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Sociologia - “A Crítica da Razão Indolente” - Boaventura de Sousa Santos

Biografia

Boaventura de Sousa Santos nasceu a 15 de Novembro de 1940, em Coimbra.

É doutorado em Sociologia do Direito pela Universidade de Yale (1973), tendo sido


professor em várias universidades estrangeiras (Univ. Wisconsin- Madison, Univ. de S.
Paulo). Actualmente é professor na Faculdade de Economia de Coimbra, assim como,
presidente do Conselho Directivo do Centro de Documentação 25 de abril da mesma
faculdade, e membro da direcção da comissão de investigação sobre sociologia do direito
da Associação Internacional de Sociologia.

Introdução

A partir da análise de um excerto da obra “A Crítica da Razão Indolente: contra o


desperdício da experiência”, de Boaventura de Sousa Santos, será abordado, de uma
forma clara e sucinta, como este autor explica a natureza e evolução do conhecimento
científico através de paradigmas, que designam o conjunto de teorias e valores que são
considerados válidos pela comunidade científica, num determinado tempo histórico,
constituindo assim o modelo de racionalidade científica; defende ainda que a teoria crítica
deve, fundamentalmente, romper com o dualismo observado entre conhecimento
científico e o conhecimento proveniente do senso comum.

Como consequência, explicar-se-á tabém como e o porquê de surgirem crises que


enfraquecem o paradigma aceite, nascendo assim um outro paradigma que tem como
função assumir e resolver as falhas do anterior.

De forma a ilustrar este tema, irá também ser abordado um exemplo do nosso quotidiano,
que ajudará a entender melhor as características do paradigma dominante, que Boaventura
refere.
O exemplo abordado, neste trabalho, é um tema que cada vez mais faz parte da nossa
realidade, a Sida, sendo referido os diferentes pontos de vista que foram surgindo sobre
esta grande e perigosa doença.

Desenvolvimento

Paradigma Dominante:

O modelo de racionalidade das ciências sociais modernas constitui-se a partir da


revolução científica do séc. XVI. Este modelo é um modelo totalitário, pois nega outras
formas de conhecimento que não tenham os mesmos princípios epistemológicos e regras
metedológicas que este defende. É esta característica fundamental que simboliza a ruptura
do novo paradigma científico com os anteriores, trazendo assim uma nova visão do
mundo que combate o dogmatismo e a autoridade. Esta nova visão do mundo leva a duas
distinções fundamentais, a distinção entre Conhecimento Científico e Senso Comum e a
distinção entre Natureza e Homem.

O conhecimento científico é caracterizado como sistemático, metódico e não acredita nos


sentidos, só em factos, provas, este nasce do senso-comum que é caracterizado como uma
experiência superficial, aparente, imediata e não metódica, é generalista, ilusório e aceita
aquilo que os sentidos fornecem. O conhecimento científico vai romper com o senso
comum para se afirmar epistemologicamente, é criado o método experimental (suporte
do conhecimento científico)e o senso-comum é então de vez desvalorizado nesta
concepção.

Segundo Boaventura, o conhecimento científico vem do senso comum, distancia- -


se para aprender e depois volta a ele para o educar, para o ensinar, existindo assim uma
relação dialéctica entre os dois. Então, o autor acredita que não se deve confundir
conhecimento científico com senso comum, mas também não deve existir uma distinção
muito assentuada, para que não haja uma distância muito grande entre o cientista e a
população, pois para o autor não existe um único princípio de transformação social, nem
uma única forma de dominação, o que é necessário é uma “teoria de tradução”, em vez
de uma teoria única e comum, que faça com que as pessoas entendam claramente o que
defendem e porque o defendem.

As leis matemáticas vão ser priveligiadas neste modelo, tudo o que não pode ser reduzido
a números, nem ser quantificável é desprezado, assim o conhecimento científico vai
alcançar um rigor nunca atingido até então.

As ciências sociais foram encaradas de um modo empírico, mecanicista que permitisse a


regulação de leis gerais que explicassem a evolução de todas as sociedades, esta é um
aplicação positivista do método experimental. Na vertente antipositivista, relacionada
com as ciências sociais, a distinção entre Natureza e Homem é muito assentuada, pois o
Homem não é encarado como um ser quantificável e as suas experiências analíticas não
se podem generalizar. A Natureza é passiva, eterna e baseia-se em leis e verdades, o
problema é que tudo muda, por isso, o que é verdadeiro num dado momento, noutro já
pode não ser. Com a coexistência destas vertentes o modelo começa a dar sinais de
instabilidade. Há então uma ruptura epistemológica, porque o conhecimento científico
vai contra a sua origem de conhecimento, o senso comum, ou seja a instabilidade sentida
e a falta de respostas a muitas questões, conduzem à crise do paradigma dominante.

A Crise do Paradigma Dominante:

No início do séc. XX, com a teoria da relatividade de Einstein e a mecânica quântica, o


paradigma dominante entra numa profunda e irreversível crise, pois a primeira pôs em
causa as noções de espaço e tempo, conferindo às medições um carácter local. E, de
acordo com a segunda, não é possível observar ou medir um objecto sem interferir nele.
Não conhecemos do real senão a nossa intervenção nele, então os resultados passam de
certos a probabilísticos.

Outra característica desta crise, é o facto de se começar a questionar os rigores da


matemática. Godel, no teorema da incompletude, demonstra que mesmo seguindo as
regras da lógica matemática é possível formular proposições indecidíveis.
A evolução e revolução da ciência faz surgir novas questões para as quais este paradigma
começa a não ter resposta. A interacção entre as condições teóricas e sociais vão dar
origem a esta crise. A Natureza estava a ser transformada em máquina, a sua
personalidade estava a desaparecer.

Paradigma Emergente:

Boaventura afirma que fazemos uma síntese pessoal baseada na imaginação sociológica
quando se fala em futuro, mesmo que seja próximo, e que deve haver um paradigma
emergente, o “paradigma prudente para uma vida decente” (Pág. 71), pois,
estruturalmente a natureza da revolução científica é diferente da que ocorreu no séc.XVI,
pois o paradigma não pode ser só científico, deve ser também social.

Como tal, não faz sentido haver uma distinção entre ciências naturais e sociais, pois o
Homem é parte integrante da Natureza e construtor do conhecimento por ser autor e
sujeito desse memso mundo no centro do conhecimento, e por a própria definição de
ciência se designar pelo conjunto de pensamento do Homem sobre a realidade.

Este conhecimento pode ser considerado como um auto-conhecimento, pois existe uma
relação entre sujeitos, isto é, o cientista, a partir do seu objecto de estudo entende-se
melhor a si próprio causando assim um carácter autobiográfico ao paradigma emergente.

Este paradigma surge da ruptura do actual paradigma, o dominante, que ao definir uma
barreira entre o conhecimento científico e o conhecimento do senso comum, perde a
capacidade de ter respostas para explicar as novas realidades, dando assim lugar ao
paradigma emergente, que assume as suas funções e consegue dar as respostas necessárias
para a resolução dessa mesma crise que o derrubou.

Na ciência moderna a evolução do conhecimento processa-se no sentido do senso comum


para o conhecimento científico, isto é, a teoria crítica moderna concebe duas formas de
conhecimentos diferentes: o conhecimento-regulação, que se relaciona com uma forma
de conhecimento totalizante e que procura um ponto de ordem no saber, e o
conhecimento-emancipação que funcionava como um pensamento solidário que procura
reconhecer no outro não um objecto, mas sim um sujeito. Nesta teoria existe assim uma
valorização do conhecimento-regulação em relação ao conhecimento- -emancipação
e Boaventura considera que é neste aspecto que esta teoria tem o seu principal ponto de
fracasso proporcionando assim o surgimento da teoria crítica pós- -moderna, onde a
informação corre no sentido inverso, ou seja, o conhecimento científico tende a converter-
se em conhecimento do senso comum.

Esta nova teoria crítica vai então procurar realizar um diálogo multicultural que por sua
vez visa reunir todas as formas de saber, algumas delas que foram inclusivamente
destruídas pela ciência moderna que procurava um conhecimento universal. Esta nova
teoria necessita ainda da participação de uma nova teoria de tradução, capaz de perceber
as diferenças existentes entre as várias formas de saber.

A Sida:

Como exemplo de realidade quotidiana, escolhemos para este trabalho uma temática
actual e preocupante da sociedade global, a SIDA. Tendo como base este problema,
pretendemos confrontar o senso comum com o conhecimento científico. Analisamos
também as distorções e enviusamentos que poderão surgir no seio da sociedade
relativamente a conhecimentos científicos. Consideramos também importante sublinhar
alguns elementos como preconceito, mitos sociais e ignorância relativamente a esta
questão.

O que é a SIDA?

A SIDA é provocada pelo Vírus da Imunodeficiência Humana (VIH), que penetra no


organismo por contacto com uma pessoa infectada. A transmissão pode acontecer de três
formas: relações sexuais; contacto com sangue infectado; de mãe para filho, durante a
gravidez ou parto e pela amamentação.

O VIH é um vírus bastante poderoso que, ao entrar no organismo, dirige-se ao sistema


sanguíneo, onde começa de imediato a replicar-se, atacando o sistema imunológico,
destruindo as células defensoras do organismo e deixando a pessoa infectada
(seropositiva), mais debilitada e sensível a outras doenças, as chamadas infecções
oportunistas que são provocadas por micróbios e que não afectam as pessoas cujo sistema
imunológico funciona convenientemente. Também podem surgir alguns tipos de tumores
(cancros).

A SIDA provoca ainda perturbações como perda de peso, tumores no cérebro e outros
problemas de saúde que, sem tratamento, podem levar à morte. Este síndrome manifesta-
se e evolui de modo diferente de pessoa para pessoa.

Contágio

Através de sangue, sémen, fluidos vaginais, leite materno e, provavelmente, dos fluidos
pré-ejaculatórios dos seropositivos. O VIH não se transmite pelo ar nem penetra no
organismo através da pele, precisando de uma ferida ou de um corte para penetrar no
organismo.

A forma mais perigosa de transmissão é através de uma seringa com sangue contaminado,
já que o vírus entra directamente na corrente sanguínea.

A transmissão por via sexual nas relações heterossexuais é mais comum do homem para
a mulher, do que o contrário, porque o sémen é mais virulento do que os fluidos vaginais.
O contágio pode ocorrer em todos os tipos de relação, seja vaginal, anal ou oral, já que as
secreções vaginais ou esperma, mesmo que não entrem no organismo, podem facilmente
contactar com pequenas feridas e cortes existentes na vagina, ânus, pénis e boca. As
relações sexuais com mais riscos são as anais.

De mãe para filho, o vírus pode ser transmitido durante a gravidez, parto ou, ainda, através
da amamentação.

O VIH pode encontrar-se nas lágrimas, no suor e na saliva de uma pessoa infectada,
contudo, a quantidade de vírus é demasiado pequena para conseguir transmitir a infecção.
É durante a fase aguda da infecção, que ocorre uma a quatro semanas após a entrada do
vírus no corpo, que existe maior perigo de contágio, devido à quantidade elevada de vírus
no sangue.

Actualmente, a transmissão por transfusão de sangue ou de produtos derivados do sangue


apresenta poucos riscos, uma vez que são feitos testes a todos os dadores.

Prevenção

Usar sempre preservativo nas relações sexuais, não partilhar agulhas, seringas, material
usado na preparação de drogas injectáveis e objectos cortantes (agulhas de acupunctura,
instrumentos para fazer tatuagens e piercings, de cabeleireiro, (manicure).

Além dos preservativos comuns vendidos, em farmácias e supermercados, existem


outros, menos vulgares, que podem ser utilizados como protecção durante as mais
diversas práticas sexuais.

É, também, preciso ter atenção à utilização de objectos, uma vez que, se estiverem em
contacto com sémen, fluidos vaginais e sangue infectados, podem transmitir o vírus.

Comportamentos de risco

Toxicodependentes que se injectam e partilham agulhas, seringas e outro material usado


na preparação da droga para injecção.

Pessoas que não praticam sexo seguro, isto é, que não usam preservativos e têm mais do
que um parceiro sexual.

Profissionais de saúde - acidentes com contacto com objectos cortantes contaminados


(agulhas) ou com sangue, ou outros líquidos orgânicos, contaminados.

A SIDA é sem dúvida uma temática muito presente no seio da nossa sociedade e que nos
preocupa a todos. Desde a sua descoberta, tem causado um elevado número de mortes e
até hoje não há cura para esta doença. No entanto, informações sobre como evitar e quais
os comportamentos de risco estão diariamente presentes em todos os meios de
comunicação.

Apesar disso, continua a existir preconceito contra pessoas portadoras dessa doença e
existem ainda indivíduos totalmente distantes das formas como poderão evitá-la.

Apreciação Crítica

Após a leitura deste excerto, podemos concluir que Boaventura de Sousa Santos considera
que não existe um único modelo de conhecimento, defende que todo o conhecimento
científico tem a sua origem no senso comum e tem como função distanciar-se para
aprender e voltar a este último para o educar. Baseando-se nas ideias de Kuhn, Boaventura
afirma existir um paradigma dominante que poderá apresentar falhas, estas conduzem à
crise deste paradigma, pelo que surge um outro, o paradigma emergente, que vem assumir
e resolver as falhas do primeiro paradigma.

Sendo o aspecto principal deste tema a distinção entre conhecimento científico e senso
comum e entre a Natureza e o Homem, então concluímos que não se deve fazer uma
distinção muito evidente entre o cientista e a população, pois o primeiro tem como
obrigação aprender para depois ensinar, concordamos também com a ideia de que não se
deve confundir conhecimento científico com senso comum, pois não se saberia se o que
é dito será verdadeiro ou não, já que o senso comum se baseia naquilo que apreende pelos
sentidos e o conhecimento científco no método experimental, não acreditando nestes, que
por vezes nos enganam, como já dizia Descartes.

Concordamos também com a ideia de que não deve existir uma distinção entre ciências
naturais e sociais, pois o Homem é parte integrante da Natureza e construtor de
conhecimento.

Para enfatizar o aspecto principal deste tema, foi utilizado o exemplo da Sida, de maneira
a ilustrar a forma como as diferentes gerações a encaram, valorizando assim a ideia de
que o conhecimento científico educa o senso comum.