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A ÉTICA NO TEATRO

Uma conduta ética deveria fazer parte do cotidiano, e não somente nas aulas de teatro
Última publicação: 06/09/2011

Muita gente confunde a ética com a moral. São coisas diferentes. E, para compreender melhor o que elas significam, é
fundamental saber a diferença entre ambas. No dicionário, ética é a parte da Filosofia que estuda os valores morais e os princípios
ideais da conduta humana. Já a moral é a regulação dos valores e comportamentos considerados legítimos por uma sociedade
em determinada época - é um fenômeno social.

Para o professor Luis Carlos Ludovikus Moreira de Carvalho, falar sobre ética é ter em mente todo um elenco de fatos e
acontecimentos humanos. "Os eventos e fenômenos humanos estão sujeitos às interpretações das mais distintas e diferenciadas
quanto às visões sócio-econômica-política e cultural". Ou seja, depende do tempo, lugar, espaço, acesso, dentre outras visões, a
definição de um senso em comum, como diria um amigo, do combinado.

Uso como exemplo o desabafo de Alexandre Pontara, colega com o qual revezo o espaço do Guia da Semana no canal Artes e
Teatro. Seu artigo veio a calhar com o tema proposto, e um trecho do seu texto me chamou a atenção. Ele diz: "Não confie suas
ideias a pessoas muito próximas: você sempre poderá se surpreender com elas". A experiência de Pontara denuncia a falta de
bom senso até entre amigos: uma postura não só dos profissionais de teatro, mas um comportamento do ser humano.

Tio Stan, como é chamado Stanislaviski carinhosamente na nossa escola, fala sobre a conduta do ator e seu comportamento
dentro e fora do palco, no livro A preparação do ator. Ele considera fundamental a ética no teatro e aconselha que o ator deve
separar os bacilos bons e ruins existentes no teatro, além de deixar a vaidade e o comportamento inadequado fora de sua vida,
pois, se o teatro não transformá-lo numa pessoa melhor, deve fugir dele.

Propus falar de ética no teatro porque o tema da Mostra Macunaíma de Teatro neste semestre é: "Ser Ético". A Mostra é realizada
a cada seis meses, dando oportunidade aos alunos, professores e profissionais de vivenciar a prática teatral, e as leituras
dramáticas dos textos escolhidos são voltados ao tema proposto.

Acredito ser um tema importante para os alunos refletirem sobre o assunto, pois temos experiências em turmas onde não havia
condutas éticas, como, por exemplo, faltar aos ensaios e deixar o grupo desfalcado. Isso é algo gravíssimo, porque, no teatro, um
trabalha por todos e todos trabalham por um, mas nem todos se dispõem a tal disponibilidade e disciplina.

Neste semestre, o professor Luccas de Lucca propôs um código de ética pré-estabelecido para que haja comprometimento dos
integrantes, porque o ator sofre a pressão do tempo, diferentemente do escritor, compositor, pintor ou escultor, que podem
trabalhar no local e hora que acharem mais convenientes. Já o ator deve estar pronto para produzir em uma determinada hora. De
acordo com Stanislavski, o ator precisa de ordem, disciplina e um código de ética, não só para as circunstâncias gerais do seu
trabalho como, também - e principalmente -, para os seus objetivos artísticos e criadores.

Parece papo de autoajuda, mas não é. Estou falando de perder um pouquinho mais de tempo com o espelho interior e deixar nos
bastidores a mesquinharia para dar espaço à criatividade, apoiar os colegas e treinar em casa. No teatro, existem muitas
armadilhas e tentações.