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RESUMO DE DIREITO PENAL II – SEGUNDA UNIDADE

1. ITER CRIMINIS – o “percurso do crime”: Por "iter criminis”, ou


caminho percorrido pelo crime, entende-se o conjunto de fases que se
sucedem cronologicamente no desenvolvimento do delito doloso.

1.1 . FASES DO CRIME: COGITAÇÃO, PREPARAÇÃO, EXECUÇÃO, CONSUMAÇÃO OU


TENTATIVA E EXAURIMENTO.

COGITAÇÃO: pensar sobre a prática do crime – trata-se de fase interna, é dizer, que
pertence única e exclusivamente na mente do indivíduo, logo, a cogitação é sempre
impunível.

Formação da ideia

 A cogitação significa ideação do crime, não implicando necessariamente na sua


premeditação – cogitar a prática de um crime não significa premeditar o
delito.
Premeditação: Decisão efetuada de maneira
consciente que antecede a execução do ato.

A cogitação pode ser dividida em três etapas:

A- idealização: surge no agente a intenção de cometer o delito – pensa em roubar.

B - deliberação: o agente pondera as circunstâncias da conduta que pretende


empreender – pondera acerca das circunstâncias da conduta.

C - resolução: corresponde à decisão a respeito da execução da conduta – decide se


vai ou não roubar.

PREPARAÇÃO OU ATOS PREPARATÓRIOS: é a busca dos elementos para a prática


do crime- o agente procura criar condições para a realização da conduta delituosa
idealizada.

 Adotam-se providências externas para que a conduta possa se realizar, como


no caso dos agentes que adquirem um automóvel para viabilizar a fuga e o
transporte do produto do roubo.

Os atos preparatórios, em regra, são impuníveis – Excepcionalmente (exceção),


todavia, merecem punição, configurando delito autônomo. Ou seja,
excepcionalmente, em determinados casos, a fase da preparação será punível

 Exemplo: o crime de associação criminosa (art. 288 do CP) aquele que se reúne
com três ou mais pessoas para planejar a prática de crimes está em plena fase
de preparação (dos crimes futuros), mas já está executando a formação de um
grupo criminoso.

EXECUÇÃO OU ATOS EXECUTÓRIOS: é a conduta, a prática de um comportamento


– os atos executórios dizem respeito à maneira pela qual o agente atua exteriormente
para realizar o crime idealizado. Em regra, a conduta humana só será punível quando
iniciada esta fase.

 O ato executório deve ser idôneo (apto): ou seja, a, concretamente capaz de


conduzir o agente ao alcance do resultado almejado.
 Além disso, o ato executório deve ser inequívoco (evidente): evidentemente
direcionado ao cometimento do delito.

Nessa fase deve-se atentar ao VERBO NÚCLEO DO TIPO: subtrair, matar, etc.

EX. Crime de furto – “Art. 155 - Subtrair, para si ou para outrem, coisa alheia móvel:” –
Ter-se-á, no crime de furto, a execução quando o agente subtrair coisa alheia móvel.

Pedro buscando furtar um televisor no interior da residência de Carlos posiciona-se


na esquina aguardando o morador sair do imóvel para o trabalho, deixando a
propriedade desvigiada. Carlos, como de costume, sai de casa às 8h para o trabalho.
Pedro então pula o muro, entra na casa e subtrai o televisor.

Em que momento se iniciou a execução do crime de furto praticado por Pedro?

Foi no momento em que ficou na esquina esperando a vítima sair do imóvel? No


momento em que começou a escalar o muro da casa? Ou foi no instante em que
iniciou a subtração, verbo núcleo do tipo?

 TEORIA ADOTADA PELA DOUTRINA MODERNA E RECONHECIDA PELO STJ:


TEORIA OBJETIVO FORMAL - Defendida por Frederico Marques, entende como
ato executório aquele que inicia a realização do verbo núcleo do tipo. No
nosso caso, apenas no momento em que Pedro começa a subtrair o televisor é
que a punição mostra-se legítima.

E SE, Pedro, após ter pulado o muro, decidir que não quer mais subtrair o televisor de Carlos? Embora o ingresso no
domicílio de Carlos tivesse por intenção o furto, o verbo núcleo do tipo penal (subtrair) ainda não havia sido
praticado.

Restando aqui a possibilidade de punir Pedro somente pelo crime de invasão de domicílio - art. 1 50, CP.

CONSUMAÇÃO: (RESULTADO) Art. 14, I - quando se reúnem todos os elementos do


tipo penal. Ex. no crime de homicídio: Matar + alguém.
A consumação diz respeito ao instante da composição plena do fato criminoso,
encerrando o iter criminis, última etapa deste percurso (não necessariamente
composto de todas as quatro fases).

TENTATIVA: (RESULTADO) Art. 14, II – não se consumou por circunstâncias alheias à


vontade do agente.

 O crime é considerado tentado quando, iniciada a execução, não se consuma


por circunstâncias alheias à vontade do agente.

Elementos da tentativa: o início da execução; a não consumação do crime por


circunstâncias alheias à vontade do agente; dolo de consumação e o resultado
possível.

PUNIÇÃO DO CRIME TENTADO: Pár.úni. do art. 14: Salvo disposição em


contrário, pune-se a tentativa com a pena correspondente ao crime
consumado, diminuída de um a dois terços.

Teoria objetiva ou realística: A punição da tentativa deve observar o aspecto objetivo


REGRA

do delito. A tentativa é objetivamente (no plano físico) inacabada, autorizando


punição menos rigorosa quando o crime for tentado.

Embora a regra do Pár. Úni. Do art. 14 do CP seja a adoção da teoria objetiva, há


situações em que, excepcionalmente, o legislador pune com a mesma pena a forma
consumada e a tentada, adotando, portanto, a teoria subjetiva.

Teoria subjetiva ou voluntarística: A punição da tentativa deve observar seu aspecto


EXECEÇÃO

subjetivo do delito, da perspectiva do dolo do agente- ou seja, por mais que não fora
consumado, o agente tinha a intenção (dolo) de consumar. Não pode haver, para esta
teoria, distinção entre as penas nas duas modalidades. A tentativa merece a mesma
pena do crime consumado.

EXAURIMENTO: quando houver a consumação, não ocorre no crime tentado – é


tudo aquilo que ocorre após a consumação.

 Diz-se crime exaurido o acontecimento posterior ao término do iter criminis,


ou seja, após a consumação do crime.

O exaurimento compreende os efeitos ulteriores (posterior) da conduta criminosa.

Ex. dado em sala: vantagem indevida, art. 316 e art. 317.

Art. 316: Exigir, para si ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda que fora da
função, ou antes, de assumi-la, mas em razão dela, vantagem indevida.
CRIME CONSUMADO, E ESPÉCIES DE TENTATIVA:

 CRIME CONSUMADO - Art. 14, I - Diz-se o crime: I - consumado, quando nele


se reúnem todos os elementos de sua definição legal.

O momento consumativo varia conforme a natureza do crime:

Crime material ou de resultado - nestes, o tipo penal descreve a conduta e o


resultado (naturalístico), exigindo, para a consumação, a efetiva modificação do
mundo exterior (exs: homicídio, art. 121 , CP e furto, art. 155 , CP) .

Crime formal ou de consumação antecipada - aqui a norma penal também descreve


um comportamento seguido de um resultado naturalístico, mas dispensa a
modificação no mundo exterior, contentando-se, para a consumação, com a prática
da conduta típica. O crime, portanto, se consuma no momento da ação, sendo o
resultado mero exaurimento (ex: extorsão, art. 1 5 8, CP e extorsão mediante
sequestro, art. 159 , CP).

Crime de mera conduta (ou simples atividade) - tratando-se de delito sem resultado
naturalístico, a lei descreve apenas uma conduta, consumando-se o crime no
momento em que esta é praticada (ex: violação de domicílio, art. 1 50 , CP) .

Crime permanente - nos crimes permanentes, a consumação se protrai (estende) no


tempo, prolongando-se até que o agente cesse (pare) a conduta delituosa (ex:
sequestro e cárcere privado, art. 1 48, CP).

Crime habitual - para a consumação exige-se a reiteração (repetição) da conduta


típica (ex: curandeirismo, art. 284, CP).

Crime qualificado pelo resultado - nesta espécie, a consumação se dá com a


produção do resultado que agrava especialmente a pena (ex: lesão corporal seguida
demorte, art. 1 29 , §3°, CP) .

Crime omissivo próprio - consuma-se no momento em que o agente se abstém de


realizar a conduta devida, imposta pelo tipo mandamental (omissão de socorro, art. 1
35, CP).

Crime omissivo impróprio - também denominado crime comissivo por omissão, têm
sua consumação reconhecida com a produção do resultado naturalístico ("crime do
garantidor”, art. 1 3, §2°, CP).

 ESPÉCIES DE TENTATIVA: inter criminis percorrido, resultado produzido


na vítima, e possibilidade de alcançar o resultado.
Quanto ao inter criminis percorrido:

Tentativa imperfeita (ou inacabada) – o agente é impedido de prosseguir com sua


intenção, deixando de praticar todos os atos executórios à sua disposição, a
execução é interrompida antes de ser esgotada.

Ex.: Pedro, munindo com seis projéteis da arma escolhida para matar Carlos, é
impedido, por populares, de efetuar o segundo disparo, evitando a morte da vítima.

Tentativa perfeita (ou acabada) - o agente, apesar de praticar todos os atos


executórios à sua disposição, não consegue consumar o crime por circunstâncias
alheias à sua vontade.

Ex.: Pedro dispara os seis tiros que tinha à disposição para matar Carlos, porém, ainda
assim, não consegue alcançar o seu objetivo, sendo a vítima socorrida eficazmente.

Quanto ao resultado produzido na vítima:

Tentativa branca ou incruenta: o golpe desferido não atinge o corpo da vítima, não
gerando lesão efetiva, palpável à integridade corporal do ofendido.

Tentativa vermelha ou cruenta: a vítima é efetivamente atingida.

Quanto à possibilidade de alcançar o resultado:

Tentativa idônea: o resultado, apesar de possível de ser alcançado, só não ocorre por
circunstâncias alheias à vontade do agente.

Tentativa inidônea: aqui, o crime mostra-se impossível na sua consumação (art. 17 do


CP) por absoluta ineficácia do meio empregado ou por absoluta impropriedade do
objeto material.

2. DESSISTÊNCIA VOLUNTÁRIA, ARREPENDIMENTO EFICAZ E


ARREPENDIMENTO POSTERIOR.
DESISTÊNCIA VOLUNTÁRIA: Art. 15, primeira parte – ocorre somente na fase da
execução, quando o agente voluntariamente desiste de prosseguir na execução,
respondendo somente pelos atos já praticados.

 Na desistência voluntária, o agente, por manifestação exclusiva do seu querer,


desiste de prosseguir na execução da conduta criminosa. Trata-se da situação
em que os atos executórios ainda não se esgotaram, entretanto, o agente,
voluntariamente, abandona o seu dolo inicial.

Elementos da desistência voluntária: o início da execução e não consumação por


desistência voluntária do agente - Presentes os requisitos, a consequência é a punição
do agente pelos atos já praticados.
ARREPENDIMENTO EFICAZ: art. 15, segunda parte – ocorre somente quando
estiver finalizada a execução, antes da consumação, é capaz de impedir o resultado.

 Ocorre quando os atos executórios já foram todos praticados, porém, o


agente, decidindo recuar na atividade delituosa corrida, desenvolve nova
conduta com o objetivo de impedir a produção do resultado (consumação).

Conclui-se: a) pressupõe o esgotamento dos atos executórios

b) só tem cabimento nos crimes materiais, nos quais o tipo penal exige a ocorrência
do resultado naturalístico para a sua consumação.

Voluntariedade
Da mesma forma que a desistência voluntária, para o reconhecimento do
arrependimento eficaz basta a voluntariedade.

Deve, ainda, ser eficaz, isto é, que a atuação do agente seja capaz de evitar a
produção do resultado. Eficácia

 A consequência é a mesma da desistência voluntária: a responsabilização do


agente pelos atos já praticados.

Desistência voluntária
Art. 15 - O agente que, voluntariamente, desiste de prosseguir na execução ou
impede que o resultado se produza, só responde pelos atos já praticados.
Arrependimento eficaz

ARREPENDIMENTO POSTERIOR: Art. 16 do CP – ocorre somente após a


consumação, em tais casos exige-se que o crime seja sem violência ou grave ameaça,
que haja o reparo no dano ou a restituição da coisa, até o recebimento da denúncia.

 O agente, depois de ter consumado o crime, por ato voluntário, repara o dano
ou restitui a coisa com o fim de restaurar a ordem perturbada. Nesses casos, a
lei recompensa o criminoso arrependido com a diminuição da sua pena.

Para seu reconhecimento, o artigo 16 do CP impõe os seguintes requisitos: Crime


cometido sem violência ou grave ameaça à pessoa; reparação do dano ou restituição
da coisa; até o recebimento da denúncia ou queixa - O recebimento da inicial
acusatória (denúncia) é o termo final para o arrependimento posterior. E ato
voluntário do agente.

A recusa da vítima, não aceitando o valor de reparação ofertado pelo autor, impede o arrependimento posterior?

O artigo 1 6 do Código Penal não elencou como requisito para o reconhecimento do arrependimento posterior a
aceitação da vítima. Entende-se que se houver voluntariedade na reparação, deverá ser reconhecido o benefício.
Neste caso, o autor deverá restituir o bem à autoridade policial ou, em último caso, depositá-lo em juízo.
3. CONCURSO DE PESSOAS: OCORRE QUANDO A INFRAÇÃO
PENAL É PERPETRADA POR DUAS OU MAIS PESSOAS. ART. 29 CP

Pluralidade de pessoas (sujeitos ativos): envolve a prática de um crime – tem-se


concurso de pessoas quando duas ou mais pessoas concorrem para a prática de uma
mesma infração penal.

 Tal colaboração recíproca pode ocorrer tanto nos casos em que são vários os
autores quanto naqueles em que há autores e partícipes.

Requisitos para a caracterização do concurso de pessoas:

Pluralidade de agentes: requisito indispensável, necessidade da existência de, no


mínimo, duas pessoas que almejam praticar determinada infração penal.

Relevância casual das condutas: as condutas praticadas pelos agentes têm de serem
relevantes para o cometimento da infração penal. Com a ausência de relevância da
conduta não haverá concurso de pessoas.

Liame subjetivo entre os agentes: os agentes devem atuar com consciência de que
estão reunidos para a prática da mesma infração penal. Trata-se doo vínculo
psicológico que une os agentes para a prática da mesma infração penal.

 Se não for possível vislumbrar o liame subjetivo entre os agentes, cada qual
responderá, isoladamente, por sua conduta.

Identidade de infração penal: os agentes, unidos pelo liame subjetivo, devem querer
praticar a mesma infração penal - todos os autores devem contribuir para o mesmo
evento.

Classificação dos crimes:

Crime monossubjetivo: são aqueles que podem ser praticados por uma pessoa. Ex.
Homicídio, art. 121 CP.

 Concurso eventual: porque eventualmente (por acaso) fora praticado por duas
ou mais pessoas.
 Em regra, os delitos tipificados no nosso ordenamento penal são de concurso
eventual (monossubjetivo ou unissubjetivos), podendo ser executados por
uma ou várias pessoas.

Crime plurissubjetivo: são aqueles que só podem (devem) ser praticados por duas ou
mais pessoas, exige-se uma pluralidade de pessoas. Ex. Associação criminosa, art. 137
CP.

 Concurso necessário: é necessário que haja no mínimo duas ou mais pessoas.


 Têm-se, excepcionalmente, delitos de concurso necessário (plurissubj etivos),
figurando como elementar do tipo a pluralidade de agentes.

FORMAS DE PRATICAR O CRIME QUANTO AO SUJEITO:

1. AUTORIA: autor é aquele que pratica a conduta prevista no tipo penal, ou


seja, aquele que realiza o verbo núcleo do tipo. Ex. Crime de estupro, art. 213
CP.

Autoria imediata (direta): diretamente pratica o crime, autor é aquele que pratica o
crime de própria mão.

Autoria mediata (indireta): faz-se uso de uma terceira pessoa para a execução do
crime, como um instrumento (meio) para a prática de um crime.

 O conceito de autor mediato se aproxima do conceito de partícipe, mas com


ele não se confunde, a conduta do autor mediato não é acessória, mas
principal.

Embora o Código Penal não contenha previsão expressa a respeito do conceito de


autoria mediata, traz cinco hipóteses em que o instituto é aplicável:

 Dá-se por meio de: inimputabilidade penal (art. 62, inc. III) ; coação moral
irresistível (art. 22) ; obediência hierárquica (art. 22) ; erro de tipo escusável
provocado por terceiro (art. 20, § 2°) ; erro de proibição escusável provocado
por terceiro (art. 2 1 , caput) .

É possível autoria mediata nos crimes culposos? A autoria mediata não se compatibiliza com os
crimes culposos, pois o resultado, nestes, é involuntário.

Autoria colateral: ocorre quando duas ou mais pessoas querem praticar um crime e
agem sem que uma pessoa tenha ciência da intenção da outra.

Verifica-se a autoria colateral quando dois ou mais agentes, um ignorando a


contribuição do outro, concentram suas condutas para o cometimento da mesma
infração penal.

 Nota-se, no caso, a ausência de vínculo subjetivo entre os agentes.

Autoria incerta: ocorre quando, na autoria colateral, não é possível identificar qual
dos agentes provocou o resultado naturalístico.

2. COAUTORIA: ocorre quando duas ou mais pessoas, juntas, praticam a


conduta prevista no tipo penal – autoria simultânea.
Verifica-se a coautoria nas hipóteses em que dois ou mais indivíduos, ligados
subjetivamente, praticam a conduta (comissiva ou omissiva) que caracteriza o delito.

 É imprescindível que a atuação de cada indivíduo se dê com a consciência de


que contribui para a mesma infração penal, em conjunto com os demais, ainda
que não haja acordo prévio.

Existe liame subjetivo: combinação entre os sujeitos ativos.

 Existem crimes que prescrevem mais de uma conduta, sendo possível uma
divisão de tarefas. Ex. roubo, art. 157 CP.

3. PARTICIPAÇÃO: o agente (pessoa) não pratica nenhum dos comportamentos


(condutas) estabelecidos no tipo penal, todavia, concorre para o crime de
alguma maneira.

Participação moral: quando há induzimento ou instigação.

Participação material: quando há disponibilização dos instrumentos (meios) para a


prática do crime.

 Participação impunível – não são puníveis quando os atos executórios não


forem praticados.
 De acordo com o disposto no art. 3 1 do Código Penal, não se pune, salvo
disposição em contrário, o ajuste (acordo promovido entre suas ou mais
pessoas), a determinação (ordem emanada de pessoa determinada), a
instigação (reforço da ideia já existente na mente do autor) e o auxílio
(assistência material), se o crime não chega, pelo menos, a ser tentado.

A conduta do partícipe, ademais, é acessória, dependente da ação do autor para que


adquira a relevância necessária.

TEORIA UNITÁRIA OU MONISTA (ART. 29 CP – TEORIA ADOTADA PELO


CÓDIGO)

Tal artigo é uma norma de extensão, tendo em vista que por meio dela é possível
punir o partícipe – não serve apenas para tratar da figura do autor, serve também para
tratar da figura do partícipe.

 Autor (coautor) – adequação imediata e direta – perfeita subsunção da norma


em abstrato com o fato concreto.
 Partícipe – adequação mediata (sempre).

Cooperação dolosamente distinta (vide art. 29, §2° CP) – responde-se na condição de
autor de crimes distintos.
Na cooperação dolosamente distinta percebe-se o desvio subjetivo de condutas entre
os agentes, em que um dos concorrentes do crime pretendia integrar ação criminosa
menos grave do que aquela efetivamente praticada.

 Neste caso, ser-lhe-á aplicada a pena do crime que pretendia cometer,


aumentada até metade na hipótese de ter sido previsível o resultado mais
grave (art. 29, §2°).

Participação de menor importância (vide art. 29, §1° CP) - pena diminuída de um
sexto a um terço em casos de participação de menor importância.

 Trata-se de conduta que contribui para a produção do resultado, mas de


forma menos enfática, razão pela qual deve ser encarada com menor rigor.

Note-se que a participação de menor importância se aplica exclusivamente ao titular


da conduta acessória, jamais ao autor ou coautores.

4. CONCURSO DE CRIMES:
Pluralidade de crimes – a prática de mais de um crime, de mais de uma conduta.

Concurso material (art. 69 CP): também chamado de concurso real, o indivíduo por
meio da prática de duas ou mais condutas que geram uma pluralidade de crimes.

São requisitos do concurso material: (A) a pluralidade de condutas; (B) a pluralidade


de crimes.

 Homogêneo: com a prática de duas ou mais condutas o indivíduo acaba


gerando dois ou mais crimes da mesma espécie. Ex: roubo e roubo.
 Heterogêneo: com a prática de duas ou mais conduta o indivíduo acaba
gerando dois ou mais crimes de espécies distintas. Ex: roubo e estupro.
 Em tais casos (concurso material de crimes) somam-se a penas (cumulação
das penas).

Concurso formal (vide art. 70 do CP): também chamado de concurso ideal, não há
uma pluralidade de condutas, ou seja, com uma só conduta o indivíduo pratica dois
ou mais crimes.

São requisitos do concurso formal de delitos: (A) a unicidade da conduta e (B) a


pluralidade de crimes.

 Homogêneo: com a prática de apenas uma conduta o indivíduo acaba gerando


dois ou mais crimes idênticos, da mesma espécie. Ex: homicídio culposo
(atropela duas pessoas).
Como os crimes são idênticos, as penas também são idênticas, se pega uma das penas
e aplica o aumento de 1/6 a 1/2 .

 Heterogêneo: com a prática de apenas uma conduta o indivíduo acaba gerando


dois ou mais crimes não idênticos, de espécies distintas. Ex: calúnia e injúria.

Como os crimes não são idênticos, as penas também não serão, aplicar-se-á a pena
mais grave juntamente com o aumento de 1/6 a 1/2 - Há no concurso formal a
exasperação das penas.

Não há a cumulação de pena – haverá um aumento de pena que varia de 1/6 a


1/2.

SISTEMAS DE APLICAÇÃO DA PENA PA RA O CONCURSO DE CRIMES:

Sistema do cúmulo material: Por intermédio deste sistema, o juiz primeiro


individualiza a pena de cada um dos crimes praticados pelo agente, somando todas ao
final.

 Adotamos o cúmulo material no concurso material (art. 69, CP) , no concurso


formal impróprio (art. 70, caput, 2a parte, CP) e no concurso das penas de
multa (art. 72, CP) .

Sistema da exasperação: Neste, o juiz aplica a pena mais grave dentre as cominadas
para os vários crimes praticados pelo agente. Em seguida, majora (aumenta) essa pena
de um quantum anunciado em lei.

 Adotamos o sistema da exasperação no concurso formal próprio (art. 70,


caput, Ia parte, do CP) e continuidade delitiva (art. 71, CP).

Concurso material benéfico – a pena resultante da aplicação do concurso formal, não


pode ser superior a pena cabível no caso de soma das penas, do concurso material,
pois a regra do concurso formal foi criada para beneficiar o agente (vide art. 70 Pár.
Úni.). – Em tais casos, aplicar-se-á a cumulação das penas utilizada no concurso
material.

 Crime continuado (vide art. 71 do CP): existe uma pluralidade de condutas que
gera uma pluralidade de crimes, é considerado por uma parcela da doutrina
como uma espécie de concurso material.

Estampado no art. 7 1 do CP, verifica-se a continuidade delitiva (ou crime continuado)


quando o sujeito, mediante pluralidade de condutas, realiza uma série de crimes da
mesma espécie, guardando entre si um elo de continuidade (em especial, as mesmas
condições de tempo, lugar e maneira de execução).
Das mesmas condições de tempo: a lei não anuncia qual o hiato temporal máximo que
deve existir entre o primeiro e o último delito da cadeia, alertando a jurisprudência
que não pode ultrapassar 30 (trinta) dias.

Das mesmas condições de lugar: para a jurisprudência, haverá as mesmas condições


de lugar quando os crimes são praticados na mesma comarca (ou em comarcas
vizinhas).

Da mesma maneira de execução (modus operandt): a lei exige semelhança e não


identidade. A semelhança na maneira de execução se traduz no modus operandi de
realizar a conduta delitiva maneira de execução é o modo, a forma, o estilo de
praticar o crime, que, na verdade, é apenas mais um dos requisitos objetivos da
continuação criminosa.

 A pena será aumentada de 1/6 a 2/3 – aplica-se apenas uma pena com o
aumento.

Pluralidade de condutas gera uma pluralidade de crimes – aplica-se uma só das penas
aumentada de um sexto a dois terços.

PENAS IGUAIS (IDÊNTICAS): utiliza-se apenas uma só das penas aumentada


de um sexto a dois terços.
PENAS DIFERENTES: aplica-se a pena mais grave com o aumento de um
sexto a dois terços.

A) Quando tais crimes são da mesma espécie (o mesmo tipo penal) – Ex. furto
simples e furto qualificado.
B) Crimes por meio do mesmo modo de execução - Ex. Roubos cometidos
mediante violência.
C) Crimes cometidos sobre as mesmas condições de tempo – Ex. crimes
cometidos em um determinado intervalo de tempo: o entendimento da
jurisprudência – até 30 dias de intervalo entre os crimes.
D) Crimes praticados no mesmo local – na mesma localidade: entendimentos
diversos.

PENA: é espécie sanção penal, isto é, resposta estatal ao infrator da norma


incriminadora (crime ou contravenção), consistente na privação ou restrição de
determinados bens jurídicos do agente.

Princípios constitucionais penais:

PRINCÍPIO DA LEGALIDADE – VIDE ART. 5, XXXIX CF: não há crime, nem pena sem
lei prévia, ou seja, sem lei anterior ao fato.
 O princípio da legalidade constitui uma real limitação ao poder estatal de
interferir na esfera de liberdades individuais (garantia do indivíduo contra o
Estado, jamais pode ser usado pelo Estado contra o indivíduo).

PRINCÍPIO DA INTROCEDÊNCIA DA PENA – VIDE ART. 5, XLV E XLVI CF: princípio


da pessoalidade ou individualização da pena.

O princípio constitucional da individualização da pena, previsto no art. 5º, inciso XLVI,


da Constituição da República Federativa do Brasil, garante aos indivíduos no
momento de uma condenação em um processo penal que a sua pena seja
individualizada, isto é, levando em conta as peculiaridades aplicadas para cada caso
em concreto.

A aplicação do princípio da individualização da pena pode ser dividida em três etapas


diferentes:

 O primeiro momento é uma etapa que se chama de fase in abstrato. O


legislador faz a aplicação deste princípio para elaboração do tipo penal
incriminador, com a determinação das penas em abstrato estabelecendo os
patamares mínimo e máximo de pena que poderá ser aplicado pelo juiz a cada
caso concreto.
 A segunda fase, a individualização judiciária, é o momento em que o juiz faz a
aplicação do tipo penal ao ato que o acusado cometeu, verificando qual será a
pena mais adequada, levando em conta as características pessoais de cada réu.

 E a última fase, quanto à aplicação da sanção, é aquela em que o magistrado


responsável pela execução da pena do apenado vai determinar o
cumprimento individualizado da sanção aplicada.

PRINCÍPIO DA HUMANIZAÇÃO DA PENA – VIDE ART.5, XLVII CF: A dignidade da


pessoa humana é um fundamento da nação (CF, art. 1º., III). Em decorrência disso, o
poder punitivo estatal não pode aplicar sanções que atinjam a dignidade da pessoa
humana ou que lesionem a constituição físico-psíquica dos condenados.

PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE – VIDE ART. ART. 5 XLVI E XLVII CF: Este


princípio tem como principal escopo dar uma pena justa ao infrator mediante a ofensa
causada por ele à sociedade e/ou ao ofendido em particular, dando-lhe a pena cabível
proporcional/razoável.

FINS DA PENA:

A) Punição (retribuição): a retribuição do Estado.


B) Ressocialização: reeducar o agente – reinserir o indivíduo na sociedade.
C) Prevenção: prevenir para que tais comportamentos não sejam praticados por
outras pessoas.
 Prevenção geral – campo abstração.

Quando o legislador cria o crime, cominando-lhe a sanção penal (pena em abstrato} ,


revela-se o seu caráter preventivo geral.

Positiva: visa garantir a validade da norma (a não violação da norma), desafiada pela
prática do comportamento criminoso.

 Ex. Pensar no porque da existência do art. 121, porque tal artigo veda
determinado comportamento (homicídio).

Negativa: busca inibir todo e qualquer cidadão de praticar crimes (inibir a prática do
comportamento) – exige um não comportamento, abstenção.

Praticado o crime, no momento da sentença (aplicação da pena), o Magistrado deve


observar outras duas finalidades: a retributiva e a preventiva especial.

 Prevenção Especial - campo concretude (há aqui a prática do


comportamento – o agente praticou o comportamento, violou a norma).

Positiva (ressocialização – condições para o agente se reinserir na sociedade):

Negativa (retribuição – atribuição de sanção):

 PENA EM ABSTRATO: pena cominada – prevenção geral: Visa a


sociedade e atua antes da prática do delito.
 PENA EM CONCRETO: pena aplicada – prevenção especial negativa: Visa
o delinquente, buscando evitar a reincidência.
Retribuição: visa retribuir com o mal o mal causado.
 PENA NA EXECUÇÃO: pena executada – prevenção especial positiva
(efetivar as disposições da sentença): visa o delinquente, objetivando
ressocializá-lo.

ESPÉCIES DE PENA PROIBIDAS NO BRASIL: A Constituição Federal, em seu art. 5° ,


XLVII , anuncia as penas proibidas no Brasil: "não haverá penas: a) de morte, salvo em
caso de guerra declarada, nos termos do art. 84, XIX b) de caráter perpétuo; c) de
trabalhos forçados; d) de banimento; e) cruéis ".

ESPÉCIES DE PENA PREVISTAS NO CÓDIGO PENAL: VIDE ART. 32 DO CP.

A) PPL – PENAS PRIVATIVAS DE LIBERDADE: vide art. 33 CP – pode ser de


reclusão (regime inicial fechado – em regra) ou de detenção (regime inicial
semi aberto - em regra) – a diferença entre ambos é o regime inicial.
RECLUSÃO: Reservada para os crimes mais graves - Pode ser fechado (art . 34 do CP)
, semiaberto (art. 3 5 do CP ) ou aberto (art . 36 d o C P } .

DETENÇÃO: Reservada para os crimes menos graves – Só pode ser semiaberto ou


aberto – não cabe regime inicial fechado.

PRISÃO SIMPLES: reservada para as contravenções penais – semiaberto ou aberto.

RECLUSÃO OU DETENÇÃO: Existe a possibilidade de progressão dos regimes – do


regime mais severo para o regime mais brando – trata-se de um direito subjetivo do
apenado.

 Só pode haver a progressão do regime quando o indivíduo cumprir um sexto


da pena (1/6).

B) PRD- PENA RESTRITIVA DE DIREITOS: vide art. 43 CP - Previstas nos artigos 43 a


48 , do Código Penal, as penas restritivas de direito podem ser: prestação de
serviços à comunidade, limitação de fins de semana, interdição temporária de
direitos, prestação pecuniária, perda de bens e valores.
C) PENA DE MULTA: vide art. 49 ss CP - Também estabelecida no artigo 32 do
Código Penal, a pena de multa tem seu regramento no artigo 49 e seguintes do
Código Penal. Advertimos, desde já, que a pena de prestação pecuniária não se
confunde com a pena de multa, como explicaremos em tópico próprio.

PENAS PROVENIENTES DE UMA SENTENÇA PENAL CONDENATÓRIA (No âmbito do


Direito Penal).

ESPÉCIES DE REGIME: VIDE ART. 33 §1 e o §2: (REGRA)

A) REGIME FECHADO: pena superior a 8 anos.

Nesse regime (mais rigoroso), o condenado será submetido, no início do cumprimento


da pena, a exame criminológico de classificação para a individualização da execução
(art. 34, caput, CP) .

B) REGIME SEMI ABERTO: superior a 4 e igual ou inferior a 8 anos.

O regime semiaberto (intermediário) será cumprido em colônia agrícola, industrial ou


similar, podendo o apenado ser alojado em compartimento coletivo, desde que
atendidas às condições adequadas à existência humana previstas para as celas
individuais próprias do regime fechado.

C) REGIME ABERTO: igual ou inferior a 4 anos.

O regime aberto (menos rigoroso) se baseia na autodisciplina e senso de


responsabilidade do condenado (art. 36 do CP).