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UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIÁS

FACULDADE DE HISTÓRIA
CAMPUS SAMAMBAIA

Análise documental do Livro dos Ofícios

MARCOS BRICCIUS

GOIÂNIA
MAIO – 2018
MARCOS BRICCIUS

Análise documental do Livro dos Ofícios

Trabalho apresentado ao Professor Dr.


Leandro Mendes Rocha da disciplina
Métodos e Técnicas da Pesquisa
Histórica I, turno Noturno do curso de
Bacharelado em História.

UFG
GOIÂNIA – 2018
Análise documental do Livro dos Ofícios

Natureza do Texto

É um Estatuto da profissão de Ourives, pertencente à uma coletânea de


regulamentos sobre os ofícios, foi reunida pelo magistrado francês Étienne Boileau em
1268.

Circunstâncias de Redação

Não havia uma regulamentação das profissões exercidas até então na França
do século XIII, sobretudo em Paris, em geral as tradições específicas a cada ofício eram
transmitidas de geração em geração ou de mestre para aprendiz; e no decorrer do tempo
acarretavam processos judiciais que eventualmente esbarravam em algumas concessões
(1)
ou benesses da coroa francesa, criando embaraços para o reitor de Paris quando no
ofício de suas atribuições. Os estatutos compilados por Boileau fazem parte das reformas
judiciais e sociais, promovidas pelo rei Luis IX (São Luis da França) como forma de
reunir os regulamentos das corporações e facilitar a administração.

Idéia Geral

“Em Paris, só se pode ser ourives quem fizer o juramento e trabalhar segundo os usos e
costumes dessa profissão”

Plano

 “Trabalhar o ouro [...] com a melhor técnica, e o produto deve exceder em


qualidade”;

 “Cunhar moeda [...] tão boa quanto a libra esterlina ou melhor”;


 “Ter [...] um aprendiz estrangeiro que deve ser parente seu ou de sua mulher”;

(1) Reitor, do francês Prévôt: espécie de magistrado nomeado pelo rei, encarregado da administração
municipal, como legislador e agente fazendário.
 “Só pode ter aprendizes sob a condição de que ganhem cem soldos ao ano, mais
suas despesas de beber e comer”;
 “Trabalhar a noite [só se] for para o rei, a rainha ou seus filhos e irmãos, e para o
bispo de Paris”;
 [Não] “deve pedágios e outros tributos”;
 [Não trabalhar] “no dia do apóstolo (festa dos Santos Pedro e Paulo), [...] e aos
domingos”;
 “Tudo o que ganha [...] nesses dias colocado na caixa da Companhia dos ourives,
[...] dar-se a cada ano, no dia de Páscoa, um jantar aos pobres do Hotel de Dieu
de Paris”;
 “Juraram ter e guardar bem e lealmente todas estas instituições".

Explicação dos detalhes


O reinado de Luis IX buscou reformar o sistema judicial, extinguindo o
sistema de justiça feudal e estendendo o direito à burguesia. Era considerado um rei “bom,
justo e caridoso” (BAINVILLE, 1981, p.54). Algumas corporações recorriam à
privilégios adquiridos durante os reinados de Filipe II, o Augusto, e outras de Luis VIII,
e por falta de uma legislação que fosse capaz de conter tais privilégios que ora eram
concedidos e ora não reconhecidos, a cobrança de impostos e aplicação de multas, e até
a segurança de Paris do XIII século.
Tradicionalmente Étienne Boileau é atribuído como autor do Livre des
Metiers, embora ele seja apenas o compilador e isso provavelmente se deve ao fato de
que enquanto reitor de Paris, ele reunira os regulamentos que foram escritos, que a seu
pedido, os próprios responsáveis pelas corporações o fizeram em 1268 (FRANKLIN,
1906, p.440). Na função de magistrado, Boileau reuniu os estatutos referentes aos ofícios,
organizando-os para servir de instrumento jurídico na administração de Paris.
Originalmente, o arquivo era um manuscrito sob o título de Réglemens sur les
Arts et Métiers, que fora perdido durante um incêndio no Tribunal de Contas de Paris em
1737. Foi publicado em 1837 uma primeira edição por Georges-Bernard Depping e
reeditado em 1879 por René de Lespinasse e François Bonnardot.
Começam a surgir associações ou companhias que reunia os mestres de cada
profissão, na luta destes burgueses da sociedade parisiense por seus direitos. Algumas já
criando seus próprios estatutos.
Pontualmente aos ourives, as exigências eram de que melhorassem suas
técnicas para que seus produtos fossem superiores, que atendessem os mais refinados
clientes e até o rei, sua família e o bispo de Paris, tendo estes privilégios no seu pedido: a
concessão de trabalho noturno por parte dos profissionais no atendimento das
necessidades reais ou episcopais.
Separado em Títulos, o XI abre o subtítulo falando sobre as Ordenance aos
ourives. Ordenance é um substantivo feminino que significa ordem ou regulamento
(GODEFROY, 1888, p.620). Mestier é um substantivo masculino que designa serviço,
ofício, de função (GODEFROY, 1888, p.306). A Confrarie enquanto substantivo
feminino significando fraternidade, confraria (GODEFROY, 1885, p.132). O
Establisemens é um substantivo masculino que indica estado fixo e solidez (GODEFROY,
1884, p.585).
As restrições quanto ao número de aprendizes, é uma forma de limitação do
número de mestres na ourivesaria, além de que o trabalho de seus aprendizes fosse
remunerado, incluindo além a alimentação dos mesmos. Constitui-se a partir daí o direito
dos trabalhadores, que até então era voltado aos mestres do ofício, os burgueses.
A companhia dos ourives era chamada de Irmandade de Santo Elói,
possuindo inclusive uma loja que trabalhava nos dias de domingo e de festa para servir o
jantar de caridade aos pobres, na Páscoa de todos os anos, “cujo único objetivo era
obviamente a ostentação a riqueza da comunidade” (LESPINASSE; BONNARDOT,
1879, p. XXXIX).

Alcance do Texto
O texto é um estatuto da profissão de ourives na cidade de Paris no século
XIII, faz parte de uma coletânea de regulamentos sobre as corporações e foi compilado
por Étienne Boileau em 1268 no uso de suas atribuições enquanto reitor, compondo o teor
das reformas jurídicas e sociais e facilitando a administração parisiense. A ênfase é dada
na afirmação que em Paris, só se pode ser ourives quem fizer o juramento e trabalhar
segundo os usos e costumes dessa profissão e confirmada com a asserção os
ourives juraram ter e guardar bem e lealmente todas estas instituições.

Consequências
Segundo Lespinasse e Bonnardot, Étienne Boileau apesar de não ter vivido o
suficiente para concluir sua coletânea, ele obteve o êxito ainda que pelos seus sucessores
magistrados, em coletar em uma única coleção toda a legislação sobre os ofícios (1879,
p. XVI). Sendo através de sua coletânea magistral que se é possível buscar e compreender
algumas questões sobre as corporações em Paris a partir século XIII.
Referência Bibliográfica

BAINVILLE, Jacques. Historia de Francia. Buenos Aires: Dictio, 1981.

CERVO, Amado Luiz; BERVIAN, Pedro Alcino. Metodologia científica: Para uso dos
estudantes universitários. 2.ed. São Paulo: McGraw-Hill do Brasil, 1978

DEPPING, Georges-Bernard. Réglemens sur les arts et métiers des Paris. Paris:
Crapelet, 1887.

GODEFROY, Frédéric. Dictionnaire de l'ancienne langue française et de tous ses


dialectes du IXe au XVe Siècle. Paris: F. Vieweg, 1884. vol. III.

_______. Dictionnaire de l'ancienne langue française et de tous ses dialectes du IXe


au XVe Siècle. Paris: F. Vieweg, 1885. vol. IV.

_______. Georges-Bernard. Dictionnaire de l'ancienne langue française et de tous ses


dialectes du IXe au XVe Siècle. Paris: F. Vieweg, 1888. vol. V.

FRANKLIN, Alfred. Dictionnaire Historique des Arts, Métiers et Professions:


Exercés dans Paris depuis le Treizieme Siécle. Paris: H. Welter, 1906.

LESPINASSE, René; BONNARDOT, François. Les métiers et corporations de la Ville


de Paris: XIIIe Siècle Le Livre des Métiers D'Étienne Boileau. Paris: Imprimerie
Nationale, 1879.

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