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Universidade do Estado de Santa Catarina

Centro de Ciências Humanas e da Educação - FAED


Licenciatura em História

Disciplina: Teoria II
Aluno: Stéfani Dias Leite

Resenha: Tudo o que é sólido desmancha no ar

A obra Tudo o que é sólido desmancha no ar1 do escritor e filósofo


estadunidense, Marshall Berman2, trata da questão da modernidade sob a ótica de
Karl Marx, em o Manifesto Comunista, tendo como perspectiva a escrita de Marx
enquanto um teórico social e ao mesmo tempo um escritor modernista. A obra de
Berman permeia tanto os princípios da modernidade a partir de literatos do
renascimento como Shakespeare, quanto autores pertencentes ao pensamento
moderno dos séculos XVIII e XIX, como Goethe3, Montesquieu, Rousseau.
Segundo o autor, o modernismo é para ele definido “como qualquer tentativa
feita por mulheres e homens modernos no sentido de se tornarem não apenas
objetos mas também sujeitos da modernização”, isso significa que, diferentemente
do que Marx coloca em o Manifesto, onde a “burguesia” é o sujeito de todas as
transformações e os homens e mulheres modernos apenas o objeto a ser
transformado pela estrutura controlada pelos poderosos burgueses, Berman abre
um caminho de novas possibilidades, que ele auto intitula no início de sua obra
como sendo O caminho largo e aberto.
O capítulo a ser esmiuçado neste resenha, será “II. Tudo o que é sólido
desmancha no ar: Marx, modernismo e modernização”. Dividido em cinco partes,
além da introdução do mesmo e de sua conclusão, o capítulo em seu início aglutina
tanto a explicação do conceito por de trás do título de sua obra quanto o modo como
pensamento modernista também se faz presente na escrita de Marx. Em sua
primeira parte Berman busca explicar a visão diluidora e a dialética de Marx em o
Manifesto, trazendo aspectos como a descrição da burguesia e de sua criação para
Marx. Na segunda parte, já apresenta a autodestruição inerente ao processo natural
da modernidade como uma estrutura hierarquizada a partir da burguesia, e que se
mantém fortalecida devida a obsolescência desses produtos. Buscando uma
resposta a isso, o autor traz a terceira parte do capítulo, sendo através da dialética
da nudez, inspirado na personagem Rei Lear de Shakespeare, que a sociedade
moderna pode buscar saídas a partir das próprias estruturas do capitalismo em prol
de uma sociedade mais igualitária. Já a quarta e quinta parte dizem respeito a
metamorfose dos valores, sendo eles finalizados na perda do Halo, ou do “símbolo

1 Obra lançada em 1982, teve seu título cunhado a partir da escrita de Karl Marx, em o Manifesto
Comunista. O autor busca, por meio do título Tudo o que é sólido desmancha no ar, traçar sua tese
sobre o processo da modernidade e as possibilidades que emergem dela.
2 Um dos pensadores marxistas mais importantes da segunda metade do século XX, Berman viveu

de 1940 a 2013, estudou e lecionou em Oxford e Harvard.


3 Berman utiliza o exemplo do personagem Fausto para compor o perfil do ser humano moderno,

como aquele que inquieto e incapaz de aceitar a sua própria estrutura, vaga pelo mundo em busca
da satisfação de ser constantemente transformado.
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primordial da experiência sagrada”, algo que coloca a experiência acima da crença


e dos dogmas sagrados.
Voltando um pouco à explicação dada por Berman sobre a modernidade,
quando o mesmo utiliza o termo “Tudo o que é sólido desmancha no ar” para
enfatizar as ausências pertinentes ao processo modernizador, a referência utilizada
por Marx, do sólido como aquilo que é transformado, abre um vão de possibilidades,
não sendo portanto limitado a um grupo social ou aos produtos do sistema
industrial, mas sim a tudo o que é sólido e material, neste sentido, torna-se
extremamente significativo pensar que tudo, no contexto em que Marx escreve, é
capaz de se desmanchar no ar, pois é exatamente esta a essência da modernidade.
É portanto, graças aos primeiros passos dados pela classe burguesa que, nas
palavras de Marx, a atividade humana tem consciência de sua capacidade.
Segundo Berman, eles “Provaram que é possível, através da ação organizada e
concertada, realmente mudar o mundo.”4, ou seja, este é um momento em que o
autor começa a construir o argumento que projeta as ações da burguesia na própria
atividade do ser humano moderno contra essa estrutura que se pretende mutável.
Pois, no momento em que este percebe do que é capaz, não há motivos para
aceitar passivamente esta estrutura. A questão, no entanto, não se resume a
vontade, pois é neste contexto que os movimentos liberais se afirmam a partir do
individualismo, onde “Os homens modernos talvez prefiram o solitário pathos e a
grandiosidade do rosseauniano indivíduo liberado, ou o conforto coletivo e bem-
vestido da máscara política de Burke, à tentativa marxista de fundir o melhor de
ambos.”5 Mas, como Berman mantém em seu horizonte a questão da diluição da
solidez moderna, ele projeta exatamente no conjunto de transformações
intermitentes da modernidade a possibilidade do desmanchar da própria
individualidade criada nela.
E é justamente neste emaranhado da modernidade que Berman nos permite
confluir em direção a uma única certeza, de que dentre aquilo que Marx tem de mais
valioso a nos oferecer, não é a saída das contradições da vida moderna, mas um
caminho que nos coloque “no cerne dessas contradições”, pois é na modernidade
que encontraremos respostas para o desenvolvimento de novas possibilidades
humanas, capazes de “desenvolver identidade e fronteiras comuns que podem
ajudar-nos a manter-nos juntos, enquanto o selvagem ar moderno explode em calor
e frio através de todos nós.”6

4 BERMAN, M. 2007, p. 116.


5 BERMAN, M. 2007, p. 136.
6 BERMAN, M. 2007, p. 156-157
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Referências

1. CAMPOS, Adriano. Marshal Berman (1940-2013): o marxismo contra a


tristeza. Disponível em: http://www.esquerda.net/artigo/marshal-berman-
1940-2013-o-marxismo-contra-tristeza/29459. Acesso 05/12/17 às 22:56.
2. BERMAN, Marshall. Tudo o que é sólido desmancha no ar: a aventura da
modernidade. São Paulo: Companhia das Letras, 2007.