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204 Sonia Regina Albano de Lima

Referências
QUAL MÉTODO USAR? PRESSUPOSTOS
ALVAREZ, Amélia e DEL RÍO P bl - TEÓRICOS, DELINEAMENTO E ESTRUTURAÇÁO
J!;~J
V k ' a o. Educaçao e Desenvolvimento' a teoria d .
e a z?na ~e desenvolvimento próximo. In: COLL, César: PAL~CIOS, Jesús; DO MÉTODO QUANTITATIVO
cação. 2~~ir~~v:~
v. (~~~s.~ ~;senvolvlment~ Psicológico e Educação - Psicologia da Edu-
g e o Alves). POItOAlegre: Artes Médicas, 1996, p. 79-104.
GATTI, Bernadete A. O que é Psicologia da Educa ã ;l O .
Hugo Cogo Moreira
~::;ó~~~r~~ cO;hecimento? ln.Psicologia da Educaçdo ~'Re~~t~ ~~ep~~ag~:~: ~~ ;s:::
ua os em PSICologIa da Educação. n. 5, p. 73-90, 1997.
CALDEIRA, Zoica Andrade O ~ P l M d d d
talar: uma abordag "'1" a e e ta 01' a Educação Musical no Contexto Hospi-
Artes da Universidade Estadual Pauli~ta _ ~Ni;;:
em SOCIO-ustorica DIsse t - (M d .
Sã~s;:UI~,e~~.úslCa). Instituto de

LEONTIEV, Aléxis N ApA d' . A .. Falar de pesquisa quantitativa na produção científica da área musical
de L. S. Vigotski. 1n V~GO~S:~S' I tlgo de Intro~ução sobre o Trabalho Criativo
Berliner) São P I. M' ' Lev S. Teoria e Metodo em Psicologia. (Trad. Claudia ou de qualquer outra área em Artes, a primeira vista, pode parecer um assun-
. au o. artms Fontes, 1999, p. 465-469. to não pertinente e completamente deslocado da produção desta; entretanto,
ME IRA, Marisa Eugênia Melillo. Psicolo ia Hi ' . cada vez mais, os métodos quantitativos são requisitados, utilizados e, acima de
tos e articulações com a Psicologia da E~ ~tor~co~ultural: fundamentos, pressupos- tudo, necessários para responder alguns tipos de dúvidas feitas por linhas de
FACCI Marilda Go I' ucaçao. n EIRA, Mansa Eugênia Melillo e
pesquisa e projetos científicos. Por outro lado, quando tratamos de pesquisa
encont;o entre a sub~~~v~~sa~~a: ~~~~:~ç~StC~l~glpa,HlistórciCO-CUltU1~l:
contribuições para o
o. ao au o: asa do PSICólogo,2007, p. 27-62. qualitativa, tal tipologia metodológica parece soar muito mais conveniente e
TRAJANO, Alexandre. O Sentido das ATt P . coerente. Muito mais que coerente e pertinente a um determinado ambiente
(Mestrado em M" I . d es na erspecuua de fI. Gardner, Dissertação
úsica). nstJtuto e Arte d· U' id de pesquisa cientifica ou disciplina, o uso de um ou outro método está di-
São Paulo, 2008. s a mversi ade Estadual Paulista - UNESP:
retamente relacionado com as características dos projetos e seus respectivos
propósitos.
~~~~~~KY, Lev S. Psicologia da Arte. (Trad. Paulo Bezerra). São Paulo: Martins Fon-
O objetivo desse capítulo é esclarecer os principais pressupostos que
envolvem a utilização do método quantitativo, procurando assim, auxiliar fu-
VYGOTSKY, LEV 5. Dominio de Ia .', d
VI'SO r D'IS t 11'ib UlClones,
. . propia con ucta. 171 Obra: Escogidaslll Madrid: turas pesquisas que tenham o intuito de utilizá-Ia. Apontar-se-ão os elementos
1995, p. 285-302. . .
considerados básicos para o delineamento e estruturação de um projeto de
VYGOT5KY
. ' Lev 5 . T'eoria e M'étodo em PSicologia.
. (Trad CI' di. B I' . c pesquisa com tal metodologia, proporcionando ao leitor, paralelos estruturais
~artIns Fontes, 1999. . au ia er mel). São Paulo:
com a fundamentação da pesquisa qualitativa quando necessário.
VYGOT5KY, Lev S. O instrument ímh I . Ao se falar de método quantitativo, algumas definições e pre-conceitos
f'.ormaçao
.- S 'al d o e o SIm o o no desenvolvImento da criança In: A
oaa a Mente.(Trad J ' G li' . ". .. . nos vem a lembrança, tal como, que o método quantitativo é mais objetivo,
IreCastro Afeche) São P I. M',~se IPO a Neto; LUISSilveira Menna Barreto; Solan-
o . au o. ar uns Fontes, 1998a, p. 25-40. típico de pesquisas nas áreas exatas e biológicas e, freqüentemente, usado para
V'YGOT5KY, Lev. 5. Problemas de M' dI.' - . lidar com dados exclusivamente numéricos. Tais pressupostos são, todavia,
Cipolla Neto' LUI's51'1 . M B eto o. n. A Formaçõo So.cial da Mente. (Trad. José muito vagos e imprecisos, pois, devemos considerar alguns pontos anteriores,
, veira enna arreto: Solan C . AfI -
fontes, 1998b, p. 77-99. ,ge astro eche). Sao Paulo: Martins como por exemplo, a natureza dos dados e as razões para estudá-Ios, Para tal,
podemos pensar no que se pretende mensurar em um estudo, como e para que
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Ensino, Música & ltuerdisciplimaridade 207
fazê-lo. Tod~s ~sses questionamentos devem estar claros, inteligíveis e rigoro-
samente delImItados no início da pesquisa. tica bem delimitada, mas não possuir uma dúvida a respeito da mesma. Por
exemplo, um pesquisador pretende estudar a dificuldade de aprendizagem em
A delimitação do conjunto de indivíduos que apresentam uma ou mais
crianças do ensino médio da rede pública da região sul da cidade São Paulo.
~aracterísticas em comum e, suscetíveis de serem observados em uma pesquisa
Observe-se que novamente o pesquisador não apresentou um questionament~
e.chamado pel.as estatísticos como população e deve ser delimitada logo no ini-
a respeito dessa população, mas a população está delimitada. Não temos aqUJ
CIOde um projeto. Para esse C01PUS uma dúvida será elaborada com o intuito
uma dúvida para o nosso corpus de pesquisa.
de estudar alguma característica a qual o pesquisador tenha interesse. Essas
O pesquisador possui uma idéia da população e a temática que ele dese-
características são chamadas de variáveis pelos estatísticos e podem assumir
diferentes valores, dependendo do estudo. ja estudar, mas ele não sabe o porquê e como fazer. Par~ resolver essa situaçã?
podemos perguntar se existiria uma relação ent~e a dJllcu!~ade de ap~-endl-
O pesquisador pode possuir uma população bem definida, por exem-
zagem em crianças do ensino médio da rede púbhca .da.reglao sul e o TIl,velde
plo, um conjunto de crianças de oito anos de uma rede de escolas de uma
desnutrição que essas possuem, ou ainda, qual é a disciplina em que o índice
cidade, mas não possuir: 1- uma característica de interesse a ser estudada. 2-
de reprovação é menor. Também é valido formular hipóteses como, por ~x~m-
uma dúvida que norteie a utilização dessa característica. Em outras palavras,
pio, crianças do sexo masculino são mais reprovadas que as de sexo feminino,
no ,ca.so da pop~lação acima delineada, poderíamos estudar a seguinte carac-
filhos de pais separados possuem maior dificuldade na escola que as cnanças
tensuca ou ~a.nável (destreza motórica) e questionar se os meninos possuem
de pais casados.
mel.hor moton~a quando comparados com as meninas. Em outras palavras, o
Muito antes do delineamento de um projeto de pesquisa, observa-se
conjunto de cnanças constitui o corpus de nossa pesquisa, mas, o que se pre-
que alguns pesquisadores vão a campo com posse de vários questionários/gra-
tende estudar, da forma com estava delimitada, carece de uma variável ou
vadores sem antes possuírem uma dúvida e sem saber ao certo o que estão pro-
característica e de uma pergunta que norteie a condução do estudo.
curando ou mensurando. Essa busca desenfreada por dados e resultados pode
. . Dúvidas devem aguçar a curiosidade do cientista, produzindo uma
comprometer todo o andamento da pesquisa, pois, dados c.ol.etados de forma
mqUIetação q~~ s~rá es.clarecida por meio de um processo metodológico co-
errônea ou equivocada logo de início, não poderão ser corrigidos no decorrer
erente e as v~navels de mteresse serão mensuradas por ferramentas pertinen-
da pesquisa. Por isso é importante um estudo piloto prévio.
tes a tlpologla dessas. Em outras palavras, caso o cientista tenha o intuito de
De posse dessas perguntas e hipóteses, podemos começar a especu.l~r a
mensurar destreza motórica das crianças, poderão ser utilizados alguns testes
metodologia mais conveniente para responder esses questionamentos. Utiliza-
neurológicos. Não seria conveniente fazer uso, nesse caso, de uma balança ou
fita métrica para tal. se, atualmente, o anacrônimo FINER o qual reúne os cinco elementos básicos
de uma boa questão. A questão deve ser factível, interessante, nova (inovadora,
. ,O cientista muito antes de decidir qual o procedimento metodológico
original), ética e relevante. "
que Ira utilizar em sua p~squisa, deverá ter claramente delimitada a pergun-
Na busca do método mais conveniente para elucidar nossos quesno-
ta norteadora de seu projeto, para que, posteriormente, ele possa escolher a
namentos e dúvidas, inevitavelmente seremos confrontados com os princípios
mel.hor op~ã~ ~etodológica e logística para a realização do projeto. Esse pro-
teóricos inerentes ao método por nós escolhido.
cedimento llllClal- possuir uma dúvida - será a força motriz para o desenvol-
Essa acirrada discussão metodológica entre o método quantitativo e
virnento de toda a pesquisa, seja ela na área de música ou de qualquer outra
qualitativo não é privilégio único e exclusivo da áre~ musical e .art.es em geral.
dlSCIplma: Portanto: negligenciar tal procedimento, pode comprometer todo o
desenvolvimento e leitura do trabalho. Assim ocorreu com a chamada sociologia matemática ou posiuvista baseada
em Auguste Marie François Comte, que recebeu a contraposição com a poste-
É necessária a distinção de temática e dúvida, assim como a distinção
riormente emergida sociologia, denominada compreensiva ou mterpretat~va,
entre a população e variáveis, visto que o trabalho pode possuir uma temá-
cujas posições polarizadas ainda hoje mantêm relações de tensão acadêmica.
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fazê-lo. Tod~s ~sses questionamentos devem estar claros, inteligíveis e rigoro-
samente delImItados no início da pesquisa. tica bem delimitada, mas não possuir uma dúvida a respeito da mesma. Por
exemplo, um pesquisador pretende estudar a dificuldade de aprendizagem em
A delimitação do conjunto de indivíduos que apresentam uma ou mais
crianças do ensino médio da rede pública da região sul da cidade São Paulo.
~aracterísticas em comum e, suscetíveis de serem observados em uma pesquisa
Observe-se que novamente o pesquisador não apresentou um questionament~
e.chamado pel.as estatísticos como população e deve ser delimitada logo no ini-
a respeito dessa população, mas a população está delimitada. Não temos aqUJ
CIOde um projeto. Para esse C01PUS uma dúvida será elaborada com o intuito
uma dúvida para o nosso corpus de pesquisa.
de estudar alguma característica a qual o pesquisador tenha interesse. Essas
O pesquisador possui uma idéia da população e a temática que ele dese-
características são chamadas de variáveis pelos estatísticos e podem assumir
diferentes valores, dependendo do estudo. ja estudar, mas ele não sabe o porquê e como fazer. Par~ resolver essa situaçã?
podemos perguntar se existiria uma relação ent~e a dJllcu!~ade de ap~-endl-
O pesquisador pode possuir uma população bem definida, por exem-
zagem em crianças do ensino médio da rede púbhca .da.reglao sul e o TIl,velde
plo, um conjunto de crianças de oito anos de uma rede de escolas de uma
desnutrição que essas possuem, ou ainda, qual é a disciplina em que o índice
cidade, mas não possuir: 1- uma característica de interesse a ser estudada. 2-
de reprovação é menor. Também é valido formular hipóteses como, por ~x~m-
uma dúvida que norteie a utilização dessa característica. Em outras palavras,
pio, crianças do sexo masculino são mais reprovadas que as de sexo feminino,
no ,ca.so da pop~lação acima delineada, poderíamos estudar a seguinte carac-
filhos de pais separados possuem maior dificuldade na escola que as cnanças
tensuca ou ~a.nável (destreza motórica) e questionar se os meninos possuem
de pais casados.
mel.hor moton~a quando comparados com as meninas. Em outras palavras, o
Muito antes do delineamento de um projeto de pesquisa, observa-se
conjunto de cnanças constitui o corpus de nossa pesquisa, mas, o que se pre-
que alguns pesquisadores vão a campo com posse de vários questionários/gra-
tende estudar, da forma com estava delimitada, carece de uma variável ou
vadores sem antes possuírem uma dúvida e sem saber ao certo o que estão pro-
característica e de uma pergunta que norteie a condução do estudo.
curando ou mensurando. Essa busca desenfreada por dados e resultados pode
. . Dúvidas devem aguçar a curiosidade do cientista, produzindo uma
comprometer todo o andamento da pesquisa, pois, dados c.ol.etados de forma
mqUIetação q~~ s~rá es.clarecida por meio de um processo metodológico co-
errônea ou equivocada logo de início, não poderão ser corrigidos no decorrer
erente e as v~navels de mteresse serão mensuradas por ferramentas pertinen-
da pesquisa. Por isso é importante um estudo piloto prévio.
tes a tlpologla dessas. Em outras palavras, caso o cientista tenha o intuito de
De posse dessas perguntas e hipóteses, podemos começar a especu.l~r a
mensurar destreza motórica das crianças, poderão ser utilizados alguns testes
metodologia mais conveniente para responder esses questionamentos. Utiliza-
neurológicos. Não seria conveniente fazer uso, nesse caso, de uma balança ou
fita métrica para tal. se, atualmente, o anacrônimo FINER o qual reúne os cinco elementos básicos
de uma boa questão. A questão deve ser factível, interessante, nova (inovadora,
. ,O cientista muito antes de decidir qual o procedimento metodológico
original), ética e relevante. "
que Ira utilizar em sua p~squisa, deverá ter claramente delimitada a pergun-
Na busca do método mais conveniente para elucidar nossos quesno-
ta norteadora de seu projeto, para que, posteriormente, ele possa escolher a
namentos e dúvidas, inevitavelmente seremos confrontados com os princípios
mel.hor op~ã~ ~etodológica e logística para a realização do projeto. Esse pro-
teóricos inerentes ao método por nós escolhido.
cedimento llllClal- possuir uma dúvida - será a força motriz para o desenvol-
Essa acirrada discussão metodológica entre o método quantitativo e
virnento de toda a pesquisa, seja ela na área de música ou de qualquer outra
qualitativo não é privilégio único e exclusivo da áre~ musical e .art.es em geral.
dlSCIplma: Portanto: negligenciar tal procedimento, pode comprometer todo o
desenvolvimento e leitura do trabalho. Assim ocorreu com a chamada sociologia matemática ou posiuvista baseada
em Auguste Marie François Comte, que recebeu a contraposição com a poste-
É necessária a distinção de temática e dúvida, assim como a distinção
riormente emergida sociologia, denominada compreensiva ou mterpretat~va,
entre a população e variáveis, visto que o trabalho pode possuir uma temá-
cujas posições polarizadas ainda hoje mantêm relações de tensão acadêmica.
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Ainda no que se refere ao princípio da experime~tação, es~e atestava


De modo semelhante, ocorreu com a denominada psicologia positivista ou
que toda afirmação, para ser considerada científica, devena ser venfic~da p~r
comportan;ental, q~e f~i c~nfrontada com a psicologia compreensiva ou pro- meio da reprodução do fenômeno em questão, enquanto que o da mduçao
funda - polos que institucionalmente também se atritarn. (Turato 2003 p.
buscava a regularidade matemática da repetição do fenômeno, não se, atendo
180). ' ,
exclusivamente ao caso particular observado, mas chegando, contu~o, a ela~o-
Para melhor compreender os pressupostos teóricos e origens de tais
ração de leis de validade universais. Outra famosa passagem ocornda na Vida
entraves, cabe aqui uma rápida digressão relativa à palavra quantidade e sobre
de Galileu, que posteriormente culminaria na Lei do Pêndulo, em 1581, pode
a estruiuração e concepção histórica do método quantitativo.
orientar a observação desses três princípios.
Inicialmente, pensar no termo quantidade nos remete a uma idéia da
No decorrer de um ritual religioso, Galileu começou a observar o ba-
possibilidade de mensuração de grandezas, tais como peso, distâncias e tempo.
lançar de um candeeiro. Utilizando o pulsar do seu coração co~o me~ida de
De acordo com o conceito platônico, a quantidade encontra-se entre o ilimi-
tempo, ele verificou que a freqüência das idas e vindas do .candeelro sena,co~s-
tado e a unidade, sendo somente esta o objeto do saber. Para Aristóteles a tante e confirmou mais tarde as suas conclusões, construmdo os seus propnos
quantidade é aquilo que é divisível em partes determinadas ou determináveis
pêndulos. Assim, Galileu partiu da observ~ção d~ um fenômeno em ~articular
(Abbagnano, 1998, p. 818).
_ o balançar candeeiro na Igreja -, que foi quantlficado p~r uma umdade m~-
Recordando os momentos históricos do pensamento científico, vale a
temática do tempo entre duas pulsações, passou em segUida pela formulaçao
ressalva d~ ~ue a concepção atual de ciência possui cerca de quatro séculos, de uma hipótese e concluiu-a por meio de uma experimentação, confirmando,
te~do seu IllIClOformal com o físico e astrônomo Galileu Galilei (1564-1642).
~o~ ele quem conferiu autonomia à ciência, delimitando qual seu objeto, ob- portanto, a hipótese. ,
A partir de então, a ciência toma como campo de estudo ~s ~enomenos
jetrvo e estrutura metodológica, distinguindo-a, dessa forma, da filosofia e da da natureza, enquanto a filosofia ocupava-se das questões ontolôgícas e a re-
religião. A ciência adquire autonomia no método de trabalho baseado nos se- ligião manteria como seu objeto as ditas verdades religiosas (Turato, 2003, p.
guintes princípios: a observação, a experimentação e a indução. Por meio da ob-
se~vação o cientista registraria os fenômenos tal como a sua ocorrência, sem se 176).
deixar levar por preconceitos advindos externamente do ato científico. Neste
universo externo ficariam os fenômenos de ordem religiosa ou filosófica.
Elementos da pesquisa quantitativa
Um exemplo clássico do principio observacional de Galileu pode ser
encontrado em sua primeira obra publicada em 1610, intutilada Sidereus Num- Alguns elementos do delineamento da pesquisa quantitativa serã~ ex-
cius (A mensagem das Estrelas), na qual ele anuncia o conjunto de observa-
plorados e discutidos e, quando pertinente, estabeleceremos com~araçoes e
ções astr~nômicas feitas com o uso de um "óculos especial". Os protocolos de
exemplificações com a pesquisa qualitativa. Os elementos do, ~ehneamento
observaçao fo~am ~presentados com um fim claro de divulgação e de propa- abordados serão: amostragem, estratégia de amostragem, analise de dados,
ganda, os qU~I~veiculavam como bem o sabia seu autor, notícias capazes de tipologia de perguntas norteadoras e fundamentação metodológica (indução
subverter a visao cosmológica estabelecida desde a Antiguidade e, consolida-
da culturalmente pela teologia cristã e pelo ensinamento universitário oficial. e dedução). .' .
A amostragem em pesquisas quantitativas pOSSUIduas ca.ractens~lc~s
A divulgação assegurava a prioridade do autor nas observações astronômicas
que são extremamente contrastantes c?m.~ a;no~tragen; ~a pesquisa qu~lItatl-
telescópicas; .0 q~e estava longe de ser pouco, pois o Sulereus Nuncius apresen- va, a saber: a amostragem com uma SlgmhcanCla estatlstlca e a aleatonedade
tava, pela pnmelra vez, evidência observacional em favor da plausibilidade do na seleção amostral Primeiramente, considera-se amostragem um processo de
sistema, c~perlllcano e de um universo bastante vasto do que supunha a visão obtenção de uma parcela de uma determinada população. Essa amostra per-
cosmológica tradicional. (Mariconda, 2000, p. 81).
Ensino, Música (3 Interdisciplinaridade 209
208 Sonia Regina Albano de Lima

Ainda no que se refere ao princípio da experime~tação, es~e atestava


De modo semelhante, ocorreu com a denominada psicologia positivista ou
que toda afirmação, para ser considerada científica, devena ser venfic~da p~r
comportan;ental, q~e f~i c~nfrontada com a psicologia compreensiva ou pro- meio da reprodução do fenômeno em questão, enquanto que o da mduçao
funda - polos que institucionalmente também se atritarn. (Turato 2003 p.
buscava a regularidade matemática da repetição do fenômeno, não se, atendo
180). ' ,
exclusivamente ao caso particular observado, mas chegando, contu~o, a ela~o-
Para melhor compreender os pressupostos teóricos e origens de tais
ração de leis de validade universais. Outra famosa passagem ocornda na Vida
entraves, cabe aqui uma rápida digressão relativa à palavra quantidade e sobre
de Galileu, que posteriormente culminaria na Lei do Pêndulo, em 1581, pode
a estruiuração e concepção histórica do método quantitativo.
orientar a observação desses três princípios.
Inicialmente, pensar no termo quantidade nos remete a uma idéia da
No decorrer de um ritual religioso, Galileu começou a observar o ba-
possibilidade de mensuração de grandezas, tais como peso, distâncias e tempo.
lançar de um candeeiro. Utilizando o pulsar do seu coração co~o me~ida de
De acordo com o conceito platônico, a quantidade encontra-se entre o ilimi-
tempo, ele verificou que a freqüência das idas e vindas do .candeelro sena,co~s-
tado e a unidade, sendo somente esta o objeto do saber. Para Aristóteles a tante e confirmou mais tarde as suas conclusões, construmdo os seus propnos
quantidade é aquilo que é divisível em partes determinadas ou determináveis
pêndulos. Assim, Galileu partiu da observ~ção d~ um fenômeno em ~articular
(Abbagnano, 1998, p. 818).
_ o balançar candeeiro na Igreja -, que foi quantlficado p~r uma umdade m~-
Recordando os momentos históricos do pensamento científico, vale a
temática do tempo entre duas pulsações, passou em segUida pela formulaçao
ressalva d~ ~ue a concepção atual de ciência possui cerca de quatro séculos, de uma hipótese e concluiu-a por meio de uma experimentação, confirmando,
te~do seu IllIClOformal com o físico e astrônomo Galileu Galilei (1564-1642).
~o~ ele quem conferiu autonomia à ciência, delimitando qual seu objeto, ob- portanto, a hipótese. ,
A partir de então, a ciência toma como campo de estudo ~s ~enomenos
jetrvo e estrutura metodológica, distinguindo-a, dessa forma, da filosofia e da da natureza, enquanto a filosofia ocupava-se das questões ontolôgícas e a re-
religião. A ciência adquire autonomia no método de trabalho baseado nos se- ligião manteria como seu objeto as ditas verdades religiosas (Turato, 2003, p.
guintes princípios: a observação, a experimentação e a indução. Por meio da ob-
se~vação o cientista registraria os fenômenos tal como a sua ocorrência, sem se 176).
deixar levar por preconceitos advindos externamente do ato científico. Neste
universo externo ficariam os fenômenos de ordem religiosa ou filosófica.
Elementos da pesquisa quantitativa
Um exemplo clássico do principio observacional de Galileu pode ser
encontrado em sua primeira obra publicada em 1610, intutilada Sidereus Num- Alguns elementos do delineamento da pesquisa quantitativa serã~ ex-
cius (A mensagem das Estrelas), na qual ele anuncia o conjunto de observa-
plorados e discutidos e, quando pertinente, estabeleceremos com~araçoes e
ções astr~nômicas feitas com o uso de um "óculos especial". Os protocolos de
exemplificações com a pesquisa qualitativa. Os elementos do, ~ehneamento
observaçao fo~am ~presentados com um fim claro de divulgação e de propa- abordados serão: amostragem, estratégia de amostragem, analise de dados,
ganda, os qU~I~veiculavam como bem o sabia seu autor, notícias capazes de tipologia de perguntas norteadoras e fundamentação metodológica (indução
subverter a visao cosmológica estabelecida desde a Antiguidade e, consolida-
da culturalmente pela teologia cristã e pelo ensinamento universitário oficial. e dedução). .' .
A amostragem em pesquisas quantitativas pOSSUIduas ca.ractens~lc~s
A divulgação assegurava a prioridade do autor nas observações astronômicas
que são extremamente contrastantes c?m.~ a;no~tragen; ~a pesquisa qu~lItatl-
telescópicas; .0 q~e estava longe de ser pouco, pois o Sulereus Nuncius apresen- va, a saber: a amostragem com uma SlgmhcanCla estatlstlca e a aleatonedade
tava, pela pnmelra vez, evidência observacional em favor da plausibilidade do na seleção amostral Primeiramente, considera-se amostragem um processo de
sistema, c~perlllcano e de um universo bastante vasto do que supunha a visão obtenção de uma parcela de uma determinada população. Essa amostra per-
cosmológica tradicional. (Mariconda, 2000, p. 81).
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mitirá ao pesquisador conhecer os dados que até então estavam desconhecidos tivo para que possamos estabelecer leis gerais. Fórmulas são usadas pelos es-
do Universo como um todo. Uma amostra pode ser constituída de estudantes tatísticos para calcular o tamanho da amostra que será representativa para a
de uma escola, de uma cidade ou de um bairro, por meio da observação de população-alvo que se pretende estudar, sendo muito válida a consulta de um
apenas um~ parte (amostra) do seu universo total (população). O procedimen- profissional dessa área nesse momento inicial do projeto.
to ?e extrair de uma população uma amostra representativa, auxiliará o pes- A alocação (seleção) da amostra deve ser feita de forma aleatória nesse
quisador a estabelecer leis gerais por meio de uma parcela estatisticamente tipo de pesquisa, até que o valor estipulado pelo cálculo amostral se comple-
representativa de uma determinada população.
te. Tal procedimento deve ser explícito na delimitação do projeto para que o
Do ponto de vista matemático, a população pode ser definida como leitor tenha plena ciência de qual foi a estratégia usada pelo pesquisador para
um conjunto de elementos que possuem pelo menos uma característica em resolver a questão da alocação. Esse processo pode ser feito por meio de um
comum. Na prática, compreende o agregado dos elementos, devendo ser defi- sorteio com um envelope opaco, uma tabela de números aleatórios ou por um
nida em termos de sua localização no espaço e no tempo. A amostra deve ter programa de computador. Por exemplo, pretende-se sortear aleatoriamente
a ten~ência de ser a mais parecida possível com a população da qual essa foi uma amostra de 10 crianças de uma sala de aula constituída de 200 alunos.
extr~Ida. Ao alocar uma amostra, na pesquisa quantitativa, o processo de ale- Podemos recortar a lista de chamada com o nome de todos os alunos de tal
atoriedade (acaso) garantirá ao pesquisador e ao processo metodológico, a cer- sala e colocá-Ias em um envelope opaco. Em seguida, após misturar o conteúdo
teza de que tod.os os elementos que pertencem à amostra possuem igual chance interno, sorteiam-se dez nomes, um a um, constituindo assim uma amostra
de serem selecionados para a participação do estudo. Portanto, conhece-se a aleatória em que conhecemos a probabilidade de cada criança ser sorteada.
probabilidade de cada elemento ser selecionado ao acaso e essa probabilidade A amostragem na pesquisa quantitativa é conhecida como amostragem
possui um valor diferente de zero. probabilística ou aleatória, pois, como acima foi apresentado, utiliza-se do aca-
N~rmalmente os estatísticos são questionados a respeito do número so como instrumento de seleção. A amostragem probabilística pode ser obtida
amostralIdeal que a pesquisa ou projeto deve possuir para que esse seja válido de várias formas, dependendo do interesse de pesquisador e características
e oc~rr.a da melhor forma possível. Mas, quase sempre, o pesquisador chega ao presentes na população de interesse. Nesse capítulo apresentaremos alguns
estat.I~tIcoco~ um número já definido de indivíduos que ele vai entrevistar (ou tipos dessa amostragem, tal como: a amostragem probabilística casual simples,
~u: Ja ent~evIsto.U)com posse da tradicional pergunta: - Meu número de par- a amostragem aleatória estratificada e a amostragem sistemática.
ticipantes e suficiente? Logo em seguida, o estatístico pergunta ao pesquisador Amostragem casual simples é o processo de amostragem probabilísti-
o ?orquê do número escolhido ou como se deu o processo de obtenção desse ca em que as combinações de n diferentes elementos, dos N que compõem a
numero - neste caso, vamos supor: 40 adultos em um dado programa social. população, possuem igual probabilidade de vir a ser a amostra efetivamente
Quase sem.p~e a resposta é a mesma: o número apresentado é igual a quantida- sorteada. (Cochran, 1997). Nesse tipo de amostragem não há a repetição de
de de parncipantes que aceitaram colaborar na pesquisa. Acrescente-se ainda nenhum elemento na amostra sorteada, ou seja, um determinado elemento
que nessa situação, o pesquisador já aplicou os questionários e/ou entrevistas, será sorteado apenas uma vez, sendo que a ordem dos elementos sorteados não
obtendo um montante de dados desconexos e, muitas vezes, desnecessários. será considerada. Antes de efetuar o sorteio, a probabilidade de um elemento
Como citado acima, não basta apenas um número de crianças ou adul- pertencer a amostra sorteada será igual a n/N. Por exemplo, se uma amostra
tos para constituir a amostra do projeto de pesquisa, mas saber se tal número, constituída de 10 pessoas quaisquer é sorteada de uma população constituída
no caso 40 adultos de um programa social, é significante e representativo da de 200, a probabilidade de um desses elementos ser sorteado pode ser cal-
população. Por exemplo, para uma escola que é constituída de 45 crianças, culada por l/N, ou seja, para o nosso exemplo corresponderá à 1/200. Vale
tal valor amostral é representativo, mas, se falarmos de uma escola primária ressaltar que a probabilidade do elemento pertencer à amostra sorteada será
que possua 3.000 alunos, tal valor pode não ser suficientemente representa- representada por n/N, no caso, 10/200.
210
r
Sonia Regina Albano de Lima Ensino, Música & Interdisciplinaridade 211

mitirá ao pesquisador conhecer os dados que até então estavam desconhecidos tivo para que possamos estabelecer leis gerais. Fórmulas são usadas pelos es-
do Universo como um todo. Uma amostra pode ser constituída de estudantes tatísticos para calcular o tamanho da amostra que será representativa para a
de uma escola, de uma cidade ou de um bairro, por meio da observação de população-alvo que se pretende estudar, sendo muito válida a consulta de um
apenas um~ parte (amostra) do seu universo total (população). O procedimen- profissional dessa área nesse momento inicial do projeto.
to ?e extrair de uma população uma amostra representativa, auxiliará o pes- A alocação (seleção) da amostra deve ser feita de forma aleatória nesse
quisador a estabelecer leis gerais por meio de uma parcela estatisticamente tipo de pesquisa, até que o valor estipulado pelo cálculo amostral se comple-
representativa de uma determinada população.
te. Tal procedimento deve ser explícito na delimitação do projeto para que o
Do ponto de vista matemático, a população pode ser definida como leitor tenha plena ciência de qual foi a estratégia usada pelo pesquisador para
um conjunto de elementos que possuem pelo menos uma característica em resolver a questão da alocação. Esse processo pode ser feito por meio de um
comum. Na prática, compreende o agregado dos elementos, devendo ser defi- sorteio com um envelope opaco, uma tabela de números aleatórios ou por um
nida em termos de sua localização no espaço e no tempo. A amostra deve ter programa de computador. Por exemplo, pretende-se sortear aleatoriamente
a ten~ência de ser a mais parecida possível com a população da qual essa foi uma amostra de 10 crianças de uma sala de aula constituída de 200 alunos.
extr~Ida. Ao alocar uma amostra, na pesquisa quantitativa, o processo de ale- Podemos recortar a lista de chamada com o nome de todos os alunos de tal
atoriedade (acaso) garantirá ao pesquisador e ao processo metodológico, a cer- sala e colocá-Ias em um envelope opaco. Em seguida, após misturar o conteúdo
teza de que tod.os os elementos que pertencem à amostra possuem igual chance interno, sorteiam-se dez nomes, um a um, constituindo assim uma amostra
de serem selecionados para a participação do estudo. Portanto, conhece-se a aleatória em que conhecemos a probabilidade de cada criança ser sorteada.
probabilidade de cada elemento ser selecionado ao acaso e essa probabilidade A amostragem na pesquisa quantitativa é conhecida como amostragem
possui um valor diferente de zero. probabilística ou aleatória, pois, como acima foi apresentado, utiliza-se do aca-
N~rmalmente os estatísticos são questionados a respeito do número so como instrumento de seleção. A amostragem probabilística pode ser obtida
amostralIdeal que a pesquisa ou projeto deve possuir para que esse seja válido de várias formas, dependendo do interesse de pesquisador e características
e oc~rr.a da melhor forma possível. Mas, quase sempre, o pesquisador chega ao presentes na população de interesse. Nesse capítulo apresentaremos alguns
estat.I~tIcoco~ um número já definido de indivíduos que ele vai entrevistar (ou tipos dessa amostragem, tal como: a amostragem probabilística casual simples,
~u: Ja ent~evIsto.U)com posse da tradicional pergunta: - Meu número de par- a amostragem aleatória estratificada e a amostragem sistemática.
ticipantes e suficiente? Logo em seguida, o estatístico pergunta ao pesquisador Amostragem casual simples é o processo de amostragem probabilísti-
o ?orquê do número escolhido ou como se deu o processo de obtenção desse ca em que as combinações de n diferentes elementos, dos N que compõem a
numero - neste caso, vamos supor: 40 adultos em um dado programa social. população, possuem igual probabilidade de vir a ser a amostra efetivamente
Quase sem.p~e a resposta é a mesma: o número apresentado é igual a quantida- sorteada. (Cochran, 1997). Nesse tipo de amostragem não há a repetição de
de de parncipantes que aceitaram colaborar na pesquisa. Acrescente-se ainda nenhum elemento na amostra sorteada, ou seja, um determinado elemento
que nessa situação, o pesquisador já aplicou os questionários e/ou entrevistas, será sorteado apenas uma vez, sendo que a ordem dos elementos sorteados não
obtendo um montante de dados desconexos e, muitas vezes, desnecessários. será considerada. Antes de efetuar o sorteio, a probabilidade de um elemento
Como citado acima, não basta apenas um número de crianças ou adul- pertencer a amostra sorteada será igual a n/N. Por exemplo, se uma amostra
tos para constituir a amostra do projeto de pesquisa, mas saber se tal número, constituída de 10 pessoas quaisquer é sorteada de uma população constituída
no caso 40 adultos de um programa social, é significante e representativo da de 200, a probabilidade de um desses elementos ser sorteado pode ser cal-
população. Por exemplo, para uma escola que é constituída de 45 crianças, culada por l/N, ou seja, para o nosso exemplo corresponderá à 1/200. Vale
tal valor amostral é representativo, mas, se falarmos de uma escola primária ressaltar que a probabilidade do elemento pertencer à amostra sorteada será
que possua 3.000 alunos, tal valor pode não ser suficientemente representa- representada por n/N, no caso, 10/200.
212 Sonia Regina Albano de Lima
Ensino, Música & Interdisciplinaridade 213 r
\
mada de alunos onde esses estariam em ordem alfabética. Observa-se nesse
o sorteio de uma amostra causal simples de n elementos de uma deter-
caso que os alunos não estarão em uma apresentação aleatória.
I~ina~a população de ta~anho N, visa obter estimativas para valores popula- Ao trabalhar com o acaso, o pesquisador tem que estar atento e cons-
C10nalSdesconhecidos, tais como média e proporção. Poderíamos perguntar
ciente para um tipo de erro chamado de erro aleatório. Esse tipo de erro é e~e-
nesse c~so, por. exemplo, qual a média de crianças em uma escola que recebem mento integrante de pesquisas que fazem uso do acaso no momento d: sele?ao,
Educaçao Musical? Qual a proporção delas que apresentou um melhor rendi- fazendo com que diferentes amostras, extraídas da mesma populaçao, sejam
mento em uma disciplina? diferentes umas das outras. Por isso, com base numa única amostra, pode-se
Uma outra t.écnica de obtenção de amostras em que a população de apenas estimar o parâmetro da população. Teoricamente, com uma amostra
N elementos ou unidades amostrais é previamente dividida em grupos mu- ou com um número pequeno de amostras extraídas da população, não se pod~
tuamente exclusivos (chamados de estratos), e dentro dos quais são sorteadas conhecer o valor exato do parâmetro, a não ser que se utilize um número mUI-
amostras cas~ais simples de tamanho n, chama-se arnostragem aleatória estra- to grande de amostras (tendendo ao infinito) ou toda a população (Motta &
tificad~ ou, simplesmente, amostragem estratificada. Na prática, a amostragem Wagner, 2003, P: 26). Vamos supor que a prevalência real de alunos, entre 12
estratificada oferece maior desempenho sobre uma amostra aleatória simples e 13 anos, com problemas cognitivos é de 25%. Uma amostra be~ deI meada
e raramente uma eficiência menor (Cochran, 1977; Kish, 1965). Importan-
de 100 crianças dessa população poderia conter exatamente 25 cnanças com
te aspecto sobre a amostragem estratificada é como o tamanho será alocado
problemas cognitivos. No entanto, é mais provável que a am~stra contenhaum
sobre o .montante de estratos. Vários são os métodos de alocação, sendo um número próximo desse - como 23, 22, ou mesmo 26, ou ate mesmo 27 cn~n-
deles feito por meio da alocação proporcional, no qual o tamanho alocado ças. Ainda, eventualmente, o acaso poderia produzir um número substanCIal-
para cada estrato é aproximadamente proporcional ao tamanho do estrato
mente diferente, tal como 19 ou 29 crianças.
(Sarndal, 1992). Diferentes técnicas podem ser utilizadas para reduzir essa influência do
Como exemplo de tal estratificação, podemos citar um suposto levanta-
erro aleatório, sendo que a mais simples é aumentar o tamanho da amostra.
mento para esumar o número de obras musicais estudadas e apresentadas em
Quanto maior a amostra da população, menor ~ pr~babilidade de um resulta-
uma ~opula:ã~ de músicos universitários. Vale ressaltar que a distribuição de
do errado aumentando assim a precisão da estImatIVa.
tal numero e diferente quando se considera, por exemplo, o ano escolar que o
Observa-se que, sob certa ótica, o observador torna-se "neutro" dentro
estudante está cursando e o instrumento que ele toca; portanto, é recomendá-
do processo de seleção na pesquisa quantitativa por meio do us~ ~o acaso ~ d~
vel que essa população seja estratificada segundo essas características antes da
uma estimativa estatística significante, ou seja, a amostra possUlra caractenstl-
aplicação do processo de sorteio da amostra. '
cas básicas e comuns da população.
, ~ ~mostragem sistemática utiliza o mesmo princípio da amostragem Na pesquisa qualitativa, por outro lado, a estratégia de amostragem é
aleatona simples, Visto que possui iguais probabilidades de pertencer à amos- conhecida como amostragem intencional (purposeful sampltng). Nesse ca~o, ex-
tra para todos os componentes da população estudada. No entanto, ela prevê cluí-se qualquer forma de aleatoriedade no processo de se~eção das Unidades
a coleta de dados ao longo de um período de tempo e arbitra certo "ritmo" amos trais. Observa-se uma ruptura na lógica e na estratégia de compreender
para tomada de unidades da população componentes da amostra. Por exem- e abordar os dados. O pesquisador utilizará apenas os sujeitos que me~hor
plo, numa listagem de indivíduos da população, sorteamos um nome entre os puderem responder suas dúvidas ou questionamentos delimitados no,p~oJeto.
cinco primeiros da lista. A partir do nome sorteado, selecionamos um a cada Na pesquisa qualitativa abre-se mão do acaso para trabalhar com a lógica e ~
ci.nco indivíduos (o quinto, o décimo, o décimo quinto, o vigésimo, e assim por racionalidade. O pesquisador escolhe ativamente a amostra que melhor aUXI-
diante). Vale ressaltar que a aleatoriedade de tal processo só estará garantida liará a compreender um determinado fenômeno em ~uestão; não s~ observa o
se ~ apresen.tação dos casos nessa Iistagem também for aleatória. Aqui, não interesse em estabelecer leis gerais para uma determmada populaçao. Foca-se
seria conveniente elaborar uma amostragem sistemática em uma lista de cha-
212 Sonia Regina Albano de Lima
Ensino, Música & Interdisciplinaridade 213 r
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mada de alunos onde esses estariam em ordem alfabética. Observa-se nesse
o sorteio de uma amostra causal simples de n elementos de uma deter-
caso que os alunos não estarão em uma apresentação aleatória.
I~ina~a população de ta~anho N, visa obter estimativas para valores popula- Ao trabalhar com o acaso, o pesquisador tem que estar atento e cons-
C10nalSdesconhecidos, tais como média e proporção. Poderíamos perguntar
ciente para um tipo de erro chamado de erro aleatório. Esse tipo de erro é e~e-
nesse c~so, por. exemplo, qual a média de crianças em uma escola que recebem mento integrante de pesquisas que fazem uso do acaso no momento d: sele?ao,
Educaçao Musical? Qual a proporção delas que apresentou um melhor rendi- fazendo com que diferentes amostras, extraídas da mesma populaçao, sejam
mento em uma disciplina? diferentes umas das outras. Por isso, com base numa única amostra, pode-se
Uma outra t.écnica de obtenção de amostras em que a população de apenas estimar o parâmetro da população. Teoricamente, com uma amostra
N elementos ou unidades amostrais é previamente dividida em grupos mu- ou com um número pequeno de amostras extraídas da população, não se pod~
tuamente exclusivos (chamados de estratos), e dentro dos quais são sorteadas conhecer o valor exato do parâmetro, a não ser que se utilize um número mUI-
amostras cas~ais simples de tamanho n, chama-se arnostragem aleatória estra- to grande de amostras (tendendo ao infinito) ou toda a população (Motta &
tificad~ ou, simplesmente, amostragem estratificada. Na prática, a amostragem Wagner, 2003, P: 26). Vamos supor que a prevalência real de alunos, entre 12
estratificada oferece maior desempenho sobre uma amostra aleatória simples e 13 anos, com problemas cognitivos é de 25%. Uma amostra be~ deI meada
e raramente uma eficiência menor (Cochran, 1977; Kish, 1965). Importan-
de 100 crianças dessa população poderia conter exatamente 25 cnanças com
te aspecto sobre a amostragem estratificada é como o tamanho será alocado
problemas cognitivos. No entanto, é mais provável que a am~stra contenhaum
sobre o .montante de estratos. Vários são os métodos de alocação, sendo um número próximo desse - como 23, 22, ou mesmo 26, ou ate mesmo 27 cn~n-
deles feito por meio da alocação proporcional, no qual o tamanho alocado ças. Ainda, eventualmente, o acaso poderia produzir um número substanCIal-
para cada estrato é aproximadamente proporcional ao tamanho do estrato
mente diferente, tal como 19 ou 29 crianças.
(Sarndal, 1992). Diferentes técnicas podem ser utilizadas para reduzir essa influência do
Como exemplo de tal estratificação, podemos citar um suposto levanta-
erro aleatório, sendo que a mais simples é aumentar o tamanho da amostra.
mento para esumar o número de obras musicais estudadas e apresentadas em
Quanto maior a amostra da população, menor ~ pr~babilidade de um resulta-
uma ~opula:ã~ de músicos universitários. Vale ressaltar que a distribuição de
do errado aumentando assim a precisão da estImatIVa.
tal numero e diferente quando se considera, por exemplo, o ano escolar que o
Observa-se que, sob certa ótica, o observador torna-se "neutro" dentro
estudante está cursando e o instrumento que ele toca; portanto, é recomendá-
do processo de seleção na pesquisa quantitativa por meio do us~ ~o acaso ~ d~
vel que essa população seja estratificada segundo essas características antes da
uma estimativa estatística significante, ou seja, a amostra possUlra caractenstl-
aplicação do processo de sorteio da amostra. '
cas básicas e comuns da população.
, ~ ~mostragem sistemática utiliza o mesmo princípio da amostragem Na pesquisa qualitativa, por outro lado, a estratégia de amostragem é
aleatona simples, Visto que possui iguais probabilidades de pertencer à amos- conhecida como amostragem intencional (purposeful sampltng). Nesse ca~o, ex-
tra para todos os componentes da população estudada. No entanto, ela prevê cluí-se qualquer forma de aleatoriedade no processo de se~eção das Unidades
a coleta de dados ao longo de um período de tempo e arbitra certo "ritmo" amos trais. Observa-se uma ruptura na lógica e na estratégia de compreender
para tomada de unidades da população componentes da amostra. Por exem- e abordar os dados. O pesquisador utilizará apenas os sujeitos que me~hor
plo, numa listagem de indivíduos da população, sorteamos um nome entre os puderem responder suas dúvidas ou questionamentos delimitados no,p~oJeto.
cinco primeiros da lista. A partir do nome sorteado, selecionamos um a cada Na pesquisa qualitativa abre-se mão do acaso para trabalhar com a lógica e ~
ci.nco indivíduos (o quinto, o décimo, o décimo quinto, o vigésimo, e assim por racionalidade. O pesquisador escolhe ativamente a amostra que melhor aUXI-
diante). Vale ressaltar que a aleatoriedade de tal processo só estará garantida liará a compreender um determinado fenômeno em ~uestão; não s~ observa o
se ~ apresen.tação dos casos nessa Iistagem também for aleatória. Aqui, não interesse em estabelecer leis gerais para uma determmada populaçao. Foca-se
seria conveniente elaborar uma amostragem sistemática em uma lista de cha-
Ensino, Música & Inlel'disciplinal'idade 215
214 Sonia Regina Albano de Lima

preensão da interação entre pessoas e meio ambiente. Ao pensar também nas


normalme~te em estudos constituídos de caso únicos ou com amostragens re-
tradicionais publicações tais como: as empresas mais rentáveis do estado de
duzidas. Dizer que a amostragem intencional não é estatisticamente represen-
São Paulo e os maiores impostos de renda de pessoa física do país, temos uma
tativa de uma população é de certa forma um equívoco, pois essa, como acima
amostragem intencional do tiPo caso extremo ou desviante.
explicado, não visa ser representativa ou estabelecer leis gerais. Outro exemplo desse tipo de amostragem pode ser observado em um
~ amostra e~ pesquisas qualitativas é observada de forma profunda
estudo publicado em 1982 por Ângela Browne intitulado (When Batlered Wo-
por meio de entrevistas abertas ou semi-estruturadas que muitas vezes são
men Kill) "quando mulheres violentadas matam". Tal estudo foi conduzido por
coletadas por meio de gravações. Essa estratégia não compromete o desenho e
meio de estudos em profundidade dos casos mais extremos de violência do-
estruturação do estudo na pesquisa qualitativa. Não possuir O caráter aleatório
méstica com o intuito de elucidar a o fenômeno do maltrato físico e abuso.
ou a representativi~ade estatística não reduzirá a credibilidade da pesquisa. A amostragem de intensidade (intensity sampling) envolve a mesma ló-
Por outro lado, sera parte fundamental para o desenvolvimento de uma com-
gica da amostragem de casos extremos, mas com menor ênfase nos extremos.
preensão de como e porque o fenômeno em estudo ocorre. Os dados resultan-
Constitui-se de casos ricos de informação que manifestam intensamente o fe-
tes de~sas entrevistas podem ser analisados por meio de diferentes tipologias
nômeno de interesse, mas não de forma extremada. Casos extremos ou des-
de análise do conteúdo onde as características sintáticas e semânticas de um
viantes podem ser muito atípicos a ponto de distorcer a manifestação do fenô-
corpus textual pe~mitirão ao pesquisador fazer conjecturas. Esse processo é
meno de interesse. A lógica da amostragem de intensidade procura exemplos
c?m~letamente. dlfer~nte dos testes estatísticos utilizados pela metodologia quan-
ricos ou excelentes do fenômeno de interesse, mas não casos atípicos (Patton,
trtanva que mais abaixo serão explicados.
A amostra será constituída de elementos que melhor podem contribuir 1999, p. 171).
A amostragem de variação máxima (maximum variation sampling) é uma
para o aprendizado do pesquisador num fenômeno em questão. Vamos apre-
estratégia que objetiva capturar e descrever temas centrais ou desfechos pri-
sentar. algumas das várias p~ssibilidades e estratégias de amostragem típica de mários que transpassam por entre muitas das características dos participan-
pesqUl~a: qualitativas com o mtuito de elaborar um paralelo com as estratégias tes ou dos grupos em observação. Para pequenas amostragens, uma grande
probabilísticas da pesquisa quantitativa. heterogeneidade pode ser um problema, porque casos individuais são muito
As estratégias da pesquisa qualitativa estão fundamentadas em uma diferentes de outros (Patton, 1999, P: 172). O princípio é que se deve tentar de-
escolha raciona.l dos casos mais ricos de informações ou que melhor tenham liberadamente entrevistar uma seleção constituída de diferentes pessoas onde
a .dlze~ a respeito de uma determinada questão. A primeira estratégia a ser as suas respostas poderão ser agregadas para fechar o conjunto da população.
discutida é conhecida como amostragem de casos extremos ou desviantes (ex-
Tal metodologia soa estranha, mas funciona bem em lugares onde uma amos-
tr~me or d.evzant case sampling), pois trabalha como uma amostragem de casos tra aleatória não pode ser estabelecida. Teoricamente, esta é uma extensão
nao usuais ou, de alguma forma, especiais. Tais manifestações de fenômenos do princípio de regressão estatística para a média - em outras palavras, se
~típicos de interesse do cientista podem compreender, por exemplo, sucessos um grupo de pessoas de diferentes formas e maneiras é extremo, esse grupo
Impressionantes, falhas notáveis e eventos exóticos. Ao invés de estudar algu- irá conter pessoas que são médias em outras formas. Então, ao procurar uma
ma parcela representativa da população in loco, o pesquisador pode se centrar amostra com uma mínima variação, apenas tentando abranger os tipos de pes-
no estudo e entendimento de casos selecionados de interesse especial como, soas que você acredita que seriam médias, poderíamos estar susceptíveis a dei-
por exemplo, desistências em um determinado curso de uma universidade ou xar escapar um número de diferentes grupos que compõem uma porcentagem
notáveis aproveitamentos ou sucesso de alunos de uma determinada rede de elevada da população; mas, por outro lado, ao procurar a variação máxima, as
ensino. Etnometodologistas utilizam-se de uma forma de amostragem extrema médias das pessoas serão incluídas automaticamente. Dessa forma, o avaliador
qu~nd.o eles desenvolvem e elaboram seus experimentos de campo, pois esses procura informações que ducidem padrões significativos e comuns com uma
estao interessados em experiências diárias da rotina que depende da com-
Ensino, Música & Inlel'disciplinal'idade 215
214 Sonia Regina Albano de Lima

preensão da interação entre pessoas e meio ambiente. Ao pensar também nas


normalme~te em estudos constituídos de caso únicos ou com amostragens re-
tradicionais publicações tais como: as empresas mais rentáveis do estado de
duzidas. Dizer que a amostragem intencional não é estatisticamente represen-
São Paulo e os maiores impostos de renda de pessoa física do país, temos uma
tativa de uma população é de certa forma um equívoco, pois essa, como acima
amostragem intencional do tiPo caso extremo ou desviante.
explicado, não visa ser representativa ou estabelecer leis gerais. Outro exemplo desse tipo de amostragem pode ser observado em um
~ amostra e~ pesquisas qualitativas é observada de forma profunda
estudo publicado em 1982 por Ângela Browne intitulado (When Batlered Wo-
por meio de entrevistas abertas ou semi-estruturadas que muitas vezes são
men Kill) "quando mulheres violentadas matam". Tal estudo foi conduzido por
coletadas por meio de gravações. Essa estratégia não compromete o desenho e
meio de estudos em profundidade dos casos mais extremos de violência do-
estruturação do estudo na pesquisa qualitativa. Não possuir O caráter aleatório
méstica com o intuito de elucidar a o fenômeno do maltrato físico e abuso.
ou a representativi~ade estatística não reduzirá a credibilidade da pesquisa. A amostragem de intensidade (intensity sampling) envolve a mesma ló-
Por outro lado, sera parte fundamental para o desenvolvimento de uma com-
gica da amostragem de casos extremos, mas com menor ênfase nos extremos.
preensão de como e porque o fenômeno em estudo ocorre. Os dados resultan-
Constitui-se de casos ricos de informação que manifestam intensamente o fe-
tes de~sas entrevistas podem ser analisados por meio de diferentes tipologias
nômeno de interesse, mas não de forma extremada. Casos extremos ou des-
de análise do conteúdo onde as características sintáticas e semânticas de um
viantes podem ser muito atípicos a ponto de distorcer a manifestação do fenô-
corpus textual pe~mitirão ao pesquisador fazer conjecturas. Esse processo é
meno de interesse. A lógica da amostragem de intensidade procura exemplos
c?m~letamente. dlfer~nte dos testes estatísticos utilizados pela metodologia quan-
ricos ou excelentes do fenômeno de interesse, mas não casos atípicos (Patton,
trtanva que mais abaixo serão explicados.
A amostra será constituída de elementos que melhor podem contribuir 1999, p. 171).
A amostragem de variação máxima (maximum variation sampling) é uma
para o aprendizado do pesquisador num fenômeno em questão. Vamos apre-
estratégia que objetiva capturar e descrever temas centrais ou desfechos pri-
sentar. algumas das várias p~ssibilidades e estratégias de amostragem típica de mários que transpassam por entre muitas das características dos participan-
pesqUl~a: qualitativas com o mtuito de elaborar um paralelo com as estratégias tes ou dos grupos em observação. Para pequenas amostragens, uma grande
probabilísticas da pesquisa quantitativa. heterogeneidade pode ser um problema, porque casos individuais são muito
As estratégias da pesquisa qualitativa estão fundamentadas em uma diferentes de outros (Patton, 1999, P: 172). O princípio é que se deve tentar de-
escolha raciona.l dos casos mais ricos de informações ou que melhor tenham liberadamente entrevistar uma seleção constituída de diferentes pessoas onde
a .dlze~ a respeito de uma determinada questão. A primeira estratégia a ser as suas respostas poderão ser agregadas para fechar o conjunto da população.
discutida é conhecida como amostragem de casos extremos ou desviantes (ex-
Tal metodologia soa estranha, mas funciona bem em lugares onde uma amos-
tr~me or d.evzant case sampling), pois trabalha como uma amostragem de casos tra aleatória não pode ser estabelecida. Teoricamente, esta é uma extensão
nao usuais ou, de alguma forma, especiais. Tais manifestações de fenômenos do princípio de regressão estatística para a média - em outras palavras, se
~típicos de interesse do cientista podem compreender, por exemplo, sucessos um grupo de pessoas de diferentes formas e maneiras é extremo, esse grupo
Impressionantes, falhas notáveis e eventos exóticos. Ao invés de estudar algu- irá conter pessoas que são médias em outras formas. Então, ao procurar uma
ma parcela representativa da população in loco, o pesquisador pode se centrar amostra com uma mínima variação, apenas tentando abranger os tipos de pes-
no estudo e entendimento de casos selecionados de interesse especial como, soas que você acredita que seriam médias, poderíamos estar susceptíveis a dei-
por exemplo, desistências em um determinado curso de uma universidade ou xar escapar um número de diferentes grupos que compõem uma porcentagem
notáveis aproveitamentos ou sucesso de alunos de uma determinada rede de elevada da população; mas, por outro lado, ao procurar a variação máxima, as
ensino. Etnometodologistas utilizam-se de uma forma de amostragem extrema médias das pessoas serão incluídas automaticamente. Dessa forma, o avaliador
qu~nd.o eles desenvolvem e elaboram seus experimentos de campo, pois esses procura informações que ducidem padrões significativos e comuns com uma
estao interessados em experiências diárias da rotina que depende da com-
216 Sonia Regina Albano de Lima
Ensino, Música & Inierdisciplinaridade 217
determinada variação.
Um bom exemplo de um caso crítico pode ser encontrado no estudo
Para. il.ustrar, pode-se imaginar que avaliadores de um pequeno pro- de Galileo a respeito da gravidade, ao tentar demonstrar que o peso de um
grama municipal de educação infantil podem alocar o número mais diversifi-
determinado objeto não influenciaria no índice de velocidade com o qual esse
~ado possível de seus alunos em forma de uma amostra de variação máxima,
cairia. Ao invés de ele pegar uma série de diferentes pesos aleatoriamente,
incluindo, portanto, vários tipos de estudantes: os estudantes de muito sucesso
com o intuito de generalizar para todos os objetos encontrados no planeta,
vários estudantes, vários alunos que têm manifestado desagrado ou saíram do ele escolheu um caso crítico - uma pena. Se no vácuo, como ele demonstrou,
prog.rama, vá~ios estudantes com dificuldade ou sem dificuldade no programa uma pena cai com o mesmo índice de velocidade tal como uma moeda, ele,
e assim por diante.
logicamente, poderia generalizar essa afirmativa para todos os outros objetos
Amostras homogêneas (homogeneus samples) podem ser consideradas do mundo.
diret:mente contrasrantes com a amostragem de variação máxima, pois se Um outro exemplo da aplicabilidade da pesquisa qualitativa pode ser
propoem a descrever algum sub-grupo particular em profundidade. Um de- observado na área de marketing, onde a opinião do consumidor é extremamen-
terminado programa que tem diferentes tipos de participantes talvez necessite te imprescindível para a verificação de aceitação de um determinado produto.
de informações em profundidade de um determinado subgrupo. A amostra Vamos supor que os proprietários de uma marca líder de refrigerante desejem
pode s~r homogênea em relação à tão somente certa variável, por exemplo, saber, por meio de uma pesquisa de mercado, por que alguns consumidores
ocupaçao, tempo de experiência, idade, sexo. Tal variável pode ser estabeleci- não tomam o seu refrigerante, optando assim por um marca regional. Sabe-se
da anteriormente, antes do início do estudo.
que a aceitação da marca líder é cinco vezes mais vendida naquela população,
A amostragem de caso típico (tYPical case sampling) ao descrever um de- quando comparada com a marca regional (Y). O interesse do questionamento
ter~inad~ .ce~ário investigativo ou seus participantes para pessoas que não está centrado em descobrir e compreender por meio de investigações profun-
~stao familiarizadas com tal situação pode ser útil para prover um perfil qua- das, o motivo pelo qual essa escolha ocorre. Portanto, quem melhor para ex-
hta~lvo d~ um ou mais casos típicos. Esses casos são selecionados com a ccope- plicar tal fenômeno do que o próprio consumidor e mais especificamente, os
raçao de informanres-chaves, tal como pessoas responsáveis ou que já tenham consumidores que não fazem uso da marca líder?
um cont~to prévio com aquela situação, cenário ou programa em questão, que A pesquisa qualitativa tende a procurar a melhor amostra que possua
poderão m~ormar o que seria, naquele dado ambiente, considerado como típi- elementos capazes de responder e esclarecer dúvidas. Se diferentes pesquisa-
~o', ~ale salientar que a proposta de tal estratégia é descrever e ilustrar o que dores forem interrogados a respeito de qual amostra ele escolheria para res-
e tlp~C~para a.queles que são alheios a tal situação, por exemplo, um professor ponder uma pergunta, diferentes possibilidades poderão ser estipuladas.
que Ira assumir, por um curto período de tempo, uma determinada turma de Dentre as várias estratégias de amostragens intencionais, uma se des-
alunos e nunca tev~ contato com eles. Provavelmente ele irá, em uma rápida taca pela sua baixa credibilidade - a amostragem de conveniência que utiliza
conversa com o antigo professor, tentar estabelecer mentalmente distribuições os seguintes pressupostos: poupar esforços, dinheiro e tempo. Esta é prova-
de características ou padrões comuns para aquela sala de aula.
velmente a mais comum estratégia de amostragem e a menos desejável e reco-
Uma outra estratégia de seleção de amostras intencionais é a procura mendável. Amostragem de conveniência significa que as pessoas participantes
de casos críticos. Casos críticos são aqueles que por alguma razão especial, do estudo foram escolhidas porque elas estavam prontamente disponíveis, ou
podem apresentar um ponto bastante dramático ou são particularmente im- seja, não houve racionalidade do pesquisador na escolha de sua amostra. Por-
portantes no esquema das coisas. A pista para a existência de um caso crítico tanto, dentro do conceito de amostragem intencional, essa seria a pior estra-
é. a afirmativa de que: "se isso acontece lá, acontecerá em qualquer lugar" ou tégia de seleção.
vice-versa, "se isso não acontece lá, não acontecerá em qualquer lugar" (Patton, Na pesquisa qualitativa não existe uma regra definida a respeito do
1999, p. 174).
melhor tamanho da amostra, ou seja, quantos elementos são necessários para
216 Sonia Regina Albano de Lima
Ensino, Música & Inierdisciplinaridade 217
determinada variação.
Um bom exemplo de um caso crítico pode ser encontrado no estudo
Para. il.ustrar, pode-se imaginar que avaliadores de um pequeno pro- de Galileo a respeito da gravidade, ao tentar demonstrar que o peso de um
grama municipal de educação infantil podem alocar o número mais diversifi-
determinado objeto não influenciaria no índice de velocidade com o qual esse
~ado possível de seus alunos em forma de uma amostra de variação máxima,
cairia. Ao invés de ele pegar uma série de diferentes pesos aleatoriamente,
incluindo, portanto, vários tipos de estudantes: os estudantes de muito sucesso
com o intuito de generalizar para todos os objetos encontrados no planeta,
vários estudantes, vários alunos que têm manifestado desagrado ou saíram do ele escolheu um caso crítico - uma pena. Se no vácuo, como ele demonstrou,
prog.rama, vá~ios estudantes com dificuldade ou sem dificuldade no programa uma pena cai com o mesmo índice de velocidade tal como uma moeda, ele,
e assim por diante.
logicamente, poderia generalizar essa afirmativa para todos os outros objetos
Amostras homogêneas (homogeneus samples) podem ser consideradas do mundo.
diret:mente contrasrantes com a amostragem de variação máxima, pois se Um outro exemplo da aplicabilidade da pesquisa qualitativa pode ser
propoem a descrever algum sub-grupo particular em profundidade. Um de- observado na área de marketing, onde a opinião do consumidor é extremamen-
terminado programa que tem diferentes tipos de participantes talvez necessite te imprescindível para a verificação de aceitação de um determinado produto.
de informações em profundidade de um determinado subgrupo. A amostra Vamos supor que os proprietários de uma marca líder de refrigerante desejem
pode s~r homogênea em relação à tão somente certa variável, por exemplo, saber, por meio de uma pesquisa de mercado, por que alguns consumidores
ocupaçao, tempo de experiência, idade, sexo. Tal variável pode ser estabeleci- não tomam o seu refrigerante, optando assim por um marca regional. Sabe-se
da anteriormente, antes do início do estudo.
que a aceitação da marca líder é cinco vezes mais vendida naquela população,
A amostragem de caso típico (tYPical case sampling) ao descrever um de- quando comparada com a marca regional (Y). O interesse do questionamento
ter~inad~ .ce~ário investigativo ou seus participantes para pessoas que não está centrado em descobrir e compreender por meio de investigações profun-
~stao familiarizadas com tal situação pode ser útil para prover um perfil qua- das, o motivo pelo qual essa escolha ocorre. Portanto, quem melhor para ex-
hta~lvo d~ um ou mais casos típicos. Esses casos são selecionados com a ccope- plicar tal fenômeno do que o próprio consumidor e mais especificamente, os
raçao de informanres-chaves, tal como pessoas responsáveis ou que já tenham consumidores que não fazem uso da marca líder?
um cont~to prévio com aquela situação, cenário ou programa em questão, que A pesquisa qualitativa tende a procurar a melhor amostra que possua
poderão m~ormar o que seria, naquele dado ambiente, considerado como típi- elementos capazes de responder e esclarecer dúvidas. Se diferentes pesquisa-
~o', ~ale salientar que a proposta de tal estratégia é descrever e ilustrar o que dores forem interrogados a respeito de qual amostra ele escolheria para res-
e tlp~C~para a.queles que são alheios a tal situação, por exemplo, um professor ponder uma pergunta, diferentes possibilidades poderão ser estipuladas.
que Ira assumir, por um curto período de tempo, uma determinada turma de Dentre as várias estratégias de amostragens intencionais, uma se des-
alunos e nunca tev~ contato com eles. Provavelmente ele irá, em uma rápida taca pela sua baixa credibilidade - a amostragem de conveniência que utiliza
conversa com o antigo professor, tentar estabelecer mentalmente distribuições os seguintes pressupostos: poupar esforços, dinheiro e tempo. Esta é prova-
de características ou padrões comuns para aquela sala de aula.
velmente a mais comum estratégia de amostragem e a menos desejável e reco-
Uma outra estratégia de seleção de amostras intencionais é a procura mendável. Amostragem de conveniência significa que as pessoas participantes
de casos críticos. Casos críticos são aqueles que por alguma razão especial, do estudo foram escolhidas porque elas estavam prontamente disponíveis, ou
podem apresentar um ponto bastante dramático ou são particularmente im- seja, não houve racionalidade do pesquisador na escolha de sua amostra. Por-
portantes no esquema das coisas. A pista para a existência de um caso crítico tanto, dentro do conceito de amostragem intencional, essa seria a pior estra-
é. a afirmativa de que: "se isso acontece lá, acontecerá em qualquer lugar" ou tégia de seleção.
vice-versa, "se isso não acontece lá, não acontecerá em qualquer lugar" (Patton, Na pesquisa qualitativa não existe uma regra definida a respeito do
1999, p. 174).
melhor tamanho da amostra, ou seja, quantos elementos são necessários para
218 Sonia Regina Albano de Lima Ensino, Música & Interdisciplinaridade 219

responder a pergunta do pesquisador, sendo essa muito mais relacionada com dução). Eis aqui uma outra diferença contrastante para com a pesquisa quan-
o critério de julgamento do pesquisador do que com um número preestabele- titativa que, por outro lado, testa hipóteses (indução).
cido. O tamanho da amostra dependerá do que o pesquisador pretende saber, A tipologia de pergunta e questionamento conduzirá o pesquisador
a proposta da investigação, o que será útil para a condução da pesquisa e o para o procedimento metodológico mais adequado e conveniente para a eluci-
quanto de tempo e recursos disponíveis para condução de tal pesquisa o pes- dação e para o esclarecimento das dúvidas científicas. O pesquisador necessi-
quisador possui. tará de uma dúvida FINER muito antes de iniciar uma pesquisa em qualquer
Essa indefinição e falta de regra no que se refere ao tamanho amostral área do conhecimento. Iniciar uma pesquisa delimitando a metodologia (qua-
das pesquisas qualitativas não reduz a credibilidade e validade dos achados, litativa ou quantitativa) ou ainda simplesmente escolhendo uma ferramenta
pois simplesmente não são compatíveis com a lógica e estruturação da amos- que auxiliará o pesquisador na coleta de dados (questionários estruturados
tragem probabilística onde o acaso e a significância estatística são elementos auto-aplicaveis, questionários semi-estruturados, questionários abertos) torna-
primordiais. Portanto, a coerência, a credibilidade e a validade serão fatores rá o desbravamento do processo científico equivocado e incoerente. Podería-
que dependerão das capacidades analíticas e observacionais de cada cientista, mos fazer a seguinte analogia para essa situação: uma pessoa quer utilizar a via
do que meramente o tamanho amostral em si. Dentre alguns casos, podemos Dutra para fazer uma viagem de carro. Muito mais que preferir usar a Dutra
citar que Piaget contribuiu com um importante avanço para o nosso entendi- ou mesmo, o meio de locomoção (automóvel), ela necessitará inicialmente sa-
mento de como as crianças pensam, observando seus dois filhos profundamen- ber para onde quer ir.
te. Freud estabeleceu o campo da psicanálise baseada em menos do que dez A forma de análise dos dados na pesquisa quantitativa é realizada em
casos dos seus clientes. dois momentos distintos que aqui não serão explorados de forma profunda - a
Freqüentemente pesquisadores que fazem uso de métodos qualitativos análise estatística descritiva e a análise estatística inferencial. Na análise esta-
acreditam que já que o tamanho da constituição da amostra não possui uma tística inferencial o objetivo é estabelecer um panorama geral dos resultados
definição exata, ou seja, a quantidade de elementos mínimo e máximo que eles obtido. Os dados coletados no estudo são apresentados por meio de tabelas e
(os pesquisadores) necessitarão para estudar um determinado fenômeno não é gráficos, não permitindo, nesse momento, tirar conclusões a respeito dos mes-
calculada ou estimada previamente, seria suficiente para estudar, um número mos. Já na análise estatística inferencial, assim como o próprio nome indica,
pequeno de fácil acesso e menos custoso. Observa-se que não existiu o cuidado realizam-se inferências, ou seja, tiram-se conclusões a respeito de populações,
do pesquisador na alocação da população, pois a conveniência na seleção dos a partir de amostras.
participantes foi tomada com o intuito de evitar custos orçamentários e poupar O método quantitativo é estruturado de forma que a influência do pes-
tempo. Esses deveriam ser os últimos fatores levados em consideração quando quisador/cientista seja excluída ao máximo por meio do processo de seleção ao
tratamos de uma pesquisa qualitativa em que a racionalidade e lógica da esco- acaso e significância estatística. Elimina-se em grande parte, as opiniões subje-
lha devem ser priorizadas (Patton, 1999, p. 181). tivas dos pesquisadores e dos indivíduos que constituem a amostra. O pesqui-
Alguns autores mencionam que durante o período de coleta, "uma sa- sador faz uso de questionários estruturados, com respostas pré-estabelecidas,
turação das categorias de respostas ou ainda, uma redundância, indicaria o podendo esses, inclusive, serem aplicados e distribuídos para a população por
momento no qual o tamanho da amostra poderia ser considerado como sufi- outros pesquisadores que estejam colaborando com a pesquisa. Geralmente,
ciente. nessas pesquisas evita-se que o pesquisador que coletou os dados também ana-
Observa-se que nesse processo de análise dos dados coletados na pes- lise os dados.
quisa qualitativa, alguns elementos saltarão do texto para o pesquisador que Pode parecer que ao desenvolvermos um projeto onde o método quan-
graças à sua experiência diante daquele fenômeno, será capaz de absorver as titativo foi utilizado, as conclusões chegarão quase que automaticamente desde
informações que ali estão e, posteriormente, elaborar possíveis hipóteses (de- o momento da aplicação de um dado questionário até a fase final de conclusão
218 Sonia Regina Albano de Lima Ensino, Música & Interdisciplinaridade 219

responder a pergunta do pesquisador, sendo essa muito mais relacionada com dução). Eis aqui uma outra diferença contrastante para com a pesquisa quan-
o critério de julgamento do pesquisador do que com um número preestabele- titativa que, por outro lado, testa hipóteses (indução).
cido. O tamanho da amostra dependerá do que o pesquisador pretende saber, A tipologia de pergunta e questionamento conduzirá o pesquisador
a proposta da investigação, o que será útil para a condução da pesquisa e o para o procedimento metodológico mais adequado e conveniente para a eluci-
quanto de tempo e recursos disponíveis para condução de tal pesquisa o pes- dação e para o esclarecimento das dúvidas científicas. O pesquisador necessi-
quisador possui. tará de uma dúvida FINER muito antes de iniciar uma pesquisa em qualquer
Essa indefinição e falta de regra no que se refere ao tamanho amostral área do conhecimento. Iniciar uma pesquisa delimitando a metodologia (qua-
das pesquisas qualitativas não reduz a credibilidade e validade dos achados, litativa ou quantitativa) ou ainda simplesmente escolhendo uma ferramenta
pois simplesmente não são compatíveis com a lógica e estruturação da amos- que auxiliará o pesquisador na coleta de dados (questionários estruturados
tragem probabilística onde o acaso e a significância estatística são elementos auto-aplicaveis, questionários semi-estruturados, questionários abertos) torna-
primordiais. Portanto, a coerência, a credibilidade e a validade serão fatores rá o desbravamento do processo científico equivocado e incoerente. Podería-
que dependerão das capacidades analíticas e observacionais de cada cientista, mos fazer a seguinte analogia para essa situação: uma pessoa quer utilizar a via
do que meramente o tamanho amostral em si. Dentre alguns casos, podemos Dutra para fazer uma viagem de carro. Muito mais que preferir usar a Dutra
citar que Piaget contribuiu com um importante avanço para o nosso entendi- ou mesmo, o meio de locomoção (automóvel), ela necessitará inicialmente sa-
mento de como as crianças pensam, observando seus dois filhos profundamen- ber para onde quer ir.
te. Freud estabeleceu o campo da psicanálise baseada em menos do que dez A forma de análise dos dados na pesquisa quantitativa é realizada em
casos dos seus clientes. dois momentos distintos que aqui não serão explorados de forma profunda - a
Freqüentemente pesquisadores que fazem uso de métodos qualitativos análise estatística descritiva e a análise estatística inferencial. Na análise esta-
acreditam que já que o tamanho da constituição da amostra não possui uma tística inferencial o objetivo é estabelecer um panorama geral dos resultados
definição exata, ou seja, a quantidade de elementos mínimo e máximo que eles obtido. Os dados coletados no estudo são apresentados por meio de tabelas e
(os pesquisadores) necessitarão para estudar um determinado fenômeno não é gráficos, não permitindo, nesse momento, tirar conclusões a respeito dos mes-
calculada ou estimada previamente, seria suficiente para estudar, um número mos. Já na análise estatística inferencial, assim como o próprio nome indica,
pequeno de fácil acesso e menos custoso. Observa-se que não existiu o cuidado realizam-se inferências, ou seja, tiram-se conclusões a respeito de populações,
do pesquisador na alocação da população, pois a conveniência na seleção dos a partir de amostras.
participantes foi tomada com o intuito de evitar custos orçamentários e poupar O método quantitativo é estruturado de forma que a influência do pes-
tempo. Esses deveriam ser os últimos fatores levados em consideração quando quisador/cientista seja excluída ao máximo por meio do processo de seleção ao
tratamos de uma pesquisa qualitativa em que a racionalidade e lógica da esco- acaso e significância estatística. Elimina-se em grande parte, as opiniões subje-
lha devem ser priorizadas (Patton, 1999, p. 181). tivas dos pesquisadores e dos indivíduos que constituem a amostra. O pesqui-
Alguns autores mencionam que durante o período de coleta, "uma sa- sador faz uso de questionários estruturados, com respostas pré-estabelecidas,
turação das categorias de respostas ou ainda, uma redundância, indicaria o podendo esses, inclusive, serem aplicados e distribuídos para a população por
momento no qual o tamanho da amostra poderia ser considerado como sufi- outros pesquisadores que estejam colaborando com a pesquisa. Geralmente,
ciente. nessas pesquisas evita-se que o pesquisador que coletou os dados também ana-
Observa-se que nesse processo de análise dos dados coletados na pes- lise os dados.
quisa qualitativa, alguns elementos saltarão do texto para o pesquisador que Pode parecer que ao desenvolvermos um projeto onde o método quan-
graças à sua experiência diante daquele fenômeno, será capaz de absorver as titativo foi utilizado, as conclusões chegarão quase que automaticamente desde
informações que ali estão e, posteriormente, elaborar possíveis hipóteses (de- o momento da aplicação de um dado questionário até a fase final de conclusão
220 Sonia Regina Albano de Lima Ensino, Música & Interdisciplinaridade 221

do trabalho. É improvável a realização de uma pesquisa numérica sem enfren- aventurar no campo das pesquisas quantitativas, pois essas estão intimamente
tar problemas de interpretação. Os dados não falam por si mesmos, mesmo ligadas e correlacionadas com a incerteza que se deseja resolver. Geralmente
que sejam processados cuidadosamente com modelos estatísticos sofisticados. recomenda-se um profissional de estatística nessa fase inicial de concepção de
(Bauer & Gaskell, 2007, p. 24). Ao final da pesquisa quantitativa, nas fases de projeto para auxiliar o cientista, mas, vale salientar que as escolhas das variá-
análise e inferência estatística, caberá ao pesquisador estabelecer nexo, contex- veis a serem estudadas e medidas dependerão exclusivamente dos objetivos e
to e lógica nos resultados obtidos por meio das ferramentas e testes estatísticos metas do pesquisador.
utilizados. Variáveis podem ser definidas como toda característica ou atributos
Pesquisas quantitativas têm um grande espaço de aceitabilidade no que podem ser mensuradas. Os dados são os valores numéricos resultantes
meio científico, o que, obviamente, não desmerece a produção de pesquisas da mensuração de uma determinada variável em questão, que permitirão, em
qualitativas, entretanto, cada vez mais publicações de pesquisas qualitativas em seguida, a aplicação de métodos estatísticos.
periódicos, principalmente na área da saúde, tornam-se freqüentes. Inevita- Várias são as formas de classificação de uma variável. A variável depen-
velmente, as apresentações de dados numéricos chamam a atenção no discur- dente pode ser denominada como o desfecho de interesse e a variável predi-
so dos meios de comunicação, pois esses são recursos retóricos. Inclusive, em tora (independente) que, como o próprio nome indica, precede e prediz algo.
alguns casos, a má qualidade dos dados coletados, por meio de questionários Um exemplo típico que é dado para ilustrar essas variáveis distintas que apa-
estruturados equivocadamente ou mesmo, a falta do rigor da alocação amos- rentemente podem parecer confusas é: habito de fumar e infarto. O hábito de
trai da população em questão para o estudo, é mascarada e compensada por fumar prediz e precede o infarto, portanto, o hábito de fumar é uma variá-
uma sofisticação numérica. vel preditora e o infarto (o desfecho) a variável dependente ou ainda variável
Quando falamos da área musical, a metodologia quantitativa ainda não resposta. Um outro exemplo, agora mais relacionado à área musical: prática
é tão predominante, no entanto, atualmente, mais e mais subáreas têm invo- instrumental e melhora da motórica fina. A prática instrumental (variável pre-
cado tal metodologia para sanar as dúvidas e questionamentos científicos, com ditara) pode ser supostamente um antecedente para que acorra a melhora
principal ênfase na subárea de Educação Musical. Observa-se o interesse de motórica fina (variável dependente), mas, ainda, podemos colocar motórica
estudos no campo da pesquisa quantitativa em compreender: relações de cau- como variável preditora no seguinte contexto: destreza motórica e aumento de
sa-efeito; melhora ou piora de alguma variável por meio de um experimento dores articulares em dedos e punhos. Aqui a destreza motórica será o antece-
intervencionista, tal como, o ensino de música em uma instituição; prevalência dente, enquanto a dor articular será a variável (dependente ou ainda, variável
de determinadas variáveis em um ambiente estudado ou, ainda, acompanha- resposta).
mento dessas variáveis em um determinado período de tempo com o intuito Portanto, como observado acima, as variáveis podem apresentar dife-
de observar suas alterações estatisticamente significantes. rentes classificações, dependendo da ocasião e experimento no qual elas serão
Todos esses questionamentos possuem características que podem ser usadas, cabendo ao pesquisador a tarefa de delimitá-Ias e organizá-Ias de for-
sanadas e esclarecidas por uma metodologia quantitativa. A estatística, como ma coerente.
um ramo do conhecimento, destinar-se-á aos estudos dos processos de obten- Fora as variáveis dependentes e independentes, temos ainda, as variá-
ção, coleta, organização, apresentação, análise e interpretação de dados nu- veis de controle que, tal como o próprio nome indica, são características e ele-
méricos variáveis, referentes a qualquer fenômeno, sobre uma determinada mentos que se deseja controlar no estudo a ser realizado. Por exemplo, idade,
amostra representativa de um universo. sexo, raça e classe sociais são típicas variáveis de controle observadas. Vamos
Pode-se observar que nos últimos parágrafos a palavra variável foi mui- supor que na proposta de estudo anterior a respeito da prática instrumental e
to usada. Ela é um importante elemento que deverá ser muito bem delimitado, melhora da destreza motórica, podemos trabalhar com crianças das seguintes
logo no início do estudo e estruturada pelo próprio pesquisador que deseja se faixas etárias: de oito á nove anos e de dez até onze anos. Nesse caso, a variável
220 Sonia Regina Albano de Lima Ensino, Música & Interdisciplinaridade 221

do trabalho. É improvável a realização de uma pesquisa numérica sem enfren- aventurar no campo das pesquisas quantitativas, pois essas estão intimamente
tar problemas de interpretação. Os dados não falam por si mesmos, mesmo ligadas e correlacionadas com a incerteza que se deseja resolver. Geralmente
que sejam processados cuidadosamente com modelos estatísticos sofisticados. recomenda-se um profissional de estatística nessa fase inicial de concepção de
(Bauer & Gaskell, 2007, p. 24). Ao final da pesquisa quantitativa, nas fases de projeto para auxiliar o cientista, mas, vale salientar que as escolhas das variá-
análise e inferência estatística, caberá ao pesquisador estabelecer nexo, contex- veis a serem estudadas e medidas dependerão exclusivamente dos objetivos e
to e lógica nos resultados obtidos por meio das ferramentas e testes estatísticos metas do pesquisador.
utilizados. Variáveis podem ser definidas como toda característica ou atributos
Pesquisas quantitativas têm um grande espaço de aceitabilidade no que podem ser mensuradas. Os dados são os valores numéricos resultantes
meio científico, o que, obviamente, não desmerece a produção de pesquisas da mensuração de uma determinada variável em questão, que permitirão, em
qualitativas, entretanto, cada vez mais publicações de pesquisas qualitativas em seguida, a aplicação de métodos estatísticos.
periódicos, principalmente na área da saúde, tornam-se freqüentes. Inevita- Várias são as formas de classificação de uma variável. A variável depen-
velmente, as apresentações de dados numéricos chamam a atenção no discur- dente pode ser denominada como o desfecho de interesse e a variável predi-
so dos meios de comunicação, pois esses são recursos retóricos. Inclusive, em tora (independente) que, como o próprio nome indica, precede e prediz algo.
alguns casos, a má qualidade dos dados coletados, por meio de questionários Um exemplo típico que é dado para ilustrar essas variáveis distintas que apa-
estruturados equivocadamente ou mesmo, a falta do rigor da alocação amos- rentemente podem parecer confusas é: habito de fumar e infarto. O hábito de
trai da população em questão para o estudo, é mascarada e compensada por fumar prediz e precede o infarto, portanto, o hábito de fumar é uma variá-
uma sofisticação numérica. vel preditora e o infarto (o desfecho) a variável dependente ou ainda variável
Quando falamos da área musical, a metodologia quantitativa ainda não resposta. Um outro exemplo, agora mais relacionado à área musical: prática
é tão predominante, no entanto, atualmente, mais e mais subáreas têm invo- instrumental e melhora da motórica fina. A prática instrumental (variável pre-
cado tal metodologia para sanar as dúvidas e questionamentos científicos, com ditara) pode ser supostamente um antecedente para que acorra a melhora
principal ênfase na subárea de Educação Musical. Observa-se o interesse de motórica fina (variável dependente), mas, ainda, podemos colocar motórica
estudos no campo da pesquisa quantitativa em compreender: relações de cau- como variável preditora no seguinte contexto: destreza motórica e aumento de
sa-efeito; melhora ou piora de alguma variável por meio de um experimento dores articulares em dedos e punhos. Aqui a destreza motórica será o antece-
intervencionista, tal como, o ensino de música em uma instituição; prevalência dente, enquanto a dor articular será a variável (dependente ou ainda, variável
de determinadas variáveis em um ambiente estudado ou, ainda, acompanha- resposta).
mento dessas variáveis em um determinado período de tempo com o intuito Portanto, como observado acima, as variáveis podem apresentar dife-
de observar suas alterações estatisticamente significantes. rentes classificações, dependendo da ocasião e experimento no qual elas serão
Todos esses questionamentos possuem características que podem ser usadas, cabendo ao pesquisador a tarefa de delimitá-Ias e organizá-Ias de for-
sanadas e esclarecidas por uma metodologia quantitativa. A estatística, como ma coerente.
um ramo do conhecimento, destinar-se-á aos estudos dos processos de obten- Fora as variáveis dependentes e independentes, temos ainda, as variá-
ção, coleta, organização, apresentação, análise e interpretação de dados nu- veis de controle que, tal como o próprio nome indica, são características e ele-
méricos variáveis, referentes a qualquer fenômeno, sobre uma determinada mentos que se deseja controlar no estudo a ser realizado. Por exemplo, idade,
amostra representativa de um universo. sexo, raça e classe sociais são típicas variáveis de controle observadas. Vamos
Pode-se observar que nos últimos parágrafos a palavra variável foi mui- supor que na proposta de estudo anterior a respeito da prática instrumental e
to usada. Ela é um importante elemento que deverá ser muito bem delimitado, melhora da destreza motórica, podemos trabalhar com crianças das seguintes
logo no início do estudo e estruturada pelo próprio pesquisador que deseja se faixas etárias: de oito á nove anos e de dez até onze anos. Nesse caso, a variável
222 Sonia Regina Albano de Lima Ensino, Música & Inierdisciplmaridade 223
faixa etária será uma variável de controle no estudo. é arbitrário e representa um ponto verdadeiro, ou seja, ausência. Exemplos de
Cada uma das variáveis apresentadas: variáveis dependentes, variáveis algumas variáveis medidas em escala de razão são: idade, altura, volume e dor
independentes e variáveis de controle podem assumir uma série de valores muscular. Em todos os exemplos não poderíamos atribuir para uma altura,
especí~cos de acordo com as características próprias dos dados gerados que, peso ou idade, valores negativos.
posteriormente, serão analisados pelo pesquisador por meio de testes estatís- Tanto a escala intervalar quanto a de razão podem ainda ser subdi-
ticos apropriados. Conhecer as quatro tipologias das escalas e dos níveis de vididas em dois grupos: variável contínua e variável discreta. A variável será
mensuração é fundamental para que o pesquisador utilize sempre a melhor e contínua quando tomarmos qualquer valor dentro de um escala numérica, ou
mais refinada escala. como se costuma chamar popularmente de "números quebrados". Exemplos
As escalas podem apresentar os seguintes níveis de mensuração que dessas variáveis são: a altura, a área, o volume, as medidas bioquímicas e as
serão apresentados em ordem crescente de refinamento: o nominal, o ordinal temperaturas. Já as variáveis discretas são expressas em valores inteiros. São
intervalar e razão. ' exemplos: o número de filhos, número de cigarros, indivíduos diabéticos, nú-
Variáveis com nível de mensuração nominal envolvem freqüências e mero de pontos em uma sutura, número de crianças em uma escola.
não medidas. Os indivíduos ou características em questão serão agrupados em A explanação a respeito das tipologias e características das variáveis foi
categorias e, posteriormente, contar-se-á a freqüência com que essas categorias escolhida para ser o ponto inicial para o delineamento da pesquisa quantitati-
ocorrem. Por exemplo, para a variável instrumentos ensinados em uma escola de va, pois alguns equívocos e problemas futuros poderão ser facilmente evitados
música, teríamos a seguinte escala nominal: piano, flauta transversal, flauta com os seguintes alertas e cuidados a respeito das características pertinentes
doce, piano, teclado e violão; para a variável local de nascimento do univer- a cada uma dessas variáveis. A definição e a estruturação dessas variáveis logo
sitário: Jacareí, Taubaté, São Paulo, Ribeirão Preto, Caraguatatuba. Quando no início da pesquisa devem ser realizadas pelo pesquisador que será auxiliado
a variável nominal possui apenas duas categorias, por exemplo, masculino e por um profissional da estatística. Por melhor que seja a análise estatística des-
feminino, grávida e não-grávida, com dor e sem dor, doente e não doente, cha- critiva e inferencial ao final do trabalho, essa não corrigirá erros acumulados
maremos essas variáveis de dicotômicas. No caso das variáveis que apresentam logo no inicio do planejamento do projeto ou condução do mesmo.
três ou mais categorias, por exemplo, o sistema de grupos sangüíneos ABO, Ao delimitar o projeto de pesquisa, o pesquisador deve evitar a trans-
teríamos um variável politômica, pois temos a seguinte configuração A, B, AB, formação de variáveis numéricas em categóricas, pois, tal procedimento oca-
e O como grupos sangüíneos. sionará a perda de informações. Por exemplo, pode-se classificar as pessoas de
A variável que classifica os indivíduos ou as características que se pre- acordo com a idade em menos de 40 anos ou mais de 40 anos. Por meio deste
t~nde estudar em categorias e são passíveis de serem ordenadas por algum processo, conhecido como categorização, perdem-se dados e poder de análise
sistema de graduação serão chamadas de escalas ordinais. Um exemplo típico estatística. Ainda se as variáveis preditoras e resposta forem todas categóri-
de variável ordinal é a avaliação da condição socioeconômica de um indivíduo cas só será possível utilizar, ao final do trabalho na fase de análise estatística
em baixa, média ou alta. inferencial, testes não paramétricos que apresentam menor poder, como se
Em uma variável com nível de mensuração intervalar, está disponível observará nos exemplos dados a seguir, quando tratarmos de teste não-para-
para cada mensuração uma escala de valores supostamente ilimitada que apre- métricos - o teste chi-quadrado.
senta intervalos iguais entre os vários pontos, ou seja, implicam unidades cons- O pesquisador deve também evitar trabalhar com um número exces-
tantes de medida. (Motta & Wagner, 2003, p. 18). Podemos exemplificar por sivo de variáveis que, conseqüentemente, dificultam a análise estatística e di-
meio da escala em graus centígrados. minuem o poder da amostra, por esse motivo evita-se estudar duas variáveis
Já a variável de medidas em escala de razão possui as mesmas caracte- preditoras simultaneamente. Nesse caso, para compensar a escolha de traba-
rísticas da variável com nível de medida intervalar, mas, aqui o ponto zero não lhar com mais de uma variável preditora, o pesquisador necessitaria de uma
222 Sonia Regina Albano de Lima Ensino, Música & Inierdisciplmaridade 223
faixa etária será uma variável de controle no estudo. é arbitrário e representa um ponto verdadeiro, ou seja, ausência. Exemplos de
Cada uma das variáveis apresentadas: variáveis dependentes, variáveis algumas variáveis medidas em escala de razão são: idade, altura, volume e dor
independentes e variáveis de controle podem assumir uma série de valores muscular. Em todos os exemplos não poderíamos atribuir para uma altura,
especí~cos de acordo com as características próprias dos dados gerados que, peso ou idade, valores negativos.
posteriormente, serão analisados pelo pesquisador por meio de testes estatís- Tanto a escala intervalar quanto a de razão podem ainda ser subdi-
ticos apropriados. Conhecer as quatro tipologias das escalas e dos níveis de vididas em dois grupos: variável contínua e variável discreta. A variável será
mensuração é fundamental para que o pesquisador utilize sempre a melhor e contínua quando tomarmos qualquer valor dentro de um escala numérica, ou
mais refinada escala. como se costuma chamar popularmente de "números quebrados". Exemplos
As escalas podem apresentar os seguintes níveis de mensuração que dessas variáveis são: a altura, a área, o volume, as medidas bioquímicas e as
serão apresentados em ordem crescente de refinamento: o nominal, o ordinal temperaturas. Já as variáveis discretas são expressas em valores inteiros. São
intervalar e razão. ' exemplos: o número de filhos, número de cigarros, indivíduos diabéticos, nú-
Variáveis com nível de mensuração nominal envolvem freqüências e mero de pontos em uma sutura, número de crianças em uma escola.
não medidas. Os indivíduos ou características em questão serão agrupados em A explanação a respeito das tipologias e características das variáveis foi
categorias e, posteriormente, contar-se-á a freqüência com que essas categorias escolhida para ser o ponto inicial para o delineamento da pesquisa quantitati-
ocorrem. Por exemplo, para a variável instrumentos ensinados em uma escola de va, pois alguns equívocos e problemas futuros poderão ser facilmente evitados
música, teríamos a seguinte escala nominal: piano, flauta transversal, flauta com os seguintes alertas e cuidados a respeito das características pertinentes
doce, piano, teclado e violão; para a variável local de nascimento do univer- a cada uma dessas variáveis. A definição e a estruturação dessas variáveis logo
sitário: Jacareí, Taubaté, São Paulo, Ribeirão Preto, Caraguatatuba. Quando no início da pesquisa devem ser realizadas pelo pesquisador que será auxiliado
a variável nominal possui apenas duas categorias, por exemplo, masculino e por um profissional da estatística. Por melhor que seja a análise estatística des-
feminino, grávida e não-grávida, com dor e sem dor, doente e não doente, cha- critiva e inferencial ao final do trabalho, essa não corrigirá erros acumulados
maremos essas variáveis de dicotômicas. No caso das variáveis que apresentam logo no inicio do planejamento do projeto ou condução do mesmo.
três ou mais categorias, por exemplo, o sistema de grupos sangüíneos ABO, Ao delimitar o projeto de pesquisa, o pesquisador deve evitar a trans-
teríamos um variável politômica, pois temos a seguinte configuração A, B, AB, formação de variáveis numéricas em categóricas, pois, tal procedimento oca-
e O como grupos sangüíneos. sionará a perda de informações. Por exemplo, pode-se classificar as pessoas de
A variável que classifica os indivíduos ou as características que se pre- acordo com a idade em menos de 40 anos ou mais de 40 anos. Por meio deste
t~nde estudar em categorias e são passíveis de serem ordenadas por algum processo, conhecido como categorização, perdem-se dados e poder de análise
sistema de graduação serão chamadas de escalas ordinais. Um exemplo típico estatística. Ainda se as variáveis preditoras e resposta forem todas categóri-
de variável ordinal é a avaliação da condição socioeconômica de um indivíduo cas só será possível utilizar, ao final do trabalho na fase de análise estatística
em baixa, média ou alta. inferencial, testes não paramétricos que apresentam menor poder, como se
Em uma variável com nível de mensuração intervalar, está disponível observará nos exemplos dados a seguir, quando tratarmos de teste não-para-
para cada mensuração uma escala de valores supostamente ilimitada que apre- métricos - o teste chi-quadrado.
senta intervalos iguais entre os vários pontos, ou seja, implicam unidades cons- O pesquisador deve também evitar trabalhar com um número exces-
tantes de medida. (Motta & Wagner, 2003, p. 18). Podemos exemplificar por sivo de variáveis que, conseqüentemente, dificultam a análise estatística e di-
meio da escala em graus centígrados. minuem o poder da amostra, por esse motivo evita-se estudar duas variáveis
Já a variável de medidas em escala de razão possui as mesmas caracte- preditoras simultaneamente. Nesse caso, para compensar a escolha de traba-
rísticas da variável com nível de medida intervalar, mas, aqui o ponto zero não lhar com mais de uma variável preditora, o pesquisador necessitaria de uma
224 Sonia Regina Albano de Lima Ensino, Música & Interdisciplinaridade 225
amostra maior. Portanto, delimitar uma variável preditora e uma variável res- Estes testes que se utilizam dessa distribuição normal são referidos
posta são suficientes para um bom projeto de pesquisa, desde que a pergunta/ como testes paramétricos. Não apresentaremos nesse capítulo toda a estrutu-
questionamento do estudo seja relevante e inédita. ração dos cálculos de cada um dos testes apresentados. Explicaremos a apli-
O conhecimento das características e tipologias das variáveis é funda- cabilidade de cada um dos testes estatísticos escolhidos e mais utilizados pela
mental também para que o pesquisador saiba avaliar a utilidade e coerência do literatura para que o leitor possa melhor compreender as situações em que
questionário que usará. É comum na área da saúde, antes da aplicação de um poderiam fazer uso dos mesmos.
questionário inédito, verificar a validação do mesmo em uma determinada po- Vamos supor que uma pesquisa pretenda comparar a altura dos me-
pulação por meio de um projeto-piloto. Como acima descrito, um questionário ninos e meninas de uma sala de aula. Estaremos utilizando como variável ca-
que seja só constituído de variáveis categóricas terá o seu poder comprometi- tegórica preditora (masculino e feminino) com a variável resposta numérica
do, visto que, ao final do trabalho, apenas testes não-paramétricos poderão ser (altura das crianças, 1, 29m, 1, 32m etc). Para tal usaremos um teste conhecido
usados, diminuindo, conseqüentemente, o poder da pesquisa realizada. com teste [: Student. Esta distribuição foi descoberta pelo químico e estatístico
Formular um questionário, portanto, torna-se uma tarefa complexa e inglês William Sealy Gosset em 1908. Entretanto, seu empregador na época,
que exige muita atenção do pesquisador ao selecionar as variáveis que serão destilaria de Dublin de Arthur Guinness & Son, proibia a divulgação de quais-
utilizadas. quer trabalhos técnicos desenvolvidos por funcionários, porque os considerava
O atual intercâmbio da área musical - especialmente a subárea da Edu- segredo comercial. Para prevenir problemas, Gosset publicou seu trabalho sob
cação Musical, com outras áreas do conhecimento tais como, a Psicologia e a o pseudônimo Student, e por associação com o teste estatístico denominado
Fonoaudiologia, tem trazido o uso dessas ferramentas para o cenário acadê- "T", ficou conhecida como distribuição t-studeni (ou student's T, em inglês).
mico musical. É quase que infinito o número de questionários e inquéritos Vamos supor que desejamos comparar o antes e depois das notas esco-
disponíveis virtualmente em jornais científicos e em sites de departamentos de lares de um grupo de adolescentes após a entrada de um novo professor. Nessa
instituições de ensino superior.Vale ressaltar a necessidade do uso de questio- nova situação temos como variáveis preditoras categóricas no caso o antes e o
nários que sejam validados para a nossa população brasileira, principalmente depois das notas das crianças. Podemos chamar e nomear essa categoria como
aqueles que ainda não foram produzidos inicialmente para o nosso público, (A = notas das crianças antes do professor e D = notas das crianças depois do
sendo traduzidos, posteriormente, para o idioma português. novo professor). Repare que escolhemos as letras A e D aleatoriamente e que
A pesquisa quantitativa faz usos de testes estatísticos com o intuito de poderiam ser representadas por qualquer outro signo, por exemplo, 1 e 2, a e
testar hipóteses. Escolher o teste mais conveniente para comparar as variáveis ~' Observe também que o grupo de crianças não vai mudar, ou seja, trabalha-
observadas em um determinado estudo pode parecer um pouco complicado, remos com as mesmas crianças durante todo o experimento. Todas elas serão
pois estaremos entre duas famílias distintas de testes: para métricos e não pa- avaliadas em dois momentos distintos do nosso experimento intervencionista
ramétricos. De forma sintética, muitos testes estatísticos são baseados no pres- (a entrada de um novo professor) - antes e depois. Pode-se observar que o
supostos de que os dados são recolhidos a partir de uma distribuição gaussiana grupo de crianças será o mesmo nos dois momentos, em outras palavras, se
ou distribuição normal. Essa distribuição normal é conhecida e representada alocamos 55 crianças antes, as mesmas 55 crianças serão reavaliadas depois do
como uma curva em forma de sino e está relacionada com a história da desco- período letivo desse nosso professor na instituição, como o intuito de descobrir
berta das probabilidades em matemática no século XVII, principalmente com o que aconteceu com as notas delas. A amostra do antes e depois estão relacio-
questões de apostas de jogos de azar. Essa curva é fundamental em ciências, nadas e não são independentes, pois se tratam das mesmas crianças.
porque a normalidade ocorre naturalmente em muitas, senão todas as me- Como a variável reposta do estudo (o que se deseja medir) é a nota das
didas de situações físicas, biológicas ou sociais e, ainda é fundamental para a crianças e essa possui características numéricas, podemos utilizar o teste esta-
inferência estatística. tístico conhecido como teste i- pareado, que tem a função de comparar variáveis
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amostra maior. Portanto, delimitar uma variável preditora e uma variável res- Estes testes que se utilizam dessa distribuição normal são referidos
posta são suficientes para um bom projeto de pesquisa, desde que a pergunta/ como testes paramétricos. Não apresentaremos nesse capítulo toda a estrutu-
questionamento do estudo seja relevante e inédita. ração dos cálculos de cada um dos testes apresentados. Explicaremos a apli-
O conhecimento das características e tipologias das variáveis é funda- cabilidade de cada um dos testes estatísticos escolhidos e mais utilizados pela
mental também para que o pesquisador saiba avaliar a utilidade e coerência do literatura para que o leitor possa melhor compreender as situações em que
questionário que usará. É comum na área da saúde, antes da aplicação de um poderiam fazer uso dos mesmos.
questionário inédito, verificar a validação do mesmo em uma determinada po- Vamos supor que uma pesquisa pretenda comparar a altura dos me-
pulação por meio de um projeto-piloto. Como acima descrito, um questionário ninos e meninas de uma sala de aula. Estaremos utilizando como variável ca-
que seja só constituído de variáveis categóricas terá o seu poder comprometi- tegórica preditora (masculino e feminino) com a variável resposta numérica
do, visto que, ao final do trabalho, apenas testes não-paramétricos poderão ser (altura das crianças, 1, 29m, 1, 32m etc). Para tal usaremos um teste conhecido
usados, diminuindo, conseqüentemente, o poder da pesquisa realizada. com teste [: Student. Esta distribuição foi descoberta pelo químico e estatístico
Formular um questionário, portanto, torna-se uma tarefa complexa e inglês William Sealy Gosset em 1908. Entretanto, seu empregador na época,
que exige muita atenção do pesquisador ao selecionar as variáveis que serão destilaria de Dublin de Arthur Guinness & Son, proibia a divulgação de quais-
utilizadas. quer trabalhos técnicos desenvolvidos por funcionários, porque os considerava
O atual intercâmbio da área musical - especialmente a subárea da Edu- segredo comercial. Para prevenir problemas, Gosset publicou seu trabalho sob
cação Musical, com outras áreas do conhecimento tais como, a Psicologia e a o pseudônimo Student, e por associação com o teste estatístico denominado
Fonoaudiologia, tem trazido o uso dessas ferramentas para o cenário acadê- "T", ficou conhecida como distribuição t-studeni (ou student's T, em inglês).
mico musical. É quase que infinito o número de questionários e inquéritos Vamos supor que desejamos comparar o antes e depois das notas esco-
disponíveis virtualmente em jornais científicos e em sites de departamentos de lares de um grupo de adolescentes após a entrada de um novo professor. Nessa
instituições de ensino superior.Vale ressaltar a necessidade do uso de questio- nova situação temos como variáveis preditoras categóricas no caso o antes e o
nários que sejam validados para a nossa população brasileira, principalmente depois das notas das crianças. Podemos chamar e nomear essa categoria como
aqueles que ainda não foram produzidos inicialmente para o nosso público, (A = notas das crianças antes do professor e D = notas das crianças depois do
sendo traduzidos, posteriormente, para o idioma português. novo professor). Repare que escolhemos as letras A e D aleatoriamente e que
A pesquisa quantitativa faz usos de testes estatísticos com o intuito de poderiam ser representadas por qualquer outro signo, por exemplo, 1 e 2, a e
testar hipóteses. Escolher o teste mais conveniente para comparar as variáveis ~' Observe também que o grupo de crianças não vai mudar, ou seja, trabalha-
observadas em um determinado estudo pode parecer um pouco complicado, remos com as mesmas crianças durante todo o experimento. Todas elas serão
pois estaremos entre duas famílias distintas de testes: para métricos e não pa- avaliadas em dois momentos distintos do nosso experimento intervencionista
ramétricos. De forma sintética, muitos testes estatísticos são baseados no pres- (a entrada de um novo professor) - antes e depois. Pode-se observar que o
supostos de que os dados são recolhidos a partir de uma distribuição gaussiana grupo de crianças será o mesmo nos dois momentos, em outras palavras, se
ou distribuição normal. Essa distribuição normal é conhecida e representada alocamos 55 crianças antes, as mesmas 55 crianças serão reavaliadas depois do
como uma curva em forma de sino e está relacionada com a história da desco- período letivo desse nosso professor na instituição, como o intuito de descobrir
berta das probabilidades em matemática no século XVII, principalmente com o que aconteceu com as notas delas. A amostra do antes e depois estão relacio-
questões de apostas de jogos de azar. Essa curva é fundamental em ciências, nadas e não são independentes, pois se tratam das mesmas crianças.
porque a normalidade ocorre naturalmente em muitas, senão todas as me- Como a variável reposta do estudo (o que se deseja medir) é a nota das
didas de situações físicas, biológicas ou sociais e, ainda é fundamental para a crianças e essa possui características numéricas, podemos utilizar o teste esta-
inferência estatística. tístico conhecido como teste i- pareado, que tem a função de comparar variáveis
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numéricas repostas (notas das crianças) com uma variável categórica preditora uma vez que ele testa apenas a hipótese geral de que as duas variáveis são
(nota do grupo de crianças antes e depois de uma intervenção). A análise de independentes.
regressão é o método estatístico que utiliza a relação entre duas variáveis de De posse das informações anteriores, é importante que o pesquisador
modo que uma variável pode ser estimada (ou predita) a partir da outra ou tenha atenção e cautela ao se propor elaborar um questionário para avaliar
das outras. (Neter et ai, 1996). Supondo que desejamos determinar como duas uma determinada variável de uma população. O uso das variáveis seleciona-
variáveis numéricas se relacionam, como, por exemplo, notas escolares e horas das, bem como as características inerentes a elas, estarão fortemente relacio-
de estudo em casa dos alunos. Podemos, por meio da regressão linear simples, nadas com o teste estatístico que será utilizado ao final do estudo, na fase
estimar uma função que determina a relação entre essas duas variáveis, sendo inferencial. Portanto, aqui fica um pouco mais clara a informação dada a res-
essa regressão linear simples uma tentativa de estabelecer uma equação ma- peito do baixo poder do teste estatístico e o uso de variáveis categóricas como
temática linear (linha reta) que descreva o relacionamento entre essas duas preditoras e respostas concomitantemente, tal como exemplificado no uso do
variáveis. teste não-pararnétrico chi-quadrado.
Todos os testes estatísticos acima citados t-Studeni, t-paseado e regressão A consulta prévia a um estatístico, portanto, é primordial, mesmo que o
linear simples são testes para métricos. A partir de agora, explicaremos o uso pesquisador possua um conhecimento prévio de tal disciplina, pois o profissio-
de um teste não-paramétrico conhecido como teste du-ouadrado que pode ser °
nal experiente nessa área poderá auxiliar a delimitar melhor projeto e ainda
usado para avaliar a relação entre duas variáveis qualitativas (categóricas). O colaborar, caso seja necessário, na elaboração de um questionário, para torná-
teste de chi-quadrado é muito útil e utilizado, pois não precisa da suposição de 10 eficiente, evitando assim um acúmulo desnecessário de dados que nada po-
normalidade das variáveis em questão no estudo, para analisar o grau de as- derá contribuir para a questão norteadora da pesquisa.
sociação entre as duas variáveis, porém, ele não é tão poderoso quanto o teste A crescente interdisciplinaridade das pesquisas na área de música
paramétrico. com outras áreas de pesquisa, sejam essas na área de exatas, humanas ou
Suponha que um diretor de uma instituição queira verificar se existe mesmo biológicas, requer dos pesquisadores, criatividade para responder
relação entre a participação dos pais dos alunos nos deveres extra-escolares e algumas perguntas, recorrendo a um instrumental metodológico não muito
qual o desempenho dos alunos nos exames finais. Vamos categorizar o desem- comum e típico das disciplinas da área de Artes. Mesmo o método quan-
penho dos alunos em três grupos: baixo, médio, alto e, do mesmo modo, cate- titativo, não sendo predominante nas pesquisas das áreas artísticas, cada
gorizar a participação dos pais em dois grupos: participação ativa, participação vez mais têm sido utilizados, pois, tal como em todos os exemplos citados,
fraca. Observe que a variável desempenho é categórica e ordinal (possui uma a metodologia quantitativa pode se fazer presente e útil para sanar alguns
graduação e é categórica, pois vai de baixo até o alto), enquanto que a variável questionamentos.
participação dos pais é categórica e também dicotômica (temos apenas duas
opções ativa e fraca). Um outro exemplo que poderia ser dado seria o seguin-
te: 300 crianças foram expostas a três tipos de brinquedos (carrinho, boneca Referências
e quebra-cabeça). Após a exposição, solicitou-se a cada criança que indicasse
qual dos brinquedos ela gostou mais. O profissional dessa empresa de marke- TURATO, E. R. Tratado da. Metodologia da Pesquisa Clínico-quantitativa. PetrópoJis, RJ:
ting está interessado em saber se a escolha do brinquedo está relacionada ao Vozes, 2003.
gênero da criança (masculino ou feminino), pois ele tem a suspeita de que o
gênero pode estar influenciando a escolha do brinquedo. Nos dois exemplos
°
MARICONDA, P., R. diálogo de Galileu e a condenação. Cad. Hist. Fil. Ci., Campinas,
Série 3, v. 10, n. I, p. 77-160,jan.-jun. 2000.
usaríamos o teste chi-quadrado para testar as hipóteses traçadas pelos pesqui-
HENRY, G.T. Praiical SamjJling. Newbury Park, CA: SAGE. 1990.
sadores. Infelizmente, esse teste não permite concluir como se dão as relações,
226 Sonia Regina Albano de Lima Ensino, Música & Interdisciplinaridade 227

numéricas repostas (notas das crianças) com uma variável categórica preditora uma vez que ele testa apenas a hipótese geral de que as duas variáveis são
(nota do grupo de crianças antes e depois de uma intervenção). A análise de independentes.
regressão é o método estatístico que utiliza a relação entre duas variáveis de De posse das informações anteriores, é importante que o pesquisador
modo que uma variável pode ser estimada (ou predita) a partir da outra ou tenha atenção e cautela ao se propor elaborar um questionário para avaliar
das outras. (Neter et ai, 1996). Supondo que desejamos determinar como duas uma determinada variável de uma população. O uso das variáveis seleciona-
variáveis numéricas se relacionam, como, por exemplo, notas escolares e horas das, bem como as características inerentes a elas, estarão fortemente relacio-
de estudo em casa dos alunos. Podemos, por meio da regressão linear simples, nadas com o teste estatístico que será utilizado ao final do estudo, na fase
estimar uma função que determina a relação entre essas duas variáveis, sendo inferencial. Portanto, aqui fica um pouco mais clara a informação dada a res-
essa regressão linear simples uma tentativa de estabelecer uma equação ma- peito do baixo poder do teste estatístico e o uso de variáveis categóricas como
temática linear (linha reta) que descreva o relacionamento entre essas duas preditoras e respostas concomitantemente, tal como exemplificado no uso do
variáveis. teste não-pararnétrico chi-quadrado.
Todos os testes estatísticos acima citados t-Studeni, t-paseado e regressão A consulta prévia a um estatístico, portanto, é primordial, mesmo que o
linear simples são testes para métricos. A partir de agora, explicaremos o uso pesquisador possua um conhecimento prévio de tal disciplina, pois o profissio-
de um teste não-paramétrico conhecido como teste du-ouadrado que pode ser °
nal experiente nessa área poderá auxiliar a delimitar melhor projeto e ainda
usado para avaliar a relação entre duas variáveis qualitativas (categóricas). O colaborar, caso seja necessário, na elaboração de um questionário, para torná-
teste de chi-quadrado é muito útil e utilizado, pois não precisa da suposição de 10 eficiente, evitando assim um acúmulo desnecessário de dados que nada po-
normalidade das variáveis em questão no estudo, para analisar o grau de as- derá contribuir para a questão norteadora da pesquisa.
sociação entre as duas variáveis, porém, ele não é tão poderoso quanto o teste A crescente interdisciplinaridade das pesquisas na área de música
paramétrico. com outras áreas de pesquisa, sejam essas na área de exatas, humanas ou
Suponha que um diretor de uma instituição queira verificar se existe mesmo biológicas, requer dos pesquisadores, criatividade para responder
relação entre a participação dos pais dos alunos nos deveres extra-escolares e algumas perguntas, recorrendo a um instrumental metodológico não muito
qual o desempenho dos alunos nos exames finais. Vamos categorizar o desem- comum e típico das disciplinas da área de Artes. Mesmo o método quan-
penho dos alunos em três grupos: baixo, médio, alto e, do mesmo modo, cate- titativo, não sendo predominante nas pesquisas das áreas artísticas, cada
gorizar a participação dos pais em dois grupos: participação ativa, participação vez mais têm sido utilizados, pois, tal como em todos os exemplos citados,
fraca. Observe que a variável desempenho é categórica e ordinal (possui uma a metodologia quantitativa pode se fazer presente e útil para sanar alguns
graduação e é categórica, pois vai de baixo até o alto), enquanto que a variável questionamentos.
participação dos pais é categórica e também dicotômica (temos apenas duas
opções ativa e fraca). Um outro exemplo que poderia ser dado seria o seguin-
te: 300 crianças foram expostas a três tipos de brinquedos (carrinho, boneca Referências
e quebra-cabeça). Após a exposição, solicitou-se a cada criança que indicasse
qual dos brinquedos ela gostou mais. O profissional dessa empresa de marke- TURATO, E. R. Tratado da. Metodologia da Pesquisa Clínico-quantitativa. PetrópoJis, RJ:
ting está interessado em saber se a escolha do brinquedo está relacionada ao Vozes, 2003.
gênero da criança (masculino ou feminino), pois ele tem a suspeita de que o
gênero pode estar influenciando a escolha do brinquedo. Nos dois exemplos
°
MARICONDA, P., R. diálogo de Galileu e a condenação. Cad. Hist. Fil. Ci., Campinas,
Série 3, v. 10, n. I, p. 77-160,jan.-jun. 2000.
usaríamos o teste chi-quadrado para testar as hipóteses traçadas pelos pesqui-
HENRY, G.T. Praiical SamjJling. Newbury Park, CA: SAGE. 1990.
sadores. Infelizmente, esse teste não permite concluir como se dão as relações,
228 Sonia Regina Albano de Lima Ensino, Música & Interdisciplinaridade 229

DAYMON, C. & HOLLOWAY, 1. Qualitative Research Methods in Public Relations and SOBRE OS AUTORES
Marketing Communiauions. Taylor & Francis: Icn, 2002.
Michael Quinn Patton. Qualitative Researcli & Evaluation Methods. Sage 2nd Edition

KISH, L. Survey Sampling. New York, Jonh Wiley & Sons, 1965.

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York: Springer-Verlag, 1992.

ABBAGNANO, Nicola. Dicionário defilosofia. 21. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1998.

MOTTA, V. & WAGNER, M. Bioestatística. Educs, São Paulo: Robe Editorial, 2003.
Vera Jardim - Musicista, pedagoga, psicopedagoga, atuante na área da
BAUER, M. & GASKELL, G. Pesquisa qualitativa com texto, imagem e som: um manual
Educação Musical, em escolas públicas e privadas, desde a educação infantil
prático. 6. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2007.
até a pós-graduação. Desenvolveu projetos culturais, pedagógicos e de for-
mação de professores, enfocando formação de público, problemas de apren-
dizagem, materiais didáticos, didática e metodologia para ensino da música.
Tem mestrado e doutorado em Educação (PUC-SP). Participa do grupo de
pesquisa "História das disciplinas escolares e dos livros didáticos" (Educação
Musical), do programa de estudos pós-graduados EHPS, da PUC-SP.

Enny Parejo - Doutora em Educação-Currículo (PUC-SP). Bacharel


em Piano (FAP-Arte) Autora das obras: MUSICALIZAR - uma proposta para
vivência dos elementos musicais e ESTORINHAS PARA OUVIR - aprenden-
do a escutar música. Professora da FMCG. Consultora de música do projeto
Fábricas de Cultura da Secretaria Estadual de Cultura de São Paulo. Dirige o
ENNY PAREJO ATELIER MUSICAL.

Liliana Harb BoIlos - Doutora em Comunicação e Semiótica (PUC-SP),


mestre e bacharel em performance (piano jazz) pela Kunst Universitãt Graz
(Áustria), bacharel e licenciada em Letras pela USP. É professora da FMCG e
pianista, tendo se apresentado com Alaíde Costa, Ruy Castro & Sabá Quinte-
to (Projeto Bossa Nova), Fernando Corrêa Quarteto, Orquestra Sinfônica de
Santo André (com o Duo Fel), Coral USP (sob a regência de Thiago Pinheiro),
entre outros. Tem artigos publicados em revistas científicas na área de música
e capítulos em coletâneas.
Sonia Regina Albano de Lima
Organizadora

Ensino, Música
&
Interdisciplinaridade

2009
Copyright © 2009 by: Sonia Regina Albano de Lima

É proibida a reprodução total ou parcial da obra, de qualquer forma SUMÁRIO


ou por qualquer meio sem a autorização prévia e por escrito do autor.
A violação dos Direitos Autorais (Lei n.? 9610/98) é crime estabelecido
pelo artigo 48 do Código Penal.

Conselho Editoral:
Praf. Dr. José Vieira (editor-chefe, Editora Vieira)
Profa. Dra. Sonia Ray (co-editora, lrakun Brasil)
Prafa. Dra. Salomea Gandelman (UNIRIO)
Profa. Dra. Marisa Fonterrada (UNESP)
Profa. Dra. Luciane Cardassi (Instituto Banff, Canadá)

Projeto Gráfico e Editoração Eletrônica:


Franco Jr.

7 Apresentação

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação - CIP


11 o músico professor: percurso histórico da formação em Música
Ensino, música e interdisciplinariedade / organizadora Vera Lúcia Gomesjardim
Sonia Regina Alhano de I.inn C;;,i~pia' Editora Vieira,
2009. 59 Música e Transdisciplinaridade: um caminho de interiorização
232 p. Enny Parejgo

85 Os cursos de formação de docente e a intricada relação


Inclui referências bibliográficas
professor/aluno
Sonia Regina A Lbanode Lima
1. Música. 2.2 Música - Ensino. I. Lima, Sonia Regina
Albano de. 97 Ciência e Performance Musical: relatos de experiências e
CDU78 aplicações pedagógicas
Sonia Ray

107 Performance na música popular: uma questão interdisciplinar


Índice para catálogo sistmático
Liliana Harb Bollos
1. Música 78
125 O conceito e o comportamento: reflexões sobre o folclore
Niornar de Souza Pereira
Impresso no Brasil
Printed in BraziL
2009