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UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE - UFRN


CENTRO DE CIÊNCIAS SOCIAIS APLICADAS - CCSA
DEPARTAMENTO DE SERVIÇO SOCIAL - DESSO
CURSO DE GRADUAÇÃO EM SERVIÇO SOCIAL

MARIA DO SOCORRO DAVID DE ANDRADE

ATUAÇÃO DOS ASSISTENTES SOCIAIS FRENTE ÀS


CONDICIONALIDADES DO PROGRAMA BOLSA FAMÍLIA NO
CENTRO DE REFERÊNCIA DE ASSISTÊNCIA SOCIAL (CRAS)

Natal/RN
2016
1

MARIA DO SOCORRO DAVID DE ANDRADE

ATUAÇÃO DOS ASSISTENTES SOCIAIS FRENTE ÀS


CONDICIONALIDADES DO PROGRAMA BOLSA FAMÍLIA NO
CENTRO DE REFERÊNCIA DE ASSISTÊNCIA SOCIAL

Trabalho de conclusão de curso apresentado à


Coordenação de Graduação de Serviço Social, da
Universidade Federal do Rio Grande Norte, como
requisito para obtenção do título de Bacharel em
Serviço Social.
Orientadora: Ms. Mônica Maria Calixto de Farias
Alves

Natal/RN
2016
2

Catalogação da Publicação na Fonte.

UFRN / Biblioteca Setorial do CCSA

Andrade, Maria do Socorro David de.

Atuação dos assistentes sociais frente às condicionalidades do programa


bolsa família no centro de referência de assistência social/ Maria do Socorro
David de Andrade. - Natal, RN, 2016.

95f.

Orientadora: Profa. Me. Mônica Maria Calixto de Farias Alves.

Monografia (Graduação em Serviço Social) - Universidade Federal do Rio


Grande do Norte. Centro de Ciências Sociais Aplicadas. Departamento de
Serviço social.
3
4

Dedico este trabalho com muito amor e carinho a Deus, que


me proporcionou essa oportunidade; aos meus pais, Severina
Maria dos Santos Andrade e André David de Andrade (Ambos,
In Memorian), às minhas irmãs Luzia David de Andrade, Maria
Santana David de Andrade e Andreza David de Andrade e ao
meu irmão Orlando David de Andrade.
5

AGRADECIMENTO

Ao meu Deus, pelas forças necessárias para enfrentar todos os obstáculos.


Agradeço aos meus pais André David de Andrade e Severina Maria dos
Santos Andrade (Ambos, In Memorian), que não se encontram presentes
fisicamente, mas sei o quanto ficariam felizes por essa vitória.
Seus olhos e suas vozes eram sempre cheios de orgulhos em falar para
seus amigos e familiares às vitorias de seus filhos. Mesmo com poucos estudos e
com poucas condições financeiras sempre deu seu melhor para os seus filhos.
As minhas amigas irmãs Daniele, Lécia, Lígia, Pâmela, Jussara e Gabi.
As minhas irmãs Luzia, Santana e Andreza e meu irmão Orlando, que são
minha família que tanto amo e quero cuidar sempre.
A minha família, em especial minha tia Adriana, que dentre todos os valores
ensinados, me expôs a fé e ao amor.
Ao meu esposo, que mesmo sem entender o que tanto estudo, compreende
meu empenho.
Aos professores da UFRN, aos profissionais e usuários do campo de estágio
e os entrevistados por toda disponibilidade e colaboração.
A minha orientadora professora Mônica, que é um anjo que Deus colocou
em minha vida. Mesmo eu vivenciado momentos tão difíceis, sempre me
compreende. Chorou o meu luto, quando eu não tinha um colo de uma mãe para
chorar, e quanto a perca de meu pai, ela estava ali.
6

Mudar é difícil
Mas é possível.
(PAULO FREIRE, 1970)
7

RESUMO

O presente trabalho tem como objetivo realizar uma análise sobre a atuação dos
profissionais assistentes sociais frente às condicionalidades do Programa Bolsa
Família (PBF) no Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) Elba Valentim
da Rocha na cidade de Montanhas, o CRAS Centro e o CRAS Frei Damião na
cidade de Nova Cruz, assim como possibilitar uma reflexão acerca das perspectivas
dos usuários frente a essa temática. O Programa Bolsa Família é o maior programa
de transferência de renda do Brasil, mas para permanecer no grupo as famílias
devem cumprir as condicionalidades através das parcerias entre as políticas de
saúde, educação e assistência social. Diante da estrutura do PBF, as
condicionalidades são alvo de muitos debates, em que o Ministério de
Desenvolvimento Social e Combate à Fome enxerga como uma oportunidade das
famílias a inserção às diferentes políticas, assim como elevar a qualidade de vida
das pessoas. Mas para muitas famílias entrevistadas, as condicionalidades não
passam de condições que as mesmas devem cumprir para poder permanecer e não
ter seu benefício cancelado. Conforme os profissionais entrevistados, alguns
enfatizam o trabalho na perspectiva da linha governamental, mas em algumas falas
pode-se verificar que argumentam sobre a importância de um trabalho planejado a
partir das necessidades dos usuários. Entende-se que as condicionalidades devem
ser uma estratégia positiva para as pessoas, mas para isso, as famílias necessitam
se sentirem estimuladas a conhecer a sua própria realidade e seus direitos. O
trabalho utilizou-se de alguns momentos para realização das entrevistas e
acompanhamento nos grupos dos CRAS em que houve a coleta de dados de forma
flexível em que tanto os profissionais quanto os usuários analisaram sua própria
conjuntura. Esse trabalho é de grande relevância pessoal, pois possibilita contar um
pouco da história pessoal e acadêmica.

Palavras-Chave: Assistência Social. Programa Bolsa Família (PBF). Serviço Social.


Condicionalidades.
8

ABSTRACT

This study aims to conduct analysis of the work of professional social workers face
the conditionalities of the Programa Bolsa Família (PBF) in CRAS Elba Valentine da
Rocha in the city Montanhas, the center CRAS and the CRAS Frei Damião in the city
of Nova Cruz as well as enable a reflection on the perspective of users facing this is
sue. The Programa Bolsa Família is Brazil's largest cash transfer program, but to
stay in the group families must do the conditionalities through associations between
health policy, education and assistance. Given the PBF structure, conditionalities are
subject to much discussion, where the Ministério Social and Combate à Fome see it
as a family‟s opportunity to enter the various policies and improve the quality of life.
But for many families interviewed, conditionalities are only conditions that they must
to accomplish in order to stay and not have your canceled benefit. According to
professionals interviewed, some empha size the work from the perspective of the
government line, but some speeches argue the important of a planned work based
on the needs of users. It is unders tood that conditionalities should be a positive
strategy for people, but for this, families need to feel encouraged to know their own
reality and their rights. It‟s understood that conditionalities should be a positive
strategy for the people, but to find it, families need to feel encouraged to know their
own reality and their rights. The work was based in a few moments to do interview
and accompaniment of the CRAS groups where the data were collected, on a flexible
way, in which both professionals and users analyzed their own situation. This study is
of great personal significance, because it enable to tell a little personal and academic
history.

Key Words: Social Assistence. Programa Bolsa Família (PBF). Social Service.
Conditionalities.
9

LISTA DE SIGLAS

ASG – Agente de Serviços Gerais


BJV – Benefício Variável Vinculado ao Adolescente
BPC – Benefício de Prestação Continuada
CADUNICO – Cadastro Único para Programas Sociais
CF – Constituição Federal
CE – Código de Ética
CNAS – Conselho Nacional de Assistência Social
CRAS – Centro de Referência de Assistência Social
CREAS – Centro de Referência Especializado de Assistência Social
DF – Distrito Federal
IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
INSS – Instituto Nacional do Seguro Social
LOAS – Lei Orgânica de Assistência Social
MDS – Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome
MEC – Ministério da Educação
MS – Ministério da Saúde
NOB-AS – Norma Operacional Básica da Assistência Social
NOB-RH SUAS – Norma de Operação Básica de Recursos Humanos do Sistema
PAIF – Programa de Atenção à Família
PBF – Programa Bolsa Família
PETI – Programa de Erradicação do Trabalho Infantil
PNAS – Programa Nacional de Assistência Social
PT – Partido dos Trabalhadores
SCFV – Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos
SEMAS – Secretaria Municipal de Assistência Social
SUAS – Sistema Único de Assistência Social
TCC – Trabalho de Conclusão de Curso
10

SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO .......................................................................................... 10

2 ATUAÇÃO DOS ASSISTENTES SOCIAIS NO ENFRENTAMENTO DAS


DESIGUALDADES SOCIAIS .................................................................... 16
2.1 O CENTRO DE REFERÊNCIA DE ASSISTÊNCIA SOCIAL – CRAS:
ESPAÇO DE SOCIALIZAÇÃO DE DIREITOS ........................................... 17
2.2 A IMPORTÂNCIA DO PROGRAMA BOLSA FAMÍLIA PARA AS FAMÍLIAS
BENEFICIADAS ........................................................................................ 18
2.3 O PERFIL DOS MUNICÍPIOS: NA ESTRUTURA DO CENTRO DE
REFERÊNCIA DE ASSISTÊNCIA SOCIAL – CRAS ................................. 36
2.3.1 O Município de Montanhas (RN) ............................................................. 36
2.3.2 O CRAS Elba Valentim da Rocha ........................................................... 37
2.3.3 O Município de Nova Cruz (RN) .............................................................. 42
2.3.4 O CRAS Centro e o CRAS Frei Damião.................................................. 43
3 AS CONDICIONALIDADES DO PBF: UMA AMPLIAÇÃO OU
RESTRIÇÃO DE DIREITOS? ................................................................... 47
3.1 A ATUAÇÃO DOS ASSISTENTES SOCIAIS NOS GRUPOS DO CENTRO
DE REFERÊNCIA DE ASSISTÊNCIA SOCIAL – CRAS: ESPAÇO DE
DISCUSSÕES DE DIREITOS .................................................................. 48
3.2 AS ATRIBUIÇÕES DO ASSISTENTE SOCIAL NO PROGRAMA BOLSA
FAMÍLIA ..................................................................................................... 54
3.3 AS DIFERENTES PERSPECTIVAS FRENTE ÀS CONDICIONALIDADES
DO PROGRAMA BOLSA FAMÍLIA ............................................................ 59
4 CONSIDERAÇÕES FINAIS ...................................................................... 78
REFERÊNCIAS ......................................................................................... 81
APENDICE .............................................................................................. 84
ANEXO ..................................................................................................... 89
11

1 INTRODUÇÃO

A pobreza apresenta-se como um dos perversos problemas a ser enfrentado


em nossa sociedade, resultante de uma combinação de fatores sociais, políticos e
econômicos.
Nesse contexto de desigualdade social, surge no Brasil às políticas públicas
de transferência de renda para uma parcela da população, caracterizada em
situação de pobreza e vulnerabilidade social. Surgem vários programas de
transferência de renda, dentre eles, o maior programa de transferência de Renda da
história do Brasil, o Programa Bolsa Família (doravante, PBF), do Governo Federal.
O programa é introduzido, segundo a intenção governamental, com o
objetivo de enfrentar um grande desafio que é o combate à fome e à miséria,
mediando à promoção e à emancipação das famílias mais pobres do Brasil. No
entanto, o PBF se apresenta de forma seletista, através da realização de análises
sociais e econômicas das famílias como condição para o acesso ao benefício para
aquelas que a eles recorrem.
O PBF é estruturado através das condicionalidades, as quais permitem que
os usuários sejam contemplados por outras políticas, como de Saúde e Educação,
além da Assistência Social. As condicionalidades, também, são visualizadas como
norma as quais as famílias devem obedecer para permanecer beneficiária do
Programa Bolsa Família.
O presente Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), que tem como tema a
atuação dos assistentes sociais frente às condicionalidades do Programa Bolsa
Família (PBF), direciona uma discussão para a atuação dos profissionais assistentes
sociais frente às condicionalidades do PBF nos CRAS Elba Valentim da Rocha, da
cidade de Montanhas (RN) e os CRAS Centro e o CRAS Frei Damião, na cidade de
Nova Cruz (RN).
O trabalho tem como objetivo geral refletir como acontece a atuação dos
profissionais assistentes sociais diante das controvérsias das condicionalidades do
Programa Bolsa Família. A partir daí, particularizou-se alguns aspectos como o
enfrentamento destes em situações que muitas vezes contradizem os objetivos
profissionais. Associada aos objetivos buscou-se analisar a percepção dos usuários
através do PBF.
12

Diante da perspectiva de atuação nas condicionalidades do Programa Bolsa


Família, a pesquisa apresenta a seguinte questão: como acontecem as atuações
das assistentes sociais dos CRAS Elba Valetim da Rocha, da cidade de Montanhas
(RN) no CRAS Centro e o CRAS Frei Damião da cidade de Nova Cruz RN nas
condicionalidades do PBF?
A pesquisa foi desenvolvida no CRAS Elba Valentim da Rocha, na cidade de
Montanhas (RN) no CRAS Centro e o no CRAS Frei Damião da cidade de Nova
Cruz (RN), tem como metodologia o desenvolvimento de uma pesquisa de caráter
exploratório, em que foi realizado entrevistas a 3 (três) assistentes sociais e 4
(quatro) usuários do PBF que estavam com seus benefícios bloqueados, no intuito
de compreender, como, tanto os profissionais, quanto os usuários enxergam as
condicionalidades do programa.
Assim DENCKER (1998, p.156), enfatiza que “os estudos exploratórios
compreendem, além do levantamento das fontes secundárias, estudos de casos
selecionados e a observação informal” e que a pesquisa pode se dar através de
“uma série de técnicas de levantamentos de dados, como questionário”.
A coleta dos dados foi construída de forma flexível na tentativa de uma
compreensão detalhada dos significados e características situacionais pelos
entrevistados, assim, oportunizando momentos de diálogos sobre a temática do
PBF, pois as realidades dos CRAS assim como do programa são originadas de
situações subjetivas que ultrapassam a coleta de dados de forma numérica.
Segundo Neto, Gomes e Minayo (1994, p.26) esse processo acontece
através de “um momento relacional e prático de fundamental importância
exploratório, de confirmação ou refutação de hipóteses e construção de teorias”.
Além da entrevista foi necessário realizar um levantamento de dados nos
Prontuários do Sistema Único da Assistência Social (SUAS), assim como nos livros
de anotações de visitas além dos planejamentos das profissionais para execução
das tarefas dos grupos.
Nessa perspectiva, abordam-se algumas categorias que alicerçam as
temáticas como: pobreza, desigualdade social, programas de transferências de
renda, PBF e as condicionalidades do maior programa do país. Alguns documentos
do Ministério Desenvolvimento Social e Combate à Fome e do CFESS assim como
os pesquisadores como Sposati (1992), Iamamoto (2007) e Yazbek (2006), deram
13

suporte ao trabalho, conduzindo uma discussão muito importante para entender a


estrutura e a efetivação do PBF.
A estrutura e a lei que regulamentam o Programa Bolsa Família são algumas
das documentações necessárias que o profissional que atua no PBF deve conhecer
para construir estratégia coerente com seus conhecimentos e necessidades dos
usuários.
A atuação do assistente social no início da profissão surge como forma de
apaziguar as relações sociais que advinham de conflitos sociais, políticos e,
principalmente, econômico. Com a Constituição Federal de 1988 e com a
promulgação da Lei Orgânica de Assistência Social (LOAS) de 1993, de fato,
contribuiu-se para diferenciar a profissão de Serviço Social, nesse contexto social a
profissão busca articulação no intuito da efetivação de direitos.
O assistente social deve estar capacitado teoricamente com aprofundamento
nas balizas da profissão para assumir atribuições e competências e, assim, realizar
funções coerentes com o Código de Ética com a Lei de Regulamentação e o Projeto
Ético Político, para assim atuar em quaisquer instituição e serviço.
O Centro de Referência de Assistência Social (doravante, CRAS) é uma
unidade pública estatal descentralizada da política de assistência social responsável
pela organização e oferta dos serviços socioassistenciais da Proteção Básica do
Sistema Único de Assistência Social (SUAS) que favorece a oferta de serviços e
programas nas áreas de vulnerabilidade e risco social. Na instituição CRAS são
realizadas diversos atendimentos, nos quais não deve haver violação de direitos. O
espaço trabalha com projetos, e vários programas. Mas o PBF é o programa mais
solicitado pela população.
A Política Nacional de Assistência Social (PNAS) através do Sistema Único
de Assistência Social (SUAS) enfatiza a importância do papel da Política de
Assistência Social como caminho e oportunidades para os interesses e direitos dos
usuários.
As motivações para realização da pesquisa na temática de Assistência
Social, com ênfase nas condicionalidades do PBF surgiram em razão das
indagações que ocorreram no período do estágio obrigatório, assim como na
construção no Projeto de Intervenção. O qual foi realizado com o “Grupo das
condicionalidades do PBF” no CRAS Elba Valentim da Rocha na cidade de
14

Montanhas (RN) tendo como intuito analisar e intervir na realidade de mulheres que
não se percebiam como sujeitos de direitos.
O Projeto de Intervenção tinha como objetivo realizar um trabalho com o
Grupo em Descumprimento das Condicionalidades do Programa Bolsa Família do
CRAS Elba Valentim da Rocha, na cidade de Montanhas, diante dos encontros no
grupo, percebe-se o descontentamento das mulheres em ser rotuladas como
pessoas que descumpriram as condicionalidades do programa.
A pesquisa tem grande importância acadêmica, pois possibilita o
aprofundamento teórico acerca da Política de Assistência Social e uma análise nas
condicionalidades do PBF.
O presente Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) é estruturado em dois
capítulos. No primeiro capítulo, é apresentada a atuação dos assistentes sociais na
materialização do Serviço Social, realizando uma análise sobre a importância PBF
na instituição do CRAS.
No último capítulo, aponta-se a caracterização de cada CRAS, uma análise
das questões acerca da atuação dos profissionais assistentes sociais nas
condicionalidades do Programa Bolsa Família, e aspectos teóricos realizados neste
estudo, expressando as indagações e os resultados alcançados referentes à
atuação das assistentes sociais no acompanhamento das condicionalidades do PBF.
Foram realizados encontros quinzenalmente. O primeiro encontro foi
realizado na cidade de Nova Cruz (RN) com as assistentes sociais, em que foi
enfatizada a importância da pesquisa, aplicando-se a primeira entrevista.
Nesse primeiro momento, abordou-se o histórico das instituições; as
principais demandas que chegam aos CRAS; os perfis dos usuários do PBF; o
atendimento dos assistentes sociais através do acolhimento, do atendimento
individual em grupo; como constrói os planejamentos e estratégias na assistência
social do município; qual a percepção dos profissionais e como acontece as Buscas
Ativas.1

1
A busca ativa é uma estratégia do Plano Brasil Sem Miséria e significa levar o Estado ao cidadão, sem esperar
que as pessoas mais pobres cheguem até o poder público. A Busca Ativa se desdobra em três estratégias:
1)Busca Ativa para inclusão no Cadastro Único: trata-se de localizar as famílias extremamente pobres, incluí-las
no cadastro e manter suas informações sempre atualizadas; 2) Busca Ativa para Acessar Benefício: incluir no
Bolsa Família, no Bolsa Verde, no fomento a atividades produtivas, no Programa de Erradicação do Trabalho
Infantil e no Beneficio de Prestação Continuada todas as famílias que atendem os critérios de elegibilidade;
3)Busca Ativa para Acessar Serviços: nesse caso, o Estado assegura que as famílias extremamente pobres
tenham acesso aos serviços sociais básicos de saúde, saneamento, educação, assistência social, trabalho e
segurança alimentar e nutricional, entre outros. (mds.gov.br/assuntos/busca-ativa).
15

No segundo momento da pesquisa, realizou-se na cidade de Montanhas


(RN), de início, com a assistente social e, posteriormente, com o dialogo com alguns
profissionais do PBF, em que os respectivos entrevistados serão nomeados por
números, por exemplo, a assistente social da cidade mencionada será classificada
por Assistente Social I, a profissional do CRAS Centro, será Assistente Social II e a
do CRAS Frei Damião nomeada por Assistente Social III.
Como já havia operacionalizado o Projeto de Intervenção no grupo, houve
uma abertura maior dos participantes em dialogar sobre o tema da pesquisa. Foram
coletados os dados tanto dos usuários quanto da assistente social - sobre o que
acham do serviço do PBF; o que mudaria no atendimento da instituição; se os
usuários gostam do grupo que participam e se gostariam de permanecerem no
grupo por mais tempo.
O terceiro encontro efetivou-se no Cadastro do Programa Bolsa Família2
(CADÚNICO). Nesse momento, realizou-se uma conversa individual com dois
usuários que estavam com os benefícios bloqueados, sendo questionado o motivo
que os levou a procurarem a gestão do PBF; o que achava do PBF; se conheciam
as condicionalidades do programa; se já participaram de algum grupo por
descumprimento das condicionalidades do PBF. O quarto encontro utilizou-se o
questionário realizado anteriormente no CRAS de Montanhas (RN), aplicando-se às
assistentes sociais no município de Nova Cruz (RN).
No quinto e sexto momento realizou-se uma observação e também
participação no grupo “Descumprimento das Condicionalidades do Programa Bolsa
Famílias” em ambos os CRAS, no sentido de construir momentos de aproximação
com os usuários.
No sétimo e oitavo momento realizou-se questionários com as assistentes
sociais de Nova Cruz (RN) e Montanhas (RN) buscando coletar informações acerca
da atuação profissional e dos serviços das instituições.
O décimo momento, efetuou-se a coleta de dados dos documentos3 da
instituição como: Prontuários do SUAS, Livro de Acompanhamento, Livro de Vistas e

2
O Responsável Familiar – RF deve procurar o setor responsável pelo Cadastro Único ou pelo
Programa Bolsa Família na cidade em que mora. Se não souber onde fica o local de cadastramento,
pode buscar essa orientação no Centro de Referência no Centro de Assistência Social (CRAS) mais
próximo de sua casa. Em muitas localidades, o próprio CRAS realiza o cadastramento das famílias.
(mds.gov.br; assuntos/cadasro-único)
3
Para executar um bom serviço na instituição CRAS, é necessário conhecer os documentos o MDS
utilizados como referencias para construir o GESUAS – Formulário Prontuário SUAS; Tipificação
16

Sistema do Programa Bolsa Família. A coleta desses dados é fundamental para


entender quais demandas e a forma de atuação dos profissionais dos CRAS.
Espera-se, então, que o presente estudo possa contribuir para a
compreensão e análise das condicionalidades do maior programa de transferência
de renda que é o Programa Bolsa Família.

Nacional dos Serviços Socioassistenciais; NOB/SUAS 2012 – Norma Operacional do Sistema Único
da Assistência Social; SUAS e População em Situação de Rua; Centro de Referência de Assistência
Social (CRAS) – Orientação Técnicas; Orientação Técnicas para operacionalização dos Serviços de
Convivência e Fortalecimento de Vínculos; Orientação Técnicas para os Centros de Referências
Especializados de Assistência Social – CREAS; Manual censo CRAS; LOAS – Lei Orgânica de
Assistência Social; Política Nacional da Assistência Social e entre outros documentos.
(www.gesuas.com.br)
17

2 ATUAÇÃO DOS ASSISTENTES SOCIAIS NO ENFRENTAMENTO DAS


DESIGUALDADES SOCIAIS

Este capítulo objetiva realizar uma discussão sobre os programas de


transferência de renda e também sobre as condicionalidades do Programa Bolsa
Família (PBF) que se tornou um grande mediador no enfrentamento das
desigualdades sociais através das políticas sociais no Brasil.
O capitulo visa compreender como acontece a participação dos usuários na
Política de Assistência Social; como se estrutura o Centro de Referência de
Assistência Social (CRAS) e como se sucede a atuação dos profissionais
assistentes sociais nesses espaços.
Recorrerá a documentos como a Lei Orgânica de Assistência Social (LOAS),
a Constituição Federal e outros, assim como a reflexão teórica a partir de autores
que abordam a temática como Martins (2009), Yazbek (2006), Iamamoto (2009),
dentre outros.
Entende-se que a contribuição e implementação das Políticas Sociais são
muito importantes na participação dos usuários como sujeitos de direitos que têm a
liberdade e autonomia de opinar e refletir sobre a sua realidade para, assim,
acontecer um trabalho participativo e democrático. Um profissional consciente de
suas competências, que, reconhece o usuário como um sujeito que tem seu espaço
na política, compreende que seu trabalho se efetiva quando existe dialogo nas
atividades, através da comunicação entre profissionais, usuários e serviços.
A instituição CRAS é um local que deve oferecer abertura para a
participação dos usuários, por ser espaço que enfatiza a conquista de direitos.
Através do CRAS existem muitos programas que constroem junto com as famílias
momentos de reflexões sobre diversas temáticas. Nessa direção, será abordado de
forma especial o PBF, dando ênfase em sua estrutura e como as famílias
beneficiárias participam da execução desse programa que é desenvolvido na
instituição do CRAS.
Em seguida será relatada a importância do Programa Bolsa Família para as
famílias beneficiárias, configurando a questão econômica do país e as construções
dos programas de transferências de rendas, com ênfase no PBF. Em seguida será
abordado a consolidação da pesquisa, de forma inicial, através da caracterização
18

dos municípios de Montanas (RN) e Nova Cruz (RN) e seus respectivos CRAS –
Elba Valentin da Rocha e os CRAS Centro e Frei Damião.

2.1 O CENTRO DE REFERÊNCIA DE ASSISTÊNCIA SOCIAL – CRAS: ESPAÇO


DE SOCIALIZAÇÃO DE DIREITOS

O Brasil é um país que ainda vivencia uma profunda desigualdade social,


política e econômica. Enquanto muitas pessoas desfrutam de um montante de
riqueza, de oportunidades, ainda existem muitas pessoas que sobrevivem com tão
pouco. Que são submetidas a várias situações de humilhação, descaso e
desrespeito que se expressam em uma profunda pobreza.
A pobreza é uma das expressões da questão social que destrói nas pessoas
seus direitos à liberdade, à informação, à educação, à saúde, à assistência entre
tantos outros direitos que lhes são negados.
As consequências dessas expressões são visualizadas por muitas pessoas
usuárias do PBF como infindáveis e naturais. Em que sempre existirá uma classe
dominante e uma subordinada, que por diversas necessidades precisará ser
submetida e, possivelmente, a comprovações vexatórias de suas condições para
conquistar o mínimo para sua vida. As expressões da pobreza só irão retrair e
inexistir quando os direitos dos indivíduos forem assegurados.
Durante os momentos com os usuários e os profissionais surgiram algumas
inquietações e questionamentos – o que fazem as pessoas se perceberem em
situação de pobreza e desigualdade social e como lidam com essas situações.
Diante das conversas percebe-se que muitas pessoas constroem conceitos
expressos em uma situação naturalizada, através de vivencias de sua cultura,
acredita-se que porque seus pais passam (ou passaram) por essa realidade é
normal vivenciarem essas etapas da vida.
A pobreza não é um destino, não é falta de competências dos pobres nem
tão pouco, preguiça de lutar por condições melhores como ressaltam Jovchelovitch e
Werthein (2003, p.29) “a pobreza não pode ser defendida como um padrão de vida:
ela é, simultaneamente, a causa e o efeito da sonegação, total ou parcial, dos
direitos humanos”.
19

Da mesma forma, Martins (2009, p.14) contribui com sua afirmação: “A


pobreza constitui-se em um dos maiores problemas a ser enfrentado em nossa
sociedade. É o resultado de uma combinação de fatores socioeconômicos e políticos
diversos, sendo, portanto a característica mais marcante de nossa civilização”.
Os beneficiários do PBF que se colocam nesses locais de exclusão, não é
por gostarem de se sentir inferiores ou pobres, mas a própria sociedade constrói e
reproduz um conceito de „habitat‟ para cada classe social. Que a pobreza é
expressão e uma consolidação socialmente construída através das relações sociais,
assim Yazbek (2006, p. 22 - 23) afirma que: É produto dessas relações que, na
sociedade brasileira, produzem a pobreza enquanto tal quer no plano socioeconômico, quer
no plano político, constituído múltiplos mecanismos que „fixam‟ os „pobres‟ em seu lugar na
sociedade.
Diante dos entraves sociais, políticos e econômicos que se expressam
através da desigualdade social e da negação de direito que constrangem muitas
pessoas, mas, e, ao mesmo tempo despertam seres humanos que se questionam e
indagam a sua própria realidade. Não aceitam as condições impostas por um
sistema que objetiva ditar e delimita as regras da sociedade.
Nesse cenário, surgem os interesses da classe dominante, que detém o
poder de persuadir, principalmente, sobre a vida das pessoas menos abastadas
social e economicamente.
A efetivação das ações do assistente social surgem com intenção de intervir
e realizar as mediações de conflitos, como preparar a grande massa operária para
os interesses do capitalismo industrial e conduzir essa população para o sistema
sócio – econômico – político da época.
Em contrapartida, o trabalhador que não aceitava continuar vivendo em
condições de exploração, começa a incomodar o sossego da classe capitalista
através das reivindicações em busca dos seus direitos, como por exemplo, melhores
condições de vida.
Através do contexto de fracasso econômico e crescimento no nível de
pauperização da população surge o interesse do governo em construir estratégias
como diversos programas, que buscam atender o mínimo das necessidades das
pessoas que sempre foram enxergadas como seres inferiores.
Assim, diante de muitas reivindicações dos diversos segmentos sociais
organizados e representados, o poder público reconhece a Assistência Social,
20

dentro da Seguridade Social, como um direito do cidadão e não mais um favor do


Estado ou das entidades filantrópicas.
A Constituição Federal de 1988 se consolidou como peça fundamental para
a organização e implementação dos direitos e garantias dos cidadãos. Assim os
assistentes sociais utilizam o documento como instrumento para identificar a
dinâmica do cotidiano social e contribuir para a transformação das condições de vida
e de trabalho da população.
Afirmando a Constituição Federal de 1988 como um documento muito
importante para direcionar a temática dos direitos, Couto (2004, p.16) expressa: “A
Política de Assistência Social é concebida como Política Pública no Brasil a partir da
Constituição Federal de 1988, compondo, com a Política de Saúde e Previdência
Social Brasileira”.
É, através da Constituição Federal que os cidadãos se apegam para verem
seus direitos assegurados, reivindicados o direito à igualdade. Como cita o artigo 5°
“Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se
aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no país, à liberdade, à igualdade, à
segurança e a propriedade” (BRASIL, 1988, p. 5), e, no artigo 6º, que descreve
sobre os direitos as diversas áreas que as pessoas necessitam usufruir, como:
“educação, a saúde, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção, à
maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma da
constituição”.
Neste sentido Mestrine (2005, p. 44) apresenta a profissão de serviço social4
como possibilidade de efetivação dos direitos sociais. Enfatiza também o papel da
sociedade na construção e efetivação de seus direitos. “Ampliar a participação da
sociedade civil não significa descobrir o Estado e esvaziá-lo das suas competências,
mas antes permitir-lhe maior alcance, maior diversidade de atenção”.

4
O Serviço Social como profissão, em sete décadas de existência no Brasil e no mundo, ampliou e
vem ampliando o seu raio ocupacional para todos os espaços e recantos onde a questão social
explode com repercussões no campo dos direitos, no universo da família, do trabalho e do “não
trabalho”, da saúde, a educação, dos/as idosos/as, da criança e dos/as, da criança e dos/as
adolescentes, de grupos étnicos que enfrentam a investida avassaladora do preconceito, da
expropriação da terra, das questões ambientais resultantes da socialização do ônus do setor
produtivo, da discriminação de gênero, raça, etnia, entre outras formas de violação dos direitos
(PARÂMETROS PARA ATUAÇÃO DE ASSISTENTES SOCIAIS NA POLÍTICA DE ASSISTÊNCIA
SOCIAL, 2011, P.11)
21

A partir desse marco conjuntural a população passou a ser assegurada por


leis que concretizam os direitos que antes não existiam, mesmo diante de muitas
conquistas, o dia a dia demonstra que a luta ainda continua.

Art. 203. A Assistência Social será prestada a quem dela necessitar,


independente de contribuições à seguridade social, e tem por
objetivo. I – A proteção à família, a maternidade, á infância, a
adolescência e à velhice; II – O amparo a criança e adolescente
carente; III – A promoção de sua integração à vida comunitária; V –
Garantia de um salário mínimo de benefício mensal à pessoa
portadora de deficiência e ao idoso que comprovem não possuir
meios de prover à própria manutenção ou de tê-la provida por sua
família; conforme dispuser a lei (BRASIL, 1988, p. 34).

Mesmo sabendo que o Brasil ainda é um país de muitas desigualdades


sociais e elevados índices de pobreza, a política de assistência foi construída para
apenas uma parcela de pessoas que são submetidas a um filtro social, chamada
também de entrevista social, que delimitam suas condições sociais e políticas,
tornando assim, parte de um perfil de população que serão beneficiadas pela
Política de Assistência Social.
Nesse sentido, Yazbek (2006 p. 54-55) assegura:

Historicamente, a assistência social pública é o mais importante


mecanismo pelo qual são estendidos aos segmentos mais
pauperizados de uma classe serviços e recursos como creches,
programas de profissionalização, programa de geração de renda, de
moradia, de atendimento os direitos da criança, do adolescente, da
maternidade, do idoso, do portador de deficiência, do homem de rua
e de muitos outros.

A Política de Assistência abarca muitas pessoas para serem inseridas no


Cadastro Único (CADÚNICO) e assim avaliadas pelo Ministério Social de
Desenvolvimento e Combate à Fome (MDS). Mas, com tantos momentos de
constrangimentos que as famílias são submetidas a passar, é necessário que no
mínimo existam profissionais comprometidos com a efetivação de direitos.
A expansão da política de assistência social vem demandando cada
vez mais a inserção de assistentes sociais comprometidos/as com a
consolidação do Estado democrático dos direitos, a universalização
da seguridade social e das políticas públicas e o fortalecimento de
uma intervenção profissional crítica, autônoma, ética e politicamente
comprometida com a classe trabalhadora e com as organizações
populares de defesa de direitos. (PARÂMETROS PARA ATUAÇÃO
DE ASSISTENTES SOCIAIS NA POLÍTICA DE ASSISTÊNCIA
SOCIAL, 2011, p.3).
22

A política de Assistência Social, assim como as demais políticas é


consequência de muitas conquistas e lutas sociais, há necessidade de se integrar
com as demais políticas sociais para assim articularem seus serviços e benefícios
aos direitos assegurados pelas demais políticas sociais5. A Política de Assistência
Social tem um papel fundamental em um país com enormes desigualdades e
concentração de riquezas. O Conselho Federal de Serviço Social (CFESS) vem
reiterar que não se pode permitir o retrocesso, ou seja, que os direitos conquistados
e reafirmados na Política de Assistência sejam visualizados como uma afirmação de
assistencialismo.

Não podemos permitir a consolidação do que vem sendo


denominado por alguns autores como „assistencialização das
políticas sociais‟, sob o risco de termos um retorno das perspectivas
profissionais que foram superadas pela história, pela conjuntura e
pela organização política dos/as assistentes sociais. (CFESS, 2011,
p. 18).

Outro documento, também, que realizou grandes inovações, ao propor o


controle da sociedade na formulação, gestão e execução das políticas assistências
foi a Lei Orgânica de Assistência Social (LOAS), indicando caminhos e
oportunidades para os interesses e direitos dos usuários. Mas, esse acesso ao
usuário em intervir em sua própria realidade se concretiza, quando se viabiliza o
acesso ao direito à informação. Muitas pessoas ainda não são conhecedoras de
seus direitos e, principalmente, desse poder de penetrar na própria política e
construir com os profissionais e outras pessoas a sua realidade através da Política
de Assistência6.

5
Isso significa que a complexificação e diferenciação das necessidades sociais, conforme apontado
no SUAS e na PNAS, e que atribui à Assistência Social as funções de proteção básica e especial,
com foco de atuação na “matricialidade sóciofamiliar”, não deve restringir a intervenção profissional,
sobretudo a do/a assistente social, às abordagens que tratam as necessidades sociais como
problemas e responsabilidades individuais e grupais. Isso porque todas as situações sociais vividas
pelos sujeitos que demandam a política de Assistência Social têm a mesma estrutura e histórica na
desigualdade de classe e suas determinações, que se expressam pela ausência e precariedade de
um conjunto de direitos como emprego, saúde, educação, moradias, transporte, distribuição de renda,
entre outras formas de expressão da questão social (Parâmetros para atuação de Assistentes Sociais
na Política de Assistência Social, 2011, p.7).
6
O Conselho Municipal de Assistência Social (CMAS) é o espaço perfeito para dialogar sobre as
realidades do município através dos interesses do coletivo - dos usuários, profissionais e
representantes do governo.
23

Yazbek (2006, p.40) argumenta que é de suma importância à participação


do usuário7 nas Políticas Sociais, porém, torna-se uma luta e exercícios
contraditórios, pois são reivindicações que permeiam tanto os interesses da
acumulação quanto a busca de legitimidade. Assim argumenta, “é nesse sentido que
se afirma que as políticas sociais reproduzem a luta política mais geral da sociedade
e as contradições e ambiguidades que permeiam os diversos interesses em
contraposição”.
Diante desse contexto, a autora defende a necessidade da ampliação da
fatia dos investimentos na redução dos efeitos perversos da exploração do capital
sobre o trabalho. Todo espaço em que o capitalismo8 atua transforma-se em locais
de poder e contradições, e a arrecadação de impostos para a efetivação das
políticas sociais, também não são executadas de forma diferenciada.
É de crucial importância a intervenção do Assistente Social na execução das
políticas. Nessa direção, Sposati (1992, p.39) vem reafirmar que a atuação do
Assistente Social: “é uma expressão especializada da prática social e se insere da
dinâmica contraditória das relações sociais”. O profissional Assistente Social atua,
nessa perspectiva, ao mesmo tempo em que em sua formação busca compreender
e mediar direitos para os sujeitos sociais.
Percebe-se a materialização desse confronto interno e externo do
profissional, quando o Assistente Social executa seu trabalho9 em instituição que
tem normas em sua política, por exemplo, o Centro de Referência de Assistência
Social mencionado anteriormente é um dos espaços de atuação do assistente social
que o objetivo é assegurar direitos, mas ao mesmo tempo, o profissional segue
regras do espaço, como realizar bloqueios e cancelamentos de benefícios de
pessoas que necessitam muito dos programas de transferência de renda.

7
Bravo (s/a, p.3)o controle social enquanto direito conquistado pela Constituição Federal de 1988,
mais precisamente do principio “participação popular”, pretende ampliar a democracia representativa
para a democracia participativa, de base. Estão previstas duas instancias de participação nas
políticas sociais: os conselhos e as conferencias.
8
Iamamoto (2010, p.53) O capital, em seu movimento de valorização, produz a sua invisibilidade do
trabalho e a banalização do humano, condizente com a indiferença ante a esfera das necessidades
dos valores de uso.
9
O assistente social tem como atribuições e competências para realizar um atendimento coerente
com as balizas de sua profissão exposto em seu Código de Ética de Lei Federal 8.662/93, a Lei de
Regulamentação e entre outros documentos que norteiam a profissão.
24

Conforme suas funções o CRAS10 se organiza através dos Serviços de


Proteção e Atendimento Integral à Família (PAIF) com objetivo de trabalhar com as
famílias e seus membros a garantia de direitos. Juntamente ao PAIF o CRAS
executa suas ações através dos diversos serviços, programas, projetos, reuniões e
atendimentos.
O CRAS tem o dever de funcionar, no mínimo, de 40 (quarenta) horas
semanais, durante 8 (oito) horas por dia, o horário pode ser flexível, podendo ser
alterado dependendo da necessidade e realidade das famílias referenciadas, é
necessário o funcionamento nos horários que a própria população já conheça.
A instituição é um dos instrumentos da Política de Assistência Social, que
tem como necessidade ser instalado em locais de maior concentração de famílias
em situação de vulnerabilidade, aproximando os serviços aos usuários. Em
municípios de pequeno porte I e II, a instituição poderá ser instalada em áreas
centrais, de maior convergência da população, sendo um fator positivo para
favorecer a população uma comodidade. Segundo o módulo I, Orientações Técnicas
de Desenvolvimento dos CRAS (2011, p. 26) – no período de 2010/2011, o serviço
deve favorecer reflexão sobre temas de interesses e necessidades das famílias.

Processo de problematização e reflexão crítica de questões muitas


vezes cristalizadas, naturalizadas e individualizadas, possibilitando o
atendimento de que os problemas vivenciados particularmente ou por
uma família são problemas que atingem outros indivíduos e outras
famílias; e assegura a reflexão sobre direitos sociais, possibilitando
uma nova compreensão e interação com a realidade vivida,
negando-se a condição de passividade, favorecendo processos de
mudanças e de desenvolvimento do protagonismo e da autonomia e
prevenção à ocorrência de situação de risco social [...] constituem,
assim, uma ação socioeducativa, na medida em que contribuem para
a construção de novos conhecimentos; favorecem o diálogo e o
convívio com as diferenças de risco e vulnerabilidade no território,
estimula à capacidade de participação, comunicação, negociação,
tomada de decisões, estabelecem espaços de difusão de informação
e reconhecem o papel de transformação social dos sujeitos.

10
Por meio do CRAS, as famílias em situação de extrema pobreza passam a ter acesso a serviço
como cadastramento e acompanhamento em programas de transferência de renda. O País conta,
atualmente, 7.669 unidades distribuídas pelo território nacional. O principal serviço do CRAS é o
Serviço de Proteção e Atendimento Integral à Família. Dentre os objetivos desses serviços estão a
prevenção da ruptura dos vínculos familiares e comunitários, a promoção de ganhos sociais e
materiais das famílias e o acesso a benefícios, programas de referência de renda e serviços
socioassistenciais. As ações são todas implementadas por meio de trabalho de assistências social.
(www.brasil.gov.br)
25

O atendimento de forma individual ou coletivo deve proporcionar reflexões


às famílias acerca de temas que muitas vezes são naturalizadas, vistas por muitos
profissionais como normais e consequentemente proibidos de trabalhar com as
famílias para não serem conhecedoras de seus direitos.
Para acontecer a implantação do CRAS é preciso que o gestor municipal
realize uma análise das condições sociais do município proporcionando a instalação
em local de maior vulnerabilidade e risco social. Segundo a Norma Operacional
Básica de Recursos Humanos do Sistema Único da Assistência da Saúde – NOB –
RH/SUAS, até 2.500 famílias referenciadas fazem parte do porte I sendo preciso 2
(dois) técnicos de nível superior – Assistente Social, um Psicólogo, e 2 (dois) de
nível médio. Já O CRAS de porte II atende até 3.500 famílias, sendo três técnicos
superiores, dois Assistentes Sociais e um Psicólogo e três profissionais de nível
médio. O porte médio, grande metropolitano, abarca a cada 5.000 famílias, com uma
quantificação de quatro técnicos de nível superior, dois Assistente Social, um
Psicólogo, um profissional do Sistema Único da Assistência Social (SUAS) e quatro
técnicos de nível médio.
É necessário que a equipe esteja completa para atender as demandas.
Sendo assim, o Ministério de Desenvolvimento Social e Combate à Fome (2005)
relatam sobre a importância das atribuições e instrumentalidades dos profissionais
de nível superior dentro do CRAS.
26

Acolhida, oferta de informações e realização de encaminhamentos às


famílias usuárias do CRAS; Planejamento e implementação do PAIF,
de acordo com as características do território de abrangência do
CRAS; Mediação de grupos de famílias dos PAIF; Realização de
atendimento particularizado e visitas domiciliares às famílias
referenciadas ao CRAS; Desenvolvimento de atividades coletivas e
comunitárias no território; Apoio técnico continuado aos profissionais
responsáveis pelo(s) serviço(s) de convivência e fortalecimento de
vínculos desenvolvidos no território ou no CRAS; Acompanhamento
de famílias encaminhadas pelos serviços de convivência e
fortalecimento de vínculos ofertados no território ou no CRAS;
Realização da busca ativa no território de abrangência do CRAS e
desenvolvimento de projetos que visam prevenir aumento de
incidência de situações de risco; Acompanhamento das famílias em
descumprimento de condicionalidades; Alimentação de sistema de
informação, registro das ações desenvolvidas e planejamento do
trabalho de forma coletiva; Articulação de ações que potencializem
as boas experiências no território de abrangência; Realização de
encaminhamento, com acompanhamento, para a rede
socioassistencial; Realização de encaminhamentos para serviços
setoriais; Participação das reuniões preparatórias ao planejamento
municipal ou do DF; Participação de reuniões sistemáticas no CRAS,
para planejamento das ações semanais a serem desenvolvidas,
definição de fluxos, instituição de rotina de atendimento e
acolhimento dos usuários; organização dos encaminhamentos, fluxos
de informações com outros setores, procedimentos, estratégias de
resposta às demandas e de fortalecimento das potencialidades do
território.

A primeira atribuição do assistente social é o acolhimento, pois é o início de


qualquer atendimento. O usuário ao chegar à instituição é de crucial importância ser
bem acolhido com respostas para as suas indagações. Some-se a essa
competência do profissional o dever de construir estratégias planejadas, para assim
garantir um atendimento de qualidade nos programas, projetos e grupos do CRAS.
Outro aspecto, que, afeta muito a relação dos profissionais com os usuários
e a própria a instituição, é a burocratização das execuções dos serviços, muitas
pessoas ao se depararem com tantos empecilhos, desacreditam da credibilidade do
atendimento, receando voltar à instituição.
Para realizar estratégias que não distanciem das balizas11 da profissão, o
assistente social necessita obter conhecimentos teóricos, e também a sua inserção
com a prática, como o contato com a política da instituição, com os usuários e com
os demais funcionários. É esse cotidiano que o profissional deve atuar e refletir

11
O profissional deve estar capacitado teoricamente, com aprofundamento nas balizas da profissão
para assumir suas atribuições e competências, assim como a profissão exige.
27

sobre as suas ações, para não se tornar pessoas que executem ações de forma
mecânica e que terminam por naturalizar as situações vivenciadas.
É através da conjuntura nos espaços de atuação, que o profissional constrói
estratégias para contribuir com as diversas demandas com as quais trabalha.
Yazbek (2006, p. 10) afirma que “o real, o cotidiano do assistente social não é mera
derivação da teoria. É muito mais complexo e surpreendente”.
Iamamoto (2007, p. 64), também, enfatiza a importância do atendimento do
profissional do Assistente Social:

É um sujeito profissional que tem competências para propor, para


negociar com a instituição dos seus projetos, para defender o seu
campo de trabalho, suas qualificações e funções profissionais.
Requer, pois, ir além das rotinas institucionais e buscar apreender o
movimento da realidade para detectar tendências e possibilidades
nela presentes possíveis de serem impulsionadas pelo profissional.

O trabalho do Assistente Social se concretiza com eficiência quando existe


uma parceria com outros profissionais e com a rede de apoio nas execuções das
atividades.
O exercício da profissão acontece de forma coletiva, ou seja, através de um
trabalho em redes. Em um CRAS, por exemplo, quando a equipe estar desfalcada,
faltando profissionais, a instituição consequentemente não realiza suas funções de
forma eficaz. O profissional fica sobrecarregado em funções que, na maioria das
vezes, não são de sua competência. Porém, o mais penalizado na inexistência de
algum profissional é o próprio usuário.
Muitas famílias deixam de usufruir alguns de seus direitos, porque na
instituição não consegue resolver, pela falta de profissionais. A comunicação entre
redes é muito significativa, pois quando as profissionais entre os serviços não
dialogam, logo acontece um bloqueio e até inexistências das informações. Nesse
sentido, recorrendo a Iamamoto (2007, p.64), reforça que “o Assistente social não
realiza seu trabalho isoladamente, mas como parte de um trabalho combinado ou de
um trabalho coletivo que forma uma grande equipe de trabalho”.
Os Parâmetros para a Atuação de Serviço Social (2011, p.14) relatam a
importância da atuação profissional do Assistente Social através dos compromissos:
28

Ético, político e profissional dos/as [...], reconhecimento da liberdade,


autonomia, emancipação e plena expansão dos indivíduos sociais;
defesa intransigente dos direitos humanos e na recusa do arbítrio e
do autoritarismo; na ampliação e consolidação da cidadania, com
vistas à garantia dos direitos das classes trabalhadora; na defesa da
radicalização da democracia, enquanto socialização da participação
política e da riqueza socialmente produzida; no posicionamento em
favor da equidade e justiça social, que assegurem universalidade de
acesso os bens e serviços, bem como sua gestão democrática e no
empenho para a eliminação de todas as formas de preconceitos.

Conforme mencionam Barroco e Terra (2012, p. 121) os Princípios


Fundamentais do Código de Ética, tem como objetivo “representar o alicerce do
conjunto do regramento estabelecido, que é o fundamento da concepção do projeto
ético-político adotado pelo Código”.

I – Reconhecimento da liberdade como valor ético e das demandas


políticas a ela inerentes – autonomia, emancipação e plena
expansão dos indivíduos sociais.

O assistente social deve obter conhecimento e apropriação dos documentos


que permeiam sua profissão, para assim conseguir realizar suas atribuições e
competências, sempre alicerçadas nas reflexões críticas12. Exemplo dessa atuação
é quando o profissional consegue perceber o usuário como sujeito de direitos que
merece respeito a sua cultura, liberdade e escolhas e assim seja assegurada a
universalização de acesso aos bens e serviços. Nessa liberdade de escolha Barroco
e Terra (2012, p. 121) relata:

O assistente social na sua prática profissional, na relação que


estabelece com os usuários do Serviço Social, com outros
profissionais e com qualquer pessoa, deve pautar sua conduta no
reconhecimento da liberdade e de suas possibilidades, eis que esse
é valor ético central. Qualquer conduta que viole esse princípio
estará sujeita ao enquadramento no Código de Ética e sua apuração.

Esse atendimento norteado pelos princípios da profissão deve ser realizado


em qualquer espaço de atuação do assistente social, seja em uma grande empresa
ou em um CRAS no interior de uma cidade. O atendimento deve obter a mesma
qualidade e o objetivo de mediar e efetivar direitos

12
Katálysis (2006, p.145) A reflexão crítica do Serviço Social (ou a busca de um Serviço Social crítico)
sustenha-se nas teorias críticas (aquelas que buscam a verdade a partir do reflexo teórico apropriado
da realidade sobre a estrutura e as dinâmicas sociais. É contra esta reflexão (crítica) que se
desenvolve uma crítica, com sentido de rechaço, censura, juízo de valor. É nesse último sentido que
textos/autores “contestadores” serão referidos, não como críticos, mas como críticas
29

É necessário que a atuação profissional seja no cenário de lutas a favor do


direito para a classe que sofre o descaso e abandono social. Sendo assim, sua
atuação deve assegurar e efetivar direitos através de mediações de diferentes
interesses, em contrapartida, o Estado tem o dever de desenvolver ações que
viabilizem esses direitos.

2.2 A IMPORTÂNCIA DO PROGRAMA BOLSA FAMÍLIA PARA AS FAMÍLIAS


BENEFICIADAS

No Brasil, as questões econômicas e seus efeitos sociais têm sido muito


marcantes no campo das políticas públicas com o objetivo de propiciar às famílias
que são privadas do direito ao trabalho e à renda, uma alternativa de sobrevivência.
Este tópico objetiva analisar a estrutura do Programa Bolsa Família e suas
consequências para a vida das famílias beneficiadas.
O país vivencia um cenário de discussões acerca das transformações
econômicas, sociais, políticas e a restrição dos trabalhos impostos pelo sistema
capitalista. Com base nessa realidade, o Estado constrói estratégias de
implementações dos programas de transferência de renda para a solução dos
problemas de desemprego.
Como estratégia foi instituída a primeira forma de transferência de renda
direta do país de abrangência nacional; com o Benefício de Prestação Continuada
(BPC) foi regulamentada com a Lei Orgânica de Assistência Social (LOAS), em
1993. O benefício é destinado a pessoas com deficiência severa, de qualquer idade,
e idosos maiores de 65 anos.
Com a Constituição Federal de 1988, os Programas de Transferência de
Renda continuam fazendo parte do cenário social e da agenda pública. O senador
Eduardo Matarazzo Suplicy, em 1991, constrói o Projeto de Lei de n° 80/1991 que
tem como objetivo propor o Programa de Garantia de Renda Mínima (PGRM) que
beneficia a pessoa adulta com idade superior a 25 anos, beneficiada com
rendimentos brutos inferiores a R$ 45,00.
Em 1996, com a Portaria do Ministério de Desenvolvimento Social e
Combate à Fome GM/MDS n° 458, de outubro de 2001 é criado o Programa de
30

Erradicação do Trabalho Infantil (PETI) iniciado través das primeiras experiências do


Governo Federal. Construído para famílias de crianças e adolescentes que
trabalham de forma irregular com objetivo de erradicar todas as formas de trabalho
infantil 13do País.
Em 24 de julho de 2001, foi assinado o Decreto n° 3.877, através do qual
criou-se pelo Governo Federal o Cadastro Único para Programas Sociais do
Governo (CADÚNICO), com ênfase em cadastrar as famílias extremamente pobres
e possibilitar o acesso às políticas de transferência de renda, o governo unificou os
cartões magnéticos criando o cartão cidadão.
Em 2001, é criado o Programa Bolsa Alimentação14 através do Decreto n°
3.934/2001 para melhoria da alimentação e das condições de saúde e nutrição das
famílias. Mesmo diante dos avanços através dos Programas de Transferência, não
foram suficientes como estratégias de combate à fome e à pobreza, devido às ações
pontuais e seletivas em que alguns grupos recebem vários benefícios.
Unificaram-se os programas de transferência de renda, instituindo-se o
Programa Bolsa Família (PBF)15 durante o governo do presidente Luiz Inácio Lula da
Silva. A unificação dos Programas Nacionais de Transferência de Renda se deu
através do (Bolsa Escola, Cartão Alimentação, Auxílio-Gás e Bolsa Alimentação),
destinado às famílias pobres (com renda mensal de R$70,00 a R$140,00) e
extremamente pobres (com renda mensal por pessoa de até R$70).
Nascimento (2012, p. 51) discorre sobre os objetivos do PBF: “Combater a
fome, a pobreza e as desigualdades socais por meio da transferência de um

13
O trabalho infantil é toda forma de trabalho exercido por crianças e adolescentes, abaixo da idade
mínima legal permitida para o trabalho, conforme a legislação de cada país. O trabalho infantil no
Brasil é um grande problema social. Milhares de crianças ainda deixam de ir à escola e ter seus
direitos preservados. Em torno de 4,8 de crianças e de adolescentes entre 5 e 17 anos estão
trabalhando no Brasil, segundo PNAD 2007. (br.guiainfantil.com/direitos).
O trabalho infantil diminuiu 13,44% no país entre 200 e 2010, segundo dados do censo divulgados
nesta terça-feira (12), Dia contra o Trabalho Infantil. “mas, ao analisar as distintas faixas etárias,
observa-se um aumento no grupo mais frágil: o trabalho infantil na faixa entre 10 e 13 anos voltou a
subir em 1,56%, diz o estudo pelo fórum. Em 2010, foram registrados 10.946 casos de trabalho
infantil a mais do que em 2000”. (g1.globo.com/brasil)
14
O Programa Nacional de Renda Mínima vinculada à Saúde: “Bolsa-Alimentação instituído pela
Medida Provisória n.º 2.206-1 de 6 de setembro de 2001, é um instrumento de participação financeira
da União na complementação da renda familiar para a melhoria da alimentação e destina-se à
promoção da melhoria das condições de saúde e nutrição.(Brasil, 2002, p.1)
15
O Programa Bolsa Família estar previsto em lei – Lei Federal n° 10.836, de 9 de janeiro de 2004 – e
é regulamentado pelo Decreto n° 5.209, de 17 de setembro de 2004. A gestão é descentralizada, ou
seja, tano a União, quanto os estados, o Distrito Federal e os municípios têm atribuições em sua
execução. (mds.gov.br/assuntos/bolsa-família).
31

benefício financeiro associado à garantia do acesso a direitos sociais básicos –


saúde, educação, assistência social e segurança alimentar”.
Também vai argumentar que o benefício contribui para promover: “a inclusão
social, contribuindo para a emancipação das famílias beneficiárias, construindo
meios e condições para que elas possam sair da situação de vulnerabilidade em que
se encontram”.
Estevão (2006, p. 59), assim como Nascimento realiza uma análise acerca
das precárias condições sociais e econômicas dos beneficiários do PBF,
percebendo que os usuários necessitam lutar pelos seus direitos, que vão além de
condições impostas por uma vida árdua de desigualdade social, e afirma “o
brasileiro pobre é aquele que quando vai a qualquer instituição pública exerce seus
direitos, sempre pensa e não se coloca na posição de quem vai pedir um favor e
depende da boa vontade daquela pessoa que o atende”.
Quando o usuário chega à instituição na perspectiva de favor,
apadrinhamento e clientelismo não são por sua condição, mas por condições que
lhes são impostas. Elas não tiveram e nem têm, comumente, o favorecimento de
condições educacionais, particularmente, que favoreçam a construção do senso
crítico e de tomada de decisões. A falta de informação é a maior negação de direito
que se pode subtrair das pessoas.
Entretanto, a renda não é suficiente para qualificar a pobreza. Esse
fenômeno engloba muitas dimensões da vulnerabilidade social, como o acesso à
saúde, à habitação, à educação etc. No Brasil, conforme prevê a Constituição
Federal de 1988, o enfrentamento à pobreza e à desigualdade social é de
responsabilidade do Estado em construir estratégias para o seu enfrentamento, em
ampliar e consolidar a cobertura das políticas sociais, somando com estratégias de
redistribuição de renda.
O PBF é construído por três tipos de benefícios: O Benefício Básico, o
Variável e o Variável Vinculado ao adolescente. A Lei n° 10.836, de 9 de janeiro de
2004, no artigo 2° prescreve os benefícios financeiros do Programa. “I – o benefício
básico, destinado a unidades familiares que se encontrem em situação de extrema
pobreza; II – o benefício variável, destinado a unidades familiares que se encontrem
em situação de pobreza e extrema pobreza”.
E que tenham em sua composição gestantes, nutrizes, crianças entre 0
(zero) e 12 (doze) anos ou adolescente até 15 (quinze) anos.
32

O valor do benefício mensal do inciso I será de R$ 50, 00 (cinquenta reais) e


concedido às famílias com renda per capita de até R$ 50,00 (cinquenta reais), no
inciso II, o valor do benefício mensal de R$ 15,00 (quinze reais) por beneficiário, até
o limite de R$ 45,00 (quarenta e cinco reais) por famílias beneficiadas e será
concedido às famílias com renda per capta de até R$ 100.00 (cem reais). Com a
Medida Provisória n° 411, de 28 de dezembro de 2007, houve alterações nos dois
benefícios.
A Lei 10.836, de janeiro de 2004 passa a vigorar com as seguintes
redações: No art. 2° e inciso II enfatiza sobre o benefício variável: “Destinado a
unidades familiares que se encontram em situação de pobreza e extrema pobreza e
que tenham em sua composição crianças entre zero e doze anos ou adolescentes
até quinze anos, sendo pago até o limite de três benefícios por famílias”.

No inciso III, fala-se do benefício variável que é vinculado:

Ao adolescente destinado a unidades familiares que se encontrem


em situação de pobreza ou extrema pobreza e que tenham em sua
composição adolescente com idade entre dezesseis e dezessete
anos, nesse benefício pode ser pago até o limite de dois benefícios.

Com essa medida também foi alterado os valores dos benefícios. O


benefício básico ficou no valor de R$58,00 (cinquenta e oito reais) por mês,
concedido a famílias com renda mensal per capita de até R$ 60,00 (sessenta reais).
Para as famílias com renda mensal per capita de até R$ 120,00 (cento e vinte reais)
será concedido, dependendo de sua composição. O benefício variável no valor de
R$ 18,00 (dezoito reais); e o benefício variável vinculado ao adolescente no valor de
R$ 30,00 (trinta reais).
Os benefícios a que se referem tanto o básico quanto a variável, serão
pagos mensalmente, por meio de cartão magnético bancário, disponibilizado pela
Caixa Econômica Federal, através da identificação do responsável pelo benefício,
mediante o Número de Identificação Social – NIS, utilizado pelo Governo Federal.
Segundo a Caixa Econômica em todo o Brasil, mais de 13,9 de famílias são
atendidas pelo Programa Bolsa Famílias. Mesmo sabendo que assegurar direitos às
famílias perpassa a esse mínimo de renda que o governo oferece aos beneficiários
do PBF.
33

Diante do contexto de implantação dos programas de transparência de renda,


Mesquita (2006, p.13) afirmar que “os programas têm se colocado no cenário público
contemporâneo como um dos instrumentos de redução da desigualdade e de alívio
imediato da pobreza”.
O Ministério de Desenvolvimento Social e Combate à Fome (2016) MDS e a
Caixa Econômica relatam as alterações e a atualização dos benefícios como:

Benefício Básico: concedido às famílias em situação de extrema


pobreza (com renda mensal de até R$ 77,00 por pessoa). O auxílio é
de R$ 77,00 mensais. Benefício Variável: para as famílias pobres e
extremamente pobres, que tenham em sua composição gestantes,
nutrizes (mães que amamentam), crianças e adolescentes de 0 a 16
anos incompletos. O valor de cada benefício é de R$ 35,00 e cada
família pode acumular até 5 benefícios por mês, chegando a R$
175,00. Benefício Variável de 0 a 15 anos: Destinado a famílias
que tenham em sua composição, crianças e adolescentes de zero a
15 anos de idade. O valor de benefício é de R$ 35,00. Benefício
Variável Gestante: Destinado às famílias que tenham em sua
composição gestante. Podem ser pagas até nove parcelas
consecutivas a contar da data do início do pagamento do benefício,
desde que a gestante tenha sido identificada até nono mês. O valor
do benefício é de R$ 35,00. Benefício Variável Nutriz: Destinado às
famílias que tenham em sua composição crianças com idade entre 0
e 6 meses. Podem ser pagas até seis parcelas mensais consecutivas
a contar da data do início do pagamento do benefício, desde a
criança tenha sido identificada no Cadastro Único até o sexto mês de
vida. O valor do benefícios, ou seja, R$ 35,00. Benefício Variável
Jovem: Destinado às famílias que se encontram em situação de
pobreza ou extrema pobreza e que tenham em sua composição
adolescentes entre 16 e 17 anos. O valor do benefício é de R$ 42,00
por mês e cada família pode acumular até dois benefícios, ou seja
R$ 84,00. Benefício para Superação da Extrema Pobreza:
Destinado às famílias que se encontram que se encontrem em
situação de extrema pobreza. Cada família pode receber um
benefício por mês. O valor do benefício varia em razão do cálculo
realizado a partir da renda por pessoa da família e do benefício já no
Programa Bolsa Família. As famílias em situação de extrema
pobreza podem acumular o benefício Básico, Variável e o Variável
Jovem, até o máximo de R$ 336,00 por mês. Como também podem
acumular 1 (um) benefício para Superação da Extrema da Extrema
Pobreza.

Entretanto, as famílias ao se candidata ao programa, e ao serem analisadas


pelo o MDS necessitam estar inscritas no Cadastro Único dos programas sociais do
Governo Federal, com seus dados atualizados há menos de dois anos.
O cadastramento faz parte do processo do programa, mas não assegura
entrada imediata, nem o recebimento do benefício. Na verdade, é realizada uma
34

triagem, uma análise pelo MDS na qual serão selecionadas aquelas famílias que
serão inclusas no programa.
Para as famílias saberem se foram inclusas no programa é necessário
procurar o gestor no PBF para realizar uma averiguação no sistema, assim como
atualizar as mudanças sociais e econômicas ocorrida como nascimento, morte,
casamento, separação, adoção e entre outras mudanças.
Um dos pontos mais complexos a ser enfrentado pelo PBF é a elaboração
de critérios e mecanismo de seleção, delimitando perfis de inclusão e exclusão, nas
quais as famílias são selecionadas com base nas informações inseridas no Cadastro
Único para os Programas Sociais do Governo.
O órgão responsável pela avaliação das famílias inseridas ao PBF é o
próprio MDS, assim impossibilitando ações de apadrinhamento e clientelismo.
Estratégias muito utilizadas para algumas funções clientelistas16.
Jovchelovitch e Werthein (2003, p. 58) afirmam que o Estado constrói
estratégias para tratar a temática da desigualdade, através de dois princípios
norteadores da ação do ministério da Assistência Social: “De um lado, a diretriz de
substituir o caráter clientelista tradicional por uma ação governamental proativa, que
transforme o usuário da ação protetora em sujeito de direito com avista de capacitá-
lo para o exercício da cidadania”.
Os autores reafirmam a ideologia que o Estado através do Programa Bolsa
Família constrói as estratégias baseada na Política Nacional de Assistência Social
com intuito de conhecer em profundidade as famílias. O Estado executa suas ações
direcionadas pelas perspectivas do exercício da competitividade individual e risco
para as políticas sociais.
Uma das características do PBF são as condicionalidades17 que devem ser
cumpridas pelas famílias beneficiadas através das condições nas áreas da saúde,
educação e assistência social. O cumprimento de condicionalidade deve ser

16
Historicamente, a assistência social tem sido vista como uma tradicionalmente paternalista e
cientista do poder público, associado às primeiras Damas, com caráter de “benesse”, transformando
o usuário na condição de “assistido”, “favorecido” e nunca como cidadão, usuário de um serviço a que
tem direito. Da mesma forma confundia-se a assistência social com a caridade da igreja, com a ajuda
aos pobres e necessitados. Assim, tradicionalmente a assistência social era reconhecida como
assistencialista. (www.cresspr.org.br).
17
As famílias devem cumprir alguns compromissos (condicionalidades) que têm como objetivo
reforçar o acesso à educação, à saúde e à assistência social. As condicionalidades não têm uma
lógica de punição; e, sim, de garantia de que direitos sociais básicos cheguem à população de
pobreza e extrema pobreza. Por isso, o poder público, em todos os níveis, também tem um
compromisso: assegurar a oferta de tais serviços. (Mds.gov.br/assuntos/bolsa-família).
35

entendido como um compromisso assumido pelas famílias e pelo poder público.


Castanha (2009, p.9) afirma:

As responsabilidades das famílias em relação ao cumprimento de


uma agenda de atendimento nas áreas da saúde e da educação,
voltada à melhoria das condições para que as crianças e jovens de
famílias beneficiárias desfrutem de maior bem estar no futuro. Essa
agenda, na área de educação, é a matricula e a frequência escolar
mínima de 85 % das crianças e dos adolescentes entre seis e 15
anos e de 75% para jovens de 16 e 17 aos integrantes das famílias
beneficiárias. Na área de saúde, a agenda é o acompanhamento da
vacinação e do crescimento e desenvolvimento das crianças até seis
anos de idade e, ainda, da gravidez, parto e puerpério das mulheres.
Além disto, também deve ser assegurado o compromisso da família
de que as crianças não serão expostas ao trabalho infantil. É
competência dos gestores acompanharem as condicionalidades e
darem condições para que este acompanhamento ocorra, com
atribuições especificas para cada nível de gestão.

O acesso aos serviços de saúde e educação é a condição básica


fundamental para permitir o mínimo de rompimento do ciclo de pobreza das famílias.
Na área da Saúde as gestantes devem realizar acompanhamento de pré-
natal, ir às consultas no posto mais próximo de sua casa e para as puérperas,
devem levar o cartão de vacinação de acordo com o calendário de vacinação
estabelecido pelo Ministério da Saúde. Os responsáveis por crianças menores de
sete anos devem levá-las aos locais de campanhas de vacinação e fazer o
acompanhamento do seu crescimento e desenvolvimento entre outras ações
conforme calendário.
A família é enxergada no programa como: “Unidade nuclear, eventualmente
ampliada por pessoas que com ela possuem laços de parentesco ou afinidade, que
forma um grupo doméstico e assim viva sob o mesmo teto, mantendo-se pela
contribuição de seus membros” (BRASIL, 2004, p.10) Assim, o atendimento ao
núcleo familiar tem o dever de ser realizado de forma integral, proporcionando o
acesso nas diversas políticas.
O programa vem sugerir a intersetoralidade para reafirmar o que está em
evidencia na Constituição Federal de 1988, em que relata que as três esferas de
governo têm a responsabilidade com o combate à pobreza e à desigualdade social,
para garantirem direitos e reduzir a ocorrência de riscos social.
36

Os programas de transferência de renda, assim como todas as políticas de


Estado voltado para a área social, é uma conquista da sociedade, porém, ainda
existem muitas limitações que necessitam ser organizadas
No caso do PBF é uma conquista dentro de uma rede de proteção e
promoção social. Telles (1998, p. 38) enfatizar que “colocar os direitos da ótica dos
sujeitos que os pronunciam significa, de partida, recusa a ideia corrente de que
esses direitos não são mais do que a resposta a um suposto mundo das
necessidades e das carências”.
O PBF é o principal programa efetivado na instituição do CRAS, contempla
uma das maiores demandas. O programa refere-se à transferência direta de renda
com condicionalidades destinadas às famílias que atendam aos critérios de
elegibilidade preconizada pelo referido programa. Ao mesmo tempo, em que
assegura direitos às diversas políticas, também desenvolve um processo de
exclusão, com as seleções e as regras.

2.3 O PERFIL DOS MUNICÍPIOS: NA ESTRUTURA DO CENTRO DE


REFERÊNCIADE ASSISTÊNCIA SOCIAL – CRAS

2.3.1 O Município de Montanhas (RN)

O município de Montanhas (RN) teve sua origem no lugar chamado Lagoa


das Queimadas, situado às margens do rio Curimataú, em que o Padre José Afonso
foi presenteado.
No século XIX, o local passou a ser chamado Lagoa de Montanhas, em
virtude de sua localidade, entre montanhas que lhe proporcionam um clima ameno e
aprazível, razão em que o poeta Cícero Moura sugeriu chamá-la de “Suíça do
Agreste”.
O desenvolvimento econômico foi proporcionado pelo plantio de cereais em
suas terras férteis, e pela ligação à capital do Estado. O Distrito foi criado com a
denominação de Montanhas, pelo decreto estadual n° 603, de 31 de outubro de
1938, subordinado ao município de Pedro Velho (RN). A emancipação política com a
37

denominação de Montanhas (RN) ocorreu através do decreto estadual n° 2727, de


08 de janeiro de 1962, desmembrando de Pedro Velho.
Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de
2010, a área territorial de Montanhas (RN) é de 82,214 km², com 11.413 população
residente, sendo 5.665 homens residentes e 5.748 residentes mulheres. Do total
destes, possui apenas 7.420 pessoas residentes alfabetizadas.
Ainda de acordo com o IBGE, o valor do rendimento nominal mediano per
capita dos domiciliados particulares permanentes – Rural é de R$ 133, 3 e o valor do
rendimento nominal mensal per capita dos domicílios particulares permanentes –
Urbanos é de R$222, 0. Características que deixam evidentes o grande índice de
pessoas analfabetas e que ainda vivem em condições de pobrezas.
É notória a precária situação econômica de uma parcela da população, que
ainda sobrevive com um rendimento mínimo extraído de alguns benefícios de
transferência de renda. Diante de muitos contrastes sociais, políticos e econômicos
é que muitas pessoas ainda buscam os serviços do CRAS para efetivar
necessidades por informações, cadastro nos programas e resoluções de diversas
problemáticas.

2.3.2 O CRAS Elba Valentim da Rocha

O CRAS Elba Valentim da Rocha fica localizado na Rua Praça Costa e Silva,
n°51, no centro da cidade. E acessível a grande parte da população por ser
referenciado no centro no município.
O CRAS foi implantado no município na data de 02 de junho de 2006, porém
não existem muitos relatos sobre o histórico da instituição, pesquisou-se em busca
de um algum documento através da Prefeitura, da Câmara dos Vereadores, da
Gestão do Programa Bolsa Família, da Secretaria Municipal de Assistência Social e
do próprio CRAS, mas em nenhum desses lugares há registros do histórico da
instituição CRAS do município de Montanhas.
O CRAS não tem sede própria. Utiliza-se de uma casa adaptada e
disponibilizada pela prefeitura para realizar a oferta de seus serviços. A instituição
38

busca acomodar os atendimentos tanto individuais quanto coletivos nos próprios


espaços internos, os quais ainda são insuficientes.
Diante dessa circunstância, os serviços realizados no local são muito
restritos. Na aproximação com as assistentes sociais para coletar dados foi
percebido como elas esboçavam opiniões acerca das condições de instalações
físicas do CRAS e se estas repercutiam na realização das suas funções ou
dificultava-as.

Dificulta muito. Porque quando muda de gestão, os locais também


mudam, assim sendo, há uma grande dificuldade para encontrar os
materiais da instituição, porque muitas coisas se perdem. Também é
complicado para os usuários para tentar se adaptar novamente os
novos espaços. Aqui o espaço não é o melhor possível, pois não é
forrado, os portões não têm proteção, assim entra muito lixos da rua
dentro do CRAS. Tem muitos ninhos de pássaros. Tem tempo que
dar até cafife, eu ligo para a prefeitura e peço para dedetizar. Mas
mesmo diante das diversas dificuldades, eu como profissional tento
dar o meu melhor para o serviço no CRAS. (ASSISTENTE SOCIAL I.
2016).

De acordo com o documento de Orientação Técnicas da Proteção Social


Básica do Sistema Único de Assistência Social (SUAS), o Centro de Referência de
Assistência Social (CRAS) é uma unidade de proteção social básica, que objetiva
prevenir a ocorrência de situações de vulnerabilidade e risco social nos territórios,
desenvolvendo ações para o fortalecimento dos vínculos familiares e comunitários e
da ampliação do acesso aos direitos. Mas muitas vezes, as famílias que procuram o
CRAS não podem usufruir de um espaço confortável, que zele por um atendimento
qualificado.
A Lei Orgânica de Assistência Social (LOAS) afirma que os serviços
socioassistenciais são atividades continuadas que objetivam a melhoria da
qualidade de vida da população com ações focadas no atendimento das
necessidades básicas e na proteção social básica, essas atividades são
desenvolvidas nos CRAS em seus territórios de abrangências. Possui as funções
exclusivas de oferta pública de trabalho social com famílias de Proteção e
Atendimento Integral à Família (PAIF). A LOAS assim como o PAIF, novamente,
afirmam a necessidade de um atendimento qualificado para as pessoas que buscam
o serviço do CRAS.
39

O cadastramento e o recadastramento das famílias beneficiárias do


Programa Bolsa Família (PBF) são realizados através do Cadastro Único que ficam
sob a gestão da Secretaria Municipal de Assistência Social (SEMAS), do município
de Montanhas.
O principal objetivo do CRAS é o atendimento e acolhimento de famílias em
situação de vulnerabilidade social e quantos dele precisar, desenvolvendo ações
para o fortalecimento dos vínculos comunitários e familiares. Executa diversas
orientações e encaminhamentos para os demais serviços oferecidos pela rede de
serviços socioassistenciais; com ações socioeducativas realiza atendimento
psicossocial, individual e coletivo - oficinas e grupo educativo com crianças,
adolescentes, mulheres e idosos. E, de acordo com as demandas locais com um
trabalho de acompanhamento das famílias.
O CRAS Elba Valentim da Rocha sente um grande desfalque na sua
estrutura devido ausência de um profissional recepcionista, assim fica
impossibilitado de realizar o acolhimento às famílias de forma adequada. Quem
acaba realizando essa competência são os técnicos do PAIF, a assistente social e a
psicóloga e até mesmo a auxiliar de serviços gerais. Com a falta do recepcionista, o
atendimento torna-se incompleto e insatisfatório, visto que quando o usuário chega à
instituição, logo adentra ao local, sem antes ser orientado e encaminhado ao
atendimento adequado.
Diante dessa situação a assistente social foi questionada e depois um
usuário, se a ausência de um recepcionista acarreta problemas para o atendimento
no CRAS, obtendo-se as falas:

É muito ruim sem recepcionista no CRAS, quando chega alguém aqui, e


eu estou atendendo na sala, pedindo para esperar o atendimento acabar
ou eu peço para entrar. Então fica uma relação meio constrangedora, mas
é isso que posso fazer. (ASSISTENTE SOCIAL, 2016).

A ausência de profissional recepcionista no CRAS dificulta o atendimento


dos demais profissionais, somando para a ausência de privacidade dos usuários,
pois quando os usuários chegam ao CRAS I, logo entram na instituição sem ser
pronunciado e acolhido. “Eu acho que se tivesse uma pessoa aqui, seria melhor
para dar informação e não seria preciso esperar muito alguém se desocupar para
nos atender, mais é assim mesmo”. (USUÁRIO I, 2016).
40

O Centro de Referência de Assistência Social I estar com deficiência de


profissionais, contando com apenas um assistente social; um psicólogo e um ASG.
Há ausência de um coordenador, recepcionista e um profissional que se
responsabilize pelas tarefas de informática. Com a inexistência desses serviços, o
atendimento sofre consequências negativas inevitáveis.
Entretanto, mesmo diante da falta de recursos humanos, a equipe do CRAS
busca realizar um atendimento que desenvolva ações para a superação da
desigualdade social e a efetivação de direitos, através dos atendimentos com os
grupos em que são realizados encontros mensais, devido a grande demanda da
instituição e o déficit de profissionais. As temáticas trabalhadas nos grupos são na
sua maioria direcionadas para as necessidades do MDS em reafirmar as
condicionalidades do PBF.
Em consonância com o grupo do PBF existe “O Grupo de Mulheres, ” neste
é atendido principalmente as gestantes, que no final do semestre é recebe “Kit de
gestantes”. Percebe-se que os materiais tornam-se mais importantes que as
informações que essas mulheres necessitam receber para se tornarem pessoas que
conheçam e lutem por seus direitos.
No grupo de Idosos – acontece no Centro de Múltiplos Usos (CCI) são
encontros mensalmente com temática de lazer, porém, o grupo deixa de lado as
inúmeras necessidades do idoso, como o diálogo sobre violências, abandonos e sua
importância para a sociedade.
O Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos (SCFV)
anteriormente chamado de PETI suas atividades acontecem diariamente através de
programações de estudos e recreações; e já o “Grupo lúdico” atende as crianças,
através de dinâmicas com temas voltadas para educação, nesse último grupo há
fortes características de reforços escolares.
Os grupos deveriam ser espaços para discussões e análises entre
profissionais e usuários sobre inúmeros problemas que a população enfrenta em seu
dia a dia. Mas isso não estar se efetivando na prática de alguns CRAS.
A população necessita de um espaço de debate e reflexão de temas, sendo
assim o Conselho de Assistência Social (CMAS) é o órgão que reúne representantes
do governo e da sociedade civil para discutir, estabelecer normas e fiscalizar a
prestação de serviços socioassistenciais estatais e não estatais no município. A
criação dos conselhos municipais de assistência social está definida na Lei Orgânica
41

da Assistência Social – Lei nº 8.742/1993. O Conselho deve ter o compromisso


voltado para a população, com ações ligadas às políticas sociais e econômicas,
como Assistência Social; Saúde; Educação; Trabalho e emprego; Finanças;
Planejamento.
O MDS enfatiza suas principais atribuições:

Têm como principais atribuições no seu respectivo âmbito de


atuação: deliberar e fiscalizar a execução da Política de Assistência
Social e seu funcionamento; convocar e encaminhar as deliberações
das conferências de assistência social; apreciar e aprovar o Plano da
Assistência Social; apreciar e aprovar a proposta orçamentária dos
recursos da assistência social a ser encaminhada ao Poder
Legislativo; apreciar e aprovar a execução orçamentária e financeira
do Fundo de Assistência a ser apresentada regularmente pelo gestor
do Fundo; acompanhar os processos de pactuação da Comissão
Intergestores Tripartite – CIT e Comissão IntergestoresBipartite –
CIB; divulgar e promover a defesa dos direitos socioassistenciais;
inscrever entidades de Assistência Social, bem como serviços,
programas, projetos socioassistenciais; fiscalizar a rede
socioassistencial (executada pelo poder público e pela rede privada)
zelando pela qualidade da prestação de serviços; eleger entre seus
membros a sua mesa diretora (presidente e vice- presidente
paritariamente); aprovar o seu regimento interno; fiscalizar e
acompanhar o Benefício de Prestação Continuada – BPC e o
Programa Bolsa Família – PBF e outras. (MDS, 2015).

Uma das atribuições do MDS é determinar o financiamento do Centro de


Referência de Assistência Social, em que acontece através do governo Federal, o
Estadual e o Municipal, ou seja, através da Comissão Intergestora tripartite, faz-se a
transferência dos recursos para o serviço através do FNAS – transferência regular e
automática dos recursos oriundos do PBV aos fundos de assistência social dos
municípios e do Distrito Federal.
O repasse é necessário para acontecer a resolutividade das funções da
instituição. Quando essa transferência não é vivenciada de forma contínua e certa,
favorece a desorganização e, consequentemente, prejudica a funcionalidade das
tarefas. O município se encontra diante dessa preocupação em relação ao repasse
financeiro, atuando sem a transferência de recursos, ocasionando vários problemas,
como por exemplo, compras de recurso materiais.
Dentre os grupos e ações desenvolvidas no CRAS Elba Valentim da Rocha,
foi observado durante o processo de estágio que todos os grupos funcionam
conforme o cronograma da instituição. Porém, as ações desenvolvidas nos grupos,
42

principalmente, o do PBF, de Gestantes e de Crianças ocorriam de forma limitadas


em termos de recursos materiais e profissionais. Os planejamentos e execuções das
tarefas sempre voltadas para seguir as orientações do Ministério de
Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS).

2.3.3 O Município de Nova Cruz (RN)

Conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2012), a


construção histórica do município de Nova Cruz teve início no século XVII, quando
um núcleo populacional às margens do rio Curimataú, resultando da instalação de
uma hospedaria que pertencia aos primeiros moradores do local. A hospedaria
destinava-se ao descanso dos boiadeiros, vindo da Paraíba e de Pernambuco,
quando passavam pela região com seus rebanhos. O crescimento da população foi
aumentando quando muitos boiadeiros que por ali passavam, fixaram moradia.
No início, o povoamento foi chamado de Urtigal, pela quantidade de urtigas
no local. Depois, mudou-se o nome para Anta Esfolada, devido histórias que na
região tinha uma anta com espírito maligno. Através de um missionário conhecedor
de artes diabólicas e do exorcismo, adquiriu galhos de inharé, vindos de Santa Cruz,
fez uma cruz e fincou no ponto mais alto da vereda por onde o animal costumava
passar, para assim destruir com a maldição do lugar. Assim, o povoado foi
denominado definitivamente de Nova Cruz, e no dia 15 de março de 1852, pela Lei
Provincial n° 245, foi criado o município de Nova Cruz que só em 3 de dezembro de
1919, recebeu foros de cidade.
Segundo dados do IBGE de 2010, a área da unidade territorial de Nova Cruz
é 277,658 km², com 35.490 pessoas residentes no município, sendo 17.499 homens
e 17.991 de mulheres, em que 22.502 pessoas são alfabetizadas.
Pela cidade possuir uma população de 22.502 pessoas o município é
contemplado com dois CRAS para dar suporte às famílias. O CRAS Centro fica
localizado na Zona Norte da cidade e o CRAS Frei Damião fica localizado na Zona
Sul.
43

2.3.4 O CRAS Centro e o CRAS Frei Damião

O Centro de Referência de Assistência Social – CRAS Centro é situado na


Praça Barão do Rio Branco, nº 388 – Centro, Nova Cruz/RN e o CRAS Frei Damião
fica localizado no bairro Frei Damião, Rua Vereador Severino Alves da Silva N° 22;
ambos são responsáveis pela organização e oferta de serviços da proteção social
básica do Sistema Único de Assistência Social (SUAS) nas áreas de vulnerabilidade
e risco social do município de Nova Cruz, focando na área de abrangência a qual
referência.
Dada sua capilaridade nos territórios, o CRAS se caracteriza como a
principal porta de entrada do SUAS, denominando-se como uma unidade que
possibilita o acesso de um grande número de famílias à rede de proteção social, que
são desenvolvidos os serviços socioassistenciais de proteção básica que promovem
o fortalecimento dos vínculos familiares e comunitários.
O CRAS Centro foi instalado no município, no ano de 2004, na gestão do
Prefeito Municipal, Cid Arruda Câmara, onde a atual Secretária Municipal de
Assistência Social, a Assistente Social, Márcia Valéria Veloso Alves de Morais
Rocha atuava como uma das técnicas de referência.
O CRAS Centro e o CRAS Frei Damião de Nova Cruz são considerados de
pequeno porte II devendo referenciar em sua área de abrangência cerca de 3.500
famílias em situação de risco social, tendo como finalidade promover o
fortalecimento dos vínculos familiares para que as famílias possam se tornar
protagonistas sociais com autonomia para gerir seu processo de segurança social,
focalizando na matricialidade sociofamiliar e territorialização.
Segundo relatos das Assistentes Sociais dos CRAS, as instituições atendem
a uma demanda em geral de beneficiários do Programa Bolsa Família que
paralelamente, complementam a renda com o trabalho na agricultura, nos serviços
informais e temporários como: servente de pedreiro, faxineira, dentre outros; o nível
de escolarização dos usuários é na grande maioria fundamental I (1º ao 4º ano).
Afirmam, ainda, que é comum chegar aos CRAS famílias apresentando
situação de desemprego e ausência de renda, membros com baixa escolaridade
(analfabetismo), famílias que não conseguem arcar com a alimentação para o seu
núcleo, acesso precário aos serviços de saúde, falta de moradia, alto índice de uso
44

abusivo de drogas e violência envolvendo crianças/adolescentes e outras faixas


etárias, dentre outros.
Existe um projeto executado com as famílias nas escolas de Nova Cruz, pela
equipe do Programa Bolsa Família, junto ao CRAS que esclarecem dúvidas e realiza
um trabalho de divulgação dos critérios do Programa Bolsa Família.
A equipe dos CRAS realizou uma análise das pessoas que são beneficiadas
pelo PBF e o número de famílias que necessitavam serem inseridas. Entretanto,
diante do fato de que o município não dispunha de mais vagas para esse fim, criou
estratégias nas quais a própria população divulgasse as suas denúncias. Nesse
sentido, foram espalhadas várias urnas identificadas. Através desse procedimento
houve um elevado índice de denúncias de famílias que recebiam o benefício do PBF
mesmo estando fora do perfil delimitado pelo MDS, assim, muitas pessoas saíram
do programa e, abriram-se vagas para outras famílias, que até então estavam foras
do cadastro.
Essa e as demais intervenções são planejadas em conjunto com a
Secretaria de Assistência Social e Prefeitura Municipal com a superlotação de
famílias ao programa permitiu a secretaria junto os CRAS construir cadernos
atualizados para consulta pública; essa lista também se encontra no site da
Prefeitura, o que ocasionou uma grande mudança no perfil dos beneficiários da
cidade, fazendo com que surgissem novas vagas no Programa, para famílias que se
encontram cadastradas há algum tempo, mas nunca foram contempladas com o
benefício (famílias em situação de pobreza e extrema pobreza).
Somando ao que foi mencionado a acima. É uma estratégia que divide e
responsabiliza a própria população a discrimina e subordina cada vez mais. Os
grupos não conseguem se enxergar como pertencentes à mesma classe social e
que devem lutar por direitos garantidos em lei.
Quanto ao cadastramento e recadastramento das famílias beneficiadas do
Programa Bolsa Família estes são realizados no Centro de Cadastro Único que fica
em um espaço próximo do CRAS Centro, facilitando o acesso e o diálogo entre os
serviços socioassistenciais, fica sob a gestão do município de Nova Cruz.
Existem muitos programas e projetos desenvolvidos no CRAS, dentre eles
são: o CRAS Itinerante que busca divulgar os serviços do CRAS, os Grupos de
Mulheres Linda Mãe e Florescer que acompanham gestantes e outras mulheres em
situação de vulnerabilidade social; o Grupo Cantinho Lúdico para crianças de 0 a 6
45

anos desenvolvido na Brinquedoteca do CRAS; o Grupo Recordar é Viver com


idosos na comunidade rural; o Grupo Escuta Acolhedora na APAE de Nova Cruz; o
Grupo Conte Comigo desenvolvido nas escolas. Além destes são desenvolvidos
vários projetos junto aos Serviços de Convivência e Fortalecimento de Vínculos para
crianças, jovens e idosos, entre eles está o de enfrentamento ao trabalho infantil
muito acometido no município.
Além de todas as ações, o Centro e CRAS Frei Damião realizam o
acompanhamento do PBF, com um a equipe completa de profissionais formada por:
um coordenador; um assistente social; um psicólogo; um recepcionista; uma
estagiaria e um ASG.
Diante dos projetos e ações desenvolvidas no CRAS Centro e Frei Damião,
foi observado durante a aproximação com estes campos, que todos os projetos
funcionam bem, através dos encontros coletivos. Os grupos são direcionados para o
esclarecimento e a efetivação de direitos, uma vez que o CRAS dispõe de uma
equipe técnica completa e qualificada. Porém, a assistente social enfatiza, o quanto
é preciso um profissional pedagogo na instituição para trabalhar com parceria com o
CRAS, devido à necessidade de estratégias lúdicas e pedagógicas para uma grande
parte dos usuários, por serem em sua maioria analfabeta.
Em consonância com uma equipe qualificada o MDS afirma que a Portaria
GM/MDS N° 321, de 29 de setembro de 2008 (2008, p.1), comenta sobre a
importância de enxergar monitoramento das condicionalidades:

Permite a identificação de vulnerabilidades sociais que afeta ou


impede o acesso das famílias às políticas de saúde, educação e
assistência social, promovendo a melhoria das condições de viva.

A mesma portaria através do Artigo 1° regulamenta as gestões das


condicionalidades do PBF, que compreende as seguintes atividades e
procedimentos:
I – coleta de informações, pelo município e/ou pelo estado, no que couber, e
registro periódico nos sistemas disponibilizados pelos Ministérios do
Desenvolvimento Social e Combate à Fome MDS, da Educação – MEC e da
Saúde – MS;
II – aplicação dos efeitos previstos na legislação e na presente Portaria,
decorrente do descumprimento de condicionalidades; e
III – sistematização de informações sobre famílias beneficiárias do
Programa Bolsa Família – PBF em situação de descumprimento de
condicionalidades para subsidiar o acompanhamento por outras políticas
públicas, de forma a reduzir a vulnerabilidades de tais famílias.
46

Dependendo da análise, as condicionalidades têm várias interpretações. Se


observado o ponto de vista do governo, as condicionalidades têm o dever de
contemplar as famílias beneficiárias. As pessoas que são inseridas ao PBF, por
motivo de descumprimento das condicionalidades ficam com o benefício bloqueado
e deve cumprir outras condicionalidades, como participar de grupos, sendo assim se
sentem obrigadas a participar de encontros dos grupos para não serem penalizadas
novamente.
47

3 AS CONDICIONALIDADES DO PBF: UMA AMPLIAÇÃO OU RESTRIÇÃO


DE DIREITOS?

Esse capítulo tem como objetivo realizar uma reflexão sobre a atuação dos
profissionais assistentes sociais frente às condicionalidades do Programa Bolsa
Família, nos CRAS Elba Valentim da Rocha na cidade de Montanhas (RN), o CRAS
Centro e o CRAS Frei Damião da cidade de Nova Cruz (RN).
A pesquisa oportuniza aos profissionais de Serviço Social, assim como aos
usuários, uma coleta de dados flexíveis com momentos de diálogos sobre a
temática, pois se percebe que a conjuntura da instituição Centro de Referência de
Assistência Social (CRAS), através do Programa Bolsa Família, ultrapassa a coleta
de dados de forma numérica, sendo preciso descrever com clareza para explicar
cada elemento com base no referencial dos teóricos adotado e luminar a discussão
do tema proposto.
O estudo concretiza-se com a intenção em obter conhecimento mais
profundo nas particularidades dos casos, visto que não se pode permitir a
generalização das realidades vivenciadas pelas pessoas.
A pesquisa aborda também um trabalho bibliográfico desenvolvido a partir
de referenciais que enfatizem a temática. Associada a esse instrumento, utiliza-se a
pesquisa documental, como os documentos da própria instituição e aqueles do
acervo da profissão.
O trabalho dar seguimento falando das contribuições do assistente social no
PBF, assim analisa as execuções e as ações do programa. Relata sobre a atuação
dos assistentes sociais, que, através dos atendimentos tanto individuais quanto
coletivo, proporciona aos usuários do CRAS e também do PBF um maior contato e
inserção com as políticas sociais. No mesmo tópico, enfatiza-se, ainda, a construção
metodológica que se dividiu em alguns encontros com os usuários e com os
assistentes sociais.
Aborda-se o papel do Estado frente às políticas sociais e as consequências
da estrutura, principalmente das condicionalidades do Programa Bolsa Família.
Analisaram-se as formas de planejamentos para as execuções das tarefas
no CRAS e no PBF e, por último, uma reflexão sobre como os profissionais e alguns
48

usuários enxergam a estrutura e as consequências das condicionalidades na


atuação e na vida das famílias beneficiarias do PBF.
Nesse capitulo, serão apresentados os resultados deste estudo, assim
como, a caracterização do campo da pesquisa e o como as profissionais de Serviço
Social enfatizam as condicionalidades do Programa Bolsa Família nos CRAS Elba
Valentim da Rocha de Montanhas – RN, e CRAS Centro e CRAS Frei Damião de
Nova Cruz (RN).

3.1 A ATUAÇÃO DOS ASSISTENTES SOCIAIS NOS GRUPOS DO CENTRO DE


REFERÊNCIA DE ASSISTENCIA SOCIAL – CRAS: ESPAÇO DE
DISCUSSÕES DE DIREITOS.

O Serviço Social como profissão reconhecida na divisão social do trabalho


se deu pelas necessidades da sociedade capitalista. Com a requisição do trabalho
do assistente social, o profissional insere-se em diversas organizações estatais,
empresas e instituição filantrópica que são determinadas pelas conjunturas sócio
históricas.
O assistente social desenvolve diversas ações nas áreas de atuações. O
atendimento coletivo diferencia do individual ao assumir uma perspectiva de
trabalhar temáticas que visem uma análise de forma que contemple uma dialogo
coletivo; já no atendimento individual, o usuário necessita de uma privacidade maior.
Nos grupos, a experiência de cada componente pode ser comunicada e, assim,
contribuir para revisão e superação do que foi vivenciado pelas famílias.
Diante da atuação do assistente social o presente trabalho buscou analisar
como o profissional desenvolve suas ações na instituição CRAS. A pesquisa foi
realizada através de 10 (dez) momentos na cidade de Montanhas (RN) e na cidade
de Nova Cruz (RN), tanto com assistente social quanto com usuários.
A discussão que segue será objetivada nas entrevistas realizada com as
assistentes sociais dos CRAS e com os usuários em descumprimento das
condicionalidades do Programa Bolsa Família do CRAS Elba Valentim da Rocha, da
cidade de Montanhas (RN) e os CRAS Centro e o CRAS Frei Damião da cidade de
Nova Cruz (RN). Os dados serão analisados e contextualizados com o arcabouço
49

teórico no decorrer deste estudo sobre análise da efetivação das condicionalidades


do PBF.
O termo “condicionalidades” de acordo com o Ministério do Desenvolvimento
Social e Combate à Fome (MDS) são compromissos assumidos pelo poder público e
pelas famílias beneficiadas. Dessa forma, a família deve cumprir as
condicionalidades de assistência, saúde e educação, sendo o Estado responsável
pela oferta dos serviços. Porém, as condicionalidades acabam apresentando-se com
um caráter punitivo apenas para as famílias beneficiárias.
De início, as famílias são comunicadas sobre o descumprimento através do
extrato bancário. Solicitando-as o comparecimento à gestão do PBF para serem
acompanhadas em virtude do descumprimento.
Nesta perspectiva, a indagação que fica é: as condicionalidades funcionam
como acesso aos direitos à saúde, à educação e à assistência social ou são
mecanismos de controle? Diante da questão procurou-se examinar junto as
profissionais de serviço social que atuam no PBF como é realizado esse
acompanhamento de maneira efetiva.
De acordo com esses profissionais, é durante o atendimento da família na
instituição que são relatados e identificados os motivos do descumprimento. Tudo é
registrado em um relatório social, assim como as causas apresentadas pela família
para o descumprimento. O acompanhamento é iniciado através da identificação dos
motivos dos descumprimentos das condicionalidades.
Indagada sobre como a profissional visualiza a sua a atuação nos grupos da
instituição, verificou-se que:

Os grupos surgem para dar maior suporte as famílias que estão em


descumprimento das condicionalidades do PBF. Sendo assim, são
obrigadas a permanecer em média seis meses para depois ser
inseridas novamente ao Sistema de Condicionalidades (SICON) para
o próprio sistema fazer a remoção das famílias. Mas isso ocorre
porque alguém da família descumpriu alguma das condicionalidades.
(ASSISTENTE SOCIAL I, 2016).

A profissional percebe que o surgimento do grupo se dar para acompanhar as


famílias que por descumprimento das condicionalidades devem permanecer por seis
meses frequentando o grupo “Descumprimento das Condicionalidades do PBF”. A
profissional seguinte relata sobre a mesma indagação:
50

O surgimento dos grupos não acontece através das


condicionalidades. Os grupos trabalham as temáticas da própria
realidade daquelas famílias, e de alguma forma tem o intuito de
contribuir com alguma problemática. Como no município tem um
elevado índice de trabalhos infantis. Então, através do grupo para
crianças e para as famílias, enfatizamos essa temática, para
construir junto aos usuários uma consciência que o lugar de crianças
é na escola. E elas não podem ser penalizadas, deixando de viver
sua infância. (ASSISTENTE SOCIAL II, 2016).

A assistente social II enxerga o surgimento dos grupos não apenas para


servir as condicionalidades do PBF, mas como forma de contribuir com a superação
de problemáticas vivenciadas pelas famílias, que acabam reportando na violação de
direitos, como é o caso do trabalho infantil. Nesse sentido, o grupo trabalha numa
perspectiva de reflexão junto às famílias. “São para trabalhar os direitos dos
usuários. Através de um planejamento que é realizado através da Secretaria
Municipal de Assistência Social, se constrói um planejamento dentro da perspectiva
do município, ou seja, daquela determinada realidade”. (ASSISTENTE SOCIAL III,
2016).

Diante das respostas acerca do trabalho em grupo, observa-se que o grupo


não pode ser utilizado para reafirmar preconceitos, estigmas, cercear direitos,
culpabilizar e nem muito menos reafirmar as faltas de fidelidades das famílias em
vivenciar as suas condicionalidades do programa.
O trabalho com grupo é uma das estratégias do Programa Bolsa Família
muito importante para realizar um atendimento coletivo. Através dos grupos, os
profissionais com um bom planejamento, conseguem enfatizar diversas temáticas,
como os direitos usurpados das famílias, fortalecer as lutas, proporcionar momentos
de análises e reflexões dos contextos familiares.
Ao perguntar as assistentes sociais, quais são as ações que realizam para
construir nas famílias o senso crítico, obtivemos as seguintes respostas: “Muitos
quando chegam já sabem seus direitos. Mas, também dou informações acerca de
seus direitos e faço momento de conversas nos grupos, alguns falam, mas, na
maioria só ficam escutando. Mas, com certeza, aprendem alguma coisa”.
(ASSISTENTE SOCIAL I, 2016).
51

A profissional I enfatiza que os componentes do grupo das condicionalidades


poucos participam das reuniões, são muito inibidos e de fato, conforme observado
percebe-se que as mulheres do grupo, pois o grupo é formado em sua maioria por
mulheres, pouco ou nada indagam sobre os encontros. Sendo assim, acredita-se
que necessitam de estratégias que estimulem o interesse e a participação das
mulheres nos encontros do grupo:

Percebo que as pessoas quem vêm através da demanda livre,


muitas vezes desconhecem seus direitos, não questionam. Mas
desconhecem, porque não foram trabalhadas na defesa de seus
direitos. Mas, as famílias que são acompanhadas através dos grupos
percebo um grande avanço. Refletem, discutem e dialogam sobre
qualquer tema. Quando não sabem questionam, mas não ficam
caladas. Mas isso é porque são construídos momentos que reflitam
suas vivencias. Por isso, eu acho muito importante o trabalho nos
grupos. (ASSISTENTE SOCIAL II, 2016).

A assistente social II percebe que os participantes dos grupos refletem e


problematizam sobre várias situações de suas realidades e sobre os temas dos
encontros. Sempre questionam sobre as situações que não fazem parte de sua
vivência, sendo assim as famílias do grupo do CRAS II têm o senso crítico mais
avançado, mas isso acontece também devido à oportunidade que a assistente
proporciona para as famílias dos grupos: “Na maioria dos usuários do Programa
Bolsa Família, desconhecem seus direitos. Mas alguns através de alguma
oportunidade, ou por curiosidade expressa conhecer alguns direitos. Mas cabe a nós
profissionais favorecer momentos de análise”. (ASSISTENTE SOCIAL III, 2016).
A última profissional afirma que a maioria dos usuários do PBF que
procuram o CRAS desconhece os seus direitos, se percebe como peça fundamental
em construir estratégias para favorecer o diálogo entre os componentes e, assim,
poder favorecer a construção do senso crítico.
Conforme a necessidade de conhecer se os usuários percebem seus direitos
nos serviços do CRAS, foi questionado a dois componentes de cada CRAS, I, II e
CRAS III, se visualizam se o grupo constrói discussões acerca dos direitos das
famílias usuárias do PBF:

Eu não conheço muitas coisas. Sou analfabeto. Mais quando me


ensinam alguma coisa, procuro aprender. Aqui no grupo, é legal a
52

assistente social fala um monte de coisa, algumas coisas eu


aprendo. (USUÁRIO I, CRAS I, 2016).

Percebe-se que o usuário não compreende os assuntos trabalhados nos


grupos. Ele afirma que mesmo sendo analfabeto tem muita facilidade de aprender,
no entanto, os assuntos abordados no grupo não motivam a aprender.

Mulher. Conheço algumas coisas também. Como se me agredir


posso denunciar. Esse benefício é um direito meu, porque eu não
tenho emprego. Se eu tivesse, a assistente social ia saber, que as
vezes ela vai lá em casa. Mas eu não tenho. Eu não tenho marido.
Quando eu tinha ele trabalhava na usina. Mas eu não tô mais com
ele, então é meu direito receber essa “micharia”, mas ainda foi
cancelado, dizendo que eu estava com meu ex-marido. (USUÁRIO II,
CRAS I, 2016).

A usuária mencionada acima relata alguns de seus direitos, como de


proceder em caso de violência contra a mulher e deixa muito claro que o acesso ao
BPF é um dos seus direitos, porém, menciona a profissional assistente social, como
fiscalizadora das irregularidades do programa.

Conheço. Por que se eu não conhecer, o que vai ser minha vida. E o
que eu não sei, eu pergunto a assistente social. Nesse grupo eu
aprendi muitas coisas. Aqui todo encontro é algo novo, ai eu
aprendo, muito bom. Ah ninguém não me passa a perna não (risos).
(USUÁRIA I, CRAS II, 2016).

A usuária do CRAS II afirma que o CRAS é um espaço de construção de


conhecimentos, devido à oportunidade que se tem nas reuniões, a mesma não
consegue ter receio de construir indagações, assim, sente que o grupo é o local
propício para construção de conhecimentos.

Eu sei que é muitas coisas para aprender, mas o que depender de


mim, eu busco aprender. Esse grupo é como se fosse uma escola.
Onde a gente aprende muitas coisas, até para sobreviver nesse
mundo injusto. (USUÁRIA II, CRAS II, 2016).

Não sendo diferentes das demais respostas, os usuários em sua maioria


afirmam o quanto é importante às informações enfatizadas nos grupos.
53

Quando eu venho para a reunião eu aprendo muitas coisas, sobre os


meus direitos. Mas às vezes eu falto. Mas aqui é muito bom. A
assistente social dar oportunidade para cada pessoa falar sobre seus
problemas, ai eu pergunto, se é meu direito ou não. (USUÁRIA I,
CRAS III).

Os usuários entrevistados afirmam conhecer alguns de seus direitos. Os


entrevistados do CRAS II é o que mais enxerga a prioridade no diálogo e na
abertura para questionamento através do grupo.
Diante desse tópico abordado sobre as contribuições do Assistente Social no
Programa Bolsa Família, pode-se afirmar que os profissionais têm a necessidade de
conhecer a sua profissão para poder realizar um bom trabalho. Seja qual for o
espaço o assistente social deve atuar na perspectiva de mediar e assegurar direitos,
desempenhar sua profissão de forma ética, política, orientado pelas balizas da
profissão. O CRAS deve ser um espaço que proporcione ao profissional maior
diálogo entre os profissionais e os usuários. Nesse contexto foi indagado aos
profissionais como visualizava a busca ativa na mediação de direitos no PBF:

A busca ativa é uma das funções do CRAS para ir em busca dos


usuários por diferentes problemas. Em relação estratégia ao PBF,
realiza a busca ativa para se aproximar das famílias em contribuir
com a sua permanência ao programa, ou em caso de pessoas que
não faz parte do perfil, vamos até o domicílio para perguntar se
procede a carta que o MDS nos enviou, solicitando que visite a
família, para analisar a sua situação socioeconômica. (ASSISTENTE
SOCIAL I, 2016).

A busca ativa é enxergada por alguns usuários e profissionais como uma


forma de ir ao encontro dos usuários de forma fiscalizatória, juntamente com o MDS
para realizar averiguação das irregularidades cadastrais do PBF das famílias.

Realizamos muitas buscas ativas. No caso do programa, vamos até


o domicílio para conversar com as famílias a respeito seja da
denúncia ou da solicitação do MDS. (ASSISTENTE SOCIAL II,
2016).

As profissionais II e III seguem a perspectiva da busca ativa na função de


ações fiscalizatória do MDS.
54

É uma ação do assistente social é averiguar se de fato aquela família


estar descumprindo algumas das condicionalidades do PBF, se
estiver descumprindo, será bloqueada e até cancelada do benefício.
(ASSISTENTE SOCIAL III, 2016).

Percebe-se que a profissional I realiza a busca ativa, como estratégia


fiscalizatória, com intuito de averiguar as irregularidades cometidas pelas usuárias,
para, assim, poder realizar o bloqueio e até o cancelamento do benefício das
famílias.
As demais profissionais, em contraposição a anterior, conduzem a busca
ativa enquanto instrumento do profissional assistente social para identificar e
contribuir com as problemáticas das famílias. Principalmente, a profissional do CRAS
II que em momento algum percebe a busca ativa como ferramenta de punir as
famílias pelos descumprimentos das condicionalidades.
Como o próprio MDS (www.mds.org.br) afirma que a Busca Ativa é para
“realiza estratégias e ações, territorialmente organizadas, com estabelecimento de
parcerias, para identificar e cadastrar todas as famílias de baixa renda”, sendo
assim, pode-se perceber que a busca ativa deve ser analisada como uma estratégia
de direito das famílias em ser inseridas no cadastro e sucessivamente ser
beneficiadas no PBF. O trabalho com as famílias através da busca ativa deve
abranger o acesso aos direitos e serviços básicos, e à inclusão e participação em
redes sociais.

3.2 AS ATRIBUIÇÕES DO ASSISTENTE SOCIAL NO PROGRAMA BOLSA


FAMÍLIA

Para analisar o trabalho do (a) assistente social em programas oferecidos


pelo Governo Federal é importante buscar compreender o campo dos direitos
sociais, no qual, o profissional de serviço social com capacidade teórico-
metodológico, técnico-operativo e ético-político busca mediar e construir seus
processos de trabalho contribuindo para a emancipação dos sujeitos.
O profissional necessita estar sempre atualizado para poder realizar uma
adequada utilização dos instrumentos de trabalho. Sendo assim requer uma
55

contínua capacitação profissional que busque aprimorar seus conhecimentos e


habilidades nas suas múltiplas áreas de atuação.
Segundo a Lei de Regulamento da profissão n° 8.662, de 7 de junho de
1993, decreta no primeiro artigo “é livre o exercício da profissão de Assistência
Social em todo território nacional”. Sendo assim o assistente social tem liberdade de
exercer sua função seguindo o Código de Ética.
No artigo IV, do Conselho Federal de Serviço Social (2016, p.), identifica-se
o que constituem as competências do Assistente Social:

I – elaborar, implementar, executar e avaliar políticas sociais junto a


órgão da administração pública, direta ou indireta, empresas,
entidades e organizações populares;
II – elaborar, coordenar, executar e avaliar planos, programas e
projetos que sejam do âmbito de atuação do Serviço Social com
participação da sociedade civil;
III – encaminhar providências, e prestar orientação social a
indivíduos, grupos e à população;
IV – (vetado);
V – orientar indivíduos e grupos de diferentes segmentos socais no
sentido de identificar recursos e de fazer uso dos mesmos no
atendimento e na defesa de seus direitos;
VI – planejar, organizar e administrar benefícios e Serviço Social;
VII – planejar, executar e avaliar pesquisas que possam contribuir
para a análise da realidade social e para subsidiar ações
profissionais;
VIII – prestar assessoria e consultoria a órgão da administração
pública direta e indireta, empresa privadas e outras entidades, com
relação as matérias relacionadas no inciso II deste artigo;
IX – prestar assessoria e apoio aos movimentos sociais em matéria
relacionada às políticas sociais, no exercício e na defesa dos direitos
civis, políticos e sociais da coletividade;
X – realizar estudos socioeconômicos com os usuários para fins de
benefícios e serviços sociais junto a órgão da administração pública
direta e indireta, empresas privadas e outras entidades.

Fundamentados na Lei que rege o processo de formação e a profissão – Lei


n°8662/93 - respaldados juridicamente pelo Conselho Regional de Serviço Social –
CRESS, pelo Código de Ética Profissional do (a) assistente social de 1993 e com um
Projeto de Formação Ético Político de Serviço Social, o profissional de serviço social
tem o dever de possui capacidade das dimensões teórico-metodológico, técnico-
operativo e ético-político para trabalhar de forma efetiva nos diferentes espaços de
56

atuação18 e efetivação de direitos, como nas áreas das políticas sociais públicas e
privadas, assim como no (PBF).
Iamamoto (2007, p.63) afirma que o “assistente social não detém todos os
meios necessários para a efetivação de seu trabalho”, mas mesmo assim
disponibiliza as condições necessárias (financeiros, técnicos e humanos), o
profissional deve se comprometer com os valores que dignifiquem e respeitem as
pessoas em suas diferenças e potencialidades, sem discriminação de qualquer
natureza.
Os desafios na atuação são imensos, como Iamamoto (2007, p.23) propõe,
o (a) assistente social deve “desenvolver sua capacidade de decifrar a realidade e
construir propostas de trabalho criativas e capazes de preservar e efetivar direitos
[...] enfim, ser um profissional propositivo e não executivo”. O assistente social deve
desenvolver uma postura profissional com capacidade19 crítica/reflexiva para
compreender as diversas problemáticas.
Sposati (1992, p.44) complementa o pensamento de Iamamoto afirmando
que: “o compromisso social é fundamentado a profissão, embora sua compreensão
varie a partir das circunstâncias históricas e da leitura da sociedade”.
Sendo assim, tanto Iamamoto quanto Sposati, afirmam a importância da (a)
assistente social realizar análises da realidade e, também, da instituição, pois
apenas dessa forma pode intervir para melhorar as condições de vida do usuário.
Mediante as atribuições e competências do assistente social, o profissional é
chamado a desempenhar sua profissão em um processo de trabalho que se articule
com as condições tanto impostas pelo sistema, quanto com as necessidades de
atuar de forma ética e política.
A profissão por atuar no âmbito da sociedade capitalista se depara com
diversas controvérsias na execução das tarefas profissionais. Sua atuação no

18
É um profissional que trabalha com a questão social. Os espaços profissionais do assistente social
situam-se nas áreas das políticas sociais públicas e privadas, ou seja, o assistente social é
requisitado para o planejamento, a gestão e a execução de políticas, programas, projetos e serviços
sociais. Atua prioritariamente no tripé Assistência, saúde e Previdência que compõem a Seguridade
Social. Está presente também em ações relacionadas às políticas direcionadas aos segmentos
populacionais: criança, adolescente, idoso, mulher, negro, índio entre outras categorias.
(Universidade Federal do Rio Grande do Sul)
19
Exige-se habilidade para comunicação e expressão oral e escrita, articulação com as políticas para
proceder a encaminhamentos técnico-operacionais, sensibilidades no trato com as pessoas,
conhecimento teórico, capacidade para mobilização e organização. (site. cress-se.org.br)
57

Programa Bolsa Família se estrutura no intuito de assegurar aos beneficiários o


direito a renda através do programa.
O Estado através do MDS afirma que as condicionalidades são estratégias
de assegurar melhor qualidade de vida, no entanto, muitas famílias absorvem a
condicionalidade como imposições do tripé Assistência Social, Educação e Saúde.
Diante dessas abordagens, há controvérsias entre a percepção do Estado e o
enfrentamento das famílias. Questionou-se como seria a visão e enfrentamento das
profissionais de serviço social nessa situação.
As indagações não surgiram aleatoriamente. Foram construídas durante o
período do Estágio Obrigatório I e II no CRAS Elba Valentim da Rocha, na Cidade
de Montanhas/RN, na qual resido. O processo de estágio foi o momento em que
obtive um contato maior com os profissionais e com os usuários.
No início da pesquisa, procurou-se conhecer a estrutura do programa para
as famílias beneficiárias e a visão dos componentes que participavam dos grupos
das Condicionalidades do PBF. Ao conhecer a estrutura da instituição, surgiram
várias indagações a respeito das condicionalidades do PBF, despertando
curiosidades. Como por exemplo, se os objetivos dos trabalhos dos grupos é
comtemplar as famílias por que as mesmas não se sentem estimuladas a frequentar
os grupos? Se as condicionalidades é o acesso dos usuários as demais políticas,
mas por que as famílias sentem-se obrigadas a exercer os seus direitos?
As condicionalidades são enfatizadas pelos profissionais de serviço social
como pré-requisitos para permanecer no programa. No entanto, quando as pessoas
não podiam permanecer frequentando rotineiramente o grupo e as demais
condicionalidades, favoreceria um conhecimento constrangedor para os usuários,
em punições como bloqueios dos benefícios.
A dinâmica da instituição CRAS é orientada pelos documentos, programas e
serviços, sendo que o Programa de Atenção Integral à Família (PAIF) é o que realiza
maior atuação. O PAIF20 é o principal programa de Proteção Social Básica, do SUAS
em que desenvolve ações e serviços básicos continuados para as famílias.
Durante o estágio obrigatório no CRAS e participação nos grupos das
condicionalidades no CRAS Elba Valentim da Rocha conviver com muitas famílias

20
Criado em 18 de abril de 2004(Portaria nº 78), pelo Ministério do Desenvolvimento Social e
Combate à Fome – MDS. Em 19 de maio de 2004, o PAIF tornou-se “ação continuada da Assistência
Social”, passando a integrar a rede de serviços de ação continuada da Assistência Social, financiada
pelo Governo Federal (Decreto 5.085/2004).
58

que relatavam as suas condições de vida e o quanto necessitam do benefício para a


sua própria sobrevivência e da sua família. Esses relatos eram constantes, devido à
sensação de obrigação que as pessoas sentem quando se refere às
condicionalidades.
Durante o período do estágio e operacionalização do Projeto de Intervenção,
teve-se, ainda, a oportunidade de participar dos grupos do PBF e cooperar através
de momentos de diálogos, construção de informação e esclarecimento de direitos
com os beneficiários do programa.
Os usuários do PBF, assim como do CRAS, não têm apenas deveres a
cumprir, mas as famílias têm direito como prescreve a Política de Assistência Social
(2011, p.14).

Escuta, à informação, à defesa, à provisão direta ou indireta ou


encaminhamento de suas demandas de proteção social asseguradas
pela Política de Assistência Social; ter local digno e adequado para
se atendimento; ter protegida sua privacidade, dentro dos princípios
e diretrizes da ética profissional, desde que não acarrete riscos
pessoas; ter sua identidade e personalidade preservada e sua
história de vida resgatada.

A efetivação de cada princípio supracitado é de crucial importância para a


realização de um bom atendimento, mas, para isso é preciso que antes, os
profissionais, quanto à estrutura física da instituição devam estar coerentes com os
direitos dos usuários.
As atribuições do assistente social são diversas como analisadas
anteriormente, mas, para o profissional aguçar nas pessoas o desejo em conhecer e
lutar pelos seus direitos, é necessário que esse profissional seja conhecedor
também, não apenas dos deveres, mas dos seus direitos.
Mas há controvérsia a essa realidade de conquista de direito através da
21
intersetorielidade dos programas, assim como os desafios da profissão são
imensos, o PBF e as normas das condicionalidades do programa são apenas mais
um desafio a ser enfrentado pelos profissionais que trabalham nessa temática, mas
o maior desafio é ser conhecedor de seus direitos e dos direitos dos usuários, para
assim possam construir um espaço de interação e de conquistas de direitos.

21
Ação focada na busca da promoção de produtos sociais em comum. É a ação ou parceria em que
todos os setores irão compartilha. Deve ser o eixo estruturador das políticas públicas, possibilitando
uma abordagem geral dos problemas sociais. (www.cnep.org.br/glossário.htm)
59

3.3 AS DIFERENTES PERSPECTIVAS FRENTE ÀS CONDICIONALIDADES DO


PROGRAMA BOLSA FAMÍLIA

Analisar as condicionalidades do PBF é permitir que todos envolvidos


reflitam as suas condições de participantes do programa. Sendo assim foi
proporcionado tanto as famílias quanto aos assistentes sociais o direito de esboçar
sua perspectiva em relação à estrutura e execução do PBF. De início, foi
questionado em momentos diferentes e de forma individual a cada profissional
assistente social, sobre o histórico das instituições, os perfis dos usuários, como
acontecem os atendimentos individuais e coletivos e os planejamentos para
execução das competências da profissão.
Das três entrevistadas, apenas a da instituição do CRAS II conseguiu
responder com muita clareza as indagações. Todas as profissionais foram unânimes
em reconhecer que a principal demanda que chega ao CRAS são usuários do PBF,
no entanto, o CRAS é uma instituição que atende demandas diversificadas.

O CRAS/Centro atende em geral os beneficiários do Programa Bolsa


Família que paralelamente soma a renda com o trabalho na
agricultura, nos serviços informais e temporais como: serventes de
pedreiros, faxineiros, entre outros. O nível de escolarização dos
usuários é na grande maioria fundamental I (1° ao 4° ano). É comum
chegar ao CRAS famílias apresentando situações de desemprego e
ausência de renda, membros com baixa escolaridade
(analfabetismo), famílias que não conseguem arcar com a
alimentação para o seu núcleo, acesso precário aos serviços de
saúde, falta de moradia, alto índice de drogas e violência envolvendo
crianças/adolescentes e outras faixas, entre outros. (ASSISTENTE
SOCIAL II, 2016).

A profissional mencionada relata as demandas que o CRAS II atende, sendo


pessoas que trabalham em serviços informais que complementam a renda com o
dinheiro do Programa Bolsa Família.

No CRAS atende pessoas que buscam informações, benefícios,


realizações de denúncias. São atendimentos muitos diversificados.
(ASSISTENTE SOCIAL III, 2016).
60

A fala da profissional II é uma breve característica dos usuários do CRAS II.

O CRAS atende demandas no geral. Mas os usuários do PBF são os


que mais procuram a instituição. Em grande maioria por causa de
bloqueios. Então acontecem os encaminhamentos. (ASSISTENTE
SOCIAL III, 2016).

Na resposta sobre o perfil dos usuários, todas as profissionais analisaram o


perfil simplesmente pelo viés das necessidades econômicas. Caracterizando as
pessoas como famílias pobres, que têm a renda per capta entre R$ 77,01 a R$
154,00 por mês, e que tenham em sua composição gestantes, nutrizes (mãe que
amamentam), crianças ou adolescentes entre 0 e 17 anos. Geralmente, essas
famílias encontram-se inseridas no mercado informal de trabalho.
Nascimento (2012, p.79) destaca o desafio que os profissionais encontram
ao se depararem com essa realidade ao enfatizar.

É importante destacar, que estas famílias com baixo grau de


escolaridade, inseridas em um Programa de Transferência de Renda
em que uma das contrapartidas é a manutenção de seus filhos na
escola é um desafio para os profissionais que realizam o
acompanhamento, isso porque é necessário trabalhar
cotidianamente com estas famílias a importância da educação não
apenas como cumprimento de uma condicionalidade, mas como
acesso a cidadania.

Na questão de como acontece o acolhimento, atendimento individual e no


grupo do Programa Bolsa Família, obteve-se as seguintes respostas:

O CRAS não tem recepcionista, é mais um ponto negativo na


instituição a ausência do profissional na instituição ocasionam muitos
casos de constrangimentos, como falta de privacidade na hora do
atendimento, pois quando estou atendendo algum usuário, outro que
chega durante o atendimento interrompe e, eu tenho que responder o
que chegou depois, pedindo que volte até a recepção para me
esperar. (ASSISTENTE SOCIAL I, 2016).

Os CRAS II e III têm os profissionais recepcionistas, assim com a equipe


completa contribui para a execução das ações das instituições. Com mais eficácia,
no entanto, a profissional do CRAS III não respondeu a indagação.
61

O acolhimento é realizado na recepção do CRAS que encaminho o


usuário à equipe técnica para atendimento individual garantindo a
privacidade e preservando a integridade e a dignidade das famílias,
seus membros e indivíduos, quando ocorrem as reuniões de grupos
as famílias também são recepcionadas e encaminhadas à sala de
uso coletivo, sempre encerrando os encontros com um lanche após
discursões pertinentes às demandas identificadas. O atendimento
realiza-se na forma de orientação das famílias sobre os critérios e
condicionalidade como efetivação de direitos sobre o Programa
Bolsa Família. (ASSISTENTE SOCIAL II, 2016).

Em ambas as respostas, evidenciam-se uma ressalva e preocupação com a


ausência e importância de um profissional recepcionista na instituição. Em uma das
falas percebe-se o agravamento e rebatimento no atendimento, que a ausência do
profissional ocasiona, principalmente, consequências na falta de segurança e sigilo
no atendimento. Na contribuição da resposta da profissional II, percebe-se a
compreensão da importância de um atendimento integral.
Questionados como acontece o planejamento e construção das estratégias
para a execução de ações na instituição e se o processo de planejamento
proporciona a participação de forma coletiva a aprendizagem a todos os envolvidos
e promove a parceria de um projeto coletivo de tomada de decisões.

Existe um Projeto executado com as famílias nas escolas de Nova


Cruz pela equipe do Programa Bolsa Família junto ao CRAS que
esclarecem dúvidas e realizam um trabalho de conscientização, pois
no município existia um número muito elevado de famílias fora dos
critérios de renda dentro do programa. Por identificar a problemática,
foram espalhadas várias urnas identificadas com a logo do programa,
em pontos estratégicos da cidade para que a população passasse a
denunciar beneficiários, irregularidades, como também foram
impressos cadernos com a lista de beneficiários do município para
que as pessoas apontassem mais denúncias; os cadernos são
sempre atualizados para consulta pública; essa lista também se
encontra no site da Prefeitura, o que ocasionou uma grande
mudança no perfil dos beneficiários da cidade, fazendo com que
surgissem novas vagas no Programa, para famílias que encontram-
se cadastradas há algum tempo, mas nunca foram contempladas
com o benefício (famílias em situação de pobreza e extrema
pobreza). Todas as intervenções são planejadas em conjunto com a
Secretaria de Assistência Social e Prefeitura Municipal.
(ASSISTENTE SOCIAL II, 2016).
62

A profissional II enfatiza sobre a importância do planejamento em conjunto


com a equipe da Assistência Social, que juntos constrói projetos como forma de
estratégias para sanar as dificuldades do município.

Geralmente nós temos reuniões aqui no CRAS para fazer os


planejamentos. Por vezes a própria gestora solicita alguns projetos,
pensa alguns temas e solicita que se desenvolva esses temas. E
outros projetos são desenvolvidos através do CRAS internos, pois
temos reuniões para saber como estar o andamento do serviço, a
avaliar o andamento do grupo. E os projetos ocorrem basicamente a
partir dessas reuniões. Nós pensamentos nas justificativas, nos
objetivos, fazemos todo o projeto e passamos a desenvolver na
comunidade. Diante das problemáticas que nós identificamos. Como
o último projeto que estamos desenvolvendo, a gente nota que o
CRAS precisa ser mais divulgado, conhecido pela comunidade, nós
criamos o CRAS INTINERANTE, que a gente de desloca com uma
tenda, que o CRAS adquiriu e com vários materiais lúdicos. A gente
sai divulgando serviço do CRAS para as crianças das comunidades
mais afastadas. A gente aproveita para divulgar para as mães e
filhos, nossas atribuições, as demandas que atendemos.
(ASSISTENTE SOCIAL II, 2016).

A profissional I enfatiza que “toda forma de planejamento é realizado


anualmente e quando necessário também é realizado de forma mensal. Na maioria
das vezes o planejamento é feito pela a Psicóloga e por mim”.
A assistente social III diz que “os planejamentos acontecem de forma
coletiva através da equipe da Assistência Social, mas quando necessário se junta
apenas à equipe para realizar planejamentos”.
Todas as respostas afirmam que existem planejamentos na execução das
ações do CRAS. No CRAS I, o planejamento acontece mais de forma interna sem
muita contribuição da SEMAS, construído apenas pelos profissionais da instituição,
assim, deixa a desejar nas contribuições de planejamento. A Secretaria de
Assistência Social tem formação apenas em Pedagogia, podendo assim dificultar os
planejamentos.
Nos CRAS II e III, os relatam que acontecem tanto no âmbito interno com as
problemáticas das conjunturas dos CRAS quanto com relação às problemáticas no
município no geral. A Secretaria Municipal de Assistência Social é uma profissional
de Serviço Social, sendo assim, facilita o planejamento coerente com a efetivação
de direitos.
63

No segundo momento da pesquisa, em contato com o grupo Das


condicionalidades do PBF do CRAS I, em que foi questionado sobre o que acha do
serviço, os dois usuários entrevistados afirmaram que “o serviço é bom” (USUÁRIA I,
CRAS I 2016). Indagados sobre o que mudariam no atendimento da instituição,
novamente confirmaram “está tudo muito bom” (USUÁRIA I, CRAS I, 2016).
Entretanto, quando esboçaram se gostavam ou não do grupo e se queriam
permanecer mais tempo nele não tiveram receio, em afirmar:

Eu gosto de vir para o grupo, mas é porque tenho muitas coisas para
fazer em casa. Então eu queria que a assistente social me liberasse
para eu não precisar vir mais. (USUÁRIA I, 45 anos, 2016).

Indagada se gosta de frequentar o grupo, a usuária justifica a sua


insatisfação pelo fato de ser uma mãe de família que tem muitas tarefas domésticas,
porém, tem receio de faltar os encontros e ter seu benefício cancelado. Sendo
assim, percebe que as condicionalidades tornam as famílias presas a um sistema do
MDS, que delimita as regras de permanências no programa.

Eu tô aqui no grupo, só porque minha filha adoeceu, então foi


bloqueado o benefício, ai eu tenho que vim para as reuniões. Mas
não vejo a hora de dar tudo certo. (USUÁRIA II).

Diante das respostas pode-se perceber que as usuárias, estão no grupo de


maneira forçada. Não sentem as reuniões prazerosas e motivadoras, assim, não se
sentem bem em participar das atividades, vão apenas ao grupo para não prejudicar
o benefício.
Em visita ao Cadastro Único da CRAS I, conforme colocamos anteriormente
como um dos momentos da coleta de dados foi abordado também dois usuários
buscando apreender o motivo pelo qual estavam na instituição e o conhecimento
que tinham acerca do PBF.
Na primeira questão que enfatiza o motivo que levou o usuário procurar a
gestão do PBF: eles expressaram: “é eu vim aqui falar com a menina, por que meu
Bolsa Família foi bloqueado, ai eu queria saber o que eu faço, eu não posso ficar
sem o Bolsa, porque preciso” (USUÁRIA I, CRAS I); a segunda, foi na mesma
direção e respondeu: “eu vim ver se meu benefício já desbloqueou” (USUÁRIA II,
CRAS I).
64

As duas usuárias estão com os benefícios bloqueados, sendo assim,


procuram a gestora para averiguar o motivo do bloqueio. Quando questionada sobre
o que acha do Programa Bolsa Família, “É muito bom, me ajuda de mais” (USUÁRIA
I, CRAS II); a segunda ressalva, “graças a deus que existe o Bolsa, porque, as
vezes não tenho nada em casa, então é esse dinheiro que me ajuda”. (USUÁRIA II,
CRAS II).
Embora, se constituam em respostas simples e curtas, as usuárias
entrevistadas enxergam o benefício como a única solução para as suas
necessidades básicas, pessoais e até as de sobrevivência. Então, o bloqueio e o
cancelamento do benefício22 ocasionam graves problemas para essas famílias que
vivem com o básico da sobrevivência.
Quando questionada se conheciam as condicionalidades do programa,
obtiveram-se respostas como: “não conheço” (USUÁRIA I, CRAS I) e, simplesmente,
“não” (USUÁRIA II, CRAS I). Então, se reelaborou a questão indagando-os se
conheciam as obrigações do programa como matricular e vacinar os filhos, realizar
pré-natal, realizar as atualizações no posto de saúde com peso e altura dos usuários
do programa, e dessa vez, obteve as seguintes respostas: “hum, sei sim, acho que é
por causa das faltas do meu filho, que o benefício foi cancelado” (Usuária I, CRAS
II), “conheço e acho muito importante, às vezes no posto não tinha mais ficha, ai
como tem as exigências do Programa Bolsa Família, agora nós somos prioridades”
(USUÁRIA II, CRAS II).
Conforme as respostas observa-se que estas usuárias conhecem as
condicionalidades, não pelo nome de condicionalidades, mas pelas normas e
exigências do programa. Ou seja, percebe-se um desconhecimento do significado
dessas medidas, desconhecendo-se a via do direito e sim deste, travestido pela
concessão e benesse configurando a via da punição. A segunda usuária, também,
enfatizou a importância das parcerias entre as Políticas de Saúde, Educação e
Assistência Social, como contribuição para a melhoria da qualidade do atendimento
e consequentemente de suas vidas.
Indagadas, ainda, se já tinham participado de algum grupo por
descumprimento das condicionalidades, responderam: “nunca tinha participado, mas
22
Bloqueio – Descumprimento das condicionalidades do PBF.
Advertência: Comunicação que o benefício estar irregular.
Cancelamento – Reverter o bloqueio até 60 (sessenta) dias, ao contrário, o benefício é cancelado. Podendo
ficar de um mês ao um ano sem receber as parcelas.
65

agora que aconteceu isso, a assistente social disse que eu tenho que ir para as
reuniões, senão vai prejudicar meu benefício” (USUÁRIA I), “já participei uma vez,
quase que não saia nunca do grupo, tinha que ir para as reuniões se não a
assistente social colocava no computador, e cancelava o benefício”. (USUÁRIA II).
As duas entrevistadas conhecem o grupo, mas salientam perspectivas
negativas da visão do grupo para as vidas dessas usuárias. Enxergam a assistente
social, como uma profissional policialesca e que realiza ações de vinganças, sendo
obrigadas a permanecer no grupo, mesmo sem a sua vontade.
A percepção dos usuários em relação aos grupos “Descumprimentos das
Condicionalidades” deve ser enfatizada para os usuários como a oportunidade e
momento de reflexão coletiva para, assim, obter conhecimento sobre seus diversos
direitos sociais.
A assistente social do CRAS II enfatiza seu trabalho como uma
consequência de uma execução qualificada, no entanto, utiliza a visita ainda como
forma fiscalizatória, como forma de averiguar quem estar de forma coerente na linha
de pobreza e extrema pobreza “visualizo a oferta de um trabalho qualificado junto às
famílias beneficiárias pelo Programa Bolsa Família através de visitas domiciliares
realizadas pelo assistente social como objetivo para permanência no PBF”.
O CRAS desenvolve muitas ações e serviços que devem ter como
pressuposto promover o acesso às demandas espontâneas, realizar um
acompanhamento com reflexão das diferentes problemáticas que cerca as famílias;
visitas domiciliares em defesa dos direitos sociais e humanos, promovendo a
divulgação de informações, de modo a oferecer referências para as famílias e
indivíduos sobre os diferentes serviços prestados pela instituição.
A resposta da profissional do CRAS II esclarece sua atuação de forma mais
sucinta apontando a atuação apenas do programa “um dos objetivos do PBF é
proporcionar aos seus beneficiários a proteção e a promoção social”.
O serviço oferecido no CRAS necessita seguir a concepção da assistência
social de forma desmercadorizada, em que o usuário tem a necessidade de usufruir
de seus direitos, assim afirma Bravo (2012, p.229) “o destinatário deve usufruir dos
benefícios que lhe são devidos como questão de direito”.
De que forma acontece à defesa da renda como direito, as profissionais
afirmam:
66

Através da intensa fiscalização envolvendo toda a rede e sociedade


civil que aponta demandas de famílias sem acesso a renda como
também aquela que já superaram a extrema pobreza para que
ocorram visitas técnicas de averiguação de renda. Ao saírem famílias
do programa, o município é contemplado com mais benefícios.
(ASSISTENTE SOCIALII, 2016).

A resposta da profissional do CRAS III segue o mesmo pensamento da


resposta anterior “é um direito de todo cidadão. Nós realizamos as fiscalizações no
município, para através da retiradas de pessoas que não precisam do benefício,
inserir outras pessoas”.
A resposta da profissional do CRAS I ressalta: “seria muito bom, se todas as
pessoas tivessem renda, seria ótimo. Mas não é possível para contribuir para todas
as pessoas ser beneficiarias do Programa Bolsa Família”.
As profissionais foram unânimes em enxergar a defesa ao acesso à renda
como direito, porém concretizado a atuação das profissionais da forma fiscalizatória,
assim, excluindo algumas pessoas e inserindo outras famílias no sistema do
programa. Sabe-se que a renda é um direito para todas as pessoas e não apenas
para algumas famílias. As profissionais acabam mencionando a renda na
perspectiva apenas da inserção e permanência das famílias ao PBF, enxergando o
estigma dos usuários em ser desprovido de uma renda, para assim poder receber o
benefício do governo.
Seguindo as indagações, a profissional II responde se o PBF consegue
efetivar direitos as famílias.

O PBF efetiva direitos quando dar condição direta à família de cuidar


do seu núcleo prezado pela educação, saúde e recebendo
orientação e cuidados por parte dos serviços da Assistência Social.
Concordo com os critérios de renda estabelecidos que estima valores
para famílias pobres e extremamente pobres, porém deveriam entrar
nesses critérios, às famílias que têm renda mais por serem
autônomas (comerciantes, agricultores, etc) não se acham no dever
de declarar renda, mesmo demonstrando através da sua residência e
situação socioeconômica um boa condição de vida. Tudo deveria
entrar como critério: se paga aluguel, gastos com água e luz,
quantidade de eletrodomésticos, gastos com locomoção, com
doenças crônicas, etc. (ASSISTENTE SOCIAL III, 05 anos em
função, 2016).

A profissional do CRAS III responde: “o PBF dar direito a renda e a


oportunidade de uma vida melhor”. Afirma assistente social CRAS I “o PBF garante
67

muitos direitos aos usuários, dá acesso às Políticas de Saúde, Educação e


Assistência Social e uma renda mínima”.
A primeira profissional relata a importância do programa em dá condição aos
beneficiários de cuidar de sua família através dos serviços da Assistência Social.
Concorda com os critérios do programa, mas acredita serem falhos, quando não
analisa as condições de forma mais detalhada. As demais profissionais acreditam
seguir a ótica governamental, analisando que o maior objetivo do programa é a
inserção dos usuários nas diversas políticas.
Conforme avaliação das profissionais das condições de trabalho e a relação
com os (as) usuários (as) são semelhantes, exceto a profissional do CRAS I, em que
percebe que a ausência de materiais atrapalha o seu rendimento da instituição.

As condições de trabalhos vêm melhorando do ano de 2013 para


2016, porém ainda existem pontos fragilizados, como: não
disponibilidade assídua de transporte para as visitas domiciliares,
amplo espaço físico para as reuniões de grupos, sobrecarga de
trabalho dos CRAS contar com a equipe completa exigida pelo MDS,
porém a demanda de famílias e atribuições é muito grande.
Considero boa a minha relação com os usuários, onde juntos
tentamos pensar meios de mudanças para as situações de
vulnerabilidade enfrentadas. (ASSISTENTE SOCIAL II, 2016).

A profissional do CRAS II relata que enxerga avanços, porém existem muitas


situações que necessitam de aperfeiçoamento, principalmente um problema que
atinge muitos municípios que é a ausência de transportes suficientes para
locomoção dos profissionais para as visitas domiciliares, além de espaço mal
adaptado para atendimento e equipes desfalcadas.

As condições de trabalho são em termos gerais boas, possuímos


livre acesso à Gestora da Secretaria Municipal de Assistência Social,
onde nos dá suporte e apoio junto a realização de projetos e ações
pertinentes a área da Assistência, com relação aos usuários, temos
uma grande interação por meio das atividades desenvolvidas no
CRAS, bem como os grupos do PAIF e realizarmos interação em
parceria com a Rede se preciso for. (ASSISTENTE SOCIAL III,
2016).

Já a profissional III, visualiza que a instituição tem boas condições de


trabalho, pois tem uma parceria eficaz com a Secretaria Municipal de Assistência
Social, assim como uma boa relação com os usuários através dos grupos.
68

As condições de trabalho são deficientes, falta muitos materiais para


trabalhar com os grupos e a falta de profissionais também atrapalha.
Quando precisamos de materiais, os ofícios emitido para a prefeitura
não resolvem é preciso ficar sempre indo para pedir a Prefeitura
Municipal e até o próprio prefeito. Torna-se algo humilhante. O
contato com os usuários são bons, na medida do possível, que nem
tudo podemos resolver. As condições são limitadas. (ASSISTENTE
SOCIAL I, 04 anos em função, 2016).

A profissional I enfatiza a deficiência das condições de trabalho, assim como


a ausência de alguns profissionais na instituição contribuindo para a limitação das
execuções das tarefas no CRAS. Relata que a relação com os usuários não são as
melhores, pois devido às limitações de suas competências na instituição,
consequentemente, desencadeiam-se na relação com as famílias.
Realizar um trabalho que produza bons frutos, com profissionais e usuários
satisfeitos nas ações e serviços da instituição é algo que todos almejam, mas para
isso acontecer depende de vários fatores. Em especial dos órgãos públicos que são
responsáveis por deliberar as condições necessárias para a realização dos serviços.
Porém, os profissionais não devem se deter apenas a esse argumento, pois mesmo
sem muitos investimentos para a execução das ações, os assistentes sociais devem
oferecer os seus melhores resultados.
Seguindo a análise das ações realizadas no CRAS, percebe-se que a
instituição desenvolve vários programas, projetos, serviços e ações, com intuito de
dar apoio às famílias e indivíduos na garantia de seus direitos. Assim, foi
questionado, sobre as execuções do CRAS.

Temos vários projetos, como: o CRAS Itinerante que busca divulgar


os serviços do CRAS, os grupos de Mulheres Linda Mãe e Florescer
que acompanham gestantes e outras mulheres em situação de
vulnerabilidade social, o grupo Cantinho Lúdico para crianças de 0 a
6 anos desenvolvido na Brinquedoteca do CRAS, o grupo Recordar é
Viver com idosos na comunidade rural, o grupo Escuta Acolhedora
na APAE de Nova Cruz, o grupo Conte Comigo desenvolvido nas
escolas e ainda são desenvolvidos vários projetos junto aos Serviços
de Convivência e Fortalecimento de Vínculos para crianças, jovens e
idosos, entre eles está o de enfrentamento ao trabalho infantil. Eu os
avalio de maneira positiva diante da inclusão das famílias
beneficiárias do Programa Bolsa Família, pois orientam as mesmas
sobre as condicionalidades, cuidados, incentivo ao trabalho e renda e
direitos em geral. (ASSISTENTE SOCIAL III, 2016).

A primeira profissional relata alguns projetos e programas mencionando


seus objetivos. Avalia todos de forma positiva, pois constrói um trabalho nas
69

necessidades da conjuntura do município, enfatiza que no município há um elevado


índice de trabalho infantil, assim, acarretando consequências para a violação dos
direitos das crianças e adolescentes, logo, o planejamento e a execução de muitas
ações são voltados para essa problemática.
A assistente social do III argumenta “existe muitos projetos em especial o
Programa Bolsa Família, em que desenvolvemos trabalhos de conscientização das
famílias”. A profissional do CRAS I enfatiza

Desenvolvemos alguns Projetos e Grupos no CRAS. Como o Grupo


Lúdico com as crianças; o Grupo do Descumprimento das
Condicionalidades do PBF; os Serviços de Convivências e
Fortalecimentos de Vínculos (SCFV) dentre outros. (ASSISTENTE
SOCIAL I, 04 anos em função, 2016).

As demais profissionais responderam de forma generalizada, sem dar


ênfase às problemáticas das famílias assistidas pelos projetos e grupos dos CRAS.
O CRAS III fica localizado na mesma cidade do CRAS II, no entanto, os
planejamentos não são voltados para as mesmas problemáticas.
Nos últimos momentos da pesquisa foram analisados, ainda, alguns
documentos das instituições que referenciam as famílias, como os Prontuários
SUAS, os livros de anotações, os livros de visitas dentre outros documentos que
mencionam a conjuntura dos usuários e a atuação dos profissionais. Diante dos
documentos, percebe-se de forma unânime que a maior demanda do CRAS é o
PBF, somando a esse momento foi questionado sobre a percepção dos profissionais
frente ao PBF.
Não acho que o Programa Bolsa Família deva ser entendido como
um simples programa de transferência de renda, ou uma nova forma
de clientelismo e sim, uma das melhores expressões da luta de
classes nos tempos atuais. O Bolsa Família é atrelado a uma série
de condicionalidades, esse controle vincula o recebimento do Bolsa
Família à frequência escolar das crianças e jovens, além da
vacinação das crianças e seu acompanhamento médico. Esses dois
fatores obrigam o Estado a fornecer à população essas duas
políticas, tirando ainda mais o poder das oligarquias locais, além de
criar, um mercado de trabalho unitário e, portanto, flexível, capaz de
se submeter aos ditames de uma gama ainda maior de capitalistas,
não somente aos dos coronéis. Não é através da lógica do
clientelismo de um novo tipo que o Bolsa Família se consolida, mas
através da incorporação ainda mais brutal dos trabalhadores mais
pobres à dinâmica mais moderna de acumulação e controle do
capital. (CRAS II, 2016).
70

A primeira profissional realiza uma análise em que avalia o PBF não como
um simples programa de transferência de renda, mas como consequência de uma
luta da classe menos visualizadas pelo sistema capitalista.
Descreve a sua percepção sobre o Programa Bolsa Família acreditando na
sua grandiosidade e eficácia na vida das famílias beneficiária do programa.

O PBF é um programa seletista, em que avalia quem está dentro dos


critérios previstos pelo MDS, assim sendo também burocrático, mas
a característica de clientelista acredito que não seja, pois não
depende de nós e nem de ninguém, ao não ser do próprio MDS, que
realiza as análises. (ASSISTENTE SOCIAL III, 2016).

A segunda profissional percebe a exclusão das famílias através dos


elevados critérios do PBF.

Existe burocratização, pois são normas que nós temos que seguir,
como avaliar, construir parecer e outros documentos que remete a
entrada e permanência dos usuários nos programas. Mas
clientelismo não existe, pois a entrada e saída dos usuários do PBF
não depende dos municípios. (ASSISTENTE SOCIAL II, 2016).

A assistente social do CRAS III assim como a profissional do CRAS I


enxerga a estrutura do PBF como um programa seletista e burocrático.
Seguindo a mesma linha de raciocínio foi questionado sobre como
percebiam os objetivos institucionais e os objetivos profissionais na atuação do
Programa Bolsa Família.

Esses objetivos estão em consonância tendo em vista que o CRAS é


a porta de entrada para as famílias inseridas no Cadastro Único que
por sua vez contempla os beneficiários do Programa Bolsa Família
que são acompanhadas pelas Unidades de Referência que prestam
as orientações necessárias quanto aos seus direitos e deveres.
(ASSISTENTE SOCIAL II, 2016).

Complementa a fala argumentando:

Às vezes se torna complicado a atuação do Assistente Social, pois


são muitas atribuições dentro do CRAS. Além das nossas atribuições
profissionais que a gente tem como dever, como no Código de Ética,
a gente tem um leque de atribuições no CRAS relacionado ao Bolsa
Família, e a outras atividades que uma nos compete e outras não. Às
vezes a gente acaba substituindo e realizando funções que não são
nossa. Às vezes, a ausência de uma ASG na instituição, falta de um
atendimento humanizado, a falta de um pedagogo para os grupos.
(ASSISTENTE SOCIAL II, 2016).
71

A profissional do CRAS III menciona: “um dos objetivos do PBF é


proporcionar aos seus beneficiários a proteção e a promoção social” (ASSISTENTE
SOCIAL III, 2016). A assistente social do CRAS I responde: “os dois devem
caminhar juntos, a profissão deve seguir os passos de uma boa atuação na
instituição. E o programa necessita ser contemplado com uma boa atuação
profissional e institucional”. (ASSISTENTE SOCIAL I, 2016).
As três profissionais seguem a mesma reflexão de que os objetivos
institucionais e os profissionais se relacionam em consonância, assim
proporcionando uma boa atuação. A primeira profissional, na segunda fala, se retrai
e afirma que muitas vezes acontece uma divergência nos objetivos. Sendo preciso
atuar conforme as competências da profissão, mas as normas institucionais realizam
outras exigências, assim permitindo até os desvios de funções.
Na questão indagada as profissionais em relação à compreensão e
mediação dos atendimentos através das demandas espontâneas, dos grupos e das
buscas ativas através do acompanhamento das famílias em descumprimento das
condicionalidades. Afirmam que:

A mediação de atendimento particularizado através das demandas


espontâneas faz com que percebamos a necessidade da população
em busca de orientações sobre os seus direitos almejando uma
melhor qualidade de vida e acesso aos benefícios, programas e
serviços da Política de Assistência Social executada no município. As
buscas ativas demonstram que parte da população ainda
desconhece o trabalho dos CRAS fazendo com que ocorra o
desenvolvimento de projetos, mobilizações e grupos que fortaleçam
essa divulgação na cidade, tendo como consequência as orientações
acerca das condicionalidades do Programa Bolsa Família e as
consequências do seu descumprimento por parte das famílias.
(ASSISTENTE SOCIAL II, 2016).

A mesma profissional afirma que a busca ativa acontece.

Entre os motivos estão as denúncias da própria população em


relação às famílias que se encontram irregulares no Programa e as
listas de descumprimento das condicionalidades que são
bimestralmente retiradas do Sistema de Condicionalidades – Sicon
ocorrendo assim as buscas ativas. (ASSISTENTE SOCIAL II, 2016).

A profissional I compreende as demandas espontâneas e suas


necessidades em buscar orientações sobre seus direitos, faz uma grande análise da
72

importância da busca ativa em divulgar os serviços da instituição, pois acredita que


parte da população desconhece muitos dos seus direitos, mas afirma que as buscas
ativas também têm a finalidade de analisar as denúncias realizadas pela própria
população.
A assistente social do CRAS I menciona “todos os atendimentos realizados
através do PBF é uma forma de analisar a situação das famílias, assim como
assegurar o benefício”.
As profissionais II e III realizam de forma generalizada uma observação que
não diferenciam sobre os tipos de atendimentos realizados na instituição e em
especial no Programa Bolsa Família. Acreditam que os atendimentos têm a
finalidade de assegurar o benefício.
Diante de várias questões, chega-se ao ápice do trabalho, em que se
pretende entender como os profissionais visualizam as condicionalidades
executadas nas ações do PBF. A pergunta sobre o papel das condicionalidades do
PBF para os usuários, profissão e instituição são questões que seguem a linha de
raciocínio muito semelhante. Percebe-se uma incorporação das orientações dos
objetivos institucionais delimitados pela ênfase governamental.

Nós assistentes sociais atuamos por meio do acompanhamento


familiar (busca ativa, atendimento, visitas domiciliares, orientações,
palestras, articulação com o setor pedagógico da Secretaria
Municipal de Assistência Social) em relação á frequência escolar das
crianças e adolescentes, vacinação em dia, pesagem, frequência às
consultas pré-natal das gestantes, entre outras orientações que
buscam melhorar a qualidade de vida da população. As
condicionalidades têm um papel importantíssimo para as famílias
beneficiárias do Programa Bolsa Família que passam a cumprir com
maior responsabilidade o que já é direito (educação, saúde),
inclusive cobrando mais quando o acesso é limitado. Elas dão a
oportunidade ao profissional de estar mais perto da família
reconhecendo as suas vulnerabilidades, conflitos e dificuldades que
impedem as mesmas de cumprirem com tais exigências relacionadas
à saúde e à educação. No município foi realizado um importante
trabalho de conscientização dos professores para que estes
passassem a relatar com mais vigor as faltas dos alunos, pois dessa
forma os CRAS podem realizar a busca ativa dessas famílias e
inseri-las em acompanhamento, também foi proporcionada uma
capacitação com os agentes de saúde para a realização de um
trabalho mais eficaz em relação ao pré-natal das gestantes e
vacinação das crianças. (ASSISTENTE SOCIAL II, 2016).
73

A profissional II articula suas funções inerente ao PBF mencionando as


condicionalidades do Programa Bolsa Família como uma condição ao acesso as
demais políticas associadas ao programa.

A atuação do Assistente Social, diante das condicionalidades, se dá


através da realização de entrevistas, visitas domiciliares, informação
ao Sistema do SIGPBG para avaliar e deferir o recurso, no qual a
família apresenta-se em descumprimento e consequentemente
realizar o acompanhamento destas famílias diante dos critérios
exigidos pelo PBF. (ASSISTENTE SOCIAL III, 2016).

A assistente social I afirma: “as condicionalidades são as normas do MDS,


as quais os usuários devem seguir para não ocorrer os bloqueios e os
cancelamentos do benefício”.
As três profissionais realizam uma reflexão sobre a importância das
condicionalidades do Programa Bolsa Família. A primeira profissional realiza uma
análise mais completa, entendendo a dimensão das condicionalidades, afirmando
que se torna uma responsabilidade exercer o direito ao acesso às outras políticas,
como a de Saúde, Educação e Assistência Social, para assim, os usuários, ao
compreenderem o valor, poder exigir mais oportunidades de acesso, e desse modo,
contribuir para a sua qualidade de vida.
Também, afirmam que as condicionalidades contribuem para oportunizar os
profissionais estarem mais próximos das famílias. E, que ao mesmo tempo, é
preciso que os profissionais das demais políticas estejam capacitados para analisar
e dialogar com essas condicionalidades, como os professores e os profissionais de
saúde, e neste sentido, acontecer um diálogo entre as políticas; e as famílias não
saírem prejudicas.
Na última questão enfatiza-se como acontece a atuação dos profissionais
Assistentes Sociais diante das condicionalidades do PBF em contato com as
famílias através dos instrumentos do CRAS.
74

O Serviço Social executa as ações de Proteção básica junto às


famílias do PBF através de Projetos, grupos, encaminhamentos às
diversas políticas para assegurar os seus direitos, incentivo à
Capacitação Profissional e ao trabalho e renda, conscientização
sobre os seus direitos e deveres, entre outras ações. Através do
contato individual faz o atendimento, procura logo fazer aquelas
triagem, se estão nas escola, com vacinação em dia. Através do
Prontuário SUAS que nos pede para fazer algumas perguntas. E
também nos grupos que esses grupos trabalha essas situações, no
de criança, de mulheres, idosos, com adultos. Na Zona Urbana e
Rural, passa a divulgar essas condicionalidades nesses grupos.
Perguntar a essas mães, essas mulheres, essas crianças como é
que estão os cuidados com a família em relação à educação, à
frequência escolar (pois ainda temos um índices de trabalho infantil
alto no município), orientar também a questão do pré-natal,
vacinação. Todas essas questões que a família descumpra as
condicionalidades. (ASSISTENTE SOCIAL II, 2016).

Afirmam, ainda, quais instrumentais contribuem para a sua atuação:

Entrevistas através do Prontuário SUAS, Registro do Prontuário


Eletrônico, Registro no Livro de Atendimentos, visitas domiciliares
(registro no Livro de Visitas), Mapa das novas famílias inseridas em
acompanhamento a cada mês, registros de recurso e
acompanhamento das famílias em descumprimento de
condicionalidades manual e eletronicamente, relatórios mensal e
anual do CRAS, relatório técnico individual com a produção mensal,
encaminhamentos, reuniões de planejamento, reuniões de grupos,
observação, escuta, palestras, oficinas, pareceres sociais, relatórios
sociais. (ASSISTENTE SOCIAL II, 05 anos em função, 2016).

Atuação dos profissionais indaga sobre a materialização do Projeto Ético


Político acontece:

Através da emancipação dos sujeitos e compromisso com a


autonomia das famílias, sempre em busca da liberdade como valor
central da atuação profissional. Há limites e desafios sim, quando à
própria população se nega a ser autônoma e fica bitolada à prática
assistencialista e conservadora. Os instrumentos técnico-operativos
utilizados pelo assistente social do CRAS são: Acolhimento,
conversas informais, documentação, observação, entrevistas,
inscrições dos usuários que de nossos serviços necessitam no
Cadastro do PAIF, encaminhamentos, livro de registros,
acompanhamento social, elaboração e execução de Projetos
socioeducativos e socioassistenciais, relatórios e visitas domiciliares.
(ASSISTENTE SOCIAL III, 2016).

Menciona atuação com articulação ao Projeto Ético Político:


75

Da articulação de direitos amplos e universais objetivando a


devastação das desigualdades sociais e a igualdade das
possibilidades e condições, no qual assume seu compromisso social
com os nossos usuários. Há sim desafios, diante do poder capitalista
de grande influência em nossa sociedade. (ASSISTENTE SOCIAL III,
2016).

A profissional do CRAS I relata a sua função através condicionalidades do


Programa Bolsa Família e do Sistema SICON.

Quando estão em descumprimento com as condicionalidades, as


famílias têm quer ir ao local que ocasionou o descumprimento, ou
seja, na escola, ou na saúde. Entramos nos sistemas, vemos sua
situação e a partir daí fica sendo acompanhada através do grupo dos
descumprimentos das condicionalidades. (ASSISTENTE SOCIAL I,
2016).

Em sua resposta, enfatiza sobre os instrumentais que possibilitam uma boa


atuação. Dando seguimento, fala de sua atuação na materialização do Projeto Ético
Político, com objetivo de possibilitar a emancipação dos sujeitos e compromissos
com autonomia das famílias.
Sabendo que as famílias vivem uma conjuntura muito flexível e subjetiva, as
condicionalidades como mencionada pelo próprio MDS e enxergada pela assistente
social do CRAS II são possibilidades para a inserção das famílias às diversas
políticas e, consequentemente, uma melhoria de vida.
A profissional do CRAS II menciona os programas, projetos e serviços que
têm como objetivos assegurar os direitos às famílias beneficiárias. Fala sobre o
contato com as famílias e, também, da capacitação dos profissionais para lidar com
o programa para contribuir com um processo de trabalho coerente com a realidade.
A profissional do CRAS III comenta sobre sua atuação nas
condicionalidades do PBF na forma de possibilitar as famílias o acesso ao grupo,
devido ao descumprimento das condicionalidades.
Utiliza o grupo como forma de reafirmar as suas infidelidades aos
programas. Menciona os instrumentais que contribuem para a sua atuação, que
muitas das vezes, é objetivo de controle institucional. Quando comenta sobre a
relação com o Projeto Ético Político, afirma que serve para realiza as articulações
com os direitos.
76

A profissional do CRAS I responde apenas algumas indagações, percebe a


sua atuação nas condicionalidades do programa como uma forma de referenciar um
grupo, em que as pessoas estão em descumprimento com o PBF.
Infelizmente em muitas respostas as profissionais constroem uma análise
dos descumprimentos das condicionalidades como uma situação muito objetiva, em
que dependeria apenas de umas pessoas e, exclusivamente, de uma situação para
ocasionar o descumprimento das condicionalidades.
Os assistentes sociais necessitam realizar uma análise da conjuntura das
famílias, apenas quando o profissional adentra nas diversas realidades dos usuários
consegue enxergar as múltiplas necessidades e consequentemente possibilita
estratégias de mudanças na vida dos indivíduos.
Essa pesquisa foi muito importante para os municípios e para a formação
acadêmica e pessoal, assim contribuindo através do diálogo com diferentes sujeitos,
a possibilidades de entender as visões tantos dos usuários quanto dos assistentes
sociais em um programa que discutem direitos.
77

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Como analisado neste trabalho, o Programa Bolsa Família é formalmente


criado em 2003, e é o maior programa de transferência de renda do governo,
estruturado com o cumprimento de condicionalidades associada à assistência social,
saúde e educação.
O PBF ligado a essas outras políticas, propõe que as famílias beneficiárias
devem cumprir as condicionalidades do programa, aquela que por algum motivo
estiver em descumprimento com as condicionalidades deve ser acompanhada pelo
poder público com a finalidade de superar essa situação.
Diante disso, surge no Brasil, como uma alternativa em garantir a
alimentação e diminuir o processo de pobreza através do cumprimento das
condicionalidades. Entretanto, não fica claro como este acompanhamento pode
proporcionar a saída dessa família da situação de vulnerabilidade em que se
encontra.
A partir da aproximação com a realidade das famílias que estão inseridas no
PBF, pôde-se de início, compreender que projetam o PBF, as condicionalidades do
programa tornam-se uma das estratégias de ampliação e acesso com qualidade aos
direitos de educação, saúde e assistência. Sendo um acordo entre as famílias e o
poder público, assim, devem ser cumpridas pelo núcleo familiar para que possa
receber o benefício mensal.
No entanto o programa tem caráter restritivo e seletista, que inclui uma
parcela de trabalhadores em situação de pobreza, cuja renda per capta é muito
baixa.
Percebe-se que muitas pessoas não se reconhecem em situação de
desigualdade, enxergam a sua conjuntura de forma naturalizada. A pobreza não é
uma consequência para uma classe de pessoas, a pobreza é uma consequência de
desigualdades e negação de direitos.
Mesmo que o programa enfatize as questões econômicas das famílias, não
há definição concreta, além da renda para diferenciar as condições da família, sendo
assim, quando não se pensa na conjuntura social consequentemente nega-se que
haja as transformações sociais das pessoas.
78

Na perspectiva da forma com que as famílias enxergam as


condicionalidades do PBF torna-se totalmente diferente das intenções do projeto do
Governo. As pessoas visualizam o programa como uma oportunidade de uma renda
para a compra do básico para a sobrevivência, no entanto se sentem obrigadas a
realizar as condições do programa para não ter o benefício bloqueado.
No descumprimento das condicionalidades, as famílias têm o dever de
serem acompanhadas pelo CRAS, no entanto muitas se sentem obrigadas a
participar dos grupos para não ter o benefício bloqueado ou até cancelado.
Constatou-se durante a pesquisa que os usuários entrevistados do CRAS I
foram unânimes em afirmar que não gostam de participar do Grupo das
Condicionalidades do PBF, se sentem obrigadas a permanecer para não prejudicar
novamente o benefício.
Nos CRAS II e III, as respostas diferenciaram-se. No CRAS II, todas as
pessoas entrevistadas argumentaram que os encontros são muito bons e produtivos
e que “aprendem sobre os seus direitos”. Já no CRAS III, algumas pessoas não
gostavam da metodologia do grupo, que participavam por necessidade do benefício.
Outro ponto a destacar é a análise dos profissionais na compreensão e
execução das ações inerente às condicionalidades do programa. Nessa direção,
identificou-se posturas diferenciadas, ou seja, desde aquelas que segue os objetivos
institucionais, cuja ênfase no trabalho com os grupos se dá no sentido de enfrentar
os descumprimentos das condicionalidades a outras que análise dos direitos é
percebido de outra forma, diferenciando-se. Nesta última, os usuários são
estimulados a frequentar e permanecer no grupo.
Sendo assim, as condicionalidades são enxergadas de formas diferenciadas
por alguns profissionais e pelos usuários. Percebe-se que os usuários que
visualizam as condicionalidades como um direito ao acesso de qualidades às
diferentes políticas, desse modo, a participação nos grupos para efetivação e
construção de direitos torna as pessoas mais estimuladas a buscarem informações e
em acreditarem em condições melhores para sua vida.
Importante mencionar, a partir das observações e conversas realizadas,
tanto com os usuários quanto com os profissionais, que todos valorizam o programa,
mas enfatizam que a rigidez inflexível das condicionalidades excluem muitas famílias
do Programa Bolsa Família, assim permanecendo em condições econômicas mais
precárias.
79

É notória a importância do PBF para as famílias beneficiárias, muitas têm o


benefício como única forma de sobrevivência em termos de renda. Sendo assim,
pontua-se ser preciso uma articulação mais coerente entre as políticas de saúde,
educação e assistência, assim como a maneira que os profissionais enxergam e
enfatiza para os usuários.
80

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84

APENDICE
85

APENDICE A

ROTEIRO PARA COLETA DE DADOS

Identificação do (a) profissional:


Nome: _____________________________________________________________
Formação: __________________________________________________________
Vínculo empregatício:

Tempo de trabalho na instituição:

01 – Relate ou anexe o histórico da instituição.

02 – Quais as principais demandas que chegam ao CRAS?

03 – Qual o perfil do usuário do Programa Bolsa Família?

04 – Como acontece o acolhimento, atendimento e o grupo do Programa Bolsa


Família.

05 – Quais as estratégias e planejamento para os usuários supracitado?

06 – Como o Serviço Social executa as ações para PBF?

07 – Quais os motivos e como acontece as buscas ativas no PBF?

08 – Faça uma análise sobre a burocratização, clientelismo e outros pontos


referentes ao PBF se existem ou não.

09 – Qual o papel das condicionalidades do PBF para os usuários, profissão e


instituição?

10 – Como você visualiza a atuação do Serviço Social frente ao PBF.


86

APENDICE B

ROTEIRO PARA COLETA DE DADOS

Identificação do (a) profissional:


Nome: _____________________________________________________________
Formação: __________________________________________________________
Vínculo empregatício:

Tempo de trabalho na instituição:


1. Como acontece a atuação dos profissionais assistentes sociais diante das
condicionalidades do Programa Bolsa Família?

2. Como você visualiza objetivos institucionais e os objetivos profissionais na


atuação dos BPF?

3. Descreva a sua compreensão em relação a mediação de atendimento


particularizada com as demandas espontâneas, os grupos e as buscas ativas
no acompanhamento das famílias em entrada do programa, assim como as
que estão em descumprimento com as condicionalidades?

4. De que forma acontece a defesa do acesso à renda como direito?

5. Em sua percepção até que ponto o PBF efetiva direitos?

6. Como você visualiza os critérios e seleção do programa?

7. De que forma acontece a execução da política pública de assistência social


no município de Nova Cruz?

8. Como você avalia as suas condições de trabalho e como se dá a sua relação


com os (as) usuários (as)?

9. Quais são os programas e projetos desenvolvidos pelo Serviço Social na


instituição? Como você os avalia? Faça destaque ao Programa Bolsa Família.
87

10. Do ponto de vista da instrumentalidade profissional, você percebe em seu


exercício a defesa e a materialização do Projeto Ético-Político profissional?
De que forma? Há limites, desafios?

11. Quais os principais instrumentais técnico-operativos utilizados pelos


profissionais de Serviço Social na instituição?
88

APENDICE C

ROTEIRO PARA COLETA DE DADOS

Identificação do (a) profissional:


Nome: _____________________________________________________________
Formação: __________________________________________________________

Vínculo empregatício:

01 – O que você acha do serviço do CRAS/

02 – O que você acha do grupo, gosta de frequentar?

03 – Você conhece as condicionalidades do PBF?


89

ANEXO
90

ANEXO I

LEI No10.836, DE 9 DE JANEIRO DE 2004

Cria o Programa Bolsa Família e dá outras providências.

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, Faço saber que o Congresso Nacional decreta e


eu sanciono a seguinte Lei:

Art. 1o Fica criado, no âmbito da Presidência da República, o Programa Bolsa


Família, destinado às ações de transferência de renda com condicionalidades.

Parágrafo único. O Programa de que trata o caput tem por finalidade a unificação
dos procedimentos de gestão e execução das ações de transferência de renda do
Governo Federal, especialmente as do Programa Nacional de Renda Mínima
vinculado à Educação - Bolsa Escola, instituído pela Lei n o 10.219, de 11 de abril
de 2001, do Programa Nacional de Acesso à Alimentação - PNAA, criado pela Lei n
o 10.689, de 13 de junho de 2003, do Programa Nacional de Renda Mínima
vinculada à Saúde - Bolsa Alimentação, instituído pela Medida Provisória n o 2.206-
1, de 6 de setembro de 2001, do Programa Auxílio-Gás, instituído pelo Decreto n o
4.102, de 24 de janeiro de 2002, e do Cadastramento Único do Governo Federal,
instituído pelo Decreto n o 3.877, de 24 de julho de 2001.

Art. 2o Constituem benefícios financeiros do Programa, observado o disposto em


regulamento:

I - O benefício básico, destinado a unidades familiares que se encontrem


em situação de extrema pobreza;

II - O benefício variável, destinado a unidades familiares que se encontrem


em situação de pobreza e extrema pobreza e que tenham em sua
composição gestantes, nutrizes, crianças entre 0 (zero) e 12 (doze) anos ou
adolescentes até 15 (quinze) anos.

§ 1o Para fins do disposto nesta Lei, considera-se:


91

I - família, a unidade nuclear, eventualmente ampliada por outros indivíduos


que com ela possuam laços de parentesco ou de afinidade, que forme um
grupo doméstico, vivendo sob o mesmo teto e que se mantém pela
contribuição de seus membros;

II - nutriz, a mãe que esteja amamentando seu filho com até 6 (seis) meses
de idade para o qual o leite materno seja o principal alimento;

III - renda familiar mensal, a soma dos rendimentos brutos auferidos


mensalmente pela totalidade dos membros da família, excluindo-se os
rendimentos concedidos por programas oficiais de transferência de renda,
nos termos do regulamento.

§ 2o O valor do benefício mensal a que se refere o inciso I do caput será de R$ 50,00


(cinqüenta reais) e será concedido a famílias com renda per capita de até R$ 50,00
(cinqüenta reais).

§ 3o O valor do benefício mensal a que se refere o inciso II do caput será de R$


15,00 (quinze reais) por beneficiário, até o limite de R$ 45,00 (quarenta e cinco
reais) por família beneficiada e será concedido a famílias com renda per capita de
até R$ 100,00 (cem reais).

§ 4o A família beneficiária da transferência a que se refere o inciso I do caput poderá


receber, cumulativamente, o benefício a que se refere o inciso II do caput,
observado o limite estabelecido no § 3o.

§ 5o A família cuja renda per capita mensal seja superior a R$ 50,00 (cinqüenta
reais), até o limite de R$ 100,00 (cem reais), receberá exclusivamente o benefício a
que se refere o inciso II do caput, de acordo com sua composição, até o limite
estabelecido no § 3o.

§ 6o Os valores dos benefícios e os valores referenciais para caracterização de


situação de pobreza ou extrema pobreza de que tratam os §§ 2 o e 3o poderão ser
majorados pelo Poder Executivo, em razão da dinâmica socioeconômica do País e
de estudos técnicos sobre o tema, atendido o disposto no parágrafo único do art. 6º.
92

§ 7o Os atuais beneficiários dos programas a que se refere o parágrafo único do art.


1º, à medida que passarem a receber os benefícios do Programa Bolsa Família,
deixarão de receber os benefícios daqueles programas.

§ 8o Considera-se benefício variável de caráter extraordinário a parcela do valor dos


benefícios em manutenção das famílias beneficiárias dos Programas Bolsa Escola,
Bolsa Alimentação, PNAA e Auxílio-Gás que, na data de ingresso dessas famílias no
Programa Bolsa Família, exceda o limite máximo fixado neste artigo.

§ 9o O benefício a que se refere o § 8o será mantido até a cessação das condições


de elegibilidade de cada um dos beneficiários que lhe deram origem.

§ 10. O Conselho Gestor Interministerial do Programa Bolsa Família poderá


excepcionalizar o cumprimento dos critérios de que trata o § 2 o, nos casos de
calamidade pública ou de situação de emergência reconhecidos pelo Governo
Federal, para fins de concessão do benefício básico em caráter temporário,
respeitados os limites orçamentários e financeiros.

§ 11. Os benefícios a que se referem os incisos I e II do caput serão pagos,


mensalmente, por meio de cartão magnético bancário, fornecido pela Caixa
Econômica Federal, com a respectiva identificação do responsável mediante o
Número de Identificação Social - NIS, de uso do Governo Federal.

§ 12. Os benefícios poderão, também, ser pagos por meio de contas especiais de
depósito a vista, nos termos de resoluções adotadas pelo Banco Central do Brasil.

§ 13. No caso de créditos de benefícios disponibilizados indevidamente ou com


prescrição do prazo de movimentação definido em regulamento, os créditos
reverterão automaticamente ao Programa Bolsa Família.

§ 14. O pagamento dos benefícios previstos nesta Lei será feito preferencialmente à
mulher, na forma do regulamento.

Art. 3o A concessão dos benefícios dependerá do cumprimento, no que couber, de


condicionalidades relativas ao exame pré-natal, ao acompanhamento nutricional, ao
acompanhamento de saúde, à freqüência escolar de 85% (oitenta e cinco por cento)
93

em estabelecimento de ensino regular, sem prejuízo de outras previstas em


regulamento.

Art. 4o Fica criado, como órgão de assessoramento imediato do Presidente da


República, o Conselho Gestor Interministerial do Programa Bolsa Família, com a
finalidade de formular e integrar políticas públicas, definir diretrizes, normas e
procedimentos sobre o desenvolvimento e implementação do Programa Bolsa
Família, bem como apoiar iniciativas para instituição de políticas públicas sociais
visando promover a emancipação das famílias beneficiadas pelo Programa nas
esferas federal, estadual, do Distrito Federal e municipal, tendo as competências,
composição e funcionamento estabelecidos em ato do Poder Executivo.

Art. 5o O Conselho Gestor Interministerial do Programa Bolsa Família contará com


uma Secretaria-Executiva, com a finalidade de coordenar, supervisionar, controlar e
avaliar a operacionalização do Programa, compreendendo o cadastramento único, a
supervisão do cumprimento das condicionalidades, o estabelecimento de sistema de
monitoramento, avaliação, gestão orçamentária e financeira, a definição das formas
de participação e controle social e a interlocução com as respectivas instâncias, bem
como a articulação entre o Programa e as políticas públicas sociais de iniciativa dos
governos federal, estadual, do Distrito Federal e municipal.

Art. 6o As despesas do Programa Bolsa Família correrão à conta das dotações


alocadas nos programas federais de transferência de renda e no Cadastramento
Único a que se refere o parágrafo único do art. 1º, bem como de outras dotações do
Orçamento da Seguridade Social da União que vierem a ser consignadas ao
Programa.

Parágrafo único. O Poder Executivo deverá compatibilizar a quantidade de


beneficiários do Programa Bolsa Família com as dotações orçamentárias existentes.

Art. 7o Compete à Secretaria-Executiva do Programa Bolsa Família promover os


atos administrativos e de gestão necessários à execução orçamentária e financeira
dos recursos originalmente destinados aos programas federais de transferência de
renda e ao Cadastramento Único mencionados no parágrafo único do art. 1º.
94

§ 1o Excepcionalmente, no exercício de 2003, os atos administrativos e de gestão


necessários à execução orçamentária e financeira, em caráter obrigatório, para
pagamento dos benefícios e dos serviços prestados pelo agente operador e, em
caráter facultativo, para o gerenciamento do Programa Bolsa Família, serão
realizados pelos Ministérios da Educação, da Saúde, de Minas e Energia e pelo
Gabinete do Ministro Extraordinário de Segurança Alimentar e Combate à Fome,
observada orientação emanada da Secretaria-Executiva do Programa Bolsa Família
quanto aos beneficiários e respectivos benefícios.

§ 2o No exercício de 2003, as despesas relacionadas à execução dos Programas


Bolsa Escola, Bolsa Alimentação, PNAA e Auxílio-Gás continuarão a ser executadas
orçamentária e financeiramente pelos respectivos Ministérios e órgãos responsáveis.

§ 3o No exercício de 2004, as dotações relativas aos programas federais de


transferência de renda e ao Cadastramento Único, referidos no parágrafo único do
art. 1º, serão descentralizadas para o órgão responsável pela execução do
Programa Bolsa Família.

Art. 8o A execução e a gestão do Programa Bolsa Família são públicas e


governamentais e dar-se-ão de forma descentralizada, por meio da conjugação de
esforços entre os entes federados, observada a intersetorialidade, a participação
comunitária e o controle social.

Art. 9o O controle e a participação social do Programa Bolsa Família serão


realizados, em âmbito local, por um conselho ou por um comitê instalado pelo Poder
Público municipal, na forma do regulamento.

Parágrafo único. A função dos membros do comitê ou do conselho a que se refere


o caput é considerada serviço público relevante e não será de nenhuma forma
remunerada.

Art. 10. O art. 5º da Lei n o 10.689, de 13 de junho de 2003, passa a vigorar com a
seguinte alteração:

“As despesas com o Programa Nacional de Acesso à Alimentação correrão à


conta das dotações orçamentárias consignadas na Lei Orçamentária Anual, inclusive
95

oriundas do Fundo de Combate e Erradicação da Pobreza, instituído pelo art. 79 do


Ato das Disposições Constitucionais Transitórias." (NR)

Art. 11. Ficam vedadas as concessões de novos benefícios no âmbito de cada um


dos programas a que se refere o parágrafo único do art. 1º.

Art. 12. Fica atribuída à Caixa Econômica Federal a função de Agente Operador do
Programa Bolsa Família, mediante remuneração e condições a serem pactuadas
com o Governo Federal, obedecidas as formalidades legais.

Art. 13. Será de acesso público a relação dos beneficiários e dos respectivos
benefícios do Programa a que se refere o caput do art. 1º.

Parágrafo único. A relação a que se refere o caput terá divulgação em meios


eletrônicos de acesso público e em outros meios previstos em regulamento.

Art. 14. A autoridade responsável pela organização e manutenção do cadastro


referido no art. 1º que inserir ou fizer inserir dados ou informações falsas ou diversas
das que deveriam ser inscritas, com o fim de alterar a verdade sobre o fato, ou
contribuir para a entrega do benefício a pessoa diversa do beneficiário final, será
responsabilizada civil, penal e administrativamente.

§ 1o Sem prejuízo da sanção penal, o beneficiário que dolosamente utilizar o


benefício será obrigado a efetuar o cimento da importância recebida, em prazo a ser
estabelecido pelo Poder Executivo, acrescida de juros equivalentes à taxa
referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, e de 1% (um por
cento) ao mês, calculados a partir da data do recebimento.

§ 2o Ao servidor público ou agente de entidade conveniada ou contratada que


concorra para a conduta ilícita prevista neste artigo aplica-se, nas condições a
serem estabelecidas em regulamento e sem prejuízo das sanções penais e
administrativas cabíveis, multa nunca inferior ao dobro dos rendimentos ilegalmente
pagos, atualizada, anualmente, até seu pagamento, pela variação acumulada do
Índice de Preços ao Consumidor Amplo - IPCA, divulgado pela Fundação Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística.
96

Art. 15. Fica criado no Conselho Gestor Interministerial do Programa Bolsa Família
um cargo, código DAS 101.6, de Secretário-Executivo do Programa Bolsa Família.

Art. 16. Na gestão do Programa Bolsa Família, aplicar-se-á, no que couber, a


legislação mencionada no parágrafo único do art. 1º, observadas as diretrizes do
Programa.

Art. 17. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

Brasília, 9 de janeiro de 2004; 183 o da Independência e 116º da República.

LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA


José Dirceu de Oliveira e Silva

Publicado no D.O.U. de 12.1.2003