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Smart Cities: a promoção da desigualdade?

07:00 - 9 Outubro, 2017 por Alexandros Washburn

Uma cidade é inteligente quando toma melhores decisões, e há apenas dois tipos de decisão: a
estratégica e a tática. As decisões estratégicas determinam a coisa certa a fazer. As decisões táticas
escolhem a maneira certa de fazê-la. A tecnologia inteligente não é inteligente se nos faz confundir,
enquanto cidadãos, as decisões estratégicas com as táticas. Em outras palavras, há muitas decisões
sobre o funcionamento de uma cidade que felizmente podemos delegar à tecnologia. Mas há questões de
governança, de determinação de nosso destino, de decidir o que é certo fazer enquanto sociedade que, se
delegarmos, abdicaremos. "Governar é escolher", disse uma vez John F. Kennedy.

Os vários consultores e representantes de empresas de alta tecnologia que vieram conversar


comigo quando eu era o Diretor de Urbanismo da cidade de Nova York me prometiam uma cidade
inteligente como um lugar onde os semáforos ficaram sempre verdes e as portas dos elevadores estavam
sempre abertas, prontas para a nossa chegada. Eles prometiam uma cidade que antecipa nossas
necessidades a cada passo, dada a tentadora forma com que, hoje, nossos dispositivos pessoais estão
conectados, com aplicativos que parecem nos conhecer melhor que nós mesmos. Agora, com o advento
da internet das coisas no horizonte próximo, estamos preparados para tornar as cidades inteligentes uma
realidade. Imagine o incrível poder de uma cidade inteira sincronizada com nossas preferências e nosso
movimento!

Parece bom demais para ser verdade. Tenho a sensação de que nossa cidade inteligente se baseia numa
mentira - ou talvez, com menos julgamento - em um erro de gramática, uma confusão de pronomes. Ao
falar sobre as maravilhas da antecipação para a "nossa cidade", nós realmente queremos dizer para a
"minha cidade". Confundimos o coletivo com o pessoal. Isso está diretamente relacionado à nossa relação
com a tecnologia "pessoal". Nós queremos acreditar que a tecnologia serve a "nós", quando na verdade
pensamos no "eu". Nós confundimos a "selfie" com um retrato da humanidade.
O que é perfeitamente inofensivo nos pixels do Facebook. Mas como alguém que trabalha com cidades
para sobreviver, eu gostaria de alertar sobre os perigos da ilusão de que o que você quer, pessoalmente,
seria o que todo mundo também quer. "Eu" não é igual a "nós".

Uma cidade é uma criação comunitária, e uma cidade não pode se formar a partir da perspectiva de todos,
como se fosse a única que importasse. A luz do semáforo não pode ficar verde para todas as direções ao
mesmo tempo. Um elevador não pode esperar cada um de nós em qualquer andar. Devem ser tomadas
decisões sobre qual direção e qual andar, e essas decisões, mesmo que pequenas, efetivamente criam
vencedores e perdedores.
Talvez não importe tanto que eu espere o semáforo abrir enquanto outra pessoa passa. Na verdade, dado
o aumento coletivo da eficiência e da segurança do tráfego, deleguei voluntariamente o controle de trânsito
a um dispositivo bobo, como um cronômetro, e espero ansiosamente o advento de um dispositivo
inteligente como um cruzamento com sensores, para que eu não tenha que esperar se não houver
ninguém para atravessar. Tudo isso é tática.

E eu até comecei a usar o aplicativo Waze para todos os meus trajetos de carro, percebendo que ele
realmente me leva mais rápido de A para B. Eu engulo meu orgulho de urbanista de conhecer
profundamente a rede de ruas da cidade, e aceito que um algoritmo com dados em tempo real de
múltiplas fontes e usuários é melhor do que eu na procura do melhor caminho. Até então, quanto mais eu
delego à tecnologia, mais rápido eu vou. É um ganha-ganha. Sinto-me à vontade com nossa sociedade
louca por tecnologia; estou adorando. E parece que não há um limite de quão melhor tudo se tornará, se
eu continuar a delegar e os algoritmos continuarem sendo otimizados. A luz do semáforo realmente está
ficando verde!

Mas há um limite para a otimização, e o setor financeiro encontrou. Meu escritório no Stevens Institute of
Technology está ao lado do Programa de Engenharia Financeira, onde eles aplicam a mais alta tecnologia
para entender os padrões financeiros. Eu vejo meus colegas analisarem os algoritmos de negociação de
alta velocidade; converso com eles sobre os desafios técnicos de identificar o uso de informações
privilegiadas. Estou impressionado com seus instintos, bem como suas análises. Eles estão vendo o futuro
das comercializações em tempo real, algo onde há muito pouco espaço para a tomada de decisões.

Algoritmos são algoritmos de luta. Os profissionais do mundo financeiro estão cada vez mais resistentes
a contrariar as recomendações de seus programas. A próxima geração destes profissionais parece ser de
analistas quantitativos.Eles não escolhem ações. Eles escolhem o código. O código faz um algoritmo, e o
algoritmo faz uma transação. Mas os algoritmos vão além da tomada de decisão tática - de como executar
da melhor forma uma transação - e tomam decisões estratégicas: como vencer um oponente.

Seus algoritmos estão detectando dados. Eles também estão criando dados para falsificar os sensores de
outros algoritmos. Eles apresentam as transações e ascancelam em nanosegundos, deixando o preço do
comprador transparente. A tecnologia é muito rápida para ser regulamentada no mundo inteligente das
finanças. A única premissa é que, como resultado de cada transação bem sucedida, há um perdedor. É
um jogo de soma zero.

Não é nenhuma surpresa que uma negociação crie vencedores e perdedores. O que é surpreendente é o
quanto esses vencedores e perdedores são definidos por algoritmos. Portanto, acho que isso nos dá uma
ideia de um futuro cívico mais difícil do que os defensores das cidades inteligentes venderiam.Sim, a
aplicação imediata da tecnologia inteligente eliminará enormes ineficiências, das quais todos deveriam se
beneficiar. Mas, eventualmente, essas ineficiências coletivas serão superadas, e os ganhos individuais
exigirão que outros sofram perdas individuais. A adoção agressiva precoce de sensores e algoritmos no
mundo financeiro efetivamente tornou o mundo financeiro inteligente. As mesmas justificativas para o bem
coletivo foram invocadas no início por aqueles que construíram, vendiam e aplicavam a tecnologia:
aumento da liquidez através de uma participação mais ampla. Maior transparência através da coleta de
dados. E para isso levou? A tecnologia está encontrando seu ápice. A curva está se achatando. À medida
que os ganhos coletivos diminuem, o futuro da soma zero se torna mais claro. Algoritmo versus algoritmo
e as batalhas de dados de um mundo financeiro inteligente nos apresenta brevemente como pode ser o
futuro das nossas cidades, onde percebemos que talvez fomos longe demais quando delegamos à
tecnologia.
Imagine que as estradas alcançaram sua capacidade máxima em uma mega cidade.Nosso aplicativo
Waze atingiu o ápice da otimização. Você não vai mais rápido de A para B se você vai por este ou por
esse caminho. O tráfego tornou-se um jogo de soma zero. Para ir mais rápido em uma cidade assim, cada
um de nós precisa de um aplicativo WazeMe para competir contra outros motoristas. Se eu chegar mais
cedo, isso significará que outra pessoa chegou mais tarde. Imagine se dirigir pela cidade fosse um
concurso entre algoritmos concorrentes. Esses algoritmos usariam os dados existentes, mas eles também
criariam dados sintéticos para falsificar os dados de um competidor. Quando otimizamos o coletivo,
alguém começa a ganhar e alguém começa a perder. Passamos, então, da tática para a estratégia.
Eu não tenho que entrar no mundo financeiro das ações comerciais, mas eu tenho que entrar no mundo
real das ruas da cidade. As vias públicas são bens públicos, e eu, como cidadão, lutarei pelo meu direito à
igualdade de acesso e proveito do bem público.Se uma cidade se tornasse tão inteligente como o mundo
financeiro, e as pessoas com os melhores algoritmos em seus carros passassem em todos os sinais
verdes, enquanto eu espero abrir o vermelho, lutaria muito contra isso.

A desigualdade de algoritmos já existe, entre aqueles que possuem um smartphone e plano de dados, e
aqueles que não possuem. Isso é justo? Qual o custo que essa desigualdade impõe a uma cidade? Custa
uma corrosão da coesão social baseada na cidadania igualitária? Embora a minha pesquisa seja sobre
tecnologia da hidrodinâmica e do desenho urbano para tornar as cidades resistentes às mudanças
climáticas, descobri que muito mais do que qualquer tipo de modelagem computacional complexa, a
coesão social é o pilar da resiliência de uma cidade. Certamente, uma cidade que diminui a coesão social
através da tecnologia não pode ser chamada de inteligente.
A coesão social é uma função da participação e é baseada no respeito. Demonstramos respeito a partir da
forma como nos comportamos no espaço público. O outro lado do contrato social é que o espaço público
tem que ser um bem comum, sem barreiras de entrada. O espaço público cria confiança pública se e
somente se todos puderem ir a todos os lugares. Jane Jacobs define de forma semelhante a participação
pública: "As cidades têm a capacidade de fornecer algo para todos, só porque, e somente quando, são
criadas por todos".
Encontrar um equilíbrio entre delegar decisões operacionais e aumentar a participação na governança é
algo muito difícil de fazer. Há uma analogia biológica no desenvolvimento da separação de funções entre
nossos sistemas nervoso somático e autônomo. O sistema somático em nosso cérebro resiste a delegar
decisões estratégicas ao sistema autônomo em nosso intestino. Tomamos uma decisão consciente sobre
o que comer, mas delegamos como digerir os alimentos ao sistema autonômoque controla as milhares de
contrações em sequência necessárias para mover a comida através do nosso sistema.

Levou tempo de evolução e os erros e acertos da seleção natural para criar o equilíbrio adequado entre os
sistemas nervoso somático e autônomo. Não temos tempo evolutivo para entender as consequências de
delegar demasiadamente à tecnologia e abdicar de nossas responsabilidades sociais para tomar decisões
cívicas, e isso pode ser fatal.
Cidades inteligentes tomam melhores decisões. Mas as cidades que são inteligentes e democráticas
tomam as melhores decisões ao permitir que os cidadãos debatam vigorosamente a linha correta de ação
e, em seguida, deixando a tecnologia executar corretamente.
Réplica em escala real da Villa Savoye de Le Corbusier "naufraga" na Dinamarca
10:00 - 2 Agosto, 2018 por Niall Patrick Walsh

A réplica de um dos mais icônicos projetos de Le Corbusier, a Villa Savoye, foi parcialmente submersa em
meio a um fiorde na Dinamarca como parte do festival Floating Art 2018. A instalação intitulada “Flooding
Modernity” foi concebida pelo artista Asmund Havsteen-Mikkelsen como uma resposta ao
chamado “naufrágio do domínio público, após o escândalo da manipulação de dados pessoais das mídias
sociais pela Facebook-Cambridge Analytica”.

Parte da programação do festival de arte de verão organizada pela cidade de Vejle e pelo Veijle Art
Museum, o modelo em escala 1:1 de mais de cinco toneladas foi rebocado até o fiorde onde foi
parcialmente submerso para representar o "naufrágio" de um futuro utópico.

A instalação, uma cópia fiel de um dos cantos da famosa Villa Savoye de Le Corbusier, é a mais recente
interpretação de Havsteen-Mikkelsen da obra do arquiteto suíço naturalizado francês, tendo já produzido
outros 25 desenhos e nove pinturas à respeito do icônico projeto de 1931.

"Para mim, a Villa Savoye é um símbolo da modernidade e do iluminismo. Representa a fé na racionalidade


do homem e no progresso da humanidade. Depois de todos estes escândalos, acredito que a fé na
humanidade foi parcialmente naufragada pelo uso insensato da tecnologia para a manipulação da opinião
pública. Nosso senso de modernidade está "afundando" pouco à pouco. Acredito na necessidade de
"reestabelecer" as nossas instituições públicas e políticas - porque estas que existem hoje,
já "naufragaram" com as nossas esperanças por um futuro mais democrático."

- Asmund Havsteen-Mikkelsen, em entrevista para a ICON Magazine

A réplica de isopor é uma das dez obras expostas no Fiorde de Vejle durante o festival Floating Art 2018,
um evento que busca incentivar jovens “artistas e arquitetos a refletir e investigar temas contemporâneos”.
Outros trabalhos expostos incluem uma mensagem dentro de uma garrafa chamada “Floating Thoughts
from a Waiting Position”, de Kristian Blomstrøm Johansson e parceria com a Cruz Vermelha, e o “Floating
Blanket”, de Tina Helen, que transporta os visitantes pela superfície do fiorde guiados pelas correntes
marítimas.

The Floating Art festival começou no dia 23 de Junho e vai até o dia 02 de Setembro de 2018.
Cidades mais densas são mais resilientes e prósperas, afirma novo relatório
07:00 - 20 Julho, 2018 por Paula Tanscheit

A primeira solução geralmente encontrada para uma cidade que precisa acomodar um número crescente
de habitantes é se espalhar-se, estender seu território. Infelizmente, essa prática é a mais custosa ao
próprio município e contribui para o segregamento e a desigualdade socioespacial. As cidades precisam
encontrar um caminho que as estabeleça como locais prósperos para as pessoas e para a economia. Um
recente estudo afirma que o segredo para isso pode ser a “boa densidade”.

Qualificar um espaço como tendo uma “boa densidade” é muito mais do que ter um alto número de
pessoas residindo ou trabalhando em uma determinada área. Características como planejamento de uso
misto do solo, conectividade, infraestrutura de transporte sustentável, entre outros elementos, são
fundamentais.

De acordo com uma pesquisa realizada pela Coalition for Urban Transitions, iniciativa da New Climate
Economy, e pelo Urban Land Institute (ULI), as evidências indicam que os aumentos da densidade urbana
estão ligados a queda de emissões de carbono e consumo de energia locais e per capita. A redução nas
emissões é associada primeiramente ao menor uso de veículos motorizados particulares, mas também
tem origem na melhor eficiência energética em edificações, menos infraestrutura construída e menos
alterações no uso do solo nas periferias urbanas.
“Os prédios e infraestrutura construídos ao longo dos próximos 50 anos irão acarretar consequências
substanciais para nossa economia, qualidade de vida e, acima de tudo, o meio ambiente”, afirma o
relatório. Além disso, segundo os autores, cidades com “boa densidade” serão a longo prazo as mais
resilientes e prósperas, já que terão maior probabilidade de fornecer retornos de investimento imobiliário.

Somadas, as futuras mudanças em fatores demográficos, econômicos e tecnológicos irão aumentar a


necessidade da densidade nas cidades, especialmente a chamada “boa densidade”. Intitulado “Apoiando o
Desenvolvimento Urbano Inteligente: Investimento com Sucesso na Densidade” (Supporting Smart Urban
Development: Successful Investing in Density), o trabalho é a primeira tentativa de quantificar o impacto
causado pela “boa densidade” em retornos de investimentos e nas emissões de carbono.

O relatório identificou as características que representam a “boa densidade” a partir de uma revisão
literária e da análise quantitativa de 63 cidades globais. Os seis elementos encontrados estariam
associados à melhor qualidade de vida nas cidades, mas também a maiores retornos, valores de capital e
níveis de investimentos para imóveis comerciais. São eles:
 Estruturas de centralidades – Padrões de uso do solo dentro das cidades e na escala de região
metropolitana determinam os níveis de movimento de geração de carbono, ou seja, viagens para o
trabalho, reuniões de negócios e lazer. Eles também determinam o escopo para as chamadas
economias de aglomeração e investimento interno e, portanto, influenciam as atividades econômicas e
o crescimento.
 Infraestrutura econômica e de empregos – Conectividade e concentração de investimento estrangeiro,
empregos de qualidade e de valor agregado, mão-de-obra, competências, diversidade e capacidade de
inovação são fatores que contribuem para a criação de uma economia urbana forte e resiliente.
 Infraestrutura construída – Alguns dos elementos da infraestrutura construída que afetam a boa
densidade são: planejamento de uso misto, projetos e tecnologia de qualidade, equipamentos e
paisagem urbana em escala.
 Infraestrutura de transporte público – A capacidade do transporte público de atender à cidade, a
acessibilidade à rede de transporte público e a qualidade do serviço contribuem para a boa densidade.
 Infraestrutura verde e azul – A rede de áreas naturais e semi-naturais, elementos e espaços verdes em
áreas rurais e urbanas, de água doce, costeiras e marinhas são essenciais para uma boa densidade.
 Infraestrutura de governança – A coordenação de políticas nacionais, regionais e municipais; lideranças
municipais e autoridade financeira; transparência e responsabilidade; e a coerência das políticas a nível
local desempenham um papel na criação de uma boa densidade.
Essa lista de características pode ser importante para que potenciais investidores incorporem esses
elementos em suas estratégias. Segundo o relatório, investidores imobiliários podem ter um papel crucial
em fazer das cidades compactas e conectadas o futuro modelo de crescimento urbano. “Se a comunidade
de investidores se comprometer a apoiar o desenvolvimento urbano, e se os projetos de infraestrutura que
adotem os princípios de boa densidade forem apoiados por políticas públicas apropriadas, isso pode ter
um impacto substancial na maneira como as cidades crescem e se desenvolvem”, afirma.

Os autores sugerem ainda que esse tipo de desenvolvimento pode ajudar a resolver problemas de
desemprego, desigualdades sociais e questões climáticas, além de reforçar a capacidade da cidade de
atrair capital internacional para investimentos imobiliários.

“As evidências mostram que, se bem feito, os investidores imobiliários de longo prazo, as pessoas e o
meio ambiente não precisam estar em conflito sobre os esforços para colocar as cidades em um caminho
de baixo carbono e mais igualitário. Pelo contrário, governos nacionais e locais e investidores imobiliários
bem informados podem encontrar uma causa comum na promoção do melhor transporte coletivo, uso da
bicicleta e transporte a pé, proteção de parques públicos e redução do desperdício de energia nas
cidades”, disse Nick Godfrey, diretor da Coalition for Urban Transitions.
Sete passos para cidades mais inteligentes
14:00 - 15 Maio, 2017 por Bruno Ávila

Atualmente existe um debate acalorado sobre o verdadeiro significado de uma cidade inteligente
ou smart city. Enquanto municipalidades buscam melhorar seus serviços, a academia discute as
consequências de uma cidade mais informatizada e empresas estabelecem centros de pesquisa para
desenvolvimento de soluções para problemas urbanos. Estaria a cidade inteligente mais dependente
de sistemas tecnológicos inovadores ou de processos participativos eficientes?
De acordo com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), uma cidade inteligente é aquela
que coloca as pessoas no centro do seu desenvolvimento, incorporando tecnologias de informação e
comunicação na gestão urbana e usando estes elementos como ferramentas para estimular a
formação de um governo eficiente que inclua processos de planejamento colaborativo e participação
cidadã.

Em outras palavras, cidades inteligentes são cidades responsivas, capazes de receber, processar e
retornar informações e serviços eficientes. Cidades que falam, que questionam e que respondem,
colocando o cidadão no centro de toda e qualquer iniciativa. Confira a seguir sete passos para
cidades mais inteligentes.

1. Capacidade institucional
A base de qualquer cidade inteligente é sua capacidade institucional. Não existe cidade inteligente
sem capital humano e estrutura administrativa eficiente. Continuidade de ações, inovação e confiança
apenas são construídas por um corpo técnico diversificado, tanto em regime de contratação quanto
em formação. Estrutura física também é importante. Não espere uma gestão eficiente se a prefeitura
não tem telefone, internet e salas de reunião adequadas. Como a administração pública apenas faz o
que a lei permite, iniciativas de inovação institucional são precedidas por previsão legal. A Lei precisa
estar em constante modernização a fim de ser asas e não amarras ao Estado que a elaborou.

2. Capacidade de Gestão
A demanda por soluções urbanas inovadoras movimenta o mercado. De pequenas startups a grandes
multinacionais, todos querem vender produtos a municipalidades. Não há problema algum nisso, mas
se a cidade ainda utiliza processos de papel que demoram dias para serem tramitados, como
priorizar, por exemplo, o investimento em sensores de presença para iluminação pública? Chegamos
então ao segundo passo para cidades inteligentes: melhorar sua capacidade de gestão. É difícil
precisar o custo exato deste passo, mas a maior parte dele é o tempo. Tempo de trabalho de
servidores, tempo de coordenação política, tempo de capacitação, tempo de ambientação. No Brasil,
as soluções de tecnologia da informação desenvolvidas para o setor público se concentram no Portal
do Software Público: de sistemas de tramitação de documentos a soluções para saneamento e
geoprocessamento.Uma solução para a educação utilizada em Parauapebas (PA), por exemplo, já
gerou economia de R$2 milhões.
Portal Fortaleza Online que simplificou os procedimentos para concessão de alvará de construção,
licenciamento de atividades, dentre outros.. A redução dos tempos de análise diminuiu a
informalidade e multiplicou a arrecadação da prefeitura com essas taxas e serviços. Fonte: Secretaria
Municipal de Urbanismo e Meio Ambiente de Fortaleza.

3. Capacidade de Coleta e Processamento de Informações


“Não precisamos de softwares e aplicativos, apenas precisamos de ouvir as pessoas!” Tudo bem, mas quantas
páginas de atas serão necessários para registrar tudo isso? A população das cidades cresceu, assim
como a complexidade dos seus problemas e a diversidade de suas opiniões. Não podemos continuar
baseando a participação cidadã apenas em audiências públicas frente à imensidão de formas de
diálogo. Isso nos leva ao terceiro passo: capacidade de coleta e processamento de informações. Grandes
cidades precisam de grande capacidade de coleta e gestão de dados. Ou seja, precisamos de
processadores mais potentes? Claro, mas não apenas isso. Depois de estabelecida uma plataforma
interativa e amigável de diálogo com a sociedade e, as informações coletadas precisam ser
analisadas qualitativamente.

4. Monitoramento Ambiental
Os cidadãos conhecem os principais problemas enfrentados por sua cidade, mas isso não exclui a
necessidade de observação técnica do ambiente físico. Chuvas, estrutura do solo, tráfego e
vulnerabilidade a desastres precisam ser compreendidos eficientemente pela administração pública.
Esse é o próximo passo: monitoramento ambiental. O clima está mudando, a natureza clama com
intensidade os efeitos de séculos de ação antrópica e apenas cidades resilientes terão sucesso. As
cidades precisam ter capacidade de prever, de observar e de responder às condições ambientais em
tempo real. Por mais inesperados e complexos que sejam os fenômenos do ambiente urbano, a
grande maioria deles deixa sinais. Todos os passos anteriores são necessários para que esses sinais
sejam adequadamente lidos e respondidos com ações mitigadoras.

5. Gestão do Território
Compreender a cidade é um ato multidisciplinar que envolve profissionais de diversas áreas. Ainda
assim, soluções para educação, saúde e gestão pública devem considerar que tudo em uma cidade
acontece em um território. Mais um passo necessário para cidades inteligentes, portanto, é a gestão do
território. Uma municipalidade eficiente deve ser capaz de gerir eficientemente o território onde
ocorrem todos os fenômenos urbanos. Para isso, é preciso mapeá-lo, conhecê-lo, cadastrando suas
parcelas territoriais públicas e privadas. Não tem como fugir de sistemas de informação geográfica
acessíveis ao público e às diferentes entidades da administração. Equipamentos públicos de
qualidade, mobilidade sustentável, espaços públicos, calçadas acessíveis, fachadas ativas... Não se
engane, nada disso existe sem normas urbanísticas claras e aplicadas, um plano diretor com ações
de longo prazo e controle urbano. O mercado imobiliário e o crescimento urbano deve ser gerido por
uma administração em constante contato com a população e que garanta sempre o interesse público.
Quando se fala de cidade, a soma dos interesses privados descoordenados não gera o bem comum.

6. Autonomia Financeira
Manter uma cidade inteligente tem um preço. Custa bem menos que uma cidade ineficiente, mas
mesmo assim precisa de recursos. Por isso, é imprescindível a autonomia financeira. Quanto mais
fontes de ingressos municipais estiverem fora do controle dos municípios, mais difícil será ter uma
administração eficiente. A maioria das nações concede às municipalidades a capacidade de cobrar
impostos de imóveis urbanos. “Não me diga que precisamos de impostos!” Sim, um sistema tributário com
regras claras e socialmente justo na mão de um Estado eficiente e responsivo é capaz de transformar
cidades. Quanto mais próxima a instância de administração de recursos públicos, mais fácil o controle
social. Quando impostos se revertem ao bem comum, todos ganham e os cidadãos entendem a
necessidade de cumprir também com seus deveres.

7. Liderança
Todos queremos cidades inteligentes. Todos queremos cidades que tenham capacidade institucional,
capacidade de gestão, capacidade de coleta e processamento de informações, que monitorem o seu
ambiente, que consigam gerir seu território e que sejam financeiramente autônomas. No entanto, falta
o último passo para cidades inteligentes que na verdade antecede todos os outros: liderança. Cidades
nunca irão se reinventar sozinhas. Toda iniciativa de inovação precisa de alguém que coloque essa
pauta no centro do debate municipal e que faça isso acontecer.
Cidades fabricadas: o caso da primeira smart city do Brasil
10:00 - 5 Fevereiro, 2018 por Romullo Baratto

Smart City Laguna, este é o nome da primeira "cidade inteligente" do Brasil segundo publicaram
alguns meios de comunicação, inclusive o ArchDaily Brasil, em 2017. Com inauguração prevista para
aquele mesmo ano, o empreendimento contaria em sua primeira fase com 1.800 unidades e, no total,
7.065, divididas entre residenciais, comerciais e de uso tecnológico.

Localizada no distrito de Croatá, que faz parte da cidade de São Gonçalo do Amarante, a
primeira smart city brasileira ocupa uma porção de terra de 330 hectares conectada diretamente à
rodovia federal BR-22, que cruza os estados do Ceará, Piaí e Maranhão partindo de Fortaleza em
direção à Marabá, no Pará. A escolha do local tem razões econômicas: a proximidade com o Porto do
Pecém, em Fortaleza, a Companhia Siderúrgica do Pecém (CSP) e a Ferrovia Transnordestina fazem
de Croatá um ponto estratégico no nordeste que vem sendo ocupado nos últimos anos por empresas
de tecnologia, conformando um chamado "Cinturão Digital" a pouco mais de 50 quilômetros da capital
cearense.

Autoproclamada a primeira smart city social do mundo, o empreendimento do grupo italiano Planet se
afirma pioneiro por oferecer lotes para todas as faixas de renda, incluindo unidades do programa
nacional Minha Casa Minha Vida, para famílias com renda de até 1,5 salários mínimos. Para além do
diferencial, o projeto se enquadra no mesmo recorte conceitual do qual fazem parte outras "cidades
inteligentes" do mundo, que têm seus projetos embasados em princípios tecnológicos, de
sustentabilidade e de mobilidade urbana.

Colocadas à venda em 2015, em janeiro deste ano o número de unidades residenciais e comerciais
compradas já somava duas mil, e a previsão para o fim de 2018 é que outas mil e quinhentas sejam
comercializadas, segundo notícia publicada pelo jornal Diário do Nordeste.

O sucesso das vendas, entretanto, não está necessariamente vinculado às comodidades da vida em
uma "cidade inteligente". Por mais que pareça tentadora a ideia de morar em uma cidade em que
muitas das funcionalidades podem ser controladas por meio de um aplicativo para celular, parece que
explicação mais convincente para as vendas se encontra na valorização dos terrenos. De agosto de
2015 a novembro de 2017, o metro quadrado residencial de Smart City Laguna valorizou 140,9%,
enquanto que o comercial subiu 218,2%. Quem comprou em 2015 parece ter feito um smart
investment na primeira "cidade inteligente" do Brasil.
Os lotes que sofreram estrondosa valorização sugerem, como se vê nas imagens digitais usadas na
divulgação do empreendimento, ocupação unifamiliar de um ou dois pavimentos. Teriam valorizado
quanto se permitissem alta densidade? Provavelmente menos que as cifras atuais, já que Laguna
ainda não existe enquanto cidade; portanto, antes de criar valor pelo adensamento, ela precisa ser
minimamente ocupada.

Adensar em áreas onde há infraestrutura disponível é, no entanto, necessário em cidades que


buscam aproveitar ao máximo seus recursos - ou usá-los inteligentemente - o que faz questionar a
escolha pela baixa densidade em uma cidade que se autopromove como smart.

Esse não é o único ponto que levanta questões em Laguna. Em sua página online, a Planet
argumenta que "o objetivo é alcançar sustentabilidade, segurança e qualidade de vida" e que a vida
das pessoas em cidades ou bairros inteligentes é "mais econômica comparada a bairros tradicionais,
bem como mais sustentável e socialmente inclusiva." Não há indicadores que expliquem, entretanto,
como que fabricar uma cidade totalmente nova no meio da estrada poderia ser mais sustentável e
inclusivo que ocupar espaços de uma cidade preexistente que já conta com infraestrutura instalada e
apresenta as dinâmicas sociais inerentes a uma aglomeração urbana consolidada.

O que há logo abaixo na mesma página online é a explicação do porquê da escolha de Croatá,
esclarecendo ao leitor o objetivo fundante de Laguna: investimentos. Não é de modo algum errado
uma cidade buscar investimentos, todas o fazem com mais ou menos voracidade. O problema é
Laguna se afirmar inteligente quando é na realidade um bairro tradicional - fabricado, porém -, envolto
pela retórica publicitária da smart city que apresenta dispositivos e inovações tecnológicas como a
solução para os problemas urbanos.

Numa época em que ideias como acupuntura urbana e projetos em pequena escala para ativar o
espaço público parecem oferecer meios mais efetivos para fazer com que nossas cidades passem de
problemas a soluções ambientais, construir uma cidade do zero - da infraestrutura ao aplicativo - pode
ser qualquer coisa, menos inteligente.
As 50 cidades mais inteligentes do mundo em 2018
10:00 - 30 Julho, 2018 por Jack McManus

O Centro de Globalização e Estratégia da Escola de Negócios IESE de Barcelona divulgou sua lista
anual das cidades mais inteligentes do mundo. Em seu quinto ano, o Índice IESE Cidades em
Movimento calculou as pontuações de desempenho de 165 cidades em 80 países com base em uma
análise exaustiva de indicadores econômicos e sociais. Centros de energia globais familiares
mantiveram sua posição no topo da lista, enquanto categorias ampliadas de avaliação ajudaram
algumas pequenas cidades a avançar sua colocação drasticamente.

Sob a direção dos professores Pascual Berrone e Joan Enric Ricart, o Índice Cidades em
Movimento da escola classifica as cidades com base em seu desempenho em nove categorias
fundamentais que demonstram as dimensões necessárias de uma cidade moderna e saudável no
século XXI: capital humano, coesão social, economia, governança, meio ambiente, mobilidade e
transporte, planejamento urbano, alcance internacional e tecnologia. Dentro de cada categoria, as
cidades são classificadas com base em um conjunto de 83 fatores totais. Este sistema de
classificação foi expandido este ano para incluir novos critérios como a certificação ISO 37120,
número de ataques terroristas em uma cidade, bem como variáveis baseadas em informações
projetadas como a variação de temperatura prevista resultante da mudança climática.

De acordo com o IESE, a avaliação é estrategicamente projetada para avaliar o progresso de cada
cidade em direção a “uma nova forma de desenvolvimento econômico local: a criação de uma cidade
global, a promoção do espírito empreendedor e a inovação, entre outros aspectos”. O relatório deste
ano ajudou várias cidades menores a obterem classificações de prestígio na lista de 2018,
especialmente Reykjavik, a capital da Islândia, que ficou em quinto lugar este ano, após não ter
alcançado o top 50 em 2017.

Índice IESE Cidades em Movimento 2018:


1. Nova York (+0) Classificação ano passado: 1 11. Berlim (-2) Classificação ano passado: 9
2. Londres (+0) Classificação ano passado: 2 12. Melbourne (-2) Classificação ano passado: 12
3. Paris (+0) Classificação ano passado: 3 13. Copenhague (+14) Classificação ano passado:
4. Tóquio (+4) Classificação ano passado: 8 27
5. Reykjavik NOVA 14. Chicago (-2) Classificação ano passado: 12
6. Singapura (+16) Classificação ano passado: 22 15. Sidney (+1) Classificação ano passado: 16
7. Seul (+0) Classificação ano passado: 7 16. Estocolmo (+9) Classificação ano passado: 25
8. Toronto (+3) Classificação ano passado: 11 17. Los Angeles (+1) Classificação ano passado: 18
9. Hong Kong (+33) Classificação ano passado: 42 18. Wellington NOVA
10. Amsterdã (+0) Classificação ano passado: 10 19. Viena (-4) Classificação ano passado: 15
20. Washington (-14) Classificação ano passado: 6 35. Ottawa (-11) Classificação ano passado: 24
21. Boston (-17) Classificação ano passado: 4 36. Vancouver (-15) Classificação ano passado: 21
22. Helsinki (-7) Classificação ano passado: 29 37. Munique (-18) Classificação ano passado: 19
23. Oslo (+3) Classificação ano passado: 26 38. Montreal (-7) Classificação ano passado: 31
24. Zurique (-11) Classificação ano passado: 13 39. Houston (-7) Classificação ano passado: 32
25. Madri (+3) Classificação ano passado: 28 40. Praga (+3) Classificação ano passado: 41
26. Barcelona (+9) Classificação ano passado: 35 41. Dallas (-18) Classificação ano passado: 23
27. San Francisco (-22) Classificação ano passadok: 42. Frankfurt (-6) Classificação ano passado: 36
5 43. Roterdã NOVA
28. Auckland (+16) Classificação ano passadok: 44 44. Lyon (+6) Classificação ano passado: 50
29. Berna NOVA 45. Milão (-7) Classificação ano passado: 38
30. Dublin (+3) Classificação ano passado: 33 46. Filadélfia (-16) Classificação ano passado: 30
31. Hamburgo (+3) Classificação ano passado: 34 47. San Diego NOVA
32. Genebra (+15) Classificação ano passado: 17 48. Bruxelas (-8) Classificação ano passado: 40
33. Gotemburgo NOVA 49. Riga NOVA
34. Basileia (+13) Classificação ano passado: 47 50. Talin NOVA

As cidades com as maiores mudanças na classificação são Hong Kong, que subiu 33 posições para
entrar no top 10, estando em nono lugar após o quadragésimo segundo lugar em 2017. San
Francisco com uma queda mais drástica este ano, caindo 22 posições de acordo com sua
classificação anterior, de quinto lugar a vigésimo sétimo. Outras cidades que mostraram melhorias
significativas incluem Singapura (+16), Auckland (+16), Genebra (+15), Copenhague (+14) e Basileia
(+13); enquanto outras em declínio incluem Munique (-18), Dallas (-18), Boston (-17), Filadélfia (-16),
Vancouver (-15) e Washington (-14).
Após não alcançarem o top 50 em 2017, estas oito cidades surgiram na lista deste ano: Reykjavik em
5º lugar, Wellington em 18º, Berna em 29º, Gotemburgo em 33º, Roterdã em 43º, San Diego em 47º,
Riga em 49º e Talin em 50º.

Substituídas pelas recém-chegadas, as seguintes cidades saíram do top 50: Baltimore, Phoenix,
Glasgow, Roma, Stuttgart, Linz, Miami e Florença.

Por continente, as cidades europeias ocupam a maioria dos lugares da lista com 12 representantes,
dobrando o total de seis da América do Norte - o segundo continente mais bem representado. A Ásia
reivindica o terceiro lugar na lista, com quatro classificadas entre as dez primeiras.