos azuis risonhos. aquele cavalo teimoso. um traço que ela vinha se esforçando para inserir em sua personalidade. mas por fim ela aprendera a aceitar e até mesmo agradecer pelo corpo que tinha. Por incrível que parecesse. no entanto. Como presidente da turma e estrela do time de futebol americano. doze anos atrás. Capítulo 2 MESMO UMA otimista fervorosa como Morgan não poderia imaginar que alugar Geronimo. pudesse ser tão proveitoso.

Morgan percebeu a abertura e aproveitou a oportunidade. mas passo a maior parte do tempo concentrado nas cavalgadas. mas um desfile voltado para a família definitivamente não era uma delas. E em algum momento ela também gostaria de expressar suas condolências. Ela odiara ter de ir embora e prometera que um dia iria voltar. Morgan não se importava em exibir seus atrativos sob determinadas circunstâncias. E. Ela provavelmente precisava descobrir um pouco mais a respeito dele antes de escalá-lo para esse papel agora. Top Drawer é um dos dois cavalos que eu uso em provas de apartação. Foi necessário algum tempo para honrar a promessa. cheio de orgulho. Uma vez que estava licenciada para trabalhar com imóveis. Então ele não tinha virado um presunçoso desde que ela o conhecera. – Aposto que você é bom no que faz. . Ele precisou de Jack para ajudar na transição. por meio da venda de casas. ela permaneceu em Jackson até sentir-se confiante o suficiente para abrir o próprio escritório em Shoshone. Inclusive essa mesma garota pode se flagrar cavalgando rua abaixo com o homem dos seus sonhos. no entanto. uma vida em que ela finalmente criaria raízes. como se o lugar estivesse destinado a ser sua morada definitiva. Ele já tinha concluído o ensino médio naquela época. ela estaria ajudando outros a criarem raízes. Durante o breve momento em que morara na cidade. Ela havia sonhado com esse desfile e com as festividades que se seguiram desde o momento em que a experiência lhe fora negada. uma vez que uma garota constrói a vida que deseja. ainda na adolescência. Morgan resolveu lançar-se numa conversa neutra: – Então… O que você tem feito desde o colégio? Ele olhou para ela. Morgan cogitara não usá-la. Ela não teve problemas em imaginá-lo no meio da arena. Mas daí. – Talvez não. Ela estava feliz que ele não havia mudado. muito embora não fosse o motivo principal. mas daí ela não teria como anunciar seu negócio. – Top Drawer é bom no que faz. Encontrar Gabe Chance hoje. tinha sido um bônus com o qual Morgan não havia contado. pois sabia que Gabe tinha perdido o pai no ano anterior. depois de cursar uma faculdade e de descobrir o que ela desejava ser quando crescesse. Gabe tinha sido um tanto competitivo quando jovem. e meu pai costumava achar isso também. ela sentira uma ligação com o local. Quando a camisa bordada que ela havia encomendado se revelara menor do que o esperado. Morgan era totalmente vidrara no conceito de lar. e coincidiu com o período em que meu pai abandonou os negócios com gado e passou a vender cavalos. Passar o Dia da Independência ali marcava o início de sua nova vida. – Eu me formei em administração. – Não tenho certeza se cheguei a conhecer Jack. mas nunca fora de alardear suas vitórias. Ao menos Gabe tinha sido o homem dos seus sonhos doze anos antes. mas Jack pode levar um tempo para ser convencido disso. A publicidade era seu pretexto para desfilar. – E certamente você também está promovendo os cavalos Paint do Última Chance quando monta – disse ela. tudo pode acontecer. Eu só tento não interferir. dois meses antes. – Acho que sim.

– Prazer em conhecê-la. Gabe iniciou as apresentações com uma mulher que usava chapéu vermelho. – A julgar pela forma como Sarah dissera as palavras corretora de imóveis. queria que a comunidade estivesse exatamente como ela se lembrava. e isso incluía a família Chance morando no mesmo lugar. esta é minha mãe. eu demoro um pouco para entender as coisas. tanto para o bem da família quanto para o dela. Você deve ser a nova corretora de imóveis da cidade. então Morgan expôs um sorriso feliz uma vez que ambos já estavam próximos o suficiente para ser notados pela família de Gabe. – Ela estava trabalhando em uma corretora em Jackson quando ficara sabendo que Jonathan Chance havia morrido em um capotamento. Sarah. você não é uma desconhecida. Morgan. em primeiro lugar. – Com certeza. Em segundo lugar. o funeral já havia acontecido. Entretanto. Aquele botãozinho desgraçado ia ficar bem fechado. Você é uma amiga da escola. mas este não é o momento para você levar uma desconhecida a um evento familiar. Morgan. Pensando nisso agora. Ela o conhecia pelo menos um pouco. mas os olhos estavam cobertos por óculos de sol. – Mãe – disse Gabe. Sarah retribuiu o sorriso. O olhar dele foi caloroso. Morgan manteve o sorriso enquanto murmurava uma saudação. mas não muito fundo. Talvez a empresa para a qual ela trabalhara não tivesse sido a única a bater à porta de Sarah após a morte de seu marido. srta. mas pareceu estar esforçando-se para fazê-lo. – Sinto muito sobre o seu pai. calça jeans preta e botas vermelhas. Morgan teve a nítida impressão de que aquilo não era uma coisa boa. – Por aqui. ou ele ia ver só! Ela devia ter prendido com um alfinete de segurança. Mas enfrentar a família inteira era uma experiência assustadora. acho que você é exatamente o que precisamos para não ficar atolados em nostalgia. quando a notícia chegara. – Bom. Esta é Morgan O’Connelli. – Isso é muito legal da sua parte. ela percebia que aquele desfile ia ser o primeiro desde a morte de Jonathan. de qualquer forma. Morgan. e ela provavelmente não teria comparecido. mas a camisa era de cetim e ia acabar marcando. Ainda assim. Montar juntamente a Gabe era uma coisa. – Eu gostaria que você conhecesse uma velha amiga da época da escola. ela era boa em experiências assustadoras. – Gabe. E sua linha de defesa era seu sorriso. Deixe-me apresentá-la. um representante da corretora de Morgan se dirigira a Shoshone para deixar seu cartão. O cabelo branco brilhante espiava por debaixo do chapéu. camisa com franjas vermelhas. O’Connelli. Ser arrastada de um lado a outro quando criança significara ter de aprender a se adaptar a quaisquer circunstâncias nas quais se encontrasse. – Gabe dirigiu-se para o grupo de cavalos e cavaleiros perto da carroça do Última Chance. e não tinha certeza se Gabe ou Nick iriam se lembrar dela. – Você já teve problemas com corretores insistentes? . Morgan respirou fundo. foi inesperado. – Exatamente. tudo bem. – Isso não vai acontecer. mas se alguém ficar chateado com isso ainda podemos trocar os cavalos e o desfile pode continuar sem mim. Morgan ficara feliz em saber que isso não aconteceria. Um mês após o acidente. Ela nem mesmo chegara a conhecer Jonathan. mas. – Sim. Você provavelmente já tem problemas suficientes com eles. Quando ela se mudasse de novo para Shoshone. no caso de a viúva de Jonathan resolver vender o rancho.

– Quando vi a loja nova da imobiliária na cidade. tinham sido verdadeiramente afáveis. conheça Morgan. porém reservada. senhorita. de Indiana. Morgan começou a explicar. Mary Lou estava encarregada de atirar balas para as crianças ao longo da rota. – Sou eu! – Morgan ficou muito grata pela simpatia de Nick. mas Gabe se adiantou: – Foi necessário – disse ele. dadas as circunstâncias. Morgan! – Nick. – Esta é minha boa amiga Dominique Jeffries. Morgan ouviu as palavras de boas-vindas. e ela levava uma câmera de aparência cara pendurada no pescoço. a expressão alegre. – É hora de sair! – Jack levantou a mão como um líder de trilha antiquado. o novo patriarca do clã Chance. Finalmente Gabe olhou para um cowboy de cabelo escuro do outro lado da carroça. porém. Morgan teria de encarar a coisa toda. manter a cabeça erguida e a camisa fechada. Ele meneou a cabeça em direção a uma mulher sentada na carroça. Sarah assentiu sem fazer comentários. Estava todo de preto e montava um Paint preto e branco impressionante. – Em seguida ele apresentou a outra mulher no vagão: Mary Lou Simms. O cabelo curto e escuro de Dominique espiava sob um chapéu de palha de abas largas. condutor da carroça e capataz da fazenda. – Jack. Morgan encolheu por dentro. Morgan não tinha dúvidas de que aquele era Jack. mas não acreditou nelas nem por um segundo. Ela acenou para Morgan. fiquei me perguntando se seria você de volta. Morgan disse a si que era natural. a cozinheira do rancho. Ela manteve o sorriso. Seu charme habitual não funcionara com aquela mulher. Assim que Gabe anunciara que ela estaria cavalgando com eles. – Lamento ouvir isso. – Ei. Jack semicerrou os olhos. Morgan não poderia desfilar. Gabe confirmou o que Morgan já sabia assim que os apresentou. Devia ser um dia difícil para Sarah. – Fico contente com sua companhia. provavelmente namorada dele. chamou de seu lugar ao lado da carroça. e Emmett Sterling. – Caso contrário. não tenho interesse nenhum na sua propriedade. – Só para você saber. mas a cumprimentou tocando a aba do chapéu. montado num cavalo Paint cor de caramelo ornado por uma sela cravejado de prata. que também não ficaria nada satisfeita se soubesse que um dos cavaleiros no grupo estaria anunciando sua corretora de imóveis nas costas da camisa. uma frieza inegável se assentara entre o grupo. – Você não faz ideia. . Tanto esforço para nada. Mas até agora apenas Nick e a outra mulher. Eu a convidei para desfilar com a gente hoje. – Oi! Pelo visto vocês dois trocaram de cavalo. Talvez ainda houvesse tempo para devolver o cavalo de Gabe e ligar para os estábulos para que buscassem Geronimo. – Não tem sido muito legal. e Morgan sentiu-se dispensada. mas ela conseguia entender o porquê. Tanto Mary Lou quando Emmett ofereceram uma saudação amigável.

como um tributo emocionante ao seu pai. Jack hesitou. – É só por causa dessa coisa da imobiliária. – Nick deu uma cutucada em Gold Rush com os calcanhares e o cavalo caramelo foi atrás da carroça.– MORGAN E eu vamos seguir Nick – disse Gabe. Gabe iria atrás dela. – Você está no cavalo errado por minha causa. – Eu não… – Então ele fez uma pausa e deu de ombros. – É só você permanecer do meu lado direito – disse Gabe para Morgan. Vai ficar tudo bem. mas Gabe achava melhor assim. – Não. – Oh! – Ela acionou seu charme imediatamente. dono do único posto de gasolina da cidade. no caso de Geronimo ficar arredio ou de Morgan ter problemas. Nick olhou para Gabe. – O quê? – Acene para as pessoas na calçada. Acene. Aquela não era a ordem originalmente planejada. para iniciar o percurso do desfile. Enquanto isso. Mary Lou atirava doces. sua família havia estabelecido que Jack ficaria na liderança. o grupo não se mostrara lá muito empolgado com a presença de Morgan. – Nós vamos ficar bem. onde haveria algum espaço para manobras antes da entrada do grupo seguinte. Exceto por Nick e Dominique. se não nas manchinhas também. Além disso. Gabe! – O grito veio de Elmer. . Precisamos ir. Sarah? – Sim. que sempre fora responsável pelo grand finale da comissão de frente do desfile. Aquilo a fez rir. Eu não vou arruinar a reputação da família só porque estou num cavalo de raça diferente. e logo depois viria a carroça e a fila seria fechada por Nick montado em Gold Rush. e as crianças estavam causando um tumulto por isso. – Ela guiou seu Paint ruço. – Gabe sabia do que ela estava falando. – Anime-se. Morgan. não foi. – Você mudou a ordem. assim que o grupo começou a se enfileirar atrás de Jack. você deveria estar se divertindo por perder sua virgindade dos desfiles. – Você tem certeza de que quer ser o último da fila? – Sim. – Tanto Faz. a sela de prata brilhando sob a luz do sol. Gabe se concentrava em manter o ritmo lento. Mas Gabe não queria ficar imprensado entre sua mãe e a carroça. Ele preferia ficar mais ao final. não é? – Um pouco. Ele observava cuidadosamente para ter certeza de que ninguém correria em direção à rua. – Morgan continuou sorrindo e acenando. seguido por sua mãe. e não ficar obcecada com a minha reputação. Pronta. então. mas pareceu chateada. – Ei. – Isso foi um erro. muito semelhante ao de Gabe na cor. É isso que a gente faz num desfile. – Eu nem sequer pensei nisso. virando-se na sela para poder prestar atenção aos cordiais cidadãos de Shoshone posicionados em ambos os lados do cortejo. Quando tinham conversado a respeito na noite anterior. Em seguida Emmett estalou as rédeas no lombo dos dois cavalos baios semelhantes que puxavam a carroça. – O que você tá fazendo num Appaloosa? – Só estou tentando ser diferente! – berrou Gabe de volta. Morgan manteve a voz baixa. a qual rangeu assim que foi dada a partida. – Tudo bem.

Gabe aguardou Nick retornar para sua posição à frente deles. E Gabe notava que aquilo ainda a incomodava. Depois que meu pai morreu. – Está tudo bem aqui? – perguntou. dando um sorriso. e por isso toda essa história de corretores foi um tabu durante meses. agora que eu o conheci e fui convidada a desfilar com vocês? – Talvez. pegou um saquinho com Mary Lou e deu ré até estar bem à esquerda de Gabe. – Gabe olhou para Morgan. Mais ou menos. – E Gabe não tinha certeza se ela iria fazê-lo ou não. Desculpe. – Nick trotou para a frente. logo. – Ah. – O que está achando do desfile agora? – Melhor. – Foi bem ruim. – Obrigado por perguntar. Eu queria ter trazido doces para jogar para as crianças. – Eu estou me divertindo. em vez disso. – Vai impressionar os pirralhos? – Morgan quer jogar. Morgan soprava alguns beijos para a multidão enquanto continuava a conversa com Gabe. – Você sabe que tem a ver com a coisa das imobiliárias. . e que eles iam fazer uma fortuna. O desfile é curtinho. um zilhão deles bateram à nossa porta com todo tipo de plano e fantasia. Até que finalmente eles desistiram. mas conseguia entender por que eles não se empolgaram. Gabe se aproveitou de uma parada temporária e chamou Nick. mas. Não tinha pensado tão além. achando que a gente ia querer vender o rancho inteiro. – Ei. Eu expliquei a ela. provavelmente ainda mais do que eu. – É bom você começar a se divertir mais logo. – O prazer é meu. – Gabe estendeu o saco para ela. – Nick tocou a aba do chapéu. Eles enlouqueceram minha mãe. Não pensei nisso. ele permaneceu emparelhado a eles. – Continue acenando. ou pelo menos parte dele. pode pegar um saco de balas na carroça e jogar para cá? – Claro que sim. – Ele entregou o pacote a Gabe. – Eu sei. irmãozinho. – Aqui está. mesmo agora que Morgan já era adulta e não precisava lidar com o estilo de vida errante mais. que parecia totalmente absorta na tarefa de jogar balas para as crianças. Nick. Ela o pegou. – Você também explicou que era melhor ela nem tentar vender seus serviços? – Não precisei. – Estamos bem. Nick baixou a voz. Morgan. Meus pais nunca tiveram nada além de uma vaga para estacionar a van. – Ela voltou aos seus deveres no desfile. – E você vai? – De jeito nenhum! Eu adoro a ideia de sua família ser proprietária do mesmo terreno há anos. – Ele desejava que a mãe e Jack tivessem demonstrado mais entusiasmo com a presença de Morgan. – Obrigada! E obrigada a você também. – Então sua família acha que vou fazer a mesma coisa. Ela tem um grande respeito pela herança da família Chance. – Então… O quão ruim foi a abordagem dos corretores de imóveis querendo a sua casa? Ele soltou um suspiro.

Gabe acreditava que seu pai teria querido que ele continuasse a competir. e nunca tinha se imaginado como chefe de família. Nick havia encontrado uma mulher legal. porém. Gabe permaneceria na cidade. Gabe não estava pensando nisso para si. Então manda ver. talvez depois que Top Drawer entrasse no Hall da Fama. Ele gostava demais de competir. nem que roubasse de Top Drawer sua chance de brilhar. maninho. Gabe também não deixara de notar o ajuste da calça jeans dela. caso tivesse tal oportunidade. ele pudesse se aposentar dos circuitos. mas por enquanto ele ainda amava o desafio. uma com quem. – Nick incitou seu cavalo a prosseguir e voltou a ficar na dianteira de ambos. Eles iam encontrar uma solução. – Ótimo. Contanto que Morgan não esperasse sininhos de igreja anunciando o casamento. os dois poderiam se divertir muito. ele ia se casar algum dia. ele estaria mais do que disposto a se aconchegar a Morgan. mas Gabe não ia permitir que seu irmão o privasse permanentemente. Ela parecia gostar dele também. Ele admitia que a achava sexy. . sem dúvida. o pão-duro do Jack o havia afastado das competições temporariamente. Toda vez que ela atirava um punhado de doces. e Morgan também. E aí eles poderiam ter uma diversãozinha de adultos até Gabe conseguir convencer Jack a mandá-lo de volta aos circuitos. Sim. Nesse meio-tempo. Claro. Talvez ele achasse que seus dois irmãos devessem fazer o mesmo. seus seios balançavam. Gabe não tinha certeza do significado de manda ver naquele contexto. Um dia. especialmente com Top Drawer chegando mais perto daquele marco.

Morgan notou um reboque para cavalos imenso. Estacionado do outro lado do campo. onde Jack já havia desmontado e estava organizando a operação de recarga dos animais. principalmente porque Morgan aprendera a respirar mais calmamente. Ela olhou para Gabe. fosse sentir-se mais estabelecida. – E se eles perguntarem o motivo de a gente… – Eu direi a eles que Geronimo precisava de um cavaleiro mais experiente numa situação como um desfile. ela teve de ir junto. e. Jack levou seu grupo até o reboque. – Ótimo. ela se perguntava se teria qualquer responsabilidade por ter deixado outra pessoa montar o cavalo. – Gabe me pediu para trazer Top Drawer – disse ela. Os proprietários haviam concordado em encontrá-la ao final do desfile. ela estava no território do finja-até-convencer. – Tudo bem. . Eles devem estar cientes disso. – Morgan perguntou como seria viver tão segura de si o tempo todo. Até então. Aqueles que estavam a pé dispersaram. Ela manteve-se nesse ritmo enquanto cavalgava Top Drawer até o reboque. Eles achavam que ela ia tentar convencê-los a vender seu amado rancho. embora tivesse aprendido a se impor. consideravelmente menos elegante. quando criasse uma situação sólida aqui em Shoshone. – Como vamos fazer isso? – Simples. como Morgan estava no cavalo de Gabe. Ela nunca sentira-se assim. Talvez. um terreno havia sido designado como ponto de encontro para os participantes. Obrigada. No outro extremo da cidade. Ele olhou para cima quando ela se aproximou. Pelo menos agora entendia por que Sarah e Jack não tinham sido tão calorosos como esperado. Sua camisa rebelde havia se comportado até então. pertencente ao estábulo do qual ela havia alugado Geronimo. com U e o C característicos gravados na carroceria. Ela se dirigiu até o reboque do rancho Última Chance. Capítulo 3 JOGAR BALAS para as crianças ao final do percurso do desfile levantou consideravelmente o astral de Morgan. Então ela viu mais um reboque. Obrigado. Tardiamente. – O tom de Jack foi formal. Eu subo no seu cavalo e você sobe no meu.

E. Morgan preparou-se para desmontar. mas agora ela precisava descer uma longa distância até o chão. – Talvez. – Espero que isso seja verdade. mas não tenho planos nesse sentido. – Tudo bem. quando digo nenhum pedaço. eu… – Não. Com os dedos ainda nos botões de pressão. A expressão dele não se abrandou. – Só para você saber. Jack olhou para o outro lado do campo. – Shoshone é uma cidade pequena e praticamente todo mundo sabe que Gabe prefere um determinado… atributo físico em uma mulher. Jack se aproximou e segurou seu cotovelo. Morgan olhou para cima. e por respeitar tudo que o legado dos Chance representa nesta cidade não vou dizer exatamente o que penso das suas insinuações grosseiras. Ela fez o possível. Por favor. ela desviaria do caminho e passaria em casa – a uma quadra da rua principal – e trocaria a maldita camisa. Ela não estava disposta a aguentar aquilo durante o restante do dia. então logicamente o rancho pareceria uma boa oportunidade. você é quem vai escutar. avise a ele o quanto foi importante para mim. e eu sou muito grata a ele. – A voz dela tremia de raiva. sua blusa se abriu novamente. o que ajudara muito durante a cavalgada. me refiro até a área plantada mais próxima da estrada. chamas de fúria dançaram pelo seu corpo. Enrolando a alça da bolsa no ombro. – Eu odiaria pensar que você estava usando a fraqueza de Gabe em seu favor. claro. – Eu só estou preocupado com… – Bem. onde Gabe estava conversando com os proprietários do estábulo de equitação. – Vou só desmontar e ele é todo seu. A fúria entrou em erupção. – Só para você saber. mas eu não tenho nada a ver com isso. Assim que retornasse à cidade. – O olhar sombrio de Jack estava ilegível quando ele se virou para ajudar sua mãe a descer do cavalo. – Gabe me fez um favor para que eu pudesse participar do desfile. Nossa. – Eu não tenho planos para o seu rancho – disse ela. – Estamos falando sobre meus seios. nenhum pedaço do Última Chance está à venda. – Entendo que vocês foram perturbados por corretores ávidos em ganhar um dinheirinho. sr. – Escute. como aquele cavalo era alto! Gabe tinha encurtado os estribos para ela. Mas vender propriedades é o seu trabalho. – Ah? – Quando Morgan pôs a mão na frente da blusa. – Perdão? – A combinação do temperamento irlandês e do fogo italiano começava a criar uma sensação de queimação nas entranhas de Morgan. ficar íntima de um dos rapazes da família Chance não vai fazer qualquer diferença. Chance? Jack teve a decência de corar. não se preocupe por nem mais um segundo! Sei que este é um momento difícil para sua família. . Enquanto ela tentava reabotoar a camisa rapidamente. mas.

Meus seios e eu não queremos causar nenhum tipo de desconforto para você ou sua família. ele não a conhecia tão bem. – Sim. – O que mais que você disse a ela? Jack soltou um suspiro. não me pediu para encontrá-la em algum lugar na cidade? – Não. . mas mesmo assim foi uma saída excelente. e aparentemente todo mundo já tinha saído dali. – Hum. Sair sem dizer uma palavra não parecia do feitio dela. ela sabe disso e não está interessada. mas era difícil imaginá-la tendo uma atitude tão mal-educada. Gabe sentia isso. Ela não me parece do tipo que deixa recado e vai embora. e logo depois eles assariam salsicha na fogueira. mas agora finalmente ele estava voltando ao reboque do Última Chance para encontrar Morgan. e ele descobrira com surpresa que estava ansioso pelos acontecimentos do dia. – Talvez ela tenha deixado o número do celular. Ele não tinha lhe pedido especificamente para aguardá-lo. Emprestei meu cavalo a ela. Depois aconteceria a corrida de sacos. muito embora Jack fosse muito bom em esconder suas emoções. – Jack fechou o reboque e se virou para Gabe. bem. Jack estava colocando seu cavalo no reboque. Gabe não via Morgan em lugar nenhum. – Não foi a decisão mais sábia que você já tomou. Jack. Caminhando para a traseira do reboque. – Só isso? – Basicamente. como se a conversa tivesse tomado um rumo para o qual ele não se preparara. Morgan tinha muito a ver com isso. – Então ela não mencionou onde estaria depois. – Ah. – Você disse alguma coisa para ela. não é? – Eu falei para ela que não vamos vender nem um pedacinho do Última Chance se é isso que você quer dizer. A CONVERSA com o cowboy do estábulo demorou mais do que Gabe tinha previsto. pois ainda não tinha conseguido prender os botões. O concurso de comedor mais veloz de melancia estava programado para dali a meia hora e ele tinha a sensação de que ela gostaria de participar. Morgan precisou segurar as beiradas da camisa. Tinha alguma coisa acontecendo. – Droga. Gabe perguntou a Jack se ele tinha visto Morgan. isso não está me cheirando bem. o prazer de dar meia-volta e caminhar para longe. Gabe entrou em alerta. – Sim. – Gabe não acreditava nem por um minuto que a conversa se resumia àquilo. você mesma pode dizer quando ele retornar. Gabe queria passar o dia com ela e vislumbrar Shoshone através do olhar dela. Claro. caso as atividades seguissem o cronograma tradicional. – E ela agradeceu pelo que você fez por ela. – Receio que não. Jack ficou um pouco desorientado. portanto estamos indo embora. A empolgação dela era contagiante. – Não. mas imaginara que ela fosse fazê-lo. Gabe ainda era um adolescente quando participara das comemorações de independência em Shoshone pela última vez.

não é? Jack deu de ombros. – Você a acusou de ter segundas intenções. – Eu só sugeri que… – Seu filho da mãe. segundo. tal como faziam desde que Gabe se entendia por gente. Gabe tinha esperanças de encontrar Morgan por lá. Ele tinha melancias e cachorros-quentes para comer. Você realmente acredita que ela não está atrás de uma parte nesse negócio? – Não existe negócio nenhum! – De repente ela acha que ficar na horizontal com você pode mudar isso. – Você está chamando Morgan de mentirosa? – Gabe olhou para seu irmão com descrença. – A loja mandou o modelo do tamanho errado. e só não dou por dois motivos. se conseguisse reparar o dano que seu irmão havia feito. Primeiro. Eu lhe daria um soco no nariz. e todas as lojas ostentavam uma bandeira nacional. Tradicionalmente. e Gabe precisava que seu rosto estivesse funcionando direitinho hoje. mas não ia pedir a Jack para levá-lo à cidade durante seu trajeto de volta para o rancho. A banda que tocava no Espíritos e Esporas estava montada sobre um coreto improvisado perto da área do concurso e algumas pessoas estavam dançando no asfalto. Gabe procurava por Morgan. eu preciso encontrar Morgan. – O que lhe dá o direito de fazer esse tipo de juízo sobre uma pessoa que você nem sequer conhece? – Bom senso! O Última Chance é uma mina de ouro imobiliária. afinal. brancas e azuis enfeitavam janelas e portas ao longo de toda a rua. ele poderia ter até mesmo uns beijos para dar. Havia dez cadeiras dobráveis enfileiradas de um lado. Bandeirolas de papel crepom vermelhas. Aparentemente eles ainda estavam patrocinando o concurso. por isso tudo acontecia ao longo da rua principal. onde Madge e Edgar Perkins estavam distribuindo babadores de plástico com o slogan do estabelecimento. Gabe não era um grande fã de caminhar. Gabe apontou o dedo para Jack. Mas daí ele a viu perto do restaurante Shoshone Diner. mas isso poderia trazer mais problemas do que soluções. deu para notar que ela é exatamente o tipo de mulher que você gosta. – Olha. fechavam um quarteirão inteiro para as comemorações do Dia da Independência. não quero que a mãe saiba que nós dois tivemos uma briga. mas… – Porque ela tem seios fartos. Ao aproximar-se da área isolada. Shoshone não tinha uma praça como algumas cidades do interior. E não me diga que ela não está a fim de capitalizar em cima disso. Seria ótimo socar a cara de Jack. Tudo que você precisa fazer é olhar para a camisa dela. Ele teria encontrado aquele cabelo ruivo facilmente. Agora lhe restava esperar que seus instintos estivessem certos e que Morgan fosse comparecer. ele avistou uma multidão reunida perto de uma longa mesa coberta com papel. mas uma rápida olhadela na aglomeração lhe informara que ela não estava nas imediações. Ele nunca . – Bem. aí talvez fosse o caso de Gabe voltar para o rancho para quebrar a cara do irmão. Crianças com pistolas de água perseguiam umas às outras em meio à multidão. Felizmente ele estava a menos de um quilômetro do centro. – É o que ela diz. Jack provavelmente revidaria. Mais tarde. – Gabe se virou e saiu antes de explodir de raiva. Gabe sabia que tinha encontrado o local do concurso de comer melancia. E ela trabalha no mercado de imóveis. sim. Se Jack tivesse estragado o dia dela.

– Gabe. Ou que a boca estaria tão próxima e convidativa. Morgan olhou para cima de súbito e o sorriso desapareceu assim que ela olhou para Gabe. – Todo mundo está muito sério hoje em dia. Gabe! – cumprimentou Madge. – Seu cavalo era muito teimoso – comentou Gabe. Ela se permitiu ser guiada em direção à mesa. – Ele não contava que mãos dela seriam tão quentes e macias. Ele apostaria um bom dinheiro que ela estava tão sexualmente consciente dele como ele estava dela. sim. Sim. – Olá. – O problema é exatamente este – rebateu Madge. Talvez ela tivesse resolvido trocar de roupa por causa dos botões que não paravam de abrir. É bom ser um pouco bobo de vez em quando. – Gabe foi legal e trocou de cavalo comigo. – Pode apostar que vou pegar um babador. e eu não sou muito boa cavalgando. – Sim. – Sim. – Venha pegar um babador. – Madge os enxotou para a mesa como se ambos tivessem 5 anos. O dele era mais bem treinado do que o meu. – As pupilas de Morgan se dilataram do mesmo modo que fizeram quando Gabe perseguira Geronimo. as bochechas de Morgan estavam coradas e a respiração.tinha prestado muita atenção a esse tipo de estabilidade reconfortante. – Sim. – Sério. – Vocês dois podem papear mais tarde – interrompeu Edgar. – Ei. O corpo dela ficou tenso. – Gabe aceitou o pedaço de plástico e amarrou as extremidades em volta do pescoço. – É hora de comer melancia! – Ele ergueu um sino de escola antigo e começou a tocá-lo. – Por acaso você falou com Jack? – Falei. ofegante. depois de conversar com Morgan. Gabe percebeu que ela estava usando uma camiseta larga em vez da camisa de cetim. você toma o assento ao lado. – Vão. – Morgan virou-se para ela. Ajustando a aba de seu chapéu cinza. Quando Morgan amarrou seu babador. Seu irmão mais velho tinha muito a explicar. Gabe. Tivemos uma… conversa. – Quer saber? Acho que não vou fazer isso. – A expressão dela estava cuidadosamente contida. Gabe segurou as mãos dela. Morgan. sra. – Oi. Jack iria pagar por isso. não é uma boa ideia. Morgan estava rindo de algo que Edgar tinha dito e obviamente ainda não havia notado a presença dele. Gabe foi até o restaurante. afinal. E. Gabe não achava que tivesse algo a ver com medo desta vez. mas. aprendera a desenvolver um novo apreço pela coisa toda. Perkins. bem… – Ela engoliu em seco. bem como a mandíbula. Sente-se ali. vocês dois não estavam desfilando juntos agora há pouco? – quis saber Madge. Gabe. . – Concurso para escolher o comedor de melancia mais veloz! Última chance de entrar! Morgan fez menção de desamarrar os laços em torno do pescoço. Morgan. Você sempre foi muito bom nisso. mas se atrapalhou com a amarração do babador enquanto prosseguia. vocês dois. – Não se atreva a se acovardar diante de mim. Imagino que você também tenha conversado com ele. Ela olhou para ele. Morgan O’Connelli. mas ele também acreditava que os comentários de Jack pudessem ter algo a ver com isso. como mais uma prova disso. eu estou me retirando da competição. – Ei. e Gabe foi obrigado a soltar as mãos de Morgan.

e isso era bom. Nick é o irmão sorrateiro. ei. – Você está frito. guerra é guerra. Gabe acomodou-se e olhou para Morgan. onde um diamante brilhou sob a luz solar. – Tudo bem. Gabe sorriu. Gabe se inclinou para ele. – Isso explica estes pneuzinhos aqui! – Gabe nunca tinha ficado tão feliz em ver Nick. – Um homem deve fazer o que deve ser feito. – Então. Nick é um cara de sorte. quando Gabe estava no colegial. – Mirando sua câmera para os dois homens. ele participou de quatro provas desse tipo e venceu três. Gabe gostou de vê-la relaxando. – Porque em um dos anos eu o superei. – Ela balançou o dedo anelar da mão esquerda. – Não dê ouvidos a ele. mas estava ocupado demais cuidando do cavalo Appaloosa. – Gabe cumprimentou seu irmão. Emmett e Mary Lou também. Eu andei treinando. ei! – Gabe levantou-se e contornou a mesa. e as pessoas à mesa e nos arredores começaram a se aproximar para lhe dar os parabéns. – Vovô Archie costumava dizer que os homens da família Chance têm sorte quando é preciso. passei muito tempo esperando por isto. Encontrei isto colado à tampa da minha lente uma hora atrás. Morgan juntou-se a todos com naturalidade. Nenhum tipo de tensão por causa do noivado. – Vou registrar isso. E o melhor de tudo: ele não detectou qualquer inveja ou melancolia da parte dela. – Mas eu preciso avisar. do outro lado da mesa. Nick se juntou a eles. Você também teria ficado sabendo. – Acho que você é minoria aqui. Gabe ficou observando Morgan para ter certeza de que ela não aproveitaria a interrupção para escapulir. – Nick inclinou-se por cima de Gabe para falar com Morgan. Talvez a recepção animada de Nick para com Morgan fosse capaz de apagar a má impressão deixada por Jack. Isso é difamação. devo avisar que. dando de ombros. e colocou um braço ao redor dos ombros da noiva. de volta à sua personalidade otimista de sempre. – Bem-vinda à família. Nick. Dominique agachou-se em frente à mesa e fotografou. – Morgan encontrou o olhar dele e um lampejo de seu bom humor habitual retornou. – Cuidado com meu irmãozinho aqui. Ele trapaceia. – Mandou bem. – Isso tudo é muito emocionante. – Eu não! – Gabe olhou para Morgan e ficou satisfeito ao ver um sorriso de volta ao rosto dela. e quando se trata de concursos para comer melancia. . Madge pousou as mãos no ombro de cada um deles. como se tivesse morado em Shoshone durante anos. Gabe a abraçou. Ela provavelmente queria manter o foco em sua carreira. Assim que Nick sentou-se. – A mamãe já está sabendo? – Sim. – Nick é muito sorrateiro. mas estamos atrasados na nossa programação. – Podemos atrasar o concurso um pouco? Meu irmão Nick acabou de ter o bom senso de pedir Dominique em casamento. – Ei. Finalmente Edgar Perkins tocou o sino novamente. camarada. pura e simples. – E eu tive o bom senso de aceitar – respondeu Dominique. no entanto ela retornou correndo de volta à cadeira ao lado dele. e Jack. eu como para vencer. Preciso que os competidores se acomodem para que possamos trazer as melancias. – Morgan. – Nick deu um tapinha nas costas de Gabe e sentou-se ao lado dele.

A empolgação brilhou nos olhos azul-esverdeados de Morgan. Gabe Chance. – Pretendo devorar meu caminho para a vitória. O processo foi repetido até que todos os dez participantes tivessem seu pedaço. Mamãe estava meio sensível hoje. Aquele dia tinha tudo para ser muito interessante. – Isso nós vamos ver. e provavelmente a noite seria mais interessante ainda. Gabe sentiu um aperto por dentro. sem aquela gritaria louca. e isso a fez chorar novamente. ela amarrou os fios num rabo de cavalo. – A gente vai conversar – disse Nick. Agora aquela era a Morgan que ele gostava de ver: toda animadinha e ousada. fatiada longitudinalmente. . – Tirando um prendedor de cabelo do bolso. – Deve ter sido um anúncio bastante tranquilo. senhoras e senhores. Ele pensou na mãe italiana dela outra vez. Você sabe como Jack fica quando ela chora. Eu não ouvi qualquer comoção por lá. afinal. agora não. – Espero que vocês saibam que vão perder. Cada prato continha um quarto de uma melancia. – Gabe colocou o chapéu sob a cadeira antes de olhar com bravata para Nick e Morgan. – Foi um anúncio silenciosamente emocionante. – Por falar em Jack. eu… – Aqui estão suas fatias de melancia. – Mas não agora. – Edgar chegou com dois pratos e Madge apareceu logo atrás com mais dois. – Não.

Era um país de livre – e. Podem puxá-lo para mais perto. apontar. já! Morgan mergulhou na melancia. Contanto que pudesse participar. Não que comer melancia fosse exatamente um esporte. uma semana atrás. então por que se preocupar com ele? Isso só serviria para lhe causar desgosto. A mãe de Gabe e seu irmão mais velho não estavam por perto. Sem dúvida ele escolheria agradar à própria família em vez de agradá-la. afinal. Além disso. Capítulo 4 QUANDO MORGAN tinha ficado sabendo sobre o concurso de comedor de melancia mais veloz. mas ela ia aceitar o que tinha em mãos. a vida errante praticamente garantira a Morgan uma total incapacidade de praticar esportes frequentemente. e sua intenção era se divertir. Depois de seu desentendimento com Jack. . eles estavam comemorando exatamente o aniversário da independência da pátria. então Morgan concluíra que também não gostava deles. – Preparar. embora não esperasse ser capaz de superar os irmãos Chance. ela resolvera se inscrever. A família dele não gostava dela. – Ao meu sinal – disse Edgar. Ah. ela se dirigira à cidade pronta para mostrar a todos que sabia como se divertir. – Eis as regras: vocês não podem segurar o prato. Ela engoliu uma boa cota de sementes no processo. mas não segurá-lo. Qualquer um que for pego segurando o prato será desclassificado. e isso tinha de incluir Gabe. Vamos começar ao meu sinal. se ele quisesse compartilhar esse dia com ela. Ela sempre fora uma grande fã de competições. ela pretendia acabar com todos à mesa. Só que Madge Perkins não facilitara sua tentativa de se esquivar. Ela havia trocado de camisa porque estava sendo um pé no saco ter de se preocupar os botões abrindo o tempo todo. Então Gabe surgira e toda a bravata dela desaparecera. Ela comia sem parar. mas seus pais nunca foram muito a favor de tal comportamento. O sangue de Morgan subiu. assim como em qualquer outra atividade da comemoração. ela não iria afastá-lo. engolindo pedaços inteiros e mordendo nacos gigantescos da fruta doce. e agora Morgan estava comprometida com o concurso e com um dia de diversão. dane-se. Ela já tinha ouvido em algum lugar que uma mulher deveria ter cuidado com o ego masculino e nunca vencer um homem em competições. Edgar Perkins levantou a mão. incluindo o lindo Gabe Chance. por isso.

puxou-a e a beijou. tinham uma torcida. – Não brinca – disse Nick. campeã. Colocou a mão atrás da cabeça de Morgan. Eu não acho que já tenha visto um perdedor tão bom. e flagrou Gabe na mesma condição. . Ela comeu mais rápido e percebeu Edgar se aproximando. se estavam gritando o nome dela. – Ainda bem que eu não venci. quando ela enterrou o rosto no fundo da polpa fresca. Ela não prestou atenção a Gabe. Dominique se aproximou. que mastigava sua melancia ao lado dela. – Ele não parecia chateado. O sumo de melancia era perfeito para uma sessão sensual de beijos. com meleca de melancia e tudo. ela ouvia as pessoas berrando seu nome. o queixo pingando com sumo. olhando atentamente para ela e para Gabe. No começo. – Acostume-se a isso – disse Nick. Tinha vencido. incluindo Gabe. – Parabéns. ela teve vontade de puxar Gabe para debaixo da mesa e prolongar o beijo por muito tempo. Concentração era o nome do jogo. – Pode ser que a gente queira tentar isso de novo outra hora – murmurou ele. Mas Morgan não conhecia muita gente ali. Gabe. E ele estava sorrindo para ela. Assobios e barulhos de pés caminhando a faziam perceber vagamente que tal comportamento não era particularmente apropriado para aquele local. – Bem. – Então também estou. um vale-presente para dois almoços no Shoshone Diner. até sua bochechas ficaram meladas e cor-de-rosa. Edgar se aproximou com o prêmio. mesmo em meio à sua concentração intensa. Então ele fez a coisa mais incrível. Acho que eu não ia gostar nada de jogar hóquei de amígdalas com meu irmão. Esqueceu-se do próprio nome. Mas. por isso. E. Gabe a estava beijando? Em público? Quando ambos estavam totalmente melados com suco de melancia? Em seguida. Felizmente. é claro. você com certeza é um bom perdedor. Não se surpreenda se isso terminar em uma galeria em Jackson. Ela ergueu as pálpebras pesadas e o encarou. – Dominique fotografa tudo. Morgan descobriu a mão de Edgar pairando sobre sua cabeça. Um urro subiu da multidão. Morgan se esqueceu de onde eles estavam. mas não estava dando a mínima para isso. Esqueceu-se de respirar. Mesmo assim. – Quer ver as fotos? – Você tirou fotos? – Morgan não sabia se queria mesmo ver aquilo. Uma risada baixinha e cheia de intenções deu a entender que ele também havia ficado um pouco surpreso com a intensidade da coisa toda. Parecia até mesmo feliz porque ela havia vencido. ela começou a registrar o calor do beijo. E ela também. isso só podia significar que ela estava na frente. – Estou dentro. ele recuou antes que ela pudesse fazer algo realmente constrangedor. Dominique estava torcendo para Nick. Havia sumo de melancia em sua boca e queixo. Ela estava na parte branca da casca. Olhando para cima. Morgan ficou chocada demais para reagir. Ele estava usando a língua. quando ele berrou “Temos um vencedor!”. Todos os outros concorrentes. Morgan virou-se. Mas eu prometo que ela vai pedir autorização antes de publicar. – Você conseguiu. Talvez ela passasse mal depois.

venha pegar um saco! – Eu vou – disse Gabe. Lá estava ela. compartilhavam certas verdades que só poderiam vir da aglutinação de um passado em comum. Avaliou Gabe para certificar-se de que ele não estava zombando dela. você vai? Ela sorriu para ele. Ainda bem que ele também a estava beijando com o mesmo vigor. maninho? – Com certeza. – Basta dizer. Ela e seus irmãos e irmãs. – Eu quero uma cópia – disse Gabe. Ela não conseguia se lembrar de qualquer sujeito dizendo-lhe algo tão doce. tão exposta. porque eu adorei. Mas espero que você não me peça para apagar. – Ficarei feliz em providenciar cópias para cada um de vocês – disse Dominique. para que se limpassem. Gabe pareceu estar fazendo mais do que uma observação casual. – Ele sorriu para ela. Pelo olhar entre Nick e Gabe. Morgan reconheceu o tipo de comunicação tácita que acontecia entre irmãos. – Não se preocupe – disse Dominique. Um coro de Ownnnn subiu da multidão. – Assim que eu gosto. – Mas o que vocês achariam se eu expusesse numa galeria? Gabe deu de ombros. bem-vindos ao clube! – Corrida de saco em 15 minutos! – gritou alguém. você não acha. – Você não conseguiria me impedir. antes de qualquer coisa. – Ela virou a câmera para que Morgan pudesse ver a foto na tela. – Nosso primeiro beijo. – Manter a reputação da família Chance é algo altamente superestimado. – Por mim tudo bem. ela deduzia que os dois tivessem alguns problemas em relação aos acontecimentos daquele passado compartilhado. Gabe não hesitou: – Não é da conta deles. – Mas o que você estaria comemorando? O olhar dele era atento e a voz soou com sinceridade. muito menos um sujeito lindo como Gabe Chance. paixão. – Talvez você devesse verificar com sua família. Morgan sentiu como se alguém tivesse derramado calda quente em seu coração. – Morgan. mas não viu nenhuma evidência de que estivesse. – Pelo seu tom de voz. Ela nunca havia visto uma foto de si beijando ninguém. descoberta. bem como a cada um dos concorrentes. Ali. beijando Gabe com toda intensidade. e eu apago. todos os sete. Nick? Você vem? . Ora. – Eu tinha esperanças de que você dissesse isso. ou ela teria morrido de vergonha. Morgan perguntava-se se ele tinha noção das possíveis consequências daquele gesto. – Quer? – Sim. a foto meio que a deixara… encantada. – Quem for participar. também? Para comemorar sua vitória no concurso de comer melancia? – Talvez. – Nick empurrou a cadeira para trás e aceitou o pano que Madge entregou a ele. irmãozão. da porta da loja de rações de Shoshone. – Você não gostaria de uma. – Ela pensou no assunto. A foto captava exatamente o que ela sentira: espanto. Morgan olhou para ele. Morgan não conseguia desviar o olhar.

Ela descobrira que servir comida e bebidas ao ar livre fazia muito mais sentido do que tentar persuadir as pessoas a entrarem no bar. então era hora de aproveitar. a levar as mesas para o lado de fora. mas. mas queria aproveitar sua liberdade um pouco mais. e Top Drawer também merece esta chance. Gabe poderia ter ficado sem graça por estar sozinho com Nick e Dominique. ainda podia arranjar um pretexto para beijar Morgan. Uma vez que estavam todos acomodados. ele participara das brincadeiras para vencer. mas a corrida de saco estava no papo. você é o que tem mais direito de representar a família competindo. Gabe não conseguia se lembrar da última vez que havia experimentado um dia tão livre de pressões. – Não vamos começar com essa porcaria de meio-irmão outra vez. Ao final da tarde. e dessa forma eles conseguiram formar um time para a competição de carregar o ovo na colher. proprietária do bar Espíritos e Esporas. quando não ganhava nada. mas convencer Jack e Nick era uma batalha complicada. E deveria dar mesmo. Claro. A ideia de ter filhos não a empolgava nem um pouco. Brincadeiras que terminavam com um beijo de Morgan sempre eram boas. Um quarteto era bem melhor. Morgan e Dominique saíram para ajeitar o cabelo e a maquiagem no banheiro do bar. – Ele olhou para cima. ele vai – interveio Dominique. E beijar Morgan era melhor do que vencer todo mundo. Tradicionalmente. – E netos! – disse Dominique. ela havia cuidado de todos os seus irmãos. e Josie não era nada boba. Nick estava descolando o rótulo de sua garrafa de cerveja. – Eu sei que você vai dar um jeito. – De nós três. Morgan ouviu sem nem um pingo de inveja. Nick e Dominique também era legal. os quatro ajudaram Josie. somos todos irmãos. Quando ele cruzou a linha de chegada apenas um pé à frente de Morgan. Como era a mais velha de uma família grande. a comemoração pelo Dia da Independência em Shoshone terminava com um baile na rua. – Já tem um tempinho que ele anda descontrolado. Apesar dos pedidos constantes de Sarah. Aquilo proporcionou a Gabe a primeira oportunidade para conversar a sós com Nick. Bebendo um gole de cerveja. – Fotos que serão usadas contra mim quando tivermos filhos. – Gabe nunca sentira que fosse de outra forma. Exigir que você parasse de competir foi só a façanha mais recente em uma longa linha de esquisitices. Ela recompensara os quatro com garrafas de cerveja e uma mesa privilegiada junto ao trecho da rua onde as pessoas dançariam. Jack nunca aceitara chamá-la de mãe. Nick resmungou. No que diz respeito a mim. – Vou achar um jeito de competir para que Top Drawer possa entrar no Hall da Fama. – Eu o fiz prometer participar de tudo para que eu pudesse tirar fotos. – Sim. – Jack está ficando descontrolado. rindo. Talvez ele não fosse ter outra. ele olhou para Nick. A mãe de Jack havia abandonado o rancho e seu casamento quando Jack era criança. exigiu seu beijo da vitória. Divertir-se com Morgan. e em muitas ocasiões sacrificara as próprias necessidades em prol deles. Se Morgan não tivesse estado lá. era como se ele se sentisse obrigado a fazer a distinção de que era apenas enteado dela. Ela não se importaria em ter um par para se divertir. . GABE NÃO se importara com a derrota no concurso de comer melancia.

no entanto. – Sim. três mães diferentes. ou que Jack ficasse disponível para buscar o cavalo. Nick e Gabe pensavam ser filhos de Sarah. – Acho que não. Jack nunca pareceu ter ciúmes de qualquer um de nós. talvez a relação entre Jack e Morgan não fosse importante. para começo de conversa. – Você conhece os cowboys. Três filhos. meu Deus. e por isso esteja tentando acabar com tudo? Nick balançou a cabeça. afinal. não era a mesma coisa. Ele explodia de orgulho por você ter se tornado veterinário de animais de grande porte. Você sabe muito bem que ele não tinha favoritos. quando as mulheres retornaram à mesa e tomaram seus assentos. Minha formação não é nada emocionante. Mais importante: ele não enxergava um vestido de renda branca e promessas. bem. Isso fazia de Gabe o único filho natural de Jonathan e Sarah. – E tão estúpida! O capotamento do carro foi culpa de papai. Gabe suspirou. querendo preservar o rancho exatamente como papai o deixou. Isso. Gabe gostou daquela característica dela. sendo assim. – Ah. – Que cavalo? – perguntou Morgan. Gabe não sabia ao certo aonde essa nova amizade com Morgan ia dar. – Não é nada – disse Gabe. Jack era o mais teimoso nesse caso. Ele devia ter esperado que o tempo melhorasse. ele fora resultado de um casinho breve que seu pai havia tido antes de conhecer Sarah. mas. toda vez que olhava para ela. Morgan não insistiu. e toda a comunidade ajudara a guardar tal segredo. Que grande dia tinha sido aquele. Ele não havia tido tempo de contar a Nick sobre o tratamento que Jack dispensara a Morgan. e ainda por cima recebe prêmios em dinheiro. muito embora Jack costumasse se comportar como um babaca nesse sentido. e os mosquitos não se mostravam um grande problema. – Existe alguma chance de Jack estar com ciúmes da forma como papai se sentia em relação às minhas competições. Ele sentia uma emoção sem igual por você ter conseguido chegar lá. Ela demonstrava interesse nas coisas sem ser intrometida. mas Nick tinha seus momentos. Acho que ele sempre estimou sua posição de primogênito. Depois que a mãe de Nick morreu. é empolgante. – Foi por isso que ele o incentivou a entrar nas competições de apartação. a culpa é uma coisa poderosa. . mas talvez isso devesse ficar entre ele e Jack. provavelmente hambúrgueres. Nesse meio tempo. Mas Nick e Jack não eram tão dedicados ao conceito. Mas. Não fazia diferença para Gabe. sim. eles beberiam cerveja e comeriam os quitutes de Josie. quando ainda era um bebê. No caso. ele está se transformando num babaca! Só sabe pensar no orçamento das coisas. Ele está levando sua responsabilidade muito a sério. Era a imagem de uma noite perfeita. – Papai sentia algo especial por você – disse Nick. Você ganha faixas e troféus. ele pensava em emaranhá-la em alguns lençóis amarrotados. Como agora. mas apenas recentemente Nick tinha encontrado um documento provando que Sarah também não era sua mãe biológica. Na verdade. ele fora enviado ao rancho. Sempre falando de cavalos. Gabe estava ansioso para dançar com Morgan e arranjar um pretexto para abraçá-la. Gabe ficou pensando enquanto bebia mais um gole de sua cerveja. A noite estava chegando. – Ele sentia algo especial por todos nós. ele estava decidido a se agarrar a um senso de unidade. leve e fresca. Seu pai e Sarah nunca contaram a verdade.

e eu era muito jovem quando ele morreu. Gabe riu. Isso é uma jogada de marketing de Josie. definitivamente – disse Nick. – Eu estava preparada para ver alguns… qual foi o termo que você usou. – Bem. – Dominique acabou de me contar sobre os fantasmas que supostamente vivem no bar. – Nosso tio-avô. mas. – Lembro-me de papai dizendo que Archie bebia uísque puro. afinal? – Josie sabe ao certo – disse Nick. Quantos anos tem este lugar. Mesmo assim. – Como na música Ghost Riders in the Sky. – Acho que sim – disse Gabe. – Será que ele teria pedido uísque neste bar? – Morgan apontou para a porta. e ela faz uso dela até o limite. eu ainda quero ajudar a guardar tudo hoje à noite. – Aposto que vovô Archie não era um fã de ideia rígidas no que dizia respeito ao rancho. – Isso. Uma pena que vovô não viveu para ver isso acontecer… Morgan olhou para os dois. pelo que eu soube. que fala de cavaleiros fantasmas no céu. tendo até mesmo trocado o nome do bar para Espíritos e Esporas. – Querem saber? – Os olhos de Morgan brilharam de empolgação. Archie não gostava de fazer compras. Isso pode ser invenção de Josie… ou não. – Morgan sorriu. mas eles vêm visitar o Última Chance de vez em quando. Ele já estava aqui quando vovô Archie e vovó Nelsie se mudaram para Shoshone. Devo admitir que é um sucesso. – Morgan pareceu decepcionada. pelo menos. para que eu possa ver se algum deles vai aparecer hoje à noite. – Lembro-me de Jack contando isso também. Nick levantou a garrafa de cerveja num gesto de concordância. – Não em excesso. – Mas é algo em torno de 75 ou 80 anos. – Deve ser legal morar no mesmo lugar onde seus avós se estabeleceram. Ela era uma mulher inteligente. irmão da vovó Nelsie. Dominique? – Nick disse que eles eram chamados de bebedores fantasmas no bar. – Ah. embora. – E a família Chance ficou toda aqui – disse Morgan. ele gostava de uma dose de uísque de vez em quando. Tenho certeza de que papai me disse que a mudança de criação de gado para criação de cavalos tinha sido ideia de Archie. então vinha para cá para se revigorar. é mesmo – disse Gabe –. – Jack já nos contou que Archie ia para o Espora Enferrujada enquanto Nelsie saía para fazer compras. – Por que você está perguntando isso? Morgan pareceu satisfeita consigo. O Dia da Independência me parece uma ocasião bem nobre para isso. – Ele estava pensando em Jack e se perguntava se Morgan se daria conta disso. mas depois eles se mudaram para o Arizona. Quero ajudar a carregar os móveis de volta quando Josie estiver fechando. Seth. – Não existe fantasma nenhum. . Com certeza vovô vinha aqui para uma bebida quando seu cunhado passou a ser sócio do bar. – Ele olhou para Morgan. Seus filhos e netos ainda estão lá. casou-se com a antiga proprietária do bar – acrescentou Gabe –. na época. a menos que você fique tão preso ao passado e à tradição que não consiga seguir em frente. – Você está certo – disse Nick. seu nome fosse Espora Enferrujada. – Sim. – Seu avô Archie gostava de beber? Gabe assentiu.

Ficar com ela em uma taverna escura não era uma ideia nem um pouco ruim. então vocês dois poderiam ir lá esta noite e pedir a opinião dele sobre o futuro do rancho. A noite estava em aberto. . maninho. ele esperava que eles não ficassem mesmo. – Porque. – Fantasmas não existem – disse ele. – Mas eu vou lhe dar carona para casa. Não é longe. – Não se preocupe com isso – disse Morgan imediatamente. Já havia imaginado o quanto a taverna ficaria aconchegante só com ele e Morgan lá dentro. e de jeito nenhum ia querer passar a noite em um bar deserto com seu irmão. e Josie não está inventando a história dos fantasmas. – Estamos planejando ir embora às 22 horas. – Isso seria ótimo. o que deixava espaço para todo tipo de desenrolar interessante. se Morgan topasse participar. – Gabe estava adorando a maneira como tudo aquilo se moldava. se ele gostava de beber. Gabe não acreditava em fantasmas. – Mas. – Só tem um problema neste plano. – Vocês dois não precisam ficar – disse Gabe. – Posso levar Gabe de volta para o rancho mais tarde. Na verdade. eu topo. ele estaria mais do que pronto a participar também. se você quiser conferir. – Nick olhou para Dominique. Mas. Aposto que Josie nos daria a chave e deixaria que a gente trancasse o bar depois. e de jeito nenhum Josie vai querer fechar tão cedo.

Não acho que ela espere que a gente crie uma mentira só para ganhar bebidas. mas sabia acompanhar a maré quando necessário. uma loira alta que usava o cabelo preso numa trança que escorria pelas costas. ela e Gabe estavam sentados na penumbra. Ela só achava que as pessoas deveriam estar abertas a novas experiências. . naquele momento ela sentia-se capaz de levitar. o ambiente vibrava com a energia. E. – Ela o conhece. Bem. Morgan podia até preferir uma existência mais planejada do que aquela na qual havia crescido. cinco horas depois de ter proposto o plano. Tirando sua conversa com Jack. Ela precisou se beliscar para ter certeza de que não estava sonhando. Também lhes prometera bebidas grátis na noite seguinte. caso eles vissem ou ouvissem fantasmas e estivessem dispostos a testemunhar o fato. iluminados apenas pelo neon de um letreiro solitário de uma marca de cerveja. falando em ocorrências paranormais. Ela lhes dera a chave para que trancassem o bar quando fossem embora e lhes mostrara a caixa de correio onde poderiam deixá-la depois. Ou desejável. Josie. a menos que os fantasmas bebedores aparecessem. Morgan não acreditava nem desacreditava. Gabe e Nick o providenciaram convenientemente. Eles tinham como companhia apenas a presença um do outro. além de um engradado com seis cervejas. – Eu disse que não havia fantasmas. e agora sua paixãozinha do colégio estava ao seu lado no escuro. No minuto em que Dominique contara sobre a possibilidade de haver fantasmas no bar. o dia tinha sido perfeito. O cômodo cheirava a fumaça de cigarro e cerveja. – Josie inventou o boato para fins publicitários. Morgan quisera logo achar um pretexto para verificar a história. algo que Morgan geralmente não associava a fantasias sexuais. – Morgan bebericou da cerveja forte e colocou a lata em cima da mesa. – Eu discordo. só porque Gabe estava lá. tinha achado a coisa toda divertida. E agora. Mesmo sem uma presença fantasmagórica. E no entanto… havia algo ilícito e sutilmente romântico no ato de estar a sós naquele bar fechado com um homem tão poderoso como Gabe Chance. – Gabe abriu uma cerveja para cada um e as colocou sobre a mesa. como era o caso das travessuras com os fantasmas. Capítulo 5 UMA VIDA errante de fato ensinava uma garota a ser espontânea. e está começando a me conhecer. Ela espera que a gente alegue que viu os fantasmas só para ganhar bebida. embora ambos tivessem alegado não acreditar em fantasmas.

– Isso também não faz sentido. Homens da família Chance não mentem sobre coisas como fantasmas para obter ganhos pessoais ou entreter seus amigos. mas experimentar tal confiança em primeira mão a empolgava. – Você não é nobre? – A cadeira dela estava bem ao lado da dele e ambos estavam posicionados de forma que ficaram de frente para o pequeno palco onde a banda country normalmente tocava. – Isso faz me lembrar de situações como estar sentando na última fila do cinema ou em um carro estacionado. Eu estou tentando prosperar com minha imobiliária e você é da família Chance. – Você está certo. Gabe roçou os lábios nos dela. Ela podia até ter previsto que ele seria confiante. tentava respirar normalmente. Nossa. O coração de Morgan disparou. Ele podia até ter sido o homem de seus sonhos durante anos. Por algum motivo Morgan achou que os fantasmas escolheriam surgir no palco. – Então talvez ela pense que não conseguiremos resistir a criar uma boa história só pelo entretenimento mesmo. eles teriam de se entreter sozinhos. Gabe tirou o chapéu e o colocou sobre a mesa antes de deslizar um braço em volta dos ombros de Morgan. caso eles aparecessem mesmo. – Não se eu estiver fazendo a coisa certa. – Morgan tentava manter-se tranquila. A risada baixinha de Gabe estimulou as terminações nervosas de Morgan. Embora já tivesse beijado Gabe várias vezes naquele dia. pelo amor de Deus. – Recusando-se a se preocupar se ele iria considerar sua abordagem muito agressiva. Vocês são mais honrados do que isso. mas isso era segredo. quando poderíamos estar fazendo algo mais… satisfatório. mas era uma batalha perdida. Eu tinha uma motivação oculta para concordar com esta caça aos fantasmas. – Acho que você tem uma ideia exagerada sobre a nobreza dos homens da família Chance. Todo seu interesse no paranormal desapareceu. Agora eles não tinha nenhum impedimento. – Não podemos fazer tudo ao mesmo tempo? Ficar atentos aos fantasmas enquanto exploramos outras opções? Puxando-a. – E se eu dissesse que pensei a mesma coisa? Os dedos dele começaram a desenhar círculos no braço dela. Morgan deixou sua cadeira e se arrastou para o colo de Gabe. Essa era a resposta de um sujeito autoconfiante. Se os fantasmas surgissem. Gabe Chance estava prestes a beijá-la. e isso era prioridade em relação a todo o restante. fato que funcionara como um freio. – Ficar a sós com você num lugar escurinho. Ela olhou para ele e permitiu-se flertar um pouco. Ela estava adorando saber que ele a desejava. A boca dele pairou pertinho da dela. . – Então eu tenho que perguntar por que estamos aqui sentados aguardando por fantasmas. – Nem tão nobre assim. em todas as vezes eles estavam em público. – Nós podemos melhorar esta posição. Gabe tomou o rosto delicado com a mão livre. – A mesma expectativa agonizante. O mesmo ângulo esquisito. – E qual seria? – Morgan resistiu ao impulso de aconchegar-se de encontro a Gabe e assim transmitir seu desejo. Gabe.

ela não teve mais dúvidas sobre o que se passava na cabeça dele. Tremendo de emoção. sr. Gabe inspirou de maneira trêmula. . A decepção disparou dentro dela. – Então suponho que você queira que eu tire a blusa. – Ah. Chance. As janelas dão para a rua. mas a tentação é pior. – A voz dele soou rouca. – Ela tirou o sutiã e o jogou em direção à mesa. – Depende da sua definição de melhor. – Arqueando as costas. mulher. – No entanto. sem mirar. Correr em casa para pegar preservativos lhe parecera uma suposição inimaginável. – Oh. Você é magnífica. Morgan estendeu a mão para os ganchos do sutiã dela. – No entanto. – Dentre outras coisas. Ela abraçou o pescoço dele e se inclinou para mordiscar seu lábio inferior. – Verdade. Fiquei sonhando em tocar você desde que os botões da sua blusa abriram. Ele retirou a blusa dela por sobre a cabeça e jogou a peça em cima da mesa. – Seu irmão me acusou de usar estes recursos aqui para cumprir minha meta de dominar a família Chance. – Não. – Ela certamente não se preparara. Ela não esperava que Gabe fosse dar conta de abrir todos. O ângulo é bom. especialmente com ele. E saber que ela havia sido a responsável por tal reação a empolgava e excitava. a luz iria espantar os fantasmas. Gabe pigarreou. – Ele está certo. – Eu não. você está se contendo. Ele gemeu. fiz uma aquisição na última vez em que estive lá. Morgan olhou para o rosto sombrio dele. – Então vá em frente. – Melhor? – Ao montá-lo. Ele engoliu em seco. nem sequer esticou os braços. Seus seios eram grandes e eram necessários ao menos quatro ganchos para sustentá-los. ele não a tocou de imediato. A prova era uma protuberância quente que se aninhava convenientemente entre suas coxas. Era como se estivesse aguardando ser convidado. – Quero toda a tentação que eu puder conseguir. – Estou… Eu estou com medo de não conseguir parar depois que começar a tocá-la. agora eu gostaria que tivéssemos mais luz do que aquela plaquinha de néon. – Além disso. – Admita. – Droga. Morgan deixou os braços caírem junto ao corpo. – Ele segurou a beirada da blusa dela. Ele me disse que você tinha certa fraqueza. – E você não veio preparado. Morgan se inclinou para trás e pôs os braços acima da cabeça. Abarcando os próprios seios. O desejo óbvio dele lhe dava a coragem de ser a mulher tentadora que ela sempre desejara ser. – Eu não vim preparado. quase como se ela estivesse tentando o destino e fixando suas esperanças em algo fora do alcance. Você não veio aqui para resistir à tentação. Eu. – Mas o banheiro masculino daqui está sempre preparado. – Nesse momento eu não dou a mínima nem se o Gasparzinho e todos os seus amigos aparecerem voando. hum. – Sentindo-se boba. Gabe. como se ele também estivesse com um pouco de dificuldade para respirar.

que estivera certa havia anos. – Então se você… – Gabe Chance. Morgan sentiu um aperto na barriga quando ele lambeu e sugou seus seios. de modo que agora estava na posição perfeita para ele… ah. A respiração de Gabe ficava mais ofegante conforme ele roçava os polegares sobre os mamilos dela. Minhas mãos estão ásperas por causa do… – Eu gosto disso. ela chegou um pouquinho mais perto. Ela nem sequer precisava se mexer muito. Se ao menos ela pudesse voltar para onde… Lentamente. Ela lutava para respirar. O clímax a deixou mole e ofegante. – Agarrando os joelhos dele. – Ela fechou os olhos para aproveitar melhor o tato doce daquelas mãos calejadas. e ela engasgou quando o tremor começou para valer. sim. – Gosto de saber que você tem mãos calejadas pelo trabalho. Mas eu… – Apenas me deixe… – Bem ali. – Hum. Pelo menos as mãos dele ainda estavam ocupadas com seus seios. Gabe sabia muito bem como fazer uso daquela posição. Morgan impulsionou os quadris e encaixou intimamente seu ponto sensível na ereção que esticava o jeans. Ele arfou. Isso. – Morgan firmou as botas nas pernas da cadeira a fim de obter estabilidade. . Gabe obedeceu. – Sua boca também merece essa folga. Agarrando os joelhos dele novamente. Gabe? – Com o coração acelerado. ele segurou os seios dela. massageando. – Sua pele é tão macia. Ela cerrou a mandíbula para não gritar. Morgan já sabia que poderia ser assim com ele. Ela gemeu e balançou de encontro ele. Com um gemido de puro deleite. Quase lá. – Você também. ela tombou a cabeça para trás e começou a oscilar de encontro à protuberância tentadora. – Nossa. como se ele soubesse exatamente o que ela desejava. eu vou entrar em combustão. sim. – Estou machucando você? – Deus. – Pousando as mãos nos ombros de Gabe. desde o beijo sabor melancia. Precisava de libertação. Ver seu sonho se realizando a deixou confiante. ela impulsionou com força contra o jeans rígido enquanto seu corpo estremecia em reação à pressão gloriosa. Aquele era um homem que tinha o poder de deixá-la louca. a qual não estava muito longe. Morgan soubera. – Belisque… meus mamilos. Indo de encontro a toda lógica. se pudesse pressionar contra ele por um segundo mais… A pulsação dela começou a martelar assim que os movimentos se aceleraram. – Mais uma vez. – Ah. não. E ela precisava de mais do que a boca de Gabe em seus seios. – Apoiando as mãos nos joelhos. murmurando palavras lisonjeiras pela recompensa que ela estava lhe oferecendo. ela se arqueou para a carícia dele. Ele os pinçou uma vez. ela abaixou-se no colo dele e lhe deu um beijo de língua caprichado para compensar toda aquela gratificação oral recebida. ela ergueu-se sobre o colo dele. – Você está proporcionando uma bela folga a elas. – Muito… obrigada. acariciando. – Morgan… – O que foi. e Morgan sentiu o primeiro espasmo. Em seguida. Ela caiu para a frente. se você não me tocar agora. como você é gostosa. – Ótimo. duas.

– Gabe roçou o nariz na curva do pescoço de Morgan e lhe deu vários beijos ao longo da clavícula. Gabe a segurou pelos ombros e a deitou na mesa. e seu membro se contraiu dentro dela. Em uma manobra saída de um filme de piratas. como se tivesse disputado uma corrida. Gabe gemeu de novo. Ele não se deu ao trabalho de tirar as próprias roupas. – Então. – Deus. – Ainda não. Eles não tinham uma cama. Gabe ergueu os quadris de Morgan e mergulhou fundo. um caso intenso de luxúria inspirou Gabe a improvisar. ou inconsciência. – Ela usou a mão livre para desabotoar a camisa de dele. ancorando- os à mesa. – Oriente-me. sim. – Eu quero tudo. – Ela começou a desenhar círculos lânguidos ao redor dos mamilos rijos dele. Através de pálpebras pesadas. e fazer no chão não parecia uma boa ideia. ela enrolou as pernas em volta da cintura dele. Seu gemido de satisfação veio entre dentes cerrados. – Você é incrível. Preciso ter você agora. – Porque eu estou com você. Morgan. A voz de Morgan baixou para um ronronar suave. – Aninhando o rosto dela entre as mãos. do jeans e da calcinha úmida dela. Ele colocou Morgan sobre a mesa redonda e rapidamente cuidou das botas. A camisinha foi colocada em segundos. Com a respiração irregular. então. Morgan acariciou o peito suado e arfante. – Nem sempre. . Gabe a estava arrebatando. – Fantasmas não existem. liberte-se. – Aqui só temos uma mulher gostosa e um homem desesperado. aparentemente. Ele recuou a boca. Gabe. Instintivamente. pairando pertinho da dela. Até mesmo o punhado de pelinhos que cobria o peitoral estava úmido de suor. – Eu estou por um fio. mas falou muito sobre o estado de sua consciência. ele entrelaçou os dedos aos dela e posicionou seus braços acima da cabeça. mas vê-lo sugando seu dedo ritmicamente ao mesmo tempo em que ele investia o membro bem fundo dentro dela tinha quase o mesmo efeito das estocadas de uma penetração. mas hoje… hoje parece que não consigo evitar. E Morgan adorava aquilo. – Acho que é isso que chamam de fantasia sexual – murmurou ele. ele foi libertando o dedo dela. – Ah. de modo a ganhar alavancagem e ser mais do que mera passageira naquele cruzeiro rumo ao paraíso. – Sim… eu sei… – Em seu estado de torpor. ela o observou abrir o cinto e baixar o zíper. Então a beijou profundamente enquanto corria as mãos pelos braços macios. – Ela não sabia bem o motivo. Morgan contornou os lábios masculinos com um dedo. Estou no limite. – Entretenimento adulto para fantasmas. Isso é… isso é bom. e eu a desejo tanto. – Tomando os lábios dela. mas quero fazer você gozar primeiro. – Desesperado? – Ah. – Uau. a respiração arfante soprando nos lábios molhados dela. Lentamente. o enfiou-o boca e começou a sugar. Morgan não tinha certeza de como fazer aquilo acontecer. Gabe a cobriu de beijos. – Ele parecia sem fôlego. capturou o dedo entre os dentes. Mas. Envolvendo uma das mãos ao redor do pescoço dele. você é sensível. – Vou ficar aqui paradinho por um minuto. Quando ela se abriu.

Em seguida afagou um mamilo entre a língua e o céu da boca assim que impulsionou com os quadris. Gabe! Beije-me. fazendo-a erguer os quadris e enviando ondas de prazer trêmulo pelo seu corpo. – Faremos mais? Ele riu. Gabe desconfiara que ela não era uma mulher qualquer. Com aquele nome diferente e aquele atributo considerável. Ela havia sido responsável por dar prazer a ele. Morgan. obviamente. E tudo sem parar de brincar com o mamilo na boca. embora seu rosto estivesse escondido nas sombras. Mas temos que decidir a parte do quando e do onde. – Bem. Beije-me agora antes que eu… eu vou gritar! Ele abafou o som dos gritos de Morgan quando o orgasmo a invadiu feito uma enchente. – Acho que agora temos que decidir o que queremos fazer a respeito. usando de um pouco mais de força. ela já se destacava na multidão. uma de cada lado da cabeça de Morgan. sim. o corpo todo estremecendo. Vamos ver se aprendi alguma coisa. Lentamente. . aumentando a conexão entre eles. Nem ela. Ela dava cem por cento de si em tudo que fazia. suas estocadas rápidas e seguras. era sempre assim? – sexo. – Esse… Esse foi o melhor sexo da minha vida. – Ah. E agora ela também queria que o lugar estivesse mais bem iluminado. Mas agora ele tinha uma ideia melhor do que a tornava tão especial. – Não. – Tão… bom… Tão… – Gabe a beijou novamente enquanto afundava dentro dela mais uma vez. Mas foi o suficiente. naquele momento. Morgan sabia que. Soltando as mãos dela. Não importava o que mais acontecesse entre eles – mesmo que nada acontecesse –. – Você fez. ofegante. – Eu digo o mesmo. Ele apertou mais ainda as mãos dela e a encarou. – Envolvendo um mamilo com a boca. retribuindo como se sentisse a mesma gratidão que ele. e um pouco mais. Morgan mal conseguia enxergar os olhos de Gabe. você fez. Ela absorveu a pulsação espaçada do clímax dele com um sentimento satisfeito de realização. e isso incluía – uau. Gabe foi finalizando o beijo e então apoiou as mãos na mesa. Sua mãe italiana ficaria orgulhosa. você me lisonjeia. Gabe segurou seu rosto e lhe deu um beijo longo e delicado. Ela reagiu do jeito esperado. DESDE O momento em que vira Morgan em cima de Geronimo. ele investiu os quadris. Morgan ainda estava tremendo e curvada feito um arco quando Gabe começou a bombear. Esse é por minha conta. O movimento foi sutil. seu ritmo ganhando velocidade até ele precisar recuar os lábios dos dela. e então um pouco mais… – Oh. então você não está prestando atenção nas coisas. Gabe não teria desejado estar no lugar de nenhuma outra pessoa do planeta. Ela só conseguia captar vagamente a mechinha loura do cabelo dele grudada na testa úmida. Gabe tinha encontrado o ponto exato e estava aplicando pressão. Você está cansada? – Se você está perguntando se eu escolheria o sono em vez do sexo com você.

Gabe retornou ao salão escuro e fez uma pausa para deixar que seus olhos se adaptassem e ele não trombasse nas coisas. – Vou aproveitar para me recompor enquanto você vai lá. mas com a promessa de mais momentos felizes muito em breve. caso estivesse. Gabe estava aliviado. mas não quero nada sério com ninguém neste momento. – Nem eu! Você acha que era isso que eu ia falar? Que estou caçando um marido? – Bem… Sim. Um cara podia viver uma vida inteira e nunca experimentar aquele tipo de sexo tão maravilhoso. Mas acho que tem uma coisa que eu deveria lhe dizer. Gabe desejava tê- la conhecido uns dois ou três anos antes. – O que foi? . época em que havia alcançado os objetivos que tinha para si e para Top Drawer. – Eu não sei o que você vai pensar sobre isso… Ele optou por antecipar o que quer que ela estivesse tentando dizer a fim de salvá-la do constrangimento. adorei fazer sexo com você. – Olhe. Ele era um cowboy de sorte. E então ele teve um pensamento inquietante. – Isso está muito longe da minha cabeça agora. Morgan. E talvez ela não fosse contrária à ideia de transformar o caso em algo permanente. Mas. – O quê? – Ele tinha esperanças de que ela ainda não estivesse pronta para ter uma conversa sobre o possível desfecho daquilo tudo. Gabe não estava interessado em se prender a ninguém. ofereça uma cerveja. Morgan seria perfeita. Isso significava que em algum momento eles teriam de discutir o assunto. como queria se concentrar nas competições por enquanto – uma vez que conseguisse resolver as coisas com Jack –. – Com algum pesar. Apagando a luz do banheiro. De certa forma. Ele seria completamente honesto com ela e esperava que ela lhe oferecesse a mesma cortesia. Gabe. Ela poderia estar pensando a mesma coisa. Fazia muito tempo que ele não sentia aquele tipo de atração por qualquer mulher. – Troco os fantasmas por camisinhas em qualquer ocasião. afinal de contas. E a atração foi sucedida por um sexo da melhor qualidade. Gabe se afastou dela. Mas nós provavelmente não devemos ficar aqui. – Vou fazer uma breve visita ao banheiro masculino e já volto. Acho que não vamos precisar daquela embalagem com seis. como forma de relaxar e entrar num clima de brincadeiras. Porém. mas queria saber que outra bomba Morgan tinha para despejar. – Se aparecer algum fantasma. – Não. – Estou pensando em irmos para a minha casa. que eles eram perfeitos um para o outro. – Você tem fantasmas lá? – Não que eu saiba. Ele havia presumido que eles beberiam pelo menos uma parte das cervejas. – Ah. Ele sorriu para ela. Cada um bebeu apenas dois golinhos antes de eles começarem a se agarrar feito loucos. – Gabe ficou pensando nisso enquanto ia para os fundos para fazer o que tinha que fazer. – Gabe? – A voz de Morgan soou um pouco trêmula. como se ela estivesse tensa com alguma coisa. você me excita. Mas ele não podia lamentar o que havia acontecido nessa noite. mas tenho um pacote de camisinhas.

– Acabei de ver um fantasma. .

A luz cintilante que brilhara perto da porta da frente trancada e se locomovera até uma mesinha num canto definitivamente não tinha nada a ver com os faróis de um carro. para onde vamos agora? – Para a sua casa. – Tudo bem. Josie armou uma pegadinha para a gente. Morgan tinha uma desconfiança furtiva de que debaixo daquela pose viril havia um garotinho que acreditava em assombrações. – Morgan ficara um pouco assustada. – Não. A gente poderia descobrir exatamente de onde vinha a luz cintilante. – Ele olhou para a rua. que agora estava deserta. – Então. Não percebeu nada? A resposta de Gabe veio num tom simples e direto: – Não. Ele segurava a mão de Morgan com firmeza. em direção ao Espíritos e Esporas. Gabe apontou para o lugar. Aposto que ela tem um sistema de projeção com um temporizador. não foi só isso. Gabe arrastou Morgan para fora bar tão depressa que eles quase se esqueceram de deixar a chave na caixa de correio. . Mas estou me perguntando aqui… Você sabe onde fica? Ele reduziu a velocidade. Só isso. mas mesmo assim queria continuar no bar e ver o que o fantasma faria. – Morgan se esforçou para não rir. – Alguém fez uma manobra na rua e os faróis brilharam pela janela. Não vi nada. como se não confiasse na capacidade dela de fugir do bar assombrado. – Ah. enquanto caminhavam rapidamente pela rua principal. e tudo que precisou fazer foi ativá-lo. – Eu sei o que aconteceu. Capítulo 6 PARA UM sujeito que supostamente não acreditava em fantasmas. Agora nunca teremos certeza. Uma leve neblina havia se assentado e o bar parecia ainda mais assustador do que no momento em que eles o deixaram. – Imaginei que não. – Hum. – Você não viu um fantasma – insistiu Gabe. não exatamente. – Ele acelerou o passo. – Você passou bem no meio dela. – Então eu gostaria que a gente tivesse ficado lá. – Vamos ter que voltar para o outro lado.

Se é mais perto assim… – Ele a guiou pelo beco. Papai levou Jack com ele para ter alguém para segurar a escada e servir de vigia. só que sempre achei que fosse branca. Foi Josie. sim. Josie gostava de rir e de se divertir. – Então tudo bem. eram amigos desde a escola e nunca se cansavam de pregar peças um no outro. especialmente quando se tratava de Josie. Jack era o braço direito de papai no que dizia respeito a isso. – Você teria notado depois que meu pai veio até aqui sorrateiramente numa noite escura e pintou os testículos do cavalo de azul. o dono da loja de ração. – Jack e Josie? – Aquilo surpreendeu Morgan. – Gabe apontou em direção à loja de rações. Mas eles não se davam bem em todas as frentes. Pensando bem. é mais perto assim. o que estimulou ainda mais a curiosidade de Morgan. – Provavelmente já estava fadado a dar errado desde o início. – Lembro-me dela da época em que morei aqui. – Quando ele era um adolescente danado. – Eles ainda estão juntos? – Não desde que meu pai morreu. – Aquilo foi uma mentirinha. meu pai tinha flagrado um de seus búfalos com um laço vermelho na cabeça e amarrado ao poste ao lado do celeiro. aposto. Meu pai estava sempre brincando com as pessoas. Mas Jack começou a . – Ah. Tinha 57 anos nas costas. – Tenho certeza. Morgan finalmente teve pena dele. Na verdade. mas Jack não parecia conhecer o significado de tais palavras. – Jack. – Existe alguma regra implícita de que ninguém prega peças em um membro da família Chance? – Dificilmente. Ele e Ronald. Nunca percebi. foi branca durante anos. – Por quê? Ele não respondeu de pronto. – Isso realmente não importa. – Hum. hein? – Morgan teve dificuldade de imaginar aquele cowboy pregando peças. – Vamos fazer isso. – Gabe olhou para o bar como se estivesse relutante em passar em frente a ele outra vez. ao lado da placa da loja de rações? Morgan olhou para a estátua em tamanho natural. Morgan tomou a estradinha de terra que havia entre as construções. – Está vendo aquele cavalo de plástico no telhado da varanda. Em algum momento vou fazê-la confessar. – Sim. Morgan gargalhou. Na semana anterior. E também é um garanhão anatomicamente correto. – Hum. e elas sempre retribuíam. mas Morgan achou a relutância de Gabe cativante. – Isso. Então a pintura dos testículos do cavalo foi uma vingança. O cowboy grande e malvado tinha medo de fantasmas. – Um presente de Ronald. – O que aconteceu com Jack e Josie? Gabe suspirou. Josie adora ser dona de bar. não. De jeito nenhum que ela abriria mão disso para se tornar uma esposa típica num rancho. – Dá para cortar caminho por este beco para chegar à minha casa. estou surpreso por ela ter tentado algo assim. mas alma de 17. Meu pai não gostava quando Jack ficava com ela.

mas eu não funciono assim.faltar no trabalho do rancho para estar com ela. Não quero ser a causa de mais atrito entre vocês dois. – Ele baixou a boca até ficar a um sopro de distância da dela. – Explicar é fácil. O mundo se comprimia até nada mais importar. e com isso ela parou de ver para onde estava indo e tropeçou. o pior horário para se ausentar quando se é um rancheiro. nem eu. Gabe. – Calma aí. Não importava quantas vezes Gabe a havia beijado ao longo do dia: Morgan ainda ficava tonta ao contato dele. Morgan odiava essa ideia. Jack estava na cama com Josie quando papai ligou e exigiu que ele voltasse para casa para ajudá-lo a buscar um cavalo que ele havia comprado. e o mínimo que poderia esperar da minha família era um pouco de gentileza para com você. – Eu sei. resolveu ir sozinho e… morreu quando o carro capotou. – Uma feiticeira das profundezas do inferno. Ela sempre folgava no período da manhã. porque ao menor contato com você eu fico úmida feito uma melancia madura. Ele não tinha nenhum motivo para ser rude com você. agarrando-a pela cintura para evitar que caísse. Aquela visão fez Morgan rir. que chato. e estava mesmo. Ao menor contato com você eu fico duro feito um cabo de machado. – Bem. – Mas eu sou corretora de imóveis. – Achei que a gente fosse dar uns amassos durante o trajeto até sua casa antes de fazer tudo de novo. – Sim. – E agora Jack se culpa. Só que papai era muito teimoso. Lidar com ele no dia a dia é que é um pé no saco. – Estamos em um beco escuro à uma da madrugada – murmurou ela. – Os lábios de Gabe encontraram os dela. mocinha. – Não faça isso. – Desculpe. – Pensando bem. – Jack precisa respeitar qualquer mulher que aparecer comigo. – Faz sentido. mesmo que ela seja uma feiticeira das profundezas do inferno. . Ela passou os braços em volta do pescoço dele. Jack se recusou. – Não vejo problemas nisso. – Isso explica muita coisa. – Agora vou ter que lhe dar um beijo. Eu a convidei para participar do desfile. ela se virou nos braços dele e se aconchegou. – Você deve ser um feiticeiro então. alegando que o tempo estava ruim. – Ah. resumindo. – A parte da feiticeira pode não estar tão errada. e pretendo deixá-lo ciente disso quando eu chegar em casa. – Claro que você me faria lembrar da melancia. Gabe reagiu rapidamente. hein? Gabe agarrou o bumbum de Morgan e a apertou com força suficiente para fazê-la sentir o cume sólido de seu membro sob o jeans. Ele lhe roubava o fôlego e qualquer coisa semelhante a um pensamento racional. Morgan gemeu. – Gabe inclinou a aba do chapéu para trás e deslizou os dedos pelos cabelo de Morgan até ajeitá-los para trás. Tão naturalmente como um girassol em busca do sol. só o calor gerado pela boca macia e pela língua talentosa de Gabe.

– Eu vou gozar. Então ele dobrou os dedos e começou a acariciá-la num ritmo constante que derreteu qualquer inibição remanescente. Abandonando os lábios de Morgan. – Ela começou a ofegar. Pouco depois. O belo bumbum flexionou ao contato. ou ambos eram perfeitamente compatíveis. – Ele se reposicionou para mais um beijo e começou a desafivelar o próprio cinto. – Isto é louco o suficiente para você? Ela engoliu em seco. No momento em que ele começou a acariciar os seios dela. – Então me enlouqueça um pouco mais. até a última contração gloriosa. – Acho que vou enlouquecer. Quando Gabe lhe saqueou a boca. fazendo mágica com aqueles dedos tão talentosos quanto o restante de seu corpo. assim. abafando seu gemido quando a mandou aos tropeços à iminência de mais um orgasmo violento. Ele levantou a cabeça. Eu… Ele a beijou no momento crítico. cowboy. contornou-lhe os lábios com um dedo úmido. Daí refez o mesmo trajeto com a língua. – Quase. Então. – Quase tão bom quanto estar lá – murmurou ele. – Vai reclamar? – Só se você… parar. Gabe já estava com a mão dentro de sua calcinha. E. Talvez ela devesse estar preocupada com sua reputação. ao mesmo tempo que mergulhava os dedos bem fundo e encontrava o ponto G. Daí deslizou os dedos lentamente para a frente e para trás. . – Shhh. Fosse qual fosse a explicação. – Mas não totalmente. Talvez fosse uma combinação dos dois fatores. Gabe. demorou-se um tempo ninando Morgan de volta à sanidade. Ela não estava com vontade de protestar. no momento que sentiu o tijolo frio em suas costas. Ele riu baixinho. Morgan se refestelou na pressão áspera dos tijolos em suas costas. Ou isso. Morgan transformou-se numa massa de hormônios furiosos. Com as mãos firmes nos bolsos de Gabe. ela não conseguia limitar a ação a um simples beijo. ao mesmo tempo que incitava Morgan a apoiar-se na parede mais próxima. mas era impossível se preocupar com outra coisa quando o polegar de Gabe estava estimulando seu clitóris. Gabe recuou com tranquilidade. Ela gemeu de prazer. Morgan posicionou a pélvis contra a dele e sorveu seu gemido de luxúria. Ele reagiu enfiando a mão debaixo da blusa dela e desabotoando-lhe o sutiã. na natureza proibida do sexo em um lugar praticamente público. – Isso é loucura. ele foi beijando até a orelha e mordiscou o lóbulo. e. Morgan já tinha sido beijada por homens em quantidade suficiente para saber que Gabe era acima da média com aquela habilidade em especial. ela logo enfiou as mãos nos bolsos de trás da calça jeans dele. sim. Quando tivermos uma cama… O corpo dela cantarolava de ansiedade enquanto imaginava os prazeres que a aguardavam uma vez que ele conseguisse cumprir sua promessa silenciosa. quando desgrudou a boca da de Morgan. – É… sua… culpa. puxando suavemente a argolinha de ouro ali. Ah.

os preservativos não estavam convenientemente guardados em uma as gavetas de cabeceira. Ele não prestara atenção à sala de estar. É só que eu nunca vi você sem sutiã num ambiente claro e isso me deixou sem fôlego. Ela estava mais do que disposta a descobrir. – É melhor você me dizer onde está aquele pacote de camisinhas – falou ele. e tudo bem para ele. umedecida pela boca e língua dele. sem nem se dar ao trabalho de remover o edredom. – Estou tão ávido por você. e os mamilos cor de vinho lhe acenavam docemente. – E eu nunca vi você sem calça num ambiente claro. Agindo de acordo. GABE TEMIA ter deixado suas boas maneiras à porta da bela casinha de Morgan. Um homem. não tentou lhe mostrar o lugar. Ela não lhe ofereceu café ou cerveja. com exceção do interruptor que ativava os dois abajures nas mesinhas de cabeceira. Gabe tivera várias oportunidades de tocar aqueles seios magníficos. principalmente um homem fã de seios. parecia brilhar à luz dos abajures. Deus do céu. Felizmente Morgan parecia ter o mesmo objetivo. ambos tiraram suas botas e cintos antes de cair juntos na cama. usando a língua para externar como satisfaria sua fome. obviamente. Desvencilhando-se dos braços dele. Talvez fosse bom que ela se levantasse para buscar os preservativos. à sala de jantar ou à cozinha. – Tão ávido. – E aí a beijou. Ele odiava cortar o contato que estava em curso. ou Morgan teria mencionado. Como se num acordo mútuo. – Mais uma vez ele umedeceu os lábios dela com os dedos. . – Algum problema? – Deus. não. inundado pela luxúria quase incontrolável. Morgan se perguntava quanto sexo uma pessoa era capaz de suportar em uma única noite. Ela se voltou para ele. – Pode apostar. ele sorveu a visão dos belos gêmeos nus. mas até então não tinha conferido os montes desnudos sob a claridade. Gabe ficou com a boca cheia d’água e seu membro latejou. Ela sorriu. devia ter o direito de aproveitar um instante para estimar o que lhe estava sendo oferecido. E não seria capaz de descrever a ninguém as padronagens ou o tipo de mobiliário do lugar. – Deixe-me pegar. ela desceu da cama e ajeitou o cabelo para trás com os dedos. A pele macia. E. A cama queen-size de Morgan poderia ser um colchão no chão. ele gemeu baixinho. mas. Gabe tirou a blusa e o sutiã de Morgan antes que pudesse recobrar o juízo. nem sequer acendeu as luzes. entre beijos. ela era a fantasia transformada em realidade – uma mulher de seios fartos vestindo nada além de um jeans apertado. e ele tampouco estava particularmente interessado nos esquemas de cores e no mobiliário dali. então faça bom uso do seu tempo enquanto eu estiver fora? Ele não precisou ser alertado duas vezes. Seu objetivo era vê-la nua e na horizontal. Daquele jeito estava ótimo para Gabe. Sua atenção estava totalmente concentrada no quarto. O peso daqueles dotes dados pela Mãe Natureza os fazia balançar de maneira convidativa enquanto Morgan caminhava. Quando Morgan se virou para sair.

eu notei. – Quatro e meia? – Rolando para o lado. esticando o lençol que cobria o colchão. O brilho pelo qual ele estivera aguardando finalmente apareceu naqueles olhos. quem dá comida às galinhas? . Mas ele tinha a sensação de que o tecido não ia permanecer lisinho por muito tempo. Gabe apoiou-se no cotovelo e estendeu a mão para o relógio. vou acertar o despertador. – Acredite. Gabe removia o restante de suas roupas e tirava o edredom e a coberta da cama. Enquanto Morgan remexia no armário do banheiro. – Então. – Eu sou um cowboy. – Muito bem. – Não. – Caso você não tenha notado. Gabe esperava que Morgan retornasse para o quarto rebolando. sim. – Morgan. se é isso que você está pensando. – Hein? Ela fez uma pausa e seu olhar varreu o corpo de Gabe. demorando-se com óbvio interesse no membro rígido feito tábua. ordenhar as vacas… O que quer que Jack não estivesse lá para fazer porque estava ocupado demais na cama com Josie. – Precisamos programar o despertador. Eu faço coisas viris como montaria. primeiro. – Não tenho compromisso. – Espero que você não determine meu tempo para ficar. Gabe puxou Morgan para o colchão. Eu sou adulto e tenho o direito a passar a noite com uma mulher. Eu não colho ovos e ordenho vacas. ela voltou ostentando o prometido pacote de camisinhas e um olhar preocupado. não 6! – Obrigações. não vamos. que você não esteja no rancho a tempo de cumprir suas obrigações. – Ah. – Mas. Definitivamente precisamos programar o despertador. quatro e meia. – Vamos desligar isto. – Não é isso. recolher os ovos. – E eu quero isso daí. sim. Tirei folga durante o feriado. – Ela apertou alguns botões. – Ótimo. não um ajudante de fazenda. – Ela colocou os preservativos na mesa de cabeceira e virou o rádio-relógio para que pudesse vê-lo. Rindo. – Então não vai fazer diferença a gente… – Ah. Em vez disso. Prontinho. eu não estou planejando entrar em casa sorrateiramente e fingir que passei a noite inteira na minha cama. a menos que… Ou você tem algum compromisso de manhã cedo? – Ele devia ter imaginado que um feriado prolongado poderia não ser exatamente um período de folga para uma corretora de imóveis. – Minhas obrigações? Eu tenho 28 anos. – Não. eu estou “de pé” agora. caso eu queira. não precisa. Eu não quero que a história se repita. Ela sentiu o ar abandonar seus pulmões num sopro e a voz de Gabe soou como uma dobradiça enferrujada: – Você pode ter o que quiser. mas você precisa estar de pé antes do amanhecer. – Olha. – Morgan tirou o despertador do alcance de Gabe. – Ela passou a língua nos lábios. vai. como alimentar as galinhas. com um brilho nos olhos e um sorriso naqueles lábios rosados.

– Está bem. – Pretendo cumprir a promessa que lhe fiz no beco. Separando os cachos sedosos. Mas ele desejava o néctar dela. E então ele o fez. sorrindo. Gabe concentrou-se novamente nos olhos dela. provocando-a com a língua. Gabe capturou seus quadris e a conteve rapidamente para que ele pudesse concluir o que havia começado. – Ah. cujas pupilas estavam dilatadas de expectativa. – Que tipo de rancho é esse que não tem vacas e galinhas? – Ficarei feliz em explicar depois. –Levante o quadril. Levantando a cabeça. seu corpo ia ficando cada vez mais desejoso. O primeiro golpe da língua estimulou um gemido urgente. Amá-la daquela maneira seria como dar água do mar a um homem sedento. ele notou que os lábios dela permaneceram entreabertos em sinal de rendição completa. ele permitiu que seu olhar percorresse uma trajetória descendente desde os seios exuberantes até a zona da felicidade entre as coxas acetinadas. Quanto mais sorvia. E. Gabe fitou Morgan nos olhos. contornando cada costela. de modo que ela não teve dúvidas sobre as intenções dele. – Ele abriu o zíper da calça jeans dela. A boca nunca havia experimentado viagem tão luxuosa. Ela estremeceu quando Gabe mergulhou a língua em seu umbigo. revelando aos poucos as profundezas da paixão refletida ali. – Ele montou nos quadris de Morgan e estendeu a mão abrir o botão da calça dela. – Podemos falar de vacas e galinhas quando eu terminar – murmurou ele. enquanto ele se banqueteava. . ele estava pronto para explodir em função do próprio desejo. – Em seguida. e o teria. – O corpo de Morgan tremia conforme o ritmo de sua respiração aumentava. mas mesmo assim ele continuou. Gabe se inclinou e a beijou. – Ninguém. – Nós não temos galinhas. maior era a cobiça. – Possua-me. a respiração refrescando a entrada úmida para todos os segredos de Morgan. A relação dela foi mais um apelo do que um comando. – Quando eu não estiver tão ocupado. já encharcado e trêmulo. Ela engoliu em seco. A pele de Morgan tinha um sabor de leite e mel misturado ao gosto travoso e salgado do sexo violento que eles haviam feito antes. Morgan abriu os olhos lentamente. Gabe se demorou sobre a pele macia e perfumada dos seios e sobre a textura rija de cada mamilo antes de seguir descendo. concedendo-lhe os beijos mais íntimos e profundos. Gabe encontrou seu tesouro rosado. – Eu tinha certeza de que você… – Nós também não temos vacas leiteiras. – Diga – sussurrou ele. – Ou não. Com as mãos apoiadas de cada lado dos ombros dela e um joelho de cada lado dos quadris. como se soubesse que ele estava oferecendo mais uma prévia do que estava por vir. Isto aqui vai sair. Sua reação foi um ronronar suave: – Ou não. No momento em que Gabe se estabeleceu entre suas coxas. Ela ergueu os quadris do colchão. Quando Morgan começou a se debater debaixo dele. – Arrancando a calça e a calcinha dela e jogando-as no chão ao lado da cama. ele começou sua jornada. mesmo que a pressão que sentia aumentasse até o ponto da dor. cada vez mais exigente. – Com o coração acelerado de empolgação.

ele mudou de posição para alcançar os preservativos. – E agora estou tão louco de desejo por você que perdi minha coordenação. Rolando para o lado. o olhar estava focado no pênis em brasa. Uma espécie de instinto o impelira a marcá-la. Eu cuido disso. até que ela arqueou e berrou o nome de Gabe. Ela suspirou baixinho. não o suficiente para machucar. sim. abafados no início. O sorriso dela foi pura sedução. – Eu não tive a intenção de… – Mas ele não conseguiu terminar a mentira. . Respirando pesadamente. Morgan apoiou-se em um dos braços. Em vez de pegar um preservativo. – Ele engoliu em seco. – Isso não é verdade. foram ficando mais altos. – Basta deitar-se. Gabe estava vagamente ciente de que sua atitude fora completamente fora do comum. e. porém não protestou. Gabe. Ele se atrapalhou com o pacote. O nome dele. e aquele brilho promissor estava de volta aos olhos. algo que nunca havia cogitado com qualquer outra mulher. Os gemidos de Morgan. Quando ela se voltou para ele. ele virou a cabeça e mordeu a pele macia da coxa. – Tudo bem. mas definitivamente o suficiente para deixar sua marca. dolorido devido ao esforço para atrasar a própria gratificação. Morgan inclinou-se para o outro lado da cama e colocou o pacotinho na outra cabeceira. Mas ele não tinha como retirar o que estava feito. quando os tremores dela diminuíram. – Eu sei. Um sentimento feroz de triunfo o dominou. Eu tive a intenção. – Conforme eu já disse. Daí deu uma espiadela para o lado e flagrou Morgan observando-o. – Desculpe. eu quero isto daí. – Ele entregou a embalagem a ela e afundou no colchão. Ele congelou.

tal qual ele havia feito com ela. mas precisava ter cuidado. afinal. Morgan não deveria gostar da atitude dele. – Querida. os minutos seguintes poderiam ser muito simples. Por isso sua primeira ação foi apertar a base do membro grosso com o polegar e o indicador. – Ele ficou mais ofegante. eu vou… Ela apertou um pouco mais. Ela mal podia esperar para colocar as mãos nele. E. ela havia adorado o gesto. ela estudou seu objeto de afeto. No entanto. ele poderia lidar com isso de bom grado. Embora o orgasmo que ele havia proporcionado a ela tivesse lhe minado as forças. Morgan examinou o corpo dele. Antes de assumir sua posição. E o encontro que era para ser um simples caso de luxúria mútua talvez não fosse tão simples. Morgan lhe entregou um travesseiro. Mas por algum motivo que não queria analisar agora. – É mais divertido se você observar. independentemente do quanto ele já estivesse dolorido. Entretanto. Morgan. . – Coloque atrás da cabeça. – Talvez não. Ela ofereceria a Gabe o melhor sexo oral da vida dele. – Deus. Ela planejava fazê-lo suar mais um pouco. se você não começar logo… – Certo. – Tudo bem. além de tudo. Capítulo 7 MORGAN CONSIDERAVA justo dedicar o mesmo tempo para virar Gabe do avesso. a adrenalina por saber que ela estava prestes a assumir o comando de seu clímax acabara por bombear a energia de volta ao seu organismo. – Garanto. montado nas coxas de Gabe. escorregadio de suor. A julgar pela forma como o peito de Gabe arfava e seu corpo tremia. – Na verdade. vai ser um espetáculo curto. Ele ergueu as sobrancelhas. Morgan não planejava fazer o processo rapidamente. – Apoiando-se nas coxas dele. Ele soltou um suspiro. ele tinha lhe dado uma mordidinha. Considerando sua determinação em permanecer solteira até estar firmemente enraizada com uma casa e um negócio próspero. Mas em breve. talvez ainda não. Era tão bem moldado que Gabe provavelmente poderia vender um molde de gesso de seu pênis para uma empresa de apetrechos sexuais.

– Só parece simples. Ela manteve uma pressão firme. Basta pegar a camisinha e a gente… – Não. – Mas você está se segurando. Muito. – Conte-me mais. – Foi um elogio. querida. – Você acha que eu ia insultá-la enquanto você está segurando meu equipamento? – Imagino que não. – Ah. virando quando ela vira. É tudo por conta do cavalo. Você não quer se divertir um pouco primeiro? – Adoraria. – Isso é um elogio? O sorriso dele pareceu um pouco tenso. – Muito mal. Gabe. – O cavalo controla. – Morgan se inclinou para baixo e deixou seus seios cutucarem o membro. eu acho que posso me estender por mais do que isso. – As pupilas de Gabe se dilataram. É esse o tempo que você tem. Morgan foi relaxando o aperto. Aos poucos. – Então você tem dois minutos e meio…? – Isso. – Ele sugou o ar. – O olhar dele continuou a sustentar o dela. Distraia-se um pouco. – Não. não estou. – Descreva uma de suas provas de apartação para mim. sua maciez roçando a rigidez dele. – Mas na competição… não podemos. – Parece simples. – Eu não controlo nada. – Veremos. – Isso. para cima e para baixo. Os olhos de Gabe ficaram muito azuis ao sustentar o olhar de Morgan. manobrando. O’Connelli. ainda usando os dois dedos. – Fale comigo. – Você está me matando. – Ele gemeu. – Imagino que nada nunca seja simples. – Ela apertou novamente. – Ela o agarrou suavemente e acariciou para cima e para baixo. – Conte-me mais. – Parece ser uma questão de segundos. – Não. Nesse tempo você e seu cavalo devem apartar pelo menos uma vaca do rebanho. – Então você resolveu aderir à brincadeira. – Achei que os homens gostassem de controlar o que eles têm entre as pernas. – Você tem dois minutos e meio. que inferno. – Ele engoliu em seco. – E gostamos. Aí você vai poder desfrutar disso ainda mais. Agora me conte como é uma prova de apartação. depois para a esquerda. durante a competição. – Ele fica paralelo à vaca. – Isso é loucura. Ela sorriu. – Eu também gosto de você. – É… é um trabalho de precisão. – Ela correu a ponta da unha ao longo da pele logo abaixo da glande. – Eu nunca conheci uma mulher assim como você. – Provavelmente não vou conseguir. – Languidamente. Mal. . – Você está brincando. – Não é. Eu gosto de você. Pode ser que isso funcione. ela se movimentou para a direita. – Sim. cowboy.

porque as luzes de cabeceira ainda estavam acesas quando o despertador tocou. viscoso é bom. . – O que é uma parada brusca? – Gabe arqueou as costas contra o travesseiro e fechou os olhos. Ele gemeu outra vez. e ele gostava disso. Costumamos dizer que eles são… viscosos. – Com um propósito firme. Chega de provocação. Ele nunca tinha estado nu em uma praia. – Uma parada brusca é… Ah. Uma gota de umidade se juntou na ponta da glande. seu grito de libertação foi acompanhado por duas sílabas murmuradas proferidas em voz tão baixa que Morgan quase não as captou. – Claro… não mesmo. – Às vezes. – Eu não vou conseguir… aguentar… por muito mais tempo. Pelo jeito como Gabe estava gemendo e ofegando. ele ficara muito exausto para debater qualquer coisa antes de apagar. Morgan aplicou pressão enquanto rodopiava a língua sobre a pele lisa. – Cerrando os dedos ao redor do membro. quando ele finalmente chegou ao clímax. Está na hora. – Levando-o à boca. – Nada mais a acrescentar? – Ela abarcou os testículos e massageou com cautela. GABE NÃO tivera a intenção de cair no sono. – Quando uma vaca é… apartada. Ele dissera o nome dela. isso é… gostoso… Lentamente. Suas palavras vieram num fluxo: – Abandonar uma vaca no meio da ação. ela o soltou. estou. E essa foi a deixa para ela deslizar para baixo entre as pernas trêmulas dele e lhe dar uma mordida afiada. Como acabara se esquecendo. agora estava sendo arrancado de um sonho fabuloso no qual ele e Morgan caminhavam nus por uma praia tropical. – E eu espero que você esteja comprometida a trabalhar em mim… – Ah. às quatro e meia da manhã. mas o clímax que Morgan lhe proporcionara o deixara extenuado. – Hum. ela o levou à boca e começou a sugar. – Difícil de separar. Gabe lembrou-se de sua intenção frustrada de desligar aquela coisa antes de ir dormir. Ele era grande. Gostava até demais. – Continue falando. mas Morgan conseguira acomodar boa parte dentro da boca. Gabe queria o sonho de volta. Morgan acariciou em direção ao cume. Gabe inspirou. E. Erguendo a cabeça. – Eu não gostaria disso. – Ah… O gado pode ser complicado… – Sério? – Ela roçou os cílios no membro dele. então ele golpeou o alarme numa tentativa de desligá-lo. assim Gabe sempre se lembraria dela. – Ela lambeu a gotinha. mas conseguia se imaginar fazendo isso com Morgan. – Ela tomou o membro na boca outra vez e roçou os dentes delicadamente na pele. No entanto. ela imaginou estar fazendo um trabalho decente. Morgan soprou a ponta sensível. Morgan deve ter dormido imediatamente também. – Ele enrijeceu a mandíbula. Ele mal sentira a pressão quando ela mordera sua coxa. No segundo em que o alarme ressoou. o cavalo se compromete a trabalhar naquela vaca. Ela era uma mulher ousada. Mas ela conseguiu ouvir. no entanto aquilo o fizera sorrir. Morgan. cowboy.

e não pense que não estou tentada. você sabe o que quero dizer. Relutante. – Claro. Ele olhou para ela e começou a rir. Ela começou a se movimentar pelo quarto. – Sim. recolhendo as roupas. – Ela deu um beijo breve perto da boca de Gabe e saiu da cama. obviamente feliz com o convite. mas não vamos fazer isso. Gabe rolou para encará-la. . – Vamos. – Mas você também disse que teria uma dívida eterna comigo. – Que droga de manhã. era uma coisa recorrente. – Ela estendeu a mão e agarrou o braço dele. – Você vai mesmo me chutar para fora. mas não tinha qualquer interesse em vestir as roupas que Morgan atirara em sua direção. Estou convidando-a para jantar porque quero fazer sexo depois. – Volte para a cama. – Mas vai ser por minha conta para retribuir o fato de você ter me deixado montar seu cavalo. não é? Morgan fechou o sutiã e cobriu os seios que Gabe tanto desejava acariciar pelo menos mais uma vez. – Eu ficaria chateada se você não quisesse mais fazer sexo comigo. então… – Problema? – Morgan sorriu. – Não. – Tenho certeza de que você seria capaz. Eu ia ficar achando que você não se divertiu tanto quanto pareceu. então vou ser sincero. Eu já sou vista como uma ameaça por ambos e me recuso a piorar as coisas. então eu pago. – É mesmo? Agora? Ele assentiu. – Mas eu não quero ir embora. e ele recusou um pedido direto do nosso pai. – Não importa. – Levante-se e vista-se. – Ela sorriu. Não existe nenhuma motivação implícita. Gabe vestiu a camisa e o jeans e fechou o botão. sendo que ela estava nua igual no sonho e ainda havia uma embalagem intocada de preservativos à vista na mesa de cabeceira. Vou fazer valer a pena. Nós nos divertimos muito e eu não quero estragar tudo incitando um clima ruim porque você ficou aqui por muito tempo. – Gabe soou meio chorão. Além disso. Eu sei que não é legal um sujeito convidar uma mulher para jantar com uma motivação oculta. ele engrossou a voz. – Então pelo menos prometa que vai jantar comigo hoje à noite. – Eu não vou deixar você se safar com algo simples como um jantar. – Ele riu. Vou levá-lo para casa. Ninguém me ligou para pedir para fazer qualquer coisa. – Quero dizer… Ah. – Veremos. – Mas não precisa pagar meu jantar. Pigarreando. – Eu gostei mais do que pareceu. Morgan estava corada e despenteada de sono – não exatamente o tipo de pessoa que um sujeito gostaria de abandonar. Jack poderia lhe dizer que não vale a pena causar um problema na família. Se você tiver algum problema com isso. – Vínculos definitivos. Gabe começou a se vestir. – Ele meneou as sobrancelhas. – Não faça isso. – No caso de Jack. – Você pode cavalgar meu cavalo sempre que quiser. eu a convidei. vou. – Eu preciso levá-lo de volta para o rancho. eu preciso pagar porque esse convite para jantar vem com alguns vínculos. – Gabe sentou-se na beirada da cama. – Mas eu disse que pagaria. Jack e sua mãe devem estar supersensíveis em relação a esse assunto.

Talvez houvesse uma razão para ele rejeitar o termo vulgar em favor de um termo mais limpo para definir a relação deles. Gabe. Gabe também não sabia muito bem como terminá-la. e eles podem muito bem perguntar. – O quê? – Eu não estou buscando um namorado. Então por que ele não ficou eufórico com a declaração? Talvez porque ainda estivesse tomado pelos hormônios. Estamos nessa pela diversão. – Não. Além disso. com Jack agindo feito um ditador ultimamente. Estamos querendo só… – Morgan hesitou. Quando Gabe a beijou. – Acho que temos uma amizade colorida – disse ela. Aquilo era exatamente o que Gabe queria ouvir. – Isso não seria uma boa ideia. Eles parecem não ter fé na minha capacidade de julgamento. O bom humor de Gabe desapareceu. Vamos lá. ela oferecia algo que era ainda mais difícil de se encontrar. – Ela passou os braços ao redor do pescoço dele. – Mas deveria. ele sentiu algo novo. – Então perdemos a virgindade de bar juntos. – Sim. Gabe poderia precisar mesmo de uma. . mas era um termo vulgar. diga isso a eles. – Mas fico feliz por você não estar velha demais para fazer sexo num bar. – Havia divertimento na voz de Morgan. Nós não estamos querendo compromisso. Eles estão preocupados com a possibilidade de eu me aproveitar de você. A expressão de Morgan ficou amavelmente séria. uma emoção que não costumava associar a uma mulher com quem estava apenas fazendo sexo. – Que tal isso? Também foi minha primeira vez. Aparentemente. – Ótimo. Isso funciona. aparentemente indisposta a concluir a frase. mas Gabe sabia qual tinha de ser. Mas… Ele fez uma pausa antes de enfiar o cinto nos passadores. – E isso meio que me incomoda. – Mais um motivo para eu levá-lo para casa agora cedo. ela queria ser sua amiga também. – Eu também não estou buscando uma namorada. – Exatamente. não vamos. – Sim. E. eu já estou velha demais para fazer sexo no carro. – Eu também. – Eu não planejo dizer porcaria nenhuma a eles. – Ele afastou o cabelo de Morgan do rosto. – Espere. – Ele agarrou o pulso dela e a puxou para seus braços. – Devo dizer que foi minha primeira vez. – Não é preciso dizer que não vamos ficar dando amassos no seu carro enquanto ele estiver estacionado na frente da casa do rancho. e o que Gabe tinha com Morgan não era vulgar. – Ele abaixou a cabeça até as bocas quase se tocarem. – Que alívio. Embora os dois tivessem uma química ardente e ele estimasse isso. Havia um termo comum para definir o que eles eram. Se sua mãe ou Jack perguntarem. e dessa forma você acabaria com os temores deles. Sua resposta não veio tão facilmente quanto ele gostaria. Ele já tinha falado aquilo vezes suficientes a outras mulheres.

Você deve imaginar o tipo de pesadelo que é depois que começa a nevar. também não é muito divertido. ele odiava a ideia de ter de parar e descer da caminhonete para abri-lo. – E eis mais uma coisa – disse Gabe. Segundo ele. então ela não teve problemas para ler os dizeres Rancho Última Chance ladeados em cada extremidade pelo “U” entrelaçado ao “C” que havia se tornado a marca registrada do lugar. Ele só não queria bisbilhoteiros entrando aqui com muita facilidade. Havia uma placa de madeira pendurada no poste horizontal. A luz era fraca. No ramo imobiliário. A estrada de terra funcionava bem para ele. dois pinheiros enormes conectados por um terceiro poste horizontal alcançavam o céu. mas Morgan sabia o que estava escrito ali. – Você está certa. Morgan estava começando a se sentir como se tivesse conhecido Jonathan Chance. Quando chove forte. Ele nunca foi pão-duro. e estimularia as pessoas a ficarem se esgueirando em torno do portão trancado por pura curiosidade.MORGAN NUNCA havia entrado no rancho Última Chance. não foi aqui. Acho que Jack quer transformar este lugar num santuário em memória ao nosso velho. Ele achava que um portão faria parecer que tínhamos algo tão precioso que necessitava ser trancafiado. Ela apertou os botões para baixar os vidros elétricos. . Não dava para ver nenhuma luzinha ali. Seria bom aproveitar o ar fresco da manhã. uma estrada dava ideia de reclusão e indicava que a casa ao final fazia valer a espera. – Mas não funciona para você? – Por um lado. numa estrada pavimentada que estava escorregadia por causa da chuva. – Estradas são caras. – Dizem que o primeiro ano é o mais difícil. – Gabe. – Morgan dirigia um utilitário verde-escuro que lhe servira bem para mostrar as propriedades em Jackson Hole. mas meu pai não quis. – Caras de se construir e caras de se manter. não me diga que o capotamento foi nesta… – Não. uma estrada de terra desencoraja as pessoas a passarem de carro. Além disso. contanto que ela mantivesse a velocidade baixa. – Não precisaria ser tão difícil se Jack pegasse um pouco mais leve. Isso provavelmente significa que nunca vai ser feito. graças a Deus. fazendo uma demonstração com um cavalo de apartação em um evento beneficente em Cody. Morgan esticou o braço e apertou de leve o joelho dele. Foi a uns bons trinta quilômetros daqui. O veículo encarava os buracos na estrada de terra sem nenhum problema. A estrada passava por entre prados cobertos de sálvia e cercados ao estilo do Wyoming: dois troncos fincados no chão formando um “X” e o tronco da cerca propriamente dita passando na intersecção do “X”. ela ficou impressionada com o lugar desde o momento em que saiu da estrada principal e passou pela entrada suntuosa. Morgan teve um pensamento horrível. é um inferno puxar um reboque de cavalos carregado por aqui. criando uma silhueta assustadora. Embora estivesse tentando manter uma postura casual. Ela passou por uma grade de gado de metal na estrada de terra. – Não consegui participar de nenhum evento do tipo desde então. Eu estava fora da cidade. mesmo com tempo bom. Sob a luz cinza-perolada da madrugada. – Ele fez uma pausa. Estradas são caras – disse Gabe. Mas essa não era a objeção do meu pai. – Então por que não colocar um portão trancado na estrada principal? – Isso era parte da lógica distorcida do meu pai. – Esta estrada deveria ter sido pavimentada anos atrás. Aquela era uma estrada longa. afinal.

como o imenso celeiro pelo qual ela havia acabado de passar. – É melhor você ir para o celeiro. – Não se preocupe em prometer nada. Morgan estava morrendo de vontade de ver o interior. saiu na varanda. Uma varanda decorada com cadeiras de balanço acompanhava todo o comprimento da casa. Ela representa 73 anos de esforço. Quando os pneus do carro rangeram na estradinha circular de cascalho. o efeito era atenuado pela iluminação da paisagem estratégica e pela presença acolhedora das cadeiras de balanço. Estarei contando os minutos. o que significa passar a noite na sua cama. – É linda. Ela sempre imaginara casas de rancho como estruturas desconexas de um andar só. – Talvez ele só precise de tempo. – Parece mais do que bom. mas sem dúvida era hospitaleiro. Agora que já passou os dos trinta. não tão alto. – Já estou indo. mas agora que o compreendia um pouco melhor sua raiva havia diminuído. . mas sua mente estava em outras coisas. ele tomou o rosto dela nas mãos. mas isso não aconteceria naquela manhã. – Você inveja minha herança. mas eu vou estar lá. – Ele a beijou com ternura e então a soltou. Morgan duvidava disso. a imensa casa diante de si. Morgan sentiu um caroço de emoção preso na garganta. se isso virar um problemão. – Doozie é a égua que eu trouxe para casa e ela tem sido um motivo de discórdia desde então. pode ser que eu me atrase hoje à noite. quando a porta da frente foi aberta. focando na seção central da casa. e flores desabrochavam nas jardineiras junto aos degraus da entrada. Estou orgulhoso por conhecer você. e talvez nunca. às seis da tarde. usando jeans e uma camisa de manga comprida. Duas asas ramificavam para as laterais e formavam um ângulo que lhe fazia lembrar de braços abertos em saudação. Sarah Chance. Morgan olhou para a direita. – Ele estava descendo do carro. você sabe o quanto invejo esse tipo de herança? Debruçando-se sobre o console. – Quer saber? Eu meio que espero que ela ouça. Ela se virou para Gabe. Ninguém jamais chamaria o lugar de aconchegante. Escute. – Farei o que for preciso para preservar minha sanidade mental. mãe. – Eu sei. Tem um problema com Doozie. as dependências para além dele e. com sua porta gigantesca. – Ou de um chute no traseiro. – Estarei à sua porta hoje. – Gabe se virou para Morgan. – Gabe. E pode ser que eu seja a pessoa a lhe dar um. finalmente. ele podia ficar um pouco mais mole. – Morgan tinha ficado furiosa com Jack no dia anterior. – Ela vem com um preço – disse ele suavemente. – Com isso. E aquela ali parecia mais uma estância de esqui de dois andares. ele fechou a porta do carona e acenou antes de caminhar em direção ao celeiro. Embora a casa de madeira fosse imensa. Jack está lá com Nick. Morgan O’Connelli. – Gabe. Sua mãe pode ouvir. ou talvez a fantasia criativa de uma criança com versões luxuosas de blocos de montar. – Gabe? – Oi. – Parece bom. mas eu invejo sua liberdade. Faça o que for preciso para manter a paz.

considerando todo o tempo que Morgan tinha passado totalmente enredada na rede dos olhos azuis de Gabe. – Deixe-me tranquilizá-la. – Não consigo imaginar ninguém desejando morar em outro lugar. Morgan estava tão absorta em vê-lo indo embora que ignorou totalmente a aproximação de Sarah do carro. Talvez a honestidade fosse a melhor política. As sobrancelhas de Sarah se arquearam num gestual tão similar ao de Gabe que Morgan prendeu a respiração. os óculos de sol de Sarah haviam escondido a semelhança. Gabe é inteligente demais para se apaixonar por alguém que está apenas o usando. A segunda é que a mulher escolhida por cada um deles seja capaz de retribuir esse amor na mesma medida. – Sim. para sua surpresa. – Eu espero duas coisas para os meus filhos. mas não é nada sério. Chance. sra. é sinal de que a coisa é muito séria. – Morgan não sabia muito bem quais eram as obrigações dele no rancho e esperava que sua imprecisão não o prejudicasse. – Se você diz isso. Eu já me preparei para o dia em que ele vai dizer que deseja morar em outro local. Sinto um pouco de ciúmes do fato de sua família viver aqui há três gerações. Ele não é tão ligado a este lugar como os outros dois. mesmo que fosse. . – Uma vez que as palavras saíram. Estamos nos divertindo juntos. – É óbvio que Gabe passou a noite com você. Morgan sobressaltou-se. mas eu não estou apaixonada pelo seu filho e ele não está apaixonado por mim. – Ela gesticulou em direção à casa e ao celeiro. Morgan percebeu que provavelmente não deveria tê-las dito. – Desculpe. não amor. então não compreende Gabe totalmente. Morgan desejou informar que ela Gabe só queriam diversão. – Sarah pigarreou. Uma delas é que eles encontrem uma mulher que possam amar com todo o coração. e. já de pé ao lado da janela do motorista. eu não queria assustá-la. – Como disse? – Quando meu filho tem consideração suficiente por uma mulher a ponto de lhe emprestar seu cavalo. mas eu realmente não estou preocupada com isso. – A questão é… – continuou Sarah – eu odiaria que alguém se envolvesse com um dos meus filhos só porque se apaixonou por tudo isto aqui. passou. principalmente por causa do tom de cobiça que impostara na voz. e isso me preocupa. descobriu que Gabe havia puxado os olhos dela. – Eu já estou apaixonada pelo que você tem aqui. A semelhança era desconcertante. Durante o desfile. Mas eu não sou uma oportunista. Sarah ficou em silêncio por um instante. Já estamos acostumados com a ausência de Gabe. Morgan encontrou o olhar da mulher mais velha e. – Mas achei melhor aproveitar a oportunidade enquanto você estava aqui. Quando a mulher falou alguma coisa. Mas dizer àquilo à mãe dele não seria tão fácil quanto ela imaginara. – Bom saber. – Morgan concluiu que não havia mal nenhum em contar uma mentirinha branca: – Mas ele quis certificar-se de que chegaria cedo para fazer… o que quer que fosse necessário nesta manhã.

Além de estar ferida. quando. Um bom sexo tinha a capacidade de causar isto a um homem. lhe custariam mais tempo e dinheiro do que ele gostaria de investir. ele não fora capaz de lhe dar as costas. Ele provavelmente parecia um vaqueiro azarado. então Gabe imaginava que ele também poderia salvar um cavalo. Gabe aspirou a mistura doce de feno e cavalos. Jack não se mostrara nada satisfeito quando Gabe trouxera Doozie. para o Última Chance. sendo assim Jack não ia aceitá-la para procriar. mas. Butch e Sundance. e Sundance parecia um border collie. O celeiro tinha passado por várias reformas desde então. E Nick era um veterinário excelente. Gabe sabia de tudo isso. As luzes estavam acesas no celeiro quando ele se aproximou. Mas ele precisava esquecer Morgan por enquanto e se concentrar em Doozie. Gabe sabia o que teria acontecido após o leilão. na verdade. o qual já estava na propriedade quando seu avô Archie trouxera sua noiva para o rancho. convencido de que seus ferimentos. ela não era da raça Paint. mas Gabe não acreditava que Doozie morreria. Enxergar o lugar sob a perspectiva de Morgan lhe dava uma nova estima pelo velho celeiro. Capítulo 8 GABE PASSOU a mão na barba de um dia enquanto se dirigia para o celeiro. os dois cães que Nick tinha encontrado vagando na rodovia. porque o rancho era exatamente dedicado a oferecer chances derradeiras. tinha desistido dela. Se Nick era capaz de salvar cães. mas a maior parte da estrutura ainda era original. Um cavalo na condição de Doozie acabaria no matadouro. nunca havia se sentido tão bem em toda a sua vida. quando ficara sabendo que a jovem égua estava destinada a virar comida de cachorro. . estavam de sentinela em cada lado da porta do celeiro. Seu proprietário. Entretanto. a égua baia que havia salvado num leilão algumas semanas atrás. Doozie tinha uma vida inteira pela frente. e ele não iria permitir que isso acontecesse. embora houvesse grandes chances de também ser um vira-lata. Então ele a trouxera para casa. Dentro do celeiro. a mancada tinha sido o mesmo motivo que precipitara a morte do grande cavalo de corrida Barbaro. Gabe fez uma breve pausa para lhes fazer um carinho. os quais a fizeram mancar. Butch era um vira-lata com fortes traços de boxer. contanto que Nick conseguisse curá-la. Brad Bennington. É verdade.

Seu coração costumava ter um fraco por animais doentes. mas parte desse processo envolve seu desejo de melhorar. Gabe cerrou a mandíbula. Jack olhou para cima. – Desde quando você se interessa só pelo orçamento das coisas. certo? Nick pode fazer muita coisa. e não tem como fazer isso se o dinheiro começar a escoar sem um bom motivo. – Vou encarar isso como um “sim”. seu casaco brilhando à luz da lâmpada no teto. Gabe se flagrou pensando no quanto Morgan iria desfrutar de uma caminhada nos arredores. que estava agachado mexendo no casco da égua. cuja vida conjugal havia começado naquele celeiro. Calamity Jane. conversando com alguém. Você se divertiu? – Isso não é da porcaria da sua conta. – Ei. não depois da maneira como você a tratou. – Jesus. – Ele puxou a aba do chapéu preto e fez um gesto em direção à baia. Gabe resolveu não gastar seu fôlego discutindo. menina. – Mas ela não está reagindo como eu esperava. maninho. Ele queria compartilhar isso com ela. Gabe caminhou pelo corredor entre as baias. mesmo que o cavalo nunca fosse render um centavo para o Última Chance. Gabe teria de trazer algo para ela mais tarde. ele precisava ver sua égua. – Aí vem o garanhão com cara de quem acabou de sair da cama. ouvindo histórias de seus avós. Quanto à sua mãe. Jack soltou um suspiro. Estamos acreditando em cura sobrenatural agora? . Você tem que lutar. O novo Jack havia se tornado amargo. por isso entrou na baia. a égua Paint que tinha parido no mês anterior e o animal favorito de Gabe naquele celeiro. claramente aguardava por um petisco. e essa mulher não era Morgan. Doozie aguardava pacientemente. Jack presumiria naturalmente que Morgan estaria se espreitando apenas para estudar um jeito de lucrar com sua união com um dos rapazes da família Chance. Tenho a intenção de fazer com que este lugar continue podendo se pagar. parando para acariciar os focinhos dos cavalos que colocavam suas cabeças para fora para ver quem estava ali. – Sua égua não está melhorando no tempo previsto. e enquanto isso ela está custando uma grana ao rancho. Nesse meio-tempo. – Sinto muito por ouvir isso. ela sempre dissera que desejava que ele encontrasse uma mulher capaz de amá-lo além da razão. e Gabe ainda estava tentando concluir o que fazer a respeito. mas trazê-la ali só serviria para deixá-la desconfortável. – Você provavelmente está certo sobre isso. Isso significa que ela pode ou não se recuperar. Nick estava no meio da montagem da tala especial que permitia a Doozie ficar de pé sem sentir tanta dor. como uma faixa numa estrada. Já o silêncio prova que ele conseguiu o que queria. – Estou fazendo o que posso. – Gabe segurou o cabresto da égua e acariciou a mancha branca perfeita que ia da crina ao focinho. Jack? – Desde que papai me colocou no comando de tudo. Jack inclinou-se sobre a porta aberta da baia de Doozie. – Nick encontrou o olhar de Gabe. provavelmente Nick. Os olhos escuros de Jack eram ilegíveis. Seu irmão assentiu. – Eu não acho que a gente devia falar sobre Morgan. Houve uma época em que Jack achava que salvar um cavalo já era motivo suficiente. Um sujeito falante normalmente está inventando coisas.

é porque não é para ser. Ei. – Olha. – Talvez não seja uma má ideia. – Não. Nick pegou suas coisas e se levantou. um para o cavalo e um para cada um de nós. – Ei. Todos nós devemos cortar despesas e… – Ela precisa de um bode. Quando o pai deles era vivo. Jack sempre ganhava mais porque lidava com mais responsabilidades. claro. Jack. no verão anterior. mas eu vou comprar o bode. – Mas. você não vai – disse Gabe. . é você quem está sendo imaturo e se doendo aqui. você deu uma chance a ela. Vou ter que comprá-lo de Bennington. Eu vou comprar o bode. Jack ergueu as mãos. – Por que não? Se funcionar… – disse Nick. Se ela não conseguir se recuperar aqui. – Gabe deu um tapa mental na própria testa. – Eu. Você a trouxe para o melhor veterinário do Wyoming. para que todos possamos entrar em contato com nossos sentimentos. não comece você também! – Jack olhou para ambos. então! Vamos transformar o celeiro num spa equino. cresça. Jack tinha total controle sobre suas finanças. mas eu nem sequer pensei nisso. é só um bode! – E eu não vou aprovar a compra do tal bode! Nós já gastamos mais dinheiro do que eu gostaria de imaginar com este cavalo. mas ela não parece feliz aqui. já posso pedir falência de uma vez e nos poupar bastante tempo. mesmo quando disse aquilo. Odeio dizer isso. ou costumava lidar até se envolver com Josie. Presumindo que ele ainda esteja com o bicho. – Obviamente precisamos melhorar as acomodações dela. cada filho tinha um salário por seu trabalho no rancho. – Ah. Deixe-me dar alguns telefonemas e ver se o bode ainda está disponível. – Então você não vai aprovar a aquisição do bode – disse ele. Jack. em voz baixa. Vou receber algumas restituições de inscrições de eventos que devem cobrir o valor. Jack olhou para Gabe como se este tivesse perdido a cabeça. Gabe olhou para ele. – Por que não pensei nisso antes? Ela está acostumada a ter um na baia! Eu devia ter comprado o bode quando adquiri a égua. – Ela tem um ar de resignação. assim que terminou de ajeitar a tala da égua e se levantou. Gabe. Gabe. provavelmente o melhor veterinário do oeste do país. – Deus. Gabe estava ciente de que era um dinheiro pertencente ao rancho. imaturo? Tudo bem. Gabe tirou o chapéu e correu os dedos pela aba enquanto lutava para se controlar. como se tivesse desistido. Nesse ponto. – Se você negociar o bode tão bem quanto negociou a égua. – Não importa. talvez a gente precise trazer vários terapeutas. Nick guardou seus equipamentos veterinários. Por acaso você não vai ter que pagar por esse bode? – É óbvio que vou. – Vá se danar. – Ei. podemos colocar música e talvez contratar um terapeuta para analisar os sentimentos dela. Jack revirou os olhos. – Agradeço seu gesto para manter a paz. – Droga.

Eu trouxe Doozie aqui para oferecer um refúgio a ela. Jack? – Gabe saiu da baia e enfrentou seu irmão mais velho. mas Nick costumava relatar que eram bem ruidosas e furiosas. ele nunca tinha pensado muito na questão do dinheiro. mas havia colocado tal cláusula no testamento por precaução. Ele doava todos os prêmios em dinheiro ao rancho. mas isso não significa que podemos nos dar ao luxo de jogar dinheiro fora. Se alguém desejasse vender um pedaço. certamente. ele ainda estaria bem financeiramente. incluindo sua mãe. – Jack cruzou os braços. – Alguém precisa fazer isso! – Precisa mesmo? – Gabe sustentou o olhar de Jack. não apenas a Jack. – Ah. – O que tem a corretora de imóveis. – Gabe colocou o chapéu e puxou a aba para baixo. Gabe imaginava que seu pai não desejaria que isso acontecesse. se o rancho acabasse no dia seguinte. Logo depois Jonathan Chance faleceu. Talvez precisasse dar um rumo na vida e decidir quem tinha as rédeas das suas decisões. se eu bem me lembro da história. Na leitura do testamento de seu pai ficara claramente especificado que o rancho pertencia a todos eles. – Mas. Gabe normalmente não estava em casa para ouvir as brigas entre seu pai e Jack. mas Jack estava tornando essa opção cada vez menos palatável. os outros três teriam de comprá-lo da quarta pessoa. – E em relação a Morgan… Nick resmungou: – Não acho que seja hora de discutir isso… – Não. Caso houvesse um litígio. Assim que Nick conseguiu a licença para clinicar. ficariam com uma parte da propriedade. este rancho fornece um pé de meia para um monte de cowboys. Ele possuía alguns clientes na região. Durante dez anos ele concentrara toda sua energia treinando cavalos de apartação e vencendo competições. não poderia continuar a fazê-lo. pode deixá-lo falar. Sem o apoio do Última Chance. Quanto a Gabe. e isso sem dúvida exigiria a tomada de um empréstimo ou a venda de alguma área plantada. Você parece estar querendo cobrar um preço por isso. Tinha o suficiente para suas necessidades básicas e o Última Chance costumava pagar por suas participações nas provas e pela manutenção de seus cavalos. pelo menos por parte do tempo. Gabe queria ficar. – Vamos colocar todas as cartas na mesa. O sistema tinha funcionado bem assim. além de Mary Lou. – Jack soltou um suspiro. Talvez Gabe precisasse amadurecer. Archie e Nelsie se dedicaram para que este lugar pudesse dar uma última chance de felicidade a pessoas e animais. – Belo discurso. mas virou para trás quando pensou em mais uma coisa. com o pai ameaçando cortar o salário de Jack e Jack ameaçando abandonar o rancho. todos deles. ele não teria feito nada disso e. – O Última Chance está numa situação financeira tão ruim assim? – Não no momento. – Ou o quê. Até agora. por isso. Além de nos garantir um teto e comida na mesa. – Ele se preparou para sair. Mas ele também percebia outra coisa. – Compre a porcaria de bode. A questão continuara pendente e em fogo brando até a chegada do outono. assim ninguém seria obrigado a permanecer ali. ele começou a obter uma renda além daquela recebida no rancho. Tenho a responsabilidade de manter a gente no azul para que tudo continue como sempre foi. Mas é bom que isso dê certo. Gabe? . Talvez Jack estivesse certo. pelo amor de Deus. Você não tem como calcular isso monetariamente.

Se ela vier. e as mães dos sujeitos que ela havia namorado sempre gostaram dela. as mães ficavam muito satisfeitas por Morgan não demonstrar desejo de se casar de imediato. Afinal. Levantando-se. eles estavam bem em frente à casa. Ela pensava que Gabe tinha sérias intenções com Morgan. ela certamente estaria diante de uma delas observando a chegada da intrusa. Quando saiu do carro. Morgan sentia-se mal . usava o chapéu inclinado para trás. Jack semicerrou os olhos. Se você fizer qualquer coisa que a faça sentir-se desconfortável. Ela fazia amigos com facilidade. Mas. mesmo depois de seus respectivos filhos terem se casado com outras mulheres. Gabe tinha prometido que ela não ia seria tratada feito um pedaço de esterco grudado no solado da bota de alguém. Sarah detinha uma postura oposta. Morgan diria que a dela estava em torno de cinquenta. ÀS TRÊS da tarde. Morgan até mantinha contato com algumas delas ainda. – Gabe quase desejou que Jack o provocasse para que houvesse logo uma briga. Gabe estava sentado em uma das cadeiras de balanço da varanda. Se Morgan fosse a mãe de Gabe. Talvez ele precisasse dizer o mesmo a sua mãe. O gesto atencioso a deixou tocada. para que não se queimasse ao sol durante o passeio. Gabe tinha deixado bem claro que não estava buscando compromisso. Conviver com a reprovação da mãe dele era uma experiência nova para Morgan. Ela estava assustadoramente contente por vê-lo. mas agora com certeza teria sangue-frio para fazê-lo. estava com os pés calçados com botas esticados diante de si e ostentava um sorriso que fez o coração dela saltitar de alegria. com suas muitas janelas. Em uma escala de alegria de um a dez. No entanto. vamos selar dois cavalos e sair para um passeio pelo rancho. quando Morgan encostou o carro. – Por quê? – Porque ela é minha amiga e adoraria ver o rancho. Gabe havia lhe prometido um passeio pela casa antes de eles saírem para cavalgar. ele pegou um chapéu de palha na cadeira ao lado e desceu pelos degraus da varanda. Morgan não estava convencida. – Então colabore. o que significava que Morgan deveria levá-lo a sério também. contrariando todo seu bom senso. Gabe não teria sido capaz de partir para cima do irmão. – Não me dê um motivo. A ânsia para ver o interior da construção e as áreas plantadas nos arredores disputava com seu medo de trombar com Jack ou Sarah. Morgan tomou a longa estrada de terra que levava à casa do rancho. em tais casos. mas não conseguira resistir a dar uma espiadinha dentro da casa e depois passar o restante da tarde cavalgando com o cowboy Gabe. – Tente. – Eu resolvi convidá-la para vir aqui hoje. Anos atrás. ele ficava muito poderoso montado num cavalo. Conforme ela pudera conferir durante o desfile. e ele estava se coçando para provar isso. não era assim que Morgan entendia a situação. Jack. O bufar zombeteiro de Jack disse tudo. Morgan apostava que ele havia trazido aquele chapéu para ela. vai se ver comigo. Pelo visto. ela lutou contra o impulso de correr e se jogar nos braços de Gabe. Elas queriam que seus filhos se formassem ou alcançassem determinados objetivos profissionais antes de se estabelecer afetivamente.

Que tal no celeiro? A gente pode fazer lá? – Não! Se é isso que você tem em mente. – Gabe. – Gabe Chance. – Ele deu um sorriso lento. Tinha um cheiro ótimo e o sabor era ainda melhor. Quando Gabe finalmente a libertou. sentiu seu cabelo ainda úmido. eu vou embora agora. Aqui está seu chapéu. Gabe assentiu. Vamos ver a casa. a gente não devia… – Foi o máximo que ela conseguiu protestar. – Eu só preciso de um beijo. Ele quase chutou a terra com o dedão do pé. – E foi precisamente por isso que eu não enfiei a bainha na calça. eu? – Olhe. – Hum. Morgan cambaleou um pouco. – Isso nós veremos. mas esta é só minha opinião. Sei que pelo menos dois dos membros da sua família estão preocupados com a minha presença e eu não vou piorar as coisas fazendo sexo com você bem debaixo do nariz deles. Eu não estou aqui para agradar a você. Estou tentando causar uma boa impressão aqui. – Tudo bem? Ela fitou os olhos azuis risonhos e não conseguiu evitar sorrir de volta. Não faz diferença se ela é grande ou se as trancas das portas são robustas. Por causa da mãe de Gabe. Ótima escolha. parecendo um garotinho arrependido. Dirigi até aqui toda serena e composta. Morgan enredou os dedos no algodão macio da camisa recém-lavada de Gabe. Obviamente ele havia tomado banho e feito a barba recentemente. Quando ela segurou a parte de trás da cabeça dele. a gente não vai ficar dando amassos dentro da casa.interpretada. ele bloqueou o caminho de Morgan. e você… – Quem disse que seria tranquilo? – Gabe. – O que você quer dizer? – Não se preocupe. Colocando tanto seu chapéu quanto o dela em cima do capô do veículo. Gabe a encontrou antes mesmo que de ela dar a volta completa no carro e chegar ao para-choque traseiro. Não vai rolar dentro da casa. . Pessoalmente. Morgan se enganchou no braço dele antes mesmo de ele contornar a traseira do utilitário. prefiro a blusa enfiada na calça. ela se vestira de maneira conservadora. – E você está ótima. antes de ser envolvida por aqueles braços fortes e ter a boca coberta pela dele. – Quem. Ainda é a casa da sua mãe. Ele a examinou. disfarçando seus dotes consideráveis com uma blusa de listinhas verticais. além disso. Ele a segurou pelos ombros. cuja bainha ficara para fora. Em vez de afastá-lo tal como havia planejado. e isso não era nem um pouco agradável. – Gabe também pegou seu chapéu e o colocou na cabeça. As listras turquesa desta blusa combinam com seus olhos. – Você é um diabinho. – Tudo bem. – Ele a persuadiu a abrir os lábios e a penetrou com a língua de um jeito muito sexy. o que você está fazendo? Ele ofereceu um olhar inocente. ainda estamos em pleno dia. pronta para fazer um passeio tranquilo pela propriedade. as pernas totalmente bambas. e não enfiada no cós da calça.

eu vou pensar sedução. ela não confiava nem em si mesma para se conter. afinal. Morgan não acreditou naquele tom de zombaria séria nem por um minuto. . Fico feliz em saber que você tem algum bom senso. O sorriso dele finalmente irrompeu. – Ótimo. Aliás. os lábios se contorcendo como se ele quisesse rir. – Sim. Ele olhou para ela. Uma vez que Gabe se apoderasse dela. ela derreteria nas mãos dele. Mas no meio do mato… isso é outra história. Era necessário definir as regras do jogo antes de eles prosseguirem com o passeio. – Morgan. Eu quero que você prometa que não vai pensar em sedução. Não sei o que eu estava pensando. – Então eu vou voltar para a cidade e vamos esquecer esse passeio. É assim que funciona. seria estúpido transar na casa ou no celeiro. – Você está totalmente certa. Gabe. – Ei. – Eu estava brincando com você. Eu não a envergonharia tentando transar na casa ou no celeiro. – Ele acariciou os braços dela. – É o seguinte. sempre que pousar os olhos em você.

certamente uma delas era um lar. Gabe achava aquele ambiente confortável normal. após o jantar no Espíritos e Esporas. mas não precisava ser um gênio para descobrir isso. Seth. também? – Sim. Ela era capaz de se imaginar relaxada em uma das poltronas estofadas em frente à enorme lareira de pedra. Ele ganhou o rancho num jogo de cartas e resolveu se mudar para cá. mas aí chegou a Grande Depressão e ele ficou desempregado. Trabalhando com imóveis. A família de Morgan nunca tinha possuído uma casa. . Capítulo 9 QUANDO FIZERA o convite. – Admiro esse tipo de determinação. Ainda assim. Gabe não ia apressá-la durante o passeio pela casa e pelo celeiro. – A lareira. Pelo menos assim teria um teto e comida vinda da horta. para se deleitar com Morgan O’Connelli. – Ela colocou a mão no corrimão da escada em curva que levava ao segundo andar. Mas. Gabe tinha intenções bem claras. Depois de tantos anos. ele cogitou fazer um longo passeio a cavalo e pensou no quanto seria agradável circular pelas regiões remotas do terreno. Ou talvez imaginasse os dois na namoradeira. ansiava por uma. – Ele e seu cunhado. – Que sala espetacular. – Gabe sentiu uma onda inesperada de orgulho e descobriu que estava ansioso para contar os detalhes. Quando Gabe guiou Morgan pela porta da frente e ela deu um pequeno suspiro de prazer. tentando enxergar a sala de estar pela perspectiva dela. Possibilidades começaram a se formar em seu cérebro encharcado de hormônios. ela poderia mergulhar na alegria de encontrar lares para os outros. com formação em alvenaria. Dentre o que quer que o Última Chance pudesse representar. ele fez uma pausa e deu uma nova olhada no lugar. só com uma pequena ajuda da minha avó. bebericando chocolate quente enquanto as chamas crepitavam. construíram esta seção central praticamente sozinhos. e ela. depois que ela concordou em ir até o rancho. Meu avô era carpinteiro. – Isso é muito legal. – Que elegante. Ele nunca perguntara por que ela havia acabado no ramo de imóveis. Ele queria mostrar a propriedade e aguardar até a noite. mas Morgan não. – Foi meu avô quem fez. – Ela olhou para o lustre de roda de carroça com lâmpadas antigas a óleo. as quais tinham sido adaptadas para receber eletricidade. obviamente. Gabe gostava da ideia.

onde ficavam a cozinha e a sala de jantar. Gabe. Joyce. caminhando em direção a Morgan. embora Gabe nunca os tivesse medido. juntamente aos aposentos particulares de Mary Lou. – Eu também. Ou poderia ser nada mais do que um comentário casual. – Direto da reserva no Arizona. Isso é incrível. com tudo de que eles precisariam para ser criativos na floresta. Os cactos morreram. meus avós foram fazer uma visita e voltaram com muitos vasos de cactos e três grandes tapetes. – O sorriso solto explicou exatamente a que ela se referia. Estou convencido de que tanto Archie quanto Nelsie tinham talento artístico.0 metros. mas os tapetes estão pendurados aí desde então. A mãe de Gabe chegou pelo corredor da ala da esquerda. Mary Lou sempre saberia dizer onde encontrá-la. ele percebia agora. Sua mãe puxando conversa. Eu me mudei muito quando criança. nem sei se esses tapetes são valiosos mesmo. Eram três. Mas esse tipo de coisa não é para mim. sua avó e sua mãe. vermelho e preto. – O que tem lá dentro? – Ela gesticulou para uma porta no lado direito da sala. – Parece tapeçaria Navajo autêntica – disse ela. acho que é. Gabe prometera a Morgan que ninguém iria perturbá-la enquanto ela estivesse ali. na verdade. Talvez ela tivesse percebido que sua primeira reação a Morgan havia sido intempestiva.0 por 2. lembrando-o do que estava em jogo. admirando os enormes tapetes nativo-americanos na parede. e cada um tinha pelo menos 3. – Você é criativo em outros aspectos. – Mas você já deve saber disso – acrescentou a mãe de Gabe. Os alforjes já estavam preparados. Bom sinal. Um sujeito não era capaz de controlar o comportamento de sua família. Ele tinha planejado começar a se dedicar aos desenhos depois da aposentadoria. – Sim. mas não sei se teria paciência. Depois que Seth se mudou para Phoenix com sua esposa. Gabe prendeu a respiração e esperou que tudo desse certo. – Ele estava contente por tê-la trazido. Morgan estava lhe oferecendo uma nova perspectiva. Normalmente. mas achava que não tinha tempo para isso. como se Sarah fosse achar que Morgan estava avaliando os tesouros da casa. Agora é o escritório de Jack. – Eu sei. Ela começou a passear pela sala. – A mãe de Gabe tocou a beiradinha de um tapete com estampa em creme. Ainda sou. Gabe relaxou um pouco. . mas tinha sido uma promessa vazia. Passamos alguns meses acampados perto de um posto de troca. assim como seu avô. – Seu pai sempre vai ser parte deste lugar. Se a mãe não estivesse lá. Nick é igual a ele nesse sentido. quando Gabe queria encontrar sua mãe. E. Como eram as duas únicas mulheres no rancho. embora eu ainda pense nele como sendo do meu pai. Ah. – Gosto de achar que eu conseguiria aprender a fazer isto. Morgan sorriu agradavelmente. – O escritório do meu pai. – Obrigada. Fiquei fascinada com os teares. – Bem-vinda à nossa casa. Aquela declaração sobre os tapetes poderia ser tomada como um desafio. Morgan não tinha ideia. – E agora eles valem uma fortuna – comentou Morgan. sua primeira parada era na cozinha. Meu pai sabia desenhar. Sarah e Mary Lou tinham desenvolvido uma amizade profunda.

É um passatempo relaxante. Ele havia trazido Morgan para o rancho. Os relatórios deviam ter sido bons. – Basta olhar para isto. mãe – interrompeu ele. Mas que droga. – Só sei que eu não conseguiria tecer um. Sua mãe poderia ter simplesmente apontado para o que havia lá dentro. mas feliz. Gabe conhecia sua mãe o suficiente para perceber que ela estava ficando mais calorosa com Morgan. – Você faz ponto-cruz? – Quando tenho tempo. gesto que sua mãe interpretara erroneamente como um sinal de que ele sentia algo sério por ela. Ele relaxou um pouco mais. coisa que não tem ocorrido ultimamente. Deus do céu. um a um. – Ainda não. – Ela olhou para a mãe de Gabe. e ele entendia por que ela buscava conforto tentando estabelecer uma família para cada um dos filhos. Também preciso voltar a ele. mas não. – Você já viu os troféus de Gabe? – Ela fez um gesto em direção a uma estante no canto. a coisa estava ficando complicada. . Shoshone era uma cidade pequena e sua mãe conhecia muita gente. Não tive a oportunidade de mostrar nada. – Pouco antes de você entrar. Deixa minhas almofadinhas em ponto-cruz no chinelo. – O talento dessas mulheres era espantoso. Desta forma. não era? Confuso. – Eu a entendo bem. – Ela acabou de chegar. E agora… claro que sua mãe estava agindo como se estivesse de olho numa futura nora em potencial. Gabe começou a se contorcer. nem Morgan. Era quase como se sua mãe tivesse resolvido atuar como uma vendedora para convencer Morgan a levar o partidão do ano. – Este garoto nos deixa muito orgulhosos. A cada troféu. Gabe não estava pronto. Felizmente Nick e Dominique estavam na fila para fazer esse sonho se concretizar. Finalmente Sarah esgotou o assunto dos troféus. O mundo de Sarah tinha ficado de cabeça para baixo depois do último outono. A verdade é que ele a havia convidado para mostrar Jack e à mãe que ambos não poderiam controlá-lo. ela abriu as portas duplas e pegou os troféus. – Morgan passou um dedo sobre uma parte intrincada do desenho. Mas Gabe conseguia entender o impulso. E essa catástrofe iminente era principalmente culpa de Gabe. – Gabe já lhe mostrou a cozinha e a sala de jantar? – perguntou. ela estava dando muita abertura! Bem. Sarah encontrou o olhar de Morgan. ele seguiu as mulheres até a estante. A mãe não estava só puxando papo. Conseguir tecer e alcançar este padrão exigiria um dom matemático. Ela provavelmente tinha passado a manhã ao telefone descobrindo tudo que fosse possível sobre Morgan O’Connelli. além de paciência infinita. – A propósito – continuou Sarah. Gabe ficou de queixo caído. E então lhe veio a luz. isso era bom. para Morgan poder segurá-los. então Sarah resolveu repensar sua postura. Mas ele temia o momento em que teria de desiludir a mãe e informar que ele e Morgan não iam seguir tal rumo. Ela e Morgan tinham descoberto um terreno comum na admiração mútua pelos tapetes Navajo e pelo ponto-cruz. Sarah informava a época em que Gabe o havia conquistado e mencionava a importância do prêmio. ela poderia criar um futuro e ter expectativas quanto a uma quarta geração para crescer no Última Chance. Venha até aqui dar uma olhada.

– Veja esta – disse Sarah. pare com isso. – Não. e Gabe arrastando-se atrás delas. – Impressionante. Morgan. – Ela não está nem um pouco entediada. ela estava cativada pela casa do rancho e sua história. querendo observar melhor as fotos na parede. Gabe suspirou. eu vou com vocês. É sério. – Está vendo? – Sarah gesticulou para Morgan. – Então venha comigo. Uma delas era de um garoto muito novinho montado num enorme cavalo. O pobre rapaz não conseguia uma folga. Gabe pensou em Top Drawer e Finicky selados e à espera perto do celeiro. Ele era um adorável… Gabe pigarrou ruidosamente. A expressão de Gabe era impagável. percebeu que havia cometido um erro tático. – Jonathan não acreditava em iniciá-los em pôneis. segundo Sarah explicara. Desejar ver as fotos de infância de um sujeito era coisa de mulher que sonhava com os bebês que poderia fabricar com ele. Morgan desacelerou. Morgan simplesmente queria ver as fotos porque… bem. então pode ficar relaxando aqui até a gente voltar. Ela podia jurar que aquele lourinho era… – Este é Gabe em seu primeiro cavalo – disse Sarah. atitude que o constrangera. e Gabe não tinha nem 1 ano ainda. Sarah virou-se para ele. Morgan só queria isso também. – Ela só está sendo educada. A pobre mulher aparentemente achava que seu filho tinha sininhos de casamento em mente. Aquela casa pedia por netos para continuar o legado dos Chance. Você também. – Mãe. tenho certeza de que Morgan não está interessada nas minhas fotos de bebê. O corredor era tomado por janelas do lado esquerdo. as quais davam para a varanda e para uma vista espetacular da Cordilheira Teton. Primeiro sua mãe agira de forma fria. – No minuto em que Morgan admitiu sua curiosidade. – É dos três meninos. . então os meninos começaram a andar em cavalos grandes desde que tinham 3 anos. Claro. porque Gabe tinha sido um menino muito bonitinho. sendo que tudo que ele queria era apenas sexo e algumas risadas. Em vez disso. – Sirva o café! Nós temos visita! Gabe abafou um gemido. Pensou no preservativo que tinha escondido nos alforjes. enquanto todos seguiam pelo corredor. Agora ela havia tomado a direção oposta e parecia determinada a acolher Morgan na família. se quiser. – Ele não estava disposto a deixar que sua mãe roubasse aquele passeio mais ainda. para Gabe. sua mãe estava estendendo o tapete vermelho e transformando a coisa toda numa reunião social. MORGAN SORRIU para si enquanto seguia pelo corredor com Sarah. mas você já viu tudo isso mil vezes. – Mary Lou! – chamou Sarah. E esse não era o caso dela. Ele teria ficado feliz com um cumprimento educado seguido por um sumiço discreto. Todo mundo gostava de admirar crianças bonitas. Naquele ritmo. mas não estava preparada para ser uma esposa ou para criar os netos de ninguém. – Gabriel Archibald Chance. Havia grande risco de ela começar a mostrar as fotos de Gabe quando bebê. – Morgan olhou para trás. que revirou os olhos. – Claro que estou. ele nunca iria conseguir usá- lo. Gabe. Ele não estava nada contente com o novo roteiro. À direita havia uma galeria de fotos de família intercaladas com portas – diversos armários.

– Aquilo a emocionou. – Bem. o que provavelmente não era bom. Morgan não deveria adorar saber que estava numa categoria exclusiva no que dizia respeito às mulheres que Gabe conhecia. – Aposto que você não falou que nosso relacionamento era só sexo. – Claro que é. Tudo bem. na verdade. pode ser que ela recue. – E o que você respondeu? – Eu disse a verdade. ela interpretou tudo errado. – Isso foi descarado da parte dela. Assim que a mãe de Gabe saiu pelo corredor. – Eu não soube o que dizer porque não conheço seu histórico com as mulheres e cavalos. só que… – Só que o quê? – Você é a primeira mulher para quem já emprestei um dos meus cavalos. eu poderia fazer isso. Gabe. que não estávamos apaixonados um pelo outro. e que isso não rendeu nenhum pedido de casamento. Uma emoção lampejou naquele olhos azuis e então se foi. – Ai. eu não sou tão corajosa assim. É o que você fez. – Eu não fazia ideia de que ela estava enxergando esse tipo de coisa nas entrelinhas. de qualquer forma. – Eu só não quero que você pense que eu falei alguma coisa que pudesse levá-la a pensar que a gente é um casal. Morgan apertou a mão dele. foi como me dar um anel de noivado. – A expressão de Gabe era ilegível. – Sobre o quê? – Ela quer que você encontre uma mulher que o ame sinceramente e que não esteja interessada só na beleza do rancho. . – Oh. ela deu a volta no carro e veio dar uma palavrinha comigo. se você explicar para ela que emprestou o cavalo várias vezes antes. Talvez. – Sem problemas. – E você está sendo chato por algum motivo. ele pegou a mão de Morgan e baixou a voz de modo que apenas ela pudesse ouvi-lo. – Obrigado. mãe. você empresta seu cavalo para ela. – Não entendi. Ele pareceu confuso. Na cabeça dela. Mas ela não teria acreditado em mim. mas ela fez um rebuliço por causa disso quando falou comigo hoje de manhã. mas agora não dava mais para recuar. Acho que. – Desculpe por isso. de algum jeito. vou deixar vocês dois terminarem de ver as fotos e vou descobrir se Mary Lou fez brownies para acompanhar o café. Sarah sacudiu um dedo para ele. Ela disse que. quando você se importa o suficiente com uma mulher. – Gabe massageou a própria nuca. – Isso é ridículo. cara. Isso deve lhe agradar. e que por isso o relacionamento era sério. – Não. – Não é o que você disse a ela. – Ela falou com você? Morgan não tivera a intenção de discutir a tal conversa com Gabe. Várias palavrinhas. – Você me deixou montar seu cavalo. – Depois que você foi para o celeiro.

o sujeito que a vendeu. O calor crepitou dentro de Morgan. você vai ter de ficar nua. pois ele era companheiro de Doozie. e eu devia ter percebido que Doozie precisava do amigo. – Isso é legal. então não faz muito tempo. – Por quê? Existe algo especial que você queira me mostrar lá? O sorriso dele ficou pecaminosamente sexy. – Morgan sorriu para ele. A gente só precisa garantir que vai chegar a um determinado ponto perto do riacho. – Como assim? – Eu preciso do bode que ele tem. Morgan olhou para o relógio. – Nós não temos cavalos assim. ela já viu os dois cavalos selados e prontos para sair. senhora. pelo menos nas propagandas que divulgamos. pode ser breve ou demorado. Eu liguei para o Bennington. Tem sombra. – Sim. Eu não estava pensando em gastar todo esse tempo na casa. para ver se consigo comprar um bode dele. Ele riu. – Há quanto tempo os cavalos estão selados? – Eu os selei pouco antes de você chegar aqui. Foi outra coisa que perdi na infância. . além dos cães do rancho. e eles não se importam em ficar lá. com certeza tem. – Acho que você devia ter selado um pangaré velho para mim. – Se a gente conseguir retomar os rumos do nosso passeio. Ela nunca vai ser de primeira linha. eu vou levá-la até o celeiro para conhecer Doozie. certo? – Isso. E. – Eu gosto dessa sua ligação com os animais. – Mas vamos ter tempo para fazer o passeio? – O passeio pode levar o tempo que a gente quiser. Meu pai não aceitaria que fosse diferente. A gente não podia ter animais de estimação porque vivia mudando de casa e nunca sabia se eles seriam permitidos na nossa próxima moradia. Gabe. – Pior ainda. Acho que é por isso que ele tem tantos problemas com a égua que eu trouxe para casa. – Doozie. – Vamos ver se podemos pegar o café e os brownies para viagem. e talvez alguns dos outros cavalos. Se minha mãe por acaso espiou o celeiro pela janela. e Jack mantém a tradição. estabelecendo-se entre suas coxas. Morgan piscou. eu estava planejando lhe emprestar Top Drawer outra vez quando a gente saísse para o nosso passeio pelo rancho. Acho que a égua está de luto por causa do tal bode. para aproveitá-lo por completo. Muitas vezes os cavalos e bodes saem juntos por aí. Isso pode mudar as coisas para ela e recuperar sua vontade de viver. As montarias do Última Chance são de primeira.

Gabe tinha uma imagem vívida da cozinheira na enseada usando maiô vermelho. Ele não precisava que Mary Lou também inventasse de virar íntima de Morgan. não via vantagem alguma em um contrato legal de matrimônio. Embora Mary Lou estivesse na meia-idade e já não se preocupasse mais em retocar seu cabelo cinzento desgrenhado. – Provavelmente vamos passear pelos prados. vamos ver quanto tempo temos. Não acho que ela se importaria. As flores silvestres são bonitas lá e a vista é legal. Sarah apontou o chapéu que Morgan levava em uma das mãos. – Roni? Você tem uma irmã que eu não conheço? – Não exatamente. . Ela apareceu por aqui há alguns anos. Gabe tinha certeza de que ela sabia muito bem o que ele tinha em mente. então acho que ela deve ficar com o cavalo que já conhece. Capítulo 10 GABE SENTIA-SE um pouco culpado por ter pedido que o café fosse colocado em uma garrafa térmica e os brownies em um pacote. Gabe não corou quando respondeu. Ela sempre dizia que. diferentemente de quando tinha 17 anos. Morgan se virou para ele. no entanto nunca chegara a se casar. – Sim. Agora Gabe sabia que sua mãe considerava a coisa toda com os cavalos um sinal de que em breve ele iria se ajoelhar e propor casamento à linda srta. Depois disso. mas não culpado demais. – Morgan se acostumou com Top Drawer. e ambas pareciam aptas a fazê-lo rapidamente. – Vejo que você está emprestando-lhe um dos chapéus de Roni. O’Connelli. ou mais longe. Sarah bebeu um gole de café. Sem dúvida ela colecionara sua parcela de amantes. Mas. como não podia ter filhos e sempre tivera a intenção de se sustentar sozinha. naquela época. Mary Lou assentiu. – Para onde vocês vão? – A pergunta astuta de Mary Lou foi do tipo que ela teria feito quando Gabe tinha 17 anos e estivesse levando uma garota para um passeio ao luar. ele já reconhecia que Mary Lou ficava bem bonita naquele maiô vermelho. Era uma adolescente fugitiva. – Você vai emprestar Top Drawer ou Finicky a Morgan? Mais uma pergunta cheia de significado. havia muitos anos. Sorrindo de maneira benevolente. ainda fosse um garoto de uns 8 anos. este é dos velhos. Muito embora.

Ah. Ele amava as competições de apartação. – Não acho que a gente vá precisar de repelente em plena luz do dia – disse Morgan. – Gabe percebeu que a mulher o estava sondando. olhando para trás enquanto Gabe a agarrava pela mão e a estimulava a sair da cozinha. – Pam vai estar aqui. sim. Gabe. Vamos lá. Ele estava encurralado. – Gabe calculava que o passeio pelo celeiro ia ficando mais curto a cada minuto que passava. – Gabe pensou na determinação de Roni para se tornar mecânica da NASCAR. – Que lugar é esse? – No caminho eu conto. mas é melhor do que nada. espere um minuto! – E então Sarah apareceu à porta. – Não. – Mary Lou entregou a lata a Morgan. – Prazer em conhecê-la. – Nada. Morgan levantou o chapéu. Todos os garotos tinham a própria área para dar uns beijinhos numa garota. por isso vamos fazer um belo jantar para ela aqui. Agradeço pelo empréstimo. Gabe – disse sua mãe. – Bem. exceto para provocar os seus irmãos e dizer que eles nunca iriam encontrá-lo. Se vocês forem passar um tempo perto do riacho. O de Nick era numa pequena clareira na floresta e o de Gabe era num banco de areia ao lado do riacho. mas. e o tempo estava correndo de encontro à hora do jantar. – Fico feliz que ela tenha deixado isto aqui. sra. – Mary Lou foi até um armário e pegou uma lata de spray. – Meu marido foi um coração mole. – Roni é gente boa. em vez de entregá-la ao xerife. Eu nunca testei de verdade. não com selas e rédeas. vão precisar dele. – Ela se virou para Morgan. agora que foi trabalhar no circuito de NASCAR. – Depende. ele lhe prometeu hospedagem e refeições em troca da manutenção dos nossos veículos. mas se perguntava se gostava delas da mesma forma que Roni adorava as corridas. daí se virou e piscou para Gabe. Sarah pousou a caneca. – Você tem alguma coisa para os mosquitos? – perguntou Mary Lou. você devia trazer Morgan. Jonathan a flagrou. – Ele lançou um sorriso para Sarah e Mary Lou. Mary Lou sabia exatamente o que estava acontecendo. – Obrigado pelo café e pelos brownies. – Você vai mostrar o local sagrado em Shoshone a Morgan? – perguntou sua mãe. – Talvez não desta vez. Mary Lou serviu-se de mais café. – E nós temos que ir. o negócio é que… – Tenho certeza de que você pode dar um jeito. mas nunca chegara a mencionar a respeito. Morgan olhou para ele. Eu esperava que ela fosse ficar por aqui. – Este é ecologicamente correto e não tem um cheiro muito ruim. – Você já conheceu Pam Mulholland? . Chance! – Pode me chamar de Sarah! – berrou ela. Jack também tinha seu refúgio. Mary Lou – disse Morgan. – Ah. A garota fez uma ligação direta em uma das nossas caminhonetes e ia usá-la para fugir. – Gabe não queria dar ao passeio mais importância do que ele já tinha. O lugarzinho especial para amassos de Gabe era perto do riacho. Sinto falta dela. independentemente do que fosse preciso fazer para realizar seu sonho. – Esta é a última noite de Dominique aqui antes do retorno a Indiana. Ele precisaria de pelo menos uma hora para seus outros planos. da cozinha. o lance dela é com pistões e engrenagens. – Obrigada por mostrar a casa.

Você pode deixar uns cartões da imobiliária com ela. – E eu que pensei que precisaria protegê-la dela. – Gabe pegou a lata enquanto eles atravessavam o pátio para chegar aos cavalos selados. Alguns de seus hóspedes até já se mudaram para cá. podemos evitar aquela região. que eu não estou pronta sossegar e amamentar seus filhos. agora que Morgan tinha mencionado isso. – O que você disse? – Eu posso estar errada. – Ela mesma. mas. E eu digo: vamos passear. – Então vocês dois vão jantar aqui? Gabe reconhecia quando estava derrotado. A gente se vê! – Ele guiou Morgan pela imensa sala de jantar. – Claro. Você é o guia de turismo. e muito menos de se tornar pai. se o riacho atrai mosquitos. então ela quer me convencer de que você é um bom partido. – Aparentemente eu passei no teste. – Você é a mais nova melhor amiga dela. Podemos visitar o celeiro quando voltarmos. – Exatamente. mas inconscientemente ela pode estar me enxergando rodeada por bebês. eu sei. Mas. – Isso seria maravilhoso – disse Morgan. – Precisamos de ar fresco. Você vai gostar de lá. Como é que dizem mesmo? Vocês estão perdendo tempo. – Isso é loucura. Pam é como se fosse da família. – Quer que eu guarde isto em seu alforje? – perguntou ele. – O que você disser. Gabe parou bruscamente e olhou para Morgan. Só que ele não estava disponível para isso. caso necessário. de certa forma. mas essa é uma longa história. – Ainda não. com suas quatro mesas de madeira redondas que davam conta de acomodar trinta e duas pessoas. – Mas. – E nós devemos ir – disse Gabe. – Sim. Bem. a visão dela aninhada a um bebê mamando alegremente num seio grudou no cérebro de Gabe. – Exatamente. Morgan exibiu a lata de repelente de mosquitos. na entrada da cidade. Ele não tinha a intenção de se casar agora. mamãe. – Não. Estaremos aqui. se fosse fazer um ou outro. – Você sabe do que precisamos? – Ele abriu a porta da frente. Você vai ter de dizer a ela. . o que foi que eu fiz? – Gabe manteve um ritmo acelerado para evitar dar à sua mãe a oportunidade de surgir com algum recado crítico digno de ser entregue imediatamente. tecnicamente. – Você ainda precisa. ou seja. não podemos. Morgan seria perfeita. Morgan. – É lá que você vai me mostrar algo especial? Gabe fitou os olhos risonhos de Morgan. ela é da família. os netos dela. – Meu Deus. adjacente àquela e mais intimista. – Mas. – Pode vir a calhar. você deveria conhecer Pam. – Eu sei. O jantar em família naquela noite seria na outra sala. com cuidado. – Divirtam-se! – gritou Sarah. e ela sempre está por aqui. Finalmente chegaram ao corredor. Mas sei que ela é dona da pousada Beliche e Boia. iria querer que fosse com uma mulher como Morgan.

Eles até visitaram durante algum tempo. um prado coberto de flores e um cowboy e uma vaqueira montando cavalos de raça circulando pela paisagem. – Só isso? Só uma rocha? – É uma rocha grande.MORGAN SENTIA como se tivesse entrado numa foto publicitária do Wyoming: montanhas com neve no topo. mas seria divertido. Uma conversa podia ser a resposta para seu problema. Agora Morgan realmente queria ver a tal rocha. principalmente quando ela se concentrava no ajuste da calça jeans de Gabe. . quer? – Estamos longe do riacho? – Mais quinze ou vinte minutos. explicara Gabe. Creio que os Shoshone costumavam dançar sobre a rocha antigamente. Dá para dançar valsa em cima dela. mas acho uma bobagem. Mas a marcha lenta de seu cavalo ainda estava lhe tentando. montado em seu outro cavalo de apartação. ele morria de medo de ocorrências paranormais. – Não. mas eu não acho que muitos membros da tribo continuem a frequentar o local. Nick vai dizer que tem poderes místicos. ele os incentivou a visitá-la sempre que sentissem vontade. é só uma rocha. Ela estava se apegando ao cavalo ruão de Gabe e sentia-se vaidosa quando parava para pensar que Top Drawer provavelmente combinava com seu cabelo. Morgan tentava não perder muito tempo reparando no jeito como o bumbum de Gabe se encaixava à sela de couro. Ela não ia pressionar. e ela ainda não conseguia ouvir o som de um riacho. Por isso era melhor eles conversarem. Morgan estava mais do que pronta para aquele algo especial. – Oh. Finicky significava “meticuloso” em inglês. – Você já dançou? – Morgan havia experimentado as habilidades de Gabe na valsa durante o baile na rua. mas não dava exatamente para recebê- lo no meio de um campo aberto. Finicky era um Paint branco e cor de chocolate que escolhia seu caminho cuidadosamente em torno das poças de lama. Aparentemente. – Mas eles podem ir lá? O acesso é permitido? – Com certeza. Gabe era uma figura impressionante. um dia desses. mas hoje não fazem mais isso. e Sarah havia suscitado um monte de tópicos que haviam deixado Morgan curiosa. sendo assim eles não deviam estar muito perto do local onde Gabe iria lhe mostrar algo especial. – Então… Que local sagrado é esse que eu não vou ver hoje? – É uma rocha de granito plana com veios de quartzo branco. – Ei. – Morgan sorriu para si. Uma vez que vovô Archie descobriu que o rancho possuía uma área considerada sagrada pelos Shoshone. – Estamos longe dela? – Estamos indo na direção oposta. Ao lado dela. Por isso ele tinha aquele nome. O que era? – Você não quer mesmo ouvir toda essa história de família. A gente pode tentar. – Sua mãe mencionou algo sobre Pam e uma longa história. Gabe era o mesmo sujeito que tinha surtado quando ela relatara ter visto um fantasma. O balanço suave da cavalgada já a fazia pensar em sexo.

Nick descobriu apenas recentemente que sua mãe tinha sido um casinho breve do papai antes de ele conhecer Sarah. ela se mudou para cá para ficar perto dele. – Ela não é? – Agora isso era chocante. Ela tentou matá-lo e errou. Pessoalmente. como todas as outras famílias. Ela nunca teve filhos. Então eles criaram Nick fazendo-o pensar que Sarah também era sua mãe. depois do divórcio. – Mas vocês dois são tão parecidos! – Isso é porque ela é minha mãe. melhor. Mas a primeira coisa que Morgan ouviu foi o zunido de um mosquito. – Algo que causa muito pesar a ela. Eu tenho um plano. Gabe riu e permitiu que seu olhar fizesse um lento passeio sobre o corpo cálido e desejoso de Morgan. – Devemos pegar o repelente? – Vamos chegar lá primeiro. não era? Gabe assentiu. mas aparentemente eles possuíam seus segredos. Creio que meu pai achou que seria melhor se Nick pensasse em Sarah como sua mãe biológica. – Então me conte a história. Ela havia deixado instruções pedindo que Nick fosse entregue ao meu pai caso algo lhe acontecesse. é? – Não. Pam é a tia dele. – Como Pam entrou nessa história? – Ela continuou a rastrear os passos de Nick. mas manteve o silêncio até tudo vir à tona. – Uau. Caso contrário. acho que ele estava se isentando das responsabilidades. então de repente lá estava aquele bebê à nossa porta. Morgan teve que readaptar seu pensamento rapidamente. Você já percebeu que Jack é enteado da minha mãe? – Imaginei que fosse. mas não de Nick. . Mais um pouco e você deve começar a ouvir o riacho. morreu quando ele tinha apenas meses de idade. Nicole. Ela imaginara a família Chance tão perfeita em todos os sentidos. – Sim. algo que nós também acabamos de descobrir. – Fale. no limite das árvores. – Odeio ter de apagar essas chamas. e ninguém sabe onde ela está. onde está a mãe dele agora? Não é Pam. onde um mosquito havia pousado. caramba! – Está bem. – Gabe deu um tapa no próprio rosto. seu sobrinho. está bem. Vou lhe dar a versão curta da história. – Bom saber. Ele sorriu. tudo isso é uma droga. A mãe dele foi embora quando ele era criança ainda. Mas Nick e eu crescemos pensando que Sarah fosse nossa mãe. – Pare de me provocar. – Seu pai era um homem complicado. Converse. A mãe de Nick. ficarei muito propensa a me jogar em cima de você aqui mesmo. na mesma época que Sarah estava grávida de mim. Quanto mais excitada você estiver. A mãe de Nick abandonou a cidade e nunca falou com meu pai sobre a gravidez. Ele não gostava de admitir que tinha transado sem camisinha e engravidado uma mulher que mal conhecia. por isso. E cá estamos. sem que ele soubesse que ela estava fazendo isso. no mês passado. – Então. Ele a chama pelo nome. – Demais.

– Então nós poderíamos usar um esquadrão delas o mais rápido possível. – Gabe fez sinal para que Morgan viesse para seus braços. – O quê? Você vai pulverizá-lo por todo o meu corpo nu? – Aham. Ela recuou de pavor. – Não seja medrosa. Morgan olhou e a luz do sol brilhou na correnteza uma vez que decaiu sobre as rochas lisas e desceu por uma cachoeira de mais ou menos um metro de altura. sobre Top Drawer. as cascatas em miniatura formavam uma piscina. – Este plano não me parece muito bom. pode começar a tirar a roupa. incluindo fazer sexo durante uma invasão de mosquitos. Fiquei surda quando estapeei um mosquito na minha orelha. ignorando a coisa dos mosquitos. Por entre as árvores. e vai dar certo. Gabe desmontou e amarrou as rédeas de Finicky num galho de árvore. Você já consegue ouvir o rio? – Não. – O plano é ótimo. Isso vai funcionar. – Ele inclinou seu chapéu para trás e lhe ofereceu o tipo de sorriso convencido que poderia fazer uma mulher concordar com qualquer plano besta. – Ele jogou um pacote de preservativos no cobertor antes de caminhar até onde Morgan aguardava. assim que você está estiver no cobertor. – É porque nós estamos na floresta. – Por acaso. – Já estamos quase lá. Borboletas amarelo-lima dançavam por entre as árvores e libélulas agitavam suas asas translúcidas enquanto passavam por ela. Daí estendeu os braços. Gabe ergueu-se nos estribos e apontou. Morgan deu um tapa na própria orelha quando ouviu o lamento agudo de outro danadinho. – É bem ali. e agora seus ouvidos também zuniam. Abaixo. Mas temos que agir rápido. acolheu-os enquanto eles guiavam os cavalos por um declive até o riacho. ele o sacudiu e o abriu na areia. Ela viu um arco-íris de flores silvestres espalhadas entre samambaias e videiras. e é por isso que vai ser muito divertido. você pode querer fechar os olhos. Então pegou o repelente de mosquitos e leu o rótulo antes de borrifar o produto no cobertor. a floresta era de tirar o fôlego. No entanto. O murmúrio da água. Mas. – Morgan tentou pegar outro mosquito. – Percebi. Eu li o rótulo. – Espero que seu plano seja bom. – Você é realmente doido. Dá para ver os mosquitos amarrando pequenos babadores em seus pescocinhos. Tirando um cobertor xadrez azul e branco de seu alforje. Gabriel Archibald Chance. – Eles estão me comendo viva. – Libélulas comem mosquitos? – Morgan quis saber. e. – Eu vou ajudá-la a descer. É território deles. e ao lado dela havia um banco de areia que parecia bem reservado. comem sim. coisa difícil de fazer. o qual Morgan conseguia ouvir agora. Prometo que vou fazer valer a pena. Ela olhou para ele e balançou a cabeça em admiração. Gabe. Morgan. – Tirar a roupa? Você está louco? Não vou expor mais nenhum pedacinho de pele além do necessário para estes vampiros! – Eu estarei lá com o repelente. . – Sim.

. Bater em você equivale a bater num pedaço de granito. ela estava livre para admirar os contornos do peitoral de Gabe enquanto ele arrancava a camisa e a jogava no chão. – Abra os braços. a lata a postos. – A lata. mas. – Borrife em mim. mas. – Vá em frente. – Com a lata oscilando livremente em seu aperto. – Ah. – A luz do sol fazia os pelos no peito dele reluzirem. afinal. – Ai. Eis uma imagem para se guardar. para o alívio de Morgan. eles não estavam pousando nela mais. Gabe. Até agora ela havia participado de diversas estreias com Gabe e gostaria que continuasse assim. – Ela se inclinou para ele. – Este é o seu lugar favorito? – Desde a época de escola. vai ser um prazer. Logo ela estava nua sobre o cobertor. percebeu que a velocidade era realmente essencial. sim. – O que foi? Não é como se você já não tivesse me visto nua. Morgan riu. tenho certeza de que doeu muitíssimo. Você tem um corpo tão rijo. – Eu não a vi dançando nua sob a luz do sol e ao lado do riacho. – Ele a tirou do cavalo como se Morgan fosse uma pena. Ele deteve a mão dela. – Ela recuou um passo. então a pousou sobre o cobertor. Ela cedeu à tentação e acariciou-lhe o tórax. Enquanto Gabe pulverizava. estendendo os braços e dançando sobre o cobertor para o caso de qualquer mosquito conseguir ultrapassar a névoa. – Querida. – Agora tire tudo! Depressa! – Ele pegou a lata. menos tempo aqueles pestinhas teriam para tirar uma lasquinha. Morgan começou pelas botas e chapéu. – Ela estendeu a mão e mexeu os dedos. assim que tirou a camisa. Sua vez. meu lugar favorito para dar uns amassos. por favor. Ele pareceu perceber que ela não havia ficado satisfeita por ser levada para o mesmo ponto de encontro que ele utilizara com outras. E definitivamente não quando os mosquitos estão rondando. Morgan concluiu que aquele plano dele poderia não ser tão equivocado. Assistir a Gabe arrancando suas roupas quase fez as picadas dos mosquitos valerem a pena. Sendo assim. Gabe! – Pode deixar! – Ele mirou a lata. pelo menos não ainda. senhorita. garoto natureba. mas não durante o dia. Quanto mais rápido agisse. – Isso deve bastar. Eu tenho que finalizar este striptease antes que os mosquitos voltem a atacar. – Agora eu me senti especial. mas você tem que prometer que vai coçar minhas costas durante toda a noite se eu precisar. Assim que Gabe tirou a calça jeans e a cueca e revelou o que havia debaixo do tecido apertado. Gabe ficou admirando Morgan por um instante. O corpo dela zuniu sob a expectativa de colocar aquele belo equipamento a serviço do seu prazer. – Então você trouxe outras meninas aqui? – Morgan não morreu de amores ao saber daquilo. – Bem. Um mosquito pousou no peito dele e ela se aproximou e deu um tapa no inseto. – Afaste-se. Morgan rodopiava. transformando- os em ouro. – Tudo bem. Mas primeiro Gabe precisava ser untado com o repelente.

– Gabe deslizou as mãos até a cintura dela. Você é tão gostosa. – Ei! Exatamente como ela imaginava. – Provavelmente. – Ei! . a gente dá um mergulho rápido no riacho. mas a minha está bem exposta. que em breve estarão em contato direto com as minhas partes especiais. – Não. – Com repelente? Quem é o medroso agora? – Não com o repelente. pelo que Morgan sabia. Não me admira que os mosquitos queiram tanto chupar você. mas ela sempre iria preferir ter uma proteção de tela com a foto do traseiro de Gabe. – Você pode colocar uma camisinha primeiro. – Você está me torturando. Com essas balançadinhas. – Morgan se postou atrás de Gabe. Morgan lhe deu um tapinha para conferir. – Ele a tomou nos braços e agarrou um seio ligeiramente pegajoso. estou. Morgan. acariciando-os com um prazer óbvio. E. – Por quê? Você disse que o produto era ecologicamente correto. – Isso não significa que é genitalmente correto. Ela sufocou uma risada. está bem? – Pode apostar. Gabe cobriu a virilha com as mãos. o repelente poderia ser irritante para as mucosas. tal como a maioria dos homens falaria a respeito de seu orgulho e fonte de alegria. – Mas é melhor você não fazer isso. eu não confio que isso não vá… me deixar estéril ou algo assim. – Apenas borrife. Suas partes especiais estão escondidas. – Sabe. Mosquito. – Borrife assim. Morgan olhou para ele. isso é tocante. – Então começou a pulverizar porque os mosquitos começaram a surgir de verdade. – Gabe tomou a lata da mão de Morgan e a jogou no chão. – Ele passou as mãos nos seios dela. – Já está bom. – Tinha mesmo um mosquito no meu bumbum? – Não. e eu não ligo para o que diz no rótulo. – Desculpe. Mas Gabe não ia gostar de saber que ela estava achando tudo aquilo muito engraçado. Agradavelmente firme. – Mas eu não tenho certeza se passei em todos os… – Vou correr o risco. Eu não ia conseguir esperar nem mais um segundo para pôr minhas mãos em você. – Eu simplesmente permiti que você pulverizasse cada centímetro do meu corpo com esse negócio. As montanhas e flores silvestres eram legais e tudo o mais. As nádegas dele eram tão rígidas quanto seus peitorais. – Ele lhe deu um tapinha no traseiro. Ali estava uma bela vista. Ele estava falando sério. e eu não vou arriscar as suas partes especiais. – Então você merece o troco. – Mas eu posso tocar. mas de um jeito meio estranho. Provavelmente o sabor vai ser horrível. Você está preocupado com a possibilidade de cair um pouco no seu equipamento? – Na verdade. Antes de voltar. – Eles estavam saltitando totalmente. porque ela pode ficar molhada de repelente.

Mas esse jogo é para dois. soltando um grunhido de satisfação. Apoiando os braços de cada lado dos ombros delgados. – Hum. ele a sondou uma vez. Então ela espiou quando a luz solar infiltrou- se por entre folhas verdes dos galhos das árvores que arqueavam sobre a pequena praia. Morgan ajoelhou-se no cobertor e encontrou os preservativos. – Não. Morgan. – Era isso que você tinha em mente quando me trouxe aqui? – Estamos nos aproximando da minha imaginação. A areia rangeu debaixo dela e ela se remexeu um pouco. Em seguida recuou. Morgan. naquele intervalo que Morgan levou para tomar fôlego. – Alguém está um pouquinho tenso. – Ela estava tremendo um pouco de emoção e se atrapalhou com a tarefa. – E alguém tem o remédio para isso bem entre as coxas macias. Daí o envolveu com as pernas para completar. ela gostava da postura autoritária dele. – É para já. e então penetrou profundamente. eu darei as ordens. – Por Favor. Ela acariciou e o provocou até seus testículos começarem a se contrair e seu membro ficar escorregadio devido à umidade. – Necessito ver você deitada neste cobertor. E sem brincadeiras. mas daí ela não conseguiu resistir à tentação de primeiro envolvê-lo com a mão e mordiscá- lo um pouco. Quando ela se virou de costas para Gabe. Morgan se viu na posição perfeita para ser penetrada. – Secretamente. A urgência dele a empolgou até os dedinhos dos pés. em vez disso. Gabe a incitou a ficar de pé e lhe cobriu a boca num beijo cheio de desespero. receber ordens poderia ser emocionante. – Morgan fechou os olhos e tombou a cabeça para trás enquanto Gabe estimulava a tensão em seu corpo. Segurando-a pelos ombros. – Da próxima vez. entre dentes cerrados. por isso vou ter que me contentar com uma massagem no local. mas finalmente conseguiu cumpri-la. E. – Permita-me. – É para dois mesmo. – Eu daria um beijinho para melhorar. Gabe gemeu. – Você está brincando com fogo. moldando o corpo ao terreno. Agachando-se. – Gabe começou um movimento lento que estimulou nela todos os pontos que ele classificava como partes especiais. – Como assim? – Precisamos daquela camisinha. Em pouco tempo ela já estava respirando como um corredor de longa distância. Você tem um gosto delicioso. porém. No cobertor. ofegante. Mesmo estando pegajosos por causa do repelente. mas você provavelmente está com gosto de terebintina. Gabe já estava lá juntinho a ela. – Gosta disso? – Aham. eu estou brincando com seu maravilhoso p… – Ponha a camisinha – falou ele. Quando se tratava de sexo. Morgan suspirou de prazer e o abraçou. – Morgan… – Nós não passamos repelente aqui. a sensação de estar nua com Gabe havia se tornado a coisa . Ela aninhou o rosto dele entre as mãos. – Abrindo os olhos. ela pousou a mão entre as pernas dele. – Desvencilhando-se dos braços dele. Morgan sentou-se sobre o cobertor e então se deitou.

Exceto pelo mosquito que tinha acabado de pousar no ombro de Gabe. só isto aqui. – Gabe. . e dali a alguns instantes se tornaria transcendental.favorita de Morgan. – Nada mais importa. – Os olhos dele eram chamas azuis gêmeas quando ele recuou e investiu outra vez. A conexão era mágica. tem um mosquito no seu… – Eu não ligo.

até aquela mulher. – Gabe! Sou capaz de entrar sozinha. mas você vai entrar? – Ele a carregou para a beira da piscina natural e arfou quando entrou na água. – Ah. Em seguida o próprio orgasmo dele explodiu. As palavras pareceram ecoar na floresta quando Gabe encarou os olhos de Morgan e deu início ao velho ritmo de acasalamento que ele almejava com cada grama de seu ser. No entanto. assim. do quando aquilo a tornava vulnerável. E. arqueando as costas com um grito de alegria. mas eles precisavam tanto de um . depois que eles lavassem o repelente pegajoso. algo afável e novo. Ele sentiu um calor no peito. – Vamos usar o cobertor. como se alguém o tivesse coberto com um manto macio. Capítulo 11 NADA MAIS importa. e aquilo significava alguma coisa para um sujeito acostumado a competições ferozes. Gabe se perguntava se Morgan tinha noção do quanto estava revelando a ele. ele retirou o preservativo. o relacionamento deles foi para além da luxúria. ele ficou cego e surdo para tudo ao redor enquanto seu corpo absorvia o choque do ápice. Gabe nem mesmo tinha certeza se era capaz de fazer aquilo. o que lhe agradou. No entanto. o olhar azul-esverdeado estava tomado por algo mais. estreitando o universo até o momento presente. a felicidade brotou dentro de Gabe por saber que ele havia sido a pessoa a lhe dar aquele prazer. – Pronta para um mergulho no riacho? – Aposto que a água está um gelo. mas não conseguia se preocupar quando o ar cheirava a sempre-vivas e sexo de qualidade. Ele nunca estivera tão concentrado em sua vida. do cheiro barrento das mudinhas e da água deslizando sobre as pedras. Vamos lá! – Ele a tomou nos braços. Ele deveria estar preocupado com isso. Durante longos segundos. – Sim. Jogaria no lixo mais tarde. – Nós não temos toalhas. Ele fitou os olhos de Morgan e encontrou um contentamento lânguido ali. Inclinando-se. até aquele desejo potente de se unir a ela. Quando Morgan chegou ao clímax. adentrando um território que Gabe não chegara a explorar com frequência durante sua vida adulta. ele roçou os lábios nos de Morgan. só isto aqui. os tremores diminuíram gradualmente e ele foi ficando consciente da luz solar em suas costas. – Abandonando o calor dela.

sem perigo de levar uma joelhada na virilha. – Sim. lhe dava ideias para o futuro. espirrando água para todos os lados. Se está fria assim. Por mais frio que estivesse sentindo. Conseguia sentir suas partes íntimas encolhendo em protesto. – Esse jogo é para dois! – Ele espirrou água de volta nela e a guerra começou. ela já estava enrolada no tecido azul e branco. Ele se levantou de forma atabalhoada.mergulho! – Eu ouvi isso! Ouvi você arfar. se eles não parassem de se beijar daquele jeito. – Ela tentou escapar dos braços dele. – Pare de lutar ou… – E então ele perdeu o equilíbrio e ambos caíram na água. – Soltando o membro dele. mas ao fim puxou a cabeça de Gabe para um beijo muito molhado e com muita língua. Morgan gritou e fingiu lutar. ele sorriu para ela. Acariciar o corpo dela. – Você armou uma cilada para mim! . – Ótimo. – Como você está se sentindo? – murmurou ela. Reclama porque tem que entrar e depois reclama porque tem que sair. escorregadio devido à água. Morgan o encarou. – O típico exemplar masculino. antes que Gabe pudesse dar o próximo suspiro. acompanhados pelo grito ensurdecedor de consternação de Morgan e pelos xingamentos de Gabe. e ia… dali a um minutinho. Morgan acelerou em direção à margem. ele conseguiu chegar perto o suficiente para agarrá-la. E precisava sair logo enquanto ainda era capaz de andar. e seus mamilos estavam rosados feito framboesas. – Ele entrou naquela água gelada o suficiente para congelar seus testículos. você vai. faz bem para a saúde. e ele não estava disposto a lidar com os mosquitos pela segunda vez. ele recuou a boca uma fração da dela. O cérebro diz para ir e o pênis pede para ficar. e então. – Ele deveria deter a carícia. – Você acha? Então tome isto! – Morgan esguichou água gelada em cima dele. E. – O típico exemplar masculino. – Debaixo d’água. Ela arquejava. provavelmente porque tinha se adaptado à temperatura da água e o exercício havia feito o corpo se aquecer. Descobrindo que a melhor defesa era o ataque. O hálito de Morgan era quente nos lábios dele. sob o abrigo dos muitos jatos de água. Relutantemente. Morgan começou a gargalhar. Mas. Joga você no lago. a boca aberta num grito silencioso enquanto a água pingava do cabelo a escorria no rosto. Gabe gostou daquela visão. – Precisamos ir embora. a água batendo na cintura. – O típico exemplar feminino. mas o toque de Morgan era o paraíso. Em algum momento durante a batalha. então eu não vou entrar. hein? Ela engoliu em seco. Gabe teria que fazer algo mais imediato para satisfazer a ambos. – Enraizado ao chão. – Refrescante? Tente hipotermia! – Ah. – Refrescante. mas depois não a deixa ficar. as quais envolviam chuveiros e banheiras de água quente. Ah. Gabe não teve como argumentar contra aquilo. Porque eu quero usar o cobertor primeiro. e eu também. o que era um bônus. Gabe concluiu que já era seguro avançar até ela. ela acariciou o membro que já estava ficando rígido. Aparentemente ele estava perdoado.

Mesmo que não estivesse interessada num compromisso permanente. ele evitava ter de desafiar Jack. Essa sempre foi a única coisa que importou para mim desde que me formei na escola. e provavelmente não devia estar montada no seu cavalo. Morgan parecia tão presunçosa que Gabe não conseguiu evitar rir. – Neste verão. – Eu também. E agora Gabe parecia pronto para virar o jogo. Ao distrair-se com Morgan. delineada contra o céu azul. E essa era uma noção surpreendente. se já havia mesmo. Ele também parecera estar bastante ocupado fazendo o mesmo que ela. Morgan notou que havia algo perturbando Gabe. E talvez não fosse coincidência Morgan estar se revelando tão importante para ele de repente. em nenhum deles. Aquela relação estava dominando o centro do palco da sua vida rapidamente. Morgan abanava seu chapéu a fim de manter os mosquitos afastados. Gabe tinha permitido que Jack interferisse em seus planos nas competições e Morgan surgira logo depois. o primeiro sorriso desde que saíra do lago. Isso não era bom. Mas. – Se é a postura de cupido da sua mãe que o está aborrecendo. – Admiro esse tipo de intensidade. algo muito mais incômodo do que algumas picadas de mosquito. e perdi minhas habilidades. Competi em todos os verões e treinei para melhorar em todos os invernos. ela ainda havia se disponibilizado para a conquista. – Não. não conseguia se lembrar. uma vez que chegaram ao prado. MORGAN ESTIVERA tão ocupada secando-se e vestindo-se depressa a fim de evitar os mosquitos que nem prestara muita atenção em Gabe. eu adorei cada minuto com você nos últimos dois dias. – Foi seu troco! – cantarolou ela. menos que eu me importo com ela. Ambos conseguiram escapar de boa parte das picadas no trajeto de volta pela floresta e pelas campinas. eu posso consertar isso – disse ela. resolveu perguntar a respeito: – Você está chateado porque eu o abandonei na água? Ele sorriu para ela. Talvez ele já tivesse se divertido assim com outras mulheres. mas pânico era exatamente o que estava sentindo. Foi divertido. Gabe olhou para a Cordilheira Teton. . Eu como. E o fato é que eu estava preocupado com essa crise. Opa. mas. Era assim que os caras começavam o discurso de adeus. de modo que eles nem mesmo aproveitaram o tempo para ter uma conversa agradável. – Como você provavelmente já notou. – Eu não vou passar mais tempo na sua casa. quanto mais tempo passo com você. não era nada bom. – Perdeu? Desde quando? Ele se virou para ela. Sou eu. mas. Ela está vendo coisas demais nisso tudo. – Não é minha mãe. – Então. e estava na mesma posição que costumava ser ocupada pelos eventos de apartação de cavalos. Dediquei os últimos dez anos aperfeiçoando minhas habilidades na arena. durmo e sonho em função das competições. Morgan disse a si para não entrar em pânico. Enquanto ele se vestia. Como ela fazia o tipo direta. qual é o problema? O suspiro dele pareceu vir de algum lugar profundo.

– Morgan guiou Top Drawer para que se afastasse um pouco. se você precisa voltar e competir. Hoje mesmo. – Gabe coçou o ombro. e eu poderia utilizar minha parte como alavanca. Pode falar daí de onde está. Que inferno. ei. Ele olhou para ela. eu vou empurrá-lo para fora e trancar a porta atrás de você. Ele tem o talento e a capacidade. E Top Drawer tem chance de entrar no Hall da Fama caso eu consiga me aprumar e vencer mais alguns prêmios. eles não voltariam a ir para a cama tão cedo. – Não se aproxime. – Espere um minuto. Ou eu quero isso com fervor suficiente para lutar. Uma sensação de mal-estar se alojou na boca do estômago de Morgan. . – Não importa. – Mas vinte e cinco por cento do rancho é meu – acrescentou Gabe –. cowboy. não importava se ela havia sido a agente direta disso ou não. – Sim. – Eu não estou me expressando direito. – Foram só dois dias. – Não é esse o cerne do problema? O fato de você não conseguir manter suas mãos longe de mim? – Não. Morgan lembrou-se do mosquito que havia pousado ali quando eles estavam fazendo amor. esse não é o problema. – E é. mas agora Jack está questionando se eu deveria voltar para os circuitos… definitivamente. – E você quer estar lá competindo. O resultado era que. a mosca na sopa. os olhos azuis conturbados. Ele ajeitou Finicky de modo que os dois cavalos se emparelhassem. Ela ainda seria rotulada como o motivo principal. com ela por perto para tentá- lo. – Doozie. Fui eu quem permitiu que isso se tornasse essa obsessão que está me fazendo perder o rumo. Ele gemeu em frustração óbvia. não consigo enxergar como isso poderia terminar bem. Ele só precisa de mim para se concentrar melhor. – É ele quem decide? – Tecnicamente. – O senso de justiça de Morgan prevaleceu. – Vamos parar um minuto. Se Gabe estava perdendo o foco. e então puxou as rédeas. – Esse tal Hall da Fama parece importante. Agora que eu já conheci Jack. Tocar em você é um privilégio e eu adoro fazer isso. – Foi assim durante a minha vida inteira. ele controla as finanças. ou não mereço estar lá competindo. Eu fiquei em casa para cuidar dela. – Ele pegou a mão dela. então vá! Eu vou ser a primeira a incentivá-lo a sair pela porta. Pela forma como a discussão estava sendo conduzida. – E forçar a coisa toda. – Gabe. – Você fez eu me sentir como se tivesse alguma doença. a falha no plano. E não é como se eu estivesse monopolizando sua atenção. Eu disse que o problema era comigo. eu não tinha planejado encontrar você antes do anoitecer. Gabe perderia sua motivação para fazer o que tinha passado uma vida inteira treinando para fazer. Os problemas começaram antes de eu conhecê-la e vieram à tona quando deixei o circuito para levar um cavalo ferido para casa. Morgan. eu sei. Você não fez nada além de ser a pessoa maravilhosa e sexy que sempre foi. Esse não é o tipo de conversa que devemos ter sem eu poder tocar em você. Foi você quem me ligou para perguntar se eu poderia vir… – Ei.

– Eu estou começando a enxergar por que sua mãe considerou o empréstimo do cavalo uma coisa tão
importante. O que diabos você estava pensando ao me deixar montá-lo?
– Eu não me arrependo disso nem por um minuto. – Ele fez uma pausa. – Mas você está certa.
Emprestá-lo a alguém que eu mal conhecia não foi muito inteligente. Ainda assim, se eu não tivesse
feito isso, a gente não teria desfrutado desses dois dias juntos.
Morgan engoliu em seco.
– Está claro, no entanto, que você precisa dar um basta nisso. Colocar sua vida no prumo. – Morgan
soou um pouco rouca; não conseguira evitar. Gabe a havia levado para a loja de doces, permitido que
provasse as melhores trufas, e agora estava tudo acabado. Havia motivos para se decepcionar.
– É o que estou pensando em fazer – disse ele suavemente. – Desculpe.
– Tudo bem, Gabe. Mesmo. Tudo que a gente queria era um pouco de diversão, e é exatamente isso
que tivemos. Sem arrependimentos. – Pelo menos nenhum que ela fosse admitir na presença dele. –
Precisamos voltar para o rancho, ou eles vão querer saber o que aconteceu. – Ela cutucou Top Drawer
para que o cavalo andasse.
– Mamãe ainda vai querer que você fique para o jantar. – Gabe guiou Finicky para o lado de
Morgan.
– Obrigada, mas eu não acho que seja uma boa ideia. Para começar, eu estou um desastre. – Além
disso, ela não ia conseguir comer sabendo que em breve Gabe teria que enfrentar Jack. Caso ele
conseguisse o que desejava, passaria o restante do verão fora da cidade.
Embora Morgan pudesse se enganar dizendo-se que eles retomariam o contato no outono, ela
duvidava disso. Uma vez que ele a havia rotulado como uma distração de, Gabe não ia querer correr o
risco de voltar a se envolver.
– Droga, Morgan. Não era minha intenção magoá-la.
– Ah, mas você não magoou! – Ela estampou um sorriso para provar seu ponto. – Eu sou muito mais
durona do que isso. Pensando bem, prefiro não ficar para o jantar, mas vou aceitar os brownies, se não
tiver problema para você.
– Ah, sim. Eu me esqueci completamente dos brownies e do café.
– Eu me pergunto por quê. – Ela se virou e piscou para ele, frisando que ainda era a mesma garota
selvagem e louca capaz de provocá-lo em função do sexo. Seria preciso mais do que isso para partir o
coração dela.

GABE ODIAVA o jeito como tivera de deixar as coisas com Morgan. Ela havia aceitado os brownies, porém
rejeitara o passeio pelo celeiro. Ele não poderia culpá-la, considerando as circunstâncias.
Quando ele a ajudara a descer de Top Drawer e a abraçara durante um breve instante antes de seus
pezinhos tocarem o chão, Gabe se perguntara o que diabos estava fazendo, mandando-a embora
daquele jeito. Ela era um sonho transformado em realidade. Ele nunca estivera tão feliz.
E era esse o problema. Ele conseguia enxergar-se facilmente preenchendo o restante do verão com
sexo quente. Como um sujeito poderia reclamar, quando tinha uma garota como Morgan bem à
vontade em seus braços?
E então ele passaria o verão à toa, fazendo serviços bobos pelo rancho e aproveitando o tempo livre
com Morgan. Daí, gradativamente, perderia a vontade de competir. Noites acolhedoras de inverno com
ela seriam capazes de convencê-lo a não treinar com tanto afinco. No verão seguinte, se Jack

continuasse a reclamar dos valores das taxas de inscrição das provas, Gabe provavelmente desistiria
totalmente de competir. Afinal de contas, ele teria Morgan para confortá-lo.
Enquanto parte dele ansiava por isso, principalmente aquela parte abaixo do seu cinto, seu cérebro e
coração questionavam se ele havia se esgotado, se permitiria que seu irmão mais velho determinasse seu
futuro em vez de tomar as rédeas da situação. Ele não precisava pensar nisso agora, no entanto.
Enquanto Gabe estava removendo as selas dos cavalos e os escovando antes de colocá-los de volta em
suas baias, Jack saiu do celeiro. O espetáculo ia começar.
Jack apoiou o quadril no poste de amarração e tirou o chapéu preto. Daí fingiu examinar a faixa do
chapéu.
– O que Morgan achou do passeio pelo rancho?
– Ela gostou. Mas tem outra coisa que preciso discutir com você. – Gabe terminou e jogou a escova
no balde de plástico que eles usavam para guardar os apetrechos de beleza dos cavalos. Ele virou-se
para Jack. – Imagino que Doozie vá ficar bem até o final do mês. Pretendo inscrever Top Drawer em
todos os eventos de apartação que forem acontecer em agosto, para compensar esse período afastado.
Jack colocou o chapéu e ajeitou a aba.
– É um desperdício de dinheiro, Gabe. Eu fiz uma pesquisa e neste verão nós só tivemos uma venda
direta resultante dos seus contatos no circuito.
– Você não pode julgar as coisas assim. – Gabe agarrou-se à própria disposição, determinado a
prosseguir, ainda que fosse para bater de frente com Jack. – Se Top Drawer entrar no Hall da Fama, vai
ser algo grandioso para os cavalos do Última Chance. Pode ser que eu consiga neste ano ainda.
– Talvez sim, talvez não. Eu não acho que seja um bom uso dos recursos do rancho.
A rigidez na mandíbula de Gabe foi até suas têmporas e se alojou em sua nuca. Ele flexionou os
dedos.
– Você está dizendo que não vai aprovar as despesas?
– Sim, é o que estou dizendo. Isso não está no orçamento.
Embora Gabe quisesse desesperadamente indicar a Jack um lugar para enfiar seu precioso
orçamento, ele manteve seu nível de voz. Queria continuar sereno para terminar de argumentar.
– Então pode ser que nosso advogado entre nessa história.
Jack encarou o irmão. Uma luz escura e perigosa brilhou naqueles olhos.
– Advogado? – perguntou ele, em voz baixa.
– Sim, Jack, advogado. O sujeito que elaborou o testamento de papai e que o leu para nós enquanto
estávamos todos sentados no escritório, um dia após o funeral.
Jack se afastou do poste de amarração.
– Você está desafiando meu direito de administrar o rancho do jeito que eu acho melhor? Porque o
testamento afirma claramente que papai deu essa função a mim.
– Ele também deu um pedaço igual do rancho a cada um de nós, para você, para mim, para Nick e
para mamãe. Pretendo usar a minha parte para financiar as taxas de inscrição de Top Drawer nas
competições.
– Impossível. Os ativos não são líquidos. Nós teríamos que vender… – Jack semicerrou os olhos. –
Isso foi ideia daquela corretora, não foi?
– Morgan? Ela não tem nada a ver com isso.
– O diabo que não! Você passa a tarde passeando pelo rancho com ela e agora vem me dizer que
temos de vender parte do terreno para financiar taxas de inscrição?! Qualquer idiota seria capaz de

deduzir a verdade.
– Você está errado. Na verdade, ela está saindo da minha vida para que eu possa me concentrar
nessa coisa de entrar no Hall da Fama.
– Mentira! Ela quer uma parcela do lucro!
Gabe queria bater nele. E imaginava o quanto seria prazeroso socar aquela expressão de sabichão.
– Você é tão presunçoso, Jack. Eu não estou planejando ver Morgan tão cedo.
– Até parece. Ela o seduziu completamente. Tudo o que ela tem de fazer é balançar as tet…
– Cuidado, Jack. – As mãos de Gabe se fecharam. – Sua boca está prestes a ficar bem machucada.
Jack se encurvou e exibiu os punhos.
– Manda ver, maninho. Pode vir.
Gabe imitou a postura de Jack. O sujeito tinha lhe ensinado a lutar. Gabe estava prestes a mostrar ao
seu professor o quanto tinha aprendido.
– Com prazer.
– Olá, rapazes. – Emmett Sterling apareceu cavalgando, daí desmontou do animal, ainda sem olhar
para eles enquanto passava as rédeas no poste de amarração. – Achei que vocês dois fossem estar lá
dentro se preparando para o grande jantar de despedida de Dominique.
Gabe olhou para Jack, que se aprumou e deu de ombros.
– Gabe, agradeço se você puder desencilhar meu cavalo – disse Emmett. – Jack, vamos lá no celeiro
um minutinho. Acho que estamos com um caso de fungo nas paredes e quero sua opinião para saber se
vamos precisar resolver isso amanhã cedo. Aí, tudo que a gente vai precisar fazer é chegar em casa antes
de Mary Lou ter um ataque.
– Claro, Emmett. – Jack passou por Gabe, os polegares enfiados casualmente nos passadores do cinto,
como se ele não tivesse nada em mente, exceto a verificação dos fungos no celeiro.
– Mais tarde – disse Gabe, em voz baixa.
– Quando você quiser, filho – murmurou Jack. – Quando você quiser.

Capítulo 12

– ONDE ESTÁ Morgan? – A mãe de Gabe se jogou em cima dele no minuto em que o filho apareceu
na salinha de jantar adjacente àquela utilizada quando os operários do rancho vinham comer ou
quando havia uma grande festa.
– Ela me pediu para avisar que lamenta, mas não pôde vir. – Gabe foi inventando a história enquanto
se justificava: – Ela não está se sentindo bem e resolveu ir embora, pois temia que pudesse ser
contagioso.
Jack segurou a cadeira para Sarah.
– Eu aposto mesmo que é contagioso – disse ele. – Se eu fosse você, Gabe, ficaria de olho na saúde.
Você pode estar contaminado também.
Sarah olhou para Gabe com surpresa.
– Deve ter sido algo súbito. Ela parecia bem esta tarde.
– Isso foi antes de ela passear pelo rancho – disse Jack, enquanto se sentava. –Gabe, talvez você
devesse dizer a Sarah o mesmo que me falou hoje, sobre o contato com o advogado.
– Não é um bom momento para discutir isso. – Gabe olhou feio para seu irmão. Eles tinham contas a
acertar, mas não iam fazê-lo à mesa de jantar.
A mãe de Gabe suspirou.
– Jack, eu realmente acho, principalmente agora, que você poderia me chamar de mamãe em vez de
Sarah.
– Sim, Jack. – Nick ajudou Dominique a se acomodar. – Já está na hora.
– Vou acrescentar meu voto. – Pam Mulholland estava sentada ao lado de Emmett.
Gabe não tinha pensado nisso antes, mas desconfiava que sua mãe também estivesse bancando o
cupido com Pam e Emmett. Pensando bem, eles tinham quase a mesma idade. Pam parecia ter
caprichado mais no visual esta noite. Ela havia feito algo diferente no cabelo loiro, colocado algumas
bijuterias alinhadas, e a blusa azul-clara tinha um leve decote.
Emmett tinha tirado um tempinho para tomar um banho e se barbear. Suas orelhas ficavam coradas
toda vez que ele olhava para Pam, e Pam olhava para ele como se ele fosse o último pedaço de doce no
prato. Gabe se perguntava há quanto tempo vinha rolando aquele clima entre eles.
Emmett pigarreou e olhou para Jack, do outro lado da mesa.

– Emmett se levantou. Gabe obedeceu. – Jack. Sua mãe está bem aí. – Jack. Gabe não ouvia aquele assobio havia anos. não importa. então que o façam lá fora. – Ah. e ele percebeu que Nick e Jack fizeram o mesmo. Sarah estava com os dedos na boca. O filho dela. . filho. eu não disse isso! Jack apontou o dedo para ele. ela enviou um olhar cortante a cada um de seus filhos. Se ele diz que Morgan não está tirando partido dessa amizade. Nick. minutos depois de ela escapulir… – Ela não escapuliu! – Foi a vez de Gabe empurrar a cadeira para trás. – Eu exijo saber o que está acontecendo. O certo seria… – Você vai me dar um sermão sobre que é certo? – Jack empurrou a cadeira para trás. Ele tinha se esquecido de que sua mãe sabia como fazê-lo. – Eu acho que é. Jack virou-se para ela. – Acho que isso não é tão importante. – Com certeza disse. em algum lugar. não está. – Já chega. e ouvi-lo agora trazia muitas lembranças da época em que ela o utilizava para trazer ordem quando seus meninos saíam da linha. Gabe quer vender a parte dele do rancho. aos berros. só porque descobriu que isso não era exatamente verdade. Sentem-se. Sarah Chance é a única pessoa que já o amou como um filho. – Sarah colocou a mão no braço dele. Jack atirou o guardanapo na mesa e deixou seu assento. Nick olhou para os dois. Quero que você pare já com esse comportamento preconceituoso. – Ei! – Nick saltou de sua cadeira. um assobio cortante trouxe silêncio à mesa. – Não. – Mas que droga. – A mãe de Gabe desdobrou o guardanapo e o colocou no colo. Jack não estava acostumado a ser repreendido na frente de toda a família. E agora estou numa posição mais conveniente para entender isso do que eu costumava estar. já que não conseguimos passar um simples jantar sem gritar uns com os outros! Jack protestou alegando inocência e Gabe se intrometeu. não quer dizer que as coisas mudaram. Bem. a culpa era dele mesmo. Cresci sabendo que minha mãe ainda está por aí. – Tenha um pouco de confiança no julgamento de Gabe. Semicerrando os olhos. – Você cresceu pensando que Sarah era sua mãe. Jack. Se Gabe não tivesse ficado tão irritado com Jack. Gabe. – Eu acho que não – retrucou Jack calmamente. – Você não é o cara que trouxe uma corretora de imóveis para a propriedade hoje? – Ele se levantou. – Seria uma cortesia se você fizesse isso por Sarah. – Se vocês dois estão determinados a chegar às vias de fato. ele poderia ter sentido pena do sujeito. Quando eles tentaram se sobrepor um ao outro. devemos acreditar nele. – Parem com isso! Eu não culparia Dominique se ela mudasse de ideia a respeito de se tornar parte desta família. e. determinado a não deixar que o irmão difundisse mais mentiras. – Mas nós estamos jantando! – Sarah também se levantou. Gabe não aguentava ver a dor nos olhos de sua mãe. – Então me explique por que. – Vou dizer o que está acontecendo.

Está claro? Gabe balançou a cabeça. Morgan. e ela não estavam nem um pouco a fim de chorar até cair no sono. apenas lágrimas. Escolhendo um banco vazio ao final do balcão. arrumou o cabelo e caminhou até o Espíritos e Esporas. Uma vez lá. Morgan subiu nele e viu Josie trabalhando. e logo já estava ligada em outra coisa. como pessoas civilizadas. perto da caixa registradora. Morgan estava interessada em fantasmas. – Tudo bem. A Nick e Dominique. podemos resolvê-lo depois do jantar. o qual envolvia tanto interagir com pessoas quanto saber misturar bebidas. enquanto bebia. – Que tal um drinque chamado Analgésico? Morgan estremeceu. Que vocês tenham uma vida longa e próspera juntos. escolheu sentar-se junto ao balcão em vez de ir para uma mesa. Ela ficou satisfeita com a oferta. Então ela tomou um banho longo e quente. Não havia motivos para desperdiçar fôlego com aqueles rapazes. bem como com alguns dos moradores. Não sei o que está acontecendo e não quero saber agora. – Ei. mas ela podia cuidar disso sem a ajuda de Sarah Chance. Estamos comemorando um noivado hoje à noite. e espero que vocês três sentem aqui e se comportem. e já estava em condições de negociar com a maioria dos comerciantes de Shoshone. Josie a fitou com uma expressão sábia. A trança loura e longa balançava enquanto ela colocava gelo nos copos. Gabe ergueu a taça juntamente a todos os outros à mesa. pois tinha esperanças de conversar com Josie sobre fantasmas. . Morgan poderia aprender o ofício dos bares. mas não surpresa. Depois de todas aquelas mudanças quando criança – ela parou de contar na trigésima –. – Vamos começar brindando ao casal feliz. – Josie colocou um guardanapo na frente dela. mas por fim percebeu que não queria ficar sozinha. Ela não precisava de Sarah nem do filho dela. Algumas pessoas a cumprimentaram durante seu trajeto até o banquinho e um casal até mesmo a convidou para juntar-se a eles à mesa. – Ótimo. servia qualquer combinação de bebidas que lhe fosse pedida e decorava os drinques com um floreio. Se a coisa no ramo imobiliário não desse certo. Ele tinha sido apenas uma diversão agradável para um par de dias. Qualquer que seja o problema. Acrescentar Pam Mulholland do Beliche e Boia à sua lista de contatos seria bom. Ela se daria bem no atendimento. A mensagem nos olhos escuros de seu irmão era perfeitamente decifrável. Estava acostumada a chegar em uma cidade e fazer amigos. Elas não precisavam mencionar os homens da família Chance. A dor oca que ela sentia agora muito provavelmente era mais fome do que tristeza. Morgan conseguia sair de qualquer situação como ninguém. MORGAN PENSOU em fazer uma refeição composta por brownies e uma garrafa de vinho tinto que tinha no armário. – Que tal um Martini do rancheiro alegre? – Hum. Mas. tal como fizeram Jack e Nick. – A ideia de relacionar a bebida a um rancho a deixou nauseada. Beber vinho e pensar em Gabe provavelmente não renderia nada de útil. nada mais. acho que não. – O que vai querer? – Algo novo e diferente. – Sarah pegou sua taça de vinho. Uma coisa na qual ela era boa – provavelmente a campeã mundial da categoria – era em despedidas. ele olhou por cima da borda e flagrou Jack encarando-o de volta. Isso não acabou.

– Você falou como uma veterana das guerras Chance. Morgan se perguntava se Josie teria um grupo de amigas. E juro que não vim aqui para falar sobre isso. Vim conversar sobre fantasmas. Amiga. também fui atropelada por um dos rapazes Chance. Morgan assentiu em aprovação. Não precisa bancar a babá comigo. vai fácil. Já pedi seu sanduíche para a cozinha. – Ei. bem. Josie revirou os olhos. Isso levava tempo. amiga. com quem pudesse dividir segredos e dicas de beleza. Mas eu trabalho num bar e percebo as coisas. Josie suspirou. – Se você me der licença por só um segundinho. – O que vem fácil. Além disso. Atropelada. – Eis um bom jeito de se colocar. – Pensei que você quisesse falar sobre fantasmas…? – Ah! Eu quero! – Ótimo. – Descobri que o drinque Analgésico vai muito bem com o cheeseburguer e a batata frita. eu estou bem. mulheres com quem pudesse sair. mas não o que poderia chamar de amigas. Poucos minutos depois. tenho que pegar um refil para o casal ali no cantinho do balcão. – Rum para me ajudar a esquecer e vitamina C para me manter saudável para quando um cara novo surgir. suco de laranja e suco de abacaxi. sabe. Soava legal. – Legal! É claro que podemos fazer isso. Você tem trabalho a fazer. – Ela deu um tapinha no balcão. – Obrigada. e em uma cidade daquele tamanho as conexões praticamente eram formadas no ensino médio. Deixe-me preparar sua bebida. – Alguma coisa para comer? Você precisa de energia. rum aromatizado com coco. – Beba. Estarei de volta rapidinho com a prescrição da dra. – Aguente firme. Parece perfeito. Durante sua adolescência. e. – É tão óbvio assim? – Não para todos. decorada com uma fatia de abacaxi. Você vai gostar: rum escuro. – Sim. certamente. Morgan não havia morado ali por tempo suficiente para dar tempo de ser aceita em um grupo. se não tivesse. . – Morgan forçou um sorriso e deu de ombros. Josie. – Sinto muito. De repente Morgan se perguntou se parecia patética e carente. Josie sorriu e balançou a cabeça. diante de Morgan. A demonstração de solidariedade feminina de Josie era mais do que bem-vinda. – Josie sorriu e mandou um “Eu voltarei” ao estilo Arnold Schwarzenegger no filme O exterminador do futuro antes de correr para repor as bebidas do casal. Josie. Que tal um cheeseburguer com batata frita? Uma comidinha que traz conforto faz maravilhas nessas horas. Morgan tinha feito amigos na cidade. – Então eu provavelmente deveria pedir um milk-shake de chocolate para acompanhar. – E tenho as cicatrizes para provar que estive nelas. Josie colocou na frente de Morgan uma bebida radiante. se iria gostar de criar um com ela. Vocês dois pareciam felizes ontem.

Ele a fizera sorrir bastante… até o momento em resolvera que Morgan era um impedimento para sua carreira na apartação. – Morgan desejava agora não ter permitido que Gabe a tivesse arrancado do bar tão depressa depois de ela ter visto a luz cintilante. Ela encontrou o olhar interrogativo de Josie. mas. Morgan bebeu um gole do Analgésico. Fora ele quem ficara atrás dela… até que de repente ele desistiu. – Acho que não. cujo sabor combinava com o clima de uma piscina ou de uma praia. E isto é uma comemoração. Livrar. juntamente a um guardanapo e talheres. – Saquei. Se soubesse que ele ia chutá-la. – Mas então ele virou para trás e viu a tal luz. Não que Gabe não representasse uma alegria. Essa visão era muito melhor do que qualquer coisa que pudesse emergir caso ela tivesse bebido o tal do Martini do rancheiro alegre. Morgan estivera se saindo muito bem antes de Gabe aparecer e ficaria bem agora que ele estava prestes a ir embora para vencer mais campeonatos e enfiar seu cavalo na porcaria do Hall da Fama. embora tivesse ficado insistindo que aquilo era só efeito dos faróis de um carro entrando pelas janelas. – Então você viu alguma coisa aqui na noite passada? – Acho que sim. – Aqui está seu sanduíche. – Josie o colocou junto ao copo de Morgan. – Droga. . Morgan olhou para baixo e ficou espantada ao descobrir que tinha bebido o Analgésico todinho. ela tentara dissuadi-lo da ideia de vir em seu socorro. Ele me arrastou para fora daqui num piscar de olhos. Na verdade. ela lhe daria um fora. Ele podia até fingir que não queria compromisso. a luz se foi. Uma. Os olhos cinzentos de Josie se iluminavam conforme a história progredia. quando ele o fez. – Hein?! – Eu estou comemorando o fato de ter me livrado de uma boa. quando lhe entregou a segunda bebida. Se Gabe Chance aparecesse ali agora. Ele provavelmente acha que você estava de brincadeira. Literalmente. Tinha sido uma boa se livrar de Gabe Chance. ela teria sido menos condescendente… em relação a um monte de coisas. – Morgan contou a ela sobre a luz fantasmagórica que parecera vir pela porta da frente e que depois parara junto à mesa de canto. Ela não havia pedido a ele para chegar cavalgando e salvá-la das xucrices de Geronimo. Morgan poderia acabar casada e grávida antes mesmo de perceber o que a atingira. – Pronta para mais um? – Josie apareceu na frente de Morgan e apontou para o copo. – Josie tomou o copo vazio e se pôs a preparar mais uma dose. Ela também estava se sentindo muito bem. – Claro! Por que não? Não estou dirigindo. Considerando a velocidade com que as coisas se desenvolveram entre eles. O prato está quente. Que Gabe e seu cavalo fossem para o inferno. Mas que droga. certo? Isso é maravilhoso. mesmo assim. Acho que ele estava apavorado. – Tudo bem. ao lado do corredor que levava aos banheiros. Josie encolheu os ombros. – Deixe-me ver se seu sanduíche está vindo – disse ela. um homem com um legado a defender. Ele não vai mais poder zombar dos meus fantasmas se ele de fato… – Essa é a parte frustrante. – Eu já vi essa mesma luz! O que aconteceu depois? O que Gabe disse? – Ele estava no banheiro e quando saiu… passou por ela sem perceber. Cuidado. Ela não queria mesmo o que ele estava oferecendo. mas era um membro do clã dos Chance. – Estou meio enrolada. Eu disse a ele para virar-se e olhar. Boa. Se. mas a gente vai poder conversar sobre os fantasmas quando eu voltar.

– Josie foi até o final do balcão e pegou um papel das mãos da garçonete. Mas a verdade é que eles podem estar tensos com a possibilidade de ficar cara a cara com um. Morgan tinha comido a maior parte do sanduíche e cerca de metade das batatas fritas. pensativa. – Acho legal o fato de você não esquentar a cabeça com os fantasmas. mais aposto ser esse o motivo pelo qual ele não deseja confrontar nenhum deles. ela achou aquilo engraçado. – Você acha? – Faz sentido. Ele não vai admitir isso nem para ele mesmo nem para qualquer outra pessoa. Ah. Quando Josie voltou. mas se é alguém que você conhecia… – E aí a coisa toda se transforma em uma versão de Um conto de Natal. que estava ótimo. Morgan sorriu para ela. sim. se ele tivesse realmente visto a luz cintilante. Josie limpou o balcão. – Aqui sempre foi o ponto de encontro da cidade durante muito. Dá para entender por que pode ser mais assustador. Morgan mordeu seu cheeseburguer. concluí que havia outro bar neste terreno antes. provavelmente muito antes de eu comprar o lugar. Eles não tinham como adivinhar que isso teria tornado a transação ainda mais empolgante para mim. O prédio no qual estamos agora tem quase 100 anos. Ou o Analgésico tinha funcionado ou ela não estava tão arrasada por causa de Gabe. pelas fotos antigas da cidade. bem. mas ainda acho que seria fascinante. – Que pena. não teria saído daqui tão depressa ontem à noite. mas. mas. Talvez as duas pudessem formar uma dupla de caça-fantasmas. – Você acha que as pessoas que o venderam para você sabiam sobre os fantasmas? – Morgan enfiou uma batata na boca. – O machão Gabe Chance? Morgan deu uma risadinha. – Sempre pensei que os meninos Chance estivessem convencidos de eu inventava essa coisa de fantasmas para fazer uma jogada de marketing. . porque seu apetite estava em plena forma. mas estou convencida de que Gabe acredita que os fantasmas são reais. E ela estava se divertindo no papo com Josie sobre as assombrações. Opa. Mas você não revela a um comprador em potencial que o prédio que ele está prestes a adquirir é assombrado. – Acho que. teria gritado feito uma menininha. de Charles Dickens. Josie assentiu. – Eu acho que ele ficou apavorado. Gabe é quem está perdendo. Aí vem mais um pedido. Pena que Gabe não é assim. Ele provavelmente é parente de pelo menos uns dois deles que vêm aqui de madrugada. Eu disse a ele que os fantasmas sempre estiveram aqui. – Com um pano úmido. – Fantástico. se não acreditasse neles. então se apoiou nele. – Você está dizendo que ele ficou com medo? – Josie pareceu desconfiada. – Então você acha que os fantasmas estão aqui há anos? – Acho. amiga. – Ah. muito tempo. – Não posso falar pelos outros dois. – Por alguma razão. Gabe realmente saiu perdendo. Um fantasma sem nome é uma coisa. Quanto mais eu penso nisso. – Jack costumava zombar também. – E isso vale em dobro quando se trata de você. – Josie bateu um dedinho no queixo. E você precisa comer antes que isso aí esfrie.

Isso era para lá de garantido. Era bom Gabe Chance não aparecer à porta dela de novo. Morgan levantou a mão. ela as teria rodopiado nas mãos antes de enfiá-las de volta nos coldres. com certeza não. E. mas não o fez. embora ela quase desejasse que ele o fizesse só para poder lhe dar um fora. – Morgan sentiu-se acolhida e confortável outra vez. – Agradeço. . – Josie se endireitou. – Quem precisa dos rapazes Chance. – Morgan bebeu o restinho do Analgésico e pousou o copo no balcão com um baque sólido. isso é certo. – Toca aqui! – Poder feminino! – Josie bateu na mão de Morgan e sorriu. Teve vontade de limpar a boca com as costas da mão. se tivesse duas pistolas presas junto aos quadris. E um fora era a única coisa que ela daria a ele a partir de agora. – E. – Não. afinal? – A gente não. acho que também me livrei de uma boa. – Jack obviamente também não sabia o que tinha em mãos. pelo jeito como ele vem agindo ultimamente.

Jack participou do debate com entusiasmo e não perdeu a chance de disparar um olhar de desdém para Gabe. havia muita chance de alguma coisa terminar quebrada. obviamente. Antes de Emmett deixar a mesa. antes de enfrentar Gabe e Jack do outro lado da mesa cheia de restos da refeição. então ele apenas imitou seu gesto. Gabe considerou a escolha do local uma jogada brilhante por parte de sua mãe. mas confio que não será necessário. como a luminária verde antiga que Sarah havia garimpado para Jonathan muitos anos antes. o potrinho de Calamity Jane. A conversa se concentrou principalmente na casa que Nick queria construir e na decisão sobre o melhor local para fazê-lo. Gabe a acompanhou. mas Jack estava determinado a transformá-la numa oportunista gananciosa. – Ela empurrou a cadeira para trás e se levantou. O escritório era relativamente pequeno e havia se tornado um santuário desde a morte de seu pai. Pam manifestou interesse em ver como estava Calamity Sam. Depois de pedirem licença. Gabe o fitou furtivamente. Ninguém ousaria iniciar uma briga lá dentro. não querendo ser o retardatário. Por um lado. todos sobreviveram à refeição. Depois da sobremesa e do café. Nick anunciou que ia levar Dominique para um passeio ao luar a fim de discutir os planos sobre a casa. Ela assentiu. logo se pôs ao lado dele. momento que Gabe prolongou até não poder mais. mas seu irmão estava olhando para a frente. ou a foto . Ela era completamente inocente. seu irmão Nick estava planejado aumentar seu valor através da construção de uma casa para si e sua noiva. – Quero os dois no escritório do papai agora. A implicação era clara: enquanto Gabe estava tentando arrancar um pedaço da fazenda. seria desrespeitoso. Já era ruim o suficiente ver Jack acusando-o de tentar vender parte do rancho sem enfiar o nome de Morgan no meio. – Emmett me disse para gritar se eu precisar de alguma ajuda com vocês dois. A caminhada até o escritório teve um quê de uma caminhada final pelo corredor da morte. ele se inclinou e cochichou algo para Sarah. Capítulo 13 DE ALGUM modo. embora Gabe tivesse sentido muita dificuldade para comer por causa do nó de raiva em seu estômago. Jack. Por outro. Quando Sarah seguiu pelo corredor. então Emmett se ofereceu para levá-la até o celeiro e apresentar-lhe o mais novo morador do rancho.

estou feliz por ele não estar presente esta noite. avaliou cada um deles. Sarah pigarreou. – Peço desculpas também. Sarah sentou-se na cadeira giratória de carvalho de Jonathan. A mãe deles raramente fazia coisas sem motivo. – Mas eu não vou retirar o que eu disse – acrescentou Jack. ele gostava de pegar os brigões. mas ela surgiu em sua mente mesmo assim. Gabe não queria pensar em Morgan agora. Agora eles tinham perdido um membro da família e estavam prestes a acrescentar outro: Dominique. – Por mim tudo bem. – Peço desculpas por isso.emoldurada de todos os cinco na festança do 60ª aniversário de Jonathan Chance no Espíritos e Esporas. – Eu queria que você estivesse lá quando Gabe voltou do passeio com aquela corretora de imóveis. embora eu sinta falta dele todos os dias. E ele tinha descoberto isso ainda na época da escola. . acho que você pode querer repensar essa coisa de desafiar seu irmão caçula. Gabe começou a rir e pensou melhor. Era difícil acreditar que aquela festa tinha sido apenas quatro anos antes – antes de Jack se envolver com Josie. – Sempre considerei que uma troca de socos até tirar sangue nunca serviu para provar nada. – E. Não era fácil derrotá-la. antes do fatídico dia do capotamento. Ele cresceu muito desde a última vez que você lhe deu uns cascudos. Ele admirava isso. Então cruzou as mãos sobre o tampo velho e arranhado do móvel que tinha pertencido a Archie Chance antes de ser herdado por Jonathan. exceto que um dos dois andou malhando mais que o outro. – Quando o pai de vocês era vivo. – Não tão depressa. posicionada atrás da mesa. – O negócio é: o pai de vocês não está aqui – continuou ela. portanto Gabe concluiu que ela mencionara o nome de propósito. e fez sinal para Gabe e Jack tomarem as duas cadeiras diante dela. – Você está certa – disse Jack. Pelo que ele vira de Dominique. mas ela provavelmente precisava ficar ciente de que nem tudo eram rosas no Última Chance nos últimos tempos. – Jack começou a se levantar. Jonathan. Jack. Gabe lamentava por Dominique ter estado lá para ouvir a discussão entre ele e Jack. Aquela mulher também não era chorona. Gabe piscou. por amor a sua mãe. para lembrar a Jack quem ele era. mas. levá-los para um curral vazio e largá-los lá. Pessoalmente. sim. Gabe estava determinado a manter a calma. Ela precisava saber onde estava se metendo. antes de Nick descobrir que Sarah não era sua mãe biológica e que sua vizinha Pam era sua tia. Mudar-se para lá e para cá e abrir uma empresa exigiam coragem. muito embora ele tivesse um “Júnior” como último sobrenome. Ninguém nunca costumava chamar Jack pelo nome de batismo. quando ela aceitara de bom grado o estilo de vida de seus pais. Estou tentada a fazer isso agora porque minha frustração com vocês dois é imensa. ele mesmo teria dado um jeito nos dois. Eu queria que você tivesse ouvido em primeira mão o que ele disse. Em seguida. aquele era o nome dele. Jack sentou-se novamente. Gabe concordou. Se tivesse ouvido aquele tipo de gritaria de seus meninos à mesa do jantar. ela seria capaz de lidar com muitos percalços sem choramingar. Ele virou-se para seu irmão.

– Você ouviu isso? Você está pedindo a sua mãe para se endividar e financiar suas necessidades egoístas. ou bancar as diárias dele por mais um mês. – O que significa vender a área plantada! – berrou Jack. – Sabe. Jack virou-se para ele. sendo que possuo parte deste rancho. – Jack fez menção de se levantar. para poder dar a Top Drawer uma chance de entrar no Hall da Fama. Não era assim que papai administrava o… – Não se atreva a jogar isso na minha cara. se Jack não me apoiar. Mas. Jack se recusou a pagar pelas inscrições. vocês dois. – Não finja que Morgan não pôs isso na sua cabeça. – Mas não vou desistir de uma habilidade que aperfeiçoei durante dez anos e negar esse remate a Top Drawer porque você está concentrado demais em orçamentos. – Jack. Sarah arqueou as sobrancelhas. ou podemos comprar a parte dele. Só estou pedindo a minha parte para que eu possa dar continuidade ao que tenho feito há dez anos. Jack. – Eu disse que ia voltar para as competições de apartação no mês que vem. Gabe tem o direito de liquidar sua parte do rancho. Sarah avaliou os dois antes de se concentrar em Gabe. – Morgan o incentivou a recobrar seu patrimônio de alguma forma? Ela tem intenções de ser a corretora do nosso terreno? – Não! A ideia foi totalmente minha. Não vejo como Jack pode me impedir de competir. Posso tomar um empréstimo e usar minha parte do rancho como garantia. não importa se Morgan está envolvida ou não. – E então. Pessoalmente. acho que é uma grande propaganda para os cavalos do Última chance e vai ser ainda melhor se Top Drawer entrar no Hall da Fama. Ela obviamente sugeriu que… – Ela não sugeriu nada! Sarah bateu um peso de papel de metal na mesa. – Gabe olhou altivamente para Jack. vou ter que pensar numa alternativa. – Mas não estou convencido de que ele esteja nos ajudando a vender cavalos. conte-me o que você falou para Jack para deixá-lo assim tão irritado. Gabe. Como se sente? – Eu não estou pedindo para ninguém se endividar. Sarah suspirou. Sarah? Você vai entrar com sua parte do dinheiro para comprar a parte de Gabe? – Acho que sim. – Parem com isso. Jack? Estamos vivendo tão apertados assim? – O problema não é a despesa imediata com as taxas de inscrição de Gabe. se ele quiser isso mesmo. E é melhor você deixar Morgan fora disso ou… – Como posso deixar? Você apareceu com aquela exigência imediatamente depois de passar um tempo com ela. e isso significa que as competições são um dreno desnecessário. Jack apontou o dedo para Gabe. – Jack soltou um suspiro. . Ou vendemos o suficiente para lhe dar o dinheiro. Seria assim que seu pai resolveria. você está distorcendo a história para que pareça outra coisa. Eu disse então que a gente ia ter que envolver nosso advogado nisso porque um quarto deste rancho é meu e eu quero usar minha parte para pagar as taxas e despesas. – Será. Jack apertou as mãos sobre o colo. Você só está tentando protegê-la.

Mas não vou permitir esse tipo de briga entre vocês. juntamente com um bom livro. como toda criança. Para mim. Gabe queria ir atrás dele e implorar para que confidenciasse tudo aquilo à mulher a quem ele se recusava a chamar de mãe. vamos ter de convocar uma reunião de família e pedir a Nick para opinar. Mas Gabe tinha prometido não perturbar Jack sobre o assunto e ia honrar essa promessa. Gabe nunca tinha enxergado Jack como um homem vulnerável. – Acho que por enquanto estamos resolvidos. no entanto. Espero que ela possa vir. . Para você. E. se vocês me dão licença. Boa noite. Por que eu iria me referir a Sarah desse jeito? Aquilo teve o efeito de um longo discurso para Jack. a palavra é carregada de afagos carinhosos. Papá funcionou bem para mim. – Ela sorriu para ambos e saiu do escritório. Posso acabar ficando do lado de Jack nisso tudo. e ele pareceu drenado por ele. em nome de Deus. peça a Morgan para vir aqui amanhã. – E agora. O nome dela foi citado a noite inteira e eu não tenho como saber a verdade até conversar diretamente com ela. mas mamã. Gabe não tinha certeza se seria capaz de cumprir tal solicitação. – Se você a ama tanto assim. ele havia acabado de admitir que tinha uma ferida aberta e nunca curada. – Experimente. – Eu vou falar com ela. – Só que eu amo aquela mulher e não vou lhe causar um estresse desnecessário socando a sua cara. Então era isso. Jack contraiu o rosto como se estivesse se preparando para levar um golpe. Jack também se levantou. Quando eu era moleque. mãe. – Parem com isso. A pessoa que eu associava a essa palavra provou se importar tão pouco comigo que foi embora. mas ia fazer o possível. se eu fizer isso. Tendo Jack percebido ou não. você vai parar de me encher por causa desse assunto? – Sim. vou. Aquilo colocava uma nova luz sobre as coisas. Gabe ficou de pé. um sinal certeiro de que era o fim da discussão. – Obrigado. – Tudo bem. ele se virou e saiu do escritório. Pousando o chapéu na cabeça. – Se eu falar. – Não me agradeça ainda. é o rótulo ideal para se colocar em alguém que não dá a mínima. vocês dois! – Sarah se levantou. vou preparar uma xícara de chá de hortelã e levá-la para o meu quarto. por favor. por que. Gabe olhou para Jack. aprendi a dizer mamã e papá. eu deixei você cuidar dos livros contábeis desde que Jonathan morreu porque essa me parecia a vontade dele. não pode chamá-la de mãe? – Você não entenderia. nem tanto. Mas pretendo passar o dia de amanhã avaliando nossas finanças para ver se podemos custear as despesas e taxas de inscrição de Gabe. Ia ser uma tarefa difícil. – Jack contraiu a mandíbula. Sim. A explicação de Jack também tornava difícil para Gabe continuar furioso com seu irmão mais velho. – Tudo começou por causa daquela corretora de imóveis. – Gabe. então. estamos longe disso. – Ela não tem nada a ver com isso! Sarah cruzou os braços. – Jack. – Ah.

porque duvidava que tivesse alguma pilha sobressalente na casa. Afinal. mas Morgan errara feio o placar. vasos de flores variados. Quando finalmente o encontrou. O feriado prolongado pelo Dia da Independência era o primeiro no qual Morgan folgava desde que chegara em Shoshone. Se Gabe de alguma forma pudesse saber sobre as possibilidades sedutoras que estava perdendo. Era hora de desenterrar aquele estimulador de alegrias. ela acendeu as velas. o vibrador estava no fundo da última caixa que Morgan abriu.POR VOLTA das nove e meia da noite. Um homem não poderia estar numa revista daquela sem tal dote. Bem melhor. Ela já trocara os lençóis naquela manhã. e seu vibrador estava em uma delas. Claro. todos eles tinham um equipamento impressionante. Morgan sentiu-se suficientemente leve para voltar para casa e enfrentar a realidade de que iria dormir na mesma cama onde ela e Gabe tinham brincado não há muito tempo. Uma garota podia criar um clima mesmo quando o homem dos seus sonhos… quer dizer… o babaca que a havia chutado não estava presente. Jogando a revista de volta na caixa. O lamento de um sax e o baque de um piano jazzístico preencheram o quarto. droga. Tirando-a da gaveta. uma mola maluca. Ela folheou a revista e descobriu que nenhum dos modelos a fazia tremer de luxúria do jeito como Gabe fazia. agora que Gabe Chance tinha sumido do mapa. Naquela manhã a dita ocasião dera sinais de que iria envolver Gabe. Ela o estava guardando para uma ocasião especial. ela havia bagunçado todo o corredor com CDs antigos. Até mesmo acrescentara um vaso de flores silvestres no quarto. tirou suas roupas no ritmo da batida e abriu uma gaveta. e a saia curta tinha o poder de distrair um homem. . Ela ficou grata por saber que sim. ela ainda estaria de folga até a manhã seguinte. O Analgésico receitado por Josie ainda cantarolava em sua corrente sanguínea. Havia vasculhado a cidade em busca de imóveis para anunciar e passara vários fins de semana mostrando casas. um negligé de seda preta comprado em Jackson no ano anterior e nunca usado. bichos de pelúcia que sobraram de sua infância. Ela ligou o som. ele ia se consumir de tristeza. E daí? Ela ia usar a peça mesmo assim. Mas nenhum deles tinha o sorriso presunçoso de Gabe ou olhos azuis brilhantes capazes de fazê-la crepitar em dois segundos. alguns livros de bolso e um exemplar antigo de uma revista de nu masculino. Lá estava. Ela não precisava dele para se divertir. À noite. Uma garota também podia ouvir música. Ela se concentrara tão completamente na empresa que ainda tinha algumas caixas da mudança lacradas e entulhadas no armário do corredor. um cubo mágico. ela atualizava seu website e fazia cursos online para aprender a ser uma vendedora melhor. relaxando-a a tal ponto que Morgan contemplou desembalar seu vibrador e fazer uma festa sozinha. Ela vinha trabalhando arduamente para impulsionar seu negócio. na expectativa de haver mais brincadeiras naquela noite. Pegando seu isqueiro. ela foi dançando até a cômoda. Flutuando com a música. ela levantou os braços e deslizou o tecido sobre a cabeça. O decote profundo era feito para uma garota bem-dotada. Morgan pegou o vibrador e o ligou para certificar-se de que as pilhas ainda funcionavam. Ah. Naturalmente. Mas ele nunca saberia. Um rodopio na frente da porta do armário confirmou o que ela já havia comprovado no provador quando comprara aquele número. além de algumas velas perfumadas. dando um suspiro de prazer. o qual já estava preparado com um CD de música ambiente.

Quando ela se levantou para retornar ao quarto. estava muito enganado. Procurando alguém para tocar o seu berrante? . Mudo. Ninguém na cidade a conhecia bem o suficiente para aparecer à sua porta às dez da noite. o quadril inclinado enquanto ela batia o vibrador contra a coxa nua. ela guardaria suas tralhas de volta nas caixas em vez de deixá-las espalhadas por todo o piso do corredor. Ela abriu a porta e ficou ali. Duas doses do drinque Analgésico tinham sido o suficiente para despertar a engraçadinha em Morgan. Mas isso parecia uma tarefa chata considerando que ela estava segurando um vibrador funcionando e usando um negligé que dizia “transe comigo agora”. Gabe a encarou. Gabriel. Normalmente. ele abriu a boca. Mas fora dos limites da cidade havia uma pessoa que se achava capaz de fazer o que bem quisesse sem sofrer as consequências. Estava. Se era isso que ele pensava. Morgan fez uma pausa quando a intuição lhe golpeou. Vibrador na mão. e logo mudaria de opinião. Então a fechou novamente. Inspirando fundo. Morgan caminhou até a porta e verificou o olho-mágico só para ter certeza de que seu palpite estava correto. a campainha tocou. – Olá.

era feliz em vê-lo. Mas tudo o que ele dissera a si sobre a ida à cidade. Gabe tinha dito a si que seria uma visita breve para entregar o recado de sua mãe. Uma visita pessoal lhe parecera ser a única resposta. com direito a uma camisola curta. se tinha uma coisa que ela não estava. isso não era verdade. mas não tinha certeza se Morgan teria atendido. um pedaço de plástico cor de pele com o diâmetro e o comprimento de um pênis. Gabe não tinha muita experiência nessas coisas. precisava relatar os últimos acontecimentos e explicar por que Sarah queria vê-la. ele talvez nem precisasse se preocupar em se comprometer indo para a cama com ela. mas emocionalmente também. ela estava… ele não conseguia nem mesmo encontrar uma palavra para lhe fazer justiça. Capítulo 14 GABE NÃO tinha certeza do que esperava encontrar quando Morgan abrisse a porta. Ele tinha dito a si que. mas só de saber o que Morgan tinha em mente o fator luxúria quadruplicava. e depois ele iria embora rapidinho. . Por um momento louco ele se perguntou se ela já estava com outra pessoa. Ele nunca tinha imaginado uma mulher fazendo uma grande produção para usar um. cada racionalização para estar ali. mas certamente não era aquilo. Ele tinha ido até a casa de Morgan porque queria vê-la. novamente. mas sempre achara que as mulheres usavam vibradores como um paliativo entre um sujeito e outro. cujo cheiro ele podia sentir dali. Gabe ficou excitado de uma forma inacreditável. Ele aparecera em sua porta porque desejava tudo o que aquela mulher tinha para oferecer. Ele imaginava que ela ainda não tinha começado sua noite de autoestimulação. Sabendo o quão fraco era quando se tratava de Morgan. Naturalmente. ele poderia ter telefonado. apesar de estar relativamente tarde. A julgar pelo modo como Morgan o encarava. Não. Mesmo que atendesse. ao vê-la daquele jeito. especialmente no sentido sexual. ela não ia permitir que isso acontecesse nem nos próximos milhões de anos. Sim. Gabe não tinha nada que estar ali e deveria ir embora de pronto. embora não tivesse entrado ainda. Mas que diabo. tinha sido uma mentira deslavada. Mas. no entanto. contava uma história diferente. seria complicado convencê-la a ir ao rancho no dia seguinte apenas com uma conversa telefônica. música e velas perfumadas. Mas daí. mas o vibrador.

tap. Morgan ligou o aparelhinho. e Gabe compreendia. Gabe. – Tudo bem. – E então… Posso entrar? – Depende. – Ela cutucou o peito dele com aquela coisa. em riste como um punhal. Ela avançou para ele. fazia o vibrador. – Parar com o quê? De ser eu mesma? – Ela voltou a cutucá-lo no peito com o vibrador ainda ligado. . – Ela mirou o vibrador mais para baixo. – Muito bem. – Morgan se agarrou ao vibrador com firmeza. Você não aguenta. cowboy. – Pare com isso. Talvez você queira ficar e assistir. A voz dela baixou para um ronronar. o vibrador zumbindo. Ele podia jurar que o vibrador estava lhe causando um curto-circuito no cérebro. Em vez de obedecer. A vibração do aparelho de plástico enviou sensações de formigamento pelo braço dele. Daí fechou a porta e olhou para ele. com você assim desse jeito e eu de pé à sua porta. por falar em lábios trêmulos. e ficou duro como uma rocha. Gabe soltou o vibrador e a tomou nos braços. apontando o caminho para Gabe. Ela o estava seduzindo de propósito. tap. – Você precisa ir agora para que eu possa voltar ao quarto e começar minha brincadeira. – Ela deu um passo para trás e usou o vibrador do mesmo jeito que um lanterninha usava sua lanterna. E. O breve contato fez o corpo de Gabe formigar. – Ah. desculpe – disse ela com ironia. – Ele inclinou a aba do chapéu para cima usando o polegar. Bateu o vibrador na coxa mais uma vez. ela era a mulher mais deliciosa que ele já tinha conhecido. e meio que o fez unir os lábios trêmulos. não fazia diferença alguma para ele ser recebido de braços abertos ou não. – Pare de brincar. Ouvir Morgan falar sobre orgasmos era como colocar uma pressão sobre suas partes íntimas. Com um gemido de rendição. conforme você apontou. – Você poderia baixar essa porcaria? Está me deixando tenso. – Ela o fitou nos olhos. Gabe agarrou a ponta do aparelho antes que ele atingisse seu alvo óbvio: a braguilha de sua calça jeans. mas. antes que um vizinho apareça e tenha a impressão errada. – Você pode muito bem admitir a verdade. – Eu preciso falar com você. Ele teve uma visão instantânea de Morgan deslizando o aparelho entre as pernas. – Ou talvez você não queira ir embora. parece que estamos negociando um preço. fale. – Tap. – Mas é para isso que ele serve. – E eu vou ter tantos orgasmos… quanto… eu… quiser. – Quanto tempo você vai levar para dizer o que precisa? – Não muito. uma pressão diferente de tudo que ele já tinha sentido. Morgan. Seu último pensamento racional antes de a boca se grudar à dela foi que ele só iria embora caso ela resistisse. – Eu odiaria deixá-lo tenso. Obviamente estava chateada. Eu sou muito mulher para você. e ele a desejava loucamente. – É melhor você dizer o que quer. Ela parecia prestes a espancá-lo com o vibrador. Ou talvez fosse culpa da ausência de sangue circulando o que o fez paralisar. os de Morgan estavam brilhando porque ela havia acabado de lambê- los lenta e muito deliberadamente enquanto o encarava. e não foi uma sensação ruim. Sorrindo ou franzindo a testa. Mas. pelo visto. porque não conseguia pensar de jeito nenhum. Gabe pigarreou. Ela continuou batendo o vibrador na coxa.

ainda ligado. Não importava. Por fim. deveria penetrá-la profundamente e fazê-la chegar ao clímax. arqueando de encontro a ele enquanto oferecia tudo que tinha e chegava ao ápice. Girando a língua dentro da boca de Morgan. talvez mais de um. seu gritinho agudo abafado contra a boca exigente de Gabe. ainda agarrada ao vibrador. Assim que deitou Morgan na cama. Gabe sentiu a primeira contração apertando seu pênis e acelerou. O chapéu de Gabe também caiu em algum lugar entre a sala de estar e o quarto. Uma vez que sentiu o contato bem-vindo do látex em seu membro latejante. com o coração batendo como uma britadeira. E não se importava se a casa pegasse fogo ou fosse invadida por uma enchente. ele estremeceu no rescaldo da paixão que nem mesmo sabia existir. ela retribuiu o beijo com a mesma qualidade desesperada que rugia dentro dele. Cooperação era uma coisa linda. Ainda estava lá. aumentando o atrito prestes a incendiá-lo. conforme ele investia e Morgan reagia. Com um som metade suspiro. caiu no tapete. Ela cravou os dedos nas nádegas dele. Morgan havia bebido pelo menos um. Gabe estendeu a mão para o pacote de preservativos e esperava que ele não tivesse sido retirado da mesinha de cabeceira desde a noite anterior. deixando-o sem ar. uma vez que ela o deixasse no ponto. Ele pegou uma única camisinha lacrada. Aquilo era o que importava na vida. Tudo bem. E a questão era simples: seu pênis. O ruído se misturava ao deslizar líquido dos corpos em uma cadência cada vez mais veloz. pousou entre eles. dos famosos Analgésicos de Josie. porque não havia um segundo a perder. Gabe colocou a embalagem nas mãos ocupadas de Morgan enquanto continuava a demonstrar com a língua o que tinha em mente. Durante alguns segundos. e o vibrador. Mas ela não resistiu. Conversar só serviria confundir as coisas. Daí gemeu e mordeu o lábio inferior ao mesmo tempo que empurrou a pélvis contra a dele. A pulsação abafada levou os nervos de Gabe à loucura. – Eu não consigo ficar sem você… Eu achei que conseguisse. Um som ritmado brotou da garganta de Gabe e acompanhou os ruídos da penetração. o que era bom. Mantendo aquela conexão boca a boca essencial. Não era surpresa que Morgan estivesse usando vibradores e vestindo seda preta… e desafivelando o cinto e desabotoando a calça dele. Ela não perdeu tempo. Morgan ergueu mais os lábios. o cinto de Gabe tilintava toda vez que eles se encontravam. e ele não deu a mínima. Em vez disso. a mão dela. Ele a possuiria. ele começou a penetrá-la. Gabe afastou qualquer pedaço de seda preta de seu caminho e. Atordoado e humilhado pelo poder de seu desejo por ela. O orgasmo o atingiu com a força de um touro de carga. ele desgrudou a boca da de Morgan. Gabe abraçou Morgan. e o faria agora. Ele a desejava com uma certeza fervorosa e inédita. possuiu Morgan com uma investida certeira. Gabe a acompanhou. Estando o jeans na altura dos joelhos. metade gemido. a língua dele imitando o movimento de seus quadris. e isso era tudo de que precisava para completar a missão. no entanto Gabe espalhou todo seu conteúdo pelo quarto na tentativa de abri-lo. . e não uma porcaria de plástico vibrante. porque ele não queria conversar. mas não consigo. Tudo que importava era manter a boca soldada à de Morgan até o fim. a língua acariciando as reentrâncias da boca com sabor de fruta. Ela reagiu erguendo o quadril para encontrá-lo. Ele conhecia bem aquele gosto. ele mirou em seus olhos. Ainda assim ele manteve a boca colada à dela.

Ela estendeu a mão e segurou o rosto dele, o olhar confuso.
– Então eu faço tão mal para você quanto você disse que eu fazia.
– Não. Você é do que eu preciso. – Ele se inclinou e roçou os lábios nos dela enquanto penetrava
mais fundo. – É disto que eu preciso.
– Você não está pensando direito agora. Admito que fiquei com raiva quando você me deu o fora
hoje, mas não quero ser o motivo da sua desistência das competições.
– Por que não? Quer melhor motivo do que esse? – Ele lhe deu beijos no rosto, nos olhos, no cabelo.
– Hoje à noite fiquei vendo Nick com Dominique, e quer saber? Senti inveja dos planos deles. Eles
estão escolhendo um local para construir uma casa. Ainda não falaram no assunto, mas tenho certeza
de que vão ter filhos.
– Que bom para eles. – A voz de Morgan saiu sem emoção.
– Seria bom para a gente. Você daria uma ótima mãe.
– Não, Gabe! – Ela lutou para sair de debaixo dele. – Solte-me.
– Qual é o problema? – Ele rolou para longe e Morgan saiu da cama aos trancos. – Você não quer ter
filhos?
– Não agora! Não num futuro próximo! – Ela abarcou os seios cobertos pelo negligé de seda. – Como
mencionei esta tarde, quando sua mãe estava bancando o cupido, eu não sou a Mãe Natureza, que mal
pode esperar para ficar grávida e amamentar bebês.
– Bem, com certeza você disse isso, mas pensei que só estivesse dizendo que não queria filhos
imediatamente. Eu não estou falando de nada em curto prazo.
– Eu não sei se vou querer filhos um dia. Fui a mais velha de sete filhos, o que significa que ajudei a
criar todos eles. Eu não estou ansiosa para trocar fraldas. E, se eu não sou louca por bebês, então por
que me casar?
O cérebro de Gabe estava girando.
– Bem, eis uma bela mudança. Pensei que fosse eu que estivesse evitando o compromisso.
– Não imaginei que precisasse ser específica sobre meus sentimentos. – Ela atravessou o quarto. – Até
que você apareceu esta noite e começou a falar sobre bebês. Isso me dá arrepios na espinha, Gabe.
– Então, o que você quer? Pensei que você quisesse criar raízes.
– E é o que estou fazendo! Eu comprei esta casa. E estou me fixando nesta comunidade construindo
uma empresa. Pretendo ficar aqui por muito, muito tempo, talvez pelo restante da minha vida. Isso não
significa que eu queira me casar ou me reproduzir.
– Isso é … Quero dizer, a maioria das mulheres quer…
– Eu não sei sobre a maioria das mulheres, Gabe. Só sei de mim.
– Sim, mas quando você se mostrou tão ansiosa para ir para a cama comigo agora há pouco, eu pensei
que…
– Que eu queria casamento e bebês? Eu fui para a cama com você porque era empolgante saber que
você não conseguia resistir a mim. Meu pobre ego estava machucado quando você me mandou embora
esta tarde, e agora me sinto muito melhor.
– Estou vendo. Ainda bem que pude ajudar. – Cara, aquilo era deprimente para diabo.
– Gabe, eu também adoro fazer sexo com você.
Ele olhou para cima e a flagrou sorrindo. Era um consolo. Morgan não queria se casar com ele, mas
pelo menos gostava do sexo.
– Eu também adoro fazer sexo com você, mas…

– Mas o quê?
Ele a avaliou.
– Não tenho certeza. Sexo bom sempre foi o suficiente para mim. – Ele respirou fundo. – Deixe-me
me ajeitar um pouco antes de continuar. Não estou lá essas coisas amarrado feito um porco com as
minhas próprias roupas. – Ele apontou para a calça jeans na altura do joelho. E ainda estava de botas,
pelo amor de Deus.
– Claro. Fique à vontade. Vou desligar o vibrador. – Ela saiu do quarto.
Gabe esperou até Morgan sair antes de se dirigir ao banheiro. Uma vez lá, ele se inclinou contra a pia
e olhou para o espelho. Qual diabos era o problema dele? Em essência, ele havia pedido Morgan em
casamento. E ela recusara.
Para todos os efeitos, ele nunca tinha pedido uma mulher em casamento, com exceção de Cheryl
Danbury, na segunda série. Será que ele realmente queria se casar com Morgan? Temia que quisesse, o
que não fazia sentido lógico, mas aquilo ressoava dentro dele como o passo certo. Já como a coisa seria
compatível com sua campanha para voltar às competições e levar Top Drawer ao Hall da Fama, isso não
estava claro no momento.
Mas uma coisa estava clara: Gabe não conseguia pensar em nada quando estava com Morgan. Uma
fungada naquele perfume especial, um olhar para aqueles olhos azul-esverdeados, um vislumbre das
curvas exuberantes, e ele começava a almejá-la da maneira mais básica.
Talvez fosse daí que tivesse surgido a coisa de casamento e bebês. Ela incitava sua necessidade de
acasalar. Nenhuma mulher tinha feito isso até então, e ele não sabia como lidar com a situação.
Precisava de distância e perspectiva, especialmente porque ela não parecia compartilhar de seu instinto
de acasalamento.
Enfiando a camisa e fechando o zíper das calças, Gabe afivelou o cinto e saiu para a sala de estar.
Morgan estava sentada em uma poltrona de couro marrom, usando a camisola preta que exibia seus
seios espetaculares de forma tão adorável. Ela estava usando o chapéu dele.
E ele queria possuí-la novamente. Queria possuí-la naquela poltrona. Ele se sentaria no lugar dela e
Morgan montaria nele, com as pernas enganchadas nos braços da poltrona e a camisola arregaçada até
a cintura. Ela estaria usando o chapéu dele e berrando seu nome enquanto movimentava os quadris
para cima e para baixo, para cima e para baixo.
– O que é isso? – perguntou ela, em voz baixa.
– Você. – Ele engoliu em seco. – Eu nunca… – Ele massageou a própria nuca e desejou que sua
ereção fosse embora. – Eu nunca quis uma mulher… tanto assim.
– Sinto-me lisonjeada.
– E eu estou completamente desorientado. Mas o sujeito do bode ligou enquanto eu estava no jantar
com a minha família. – Gabe percebeu que ele ainda não tinha dado o recado da mãe. Falando em
cérebro congelado…
– O bode para Doozie?
– Isso. Vou viajar amanhã cedinho para o Colorado para buscá-lo. Vou passar uns dias fora. Acho
que um pouco de tempo longe vai fazer bem para nós agora.
Morgan assentiu.
– Também acho.
– Mas preciso lhe pedir um grande favor nesse meio-tempo.
– Hein?

Ele notou que ela não concordou imediatamente com o que quer que fosse. Morgan estava
conseguindo manter a calma, bem mais do que Gabe podia dizer sobre si.
– Minha mãe queria saber se você estaria disposta a ir até o rancho amanhã para conversar com ela.
No horário que for melhor para você.
– Por quê?
Respirando fundo, Gabe a deixou a par do que tinha acontecido quando ele dissera a Jack que ia
retornar às arenas.
– Jack tem certeza de que você me influenciou para exigir minha parte do rancho.
Os olhos dela crepitaram de indignação.
– Isso é tão injusto, principalmente quando eu já falei tantas vezes que acho que as suas necessidades
ligadas ao rancho não devem mudar. Você não está falando sério sobre essa coisa de vender uma parte
das terras, não é?
– Claro que não. – No entanto, no calor de sua discussão com Jack, Gabe pensara no assunto. Havia
uma área cultivada que eles não usavam para muita coisa. Mas dizer isso a Morgan seria o equivalente a
cometer blasfêmia, por isso ele não o fez.
– Bem, isso é bom. Eu odiaria ver seus pedaços desmembrados e distribuídos.
– Opinião esquisita para uma corretora de imóveis.
Ela empinou o queixo.
– Talvez você tenha saído com as corretoras erradas. Nós não estamos todos sempre prontos para
estuprar uma terra. Alguns de nós acreditamos no trabalho com habitações já existentes sempre que
possível.
– Esse seria um bom argumento para usar com minha mãe. Ela realmente quer ouvir o seu lado.
– Será que vai acreditar em mim?
– Acho que vai. Mas não posso falar por Jack. Ele segue o próprio conjunto de regras.
Morgan assentiu.
– Foi isso que Josie disse.
Gabe sentiu um mal-estar ao pensar em Morgan e Josie comparando impressões sobre os irmãos
Chance.
– Eu não sou como Jack.
Morgan olhou para ele, sem responder, mas Gabe podia notar as engrenagens se movimentando
naquele cérebro fértil dela.
– Não sou! Ele vai aos extremos com as coisas, tipo deixar de se encontrar com Josie só porque estava
na cama com ela quando meu pai morreu. E agora ele está se matando de trabalhar e guardando cada
moedinha, e esse é o exato oposto de quem ele era antes. Jack não consegue fazer nada com
moderação.
Morgan se levantou e tirou o chapéu.
– Já você, por outro lado, faz tudo com moderação.
– Bem, sim. Bastante. Na maior parte do tempo.
– Nas competições, por exemplo?
– Esse não é um bom exemplo. Você precisa ousar se quiser chegar a algum lugar no circuito de
apartação. Não dá para competir com uma postura meia-boca.
– Ou, como você colocou esta manhã, você come, dorme e sonha em função das competições.
Gabe passou a mão pelo cabelo.

mesmo que isso me mate. – Não? Mas você acabou de dizer que… – Eu sei o que acabei de dizer. talvez eu tenha exagerado um pouco a seu respeito. – Ela encarou os olhos dele. aquele que fazia Gabe se esquecer de tudo. eu sei aonde você está indo com esse raciocínio. – Olha. – Hum. E esta noite eu vou praticar a moderação. mas eu sou. Gabriel Archibald Chance. Você é como um bufê do tipo “coma à vontade” só com as minhas comidas prediletas. Você é tudo que eu sempre imaginei. mas eu não sou como Jack. – Não. – É? – Claro. Gabe o aceitou e colocou na cabeça. Ele empurrou a aba do chapéu para trás. mas isso também é compreensível. Gabe. A gente podia voltar à mesa do bufê outra vez e encher nossos pratos. Ele difama o significado de obstinação. Isso a fez sorrir. – Acho que isso também descreve como eu me sinto em relação a você. Vá para casa. – Quero dizer. – Morgan estava exibindo aquele olhar. – Ela lhe estendeu o chapéu. nem está tão tarde assim. – Você pode não ser como Jack. – Sabe. . Morgan. exceto de levá-la de volta para a cama. – Tudo bem. e isso chega a me assustar. Um banquete sem fim. – É? – Ele gostou de saber daquilo. Você é um verdadeiro banquete.

Fora Sarah quem tinha dito que queria que Gabe encontrasse alguém a quem ele fosse capaz de amar apaixonadamente e que correspondesse com paixão equivalente. ou aquele gesto que se fizera passar por uma. contra as leis da natureza. o coração dela . Gabe não a amava e Morgan não o amava. ela correra para verificar o estado civil dele. Se existisse o conceito da pessoa prestes a se apaixonar. ou que pensara nele muitas vezes desde então. Isso seria totalmente ilógico. Sarah não gostaria que quaisquer planos de casamento viessem desprovidos de baldes de amor. Toda vez que ele surgia em sua mente. o coração de Morgan vibrava. dotado de espírito esportivo. e que ficara esperando que eles trombassem durante os eventos do Dia da Independência. então. acontecia muitas vezes. Capítulo 15 MANDAR GABE para casa foi uma das coisas mais difíceis que Morgan já tinha feito há algum tempo. Toda vez que eles se encontravam. Ela não tinha se mudado para Jackson Hole especificamente por causa de Gabe Chance. coisa que. uma vez que chegara à cidade. Dirigir para ver Sarah Chance na manhã seguinte vinha logo em seguida. Durante todo o trajeto pela estrada de terra. Isso não era o mesmo que prometer seu amor eterno e implorar por sua mão. engraçado. Morgan tivera esperanças de vê-lo. se fosse ser totalmente honesta consigo. mas era culpada de recusar a proposta de casamento de Gabe. ela tentou se convencer de que a proposta de Gabe não tinha sido genuína. Todo mundo sabia disso. Mas… ela não podia negar que tivera uma quedinha daquelas por Gabe na época do colégio. mas a tal palavrinha com A jamais fora mencionada. Eles se viram durante seis meses na escola e só tinham voltado a ter contato dois dias atrás. E Gabe tinha se provado nobre. Ela desistira depois de descobrir que ele passava seus verões fora da cidade participando de competições de apartação. Morgan não era culpada do oportunismo grosseiro do qual Jack a acusava. Ela não poderia amá-lo. O amor exigia mais tempo do que isso para se desenvolver. Morgan não precisava sentir como se tivesse esmagado o sonho de Sarah de tê-la como a mais nova candidata a nora. a palavra amor não tinha feito parte da discussão. vergonhosamente. então Morgan se encaixava nessa categoria. Gabe havia sido honesto sobre seu caso incansável de luxúria. um ótimo dançarino e um amante explosivo. mas. Tudo bem. Pensando bem. Mas. Desde que viera para Shoshone. Ele só dissera que eles poderiam ter filhos e que ela seria uma ótima mãe. admitiria que ficara sabendo que ele sempre retornava no final de junho.

e agora. Morgan. Pam não pareceu menos surpresa pelo comentário direto de Sarah. como se indicando a porta maciça na entrada. já que o encontro da noite passada não deu certo. – Ela entregou a Pam todos os cartões que carregava e entrou no modo profissional: – Obrigada por pegar meus cartões e por me recomendar. os O’Conner. seus batimentos cardíacos ultrapassavam os índices aceitáveis. quando tudo o que ele sentia era apenas luxúria? O quão patética ela ia se sentir? Bem. mas principalmente o próprio Gabe? O quão constrangedor seria se Gabe descobrisse que ela estava apaixonada por ele. O Última Chance era um lugar lindo. Embora Sarah tivesse escolhido deixar seu cabelo sedoso no tom branco natural. a outra mulher tinha optado pelo louro dourado. do Beliche e Boia. – Chifres. mas ela não achara que precisaria dele nessa manhã. ela estava sentada em uma cadeira de balanço na varanda. que inferno. nus. elas estavam indo direto ao ponto. Presumo que tenha vindo do lado irlandês dos O’Connelli. Se Morgan tivesse de adivinhar. acompanhada de uma mulher mais ou menos da mesma idade dela. – Morgan nunca saía de casa sem seu porta-cartões. e. Ela usaria tal habilidade para proteger seu segredo. uma vez que essa poderia ser sua visita derradeira ao local. Seus galhos aveludados mergulhavam graciosamente. Morgan! Pam veio verificar nosso suprimento de ovos e pedi a ela para ficar e conhecê-la. Sarah sorriu como se estivesse cumprimentando uma velha amiga. Ela estava apaixonada por ele. – Diga-me. e minha personalidade tem mais a ver com o lado Spinelli. Pescou-o na bolsa enquanto subia os degraus da varanda. diria que a loira curvilínea era Pam Mulholland. Ai. Quando seus pais a arrancavam várias vezes de um lugar exatamente depois de ela começar a sentir-se à vontade nele. especialmente Sarah. Não era à toa que Sarah desejava isso para todos os seus filhos. Mas é um belo tom de cabelo ruivo. ele não ia descobrir.disparava. Morgan aprendera a agir como se isso não fizesse diferença. Quando tinha 8 anos. – E ela concordou gentilmente em vender seu excedente para nós. quando estavam juntos. Tenho alguns aqui. Como isso acontecera? E como ela ia conseguir evitar que os outros descobrissem. claro. – Acho que uma apresentação formal é dispensável – falou Sarah. – Eu sou a moça que fornece os ovos – disse Pam. Falando em Sarah. Morgan imaginava que os avós de Gabe as haviam plantado. não. – Meu visual é herança dos parentes do lado do meu pai. Quando Morgan saiu do carro. Morgan? – Eu… hum. Ela esperava que Sarah fosse querer manter aquela conversa confidencial. Ambas estavam vestidas com jeans e camisas quadriculadas. Morgan se demorou admirando a casa durante sua aproximação. – Eu sempre quis ter um galinheiro. Você gosta de vinho? . Morgan ficou surpresa ao ver alguém lá. A rotatória de cascalho diante da casa criava uma ilha de vegetação ancorada por dois pinheiros azuis. com o Beliche e Boia. Aquela casa tinha sido construída para acolher casais apaixonados. E. A julgar pela altura das árvores. Você trouxe cartões de visita. Morgan aperfeiçoara a arte de fingir que não se importava. Pam. Aparentemente. eu posso. – Ei. as duas se levantaram e caminharam em direção aos degraus da frente. que eram mais altas do que a casa. você notou algum chifre brotando da cabeça de Morgan? Morgan piscou.

Morgan corou. – Sarah apontou a cadeira de balanço vazia ao seu lado. ou se você vai vacilar e estragar tudo. todos nós sabemos disso – retrucou Sarah. – Eu queira poder pegar um pouquinho disso emprestado e polvilhar em cima de Emmett. Morgan prendeu a respiração. – Sou uma grande fã de chardonnay. – Venha sentar-se conosco e apreciar a vista. – Podemos falar sobre isso também. pedi a Mary Lou para trazer café e seus famosos bolinhos doces. tive de convocar esta reunião para convencer Jack de que coloquei o devido empenho na questão. isso é o suficiente. Você não estava lá ontem à noite para ouvir como Gabe defendeu-a quando Jack quis massacrá-la. Se eu não fosse tão louca por ele. Por quê? – Se indicar alguém e essa pessoa me procurar. liguei para todos os meus amigos na cidade para descobrir o que eles sabiam a seu respeito. Sentindo-se desorientada. – Agradeço a postura dele. Jack iria discordar de Gabe de qualquer maneira. – Ela olhou atentamente para Morgan. Pam suspirou. daria com uma tora naquela cabeça. – Talvez. como se fosse uma armadura. – Mas eu não… – Ah. além disso. ontem. – Gabe é um bom julgador de caráter. para dizer o mínimo. não tem jeito de estarmos apaixonados. – Ela sorriu conscientemente. – Eu me apaixonei por Jonathan depois de três dias de namoro intenso – continuou Sarah. Conheço essas coisas. mas na verdade só precisei ver sua reação diante das fotos de bebê dele ontem. – Pensei que você quisesse ouvir sobre a minha filosofia na venda de imóveis. antes de você vir. – Acho que é isso que Jack pensa – disse Morgan. Gabe disse que… – Tenho certeza de que ele deu indicações sobre o assunto a ser discutido para causar uma boa impressão. – E você não pode negar que há certa… intensidade entre vocês dois. Pam assentiu. – Tenho certeza de que qualquer pessoa teria achado as fotos bonitas. – Certamente aquilo dava a Morgan uma sensação de acolhimento. mas daí assumiu uma postura indiferente. Mas isso é outro assunto. Todos foram extremamente corteses e asseguraram que você não era uma empresária gananciosa. Podemos não ser capazes de resolver todos os problemas relacionados ao sexo masculino por . Só saímos por dois dias. – De qualquer forma – continuou Sarah –. eu gostaria de demonstrar minha gratidão. – Presumo então que Jack esteja pensando que você é um tubarão imobiliário tentando vender o rancho? Sarah revirou os olhos. – Então você não está preocupada com a minha influência sobre Gabe? – Minha única preocupação é se você e Gabe vão descobrir que estão loucamente apaixonados um pelo outro. – Meu Deus. Você está apaixonada por ele. – Parece-me uma ótima negociação. De qualquer forma. Morgan só conseguiu dizer um “entendi” bem baixinho. Vamos fofocar sobre homens. E observei seu rosto. mas você se demorou nelas. – Às vezes. – Bom saber. – Fiquei aliviada. Sarah assentiu. Morgan. mas ela não se atreveria a lhe dar demasiada importância. Sou mãe.

mas que eles não estavam destinados a ficar juntos. se nós quatro botarmos nossas cabeças para funcionar. o interesse sexual dele poderia desabrochar para o amor em algum momento. Pam se voltou para Sarah e perguntou: – Será que Nick e Dominique conseguirão escolher um terreno para a casa antes de ela viajar? – Eles estão cogitando fazer no local onde se conheceram. E Sarah ia ansiar por netos. Enquanto Morgan lutava para recuperar a compostura. Se Morgan planejava permanecer em Shoshone. ou seja. . Gabe ia querer filhos. – E perto o suficiente para a gente ir visitar e mimar os netos – disse Mary Lou. Fazia séculos que ela não ria tanto. mais cedo ou mais tarde. Jack. mas. uma mulher de quem ela realmente gostava. Ela sabia o motivo também. incluindo a parte dos bebês. E principalmente não era fã da ideia de ter filhos enquanto o pai deles viajava para eventos de apartação. qualquer outro tipo de relacionamento com Gabe era problemático. mas também não gostaria de ser o burro de carga deixado para trás. uma vez que ele encontrar a mulher certa. Sarah havia lhe dado o selo Chance de aprovação. Todo mundo tinha sido muito gentil. Mas seria tolice ter esperanças porque. – Sim. Era melhor terminar sua relação com Gabe e ter esperanças de manter a amizade com Sarah. Também é longe o suficiente para lhes garantir privacidade. Mas não seria adequado lançar uma granada no meio daquele grupo acolhedor. – A expressão de Sarah ficou sonhadora. Todas concordavam que ele precisava abandonar a culpa e voltar a se juntar à raça humana. Mas Morgan apenas… não sentia qualquer entusiasmo pelo projeto. o assunto “crianças” era sensível para ela. Mesmo nosso Jack ranzinza. desde a morte de seu pai. Morgan via um milhão de armadilhas naquele cenário. Gabe poderia dizer a sua mãe que Morgan era uma ótima pessoa. ela não deveria se envolver com Gabe. Talvez essa tática funcionasse. O mesmo acontecerá com todos os meninos. mas não ia estragar o clima daquela bela manhã. Mas ela preferia não ser o portador das más notícias. Morgan teria adorado jogar o nome de Josie na conversa. – Nick vai ser um ótimo pai. Gostando ou não. juntas podemos descobrir o que diabos fazer a respeito da nossa maior criança problema. Além disso.aqui. Claro. É um prado rochoso. a questão das crianças ia se tornar um ponto de discórdia. mas aquelas três mulheres a acolheram de uma forma que ela nunca havia experimentado. Ganhando energia com a comida e a bebida. a menos que estivesse preparada para ir até o fim. Morgan perdeu a vergonha rapidamente entre aquelas mulheres sábias e amigáveis. as mulheres passaram a dissecar o comportamento de Jack ao longo dos últimos nove meses. e talvez Morgan pudesse estabelecer um relacionamento com Sarah do mesmo jeito que sempre fizera com as mães de outros sujeitos com quem não chegara a se casar. mas eles poderiam usar as pedras para construir uma bela lareira. Tinha concluído que Morgan e seu filho estavam apaixonados e que era só uma questão de tempo antes de perceberem isso e se casar. Sarah iria encarar melhor se a notícia viesse do filho. Mary Lou chegava com uma garrafa de café e seus bolinhos caseiros. Ela não estava disposta a fazer tal sacrifício. na verdade. Ela imaginava que Josie tivesse pulso para lidar com um sujeito como Jack. Pela primeira vez desde que se mudara para Shoshone. ela realmente sentia-se parte da vida ali. Ela não queria ser a chata que ficava insistindo para o marido ficar em casa.

possuía a honestidade e a lealdade para fazer valer um relacionamento. É claro que Bennington insistira num preço ridículo. Não importava. E. ela superaria isso. também conhecida como Morgan O’Connelli. ele relia o torpedo. Ela cresceria e desabrocharia nessa cidade que havia escolhido. Tanto a música quanto a situação com o bode tinham ajudado a organizar seus pensamentos. Ele confundira o anseio dela por uma casa própria com o anseio por um marido e filhos. Um sujeito poderia começar a estimar a generosidade e a coragem de uma mulher. . O que importava era o conceito da união. Morgan era uma sobrevivente. teria comprado um em Jackson. pois ele sabia Gabe precisava daquele bode especificamente para acalmar Doozie. GABE LEVOU o único reboque de cavalos do rancho para buscar Hornswaggled. e Doozie não ia dividir sua baia com qualquer outro bode. mas aquele clima sentimental funcionou bem para ele. Fosse para oficializar com um clérigo ou simplesmente ficarem juntos até estar velhinhos e grisalhos. mas eles possuíam um laço agora. Ele não sabia como Doozie e o bode tinham se vinculado inicialmente. o bode marrom e branco tão amigo de Doozie. E agora Gabe tinha certeza disso porque Morgan havia lhe mandado uma mensagem de texto logo depois do encontro com Sarah. Gabe tinha formado o mesmo tipo de vínculo com Morgan. No entanto. Gabe geralmente gostava de música agitada e alta. se a ideia de desistir de um homem por quem ela viera a se apaixonar ferisse seu coração. Sempre que parava para abastecer ou para comer alguma coisa. pois uma mensagem daquele tipo precisava ser respondida pessoalmente. teria sido mais barato e daria menos trabalho. e uma substituta não ia funcionar. Ele não chegou a responder a ela. Quando Gabe estava a pouco mais de trinta quilômetros de casa. E ela não era muito fã desta opção. ele não estava tão certo dos sentimentos de Morgan. Ela era sua escolhida. com ou sem Gabe Chance. embora ela talvez não fosse gostar de ser comparada a um bode. A ida e a volta ao Colorado lhe deram tempo para pensar e para sentir saudades de Morgan. Hornswaggled não se contentaria em se vincular a outro cavalo. que sentia mais falta daquela mulher do que de competir. Era uma necessidade mútua. e não de algum modelo genérico. ele já havia chegado a algumas conclusões. Uma mulher que sabia como lidar com os altos e baixos da vida. com algum interesse. Então ele seria o bode e ela poderia ser a égua baia bonita. Canções de amor eram capazes de fazer um sujeito pensar que sua atração por uma mulher poderia ir além do sexo. Uma descoberta surpreendente. Ele notou. ele precisava daquela mulher em especial. Se Gabe pudesse usar qualquer bode velho. E sentir saudade dela foi basicamente o que ele fez durante todo o trajeto de ida e de volta. Quando Gabe encontrara o bode. Numa jogada inevitável do destino. Independentemente de quem ela era. Gostando disso ou não. Ela era uma mulher mais livre do que ele havia percebido no início. estava tão tristonho quanto Doozie. Ele talvez estivesse começando a perceber que certa mulher. em qualquer estação de rádio que ele sintonizava estavam tocando canções de amor.

estavam mesmo. e Gabe notou que o jipe vermelho de Pam estava estacionado ao lado do prédio. me desculpe. Ele planejava desengatar o trailer e dirigir sua caminhonete até a cidade. receoso durante o carregamento. – Gabe abaixou a cabeça para esconder um sorriso. Totalmente inaceitável. mas. Hornswaggled tomou a frente na decisão e baliu lamentavelmente. e agora as chamas do constrangimento lambiam seus rostos vermelhos. Vc merece filhos. Sarah ficaria contente em saber daquilo. Pela mesma razão. Ele estava ansioso pela felicidade que traria tanto para a égua quanto para o bode. Butch e Sundance. já deviam estar em casa para passar a noite. Nick fazia questão disso. Emmett pigarreou. ele se dirigiu para as portas fechadas do celeiro. Tendo ciência disso ou não. Morgan era sua Doozie. Ele olhou para Emmett e Pam. como se estivessem em chamas. Emmett tinha as duas mãos no traseiro de Pam. Os dois cães. Provavelmente alguém havia lubrificado as dobradiças porque a porta não rangeu. essa situação poderia mudar a qualquer momento. Acabou. de certo modo. Emmett e Pam se separaram num sobressalto. Segurando a rédea de Hornswaggled na mão esquerda. como Doozie. – Hum. para que eles não ficassem tentados a arrumar confusão com os lobos que percorriam as colinas perto do rancho. Ou talvez não. ambos ainda estavam com todas as roupas. Isso explicava por que as duas pessoas envolvidas num beijo monumental não ouviram Gabe. os potros e éguas paridas eram mantidos no celeiro. mesmo se tivesse de retroceder nos treinamentos com os cavalos e… bem. pela forma como estavam colados. Ele não tinha certeza do motivo. Eles estavam consumidos pelas chamas da paixão. Ele precisava colocar Hornswaggled na baia de Doozie. com certeza iriam notar. Uma única luz queimava dentro do celeiro. Doozie respondeu com um relincho. considerando a respiração ofegante que rolava ali. aquela com quem Gabe estava destinado a partilhar sua baia pelo restante de suas vidas. Não. Ele imaginara sua vida sem ela. Então Gabe imaginou a vida com Morgan. Morgan era mais importante do que qualquer uma daquelas coisas. que estava ferida. ele o faria. dormindo. mas. os dedos espalmados enquanto ele alinhava os quadris aos dela. metidos num corpo a corpo mais ou menos obsceno. Gabe se aproximou das portas duplas do celeiro e abriu a da direita.Encontrei sua mãe. caso ele desfilasse por eles levando um bode. mesmo que ele precisasse desistir de toda a opção de casamento-e-filhos. e Gabe saiu tarde porque Bennington ficou perturbando. Eles poderiam até não tê-lo notado ainda. bem como qualquer outra criatura vulnerável. certamente não estava acabado. Felizmente. mas depois que concluísse tal reunião ele teria a sua para resolver. Por isso. Gabe não tinha certeza de como lidar com isso. Ela merece netos. já estava escuro quando Gabe parou a caminhonete e o reboque ao lado do celeiro para descarregar Hornswaggled. Incitando Hornswaggled a descer a rampa. E. exatamente o que ela sugerira em sua mensagem de texto. mas para fazê-lo teria de passar por Emmett e Pam. A viagem de volta de Boulder levava mais de oito horas. E ele descobrira isso ao passar pelo teste da vida-sem-Morgan. .

– Acho que vou para a cama. Doozie soltou um enorme suspiro cavalar. Por fim. – Por favor. – Ele olhou para Pam. O bode e a égua tocaram seus focinhos. Emmett soltou um suspiro e balançou a cabeça enquanto olhava para o piso de madeira. – Hora de juntar esse bode e a égua antes que eles acordem toda a porcaria do rancho. aceite minhas desculpas. é essa sua maldita teimosia que está condenando as coisas a ficarem do jeito que estão! – Dando meia-volta. mas manteve pelo menos um metro de distância de Pam. Se ela tivesse recebido só aquele dinheiro. – Obviamente não. uma indicação do arranque do jipe. mas tem a herança também. – Com certeza. Eu não tinha nada que beijá-la. – Então ela precisa doar toda a herança para a caridade. – Espero que sim. e ela certamente não tinha nada que me deixar fazê-lo. Emmett Sterling. Emmett. A culpa é minha. – Mas lembre-se. Um instante depois. – Ele se virou e caminhou em direção à baia de Doozie. Aquela mulher é mais rica do que eu. Emmett. ela saiu do celeiro. aquele desgraçado. – E eu… eu devia estar na cama. Gabe ficou onde estava. Eu… eu me excedi. – Isso é meio chato para Pam. – Eu não acho que a lógica e o bom senso se encaixem nisso. – Gabe precisa juntar esses animais. – Isso. – Bela jogada. não seria tão ruim. Emmett parou à porta do celeiro. ouviu-se o som de pneus cuspindo cascalho. – Gabe não ia para a cama. Doozie relinchou novamente e Hornswaggled respondeu com um berro alto. apesar do tumulto. mas você estava envolvido na coisa toda. Os pais dela eram muito ricos. Emmett fez uma careta. – Ela levantou a voz para que pudesse ser ouvida sobre os berros agora contínuos de Doozie e Hornswaggled. – Não mesmo! – Pam colocou as mãos nos quadris. Emmett deu-lhe um tapinha no ombro. Ele quis dar ao homem uma oportunidade de reunir os frangalhos de seu orgulho. – Eu ficaria muito grato se você guardasse isso para si. e Hornswaggled mexeu muito as orelhas. – Você deve achar que alguém na minha idade teria mais bom senso. o qual informava a Gabe que ele havia feito a coisa certa. Gabe teve de processar a declaração antes de perceber que a mentalidade antiquada de Emmett não permitiria que ele se envolvesse com uma mulher que tinha muito mais dinheiro do que ele. fuja para a cama. – Emmett se postou no corredor. – Certo. conduzindo um bode muito ansioso. Pam parecia muito chateada. você não acha? – O que você quer dizer? – Pelo jeito como eu entendo a coisa toda. o capataz se endireitou e olhou para Gabe. Sozinho. – Gabe foi até ele. filho. ela teve um marido infiel que mereceu ser obrigado a pagar a ela todo aquele dinheiro. Aposto que agora Doozie vai melhorar. – Com certeza. – O quê? . Por respeito a todos os anos em que Emmett fora como um segundo pai para ele. – Você pode fingir que lamenta o quanto quiser. pelo menos não para a dele.

você também a quer. Gabe sorriu para ele. E. Emmett esfregou o rosto. E eu tenho que ir. – Parece ser a única solução. – Vou pensar no assunto. porque pertenceu aos avós dele. – O quê? – Convencer Morgan O’Connelli a se casar comigo. de qualquer maneira. mas a herança inteira? Isso é loucura. Não é culpa dela. Tenho uma coisa muito importante para fazer. – Exatamente. – Para você ficar confortável em relação ao namoro com ela. – Faça isso. – Penalizada? – Ela quer você. E não vejo nenhuma razão para aquela pobre mulher ser penalizada só porque ela teve a infelicidade de nascer de pais ricos. . Uma parte precisa ir para Nick. Dê uma folguinha a ela. então Pam não pode sair distribuindo tudo. pelo que acabei de ver. – Gabe deu de ombros. Ficarei feliz em sugerir isso a ela se você… – Você não vai fazer isso! Ela já doa a várias causas. Emmett. Gabe. E Nick provavelmente terá filhos.

E no coração. mas aparentemente não. Suas mãos tremeram quando ela pousou a caneca e pegou um pano de prato para limpar seu pijama. Mas em Shoshone qualquer noite era ideal para se usar flanela. Mas ela queria saber agora. a campainha tocou e ela espirrou o líquido quente por todos os lados. Ele devia estar achando a mesma coisa. A campainha tocou pela segunda vez. Mas dessa vez. em algum momento. Ou um dos funcionários do Última Chance iria falar sobre isso quando fosse à loja de rações. nessa noite Morgan estava usando um pijama azul-claro de flanela decorado com ursinhos de pelúcia. Mas era a coisa certa a se fazer. A notícia ia chegar pelo boca a boca. desejava que houvesse alguma forma de poder saber que Gabe já estava seguro em casa. Morgan tinha pensado que seria difícil romper a relação. e as consequências disso poderiam ser grandiosas . Ela não seria a nora perfeita. Um visitante às nove e meia da noite só poderia ser uma pessoa. ela terminaria tudo com ele pessoalmente. tal qual sempre diziam nas velhas canções de amor. Quando Morgan tornou a encher a caneca com o chocolate que estava na panela em cima do fogão. Bastaram algumas palavras via celular e pronto. Mas o abraço do qual ela necessitava era do tipo perigoso. já que sabia da viagem dele. Ela ia descobrir isso nos próximos dias. Capítulo 16 NUM CONTRASTE intenso com a noite anterior. Tudo bem. ela gostaria de saber que ele havia trazido o tal bode com sucesso e que estava seguro na própria cama. Ela o havia comprado numa liquidação porque era um conjunto feito para uma noite fria de inverno. porque futuramente ela não poderia manter o controle das idas e vindas de Gabe. Abrir mão dele ia lhe causar muita dor de cabeça. principalmente se a pessoa que o vestia estivesse se lamuriando e precisasse de um abraço. Esse tipo de pensamento tinha de parar. e dessa vez ia ser permanente. Ela deveria estar aliviada. Shoshone era uma cidade pequena e alguém iria mencionar a viagem de Gabe enquanto eles estivessem comendo no restaurante ou bebendo no Espíritos e Esporas. emitido por certo cowboy que permanecia em sua mente independentemente do DVD ao qual ela assistisse ou de quantas xícaras de chocolate quente bebesse. Ela sabia quem estava à porta. Talvez ela não tivesse rompido com ele tão completamente como imaginara. porque não tinha respondido ao torpedo que ela havia mandado. Mas pelo menos ele chegara em casa são e salvo. Em vez disso. O nó apertado em seu estômago afrouxou.

Você está destinado a carregar o nome dos Chance. – Ouça-me. eu estava falando sério. naturalmente. não pertencemos. Morgan também estava. Ela nunca tinha percebido o quanto ele era forte. Morgan. Ela podia dar adeus ao seu negócio imobiliário. Ela balançou a cabeça. – Não no início. quando se trata das mulheres certas para se casar com os rapazes Chance. – Ela empurrou o peito rijo. Gabe. obviamente.numa cidade onde os Chance eram a família real titular. Mas uma nova brincadeira em sua cama só iria piorar as coisas para os dois. eu não me encaixo no molde. – Por mais romântico que isso soe. A coisa entre a gente não vai funcionar. Você é minha Doozie. não quero ser uma decepção para você. principalmente. É você. Por fim. Você ainda não encontrou sua Doozie. Ele a abraçou com força e toda a resistência dela foi em vão. esmagou-a contra ele e a beijou como se fosse um soldado voltando para casa depois da guerra. – Não teria como ser. mas aquilo precisava ser dito. e eu entendo isso. – Perdão? Por acaso o beijo acabou com o oxigênio do seu cérebro? – Vamos entrar. tinha outros planos para a língua dela. mas foi em vão. o peito arfando. Naturalmente. Eu sou seu bode. eu tenho que discordar. Eu quero você. recusando-se a soltá-la. menos ela se debatia. Todos vocês. por favor. quanto mais tempo ele passava beijando-a. seu discurso de despedida na ponta da língua. mas em segundos eles estavam na sala de estar e ele havia fechado a porta com um chute para trás. E não pense que ursos de pelúcia vão afetar alguma coisa. – Ele encaixou a pélvis à dela. quando o sexo é ótimo e eu posso viajar um pouco com você. Ela descobriu que a reunião da égua e do bode tinha virado um ato simbólico para ele. – Não apenas Nick. . uma vez nos braços dele. Dava para notar. Você é parte de um legado. Morgan não tinha certeza de como Gabe conseguira seu intento. Não quero ser uma decepção para sua mãe. Mas. muito azuis. mas. – Você é minha Doozie. – Encontrei. Sua expressão era carinhosamente concentrada. – O coração dela doía. – Funcionou muito bem na outra noite. ela olhou dentro daqueles olhos muito. Mas ela não ia permitir que aquela atividade fosse conduzir à sua principal atividade favorita. Beijar Gabe era sua segunda atividade favorita no mundo. teria. – Não. case-se comigo. e não ligo para o que está vestindo. ele parou para respirar e olhou para ela. Ele estava pronto para começar a ação e. – Nick pode ser responsável pela produção de crianças. – Ah. sim. – Quando mandei o torpedo. Morgan abriu a porta. Segurando o rosto de Gabe. Nós pertencemos um ao outro. Ele manteve Morgan presa em seu abraço apertado. porque ele a puxou antes Morgan pudesse dizer uma palavra. Mas só podemos ser recém-casados por um tempo antes de todo mundo começa a perguntar: “E agora?” A resposta óbvia é: filhos. O que você precisa é de uma esposa de rancho que não se importe de mandá-lo para as competições enquanto ela cria os netos que sua mãe deseja tão desesperadamente. – Senti saudade. – Aposto que poderia funcionar bem esta noite também.

Eu posso não mudar. Gabe virou-se para a porta. por amor a ele. mas isso não seria justo. Se ao menos Morgan conseguisse encontrar algum consolo nisso… GABE NÃO se lembrava da sua volta para casa. A dor na expressão dele quase derrubou a determinação de Morgan. – Você conseguiu trazer o bode? – Sim. Mas ele se importava com filhos. então. – Mas eu ainda acho que você é minha Doozie. Mas ela o amava demais para lhe dar falsas esperanças. – E eu não quero continuar com isso. antes que a gente machuque um ao outro mais ainda. – Soltando-a. apenas para poder satisfazer àquele desejo intenso de estar com ela. A hesitação indicaria que ela estava insegura sobre sua resposta. – Ela desejava poder fechar os olhos e bloquear o olhar torturado de Gabe. Gabe. Infelizmente ele compreendia exatamente o que Morgan quisera dizer. e se casaria sob o desejo secreto de que um dia Morgan fosse mudar de ideia. Apenas vá. Vá agora. junto à rotatória da entrada. e ela estava certa. durante algum tempo. tentando reunir energia para entrar. Aquela era a parte mais difícil. – Se nós estamos entrando num beco sem saída. Doozie ficou muito feliz em vê-lo. mas tudo parecia tão inútil agora. – Tudo bem. Morgan queria manter aquela sensação de incerteza viva. Não podemos basear uma vida na possibilidade de um dia eu ficar animada com a ideia de ter filhos. sob a promessa de que não se importava com filhos. então não teremos nenhum. – E você não quer ser. nenhum de nós entrou nessa buscando um futuro juntos. – Gabe abriu a porta e saiu. – Morgan… – Você sabe que eu estou certa. E se não mudasse… eles estariam em apuros. e então iria lhe agradecer por tê-lo mandado embora naquela noite. Morgan comprimiu os lábios para não chamá-lo de volta. Você estava com inveja de Nick e Dominique quando eles estavam planejando a construção da casa. E estava. Olhe. – Eu não quero. Deixe-me ir. – Se você não quiser. Ele conseguia se ver casado com ela. Ele cerrou a mandíbula. – Não. – Ela não teve coragem de usar a palavra com A àquela altura do campeonato. . Eu… eu estou começando a gostar de você. precisamos voltar agora. Eu não sou a pessoa da qual você precisa. Como vai se sentir quando eles tiverem um bebê? E quando sua mãe ficar toda chorosa e feliz com isso? A incerteza dançou nos olhos dele. – Seja honesto com você mesmo. – Talvez eu mude de ideia. antes de batermos na parede. Ele engoliu em seco. mas essa é uma questão muito séria. Ela estava. Ele ficou sentado no carro. Algum dia ele ia encontrar uma mulher mais adequada. – Você poderia mudar de ideia. sim. Não force a barra. o desânimo e a derrota expostos em cada contorno do seu corpo. não quero.

Gabe parou e aguardou por trombetas anunciando o milagre: Jack admitindo que tinha cometido um erro de julgamento. você é um bom meio para se deduzir impostos. Em quem mais você vai descontar? Nick está nas nuvens. – Certo. – Você foi à cidade ver Morgan? Gabe olhou e encontrou seu irmão mais velho em uma das poltronas de couro que cercavam uma mesinha de centro redonda na frente da lareira. A gente terminou tudo. – Naquele momento. – Você realmente tem chances de colocar Top Drawer no Hall da Fama. para que ele não tropeçasse na escuridão. – Gabe não conseguia acreditar no quanto aquilo soava desimportante em comparação à perda de Morgan. Gabe não estava com vontade de ouvir mais uma das tiradas de Jack sobre Morgan. Com isso sobramos eu e Sarah. você chegou um bocado cedo. – Sim. e. Batendo as mãos no volante da caminhonete. Eu estava me esquecendo de algo importante. Morgan está doente ou algo assim? – Não. porque aí vem mais uma confissão. – Jack esvaziou o copo e o colocou sobre a mesa. – Estou ciente. mas não ia dizer isso. Ele devia estar grato. . se você ajudar a vender alguns cavalos no processo. e ele segurava um copo. porque a competição ia servir para ajudá-lo a parar de pensar nela. – Você entendeu? Estou dizendo que você pode voltar. no entanto. Sarah fica feliz em saber que você está usando as habilidades que papai lhe ensinou. – Não fique tão chocado. – É minha culpa. então você não vai querer jogar esse peso nele. – U-huuu. – Ótimo. bem… prepare-se. Gabe percebeu que alguém tinha deixado uma luz acesa na sala de estar. Ele começou a sair da sala. Provavelmente sua mãe. Ele podia muito bem continuar sua vida. A voz de Jack o assustou. É que… acabou. Jack soltou uma série de palavrões. No entanto. Gabe não dava a mínima para suas competições. Eu também estava errado sobre o pagamento das suas competições. melhor ainda. – Não. – Eu já errei uma ou duas vezes na vida. ele xingou os pais de Morgan por azedarem o conceito dela sobre filhos. Quando entrou. não é? Por eu ter sido um babaca. Nem tudo gira em torno de você. Havia uma garrafa de uísque ao seu lado. Ele deu de ombros. o que seria um bônus. Além disso. mas que inferno. e é perigoso dar informação demais a sua mãe. não havia muito que fazer agora. – Se você está dizendo. Jack. Eu só nunca esperava que você fosse admitir isso. – Você não parece muito feliz com isso. – Eu estava errado a respeito dela – disse Jack. Algum problema? Quero dizer. – Gabe fez um círculo no ar com um dedo. Gabe. Ele caminhou e fez menção de desligá-la antes de ir para o andar de cima. não é sua culpa. Isso vale o preço. ao lado da garrafa. Então qual é o problema? – Eu realmente não quero falar sobre… – Ah.

– Esqueça. Você é o espertinho que fugiu da melhor coisa que já aconteceu com você. Mas. – Ponto para o time das mulheres. É só que… Acho que ela é a mulher certa para mim. – Deus do céu. – Pode ser. – Ele levantou o dedo do meio. – Jack ergueu o dedo indicador. – E você quer? Gabe passou a mão no rosto. E. – Não importa. Você. – Sim. ela não quer ter filhos. – Então… Por que ela o chutou? – Quem disse que foi ela quem terminou? – Não tem mistério algum nisso aí. Mas isso não pode ser corrigido num curto prazo. – Quer beber? Gabe balançou a cabeça. Ela sabia que teria importância. – Ainda bem? Você está louco? Você a pediu em casamento e não disse que a amava antes? – Achei que ela fosse deduzir. . Só que o próprio Jack não havia se saído tão bem nesse departamento. Resolvemos algumas coisas. e Gabe se perguntava se Josie ainda lamentava por isso. Gabe e Nick. – Eu sei. Nós podemos consertar isso. – Um. Ainda bem que eu não lhe disse isso. Eu levei uma bronca. certo? – Aham. ela… – Você e mamãe conversaram a respeito de Morgan? – Sarah falou comigo. pelo que Sarah me contou. Mas a família de Morgan mudou-se para tudo que é lado enquanto os filhos eram pequenos. É possível que nunca queira filhos. na verdade. Parece que você foi atropelado por um touro. – Então você está apaixonado por ela. Jack acenou para a cadeira ao seu lado. Você tem dois problemas a superar. Ele se afastara de uma mulher maravilhosa. Ambos. precisa agir enquanto o ferro está quente. por outro lado. Um dia. pois só iria piorar as coisas. dependeram muito do conhecimento secular de Jack para enfrentar o labirinto dos relacionamentos entre homem e mulher. quando Jack era o sujeito certo com quem discutir problemas com mulheres. Pelo menos eu pedi a mão dela. – Depois de criar seus irmãos e irmãs. Gabe afundou no couro liso da cadeira ao lado de Jack. – Você não vai dormir. Gabe vinha evitando admitir aquilo para si. – Sim. ela está cansada de toda essa coisa com crianças. – Você é mais burro do que eu pensava. naquele instante. – Jack balançou a cabeça. irmãozinho. então pode sentar-se aqui em vez de ficar passeando pelo quarto. Eu tentei me convencer de que não fazia diferença. Gabe não conseguiu evitar rir diante da veracidade do comentário. mas Morgan é astuta. Jack olhou para ele em silêncio antes de respirar fundo. É por isso que ela está tão determinada a permanecer em Shoshone para sempre. Ela me mandou embora. – Dois. Ela também não estava namorando ninguém. Com um suspiro de resignação. mais cedo ou mais tarde. você cometeu um erro tático grave ao não declarar seu amor. – Não me chame de burro. foi transportado de volta a uma época mais feliz.

Morgan suspirou. – Gabe está bem? – Então ela viu os dois em pé sobre sua varandinha. tias ou tios para ajudar. Morgan teria de estar morta para não apreciar a vista. mas não tão durona assim. eu aposto que a família ficava isolada. Pam. camisas bem cortadas e chapéus inclinados de um jeito confiante. – Faz sentido. Mary Lou. Ela era durona. – Você acha que ela vai comprar esse argumento? – Só tem um jeito de descobrir. – Ele deu uma cotovelada nas costelas Gabe. afastou as cortinas e gritou através da abertura: – Vá embora! – Morgan. Ela contava com seu bom humor. Neste lugar aqui. a qual havia deixado parcialmente aberta. Ela xingou baixinho enquanto foi mancando até a janela. E isso seria ruim. – Jack ficou de pé. Morgan não aguentou mais. os outros vaqueiros. – O quê? – Cupins. MORGAN SENTOU-SE na cama. – Para onde? – Para a casa de Morgan. ambos de botas. – Ela começou a fechar a porta. mas ela simplesmente não podia enfrentá-lo novamente. ela pulou da cama como se tivesse ouvido um tiro de um canhão. Nick e Dominique. Você dirige. Mas toda essa situação horrorosa com Gabe tinha sugado toda sua alegria. Emmett. – Entendi. Boa noite. por isso a campainha não parou de tocar… e tocar… Finalmente. Se não conseguisse dormir logo. Ainda assim. Mas não sua adrenalina. rapazes. Tinha duas reuniões de manhã e outra à tarde. ajeitou o travesseiro e deixou-se cair novamente. Consequentemente. O simples ato de abrir a porta iria mandá-la de volta aos seus braços. com a trava de segurança. Eu já bebi um pouco. aí está. Jack? Ela correu para destrancar a porta. Quando ela estava cuidando dos irmãos e irmãs. – Você me matou de susto. usando jeans apertados. Entrou na sala de estar. – Vamos. daí parou no meio do quarto escuro para tomar ar. é o Jack. Quando a campainha tocou. Sem avós. e até mesmo Jack. o ranzinza. Gabe pensou. bateu o dedinho do pé na perna do sofá enquanto seguia até uma janela na frente da casa. – Acho que você tem cupins – disse Jack. ia ser complicado manter o bom humor. – Mas no Última Chance temos Sarah. a criança sempre vai ter um colo. Gabe viu um vislumbre de esperança. Claro que Gabe não era do tipo que desistia fácil. havia prioridades a se resolver ali. . Tinha que ser Gabe. – Pela primeira vez desde que havia deixado a casa de Morgan. Você está inventando coisas para me impedir de fechar a porta. Agora vá embora. – Pronto. – Você está certo. e ela não queria que isso acontecesse. Agachando-se. Era uma de suas ferramentas de venda. mas não acendeu as luzes.

mas nunca se esqueceria desse momento. – Gabe focou aqueles olhos azuis diretamente em cima dela. Mas. Morgan estremeceu. não é. sua determinação ia derretendo mais rápido do que um cubo de gelo num forno de micro-ondas. Gabe tirou o chapéu e enxugou a testa com a manga. porém intensas. antes de vir com toda a conversa sobre casamento-e-bebês. Ele havia se colocado em posição tão vulnerável. – Você poderia nos dar licença por um segundo? – Claro. em seguida sentiu um calor. Gabe e Jack provavelmente resolveram uma estratégia. – Isso está saindo dos trilhos. Jack. Jack bateu no ombro do irmão. mano. – Eu não estou pressionando você. Ela respirou fundo. é sério! Sinta como está oco. Eu… – Espere. na qual o apelo fervoroso e levemente pateta de Gabe estava sendo guiado pelo seu irmão mais velho? Ela nunca tinha visto nada tão carinhoso em sua vida. e Doozie é uma égua. as pernas um pouco abertas. eu amo você. – Morgan ficou observando enquanto os dois irmãos uniam suas cabeças. porque se separaram e voltaram-se para ela novamente. Enquanto isso. – Jack olhou para Morgan. Gabe? – Não. então caia fora. – Eu sei. – Ainda é um problema. só que eu não acho que Morgan gostaria de ser comparada a um bode. Morgan conseguiria ser a esposa da qual Gabe precisava? Esse era o ponto de discórdia. Gabe! – Jack o empurrou para a frente. uma sensação doce que se espalhou dentro dela como rios de calda quente. – Eu devia ter dito isso primeiro. – Mas não é tudo. . não é. – Morgan. Morgan. e ela é uma mulher. – Gabe olhou para ela novamente. – Não. Gabe se virou para ele. Aquele cowboy com certeza sabia como desferir um golpe surpresa. as dúvidas já não existiam mais. – Jack passou um braço em volta dos ombros de Gabe e o chamou de lado. – Ela lhe devia a verdade. Como ela poderia resistir a uma campanha como aquela. como se estivesse se preparando para o que estava por vir. – Jack saltitou e as tábuas rangeram. No entanto. Doozie? O que diabos aquele seu pangaré manco tem a ver com isso? – Nós pertencemos um ao outro. Ela ainda não podia se casar com ele. – Sobre a coisa dos filhos. – Eu sei o que dizer. Ele voltou a pousar o chapéu na cabeça e ficou diante dela. assim como Doozie e Hornswaggled. – Isso é… é bom ouvir isso. as vozes baixas. mas… – Tio Jack está por aqui. então… – Deus do céu. sendo que ele provavelmente já esperava a rejeição total. – Só para ter certeza de que você está nos trilhos. mas… – Pelo amor de Deus. Se ela em algum momento duvidara que ele estivesse totalmente comprometido àquela batalha. – Eu dou conta. caso cedesse. – Jack se equilibrou na ponta dos pés e acenou para ela. – Diga! Gabe engoliu em seco. eu não sei o que você pretende. – Ouviu isso? – Ele acotovelou Gabe uma segunda vez. – Olha. como ela amava o sujeito! Amava-o ainda mais por insistir naquilo. antes de dizer que você era minha Doozie. Gabe.

Estávamos sempre nos mudando. Depois de uma vida errante. ou o cabelo dele e os olhos dela. Mas. Gabriel Archibald Chance. – Ele a tomou nos braços. Gabe estava discutindo se o bebê teria o cabelo e os olhos como os dele. vamos. – O olhar dele era suave. Morgan não fez ideia de como Jack reagiu à sugestão. – A criança sempre vai ter um colo! – Jack riu. Emmett. – Mas quero que você pense numa coisa. O sorriso de Gabe iluminou a escuridão. sabe. acredite ou não. – Então vá bater à porta de Josie – disse Gabe. com isso. Morgan finalmente sabia onde era o seu lugar: nos braços de Gabe. Mesmo os vaqueiros iam gostar de ajudar. – Sim. conforme Jack observou. E eu não posso dirigir. ou o cabelo de Morgan e os olhos dele. – Não lhe dê tempo para pensar. repleto daquele amor tão recentemente declarado. eles caíram no colchão. Nick e Dominique. O filho deles. mas… de repente a ideia não lhe pareceu um conceito abstrato que ela seria capaz de rejeitar facilmente. – Ótimo. – Ei! – berrou Jack. quando chegasse a hora certa. idiota! – Jack sacudiu os braços no alto. – Eu voto comemoramos esta decisão. Vamos nos casar e ter um bebê para torturar o tio Jack. – Exatamente. – Não. Quando você era responsável por todas aquelas crianças. E a criança sempre teria um colo. Mary Lou. Algum dia. Eu amo você. Pam e o próprio Jack. Ela assentiu. – Ela o arrastou para o quarto. Você teria babás saindo pelo ladrão. – E. – Nossa criança – disse Morgan suavemente. nosso filho teria toneladas de assistência: minha mãe. – Não. – Não se esqueça de mim! Eu preciso ir para casa. – Você provavelmente precisa de tempo para pensar. o amor entre eles daria origem a um bebê para o Última Chance. você não tinha outros parentes para aliviar a carga. – Você não percebe que ela está hesitante? Feche o negócio! Morgan deu um passo adiante. – Eu vou fechar o negócio. – Eu já lhe disso o quanto amo ursos de pelúcia? – murmurou ele. – Porque a mínima pressão seria capaz de mandá-la para os braços dele. – Não tanto quanto eu a amo. . ao ouvido dela. porque Gabe a levou rapidamente para dentro de casa e começou a abrir os botões de seu pijama de flanela decorado com ursinhos. quase com medo de imaginar.

Congelando? Ah não.. corresse as pontas dos dedos pelo meu decote. sentindo o cheiro do perfume quente e másculo de sua pele. Ele não disse nada. Eu não tinha a intenção de ficar aqui fora e já estava voltando para o calor do. usando seu corpo para bloquear o vento. então não consegui pensar em mais nada. mas a gente há muito já tinha ultrapassado esse nível de flerte leve e bobo. e então capturasse meus mamilos entre os dedos e os apertasse levemente. a voz baixa.. eu sabia disso. ele levantou a mão e passou as costas dos dedos pelo meu ombro. Em vez disso. bem. cheguei mais perto dele. juro. Qualquer arfar de surpresa que eu pudesse ter soltado foi abafado pelo meu próprio coração. Isso sem mencionar as ondulações de músculos e os cachos de pelos escuros. Não resisti. muito calor. sentindo a batida de seu coração. segurando minha cabeça e me puxando para a frente. – E você resolveu. ARREPIO LESLIE KELLY Lebeaux não seria assim. Erguendo a mão. Eu queria isso. E seu calor. Estremeci. – Sim.. tipo. ficar? – Sem aguardar por uma resposta. você poderia me esquentar. só no quanto seria incrível se ele me lambesse ali. sugando com força ao mesmo tempo em que pousava uma das mãos entre minhas pernas. Lebeaux baixou a boca para a minha. Eu estava com muito. quase um rosnado. Eu poderia ter feito algum comentário bem brega. Mas aí você apareceu. pôs as mãos no meu cabelo. que martelou feito louco quando o sr.. Eu queria que aquele desconhecido moreno e sensual me acariciasse. sentindo as pontas dos meus seios enrijecendo contra a seda. Sem aviso. eu a pousei bem aberta no peito dele. – Você está congelando. para a cama. – O que você está fazendo aqui de fato? – questionou ele. – Eu já te disse. – Você desceu vestida desse jeito só para fazer alguma coisa no carro? Finalmente uma pergunta à qual eu poderia responder honestamente. A camisa continuava a chicotear em volta e agora dava para ver mais da cicatriz logo abaixo da clavícula. foi isso. Simplesmente agiu. . Ele saberia exatamente como me tocar para provocar apenas sentimentos de prazer e puro erotismo.

A chuva ganhou força novamente e relâmpagos cintilaram em algum lugar nas proximidades. Abriram-se. Provaram-se. Eu não estava ciente de nada disso... Eu não conseguia me concentrar em mais nada. Muito. E então nossos lábios se encontraram. exceto nos lábios quentes e na língua macia que estavam me dando tanto prazer. Já fui beijada nessa vida. . Um trovão ribombou. ou talvez fosse apenas o rugido baixo de prazer percorrendo meu corpo. Era sexo bucal. Mas aquilo não era beijar.

br . 15-23754 CDD: 813 CDU: 821. RJ — 20921-380 Contato: virginia. Qualquer semelhança com pessoas vivas ou mortas é mera coincidência. Todos os direitos reservados. o armazenamento ou a transmissão. II.CIP-BRASIL. 2. CATALOGAÇÃO NA FONTE SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS. - 1. Todos os personagens desta obra são fictícios. Rio de Janeiro. Título original: AMBUSHED! Copyright © 2010 by Vicki Lewis Thompson Originalmente publicado em 2010 por Harlequin Blaze Arte-final de capa: Ô de Casa Produção do arquivo ePub: Ranna Studio Editora HR Ltda. Vicki Lewis Cilada [recurso eletrônico] / Vicki Lewis Thompson. recurso digital Tradução de: Ambushed Formato: ePub Requisitos do sistema: Adobe Digital Editions Modo de acesso: World Wide Web ISBN 978-85-398-1949-2 (recurso eletrônico) 1.com.rivera@harlequinbooks.111(73)-3 PUBLICADO MEDIANTE ACORDO COM HARLEQUIN BOOKS S. I. Proibidos a reprodução. ed. - Rio de Janeiro: Harlequin. Título. RJ T389c Thompson. 4º andar São Cristóvão. tradução Fernanda Lizardo. Lizardo. Romance americano. no todo ou em parte. Fernanda. Rua Argentina. 2015. Livros eletrônicos. 171.A.

Capa Texto de capa Teaser Querida leitora Rosto Prólogo Capítulo 1 Capítulo 2 Capítulo 3 Capítulo 4 Capítulo 5 Capítulo 6 Capítulo 7 Capítulo 8 Capítulo 9 Capítulo 10 Capítulo 11 Capítulo 12 Capítulo 13 Capítulo 14 Capítulo 15 Capítulo 16 Próximos lançamentos Créditos .