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FUTEBOL

O Treino da Finalização

“O culto do fácil”

O remate, termo que genericamente significa finalização ou conclusão de


algo, é porventura o gesto técnico aparentemente mais fácil de exercitar,
mas aquele que, na prática, maiores dissabores ou frustrações produz,
tendo em conta que a média de concretizações dos remates deferidos por
jogo não deverá andar além dos 15% a 20%, quando não menos.
Produto de um conjunto laborioso de acções, o remate aniquila com
frequência uma enorme soma de esforços, cujo encadeamento e sequência
implicam o envolvimento, praticamente, de toda a equipa, obedecendo a
um conjunto de estratégias diligentemente treinado e integrado por todo o
grupo.

Em suma, mais de 80% das finalizações deitam por terra este enorme
esforço conjunto, obrigando a retomar, quase sempre do zero, todo um
trabalho aturado e laborioso, que conduz à proximidade da baliza e busca
de uma oportunidade de concretização.
Nesta perspectiva, o treino do remate deve obrigar a uma atenção
especial e a uma busca incessante de caminhos que conduzam à sua
melhor eficácia.

Naturalmente que – tratando-se de um gesto técnico difícil, por ser aquele


que maior e mais diversificada oposição recebe, bem como menor espaço
de manobra – o remate tem uma relação difícil com a estatística,
constituindo-se numa preocupação permanente para os técnicos que
procuram exercitar os seus atletas da melhor forma possível.
Não se perspectiva que o treino do remate não se faça rematando.
Qualquer gesto técnico, seja em que modalidade for, só obtém equilíbrio e
performance funcional quando exercitado.

A questão que parece urgir tem a ver com o como treinar – de modo a
colher o chamado fruto apetecido, para o qual converge o esforço de todos
– e pouco com o treinar repetida e exaustivamente situações fáceis sem
qualquer condicionante que dificulte a sua execução, deixando o espírito
do técnico descansado e convicto de que não será por falta de treino da
finalização que vai perder o jogo.

Mas perde-se.
Perde-se por via de múltiplos caprichos do jogo e um sem número de
imponderáveis para os quais não há antídoto nem forma de subversão,
mas, em variadíssimas situações, também porque no capítulo da
finalização o trabalho de treino pode não ser o mais profícuo ou adequado,
muito embora os atacantes e médios se exercitem em treino desferindo
dezenas de remates, uns com acerto outros desastrados, ainda que
sempre sem comprometimento para a imagem do atleta; porque treino é
treino e em treino o erro ou desacerto gozam de um determinado grau de
liberdade e condescendência que descomprometem o jogador.

Transferidos os nossos desacertos em treino para o jogo, quando surge a


derrota subjaz a perplexidade e muitas vezes o lançar mão dos lugares
comuns do futebol, exprimidos com alguma frequência.
Ou “… tivemos azar…”, ou “… a bola é redonda…”, ou “… o futebol é
mesmo assim…”, ou, ainda “… o árbitro não esteve bem…”.
Ocorre é que, de facto, qualquer destas trivialidades pode perfeitamente
acontecer.

- Nem sempre a sorte protege os audazes;


- Por maiores ou menores alterações que se promovam na bola esta
continua redonda e, cada vez mais, caprichosa;
- Os árbitros nem sempre tomam as melhores decisões e estas muitas
vezes são-nos desfavoráveis.

O futebol, na verdade, contém um sem número de imponderáveis que


lhe conferem incerteza e um enorme poder de sedução e beleza, que faz
dele, porventura, o maior aglutinador da humanidade, capaz de altercar
de forma violenta os sentimentos mais desavindos, para logo a seguir os
unir como que por magia, sublimada por cânticos e coreografias
multicores de raro fascínio.

Há quem diga que a distância que vai da glória de um treinador campeão


ao derrotado mais vilipendiado, pode medir-se em 3 ou 4 centímetros
medidos no poste onde a bola embateu e entrou ou não entrou. Ou ainda
na dependência de um lapso de tempo não superior a 5 ou 10 segundos,
tempo de duração de um único rasgo de um jogador que, com ou sem
sorte, com ou sem mérito, resolve o jogo.

Nos dias que vão correndo, no processo de treino – qualquer processo de


treino – o grande desafio que se coloca ao técnico já não é a escolha dos
meios (exercícios de maior ou menor proficuidade) ou do tempo
(escalonamento do esforço de modo a rentabilizar o rendimento do atleta).
Hoje em dia, não só o conhecimento da essência fisiológica do homem
evoluiu de forma extraordinária, com especial relevo para a vertente
desportiva, permitindo um controlo mais rigoroso dos processos de
acomodação fisiológica às exigências do esforço, como se torna fácil
encontrar uma profusão de manuais, publicações ou, mais modernamente,
trabalhos disponíveis na Internet, onde se apresentam os mais diversos
tipos de exercícios, de maior ou menor elaboração, capazes de satisfazer o
critério de escolha de maior ou menor exigência.

A aquisição de um comportamento ou adestramento de uma determinada


performance desportiva requer, contudo, algum rigor de especificidade de
processos a utilizar, sob pena do treino se ficar por rotinas de reduzida
resultante, contribuindo assim para uma duvidosa eficácia quando
transferidas para o jogo.
À semelhança de outras áreas de intervenção do treino, também a
finalização deve requerer um determinado tipo de requisitos sem os quais
não é possível atingir os melhores resultados.

Aqui há umas boas dezenas de anos, soou uma espécie de alerta no


Basquetebol Americano relativamente à concretização.
Habituados desde muito cedo a utilizar a estatística como instrumento
imprescindível de análise da performance do atleta, concluíram que a
concretização em treino era bastante superior àquela que se verificava em
jogo. Mesmo adicionando-lhe a componente oposição, como condicionante
indispensável.
A conclusão a que se chegou é que ocorria um erro fatal no processo de
treino.
Os atletas exercitavam o acto de lançamento normalmente em repouso,
aliviados da componente esforço do jogo, o que desvirtuava a acomodação
do gesto técnico, adquirido e cimentado numa determinada base de
disponibilidade psicofísica, que não obtinha a transposição mais eficaz
para o contexto de jogo.

Embora não sendo possível engendrar em treino a pressão psicológica da


competição – esta uma outra condicionante de grande relevo – o exercício
específico da concretização passou a ser realizado após trabalho táctico
intenso, ou outro onde a componente de esforço fosse exacerbada, de
modo a forjar um contexto semelhante ao do jogo, o que veio a melhorar
de forma sensível o rendimento da concretização quando em situação real.
Ou seja, os atletas passaram a exercitar e a acomodar as aquisições num
contexto de desempenho semelhante ao do jogo, logo a ajustar o gesto
técnico num contexto agressivo de esforço.

Esta, uma primeira regra que deve ser aplicada também ao futebol. O
atleta deve treinar o remate na parte final do treino, ou após trabalho de
acondicionamento físico, de modo a exercitar esse gesto técnico num
contexto de esforço semelhante ao jogo.

Uma segunda preocupação tem a ver, genericamente, com um


determinado grau de dificuldade que deve ser acrescentado ao exercício,
de forma a obrigar o atleta a um determinado nível de superação que
transcenda a concretização fácil, consubstanciada, por exemplo, em
remates frontais à baliza sem qualquer condicionante de oposição, de
espaço, de tempo, diminuição substancial da dimensão da baliza, ou
ângulo de remate. O culto do fácil…
Quando em jogo, o atleta não encontra a mesma disponibilidade de
condições e enquadramento, tornando o trabalho desenvolvido em treino
praticamente obsoleto e com reduzida transposição para o jogo real.

Ainda que o exemplo não colha uma inferência directa para a questão em
apreço, pode, contudo, expressar um esboço daquilo que se pretende
afirmar.
Tomemos como exemplo um maratonista cuja prova tem como distância a
percorrer 42,195 km.
O treino deste atleta não configura que percorra aquela distância como
forma de preparação. O atleta é solicitado a um trabalho específico onde,
entre outros, será submetido a piques de esforço muito superiores àqueles
a que será sujeito na prova, como forma de elevação de determinadas
capacidades de resistência ao esforço.
Ou seja, são-lhe proporcionados elementos de trabalho de intensidade
superior aos da prova em si, ainda que durante lapsos de tempo curtos, de
modo a acomodar capacidades cuja elevação tem transposição para a
complexidade da prova.

Ajustando os exemplos a realidades mais próximas, uma equipa de futebol


não treina os seus esquemas tácticos, ou preparo físico, fazendo ao longo
da semana normal de trabalho jogos de futebol completos. Bem pelo
contrário, são proporcionados esquemas de trabalho e exercícios onde a
intensidade e, ou, complexidade dos mesmos são elevados a níveis
bastante superiores aos experimentados em jogo, embora doseados com
critério no tempo de duração, forma e escalonamento ao longo da semana.

Ainda na senda deste exemplo, haverá por certo uma altura em que o
técnico pretenderá observar um determinado tipo de comportamentos no
desempenho da sua equipa na globalidade, com todos os seus sectores
ligados e em permanente interacção. Para tal promove um jogo-treino com
uma outra formação.
Neste caso, e de acordo com o princípio que aqui se procura delinear,
independentemente do valor da equipa escolhida para o confronto –
frequentemente um grupo de menor capacidade, que desde já
contestamos como uma boa opção – em nossa opinião, esta deve ser,
digamos que, mascarada, de forma a oferecer uma resistência superior
que obrigue a equipa principal a encontrar meios de superação
elaborados, que só podem proporcionar benefícios quando da sua
transposição para o jogo real.

Assim, e a título de exemplo, uma forma possível de conseguir esse


reforço de oposição, consiste em dotar a equipa escolhida para o
confronto de treino, com doze jogadores em campo, alternando um
jogador a mais ora na defensiva, ora no meio-campo, ora no ataque, de
acordo com o interesse do técnico em proporcionar dificuldades a um ou a
outro sector, ou a todos alternadamente.
Esta, uma perspectiva de trabalho que nos leva a contestar a escolha,
frequentemente adoptada por alguns técnicos, de procurar uma equipa de
treino com um nível de desempenho baixo, de modo a – diz-se – permitir,
de forma facilitadora, o desenvolvimento e aquisição das movimentações
da equipa.

Em nossa opinião, nada de mais errado. Trata-se de procurar adquirir e


cimentar um facilitismo que, em princípio, e na realidade, jamais irá
ocorrer.
A questão que se coloca é a de saber que transposição pode ter para o
jogo real uma aquisição facilitadora que posteriormente não irá ser
permitida pelo adversário, quando o confronto for a sério.
Se eu aprender a conduzir um automóvel numa pista construída em
espaço aberto, com ruas e cruzamentos delineados, mas sem automóveis,
como vou depois conduzir numa cidade real?

O ser humano tende a comportar-se adaptando os seus comportamentos


ao meio que o rodeia. Se o meio ambiente se altera tende a errar até que,
aos poucos, promove adaptações compatíveis que favoreçam o necessário
reequilíbrio. Mas até reaprender, erra.
Num jogo-treino, onde o adversário se revela permissivo, opera-se um
comportamento adequado e adaptado a essa mesma permissividade.
Alterada essa oposição macia, quando em confronto com uma equipa de
maior capacidade, os jogadores tenderão a errar porque se alterou o
“meio ambiente”, digamos assim. Ocorre, portanto, uma adaptação
viciada. De nada terá servido a permissividade escolhida para que a
equipa integrasse elementos de organização e entrosamento entre os seus
jogadores e sectores, se eles não tiverem posteriormente espaço de
aplicação.

No contexto em que vimos apresentando esta intervenção, a organização


do treino de finalização comporta algumas dificuldades quanto à forma de
criar artificialmente obstáculos ao rematador de modo a elevar o grau de
aplicação do jogador, tornando assim possível a apreensão de
determinados elementos técnicos específicos da concretização com
oposição, como sempre ocorrerá quando em jogo

Se for proporcionada uma oposição de 1x1 directa e frontal, serão,


teoricamente, tantas as vezes em que não há sequer remate, quanto as
que o atacante consegue espaço para finalizar.
Ainda que se trate duma situação real, não deve perder-se de vista que é o
treino do remate que está em causa e não um outro trabalho colateral.
Este tipo de trabalho de 1x1 em oposição directa deve também ocorrer,
embora num contexto de treino técnico de transposição do defesa, não
sendo pertinente em trabalho específico de finalização.

No entanto, é possível criar situações de pressão que devem ser


congeminadas pela imaginação do técnico, de que se dão apenas alguns
exemplos indicativos.
Neste, como noutros campos, a imaginação deve ganhar asas não se
ficando pela cópia simples, e não poucas vezes pobre e inadequada, de
propostas de exercícios retirados das mais diversas fontes.

Adoptando diferentes linhas em direcção à baliza e distâncias


variadas (10, 15, 20 metros fora da grande área):

1- Atacante parado com bola nos pés; jogador defesa um a dois


metros atrás; sinal de partida, atacante parte em direcção à baliza
com a bola nos pés; jogador defesa parte em sua perseguição no
sentido de lhe tirar a bola. Deverá ser estipulada uma linha entre
dois cones até à qual o remate deverá ser desferido, variando a
sua distância da baliza, embora o trabalho deva ser realizado com
esta linha e sem ela. Naturalmente importante variar as linhas de
percurso do exercício.

Legenda – - Atacante - Defesa - Técnico - Bola -


Pino

2- Situação semelhante mas com o jogador defesa partindo ao lado


do atacante sem qualquer acção de oposição imediata. A condução
da bola por parte do atacante deve ser sempre rápida quanto
possível. Num determinado momento decidido pelo técnico (por
meio de um apito, perto da zona de remate) o defesa pode fazer
oposição, procurando impedir o remate.

3- Idêntica situação à anterior mas agora o jogador defesa só fará


oposição no momento em que o atacante decidir rematar. O
momento da decisão de interferir e dificultar o remate pertence ao
defesa.

4- Jogador atacante (com bola) e defesa, costas com costas, a cerca


de 5 metros da grande área. Ao sinal, e no mais breve espaço de
tempo, o atacante opta por um dos lados para se voltar e rematar,
com oposição imediata do defesa. Tornar o exercício o mais
variado possível quanto ao local onde se devem colocar os
jogadores. Dentro e fora da área.

Nota: Em todos estes exercícios, obviamente que a presença do


guarda-redes é imprescindível, devendo mesmo funcionar como um
excelente momento de treino para este.

Estes, apenas alguns exemplos onde a oposição moderada ao remate pode


contribuir para melhores aquisições técnicas de suporte por parte do
rematador.

No entanto, onde nos parece que deve incidir um maior apuro no capítulo
da finalização é naquilo a que poderíamos chamar de “má qualidade da
bola”.
E o que se pretende dizer com esta estranha qualificação?

Conforme vimos procurando expressar, o treino da finalização a partir de


remates simples desferidos de fora ou dentro da grande área, sem
qualquer oposição, estorvo ou dificuldade adicional na sua execução,
configura um contexto paradigmático quanto à natureza facilitadora da
sua execução, distante da realidade, logo com pouca ou nenhuma virtude
transponível para o jogo.
Assim sendo, e porque uma oposição mais concreta se torna pouco eficaz
no sentido de permitir manobrar a intensidade dessa mesma oposição,
resta condicionar o posicionamento e trajectórias da bola, atribuindo-lhe a
referida “má qualidade”.

Ocorre ainda que a zona frontal à baliza, sendo aquela que melhores
condições oferece para remate é, sem dúvida, a que maior controlo
confere por parte da equipa que defende.
Poderá pois aceitar-se que a zona frontal da baliza não carecerá de treino
apurado porque, além de todas as questões que vimos enumerando,
parece claro que o remate aí efectuado tem mais a ver com a
oportunidade que com o grau de dificuldade.
A proposta é pois proporcionar aos rematadores bolas difíceis para
remate, quer nos ângulos, quer nas trajectórias e tipo de mobilidade.

É nossa convicção que um jogador sujeito a treino de finalização complexo


não terá quaisquer dificuldades em resolver com destreza uma situação
fácil de concretização. A contrária é que já nos parece inviável. Um atleta
sujeito a situações de treino facilitadoras não pode augurar boas soluções
quando em posições complexas de remate.

Os exercícios que se seguem são, mais uma vez, meros indicadores e um


desafio à descoberta de situações diversificadas que tenham como lema
dois pontos:

A – Correspondam a situações e posições passíveis de ocorrerem em


jogo e;
B – Comportem um grau mínimo de dificuldade que obrigue o atleta
a algum esforço de superação.

Necessariamente que os exercícios que se apresentam deverão ser


trabalhados pela direita e pela esquerda, embora os exemplos mostrem
apenas um dos lados.

1 – Técnico colocado à frente da grande área, lança a bola, ora


rasteira, ora a saltar para uma zona enfiada na diagonal da pequena área.
O rematador, que se encontra atrás de si, procurará ir ao encontro da
bola, rematando sem dominar.
2 – Situação semelhante à anterior, mas a bola agora é lançada pelo
guarda-redes, ora rasteira, ora a saltar para a mesma zona. O rematador
encontra-se fora da área, acorre ao encontro da bola e remata sem
preparação. De considerar uma segunda dificuldade proporcionada, que é
a trajectória de corrida a que é obrigado o atacante, conforme se ilustra
na figura.

3 – Colocação de pinos, conforme se documenta na figura. O atacante


conduz a bola em zig-zag rematando no final mal termine o percurso. O
último pino deve ir sendo colocado em ângulos cada vez mais difíceis, à
medida que os jogadores forem demonstrando algum adestramento na
finalização.
4 – Colocação de uma fila de pinos paralela à linha de área e um
último pino de novo numa posição difícil. O atleta deve contornar e
rematar. A colocação do último pino deve pois variar, de acordo com o
princípio do exercício anterior.

5 – Técnico e rematador colocados conforme figura. Técnico lança a


bola para idêntica zona, umas vezes rasteira, outras em ressaltos. Jogador
partindo da zona indicada, remata sem preparar a bola.
6 – Bola atirada pelo guarda-redes para a zona indicada fora da
grande área, alternando a forma de lançamento. Rematador domina com
um único toque e remata fora da área.
7 – Técnico lança a bola conforme figura. Rematador capta e remata
após um único toque de controlo, da zona onde se situa a bola.

8 – Técnico colocado junto à linha final com a bola. Atacante fora da


grande área. Bola lançada rasteira, atravessando uma zona do relvado
onde se encontram vários pinos de baixo e médio relevo, procurando que
ocorram aí alguns pequenos ressaltos. Rematador ataca a bola dentro da
área e remata, de preferência de primeira. Os pinos pretendem promover
alterações na trajectória da bola, circunstância que poderá ocorrer em
qualquer momento de jogo.
9 – Percurso feito com a bola dominada, entrando na área e saindo
dela, com remate imediato após contorno do último pino.

10 – Por fim um último exercício que poucas vezes se vê exercitado,


talvez porque de tão “fácil”, poucos se lembrem de que, fácil… só o falhar.
Exercício semelhante a um outro anteriormente apresentado, mas agora
com uma outra finalidade. Atacante com bola, a meio entre a linha de meio
campo e a linha da grande área. Um defesa colocado atrás deste cerca de
4 a 5 metros (distância a ajustar, dependendo da velocidade dos
jogadores). Ao sinal, o atacante partindo com a bola, perseguido pelo
defesa, procura contornar o guarda-redes e marcar. A finalidade do defesa
em perseguição do atacante, não é mais do que dar ao exercício um cunho
de realidade, impedindo assim que ocorra uma manobra facilitadora do
atacante frente ao guarda-redes sem qualquer pressão, que no jogo,
jamais acontecerá.

Não se aborda aqui a concretização de cabeça após cruzamento e o treino


da marcação da grande penalidade, por manifesta falta de espaço,
procurando não alargar mais o presente texto.
Quanto à grande penalidade deixamos apenas uma sugestão de treino.
Consideremos que o “fácil” será marcar o penalti nos 11 metros habituais.
Treinemos então os pontapés de grande penalidade dos 12 metros bem
mais difíceis.
Afigura-se pertinente considerar que o jogador que se apura na marcação
do penalti nos 12 metros, passará a usufruir de um grau de dificuldade
inferior ao reduzir a distância dos 12 para os 11 m.

Quanto à concretização de cabeça trata-se de uma área interessante a


merecer alguma polémica e debate, se constatarmos que, no nosso país, a
percentagem de concretizações de cabeça, relativamente aos cruzamentos
efectuados para a área, não deverá andar muito distante dos 5%.
Daí que talvez se constitua num bom ponto de partida analisar da bonomia
do estereótipo do futebol português, confinado no despejar bolas para a
grande área, donde resulta um aproveitamento de cerca de 5%.
O que está errado são os métodos de treino na finalização de cabeça, as
características dos nossos jogadores, ou outra?
A ocorrer uma ou várias destas perspectivas, seria recomendável
ponderar melhor alguma filosofia do nosso futebol, ou será ajustado que
em 20 cruzamentos em média uma equipa concretize 1 único golo?

Por fim deixar o seguinte princípio.


O treino é sempre uma exacerbação dos valores detidos pelo atleta.
Qualquer treino que não promova essa elevação está condenado ao
fracasso e a viver, muitas vezes, na dependência do acaso, que nem
sempre são apenas os tais 3 ou 4 cm que separam a glória da desolação.

Pedro Cabrita

Lic. Educação Física