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Deixa ser

Filipa Maia

~
Reflexoes
para uma vida
mais feliz e realizada
-1-
Ola´ !
O propósito deste pequeno ebook é começar a abrir luz sobre al-
guns tópicos que considero importantes, para te ajudar a refletir
um pouco e a perceber como podes ter uma vida um pouco mais
feliz e realizada. Há também alguns exercícios ao longo do ebook
para que tentes aplicar alguns dos conceitos a ti próprio.

´
Indice
1 - Introdução...................................................................................................3
2 - Auto-conhecimento..................................................................................7
3 - Identidade................................................................................................27
4 - Coragem...................................................................................................34
5 - Conclusão................................................................................................37

-2-
~
Introducao
´

O porquê deste ebook e um


pouco sobre mim

Mas vamos por partes. Caso ainda não sigas o Deixa ser e não saibas quem eu sou, deixa-me
começar por contar um bocadinho da minha história.

Corria o ano de 2015 quando escrevi as minhas primeiras palavras de ficção. Tinha, na al-
tura, 30 anos e trabalhava como cientista. Nos dois meses seguintes, escrevi muito e adorei
ter um escape do meu mundo de números e ciências sempre que chegava a casa ao final do
dia. Mas passado pouco tempo, a vida ficou mais atarefada, deixei de ter tempo para escre-
ver e acabaram por passar-se alguns meses sem escrever uma única palavra. Mas já tinha
descoberto uma nova paixão e a escrita estava sempre lá, no fundo da minha mente. Entre-
tanto, tinha começado a seguir muitos sites e blogs sobre escrita e nunca deixei de ler os
artigos que chegavam até mim, e fui aprendendo muito sobre estruturas narrativas, pontos

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1 - INTRODUÇÃO

de viragem, climax, arcos, caracterização de personagens, enredos, edição e revisão, entre


muitas outras coisas. Sabia que ainda ia voltar a escrever.

Cerca de meio ano mais tarde, no verão de 2016, decidi que tinha chegado a altura de voltar
e comecei a estruturar uma nova história. Pensei em como a história decorreria, onde teria
lugar, desenvolvi personagens, mas, quando chegou a altura de começar a escrever, a car-
ga no trabalho voltou a aumentar, eu andava muito cansada e voltei a adiar a coisa. Até que
chegámos a outubro desse ano e eu comecei a sentir-me em baixo. Sentia que algo faltava.

Um dia, decidi colocar o despertador uma hora mais cedo do que o habitual para começar
a escrever a minha nova história. Soube-me bem e fiz o mesmo durante dois ou três dias
seguidos. O meu ânimo começou a elevar-se de imediato e bastaram mais alguns dias para
perceber que nunca mais queria deixar de escrever. Decidi criar uma rotina de escrita, e
todos os dias de manhã bem cedo, lá estava eu em frente ao portátil, a acrescentar mais
umas linhas ao meu manuscrito. Nesse mês, criei também o Deixa ser e nunca mais parei de
escrever.

Hoje, já não trabalho como cientista. Não, não sou escritora a tempo inteiro nem sequer é
isso que ambiciono. O que aconteceu foi que o facto de ter percebido que afinal adoro fa-
zer uma coisa que nunca tinha pensado fazer abriu muitas outras possibilidades dentro da
minha cabeça. De repente, eu, que pensava ter nascido para os números e para as ciências,
percebi que havia muitas mais possibilidades - na verdade, infinitas possibilidades -, e que
poderia fazer o que eu quisesse com a minha vida.

Foi assim que comecei a questionar tudo. Comecei a repensar se realmente tinha a vida que
mais queria. Repara bem: eu era feliz. Sempre fui uma pessoa com uma tendência natural
para me sentir feliz, adorava o meu trabalho e as pessoas com quem trabalhava, tinha pers-
petivas de progressão na carreira, por isso considero que já era muito feliz no meu trabalho.

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1 - INTRODUÇÃO

No entanto, percebi que era ainda mais feliz agora que escrevia. Percebi também que escre-
ver e ter os meus projetos pessoais - como o meu blog - me faziam tão feliz que precisava
de mais tempo e flexibilidade para lhes dar atenção. E o meu trabalho não me permitia isso.
Para além disso, havia outra coisa que sempre me fizera bastante confusão: ter apenas qua-
tro semanas de férias por ano para viajar. Porque eu quero ver muito deste mundo e quatro
semanas por ano não me parecem mesmo suficientes!

Foi então que somei dois mais dois: se há infinitas possibilidades para aquilo que posso faz-
er com a minha vida e se o que preciso é de mais flexibilidade de horários e de localização,
então poderia escolher uma profissão que me permitisse essa flexibilidade. Como gosto de
muitas coisas, tinha a certeza que haveria pelo menos uma possibilidade que iria satisfazer
tanto os meus gostos como essa necessidade.

É assim que me encontro, neste momento, num processo de transição de carreira: depois de
ter estudado muito por mim própria e online, acabei por me demitir para fazer alguns cursos
na área do meu interesse, para começar uma nova profissão (na qual já estou a fazer um es-
tágio) e para viver um estilo de vida muito mais próximo do meu ideal. Claro que aproveitei
para que a escrita fizesse parte do meu novo trabalho, e é assim que estou agora a trabalhar
na área do marketing digital, com um foco principal nos conteúdos escritos - o que também
tem a vantagem de ainda me permitir conjugar a minha paixão pelo mundo digital e pelos
conteúdos online.

Apesar de ter sido muito feliz no meu trabalho enquanto cientista, sinto que hoje sou ainda
mais feliz e vivo uma vida mais realizada. Fazia algo que adorava mas o meu estilo de vida
não estava de acordo com as minhas necessidades. Hoje, continuo a fazer algo que adoro -
sim, é outra coisa, mas que também adoro - e o meu estilo de vida está muito mais alinhado
com o meu ideal. (Ainda não é exatamente o meu ideal porque ainda estou a terminar cursos
e está a ser intenso, mas acredito que é apenas uma questão de semanas até lá chegar.)

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1 - INTRODUÇÃO

E é depois de toda esta mudança que me encontro aqui, neste ebook, a falar exatamente
sobre viver uma vida mais feliz e realizada. Confesso que não sei tudo. O desenvolvimento
pessoal, o mindset e a psicologia são temas que me fascinam imenso e que quero muito
continuar a explorar e a estudar. No entanto, já aprendi muito - através de conteúdos que
consumo, de experiência própria e de muitas tentativas de colocar em prática algumas te-
orias que vou aprendendo. E é por isso que escrevo este ebook: não para mudar a tua vida,
mas para te fazer pensar um bocadinho sobre estes assuntos e sobre se poderás, de alguma
forma, ajustar a tua vida para que te sintas ainda mais feliz e realizado.

No sentido de te fazer pensar, vais encontrar ao longo deste ebook alguns exercícios que
podem ajudar-te a deitar cá para fora algumas ideias. Não pretendem ser exercícios exausti-
vos, apenas o início de uma exploração que espero depois continues por ti próprio. Por isso,
antes de continuares, arranja um caderno ou umas folhas e uma caneta e vamos a isto. Es-
pero que as ideias que vou tentar puxar de dentro de ti se mostrem úteis para que consigas
a tua vida mais feliz e realizada.

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Auto - conhecimento
Sabes o que realmente queres?

A primeira chave para conseguires ter a tua vida de sonho pode parecer óbvia mas, talvez
por ser tão básica, por vezes não lhe damos a devida importância.

Sabes o que realmente queres para a tua vida?

Sabes quem realmente és?

Sabes quais são os teus principais valores?

Sabes quais são as pequenas coisas que te fazem feliz?

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2 - AUTO-CONHECIMENTO

O problema é que se não souberes as respostas exatas a estas questões, dificilmente vais
conseguir viver a tua vida de sonho. E não estou apenas a falar de ter respostas vagas como
“os meus valores são a honestidade e a autenticidade”. Isso é muito bonito mas não é sufi-
cientemente específico nem concreto.

E a maior dificuldade relacionada com isto do auto-conhecimento é que hoje em dia vive-
mos a mil à hora. Desempenhamos um sem-número de papéis no nosso dia a dia: somos
profissionais, pais ou mães, donos de casa, parceiros, amigos, filhos, voluntários, temos hob-
bies e queremos ler os livros todos! Para não falar nas redes sociais e nas séries do Netflix
que temos de manter em dia. Como é que pode sobrar tempo para o auto-conhecimento?

É que, caso ainda não tenhas reparado, tudo isto exige trabalho. Descobrir as respostas às
perguntas acima não vai acontecer só porque sim. Só vai acontecer se dedicares tempo e
esforço a desenterrá-las.

Há vários exercícios que podes fazer para te descobrires, para te conheceres, e, como é
lógico, eles não cabem todos neste pequeno ebook. Mas nas próximas secções vou tentar
colocar-te algumas questões para ires começando a pensar nestes assuntos e obteres um
pouco mais de clareza em relação à pessoa que és e à que queres ser.

Questiona tudo
Mas mesmo tudo! Não tenhas medo de te colocar em causa, até mesmo as tuas decisões e
escolhas de vida anteriores podem ser questionadas. Melhor ainda: é exatamente por aí que
deves começar a questionar.

Para o fazeres de forma confortável, convém deixar, desde já, uma coisa bem assente: não
há mal nenhum em errar! Vou repetir, porque isto é mesmo importante: não há qualquer

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2 - AUTO-CONHECIMENTO

problema em errar. Está entendido?

Porque é isto importante? Porque se não estiveres confortável com a ideia de errar (ou de
falhar) não vais conseguir questionar decisões que tu próprio tomaste ou o sítio onde te en-
contras atualmente, e isso vai impedir-te de mudar de direção.

Eu comecei por ter algumas dificuldades com esta parte - acho que isso acontece à maioria
de nós. Quando começaram a surgir as primeiras questões sobre se estaria a seguir o cami-
nho que realmente queria, a minha primeira reação foi “Mas como assim? Claro que estou
no caminho certo, estou a fazer aquilo que sempre quis fazer. Esta profissão era o meu son-
ho, não posso agora, simplesmente, mudar radicalmente de direção. Não pode ser!”

Esta reação é perfeitamente normal porque este tipo de questões internas causam um grau
muito elevado de desconforto. No meu caso, repara bem: quando tinha 18 anos passei um
mau bocado a escolher o curso que queria -- porque conseguia ver-me a fazer várias coisas
diferentes - mas quando finalmente me decidi por Engenharia Química senti genuinamente
que tinha tomado a decisão certa. Senti paz e conforto com a decisão. Gostei do curso, de
(quase) tudo o que aprendi e estava entusiasmada com as portas que o curso me abria. Sa-
bia que queria ser cientista por isso segui logo para doutoramento, gostei de o fazer e sen-
ti-me extremamente realizada no final. Queria trabalhar em desenvolvimento farmacêutico
e mal terminei o doutoramento consegui um emprego a fazer exatamente isso. Sentia-me
super orgulhosa por trabalhar onde trabalhava, adorava o meu trabalho e até sentia que
estava a fazer a diferença e a contribuir para um mundo melhor - afinal de contas, ajudar
a desenvolver medicamentos que vão tratar pessoas doentes é uma missão maravilhosa,
certo? E é mesmo!

Após tudo isto, como podia eu estar a questionar-me? Como podia ter errado em todas as
minhas escolhas?

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2 - AUTO-CONHECIMENTO

É por isso que questionarmos a nossas próprias escolhas pode ser tão desconfortável.

Mas a chave para tudo isto é a seguinte: eu não me enganei! Ao princípio podia parecer que
sim, daí a importância de estarmos bem com os nossos próprios erros, ou nunca faremos as
perguntas certas. Mas nenhuma das minhas escolhas foi um erro. Todas as escolhas que fiz
ao longo do meu percurso foram as corretas no momento, disso não tenho qualquer dúvida.

Mas então como podia estar agora a questionar tudo?

A resposta é bastante simples: eu mudei!

Todos mudamos. Aliás, mudamos todos os dias. Todos os dias passamos por experiências
diferentes, temos conversas diferentes e somos alvo de informação nova. Tudo isto contribui
para a nossa mudança enquanto pessoas. Para nós até pode ser impercetível - tal como, por
exemplo, se alguém perder peso, reparamos com muito mais facilidade se estivermos uns
tempos sem o ver do que se virmos a pessoa todos os dias. Da mesma forma, nós também
mal nos apercebemos dessas pequeninas mudanças, já que elas são tão subtis. Só que de
dia para dia, elas vão acumulando, podendo levar a grandes mudanças.

Se não pararmos, de vez em quando, para re-avaliarmos onde estamos e se ainda queremos
ir para onde nos estamos a dirigir, podemos continuar a ir sempre em frente sem perceber-
mos que afinal aquele destino já não nos diz nada. Por vezes andamos tão ocupados que
achamos que não temos tempo para fazermos essas pequenas pausas. O que pode ter re-
sultados catastróficos, como deves conseguir imaginar.

Por isso mesmo, com alguma frequência, questiona mesmo tudo. Deves fazer o exercício de
perguntar a ti próprio algumas coisas importantes, como por exemplo:
- o meu trabalho ainda me preenche?
- gosto do estilo de vida que levo?

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2 - AUTO-CONHECIMENTO

- o que gostava de ter mais tempo para fazer?


- se pudesse, o que eliminaria da minha vida?
- sou feliz no sítio onde vivo?
E a minha preferida:
- como seria o dia perfeito para mim?

As respostas a estas perguntas podem dar-te pistas muito importantes sobre a pessoa que
és ou a pessoa em que te estás a tornar.

Como já referi, incluí ao longo deste ebook alguns exercícios para te fazer pensar. Não é
nada de complicado, apenas algumas reflexões e exercícios de imaginação e exploração. O
que eu gostava era que pegasses num caderno ou num par de folhas soltas e respondesses
aos exercícios por escrito. As respostas podem ser tão extensas ou tão curtas quanto dese-
jares, escreve apenas até te sentires confortável com as tuas respostas. Não há regras, a
ideia é apenas que deites cá para fora aquilo que vai dentro de ti.

Estás preparado para o primeiro exercício? Aqui vai!

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2 - AUTO-CONHECIMENTO

Exercício 1 - O teu dia ideal

Com este exercício, vou propor-te que respondas exatamente à minha pergunta preferida
da lista acima. Imagina a seguinte situação: ganhaste o primeiro prémio do Euromilhões,
mas um jackpot daqueles mesmo bons, uns 150 milhões de euros.

Não te vou perguntar o que farias. Antes disso, vou assumir que irias fazer aquilo que a maior
parte das pessoas faria: compravas uma casa (ou duas, ou três...), pagavas as dívidas (se as
tivesses), ias viajar por uns tempos, visitavas todos aqueles lugares que sempre sonhaste
visitar, ajudavas a tua família e os teus amigos mais próximos, realizavas alguns dos seus
sonhos, doavas a algumas instituições com significado especial para ti. Digamos que pas-
saste um ou dois anos a fazer isso tudo.

Mas atenção: foste inteligente, investiste algum do teu dinheiro, não gastaste tudo e ainda
tens o suficiente para te permitir viver de forma confortável - muito confortável, na verdade
- para o resto da tua vida. E agora? O que fazes?

Agora sim, quero que imagines o teu dia ideal. Não tens restrições de tempo nem de local-
ização: podes viver em qualquer parte do mundo e fazer o que quiseres. Não tens problemas
com dinheiro, por isso não tens qualquer pressa em arranjar um emprego - mas podes, se
quiseres. Como passarias os teus dias? Como seria um dia perfeito para ti? E não te esqueças
que já realizaste os teus principais sonhos assim como das pessoas que te são próximas. En-
tão? O que farias a seguir?

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2 - AUTO-CONHECIMENTO

Foca-te no ser e não no ter


Um outro aspeto importante nisto do auto-conhecimento é mudar o foco do “ter” para o
“ser”. Afinal de contas, estamos a falar de auto-conhecimento, AUTO, ou seja, EU. E eu sou.
Sou muitas coisas, é verdade, mas tudo o que sou me define. Nada daquilo que tenho me
define.

O “ter” é totalmente externo a nós. O “ser” é a nossa essência. O ter algo pode trazer-nos
uma satisfação momentânea, mas não nos traz felicidade. A felicidade advém de seres a
pessoa que realmente és.

Tenho a certeza que já ouviste ou leste a seguinte frase em vários filmes e livros, quando
alguém está numa relação feliz: “contigo sinto que posso ser verdadeiramente eu”? Pois é, é
essa sensação que nos traz felicidade: sermos verdadeiramente e autenticamente a pessoa
que somos.

O problema é que, muitas vezes, mesmo quando estamos sozinhos, não somos verdadeira-
mente nós próprios, simplesmente porque não sabemos quem somos. E não sabemos quem
somos porque não sabemos estar sozinhos, ou então porque quando estamos sozinhos es-
tamos constantemente à procura de distrações. Não sabemos estar apenas com os nossos
pensamentos.

Para saberes quem realmente és, precisas de olhar para o teu interior. Precisas de ouvir o
que o teu coração te diz e o que a tua intuição te pede. Se não gostares de termos tão espir-
ituais, digamos assim (eu própria nem sempre me sinto muito confortável com eles, não te
esqueças que sou uma cientista!), então podemos chamar-lhe subconsciente. O subconsci-
ente pode ser definido como a parte da nossa mente que não nos está diretamente acessível
mas que influencia as nossas ações e os nossos sentimentos. Há muito que ainda não con-

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2 - AUTO-CONHECIMENTO

seguimos entender sobre o subconsciente, mas a verdade é que há cada vez mais estudos a
serem realizados neste campo e pode ser que um dia tenhamos mais algumas luzes.

No entanto, o nosso subconsciente está constantemente alerta e a monitorizar o meio que


nos rodeia, para detetar ameaças e oportunidades. Ele existe para nos defender, para nos
alertar assim que encontrar o mínimo sinal de perigo. De certeza que já te aconteceu co-
nheceres uma pessoa e, apesar de não haver aparentemente nada de errado, nem com a
pessoa nem com a situação, haver algo dentro de ti a dizer-te “Pareceu simpática, mas há
qualquer coisa que não bate certo.” Pois bem, foi o teu subconsciente, a tua intuição a falar
contigo.

A intuição também nos pode ajudar a tomar decisões. Muitas vezes, a escolha que parece a
mais “certa” poderá não ser a mais acertada, e normalmente, quando assim é, a tua intuição
está lá para te dizer. Ela enche-te de uma sensação de desconforto quando pensas nessa
escolha, parece que ficas mais pequeno, mais contraído. É responsabilidade tua saberes ler
esses sinais.

Para saberes ler estes sinais, assim como para seres feliz, é importante que te conheças muito
bem, que saibas exatamente a pessoa que és. E para o conseguires, a minha recomendação
é que faças duas atividades com alguma regularidade - se puderes, todos os dias.

Uma delas é a meditação. Já muitos artigos foram escritos sobre os benefícios da medi-
tação e não vou perder muito tempo a listá-los também. Para mim, os dois principais
benefícios da meditação são i) deixar-me mais em sintonia com a minha intuição, e ii)
deixar-me com a mente mais organizada, o que me permite focar-me com mais facili-
dade, principalmente em atividades criativas. Acima de tudo, estar em silêncio comi-
go própria permite-me também estar mais em paz comigo. Não só sinto que fiquei a
conhecer-me melhor depois de ter começado a meditar, como também penso que tive
alguns momentos de grande clareza em relação a certas escolhas por causa da or-

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2 - AUTO-CONHECIMENTO

ganização mental que a meditação me permite. Esses momentos não aconteceram, neces-
sariamente, durante a meditação, mas de alguma forma consigo relacionar as duas coisas.

Se quiseres começar a praticar meditação, podes sempre usar uma app: há várias e talvez
seja a forma mais fácil de começar. Eu já experimentei e gosto bastante de duas apps: a
Calm e a Headspace. Mas há outras, é uma questão de ires experimentando e veres qual
preferes. Também podes experimentar procurar meditações guiadas no Youtube e vais ver
que vais encontrar uma enorme variedade de opções. Para começares, deixo-te aqui uma
sugestão: uma meditação guiada de apenas 5 minutos para fazer ao acordar, guiada pela
fantástica Inês, autora do blog e canal Be Natural With Inês.

A outra atividade é a escrita livre. Para quem nunca o fez, a escrita livre pode parecer muito
básico e totalmente inútil, também eu pensava assim ao princípio. Mas acredita quando
digo que é uma ferramenta poderosa. Não só te permite fazer revisões ao teu passado, como
se de um diário se tratasse, como também te permite obter algumas respostas a perguntas
importantes. Por vezes, quando preciso de encontrar respostas - até mesmo respostas a per-
guntas muito simples mas que, por algum motivo, não estou a conseguir decidir de forma
imediata - acabo por encontrar a resposta durante o processo de escrita livre.

Este processo consiste em escrever sem pensar, o que quer que seja que te vem à cabeça,
escreves e não paras de escrever enquanto não atingires um tempo limite que definiste à
partida - ou enquanto não preencheres um espaço de escrita pré-definido. Ao início pode
custar um pouco, parece que não te lembras de nada para escrever, mas é apenas uma
questão de começar e depois parece que as ideias vêm toda encadeadas umas nas outras.
A melhor hora para fazer esta prática é logo ao acordar, por isso podes ter o teu caderno na
tua mesa de cabeceira para fazeres assim que acordares.

Eu acredito mesmo no poder revelador destas duas atividades e peço apenas que dês o
benefício da dúvida e que experimentes apenas por uns dias. E para que comeces já, deixo-
te aqui um exercício de escrita livre muito simples e que pode ser revelador.

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2 - AUTO-CONHECIMENTO

Exercício 2 - Escrita livre: Eu sou

Neste exercício vou propor-te que faças um pouco de escrita livre e que escrevas 25 frases
iniciadas com as palavras “Eu sou...” Sim, devem mesmo ser 25 frases diferentes. O que vai
acontecer é que as primeiras 10 ou 15 frases que te vão surgir vão ser aquelas coisas mais
óbvias sobre ti. Depois vai parecer-te que as ideias começam a acabar, mas se insistires,
vais acabar por ir buscar algumas coisas mais profundas. Não pares quando te sentires des-
confortável, continua mesmo quando achares que já não tens mais nada para dizer. E tenta
fazer o exercício rapidamente, escrevendo as primeiras coisas que te vierem à cabeça, sem
pensar muito. Experimenta e vê se algumas das frases que escreves sobre ti próprio acabam
por te surpreender.

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2 - AUTO-CONHECIMENTO

O que é o sucesso para ti?


A tua noção de sucesso é outra componente importante do auto-conhecimento. Como
poderás traçar objetivos para a tua vida se não souberes o que te fará sentir realmente bem
sucedido?

Eu vivi, durante muitos anos, convencida que o sucesso seria ter um bom emprego a fazer
aquilo que gostava. Por “bom emprego” eu entendia um emprego estável (que pudesse du-
rar a vida toda), que pagasse bem e que desse oportunidades de progressão na carreira. E
para além disso, como já referi, deveria ser a fazer algo que eu gostasse, como acredito que
todos nós desejamos. Parece bem, certo?

Consegui atingir tudo isto aos 28 anos, como boa over-achiever que sou. Tinha um emprego
a fazer algo que adorava. Era um emprego que até pagava bem, tendo em conta o panorama
nacional, e onde eu sabia que poderia continuar durante bons e longos anos, desde que
continuasse a esforçar-me para fazer um bom trabalho. Havia excelentes perspetivas de pro-
gressão na carreira e, qual cereja no topo do bolo, trabalhava com pessoas interessantes e
fenomenais: bons colegas, bons chefes, e alguns que se tornaram bons amigos. O que mais
poderia eu querer?

Então porque foi que aos 32 anos decidi abrir mão de tudo isso? Não é apenas uma pergun-
ta retórica, foram muitas as pessoas que me fizeram essa mesma pergunta. Foram também
muitas as pessoas que pensaram que eu enlouqueci. Mas a resposta acaba por ser muito
simples.

A minha definição de sucesso mudou.

Passou a fazer parte da minha definição de sucesso um dia entrar numa Fnac e ver na es-

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2 - AUTO-CONHECIMENTO

tante um livro com o meu nome no lugar do autor. Passou também a fazer parte da minha
definição de sucesso conseguir um maior equilíbrio na minha vida, e uma componente
deste equilíbrio passa por poder trabalhar quando me sinto com mais energia, e descansar
quando sinto essa necessidade. Ou até trabalhar em algo mais criativo nas primeiras horas
do dia, e em algo mais tático e analítico nas horas mais tardias. É assim fácil de perceber que
para conseguir este equilíbrio que eu tanto desejava, precisava era de mais flexibilidade:
algo que o meu emprego, por muito bom que fosse, não me dava na totalidade.

Passou também a fazer parte da minha noção de sucesso impactar as vidas de outras pes-
soas. Impactar as vidas de quem deseja algo mais e sozinho não é capaz. Passou a fazer
parte da minha noção de sucesso ser a fonte de motivação e de inspiração de que outras
pessoas precisam - já que eu também preciso das minhas próprias fontes. Passou a fazer
parte da minha noção de sucesso mudar vidas de pessoas - nem que seja só um bocadinho
- através das minhas palavras. Palavras que se apresentam sob a forma de um blog, de livros
e de outras coisas que ainda hão de vir pela frente.

Passou ainda a ser sinónimo de sucesso ter mais tempo para mim. Poder viajar mais. Poder
viajar e continuar a trabalhar enquanto viajo - ou simplesmente enquanto vivo uns meses
noutro qualquer lugar (já que sou fã do movimento slow travel). Mais uma vez, isto exige
flexibilidade a um nível que não poderia ter se continuasse no meu emprego.

Todas as novas definições de sucesso que descobri dentro de mim eram incompatíveis com
a minha situação naquele momento, e assim tornou-se inevitável admitir que tinha passado
a dar valor a outras coisas e que uma mudança de vida era necessária para poder viver alin-
hada com esses novos valores. Tive então de re-estruturar toda a minha noção de sucesso e
adaptar-me às minhas novas vontades.

Talvez fosse bom, no entanto, perceber de onde tinha vindo a ideia anterior do que seria
o sucesso e acho que podemos concordar que ela é, muito frequentemente, imposta pela

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2 - AUTO-CONHECIMENTO

sociedade em que vivemos. A sociedade vê as coisas dessa forma e nós crescemos nessa
mesma sociedade, por isso assumimos essa ideia de sucesso como nossa também - ou é
isso, pelo menos, que acontece à maior parte de nós.

Cabe-nos, então, a nós próprios, libertar-nos dessas ideias e agir de acordo com a nossa
própria vontade. Pode ser difícil, sim, já que o mais provável é que todas as pessoas que nos
rodeiam continuem com a mesma ideia do que é o sucesso - e, na opinião dessas pessoas,
nós deixaremos, automaticamente, de ser bem sucedidos. Isto provoca desconforto, é preci-
sa uma grande força para ir contra o que parece estar socialmente estabelecido - por algum
motivo a frase que mais ouvi nos últimos tempos foi “Que coragem!”. Mas quando chega
este momento, temos apenas duas possibilidades:
i) ir mesmo contra a noção generalizada de sucesso e viver a vida à nossa maneira,
passando por esse tal desconforto, ou
ii) continuar a viver sem dar atenção aos nossos novos valores e à nossa nova definição
de sucesso.

Esta segunda opção apenas irá causar um desalinhamento entre os nossos valores e a nossa
vida e, lamento muito desiludir algumas pessoas, mas esse desalinhamento só pode provo-
car infelicidade, por muito que a princípio pareça o mais confortável e tentemos ignorar
essa situação.

Mas há algo que pode ajudar: tomar contacto com outro tipo de influencias, com pessoas
que tenham outras noções de sucesso, mais parecidas com a nossa. Se o que nos condicio-
na é o meio que nos rodeia, então bastará rodearmo-nos das influências certas. A partir de
certa altura, a nossa nova noção de sucesso, o nosso novo ideal de estilo de vida vai começar
a parecer normal, já que a maior parte das nossas influências pensa de forma semelhante.
Podes ler este artigo para veres algumas das minhas maiores influências e para perceberes
também que essas influências não precisam de ser pessoas que conheces pessoalmente.
Podem ser, claro, mas também podem ser pessoas que te influenciam à distância - através

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2 - AUTO-CONHECIMENTO

de livros, podcasts, vídeos no Youtube ou blogs.

No exercício que te proponho a seguir tanto podes usar influências digitais como outras
que conheças pessoalmente, mas acredito que se responderes a estas perguntas poderás
ganhar algumas luzes sobre o que é o sucesso para ti.

Exercício 3 - Ídolos

Pensa em três ou quatro pessoas que admiras. Podem ser pessoas que conheces pessoal-
mente mas não é obrigatório. Podem ser pessoas que segues online, como escritores, blog-
gers, empreendedores ou outros criativos. Depois de teres a tua lista, responde às seguintes
perguntas:

1. O que é que, em cada um deles, te atrai? Quais as características que te fazem ad-
mirá-los?
2. O que têm eles em comum? Há alguma característica ou comportamento/atitude
que esteja presente em todos ou na maioria deles?
3. De que forma é que tu gostarias de ser mais como eles?

As tuas respostas a estas perguntas podem trazer-te alguma informação sobre aquilo que
é, para ti, o sucesso. Dedica algum tempo a pensar nelas, não te limites a apontar a primeira
coisa que te vier à cabeça.

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2 - AUTO-CONHECIMENTO

Tem uma visão muito específica do teu fu-


turo
Eu acredito, e se já costumas acompanhar o Deixa ser então já deves ter reparado nisso,
que não se pode esperar para ser feliz apenas quando se chega ao destino final, temos de
aproveitar o caminho e ser felizes em todas as etapas, mesmo quando ainda não atingimos
todas as nossas metas. Até porque sabes que mais? Se fores como eu, nunca vais chegar à
meta. Eu tenho a perfeita noção de que nunca vou atingir a meta porque a minha meta está
sempre a avançar. Sempre que alcanço um objetivo, já tenho outro, ainda mais ambicioso,
que quero atingir, por isso, se estivesse à espera de ser feliz apenas quando atingisse todos
os meus objetivos, receio bem que nunca o conseguiria ser.

Por isso, vamos aproveitar o caminho e ser já felizes, enquanto estamos a trabalhar para atin-
gir os nossos objetivos. E como é que fazemos isso, perguntas tu? Eu acho que o consegui-
mos se soubermos que estamos a trabalhar e a dar o nosso melhor para chegar ao próximo
objetivo. Desde que eu saiba que estou a caminho, mesmo que ainda não tenha lá chegado,
estou feliz, estou em paz. Fico tranquila porque sei que se mantiver o esforço, mais cedo ou
mais tarde, vou lá chegar.

É por isso que acredito que teres uma visão super especifica e clara do teu futuro é uma das
coisas mais importantes para a tua felicidade. Só se souberes exatamente aonde queres
chegar é que conseguirás fazer todos os esforços para ires lá parar. Se não souberes para
onde queres ir, tenho cá a sensação que te vais perder pelo caminho.

Agora vamos concordar numa coisa: nem sempre é fácil sabermos o que queremos, certo?

Sim, como compreendo isso! Eu sempre tive essa dificuldade: decidir ou perceber o que
realmente queria. Desde os tempos da escola e da faculdade. Depois de me tornar cientis-

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2 - AUTO-CONHECIMENTO

ta, pensei que o seria para o resto da vida. A primeira coisa que me abriu a perspetiva para
outras possibilidades foi a escrita e, de repente, passei a querer ser escritora, para além de
cientista - durante muito tempo pensei que o meu ideial de vida era ser as duas coisas ao
mesmo tempo. Mas a verdade é que nunca na vida me tinha imaginado capaz de escrever e
quando percebi que afinal o poderia fazer, uma infindade de outras possibilidades abriu-se
perante mim. Mais uma vez, havia tantas coisas que gostaria de fazer que fiquei aflita com
tantas possibilidades de escolha.

Vi-me, aos 32 anos, a fazer praticamente a mesma escolha que tivera de fazer aos 18 anos.
Eu sabia que queria um trabalho que me desse mais flexibilidade e me permitisse trabalhar a
partir de qualquer lugar do mundo. Mas, hoje em dia, há tantos trabalhos que permitem isso
- e eu ia estar a começar do zero de qualquer forma, por isso poderia fazer qualquer coisa.
Então como escolher?

Para mim, houve duas chaves na resolução deste problema. O primeiro foi tempo. Não tive
pressa para chegar a uma conclusão - coisa que, muitas vezes, quando temos 18 anos e
temos de escolher um curso, não é possível de fazer. Desta vez eu tinha tempo, não estava
com pressa para ir a lado nenhum e a última coisa que queria era fazer uma escolha preci-
pitada e que não estivesse alinhada comigo mesma. Então tive muita calma. Fui pensando
no assunto com serenidade, fui-me imaginando a fazer várias coisas que despertavam al-
gum tipo de interesse em mim e aguardei. Aguardei que as respostas chegassem até mim
naturalmente. E elas acabaram por chegar. Fui tendo alguns insights sobre a pessoa que eu
era, as coisas que eu mais gostava e que sempre tinha gostado, e também algumas coisas
que já encaixavam muito bem com algumas das minhas skills.

Um dia, deparei-me com um conceito novo e percebi que era essa ferramenta que andava,
aos poucos, a aplicar dentro da minha cabeça. Essa ferramenta chama-se Ikigai, uma pala-
vra japonesa que significa algo como “razão de ser” ou “razão de viver”. Esta ferramenta tem
o seguinte aspeto:

- 22 -
2 - AUTO-CONHECIMENTO

Quando vi esta imagem percebi que eram estes campos que eu tinha vindo a preencher aos
poucos, através de algumas realizações que fui tendo, e que no centro estava o meu “sweet
spot”. Ainda por cima, tive a sorte de ter duas coisas diferentes no meu “sweet spot”: uma
delas, como não podia deixar de ser, é a escrita - aqui estou a assumir que isto é algo que eu
faço bem, já que um dos campos desta ferramenta é “coisas que eu faço bem”, mas vamos
lá assumir que sim, pelo menos até prova em contrário, está bem? Então, escrever:
- é algo que adoro fazer
- é algo que faço bem (já concordamos que íamos assumir isto, certo?)
- é algo que posso ser paga para fazer
- é algo de que o mundo precisa - claro que sim! Precisamos sempre de mais livros - e
já agora, de mais conteúdos interessantes.

- 23 -
2 - AUTO-CONHECIMENTO

A segunda coisa que caiu no meu “sweet spot” foi “ajudar as pessoas a viverem vidas mais
felizes e realizadas”. Adoro fazê-lo, acho que o posso fazer bem, posso ser paga para o fazer
e é algo de que o mundo precisa - claro que sim!

A parte ainda melhor é que posso conjugar as duas coisas: a escrita e o impacto. Por um
lado, tenho o blog, onde escrevo e tento impactar as vidas das pessoas. Tento que os meus
textos te façam pensar e acabem por levar-te a viver uma vida mais feliz e realizada. Há aqui
apenas um problema: ninguém me paga para escrever no blog, pelo que esta atividade em
específico não cai dentro do “sweet spot” (cai ali dentro daquela zona que diz “realização
mas sem riqueza”).

Uma outra forma de conjugar as duas coisa - apesar de estar certa que haverá mais - é exa-
tamente aquilo que eu decidi fazer: especializar-me em marketing digital, com um foco es-
pecial em marketing de conteúdos, para ajudar negócios e marcas pessoais a crescerem. Ao
mesmo tempo, estarei a escrever conteúdos e a ajudar pessoas a viverem vidas mais felizes
e realizadas - neste caso, através do crescimento dos seus negócios.

Há mais coisas que quero fazer e que conjugam também estas duas coisas, mas tenho de
chegar a uma de cada vez!

Numa coisa eu acredito: não fosse todo o trabalho de auto-conhecimento que está para trás
e de que já te falei neste ebook, e duvido que tivesse conseguido chegar a uma conclusão
tão concreta. Assim, as conclusões chegaram de uma forma apenas natural, quase como
que inevitável, e tudo acabou por fazer sentido.

Agora acho que consegues adivinhar o próximo exercício que te vou propor, certo?

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2 - AUTO-CONHECIMENTO

Exercício 4 - O teu Ikigai

Preenche o teu próprio diagrama de Ikigai. Pensa:


- o que gostas de fazer?
- o que fazes bem?
- o que podes ser pago para fazer?
- o que o mundo precisa?
Vai preenchendo as diferentes secções com calma, leva o teu tempo. Vai tentando perceber,
no teu dia a dia, onde se encaixam as diferentes atividades e vai colocando nos campos cer-
tos. As respostas vão chegar naturalmente. Revisita este diagrama com alguma frequência:
algumas atividades podem sair de um determinado campo (por exemplo, deixas de gostar
de fazer algo) e outras novas podem entrar (por exemplo, aprendeste a fazer uma coisa
nova). Tal como tu, este diagrama pode estar em constante mutação.

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2 - AUTO-CONHECIMENTO

Não precisas de saber tudo à partida


O último ponto com que gostava de te deixar neste campo do auto-conhecimento é que não
há problema nenhum se ainda não conseguires dar as respostas todas. Não precisas de sa-
ber tudo à partida. Precisas apenas de estar preparado para ires trabalhando neste processo
e para ires percebendo algumas coisas sobre ti. O importante é não deixar a vida toda passar
sem nunca parar para refletir sobre estas coisas.

Não quero que sintas pressão para, de repente, teres de saber tudo sobre ti próprio. Se dei-
xares que isso aconteça, apenas vais tornar todo o processo ainda mais difícil.

Além disso, deixo já aqui um aviso: se estiveres disposto a passar por todo este processo,
prepara-te para te sentires desconfortável. Não é fácil descobrirmos coisas sobre nós própri-
os que antes desconhecíamos. É um caminho de descoberta que custa a percorrer. Custa
porque à primeira vista parece um falhanço: parece que andaste distraido a vida toda e que
nunca prestaste atenção aos sinais. Talvez isso seja um bocadinho verdade, talvez tenhas
mesmo andado um pouco distraído, com o trabalho, com os estudos, com tudo o que cha-
ma por nós ao longo da vida. Mas por outro lado, é provável que precisasses de chegar ao
ponto em que estás para conseguires fazer mesmo todo o trabalho de auto-descoberta.

E lembra-te: vais sempre a tempo. Nunca é tarde para descobrires os teus sonhos, os teus
valores, o que te faz feliz. Foca-te no momento presente e desde que saibas que neste mo-
mento estás a ser fiel a ti próprio, então é quanto basta.

Por isso não te preocupes se ainda tiveres dúvidas. É normal. Trata apenas de estar atento e
de pensar nestas questões de vez em quando e as respostas vão acabar por surgir natural-
mente.

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Identidade

Ajuste de valores
e alinhamento interno

Na minha opinião, para se ser verdadeiramente feliz basta conseguir uma coisa: alinhamen-
to total entre os teus valores, os teus pensamentos e as tuas ações. Simples, não é? E eu não
sou sequer a primeira a dizê-lo:

“When your actions conflict with your values, you’ll end


up unhappy, frustrated, and despondent. In fact, psycholo-
gists tell us that nothing creates more stress than when our
actions and behaviors aren’t congruent with our values.”
Darren Hardy

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3 - IDENTIDADE

Há dois pontos para os quais queria chamar a tua atenção antes de avançar.

Primeiro ponto: é impossível conseguir isto se não nos conhecermos profundamente. Se não
conheceres os teus valores, como poderás alinhar os teus pensamentos e as tuas ações?
Pois, seria complicado. Daí o grande ênfase que dei ao auto-conhecimento na parte anterior
deste ebook: sem se trabalhar isso primeiro, o resto não se consegue.

Segundo ponto: se reparares bem, esta definição não implica que seja necessário atingir
os teus objetivos para conseguires ser feliz. Basta que aquilo em que pensas - e, por conse-
quência, aquilo que sentes - esteja de acordo com os teus valores, e que as tuas ações vão
também de encontro a esses mesmos valores e estejam alinhadas com o teu ideal de vida.
Isto reforça o que já referi anteriormente: não é verdade que apenas podemos ser felizes
quando atingirmos todos os nossos objetivos, podemos ser felizes enquanto os estamos a
perseguir.

Eu gosto desta definição e acho que faz todo o sentido. Mais: tenho observado isto mesmo
na minha vida. Por exemplo, já referi na introdução que, em tempos, passei alguns meses
sem escrever. Estava a sentir-me mais em baixo, até que me apercebi disso mesmo: não an-
dava a escrever. Decidi que no dia seguinte iria acordar mais cedo para escrever um pouco
antes de ir para o trabalho e em apenas dois ou três dias, a minha disposição melhorou sig-
nificativamente.

Repara: eu não atingi nenhum objetivo naqueles dias. Não terminei nenhum livro, não con-
segui um acordo de publicação com uma editora, não vi um crescimento gigante do meu
blog. Não, apenas escrevi. Alinhei as minhas ações com os meus valores (entretanto, no meu
trabalho de auto-conhecimento, percebi que a criatividade é um dos meus valores).

E assim se consegue ser mais feliz.

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3 - IDENTIDADE

Alinhar ações
A execução importa!

Acredito que, na maior parte das vezes, quando nos descobrimos verdadeiramente, desco-
brimos também novos sonhos. E quando temos sonhos, cabe a nós concretiza-los. As coisas
não vão acontecer, de uma hora para a outra, só porque nos demos ao trabalho de perceber
o que realmente queríamos. É preciso, agora, levantar do sofá e fazer acontecer!

Muitas vezes, estes projetos vêm na forma de side-hustles, ou algo que fazemos nos tem-
pos livres - pelo menos ao início - que nos permite explorar as nossas paixões. Mas não é
obrigatório que assim seja. Pode ser tão simples como começar um novo hobbie.

Mas uma coisa é tipicamente comum a todos: vais precisar de executar algo. E para conse-
guires executar, vais precisar de três coisas:

i) Planeamento
Quando vais trabalhar nos teus sonhos? A que horas? Onde? Durante quanto tempo?

De quanto tempo precisas para levar um projeto até ao fim? Onde vais arranjar esse tempo?
De que outras coisas vais abdicar para teres tempo para o teu projeto?

Tens de saber responder a todas estas perguntas. Tens de definir um objetivo geral, o teu
projeto, e saber dividi-lo em tarefas mais pequenas. Fazer uma estimativa do tempo que vai
demorar a executar cada uma dessas tarefas, comparar esse tempo com o tempo que tens
disponível e impor uma data limite para cada uma das tarefas.

Todo este trabalho de planeamento é importante. Se não definires, à partida, quando vais

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3 - IDENTIDADE

trabalhar nos teus sonhos, não o vais fazer. Já vi isto da parte de muitos escritores: “decidi
que queria escrever um livro e comecei a escrever sempre que tinha tempo livre. Mas rara-
mente tinha tempo livre, por isso não escrevia nada. Só quando estabeleci um horário de
escrita é que consegui acabar o meu livro.” Já vi este testemunho várias vezes e ele pode
aplicar-se a tudo.

ii) Organização
Quando já tens tudo planeado, precisas de te organizar. Precisas de definir quando vais
fazer o quê, com que recursos, provavelmente precisas de um local organizado para tra-
balhares, precisas de alocar blocos de tempo aos teus projetos.

A gestão de tempo vai ser muito importante. E uma componente crítica da gestão de tempo
é a gestão de prioridades: vai ser preciso abdicar de algumas coisas para dar lugar a outras.
Pode ser, por exemplo, deixar de ver televisão. No meu caso, viciada que sou em séries,
praticamente deixei de as ver. Ainda vejo algumas, até porque são uma fonte de aprendiza-
gem importante para mim, com toda a sua componente de storytelling (pelo que posso sem-
pre alegar que estou a estudar estrutura narrativa!), mas já não passo a mesma quantidade
de horas a ver séries, limito-me a uma ou duas, o que faz com que também seja muito mais
exigente com a qualidade das que continuo a ver.

Implementa estratégias de organização de espaço, de tempo e de tarefas que se adequem


a ti. Elas vão ser diferentes para cada pessoa, mas não faltam sugestões por essa internet
fora. É uma questão de ires experimentando várias estratégias até chegares à que melhor
funciona para ti.

iii) Resiliência
A resiliência é a capacidade de enfrentar e recuperar de adversidades. E se vais perseguir
sonhos, não tenhas dúvidas de que vais precisar de ser resiliente.

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3 - IDENTIDADE

As adversidades podem ser muitas e de variados tipos. Desde perceberes que vai ser mais
difícil do que estavas à espera ou que vai demorar mais tempo, passando por pessoas que
duvidam que sejas capaz, até erros de execução que podem obrigar-te a dar um ou dois
passos atrás.

Conseguires recuperar e continuares a insistir no teu objetivo vai depender de ti, do teu
mindset e da tua resiliência. Mas uma coisa é essencial: não vejas as adversidades como
uma falha tua. Não sabes tudo à partida e todo o percurso vai ser uma aprendizagem, o im-
portante é continuar a aprender sempre, mesmo - principalmente! - quando erras.

Eu diria que a resiliência é, destes três, o aspeto mais difícil de trabalhar, talvez por ser menos
tangível. Mas é algo que podemos mesmo melhorar, e um dia ainda vou escrever mais sobre
isso! (quem sabe, no próximo ebook...)

Proponho-te, agora, um exercício que envolve planeamento e mindset e que espero que te
ajude a executar.

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3 - IDENTIDADE

Exercício 5 - O Objetivo

Amanhã, assim que acordares, vais determinar o teu principal objetivo, respondendo a estas
três perguntas:
1 - Qual o projeto em que me quero focar hoje?
Pode ser qualquer projeto: um projeto no trabalho, um projeto pessoal, organizar um even-
to, escrever um livro, manter um blog, perder peso, ser mais saudável... qualquer coisa!
2 - Porque é este projeto importante para mim?
Se tiveres bem presente os motivos que tornam este projeto importante para ti, vais sentir-te
mais motivado a executar.
3 - Qual é a tarefa mais significativa que posso fazer hoje para avançar neste projeto?
Esta vai ser a tarefa mais importante do teu dia porque, se a executares, vai chegar ao final
do dia sabendo que trabalhaste no projeto em que te querias focar e que é importante para
ti pelos motivos apontados na pergunta 2!

Alinhar pensamentos
Vamos à segunda parte da equação: como podemos alinhar os nossos pensamentos com
os nossos valores?

Para mim, há duas componentes. A primeira é a execução, já coberta na secção anterior.


Sempre que executares uma determinada ação, vais estar a dar um passo na direção de o
teu cérebro acreditar que essa é a tua nova realidade. Por exemplo, quando eu comecei a
escrever não conseguia chamar-me a mim própria de escritora. Não acreditava (ainda) que

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3 - IDENTIDADE

o fosse. Mesmo quando comecei a escrever todos os dias. Mais uma vez, já ouvi esta dificul-
dade da parte de vários escritores, parece que é um mal comum, e acredito que o mesmo
aconteça com outras atividades. Mas quanto mais eu escrevia todos os dias, mais fácil se
tornou fazer essa afirmação, e hoje já nem sequer me vejo de outra forma.

Por isso, se estiveres a executar, então já estás a dar um grande avanço no caminho do ali-
nhamento dos teus pensamentos. Mas algo que pode ajudar um pouquinho mais é o uso de
afirmações.

Há muitas pessoas que ainda não acreditam no poder das afirmações. Ao princípio, também
para mim foi muito estranho estar a repetir as mesmas frases todos os dias, apenas para
mim - sentia-me uma louca que de repente começara a falar sozinha e, ainda por cima, dizia
a mesma coisa todos os dias. Mas a verdade é esta: sempre que afirmamos algo é como se
estivéssemos a dar uma instrução ao nosso cérebro.

Agora, de nada adianta afirmar coisas nas quais não acreditamos. Pelo contrário: apenas
nos vai fazer sentir parvos. Por isso não comeces já para aí a afirmar “Eu sou a pessoa mais
espetacular do mundo” se não acreditares nisso. Muito melhor será encontrar algumas afir-
mações sobre o processo porque estás a passar, como por exemplo “Todos os dias sou um
pouco melhor do que no dia anterior” (como numa dada área de atuação, por exemplo, a es-
crita). Ou “Estou a evoluir enquanto .....”, o que quer que seja que aches que estás a evoluir.

Pode ser, na verdade, bastante simples. Mas se por acaso tentares e achares que não está
a funcionar contigo, então não forces. Tenho a certeza que encontrarás outras formas de
incorporar esses pensamentos e que funcionem melhor contigo. Precisamente por causa
disso, nesta secção não tenho nenhum exercício para fazeres, já que este tópico é tão pes-
soal. Talvez mais tarde venha (mais) um ebook só sobre este assunto! Mas uma coisa é certa:
a identidade precede sempre a execução consistente, por isso se te limitares a excutar mas
não incorporares a nova ação na tua identidade, a consistência a longo prazo poderá falhar.

- 33 -
Coragem
Amor próprio e confiança
cega em ti próprio

Recapitulando: já cobrimos o auto-conhecimento e o alinhamento de valores, pensamentos


e ações - algo impossível de fazer sem auto-conhecimento. Falta a terceira peça do puzzle.
Essa peça é a auto-confiança.

Não vais conseguir avançar com os teus maiores sonhos enquanto não tiveres confiança
cega em ti próprio.

O meu processo de auto-conhecimento mudou muitas coisas em mim, mas arrisco-me a di-
zer que aquilo que mais mudou foi a minha auto-confiança.

Quem me conhece pessoalmente há alguns anos sabe que eu nunca fui muito confiante.

- 34 -
4 - CORAGEM

Aliás, não era nada confiante! Era extremamente tímida e reservada - por vezes ao ponto de
ser vista como anti-social, admito. Porque tinha medo de ser julgada. Porque estava sempre
preocupada com a opinião que os outros teriam de mim - principalmente aqueles cuja opin-
ião importava mais. Então escondia-me, tentava não dar nas vistas - de todo! Quanto mais
conseguisse passar despercebida, melhor. Quanto menos olhassem para mim, melhor.

Quanto isso mudou nos últimos anos! Hoje estou completamente a borrifar-me para o que
os outros possam pensar de mim. E por isso, consigo mais facilmente mostrar-me ao mundo.
Sei que sou capaz de praticamente qualquer coisa, se realmente me decidir a fazê-lo, ou
seja, tenha uma confiança inabalável em mim própria e nas minhas capacidades - principal-
mente, na minha capacidade de adquirir novos conhecimentos. E além disso, convenci-me
que mesmo que o meu trabalho - principalmente o criativo - não agrade a todos, não há
problema nenhum e isso não diz nada sobre a pessoa que eu sou, apenas diz que talvez
aquele trabalho não tenha sido muito bem conseguido, ou então que aquela pessoa em
particular não se identifica com o meu trabalho.

Confesso que ainda há algumas coisas que me deixam um pouco insegura e que me fazem
perder alguma confiança, mas penso que isto será sempre um trabalho em progresso, e
está tudo bem. O importante é a evolução gigante que consegui nos últimos tempos neste
campo.

E como se consegue trabalhar a auto-confiança? Mais uma vez, acho que só se consegue
através de uma coisa: execução. Quando começas a executar - seja o que for - e a ver que
estás a melhorar e que consegues fazê-lo, começas automaticamente a ganhar confiança
em ti. Começas a perceber que és capaz de fazer aquilo a que te propuseste, por mais difícil
ou exigente que parecesse ao início. Começas a dar provas das tuas capacidades ao teu
próprio cérebro e ele começa a não ter alternativa a não ser confiar em ti.

Quando eu me demiti do meu emprego para mudar totalmente de vida, foram mui-

- 35 -
4 - CORAGEM

tas as pessoas que me disseram que eu era muito corajosa. Essa coragem vem da confiança:
confiança de que vou ser bem sucedida e de que sou capaz de tudo aquilo a que me pro-
puser. Na verdade, hoje olho para as palavras “coragem” e “confiança” quase como inter-
mutáveis: sem confiança nunca haverá coragem para avançar.

É importante ainda aprender a lidar com os falhanços ou, melhor ainda, perceber que não
existem falhanços, apenas oportunidades de aprendizagem. Eu sei que isto pode parecer
cliché, mas é mesmo verdade que se re-estruturares o teu mindset de forma a acreditares
que sempre que tiveres um “fracasso” vais estar a crescer e a aprender, esses fracassos pas-
sam a doer cada vez menos. Até porque há muitas situações que parecem fracassos quando
estamos a passar por elas e, anos mais tarde, vimos a perceber que tudo fez parte do nosso
crescimento.

Além disso, por favor, sê bondoso contigo próprio. Como falarias com um amigo se ele
tivesse acabado de passar por uma situação de fracasso percecionado? Aposto que ias ser
um bom amigo, apoiar, ajudar no que ele precisasse e tentar fazê-lo ver que nada daquilo
era o fim do mundo e que ele continuava a ser a mesma pessoa de sempre. Então porque
não termos a mesma atitude de apoio e bondade quando estamos a falar com nós próprios?
Acredito que tornaria todas essas situações menos felizes bastante mais suportáveis.

- 36 -
~
Conclusao
Teoria da relatividade
e notas finais

Por último, queria deixar um aspeto bem claro: tudo isto é relativo e depende de cada um!
Obviamente, não há receitas milagrosas para a felicidade nem para a realização pessoal, e
cada um terá de ver o que funciona para si. O que aqui deixei são apenas algumas ideias
minhas sobre o tema, que espero possam contribuir para a tua própria reflexão e exploração
pessoal.

Por favor, não deixes de procurar o que te faz feliz. Não é esse, afinal, o maior objetivo de
vida? Acredito profundamente que todos o podemos conseguir.

Queria também salientar o facto de que a maior parte das coisas que aqui referi prendem-se
muito mais com mindset do que com situações práticas de vida. Ou seja, acredito que a

- 37 -
5 - CONCLUSÃO

maior parte das pessoas não precisa de fazer mudanças de vida gigantes para ser mais feliz.
Basta, muitas vezes, adaptarmos um pouco a forma como pensamos, como encaramos as
situações, ou mesmo como pensamos sobre nós próprios, para conseguirmos ter um senti-
mento muito mais completo de felicidade e realização. Às vezes, acrescentar a isso alguns
pequenos ajustes ao nosso estilo de vida, pode ser o suficiente para nos sentirmos muito
melhor.

Apenas uma chamada de atenção: se sentires que estás com problemas mais profundos,
que podes estar a cair num buraco do qual não consegues sair sozinho, por favor, procura
ajuda profissional. Não temos de ser heróis nem de conseguir desenrascar-nos sozinhos
em todos os campos e há profissionais maravilhosos que te podem ajudar a ultrapassar os
piores momentos. Pede ajuda, por favor!

Finalmente, espero que continues a explorar estes tópicos por ti. Há tanta informação dis-
ponível sobre tudo isto, basta procurar por uns minutos no Google e consegues encontrar
milhões de artigos, videos e podcasts. Da minha parte, sabes que podes continuar a contar
com reflexões e artigos focados nestes assuntos, sempre no sítio do costume: deixaser.pt.
Encontramo-nos por lá?

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Obrigada
por refletires
comigo

- 39 - deixaser.pt

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