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Cultura Corpo e Subjetividades – Segunda Avaliação

Discente: Caroline Atencio Medeiros Nunes

Antropologia do Corpo e Modernidade – David Le Breton

No presente resumo nos preocupamos em discutir o capítulo 6, intitulado


“Apagamento Ritualizado ou Integração do corpo” da obra Antropologia do Corpo e
Modernidade, publicada originalmente em 1990 por David Le Breton, Antropólogo da
Universidade de Estrasburgo e pesquisador de renome nos assuntos que cercam a
antropologia do corpo. Também buscaremos relacionar, sempre que possível, passagens do
capítulo 6 com leituras realizadas ao longo da disciplina Cultura Corpo e Subjetividades.

Os corpos são constantemente submetidos a expectativas corporais, emoções, gestos


mímicas, figuras de linguagem partilhadas pelos corpos. A partilha comum destes ritos que
vão construir a sociabilidade acaba se tornando o que possibilita a comunicação. Entretanto,
Le Breton comenta que este espelhamento de ritos corporais ao longo da vida cotidiana apaga
o corpo e suas funções, neste constante automatismo.

O corpo está ao mesmo tempo presente e ausente nas nossas vidas, sentimo-lo e ao
mesmo tempo esquecemos da sua presença. Na sociedade Ocidental este é seu ideal, o corpo
silencioso, que não se manifesta. Le Breton cita Georges Canguilhem para exemplificar o
estado de saúde como “A inconsciência na qual o sujeito faz parte de seu corpo” e René
Leriche afirma que a saúde é “A vida no silêncio dos órgãos” O autor reforça então, a
necessidade do apagamento do corpo para a vida cotidiana, pensando como se a consciência
corporal fosse o lugar da doença, e a ausência desta consciência definisse a saúde.
Colaborando para este pensamento, Ferreira desenvolve a ideia de que o corpo é um reflexo
da sociedade, e não apenas um receptáculo de processos biológicos, o corpo doente porta
significados sociais que reagem a medida das sensações apresentadas pelo corpo juntamente
com as interpretações médicas dadas a esse corpo. (FERREIRA, In. LEAL, 1995, p.93)

Desta forma, passamos despercebidos pelo fato de que o corpo é o suporte operador de
tudo, em comparação a outras sociedades podemos dizer que a relação ocidental com o corpo,
submete o mesmo a um apagamento, caracterizando-se pelo distanciamento, ritos de
evitamento, como o fato de evitar tocar o outro salvo em raras exceções, evitar mostrar o
corpo nu, a regulação do contato físico, aperto de mãos distancia entre os rostos durante uma
conversa. Independente da sociedade, o corpo é constantemente presente nas relações
humanas, apesar das escolhas das sociedades em oculta-lo ou evidencias as relações
corporais. As sociedades ocidentais escolheram a distância, esta atitude sempre foi perceptível
ao longo da história Ocidental.

Le Breton cita Norbert Elias e M. Bakhtin para analisar como ao longo da história as
sociedade ocidental modificou sua relação com o corpo, trazendo questões que evidenciam
que as camadas sociais que compõe as sociedades medievais e renascentista são hospitaleiras
as manifestações do corpo. Assim, o autor reflete que o homem ocidental ao longo de seu
cotidiano manifesta de maneira implícita sua vontade de não sentir o corpo e esquecer sua
presença sempre que possível. Este pensamento segue o pensado por Viveiros de Castro, em
seu artigo “A fabricação do corpo na sociedade Xinguana”, onde conclui que “a natureza
humana é literalmente fabricada, modelada pela cultura, o corpo então é imaginado em vários
sentidos pela sociedade.”(VIVEIROS DE CASTRO, 1979, p.41) Este processo de
esquecimento, está constantemente relacionado com a fabricação ocidental do corpo, a
vontade de não senti-lo, seu evitamento representa a construção social ocidental do ideal para
o “sentir” o corpo.

Entretanto, a ostentação do corpo é admissível em certos lugares e situações, como no


caso da publicidade, apesar de que a vida cotidiana não é totalmente afetada em rituais e
valores por essa ostentação. O corpo não transparece a consciência do corpo ocidental, exceto
nos momentos de crise, excesso, impossibilidade física, ternura, sexualidade, prazer. O corpo
se torna então presente/ausente, pivô da inserção do homem no mundo, e suporte de todas
praticas sociais. O corpo não existe na consciência do sujeito até não cumprir corretamente
todas suas funções.

Podemos citar também os diversos rituais de apagamento encontrados pelo corpo,


como no caso da discrição que temos ao entrar em um elevador ou ao frequentar o transporte
público, onde nos esforçamos para não sermos percebidos e não perceber o outro, também no
caso de tocar ou ser tocado por um desconhecido, ato que gera enorme constrangimento,
seguido por pedidos de desculpas. Ou então quando os corpos são surpreendidos por atitudes
incongruentes quando se escapa uma manifestação corporal apagada como flatulência, arroto,
ronco de estomago. Nestas condições, o corpo se faz pesado, e incômodo, um mal estar
inoportunamente põe o corpo em evidência. As atividades corporais Ocidentais apesar de
possuírem um discurso que aparentemente é mais liberado, podem ser consideradas um tabu.
Em contraponto, a publicidade e a mídia abordam temas corporais de uma maneira
mais “bacana” e “moderna” questões que seriam na vida privada associados a vergonha, como
no caso de preservativos, protetores de calcinha, papel higiênico. O uso do humor na
propaganda neutraliza o incômodo, o humor é então a maneira cultural de desarmar e abordar
questões proibidas e delicadas, assim nenhuma sensibilidade é escandalizada. O humor torna
tanto na propaganda quanto na vida, situações mais aceitáveis. Entretanto a publicidade apaga
toda “animalidade” do homem, seus odores, secreções fadiga, o corpo da publicidade impõe
um modelo de juventude, e de saúde, ele é limpo sadio, esportivo, diferente do corpo da vida
cotidiana.
A modernidade faz passar por libertador um padrão corporal distante do habitual,
jovem, sadio, esbelto, higiênico, fortalecendo os tabus com seus corpos. Esta questão fortalece
a busca por um corpo ideal, que conforme Iriat, et al. , em seu artigo “Culto ao corpo e uso de
anabolizantes entre praticantes de musculação”, é marcada por valores como consumismo e
busca por bens materiais, o corpo tornou-se objeto de consumo. “A enorme valorização da
aparência corporal inscreve-se num processo em que o corpo físico assume papel fundamental
na exteriorização da subjetividade e na construção das identidades”. Este processo é atribuído
a mídia e ao grande papel influenciador que ela desempenha na disseminação de valores e
padrões de estética. (IRIAT et al. 2009 p.775)
O corpo deve também passar despercebido durante as relações sociais, isso explica o
status depreciado das pessoas idosas, doentes, deficientes físicos e até mesmo os “loucos”. A
presença destes provoca um estranhamento profundo e a impossibilidade do corpo “saudável”
se identificar com ele está na fonte de todos os preconceitos que essa pessoa pode sofrer.
Apesar quase ninguém ser claramente hostil com deficientes ou “loucos”, a hostilidade é
raramente manifesta mas os olhares não cessam de analisar e comentar, criando uma violência
silenciosa sempre presente. A diferença transforma-se em estigma, que segundo Goffman é
uma identidade deteriorada, que deve ser combatida. Goffman também apresenta que o
individuo estigmatizado possui as mesmas ideias que nós sobre a identidade, certamente seu
maior desejo é de experimentar ser uma pessoa “normal”, um homem semelhante a todos
(GOFFMAN, 1975)
O homem nesta situação é reduzido ao mero estado de seu corpo, ele é analisado e
julgado pela forma de como seu corpo e apresentado socialmente, ajudando a lembrar
constantemente da fragilidade da condição humana. Quanto ao louco, é designado ao papel de
perturbação, ele incomoda as interações, ele fala alto coisas intimas, ele pode masturbar-se de
maneira ostentatória, desnudar-se, gritar, agredir. A ausência de previsibilidade a dificuldade
de harmoniza-lo com expectativa de interação é seu ponto culminante, a violência psiquiátrica
enfrentada pelo “louco”, mostram bem os limites morais de suas atitudes para a ordem moral
da sociedade. Rabelo, ao pensar nos signos e significados relativos a doença mental no caso
do nordeste, apresenta o sujeito “louco” enquanto deslocado socialmente, e as diversas
tentativas na busca da cura deste estado, buscando ajuda religiosa, psiquiátrica e ate mesmo
apoio familiar, o suporte e a rejeição definem as relações dos doentes mentais com os outros.
A autora traz o discurso popular sobre a doença mental, atribuindo o termo doença da cabeça
como forma de materializar o transtorno, mostrando que se o problema pode ser tratado com
remédios, é físico e logo ele é afastado do estigma da loucura. (RABELO, 1993, p.316)

Não é possível haver uma liberação do corpo, mas uma liberação de si, o corpo não
está hoje “liberado” senão de maneira fragmentada, separada do cotidiano. As normas
sociais como estar magra, em forma, jovem, ajudam a manter uma baixa autoestima nos que
não podem as seguir os modelos deste corpo liberado, assim como a depreciação do corpo
envelhecido, questão que acompanha a existência do homem. Portanto, Le Breton conclui o
capítulo afirmando que a liberação do corpo não será efetiva enquanto a preocupação com o
corpo não tiver desaparecido.
Referencias Bibliográficas

GOFFMAN, E. Estigma: notas sobre a manipulação da identidade deteriorada. Rio de


Janeiro: Zahar, 1980.

IRIAT, J. A. Bernstein; CHAVES, J.C; DE ORLEANS, R. Gighnone. Culto ao corpo e uso de


anabolizantes entre praticantes de musculação. Cad Saúde pública, Rio de Janeiro, v.25 n.4,
2009

LEAL, Ondina Fachel (Org.). Corpo e significado: ensaios de antropologia social. Porto
Alegre: Editora UFRGS, 1995. 466p.

LE BRETON, David. Antropologia do Corpo e Modernidade. Petrópolis: Vozes, 2012.

RABELO, Miriam Cristina. Religião e Cura: Algumas Reflexões Sobre a Experiência


Religiosa das Classes Populares Urbanas. Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, v. 9 n.3, 1993.

VIVEIROS DE CASTRO, Eduardo B. fabricação do corpo na sociedade xinguana. Boletim


do Museu Nacional, v.32, 1979.