Vous êtes sur la page 1sur 11

Autor : MINISTÉRIO PÚBLICO DO TRABALHO

Ré : IUNI EDUCACIONAL S/A

ATA DE AUDIÊNCIA

Aos 17 dias do mês de outubro do ano de 2012, na sala de audiências da 9ª


Vara da Justiça do Trabalho de Cuiabá MT, onde presente se encontrava a MM. Juíza
Titular, Roseli Daraia Moses, realizou-se a presente audiência relativa a Ação Civil Pública
entre as partes:

Autor : MINISTÉRIO PÚBLICO DO TRABALHO


Ré : IUNI EDUCACIONAL S/A

Às 14:22 horas, por ordem da MM. Juiz do Trabalho foram apregoadas as


partes, ausentes.
Em seguida, foi proferida a seguinte

S E N T E N Ç A

O MINISTÉRIO PÚBLICO DO TRABALHO, ajuizou Ação Civil Pública com


pedido de medida liminar, em 22.05.2012, em desfavor de IUNI EDUCACIONAL S/A, já
qualificada, aduzindo em síntese que recebeu denúncia de que determinado grupo de
empregados da ré foram submetidos a evento humilhante, vexatório e degradante, oriundo
da mesma circunstância de fato, a dispensa de alguns empregados em 29.07.2009, que teria
sido feita e modo abusivo.
Argumenta ainda que em várias ações judiciais foi reconhecido o direito à
indenização por danos morais decorrentes do evento, com decisões transitadas em julgado.
Sustenta que a conduta da ré não viola somente a dignidade do grupo de
Processo: 0000661-68.2012.5.23.0009 Pag.1
empregados que participaram diretamente do evento que resultou nas ofensas mas de todos
os empregados, vez que a conduta patronal instaura clima de terror, apreensão.
Alega que é recorrente na ré a prática de condutas abusivas causadoras de
danos, considerando o número de ações trabalhistas em que figura no polo passivo e que
têm como objeto pedido de indenização referente a danos morais, de onde resulta um modus
operandi nefasto que tem como objetivo fragilizar a coletividade de trabalhadores, criando
um clima de temor com o fito de impedir a reivindicações de seus direitos.
Ao final, requer a condenação da ré no cumprimento da obrigação de se
abster de utilizar práticas vexatórias ou humilhantes contra seus empregados, não tolerar
atos que manifestem preconceito ou assédio, e de tornar disponíveis canais de comunicação
para recebimento de queixas e denúncias, bem como, promover acompanhamento de
conduta de seus empregados que tenham praticado atos discriminatórios, além da
condenação nos pedidos relacionados às f. 37/39.
Atribuiu à causa o valor de R$ 1.000.000,00.
A inicial veio instruída com os documentos de f. 41/178.
Liminar indeferida à f. 179.
Defesa escrita (f. 202/217), instruída com os documentos de f. 218/233, com
manifestação do autor às f. 235/242.
Encerrada a instrução processual sem outras provas.
Razões finais orais remissivas.
Infrutíferas as propostas de conciliação formuladas a tempo e modo.
É o relatório.
Decido.

PRELIMINARES

INCOMPETÊNCIA DA JUSTIÇA DO TRABALHO

A ré argui, em preliminar, a incompetência da Justiça do Trabalho para


solucionar a presente ação, ao argumento que a questão não decorre da relação entre
trabalhador e empregador, inexistindo direitos sociais controvertidos derivados de uma
relação entre trabalhador e empregador, na medida em que as ações individuais descrevem
os supostos trabalhadores afetados.
Sem razão a ré.
As condições do meio ambiente de trabalho integram o próprio contrato de
trabalho. Logo, as supostas condições degradantes de meio ambiente laboral denunciadas
nesta ação correspondem a uma controvérsia decorrente da relação de trabalho, nos termos
do art. 114 da Constituição Federal.
Mesmo antes da EC 45, o Supremo Tribunal Federal, intérprete máximo do
Texto Constitucional, já havia se posicionado reconhecendo a competência da Justiça do
Trabalho para o julgamento de ação civil pública que tenha por objeto a preservação do meio

Processo: 0000661-68.2012.5.23.0009 Pag.2


ambiente laboral:

“Compete à Justiça do Trabalho o julgamento de ação civil


pública que tenha por objeto a preservação do meio ambiente
trabalhista e o respeito irrestrito às normas de proteção do
trabalho. Com esse entendimento, a Turma julgou procedente
recurso extraordinário, para reformar Acórdão do STJ que, ao
dirimir conflito negativo de competência estabelecido entre a 4ª
Junta de Conciliação e Julgamento de Juiz de Fora e o Juízo de
Direito da Fazenda Pública, assentava a competência da
Justiça comum para o julgamento da ação civil pública,
entendendo ser esta uma verdadeira ação de acidente do
trabalho. Trata-se, na espécie, de ação civil pública proposta
pelo Ministério Público do Estado de Minas Gerais contra vinte
e um bancos, em que se busca o cumprimento da legislação
trabalhista diante da precariedade das condições e do ambiente
do trabalho oferecidas pela rede bancária de Juiz de Fora,
quais sejam, a extrapolação da jornada de trabalho e o
conseqüente aparecimento de lesões pelo esforço repetitivo —
LER. (STF – RE n. 206.220-1-MG – Ac. 2.ª T. – 16.3.1999 – rel.
Min. Marco Aurélio – Revista LTr 63-5/628-630).

O direito ao meio ambiente laboral saudável, livre da prática de assédio moral,


é garantido a toda a coletividade de empregados, razão pela qual, sua proteção, por meio da
ação civil pública, deve ser exercitada perante esta Justiça Especializada, que tem
competência para conhecer da presente ação, nos termos do art. 114, IX, da Constituição
Federal.
Rejeito.

CARÊNCIA DE AÇÃO

Embora reconheça a legitimidade do autor para manejar a ação civil pública,


a ré sustenta que é carecedor do direito de ação porque reúne em uma ação, a somatória de
interesses individuais episódicos e assimétricos, se comparados ao universo de
trabalhadores existentes no local onde as supostas lesões jurídicas ocorreram, não se
confundindo essa somatória de interesses individuais com os direitos ou interesses coletivos
ou difusos, a serem defendidos em ação civil pública.
Busca o MPT, com esta ação civil pública, resguardar a qualidade do meio
ambiente laboral, evitando que sejam praticados danos contra toda a coletividade de
empregados da ré.

Processo: 0000661-68.2012.5.23.0009 Pag.3


Ressalte-se que o meio ambiente do trabalho envolve a tutela de interesse
coletivo, já que todos têm direito a um ambiente laboral saudável, onde é preservada não só
a integridade física, por meio de observância de normas de segurança e higiene, como
também a integridade psíquica dos trabalhadores, mediante a preservação do respeito à
dignidade da pessoa humana.

Os atos ilícitos atribuídos à ré atingem de forma coletivizada direitos


sociais comuns do grupo de trabalhadores, ligados entre si por vínculo jurídico comum,
consistente na relação de emprego com um mesmo empregador e o autor busca a reparação
do dano moral causado a essa coletividade bem como o deferimento de medidas que inibam
a reiteração de atos lesivos, de modo a proteger os interesses coletivos com vistas para o
futuro, de modo que novos empregados não venham a ser atingidos pelas mesmas práticas
abusivas.

Quer se afirme interesses coletivos ou particularmente interesses


homogêneos, stricto sensu, ambos estão cingidos a uma mesma base jurídica, sendo coletivos,
explicitamente dizendo, porque são relativos a grupos, categorias ou classes de pessoas, que
conquanto digam respeito às pessoas isoladamente, não se classificam como direitos
individuais para fim de ser vedada a sua defesa em ação civil pública, porque sua concepção
finalística destina-se à proteção desses grupos, categorias ou classe de pessoas. (STF -
RE-163.231-3-SP, Rel. Min. Maurício Corrêa, DJ 29.06.2001).
A natureza dos atos imputados ao empregador transcende a esfera individual
de cada empregado, porque gera efeitos maléficos sobre todo o meio ambiente laboral,
impactando toda a coletividade.
Não se trata, pois, de uma soma de direitos individuais “episódicos e
assimétricos”, mas da tutela de interesse coletivo.
Rejeito a preliminar.

MÉRITO

DA TUTELA INIBITÓRIA E DOS DANOS MORAIS COLETIVOS

O autor afirma que recebeu denúncia da 8ª Vara do Trabalho de Cuiabá,


acerca da existência de situação humilhante e vexatória no ato de dispensa de determinado
grupo de empregados, ocorrido em 29.07.2009.
Afirma que a conduta da ré foi considerada ilícita e ensejadora de danos
morais, em várias ações judiciais com decisões passadas em julgado.
Sustenta que há violação aos direitos individuais homogêneos e coletivos,
porque além da violação aos direitos daqueles que foram dispensados, instaura clima de
temor, terror e apreensão, vez que qualquer um poderá ser a próxima vítima de execração
pública. Sustenta que o assédio moral praticado contra alguns visou aplicar a

Processo: 0000661-68.2012.5.23.0009 Pag.4


“administração por stress” com o objetivo de fragilizar os trabalhadores.
Afirma ainda que é comum a ré figurar no polo passivo de ações trabalhistas
cujo objeto é a reparação de danos morais, apontando ações onde transacionou indenização
por danos morais, alegando ainda ter constatado com as investigações, que o assédio moral
é prática recorrente na instituição, atingindo a todas as camadas de trabalhadores, de
serviços gerais a professores, passando pela administração, revelando modus operandi
nefasto.
A ré defende-se negando a prática de assédio moral, argumentando ainda que
os documentos acostados à ação comprovam que danos já foram reparados individualmente,
não configurando dano moral coletivo, sendo desnecessária a denúncia da 8ª Vara do
Trabalho, afirmando zelar por suas obrigações de sempre respeitar seus empregados.
Afirma não caracterizada a prática de ato ilícito, culpabilidade e dano.
Resta pacificada pela jurisprudência do TRT da 23ª Região, a classificação da
conduta da ré no episódio relativo à dispensa de alguns empregados, como abusiva e
ofensiva à dignidade daqueles trabalhadores dispensados, individualmente considerados.
Com efeito, a ré não dá justificativa razoável para o procedimento adotado
para dispensar empregados, convocando uma “plateia” para acompanhar a realização das
dispensas, aguardando reunidos a saída dos colegas pessoalmente convocados, mantendo-se
em expectativa de serem chamados ou não para a reunião onde era comunicada a dispensa
e dividindo com os colegas dispensados o constrangimento da exposição pública.
Além do dano moral individual cometido contra cada um dos que foram
submetidos a uma exposição vexatória e desnecessária, a conduta da ré foi capaz de incutir,
o temor nos demais empregados convocados para a reunião e não dispensados, e de todos os
demais que, ainda que não convocados, vieram a tomar conhecimento do episódio, de se
verem expostos em situação semelhante, rompendo desnecessariamente com o equilibro que
deve ser mantido no ambiente laboral, lugar que, ressalte-se, deve ser de afirmação da
dignidade e não de destruição da personalidade.
Sob este prisma, deve ser considerado que o poder diretivo do empregador
deve ser exercido dentro dos limites da ética e boa fé, sem abuso e sem violação à dignidade
da pessoa humana, um dos fundamentos da República Federativa do Brasil, o que não se
verifica aqui, onde a ré valendo-se da sua posição hierarquicamente superior, emprega
subterfúgios para minar as forças psíquicas dos empregados.
E, as decisões carreadas aos autos com a exordial revelam que, além das
condenações decorrentes dos danos morais individuais causados aos empregados
dispensados em 29.07.2009, houve o reconhecimento em pelo menos duas outras vezes, da
prática de assédio moral contra empregados, sendo importante destacar do acórdão
proferido nos autos nº 0110200-35.2009.5.23.0021, as seguintes afirmações:

“...Assim, quando as reclamadas deixaram a autora na inação e,


ainda, desmoralizada perante os demais colegas de trabalho que,
inclusive, implorou para que a preposta e os coordenadores que lhe
dessem aulas para ministrar, praticou agressões de ordem psíquica e
Processo: 0000661-68.2012.5.23.0009 Pag.5
outras, capazes de perturbar a estabilidade emocional e física da
reclamante; num ambiente moralmente afetado, numa postura que
contraria a razão de ser do Direito do Trabalho, em especial quando
usou das habilidades da autora tão somente para atingir seus
objetivos e depois “descartou-a”. Ficou evidente o cometimento de ato
ilícito e por isso deve ser responsabilizado por qualquer dano
sobrevindo daquela ação.
Portanto, ao justificar a conduta abusiva de seu preposto como
exercício normal do poder de direção, o empregador extrapola os
limites do contrato de trabalho (que não se acortina amplamente pelo
jus variandi), pois deveria estimular laços de cooperação mútua no
ambiente de trabalho, e em razão disso se vê responsabilizado de
forma objetiva pelos atos danosos de seus prepostos, consoante se
infere do texto do art. 932, III, e 933 do Código Civil. Ou seja,
evidenciado que os comandados das rés agiram abusiva e
dolosamente de modo a degradar o ambiente de trabalho e maltratar
psicologicamente a vítima, desnecessária a persecução de culpa da
empresa, que responderá objetivamente pelo dano causado.
Logo, comprovado que o psicoterror cometido pelos prepostos das rés
danificou o direito de personalidade da vítima, ao por em perigo seu
emprego e degradar o ambiente de trabalho, correta a sentença que
condenou a reparar o dano moral advindo daquela ação dolosa, tendo
em vista a manipulação perversa empreendida...” (g.n.)

E nos autos n. 0054200-35.2010.5.23.0003, onde a condenação da ré se deu


por restar reconhecida a prática de assédio moral, com prejuízo à saúde da trabalhadora,
pela exigência de cumprimento de metas excessivas, tarefas e jornadas extenuantes (f.
151/164).

O dano moral coletivo, na lição de José Affonso Dallegrave Neto, "é aquele que
decorre da ofensa do patrimônio moral de uma coletividade, ou seja, exsurge da
ocorrência de fato grave capaz de lesar a personalidade de um grupo, classe ou comunidade
de pessoas e, por conseguinte, de toda a sociedade em potencial." (Dallegrave Neto, José
Affonso. Responsabilidade Civil no Direito do Trabalho. 2ª ed. São Paulo: Ltr, 2007, p. 163).
Ainda, da lição da melhor doutrina, extrai-se os ensinamentos de Xisto
Medeiros:

“Destaque, mais uma vez, o pensamento de Gabriel A. Stiglisz, ao


abordar a titularidade de interesses materiais e morais pela
coletividade: “a caracterização do sujeito afetado já não é mais a da
pessoa física individual ou concorrente, nem a de existência ideal,
mas de um grupo ou categoria que, coletivamente e por uma mesma
causa global, se vê afetada em direitos ou interesse de significação
vital, que, sem dúvida, são tutelados de maneira especial pela
Processo: 0000661-68.2012.5.23.0009 Pag.6
Constituição e pela lei.
É o que se verifica, por exemplo, conforme antes externado, em
relação ao direito à preservação do meio ambiente sadio, à
conservação do patrimônio histórico e cultural, à garantia da
moralidade pública, ao equilíbrio e equidade nas relações de consumo,
à transparência e à honestidade nas manifestação publicitárias, à
justiça e boa-fé nas relações de trabalho, à não-discriminação das
minorias, ao respeito às diferenças de gênero, raça e religião, à
consideração e proteção aos grupos de pessoas portadoras de
deficiência, de crianças e adolescentes e de idosos.” (Dano Moral
Coletivo. São Paulo: Ltr, 2007, p. 128, g.n)

Nos termos do artigo 187 do Código Civil, comete ato ilícito o titular de um
direito que, ao exercê-lo, excede manifestamente os limites impostos pelo seu fim
econômico ou social, pela boa-fé ou pelos bons costumes.
É o abuso de direito, impondo o art. 927 a obrigação ao causador de reparar
os danos.
Os grupos sociais, titulares de direitos transindividuais são dotados de
determinados padrões éticos e não apenas o indivíduo pessoalmente considerado. Assim,
além dos danos morais individualmente considerados, a conduta da ré no episódio da
dispensa de empregados foi apta a causar um dano moral à coletividade de empregados,
formada por centenas de trabalhadores, participantes ou não da reunião, e que também
sofrem consequências pelo ato abusivo da ré, submetidos que foram à degradação do meio
ambiente de trabalho.
Nesse contexto, a degradação do meio ambiente laboral expõe toda a
coletividade de empregados, justificando a condenação não no dano moral coletivo como
também na tutela inibitória postulada.

Diante de todo o exposto, defere-se a pretensão do Autor deduzida na petição


inicial e condena-se a Ré no cumprimento das seguintes obrigações:

a) abster de praticar, por qualquer de seus representantes, administradores, diretores,


gerentes ou pessoas que possuam poder hierárquico, de utilizar práticas vexatórias ou
humilhantes contra seus empregados, diretos ou terceirizados, na admissão ou no curso do
contrato de trabalho, notadamente as que consistam em: agredir física ou moralmente,
humilhar, intimidar, perseguir, ofender, criar e divulgar boatos, utilizar práticas
dissimuladas com finalidade de punição ou perseguição, bem como tratar os

Processo: 0000661-68.2012.5.23.0009 Pag.7


empregados com rigor excessivo ou exercer sobre estes qualquer tipo de pressão indevida,
como também qualquer outro comportamento que os submeta a constrangimento físico ou
moral ou que atente contra a honra, a moral e a dignidade da pessoa humana, sob pena de
multa de R$ 20.000,00 (vinte mil reais) por infração e por trabalhador vitimado pela prática
de assédio moral, a qual será revertida em favor do FAT;

b) adotar medidas efetivas para coibir a prática de assédio moral, informando-a


detalhadamente nos autos no prazo de 60 dias;

c) – promover, por intermédio de profissional da área de psicologia organizacional, no prazo


de 60 dias, diagnóstico do meio ambiente psicossocial do trabalho, tendo como objetivo a
identificação de qualquer forma de assédio moral ou psíquico dos trabalhadores;

d) – adotar estratégias eficientes de intervenção precoce que vierem a ser indicadas pelo
profissional mencionado no item anterior, visando à preservação da higidez do meio
ambiente do trabalho e do clima de recíproco respeito na empresa;

e) – implementar normas de conduta que visem à construção de um ambiente de trabalho


saudável e de respeito à honra, à reputação, à liberdade e à dignidade de seus empregados;

f) – realizar, a cada seis meses, palestras de conscientização dos trabalhadores para a


manutenção de ambiente de trabalho moralmente sadio, durante 2 anos, orientando
principalmente os trabalhadores exercentes de cargos de chefia, como identificar e resolver
eventuais conflitos que venham ou possam vir a caracterizar discriminação e/ou assédio
moral praticado por superiores hierárquicos e/ou colegas de trabalho;

g) – repudiar, por parte de seus prepostos, quaisquer atos que manifestem preconceito ou
assédio, investigando o fato e punindo os responsáveis;

h) – tornar disponíveis e disciplinar a utilização de canais específicos para o recebimento de


queixas dos empregados ou denúncia relativa a práticas discriminatórias e/ou assédio e/ou
desigualdade de tratamento, promovendo a investigação com adoção das providências
necessárias;

Processo: 0000661-68.2012.5.23.0009 Pag.8


i)– promover o acompanhamento da conduta dos seus empregados que, comprovadamente,
tenham praticado atos discriminatórios ou de assédio, de modo a impedir a ocorrência de
tais atos.

j) pagar indenização por danos morais coletivos no importe de R$ 100.000,00 (cem mil
reais), a qual será revertida em favor do FAT - Fundo de Amparo ao Trabalhador, expressão
monetária nesta data, valor que considero razoável, considerando que associado às demais
medidas inibitórias.
Destarte, acolho tão somente em parte o pedido de indenização por danos
morais coletivos, decorrente de lesão genericamente causada, por considerar
desproporcional o valor de R$1.000.000,00, atribuído ao pedido, mesmo que se considere a
elevada capacidade econômica da ré.

A fiscalização do cumprimento das obrigações determinadas nesta sentença


deverá ser efetuada pela Superintendência do Trabalho e Emprego em Mato Grosso ou pelo
Ministério Público do Trabalho – Procuradoria Regional do trabalho da 23ª Região, dando-se
inicio à execução da multa diária a ser fixada pelo Juízo acaso noticiado e comprovado o
descumprimento das obrigações positivas e negativas constantes das alíneas “b” a “i” desta
decisão.

Ante todo o exposto, rejeito as preliminares arguidas e no mérito, julgo


PARCIALMENTE PROCEDENTES os pedidos formulados s na petição inicial da Ação Civil
Pública processo n.º 0000661-68.2011.5.23.0009, ajuizada por MINISTÉRIO PÚBLICO DO
TRABALHO em desfavor de IUNI EDUCACIONAL S/A, para condenar a Ré ao adimplemento
dos títulos deferidos na fundamentação, consistentes em obrigações de dar, fazer e não fazer
de:

a) abster de praticar, por qualquer de seus representantes, administradores, diretores,


gerentes ou pessoas que possuam poder hierárquico, de utilizar práticas vexatórias ou
humilhantes contra seus empregados, diretos ou terceirizados, na admissão ou no curso do
contrato de trabalho, notadamente as que consistam em: agredir física ou moralmente,
humilhar, intimidar, perseguir, ofender, criar e divulgar boatos, utilizar práticas
dissimuladas com finalidade de punição ou perseguição, bem como tratar os

Processo: 0000661-68.2012.5.23.0009 Pag.9


empregados com rigor excessivo ou exercer sobre estes qualquer tipo de pressão indevida,
como também qualquer outro comportamento que os submeta a constrangimento físico ou
moral ou que atente contra a honra, a moral e a dignidade da pessoa humana, sob pena de
multa de R$ 20.000,00 (vinte mil reais) por infração e por trabalhador vitimado pela prática
de assédio moral, a qual será revertida em favor do FAT;

b) adotar medidas efetivas para coibir a prática de assédio moral, informando-a


detalhadamente nos autos no prazo de 60 dias;

c) – promover, por intermédio de profissional da área de psicologia organizacional, no prazo


de 60 dias, diagnóstico do meio ambiente psicossocial do trabalho, tendo como objetivo a
identificação de qualquer forma de assédio moral ou psíquico dos trabalhadores;

d) – adotar estratégias eficientes de intervenção precoce que vierem a ser indicadas pelo
profissional mencionado no item anterior, visando à preservação da higidez do meio
ambiente do trabalho e do clima de recíproco respeito na empresa;

e) – implementar normas de conduta que visem à construção de um ambiente de trabalho


saudável e de respeito à honra, à reputação, à liberdade e à dignidade de seus empregados;

f) – realizar, a cada seis meses, palestras de conscientização dos trabalhadores para a


manutenção de ambiente de trabalho moralmente sadio, durante 2 anos, orientando
principalmente os trabalhadores exercentes de cargos de chefia, como identificar e resolver
eventuais conflitos que venham ou possam vir a caracterizar discriminação e/ou assédio
moral praticado por superiores hierárquicos e/ou colegas de trabalho;

g) – repudiar, por parte de seus prepostos, quaisquer atos que manifestem preconceito ou
assédio, investigando o fato e punindo os responsáveis;

h) – tornar disponíveis e disciplinar a utilização de canais específicos para o recebimento de


queixas dos empregados ou denúncia relativa a práticas discriminatórias e/ou assédio e/ou
desigualdade de tratamento, promovendo a investigação com adoção das providências
necessárias;

i)– promover o acompanhamento da conduta dos seus empregados que, comprovadamente,


tenham praticado atos discriminatórios ou de assédio, de modo a impedir a ocorrência de
tais atos.

j) pagar indenização por danos morais coletivos no importe de R$ 100.000,00 (cem mil
reais), a qual será revertida em favor do FAT.

Processo: 0000661-68.2012.5.23.0009 Pag.10


Tudo nos termos da fundamentação supra que fica fazendo parte integrante
deste dispositivo.
As verbas deferidas na condenação são reconhecidas e declaradas como de
natureza indenizatória.
Juros e correção monetária, em relação ao valor fixado a título de indenização
por danos morais coletivos, os mesmos deverão incidir a partir da data da publicação da
presente sentença.
Observem-se, ainda, os provimentos da Corregedoria deste Regional e da
Corregedoria Geral da Justiça do Trabalho.
Custas processuais no importe de R$ 2.000,00 a cargo da ré, calculadas sobre
o valor da condenação, de R$ 100.000,00.
Ciente a ré.
Intime-se o Ministério Público do Trabalho mediante a remessa dos autos.
Nada mais.
Encerrou-se às 14h23.

ROSELI DARAIA MOSES


Juíza do Trabalho

Processo: 0000661-68.2012.5.23.0009 Pag.11