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DIREITO PROCESSUAL CIVIL V

Turma: 7º período

1. Considerações gerais sobre o Processo de Execução

O curso de Direito Processual Civil abordará neste semestre o PROCESSO DE EXECUÇÃO (Livro II do
NCPC – arts. 771/995), e a fase de CUMPRIMENTO DAS DECISÕES JUDICIAIS (arts. 513/538 do NCPC =
CUMPRIMENTO DA SENTENÇA), sempre sob o viés da efetividade, atributo que foi alçado a princípio
constitucional e direito individual e coletivo, a partir da Reforma do Poder Judiciário com a Emenda Constitucional
– EC 45, de 8/12/2004 que introduziu o inciso LXXVIII ao art. 5º da CF/88, já que a efetividade advém também
de um processo razoavelmente célere e que traga o resultado da tutela jurisdicional pleiteada, a fim de evitar o
“ganha mas não leva”, porque vale recordar o que disse o insigne Rui Barbosa: “Justiça tardia não é Justiça, é
injustiça manifesta”.

1.1 Processo de Conhecimento X Processo de Execução lato sensu

Se no PROCESSO DE CONHECIMENTO o juiz realiza ampla cognição, analisando todos os fatos


alegados pelas partes, aos quais deverá conhecer e ponderar para formar sua convicção e sobre eles aplicar o
direito, concluindo sempre pela procedência ou pela improcedência do pedido formulado, ou seja, o juiz faz o
“acertamento do direito”, da tutela pleiteada ao direito positivo, no PROCESSO EXECUTIVO lato sensu, porque
envolve todas as formas de execução (dar, fazer, não fazer, por quantia certa) faz-se a “realização do direito”,
concretizando o provimento do mérito proferido naquele processo de conhecimento, cumprindo
coercitivamente o comando existente na sentença, através da tutela jurisdicional EXECUTIVA, para que o autor
receba exatamente aquilo a que tem direito, e, também para, com os mesmos meios executórios, atuar
concretamente comandos existentes em documentos firmados entre as partes, aos quais a lei
confere a mesma força executiva atribuída à sentença condenatória (ou seja: os títulos executivos
extrajudiciais).

Entretanto, é certo que com o advento da Lei 11.232/2005, a dicotomia cognição-execução ficou
gravemente comprometida para dar lugar à realização de atos executivos num mesmo processo chamado
"SINCRÉTICO".

Essa lei buscou a celeridade processual e a eficácia das decisões judiciais, extinguindo
definitivamente o Processo de Execução autônomo de títulos judiciais dando lugar à fase subsequente chamada
"cumprimento de sentença".

Com muita propriedade, o Ministro Athos Gusmão Carneiro1 (STJ) assevera que:

No direito brasileiro anterior à Lei 11.232/05, portanto, o credor insatisfeito (obrigações


de pagar) era obrigado a bater duas vezes às portas da Justiça para cobrar um só e
mesmo crédito: primeiro, pelo processo de conhecimento, obtinha o acertamento de
seu crédito; depois, com base na sentença e mediante um novo processo, chegava, aos
atos executórios.

Portanto, é unânime entre os diversos operadores do Direito, doutrina e jurisprudência, que os resultados
da atividade jurisdicional devem ser efetivos, concretos, palpáveis, sensíveis no plano exterior, isso é, fora do
processo. Cuida-se da eficiência em concreto do processo e da atividade jurisdicional. A “atividade jurisdicional
executiva” viabiliza, em última análise, a materialização da “tutela jurisdicional executiva”, como verdadeira
relação de causa e efeito.

1
CARNEIRO, Athos Gusmão. Do "cumprimento da sentença", conforme a Lei n. 11.232/2005. Parcial retorno ao
medievalismo? Por que não? In: BOTTINI, Pierpaolo; RENAULT, Sergio (coord.). A nova Execução de Títulos Judiciais –
Comentários à Lei 11.232/05. São Paulo: Saraiva, 2006. p. 21
1
O professor Humberto Theodoro Júnior2 ainda explica que: “efetivo, portanto, é o processo justo,
ou seja, aquele que com a celeridade possível, mas com respeito à segurança jurídica (contraditório e ampla
defesa), proporciona às partes o resultado desejado pelo direito material.”

1.2 Mudanças implementadas pelas reformas processuais

Nas ondas de modernização do Código de Processo Civil, a partir da Reforma do Poder Judiciário
com a Emenda Constitucional – EC 45, de 8/12/2004, leis ordinárias vieram e vêm trazendo inovações nos
procedimentos e nos ritos do CPC.

A Lei 11.232, de 22 de dezembro de 2005 (DOU 23/12/2005, ret. DOU 26/6/2006), alterou o CPC,
para estabelecer a FASE DE CUMPRIMENTO DAS SENTENÇAS no processo de conhecimento e revogar dispositivos
relativos à execução fundada em título judicial (por exemplo o artigo 584, do CPC/1973) dando outras
providências.

E a Lei 11.382, de 6 de dezembro de 2006 (DOU 7/12/2006, ret. DOU 10/1/2007) alterou diversos
dispositivos do CPC, relativos ao PROCESSO DE EXECUÇÃO e a outros assuntos.

Destacamos a seguir algumas mudanças especificamente no Processo de Execução:

 Inserção de provimentos mandamentais no sistema processual brasileiro: consistentes na ordem de


cumprimento imediato da decisão judicial, com a previsão de mecanismos de coerção indireta, como a multa
diária por descumprimento (astreintes).

 Unificação das fases de conhecimento e execução, a exemplo dos Juizados Especiais Cíveis, nos casos
de sentença condenatória de obrigação de dar, fazer e não fazer (artigos 461 e 461-A, CPC/1973,
introduzidos pela Lei 11.382/2006, mantidos nos artigos 497 e 498 do NCPC): nestes casos específicos, a
execução deixou de ser um processo autônomo, passando a ser mais uma fase procedimental denominada
cumprimento de sentença. A inovação consiste no fato de que, além do requerimento do autor, a
execução também pode ser iniciada pelo próprio órgão jurisdicional ex officio, dispensando-se, em ambos
os casos, a nova citação do réu.

 Autorização de alienação do bem por iniciativa particular (introduzido pela Lei 11.382/2006, artigos 647
e 685-C/CPC-1973, mantida nos artigos 825 e 879/880 do NCPC).

 Inversão da seqüência dos atos expropriatórios (introduzido pela Lei 11.382/2006, artigo 647 CPC/1973 e
artigo 825 do NCPC): no arranjo anterior, o leilão ou praça eram a primeira opção do exequente, seguida da
adjudicação e, finalmente, do usufruto de imóvel ou empresa. Pela nova disposição, o exequente pode,
inicialmente, adjudicar o bem, e, caso não for de seu interesse, proceder à alienação particular, sendo
o leilão ou praça sua última opção.

 Inversão na titularidade do DEPOSITÁRIO do bem penhorado (introduzido pela Lei 11.382/2006): até então,
o bem penhorado ficava em mãos do devedor/executado, mas, a partir do § 1º do art. 666 do CPC, mantido
de forma mais expressa ainda no § 1º do art. 840 do NCPC, estes ficam com o Exeqüente, exceto se
assim não o desejar ou se isto não for possível.

 Imposição de multa de 10% (dez por cento) ao devedor que, condenado ao pagamento de quantia certa
ou fixada em sentença líquida, não efetuar o pagamento no prazo de 15 dias (artigo 475-J, CPC,
introduzido pela Lei 11.232/2005 e artigo 523 do NCPC, com a vantagem de ter incluído mais 10% de
honorários para esta fase).

2. O PROCESSO DE EXECUÇÃO no CPC

O Processo de Execução está disciplinado nos artigos 778 e segs do NCPC.

2
THEODORO JÚNIOR, Humberto. Curso de direito processual civil: Teoria geral do direito processual civil e processo de
conhecimento. 51 ed. Rio de Janeiro: Forense, 2010. v. I. p. 20
2
Conforme veremos, se a execução de título extrajudicial está baseada no princípio da autonomia
das vontades; os títulos executivos judiciais (decisões) já têm suas eficácias.

Conforme ensina Araken de Assis3:

Fez-se registro, tomando partido na temática da classificação das ações, segundo a


força do efeito que o demandante procura produzir junto ao demandado, a cinco classes
autônomas: declarativa, condenatória, constitutiva, executiva e mandamental. Mas,
cumpre reconhecer o escasso prestígio de tal divisão, chamada de quinária,
preponderando, largamente, a estreita e indébita limitação das eficácias sentenciais
àqueles três primeiras.

2.1: Força de eficácia executiva:

A força executiva “retira valor que está no patrimônio do demandado, ou dos demandados, e põe-no no
patrimônio do demandante”.

• A ação que nasce com força executiva (eficácia imediata), a incursão na esfera jurídica do vencido mira algum
bem previamente identificado, que lá se encontra de maneira já reconhecida como ilegítima no
pronunciamento judicial, porque integra o patrimônio do vencedor, e, portanto, dispensará a instituição de
novo processo para reavê-lo.
Ex: depósito, reivindicatória, despejo, possessórias, imissão na posse, petição de herança, nunciação de obra
nova e outras.

• A ação que nasce com simples efeito diferido executivo (eficácia mediata), é quando a penetração executiva
precisará atingir algum bem integrante da esfera patrimonial e jurídica legítima do vencido, o que acarreta
a necessidade de controlar de maneira plena a atuação do meio executório, porque aos meios executórios caberá
respeitar o princípio da responsabilidade patrimonial (art. 591 do CPC e art. 391 do CC-02).
Ex: cobrança e execução por título.

2.2. Requisitos de toda execução

 Inadimplemento do devedor = artigo 786 do NCPC; e

 Existência de título líquido, certo e exigível = artigo 783 do NCPC.

Considera-se INADIMPLENTE o devedor que não satisfaz espontaneamente a obrigação ou o direito


reconhecido em sentença, ao tempo e modo devidos (vide art. 4764 do CCB).

A existência de um título executivo é condição sine qua non, posto que sem o título não há como
executar a obrigação – nulla executio sine titulo, a teor do artigo 8035 do NCPC.

O título executivo dá a certeza da existência da obrigação, para assim poder atingir o patrimônio do
devedor.
O título executivo deve ser certo (sabe-se o que se deve), líquido (sabe-se quanto se deve) e
exigível (obrigação vencida).

3. Espécies de Execução

3
ASSIS, Araken de. Manual da execução. 13. ed. rev., ampl. e atual. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2010. p.
81.
4
Da Exceção de Contrato não Cumprido
Art. 476. Nos contratos bilaterais, nenhum dos contratantes, antes de cumprida a sua obrigação, pode exigir o implemento da
do outro.
5
Art. 803. É nula a execução se:
I - o título executivo extrajudicial não corresponder a obrigação certa, líquida e exigível;
II - o executado não for regularmente citado;
III - for instaurada antes de se verificar a condição ou de ocorrer o termo.
Parágrafo único. A nulidade de que cuida este artigo será pronunciada pelo juiz, de ofício ou a requerimento da parte,
independentemente de embargos à execução.
3
Quanto à natureza da obrigação
Obrigação de dar Execução de entrega de coisa certa
coisa Execução de entrega de coisa incerta

Obrigação de fazer e Execução de obrigação de fazer


não fazer Execução de obrigação de não fazer

Obrigação de pagar Obrigação de pagar quantia certa contra devedor solvente


quantia certa Obrigação de pagar quantia certa contra devedor insolvente
Quanto ao título em que se baseia
Sentença judicial que
reconheça obrigação de
fazer e não fazer
Cumprimento
CUMPRIMENTO DE SENTENÇA

(artigo 497, NCPC)


de sentença
Sentença judicial que
“stricto sensu”
reconheça obrigação de
dar coisa (artigo 498,
“LATO SENSU”

Títulos executivos judiciais CPC)


(Artigo 515, NCPC)
Sentença judicial que
reconheça obrigação de
pagar quantia;
Execução sentença penal
condenatória; sentença
arbitral (art. 513 A 533,
NCPC)

Títulos executivos extrajudiciais Livro II, CPC/artigos 771


EXECUÇÃO
(art. 784, CPC) e segs., CPC
Quanto ao seu caráter

Art. 587, CPC/1973


Definitiva (recurso com efeito Fundada em título extrajudicial/sentença passada em
suspensivo) julgado
Art. 513, NCPC
Fundada em sentença pendente de recurso desprovido de
Art. 587, CPC/1973 efeito suspensivo (RE e REsp)
Art. 5136, § 1º. Art. Corre por iniciativa, conta e responsabilidade do
Provisória exeqüente, que se responsabiliza a reparar os danos do
1029, § 5º, CPC
executado, e exige “caução suficiente e idônea, arbitrada
Art. 520, NCPC pelo juiz e prestada nos próprios autos” (art. 5207, I a V,
NCPC)

6
Art. 513. O cumprimento da sentença será feito segundo as regras deste Título, observando-se, no que couber e conforme a
natureza da obrigação, o disposto no Livro II da Parte Especial deste Código.
§ 1º O cumprimento da sentença que reconhece o dever de pagar quantia, provisório ou definitivo, far-se-á a requerimento
do exequente.
7
Art. 520. O cumprimento provisório da sentença impugnada por recurso desprovido de efeito suspensivo será realizado da
mesma forma que o cumprimento definitivo, sujeitando-se ao seguinte regime:
I - corre por iniciativa e responsabilidade do exequente, que se obriga, se a sentença for reformada, a reparar os danos que o executado haja
sofrido;
II - fica sem efeito, sobrevindo decisão que modifique ou anule a sentença objeto da execução, restituindo-se as partes ao estado anterior e
liquidando-se eventuais prejuízos nos mesmos autos;
III - se a sentença objeto de cumprimento provisório for modificada ou anulada apenas em parte, somente nesta ficará sem efeito a execução;

4
3.1 Óbices à efetividade nas execuções

O executado, não raro, utiliza manobras para impedir ou adiar a satisfação do credor.

MARCO ANTONIO BOTTO MUSCARI enumera 4 óbices para a efetividade da execução, dispostos na
tabela abaixo.

LIMITES/ÓBICES DESCRIÇÃO
1. Limites naturais Grande parte da população brasileira enfrenta dificuldades financeiras, o que
dificulta o pagamento de suas dívidas.
2. Limites jurídicos A própria lei processual, em busca da “humanização da execução” impõe óbices
à sua efetividade, como a proibição da prisão civil por dívidas e a
impenhorabilidade de determinados bens.
3. Obstáculos culturais Falta base ética e moral aos devedores
4. Obstáculo O devedor – que, na maioria das vezes, já perdeu o processo de conhecimento–,
ainda resiste na fase executória, tentando postergar ao máximo o pagamento de
psicológico =
sua dívida.
estratégia do devedor

Mas, também para isto, a lei confere poderes especiais ao juiz, que poderá, a qualquer momento,
de ofício ou a requerimento da parte:

 Determinar o comparecimento das partes – embora incomum, há previsão de AUDIÊNCIA no processo


executivo, nos termos do art. 7728, NCPC;

 Advertir o devedor que o seu procedimento é ato atentatório à dignidade da justiça9, incidindo em multa de
até 20% do valor atualizado do débito, a favor do exequente = arts. 772, II e 774 e parágrafo único do
NCPC.

4. Conceito de execução

É o meio pelo qual alguém é levado como Executado em juízo para solver uma obrigação, quer tenha
sido imposta por lei, por decisão judicial ou por vontade própria.

No processo de conhecimento busca-se obter um provimento jurisdicional que declare o direito


aplicável ao caso concreto – o chamado ACERTAMENTO DO DIREITO, ao passo que na execução o provimento
jurisdicional é eminentemente satisfativo, o Poder Judiciário fará o devedor cumprir COERTIVAMENTE aquilo que
no título se obrigou.

De pronto é necessário esclarecer que a palavra “execução” é empregada tanto relativa à tutela
jurisdicional (proteção = direito aplicável) quanto à atividade jurisdicional (meios = aplicação do direito).

O processo de Execução tem início com uma petição inicial devidamente acompanhada do título
executivo, – nulla executio sine titulo .

IV - o levantamento de depósito em dinheiro e a prática de atos que importem transferência de posse ou alienação de propriedade ou de
outro direito real, ou dos quais possa resultar grave dano ao executado, dependem de caução suficiente e idônea, arbitrada de plano pelo
juiz e prestada nos próprios autos.
8
Art. 772. O juiz pode, em qualquer momento do processo:
I - ordenar o comparecimento das partes;
II - advertir o executado de que seu procedimento constitui ato atentatório à dignidade da justiça;
III - determinar que sujeitos indicados pelo exequente forneçam informações em geral relacionadas ao objeto da execução, tais como
documentos e dados que tenham em seu poder, assinando-lhes prazo razoável.
9
Fraudar a execução; opor-se maliciosamente à execução, utilizando-se, como diz a lei, de ardis e meios artificiosos; resistir
injustificadamente às ordens judiciais, como as ordens de penhora; não dizer, quando intimado para tanto, quais são os bens sujeitos à
penhora, seu valor o onde estão (art. 600, CPC).

5
Do Título Executivo
Art. 783. A execução para cobrança de crédito fundar-se-á sempre em título de
obrigação certa, líquida e exigível.

São REQUISITOS/PRESSUPOSTOS OBRIGATÓRIOS de toda execução, já que esta busca a solvência


de uma obrigação (dar, fazer, não fazer, pagar quantia certa):

 INADIMPLEMENTO do devedor

 Existência de TÍTULO líquido, certo e exigível:

 certo (sabe-se o que se deve);

 líquido (sabe-se quanto se deve); e

 exigível (obrigação vencida).

O título executivo constitui a prova pré-constituída da causa de pedir da ação executória. Esta
consiste na alegação, realizada pelo credor, na inicial, de que o devedor não cumpriu, espontaneamente, o direito
reconhecido na sentença ou obrigação.

É requisito de toda petição inicial do processo de execução ou do requerimento do cumprimento de


sentença, a ponto da execução ser NULA sem o título.

Um outro elemento surge na aplicação do Direito Processual Civil, relativamente à execução, que é
a existência de patrimônio do devedor/executado, porque para efetivação do Processo de Execução é
necessário que o devedor possua bens penhoráveis que possam solver/tornar exeqüível a execução, sem o que
haverá a extinção do processo (vide § 4º10 do art. 53 da Lei n. 9.099/95).

4.1 Partes na execução

Em regra, o CREDOR, que é designado EXEQÜENTE, é quem promove a execução, e o DEVEDOR,


que é designado EXECUTADO, é quem responde por ela, é o devedor do título executivo que se tornou
inadimplente. Segundo o novo Código de Processo Civil – Lei 13.105, de 16/3/2015 (NCPC), são partes no
Processo de Execução:

Art. 778. Pode promover a execução forçada o credor a quem a lei confere título executivo.
§ 1o Podem promover a execução forçada ou nela prosseguir, em sucessão ao exequente
originário, independentemente de consentimento do executado:
I - o Ministério Público, nos casos previstos em lei;
II - o espólio, os herdeiros ou os sucessores do credor, sempre que, por morte deste, lhes
for transmitido o direito resultante do título executivo;
III - o cessionário, quando o direito resultante do título executivo lhe for transferido por ato
entre vivos;
IV - o sub-rogado, nos casos de sub-rogação legal ou convencional. (casos de sucessão e
substituição processual (vide art. 41 e segs, cpc)

Art. 779. A execução pode ser promovida contra:


I - o devedor, reconhecido como tal no título executivo;
II - o espólio, os herdeiros ou os sucessores do devedor;
III - o novo devedor que assumiu, com o consentimento do credor, a obrigação resultante
do título executivo;
IV - o fiador do débito constante em título extrajudicial;
V - o responsável titular do bem vinculado por garantia real ao pagamento do débito;
VI - o responsável tributário, assim definido em lei.

10 Art. 53. A execução de título executivo extrajudicial, no valor de até quarenta salários mínimos, obedecerá ao disposto no
Código de Processo Civil, com as modificações introduzidas por esta Lei. [...]
§ 4º Não encontrado o devedor ou inexistindo bens penhoráveis, o processo será imediatamente extinto, devolvendo-
se os documentos ao autor.
6
Art. 780. O exequente pode cumular várias execuções, ainda que fundadas em títulos
diferentes, quando o executado for o mesmo e desde que para todas elas seja competente o
mesmo juízo e idêntico o procedimento.

4.2 .Princípios de toda execução

 PRINCÍPIO DA AUTONOMIA DA EXECUÇÃO = a ação de execução tem elementos próprios, realiza-se


através de um “processo” próprio, distinto da ação de conhecimento, mas cuidado, devido ao
sincretismo, decisões mandamentais no curso de uma ação de conhecimento, podem se transformar
em verdadeira execução;

 PRINCÍPIO DO TÍTULO EXECUTIVO = a tutela jurisdicional executiva depende SEMPRE de um título


executivo prévio (conditio sine qua non), tenha ele origem judicial ou extrajudicial, até em virtude do
já citado brocardo latino: nulla executio sine titulo.

 PRINCÍPIO DA PATRIMONIALIDADE ou da realidade da execução = a execução recai sobre o


patrimônio do executado (coisas = realidade), e não sobre a pessoa do devedor, como já ocorreu na
história do Direito Processual Civil. Portanto, a execução é real, só atinge o patrimônio do devedor.
Exceção: execução de alimentos.

 PRINCÍPIO DA DISPONIBILIDADE = a tutela jurisdicional executiva não é e não pode ser prestada de
ofício, seja porque prevalece a inércia da jurisdição seja porque o exequente pode pretender desistir de
sua prestação, total ou parcialmente, de acordo com o art. 56911.

 PRINCÍPIO DA ADEQUAÇÃO DA TUTELA JURISDICIONAL EXECUTIVA = há diversas modalidades
obrigacionais (obrigações de fazer, não fazer, entrega de coisa e “pagar”, e para cada obrigação há um
procedimento executivo próprio.

 PRINCÍPIO DA TIPICIDADE DOS ATOS EXECUTIVOS = os atos executivos a serem praticados pelo
Estado-juiz são prévia e exaustivamente previstos pelo legislador, de maneira que o juiz não tem liberdade
para alterar o padrão de atos processuais/técnicas que lhe são reconhecidas e atribuídas pelo legislador,
até em virtude do princípio constitucional do due process of law – devido processo legal.

 PRINCÍPIO DO RESULTADO E DA MENOR GRAVOSIDADE/ONEROSIDADE DO EXECUTADO = a


execução deve ser equilibrada, isto é, nos termos do art. 61212 do CPC/1973 e art. 79713 NCPC, a tutela
jurisdicional executiva e os atos executivos devem ser prestados no interesse do credor, já que a
execução visa satisfazer o interesse do credor e não meio de punir o devedor, a execução deve garantir
o mesmo resultado, caso o devedor resolvesse quitar a obrigação espontaneamente, porém de maneira
útil ao credor/exequente, na satisfação coercitiva da obrigação assumida pelo devedor/executado, porém,
e pelo art. 62014 do CPC/1973 e art. 80515 NCPC, a execução tem que ser feita pelo meio menos gravoso
ao devedor, caso existam diversos meios de satisfazer a obrigação. Apesar do contraditório na execução
ser mitigado, ao usufruir desse princípio o executado já o está exercendo indiretamente.

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Art. 569. O credor tem a faculdade de desistir de toda a execução ou de apenas algumas medidas executivas.
Parágrafo único. Na desistência da execução, observar-se-á o seguinte:
a) serão extintos os embargos que versarem apenas sobre questões processuais, pagando o credor as custas e os honorários advocatícios;
b) nos demais casos, a extinção dependerá da concordância do embargante.
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DAS DISPOSIÇÕES GERAIS
Art. 612. Ressalvado o caso de insolvência do devedor, em que tem lugar o concurso universal (art. 751, III), realiza-se a execução no
interesse do credor, que adquire, pela penhora, o direito de preferência sobre os bens penhorados.
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Art. 797. Ressalvado o caso de insolvência do devedor, em que tem lugar o concurso universal, realiza-se a execução no interesse do
exequente que adquire, pela penhora, o direito de preferência sobre os bens penhorados.
Parágrafo único. Recaindo mais de uma penhora sobre o mesmo bem, cada exequente conservará o seu título de preferência.
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Art. 620. Quando por vários meios o credor puder promover a execução, o juiz mandará que se faça pelo modo menos gravoso para o
devedor.
15 Art. 805. Quando por vários meios o exequente puder promover a execução, o juiz mandará que se faça pelo modo menos gravoso para

o executado.
Parágrafo único. Ao executado que alegar ser a medida executiva mais gravosa incumbe indicar outros meios mais eficazes e menos
onerosos, sob pena de manutenção dos atos executivos já determinados.

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 PRINCÍPIO DA LEALDADE = os atos considerados atentatórios à dignidade da Justiça 16, que busca a
solvabilidade da obrigação imposta (judicial) ou assumida (extrajudicial) pelo devedor, em face disto a
lei confere poderes especiais ao juiz, que poderá, a qualquer momento, de ofício ou a requerimento da
parte ordenando o comparecimento das partes, aplicando-lhe multa em proveito do próprio credor.

 PRINCÍPIO DA RESPONSABILIDADE = aquele que promove execução infundada ou indevida responde


pelos danos que causa ao executado.

Aqui vale a pena ressaltar que o contraditório é aceito no Processo de Execução mesmo de forma
mitigada, porque ainda que de forma esporádica, o juiz abre possibilidade de manifestação das partes. A execução
parte de uma certeza de direito que o Processo de Conhecimento tem por fim produzir. Daí porque o contraditório
tem de ser adequado a tais circunstâncias.

4.3 Conteúdo do título executivo

O título executivo delimita, subjetivamente, a ação executória; determina o bem objeto das
aspirações do demandante (obrigação); e, às vezes, demarca os limites da responsabilidade patrimonial (p. ex:
fiador solidário ou não).

O título executivo deve possuir:

 Identificação das partes = contém os figurantes da relação jurídica material, portanto, a execução é
movida somente a favor e contra as pessoas designadas no título;

 Identificação do resultado = o título estabelece qual o bem atingível na execução, e tal bem SÓ PODE
SER COISA (certa ou determinada); uma soma em dinheiro ou quantidade de coisas em dinheiro passíveis
de conversão; e uma atividade ou abstenção do executado (fazer ou não fazer), portanto, define o resultado
prático do processo, se e quando houver o êxito completo da execução;

 Limitação da responsabilidade = decorre da identificação do objeto da prestação no título, a


responsabilidade se circunscreve, automaticamente, a certa classe de bens. Se o título executivo contém
obrigação alimentar, permite-se a constrição de salários; em outros casos as partes excluem determinado
bem da responsabilidade executória.

A priori, o título não institui os meios executórios, estes dependem do regime da execução que será
adotado. Por exemplo, na execução de alimentos, para coagir o devedor a pagá-los, o juiz pode determinar a
prisão do devedor, porque isto está previsto em lei.

5. Competência para o Processo de Execução

Nos títulos executivos JUDICIAIS:

Art. 516. O cumprimento da sentença efetuar-se-á perante:


I - os tribunais, nas causas de sua competência originária;
II - o juízo que decidiu a causa no primeiro grau de jurisdição. Nesse caso, o exequente poderá
optar pelo juízo do atual domicílio do executado, pelo juízo do local onde se
encontrem os bens sujeitos à execução ou pelo juízo do local onde deva ser executada
a obrigação de fazer ou de não fazer, casos em que a remessa dos autos do processo
será solicitada ao juízo de origem.
III - o juízo cível competente, quando se tratar de sentença penal condenatória, de sentença
arbitral, de sentença estrangeira ou de acórdão proferido pelo Tribunal Marítimo.

Art. 517. A decisão judicial transitada em julgado poderá ser levada a protesto, nos termos
da lei, depois de transcorrido o prazo para pagamento voluntário previsto no art. 523.
§ 1o Para efetivar o protesto, incumbe ao exequente apresentar certidão de teor da decisão.

Na execução DEFINITIVA:

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Fraudar a execução; opor-se maliciosamente à execução, utilizando-se, como diz a lei, de ardis e meios artificiosos; resistir
injustificadamente às ordens judiciais, como as ordens de penhora; não dizer, quando intimado para tanto, quais são os bens sujeitos à
penhora, seu valor o onde estão (art. 600, CPC).

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§ 3o A requerimento da parte, o juiz pode determinar a inclusão do nome do executado em
cadastros de inadimplentes.
§ 4o A inscrição será cancelada imediatamente se for efetuado o pagamento, se for
garantida a execução ou se a execução for extinta por qualquer outro motivo.

Já para os títulos executivos EXTRAJUDICIAIS:

Art. 781. A execução fundada em título extrajudicial será processada perante o juízo competente,
observando-se o seguinte:
I - a execução poderá ser proposta no foro de domicílio do executado, de eleição
constante do título ou, ainda, de situação dos bens a ela sujeitos;
II - tendo mais de um domicílio, o executado poderá ser demandado no foro de qualquer deles;
III - sendo incerto ou desconhecido o domicílio do executado, a execução poderá ser proposta
no lugar onde for encontrado ou no foro de domicílio do exequente;
IV - havendo mais de um devedor, com diferentes domicílios, a execução será proposta no foro
de qualquer deles, à escolha do exequente;
V - a execução poderá ser proposta no foro do lugar em que se praticou o ato ou em que
ocorreu o fato que deu origem ao título, mesmo que nele não mais resida o executado.
Art. 782. Não dispondo a lei de modo diverso, o juiz determinará os atos executivos, e o oficial
de justiça os cumprirá.
§ 1o O oficial de justiça poderá cumprir os atos executivos determinados pelo juiz também nas
comarcas contíguas, de fácil comunicação, e nas que se situem na mesma região metropolitana.
§ 2o Sempre que, para efetivar a execução, for necessário o emprego de força policial, o juiz a
requisitará.
§ 3o A requerimento da parte, o juiz pode determinar a inclusão do nome do executado em
cadastros de inadimplentes. Aplica-se também à execução definitiva de título judicial.
§ 4o A inscrição será cancelada imediatamente se for efetuado o pagamento, se for
garantida a execução ou se a execução for extinta por qualquer outro motivo. Aplica-se
também à execução definitiva de título judicial.

As questões relativas à INCOMPETÊNCIA são tratadas em sede de:

 Impugnação, no cumprimento de sentença (§ 1º do art. 525 do NCPC);

 Exceção De Incompetência, nos títulos executivos extrajudiciais (917 NCPC, não mais como incidente e sim
no corpo dos Embargos, como PRELIMINAR DE MÉRITO).

1. Obrigação e responsabilidade

O estudo da responsabilidade patrimonial e, sobretudo, a distinção entre responsabilidade e


obrigação, deve-se à teoria formulada pelo alemão Alois Brinz – divide a obrigação em Schuld und Haftung. Dela
nasce uma visão – dualista – do vínculo obrigacional, decomposto em dois elementos: o débito (Schuld) e a
responsabilidade (Haftung).

Os adeptos dessa doutrina defendem que o débito (Schuld) e a responsabilidade/garantia (Haftung)


coexistem na relação obrigacional, mas o haftung só emerge com o inadimplemento.

O débito (schuld) é o dever de prestar, de realizar uma atividade em benefício do credor. Uma vez
inadimplido, autoriza o credor a ativar a máquina judiciária para dar cumprimento à prestação (impor a sanção
executiva), respondendo os bens do devedor (e dos terceiros previstos em lei) pelo seu adimplemento. O schuld
é uma situação de desvantagem que gera a expectativa de que algum bem do devedor (ou outrem) venha
satisfazê-lo. No entanto, seria situação jurídica estática, pois não conferiria ao credor qualquer força ou
permissão para trazer ao seu patrimônio o que lhe é devido, não autorizaria movimentos em prol de sua
satisfação.

Já a responsabilidade (haftung) seria eminentemente dinâmica, pois viria instrumentalizar a


efetivação da obrigação, determinando quais bens (do sujeito passivo/devedor ou de terceiro) responderão pelo
seu adimplemento.

A dívida ou débito (schuld) é vínculo pessoal.


A responsabilidade (haftung) é um vínculo patrimonial. O devedor obriga-se; seu patrimônio
responde.

9
E para aqueles que questionavam a teoria sob o argumento de que, cumprida espontaneamente a
prestação, não haveria responsabilidade (elemento autônomo), Betti retrucou, ensinando que a responsabilidade
é estado potencial que coage preventivamente, pressionando o devedor a adimplir a prestação, e garante
repressivamente o seu cumprimento, se inadimplida a prestação. Subsistiria, pois, mesmo sem
inadimplemento. Seria possível obrigar-se sem responsabilizar-se e vice-versa, dizem.

→ Poderia haver, então, obrigação/débito/dívida (schuld) sem responsabilidade


(haftung), por exemplo, na obrigação natural (quando credor não pode coagir devedor), na dívida de
jogo, na dívida prescrita etc.

→ E haveria responsabilidade (haftung) sem obrigação (schuld), por exemplo, para o


fiador, para aquele que dá hipoteca em garantia de débito alheio.

O Código Civil de 2002 inova ao tratar do tema, para dispor que “pelo inadimplemento das obrigações
respondem todos os bens do devedor” (art. 391, CCB).

Com isso, repetiria, sem necessidade, o disposto no art. 59117 do CPC/1973 e artigo 78918 do NCPC
–Lei 13.105, de 16/3/2015 – mas acabaria RATIFICANDO a distinção entre obrigação e responsabilidade –
assim como o faz no art. 38919 do CCB.

Inúmeros juristas, contudo, mantêm uma visão unitarista da obrigação, sem conseguir dela destacar
débito e responsabilidade. Seriam faces de um mesmo vínculo e vínculos distintos. O dever jurídico traz consigo
a coação. A dívida (débito) é o dever de prestar sob coação da ordem jurídica, que pode conduzir ao adimplemento
voluntário ou forçado. Assim, a responsabilidade é decorrência do vínculo obrigacional.

Para contrapor a concepção da responsabilidade patrimonial como categoria autônoma em face do


dever de prestar, depõem ainda duas circunstâncias, que os próprios seguidores da doutrina da Schuld und
Haftung reconhecem: de um lado, a responsabilidade não pode constituir-se sem uma dívida, ainda que
futura ou condicional, a partir da qual ela se forma; de outro, constata-se que a responsabilidade não
persiste, em nenhum dos casos descritos pelos autores, depois de extinto o débito correspondente.

Por isto, a obrigação é fenômeno mais amplo que abrange a responsabilidade. A obrigação
é um processo dinâmico que se desenrola com o fim único: o adimplemento da prestação principal. Mas esse
processo caracteriza-se por contar com uma sucessão de situações jurídicas de direito/poder/dever/ônus/sujeição
etc. e, dentre elas, o dever jurídico e a responsabilidade.

A obrigação abrange o dever jurídico principal e a responsabilidade, etapas do seu itinerário.


Descumprido o dever, e configurado o inadimplemento, surge a responsabilidade, estado de sujeição do
patrimônio do devedor/terceiro, ou, eventualmente, de sua vontade/liberdade, ao cumprimento da prestação.

As teorias unitarista e dualista são formas distintas de descrever um mesmo fenômeno. A concepção
dualista visualiza dever e responsabilidade como elementos distintos, sem perceber que integram um mesmo
processo obrigacional. A visão unitarista, que parte da percepção dinâmica da obrigação, acentua o vínculo entre
a responsabilidade e o dever: uma é sanção ao descumprimento de outro.

Parece indiscutível, qualquer que seja a teoria adotada, que há duas situações jurídicas muito
distintas: a dívida e a responsabilidade. Esse é o grande mérito da concepção dualista, que é a adotada pelo
nosso CPC. Cada uma dessas situações pode ser titularizada por um sujeito distinto, razão pela qual se
distinguem as figuras do devedor e do responsável. Ambos, porém, são sujeitos de uma situação jurídica material

17
Art. 591. O devedor responde, para o cumprimento de suas obrigações, com todos os seus bens presentes e futuros, salvo
as restrições estabelecidas em lei.
18
DA RESPONSABILIDADE PATRIMONIAL
Art. 789. O devedor responde com todos os seus bens presentes e futuros para o cumprimento de suas obrigações, salvo as
restrições estabelecidas em lei.
19
Art. 389. Não cumprida a obrigação, responde o devedor por perdas e danos, mais juros e atualização monetária
segundo índices oficiais regularmente estabelecidos, e honorários de advogado.
10
passiva e fazem parte de um mesmo vínculo obrigacional, examinado sob uma perspectiva dinâmica, sendo
esse o grande mérito da visão unitarista.

A confusão parece concentrar-se no seguinte aspecto: é preciso distinguir as diversas funções que
as regras sobre responsabilidade patrimonial podem exercer.

Uma regra sobre responsabilidade patrimonial, ao determinar qual é o sujeito que deve responder
pelo cumprimento da obrigação, é uma regra de Direito material. Cuida de regular o processo obrigacional,
definindo as posições jurídicas que os sujeitos devem assumir em determinada relação jurídica. Serve ao órgão
jurisdicional como diretriz para a tomada de suas decisões. É o Direito material que determina quem é o
responsável pela obrigação. Uma norma de direito material é uma norma de decisão: serve para a solução
do problema jurídico posto à apreciação do órgão jurisdicional. E as regras sobre responsabilidade
patrimonial têm essa função.

As regras que estabelecem limitações à responsabilidade patrimonial, impedindo que


determinados bens sirvam à garantia da obrigação, são, porém, regras processuais, pois servem de controle
ao exercício da função jurisdicional executiva. Uma regra é processual quando serve para definir o modo
pelo qual o poder pode ser exercido.

Ao impedir a penhora sobre determinado bem, a regra jurídica funciona como regra de Direito
processual. Talvez seja essa a razão pela qual o CPC cuida da responsabilidade patrimonial e tantos
processualistas entendam que o vínculo jurídico da responsabilidade tem natureza processual.

2. Responsabilidade patrimonial

A responsabilidade patrimonial é aquela que recai sobre o patrimônio do devedor como forma de
sanção em uma ação de execução. O patrimônio é considerado a totalidade de bens economicamente mensurados
que se encontram sob o poder de alguém.

O mesmo foi reproduzido pelo NCPC:

DA RESPONSABILIDADE PATRIMONIAL
Art. 789. O devedor responde com todos os seus bens presentes e futuros para o cumprimento
de suas obrigações, salvo as restrições estabelecidas em lei.

Portanto, como a ação de execução visa a satisfação do direito subjetivo da parte, esta satisfação
sempre recai, salvo raras exceções, sobre o patrimônio/ bens do devedor. É o chamado PRINCÍPIO DA
RESPONSABILIDADE exclusivamente PATRIMONIAL.

E, conforme muito bem ensina Araken de Assis20, essa responsabilidade patrimonial se divide em
primária e secundária, principalmente diante da visão – dualista – do vínculo obrigacional, decomposto em dois
elementos: o débito (schuld) e a responsabilidade (haftung):
- Curialmente, o primeiro patrimônio exposto aos meios executórios é o do devedor, a um só tempo
obrigado e responsável. Esta situação se designa de responsabilidade primária.
- Mas, além do devedor, outras pessoas e outros patrimônios eventualmente sujeitam-se à demanda
executória. Explica-se essa circunstância através do corte entre responsabilidade e obrigação. Há pessoas
que respondem pela dívida, embora “não devam”.

Art. 790. São sujeitos à execução os bens:


I - do sucessor a título singular, tratando-se de execução fundada em direito real ou
obrigação reipersecutória; Secundário
II - do sócio, nos termos da lei; Secundário
III - do devedor, ainda que em poder de terceiros; Primário
IV - do cônjuge ou companheiro, nos casos em que seus bens próprios ou de sua
meação respondem pela dívida; Secundário
V - alienados ou gravados com ônus real em fraude à execução; Primário
VI - cuja alienação ou gravação com ônus real tenha sido anulada em razão do reconhecimento,
em ação autônoma, de fraude contra credores;

20
ASSIS, Araken de. Manual da execução. 13. ed. rev., ampl. e atual. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2010. p.
227.
11
VII - do responsável, nos casos de desconsideração da personalidade jurídica.

Incisos III e V: são responsáveis primários, porque se trata de bens do próprio devedor que estão
em poder de terceiros por detenção e/ou por fraude.

2.1 Impenhorabilidade

Salienta-se, contudo, que a lei proíbe que a execução recaia sobre alguns bens patrimoniais por
motivos diversos, dando a eles a característica da impenhorabilidade (artigo 83321 do NCPC).

Neste rol encontram-se os bens inalienáveis e os declarados, por ato voluntário, não sujeitos
à execução; os móveis, pertences e utilidades domésticas que guarnecem a residência do executado (exceto os
de valor elevado ou que ultrapassem as necessidades comuns de um médio padrão de vida; os vestuários, objetos
de uso pessoal do executado (exceto os de elevado valor); o seguro de vida; etc..

E, também fruto da Lei 11.382/2006, a IMPENHORABILIDADE do limite de até 40 (quarenta)


salários mínimos, a quantia depositada em caderneta de poupança do devedor/responsável.

2.2 Exceções ao princípio da responsabilidade exclusivamente patrimonial

Importar salientar que, existem casos em que não é sobre o bem/o patrimônio do executado que
recai a responsabilidade, mas sobre a pessoa deste.
No caso do DEVEDOR DE ALIMENTOS (artigos 528 e 911 do NCPC), a execução não recai sobre
os seus bens e sim sobre a pessoa do próprio devedor, por meio da PRISÃO CIVIL (caracterizada por uma medida
de coerção pessoal para que o devedor cumpra a obrigação). Ressalte-se que a prisão não exclui a dívida.
Mesmo cumprida a “pena”, a responsabilidade subsistirá, caso não a tenha quitado o débito. A medida é utilizada
apenas com o fim de pressionar o devedor a adimplir.

3. Extensão da responsabilidade patrimonial do devedor

O patrimônio do devedor (presente e futuro) figura como uma forma de garantia para o(s) credor(es)
de cumprimento de obrigação.

3.1 Responsabilidade patrimonial de terceiros

Claro está que o devedor deve responder em uma execução de sua dívida com seu patrimônio.

21
Art. 833. São impenhoráveis:
I - os bens inalienáveis e os declarados, por ato voluntário, não sujeitos à execução;
II - os móveis, os pertences e as utilidades domésticas que guarnecem a residência do executado, salvo os de elevado valor ou os que
ultrapassem as necessidades comuns correspondentes a um médio padrão de vida;
III - os vestuários, bem como os pertences de uso pessoal do executado, salvo se de elevado valor;
IV - os vencimentos, os subsídios, os soldos, os salários, as remunerações, os proventos de aposentadoria, as pensões, os pecúlios e
os montepios, bem como as quantias recebidas por liberalidade de terceiro e destinadas ao sustento do devedor e de sua família, os
ganhos de trabalhador autônomo e os honorários de profissional liberal, ressalvado o § 2º;
V - os livros, as máquinas, as ferramentas, os utensílios, os instrumentos ou outros bens móveis necessários ou úteis ao exercício da
profissão do executado;
VI - o seguro de vida;
VII - os materiais necessários para obras em andamento, salvo se essas forem penhoradas;
VIII - a pequena propriedade rural, assim definida em lei, desde que trabalhada pela família;
IX - os recursos públicos recebidos por instituições privadas para aplicação compulsória em educação, saúde ou assistência social;
X - a quantia depositada em caderneta de poupança, até o limite de 40 (quarenta) salários-mínimos;
XI - os recursos públicos do fundo partidário recebidos por partido político, nos termos da lei;
XII - os créditos oriundos de alienação de unidades imobiliárias, sob regime de incorporação imobiliária, vinculados à execução da obra.
§ 1º A impenhorabilidade não é oponível à execução de dívida relativa ao próprio bem, inclusive àquela contraída para sua aquisição.
§ 2º O disposto nos incisos IV e X do caput não se aplica à hipótese de penhora para pagamento de prestação alimentícia,
independentemente de sua origem, bem como às importâncias excedentes a 50 (cinquenta) salários-mínimos mensais, devendo a
constrição observar o disposto no art. 528, § 8º, e no art. 529, § 3º.
§ 3º Incluem-se na impenhorabilidade prevista no inciso V do caput os equipamentos, os implementos e as máquinas agrícolas
pertencentes a pessoa física ou a empresa individual produtora rural, exceto quando tais bens tenham sido objeto de financiamento e
estejam vinculados em garantia a negócio jurídico ou quando respondam por dívida de natureza alimentar, trabalhista ou previdenciária.

12
Contudo, a lei estendeu a responsabilidade patrimonial a pessoas que não são parte da execução. Ou seja, a
execução atinge bens de pessoas que não fazem parte do processo: são terceiros na relação. Assim, os sujeitos
dos incisos I, II, IV, VI e VII do art. 790 respondem com seu patrimônio sem figurarem no pólo passivo da
execução.
Liebman qualifica esta forma de responsabilidade processual de responsabilidade executória
secundária, tal como o Prof. Araken de Assis se reportou. Vejamos:

I – Responsabilidade patrimonial do sucessor a título singular, tratando-se de execução


fundada em direito real ou obrigação reipersecutória;

Os bens do sucessor a título singular (por negócio oneroso ou gratuito) são atingidos por execução
de título judicial ou extrajudicial fundada em direito real ou por obrigação reipersecutória.

A execução fundada em direito real é a interposta quando se lesiona algum direito real como por
exemplo, a propriedade, a hipoteca, o usufruto (art. 1.225 do CCB). Neste caso o credor pode exercer seu
DIREITO DE SEQUELA, buscando o bem onde quer que ele esteja.

Observações:

 É sempre sobre o bem que recai a execução forçada e não sobre o sucessor;
 o negócio jurídico ocorrido durante a execução é sempre ineficaz.

II - A Responsabilidade patrimonial do sócio

Existem casos em que o sócio responde pelas dívidas da sociedade (empresa) e, por isso seus bens
particulares são atingidos pela execução. Quem enumera estes casos é o direito material, civil e comercial e esta
responsabilidade pode ser solidária ou subsidiária.

O Código Civil Brasileiro – CCB prevê:


Art. 46. O registro declarará:
V - se os membros respondem, ou não, subsidiariamente, pelas obrigações sociais;

Art. 990. Todos os sócios respondem solidária e ilimitadamente pelas obrigações sociais, excluído
do benefício de ordem, previsto no art. 1.024, aquele que contratou pela sociedade.

Das Relações com Terceiros


Art. 1022. A sociedade adquire direitos, assume obrigações e procede judicialmente, por meio de
administradores com poderes especiais, ou, não os havendo, por intermédio de qualquer
administrador.
Art. 1023. Se os bens da sociedade não lhe cobrirem as dívidas, respondem os sócios pelo saldo,
na proporção em que participem das perdas sociais, salvo cláusula de responsabilidade solidária.
Art. 1024. Os bens particulares dos sócios não podem ser executados por dívidas da
sociedade, senão depois de executados os bens sociais.
Art. 1025. O sócio, admitido em sociedade já constituída, não se exime das dívidas sociais
anteriores à admissão.

Pode o juiz também decretar a desconsideração da personalidade jurídica da empresa quando for
comprovada em juízo a utilização abusiva da sociedade. Isso ocorrendo, os bens particulares dos sócios também
respondem pela execução.

Importa dizer que não é necessária a propositura de ação autônoma para se aplicar a
desconsideração da personalidade jurídica, isso pode ser feito de FORMA INCIDENTAL nos próprios autos da
ação de execução.

Há ainda o Enunciado n. 59 das Jornadas de Direito Civil:


Arts. 990, 1.009, 1.016, 1.017 e 1.091: os sócios-gestores e os administradores das empresas são
responsáveis subsidiária e ilimitadamente pelos atos ilícitos praticados, de má gestão ou contrários ao previsto no
contrato social ou estatuto, consoante estabelecem os arts. 990, 1.009, 1.016, 1.017 e 1.091, todos do Código Civil.

→ O Benefício de ordem
CPC: Art. 795. Os bens particulares dos sócios não respondem pelas dívidas da sociedade, senão
nos casos previstos em lei.

13
§ 1o O sócio réu, quando responsável pelo pagamento da dívida da sociedade, tem o direito de
exigir que primeiro sejam excutidos os bens da sociedade.
§ 2o Incumbe ao sócio que alegar o benefício do § 1o nomear quantos bens da sociedade situados
na mesma comarca, livres e desembargados, bastem para pagar o débito.
§ 3o O sócio que pagar a dívida poderá executar a sociedade nos autos do mesmo processo.
§ 4o Para a desconsideração da personalidade jurídica é obrigatória a observância do incidente
previsto neste Código.

CC: Art. 990. Todos os sócios respondem solidária e ilimitadamente pelas obrigações sociais,
excluído do benefício de ordem, previsto no art. 1.024, aquele que contratou pela sociedade.
Das Relações com Terceiros
Art. 1024. Os bens particulares dos sócios não podem ser executados por dívidas da sociedade,
senão depois de executados os bens sociais.

Esta responsabilidade dos sócios é considerada secundária e excepcional posto que quando
ocorre, deve-se primeiramente cobrar a dívida diretamente da sociedade. Este é o chamado benefício de
ordem. Igual direito socorre ao fiador, nos termos do art. 794 e parágrafos, do NCPC.

Quando o sócio for alegar o benefício de ordem, deve nomear os bens da sociedade no prazo de 03
dias assinado no mandado executivo para pagamento, por aplicação analógica do art. 829 22 caput do NCPC. Se
não o fizer, perde este direito.

OBS: na sociedade de fato e na sociedade irregular o sócio não pode se valer do benefício de ordem por
questões óbvias.

III: A Responsabilidade patrimonial do devedor quando seus bens tiverem em poder de


outrem

A execução pode recair sobre os bens do devedor que estiverem em poder de terceiros, até porque,
se o bem é do próprio devedor, ainda que esteja em poder de terceiro (casos de detenção, comodato, locação),
obviamente a responsabilidade recairá sobre o mesmo.

IV: A Responsabilidade patrimonial do cônjuge

O cônjuge também responde nos casos em que seus bens próprios, reservados ou de sua meação
respondem pela dívida.
A regra é a INCOMUNICABILIDADE das dívidas assumidas por um só dos cônjuges. Entretanto, o
cônjuge responde pelas dívidas contraídas pelo outro, se estas dívidas tiverem beneficiado o casal e/ou
família, independente do regime de bens. Trata-se de uma presunção relativa – juris tantum.

CC: Art. 1658. No regime de comunhão parcial, comunicam-se os bens que sobrevierem ao casal,
na constância do casamento, com as exceções dos artigos seguintes.

Para se ver livre desta responsabilidade, excluindo sua meação da execução, deve o cônjuge opor
EMBARGOS DE TERCEIROS23 provando que não houve favorecimento.

Podem ser citados 2 casos que afastam esta presunção, fugindo da regra desta responsabilidade de
dívida:
- Débito decorrente de aval: No caso da dívida se fundar em aval, o cônjuge só responde se
tiver outorgado este;
- Débito decorrente de ato ilícito praticado pelo cônjuge: No caso de dívida originada de ato ilícito
praticado pelo seu cônjuge.

22
Art. 829. O executado será citado para pagar a dívida no prazo de 3 (três) dias, contado da citação.
§ 1º Do mandado de citação constarão, também, a ordem de penhora e a avaliação a serem cumpridas pelo oficial de justiça tão logo
verificado o não pagamento no prazo assinalado, de tudo lavrando-se auto, com intimação do executado.
§ 2º A penhora recairá sobre os bens indicados pelo exequente, salvo se outros forem indicados pelo executado e aceitos pelo juiz,
mediante demonstração de que a constrição proposta lhe será menos onerosa e não trará prejuízo ao exequente.
23 Art. 1046. Quem, não sendo parte no processo, sofrer turbação ou esbulho na posse de seus bens por ato de apreensão judicial, em casos

como o de penhora, depósito, arresto, seqüestro, alienação judicial, arrecadação, arrolamento, inventário, partilha, poderá requerer lhe
sejam manutenidos ou restituídos por meio de embargos.
§ 3º Considera-se também terceiro o cônjuge quando defende a posse de bens dotais, próprios, reservados ou de sua meação.

14
V e VI: Responsabilidade patrimonial do adquirente

Recai também a execução sobre os bens alienados ou gravados em ônus real em fraude de execução.
Vejamos como o artigo 792 do NCPC considera a FRAUDE DE EXECUÇÃO:

Art. 792. A alienação ou a oneração de bem é considerada fraude à execução:


I - quando sobre o bem pender ação fundada em direito real ou com pretensão reipersecutória,
desde que a pendência do processo tenha sido averbada no respectivo registro
público, se houver;
II - quando tiver sido averbada, no registro do bem, a pendência do processo de execução,
na forma do art. 828;
III - quando tiver sido averbado, no registro do bem, hipoteca judiciária ou outro ato de
constrição judicial originário do processo onde foi arguida a fraude;
IV - quando, ao tempo da alienação ou da oneração, tramitava contra o devedor ação capaz
de reduzi-lo à insolvência;
V - nos demais casos expressos em lei.
§ 1º A alienação em fraude à execução é ineficaz em relação ao exequente.
§ 2º No caso de aquisição de bem não sujeito a registro, o terceiro adquirente tem o ônus
de provar que adotou as cautelas necessárias para a aquisição, mediante a exibição das
certidões pertinentes, obtidas no domicílio do vendedor e no local onde se encontra o bem.
§ 3º Nos casos de desconsideração da personalidade jurídica, a fraude à execução verifica-
se a partir da citação da parte cuja personalidade se pretende desconsiderar.
§ 4º Antes de declarar a fraude à execução, o juiz deverá intimar o terceiro adquirente, que,
se quiser, poderá opor embargos de terceiro, no prazo de 15 (quinze) dias.

A fraude de execução ocorre quando o devedor aliena ou onera bens ou direitos em prejuízo do(s)
credor(es), tanto a título ONEROSO (compra e venda, permuta), quando a título GRATUITO (doação).

São 3 as hipóteses de fraude de execução taxadas pelo CPC:

I- Alienação ou oneração de bens pendentes de ação fundada em direito real:

Neste caso, é considerado fraude de execução pois se aliena ou onera bem sub judice e este negócio
jurídico é considerado ineficaz, recaindo sobre o credor o direito de seqüela – o valor remanescente da alienação
em hasta pública do bem penhorado.

CC: Art. 1419. Nas dívidas garantidas por penhor, anticrese ou hipoteca, o bem dado em garantia
fica sujeito, por vínculo real, ao cumprimento da obrigação.

TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE TERCEIRO. ALIENAÇÃO DE BENS. COMPROMISSO DE COMPRA E


VENDA POSTERIOR À EXECUÇÃO FISCAL E À CITAÇÃO DO DEVEDOR. FRAUDE. SUBSISTÊNCIA
DA PENHORA. 1. A alienação de bens após a propositura da ação de execução fiscal, ainda que
não haja penhora averbada no cartório de imóveis, configura fraude à execução sempre que não
restarem bens suficientes para garantir o pagamento da dívida, nos termos do art. 593 do CPC.
2. Eventual boa fé do adquirente não afasta a ocorrência de fraude na alienação ou
oneração de bens quando corria contra o devedor demanda capaz de reduzi-lo à
insolvência. 3. Apelação a que se nega provimento. (TRF 01ª R.; AC 1998.38.03.002675-2; MG;
Oitava Turma; Rel. Juiz Fed. Conv. Mark Yshida Brandão; Julg. 18/12/2009; DJF1 29/01/2010;
Pág. 532)

II- Alienação ou oneração de bens do devedor quando contra ele corre demanda capaz de
reduzi-lo à insolvência24

Os atos de venda, doação, hipoteca, alienação fiduciária, etc, que reduzirem o devedor à insolvência
ou a agravarem, consideram-se fraude de execução e por isso são considerados ineficazes perante o credor,
como se vê do seguinte julgado:

24
Art. 263. Considera-se proposta a ação, tanto que a petição inicial seja despachada pelo juiz, ou simplesmente distribuída,
onde houver mais de uma vara. A propositura da ação, todavia, só produz, quanto ao réu, os efeitos mencionados no art. 219
depois que for validamente citado.
15
AGRAVO DE INSTRUMENTO - FRAUDE À EXECUÇÃO - REQUISITOS OBJETIVOS - ALIENAÇÃO DE
BEM NO CURSO DO PROCESSO - INEXISTÊNCIA DE OUTROS BENS PENHORÁVEIS - PRESUNÇÃO
DE INSOLVÊNCIA. - A simples alienação de bem penhorável, ao tempo em que havia demanda
de qualquer natureza (cognitiva, executiva ou cautelar) capaz de reduzir o devedor à insolvência,
caracteriza FRAUDE À EXECUÇÃO - Ao contrário da fraude contra credores, a FRAUDE À
EXECUÇÃO não exige qualquer requisito subjetivo (consilium fraudis) - seja no
tocante à intenção do terceiro-adquirente ou do devedor-alienante. - Presume-se a
insolvência quando o devedor não possui outros bens livres e desembaraçados para nomear à
penhora, cabendo a ele demonstrar o contrário. (AGRAVO N° 1.0024.95.075826-8/001 -
COMARCA DE BELO HORIZONTE, Relator: Dês. Fábio Maia Viani,18ª Câmara Cível, TJMG,
04/12/07).

Porém, o C. STJ em 30/3/2009 editou a sua Súmula 375 entendendo que:

Súmula nº 375. O reconhecimento da fraude à execução depende do registro da


penhora do bem alienado ou da prova de má-fé do terceiro adquirente. (DJe
30/3/2009)

Sobre o assunto, seguem os julgados:

PROCESSUAL CIVIL. EXECUÇÕES FISCAIS. PENHORA DE IMÓVEL. IMPOSSIBILIDADE.


ALIENAÇÃO ANTERIOR EM FAVOR DE TERCEIRO ADQUIRENTE DE BOA FÉ. FRAUDE À
EXECUÇÃO. NÃO CONFIGURAÇÃO. APELO DESPROVIDO. (...). 4. O STJ exige o registro da
penhora em Cartório de Títulos e Documentos para que a alienação a terceiros possa
ser classificada como de má-fé. (...)
(TRF 05ª R.; AC 2006.85.01.000011-8; Segunda Turma; Rel. Des. Fed. Barros Dias; DJETRF5
16/10/2009)

AGRAVO DE INSTRUMENTO. AÇÃO DE EXECUÇÃO. DECLARAÇÃO DE FRAUDE A EXECUÇÃO.


ARTIGO 593, INCISO II DO CPC. AUSÊNCIA DE REGISTRO NO CARTORIO. MA FÉ DO
ADQUIRENTE NÃO CONFIGURADA. I. Consoante o entendimento assente no STJ, e amplamente
adotado por esta corte, para que reste configurada a fraude a execução, é necessário
que a ação já tenha sido aforada e haja citação valida, que o adquirente saiba da
existência da ação. Ou por já constar no cartório imobiliário algum registro ou porque o
exeqüente, por outros meios provou que dela o adquirente já tinha ciência; e que a alienação
ou a oneração dos bens seja capaz de reduzir o devedor a insolvência. II. Não
caracterizada a ciência do adquirente, a reforma da decisão que declarou a existência de fraude
a execução e medida que se impõe. Agravo de instrumento conhecido e provido. (TJ-GO; AI
200902000998; Goiânia; Rel. Des. Abrão Rodrigues Faria; DJGO 19/01/2010; Pág. 309)

Portanto, não basta a mera alienação, ainda que do único bem penhorável do devedor, quando ao
tempo da alienação ou oneração, corria contra ele demanda capaz de reduzi-lo à insolvência. OU deve ter havido
o registro da penhora OU a prova da má-fé do 3º adquirente.

Para o Código Tributário Nacional bastaria a alienação SEM que haja bem ou renda suficiente para
o pagamento da dívida:

Art. 185. Presume-se fraudulenta a alienação ou oneração de bens ou rendas, ou seu começo,
por sujeito passivo em débito para com a Fazenda Pública, por crédito tributário regularmente
inscrito como dívida ativa.
Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica na hipótese de terem sido reservados, pelo
devedor, bens ou rendas suficientes ao total pagamento da dívida inscrita.

DEMAIS CASOS EXPRESSOS EM LEI:

São também considerados fraude de execução:

• a penhora sobre crédito do art. 856 do NCPC (§ 3º Se o terceiro negar o débito em conluio com o executado,
a quitação que este lhe der caracterizará fraude à execução);

16
• a contratação ou a prorrogação de locação de IMÓVEL ALIENADO FIDUCIARIAMENTE por prazo superior a
um ano sem concordância por escrito do fiduciário = art. 37-B da Lei n. 9.514/9725;
• os negócios de disposição após a averbação prevista no art. 82826 do NCPC;
• os já citados atos de alienação após a inscrição da dívida ativa – art. 185 do CTN.

3.2 A Responsabilidade patrimonial do fiador

Típico caso de responsabilidade patrimonial. E, por isto, a lei garante ao fiador o benefício de
ordem, ou seja, no prazo de 3 (três) dias a partir da sua citação, o fiador pode nomear à penhora os bens livres
e desembaraçados do devedor. Contudo, se os bens do devedor não forem suficientes, o credor pode excutir os
bens particulares do fiador.

Art. 794. O fiador, quando executado, tem o direito de exigir que primeiro sejam executados os
bens do devedor situados na mesma comarca, livres e desembargados, indicando-os
pormenorizadamente à penhora.
§ 1º Os bens do fiador ficarão sujeitos à execução se os do devedor, situados na mesma comarca
que os seus, forem insuficientes à satisfação do direito do credor.
§ 2º O fiador que pagar a dívida poderá executar o afiançado nos autos do mesmo processo.
§ 3º O disposto no caput não se aplica se o fiador houver renunciado ao benefício de ordem.

Apenas lembramos que ao fiador não é oponível a impenhorabilidade do BEM DE FAMÍLIA,


por força do disposto no art. 3º27, VII, da Lei 8.009/90.

3.3 . Bens do espólio

Com a morte do devedor, o seu espólio responde por suas dívidas:

CPC: Art. 796. O espólio responde pelas dívidas do falecido, mas, feita a partilha, cada herdeiro
responde por elas dentro das forças da herança e na proporção da parte que lhe coube.

CC: Art. 1997. A herança responde pelo pagamento das dívidas do falecido; mas, feita a partilha,
só respondem os herdeiros, cada qual em proporção da parte que na herança lhe coube.
§ 1º Quando, antes da partilha, for requerido no inventário o pagamento de dívidas constantes
de documentos, revestidos de formalidades legais, constituindo prova bastante da obrigação, e
houver impugnação, que não se funde na alegação de pagamento, acompanhada de prova
valiosa, o juiz mandará reservar, em poder do inventariante, bens suficientes para solução do
débito, sobre os quais venha a recair oportunamente a execução.
§ 2º No caso previsto no parágrafo antecedente, o credor será obrigado a iniciar a ação de
cobrança no prazo de trinta dias, sob pena de se tornar de nenhum efeito a providência indicada.

4. Fraude contra credores e fraude à(de) execução

Fraude contra credores e fraude de execução (ou fraude à execução) constituem institutos jurídicos
diferentes apesar de possuírem como objeto a diminuição do patrimônio do devedor em detrimento do(s)
credor(es).

25
LEI Nº 9.514, DE 20 DE NOVEMBRO DE 1997 DOU 21/11/1997, ret. DOU 24/11/1997) Dispõe sobre o Sistema de Financiamento
Imobiliário, institui a alienação fiduciária de coisa imóvel e dá outras providências. [...]
Art. 37-B. Será considerada ineficaz, e sem qualquer efeito perante o fiduciário ou seus sucessores, a contratação ou a prorrogação de
locação de imóvel alienado fiduciariamente por prazo superior a um ano sem concordância por escrito do fiduciário.
26 Art. 828. O exequente poderá obter certidão de que a execução foi admitida pelo juiz, com identificação das partes e do valor da

causa, para fins de averbação no registro de imóveis, de veículos ou de outros bens sujeitos a penhora, arresto ou indisponibilidade.
§ 1º No prazo de 10 (dez) dias de sua concretização, o exequente deverá comunicar ao juízo as averbações efetivadas.
§ 2º Formalizada penhora sobre bens suficientes para cobrir o valor da dívida, o exequente providenciará, no prazo de 10 (dez) dias, o
cancelamento das averbações relativas àqueles não penhorados.
§ 3º O juiz determinará o cancelamento das averbações, de ofício ou a requerimento, caso o exequente não o faça no prazo.
§ 4º Presume-se em fraude à execução a alienação ou a oneração de bens efetuada após a averbação.
§ 5º O exequente que promover averbação manifestamente indevida ou não cancelar as averbações nos termos do § 2º indenizará a parte
contrária, processando-se o incidente em autos apartados.
27 Art. 3º A impenhorabilidade é oponível em qualquer processo de execução civil, fiscal, previdenciária, trabalhista ou de outra

natureza, salvo se movido:


[...]
VII - por obrigação decorrente de fiança concedida em contrato de locação.

17
→ A FRAUDE CONTRA CREDORES é um instituto de direito material regulado pelo Código Civil
como um defeito do negócio jurídico. São consideradas como formas de fraude contra credores:

 os negócios de transmissão gratuita de bens (doação) ou remissão de dívida, se os praticar o devedor já


insolvente, ou por eles reduzido à insolvência.

 os contratos onerosos do devedor insolvente.

Para desconstituir o negócio jurídico que frauda credor deve ser ajuizada a Ação Pauliana ou Ação
Revocatória, para coibir a conduta do devedor de praticar atos que afetem a medida da garantia patrimonial que
a lei assegura imediata tutela ao credor prejudicado, e, que se destina à restauração da garantia patrimonial
desfalcada por ato fraudulento do devedor.
O exercício vitorioso da pauliana restabelece, portanto, a responsabilidade dos bens alienados em
fraude contra credores. Dois são os requisitos para a Ação Pauliana:

 o eventus damni consistente no prejuízo suportado pela garantia dos credores, diante da
insolvência do devedor, e

 o consilium fraudis, que é o elemento subjetivo, que vem a ser o conhecimento, ou a consciência,
dos contraentes de que a alienação irá prejudicar os credores do transmitente, desfalcando o seu
patrimônio dos bens que serviriam de suporte para a eventual execução.

Assim, somente por meio de ação judicial que se logra a repressão à fraude cometida contra os
credores – Ação Pauliana ou Revocatória, para anular o negócio jurídico.

CC: Art. 177. A anulabilidade não tem efeito antes de julgada por sentença, nem se pronuncia de
ofício; só os interessados a podem alegar, e aproveita exclusivamente aos que a alegarem, salvo
o caso de solidariedade ou indivisibilidade.

Art. 178. É de quatro anos o prazo de decadência para pleitear-se a anulação do


negócio jurídico, contado:
II - no de erro, dolo, fraude contra credores, estado de perigo ou lesão, do dia em que se realizou
o negócio jurídico;

AGRAVO DE INSTRUMENTO. EXECUÇÃO DE SENTENÇA. FRAUDE À EXECUÇÃO. LITISPENDÊNCIA


COM AÇÃO PAULIANA. INOCORRÊNCIA. INSOLVÊNCIA DO DEVEDOR. IMPENHORABILIDADE DO
BEM DE FAMÍLIA. 1. Não resta caracterizada a litispendência entre o pedido de
declaração de fraude à execução e precedente ação pauliana, uma vez que as causas
de pedir e os próprios pedidos num e noutro feito são diversos. Enquanto na ação
pauliana busca-se a anulação do negócio jurídico, no pedido incidental de declaração
de fraude à execução o que se visa é viabilizar a constrição do bem, ante a declaração
de ineficácia da transferência realizada quando já existente demanda capaz de
reduzir o devedor à insolvência. 2. Fraude à execução caracterizada. Incidência do inc. II do
art. 593 do CPC. Alienação de imóveis, capaz de tornar o devedor insolvente, efetivada
quando já tramitava contra esse demanda indenizatória de danos decorrentes de
acidente de trânsito. Manifesta nos autos a insolvência do devedor, que remanesceu com a
propriedade de apenas um imóvel, o qual é utilizado como residência da entidade familiar.
Impossibilidade de satisfação do débito executado. Ineficácia das transferências dos
demais imóveis. 3. Impenhorabilidade do imóvel residencial. (...) (TJ-RS; AI 70033540980;
Canoas; Décima Segunda Câmara Cível; Rel. Des. Orlando Heemann Junior; Julg. 30/11/2009;
DJERS 14/12/2009; Pág. 81)

→ A FRAUDE À EXECUÇÃO ou de execução, por sua vez, é instituto de direito processual


regulado pelo CPC como ato do devedor de alienação ou oneração de bens quando corre contra ele demanda
capaz de reduzi-lo à insolvência, entre outras hipóteses.

Pode ser reconhecida nos próprios autos da ação em andamento, sendo desnecessária a Ação
Pauliana como no caso da fraude contra credores. Gera a nulidade do ato jurídico. Vejam a jurisprudência:

EMBARGOS DE TERCEIRO E A FRAUDE A EXECUÇÃO. 1. Fraude a execução significa em


tornar impossível a execução pela inexistência real ou simulada de bens. Considera-se
em fraude de execução a alienação ou oneração de bens quando: a) sobre eles pender ação
fundada em direito real; b) ao tempo da alienação ou oneração, corria contra o devedor demanda

18
capaz de reduzi-lo à insolvência; c) nos demais casos expressos em Lei (art. 593, I a III. CPC).
Na fraude a execução, é presumido o concilium fraudis. Não se cogita da boa ou má- fé
do adquirente do bem do devedor, para figurar a fraude. Basta a certeza de que, ao
tempo da alienação, já corria demanda capaz de alterar-lhe o patrimônio, reduzindo-
o à insolvência. Proposta a execução, desnecessária a inscrição da penhora para a ineficácia
de venda posteriormente feita, sendo suficiente o desrespeito a ela, por parte do executado.
Pondere-se, ainda, que a fraude a execução pode ser declarada incidentalmente no processo
de execução, independentemente de ação específica. A segunda hipótese quando, ao tempo da
alienação ou oneração, corria contra o devedor demanda capaz de reduzi-lo à insolvência é
aplicável no processo trabalhista. Essa situação envolve dois elementos simultâneos: a) à época
da alienação ou da oneração dos bens existir contra o devedor certa demanda judicial; b) que
dita ação seja capaz de torná-lo insolvente. O fato de existir uma demanda contra o devedor não
é motivo plausível para a concretização da fraude a execução. É necessário que a venda ou
qualquer ato de oneração implique em ficar o patrimônio do devedor afetado pelo ato,
a ponto de ficar impossibilitado para solver a obrigação. (...) Nessas situações, impõe- se
ao Judiciário Trabalhista o reconhecimento da fraude a execução, com a determinação da
ineficácia do negócio jurídico em relação ao credor, inclusive, com os atos de registro do
cancelamento da transcrição ou inscrição no Registro de Imóveis. 2. As duas compras e vendas
mencionadas na fundamentação da exordial dos embargos de terceiro, de forma objetiva,
ocorreram após a propositura da demanda, logo se tem o primeiro requisito da caracterização da
fraude à execução. Por outro lado, a compra e venda, diante da ausência de outros bens do
sócio, como devedor, implica na caracterização da sua insolvência, logo, tem-se a presença do
segundo requisito da caracterização da fraude à execução . Como a caracterização da fraude à
execução não necessita da análise da boa-fé ou da má-fé do comprador, consoante o teor do
tópico acima, a alegada boa-fé da embargante não desconfigura o teor da decisão lançada às fls.
149. Portanto, rejeito na íntegra o presente agravo de petição. (TRT 02ª R.; AP 01379; Ac.
20030608265; Quarta Turma; Rel. Juiz Francisco Ferreira Jorge Neto; Julg. 04/11/2003; DOESP
14/11/2003)

Em comum nas fraudes, têm-se a invalidade do negócio jurídico firmado, posto que é considerado
ineficaz perante o credor (NÃO É ANULADO).

4.1 Direito de retenção

O artigo 793 do NCPC preceitua que o credor que estiver na posse de bem pertencente ao devedor
por direito de retenção, deve promover primeiro a execução dos bens retidos e só depois, caso sobre saldo
remanescente excutir outros bens do devedor:

CPC: Art. 793. O exequente que estiver, por direito de retenção, na posse de coisa pertencente
ao devedor não poderá promover a execução sobre outros bens senão depois de excutida a coisa
que se achar em seu poder.

CC: Art. 578. Salvo disposição em contrário, o locatário goza do direito de retenção, no caso de
benfeitorias necessárias, ou no de benfeitorias úteis, se estas houverem sido feitas com expresso
consentimento do locador.

Art. 644. O depositário poderá reter o depósito até que se lhe pague a retribuição devida, o
líquido valor das despesas, ou dos prejuízos a que se refere o artigo anterior, provando
imediatamente esses prejuízos ou essas despesas.

Art. 708. Para reembolso das despesas feitas, bem como para recebimento das comissões
devidas, tem o comissário direito de retenção sobre os bens e valores em seu poder em virtude
da comissão.

Art. 1219. O possuidor de boa-fé tem direito à indenização das benfeitorias necessárias e úteis,
bem como, quanto às voluptuárias, se não lhe forem pagas, a levantá-las, quando o puder sem
detrimento da coisa, e poderá exercer o direito de retenção pelo valor das benfeitorias necessárias
e úteis.

Art. 1423. O credor anticrético tem direito a reter em seu poder o bem, enquanto a dívida não
for paga; extingue-se esse direito decorridos quinze anos da data de sua constituição.

O DIREITO DE RETENÇÃO é exercido quando o credor retém de forma legal os bens do devedor
para garantir o adimplemento da obrigação.

19
Se ocorrer de forma contrária ao dispositivo legal, deve o devedor opor Embargos à Execução no
caso de Execução Extrajudicial e Impugnação no caso de cumprimento de sentença.

5. Definições para liquidação

Liquidação é o ato preliminar da execução de sentença ilíquida ou até mesmo de um título


executivo extrajudicial ilíquido, que tem por fim determinar a espécie, qualidade, quantidade ou valor da coisa
que foi objeto da condenação, quando não menciona em sua conclusão a decisão final passada em julgado.

Cássio Scarpinella Bueno28 didaticamente nos ensina que:

Intercalando as atividades jurisdicionais destinadas ao reconhecimento do direito e as


atividades jurisdicionais voltadas à realização concreta deste mesmo direito, os arts.
475-A a 475-H ocupam-se de disciplinar a atividade jurisidiconal voltada à
quantificação do direito, tal qual reconhecido na “sentença” (art. 475-A, caput). É
para esta finalidade que se ocupa esta fase do processo, a de “liquidação”.

Sendo ilíquida a sentença exequenda, ordenar-se-á, previamente, a sua LIQUIDAÇÃO, que poderá
ser feita por CÁLCULO (contador), por ARBITRAMENTO ou POR ARTIGOS.

Não havendo fato novo a se provar, processa-se a liquidação de sentença por CÁLCULO DO
CONTADOR, prescindindo as partes de apresentarem os seus, pois sobre aqueles falarão na oportunidade
que lhes for concedida, aprovando-os ou impugnando-os.

Na liquidação, não se poderá modificar, ou inovar, a sentença liquidanda nem discutir matéria
pertinente à causa principal, nos termos do artigo 509 do NCPC.

6. ESPÉCIES DE LIQUIDAÇÃO

Nem sempre um título executivo, seja extrajudicial seja judicial apresenta a liquidez exigida (artigo
783 do NCPC), ou seja, não é possível afirmar de pronto o quê, a espécie, qualidade, quantidade ou valor da
coisa do que se deve no título ou no objeto da condenação.

Para os títulos executivos EXTRAJUDICIAIS o artigo 798 do NCPC, prevê expressamente que o
credor deverá instruir a petição inicial com o demonstrativo do débito atualizado até a data de propositura da
ação, quando se tratar de execução por quantia certa, indicando:

Art. 798. Ao propor a execução, incumbe ao exequente:


I - instruir a petição inicial com:
a) o título executivo extrajudicial;
b) o demonstrativo do débito atualizado até a data de propositura da ação, quando se tratar de
execução por quantia certa;
c) a prova de que se verificou a condição ou ocorreu o termo, se for o caso;
d) a prova, se for o caso, de que adimpliu a contraprestação que lhe corresponde ou que lhe
assegura o cumprimento, se o executado não for obrigado a satisfazer a sua prestação senão
mediante a contraprestação do exequente;
II - indicar:
a) a espécie de execução de sua preferência, quando por mais de um modo puder ser realizada;
b) os nomes completos do exequente e do executado e seus números de inscrição no Cadastro
de Pessoas Físicas ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica;
c) os bens suscetíveis de penhora, sempre que possível.
Parágrafo único. O demonstrativo do débito deverá conter:
I - o índice de correção monetária adotado;
II - a taxa de juros aplicada;
III - os termos inicial e final de incidência do índice de correção monetária e da taxa de juros
utilizados;
IV - a periodicidade da capitalização dos juros, se for o caso;

28
BUENO, Cássio Scarpinella. Curso sistematizado de direito processual civil : tutela jurisdicional executiva, 3. 3. ed.
rev., atual. e ampl. São Paulo: Saraiva, 2010. p. 139
20
V - a especificação de desconto obrigatório realizado.

Já para os títulos executivos JUDICIAIS, segundo os artigos 509/512 de nosso NOVO CPC – Lei
13.105, de 16/3/2015 (DOU 17/3/2015):

DA LIQUIDAÇÃO DE SENTENÇA
Art. 509. Quando a sentença condenar ao pagamento de quantia ilíquida, proceder-se-á à sua
liquidação, a requerimento do credor ou do devedor:
I - por arbitramento, quando determinado pela sentença, convencionado pelas partes ou
exigido pela natureza do objeto da liquidação;
II - pelo procedimento comum, quando houver necessidade de alegar e provar fato novo.

§ 1o Quando na sentença houver uma parte líquida e outra ilíquida, ao credor é lícito promover
simultaneamente a execução daquela e, em autos apartados, a liquidação desta.
§ 2o Quando a apuração do valor depender apenas de cálculo aritmético, o credor poderá
promover, desde logo, o cumprimento da sentença.
§ 3o O Conselho Nacional de Justiça desenvolverá e colocará à disposição dos interessados
programa de atualização financeira.
§ 4o Na liquidação é vedado discutir de novo a lide ou modificar a sentença que a
julgou.

Art. 510. Na liquidação por arbitramento, o juiz intimará as partes para a apresentação de
pareceres ou documentos elucidativos, no prazo que fixar, e, caso não possa decidir de plano,
nomeará perito, observando-se, no que couber, o procedimento da prova pericial.
Art. 511. Na liquidação pelo procedimento comum, o juiz determinará a intimação do requerido,
na pessoa de seu advogado ou da sociedade de advogados a que estiver vinculado, para,
querendo, apresentar contestação no prazo de 15 (quinze) dias, observando-se, a seguir, no que
couber, o disposto no Livro I da Parte Especial deste Código.
Art. 512. A liquidação poderá ser realizada na pendência de recurso, processando-se em
autos apartados no juízo de origem, cumprindo ao liquidante instruir o pedido com cópias das
peças processuais pertinentes.

Mas o importante é destacar que aqui, na fase de liquidação, NÃO SE INICIA NOVO PROCESSO,
tanto que o devedor é apenas intimado.

6.1 .Liquidação por cálculos

Art. 475-B. Quando a determinação do valor da condenação depender apenas de cálculo


aritmético, o credor requererá o cumprimento da sentença, na forma do art. 475-J desta Lei,
instruindo o pedido com a memória discriminada e atualizada do cálculo.
§ 1º Quando a elaboração da memória do cálculo depender de dados existentes em poder
do devedor ou de terceiro, o juiz, a requerimento do credor, poderá requisitá-los, fixando
prazo de até trinta dias para o cumprimento da diligência.
§ 2º Se os dados não forem, injustificadamente, apresentados pelo devedor, reputar-se-ão
corretos os cálculos apresentados pelo credor, e, se não o forem pelo terceiro, configurar-se-á
a situação prevista no art. 362.
§ 3º Poderá o juiz valer-se do contador do juízo, quando a memória apresentada pelo credor
aparentemente exceder os limites da decisão exeqüenda e, ainda, nos casos de assistência
judiciária.
§ 4º Se o credor não concordar com os cálculos feitos nos termos do § 3º deste artigo, far-se-á
a execução pelo valor originariamente pretendido, mas a penhora terá por base o valor
encontrado pelo contador.

6.2 .LIQUIDAÇÃO POR ARTIGOS / por procedimento comum no NCPC

A liquidação por artigos será utilizada sempre que houver necessidade de se alegar ou provar
fato novo, considerado como todo evento que tenha ocorrido após a propositura da ação ou depois da realização
de determinado ato processual. Assim, em caso da necessidade de provar fato novo, lança-se mão da liquidação
por artigos, que seguirá o procedimento comum, o que na verdade sempre foi discussão, mas que se chegou a
conclusão, principalmente após a edição da Lei 8.898/94, que o procedimento a ser adotado seria o ordinário.

Para Araken de Assis: “liquida-se por artigos quando o credor houver de provar fato novo ou se as
outras modalidades se revelarem inadequadas e insuficientes.”

6.3 Liquidação por ARBITRAMENTO

21
Essa modalidade de liquidação dá-se quando for determinado pela sentença ou convencionado
pelas partes, ou, ainda, o exigir a natureza do objeto da liquidação.

Tal modalidade serve a parte quando a apuração do quantum da condenação dependa da realização
de perícia por arbitramento. Trata-se de trabalho técnico, normalmente entregue aos cuidados de profissional
especializado em determinada área de conhecimento científico, pelo qual se vai determinar a extensão ou o valor
da obrigação constituída pela sentença ilíquida. Esta modalidade de liquidação se relaciona com as formas de
reparação do dano e os meios para avaliá-lo. Lança-se mão da liquidação por arbitramento quando se visa
alcançar através de perícia, determinado valor, independentemente de produção de novas provas, como, por
exemplo, no caso de um acidente de trânsito, onde não se possa mais retificar o veículo e na decisão da ação
ordinária o magistrado declara o direito e condena ao pagamento de um veículo de valor equivalente, poderá o
magistrado determinar que a liquidação seja feita por arbitramento.

Após o trânsito em julgado da ação ordinária, tocará ao credor liquidar por arbitramento, cabendo
ao juiz nomear perito que arbitrará o valor do veículo, através de uma perícia. Em suma, caberá ao devedor
efetuar o pagamento do equivalente pecuniário ao veículo, através do seguinte procedimento: requerida a
liquidação, o juiz nomeará perito e fixará prazo para a entrega do laudo e, após apresentado o laudo, as partes
manifestar-se-ão no prazo de 5 (dez) dias, e o juiz proferirá decisão ou designará audiência, se existir alguma
dúvida.

7. Da vedação à sentença ILÍQUIDA

No rito da Lei 9.099/95 – JESP, não é possível a prolação de sentença ilíquida, nos termos do
parágrafo único do art. 38:

Art. 38. A sentença mencionará os elementos de convicção do Juiz, com breve resumo dos fatos
relevantes ocorridos em audiência, dispensado o relatório.
Parágrafo único. Não se admitirá sentença condenatória por quantia ilíquida, ainda que genérico o
pedido.

Também havia essa previsão no rito sumário do CPC, que foi revogado. Agora, seu Livro I (DO
PROCESSO DE CONHECIMENTO E DO CUMPRIMENTO DE SENTENÇA) adota um PROCEDIMENTO COMUM (Título
I): “Art. 318. Aplica-se a todas as causas o procedimento comum, salvo disposição em contrário deste Código ou
de lei.”, continuando a prever casos onde o procedimento é especial (Título II, artigos 539/770).

Os casos do extinto procedimento comum sumário ficaram relegados ao rito dos Juizados Especiais
Cíveis (Lei 9.099/95) até a edição de lei específica vindoura (art. 1.06329, NCPC).

8. CONCLUSÕES

Assim, e apesar do processo de conhecimento ter reconhecido o direito e/ou do título executivo
extrajudicial estampar a obrigação de cada contratante, pode ser necessária a quantificação do direito
(título executivo judicial) ou da obrigação (título executivo extrajudicial), ocasião em que as partes lançarão
mão da chamada fase de “liquidação”.

E, podemos concluir que:

 há alguns casos onde a decisão judicial é ilíquida ante ao fato do pedido ser ilíquido (art. 286 30, CPC),
mormente nos seguintes casos: quando se tratar de ações universais, se não puder o autor individuar na petição

29
Art. 1.063. Até a edição de lei específica, os juizados especiais cíveis previstos na Lei n o 9.099, de 26 de setembro de
1995, continuam competentes para o processamento e julgamento das causas previstas no art. 275, inciso II, da Lei n o 5.869,
de 11 de janeiro de 1973.
30
Art. 286. O pedido deve ser certo ou determinado. É lícito, porém, formular pedido genérico:
22
os bens demandados, quando não foi possível determinar, de modo definitivo, as consequências do ato ou do
fato ilícito, ou, quando a determinação do valor da condenação de ato que deva ser praticado pelo réu;

 Nesses casos é necessário LIQUIDAR a sentença, através da liquidação de sentença, que não é mais
processo autônomo, e sim um incidente preambular do processo executivo, eis que com o advento da Lei
11.232/05, não se fala mais em citação, mas tão-somente intimação, bem como não se fala mais em sentença,
mas de decisão, atacável por agravo.

 tal incidente visa chegar a um quantum, que se pode dar de 3 formas: cálculos, artigos ou arbitramento.

9. Considerações gerais

A noção de execução envolve atuação do órgão jurisdicional de forma coativa, compelindo o


devedor ao cumprimento da obrigação através de medidas invasivas de seu patrimônio.

Mas é certo que também a demanda executiva se orienta pelo PRINCÍPIO DA INÉRCIA - nemo judex
sine actore – de sorte o processo e a jurisdição só são movidos, quando provocados pela parte. Logo pelo também
denominado PRINCÍPIO DA NECESSIDADE DA DEMANDA, conforme deflui do idioma latim, dir-se-á: “ne procedat
iudex ex officio”.

Nemo iudex sine actore – não há Juízo sem autor (arts. 2º do NOVO CPC – Lei 13.105,
de 16/3/2015 – DOU 17/3/2015)

Já, pelo PRINCÍPIO DA IMPULSÃO DO PROCESSO dá-se quando o Juiz o movimenta, independente
do querer das partes. Denomina-se igualmente, tal princípio também de Princípio da oficialidade ou oficiosidade
ou IMPULSO OFICIAL, tal como previsto na parte final do art. 262 do CPC.

O Processo de Execução tem como partes: o credor e o devedor figurantes no título executivo, com
as extensões previstas em lei (arts. 778 e 779 do NCPC). Também poderá ajuizar o Ministério Público nos moldes
do permissivo legal.

A causa petendi versará a formação e caráter da obrigação inserta no título executivo extrajudicial,
além de apontar seu inadimplemento (art. 786, caput, NCPC).

Ao pedido incumbirá protesto pela providência jurisdicional (executiva) como meio de obtenção do
resultado prático correspondente ao cumprimento obrigacional.

O acúmulo ou cúmulo objetivo é permitido ainda que diversos os títulos, desde que competente o
mesmo juízo e idêntico o rito procedimental (art. 780, NCPC).

No que concerne à competência, tratando-se de execução fundada em título executivo extrajudicial,


firmar-se-á competência através das regras genéricas dispostas ao Processo de Conhecimento (arts. 42 e segs.,
NCPC), e, especificamente a cada título de crédito.

O valor da causa não suscita dúvidas na execução por quantia certa, ou seja, será o valor da quantia
que é devida pelo executado – quantum debeatur.

10. A ação de execução

Art. 798. Ao propor a execução, incumbe ao exequente:


I - instruir a petição inicial com:
a) o título executivo extrajudicial;
b) o demonstrativo do débito atualizado até a data de propositura da ação, quando se tratar de
execução por quantia certa;
c) a prova de que se verificou a condição ou ocorreu o termo, se for o caso;

I - nas ações universais, se não puder o autor individuar na petição os bens demandados;
II - quando não for possível determinar, de modo definitivo, as conseqüências do ato ou do fato ilícito;
III - quando a determinação do valor da condenação depender de ato que deva ser praticado pelo réu.
23
d) a prova, se for o caso, de que adimpliu a contraprestação que lhe corresponde ou que lhe
assegura o cumprimento, se o executado não for obrigado a satisfazer a sua prestação senão
mediante a contraprestação do exequente;
II - indicar:
a) a espécie de execução de sua preferência, quando por mais de um modo puder ser realizada;
b) os nomes completos do exequente e do executado e seus números de inscrição no Cadastro
de Pessoas Físicas ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica;
c) os bens suscetíveis de penhora, sempre que possível.
Parágrafo único. O demonstrativo do débito deverá conter:
I - o índice de correção monetária adotado;
II - a taxa de juros aplicada;
III - os termos inicial e final de incidência do índice de correção monetária e da taxa de juros
utilizados;
IV - a periodicidade da capitalização dos juros, se for o caso;
V - a especificação de desconto obrigatório realizado.
Art. 799. Incumbe ainda ao exequente:
I - requerer a intimação do credor pignoratício, hipotecário, anticrético ou fiduciário, quando a
penhora recair sobre bens gravados por penhor, hipoteca, anticrese ou alienação fiduciária;
II - requerer a intimação do titular de usufruto, uso ou habitação, quando a penhora recair sobre
bem gravado por usufruto, uso ou habitação;
III - requerer a intimação do promitente comprador, quando a penhora recair sobre bem em
relação ao qual haja promessa de compra e venda registrada;
IV - requerer a intimação do promitente vendedor, quando a penhora recair sobre direito
aquisitivo derivado de promessa de compra e venda registrada;
V - requerer a intimação do superficiário, enfiteuta ou concessionário, em caso de direito de
superfície, enfiteuse, concessão de uso especial para fins de moradia ou concessão de direito real
de uso, quando a penhora recair sobre imóvel submetido ao regime do direito de superfície,
enfiteuse ou concessão;
VI - requerer a intimação do proprietário de terreno com regime de direito de superfície,
enfiteuse, concessão de uso especial para fins de moradia ou concessão de direito real de uso,
quando a penhora recair sobre direitos do superficiário, do enfiteuta ou do concessionário;
VII - requerer a intimação da sociedade, no caso de penhora de quota social ou de ação de
sociedade anônima fechada, para o fim previsto no art. 876, § 7o;
VIII - pleitear, se for o caso, medidas urgentes;
IX - proceder à averbação em registro público do ato de propositura da execução e dos atos de
constrição realizados, para conhecimento de terceiros.

Trata-se de pedido para a realização concreta de um direito já suficientemente reconhecido no título


executivo judicial ou extrajudicial; de pedido de prática de atos jurisdicionais executivos que se voltam à satisfação
do direito e não ao seu mero reconhecimento. É importante insistir: em se tratando de execução, há
pressuposição, suficientemente constante do título executivo, de quem tem o direito aplicável á espécie.

Mas, além daqueles requisitos da petição inicial previstos no artigo 319 do NCPC, a petição inicial do
Processo de Execução tem alguns requisitos específicos, que veremos mais adiante.

10.1 Condições da ação de execução e pressupostos processuais

A Ação de execução está sujeita, tanto quanto a Ação de Conhecimento, ao crivo das condições e
pressupostos processuais para o exercício e a instauração do Processo de Execução.

Assim, o comando creditício do título executivo extrajudicial deverá traduzir providência


juridicamente admissível. A título exemplificativo, constata-se impossibilidade jurídica do pedido perante
documento particular formalmente exequível (art. 784, II, CPC) mas contendo obrigação impossível ou ilícita,
a teor do disposto no art. 104, II, do Código Civil Brasileiro – CCB.

Além da ADEQUAÇÃO DA VIA DEMONSTRADA com a apresentação do título executivo extrajudicial,


posto se tratar de:

 obrigação de fazer, de não fazer, dar coisa certa, dar coisa incerta, obrigação de pagar quantia certa contra
devedor solvente, contra devedor insolvente (conforme determinado no art. 1.052 do Novo Código de
Processo Civil, até que seja editada lei específica, "as execuções contra devedor insolvente, em curso ou que
venham a ser propostas" permanecem reguladas pelo Título IV do Livro II deste Código de 1973).

24
O interesse processual – interesse de agir – deve encerrar a necessidade da prestação jurisdicional
à satisfação da obrigação. Assim, exige-se do credor/Exeqüente apresentação de título executivo extrajudicial,
com executividade preservada (não há interesse processual diante de um título prescrito), bem assim indicação
de renitência do devedor, ou seja, do não cumprimento daquela obrigação = INADIMPLEMENTO.

Outrossim, haverá de se mostrar prontamente exigível a obrigação contida no título executivo


extrajudicial.

Não vencida, ou se cuidando de obrigação condicional, modal ou a termo, padecerá de interesse


processual o exequente, nos termos do art. 798, I a V e art. 514, todos do NCPC.

A LEGITIMIDADE ATIVA para a execução, via de regra, é outorgada ao credor a quem confere a lei
título executivo, nos termos do art. art. 778, caput, do NCPC.

São admitidas hipóteses de legitimação ANÔMALA, substituição e sucessão processual, municiando


ativamente o Ministério Público, espólio, herdeiros, cessionário e sub-rogado (arts. 778, § 1º, NCPC).

A LEGITIMIDADE PASSIVA se dá naquele que figurar como DEVEDOR no título executivo


extrajudicial. Poderão estar legitimados passivamente: o espólio, herdeiros, o novo devedor que assumiu a
obrigação com o consentimento do devedor – novação subjetiva passiva -, o fiador e o responsável tributário
(art. 779, CPC).

11. A petição inicial da execução

Além daqueles requisitos da petição inicial previstos nos artigos 319/320 e seguintes do NCPC, a
petição inicial do Processo de Execução tem alguns requisitos específicos.

De início destacamos que a eventual deficiência da petição inicial da ação de execução poderá
ensejar a sua EMENDA, nos termos do art. 801 do NCPC, in verbis:

Art. 801. Verificando que a petição inicial está incompleta ou que não está acompanhada dos
documentos indispensáveis à propositura da execução, o juiz determinará que o exequente a
corrija, no prazo de 15 (quinze) dias, sob pena de indeferimento.

Portanto, apresentada a petição inicial da ação executiva/executória, segue-se a apreciação da sua


admissibilidade pelo juiz, que pode então mandar emendá-la, deferi-la (implicitamente com a determinação de
“cite-se” do executado), ou indeferi-la, conforme o caso.

O endereçamento seguirá as regras de competência aplicáveis, revelando-se funcional para o


título executivo extrajudicial em obediência às regras genéricas dispostas ao processo de conhecimento (arts.
43 e segs., NCPC), e, especificamente a cada título de crédito.

Tal como as demais petições iniciais, é IMPRESCINDÍVEL:

 identificação de partes;
 narrativa da causa de pedir; e
 o pedido.

É DESNECESSÁRIO o protesto por produção de provas uma vez que o crédito emana de
reconhecimento em juízo (título judicial) ou presunção legal (título extrajudicial).

Além do título, se provará a verificação da condição ou ocorrência do termo com documentação que
acompanhará a inicial.

O requerimento de citação do executado é requisito formal que deverá integrar a peça, embora
a omissão despercebida pelo juiz que a defere sublime a irregularidade.

25
Enfim, deverá se atribuir valor à execução, com norte no princípio de identidade com o benefício
econômico perseguido, observando o valor normalmente constante do título executivo extrajudicial, na exata
dicção dos arts. 29131 e 292 do NCPC, aplicados subsidiariamente.

11.1 Requisitos formais específicos da petição inicial da ação de execução

Segundo o art. 798 do NCPC, são REQUISITOS FORMAIS ESPECÍFICOS da ação/processo de


execução:

Art. 798. Ao propor a execução, incumbe ao exequente:


I - instruir a petição inicial com:
a) o título executivo extrajudicial;,
b) o demonstrativo do débito atualizado até a data de propositura da ação, quando se tratar de
execução por quantia certa;
c) a prova de que se verificou a condição ou ocorreu o termo, se for o caso;
d) a prova, se for o caso, de que adimpliu a contraprestação que lhe corresponde ou que lhe
assegura o cumprimento, se o executado não for obrigado a satisfazer a sua prestação senão
mediante a contraprestação do exequente;
II - indicar:
a) a espécie de execução de sua preferência, quando por mais de um modo puder ser realizada;
b) os nomes completos do exequente e do executado e seus números de inscrição no Cadastro
de Pessoas Físicas ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica;
c) os bens suscetíveis de penhora, sempre que possível.
Parágrafo único. O demonstrativo do débito deverá conter:
I - o índice de correção monetária adotado;
II - a taxa de juros aplicada;
III - os termos inicial e final de incidência do índice de correção monetária e da taxa de juros
utilizados;
IV - a periodicidade da capitalização dos juros, se for o caso;
V - a especificação de desconto obrigatório realizado.

Assim, além de preencher os requisitos gerais (arts. 319/320, NCPC), a petição inicial no processo
de execução deverá estar acompanhada do título executivo extrajudicial (art. 798, I, NCPC: nulla executio
sine titulo) bem assim com o demonstrativo do débito atualizado até a data da propositura da ação,
quando se tratar de execução por quantia certa (art. 798, I, “b”, NCPC).

Em se tratando de OBRIGAÇÃO sujeita a condição ou termo, deverá ser demonstrada a ocorrência


do evento (art. 798, I a V e art. 514, todos do NCPC).

11.2 Demonstrativo atualizado do débito

Na EXECUÇÃO POR QUANTIA CERTA deverá o credor aparelhar sua petição inicial com memória de
cálculo atualizado da dívida. A operação aritmética poderá integrar a própria peça ou vir materializada em
documento apartado.

O demonstrativo deverá indicar o DÉBITO PRINCIPAL e seus ACESSÓRIOS, bem como índices
utilizados e critério empregado para evidenciar a evolução da dívida.

A providência objetiva dar oportunidade ao executado para conferência e detecção de eventual


EXCESSO, o que se cumpre com informações que permitam pronta compreensão sobre o montante principal da
dívida, acessórios acrescidos e índices utilizados para correção e incidência de juros, quando já não expressos no
próprio título executivo extrajudicial.

Por exemplo:

31 Art. 291. A toda causa será atribuído valor certo, ainda que não tenha conteúdo econômico imediatamente aferível.
Art. 292. O valor da causa constará da petição inicial ou da reconvenção e será:
I - na ação de cobrança de dívida, a soma monetariamente corrigida do principal, dos juros de mora vencidos e de outras penalidades, se
houver, até a data de propositura da ação;

26
DEMONSTRATIVO ATUALIZADO DO DÉBITO:

Índice de N.º de JUROS


Valor
Título Valor Vencimento correção meses em moratórios TOTAL
Corrigido
CGJ-MG mora 1% a.m.
nota
promissória R$ 1.000,00 12/10/2011 1,2397109 R$ 1.239,71 41 41,00% R$ 1.747,99
protesto R$ 200,00 12/11/2011 1,2357565 R$ 247,15 40 40,00% R$ 346,01
R$ 1.200,00 R$ 1.486,86
TOTAL R$ 2.094,00
A aplicação de correção monetária está prevista no §1º, do art. 1º da Lei n.º 6.899/81, que diz:

Art. 1º. A correção monetária incide sobre qualquer débito resultante de decisão judicial,
inclusive sobre custas e honorários advocatícios.
§ 1º. Nas execuções de títulos de dívida líquida e certa, a correção será calculada a contar do
respectivo vencimento.

11.3 Requisitos COMPLEMENTARES da petição inicial da ação de execução

Além dos requisitos formais específicos da ação/processo de execução previstos no art. 798 do ncpc,
o art. 799 do ncpc traz exigências complementares que podem freqüentar a inicial da ação de execução diante
da peculiaridade do caso:

Art. 799. Incumbe ainda ao exequente:


I - requerer a intimação do credor pignoratício, hipotecário, anticrético ou fiduciário, quando a
penhora recair sobre bens gravados por penhor, hipoteca, anticrese ou alienação fiduciária;
II - requerer a intimação do titular de usufruto, uso ou habitação, quando a penhora recair sobre
bem gravado por usufruto, uso ou habitação;
III - requerer a intimação do promitente comprador, quando a penhora recair sobre bem em
relação ao qual haja promessa de compra e venda registrada;
IV - requerer a intimação do promitente vendedor, quando a penhora recair sobre direito
aquisitivo derivado de promessa de compra e venda registrada;
V - requerer a intimação do superficiário, enfiteuta ou concessionário, em caso de direito de
superfície, enfiteuse, concessão de uso especial para fins de moradia ou concessão de direito real
de uso, quando a penhora recair sobre imóvel submetido ao regime do direito de superfície,
enfiteuse ou concessão;
VI - requerer a intimação do proprietário de terreno com regime de direito de superfície,
enfiteuse, concessão de uso especial para fins de moradia ou concessão de direito real de uso,
quando a penhora recair sobre direitos do superficiário, do enfiteuta ou do concessionário;
VII - requerer a intimação da sociedade, no caso de penhora de quota social ou de ação de
sociedade anônima fechada, para o fim previsto no art. 876, § 7o;
VIII - pleitear, se for o caso, medidas urgentes;
IX - proceder à averbação em registro público do ato de propositura da execução e dos atos de
constrição realizados, para conhecimento de terceiros.

Sendo possível ao credor promover através de meios diversos, deverá indicar qual deles pretende
imprimir. Um exemplo disto se dá no caso da execução de alimentos que comporta duas vias (arts. 911/913
do NOVO CPC).

Quando desde já indicar bem à penhora para a hipótese de não nomeação do executado, incumbirá
ao Exequente requerer intimação de eventual credor pignoratício, hipotecário, anticrético ou usufrutuário com
direito gravado sobre o bem, sob pena de NULIDADE da alienação de tal bem, nos termos do art. 804 caput do
NCPC:

Art. 804. A alienação de bem gravado por penhor, hipoteca ou anticrese será ineficaz em relação
ao credor pignoratício, hipotecário ou anticrético não intimado.
§ 1º A alienação de bem objeto de promessa de compra e venda ou de cessão registrada será
ineficaz em relação ao promitente comprador ou ao cessionário não intimado.
§ 2º A alienação de bem sobre o qual tenha sido instituído direito de superfície, seja do solo, da
plantação ou da construção, será ineficaz em relação ao concedente ou ao concessionário não
intimado.

27
§ 3º A alienação de direito aquisitivo de bem objeto de promessa de venda, de promessa de cessão
ou de alienação fiduciária será ineficaz em relação ao promitente vendedor, ao promitente cedente
ou ao proprietário fiduciário não intimado.
§ 4º A alienação de imóvel sobre o qual tenha sido instituída enfiteuse, concessão de uso especial
para fins de moradia ou concessão de direito real de uso será ineficaz em relação ao enfiteuta ou
ao concessionário não intimado.
§ 5º A alienação de direitos do enfiteuta, do concessionário de direito real de uso ou do
concessionário de uso especial para fins de moradia será ineficaz em relação ao proprietário do
respectivo imóvel não intimado.
§ 6º A alienação de bem sobre o qual tenha sido instituído usufruto, uso ou habitação será ineficaz
em relação ao titular desses direitos reais não intimado.

Na hipótese de contratação bilateral onde o cumprimento da obrigação por um dos pactuantes é


condição para a exigência junto ao outro (exceção do contrato não cumprido - art. 476, CCB c/c arts. 798, 799 e
514 e 787, todos do CPC), a satisfação pelo credor deverá estar documentada por ocasião do ajuizamento da
execução.

Com relação ao protesto por medidas acautelatórias (art. 799, NCPC), não se consubstancia
requisito da petição inicial, mas sim FACULDADE do exequente quando caracterizada situação que possa
redundar perecimento de seu direito.

11.4 Averbação do ajuizamento da ação de execução

O art. 828 do NCPC apresenta uma faculdade ao credor/exequente:

Art. 828. O exequente poderá obter certidão de que a execução foi admitida pelo juiz, com
identificação das partes e do valor da causa, para fins de averbação no registro de imóveis, de
veículos ou de outros bens sujeitos a penhora, arresto ou indisponibilidade.
§ 1º No prazo de 10 (dez) dias de sua concretização, o exequente deverá comunicar ao juízo as
averbações efetivadas.
§ 2º Formalizada penhora sobre bens suficientes para cobrir o valor da dívida, o exequente
providenciará, no prazo de 10 (dez) dias, o cancelamento das averbações relativas àqueles não
penhorados.
§ 3º O juiz determinará o cancelamento das averbações, de ofício ou a requerimento, caso o
exequente não o faça no prazo.
§ 4º Presume-se em fraude à execução a alienação ou a oneração de bens efetuada
após a averbação.
§ 5º O exequente que promover averbação manifestamente indevida ou não cancelar as
averbações nos termos do § 2º indenizará a parte contrária, processando-se o incidente em
autos apartados.

O objetivo dessa averbação é fazer presumir em fraude à execução, nas ações pessoais, já
que nas ações reais e nas reipersecutórias há um bem identificado no patrimônio do devedor sobre o qual se
volta a pretensão executiva (art. 792, i, ncpc), e, qualquer alienação de bens posterior a essa data, presume-se
fraude, dispensada a prova de insolvência.

E, pelo § 4º do art. 828 do NCPC, a alienação ou oneração de bens, após efetuada a respectiva
averbação, poderá ser considerada fraudulenta, nos moldes do artigo 79232 do NCPC.

32
Art. 792. A alienação ou a oneração de bem é considerada fraude à execução:
I - quando sobre o bem pender ação fundada em direito real ou com pretensão reipersecutória, desde que a pendência do processo tenha
sido averbada no respectivo registro público, se houver;
II - quando tiver sido averbada, no registro do bem, a pendência do processo de execução, na forma do art. 828;
III - quando tiver sido averbado, no registro do bem, hipoteca judiciária ou outro ato de constrição judicial originário do processo onde foi
arguida a fraude;
IV - quando, ao tempo da alienação ou da oneração, tramitava contra o devedor ação capaz de reduzi-lo à insolvência;
V - nos demais casos expressos em lei.
§ 1º A alienação em fraude à execução é ineficaz em relação ao exequente.
§ 2º No caso de aquisição de bem não sujeito a registro, o terceiro adquirente tem o ônus de provar que adotou as cautelas necessárias para
a aquisição, mediante a exibição das certidões pertinentes, obtidas no domicílio do vendedor e no local onde se encontra o bem.
§ 3º Nos casos de desconsideração da personalidade jurídica, a fraude à execução verifica-se a partir da citação da parte cuja personalidade
se pretende desconsiderar.
§ 4º Antes de declarar a fraude à execução, o juiz deverá intimar o terceiro adquirente, que, se quiser, poderá opor embargos de terceiro,
no prazo de 15 (quinze) dias.

28
Art. 799. Incumbe ainda ao exequente:
IX - proceder à averbação em registro público do ato de propositura da execução e dos atos de
constrição realizados, para conhecimento de terceiros.

OBS: A não comunicação da averbação pelo exequente ao juízo, por si só, não descaracteriza a fraude. Isso
porque os efeitos da averbação produzem-se fora do processo e perante terceiros, destinando-se a comunicação
ao juízo tão só a propiciar o oportuno cancelamento por ordem judicial.

12. Interrupção da prescrição

O art. 802 do NCPC prevê que:

Art. 802. Na execução, o despacho que ordena a citação, desde que realizada em
observância ao disposto no § 2 o do art. 240, interrompe a prescrição, ainda que proferido por
juízo incompetente.
Parágrafo único. A interrupção da prescrição retroagirá à data de propositura da ação.

E, a pretensão a executar prescreve no prazo da ação, nos termos da Súmula n. 150 do E. Supremo
Tribunal Federal – STF: Súmula nº 150. Prescreve a execução no mesmo prazo de prescrição da ação.

E, dentre as causas que interrompem a prescrição o art. 202 do CCB prevê:

Art. 202. A interrupção da prescrição, que somente poderá ocorrer uma vez, dar-se-á:
I - por despacho do juiz, mesmo incompetente, que ordenar a citação, se o interessado a
promover no prazo e na forma da lei processual;
II - por protesto, nas condições do inciso antecedente;
III - por protesto cambial;
IV - pela apresentação do título de crédito em juízo de inventário ou em concurso de
credores;
V - por qualquer ato judicial que constitua em mora o devedor;
VI - por qualquer ato inequívoco, ainda que extrajudicial, que importe reconhecimento do
direito pelo devedor.
Parágrafo único. A prescrição interrompida recomeça a correr da data do ato que a interrompeu,
ou do último ato do processo para a interromper.

Ocorre que é REGRA que nos processos de Execução a citação SOMENTE se dê por Oficial de Justiça,
nos termos do art. 830 do NCPC:

Art. 829. O executado será citado para pagar a dívida no prazo de 3 (três) dias, contado da
citação.
§ 1º Do mandado de citação constarão, também, a ordem de penhora e a avaliação a serem
cumpridas pelo oficial de justiça tão logo verificado o não pagamento no prazo assinalado, de
tudo lavrando-se auto, com intimação do executado.
§ 2º A penhora recairá sobre os bens indicados pelo exequente, salvo se outros forem indicados
pelo executado e aceitos pelo juiz, mediante demonstração de que a constrição proposta lhe será
menos onerosa e não trará prejuízo ao exequente.
Art. 830. Se o oficial de justiça não encontrar o executado, arrestar-lhe-á tantos bens
quantos bastem para garantir a execução.
§ 1º Nos 10 (dez) dias seguintes à efetivação do arresto, o oficial de justiça procurará o executado
2 (duas) vezes em dias distintos e, havendo suspeita de ocultação, realizará a citação com hora
certa, certificando pormenorizadamente o ocorrido.
§ 2º Incumbe ao exequente requerer a citação por edital, uma vez frustradas a pessoal e a com
hora certa.
§ 3º Aperfeiçoada a citação e transcorrido o prazo de pagamento, o arresto converter-se-á em
penhora, independentemente de termo.

Art. 240. A citação válida, ainda quando ordenada por juízo incompetente, induz litispendência,
torna litigiosa a coisa e constitui em mora o devedor, ressalvado o disposto nos arts. 397 e
398 da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002 (Código Civil).
§ 1º A interrupção da prescrição, operada pelo despacho que ordena a citação, ainda que
proferido por juízo incompetente, retroagirá à data de propositura da ação.

29
§ 2º Incumbe ao autor adotar, no prazo de 10 (dez) dias, as providências necessárias para
viabilizar a citação, sob pena de não se aplicar o disposto no § 1º.
§ 3º A parte não será prejudicada pela demora imputável exclusivamente ao serviço judiciário.
§ 4º O efeito retroativo a que se refere o § 1º aplica-se à decadência e aos demais prazos
extintivos previstos em lei.

Portanto, e nos termos do citado art. 802 do NCPC, o despacho que ordena a citação interrompe a
prescrição, desde que a citação seja válida (§ 2o do art. 240, NCPC).

12.1 Da prescrição intercorrente

Segundo o art. 202 caput do CCB prevê:

Art. 202. A interrupção da prescrição, que somente poderá ocorrer uma vez, dar-se-á...

E o CPC prevê:

DA SUSPENSÃO DO PROCESSO DE EXECUÇÃO


Art. 921. Suspende-se a execução:
I - nas hipóteses dos arts. 313 e 315, no que couber;
II - no todo ou em parte, quando recebidos com efeito suspensivo os embargos à execução;
III - quando o executado não possuir bens penhoráveis;
IV - se a alienação dos bens penhorados não se realizar por falta de licitantes e o exequente,
em 15 (quinze) dias, não requerer a adjudicação nem indicar outros bens penhoráveis;
V - quando concedido o parcelamento de que trata o art. 916.
§ 1º Na hipótese do inciso III (insolvente), o juiz suspenderá a execução pelo prazo de 1 (um)
ano, durante o qual se suspenderá a prescrição.
§ 2º Decorrido o prazo máximo de 1 (um) ano sem que seja localizado o executado ou que sejam
encontrados bens penhoráveis, o juiz ordenará o arquivamento dos autos.
§ 3º Os autos serão desarquivados para prosseguimento da execução se a qualquer tempo
forem encontrados bens penhoráveis.
§ 4º Decorrido o prazo de que trata o § 1º sem manifestação do exequente, começa a correr o
prazo de prescrição intercorrente.
§ 5º O juiz, depois de ouvidas as partes, no prazo de 15 (quinze) dias, poderá, de ofício,
reconhecer a prescrição de que trata o § 4º e extinguir o processo.

Art. 922. Convindo as partes, o juiz declarará suspensa a execução durante o prazo concedido pelo
exequente para que o executado cumpra voluntariamente a obrigação.

Art. 923. Suspensa a execução, não serão praticados atos processuais, podendo o juiz,
entretanto, salvo no caso de arguição de impedimento ou de suspeição, ordenar providências
urgentes.

Se proposta a Ação de Execução a prescrição fosse interrompida no curso da ação, a chamada


prescrição INTERCORRENTE não ocorreria, principalmente, porque, a demora da máquina do Poder Judiciário
não pode ser atribuída ao credor/exequente.

Todavia, Araken de Assis33 ensina que:

Todavia, o direito brasileiro reconhece o encobrimento da pretensão a execução no


curso da demanda. É intercorrente, indubitavelmente, a prescrição que o executado
poderá alegar nos embargos à adjudicação ou à alienação coativa (art. 746, caput),
fundados em causa extintiva da obrigação, “desde que superveniente à penhora”. Aliás,
a Súmula 314 do STJ reconheceu, explicitamente, o fenômeno no caso de inexistência
de constrição: “em execução fiscal, não localizados bens penhoráveis, suspende-se o
processo por um ano, findo o qual se inicia o prazo da prescrição qüinqüenal
intercorrente”.
[...]

33
Op. cit. p. 518-519
30
O fundamento da prescrição no curso do processo, isto é, da prescrição intercorrente,
localiza-se na necessidade social de não expor o executado, indefinidamente, aos
efeitos da litispendência.

Decretada a prescrição intercorrente, a consequência é a extinção do processo, na forma do art.


924, v, do ncpc, já que em processo de execução não há sentença de mérito.

Art. 924. Extingue-se a execução quando:


I - a petição inicial for indeferida;
II - a obrigação for satisfeita;
III - o executado obtiver, por qualquer outro meio, a extinção total da dívida;
IV - o exequente renunciar ao crédito;
V - ocorrer a prescrição intercorrente.

13. Princípio da menor gravosidade ao executado X execução equilibrada

No NOVO CPC, este princípio vem assim disposto:

Art. 805. Quando por vários meios o exequente puder promover a execução, o juiz mandará que
se faça pelo modo menos gravoso para o executado.
Parágrafo único. Ao executado que alegar ser a medida executiva mais gravosa incumbe indicar
outros meios mais eficazes e menos onerosos, sob pena de manutenção dos atos executivos já
determinados.

Mas dissemos desde o início dos estudos que o Processo de Execução visa CONCRETIZAR o direito
do credor/exequente estampado no título executivo, seja judicial ou extrajudicial, até porque há outro princípio
envolvido, o PRINCÍPIO DO RESULTADO estampado no art. 797 do NCPC, in verbis:

Art. 797. Ressalvado o caso de insolvência do devedor, em que tem lugar o concurso universal,
realiza-se a execução no interesse do exequente que adquire, pela penhora, o direito de
preferência sobre os bens penhorados.
Parágrafo único. Recaindo mais de uma penhora sobre o mesmo bem, cada exequente
conservará o seu título de preferência.

Porém, esta concretização ou essa realização deve observar os demais princípios infra e
constitucionais.

Cássio Scarpinella Bueno34 muito bem explica esse “conflito”:

Trata-se de diretriz que, em última análise, deriva do princípio da ampla defesa, de estatura
constitucional.
O conflito resultante dos princípios apresentados anteriormente tem, em última análise,
fundamento constitucional bem claro, não obstante seu assento no modelo infraconstitucional do
processo civil nos arts. 612 e 620, respectivamente: trata-se do mesmo conflito que se pode
verificar entre o “princípio da efetividade da jurisdição” e o “princípio da ampla defesa”.
Se, de um lado, a tutela jurisdicional executiva caracteriza-se pela produção de resultados
materiais voltados à satisfação do exeqüente, a atuação do Estado-juiz não pode ser produzida
ao arrepio dos limites que também encontram assento expresso no “modelo constitucional do
processo civil”.
A “execução equilibrada” aqui examinada, destarte, não é, propriamente, um “princípio” da tutela
jurisdicional executiva mas, diferentemente, um verdadeiro resultado desejável da escorreita
aplicação, em cada caso concreto, dos princípios do “resultado” e da “menor gravosidade da
execução”.

Exemplo desta “execução equilibrada” está disposto no NCPC:

Art. 867. O juiz pode ordenar a penhora de frutos e rendimentos de coisa móvel ou imóvel
quando a considerar mais eficiente para o recebimento do crédito e menos gravosa ao executado.

Havendo, ainda, outros exemplos, como a Súmula n. 417 do TST:

34
Op. cit. p. 56-57
31
Nº 417. Mandado de segurança. Penhora em dinheiro.
I - Não fere direito líquido e certo do impetrante (devedor) o ato judicial que determina
penhora em dinheiro do executado, em execução definitiva, para garantir crédito exeqüendo,
uma vez que obedece à gradação prevista no art. 655 do CPC.
II - Havendo discordância do credor, em execução definitiva, não tem o executado
direito líquido e certo a que os valores penhorados em dinheiro fiquem depositados no próprio
banco, ainda que atenda aos requisitos do art. 666, I, do CPC.
III - Em se tratando de execução provisória, fere direito líquido e certo do impetrante a
determinação de penhora em dinheiro, quando nomeados outros bens à penhora, pois o
executado tem direito a que a execução se processe da forma que lhe seja menos gravosa, nos
termos do art. 620 do CPC.

14. Espécies de execução

Agora, na vigência do NOVO CPC, o art. 515 relaciona os TÍTULOS EXECUTIVOS JUDICIAIS:

Art. 515. São títulos executivos judiciais, cujo cumprimento dar-se-á de acordo com os artigos
previstos neste Título:
I - as decisões proferidas no processo civil que reconheçam a exigibilidade de obrigação de
pagar quantia, de fazer, de não fazer ou de entregar coisa;
II - a decisão homologatória de autocomposição judicial;
III - a decisão homologatória de autocomposição extrajudicial de qualquer natureza;
IV - o formal e a certidão de partilha, exclusivamente em relação ao inventariante, aos
herdeiros e aos sucessores a título singular ou universal;
V - o crédito de auxiliar da justiça, quando as custas, emolumentos ou honorários tiverem
sido aprovados por decisão judicial;
VI - a sentença penal condenatória transitada em julgado;
VII - a sentença arbitral;
VIII - a sentença estrangeira homologada pelo Superior Tribunal de Justiça;
IX - a decisão interlocutória estrangeira, após a concessão do exequatur à carta rogatória
pelo Superior Tribunal de Justiça;
X - (VETADO).
§ 1o Nos casos dos incisos VI a IX, o devedor será citado no juízo cível para o cumprimento da
sentença ou para a liquidação no prazo de 15 (quinze) dias.
§ 2o A autocomposição judicial pode envolver sujeito estranho ao processo e versar
sobre relação jurídica que não tenha sido deduzida em juízo.

Carlos Alberto Carmona35 leciona que:

[...] o claro objetivo do legislador foi colocar no mesmo plano os mecanismos disponíveis para o
cumprimento de todas as espécies de sentenças condenatórias, abandonando a idéia de que a
implementação de tais sentenças devesse passar pelo processo (formal) de execução, com nova
citação do devedor, que poderia embargar (ação de embargos do devedor) a execução com a
necessária conseqüência de suspender o fluxo normal das medidas de expropriação.
A idéia era perfeita: dar ao juiz os poderes necessários para fazer valer sua sentença
condenatória, independentemente de execução.

Segundo os artigos 513/519 de nosso NCPC, o cumprimento de sentença faz-se conforme se


previu, observando-se subsidiariamente a Execução de título extrajudicial (Livro II, do CPC):

Porém, como ressalta Carmona:

[...] o resultado deixou a desejar, pois o legislador acabou criando, em verdade, dois métodos
bem diferentes e apartados de fazer cumprir sentenças condenatórias: o primeiro, ligado às
sentenças condenatórias, objetivando obrigações de fazer, não fazer, entregar coisa
certa e incerta é ágil, poderoso, irresistível; o segundo, tendo por alvo as obrigações de pagar
quantia, continua lento, balofo e desajeitado.

35
Carlos Alberto Carmona. Quinze anos de reforma no Código de Processo Civil. in: Reflexões sobre a Reforma do
Código de Processo Civil – estudos em homenagem a Ada Pellegrini Grinover, Cândido R. Dinamarco e Kazuo Watanabe.
São Paulo: Atlas, 2007, p. 45.
32
15. Títulos executivos JUDICIAIS

A partir da vigência da Lei 11.232/2005, não mais se fez necessária a citação do Executado
(procedimento dispendioso e protelatório), apenas cumpre-se o que foi decidido no processo, tendo
referida lei alterado o CPC/1973 passando a prever que:

Art. 475-I. O cumprimento da sentença far-se-á conforme os arts. 461 e 461-A desta Lei ou,
tratando-se de obrigação por quantia certa, por execução, nos termos dos demais artigos
deste Capítulo.
Art. 475-R. Aplicam-se subsidiariamente ao cumprimento da sentença, no que couber, as normas
que regem o processo de execução de título extrajudicial.

Assim, a execução da sentença, que era realizada em processo apartado, passou a ser configurada
como uma “mera” fase do processo de conhecimento, denominada de CUMPRIMENTO DA SENTENÇA.

E, resolvida a denominada “crise de certeza” com a prolação de uma sentença de mérito, impõe-se
agora que tal sentença seja cumprida, ou seja, o Poder Judiciário, através do Estado-juiz, fará o devedor cumprir
coercitivamente aquilo que ficou decidido no processo, quer seja uma obrigação de fazer ou não fazer, dar
coisa ou obrigação de pagar.

15.1 Cumprimento de sentença = OBRIGAÇÃO DE FAZER E NÃO FAZER

Art. 513. O cumprimento da sentença será feito segundo as regras deste Título, observando-se,
no que couber e conforme a natureza da obrigação, o disposto no Livro II da Parte Especial deste
Código.
§ 1º O cumprimento da sentença que reconhece o dever de pagar quantia, provisório ou
definitivo, far-se-á a requerimento do exequente.
§ 2º O devedor será intimado para cumprir a sentença:
I - pelo Diário da Justiça, na pessoa de seu advogado constituído nos autos;
II - por carta com aviso de recebimento, quando representado pela Defensoria Pública ou quando
não tiver procurador constituído nos autos, ressalvada a hipótese do inciso IV;
III - por meio eletrônico, quando, no caso do § 1º do art. 246, não tiver procurador constituído
nos autos;
IV - por edital, quando, citado na forma do art. 256, tiver sido revel na fase de conhecimento.
§ 3º Na hipótese do § 2º, incisos II e III, considera-se realizada a intimação quando o devedor
houver mudado de endereço sem prévia comunicação ao juízo, observado o disposto no
parágrafo único do art. 274.
§ 4º Se o requerimento a que alude o § 1º for formulado após 1 (um) ano do trânsito em
julgado da sentença, a intimação será feita na pessoa do devedor, por meio de carta com aviso
de recebimento encaminhada ao endereço constante dos autos, observado o disposto no
parágrafo único do art. 274 e no § 3º deste artigo.
§ 5º O cumprimento da sentença não poderá ser promovido em face do fiador, do
coobrigado ou do corresponsável que não tiver participado da fase de conhecimento.

E, conforme determina o ncpc, o juiz ou concede a tutela específica (o pedido do autor) ou determina
providência na busca do resultado prático equivalente (algo próximo do pedido do autor):

Art. 497. Na ação que tenha por objeto a prestação de fazer ou de não fazer, o juiz, se
procedente o pedido, concederá a tutela específica ou determinará providências que assegurem
a obtenção de tutela pelo resultado prático equivalente.
Parágrafo único. Para a concessão da tutela específica destinada a inibir a prática, a reiteração
ou a continuação de um ilícito, ou a sua remoção, é irrelevante a demonstração da ocorrência de
dano ou da existência de culpa ou dolo.

Art. 499. A obrigação somente será convertida em perdas e danos se o autor o requerer ou se
impossível a tutela específica ou a obtenção de tutela pelo resultado prático equivalente.

Art. 500. A indenização por perdas e danos dar-se-á sem prejuízo da multa fixada periodicamente
para compelir o réu ao cumprimento específico da obrigação.

Art. 536. No cumprimento de sentença que reconheça a exigibilidade de obrigação de fazer ou


de não fazer, o juiz poderá, de ofício ou a requerimento, para a efetivação da tutela específica

33
ou a obtenção de tutela pelo resultado prático equivalente, determinar as medidas necessárias à
satisfação do exequente.
§ 1º Para atender ao disposto no caput, o juiz poderá determinar, entre outras medidas, a
imposição de multa (astreintes), a busca e apreensão, a remoção de pessoas e coisas, o
desfazimento de obras e o impedimento de atividade nociva, podendo, caso necessário, requisitar
o auxílio de força policial. (Rol exemplificativo)
§ 2º O mandado de busca e apreensão de pessoas e coisas será cumprido por 2 (dois) oficiais
de justiça, observando-se o disposto no art. 846, § 1º a 4º, se houver necessidade de
arrombamento.
§ 3º O executado incidirá nas penas de litigância de má-fé quando injustificadamente
descumprir a ordem judicial, sem prejuízo de sua responsabilização por crime de desobediência.
§ 4º No cumprimento de sentença que reconheça a exigibilidade de obrigação de fazer ou de não
fazer, aplica-se o art. 525, no que couber.
§ 5º O disposto neste artigo aplica-se, no que couber, ao cumprimento de sentença que
reconheça deveres de fazer e de não fazer de natureza não obrigacional.

Art. 537. A multa independe de requerimento da parte e poderá ser aplicada na fase de
conhecimento, em tutela provisória ou na sentença, ou na fase de execução, desde que
seja suficiente e compatível com a obrigação e que se determine prazo razoável para
cumprimento do preceito.
§ 1º O juiz poderá, de ofício ou a requerimento, modificar o valor ou a periodicidade da multa
vincenda ou excluí-la, caso verifique que:
I - se tornou insuficiente ou excessiva;
II - o obrigado demonstrou cumprimento parcial superveniente da obrigação ou justa causa para
o descumprimento.
§ 2º O valor da multa será devido ao exequente.
§ 3º A decisão que fixa a multa é passível de cumprimento provisório, devendo ser depositada
em juízo, permitido o levantamento do valor após o trânsito em julgado da sentença favorável à
parte.
§ 4º A multa será devida desde o dia em que se configurar o descumprimento da decisão e
incidirá enquanto não for cumprida a decisão que a tiver cominado.
§ 5º O disposto neste artigo aplica-se, no que couber, ao cumprimento de sentença que
reconheça deveres de fazer e de não fazer de natureza não obrigacional.

Além da multa diária – astreinte – que podem ser impostas pelo Juiz ao Executado, nos termos do
§ 1º do art. 536 e 537, NCPC, o § 1º do art. 536 também traz um ROL EXEMPLIFICATIVO de medidas que o Juiz
poderá determinar, ex officio ou a requerimento, para fazer vergar a vontade do Executado.

Porém, para a cobrança da multa pelo descumprimento de obrigação de fazer ou não fazer,
aplica-se a Súmula n. 410 do STJ:

Súmula nº 410. A prévia intimação pessoal do devedor constitui condição necessária


para a cobrança de multa pelo descumprimento de obrigação de fazer ou não fazer.

Para isto, o NCPC prevê:

Art. 501. Na ação que tenha por objeto a emissão de declaração de vontade, a sentença que
julgar procedente o pedido, uma vez transitada em julgado, produzirá todos os efeitos da
declaração não emitida.

15.2 Fluxograma da fase de cumprimento de sentença = obrigação de FAZER E NÃO


FAZER

34
15.3 Cumprimento de sentença = OBRIGAÇÃO DE DAR/ENTREGAR COISA

Art. 497. Na ação que tenha por objeto a prestação de fazer ou de não fazer, o juiz, se procedente
o pedido, concederá a tutela específica ou determinará providências que assegurem a obtenção
de tutela pelo resultado prático equivalente.
Parágrafo único. Para a concessão da tutela específica destinada a inibir a prática, a reiteração
ou a continuação de um ilícito, ou a sua remoção, é irrelevante a demonstração da ocorrência de
dano ou da existência de culpa ou dolo.

Art. 498. Na ação que tenha por objeto a entrega de coisa, o juiz, ao conceder a tutela
específica, fixará o prazo para o cumprimento da obrigação.
Parágrafo único. Tratando-se de entrega de coisa determinada pelo gênero e pela quantidade, o
autor individualizá-la-á na petição inicial, se lhe couber a escolha, ou, se a escolha couber
ao réu, este a entregará individualizada, no prazo fixado pelo juiz.

Art. 499. A obrigação somente será convertida em perdas e danos se o autor o requerer ou
se impossível a tutela específica ou a obtenção de tutela pelo resultado prático equivalente.

35
Art. 500. A indenização por perdas e danos dar-se-á sem prejuízo da multa fixada
periodicamente para compelir o réu ao cumprimento específico da obrigação.

Trata na espécie do desapossamento, in casu, o desapossamento judicial através de Mandado


de busca e apreensão (coisa móvel) ou de imissão na posse (coisa imóvel).

Porém, conforme muito bem ensina Araken de Assis:

Por outro lado, existem obrigações de fazer que, objetivamente, só o obrigado consegue prestar,
em geral, mostram-se insub-rogáveis. Nessas hipóteses, antecipando as dificuldades ulteriores,
o credor já pede na ação condenatória o equivalente pecuniário, caso não almeje utilizar a coerção
patrimonial.

Vejam que o juiz também pode fixar prazo com astreintes, sempre na tentativa da entrega da
prestação jurisdicional específica, senão, se tal não for possível (o executado não detém mais a coisa), a
obrigação se converterá em perdas e danos, sem prejuízo da multa/astreintes.

Também é simples a execução baseada em título judicial. O vitorioso dispõe do desapossamento,


há pouco explicado, e da coerção patrimonial ( astreinte). Impõe-se ao vitorioso, conforme o caso,
indicar a espécie de execução, ou seja, o meio executório: desapossamento ou astreinte.

15.4 Fluxograma da fase de cumprimento de sentença = obrigação de


DAR/ENTREGAR COISA

15.5 Do título executivo judicial que determina a OBRIGAÇÃO DE PAGAR

36
16. Do título executivo judicial que determina a OBRIGAÇÃO DE PAGAR

O cumprimento de sentença de obrigação de pagar quantia certa é disciplinado pelos artigos 523/527
do ncpc, e, subsidiariamente, pelas normas do título extrajudicial (livro ii, do cpc):

Art. 513. O cumprimento da sentença será feito segundo as regras deste Título, observando-se,
no que couber e conforme a natureza da obrigação, o disposto no Livro II da Parte Especial deste
Código.

LIVRO II
DO PROCESSO DE EXECUÇÃO
Art. 771. Este Livro regula o procedimento da execução fundada em título extrajudicial, e suas
disposições aplicam-se, também, no que couber, aos procedimentos especiais de execução, aos
atos executivos realizados no procedimento de cumprimento de sentença, bem como aos efeitos
de atos ou fatos processuais a que a lei atribuir força executiva.

17. O cumprimento de sentença = OBRIGAÇÃO DE PAGAR QUANTIA CERTA

Relativamente, então, à esta obrigação de pagar quantia certa, determinada num título judicial,
o ncpc prevê:

DO CUMPRIMENTO DEFINITIVO DA SENTENÇA QUE RECONHECE A EXIGIBILIDADE DE


OBRIGAÇÃO DE PAGAR QUANTIA CERTA
Art. 523. No caso de condenação em quantia certa, ou já fixada em liquidação, e no caso de
decisão sobre parcela incontroversa, o cumprimento definitivo da sentença far-se-á a
requerimento do exequente, sendo o executado intimado para pagar o débito, no prazo de
15 (quinze) dias, acrescido de custas, se houver.
§ 1º Não ocorrendo pagamento voluntário no prazo do caput, o débito será acrescido de multa
de dez por cento e, também, de honorários de advogado de dez por cento.
§ 2º Efetuado o pagamento parcial no prazo previsto no caput, a multa e os honorários
previstos no § 1º incidirão sobre o restante.
§ 3º Não efetuado tempestivamente o pagamento voluntário, será expedido, desde logo,
mandado de penhora e avaliação, seguindo-se os atos de expropriação.

Como bem ensinava Humberto Theodoro Júnior36:

O que a lei pretendeu esclarecer foi que o cumprimento da sentença, às vezes, é


imediato, sumário, sem outras diligências que não sejam as de imediata colocação do
bem devido à efetiva disposição do credor e que, em outras palavras, se torna mister
um procedimento executivo mais demorado e complexo para se alcançar o bem da vida
a ser proporcionado ao credor.
Assim é o que se passa com o credor de quantia certa. O juiz para satisfazê-lo, pós a
condenação, terá de obter a transformação de bens do devedor em dinheiro,
para em seguida utilizá-lo no pagamento forçado da prestação inadimplida.
É essa expropriação que o art. 475-I chama de execução. Não se trata, obviamente, de
conservar a ação de execução de sentença, mas apenas de utilizar os meios
processuais executivos necessários para consumar o fim visado pelo
cumprimento da sentença, em face do objeto específico da dívida. Há, pois,
execução por quantia certa, mas não ação de execução por quantia certa, sempre
que o título executivo for sentença.
O procedimento da execução por quantia certa consiste numa atividade jurisdicional
expropriatória. A justiça se apropria de bens do patrimônio do devedor e os
transforma em dinheiro, para afinal dar satisfação ao crédito do exeqüente.
Eventualmente, os próprios bens expropriados podem ser utilizados na solução do
crédito exeqüendo por meio de adjudicação. É nesse amplo sentido que o art. 646

36
THEODORO JÚNIOR, Humberto. Curso de direito processual civil : processo de execução e cumprimento da
sentença, processo cautelar e tutela de urgência. 45 ed. Rio de Janeiro : Forense, 2010. 2 v. pp. 47-48.
37
afirma que “a execução por quantia certa tem por objeto expropriar bens do devedor,
a fim de satisfazer o direito do credor”.
Se o credor dispõe de título executivo extrajudicial (art. 585), não necessita de utilizar
o processo de conhecimento. Ingressa em juízo, diante do inadimplemento,
diretamente no processo de execução, por meio do exercício da ação executiva
autônoma. À falta de tal título, terá de obter, em processo de conhecimento, a
sentença condenatória, para em seguida atingir o patrimônio do devedor. Não terá,
porém, de passar pelo ajuizamento de ação executiva separada para chegar aos atos
expropriatórios. Por força da própria sentença condenatória dar-se-á a expedição, após
o transcurso do prazo de pagamento voluntário, do mandado de penhora e avaliação
dos bens necessários á satisfação do direito do credor (art. 475-J).

O motivo da multa de 10% sobre o valor do débito é muito bem explicado por Araken de Assis:

E, de fato, ultrapassado o prazo de 15 dias, o valor da condenação se acrescerá,


automaticamente, da multa de 10%. Não há necessidade de prévia estipulação da sanção
no título. O art. 475-J, caput, aplica-se a todos os títulos do art. 475-N, em que haja o
reconhecimento do dever de prestar, e, em alguns deles, o provimento jamais poderia
contemplar semelhante sanção, a exemplo da sentença penal condenatória. O objetivo da
multa é de tornar vantajoso o cumprimento espontâneo e, na contrapartida,
excessivamente oneroso o cumprimento forçado da condenação. Só o tempo confirmará as
esperanças depositadas no expediente.

Humberto Theodoro Júnior leciona que:

Não tem cabimento a multa se o cumprimento da prestação se der dentro dos quinze dias
estipulados pela lei. Vê-se, destarte, que o pagamento não estará da dependência de
requerimento do credor. Para evitar a multa, tem o devedor que tomar a iniciativa de cumprir a
condenação no prazo legal, que flui a partir do momento em que a sentença se torna
exeqüível em caráter definitivo.
A multa em questão é própria da execução definitiva, pelo que pressupõe sentença
transitada em julgado. Durante o recurso sem efeito suspensivo, é possível a execução
provisória, como faculdade do credor, mas inexiste, ainda, a obrigação de cumprir
espontaneamente a condenação para o devedor. Por isso não se pode penalizá-lo com a multa
pelo atraso naquele cumprimento.

17.1 Do cabimento de honorários advocatícios na fase do CUMPRIMENTO DE


SENTENÇA

É princípio informativo de toda execução que esta corre às custas do executado. É isto o que prevê
o art. 831 do NCPC:

Art. 831. A penhora deverá recair sobre tantos bens quantos bastem para o pagamento do
principal atualizado, dos juros, das custas e dos honorários advocatícios.

Portanto, além dos honorários advocatícios cabíveis por ocasião da sentença (de procedência ou
não), por força do disposto no art. 85 do NCPC (princípio da causalidade), na fase de cumprimento haverá
novo arbitramento de honorários, já que há um novo trabalho a ser desenvolvido pelo advogado, para forçar
o executado a pagar o seu débito.

Ocorre que para a execução dos títulos judiciais onde há condenação de obrigação de pagar, que
se dá numa fase processual denominada de “cumprimento da sentença”, o credor/exequente foi obrigado a atuar
no processo em busca da satisfação da dívida, razão pela qual, repita-se, o advogado continua atuando no feito,
havendo de ser remunerado por isso.

É certo que a fixação da verba honorária prevista na sentença, por óbvio, somente levou em
consideração o trabalho desenvolvido até aquela fase do processo, já que o Juiz não pode presumir que haverá
o pagamento espontâneo, o que é esperado, ou que será necessária sua atuação para compelir o
devedor/executado a tal.

38
Art. 523. No caso de condenação em quantia certa, ou já fixada em liquidação, e no caso de
decisão sobre parcela incontroversa, o cumprimento definitivo da sentença far-se-á a
requerimento do exequente, sendo o executado intimado para pagar o débito, no prazo de 15
(quinze) dias, acrescido de custas, se houver.
§ 1º Não ocorrendo pagamento voluntário no prazo do caput, o débito será acrescido de
multa de dez por cento e, também, de honorários de advogado de dez por cento.
§ 2º Efetuado o pagamento parcial no prazo previsto no caput, a multa e os honorários previstos
no § 1º incidirão sobre o restante.

18. Fluxograma da fase de cumprimento de sentença = obrigação de pagar quantia certa

19. Considerações gerais

Ainda sob a égide do CPC/1973, Araken de Assis ensinava que:

O título extrajudicial prescinde de prévia ação condenatória, ou seja, resolução judicial


que reconheça o dever de prestar do vencido. O título extrajudicial “não tem antecedência, mas
antecipa-se à sentença de cognição”, nota Pontes de Miranda. Conseguintemente, postergando

39
a função de conhecimento, o grau de estabilidade deste tipo de título diminui de modo dramático.
O principal sintoma da fragilidade se encontra no regime heterogêneo da oposição do executado,
que contra execução fundada em título extrajudicial, possui horizontes largos.
Extirpou o direito pátrio a cláusula executiva (pactum executivum; formula esecutiva;
Vollstreckungsklausel) do título.
Em síntese, a declaração das partes, seja para circunscrever determinado negócio documentado
à execução, seja para eliminá-lo da tutela executiva, é ineficaz perante o catálogo do art. 585 do
CPC. Tal vontade não institui e não exclui a ação porventura cabível. Previsto o documento
num dos tipos arrolados no art. 585, está autorizada a ação executória; escapando ele
ao catálogo legal, o documento se afigura imprestável para basear a demanda executória.
Identifica-se, portanto, o princípio da tipicidade do título executivo: a eficácia executiva
do negócio ou do ato jurídico dependerá, exclusivamente, da lei em sentido formal.

E, a respeito desses requisitos da CERTEZA, LIQUIDEZ e EXIBIGILIDADE do título executivo


extrajudicial, Cássio Scarpinella Bueno já deixava claro que:

O título executivo judicial ou extrajudicial deve referir-se a obrigação com determinados atributos.
A obrigação nele retratada deve ser certa, exigível e líquida.
O título executivo não é (e nunca foi), ele mesmo certo, líquido e exigível. Bem diferentemente,
o título executivo é apenas o documento que representa uma obrigação, entendida amplamente
como sinônimo de relação jurídica, de dever e, mesmo, de “direito”, ela própria, a “obrigação”,
certa exigível e líquida.
O título executivo documenta uma dada obrigação e, desde que ela, a obrigação, seja certa,
exigível e líquida, é possível a execução, sempre entendida como a prática de atos jurisdicionais
tendentes à prestação concreta da tutela jurisdicional executiva, é dizer, da satisfação do
exeqüente, aquele que promove a execução.

Cássio Scarpinella Bueno muito bem nos ensina que:

De acordo com o princípio do título executivo, a tutela jurisdicional executiva depende sempre de
sua prévia definição em um “título executivo”, tenha ele origem judicial (art. 475-N) ou
extrajudicial (art. 585), consoante a distinção exposta pelo Capítulo 4. Sem título executivo,não
há execução: é o que atesta antigo aforismo latino: nulla executio sine titulo.

20. A reforma na execução dos títulos extrajudiciais

Conforme já salientado, a Lei n. 11.232 introduziu alterações no CPC a cerca do “cumprimento da


sentença”, estabelecendo o chamado “processo sincrético” unindo processo de conhecimento (acertamento do
direito) e execução, esta agora transformada “apenas” numa fase daquele.

Também a partir da EC 45/2004 – Reforma do Poder Judiciário, a Lei nº 11.382 passou a fazer com
que o livro II do CPC tratasse exclusivamente da execução dos títulos extrajudiciais.

Extrai-se da Exposição de Motivos do referido PL 4497/2004, dentre outras mudanças aprovadas:

(...)
b) o Livro II passa a regrar somente as execuções por título extrajudicial, cujas normas, todavia,
aplicar-se-ão subsidiariamente ao procedimento de 'cumprimento' da sentença, conforme regra
constante do primeiro projeto já em tramitação na Câmara dos Deputados;
c) nas execuções por título extrajudicial teremos, após a citação para o pagamento
em três dias - e não sendo tal pagamento efetuado -, a realização (pelo oficial de
justiça) da penhora e da avaliação em uma mesma oportunidade, podendo o credor
indicar, na inicial da execução, os bens a serem preferencialmente penhorados.
d) nas execuções por título extrajudicial a defesa do executado - que não mais dependerá da
'segurança do juízo', far-se-á através de embargos, de regra sem efeito suspensivo (a serem
opostos nos quinze dias subseqüentes à citação), seguindo-se instrução probatória e
sentença; com tal sistema, desaparecerá qualquer motivo para a interposição da assim chamada
(mui impropriamente) 'exceção de pré-executividade'.
e) é prevista a possibilidade de o executado requerer, no prazo para embargos (com o
reconhecimento da dívida e a renúncia aos embargos), o pagamento em até seis
parcelas mensais, com o depósito inicial de trinta por cento do valor do débito;
f) quanto aos meios executórios, são sugeridas relevantíssimas mudanças. A alienação em hasta
pública, de todo era anacrônica e formalista, além de onerosa e demorada. Propõe-se, assim,
como meio expropriatório preferencial, a adjudicação pelo próprio credor, por preço não
inferior ao da avaliação;

40
g) não pretendendo adjudicar o bem penhorado, o credor poderá solicitar sua alienação por
iniciativa particular ou através agentes credenciados, sob a supervisão do juiz;
h) somente em último caso far-se-á a alienação em hasta pública, simplificados seus
trâmites (prevendo-se até o uso de meios eletrônicos) e permitido ao arrematante o pagamento
parcelado do preço do bem imóvel, mediante garantia hipotecária;
i) é abolido o instituto da 'remição'. Ao cônjuge e aos ascendentes e descendentes do
executado será lícito, isto sim, exercer a faculdade de adjudicação, em concorrência com o
exeqüente;
l) as regras relativas à penhorabilidade e impenhorabilidade de bens (atualmente eivadas de
anacronismo evidente) são atualizadas, máxime no relativo à penhora de dinheiro;

Didaticamente, Humberto Theodoro Júnior37 resumiu que:

Nota-se, numa visão geral da nova execução, a abertura para oportunidades de atuação das
partes com maior autonomia e mais significativa influência sobre os atos executivos e a solução
final do processo. Com isso, reconhece o legislador, acompanhando o entendimento da melhor
doutrina, que as partes não são apenas figurantes passivos da relação processual, mas
agentes ativos com poderes e deveres para uma verdadeira e constante cooperação
na busca e definição do provimento que, afinal, pela voz do juiz, virá pôr fim ao
conflito jurídico. Aliás, ninguém mais do que as partes têm, na maioria das vezes, condições
de eleger, ou pelo menos tentar eleger, o melhor caminho para pacificar e harmonizar as posições
antagônicas geradoras do litígio, endereçando-as para medidas consentâneas com a efetividade
esperada da prestação jurisdicional.

Portanto, e a partir da citada Lei n. 11.382/2006, a Execução de Título Extrajudicial, regulada pelo
Livro II do CPC, sofreu alterações em busca de uma atividade jurisdicional mais efetiva visando a efetividade e a
celeridade processuais, mas assegurando as garantias constitucionais do devido processo legal e da ampla defesa.

O NOVO CPC – Lei 13.105, de 16/3/2015 (DOU 17/3/2015) o fez a partir do artigo 771 e seguintes.

21. As espécies de execução de títulos EXTRAJUDICIAIS: o princípio da tipicidade do


título executivo

Segundo o Código de Processo Civil – CPC, existem as seguintes espécies de execução de títulos
extrajudiciais:

Quanto à natureza da obrigação

Arts. 806/810 do NCPC Da entrega de coisa certa


Obrigação de dar coisa
Arts. 811/813 do NCPC Da entrega da coisa incerta

Arts. 814/821 do NCPC Da execução de obrigação de fazer


Obrigação de fazer e não
fazer
Arts. 822/823 do NCPC Da execução de obrigação de não fazer

Arts. 824/909 do NCPC Da obrigação de pagar quantia certa contra devedor


solvente
Obrigação de pagar quantia
Até a edição de lei específica, as execuções contra devedor
certa insolvente, em curso ou que venham a ser propostas,
Art. 1.052 NCPC
permanecem reguladas pelo Livro II, Título IV, do
CPC/1973
Quanto ao título em que se baseia

37
Curso de direito processual civil : processo de execução e cumprimento da sentença, processo cautelar e tutela de urgência.
45 ed. Rio de Janeiro : Forense, 2010. 2 v. p. 119
41
EXECUÇÃO Livro II, CPC/arts. 771 e
Títulos executivos extrajudiciais
segs., CPC
(art. 784, NCPC)

Quanto ao seu caráter

Definitiva Art. 497 NCPC Fundada em título extrajudicial/sentença passada em


julgado

Provisória Não há execução de título extrajudicial PROVISÓRIA

22. Títulos executivos extrajudiciais

O CPC considera como títulos executivos extrajudiciais, ou seja, aqueles a quem a lei ou a vontade
das partes considera título executivo que não se originou de uma decisão judicial.

Art. 784. São títulos executivos extrajudiciais:


I - a letra de câmbio, a nota promissória, a duplicata, a debênture e o cheque;
II - a escritura pública ou outro documento público assinado pelo devedor;
III - o documento particular assinado pelo devedor e por 2 (duas) testemunhas;
IV - o instrumento de transação referendado pelo Ministério Público, pela Defensoria Pública, pela
Advocacia Pública, pelos advogados dos transatores ou por conciliador ou mediador credenciado
por tribunal;
V - o contrato garantido por hipoteca, penhor, anticrese ou outro direito real de garantia e aquele
garantido por caução;
VI - o contrato de seguro de vida em caso de morte;
VII - o crédito decorrente de foro e laudêmio;
VIII - o crédito, documentalmente comprovado, decorrente de aluguel de imóvel, bem como de
encargos acessórios, tais como taxas e despesas de condomínio;
IX - a certidão de dívida ativa da Fazenda Pública da União, dos Estados, do Distrito Federal e
dos Municípios, correspondente aos créditos inscritos na forma da lei;
X - o crédito referente às contribuições ordinárias ou extraordinárias de condomínio edilício,
previstas na respectiva convenção ou aprovadas em assembleia geral, desde que
documentalmente comprovadas;
XI - a certidão expedida por serventia notarial ou de registro relativa a valores de emolumentos
e demais despesas devidas pelos atos por ela praticados, fixados nas tabelas estabelecidas em
lei;
XII - todos os demais títulos aos quais, por disposição expressa, a lei atribuir força executiva.
§ 1o A propositura de qualquer ação relativa a débito constante de título executivo não inibe o
credor de promover-lhe a execução.
§ 2o Os títulos executivos extrajudiciais oriundos de país estrangeiro não dependem de
homologação para serem executados.
§ 3o O título estrangeiro só terá eficácia executiva quando satisfeitos os requisitos de
formação exigidos pela lei do lugar de sua celebração e quando o Brasil for indicado
como o lugar de cumprimento da obrigação.

Estes títulos executivos são os que a Lei ou a convenção das partes reconhecida pela lei lhes atribui
a chamada “FORÇA EXECUTIVA”, diante da chamada “eficácia abstrata do título executivo”, a fim de fazer
com que as partes cumpram aquilo que livremente pactuaram.

A respeito dessa EFICÁCIA ABSTRATA do título executivo, Cássio Scarpinella Bueno38 destaca que:

Para pedir tutela jurisdicional ao Estado-juiz não há necessidade de aquele que formula o
pedido ser efetivamente credor, que ele tenha efetivamente um direito seu lesionado ou
ameaçado por alguém. É suficiente que a lesão ou a ameaça a algum direito seja
convincentemente afirmada perante o Estado-juiz, que, diante desta alegação suficiente,

38
Op. cit. p. 109
42
agirá em prol da prestação da tutela jurisdicional na medida em que o próprio Estado-juiz
reconheça que aquele que rompeu a inércia jurisdicional tenha direito seu a ser tutelado.
[...]
O título executivo, neste sentido, atesta, para todos os fins, que um direito existe e
que é carente de tutela jurisdicional (v. n. 3, supra). Sua tão só apresentação tem a
aptidão de desencadear suficientemente a atividade jurisdicional com vistas à realização concreta
do direito documentado no título sem que haja necessidade de uma declaração prévia (mesmo
que superficial do ponto de vista da cognição jurisdicional) do próprio Estado-juiz quanto à
existência do direito.

Segundos os incisos do citado art. 784 do CPC, as leis próprias/extravagantes e o Código Civil
Brasileiro estipulam as normas para que cada título possa ter essa “força executiva”:

 I - a letra de câmbio e a nota promissória = regulados pelo Decreto nº 57.663, de 24/1/1966 (DOU
31/1/1966, ret. DOU 2/3/1966); a duplicata = regulada pela Lei n. 5.47, de 18/7/1968 (DOU 19/7/1968,
ret. DOU 25/7/1968); a debênture = regulada pelos artigos 52/74 da Lei n. 6.404, de 15/12/1976 (DOU
17/12/1976 - Edição Suplementar); e o cheque = regulado pela Lei n. 7.357, de 2/9/1985 (DOU 3/9/1985);

 II - a escritura pública (art. 215 do CCB) ou outro documento público assinado pelo devedor; o
documento particular assinado pelo devedor e por duas testemunhas (art. 22139, CCB); o instrumento
de transação referendado pelo Ministério Público, pela Defensoria Pública ou pelos advogados
dos transatores;

 III - os contratos garantidos por hipoteca, penhor, anticrese (arts. 1419/1510, CCB) e caução, bem
como os de seguro de vida (arts. 789 e segs, CCB);

 IV - o crédito decorrente de foro e laudêmio = arts. 678 e segs. e 2038, todos do CCB;

 V - o crédito, documentalmente comprovado, decorrente de aluguel de imóvel (Lei n. 8.245/91 - Lei


de Locações), bem como de encargos acessórios (art. 23, I, da Lei n. 8.245/91, tais como taxas e
despesas de condomínio (art. 624, CCB);

 VI - o crédito de serventuário de justiça, de perito, de intérprete, ou de tradutor, quando as custas,


emolumentos ou honorários forem aprovados por decisão judicial;

 VII - a certidão de dívida ativa da Fazenda Pública da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos
Territórios e dos Municípios (Lei n. 6.830/80 – Lei de Execuções Fiscais, correspondente aos créditos inscritos
na forma da lei (art. 211 do ECA; art. 60 da Lei n. 8.884/94 – lei antitruste; art. 10 da lei n. 5.741, de
1/12/1971 – que dispõe sobre o Sistema Financeiro da Habitação – SFH);

 VIII - todos os demais títulos a que, por disposição expressa, a lei atribuir força executiva = art. 24 da
Lei n. 8.906/94 – EOAB;

Araken de Assis elenca estes demais títulos:

Como quer que seja, incluem-se na previsão do inc. VIII:


a) cédula rural pignoratícia, cédula rural hipotecária, cédula rural pignoratícia e hipotecária, nota
de crédito rural, nota promissória rural e duplicata rural (art. 41, caput, do Dec.-lei 167, de
14.02.1967);
b) cédula de crédito industrial, nota de crédito industrial e cédula industrial pignoratícia (art. 41
do Dec.-lei 413, de 09.01.1969).;
c) letra imobiliária (Lei 4.380, de 21.08.1964);
d) cédula hipotecária (art. 29, do Dec.-lei 70, de 21.11.1966);
e) cédula e nota de crédito à exportação (art. 3.º da Lei 6.313, de 16.12.1975);
f) crédito de alienação fiduciária em garantia (art. 5.º, caput, do Dec.-lei 911, de 1.º.10.1969);
g) crédito da previdência social;
h) prêmio do contrato de seguro (art. 27 do Dec.-lei 73, de 21.11.1966);
i) honorários de advogado (art. 24, caput, da Lei 8.906, de 04.07.1994);
[...]

39
Art. 221. O instrumento particular, feito e assinado, ou somente assinado por quem esteja na livre disposição e
administração de seus bens, prova as obrigações convencionais de qualquer valor; mas os seus efeitos, bem como os da
cessão, não se operam, a respeito de terceiros, antes de registrado no registro público.
43
Considerações gerais

Ainda objeto das alterações introduzidas no CPC/1973 (revogado), pela Lei n. 11.232, de 22/12/2005
(DOU 23/12/2005) que introduziu a disciplina do “CUMPRIMENTO DA SENTENÇA”, o “meio de
defesa” do executado (devedor da quantia certa), que é a IMPUGNAÇÃO.

Mas, LEMBRE-SE que para chegar até aqui, o Exequente se tornou credor, depois de todo um
processo de conhecimento, onde foi resolvida a denominada “crise de certeza” com a prolação de
uma sentença. Portanto, é óbvio que tal sentença seja CUMPRIDA, ou seja, que o Poder Judiciário
prestigie suas decisões, e que, através do Estado-juiz e a requerimento do credor, faça o devedor
cumprir COERCITIVAMENTE aquilo que ficou decidido no processo.

Porém, e como em todo Estado Democrático de Direito, não há processo sem defesa, então, vejamos
COMO esta defesa do executado pode se dar, inclusive as matérias que poderá alegar.

23. Natureza jurídica da impugnação ao cumprimento de sentença – ICS

Art. 525. Transcorrido o prazo previsto no art. 523 sem o pagamento voluntário, inicia-se o prazo de
15 (quinze) dias para que o executado, independentemente de penhora ou nova intimação,
apresente, nos próprios autos, sua impugnação.
§ 1o Na impugnação, o executado poderá alegar:
I - falta ou nulidade da citação se, na fase de conhecimento, o processo correu à revelia;
II - ilegitimidade de parte;
III - inexequibilidade do título ou inexigibilidade da obrigação;
IV - penhora incorreta ou avaliação errônea;
V - excesso de execução ou cumulação indevida de execuções;
VI - incompetência absoluta ou relativa do juízo da execução;
VII - qualquer causa modificativa ou extintiva da obrigação, como pagamento, novação,
compensação, transação ou prescrição, desde que supervenientes à sentença.
§ 2o A alegação de impedimento ou suspeição observará o disposto nos arts. 146 e 148.
§ 3o Aplica-se à impugnação o disposto no art. 229.
§ 4o Quando o executado alegar que o exequente, em excesso de execução, pleiteia quantia superior
à resultante da sentença, cumprir-lhe-á declarar de imediato o valor que entende correto,
apresentando demonstrativo discriminado e atualizado de seu cálculo.
§ 5o Na hipótese do § 4o, não apontado o valor correto ou não apresentado o demonstrativo, a
impugnação será liminarmente rejeitada, se o excesso de execução for o seu único fundamento, ou,
se houver outro, a impugnação será processada, mas o juiz não examinará a alegação de excesso de
execução. (Rejeição liminar = não conhecimento pelo juízo)
§ 6o A apresentação de impugnação não impede a prática dos atos executivos, inclusive os de
expropriação, podendo o juiz, a requerimento do executado e desde que garantido o juízo com
penhora, caução ou depósito suficientes, atribuir-lhe efeito suspensivo, se seus fundamentos forem
relevantes e se o prosseguimento da execução for manifestamente suscetível de causar ao executado
grave dano de difícil ou incerta reparação.
§ 7o A concessão de efeito suspensivo a que se refere o § 6o não impedirá a efetivação dos atos de
substituição, de reforço ou de redução da penhora e de avaliação dos bens
§ 8o Quando o efeito suspensivo atribuído à impugnação disser respeito apenas a parte do objeto da
execução, esta prosseguirá quanto à parte restante.
§ 9o A concessão de efeito suspensivo à impugnação deduzida por um dos executados não
suspenderá a execução contra os que não impugnaram, quando o respectivo fundamento disser
respeito exclusivamente ao impugnante.
§ 10. Ainda que atribuído efeito suspensivo à impugnação, é lícito ao exequente requerer o
prosseguimento da execução, oferecendo e prestando, nos próprios autos, caução
suficiente e idônea a ser arbitrada pelo juiz.

44
§ 11. As questões relativas a fato superveniente ao término do prazo para apresentação da
impugnação, assim como aquelas relativas à validade e à adequação da penhora, da avaliação e dos
atos executivos subsequentes, podem ser arguidas por simples petição, tendo o executado, em
qualquer dos casos, o prazo de 15 (quinze) dias para formular esta arguição, contado da comprovada
ciência do fato ou da intimação do ato.
§ 12. Para efeito do disposto no inciso III do § 1 o deste artigo, considera-se também inexigível a
obrigação reconhecida em título executivo judicial fundado em lei ou ato normativo considerado
inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, ou fundado em aplicação ou interpretação da lei ou
do ato normativo tido pelo Supremo Tribunal Federal como incompatível com a Constituição Federal,
em controle de constitucionalidade concentrado ou difuso. (COISA JULGADA
INCONSTITUCIONAL!)
§ 13. No caso do § 12, os efeitos da decisão do Supremo Tribunal Federal poderão ser
modulados no tempo, em atenção à segurança jurídica.
§ 14. A decisão do Supremo Tribunal Federal referida no § 12 deve ser anterior ao
trânsito em julgado da decisão exequenda.
§ 15. Se a decisão referida no § 12 for proferida após o trânsito em julgado da decisão exequenda,
caberá ação rescisória, cujo prazo será contado do trânsito em julgado da decisão proferida pelo
Supremo Tribunal Federal.

A maior parte da jurisprudência entende que a natureza jurídica da impugnação ao


cumprimento de sentença é de DEFESA.

24. Impugnação ao cumprimento de sentença – ICS

Em sua defesa/reação, e reafirmando o que já se disse que a matéria a ser alegada


em “defesa” é MITIGADA, até porque precedia um processo de conhecimento com decisão judicial
transitada em julgado, o § 1º do art. 525 do NCPC prevê as hipóteses que poderá o executado alegar.
Portanto, a ICS tem limites no ROL TAXATIVO do § 1º do art. 525 do NCPC, para rescindir
o julgado e EXTINGUIR o cumprimento da sentença, daí porque a matéria a ser alegada em “defesa”
é MITIGADA/reduzida/limitada, já que o OBJETO do cumprimento da sentença JÁ PASSOU PELO CRIVO
DO PODER JUDICIÁRIO, que o decidiu favoravelmente (mesmo que em parte) ao credor/exequente.

24.1 Matérias alegáveis na ICS

 inciso I, a FALTA ou NULIDADE da CITAÇÃO se na fase de conhecimento o processo


correu à revelia do réu (não se angularizou/aperfeiçoou a relação processual), em que a ICS
assume a feição da antiga querela nullitatis insanabilis ou actio nullitatis = Ocorre que o nosso
ordenamento jurídico acata a teoria da existência de sentenças inexistentes. Explica-se: a
rescindibilidade, que autoriza a Ação Rescisória, nos termos do art. 96640 do NCPC, não
se confunde com a NULIDADE DA SENTENÇA – ipso iure. A Ação Rescisória, portanto, não

40 Art. 966. A decisão de mérito, transitada em julgado, pode ser rescindida quando:
I - se verificar que foi proferida por força de prevaricação, concussão ou corrupção do juiz;
II - for proferida por juiz impedido ou por juízo absolutamente incompetente;
III - resultar de dolo ou coação da parte vencedora em detrimento da parte vencida ou, ainda, de simulação ou colusão entre
as partes, a fim de fraudar a lei;
IV - ofender a coisa julgada;
V - violar manifestamente norma jurídica;
VI - for fundada em prova cuja falsidade tenha sido apurada em processo criminal ou venha a ser demonstrada na própria
ação rescisória;
VII - obtiver o autor, posteriormente ao trânsito em julgado, prova nova cuja existência ignorava ou de que não pôde fazer
uso, capaz, por si só, de lhe assegurar pronunciamento favorável;
VIII - for fundada em erro de fato verificável do exame dos autos.
45
supõe sentença nula, mas ao contrário, SENTENÇA VÁLIDA, que tenha produzido a coisa
julgada.

Dá-se então a nulidade ipso iure, “tal que impede à sentença, passar em
julgado”, trata-se assim de SENTENÇA INEXISTENTE, e, para o enfrentamento de inescrupulosa
sentença, têm doutrina e jurisprudência se esmerado para a defesa no tocante à subsistência da
chamada querela nullitatis e, relativamente à falta ou nulidade da citação, se o processo
correu à revelia, a relação processual (autor – juiz – réu) não se angularizou/aperfeiçoou,
e aí se trata especificamente da querela nullitatis insanabilis já que tal NULIDADE É INSANÁVEL.

 Inciso II – ilegitimidade de parte = proposto o cumprimento da sentença OU o exequente não


é o credor INDICADO NA SENTENÇA OU o executado não é o verdadeiro devedor.

 Inciso III - inexequibilidade do título ou inexibigilidade da obrigação = esta


INEXEQUIBILIDADE do título refere-se à falta de executividade do TÍTULO, ou seja, não é um
título líquido e certo, e a INEXIGILIDADE DA OBRIGAÇÃO pode se dar de várias formas: seja
porque o cumprimento da sentença ainda não se impõe se o Exequente não cumpriu
sua obrigação precedente, ou então porque ainda não é TEMPESTIVA. E mais, o § 12 do
art. 525 fala na COISA JULGADA INCONSTITUCIONAL, assim declarada pelo STF, mas
até o trânsito em julgado da sentença (§ 14) ou posterior a ela, sendo rescindida por ação
rescisória (§ 14) é alusivo aos casos de sentença fundada em norma declarada
inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. (tal declaração pode ter ocorrido tanto em
ação de controle concentrado de constitucionalidade como em sede de controle difuso de
constitucionalidade, neste segundo caso após suspensa pelo Senado - CF, art. 52, X , a execução
da norma)

 Inciso IV - penhora incorreta ou avaliação errônea = e por penhora incorreta pode ser alega
a IMPENHORABILIDADE absoluta do art. 833 do NCPC, e, por avaliação errônea (ônus do
impugnante) pode ocorrer quando avaliado OUTRO bem ou com valor ínfimo/reduzido.

 Inciso V – excesso de execução ou cumulação indevida de execuções= é o caso de ICS


mais comum, quando o exequente/credor postula quantia superior a resultante da
sentença (parcelas supostamente decorrentes da sentença, como certos ônus excessivos em
contratos bancários, valor da sucumbência maior, não considerou valores pagos, etc.). E mais, o
§ 4º do art. 525 é EXPRESSO ao exigir que o DEVEDOR/impugnante DECLARE o valor
que entende correto possibilitando ao Exequente a imediata execução da parcela
incontroversa, com manifestas vantagens em termos de celeridade e eficiência processual, sob
pena de rejeição liminar dessa impugnação. (Rejeição liminar = não conhecimento pelo juízo)

 Inciso VI – incompetência absoluta ou relativa do Juízo da execução = relativas aos


critérios de distribuição da Justiça, observados nos artigos 781 e 782 do NCPC.

 Inciso VII – qualquer causa modificativa ou extintiva da obrigação, como pagamento,


novação, compensação, transação ou prescrição, desde que supervenientes à sentença
= é o caso de obtenção do perdão da dívida/remissão (se anteriores à sentença, a matéria
necessariamente é considerada abrangida pelo decisório).

24.2 Processamento do incidente da ICS

Como já se mencionou, e tendo inclusive em vista que o cumprimento da sentença


condenatória ao pagamento de quantia passou a ser uma fase do processo de conhecimento (cujo
objeto foi ampliado), não mais assiste ao devedor a possibilidade de defender-se através uma ação de
embargos do devedor (com a natureza de ação de conhecimento intercalada), mas sim mediante

46
simples impugnação aos atos executórios, isto é, mediante uma atividade meramente
incidental, sem a instauração de nova relação jurídica processual.

Aliás, se o cumprimento da sentença não mais se constitui em processo


autônomo, não se compreenderia que a contradita a tal cumprimento se fizesse em ação autônoma.

Em respeito ao princípio constitucional do contraditório, é evidente que apresentada a


IMPUGNAÇÃO AO CUMPRIMENTO DA SENTENÇA – ICS - terá o Exequente prazo idêntico -
de quinze dias - para apresentar resposta, seguindo-se sumária instrução, se necessária.

Conforme o art. 525 do NCPC, ao incidente de Impugnação ao Cumprimento de Sentença


– ICS – e é natural que assim seja, de regra NÃO será atribuído efeito suspensivo, ou seja, a
impugnação processar-se-á nos PRÓPRIOS AUTOS e os atos executórios seguir-se-ão
como previsto em lei.

Todavia, atendendo à possibilidade de ocorrência de casos excepcionais, a norma admite


exceção, já que pelo § 6º do art. 525 do NCPC, PODE O JUIZ – faculdade ope iudicis – ATRIBUIR
EFEITO SUSPENSIVO À IMPUGNAÇÃO, condicionado a:

1º) a requerimento do executado e;

2º) desde que garantido o juízo com penhora, caução ou depósito suficientes e;;

3º) com fundamentos relevantes e;

4º) se o prosseguimento da execução for manifestamente suscetível de causar ao


executado grave dano de difícil ou incerta reparação;

5º) e ISSO NÃO IMPEDE a efetivação dos atos de substituição, de reforço ou de redução da
penhora e de avaliação dos bens (§ 7o).

O juiz, em criterioso exame das alegações do Impugnante/Executado, e, ponderando a


relevância de seus fundamentos, somada à probabilidade de dano grave e de difícil reparação ao
EXECUTADO, PODERÁ/DEVERÁ conceder ao incidente processual a eficácia de impedir a prática dos
atos executórios propriamente ditos.

Mesmo em tais casos, e de acordo com o § 10º do art. 525:

§ 10. Ainda que atribuído efeito suspensivo à impugnação, é lícito ao


exequente requerer o prosseguimento da execução, oferecendo e
prestando, nos próprios autos, CAUÇÃO suficiente e idônea a ser
arbitrada pelo juiz.

Em tal hipótese, a excepcional concessão de efeito suspensivo será REVOGADA, e,


portanto, os atos executórios prosseguirão.

Caso as alegações trazidas na impugnação venham a ser acolhidas, com a decretação de


nulidade (ou a anulação) total ou parcial do processo/extinção da obrigação, então os prejuízos
sofridos pelo Impugnante/Executado (devido à alienação do bem penhorado a um terceiro de
boa-fé) estarão cobertos pela CAUÇÃO, arbitrada de pleno pelo juiz (evidentemente o valor dessa
caução pode ser modificado pelo juiz para mais ou para menos, em fundamentado requerimento do
interessado e atendendo às circunstâncias da causa).

47
Dessa decisão sobre atribuição de efeito suspensivo à impugnação, sobre a
fixação do valor da caução e sua eventual alteração, autorizam a parte inconformada ao
emprego do AGRAVO DE INSTRUMENTO se desejar sua reforma.

O Juiz, em casos excepcionais, diante da natureza e relevância das arguições constantes


da impugnação (fundada alegação de nulidade da sentença porque proferida em processo com citação
edital de pessoa já falecida), poderia/deveria INDEFERIR a prestação de qualquer caução;
assim, impedirá quaisquer atos executórios na pendência da impugnação.

25. Recurso cabível do julgamento da ICS

De regra, por cuidar-se de incidente processual, da decisão que apreciar a ICS (seja
para IMPROVIMENTO ou para acolher alegação de excesso de execução, extinção da obrigação, etc.)
caberá AGRAVO DE INSTRUMENTO.

Todavia, pode acontecer que o provimento judicial da ICS venha a EXTINGUIR A


EXECUÇÃO (quando comprovada uma superveniente causa extintiva da obrigação; ou até a
NULIDADE DO PROCESSO em sua íntegra = art. 803, NCPC, em que a ICS equivale a uma ação
rescisória); em tais casos, a decisão judicial da ICS comportaria naturalmente o RECURSO DE
APELAÇÃO.

Didaticamente, Humberto Theodoro Júnior41 resume os efeitos do julgamento da ICS:

O julgamento, seja a impugnação processada nos autos ou em apartado, se dá


por meio de decisão interlocutória quando rejeitada a defesa. O recurso cabível
será o agravo de instrumento. Se for acolhida a argüição, para decretar a
extinção da execução, o ato é tratado pela lei como sentença, desafiando,
portanto, o recurso de apelação (art. 475-M, § 3º). Por outro lado, mesmo
sendo acolhida a defesa, se o caso não for de extinção da execução, mas apenas
de alguma interferência em seu objeto ou em seu curso, o recurso a manejar
será o agravo de instrumento.

25.1 Do cabimento de honorários advocatícios no julgamento da ICS

As despesas processuais do cumprimento da sentença correm por conta do Executado, e,


se sucumbente na sua Impugnação ao Cumprimento de Sentença – ICS – daí surgem os efeitos da
sucumbência, até porque tal é consectário/consequência do seu inadimplemento.

Segundo o NCPC, e pelo princípio da CAUSALIDADE:

DO CUMPRIMENTO DEFINITIVO DA SENTENÇA QUE RECONHECE A


EXIGIBILIDADE DE OBRIGAÇÃO DE PAGAR QUANTIA CERTA
Art. 523. No caso de condenação em quantia certa, ou já fixada em liquidação,
e no caso de decisão sobre parcela incontroversa, o cumprimento definitivo da
sentença far-se-á a requerimento do exequente, sendo o executado intimado
para pagar o débito, no prazo de 15 (quinze) dias, acrescido de custas, se
houver.
§ 1º Não ocorrendo pagamento voluntário no prazo do caput, o débito será
acrescido de multa de dez por cento e, também, de honorários de
advogado de dez por cento.

41
Curso de direito processual civil : processo de execução e cumprimento da sentença, processo cautelar e tutela de urgência.
45 ed. Rio de Janeiro : Forense, 2010. 2 v. p. 60
48
§ 2º Efetuado o pagamento parcial no prazo previsto no caput, a multa e os
honorários previstos no § 1º incidirão sobre o restante.

Art. 85. A sentença condenará o vencido a pagar honorários ao


advogado do vencedor.
§ 1º São devidos honorários advocatícios na reconvenção, no cumprimento de
sentença, provisório ou definitivo, na execução, resistida ou não, e nos recursos
interpostos, cumulativamente.

Havendo ou não a ICS, a verba honorária incidirá (10%) se o devedor/executado


não promover o cumprimento/pagamento antes do prazo escoado para requerimento da
expedição do mandado executivo (§ 1º art. 525, NCPC).

É princípio informativo de toda execução que esta corre às custas do Executado. É isto o
que prevê o art. 831 do NCPC:

Da Penhora, do Depósito e da Avaliação


Do Objeto da Penhora
Art. 831. A penhora deverá recair sobre tantos bens quantos bastem para o
pagamento do principal atualizado, dos juros, das custas e dos honorários
advocatícios.

26. Fluxograma da impugnação ao cumprimento da sentença – ICS

27. Considerações gerais dos Embargos à execução

49
O título executivo extrajudicial é o documento representativo de dívida que pode ser objeto
de ação executiva. O NOVO CPC – Lei 13.105, de 16/3/2015 (DOU 17/3/2015), os enumera nos incisos
do art. 784.
Em respeito às garantias constitucionais do devido processo legal – due process of law – e
do contraditório e da ampla defesa (art. 5º42, LIV e LV, da Constituição da República Federativa do
Brasil – CF/88), o devedor/Executado tem a possibilidade de apresentar sua DEFESA,
impugnando a execução.

Conforme já estudamos, há tratamento diverso para a execução de títulos judiciais


(art. 515, NCPC), denominada cumprimento de sentença, onde a defesa do Executado
também é diferenciada, e se dá segundo a técnica processual adequada, através de impugnação.

Mas, ainda foi objeto das alterações introduzidas pela Lei 11.382, de 6/12/2006
(DOU 7/12/2006) a disciplina dos EMBARGOS DO DEVEDOR ou EMBARGOS À EXECUÇÃO, que
são o meio próprio de defesa do Executado na Execução de título extrajudicial.

Portanto, a defesa do Executado com base em título extrajudicial se dá por meio dos
EMBARGOS À EXECUÇÃO.

O NCPC reservou os artigos 914/920 para tratar dos EMBARGOS À EXECUÇÃO:

DOS EMBARGOS À EXECUÇÃO


Art. 914. O executado, independentemente de penhora, depósito ou caução,
poderá se opor à execução por meio de embargos.
§ 1o Os embargos à execução serão distribuídos por dependência, autuados em
apartado e instruídos com cópias das peças processuais relevantes, que
poderão ser declaradas autênticas pelo próprio advogado, sob sua
responsabilidade pessoal.
§ 2o Na execução por carta, os embargos serão oferecidos no juízo deprecante
ou no juízo deprecado, mas a competência para julgá-los é do juízo deprecante,
salvo se versarem unicamente sobre vícios ou defeitos da penhora, da avaliação
ou da alienação dos bens efetuadas no juízo deprecado.
Art. 915. Os embargos serão oferecidos no prazo de 15 (quinze) dias,
contado, conforme o caso, na forma do art. 231.
§ 1o Quando houver mais de um executado, o prazo para cada um deles
embargar conta-se a partir da juntada do respectivo comprovante da citação,
salvo no caso de cônjuges ou de companheiros, quando será contado a partir
da juntada do último.

As exceções a esta regra geral são:

 sentença proferida em face da Fazenda Pública (artigo 534 do NCPC) = CABE IMPUGNAÇÃO À
EXECUÇÃO; e
 o devedor-executado de alimentos (artigo 528 do NCPC) = cabe IMPUGNAÇÃO ao cumprimento
de sentença.

50
Modalidade de Defesa do
Natureza do título Regramento legal
execução executado
Cumprimento de
Título executivo
sentença lato Impugnação Artigo 525, NCPC
judicial
sensu
Embargos à
Título executivo Execução Execução ou
Artigo 914, NCPC
extrajudicial propriamente dita Embargos do
devedor

28. Os Embargos à Execução ou Embargos do Devedor

Fruto das reformas no CPC/1973, as alterações introduzidas pela Lei 11.382, de 6/12/2006
(DOU 7/12/2006) na disciplina dos EMBARGOS DO DEVEDOR ou EMBARGOS À EXECUÇÃO de título
EXTRAJUDICIAL, EXTIRPARAM a necessidade desta prévia segurança/garantia do juízo pela penhora
ou depósito.

Tal segurança somente se MANTINHA no cumprimento de sentença, sendo condição sine


qua non para a Impugnação ao seu cumprimento (art. 475-L, CPC/1973).

Agora, como no NCPC, NEM MESMO NO CUMPRIMENTO DE SENTENÇA é necessária a


penhora/garantia do Juízo.

A EXCEÇÃO se dá nas Execuções de Título Extrajudicial no rito da Lei dos Juizados


Especiais Cíveis – JESP´s, porque lá, permanece a EXIGÊNCIA de penhora prévia, é o que
determina o § 1º do art. 53 da Lei n. 9.099/95:

Art. 53. A execução de título executivo extrajudicial, no valor de até


quarenta salários mínimos, obedecerá ao disposto no Código de Processo Civil,
com as modificações introduzidas por esta Lei.
§ 1º Efetuada a penhora, o devedor será intimado a comparecer à audiência
de conciliação, quando poderá oferecer embargos (artigo 52, IX), por escrito
ou verbalmente.

E o momento para o oferecimento dos Embargos à Execução, no JESP, é EXATAMENTE


nessa audiência de conciliação (§ 1º do art. 53 da Lei n. 9.099/95), sob pena de PRECLUSÃO
temporal.

Muito embora se diga que os Embargos do Devedor ou Embargos à Execução (mais


comumente usado) são o meio próprio de defesa do Executado, mas, sua natureza jurídica é,
verdadeiramente, de AÇÃO, e, no caso, AÇÃO AUTÔNOMA.

Ação no sentido de que o executado tem o ônus de romper a inércia da


jurisdição requerendo lhe seja prestada tutela jurisdicional consistente no
reconhecimento de algum vício ou defeito, localizado, no plano material ou no

51
plano processual, no título executivo (extrajudicial) que fundamenta a execução
do exequente, ou algum vício ou defeito localizado, no próprio “processo de
execução” amplamente considerado ou, de forma mais específica, em algum
ato deste proceso que tenha sido praticado fora dos ditames legais. Bem por
isto, complementa a doutrina tradicional que a ação de “embargos à execução”
dá ensejo á formação e ao desenvolvimento de um outro “processo”, um
processo autônomo e incidental em relação àquele em que se desenvolvem
os atos jurisdicionais executivos, a permitir o desenvolvimento amplo e
profundo da cognição jurisdicional – “cognição jurisdicional exauriente” (v. n.
9 do Capítulo I da Parte III do vol. 1) – acerca das questões levantadas pelo
executado.

A segurança do juízo somente é necessária quando o executado pretender obter


o efeito suspensivo aos embargos.
Para a oposição dos embargos à execução é preciso preencher os requisitos da
petição inicial previstos nos arts. 319 e 320 e, para o caso de processo físico,
juntar as cópias das peças processuais relevantes do processo de execução,
para que possa ser julgado da forma correta.
A ideia do traslado de peças é justamente para que possa ser julgado
paralelamente ao trâmite da execução, isto é, ao serem autuados em apartado
os embargos terão “vida própria” fazendo com que seu processamento em nada
atrapalhe a execução.
Mesmo com os embargos ajuizados, em regra, salvo no caso de concessão do
efeito suspensivo, os atos executivos de busca e constrição de bens serão
praticados normalmente. Com o julgamento dos embargos, apenas eles subirão
ao tribunal para o processamento e julgamento de eventual apelação
interposta.

são peças relevantes e obrigatórias:

 Petição inicial da execução com o título, memória de cálculo, procuração;


 Despacho inicial;
 Certidão de juntada do mandado e o respectivo Mandado de penhora (para contagem da
tempestividade dos Embargos); e
 outras peças que entender relevantes;

Sendo que sua oposição INDEPENDE de penhora prévia.

Por ser uma espécie de AÇÃO DE CONHECIMENTO, o juiz pode JULGAR e REJEITAR
liminarmente, designar audiência de conciliação, instrução e julgamento, ou seja, praticar todos os atos
atinentes a este tipo de ação.

28.1 Prazo dos Embargos

Art. 915. Os embargos serão oferecidos no prazo de 15 (quinze) dias,


contado, conforme o caso, na forma do art. 231.
§ 1o Quando houver mais de um executado, o prazo para cada um deles
embargar conta-se a partir da juntada do respectivo comprovante da citação,
salvo no caso de cônjuges ou de companheiros, quando será contado a partir
da juntada do último.
[...]
§ 3o Em relação ao prazo para oferecimento dos embargos à execução, não se
aplica o disposto no art. 229. (Prazo em dobro)

Sem maiores delongas, vejam também que:

52
Art. 829. O executado será citado para pagar a dívida no prazo de 3 (três) dias,
contado da citação.
§ 1o Do mandado de citação constarão, também, a ordem de penhora e a
avaliação a serem cumpridas pelo oficial de justiça tão logo verificado o não
pagamento no prazo assinalado, de tudo lavrando-se auto, com intimação do
executado.
§ 2o A penhora recairá sobre os bens indicados pelo exequente, salvo se outros
forem indicados pelo executado e aceitos pelo juiz, mediante demonstração de
que a constrição proposta lhe será menos onerosa e não trará prejuízo ao
exequente.

Assim, e nos termos do art. 915 caput do NCPC, JUNTADO aos autos o Mandado de
Citação do Executado, abre-se a contagem do prazo PRECLUSIVO e FATAL para o Executado
apresentar os seus embargos, sendo o JUÍZO COMPETENTE o que processa a Ação de Execução de
título executivo extrajudicial.

E, nos temos do § 1º do citado art. 915 do NCPC, havendo mais de 1 Executado, o prazo
para cada um embargar conta-se a partir da juntada do respectivo mandado citatório, REJEITA-SE a
ampliação do prazo, NÃO SE APLICANDO o disposto nos arts. 18043 e 22944 do NCPC, nos temos do §
1º do citado art. 915 do NCPC:

§ 2o Nas execuções por carta, o prazo para embargos será contado:


I - da juntada, na carta, da certificação da citação, quando versarem
unicamente sobre vícios ou defeitos da penhora, da avaliação ou da alienação
dos bens;
II - da juntada, nos autos de origem, do comunicado de que trata o § 4 o
deste artigo ou, não havendo este, da juntada da carta devidamente cumprida,
quando versarem sobre questões diversas da prevista no inciso I deste
parágrafo.
§ 3o Em relação ao prazo para oferecimento dos embargos à execução,
não se aplica o disposto no art. 229.
§ 4o Nos atos de comunicação por carta precatória, rogatória ou de ordem, a
realização da citação será imediatamente informada, por meio eletrônico, pelo
juiz deprecado ao juiz deprecante.
[...]
§ 2o Na execução por carta, os embargos serão oferecidos no juízo
deprecante ou no juízo deprecado, mas a competência para julgá-los
é do juízo deprecante, salvo se versarem unicamente sobre vícios ou defeitos
da penhora, da avaliação ou da alienação dos bens efetuadas no juízo
deprecado.

Araken de Assis45, sob a égide do CPC/1973 já ensinava que:

43
Art. 180. O Ministério Público gozará de prazo em dobro para manifestar-se nos autos, que terá início a partir de sua
intimação pessoal, nos termos do art. 183, § 1 o.
§ 1o Findo o prazo para manifestação do Ministério Público sem o oferecimento de parecer, o juiz requisitará os autos e dará
andamento ao processo.
§ 2o Não se aplica o benefício da contagem em dobro quando a lei estabelecer, de forma expressa, prazo pr óprio para o
Ministério Público.
44
Art. 229. Os litisconsortes que tiverem diferentes procuradores, de escritórios de advocacia distintos, terão prazos contados
em dobro para todas as suas manifestações, em qualquer juízo ou tribunal, independentemente de requerimento.
§ 1o Cessa a contagem do prazo em dobro se, havendo apenas 2 (dois) réus, é oferecida defesa por apenas um deles.
§ 2o Não se aplica o disposto no caput aos processos em autos eletrônicos.
45
ASSIS, Araken de. Manual da execução. 13. ed. rev., ampl. e atual. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2010. pp.
1293-1294.
53
A citação faz com que se iniciem dois prazos – da citação propriamente dita, o
prazo de 3 dias para pagamento e, da juntada do comprovante de citação nos
autos do processo – 15 dias para a oposição de embargos.
Tanto para o primeiro, quanto para o segundo prazo, não há a menor
necessidade da penhora ter sido realizada, portanto, totalmente desnecessária
que a citação ocorra por oficial de justiça.
Relevante também o fato de que se os embargos forem oferecidos sem garantia
do juízo, não há que se falar em efeito suspensivo (Art. 919, § 1º).
E, ainda, tendo sido oferecidos os embargos à execução haverá a constituição
de um patrono por parte do executado, ensejando a possibilidade de que a
intimação de eventual penhora a ser realizada posteriormente ao oferecimento
dos embargos, se faça na pessoa do advogado, pela imprensa oficial. Prazo.
O prazo será de 15 dias, contados em dias úteis, como determina o art. 219.

Repita-se, a EXCEÇÃO se dá nas Execuções de Título Extrajudicial no rito da Lei dos Juizados
Especiais Cíveis – JESP´s, onde permanece a exigência de PENHORA PRÉVIA, é o que determina
o § 1º do art. 53 da Lei 9.099/95:

E o momento para o oferecimento dos Embargos à Execução é EXATAMENTE na


audiência de conciliação (§ 1º do art. 53 da Lei n. 9.099/95), sob pena de PRECLUSÃO
temporal.

28.2 Rejeição liminar dos Embargos

Segundo o NOVO CPC – Lei 13.105, de 16/3/2015 (DOU 17/3/2015):

Art. 918. O juiz rejeitará liminarmente os embargos:


I - quando intempestivos;
II - nos casos de indeferimento da petição inicial e de improcedência liminar do
pedido;
III - manifestamente protelatórios.
Parágrafo único. Considera-se conduta atentatória à dignidade da justiça o
oferecimento de embargos manifestamente protelatórios.

Segundo o NCPC anotado da OAB-RS46:

A norma traz as três hipóteses de julgamento liminar dos embargos à


execução, sendo que todos eles ensejam apelação sem efeito
suspensivo, conforme dispões o art. 1.012, § 1º, III.
Havendo intempestividade na oposição dos embargos não há nem mesmo que
se falar em citação do executado. Ele não será processado e, portanto, será
rejeitado liminarmente, sem resolução do mérito.
No inciso II houve uma ampliação em relação à regra estabelecida no
CPC/1973, onde o inciso II do art. 739 estabelecia apenas a inépcia da inicial
como fundamento para sua rejeição liminar. A nova regra amplia as situações
para qualquer motivo de indeferimento da petição inicial (art. 330), além de
autorizar o julgamento liminar de improcedência do pedido, nos termos do art.
332.
Conceito bastante subjetivo está previsto no inciso III, já que caberá ao
magistrado analisar e fundamentar de forma completa, nos termos do art. 489,
§ 1º, caso interprete como manifestamente protelatórios os embargos ofertados

46
Anotações ao artigo 918: Gilberto Gomes Bruschi. Novo código de processo civil anotado. Porto Alegre : OAB RS, 2015.
p. 683.
54
pelo executado, fixando-lhe, desde logo a multa prevista no art. 774, parágrafo
único, por tratar-se de ato atentatório à dignidade da justiça.
Entendemos, por outro lado, que tal regra também pode ser aplicada à
impugnação ao cumprimento da sentença, tanto na rejeição liminar como na
fixação da multa por intenção protelatória, em virtude da autorização expressa
no art. 771.
Outra questão interessante, é que os embargos à execução podem ser
considerados manifestamente protelatórios mesmo que não tenha sido
rejeitada a petição inicial, ensejando, da mesma forma a multa processual.

28.3 Ausência de EFEITO SUSPENSIVO nos Embargos

Em regra, os Embargos à Execução ou do Devedor NÃO TÊM efeito suspensivo


(artigo 919, NCPC, antigo art. 739-A, CPC/1973), NÃO suspendem a execução, embora o juiz possa,
a requerimento do embargante, atribuí-lo nos casos de dano de difícil ou incerta reparação.

E, como os Embargos são considerados AÇÃO DE CONHECIMENTO autônoma,


são, portanto, decididos por sentença (artigo 920, NCPC).

Da sentença de mérito cabe o recurso de Apelação, recebida apenas no EFEITO


DEVOLUTIVO se os embargos forem julgados improcedentes ou parcialmente improcedentes, nos
termos do art. 1.01247, III, do CPC.

Diz o NCPC:

Art. 919. Os embargos à execução não terão efeito suspensivo.


§ 1o O juiz poderá, a requerimento do embargante, atribuir efeito suspensivo
aos embargos quando verificados os requisitos para a concessão da
tutela provisória e desde que a execução já esteja garantida por
penhora, depósito ou caução suficientes.
§ 2o Cessando as circunstâncias que a motivaram, a decisão relativa aos
efeitos dos embargos poderá, a requerimento da parte, ser modificada
ou revogada a qualquer tempo, em decisão fundamentada.
§ 3o Quando o efeito suspensivo atribuído aos embargos disser respeito apenas
a parte do objeto da execução, esta prosseguirá quanto à parte restante.
(EFEITO SUSPENSIVO PARCIAL)
§ 4o A concessão de efeito suspensivo aos embargos oferecidos por um dos
executados não suspenderá a execução contra os que não embargaram quando
o respectivo fundamento disser respeito exclusivamente ao embargante.
(EFEITO SUSPENSIVO PESSOAL)
§ 5o A concessão de efeito suspensivo não impedirá a efetivação dos atos de
substituição, de reforço ou de redução da penhora e de avaliação dos bens.
(porque não geram prejuízo ao executado)

28.4 Impugnação dos Embargos

Se os Embargos à Execução são a manifestação dos princípios e garantias constitucionais


do devido processo legal – due process of law – e do contraditório e da ampla defesa (art. 5º, LIV e
LV, da CF/88), do devedor/Executado que tem a possibilidade de apresentar sua DEFESA, impugnando
a execução, igualmente o Credor/Exequente tem o direito de se manifestar sobre o conteúdo
de tais Embargos, inclusive alegando:

55
 Intempestividade dos Embargos à Execução;

 Caráter manifestamente protelatório, etc.

Segundo o art. 920 do NOVO CPC – Lei 13.105, de 16/3/2015 (DOU 17/3/2015):

Art. 920. Recebidos os embargos:


I - o exequente será ouvido no prazo de 15 (quinze) dias; (Impugnação aos
Embargos/Réplica = respeito ao contraditório)
II - a seguir, o juiz julgará imediatamente o pedido ou designará audiência;
III - encerrada a instrução, o juiz proferirá sentença.

Art. 777. A cobrança de multas ou de indenizações decorrentes de litigância de


má-fé ou de prática de ato atentatório à dignidade da justiça será promovida
nos próprios autos do processo.

29. Matérias que podem ser alegadas em defesa

Diz o NCPC:

TÍTULO III
DOS EMBARGOS À EXECUÇÃO
[...]
Art. 917. Nos embargos à execução, o executado poderá alegar:
I - inexequibilidade do título ou inexigibilidade da obrigação;
II - penhora incorreta ou avaliação errônea;
III - excesso de execução ou cumulação indevida de execuções;
IV - retenção por benfeitorias necessárias ou úteis, nos casos de execução para
entrega de coisa certa;
V - incompetência absoluta ou relativa do juízo da execução;
VI - qualquer matéria que lhe seria lícito deduzir como defesa em processo de
conhecimento.
§ 1o A incorreção da penhora ou da avaliação poderá ser impugnada por simples
petição, no prazo de 15 (quinze) dias, contado da ciência do ato.
§ 2o Há excesso de execução quando:
I - o exequente pleiteia quantia superior à do título;
II - ela recai sobre coisa diversa daquela declarada no título;
III - ela se processa de modo diferente do que foi determinado no título;
IV - o exequente, sem cumprir a prestação que lhe corresponde, exige o
adimplemento da prestação do executado;
V - o exequente não prova que a condição se realizou.
§ 3o Quando alegar que o exequente, em excesso de execução, pleiteia quantia
superior à do título, o embargante declarará na petição inicial o valor que
entende correto, apresentando demonstrativo discriminado e atualizado de seu
cálculo.
§ 4o Não apontado o valor correto ou não apresentado o demonstrativo, os
embargos à execução:
I - serão liminarmente rejeitados, sem resolução de mérito, se o excesso de
execução for o seu único fundamento;
II - serão processados, se houver outro fundamento, mas o juiz não examinará
a alegação de excesso de execução.
§ 5o Nos embargos de retenção por benfeitorias, o exequente poderá requerer
a compensação de seu valor com o dos frutos ou dos danos considerados

56
devidos pelo executado, cumprindo ao juiz, para a apuração dos respectivos
valores, nomear perito, observando-se, então, o art. 464.
§ 6o O exequente poderá a qualquer tempo ser imitido na posse da coisa,
prestando caução ou depositando o valor devido pelas benfeitorias ou
resultante da compensação.
§ 7o A arguição de impedimento e suspeição observará o disposto nos arts. 146
e 148.

Apesar de poder alegar qualquer matéria nos embargos à execução, o legislador


entendeu por bem enumerar através do art. 917 algumas hipóteses. Mas, apenas
ENUMEROU – numerus apertus – porque o rol do art. 917 NÃO É TAXATIVO, mas
meramente enunciativo.

30. Moratória legal – parcelamento limitado

A Lei 11.382, de 6/12/2006 (DOU 7/12/2006) inovou e trouxe um novo instituto no


Processo de Execução, o da MORATÓRIA, aplicado justamente para evitar os EMBARGOS
DO DEVEDOR ou EMBARGOS À EXECUÇÃO, consoante a disposição do art. 745-A do CPC/1973
repetida no art. 918 do NCPC, prevendo:

Art. 916. No prazo para embargos, reconhecendo o crédito do exequente e


comprovando o depósito de trinta por cento do valor em execução,
acrescido de custas e de honorários de advogado, o executado poderá
requerer que lhe seja permitido pagar o restante em até 6 (seis) parcelas
mensais, acrescidas de correção monetária e de juros de um por cento ao mês.
§ 1o O exequente será intimado para manifestar-se sobre o preenchimento dos
pressupostos do caput, e o juiz decidirá o requerimento em 5 (cinco) dias.
§ 2o Enquanto não apreciado o requerimento, o executado terá de depositar as
parcelas vincendas, facultado ao exequente seu levantamento.
§ 3o Deferida a proposta, o exequente levantará a quantia depositada, e serão
suspensos os atos executivos.
§ 4o Indeferida a proposta, seguir-se-ão os atos executivos, mantido o depósito,
que será convertido em penhora.
§ 5o O não pagamento de qualquer das prestações acarretará
cumulativamente:
I - o vencimento das prestações subsequentes e o prosseguimento do
processo, com o imediato reinício dos atos executivos;
II - a imposição ao executado de multa de dez por cento sobre o valor
das prestações não pagas.
§ 6o A opção pelo parcelamento de que trata este artigo importa
renúncia ao direito de opor embargos.
§ 7o O disposto neste artigo não se aplica ao cumprimento da sentença.

Segundo o NCPC anotado da OAB-RS48:

Cássio Scarpinella Bueno49 já explicava tal inovação no CPC/1973:

Trata-se, não há como negar, de dispositivo que busca, a um só tempo, realizar


satisfatoriamente os direitos e interesses contrapostos do exequente e

48
Anotações ao artigo 918: Gilberto Gomes Bruschi. Novo código de processo civil anotado. Porto Alegre : OAB RS, 2015.
p. 683.
49
BUENO, Cássio Scarpinella. Curso sistematizado de direito processual civil : tutela jurisdicional executiva, 3. 3. ed. rev.,
atual. e ampl. São Paulo: Saraiva, 2010. p. 601
57
executado em ampla consonância com o “princípio da menor gravosidade” do
art. 620 (v. n. 3.7 do Capítulo 1 da Parte I).

31. Dos embargos de 2ª fase

O NCPC prevê:

DISPOSIÇÕES GERAIS
Art. 771. Este Livro regula o procedimento da execução fundada em título
extrajudicial, e suas disposições aplicam-se, também, no que couber, aos
procedimentos especiais de execução, aos atos executivos realizados no
procedimento de cumprimento de sentença, bem como aos efeitos de atos ou
fatos processuais a que a lei atribuir força executiva.
Parágrafo único. Aplicam-se subsidiariamente à execução as disposições do
Livro I da Parte Especial.

Art. 903. Qualquer que seja a modalidade de leilão, assinado o auto pelo juiz,
pelo arrematante e pelo leiloeiro, a arrematação será considerada
perfeita, acabada e irretratável, ainda que venham a ser julgados
procedentes os embargos do executado ou a ação autônoma de que trata o §
4o deste artigo, assegurada a possibilidade de reparação pelos prejuízos
sofridos.
§ 1o Ressalvadas outras situações previstas neste Código, a arrematação
poderá, no entanto, ser:
I - invalidada, quando realizada por preço vil ou com outro vício;
II - considerada ineficaz, se não observado o disposto no art. 804;
III - resolvida, se não for pago o preço ou se não for prestada a caução.
§ 2o O juiz decidirá acerca das situações referidas no § 1 o, se for provocado em
até 10 (dez) dias após o aperfeiçoamento da arrematação.
§ 3o Passado o prazo previsto no § 2o sem que tenha havido alegação de
qualquer das situações previstas no § 1o, será expedida a carta de arrematação
e, conforme o caso, a ordem de entrega ou mandado de imissão na posse.
§ 4o Após a expedição da carta de arrematação ou da ordem de
entrega, a invalidação da arrematação poderá ser pleiteada por ação
autônoma, em cujo processo o arrematante figurará como litisconsorte
necessário.
§ 5o O arrematante poderá desistir da arrematação, sendo-lhe imediatamente
devolvido o depósito que tiver feito:
I - se provar, nos 10 (dez) dias seguintes, a existência de ônus real ou gravame
não mencionado no edital;
II - se, antes de expedida a carta de arrematação ou a ordem de entrega, o
executado alegar alguma das situações previstas no § 1 o;
III - uma vez citado para responder a ação autônoma de que trata o § 4o deste
artigo, desde que apresente a desistência no prazo de que dispõe para
responder a essa ação.
§ 6o Considera-se ato atentatório à dignidade da justiça a suscitação infundada
de vício com o objetivo de ensejar a desistência do arrematante, devendo o
suscitante ser condenado, sem prejuízo da responsabilidade por perdas e
danos, ao pagamento de multa, a ser fixada pelo juiz e devida ao exequente,
em montante não superior a vinte por cento do valor atualizado do bem.

O executado (e só ele), nos cinco dias que se seguirem à adjudicação (arts.


685-A e 685-B), à alienação por iniciativa particular (art. 685-C) ou à alienação
em hasta pública (685 a 707), poderá oferecer os embargos do art. 746 desde

58
que fundados em nulidade da execução ou em causa extintiva da obrigação
quando “supervenientes à penhora”.
[...]
Importa destacar que os embargos do art. 746, não obstante o seu
nome, são o mecanismo pelo qual o executado se volta a questionar a
alilenação dos bens penhorados independentemente de se tratar de
execução fundada em título executivo juidicial ou de execução
fundada em título executivo extrajudicial. É de todo indiferente para este
fim que os “embargos à execução” não pressuponham mais a garantia do juízo
(art. 736; v. n. 1. do Capítulo 2), considerando que a hipótese de cabimento
dos embargos aqui examinados é dada pelo art. 746 e eles se voltam a
questionar eventuais vícios que ocorrem “após a penhora”, que é pressuposta
para a prática de quaisquer atos expropriatórios independentemente de quais
sejam eles.
Além disso, confere duas distintas situações para que tais arguições sejam
feitas: a primeira, no prazo de 10 (dez) dias subsequentes ao aperfeiçoamento
da arrematação; a segunda, por meio de ação autônoma, mesmo após a
expedição da carta de arrematação.
Há, ainda, a previsão de desistência, por parte do arrematante, o que se admite
nas hipóteses arroladas no § 5º.
Por fim, considera-se ato atentatório à dignidade da justiça a suscitação
infundada de vício com o propósito de fazer com que desista o arrematante, o
que poderá ser objeto de cumulação de multa de até 20% do valor atualizado
do bem e de indenização por perdas e danos.

32. Outros meios de defesa/impugnação do executado

A doutrina e a jurisprudência reconhecem ao executado o direito de voltar-se à execução,


seja ela fundada em título judicial ou extrajudicial, por outros mecanismos diversos. São mecanismos
atípicos, no sentido de que eles não são expressamente previstos pelo CPC para tal finalidade.

32.1 A exceção de pré-executividade

A exceção ou objeção de pré-executividade é uma criação doutrinário-jurisprudencial que


permite ao executado, por simples petição, apontar a existência de um VÍCIO que macule a execução
– quer com questões atinentes aos requisitos de admissibilidade da execução, quer objeções
substanciais.

Tal vício tornaria NULA a execução.


Segundo o NCPC, a exceção de pré-executividade agora veio positivada no
parágrafo único do seu art. 803:

Art. 803. É nula a execução se:


I - o título executivo extrajudicial não corresponder a obrigação certa, líquida e
exigível;
II - o executado não for regularmente citado;
III - for instaurada antes de se verificar a condição ou de ocorrer o termo.
Parágrafo único. A nulidade de que cuida este artigo será pronunciada
pelo juiz, de ofício ou a requerimento da parte, independentemente de
embargos à execução.

Assim, tal vício deve relacionar-se a alguma matéria de ordem pública. E, pode ser
apresentada a qualquer tempo e em qualquer grau de jurisdição.

59
O próprio C. STJ já tem sumulado que:

Súmula nº 393. A exceção de pré-executividade é admissível na execução fiscal


relativamente às matérias conhecíveis de ofício que não demandem dilação
probatória. (DJe 7/10/2009)

Pressupõe-se que o vício apontado na exceção de pré-executividade possa ser conhecido


ex officio – de ofício – pelo juiz e de plano, isto é, sem a necessidade de produção de prova.

Em uma petição “simples” podem ser suscitadas tais matérias de ordem pública e, ainda,
atos modificativos, como a novação; extintivos do direito do exeqüente, como o pagamento ou a
prescrição; impeditivo como a ausência de implementação de uma condição do título; ou a terminativo
do direito do autor.

A exceção de pré-executividade, tal qual os Embargos à Execução, dispensa a


garantia o juízo, mesmo em sede de cumprimento de sentença, exatamente porque os
argumentos que a motivam podem ser conhecidos de ofício (matéria de ordem pública) pelo juiz.

Admitida a exceção de pré-executividade, o credor deverá ser ouvido no prazo de 10 dias.


De sua rejeição, caberá Agravo de Instrumento pelo executado, podendo alegar as mesmas objeções
em sede de embargos ou impugnação, visto que a decisão que aprecia a exceção não faz coisa julgada.
De seu acolhimento, com a consequente extinção da execução, caberá apelação interposta pelo
Exequente.

Havendo mau uso deste meio de defesa, incidirá o executado nas penalidades e terá de
pagar multa, conforme dispõem o §2º, do artigo 847 e o inciso IV, do artigo 77, ambos do NCPC.

32.2 Outras medidas

Ainda em obediência ao princípio constitucional do devido processo legal – due


process of law (art. 5º50, LIV, da CF/88), que VEDA que o devedor/Executado seja privado
dos seus bens sem tal garantia, é possível ao Executado opor-se a uma execução ilegítima.

Porém, lembre-se SEMPRE que o meio de defesa previsto são os Embargos à


Execução ou do Devedor, porque perdida esta possibilidade (por exemplo, pela intempestividade)
restaram apenas ao Executado alegar matérias de ordem pública, porque estas são cognoscíveis de
ofício – ex officio – pelo juiz, como por através da exceção ou objeção de pré-executividade.

Porém, a doutrina e a jurisprudência ainda destacam que outras medidas existem, muito
embora atípicas, para que as partes e até terceiros questionem a execução ou a prática de algum ato
executivo.

Cássio Scarpinella Bueno muito bem explica que:

A chamada “ação anulatória” que encontra fundamento no art. 486 busca a


anulação de atos praticados pelas partes em juízo e que se reclamam a
homologação do juiz. Pode acontecer, por exemplo, de que o acordo aceito pelo

50 DOS DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS


DOS DIREITOS E DEVERES INDIVIDUAIS E COLETIVOS
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros
residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos
seguintes: [...]
LIV - ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal;
60
exequente contenha algum vício de vontade e que, por isto mesmo, o
exequente pretende retormar a execução e os atos executivos. Como há uma
sentença homologatória do acordo nestes casos (artgs. 794, II c/c o art. 795),
o referido dispositivo exige prévia anuação do ato das partes para aquela
finalidade.
[...]
A “ação rescisória” prevista no art. 485 também pode desempenhar papel
relevante na execução, na medida em que se ponha a necessidade de
desconstituição de decisões transitadas em julgado. É o exemplo clássico da
“sentença que reconheça a existência de obrigação” do inciso I do art. 475-N,
já transitada em julgado, isto é, sem que se trate de “execução provisória”,
estar surtindo os seus regulares efeitos. O executado pode pretender questionar
o título valendo-se daquele mecanimsmo. O art. 48951, na redação que lhe deu
a Lei n. 11. 280/2006, amite, até mesmo, a suspensão dos atos executivos.
[...]
As chamadas “ações” ou “defesas” heterotópicas, para fazer uso de
nomenclatura largamente utilizada por Donaldo Armelin, professor da PUCSP,
são todas aquelas “ações” ou, mais amplamente, iniciativas de que o executado
pode valer-se para questionar sobretudo o crédito documentado no título
executivo independentemente e, até mesmo, a despeito do uso da
“impugnação” ou dos “embargos à execução”.
[...]
Os “embargos de terceiro” têm largo uso em execuções. Trata-se de modalidade
de intervenção de terceiros – uma modalidade de intervenção “espontânea” e
“por pedido” (v. n. 2.3 do Capítulo 1 da Parte VII do vol. 2, tomo I) – destinada
à proteção possessória quando a origem da turbação ou esbulho for ato judicial.
É ler o caput do art. 1.046, bastante ilustrativo a este respeito: “Quem, não
sendo parte no processo, sofrer turbação ou esbulho na posse de seus bens por
ato de apreensão judicial, em casos como o de penhora, depósito, arresto,
seqüestro, alienação judicial, arrecadação, arrolamento, inventário, partilha,
poderá requerer lhe sejam manutenidos ou restituídos por meio de embargos.”
[...]
Também o “mandado de segurança contra ato judicial” é aceito pela doutrina
e, ainda que com maior resistência, pela jurisprudência, para contrastar atos
executivos.

Somente a respeito da aceitação do Mandado de Segurança pela jurisprudência, nas


execuções movidas nos JESP´s Cíveis, vejamos:

Trata-se de mandado de segurança impetrado contra ato do juizado especial


cível que determinou o prosseguimento de execução forçada, conquanto
segundo a impetrante não haveria mais supedâneo à atividade executiva, em
razão de sentença extintiva da obrigação, salientando ainda que não foi
ratificada expressamente a decisão antecipatória dos efeitos da tutela. Foi
indeferida a liminar, estando as informações do juizado e o parecer do ministério
público, opinando pela denegação da ordem. Conquanto seja admissível o
mandado de segurança para evitar que o ato da autoridade venha a consolidar
lesão a direito líquido e certo, não serve este remédio constitucional contudo
como sucedâneo de procedimento próprio, viabilizando-se no microssistema
dos juizados especiais cíveis a utilização dos embargos do devedor para a
contenção de excesso ou mesmo para comprovar causa impeditiva, modificativa

51
Art. 489. O ajuizamento da ação rescisória não impede o cumprimento da sentença ou acórdão rescindendo, ressalvada a
concessão, caso imprescindíveis e sob os pressupostos previstos em lei, de medidas de natureza cautelar ou antecipatória de
tutela.
61
ou extintiva da obrigação, ex VI do art. 52, ix da Lei nº 9.099/95, arredando-se
do âmbito do mandado de segurança, destarte, aquelas situações em que há
recurso ou procedimento previsto na lei. Aplicação, mutatis mutandis, do que
dispõe o art. 5., II da Lei nº 1.533/51, no sentido de que não se dará mandado
de segurança quando se tratar de despacho ou decisão judicial do qual haja
recurso previsto nas leis processuais. Com efeito, diante da possibilidade da
apresentação de embargos de devedor para a comprovação das situações
alegadas no mandado de segurança, com possibilidade de ampla dilação
probatória que é vedada nos limites estreitos do writ, imprópria se mostra a via
eleita para impugnar a decisão judicial, não se justificando a sua impetração.
No sentido do não cabimento do mandado de segurança quando houver
possibilidade de apresentação de embargos podem ser citados o rms 13.742 -
Rj, rel. Min. Nancy andrighi, rms 431 - Rj, rel. Min. Athos carneiro, rms 5.301 -
Sp, rel. Min. Garcia vieira e rms 10.096 - Ba, rel. Min. Carlos alberto m. Direito.
Para a proteção prevista no art. 1. da Lei nº 1.533/51 e art. 5.,LXIX da Carta
Política, impõe-se a existência de direito líquido e certo que irrefragavelmente
não é a impetrante possuidora. Ante o exposto, não havendo direito líquido e
certo a ser amparado através de mandado de segurança, voto por sua
denegação. Custas pela impetrante. (TJ-RJ; Rec. 2007.700.0071610; Capital;
Rel. Juiz Andre Luiz Cidra; Julg. 07/05/2007; DORJ 27/02/2008; Pág. 340)

Porém, não se pode desconhecer que o Mandado de Segurança NÃO É SUCEDÂNEO


DE RECURSO em nosso sistema processual civil, como muito bem já decidiu o C. STJ:

PROCESSO CIVIL. MANDADO DE SEGURANÇA. CABIMENTO. ATO JUDICIAL.


EXECUÇÃO. POSSE. IMISSÃO. 1. A rigor não se admite a ação
mandamental como sucedâneo de recurso, dada a ofensa à Súmula nº
267 do STF. 2. Ainda que a regra comporte temperamento, permanece a
vedação se não for demonstrada qualquer eiva de teratologia e abuso ou desvio
de poder do ato judicial, como ocorre na espécie. 3. Notificada o executado de
todos os atos da execução e requerida a imissão na posse pela parte
interessada, não há que se falar em irregularidade do mandado expedido e, por
consequência, em ilegalidade ou ofensa a direito líquido e certo que mereça
reparo. 4. Recurso ordinário em mandado de segurança a que se nega
provimento. (Superior Tribunal de Justiça STJ; RMS 29.006; Proc.
2009/0043513-0; RS; Terceira Turma; Relª Minª Fátima Nancy Andrighi; Julg.
17/02/2011; DJE 23/02/2011)

Súmula nº 267 do STF. Não cabe mandado de segurança contra ato


judicial passível de recurso ou correição.

62
63
Considerações iniciais

Conforme já estudamos em sala, na leitura dos dispositivos dos artigos 824 e 825 do NOVO
CPC – Lei 13.105, de 16/3/2015 (DOU 17/3/2015), prevêem que:

Art. 824. A execução por quantia certa realiza-se pela expropriação de bens
do executado, ressalvadas as execuções especiais.
Art. 825. A expropriação consiste em:
I - adjudicação;
II - alienação;
III - apropriação de frutos e rendimentos de empresa ou de estabelecimentos e
de outros bens.

Cássio Scarpinella Bueno52, ainda na vigência do CPC/1973 didaticamente ensinava que:

Esgotado o prazo para pagamento voluntário na execução fundada em título


judicial (art. 475-J, caput) ou na execução fundada em título extrajudicial (art.
652), os atos jurisdicionais executivos a serem praticados recairão sobre o
patrimônio do executado (art. 646). Trata-se do que o n. 3.3 do Capítulo 1 da
Parte I denominou “princípio da patrimonialidade da execução”.
Nem todo o patrimônio do devedor, contudo, é passível de penhora e,
consequentemente, fica sujeito à execução. É o próprio art. 591 que faz expressa
ressalva a este respeito, aceitando restrições estabelecidas em lei, objeto de
regulação pelos arts. 649 e 650.

O conceito de PENHORA e/ou CONSTRIÇÃO JUDICIAL é dado por Araken de Assis53,


para quem a PENHORA inicia a FASE DE INSTRUÇÃO do Processo de Execução:

A penhora é o ato executivo que afeta determinado bem à execução, permitindo


sua ulterior expropriação, e torna os atos de disposição do seu proprietário
ineficazes em face do processo.

Para relembrar o estudo desta ineficácia dos atos de disposição do patrimônio penhorado,
remetemos o estudo dos arts. 789/796 do NCPC, já analisados por nós.

33. Da CITAÇÃO no processo de Execução por quantia certa contra


devedor solvente

Se a CITAÇÃO é o ato inicial de TODO e qualquer processo, posto que é o chamamento


do Réu para integrar a lide – trium actum personarum – no processo de Execução tal não é diferente,
porém, a CITAÇÃO para a Execução tem certas especificidades. Para isto, estabelece o CPC:

Da Citação do Devedor e do Arresto


Art. 827. Ao despachar a inicial, o juiz fixará, de plano, os honorários
advocatícios de dez por cento, a serem pagos pelo executado.

52
Curso sistematizado de direito processual civil : tutela jurisdicional executiva, 3. 3. ed. rev., atual. e ampl. São Paulo:
Saraiva, 2010. pp. 260-261
53
Manual da execução. 13. ed. rev., ampl. e atual. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2010. p. 695
64
§ 1o No caso de integral pagamento no prazo de 3 (três) dias, o valor dos
honorários advocatícios será reduzido pela metade.
§ 2o O valor dos honorários poderá ser elevado até vinte por cento, quando
rejeitados os embargos à execução, podendo a majoração, caso não opostos os
embargos, ocorrer ao final do procedimento executivo, levando-se em conta o
trabalho realizado pelo advogado do exequente.

Art. 829. O executado será citado para pagar a dívida no prazo de 3 (três) dias,
contado da citação.
§ 1o Do mandado de citação constarão, também, a ordem de penhora e a
avaliação a serem cumpridas pelo oficial de justiça tão logo verificado o não
pagamento no prazo assinalado, de tudo lavrando-se auto, com intimação do
executado.
§ 2o A penhora recairá sobre os bens indicados pelo exequente, salvo se outros
forem indicados pelo executado e aceitos pelo juiz, mediante demonstração de
que a constrição proposta lhe será menos onerosa e não trará prejuízo ao
exequente.

Didaticamente, Humberto Theodoro Júnior54 resume que:

Toda relação processual se inicia com a propositura da ação – que é de iniciativa


do autor e que se exercita por meio da petição inicial – e se completa com a
citação do réu (in iuis vocatio) realizada pelo órgão judicial a requerimento do
autor.
A citação, portanto, é ato essencial para o aperfeiçoamento da relação processual
e para a validade de todos os atos a serem praticados em juízo tendentes a
produzir o provimento jurisdicional, com que se irá solucionar o conflito jurídico
existente entre as partes (art. 214): a regra é a mesma, seja o processo de
conhecimento, de execução ou cautelar. Há, todavia, uma grande diferente entre
os termos com que o réu é convocado a participar da relação processual,
conforme se trate de cognição ou execução forçada. No processo de execução, o
título executivo já contém o acertamento necessário da relação jurídica material
existente entre as partes. Sabe-se de antemão que o autor é credor de determinada
obrigação e que o réu é sujeito passivo dela. O chamamento do devedor a juízo,
por isso, na é para se defender, mas para cumprir a prestação obrigacional
inadimplida, sob pena de iniciar-se a invasão judicial em sua esfera patrimonial,
para promovê-la de maneira coativa.
A citação executiva, nessa ordem de idéias, é para pagar e não para discutir a
pretensão do credor. A discussão, se for instalada, será em ação à parte
(embargos), de iniciativa do devedor, mas como incidente eventual e não como
fase natural do processo de execução. Na verdade, o principal objetivo da citação
do devedor é confirmar, em juízo, o inadimplemento, requisito necessário para
justificar a realização forçada da obrigação.
A citação executiva, porém, ao aperfeiçoar a relação processual típica da
execução forçada, produz todos os efeitos normais da in ius vocatio cognitiva,
ou seja, torna prevento o juízo, induz litispendência, faz litigiosa a coisa,
constitui em mora o devedor e interrompe a prescrição (art. 219).
Quanto à forma, há uma restrição: não se admite a citação pelo correio, que no
processo de conhecimento é a usual (art. 222, caput). A regra, portanto, para a

54
Curso de direito processual civil : processo de execução e cumprimento da sentença, processo cautelar e tutela de urgência.
45 ed. Rio de Janeiro : Forense, 2010. 2 v. p. 132.
65
execução, é a citação por intermédio do oficial de justiça (mandado, art. 222, d)
e, excepcionalmente, a citação por edital (art. 654).

Como muito bem explicado, a CITAÇÃO no processo de Execução se dá através de


OFICIAL DE JUSTIÇA, o que é um dever funcional seu, conforme o CPC determina:
Art. 154. Incumbe ao oficial de justiça:
Art. 154. Incumbe ao oficial de justiça:
I - fazer pessoalmente citações, prisões, penhoras, arrestos e demais
diligências próprias do seu ofício, sempre que possível na presença de 2 (duas)
testemunhas, certificando no mandado o ocorrido, com menção ao lugar, ao dia
e à hora;
[...]
V - efetuar avaliações, quando for o caso;
VI - certificar, em mandado, proposta de autocomposição apresentada por
qualquer das partes, na ocasião de realização de ato de comunicação que lhe
couber.
Parágrafo único. Certificada a proposta de autocomposição prevista no inciso
VI, o juiz ordenará a intimação da parte contrária para manifestar-se, no prazo
de 5 (cinco) dias, sem prejuízo do andamento regular do processo, entendendo-
se o silêncio como recusa.

Art. 249. A citação será feita por meio de oficial de justiça nas hipóteses
previstas neste Código ou em lei, ou quando frustrada a citação pelo correio.

Art. 830. Se o oficial de justiça não encontrar o executado, arrestar-lhe-á tantos


bens quantos bastem para garantir a execução.
§ 1o Nos 10 (dez) dias seguintes à efetivação do arresto, o oficial de justiça
procurará o executado 2 (duas) vezes em dias distintos e, havendo suspeita de
ocultação, realizará a citação com hora certa, certificando pormenorizadamente
o ocorrido.
§ 2o Incumbe ao exequente requerer a citação por edital, uma vez frustradas a
pessoal e a com hora certa.
§ 3o Aperfeiçoada a citação e transcorrido o prazo de pagamento, o arresto
converter-se-á em penhora, independentemente de termo.

34.Da penhora de bens do devedor


A PENHORA, que é ato exclusivo do ESTADO, e se realiza por meio de OFICIAL DE
JUSTIÇA, é o primeiro ato onde o Estado põe em prática o processo de expropriação executiva, tendo a
FUNÇÃO de individualizar o bem ou os bens sobre os quais a Execução deverá atuar para dar satisfação
ao credor e submetê-los, posteriormente, à transferência/adjudicação coativa.
Repita-se: A PENHORA é o primeiro ato executivo e coativo do processo de execução
por quantia certa.
E, conforme muito bem explica Humberto Theodoro Júnior55:

Com esse ato inicial de expropriação, a responsabilidade patrimonial, que era


genérica, até então, sofre um processo de individualização, mediante apreensão

55
Curso de direito processual civil : processo de execução e cumprimento da sentença, processo cautelar e tutela de urgência.
45 ed. Rio de Janeiro : Forense, 2010. 2 v. p. 267
66
física, direta ou indireta, de uma parte determinada e específica do patrimônio
do devedor.

Num só MANDADO o Oficial de Justiça tem a incumbência de CITAR o executado e


realizar a PENHORA E AVALIAÇÃO DOS BENS. Para facilitar tais atos, o mandado é expedido em
2 vias: a primeira para a CITAÇÃO e a segunda para a PENHORA E AVALIAÇÃO.

Do Objeto da Penhora
Art. 831. A penhora deverá recair sobre tantos bens quantos bastem para o
pagamento do principal atualizado, dos juros, das custas e dos honorários
advocatícios.

Portanto, passados os 3 dias que o devedor/executado tem para PAGAR A DÍVIDA, o


Oficial de Justiça responsável pelo mandado DEVERÁ PENHORAR tantos BENS quantos bastem e
ONDE QUER QUE SE ENCONTREM para o pagamento do principal atualizado, juros, custas e
honorários advocatícios, em cumprimento ao disposto no art. 659 caput do CPC:

Art. 836. Não se levará a efeito a penhora quando ficar evidente que o produto
da execução dos bens encontrados será totalmente absorvido pelo pagamento
das custas da execução. (Penhora ÍNFIMA)
§ 1o Quando não encontrar bens penhoráveis, independentemente de
determinação judicial expressa, o oficial de justiça descreverá na certidão os
bens que guarnecem a residência ou o estabelecimento do executado, quando
este for pessoa jurídica. (Descrição dos bens)
§ 2o Elaborada a lista, o executado ou seu representante legal será nomeado
depositário provisório de tais bens até ulterior determinação do juiz.
[...]

Art. 255. Nas comarcas contíguas de fácil comunicação e nas que se situem
na mesma região metropolitana, o oficial de justiça poderá efetuar, em
qualquer delas, citações, intimações, notificações, penhoras e quaisquer outros
atos executivos.

Art. 782. Não dispondo a lei de modo diverso, o juiz determinará os atos
executivos, e o oficial de justiça os cumprirá.
§ 1o O oficial de justiça poderá cumprir os atos executivos determinados pelo
juiz também nas comarcas contíguas, de fácil comunicação, e nas que se situem
na mesma região metropolitana.
§ 2o Sempre que, para efetivar a execução, for necessário o emprego de força
policial, o juiz a requisitará.
§ 3o A requerimento da parte, o juiz pode determinar a inclusão do nome do
executado em cadastros de inadimplentes.
§ 4o A inscrição será cancelada imediatamente se for efetuado o pagamento,
se for garantida a execução ou se a execução for extinta por qualquer outro
motivo.
§ 5o O disposto nos §§ 3o e 4o aplica-se à execução definitiva de título judicial.

Porque, a regra é que a penhora NÃO PODE SER EFETUADA por Oficial de Justiça
fora da comarca em que está lotado.

Do Lugar de Realização da Penhora


Art. 845. Efetuar-se-á a penhora onde se encontrem os bens, ainda que sob a
posse, a detenção ou a guarda de terceiros.
67
§ 1o A penhora de imóveis, independentemente de onde se localizem, quando
apresentada certidão da respectiva matrícula, e a penhora de veículos
automotores, quando apresentada certidão que ateste a sua existência, serão
realizadas por termo nos autos.
§ 2o Se o executado não tiver bens no foro do processo, não sendo possível a
realização da penhora nos termos do § 1o, a execução será feita por carta,
penhorando-se, avaliando-se e alienando-se os bens no foro da situação.
(Execução por Carta Precatória = vide Súmula 4656 do STJ)

Art. 835. A penhora observará, preferencialmente, a seguinte ordem:


I - dinheiro, em espécie ou em depósito ou aplicação em instituição financeira;

II - títulos da dívida pública da União, dos Estados e do Distrito Federal com


cotação em mercado;
III - títulos e valores mobiliários com cotação em mercado;
IV - veículos de via terrestre;
V - bens imóveis;
VI - bens móveis em geral;
VII - semoventes;
VIII - navios e aeronaves;
IX - ações e quotas de sociedades simples e empresárias;
X - percentual do faturamento de empresa devedora;
XI - pedras e metais preciosos;
XII - direitos aquisitivos derivados de promessa de compra e venda e de
alienação fiduciária em garantia;
XIII - outros direitos.

§ 1o É prioritária a penhora em dinheiro, podendo o juiz, nas demais hipóteses,


alterar a ordem prevista no caput de acordo com as circunstâncias do caso
concreto.
§ 2o Para fins de substituição da penhora, equiparam-se a dinheiro a fiança
bancária e o seguro garantia judicial, desde que em valor não inferior ao do
débito constante da inicial, acrescido de trinta por cento.
§ 3o Na execução de crédito com garantia real, a penhora recairá sobre a coisa
dada em garantia, e, se a coisa pertencer a terceiro garantidor, este também será
intimado da penhora.

Art. 836. Não se levará a efeito a penhora quando ficar evidente que o produto
da execução dos bens encontrados será totalmente absorvido pelo pagamento
das custas da execução.

O início da eficácia da penhora se dá de 2 formas, posto se tratar de:

 Coisas MÓVEIS: com a simples apreensão e depósito do bem:

Art. 839. Considerar-se-á feita a penhora mediante a apreensão e o depósito dos


bens, lavrando-se um só auto se as diligências forem concluídas no mesmo dia.
Parágrafo único. Havendo mais de uma penhora, serão lavrados autos
individuais.

56
Súmula nº 46. Na execução por carta, os embargos do devedor serão decididos no juízo deprecante, salvo se versarem
unicamente vícios ou defeitos da penhora, avaliação ou alienação dos bens. (DJU 24.8.1992)
68
 Bens IMÓVEIS: apresentada a Certidão da Matrícula imobiliária, por TERMO nos autos:

§ 1o A penhora de imóveis, independentemente de onde se localizem, quando


apresentada certidão da respectiva matrícula, e a penhora de veículos
automotores, quando apresentada certidão que ateste a sua existência, serão
realizadas por termo nos autos.

Art. 799. Incumbe ainda ao exequente:


[;;;]
IX - proceder à averbação em registro público do ato de propositura da
execução e dos atos de constrição realizados, para conhecimento de terceiros.

SÚMULA n. 486: É impenhorável o único imóvel residencial do devedor que Commented [V-1]:
esteja locado a terceiros, desde que a renda obtida com a locação seja revertida
para a subsistência ou a moradia da sua família. Rel. Min. Cesar Asfor Rocha,
em 28/6/2012.

A 2ª Seção do STJ57 já assentou que:

DIREITO CIVIL. CARACTERIZAÇÃO COMO BEM DE FAMÍLIA DO ÚNICO IMÓVEL


RESIDENCIAL DO DEVEDOR CEDIDO A FAMILIARES.

Constitui bem de família, insuscetível de penhora, o único imóvel residencial do


devedor em que resida seu familiar, ainda que o proprietário nele não habite. De
fato, deve ser dada a maior amplitude possível à proteção consignada na lei que dispõe
sobre o bem de família (Lei 8.009/1990), que decorre do direito constitucional à moradia
estabelecido no caput do art. 6º da CF, para concluir que a ocupação do imóvel por
qualquer integrante da entidade familiar não descaracteriza a natureza jurídica do bem
de família. Antes, porém, isso reafirma esta condição. Impõe-se lembrar, a propósito,
o preceito contido no art. 226, caput, da CF – segundo o qual a família, base da
sociedade, tem especial proteção do Estado –, de modo a indicar que aos dispositivos
infraconstitucionais pertinentes se confira interpretação que se harmonize com o
comando constitucional, a fim de assegurar efetividade à proteção a todas as entidades
familiares em igualdade de condições. Dessa forma, tem-se que a Lei 8.009/1990
protege, em verdade, o único imóvel residencial de penhora. Se esse imóvel encontra-
se cedido a familiares, filhos, enteados ou netos, que nele residem, ainda continua
sendo bem de família. A circunstância de o devedor não residir no imóvel não constitui
óbice ao reconhecimento do favor legal. Observe que o art. 5º da Lei 8.009/1990
considera não só a utilização pelo casal, geralmente proprietário do imóvel residencial,
mas pela entidade familiar. Basta uma pessoa da família do devedor residir para obstar
a constrição judicial. Ressalte-se que o STJ reconhece como impenhorável o imóvel
residencial cuja propriedade seja de pessoas sozinhas, nos termos da Súmula 364,
que dispõe: "O conceito de impenhorabilidade de bem de família abrange também o
imóvel pertencente a pessoas solteiras, separadas e viúvas". Além do mais, é oportuno
registrar que essa orientação coaduna-se com a adotada pela Segunda Seção do STJ
há longa data, que reconhece como bem de família, inclusive, o único imóvel
residencial do devedor oferecido à locação, de modo a garantir a subsistência da
entidade familiar. EREsp 1.216.187-SC, Rel. Min. Arnaldo Esteves Lima, julgado em
14/5/2014.

57
Disponível em:
<https://ww2.stj.jus.br/processo/pesquisa/?src=1.1.2&aplicacao=processos.ea&tipoPesquisa=tipoPesquisaGenerica&num_r
egistro=201100707186> . Acesso em: 14 ago. 2014.
69
Efeito processual da penhora é a conservação da coisa penhorada – res pignorata,
materializada no depósito (art. 79758 do NCPC), no que, mais uma vez a lição de Araken de Assis59
para quem:

A penhora concede ao estado a posse mediata imprópria do bem. Depois da


penhora, o executado retém somente a posse mediata própria, “pois o devedor,
após a penhora, não é devedor sem posse”.
Por sua vez, a posse imediata permanece com o devedor, se investido da função
de depositário (art. 666, § 1º, na redação da Lei 11.382/2006), ou com terceiro,
possuidor em virtude de contrato (v.g. locatário, comodatário). Nomeado
depositário, altera-se o título da posse imediata do executado, mas continua
posse imediata, como a de qualquer possuidor.

Questão agora da maior importância, já modificada pela Lei 11.382/2006, é a NOMEAÇÃO


DO DEPOSITÁRIO do bem penhorado:

Art. 838. A penhora será realizada mediante auto ou termo, que conterá:
I - a indicação do dia, do mês, do ano e do lugar em que foi feita;
II - os nomes do exequente e do executado;
III - a descrição dos bens penhorados, com as suas características;
IV - a nomeação do depositário dos bens.

Art. 840. Serão preferencialmente depositados:


I - as quantias em dinheiro, os papéis de crédito e as pedras e os metais preciosos,
no Banco do Brasil, na Caixa Econômica Federal ou em banco do qual o
Estado ou o Distrito Federal possua mais da metade do capital social
integralizado, ou, na falta desses estabelecimentos, em qualquer instituição de
crédito designada pelo juiz;
II - os móveis, os semoventes, os imóveis urbanos e os direitos aquisitivos sobre
imóveis urbanos, em poder do depositário judicial;
III - os imóveis rurais, os direitos aquisitivos sobre imóveis rurais, as máquinas,
os utensílios e os instrumentos necessários ou úteis à atividade agrícola,
mediante caução idônea, em poder do executado.
§ 1o No caso do inciso II do caput, se não houver depositário judicial, os bens
ficarão em poder do exequente.
§ 2o Os bens poderão ser depositados em poder do executado nos casos de difícil
remoção ou quando anuir o exequente.
§ 3o As joias, as pedras e os objetos preciosos deverão ser depositados com
registro do valor estimado de resgate.

Inovação da Lei 11.382/2006 ocorre no que concerne ao depósito. A preferência desde então
passou a ser do EXEQUENTE, a fim de evitar problema recorrente na prática, qual seja a deterioração
do bem penhorado pelo executado, quando este permanece na posse de tais bens, ainda que na condição
de depositário.
Tal não significa, contudo, que o executado não possa ser o depositário. Significa que, para
que o Executado seja depositário, será necessária a AUSÊNCIA DE DEPOSITÓRIO JUDICIAL e DE
VONTADE EXPRESSA DO EXEQUENTE, nos termos do que diz o art. 840, § 1º, do NCPC.

58
Art. 797. Ressalvado o caso de insolvência do devedor, em que tem lugar o concurso universal, realiza-se a execução no
interesse do exequente que adquire, pela penhora, o direito de preferência sobre os bens penhorados.
Parágrafo único. Recaindo mais de uma penhora sobre o mesmo bem, cada exequente conservará o seu título de preferência.
59
Manual da execução. 13. ed. rev., ampl. e atual. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2010. p. 698
70
Conforme a antiga redação da Lei 11.382/2006, o nosso E. TJMG vinha decidindo que:

PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. EXECUÇÃO.


ARRESTO. DEPÓSITO DOS BENS. SUBSTITUIÇÃO DO
DEPOSITÁRIO Necessidade de anuência do credor ou dificuldade de remoção
- Inteligência do art. 666, do CPC. após as alterações introduzidas pela Lei nº
11.382/06, estabelecendo nova sistemática ao processo de execução, não há mais
a preferência genérica em favor do executado. Assim, o encargo de depositário
lhe será atribuído somente por exceção. Nesse passo, consoante ressai do § 1º,
do art. 666, do CPC, os bens constritos apenas serão depositados junto ao
executado, mediante expressa anuência do exequente, ou nos casos de difícil
remoção.

Efeito da penhora também o DIREITO DE PREFERÊNCIA, retratado no art. 797 do NCPC:

DAS DIVERSAS ESPÉCIES DE EXECUÇÃO


DISPOSIÇÕES GERAIS
Art. 797. Ressalvado o caso de insolvência do devedor, em que tem lugar o
concurso universal, realiza-se a execução no interesse do exequente que adquire,
pela penhora, o direito de preferência sobre os bens penhorados.
Parágrafo único. Recaindo mais de uma penhora sobre o mesmo bem, cada
exequente conservará o seu título de preferência.

Assim, ainda que OUTRO CREDOR penhore a coisa posteriormente (parágrafo único do
art. 797 do NCPC), o credor adquire a vantajosa posição de satisfazer integralmente o seu crédito com
o produto da venda do bem.

34.1 Dos EFEITOS da penhora


São alguns EFEITOS da penhora:

 o desapossamento;
 a individualização do bem penhorado do conjunto patrimonial do executado;
 a ineficácia perante o processo de atos de alienação do bem penhorado;
 a limitação de alguns dos poderes de domínio sobre o bem penhorado;
 e o estabelecimento de direitos de PREFERÊNCIA sobre o produto da venda do bem penhorado.

De acordo com os artigo. 832/834 do NOVO CPC – NÃO podem ser penhorados:
Art. 832. Não estão sujeitos à execução os bens que a lei considera
impenhoráveis ou inalienáveis.

Art. 833. São impenhoráveis:


I - os bens inalienáveis e os declarados, por ato voluntário, não sujeitos à
execução;
II - os móveis, os pertences e as utilidades domésticas que guarnecem a
residência do executado, salvo os de elevado valor ou os que ultrapassem as
necessidades comuns correspondentes a um médio padrão de vida;
III - os vestuários, bem como os pertences de uso pessoal do executado, salvo se
de elevado valor;
71
IV - os vencimentos, os subsídios, os soldos, os salários, as remunerações, os
proventos de aposentadoria, as pensões, os pecúlios e os montepios, bem como
as quantias recebidas por liberalidade de terceiro e destinadas ao sustento do
devedor e de sua família, os ganhos de trabalhador autônomo e os honorários de
profissional liberal, ressalvado o § 2o;
V - os livros, as máquinas, as ferramentas, os utensílios, os instrumentos ou
outros bens móveis necessários ou úteis ao exercício da profissão do
executado;
VI - o seguro de vida;
VII - os materiais necessários para obras em andamento, salvo se essas forem
penhoradas;
VIII - a pequena propriedade rural, assim definida em lei, desde que trabalhada
pela família;
IX - os recursos públicos recebidos por instituições privadas para aplicação
compulsória em educação, saúde ou assistência social;
X - a quantia depositada em caderneta de poupança, até o limite de 40
(quarenta) salários-mínimos;
XI - os recursos públicos do fundo partidário recebidos por partido político,
nos termos da lei;
XII - os créditos oriundos de alienação de unidades imobiliárias, sob regime
de incorporação imobiliária, vinculados à execução da obra.
§ 1o A impenhorabilidade não é oponível à execução de dívida relativa ao
próprio bem, inclusive àquela contraída para sua aquisição.
§ 2o O disposto nos incisos IV e X do caput não se aplica à hipótese de penhora
para pagamento de prestação alimentícia, independentemente de sua
origem, bem como às importâncias excedentes a 50 (cinquenta) salários-
mínimos mensais, devendo a constrição observar o disposto no art. 528, § 8o, e
no art. 529, § 3o.
§ 3o Incluem-se na impenhorabilidade prevista no inciso V do caput os
equipamentos, os implementos e as máquinas agrícolas pertencentes a pessoa
física ou a empresa individual produtora rural, exceto quando tais bens tenham
sido objeto de financiamento e estejam vinculados em garantia a negócio
jurídico ou quando respondam por dívida de natureza alimentar, trabalhista
ou previdenciária.

Art. 834. Podem ser penhorados, à falta de outros bens, os frutos e os


rendimentos dos bens inalienáveis.

34.2 Da impossibilidade de prisão do depositário infiel


O § 3º do art. 666 do CPC/1973, acrescentado pela citada Lei 11.382/2006, previa a
possibilidade de PRISÃO do depositário infiel.

O STF já tinha sumulado que:

Súmula nº 619. A prisão do depositário judicial pode ser decretada no próprio


processo em que se constitui o encargo, independentemente da propositura de
ação de depósito.

E, na Sessão Plenária de 3/12/2008 a prisão civil por dívida foi declarada ILEGAL
pelo Supremo Tribunal Federal, no julgamento do HC 92566 (DJe nº 104/2009), o Tribunal

72
Pleno revogou expressamente a Súmula 619. Nesse sentido, veja também os seguintes
acórdãos: RE 349703 (DJe nº 104/2009), RE 466343 (DJe nº 104/2009) e HC 87585 (DJe nº 118/2009),
todos do Plenário.

Os Ministros do STF concederam um Habeas Corpus a um depositário infiel, baseados em


entendimento unânime de que os tratados internacionais de Direitos Humanos ratificados pelo
Brasil — entre eles o Pacto de São José da Costa Rica, que proíbe a prisão por dívidas — são
hierarquicamente superiores às normas infraconstitucionais. A elevação desses tratados à condição
de norma com força constitucional, porém, não teve a maioria dos votos da Corte, que preferiu
reconhecer somente que os acordos ratificados têm efeito supra-legal.

Convenção Americana sobre Direitos Humanos (Pacto de São José da Costa Rica), de 22 de
novembro de 1969:

O Vice-Presidente da República, no exercício do cargo de Presidente da República, no uso


da atribuição que lhe confere o art. 84, inciso VIII, da Constituição, e Considerando que a
Convenção Americana sobre Direitos Humanos (Pacto de São José da Costa Rica), adotada
no âmbito da Organização dos Estados Americanos, em São José da Costa Rica, em 22 de
novembro de 1969, entrou em vigor internacional em 18 de julho de 1978, na forma do
segundo parágrafo de seu art. 74;
Considerando que o Governo brasileiro depositou a carta de adesão a essa convenção em 25
de setembro de 1992; Considerando que a Convenção Americana sobre Direitos Humanos
(Pacto de São José da Costa Rica) entrou em vigor, para o Brasil, em 25 de setembro de
1992, de conformidade com o disposto no segundo parágrafo de seu art. 74;
DECRETA:
Art. 1º A Convenção Americana sobre Direitos Humanos (Pacto de São José da Costa Rica),
celebrada em São José da Costa Rica, em 22 de novembro de 1969, apensa por cópia ao
presente decreto, deverá ser cumprida tão inteiramente como nela se contém.
Art. 2º Ao depositar a carta de adesão a esse ato internacional, em 25 de setembro de 1992,
o Governo brasileiro fez a seguinte declaração interpretativa: "O Governo do Brasil entende
que os arts. 43 e 48, alínea d, não incluem o direito automático de visitas e inspeções in loco
da Comissão Interamericana de Direitos Humanos, as quais dependerão da anuência
expressa do Estado".
Art. 3º O presente decreto entra em vigor na data de sua publicação.
Brasília, 6 de novembro de 1992; 171º da Independência e 104º da República.
ITAMAR FRANCO
Fernando Henrique Cardoso
ANEXO AO DECRETO QUE PROMULGA A CONVENÇÃO AMERICANA SOBRE
DIREITOS HUMANOS (PACTO DE SÃO JOSÉ DA COSTA RICA) - MRE
PREÂMBULO
Os Estados americanos signatários da presente Convenção, Reafirmando seu propósito de
consolidar neste Continente, dentro do quadro das instituições democráticas, um regime de
liberdade pessoal e de justiça social, fundado no respeito dos direitos essenciais do homem;
Reconhecendo que os direitos essenciais do homem não deviam do fato de ser ele nacional
de determinado Estado, mas sim do fato de ter como fundamento os atributos da pessoa
humana, razão por que justificam uma proteção internacional, de natureza convencional,
coadjuvante ou complementar da que oferece o direito interno dos Estados americanos;
Considerando que esses princípios foram consagrados na Carta da Organização dos estados
Americanos, na Declaração Americana dos Direitos e Deveres do Homem e na Declaração
Universal dos Direitos do Homem e que foram reafirmados e desenvolvidos em outros
instrumentos internacionais, tanto de âmbito mundial como regional;
Reiterando que, de acordo com a Declaração Universal dos Direitos do Homem, só pode ser
realizado o ideal do ser humano livre, isento do temor e da miséria, se forem criadas
73
condições que permitam a cada pessoa gozar dos seus direitos econômicos, sociais e
culturais, bem como dos seus direitos civis e políticos; e
Considerando que a Terceira Conferência Interamericana Extraordinária (Buenos Aires,
1967) aprovou a incorporação à própria sociais e educacionais e resolveu que uma
convenção interamericana sobre direitos humanos determinasse a estrutura, competência e
processo dos órgãos encarregados dessa matéria,
Convieram no seguinte:
- CONVENÇÃO AMERICANA SOBRE DIREITOS HUMANOS
PARTE I
- DEVERES DOS ESTADOS E DIREITOS PROTEGIDOS
CAPÍTULO I
- ENUMERAÇÃO DE DEVERES
Artigo 1º
Obrigação de Respeitar os Direitos
1. Os Estados-Partes nesta Convenção comprometem-se a respeitar os direitos e liberdades
nela reconhecidos e a garantir seu livre e pleno exercício a toda pessoa que esteja sujeita à
sua jurisdição, sem discriminação alguma por motivo de raça, cor, sexo, idioma, religião,
opiniões políticas ou de qualquer outra natureza, origem nacional ou social, posição
econômica, nascimento ou qualquer outra condição social.
[...]
Artigo 7º
Direito à Liberdade Pessoal
[...]
7. Ninguém deve ser detido por dívida. Este princípio não limita os mandados de
autoridade judiciária competente expedidos em virtude de inadimplemento de
obrigação alimentar.

Portanto, desde 6/11/1992, NÃO CABERIA A PRISÃO DO DEPOSITÁRIO


INFIEL NO BRASIL.
Ocorre que a Emenda Constitucional 45/2004 – Reforma do Poder Judiciário, elevou
tratados internacionais de Direitos Humanos à hierarquia de norma constitucional, superior ao Código
de Processo Civil, que regulamenta a prisão de depositário infiel, e, fez acrescentar o § 3º do texto do
art. 5º da CF/88, prevendo exatamente que as convenções internacionais seriam equivalentes às emendas
constitucionais.

DOS DIREITOS E DEVERES INDIVIDUAIS E COLETIVOS


Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza,
garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a
inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à
propriedade, nos termos seguintes:
[...]
§ 1º As normas definidoras dos direitos e garantias fundamentais têm aplicação
imediata.
§ 2º Os direitos e garantias expressos nesta Constituição não excluem outros
decorrentes do regime e dos princípios por ela adotados, ou dos tratados
internacionais em que a República Federativa do Brasil seja parte.
§ 3º Os tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos que forem
aprovados, em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, por três
quintos dos votos dos respectivos membros, serão equivalentes às emendas
constitucionais. (Parágrafo acrescentado conforme determinado na Emenda
Constitucional nº 45, de 8.12.2004, DOU 31.12.2004)

74
§ 4º O Brasil se submete à jurisdição de Tribunal Penal Internacional a cuja
criação tenha manifestado adesão.

Há Projeto de Lei em trâmite na Câmara dos Deputados (PL 3.751/2008) que


pretende tratar a hipótese como crime contra a Administração da Justiça,
situação que busca contornar a vedação decorrente do inciso LXVII do art. 5º da
Constituição Federal.

A partir de tal decisão naquele HC, o STF editou a Súmula Vinculante n. 25 com o seguinte
teor:

Súmula vinculante nº 25.


É ilícita a prisão civil de depositário infiel, qualquer que seja a modalidade do
depósito. (DJe-STF 23.12.2009)

Portanto, desde a edição do citado Decreto nº 678, de 6/11/1992 (DOU


9/11/1992) que promulgou a Convenção Americana sobre Direitos Humanos (Pacto de São José da Costa
Rica), de 22/11/1969, NÃO CABERIA A PRISÃO DO DEPOSITÁRIO INFIEL NO BRASIL, mas não
por INCONSTITUCIONALIDE, mas porque tal prisão é ILÍCITA!?????

Mas o NCPC acabou com tal ILEGALIDADE, sequer prevendo tal possibilidade, conforte
se extrai do art. 840 do NCPC.

34.3 Da SUBSTITUIÇÃO da penhora


Os artigos 847/850 do NCPC preveem:

Das Modificações da Penhora


Art. 847. O executado pode, no prazo de 10 (dez) dias contado da intimação
da penhora, requerer a substituição do bem penhorado, desde que comprove
que lhe será menos onerosa e não trará prejuízo ao exequente.
§ 1o O juiz só autorizará a substituição se o executado:
I - comprovar as respectivas matrículas e os registros por certidão do
correspondente ofício, quanto aos bens imóveis;
II - descrever os bens móveis, com todas as suas propriedades e características,
bem como o estado deles e o lugar onde se encontram;
III - descrever os semoventes, com indicação de espécie, de número, de marca
ou sinal e do local onde se encontram;
IV - identificar os créditos, indicando quem seja o devedor, qual a origem da
dívida, o título que a representa e a data do vencimento; e
V - atribuir, em qualquer caso, valor aos bens indicados à penhora, além de
especificar os ônus e os encargos a que estejam sujeitos.
§ 2o Requerida a substituição do bem penhorado, o executado deve indicar onde
se encontram os bens sujeitos à execução, exibir a prova de sua propriedade e a
certidão negativa ou positiva de ônus, bem como abster-se de qualquer atitude
que dificulte ou embarace a realização da penhora.
§ 3o O executado somente poderá oferecer bem imóvel em substituição caso o
requeira com a expressa anuência do cônjuge, salvo se o regime for o de
separação absoluta de bens.
§ 4o O juiz intimará o exequente para manifestar-se sobre o requerimento de
substituição do bem penhorado.

75
Art. 848. As partes poderão requerer a SUBSTITUIÇÃO da penhora se:
I - ela não obedecer à ordem legal;
II - ela não incidir sobre os bens designados em lei, contrato ou ato judicial para
o pagamento;
III - havendo bens no foro da execução, outros tiverem sido penhorados;
IV - havendo bens livres, ela tiver recaído sobre bens já penhorados ou objeto de
gravame;
V - ela incidir sobre bens de baixa liquidez;
VI - fracassar a tentativa de alienação judicial do bem; ou
VII - o executado não indicar o valor dos bens ou omitir qualquer das
indicações previstas em lei.
Parágrafo único. A penhora pode ser substituída por fiança bancária ou por
seguro garantia judicial, em valor não inferior ao do débito constante da
inicial, acrescido de trinta por cento.
Art. 849. Sempre que ocorrer a substituição dos bens inicialmente penhorados,
será lavrado novo termo.
Art. 850. Será admitida a redução ou a ampliação da penhora, bem como sua
transferência para outros bens, se, no curso do processo, o valor de mercado dos
bens penhorados sofrer alteração significativa.

Tais dispositivos devem ser lidos em consonância com os artigos 851/853 do NCPC:

Art. 851. Não se procede à segunda penhora, salvo se:


I - a primeira for anulada;
II - executados os bens, o produto da alienação não bastar para o pagamento do
exequente;
III - o exequente desistir da primeira penhora, por serem litigiosos os bens ou
por estarem submetidos a constrição judicial.
Art. 852. O juiz determinará a alienação antecipada dos bens penhorados
quando:
I - se tratar de veículos automotores, de pedras e metais preciosos e de outros
bens móveis sujeitos à depreciação ou à deterioração;
II - houver manifesta vantagem.
Art. 853. Quando uma das partes requerer alguma das medidas previstas nesta
Subseção, o juiz ouvirá sempre a outra, no prazo de 3 (três) dias, antes de
decidir.
Parágrafo único. O juiz decidirá de plano qualquer questão suscitada.

Humberto Theodoro Júnior60 explicava estas modificações da penhora, ainda na vigência do


CPC/1973:

Apreendido o bem e entregue ao depositário, lavrada o auto ou termo e


intimando o devedor, tem-se por perfeita a penhora, que, via de regra, é
irretratável (art. 667).
Admite-se, contudo, em casos especiais, que a penhora possa sofrer
modificações, particularmente, depois da avaliação, sob as formas de
substituição de bens, ampliação e redução de seu alcance, e, ainda, por sua
renovação.

60
Curso de direito processual civil : processo de execução e cumprimento da sentença, processo cautelar e tutela de urgência.
45 ed. Rio de Janeiro : Forense, 2010. 2 v. p. 311.
76
A substituição é uma faculdade que o código confere, ora ao devedor, ora ao
credor, de trocar o bem penhorado por dinheiro ou outros bens, liberando aqueles
originariamente constritos (arts. 656 e 668).

O art. 848 do NCPC cuida do requerimento de SUBSTITUIÇÃO DO BEM PENHORADO,


o qual poderá ser requerido tanto pelo Exequente quanto pelo Executado, e deverá ser fundamentado
nas hipóteses dos artigos 848 e 851 do NCPC.

35.Da avaliação dos bens penhorados


A AVALIAÇÃO se realiza no ato da penhora.

A respeito da AVALIAÇÃO DOS BENS PENHORADOS do devedor, o NOVO CPC – Lei


13.105, de 16/3/2015 (DOU 17/3/2015), prevê que:

Art. 829. O executado será citado para pagar a dívida no prazo de 3 (três) dias, contado da
citação.
§ 1o Do mandado de citação constarão, também, a ordem de penhora e a avaliação a serem
cumpridas pelo oficial de justiça tão logo verificado o não pagamento no prazo assinalado, de
tudo lavrando-se auto, com intimação do executado.
§ 2o A penhora recairá sobre os bens indicados pelo exequente, salvo se outros forem indicados
pelo executado e aceitos pelo juiz, mediante demonstração de que a constrição proposta lhe será
menos onerosa e não trará prejuízo ao exequente.
[...]
Da Avaliação
Art. 870. A avaliação será feita pelo oficial de justiça.
Parágrafo único. Se forem necessários conhecimentos especializados e o valor da execução o
comportar, o juiz nomeará avaliador, fixando-lhe prazo não superior a 10 (dez) dias para entrega
do laudo.

Art. 154. Incumbe ao oficial de justiça:


I - fazer pessoalmente citações, prisões, penhoras, arrestos e demais diligências próprias do seu
ofício, sempre que possível na presença de 2 (duas) testemunhas, certificando no mandado o
ocorrido, com menção ao lugar, ao dia e à hora;
II - executar as ordens do juiz a que estiver subordinado;
III - entregar o mandado em cartório após seu cumprimento;
IV - auxiliar o juiz na manutenção da ordem;
V - efetuar avaliações, quando for o caso;
VI - certificar, em mandado, proposta de autocomposição apresentada por qualquer das partes,
na ocasião de realização de ato de comunicação que lhe couber.
Parágrafo único. Certificada a proposta de autocomposição prevista no inciso VI, o juiz ordenará
a intimação da parte contrária para manifestar-se, no prazo de 5 (cinco) dias, sem prejuízo do
andamento regular do processo, entendendo-se o silêncio como recusa.

Cássio Scarpinella Bueno61, sobre o antigo CPC/1973 e o seu artigo 680, que é o atual art.
870 do NCPC, didaticamente ensina que:

O art. 680, ademais, evidencia que, embora seja do oficial de justiça o dever de
avaliar os bens penhorados (a não ser que a hipótese reclame “conhecimentos
especializados”), este ato pode e deve ser secundado pelo executado. A remissão
que o dispositivo faz ao inciso V do parágrafo único do art. 668 é insuficiente
porque aquele dispositivo, na redação que lhe dá a Lei n. 11.382/2006, ocupa-se
dos casos em que o executado pode requerer a substituição da penhora, o que
pressupõe, a toda evidência, a sua prévia realização. Também o inciso VII do

61
Curso sistematizado de direito processual civil : tutela jurisdicional executiva, 3. 3. ed. rev., atual. e ampl. São Paulo:
Saraiva, 2010. p. 303-304
77
art. 656 refere-se a este dever do executado quando se ocupa de disciplinar os
casos de substituição da penhora, e, pelas razões expostas pelo n. 9, supra, não
há como recusar que o executado, diante da penhora realizada pelo oficial de
justiça, tenha desde logo, entre outros deveres, o de municiar o meirinho com
elementos seguros para sua avaliação.
Assim, não obstante a remissão expressa feita pelo dispositivo em análise, deve
prevalecer o entendimento de que, desde a “primeira penhora” a ser feita pelo
oficial de justiça para os fins do § 1º do art. 475-J e do § 1º do art. 652, isto é,
independentemente de haver qualquer ânimo quanto à substituição do bem
penhorado pelo exeqüente ou pelo executado (arts. 656 e 668), é dever do
executado – dentre outros – indicar seus valores respectivos.
É o oficial de justiça quem deve receber treinamento próprio para que possa
avaliar. Isto, contudo, não significa dizer que as partes não devam secundar62 a
prática daquele ato com vistas à sua produção ótima e, consequentemente, à
tutela mais adequada de seus próprios direitos e interesses que são, por definição,
contrapostos. O executado tem o dever de agir neste sentido, sem prejuízo
daqueles outros decorrentes do § 1º do art. 656 (v. n. 9, supra). O exeqüente tem
a faculdade de fazê-lo.

assim, a nomeação de avaliador (com conhecimentos especializados) se reserva aos casos


em que não for aceita a estimativa fornecida pelo executado.

Feita a avaliação, as partes são intimadas do auto de penhora e avaliação, sendo que o laudo de avaliação
deverá conter:

Art. 872. A avaliação realizada pelo oficial de justiça constará de vistoria e de laudo
anexados ao auto de penhora ou, em caso de perícia realizada por avaliador, de laudo
apresentado no prazo fixado pelo juiz, devendo-se, em qualquer hipótese, especificar:
I - os bens, com as suas características, e o estado em que se encontram;
II - o valor dos bens.
§ 1o Quando o imóvel for suscetível de cômoda divisão, a avaliação, tendo em conta o crédito
reclamado, será realizada em partes, sugerindo-se, com a apresentação de memorial descritivo,
os possíveis desmembramentos para alienação.
§ 2o Realizada a avaliação e, sendo o caso, apresentada a proposta de desmembramento, as
partes serão ouvidas no prazo de 5 (cinco) dias.

Assim, a vistoria que já era comum agora é ACOMPANHADA DE UM LAUDO do Oficial


de Justiça Avaliador!

O VALOR DOS BENS referido no inciso II do art. 872 do NCP quer dizer o VALOR DE
MERCADO, já que é por ele que o próprio credor ou um terceiro poderá adquirir o bem penhorado, não
se admitido EXCESSIVIDADE ou PREÇO VIL (art. 89163, NCPC).

Considera-se PREÇO VIL:

 o preço inferior ao mínimo estipulado pelo juiz e constante do edital, e

 não tendo sido fixado preço mínimo, o preço inferior a 50% do valor da avaliação.

62
SECUNDAR = v.t. Vir em seguida trazendo auxílio; coadjuvar, ajudar, auxiliar, colaborar: o conhecimento de línguas
deve secundar qualquer estudo científico.
63
Art. 899. Será suspensa a arrematação logo que o produto da alienação dos bens for suficiente para o pagamento do credor
e para a satisfação das despesas da execução.
78
Segundo o estudo promovido pela Ordem dos Advogados do Brasil, por sua Seccional do
Rio Grande do Sul64, e no tocante à DEFINIÇÃO DO QUE SEJA PREÇO VIL:

Este percentual DE 50% foi acolhido no novo diploma legal, porém de modo
subsidiário. Isso porque, a regra, é de que o magistrado define o valor
mínimo de venda, consoante acima já referido, quando anotado o art. 885
supra.

Mas, SE ENVOLVER INCAPAZ, o PREÇO VIL é considerado se o imóvel não alcançar


80% do valor da avaliação:

Art. 896. Quando o imóvel de incapaz não alcançar em leilão pelo menos
oitenta por cento do valor da avaliação, o juiz o confiará à guarda e à
administração de depositário idôneo, adiando a alienação por prazo não
superior a 1 (um) ano.
§ 1º Se, durante o adiamento, algum pretendente assegurar, mediante caução
idônea, o preço da avaliação, o juiz ordenará a alienação em leilão.
§ 2º Se o pretendente à arrematação se arrepender, o juiz impor-lhe-á multa de
vinte por cento sobre o valor da avaliação, em benefício do incapaz, valendo a
decisão como título executivo.
§ 3º Sem prejuízo do disposto nos § 1º e 2º, o juiz poderá autorizar a locação
do imóvel no prazo do adiamento.
§ 4º Findo o prazo do adiamento, o imóvel será submetido a novo leilão.

35.1 Da divisão cômoda de imóvel


35.2
Cabe ao avaliador sugerir possíveis desmembramentos que o imóvel penhorado comportará,
avaliando cada parte isoladamente, levando em conta o crédito do Exequente.

Tal aplicação se justifica porque, se o imóvel comporta desmembramento, seja ele urbano
(de acordo com o Plano Diretor do Município) seja ele rural (de acordo com o número de módulos
fiscais), não precisa que a totalidade sofra a penhora, apenas uma parte cujo valor de avaliação atenda
os requisitos do art. 83165 do NCPC.

Deverá o avaliador atentar às normas urbanísticas restritivas (p. Ex., o fracionamento não poderá
modificar o traçado viário, ex vi do art. 2º, § 2º, da Lei 6.766, de 19.12.1979). E a razão disso se mostra
singela: não poderá o Estado alienar, coativamente, frações de imóveis incompatíveis com o posterior
registro.
Os bens admitem, ainda, a avaliação em lotes, a fim de ensejar a arrematação em
globo (art. 69166).

Segundo o NCPC anotado da OAB-RS67:

A novidade consiste na introdução da necessidade de laudo para a


avaliação por oficial de justiça, para fundamentar a forma pela qual se

66
Art. 691. Se a praça ou o leilão for de diversos bens e houver mais de um lançador, será preferido aquele que se propuser
a arrematá-los englobadamente, oferecendo para os que não tiverem licitante preço igual ao da avaliação e para os demais
o de maior lanço.
.
79
chegou a determinado valor. Na legislação revogada não havia tal
obrigatoriedade, enquanto que agora, também o oficial de justiça deverá
emitir laudo, expondo minuciosamente os critérios adotados para apurar o
valor do bem avaliado. Muito embora já houvesse, na legislação revogada, a
possibilidade de desmembramento, quando o imóvel possibilitasse cômoda
divisão, agora, além de tudo, o oficial de justiça deverá, ao sugerir o
desmembramento, apresentar o memorial descritivo, embora o dispositivo
não seja claro, imaginamos nós tratar-se do memorial descritivo da parte a
ser desmembrada, como forma de facilitar o registro da área desmembrada
na nova matrícula do imóvel.

O NCPC ainda prevê:

Art. 894. Quando o imóvel admitir cômoda divisão, o juiz, a requerimento do


executado, ordenará a alienação judicial de parte dele, desde que suficiente para
o pagamento do exequente e para a satisfação das despesas da execução.
§ 1o Não havendo lançador, far-se-á a alienação do imóvel em sua integridade.
§ 2o A alienação por partes deverá ser requerida a tempo de permitir a avaliação
das glebas destacadas e sua inclusão no edital, e, nesse caso, caberá ao
executado instruir o requerimento com planta e memorial descritivo
subscritos por profissional habilitado.

EXECUÇÃO. PENHORA DE FRAÇÃO IDEAL DE IMÓVEL.


POSSIBILIDADE. DIVISÃO CÔMODA. Normalmente, o imóvel é divisível,
desde que respeitadas as restrições ao parcelamento do solo urbano ou rural,
previstas em Lei específica, e que a divisão seja considerada como cômoda
(CPC, art. 681, parágrafo único), esta entendida como a que mantém o valor
proporcional da parte remanescente do bem e está apta a satisfazer
totalmente o crédito exeqüendo. Entretanto, se não existe, no caso concreto,
qualquer informação do perito acerca da possibilidade de desmembramento do
imóvel, posto que avaliado em sua integralidade, não há como acolher pedido de
redução da penhora a uma parte ideal, especialmente quando verificado que foi
o próprio exeqüente quem optou pela constrição de um bem de difícil alienação,
por seu alto valor comercial, em detrimento da existência de outros bens de fácil
comercialização, de propriedade da executada, inclusive com preferência na
ordem de gradação legal. Agravo de petição improvido, unânime. (TRT 24ª R.;
Proc. 00791/1999-002-24-00; Rel. Juiz João de Deus Gomes de Souza; DOEMS
22/08/2002)

36. Nova avaliação dos bens penhorados:

Art. 873. É admitida nova avaliação quando:


 I - qualquer das partes arguir, fundamentadamente, a ocorrência de erro na avaliação ou dolo
do avaliador; (o erro até pode ser entendido como avaliação errada, mas, o DOLO deve ser entendido
como a vontade deliberada de desempenhar mal o seu dever)
 II - se verificar, posteriormente à avaliação, que houve majoração ou diminuição no valor do
bem; (a fim de trazê-lo para o VALOR DE MERCADO, já que entre a avaliação e a expropriação
pode ter transcorrido um longo prazo)
• III - o juiz tiver fundada dúvida sobre o valor atribuído ao bem na primeira avaliação. (daí a
importância tanto do executado quanto do Exequente acompanharem a avaliação do bem penhorado).
Parágrafo único. Aplica-se o art. 480 à nova avaliação prevista no inciso III do
caput deste artigo.
80
Não se trata, in casu, de mera repetição da anterior. Por conseguinte, a avaliação dispõe de
estabilidade apenas relativa. O tema comporta reabertura, configurando-se as hipóteses do art. 683.
O ato pelo qual o juiz determina nova avaliação, tirante o caso de acolhimento dos embargos ou da
impugnação – o provimento final, exarado na oposição, comportará o recurso adequado à situação –,
representa decisão interlocutória e rende agravo (art. 522). Neste sentido se manifestou no direito
anterior, a 3ª Turma do STJ.

37. Da dispensa de avaliação dos bens penhorados


Art. 871. Não se procederá à avaliação quando:
I - uma das partes aceitar a estimativa feita pela outra;
II - se tratar de títulos ou de mercadorias que tenham cotação em bolsa,
comprovada por certidão ou publicação no órgão oficial;
III - se tratar de títulos da dívida pública, de ações de sociedades e de títulos de
crédito negociáveis em bolsa, cujo valor será o da cotação oficial do dia,
comprovada por certidão ou publicação no órgão oficial;
IV - se tratar de veículos automotores ou de outros bens cujo preço médio de
mercado possa ser conhecido por meio de pesquisas realizadas por órgãos
oficiais ou de anúncios de venda divulgados em meios de comunicação, caso
em que caberá a quem fizer a nomeação o encargo de comprovar a cotação
de mercado.
Parágrafo único. Ocorrendo a hipótese do inciso I deste artigo, a avaliação
poderá ser realizada quando houver fundada dúvida do juiz quanto ao real
valor do bem.

38.Da AMPLIAÇÃO e da REDUÇÃO da penhora


Art. 874. Após a avaliação, o juiz poderá, a requerimento do interessado e
ouvida a parte contrária, mandar:
I - reduzir a penhora aos bens suficientes ou transferi-la para outros, se o valor
dos bens penhorados for consideravelmente superior ao crédito do exequente e
dos acessórios;
II - ampliar a penhora ou transferi-la para outros bens mais valiosos, se o valor
dos bens penhorados for inferior ao crédito do exequente.
Art. 875. Realizadas a penhora e a avaliação, o juiz dará início aos atos de
expropriação do bem.

Vejam que a aplicação destes 2 institutos – REDUÇÃO e AMPLIAÇÃO da penhora – tem


estrita observância dos princípios:

 PRINCÍPIO DO RESULTADO – a execução deve ser equilibrada, isto é, nos termos do art. 79768
do NCPC, a tutela jurisdicional executiva e os atos executivos devem ser prestados no interesse do
credor, já que a execução visa satisfazer o interesse do credor e não meio de punir o devedor, a
execução deve garantir o mesmo resultado, caso o devedor resolvesse quitar a obrigação
espontaneamente, porém de maneira útil ao credor/exeqüente, na satisfação coercitiva da obrigação
assumida pelo devedor/executado;

68
DAS DISPOSIÇÕES GERAIS
Art. 797. Ressalvado o caso de insolvência do devedor, em que tem lugar o concurso universal, realiza-se a execução no
interesse do exequente que adquire, pela penhora, o direito de preferência sobre os bens penhorados.
Parágrafo único. Recaindo mais de uma penhora sobre o mesmo bem, cada exequente conservará o seu título de preferência.
81
 PRINCÍPIO DA MENOR GRAVOSIDADE/ONEROSIDADE DO EXECUTADO – pelo art.
80569 do NCPC, a execução tem que ser feita pelo meio menos gravoso ao devedor, caso existam
diversos meios de satisfazer a obrigação.

Não há que se falar em nenhum ato intermediário entre a avaliação e a expropriação.

O conflito resultante dos princípios apresentados anteriormente tem, em última


análise, fundamento constitucional bem claro, não obstante seu assento no
modelo infraconstitucional do processo civil nos arts. 612 e 620,
respectivamente: trata-se do mesmo conflito que se pode verificar entre o
“princípio da efetividade da jurisdição” e o “princípio da ampla defesa”.
Se, de um lado, a tutela jurisdicional executiva caracteriza-se pela produção de
resultados materiais voltados à satisfação do exeqüente, a atuação do Estado-juiz
não pode ser produzida ao arrepio dos limites que também encontram assento
expresso no “modelo constitucional do processo civil”.
[...]
A “execução equilibrada” aqui examinada, destarte, não é, propriamente, um
“princípio” da tutela jurisdicional executiva mas, diferentemente, um verdadeiro
resultado desejável da escorreita aplicação, em cada caso concreto, dos
princípios do “resultado” e da “menor gravosidade da execução”.

Exemplo desta “execução equilibrada” está disposto no NCPC:

Da Penhora de Frutos e Rendimentos de Coisa Móvel ou Imóvel


Art. 867. O juiz pode ordenar a penhora de frutos e rendimentos de coisa
móvel ou imóvel quando a considerar mais eficiente para o recebimento do
crédito e menos gravosa ao executado.

39.Considerações gerais
Conforme já estudamos, há OBRIGAÇÃO (schuld, ou débito) SEM
RESPONSABILIDADE, por exemplo, na obrigação natural (quando credor não pode coagir devedor),
na dívida de jogo, na dívida prescrita70 etc. Mas também há RESPONSABILIDADE (haftung) SEM
OBRIGAÇÃO, por exemplo, para o fiador, para aquele que dá hipoteca em garantia de débito alheio.
Trata-se de visão bem aceita, adotando-a, por exemplo, juristas como Serpa Lopes e Emilio Betti71.

O Código Civil Brasileiro de 2002 inova ao tratar do tema, para dispor que “pelo
inadimplemento das obrigações respondem todos os bens do devedor” (art. 391, CCB).

Segundo o NOVO CPC – Lei 13.105, de 16/3/2015 (DOU 17/3/2015):

DA RESPONSABILIDADE PATRIMONIAL
Art. 789. O devedor responde com todos os seus bens presentes e futuros para
o cumprimento de suas obrigações, salvo as restrições estabelecidas em lei.

69
Art. 805. Quando por vários meios o exequente puder promover a execução, o juiz mandará que se faça pelo modo menos
gravoso para o executado.
Parágrafo único. Ao executado que alegar ser a medida executiva mais gravosa incumbe indicar outros meios mais eficazes
e menos onerosos, sob pena de manutenção dos atos executivos já determinados.

82
E também já vimos que o PROCESSO DE EXECUÇÃO visa à satisfação do direito
subjetivo da parte credora, satisfação esta que sempre recai, salvo raras exceções, sobre o
patrimônio/bens do devedor. É o chamado PRINCÍPIO DA RESPONSABILIDADE
EXCLUSIVAMENTE PATRIMONIAL.

No Processo de Execução o provimento jurisdicional é eminentemente SATISFATIVO,


expropriando bens do devedor (art. 82472 do NCPC), já que o Poder Judiciário fará o DEVEDOR cumprir
COERCITIVAMENTE aquilo que no título se obrigou.

Mas dissemos desde o início dos estudos que o Processo de Execução visa CONCRETIZAR
o direito do credor/exequente estampado no título executivo, seja judicial ou extrajudicial, até porque há
outro princípio envolvido, o PRINCÍPIO DO RESULTADO estampado no art. 612 do CPC.

Porém, igualmente vimos que esta concretização ou essa REALIZAÇÃO deve observar os
demais princípios infra e constitucionais, especialmente no tocante à impenhorabilidade73, e, em respeito
às garantias constitucionais do devido processo legal – due process of law – e do contraditório e da ampla
defesa (art. 5º74, LIV e LV, da CF/88), onde o devedor/Executado tem a possibilidade de apresentar sua
DEFESA, embargando toda a execução (falta dos requisitos do art. 586 do CPC) ou apenas parte dela,
p. ex: caso de excesso.

Assim, pelo Processo de Execução, na Execução de Título Extrajudicial por QUANTIA


CERTA contra devedor solvente, o credor/exequente visa obter o PAGAMENTO do devedor, o que
poderá se dar segundo as regras estabelecidas pelo CPC:

72
DA EXECUÇÃO POR QUANTIA CERTA
Disposições Gerais
Art. 824. A execução por quantia certa realiza-se pela expropriação de bens do executado, ressalvadas as execuções especiais.
73
Art. 833. São impenhoráveis:
I - os bens inalienáveis e os declarados, por ato voluntário, não sujeitos à execução;
II - os móveis, os pertences e as utilidades domésticas que guarnecem a residência do executado, salvo os de elevado valor
ou os que ultrapassem as necessidades comuns correspondentes a um médio padrão de vida;
III - os vestuários, bem como os pertences de uso pessoal do executado, salvo se de elevado valor;
IV - os vencimentos, os subsídios, os soldos, os salários, as remunerações, os proventos de aposentadoria, as pensões, os
pecúlios e os montepios, bem como as quantias recebidas por liberalidade de terceiro e destinadas ao sustento do devedor e
de sua família, os ganhos de trabalhador autônomo e os honorários de profissional liberal, ressalvado o § 2 o;
V - os livros, as máquinas, as ferramentas, os utensílios, os instrumentos ou outros bens móveis necessários ou úteis ao
exercício da profissão do executado;
VI - o seguro de vida;
VII - os materiais necessários para obras em andamento, salvo se essas forem penhoradas;
VIII - a pequena propriedade rural, assim definida em lei, desde que trabalhada pela família;
IX - os recursos públicos recebidos por instituições privadas para aplicação compulsória em educação, saúde ou assistência
social;
X - a quantia depositada em caderneta de poupança, até o limite de 40 (quarenta) salários-mínimos;
XI - os recursos públicos do fundo partidário recebidos por partido político, nos termos da lei;
XII - os créditos oriundos de alienação de unidades imobiliárias, sob regime de incorporação imobiliária, vinculados à
execução da obra.
§ 1o A impenhorabilidade não é oponível à execução de dívida relativa ao próprio bem, inclusive àquela contraída para sua
aquisição.
§ 2o O disposto nos incisos IV e X do caput não se aplica à hipótese de penhora para pagamento de prestação
alimentícia, independentemente de sua origem, bem como às importâncias excedentes a 50 (cinquenta) salários-mínimos
mensais, devendo a constrição observar o disposto no art. 528, § 8 o, e no art. 529, § 3o.
§ 3o Incluem-se na impenhorabilidade prevista no inciso V do caput os equipamentos, os implementos e as máquinas agrícolas
pertencentes a pessoa física ou a empresa individual produtora rural, exceto quando tais bens tenham sido objeto de
financiamento e estejam vinculados em garantia a negócio jurídico ou quando respondam por dívida de natureza alimentar,
trabalhista ou previdenciária.

83
40. Formas de pagamento ao credor
Pela Lei 11.382/2006, que alterou as disposições relativas à Execução por Título
Extrajudicial, o credor pode optar, antes de qualquer procedimento, por adjudicar o bem
penhorado.

A adjudicação pode abreviar consideravelmente a execução, valendo a pena


registrar, contudo, que apenas será possível se não recaírem outras penhoras sobre o
bem75.
Caso, contudo, não tenha interesse em adjudicar a coisa, pode o credor/exeqüente proceder
à sua alienação, que será “controlada” pela Justiça, através do Juiz da Execução. A hasta pública, através
de leilão (móveis) e praça (imóveis), na nova sistemática, é relegado à ultima ratio.

Então, segundo o CPC/1973, com a reforma introduzida pela Lei 11.382/2006, o pagamento
do credor passou a se dar das seguintes formas:
Nova sistemática
Sistemática anterior
Adjudicação
Leilão ou praça ↓
↓ ↓ Alienação por iniciativa particular
Adjudicação ↓
↓ Leilão ou praça
Usufruto de imóvel ou empresa ↓
Usufruto de imóvel ou empresa

Inverteu-se, portanto, a lógica tradicional, na qual o exequente era mero expectador. Com a
atual disposição legislativa, o credor tem um papel ativo no tocante aos atos expropriatórios a serem
realizados, podendo, primeiramente, ficar com o bem para si ou, não sendo de seu interesse, proceder à
sua venda, desde que respeitadas as condições impostas pelo magistrado76.

Assim, e, segundo o NCPC, o pagamento do credor passou a se dar das seguintes formas:

Art. 825. A expropriação consiste em:


I - adjudicação;
II - alienação;
III - apropriação de frutos e rendimentos de empresa ou de
estabelecimentos e de outros bens. (Usufruto judicial)
Nova sistemática

Adjudicação

Alienação por iniciativa particular ou por leilão judicial eletrônico
ou presencial

Leilão ou praça

Apropriação de frutos e rendimentos de empresa ou de 84
estabelecimentos e de outros bens (Usufruto judicial)
Art. 825. A expropriação consiste em:
I - adjudicação; (transferência do patrimônio do devedor para o credor)
II - alienação;
III - apropriação de frutos e rendimentos de empresa ou de estabelecimentos e
de outros bens. (Usufruto judicial)

Da Expropriação de Bens
Da Adjudicação
Art. 876. É lícito ao exequente, oferecendo preço não inferior ao da avaliação,
requerer que lhe sejam adjudicados os bens penhorados.

Da Alienação
Art. 879. A alienação far-se-á:
I - por iniciativa particular;
II - em leilão judicial eletrônico ou presencial.

Da Satisfação do Crédito
Art. 904. A satisfação do crédito exequendo far-se-á:
I - pela entrega do dinheiro;
II - pela adjudicação dos bens penhorados.

 Do pagamento por alienação particular (arts. 685-C, CPC/1973);

 Do pagamento após hasta pública (arts. 686/707, CPC/1973).

E, segundo o NCPC:

Art. 880. Não efetivada a adjudicação, o exequente poderá requerer a alienação por sua própria
iniciativa ou por intermédio de corretor ou leiloeiro público credenciado perante o órgão
judiciário.
§ 1o O juiz fixará o prazo em que a alienação deve ser efetivada, a forma de publicidade, o preço
mínimo, as condições de pagamento, as garantias e, se for o caso, a comissão de corretagem.
§ 2o A alienação será formalizada por termo nos autos, com a assinatura do juiz, do exequente,
do adquirente e, se estiver presente, do executado, expedindo-se:
I - a carta de alienação e o mandado de imissão na posse, quando se tratar de bem imóvel;
II - a ordem de entrega ao adquirente, quando se tratar de bem móvel.
§ 3o Os tribunais poderão editar disposições complementares sobre o procedimento da
alienação prevista neste artigo, admitindo, quando for o caso, o concurso de meios eletrônicos,
e dispor sobre o credenciamento dos corretores e leiloeiros públicos, os quais deverão estar em
exercício profissional por não menos que 3 (três) anos.
§ 4o Nas localidades em que não houver corretor ou leiloeiro público credenciado nos termos do
§ 3o, a indicação será de livre escolha do exequente.
Art. 881. A alienação far-se-á em leilão judicial se não efetivada a adjudicação ou a alienação
por iniciativa particular.
§ 1o O leilão do bem penhorado será realizado por leiloeiro público.
§ 2o Ressalvados os casos de alienação a cargo de corretores de bolsa de valores, todos os
demais bens serão alienados em leilão público.
Art. 882. Não sendo possível a sua realização por meio eletrônico, o leilão será presencial.

Não havendo interessado por tais formas preferenciais de expropriação (art. 904, i e ii, ncpc),
passa-se à alienação em leilão judicial eletrônico ou presencial.

85
Didaticamente, Humberto Theodoro Júnior77 explicava essa última fase do Processo de
Execução:

A fase final da execução por quantia certa compreende o pagamento que o órgão judicial
efetuará ao credor através dos meios obtidos na expropriação dos bens penhorados ao
devedor.
Pela própria natureza da obrigação exeqüenda, a fase de instrução deveria encerrar-se,
em regra, com a arrematação e a fase de satisfação resumir-se-ia na entrega, ao credor,
da importância arrecadada na alienação judicial, até o suficiente para cobrir o principal
e seus acessórios, tal como ocorreria no cumprimento voluntário da obrigação pelo
devedor. Com esse pagamento forçado extinguir-se-ia a obrigação e, consequentemente,
a execução (art. 794, I, do CPC).
A entrega do dinheiro ao credor, porém, não é a única forma de pagamento prevista no
sistema da execução por quantia certa. Representa a realização da obrigação originária,
ou seja, o pagamento da quantia a que se obrigou o devedor, na mesma substância
prevista no título executivo. Mas o Código prevê outras formas que também se prestam
a satisfazer o direito do credor, mesmo sem lhe entregar a importância de dinheiro
inicialmente reclamada em juízo. Aliás, na sistemática inovadora instituída pela Lei nº
11.382, de 06.12.2006, a forma prioritária de satisfação da obrigação passou a ser
adjudicação dos próprios bens penhorados, se isto interessar ao exeqüente (art. 685-A).

Em consonância com o art. 904, o art. 825 do CPC dispõe a ORDEM DE PREFERÊNCIA
das figuras expropriatórias, conforme já vimos, previu que:

Lembre-se que desde o início do nosso Curso, a orientação é a seguinte:

1º) não penhorou dinheiro do devedor, mas algum bem (móvel ou imóvel) - que o credor/exequente o
ADJUDIQUE (art. 825, I), porque é a forma mais rápida de satisfação do seu crédito. Obviamente, se
isto o interessar, tendo em vista o PRINCÍPIO DO RESULTADO esculpido no já transcrito art. 824 78
do NCPC;

2º) Não quer mesmo adjudicar, então, tente a alienação por iniciativa particular, que poderá ser mais
frutífera e produtiva que a alienação em leilão judicial (art. 825, II, c/c 881, NCPC);

3º) Se isto não der resultado, lhe sobraria apenas a apropriação de frutos e rendimentos de empresa ou
de estabelecimentos e de outros bens, que se trata do usufruto judicial sobre tais coisas/bens (art. 825,
III).

40.1 Da entrega do dinheiro


Diz o NCPC:

Art. 905. O juiz autorizará que o exequente levante, até a satisfação integral de
seu crédito, o dinheiro depositado para segurar o juízo ou o produto dos bens
alienados, bem como do faturamento de empresa ou de outros frutos e
rendimentos de coisas ou empresas penhoradas, quando:
I - a execução for movida só a benefício do exequente singular, a quem, por
força da penhora, cabe o direito de preferência sobre os bens penhorados e
alienados;

77
THEODORO JÚNIOR, Humberto. Curso de direito processual civil : processo de execução e cumprimento da sentença,
processo cautelar e tutela de urgência. 45 ed. Rio de Janeiro : Forense, 2010. 2 v. p. 363.
78
Art. 824. A execução por quantia certa realiza-se pela expropriação de bens do executado, ressalvadas as execuções
especiais.
86
II - não houver sobre os bens alienados outros privilégios ou preferências
instituídos anteriormente à penhora.
Parágrafo único. Durante o plantão judiciário, VEDA-SE a concessão de
pedidos de levantamento de importância em dinheiro ou valores ou de
liberação de bens apreendidos.
Art. 906. Ao receber o mandado de levantamento, o exequente dará ao
executado, por termo nos autos, quitação da quantia paga.
Parágrafo único. A expedição de mandado de levantamento poderá ser
substituída pela transferência eletrônica do valor depositado em conta
vinculada ao juízo para outra indicada pelo exequente.
Art. 907. Pago ao exequente o principal, os juros, as custas e os honorários, a
importância que sobrar será restituída ao executado.
Art. 908. Havendo pluralidade de credores ou exequentes, o dinheiro lhes será
distribuído e entregue consoante a ordem das respectivas preferências.79
§ 1o No caso de adjudicação ou alienação, os créditos que recaem sobre o bem,
inclusive os de natureza propter rem, sub-rogam-se sobre o respectivo preço,
observada a ordem de preferência.
§ 2o Não havendo título legal à preferência, o dinheiro será distribuído entre
os concorrentes, observando-se a anterioridade de cada penhora.
Art. 909. Os exequentes formularão as suas pretensões, que versarão
unicamente sobre o direito de preferência e a anterioridade da penhora, e,
apresentadas as razões, o juiz decidirá.

Humberto Theodoro Júnior80 já ensinava que:

Forma pura de pagamento é apenas aquela que se dá por meio da entrega ao


exeqüente do dinheiro apurado na expropriação dos bens penhorados. As
demais modalidades a que se refere o art. 708 correspondem a atividades
complexas que, simultaneamente, realizam tanto a função de instrução como
a de satisfação. A adjudicação e o usufruto judicial, a um só tempo,
expropriam bens do executado e os transferem para o exeqüente; daí dizer-se que
são formas executivas híbridas, com duplo papel dentro da execução por
quantia certa.

40.2 Do pagamento por ADJUDICAÇÃO (transferência de bens)


Com a sistemática implantada no CPC/1973 pela citada Lei 11.382/2006, que alterou as
disposições relativas à Execução por Título Extrajudicial, e pelo disposto no art. 904, I c/c 825, II, do
NCPC, a ALIENAÇÃO, por iniciativa particular, pelo próprio exequente, ou por leilão judicial, deixou
de ser a meta normal ou preferencial da expropriação na execução por quantia certa, como o CPC/1973
a tratava.

Uma vez superas as reduções ou ampliações/transferências da penhora, o juiz dará início aos
atos de expropriação de bens (art. 825, NCPC).

79
O CPC/1973, no art. 711, utilizava a expressão prelação deriva do latim praelatione, que significa preferência. Direito
de prelação legal.
80
THEODORO JÚNIOR, Humberto. Curso de direito processual civil : processo de execução e cumprimento da sentença,
processo cautelar e tutela de urgência. 45 ed. Rio de Janeiro : Forense, 2010. 2 v. p. 364.
87
A adjudicação é uma figura assemelhada à dação em pagamento, uma forma
indireta de satisfação do crédito do exeqüente, que se realiza pela transferência
do próprio bem penhorado ao credor, para extinção de seu direito.
Em lugar da soma de dinheiro, que é objeto específico da execução por quantia
certa, na adjudicação o credor recebe bens outros do executado, numa operação,
porém, que nada tem de contratual, pois participa da mesma natureza da
arrematação, como ato executivo ou de transferência forçada de bens, sob a
forma de expropriação. Conceitua-se, portanto, a adjudicação como ato de
expropriação executiva em que o bem penhorado se transfere in natura para
o credor, fora da arrematação. Há situações especiais em que se admite a
terceiros, além do exeqüente, a faculdade de obter a adjudicação, também sem o
pressuposto da concorrência em hasta pública (art. 685-A, § 2º).

Da Expropriação de Bens - da Adjudicação

Art. 876. É lícito ao exequente, oferecendo preço não inferior ao da avaliação,


requerer que lhe sejam adjudicados os bens penhorados.
§ 1o Requerida a adjudicação, o executado será intimado do pedido:
I - pelo Diário da Justiça, na pessoa de seu advogado constituído nos autos;
II - por carta com aviso de recebimento, quando representado pela Defensoria
Pública ou quando não tiver procurador constituído nos autos;
III - por meio eletrônico, quando, sendo o caso do § 1o do art. 246, não tiver
procurador constituído nos autos.
§ 2o Considera-se realizada a intimação quando o executado houver mudado de
endereço sem prévia comunicação ao juízo, observado o disposto no art. 274,
parágrafo único.
§ 3o Se o executado, citado por edital, não tiver procurador constituído nos
autos, é dispensável a intimação prevista no § 1o.
§ 4o Se o valor do crédito for:
I - inferior ao dos bens, o requerente da adjudicação depositará de imediato a
diferença, que ficará à disposição do executado;
II - superior ao dos bens, a execução prosseguirá pelo saldo remanescente.
§ 5o Idêntico direito pode ser exercido por aqueles indicados no art. 889, incisos
II a VIII, pelos credores concorrentes que hajam penhorado o mesmo bem, pelo
cônjuge, pelo companheiro, pelos descendentes ou pelos ascendentes do
executado.
§ 6o Se houver mais de um pretendente, proceder-se-á a licitação entre eles,
tendo preferência, em caso de igualdade de oferta, o cônjuge, o companheiro,
o descendente ou o ascendente, nessa ordem.
§ 7o No caso de penhora de quota social ou de ação de sociedade anônima
fechada realizada em favor de exequente alheio à sociedade, esta será intimada,
ficando responsável por informar aos sócios a ocorrência da penhora,
assegurando-se a estes a preferência.
[...]
Seção V
Da Satisfação do Crédito
Art. 904. A satisfação do crédito exequendo far-se-á:
I - pela entrega do dinheiro;
II - pela adjudicação dos bens penhorados.

Da Expropriação de Bens
Da Alienação
Art. 879. A alienação far-se-á:
88
I - por iniciativa particular;
II - em leilão judicial eletrônico ou presencial.
Não havendo interessado por tais formas preferenciais de expropriação, passa-se à alienação
em leilão judicial eletrônico ou presencial:

Art. 881. A alienação far-se-á em leilão judicial se não efetivada a adjudicação ou a alienação
por iniciativa particular.
§ 1o O leilão do bem penhorado será realizado por leiloeiro público.
§ 2o Ressalvados os casos de alienação a cargo de corretores de bolsa de valores, todos os demais
bens serão alienados em leilão público.
Art. 882. Não sendo possível a sua realização por meio eletrônico, o leilão será presencial.

Não havendo licitando em leilão eletrônico ou presencial, resta ainda ao credor/exequente


tentar o usufruto forçado.

40.3 Do pagamento por apropriação de frutos e rendimentos de empresa ou


de estabelecimentos e de outros bens = USUFRUTO JUDICIAL
Da Penhora de Frutos e Rendimentos de Coisa Móvel ou Imóvel
Art. 867. O juiz pode ordenar a penhora de frutos e rendimentos de coisa móvel
ou imóvel quando a considerar mais eficiente para o recebimento do crédito e
menos gravosa ao executado.
Art. 868. Ordenada a penhora de frutos e rendimentos, o juiz nomeará
administrador-depositário, que será investido de todos os poderes que
concernem à administração do bem e à fruição de seus frutos e utilidades,
perdendo o executado o direito de gozo do bem, até que o exequente seja pago
do principal, dos juros, das custas e dos honorários advocatícios.
§ 1o A medida terá eficácia em relação a terceiros a partir da publicação da
decisão que a conceda ou de sua averbação no ofício imobiliário, em caso de
imóveis.
§ 2o O exequente providenciará a averbação no ofício imobiliário mediante a
apresentação de certidão de inteiro teor do ato, independentemente de mandado
judicial.
Art. 869. O juiz poderá nomear administrador-depositário o exequente ou o
executado, ouvida a parte contrária, e, não havendo acordo, nomeará
profissional qualificado para o desempenho da função.
§ 1o O administrador submeterá à aprovação judicial a forma de administração e
a de prestar contas periodicamente.
§ 2o Havendo discordância entre as partes ou entre essas e o administrador, o
juiz decidirá a melhor forma de administração do bem.
§ 3o Se o imóvel estiver arrendado, o inquilino pagará o aluguel diretamente
ao exequente, salvo se houver administrador.
§ 4o O exequente ou o administrador poderá celebrar locação do móvel ou do
imóvel, ouvido o executado.
§ 5o As quantias recebidas pelo administrador serão entregues ao exequente, a
fim de serem imputadas ao pagamento da dívida.
§ 6o O exequente dará ao executado, por termo nos autos, quitação das quantias
recebidas.

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Inicialmente, Cássio Scarpinella Bueno81 esclarecia que tal instituto no CPC/1973
objetivava:

Não obstante o seu nome, o usufruto de que tratam os arts. 716 a 724 não guarda qualquer relação
com o instituto homônimo da lei civil (arts. 1.39082 a 1.411 do Código Civil). A doutrina, ao
descartar qualquer semelhança entre as duas figuras, tende à sua aproximação à figura da
anticrese (arts. 1.50683 a 1.509 do Código Civil), uma vez que esse instituto da lei civil é
especialmente destinado à percepção de frutos ou rendimentos de imóvel pelo devedor para a
compensação de determinada dívida. A semelhança do usufro de que tratam os arts. 716 a 724
com a anticrese, no entanto, esgota-se em sua finalidade.
O “usufruto” regulado pelos arts. 716 a 724 é instituto de direito processual civil, que não se
confunde com qualquer outra modalidade de pagamento constante da lei civil. Sua instituição
depende não só de decisão jujdicial, sendo insuficiente a concordância dos interessados,
mas também da ocorrência de determinados pressupostos, indispensáveis para as partes e
para o próprio magistrado, capazes de demonstrar ser esta modalidde expropriatória,
concretamente consdierada, preferível à alienação do bem penhorado, seja ele móvel ou
imóvel.

41.Da sentença de extinção da execução


A execução por quantia certa tem por objetivo EXPROPRIAR BENS DO DEVEDOR para
satisfazer o direito do credor (art. 824, NCPC), consubstanciado no título executivo extrajudicial.

O Estado-Juiz atuou no Processo de Execução como um verdadeiro substituto, promovendo


uma atividade que competia ao devedor: a satisfação FORÇADA da prestação a que tem direito o credor.
Assim, e, SOMENTE quando o obrigado não cumpre voluntariamente a obrigação é que tem lugar a
intervenção do órgão judicial executivo – daí advém a denominação de “execução forçada”, adotada
pelo NCPC, no art. 77884.

A sanção, no plano patrimonial, que é o que interessa à execução forçada, traduziu-se


em medidas práticas (art. 825, NCPC) que o próprio ordenamento jurídico traçou para que o Estado-
Juiz pudesse invadir a esfera de autonomia do devedor/responsável e fazer cumprir efetivamente a regra
do direito/obrigação.

Se o próprio credor/exequente não tiver adjudicado o bem penhorado, concluída a


adjudicação o produto da venda lhe é entregue (exceto no caso de usufruto judicial), daí porque se NÃO
HOUVER SALDO CREDOR, não há mais interesse no prosseguimento da ação executiva, daí porque
ela deverá ser DECLARADA extinta!
Havendo SALDO DEVEDOR, a execução prossegue, procedendo-se a uma segunda/nova
penhora, e a partir daí novos atos expropriatórios (art. 825, NCPC), nos termos do art. 851, II, do CPC:

Art. 851. Não se procede à segunda penhora, salvo se:


I - a primeira for anulada;

81
BUENO, Cássio Scarpinella. Curso sistematizado de direito processual civil : tutela jurisdicional executiva, 3. 3. ed. rev.,
atual. e ampl. São Paulo: Saraiva, 2010. p. 378

90
II - executados os bens, o produto da alienação não bastar para o pagamento do
exequente;
III - o exequente desistir da primeira penhora, por serem litigiosos os bens ou
por estarem submetidos a constrição judicial. (Usufruto judicial)

Assim, se o credor/exequente foi TOTALMENTE SATISFEITO na obrigação de pagar


assumida pelo devedor/executado, cabe ao mesmo Estado-Juiz por fim ao Processo de
Execução, o que é feito através de uma SENTENÇA DECLARATÓRIA de sua EXTINÇÃO, nos
termos dos artigos 924 e 925 do NCPC:

DA EXTINÇÃO DO PROCESSO DE EXECUÇÃO


Art. 924. Extingue-se a execução quando:
I - a petição inicial for indeferida;
II - a obrigação for satisfeita;
III - o executado obtiver, por qualquer outro meio, a extinção total da dívida;
IV - o exequente renunciar ao crédito;
V - ocorrer a prescrição intercorrente.
Art. 925. A extinção só produz efeito quando declarada por sentença.

A respeito da forma da sentença no processo executivo, Araken de Assis85 explica que:

Ora, o mérito da ação executória se ostenta muito diverso do que o presenciado


nas demais ações. Não há, particularmente, “julgamento” (emissão de juízo),
nem ao juiz incumbe convencer as partes da razão de uma delas. Mediante a
prática de atos executivos, o processo de função executiva visa à satisfação
do crédito, cabendo ao juiz, nesta contingência, declarar encerrados tais atos,
atingido, ou não, o escopo satisfativo.

E, sendo tal ATO DECLARATÓRIO UMA SENTENÇA, do mesma caberá recurso. E,


consoante já estudamos, a sentença que extingue um processo desafia o recurso de APELAÇÃO. Este
é o recurso admissível, acentuou a 4.ª Turma do STJ, seja própria, seja imprópria a extinção, no prazo
de quinze dias, contado da intimação do ato. E, empregado agravo, há erro grosseiro, impedindo o
aproveitamento deste recurso em lugar da apelação. (princípio da FUNGIBILIDADE recursal)

41.1 Da sentença de extinção da execução no JESP:


a Lei 9.099/95 determina que:

Art. 53. A execução de título executivo extrajudicial, no valor de até quarenta


salários mínimos, obedecerá ao disposto no Código de Processo Civil, com as
modificações introduzidas por esta Lei.
§ 1º Efetuada a penhora, o devedor será intimado a comparecer à audiência de
conciliação, quando poderá oferecer embargos (artigo 52, IX), por escrito ou
verbalmente.
§ 2º Na audiência, será buscado o meio mais rápido e eficaz para a solução do
litígio, se possível com dispensa da alienação judicial, devendo o conciliador
propor, entre outras medidas cabíveis, o pagamento do débito a prazo ou a
prestação a dação em pagamento ou a imediata adjudicação do bem
penhorado.

85
Op. cit. p. 566.
91
§ 3º Não apresentados os embargos em audiência, ou julgados
improcedentes, qualquer das partes poderá requerer ao Juiz a adoção de uma
das alternativas do parágrafo anterior.
§ 4º Não encontrado o devedor ou inexistindo bens penhoráveis, o processo
será imediatamente extinto, devolvendo-se os documentos ao autor.

42. Fluxograma do trâmite processual até o pagamento do credor

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