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Programa: Letras e Textos em Ação

Coordenação: Tereza Virgínia Ribeiro Barbosa

Projeto Skené Trágica: entre a medida e o excesso


Coordenação: Marcos Antônio Alexandre

Aula-cênica: Nau de Dioniso


Concepção: Luiz Humberto Garcia
Atuação: Gil Esper
Direção: Marcos Alexandre
Máscara e adereços: Daniel Mendes
Apoio: CENEX-FALE-UMFG

NAU DE DIONÍSIO

Oi, meu nome é Luiz Humberto e eu sou ator. Ator de teatro.


Essa é a essência e a origem do teatro: um ator, um ser humano que se coloca frente a
outros seres humanos para dizer alguma coisa, para dialogar.

O ator também pode ser chamado de intérprete, de comediante, de cômico, de farsante, de


histrião e de bufão dentre outros. Entretanto, nenhuma designação é mais antiga que
Hipócrites. Era assim que o ator era chamado na Grécia Antiga.
Hipócrites em grego quer dizer aquele que representa todos os papéis. Hoje hipócrita, no
nosso dicionário, quer dizer falso e fingidor. Será o ator um fingidor? Para mim, não. Para
mim o ator é o mais verdadeiro espelho da humanidade.
Através do teatro, através do trabalho do ator, o ser humano se vê em ação, se vê em
situação, descobrindo o que é, o que não é, e o que pode vir a ser.
Teatro é auto-conhecimento!
O teatro é tão antigo quanto a humanidade. Foi nos cerimoniais religiosos que o teatro deu
seus primeiros passos, em danças e cantos em homenagem a deuses primitivos ligados às
forças da natureza.
O teatro ocidental, nasceu na Grécia antiga, mais ou menos em 600 anos a.C. no culto a um
deus chamado Dionísio. Um deus da mitologia grega.
Vocês devem estar se perguntando que papo é esse de Grécia antiga? Que papo é esse de
mitologia grega? O que que isso tem a ver comigo? Pois tem. A Grécia não é chamada de o
berço da cultura ocidental a toa. Muito do que somos hoje, do que pensamos, do que
sentimos, do que fazemos, do que falamos, tem como fonte de origem a Grécia.
Aristóteles, Platão, Sócrates, esse povo todo, gente, escreveu tudo que você puder imaginar
em relação ao ser humano.

Eu vou falar uma coisa pra vocês: minha vida está um caos... me deram um cavalo de tróia
que pegou bem no meu calcanhar de Aquiles!!!!!
Alguém entendeu alguma coisa? Você pode me dizer o quê que eu quis falar?
Dirigindo-se a um estudante e aguardando a resposta.
Faz parte do nosso dia-a-dia, o uso de expressões de origem grega ou mitológica, e a gente
nem se dá conta.

Muito bem, mas vamos voltar ao teatro e ao deus do teatro: Dionísio.


Alguém já ouviu falar desse deus da mitologia grega? Alguém sabe me dizer alguma coisa
sobre Dionísio?
Ouve as respostas e as comenta.

Vamos começar então pelo mito: Zeus, deus dos deuses, apaixonou por uma simples mortal,
Sêmele, uma princesa tebana. Hera, a vingativa esposa de Zeus, ao saber disso resolve
eliminar Sêmele. Hera se transforma na ama de Sêmele e lhe aconselha que peça a Zeus
para que ele se mostre em todo o seu esplendor. Zeus a advertiu que esse pedido lhe seria
funesto, mas para não contrariar Sêmele, apresentou-se a ela com seus raios e trovões.
Sêmele morreu carbonizada diante da esplendorosa aparição de seu amante. Zeus tirou de
dentro de Sêmele Dionísio inacabado e terminou de gerá-lo dentro de sua coxa. Quando
Dionísio nasceu foi enviado para o monte Nisa para que ficasse longe da ciumenta Hera.
Neste monte, Dionísio viveu feliz ao lado das Ninfas e dos Sátiros (metade homens, metade
bodes). Lá Dionísio colhia maduros cachos de uva, espremia-lhes o suco e bebia em
companhia de sua corte. Foi Dionísio, segundo o mito, que inventou o vinho e bebendo-o,
repetida vezes, os Sátiros, as Ninfas e Dionísio dançavam embriagados até cair
desfalecidos.
Esta é uma das versões do mito de Dionísio. Existem outras, mas, certamente, esta é a mais
popular entre nós.
Dionísio, também chamado de Zagreu, Brômio e Iaco, foi chamado, posteriormente, pelos
romanos de Baco.

Historicamente, celebrava-se na Grécia a festa do vinho novo, onde as pessoas bebiam


vinho até cair, cantavam e dançavam em homenagem a Dionísio, deus do vinho, do
crescimento, da procriação e da vida exuberante.
Na ocasião destas festas, o povo grego organizava coros que apresentavam os ditirambos.
Ditirambos eram jograis encenados por homens com máscara de bode, em homenagem ao
deus Dionísio, que era muito popular e querido nas zonas rurais.
Isto se desenvolveu, transformando-se nas grandes festas dionisíacas que passaram a
acontecer também na cidade de Atenas, na encosta de uma colina, num templo erguido em
homenagem ao deus. Lá, a imagem de Dionísio era colocada no centro de uma arena
circular que tinha um edifício de pedra atrás. O povo se reunia no grande círculo para
assistir ao coro dos homens-bode com sua dança e seus cantos ritmados, que também tinha
uma parte narrativa. Este templo foi chamado de teatron.

Em 534 a.C, Téspis, um diretor de coros, teve uma nova e criativa idéia que faria história.
Ele se colocou à parte do coro como solista, como respondedor do coro, criando assim a
função do hipócrites, nascia a profissão do ator.

Muito bem, quero pedir a vocês que me ajudem a recriar aqui o teatron grego.
Primeiro, preciso de alguém que possa tocar esse tambor. Alguém se habilita? O ritmo é
esse...
Mostra o ritmo, o voluntário repete. Entra também o som de uma flauta gravada e, nesse
momento, Luiz traz um estandarte com a imagem do deus grego pintado.

Esta imagem de Dionísio foi muito divulgada na Grécia antiga, tendo sido pintada por
vários artistas. Trata-se de um milagre atribuído a ele, que quando preso em uma
embarcação transforma toda a tripulação em golfinhos e do mastro da nau, nascem vinhas
com esplendorosos cachos. Ao seu lado estão dois Sátiros: os homens bode.

Muito bem, agora que entronizamos Dionísio, o deus do teatro, gostaria de formar aqui com
vocês um coro. É simples preciso de algumas pessoas que se disponham a dizer alguns
versos que estão escritos neste papel, e também de um hipócrites de um solista para
dialogar com o coro. Tem algum ator aqui na escola? Alguém que tenha voz firme e seja
comunicativo? Sempre tem!

Organiza os alunos e distribui os textos. O “Ditirambo é apresentado” (se não houver


candidatos a solista o próprio Luiz o fará).

Foi assim que nasceu o teatro, foi assim que os jograis ditirambos se tornaram encenação
trágica: primeiro uma pessoa se colocou na frente do coro, virando solista, e depois outros.
Eles eram os atores, os hipócrites que faziam os personagens principais dialogando entre si
e com o coro.
O coro era composto por pessoas que tinham características que variavam de acordo com a
tragédia apresentada. Deixaram de ser os homens com máscara de bode. Na tragédia
Prometeu Acorrentado, por exemplo, o coro é composto pelas Ninfas do Oceano, e em
Antígone por anciões da cidade de Tebas. O coro é um grupo de pessoas, que participa de
maneira significativa da encenação dizendo não só versos em uníssono, mas em certos
casos sua atuação era também coloquial e interativa, representando muitas vezes a voz do
consenso popular.
A tragédia grega era um sucesso absoluto. Pessoas de todas as classes sociais se
acomodavam em arquibancadas de pedras, para assistir aos espetáculos teatrais.
O teatro grego, o templo de Dionísio, tinha uma acústica perfeita. O ator faz uso de
máscaras e de coturnos com solados muito altos para aumentar sua imagem, que era vista
por até 20.000 pessoas.
A máscara possibilita também que um só ator faça vários papéis, tanto os femininos quanto
os masculinos, nessa época no teatro grego só os homens atuavam, mas existiram
dramaturgos que valorizavam muito a figura feminina em suas tragédias. Eurípides um dos
grandes poetas trágicos é considerado o primeiro feminista da história da humanidade.

A participação do ator torna-se menos recitativa e mais dinâmica. Os temas trabalhados no


início eram todos ligados a Dionísio, mas depois foram incluídos temas tirados da
mitologia, de contos ancestrais e de histórias de heróis locais.

Passou a existir concursos que premiavam a cada ano um dramaturgo por três tragédias e
por um drama satírico ou comédia, estes concursos mobilizavam toda a cidade, as
apresentações começavam bem cedo e geralmente terminavam no final da tarde.

Foram três os grandes poetas trágicos da Grécia antiga: Ésquilo, Sófocles e Eurípedes.
Chegou até os dias de hoje apenas parte da obra deles, que tiveram uma produção muito
intensa com estilos diferentes estes poetas são os responsáveis pela transformação dos
primitivos ditirambos em belas e complexas obras de arte, que são encenadas até hoje no
mundo todo, que serviram e, ainda servem, de referência e de estudo, para que conheçamos
melhor o espírito humano.

Alguém já ouviu falar do Complexo de Édipo? Pois é Freud, teve a tragédia grega Édipo
Rei, como uma referência para tratar deste assunto
.
Nós escolhemos para apresentar para vocês um trecho da tragédia Antígone de Sófocles.
Em Antígone é tratado o conflito entre as pretensões do Estado e da consciência individual.
A oposição entre o amor fraternal e o ódio.
A tragédia trata do mito de dois irmãos, que após a ausência do pai, lutam até a morte pela
posse do trono que ficou vazio. Eles são filhos do rei Édipo e irmãos de Antígone a heroína
desta tragédia.
Creonte então se impondo com tirânico rei de Tebas, presta honras fúnebres a um dos
irmãos, e proíbe sob pena de morte que o outro seja enterrado. Para Creonte um deles seria
um inimigo de Tebas e o outro um herói.
Antígone resolve contrariar o decreto do rei e enterra o irmão que estava jogado para ser
comido pelos bichos.Toda a tragédia resulta deste rasgo de bravura da jovem Antígone a
quem Creonte condena à morte.
O filho de Creonte apaixonado por Antígone se suicida após a morte de sua amada, e a mãe
do jovem, a esposa de Creonte, também morre de desgosto pela perda do filho.

É apresentado o trecho de Antígone, onde Luiz apresenta um diálogo entre Antígone e


Creonte, fazendo os dois personagens, para isto usa uma máscara para Antígone. No
final é aberto espaço para debate.

Creonte: (Ó) Tu, que manténs os olhos fixos no chão, confessas, ou negas, ter feito o que
disseram que fizeste?
Antígona: Confesso o que fiz! Confesso-o claramente!
Creonte: Fala, fala sem demora! Sabias que, por uma proclamação, eu havia proibido o
que fizeste?
Antígona: Sim, eu sabia! Por acaso poderia ignorar, se era uma coisa pública?
Creonte: E apesar disto, tiveste a audácia de desobedecer a essa determinação?
Antígona: Sim, porque não foi Zeus que a promulgou; e a Justiça, deusa que habita com as
divindades subterrâneas, jamais estabeleceu tal decreto entre os humanos; nem eu creio que
tu édito tinha força bastante para conferir a um mortal o poder de infringir as leis divinas,
que nunca foram escritas, mas são irrevogáveis; não existem a partir de ontem, ou de hoje,
são eternas e ninguém sabe desde quando vigoram. Tais decretos, eu, que não temo o poder
de homem algum, posso violar sem que por isso me venham a punir os deuses!
Que vou morrer, eu bem sei é inevitável e morreria mesmo sem a tua proclamação. E se eu
morrer antes do tempo, isso será para mim, uma vantagem devo dizê-lo! Quem vive como
eu, no meio de tão lutuosas desgraças o que pode perder com a morte? Assim a sorte que
me reservas é um mal que não se deve levar em conta, muito mais grave teria sido admitir
que o filho de minha mãe jazesse sem sepultura, tudo o mais me é indiferente. Se te parece
que cometi um ato de demência, talvez mais louco seja quem me acusa de loucura!
Creonte: Fica-o sabendo: os espíritos mais rígidos são, precisamente aqueles que se
deixam abater! O ferro, tão duro, é quando aquecido, o metal que mais se pode vergar e
romper... Tenho visto cavalos fogosos que um simples freio subjuga... Não convém, exibir
um caráter altivo, quando se está à mercê de outro. Esta criatura desobedeceu as leis em
vigor e para agravar se vangloreia do ato que praticou. Eu não seria mais um homem, e ela
é que me substituiria, se esta atitude ficasse impune. Mesmo sendo ela filha de minha irmã
não escapará a sorte mais funesta... Detesto aquele que culpado de um crime, procura dar a
este um nome glorioso!
Antígona: Visto que já me tens presa, que mais queres tu, além de minha morte?
Creonte: Nada mais, com isso já me darei por satisfeito.
Antígona: Por que demoras então? Em tuas palavras tudo me causa horror, e assim será
sempre! Também todos os meus atos te serão odiosos! Que mais glória posso eu pretender,
do que a de repousar no túmulo de meu irmão? Todos confessariam que aprovam o que fiz
se o temor não lhes tolhesse a língua! Mas um dos privilégios da tirania consiste em dizer e
fazer o que quiser.
Creonte: Em Tebas só tu assim consideras as coisas.
Antígona: Todos pensam como eu... mas para te agradar silenciam.
Creonte: E tu não te envergonhas de emitir esta opinião?
Antígona: Não vejo porque me envergonha em ter prestado honras fúnebres a alguém que
nasceu do mesmo ventre materno.
Creonte: E por acaso não era teu irmão, também, o outro que morreu?
Antígona: Sim era filho do mesmo pai, Édipo, e da mesma mãe, Jocasta!
Creonte: E então porque presta a um essa homenagem, que representa uma impiedade para
com o outro?
Antígona: Asseguro-te que esse outro, que morreu, não faria tal acusação!
Creonte: Faria sim, honraste, com tua ação aquele que se tornou criminoso, um defendia o
país que o outro devastava.
Antígona: Seja como for, Hades exige que a ambos se apliquem os mesmos ritos!
Creonte: Não é justo dar ao criminoso, tratamento igual ao do homem de bem.
Antígona: Quem nos garante que esse preceito seja consagrado na mansão dos mortos?
Creonte: Ah nunca! Nunca um inimigo me será querido, mesmo após sua morte.
Antígona: Eu não nasci para partilhar de ódios, mas somente de amor!
Creonte: Desce pois à sepultura! Visto que queres amar, ama os que lá encontrares.
Enquanto eu vivo for nenhuma mulher me dominará.

***